Apresentação

E

ste é o seu livro de História do Brasil. Nele, você encontrará os textos que serviram de base para os programas de TV. Como aproveitar ao máximo este livro? A primeira coisa que as pessoas que gostam dos livros fazem quando compram um é folheá-lo sem pressa, sem maiores compromissos. Sugerimos que você faça isso. Passe os olhos nele despretensiosamente. Veja como as aulas estão organizadas. Já nesse primeiro contato, você perceberá que as aulas seguem um determinado modelo. Todas elas são divididas em seções. Há também algumas interrupções no texto. Vejamos o que significa cada uma das seções e o porquê dessas interrupções. Cada aula é dividida em três seções.
l

Na primeira seção, Abertura está enunciado o tema da aula. Muitas Abertura, vezes, um documento de época abre essa seção. Leia com atenção esse documento. Nele estão contidas as questões que serão desenvolvidas no decorrer da aula. Outras vezes, as aulas começam contando um determinado caso que se relaciona, de alguma forma, com o tema da aula. Na segunda seção, Movimento o tema da aula é desenvolvido. Ali Movimento, aparecem os agentes sociais em ação, em movimento. O texto, em geral, é dividido em três ou quatro itens. Em cada um deles, procura-se explorar um determinado aspecto do tema. É também nessa seção que o texto sofre algumas interrupções que têm por objetivo levar você a pensar sobre um interrupções, determinado assunto relacionado ao tema da aula:

l

® Em cada Pausa você encontrará um exercício-desafio para responder. Pausa,
Consulte seus colegas e companheiros. Comente e discuta suas respostas. Como diz o ditado, “duas cabeças pensam melhor que uma”...

® Em cada Em Tempo procuramos acrescentar alguma informação que Tempo,
seja importante para o entendimento do texto. Por exemplo: dados numéricos, trechos de documentos históricos significativos e assim por diante.
l

Com a terceira seção, Últimas Palavras finalizamos o texto e levamos Palavras, você para o tema da próxima aula.

Você vai reparar também que em todas as aulas há algum tipo de ilustração: mapas, desenhos, fotografias. Todo esse material também é importante para o seu estudo. Às vezes, uma boa imagem vale por muitas palavras. Queremos que você fique atento à interação entre texto e ilustrações. Há algumas ilustrações que são importantes documentos de uma determinada época. É preciso que você as explore em seus mínimos detalhes. Perceba a época em que a ilustração foi produzida, e guarde na memória o seu autor. Essas ilustrações são patrimônios da nossa cultura. Cuidar delas e valorizar seus autores é preservar nosso patrimônio. Finalizado esse contato inicial com o seu livro, esperamos que você faça muito bom proveito dele. Aceitamos, de bom grado, críticas, elogios e sugestões. Os autores

REALIZAÇÃO

- Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas. - Helena Bomeny

COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO CONCEPÇÃO E SUPERVISÃO

- Aline Lopes de Lacerda, Américo Freire, Helena Bomeny, Marly Silva da Motta, Mônica Almeida Kornis - Américo Freire, Helena Bomeny, Marly Silva da Motta

AUTORES DO VOLUME 1 AUTORES DO VOLUME 2

- Alexandra de Mello e Silva, Alzira Alves de Abreu, Américo Freire, Celso Castro, Dulce Pandolfi, Fernando Lattman-Weltman, Letícia Pinheiro, Marieta de Moraes Ferreira, Mário Grynszpan, Mônica Almeida Kornis, Mônica Velloso Dora Rocha

EDIÇÃO DO TEXTO ORIGINAL:

A UA U L A L A

INTRODUÇÃO

1

1

Que História é essa?
Q

Nesta aula

uem é você? Qual seu nome completo? Qual a data de seu nascimento? Qual o número da sua carteira de identidade? E da sua carteira de trabalho? E do seu título de eleitor? Calma, calma. Isso não é um interrogatório, nem o preenchimento de uma ficha de dados pessoais. São apenas perguntas que nos levarão a entender o sentido desta aula. Vamos pensar nessas perguntas... As respostas a todas elas encontram-se em documentos escritos que informam sobre a sua vida. Esses documentos localizam seu nascimento no tempo e no espaço ; dão-lhe um número com o qual você se identifica em todo o Brasil e para toda a vida; informam para quem, onde e por quanto tempo trabalhou e qual o seu trabalho; dizem se você é ou não um cidadão brasileir o e se está em dia com as obrigações eleitorais. Enfim, fornecem dados sobre sua vida pessoal e sobre sua história - a sua história de vida.

Sua história através do tempo
Com as informações que se encontram nesses documentos podemos saber quando começa a vida de uma pessoa e quanto tempo passou desde que ela nasceu. Esse tempo pode ser representado por uma linha: a linha do tempo da vida dessa pessoa, que começa na data do seu nascimento. Vamos ver um exemplo: Maria da Conceição nasceu em 1960, na Bahia. Em 1974, começou a trabalhar com carteira assinada. Em 1985, mudou-se para São Paulo. Em 1990, casou-se. E, em 1992, teve uma filha.

NASCIMENTO

CASAMENTO

85 - MUDANÇA 74 - 1 º EMPREGO
PARA S.PAULO

92 - FILHA

TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO

1 9 6 0

1 9 7 0

1 9 8 0

1 9 9 0

Nessa linha do tempo, você poderá identificar os anos em que aconteceram fatos importantes para a vida de Maria da Conceição, para a história dela. É claro que outros acontecimentos marcaram sua vida, pois esses foram apenas exemplos. Alguns podem ter ocorrido em um mesmo ano, tornando esse ano mais importante que outros. Há também períodos que duram mais de um ano e que, por determinados fatos, tornaram-se fundamentais para a história da vida dela. Podem ser anos ou meses, ou até mesmo décadas (períodos de dez anos), em que aconteceram mudanças importantes. Exemplo disso seria todo o tempo em que viveu na Bahia e os anos que já mora em São Paulo. Tudo isso pode estar assinalado na sua linha do tempo.

A U L A

1

A história das sociedades
Da mesma forma que imaginamos uma linha do tempo para cada história individual, podemos fazer uma linha para a história de uma sociedade, a história de um povo. Assim como as pessoas, os grupos sociais (os povos) têm sua história. Como é muito mais longa que a história de uma só pessoa, a linha do tempo da História normalmente não é marcada com anos, e sim com séculos , que são períodos de cem (100) anos. Costumamos numerar os séculos em algarismos romanos.
V A M O S R E C O R D A R O S ALGARISMO S R O M A N O S :

I ............... um II .............. dois III ............. três IV ............. quatro V .............. cinco VI ............. seis VII ........... sete

VIII .......... oito IX ............. nove X .............. dez XI ............. onze XII ........... doze XIII .......... treze XIV .......... catorze

XV ........... quinze XVI .......... dezesseis XVII ........ dezessete XVIII ....... dezoito XIX .......... dezenove XX ............ vinte XXI .......... vinte e um

O nascimento de Cristo é o marco inicial do nosso calendário, do calendário que utilizamos para marcar o tempo. Portanto, o ano de 1960 está dizendo que se passaram mil novecentos e sessenta anos desde que Cristo nasceu. Essa data corresponde ao tempo que ficou conhecido como Era Cristã.

TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO
7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 4 5 6 7

¬

ANTES D E CRISTO A.C.

DEPOIS D E CRISTO D.C.

®

NASCIMENTO D E

CR I S T O

A U L A

As datas e os séculos
Agora que você sabe o significado de uma data e o que é um século, tente responder a esta pergunta: como se sabe a que século pertence determinado ano? Observe a linha de tempo abaixo:

1

MARCO ZERO
NASCIMENTO D E CRISTO SÉCULO I

100

SÉCULO II

200

SÉCULO III

300

TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO
1 101 201

Como você pode ver, o marco zero é assinalado pelo nascimento de Cristo. Passados cem anos (do ano 1 ao ano 100), temos o primeiro século do nosso calendário - o século I. Do ano 101 ao ano 200, o segundo século - o século II. E assim por diante. O século é, portanto, uma centena de anos. Em vez de dizer "cem anos", dizemos "um século"; 1.000 anos são 10 séculos; 1.500 anos são 15 séculos. 01; O século começa sempre no ano que termina em 01 e o século acaba quando se completa a centena, que termina em 00 00. Para saber a que século pertence uma data, precisamos apenas verificar quando se completará a centena. Por exemplo, o ano da Independência do Brasil é 1822: no final daquele século tivemos o ano de 1900, com dezenove centenas. Então, o ano de 1822 pertence ao século XIX, que começou em 1801 e terminou em 1900. A descoberta do Brasil pertence ao século XV, porque 1500 é o ano em que terminou o século XV. Vamos ver a linha do tempo na História do Brasil e localizar nessa linha o ano de 1822:

TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO
XV XVI XVII XVIII XIX XX

BRASIL COLONIAL

1822 B R A S I L I N D E P E N D E N T E

SÉCULO XIX

1900

1822

1801

Mas que História é essa a que nos referimos com H maiúsculo? Afinal. A História se interessa por todas as atividades humanas.. l Idade Contemporânea . DIVISÃO DA HISTÓRIA GERAL Para facilitar o estudo da História da Humanidade. l Idade Média . E a História estuda essas pessoas no tempo. isto é. Quer dizer. NASCIMENTO D E CRISTO 1453 1789 HOJE . ou seja. Mas. 476 D . por tudo aquilo que as pessoas fazem. mas da vida dos grandes grupos sociais que essas pessoas formam. falamos de História e de histórias de vida. desses grupos ou desses povos. quase chegando ao século XXI. C . Pense. E também estuda essa gente no espaço . afinal? Até agora.. a História é considerada uma ciência social.Estamos no século XX.C. Por isso. durante a sua vida.Desde a Revolução Francesa até hoje. ao longo do tempo.Do aparecimento da escrita até o fim do Império Romano Ocidental.Desde o fim da Idade Média até a Revolução Francesa. em grupo. nos diferentes lugares em que vivem. agora: em que ano chegaremos ao século XXI? O século XXI começará no dia 1º de janeiro do ano 2001. o que interessa para a História? Interessa entender tudo o que fazem. costuma-se dividi-la em períodos: l Idade Antiga . o que é História? História é o estudo da vida dos seres humanos em sociedade. A U L A 1 O que é História. l Idade Moderna . os seres humanos e sua vida em sociedade nas diferentes épocas. não se trata da vida de cada uma das pessoas.Desde o fim da Idade Antiga até o fim do Império Romano Oriental. pensam ou realizam as pessoas dessas sociedades. TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO ANTIGA MÉDIA MODERNA CONTEMPORÂNEA C E R C A D E 4000 A .

de falar. As informações escritas que são deixadas por grupos sociais revelam sua maneira de viver. Pela arquitetura de suas igrejas. quase povo. filmes. Todas essas coisas falam da História de um povo Enfim. Esses documentos são chamados fontes. poesias que se sabem de cor e até pela maneira de construir uma casa ou uma cidade.A U L A 1 Fontes históricas Nobres ou escravos. lheres fazem História Todos fazemos a História! .. Por fotografias. homens ou mulheres. de se divertir. é fundamental ler com atenção os documentos ou registros escritos por eles. Os documentos escritos dão importantes informações para a História. Lembre-se do início desta aula. como você. Seus documentos fornecem informações do tempo e do lugar em que você nasceu. fazem a História do Brasil. Então.. brancos ou negros. Eles servem tanto para a sua história de vida quanto para a História de uma sociedade ou de um povo. quer dizer que todos os homens e todas as muHistória. Há outros tipos de fonte. eles fornecem informações sobre a sua história. A História pode ser conhecida pelas lendas e canções que ficaram na memória das pessoas e que passam de pais para filhos. São as fontes escritas. indígenas. de se identificar. Nesta colagem de ilustrações. nem só pelos documentos escritos se conhece a História de uma sociedade... foram reunidas pessoas que. de rezar e até de morrer. Para quem quer conhecer a História desses grupos sociais. Se todos esses elementos da vida das pessoas em sociedade interessam à História e fazem parte dela. esculturas e desenhos produzidos por ele. tudo na vida tem a ver com a História. pelas roupas que usavam. Porém. de pensar. todos fazemos a História da humanidade. A História de um povo pode ser conhecida também por pinturas.

Portanto. A U L A 1 6 Todas as nossas aulas terminarão lembrando que o tempo não pára . Precisamos separar os tempos e os temas para estudar a História. mostrando que aquilo que estudamos em cada aula ajuda a entender o que veremos nas aulas seguintes. Os historiadores buscam respostas pesquisando as fontes históricas. pois mudam a cada nova época ou conforme os interesses e a especialidade do historiador. São as fontes de época que lhes fornecem as pistas para responder aos problemas históricos que formulam. a que perguntas vamos responder no nosso curso? Vamos tentar responder por que você tem uma certidão de nascimento e um título de eleitor da República Federativa do Brasil. toda ciência. Os cientistas sociais que se dedicam ao estudo da História são os historiadores. E nós. Esta parte será uma espécie de “cenas dos próximos capítulos”. Elas não são sempre as mesmas. mudarão também os temas e a forma de contar a História. se todos fazemos História. na realidade. a História é uma construção contínua do relacionamento de todas as pessoas que a viveram. todo conhecimento se faz a partir do trabalho de muitas pessoas que. Ela abre nossa primeira Unidade de estudos. ao longo do tempo. tão faladas hoje em nosso país? É o que veremos a partir da próxima aula.E que História é essa? Se tudo é História. se as perguntas mudarem. o que querem dizer as palavras cidadão e cidadania . Uma nova pergunta pode alterar toda a visão que determinada sociedade tinha do seu passado. que trata do Brasil Escravista e começa quando ainda não existiam nem Brasil nem cidadãos brasileiros na História do mundo. Essas questões são uma forma de tomar consciência do que se vive hoje e do que se viverá. a História que você faz ao trabalhar. em cada época. Esperamos que você goste de conhecer a História do Brasil. estudar e viver no nosso país. O tempo não pára 6 . como escrever ou estudar a História? Todo estudo. Eles escrevem a História a partir das perguntas que formulam sobre o passado. foram se dedicando a essa atividade. mas não podemos esquecer que. Será que no mundo todo sempre existiram países e cidadãos? Desde quando existem na História os cidadãos brasileiros? Será que eles sempre tiveram os mesmos direitos e deveres? Será que sempre existiu um país chamado Brasil? Afinal. que é também a sua História. e por que você é um cidadão brasileiro.

sobre certas terras no Novo Mundo. Dê um novo título a esta aula. a estender olhos. nem prata. Vamos experimentar? 1. tituição do Brasil... você deverá fazer exatamente o que o título anuncia: reler o texto.. infindas. Vamos experimentar? De que século estamos falando? 1... na forma desta Constituição. nem coisa alguma de metal ou ferro. Para isso.. seguinte lei: “É declarada extinta a escravidão no Brasil. Em 1988 uma Assembléia Nacional Constituinte promulgou a atual Cons1988. você deverá imitar o historiador e construir o conhecimento histórico... Em 13 de maio de 1888 a Princesa Regente do Império do Brasil assinou a 1888.. 2. Nela. Releia A história das sociedades e responda: O que é um século? O que sociedades adotamos para marcar o século I? Por que estamos no século XX? Releia Fontes históricas e responda: Por que os documentos escritos são importantes para a História? Que outros tipos de fonte . a proteção à maternidade e à infância. às quais havia chegado a esquadra comandada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral: “Pelo sertão nos pareceu. oferecemos a você uma boa pergunta e alguns documentos escritos de época. até agora... especialmente quando voltamos ao texto com algumas perguntas na cabeça.. 4. nem lhos vimos. além dos documentos escritos..” Isso foi no século . Estudar História é aprender a perguntar.. a assistência aos desamparados.. Revogam-se as disposições em contrário.. são utilizados pelos historiadores? Releia E que História é essa? e retire do texto trechos que falem sobre como o historiador trabalha. querendo-a aproveitar. que diz. em seu artigo 6º: “São direitos sociais a educação.. 1 3. 2.. Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal.. E em tal maneira é graciosa que. a segurança. por bem das águas que tem. o trabalho.. As águas são muitas. não pudemos saber que haja ouro. 6 . Fazendo a História Nesta parte. muito grande.. a previdência social... Porém a terra em si é de muito bons ares. vista do mar. darse-á nela tudo.. o lazer.. em 1º de maio de 1500 1500.. 3. não podíamos ver senão terra com arvoredos que nos parecia muito longa.” Isso foi no século . a saúde. Você vai perceber que uma segunda leitura é sempre melhor que a primeira. assim frios e temperados. porque.” Isso foi no século ..Exercícios A U L A Relendo o texto Nesta parte.

Mas por que os brasileiros. Na Europa. Há milhares de anos. vamos conhecer um pouco melhor o Portugal e a Europa de uma época em que os europeus nem imaginavam que houvesse tanta terra do outro lado do oceano Atlântico.há cerca de quinhentos anos. que fica na Europa? Nesta aula A Europa na Época Moderna Para começar. a história de toda essa gente acabou por se misturar. também diminuíam os problemas da fome e das pestes. o reino de Portugal avançava pelo mar em busca de riquezas e de aventuras. como os entendemos hoje. no século XV. que moram na América do Sul. com ela. todos sabemos que moramos num país chamado Brasil e que somos brasileiros. A produção agrícola crescia e. portanto . Que transformações eram essas e que tipo de novidades traziam? Após séculos de insegurança.a Europa passava por grandes transformações nos modos de viver e pensar de seus habitantes. provocada principalmente por guerras que haviam devastado a Europa. Com o final das guerras. No século XV (1401-1500) . falam a mesma língua de quem nasce em Portugal. Na África. a população européia. os europeus podiam deixar os castelos fortificados sem medo de serem feridos e mortos. povos muito antigos entravam em contato com os europeus. Todos os brasileiros falam a mesma língua. Nosso país fica na América do Sul. dando origem a uma nova sociedade na América. . diversos povos indígenas viviam nas terras que formam o Brasil atual.A UU AL A L 2 O encontro de dois mundos amos falar de um tempo em que não havia Brasil nem brasileiros. E. Essas transformações eram tão marcantes que os próprios europeus daquele tempo consideravam que estavam vivendo em uma nova era: a Época Moderna. no século XVI. Hoje. MÓDULO 1 2 A V Apresentação do Módulo 1 6 Esta é a primeira aula de História do Brasil.

assim com H maiúsculo. O Renascimento Cultural. acabou por influenciar outros acontecimentos da vida dos europeus. que era movido pela necessidade de aumentar a reserva de metais preciosos e. Os reis da Época Moderna concentraram um poder absoluto em suas mãos. que se tornou muito importante. Esse descontentamento deu origem. significava acumular ouro e prata por meio da atividade comercial. a descobrir como funcionava seu organismo e como funcionava a natureza. Isso ficou conhecido como política mercantilista . desde o século XIV. conhecido como Humanismo. o que. destacaram-se a Luterana. Exemplo disso é a História. entendido como o ser humano de maneira geral. formada por padres chamados de jesuítas. artistas e religiosos começaram a se interessar por ele. As medidas tomadas pelos governos da época tinham como objetivo aumentar a riqueza do país. que eram representadas nas ruas para um grande número de pessoas. novos horizontes. tratavam de estimular tudo que trouxesse riqueza aos cofres reais. Intelectuais. foi um dos movimentos que sofreu a influência do Humanismo.A U L A O mercantilismo O comércio com o Oriente. principalmente. Ao mesmo tempo. Os europeus entravam na chamada Era Mercantil. médicos. homens ligados ao mundo da cultura. A chegada dos europeus à América foi uma das etapas do crescimento comercial europeu. que começou na Itália e depois se espalhou pela Europa. a pintá-lo. Nessa grande façanha estavam misturados a cobiça. o temor a Deus e o espírito aventureiro. dominado pelos italianos e também pelos árabes. Vários de seus artistas ficaram muito conhecidos no mundo inteiro. à Reforma protestante . 2 Muitas transformações Deus e a Igreja Católica dominavam a maneira de pensar dos europeus que viveram há quinhentos anos. Moedas de ouro e prata circulavam pelo mar Mediterrâneo. a Calvinista e a Anglicana. Entre outras. A reação da Igreja Católica ficou conhecida como Contra-Reforma . Era preciso também buscar novos caminhos. Associando-se comercialmente com os burgueses e militarmente com os nobres. no século XVI. muitas pessoas mostravam-se contrárias às regras estabelecidas pela Igreja Católica Romana. Porém. Por isso foi criada a Companhia de Jesus. Por exemplo: o inglês William Shakespeare escrevia peças de teatro. da qual surgiram as chamadas Igrejas Protestantes. foi colocado no centro das atenções. espalhando a fé católica por todo o mundo. como Romeu e Julieta. O Renascimento A Reforma protestante A Contra-Reforma . às universidades e à literatura defendiam o estudo das ciências relacionadas ao ser humano. Mas isso foi também um salto para o desconhecido. trazia lucros enormes. O Humanismo Esse movimento. pelos lucros que vinham do comércio de especiarias e artigos de luxo que chegavam do Oriente. A Igreja Católica reagiu e adotou algumas reformas para impedir que o protestantismo crescesse ainda mais. O Homem. Tantas transformações pareciam aumentar as possibilidades de viver e pensar a vida. lançar-se a novas conquistas. naqueles tempos.

Ficava cada vez mais difícil comerciar com o rico Oriente pelas rotas do Mediterrâneo. isso foi uma ousadia. durante os séculos XV e XVI. passou-se a chamar o novo mundo de América. A U L A 2 Os europeus foram descobrindo e conquistando novas terras. Dez anos depois. além do desenvolvimento de seus portos e de sua navegação. outro português. Por isso. A partir de então conquistaram várias ilhas do oceano Atlântico e pontos do litoral da África. No entanto. Em 1488. Financiado pelos reis da Espanha. Os portugueses foram os primeiros nessa expansão marítima. No dia 12 de outubro de 1492. Cristóvão Colombo partiu com três caravelas na aventura de contornar a Terra e chegar à Índia. as Índias das especiarias e do rico comércio. o comércio no mar Mediterrâneo era controlado pelos italianos. que daí em diante teve seu nome mudado para cabo da Boa Esperança.A conquista dos mares Foi aí que Portugal entrou nessa História. conquistando a região africana de Ceuta. no extremo sul da África. pelo mar. os turcos avançavam em direção à Europa. pois não se tinha certeza de que a Terra fosse mesmo redonda. . que lhes forneceram escravos para as primeiras plantações de cana-de-açúcar nessas ilhas do Atlântico. vindos do Oriente. em 1415. seguiu o caminho aberto por Bartolomeu Dias e conseguiu finalmente alcançar. eles fizeram suas primeiras viagens. Vasco da Gama. o navegador português Bartolomeu Dias contornou o cabo das Tormentas. Logo no início do século XV. já contavam com uma monarquia forte e capaz de arrecadar muitos recursos. A conclusão de que se tratava de um novo continente foi do navegador e cartógrafo Américo Vespúcio. Colombo encontrou terras que julgou ser a Índia. A saída era navegar pelo oceano Atlântico. foram os espanhóis que chegaram primeiro à América. Encontravamse em vantagem porque. E. Para a época. No século XV. conhecido na época como “Mar Tenebroso”.

Elas se constituíam num Estado organizado e tinham técnicas desenvolvidas de produção. cujas ruínas podem ser visitadas. como templos e palácios. Porém.os índios das Américas. Socialmente. 2 As Américas eram habitadas por diversos povos indígenas. existia desigualdade: a população vivia em comunidades. Durante séculos. nas regiões dos atuais México e Peru. I NCAS Suas cidades apresentavam construções grandiosas. cada povo que agora estava entrando em . viviam duas sociedades mais adiantadas e estabelecidas como impérios: a asteca e a inca. em comunidades tribais. respectivamente. Esses habitantes primitivos das Américas viviam. No início. ou ameríndios. mas devia prestar serviços ao imperador e pagar muitos tributos.A U L A A conquista da América Quando os europeus chegaram. o continente que hoje chamamos de América já estava ocupado há milhares de anos e contava com uma população indígena muito grande e variada . o contato entre os europeus e as populações nativas foi marcado pelo estranhamento. na sua maioria.

os espanhóis realizaram uma verdadeira guerra de conquista. brasileiros. b) Faça uma lista das transformações culturais que aconteceram na Europa a partir do século XV.para a qual o organismo dos povos americanos não tinha defesa . A América. é o produto histórico desse encontro violento. 1. do lado dos nativos. falamos português e temos uma enorme dívida a resgatar com os povos indígenas que. e a maioria dos sobreviventes foi submetida a trabalhos pesados nas minas e plantações espanholas da América. ainda hoje. com suas doenças. assim como o álcool.tão natural para os europeus . então. pois na América não havia cavalos. verificou-se um dos maiores genocídios da História. os europeus não entendiam por que o ouro não significava para os povos da América a mesma coisa que significava para eles. Releia A conquista dos mares e responda: a) Como os portugueses chegaram às Índias? b) De que modo os espanhóis alcançaram a América? Exercícios . ver homens e mulheres nus era tão diferente quanto era para os índios ver aquela gente que vestia roupas pesadas. Muitas pessoas morreram. mantêm sua cultura em território brasileiro.. O tempo não pára Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula.era incompreensível para os ameríndios. por parte dos conquistadores. Por sua vez. alguma coisa nova foi se formando. e à dominação. Alguns historiadores já disseram que 1492. Para dominar os Impérios Inca e Asteca. usava barba e montava animais desconhecidos. O contato com os portugueses não foi menos devastador.contato havia desenvolvido sua própria história e criara maneiras completamente diferentes de viver e pensar. Sublinhe as palavras que não entendeu e veja o que elas significam. só podia causar estranhamento nos dois lados. alargaram-se as fronteiras do mundo para ameríndios e europeus. Desde então. seus hábitos e costumes. É por causa desse encontro que nós. Ao longo do século XVI. o nosso continente. Para os europeus. A conquista violenta e a ocupação do território pelos europeus tratariam de demonstrar quanto eram diferentes essas duas culturas. A sensação de estranhamento deu lugar ao medo. 2. A U L A 2 Dessa enorme tragédia. Isso aconteceu não só pela violência da guerra de conquista mas pelo próprio contato com o homem branco. A gripe . Isso. Releia A Europa na Época Moderna e Muitas transformações e resolva os seguintes exercícios: a) Faça uma lista das transformações econômicas ocorridas na Europa a partir do século XV. A cobiça pelo ouro . no dicionário ou no vocabulário da Unidade. deveria ser o início da Época Moderna. fez milhares de vítimas. ano da descoberta da América por Colombo.

c) O etnocentrismo existe ainda hoje no Brasil? Dê exemplos. 6 .. Seus cachorros também têm olhos enormes: têm olhos que derramam fogo e são de um amarelo intenso (. 2.. Quem poderia ter escrito o documento A ? E o documento B ? Como os europeus viam os indígenas? Como os índios viam os europeus? Quando julgamos uma cultura de acordo com a nossa própria cultura . parte uma espécie de bola de pedra do interior do pedaço. ultrapassam o nível dos tetos.e a desvalorizamos -. lança uma chuva de fogo e espalha uma fumaça pestilenta. o sorriso abria seu rosto. Como porcos esfomeados o procuram.. 1. O que é certo é que têm muita sede de ouro. desvalorizando uma outra.” Os documentos A e B são da época da conquista espanhola na América. É branco como a cal. 4. Têm cabelos amarelos (. estamos tendo uma posição etnocêntrica.) Quando diante de um estouro.valorização de uma cultura. Releia-os e.. Despedaça tudo e torna pó como se fosse obra de algo prodigioso (..) Cavalgam em cima de animais gigantes e assim.) Quando a eles Montezuma ofereceu bandeiras de ouro e plumas. Etnocentrismo . Por causa disso.A U L A 3. empoleirados. a) Por que existem diferenças culturais? b) As diferenças culturais ainda existem? Dê exemplos. depois. Agarravam o ouro como macacos e logo sentavam-se satisfeitos como se seu coração tivesse se iluminado. faça os seguintes exercícios. Documento A “ Seus corpos são protegidos e apenas emerge o rosto. Fazendo a História Leia estes textos com atenção. 2 Releia A conquista da América e responda: por que houve estranhamento entre os nativos e os europeus? Dê um novo título a esta aula.” Documento B “E que não apenas não têm nenhuma cultura como não conhecem o uso da escrita e não sabem ler: suas instituições e costumes são bárbaros. a diferença cultural é vista como inferioridade.. 3.

Com o desenvolvimento do comércio do pau-brasil. que entre os europeus praticamente havia desaparecido. . as Coroas portuguesa e espanhola tiveram atitudes diferentes em relação ao Novo Mundo (a América). Desse modo conseguiram que os chefes destacassem seus homens para cortar e transportar o pau-brasil. por meio de uma verdadeira guerra de conquista. E. foram os primeiros a introduzir a escravidão na América. vimos que muitas novidades chegaram à Europa nos séculos XV e XVI. Já os portugueses preferiram ocupar uma pequena faixa de terra e ficaram “arranhando o litoral. que eram pontos de armazenagem e troca de mercadorias. fez Portugal perceber a necessidade de ocupar definitivamente suas terras na América. chamados de “brasileiros” . Do escambo à escravidão Em suas terras da América.na época. como caranguejos”. as atenções se voltaram para uma madeira muito procurada. Para isso. Logo no início da colonização.A UU AL A A L 3 O nascimento do Brasil a aula anterior. os negociantes de pau-brasil . E.o que de fato conseguiram. Portugal apenas estabeleceu feitorias . nessa época. Em troca. utensílios de ferro para agricultura e até armas.aprenderam a língua dos nativos e fizeram alianças com seus chefes. Esse tipo de troca chamava-se escambo . como os metais preciosos não foram logo encontrados. renasceu com tanta força na América portuguesa. miçangas. que os índios chamavam de ibirapitanga . que servia para tingir tecidos na Europa: o pau-brasil . nessa área. A presença cada vez maior dos franceses. que também se aliaram aos indígenas. os comerciantes portugueses passaram a utilizar a própria organização social dos povos nativos. segundo um cronista da época. a América foi conquistada e passou a fazer parte do mundo ocidental. tecidos. MÓDULO 1 3 N Nesta aula Coroa: palavra que quer dizer “poder real ou monarquia”. Nesta aula vamos buscar compreender como e por que a escravidão. Vimos também que. durante as primeiras décadas do século XVI. Os espanhóis avançaram para o interior em busca de ouro e prata . forneciam objetos valorizados pelos nativos: espelhos.

com apoio da Igreja Católica. Ali fundou. Portugal tratou de iniciar o processo de colonização das terras brasileiras. Os cativos eram adquiridos por meio de troca com comerciantes africanos. E também sabiam aproveitar-se dos conflitos entre povos africanos. Mas o rei francês não reconhecia esse tratado e permitiu que os corsários do seu país continuassem a explorar o pau-brasil. Colonos portugueses haviam obtido sucesso com esse tipo de produção nas ilhas do Atlântico mais próximas dos continentes europeu e africano. portanto. usando em suas propriedades trabalhadores escravos levados da África. Resolveu-se. que. foi enviada para a América a expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza. isto é. que recebeu o nome de São Vicente. 3 O meridiano do Tratado de Tordesilhas cortava a América do Sul. deixando apenas a pequena área da direita para Portugal. . adaptar esse modelo à América. Esses colonos procuraram aliar-se aos nativos para garantir a própria segurança e conseguir trabalhadores cativos. a tecnologia necessária para a construção de engenhos de açúcar. A Coroa estimulou a vinda de colonos portugueses com “cabedal”. então. recursos para montar um engenho. em 1532. depois de fazer o reconhecimento da costa desde o cabo São Roque até o rio da Prata. que Portugal e Espanha assinaram em 1494. O pontilhado mostra a rota de Martim Afonso de Souza. Em 1530. conseguindo com isso trabalhadores escravos. a primeira vila portuguesa na América. relativamente complexa para a época. Para conter a ameaça francesa. Os portugueses conheciam. a América passou a ser dividida entre esses dois países. estabeleceu-se no atual estado de São Paulo. A Coroa portuguesa resolveu estimular o cultivo da cana e a produção do açúcar em terras do Brasil.A U L A O Tratado de Tordesilhas Pelo Tratado de Tordesilhas.

quase tudo com trabalho escravo. Na época do Brasil colonial. Eles também abriam caminhos para o transporte de cana. . O plantio da cana aumentava. Os engenhos produziam à plena carga. Com o crescimento dos engenhos.A escravização indígena A princípio. os colonos passaram a incentivar os indígenas a atacar aldeias rivais em busca de escravos. Recife e Salvador tornaram-se portos importantes para a saída do açúcar exportado e a entrada de escravos africanos e produtos europeus. especialmente Pernambuco e Bahia. transformada no ponto de partida para o Brasil de hoje. localizado numa parte do engenho chamada casa-do-engenho. que faziam parte do setor de beneficiamento. os escravos trabalhavam de sol a sol. O coração dessa região era o litoral do atual Nordeste. transformando-se em cachaça. Os moradores de São Vicente tornaram-se fornecedores de escravos para os engenhos atacando até os índios cristianizados das missões dos jesuítas. Nessas grandes propriedades que eram os engenhos. os engenhos de açúcar produziam a todo o vapor. Ali a cana colhida pelos cativos era beneficiada. consolidou-se uma região mercantil e escravista. A U L A 3 A região da grande lavoura Foi assim que. no litoral da América portuguesa. derrubando florestas e espantando os animais. os colonos fizeram alianças com os índios para garantir a própria segurança e conseguir mão-de-obra para a difícil empresa de preparar as plantações. Os bois e a água também eram usados para movimentar as moendas. melaço. faziam esse transporte e empregavam sua própria força para movimentar as moendas. rapadura e açúcar.

A U L A 3 Aí trabalhavam pessoas assalariadas que conheciam as técnicas de produção do açúcar. Da casa-grande. e uma caldeira . A Metrópole enviava produtos manufaturados para a Colônia e comandava o tráfico de escravos. No litoral nordeste do Brasil. que também seriam os seus únicos fornecedores. O senhor de engenho morava junto com sua família na casa-grande. Já a Colônia era obrigada a comercializar toda sua produção apenas com os representantes da Metrópole. onde trabalhavam os escravos domésticos. Mais tarde. essas técnicas também foram aprendidas pelos escravos. partiam as principais decisões da política local e colonial. depois. seus próprios filhos e netos. só poderiam vender seus produtos aos mercadores metropolitanos. O engenho de açúcar compreendia uma moenda . No final do dia. METRÓPOLE Manufaturas Escravos As colônias só poderiam produzir o que a Metrópole desejasse. todos aqueles que viviam às suas expensas. onde ficavam até o reinício do trabalho. político e social da fazenda. Portugal deu início à Afro-América que. enfim. protegendo suas colônias e impedindo-as de fazer comércio com outros países. No tendal das forcas e na casa de purgar . onde se moía a cana e se obtinha o caldo (garapa). o Senhor controlava a produção. os escravos que estavam nas plantações eram recolhidos às senzalas. completava-se o processo. O engenho era também o centro administrativo. Portugal consolidou também o Pacto Colonial. recebia os compadres e batizava-lhes os filhos. Dali. na qual o caldo era fervido para que toda a água evaporasse. comandava a mulher. o escravo africano havia se tornado a base da expansão das plantações de cana-de-açúcar no Nordeste. ðð Æ ðð ñ PACTO COLONIAL ò ñ ò Çïï ¶ ïï COLÔNIA Matérias-primas ¶ Gêneros tropicais à . se expandiu para outras áreas da América colonial. 6 Æ Este quadro é uma simplificação do que ocorria com o Pacto Colonial. No final do século XVI.

Releia Do escambo à escravidão e faça o que é pedido a seguir. e fora os mulatos e mulatas..) São finalmente necessárias. oleiros. Dê um novo título a esta aula. “Servem ao senhor do engenho. forte e espaçoso. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. Exercícios 2. O tempo A U L A não pára 3 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula.A lavoura de exportação não parava de crescer no Brasil colonial.)” Fonte: André João Antonil . ou seja. no final do século XVI.Grandeza e Opulência do Brasil por suas 1711. canoeiros. b) Identifique uma razão para o início da ocupação definitiva das terras brasileiras pelos portugueses. b) Explique como funcionava o Pacto Colonial. Fazendo a História Leia este documento com muita atenção. 3.. As fortunas acumuladas no comércio colonial foram se transformando. Releia A região da grande lavoura e: a) Descreva um engenho colonial do Brasil. pastores e pescadores (. carapinas. feita a partir da releitura do item A região da grande lavoura . uma sociedade escravista. com as mais oficinas e casa de purgar (. Sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. sem parar.. negros e negras da casa.. além das senzalas dos escravos. baseada principalmente no trabalho escravo.que eram a fonte de todo o prestígio no mundo colonial..além dos escravos de enxada e foice que têm nas fazendas e na moenda. feita por Antonil em 1711. calafates..) uma capela decente com seus ornamentos e todo o aparelho do altar. carreiros.. e além das moradas do capelão (. ou ocupados em outras partes barqueiros. com a descrição acima. c) Explique por que os portugueses usaram a cana-de-açúcar para colonizar o Brasil. em vários ofícios . 1. a) Explique o que foi o Tratado de Tordesilhas. e umas casas para o senhor do engenho (.) e o edifício do engenho. O que você aprendeu de novo a partir da leitura desse texto escrito no século XVIII? 6 . passando a exigir cada vez mais terras e mais escravos. vaqueiros.. drogas e minas .1711 Agora compare sua descrição do engenho. em escravos e engenhos . Começava a se formar uma sociedade ao mesmo tempo mercantil e aristocrática.

nesse vasto território em formação. brasileiros eram os comerciantes de pau-brasil.A UA U L A L A MÓDULO 1 4 4 Ocupação do interior da Colônia tualmente. alguém se sentia brasileiro? Nesta aula A Este mapa mostra o Brasil no século XVI. Deixando de arranhar o litoral como caranguejos No tempo da descoberta do Brasil. Você tem idéia de como se formou esse território? A resposta para isso está no estudo do nosso passado colonial. os portugueses foram ocupando o território brasileiro e formando o que se chama de regiões coloniais . usando trabalho escravo. de acordo com o Tratado de Tordesilhas. o Brasil é um dos maiores países do mundo. naquele tempo. Você verá como. Mas será que. E. quando começaram as primeiras atividades econômicas e teve início a penetração pelo interior. na época em que deram início ao plantio de cana-de-açúcar e à construção de engenhos. Você já viu que os portugueses começaram a ocupar o território brasileiro a partir do litoral. . Nesta aula vamos voltar a esse passado para descobrir como tudo aconteceu. ao longo dos séculos. madeira que servia para fazer tinturas e que hoje está em extinção. o território que cabia a Portugal ficava restrito a uma pequena parte do leste do atual Brasil.

BRASIL CULTIVO DA CANA. seguindo o curso dos rios.SE PARA O INTERIOR E PARA O SUL BANDEIRAS DE APRESAMENTO DE INDÍGENAS BANDEIRAS DE MINERAÇÃO 1601-1700 . Os animais eram utilizados para movimentar as moendas e para transportar cargas. onde os índios trabalhavam e aprendiam a religião e os costumes cristãos.DE. franceses . Ceará e. espécie de aldeias organizadas por eles. Nesse momento inicial.DESCOBERTA DE OURO EM MINAS GERAIS E GOIÁS SÉCULO XVIII l l l l l OCUPAÇÃO DA REGIÃO DAS MINAS DECADÊNCIA DA ATIVIDADE AÇUCAREIRA CICLO DO OURO AUMENTO DO TERRITÓRIO FUNDAÇÃO DE CIDADES NO INTERIOR 1701-1800 Conforme o povoamento da Colônia aumentava. nos sertões mais escondidos.cujos padres eram chamados de jesuítas -. que motivou a ocupação das terras do litoral. Entrando pelo interior Longe do gado e das fazendas. Os fazendeiros dessa região criavam tropas de mulas para o transporte do ouro que havia sido descoberto em Minas Gerais. nas Américas.OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO SÉCULO XVI l l l A U L A COLONIZAÇÃO NO LITORAL EXPLORAÇÃO DO PAU. a pecuária empregava o trabalho livre de índios e mestiços. Várias fazendas de tamanho médio. Pecuária Com o sucesso da lavoura do açúcar. e o resultado disso foi a ocupação de novas regiões. Podemos destacar a criação de gado entre essas novas atividades. partindo de Pernambuco. até o Maranhão e o Piauí. dando origem à região pastoril. especialmente a Companhia de Jesus. foram surgindo à beira dos rios. tinham como objetivo expandir a fé cristã. criaram as missões . Para isso. Bahia. especialmente nas grandes fazendas de criação de propriedade das ordens religiosas. Ainda no século XVIII. voltada principalmente para o setor de transporte. Lá também se instalaram as ordens religiosas pioneiras na cristianização dos nativos. Já sabemos que essas ordens. e muitas vezes entraram em conflito com os governantes portugueses.AÇÚCAR 1501-1600 4 SÉCULO XVII l l l PECUÁRIA ESTENDE. desenvolviam-se outras atividades. dirigidas e administradas pelos vaqueiros. o gado foi sendo levado para o interior. Na realidade. . também a pecuária passou a dar preferência ao trabalho escravo. Famílias escravas cuidavam do gado que era recolhido aos currais. para o sertão do atual Nordeste. estavam os povos indígenas. os jesuítas desenvolveram um tipo especial de colonização. a pecuária também foi se desenvolvendo mais em direção ao sul do país. No século XVIII. o que transformou a pecuária numa atividade complementar à da produção de açúcar.

cacau. fugindo das invasões do litoral por estrangeiros. estava se iniciando. cravo. com mata densa e de difícil penetração. os índios já estavam habituados ao trabalho regular e aos costumes dos europeus. Vivendo em situação de pobreza. castanha. Este também era o caso de São Vicente (no atual estado de São Paulo). São Vicente Mas o vale amazônico não era a única região colonial onde. grande parte do atual território brasileiro já havia sido ocupado. Mais afastada da Europa do que Pernambuco e Bahia. Nos sertões do sul do país eles enfrentaram os jesuítas. os índios aldeados realizavam o trabalho de coleta de produtos florestais. os vicentinos dedicaram-se à captura de índios. pescavam e plantavam. e os jesuítas exportavam para a Europa as chamadas drogas do sertão : canela. os indígenas caçavam. A base dessa ocupação eram as atividades econômicas. até o século XVIII. quando Portugal se esforçava para aumentar seu controle sobre as terras do Brasil. Essa era uma atividade muito lucrativa. Não por acaso foram expulsos do Brasil no século XVIII. cujas missões atacavam com freqüência para capturar os nativos. Nessas missões. os quais eram utilizados em suas fazendas e vendidos como escravos para a capitania do Rio de Janeiro. No interior. as missões formavam a linha de frente da ocupação portuguesa. . a região de São Vicente não se desenvolveu como a da grande lavoura . no século XVII. tão comuns no século XVI. onde a lavoura de cana-de-açúcar. os habitantes de São Vicente começaram a se deslocar para o interior. Ali. Drogas do sertão Na região do vale do rio Amazonas.A U L A 4 ou espanhóis. No século XVIII. além de fabricarem todos os objetos necessários para seu dia-a-dia. Ali. que a Coroa portuguesa tentou continuar. havia pouca presença portuguesa e o controle da Metrópole era reduzido. entre outras. depois da expulsão da Companhia de Jesus do Brasil. embora fosse a mais antiga povoação portuguesa em terras do Brasil.

no interior. A partir desse momento. os vicentinos vão se dedicar à caça ao índio e à busca de metais preciosos (ciclo do ouro de lavagem). . A região dos vicentinos. o esgotamento das minas da América espanhola. o que gerou profunda crise monetária na Europa. a queda do preço do açúcar por causa da concorrência da produção das Antilhas holandesas. mais do que nunca interessados na descoberta de metais preciosos. os vicentinos também eram contratados para recuperar escravos fugidos e destruir seus acampamentos. os reis portugueses vão utilizar-se dos serviços dos bandeirantes. como ficaram conhecidos os vicentinos. Vários fatores concorreram para isso: a crise econômica portuguesa. A U L A 4 Em busca do ouro No século XVII. E foi com a busca do ouro. tornou-se. por volta do século XVI. penetrando o interior do território. Este mapa reúne praticamente todas as atividades econômicas desenvolvidas no território colonial. uma região pobre e de população reduzida. que São Vicente voltou a despertar a atenção da Metrópole. O estímulo à busca do ouro não ocorreu por acaso.Muitas vezes. durante os três primeiros séculos do domínio português. apesar de ter iniciado com sucesso o processo de colonização. houve modificações importantes nas relações entre a Colônia e a Metrópole. No início do século XVII.

Em 1763. Mesmo assim. A modificação das fronteiras foi constante e até batalhas foram travadas por causa delas.A U L A 4 O reconhecimento da região. A única noção de pátria que reunia as regiões coloniais era a de pátria portuguesa. O controle que Portugal exercia sobre cada região era maior ou menor. as minas de ouro. No final do século XVII. e até da Metrópole.foi transferido para a cidade do Rio de Janeiro. não eram tão controladas e. o de escravos. por ordem do rei de Portugual. A região mineradora foi responsável pelo grande crescimento populacional da Colônia. Goiás e Mato Grosso. pela primeira vez. aquelas que se ligavam mais diretamente ao consumo do mercado interno. o centro administrativo da colônia . inclusive. recebiam o nome de entradas. Como resultado disso. muitas vezes. fazendo. de acordo com o interesse dessa região para o sistema colonial. as regiões mais controladas eram aquelas ligadas à exportação de gêneros que atendiam às necessidades do comércio europeu e proporcionavam maiores lucros à Metrópole. a mão-de-obra escrava predominava na região. Só no final do século XVII é que se descobriram importantes jazidas. O movimento de ocupação acabou desrespeitando a marca inicial do Tratado de Tordesilhas. porto mais próximo da região mineradora. também conhecido como Brasil. naquele tempo as palavras Brasil e brasileiro tinham outros significados. A vida urbana tornou-se mais intensa. foram feitos vários outros tratados entre Portugal e Espanha. sem contudo desativá-la. e se estabelecia na região central. A política colonial de Portugal sempre obedeceu aos objetivos mercantilistas que vigoravam na Época Moderna.que era em Salvador . mas aumentou o controle da Metrópole. os bandeirantes descobriram ouro no atual estado de Minas Gerais. de difícil comunicação entre si e. apresentavam população menor. Sabemos. Por causa disso. várias vilas foram fundadas por gente que vinha de outros pontos da Colônia. Este território americano. Nunca o Pacto Colonial foi tão utilizado pela Metrópole e tão detestado pela Colônia. No século XVIII. nenhuma das regiões da Colônia se sentia brasileira . E ficou claro o predomínio dessa região sobre o Nordeste açucareiro. Seu território colonial estava fragmentado em diversas regiões econômicas. de difícil comunicação com a Metrópole. agora. 6 O tempo não pára Se hoje vemos um Brasil tão cheio de diferenças. com que o número de pessoas livres superasse. no final do século XVII e ao longo do século XVIII. O ouro foi encontrado simultaneamente em vários locais das áreas hoje ocupadas por Minas Gerais. prosseguiu com o envio da bandeira de Fernão Dias Pais. Porém. Os impostos eram altos e as exigências metropolitanas cresceram. As bandeiras eram verdadeiras expedições armadas que penetravam o interior do território colonial. Por isso. Quando financiadas pela Coroa portuguesa. As demais. que a própria área que hoje conhecemos como Brasil não corresponde ao primeiro território de que Portugal tomou posse. ao mesmo tempo. que passava por grave crise em sua produção. feito em 1668 por Lourenço Castanho. . fazia parte do grande Império Colonial Português dessa época. prata e diamantes deram a Portugal um novo período de prosperidade.

seculares e clérigos. 1711 Retire desse documento um trecho em que o autor mostra as razões do grande desenvolvimento da pecuária nas proximidades dos rios.. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. Fazendo a História 1. “E porque as fazendas e currais do gado se situam onde há largueza de campo e água sempre manente [permanente] dos rios ou lagoas: por isso os currais da parte da Bahia estão postos na borda do rio de São Francisco. Releia Em busca do ouro e responda às perguntas: a) Qual foi a importância das bandeiras para a expansão do território colonial? Por que os bandeirantes capturavam indígenas? b) Retire do texto trechos que apresentem importantes modificações na vida da Colônia que ocorreram a partir da descoberta de metais preciosos..) A mistura é de toda condição de pessoas: homens e mulheres. muito dos quais não têm no Brasil convento nem casa. no dicionário ou no vocabulário da Unidade.Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula.” Fonte: Antonil.D E. na do rio das Velhas (.” Fonte: Antonil. por informações tomadas de vários.O B R A Exercícios A U L A 4 2. 1.. que dificilmente se poderá dar conta do número de pessoas que atualmente lá estão (. nos quais. O documento abaixo descreve a expansão da pecuária na América portuguesa. que correrão esse sertão. O que você aprendeu sobre o mesmo assunto.) e de outros rios. 3. nobres e plebeus. pobres e ricos. Leia o documento abaixo: “A sede insaciável do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como são os das minas. 1711 O que esse documento informa sobre as alterações no povoamento do Brasil colonial a partir da descoberta do ouro? 6 . moços e velhos. e religiosos de diversos institutos. a partir da leitura do item Pecuária? 2.. Releia Deixando de arranhar o litoral como caranguejos e Entrando pelo interior e complete o quadro abaixo: REGIÕES LOCALIZAÇÃO ATIVIDADE ECONÔMICA M Ã O. Dê um novo título ao texto desta aula. estão atualmente mais de 500 currais.

distribuídos em cerca de 900 povos. Estima-se que. Os principais povos indígenas eram: POVO OCUPA REGIÃO QUE OCUPAVA TUPI.GUARANI LITORAL E ALGUMAS ÁREAS DO INTERIOR JÊ OU TAPUIA PLANALTO CENTRAL NU-ARUAQUE PARTE DA BACIA AMAZÔNICA CARAÍBA NORTE DA BACIA AMAZÔNICA . Os povos indÍgenas Os índios são pré-colombianos. têm a mesma origem: a cultura dos índios. você não acha que elas são estranhas.A UA U L A L A MÓDULO 1 5 5 O Brasil indígena P UBIRAJARA CUIABÁ ARACAJU Nesta aula reste atenção a estas palavras: GUARATINGUETÁ JACAREPAGUÁ IPANEMA PIRAPORA IRACEMA PIRARUCU PIRACICABA ITAÚNA ITACOLOMI Provavelmente. e também aquelas palavras. Nesta aula. dos povos que habitavam nossas terras antes do descobrimento. assim como não acha estranho o hábito de comer farinha. com língua e costumes próprios. havia no Brasil cerca de 5 milhões de indígenas. Pois saiba que esses costumes. ou seja. habitavam a América antes da chegada de Colombo. por volta do ano de 1500. tomar banho e dormir em rede. vamos conhecer um pouco da vida e da influência desses primeiros brasileiros.

Aprendem. como a da Yara. A educação das crianças indígenas se dá pela imitação dos adultos. e ninguém passa fome por não ter onde plantar. Não existe a preocupação de acumular riqueza. sua língua. caçar ou pescar. erro de português . o relevo e o clima.1925 Embora os portugueses tentassem modificar os nativos. acabaram por influenciar os brasileiros. protetor das matas e dos animais. poesia de Oswald de Andrade . são importantes contribuições indígenas à vida cotidiana. que são o povo que mais toma banho no mundo. Os hábitos higiênicos dos indígenas. O costume de dormir em rede ou a técnica de fazer canoa com um tronco só. tudo o que produzem é para ser usado e consumido. essa influência se faz pelo uso de flautas e chocalhos na música.O que mais nos chama a atenção na organização dos índios é a igualdade: não há ricos nem pobres. isso porque a terra pertence à comunidade e todos podem dela dispor pelo bem do grupo. Nas artes. e a do Saci-Pererê. os mais velhos ensinam os costumes e as tradições de cada tribo. a mãe d’água. A cultura indígena influiu bastante no modo de vida dos europeus que vieram para cá. que costumavam banhar-se diariamente. como palavras que hoje estão perfeitamente incorporadas à nossa língua. pelas lendas e explicações do mundo. a do Curupira. . os indígenas resistiram. sua religião. sua maneira de trabalhar. não há patrões ou empregados. A U L A 5 A influência da cultura indígena Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio teria despido O português. fazendo e brincando. bem como a arte da cestaria e da cerâmica e os diversos usos da mandioca na culinária. Contando histórias e lendas. Desse povo gentil. pelas cores alegres e variadas do carnaval. herdamos muita coisa. a conhecer a flora e a fauna. impondo a eles suas roupas. Jamais são castigados por seus pais.

São ainda vistos como incapazes e. tutelados pelo Estado. pescando. Vítimas do extermínio. foi necessário ao índio uma força que vem da própria natureza. além de tintas vegetais que não fazem mal à pele. Até mesmo suas terras pertencem à União. os índios já não são tantos. das doenças e da falta de terras. Toda essa riqueza natural. levou os índios ao conhecimento do poder curativo das plantas. têm remédios para engordar e para emagrecer. Eles costumam derrubar uma pequena parte da floresta para iniciar uma roça. usam métodos naturais de anticoncepção. . permitindo que o solo se recupere naturalmente. Para superar e resistir à colonização e à destruição das matas. colhendo. Essa área é abandonada após dois anos. sempre foram dons dos povos indígenas. restam cerca de 240 mil pessoas distribuídas em apenas 180 povos. Respeitar o meio ambiente. trabalhar a terra com sabedoria e equilíbrio e dela tirar o sustento sem esgotá-la. O contato intenso com a natureza.A U L A 5 O saber indígena no mundo de hoje Passados quase quinhentos anos da chegada dos portugueses. caçando. por isso. patrimônio ecológico que está guardado nas terras indígenas. Cuidam de picadas de cobras. é hoje objeto de acordos e tratados internacionais. sem depredar a natureza nem dizimar os animais. Há muitos séculos os índios usam a floresta.

assim como a terra o alimenta hoje. brancos. E que.” (Jornal do Brasil de 7 de dezembro de 1994). Ela é a fonte de todas as riquezas. Houve muita discussão em torno disso. principalmente. como câncer e AIDS. Os avanços tecnológicos. alimentará também a eles (nossos descendentes) por isso repousamos sem preocupações. a terra que primeiro nos nutriu.que existem na natureza. modificá-las geneticamente ou produzir remédios. Na Mata Atlântica. para depois mandar a conta das patentes e dos direitos intelectuais de todo este patrimônio para os países produtores daquelas plantas. mães e filhos que amamos. texto de Jean de Lery . o interesse norte-americano é “colher plantas das selvas e florestas dos países em desenvolvimento.Você já ouviu falar da biodiversidade? É o termo que se usa para designar a quantidade e a variedade de formas vivas . 6 . somos seguros de que.” Palavras de um tupinambá . ao contrário. nos ensine a amar ainda mais o nosso planeta e a agredi-lo menos. Durante a conferência da ECO-92. ela é mais do que isso. e se empenham tanto em acumular para vossos filhos e para os que viverem depois de vocês. Segundo ecologistas de várias nacionalidades. para os índios. merece ter seus direitos respeitados e suas terras demarcadas. no Rio de Janeiro. por exemplo. Mas a terra que vos nutriu não será suficiente para também alimentar vossos filhos? Nós também temos pais. O índio. depois da nossa morte. como vocês disseram quando chegaram aqui. A U L A 5 A relação dos índios com o ecossitema “ Vocês. seu corpo alimentará a terra um dia. foi firmado um acordo sobre a biodiversidade. pois os Estados Unidos não aceitam que a exploração das riquezas naturais seja feita somente pelos países em que elas se encontram. são todos uns grandes loucos. a biodiversidade é tão grande que se pode encontrar mais de cem espécies de seres vivos em um único metro quadrado. Essa sabedoria indígena precisa ser hoje objeto de estudo que nos leve a compreender melhor a natureza e a retirar dela os produtos que livrarão a humanidade de doenças terríveis. como cidadão brasileiro. Para as sociedades brancas. porque atravessaram o mar e sofreram grandes transtornos. a terra é vista como uma mercadoria e uma fonte de riquezas. pois é a fonte da própria vida e da existência. mas nós. Ecossistema é toda a cadeia de vida que existe em determinado ambiente.século XVI. mas. as diferenças culturais e sociais em relação à civilização das cidades não tornam inferiores as sociedades indígenas.muitas delas ainda não estudadas . Há uma integração plena do homem com a natureza e uma consciência de que.

TAMBÉM . buscam preservar o meio ambiente e manter seu equilíbrio. 7. se todas as florestas forem destruídas não serão só os índios que desaparecerão mas todos os habitantes do planeta. COMO OS I A N O M A M I S (R ORAIMA ). Relendo o texto Releia Nesta aula e depois converse com seus amigos e pessoas de sua família e procure descobrir outras palavras de origem indígena. Os sobreviventes querem hoje defender suas terras e sua cultura. 3. 2. NO PAÍS . MANGANÊS E CASSITERITA . RECENSEADA PELA FUNDAÇÃO N ACIONAL DO Í NDIO . ENCONTRAM-SE. Fonte: Centro Ecumênico de Documentação e Informação . FERRO . D O POTENCIAL MINERAL DA A MAZÔNIA BRASILEIRA JÁ MAPEADO PELO D EPARTAMENTO N ACIONAL DE P ESQUISA M INERAL . . A POPULAÇÃO ESCOLAR .. POR UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA . Releia A influência da cultura indígena e comente quais dessas heranças estão mais presentes no dia-a-dia do seu grupo de amigos e familiares. A maior parte dessas culturas está perdida para sempre. ESTIMA . N AS PROXIMIDADES DE B RASÍLIA . como conhecedores da natureza. REGISTRA . APROXIMADAMENTE. pois. 4. O tempo não pára É.DNPM. B EM PRÓXIMAS DOS GRANDES CENTROS URBANOS . Releia O saber indígena no mundo de hoje e estabeleça a relação dos índios com a biodiversidade. E. OS KORUBOS . COMO OS G U A R A N I S BRASIL. SÃO APENAS 240 MIL ÍNDIOS EM TODO O INDÍGENAS . 2. o tempo não pára. Os 500 anos de colonização na América representaram o fim do mundo para centenas de culturas indígenas com muitos milhões de pessoas. (S ÃO P AULO E R IO DE J ANEIRO ). ÀS MARGENS DO RIO SOLIMÕES. P ARANÁ E S ÃO P AULO ). O S PRINCIPAIS MINERAIS EXISTENTES SÃO : OURO . UM TOTAL DE 30% A 40% ESTÁ DENTRO DE TERRAS INDÍGENAS .CEDI (São Paulo). A PENAS DOIS ESTADOS OFICIALMENTE NÃO POSSUEM POPULAÇÃO INDÍGENA : P IAUÍ E R IO GRANDE DO N ORTE. É DE 32. VIVE O MAIOR POVO INDÍGENA DO B RASIL : OS T I C U N A S .A U L A DADOS GERAIS SOBRE OS ÍNDIOS NO BRASIL 1.FUNAI. NA REGIÃO AMAZÔNICA. 5. A Í .. mas também não anda só para a frente. OS M A T I S . E AQUELES DE CONTATO MAIS RECENTE .SE A MENOR POPULAÇÃO INDÍGENA : QUINZE INDIVÍDUOS AVÁ. 180 CIVILIZAÇÕES INDÍGENAS E MAIS DE 160 LÍNGUAS FALADAS . RESIGNAM SE A UM CONTATO ABRUPTO E IRRACIONAL COM A CIVILIZAÇÃO BRANCA . 6. K A I G A N G U E S (R IO G RANDE DO S U L .CANOEIROS . QUE NÃO TENDO MAIS PARA ONDE FUGIR .SE OUTRAS CIVILIZAÇÕES 5 3. Exercícios 1. OS MARUBOS (A MAZONAS ) E OS ARARAS (P ARÁ ). ENCONTRAM . COM 25 MIL PESSOAS . ALI TAMBÉM EXISTEM DIAMANTES .793 CRIANÇAS ÍNDIAS . E OS T E R E N A S (MATO GROSSO DO SUL E SÃO P AULO ).SE A EXISTÊNCIA DE QUASE VINTE POVOS INDÍGENAS QUE NUNCA TIVERAM CONTATO COM O HOMEM BRANCO .

na aldeia Kari-Oca. Pela Declaração da Kari-Oca . os índios têm de se sujeitar às leis do país. A U L A 5. Assinado em Kari-Oca. eles têm direito à auto-determinação dos povos . Fonte: Documento da Conferência Mundial dos Povos Indígenas. Povos Indígenas. da invasão de suas terras e da remoção de suas comunidades para outros territórios? 2. Do maior ao menor ser vivente. estamos unidos pelo círculo da vida em nossas terras e nosso meio ambiente. Releia A relação dos índios com o ecossistema e indique que lições da sabedoria indígena podem contribuir para uma qualidade de vida melhor para todos. o Criador colocou a nós. Afirmamos nossa contínua responsabilidade de passar todos esses direitos às gerações futuras. Povos Indígenas. sobre território. Povos Indígenas.ONU. expressamos nossa gratidão coletiva aos Povos Indígenas do Brasil. Austrália. Continuamos construindo e formulando nosso compromisso mútuo para salvar nossa terra-mãe. que é nossa mãe. e a nossas águas. no dia 30 de maio de 1992. em nossa terra. Povos Indígenas.4. da terra e das montanhas. Povos Indígenas. Como população. de usar nossas próprias leis. Já como povo. quais são as conseqüências da poluição dos rios. a todos os nossos recursos do solo e do sub-solo. percebemos que os índios desejam ser tratados como povo . apoiamos a seguinte Declaração com nossa responsabilidade coletiva. celebramos a unidade espiritual dos Povos Indígenas com a Terra e entre nossos Povos. unidos em uma só voz. direito à nossa própria identidade cultural sem interferências. Nós. durante a ECO-92. 1. . As pegadas de nossos antepassados estão permanentemente gravadas nas terras de nossos povos. caminhamos em direção ao futuro. garantida pela Organização das Nações Unidas . Continuamos mantendo nossos direitos inalienáveis a nossas terras e territórios. para que nossas mentes e nossas vozes continuem no futuro: Nós. mantemos nossos direitos inerentes à autodeterminação: sempre tivemos o direito de decidir as nossas próprias formas de Governo. Que direitos são esses? Para os índios. 6. África. Europa e do Pacífico. de criar e educar nossos filhos. meio ambiente e desenvolvimento. 5 Fazendo a História Declaração da Kari-Oca Os povos indígenas das Américas. não como população . Releia o quadro Dados gerais sobres os índios no Brasil e responda: que riscos correm as populações indígenas atualmente? Dê um novo título para a aula. Não podemos ser desalojados de nossas terras. da água. das quatro direções do ar. Nós. Ásia. Nós. nas trilhas dos nossos antepassados. Inspirados por este encontro histórico.

Neste módulo vamos examinar essa diversidade e conhecer um pouco mais sobre a vida no Brasil dos séculos XVIII e XIX. A trajetória de Domingos Vieira de Carvalho Nasce na Bahia. onde se casa com Ana Gomes. Em seu testamento. Domingos afirma que seu único bem é uma escrava mulata de idade avançada. pede à justiça um atestado de pobreza. dizemos nós ao fim de cada aula. com quem tem dois filhos que não sobrevivem à primeira infância. Maria Nunes. brasileiros do século XX. Domingos tem mais quatro filhos. mas informa que ele deixara o Espírito Santo e se mudara para a vila de São Salvador dos Campos de Goitacazes. no final do século XVII. a fim de evitar a venda de Antônia para pagamento das dívidas do casal. Apresentação do Módulo 2 N 6 Nesta aula O tempo não pára. casa-se com Maria Cardosa. eram múltiplas e diversas as atividades dos homens e das mulheres. chamada Antônia. Com esta terceira esposa. . nas cidades e no mundo rural. residentes no Brasil no final do período colonial. partiremos da história de um homem livre e pobre da Colônia: Domingos Vieira de Carvalho. Sua viúva. livres e escravos. livres e escravos. Domingos não menciona o destino de Ana Gomes. Ali. migra para o Espírito Santo. já haviam falecido quando ele redige seu testamento em Campos de Goitacazes. Mas será que nós. Nesse documento. em 1704. Deste casamento nascem seis filhos legítimos que. capitania da Paraíba do Sul. onde se casara com Maria Nunes. Viúvo.A UA U L A L A MÓDULO 2 6 6 A escravidão e o mundo rural o Brasil escravista. segundo o pai. Sua história foi parecida com a de muita gente daquela época. no que é atendida. somos capazes de imaginar como era viver no Brasil do final do século XVIII? O que significava viver numa Colônia escravista? Será que conhecer esse modo de vida pode nos ajudar a conhecer um pouco mais a nós mesmos e a este Brasil em que vivemos? Para entender como viviam homens e mulheres.

A partir da história de Domingos também se pode aprender a respeito dos altíssimos índices de mortalidade infantil. Casar-se também podia significar a formação de alianças no local onde o migrante se instalava e a ajuda dos filhos para o trabalho agrícola. para a cidade de Salvador ou para a vila de Campos dos Goitacazes. onde residia. Na história de Domingos. A partir dessa reconstituição podemos aprender muita coisa sobre a economia e a sociedade do Brasil colonial. Domingos só plantava mandioca. no Rio de Janeiro . quanto a capitania da Paraíba do Sul. mesmo sem muitos recursos. alegando ainda que Domingos era bígamo. suas três esposas e seus filhos. mas que.Mas as coisas se complicam para ela. cuja farinha vendia para os engenhos. foram importantes produtoras de açúcar na economia colonial. com roças de mandioca. A U L A 6 Mesmo as famílias mais pobres queriam ter pelo menos um escravo. Verificamos ainda a importância da família para o migrante que se tornava lavrador. Tanto a Bahia. também. até que ele pudesse comprar um ou mais escravos. também dá para perceber a expansão das áreas de agricultura escravista e a migração da população livre e pobre. As pessoas iam se deslocando em busca de fortuna. milhares de “Domingos” estavam se dirigindo para Minas Gerais em busca de ouro. que não haviam sido mencionados no testamento. tenta qualificar-se como herdeiro no testamento. além dos senhores de engenho todo-poderosos. onde ele morreu. nascido no Espírito Santo. pois sua mãe estava viva. E. no atual município de Campos. A primeira coisa que a gente descobre é que. seu pai possuía uma espingarda e um sítio. a região da grande lavoura tinha também pequenos lavradores que viviam do plantio de mandioca. que atingia tanto as crianças nascidas livres quanto as que nasciam escravas. onde Domingos casouse pela primeira vez. que. no século XVIII. Domingos casou-se três vezes. No entanto. nessa mesma época. além da escrava. Esta é a história de Domingos. . realizados há quase trezentos anos. podiam contar com a ajuda de um escravo. A agricultura que produzia para o mercado interno estava sempre na dependência das mandiocas de muitos “Domingos” e cresceria ainda mais depois da expansão das minas. Alega.que na época era a capitania de Paraíba do Sul. Um filho de Ana Gomes. conforme podemos reconstituir a partir da leitura de seu testamento e de seu inventário. talvez em busca de uma prosperidade que parece não ter conseguido.

depois do declínio da mineração do ouro.A U L A A sociedade escravista Na segunda metade do século XVIII. ex-escravos que compravam ou recebiam alforria . esses proprietários tinham apenas um escravo. freqüentemente também se tornavam proprietários de escravos. que possuíam mais de cinqüenta escravos cada uma ou. mais ou menos ao mesmo tempo em que se proclamava a Independência do país. com o qual eram comprados escravos na África. o Brasil colonial era. ainda. Na Bahia. às vezes. uma sociedade escravista. tanto na época da Colônia quanto. expandiu-se a cultura do café no Rio de Janeiro. Estavam também nas pequenas e médias propriedades dos lavradores de cana e dos plantadores de tabaco e de algodão. O tráfico. entre o serviço da casa e da produção. . O plantio do algodão deu-se muito bem no Maranhão e forneceu matéria-prima para as primeiras fábricas de tecido que começavam a surgir na Europa. os cativos podiam ser apenas dez. Neste tipo de empresa. Tudo isso reforçava o sentido quase “natural” com que se encarava a continuidade da escravidão. escrito em 1781. como no caso de Domingos. chegou ao auge a cultura do tabaco. antes de tudo. de milho e de mandioca. raramente somavam mais de vinte pessoas. Estavam. no Rio de Janeiro e em São Paulo. a agricultura escravista voltada para a exportação tornou a se desenvolver no Brasil colonial. e a maioria dos escravos vivia em propriedades com menos de vinte cativos. Nas primeiras décadas do século XIX. mas um escravo a toda lei ” . no Império independente. centenas deles. ter-se-ão todos os incômodos domésticos. 6 Novos engenhos de açúcar surgiram no Nordeste. Nos engenhos e nas fazendas No final do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX. Os escravos estavam nos engenhos e nas grandes fazendas. cem anos antes. dizia: “ É prova de mendicidade extrema o não ter um escravo. Mesmo os libertos. Todo homem livre se via como senhor de escravos em potencial. no Rio de Janeiro e em São Paulo. onde dividiam a casa e o trabalho com os proprietários. um grande negócio Um texto da época. Muito freqüentemente. na pequena produção de porcos. os quais raras vezes possuíam mais de cinco cativos. Novos engenhos de açúcar surgiram no Nordeste. mais tarde.

controlado por comerciantes residentes nas cidades do Rio de Janeiro e de Salvador. o tráfico de escravos para o Brasil transformou-se num grande negócio. No mesmo período. pela navegação de cabotagem . nesse Brasil do final do período colonial. No século XVIII. a todas as demais regiões coloniais. Cerca de 33% (um terço) de seus habitantes eram escravos e menos de 10% das pessoas livres controlavam a maior parcela da riqueza que o país produzia.aquela que se faz sempre perto da costa -. Muitos grandes comerciantes tornaram-se senhores de engenho e fazendeiros de café nesse período. tornar-se fazendeiro de café era mais vantajoso economicamente e trazia grande prestígio. Ao se tornar um país independente. Depois das primeiras décadas do século XIX. 6 . o padre jesuíta Antonil já dizia que “ ser senhor de engenho é título a que muitos aspiram porque traz ser servido e respeitado de muitos ” .Por isso. o Brasil continuava sendo uma sociedade essencialmente desigual. A cidade do Rio de Janeiro ligava-se. o comércio interno também se tornava bastante atraente para a Colônia. O prestígio do senhor de escravos Mesmo ganhando um pouco menos de dinheiro que os comerciantes. O comércio inter-regional crescia. Traficantes de escravos e outros grandes comerciantes acumularam enormes fortunas. quem realmente tinha prestígio e importância era o fazendeiro e o senhor de muitos escravos. A U L A 6 Os escravos que executavam tarefas dentro da casa-grande geralmente não trabalhavam na lavoura.

