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m
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s
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 2
1.1 – NOÇÕES PRELIMINARES – O PROBLEMA DA RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS
1.1.1- O Equilíbrio dos corpos elásticos sujeitos a solicitações exteriores
Seja um corpo qualquer, sobre o qual atue um sistema de ações exteriores.
A mecânica racional, considerando-o como rígido, afirmaria estar ele em equilíbrio se o
conjunto de ações exteriores fosse equivalente a zero, ou seja, em referência a um ponto qualquer do
corpo:
R
r
= 0 (resultante geral)
G
r
= 0 (momento resultante)
Fig.111-1
E isso era o bastante.
Os corpos da natureza, entretanto, não são rígidos, e sim, deformáveis, isto é, submetidos à
ações exteriores, mudam de dimensões, pelo menos, ligeiramente.
Cada partícula constitutiva do mesmo, recebe, em conseqüência da solicitação exterior, uma
solicitação interior tendendo a deslocá-la, de certa forma, de sua posição relativa no conjunto. Mas,
também, à proporção que esse deslocamento se produz, reações interiores, em sentido contrário,
tendem a se opor ao deslocamento e a reconduzi-la à sua posição primitiva, o que caracteriza a
elasticidade do material.
Sempre que a intensidade da máxima reação molecular possível não for ultrapassada pela
solicitação interior sobre a molécula, esta pára em seu deslocamento relativo. Todos os elementos do
corpo tomam novas posições relativas; o corpo está deformado e em equilíbrio interior.
Se as solicitações exteriores formarem um sistema em equilíbrio, o corpo está inteiramente em
equilíbrio (exterior e interior).
Mas, para isso, pelo que se viu, é necessário que em todos os pontos se desenvolva uma
reação que equilibre a ação solicitante interior; se isso não puder ocorrer, dada a natureza do corpo
(forma, substância constitutiva), isto é, se a máxima reação possível for inferior à solicitação, o
elemento adquirirá um deslocamento relativo muito grande com a conseqüente deterioração do
material no ponto, a qual pode chegar à ruptura, com o que se fracionará dito corpo em outros sobre os
quais as forças exteriores se disporão da mesma ou de diferente maneira, podendo conservar ou
modificar suas intensidades.
E pode acontecer, então, que sobre cada um desses novos corpos, as ações exteriores estejam
ou não em equilíbrio, casos em que o fenômeno descrito se repetirá, ou os corpos novos entrarão em
movimento.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 3
Vê-se, assim, que no domínio dos corpos reais, as equações de equilíbrio fornecidas pela
mecânica racional não são suficientes para se obter o conhecimento de seu comportamento, e, em
particular de seu equilíbrio, quando sujeitos a ações exteriores. Esse equilíbrio deve, agora, ser
assegurado, não só exterior como interiormente, acrescendo àquelas condições iniciais, outras que
consideram a natureza do material, até então completamente negligenciadas.
1.1.2 – Objetivo da Resistência dos Materiais. Sua posição em face da estabilidade das
construções
O estudo dos fenômenos ligados às solicitações ocorrentes no interior dos corpos reais em
virtude de ações exteriores é o objetivo tanto da Resistência dos Materiais como, também, da Teoria da
Elasticidade e da Teoria da Plasticidade. As duas primeiras se ocupam de tais fenômenos quando o
material se encontra dentro da fase dita elástica, e a última quando se encontra na fase plástica, tudo
como será esclarecido em 1.1.3, a seguir.
Resta, pois, esclarecer o que têm de comum e de diferente a Resistência dos Materiais e a
Teoria da Elasticidade. Ambas perseguem os mesmos objetivos, por assim dizer, mas diferem
primordialmente no que tange aos métodos de tratar as soluções dos problemas.
Assim é que a Teoria da Elasticidade, preocupada com a maior exatidão possível das soluções,
tem que se servir de todos os recursos da Matemática com o que, em geral, as correlações entre as
grandezas envolvidas nos problemas se exprimem de modo pouco próprio à utilização técnica coti-
diana, dada a sua natural complexidade. A Resistência dos Materiais, então, utilizando-se de hipóteses
simplificadoras, procura dar soluções à maioria dos problemas ocorrentes na prática mediante
expressões que, sem o mesmo rigor das obtidas pela Teoria da Elasticidade, são, todavia, de mais fácil
emprego no uso diário.
É evidente que nem sempre a Resistência dos Materiais poderá dar solução aceitável a
determinados problemas dado o grau de erro que resultaria de seus métodos simplificados, o que nem
sempre será aceitável.
Esses problemas se situarão no campo exclusivo da Teoria da Elasticidade. Mas há muitos
outros que, conforme o grau de exatidão aceitável, podem ser submetidos aos métodos de uma ou de
outra.
A ambas compete o diagnóstico e a medida das ações e reações interiores, determinando suas
naturezas e suas intensidades bem como de seus efeitos como são as deformações. Limitando ao
âmbito da Resistência dos Materiais, vê-se claramente que entrando no íntimo da matéria, porque cada
substância se comporta de modo diferente quando igualmente solicitada, tem ela que resolver um
problema de ordem não só mecânica, mas também física.
Como o que se tem em vista é assegurar o equilíbrio dos sistemas, a Resistência dos Materiais,
estudando as solicitações interiores decorrentes das exteriores, dará a conhecer, consequentemente, que
capacidade de reação se deve proporcionar às peças para que o equilíbrio interno seja possível.
Em seguida, a Estabilidade das Construções distribuirá os materiais ao longo das peças de sorte
que, por sua forma e substância, sejam capazes de tal capacidade de reação interior com um certo
coeficiente de segurança. Ela dimensiona.
Percebe-se assim a diferença entre a Resistência dos Materiais e a Estabilidade das
Construções, e como esta depende daquela.
1.1.3 – Classificação prática dos materiais
Já se viu que, ao contrário dos corpos ditos rígidos, ideais, da Mecânica Racional, os corpos
reais são deformáveis. Como, dentro dos limites usuais de solicitação esses deformações costumam
ser ou não permanentes, os materiais reais são comumente classificados em elásticos e plásticos.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 4
Elásticos são aqueles capazes de voltar à sua forma primitiva, uma vez cessada a causa
determinante de sua deformação, restituindo integralmente o trabalho consumido na mesma. Estas
deformações são, portanto, apenas transitórias.
Plásticos são aqueles cujas deformações são permanentes, isto é, cessada a causa permanece o
efeito.
Na realidade tal diferença é mais prática que real, porquanto não há materiais perfeitamente
elásticos ou plásticos, conforme se definiu acima.
Quando um corpo é solicitado, sua deformação ∆ é composta de duas parcelas:
∆ ∆ = ∆ ∆
e
+ ∆ ∆
p
onde ∆
e
é a deformação transitória ou elástica, e ∆
p
é a deformação permanente.
Os valores relativos dessas parcelas variam, para um mesmo material, conforme a intensidade
da solicitação, e, de material para material, em caso de iguais solicitações.
Um material será tanto mais elástico quanto maior for a parcela de deformações elásticas em
presença das deformações permanentes, e vice-versa se se tratar de materiais plásticos.
Denomina-se limite de elasticidade ao limite até o qual as deformações permanentes são
desprezíveis em relação às transitórias.
Sendo assim, até esse limite, praticamente, toda a deformação é transitória, e, só a partir dele,
as deformações permanentes passam a ser apreciáveis.
O limite de elasticidade é específico de cada material e pode ser referido a qualquer tipo de
solicitação. Este limite é comumente determinado em ensaios axiais de tração e compressão.
Do que se acaba de ver, conclui-se que um mesmo material é suscetível de passar por uma fase
elástica e por outra plástica, podendo entre elas haver regimes intermediários; tudo depende das
solicitações a que for submetido.
Os materiais ditos plásticos, realmente, são os que têm limite de elasticidade extremamente
baixo, a ponto de solicitações muito pequenas já produzirem deformações quase totalmente
permanentes. Em contraposição, os ditos elásticos são aqueles que permitem solicitações relativamente
elevadas antes de atingirem seu limite de elasticidade.
Como exemplo ver-se-á, em 1.1.8.1, o que se passa com o aço, tido como um dos materiais
mais elásticos dentro dos limites de seu uso corrente.
1.1.4 – Natureza das solicitações e reações interiores. Solicitações simples. Noção de tensão.
Considere-se um corpo elástico sujeito a um grupo de ações exteriores, e inteiramente em
equilíbrio. Isto importa em dizer que essas ações exteriores satisfazem às equações de equilíbrio e
que, em todos os pontos de seu interior as solicitações decorrentes da ação exterior se acham
equilibradas pelas reações interiores.
Supondo, então, conforme se vê na Fig. 114-1, que esse corpo seja seccionado segundo uma
superfície S-S. No caso mais geral, as duas partes daí resultantes deixariam de manter o equilíbrio
primitivo, o que leva a concluir que esse equilíbrio do todo e de cada uma de suas partes, se devia às
ações e reações que cada uma das duas partes exercia sobre a outra, através a superfície S-S.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 5
Fig. 114-1
Assim, por exemplo, focalizando-se a parte Á (Fig.114-2a) a manutenção de seu estado de
equilíbrio, como o existente no caso do corpo inteiro, se deverá não só às ações exteriores que lhe
estão diretamente aplicadas (e que simbolicamente notaremos como Σ
Á
P como no conjunto de ações

P d que a parte À exercerá sobre ela através todos os elementos de superfície de S-S, cada um
deles suposto na vizinhança de um ponto dessa mesma superfície.
Este conjunto de ações que se distribuem de uma forma qualquer ao longo da superfície de
separação é, consequentemente, o elemento equilibrante do grupo Σ
Á
P das ações diretamente aplicadas
ao exterior da parte Á.
De outro lado, considerando-se o corpo inteiro, o grupo Σ
Á
P era equilibrado pelo conjunto das
ações exteriores aplicadas à parte À ou seja Σ
À
P. Conclui-se então que o conjunto das ações que a
parte À À exerce sobre a parte Á Á, através a superfície de separação entre elas, é equivalente ao
conjunto das ações exteriores diretamente aplicadas à parte À À.
Fig. 114-2
Analogamente, poder-se-ia ter provado que a ação equilibrante de Á sobre À é equivalente ao
conjunto das ações exteriores diretamente aplicadas à parte Á.
Pelo que se acaba de ver, embora ainda não se saiba determinar as ações

P d que uma parte do
corpo, suposto secionado, exerce sobre a outra através de cada elemento de superfície da seção,
podemos calcular o valor de seu conjunto que é o mesmo do conjunto de ações exteriores aplicadas
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 6
à primeira parte. E como essas ações se exercem através a superfície de separação, pode-se reduzí-las
a um ponto qualquer, e, em particular, ao centro de gravidade dessa superfície.
Tem-se aí, então, Fig. 114-2a,b a resultante geral

R e o momento resultante

G.
Ambos os vetores podem ser decompostos em um vetor no plano da seção e outro normal à
mesma.
Assim é que se tem (Fig. 114-2b):

R (resultante geral)

N : (normal ao plano da seção). É a força normal, que pode ser de
tração ou de compressão.
Vetor força, decom-

Q: (no plano da seção). É a força cortante.
posto em:

G(momento resul-

T : (normal ao plano da seção). Representa um conjugado no plano
tante) da seção cujo momento chamaremos de torçor.
Vetor momento, de-

M : (no plano da seção). Representa um conjugado num plano normal
composto em: da seção, cujo momento chamaremos momento fletor ou fletente.
Essas são, pois, no caso geral, as solicitações que se manifestam em uma seção qualquer no
interior de um corpo elástico carregado em equilíbrio, e que são conhecidas como “solicitações
simples em uma seção”.
Evidentemente, essas solicitações se distribuem ao longo de toda a seção, como ao longo da
mesma se exercerão as reações de todos os elementos conduzindo ao equilíbrio interior; N, Q, T e M
são, apenas, os valores totais dessas solicitações.
Resta, pois, saber como contribui cada elemento de área, situado em um ponto qualquer da
seção, na resistência a essas solicitações. Por exemplo, qual o valor

P d da força exercida através o
elemento dS de área, situado num certo ponto da seção, de sorte que:

R = ∫
S


P d
(a)

G = ∫
S


δ ∧

P d
onde

R e

G representam toda a solicitação através a seção de área S (Fig. 114-2a).
Esse problema a Estática não pode resolver, pois apenas fornece o grupo (a), nada dizendo
sobre a maneira como se repartem as contribuições.
Para levantar esta indeterminação estática buscam-se novas relações, agora no domínio
elástico, e se vê a Resistência dos Materiais pesquisando a natureza e a intensidade da reação à
solicitação interior em um ponto qualquer do corpo.
Evidentemente

P d , ação e reação interior, iguais em cada ponto, e correspondendo a um
elemento de superfície de área dS suposto situado nesse ponto, varia de ponto para ponto no interior do
corpo, e, em um mesmo ponto, conforme a orientação dada ao elemento de superfície através o qual
elas se exerçam.
Sendo assim, fixada a orientação de um elemento de superfície em um ponto,
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 7

dS
d

·
P
s s
r
nos dará a conhecer a intensidade das ações interiores nesse ponto, referentes ao elemento de
superfície em apreço, a que denominaremos tensão total no ponto.
É claro que s s
r
e

P d terão o mesmo suporte, e que, portanto, poderão ser decompostos na
forma abaixo, (Fig. 114-3)

N d (normal ao elemento de superfície)

P d dN = dP cos α
Decomposto em

Q d (contido no plano do elemento de superfície)
dQ = dP sen α

dS
d

·
P
s s
r
dS
d

· σ
N
r
(normal ao elemento de superfície)
σ = s cos α
Decomposto em
dS
d

· τ
Q
r
(contido no plano do elemento de superfície)
τ = s sen α
Nas expressões acima, α é o ângulo que o suporte de

