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ANDRÉIA CRISTINA DOS SANTOS - RA 1051483 ROSALENE SILVANO DA SILVA MORAIS - RA 1051491 Curso de Licenciatura em Educação Artística – Artes

Visuais

OS FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS DO ENSINO DE ARTE NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA ANA MARIA NEGRELE BAGGIO

CURITIBA 2011

OS FUNDAMENTOS METODOLÓGICOS DO ENSINO DE ARTE NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA

RESUMO
Este estudo apresenta uma análise sobre os fundamentos metodológico do ensino de arte na escola contemporânea, tomando como pressuposto as mudanças ocorridas após a elaboração das novas diretrizes curriculares para o ensino de arte. Trata de uma abordagem apresentada após a análise bibliográfica de fontes teóricas relacionadas ao assunto cujo objetivo é reconhecer a importância do uso de metodologias diferenciadas para o ensino de artes e a sua influência no desenvolvimento ético e estético dos educandos em relação à formação de cidadania. O trabalho está dividido em dois itens que analisam, primeiramente o ensino de arte na escola atual e, o segundo aborda as determinações para o ensino de arte na perspectiva da Lei de Diretrizes e Bases 9304/96. Enfim, compreende-se que o uso de metodologias diferentes para o ensino de artes torna possível reconhecer a sua influência no desenvolvimento ético e estético dos educandos em relação à formação de cidadania. Palavras-Chave: Arte, Educação, Legislação educacional, Cidadania.

Diante disso.394/96 o que implica na adoção de novas metodologias para o ensino de arte nas escolas brasileiras. Considera-se que a falta de professores habilitados para a disciplina de artes em grande parte das escolas conduz naturalmente à prática de que educadores de outras disciplinas assumam o seu ensino nas escolas de Ensino Fundamental e Médio. além disso. compreendendo os diferentes processos de aprendizagem das múltiplas linguagens. Acredita-se que a reflexão sobre a prática educativa do ensino de artes pode contribuir para melhorar o aproveitamento e despertar os alunos e os arte educadores para a necessidade de possuir bons conhecimentos no desenvolvimento da disciplina e na socialização do conhecimento.INTRODUÇÃO Este estudo analisa as mudanças estruturais determinadas pelas Diretrizes Curriculares adequadas à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Lei nº. reflexivos. intervindo na sociedade. buscando ampliar os . este estudo tem como objetivo reconhecer a importância do uso de metodologias diferenciadas para o ensino de artes e a sua influência no desenvolvimento ético e estético dos educandos em relação à formação de cidadania. num contexto histórico-social. O estudo dos fundamentos metodológicos do ensino de arte pode contribuir para a formação dos educadores que empreendem essa prática nas escolas. 9. Esse procedimento traz consequências para um ensino que tem como objetivo a construção do conhecimento ético e estético dos alunos em relação à formação cidadã. responsáveis. desta forma há que se refletir sobre como alcançar esse ideal se as práticas educativas de arte encontram-se desvalorizadas no contexto da elaboração das propostas pedagógicas e dos currículos educacionais. A formação do arte educador não está adequada à realidade educacional proposta pelas diretrizes curriculares vigentes. a falta de contextualização do conhecimento de arte impôs à disciplina uma predisposição a ser mantida num plano inferior dentro da sistemática educacional. ousados. capazes de criar novas possibilidades de elaboração artística. pois a metodologia desenvolvida pelos educadores que não possuem formação na área dificilmente atende às necessidades de aprendizagem dos alunos. pode-se considerar que o ensino de arte permaneceu por longo do tempo relegado a um plano inferior nos currículos escolares brasileiros. A educação contemporânea brasileira define o conhecimento da arte como indispensável para formação de cidadãos criativos. sensíveis.

conhecimentos de metodologia do ensino de Arte. como ser criador que se transforma e transforma a natureza através do trabalho. compreender a significação da arte no processo de humanização do homem. Enfim. . 9. analisar o papel da arte na formação da percepção e da sensibilidade do aluno. os dois itens abordados compreendem a análise do que é o ensino de arte na atualidade e o que deveria ser segundo a legislação vigente. Portanto este estudo desenvolve-se em dois itens fundamentais a serem devidamente analisados o primeiro está relacionado ao ensino de arte na escola contemporânea e o segundo item compreende uma análise do ensino de arte da forma prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) Lei nº.394/96.

utilizando a pesquisa bibliográfica para realizar uma análise do ponto de vista empírico.METODOLOGIA A pesquisa realizada é de cunho qualitativo e partirá da análise de ampla bibliografia. . compreender como pode ocorrer a contextualização do ensino de artes. contribuindo ao mesmo tempo com a formação de educandos críticos e situados histórica e politicamente. A coleta de dados atém-se na busca de bibliografia pertinente que possa concorrer para a elaboração de ideias que justifiquem o objetivo da pesquisa. o que segundo Gil (2002) pode ser caracterizada como uma pesquisa exploratória e ser delineada de modo a se valer de fontes de papel. ou seja. O aprofundamento do estudo conduz para uma reflexão sobre a dinâmica do ensino e do aprendizado. Assim. os dados serão coletados através de leitura e pesquisa bibliográfica e analisados através da comparação entre os vários autores que se relacionam com a temática em questão.