O tempo A U L A não pára 6 A ordem escravista não sofreu grandes transformações com o processo de independência de Portugal. Francisco Pinto. 3. Releia A sociedade escravista e retire do texto trechos que demonstrem a forte presença do escravo na sociedade brasileira do século XVIII.um escravo de nome Felício. Descreva como vivia a maior parte dos homens livres e pobres no mundo rural. b) Um trecho que demonstre a importância da família para os agricultores livres. Releia A trajetória de Domingos Vieira de Carvalho e retire do texto: a) Um trecho que fale do deslocamento do agricultor em busca de melhores condições de vida. Fazendo a História Num inventário de 1869. Dê um novo título a esta aula. . Nunca tantos escravos africanos ingressaram no Brasil como nessas duas décadas. Só que a forte pressão inglesa levou o governo brasileiro a terminar com o tráfico negreiro. 1. 2. 2. era a seguinte: . as bases da sociedade escravista brasileira começaram a ruir. a descrição dos bens de Francisco Pinto Ferreira. . Por que o fato de possuir um escravo era tão importante para agricultores livres como eles? Consulte o item A sociedade escravista . 1. em terras de João Gomes da Cunha. assim como Domingos Vieira. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. no dicionário ou no vocabulário da Unidade.uma cama marquesa. A partir daí. A escravidão permaneceu forte pelo menos até as décadas de 1830 e 1840.inventário post-mortem). no ano de 1850. nas primeiras décadas do século XIX.uma casa coberta de palha. sem a entrada de novos cativos.uma canastra (caixa) velha e . a serem divididos entre os herdeiros. (Cartório do 2º Ofício de Notas do Município de Silva Jardim . 6 . Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. possuía apenas um escravo. de 15 anos de idade.

As cidades coloniais tinham a nítida finalidade de civilizar a Colônia. um empreendimento urbano. em grande parte. apesar de a economia da Colônia ter se baseado na exportação de produtos rurais. vamos ver o papel das cidades no processo de colonização e a herança cultural que elas significam. as cidades no Brasil colonial também serviram de entrepostos comerciais e sedes do poder administrativo.A UU AL A L 7 O desenvolvimento das cidades ara muitos historiadores. O núcleo urbano foi o ponto de partida para a ocupação da terra. Nesta aula. MÓDULO 2 7 A P Nesta aula Como eram as cidades no Brasil colonial Além de serem parte integrante da estratégia portuguesa de colonização. com suas fachadas simples. a colonização do Brasil foi. que não visava apenas à exploração predatória mas à permanência e à fixação do homem na terra. pintadas de branco. Foi a partir delas que o colonizador português exerceu o domínio econômico e militar do território. . e isso tornouse uma marca da colonização portuguesa na América. Fundar cidades fazia parte da estratégia portuguesa de colonização. As cidades eram o centro de difusão de hábitos e costumes da Metrópole. As primeiras cidades brasileiras foram fundadas junto ao mar. Até hoje. Parati mantém o visual arquitetônico que adquiriu desde a fundação.

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Com características diferentes das que marcaram as cidades da América espanhola - que eram planejadas como um tabuleiro de xadrez, com ruas e quarteirões retos e uniformes -, as cidades brasileiras foram resultado da dinâmica do dia-a-dia, ou seja, de um crescimento desordenado. Por isso, elas apresentavam certo naturalismo, obedecendo mais ao rigor do relevo local que a planos geométricos. Rio de Janeiro, Salvador e Olinda são exemplos de urbanização portuguesa no mundo colonial. Embora a cidade colonial brasileira apresentasse uma certa desordem, em todas elas havia a presença do poder religioso - representado por igrejas e conventos de diversas ordens religiosas - e do poder metropolitano - expresso , pela Câmara, pelas fortificações e pelo porto. Na cidade não havia indústria nem imprensa. A cidade colonial tinha uma vocação econômica notadamente mercantil. Nela, tudo se vendia e tudo se comprava. Era o espaço do grande comércio de exportação de mercadorias da Colônia e de importação de escravos. A estrutura urbana era rudimentar. Somente algumas ruas eram calçadas e iluminadas com lampiões a óleo de baleia. Não havia esgoto: os dejetos eram transportados pelos escravos em tonéis denominados tigres . Por causa das péssimas condições de higiene, as cidades eram freqüentemente assoladas por febres e endemias. Não havia transporte público; as famílias mais abastadas transitavam em carruagens ou liteiras. Na paisagem da cidade colonial, a mulher branca quase não aparecia, pois só lhe era permitido o percurso da casa para a igreja, onde quase sempre se cobria com véu.

São Luís

Ao longo de todo o Brasil, encontramos cidades que tiveram origem no período colonial.
Sabará Vila Rica São João del Rei Parati Mariana

Olinda Recife

Salvador

Rio de Janeiro São Vicente

Nosso patrimônio histórico-cultural
A maioria dos brasileiros de hoje não conhece a história da cidade onde mora, não conhece a riqueza do país onde nasceu. No entanto, vive perto de um patrimônio material e cultural originalíssimo, que define sua identidade como brasileiro.

Conservar essa herança, esse patrimônio histórico-cultural, é uma tarefa de todos os brasileiros, e não apenas do Governo. Afinal, esse legado pertence a todos nós. Um povo sem passado não pode se constituir enquanto Nação, não pode exercer plenamente seus direitos e deveres de cidadão. Para garantir a preservação desse legado, a Constituição brasileira reconhece alguns bens históricos e culturais como patrimônio nacional . O último censo, realizado em 1991, registrou que 74% da população brasileira vive no meio urbano. Em 296 municípios, existem bens tombados e calcula-se que 1/3 da população (aproximadamente 50 milhões de pessoas) tenha contato, direto ou indireto, com esses bens. Além disso, há trinta sítios históricos preservados pelo governo federal.

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Bens tombados são aqueles conservados e protegidos pelo Governo. Chama-se de sítio histórico um local onde ocorreu um fato importante.

A evolução das cidades
No final do século, as cidades brasileiras evoluíram rapidamente. O Rio de Janeiro já possuía 50 mil habitantes e, desde 1763, era sede da Colônia e porto por onde se exportava a produção das minas de ouro. Salvador, antiga capital colonial e importante centro de exportação do açúcar, contava 45.500 moradores. Outras cidades populosas eram Recife, com 30 mil pessoas, São Luís do Maranhão, com 22 mil, e São Paulo, com 15.500. Na Região das Minas, graças à mineração, surgiram mais cidades, como Mariana, Vila Rica (atual Ouro Preto), Sabará e São João del Rei. As cidades criadas com a riqueza trazida pelo ouro foram abandonadas quando as minas se esgotaram. Não houve outra atividade econômica que desse continuidade ao progresso e à modernização dessa região. No litoral do Rio de Janeiro, a cidade de Parati, que foi a primeira a escoar o ouro das Minas, permaneceu praticamente inalterada. Pelas características de sua arquitetura e pelo valor artístico e cultural que representam, Ouro Preto e Parati são hoje consideradas patrimônio da humanidade pela Organização para a Educação, Ciência e Cultura das Nações Unidas - UNESCO.

Depois da chegada da Corte, a cidade do Rio de Janeiro prosperou e expandiu-se.

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As cidades coloniais brasileiras nos deixaram um rico patrimônio históricocultural. Nesse período, surgiu o chamado estilo barroco colonial brasileiro , que até hoje podemos observar na arquitetura e na ornamentação das igrejas. Mas não foi apenas a riqueza do barroco que marcou a beleza e as características das novas cidades coloniais. A arquitetura adaptada ao clima tropical, a integração com a natureza, o traçado tortuoso das ruas e a simplicidade de largos e praças também fazem parte dessa herança. Preservá-la é manter vivas as origens de nossa história e de nossa identidade cultural.

Exercícios
1.

Relendo o texto
Releia Como eram as cidades no Brasil colonial e indique as atividades que se desenvolviam nas cidades. Releia Nosso patrimônio histórico-cultural e responda: por que os bens históricos e culturais são importantes? Releia A evolução das cidades . Pesquise sobre as cidades coloniais, em revistas ou em livros ilustrados, ou converse com alguém que conheça essas cidades. Escreva suas impressões a respeito. Dê um novo título a esta aula.

2.

3.

4.

Fazendo a História
1. A partir destes versos do cronista Luís Edmundo, tire suas conclusões sobre como era a limpeza urbana da cidade do Rio de Janeiro, no período colonial.

Natureza mãe! Natureza amiga! O homem suja, o vento varre A água lava e o sol enxuga!
2. Neste trecho de carta ao rei de Portugal, o Marquês do Lavradio, vice-rei do Brasil de 1769 a 1779, relatava como eram as pessoas das cidades do Brasil. Faça uma crítica a essa opinião do marquês. “ A maior parte é gente da pior educação, de péssimo caráter. Afinal, são negros, mulatos, cabras, mestiços... Um povo difícil de governar, que vive provocando desordens e inquietações!”

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A luta dos escravos
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noção de escravidão é bastante antiga e existiu em diversas sociedades ao longo da História. Significava um tipo de relação que se construía e se mantinha baseada na violência. Escravizar era tirar uma pessoa da comunidade em que havia nascido e se criado, mudar seu nome, separá-la da família e tratá-la como se fosse uma coisa, que podia ser comprada e vendida e sobre a qual o senhor tinha plenos poderes. Mas os escravos não eram coisas. Eram seres humanos capazes de, mesmo escravizados, influir em seus destinos. Grande parte da pesquisa recente que os historiadores vêm realizando sobre a escravidão tem demonstrado isso. No entanto, mesmo antes dos historiadores, os senhores e os comerciantes de escravos, no Brasil e na África, já sabiam disso. Nesta aula, vamos perceber como a história da sociedade brasileira, no período escravista, foi escrita não apenas pelos senhores de escravos, mas também pelos próprios escravos.

Nesta aula

As fugas de escravos
Os anúncios de escravos fugidos estavam sempre presentes nos jornais das principais cidades do Brasil no século passado, como este, publicado no Correio Paulistano , em 4 de setembro de 1879.

ESCRAVA FUGIDA nº Da casa n 2 da rua das Flores nesta capital, (nascida na África), fugiu a escrava Maria, com os signaes [sinais] seguintes: alta, magra, de nação, 40 a 50 anos de idade, trajando vestido e chale cor de Havana, levando um tabuleiro de doces, visto ser quitandeira. Foi vista conversando, tomando a direção de Juqueri ou a do Ó.

Essa era a forma que os proprietários encontravam para noticiar que seus escravos haviam escapado e, assim, fazer com que fossem reconhecidos e devolvidos. Muitas vezes ofereciam recompensa pela recaptura.

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Segundo um antigo senhor de escravos, os cativos recém-chegados quase sempre tentavam escapar, mas se perdiam na terra estranha e eram recapturados. Esse senhor, um inglês residente em Pernambuco, recomendava que não se devia ser severo com eles, pois assim os cativos logo tentariam adaptar-se. Para um escravo, fugir de uma fazenda significava meter-se mato adentro, numa terra desconhecida, sob a perseguição constante dos capitães-do-mato, indivíduos contratados pelos senhores de escravos para recuperar os cativos que escapavam. Assim como os feitores, que vigiavam o trabalho dos escravos nas fazendas, os capitães-do-mato sobreviviam por causa da necessidade do uso da violência para se manter a escravidão. De um jeito ou de outro, a sociedade escravista dependia de um caríssimo aparato de vigilância. Fugas, castigos, feitores e capitães-do-mato faziam parte do cotidiano dessa sociedade.

Os escravos que chegavam da África ficavam em mercados, onde eram adquiridos como uma mercadoria qualquer.

Comunidade escrava e alforrias
Era difícil escapar, mas sempre havia muitos tentando. Porém, a fuga não era a única possibilidade de reação para o africano recém-chegado. Muitos deles permaneciam nas cidades, onde era muito maior a mobilidade do escravo. Ali aumentavam suas possibilidades de juntar dinheiro até que conseguissem comprar a liberdade. É surpreendente o número de africanos que, em apenas alguns anos, aprenderam a língua portuguesa, juntaram dinheiro, compraram a liberdade e até conseguiram fretar navios com outros companheiros e voltar para a África.

aldeias de escravos fugidos que se organizavam para garantir a subsistência e apoiar outras fugas. atrás das muitas serras. O acesso a pequenas roças e a outras formas de renda pessoal alimentava também o sonho da compra da alforria. . se estavam no campo. Os quilombos e as cidades Grande parte dos escravos que conseguiam fugir procurava embrenhar-se em regiões de difícil acesso. Não foram poucos. Antes disso. o único sinal exterior pelo qual era possível distinguir os livres dos escravos. executar suas danças.organizando expedições para derrotá-los. ruelas e becos de muitas esquinas e portas. Alguns conseguiam. se estavam nas cidades. Muitos cativos passaram a simplesmente se dirigir às áreas mais populosas dos centros urbanos. A capacidade de conhecer e explorar as divisões e fraquezas do poder senhorial é um traço comum aos escravos africanos no Brasil. encarregados de vigiá-los. aprendiam desde cedo a viver na escravidão e buscavam usar suas relações familiares e comunitárias para construir uma identidade que não estivesse baseada apenas na condição de cativos. As comunidades escravas mais antigas e. introduzindo sua própria cultura na cultura do dominador. familiares e mesmo religiosas na nova terra.A U L A 8 No campo. o que fazia crescer o grupo dos rebeldes. entretanto. Não se deixar vencer era também cultuar seus deuses. confundindo-se no meio de tantos outros negros e mulatos que circulavam nas ruas. por vezes. as cidades haviam se tornado bem maiores e a maioria da sua população livre era composta de negros e mestiços. fazer sua comida. Nas últimas décadas da escravidão. seja quando faziam . onde criavam os quilombos . ou iam para regiões afastadas do centro. sob o olhar atento dos feitores. A possibilidade de insurreição e de fugas coletivas funcionava como pressão para conseguir uma negociação com os senhores. escondiam-se de preferência nas matas. os escravos trabalhavam sem descanso. especialmente os escravos nascidos no Brasil. Eles entravam pelas florestas. chamados crioulos. O poder senhorial não poderia deixar de reagir aos quilombolas negros aquilombados . os que conseguiram criar raízes comunitárias. Um simples par de sapatos tornava-se.

Se as insurreições escravas. Os escravos crioulos preferiam pressionar para ter acesso à alforria. a maioria da população livre do Império era composta de descendentes dos antigos escravos africanos. seja quando se rebelavam coletivamente contra o poder senhorial. Com a guerra provocada no Nordeste pelas invasões holandesas. Vivendo em mocambos (aldeias). trocando tudo que sobrava de sua produção nos povoados próximos. haviam se estabelecido e espalhado em pequenas comunidades da região. . Ali. 6 O tempo não pára Nas últimas décadas da escravidão. juntaram-se a outros que. de 1835. como sua maior arma. Elas aconteciam sempre em datas religiosas e festivas do calendário cristão. O Quilombo dos Palmares é um exemplo dessa capacidade do africano para usar. As insurreições de escravos no Recôncavo Baiano e em Salvador se repetiram. Esse período foi marcado por várias insurreições escravas. desde o final do século XVIII até o grande Levante dos Malês. o poder senhorial também soube explorar as divisões no mundo dos cativos. envolvendo especialmente os recém-chegados da África. as comunidades de Palmares sobreviveram por cem anos. e as fugas dos cativos remanescentes começaram a se tornar incontroláveis. com o açúcar. seja quando fugiam para os quilombos. o conhecimento que conseguia a respeito da sociedade que o escravizava. Eram insurreições planejadas. Recorreram até mesmo à justiça para consegui-la. que não conseguiram conquistar os escravos crioulos e os negros e mestiços que já tinham conseguido a liberdade ou que nasceram livres. na maioria das vezes por meio de compra. que envolviam diversos engenhos ou tentavam reunir os africanos da cidade de Salvador com os dos engenhos vizinhos. desde o século XVI. ficava cada vez mais difícil manter por mais tempo a escravidão tal como ela funcionava no Brasil nas décadas finais do século XIX.A U L A 8 pressão para conseguir maior autonomia dentro do cativeiro. milhares de escravos fugiram para a serra da Barriga. As revoltas de escravos No final do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX. com o café. exploravam as fraquezas da sociedade escravista. graças à agricultura de subsistência e ao artesanato. determinou uma entrada maciça de africanos em ambas as regiões. Sem o tráfico. em Alagoas. Essas insurreições foram movimentos essencialmente africanos. por décadas. a expansão agrícola na Bahia. quando diminuía a capacidade de repressão da sociedade escravista. que marcaram o final do período colonial. e no Rio de Janeiro.

tarrafa e canoas (. “Tratado proposto a Manoel da Silva Ferreira pelos seus escravos durante o tempo em que se encontravam levantados [rebelados].Relendo o texto 1. Fazendo a História A História do Brasil no período colonial foi construída não apenas por senhores mas também por escravos.. Dê um novo título a esta aula.. folgar e cantar em todos os tempos que quisermos sem que nos impeça nem seja preciso licença. (Santana de Ilhéus..Podemos brincar. Releia Comunidade escrava e alforrias e descreva as formas de resistência dos escravos. Leia este documento e retire do texto dois trechos que comprovem a afirmativa acima.) .. se meu senhor também quiser.Os atuais feitores não os queremos. faça eleição de outros com a nossa aprovação (. Releia As fugas de escravos e retire do texto um trecho que apresente as dificuldades que os escravos encontravam para fugir do meio rural. e para podermos viver nos há de dar rede.Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós não tirando um desses dias por causa de dia santo.” ” 6 .. Releia Os quilombos e as cidades e As revoltas de escravos e explique como sobrevivia a comunidade do Quilombo dos Palmares no seu dia-a-dia. 3. nossa paz há de ser nessa conformidade (.) . nós queremos paz e não queremos guerra.) . por volta de 1789) “ Meu senhor.” . A U L A Exercícios 8 2. 4. Comente sua resposta..

Medidas colonizadoras: capitanias e Governo Geral Por volta de 1530. vamos conhecer essa organização social e política.A UA U L A L A MÓDULO 3 9 9 De que jeito se governava a Colônia á conhecemos bastante sobre a sociedade escravista. de tão longe. mas garantiam com isso uma série de vantagens para a montagem de engenhos de açúcar. Assim. As terras que pertenciam à Coroa portuguesa pelo Tratado de Tordesilhas foram divididas em capitanias hereditárias. XVII e XVIII). A solução encontrada para a ocupação do território foi a doação de terras a nobres e a ricos comerciantes de Portugal. organizou o governo de sua Colônia na América. Quando recebiam essas faixas de terra. isto é. e obtinha. os donatários (homens que recebiam as capitanias) eram obrigados a cuidar da defesa do território contra a invasão estrangeira e os ataques indígenas. sua exploração. ao mesmo tempo. Pouco sabemos ainda sobre a organização do poder político na antiga Colônia portuguesa. Nesta aula. socioeconômicas e políticas que estavam acontecendo na Europa no final do século XVIII. Precisava-se criar uma organização que garantisse a posse das colônias e. Assim vamos entender de que modo o Brasil se transformou em um novo país em 1822. uma rentável fonte de lucro: o açúcar. que passavam de pai para filho. Vamos estudar também as transformações culturais. sempre atacado por outros países europeus. nessa mesma época. vamos ver de que modo Portugal enfrentou esse desafio e. a monarquia portuguesa encontrava-se com graves problemas financeiros. a Coroa esperava resolver o problema da posse do território. especialmente em sua fase colonial. Apresentação do Módulo 3 J 6 Nesta aula Não era nada fácil possuir colônias na Época Moderna (séculos XVI. Ele se tornou a única monarquia no meio das várias repúblicas que foram surgindo nas Américas. quando Portugal decidiu colonizar de fato o Brasil. . ao mesmo tempo. Não possuía dinheiro suficiente para montar um sistema político-administrativo na Colônia. Neste módulo.

Embora não fossem os proprietários de todo o território da capitania. desde madeira e ervas até metais preciosos. os capitães-donatários eram encarregados de administrála. recursos financeiros) e fosse católico. para defender o território dos ataques externos e internos e auxiliar os donatários que estivessem em dificuldades. A U L A 9 PARÁ MARANHÃO (DIVIDIDA EM DUAS) CEARÁ RIO GRANDE ITAMARACÁ PERNAMBUCO AMÉRICA DO SUL BAHIA DE TODOS OS SANTOS ILHÉUS PORTO SEGURO ESPÍRITO SANTO SÃO TOMÉ SÃO VICENTE SANTO AMARO SÃO VICENTE SANTANA De todas as capitanias criadas. Governo Geral Em 1548. Só foram bem-sucedidas as capitanias de São Vicente e Pernambuco. Mas todos os poderes eram uma concessão real. MERIDIANO DE TORDESILHAS . com sede em Salvador. que tinha o monopólio do comércio de tudo o que fosse extraído na Colônia. diante dessa situação. cujos colonos tinham mais recursos para construir engenhos e combater os índios. Poderiam doar pedaços de terra − as sesmarias − para quem tivesse cabedal (isto é. apenas Pernambuco e São Vicente conseguiram prosperar. foram oferecidos poderes políticos e administrativos aos donatários. Para Portugal. A presença jesuíta e a escravização de índios cristianizados garantiram a ocupação portuguesa e o sucesso de São Vicente. Isso aconteceu porque estava mais perto da Europa e havia mais recursos para a construção de engenhos e a compra de escravos. As demais capitanias não prosperaram. foi criado o Governo Geral. era difícil controlar a Colônia e. e transformaram-se em pontos a partir dos quais se deu a posse definitiva das terras brasileiras para a Metrópole. Já Pernambuco tornou-se uma região pioneira na formação da sociedade escravista das Américas. O sistema de capitanias não atingiu seu objetivo de povoar o vasto território brasileiro. para os colonos. Outros fatores que contribuíram para isso foram a violência e a determinação com que os moradores combateram os nativos que lhes eram hostis. Deveriam pagar impostos ao rei.A fim de atraí-los para a Colônia. ficava complicado arcar com todos os problemas que ocorriam durante a colonização. Capitanias hereditárias O sistema de capitanias hereditárias permitia à Coroa dividir com particulares o custo da colonização e administração das novas terras. Muitas delas nem chegaram a ser ocupadas.

Para auxiliar o governador . João III em 17 de dezembro de 1548. não diminuíram o isolamento em que viviam os colonos e não afetaram a autonomia e o poder que eles tinham em algumas regiões. principalmente na fase inicial. mais importante e respeitado se tornava para a sociedade da região. O primeiro governador-geral foi Tomé de Souza. cujo valor maior era a propriedade de escravos e de terras e o controle de todos os que vivessem no engenho. A tentativa de manter a colonização no litoral para facilitar a vigilância da Metrópole. A partir dessa data. quem vinha em primeiro lugar era o chefe da família. mas também política. especialmente escravos. que tinham como objetivo administrar o município e todo o seu patrimônio. e constituíam o poder político-administrativo dos colonos. À medida que os engenhos se desenvolviam. Quanto mais homens ele controlasse. o Brasil foi dividido em dois governos. Mas isso nem sempre era respeitado. que chegou ao Brasil em 1549. foram criados cargos de capitão-mor da costa . Finalmente. que governou até 1572. como. Mas de onde vinham esses poderes? O poder dos “homens bons” Já vimos a importância dos engenhos na economia colonial. . ouvidorgeral e provedor-mor da Fazenda.A U L A 9 Capitão-mor: militar encarregado da defesa. Os senhores de engenho ganhavam cada vez mais importância e se faziam representar nas Câmaras Municipais. que. com o objetivo de melhor combater os estrangeiros e incentivar as pesquisas minerais no país. especialmente na capitania de Pernambuco. em 1553. Em qualquer situação. O senhor de engenho era respeitado e temido não apenas pelos escravos. segundo o Regimento elaborado por D. assim como a escolha de Salvador como sede do Governo Geral. a meio caminho entre o norte e o sul da Colônia. Só participavam delas os homens bons. mas pelos lavradores. A hierarquia era a marca dessa sociedade. Várias medidas foram tomadas também no sentido de reduzir a autonomia dos colonos. eram os representantes dos proprietários de terra e de escravos. feitores e todos os que estivessem à sua volta. Sua importância não era apenas econômica. veio Mem de Sá. Ouvidor-geral: encarregado da justiça. que deram origem aos municípios. na época. a proibição de ocupar o interior sem uma licença real. Provedor-mor: encarregado das finanças. O objetivo da criação do Governo Geral foi dar “favor e ajuda aos donatários”. Depois dele veio Duarte da Costa. o patriarca. por exemplo. vítimas mais freqüentes de sua violência. foram-se fundando as vilas.

pelo Marquês de Pombal − primeiro-ministro do rei de Portugal. a Holanda passou a adotar uma política mais rígida em seus domínios no Brasil. Portugal tornava-se inimigo daqueles que até então haviam sido seus principais parceiros nos lucros da aventura colonial: os holandeses. As Coroas de Portugal e Espanha uniram-se no período de 1580 a 1640. O centro administrativo da Colônia saiu de Salvador. graças às obras do príncipe holandês Maurício de Nassau. Além disso. após nove anos de conflitos. o resultado disso foram duas invasões holandesas no litoral do Nordeste. sendo que a segunda durou cerca de 24 anos − de 1630 a 1654. para a cidade do Rio de Janeiro. estendendose até as vilas. o açúcar brasileiro enfrentava a concorrência do açúcar da América Central. As capitanias particulares da região foram extintas e passaram para o controle direto da Metrópole. Portugal não estava em boa situação econômica. Os comerciantes holandeses financiaram muitos dos primeiros engenhos no Brasil e eram os principais compradores europeus do açúcar que Portugal levava de Pernambuco. principalmente na cidade de Recife. Criaram-se as Companhias de Comércio do GrãoPará e Maranhão e de Pernambuco e Bahia − que sofreram forte oposição de seus colonos até essas capitanias serem extintas. por meio do monopólio. nas terras do atual estado de Minas Gerais. seguido de sua família e. com apoio de Portugal − que já havia se separado da Espanha − conseguiram expulsar os holandeses do Brasil. os holandeses trataram de criar um novo pólo produtor de açúcar na região do Caribe. Com a descoberta das minas. desde então. conhecida como a Veneza brasileira. Ao ser incorporado à Espanha. também em bases escravistas. Ao se separar da Espanha em 1640. Assim. mais próxima da região mineradora. por intermédio das Câmaras. A partir de 1750. na América Central. Também as especiarias que Portugal comprava nas Índias eram vendidas para negociantes holandeses. A U L A 9 O Brasil holandês e a União Ibérica A primeira metade do século XVII foi um tempo de guerra no Império Colonial Português. Até hoje nota-se a marcante presença dos holandeses no Nordeste. que se baseava numa fiscalização rígida e constante. essa centralização administrativa foi consolidada. principalmente. os colonos. como a cobrança de empréstimos e intolerância religiosa. os empregados e escravos. Para a América portuguesa. Expulsos do Brasil. a escravidão africana se espalhou pela América Central. Como sair da crise? As reformas do Marquês de Pombal A Metrópole passou a estimular.Em primeiro lugar estava o patriarca. A partir daí. sendo transferido. As companhias de comércio queriam estimular e controlar as atividades dessas áreas. Portugal montou um sistema administrativo centralizado. . as entradas para o interior em busca do ouro e outros metais preciosos. por fim. pois havia perdido grande parte das suas colônias no Oriente. e criou-se um forte concorrente ao açúcar brasileiro. Após um período de acordo com os colonos. Mas Espanha e Holanda estavam em guerra. E esse poder não se restringia ao engenho. o que ocasionou uma significativa queda de preços. em 1763.

Releia Medidas colonizadoras: capitanias e Governo Geral e responda: capitanias a) Por que Portugal adotou o sistema de capitanias hereditárias para colonizar o Brasil? b) Quais os resultados do sistema de capitanias? 2. Mas isto é uma outra história. e o Pacto Colonial começou a ser um problema para os colonos dessa região. 2. no vocabulário da Unidade ou no dicionário. Ao longo do século XVIII. novos elementos entraram em cena na relação Metrópole-Colônia.A U L A 9 O tempo não pára Os jesuítas. bem se pode estimar no Brasil o ser senhor de engenho. 5. serviam e respeitavam os senhores de engenho? . no Centro-Sul.. Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. sublinhe as palavras que não entendeu e veja o que elas significam. Fazendo a História Leia com atenção o texto abaixo e responda às perguntas. foram expulsos da Colônia. Os senhores de engenho ainda eram temidos e respeitados pela população. e o mapa do Brasil colonial começou a se aproximar do contorno do Brasil atual. a região açucareira foi perdendo cada vez mais importância para a Metrópole. “O ser senhor de engenho é título a que muitos aspiram.. No final do século XVIII e no início do século XIX. qual deve ser. Releia O Brasil holandês e a União Ibérica e responda: quais os resultados das invasões e da expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil? Releia As reformas do Marquês de Pombal e responda: quais as medidas adotadas por Pombal para aumentar o controle da Metrópole sobre a Colônia? Dê um novo título a esta aula. porque traz consigo o ser servido. Mas o poder das famílias patriarcais não terminou. a cobrança de impostos pela Metrópole foi se tornando cada vez maior. sendo superada pela região mineradora. Releia O poder dos “homens bons” e responda: a) Quem eram os homens bons ? b) Que poderes eles tinham? 3. 4.” Fonte: Antonil 1. quanto proporcionadamente se estimam os títulos entre os fidalgos do reino. As fronteiras com a América espanhola passaram a ser negociadas entre Portugal e Espanha. verdadeiros colonizadores “concorrentes” na região amazônica. E se for. 1. Identifique no texto palavras ou trechos que mostrem a importância do senhor de engenho. obedecido e respeitado de muitos. homem de cabedal e governo. Quem eram as pessoas que obedeciam. Enquanto isso.

que criava uma relação de dependência entre a Colônia e a Metrópole. Era uma colônia ligada a Portugal pelos fortes laços do Pacto Colonial. Montesquieu . surgidas com o movimento do Iluminismo . Afinal. Pensadores europeus desenvolveram teorias econômicas. tiveram como seus principais representantes alguns pensadores franceses como Voltaire .” Desde o descobrimento e ao longo do processo de colonização. ainda que tardia! sse trecho de carta. que tornaram claras as suas contradições. QUE ESTÁ COM PLETAMENTE MORTA E OPRIMIDA PELA FORÇA. No final do século XVII e início do século XVIII. foi escrito por um estudante brasileiro em Paris. Elas combatiam os direitos da nobreza e do clero. QUE SE TORNA CADA DIA MENOS SUPORTÁVEL . que apontavam para uma nova maneira de ver o mundo: o liberalismo . Essas idéias marcaram o século XVIII como o “século das Luzes”. E serviram de base para movimentos como a independência das treze colônias inglesas da América do Norte . esse sistema de exploração começou a encontrar resistências e oposições. . a fase mercantilista previa a existência de áreas colonizadas. questionavam o poder exagerado do rei (absolutismo) e defendiam os princípios de liberdade . mostrado abaixo. políticas e sociais. E SABEIS QUE MINHA DESGRAÇADA MÓDULO 3 10 E Nesta aula PÁTRIA GEME EM UM ESPANTOSO CATIVEIRO . A carta foi entregue a Thomas Jefferson. E STAMOS DISPOSTOS A QUEBRAR NOSSAS CADEIAS E FAZER REVIVER NOSSA LIBERDADE. os Estados Unidos. quando era embaixador da primeira nação independente das Américas.que se tornariam os Estados Unidos -. “SOU BRASILEIRO. dependentes e submetidas à Metrópole. Rousseau. igualdade e fraternidade .A L A UU AL A 10 Liberdade. a Revolução Francesa e a Inconfidência Mineira. base ideológica do capitalismo atual. As idéias liberais-burguesas. o interesse de Portugal em relação ao Brasil era bastante claro: a exploração mercantil da Colônia. O Brasil não fugia à regra.

poder e idéias de libertação. A impossibilidade de ascensão social dos negros e mulatos que exerciam cargos importantes mas não eram reconhecidos. Com o acúmulo de impostos atrasados. conjuração.A U L A A Inconfidência Mineira Durante o século XVIII. 10 Inconfidência: falta de fidelidade para com alguém. Assim. lá. em oposição ao Pacto Colonial. Portugal. no entanto. desde a Revolução Industrial. entravam em contato com as idéias liberais-burguesas do Iluminismo. forçou o estabelecimento do livre comércio. como os Estados Unidos. especialmente para com o rei ou o Governo. com penas severas aos infratores. CAUSAS INTERNAS l l l l l l O mau governo de Luís da Cunha e Menezes (de 1783 a 1788). Não aceitava a hipótese do esgotamento das minas. deslealdade. RAZÕES DA INCONFIDÊNCIA CAUSAS EXTERNAS l l l l Idéias iluministas .Sociedade secreta de liberais. Revolução Industrial .A necessidade de encontrar mercados e consumidores para os bens produzidos em grande escala. mantinha o mesmo ritmo de exploração. A proibição de produzir quaisquer artigos na Região das Minas. A inevitável comparação entre as condições políticas e econômicas existentes no Brasil e as de outros países. preferindo acreditar no contrabando e na sonegação. roupas ou ferramentas.Os estudantes brasileiros tiveram contato com essas idéias na Europa e as trouxeram para o Brasil. . quando a atividade econômica da Colônia atingia seus níveis mais altos. O alto imposto cobrado sobre a produção do ouro e a derrama para cobrar impostos atrasados. Independência dos Estados Unidos. Os filhos das famílias mineiras mais prósperas podiam estudar na Europa e. formou-se uma consciência de libertação. Maçonaria . a Região das Minas fervilhava de riqueza. O rígido controle nas estradas para evitar o contrabando de ouro e mercadorias. a Coroa decidiu executar a derrama . Observação . criou aqui um clima geral de revolta. e os altos preços cobrados. fossem alimentos. A chegada das idéias liberais ao Brasil coincidiu com a decadência das minas e a conseqüente crise econômica. roupas e ferramentas. e a proibição da exploração do ferro e do salitre. O monopólio dos comerciantes portugueses sobre as vendas de alimentos.Os ideais da Revolução Francesa.

O descontentamento tomou conta da população que vivia na Região das Minas. convocação militar de todo cidadão. que exigia 100 arrobas. aproveitando a insatisfação popular. os inconfidentes criaram um projeto de reforma revolucionário: l proclamação de uma república. Entre outros. em caso de necessidade. criação de indústrias têxteis e siderúrgicas. Em 1789 havia uma diferença acumulada de 596 arrobas.500 quilos por ano. chamado de Tiradentes. com capital em São João del Rei. faltaram 13 arrobas e foi feita a derrama para chegar no valor. Com muitos planos e pouca organização. o padre Rolim. Esse lema quer dizer: Liberdade. l l l l l l . criação de uma universidade em Vila Rica. padres. As casas seriam invadidas e todos os objetos de valor encontrados seriam levados pelas tropas do Governo. militares e indivíduos da classe média prepararam um movimento que seria deflagrado no dia da cobrança da derrama. concessão de pensões às famílias pobres. adoção de uma bandeira com os dizeres: LIBERTAS QUAE SERA TAMEN. 1. era o símbolo da dominação portuguesa na Região das Minas. em Vila Rica (atual Ouro Preto. ou seja. participaram do movimento que ficou conhecido como Inconfidência Mineira . Mineiros. foram dadas instruções enérgicas aos encarregados. os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antonio de Oliveira Lopes. Em 1765. os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. doação de terras para aumentar a produção agrícola. A U L A 10 O palácio do governador. o alferes Joaquim José da Silva Xavier. ainda que tardia.A derrama A derrama era a cobrança da diferença entre o imposto arrecadado e o exigido pela Coroa. em Minas Gerais). Para cobrá-la.

Ele foi enforcado em praça pública. Foi também o único que incitou a população. Não houve nenhuma preparação prática para a tomada do poder. . em troca do perdão de suas dívidas com a Fazenda Real. O alferes José Joaquim da Silva Xavier. ou seja. com requintes de crueldade. que teve sua condenação mantida. foi o único condenado à morte por causa da Inconfidência Mineira. Visconde de Barbacena. Tiradentes foi o único executado. pois. nem mobilizaram a população.A U L A 10 Porém. Por isso representava uma ameaça a mais. Na realidade. nem mesmo para resistir à derrama. nas colônias portuguesas da África. Informado do movimento. assumiu também o fato de ter sido o único a pregar essas idéias para o povo. em 21 de abril de 1792. O objetivo foi demonstrar a força do governo português e evitar novas rebeliões. foi modificada para degredo perpétuo. além de assumir suas idéias. A pena de morte. expulsão sem volta. Eles não se armaram. O fim da revolta foi marcado por denúncias feitas ao Governo pelo coronel Joaquim Silvério dos Reis. os revoltosos não fizeram mais do que planos. o projeto dos inconfidentes não era muito claro em relação à liberdade da mão-de-obra escrava. o governador. imposta a todos os revoltosos. que foram julgados e condenados. suspendeu a derrama e mandou prender todos os implicados. exceto para Tiradentes. o Tiradentes.

para servir de exemplo. Os líderes. os alfaiates João de Deus e Manuel Faustino dos Santos. N ÃO DEVE SER EXAGERADO . aconteceu outra revolta. DE EDUCAÇÃO . SAÚDE . Por seu caráter popular. ISTO É . DEFESA CIVIL ETC . ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES REVOLTA PARA DERRUBAR O PELO VOTO . DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ETC . A U L A 10 PARA QUE SERVEM OS IMPOSTOS? OS IMPOSTOS SÃO ARRECADADOS PELO GOVERNO PARA CUMPRIR SUAS FUN - ÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO . Q UANDO l l l NÃO EXISTEM ESSAS DUAS CONDIÇÕES . soldados. mas não menos importante. contra o preconceito racial e social e contra a escassez de gêneros alimentícios. GOVERNO ( NA DEMOCRACIA . DE SAÚDE . DE DEFESA . EXIGÊNCIAS E POUCOS BENEFÍCIOS PARA OS S ÃO DUAS AS CONDIÇÕES PARA QUE O IMPOSTO SEJA LEGÍTIMO . alfaiates. A C OROA NA PORTUGUESA COBRAVA UM IMPOSTO MUITO ALTO SOBRE O OURO : A QUINTA PARTE DE TODA A PRODUÇÃO . ou seja. libertos. ISSO É FEITO B RASIL COLONIAL SÓ E R A POSSÍVEL COM REVOLTAS . H AVIA MUITAS MORADORES DO B RASIL . Os revoltosos desejavam fundar uma república e abolir a escravidão. E ESSE IMPOSTO NÃO ERA UTILIZADO C OLÔNIA . e os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens. sapateiros. feita por escravos. ( FALÊNCIA DE EMPRESAS ). OS SERVIÇOS DE SEGURANÇA . OS IMPOSTOS DEVEM VOLTAR PARA OS CIDADÃOS EM FORMA DE SERVIÇOS E BENEFÍCIOS : COMO A LIMPEZA URBANA . pela grande participação do povo. diferente da Inconfidência Mineira.A Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates Em 1798 . AS OBRAS PÚBLICAS . ACEITO PELO CONTRIBUINTE : A) QUE REVERTA EM BENEFÍCIOS PARA O CIDADÃO : EDUCAÇÃO . NO ARMADAS ). Foi a Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates. B) QUE ESTEJA DENTRO DA CAPACIDADE QUE O CONTRIBUINTE TEM PARA PAGAR . Representou a luta da gente simples contra o abuso das autoridades e dos comerciantes metropolitanos. é considerada a primeira revolução social do Brasil. DE PRESERVAÇÃO E CONSERVAÇÃO . sofreram a mesma pena de Tiradentes: foram enforcados e as suas partes ficaram expostas pelas ruas de Salvador. SAÚDE . mulatos e brancos pobres. A REAÇÃO PODE SER : SONEGAÇÃO ( NÃO PAGAMENTO ).. EDUCAÇÃO E OUTROS .

. causado pela brutal exploração da Metrópole. acabou por provocar revoltas. Relendo o texto Releia Nesta aula e diga por que o século XVIII foi chamado de “século das luzes”.. Compare as duas e diga qual delas teve maior participação popular. Releia A Inconfidência Mineira e A Conjuração Baiana . o Pacto Colonial passou a ser alvo de críticas tanto na Europa quanto na América.O tempo A U L A não pára 10 No século XVIII. 4. Os estudantes brasileiros em contato com essas idéias na Europa passaram a divulgá-las na Colônia. Na próxima aula veremos como a liberdade chegou ao Brasil. Outros países da América já estavam se libertando dos laços coloniais. como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana. 6 . 5... Releia A Inconfidência Mineira e relacione essa rebelião com os movimentos iluministas europeus do século XVIII. Por quê? Releia A Inconfidência Mineira e A Conjuração Baiana . Dê um novo título a esta aula. e preencha o quadro abaixo: INCONFIDÊNCIA MINEIRA DAT DATA LOCAL GRUPOS QUE ARTICIP TICIPARAM PARTICIPARAM REAÇÃO DA METRÓPOLE CONJURAÇÃO BAIANA 2. Exercícios 1. 3. onde o clima tenso. com a divulgação das idéias liberais e com a Revolução Industrial inglesa.

Segundo o documento. o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem limites senão aqueles que assegurem aos outros membros da sociedade o gozo desses mesmos direitos. lugares e empregos públicos. 4.1 . Art. a propriedade. Art. qual é a relação entre o Governo e os cidadãos? Você acha que seria possível obedecer a esta Declaração no Brasil colonial? Justifique sua resposta. todos os cidadãos têm o direito de concorrer pessoalmente ou pelos seus representantes para a sua formação.A lei é a expressão da vontade geral. aprovada pela Assembléia Constituinte da França em 26/8/1789. 3. a segurança e a resistência à opressão. Art. 2. quer puna.4 . 5. Estes direitos são a liberdade. Nenhum corpo. Art. os direitos do cidadão e as obrigações do governo. separadamente.2 . 6 . Identifique no texto palavras ou frases que falem sobre a igualdade.5 .Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos.O princípio de toda soberania reside essencialmente na nação. 6. Art.” Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. quer proteja. que a das suas virtudes e dos seus talentos. Todos os cidadãos. Ela deve ser a mesma para todos.Fazendo a História Leia com atenção o documento abaixo: A U L A “ Art. segundo a sua capacidade e sem outra distinção. Identifique no texto palavras ou frases que falem sobre a liberdade. 10 1.O fim de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem.6 . nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente. sendo iguais a seus olhos. Indique.A lei não tem direito de proibir senão as ações prejudiciais à sociedade. As distinções sociais não podem ser fundadas senão na utilidade comum. Identifique no texto palavras ou frases que falem sobre a propriedade. tudo o que não é proibido pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser constrangido a fazer aquilo que ela não ordene. Tais limites só podem ser determinados pela lei.A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudica outrem: assim. são igualmente admissíveis a todas as dignidades.3 .

A Independência do Brasil fez parte de um movimento mais geral de crítica ao poder absoluto dos reis europeus e de defesa dos ideais de liberdade e igualdade que abalaram definitivamente o poder de controle das Metrópoles sobre suas colônias na América. a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa exerceram grande influência na América e contribuíram para a formação de vários novos países independentes. Mas sua população reduzida (cerca de 5 milhões de habitantes) estava distribuída irregularmente e era mais concentrada no litoral. Em algumas regiões. Mas nem sempre paramos para pensar sobre o significado daquela data. apenas o Brasil adotou a monarquia. por exemplo. Por isso. Por terra. eram muito demoradas: levava-se. em 7 de setembro de 1822. convém recordar a situação da América portuguesa no final do século XVIII e início do século XIX. gastava-se muito mais tempo. Como questão central. Naquela época. . pois deixou de ser uma Colônia de Portugal e começou a se organizar como um novo país . a penetração pelo interior do território era muito pequena. existia também a possibilidade da navegação pelos grandes rios.o Império do Brasil. mas com viagens difíceis. Nesta aula. pois praticamente não existiam estradas. geralmente feitas por mar. Todos nós sabemos que os feriados significam algo mais do que apenas um dia de folga. o Brasil já possuía um imenso território. As comunicações eram difíceis e demorava-se muito para ir de uma capitania a outra. Foi só a partir da Independência que o Brasil passou a ser considerado uma nação. O interior quase não tinha povoações. a pergunta: Por que Império do Brasil e não República do Brasil? Nesta aula N Quando o Brasil ainda era a América portuguesa Para entender como aconteceu a Independência e perceber por que o Brasil adotou a monarquia. Por isso. comemoramos a Independência do Brasil. As viagens. Quase todos se tornaram repúblicas. sobre a sua importância para a nossa História. tornando-se o Império do Brasil. é feriado nacional. três semanas para ir de Recife até o Rio de Janeiro. As idéias liberais. vamos ver como o Brasil fez sua independência.A UA U L A L A MÓDULO 3 1 1 11 Independência do Brasil o dia 7 de setembro.

o Brasil podia fazer comércio com diferentes países sem a intermediação de Portugal. Em 1810. O imperador francês Napoleão Bonaparte mandou tropas para invadir Portugal. A chegada da família real e a instalação do governo português no Rio de Janeiro fizeram a capital ganhar ares de Metrópole. D. Os mercados brasileiros ficaram abarrotados de produtos ingleses. como tecidos e calçados. Nem o Rio de Janeiro. Esta cena mostra a chegada de um membro da família imperial ao Rio de Janeiro. João assinou a abertura dos portos do Brasil às nações amigas . em 1808. Foi por essa falta de unidade que as rebeliões coloniais não obtiveram sucesso. A elite da Colônia passou a consumir produtos refinados. A cidade vivia fechada em si mesma. todos trazidos por comerciantes ingleses. louças e porcelanas. A partir de então. depois. Era o fim do Pacto Colonial e da política de monopólios. cristais e vidros. em 1808. Os produtos portugue- . no entanto. escuras e sujas. João assinou os Tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação com a Inglaterra. Logo que aqui chegou. D. A cidade. não existiam grandes cidades servidas por estradas bem conservadas. fizeram parte do processo de independência do Brasil. começou a se transformar depois da chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro. A U L A 1 1 A Corte no Brasil Quando D. Não era uma unidade. Essa situação. a Colônia que ele encontrou era algo que nunca havia imaginado. e sim um amontoado de focos de colonização que lutavam por interesses locais. oferecia melhores condições de comunicação com as demais regiões. provocou grandes mudanças na vida da Colônia e influenciou decisivamente no rumo dos acontecimentos que. por meio dos quais foram criadas tarifas alfandegárias que favoreciam o comércio dos produtos ingleses. com suas ruas estreitas.Assim. que já era capital da Colônia. João chegou ao Brasil. A chegada da Corte portuguesa. tornou-se sede da Corte e importante centro de decisões. Além disso. capital da Colônia. Essa medida favoreceu o comércio com a Inglaterra. e a família real portuguesa resolveu instalar-se no Rio de Janeiro e transformar a cidade em sede do seu governo. o isolamento entre as regiões permanecia muito grande.

João logo enviou reforços para reprimi-la. Na época. a revolta era geral. a Corte doou sesmarias (terras) a comerciantes e funcionários da administração. Enfim. Um bom exemplo disso foi o que ocorreu em Pernambuco por volta de 1817. comerciantes e funcionários. tomou um conjunto de medidas para integrar a capital às demais regiões do país. Como podemos concluir. o medo de que as idéias de liberdade dos líderes revolucionários levassem à libertação dos escravos fez com que muitos fazendeiros retirassem o seu apoio. Porém. Mesmo assim. vantagens para todos. Os pernambucanos ficaram insatisfeitos com a presença da Corte no Brasil. Além das vantagens econômicas dadas à Inglaterra. política e administrativa mais autônoma. A Revolução Pernambucana A transferência da Corte portuguesa para o Brasil não trouxe. Lá. mas os produtos ingleses pagavam apenas 15%. e as idéias liberais pipocavam nas diversas sociedades secretas. para os quais interessava que o Império português se fixasse aqui no Brasil. favoreceu a vinda de estrangeiros para se fixarem e trabalharem em terras brasileiras e abriu estradas ligando o interior ao Rio de Janeiro. eram obrigados a pagar pesados impostos para sustentar a política expansionista de D. João na Guiana Francesa e o luxo da Corte e de seus inúmeros funcionários. A Corte não iria permitir que aquela rebelião ameaçasse a unidade do Império que queria construir. começando por limitar o tráfico apenas às colônias portuguesas da África. como se imaginava. temendo a explosão de uma revolução. que perderam seus privilégios para os ingleses. Como é fácil perceber. essas medidas representavam uma submissão da economia colonial brasileira aos interesses da Inglaterra e. Os traficantes e proprietários de escravos também não ficaram nada satisfeitos com a idéia da abolição gradual da escravidão. João tomou algumas medidas que permitiram a formação de uma estrutura econômica. a defesa do liberalismo no Brasil terminava quando se tocava na questão da libertação dos escravos. reunindo na cidade do Rio de Janeiro um poderoso grupo de proprietários. principalmente pelos comerciantes portugueses. as demais nações pagavam 24%. por isso. capital da província de Pernambuco. Isso foi crescendo a tal ponto que. Além dessa vantagem comercial. . eles estavam passando por uma grave crise na produção de açúcar e de algodão. Mas essa atitude precipitou a revolução e. o governador de Pernambuco ordenou a prisão de alguns membros dessas sociedades. em março de 1817. mas em algo muito importante: a conquista de sua liberdade. foram muito mal-recebidas. De Reino Unido a país independente D. os ingleses obtiveram do governo português o compromisso de abolir lenta e gradualmente a escravidão. Em Recife. os revoltosos prenderam o governador e. em seguida. estabeleceram um governo provisório. temendo que se repetisse aqui o que tinha acontecido na ilha de São Domingos. D.A U L A 1 1 ses continuariam pagando 16% de taxas sobre o valor de suas mercadorias. uma revolta liderada por escravos resultou não só na independência do país. Esse novo governo recebeu o apoio de províncias vizinhas como Rio Grande do Norte e Paraíba.

naquele momento.Uma revolução cultural No campo cultural. quando. D. João via-se novamente pressionado. Pedro. Alguns desses europeus estudaram a fauna e a flora brasileiras. Formaram expedições científicas que se embrenharam pelo interior. havia naquele momento uma união de diferentes interesses. Membros do Partido Brasileiro queriam que fosse convocada uma Assembléia Constituinte para que . formada por escultores. Para eles tornava-se cada vez mais forte a consciência de que era fundamental manter o Brasil como sede do governo. João e o retorno do Brasil à condição de Colônia. O fim da proibição da instalação de gráficas junto com a criação da Imprensa Régia permitiram a publicação de vários textos. resolveu atender aos seus súditos portugueses e retornou a Portugal. diminuía a sensação de dispersão e isolamento. houve a criação da Biblioteca Pública e do Museu Real . João. que exigia a volta de D. D. ou se voltava para Portugal. os portugueses insistiam em recuperar seus privilégios econômicos e sua dominação política sobre o Brasil. pintores e desenhistas vindos da França. A elevação do Brasil a Reino Unido ao de Portugal e Algarves reforçava ainda mais a idéia de que o Brasil finalmente deixara de ser uma Colônia. Por fim. Esses profissionais também deixaram importantes registros (especialmente desenhos) sobre a vida cotidiana do povo brasileiro naquele período. João retornou a Portugal. sem saber que decisão tomar: se ficava aqui. Além disso. seu filho D. Porém. A U L A 1 1 A proclamação da Independência em 7 de setembro Enquanto tudo isso acontecia. conforme exigiam os portugueses. Colônia nunca mais A essa altura. Além de tudo isso. foram criadas escolas destinadas aos filhos de famílias ricas. Criou-se a Academia de Belas Artes que teve como professores os membros da chamada Missão Francesa. arquitetos. como queria a elite brasileira. Como a situação européia ainda era perigosa (por causa de revoluções). o que resultou em maior circulação de idéias. as pressões continuavam: de um lado. Também vieram ao Brasil vários estudiosos europeus. a presença da Corte no Brasil permitiu uma grande abertura. políticos brasileiros apresentavam manifestos com milhares de assinaturas reivindicando a permanência de D. Mas deixou aqui um representante da família Orleans e Bragança. Era. enquanto outros buscaram compreender a origem do homem americano. E foi com esse sentimento que a elite colonial impediu que o Brasil voltasse à antiga condição de Colônia. destinadas a formar engenheiros civis e oficiais para as Forças Armadas. sede da Coroa portuguesa. e a presença da família real representava segurança para os grupos beneficiados pela política de D. em Portugal houve a Revolução do Porto. Era o ano de 1820. embora a Imprensa Régia só se interessasse por fofocas da Corte e houvesse censura a tudo quanto fosse publicado pelas gráficas particulares. também para a família real era interessante permanecer no Brasil. de outro. entre elas a Academia Real de Marinha e a Academia Real Militar . mais tarde. Havia liberdade econômica. Assim. Pedro no Brasil.

Depois de muita indecisão e de muita pressão. Em seguida. às margens do riacho do Ipiranga. romper com Portugal. Por outro lado. Pedro e os grupos beneficiados pela política de D. naquele momento. Esta ilustração mostra parte de um quadro maior. Para os dois lados interessava.A U L A 1 1 se fizessem leis mais adequadas às necessidades e aos interesses do país naquele momento crítico. Pedro à beira do riacho do Ipiranga. Em 7 de setembro de 1822. D. ele foi aclamado pelo povo e sagrado pelo bispo para então ser coroado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil . A adoção do governo monárquico afastou qualquer ameaça de retorno à situação de Colônia e assegurou a manutenção dos privilégios obtidos anteriormente. ao declarar que o Brasil se tornava independente de Portugal. Pedro proclamou a Independência do Brasil. achava-se que a monarquia poderia garantir a unidade do território e evitaria a explosão de revoltas nas demais regiões da antiga Colônia. em São Paulo. no qual o pintor criou uma cena com D. João. Pedro resolveu romper com o governo de Portugal. 6 . D. A imprensa não parava de divulgar artigos que defendiam a Independência do Brasil. a Independência brasileira foi o resultado de acordos entre o príncipe D. Como você pôde verificar.

1. impor a autoridade do imperador sobre as províncias que não haviam aceito a Independência e conseguir que os países estrangeiros reconhecessem o Brasil como um novo país. Releia Quando o Brasil ainda era a América portuguesa e retire trechos que comprovem o isolamento das regiões brasileiras. Fazendo a História "Digne-se Vossa Majestade tomar em consideração que Portugal é um reino de pequena extensão e escassamente povoado (. p.. descrevendo a situação de Portugal no ano de 1820." Texto citado por J. Releia A Corte no Brasil e identifique a importância da abertura dos portos assinada por D. desapareça brevemente dos mares a bandeira portuguesa. se as coisas assim continuarem. com cujos preços não pode competir. era preciso fazer novas leis. H. Releia A proclamação da Independência em 7 de setembro e identifique uma razão para a Revolução Pernambucana. O documento acima é uma carta que o governo português mandou a D. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. 271. 3. João em 1808. Exercícios 2.. O tempo A U L A não pára 1 1 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. que a nossa indústria se paralisou consideravelmente com a livre entrada em Portugal e no Brasil dos produtos ingleses. 6 . mas pela concorrência de todas as nações marítimas sendo muito para recear que. que o comércio decaiu extraordinariamente não só pela mencionada abertura dos portos do Brasil. Como estava a situação econômica em Portugal? Por que “desapareça brevemente dos mares a bandeira portuguesa”? Como as elites portuguesas procuraram sair dessa situação? A recolonização do Brasil era uma alternativa? Como as forças políticas no Brasil reagiram à tentativa de recolonização? 4. era necessário organizar o Estado independente e concluir a obra de construção do Império do Brasil. que é o vinho. 4. 3. Leia-o atentamente. consulte os itens finais do texto da aula e responda: 1. João. Em resumo. 2.) que o ramo mais útil de sua agricultura. que privou Portugal do comércio exclusivo com aquele reino. se acha em decadência pela abertura dos portos do Brasil aos vinhos de todas as nações. Dê um novo título a esta aula.Após a Independência. Saraiva em História concisa de Portugal .

de religiosidade forte e marcante. trabalhavam em suas roças e faziam potes de cerâmica e cestos de palha. Eram alegres. essa diversidade cultural ganhou mais um colorido com a vinda dos escravos africanos. Selvagens e pagãos Ao traçar um perfil da cultura brasileira.uma verdadeira festa para os olhos. será que a sociedade escravista estava produzindo uma cultura própria. . devemos levar em consideração três importantes influências na organização social: a do índio. enfeitados com penas coloridas. de padrões europeus. Durante a formação do Brasil colonial. em 1500. basicamente comunitária. uma linguagem comum a todos os povos que faziam parte dela? 6 Nesta aula Nesta aula vamos ver como se formou a cultura no Brasil escravista e como ela se transformou. em 1492. O espanto foi grande quando os portugueses viram que os povos indígenas viviam nus. e o descobrimento do Brasil. especialmente durante o período em que o país era colônia de Portugal. de todos os tamanhos e cores . Além disso. Como possuíam culturas diferentes. não tiveram um bom entendimento. com flores. Era uma gente que levava vida completamente diferente dos europeus. curiosos. árvores e frutos nunca vistos e animais completamente desconhecidos.A UA U L A L A MÓDULO 4 12 12 Muitas cores e formas A Apresentação do Módulo 4 nteriormente. Com tantas diferenças. por isso. provocaram um verdadeiro choque na cultura européia. colares feitos de sementes e lindos desenhos pintados pelo corpo. existiam profundas desigualdades sociais. a do negro. Dançavam. Encantados. e a do branco colonizador. os primeiros portugueses que desembarcaram aqui encontraram uma terra coberta de vegetação exuberante. quando falamos do encontro de duas culturas. ameríndios e europeus encontraram muitas dificuldades e. cantavam. falamos de estranhamento. O descobrimento da América.

suas músicas e danças.Os portugueses devem ter se perguntado: “Como entender essa outra cultura?” E logo perceberam que. justificavam a escravidão. a convivência e. para dominar esse povo. mas capaz de garantir a comunicação. Mas acontece que é muito difícil controlar completamente uma cultura. também trouxeram muitas culturas diferentes. que até fizeram uma gramática da língua tupi. escritores e sábios da Europa tentaram explicar o que era este Novo Mundo. que chegavam ao Brasil como escravos. em alguns casos. Os portugueses consideravam os negros bárbaros e pagãos. até o conflito entre aqueles homens e mulheres que formavam a sociedade escravista no Brasil. pois ela faz parte da vida das pessoas. cheio de mistérios e perigos. E foi assim que os portugueses começaram a impor sua fé e seus hábitos aos escravos. Para os senhores de escravos. No dia-a-dia. As crenças e as formas que uma pessoa tem de pensar e perceber o mundo não podem ser totalmente destruídas. Os diferentes artistas. Deu origem a uma cultura cheia de diferenças. Por causa desse ponto de vista. suas artes e. conhecer sua maneira de viver. e tudo que faziam de diferente não passava de selvageria. com essa transformação. era preciso conhecê-lo. os africanos não tinham cultura. Para eles. feitiçaria e superstição. E os africanos. uma maneira diferente de viver em família. suas comidas. e o resultado disso era uma coisa nova. de mostrar sua visão do mundo. que deveriam ser salvos e civilizados. Portugueses. as diferentes formas de viver e de perceber o mundo se misturavam. um mundo de seres mágicos. com isso. seus costumes. indígenas e africanos (dominadores e dominados) precisavam se entender e se comunicar. Transformam-se ao longo do tempo e. povoado por seres humanos completamente selvagens e distantes de Deus. que deu origem às muitas cores e às muitas formas da cultura colonial brasileira. modificam a cultura de uma sociedade. . A U L A 12 Os indígenas cristianizados começaram a freqüentar as aulas dadas por padres jesuítas. Com eles também vieram seus deuses. a América representava o paraíso na Terra.

Para eles. E. Geralmente os portugueses que vinham para o Brasil eram gente pobre. sem terras. E mesmo as casas dos donos de fazenda eram simples e de chão batido. batia a saudade de Portugal naquela gente acostumada à vida nas cidades européias da época. mas essa escolha não era simples. Mandavam e castigavam. nas festas permitidas pelos senhores. o vizinho mais próximo morava a vários quilômetros de distância. Os portugueses eram os senhores e davam as ordens. os escravos passaram a se aceitar de uma maneira que seria impossível em sua terra natal. 12 Toda a alegria dos escravos revelava-se nas festas de rua. pois o dia-a-dia na Colônia não tinha nenhum atrativo. muitas vezes. No entanto. e as que existiam eram ruins. conviviam no cotidiano com os trabalhadores indígenas. especialmente para os negros e índios escravizados.A U L A Confronto e convivência na cultura do Brasil escravista No século XVI. não era fácil a adaptação ao clima. A população ficava bem espalhada. De vez em quando. que eram organizadas ou surgiam espontaneamente em dias consagrados a santos ou nas colheitas e feiras regionais. e lembravam sua língua. os cativos dançavam e enfeitavam-se como se estivessem em sua terra. aos novos alimentos e à vida numa terra desconhecida. aqui. Obrigavam seus escravos a se batizarem na Igreja Católica. proibindo que mantivessem suas religiões. a vida era muito difícil para todos os habitantes do Brasil colonial. . e. No Brasil eles descobriram como eram parecidas as suas línguas e crenças religiosas de origem. isolados nas fazendas e roças. Foi por isso que. porque haviam escolhido vir para o Brasil. Claro que era uma situação diferente da do escravo. as amas-de-leite e as escravas que cuidavam dos filhos dos senhores entoavam canções e contavam histórias da África. Mas não podiam vigiar e controlar o tempo todo. sem títulos de nobreza nem fortuna. Quase não havia estradas de terra. até os senhores de terra e de escravos enfrentavam dificuldades. Era comum uma fazenda possuir escravos africanos que vinham de povos diferentes e até mesmo rivais. nessa situação. Vinham para cá justamente por isso. africanos e mestiços. E os escravos africanos iam para a lida na lavoura cantando suas cantorias de trabalho.

muitas palavras que hoje fazem parte da nossa língua vieram da África. suas danças e seu gosto por alegorias e enfeites. Afinal. a sua técnica de construção. fazendo cerimônias religiosas com muita música. incensos. nesse quadro geral. A construção de casas de taipa é um exemplo disso. Nas festas religiosas o povo exibia sua música. com danças e folguedos nas feiras onde se ia comprar ou vender o gado. “de encher os olhos”. existiam festas que celebravam as colheitas. autos) foram a origem do teatro brasileiro. a cultura africana que os escravos trouxeram foi sendo transformada. O indígena também ensinou como conseguir e preparar boa parte dos alimentos consumidos no tempo em que o Brasil era Colônia. . o dia-a-dia foi criando uma cultura própria: a cultura do Brasil escravista. como se diz. que eram guardados para tais comemorações. conhecer sua cultura e sua língua. a caça adequada para comer. ou simplesmente folias nas poucas horas de folga. Podemos definir essa cultura como tudo aquilo que fazia parte da vida daquelas pessoas e que. mas também se misturou à cultura dos portugueses. Com isso. antes. Criavam um espetáculo grandioso. a mandioca boa para cozinhar ou fazer farinha. A U L A 12 Algumas manifestações da cultura popular colonial Quando os primeiros portugueses vieram para cá. roupas e enfeites religiosos. introduziam a sua cultura alimentar. E. os frutos comestíveis. Esses padres. em meio à luta dos escravos. A técnica dessa construção foi ensinada pelos nativos e até hoje é usada no interior do Brasil. Essas peças. também podemos dizer que o conflito e a convivência eram as duas faces de uma mesma moeda. Fora do calendário religioso. eles conheciam a terra. eram feitas pelos habitantes das pequenas cidades do Brasil colonial. criando novas maneiras de viver. apesar das diferenças. à resistência indígena e à dominação dos senhores portugueses. Quanto mais cores. vestia-se a melhor roupa e até se calçavam sapatos. contribuía para que elas se entendessem e conseguissem se comunicar. Durante essa convivência entre dominadores e dominados. Foi por isso que começaram a representar peças de teatro sobre cenas da Bíblia e histórias de santos. e muitos padres como celebrantes. vários elementos da cultura desses povos começaram a fazer parte das peças teatrais. simplesmente. Nessas ocasiões. E. um “são francisco” índio e um “jesus cristo” com a cara e a cor do povo daquela região. velas acesas. cânticos. em geral. de alguma forma. tiveram que. quando se cantava e dançava. Só assim podiam se aproximar e fazer com que os nativos os compreendessem.para manter o interior da casa fresco no calor e protegido no inverno e na época de chuvas -. Nos autos. melhor.Como já vimos. quando procuraram converter (catequizar) os índios brasileiros para a religião católica. trazidas pelos escravos. os índios introduziram muitos elementos nessa vida cultural. a sua arte. com a cristianização de muitos índios e africanos. Do mesmo modo. O teatro religioso era bem popular e nas festas sempre havia um espaço para as apresentações que. atraindo-os para a sua religião. os recursos. chegaram com eles os padres da Igreja Católica. o tipo de construção mais adequado . era comum ver uma “virgem maria” mestiça. conhecidas como autos religiosos (ou. Ano após ano.

mais ostentação. Tais elementos novos mudaram bastante a sociedade e. os artistas e trabalhadores decoraram as igrejas da Região das Minas de tal modo que até hoje maravilham a todos. Lá. nos enfeites das roupas. como a forma pela qual um país dominava o outro. e mais cor e brilho nas alegorias das festas. objetos de ouro e prata. trouxe riqueza. A maioria da população era analfabeta e. Em geral. principalmente. como já se viu. E as missas mais concorridas passaram a ser celebradas por vários padres. aumentou a presença do governo português no Brasil. Havia mais dinheiro e. mais luxo. negros libertos e mulatos continuaram a viver suas tradições. os livros religiosos eram os mais lidos. . mas causaram espanto e desagrado entre os estrangeiros e os religiosos mais conservadores. o samba de roda . Surgiram. nesse período. Foi a partir daí que se desenvolveram as muitas festas do boi e as folias negras. bordados nas toalhas e nas roupas eram privilégio dos que tinham fortuna. Os membros da elite colonial brasileira aderiram a essas modas e deramlhes as cores e os ingredientes da cultura do Brasil colonial: mais detalhes ainda na decoração das igrejas. fazendo a História do Brasil do século XVIII. Ornamentação de luxo. Os padres formavam o setor mais instruído da população. como as Congadas. nas igrejas que os artistas negros e mulatos construíram e para as quais fizeram esculturas de madeira e ouro. O tempo não pára A riqueza da sociedade mineradora fez também surgir uma cultura da elite. A partir de suas danças surgiram o lundu . As igrejas e casas ricas ganharam uma decoração cheia de enfeites. nossos primeiros escritores. nas quais os africanos representavam seus reis e suas rainhas. tecidos finos. criticavam a Igreja Católica e. discutiam o colonialismo. Levados para o trabalho nas minas. cantos e celebrações. especialmente em Portugal. com suas danças. os muitos escravos. Tudo isso passou a ser incorporado às tradições populares. marcado por um estilo vistoso e cheio de detalhes luxuosos. Da Europa vieram influências importantes para o novo gosto cultural. ouro em circulação. Surgiram cidades. Na Europa. Dando asas à imaginação e interpretando a seu modo a tradição católica. na Universidade de Coimbra. o coco . a mineração do ouro. quase não houve trabalhos literários no Brasil desse período. esses jovens da elite entravam em contato também com novas idéias que pregavam maior liberdade. ricamente vestidos. portanto. principalmente.A U L A 12 Mesmo os senhores de escravos mais rigorosos sabiam que a tristeza não era boa companheira e que precisavam ter alguma tolerância em relação a essas brincadeiras. entravam em contato com a literatura européia. apareceram novos tipos de trabalhos e serviços e. que logo se tornaram populares. Os filhos das famílias mais ricas eram mandados para estudar na Europa. principalmente a Bíblia. Ouro e cultura no Brasil colonial A partir do século XVIII. a cultura. entre os que sabiam ler. então. As pessoas começaram a valorizar as cerimônias religiosas mais cheias de paramentos. Esse período ficou conhecido como barroco mineiro ou barroco brasileiro . As festas passaram a ter mais brilho.

se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa. ” “ Parece-me gente de tal inocência que. 1. em 1500. Fazendo a História Os textos a seguir são trechos da carta de Pero Vaz de Caminha. Essas idéias chegaram até a provocar em algumas pessoas o desejo de acabar com a escravidão. Esses dois pequenos trechos da carta de Pero Vaz de Caminha informam sobre quais objetivos da colonização portuguesa? Você concorda com o trecho da carta que diz que os índios “não têm nem entendem crença alguma”? 2. Releia Algumas manifestações da cultura popular colonial e retire do popular texto duas dessas manifestações da cultura popular. sublinhe as palavras que não entendeu e procure seu significado.No Brasil. as culturas indígenas e africanas influenciaram a sociedade colonial. mandada ao rei de Portugal. 3. responda às perguntas. seriam logo cristãos. os efeitos dessas idéias provocaram rebeliões. conflitos e um aumento da oposição a Portugal. como queriam os rebeldes da Conjuração Baiana de 1798. Releia Ouro e cultura no Brasil colonial e identifique algumas características culturais do período conhecido como barroco mineiro. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. dando conta do descobrimento e da posse das terras do Brasil pela esquadra de Pedro Álvares Cabral. 5. “ Todavia. 4. depois. um deles fixou o olhar no Colar do Capitão e começou a acenar para a terra. A U L A 12 Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Dê um novo título a esta aula. visto que não têm nem entendem crença alguma. 6 . 2. Releia Confronto e convivência na cultura do Brasil escravista e identifique no texto como.” 1. Releia Selvagens e pagãos e identifique no texto os trechos que explicam como os portugueses consideravam a cultura dos indígenas e dos africanos. apesar da dominação portuguesa. como que querendo dizer que ali havia ouro. Leia os dois e.

de um lado. trataremos da religiosidade popular no Brasil colonial. . festa e fervor N Nesta aula esta aula. além de ser um componente básico na cultura de qualquer povo. como seria a religiosidade popular naquela época? A Igreja Católica em tempo de expansão e conversão As Grandes Navegações. a religião que iria predominar na Colônia. foi um elemento especialmente importante na formação cultural do Brasil escravista. Falamos de cultura na aula passada e já aprendemos que a religião. Tendo em vista. Logo que os portugueses desembarcaram.A UA U L A L A MÓDULO 4 13 13 Fé. as muitas tradições religiosas no Brasil colonial. de outro. tinham uma justificativa religiosa e missionária: era preciso levar o cristianismo a todas as partes do mundo onde ele ainda não havia chegado. que trouxeram os portugueses ao litoral brasileiro no ano de 1500. para converter e. houve a celebração da primeira missa. caracterizando. já de início. portanto. o poder da Igreja Católica e. salvar os que não conheciam aquela que era considerada a verdadeira fé.