P d faz com a normal ao elemento de
superfície.
A σ
r
e τ
r
denominaremos respectivamente de tensão normal e tensão tangencial no ponto,
sempre referentes a um elemento de superfície.
Um caso particular importante é aquele em que as forças interiores se distribuem
uniformemente ao longo de uma seção do corpo, com direção normal a essa seção.
Fig. 114-3
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 8
Nesse caso, que estudar-se-á no parágrafo 1.1.8.1, virá
dN = dP
dQ = O
e teremos:
const
dS
d
· · σ
N
N = ∫
S
σ dS = σ ∫
S
dS = σS
∴ σ =
S
N
1.1.5 – Noção de deformação
Solicitado por ações exteriores, os corpos não rígidos se deformam, isto é, suas dimensões e
formas tendem a se modificar em virtude das forças interiores despertadas.
Se estas variam de ponto para ponto, também as deformações devem sofrer variações
correlatas.
Quanto às deformações importa distinguir:
- deformações lineares: relativas às grandezas lineares;
- deformações superficiais: quando referidas a superfícies;
- deformações volumétricas: dizem respeito aos volumes;
- deformações angulares: relativas às grandezas angulares.
Denomina-se deformação linear total em uma direção, ao acréscimo sofrido por uma
grandeza linear nessa direção.
Por deformação linear específica, ou, simplesmente, deformação linear, entenderemos a
relação da deformação total para o comprimento inicial da grandeza linear: representa-la-emos por ε
utilizando índices que nos indiquem a direção da deformação. Assim, se um comprimento dx, de
direção X, sofrer um acréscimo ∆dx, poderemos escrever:
dx
dx
x

· ε
Identicamente denominaremos simplificadamente de deformação superficial e de deformação
volumétrica às relações dos acréscimos de superfícies ou de volumes para a superfície ou o volume
inicial.
Teremos, portanto:
xy
xy
xy
dS
dS ∆
· ε para deformação superficial no plano dos XY, e
dV
dV
e

· para deformação volumétrica
Quanto às deformações angulares, importa travar conhecimento com a chamada distorção, que
vem a ser a variação angular sofrida pelo ângulo reto de duas direções, ortogonais em suas posições
iniciais (geralmente representada por γ).
É ainda importante conhecer as relações que guardam entre si as deformações lineares,
superficiais e volumétricas.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 9
Para isso consideremos nas vizinhanças de um ponto qualquer um paralelepípedo infinitamente
pequeno, de arestas dx, dy e dz, e admitamos que após deformado elas tenham se tornado:
dx + ∆dx, dy + ∆dy e dz + ∆dz
O acréscimo de volume é:
∆dV = (dx + ∆dx) (dy + ∆dy) (dz + ∆dz) – dx dy dz
Desprezando os termos em que figuram os produtos dos acréscimos e dividindo por
dV = dx dy dz
vem
dz
dz
dy
dy
dx
dx
dV
dV
e

+

+

·

·
ou
e = ε
x
+ ε
y
+ ε
z
115-I
Analogamente provar-se-ia, para deformações superficiais, que
ε
xy
= ε
x
+ ε
y
ε
xz
= ε
x
+ ε
z
115-II
ε
yz
= ε
y
+ ε
z
1.1.6 – Tensões admissíveis. Coeficiente de segurança. Diagramas resistentes e solicitantes:
cobertura de diagramas solicitantes. Posição da resistência dos materiais relativamente à
estática e à hiperestática.
Vimos em 1.1.4 a caracterização das tensões em um ponto relativamente a um elemento de
superfície em sua vizinhança. Elas exprimem as intensidades das solicitações interiores, em todas as
direções em torno ao ponto.
É claro que essas intensidades devem ser mantidas aquém de certos limites para que o
equilíbrio interno seja possível. Cada material, pela sua natureza, é capaz de suportar intensidades de
solicitações interiores diferentes, até determinados valores que não devem ser atingidos em qualquer
ponto de uma peça sob pena de ocorrerem fenômenos indesejáveis (muitas vezes a ruptura). Esse fato
será explanado, posteriormente, em 2.5.
Por agora nos limitamos a dizer que, para nos prevenirmos contra a eventualidade de se atingir
esses limites indesejáveis, permite-se às tensões em cada ponto atingirem, apenas, valores bem
menores que os perigosos e que se denominam tensões admissíveis ou tensões de trabalho.
Uma tensão admissível (σ
adm
quando normal e τ
adm
quando tangencial) será, pois, a maior
tensão que se permitirá ocorrer em qualquer ponto de uma peça e relativamente a qualquer elemento de
superfície em torno a ele.
Ela variará, evidentemente, com o material da peça e com o coeficiente de segurança que se
julgar útil adotar em cada caso, de modo que a intensidade da solicitação interior permaneça mais ou
menos afastada daquela capaz de produzir efeitos indesejáveis, dos quais a rutura é um deles.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 10
Suponhamos, agora, que a Resistência dos Materiais tenha resolvido o seu problema
relativamente a uma determinada peça quando esta vier a ser solicitada por qualquer das solicitações
simples anteriormente mencionadas, isto é, que tenha determinado a maneira por que se distribuem as
contribuições de cada elemento de superfície de uma seção qualquer na resistência às solicitações que
lhe venham a ser aplicadas.
Se assim for, será possível levar a efeito as integrações como as do grupo (a) do parágrafo 1.1.4
de tal modo que as solicitações através qualquer elemento de superfície da seção não ultrapassem, em
intensidade, as tensões admissíveis fixadas para o material e para o caso. Fica-se, assim, conhecendo
os maiores valores das solicitações simples (N, Q, M ou T ) que poderão vir a ocorrer nessa seção
sem que deixe de existir uma certa segurança contra efeitos indesejáveis em qualquer de seus pontos.
Esses valores de N, Q, M ou T, assim determinados, partindo das leis de distribuição das
solicitações interiores ao longo de qualquer seção, supostas conhecidas, vêm a ser as capacidades de
resistência dessas seções a cada um desses tipos de solicitações simples, e são denominados valores
resistentes da seção.
Um momento fletor resistente (positivo ou negativo), por exemplo, será o maior momento
fletor (positivo ou negativo) que uma determinada seção poderá vir a receber quando solicitada
exteriormente sem que, em nenhum de seus pontos, as intensidades das solicitações interiores (ou
tensões) ultrapassem os valores admissíveis (tensões admissíveis).
Identicamente definir-se-iam a força normal resistente, a força cortante resistente e o
momento torçor resistente. Todos eles também são denominados admissíveis.
É de toda a conveniência notar-se que os valores admissíveis ou resistentes relativos aos
chamados esforços simples em uma seção só dependem de circunstâncias inerentes à própria seção e
ao material da peça e sua determinação é feita com os conhecimentos da Resistência dos Materiais que
nos fornece as leis de distribuição das solicitações interiores. Eles independem de a peça estar ou não
sendo solicitada, e, consequentemente, dos sistemas estáticos e dos carregamentos.
Se, para todas as seções possíveis de uma peça calcularmos seus valores resistentes e os
representarmos em ordenadas ao longo do eixo da mesma peça (quando tiver a forma de uma haste)
teremos os chamados diagramas resistentes de forças normais, forças cortantes, momentos fletores e
momentos torçores.
Na Estática se viu a possibilidade de traçar para ditas peças diagramas análogos, chamados
diagramas solicitantes, que dependem dos sistemas estáticos e das cargas exteriores e cujas ordenadas
se obtém com os simples conhecimentos da Mecânica (pelo menos para os sistemas isostáticos).
No caso mais geral, haverá para cada peça em trabalho, quatro diagramas solicitantes e 4
resistentes.
O equilíbrio interior só será possível se nenhuma ordenada de cada diagr ama solicitante por
maior que a correspondente do diagrama resistente da mesma espécie, isto é, se os diagramas
resistentes cobrirem os solicitantes.
Em última análise poderemos, pois, dizer que a Resistência dos Materiais tem como um de seus
objetivos fornecer os diagramas resistentes das várias peças de uma estrutura de modo a se poder
verificar se os mesmos cobrem os solicitantes fornecidos pela Estática ou pela Hiperestática em
decorrência das ações exteriores que lhes sejam aplicadas.
1.1.7 – Tipos de solicitação
Os modos de se solicitar um corpo podem ser muito variados, e seu comportamento sob a
solicitação é influenciado pelo tipo da mesma.
Além disso, as propriedades mecânicas dos materiais são determinadas em ensaios de
laboratórios com a utilização de corpos de provas de formas especiais e sob certas condições não só de
temperatura como, principalmente, de solicitação.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 11
Por conseguinte, a utilização, nas aplicações, dos dados assim obtidos exige o conhecimento
das influências sobre o comportamento dos corpos, não só dessas, como de outras circunstâncias que
possam intervir, o que será objeto de tópicos ou de capítulos especiais.
Neste parágrafo vamos simplesmente classificar e distinguir os principais tipos da influência
mais decisiva – a solicitação mecânica.
Para os fins das aplicações técnicas bastará distinguir os seguintes tipos de solicitação:
- solicitações estáticas
- solicitações repetidas
- solicitações dinâmicas.
Solicitação estática é aquela em que se atinge a uma determinada intensidade mediante um
crescimento contínuo e gradual a partir de zero. Uma vez atingido o valor final, este é mantido
constante enquanto durar a solicitação.
Neste gênero de solicitação convém distinguir dois casos importantes, quais sejam o da
solicitação estática em curto tempo e o da solicitação estática em longo tempo.
Fig.117-1
Na solicitação em curto tempo, ou o crescimento da solicitação é levado até a ruptura em
poucos minutos (curva 1 da Figura 117-1), ou, se não se atingir a ruptura, a peça é mantida sob a
intensidade máxima alcançada por pouco tempo e logo descarregada, não sendo novamente carregada
senão em condições que não impliquem em fadiga do material, conforme se verá adiante (curva 2 –
Figura 117-1).
Este é o tipo de solicitação estática corrente nos ensaios em laboratórios para a determinação da
maioria dos dados característicos dos materiais.
Na solicitação em longo tempo, uma vez atingida uma certa intensidade, esta é mantida
durante muito tempo (Figura 117-2).
É o tipo de solicitação estática que prevalece na grande maioria das estruturas por influência
das cargas permanentes.
Em certos ensaios de laboratório procura-se manter a solicitação durante um tempo
suficientemente dilatado de modo a se poder prever o comportamento do material quando por longo
tempo carregado.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 12
TEMPO
Fig. 117-2
Convém frisar, entretanto, que em qualquer caso de uma solicitação estática, em todos os
instantes ou fases da solicitação, existe um estado de equilíbrio estático entre as ações mecânicas que
atuam sobre qualquer elemento do corpo.
Solicitações repetidas são aquelas que são aplicadas e total ou parcialmente removidas, ou
ainda invertidas, repetindo-se o ciclo de variação um apreciável número de vezes.
Solicitações desta natureza ocorrem, com maior ou menor grau de variação, em todas as
estruturas e peças de máquinas e engenhos. Um eixo girando ou um trilho à passagem de um trem são
exemplos de peças sob solicitações repetidas.
Costuma-se, entretanto, considerar como repetidas somente as solicitações cuja repetição do
ciclo de variação seja suscetível de causar a fadiga do material, excluindo-se nesse caso, as
solicitações cuja variação se processa um número de vezes muito pequeno.
Entre as solicitações desta categoria podemos distinguir dois casos bem definidos, a saber:
solicitações intermitentes e solicitações oscilantes ou alternadas.
Na solicitação intermitente a variação se processa apenas quanto à intensidade, sem que haja
inversão da natureza da solicitação. Um caso típico de solicitação intermitente é o representado na Fig.
117-3, onde ela varia intermitentemente de zero a um determinado valor ∆ com uma certa freqüência.
Se, porém, a natureza da solicitação sofre inversões sistemáticas, teremos o caso de uma
solicitação oscilante ou alternada. Na Fig. 117-4 temos a representação gráfica de um caso típico de
solicitação alternada, onde sua intensidade oscila entre valores ∆ iguais e de sinais contrários com
determinada freqüência.
Fig.117-3
S
O
L
I
C
I
T
A
Ç
Ã
O
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 13
Fig.117-4
Solicitações dinâmicas são denominadas aquelas que estão intimamente ligadas às variações
de quantidade de movimento dos corpos.
Em certos casos, em que a movimentos bem definidos correspondem acelerações determinadas,
essas solicitações podem ser tratadas como solicitações estáticas através as forças de inércia
correspondentes. É o que ocorre, por exemplo, com as solicitações despertadas em um disco girando,
em conseqüência de sua rotação.
Em outros casos as variações de quantidade de movimentos se devem ao choque ou impacto.
Temos uma solicitação por impacto quando um corpo pesado cai sobre uma estrutura; durante o
impacto e por algum tempo subseqüente, tanto o corpo produtor do choque como a estrutura que o
recebeu adquirem um estado de vibração que, além do mais, depende, também, da natureza dos
materiais. Enquanto toda a energia cinética de que estava possuído o corpo percutente não tiver sido
absorvida pela estrutura sob a forma de potencial elástico ou dissipada sob outras formas de energia
como o calor, não se retornará a um estado de equilíbrio estático.
Entre as solicitações dinâmicas costuma-se incluir, ainda, as decorrentes das chamadas cargas
súbitas que ocorrem quando se aplica sobre uma peça uma ou mais cargas que subitamente atuem com
toda a sua intensidade.
Para exemplificar, imagine-se um corpo pesado suspenso por um fio, sobre uma estrutura em
posição tal que, tocando-a simplesmente, não lhe transmita nenhuma carga. Se, repentinamente, se
cortar o cabo, a estrutura receberá uma carga súbita, sem choque, porém. Como se verá
posteriormente, os efeitos dessas cargas súbitas são duplos dos decorrentes de cargas estáticas dos
mesmos valores.
Deve-se notar, contudo, que as cargas verdadeiramente súbitas são dificilmente realizáveis,
tendo-se, realmente, em quase todos os casos, cargas estáticas crescentes em tempo extremamente
curto.
Identifica-se os diferentes tipos de solicitação que, teoricamente, podem ocorrer, cada uma com
características bem definidas. Na realidade, eles diferem uns dos outros apenas por uma questão de
fronteiras convencionais.
Assim é que quando um trem atravessa uma ponte com certa velocidade comunica-lhe, entre
outras, solicitações por impacto; mas, se seu movimento se tornar bastante lento, os efeitos das cargas
são praticamente os mesmos que os decorrentes de se supor carregamentos estáticos. Se um eixo
carregado gira com grande velocidade, seguramente estará sujeito a solicitações repetidas, mas, se sua
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 14
velocidade de rotação se tornar extremamente baixa, os efeitos dessas solicitações serão idênticos aos
de solicitações estáticas das mesmas intensidades.
Por outro lado, convém lembrar que nos casos reais o que ocorre é um misto dos diferentes
tipos tratados anteriormente.
Caberá, portanto, ao engenheiro ou projetista decidir, em face das circunstâncias, a qual dos
tipos teóricos antes mencionados convirá supor enquadrado um caso real.
As discrepâncias inevitáveis entre este e qualquer dos tipos padrões estudados deverão ser
compensados pelos coeficientes de segurança de que se tratará mais tarde (ver 2.5.3).
No que se vai seguir, suporemos as solicitações sempre como estáticas.
Em capítulos especiais serão tratados os efeitos dos outros tipos de solicitação.
1.1.8 – Base experimental da Resistência dos Materiais
Viu-se em 1.1.4 que para levar a cabo seu objetivo, qual o de conhecer o modo de distribuição
das ações interiores desenvolvidas nos vários pontos das seções das peças, a Resistência dos Materiais
tinha que lançar mão de condições elásticas, ou mais propriamente, de condições de deformação.
Para estabelecer essas condições, a Resistência dos Materiais tem que se socorrer dos
resultados experimentais que se têm acumulado no decorrer do tempo e que constituem, no seu
conjunto, o que se pode denominar de base experimental da Resistência dos Materiais.
Apoiada nesses resultados, vai, então, dar solução aos vários problemas mediante
desenvolvimentos teóricos que, em conseqüência, terão caráter indutivo.
A seguir, serão analisados os primeiros resultados experimentais, os mais simples, e que se
referem às hastes retas solicitadas axialmente por forças estáticas.
Posteriormente, à medida das necessidades, mencionar-se-ão os resultados experimentais em
que tiveram de se apoiar as soluções dos diferentes problemas a resolver.
1.1.8.1- Haste reta solicitada axialmente
Diagrama tensão – deformação axial: Procedendo-se à mais simples das experiências, qual
seja a de submeter uma haste reta a uma força axial (Figura 118-1).
Supõe-se, inicialmente, que essa solicitação, seja trativa, isto é, tendente a alongar a haste.
Sejam:
l
o
– comprimento inicial da barra entre dois traços de referência;
S
o
– área inicial da seção reta