não apenas fazer algo. o que contribuiu para que fosse abandonada a prática de fazer da disciplina apenas um meio de preparar as comemorações festivas e cívicas. caracterizando pouco compromisso com o conhecimento da linguagem artística. a arte foi incluída nos currículos escolares com o nome de educação artística através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. não despertava o interesse dos alunos. nas aulas de Arte. passou-se a enfatizar a livre expressão nos meios escolares. onde era privilegiada a técnica e o estudo dirigido que davam ao aluno e ao professor um papel secundário dentro da organização escolar. que adotou o ideal do pensador e professor Paulo Freire. Em 1988. Isso foi explicado pelo fato de que a educação artística não era devidamente avaliada. seguida da pedagogia tecnicista. os professores enfatizavam que o aluno deveria saber construir sem se importar com os aspectos técnicos e com o uso diversificado de materiais. porém ainda não era uma disciplina. passou-se a discutir novas técnicas educacionais. Barbosa (1994) comenta que no final da década de 80.DESENVOLVIMENTO A ARTE NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA O ensino de Arte nas escolas brasileiras passou por muitas modificações evoluindo de modo significativo ao longo dos anos. Assim. deixando de ser vista como aulinha de desenho e o professor de arte deixou de ser o organizador de festas e eventos na escola. ou seja. o que levou aquelas pessoas a fazerem aquela obra. Essa pedagogia era voltada para uma perspectiva de consciência crítica da sociedade. também saber de onde veio o que ela está fazendo. mas uma atividade educativa. . a pessoa que aprende Arte deve saber. Somente depois da década de 70 passou a ser desenvolvida a pedagogia libertadora. Neste período. O ensino de Arte deve seguir o que ela chama de Metodologia Triangular que é composta pela História da Arte. tomando como princípio a discussão sobre a Nova Lei de Diretrizes e Bases. não reprovava nenhum aluno e. privilegiando a espontaneidade. com o desenvolvimento da pedagogia nova. pela leitura da obra de arte e pelo fazer artístico. por isso não era vista como uma disciplina. Esta discussão surgiu da necessidade de se repensar o Ensino de Artes. A partir da metade do século XX. mas. ameaçou-se excluir a arte do currículo.

após a LDB Lei nº. Essa dubiedade da arte torna-a valiosa na educação. Somente após a realização de muitos estudos específicos sobre as implicações sociais da arte na vida dos educandos desenvolvendo-lhes a criatividade. Assim.394/96. é que os arte educadores tiveram como resposta a adoção de uma nova visão sobre a educação de arte e sua importância na formação dos cidadãos. os três gigantes da Filosofia da Educação. na economia.12). inserindo-a nos padrões sociais que operam na sociedade. Em arte não há certo ou errado. Cognição é o processo pelo qual o organismo torna-se consciente de seu meio ambiente.)refinar os sentidos e alargar a imaginação é o trabalho que a arte faz para potencializar a cognição. na política. ou seja o ensino não era contextualizado. ao criarem suas obras artísticas. (. onde o aluno nunca sabia para que servia o que estava aprendendo.para assim. Além disso. mas sim o mais ou o menos adequado. e explorando suas circunstâncias. As propostas pedagógicas. podendo perceber a mensagem o que o artista quis passar através da sua obra. das imagens prontas para colorir. Atualmente. os professores e o sistema educacional em geral buscam viabilizar a construção de uma percepção que leve o aluno a adquirir consciência crítica. ativa . dando sentido à Arte. fazerem à leitura da obra. 2005. se encontram e nos alertam acerca da importância da arte para nos permitir tolerância à ambiguidade e a exploração de múltiplos sentidos e significações.. O ensino da arte antes da LDB limitava-se ao estudo do desenho geométrico. Paulo Freire e Elliot Eisner. poderão criar algo que transmita uma mensagem. mas procura-se contextualizar a obra de arte no tempo.. da ausência de objetivos nos temas determinados. A base teórica para se estudar os fundamentos atuais do ensino de arte adequados à realidade da escola contemporânea. John Dewey. o mais ou o menos inventivo (BARBOSA. p. os estudos realizados por Ana Mae Barbosa são tomados como elementos fundamentais para se desenvolver uma reflexão crítica desse fazer educacional. necessita estar voltada para análise dos processos de ensino que foram implantados nas escolas a partir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases e que incidiram diretamente sobre os objetivos do ensino dessa disciplina. o ensino de arte restringia-se à repetição do conhecimento adquirido. os Parâmetros Curriculares Nacionais e estudos desenvolvidos por outros autores que apresentam um fazer metodológico voltado para a interação social da arte na vida dos aprendizes. desenho de observação. vive-se a era na qual não se preocupam mais com linearidade da história da arte. Até o final do século XX. 9.

da apropriação do conhecimento artístico e do contato com a produção cultural existente. que coloca a arte como uma obra humana (BOSI. na Pré-história. o homem teve que aprender seu ofício. desde o início da história da humanidade. 1996. 9. No entanto. A arte sempre esteve presente em todas as formações culturais. tonando-se capaz de transformar a natureza e criar um mundo adequado à sua relação ética e estética com o mundo no qual se insere. partindo de uma idealização da realidade. é necessário considerar que as políticas públicas contribuem para estabelecer um processo histórico e evolutivo na educação. Assim. tirando a arte do foco essencial da vida humana. A percepção tal qual o pensamento é uma característica humana. 26. ensinou para alguém o que aprendeu. se transforma e transforma a natureza através do trabalho. Atualmente as políticas educacionais necessitam passar por adequações para atender as necessidades sociais dos educandos e superar as limitações impostas por problemas como desemprego. . em todos níveis da educação básica visando promover o desenvolvimento cultural dos educandos. o atual sistema enfrenta desafios que superam a organização estrutural do currículo e das práticas educativas. o ensino e a aprendizagem da arte fazem parte do conhecimento que envolve a produção artística em todos os tempos (ZANIN. Há que se colher a significação da arte no processo de humanização do homem. A escola não pode estar alienada dos problemas sociais e não consegue passar ilesa por estar sob a regulamentação das políticas públicas. A Lei nº.03). no entanto há que considerar que o ser humano se constrói a partir das relações sociais. Ao desenhar um bisão numa caverna. Depois. novas maneiras de sentir e de ver. buscando compreender os reflexos dessa realidade expressos nas obras de arte.394/96 (BRASIL. p. visto que este como ser criador. 2006. Art. 1995). produzindo assim. violência e marginalidade. A visão clássica de arte estabelece uma dicotomia entre arte e sociedade. Mesmo sendo uma lei avançada e inovadora no âmbito educacional brasileiro. essa contribuição faz com que o ensino público atual enfrente as dificuldades e coloque em prática as diretrizes políticas estabelecidas pelo governo e pela legislação na busca de um ensino qualificado. § 2º) estabelece o ensino da Arte como um componente curricular obrigatório.e exigente em relação à realidade humano-social. Para se propor um ensino de arte significativo é necessário analisar o seu papel na formação da percepção e da sensibilidade do aluno através do trabalho criador.