A Igreja Católica chegou ao Brasil com os primeiros portugueses e. a realidade do Brasil colonial . Na religião. Falavam línguas diferentes e estavam acostumados a viver de diversas maneiras. Essa Igreja guerreira via como possíveis inimigos todos aqueles que não eram cristãos. então. que acreditavam em Maomé e adoravam o deus Alá. a lavoura. E realizavam festas para esses deuses com o objetivo de agradá-los ou agradecer-lhes algum benefício.foi se mostrando de tal maneira viva e poderosa que acabou por transformar esses planos de “guerra santa”. muitas vezes as armas são a violência. a repressão. Embora a Igreja Católica não combatesse a escravidão africana.A necessidade e. Entre os portugueses que vieram para o Brasil no início da colonização (século XVI). acreditando na influência deles na sua vida cotidiana. numa guerra. Do século XVI ao século XIX. Para os escravos. Porém. Existiam interesses econômicos nessa expansão. e sua fé estava voltada para o poder do espírito de seus mortos e para os deuses que um dia haviam sido humanos e que protegiam aqueles que nasciam com sua herança espiritual . os escravos eram batizados antes de serem embarcados ou durante a sua sofrida viagem nos navios negreiros. apesar de falarem línguas diferentes e de terem costumes diferentes. O encontro com diferentes grupos indígenas que habitavam o Brasil causou surpresa e espanto aos navegadores portugueses.cheio de índios. e havia uma maioria de cativos que adotava outras religiões. e os combatia duramente. suas regras e sua moral. A U L A 13 Índios e africanos tinham religiões próprias Os grupos indígenas do Brasil. Era uma Igreja que se via dentro de uma “guerra santa” contra todos os que não acreditavam nela. mulatos e brancos não católicos . também existiam grandes diferenças: havia escravos muçulmanos. passou a considerar os africanos cativos como almas que podiam ser salvas pela conversão. E. desde o início. Alguns poucos eram altos . Ou. considerados como infiéis. que não eram só da Igreja mas também do governo português. tornar-se cristão não era uma questão de escolha: antes mesmo de receberem as primeiras informações sobre a nova religião. africanos. principalmente. Logo essa surpresa deu lugar à determinação de converter todos os índios. o dever de expandir a religião católica funcionou nessa época como um enorme estímulo à participação nas viagens dos descobrimentos. Tais religiões acreditavam nas forças da natureza e em seus elementos. pois adoravam as forças da natureza. caboclos. a guerra. eram forçados a aceitá-la. possuíam elementos comuns nas suas religiões. de acordo com a visão católica. assumiu uma atitude firme no sentido de fazer valer sua fé. Os escravos negros trazidos para cá vieram de diversas regiões da África. também existiam diferenças sociais. separados das famílias e de sua terra natal e tratados como mercadorias pelos traficantes de escravos. mas também havia uma fé real na importância do crescimento do número de fiéis da Igreja Católica. o tráfico de escravos trouxe para o Brasil muitos africanos. entre os quais estavam representantes da Igreja Católica. retirados à força de suas casas.os seus “filhos” na Terra. recebiam o batismo na chegada ao Brasil. nos mercados de escravos ou na casa de seus senhores. faziam cultos aos seus antepassados e acreditavam em deuses que protegiam suas atividades principais: a caça. Muitas vezes.

em geral. principalmente as mais pobres. o ponto de encontro entre os habitantes do Brasil era a missa dos domingos e as festas religiosas que aconteciam durante o ano. tornaram-se muito importantes para a vida das pessoas. portanto. mas essa fé manifestava-se de uma forma diferente da fé dos seus patrícios ricos. os escravos também cultuavam seus deuses antigos.A U L A 13 funcionários do governo. A religião na vida social da Colônia Esses grupos tão diferentes passaram a conviver no Brasil colonial. fazer amizades. as missas e festas católicas eram. artesãos. igualmente em pequeno número. eram nobres que receberam terras no Brasil ou representantes de comerciantes ricos. Para os escravos. E a população estava espalhada pelas fazendas e pelas poucas e pequenas cidades. A Igreja Católica dos portugueses pobres era uma Igreja de festas religiosas com danças e músicas. valorizando muito os santos. desde o século XVI. havia alguns padres e uma maioria de portugueses pobres . misturando suas formas de festejar. representando o rei de Portugal. E as histórias de vida dos santos estavam repletas de sentimentos e atitudes muito parecidos com os dos homens comuns ou cheias de acontecimentos mágicos e maravilhosos. Além de festejar os santos e o Deus dos cristãos. E quase todos esses portugueses pobres trouxeram de sua terra uma forte fé católica. que faziam festas animadas para ela. . um momento de alívio para o sofrimento cotidiano e a possibilidade de um pouco de divertimento. suas danças. santinhos e medalhas de proteção. Essas comemorações. No começo não eram muito numerosos. arrumar pretendentes e para se divertir e celebrar a vida. que viam nesta terra uma possibilidade de melhorar de vida. Nesses primeiros tempos de vida colonial. os escravos foram transformando as festas católicas em festas deles. Esse era o espaço que existia para conhecer outras pessoas. outros. e seus fiéis carregavam amuletos.agricultores. com exceção dos índios. Cada vez mais. Nossa Senhora do Rosário era a padroeira dos escravos. seu jeito de cantar.

preservaram suas canções religiosas em línguas africanas e seus toques de tambores sagrados. procissões e cultos. os quais. separadamente. eles se ajudavam. nos rios e nas tempestades. presentes nas florestas. Das irmandades de pardos. A U L A 13 As irmandades: expressão do catolicismo popular e mestiço Especialmente no século XVIII.Mas esses cultos precisavam ser escondidos e. os conhecimentos necessários para a sobrevivência das suas religiões e a força da fé que tinham nos seus deuses. Além disso. na maioria das vezes. apesar de toda a proibição. Os índios que foram integrados à sociedade colonial trouxeram de suas religiões também o gosto pelas festas vistosas e a crença em entidades da natureza. as quais organizavam desde festas e folias até enterros. que era a única forma de religião aceita. Tudo isso foi mantido. que assim marcavam sua diferença em relação aos escravos e aos libertos. faziam parte negros e mulatos livres. Esses seres mágicos se misturavam à figura dos santos na imaginação dos indígenas e também passaram a fazer parte das muitas histórias que o povo criava e contava. Tais irmandades eram associações de fiéis. promovendo eles mesmos suas festas. Ainda assim. para o qual erguiam um altar dentro de uma igreja que já existisse e. dos filhos para os netos e adiante. . festeiro. disfarçados dentro do culto católico. de caráter mestiço. criando um catolicismo próprio. principalmente. As irmandades dividiam-se do mesmo jeito que a sociedade colonial: havia. Por intermédio das irmandades. era também uma forma de se organizarem. inclusive juntando ou conseguindo dinheiro para comprar a liberdade de seus membros. ganhar força e também novos significados no mundo colonial: as irmandades religiosas. Das irmandades de pretos. irmandades de brancos. Deuses indígenas. especialmente os nascidos na África. sem serem padres ou religiosos de profissão. faziam parte escravos e libertos. para os quais a participação em uma irmandade significava uma forma de integração direta na vida religiosa. passando dos pais para os filhos. uma antiga tradição portuguesa começou a crescer. organizavam-se para render culto a um determinado santo. de pardos e de pretos. resultado de toda essa mistura que se realizava sob o sol dos trópicos. deuses africanos e santos católicos: todos eles se misturavam no dia-a-dia do povo do Brasil colonial. realizavam muitas festas e procissões em sua honra. Os escravos se uniam para também criar suas irmandades.

A religiosidade popular era muito variada. quanto mais enfeitada estivesse a igreja. dessa forma.. melhor. Fé e festas A riqueza que resultou da exploração do ouro tornou a sociedade colonial do século XVIII mais dada à ostentação e ao luxo. Em primeiro lugar. quanto mais padres pudessem rezar essa missa.. E como garantia. freqüentavam adivinhos e sacerdotes dos cultos de origem africana para ouvir conselhos e pedir consolo para suas aflições. alegorias. Não só os ricos. os membros das irmandades gastavam o dinheiro que tinham e que não tinham. mesmo as de pessoas pobres. davam um enorme valor a essas cerimônias. As irmandades religiosas. tudo representava uma bênção e uma boa passagem para a outra vida. As procissões religiosas da época reproduziam a hierarquia da sociedade colonial. em testamento. pelo menos por meio da religião. Muitas senhoras e senhoritas brancas. dava importância a quem as promovia e a quem era homenageado. dos amigos ou dos companheiros de irmandades. em cidades de gente muito pobre. 6 . quanto mais cânticos tivesse. Ora. tornava-se fundamental ganhar um espaço digno. Isso ainda é assim até hoje. E. Mas nem tudo era catolicismo na sociedade do Brasil colonial no século XVIII. a ponto de serem feitos sacrifícios durante toda a vida para cobrir seus gastos? Há muitas explicações válidas e a história da formação do povo brasileiro na época colonial mostra muita coisa. as desigualdades sociais. passaram a fazer suas festas com muitos enfeites. que gasta todas as suas economias para homenagear os santos? E as Folias de Reis. acreditavam também. agradavam a Deus e mais ainda. Quem não viu. no campo religioso. principalmente no caso da grande maioria de pobres e escravos. bem enfeitadas. tudo feito com tecidos vistosos. fosse para os santos. não se lembra ou não ouviu falar de festas de São João ou Santo Antônio bem animadas.A U L A 13 Boa parte da religiosidade popular também era compartilhada por membros das elites. mesmo em tempos difíceis? Em segundo lugar. que iam à missa aos domingos e se diziam católicas fervorosas. mas principalmente os pobres. E entre os negros . que o povo do interior faz tanta questão de celebrar. as Folias do Divino. luxo e brilho? Por que se gastava tanto com essas cerimônias. bandeiras. aos santos de sua devoção. contando para isso com a ajuda da família. fosse para homenagear um morto. embora estivessem escondidas das autoridades. As irmandades de brancos. Nos enterros. para compensar a vida tão dura neste mundo. Por que será que isso acontecia? Por que tanta importância às festas para os santos. com muita fartura e muito colorido.escravos ou libertos .. As religiões que vieram da África permaneceram no conhecimento do povo. para realizarem cortejos fúnebres cheios de pompa. aos ritos fúnebres igualmente festivos.era mais comum ainda a fé e o culto aos deuses de seus antepassados. o destaque dessas festas. O que era muito desejado. dinheiro para ser gasto com as missas para a própria alma. pardos e pretos reproduziam. Também se costumava deixar. as pessoas acreditavam que.. com tanta encenação. numa sociedade tão desigual e opressora. com muitas peças e detalhes dourados.

em nome do progresso e da civilização. Releia A Igreja Católica em tempo de expansão e conversão e retire do texto os objetivos religiosos da expansão européia na América. 4. na Bahia. Os primeiros cemitérios públicos do país foram construídos nesse século. Dê um novo título a esta aula. responda: 1.No século XIX. 3. Sublinhe as palavras que não entendeu e procure seu significado. separando festa e fervor. que idéia eles passam para você. sobre o Divino Espírito Santo? Será que esta maneira de falar sobre os gostos do Divino Espírito Santo correspondia à imagem que a Igreja Católica procurava divulgar naquela época? Como você explica essa diferença entre a maneira que o povo tinha de falar sobre o Divino Espírito Santo e a visão da Igreja? 3. cresceria a oposição aos excessos das festas religiosas populares e aos costumes de enterrar os mortos nas igrejas das irmandades. Agora. Também a Igreja Católica tentaria disciplinar as manifestações religiosas.” Versos da “Festa do Divino”. Releia As irmandades: expressão do catolicismo popular e mestiço e Fé e festas e explique com suas palavras o que era uma irmandade e como elas se organizavam. Lendo estes versos. 1. Muito vinho e muito pão. 6 . registrados por Melo Morais Filho em seu livro Festas e tradições populares do Brasil. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. 5. Releia A religião na vida social da Colônia e retire do texto um parágrafo que resuma as diversas contribuições que formaram o catolicismo colonial. Releia Índios e africanos tinham religiões próprias e identifique as tradições religiosas indígenas. 2. africanas e européias que estavam presentes no início do processo de colonização portuguesa no Brasil. O tempo A U L A não pára 13 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Exercícios 2. Fazendo a História Na Folia do Divino cantavam-se os seguintes versos: “O Divino Espírito Santo É um grande folião Amigo de muita carne. citados por João José Reis ao falar dos festejos religiosos no século XVIII.

Aqui.a monocultura da cana-de-açúcar . As restrições morais da religião católica não eram muito obedecidas na distante colônia. Assim. . Nesta aula. desde que a escravidão africana instalou-se no Brasil. a miscigenação prosseguiu em ritmo mais acelerado. pois achavam perigoso para elas. começaram um primeiro processo de miscigenação. As negras foram as principais companheiras dos brancos no período colonial. e donos de engenhos. uma camada de mulatos livres foi se formando ao lado dos caboclos. o escravo africano e o índio nativo foram condicionadas pelo sistema de produção econômica . mandavam vir mulheres de Portugal para com elas se casar.A UA U L A L A MÓDULO 4 14 14 A cara do Brasil N Nesta aula o início da colonização do Brasil.e pela escassez de mulheres brancas. Algumas negras alcançavam a liberdade para si e para seus filhos. As mulheres negras tiveram filhos mulatos ou cafuzos. após construírem suas casas de fazenda. Com a vinda dos africanos. ainda no século XVI. A integração e a miscigenação raciais Os portugueses que vieram para o Brasil. Os mais ricos. pois a sua utilização como escravas domésticas facilitou esse contato. e brancos uniam-se com índias e negras sem casamento. As relações entre o colonizador branco. a sociedade brasileira foi se formando de maneira muito peculiar. inicialmente. vamos estudar como ocorreu essa grande mistura. não trouxeram suas mulheres e filhas. quando começou o cultivo da cana-de-açúcar. convivendo durante anos com os indígenas.

. os europeus e seus descendentes tiveram. o mameluco . servos e escravos faziam parte integrante da família. Talvez por serem tão poucos e pelo fato de seu país ser tão pequeno é que se lançaram para a grande aventura de conquistar e colonizar terras distantes. na culinária. permeabilidade e adaptabilidade marcaram a aventura colonizadora portuguesa nos trópicos. Sua cultura e seu tipo físico são resultantes de misturas que se deram por milênios. E há muitas influências mouras na arquitetura. originado das relações entre brancos e indígenas. O mesmo não aconteceu com outros povos que por aqui estiveram. dominadores absolutos dos negros importados da África para o duro trabalho na bagaceira. Mais do que qualquer outro povo. que acabou por promover a miscigenação no Brasil ou. para constituírem família. descendem de povos bastantes miscigenados. como no dizer de Gilberto Freyre.Um dos mais destacados estudiosos brasileiros. Os filhos são mestiços. . Assim. casamento entre pessoas de raças diferentes. por sua localização na península Ibérica. quando iniciaram a colonização no Brasil a partir de 1532. o pernambucano Gilberto Freyre. como os fenícios. A política colonizadora portuguesa chegou até mesmo a incentivar o casamento entre lusos e nativos. No Brasil colonial. Flexibilidade. a nossa “morenidade”. entretanto. os portugueses já haviam tido uma experiência de mais de cem anos na África e na Índia.. o latim. A U L A 14 O patriarcado O patriarcado é um tipo de organização social na qual o chefe da família tem poderes absolutos sobre a esposa e os filhos. e os filhos do sexo masculino. Miscigenação: cruzamento interracial. As relações entre a casa-grande e a senzala não se definiam apenas pela dominação do branco sobre o negro mas também por um código moral pouco rígido. fruto da mistura de negros e índios. os romanos e os mouros. Isso porque a península Ibérica foi invadida e ocupada por muitos povos. Gilberto Freyre nos fala da miscigenação . resultado da mistura entre brancos e negros. continuaram vivendo sob o domínio do patriarca. e o cafuso. que transigir com índios e africanos quanto às relações genéticas e sociais ”. a língua portuguesa é uma língua latina porque provém da língua dos romanos. a sociedade patriarcal da colonização portuguesa no Brasil promoveu a mistura de raças e a mistura de cor. na música e até na língua portuguesa. Devemos considerar que. Os tipos mais característicos dos mestiços brasileiros são o mulato . os portugueses tinham uma especial tolerância racial que lhes permitia conviver e miscigenar-se. mesmo casados. Para ele. ou seja. escreveu no seu famoso livro Casa-grande & senzala a seguinte passagem sobre essa questão: “ Vencedores no sentido militar e técnico sobre as populações indígenas. conquistadores e conquistados. um dos pilares da colonização. O branco português Os portugueses.

No entanto. por exemplo. Contra ele tenho sugerido outro. Essa é uma das razões da origem do intenso racismo nos Estados Unidos. nativas ou africanas. Os portugueses usaram sua superioridade tecnológica. como o uso da pólvora e dos metais. O que aconteceu nos Estados Unidos foi muito diferente. para impor também sua maneira de viver e de pensar. que acabou impondo o seu tempero ao gosto do dominador.A U L A 14 Hoje. na realidade. os puritanos ingleses não se misturaram. Esse conceito é convencional. arte e organização familiar e social. para conseguir domínio sobre seus dominadores. como se revela neste quadro de Tarsila do Amaral. Prova disso é a cozinha brasileira. a população brasileira é uma espécie de “amostra” de diferentes tipos raciais. africanas e ameríndias. cuja segregação só foi abolida legalmente em 1954. como a língua. A integração racial e cultural desse povo aos nativos foi quase nula. a religião e o modo de produção. A aspereza da língua. pois. são diferentes. Para esse autor. resultante da assimilação de todas as raças. o negro no Brasil teria agido com sutileza e inteligência. foi misturada pela mão negra. . foi colonizador ” . sem aspereza. A interpenetração das culturas Cultura: conjunto dos valores materiais e espirituais criados por um povo: língua. O negro no Brasil não foi colonizado. Gilberto Freyre comenta: “Diz-se que o brasileiro foi colonizado pelo português. suavemente. Resultante de influências européias. técnicas. experiência de produção e de trabalho. permaneceram cerca de quarenta anos em Pernambuco. não se miscigenaram com outras etnias. O colonizador branco se apossou das terras e impôs aos habitantes nativos elementos da sua cultura. Os holandeses. porém. a sobriedade e a severidade da religião protestante dificultavam a miscigenação e o contato com as culturas. A colonização portuguesa nos legou um povo mestiço. Lá também chegaram milhares de indivíduos levados da África para serem escravizados. como se essa fosse a melhor. as culturas não são superiores umas as outras. religião. Ao contrário do colonizador português. a cultura portuguesa não resistiu ao contato com as culturas indígenas e africanas sem que também se misturasse.

japoneses. Já no século XX. E a música. pois vieram da África técnicos em minas. formando diversos tipos de culto. . temos a melodia e o esplendor da música popular brasileira. angolas. surgiu o batuque. As técnicas portuguesas também foram enriquecidas por conhecimentos e práticas de seus escravos. É assim que o brasileiro dança. congos. nas gafieiras. sensualidade e graça. seguidos de italianos. Com as violas e cavaquinhos portugueses.As religiões indígenas e negras não foram exterminadas pelo catolicismo mas fundiram-se. entre outros. Exercícios 2. tornando-a diferente do áspero português falado em Portugal. Nelas. A U L A 14 6 É imensa a diversidade de povos africanos e indígenas que se encontraram em terras do Brasil: benguelas. Tal música corresponde a uma dança cheia de molejo. com o “balanço” da cor. mandingas. também os alemães vieram colorir esse quadro. o ritmo ganhou contraponto. Releia O branco português e compare as relações raciais dos colonizadores portugueses com as dos puritanos ingleses da América do Norte. então? Ao som dos atabaques e tantãs. 3. chineses e coreanos misturando-se com as gentes do Brasil. oloduns e lambadas. bantos. os deuses africanos confundem-se com santos católicos. Além dos brancos portugueses. na explosão do carnaval. comerciantes de panos. os franceses e holandeses deixaram um pouco de suas cores no Brasil Colônia ao se miscigenarem no Maranhão e em Pernambuco. Releia O patriarcado e procure explicar como era esse tipo de organização social. o que resultou num “amaciamento” da língua. artífices de ferro. O tempo não pára Relendo o texto 1. poloneses e ucranianos. são apenas alguns dos povos africanos representados no Brasil. respectivamente. vamos ter também sírios-libaneses. pecuaristas. Mesmo a própria língua portuguesa adquiriu palavras e expressões indígenas e africanas. nos pagodes. nos terreiros. No século XIX. monjolos. com o seu ritmo incomparável e uma diversidade melódica e temática única no mundo. E isso ficou conhecido como sincretismo religioso . Releia A integração e a miscigenação raciais e faça um quadro com os mestiços que correspondem aos cruzamentos raciais que ocorreram no Brasil colonial. Com chocalhos e maracas indígenas. que receberam o nome de religiões afro-brasileiras.

Calus. compare seu trabalho com o dos seus colegas.. Bembéns. as Teresas. Dê um novo título a esta aula. sinhá. canjica. Marocas. Dondon nenem. Tetés. Ioiôs. seu apelido ou o nome pelo qual você gosta de ser chamado. quindim de iaiá. angu mingau. como se fosse um cartaz. Totonhas. das Manus. banguela. Use sua criatividade. farofa. os Albertos. a) Faça uma lista de nomes de pessoas que você conhece. ebó quitute. mandinga. os Pedros. bambanho. Bebetos. música de Milton Nascimento e Fernando Brandt. Betinhos. cocô Brasil. abaré acarajé. Leia estes versos em voz alta. desenhe e pinte.) as Antônias ficaram Dondons.. das Sinhás. Depois. Fazendo a História 1. Chiquinhos. aprende a ser negro . Manés. Gegês. bumbum. papá maínha. Gilberto Freyre escreveu: “(. tutu feijoada e mocotó. b) Compare sua lista com a lista de seus colegas. os Manuéis. 14 Releia A interpenetração das culturas e identifique influências negras e indígenas na cultura brasileira. caruru. cochilo. batuque. 5.A U L A 4. Chicos. Tetê. mimi pipi. 6 . cafuné macumba. 2. ” . Pepés. com seus apelidos. Toninhas. Isto sem falarmos das Iaiás. c) Numa folha grande. Tonin. vatapá. Chicós. Dedés. Verifique quais as palavras que você conhece e quais as que você usa. banzé caçula. os Franciscos.

A partir dessa data. quais seriam os direitos e deveres do povo brasileiro. Nesse quadro. o Brasil não foi exceção. quem era considerado cidadão no Império do Brasil? Nesta aula As lutas políticas no 1º Reinado A separação de Portugal. Também vamos acompanhar como. e começava o período que ficou conhecido como 1º Reinado. foi recebida com entusiasmo em muitas cidades brasileiras. o príncipe português foi coroado Imperador do Brasil. a sociedade escravista no Brasil. ao mesmo tempo. pouco a pouco. Pedro proclamou a Independência do Brasil com o apoio de grupos brasileiros e portugueses. a partir do conflito entre cidadania e escravidão.A UU AL A A L 15 O início do Império E MÓDULO 5 15 m toda a América. Apresentação do Módulo 5 6 No dia 7 de setembro de 1822. finalmente. anunciada por D. Menos de três meses depois. Neste último módulo vamos ver de que modo se construiu e se consolidou em nosso país uma monarquia que foi. a partir daquele momento. D. Pedro em setembro de 1822. como seriam as relações entre o poder central e as províncias e. desfez-se. todo mundo passava a ser considerado cidadão? Afinal. o século XIX foi um tempo de independências e abolições. teve início um momento decisivo na vida do novo país. Quem era o povo brasileiro? Será que. Era hora de definir como seria organizado o novo Estado. constitucional e escravista. L I N H A D E T E M P O D O IMPÉRIO TEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPOTEMPO 1 º REINADO REGÊNCIAS 2 º REINADO 1822 1831 1840 1889 .

títulos de nobreza. adquiridos durante o governo de D. e os aristocratas . Esse grupo era quase todo composto por comerciantes e altos funcionários que tinham vindo para o Brasil junto com a família real. como cargos importantes. pois eram favoráveis ao absolutismo e não desejavam mudanças. Seu principal objetivo. Esse grupo passou a ser conhecido como Partido Português . João VI. Não foi à toa. a partir daí. na Corte. terras. a perda de seus privilégios políticos e sociais.A U L A 15 Dinastia: série de reis que pertencem à mesma família. liderados por José Bonifácio de Andrada. homens e mulheres que comemoraram a proclamação da Independência do Brasil possuíam diferentes motivos. Eram os democratas . havia. OS PARTIDOS POLÍTICOS - DO 1º REINADO ATÉ 1870 1º REINADO PERÍODO REGENCIAL 2º REINADO PARTIDO PORTUGUÊS PARTIDO RESTAURADOR PARTIDO REGRESSISTA PARTIDO CONSERVADOR PARTIDO ARISTOCRATAS LIBERAL MODERADO PARTIDO BRASILEIRO PARTIDO PROGRESSISTA PARTIDO LIBERAL DEMOCRATAS PARTIDO LIBERAL EXALTADO . Essas pessoas sentiamse ameaçadas com as mudanças em Portugal. Entre os brasileiros. dois grupos políticos desempenharam importante papel na proclamação da Independência e. Temiam uma possível recolonização do Brasil e. de forma depreciativa. portanto. um grupo que tinha boas razões para festejar. ministro do primeiro governo brasileiro. com isso. Contavam ainda com a possibilidade de uma futura reunificação das Coroas portuguesa e brasileira sob as ordens da família real portuguesa: a dinastia Bragança. que apoiaram D. por isso. também possuíam fortes razões para comemorar. liderados por Gonçalves Ledo. alguns brasileiros os chamavam de “pés de chumbo”. Entre os portugueses que moravam aqui. Pedro e a emancipação política brasileira. seria fortalecer o novo imperador . desencadeadas pela Revolução do Porto. Como acontece na maioria das vezes na História.

o que impedia a maior parte da população de participar das eleições. que iniciou os seus trabalhos em maio de 1823. produziu a Constituição de 1824. ou seja. isto é. o grupo brasileiro sugeria medidas como o voto censitário. formado por intelectuais. os democratas. Esse grupo temia a descentralização do poder sugerida pelos democratas. não poderia ser dissolvida. como disse ao dissolver a Constituinte. no final de 1823. retomou o poder absoluto. o conjunto de propostas desagradou ao Partido Português e ao imperador que. advogados e jornalistas da cidade do Rio de Janeiro. Para os primeiros. o mais amplo poder era da nação e. mais os membros do Partido Português. Antes disso. foram perseguidos e afastados da vida política a mando do ministro José Bonifácio. buscando preservar a independência. algo inteiramente inaceitável para os brasileiros. acreditava que seria possível conciliar monarquia e democracia. isto é. que voltara para lá. Por exemplo: l os estrangeiros seriam inelegíveis. que. não poderiam ser votados para cargos de representação nacional. que deveria apenas representar um símbolo de unidade do país. que reunia os principais representantes das províncias. D. Os aristocratas defendiam uma monarquia que tivesse o poder limitado por uma Constituição. excluídos os democratas. Para elaborar a lei máxima brasileira. a ser elaborada por um órgão representativo da nação: a Assembléia Constituinte. na qual os brasileiros contavam com maioria. A situação em Portugal aumentava a tensão política. em razão de suas discordâncias com os aristocratas. para governar. Pedro I nomeou uma comissão que. fechou a Constituinte. passaram a elaborar propostas com o objetivo de diminuir o poder dos portugueses no Brasil e limitar o poder do imperador. “digna dele e do Brasil”. Os dois grupos. a luta pelo poder se deu fundamentalmente entre o Partido Português e o grupo de José Bonifácio. Assim sendo. mas que deveria preservar a autoridade do imperador . Alegava que essas propostas poderiam resultar em desordens sociais e na quebra da unidade do país. D. D. a nova forma de organização política do Brasil deveria basear-se na vontade da maioria da população. fato que agradava ao grupo português e ameaçava o brasileiro. os aristocratas não concordavam com o juramento prévio à Constituição. e nunca na autoridade do imperador. em pouco tempo. A soberania. do mesmo modo que estava ocorrendo naquele momento nas repúblicas hispano-americanas que eram antigas colônias espanholas na América. votariam apenas aqueles que possuíssem determinada renda anual. abria-se a possibilidade de uma reunião das Coroas portuguesa e brasileira. . l o imperador não poderia governar também outro reino. Além disso. O grupo dos aristocratas de José Bonifácio. Pedro I deveria jurar previamente sobre a Constituição brasileira.O grupo dos democratas. João VI. A U L A 15 A Constituinte de 1823 Durante a Constituinte. Com exceção do voto censitário. participaram da eleição para a primeira Assembléia Constituinte brasileira. l a Câmara dos Deputados. isto é. discordava inteiramente das propostas de Gonçalves Ledo e seus seguidores.

a Corte. Isso dava o direito de o imperador intervir nas decisões dos poderes legislativo e judiciário. Seus governantes eram nomeados diretamente pelo poder central. como o poder pessoal do rei. os quais deveriam receber. fazendo uma lista tríplice a ser apreciada pelo imperador. respectivamente. Apesar de serem toleradas outras práticas religiosas. Ela procurava combinar as novas idéias liberais com elementos do Antigo Regime.IGREJA A religião católica era oficial. de onde se governava o Brasil. os católicos possuíam privilégios: apenas eles poderiam ser funcionários do Governo e concorrer a cargos eletivos. considerados propriedades. elas praticamente não possuíam autonomia. . PODER MODERADOR 15 Constituição outorgada: aquela aprovada pelo imperador. os quais. UNIÃO ESTADO. entretanto. isto é. Não havia impedimentos quanto ao voto do analfabeto. (DOM CONSELHO DE ESTADO PEDRO I) PODER LEGISLATIVO PODER EXECUTIVO PODER JUDICIÁRIO SUPREMO CÂMARA DOS DEPUTADOS SENADO TRIBUNAL D E JUSTIÇA Vamos ver outros itens: GARANTIA DOS DIREITOS INDIVIDUAIS: LIBERDADE. que deviam receber mais de 200 mil réis anuais. no mínimo. justamente para que não houvesse a concentração de poderes nas mãos de uma só pessoa. excluídos os escravos. 400 ou 800 mil réis. MASCULINO E CENSITÁRIO Os votantes. era a cidade do Rio de Janeiro. por sua vez. a união entre Igreja e Estado e a manutenção da escravidão. mantinha-se a escravidão. Obviamente os escravos. ESTADO UNITÁRIO Embora o território fosse dividido em províncias. SISTEMA ELEITORAL BASEADO NO VOTO INDIRETO. não eram cidadãos brasileiros. que deviam ganhar acima de 100 mil réis anuais. escolhiam os eleitores. INTEGRIDADE FÍSICA E PROPRIEDADE DE TODOS OS CIDADÃOS BRASILEIROS Em nome do direito de propriedade. sem passar por uma Assembléia Constituinte.A U L A A Constituição de 1824 Em suas linhas gerais. Apesar dessas restrições. Apenas homens livres com mais de 25 anos de idade poderiam votar. as mulheres foram excluídas do direito de votar. e já ultrapassava 13% da população livre. Pedro I se manteria em vigor por todo o período monárquico. O executivo era exercido pelo próprio imperador e por seus ministros. O centro político do Império. a Constituição outorgada por D. Acima dos três poderes que as repúblicas liberais adotaram. o número de eleitores tendeu a crescer ao longo do Império. Como era comum no mundo todo naquela época. foi criado o poder moderador. As autoridades da Igreja eram nomeadas pelo imperador. elegiam deputados e senadores.

que não participavam das eleições mas possuíam direitos civis. A U L A 15 A crise do 1º Reinado Causou profundo descontentamento a dissolução da Assembléia Constituinte e a forma como D. como os indígenas e escravos. Pedro I impôs sua autoridade sobre as mais importantes lideranças políticas das províncias. o texto era ilegítimo. produziu mecanismos que mantinham ou reforçavam as diferenças políticas e sociais. que surgiu em protesto contra a Constituição outorgada em 1824. finalmente. e. os não-cidadãos . segundo Frei Caneca. e ainda. revolta iniciada ainda naquele ano. Seus principais argumentos foram: a Constituição era excessivamente centralizadora e não garantia a liberdade das províncias. Além disso. liderada por um frade. e sim pela vontade do imperador. com a dissolução daquele órgão pelo imperador. Recife foi sede da Confederação do Equador. a atitude do imperador lembrava muito os velhos conflitos com a Metrópole portuguesa. Passaram a existir os cidadãos ativos . Foi nesse clima que a Câmara da Cidade de Recife. a Constituição estabeleceu um conjunto de regras que. em vez de assegurar a igualdade de todos perante a lei. Joaquim do Amor Divino Caneca conhecido como Frei Caneca. A participação eleitoral diminuiu a partir de 1881 para 0. em pouco tempo. uma vez que nesse ano foi introduzida a proibição ao voto do analfabeto. . os cidadãos passivos . A Confederação do Equador A principal reação à Constituição de 1824 foi a Confederação do Equador . que passava a controlar totalmente a nova ordem política. A Constituição de 1824 produziu vários efeitos. pois havia sido criado não por um órgão representativo da nação. O primeiro deles foi nítido: o fortalecimento do poder do imperador. tanto na Corte como nas províncias.em 1872. na província de Pernambuco. Esses grupos demonstrariam. aqueles inteiramente fora das preocupações do Estado. Isso reduziu o espaço de atuação dos grupos brasileiros. Para os representantes políticos dos antigos “homens bons”.8% da população. o texto constitucional não era liberal. recusou-se a aceitar o texto da Constituição de 1824. com direitos reduzidos. porque criara o Poder Moderador que era a “chave mestra da opressão da nação brasileira”. com direito de voto mas hierarquizados segundo sua renda. Os representantes pernambucanos na Constituinte. retornaram à província e denunciaram o caráter absolutista do governo central. seu descontentamento com tal situação.

em julho de 1824. O imperador Pedro I e. os recifenses partiram dos discursos para a ação e. e às luzes do Século” . pedia um bom preço: a renovação. O quadro político tornou-se crítico com o assassinato do jornalista de oposição ao governo Líbero Badaró. como a França. esses tratados cobravam uma pequena tarifa alfandegária dos produtos ingleses que ingressavam nos portos brasileiros. Também duvidaram de suas idéias liberais e de sua oposição a Portugal. quando a Corte portuguesa ainda estava no Brasil. Pedro I. do Ceará e do Rio Grande do Norte. Os líderes revolucionários consideravam que esse comércio estava “ em completa oposição aos princípios do Direito Natural. As principais lideranças que não conseguiram fugir foram fuziladas. Como você deve recordar. Também o envolvimento do imperador na sucessão portuguesa. seu filho Pedro de Alcântara. desagradava a diversos setores que se uniram no combate ao imperador. tomaram o poder na província. surgiram boatos de que o imperador novamente fecharia a Câmara e passaria a governar de forma ditatorial. em 7 de abril. assinados em 1810. à direita. A situação política tendeu a se tornar mais tensa ao longo do ano de 1830. No início do mês de abril de 1831. Ocorriam revoluções na Europa e o absolutismo terminava em países importantes. senhores de terras e escravos. assinado pelo governo brasileiro. por um lado garantiu o reconhecimento inglês. Haveria um governo central e ampla autonomia dos estados. o que facilitou a violenta repressão. menor de idade quando seu pai abdicou. por outro. vitoriosa em novembro de 1824. A base de apoio ao movimento. Para tal. mas. Esse novo acordo. As novas repúblicas hispanoamericanas não reconheceram imediatamente seu governo. então.A U L A 15 Em pouco tempo. desejando colocar sua filha no trono português. A ação revolucionária assustava agora não apenas o governo central mas também os grupos dominantes locais. começou a reduzir. Pedro I teve também dificuldades externas. então. Dias depois. a exemplo de suas exigências para impedir a liberdade de imprensa. uma república denominada Confederação do Equador. Criava-se um clima que tornava cada vez mais ilegítimas as medidas autoritárias defendidas por D. Além disso. Logo receberam o apoio da Paraíba. criou uma forte dependência econômica brasileira dos produtos manufaturados britânicos. Criaram. Já a Inglaterra procurou trabalhar no sentido de promover um rápido reconhecimento do governo brasileiro. O absolutismo de D. por quinze anos. dos Tratados de Aliança e Amizade. estabeleceu-se a suspensão do tráfico de escravos no porto de Recife. Pedro I D. setores populares se concentraram . e comerciantes.

identifique os principais resultados dessa Constituição.São excluídos de votar nas Assembléias Paroquiais: I-Os menores de vinte e cinco anos (exceto os casados. E D. No mesmo item. Releia A crise do 1 º Reinado e cite quais foram os principais problemas enfrentados por D. Releia A Constituição de 1824 e identifique três características dessa Constituição. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. mas a unidade do novo país ainda não se havia consolidado. V-Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz. era agora o momento de recomeçar a construção do Estado. sem apoio militar ou político. Quem era cidadão no Império do Brasil? . 3. Afastado o governante português e extintas as ameaças de reunificação a Portugal. Bacharéis e Clérigos). indústria. no centro do Rio de Janeiro. Oficiais Militares. a ameaça de recolonização parecia distante. para protestar contra o governo. 1. 4. Releia As lutas políticas no 1 º Reinado e A Constituinte de 1823 e identifique os principais grupos políticos que existiam no momento inicial do Primeiro Reinado. 91 . Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. A U L A 15 O tempo não pára A renúncia do imperador representou uma vitória expressiva dos grupos políticos ligados às diversas regiões brasileiras. comércio ou empregos. segundo os interesses desses grupos. As tropas militares deram força ao movimento. foi obrigado a renunciar em nome de seu filho D. III-Os criados de servir. Exercícios 2. 5. 1. que ainda era menor de idade.no Campo de Santana. Mas será que havia unidade no Partido Brasileiro? Quase dez anos após a proclamação da Independência do Brasil. Pedro I. Pedro de Alcântara. os criados da Casa Imperial que não forem de galão branco e os administradores das fazendas rurais ou fábricas. Fazendo a História CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DO BRASIL Leia o seguinte artigo da Constituição de 1824 e responda à questão que se segue: Art. Pedro I. Dê um novo título a esta aula. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam.

Para essas elites. o fundamental era preservá-la em um clima de tranqüilidade política. cabia consolidar seu predomínio no Estado brasileiro. como Evaristo da Veiga. Para alguns. Na expansão da lavoura de café. Mas será que essas elites. Tempo de moderação O caminho estava aberto para os grupos que depuseram o imperador. Como a Constituição de 1824 garantia seus interesses. grupo bastante próximo dos grandes proprietários de terras e de escravos do Rio de Janeiro. Era o momento de ocupar espaços e definir as principais medidas. conseguiam chegar a um acordo? Como conciliar seus diferentes interesses em um único Estado do Brasil? Nesta aula vamos procurar responder a esta questão. após a vitória sobre o imperador.A UA U L A L A MÓDULO 5 16 16 O Império se fortalece A Nesta aula luta contra o autoritarismo de D. da ordem. não havia consenso entre eles. o fundamental era assegurar a continuidade da economia agroexportadora baseada no regime escravista. . sem rupturas. Para eles. era hora da moderação. Veiga era um dos líderes entre os chamados liberais moderados . das diversas regiões brasileiras. a base do trabalho era escrava. Foram praticamente nove anos de conflitos entre o imperador e as elites brasileiras. era importante manter o regime escravista. Novamente. Para os liberais moderados. Pedro I não havia sido fácil. em paz. da prudência.

conseguiram derrotar o movimento que passou a ser conhecido como Cabanagem . aumentou as pretensões de autonomia das províncias. Era o grupo dos restauradores . isto é. criou uma força militar paralela − a Guarda Nacional −. os antigos grupos democratas ficavam separados dos exaltados. Alguns deles chegaram. As autoridades imperiais. Cabanagem (Grão-Pará. O Senado e o Poder Moderador foram mantidos. Quem dominou o poder nos primeiros anos da Regência − período entre a renúncia de D. os moderados. apareceram também na cena política. a Constituição era antidemocrática. Mas esses anos não foram tranqüilos. Assim. A relativa descentralização do poder. também. em 1840 − foram os moderados. em geral. Essas e outras medidas faziam parte do Ato Adicional de 1834 que. O governo moderado respondeu a essas ameaças reduzindo rapidamente o contingente do exército. ligadas aos restauradores. Finalmente. Eram as rebeliões regenciais. ainda no poder em 1834. Mudanças se mostravam necessárias. para apenas 10 mil em agosto do mesmo ano. contra a manutenção dos privilégios dos portugueses na região. tropas mercenárias. Logo após a abdicação de D. com apoio dos democratas. foi a fórmula que os moderados encontraram. Pedro I. faziam movimentos pela volta do imperador. ou seja. . em 1831. Vamos ver suas principais características. Pedro I. Com as elites políticas em conflito. até mesmo. a defender o fim da monarquia e a instauração de um governo republicano. e a posse de D. concedida pelo Ato Adicional. exigiam a punição e a deportação (expulsão do país) dos indivíduos ligados à antiga ordem. Ao mesmo tempo. tropas do exército se rebelavam contra o governo e. O movimento chegou a tomar a cidade de Belém entre os anos de 1835 e 1836. Percebendo que a crise política não seria resolvida sem um acordo entre os diversos grupos políticos em conflito. na tentativa de dar tranqüilidade política ao país. Defendia. A Constituição de 1824 foi modificada e as províncias obtiveram um pouco de autonomia. resolveram promover um acordo. antes de 1831. a luta foi promovida pelos cabanos − populações ribeirinhas − contra a repressão desencadeada pelo governador nomeado pelo governo central e. os cidadãos passivos.Já para outro grupo político. em poucas palavras. que se ligavam aos interesses das províncias. Pedro II. Reuniam os diversos interesses provinciais descontentes com a política da Corte e os antigos democratas na cidade do Rio de Janeiro. Seus membros eram identificados como liberais exaltados . uma monarquia baseada no federalismo. durando até 1840. Pedro I. que passou a ser controlada principalmente pelos grandes proprietários de terra em suas localidades. apenas com muita repressão. 1835-1840) Na Amazônia. homens livres pobres e os não-cidadãos. Os cidadãos passivos assustaram as elites dirigentes imperiais. A U L A 16 As rebeliões regenciais Mas “o tiro saiu pela culatra”. os escravos. Essa medida agradou aos exaltados. atendendo aos interesses dos restauradores. Ao mesmo tempo. havia outro grupo que defendia o retorno do imperador D. numa nova ordem política fundada na descentralização do poder e na ampliação da autonomia das províncias. de 30 mil.

nessas duas províncias. Em pouco tempo. durante a década de 1830. da “anarquia”. O movimento durou dez anos e o governo central só conseguiu pacificá-lo em 1845. que exigia mais autonomia provincial. Em vez de massacre. o tratamento foi bastante diferente daquele dado aos cabanos. O tempo saquarema As notícias que chegaram à Corte a respeito das rebeliões nas províncias foram recebidas com apreensão. era importante que reinasse a paz entre os diversos grupos dominantes do país. Os motivos da rebelião foram os seguintes: 1) o descontentamento com a política imperial de importação do charque (carne salgada que servia para alimentar especialmente escravos) da Argentina e do Uruguai que. e da Balaiada . Sabinada (Bahia. 2) a falta de autonomia política. Foi o caso da Sabinada . o governo imperial utilizou. no Maranhão. o movimento armado começou. quase ao mesmo tempo em que ocorria a Cabanagem. o grupo dos cafeicultores cresceu em importância social e política. a anistia aos revoltosos e a diminuição dos impostos. como resultado. 16 Era a Guerra dos Farrapos . deu-se um movimento de características bem diferentes daquele ocorrido na Amazônia. o café tornou-se o principal produto de exportação do país e. 1835-1845) Já no extremo sul do país. para a classe dominante gaúcha. Exatamente nesse momento. eram os pecuaristas gaúchos que se levantavam contra o governo central. . resolveu criar uma força militar ligada diretamente a ele. Agora. uma vez que o governo central impunha o nome do governador da província. por ser mais barato. consolidava-se a expansão da lavoura do café no Rio de Janeiro. na Bahia. Assim. Os farrapos criaram até um brasão para sua República Rio-Grandense. 1837-1838) e Balaiada (Maranhão.A U L A Revolução Farroupilha (Rio Grande do Sul. além da força das armas. concorria com o charque gaúcho (que sofria uma pesada carga de impostos). houve concessões. onde os cidadãos passivos (vaqueiros e artesãos) rebelaram-se contra o governo local. no ano seguinte. 1838-1841) Além desses movimentos. Era dessa forma que as elites se referiam às rebeliões. o novo governador nomeado. além de aumentar os impostos. Para a maioria das elites políticas. O governador foi deposto e os revoltosos dominaram toda a província do Rio Grande do Sul. a descentralização política havia sido a principal causadora da “desordem”. Para o governo dos moderados. ocorreram. Para isso. Chegaram a dominar também Santa Catarina e. foram criadas as Repúblicas Rio-Grandense e Juliana. outros levantes. Em 1834. Assim.

prevista na Constituição de 1824. de outro. São Paulo e Pernambuco. de um lado. Em 1838. Paulino José Soares de Souza e Eusébio de Queirós. no entanto. Tanto é que se dizia na época que não havia “nada mais conservador do que um liberal no poder”. . Era a antecipação da maioridade − mecanismo encontrado para restabelecer a centralização do poder.Cabanagem Balaiada A U L A GRÃO . não conseguiam colocá-las em prática. No entanto. ao longo da década de 1840. assim. Continuaram defendendo suas propostas descentralizadoras. chegava ao poder. restauradores e exaltados reorganizaram-se em outras bases. marcada. quando alcançavam o poder. Pedro II. obtida com o Ato Adicional. Aqueles que discordavam dos regressistas e mostravam-se favoráveis à descentralização ficaram conhecidos como progressistas.PARÁ MARANHÃO CEARÁ RIO GRANDE DO NORTE PARAÍBA PERNAMBUCO ALAGOAS SERGIPE 16 PIAUÍ MATO GROSSO GOIÁS BAHIA Sabinada MINAS GERAIS ESPÍRITO SANTO SÃO PAULO RIO DE JANEIRO Oceano Pacífico SANTA CATARINA RIO GRANDE DO SUL O a ce no A tlâ nt ic o Guerra dos Farrapos As revoltas marcaram o período da Regência. Seu governo procurou atuar no combate às rebeliões e também na defesa da ordem e da centralização. Em julho daquele mesmo ano. que passaram a ser chamados de conservadores . era o momento de combater o que chamavam de “vulcão da anarquia” presente nas rebeliões. Estes. logo denominados de liberais . esse grupo controlou por bastante tempo o poder no Brasil imperial. D. mas. Seus maiores defensores foram três políticos fluminenses muito ligados aos interesses do café em expansão: Joaquim José Rodrigues Torres. o regressista Pedro de Araújo Lima. Após a antecipação da maioridade. Surgia. um novo grupo político. Essa nova situação. o fortalecimento da proposta centralizadora defendida pelos regressistas. entre o primeiro Império e o segundo. Conhecido como Trindade Saquarema . como regente. os grupos anteriormente denominados moderados. movimentos contrários ao governo central em Minas Gerais. não tiveram condições de barrar o regresso. ocorreram ainda. pelo medo das revoltas nas províncias e. Em maio de 1840. cada vez mais. com 14 anos. a tendência desses anos foi. assumia o trono brasileiro. isto é. pelo fortalecimento econômico do Império. Araújo Lima conseguiu aprovar uma lei que reduzia consideravelmente a autonomia das províncias. Para grande parte dos políticos. fez com que recomeçasse a “dança dos políticos”. Os progressistas. defensor da imediata centralização do poder e do retorno à ordem − eram os regressistas . chegaram ao poder algumas vezes nesse período.

Dois partidos políticos revezavam-se no poder: o Liberal e o Conservador. sempre haviam defendido uma ampliação da participação política. o senador Nabuco de Araújo resumia a vida política no Império da seguinte maneira: 16 “O Poder Moderador pode chamar a quem quiser para organizar ministérios. a predominar. magistrados das altas cortes do Poder Judiciário. ministros de Estado etc. o ato de escravizar tornava-se moralmente insustentável. na cidade do Rio de Janeiro. de fato. o Estado imperial estava consolidado. Em 1868. Mas o Partido Conservador era bem mais que uma representação direta desses interesses. essa pessoa faz a eleição porque há de fazê-la. Portanto. porém. De maneira geral. Eis o sistema representativo do nosso país”. Os interesses cafeeiros do Sudeste (especialmente do Rio de Janeiro) tenderam. Entre os conservadores. Pedro II. O Poder Moderador − exercido pelo imperador −. portanto. e não o voto popular. Foi vencedor o projeto que defendia a monarquia centralizada. Foi um tempo de abolições. decidia. 6 O tempo não pára O Império do Brasil definiu-se nas décadas de 1830 e 1840. O direito de propriedade ainda justificava a escravidão. estavam os representantes políticos da lavoura do café e a elite do Estado imperial − juízes. . presidentes de província. O século XIX não foi um tempo apenas de independências. que limitava a participação popular e garantia a lavoura escravista. Os liberais reuniam os interesses provinciais ligados à produção para o mercado interno e um pequeno grupo de jornalistas e profissionais liberais que. foi o Partido Conservador que deu o tom da política imperial. que agia como árbitro (juiz) dos projetos políticos concorrentes.A U L A Os partidos políticos do 2º Império Em 1850. era de fato o imperador D. Um dos primeiros problemas que o Império consolidado teve de enfrentar foi a questão do tráfico de escravos. Os Partidos Liberal e Conservador acomodavam também as rivalidades locais entre as famílias dos poderosos senhores de escravos. esta eleição faz a maioria (na Câmara). pelo revezamento dos partidos no poder. ao formar os ministérios. As revoltas haviam sido sufocadas.

Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Exercícios A U L A 16 2. e muito comprometeram. para o deputado? Qual era o risco que a “sociedade” corria? Qual foi o resultado do regresso? 6 .. Releia As rebeliões regenciais e complete o quadro. Quem eram os regressistas? A quem Bernardo de Vasconcelos denomina de “sociedade”? Quem promovia a anarquia. 4. quero salvá-la. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam.. corre risco pela desorganização e pela anarquia. por isso sou regressista. porém. 2. Releia Tempo de moderação e compare os projetos dos liberais moderados. Releia O tempo saquarema e compare os projetos dos regressistas e dos progressistas. Leia novamente O tempo saquarema e Os partidos políticos do 2 º Império e responda: 1. dos liberais exaltados e dos restauradores.” Trecho de discurso do deputado Bernardo Vieira de Vasconcelos. Fazendo a História “Fui liberal: então a liberdade era nova no país. 1. 5. 1838. 4. a sociedade que então corria risco pelo poder. O documento acima é um discurso feito na Câmara dos Deputados por um importante líder regressista. é diverso o aspecto da sociedade: os princípios democráticos tudo ganharam. Dê um novo título a esta aula. quero hoje servi-la.) Hoje. REBELIÃO CABANAGEM FARRAPOS SABINADA BALAIADA LOCALIZAÇÃO CAUSAS CARACTERÍSTICAS 3. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. Como então quis. 3. estava nas aspirações de todos (.

na América ou na África via como uma coisa natural as desigualdades entre as pessoas. alguns movimentos associaram a idéia da abolição à luta pela independência. a festa. como e por que foi apenas no século XIX que a sociedade brasileira pôde finalmente propor e realizar a abolição definitiva da escravidão? É o que vamos procurar entender nesta aula. como podemos perceber na longa história da escravidão africana no Brasil. .A UA U L A L A MÓDULO 5 17 17 O fim da escravidão Nesta aula “É declarada extinta a escravidão no Brasil. chegaram a várias partes do mundo. No Brasil. O quadro internacional O século XIX não foi um tempo apenas de independências.” Essas duas frases estão na lei que acabou com quatro séculos de escravidão no Brasil. No Haiti ocorreu uma grande rebelião negra que levou à independência desse país e à abolição da escravidão em toda a ilha de São Domingos. Foi um tempo de abolições. Aprovada pela Câmara dos Deputados. mesmo que de naturezas diferentes. O desejo de liberdade esteve sempre presente. com apenas 9 votos contrários entre 92. Depois da libertação. promovendo revoluções contra o Antigo Regime na Europa.que. e as pessoas passaram a considerar a liberdade um direito natural . Afinal . cheia de acontecimentos e histórias que demonstram a não-aceitação do cativeiro. discursos de vitória. propagadas pela Revolução Francesa no final do século XVIII. entretanto. foi se alargando com o tempo. se isto é verdadeiro. por isso mesmo. As idéias de liberdade e de igualdade. Até então.. Comemorações. tinha sido uma longa história de lutas e de busca de liberdade dentro do estreito campo da escravidão . folia como não poderia deixar de ser. como a Conjuração Baiana de 1798. Desde o final do século XVIII. a ordem social na Europa. O sonho fora alimentado e tornado possível.. Mas. 0 Revogam-se as disposições em contrário. a chamada Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. novas idéias surgiram.

em 1835. O preço dos escravos aumentou. A U L A 17 Para inglês ver Desde o reinado de D. E. Com a proibição do tráfico em 1850. As notícias de rebeliões negras em outros países. Uma das importantes rebeliões desse período foi a Revolta dos Malês . um novo colonialismo surgiria em breve na África e na Ásia. nenhum desses compromissos foi cumprido. barateado pelo trabalho escravo. A Inglaterra tornara-se o primeiro país industrializado no mundo (Revolução Industrial). organizadas por escravos e ex-escravos. a maior potência da época. também não interessava a concorrência do açúcar brasileiro. Em 1831. Com a industrialização. Assim. junto com outros negros e mulatos livres. Bahia. já que nas colônias inglesas produtoras de açúcar havia sido extinta a escravidão. João VI. As forças políticas no Brasil. em 1850. o jovem Império do Brasil chegou a assinar uma lei tornando esse tráfico ilegal. No entanto. como se dizia. e as proibições não saíram do papel.A Inglaterra combate o tráfico Mas. além das idéias. que procuravam navios negreiros pelo oceano Atlântico. “para inglês ver” (quer dizer: eram só para iludir os ingleses). o Brasil vinha se comprometendo com os ingleses a interromper o tráfico de escravos pelo oceano Atlântico. interessava aos empresários ingleses manter os africanos na África. tudo isso deu novo conteúdo a essas lutas durante o século XIX. representadas pelos fazendeiros escravistas. As primeiras décadas desse século foram marcadas por uma série de rebeliões negras no Brasil. Apesar disso. Tais revoltas encontravam um cenário perfeito nas cidades. impediam qualquer medida mais efetiva em direção à abolição. O tráfico continuava e a escravidão também. Todas essas razões levaram a Inglaterra. a situação agravou-se. reunidos em torno de laços de origem na África e por ligações religiosas. Os interesses escravistas no Brasil do século XIX ainda conseguiam justificar a escravidão em nome do direito de propriedade . mesmo com as pressões inglesas e a fiscalização feita por patrulhas marítimas. as muitas pressões sobre o governo brasileiro acabaram por levar à proibição de fato do tráfico de escravos para o Brasil. a combater com persistência o tráfico de escravos. tornava cada vez mais difícil o controle sobre a população cativa. trabalhando para suas empresas de exploração agrícola naquele continente. Eram. o quadro internacional de combate ao tráfico negreiro. as idéias de liberdade e de igualdade que passaram a circular. a luta para conquistar maiores espaços de liberdade era constante por parte dos escravos. mas foi ficando cada vez mais difícil arranjar justificativas para o tráfico de escravos (que significava escravizar um africano nascido livre). por exemplo. e esse mundo jamais seria o mesmo. Na primeira metade do século XIX. havia grandes interesses internacionais mudando o quadro externo. As ações dos escravos No Brasil escravista. os pequenos proprietários passaram a vender seus . na cidade de Salvador. onde a presença de escravos ganhando a vida nas ruas.

a longo prazo. organizaram-se em sociedades. No entanto. Foi a onda negra do Brasil no século XIX. em manifestações que visavam comover a população e atraí-la para a causa. diminuindo o apoio da sociedade à escravidão. sendo retirados de um ambiente no qual muitas vezes já tinham estabelecido relações pessoais e familiares. Ser moderno significava parecer-se mais com a Inglaterra ou com a França (países com industrialização em marcha acelerada). .A U L A 17 cativos para os cafeicultores da região Sudeste. criando um clima de insegurança e desordem. A maioria dessas vozes era de intelectuais brasileiros que escreveram livros e fizeram discursos aconselhando o fim da escravidão. Para isso. movimentou milhares de escravos dentro do Brasil. que passava a pregar o fim imediato da escravidão. alguns escravos haviam criado regras de convivência que não eram tão marcadas pela vigilância e pela punição.fizeram com que algumas pessoas mudassem sua forma de pensar. sem esperar mais. O tráfico interno de escravos. e cuidadoso. Ao longo daquele século. as mudanças externas e internas no país . Na década de 1870. das comunicações e a prosperidade da lavoura do café . apontavam para um final gradual. grupos pró-abolição. O movimento abolicionista Desde o começo do século XIX. associações. surgia o movimento abolicionista. ter acesso à tecnologia da época. Nas novas áreas cafeeiras. Esses escravos não aceitaram facilmente as novas condições impostas a eles nas fazendas de café. algumas vozes protestavam contra a escravidão no Brasil. teve início uma onda de atos de rebeldia e insubordinação por parte dos escravos. horrorizado com os açoites que ainda eram aplicados aos escravos. para não gerar nenhuma revolta nem desordem. adeptas de uma opção mais moderna para o país do seu tempo. também chamado de tráfico interprovincial . Esses grupos faziam propaganda nas ruas. livre. a melhoria dos transportes. A subida dos preços da mão-deobra escrava levou também a uma situação em que menos senhores podiam possuir escravos. À custa de muita luta e negociação. especialmente após 1850. adotar o trabalho assalariado. Esta gravura da época mostra um soldado negro. Essa movimentação teve conseqüências dramáticas para muitos escravos que foram separados das famílias que haviam formado.que trouxeram o crescimento urbano.

CON- TINUAR A CONSIDERAR O ESCRAVO UM ANIMAL COMO QUALQUER OUTRO E SUJEITO A SER COMPRADO.O movimento abolicionista cresceu e ganhou adeptos. se juntavam às vozes que reivindicavam a abolição. setores dominantes da sociedade brasileira tinham sua riqueza assentada no trabalho escravo. como tentativa de manter o controle da situação. dando estímulo para que fossem contratados como assalariados pelos fazendeiros. Mesmo assim. E tanto o Estado português. PODEM. desde a primeira metade do século XIX. políticos. os próprios fazendeiros paulistas começaram a conceder alforrias em massa. Poetas. É O QUE LHES GARANTE O MEU PROJETO. Não havia mais capitãesdo-mato que chegassem. Rio. para impedir a deserção ou para legalizar a situação dos escravos que já os haviam abandonado. as deserções em massa e as alforrias coletivas. Além disso. antes da Independência. na esperança de receber uma indenização pela “propriedade” que lhes escapava das mãos. como os governantes do Império do Brasil. De São Paulo. escritores. Em São Paulo.LHE UM VALOR. Recife. concentravam-se os cativos comprados no tráfico interprovincial. com os seguintes dizeres: QUADROS DA ATUALIDADE! O MINISTROFAZENDEIRO. ainda se opunham às alforrias. que faz crítica à Lei de 1885. SENDO EU LAVRADOR. Apenas uns poucos fazendeiros. Salvador e. as transformações que marcaram a vida política e econômica do país e o quadro internacional levaram o governo brasileiro a abolir o tráfico negreiro em 1850. jornalistas. advogados. Em 1887. a partir de 1880. NÃO PODIA DEIXAR DE TRANQÜILIZAR A LAVOURA. passaram a organizar e a apoiar as deserções em massa dos escravos. EXPLICANDO O PROJETO AOS LAVRADORES: VOCÊS COMPREENDEM QUE. Em São Paulo.. GARANTINDO A PROPRIEDADE ESCRAVA E FIXANDO. . ETC. POIS. A U L A 17 Ilustração abolicionista. Até o Exército recusou-se a reprimir os escravos que desertavam. em quase todas as maiores cidades do Brasil. área mais nova e próspera da expansão cafeeira. como os Caifazes em São Paulo. Ao mesmo tempo. foram criados clubes e associações abolicionistas. espalharam-se para as outras províncias cafeeiras (Rio de Janeiro e Minas Gerais). precisavam do apoio desses setores. enfrentava inúmeras rebeliões e ações de protesto dos escravos. apesar do voto contrário das províncias cafeeiras. em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. VENDIDO Alguns grupos mais radicais. As ações do poder público Há muito tempo o governo vinha sendo pressionado do ponto de vista internacional. que viam suas propriedades se esvaziando. após a Independência. PELO MENOS NESTES DEZ ANOS.

Mas quem era esse povo brasileiro? Quais os seus direitos? O que significava. cresceram as alforrias e o movimento abolicionista. especialmente em São Paulo e no Sul do Brasil. Será delas que trataremos na segunda parte do nosso curso. Apesar da pressão dos últimos senhores de escravos. em 1885. os últimos cativos se misturaram à imensa maioria de descendentes de africanos que já formava a população livre do país. Releia As ações dos escravos e identifique dois tipos de ação dos escravos que contribuíram para desestabilizar a escravidão no século XIX. O tempo não pára Nada além de liberdade foi concedido aos ex-escravos. não mais havia escravos de fato no Império do Brasil. a ordem escravista. a partir de 1850. Essa lei tornava livres todos os filhos de escravos nascidos daquela data em diante. 5. Para conter essa pressão. 6. As deserções em massa. Releia O quadro internacional e identifique os motivos que levaram a Inglaterra a pressionar o Brasil a abolir a escravidão. japoneses. estamos respondendo em nosso país. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. com uma rapidez impressionante. que libertava os escravos com mais de 60 anos e estabelecia um prazo de treze anos para que o governo libertasse todos os escravos. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. . explique. indenizando seus proprietários. Diante da liberdade.A U L A 17 Foi também com o voto contrário de todos os representantes das províncias cafeeiras (Rio de Janeiro. a partir de 1887. entre outros. Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. em 1871. italianos. 2. em crise desde a metade do século XIX. Minas Gerais e São Paulo) que o Congresso Imperial aprovou a Lei do Ventre Livre . na prática. com as suas palavras. Relendo esse mesmo item. Agora. alemães. entretanto. Releia O movimento abolicionista e explique por que alguns fazendeiros paulistas começaram a conceder alforrias em 1887. todos os brasileiros eram livres e. ainda hoje. o governo aprovou a Lei dos Sexagenários. portanto. mudaram os rumos do processo. 1. Com a abolição. espanhóis. A partir de então. Quando foi assinada a Lei Áurea. 4. A eles viriam se somar milhares de imigrantes estrangeiros: portugueses. Dê um outro título a esta aula. Releia As ações do poder público e identifique as medidas tomadas pelo governo brasileiro que. 3. finalmente terminava. o que esse texto chama de onda negra . E. em 13 de maio de 1888. abriam-se novas possibilidades não apenas para os libertos mas também para um país chamado Brasil. não se indenizou a perda da propriedade escrava. cidadãos pela Constituição Imperial. prepararam a abolição. essa cidadania? Essas são questões que a liberdade colocava e que.