.
Submetida a uma solicitação estática, será N a força atuante em um determinado instante; nessa
ocasião a barra estará se alongando de ∆l, o que pode ser constatado pelo fato de que entre os dois
traços de referência a distância passou a ser:
l = l
o
+ ∆l


Para ensaios padronizados, recomendam-se certas relações entre o comprimento da barra e sua seção reta, bem como
formas bem determinadas para os corpos de prova.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 15
Por outro lado, se observarmos que o traço segundo a seção reta da peça se desloca mantendo-
se todos os seus pontos num mesmo plano, podemos admitir que a solicitação se distribui
uniformemente ao longo de toda seção, de sorte que:
· · σ
dS
dN
constante
e, então:
o
S
N
· σ
onde σ é a tensão normal conforme se estudou em 1.1.4.
A experiência mostra que à proporção que a solicitação N cresce, também ∆l vai crescendo,
podendo-se traçar um diagrama ligando essas grandezas. A Figura 118-2 nos indica os aspectos mais
comuns desses diagramas

.
É lógico, contudo, que os acréscimos de comprimento da barra estarão influenciados, não só
pela qualidade do material, como, também, pelo valor atingido por N, pela seção S
o
e pelo
comprimento l
o
da barra.
Podemos, no entanto, eliminar tantas dependências se traçarmos o nosso diagrama, não mais
ligando N a ∆l, e sim
o
S
N
· σ a
o
l
l ∆
· ε .


Posteriormente se verá a que materiais correspondem esses tipos de diagramas.
Fig. 118-1
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 16
Fig.118-2
Quanto a σ já conhecemos sua significação; quanto a
o
l
l ∆
· ε vemos que será o alongamento
específico que, em conformidade com o que se disse em 1.1.5, denominaremos simplificadamente de
deformação axial. Ela independe agora do comprimento l
o
, já que se refere a um comprimento
unitário.
Teremos assim um diagrama como o da Fig. 118-5, correspondendo ao da Fig. 118-2(a).
Poderiam, também, ser semelhantes aos da Fig. 118-2(b) e 118-2(c), conforme o material

.
Fig.118-3
Este diagrama, denominado diagrama tensão – deformação axial, só depende das
características do material e das condições de ensaio.
Em se tratando de um aço doce, ele pode apresentar o aspecto da Fig. 118-3 onde convém notar
o que adiante se verá.


Os diagramas das figuras 118-2(a) e 118-3 são típicos para os aços doces.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 17
a) As deformações correspondentes às tensões mais baixas, ou sejam as referentes ao primeiro
trecho OE da curva, não são permanentes; elas desaparecem quando removida a solicitação.
Acima desse ponto já se manifestam deformações permanentes. O ponto E, portanto, é o
limite de elasticidade, nome que comumente se costuma atribuir à tensão σ
E
que define
esse ponto

.
b) A maior parte do diagrama na zona elástica se desenvolve segundo uma reta OP, isto é,
segundo uma lei de proporcionalidade entre tensões e deformações. Ao ponto P, muito
pouco abaixo do ponto E, denomina-se limite de proporcionalidade nome que, em geral,
também se dá à tensão σ
P
que o define
∗∗
.
c) Após o limite de elasticidade E, as deformações começam a crescer mais rapidamente até
atingir um ponto S
s
, onde o material sofre uma mudança em sua estrutura e em suas
propriedades elásticas de tal sorte que para manter a deformação já atingida basta uma
solicitação bem menor. Isto se constata na máquina de ensaio por um retrocesso na escala
das forças, o que leva o diagrama a atingir um ponto S
i
onde o material, como que
recuperando sua resistência, começa a oferecer nova oposição à deformação, do que resulta
uma nova ascensão no diagrama.
Aos pontos S
s
e S
i
denominam-se limites de escoamento, superior e inferior, após os quais o
material entra em uma fase de deformações permanentes, isto é, em um regime plástico.
É útil assinalar que, conforme a marcha do ensaio, pode o ponto S
s
desaparecer, tendendo para
o ponto S
i
que adquire, assim, maior importância. Sendo assim, no que se seguirá, designaremos por
σ
S
ao limite de escoamento inferior que é o que usualmente tem importância prática. A esse limite
costuma-se também chamar de limite de alongamento rápido ou de encurtamento no caso de
compressão, e ainda de limite aparente de elasticidade, pelo fato de aí se tornarem bem apreciáveis
as deformações permanentes.
d) Após o escoamento, as deformações crescem sempre mais rapidamente que as tensões,
atingindo-se a um ponto R onde a resistência oferecida pelo material passa por um
maximum, correspondente a uma tensão σ
R
. Nessa ocasião ou a barreta se rompe, ou então
as deformações se localizam em um pequeno trecho que se adelgaça rapidamente para
romper-se logo a seguir, ruptura esta que corresponde a um ponto R’ do diagrama, de
ordenada mais baixa que R.


Tendo em vista o conceito mais correto de elasticidade exposto em 1.1.3, os vários congressos destinados a fixar normas
têm procurado defini-lo. Assim é que o Congresso Internacional de Ensaios de Materiais reunido em Bruxelas em 1906
definiu o limite de elasticidade como sendo o ponto definido pela tensão σ
E
tal, que a deformação permanente seja igual a
0,001% do comprimento inicial da barra, ou seja
∆l
p
= 0,00001 . l
o
A barra, depois de descarregada, deverá, portanto, apresentar um comprimento
l = l
o
(1 + 0,00001)
Essa precisão dificilmente pode ser obtida pelo fato de que a precisão com que se consegue medir as solicitações não
ultrapassa, em geral, 0,01%. Por isso, muitas normas definem o limite de elasticidade permitindo valores maiores para as
deformações permanentes.
A DIN. 1602 indica valores de ∆l
p
desde 0,01% até 0,003% de l
p
A Comission Permanente de Standardisation Française
fixava:
∆l
p
= 0,002 l
p
Chamaremos, todavia, a atenção para o fato de que adotando um valor tão elevado para ∆l
p
, a Comission Permanente de
Standardisation Française confundia o limite de elasticidade com o limite aparente de elasticidade, como às vezes se
denomina ao limite de escoamento.
∗∗
Como os limites de proporcionalidade e de elasticidade pouco diferem um do outro quanto as tensões que os definem, é
comum, na literatura técnica, se tomar o limite de proporcionalidade como sendo o limite de elasticidade, embora isso não
seja rigorosamente certo.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 18
Aos pontos R e R’ se denominam respectivamente ponto de estricção e ponto de ruptura: às
tensões correspondentes, σ
R
e σ
R’
, ambas referidas à seção inicial da haste, denominam-se resistência
estática e tensão de ruptura. Convém frisar que, para muitos materiais como certos aços duros, não
há estricção; o ponto R’ se confunde com o ponto R, e a tensão de ruptura é, então, a resistência
estática do material.
Faremos ainda algumas observações complementares a respeito do diagrama tensão-
deformação axial e dos limites que acabamos de definir.
Em primeiro lugar notaremos que se, em lugar de ter uma haste tracionada, ela fosse
comprimida os fenômenos estudados seriam análogos, embora as deformações fossem de sentido
contrário, ou por encurtamento.
Apenas, em um ensaio à compressão, a seção reta da peça deverá ser grande relativamente ao
seu comprimento

.
Sendo assim, bastará, para se estudar uma peça solicitada axialmente de um modo geral,
atribuir sinais positivos à força axial e à tensão normal quando tratativas, bem como às deformações
totais e específicas quando por alongamento, e sinais negativos aos mesmos elementos quando de
sentidos contrários.
Ter-se-iam os mesmos limites anteriores, de proporcionalidade, de elasticidade, de escoamento,
de resistência à compressão, para os quais às notações já indicadas se acrescentará o sinal negativo
ficando-se, pela ordem, como σ
-P
, σ
-E
, σ
-S
, σ
-R
.
Uma outra observação a ser feita refere-se ao aspecto geral dos diagramas tensão-deformação
que, como já dissemos atrás, podem se apresentar semelhantes aos casos (a), (b) ou (c) da Fig. 118-2.
No primeiro caso temos a Fig. 118-3, que é típica dos aços doces, como já dissemos, nele se
observando um escoamento nítido e grandes deformações antes da ruptura. No segundo caso,
embora ainda as deformações antes da ruptura sejam grandes, não há um escoamento nítido,
passando-se, pois, da zona puramente elástica à zona inteiramente plástica de maneira progressiva,
como acontece com o alumínio e algumas de suas ligas. A esses materiais, cuja ruptura é, de certa
forma, anunciada por grandes deformações, se denominam dúteis em contraposição aos que,
apresentando um diagrama tensão-deformação semelhante ao caso (c) da Fig.118-2, rompem
bruscamente sem apresentar grandes deformações que anunciem a ruptura. Estes últimos se
denominam materiais frágeis como o são o vidro, o ferro fundido ou o concreto.
É bom que se observe desde logo que, quantitativamente falando, não há um limite bem
definido que permita rotular um material de dútil ou de frágil, mas é comum considerar-se uma
deformação específica na ruptura, da ordem de 5%, ou seja ε
R
= 0,05, como um valor capaz de se
constituir num tal limite, embora esse valor não deixe de ser puramente arbitrário.
Voltando, ainda, aos materiais dúteis que podem apresentar ou não escoamento definido,
convém assinalar que, neste último caso – escoamento não definido, costuma-se considerar um limite
de deformação, que, por definição, se fixa como o ponto para o qual a deformação permanente
atinge o valor de 0,2% do comprimento inicial da haste de ensaio (Fig.118-4)
∗*
.
Embora esse valor 0,2% pareça um tanto arbitrário (e, às vezes, se o toma como 0,5%), ele
corresponde, aproximadamente, ao que ocorre no caso dos materiais dúteis com escoamento definido
por ocasião desse escoamento.


Em peças esbeltas comprimidas a ocorrência da flambagem modifica os resultados.
∗∗
Em sua literatura técnica, os anglo-saxões distinguem o Yelding point (tensão no limite de escoamento bem definido) do
Yelding strenght (tensão no limite de deformação, isto é, quando o escoamento não é bem definido).
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 19
Ainda no caso dos materiais dúteis, devemos observar que no diagrama tensão-deformação
axial da Fig.118-3 as tensões são nominais, isto é, referidas à seção S
o
inicial.
Para os materiais não dúteis e para os dúteis até o escoamento essas tensões são
aproximadamente as reais porque a seção varia muitíssimo pouco como se verá a seguir. Depois,
entretanto, de ultrapassado o limite de escoamento, a seção diminui à medida que a barra se alonga, daí
resultando que as tensões reais são maiores que as nominais afastando-se destas cada vez mais, como
mostram as curvas À e Á da Fig.118-5.
Alongamento percentual de ruptura
Vem a ser o alongamento total sofrido pela barreta de ensaio, expresso em % do seu
comprimento inicial:
100 %
o
o r
n
l
l l −
· δ 118-I
Fig.118-4
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 20
Fig.118-5
onde l
r
é o comprimento total depois da ruptura e n indica a relação
d
n
o
l
· entre o comprimento e o
diâmetro iniciais da barreta, devendo ser sempre indicado seu valor porque influencia o do
alongamento percentual.
Contração percentual de ruptura (em ensaio de tração) ou estricção
É definido esse índice pela relação:
100
S
S S
%
o
r o

· ψ 118-II
onde S
r
é a área da seção estrita, medida após a ruptura.
Deformação transversal – Coeficiente de Poisson
Até agora só se tratou das deformações longitudinais. Mas observando-se bem o que se passa
com a haste se verá que, em virtude da própria deformação longitudinal, surge uma deformação
transversal de sentido contrário àquela.
Após grande número de experiências verificaram os pesquisadores que essas deformações não
são independentes. Antes, pelo contrário, guardam entre si, enquanto não se ultrapassar o limite de
elasticidade, uma relação que se pode considerar constante para cada material, isto é
m
q
ε
ε − · 118-III
O fator
m
1
é o coeficiente de Poisson, representado usualmente na literatura por ν:
m
1
· ν
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 21
Note-se que evidentemente:
q
q
q
l
l ∆
· ε
onde l
q
é uma grandeza linear situada no plano perpendicular ao eixo da solicitação. Se se trata de uma
barreta cilíndrica teremos
D
D
q