promovendo uma formação mais adequada à realidade educacional brasileira. teatro.O artigo 10 da nova LDB (Lei nº.Arte. É urgente a promoção da reflexão sobre os critérios estabelecidos pelas propostas das políticas educacionais vigentes. mas não exclusivo. [. os recursos humanos ineficientes não se constituem em questionamentos ou experiências pedagógicas relevantes para promover mudanças significativas (MAGALHÃES. há necessidade urgente de ressignificar o Ensino de Artes tomando como ponto de partida a adequação do processo de formação dos arte educadores. 1996) passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos: § 6º A música deverá ser conteúdo obrigatório. p.. dança e artes visuais e a Proposta de Diretrizes Curriculares sistematizada pela Comissão de Especialistas de Ensino de Artes Visuais da SESU/MEC (GOMES et al.394/96) apresenta como dever do Estado a elaboração e a execução de políticas e planos educacionais em conformidade com a legislação vigente de forma a integrar as leis à realidade suprindo as necessidades educacionais da sociedade contemporânea. cabe refletir como a escola básica vai suprir a necessidade desses profissionais para cumprir 1 Lei Federal n. 2008)...769/2008 (BRASIL. Em relação ao ensino de Arte. no prazo de três anos estabelecido pela lei. 2008.] que ratificam a presença das diversas linguagens artísticas nas escolas – música. além disso.. O Artigo 26 da Lei nº.] Faz-se necessário repensar o papel da Arte na educação escolar frente às reformas curriculares advindas da LDB atual (Lei 9. tornando as políticas de orientação curricular em Artes mais bem recebidas pelos educadores. percebe-se que as questões que o envolvem são muito frágeis em seus conceitos e métodos.587). 11. Diante disso.394/96) e a consequente divulgação dos Parâmetros Curriculares Nacionais . 2002).. 9. Diante da inexistência desse profissional. § 7º O ensino da música será ministrado por professores com formação específica na área. . Um exemplo da necessidade de formação adequada para os professores está relacionado à obrigatoriedade do ensino de música1 na educação básica. 9. Faz-se necessário também repensar a qualidade do ensino na disciplina de arte na educação básica das escolas públicas.394 de 20 de dezembro de 1996 (BRASIL. elaborados pelo MEC [. do componente curricular de que trata o § 2º.

expandindo as possibilidades para que os profissionais de arte educação tomem conhecimento das novas diretrizes educacionais. o vídeo. com a comunicação e com a percepção de tempo e de espaço. o uso do computador em sala de aula promove a interação entre a cultura tradicional e as expressões da idade contemporânea. deve-se buscar compartilhar os conhecimentos (GOMES et al. Não se trata somente de uma mudança na maneira de realizar as tarefas. Percebe-se que não basta valorizar o ensino de arte e de música. . A evolução tecnológica trouxe para a sociedade contemporânea maior velocidade na integração de conteúdos básicos da educação. à medida em que vão surgindo novas ferramentas e meios de trabalho. os recursos tecnológicos disponíveis trouxeram para o ambiente escolar um ensino de arte voltado para a utilização de imagens produzidas pela mídia e pela internet. é necessário promover a formação e a capacitação de profissionais para desenvolver esse ensino com qualidade e conhecimento. A arte não é um acontecimento estático. a computação gráfica e outras formas de expressão. principalmente contribuindo para o desenvolvimento estético dos educandos. As transformações tecnológicas afetam as crianças e os adolescentes. principalmente porque lhes é permitido relacionar os conhecimentos aprendidos do computador com a realidade. Atualmente. 2008). 2001). por isso. Essa postura exige dos educadores o desenvolvimento da consciência política de forma a integrar a arte. priorizando as necessidades da classe popular. que acabaram popularizadas pelos próprios educadores e pelos alunos na educação básica. concretizando a verdadeira democratização da arte e da cultura no processo de formação cidadã. A desvalorização da arte no ambiente educacional enquanto disciplina tem início nos reflexos que a contratação de professores sem a devida habilitação assumem as aulas de arte no decorrer do ano letivo. o cinema. Atualmente. Os Parâmetros Curriculares Nacionais questionam o processo de formação dos educadores referindo-se à necessidade de que a melhoria da qualidade do ensino requer maior atenção para a implementação de políticas públicas de formação inicial e continuada dos profissionais de educação (BRASIL. a educação e a cultura.as determinações legais. O uso dessas imagens possibilitou maior expansão na produção de conteúdos consideráveis ao ensino de arte. para sensibilidade e a cidadania de cada ser humano envolvido no processo. O ensino de arte visto por este prisma promove a educação democrática permeada por valores que permitem a formação voltada para a diversidade cultural. Os recursos tecnológicos trazem novas formas de expressão artística como a fotografia. mas da geração de novas formas de se relacionar com a escrita.