Fui ver pretos na cidade Que quisessem se alugar. Neste pequeno trecho de seu livro O Abolicionismo . nem criou entre as raças o ódio recíproco que existe naturalmente entre opressores e oprimidos. O branco que vá pro eito.Fazendo a História 1. por felicidade nossa.) O homem de cor achou todas as avenidas abertas diante de si. Agora responda: Por que o autor do texto lamenta o fim da escravidão? 2. falando coletivamente. Não sei o que será de nós. não há mais não: Nós tudo hoje é cidadão. O texto abaixo foi escrito por um líder do movimento abolicionista no Brasil. Leia com atenção! Ela mostra bem o ponto de vista de um ex-senhor de escravos sobre as deserções de seus escravos.. e um deles. em março de 1888 (dois meses antes da Lei Áurea).” Agora responda: a) Você concorda com a visão de Joaquim Nabuco. não azedou nunca a alma do escravo contra o senhor. sobre a relação entre senhores e escravos no Brasil? b) Após a abolição. feio. Respondeu-me arfando o peito Negro. parente.. “A escravidão. então. Sabe de uma coisa. leia mais uma vez. cambaio. na década de 1880. (. “Bandalheira! Cachorrada! Acabar com a escravidão! Já parece caçoada ou forte especulação! Eu sou emancipador Mas não sou conspirador Nem também senhor feroz. veja no dicionário e. encontrada nesse trecho. querem trabalhar? Olharam-me de soslaio. às vésperas da abolição. o autor expressa sua opinião sobre a escravidão no Brasil. situada ao norte do atual Estado do Rio de Janeiro.” A U L A 17 Se você não entendeu alguma palavra da poesia. A poesia que você vai ler a seguir saiu publicada num jornal da cidade de Campos. Estamos sem nossa gente. Joaquim Nabuco. Falei com esta humildade: Negros. o negro encontrou “todas as avenidas abertas diante de si”? 6 .

quais os conflitos que se estabeleceram entre eles. . O federalismo era colocado como um princípio natural. que reuniu intelectuais e políticos de diversas províncias e fez surgir inúmeros partidos republicanos . Nesta aula O O Manifesto Republicano Corria o ano de 1870 quando os republicanos publicaram o seu Manifesto. acompanhando e respeitando as próprias divisões criadas pela natureza física e impostas pela imensa superfície do nosso território ” (Manifesto Republicano). as cordilheiras e as águas estavam indicando a necessidade de modelar a administração e o governo local. especialmente a partir de 1840. as zonas diversas em que ela se divide. O Império era escravista e tinha uma sociedade rigidamente hierarquizada.organizados por província. dois elementos unificavam as posturas que se juntaram no Manifesto de 1870: a idéia de federação e a idéia progresso. Teria a República ampliado a participação política? Nesta aula vamos procurar compreender quais os projetos políticos que se apresentaram a partir do final do Império e durante o período inicial da República. Ao mesmo tempo. Outros movimentos questionavam a ordem monárquica e propunham outras formas de governo. Apesar das várias tendências presentes no movimento republicano.A UA U L A L A MÓDULO 5 18 18 Da Monarquia à República s anos finais do Império não foram marcados apenas pelas discussões abolicionistas ou pelas constantes rebeliões de escravos. na qual a maioria da população era excluída das decisões políticas.os PRs . os republicanos identificavam a Monarquia com o atraso econômico do país e defendiam a República como o regime do progresso progresso. E essa excessiva centralização não conseguira resolver os constantes problemas regionais. de progresso O princípio da federação estabelecia que cada província deveria escolher seu próprio governo e decidir sobre ele. já que “a topografia do nosso território. que apareciam sob forma de motins ou rebeliões. e qual foi o projeto vencedor. os climas vários e as produções diferentes. Uma das críticas do Manifesto à monarquia era justamente a excessiva centralização política do Império.

Desde a metade do século XIX. Além dos estudantes e profissionais liberais. cujo porto era. o mais movimentado do país. e aumentou o movimento financeiro e comercial.propunha a implantação pacífica da República. São Paulo tornara-se a mais próspera região cafeeira do Império. o movimento republicano pode ser dividido basicamente entre dois grupos de idéias. foram instaladas indústrias de tecidos. especialmente os oficiais do Exército.liderado por Quintino Bocaiúva. de metalurgia e de construção naval. que consideravam sua corporação desprestigiada pela Monarquia. modernizaram-se os processos de beneficiamento do açúcar e do café. as cidades vinham crescendo. A partir do Manifesto. mas suas idéias foram consideradas radicais e combatidas pela direção do Partido Republicano. após a proclamação da república. como queriam fazer crer os republicanos. composto basicamente pelos cafeicultores paulistas. impulsionadas pela expansão da lavoura do café. . de calçados. os grandes proprietários paulistas ligados ao café também apoiavam o movimento. então. Terceiro Reinado? Os anos finais do Império foram uma tentativa de promover reformas evitando que a Monarquia fosse identificada com o atraso. especialmente na Corte.liderado por Silva Jardim . os clubes e os partidos republicanos (que se multiplicaram).O Manifesto ganhou muitos adeptos: a imprensa. seria possível chegar progressivamente ao regime republicano. sendo a base do Partido Republicano Paulista (PRP) uma das mais atuantes. de alimentos. principal redator do Manifesto . Um segundo grupo . A U L A 18 Deodoro da Fonseca é homenageado pela população do Rio de Janeiro. Esse grupo. O primeiro grupo . acreditava que.desejava uma revolução popular que instaurasse o novo regime. de chapéus. ou seja na cidade do Rio de Janeiro. por meio de reformas no regime imperial. As ferrovias substituíram o transporte feito por carros de bois e por barcaças. mas a rigidez e a centralização da Monarquia impediam que seus interesses predominassem politicamente. Também os militares engrossavam a fila dos republicanos.

Era preciso realçar a modernidade do Império e promover reformas. que defendiam o federalismo e uma economia liberal com restrições à participação política popular. um novo gabinete. O novo ministério propôs que municípios e províncias fossem autônomos. O que hoje basta. havia conseguido o apoio popular com a abolição da escravidão. o Visconde de Ouro Preto colocou para o Imperador a necessidade de mudanças que demonstrassem “que o atual governo tem elasticidade bastante ” e que era possível evitar o pior “empreendendo com ousadia e firmeza largas reformas na ordem política. a idéia de república (do latim res publica = coisa pública). estava associada a essas expectativas. a liberdade e o desenvolvimento. votar e ser votado). amanhã talvez seja pouco ”. articulado por civis e militares na casa do marechal Deodoro da Fonseca. que o crédito aumentasse e a produção fosse estimulada. Em julho de 1889. Aristides Lobo definiu como inexistente a participação do povo na proclamação da república. . apesar de tudo. pois haviam perdido o grosso de seu investimento . o primeiro presidente da república. os militares sentiam-se desprestigiados por um regime que sempre privilegiara os civis. fazendeiros politicamente influentes sentiam-se prejudicados pela abolição. Reformas que não devem ser adiadas para não se tornarem improfícuas [inúteis]. Preocupado. por exemplo). atônito. foi proclamada a República por um golpe militar contra a Monarquia. então. inspiradas na escola democrática. Tradicionalmente. mas não necessitavam de direitos políticos (participar politicamente. Desse modo. aqueles que iniciaram o movimento de 1870. sem conhecer o que significava. social e econômica. Alguns grupos civis e certas lideranças militares defendiam a noção de cidadania proposta pela doutrina positivista. No entanto. A propaganda republicana espalhava-se pelo país. os adeptos do positivismo é que deveriam formar o governo em nome do progresso e da verdadeira ciência. Quais as mudanças que a República trouxe? Quais as expectativas que vinham com ela? Em primeiro lugar. Nem mesmo a abolição parecia salvar a Monarquia da crise que surgiu a partir dos diversos impasses com os mais fortes setores sociais. cresciam os conflitos e as insatisfações na sociedade brasileira.os escravos . para a qual os cidadãos tinham direitos civis e sociais (como o direito a aposentadoria. A República Em 15 de novembro de 1889. Neste caso. Em carta ao jornal Diário Popular de São Paulo. As reformas foram propostas mas não se realizaram. surpreso. e os radicais. Muitos acreditavam sinceramente estar vendo uma parada”. Mas como os republicanos no Brasil entendiam a cidadania? Os republicanos históricos.A U L A 18 A escravidão fora abolida. ou seja. que seria. apenas entre os populares ela ainda encontrava apoio. o movimento republicano foi se expandindo e ganhando adeptos suficientes para fazer esquecer a idéia de um 3º Reinado e derrubar um governo que. chefiado pelo Visconde de Ouro Preto.sem nenhuma indenização. a expectativa de ampliar a cidadania. ele dizia que “o povo assistiu àquilo bestializado. dividiam-se entre liberais conservadores. Chefes políticos locais desejavam ver-se livres da centralização imposta pela Monarquia. que o Senado deixasse de ser vitalício. assumiu o governo. que defendiam uma maior participação popular.

De acordo com a nova Constituição. que se alistassem . maiores de 21 anos. Agora. A U L A 18 Os ideais republicanos permanecem até hoje na nossa bandeira. com o lema: “ ORDEM E PROGRESS O ” . agora o poder executivo da União era exercido por um presidente da República. PROGRESSO O país. da autonomia dos estados. no qual o poder executivo era exercido por um primeiro-ministro. Mas o voto não era secreto. o número de eleitores continuou. no entanto. A nova Constituição estabeleceu também o presidencialismo. que poderiam eleger diretamente seus próprios governantes e estabelecer suas próprias leis. nem um dever do Estado. . para aqueles que detinham a cidadania política.Uma terceira concepção de cidadania defendia a intervenção de todos os cidadãos nos negócios públicos por meio da formação de partidos políticos. desde que fosse respeitada a Constituição Federal. fazer respeitar o resultado das urnas. Ao contrário do tempo do parlamentarismo imperial. Ela estabeleceu o princípio do federalismo. a educação básica não era um direito dos cidadãos. pois todos os governantes eram eleitos pela população. principalmente. O direito de voto era universal para os homens. O Poder Moderador foi extinto. e não era nada fácil. Esse foi o caso. A ordem oligárquica Os primeiros governos republicanos. de fato. importantes restrições à participação política popular. alfabetizados. tão restrito quanto no tempo do Império. Assim. e as mulheres e os analfabetos não votavam. dos partidos socialistas que tentaram se organizar na primeira década republicana. portanto. Mantiveram-se. ou seja. muito pouco fizeram para ampliar ou estimular a participação política da população. não era obrigatório. As fraudes tornaramse comuns. eleito diretamente pela população. em geral. indicado pelo Imperador entre os políticos do partido mais votado no parlamento. assim como a vitaliciedade dos senadores. que passavam a ser votados como os deputados federais. o país possuía um sistema político mais descentralizado e mais representativo. A primeira Constituição da República foi promulgada em 1891 por uma Assembléia Nacional Constituinte eleita para esse fim. modificara-se a partir do novo texto constitucional.

a partir do controle político do eleitorado rural. paulistas e mineiros ligados ao setor exportador). sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. numa troca de interesses entre as oligarquias locais e o governo federal. Para aqueles que estavam na liderança econômica do país (isto é. poucas vezes houve mais de um candidato à presidência. que defendia seus interesses e lhes garantia autonomia nos negócios estaduais. Durante o governo do marechal Floriano Peixoto. Mas os militares nem sempre estiveram de acordo com os republicanos civis ou mesmo em acordo entre suas diferentes armas. fortalecendo os estados. era preciso conter a influência política dos grupos localizados na capital. no interior de um único partido republicano (os partidos republicanos estaduais). assim. Definiam-se. Releia Terceiro Reinado? e responda: qual foi a reação do Império a essas críticas? 2. 6 O tempo não pára Dessa forma. Os coronéis . Quando isso ocorreu. Desse modo.chefes políticos nos municípios . São Paulo e Minas Gerais vão dominar a política nacional. Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula.garantiam apoio ao candidato oficial nas eleições estaduais e federais e recebiam autonomia nas decisões do próprio município. as oligarquias estaduais (grupos que controlavam o poder político nos estados).com maior acesso à alfabetização e com diversos grupos de oposição . no vocabulário da Unidade ou no dicionário. neutralizavam-se também as multidões urbanas e os grupos de oposição civis e militares. Por meio de uma política de compromissos com as forças políticas estaduais e municipais. caracterizando o que ficou conhecido como Política dos Governadores. especialmente a da capital . positivistas) em constante atividade. que deixou a capital sitiada durante algum tempo. Os grupos dominantes dos estados apoiavam o presidente. como veremos principalmente no próximo módulo.A U L A 18 Havia a população das cidades. A solução encontrada pelo presidente Campos Sales (1898/1902) foi neutralizar a capital. oficiais da Marinha (monarquistas) fizeram um levante conhecido como Revolta da Armada. quase sempre. os conflitos no interior dos estados tinham de resolver-se sem intervenção federal e. as cidades (e também os militares) voltaram à cena. que passaram a ter maior ou menor influência no governo central de acordo com sua força política. 1. que ocuparam os primeiros governos republicanos: Deodoro da Fonseca (1889/1892) e Floriano Peixoto (1892/1894). não apenas a dos setores populares mas também a dos grupos de oposição civil e militar. Por todo o período que ficou conhecido como Primeira República (1889/1930). A República precisava construir um novo pacto social que garantisse a ordem e a estabilidade do novo regime.o Rio de Janeiro . Havia os militares. . (monarquistas. assim. O funcionamento da política mencionada por Campos Sales baseava-se. Releia O Manifesto Republicano e retire trechos que mostrem as críticas dos republicanos à monarquia.

TÍTULO III DO MUNICÍPIO Art. como podemos participar das decisões do país? Dê exemplos recentes. 2. excetuando os alunos das escolas militares de ensino superior (. maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei. municípios e União. Segundo a Constituição de 1891. 68 .. as praças de pré. em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse.3. a fim de melhor entender as leis que regeram o Brasil durante a Primeira República. 63 .Cada estado reger-se-á pela Constituição e pelas leis que adotar. os analfabetos. Como deveria se dar a relação entre estados. os mendigos. a quem era reconhecido o direito de ser eleitor brasileiro? A quem era negado o direito de participar das eleições federais ou estaduais? A República conseguiu atender às expectativas de participação popular? Por quê? Hoje. Dê um novo título a esta aula. respeitados os princípios constitucionais da União (Poder Central). aprovada logo após a proclamação da República.Os estados organizar-se-ão de forma que fique assegurada a autonomia dos municípios.Não podem se alistar eleitores para as eleições federais ou para os estados: 1. de acordo com a Constituição de 1891? (consulte os Títulos II e III da Constituição). Parágrafo 1 . 18 5.São eleitores os cidadãos do sexo masculino. Leia o documento com atenção. TÍTULO IV DOS CIDADÃOS BRASILEIROS Art. Releia A República e explique a frase: “Era agora um país com um sistema político mais descentralizado e mais representativo”. 70 .) Agora responda: 1. 5. 6 . A U L A 4. Releia A o rdem o ligárquic a e explique por que este período da nossa história (1889/1930) ficou conhecido como República Oligárquica.. 3. TÍTULO II DOS ESTADOS Art. 3. 2. Fazendo a História Reproduzimos abaixo trechos da Constituição Brasileira de 1889. 4.

Na Primeira República. Tais figuras disputavam permanentemente o poder.A UA U L A L A MÓDULO 6 19 19 Coronelismo e mundo rural primeira República foi chamada de República dos Fazendeiros ou República dos Coronéis . com a República o coronel passou a ter outro papel dentro do novo sistema político.o “coroné” . as eleições tinham muito pouca importância. Em 1831. Os coronéis da Guarda Nacional. a exemplo de Ramiro Bastos (Gabriela).atribuída espontaneamente pela população àquele que parecia deter em suas mãos grande parcela do poder político e econômico. era o controle político do eleitorado rural que definia a composição e a força das oligarquias estaduais . figuras presentes na vida social brasileira deste século e nos ajudam a entender um pouco mais as características de nossa vida política. pessoas influentes. vamos procurar responder à seguinte questão: por que era tão forte o poder dos coronéis ? Nesta aula A Da Monarquia à República O poder político das oligarquias estaduais tornou-se uma das principais características das primeiras décadas republicanas. com muitas terras e escravos. o governo da Regência criou a Guarda Nacional . Se as raízes do coronelismo foram sedimentadas no Império. em certas regiões (mesmo que de forma pouco expressiva). Odorico Paraguaçu (O Bem-Amado) ou Sinhozinho Malta (Roque Santeiro). O Imperador. continuaram com essa denominação . No combate à onda de revoltas. O voto passava a ter um novo significado. . ao escolher o partido político que comporia o gabinete. Essas personagens foram e ainda são. para enfrentar as diversas rebeliões que explodiam em algumas regiões do país e manter a ordem pública. decidia também que grupo local venceria as eleições. Seus oficiais eram os fazendeiros. extinta em 1918. aqueles que a polulação via como os ricos e poderosos. que se originaram na época do Império. No Império. Nesta aula. Como parte integrante dessas oligarquias estavam os coronéis. entrando em conflito com os velhos e poderosos chefes políticos da região e a quase sempre jovem oposição. Coronéis como os poderosos chefes regionais das telenovelas. deu aos poderosos de cada localidade do país uma patente militar e uma missão: formar um “exército” de homens para enfrentar os revoltosos. Em outras palavras.

cabia dar carta branca ao chefe local governista em todos os assuntos relativos ao município. Para ganhar eleições. organizar a massa. escolas. Tinham o papel de formar um grande “curral” eleitoral. Alcançou seu auge de influência no período que se estende da presidência de Campos Sales às vésperas da Revolução de 1930. antes de tudo. providências médicas ou hospitalares. eram pagos para alistar eleitores.Durante a Primeira República (1889 . educação de crianças. Mas era. homens que. Da parte do governo estadual. era preciso ter votos. eram convocados para resolver questões diversas referentes a limites de propriedades. pagamentos atrasados. Vistos pela própria população como intermediários nas suas relações com o Estado. Havia os coronéis cuja base de poder estava nas atividades comerciais. A U L A 19 O presidente Campos Sales governou com muita oposição à sua política econômica. na condição de intermediários entre o coronel e a população. principalmente na esfera municipal. inclusive na nomeação de funcionários estaduais do local. em diversas regiões rurais do Brasil. Surgiram assim os “cabos” eleitorais. o poder dos coronéis esteve associado à força eleitoral que eles desempenhavam. industriais e até no exercício de algumas profissões liberais. Em geral. heranças. Coronelismo: compromisso político e relações sociais O coronel nem sempre era um grande fazendeiro. . contratação de advogados.1930).. Era nesse campo que se estabeleciam as relações sociais que teceram o cotidiano na vida do coronel e da gente das pequenas cidades. mantendo-se em forma para os pleitos. poder esse que se reveleva na competência para garantir eleições favoráveis aos grupos situacionistas e fornecer benefícios à sua clientela. no qual os candidatos do coronel ou por ele indicados recebiam uma enxurrada de votos. socorro nas situações de calamidade (a exemplo das secas no Nordeste) e proteção contra os inimigos (como os cangaceiros). um chefe político de reconhecido poder econômico e prestígio junto ao governo estadual. os coronéis buscavam uma relação firme e segura como seus protetores por intermédio da obtenção de empregos. Tinham ainda considerável influência na indicação de seus protegidos para cargos públicos.

pela foice e pelo laço de couro: trabalhadores das estâncias do sul. tão empregados e usuais quanto os favores e benefícios. Muitos eram trabalhadores rurais. havia a opressão e a violência. sobretudo econômicos. o coronelismo pode ser definido como um sistema de troca eleitoral − de um lado. foram personagens da vida política brasileira que não desapareceram por completo após os anos 30. da troca. sem legislação previdenciária e obrigados a entregar ao proprietário quase a totalidade do fruto do seu trabalho. o voto seguro e controlado. entre outros. Assim. 6 O tempo não pára Os coronéis. sem dúvida. instaurado em 1889 e organizado politicamente na Constituição de 1891. das plantações de cacau e tabaco. ao mesmo tempo que permitiu a criação de mecanismos que favoreceram uma maior descentralização do poder. compunham o cenário social pequenos proprietários das zonas rurais e habitantes das pequenas cidades de fisionomia basicamente rural. Era o “voto de cabresto”. de outro. proteção e favores. que cuidavam do rebanho. Eram as chamadas eleições de clavinote . brutais e ignorantes. Sob o aspecto político. lavradores de cafezais. boiadeiros do sertão. a força das armas era acionada. uma “república de coronéis”. utilizados para captar e conservar votos. figuras rústicas. Junto a eles. encarregavam-se de “convencer” os eleitores “contrários” ou “indecisos”. Porém. como seria denominada após 1930 − não era apenas a terra dos coronéis e das oligarquias estaduais. nas quais os eleitores votavam sob as vistas do jagunço.A U L A 19 Clavinote: pequena carabina O Brasil da Primeira República − ou República Velha. O voto dos eleitores − transformado em mercadoria de troca entre os membros da sociedade daquela época − era manipulado e controlado pelos chefes da política nos estados e municípios. Em algumas situações. volantes dos seringais e castanheiras do norte. o novo regime. empregando-se as polícias particulares formadas por jagunços. não favoreceu a criação de um sistema eleitoral sem vícios e controlado pelo poder público. Amparados pela autoridade do coronel. Esse povo formava a maior parte do eleitorado. uma das marcas da vida política e social na Primeira República. o voto não era secreto. lavradores dos canaviais nordestinos. Essa foi. O mundo rural. freqüentemente vistos de maneira caricatural como fazendeiros. era também um mundo dos homens e das mulheres de mãos marcadas pela enxada. esse caráter pacífico das relações coronelísticas não era o único. cultivavam o trigo e as vinhas. Além da barganha. pelo machado. Muitos sobrevivem ainda hoje. mesmo que como figuras isoladas. Afinal. 6 .

brasileiro.. de bom pavio novo. acaba logo esquecendo-se do pouco que aprendeu. abaixo-assinado. Primeiro. também. Dê um novo título a esta aula. A começar com o alistamento. Releia Coronelismo: compromisso político e relações sociais e identifique no texto as formas que os coronéis encontraram para se afirmar como protetores da população. é rachar pau de cerca.Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. a conversa pacienciosa. 1. fácil de apagar” João Francisco de Oliveira. a gente vira pessoa. não insiste.. no dicionário e no vocabulário da Unidade. colher. Só o tempo de passar a gastura que a caneta sempre dá no principiante. convencê-los a se alistarem e ensinar tudo.. em menino. arar o chão. apanhei uma tremedeira que a mão não me pára demais quieta.. É marcar o bezerro. . Exercícios A U L A 19 2. espera. é curar bicheira. machado e foice também. Ler o quê? Escrever o quê? Mas agora é preciso: a eleição vem aí. até a copiar o requerimento. é esticar arame farpado. menos cansado. O roceiro lavou as mãos. com a escrita. Mas o cabo é jeitoso: não força. desiste: “Vai não. Fazendo a História Leia este texto com muita atenção. Caneta e lápis são ferramentas muito delicadas. os filhos também. A lida é outra: labuta pesada. Acontece. que é trabalhoso e caro: tem-se que ir atrás do eleitor. a lamparina queima a claridade dobrada. que Pé-de-Meia não quer saber de histórias: é cabo eleitoral alistador de gente. rascunhado no papel almaço a lápis fininho. e o título de eleitor rende a estima do patrão. 3. Cabo de enxada engrossa as mãos − o laço de couro cru.Vila dos Confins João Soares estava com a razão: política só se ganha com muito dinheiro.” O requerimento já está pronto. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. pago por cabeça e tem que mostrar trabalho. residente. capinar. a luta depois: “Minha vista anda que é uma barbaridade. Eleições na Roça Mário Palmério .” O novato sua.” Depois do jantar. Releia D a M o n a r q u i a à R e p ú b l i c a e identifique a origem do termo “coronel”. amaciando terreno. E quem perdeu tempo com leitura.. “Tão fácil. A mulher está perto... E de uns tempos para cá. Pé-de-Meia”. nos campos e nos currais. de sol a sol. João Francisco tenta de novo. roçar invernada..

Pelo meio do caminho. Vai guiando a bicha para cima e para baixo.. Qual.) E.A U L A 19 Repega o servicinho: “Sai da frente da luz.. Substitua a expressão em destaque nesta frase por outra que tenha o mesmo significado: “a eleição vem aí. botando coragem no povo. completando um perfeito e indiscutível requerimento de eleitor de roça. Você está implicando à toa com o ‘efe’ − a letra é facinha. pois roceiro.” Agora faça o que é pedido abaixo. deixa: o juiz não repara não. quando o caboclo é ruim de ensino. Um cabo eleitoral prático assim como o Pé-de-Meia garantia o serviço. “Não se afobe. Seu João. capriche.. E condução para muita gente. Sublinhe no texto as tarefas que cabiam ao cabo eleitoral Pé-de-Meia.. O senhor até que tem jeito − um letraço! O juiz vai gostar”. Pé-de-Meia é quem enche todo papel. mais risca bem grosso. As eleições. Eleição custa dinheiro. buscar a certidão de nascimento ou de casamento fora do município quando o caboclo nasceu fora. mas cobrava vinte mil réis por cabeça.... ô Cota. Seu João. a gente vira pessoa ” .” Péde-Meia não deixa passar o momento: “Me dá licença. minha vista não presta mesmo mais não. A fila em frente do juiz se reveza. menino: Me dá um copo d’água. Lá está ele. A pena ringe alto. (.” E pega no mãozão cascudo. 1. Mas quando o caboclo é jeitoso como João Francisco.. Besteira teimar. Pé-de-Meia prefere carregar-lhe a mão durante o serviço todo (. João Soares estava com a razão. e isso custa mais um ajutório ao Pé-de-Meia.) “Já varamos um bom eito..” E Pé-de-Meia.” O trabalho não é fácil.. Mas aos poucos João Francisco aprende a relaxar a mão. são muito diferentes daquelas de Eleições na R o ç a ? Justifique sua resposta. já dono de si.. bonito. falta o ‘de Oliveira’. 3. entrega dos títulos. cuja presença o eleitor exige para assisti-lo na hora de passar o recibo. solícito: “Pois está ficando um serviço de gente.. leva tempo. e o título de eleitor rende a estima do patrão. pesado. 2. para mostrar desembaraço. descobre que não carece de fazer tanta força. já não molha de suor o papel. vai caminhando com ela por sobre o papel...). borrando-o de propósito. E as despesas não ficavam só nisso: precisa fazer o registro dos eleitores.. Lá se vai um dinheirão! Depois bóia o pagode. João Francisco acha até de conversar. Se não decorou direito a voltinha. quando viaja carrega família toda. 6 . errando de velhaco. hoje no Brasil. Vamos descansar um pouco: ainda falta o Francisco.. (. “Este é o que é o tal de ‘gê’? Gostei dele: uma simpatia de letra. não senhor.

O café trouxe máquinas modernas. exigiu a introdução das ferrovias. As razões desse declínio foram. o processo de expansão da lavoura cafeeira ganhou um poderoso impulso e transformou essas áreas no centro dinâmico da economia brasileira. mas sobretudo divisas. Vassouras era uma das cidades cafeeiras mais importantes. a região do vale do Paraíba fluminense e paulista foi a grande produtora de café no Brasil. a onda verde dos cafezais chegou ao oeste paulista e à Zona da Mata de Minas Gerais. Penetrando pelo vale do Paraíba. Inicialmente o transporte do café. a expansão cafeeira deu origem a profundas transformações nos transportes. predatória e intinerante. como os demais produtos agrícolas do país. A cultura do café. É sobre esse tema que iremos tratar nesta aula. A partir de 1870. O café era o símbolo do país no exterior. grandes negócios. . na condição de principal produto de exportação do país. Entre 1830 e 1870. ocorreu um processo inverso de decadência na produção de café no vale do Paraíba. a escassez de terras próprias para o cultivo. No Rio de Janeiro. com a implantação das primeiras estradas de ferro. ricas em madeiras.A UU AL A L 20 Expansão cafeeira e modernização urante o Segundo Reinado (1840-1889). Ao mesmo tempo. indústrias. principalmente. em 1822. o esgotamento das reservas naturais por um sistema de exploração descuidado e os métodos de desmatamento sem limites. o Brasil controlava o mercado cafeeiro mundial. o que sustentava o Império brasileiro era outro “império”: o do café. com os fazendeiros prosseguindo na derrubada de imensas florestas virgens. agora como a semente do progresso. era feito em lombo de burro. As despesas com o transporte das tropas. A nova cultura. foi assim avançando. Veio a República e o “rei café” permaneceu. Ao terminar o século XIX. que recobria os arredores da cidade do Rio de Janeiro desde o final do século XVIII. começava a avançar pelo território fluminense e paulista. o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire constatou a penetração da lavoura cafeeira no vale do rio Paraíba . Assim. bancos. a partir da seguinte pergunta: qual a importância do café para a economia brasileira na Primeira República? MÓDULO 6 20 A D Nesta aula A expansão cafeeira Percorrendo o trajeto do Rio de Janeiro até São Paulo. ferrovias. por caminhos cada vez mais distantes.

Já a expansão cafeeira em Minas Gerais e nas áreas mais novas do estado do Rio de Janeiro beneficiou-se do esvaziamento das antigas áreas cafeeiras do vale do Paraíba e contou quase sempre com famílias de trabalhadores brasileiros. em geral deduzindo as despesas feitas pelo proprietário). o sistema de trabalho adotado nos cafezais foi o colonato . em regiões de povoamento recente. a solução encontrada pelos cafeicultores paulistas foi contar com o governo para incentivar a vinda de imigrantes para o trabalho nos cafezais da região. o café − como produto de exportação − serviu de apoio à economia brasileira. O estado de São Paulo. . as ferrovias anunciavam a fronteira verde. foram criados 41 municípios. Para garantir trabalhadores para essa expansão acelerada. Compreendia uma remuneração fixa para a família de colonos pelo trato de um determinado número de cafezais.A U L A 20 Durante muito tempo. Em São Paulo. e depois o próprio governo da União. portanto. apenas na última década do século XIX. tendo em vista a supremacia dos interesses da cafeicultura paulista. A expansão cafeeira resultou. Em São Paulo e Minas Gerais. Junto delas surgiam cidades. A parceria também previa o direito da família de trabalhadores ao plantio de uma roça e à criação de pequenos animais dentro da propriedade cafeeira. No estado de São Paulo. O sistema de trabalho adotado nesses estados foi a parceria (divisão dos resultados da colheita da família do colono com o dono da terra. Já no início do século XX. sua hospedagem e a viagem que precisavam fazer em território brasileiro. também famílias japonesas viriam em grande número para a lavoura cafeeira da região. E essa remuneração variava de acordo com o número de pés de café colhidos e o direito ao plantio de uma roça e à criação de pequenos animais dentro da propriedade cafeeira. financiavam a passagem de famílias de imigrantes (especialmente italianos) para o Brasil. na ampliação das plantações e na multiplicação dos municípios.

de vestuário. No último ano da Monarquia. portanto. A condição de quase monopólio mundial. com as atividades de comercialização do café. permitia que o Estado comprasse os excedentes da produção cafeeira em caso de superprodução. de madeira e de metalurgia. de alimentos. concentrado nas áreas cafeeiras desde meados do século XIX. As origens da indústria no Brasil nos levam a uma época anterior a 1888/89 e. o crescimento urbano e industrial do país. seria repetido com freqüência durante toda a Velha República. as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo já reuniam 49% dos estabelecimentos industriais do país (33% no Rio de Janeiro e 16% em São Paulo). desde o final do século XIX. A supremacia das oligarquias de São Paulo e de Minas Gerais na política dos governadores fazia com que. Direta ou indiretamente. vieram os bancos. em especial. em 1889. O aumento populacional e a infra-estrutura urbana que se formava permitiram o surgimento de mercados locais que. Em 1907. de fato. evitando a baixa dos preços internacionais. entre os quais figuravam indústrias de tecidos. junto. que o Brasil detinha. trabalhava um número considerável de escravos. fizeram surgir inúmeras pequenas manufaturas. Essa prosperidade da economia cafeeira teve efeitos multiplicadores. se confundissem os interesses dos cafeicultores e os interesses do país. . Esse expediente. quase todas advindas do imposto de exportação. o café foi também o principal responsável pelas rendas do governo federal. Muitas empregavam máquinas e em algumas trabalhavam dezenas de trabalhadores. adotado pela primeira vez em 1906. Isso fazia da cafeicultura verdadeiramente um “negócio da China”. O comércio em expansão fez crescer as cidades e. e acabou crescendo mais que o porto do Rio de Janeiro. muitas vezes ao lado dos operários livres. tem a ver com a onda verde dos cafezais e.Crescimento industrial e urbanização Na fase republicana. Nas primeiras fábricas brasileiras. à sociedade escravista do século XIX. de produtos químicos. havia cerca de 600 estabelecimentos industriais. A U L A 20 O porto de Santos foi sendo modernizado e aparelhado para atender à exportação de bens produzidos na região Sudeste.

ocorreu a primeira expansão industrial significativa. Prósperos comerciantes também começaram a participar das atividades industriais. sobretudo de importação. luz elétrica. Muitos dos serviços de grande vulto. como vestuário. tecidos etc.. e mais máquinas e equipamentos industriais. Ao mesmo tempo em que proliferavam as manufaturas. Uma delas era a canadense Light e Power Co . principalmente. Na sua marcha. Minas Gerais e outros estados. mais poderosa que os antigos barões do açúcar. o processo de crescimento urbano e industrial brasileiro esteve. transportes urbanos e telefones. água e esgoto etc. Sem perder suas características agrárias e somente a partir dos anos 30. .A U L A 20 Na década seguinte. Em grande parte. O Brasil tornou-se uma República e o café afirmou-se como principal produto econômico do país. como os Prado e os Oliveira Penteado. o crescimento das atividades industriais ocorreu dentro de um país agrário: uma república de plantadores. Daí surgiu uma nova classe dirigente. Expandindo-se em ondas verdes. − para cuja execução tornavam-se necessárias grandes somas de dinheiro. sem dúvida. promovido em boa parte pelo próprio Estado. A ação urbanizadora do café permitiu também a modernização das grandes cidades. 1890-1899. O setor têxtil era a base da indústria nesse período. luz e energia elétrica. no Rio de Janeiro e em São Paulo. Cafeicultores de São Paulo. esgotos. como o carioca Eugênio Mariz de Oliveira. fábricas de vidro. dedicando-se a bancos.. o país viveria um processo de industrialização efetivo. O aparecimento das grandes cidades. à medida que avançava o processo de urbanização. conseguidas basicamente por meio de empréstimos externos (obtidos fora do país). chegaram ao século XX. que dirigiu a Tecelagem Votorantim em São Paulo. 6 O tempo não pára Na Primeira República. Grandes fazendeiros de café entraram para a atividade fabril. Deviam sua fortuna inicial ao comércio. As grandes indústrias da Primeira República seriam. enquanto o bonde aposentava a tropa de burros na cidade. A luz elétrica substituía o lampião a gás. aplicando nesse setor o capital excedente (que sobrava) dos lucros da comercialização do produto. Nelas surgiram bancos e ampliaram-se os portos e os serviços urbanos. pertenciam a empresas estrangeiras. os cafezais ocuparam enormes territórios no Rio de Janeiro e em São Paulo. associado aos caminhos que o café foi percorrendo na região Centro-Sul do país. exigia a realização de uma série de obras − transportes. proprietária de companhias de gás. Outros grandes capitães de indústria eram imigrantes que nunca precisaram passar pela enxada ou pela fábrica. Um slogan da época do Império dizia: “o café dará para tudo”. vestuário e tecelagens. alimentos. o café foi criando cidades e fazendo fortunas. água. ligados à infraestrutura urbana que ia se desenvolvendo. formavam-se impérios industriais. do ramo de tecidos. Passamos a importar menos produtos de consumo leve.

sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. c) identifique as duas formas de trabalho adotados na lavoura cafeeira. fizeram subir os preços a quase 80%. b) retire do texto um trecho que relacione expansão cafeeira e urbanização 3. 6 .)“ é o Brasil o país que atualmente produz 3/5 partes do total desse artigo [o café]. O aumento progressivo do consumo. 1. 1. quem eram os consumidores do café brasileiro? 2. A riqueza incontestavelmente maior em todas as classes ou a abundância do dinheiro fizeram. e por isso assumiu uma espécie de monopólio. Releia Crescimento industrial e urbanização e: a) retire do texto o trecho que trata dos investimentos cafeeiros na indústria. no vocabulário da Unidade e no dicionário.. Extraia do documento o trecho que descreve os fatores que permitiram o aumento do preço do café. e a produção de qualquer mercadoria em tais condições faz pesar a imposição sobre o consumidor. que tem de sujeitar-se aos preços dos mercados produtores. Dê um novo título a esta aula. Releia A expansão cafeeira e: a) identifique as razões do declínio da lavoura cafeeira no vale do Paraíba. entrar o café no uso doméstico da classe menos abastada e até da proletária.. a produção diminuta de quase todos os centros produtores. urbanização. e hoje pode-se considerar esse gênero como artigo de alimentação necessário para os habitantes de ambos os hemisférios. Exercícios A U L A 20 2. Segundo o documento. b) retire do texto o trecho que trata da importância das ferrovias para a expansão da lavoura cafeeira. ” Fonte: jornal A Província de São Paulo . apesar dos preços sempre crescentes. A posição de preço de café nos dois últimos anos tem sido lisonjeira. Fazendo a História Leia com atenção o texto abaixo e faça os exercícios: (.Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula.

mas não achavam importante defender os direitos políticos. que representavam os fazendeiros de café.A UA U L A L A MÓDULO 6 21 21 Panorama da República Velha . ao todo. Foram responsáveis também. Havia também os republicanos conservadores-liberais. chamadas de positivismo. Para eles. O lema positivista Ordem e Progresso . depois. como se fosse o pai de todos. inscrito na bandeira republicana. o marechal Floriano Peixoto (1891-1894). culturais e sociais. A Primeira República estende-se de 1889 a 1930. e vai de 1889 a 1894. Teve. fechou o congresso. . O marechal Deodoro da Fonseca (18891891) esteve à frente do governo provisório que se inicia com a proclamação e. Isso quer dizer que eram influenciados pelas idéias do filósofo francês Augusto Comte. parecia querer impedir as muitas opiniões sobre a nova ordem estabelecida e contestações contra ela. Eles formavam a maioria no Congresso Constituinte e influiram na Constituição republicana defendendo os interesses e privilégios dos donos de terras e dos negociantes e banqueiros. Tais idéias tinham contribuído muito para a derrubada da Monarquia e estavam bastante difundidas entre os jovens oficiais do Exército Nacional. Nesta aula N A República da Espada A fase militar é também chamada de República da Espada por ser comandada por militares. Em poucas palavras podemos dizer que os positivistas preocupavam-se em estabelecer os direitos civis e sociais. pelo nome oficial: República dos Estados Unidos do Brasil . o Governo representava a Pátria e sozinho devia proteger as famílias. conhecer seus presidentes e os principais acontecimentos políticos. Também vamos conhecer alguns dos principais intelectuais do período. É possível dividi-la em duas fases: a militar e a oligárquica. treze presidentes. como educação e saúde.Parte 1 esta aula e na seguinte vamos fazer um panorama da Primeira República. Mas foi deposto. como o voto e a organização partidária. Por causa de seu autoritarismo. o fato de terem nascido em Alagoas e uma mentalidade positivista. foi eleito pelo Congresso Constituinte. tendo assumido em seu lugar o vicepresidente. Esses dois primeiros presidentes do Brasil tinham em comum. além de serem militares. as idéias e a visão que tinham do Brasil e sua gente. Mas nem todos queriam uma República positivista.

juntando-se ali aos integrantes da Revolta da Armada . Desterro. A república oligárquica A eleição de Prudente de Morais. Contra essas rebeliões. Floriano. o direito a terras para todos. o dos republicanos radicais. liderados por Silva Jardim e Lopes Trovão. quando colunas federalistas avançaram sobre Santa Catarina. agora chamadas de estados. adeptos do positivismo e organizados no Partido Republicano Riograndense − PRR. e os liberais. Os radicais eram considerados pelos conservadores como exaltados. a partir do Rio Grande do Sul. eram unidades autônomas e podiam organizar suas próprias Constituições. o governo de Floriano agiu energicamente. Foi uma guerra sangrenta cujo ponto alto ocorreu em 1893. A U L A 21 A Revolução Federalista Como as províncias. A Revolta da Armada resultou da rivalidade entre a Marinha e o Exército. O conflito foi ocasionado pela oposição entre os republicanos históricos. consolidou o novo regime e garantiu a sucessão presidencial que levou ao poder a oligarquia cafeeira. chamado de “Marechal de Ferro”. graças ao apoio do Exército e do Partido Republicano Paulista. teve seu nome mudado para Florianópolis. além de saúde e educação fornecidas pelo Estado. produzindo. Os líderes da cafeicultua o haviam sustentado nos momentos decisivos. O almirante Custódio de Melo supunha que iria suceder a Floriano peixoto na Presidência da República. Exceção a isso foi o marechal Hermes da Fonseca. que defendiam a revogação da constituição estadual e a instauração de um governo parlamentar. do Partido Federalista. eleito para o período de 1910-1914. esses debates ganharam cores regionais. a capital de Santa Catarina. em 1894. Em sua homenagem. marcou o fim dos militares na presidência durante a Primeira República. Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil da República. que haviam ocupado a capital.Outro grupo. . idealistas e até inimigos da ordem. a chamada Revolução Federalista. pois queriam. lutava para assegurar tanto os direitos civis quanto os direitos políticos do povo. para suceder ao marechal Floriano Peixoto.

foi a Londres negociar com a Casa Rothschild um empréstimo de consolidação da dívida externa brasileira. As famílias de Campos Sales e Rodrigues Alves eram amigas. que exaltava a religiosidade do povo e preparava a volta à Monarquia. implementou a chamada “política dos governadores”. Em 1898. conhecidos como “jacobinos”. A República brasileira era dominada por diversas oligarquias estaduais. Essa política favorecia a consolidação das oligarquias regionais. ali se formou um povoado com 20 a 30 mil habitantes liderados por Antônio Conselheiro . Prudente de Morais ficou conhecido como “pacificador” por anistiar os rebeldes da Revolução Federalista e da Revolta da Armada. Para isso. escolheu para prefeito da Capital o engenheiro Francisco Pereira Passos. Uma grande cordialidade as unia. Campos Sales implementou uma das políticas financeira mais rigorosas da História da República brasileira. Os gastos das campanhas militares haviam esgotado o Tesouro. principalmente do interior. A impunidade e a fraude política marcaram esse período. A idéia era dar à cidade a aparência de uma metrópole nos moldes de capital francesa. para garantir o resultado favorável das eleições. O governo republicano enviou uma expedição de mais de oito mil homens que arrasou o arraial em 1897. no Rio de Janeiro. Em 1900 é inaugurada a primeira linha de bonde elétrico. Em 1893.A U L A 21 Oligarquia: palavra grega que significa governo de poucas pessoas. havia também a Comissão de Verificação. deixou o Palácio do Catete debaixo de manifestações públicas. ao norte do sertão da Bahia. Prudente. Os jacobinos derivaram seu nome de uma das correntes mais radicais da Revolução Francesa. Rodrigues Alves assumiu a presidência da República com um propósito: fazer do Rio de Janeiro o cartão de visitas do Brasil para atrair o capital estrangeiro. pertencentes a uma classe ou uma família. Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Rodrigues Alves (1902-1906) As sucessões presidenciais da jovem república transcorreram em clima ameno. chegava ao Brasil uma nova maravilha: o cinema. O centro da cidade sofreu uma remodelação arquitetônica e urbana inspirada em Paris. enfrentou a forte oposição dos republicanos exaltados. O povo. O voto não era secreto e a maioria dos eleitores estava sujeita à pressão dos chefes políticos. enquanto Santos Dumont encantava a cidade de Paris com seus balões tripulados. Republicano histórico. Natural de Itu (São Paulo) e representante da oligarquia cafeeira. baseado em alianças e trocas de favores políticos. um federalismo peculiar. Campos Sales (1898-1901) assumiu a presidência de um país em crise. A política dos governadores A República herdou do Império uma grande dívida externa. nascido em Guaratinguetá. Outro conflito que também abalou seu governo foi a Revolta de Canudos . porém. Além dos coronéis. Por isso. . principalmente de São Paulo. Na presidência. Antes mesmo de tomar posse. estava submetido ao coronelismo e ao banditismo. A dívida cresceu cerca de 30% entre 1890 e 1897. Também paulista.

como era chamado. Apenas para construir a Avenida Central foram demolidas 1. que se amotinou na chamada Revolta da Vacina (1904). Para isso. Sobre o ritmo acelerado da reforma urbana. que acabou dando o nome a todos os demais morros habitados pelos pobres da cidade. pois um dependia do outro: o mundo dos privilegiados e o mundo dos deserdados. que então se construía. às modernas lojas. Um dos morros mais habitados era o morro da Favela. o governo republicano estimulava a separação de dois mundos que não podiam viver separados.A U L A 21 Na modernização do Rio de Janeiro. Lima Barreto escreveu: . Os tradicionais quiosques e os cortiços freqüentados pelo povo também foram destruídos.681 habitações e quase 20 mil pessoas foram obrigadas a se deslocar para os subúrbios ou para os morros mais próximos. estava sendo erguida às custas da destruição do que já existia e da expulsão da população pobre. Para o autor. no coração da cidade. Lado a lado com a remodelação da cidade estava a ação do sanitarista Oswaldo Cruz que tentava combater as doenças contagiosas que assolavam a capital na época de verão. A inauguração da Avenida Central (atual Rio Branco) em 15 de novembro de 1905 foi um evento memorável. A campanha da vacina obrigatória foi fortemente rejeitada por parte da população. foi criada a Avenida Central. Oswaldo Cruz revolucionou a Saúde Pública combatendo a febre amarela e a varíola. ou. Lima Barreto protestou contra o projeto de modernização da cidade do Rio de Janeiro. denunciando que a cidade “moderna”. As estreitas vielas sucumbiram para dar lugar às largas avenidas. a cidade européia e a cidade indígena . Lima Barreto e a República do Avesso Conhecido como escritor “maldito” pela intensa crítica que fazia aos dirigentes do país. boa parte da velha cidade colonial foi destruída. aos cafés elegantes. nas palavras do próprio autor. Mas o “papai grande”. que já não mais podia circular livremente pelo centro da cidade. deixou o governo aclamado pelo povo.

Dê um novo título a esta aula. 1. derrubam casas. parece que essa gente está doida. 5. ..A U L A 21 “ Como isso mudou. Então. de outro lado. Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Releia A República da Espada e responda: a) por que o período que vai de 1889 a 1894 é chamado de República da Espada? b) no início da República três grupos influenciaram a nova constituição: os positivistas. com suas diversas etnias e culturas. De um lado estava o desafio de encontrar soluções para os problemas nacionais e a intenção de modernizar a cidade. Com seu trabalho de escritor. essa era uma República que se colocava acima de seu povo. e diga: a) o que o governo fez. estão doidos. a preocupação de integrar o homem do campo.. tapam as ruas. Quais as diferenças entre eles? Releia A Revolução Federalista e responda: em que consistia a política dos governadores? Releia A república oligárquica e faça uma crítica ao papel do governo quando tentou “civilizar” a cidade do Rio de Janeiro. no dicionário e no vocabulário da Unidade. procurando integrar todos os seus elementos. b) como o governo agiu. Releia Lima Barreto e a República do Avesso e explique a opinião de Lima Barreto sobre a República do seu tempo: uma República que se colocava acima de seu povo. e também aos de hoje. abrem outras. de uns tempos para cá. 4. ” Do livro: Recordações do Escrivão Isaías Caminha . 2. a fragilidade do padrão de civilização imposto pela República que se iniciava. 3. levantam outras. sem distinção racial ou social. na formação do povo brasileiro. Lima Barreto valorizava o passado e o presente da História brasileira. botam abaixo. os conservadores-liberais e os republicanos radicais. Lima Barreto conseguia mostrar aos leitores de sua época. Segundo o autor. c) o que o governo deveria ter feito. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. 6 O tempo não pára A busca de uma nação brasileira continuaria.

quando o calçado está hoje a 5$ o par. Lisboa etc. que. são chamados de violentos e perigosos! Se o sistema fosse democrático.. a polícia não expulsaria a cacetadas um sujeito da casa em que morava com a família. em mangas de camisa. pelo nariz do próximo. espera ansiosa pela terminação desse hábito selvagem e abjeto. Roma.Fazendo a História Documento 1 “ Se houvesse liberdade de expressão e respeito aos interesses da maioria da população. Documento 2 O texto abaixo foi escrito por um cronista da revista Fon-Fon . Você concorda com o autor do texto? Qual é a sua opinião sobre os hábitos da população de sua cidade? 6 .. jamais teria sido posta em prática. pág. e não a multidão. a política de Campos Sales. e apenas defendidas por uma simples camisa de meia rota. Se houvesse democracia política. e do vexame de uma súcia de cafajestes. mulheres e crianças ao desabrigo. absolutamente ninguém. o governo é que seria vigiado. A U L A 21 1.” José Carlos Pires de Moura. 31. geradora do desemprego e da carestia. enquanto uma turma de demolição botava as paredes abaixo! E quando ele e outros iguais a ele perdem a paciência e começam a espancar policiais. Quais foram eles? Explique-os. História do Brasil II . que nos impunham as sovaqueiras soadas. Se houvesse democracia.. ninguém. e desavergonhadamente. São Paulo. 1982. e há de todos os preços) pelas ruas mais centrais e limpas de uma grande cidade. tem a insolência e o despudor de vir para as ruas de Paris. em pés no chão. “ A população do Rio. a modernização do Rio de Janeiro seria planejada de forma a não lançar milhares de homens.. 2. Berlim. felizmente ama o asseio e a compostura. Marco Editorial. muito lida no início do século.. Na Europa. e enojantemente suja. O texto acima fala de dois acontecimentos da República oligárquica.” 1. na sua quase unanimidade. em pés no chão (sob o pretexto hipócrita de pobreza.

. que tentava reforçar cientificamente o preconceito racial. Uma das teorias aceitas era o chamado “darwinismo social”. Essa teoria. 4/12/1915. seja ele branco negro o índio. veremos os acontecimentos puseram fim nessa velha. como construir a nação moderna? Mas nem todos pensavam assim. as riquezas nacionais contra o domínio externo e afirmava que o brasileiro. adaptavam as teorias racistas em moda na Europa à sua compreensão do Brasil. com a necessidade de ter idéias positivas sobre a nacionalidade brasileira. pois vinha “enlatada” da Europa. Como vimos na aula passada. Para ele. é o estrangeiro desta terra. que o negro puro. se a maioria da população que não era branca. são capazes de atingir o mais alto grau de aperfeiçoamento moral. nesse caso quem era o povo brasileiro ou como formá-lo? E. (de O problema Nacional Brasileiro . (Jornal A Época . mas nem todos.A UA U L A L A MÓDULO 6 22 22 Panorama da República Velha . em todo o planeta. Os intelectuais que se deixavam levar por essas idéias achavam difícil conciliar a mestiçagem. Conheceremos mais dois intelectuais brasileiros que escreveram em defesa da nossa nacionalidade e. muito velha República. influenciados pelas teorias “científicas” da época.. atingido por qualquer outra raça (. Esses intelectuais. as diversas variedades humanas. são suceptíveis de se elevar à mais alta cultura . e o índio puro.) Alberto Torres defendia. baseado na crença da inferioridade dos não brancos. da qual nós brasileiros somos fruto. no final. por fim. servia aos interesses de dominação dos países industrializados da Europa.. Nesta aula V Alguns ainda se envergonhavam de seu povo. junto com as mercadorias importadas. Em outras palavras..) Podemos afirmar.Parte 2 amos concluir o panorama geral da República Velha iniciado na aula anterior. habitantes do nosso solo. no entender da elite e dos intelectuais a ela ligados. que nessa época haviam recolonizado extensas áreas de populações não brancas. e intelectual. Começamos pela visão que a elite tinha da população brasileira. Visão essa nada original. o Brasil deveria ser civilizado segundo os padrões europeus. não era considerada.) . ainda. Entre os mais importantes críticos do racismo destacou-se o político e jurista fluminense Alberto Torres. salvo restrita faixa de privilegiados.

declarando o seguinte: “ Eu ignorava que eras assim. Tens culpa disso? Claro que não. mas ainda és a melhor coisa desta terra. Lobato procurou reconciliar-se com o caipira.. especialmente os médicos. ” Monteiro Lobato passou a entender os problemas do homem do campo como um problema social.. está assim. És tudo isso sem tirar uma vírgula. por meio de um personagem que se tornou famoso: o caipira Jeca Tatu. e não como um problema racial. em suas primeiras obras descrevia os hábitos da população rural. afirmando que o Jeca não é assim.A U L A 22 Monteiro Lobato criou uma infinidade de personagens em seus livros. abraçaram a causa do saneamento como bandeira de salvação nacional. É essa bicharada cruel que te faz papudo. Mas os imigrantes continuaram a ser bem recebidos: no seu governo entraram os primeiros japoneses e milhares de sírio-libaneses. por motivo de doenças tremendas. A partir de então. sacramenta o acordo das oligarquias de Minas Gerais e de São Paulo. Na Presidência. Monteiro Lobato explicava a situação miserável do caipira. molenga. inerte. a partir de 1918. Mas Jeca Tatu destacou-se por ser o retrato do homem do campo no Brasil. E. ele se tornou um dos maiores defensores de uma política de saúde para as áreas rurais. A política do café-com-leite O governo do presidente Afondo Pena (1906-1909). Está provado que tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico da pior espécie. dificultando a entrada de produtos estrangeiros. Imortalizado na literatura infantil pelos personagens do Sítio do Picapau Amarelo . com a publicação de um novo livro. junto com ele. o autor valoriza o caipira. pois o Jeca Tatu só obedecia a uma lei. mineiro de Santa Bárbara. Com a chamada política do café-com-leite . por sua ignorância e preguiça. Antes de ser presidente da República. outros intelectuais. feio. Monteiro Lobato foi outro importante intelectual brasileiro a defender sua gente. os dois estados apoiavam um único candidato à Presidência. Afondo Pena governou o estado de Minas Gerais e deu início à construção de Belo Horizonte. a lei do menor esforço. Nesse livro. Entre 1910 e 1915. No entanto. elevou as taxas de importação. meu caro Jeca. . Urupês. a fim de incentivar os negócios e a indústria nacional.

com aprovação do Congresso Nacional. os governadores de São Paulo. mas houve intensa participação popular. mantinha-se o preço e garantia-se os lucros da oligarquia cafeeira que. em Haia (Holanda). do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. o delegado brasileiro Rui Barbosa destaca-se como um dos sete sábios. defendendo a adoção do arbitramento nos conflitos internacionais e a igualdade das nações na Corte de Arbitramento. controlava os destinos do país. Santos Dumont fez voar o seu 14-Bis. Uma crise política. que apoiavam Rui Barbosa. desgastou o presidente Afonso Pena e contribuiu para a sua morte. O princípio do arbitramento. e os “hermistas”. Com essas medidas. já utilizado pelo Brasil em diversas ocasiões. para completar o mandato. na Conferência da Paz. Em 1906 . sob o lema “paz e amor”. na Praia Vermelha (Rio de Janeiro). Para solucionar o problema. tomadas no que ficou conhecido como Convênio de Taubaté . como todas as outras. que apoiavam o Hermes da Fonseca. iniciada com a rejeição ao nome que ele indicou para ser seu sucessor. No entanto. Nilo Peçanha (1909-1910). com o objetivo de atrair turistas e capitais estrangeiros para o país. Era o 14-Bis. Pela primeira vez. o preço estava baixo demais. Um grande duelo político se travou entre os “civilistas”. foi atacado pelos partidários dos dois candidatos à presidência da República: o marechal Hermes da Fonseca e Rui Barbosa. . evita a guerra quando dois países disputam alguma coisa. França) com um aparelho mais pesado que o ar. Rui Barbosa Em 1907. por causa dessa superprodução. afinal. dois brasileiros colocaram o Brasil em evidência: Santos Dumont e Rui Barbosa. tomaram empréstimos no exterior para comprar e estocar café. natural de Campos (Rio de Janeiro). O vice-presidente assumiu a Presidência por dezessete meses. Alberto Santos Dumont causou espanto e admiração ao voar em torno da Torre Eiffel (Paris. o Brasil viveu o clima de uma campanha eleitoral. A principal iniciativa do seu governo foi a criação do Serviço Nacional de Proteção ao Índio sob a direção de Cândido Rondon. O Convênio de Taubaté (1906) A produção de café havia aumentado muito e. o primeiro avião inventado. pois esses países submetem-se à decisão dos árbitros escolhidos por eles mesmos. em 1909. tentou fazer um governo equilibrado.A U L A 22 O grande acontecimento de governo foi a Exposição Nacional de 1908. No plano internacional. As eleições foram fraudadas. em 1906.

na tentativa de derrubar oligarquias regionais que não apoiavam o poder central. para depois serem fuzilados e deportados. fazendo contato com indígenas. inicialmente. . casou-se. às vésperas do carnaval. Graças ao marechal. região influenciada pelo Padre Cícero. teve grande destaque o senador Pinheiro Machado. recebeu um rancho carnavalesco no palácio do Catete. Como o Visconde do Rio Branco morreu em fevereiro. determinando a transferência do carnaval para abril. de 28. amigo do presidente. em 1912 o povo brincou dois carnavais. o que resultou na fundação do Serviço Nacional de Proteção ao Índio. considerada muito indecente. Contudo. com Nair de Teffé. E foi um completo fracasso a chamada política das salvações . foram atendidos e anistiados. que gostava das coisas brasileiras. os camponeses foram duramente reprimidos pelas forças federais. Dona Orsina da Fonseca. aos 58 anos. em abril. Assim. numa região disputada pelos estados de Santa Catarina e Paraná. que ficara célebre por ser a primeira mulher caricaturista da imprensa brasileira. deixando um saldo de mais de 500 mortos. Os marinheiros revoltados contra os castigos corporais. As forças legais bombardearam o Batalhão. com a qual o presidente Hermes da Fonseca pretendia moralizar o país. A U L A 22 Já no início do século. a baía de Guanabara já se agitava. com a Revolta da Chibata e o levante do Batalhão Naval. Na política interna. o governo homenageou o grande ministro. Tendo falecido sua esposa. nascido em São Gabriel (Rio Grande do Sul). O marechal Hermes da Fonseca foi criticado e achincalhado pela imprensa e pela opinião pública. Isso foi motivo de escândalo para a sociedade da época. Também nesse governo eclodiram a Revolta do Contestado . passada uma semana. teve uma imponente recepção ao chegar à Capital para assumir a Presidência. Não deu outra! O povo aproveitou não só o carnaval tradicional de fevereiro como o oficial.O marechal Hermes da Fonseca (1910-1914). principalmente em Recife e Salvador. a 15 de Novembro de 1910. foram prontamente sufocadas essas rebeliões. A inabilidade política de ambos. Em ambos os casos. e a Revolta dos Sertanejos de Juazeiro (Ceará). ainda vigentes na Armada. ocasionou muita violência e derramamento de sangue. Rondon penetrava o interior do país. O marechal. Ela foi responsável por um toque de descontração e modernidade na vida palaciana. e deu um sarau no qual a cantora Chiquinha Gonzaga apresentou uma dança chamada “corta-jaca”.

assumiu por um período. seguiram para o conflito um grupo de aviadores e alguns navios de guerra que fizeram patrulhamento na costa africana . já com 70 anos. aquilo que era comprado no exterior. Além de greves em vários estados.A U L A Venceslau Brás (1914-1918) O governo desse mineiro. pois. na tentativa de substituir por produtos nacionais. Além de continuar dando apoio. logo trouxe graves dificuldades econômicas para o país. Delfim Moreira (1918-1919) Para suceder o presidente Venceslau Brás. França e Estados Unidos. quatro navios mercantes brasileiros foram torpedeados por submarinos alemães. Contudo. deixando um saldo de mais de vinte mil mortos. Aumentaram. O vice-presidente eleito. faleceu antes de tomar posse. que já ocupara o cargo de 1902 a 1906. natural de Brazópolis. combalido pela gripe espanhola. a declarar guerra ao Império Alemão. em 1918. foi marcado pela guerra e pela peste. em outubro de 1917. Drama que se repetiu com Tancredo Neves. A peste que assolou o mundo. foi eleito Rodrigues Alves. foi a gripe espanhola. com alimentos e matérias-primas. destaca-se a primeira greve geral do país. levando o presidente Venceslau Brás. O ex-presidente.de menos de oito meses. a participação brasileira na guerra foi muito modesta. Durante o governo Venceslau Brás ocorreram também muitas manifestações populares contra a carestia e os salários baixos. Porém. 22 Os trabalhadores organizavam-se e faziam seus congressos. no final da Segunda Guerra. . em 1985. também. Só que isso acabou nos custando caro. que durou o exato período de seu mandato. até que se realizou nova eleição. A guerra interna contra os camponeses do Contestado só terminou em 1916. Só na cidade do Rio de Janeiro morreram cerca de seis mil pessoas. A Primeira Guerra Mundial. as exportações de alimentos para os países aliados que estavam em guerra: Inglaterra. em São Paulo. possibilitou certo desenvolvimento da atividade industrial.

despertava cada vez mais a repulsa do povo e. Dos “Dezoito do Forte”. como de fato ocorreu. Essa medida desagradou a oficialidade. onde as pessoas tinham mais liberdade para votar. uma corrente anti-oligárquica que deu início a uma série de rebeliões militares. que se elegera pela quinta vez. ficou conhecido como regência republicana. A U L A 22 A crise da dominação oligárquica Epitácio Pessoa (1919-1922) Durante o governo Epitácio Pessoa. durante a qual foi preso o expresidente marechal Hermes da Fonseca. Em São Paulo. e a cidade foi brutalmente bombardeada por tropas federais. que passou a fazer oposição ao governo. para ocupar a presidência. Apesar de vencer nas capitais. que era apoiado pelos coronéis. Os revoltosos deixaram a capital para evitar mais danos à população. dando origem ao termo política do café-com-leite . com as cartas marcadas. eclodiu um violento conflito contra o presidente do estado. realizou-se a Semana de Arte Moderna. Mas ficou acertado que os próximos presidentes seriam um mineiro e. No Rio Grande do Sul. e aumentou a oposição ao governo oligárquico.O curto governo do vice-presidente Delfim Moreira. A oligarquia cafeeira divergiu a propósito da sucessão. Nessa eleição. um paulista. Rui Barbosa foi mais uma vez candidato. até com o uso de aviões. Realizou-se uma grande exposição internacional por ocasião do centenário da Independência. que era natural de Umbuzeiro (Paraíba). militares rebeldes tomaram o poder. Artur Bernardes (1922-1926) Como estava combinado. Surgiam as primeiras manifestações feministas que reivindicavam o direito ao voto. fortalecidos por um contingente que veio do sul. Foi criado o Partido Comunista Brasileiro. de modo que resolveu apoiar um candidato que não fosse paulista nem mineiro. no Exército. como ficaram conhecidos. O movimento tenentista A grande inovação do governo Epitácio Pessoa foi a nomeação de ministros civis para os ministérios militares. foi escolhido um mineiro. Criou-se. a vitória coube a Epitácio Pessoa. Houve uma conspiração militar. o que provocou mortes e destruição. foi criada a primeira universidade brasileira. em 1924. Borges de Medeiros. Em São Paulo. forma- . de Viçosa. Esse tipo de eleição. Esse episódio conferiu imensa simpatia ao movimento tenentista. nascido em Cristina (Minas Gerais). logo sufocada. do Exército. então. no Rio de Janeiro. E. Nessa época a população rural era muito maior que a urbana. sobreviveram apenas dois. em seguida. principalmente. Alguns oficiais do Forte de Copacabana saíram às ruas para enfrentar as tropas governistas. Essa atitude desencadeou o levante de tenentes em vários quartéis. que marcaram os anos 20.

liderado por Luís Carlos Prestes. na área regional. o ex-presidente do estado de São Paulo tornou-se o último presidente da República Velha. até que as forças da Revolução de 30 romperam essa dominação. a oligarquia cafeeira não teve forças para garantir a posse de mais um presidente. Isso permaneceu assim. 6 O tempo não pára A República no Brasil já nasceu velha. Falida. na área federal. a crise econômica internacional fez despencar o preço do café. Sob o lema “governar é abrir estradas” fez a ligação Rio-São Paulo. Em 24 de outubro de 1930. o presidente Washington Luís foi deposto pelas forças da Revolução. que ficou conhecido como a Coluna Prestes . na área estadual. sem a menor participação popular. A oligarquia cafeeira controlava o país por intermédio do coronelismo. . No final de seu governo. Artur Bernardes manteve o estado de sítio durante a maior parte de seu governo. e da política do café-com-leite. intervenções e violenta repressão policial foi possível garantir a política do café-com-leite. Luís Carlos Prestes e Juarez Távora também se juntaram ao movimento tenentista. Apesar de ter uma Constituição liberal. Nasceu de um golpe militar.A U L A 22 ram um grupo. Somente com censura à imprensa. que durante três anos percorreu o país. Washington Luiz (1926-1930) Natural de Macaé (Rio de Janeiro). manteve o povo afastado das decisões do poder. da política dos governadores.

sua civilização superior às raças de cor? ’ ” Bruit. e mais elevados. em princípio. é o único que sabe governar. os fazendeiros continuavam a expandir as plantações? Releia A crise da dominação oligárquica e responda: a) o que foi o movimento tenentista. c) como Monteiro Lobato mudou de idéia sobre o Jeca-Tatu. 1. a que a Inglaterra faça o possível para impor. Fazendo a História “ Escrevendo sobre a vida e façanhas de Hubert Hervey. págs. b) a afirmação de Alberto Torres: “o brasileiro é o estrangeiro desta terra”. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam.. Há alguma possibilidade.. evidentemente inferiores: ‘Provavelmente todo mundo estará de acordo que um inglês tem direito a considerar que sua forma de entender o mundo e a vida é melhor do que a de um hotentote. e particularmente o inglês. a esses selvagens.. os critérios e modos de pensar ingleses. de que num futuro previsível possa desaparecer o abismo que agora separa os brancos dos negros? Pode haver alguma dúvida de que o homem branco deve impor. posto que são melhores. 9-10 Discuta com seus amigos as idéias deste texto. Editora Atual. Releia A política do café-com-leite e responda: por que. no dicionário e no vocabulário da Unidade. mas nem todos. e explique: a) a quem interessava a difusão da idéia da superioridade dos brancos. sobre o imperialismo das nações européias industrializadas e suas conseqüências no Brasil. Exercícios A U L A 22 3. 2.Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. alto funcionário da British South African Chartered Co. o conde Grey acaba concluindo que o branco. São Paulo. Bruit O Imperialismo . por remota que seja. 6 . Hector H. ou um maori. b) como surgiu a Coluna Prestes? 4. apesar da superprodução de café. e imporá. 1986. Dê um novo título a esta aula. e ninguém se oporá. o que lhe outorga direitos indiscutíveis para dominar as raças de cor. Releia Alguns ainda se envergonhavam de seu povo.