· ε
onde D é o diâmetro inicial.
O sinal (-) na fórmula 118-III interpreta os sentidos das deformações.
Módulo de elasticidade longitudinal. Lei de Hooke
Considere-se, ainda, o caso da nossa experiência anterior, onde, dadas as suas condições, a
solicitação sobre uma seção reta da peça se resume à força N normal a ela, sendo as demais nulas.
Foi visto que havia uma deformação longitudinal
o
l
l ∆
· ε
e que desperta uma tensão dada por
o
S dS
d N N
· · σ
desde que se admita a distribuição uniforme de tensões.
Uma lei deve existir ligando ε a σ e que será a equação do diagrama tensão-deformação axial.
Seja
ε = f (σ) 118-IV
Sua derivada:
α · ϕ · · σ
σ
ε
g cot ) ( ' f
d
d
Fig.118-6
vem a ser a relação entre o acréscimo da deformação longitudinal para o acréscimo da tensão ou
módulo de alongamento do material, e nós o designaremos por α.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 22
Por se tratar de uma grandeza sempre muito pequena, prefere-se trabalhar com seu inverso
α
1
a
que se dá o nome de módulo de elasticidade longitudinal correspondente a uma certa tensão; é
representado pela letra E:
ϕ · · ·
α
·
σ ε
σ
tg
) ( ' f
1
d
d 1
E 118-V
A este módulo de elasticidade costuma-se, também, denominar de módulo de elasticidade
tangente.
Na realidade, e nos casos gerais, E e α variam com σ, como se verá mais tarde, mas, nos casos
da prática, costuma-se admiti-los como constantes, e, nesse caso, integrando suas expressões virá:
E
σ
ε·
118-VI
ε σ· E
duas formas sob as quais se apresenta a lei de Hooke que nos diz:
“Há proporcionalidade entre a deformação e a tensão”.
Ao coeficiente E costuma-se chamar ainda de módulo de Young, e é um coeficiente do mate-
rial.
Tomá-lo constante equivale a admitir como retilíneo o diagrama tensão-deformação, o que no
caso de muitos materiais é verdadeiro até um certo limite – o limite de proporcionalidade, dentro do
qual na maior parte dos casos, aliás, se procura fazer trabalhar os materiais.
A relação σ = εE, quando ε = 1, dá σ = E, que mostra que o módulo de Young seria uma
tensão fictícia (na grande maioria dos casos) a que seria preciso submeter o material para que, se fosse
possível

, ele se deformasse longitudinalmente de comprimento igual ao primitivo.
Materiais para os quais a lei de Hooke não é verdadeira.
Para grande número de materiais o diagrama tensão-deformação não apresenta nenhum trecho
retilíneo, isto é, a variação das tensões com as deformações não segue uma lei linear (madeiras,
materiais litoides, ferro fundido, etc.).
Nesses casos, a rigor, dever-se-ia ter um valor do módulo de elasticidade para cada tensão ou:
) ( ' f
1
E
σ
·
Vários experimentadores têm procurado estabelecer a forma da equação
ε = f (σ)
para esses materiais. Entre elas podem ser citadas as de Bach-Schüle, de Lang, de Ritter, etc.


É possível para a borracha.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 23
Fórmula de Bach-Schüle
Bach e Schüle e outros experimentadores como Bülfinger propuseram uma fórmula empírica da
forma:
ε = C σ
k
118-VII
para representar a lei procurada dentro do intervalo das solicitações correntes na prática.
Ter-se-á:
1 k
k C
d
d

σ
σ
ε
· e
1 k
k C
1
d
d
E

σ
ε
σ
· · 118-VIII
Nestas expressões C e k são constantes do material determinadas experimentalmente para os
casos de tração e de compressão.
Seguem-se alguns de seus valores.
Para um certo ferro fundido:
Ensaio de tração:
0663 , 1 k ;
1381700
1
C · ·
Ensaio de compressão:
395 , 1 k ;
1132700
1
C · ·
Para uma argamassa de cimento e areia (traço 1:3) à compressão, Bülfinger apresenta:
15 , 1 k ;
315000
1
C · ·
De experiência de Bach encontra-se, para um concreto (1: 2-1/2: 5)
157 , 1 k ;
457000
1
C · ·
Embora muito usada, a fórmula de Schüle apresenta o defeito, de ordem teórica, de não ser
possível estabelecer a significação física da constante C uma vez que sendo:
k
C
σ
ε
·
haveria dimensões diferentes para C quando k mudasse de valor, isto é, C teria uma significação física
diferente para cada material.
Um outro defeito é que conduz a um valor infinitamente grande para o módulo de elasticidade
E, quando σ tende para zero, o que não corresponde à realidade.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 24
Fórmula de Lang
Segundo Lang:
σ
σ
ε

·
b a
118-IX
onde a e b são coeficientes experimentais próprios do material.
Vem:
( )
( )
2 2 2 2
b ab 2 a
a
b a
b b a
d
d
σ σ
σ
σ σ
σ
ε
+ −
·

+ −
· · α
2
2
a
b
b 2 a
d
d
E σ σ
ε
σ
+ − · ·
Vemos que quando σ = 0, E
o
= a e, então, substituindo e levando em conta que
o
2
E
b
é muito
pequeno, e que podemos fazer 2b = C:
E = E
o
- Cσ 118-X
Para os materiais que admitem um regime proporcional, ter-se-á C = 0 dentro desse regime.
Fórmula de Ritter (concreto)
Ritter, para o concreto, estabeleceu a expressão:
σ = K (1 – e
-1000
ε
) 118-XI
onde:
K – é uma tensão ideal que experiências mostram poder ser tomada igual à resistência cúbica
do concreto ou:
K = W
b
e – base dos logaritmos neperianos.
Vem:
K
1 e
1000
σ
− ·
ε −
e aplicando o logaritmo, vem:
K
) K (
lg 1000
σ
ε

· −
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 25

,
_

¸
¸

·
σ
ε
K
K
lg 001 , 0 118-XII
E também:
σ
σ
σ
σ
ε

·


· · α
K
001 , 0
) K (
K
001 , 0
d
d
2
) K ( 1000
d
d
E σ
ε
σ
− · · 118-XIII
Embora para esses materiais a lei de Hooke não seja verdadeira, isto é, não seja constante o
valor de E, é corrente, mesmo assim, admitir a validade daquela lei pelo emprego de um valor de E
médio, de acordo com o problema que se tem a resolver, procurando, quando necessário, controlar o
erro cometido.
Este procedimento se impõe na prática para evitar a complexidade que tomariam as fórmulas
obtidas com a consideração do valor variável de E com σ. Além do mais, o próprio coeficiente de
Poisson também varia, e seria, então lógico considerar essa variação.
Por isso, para esses materiais, embora sabendo que não se trata de uma constante, ainda se vai
supor E como constante, tomando, naturalmente, valores variáveis conforme o problema.
É costume, para isso, adotar-se o chamado módulo de elasticidade secante. Assim o valor
médio entre o estado livre de carga e o representado pelo ponto A seria dado pelo coeficiente angular
da secante OA ao diagrama tensão-deformação, ou (Fig.118-7)

A
A
1 sec
tg E
ε
σ
· ϕ ·
Vê-se, claramente, que
ϕ 〉 ϕ 〉 ϕ tg tg tg
1 0
ou
T sec o
E E E 〉 〉
sendo E
o
o módulo de elasticidade inicial e E
T
o módulo tangente no ponto A.
Fig.118-7
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 26
Em cada caso, o ponto A deverá ser fixado de modo adequado, convindo, desde já, lembrar que
para os materiais que admitem regime proporcional, se tem
E
o
= E
sec
= E
T
Quando não há regime proporcional, o mais comum é tomar o ponto A no limite de elasticidade
do material.
Ainda como exemplo cita-se o caso do concreto onde se adotam, usualmente, os seguintes
valores médios:
E
o
= 210.000 kg/cm
2
(cálculo de deformações)
E
o
= 140.000 kg/cm
2
(estudo de tensões e dimensionamento).
Trabalho de deformação de uma haste solicitada axialmente
Quando um corpo é solicitado, em virtude da deformação a que fica sujeito, as ações exteriores
– forças e conjugados – executam um certo trabalho mecânico. Esse trabalho se transforma, em parte,
em energia potencial de deformação do corpo e, em parte em outras formas de energia, entre as
quais energia cinética imprimindo às diversas partes do corpo uma certa velocidade.
Desde que, porém, a ação exterior seja uma ação estática, como já foi definida anteriormente,
as velocidades de deslocamento das partículas são extremamente pequenas de modo que, praticamente,
todo o trabalho executado é consumido na deformação do corpo acumulando-se sob a forma de um
potencial elástico, de mesmo valor que o trabalho exterior desde que o limite de elasticidade do
material não tenha sido ultrapassado.
Essa propriedade de os corpos elásticos se constituírem em um acumulador de energia poten-
cial, podendo fornecer trabalho quando se os descarrega, é muitas vezes utilizada, como nos casos das
molas usadas como elementos propulsores (mecanismo de relojoaria) ou amortecedores.
No momento nos ocuparemos dessa acumulação de potencial nas hastes solicitadas axialmente
por forças estáticas.
Iniciaremos a nossa apreciação pelo caso em que tenhamos uma haste reta, homogênea e de
seção constante submetida a um diagrama solicitante axial também constante ao longo de seu
comprimento, designando por N ao valor dessa força normal, crescente, em determinado instante.
Fig.118-8
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 27
Quando, em determinado instante, a força normal houver atingido a um valor N , um certo
comprimento l da haste terá sofrido um alongamento ∆l , ao mesmo tempo que a tensão normal a um
elemento de superfície nas vizinhanças de qualquer ponto do corpo e perpendicular a seu eixo terá
atingido ao valor
S
N
· σ . Genericamente falando, uma certa curva (Fig.118-8b) representará a
interdependência entre N e ∆l.
Se, a partir desse instante, ocorrer um acréscimo dN da solicitação, um acréscimo correlato
d∆l da deformação axial terá lugar, com o que um trabalho elementar terá sido executado e será
acrescido ao potencial já armazenado no corpo até aquele instante.
O valor desse acréscimo elementar de potencial será, evidentemente
d = Nd∆l
avaliável pela área hachurada do diagrama (b) da Fig.118-8, e acumulado em toda a massa da haste.
Portanto, o trabalho total consumido para deformar a haste, desde o início da solicitação até um
certo valor da força normal N , será
l ∆
∫ ·
o
Nd∆l (a)
que é medido pela área sob o diagrama N , ∆l das deformações.
No caso presente em que todas as circunstâncias – homogeneidade do material, constância da
seção da haste, constância da força normal – conduzem a uma uniformidade de solicitações nas
vizinhanças de todos os pontos da peça, sente-se que o potencial armazenado na massa do corpo estará
distribuído, também, de maneira uniforme, isto é, o potencial acumulado por unidade de volume nas
vizinhanças de qualquer ponto será o mesmo.
Esse modo de acumular potencial na massa de um corpo, porém, não se constitui em regra
geral, bastando, para tanto, que as solicitações em torno de cada ponto sejam diferentes umas das
outras. De qualquer forma, porém, poderemos admitir que cada elemento de volume dV existente nas
vizinhanças de cada ponto haja acumulado um potencial elementar d desde o início da solicitação e
que, assim, o potencial elástico específico ou trabalho específico de deformação nas vizinhanças de
cada ponto se exprima por
=
d
dV
No caso geral, portanto, o trabalho de deformação de um corpo qualquer poderá ser sempre
calculável por
= ∫
V
dV 118-XIV
desde que tenhamos exprimido como função do ponto ao longo do corpo.
No caso que se está analisando até aqui, como o potencial elástico, está uniformemente
disperso na massa do corpo pode-se determinar o potencial específico dividindo pelo volume da
haste, ou seja, pelo produto lS
o
em que l é o comprimento da haste e S
o
a área de sua seção reta,
constante. Então será avaliável pela área sob o diagrama tensão-deformação axial, isto é, partindo
da expressão (a)
= ε σ
ε
∫ d
o
(b)
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 28
Admitindo, então, que entre σ e ε vigore uma lei de proporcionalidade, isto é, a lei de Hooke, o
que se pode supor válido até o limite de elasticidade de um modo mais ou menos preciso, virá para
este caso
=
E 2 2
E d E
2 2
o
σ ε
ε · ·
ε
∫ (c)
que dá o potencial elástico específico acumulado em torno de um ponto solicitado por uma tensão
normal σ.
Agora podemos, partindo de 118-XIV, calcular o potencial total armazenado em nossa haste
como em qualquer outra solicitada por um diagrama de forças normais N variando ao longo de seu
comprimento.
Fica-se com
= dS
E 2
d
2
S
σ
∫ ∫ l
l
e como
S
N
· σ (constante ao longo de cada seção reta), chega-se a
= l
l
d
ES 2
1
2
N
∫ 118-XV
Conhecidas as variações de E, N e S ao longo da peça a expressão 118-XVI poderá ser
integrada, dando o potencial armazenado na mesma no caso mais geral de solicitação por forças
normais.
Quando a peça for de seção constante em um comprimento l, e, nesse comprimento a força
normal for, também, constante N , nele se armazenará um potencial elástico
=
ES 2
1
2
l N
118-XVI
Tendo em vista que este caso corresponde ao de uma peça de comprimento l solicitada
axialmente pelas pontas por uma força P= N , e que, nesse caso o alongamento total será
ES
Pl
l · ∆
virá
= l ∆ P
2
1
118-XVII
Nesta expressão convém observar a presença do fator
2
1
que aparece em face de se tratar de
uma solicitação suposta estática.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 29
Efetivamente, se durante todo o crescimento da deformação total da haste, de zero até ∆l,
atuasse uma força P, constante, o trabalho dessa força seria P∆l.
Entretanto, a força P vai crescendo proporcionalmente ao tempo, à medida que ∆l também vai
crescendo com ela.
Tudo, então, se passa como se, do início ao fim, atuasse uma força de valor médio
2
P
com o
que o trabalho correspondente ao deslocamento ∆l será expresso por 118-XVII.
1.1.8.2 – Força tangencial única no plano da seção reta
Módulo de elasticidade transversal ou de escorregamento
Considere-se agora uma peça onde, em uma seção, a solicitação seja unicamente uma força Q
em seu próprio plano (Fig.118-9).
Para um elemento de área sit uado em cada ponto da seção haverá uma força elementar

Q d a
que corresponderá uma tensão cisalhante que, como se viu em 1.1.4, será:
dS
d