parágrafo 2° que diz que o ensino de arte constituiria componente curricular obrigatório. material de apoio e professores qualificados. O ENSINO DE ARTE SEGUNDO A LDB (Lei nº 9394/96) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação foi discutida durante vários anos antes de ser aprovada no Congresso Nacional em 1996. A escola não pode adotar políticas distantes da sua realidade e de seus alunos. estudos desenvolvidos por pedagogos e especialistas já apontavam novos direcionamentos para a prática educativa de artes. As políticas de incentivo ao ensino necessitam acompanhar as modificações legais da educação e dar a sua contribuição capacitando os professores para o desenvolvimento de uma consciência crítica e de valores voltados para a cidadania de seus alunos. visando o desenvolvimento cultural dos alunos (BRASIL. o que contribui para que o docente escolha as práticas adequadas à realidade da comunidade. influenciando na escolha dos conteúdos que serão desenvolvidos na escola. desenvolvendo atividades onde o mesmo possa experimentar novas situações. para se identifique a educação efetivada pela escola com a legislação e os parâmetros estabelecidos pelos PCNs. cultural e econômico. promovendo sua interação no ambiente social.A realidade social das escolas apresenta-se de diferentes maneiras. assimilar e expressar os novos . tempo esse em que o debate sobre a validade da educação em seus mais diversos segmentos foi amplamente discutido e repensado. propiciando-lhes contato com as obras de arte. anos antes da aprovação. podendo compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético e que compete ao professor um contínuo trabalho de verificação e acompanhamento em seus processos de elaborar. No entanto. 9. Com o surgimento da nova LDB. Lei nº. 1996). Ferraz (1993) comenta que as aulas de Arte devem socializar o educando. Isso explica o fato de que a legislação deve ser continuamente reformulada e adequada à realidade. Neste aspecto. uma vez que se questiona a qualidade do ensino artístico em muitas escolas por lhes faltarem infraestrutura. a prática pedagógica deve atender à necessidade de aprendizagem do aluno dentro de seu contexto social. nos diversos níveis da educação básica.394/96 o Ensino de Artes passou a ser obrigatório nas grades curriculares das escolas de educação básica. Conforme o seu artigo 26.

além do que o músico sempre foi tratado com preconceito pela sociedade. desenvolver a capacidade crítica. Ela é elemento de comunicação e não pode ser relegada a um plano inferior. compreendendo os diferentes processos de aprendizagem das múltiplas linguagens. a música faz parte da vida e da cultura de todos os povos dos mais diferentes lugares do planeta. o papel da arte é fundamental na construção de um cidadão criativo. Em 2008. tornando-se necessário realizar o seu ensino de forma a desenvolver o gosto. dependendo da capacidade e habilidade natural de determinados indivíduos. apreender a realidade do meio ambiente. principalmente nos ambientes de aprendizagem. Em relação ao ensino de artes Barbosa (2003) apresenta a seguinte reflexão: A Arte na educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento individual. como gerador de conhecimentos. capaz de criar novas possibilidades de elaboração artística. haja vista a dificuldade de acesso às licenciaturas na música enquanto disciplina. a música poderá contribuir para ampliar a construção de conhecimentos na dimensão do ensino de artes. 2000). e que a avaliação deve estar centrada em todo o processo de ensino-aprendizagem. num contexto histórico-social (PCNs. a fim de desmistificar as condições estigmatizadas em que se desenvolveu até o momento em nossa sociedade. ousado. permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada (p. 11. possui o campo teórico específico das representações visuais. ao longo do curso. desta forma as instituições e mantenedoras do Ensino Fundamental têm três anos para se adequarem às mudanças. Assim.conhecimentos de arte e de educação escolar dos aprendizes em Arte.769/2008. o ensino de Arte após a aprovação da LDB. onde o ensino de música passou a ser obrigatório. Embora seja considerado dispensável por muitos. pois esta é uma área que há muito vem sendo tratada como dom natural. musicais e multimeios com seus signos. A questão da obrigatoriedade da música ainda não é tema suficientemente discutido no ambiente escolar. foi aprovada a Lei Federal n. a reflexão e a análise de seu contexto histórico e social. símbolos e códigos fundadores do pensamento artístico e da apreciação estética. reflexivo. Dança. devendo ser ministrado por professor com licenciatura plena em Música. sensível. intervindo na sociedade. cênicas. está voltado para as linguagens de Música. Desta forma. responsável. No entanto. Teatro (Artes Cênicas) e Artes Plásticas. Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação. 18). . O Ensino de Arte.

mas também para a história. não só o olhar voltado para as linguagens da arte. Tangenciando assim os desejos. Na instituição escolar. etc. Atualmente. ensinar e aprender é fruto de um trabalho coletivo. Assim. Embora a arte seja produção social. decorativa. pois isto tudo pertence ao mundo contemporâneo. com os conhecimentos e procedimentos. e que tanto a atividade artística quanto os critérios estéticos são produto de origem cultural. a sua apropriação não se dá por igual entre as classes sociais. o ensino de Arte parte de questionamentos que busquem uma resposta para questões que conduzam à busca de um projeto pedagógico que apresentem os avanços determinados pela nova LDB (MARTINS. Os educadores e educandos celebram o conhecimento todos os dias. Martins (1998) apresenta a seguinte reflexão sobre a mediação entre o aprendiz e o conhecimento: O educador é o mediador entre o aprendiz e o conhecimento tornando ensinável. a linguagem verbal. Por isso é necessário promover a pesquisa da linguagem artística com a qual cada um trabalha buscando aprofundar os conhecimentos sem esquecer suas abrangência e sua amplitude (MARTINS. Cada aula deve ser uma celebração à inteligência. os professores se apresentam como pesquisadores capazes de trabalhar em projetos inter e multidisciplinares. Assim. com as suas criações. pois é necessário fundamentar o ensino de arte de forma a contemplar uma postura interdisciplinar que corresponda às linguagens visuais. o meio ambiente. somente pode cumprir essa funções como objeto criado pelo homem. uma comunhão entre ambos. Mesmo que o objeto artístico tenha cumprido as funções ideológicas. cognoscitivas. 2005). participando do complexo processo de comunicação que são as aulas. os cursos de Arte. qualquer que seja a referência de uma obra de arte a uma realidade exterior ou interior. 1998). mas para que isso aconteça é necessário que o educador seja consciente da necessidade da interação social na formação do conhecimento de arte na escola. os avanços científicos e tecnológicos. a obra artística é uma criação do homem. 1998). e necessita ajudar na mobilização de aprendizagem cultural da Arte e encontrar estas brechas de acesso. para situações . cuja função essencial é ampliar e enriquecer. pois a interação social gera a cultura humana que permite uma nova maneira de ver. a realidade já humanizada pelo trabalho humano (BARBOSA. O educador deve pensar na transposição didática que implica na tradução pragmática dos saberes para atividades. antenados aos saberes.Esse processo exige do educador um compromisso com a formação. cênicas e musicais. social. quando ensinam e quando aprendem. de ser e de habitar o mundo. aos sentimentos e às informações que eles também trazem consigo. os interesses e as necessidades desses aprendizes.