. a grande maioria do operariado − formado por estrangeiros imigrantes e/ou analfabetos − ficava excluída da participação nas eleições. Como a Constituição de 1891 concedia o direito de voto apenas aos brasileiros natos e alfabetizados. você percebeu que a vida política na Primeira República baseava-se fundamentalmente nos acordos entre os diversos grupos oligárquicos. Apesar disso. O Viaduto do Chá e o Teatro Municipal mostravam o desenvolvimento de São Paulo. Os movimentos sociais urbanos No final do século XIX e no início do século XX. que apresentaram diferentes formas de atuação frente à República Oligárquica. Não havia grande interesse em assegurar espaços políticos para a maioria da população.A UA U L A L A MÓDULO 6 23 23 Em busca da cidadania E Nesta aula m aulas anteriores. Nesta aula estudaremos alguns dos movimentos mais importantes. Parcela considerável dos trabalhadores das indústrias − o operariado − era proveniente das camadas mais pobres da população urbana. ocorreram diversos movimentos populares na cidade e no campo. a indústria já era uma realidade marcante em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo.

em especial os anarquistas. por si só. com o aumento do número de greves. nessa mesma época. formavam-se diversos núcleos e grupos socialistas que se autodenominavam partidos e que publicavam vários jornais operários. No Primeiro Congresso Operário Brasileiro. eram defensores das idéias e das práticas libertárias. que decidiram editar o jornal Echo Popular (echo = eco). em movimentos nem sempre vitoriosos. era necessário organizar os trabalhadores. no Rio de Janeiro.Buscando reagir a essa situação. é ter uma atitude libertária individual. a exemplo de cooperativas. imigrantes ou brasileiros. numa reunião com cerca de 120 trabalhadores. capaz. o ano de 1912 seria marcado por várias greves por causa do agravamento das condições de vida dos trabalhadores. Depois de um período de declínio do movimento. os sucessos e insucessos desse movimento teriam sempre a marca do anarquismo. mas todas tiveram vida curta. . Portanto. baseada em experiências do tipo comunitário. de forma voluntária. Entre 1890 e 1910. em 1906. resultaram numa série de lutas pela jornada de 8 horas de trabalho diário e por melhores condições de trabalho e de vida para os operários. os anarco-sindicalistas viam o sindicato como meio e fim da ação libertária e a greve geral como a arma decisiva. no Norte. A U L A 23 Mas. anarquistas e socialistas criavam o Comitê de Agitação Contra a Carestia da Vida. de fazer surgir a nova sociedade igualitária. os trabalhadores se organizaram e se rebelaram em defesa de seus direitos. Para isso. No Sul. em associações que garantissem participação e que tivessem níveis de autonomia entre si. surgiram dezenas de organizações socialistas em várias regiões do país. As comemorações do 1º de Maio de 1907. Os anarquistas. a liderança anarquista tentava ignorar o Estado. principalmente. contra o serviço militar e pela jornada de trabalho de 8 horas diárias Começava a se desenhar a presença marcante dos anarquistas na direção do movimento operário. no de São Paulo. os anarco-sindicalistas dominaram a cena. aprovaram a campanha de agitação imediata diárias. Os anarquistas desejavam criar uma sociedade igualitária e fraternal. no estado do Rio de Janeiro e. sua posição era a de personagens políticos em busca da conquista da cidadania. o que é ser anarquista? Ser anarquista é negar e combater a autoridade do Estado ou qualquer forma de poder ou organização que represente o Estado. Não existia uma tendência majoritária que fosse capaz de reunir os diferentes grupos. Numa República que ignorava os operários como agentes políticos. em São Paulo e em outras cidades. afinal. no Rio de Janeiro. Dentro da corrente anarquista. o aparecimento dos primeiros sindicatos e o fortalecimento de novos grupos políticos. Esses grupos tornaram-se uma tendência majoritária no conjunto do movimento operário de certas cidades. Os primeiros anos do século XX representaram o início da ascensão do movimento operário no Brasil. No espaço da cidade. no mesmo ano. Ao mesmo tempo. A partir de então. a luta dos anarquistas era uma luta política em busca de novas formas de organização da sociedade. no Nordeste. Em São Paulo. que realizava comícios em vários bairros operários. O primeiro partido operário do Brasil surgiu em fevereiro de 1890. aprovando a criação da Confederação Operária Brasileira (COB) contra a proposta dos delegados socialistas de criar um partido.

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Nos meses de junho e julho de 1917, uma greve geral paralisou completamente a cidade de São Paulo, colocando frente a frente o movimento operário (que era organizado principalmente pelas lideranças anarquistas) e os setores dominantes (que representavam a repressão do Estado). De um lado, 50 mil grevistas armados com pedras e protegidos por barricadas; de outro, tropas armadas com fuzis e metralhadoras. A greve ganhara dimensões maiores, incorporando outros setores populares. Anarquistas e Governo foram forçados à negociação. Depois, a repressão foi intensificada. A polícia de São Paulo fechou todas as sedes das ligas e uniões operárias da cidade. Entre 1919 e 1920, diversos militantes operários anarquistas foram deportados para seus países. Apesar disso, na década de 1920 (que estudaremos no próximo módulo), os trabalhadores urbanos e o movimento operário continuariam no centro da chamada questão social .

A imprensa brincava com a obrigatoriedade da vacinação.

A revolta da vacina
O Rio de Janeiro do começo do século, sede do governo, era uma cidade “ bonita e envolvente como uma mulher apaixonada ”, nos dizeres de Benjamin Constant. Mas apresentava muitos problemas com suas doenças, suas ruas estreitas e sua “massa desordeira”, que exigiam alguma adaptação aos novos tempos. Aquela cidade era o Rio de Janeiro popular, repleto de mercados, biscates e pequenos expedientes para a sobrevivência cotidiana. Para as autoridades, era uma realidade que precisava ser mudada. Precisava-se modernizar a capital da República, apagando da cidade os traços dos tempos coloniais. Junto com a remodelação urbanística da cidade, o governo Rodrigues Alves (1902-1906) desenvolveu um programa de saneamento destinado a livrar a população de doenças, como a peste bubônica e a varíola. No final de outubro de 1904, por iniciativa de Oswaldo Cruz, Diretor da Sáude Pública, o Congresso Nacional aprovou a lei que tornava obrigatória a vacina contra a varíola. A medida tornava-se urgente em função do avanço da epidemia na cidade: o total de mortos pela varíola alcançou o número de 4.201 naquele mesmo ano.

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Oswaldo Cruz foi ridicularizado em várias caricaturas da época.

Para iniciar a vacinação obrigatória faltava apenas a aprovação do regulamento proposto pelo governo ao Congresso Nacional. Os grupos de oposição, que discordavam do caráter obrigatório da vacinação, passaram a denunciar na imprensa os termos do regulamento, que permitia aos funcionários do governo invadir, vistoriar, fiscalizar e demolir casas e construções. Não seriam permitidos recursos à Justiça. Em importantes jornais da cidade, a oposição denunciava a “ditadura sanitária” e pregava a suspensão daquela “lei arbitrária e monstruosa”. A população temia os efeitos de uma vacina que pouco conhecia e estava revoltada com os métodos pelos quais as autoridades propunham desenvolver aquele programa de saneamento. Não tardou muito e, no dia 10 de novembro de 1904, explodia no Rio uma revolta popular contra a obrigatoriedade da vacina e contra as medidas oficiais de saneamento. Durante mais de uma semana, as ruas da capital encheram-se de barricadas. Bondes foram incendiados, lojas depredadas e saqueadas, postes de iluminação destruídos. As autoridades perderam temporariamente o controle da situação na região central e nos bairros mais densamente habitados por grupos populares.

Quem eram os revoltosos?
A composição da população rebelada, que variou de acordo com o desenrolar dos acontecimentos, reunia operários, inclusive do estado (como marítimos e trabalhadores dos transportes urbanos), líderes anarquistas e socialistas, comerciantes, estudantes, militares e aqueles setores identificados pelos poderes oficiais como os “desordeiros” − capoeiras, desempregados, vadios, jogadores. Isto é, um exército de “excluídos” ou “deserdados” que representavam uma boa parcela da população. A presença dos trabalhadores organizados, no entanto, foi significativa pelo esforço de mobilização do Centro das Classes Operárias , onde se reunia a Liga Contra a Vacina Obrigatória .

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O governo agiu rapidamente contra a revolta. A polícia e tropas do Exército, da Marinha e dos Bombeiros enfrentaram a resistência da população em bairros populares do Rio de Janeiro, como a Saúde e o Sacramento. Após retomar o controle da cidade, o governo prendeu centenas de pessoas e as despachou para o Acre, onde seriam submetidas a trabalhos forçados. Segundo dados policiais, a Revolta teve 90 baixas entre os revoltosos: 23 mortos e 67 feridos. Do total, 36 eram operários. A obrigatoriedade da vacina foi, porém, temporariamente revogada.

Movimentos sociais rurais
A presença política dos setores populares durante a Primeira República não se limitou a movimentos organizados dos trabalhadores urbanos e a outras diversas manifestações de resistência que tiveram como palco a cidade. Na área rural, os setores populares também se manifestaram de alguma forma. No final do século XIX, entre 1895 e 1897, milhares de sertanejos liderados por Antônio Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro , reuniram-se no interior da Bahia, numa fazenda abandonada que deu origem ao povoado de Belo Monte ou Arraial de Canudos .

Os revoltosos de Canudos eram uma ameaça aos “coronéis”.

O que levava essa gente a se reunir em Canudos? Entre outras razões certamente estavam a falta de perspectivas daqueles homens e mulheres, num mundo rural dominado pelos “coronéis”, e as promessas de salvação feitas por Conselheiro. Para ele, a República era a raiz dos males que afligiam as populações sertanejas. Em Canudos, a propriedade era coletiva e não eram pagos impostos ao governo.

O crescimento e a organização dessa comunidade foi aos poucos incomodando os grandes proprietários rurais e o governo. Em 1897, forças militares leais ao governo, após três tentativas fracassadas e contando com milhares de homens, cercou o arraial, bombardeando-o durante horas seguidas. Seu líder foi morto e a população de Canudos, dizimada. Foi sobre esse episódio que Euclides da Cunha escreveu seu grande livro, Os Sertões . Os problemas que impulsionaram Canudos e outros movimentos rurais não tiveram como palco apenas o Nordeste. No sul do país, do início do século XX, em torno da posse de uma região reclamada pelos estados de Santa Catarina e do Paraná, ocorreu a Guerra do Contestado . Na área contestada, rica em erva-mate e madeira, viviam milhares de pessoas que cultivavam a terra, sem o título de propriedade. Eram posseiros. Por volta de 1911, duas empresas estrangeiras, interessadas na construção de uma ferrovia e na instalação de serrarias, passaram a ocupar as terras com o apoio do governo e dos “coronéis”. Começava o processo de expulsão dos posseiros da região. Separados de suas terras, rejeitados pela população das cidades, eles perambulavam sem rumo pelo interior. Nesse quadro, surgiram os “homens santos”, os “monges”, com os quais o povo ia procurar a solução para os seus males. Um desses “monges”, que atuavam também como curandeiros, era José Maria que dizia ser eleito por Deus para construir, na Terra, um reino divino: a “Monarquia Celeste”. O centro das tensões era a região de Taquaruçu, onde estavam os escritórios de uma das empresas estrangeiras (Brazil Railway ). A partir de 1912, algumas centenas de fiéis do “monge” José Maria fixaram-se ali, dando origem a uma “aldeia sagrada”. Logo começaram as perseguições e os ataques do Exército, da polícia e dos jagunços dos “coronéis”, que obrigaram os fiéis a se dispersarem para o Irani, outra região contestada. A morte de José Maria pelas forças governamentais fez com que seus seguidores se reunissem novamente em Taquaruçu. O grupo inicial de fiéis foi crescendo, tomando grandes proporções. Os rebeldes passaram a adotar medidas mais radicais, como o incêndio de estações e serrarias das empresas na região. Eles lutavam de forma muito violenta, como numa “guerra santa”, e assustaram as autoridades civis e militares da época. Os ataques das tropas oficiais se sucederam e, no final de 1915, a rebelião sertaneja foi liquidada, restando apenas pequenos grupos esparsos. No ano seguinte, o último de seus líderes caiu prisioneiro.

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Todos esses movimentos ocorreram na República das Oligarquias, que se mostrou incapaz de integrar os setores populares à vida política do país. A década de 1920 anunciaria tempos de crise da República Oligárquica. Mas, apenas a partir da Revolução de 1930 seriam realizadas profundas reformas políticas, econômicas e sociais, que tiveram como um dos seus principais objetivos a incorporação das massas trabalhadoras ao projeto político do novo governo.

O tempo não pára

Exercícios A U L A

Relendo o texto
Leia mais uma vez o texto da aula, sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam, no vocabulário da Unidade ou no dicionário. 1. Releia O s m o v i m e n t o s s o c i a i s u r b a n o s e M a s , a f i n a l , o q u e é s e r anarquista? e responda: Quem eram os anarquistas? O que eles defendiam? Releia A revolta da vacina e extraia do texto trechos que caracterizem a cidade do Rio de Janeiro nos primeiros tempos da República. Releia A revolta da vacina e Quem eram os revoltosos? e identifique os setores sociais envolvidos na rebelião. Releia Movimentos sociais rurais e extraia do texto o trecho que trata da disputa pelas terras da Região do Contestado. Dê um novo título a esta aula.

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2.

3.

4.

5.

Fazendo a História
Reproduzimos, abaixo, parte do discurso de um líder da Revolta do Contestado. Leia o documento com atenção e faça o que se pede. Documento A “ Vocês se acodem comigo para conseguir a cura de suas doenças, uma idéia, um conselho para seus padecimentos. As autoridades não fazem nada e não querem que ninguém faça (...) Eles têm cobiça por terras, por gente, por amigos e por compadres. Os mandões estão trazendo gente de lá de fora e dão tudo aos estrangeiros (...) Os gaviões estão chegando e querem os pintinhos. Aprontem-se que vai haver guerra feia. ”
Discurso do Monge José Maria, líder do Contestado, citado na coleção Nosso Século , Vol. 2, pág. 21

1.

Retire do texto as expressões utilizadas pelo monge José Maria que correspondem aos seguintes agentes: a) governo; b) Brazil Railway; c) coronéis; d) sertanejos.

2.

Tomando por base o texto da aula, explique o significado da frase: “ Eles têm cobiça por terras” .

3º Que nenhum operário seja dispensado por haver participado ativa e ostensivamente no movimento grevista. pág. 6º Que seja abolido o trabalho noturno das mulheres. Esta solução terá. oficinas etc. 6 . oportunamente.7. 9º Que seja garantido aos operários trabalho permanente. Retire do documento as reclamações que dizem respeito ao tratamento dispensado aos trabalhadores envolvidos em associações ou em movimentos operários. SP.1917. 11º Aumento de 50% em todo o trabalho extraordinário. 2. ” “O que reclamam os operários”. 1 (Org. Vol. reunidos na noite de 11 de julho. 8º Que o pagamento dos salários seja efetuado pontualmente. cinco dias após o vencimento. 4º Que seja abolida de fato a exploração do trabalho dos menores de 14 anos nas fábricas..Documentos. 2º Que seja respeitado do modo mais absoluto o direito de associação para os trabalhadores. 1979. das corporações em greve e das associações político-sociais que compõem o ‘Comitê’ de Defesa Proletária. considerando a insuficiência do Estado no providenciar de outra forma que não seja pela repressão violenta. expondo as aspirações não só da massa operária em greve como as aspirações de toda a população angustiada por prementes necessidades.Agora leia com atenção o memorial de reclamações apresentado pelo Comitê de Defesa Proletária (dos operários) durante a greve geral de 1917 e faça o que se pede. Alfa Omega. nº 6. 3 (AEL). 5º Que os trabalhadores com menos de 18 anos não sejam ocupados em trabalhos noturnos. Paulo Sérgio Pinheiro e Michael Mall) Ed. formulando da maneira que segue as condições de trabalho que. 21. certamente. Extraído do livro A Classe Operária no Brasil 1889-1930 . o mais tardar. 7º Aumento de 35% nos salários inferiores a 5$000 e de 25% para os mais elevados. A Plebe. O ‘Comitê’ de Defesa Proletária crê haver encontrado o caminho para uma solução honesta e possível. depois de consultadas as entidades de que fazem parte. o apoio de todos aqueles que não forem surdos aos protestos da fome. A U L A 23 1. Os representantes das ligas operárias. Destaque as principais reclamações relativas ao trabalho de mulheres e crianças. serão examinadas nos seus detalhes: 1º Que sejam postas em liberdade todas as pessoas detidas por motivos de greve. tornam públicos os fins imediatos que a atual agitação se propõe. Documento B “É o seguinte o memorial de reclamações apresentadas pelo Comitê de Defesa Proletária e que o proletariado continua a sustentar. 10º Jornada de oito horas e semana inglesa. cada 15 dias e.

muita coisa começou a mudar na República do Brasil. . assim como suas reivindicações. anos de crise A Apresentação do Módulo 7 Atores sociais ou políticos: indivíduos que agem socialmente ou politicamente. Era cada vez mais difícil ignorar os novos atores. pelo fortalecimento do Estado na figura do presidente Getúlio Vargas e pela incorporação dos trabalhadores urbanos no jogo político. que insistiam em se fazer presentes na cena política. Apesar disso. tanto os trabalhadores urbanos quanto seus direitos civis. entre 1920 e 1942. partir da década de 1920. A marginalização política da maioria da população. Um tempo marcado pelo crescimento das cidades e da indústria. com indústrias tocadas por operários cada vez mais politizados. interferindo nos rumos da sociedade. era cada vez mais questionada. Neste módulo vamos conhecer esses novos atores e os caminhos cheios de conflitos que trilharam. Caminhos autoritários.A UA U L A L A MÓDULO 7 24 24 Anos 20. sociais e políticos estiveram no centro das questões políticas daquele tempo. A modernização do país prosseguia. característica da República Oligárquica. que apenas em 1942 começariam a ter seus rumos alterados.

. comprando os excedentes do produto nos negócios com o mercado externo. Durante a década de 1920 foram empossados na Presidência da República. Para isso. ficou quase impossível importar alguns artigos industrializados da Europa. Boa parte dos anos 20 no Brasil. sempre que se considerasse a ordem pública fortemente ameaçada. a indústria seguia seu curso. as indústrias brasileiras começaram a produzir novos artigos e a fabricar mais daqueles que já eram produzidos aqui. os interesses dos industriais de vários pontos do país se articulavam no Centro Industrial do Brasil − CIB e no Centro das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro − CIERJ. apesar de tudo. Além disso. Portanto. Entre 1914 e 1918 ocorreu uma grande guerra entre os países industrializados da Europa. Desde o início do século. Todos os três deram prosseguimento à oolítica dos governadores . Nesta aula A U L A 24 Tempo de permanências e mudanças Na década de 1920. vieram à cena dois importantes grupos sociais: o dos empresários industriais e o do operariado urbano. sucessivamente: Epitácio Pessoa (que governou de 1919 a 1922). novos personagens começavam a se fazer presentes no cenário da nossa História e fariam entrar em crise a República Oligárquica e a ordem constitucional de 1891. o governo sustentou. voltadas para o mercado interno. a política econômica desses governantes estava tão direcionada à proteção dos interesses cafeeiros que quase não se preocupava com o desenvolvimento das outras atividades econômicas do país. os altos lucros dos fazendeiros de café. que vinham ganhando importância com o crescimento das cidades. Durante a guerra. o coronelismo e a repressão às manifestações populares. Durante os anos 20. surgem novos atores sociais Com o crescimento urbano na década de 1920. especialmente durante o governo do presidente Artur Bernardes (1922-1926). prevista na Constituição de 1891. Crescem as cidades. fortalecendo bastante o crescimento industrial. de forma permanente. até então os principais do país. foi vivida com o Estado de Sítio decretado. essa guerra ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial. Nesta aula vamos tentar entender por que os anos 20 deste século são lembrados como anos de crise . que permitia ao governo federal (Poder Executivo) suspender quase todos os direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros e aumentar seu próprio poder. a preponderância dos grandes fazendeiros. Como os interesses europeus se espalhavam por quase todo o mundo. era preciso a aprovação do Poder Legislativo (Câmara e Senado). Mas.O Estado de Sítio era uma medida. permanecia a política do café-com-leite (predomínio das oligarquias paulista e mineira). Sem a concorrência dos importados. a Constituição de 1891 permaneceu em vigor até 1930. Esse era o caso das indústrias e das atividades agropecuárias. e logo depois dela. Entretanto. Artur Bernardes (19221926) e Washington Luís (1926-1930). em especial dos cafeicultores paulistas.

Seus oficiais. . dezenas de tenentes enfrentaram as tropas do governo. na década de 20. especialmente os mais jovens (os tenentes). especialmente aqueles de orientação anarquista. que era importante limitar. conhecido como Tenentismo . sobre aposentadoria (1923). que promoveu revoltas e rebeliões em vários estados e cidades do país.A U L A 24 Durante os anos 20. A experiência da Primeira República era. No Brasil. na cena política dos anos 10 e 20. liderada pelo Partido Comunista. Outros intelectuais entendiam que o Brasil precisava de um Estado forte e intervencionista (com muitos poderes para interferir na vida das pessoas). tal legislação pouco alterou a situação da classe operária. que teve atuação destacada na elaboração da política industrial brasileira nos anos 30. pelas artes plásticas. música e literatura. com a elaboração de leis. no Rio de Janeiro. Havia grupos de intelectuais que começavam a criticar a ordem oligárquica dominante e que expressavam. apareceram as primeiras tentativas do governo para interferir nas relações de trabalho. seu desejo de mudança. bem como a imitação pura e simples de tudo que fosse europeu. pela cobrança de impostos. formaram o Bloco Operário e Camponês. o melhor exemplo de falência da democracia liberal. A chamada Revolução Russa . lançaram-se num movimento. comunistas e socialistas tinham idéias diferentes das idéias anarquistas sobre a importância dos partidos políticos e das eleições para os interesses operários. durante a Primeira Guerra Mundial. Nesse contexto. Ao mesmo tempo. Dezesseis deles foram mortos. junto dos anarquistas e socialistas. a lei Elói Chaves. Numa manifestação pelo cumprimento das leis constitucionais e pelo fim da corrupção. tornou-se força importante no movimento operário brasileiro. Além disso. facilitar a compra no exterior de máquinas e equipamentos para suas fábricas. Em 1928. a importação de produtos industrializados concorrentes e. ao mesmo tempo. na Europa. intensificou-se ainda mais a repressão policial sobre os sindicatos e os jornais operários. O descontentamento com a política da Primeira República atingia de forma também marcante alguns grupos de militares do Exército brasileiro. esses intelectuais acreditavam que só um governo forte seria capaz de guiar o povo e de resolver os problemas do país. Após as grandes greves de 1917 e 1918. Assim. principalmente após a Primeira Guerra Mundial. A Revolta do Forte de Copacabana . No entanto. aumentaram as associações entre os empresários das indústrias. Datam dos anos 20 as primeiras leis sociais voltadas para o trabalhador . Era o reconhecimento de que a questão operária existia e de que os movimentos dos trabalhadores produziam mudanças. Mas o governo não pressionava para que as leis fossem colocadas em prática e os empresários reagiam. Em busca da alma do povo brasileiro. e a Lei de Férias (1926). Esses grupos participaram do Movimento Modernista . uma revolução feita por operários e camponeses tomou o poder na Rússia em 1917. teve influência nos movimentos operários em todo o mundo. em 1922. Criticando o poder dos coronéis sobre o eleitorado rural e a política dos governadores . foi criado em 1928 o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo − CIESP . como a lei sobre acidentes de trabalho (1919). Também os operários se fizeram presentes. para eles. lideranças operárias. as teorias racistas começaram a perder adeptos. Eles perceberam. de forma diferente. buscando influir nas eleições que se aproximavam. o Partido Comunista foi criado em 1922 e. marcou o início do Movimento Tenentista. desde então. socialistas e comunistas.

os ataques das forças governistas e até mesmo dos capangas dos coronéis. Era o rompimento entre Minas Gerais e São Paulo. Como determinava a política do cafécom-leite . O governo Washington Luís chegava ao fim de seu mandato. Luís Carlos Prestes era chamado pelos jornais de “O Cavaleiro da Esperança”. que reunia os partidos republicanos de Minas Gerais. seguido de revoltas em Minas Gerais. era a vez de Minas Gerais indicar o Presidente da República. A Coluna Prestes esperava mobilizar a população para uma revolta militar contra o governo. Sergipe. o indicado por Washington Luís foi novamente um paulista − Júlio Prestes.000 integrantes. desta vez em São Paulo. A Coluna chegou a reunir entre 800 e 1. Mas. durante dois anos. Nem sempre os integrantes da Coluna eram bem aceitos ou compreendidos pela população do interior. tendo como vice o presidente do estado da Paraíba. o prestígio dos revoltosos crescia. Essa crise abriu espaço para um candidato de oposição: o gaúcho Getúlio Dorneles Vargas. Tiveram de enfrentar. Porém. . cerca de 24 mil quilômetros pelo interior do Brasil. Do descontentamento à crise política: a Revolução de 30 Final dos anos 20.Dois anos depois (1924) ocorreu novo levante tenentista. Era hora de indicar o sucessor. Sob a liderança de Luís Carlos Prestes e Miguel Costa. João Pessoa. nas cidades. o que não aconteceu. Todas foram sufocadas pelo governo. Getúlio Vargas e João Pessoa foram apoiados pela Aliança Liberal . seus participantes percorreram. Os revoltosos de São Paulo e do Rio Grande do Sul conseguiram fugir e formaram a Coluna Prestes . do Rio Grande do Sul e da Paraíba. também. Pará e Rio Grande do Sul. A U L A 24 Luís Carlos Prestes passou a ser chamado de “O Cavaleiro da Esperança”.

6 O tempo não pára Os acontecimentos que resultaram na queda de Washington Luís e na posse de Getúlio Vargas como Presidente da República ficaram conhecidos como a Revolução de 30 . Washington Luís ainda deu apoio à revolta do município de Princesa. presidente do estado de Minas Gerais. No dia 23 daquele mesmo mês. como os pecuaristas mineiros e gaúchos. iniciou-se um movimento políticomilitar para a derrubada do Governo. a Justiça Eleitoral e a anistia política. Diante do crescimento do movimento em .A U L A 24 O programa de governo da Aliança Liberal incluía o estabelecimento do voto secreto. O assassinato de João Pessoa precipitou a crise. mas bem diferentes entre si. Não satisfeito. os canditados a deputados em minoria (eleitos pela Aliança Liberal) não tiveram suas eleições reconhecidas pelo Poder Legislativo. A Aliança Liberal reunia vários setores da sociedade brasileira. Assim. unidos pela crítica à ordem oligárquica. bem como o apoio dos tenentes. todo país. contra o governo João Pessoa. ela conquistou a simpatia da população das grandes cidades. Getúlio Vargas chegava ao Rio de Janeiro como chefe do governo provisório. Apesar de todo o apoio obtido pela Aliança Liberal. A candidatura de Getúlio Vargas agradava também aos interesses das oligarquias ligadas ao mercado interno. obtendo a maioria dos votos. Com isso. A atitude do governo Washington Luís convenceu as oligarquias derrotadas de que era preciso romper com a ordem constitucional. Antônio Carlos de Andrada. Como era de costume. foi mesmo o paulista Júlio Prestes quem se elegeu. na Paraíba. rompia-se definitivamente a ordem constitucional que vigorava desde 1891. Seria possível ao governo revolucionário atender a interesses tão diferentes? . Com ela. no dia 3 de outubro de 1930. o Alto Comando das Forças Armadas decidiu interferir e promoveu a deposição de Washington Luís da Presidência da República. obteve apoio para a idéia com as seguintes palavras: “é preciso fazer a revolução antes que o povo a faça ”.

Releia Tempo de permanências e mudanças e identifique uma característica de continuidade e outra de mudança da década de 1920. 2. dentro da política do café-com-leite. surgem novos atores sociais e identifique dois novos atores sociais no cenário político dos anos 20. 3. Exercícios A U L A 24 1. no dicionário ou no vocabulário da Unidade. O que expressa a frase do presidente de Minas Gerais? Por que o povo não deveria fazer a Revolução? 6 . seria o sucessor “natural” de Washington Luís. E é dele a seguinte frase: “ Façamos a Revolução. responda: 1. 2. esse político passou a fazer parte da Aliança Liberal. Dê um novo título a esta aula.Relendo o texto Leia novamente o texto desta aula. presidente do estado de Minas Gerais. antes que o povo a faça. Releia Do descontentamento à crise política: a Revolução de 30 e reproduza o trecho que descreve o programa político da Aliança Liberal. No entanto. 4. sublinhe as palavras que não entendeu e procure seu significado. Fazendo a História Antônio Carlos de Andrada. Releia Crescem as cidades.” Agora.

formada por três militares que haviam deposto o presidente Washington Luís. . No dia 24 daquele mês. Um país que aguardava do novo governo a confirmação das promessas de democracia.. A disputa entre essas diferentes forças e seus respectivos projetos de organização social e política do país são o tema da nossa aula. o país inteiro ouvia Getúlio. que agora é senhor do seu destino(.onde todos os seus filhos sejam iguais” e dizia ainda que “ a revolução que fizeram foi fruto da vontade do povo.. Mas eram várias e diferentes as forças políticas que apoiavam o novo presidente do governo provisório. praticamente termina a República Velha. Getúlio prometia construir “ uma pátria nova(.). a Junta Governativa. O poder começava a mudar de mãos. na época. No dia 3 de novembro. ao assumir a presidência. entregou o poder a Getúlio Vargas. diferente daquele dos tempos da República Velha. Um país cada vez mais urbano. Nesta aula O Com Washington Luís. que os “gaúchos amarravam seus cavalos no obelisco da Avenida Rio Branco”. Podia-se dizer.A UA U L A L A MÓDULO 7 25 25 Cidadania: da década de 1930 ao Estado Novo utubro de l930. industrial. Getúlio Vargas. liberdade e reformas políticas e sociais. que funcionavam desde o início dos anos 20. centro do Rio de Janeiro. Pelas ondas das rádios.)”...

fechou o Congresso Nacional. seus principais aliados na vitória e na consolidação do movimento político-militar de 1930. cuja presença na vida da população foi crescente. viviam o dilema de dividir o poder com os velhos políticos das oligarquias. protestando contra as manobras de Vargas e exigindo uma nova Constituição para o país.Do governo provisório à Constituição de l934 Ao assumir o governo provisório da República. A U L A 25 “Inimigos da véspera”: gente que. o que prevaleceu foi a tendência para o fortalecimento do Poder Executivo. A estratégia política de Vargas procurava satisfazer tanto às lideranças oligárquicas dos diversos estados que o apoiavam quanto aos tenentes. era inimiga. Getúlio Vargas surge no cenário político brasileiro e ali permanece durante três décadas. Ainda em 1930 foram criados o Ministério do Trabalho. algumas lideranças oligárquicas (de São Paulo. Os tenentes se diziam portadores das bandeiras da moralidade e das reformas que as massas urbanas tanto desejavam. muitos deles “inimigos de véspera”. Chegava ao fim a ordem constitucional de 1891. e destituiu os governadores. desde os primeiros atos do novo governo. . Os conflitos e as acomodações que envolviam os tenentes e as oligarquias marcaram os primeiros anos do governo provisório. e o da Educação e da Saúde Pública. Com o tempo. bem como a jornada de oito horas − antigas bandeiras de luta do movimento operário. da Indústria e do Comércio. De fato. Desse modo. que o colocaram no poder. os antigos partidos políticos descontentes formaram uma Frente Única . começou a se constituir um Estado forte e centralizado. A criação do Ministério do Trabalho representava a tentativa do Estado de intervir de fato nas relações trabalhistas. O governo regulamentou o trabalho feminino e do menor. Getúlio Vargas tirou do poder a oligarquia paulista. nomeando para os estados gente de sua confiança − os interventores. antes. ao se organizar. Getúlio. aumentando seu próprio poder. Um Estado que. com uma Assembléia Constituinte livremente eleita pelo povo. as Assembléias Legislativas estaduais e os partidos políticos. incorporava e dava novo sentido a antigas reivindicações da sociedade civil. Já os tenentes defendiam a ditadura como única forma de realizar as reformas necessárias ao país. por seu lado. No entanto. principalmente) passaram a defender a volta à normalidade política. Em São Paulo (que tinha um tenente como interventor). tentava equilibrar cada uma das influências.

as forças federais derrotaram o movimento. a Assembléia contou com a presença de quarenta representantes classistas. A nova Constituição foi promulgada em l4 de julho de l934. que contava com 254 deputados. como o salário mínimo . Entre eles havia uma única mulher. em fevereiro de 1932. de funcionários públicos etc. as leis trabalhistas não eram aplicadas aos trabalhadores rurais). começaram os trabalhos da Assembléia Constituinte. em 1932. como o voto secreto e obrigatório. Apesar da pressão governista. O texto constitucional refletia as disputas entre as diferentes forças políticas da época. o movimento armado conhecido como Revolução Constitucionalista. rompendo-se a chamada república oligárquica. Além dos deputados eleitos por sufrágio universal. . a extensão do direito de voto para as mulheres e a criação da Justiça Eleitoral. a jornada de oito horas de trabalho e as férias anuais obrigatórias e remuneradas (no entanto. foram estabelecidas algumas medidas. em São Paulo. A Constituição confirmou o voto secreto e obrigatório para todos os cidadãos alfabetizados − homens e mulheres − e tinha aspectos inovadores. As medidas não foram suficientes para impedir que estourasse. Na área trabalhista. eleita por São Paulo. Mas Vargas sabia que apenas as eleições poderiam acalmar os ânimos. mantendo a República Federativa e o regime presidencialista. convocando eleições para uma Assembléia Constituinte no ano seguinte. de profissionais liberais. ficou consagrada a pluralidade dos sindicatos e sua liberdade. Mas só os sindicatos organizados e reconhecidos pelo Ministério do Trabalho tiveram direito a voto. No dia l5 de novembro de l933. de empresários. escolhidos por sindicatos de trabalhadores. Vargas dava os primeiros passos para a volta da normalidade política. O objetivo dessa lei era acabar com os freqüentes abusos que ocorriam na República Velha. Em resposta a essa pressão. Foi aprovada uma Lei Eleitoral com importantes medidas. que lutava pela unidade sindical. Em três meses de combates. como a nacionalização das riquezas do subsolo e das quedas d’água.A U L A 25 A Revolução de 30 mostra o caminho do Estado Novo.

criada em outubro de l932. assim. Por meio de regimes fortes. A repressão que se seguiu foi violenta. não defendendo os menos favorecidos. Sem dispor da lealdade esperada dentro das Forças Armadas e sem bases populares. o movimento foi derrotado pelo governo. A U L A 25 A radicalização do processo político: integralistas e comunistas roubam a cena Após a Primeira Guerra Mundial. profissionais liberais e estudantes. Os partidos comunistas acusavam a democracia liberal de injusta. Recife e Rio de Janeiro: a Intentona Comunista . especialmente entre militares. recrutava a maior parte de seus adeptos nas classes médias urbanas. professores. a crise econômica na Europa fez crescer os críticos dos antigos valores democráticos e liberais. Surgiram. Em março de l935. militares e civis foram . A Ação Integralista Brasileira − AIB. O governo federal. a ANL foi considerada ilegal. A ANL expandiu-se rapidamente e. para deter o avanço do comunismo. já possuía milhares de núcleos espalhados pelo país. sentindo-se ameaçado em seus planos autoritários. Na ilegalidade. no meio do ano de l935. as relações de classe dentro do capitalismo. que acabara de ingressar no Partido Comunista. o facismo na Itália e o nazismo na Alemanha. jornalistas. estudantes e oficiais da Marinha e do Exército. Os comunistas fracassaram em sua tentativa de tomar o poder. assim denominada pelos poderes oficiais. as revoltas operárias e as desigualdades sociais só seriam solucionadas com um Estado forte. A crise financeira. O governo Vargas continuava ignorando a Constituição.Logo após a aprovação da Constituição. que representou uma tentativa do Partido Comunista Brasileiro − PCB de organizar uma ampla frente política que reunisse as diferentes tendências políticas descontentes (inclusive as liberais). pois ela reconhecia igualdade entre desiguais. reagia. os integralistas receberam apoio de profissionais liberais. a ANL − praticamente reduzida ao Partido Comunista − partiu para a solução golpista. Em julho de l935. escritores. A radicalização política foi assumindo cores fortes: de um lado o verde-escuro do uniforme integralista (fascista). era inspirada no fascismo europeu e defendia o fortalecimento do Estado e o autoritarismo. perseguidas. O Brasil não ficou distante dessa situação internacional. foi criada a Aliança Nacional Libertadora − ANL. sob a liderança do antigo tenente Luís Carlos Prestes. altos funcionários. de forma indireta. Mas. propunham regular. Suas sedes em todo o país foram ocupadas pelas forças policiais. Como os integralistas. pela maioria dos constituintes. que se manteve durante todo o ano de l936. Possuíam grande penetração nas camadas médias e populares e também na juventude. para um mandato de quatro anos. Pátria e Família”. intelectuais. o vermelho das bandeiras comunistas. sob o comando de Plínio Salgado. organizou um levante em Natal. pela força. Em novembro de 1935. surgiam movimentos contra-revolucionários que acusavam a democracia liberal de ineficiente. Tendo como lema “Deus. Foi decretado o Estado de Sítio. sindicatos foram fechados e suas lideranças. Vargas foi eleito presidente da República. de outro. A Lei de Segurança Nacional foi aplicada: parlamentares foram presos e julgados. baseado num partido único: o partido integralista. temerosas com o avanço dos integralistas no governo Vargas. o desemprego.

o Exército cercou o Palácio Monroe. o presidente preparou um golpe de Estado . Cresciam as condições políticas para o golpe.A U L A 25 presos e demitidos de suas funções públicas. no entanto. pelo rádio. A perseguição atingiu os liberais e todos os setores da esquerda. O pretexto para a realização do golpe foi a descoberta do chamado Plano Cohen . Nascia o “pai dos pobres”. À noite. Foi criado um Tribunal de Segurança Nacional que julgava e condenava as pessoas denunciadas por subversão. Elaborado por elementos militares ligados ao governo e ao integralismo. afastou todos aqueles que eram contrários a ele. Contando com um círculo pequeno de auxiliares civis e militares em alguns postos chaves. onde funcionava o Senado. O golpe de 37 e o Estado Novo Enquanto o governo desenvolvia a ação repressiva. A carta constitucional acabou com a federação. ele foi apresentado à Nação como um plano dos comunistas para derrubar o governo. Este. como os interventores que governavam os estados do Rio Grande do Sul. teve início a campanha para a sucessão presidencial. Foram lançadas as candidaturas de Armando de Sales Oliveira (ex-governador de São Paulo) e de José Américo. A nova Constituição foi outorgada. teoricamente candidato da situação. prevendo a realização de um plebiscito para que o povo a julgasse. seus opositores já tinham sido calados. anunciou o novo Estado e uma nova Constituição para o país. A convocação do povo para esse ato nunca foi feita. Para isso. Contando com o apoio do chefe do Estado-Maior do Exército. uma nova estrutura de governo e de representação popular deveria ser criada. A democracia estava com seus dias contados. A Constituição de 1937 dava amplos poderes ao Executivo e ao presidente da República. com a autonomia dos poderes e submeteu de vez os sindicatos ao controle do Estado. no Rio de Janeiro. Na manhã de l0 de novembro de 1937. que foi apoiado por boa parcela das Forças Armadas. diferente da antiga forma (Câmara e Senado). A vida política do país. Getúlio se empenhou em consolidar o Estado Novo. general Eurico Gaspar Dutra. general Góes Monteiro e do ministro da Guerra. Tinha início. Getúlio fechou o Congresso Nacional e extinguiu os partidos políticos. pretendia continuar no governo e se aproveitou do clima de apreensão e incertezas com a “ameaça” comunista. Com o apoio das Forças Armadas. foi intensamente dominada por sua presença. a ditadura do Estado Novo . 6 . da Bahia e de Pernambuco. nesse período. O golpe foi silencioso. apoiado por Getúlio. naquele momento. Caso fosse aprovada.

o Estado Novo foi a concretização desse caminho autoritário e centralizador.O Estado Novo caracterizou-se pela consolidação de uma tendência à centralização política que se anunciava desde os anos 20 e que. Releia Do governo provisório à Constituição de 19 3 4 e retire do texto 193 o trecho que trata das primeiras medidas do governo para regulamentar as relações trabalhistas. Fazendo a História “ Nos períodos de crise. 2. Exercícios 3. foi ganhando forma. e explique o que era a ANL e quais as razões de sua criação.. em boa parte distante do jogo político tradicional e das forças sociais...) A organização constitucional de 1934. lida por Getúlio Vargas e irradiada para todo o país na noite de 10 de novembro de 1937. Getúlio inaugurava o Estado Novo.) ameaça a unidade pátria e põe em perigo a existência da Nação (.. A partir deste documento e com base no texto desta aula.. Releia A radicalização do processo político. no vocabulário da Unidade ou no dicionário. Releia Do governo provisório à Constituição de 1934 e identifique as primeiras medidas de Getúlio ao assumir o governo provisório em 1930. em lugar de oferecer segura oportunidade de crescimento e de progresso (. ” Trechos da Proclamação ao povo brasileiro . com a legislação trabalhista. 4. como o que atravessamos. vazada nos moldes clássicos do liberalismo e do sistema representativo evidenciara falhas lamentáveis. 5. 6. a democracia de partidos... Releia O golpe de 37 e o Estado Novo e responda: o que foi o Plano Cohen? Dê um novo título a esta aula. O tempo A U L A não pára 25 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Releia Do governo provisório à Constituição de 1934 e identifique as três inovações da Lei Eleitoral de l934. l. destaque algumas características do sistema representativo na Constituição de 1934 que foram abolidas pela Constituição outorgada de 1937. Com esse discurso. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver seu significado. ao longo do período. No Brasil. O novo regime aumentou a presença do poder público na economia. a exemplo da Companhia Siderúrgica Nacional. que se implantava contra a “democracia de partidos” ou o “sistema representativo”. 6 .. a criação de inúmeros órgãos de política econômica e as primeiras empresas estatais.

a atividade industrial se desenvolvia. Para garantir a manutenção dos lucros dos fazendeiros de café. . açúcar. Durante a Primeira Guerra Mundial. Nesta aula vamos saber que modificações ocorreram na economia. Nesta aula O Mudanças na economia Você sabe quais são os setores da economia? São três: primário. ainda era insignificante. pela população. voltados para a exportação. secundário e terciário. o país precisava importar os bens de capital . passando de 7 mil. Café. Os cafeicultores detinham o controle da economia e do governo. borracha. Assim. em 1914. calçados e roupas. O setor primário é aquele que desenvolve atividades rurais e de extração. de produtos importados. O setor secundário. para 13 mil. No entanto. que são as máquinas e os equipamentos necessários à fabricação dos bens ou produtos para o consumo da população. em 1920. a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). o setor primário predominava na economia brasileira. eram lucrativos. também dependente de países estrangeiros.A UA U L A L A MÓDULO 7 26 26 Crescimento urbano e industrial dos anos 20 ao Estado Novo café foi o principal produto de exportação durante a República Velha. enquanto a cafeicultura passava por dificuldades. Já o setor terciário reúne o comércio e a prestação de serviços. O aumento da população nos centros urbanos incentivou a procura de bens de consumo e. mas dependiam da situação econômica e financeira dos nossos principais compradores: a Europa e os Estados Unidos. com isso. o número de fábricas quase dobrou. também aumentou a necessidade de se conseguir mais matérias-primas. o governo contraía empréstimos em outros países. para a compra da produção excedente. Para produzi-los. destacando-se a agropecuária. Um dos fatores que contribuiram para o desenvolvimento industrial no Brasil foi o rápido crescimento das cidades. Isso provocava a desvalorização da moeda e dificultava a compra. Nossas indústrias limitavam-se à produção de bens de consumo como alimentos. O setor secundário é composto pelas indústrias. a indústria nacional − principalmente a de alimentos e a de tecidos − foi se desenvolvendo para atender ao mercado interno. nos anos 20 e 30 e que fatores as determinaram. cacau e algodão. Até o final da República Velha. máquinas e equipamentos para produzi-los.

Como vimos em outras aulas. ocorre a superprodução. por exemplo. de forma altamente destrutiva. Foi assim que assumiram a liderança do mundo capitalista. principalmente. a crise internacional − tem várias explicações. Para que a economia funcione normalmente. Iniciada nos Estados Unidos. pelos empréstimos para a reconstrução da Europa e. O Brasil. ela atingiu. O grande desenvolvimento tecnológico. bem como os mercados periféricos aos quais eles atendiam. todo o sistema capitalista. Apesar de haver uma queda dos preços. deixou de ser dependente da Inglaterra e passou para a esfera de dominação norte-americana. Com isso. A U L A 26 O desenvolvimento urbano trouxe modernidades: primeiro. resultou no aumento da produção e da acumulação de capital pelas grandes empresas. pela conquista de novos mercados. o bonde puxados por burros. Durante a Primeira Guerra Mundial. Com máquinas que produziam mais. tornou-se desnecessá- . depois. precisamos conhecer um mecanismo básico da economia capitalista: a lei da oferta e da procura . os Estados Unidos expandiram sua produção para suprir os países em guerra. o estímulo ao desenvolvimento industrial já era uma tendência durante e após a Primeira Guerra Mundial. os Estados Unidos lucraram com a guerra por causa das exportações. Como entrou no conflito somente em 1917. deve haver equilíbrio entre a quantidade de bens produzidos e a procura pelos consumidores. a mercadoria fica “encalhada”. mas foi com a crise de 1929 que a indústria brasileira começou a crescer. e não sofreu destruição por ataques em seu território. Lei da oferta e da procura Para compreender uma crise de superprodução. o bonde elétrico. com máquinas cada vez mais sofisticadas. Quando há uma oferta muito maior do que a procura. A crise econômico-financeira mundial de 1929 A crise econômica de 1929 resultou de um processo mundial de superprodução industrial e agrícola. a produção é tão grande que o mercado não tem condições de consumir todos esses produtos. acompanhado de sérios problemas financeiros. provocando sérios problemas. A crise econômica norte-americana − e. logo depois.

por isso. maior até que o crescimento industrial. os estoques ficaram encalhados. ocorreu uma crise de superprodução. Porém.A U L A 26 rio manter tantos operários e.. desemprego e diminuição do poder aquisitivo levaram o pânico à sociedade norte-americana. Em conseqüência. Os países industrializados diminuiram as importações e os empréstimos de capital aos países dependentes.. as indústrias começaram a produzir mais do que as pessoas conseguiam consumir. no Brasil e no mundo. a produção de café ultrapassou o consumo mundial. queimava! E a superprodução de café? No Brasil. a produção agrícola e industrial caiu em todo o mundo. o cacau e o algodão. Por sua vez. No dia 24 de outubro de 1929 ocorreu a quebra (crack. Toda a economia agrícola voltada para exportação foi atingida pela diminuição dos preços de produtos como o açúcar. aumentou o desemprego. por causa do desemprego e da saturação do mercado. além do café. sem ter compradores. acabaram falindo ou sendo compradas pelas maiores. Isso elevou os prejuízos de muitos cafeicultores e causou o desemprego de inúmeros colonos que trabalhavam nas fazendas de café. . pela crescente intervenção do Estado na economia. a crise de 29 revelou a fragilidade de nossa economia agro-exportadora (baseada na agricultura para exportação) e mostrou a necessidade de se favorecer o desenvolvimento da indústria nacional e a diversificação da economia. A superação dessa crise se deu. Falências. o governo comprava tudo que conseguia e. as grandes empresas reinvestiram seus lucros no aumento da produção até que. assim. as empresas que não possuíam máquinas modernas produziam menos e vendiam mais caro e. Para manter os preços de exportação das sacas de café. ou seja. A crise tornou-se total e arrastou todo o sistema capitalista. em inglês) da bolsa de valores de Nova York (onde as ações das empresas eram negociadas). Todo esse processo de superprodução industrial foi acompanhado de um rápido crescimento agrícola. Ao governo e aos empresários no Brasil. como o Brasil. Com a crise de 29.

era preciso promover a industrialização para garantir a segurança nacional e o desenvolvimento econômico do país. baixou os impostos sobre bens e equipamentos industriais e favoreceu a importação de combustíveis. Para o Governo Vargas. com financiamento norte-american0. Isso significa que a política econômica iniciada com a Revolução de 30 não desprezou o poder e a influência das oligarquias cafeeiras. e adotava uma política de incentivo à indústria nacional A partir de 1930. A U L A 26 O Estado empresário Com a implantação do Estado Novo. o leite. Mas. como o açúcar. apenas nos anos 50. o Estado passou a proteger as atividades industriais com uma série de medidas. a fim de criar a base necessária ao desenvolvimento da indústria nacional. Porém. Esse processo continuaria nos anos seguintes. máquinas e equipamentos de transporte. o Governo Vargas adotou uma política econômica mais direta. a Companhia Vale do Rio Doce. O tempo não pára . Nesse período. em nome de um projeto de industrialização. dava atenção a outros produtos. onde passou a funcionar a Companhia Vale do Rio Doce. o governo aperfeiçoou o transporte marítimo para trazer o carvão de Santa Catarina e equipou a Estrada de Ferro Central do Brasil para transportar o minério extraído em Minas Gerais. a industrializacão brasileira foi uma meta de governo do presidente Getúlio Vargas (1930-1945). a partir da Revolução de 1930. Assim. foram criadas as condições para a implantacão das indústrias de base. a intervenção do Estado como agente de equilíbrio e diversificação da economia. o governo Vargas lançou as bases de um novo pacto político. Por exemplo: facilitou o fornecimento de empréstimos bancários às indústrias. a Companhia Nacional de Álcalis e a Fábrica Nacional de Motores. aquelas que transformam a matériaprima a ser utilizada na fabricação de produtos).Desenvolvimento industrial com ajuda e proteção do Governo A crise de 29 abalou a estrutura econômica da República. o Brasil deixaria efetivamente de ser um país agrário. favorecendo a diversificação da produção industrial. A queda dos preços do café. e principalmente a partir de 1937. que buscava conciliar os interesses dos setores dominantes rurais (as oligarquias agrárias) com os interesses dos setores dominantes urbanos (os empresários industriais). Com o objetivo de criar a infra-estrutura necessária ao desenvolvimento dessas e de outras indústrias. Outra medida importante foi a criação do Conselho Nacional de Petróleo que passou a controlar a refinação e a distribuição de combustíveis. ao mesmo tempo em que o Governo buscava soluções para o problemas do café. Não podemos esquecer que o café era o principal produto de exportação. 6 De acordo com o que estudamos nesta aula. a borracha. o governo foi inaugurando sucessivamente a Companhia Siderúrgica Nacional. em 1937. tornando-se predominantemente urbano e industrial. a retração do mercado externo e a diminuição dos empréstimos de capitais determinaram. A partir de 1941. o cacau. criando algumas indústrias estatais de bens de capital ou de “transformação” (ou seja.

6 . quer dizer. após a implantação do Estado Novo. De acordo com o discurso do presidente Vargas. Não vamos continuar esmagados pelo peso das compras de produtos industriais no exterior! Ferro. Releia Desenvolvimento industrial com ajuda e proteção do Governo e diga quais foram as medidas que o governo Vargas tomou.Exercícios A U L A Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. 5. Fazendo a História “ Já não somos um país exclusivamente agrário. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. Dê um novo título a esta aula. Releia Mudanças na economia e diga o que significa: a) indústrias de bens de consumo. c) extraia do texto a frase que demonstra o que a situação decorrente da crise de 1929 revelou ao governo e aos empresários brasileiros. 3. que produtos constituíam a base da emancipacão. a partir de 1930.” Esse trecho de um discurso do presidente Getúlio Vargas fala sobre uma importante meta de seu governo: a industrialização do país. Freqüentemente os discursos do presidente Vargas falavam da necessidade de tornar a nossa economia independente das exportações. b) faça um círculo ao redor do parágrafo que explica o que aconteceu com a produção do café brasileiro. Releia O Estado empresário e diga quais as indústrias criadas pelo governo Vargas. Sobre o assunto. responda: 1. da libertação econômica de um país? Qual era o projeto econômico do presidente Vargas para o Brasil? 2. após a crise de 1929. 1. 4. Releia A crise econômico financeira mundial de 1929 e faça o que se pede: a) sublinhe a frase que define o que vem a ser crise de superproducão. com o objetivo de proteger a indústria nacional. 3. no dicionário e no vocabulário da Unidade. b) indústrias de bens de capital. carvão e petróleo são a base da emancipação econômica de qualquer país. qual era o peso que esmagava a economia brasileira? De acordo com o discurso do presidente Vargas. 26 2. Produziremos tudo isso e muito mais.

Restava. Essa tendência representava uma crítica à república oligárquica que sempre desprezara o povo brasileiro. constituem os objetivos desta aula. preocupavam-se em revelar para as elites o rosto e a alma do povo brasileiro. portanto. mudando a maneira de se pensar o Brasil. Com as privações da Primeira Guerra Mundial. . estabelecidas durante o período 1920-1942. Ao final dessa guerra.A UU AL A L Arte e cultura (1920-1942) omo já vimos. o debate intelectual e as manifestações artísticas. O modelo europeu. a partir da década de 1920. Conhecer o que se conseguiu revelar sobre o povo brasileiro e quais foram as novas formas de relacionamento entre Estado e povo. A vergonha que se tinha do povo brasileiro. não reconhecendo seus protestos e seus direitos. por não ser como o povo europeu. voltar os olhos para nossas próprias raízes. passou a ser questionada. a destruição da Europa revelou a fraqueza da civilização que os intelectuais brasileiros da Primeira República queriam seguir como modelo. revelara-se frágil e decadente. que antes era tido como perfeito. o Brasil aumentou seu parque industrial. MÓDULO 7 27 27 A C Nesta aula A Semana de Arte Moderna: o Brasil como obra de arte A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) provocou um forte impacto sobre os intelectuais brasileiros.

Expondo quadros. adotando uma linguagem simples. pois rompeu com velhas fórmulas a que todos estavam acostumados. apreciada pela elite. Com esse espírito. se recusava a usar a linguagem pomposa.. os artistas participantes revelaram ao público que era possível fazer uma arte moderna (e. portanto. A Semana de 22 contribuiu para que a arte brasileira ganhasse características próprias. 84 ). enquanto Cândido Portinari pintava cenas dos retirantes da seca. quadro de Di Cavalcanti. bebê.A U L A 27 A intelectualidade brasileira promoveu. os modernistas trouxeram temáticas nacionais para o centro de suas obras. fazendo apresentações musicais etc. por exemplo. em São Paulo. Assim. Mulata com gato preto. pág. contestando todas as regras existentes. as formas de expressão visual. como podemos ver neste poema: No Baile da Corte Foi o Conde d‘Eu quem disse Pra Dona Benvinda Que farinha de suri Pinga de Parati Fumo de Baependi É comê. cheia de gírias e expressões populares. pitá e caí. mostrando cenas típicas da paisagem e do povo brasileiro. . recitando poesias. em 1922. valorizando o povo brasileiro. o gosto musical. a Semana de Arte Moderna . Di Cavalcanti retratava as mulatas brasileiras e Tarsila do Amaral mostrava os rostos da classe operária em frente às chaminés da grande indústria (ver Volume 1. A Semana de 22 foi um escândalo. modificando a linguagem. O poeta Oswald de Andrade. em dia com as novas tendências européias) verdadeiramente nacional.

Vidas Secas . de crítica à omissão do Estado na solução dos problemas nacionais. os trabalhadores do campo e da cidade passaram a ocupar o primeiro plano dos romances publicados pelos modernistas. “ser ou não ser brasileiro” era a grande questão. Viajando por diversas regiões do Brasil. maltratado pela seca e pela falta de perspectivas. publicado em 1928. do campo e da cidade). o chefe de governo recém-empossado. Intelectuais. o caipira. Durante aqueles anos. Atento a toda essa movimentação. Getúlio Vargas. aproximou-se desses intelectuais e incorporou muitos deles ao seu governo. A U L A 27 Batizado de Macunaíma. Foi assim com o personagem que deu nome ao livro de Mário de Andrade. mas se comporta como índio e. Assim. quadro de Tarsila do Amaral. Macunaíma encarna o herói (ou anti-herói) nacional. torna-se branco por efeito de magia. Desistia-se de tentar ser “europeu”. Macunaíma consegue adaptar-se a todos os hábitos (do norte e do sul. Merece destaque a obra de Graciliano Ramos. ou seja. Conhecer o brasileiro comum e com ele se identificar estava no centro das preocupações dos intelectuais. a oportunidade de ampliar sua participação na vida política brasileira. O índio. a agitação intelectual que marcou o período foi algo mais do que um simples movimento de idéias. como definia Oswald de Andrade. Apresentando-se como a mistura de todos os elementos do povo brasileiro. O livro relata a dura vida do sertanejo nordestino. “Tupy or not Tupy”. dando- . contribuindo para reforçar o sentimento de urgência. O baiano Jorge Amado publicou livros enfatizando a vida dos pescadores e dos plantadores de cacau ou dos meninos de rua de Salvador. ou seja : o homem comum. o negro. Ela foi também um movimento político que contestava o velho governo e as velhas regras que predominaram até os anos 20. Outros escritores chamaram a atenção para os graves problemas nacionais. foliões e sambistas no contexto da Revolução de 30 A Revolução de 30 representou. para essa elite intelectual. Macunaíma . em determinado momento de sua história. Macunaíma representava a síntese do Brasil: nasce negro. publicada em 1938.A literatura buscava nossas raízes históricas.

Até 1930. ranchos e blocos. em seu Departamento de Turismo. Nos anos 30. o Estado não se intrometia nos três dias de festa. o carnaval da cidade do Rio de Janeiro passou a ser programado pela Prefeitura. quadro de Anita Malfati. para o sucesso de artistas que vinham das camadas populares urbanas. A partir de 1933. que deu ganho de causa aos moradores. E Vargas procurou manter sob seu controle as demais manifestações culturais da população brasileira. Um bom exemplo disso foi a oficialização do carnaval. Como resultado dessa medida. desde os anos 20. o samba foi ganhando destaque no cenário musical. No governo Vargas. Vicente Celestino. além de Orlando Dias. Desde o século XVIII. quando foi introduzido no Brasil.A U L A 27 Tropical Tropical . a fim de facilitar uma maior aproximação de seu governo com as camadas populares. diante da ameaça de despejo de 7 mil moradores do morro do Salgueiro. essa situação foi modificada com a criação dos departamentos de turismo nos estados. até 1933. pelas batalhas de confete. intercedendo junto ao governo. o carnaval era uma das mais importantes manifestações culturais do povo brasileiro. Noel Rosa. embora as escolas de samba não tivessem obtido da polícia. Durante o governo Vargas. Esse órgão ficava responsável pela organização dos desfiles de corso. Pouco a pouco. Tudo aquilo que o governo considerava prejudicial à sua imagem era censurado. alguns músicos já eram ídolos populares. Mas divulgou e até oficializou as manifestações culturais que podiam legitimar o governo e promover sua aproximação com a população. lhes importantes cargos na administração pública. com o estabelecimento do Estado Novo. essas agremiações representaram importante canal de comunicação com as camadas pobres. . o governo Vargas passou a controlar a produção cultural brasileira. licença para realizar seus desfiles. um novo espetáculo do carnaval carioca foi ganhando forma: o desfile das escolas de samba. a escola azul e branca chefiou a luta. em 1933. Tanto que. Francisco Alves. Carmem Miranda e Araci de Almeida. O aumento do número de estações de rádio e a difusão das gravações em disco contribuíram de forma decisiva. conhecido como o “cantor das multidões”. entre eles. pelos bailes e pelos banhos de mar à fantasia. ao longo dos anos 30. Censura e propaganda: a política cultural do Estado Novo Desde 1937.

iriam provocar mudanças profundas no quadro cultural brasileiro. estadual.Para atingir tal objetivo. o DIP. que exaltavam a “grandeza” do Estado Novo. Complementando essas medidas foi organizada a Comissão Nacional do Livro Escolar. A U L A 27 6 À medida que se agravava a crise da república oligárquica . Para firmar uma imagem favorável perante a população. Nesse dia. também. Por sua vez. Com relação à política educacional. músicos de destaque (que não tinham suas músicas censuradas) eram chamados para participar das comemorações promovidas pelo governo. que passou a transmitir diariamente. Datam dessa época. que se transformaria na Universidade do Brasil. o Estado Novo criou o Dia da Música Popular Brasileira (3 de janeiro). O tempo não pára . Tais medidas permitiram que as datas cívicas. o rádio já era um fenômeno de massa. Como veremos em aulas posteriores. atuando junto ao Estado nas novas instituições que se criavam. a presença dos intelectuais na esfera do poder político tornou-se cada vez mais intensa. da proclamação da República. como os dias da Independência. livros e músicas considerados prejudiciais ao governo. como o surgimento da televisão. A nova rede de escolas era controlada diretamente pelo Ministério da Educação e da Saúde. do trabalho. das 19 às 20 horas. A partir da Revolução de 30. aliadas a outros acontecimentos. animados por corais e espetáculos coreográficos. federal. inclusive no campo cultural e intelectual. foi criada a Hora do Brasil . o que justificou a intervenção do governo nesse veículo de comunicação. e a Universidade do Distrito Federal (UDF). o processo de centralização política e de intervenção do Estado em todos os setores da vida nacional. com a função de controlar os meios de comunicação e as manifestações populares. passassem a ser comemorados com grandes desfiles. A educação física e o canto orfeônico tornaram-se obrigátorios em todas as escolas do país. da bandeira etc. criando os cursos secundários e os profissionalizantes. como a redemocratização do país. o governo criou o Departamento de Imprensa e Propaganda. No rádio. com o objetivo de editar livros didáticos e de censurar aqueles que expressavam “pessimismo ou dúvida quanto ao futuro da raça brasileira”. cujas informações alcançavam a mais ampla divulgação.. além de promover manifestações culturais com o patrocínio do Estado. Na década de 1930. que determinava que o ensino fosse feito em língua portuguesa e obedecesse aos currículos elaborados para todo o país. os intelectuais foram ganhando cada vez mais importância no cenário nacional. ao mesmo tempo. as primeiras universidades: Universidade de São Paulo (USP). atingiu o auge com a implantação do Estado Novo em 1937. notícias sobre as realizações do governo. contribuindo com suas idéias e. Entre as ações do DIP destaca-se a censura a jornais. novas transformações políticas. o governo Vargas ampliou a rede pública de ensino.

. Justifique sua resposta. Dentre os livros publicados nas décadas de 1920 e 1930 (citados em A Semana de Arte Moderna de 1922. 27 2. O nome “tupy” identifica um dos povos indígenas nativos do Brasil − aquele que habitava o litoral na época da chegada dos portugueses. no vocabulário da Unidade ou no dicionário. O que você acha que o escritor modernista queria dizer com esses versos? 6 . Releia a poesia de Oswald de Andrade. e quer dizer: “Ser ou não ser/Eis a questão”). Retire do texto de Intelectuais.Exercícios A U L A Relendo o texto Releia o texto da aula e procure as palavras que você não entendeu. Dê um novo título a esta aula. 4. 5. foliões e sambistas no contexto da Revolução de 30 o trecho que revela o motivo do interesse do governo Vargas em oficializar o carnaval. 1. ) selecione aquele cujo assunto você considera mais interessante. 3. Fazendo a História Tupy or not Tupy Eis a questão Estes versos de Oswald de Andrade fazem uma paródia (uma imitação engraçada) de um famoso verso do escritor inglês William Shakespeare: To be or not to be/This is the question (que se lê mais ou menos assim: “tu bi or not tu bi/dis is de qüéstion”.. Retire do texto de Censura e propaganda: a política cultural do Estado Novo as atividades mais perseguidas pela censura do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do Estado Novo. (em A Semana de Arte Moderna : o Brasil como obra de arte ) e procure concluir por que a elite paulista ficou escandalizada com aquela linguagem.

Os órgãos de representação operária. de 1930 a 1935. Em março de 1931. os problemas morais e materiais da vida moderna exigiam a ação do Estado. empresários e trabalhadores. o Estado tentou trazer as associações operárias para . as classes trabalhadoras e os empresários. Nesta aula vamos buscar compreender as mudanças que ocorreram nas relações entre Estado. O novo governo se propunha a realizar as reformas econômicas. aprovou várias leis trabalhistas que se consolidaram como direitos sociais conquistados pelos trabalhadores. que até 1930 tiveram vida e organização autônomas. a Lei de Sindicalização regulamentou os sindicatos patronais e operários e definiu o sindicato como órgão consultivo e de colaboração com o poder público . O Estado. A segunda fase. em novembro de 1930. A partir da Revolução de 30. caracterizou-se por ampla atividade legislativa e pela reformulação de pontos importantes da legislação. foi o primeiro sinal do novo governo para demonstrar que encarava a questão social de maneira diferente.A UU AL A L 28 Estado e sociedade (1920-1942) década de 30 caracterizou-se por uma mudança nas relações entre o Estado. de 1935 a 1942. com o objetivo de combater os sindicatos independentes. mas nem sempre eram plenamente aceitos pelos empresários. “ obrigando-o a intervir mais diretamente como órgão de coordenação e direção ” na vida econômica e social. passaram a ser regulamentados pela nova legislação sindical. foi marcada pela repressão. Para Getúlio Vargas. atuando como árbitro das questões que envolviam patrões e empregados. associada ao processo de integração dos sindicatos ao Estado. nesse período marcado pela implantação do corporativismo sindical. MÓDULO 7 28 A A Nesta aula Em busca do pacto social: 1930-1935 As classes trabalhadoras receberam a vitória da Revolução de 30 com esperançosa alegria. sociais e políticas necessárias ao país. A primeira fase. Para receber os benefícios da legislação social era preciso que os sindicatos fossem reconhecidos pelo Ministério. podemos dividir em duas fases a ação do Estado em relação às classes trabalhadoras. Com ela surgiram os representantes do Ministério com a função de assistir às assembléias e examinar as finanças das organizações. Por isso. A criação do Ministério do Trabalho.

as organizações independentes resistiram. o número subiu para 116. As antigas carteiras emitidas pelos sindicatos deixaram de ter validade. a tendência dominante passou a ser a aproximação com o Governo. No período 1933-34. o governo regulamentou a Lei de Férias e instituiu a carteira profissional (1932). a FIESP era permanentemente consultada pelo Ministério do Trabalho para fornecer auxílio aos anteprojetos de leis sociais.A U L A 28 perto dele. O ano de 1933 trouxe algumas mudanças. a sindicalização das classes patronais cresceu bastante. por exemplo. Em 1931. O mesmo aconteceu com a Lei de Férias. Aproveitando-se do clima de “abertura”. prevendo indenizações. apoiada pela Confederação Nacional da Indústria − CNI e pela Federação das Indústrias de Minas Gerais − FIMG. tentando manter sua autonomia a todo custo. Desde 1933. Tratava-se de um instrumento de controle. apenas 39 sindicatos de trabalhadores encontravam-se reconhecidos em todo o país. principalmente por intermédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo − FIESP. Mas esses números eram pequenos se comparados ao número de sindicatos existentes. era comum a atuação do patronato no sentido de atrasar ao máximo a regulamentação de algumas leis. mesmo atuando no interior dos sindicatos ligados ao Ministério. procuravam sustentar a política independente da classe operária. Esse documento passou a ser necessário tanto para a associação em um sindicato quanto para o direito de férias e a apresentação de queixas ao Ministério. Paralelamente. que aos poucos foi se transformando em apoio. levou alguns anos até ser regulamentada em 1935. Nesse processo. gerado pela convocação da Assembléia Constituinte. Assim. mas também de uma garantia dos direitos. No ano seguinte. Vieram as reações dos trabalhadores e do meio empresarial. denunciaram. Além disso. mas também fizeram greves exigindo que os patrões cumprissem os direitos sociais. Os empresários industriais tiveram no período 1930-32 uma posição hostil em relação ao Governo. em São Paulo. O operariado se unia em seus poderosos sindicatos Os comunistas. A repressão aos sindicatos diminuiu. . conseguiram eleger um representante ligado ao Partido Comunista Brasileiro. A reforma da Lei de Acidentes do Trabalho.