· τ
Q
Fig. 118-9
Por efeito dessa solicitação o elemento de superfície correspondente sofrerá um
escorregamento dy relativamente ao seu correspondente situado na seção vizinha, afastada de dx. Os
elementos ortogonais do volume elementar sofrerão, assim, uma deformação angular γ a que já
denominamos distorção e que pode ser calculada mediante as expressões abaixo
dy = dxtgγ
ou, substituindo a tangente pelo arco:
dx
dy
· γ
Supondo, por extensão às considerações anteriores, que a relação que liga γ a τ seja a de
proporcionalidade, podemos escrever:
γ = βτ 118-XVIII
análoga à expressão ε = ασ anteriormente já achada para solicitações axiais.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 30
Também β é muito pequeno, preferindo-se trabalhar com seu inverso
β
1
· G 118-XIX
onde G, homogêneo ao módulo E, tem os nomes de módulo de elasticidade transversal, ou módulo
de elasticidade ao escorregamento. β é o módulo de escorregamento.
Como no caso das solicitações axiais, β é, nos casos gerais, variável como τ de modo que se
pode escrever:
γ = f(τ) 118-XX
E sua derivada
τ
γ
d
d
será mais precisamente o valor de β ou:
τ
γ
· · β τ
d
d
) ( ' f
Nesse caso o módulo de elasticidade transversal será, mais precisamente:
ϕ ·
γ
· ·
τ
τ
tg
d
d
) ( ' f
1
G 118-XXI
onde ϕ se encontra assinalado no diagrama tensão tangencial-distorção que pode ser traçado
analogamente ao diagrama para tensão-deformação axial (Fig.118-10).
Na prática, todavia, admite-se β e G como constantes, como se faz com α e E, o que conduz às
expressões anteriores.
Costuma-se obter os diagramas tensão tangencial-distorção partindo-se de ensaios de torção.
Então:
G γ · τ
118-XXII

G
τ
· γ
Fig.118-10
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 31
1.1.9 – Princípio da superposição
Em grande número de casos as peças de uma estrutura se encontram sob a influência de várias
ações exteriores que sobre elas incidem simultaneamente. Cada uma delas dando lugar a certos e
determinados efeitos, necessário se torna conhecer os efeitos decorrentes da simultaneidade das causas.
Os efeitos mais característicos dessas ações exteriores são as solicitações interiores – que se
manifestam sob a forma de tensões – e as deformações, quer locais, quer gerais na peça.
Tanto uns como outros desses efeitos costumam ser admitidos em Resistência dos Materiais
como obedecendo à chamada lei da proporcionalidade

que tem na lei de Hooke, apresentada em
118-VI e 118-XXII, suas formas mais simples.
Pois bem: quando entre efeitos e causas prevalece uma relação de proporcionalidade é possível
aplicar ao sistema o chamado princípio da superposição ou da independência dos efeitos de ações
simultâneas, que, em Resistência dos Materiais, é um verdadeiro postulado já que sua validade não
decorre propriamente de nenhuma demonstração teórica, mas da coincidência de suas conseqüências
com os resultados experimentais.
Esse princípio pode ser assim enunciado:
“Salvo algumas exceções
∗∗
, e, enquanto o limite de elasticidade do material não for
ultrapassado, os efeitos de um certo número de ações são iguais às somas dos que ocorreriam se
cada uma das ações atuasse isoladamente e consideradas em qualquer ordem”.
Este princípio permitir-nos-á, pois, substituir a simultaneidade das ações pela sucessividade em
qualquer seqüência, podendo-se, desse modo, estudar cada ação de per si, para, afinal, somarmos seus
efeitos.
É o que se fará em todo o resto deste curso.
Voltando ainda às exceções à aplicação deste princípio, ocorre que elas têm lugar em quaisquer
casos em que uma ação produza efeitos tais que conduzam as demais a ter outros efeitos que não
teriam sem a existência dos primeiros
∗∗∗
.
Também o princípio não se aplicará aos sistemas cujas deformações sendo muito grandes, as
relações geométricas entre suas diferentes partes venham a sofrer alterações substanciais; estas
alterações fazem com que, entre ações e deslocamentos, deixe de prevalecer uma relação de
proporcionalidade e, consequentemente, invalida a aplicabilidade do princípio da superposição.
1.2 – PRINCIPAIS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS ESTRUTURAIS
Trataremos, agora, de algumas das principais propriedades dos materiais estruturais. Uma
grande parte delas é determinada através os ensaios axiais de tração e de compressão, refletindo-se,
muitas vezes, no diagrama tensão-deformação axial como se verá a seguir.


Em capítulos posteriores a lei de Hooke aparecerá de forma mais generalizada.
∗∗
As exceções se referem aos efeitos que não se ligam às causas sob forma linear.
∗∗∗
Uma haste sujeita simultaneamente a um carregamento axial e a outra transversal é um exemplo disso: o encurtamento
decorrente do carregamento transversal torna possível à carga axial produzir momento fletor – e consequentemente novas
deformações laterais – que não ocorreriam se a própria carga axial agisse sozinha.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 32
1.2.1 – Elasticidade e plasticidade. Rigidez.
Já definimos elasticidade como sendo a propriedade que apresentam os materiais de terem suas
deformações transitórias, pelo menos dentro de certos limites. A plasticidade é, então, a propriedade
inversa (ver 1.1.3).
É costume, entretanto, em certos casos, ligar o termo elasticidade simplesmente à noção de
deformabilidade, considerando-se um material como mais elástico que outro quando mais facilmente
deformável que esse outro. Entendida nessa acepção, a elasticidade terá como propriedade inversa a
rigidez

.
1.2.2 – Dutilidade e maleabilidade
A dutilidade e a maleabilidade são propriedades análogas.
A dutilidade é a propriedade que certos materiais apresentam de se deixarem reduzir a fios (em
geral pela passagem na fieira); a maleabilidade a de se deixarem reduzir a lâminas (pela passagem no
laminador ou por martelagem).
Subentendido fica não haver, durante essas mudanças de forma, ruptura da coesão interna.
Como a redução a fios ou a lâminas exige do material uma deformação plástica sem ruptura, é
comum definir como dúteis os materiais suscetíveis de grandes deformações plásticas.
Conclui-se que os materiais serão tanto mais dúteis ou maleáveis quanto mais bem definido
tiverem o limite de escoamento, e mais afastado dele o limite de ruptura. Materiais com estas
propriedades apresentam valores elevados para o coeficiente de alongamento percentual δ
n
(ver 118-I).
Os materiais a que faltam essas propriedades são frágeis ou quebradiços conforme se definirá
em 1.2.4.
1.2.3 – Resistência. Resistência permanente ou endurance
A resistência é avaliada pela maior tensão a que o material pode resistir, principalmente à
tração, à compressão e ao cisalhamento.
Quando se trata de materiais não dúteis é a ruptura que delimita essa resistência, e, como não
são adequadas às peças onde as solicitações sejam repetidas ou dinâmicas, subentende-se tratar-se de
ruptura estática.
Para os materiais dúteis, se as solicitações forem estáticas, a fixação da resistência depende da
deterioração estrutural que se teme (ver 2.4.1), podendo, em alguns casos, ser ainda a resistência
estática à ruptura, caso em que, como para os materiais não dúteis, é dada pela ordenada máxima do
diagrama tensão-deformação axial (σ
R
ou σ
-R
conforme se trate de tração ou compressão).
Quando não se tratar de solicitações estáticas, ou mesmo de solicitações dinâmicas muito pouco
freqüentes, a experiência mostra que o simples conhecimento do comportamento de um material sob
cargas estáticas não é suficiente para definir suas qualidades para todas as necessidades das aplicações
correntes.
Isso porque, conforme tem sido extensamente comprovado, a maioria dos elementos de
máquinas e engenhos, e, às vezes, algumas peças de outros tipos de estruturas, acabam rompendo por
efeito de cargas repetidas (ver 1.1.7) cujas intensidades das solicitações se mantêm abaixo daquelas a
que o material provou resistir sob solicitações estáticas.
Como se verá em capítulos especiais posteriores, esse decréscimo de resistência, que costuma
ser designado por fadiga do material, é função da repetição da solicitação e do ciclo dessa repetição,
influindo na vida da peça.


Com esta acepção os termos elasticidade e rigidez são também usados em referência a estruturas, embora neste caso a
deformabilidade maior ou menor dependa, não só do material, como também das características geométricas da estrutura.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 33
Mostrar-se-á também que, dos ensaios correspondentes

, é possível determinar, para os
diferentes materiais, as suas resistências a esses tipos de solicitações, sob a forma de resistências
permanentes ou limites de endurance abaixo dos quais estando mantido o material, nunca ocorrerá a
ruptura qualquer que seja a repetição do ciclo correspondente, ou, pelo menos, só viria a ocorrer após
um número de repetições muitíssimo elevado.
1.2.4 – Resiliência. Fragilidade
Por resiliência se designa a propriedade que têm os materiais, em maior ou menor grau, de
absorverem energia quando submetidos a solicitacões dinâmicas, se deformarem e recuperarem. a
forma original quando descarregados
De vez que, por efeito desta, uma porção de energia cinética se transmite ao corpo que o recebe
transformando-se em trabalho de deformação, é claro que a resiliência será tanto maior quanto o for a
energia que o material tiver de absorver para se deteriorar.
Sendo assim, a resiliência poderá ser avaliada pelo trabalho absorvido pelo material para se
deteriorar, referido, evidentemente, à unidade de volume.
Comumente, a deterioração considerada para fixação da resiliência é a deformação permanente,
isto é, considera-se como resiliência o que se poderá denominar, com mais justeza, de resiliência
elástica, ou seja a capacidade de absorver energia sem deformação permanente.
Ela será, então, avaliada pela área OEE
1
do diagrama tensão-deformação axial até o limite de
elasticidade (Fig.124-1)
∗∗
e corresponde à capacidade do material para servir de mola.
Nada impede, entretanto, que se fixe a deterioração a temer como sendo a ruptura. Neste caso
teríamos a resiliência total, ou capacidade de absorver energia sem ruptura, a qual poderá ser
avaliada pela área OR’R
1
do diagrama tensão-deformação
∗∗∗
.
.


Ensaios de fadiga; ensaios de endurance; ensaios de duração.
∗∗
Isto só será rigoroso se as deformações forem independentes da velocidade de aplicação de carga, de vez que o diagrama
tensão-deformação é obtido em ensaios estáticos, isto é, (ver parágrafo 1.1.7) com crescimento contínuo e lento da carga
aplicada.
∗∗∗
Aqui se aplica a mesma consideração anterior estendida à zona não elástica das deformações.
Fig.124-1
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 34
Assinalemos que a área total do diagrama tensão-deformação que nos dá uma idéia da
resiliência total vai se constituir no critério de avaliação da chamada tenacidade, definida em 1.2.6.
Os materiais que não são capazes de absorver energia e restituir a deformação quando
descarregados, isto é, de resiliência pequena, são chamados frágeis; são materiais quebradiços.
1.2.5 – Dureza
Costuma ser definida como a propriedade que os materiais apresentam de se oporem à
penetração de um corpo em sua massa.
A comparação das durezas dos vários materiais se faz mediante dois critérios principais:
- resistência ao risco;
- resistência à impressão.
Deixando de lado o primeiro, usado em técnica mineralógica, nos detenhamos um pouco no
segundo, utilizado mais extensamente em tecnologia, e onde a dureza, expressa por um valor
numérico, depende da natureza e forma de um corpo padrão que, sob certas condições, inclusive de
carga, se procura fazer penetrar na massa do material usado.
A variabilidade dos elementos acima citados acarreta a existência dos vários padrões de dureza
que, todavia, podem ser classificados em dois grandes grupos, para cargas não dinâmicas

.
Num primeiro grupo teremos os padrões de dureza, onde a penetração variável se faz sob carga
constante (Brinell, Vickers, Rockwell), podendo a penetração ser apreciada quer pela área da mossa
produzida (Brinell, Vickers), quer pela profundidade da mesma (Rockwell).
No segundo grupo teremos os padrões de dureza, onde uma mossa determinada é conseguida
com cargas variáveis para cada material (Janka).
Não constituindo assunto primordial de nosso estudo, o conhecimento minucioso desses
padrões e da técnica dos ensaios respectivos, limitar-nos-emos, como indicação, a dar alguns detalhes
acerca de um deles, o padrão Brinell.
A dureza Brinell é definida pela relação
S
P
H · 125-I
onde P é a carga (em kg) que pressiona uma esfera de aço sobre o material a ensaiar, e S é a área (em
mm
2
) da calota esférica da mossa deixada.
Sendo D o diâmetro da esfera e h a profundidade da mossa que pode ser obtida em função de D
e do diâmetro aparente da própria mossa d, virá sucessivamente
1
1
]
1

¸

,
_

¸
¸
− −
π
·
2 2
D
d
1 1
2
D
S
1
1
]
1

¸

,
_

¸
¸
− − ·
2
D
d
1 1
2
D
h
1
1
]
1

¸

,
_

¸
¸
− π
·
2
2
D
d
1 D
P 2
H 125-II


Há também padrões de dureza com cargas dinâmicas, como por exemplo, o padrão Shore.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 35
E uma vez que P e D sejam prefixados, H só depende de d, podendo ser tabelado.
Os valores de P e D são variáveis, conforme o país, sendo, porém, de uso corrente a esfera de
diâmetro D=10mm e a carga P=3000 kg

.
Ainda se costuma fixar o tempo de duração de aplicação da carga em seu valor máximo, sendo
regra a seguir que essa duração deva ser maior para materiais macios e vice-versa. Nos ensaios
normais essa duração é de 30 segundos

.
Denomina-se dureza Brinell normal à dureza H
10/3000/30
obtida com a bilha de 10 mm
pressionada pela carga de 3000 kg durante 30 segundos. Simbolicamente é representada por H
n
.
Como universalmente se tem verificado, à dureza de um material se liga, de certo modo, sua
resistência estática.
Em particular, para as ligas ferro-carbono, bem como para ligas de alumínio e cobre, se tem
verificado ser possível escrever
σ
RH
= kH 125-III
onde k é um coeficiente próprio de cada liga, e que varia com o tratamento térmico e mecânico a que
tiver sido submetida.
Para as ligas ferro-carbono, tomando como base a dureza Brinell normal H
n
, o coeficiente k
pode ser tomado com um valor médio de 0,35.
1.2.6 – Tenacidade
Um material é dito tenaz quando, antes de se romper à tração, por ação lenta ou rápida, sofre
grandes deformações, com o que é preciso despender considerável trabalho de deformação.
A tenacidade está, assim, fundamentalmente ligada ao trabalho de deformação por tração até a
ruptura, dependendo, consequentemente, não só da tensão exigida para se conseguir a ruptura
como, também, da deformação sofrida pelo material, a qual se constitui em uma adaptação do
mesmo como que para mobilizar resistências novas a maiores solicitações.
Os materiais frágeis não são tenazes, e estes são geralmente resilientes, mas a tenacidade e a
fragilidade não são propriedades opostas.
É útil atentarmos para o fato de que, conforme as experiências mostram, a tenacidade de um
material varia com a velocidade de aplicação das cargas. Para cargas estáticas, a influência da
variação de velocidade no seu crescimento é mais sensível no caso dos materiais dúteis. Assim sendo,
a comparabilidade da tenacidade de materiais dúteis tem que levar em conta essa influência, convindo,
em geral, distinguir a tenacidade estática (ou por ação lenta) da tenacidade dinâmica (ou por
choque) que devem ser determinadas em ensaios especiais.
Um material dútil que, submetido a cargas estáticas lentas, demonstre tenacidade apreciável e
apresente uma ruptura por deslizamento, demonstrará tenacidade menor e pode vir a apresentar uma
ruptura por separação, característica dos materiais frágeis ou quebradiços, se se aumentar a
velocidade de aplicação das cargas ao ponto de transformá-las em choque.
1.2.7 – Isotropia e anisotropia
Estas propriedades se referem a qualquer outra propriedade.
Assim é que um material é isótropo a uma propriedade quando esta se manifesta
independentemente da direção ou sentido que se considere.