criado pelo homem e dentro de um conjunto de relações. p. O ensino de arte hoje deixa de ter uma visão meramente técnica. Na escola. pois trabalhamos através de atividades concretas. coordenar. pois uma proposta de ensino democrático considera a vivência e o conhecimento artístico. introduzir. na atividade artística.37). Nesta concepção. perceptomotora. entende-se que aprender arte envolve não apenas uma atividade livre de produção artística. O aluno será sempre o agente do processo educativo. Situações em que é necessário planificar. 2006. usando de sua individualidade para se exprimir e para se relacionar respeitosamente consigo mesmo e com os outros. 06). que passa pelo nível cognitivo e implica em ampliação e aprofundamento de seu conhecimento. Assim. A experiência artística propicia a educação integral. criativo. como mera reprodução de repertórios estabelecidos. estruturando outros. de autoexpressão. de transmissão de conceitos de forma puramente imitativa. levar a uma conclusão (p. A arte deve ser tratada como um objeto de cultura. do "deixar fazer espontâneo". com o grupo social . e transforma o educando em sujeito do seu próprio desenvolvimento. possibilitando a inserção social do aluno e a criação de condições concretas para satisfação das necessidades humanas de afirmação e interação com a realidade. o aluno é o criador e . pois essas relações são contextualizadas . pois estabelecemos relações afetivas com a experiência reformulando alguns mecanismos. e também outros que consideram a arte um momento de lazer. animar.. A concretização do papel comunicativo e social da arte se dá na medida em que além do criador. Há quem entenda o ensino da arte exclusivamente como transmissão de diferentes técnicas. é dever da escola sistematizar o conhecimento artístico. de desconcentração das "aulas sérias". sem interferência externa (BARBOSA. apto a agir e modificar o mundo cultural e a sociedade em que vive. pois leva a uma reorganização interna. As diretrizes educacionais contemporâneas têm um posicionamento fundamentado numa filosofia de valores que busca uma educação integral. como também refuta os princípios da "livreexpressão". apresentando especificidades em relação às outras disciplinas.didáticas. surge um espectador para usufruir e apreciar a obra. através do desenvolvimento da percepção estética e do conhecimento do contexto histórico em que foi feita a obra. sociais. mas também envolve compreender o que se faz e o que os outros fazem. sócio-emocional. bem como o movimento (ZANIN. 2005). crítico.a nossa história individual é a síntese da relação que o indivíduo estabeleceu com a cultura. outros. Seu lugar na escola é inquestionável. um direito de todos. A arte faz parte das formas de conhecimento humano. que envolvem a percepção em todas as suas possibilidades.

1997). cultural. mas dar significado ao que aprende. através de objetivos comuns que levem o aluno não apenas a aprender. como reconhecer a importância de criar mecanismos de manutenção de cultura . cooperando com Deus numa Criação continuada (p. através da arte. O objetivo da educação é formar indivíduos críticos.. em diferentes épocas. segundo Ostrower (1997) entende-se que: [. A educação integral não pode ser atingida só pela instrução. pode garantir ao aluno sempre uma aprendizagem contextualizada em relação a valores e meios de produção artísticos das diferentes sociedades. firmeza e justiça (BOSI.. O fazer arte e pensar sobre o que se realiza. entretanto. capazes de analisar a realidade com tranquilidade.18). levando o seu criador a se perceber como um agente de transformação. Dentro dessa concepção. a autoeducação. 1995). O fazer artístico do aluno é um fato humanizador. exercitando suas responsabilidades como cidadão. sabedores de sua importância de homens num processo de transformação do mundo. fazendo-o aceder à cultura. A escola deve assegurar a educação do homem. que envolve um conjunto de diferentes tipos de conhecimentos. O homem. para que se torne agente de sua própria educação. levando o aluno não somente a identificar semelhanças e diferenças culturais. a arte como estrutura formal e como produto cultural (OSTROWER. É preciso que esteja em contato constante com temas e atividades que o ajudem a compreender criticamente o seu momento pessoal e o seu papel como cidadão numa sociedade (PCNs. Pretende-se que o aluno seja levado a se conscientizar e desenvolver a responsabilidade. só tem cultura quando se torna capaz de formar uma imagem de si mesmo. É uma oportunidade para ampliar o entendimento e a atuação dos alunos perante os problemas vitais que estão presentes na sociedade. É possível. de se compreender no mundo e na história. Os alunos poderão conhecer o fazer artístico não só como experiência poética. Isto será possível somente pelo trabalho integrado de todas as matérias. onde o tratamento de temas socialmente relevantes seja privilegiado. objetividade. como também como desenvolvimento de suas potencialidades.] a educação integral é a formação do homem como um todo. ser um indivíduo investigador e que saiba dividir o que aprendeu. 2000). de dominar o universo por sua ação e por sua técnica. Pode-se abordar o tema do pluriculturalismo. Para isso é importante que o aluno adquira gradualmente autonomia para aprender a buscar a informação desejada. gerando diferentes significações. conhecerão o fazer artístico como experiência de comunicação e de interação grupais. desenvolver projetos.também o apreciador.