Ao mesmo tempo. ligado à Justiça Militar. Ao mesmo tempo. os industriais buscavam influenciar a política econômica do governo. A ação independente dos sindicatos tornou-se impossível. sindicatos foram devassados. definindo os crimes contra a ordem política e social. os princípios do pluralismo e da autonomia sindical. O pluralismo sindical foi limitado pela lei. o Governo estabeleceu uma nova lei de sindicalização. com a criação do Tribunal de Segurança Nacional. Foram feitas intervenções nos sindicatos que reivindicaram ou organizaram greves. pois achavam que isso dividia suas lutas e reivindicações. mas que atendiam às pressões do patronato. O alvo maior do discurso oficial acusatório foram os comunistas. o Ministério do Trabalho criou o Estatuto Padrão que estabeleceu um único modelo de vida associativa dos sindicatos. Na Câmara dos Deputados. a tendência centralizadora do governo aumentou. A participação de empresários em institutos. embora na própria Constituição estivesse escrito que o Estado era democrático. que atuava junto com a polícia. A Constituição aprovada em julho de 1934 confirmou o espírito corporativista até então adotado. a jornada de oito horas.1942 Em abril de 1935. não foi reconhecido. muitas correntes do movimento operário eram contra o pluralismo.Ao mesmo tempo em que aderiam à estrutura sindical corporativa oficial. Ao mesmo tempo. Em 1935. em julho de 1939. Em oposição ao espírito que orientou os trabalhos na Assembléia Constituinte. o Estatuto Padrão foi aperfeiçoado e. em novembro. e estendeu-se até 1942. O direito de greve. Somado a isso. reforçou-se em 1937 com o Estado Novo. dava cores mais fortes à situação. o Ministério passou a ter total controle financeiro dos sindicatos e o poder de administrá-los. tais como o salário mínimo. Em setembro de 1936. comissões e conselhos criados pelo governo foram exemplos dessa tentativa. Durante o Estado Novo. espancamentos e prisões. férias anuais e a Justiça do Trabalho. mesmo com a aprovação da Constituição. o fechamento da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e o fracasso da Intentona Comunista. com invasão policial e destruição das sedes. que o tornava praticamente inviável. com ele. A questão social passou a ser definida como uma questão de segurança nacional . . Um longo período de silêncio iniciou-se em 1935. as arbitrariedades da polícia eram denunciadas por algumas lideranças. as manifestações e os choques violentos entre militantes integralistas e comunistas indicavam o grau de mobilização e radicalização política da época. A U L A 28 Tempos de silêncio: 1935 . A repressão do Ministério do Trabalho. Além disso. Foram estabelecidas diversas medidas. contrários à política governamental. no entanto. tornaram a repressão implacável e a resistência quase impossível. inaugurou-se um novo quadro nas relações entre o Estado e as classes trabalhadoras. definitivamente fechados. aumentando o controle ministerial. Deste modo. entretanto. Consagraram-se. prevendo a regulamentação de todas as profissões. prisões se sucederam. um decreto do Governo reafirmou a vinculação dos sindicatos ao Ministério do Trabalho. O poder central passou a desenvolver uma ação cada vez mais repressiva. o Governo lançou a Lei de Segurança Nacional. As direções suspeitas foram cassadas e os sindicatos independentes.

com as leis sociais. utilizando-se da repressão e do silêncio forçado a partir de 1935. estabelecendo que todo empregado. era lançado o decreto que criou o Imposto Sindical . garantiu − apesar de tudo − direitos sociais que atenderam a algumas das antigas reivindicações do movimento operário. O acesso aos direitos sociais só era permitido aos trabalhadores legalmente sindicalizados. Toda essa legislação seria reunida. no vocabulário da Unidade e no dicionário. O Estado pós-1930. resistindo ao corporativismo. Esses recursos gigantescos seriam utilizados para tornar os sindicatos atrativos para a maioria teoricamente representada por eles. o governo partiu para uma nova ação legislativa. que incluiu a regulamentação do salário mínimo e da Justiça do Trabalho. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. Esses direitos abriram caminho para uma nova relação entre Estado e classe trabalhadora a partir de 1942. escolas. 1. nas ruas e nos sindicatos. no valor de um dia de trabalho. Esta era uma condição para a cidadania. Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). e lutando. Releia Em busca do pacto social: 1930-1935 e responda: Qual a condição estabelecida pelo governo para que os trabalhadores se beneficiassem da legislação social? . ao mesmo tempo. os trabalhadores e suas lideranças colocaram-se como elementos a serem levados em conta no jogo político. 2. pagaria obrigatoriamente um imposto sindical anual ao seu sindicato. assistência médica. dentro dos sindicatos legais vinculados ao Ministério. oferecendo diversos serviços como cooperativas de crédito e de consumo. em 1943.A U L A 28 No ano seguinte. No entanto. 6 O tempo não pára O Estado brasileiro pós-1930 buscou. o estabelecimento de um pacto que se traduzia num acordo em que os trabalhadores trocavam os benefícios da legislação por obediência política e adesão à proposta oficial. Depois de controlados os sindicatos. Mas isso é assunto para nossas próximas aulas. sindicalizado ou não. Releia Em busca do pacto social: 1930-1935 e identifique o que a Constituição de 1934 estabeleceu com relação à legislação trabalhista. entre outros benefícios. Reivindicaram outras formas de cidadania.

de 19/03/31. “Com a criação dos sindicatos profissionais moldados em regras uniformes e precisas.1 9 4 2 e explique o que é o Imposto Sindical. quem deveria atuar como árbitro das questões entre trabalhadores e empresários? 6 .3. que significa “coligação de patrões que. Releia Em busca do pacto social: 1930-1935 e sublinhe o trecho que trata da função da carteira profissional para os trabalhadores. De acordo com esse documento. De acordo comesse documento. sob as vistas cautelosas do Estado”. Este é um trecho da “Exposição de Motivos” em que o Ministro do Trabalho procurava justificar a necessidade da Lei de Sindicalização. Como a Lei de Sindicalização definiu os Sindicatos? 3. 2. produz atritos que estalam em greves e lockouts. Fazendo a História Leia este documento com atenção: Exposição de Motivos que acompanhou a Lei de Sindicalização Decreto N º 19. dá-se às aspirações dos trabalhadores e às necessidades dos patrões expressão legal normal e autorizada. 1. tanto de uns como de outros. Os Sindicatos ou Associações de Classe serão os párachoques dessas tendências antagônicas. Dê um novo título a esta aula.770. Os salários mínimos. que estabelecia um enquadramento da organização e da vida sindical no Estado. é causa de descontentamento. 6. em resposta à ameaça de greve dos funcionários. os regimes e as horas de trabalho serão assuntos de sua prerrogativa imediata. Releia Tempos de silêncio: 1935 . gera a desconfiança. fecham seus estabelecimentos”.1942 e identifique duas características da relação Estado-classes trabalhadoras nesse período. Releia T e m p o s d e s i l ê n c i o : 1 9 3 5 . A U L A 4. 28 5. O arbítrio. quais eram os motivos das greves e lockouts? Lockout: palavra de origem inglesa.

Entre 1942 e 1961. com maioria absoluta de votos − em eleições livres. mesmo à frente de dois golpes de Estado (em 1930 e 1937) e da ditadura do Estado Novo (1937 a 1945). Pode-se dizer que. o suicídio de Vargas (1954). especialmente crises políticas: a renúncia de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo (1945). responderam de fato pelo jogo político. os levantes militares contra a posse de Juscelino Kubitschek (1955). 6 Nesta aula Nesta aula vamos estudar as relações entre o governo e a sociedade da crise do Estado Novo até o final do segundo governo Vargas (1942-1954). preparando o ataque alemão à Polônia . que uniam corações de norte a sul. que era nosso. no progresso de cinqüenta anos em cinco. Foi. governada por Adolf Hitler. Vamos a eles. sobre países da Europa. da qual foi deposto. Vamos conhecer também as redefinições legais da cidadania brasileira ocorridas nesse período. nas cantoras do rádio. Anos de crise. acabou chegando à Presidência em 1950. a partir da elaboração de uma nova constituição em 1946. de certo modo. e durou de 1939 a 1945. anos de crença. maiores ainda que a Primeira Guerra Mundial. tanto as crises políticas quanto a esperança surgiram. pela primeira vez. Em agosto de 1939. O mundo em guerra A Segunda Guerra Mundial foi um conflito armado de grandes proporções.A UA U L A L A MÓDULO 8 29 29 Da vida à História E Apresentação do Módulo 8 stamos começando o estudo de mais um período de nossa história recente. Seu início ocorreu a partir de ações expansionistas por parte da Alemanha. da vivência política dessa novidade. Mas foram também anos de crença e de esperança. que. um tempo no qual os partidos políticos e a democracia representativa. Esperança no petróleo. Vamos tentar compreender como foi construída a popularidade de Getúlio Vargas. o Brasil viveu anos de crise. antes de mais nada. Hitler firmou o Pacto de Não-Agressão com a União Soviética.

o pensamento político do governo. Getúlio Vargas negociou com os norte-americanos um empréstimo e a tecnologia para construir a Companhia Siderúrgica Nacional. e o Japão junta-se a essas duas nações. o Brasil obteve financiamento para construir a Companhia Siderúrgica Nacional. estava a utilização de bases aéreas em alguns estados do Nordeste. um caráter de luta contra o totalitarismo e pela liberdade . Em 1940. que declararam guerra à Alemanha. No caso da Alemanha. que mostra Getúlio Vargas com o presidente norteamericano Roosevelt. e ficou conhecido como nazismo . a União Soviética também se apossaria da parte oriental da Polônia. Esse fato. esse conteúdo totalitário do pensamento político dominante manifestou-se no fascismo . em troca da participação na Segunda Guerra. há referências à Segunda Guerrra Mundial como sendo a luta contra o nazi-fascismo . O Brasil havia se declarado neutro e alguns membros do governo de Getúlio Vargas (Estado Novo) pareciam simpatizar com as idéias do fascismo italiano. a Itália entra no conflito ao lado da Alemanha. especialmente em relação aos judeus. para as tropas norte-americanas. no que obteve sucesso. A concordância norte-americana em financiar Volta Redonda resultou de fatores de natureza política. a partir de 1941. provocou a reação imediata da Inglaterra e da França.no mês seguinte. o país passou a sofrer pressões internas e externas (dos Estados Unidos) para entrar na guerra junto com os Aliados. representou um dos acontecimentos que levariam à derrota dos países do Eixo. Entre as formas de colaboração que os Estados Unidos receberiam do Brasil. centralizados e autoritários. Os países do Eixo tinham em comum governos fortes. No mesmo ano. a invasão da União Soviética pela Alemanha modificou o panorama da guerra. Mais tarde. além de totalitário (pois pretendia controlar não apenas as ações mas também as opiniões e convicções de todos os alemães). a União Soviética se aproximou dos países Aliados. então. Por tal razão. A partir da agressão alemã. A U L A 29 Este quadro. governada por Mussolini. tinha um caráter racista. a curto prazo. A guerra assumiu. Por causa disso. o que. Na Itália. formando a aliança conhecida como Eixo . em Volta Redonda. faz lembrar que. para entrar na guerra. Os Estados Unidos entraram na guerra ao lado da Inglaterra e da França e formou-se assim o grupo dos Aliados . .

. com a decretação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943. começou a acontecer uma disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética por áreas de influência no mundo. A invenção do trabalhismo “ No sentimento dos trabalhadores brasileiros. o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália e. apenas “presentes”. Os direitos sociais e os ganhos salariais dos trabalhadores eram. Foi o período da Guerra Fria . Alexandre Marcondes Filho. a palavra do presidente Vargas tem uma ressonância mais profunda que todas as outras. Nessa versão. A importância desse fato para os rumos da História do Brasil é o motivo de marcarmos 1942 como o início desta aula. com a vitória dos Aliados. em chamadas rápidas.. E. descritos como uma dádiva. apesar do clima de conflito. desaparecia a história das lutas sociais dos trabalhadores brasileiros e de seus sindicatos livres na Primeira República. assim chamado porque. ao mesmo tempo em que divulgava e explicava os novos direitos dos trabalhadores. não havia confronto armado entre as duas potências. à Europa. ministro do Trabalho. com um programa especial. É a voz de um amigo. enaltecia a figura do presidente.) Foi especialmente nos últimos anos do Estado Novo (1942-1945) que Getúlio Vargas consolidou sua imagem de “pai dos pobres”. Assim ocorreu. como o sindicalismo independente fora silenciado desde 1935 e já que se estava numa situação de ausência de qualquer direito social.) Canção do Expedicionário de Guilherme de Almeida e Spartaco Rossi A Segunda Guerra Mundial terminou em 1945. Para tanto. dois anos depois. utilizou-se especialmente do rádio. Desde 1942. e semanalmente. na teoria e na prática getulista. como uma doação do governo. Não havia conquistas. representado pela figura do presidente. de fato. Por mais terras que percorra Não permita Deus que eu morra Sem que volte para lá Sem que leve por divisa Esse V que simboliza A vitória que virá. enviou uma força composta por soldados brasileiros: a FEB (Força Expedicionária Brasileira). ” (trecho do discurso de Alexandre Marcondes Filho. Esta canção foi feita em homenagem aos soldados brasileiros − conhecidos como “pracinhas” − que foram lutar na Segunda Guerra Mundial. essas . É o ensinamento de um guia . Nossa vitória final Que é mira do meu fusil A ração do meu bornal A água do meu cantil As asas do meu ideal A glória do meu Brasil (. passou a ocupar diariamente um espaço no rádio. “doações”.A U L A 29 Em agosto de 1942. de amigo e guia dos trabalhadores. por exemplo. em 1943. Nessas transmissões. um novo ministro do Trabalho. Após a guerra.

em 1945. daria origem ao Partido Trabalhista Brasileiro − PTB. Marcondes Filho contribuiu de forma definitiva para a construção da imagem “paternal” do presidente Vargas junto aos trabalhadores e para a criação do trabalhismo como pensamento político. A Carteira de Trabalho que conhecemos hoje. havia sido percorrido todo um caminho de resistência contra o Estado Novo e suas medidas autoritárias.. especialmente em relação aos trabalhadores. setores da sociedade brasileira tinham conseguido abrir espaços para a manifestação de opiniões . A entrada de Alexandre Marcondes Filho no Ministério do Trabalho. Nos comícios de 1º de maio. atento e confiante. É dele o texto de apresentação que há em todas as carteiras de trabalho até hoje. nas datas em que ele fazia discursos aos trabalhadores (Natal. gravado por Jorge Veiga. do direito à liberdade e da luta pela igualdade em outros países. Indústria e Comércio é um exemplo dessa mudança.medidas do governo conquistaram milhares de trabalhadores. Durante a sua gestão. o papel desempenhado pela carteira de trabalho como instrumento de controle da vida dos trabalhadores e como garantia de seus direitos. Além disso. Síntese da política do tempo.. A U L A 29 A volta das liberdades democráticas Laurindo voltou Coberto de glória Trazendo garboso no peito A cruz da vitória (. que. Nascia o trabalhismo . muitos haviam morrido e os que voltaram tinham arriscado a vida na luta contra regimes autoritários fora do Brasil. O retorno dos pracinhas veio dar maior força à luta interna de muitos brasileiros pelas liberdades democráticas . esse samba fala da volta de um soldado brasileiro após o fim da guerra. Ano Novo). ao mesmo tempo.. colocada em prática desde 1935. essa apresentração destaca.) As duas divisas que ele ganhou mereceu Conheço os princípios que Laurindo sempre defendeu Amigo da verdade Defensor da igualdade Dizem que no morro vai haver transformação Camarada Laurindo Estamos à sua disposição Cabo Laurindo . em 1932. além de marcar a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Portanto “ia haver transformação ”. foi valorizada nessa fase do ministro Marcondes.. A transformação acabou realmente ocorrendo e não foi apenas por causa da volta dos pracinhas com sua história de luta contra o fascismo. Afinal. como dizia a letra do samba. nas festas cívicas promovidas pelo Governo. em 1945 Muito divulgado na época. e passou a incentivar os sindicatos oficiais a serem efetivamente locais de representação dos interesses dos trabalhadores e não apenas “sindicatos de papel”. também o Ministério do Trabalho redefiniu a política repressiva. o presidente encontrava um público fiel. assinala uma mudança de estratégia política do Estado Novo. Desse modo. o ano de 1942. No período de 1942 a 1945. Haviam conhecido idéias novas a respeito da democracia. especialmente após 1942. No Brasil. criada durante o governo Vargas. samba de Haroldo Lobo.

Ao mesmo tempo. um documento escrito por políticos de Minas Gerais (que ficou conhecido como o “Manifesto dos Mineiros”) dizia o seguinte: “Se lutamos contra o fascismo (. Em abril. que tinha entre seus militantes trabalhadores sindicalizados e intelectuais. No segundo semestre de 1945. em fevereiro de 1945.. Getúlio Vargas reagiu habilmente e convocou chefes políticos leais a ele para criar um outro grande partido: o Partido Social Democrático − PSD.) Queremos liberdade de pensamento. apoio esse que havia conquistado ao longo de seu governo.. ser eleito presidente. ministro da Guerra do Governo Getúlio Vargas.. fundou a União Democrática Nacional − UDN. os ventos da liberdade abriram espaço para um partido que havia ficado 23 anos proibido: o Partido Comunista Brasileiro . foi fundada a Sociedade dos Amigos da América. militar que havia participado da Revolta do Forte de Copacabana. O candidato à Presidência pela UDN foi o brigadeiro Eduardo Gomes. Nesse ano.A U L A 29 e de crítica ao Estado Novo. ligados aos interesses dos exportadores e de parte da classe média descontente com Getúlio.) para que a liberdade e a democracia sejam restituídas a todos os povos. O brigadeiro Eduardo Gomes tentou. em fevereiro. deu anistia para os presos por crimes políticos e permitiu o funcionamento de todos os partidos. que lançou a candidatura à Presidência do general Eurico Gaspar Dutra. embora fossem limitados pela repressão e pela censura. Vargas dirigiu a criação de outro partido para apoiá-lo: o Partido Trabalhista Brasileiro − PTB.. Getúlio Vargas cedeu.” A campanha contra o governo cresceu e. com apoio do Ministério do Trabalho e dos sindicatos governistas. convocou eleições livres para o final daquele ano. em 1943.PCB. em 1922. O PTB fazia parte de um projeto de Getúlio Vargas para criar um grande partido de massa que desse continuidade à sua política. Esse partido declarava-se contra o comunismo e tinha grande simpatia pela política dos Estados Unidos. certamente não pedimos demais reclamando para nós os mesmos direitos e garantias(. e resolveu apoiar Getúlio Vargas. com o apoio dos trabalhadores. pela UDN. por duas vezes. . para lutar contra a ditadura de Getúlio Vargas e. por sua política nacionalista e pela participação na guerra contra o nazi-fascismo. um grupo de oposição formado por políticos liberais. Finalmente. Mesmo antes da liberdade partidária. sobretudo pensamento político.

Os candidatos à Presidência eram o brigadeiro Eduardo Gomes. o governo Dutra colocou o PCB outra vez na ilegalidade e rompeu relações diplomáticas com a União Soviética. enquanto se reunia uma Assembléia Nacional Constituinte livremente eleita. mas que não perdia de vista o capital estrangeiro. “Bota o retrato do velho outra vez” Dutra realizou um governo de tendências mais conservadoras que o esperado. O PSD teve como candidato Cristiano Machado. fez a campanha para que Getúlio Vargas continuasse no poder. pela UDN. inclusive Vargas. Assim. junto com os empresários nacionais. unido ao PCB. Getúlio buscava atrair investimentos estrangeiros para que. os direitos sociais e os interesses dos trabalhadores perdiam o caráter de prioridade que tiveram nos últimos anos do Estado Novo. PCB). conseguiram fazer com que Getúlio renunciasse e desistisse de sua candidatura à Presidência.7% do total de votos. Para estimular a indústria. e Getúlio Vargas. o PTB. perdendo seus aliados eleitorais. fosse impulsionada a indústria brasileira. com o apoio do Exército − que temia a aliança do PTB com o PCB −. Além disso.. Getúlio Vargas foi eleito Presidente com 48. Alinhando-se com os Estados Unidos na Guerra Fria . marcado por uma política econômica nacionalista. o que desagradou profundamente aos . do PSD). pelo PTB (coligado ao PSP e apoiado pelo clandestino.. Essa campanha ficou conhecida como queremismo . elegeu-se também uma Assembéia Nacional Constituinte. que graças ao seu apoio venceu com 55% dos votos. o direito de greve. mas atuante. A U L A 29 Getúlio criara a imagem de “pai dos pobres” e o povo o adorava. e 10% de Yedo Fiúza. A Carta Constitucional de 1946 permaneceria em vigor até 1964.Com as candidaturas presidenciais já lançadas (oficialmente o governo apoiava o general Eurico Gaspar Dutra. Junto ao novo governo. Getúlio continuou a apoiar o general Dutra. Voltou ao Palácio do Catete (sede do Governo) “nos braços do povo. contra 35% do brigadeiro Eduardo Gomes. da UDN. os opositores de Getúlio. Getúlio criou leis que aumentavam os impostos de entrada de produtos estrangeiros. o pluripartidarismo e a estrutura sindical corporativa herdada do Estado Novo. que consagrou o direito universal do voto secreto a homens e mulheres alfabetizados. Em 1950.” Vargas assumiu em 1951 e deu início ao seu segundo governo. A oposição desconfiava que Getúlio planejava apoiar-se na campanha para lançar a si mesmo como canditado à Presidência. do PCB. a campanha para a sucessão presidencial desenvolveu-se numa situação de impopularidade do governo Dutra. Por tudo isso. do PSD.

juntaram-se os políticos da UDN e os militares que temiam o comunismo. Paulo e a rádio Globo . consagrando o monopólio estatal do petróleo. dizia: “Mais uma vez. que todos os dias discursava contra o presidente. No entanto. em 1º de maio de 1954. apoiados. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História. ferroviários. Um atentado contra o major Rubens Vaz. nos jornais. em especial o jornal O Estado de S. mas os discursos de Lacerda envolviam o próprio Getúlio na ação criminosa.) Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será vossa bandeira de luta.. E na manhã de 24 de agosto de 1954. sem voz na imprensa. gráficos. “Saio da vida para entrar na História” A popularidade de Vargas recebeu um grande golpe quando. Com isso. foi deflagrada uma greve em São Paulo. corroído pela inflação. Getúlio suicidou-se com um tiro no coração. A greve começara com os operários da indústria de tecidos. no rádio e na TV. No plano político-social. em 1953. marcou o fim de Getúlio. motoristas e por outras categorias. as forças e os interesses contra o povo coordenaramse e novamente se desencadeiam sobre mim. Pressionado por militares. feridos e muitos presos. (. Gregório foi preso. E ele foi ficando cada vez mais isolado.) Eu vos dei a minha vida. inclusive pelo PSD. Houve quebra-quebra. Getúlio afirmou que só sairia morto do Palácio do Catete. o que enfureceu a população. concedendo um amplo reajuste ao salário mínimo.. não me combatem. deputado federal pela UDN e jornalista de A Tribuna da Imprensa desenvolvia uma campanha diária de denúncias − comprovadas ou não − em artigos contra o governo de Getúlio. Nada receio. sem controle de seu governo. em 1953. E. por metalúrgicos. Gregório Fortunato.A U L A 29 empresários brasileiros ligados ao comércio e à exportação. militar da Aeronáutica que estava ao lado de Carlos Lacerda. A campanha contra Getúlio cresceu. reivindicando aumento salarial para os trabalhadores. Agora vos ofereço a minha morte. insultam. Getúlio tentou reconduzir sua política para uma direção mais popular. Getúlio Vargas” 6 . criou a Petrobrás.(. Lacerda pedia.. em Copacabana.. Isolado politicamente. À imprensa de oposição a Getúlio. abandonado por muitos dos que o apoiavam. Não me acusam. aumentaram ainda mais as desconfianças dos setores conservadores. e pela bancada da UDN no Congresso. muito combatido pela imprensa. sem apoio dos políticos. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. manteve o estilo que o havia transformado no “pai dos pobres” e “protetor dos trabalhadores”. As investigações do crime chegaram até o chefe da guarda pessoal do presidente. caluniam e não me dão o direito de defesa . Carlos Lacerda. Na sua carta-testamento dirigida ao povo brasileiro. em seguida. O governo de São Paulo reprimiu duramente a greve. conhecido como o “anjo negro”. que pediram abertamente a sua renúncia. a alta do custo de vida ameaçava essa imagem. que os militares dessem um golpe e retirassem o presidente do poder.

Retire do texto uma frase que mostre a intenção do governo em ter o controle da vida profissional do trabalhador por meio da Carteira de Trabalho. na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). período da História do Brasil ao qual nos referimos nesta aula. Fazendo a História Abra a sua Carteira de Trabalho na parte inicial.. Ele foi escrito entre os anos de 1942 e 1945. De repente. A história tomou outro rumo e. Retire do texto uma frase que mostre a intenção do governo em garantir os direitos sociais do trabalhador com a Carteira de Trabalho. foi barrado. o texto assinado pelo ministro Alexandre Marcondes Filho. Procure. 2. 3. Releia O mundo em guerra e identifique os países que faziam parte do Eixo. a indignação tomou conta do país. Caso você não tenha. Sublinhe as palavras que não entendeu e procure seu significado. 5. no vocabulário da Unidade ou no dicionário. Um golpe. 2. Releia “ B o t a o r e t r a t o d o v e l h o o u t r a v e z ” e destaque o trecho que identifica os fatores da impopularidade do governo Dutra. Releia A volta das liberdades democráticas e sublinhe na letra da canção Cabo Laurindo uma frase que mostre a esperança de mudanças na política brasileira. Releia “Saio da vida para entrar na H istória ” e sublinhe no texto da “carta-testamento” uma frase em que Getúlio Vargas indica a atuação das oposições no período final de seu governo (1954). os jornais de oposição tiveram seus caminhões incendiados. Lacerda teve de fugir.. Exercícios 3. capitaneado pela UDN. 4. Dê um novo título a esta aula. 4. logo no começo da Carteira. a Embaixada dos Estados Unidos foi apedrejada. que parecia em marcha. peça emprestado a de alguém. Leia esse texto com muita atenção. 1.. Releia A invenção do trabalhismo e retire do discurso de Alexandre Marcondes uma frase que mostre a imagem do presidente Vargas que o governo queria passar para os trabalhadores. 1. com o fim da Segunda Guerra Mundial e a volta dos pracinhas. 6. os que viriam a governar o país nos anos seguintes precisariam mostrar um bom convívio com a memória do presidente Vargas. de alguma forma. O tempo A U L A não pára 29 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. 6 ..O suicídio de Getúlio Vargas levantou o povo contra os inimigos do presidente.

Durante o Estado Novo (1937-1945) o empresariado consolidou um novo estilo de participação política. voltando-se para a expansão das atividades ligadas às necessidades do mercado interno. no período compreendido entre 1942 e 1961. Pouco a pouco. Quais as alternativas adotadas pelo Estado brasileiro. mas colocaria a industrialização do país como uma importante meta a alcançar. foram implantadas as indústrias de bens de produção ou indústrias de base. Nesta aula S O nacionalismo varguista A atuação do Estado como agente econômico é. A década de 1930 foi um marco. sem dúvida. essas idéias ganharam lugar de destaque no pensamento e na ação do governo federal. Eles consideravam necessário um Estado forte. que passou a direcionar sua política econômica para a industrialização do país. favorecendo o empresariado industrial brasileiro. nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Por sua atuação no interior desses órgãos. para promover a industrialização? Nesta aula mostraremos os diversos projetos para industrializar o Brasil. pois o Estado que resultou da Revolução de 30 teve como um dos seus objetivos fazer da cidade e da indústria (ou seja.A UA U L A L A MÓDULO 8 30 30 Caminhos da industrialização abemos que. os empresários industriais conseguiram promover seus interesses e divulgar suas idéias. . especialmente as que defendiam o desenvolvimento industrial como a única saída para a fraqueza da economia do país − baseada até então na exportação de produtos agrícolas e na importação de produtos industrializados. de tipo corporativo. algo típico da história contemporânea do Brasil. Nesse período. vinham-se instalando indústrias para atender não apenas à expansão da economia cafeeira como também ao lento mas crescente processo de urbanização dessas áreas. desde o início do século XX. Nos anos 30 e 40. a sociedade brasileira era ainda basicamente rural. os projetos vencedores e os resultados econômico-sociais desse processo. que protegesse a indústria nacional e garantisse o bem-estar social da Nação. que conseguiu garantir junto ao Estado o atendimento de seus interesses. do pólo urbano-industrial) o eixo da economia. marcando sua presença em órgãos públicos como o Conselho Federal de Comércio Exterior (CFCE) e o Conselho Técnico de Economia e Finanças (CTEF). realizado principalmente por intermédio da intervenção do Estado.

tecidos. Durante o Estado Novo. A Usina começou a produzir em 1946 e contribuiu para diminuir a importação de ferro e aço a partir de 1956. um ambicioso Plano Qüinqüenal (duração de cinco anos). Para implantar um setor de bens de produção − siderurgia. no entanto. o Estado não só coordenaria a economia como se tornaria um investidor. da Companhia Siderúrgica Nacional.Chamado a assumir a tarefa de implantar a indústria de base. ao mesmo tempo em que fazia leis para organizar a economia em geral. Grande parte desses recursos foram conseguidos com a exportação de produtos agrícolas. Dava-se maior importância à exploração das riquezas nacionais. alimentação e vestuário. o Brasil passou a diminuir sua importação de ferro e aço. a estrutura industrial brasileira estava organizada em torno do setor de bens de consumo corrente . o Estado passou a participar diretamente de determinadas áreas produtivas. o Brasil pudesse desenvolver uma indústria independente e. permitindo que. mas atento às possibilidades de negociar com os países envolvidos na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). a construção de uma grande usina siderúrgica. em 1940. principalmente do café. entre outros projetos. a política de Getúlio Vargas caracterizou-se pelo nacionalismo e pelo intervencionismo. sem. um empresário. era necessário conseguir recursos para comprar insumos básicos e equipamentos (máquinas. incomodar as empresas estrangeiras que já estavam no país. em tempos de paz. Até o início da década de 1930. A instalação dessa usina quebraria o monopólio da produção de aço que os Estados Unidos e a Europa possuíam. energia. que previa. com capital público nacional e financiamento do governo dos Estados Unidos. interessado em contar com a participação brasileira na guerra contra o nazi-fascismo. ferramentas etc). . isto é. Ao mesmo tempo. Ignorando as dificuldades econômicas. o governo brasileiro publicou. Em 1941. foi iniciada a contrução da Companhia Siderúrgica Nacional − CSN (Usina Siderúrgica de Volta Redonda). pudesse contar com infra-estrutura para sua própria indústria mecânica. em caso de guerra. A U L A 30 Com a construção da Usina de Volta Redonda. transportes −. Assim. o Estado transformava-se em investidor das indústrias de base.

em vez de apenas montá-los. . E o Estado deveria ser. Muitas dessas indústrias forneciam bens e serviços a preços baixos. a Companhia Nacional de Álcalis (1943) e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (1945) são. em dezembro de 1951. o condutor desse processo. que foi apresentado ao Congresso Nacional.A U L A 30 Em 1943. transportes. criadas durante o período. Com o segundo Governo Vargas (1951-1954). houve uma diminuição da intervenção do Estado na economia. inaugurou-se a Fábrica Nacional de Motores − FNM. equipamentos e material ferroviário. com maior poder de decisão do Estado. As posições nacionalistas de Getúlio Vargas entraram em conflito com aqueles que defendiam a abertura ao capital estrangeiro para promover o desenvolvimento econômico. tornando possível ao setor privado economizar nos custos de produção e continuar investindo nos setores tradicionais (na indústria de bens de consumo corrente). a Companhia Vale do Rio Doce dominava o comércio de minério de ferro e outros minerais. Durante o governo do general Eurico Dutra (1951-1954). comunicações). química. Inaugurada em 1942. A Companhia Vale do Rio Doce (1942). que possibilitaram uma industrialização acelerada. era impossível conseguir recursos suficientes para esses setores dentro do país. para reintegrar o Brasil no mercado internacional. junto com a CSN. o setor privado era bastante beneficiado pela política econômica e trabalhista do governo varguista. No entanto. Mesmo temendo o excesso de intervencionismo do Estado. Políticos mais conservadores defendiam menor ênfase na indústria de bens de produção e maior liberdade comercial. primeira empresa brasileira a fabricar veículos. indústria elétrica) e de infra-estrutura (energia. O projeto de lei propunha a exploração do petróleo por uma nova empresa de economia mista. Marcada por um forte nacionalismo. a industrialização acelerada voltou a ser considerada elemento essencial para promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil. alguns exemplos de empresas públicas. incluía-se o projeto de criação da Petrobrás. Dentre as iniciativas nacionalistas voltadas para o desenvolvimento independente do país. mais uma vez. sob influência da onda liberal resultante do fim da Segunda Guerra. precisava-se buscar recursos externos. a política econômica promovida por Getúlio mudou a direção que havia sido dada pelo governo Dutra e voltou a dar prioridade às indústrias de base (ferro e aço. junto com o Programa do Petróleo Nacional.

Uma das características do governo de JK foi o planejamento. instalada no Brasil. Os lucrativos negócios da empresa americana Standart Oil.Tal projeto. opondo-se nesse sentido ao governo anterior. que teve como objetivo modernizar o Brasil e cumprir o lema da campanha de JK: “50 anos em 5 ”. A industrialização continuou sendo a opção de desenvolvimento. que só foi aprovado quase dois anos mais tarde. sofreu grandes modificações. A U L A 30 O desenvolvimentismo de JK Durante o governo de Juscelino Kubitscheck (1956-1960). houve uma abertura ao capital estrangeiro. Se. criados pelo presidente e subordinados ao Conselho de Desenvolvimento. Belo Horizonte.Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. o debate entre nacionalismo e estrangeirismo não acabou no governo Vargas. No início do governo. que finalmente foi criada em outubro de 1953. Apesar da criação da Petrobrás nesse ano e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) em 1952 − para promover a melhoria da infraestrutura industrial −. cinqüenta anos de progresso em cinco anos de governo. Isto é. provocou um forte debate entre nacionalistas e estrangeiristas (defensores da entrada de capital externo). também criado por ele. quando JK governou Minas Gerais. por outro lado o intervencionismo governamental não foi eliminado. supervisionadas de perto por órgãos já existentes (BNDE . foi anunciado o Plano de Metas . que estabeleceu metas industriais a serem cumpridas nos cinco anos de mandato. estavam ameaçados. . a campanha “O Petróleo é Nosso ” ganhou as ruas e mobilizou a população em comícios e manifestações a favor do monopólio da Petrobrás. mas a maneira de promovê-la não foi a mesma dos anos 40.Carteira de Comércio Exterior) e por outros. A “batalha do petróleo” agitou o país. CACEX . fundada em 1897. o processo de industrialização teve nova orientação. por um lado.

para 133. Mas foi a indústria de automóveis que mais se destacou.542 unidades. como ficou conhecida a rápida expansão industrial e de consumo brasileira. Iniciada com investimentos alemães (Volkswagen) e franceses (Simca). com a participação de capital nacional e estrangeiro. o que signifivava um estímulo para os outros dois. Era a febre do crescimento. por meio do planejamento.A U L A 30 A primeira fábrica de carros de passeio no Brasil foi a Volkswagen. construção de estradas (Belém−Brasília). sem deixar de ser um importante produtor direto nos setores estratégicos (indústria de base e infra-estrutura). fazendo o país entrar na era da modernidade. em 1957. divididos em três grupos: l o capital privado nacional continuou investido na produção de bens de consumo corrente . nesse período. 6 . em 1960.041. o Estado atuou como o principal agente econômico. A indústria brasileira contou. o capital estatal continuou a financiar a indústria de base . interferindo continuamente na orientação dos investimentos. o capital estrangeiro destinou-se sobretudo à produção de bens de consumo duráveis . especialmente a indústria automobilística. JK era considerado “ o homem que substituiu o burro pelo jipe ”. público e privado. eletricidade (usinas de Três Marias e Furnas) e aço. transportes aéreos. a produção do carro nacional cresceu de 30. Entre 1955 e 1961 entraram no país mais de 2 milhões de dólares dirigidos a áreas prioritárias do Plano de Metas. como indústria automobilística. l l Na euforia desenvolvimentista .

. também aconteceram muitas mudanças. Fazendo a História Leia com atenção os documentos que vêm em seguida. Nesse momento. Não foram apenas as questões econômicas que marcaram o período JK como um período relevante. assim como a alta dívida externa. foi construída durante o governo JK. a concentração dos lucros industriais nas mãos de um pequeno número de empresários de alguns setores industriais. b) de que forma o Estado interferiu na economia. você vai ter de esperar nossas próximas aulas. Releia O nacionalismo varguista e identifique: a) qual setor industrial foi valorizado nos dois governos de Getúlio Vargas. como meta-síntese de JK. Releia O desenvolvimentismo de JK e identifique: a) qual o setor industrial mais valorizado por JK. no campo cultural e político. Mas. associadas ao crescimento das cidades e ao desenvolvimento industrial. O tempo A U L A não pára 30 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. começaram a provocar um grande descontentamento em boa parte da população brasileira. 1. o aumento da inflação. crença e desenvolvimento. sublinhe as palavras que não entender e procure descobrir o que elas significam. 3. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. Exercícios 2. grande parte das metas havia sido alcançada. para entendê-las. Dê um novo título a esta aula. d) de que forma ocorreu a participação do capital estrangeiro. no vocabulário da Unidade e no dicionário. sendo inaugurada em 21 de abril de 1960. c) qual era a posição de nacionalistas e estrangeiristas. e a sociedade brasileira já não era basicamente rural. Porém deixaram algumas heranças que logo se revelaram complicadas. Porém. Brasília. c) algumas características do Plano de Metas.Os anos JK trouxeram euforia. d) de que maneira o empresariado foi favorecido pela política econômica desse período. a nova capital do país. b) de que modo o Estado interferiu na economia.

em investimentos novos por capitais estrangeiros. porque. durante a Campanha “O Petróleo é Nosso”. no acolhimento que venho dando a todos os homens de empresa que querem trazer os seus capitais para o Brasil. na indústria do petróleo. Se a indústria do petróleo visa lucros comerciais.” Trecho de um discurso do presidente Juscelino Kubitschek. deu os frutos que esperava. b) como JK via a participação do capital estrangeiro na economia brasileira. quem deve explorar o petróleo? 3. 30 Documento B “ A viagem que realizei pelos Estados Unidos e pela Europa. Identifique no documento B: a) qual a política pregada por JK na viagem à Europa e aos Eestados Unidos. O petróleo pertence à nação. deixa de ser interessante para os capitais privados. Petróleo é a base da economia e da defesa militar de um país. em 1947. que há de dividi-lo igualmente por todos os seus filhos. que tem que ser vendida pelo preço mais barato possível. só neste ano. mesmo sob a forma de ações de uma sociedade mista. o que ele significa para o país?). Identifique no documento A: a) a importância do petróleo na visão do general (Para que serve o petróleo. b) a posição do autor em relação ao investimento do capital privado na indústria do petróleo (retire de trechos do texto). Não há como. 4. É uma injustiça social entregar o privilégio da indústria do petróleo a alguns. a fim de facilitar a produção de todas as demais riquezas. já somamos 232 milhões de dólares contra 70 milhões apenas no ano passado. em 1956. Essa política foi pregada por mim na viagem que realizei e.A U L A Documento A “ Petróleo é energia. perde o seu caráter. não para explorar o nosso território e sim contribuir para o enriquecimento e o bem-estar de todos os brasileiros. Qual a diferença entre as opiniões do general Horta Barbosa e do presidente Juscelino Kubitscheck? 6 . convocando todos os homens de capitais particulares para virem colaborar nessa tarefa [desenvolver o Brasil]. mais do que isto. se associarem o Estado e os particulares.” Trecho do pronunciamento do general Horta Barbosa. Para o autor do documento A. 2. 1. em indústrias.

os Estados Unidos. A volta dos soldados reforçou a luta pelo fim do regime autoritário do Estado Novo e por maior participação popular. ligava o país de norte a sul − assim como diz a canção das Cantoras do Rádio: Nós somos as cantoras do rádio (. Nesse momento. que acompanhavam as novas atitudes políticas (eleições. No Brasil esses anos foram.. com a música e o cinema americanos transformados em poderosas indústrias culturais. legalização do PCB.. queria garantir uma área de influência também cultural no Brasil e entrava no mercado brasileiro com toda força.). formava opinião. tempos de rádio.. O governo afrouxou o controle.) Nossa canção cruzando o espaço azul Vai reunindo Num grande abraço Corações de norte a sul .A UU AL A L 31 Arte e cultura (1942-1961) amos estudar a vida cultural da sociedade brasileira nas décadas de 1940 e 1950. como se manifestava a cultura popular? MÓDULO 8 31 A V Nesta aula Um novo tempo para a cultura brasileira A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial e as mudanças políticas internas após 1945 marcaram um novo momento para a cultura brasileira. os interesses nacionais norte-americanos se faziam cada vez mais presentes na América Latina e na vida brasileira.. surgia uma proposta de auxílio mútuo entre as diversas nações americanas (o panamericanismo ). principalmente. Nesse mesmo período. O rádio era a grande janela aberta para o mundo: trazia informação e diversão. em tempos de Guerra Fria . com o objetivo de responder à esta questão: num tempo de valorização da participação do povo na política. antes rígido. novos partidos. sobre as manifestações culturais. elaboração de uma nova Constituição − desta vez de forma democrática. Sob a justificativa da solidariedade entre os países do continente.

a cada minuto. o poder público utilizava-se dele para transmitir as falas oficiais do governo no programa A Hora do Brasil . Mas também se sentiam participantes apenas escutando o apresentador do programa. Os ouvintes participavam. César de Alencar e Marlene: duas figuras extremamente populares por causa dos programas de rádio. votando nas eleições que eram promovidas para “reis” ou “rainhas” do rádio. assistindo aos programas nos auditórios sempre lotados das emissoras de rádio. ou por correspondência. com a informação e as idéias que se queriam difundir. procurava-se chegar às regiões mais distantes do país. Fanzoca do Rádio . . transmitido por todas as emissoras.A U L A “Este programa pertence a vocês” Ela é fã da Emilinha Não sai do César de Alencar Grita o nome do Cauby (ihhh. como dizia a música de abertura do Programa César de Alencar: “ esse programa pertence a vocês!” .. Pelo rádio.. se dirigia aos ouvintes. de Miguel Gustavo 31 A letra dessa canção zomba do fanatismo de algumas ouvintes de rádio e fala de grandes ídolos musicais da época (Emilinha Borba e Cauby Peixoto). Sabendo disso. num momento em que participar se tornava cada vez mais importante. que.) E depois de desmaiar Pega a Revista do Rádio E começa a se abanar. O rádio era um meio de comunicação eficiente. Fala também do mais famoso programa de auditório da Rádio Nacional no Rio de Janeiro − o Programa César de Alencar − e da publicação que acompanhava todo esse sucesso: a Revista do Rádio . E o que fazia esses programas de rádio tão populares? O principal motivo é que eles abriam espaço às pessoas.

como percebemos por esse trecho do artigo de Salvyano Cavalcanti. o cinema brasileiro passou a conhecer um tempo de glória com as chanchadas da Atlântida. agarrados a seu rádio. ou melhor. quando. Assim como a programação das emissoras de rádio populares.” Artigo de Salvyano Cavalcanti de Paiva na revista Scena Muda . o rádio se popularizou com as novelas.. José Lewgoy. Durante os jogos de futebol das Copas do Mundo desse período. combinado com um pouco de sexo e frases de duplo sentido. o rádio foi se tornando fundamental para a criação de uma cultura brasileira. as chanchadas atendiam ao gosto de um amplo público e influenciavam todo o país. junto com os locutores. . diariamente. Quantos brasileiros não choraram. de uma cultura nacional. jogando em casa. em 1950. a Rádio Nacional no Rio de Janeiro (conhecida como “A Rádio das Multidões”) transmitia. Era um tipo de filme muito popular. criando ídolos e divulgando um tipo de humor bem carioca. como O Direito de Nascer . o aparelho era um acompanhante que ficava ligado. e mesmo nos jogos nacionais. Formava opinião. Oscarito. sempre com muita música. As chanchadas eram filmes cheios de cenas de fazer rir. o rádio era companheiro inseparável dos torcedores. 1952. Mas.) o disparate vulgar. cenas de amor e também com críticas alegres à vida política e cotidiana do povo brasileiro. em termos de diversão popular. Influência do baixo teatro e do radiologismo mais ruim. sustentadas pelo talento de atores como Grande Otelo. sempre presente. proporcionava prazer e diversão. Grande Otelo e Oscarito participaram de várias chanchadas da Atlântida. Apesar do desprezo dos críticos. nessas duas décadas. o Brasil perdeu a Copa? E quantos não comemoraram. no Maracanã. e o público lotava as salas de cinema para se divertir com as comédias. entre tantos outros. As famílias se reuniam em torno do rádio e. catorze novelas. das notícias e das transmissões oficiais do governo..Além dos programas musicais. A U L A 31 “Os reis do riso” “ Fazemos comédia − o pior tipo de comédia (. ligava o país de norte a sul. Em 1945. o dia todo. no último jogo contra o Uruguai. em muitas casas. o cinema nacional não ficava atrás. Zé Trindade... o sucesso de 1958? Assim.

mas. pelo rádio e pelo cinema. ficar “americanizado” era uma ofensa. de Ary Barroso. Junto ao cinema. Atrizes como Dercy Gonçalves. estava o teatro de revista . para muitos brasileiros. fizeram sucesso no palco do teatro de revista. Brasil (. com os musicais de Hollywood.. entre muitas outras. gravada pela primeira vez em 29/05/1942. ambas empresas cariocas. corrupção. em termos de cultura... meu Brasil brasileiro. o talento e o luxo das coristas levavam um grande público a esses espetáculos. carestia. Meu mulato inzoneiro Vou cantar-te nos meus versos (.A U L A 31 O Rio de Janeiro levava. cabaré. e no mesmo estilo de comédia musicada. no qual a beleza.) Oi. acontecia a entrada do cinema americano. a moda e a divulgação do ideal americano de vida (o chiclete. a cultura da cidade (ainda capital federal) para grande parte do país. a Coca-Cola). espetáculo musical e comédia de costumes − o “teatro rebolado” (como era também conhecido) trazia para o palco a crítica social e política. O cinema nacional ganhou seu primeiro prêmio internacional com o filme O Cangaceiro... Havia produção cultural em outras cidades. nesse tempo. Virgínia Lane. em especial às manifestações afro-brasileiras.. abre a cortina do passado Tira a mãe preta do cerrado Bota o rei congo no Congado Brasil. veio também a música. O período de 1942 a 1961 caracterizou-se pela valorização da cultura popular .) Aquarela do Brasil . Renata Fronzi. nada tinha a força e a expressão da Atlântida ou da Rádio Nacional. Meu Brasil brasileiro Brasil. Era uma mistura de circo. Mas. Junto com o cinema. que em geral tratavam de temas da realidade popular: falta d’água.. . Paralelamente. O público ria do humor debochado e se divertia com os números musicais. Os últimos anos do Estado Novo já haviam dado destaque à cultura popular.. As estrelas e os galãs norte-americanos passaram a povoar os sonhos de brasileiros e brasileiras.

na época um desconhecido para o grande público. Sérgio Cardoso. Muitos desses artistas se tornariam populares astros da televisão. transformou essas manifestações e sofreu transformações por causa delas. fundamentalmente. Cacilda Becker. tornava conhecidas as figuras e as situações políticas que misturavam humor e fantasia. boa noite. foi lançado um disco que se tornou o ponto de partida para o movimento da bossa nova : Elizete Cardoso − famosa pelos sucessos que cantava no rádio − gravou Chega de Saudade. passava a ser importante para o Brasil assumir não apenas seu lado mestiço. Tônia Carrero. e isso não poderia ser ignorado num tempo em que o apoio popular era importante! Ritmos do Nordeste (como o baião. Na música. O Teatro Brasileiro de Comédia (TBC. Assim como o rádio. A U L A 31 6 “ Senhoras e senhores telespectadores.. o diabo e Padre Cícero. o primeiro programa de televisão da América Latina. A PRF 3 TV − Emissora Associada de São Paulo − orgulhosamente apresenta. de Jararaca e Ratinho. anos mais tarde. as elites intelectuais brasileiras também apostaram num projeto nacional para a cultura. em São Paulo). pela televisão. O tempo não pára . acompanhada por João Gilberto. o xote). consagrando atores e atrizes como Fernanda Montenegro. após 1945. a televisão incorporou as manifestações da cultura popular. Esse gênero nordestino de literatura cresceu e aumentou o número de exemplares impressos. muito popular no Nordeste. neste momento. assim. de Alvarenga e Ranchinho: todos nas ondas do rádio! A literatura de cordel . entre outros. E esse novo momento cultural. E a televisão havia sido inventada há apenas catorze anos! Mas o grande sucesso e a popularização ocorreu a partir dos anos 60. Paulo Autran. um novo momento para a cultura musical brasileira. em 1958. mas seu lado nordestino. os cordelistas cantavam e narravam histórias e fatos. Juntando Juscelino Kubitschek. assim como as duplas caipiras. e o Brasil se tornava o quarto país do mundo a ter televisão. que chegaram a vender mais de 50 mil cópias. de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. não apenas para a música. o Brasil não era só Rio de Janeiro. foram levados pelo rádio até o Centro-Sul do país. quando a magia da televisão conquistou os lares brasileiros. Lampião. Iniciava-se. Era o tempo de muitos sucessos de Luiz Gonzaga. Walmor Chagas. fundado em 1948) montou peças de autores nacionais. zombaria e louvação. Exemplo disso foram os livretos contando a morte de Getúlio Vargas no Palácio do Catete.No clima de maior liberdade. e o seu lado caipira. Afinal. Temas clássicos da cultura brasileira foram levados para o cinema pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz (fundada em 1949. em São Paulo. Nesse período..” Eram dez horas da noite do dia 18 de setembro de 1950. seria marcado.

Releia Meu Brasil brasileiro e sublinhe na letra da música (documento de época) uma frase que mostre o novo valor dado à cultura popular afrobrasileira no período 1942/1961. utilizando as seguintes expressões: − rádio: − integração nacional: − informação: − diversão: 6 . no vocabulário da Unidade ou no dicionário. Sublinhe na letra da canção Cantoras do Rádio uma frase que destaque o papel do rádio como elemento de integração nacional. sublinhe as palavras que não entendeu e procure o seu significado. Escreva um pequeno texto sobre o período histórico tratado por esta aula. Releia “ O s r e i s d o r i s o ” e identifique a que tipo de filme o jornalista Salvyano Cavalcanti estava se referindo ao escrever sua crítica. Fazendo a História 1. 1.Exercícios A U L A Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Releia “Este programa pertence a vocês ” e cite uma razão para que os programas de auditório no rádio fossem tão populares nas décadas de 1940 e 1950. 4. Releia Um novo tempo para a cultura brasileira . 3. Dê um novo título ao texto desta aula. 31 2. 5.

Conseqüência da Guerra Fria .A UU AL A L 32 Os anos dourados J MÓDULO 8 32 A uscelino Kubitschek elegeu-se presidente promentendo mudar o país. os soviéticos encaram seus inimigos na Guerra Fria como generais nazistas. desenvovê-lo num curto espaço de tempo − 5 anos. Nesta caricatura. modernizá-lo. provocada pelo suicídio de Getúlio Vargas. Nesta aula A década de 1950 e a bipolarização do mundo No decorrer da década de 1950. resgatar o otimismo e a esperança e governar dentro da legalidade? Nesta aula teremos uma noção da situação internacional naquele momento. que correspondia ao conflito ideológico entre os Estados Unidos e a União Soviética. Como seria possível num momento de grave crise. É a chamada bipolarização . o Brasil sofreu influência de um processo de divisão do mundo em duas áreas de influência. de como JK tornou possível o seu projeto desenvolvimentista e de como a sociedade reagiu a todas essas mudanças. a bipolarização dividiu os países em dois “mundos”: o capitalista e o socialista. .

A UDN e alguns setores militares foram incansáveis na oposição à posse de JK. Apesar do esforço desenvolvimentista do governo JK. na aula 29. ou do Terceiro Mundo. desenvolvidos ou do Primeiro Mundo. sob liderança (também inquestionável) da União Soviética. quando o país rompeu relações diplomáticas com a União Soviética e o Partido Comunista Brasileiro foi colocado na ilegalidade. das greves do início do período. que contaram com aumento de recursos financeiros. a Romênia. a República Democrática Alemã e a Albânia. sem dúvida alguma. Assim. a República Popular da China. que nem sempre se concretizou. Em meio à turbulência política e social era preciso garantir um mínimo de estabilidade e de consenso que permitisse governar. considerado partido ilegal desde 1947. Em termos econômicos. duramente perseguida nos governos anteriores. Aqueles envolvidos em tentativas de golpe foram anistiados e não deixaram de ser promovidos. Cuba. subdesenvolvidos. de fazer parte dos consumidores dos novos produtos que invadiram o mercado brasileiro. das crises militares e da oposição radical da UDN. A liderança norte-americana em termos político-militar e econômico tornava-se inquestionável. foi bem aceita por vários setores da sociedade brasileira. a Coréia do Norte e o Vietnã do Norte. essa bipolarização produziu outro tipo de divisão: os países ricos. A esquerda. Já o mundo socialista. Muitos de seus membros participavam abertamente de manifestações e negociações. era tratada com tolerância por JK. O PCB. Mas. Apesar das pressões do empresariado para a diminuição da interferência do Estado na economia. a Hungria. a Bulgária. que se abriu para o capital externo. como o modelo desenvolvimentista foi adotado e quais os problemas que ele apresentou. nos últimos anos do mandato de JK. muitos oficiais das Forças Armadas ocuparam posições importantes no Poder Executivo. . tendência que tentavam exterminar da política nacional. Já vimos. Além disso. na América Central. a política de negociação de JK tornou possível a estabilidade. Isso permitiu uma melhoria nos recursos bélicos (armamentos). Nessa época. Juscelino encontrou um país ainda perturbado pelo suicídio de Getúlio Vargas (1954). a Checoslováquia. ficaram sob influência soviética a Polônia. acusando-o de receber apoio dos comunistas e identificando-o ao getulismo .A U L A 32 O mundo capitalista era composto pelas chamadas democracias liberais . Ao assumir a Presidência. assim como nos transportes e nas comunicações. Na Europa Oriental. nosso país continuou integrado ao bloco do Terceiro Mundo. a política econômica do governo. era integrado pelas chamadas democracias populares . e os países pobres. a partir de seu famoso lema “50 anos em 5”. A integração do Brasil a esse contexto ocorreu durante o governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951). ele conseguiu contaminar a população com otimismo e euforia. A política desenvolvimentista também beneficiou as Forças Armadas. A viabilização dos objetivos de JK O governo JK passou para a História como um momento de estabilidade política e de grande crescimento econômico. Ao mesmo tempo. na Ásia. atuava junto aos sindicatos. os trabalhadores viram a possibilidade. foram criados empregos por causa da expansão do parque industrial e da melhoria dos serviços urbanos.

as relações do Executivo com o Legislativo tinham de ser as melhores possíveis. além de construir uma nova cidade. e transformou Brasília em sua meta-síntese . a cidade idealizada por JK e projetada pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa foi inaugurada com muita festa e euforia. Porém. Brasília: “a síntese de todas as metas” O maior símbolo do otimismo dos anos que ficaram conhecidos como “anos dourados” foi. A U L A 32 Plano Piloto de Brasília: seu desenho lembra um avião. Brasília transformou-se num símbolo dos “50 anos em 5”. JK procurava manter uma posição conciliadora e pacífica. para colocar em prática o Plano de Metas. que insistia em denunciar escândalos da administração pública e tentava impedir a aprovação dos projetos do Executivo. O planejamento feito por técnicos desses órgãos tornou fácil a aprovação financeira no Congresso. No dia 21 de abril de 1960. Esses órgãos estavam sob o controle direto da Presidência da República. a partir de 1960. a construção de Brasília − a nova capital do Brasil.. ousadia. o Congresso tinha o controle do orçamento do país. e isso acabou reforçando os poderes do Executivo. Sua manutenção tornou-se excessivamente cara. Finalmente. esperavam conseguir uma vida melhor na nova capital. e podia derrubar vetos presidenciais e criar as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). ” Juscelino respondeu que sim. Construir Brasília não significou apenas criar muitos empregos.. sempre existe o outro lado da moeda. que. fechando o programa de Metas. Os gastos com as obras foram altos. nem provocar uma onda migratória de brasileiros. Construí-la era prova de coragem. o que conferiu uma grande capacidade de planejamento e independência ao Executivo em relação ao Legislativo. sem dúvida. audácia. JK dizia ter se resolvido pela criação da nova capital em um comício. . desejava saber se irá pôr em prática aquele dispositivo da Carta Magna que determina a transferência da capital da República para o planalto goiano. A aliança PSD-PTB foi fundamental nessa relação.Com relação à oposição udenista. A inflação elevada ao final do governo JK teve na construção de Brasilía um dos seus principais estimuladores. Construir Brasília nos custou muito caro. Mas os órgãos criados e mobilizados pelo Executivo formaram uma “administração paralela”. Afinal. quase sempre mostrava-se favorável aos projetos do Executivo. portanto. já que a maioria dos parlamentares era desses partidos e. com as asas norte e sul. quando um popular lhe perguntara: “Já que o senhor se declara disposto a cumprir integralmente a Constituição.

o jeito americano de viver. chicletes e cigarros tornam-se produtos de consumo. Ronaldo Bôscoli. dançavam o rock and roll e o twist . Nas grandes cidades. 32 À esquerda. quer dizer. Imagine uma peça de teatro escrita por Vinicius de Moraes com músicas de Tom Jobim e cenários de Oscar Niemeyer: era Orfeu da Conceição. As poderosas indústrias fonográficas e cinematográficas dos Estados Unidos invadiram as cidades com músicas e filmes norte-americanos. Nessa época. Orfeu do Carnaval. Lutavam por mais liberdades.A U L A A sociedade e a cultura dos “anos dourados” Os anos do governo JK foram de enfervescência social e cultural. Tom Jobim. Os jovens “moderninhos” copiavam os maneirismos próprios de uma “junventude transviada” norte-americana: correr de lambreta. liquidificadores. contudo. Nesse mesmo ano. sem. Maria Clara Machado lançou seus Cadernos . cada vez mais adotava-se o “ american way of life” . no início da bossa nova. filme que adaptou Orfeu da Conceição (de Vinícius de Morais). A música. ativos e revolucionários. impôs-se pelo talento de seus compositores e intérpretes que cantavam acompanhados apenas de violão. grande sucesso de 1956. O novo estilo. como enceradeiras. A presença da música e do cinema norte-americano influenciava nossa cultura. ainda não se conheciam os malefícios do açúcar e do fumo. usar jaqueta de couro e topetes caídos na testa. romper com estilo “moça de família” e casadoira. Carlos Lyra e Nara Leão. de calça comprida. uma revolucionária mistura de jazz com samba e música clássica. que revelou ao mundo grandes nomes da música brasileira como Vinícius de Moraes. indispensáveis para essa turma que ainda não se preocupava com as calorias nem com o câncer de pulmão. entre outros. Exemplo disso é a bossa nova . o teatro e até mesmo o cinema brasileiro tornam-se. João Gilberto. considerado inicialmente um ritmo sofisticado demais. Carlos Lyra. vitrolas (eletrolas) de alta fidelidade e televisores logo provocaram mudanças de comportamento. mas havia reações nacionalistas. As moças. Coca-Cola. Novidades. À direita. Um estilo moderno de vida estava invadindo as casas da classe média. panelas de pressão. mais do que nunca.

Destacaram-se no cenário internacional feitos como o de Maria Ester Bueno. Oduvaldo Vianna Filho. com o grande crescimento dos petebistas. em 1963. o título de campeão Mundial de Boxe. que ameaçaram o tradicional domínio do PSD. a participação dos militares. você vai ver como a esperança dos “anos dourados” virou radicalização na década de 60 e quais as alternativas que os conflitos sociais colocaram para a política e a economia brasileira. A política desenvolvimentista resolvera alguns problemas. Os estudantes ligados à União Nacional dos Estudantes − UNE fundaram o Centro Popular de Cultura − CPC. por intermédio da arte. em 1963. Cresceu. a miséria das cidades satélites expunha o outro lado da modernidade alcançada. lançou os grandes sucessos Mão na luva e Rasga coração. e um espírito de luta e otimismo. Jô Soares fez sua estréia em 1959. A U L A 32 6 A euforia não duraria muito. Em 1962. temporariamente adiadas. no filme “O homem do sputinik”. que se mostrou como “aquele que poderia acabar com o caos no país”. Havia certo orgulho romântico de ser brasileiro. Entre estes últimos estava o aumento da concentração de renda na região Sudeste e a inflação. do diretor Anselmo Duarte. em 1958. Apoiando os estudantes. O cinema de arte contou com grandes lançamentos de Nelson Pereira dos Santos. a partir de 1960. Roberto Santos e Ruy Guerra. reapareceram já no fim do governo de JK. solicitados pelos políticos civis que consideravam as manifestações populares. e Augusto Boal ganhou o primeiro prêmio Molière (de teatro). Terra em transe e outros) o cinema de arte passou por uma revolução de linguagem e de temas que o caracterizou como Cinema Novo . Na periferia de Brasília. estavam artistas e intelectuais. permitiu a crítica social e incentivou a produção artística. o Vianinha.de Teatros que incentivavam a criação de grupos amadores. a conquista da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira de Futebol. adiara outros tantos e criara novos. que ameaçava escapar ao controle. A aliança PSD-PTB começou a “balançar”. também. As crises. ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. No próximo módulo. conquistado por Eder Jofre. Chico Anísio já fazia o povo rir pela TV. em 1960 e a eleição da Miss Universo Ieda Maria Vargas. A grande liberdade que reinava no país. A campanha eleitoral para a sucessão do presidente Kubitscheck substituiu o otimismo pelo moralismo do candidato Jânio Quadros. como já se viu as chanchadas da Atlândida revelaram ao mundo grandes humoristas como Grande Otelo e Oscarito. Com os filmes de Gláuber Rocha. que pretendia levar cultura e conscientização política para os trabalhadores. como atividades que podiam destruir a ordem. o filme O pagador de promessa. (Deus e o diabo na terra do sol. que venceu o campeonato de tênis de Wimbledon em 1957. O tempo não pára . na categoria “peso galo”. Outras peças famosas desse período foram Eles não usam black tie de Gianfrancesco Guanieri e O pagador de promessa de Dias Gomes. No cinema. no campo e na cidade.

Dê um novo título a esta aula. 3. mostra como a produção cultural dos anos dourados ia fundo nos problemas sociais. Releia A década de 1950 e a “bipolarização” do mundo e explique o que foi a bipolarização do mundo? Releia A viabilização dos objetivos de JK e responda de que maneira JK agiu para alcançar seus objetivos em relação aos segmentos abaixo: a) capital externo. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. Releia Brasília: “a síntese de todas as metas” e A sociedade e a cultura dos anos dourados e explique por que havia certo orgulho romântico de ser brasileiro. 32 2. que foi musicado por Chico Buarque. Qual é a grande questão colocada nesses versos? 6 . Refazendo a História Funeral de um lavrador De João Cabral de Melo Neto Esta cova em que estás Com palmos medida É a conta menor que tiraste em vida É de bom tamanho Nem largo nem fundo É a parte que te cabe deste latifúndio Não é cova grande É cova medida É a terra que querias ver dividida É uma cova grande Para teu pouco defunto Mas estarás mais ancho que estavas no mundo É uma cova grande Para teu defunto parco Porém mais que no mundo te sentirás largo É uma cova grande Para tua carne pouca Mas a terra dada não se abre a boca Este poema. 4. no dicionário e no vocabulário da Unidade.Exercícios A U L A Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. 1. b) trabalhadores. c) Congresso Nacional.

Rompida a constituição de 1946. Que o povo já está cansado De sofrer desta maneira Jânio Quadros é a esperança deste povo abandonado (. vamos buscar entender como se deu esse processo e como se estruturou no Brasil a ditadura militar. com a deposição de João Goulart. até então. veja só.. proibiu as brigas de galos e liberou as corridas de cavalo apenas aos domingos. é deposto. Com a inflação em alta. Mas seus poderes são limitados pelo parlamentarismo. Jânio Quadros. vassourinha. manteve os salários congelados e cortou subsídios à agricultura.varre. por um político brasileiro. o que provocou uma grande alta nos preços dos alimentos. adotou uniforme “safári” nas repartições públicas e. na sua fase inicial. Varre toda a bandalheira. nos poucos meses em que ocupou a Presidência. o novo presidente.) Música da campanha de Jânio para a Presidência. Nesta aula.A UU AL A L 33 Da esperança à repressão presidente Juscelino Kubitschek fora eleito pelo voto popular. Decretou a ilegalidade de rifas e bingos. entre 1964 e 1969. Porém. MÓDULO 9 33 A O Apresentação do Módulo 9 O fim da República Democrática Jânio Quadros foi eleito com a maior votação obtida. No entanto. proibiu o desfile de maiô em concursos de beleza e o uso de biquini nas praias! . como ficou mais conhecido). renuncia e assume vice-presidente João Goulart (ou Jango. cumprira integralmente seu mandato e passara a faixa presidencial para outro presidente eleito.. só fez descontentar seus eleitores. Nesta aula Varre. as promessas de rápido retorno à ordem democrática não se concretizaram. Quando se torna presidente de fato.

que produziam para o mercado interno. Prometeu fazer a reforma agrária e as reformas fiscal. e também os norte-americanos. No dia 7 de setembro de 1961. no dia 6 de janeiro de 1963. O plebiscito teve de ser antecipado e. se opôs a essas reformas. . num grande comício realizado na Central do Brasil. da UDN. lançou a Campanha da Legalidade para garantir a posse de João Goulart. que poderiam melhorar a vida de milhões de trabalhadores. para que a população decidisse pela continuidade ou não do regime parlamentarista. o vice-presidente estava fora do País. teve de negociar sua posse. e mais: estudantes. intelectuais e militares nacionalistas. o presidente renunciou ao cargo. na época. e condecorando o guerrilheiro Che Guevara. com o apoio do Terceiro Exército. castigava duramente a população. bancária e administrativa. agravada pela crise administrativa e política. juntamente com o primeiro ministro Tancredo Neves. Leonel Brizola. descontentava o empresariado. E. As forças que o apoiavam eram os trabalhadores urbanos. ligados aos sindicatos. e as ligas camponesas lideradas por Francisco Julião. mas o Congresso. O presidente João Goulart tentava implementar reformas de base. trabalhadores. Entre os parlamentares estavam grupos dissidentes do PSD. todo mundo se manifestava. então ministro de Cuba.A U L A 33 Reatando relações diplomáticas com a União Soviética. haveria um plebiscito. mas o governador do Rio Grande do Sul. A inflação. Por meio de um acordo que evitou a guerra civil. Sua renúncia foi aceita. Alguns setores da direita. e o Congresso declarou vaga a Presidência da República. Mas o clima de golpe que impusera o regime parlamentarista gerou descontentamento e tornou o regime impopular. a UDN. Falou das reformas de base . no Rio de Janeiro. a população disse “não” ao parlamentarismo e restabeleceu o presidencialismo. João Goulart tomou posse. Sofrendo oposição até de seu partido. Jânio Quadros indignou as elites que o apoiavam. com o Primeiro Ministro. também apoiam as propostas reformistas de Jango. A criação da Superintendência Nacional de Abastecimento − SUNAB. nenhum setor da sociedade tentou convencê-lo a permanecer no cargo. assim. do Partido Democrata Cristão − PDC e a Frente Parlamentarista Nacional − FPN. incentivando passeatas e manifestações. Jango. Jango anunciou o tabelamento dos aluguéis e a encampação das refinarias de petróleo estrangeiras. por causa de seu passado getulista e de sua aproximação com as forças populares. O governo de João Goulart (1961-1964) Quando Jânio Quadros renunciou. Assim. Contrariamente às suas expectativas. para controlar o abastecimento e fiscalizar os preços. Os pequenos e médios proprietários rurais e industriais. então. tentaram impedir que se cumprisse a Constituição. estudantes. parlamentares e ministros militares. em agosto de 1961. Jango teria seus poderes diminuídos. donas de casa. Medidas para conter a remessa para o exterior de lucros das empresas estrangeiras passaram a sofrer a oposição dos Estados Unidos e dos grupos ligados ao capital internacional. Sindicalistas. foi instaurado o regime parlamentarista. passando-as para o controle da Petrobras. artistas e intelectuais. pois no parlamentarismo quem governa de fato é o Congresso. radicalizou: buscou apoio da população. cuja maioria parlamentar representava os interesses das elites. No dia 13 de março de 1964. Posteriormente. em visita oficial à China.