Para maiores detalhes ver DIN.1065.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 36
Diz-se, por isso, que os cristais cúbicos e os corpos amorfos são isótropos às propriedades
óticas, e que os demais cristais são anisótropos a essas propriedades.
Para a Resistência dos Materiais interessa a isotropia e a anisotropia elásticas, isto é, às
tensões e às deformações.
De modo geral, os materiais serão considerados como isótropos, elasticamente falando, o que, a
não ser para casos especiais, é bem próximo da realidade.
Como caso de anisotropia elástica pode-se citar a ortotropia que ocorre para os materiais com
duas direções privilegiadas ortogonais. É o caso das placas de concreto armado onde as armaduras,
dispostas ortogonalmente, dão lugar a propriedades elásticas marcantes em suas direções.
1.3 – MODIFICAÇÕES NAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS
1.3.1 – Modificações por ação mecânica. Encruamento. Deslocamento do limite de elasticidade
O diagrama tensão-deformação, exemplificado e analisado anteriormente (parágrafo 1.1.8.1)
como referente a um ensaio de tração sobre uma barreta de aço, poderá, também, se referir, quanto ao
seu andamento geral, a qualquer material dútil.
Evidentemente, em cada caso, haverá uma forma particular da curva, mas as diferentes fases
aparecerão de modo mais ou menos nítido. Nem sempre haverá o trecho compreendido entre os pontos
S
s
e S
i
, o que, aliás, poderá ocorrer com o próprio aço, conforme sua qualidade e marcha do ensaio.
De qualquer maneira, porém, deve-se frisar que durante o ensaio atua uma força axial estática,
isto é, que parte de um valor inicial nulo, crescendo progressiva e ininterruptamente até a ruptura da
peça, se o ensaio for levado a esse extremo.
Vejamos agora o que se passa se a solicitação não for estática, mas, intermitente ou, então,
alternada.
Admitamos, primeiramente, que se esteja solicitando intermitentemente um material dútil.
Dois grandes casos se podem apresentar:
1
o
) A solicitação máxima ultrapassa o limite de escoamento σ
S
(material sobre-deformado);
2
o
) A solicitação máxima fica aquém daquele limite.
1
o
caso:
Supondo que a solicitação ultrapassa o limite de escoamento ao atingir o ponto D (Fig.131-1) a
peça seja descarregada. Tendo sofrido deformações permanentes, ela não mais voltará a seu
comprimento primitivo, e apresentará, descarregada, uma deformação OO’, tendo o estilete descrito a
reta DO’ paralela a OE, zona elástica inicial.
Tornando a carregar a peça, observa-se que ela se comporta elasticamente até um ponto E’ já
abaixo do ponto E anterior. Depois apresenta um limite de escoamento em S’, acima da anterior S.
Se, prosseguindo na solicitação, voltar-se a suspendê-la em F, descarregando a peça, chega-se
ao ponto O”, descrevendo-se a reta FO” paralela a E’O’.
Assim por diante, carregando e descarregando a peça, obter-se-iam limites de elasticidade mais
baixos e de escoamento mais alto.
Atingir-se-ia, por fim, os pontos R e R’ onde as tensões σ
R
e σ
R’
são as tensões máximas e de
ruptura do material, que, dado o pequeno número de intermitências, pouco diferem das do caso de
solicitação estática.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 37
Fig.131-1
Observa-se que a marcha intermitente do ensaio, levando, em cada caso, a solicitação acima do
limite de escoamento respectivo, traz modificações nas propriedades do material.
Assim é que não varia o alongamento total de ruptura (∆l
r
= l
r
– l
o
), referido ao comprimento
inicial da peça. Pouco varia a tensão máxima σ
R
antes da ruptura, desde que o número de
intermitências seja pequeno

.
Entretanto:
a) o limite de elasticidade vai baixando
(E, E', E'', E'''...);
b) o limite de escoamento vai subindo
(S, S', S''...);
c) os alongamentos totais de ruptura referidos a cada início de nova solicitação
(O, O', O'', O''') vão diminuindo;
d) a resiliência vai diminuindo.
Conclui-se que o material vai ficando não só menos elástico como menos dútil, isto é, mais
frágil.
O material diz-se, então, encruado.
Note-se que o encruamento pode ser obtido por qualquer gênero de solicitação que obrigue o
material a trabalhar acima de seu limite de escoamento.
É o caso do encruamento por laminagem, dobradura, punção, martelagem, etc. feitos a frio.
O aumento da fragilidade torna a peça imprópria à resistência aos choques e às cargas
dinâmicas.
Em metalurgia se aprenderá as causas prováveis do encruamento, o modo de eliminá-lo pelo
recozimento, ou, em certos casos, por um repouso prolongado.
2
o
caso:
A solicitação não ultrapassa o limite de escoamento. Se, entretanto, em vez de ultrapassar o
limite de escoamento do material em cada carga intermitente, nos detivermos, sempre, antes desse
limite, os fenômenos se processarão de modo diferente.


Posteriormente, ver-se-á que a resistência máxima cai quando aumenta a freqüência da intermitência.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 38
E a grande diferença está em que o limite de elasticidade passa a subir, ao contrário do que se
dava anteriormente. E nessa ascensão, ele vai tendendo para o limite de escoamento que se mantém,
então, fixo, como se poderá observar ao fim da experiência.
O material conservará, portanto, suas qualidades dúteis, tornando-se, porém, mais elástico.
Suspendendo-se a solicitação sempre ao atingir uma tensão σ', σ''......, sempre menores que
σ
S
, teremos um diagrama como o da Figura 131-2.
Fig.131-2
No caso da solicitação ser alternada, Bauschinger observou que os fenômenos descritos no
1
o
caso da solicitação intermitente (solicitações acima do limite de escoamento) se manifestam com
muito maior intensidade, com um decréscimo rápido do limite elástico e um decréscimo da resistência
à ruptura.
1.3.2 – Influência do tempo e da temperatura. Deformação lenta
Por deformação lenta se entende o fenômeno de contínuo aumento de deformação
apresentado por um corpo com o correr do tempo, quando submetido a uma solicitação constante ou
mesmo decrescente.
Um aspecto do mesmo fenômeno é o chamado relaxação, que consiste na diminuição da
solicitação necessária à manutenção de uma deformação mantida constante.
Muitos materiais estão sujeitos à deformação lenta

de maneira mais ou menos acentuada, e, em
certos casos, peças podem vir a entrar em colapso sob tensões mantidas constantes com valores
menores que as resistências manifestadas em curto tempo (item 1.1.7), o que torna o conhecimento
deste fenômeno de grande importância. No caso do concreto armado a deformação lenta do concreto,
muito mais acentuada que a do aço, conduz a uma redistribuição progressiva dos esforços inicialmente
recebidos pela armadura e pelo próprio concreto, o que não deve ser desprezado em face da vida
provável das estruturas dessa natureza. No caso da madeira, as experiências mostram que suas
resistências em longo tempo, à flexão e à compressão paralela às fibras, chegam a cair para cerca de
55% e 75%, respectivamente, em relação às correspondentes em curto tempo.


Na literatura técnica anglo-americana este fenômeno é designado por creep e, também, por flow, sendo este último termo
usado, geralmente nos casos de solicitações compressivas.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 39
Apesar de se tratar de um fenômeno bastante geral em todas as temperaturas, ele se apresenta
de um modo muito acentuado nos metais quando submetidos a temperaturas elevadas

quando, então,
sua importância é decisiva.
Do que se acaba de dizer, é possível concluir da necessidade de limitar as tensões que possam
vir a ocorrer em uma estrutura ou máquina de modo que, durante a vida da mesma, não venham a
surgir deformações excessivas, e, possivelmente, a ruptura.
Denomina-se limite de resistência à deformação lenta
∗∗
ou, simplesmente, limite de
deformação lenta (normalmente referido a um metal a uma dada temperatura) à maior tensão que
pode ser desenvolvida no material durante um certo tempo sem que se ultrapasse determinada
deformação.
Da definição acima infere-se a necessidade de fixar o intervalo de tempo (que será função da
vida provável da construção ou máquina) como também a deformação permitida. Entre os valores mais
usados para esses elementos indicam-se períodos de tempo que vão de 10.000 a 100.000 horas e
deformações específicas da ordem de 1%.
A temperatura influi ainda sobre outras características dos materiais, principalmente no caso
dos metais.
Particularmente, os limites de resistência e de escoamento são muito afetadas pelas condições
de temperatura. Para os aços de teor médio de carbono, o limite de resistência sobe um pouco até cerca
de 250
o
C, para cair depois, se as temperaturas continuarem a crescer. Também para esses aços o limite
de escoamento se torna cada vez menos pronunciado à proporção que a temperatura sobe e o limite de
proporcionalidade tende a descer mais e mais nas mesmas condições.
Quanto ao módulo de elasticidade, de um modo geral, também decresce com o aumento da
temperatura. Em compensação, o aumento desta última acarreta um aumento da dutilidade.


No caso dos metais macios, como o são o chumbo e o estanho, o fenômeno é muito acentuado mesmo na temperatura
ambiente.
∗∗
Creep Strenght” ou ainda “Creep Limit” da literatura anglo-americana.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 40
1.3.3 – Valores médios para constantes e limites de alguns materiais
M E T A I S
Módulo de elasticidade e tensões em kN/mm
2
(Para notações ver 1.1.8)
Cobre Bronze Alumínio Duralumí-
nio
Zinco Estanho Chumbo Ferro
doce
Aço
doce
Ca.37
Aço de
Constru
ção
Ca.50
Ferro
Fundido
E 120000 90000 72000 72000 130000 55000 17000 200000 210000 220000 100000
G
47000 3500 27000 27000 49000 20000 6000 77000 81000 85000 38000
ν
0,3 3 a 0,25 0,4 0,3
σ
P
60 30 130 a 180 a (*)
σ
E
120 100 30 6 10 160 220
320
σ
S
140 200 100 40 180 a
σ
-S
40 260
>200
240 em
média
≥360 (*)
σ
R
200 a
230
200 100 400 120 a 250 40 10 a 50 350 370 a
450
500 a
640
120 a
240
σ
-R

-S =σ
-S

-S
600 a
850
δ
%
350 a 380 160 a 200 80 a 130 120 a 380
120 a
200
>200 >180
ϕ
%
40 a 500 100 a 150 150 a 300 ≈60 ≈60 ≈45
(*) Não existem: Conforme 118-VII temos: ε = Cσ
k
Para tração:
1250000
1
· C e k = 1,1
Para compressão:
1180000
1
· C e k = 1,05
Materiais Litoides
(Módulos de elasticidade e tensões em kN/cm
2
)
Granito Mármore Concreto (*) Vidro
E 2400000 2600000 1400000 a 3500000 ≈ 7500000
G 1000000 600000 a 1500000 ≈ 2700000
m 0,25 a 0,20 ≈ 0,28 0,17 a 0,14 0,4 a 0,25
σ
R
500 a 800 200 a 600 150 a 500 300 a 900
σ
-R
9000 a 23000 7000 a 20000 1250 a 3500 6000
(*) Variável com a idade. Os valores da tabela são para 28 dias.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 41
Madeiras
(Módulos de elasticidade e tensões em kN/cm
2
)
Pinho do
Paraná
Peroba
Rosa
Peroba
de Campos
Cedro Aroeira
do Sertão
Eucaliptos Observações
E 1300000 1000000 1400000 900000 1900000 1000000 Madeiras verdes
σ
-P
2000 2300 4000 1800 5500 2100
σ
-R
3900 5000 6000 6500 9000 4100 Madeiras com
15% de umidade
Valores mínimos segundo o I.P.T. de São Paulo.
1.4 – METODIZAÇÃO DA SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS REAIS DE VERIFICAÇÃO E
DIMENSIONAMENTO DAS ESTRUTURAS
1.4.1 – Esquematização das construções reais
A Resistência dos Materiais estudando, como já se esclareceu, os fenômenos ocorrentes no
interior dos corpos reais solicitados exteriormente, permite que as propriedades de resistência e de
maior ou menor deformabilidade desses corpos sejam avaliadas, com o que se torna possível verificar
ou dimensionar, na prática, as diferentes partes das construções civis ou mecânicas

.
Para resolver um problema dessa natureza – verificar ou dimensionar uma construção

- o
primeiro passo a dar é sempre o de se estabelecer o que se denomina esquema de cálculo que consiste,
em geral, em desdobrar em vários estágios o estudo a fazer, e, em cada um deles, distinguir,
enfatizando o essencial, deixando de lado todos os fatores que não tenham influência em cada um
desses estágios. Esse procedimento de esquematizar o cálculo de uma construção, além de
simplificá-lo, torna-se imperativo porque é praticamente impossível focalizar os múltiplos aspectos de
uma construção real de uma só vez e levando em conta todas as suas diferentes propriedades.
Para exemplificar, considere-se o caso de um monta-cargas como o apresentado na Fig.141-1a.
Ao calcular o cabo C abstrai-se de todos os fatores que não fossem a carga P a suspender, a aceleração
do movimento e, em caso de muita altura, o comprimento do cabo.
Seu esquema de cálculo seria o da Fig.141-1b.
O comportamento da peça V e de outras partes do sistema não serão considerados ao se tratar
do cabo C.
Da mesma forma, ao se passar à apreciação da peça V nos abstrairíamos do comportamento das
demais partes do conjunto, esquematizando-a como se vê na Fig.141-1c, onde se acham representadas
as ações exercidas não só pelo cabo C como, também, as reações dos elementos estruturais que a
suportam. Nessa esquematização, conforme a intensidade das ações decorrentes da carga a suspender,
é provável que se possa desprezar o peso da própria peça V.
Sente-se, do que se acaba de ver, que para cada parte de um sistema construtivo e para cada
situação pode-se estabelecer um esquema de cálculo.
Em contrapartida é importante observar que certos e determinados esquemas gerais podem
atender a um grande número de situações reais, com o que, estudados todos os fenômenos ligados a
esse esquema, ter-se-á os elementos para a apreciação de todas as situações reais a ele filiadas.