artísticos ou técnicos. dando-se aí uma aprendizagem por experiência significativa (FERRAZ. 1993). Permite problematizar temas como preconceitos. danças. apoiado em imagens. A postura metodológica utilizada na área de artes deve atender aos pressupostos da metodologia triangular. O papel do professor é o de instrumentalizador técnico. sentir. culturas diferentes. o potencial criador dialoga com as experiências anteriormente acumuladas pelo sujeito da ação. uma criação única. A imaginação criadora permite conceber situações novas. músicas. estética e produção artística.67). inserida num contexto cultural e histórico (ZANIN. que são ações que integram o perceber. cenas. excepcionalidade física ou mental. dando plena vazão à sua expressividade nas mais diversas linguagens. slides.) (BARBOSA. contextualização da obra de arte (História da arte) (BARBOSA. Esta faculdade de imaginar está na raiz de qualquer processo de conhecimento. Nesse processo de articulação e ordenação.dentro de agrupamentos sociais. aprender. textos. música. dança e movimento. rádio. ideias e articular os sentimentos em imagens. é um processo de articulação da experiência. promotor de trocas entre alunos (FERRAZ. recordar. destinatário das produções dos alunos. imaginar. onde pode interagir e se relacionar com o ambiente. 2005). E. documentador. portanto. Ele deve criar situações de aprendizagem. etc. relacionando o antigo com o novo. 1993. orientador. expressar e comunicar pessoal. estereótipos culturais. além disto. através de uma transformação que respeita a especificidade do sujeito e o objeto a ser conhecido. de significação da relação do indivíduo com o meio e consigo mesmo. desafiando o aluno a solucioná-las. o pensar. 2006). fundamentada em propostas de ensino que incluem as disciplinas de história da arte. leitura da obra de arte (crítica e estética). conhecendo e apreciando produções artísticas. fontes de informação e comunicação diversas (textos. sejam eles científicos. vídeos. a arte é um conhecimento que permite aproximar indivíduos. que sustentam os três eixos da metodologia triangular: fazer artístico (produção artística). Cabe ao professor problematizar as situações. gravações. a fim de desenvolver suas estruturas mentais e afetivas. O fazer artístico deve basear-se no desenvolvimento da criatividade do educando. crítica. 2005). Ele tem como fonte de informações novas não só o ambiente escolar. O ensino de arte. etc. mas pode ser motivado a apreciar obras de arte de outros a partir de visitas a museus. É uma expressão universal e ao mesmo tempo pessoal. O aluno necessita ter a oportunidade de desenvolver a sua cultura de arte fazendo. pois o aluno se atualiza e aumenta o seu próprio repertório artístico. Deve enfatizar o . p. vídeos. livros. Internet.

(MORIN. como um todo. Todo conhecimento apresenta uma inscrição histórica. A apreciação estética deve desenvolver o senso crítico do aluno. ‘como podemos possibilitar que outros conheçam Arte?’ O conhecimento é teórico e cada teoria representa um sistema de ideias. Os sistemas de ideias obedecem a princípios lógicos e por trás destes encontramos alguns princípios não explícitos. ela representa uma maneira de tornar social a individualidade. 2005). pode ser entendida também como um processo em que o trabalho do artista é . construindo um conhecimento teórico-prático sobre o assunto (BARBOSA. Estes são frutos de noções. nas discussões sobre arte. E o que um homem sente como potencialmente seu inclui tudo aquilo de que a humanidade. para a circulação de experiências e ideias (FISCHER. Sente que só pode atingir a plenitude se conseguir se apoderar das experiências alheias que potencialmente lhe concernem .exercício da percepção. de dança. O contextualizar a história da arte deve ser um processo contínuo que focaliza. O apreciar é desenvolvido através de exercícios de observação da própria produção. desta forma cada educador deve se autoquestionar: ‘como conhecemos?’. Essa definição de arte embora pareça utópica. Segundo Rizzi (2003) a arte-educação pode ser reconhecida como a epistemologia da arte. por pretender socializar o íntimo de cada artista. em dado momento histórico o registro do sentimento estético e da visão do artista diante dos acontecimentos que o envolvem ou envolveram. pois as questões relacionadas ao ensino/aprendizagem se inserem na reflexão de forma ampla a respeito da construção de conhecimento. 1996). da fantasia e da imaginação criadora. 2002. reflete a infinita capacidade humana para a associação. A arte é o meio indispensável para essa união do indivíduos com o todo. o aluno poderá estabelecer relações mais profundas com a produção. O aluno deverá relacionar-se com a arte de diversas épocas e estilos. da leitura de obras. na troca de experiências. conhecendo os diferentes elementos que entraram na sua composição. O desejo do homem de se desenvolver e de se completar indica que ele é mais do que um indivíduo. Assim. Conhecendo a história da arte. ‘como sabemos que conhecemos?’. assistindo espetáculos teatrais. compreende-se que arte é uma extensão da realidade. de música. aos quais denominamos paradigmas. que poderiam ser dele. crenças e ideias de determinadas culturas e diferentes épocas. possibilitando intervir e reinventar a sua obra. p. 13). ou seja uma construção do espírito humano que levanta problemas. é capaz. dos meios de comunicação e do mundo social em que a pessoa está inserida.