O Congresso Nacional. por representar uma mudança no direito de propriedade. Mas a proposta foi rejeitada pelo presidente. logo depois. A oposição a Jango também se desenvolvia no plano internacional. seguiu para Brasília e. pronunciou-se: em 2 de abril de 1964 declarou vaga a Presidência da República e indicou interinamente para o cargo o deputado Ranieri Mazzilli. pegos de surpresa com a movimentação militar. a Igreja Católica manifestou-se contra as reformas. Embora Jango não fosse comunista. não esboçaram nenhuma reação. políticos.A U L A 33 O comício na Central do Brasil. e com a polarização capitalismo/comunismo. as forças conservadoras manifestaram sua desaprovação. que não desejava “derramamento de sangue”. no Rio de Janeiro. nesse momento de radicalização. A operação “Brother Sam” (irmão Sam) não precisou ser ativada. disparou a reação dos oponentes a Jango. que se encontrava na cidade do Rio de Janeiro. Principalmente a reforma agrária. com a organização de uma grande passeata anticomunista denominada “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. as tropas comandadas pelo general Olímpio Mourão Filho deslocaram-se de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. para Porto Alegre. já dominado por políticos favoráveis ao golpe. O presidente João Goulart. Algumas tentativas de oposição por parte de estudantes e sindicalistas não foram suficientes para reverter a situação. governadores. Leonel Brizola. na qual não havia liberdade religiosa. pois temia que o país caísse na órbita soviética. mediante indenização. pronta para apoiar os golpistas. Surgiu uma proposta de resistência. Altos chefes militares. Alguns dias mais tarde. Revolução Em 31 de março de 1964. presidente da Câmara dos Deputados. No final de março. feita pelo ex-governador do Rio de Grande do Sul. empresários e setores da classe média apoiavam abertamente a deposição do Presidente da República. mas uma frota americana estava estacionada no litoral do Nordeste. o governo norte-americano aprovou uma operação contra o governo brasileiro. caso houvesse resistência. em São Paulo. . devido à desapropriação dos latifúndios improdutivos. desencadeou grande reação. Grupos nacionalistas e de esquerda.

o Ato Institucional nº 4 (estabelecendo as condições em que a nova Cons- . formados no pós-guerra. Iniciaram-se as primeiras cassações de direitos políticos e os exílios. Foi nesse contexto que se desenvolveu o governo Castelo Branco. de outro. Duros x moderados: o governo Castelo Branco (1964-1967) Mas. como os de Minas Gerais. O poder de fato era exercido por um Comando Supremo da Revolução . Foram fechadas várias organizações consideradas “subversivas” − UNE. (Israel Pinheiro) e da Guanabara (Negrão de Lima). De um lado. isto é. O Ato Institucional nº 1. quem eram esses militares que assumiram o poder em abril de 1964? Eram. aceita pelo governo. seguindo um modelo norte-americano. As garantias constituicionais foram suspensas por seis meses e uma forte repressão tomou conta do país. CGT. e o Movimento Democrático Brasileiro − MDB. principalmente. O quadro político foi agravado por novas medidas autoritárias. em 1961. Depois da queda de Jango. a auto-intitulada “Revolução” dá o golpe de misericórdia: com um Congresso totalmente mutilado por cassações e exílios. que vinha apoiando a conspiração. naqueles tempos de Guerra Fria. realizasse novas cassações e. a Aliança Nacional Renovadora − ARENA. acreditando travar uma “guerra revolucionária”. criada em 1949. A segurança nacional era entendida como a mobilização de todos os recursos nacionais contra as possíveis ameaças externas. No dia 11 de abril. Além da prorrogação do mandato presidencial. composto pelo almirante Augusto Rademaker. Em 1965. com aspirações liberais. que nesse dia ainda se encontrava em território nacional. dentro das Forças Armadas. dessa maneira. afirmava que “a revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constitucional” e dava às Forças Armadas “a responsibilidade da restauração da ordem interna e do combate à corrupção”. estava o grupo mais moderado. dissolvesse os antigos partidos políticos. imposto à nação no dia 9 de abril. Muito deles passaram pelos cursos da Escola Superior de Guerra − ESG. a tarefa de organização do novo poder começou a colocar frente a frente as posições de grupos. afinal. que faria a oposição consentida. desejava perseguições e o “endurecimento” cada vez maior do governo. principalmente. esse Ato permitia que o presidente fechasse o Congresso. que eram identificados como “comunistas subversivos”. que deveria servir de apoio ao governo. O novo presidente da República − Ranieri Mazzilli − era uma figura decorativa. na sua maioria. membros da oficialidade. com o objetivo de preparar as elites civis e militares para resolver questões relativas ao planejamento e à segurança nacional. os setores da linha dura levaram o governo a editar o Ato Institucional nº 2. Ligas Camponesas. Surgiram. com a vitória da oposição nas eleições para importantes governos. que não possuíam as mesmas idéias a respeito dos rumos do movimento. impõe a aprovação da escolha do marechal Castelo Branco para completar o período presidencial que iniciara com Jânio Quadros. reconheceu imediatamente a nova situação. mas. a chamada linha dura que. em meio ao clima da Guerra Fria . pelo general Costa e Silva e pelo brigadeiro Correia de Melo. Políticos e lideranças estudantis e sindicais também considerados subversivos foram perseguidos e presos. O governo dos Estados Unidos. exilou-se no Uruguai. entre outras.A U L A 33 João Goulart. contra os inimigos internos. como o Ato Institucional nº 3 (determinando a escolha indireta dos governadores de estado).

que acreditavam poder participar mais intensamente das decisões políticas. ministro do Exército. Combater a inflação e recuperar a confiança dos investidores e credores internacionais passaram a ser prioridades. somaram-se setores sociais pertencentes às classes médias urbanas (incluindo-se aqui alguns grupos anteriormente comprometidos com o golpe). que haviam apoiado o movimento de 64. setores do movimento estudantil. As promessas de devolver o país à democracia não se cumpriam. o governo pretendia acabar com a crise econômica brasileira. Alguns órgãos de imprensa. com a diminuição dos gastos públicos e com a contenção salarial. e pela existência da Lei de Segurança Nacional. operários e parte da Igreja Católica. foram beneficiados bancos particulares e o parque industrial privado. Com empréstimos dos Estados Unidos. Foi criada a correção monetária . Já que a ação dos sindicatos estava limitada pela política de cassação e repressão do governo militar. começaram a denunciar as violências e as perseguições. Apesar das medidas radicais e autoritárias da linha dura . para suceder ao marechal Castelo Branco. O governo brasileiro. para colocar esse plano em prática. coordenado por Roberto Campos. que permitiu o investimento na construção de moradias (embora tenha sido construída apenas uma pequena quantidade de conjuntos habitacionais) pelo Banco Nacional de Habitação − BNH. o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda lançou. que estimulou as cadernetas de poupança e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço − FGTS. que tinha um programa de ajuda aos países subdesenvolvidos chamado Aliança para o Progresso . esse órgãos foram sendo atingidos pela censura. a Frente Ampla. uma nova . A U L A 33 O fechamento do regime: o governo Costa e Silva (1967-1969) Quando assumiu o governo em 1967. o general Costa e Silva tinha sua autoridade garantida pela supremacia do Poder Executivo sobre o Legislativo e o Judiciário. em 1967. garantiam as informações necessárias para a fiscalização da vida nacional.tituição seria votada pelo Congresso) e a indicação do general Costa e Silva. exigia uma anistia ampla . Além das transformações jurídico-políticas ocorreram mudanças na economia. À oposição consentida do MDB. as assessorias dadas pelo Alto Comando e Estado Maior das Forças Armadas e pelo Serviço Nacional de Informação − SNI. Contando com apoio dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart. Além disso. Com o aumento dos juros e os estímulos à exportação. Para atingir esses objetivos. Tal situação frustrou as expectativas de antigos aliados civis do golpe. O FGTS também tinha o objetivo de extinguir determinados mecanismos que garantiam a estabilidade no emprego. que iriam gerar empregos e progresso. O país se abriria para as empresas multinacionais. Já rompido com a “Revolução”. contou com o apoio do governo norte-americano. Aos poucos. Era a retomada da oligopolização (controle de setores do mercado por algumas poucas empresas que fazem acordo sobre os preços) e do processo de concentração de riqueza. ainda em 1964 foi lançado o Plano de Ação Econômica do Governo − PAEG. Mas muitas pequenas e médias empresas não suportaram a concorrência das grandes e acabaram fechando suas portas. como o jornal carioca Correio da Manhã. a sociedade começou a reagir. os trabalhadores acabaram perdendo boa parte do seu poder aquisitivo.

13 de dezembro. pela polícia. passaram a realizar assaltos a bancos. foi impedido de assumir a presidência por sua posição contrária ao Ato Institucional nº 5. Iniciou-se uma verdadeira guerra entre as forças militares e os grupos da esquerda armada. padres. estudantes. protestando contra a política educacional. alguns grupos partiram para o caminho da clandestinidade e da luta armada.A U L A 33 Constituição e o restabelecimento das eleições diretas para todos os níveis. Um discurso do deputado carioca Márcio Moreira Alves. O ponto máximo da mobilização dos jovens ocorreria em junho. por causa do assassinato do estudante Edson Luís. o incentivo ao ensino particular com verbas públicas. e opondo-se ao próprio governo. A violenta repressão e a censura que se abateu sobre o país impediram a participação política da sociedade. o civil Pedro Aleixo. de cidadania e de Estado de Direito vigente no país. privilegiando a manutenção da ordem. A classe média saía às ruas para mostrar sua insatisfação. Organizações guerrilheiras. No dia 26 de junho de 1968. Milhares de pessoas saíram às ruas. Mas o Congresso recusou o pedido de licença para processá-lo. formadas por diferentes grupos radicais de esquerda. uma junta militar e assumiram o governo. com a doença de Costa e Silva. Assim. Naquele momento em que os protestos contra o regime não paravam. freiras. A violência do Ato Institucional nº 5 significou o início dos “anos de chumbo”. Era o fechamento completo do regime . então. o Rio de Janeiro assistiu à Passeata dos Cem Mil . o desenvolvimento econômico capitalista e o controle dos movimentos sociais. Foi nesse contexto de crise que se deu a escolha do general Emílio Garrastazu Médici para o governar o Brasil. 6 O tempo não pára Com a “Revolução” de abril de 1964. No ano de 1968. exilados. o corte de verbas. a heterogeneidade dos componentes e a reação militar levaram a Frente Ampla ao fracasso. provocou irritação nas Forças Armadas e levou o governo a exigir que o Congresso punisse o deputado. o termômetro da mobilização social atingiu graus intoleráveis para as autoridades. a diminuição dos salários dos professores. cassou diversos mandatos e levou mais gente para a cadeia. Em agosto de 1969. que fechou o Congresso por tempo indeterminado. O governo relutava em negociar e respondia com evasivas. que sofreu um derrame cerebral. jornalistas e mães exigiam a libertação dos jovens presos. os líderes militares mostraram-se dispostos a sacrificar qualquer noção de direito. pregando o boicote popular ao desfile de 7 setembro. professores. No entanto. com o objetivo de denunciar o governo e obter a libertação de presos políticos que iam para outros países. . a oposição consentida do MDB no Congresso passou a ser mais agressiva em suas acusações ao governo. os estudantes realizaram diversas manifestações em várias capitais. funcionários públicos. foi implatado no Brasil um novo projeto de Estado. intelectuais. Os três ministros militares formaram. na maior manifestação contra o governo desde 64. a redução do número de vagas. Em 1968. o presidente Costa e Silva assinou o Ato Institucional nº 5. como forma de obter dinheiro e armas para a luta. do MDB. Artistas. e a seqüestrar embaixadores estrangeiros. Aí surgiu a gota d’água para o fechamento do regime. No dia seguinte. Para atingir esses objetivos. o vice-presidente.

Exercícios A U L A 33 2. Infelizmente. e quais seriam essas promessas de luz a que Vinicius se referia? . em breve. 3. Dê um novo título a esta aula. 1. Vinicius de Moraes. Releia O fim da república democrática e explique: a) o que foi a Campanha da Legalidade. previa que. ele não viveu para ver esse dia feliz. voltaria a esperança. Em sua opinião. que esperança era essa. Refazendo a História Marcha da quarta-feira de cinzas Letra de Vinicius de Moraes e música de Carlos Lyra Acabou nosso carnaval Ninguém ouve cantar canções Ninguém passa mais brincando feliz E nos corações Saudades e cinzas foi o que restou Pelas ruas o que se vê É uma gente que nem se vê Que nem se sorri Se beija e se abraça E sai caminhando Dançando e cantando cantigas de amor E no entanto é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar É preciso cantar e alegrar a cidade A tristeza que a gente tem Qualquer dia vai se acabar Todos vão sorrir Voltou a esperança É o povo que dança Contente da vida feliz a cantar Porque são tantas coisas azuis E há tão grandes promessas de luz Tanto amor para amar de que a gente nem sabe Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais Que marchas tão lindas E o povo cantando seu canto de paz Nesse poema. 4. b) o acordo que evitou a guerra civil e garantiu a posse de Jango. no dicionário e no vocabulário da Unidade. 5. comparando-o ao carnaval. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. Releia Revolução e responda: a) que setores apoiaram a deposição de Jango? b) com que Ato as Forças Armadas se responsabilizaram pela manutenção da ordem interna e do combate à corrupção? Releia Duros x moderados: o governo Castelo Branco (1964-1967) e diga que medidas práticas foram tomadas com o Ato Institucional nº 2? Releia O fechamento do regime: o governo Costa e Silva (1967-1969) e explique as manifestações estudantis de 1968.Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. No entanto. lamentava o fim do período democrático.

A UA U L A L A MÓDULO 9 34 34 Os anos de chumbo O Nesta aula s chamados “anos de chumbo” desenvolveram-se sob a inspiração da linha dura. a resistência achou brechas para se manifestar. Mas até o presidente reconhecia: “A economia vai bem. de menores abandonados. mas o povo vai mal. Esse desenvolvimento recebeu o nome de “milagre”. Prometendo estabilidade política ao capital estrangeiro. reparti-lo. transformando a economia brasileira na oitava do mundo. Foi assim que.. Com Médici no poder. no entanto. Nessa época. Nesta aula vamos entender melhor esse período difícil da nossa História.” Brasil. O ministro da Fazenda Delfim Neto explicava que era preciso “fazer o bolo crescer” para. do Ato Institucional nº 5 e da ideologia da “segurança nacional”. “Milagre” econômico Os governos militares se propunham a realizar um gigantesco esforço de desenvolvimento. durante o regime militar. Os salários. aumentou vária vezes o Produto Interno Bruto (PIB). se houvesse subversão da ordem capitalista. apesar da crescente industrialização. Com a doutrina da “segurança .. de violência urbana. foram contidos. que é o valor de tudo que se produz no país. e ninguém podia reivindicar nada. e por segurança subentendia-se a eliminação de qualquer tipo de oposição. o país passou por uma das mais duras fases de restrição política da História da República. E tudo isso num país que se desenvolvia a olhos vistos. o quadro social agravouse com o aumento de favelas. foram atraídos empréstimos para grandes obras e novos investimentos. ame-o ou deixe-o As empresas multinacionais queriam garantias de que os seus investimentos não seriam encampados se houvesse uma revolução socialista. O aumento da riqueza produzida no país resultou em melhoria de vida para uma parcela da população: a classe média. Em nome do desenvolvimento dizia-se ser necessária a segurança. baseado na associação das empresas nacionais com empresas multinacionais. e ver que. depois. ou seja. apesar de tudo.

O próprio presidente dizia: “Ninguém segura este país”. era gigantesco. no México. com a conquista do tricampeonato mundial de futebol. estes lemas eram divulgados pelo país inteiro. Por trás da doutrina. Repressão O governo do presidente Emílio Garrastazu Médici é o ápice dessa ideologia. os restos mortais de D. era preciso defendê-lo. repressão e propaganda do regime. Na comemoração dos 150 anos da Independência. com muita pompa. conseguiram a estabilidade política nescessária. os órgãos de propaganda montaram a imagem do “país que vai pra frente”. perdiam qualquer direito político ou humano. e utilizavam músicas como ‘Eu te amo meu Brasil. Mas estaria o Brasil ameaçado por alguma potência estrangeira? Não. Essa doutrina. as empresas. que visava garantir a soberania nacional. E quem não concordasse. que apesar de falar em paz social e democracia. a paz social e a democracia. que estava escrita em um programa.nacional e desenvolvimento”. amarelo. o progresso. abençoado por Deus e bonito por naturesa”. vai crescendo por causa da concentração de poderes nas mãos do presidente militar e por causa das campanhas de controle. azul anil” e “Moro num País tropical. Além das obras monumentais. Os que combatiam o regime eram chamados de “terroristas” e “subversivos”. . as propriedades. Nesse momento em que o capitalismo estava sendo ameaçado pelo socialismo. aliados ao alto empresariado. A U L A 34 Criados pelo governo. foram trasladados. os lucros fáceis. levava o Estado ao aperfeiçoamento máximo dos mecanismos de defesa interna. Por meio da repressão violenta. O que corria risco era o sistema capitalista. existia uma ideologia da “segurança nacional”. como a ponte Rio-Niterói e a rodovia Transamazônica. que se mudasse! No exterior. Em 1970. os grupos armados foram aniquilados. A propaganda O Brasil de Médici não era apenas grande. Pedro I que estavam em Portugal. era grande a colônia de brasileiros exilados por motivos políticos. o governo estendeu o mar territorial brasileiro para 200 milhas. os militares. meu coração é verde. Quando presos.

Geraldo Vandré escreveu a música Para não dizer que não falei de flores. Mas. isso se tornou impossível. muitos artistas e intelectuais tiveram de sair do país. era preciso manter sob controle os meios de comunicação. A ampliação da violência e do controle da imprensa e das artes provocou um clima de tensão e de insegurança. Em seu lugar foi introduzida uma disciplina chamada Estudos Sociais. Os livros considerados subversivos foram retirados das bibliotecas e livrarias. além de terem sua liberdade de criação limitada pela censura e pelo medo da prisão. e os que ficaram foram perseguidos. A liberdade de imprensa foi tolhida de tal modo que. Para que ninguém contestasse essa imagem que se queria fazer do governo e do país. havia censores. acabar com programas de rádio. nunca mais! Desde o golpe de 64. que são tão importantes para o desenvolvimento do pensamento e da crítica. dentro da redação de jornais e revistas. via ou ouvia. e até se alteravam letras de músicas. peças de teatro eram modificadas. Os filmes sofriam cortes. os operários ainda se organizavam e protestavam. A censura mandava recolher jornais. e Educação Moral e Cívica. No governo Médici foi instituída a censura prévia .A U L A Censura. Por isso. No entanto. que misturava a história oficial e geografia. tinha de ser autorizado pelo Departamento de Censura Federal. Tudo que se lia. depois do Ato Institucional nº 5. os sindicatos e até os professores. estava difícil para trabalhadores e políticos criticarem o governo. . Disciplinas como Filosofia e História . cujo objetivo era a doutrinação dos estudantes. as artes. e proibia a encenação de peças de teatro. foram simplesmente eliminadas dos currículos escolares. 34 O movimento estudantil entrou em conflito com a polícia e com outras forças da repressão.

campos. as flores no chão A certeza na frente e a História na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinando uma nova lição Um movimento que marcou época nos anos de 1967 e 1968 foi a Tropicália . que esperar não é saber Quem sabe faz a hora. popular. Milton Nascimento. Tomzé. Edu Lobo. Capinam. Alguns conservadores achavam que eles iriam descaracterizar a música brasileira ao utilizar instrumentos eletrônicos. o teatro e o cinema para resistir. armados ou não Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais. Caracterizou-se pelo espírito irreverente. braços dados ou não Nas escolas. a cultura resistia. de cantar as coisas do Brasil. O Programa do Chacrinha . em sua maioria. o teatro continuava a evocar a liberdade de pensamento e de criação artística. baianos: Caetano Veloso. Pela primeira vez o povo aparecia na “telinha” e se reconhecia. de arma na mão Nos quartéis lhes ensinam antigas lições De morrer pela Pátria e viver sem razão Nas escolas. amados ou não Quase todos perdidos. A música que transcrevemos abaixo ficou conhecida como um hino da resistência e oposição ao regime militar. utilizavam os festivais de música. Liberdade. e era sempre cantada em manifestações públicas. também inovavam na harmonia e na utilização da guitarra elétrica. Além das letras. entre outros. de Millôr Fernandes. a música acabaria por se tornar a grande trincheira de resistência ao autoritatismo.Pra não dizer que não falei de flores Apesar da censura e das perseguições. e o piauiense Torquato Neto. nas ruas. construções Somos todos soldados. campos. popularizou o movimento. no final dos anos 60 e nos anos 70. com Roberto Carlos e Erasmo Carlos (influenciados pelo rock e pelos Beatles). com ironia e bom humor. transmitido pela televisão. . Geraldo Vandré. Mas. Buscavam a comunicação direta com o povo. marchando indecisos cordões Ainda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão Há soldados armados. A U L A 34 Pra não dizer que não falei de flores De Geraldo Vandré Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguais. Influenciados pela bossa nova e pelo samba. Os tropicalistas eram. Com a peça Liberdade. Gilberto Gil. braços dados ou não Os amores na mente. destacam-se jovens compositores que faziam música de protesto: Chico Buarque. e falavam a sua linguagem. nas ruas. não espera acontecer Pelos campos há fome em grandes plantações Pelas ruas. Paralelamente ao sucesso da Jovem Guarda. vamos embora. construções Caminhando e cantando e seguindo a canção Vem.

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Caetano Veloso, Rita Lee, Maria Bethânia, e outros artistas formavam o grupo tropicalista.

A reação de parte da juventude ao que acontecia no Brasil e no mundo − as guerras, o consumismo, as injustiças sociais, a violência, a opressão e a repressão política − expressou-se numa postura de rebeldia. Muitos jovens passaram a incorporar a maneira de viver dos “ hippies” que, na Europa e nos Estados Unidos, chocavam as pessoas mais conservadoras, com seus cabelos compridos, suas roupas extravagantes e sua defesa do amor livre. A música de Caetano Veloso É Proibido Proibir expressa bem o protesto dos jovens que, nos anos 60 e 70, se rebelaram contra a repressão sob todas as formas e defendiam a liberdade como filosofia de vida.

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O tempo não pára
Para se legitimar, ou seja, para ser aceito pelo povo, o regime militar precisaria ter sucesso em desenvolver o país e dar melhores condições de vida à população. Embora conseguisse sufocar qualquer oposição, a ditadura não conseguiu superar suas próprias contradições. A partir de 1973, num cenário de crise internacional pela alta dos preços do petróleo e alta dos juros, o “bolo econômico” parou de crescer, sem que o povo tivesse recebido sua “fatia”. Iniciou-se, então, um longo e gradual processo de abertura política.

Exercícios

Relendo o texto
Leia mais uma vez o texto da aula, sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam, no dicionário e no vocabulário da Unidade. 1. 2. Releia “Milagre” econômico explique o que foi esse milagre. Releia Brasil, ame-o ou deixe-o e responda: a) por que o Ato Institucional nº 5 significou o endurecimento do regime? b) de que maneira a propaganda ajudava a estabilizar o regime? Releia Censura, nunca mais! e Pra não dizer que não falei de flores e explique de que forma a censura afetou a produção cultural do país. Dê um novo título a esta aula.

3.

4.

Refazendo a História
O documento a seguir é um telex enviado pelo jornalista Ruy Mesquita ao ministro da justiça Alfredo Buzaid, e que circulou na imprensa como um grito de revolta pela humilhação da censura, que a impedia de exercer seu papel de informar: Sr. Ministro:

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Da Polícia Federal recebemos o seguinte aviso: “De ordem do Sr. Ministro da Justiça, fica expressamente proibida a publicação de: notícias, comentários, entrevistas ou critérios (sic) de qualquer natureza (sic) abertura política ou democratização ou assuntos correlatos (sic); anistia a cassados (sic) ou revisão parcial de seus processos; críticas ou comentários ou editoriais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira; ou problema sucessório e suas implicações. As ordens acima transmitidas atingem quaisquer pessoas, inclusive as que já foram ministros de Estado ou ocuparam altas posições ou funções em quaisquer atividades públicas. Fica igualmente proibido pelo Sr. Ministro da Justiça a entrevista de Roberto Campos”. Senhor Ministro, ao tomar conhecimento dessas ordens emanadas de V. S., o meu sentimento foi de profunda humilhação e vergonha. Senti vergonha, Senhor Ministro, pelo Brasil, degradado à condição de uma republiqueta de banana ou de uma Uganda qualquer por um governo que acaba de perder a compostura. Parece incrível que os que decretam hoje o ostracismo forçado dos próprios companheiros de revolução, que ocuparam ontem cargos em que se encontram hoje, não cogitem cinco minutos do julgamento da História. O senhor, Senhor Ministro, deixará de sê-lo um dia. Todos os que estão hoje no poder dele baixarão um dia e, então, Senhor Ministro, como aconteceu na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini, ou na Rússia de Stalim, o Brasil ficará sabendo a verdadeira história deste período em que a revolução de 64 abandonou os rumos traçados pelo seu maior líder, o marechal Castelo Branco, para enveredar pelos rumos de um caudilhismo militar que já está fora de moda, inclusive nas repúblicas hispano-americanas. Cheio de vergonha por ver meu país degradado a essa condição, subscrevo-me humilhado, Ruy Mesquita,diretor do Jornal da Tarde e de O Estado de São Paulo. Cópias ao Ministro Leitão de Abreu. Cópias aos líderes da ARENA e do MDB, na Câmara e no Senado. São Paulo, 20 de setembro de 1972.
Agora, responda: o que esse documento revela sobre a “revolução” de 1964?

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MÓDULO 9

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Amanhã há de ser outro dia
s primeiros anos da década de 1970 foram de grande euforia. Entre 1970 e 1973, a economia brasileira cresceu em torno de 10% ao ano! Era o “milagre” brasileiro. Após anos de uma dura recessão, o país vivia sob uma inflação baixa. De maneira nunca vista, cresciam a produção industrial e as exportações. Consolidava-se a sociedade de consumo. A classe média passava a ter carro, casa própria, eletrodomésticos e lazer. Nesta aula, vamos ver como a crise internacional do petróleo veio abalar a economia nacional e os índices de crescimento, sob os governos Geisel e Figueiredo. Veremos também que, com a crise econômica, ficou mais difícil manter a repressão política. Iniciou-se, então, uma distensão lenta e gradual.

Nesta aula

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Do “milagre” à crise
Os técnicos tomaram conta da economia do Brasil. Muitos haviam se formado pela Escola Superior de Guerra (ESG), que desde os anos 50 vinha se preocupando em discutir a realidade brasileira e formar profissionais capazes de planejar e apresentar soluções para os problemas brasileiros. Crescia também a força dos cursos universitários. Os salários daqueles que possuíam curso superior eram bem melhores e todos alimentavam o sonho da universidade , principalmente entre a classe média. O setor estatal foi fortalecido e crescia, baseado na facilidade dos empréstimos externos. Nesse momento, as empresas estatais tinham como meta tornarse lucrativas. O capital estrangeiro aumentou enormemente o seu investimento, com a instalação das multinacionais . E os juros da dívida externa estavam lá embaixo... A rede de rodovias aumentou. Grandes projetos de hidrelétricas (Itaipu) e a ocupação da Amazônia (construção da rodovia Transamazônica) tornaram-se prioridades do governo, Surgiram supermercados e shopping centers . Tudo parecia confirmar o slogan “Ninguém segura este país”, divulgado pelo governo e repetido por todos que viam seu padrão de vida melhorar. Entre 1970 e 1973, o rápido crescimento das exportações brasileiras conseguiu equilibrar a balança comercial, aumentando as exportações em 40% ao ano. Já o processo de concentração da renda negava aquilo que os técnicos do governo costumavam afirmar, isto é, que era preciso esperar o bolo crescer para dividilo. O bolo cresceu, mas... não foi dividido!

As bolsas de valores aumentaram seu movimento, criando uma febre de especulação e o desejo de enriquecer rapidamente. Nos bancos, vários investimentos foram oferecidos na forma de ações, letras de câmbio e certificados de depósito bancário. Esses investimentos eram papéis que funcionavam como uma espécie de empréstimo dos clientes aos bancos, que por sua vez investiam e pagavam os clientes com juros. Começava o que ficou conhecido como ciranda financeira .

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Exemplo de obra gigantesca, a hidrelétrica de Itaipu gastou milhões de dólares em sua construção.

O “milagre” brasileiro não durou muito. A partir de 1973, uma crise internacional mudaria os rumos do “milagre”, junto com as contradições da política econômica do período, que aumentava cada vez mais a dependência do Brasil em relação à economia internacional. Era o momento de rever planos e estratégias. O Estado brasileiro procurava legitimar sua ação política (com a eliminação da oposição e a linha dura ) com o lema “ segurança nacional e desenvolvimento” . Em nome da segurança nacional, os cidadãos perdiam sua liberdade política, mas ganhavam desenvolvimento econômico. O “milagre” econômico serviu de apoio ao lema da ditadura, que procurou sempre divulgar dados e estatísticas técnicas para demonstrar o crescimento do país. Porém, seus problemas surgiram logo, e pioraram com a situação internacional. A crise do petróleo Quando, em 1973, os países árabes, responsáveis pela maior parte da produção de petróleo, se reuniram na Organização dos Países Exportadores de Petróleo − OPEP e decidiram aumentar os preços do produto, a situação brasileira ficou complicada. A principal fonte de energia do mundo tornou-se cara e gerou uma crise mundial. Em 1974, a OPEP triplicou o preço mundial do petróleo. O Brasil passou a enfrentar graves dificuldades, pois na época importava 80% do petróleo consumido e tinha uma indústria automobilística em expansão.

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Os juros da dívida externa subiram demais e as exportações brasileiras caíram. Era o fim do “milagre”. Em 1977, foram adotadas medidas para conter o consumo dos combustíveis derivados de petróleo. Passou a haver racionamento, fechando-se os postos de abastecimento à noite, nos fins de semana e nos feriados. O “milagre” econômico da década de 1970 ajudou o governo militar a justificar o seu poder, e não se pode negar o crescimento econômico, especialmente do parque industrial nacional. Os ministérios e equipes do governo, ocupados por especialistas em determinados assuntos, construíram um poder de técnicos − a tecnocracia . A conjuntura internacional ajudou, combinada com os interesses do empresariado nacional e o apoio da classe média, satisfeita com seu próprio crescimento. No entanto, os programas sociais não tiveram sucesso. O Movimento Brasileiro de Alfabetização − MOBRAL, a reforma agrária, o Plano Nacional de Saúde não conseguiram cumprir seus objetivos. A década de 1980 não chegou com otimismo.

O governo Ernesto Geisel (1974-1979)
Escolhido indiretamente para exercer a Presidência da República, o general Geisel assumiu o poder quando o “milagre” brasileiro já mostrava sinais de crise. Com o objetivo de dar continuidade ao desenvolvimentismo, foi lançado o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento (2º PNB), que dava prioridade ao setor energético. Grandes projetos foram iniciados nesse governo: a usina nuclear de Angra dos Reis, fruto de um acordo entre o Brasil e a Alemanha; os pólos industriais de Carajás e Trombetas; e o Pro-Álcool, que desenvolveu um novo tipo de combustível para veículos − o álcool hidratado . Esses projetos tornaram-se incompatíveis com a dívida externa, que se tornara bem grande. Por outro lado, as aplicações no mercado financeiro ofereciam mais vantagens do que os investimentos na produção. O 2º PNB não foi muito bem sucedido. O fantasma da crise voltou a assustar os brasileiros e não havia santo que aparecesse para fazer milagres. Abertura política lenta e gradual Em termos políticos, a escolha do general Geisel significava uma vitória dos grupos moderados, que pensavam em devolver o poder aos civis gradualmente. É claro que os efeitos da crise econômica e as novas pressões dos vários setores da sociedade também contribuiram para o processo de abertura política. Os trabalhadores, em 1978, desencadearam inúmeras greves, duramente reprimidas pela polícia. No entanto, os próprios empresários perceberam que era melhor conversar com os líderes sindicais do que com os representantes do governo. Na região do ABC, em São Paulo, onde se concentravam as indústrias automobilísticas, o movimento grevista dos metalúrgicos, liderados por Luís Inácio da Silva, o Lula, deu início à reorganização dos trabalhadores. O caminho, porém, seria difícil. Os militares da linha dura não concordavam com a política de abertura. Ações repressivas, que culminaram com os assassinatos do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho, colocaram em questão a autoridade do presidente e provocaram a indignação da sociedade.

A U L A Outro exemplo de obra gigantesca: a usina nuclear Angra I. O pacote de abril O chamado “pacote de abril”. Certa vez. e perdia nas cidades onde a população era mais politizada. e não mais ao número de eleitores. onde predominavam os “currais eleitorais”. Dessa forma. no entanto. apenas 8. E os estados teriam direito a ter. Esse era o caso de São Paulo. Além disso. ao mesmo tempo. Por esse pacote. Em 1976. O estado que tivesse mais eleitores teria mais deputados. a sigla partidária e o cargo que disputavam. Os candidatos somente podiam dizer o nome. em São Paulo seriam necessários 200 mil votos para eleger um deputado. como Roraima e Amapá. limitou o acesso da oposição ao rádio e à televisão. Tratava-se de um conjunto de emendas constitucionais e decretos-leis. 55. enquanto no Acre. nas Assembléias estaduais e municipais. o número. que tinha direito a noventa deputados. um candidato da oposição comentou: . onde o governo sempre ganhava. tratou de garantir a permanência das linhas mestras do regime. com a demissão do comandante do Segundo Exército e do próprio ministro do Exército. incluindo crianças e analfabetos. 35 A reação foi imediata: impôs-se um duro golpe aos setores radicais do próprio governo. que promovia a reforma do Poder Judiciário e do Poder Legislativo. O mapa das eleições de 1974 mostrou que o governo ganhara nas zonas rurais. De acordo com a Lei Eleitoral. o número de deputados federais passou a ser proporcional ao número de habitantes. no mínimo. oito deputados e. o número de deputados federais a que cada estado tinha direito variava conforme o número de eleitores. no máximo. Os pacotes eleitorais A abertura política do presidente Geisel. na Câmara. tinham direito a um deputado. foi bastante segura. o ministro da Justiça Armando Falcão baixou uma lei que criou o horário gratuito de propaganda eleitoral e.750 votos seriam suficientes. o tempo para cada partido era proporcional ao número de cargos que já ocupava no Senado. baixado em 1977. num debate na televisão. Os territórios. e passaram a ter direito a dois.

O projeto de abertura política lenta e gradual do presidente Geisel estava garantido. passando a chamar-se Partido Democrático Social − PDS e Partido do Movimento Democrático Brasileiro − PMDB. O presidente Figueiredo baixou outro “pacote eleitoral” em 1981. o Movimento Popular de Saúde . União das Nações Indígenas . outro “pacote” exigia a fidelidade partidária. eram indicados pelo governo. dividindo a oposição. obrigava os parlamentares a votar conforme a determinação da direção do partido. ampliação do mandato presidencial para seis anos e criação dos chamados “senadores biônicos”. após um período de campanha que o obrigou a percorrer o país de ponta a ponta. . com maioria no Congresso. O objetivo dessa reforma era reforçar o partido do governo. isto é. A anistia foi aprovada em 28 de agosto de 1979. embora a oposição tivesse arrebanhado a maioria absoluta dos votos. os movimentos populares intensificaram-se. em 1982. Em junho de 1982. de eleições diretas para todos os níveis. A ARENA e o MDB trocaram de nome. até então. O governo João Figueiredo (1979-1985) Em março de 1979. O pacote de abril também fez modificações no Colégio Eleitoral − que era composto pelos membros do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado) e pelos representantes das Assembléias dos estados − para escolha do presidente. Esses senadores. ou seja. no final do governo Geisel. e que o voto para a oposição vale um”. Isso quer dizer que o eleitor só podia votar em candidatos do mesmo partido. fizesse modificações na Constituição. A convocação. permitiu a volta do pluripartidarismo. Figueiredo se propôs a dar continuidade − ainda lenta e gradual − ao processo de abertura. general João Figueiredo. Graças a essas medidas para prolongar o regime. sem serem eleitos. com a escolha de outro militar para governar por mais seis anos. movimentou todo o país. num exercício de democracia que. proibindo as coligações. o governo conseguiu manter maioria no Congresso nas eleições de 1978. exceto para presidente. sindicais e de partidos políticos. A reforma partidária. A verdade é que o voto de um eleitor acreano passou a valer o voto de 23 eleitores paulistas. Também foram registrados o Partido dos Trabalhadores − PT. Afirmando ter a mão estendida à conciliação. pois eram consideradas áreas de segurança nacional . Surgiram organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra . além de haver um incremento dos movimentos pastorais. com uma nova lei orgânica dos partidos.A U L A 35 “ Agora só falta o governo decretar que o voto a seu favor vale dois. Com o fim do Ato Institucional nº 5 e o abrandamento da Lei de Segurança Nacional. E. os Grupos de União e Consciência Negra. e o voto seria vinculado. o Partido Trabalhista Brasileiro − PTB e o Partido Democrático Trabalhista − PDT. assumiu a presidência o ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) do governo Geisel. embora nas grandes cidades não houvesse eleições para prefeito. a união de partidos para apoiar um mesmo candidato. Somente após garantir-se a transição. nenhum presidente do período militar havia feito. é que foram revogados o Ato Institucional nº 5 e a censura. para impedir que a oposição. as emendas só poderiam ser aprovadas por dois terços dos congressistas. Cada partido deveria ter chapa completa de candidatos. as Comissões de Mulheres .

e garantir a eleição presidencial prevista para 1965. miséria. Foi a fase mais dura do regime.GOVERNOS DO REGIME MILITAR RANIERI MAZZILLI − Presidente da Câmara. O regime militar − pressionado tanto pela crise econômica como pela capacidade de organização da sociedade − foi sendo obrigado a abrir mão do poder. ERNESTO GEISEL − De 15 de março de 1974 a l5 de março de 1979. foi revogado o Ato Institucional nº 5. do Exército. foi baixado o Ato Institucional nº 5. Exercícios . Essa junta era composta pelos ministros militares: general Lira Tavares. e a crise social. Afastouse do governo por que sofreu um derrame cerebral. EMÍLIO MÉDICI − De 10 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974. os anos de chumbo cederam espaço para um pouco de liberdade. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. por meio de uma nova Constituição. O tempo não pára Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. com a emenda constitucional aprovada em 13 de outubro de 1978. A partir daí. COSTA E SILVA − De 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969. Seu mandato. a década de 1980 representou um momento decisivo na História brasileira. Releia Do milagre à crise e explique: a) de que maneira o regime autoritário legitimava sua ação política. JOÃO FIGUEIREDO − De 15 de março de 1979 a 15 de março de 1985. No campo político conseguiu que fosse mudada a legislação autoritária. com inflação em alta. assumiu o governo de 2 a 15 de abril de 1964. No plano econômico. Em dezembro de 1978. por determinação do Congresso. Essa emenda revogou os Atos Institucionais e Complementares. para começar a vigorar a partir de 1º de janeiro de 1979. a eleição indireta para presidente da República e governadores dos estados. no dicionário e no vocabulário da Unidade. b) de que forma a crise internacional do petróleo afetou o milagre brasileiro. com desemprego. almirante Augusto Rademaker. porém. restabelecer os processos democráticos normais. vindo a falecer em 17 de dezembro de 1969. foi prorrogado pelo Ato Institucional nº 2 que estabeleceu. eleito pelo Colégio Eleitoral. As campanhas pela anistia e pelas diretas já tiveram um papel significativo nesse processo de democratização do Estado. a euforia deu lugar à crise. Em 13 de dezembro de 1968. o mais importante instrumento de repressão política. Passou o governo a um civil. da Aeronáutica. que teve como conseqüência o endurecimento do regime. 1. JUNTA MILITAR − De 31 de agosto a 10 de outubro de 1969. No plano político. falta de assistência à população. O primeiro governo da Nova República teve de enfrentar a grave crise econômica. veio a certeza de que o regime autoritário se esgotara e de que era chegada a hora da democracia. também. Como chefe da “revolução”. Iniciou a abertura política. e no plano político. CASTELO BRANCO − De 15 de abril de 1964 a 15 de março de 1967. caracterizada pela violenta repressão e pelo chamado “milagre” brasileiro na economia. pretendia normalizar a situação política. A U L A 35 A década de 1970 terminou com um Brasil bem diferente do que começara. da Marinha e brigadeiro Sousa Melo.

2. 3. 1. 35 Releia O governo Ernesto Geisel (1974-1979) e explique por que o caminho da abertura democrática foi difícil. amanhã há de ser outro dia”? Na sua opinião. Releia Os pacotes eleitorais e O governo João Figueiredo (1979-1985). e tal. viu Você que inventou esse estado E inventou de inventar Toda a escuridão Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar O perdão Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Eu pergunto a você Onde vai se esconder Da enorme euforia Como vai proibir Quando o galo insistir Em cantar Água nova brotando E a gente se amando Sem parar Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros. tenha a fineza De desinventar Você vai pagar e é dobrado Cada lágrima rolada Nesse meu penar Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Inda pago pra ver O jardim florescer Qual você não queria Você vai se amargar Vendo o dia raiar Sem lhe pedir licença E eu vou morrer de rir Que esse dia há de vir Antes que você pensa Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Você vai ter que ver A manhã renascer E esbanjar poesia Como vai se explicar Vendo o céu clarear De repente. juro Todo esse amor reprimido Esse grito contido Este samba no escuro Você que inventou a tristeza Ora. Leia-o e responda às questões propostas.A U L A 2. 3. impunemente Como vai abafar Nosso coro a cantar Na sua frente Amanhã há de ser Outro dia Você vai se dar mal Etc. o autor tinha uma atitude otimista ou pessimista diante do quadro político? 6 . e explique o objetivo das inúmeras reformas eleitorais feitas nos governos Geisel e Figueiredo: Dê um novo título a esta aula. 5. 4. é considerado o “hino da abertura”. Quem é o “você” do poema? Como é o “você”? Quais os temas abordados pelo autor? O que significa o estribilho “apesar de você. 4. Fazendo a História Este samba de Chico Buarque. composto em 1978. Apesar de você De Chico Buarque Hoje você é quem manda Falou tá falado Não tem discussão A minha gente hoje anda Falando de lado E olhando pro chão.

no final do governo Geisel. Uma história que. é uma ótima oportunidade para entender melhor o nosso país e o mundo em que vivemos. E afirmou. A pergunta que fica no ar é: quem redemocratizou o país foi o governo ou o povo? Boa leitura! Nesta aula A abertura política Quando se fala em abertura política faz-se referência ao conjunto das medidas governamentais e. A volta ao regime democrático foi conseguida de forma lenta e gradual. ainda está em construção. de forma enfática e pitoresca.... que mandaria “prender e arrebentar” quem fosse contra a abertura política. que permitiu a passagem do regime militar para o regime democrático.) de fazer deste país um democracia ”. e a transição do governo militar para o governo civil. pela participação política e eleitoral. A crise do “milagre” econômico gerou consciência e mobilização popular. ao dizer: “ Reafirmo meu inabalável propósito (. Vamos enfocar a participação popular em duas campanhas memoráveis: a da Anistia e a das Diretas Já. de certa forma. Quando assumiu a Presidência da República. MÓDULO 10 36 A N Apresentação do Módulo 10 6 Com a revogação do Ato Institucional nº 5. também. também chamado de abertura política . tendo havido sempre uma tendência natural do regime militar em procurar prolongar o controle do Estado. ocorreu a natural pressa da sociedade civil em retomar o governo. Refletir sobre o tempo presente. Nesta aula estudaremos o processo de redemocratização. expressas pelo comportamento do eleitorado − que votou quase maciçamente . João Batista Figueiredo comprometeu-se com o processo de redemocratização. à crescente participação da sociedade. Paralelamente. a sociedade passava a ter mais liberdade e crescia a organização política e a mobilização. sobre uma história da qual todos nós participamos.A UU AL A L 36 A hora e a vez da democracia este módulo estamos falando de uma história que todos nós vivemos.

os metalúrgicos conseguiram negociar diretamente com os empregadores um aumento salarial de 63%. resultando na criação do Partidos dos Trabalhadores − PT. O parque industrial moderno gerou também um sindicalismo moderno e atuante que. a Igreja Católica também participou desse processo de desenvolvimento social. 1978 e 1982 − e pelo ressurgimento dos movimentos de massa. ampliaram-se até os setores de prestação de serviços. a democratizar a discussão dos problemas e a desenvolver lideranças. foi criada a Comissão Pastoral da Terra. como também para as relações de produção. em 1978 e 1979. como o ABC paulista. Em 1975. e apesar da reação de setores do governo. . Seu objetivo era ler o Evangelho a partir da vida. De forma pioneira. As entidades de classe reapareceram no cenário político: os sindicatos. a partir do Evangelho. e das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes − CIPAs. A União Nacional dos Estudantes− Estudantes− UNE. abaixo-assinados e greves. e os debates políticos ressurgiram nas reuniões anuais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência − SBPC. que passaram a entender mais de economia e de política. mobilizou os trabalhadores contra o arrocho salarial. como o professorado e o funcionalismo públicos. Isso levou à discussão de problemas sentidos pelos trabalhadores. que estimulou a formação das Comunidades Eclesiais de Base. fechada pelo governo. o que contribuiu para o aumento da produtividade e para a diminuição dos acidentes de trabalho e dos índices de poluição. Essas Comunidades passaram a dar voz aos que não tinham voz. As greves que tiveram incício nos centros industriais mais importantes. Com seus setores progressistas. A mobilização crescente dos trabalhadores contribuiu não só para a modernização política. as más condições de trabalho. e a reivindicar os seus direitos de modo organizado e pacífico. concentrações. Tais greves constituiram-se na mais importante forma de contestação do regime e de conscientização das classes trabalhadoras. a exemplo de passeatas. A União Nacional dos Estudantes − UNE foi recriada em 1979. pelos pobres e pelos excluídos. contrariando a norma da política salarial da época. que atribuía exclusivamente ao governo federal a competência de fixar a política salarial. Os trabalhadores passaram a dialogar com os patrões por intermédio das Comissões de Fábricas. a inflação e a carestia. as associações de professores e de estudantes. reapareceu em 1979.A U L A 36 nos candidatos da oposição nas eleições realizadas em 1974. e a vida.

aprovou-se a anistia. A campanha das Diretas Já Em 1980. tornou-se possível até fazer caricaturas como esta. como Tancredo Neves. para evitar confrontos diretos com a chamada linha dura do regime. Desse modo. Leonel Brizola e Luiz Carlos Prestes. em 1982. com as galerias do Congresso tomadas pelo público.A campanha da Anistia Desde os primeiros dias do regime militar em 1964. e não foram reconhecidos os direitos daqueles que perderam cargos e patentes por motivos políticos. Por causa dessas duas vitórias e da participação eleitoral crescente. o regime militar restabeleceu as eleições diretas para governadores de estado . Em 1978. Franco Montoro. iniciou-se a campanha pelas eleições diretas chamada de Diretas Já . e muitos comitês e organizações populares mobilizaram-se pela anistia. Diversos projetos foram apresentados no Congresso. E durante todos os anos seguintes. já se pedia anistia . Leonel Brizola e Lula. os guerrilheiros foram excluídos da anistia. A U L A 36 Com a abertura. Teotônio Vilela. Realizadas as eleições. Essa campanha permitiu que se reunisse um número significativo de lideranças políticas. No dia 28 de agosto de 1979. Ulysses Guimarães. principalmente no exterior. visitando presos políticos e pregando a ampliação do projeto que recebeu muitas emendas que não foram aprovadas. . partidos políticos de oposição venceram as eleições nos estados de São Paulo (PMDB) e Rio de Janeiro (PDT). essa reivindicação surgiu numerosas vezes. a mobilização popular e a pressão da política por direitos humanos do presidente norte-americano Jimmy Carter fizeram o governo brasileiro se decidir por um projeto de anistia parcial . como Miguel Arraes. que permitiu a retomada das atividades políticas de diversas lideranças cassadas e o retorno ao país de líderes oposicionistas representativos. em torno de uma mesma proposta política. Em 1983. que mostra os deputados Ulisses Guimarães e Francelino Pereira em luta. a possibilidade de eleições diretas para a Presidência da República tornava-se uma possibilidade real e concreta. A anistia também beneficiava policiais e militares que haviam cometido violências contra presos políticos. O senador da oposição Teotônio Vilela viajou pelo país.

enquanto o PMDB lançou a candidatura do governador de Minas Gerais Tancredos Neves. Numerosas manifestações públicas transcorriam na mais perfeita ordem e terminavam com o Hino Nacional. ex-governador de São Paulo. a cor da campanha. que temiam ser derrotados na sucessão de Figueiredo por voto direto. iniciando o período denominado Nova República . batendo panelas. usaram de artifícios até violentos para impedir a aprovação das eleições diretas. Num clima de grande emoção. em 21 de abril de 1985. o vice-presidente eleito José Sarney assumiu a Presidência. mantendo-se a pressão popular da campanha pelas Diretas Já . gritando “Diretas Já”. A emenda deveria ser votada no dia 25 de abril de 1984. como as ocorridas no Rio de Janeiro e São Paulo. A luta continua − A eleição de Tancredo Neves Foi nesse momento que as lideranças oposicionistas perceberam que. cantado por todos de mãos dadas e erguidas. Às vésperas da votação pelo Congresso Nacional foram decretadas medidas de emergência que tentavam reprimir manifestações populares (sob o comando do general Newton Cruz). a emenda Dante de Oliveira não obteve os votos necessários para sua aprovação. 6 . com camisetas. soltando rojões.A U L A 36 O deputado Dante de Oliveira apresentou. elegeu o candidato da Aliança Democrática em 15 de janeiro de 1985. tocando a buzina dos carros. o próprio sistema eleitoral vigente no regime militar poderia servir de caminho para a eleição de um presidente da República de oposição. ao contrário do acontecido em outros países (por exemplo. O Colégio Eleitoral − constituído pelos membros do Congresso Nacional e representantes das Assembléias Estaduais − por 480 votos. Nesse clima. Com a morte do presidente eleito Tancredo Neves. que eram convocações para que todos fizessem o maior barulho possivel. o que demonstrava a união do povo. nascido de forte dissidência nas fileiras do PDS. chegou-se às gigantescas manifestações de mais de um milhão de pessoas. então. adesivos e bandeiras. Grandes concentrações populares serviram para divulgar em todo o país a reivindicação das Diretas Já . nos quais a transição do autoritarismo para a democracia processou-se de forma violenta e traumática. que viria a concorrer como candidato da Aliança Democrática − aliança de partidos formada pelo PMDB e pelo recém-criado Partido da Frente-Liberal (PFL). O PDS apresentou como candidato Paulo Maluf. Alguns setores do governo. num total de 686 membros. uma emenda constitucional que restabelecia as eleições diretas para presidente e vice-presidente da República já em 1985. Foram organizados os “panelaços” e “buzinaços”. na Argentina e em Portugal). impunham a censura a todas as notícias procedentes de Brasília e proibiam o televisionamento da sessão do Congresso. A vitória de Tancredo Neves encerrou o ciclo de governo militares no Brasil de forma pacífica. O povo saiu às ruas vestido de amarelo.

Um povo sempre acusado de abulia e de inaptidão para a vida pública ofereceu o espetáculo de seu próprio talento para se organizar e manifestar com responsabilidade. 1 Releia A abertura política e faça o que se pede. a) Descreva o movimento sindical na época da abertura. Fazendo a História “ Frustrou-se a esperança de milhões. 26 de abril de 1984 Abulia: doença que provoca a diminuição da vontade. Uma compacta minoria de maus parlamentares disse não à vontade que seu próprio povo soube expressar com transparência. 2. 1. trazendo a recessão. No entanto. o desemprego e a fome. 3. 3. Folha de São Paulo . Nunca a sociedade brasileira se ergueu com tal vulto. O tempo A U L A não pára 36 Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. 4. o povo brasileiro teve de enfrentar duras provas: a inflação atingiu níveis insuportáveis. b) Como as Comunidades Eclesiais de Base contribuiram para o desenvolvimento social? Releia Campanha da Anistia e responda quais as características da anistia concedida pelo governo. profunda.A posse do vice-presidente José Sarney transcorreu em absoluta normalidade. Quem são os maus parlamentares a que o texto se refere? Por que você acha que o povo brasileiro sempre foi acusado de abulia e de inaptidão para a vida pública? Por que o voto é tão importante? 6 . sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. nunca um movimento se irradiou de modo tão amplo nem o curso da História se apresentou assim palpitante e inconfundível. pelo Congresso. em 1979? Releia A campanha das Diretas Já e responda como foi a mobilização da sociedade pelas eleições diretas para presidente? Releia A luta continua − a eleição de Tancredo Neves e responda: a rejeição. confirmando o desejo popular de restabelecimento pleno da democracia. irrefreável. Em poucos meses a campanha pelas Diretas Já dissolveu fronteiras de todo tipo para imantar o espírito dos brasileiros numa torrente serena. da emenda Dante de Oliveira significou o fim da campanha pelas eleições diretas? Dê um novo título a esta aula. no dicionário e no vocabulário da Unidade. Exercícios 2. firmeza e ordem. durante o governo Sarney. 5. energia e imaginação”.

Em maio de 1985. Tancredo Neves. depois de 21 anos. o Brasil tinha novamente um governante civil. para ver qual era o candidato preferido: Paulo Maluf . A herança de Tancredo Neves “José Sarney era o presidente do PDS. Jornal do Brasil 23 de abril de1985 Com a posse do presidente José Sarney. por meio do pleno restabelecimento do regime democrático. o segundo objetivo. o ministério do presidente José Sarney era constituído pelos mesmos ministros que haviam sido convidados por Tancredo Neves. Por essa razão. com o significado de compromisso com a superação definitiva do regime militar. da qual participariam todos os filiados ao partido. A expressão “Nova República” foi cunhada pelo então governador de Minas Gerais. o presidente José Sarney enviou ao Congresso Nacional um conjunto de projetos de lei para começar a constituir uma ordem jurídica . ao se lançar candidato à Presidência da República. consistia na eleição de uma Assembléia Nacional Constituinte para a elaboração de uma Constituição que restabelecesse o Estado de Direito. iniciou-se a fase da história republicana brasileira conhecida como Nova República. Na formação do governo da Nova República refletia-se a complexa “engenharia política” executada pelo presidente Tancredo Neves no sentido de constituir uma equipe administrativa comprometida em dar continuidade ao processo de redemocratização. Nesta aula veremos como o novo regime democrático se firmou. o de revogar as leis que vinham do regime militar.” Flávio Rangel. Os movimentos sociais estavam conseguindo a redemocratização do país e o restabelecimento dos direitos civis. eleito vice-presidente na chapa encabeçada por Tancredo Neves. A posse do vice-presidente eleito − quando problemas de saúde impediram Tancredo Neves de assumir a Presidência da República − foi mais um passo na direção da construção de uma ordem democrática no país.A UA U L A L A MÓDULO 10 37 37 A Nova República Nesta aula Em 1985. chamadas pelo então senador Fernando Henrique Cardoso de “entulho autoritário”. O rompimento aconteceu quando a maioria da direção do PDS desaprovou a idéia de se realizar uma prévia eleitoral. depois da elaboração da Constituição mais moderna e democrática que já tivemos. Aureliano Chaves ou Mário Andreazza. Eliminando o “entulho autoritário” A Nova República tinha dois objetivos políticos a curto prazo: primeiro.

l l l l As eleições de 15 de novembro de 1985. até a promulgação da nova Constituição. promulgada em 1976. em 1988. pois foram escolhidos os parlamentares que iriam formar a Assembléia Nacional Constituinte e elaborar a nova Constituição brasileira. ao mesmo tempo. a Nova República era ainda um período intermediário entre o regime autoritário dos militares e a democracia plena. em 15 de novembro de 1986. Entre essas medidas. legalização dos partidos políticos. que estabelecia inúmeras restrições ao uso dos meios de comunicação nas campanhas eleitorais. ainda que discretamente. Também as Forças Armadas. das áreas consideradas de segurança nacional e das estâncias hidrominerais. foram eleitos os novos governadores estaduais e os deputados e senadores. Um exemplo trágico foi a invasão da Companhia Siderúrgica Nacional por tropas do Exército para reprimir uma greve. concessão do direito de votos aos analfabetos. por causa dos dispositivos legais ainda em vigor. utilizar o decurso de prazo para aprovar projetos no Congresso ou determinar medidas de emergência. . vicepresidente e para prefeitos das capitais. que foram transformadas em lei pelo Congresso Nacional. para prefeitos das capitais dos estados e de 201 cidades. liberalização das atividades sindicais. permitindo-se. Durante muitos anos. fazendo oposição ao governo. como o de baixar decretos-leis. O presidente da República continuou com poderes concentrados. criar condições para uma ampla participação política da sociedade na escolha da futura Assembléia Nacional Constituinte. o que resultou na morte de três metalúrgicos. que organizações como o Partido Comunista Brasileiro − PCB e o Partido Comunista do Brasil − PC do B disputassem as eleições. Um ano depois. realizaram-se dentro da nova legislação. Essa eleição foi muito importante. No entanto. revogação da Lei Falcão. o deputado Ulisses Guimarães foi presidente da Câmara dos Deputados.democrática e. destacam-se as seguintes: l A U L A 37 restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. assim. continuaram a reprimir conflitos internos e a intervir no processo político.

do Legislativo e do Judiciário. a Constituição também procura assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. que iria substituir a ordem jurídica herdada do regime militar. 37 Com a chamada Constituição Cidadã.A U L A A nova Constituição Os meses de elaboração do novo texto constitucional. . da igualdade e da justiça. A Constituição de 1988 refletiu o avanço ocorrido no país. como valores supremos da sociedade. portanto. o povo podia tirar definitivamente a “mordaça” da repressão e expressar-se como membro ativo da sociedade. permitiram que houvesse um amplo debate público sobre as características do regime democrático a ser definido naquele texto. Essa Constituição destinava-se. do novo texto constitucional. de Constituição Cidadã . Reconheceu-se. a instituir um Estado democrático de direito . da segurança. presidente da Assembléia Nacional Constituinte. também. constitui o instrumento regulador das relações políticas. da liberdade. os direitos e deveres coletivos. expresso nas leis votadas pelos representantes eleitos pelo povo. A Constituição foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988. a estrutura do Estado brasileiro e o funcionamento e limites da atuação dos três poderes da República. Com essa afirmação. acham-se expressos no texto da Constituição. além dos individuais. econômicas e sociais na sociedade. do desenvolvimento. isto é. o deputado Ulysses Guimarães enfatizou o caráter de instrumento de defesa do cidadão. fazendo com que o governante só possa fazer aquilo que se encontra autorizado em lei. tendo sido chamada pelo deputado Ulysses Guimarães. do bem-estar. principalmente no que se refere à extensão de direitos sociais e políticos a todos os cidadãos e às minorias. do Executivo. que se define como sendo um regime político com as seguintes características: l o direito. l No Estado democrático de direito . e não do Estado.

a licença maternidade passou de 90 para 120 dias. E O VOTO É OBRIGATÓRIO A PARTIR DOS 18 ANOS . como é o caso do mandato de injunção. pág. TODAS AS PESSOAS MAIORES DE 16 ANOS PODEM VOTAR . ALERTANDO AS PESSOAS PARA QUE NÃO VOTEM POR SIMPATIA PESSOAL . e a licença paternidade é de 5 dias. SOCIAL . Editora Ática. l l l l l l PA RT I C I P E DA S E L E I Ç Õ E S P ELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. todos os trabalhadores têm o direito de fazer greve. embora não atendidas em sua totalidade. A LÉM DE ESCOLHER CONSCIENTEMENTE O SEU CANDIDATO. a Constituição de 1988 apresenta as seguintes: l A U L A 37 a jornada semanal de trabalho diminuiu de 48 para 44 horas.Na nova Constituição criaram-se novos recursos que. no mínimo. DOS DIREITOS DOS POBRES E DO BEM -ESTAR DE TODOS. AS PESSOA PODEM PARTICIPAR DO PROCESSO ELEITORAL DE OUTRAS MANEIRAS : ® ® ® ® TRABALHANDO NA CAMPANHA DO PARTIDO DE SUA PREFERÊNCIA. o trabalhador demitido tem direito a uma indenização igual a 40% do seu Fundo de Garantia. EM TROCA DE FAVORES OU PROMESSAS . SOBRETUDO DOS MAIS POBRES . 71 . CONVENCENDO AMIGOS E PARENTES A VOTAR A FAVOR DA MAIORIA DA POPULAÇÃO . ao lado do habeascorpus e do mandado de segurança. AJUDANDO NA CAMPANHA DOS CANDIDATOS ESCOLHIDOS . significaram um grande avanço. do habeas-data e da ação civil pública. abono de férias. ao salário mínimo. e todos os seus ganhos devem ser reajustados da mesma forma que os salários dos trabalhadores em atividade. equivalente a 33% do salário que o trabalhador recebe. São Paulo. As reivindicações dos trabalhadores. POR DINHEIRO OU PRESENTES. permitem que os cidadãos façam valer os seus direitos. abono de um salário mínimo por ano para os trabalhadores que recebem menos de dois salários por mês (PIS). Frei Betto OSPB Introdução à Política Brasileira. as horas-extras devem ser pagas com acréscimo de 50%. os aposentados têm direito ao 13º salário. CONSCIENTE E A FAVOR DOS QUE ESTÃO DO LADO DA JUSTIÇA Betto. Entre as conquistas dos trabalhadores. O VOTO DEVE SER LIVRE .

principalmente com a Nova Constituição. funcionários públicos. Empresários. Releia A nova Constituição e cite os avanços sociais mais importantes da Constituição de 1988. Releia A herança de Tancredo Neves e explique o significado da expressão “Nova República”: Releia Eliminando o “entulho autoritário” e explique o que era esse “entulho autoritário” que precisava ser removido. portanto. a Constituição de 1988 criou condições para a construção de um regime político livre e democrático . Durante o governo Sarney. muitas críticas têm sido feitas ao texto constitucional. definiu os direitos dos cidadãos e estabeleceu suas garantias constitucionais. 37 6 O tempo não pára A Nova República começou com graves problemas. De qualquer modo.A U L A A revisão constitucional A Constituição de 1988 estabeleceu. foi possível remover o “entulho autoritário”. com isto. pois ele trata de assuntos que não são de natureza constitucional. precisamente. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. 3. apesar da esperança e da mobilização. os problemas econômicos continuaram a penalizar a população. sindicalistas e outros grupos sociais tiveram sucesso em colocar suas demandas no texto constitucional. ao poder judiciário e ao sistema de governo e ao sistema eleitoral. encontram-se os dispositivos constitucionais relativos ao sistema tributário. no dicionário e no vocabulário da Unidade 1. e que serão objetos da reforma constitucional. prevendo inclusive a sua própria reforma para corrigir. 2. uma vez que refletem pressões de diferentes grupos da sociedade que. o que tem dificultado a própria realização de objetivos constitucionais maiores. E o escolhido pelo Colégio Eleitoral. levaram suas reivindicações corporativas até o nível de direitos constitucionais. Mas. Entre as dificuldades encontradas na aplicação do texto constitucional vigente. se foram restabelecidos os direitos políticos. defeitos encontrados na aplicação dos seus dispositivos. O presidente não foi eleito pelo voto popular. que contava com a simpatia do povo. . veio a falecer. Entretanto. Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. à previdência social. às empresas estatais. à estabilidade dos servidores públicos. normas para a organização do Estado. redemocratizando-se o país de modo pleno.