A solução desses problemas não compete direta e unicamente à Resistência dos Materiais dentro do espírito deste Curso;
a Estática e a Estabilidade das Construções têm papel preponderante nessas soluções. Os conhecimentos auridos na
Resistência dos Materiais estão, entretanto, tão ligados aos daquelas disciplinas que seu estudo terá de ser feito tendo em
vista o que tiver sido aprendido em uma e houver de ser aplicado na outra.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 42
Fig.141-1
Assim, ao esquema da Fig.141-b estarão filiadas todas as peças solicitadas unicamente por
forças normais, enquanto que ao da Fig.141-c estarão as peças solicitadas por forças normais e
cortantes, bem como por momentos fletores.
Dito isto, note-se que a esquematização de uma estrutura ou de uma peça compreende,
principalmente, os seguintes aspectos:
- geometria das peças e forma de carregamento;
- natureza do material;
- natureza das ações aplicadas.
No que tange à geometria e forma de carregamento é comum se fazer filiar as diferentes peças
constitutivas das estruturas a determinados esquemas de características próprias, cujas principais são:
- barra hastiforme ou peça prismática de grande curvatura
- placa
- casca
- disco
- membrana
- tipos especiais.
Convém desde já notar, antes de caracterizar esses esquemas, que a Resistência dos Materiais,
com seus métodos simplificados, não pode resolver satisfatoriamente todos os problemas envolvendo
todas as peças classificadas nos tipos acima mencionados: ela tem seu campo de aplicação
primordial entre as peças prismáticas podendo, entretanto, abordar alguns casos simples das outras
categorias.
Por isso mesmo, para não nos alongarmos demasiadamente, limitar-nos-emos a dizer agora
que, no tocante à simples geometria, quando uma das dimensões da peça (o seu comprimento) é
predominante sobre as outras duas estará ela classificada em uma das duas subdivisões da primeira
categoria - a das barras, considerando-se na primeira quando seu eixo tiver curvatura pequena,
conforme se verá com mais detalhes no Capítulo 3. Quando uma das dimensões da peça (a espessura)
for sensivelmente pequena relativamente às outras duas, a peça estará enquadrada desde o terceiro até
o sexto esquema, a distinção entre eles dependendo da curvatura da superfície média, do modo de
carregamento e de sua rigidez à flexão.
Casos não enquadráveis nas categorias anteriores pertencerão à última delas.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 43
Quanto à natureza do material é usual se admitir que o mesmo seja homogêneo, contínuo e
isótropo.
Há homogeneidade quando as propriedades do material independem da grandeza do volume
considerado no corpo, o que, dada a estrutura molecular, não pode acontecer precisamente. Os metais,
constituídos na sua estrutura por cristais dispostos caoticamente, não são, pois, perfeitamente
homogêneos, e idêntica situação ocorre com outros materiais – como o concreto ou a madeira. Como,
entretanto, as dimensões das peças são muito maiores que as dos elementos diferentes que constituem
o material no seu todo e que as das distâncias que os separam, para efeito do estudo das peças
estruturais a consideração da homogeneidade é perfeitamente aceitável.
Como decorrência da noção de homogeneidade surge a noção de continuidade do meio, uma
vez que este preencherá qualquer que seja o volume que lhe seja atribuído, sem o que não poderá haver
homogeneidade.
A propriedade da continuidade tem como conseqüência a possibilidade de se aplicar aos
corpos, supostos constituindo um meio contínuo, os métodos da análise infinitesimal.
Finalmente observa-se que é corrente em Resistência dos Materiais admitir como isótropos nas
condições em que esta propriedade já foi definida em 1.2.7.
Na realidade isso nem sempre é estritamente verdadeiro. Um cristal constitutivo de uma peça
metálica é anisótropo quando tomado separadamente, mas, considerado um certo volume desse metal
com seus cristais dispostos caoticamente, o material pode ser considerado como isótropo no seu todo.
Já a madeira tem suas propriedades dependendo da orientação de suas fibras, o mesmo acontecendo
com alguns materiais que podem ser anisótropos em função de particularidades de fabricação, como é
o caso dos contraplacados, do papel, dos tecidos e das lajes de concreto armado.
Uma das simplificações importantes que se fazem ao esquematizar o estudo de uma estrutura
ou peça diz respeito às ações que lhe são aplicadas com a introdução da noção de força concentrada
representada por um vetor.
Assim, por exemplo, na Fig.141-2 se acha indicada a ação de uma carga P, concentrada no
ponto A, agindo ao longo do suporte do vetor.
Na realidade, isto é uma ficção porquanto uma força de intensidade finita tem de se distribuir
ao longo de uma certa área, também finita, por menor que esta seja. Uma forma possível de aplicação
dessa força é a indicada na Fig.141-2b, onde ela é transmitida à viga por intermédio de um pino que
pressiona toda a parte inferior do furo praticado na viga.
Vê-se que a representação de uma força por um vetor, bem como a idéia de uma força de x kg
aplicada a um ponto A, são abstrações simplificativas, devendo o vetor ser encarado como a
efetividade da força (intensidade, direção e ponto de aplicação).
A substituição de forças repartidas por uma resultante concentrada só é, entretanto, possível
para o caso do estudo de uma peça em seu todo, isto é, envolvendo volumes essencialmente maiores
que os da zona em que ela realmente se exerce. Para o cálculo da viga AB a consideração da força P
concentrada em A é perfeitamente aceitável, mas não o será para o caso em que se trate de estudar o
olhal que transmite a força ao pino (Fig.141-2c).
Em 1.4.2, a seguir, voltar-se-á ao assunto para responder a duas indagações que a respeito se
poderão ser feitas.
Para finalizar estas considerações deve-se assinalar que a esquematização das soluções não
ficarão dependendo só das circunstâncias aqui apresentadas, podendo outras influir nessa
esquematização. O essencial é que se tenha presente que a esquematização dos cálculos é um primeiro
passo a ser dado e que a solução de um caso real não pode se limitar a uma simples aplicação de
fórmulas. Antes que isso é preciso imaginar como se comporta a peça ou estrutura, e, em cada caso, se
fixar naquilo que é essencial antes de escolher os métodos de cálculo e se atingir à fase puramente
matemática.
H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila 44
Fig.141-2
1.4.2 – Princípio de Saint-Venant
Ao tratarmos, no parágrafo anterior, da consideração de forças concentradas previmos a
necessidade de responder a duas indagações que poderiam surgir, a saber:
Primeiro: Porque consideramos forças concentradas, introduzindo uma abstração, quando se
sabe que ela não representa a condição real?
Segunda: Que erro se comete, consequentemente, no estudo da estrutura ou peça com tal
procedimento?
A resposta à primeira pergunta decorre dos métodos adotados no estudo da Estática ao tratar
das forças como grandezas vetoriais: adição de vetores, efeitos de conjugados, condições de
equivalência e de equilíbrio, etc., etc. A Estática mostra que forças distribuídas ou um sistema de
forças podem ser reduzidas a uma única força equivalente em seus efeitos totais passando em pontos
diferentes da região de aplicação das primeiras (em certos casos a efetividade do conjunto pode ser
representado apenas por um conjugado).
O emprego, pois, de uma única força, representada por um vetor, para representar uma ação
distribuída simplifica os cálculos sem lhes alterar os efeitos gerais.
A resposta à segunda pergunta não é tão evidente. Ela está ligada ao chamado Princípio de
Saint-Venant, que é constantemente empregado nos cálculos estruturais, embora não possa ser
instituído em termos gerais, uma vez que os limites do campo de sua influência dependem de
condições particulares existentes na região da aplicação das forças.
De um modo geral esse princípio estatui que efeitos localizados tendem a desaparecer cada
vez mais rapidamente à proporção que as forças em jogo se propagam para longe da região de
sua aplicação.
Desse modo a consideração de uma força concentrada no ponto A da viga da Fig.141-2 pode se
tornar completamente errada quando se trate de estudar a situação interna da viga na vizinhança
imediata do pino, mas será, certamente, perfeitamente aceitável quando estivermos considerando as
ações interiores nas regiões bem à direita desse mesmo pino. Como ordem de grandeza poderíamos
estatuir que, sendo h a altura da seção da viga, os efeitos decorrentes das dimensões do pino e de sua
localização sobre o vertical só seriam sensíveis a distâncias menores que h; entre h e 2h essas
influências seriam muito pequenas; depois de 2h não haveria, virtualmente, nenhuma influência.

H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila

2

1.1 – NOÇÕES PRELIMINARES – O PROBLEMA DA RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS

1.1.1- O Equilíbrio dos corpos elásticos sujeitos a solicitações exteriores Seja um corpo qualquer, sobre o qual atue um sistema de ações exteriores. A mecânica racional, considerando-o como rígido, afirmaria estar ele em equilíbrio se o conjunto de ações exteriores fosse equivalente a zero, ou seja, em referência a um ponto qualquer do corpo: r R = 0 (resultante geral) r G = 0 (momento resultante)

Fig.111-1 E isso era o bastante. Os corpos da natureza, entretanto, não são rígidos, e sim, deformáveis, isto é, submetidos à ações exteriores, mudam de dimensões, pelo menos, ligeiramente. Cada partícula constitutiva do mesmo, recebe, em conseqüência da solicitação exterior, uma solicitação interior tendendo a deslocá-la, de certa forma, de sua posição relativa no conjunto. Mas, também, à proporção que esse deslocamento se produz, reações interiores, em sentido contrário, tendem a se opor ao deslocamento e a reconduzi-la à sua posição primitiva, o que caracteriza a elasticidade do material. Sempre que a intensidade da máxima reação molecular possíve l não for ultrapassada pela solicitação interior sobre a molécula, esta pára em seu deslocamento relativo. Todos os elementos do corpo tomam novas posições relativas; o corpo está deformado e em equilíbrio interior. Se as solicitações exteriores formarem um sistema em equilíbrio, o corpo está inteiramente em equilíbrio (exterior e interior). Mas, para isso, pelo que se viu, é necessário que em todos os pontos se desenvolva uma reação que equilibre a ação solicitante interior; se isso não puder ocorrer, dada a natureza do corpo (forma, substância constitutiva), isto é, se a máxima reação possível for inferior à solicitação, o elemento adquirirá um deslocamento relativo muito grande com a conseqüente deterioração do material no ponto, a qual pode chegar à ruptura, com o que se fracionará dito corpo em outros sobre os quais as forças exteriores se disporão da mesma ou de diferente maneira, podendo conservar ou modificar suas intensidades. E pode acontecer, então, que sobre cada um desses novos corpos, as ações exteriores estejam ou não em equilíbrio, casos em que o fenômeno descrito se repetirá, ou os corpos novos entrarão em movimento.

H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila

3

Vê-se, assim, que no domínio dos corpos reais, as equações de equilíbrio fornecidas pela mecânica racional não são suficientes para se obter o conhecimento de seu comportamento, e, em particular de seu equilíbrio, quando sujeitos a ações exteriores. Esse equilíbrio deve, agora, ser assegurado, não só exterior como interiormente, acrescendo àquelas condições iniciais, outras que consideram a natureza do material, até então completamente negligenciadas. 1.1.2 – Objetivo da Resistência dos Materiais. Sua posição em face da estabilidade das construções O estudo dos fenômenos ligados às solicitações ocorrentes no interior dos corpos reais em virtude de ações exteriores é o objetivo tanto da Resistência dos Materiais como, também, da Teoria da Elasticidade e da Teoria da Plasticidade. As duas primeiras se ocupam de tais fenômenos quando o material se encontra dentro da fase dita elástica, e a última quando se encontra na fase plástica, tudo como será esclarecido em 1.1.3, a seguir. Resta, pois, esclarecer o que têm de comum e de diferente a Resistência dos Materiais e a Teoria da Elasticidade. Ambas perseguem os mesmos objetivos, por assim dizer, mas diferem primordia lmente no que tange aos métodos de tratar as soluções dos problemas. Assim é que a Teoria da Elasticidade, preocupada com a maior exatidão possível das soluções, tem que se servir de todos os recursos da Matemática com o que, em geral, as correlações entre as grandezas envolvidas nos problemas se exprimem de modo pouco próprio à utilização técnica cotidiana, dada a sua natural complexidade. A Resistência dos Materiais, então, utilizando-se de hipóteses simplificadoras, procura dar soluções à maioria dos problemas ocorrentes na prática mediante expressões que, sem o mesmo rigor das obtidas pela Teoria da Elasticidade, são, todavia, de mais fácil emprego no uso diário. É evidente que nem sempre a Resistência dos Materiais poderá dar solução aceitável a determinados problemas dado o grau de erro que resultaria de seus métodos simplificados, o que nem sempre será aceitável. Esses problemas se situarão no campo exclusivo da Teoria da Elasticidade. Mas há muitos outros que, conforme o grau de exatidão aceitável, podem ser submetidos aos métodos de uma ou de outra. A ambas compete o diagnóstico e a medida das ações e reações interiores, determinando suas naturezas e suas intensidades bem como de seus efeitos como são as deformações. Limitando ao âmbito da Resistência dos Materiais, vê-se claramente que entrando no íntimo da matéria, porque cada substância se comporta de modo diferente quando igualmente solicitada, tem ela que resolver um problema de ordem não só mecânica, mas também física. Como o que se tem em vista é assegurar o equilíbrio dos sistemas, a Resistência dos Materiais, estudando as solicitações interiores decorrentes das exteriores, dará a conhecer, consequentemente, que capacidade de reação se deve proporcionar às peças para que o equilíbrio interno seja possível. Em seguida, a Estabilidade das Construções distribuirá os materiais ao longo das peças de sorte que, por sua forma e substância, sejam capazes de tal capacidade de reação interior com um certo coeficiente de segurança. Ela dimensiona. Percebe-se assim a diferença entre a Resistência dos Materiais e a Estabilidade das Construções, e como esta depende daquela. 1.1.3 – Classificação prática dos materiais Já se viu que, ao contrário dos corpos ditos rígidos, ideais, da Mecânica Racional, os corpos reais são deformáveis. Como, dentro dos limites usuais de solicitação esses deformações costumam ser ou não permanentes, os materiais reais são comumente classificados em elásticos e plásticos.