O ponto de partida para que a prática educacional seja realizada a partir da experiência de forma a permitir o crescimento cultural/artístico do educando é o conhecimento da prática social e cultural vivida no cotidiano. isto é. No entanto. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN. tornando a formação do arte-educador fragilizada pela dificuldade de acesso reduzindo a atividade artística na escola a um processo superficial. nas escolas o ensino de arte encontra-se em descompasso entre a produção teórica e o acesso que os educadores têm a esse saber já elaborado. [.. a decisão pelos procedimentos de ensino e aprendizagem é que vai indicar as tendências e as ações pedagógicas que foram incorporadas. Esse processo deve estar voltado para tratar dos aspectos específicos das linguagens e saberes artísticos integrando para promover o processo de aprendizagem. na técnica pela técnica. O ensino de arte deve articular a educação estética coma educação artística e assim. 1997). dentro de um determinado posicionamento pedagógico. relacionando com os aspectos artísticos. Ou seja. A partir destas constatações foi se formulando os princípios que orientam os professores na sua reflexão sobre a natureza do conhecimento artístico o que permitiu delimitar o espaço da arte no ambiente escolar. 1997) apresentam a aprendizagem de arte como uma possibilidade do aluno de envolver-se não apenas numa atividade de produção artística. históricos que podem e devem ser abordados nas unidades dos projetos de ensino. resultante do domínio da realidade e não um processo de inspiração embriagante. afirmam: Os métodos de educação escolar em Arte são os próprios caminhos delineados no ensino e aprendizagem artística e estética para se chegar a uma finalidade. alimentada pelo contato com o fenômeno artístico visto como objeto de cultura através da história e como conjunto organizado de relações formais. voltado apenas às comemorações cívicas e dedicada a enfeitar o cotidiano escolar (PCN. 72)..] são esses procedimentos que vão mostrar se os passos dados no método centralizam a atividade artística num espontaneísmo. só poderemos percorrer tais caminhos através de procedimentos intencionalmente escolhidos. Fusari e Ferraz (2001) ao realizar uma reflexão sobre as práticas educacionais contemporâneas. no autoritarismo do professor ou na apreensão e reelaboração da cultura artística vivida pela humanidade (p.altamente consciente e racional. Mas. pelo desenvolvimento da percepção estética. mas também conquistar a significação do que fazem. ao conhecimento da arte. sem deixar de identificar o que ainda falta para que os alunos aprendam. . estéticos. formar a base metodológica da proposta pedagógica de cada unidade escolar.

1998). Assim. do Ensino de Arte na Educação Infantil. além de repensar a formação do arte-educador. Então as Políticas Públicas no ensino da arte para a Educação Básica. As Políticas Públicas são condicionadas e condicionantes das práticas de ensino e da ação docente em todos os conhecimentos específicos das Artes Visuais. é possível mobilizar políticas coletivas e/ou individuais de ações para construir novas possibilidades de construção de conhecimentos em Artes Visuais. como na atuação dos professores da Educação Básica. Música. do Ensino Médio. trazem uma .Teatro e Dança em suas múltiplas perspectivas e possibilidades. ocasionando uma complexidade que gera alternativas de pósdisciplinaridade (ZANIN. 36) acrescenta: “Ao fazer e conhecer arte o aluno percorre trajetos de aprendizagem que propiciam conhecimentos específicos sobre sua relação com o mundo”. O conhecimento e o fazer da arte em suas múltiplas modalidades só tem sentido para a formação humana quando não é realizada por um professor polivalente que trate a sua realização de forma mecânica realizando apenas a superposição de saberes na práxis educacional em arte. 9394/96. a Educação Básica e a Educação Superior estão imbricadas e comprometidas mutuamente (MARTINS. Conhecimento e técnicas com suas especificidades desenhando caminhos didáticos/pedagógicos próprios na relação com os conteúdos/saberes/fazeres e que por sua vez abrem possibilidades de interdisciplinaridade. presentes e integrado ao homem. 2005). A partir da realidade da práxis do ensino da Arte na Educação Básica. sem relação conteúdo/contexto com o mundo da vida cultural. e multidimensionalidade. p.A essa afirmação Barbosa (2003. tanto no processo de produção como na fruição da obra de arte (BARBOSA. Música. O Ensino de Arte deve estar inserido no cotidiano escolar de forma a promover a reflexão sobre as políticas públicas e a organização do próprio ensino. multidisciplinaridade e transdisciplinaridade. social e educacional. que é situada historicamente e impulsionada pela subjetividade humana. Teatro e Dança nos espaços escolares (BARBOSA. ou seja. envolvendo-a em suas várias dimensões: social. 2006). 2003). Anos iniciais e Finais do Ensino Fundamental. A Arte possui uma concepção complexa. afetiva e motora. parece evidente. a arte para a ser concebida para explicar a vida e dar sentido à condição humana e a compreensão de mundo. tanto na Formação Inicial e Continuada de Professores nas diversas linguagens da arte tanto no ensino superior. É possível que ainda aconteçam confrontos com situações contraditórias. cognitiva. exigindo um referencial de análise que considere todas estas dimensões. Para Barbosa (2005) a complexidade que se gerou a partir da Lei nº.