. 6 . pág. A U L A 5. e principalmente. cor. 2. Ao menos. A televisão glamourizou tudo isso e repetiu sem cessar a boa nova. Documento B Constituição da República Federativa do Brasil Artigo 5 − Todos são iguais perante a lei.) 3. sua bandeira./apresentação).4. sem distinção de qualquer natureza. “As diferenças de raça. na verdade. não tudo. atraente. como uma esperança forte de mudança. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. muito pouco”. expresso no texto. nos termos seguintes: I − homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.” Levando em conta essa afirmação e mais o que está garantido pela Constituição. Não deu. Nova República: um balanço . Flavio Koutzii (org. São Paulo. nos termos desta Constituição. sexo. sujeito à pena de reclusão.. à igualdade. (. Na sua opinião. depois dos acordos políticos que condicionaram a transição..) XLI − a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. Releia A revisão constitucional e responda por que surgiram dificuldades na aplicação de alguns textos constitucionais? Dê um novo título a esta aula. até convencer a quase todos que tudo ia dar certo.. o que não deu certo na Nova República? Faça uma crítica ao papel da televisão. Ela começou. à liberdade. 1. 1986. XLII − a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. à segurança e à propriedade. nos termos da lei. depois da ditadura militar. encantadora. 5. condição social e econômica não mudam a natureza das pessoas. Glamourizar: fazer uma imagem romântica. O povo retomou o seu hino. 37 Fazendo a História Documento A “ A Nova República é o que veio depois da luta. (. Editora L&PM. apesar do Colégio Eleitoral e das eleições indiretas. sua vontade de sonhar. faça uma redação sobre os Direitos Humanos. nem criam espécies diferentes de seres humanos. da agonia e morte de Tancredo.

porque. a situação econcômica do país vinha se recuperando da recessão . O governo João Figueiredo procurou combater a inflação com uma política que procurava reduzir a atividade econômica.1 bilhões de dólares na balança comercial. podendo até prescindir do Fundo Monetário Internacional − FMI e procurar acordos diretos com os bancos credores privados. . resultante do modelo de desenvolvimento do regime militar. por falta de compradores. assim. As reservas externas brasileiras chegaram a 9 bilhões de dólares. não será difícil responder. com a remoção do “entulho autoritário” e o surgimento de novos grupos organizados em torno de questões importantes. no entanto. portanto. como a ecologia. ao diminuir a massa salarial. você sabe muito bem. No início da década de 1980. O país encontrava-se. A questão é saber por quê? Como todos nós passamos por esse período e aprendemos um pouco sobre economia com os noticiários. o governo achava que os preços tenderiam a subir menos. em março de 1985. A economia. é o aumento constante e geral dos preços. Talvez a explicação das causas − diagnóstico − estivesse equivocada. permitindo que o Brasil pagasse os juros de sua dívida externa. o agente direto da recessão dos primeiros anos da década de 1980. as compras. os direitos do consumidor. O governo foi. com a atividade industrial em baixa e a inflação em alta. mais precisamente entre 198l e 1983. a atuação das donas-de-casa etc. em situação um pouco mais confortável. O grande impulso proveniente das exportações permitiu que a economia brasileira retomasse o crescimento. as trocas de moedas. dessa forma. o país mergulhara na sua crise econômica mais grave. Nesta aula P Inflação: os diagnósticos Inflação.A UA U L A L A MÓDULO 10 38 38 Inflação: diagnósticos e terapias oliticamente a Nova República avançava. o que provoca a perda do poder de compra que a moeda possui. estava indo de mal a pior. Quando se iniciou o governo do presidente José Sarney. A queda das importações e o aumento das exportações fizeram com que houvesse um saldo de 13. Nesta aula veremos como o governo tentou conter a inflação por meio de planos sucessivos − terapias − que não deram certo.

em 1984. em agosto de 1985. . ou seja. em alguns setores da economia.5% ao ano. São Paulo. ganhava força uma nova teoria sobre a inflação brasileira. entre os quais o fato de predominarem poucas indústrias grandes. a produção é para ser vendida em dólar. quanto menos ganhar o trabalhador brasileiro. Frei Betto OSPB Introdução à Política Brasileira. que subiu a 223. não há interesse em aumentar os salários dos trabalhadores brasileiros. Para alguns economistas. substituiu o ministro da Fazenda Francisco Dornelles e mudou a orientação da política econômica. embutidas em sucessivos planos. Betto. mantendo grandes lucros com poucos compradores. portanto. Finalmente. entre outras coisas. assim. mais barato fica o custo de produção das mercadorias vendidas lá fora e. a economia interna encontrava-se prisioneira da inflação. as pessoas passaram a se habituar e mesmo a tirar proveito da inflação. Editora Ática. Atingindo esse equilíbrio. Aumenta a pobreza porque não há interesse em favorecer o mercado interno. e a 235. A política de austeridade foi contestada por forças políticas que davam sustentação ao governo. pág.A U L A EXPORTAR É A SOLUÇÃO? “ Essa política econômica voltada para a exportação provoca. ambos alimentadores da inflação. durante o ano de 1985 e início de 1986. os economistas queriam dizer que no Brasil todos já contavam com a inflação e. preferiam aumentar seus preços. equilibrar a receita e a despesa da administração pública. No final de 1985. por quase não terem concorrentes. então um período no qual o governo iria procurar solucionar o problema inflacionário por meio de intervenções na economia. em 1985. Tais indústrias. Criava-se uma cultura inflacionária no país. em vez de aumentar suas vendas. não haveria mais necessidade de o governo federal recorrer à emissão de papel-moeda e a empréstimos de curto prazo. 57) 38 Entretanto. finalmente. que. Não havendo interesse em ampliar o mercado interno. A primeira tentativa de controlar a inflação foi feita com o corte de 10% do orçamento da União e o congelamento de contratos de empréstimos. Com “inercial”. Iniciou-se. Outra razão apontada pelos economistas para a inflação era o constante desequilíbrio nas contas do governo . que para saldar suas dívidas era obrigado a emitir moeda e títulos. A falta de controle da inflação e a conseqüente perda de poder aquisitivo dos salários provocaram greves no campo e nas cidades. duas conseqüências graves: aumenta a pobreza do povo e enriquece ainda mais as multinacionais. com ou sem razão. ela era decorrente de fatores variados. aumentavam seus preços a toda virada de mês. Ao contrário. afirmava-se que a inflação brasileira possuía também um componente inercial . maior o lucro das empresas”.8% ao ano. pretendendo-se.

conhecidas como “cruzadinho”. com a conseqüente valorização real dos salários.A U L A Inflação: as terapias O Plano Cruzado A inflação continuava a crescer e. Em julho de 1986. Os defensores da nova política econômica sustentavam que a diminuição do ritmo inflacionário somente poderia ter resultado com uma terapia de choque. que acabasse com a correção monetária e estabelecesse uma moeda forte. denunciando aumentos abusivos de preço. . o plano recebeu apoio estusiástico da população e parte dela organizou-se. instituindo um empréstimo compulsório na compra de carros. pois não houve aumento significativo das importações. em janeiro de 1986. Surgiam os “fiscais do Sarney”. atingiu a cifra de 17. cada cidadão que fosse a um supermercado. de dólares para viagens e passagens aéreas para o exterior. por sua vez. de gasolina e álcool. O resultados mais imediatos do Plano Cruzado foram a mobilização da sociedade no combate aos preços abusivos e a drástica redução da inflação. A moeda foi substituída de Cruzeiro para Cruzado . baseada na tese de que era falsa a suposição quanto à contenção das atividades econômicas e à redução do déficit público resultarem na queda da inflação. 38 No Plano Cruzado. podia se transformar num “fiscal do Sarney”. e promoveu-se um congelamento de preços e salários. para fiscalizar o congelamento de preços nos supermercados. incentivada pelo presidente. O equilíbrio das contas pretendido pelo governo não foi atingido. O Plano Cruzado também tomava as seguintes medidas: extinção da correção monetária. em substituição ao Cruzeiro. a prática da cobrança de ágio e a desativação da atividade econômica produtora. que tinham por objetivo corrigir a crise do Plano Cruzado. reajuste automático dos salários (sempre que a inflação acumulada atingisse 20%) e criava o seguro-desemprego. acompanhada do aumento nos índices de desemprego.5%. O congelamento de preços. anunciado pelo presidente José Sarney em 28 de fevereiro de 1986. O governo adotou uma política econômica oposta. a baixa nas ofertas de produtos. a nova equipe econômica elaborou o Plano Cruzado . Logo. visando o combate à inflação e a estabilidade da economia. provocou uma corrida ao consumo. o governo anunciou um conjunto de medidas. ou a algum outro tipo de loja. Dirigida pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro.

o Cruzado Novo . chamado Plano Verão . Cazuza − com seus versos irados e.. será que é o meu fim Ver TV a cores na taba de um índio Programada só prá dizer sim. o governo viu-se obrigado a aumentar as tarifas públicas e os impostos indiretos. pela miséria. Brasil! 6 . a cobrança de ágio. A crise das contas externas levou o Brasil a declarar moratória . ao mesmo tempo. o qual recuperava algumas características do Plano Cruzado.No último semestre de 1986. como o Plano Cruzado. confia em mim Grande Pátria desimportante Em nenhum instante eu vou te trair Confia em mim. mostra a tua cara Nesses anos de grande sofrimento para milhões de brasileiros. Realizadas as eleições de 15 de novembro de 1986. Confia em mim. fazendo com que o governo anunciasse um novo plano econômico.sim. O Plano Verão Em janeiro de 1989. o Plano Cruzado já demonstrara sua fragilidade. suspendia unilateralmente e por tempo indeterminado o pagamento dos juros referentes às dívidas com os bancos credores. o desemprego. em 1988 um poeta se levantou como a “voz dos oprimidos”. Brasil. qual é o teu negócio O nome do teu sócio. extinguiu as Obrigações do Tesouro Nacional (OTN). o crescimento da inflação. elevou os juros bancários para conter o aumento do consumo. mostra a tua cara Quero ver quem paga Prá gente ficar assim Brasil. aprofundando a crise econômica e social. cheios de amor − é o intérprete de seu tempo. O Plano Verão estabeleceu um novo congelamento de preços. Assim. O Plano Bresser . A U L A 38 Brasil. fracassou em seu objetivos. pela presença de crianças de rua. em fevereiro de 1987. a inflação aproximava-se de 1.000% ao ano. Isso contribuiu para que a inflação fosse realimentada e fechasse o ano em 450%. O Plano Bresser O ministro Dílson Funaro acabou sendo substituido pelo ministro Bresser Pereira.. criou uma nova moeda. pela fome. o Plano Verão provocou o desabastecimento. marcados pelo desemprego. Brasil De Cazuza Não me convidaram prá essa festa pobre Que os homens armaram prá me convencer A pagar sem ver toda essa droga Que já vem malhada antes de eu nascer Não me ofereceram nem um cigarro Fiquei na porta estacionando os carros Não me elegeram chefe de nada O meu cartão de crédito é uma navalha Não me sortearam a garota do Fantástico Não me subornaram. defasados. Como aconteceu com o Plano Cruzado. que propôs um novo plano de combate à crise econômica e à inflação.

agora. no início da década. Releia Inflação: as terapias e faça uma lista das medidas econômicas do Plano Cruzado: Releia Brasil. em 1989. em 1981. ocorreram eleições presidenciais no Brasil. b) Faça uma crítica ao combate da inflação no governo Figueiredo. 6 Exercícios Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. particularmente do Fundo Monetário Internacional − FMI. Todas as decisões importantes se subordinam a . A dívida externa praticamente dobrou e os investimentos externos baixaram de 1. 4.. para 1. l essa droga que já vem malhada antes de eu nascer .750 bilhões de dólares. portanto. 3. Em 1989. A economia brasileira viveu anos de estagnação e de inflação. mostra a tua cara e dê a sua interpretação sobre: essa festa pobre. para 400 milhões de dólares. Um novo programa econômico seria posto em prática: o Plano Collor . controlado pelos países centrais. no dicionário e no vocabulário da Unidade. O resultado de tudo isso foi o empobrecimento de grande parcela da população. em 1989. sim. que alguns economistas chamaram os anos 80 de “década perdida” no Brasil.700% ao ano. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. A inflação passou de cerca de 100% ao ano. A política econômica do governo consiste essencialmente em administrar a dívida externa. l ver TV a cores na taba de um índio/programada só pra dizer sim. Releia Inflação: os diagnósticos e faça o que se pede: a) relacione as explicações ou diagnósticos dessa doença da economia chamada inflação. sob a batuta dos Estados Unidos e. l 2. quando Fernando Collor de Mello foi eleito presidente da República. depois de quase 30 anos. Fazendo a História “ O Brasil está hoje à mercê do sistema financeiro internacional. Mas qual seria o caminho da retomada do desenvolvimento? Novos planos econômicos? Fortalecer ou reduzir o papel do Estado na economia? O país poderia passar por um rápido processo de modernização e alcançar os países do Primeiro Mundo? Essas quetões estavam na cabeça dos brasileiros.O tempo A U L A não pára 38 Não foi à toa. 1. Os candidatos apresentaram propostas para combater a crise. Dê um novo título a esta aula..

De fato. o Brasil se obriga a fazer novos projetos. os banqueiros. as principais medidas relacionadas com a política econômica não são tomadas a partir das necessidades e interesses do país e das aspirações da sua população. Entre outras. com a auditoria do FMI. Depois de ler esse texto. qual é o papel do FMI? Que condição é imposta pelos banqueiros para novos empréstimos? Explique com suas palavras a frase “o Brasil gasta o que não tem naquilo que não precisa”. e os juros. aparelhos e equipamentos de suas indústrias. Petrópolis. muitos deles desnecessários ou não urgentes. Praticamente. Assim. mesmo que haja empresas no Brasil que fabriquem tais produtos. Argemiro J. e considerando tudo o que você aprendeu nas aulas anteriores. 1983. E. emprestam dinheiro para novos projetos e exigem que parte do empréstimo seja aplicado na compra de máquinas. Brum Por que o Brasil foi ao Fundo . mais receosos e cautelosos. mas em função das exigências da dívida externa e dos banqueiros internacionais credores do Brasil. tente responder estas questões: 1. 3. 6 . isto é. Como o Brasil já deve muito e precisa levantar no exterior cerca de 18 a 20 bilhões de dólares por ano.são feitos novos contratos. “rolar a dívida”. Assim. Amortização: pagamento de parte da dívida. a partir de 1983. tal o grau de subordinação aos 'donos' do poder econômico e do financeiro mundial. impõe condições mais rigorosas. o Brasil faz novos empréstimos e fica devendo mais. empurrá-la para frente e para cima a espera de dias melhores. para fechar o balanço de pagamentos. e gasta o que não tem naquilo que não precisa. ” Brum. o país chegou a um ponto em que não é mais o governo brasileiro que administra a dívida. 2. págs. Editora Vozes. sob condições impostas e controladas pelos banqueiros. Para pagar as amortizações. a administração da dívida consiste basicamente na sua renegociação permanente. mas é a dívida que administra o governo. Que duplo sentido há na expressão “o Brasil foi ao Fundo? Pelo que você entendeu.esse propósito. 60-70 A U L A 38 Rolar a dívida: na impossibilidade de pagar. 4. com mais prazo e incorporação dos juros devidos.

solidariedade e justiça. num clima de euforia desconhecido pelas gerações mais novas.A UA U L A L A MÓDULO 10 39 39 Um país em construção década de 1980 foi decisiva na História brasileira. a uma eleição direta para Presidência. nos últimos anos. Nova Constituição foi aprovada. Nesta aula vamos acompanhar como. o povo compareceu às urnas para escolher seu candidato. após trinta anos. Em meio a uma grave crise econômica. temos procurado conciliar democracia. foram realizadas eleições diretas para presidente. combater as enormes desigualdades que marcam a sociedade brasileira? O Brasil dos anos 90 tem convivido com essa questão. As eleições de l989 foram uma grande festa democrática vivida pelo país. depois de quase trinta anos. a sociedade lutou pela liberdade e pela cidadania. Cinco anos depois da campanha das Diretas Já . deram-se passos fundamentais para a construção da democracia brasileira. e agora? Que caminhos seguir? Será que conseguiremos consolidar nossas instituições democráticas e. finalmente o Brasil assistiu em l989. ao mesmo tempo. Será que estamos passando no teste? Nesta aula A A campanha das Diretas Já mobilizou o Brasil inteiro. Enfim. Apogeu e crise do governo Collor (1990-1992) Encerrado o primeiro governo da Nova República. Mas. Finalmente. .

isto é. o novo governo anunciou um amplo programa de reforma do Estado. acreditava que com sua presença diária nos meios de comunicação de massa poderia obter o apoio necessário a seu governo. editou-se o Plano Collor − a mais drástica intervenção do Estado na economia brasileira. às contas e aplicações a 50 cruzeiros. retirou de circulação l00 bilhões de dólares e estabeleceu o bloqueio dos cruzeiros . saúde . Fernando Collor foi eleito com uma votação de cerca de 35 milhões de votos. A inflação atingia níveis insuportáveis (84% ao mês. com as instituições financeiras fechadas. que previa o fechamento de diversos órgãos públicos e a demissão ou afastamento de cerca de 360 mil servidores. o Plano Collor. No dia da posse. como o PFL e o PDS. corridas de jet-ski. além de um programa de privatização das empresas estatais. O presidente. no exato momento em que procurava recompor-se com parte da classe política. apenas duas foram para o segundo turno: a do ex-governador de Alagoas Fernando Collor de Mello. do Partido da Reconstrução Nacional − PRN. e a do ex-líder sindical e deputado Luiz Inácio “Lula” da Silva. do Partido dos Trabalhadores − PT. Houve uma drástica redução da produção. Collor enfrentou a mais séria crise do seu governo. seu afastamento das funções de presidente da República. A recessão econômica aprofundou-se. Na prática. a reforma do Estado − feita de forma desorganizada e sem critérios definidos − gerou grave desestruturação em vários setores do serviço público. em março de l990). até aquele momento. Apesar dessas medidas. ou Plano Brasil Novo.Dentre as diversas candidaturas apresentadas nas eleições. com vôos de jato. Collor elegeu-se sem apoio dos maiores partidos políticos e. com as reformas ministeriais. apenas no ano de l992. juntamente com as questões econômicas. limitando os saques à poupança. a inflação alcançou um total acumulado de l. aventuras na floresta Amazônica. Durante o ano de l990. o governo enfrentou problemas de relacionamento com o Congresso. O novo governo chegava ao poder cercado de enorme expectativa. O desemprego nas grandes cidades aumentou. No entanto. Utilizando-se de um estilo “espetacular”. Em meio a outras medidas. A economia foi profundamente abalada pelo Plano. E. procurou obter apoio maior de partidos importantes no Congresso. Além do Plano Collor. a inflação não havia sido domada. Logo o presidente percebeu que não era possível governar o país sem o apoio dos partidos políticos e de setores organizados da sociedade. Estes foram os principais momentos da crise até o impeachment. Essas medidas enquadravam-se na visão do governo para reduzir o tamanho do Estado e reorientá-lo para aquelas que deveriam ser suas atividades básicas: educação . O mercado agitava-se com a possibilidade de um novo choque na economia. l A U L A 39 Maio de 92 − Denúncias de Pedro Collor (irmão do presidente) acusando o tesoureiro da campanha presidencial de Collor (Paulo César Farias − envolvido em diversas irregularidades) de ser testa-de-ferro de Fernando Collor de Mello em negócios financeiros ilícitos.l98%. . entre as quais a volta do nome Cruzeiro para a moeda nacional. Collor buscava criar uma imagem de herói. até então. capaz de enfrentar todos os problemas. que teve como resultado o impeachment . Tendo como principal bandeira a defesa da moralidade pública e o combate à corrupção. habitação e transportes.

expressando sua indignação em relação aos esquemas de corrupção revelados pela imprensa e sua vontade de estar presente na construção de um novo país. seria cassação de alguns parlamentares. O país vivera uma nova aula de cidadania. Diversos parlamentares foram acusados de envolvimento na manipulação de verbas no orçamento da União. com sustentação no Congresso e na opinião pública. Enquanto o governo procurava acertar os rumos de suas políticas (combate à inflação. Para isso. C. Tendo em vista essas preocupações. Agosto de 92 − Aprovado o relatório final da CPI que apontava o envolvimento de Collor em diversos crimes.A U L A l 39 l l Junho de 92 − O Congresso instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de averiguar as denúncias de Pedro Collor. a opinião pública mobilizou-se para exigir uma imediata investigação e punição para os culpados. Surgiu o movimento Pela ética na política . As ruas e praças das grandes cidades brasileiras foram ocupadas por estudantes que pintavam o rosto com as cores da bandeira nacional. procurou estabelecer uma política de bom relacionamento com o Congresso Nacional para viabilizar seus projetos. Chegara a hora de reconstruir o país e recuperar a confiança da população nos homens públicos. A democracia brasileira passara por um duro teste. Apesar do esforço do Congresso em afastar parlamentares denunciados por corrupção. tratou de buscar apoio dos partidos políticos para formar um governo forte. Farias e seus funcionários. No final de l992 terminava a Era Collor. Democracia e organização O primeiro presidente brasileiro eleito diretamente após tanto tempo. Collor foi afastado até o julgamento final pelo Senado. No final do ano. o novo governo. beneficando empreiteiras e desviando recursos para entidades ligadas a eles. Pela primeira vez na História. reorientação do programa de privatização e enfrentamento de problemas sociais). havia sido afastado do poder. a imagem da instituição ficou bastante abalada para grande parcela da sociedade. Mais uma vez. foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (“CPI do Orçamento”). Resultado: 441 votos a favor e 38 contra. que iniciou um processo cujo resultado. l Durante esse longo processo ocorreu uma intensa mobilização da sociedade. Constatou-se que contas do presidente e de sua família eram pagas por cheques-fantasmas emitidos por P. iniciava-se o governo do presidente em exercício Itamar Franco. A crise política fora resolvida dentro das regras constitucionais. que passou a exigir a moralização da atividade política e o afastamento imediato do Presidente. um presidente sofria o impeachment. Ao mesmo tempo. no ano seguinte. 29 de setembro de 92 − Aprovado o processo que tornava admissível o impeachment na Câmara dos Deputados. presidido por Itamar Franco. Era o escândalo da “máfia do orçamento”. Não houve ameaças de golpe. Dezembro de 92 − Aprovado no Senado o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. . convocou políticos e personalidades de diferentes visões para constituir um governo de coalizão. novas denúncias abalaram mais uma vez a República brasileira durante o ano de 1993.

das vítimas da AIDS e em defesa da ecologia. ao mesmo tempo. Em abril. propôs uma mobilização em caráter de emergência contra a fome e a miséria. mobilizando diversos setores da sociedade. Nesse processo de auto-organização da sociedade brasileira. abrindo caminho para mudanças na política e no comportamento do eleitorado. das mulheres. O movimento ganhou força em todo o país e ainda naquele ano já estavam em funcionamento cerca de mil comitês. A Campanha contra a Fome − como ficou popularmente conhecida a Ação da Cidadania Contra a Miséria e pela Vida − surgiu no contexto do Movimento pela Ética na Política . Na visão do sociólogo Betinho. a busca por uma conduta baseada em princípios éticos vem ganhando força em diversos aspectos da vida nacional. A U L A 39 Itamar Franco conciliou as forças políticas e passou a faixa presidencial para Fernando Henrique Cardoso. Esse fato revela que o Poder Judiciário também tem demonstrado que é necessário romper o círculo vicioso de violência e impunidade que tem marcado as grandes cidades brasileiras. Num encontro que reuniu. das crianças. Especialmente a partir dos anos 80 têm surgido centenas de organizações não governamentais (ONGs) que buscam atuar em diversas áreas. no início de 1993. Mas os esforços de enfrentar as graves questões brasileiras não se desenvolvem apenas nos órgãos públicos. Um exemplo disso foi a sentença da juíza Denise Frossard. A campanha motivou ainda a criação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar − CONSEA.Nesse quadro de construção da democracia . teve início a campanha. mandando prender os mais famosos bicheiros cariocas (acusados de formação de quadrilha) em maio de 1993. os resultados do movimento representaram uma resposta positiva da sociedade. um dos mais importantes movimentos de solidariedade da história do país: a Campanha contra a Fome . formado por membros do governo federal e representantes da sociedade civil. e presidido pelo Bispo de Duque de Caxias (Rio de Janeiro) Dom Mauro Morelli. ofereceram novas perspectivas para a democracia em nosso país e para a construção de uma nova cidadania . Há atualmente no Brasil organizações que lutam pelos direitos dos negros. . o Betinho. grupos civis e entidades não governamentais. em 1993. coordenado por diversos grupos da sociedade civil em apoio ao impeachment do presidente Fernando Collor. o sociólogo Herbert de Souza. e. muitas vezes em conjunto com o poder público. foi criado.

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O Brasil do Real
Depois de nomear quatro ministros da Fazenda, em sete meses de governo, em maio de 1993, o presidente Itamar Franco nomeou o senador Fernando Henrique Cardoso para o cargo. O novo ministro assumiu a pasta, preocupado em ordenar a política governamental com o objetivo de estabilizar a economia, derrubar a inflação e terminar com o déficit público, isto é, fazer com que o governo gastasse somente a quantia que pudesse arrecadar. O plano de estabilização econômica do ministro Fernando Henrique Cardoso iria atingir seus objetivos depois de meses de implantação da nova política, que não se resumiu em medidas imediatistas, pois foi implementada progressivamente, e sua etapa mais significativa foi a entrada em vigor da nova moeda, o Real , em julho de 1994. A sucessão do presidente Itamar Franco teve como tema central a defesa ou não da continuidade da política de estabilização econômica e a manutenção dos critérios de moralidade no trato da coisa pública. Em 15 de novembro de 1994, foi eleito o sucessor do presidente Itamar Franco, o senador Fernando Henrique Cardoso, que tomou posse em 1º de janeiro de 1995, com o compromisso de dar continuidade ao programa de estabilização econômica, principal bandeira de sua campanha eleitoral.

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O tempo não pára
Assim, chegamos ao Brasil dos anos 90. E que país é esse? Certamente um país de contrastes e de velhos problemas. Porém, ao que tudo indica, um país que busca um novo caminho, não mais marcado pela exclusão da maior parte da sociedade mas pelo desejo de integrar todos os brasileiros e todas as brasileiras na construção de um novo Brasil.

Exercícios

Relendo o texto
Leia mais uma vez o texto da aula, sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam, no dicionário e no vocabulário da Unidade. 1. Releia Apogeu e crise do governo Collor (1990-1992) e faça o que se pede: a) Identifique um problema econômico e um problema político enfrentado pelo governo Collor: b) Cite um fator que tenha levado ao impeachment do Presidente Collor. 2. Releia Democracia e organização e identifique dois movimentos que marcaram o esforço de construção da democracia em nosso país. Dê um novo título a esta aula.

3.

Fazendo a História
Meu país De Moraes Moreira Meu país tem futebol Deu Garrincha e deu Pelé Meu país tem muito sol E haja fé, e haja fé Meu país é um continente Não tem mais tempo a perder Tá crescendo em sua gente A vontade de vencer Contra a fome e a miséria Que é visível no caminho Nossa luta será séria Seremos todos Betinho Dando fim à violência O homem será feliz No plano da consciência Cortando o mal pela raiz Luz, queremos luz Pra quem conduz O destino de uma Nação Diz, cantando, diz Que ser feliz É um direito que é do cidadão Meu país tem carnaval Carmem Miranda e Noel Meu país é sem igual Eu boto minhas mãos pro céu Meu país é um gigante Que do sono despertou Hoje é bom que a gente plante Pra amanhã colher amor
1. Extraia desse poema as ações que você considera importantes para a construção de um Brasil melhor.

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MÓDULO 10

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O Brasil e a nova ordem mundial
ara concluir o nosso curso de História do Brasil, vamos estudar as mudanças que estão ocorrendo no mundo, e como nosso país está sendo afetado por elas.

Nesta aula

P

A internacionalização da economia
Nos últimos trinta anos, ocorreram transformações radicais em todo o mundo. Na economia, deixou de existir a antiga divisão entre países dominantes , industrializados e países dependentes , produtores de matérias-primas e gêneros agrícolas. O fenômeno que alterou a própria natureza da economia mundial, deveuse ao fato de que as grandes empresas, em busca de mão-de-obra mais barata, transferiram parte do seu parque produtivo para os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

Eletrodomésticos, carros e outros produtos passaram a fazer parte integrante da vida brasileira.

Houve aquilo que os economistas chamam de “internacionalização do processo produtivo”, que teve como conseqüência a abertura de novas áreas de industrialização em diversas regiões. A mais importante delas se encontra no Sudeste da Ásia, constituída por países conhecidos como os “tigres asiáticos”. (Coréia do Sul, Cingapura e Hong-Kong). Ao mesmo tempo, rompiam-se na Europa velhas barreiras comerciais e tarifárias, surgindo a Comunidade Econômica Européia.

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Esta potente antena de telecomunicações simboliza, aqui, a velocidade com que as informações correm neste final de século.

A revolução tecnológica
Contudo, o fenômeno mais significativo nos anos posteriores ao término da Segunda Guerra Mundial, e que ocorreu no cenário mundial, foi a revolução tecnológica . Tal fenômeno veio substituir a Revolução Industrial. Essa revolução tecnológica vem tendo profundas conseqüências sociais e culturais. Caracteriza-se pelo predomínio da informação, tendo sido abandonados os velhos processos produtivos, substituídos pela capacidade científica e pela criação de novas técnicas e novos produtos. O centro de decisão da economia mundial, antes concentrado nos Estados Unidos, dispersou-se em um grupo de nações. A potência militarmente mais poderosa, os Estados Unidos, passou a dividir o poderio econômico com outros países, como a Alemanha, o Japão e as nações que são membros da Comunidade Econômica Européia − CEE.

O Muro de Berlim
Esses anos presenciaram, também, o desenrolar e o final da Guerra Fria e as corridas armamentista, nuclear e espacial, entre os Estados Unidos e a União Soviética. O símbolo da disputa ideológica entre o capitalismo e o comunismo foi o Muro de Berlim. O Muro foi construído em 1961, para separar as partes da cidade de Berlim que, após a Segunda Guerrra Mundial, ficaram sob a esfera de influência dos dois países responsáveis pela derrota final do nazismo, em 1945. A progressiva superioridade militar dos Estados Unidos e o agravamento da crise econômica na União Soviética permitiram que houvesse um movimento de aproximação entre os dois países em torno da necessidade de se evitar uma guerra nuclear.

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A Perestroika e a Glasnost Na tentativa de solucionar a crise interna, o líder soviético Mikhail Gorbatchev, que chegou ao poder em 1985, iniciou um processo de reforma econômica conhecido como Perestroika . Entretanto, seu governo percebeu que para estimular a criatividade e a livre iniciativa era também nescessária a reforma política. Iniciou assim, um processo de abertura chamado Glasnost , que quer dizer descongelamento. Esse processo levou a maiores questionamentos por parte dos cidadãos soviéticos e dos países sob o domínio comunista. Em 1989, a revolução explodiu na Polônia, na Hungria, na Alemanha Oriental e na Checoslováquia. Cansados do domínio soviético, da falta de liberdade e dos problemas econômicos, homens e mulheres desses países saíram às ruas e derrubaram seus governantes. A revolução, em pouco tempo, espalhou-se para todos os países comunistas na Europa, e a própria União Soviética deixou de existir. Em novembro de 1991, o Muro de Berlim foi derrubado e a Alemanha, reunificada. Todo esse rápido processo mudou a face do mundo. O fim da União Soviética fez com que terminasse a Guerra Fria. Iniciou-se uma era de otimismo, de integração econômica e política − a era da globalização . Apesar disso, uma forte tendência de fragmentação política se fez sentir em diversos países, onde movimentos étnicos, religiosos e nacionalistas queriam, e querem, preservar sua identidade e conquistar seu espaço. Outra grave questão contemporânea é o aumento constante do desemprego no mundo industrializado. Apenas no ano de 1993, cerca de 35 milhões de trabalhadores ficaram sem ocupação nos países mais ricos. O avanço tecnológico e as novas técnicas de organização das empresas geraram aumento da produção com menor número de trabalhadores. Esse aumento do desemprego tem contribuído, inclusive, para o surgimento de grupos racistas e nazistas, que tendem a culpar os imigrantes estrangeiros pela falta de empregos na Europa.

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A nova ordem
O Brasil recebeu influxos políticos, econômicos e culturais desse contexto que se modificava. O desaparecimento da União Soviética obrigou, também, a uma reavaliação do projeto socialista, fazendo com que fosse mudada a sigla do Partido Comunista Brasileiro − PCB para Partido Popular Socialista − PPS. Nos antigos países comunistas do Leste Europeu, em vez do totalitarismo e da implantação da economia de mercado, em vez da economia planificada, a democracia liberal lançou as bases para a construção das respostas para a reorganização política e econômica dessas nações. A mesma coisa aconteceu nos países do Terceiro Mundo, entre eles o Brasil, que substituíram os regimes autoritários por democracias liberais e iniciaram a liberação de suas economias, com a privatização de empresas estatais e a aceitação das leis do mercado. O Brasil enfrenta esse cenário mundial como um de seus novos atores, sintonizado com os sinais dos novos tempos. Ao longo das últimas décadas, o Brasil construíu uma base material significativa. E, com o restabelecimento da democracia, diferentes setores sociais começaram a expressar-se com mais autonomia. A redução de certas tarifas de importação − que obriga a qualificação e o aumento da produção nacional − e o processo de privatização de empresas

que reúne Brasil. A U L A 40 Vivemos agora. em 1993.que representam ônus para o Estado − pois retiram recursos que deveriam ser aplicados nas funções básicas do poder público −. você possa ter percebido que faz parte da História que todos estamos fazendo com nosso trabalho. Outro aspecto da presença brasileira no esforço para integrar-se à globalização da economia é o processo de integração regional . nosso pensamento. representam passos que conduzem à integração brasileira na nova ordem mundial . De um lado procura-se criar novas formas de cooperação e solidariedade. Por outro. Uruguai e Paraguai. nossa ação. Para concluir. nossos sentimentos. Daí os movimentos recentes que combatem a corrupção e exigem uma atitude digna e construtiva por parte dos governantes. Parabéns! O tempo não pára . Argentina. A possibilidade da participação de outros países latino-americanos nesse processo de integração de economias nacionais faz crer que a superação de fronteiras e barreiras tarifárias e comerciais constituirão a marca da ordem mundial no século XXI. anos de reconstrução. esperamos que. iniciou uma crescente troca comercial entre os países integrantes. cresce entre os brasileiros a consciência de que nossos gravíssimos problemas sociais apenas serão resolvidos com a manutenção e o fortalecimento da democracia. como no caso da Campanha Contra a Fome e pela Cidadania. A estruturação do Mercado Comum do Sul − Mercosul . como muitos países. ao longo do curso.

. na cidadania. Mas nós nos acostumamos com a pobreza como se ela fosse um fato absolutamente natural. Releia A revolução tecnológica e responda: a) Quais as características da nova revolução? b) De que maneira o Brasil poderá chegar a essa revolução? 3. não no outro. Esta ação da cidadania. emprego. 4. a riqueza e a pobreza. aposta na mudança de visão que vai se transformar em ação e. sociedade. virar comida. 1. ” Herbert de Souza (Betinho). a democracia em nosso país.) A Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida é um movimento que quer recriar o Brasil e que depende.Exercícios A U L A Relendo o texto Leia mais uma vez o texto da aula. Releia O Muro de Berlim e responda o que aconteceu no Leste Europeu após a Perestroika e a Glasnost? Releia A nova ordem e dê a sua opinião crítica sobre a integração do Brasil na nova ordem mundial. Dê um novo título a esta aula. na defesa da Campanha da Ação da Cidadania Contra a Miséria e pela Vida . no dia-a-dia. no que se refere: l ao Mercosul. Essa campanha representa uma nova forma de fazer política e construir. diga o que você acha que pode fazer para participar da construção de um Brasil melhor? 6 . Leia-o com atenção e faça o que se pede: “ O Brasil foi produzindo. l à privatização das empresas estatais. l à importação de produtos estrangeiros. Fazendo a História O documento abaixo é um dos depoimentos que o sociólogo Herbert de Souza (Betinho) vem fazendo por este país afora. Releia A internacionalização da economia e explique o papel das multinacionais nos países subdesenvolvidos. e juntando tudo isso com esse texto de Herbert de Souza. da confiança que cada um deve ter não em mim. Relembrando o que você viu nesta última aula sobre a reconstrução do Brasil. 1993 1. (. ao longo da História. essencialmente. na ação solidária e conjunta para transformar a realidade. 40 2. na verdade. democracia. moradia. no dicionário e no vocabulário da Unidade. aposta na consciência. instituições.. mas em si mesmo. finalmente. sublinhe as palavras que não entendeu e procure ver o que elas significam. 5.

Assembléia Constituinte . cambaio . região ou cidade que tem direitos e deveres civis e políticos em relação ao Estado. .Liberdade.Aquele de tem duas esposas. Câmara dos Deputados . conspirador .Aquele que trama secretamente contra algo ou alguém.Emblema. conjunto de leis que rege um país. cidadania . alforria . Sede política e administrativa.A lei máxima de um país. Atenção! abolicionismo .Conjunto de idéias que defendem o fim da escravidão. abolicionista .1. canibalismo . Constituição . cidadão . caçoada .Regiões das Américas em que houve a presença da escravidão africana. pleno gozo dos direitos civis e políticos pelos cidadãos. a Metrópole. independência bígamo .Nobre.Costume de comer carne humana.Vocabulário da Unidade 1 Quando houver mais de um sentido bem diferente para uma palavra.Quem tem pernas tortas. Quando houver sentidos semelhantes.Habitante de um país. Afro-América .Conjunto de deputados e senadores responsáveis pela elaboração da Constituição de um país. graça. 2 .Território dominado por outro país. brasão .). Colônia . aquele que conspira.Órgão que reúne representantes eleitos pelos cidadãos para criar e aprovar as leis do país. aristocrático .Liberdade concedida pelo senhor ao escravo.Escravo. Qualquer riqueza investida na produção ou no comércio para produzir lucro.Que é a favor da libertação dos escravos. autonomia . relativo à nobreza. as várias definições aparecem numeradas. capital .Cada uma das primeiras divisões administrativas do território brasileiro que deram origem às províncias do século XIX e aos estados de hoje. capitania .Participação nas decisões e na vida do país. cativo . as definições estão separadas por ponto e vírgula (. insígnia.Zombaria. que não tem liberdade.

o qual se torna sua Colônia. uma guerra. manufatura . (Por exemplo: na hierarquia do Exército.1.Dar uma compensação financeira por alguma coisa que foi retirada de alguém. deserção . de uma tribo. Cidade muito grande. Metrópole . autenticidade. canela.Monarquia cujo chefe tem o título de imperador ou imperatriz.Venda para o exterior. autêntico. missionário . (Antigamente) Fábricas que produziam artigos com máquinas ou ferramentas muito simples. matança de muita gente de uma mesma etnia. entre outros. um exército. inventário post-mortem . pimenta. a fim de cristianizar os índios. independência.cristianizar . pouco sofisticadas. Trabalho feito à mão. elite . locatário . País ou nação que domina um território. 2 .Tempero.Destruição de um povo. uma causa. hereditário . como orégano. fábrica.Aquele que recebeu o direito de explorar uma capitania.1. de acordo com a lei). Membro de seita religiosa que divulga (prega) sua crença para quem não a conhece. indústria.) império . em troca de deveres com a Coroa. 2. genocídio .Liberdade. fidalgo . Religioso que ia para as missões na América. escambo . legitimidade .Revolta.1. O general tem mais poder e autoridade. insurreição .Tornar cristão. exploração.Que é legal ou aceito por todos como verdadeiro.Posto de armazenagem e troca de mercadorias.Sofrimento. ensinar o modo de viver e pensar dos cristãos. emancipação . cuja influência atinge todas as pequenas e médias cidades que estão ao seu redor. (Hoje) Estabelecimento industrial.Nobre.Roça onde trabalhavam os escravos. exportação . demografia . indenizar . especulação .Ordem e subordinação de poderes ou grupos. locador . 2.Minoria privilegiada e dominante numa sociedade ou num grupo. sem que entre dinheiro nessa negociação. donatário . legítimo .Troca de um produto por outro produto. eito . legal (isto é. hierarquia .Qualidade do que é legítimo.Aquele que aluga algo de outra pessoa (pagando o aluguel).Padres da Igreja Católica que faziam parte da Companhia de Jesus. especiaria .Que passa dos pais para os filhos.Negócio em que uma das partes abusa da fé da outra.Relação de bens deixados por alguém que morreu.Aquele que aluga algo para outra pessoa (cobrando o aluguel). martírio . feitoria .Estudo da população. um general está numa posição superior em relação a um coronel. formando uma região metropolitana.Ato de abandonar um partido. jesuítas . para outros países. .

Área dominada e.Lote de terra doado pela Coroa portuguesa ou pelos donatários de capitanias aos colonos. por intermédio de seus representantes eleitos. (Olhar de soslaio: olhar de lado. patriarca . sendo.Organização e manifestação da população para lutar.) subsistência . ela foi outorgada porque veio diretamente do imperador D.Referente à moeda. tarifa . tráfico .1. por isso. autoridade suprema. protestar ou apoiar alguma coisa.Poder. reivindicar. opressão . sesmaria . permitido. mobilização . monetário . colonizada pelo dominador.Divisão territorial no campo. por vezes. no período colonial. imposta ao país. que corresponde aos estados de hoje. remunerar .Local de moradia dos escravos. senzala . soslaio . plebeu . ao dinheiro.Aquele que não é nobre. . (Hoje) Órgão de representação dos estados no Congresso Nacional (composto de Câmara dos Deputados e Senado). taxa. república . em geral o mais velho. (No caso da Constituição de 1824. recolonização .missão . Encargo. monarquia . Aldeia organizada por padres missionários e habitada pelos índios. na qual os religiosos ensinavam os costumes cristãos e a própria religião católica. com muita autoridade sobre todos. sem passar por uma Assembléia Constituinte.Controle exclusivo sobre o comércio ou a produção de mercadorias por parte de um país. de uma empresa ou de um grupo de empresas.Sobrevivência. administrada por um pároco (padre) responsável por cuidar dos interesses da Igreja naquela área. do sexo masculino.Esguelha. urbano . rito ou ritual .Comércio. outorgado .Concedido.Pagar a alguém por um serviço.Retorno à condição de Colônia.Conjunto de regras e de cerimônias que são praticadas em uma religião. monopólio .Divisão administrativa do Brasil no tempo do Império. província . promissor . incumbência.Imposto. soberania . do povo.(Antigamente) Órgão de representação das províncias no Parlamento Imperial. voto censitário .Voto baseado na renda do indivíduo.Relativo à cidade. olhar de esguelha.Forma de governo na qual o poder vem do povo.Que promete dar bom resultado. 2.Chefe de família. Pedro I. gente simples. possessão . senado .) paróquia rural .Domínio violento sobre alguém ou sobre um povo.Tipo de governo ou regime político no qual o chefe tem o nome de rei ou monarca.

Sérgio Buarque de (organizador) . A época colonial . Marcos . São Paulo.O diabo e a Terra de Santa Cruz.Mercantilismo e transição.Ao sul da História. CARVALHO. 1988. São Paulo. LECH.Escravidão e abolição no Brasil: Novas perspectivas. Francisco Alves. Tomo I. Ilmar R. FALCON. São Paulo. Nacional. 1991. Gilberto . MENDONÇA. Brasiliense. Perspectiva. COSTA. 1993. R. João José e SILVA. Companhia das Letras.Brasil: uma História dinâmica. 6 . José Murilo de. 1989. Sílvia H. Hebe Maria Mattos de .Campos da violência: escravos e senhores na capitania do Rio de Janeiro.1822.Da senzala à Colônia . São Paulo. São Paulo. Emília Viotti da .Cidadãos da selva: a História contada pelo outro lado .Casa-grande & senzala .História da sociedade brasileira. CARDOSO. MOTA. SOUZA. 1992.História dos índios no Brasil. LARA. Paz e Terra. 1977. Francisco C. Eduardo . Rio de Janeiro. Gráfica do Jornal do Brasil.Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. DIFEL. TERENA. . 1972. Jorge Zahar Editor. 1984. Coleção “Tudo é História”. de (e outros) . 1988. Biblioteca Carioca. 1992. Rio de Janeiro. 1987. MATTOS. Rio de Janeiro. Francisco (e outros) . Laura de Mello e . Dimensões .Coleção “História geral da civilização brasileira”. São Paulo. 1986.Bibliografia da Unidade 1 ALENCAR. Rio de Janeiro. 5ª edição. Paulo Knauss de . São Paulo. Ilmar R. São Paulo. FREYRE. Brasiliense. v. Companhia das Letras. 1972.O Rio de Janeiro da pacificação. CASTRO. Ciro F. 1934. 18. Ao Livro Técnico. .1ª série do 2º grau. Manoela Carneiro da . Rio de Janeiro. Editora José Olympio. Janeiro. Ao Livro Técnico. Lavradores pobres na crise do trabalho escravo. Carlos Guilherme . S.A Monarquia brasileira. (organizador) . MATTOS. 1985. CUNHA. d (e outros) . Companhia das Letras. HOLANDA. São Paulo.História . Rio de Janeiro. 1982. Edutel. REIS. Rio de Janeiro.

a) Crescimento da produção agrícola. porque eles nos fornecem informações sobre formas de viver e pensar de homens e mulheres que viveram no passado. 2. quando se completarão vinte centenas de anos. Resposta livre. . Além dos documentos escritos. aumento do lucro do comércio com o Oriente. “Os historiadores escrevem a História a partir das perguntas que formulam sobre o passado”. Os portugueses. no século XX. chegavam à América. querendo atingir o Oriente em linha reta.” 4. Fazendo a História 1. O ano de 1995 pertence ao século que terminará no dia 31 de dezembro de 2000. Vasco da Gama chegou às Índias. b) Enquanto Portugal alcançava as Índias contornando o continente africano. b) O Homem transformou-se no centro das atenções dos pensadores e artistas. São importantes para conhecer a História de uma sociedade ou de um povo. primeiro. crescimento da riqueza dos países com o acúmulo de ouro e prata conseguidos pelo comércio. portanto. os espanhóis. por fim. Os documentos escritos são importantes. a) Diferentes viagens foram feitas pelos navegadores portugueses. XX AULA 2 . arquitetura e roupas da época. depois foi contornado o Cabo das Tormentas no extremo-sul da África e. esculturas e desenhos. Estamos. 3. XIX 3. poesias. todas iniciadas pelo Oceano Atlântico. O nascimento de Cristo foi adotado para marcar o início do século I. conquistaram Ceuta na África. O Renascimento Cultural concretiza essa tendência. desde o nascimento de Cristo. existem histórias e canções passadas de pais para filhos. 2.Gabaritos das aulas 1 a 18 AULA 1 . XV 2. continente desconhecido dos europeus até então.Que História é essa? Relendo o texto 1. pinturas. depois foram conquistadas ilhas no Atlântico e pontos do litoral da África. filmes. fotografias. “Os historiadores buscam respostas pesquisando as fontes históricas. Século é um período de 100 anos.O encontro de dois mundos Relendo o texto 1.

a) As diferenças culturais existem porque existem experiências de vida diferentes. 2. Por outro lado. existiam . na casa do engenho ou na casa-grande. Documento A : um indígena americano. Os europeus estranhavam. 3. c) Os portugueses usaram a cana-de-açúcar para colonizar o Brasil porque já tinham plantações rentáveis de cana em outras possessões. Exemplos de expressões culturais: religiões de origem africana ou manifestações populares. na forma de pensar. não reconheciam o Tratado de Tordesilhas. os cavalos. ou como selvagens. a Holanda e a Inglaterra. Exemplos de grupos: negros. dividiram o mundo ao meio. a falta de roupas. 3. c) Sim. sendo chamado de “ouro branco”. primitivos. como o funk. Por uma linha imaginária. Existem também diferenças entre o Brasil e outros países. a barba. Esse acordo foi assinado na cidade espanhola de Tordesilhas. Os índios estranhavam. ficando metade para Portugal e metade para a Espanha. Usava mão-de-obra escrava. a ausência de noção de propriedade e uma religião completamente diferente do cristianismo. nos índios. reconheciam a posse das terras efetivamente ocupadas. Produzia seus alimentos e animais de tração. Resposta livre Fazendo a História Além do trabalho na lavoura. pois rendia mais do que a exploração das minas. O rei da França chegou a dizer que “desconhecia o testamento de Adão no qual ele dividia a mundo entre Portugal e Espanha”. 2. português ou espanhol. chamada Meridiano de Tordesilhas. Essas diferenças podem existir dentro do próprio Brasil: entre os indígenas e outros brasileiros. produzindo culturas e realidades diversas. Cada sociedade tem uma história própria. Existem alguns grupos ou expressões culturais que são consideradas inferiores por outros grupos.O nascimento do Brasil Relendo o texto 1. b) Os portugueses tiveram de ocupar o território brasileiro porque os reis de outros países.3. de festejar. Assim. Documento B : um europeu. Fazendo a História 1. comprar ou fazer qualquer negócio com os mercadores autorizados. as roupas. que só podiam vender. nos europeus. Nessa época. em 1494. os portugueses trataram de colonizá-las. entre nordestinos e sulistas. Os indígenas comparavam os europeus a animais (macacos e porcos) por causa da cobiça pelo ouro. Resposta livre. O centro administrativo e de poder era a casa-grande. etc. como a França. o açúcar tinha grande valor e dava bom lucro. indígenas. Durante séculos. AULA 3 . a) O Tratado de Tordesilhas foi um acordo entre os reis de Portugal e Espanha com relação ao descobrimento de terras. b) Sim. b) O Pacto Colonial era um sistema de controle político e econômico que a Metrópole exercia sobre as colônias. a cobiça pelo ouro. onde o senhor de engenho morava com sua família. para evitar a invasão de suas terras. sem cultura. a) O engenho colonial era uma grande propriedade produtora de açúcar para exportação. cada povo havia desenvolvido sua própria maneira de viver e de pensar. Os europeus viam os indígenas como bárbaros. nas expressões da arte. 4. Os exemplos deverão mostrar as diferenças.

A pecuária cresceu impulsionada pela lavoura açucareira. com que o número de pessoas livres superasse. os bandeirantes penetravam o interior do território colonial. Manaus.” 3. Exemplos: Ajuricaba. pastores e pescadores. de pessoas.escravos ocupados em ofícios diversos. No extremo sul. Guararapes. como barqueiros. canoeiros. pela primeira vez. por exemplo o número de trabalhadores livres superar. Resposta livre. Embu-Guaçu. igarapé. fazendo. 2. ÍNDIOS E MESTIÇOS ESCRAVOS AFRICANOS MINERADORA REGIÃO DAS MINAS METAIS PRECIOSOS 2. Anhangüera. como. Fazendo a História 1. surucucu. tornando-se uma atividade complementar a ela. na região nordestina. 2. Há muitas palavras e nomes. Em busca do ouro fala sobre outras alterações no povoamento da Colônia. “ A região mineradora foi responsável pelo grande crescimento populacional da Colônia. carreiros (guias de carros de bois). Araraquara. DEPOIS ESCRAVOS AFRICANOS VALE AMAZÔNICO VICENTINA VALE DO RIO AMAZONAS SÃO VICENTE DROGAS DO SERTÃO INDÍGENAS APRESAMENTO DE ÍNDIOS. o número de escravos. carapinas (carpinteiros).O Brasil indígena Relendo o texto 1 . Iara. oleiros (fabricantes de peças de barro.” “A vida urbana tornou-se mais intensa. O documento fala sobre o grande deslocamento de população para a Região das Minas. “Largueza de campo e água sempre manente dos rios e das lagoas”. louça ou cerâmica). a) Nessas expedições.Ocupação do interior da Colônia Relendo o texto 1. de lugares e até de ruas. mas aumentou o controle da Metrópole. etc. Itaporanga. Itapuã. Maracanã. calafates (que tapam fendas em barcos ou janelas de madeira). AULA 4 . Porém há muito mais para você descobrir! . o de escravos. a criação de mulas cresceu para servir às atividades na Região das Minas. pela primeira vez. Eles aprisionavam os indígenas para vendê-los como escravos. inclusive. BUSCA DE OURO TRABALHO LIVRE DE BRANCOS. mandioca. talvez você goste de dormir em rede ou de comer farinha de mandioca. vaqueiros. b) “Várias vilas foram fundadas”. AULA 5 . Pacaembu. Além de tomar banho diariamente. ÍNDIOS E MESTIÇOS NO INÍCIO. REGIÕES LOCALIZAÇÃO ATIVIDADE ECONÔMICA PECUÁRIA OU CRIAÇÃO DE GADO EXTREMO SUL TROPAS DE MULAS MÃO-DE-OBRA PASTORIL SERTÃO NORDESTINO TRABALHO LIVRE DE BRANCOS.

a terra. pela poluição dos rios. Por causa da poluição dos rios e da invasão de terras. 6. apesar de escravista.O desenvolvimento das cidades Relendo o texto 1. e no campo político representavam a sede do poder administrativo. AULA 6 . As cidades tinham papel de destaque servindo como entrepostos comerciais. era um porto por onde se escoava a produção das minas de ouro. AULA 7 . O Rio de Janeiro.” 3. Estavam também nas pequenas e médias propriedades dos lavradores de cana e dos plantadores de tabaco e de algodão. significa a morte de sua raça. “Mesmo os libertos. O direito a seu território e a todos os recursos ali disponíveis. 5. Porque escravo era símbolo de prosperidade e riqueza na sociedade colonial. como alimentos e remédios. então. Além disso. como se vê pela herança apresentada: uma casa coberta de palha. Já que ecossistema é toda a cadeia de vida que existe em determinado ambiente. Resposta livre.” b) “Deste casamento nasceram seis filhos legítimos. E fazer trabalhos manuais era serviço de escravos e um desprestígio para o homem branco. que possuíam mais de cinqüenta escravos cada uma e. uma cama marquesa. sua religião. para eles. falecidos quando redigiu seu testamento já em Campos dos Goitacazes. Fazendo a História 1. a) “Viúvo. ex-escravos que compravam ou recebiam alforria. 4. ensinando-lhes religiões. o fim de sua cultura. a destruição de uma espécie pode afetar muitas outras. caçar e coletar seus alimentos. com pessoas que desejam “salvar” a alma deles.3. Os índios conhecem mais e melhor a vida nas florestas e a respeitam. Viviam na maior simplicidade. ou vê-lo degradado. Não só as funções administrativas e o comércio externo mostravam o dinamismo dessas cidades. uma identificação espiritual com o local que habitam. migrou para o Espírito Santo. freqüentemente também se tornavam proprietários de escravos. Utilizam-no sem depredá-lo. na pequena produção de porcos. Capitania da Paraíba do Sul. Os índios sabem disso e estão perfeitamente integrados a seu ecossistema. Fazendo a história 1. seus costumes e suas tradições. Há uma ligação. é sagrada. “Os escravos estavam nos engenhos e nas fazendas. segundo o pai. os índios não podem mais pescar.” “Estavam. ainda. Os direitos de decidir as próprias leis e a própria forma de governo e o de manter sua língua. o que altera completamente seu modo de vida.” 2. centenas deles. 2. mas também o papel que ocupavam no abastecimento interno e no comércio entre os portos. utilizam com sabedoria os recursos disponíveis. . pelo contato com os que querem explorar as riquezas de seu território ou.A escravidão e o mundo rural Relendo o texto 1. Sair desse lugar. Além disso. às vezes. sede do vice-reinado desde 1763. as cidades representavam um espaço no qual era possível crescer socialmente. Resposta livre. 2. Os povos indígenas estão ameaçados pela invasão de terras. do milho e da mandioca”. uma canastra velha e um escravo.

suas danças e batucadas. numa terra desconhecida. Fazendo a História 1. no caso deste documento. vivendo da agricultura de subsistência e do artesanato. Pode-se concluir que as cidades eram sujas e sem saneamento. indivíduos contratados pelos senhores de escravos para recuperar os cativos que escapavam. Fazendo a História Qualquer dos trechos pode ser retirado do texto. Mas. As invasões dos holandeses marcaram as cidades do Nordeste. O governo português não investia em educação nem dava nenhum tipo de assistência. A negociação foi uma das formas de luta dos escravos. . E que mau cheiro! 2. Eles refletem os conhecimentos. seus deuses. Os bens históricos e culturais contribuem para a formação da cidadania e da identidade nacional. conseguiam negociar com os senhores.” 2. e o sistema de capitanias promoveu a dispersão administrativa. 3. b) Eles tinham o poder político-administrativo na Colônia.2. com as insurreições. 4. O comentário deve mostrar a capacidade de negociação entre escravos e senhores. 2. a) Porque Portugal encontrava-se mal financeiramente e o sistema de capitanias hereditárias foi uma forma de dividir os custos da colonização com particulares. que. 3. Nesse sentido. a) Eram os representantes dos proprietários de terras e escravos. os habitantes moravam em aldeias (mocambos). fugir de uma fazenda significava meter-se mato adentro. provocou a negociação. o difícil controle da Metrópole e a autonomia dos colonos. assim como a rebelião.A luta dos escravos Relendo o texto 1. fazendo com que o açúcar ali produzido concorresse com o açúcar brasileiro. 4. AULA 8 . b) Apenas as capitanias de Pernambuco e São Vicente prosperaram. 3. Além disso. AULA 9 . sob a perseguição constante dos capitães-do-mato. Resposta livre. o vice-rei está mostrando a sua própria incapacidade administrativa e o seu preconceito. e sim com as condições de vida a que eram submetidas e com a falta de oportunidades. fugiam e formavam quilombos. A revolta nada tem a ver com a cor das pessoas. Resposta livre. As formas de resistência dos escravos eram muitas: mantinham sua religião. Ao criticar o povo. Não havia nenhum direito social nem político. Resposta livre.De que jeito se governava a Colônia Relendo o texto 1. No Quilombo dos Palmares. e sua expulsão fez com que eles montassem um novo pólo açucareiro na América Central. “Para um escravo. lutavam capoeira. trocando os excedentes com os povoados próximos. os costumes e as tradições. com esgotos a céu aberto. principalmente. as realizações e as transformações que produziram o Brasil que conhecemos e o povo que somos. mantinham a língua. O povo reagia às opressões e à exploração que sofria. com muitos focos de mosquitos e de ratos. conservavam o sonho de comprar a liberdade com alguma renda extra. os escravos também tinham poder de ação dentro do sistema escravista e na construção da História do Brasil.

quanto proporcionadamente se estimam os títulos entre os fidalgos do reino. 2. Fazendo a História 1. PADRES E ESCRITORES COMERCIANTES. extinguiu as capitanias particulares. que utilizava a razão e valorizava o ser humano. A Conjuração Baiana foi mesmo uma rebelião do povo. todos os que vivessem no engenho. trazidos clandestinamente.” (. Resposta livre. Os estudantes brasileiros na Europa tiveram contato com as idéias iluministas. ainda que tardia! Relendo o texto 1. Dela participaram escravos e negros livres. . ESTUDANTES.4. 5. ENFORCAMENTO DE QUATRO LÍDERES 5.Liberdade. Associou-se a idéia de “luz” a essa nova forma de pensar. os escravos. negociou as fronteiras do Brasil colonial com a América espanhola. 4. “traz consigo o ser servido. obedecido e respeitado de muitos. essas idéias espalharamse pela Colônia e serviram de inspiração para os revoltosos. Resposta livre. PROFISSIONAIS LIBERAIS. Já a Inconfidência Mineira ficou apenas nos planos de alguns poucos letrados e membros da elite.. No século XVIII surgiram idéias novas que revolucionaram as relações sociais e as relações de produção. Mudou a capital da Colônia de Salvador para o Rio de Janeiro. INCONFIDÊNCIA MINEIRA DATA CONJURAÇÃO BAIANA 1798 1789 LOCAL REGIÃO DAS MINAS BAHIA GRUPOS QUE PARTICIPARAM ELITE COLONIAL. 3. que ficaram sob controle direto de Portugal. Por meio de livros e jornais. AULA 10 . não houve participação popular. SOLDADOS E LIBERTOS REAÇÃO DA METRÓPOLE PRISÃO DOS CONJURADOS.. DEGREDO E JULGAMENTO E ENFORCAMENTO DE TIRADENTES PRISÃO. criou as Companhias de Comércio do Grão-Pará e do Maranhão e de Pernambuco e Bahia.) “bem se pode estimar no Brasil o ser senhor de engenho. expulsou os jesuítas da Colônia. DEGREDO. A família.” 2. PADRES. os empregados (lavradores e feitores). As novas idéias iriam “iluminar” os caminhos da humanidade. ALFAIATES. trabalhadores e pequenos comerciantes.

Resposta livre. Porque Portugal já não era mais uma potência. As elites portuguesas queriam a volta do monopólio. trazidos pelos ingleses. admissão às dignidades. quer puna. AULA 11 . mantendo aqui o príncipe D. “Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos.” 3.” “A lei não tem o direito de proibir senão as ações prejudiciais à sociedade. João na Guiana Francesa. Direitos do cidadão: liberdade. 6. “Não existiam grandes cidades e nem no Rio de Janeiro. suas principais atividades econômicas haviam entrado em decadência. segurança.. 4. não há espaço para a escolha de quem governa.). O comércio com a Inglaterra aumentou e a elite colonial passou a consumir produtos refinados. pessoalmente ou pelos seus representantes.” 2. havia facilidade de comunicação com as demais regiões do Brasil. 5. e a Inglaterra espalhava seus produtos pelos portos de Portugal e do Brasil. proibir as ações prejudiciais à sociedade. 3. A relação colonial é oposta às idéias de liberdade e de igualdade. “O fim de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. . como. “reduzida população distribuída irregularmente pelo território. lugares e empregos públicos.” “A lei é a expressão da vontade geral (. resistência à opressão. É uma relação desigual entre Colônia e Metrópole. os recursos humanos exigidos para sustentar a política expansionista de D. 3. e o governo não existe para garantir os direitos da Colônia. sendo iguais aos seus olhos.” “A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudica outrem. Tudo o que não é proibido pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser constrangido a fazer aquilo que ela não ordene. a insatisfação dos pernambucanos com os impostos que deveriam pagar. Foram várias as razões.” 4.. Todos os cidadãos. Convocaram uma Assembléia Constituinte e defenderam a independência do Brasil. propriedade. proposta pela revolução do Porto em 1820. Na Colônia. O governo nasce da vontade do povo e existe para garantir os seus direitos.” “comunicações difíceis”. lugares e empregos públicos.Independência do Brasil Relendo o texto 1. como na época das grandes navegações. capital da colônia. entre colonos e colonizadores e conta ainda com a escravidão. Pedro. adotou-se a monarquia e evitou-se a recolonização. mas sim para garantir o monopólio da Metrópole. Obrigações do governo: conservar os direitos naturais do homem. Ela deve ser a mesma para todos. concorrer. manter a mesma lei para todos. a prisão de membros de sociedades secretas ordenada pelo governador de Pernambuco. a propriedade. A situação econômica de Portugal estava muito ruim.Fazendo a História 1. por exemplo. a segurança e a resistência à opressão. e a recolonização do Brasil seria uma solução. A abertura dos portos do Brasil às Nações Amigas significou o fim do Pacto Colonial e da política de monopólios. para a formação da lei. “Os homens nascem e permanecem livres. A independência foi feita. são igualmente admissíveis a todas as dignidades. Fazendo a História 1. quer proteja. 4. Estes direitos são a liberdade. 2.” 2. o que é determinado pela Metrópole.

Fazendo a História 1. as congadas ou folias negras. resultado de toda essa mistura que se realizava sob o sol dos trópicos. pardos e brancos. Os objetivos religiosos eram “levar o Cristianismo a todas as partes do mundo”. O Divino Espírito Santo estava ligado à idéia de fartura. trabalhando a questão da diferença e do respeito entre os diferentes grupos culturais. faziam cultos aos antepassados. a lavoura e a guerra. acreditavam na influência dos deuses na vida cotidiana. de caráter mestiço. Os vários grupos sociais da colônia tinham experiências de vida diferentes. acreditavam em deuses que protegiam suas atividades. 2. que tudo que faziam de diferente não passava de selvageria. Índios e africanos eram igualmente vistos como bárbaros e pagãos pelos portugueses. nas festas. Já os indígenas influenciaram a sociedade colonial com a maneira de construir suas casas. Fazendo a História 1. criando um catolicismo próprio. Africanos: Africanos os muçulmanos acreditavam em Maomé e adoravam o deus Alá. amuletos. à fé católica. As irmandades eram associações de fiéis que se dedicavam ao culto de um santo. em deuses que protegiam seus “filhos” na Terra e no poder dos espíritos dos mortos. missas com padres ricamente vestidos. que associava a religião ao cotidiano. diferentes. feitiçaria e superstição. deuses africanos e santos católicos: todos eles se misturavam no no dia-a-dia do povo do Brasil Colonial. 5.AULA 12 . festa e fervor Relendo o texto 1. Europeus: Europeus fé católica. valorização dos santos. Existia diferenças entre a pregação oficial da Igreja Católica e a religiosidade popular. considerados infiéis. Os africanos trabalhavam cantando suas cantigas de trabalho. e lhes impuseram a sua fé e seus hábitos. como a caça. O . sobretudo. Eles construíam um altar para esse santo dentro de uma igreja e faziam festas e procissões em sua homenagem. 3. Resposta livre. estilo vistoso e cheio de detalhes. esculturas de madeira e ouro. dever de expandir a religião católica”. 5. Os autos religiosos ou teatro religioso. as amas de leite cantavam cantigas de ninar e contavam histórias africanas. 4. 2. Consideravam que eles não tinham cultura. Resposta livre. Indígenas: 2. “necessidade e. festas religiosas com danças e músicas. outros acreditavam nas forças e nos elementos da natureza. muitas palavras das línguas africanas passaram a fazer parte da nossa língua. A busca do ouro e a conversão dos índios ao cristianismo. AULA 13 . faziam festas para esses deuses a fim de agradá-los ou obter algum benefício deles. 3. As irmandades eram divididas em irmandades de pretos. 2. 3. “Deuses indígenas. dançavam danças africanas e enfeitavam-se como se fazia na África. Resposta livre.Muitas cores e formas Relendo o texto 1. Cerimônias religiosas paramentadas.” 4. determinação de converter todos os índios. Atenção para o fato de os indígenas terem crenças diferentes Com esta pergunta é possível promover um debate entre colegas. festeiro.Fé. com suas comidas e sua arte. santinhos e medalhas de proteção. Além disso. Indígenas adoravam forças da natureza.

os democratas e os aristocratas. bacharéis e clérigos. 4. A Confederação do Equador. masculino e censitário. Existem influências negras e indígenas na nossa língua. 3. Resposta livre. na culinária. é o chefe absoluto para todos os assuntos: sociais. AULA 15 . crise econômica. também. em sua maioria. séria.O início do Império Relendo o texto 1. judiciário e moderador). 4. Era o dia-a-dia de cada grupo que terminava por dar esse aspecto popular às idéias passadas pela Igreja. nas técnicas e. O “partido português” ou “pés de chumbo”. na religião. Seu poder atinge a comunidade que está submetida a ele e a sua família. na música. 5. levaram as próprias famílias para as colônias. militares. em comparação com o que ocorreu nas colônias portuguesas. nos costumes e nas tradições da nossa gente. É uma organização familiar e social. Os brasileiros católicos maiores de 25 anos. 2. ou patriarca. redução do espaço de atuação dos brasileiros da Corte e das províncias. Pode-se escolher entre: divisão do governo em quatro poderes (executivo. união entre o Estado e a Igreja. Fazendo a História 1. o não-reconhecimento da independência pelas repúblicas vizinhas (hispanoamericanas). legislativo. a religião protestante puritana era muito rígida com relação à sexualidade. contra a Constituição de 1824. Resposta livre 2. Os ingleses. reforço das diferenças políticas e sociais. políticos ou religiosos. Por isso houve pouco cruzamento inter-racial. 5. dependência econômica em relação à Inglaterra. . Estado unitário. BRANCO + NEGRO ÍNDIO MULATO MAMELUCO CAFUZO + BRANCO + ÍNDIO NEGRO 2. Fazendo a História 1.A cara do Brasil Relendo o texto 1. que a Igreja procurava passar à população.povo tentava tornar mais “familiar” a imagem sizuda. AULA 14 . 3. os passivos e os não-cidadãos. divisão entre cidadãos ativos. Além disso. Resposta livre. sistema eleitoral baseado no voto indireto. em Pernambuco. com renda anual de mais de cem mil réis. Resposta livre. garantia dos direitos individuais a todos os cidadãos brasileiros. Fortalecimento do poder do Imperador. na qual o grande pai.

preocupada com a “desordem” provocada pelas rebeliões. sem dúvida. Para os liberais exaltados . REBELIÃO CABANAGEM LOCALIZAÇÃO AMAZÔNIA CAUSAS REPRESSÃO DO GOVERNADOR NOMEADO PELO GOVERNO CENTRAL E MANUTENÇÃO DOS PRIVILÉGIOS DOS PORTUGUESES NA REGIÃO CARACTERÍSTICAS PROMOVIDA PELOS CABANOS (POPULAÇÕES RIBEIRINHAS).O fim da escravidão Relendo o texto 1. O MOVIMENTO DUROU DEZ ANOS E FOI PACIFICADO PELO GOVERNO DO IMPÉRIO ANISTIA 2º (1845). CONCORRENDO COM O CHARQUE GAÚCHO. A sociedade a que o autor se refere é.O Império se fortalece Relendo o texto 1. Pedro I ao Brasil. 2. Para os liberais moderados . Aqueles que se rebelavam e que defendiam a descentralização. 5. Queriam a descentralização do poder e maior autonomia às províncias. trabalhando para suas empresas agrícolas ali instaladas. Resposta livre. 2. 3. Os regressistas eram o grupo que defendia a centralização do poder como forma de evitar as rebeliões provinciais. 4. Os regressistas defendiam a centralização imediata do poder e o retorno à ordem. que limitou a participação popular e garantiu a lavoura escravista. DOMÍNIO DE SANTA CATARINA. A “sociedade” corria o risco da “desordem”. 4. E A FALTA DE AUTONOMIA POLÍTICA DEPOSIÇÃO DO GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO SUL. AULA 17 . o açúcar brasileiro concorria com aquele . preservando a Constituição de 1824. era preciso uma Monarquia baseada no federalismo. Os restauradores queriam a volta de D. era fundamental assegurar a continuidade da economia escravista de agroexportação. a elite do Império. FOI REPRIMIDA COM DIFICULDADE PELAS AUTORIDADES IMPERIAIS FARRAPOS RIO GRANDE DO SUL DESCONTENTAMENTO COM A POLÍTICA IMPERIAL DE IMPORTAR O CHARQUE. TOMOU A CIDADE DE BELÉM. Fazendo a História 1. O resultado do regresso foi uma monarquia centralizada. A Inglaterra queria manter a população africana na África. Os progressistas defendiam a descentralização. com a ameaça da separação das províncias. POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES E DA SABINADA BAHIA FALTA DE AUTONOMIA PROVINCIAL VAQUEIROS E ARTESÃOS SE REBELARAM CONTRA A AUTORIDADE LOCAL BALAIADA MARANHÃO FALTA DE AUTONOMIA PROVINCIAL 3. do questionamento da ordem escravista e do aumento da participação popular.AULA 16 .

5. onde não mais se utilizava a mão-de-obra escrava. a partir de 1850. aos analfabetos e aos soldados. podiam escolher seus presidentes e ter suas próprias Constituições. O governo imperial pôs em prática uma série de reformas. Por causa do Federalismo. AULA 18 . de abaixoassinados etc. Não. que levaram não só à negociação mas às insurreições e mesmo às ações individuais de escravo contra senhor. 5. 3. que passaram a ser os estados. Às mulheres. negros não eram mais escravos. e a União deveria respeitar a autonomia dos estados. 2. as províncias. e sim cidadãos iguais aos demais. 4. As fugas individuais e coletivas e as insurreições. Resposta livre. As críticas geravam em torno da excessiva centralização política do Império. aos muito pobres. levando-se em consideração que aconteceram muitos conflitos entre escravos e senhores. 5. ainda hoje.Da Monarquia à República Relendo o texto 1. b) A abolição não significou a abertura de possibilidades irrestritas aos negros. a) Não foi bem assim. A onda negra foi uma onda de atos de rebeldia e insubordinação por parte dos escravos. que criou um clima de insegurança e de desordem. os 1. 2. 6 . Com a abolição. 6. como a implantação de ferrovias. que. sem se conseguir resolver os problemas regionais e o atraso econômico. 4. porque o sistema excluía a grande maioria da população. Os fazendeiros paulistas alforriavam os escravos para impedir as deserções em massa e legalizar a situação dos escravos que já os haviam abandonado. aos mendigos. 2. composta pelas mulheres e pelos analfabetos. Os estados deveriam respeitar a autonomia dos municípios. a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários. 3. Resposta livre. 4. As propostas de descentralização não chegaram a ser efetivadas. Hoje. o voto é mais abrangente e a população também pode se manifestar por intermédio de diversas associações.produzido nas colônias inglesas. de sindicados. Porque o poder estava nas mãos do grupo de fazendeiros de café: a oligarquia cafeeira. 2. Fazendo a História 1. Aos cidadãos do sexo masculino que tivessem mais de 21 anos de idade e soubessem ler.Porque não consegue alugar pretos que trabalhem para ele. ao lado de outros grupos sociais discriminados. lutam por mais espaço na sociedade brasileira. Fazendo a História 1. de passeatas. várias leis: a Lei da Proibição do Tráfico. Para preparar a abolição. 3. o governo do Brasil criou. o incentivo à indústria e a abolição da escravidão.

Para suas anotações .

Para suas anotações .

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