Quando há alimentos proibidos

Mesmo com a alimentação mais saudável do mundo, todos estamos sujeitos a que uma alergia alimentar invada a nossa vida e mude para sempre a nossa dieta. Para muitas pessoas, alimentar-se é mesmo uma doença. Calcula-se que cerca de 2% dos adultos portugueses e 5 a 10 % das crianças seja afectada por este tipo de alergia. Sem outra cura, a única solução passa por eliminar da dieta todos os alimentos a que é sensível. O que está longe de ser tarefa simples. Os rótulos das embalagens tornam-se de leitura obrigatória e é preciso estar atento aos perigos escondidos noutros alimentos. Urticária generalizada, lábios ou língua inchados, respiração sibilante e dificuldade em respirar, dores de estômago, vómitos e diarreia podem surgir após ingerir um alimento a que é alérgico. Por vezes, nem é preciso comer para ter sintomas. A inalação durante a preparação ou o contacto com a pele podem ser suficientes para uma reacção do organismo. Nalguns casos mais graves, o contacto com a substância alergénica pode ter outras consequências, como inchaço da laringe, asma aguda ou choque anafiláctico, que obrigam o doente a recorrer, de imediato, às urgências hospitalares. Será que tenho uma alergia alimentar? Nenhum teste pode dizer, com rigor, qual o alimento causador da alergia. Esta hipersensibilidade pode ter existido sempre, desde a infância ou aparecer numa altura em que as defesas do organismo estão mais débeis. Com o avançar da idade, as alergias tendem a atenuar-se ou até mesmo a desaparecer. É o caso, por exemplo, das alergias ao leite de vaca, aos ovos, ao peixe e aos cereais, que são as mais frequentes nas crianças, mas raras nos adultos. Nestes, predomina as alergias aos frutos secos, como as nozes e as avelãs, à fruta fresca, ao peixe e ao marisco. Muitas pessoas alérgicas ou hipersensíveis não sabem que o são. Até porque nem sempre consultam o médico quando surgem os sintomas. Para descobrir o "inimigo", numa primeira fase, o doente é aconselhado a anotar, durante algumas semanas, tudo o que come e bebe, bem como os ingredientes indicados na embalagem dos alimentos que consome. Também deve registar os sintomas, a altura em que surgem e o tempo que duram. Depois de eliminar da dieta, por algum tempo, os potenciais culpados, o doente deve reintroduzi-los, um a um, na sua alimentação. Caso os sintomas reapareçam, será necessário fazer análises e/ou testes cutâneos para chegar ao responsável pela alergia. As crianças e as alergias alimentares Detectar, prevenir e tratar são as palavras-chave de um tormento que começa, para alguns, logo ao nascer. Os primeiros meses de vida são os mais sensíveis às alergias, pois a parede intestinal do recém-nascido permanece imatura até aos 2 anos. Dos 0 aos 4 meses de idade, a alergia ao leite de vaca é a mais frequente. Possível, mas mais rara, é a alergia ao leite materno. O tratamento passa por eliminar todos os produtos lácteos, substituindo-os por leite especial (hidrolisado de proteínas). Nalguns casos, a alergia desaparece entre os 18 meses e os 3 anos. Ovo e peixe são também causas frequentes de alergias em crianças com menos de três anos. Contudo, uma alergia alimentar pode manifestar-se em qualquer idade. Se os novos alimentos forem introduzidos muito cedo na dieta da criança, há um risco maior de desenvolver uma alergia. Da mesma forma, os filhos de pais alérgicos têm também uma maior predisposição para sofrer deste problema.

soja. nozes. à luz de novos conhecimentos científicos.frutos de casca rija (avelã.crustáceos.mostarda. pelo menos. Rótulos. sem que nada se dissesse na embalagem. infelizmente. . de substâncias alergénicas.aipo.sementes de sésamo. um dos ingredientes alergénicos. .O plano de prevenção deve ser concertado com o pediatra do seu filho.cereais com glúten (trigo. para permitir a inclusão ou supressão de certos ingredientes ou substâncias alergénicas. as frutas e legumes devem ser sempre cozidos. Esta revisão deve basear-se em critérios estabelecidos pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. amêndoa. na lista de ingredientes. . . caju. encontrámos vestígios de avelã. . . . depois do sexto mês de idade. durante o primeiro ano de idade. Num teste a várias amostras de alimentos. Em 2005. por mínimas que sejam.ovos. introduzir um alimento novo de cada vez.). Para reduzir o risco de alergia. cevada. centeio. uma leitura obrigatória Antes de comprar. evitar o leite de vaca. . Mas.leite e derivados (incluindo lactose). e produtos à base dos anteriores. tal não é uma garantia. para verificar se existem ingredientes alergénicos. sem introduzir outro alimento. . por exemplo.amendoins. e durante o maior tempo possível. de preferência. Alergénios obrigatórios no rótulo Fazem parte da lista estabelecida pela directiva comunitária os seguintes ingredientes alergénicos: • • • • • • • • • • • • .peixes. etc. leia com atenção os rótulos dos produtos. O grupo dos alimentos mais susceptíveis a desencadear alergias deve ser revisto periodicamente. aveia). . . .dióxido de enxofre e sulfitos acima de 10 mg/l. a transposição de uma directiva europeia tornou obrigatória a indicação. Aqui ficam alguns conselhos: • • • amamentar exclusivamente.