com os estudos e movimentos da lei atual de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. que se realiza a partir do conhecimento cultural e artístico comunitário. No final do século XX. a sua práticateoria artística e estética deve estar conectada a uma concepção de arte. mas a organização coletiva foi muito importante para conquistar o espaço das artes na educação. promovendo também a reflexão sobre a teoria e a metodologia concretizada nas práticas educativas e nas relações entre a escola e a comunidade. Isso só é possível após a realização de um diagnóstico visando implementar as propostas. nos congressos de educadores e reuniões de entidades. nos encontros científicos.53). No caso do professor de arte. . atividades didáticas e avaliação. bem como o teor das noções ou dos requerimentos destinados aos órgãos responsáveis pela elaboração de políticas públicas (MEC. 2004). a luta dos professores foi grande em cada área do conhecimento específico em nível nacional. Compreende-se que o professor de arte atua através de uma pedagogia realista e progressista. A Polivalência foi superada. a disciplina de artes deve ser formulada em consonância com as reivindicações historicamente consolidadas de forma a incorporar o movimento de transformação desenvolvido em sala de aula. assim como a consistentes propostas pedagógicas. em profundidade. Em síntese. não só na Escola Básica.problemática de ordem conceitual e estrutural. práticas e posições.mas que apresentam uma intenção em relação às ideias. As orientações curriculares e as recomendações relacionadas à cultura de ensinar e aprender devem seguir um processo dinâmico de reflexão e elaboração contínua do Projeto político pedagógico de cada unidade escolar. Essas ações concorrem para a promoção da elaboração de objetivos. que ainda estão em fase de transição na legislação atual. A organização curricular do Ensino de Artes deve partir do pressuposto de que o currículo necessita ser permanentemente construído e reconstruído como resultado da formação de valores referendados pela ação coletiva. Ferraz (2001) ao refletir sobre o compromisso de saber arte e saber ser professor de arte afirma: O compromisso com um projeto educativo que vise reformulações qualitativas na escola precisa do desenvolvimento . ele precisa saber arte e saber ser professor de arte (p. conteúdos. mas também nos cursos de licenciatura do Ensino Superior. de saberes necessários para um competente trabalho pedagógico. A nova proposta curricular deve ser propiciada pelo discurso polifônico entre os diferentes atores do processo educacional de forma a contemplar o cotidiano escolar numa perspectiva avaliativa e crítica.

Assim. 8) afirma que “a arte é um elemento útil e necessário no processo de aprendizagem. a educação enquanto elemento fundamental na formação do homem deve promover a interação entre o conhecimento e a arte como expressão subjetiva da capacidade humana. por isso. p. o teatro e as artes plásticas revelam a força moral e a verdadeira ideologia que desperta a consciência coletiva. para que se sinta compromissado com a formação de alunos que também elaboram sua cultura estética e artística com clareza como resultados da vida social. compreende-se que a arte não pode ser dissociada do convívio social. comunitária e universalista. o domínio dos conhecimentos da área. O professor deve estudar e saber articular a arte com a vida pessoal. Amaral (2003.principalmente. Assim. pois se envolve em diferentes aspectos e áreas do conhecimento”. também propicia a socialização do conhecimento histórico que conduz as classes menos privilegiadas a ampliar o apreço pela sua dignidade humana. a literatura. considerando os aspectos mais significativos da cultura em suas diferentes manifestações. ela não pode ser neutra e deve constituir uma importante parte no conjunto da causa geral do proletariado. Isso significa responsabilizar-se para com a transformação de uma educação de qualidade para todos. . Diante de concepções como essa. a escola deve estar conectada com as novas tecnologias de forma a promover a comunicação eficaz que contribua para a formação de conhecimentos e de cidadania. Por meio da arte os trabalhadores são informados e aumentam a compreensão mútua e o respeito. Atualmente. regional. Isso resulta do aprofundamento de estudos e da evolução do saber estético e artístico. A preparação contínua. contribui para preparar o professor para a escolha de conteúdos fundamentais para a formação dos alunos.

estabelecendo uma comunicação que se utilize e diferentes linguagens e expressões na formação de conhecimentos relevantes. A discussão que envolve a formação dos educadores para o Ensino de Arte volta-se para a necessidade de formar educadores que pesquisam e buscam formar os conhecimentos artísticos relacionando o cotidiano com a arte. proporcionando aos educandos uma oportunidade de interiorizar e conhecer as representações expressas de formas artísticas nos mais diferentes segmentos da sociedade. A compreensão do significado da arte no processo de humanização do homem. Por tudo o que foi estudado compreende-se que foi alcançado o objetivo da pesquisa em reconhecer a importância do uso de metodologias diferentes para o ensino de artes tornando-se possível reconhecer a sua influência no desenvolvimento ético e estético dos educandos em relação à formação de cidadania. interferindo na natureza através do trabalho para produzir novas maneiras de sentir e de ver o mundo. da apreciação e da reflexão do próprio sujeito. A arte passou a ser concebida nos projetos de ensino como cognição a partir dos anos 80.394/96 para complementar o conhecimento. Lei nº. enquanto ser criador que se transforma. compreende-se que a formação do professor de arte tem o caráter peculiar de lidar com as complexas questões da produção. 9. transpondo suas experiências com a arte para a sala de aula e seus alunos. Por isso. de forma a promover a interação sócio histórica e cultural com os aspectos antropológicos que os engendra. mas também como cultura apontando para a necessidade da contextualização histórica e do aprendizado da leitura da imagem. é necessário que o professor entenda como os educandos crescem e se relacionam com o meio social e cultural. Essa cognição inclui a expressão emocional e prioriza a elaboração e a originalidade. Diante disso. A análise do material de pesquisa serviu para ampliar os conhecimentos de metodologia do ensino de Arte. e reconhecer o papel da arte na formação da percepção e da sensibilidade dos alunos da educação básica. A contextualização do ensino de arte contribui. dentro da proposta da nova LDB. .CONCLUSÃO A realização deste estudo bibliográfico sobre o ensino de artes contemporâneo conduz para o reconhecimento de que as metodologias que orientam o ensino da arte consideram a arte não apenas como expressão.

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