H.C.Frazão Guimarães / J.A.Ávila

4

Elásticos são aqueles capazes de voltar à sua forma primitiva, uma vez cessada a causa determinante de sua deformação, restituindo integralmente o trabalho consumido na mesma. Estas deformações são, portanto, apenas transitórias. Plásticos são aqueles cujas deformações são permanentes, isto é, cessada a causa permanece o efeito. Na realidade tal diferença é mais prática que real, porquanto não há materiais perfeitamente elásticos ou plásticos, conforme se definiu acima. Quando um corpo é solicitado, sua deformação ∆ é composta de duas parcelas: ∆ = ∆e + ∆ p onde ∆e é a deformação transitória ou elástica, e ∆p é a deformação permanente. Os valores relativos dessas parcelas variam, para um mesmo material, conforme a intensidade da solicitação, e, de material para material, em caso de iguais solicitações. Um material será tanto mais elástico quanto maior for a parcela de deformações elásticas em presença das deformações permanentes, e vice-versa se se tratar de materiais plásticos. Denomina-se limite de elasticidade ao limite até o qual as deformações permanentes são desprezíveis em relação às transitórias. Sendo assim, até esse limite, praticamente, toda a deformação é transitória, e, só a partir dele, as deformações permanentes passam a ser apreciáveis. O limite de elasticidade é específico de cada material e pode ser referido a qualquer tipo de solicitação. Este limite é comumente determinado em ensaios axiais de tração e compressão. Do que se acaba de ver, conclui-se que um mesmo material é suscetível de passar por uma fase elástica e por outra plástica, podendo entre elas haver regimes intermediários; tudo depende das solicitações a que for submetido. Os materiais ditos plásticos, realmente, são os que têm limite de elasticidade extremamente baixo, a ponto de solicitações muito pequenas já produzirem deformações quase totalmente permanentes. Em contraposição, os ditos elásticos são aqueles que permitem solicitações relativamente elevadas antes de atingirem seu limite de elasticidade. Como exemplo ver-se-á, em 1.1.8.1, o que se passa com o aço, tido como um dos materiais mais elásticos dentro dos limites de seu uso corrente. 1.1.4 – Natureza das solicitações e reações interiores. Solicitações simples. Noção de tensão. Considere-se um corpo elástico sujeito a um grupo de ações exteriores, e inteiramente em equilíbrio. Isto importa em dizer que essas ações exteriores satisfazem às equações de equilíbrio e que, em todos os pontos de seu interior as solicitações decorrentes da ação exterior se acham equilibradas pelas reações interiores. Supondo, então, conforme se vê na Fig. 114-1, que esse corpo seja seccionado segundo uma superfície S-S. No caso mais geral, as duas partes daí resultantes deixariam de manter o equilíbrio primitivo, o que leva a concluir que esse equilíbrio do todo e de cada uma de suas partes, se devia às ações e reações que cada uma das duas partes exercia sobre a outra, através a superfície S-S.

114-1 Assim. por exemplo.Frazão Guimarães / J. Este conjunto de ações que se distribuem de uma forma qualquer ao longo da superfície de separação é. é equivalente ao conjunto das ações exteriores diretamente aplicadas à parte À .114-2a) a manutenção de seu estado de equilíbrio. → Fig. 114-2 Analogamente. o elemento equilibrante do grupo Σ ÁP das ações diretamente aplicadas ao exterior da parte Á. cada um deles suposto na vizinhança de um ponto dessa mesma superfície. consequentemente. como o existente no caso do corpo inteiro. exerce sobre a outra através de cada elemento de superfície da seção. Conclui-se então que o conjunto das ações que a parte À exerce sobre a parte Á . o grupo Σ ÁP era equilibrado pelo conjunto das ações exteriores aplicadas à parte À ou seja Σ ÀP. suposto secionado. poder-se-ia ter provado que a ação equilibrante de Á sobre À é equivalente ao conjunto das ações exteriores diretamente aplicadas à parte Á. Pelo que se acaba de ver. se deverá não só às ações exteriores que lhe estão diretamente aplicadas (e que simbolicamente notaremos como Σ ÁP como no conjunto de ações d P que a parte À exercerá sobre ela através todos os elementos de superfície de S-S.A. considerando-se o corpo inteiro.C. podemos calcular o valor de seu conjunto que é o mesmo do conjunto de ações exteriores aplicadas → . De outro lado.Ávila 5 Fig. embora ainda não se saiba determinar as ações d P que uma parte do corpo. focalizando-se a parte Á (Fig.H. através a superfície de separação entre elas.

H. Representa um conjugado no plano da seção cujo momento chamaremos de torçor. É a força cortante. Por exemplo. Q. e que são conhecidas como “ solicitações simples em uma seção”. qual o valor d P da força exercida através o elemento dS de área. em particular. nada dizendo sobre a maneira como se repartem as contribuições. Resta. T e M são. N. pois. em um mesmo ponto. agora no domínio elástico. conforme a orientação dada ao elemento de superfície através o qual elas se exerçam. 114-2a).Q : posto em: → G(momento resultante) → T: → (normal ao plano da seção). Sendo assim. situado em um ponto qualquer da seção. É a força normal. varia de ponto para ponto no interior do corpo. (no plano da seção). ao centro de gravidade dessa superfície. 114-2a.A. no caso geral. que pode ser de tração ou de compressão. saber como contribui cada elemento de área. essas solicitações se distribuem ao longo de toda a seção. fixada a orientação de um elemento de superfície em um ponto. Tem-se aí. 114-2b): → → → → R (resultante geral) N: → (normal ao plano da seção). e correspondendo a um elemento de superfície de área dS suposto situado nesse ponto. Vetor momento. cujo momento chamaremos momento fletor ou fletente. os valores totais dessas solicitações. Esse problema a Estática não pode resolver. como ao longo da mesma se exercerão as reações de todos os elementos conduzindo ao equilíbrio interior.b a resultante geral R e o momento resultante G . → . pois apenas fornece o grupo (a). e. iguais em cada ponto. então. apenas. situado num certo ponto da seção. Ambos os vetores podem ser decompostos em um vetor no plano da seção e outro normal à mesma. de sorte que: → → R = ∫S d P → → → (a) G = ∫S δ ∧ d P → → → onde R e G representam toda a solicitação através a seção de área S (Fig. e se vê a Resistência dos Materiais pesquisando a natureza e a intensidade da reação à solicitação interior em um ponto qualquer do corpo. E como essas ações se exercem através a superfície de separação. ação e reação interior. Assim é que se tem (Fig. Evidentemente. (no plano da seção). de. Representa um conjugado num plano normal da seção. decom. na resistência a essas solicitações. Fig. as solicitações que se manifestam em uma seção qualquer no interior de um corpo elástico carregado em equilíbrio. pode-se reduzí-las a um ponto qualquer. pois. Evidentemente d P .Ávila 6 à primeira parte. Para levantar esta indeterminação estática buscam-se novas relações.M : composto em: Essas são. e.C. Vetor força.Frazão Guimarães / J.

Frazão Guimarães / J.Ávila 7 r d→ P s = dS nos dará a conhecer a intensidade das ações interiores nesse ponto. a que denominaremos tensão total no ponto. r r A σ e τ denominaremos respectivamente de tensão normal e tensão tangencial no ponto. É claro que e d P terão o mesmo suporte. referentes ao elemento de superfície em apreço.A. 114-3 . Um caso particular importante é aquele em que as forças interiores se distribuem uniformemente ao longo de uma seção do corpo. poderão ser decompostos na forma abaixo. portanto. 114-3) → r s → d N (normal ao elemento de superfície) dP → → dN = dP cos α d Q (contido no plano do elemento de superfície) dQ = dP sen α → Decomposto em r d→ P s = dS Decomposto em r σ dN = (normal ao elemento de superfície) dS σ=s cos α r dQ τ = dS → (contido no plano do elemento de superfície) sen α → τ=s Nas expressões acima.H. sempre referentes a um elemento de superfície. e que. α é o ângulo que o suporte de d P faz com a normal ao elemento de superfície.C. Fig. (Fig. com direção normal a essa seção.

.8. deformação linear.deformações lineares: relativas às grandezas lineares. e ∆dV dV para deformação volumétrica Quanto às deformações angulares. também as deformações devem sofrer variações correlatas.deformações volumétricas : dizem respeito aos volumes.5 – Noção de deformação Solicitado por ações exteriores. os corpos não rígidos se deformam. ou. sofrer um acréscimo ∆dx. poderemos escrever: εx = ∆dx dx Identicamente denominaremos simplificadamente de deformação superficial e de deformação volumétrica às relações dos acréscimos de superfícies ou de volumes para a superfície ou o volume inicial. ao acréscimo sofrido por uma grandeza linear nessa direção. superficiais e volumétricas. isto é. Por deformação linear específica. se um comprimento dx. . Se estas variam de ponto para ponto. portanto: ε xy = e= ∆dSxy dSxy para deformação superficial no plano dos XY.Ávila 8 Nesse caso. que vem a ser a variação angular sofrida pelo ângulo reto de duas direções.H.deformações superficiais: quando referidas a superfícies. entenderemos a relação da deformação total para o comprimento inicial da grandeza linear: representa-la-emos por ε utilizando índices que nos indiquem a direção da deformação.1. . suas dimensões e formas tendem a se modificar em virtude das forças interiores despertadas.1. simplesmente. É ainda importante conhecer as relações que guardam entre si as deformações lineares. virá dN = dP dQ = O e teremos: σ = dN = const dS N= ∫S σ dS = σ ∫S dS = σS σ= N S ∴ 1.1.A. ortogonais em suas posições iniciais (geralmente representada por γ). importa travar conhecimento com a chamada distorção.deformações angulares: relativas às grandezas angulares. Teremos. de direção X. .Frazão Guimarães / J.C. Denomina-se deformação linear total em uma direção. Quanto às deformações importa distinguir: . que estudar-se-á no parágrafo 1. Assim.

com o material da peça e com o coeficiente de segurança que se julgar útil adotar em cada caso. dos quais a rutura é um deles. Diagramas resistentes e solicitantes: cobertura de diagramas solicitantes. que ε xy = εx + εy ε xz = εx + ε z ε yz = εy + ε z 115-II 1. de arestas dx. a maior tensão que se permitirá ocorrer em qualquer ponto de uma peça e relativamente a qualquer elemento de superfície em torno a ele. dy e dz.4 a caracterização das tensões em um ponto relativamente a um elemento de superfície em sua vizinhança.6 – Tensões admissíveis.5. apenas. posteriormente. permite-se às tensões em cada ponto atingirem.1. valores bem menores que os perigosos e que se denominam tensões admissíveis ou tensões de trabalho.Frazão Guimarães / J. pois. para deformações superficiais. e admitamos que após deformado elas tenham se tornado: dx + ∆dx. Por agora nos limitamos a dizer que. evidentemente. . dy + ∆dy e dz + ∆dz O acréscimo de volume é: ∆dV = (dx + ∆dx) (dy + ∆dy) (dz + ∆dz) – dx dy dz Desprezando os termos em que figuram os produtos dos acréscimos e dividindo por dV = dx dy dz vem e= ou ∆dV ∆dx ∆dy ∆dz = + + dV dx dy dz 115-I e = ε x + εy + ε z Analogamente provar-se-ia.Ávila 9 Para isso consideremos nas vizinhanças de um ponto qualquer um paralelepípedo infinitamente pequeno.1. Vimos em 1. Posição da resistência dos materiais relativamente à estática e à hiperestática. Coeficiente de segurança. para nos prevenirmos contra a eventualidade de se atingir esses limites indesejáveis. É claro que essas intensidades devem ser mantidas aquém de certos limites para que o equilíbrio interno seja possível. pela sua natureza.A. Elas exprimem as intensidades das solicitações interiores. em 2. até determinados valores que não devem ser atingidos em qualquer ponto de uma peça sob pena de ocorrerem fenômenos indesejáveis (muitas vezes a ruptura). Cada material. é capaz de suportar intensidades de solicitações interiores diferentes.H. Esse fato será explanado. Ela variará.C. em todas as direções em torno ao ponto. Uma tensão admissível (σadm quando normal e τadm quando tangencial) será. de modo que a intensidade da solicitação interior permaneça mais ou menos afastada daquela capaz de produzir efeitos indesejáveis.

No caso mais geral. chamados diagramas solicitantes. partindo das leis de distribuição das solicitações interiores ao longo de qualquer seção. a força cortante resistente e o momento torçor resistente. . isto é.A. para todas as seções possíveis de uma peça calcularmos seus valores resistentes e os representarmos em ordenadas ao longo do eixo da mesma peça (quando tiver a forma de uma haste) teremos os chamados diagramas resistentes de forças normais. O equilíbrio interior só será possível se nenhuma ordenada de cada diagr ama solicitante por maior que a correspondente do diagrama resistente da mesma espécie. por exemplo. agora. as tensões admissíveis fixadas para o material e para o caso. quatro diagramas solicitantes e 4 resistentes. supostas conhecidas.Frazão Guimarães / J. dizer que a Resistência dos Materiais tem como um de seus objetivos fornecer os diagramas resistentes das várias peças de uma estrutura de modo a se poder verificar se os mesmos cobrem os solicitantes fornecidos pela Estática ou pela Hiperestática em decorrência das ações exteriores que lhes sejam aplicadas. se os diagramas resistentes cobrirem os solicitantes. e seu comportamento sob a solicitação é influenciado pelo tipo da mesma. Identicamente definir-se-iam a força normal resistente.1. Q. vêm a ser as capacidades de resistência dessas seções a cada um desses tipos de solicitações simples. em intensidade. dos sistemas estáticos e dos carregamentos. principalmente. as propriedades mecânicas dos materiais são determinadas em ensaios de laboratórios com a utilização de corpos de provas de formas especiais e sob certas condições não só de temperatura como. Eles independem de a peça estar ou não sendo solicitada. Além disso. M ou T ) que poderão vir a ocorrer nessa seção sem que deixe de existir uma certa segurança contra efeitos indesejáveis em qualquer de seus pontos. conhecendo os maiores valores das solicitações simples (N. forças cortantes. É de toda a conveniência notar-se que os valores admissíveis ou resistentes relativos aos chamados esforços simples em uma seção só dependem de circunstâncias inerentes à própria seção e ao material da peça e sua determinação é feita com os conhecimentos da Resistência dos Materiais que nos fornece as leis de distribuição das solicitações interiores. Fica-se. isto é. e são denominados valores resistentes da seção.C.H. Em última análise poderemos.1.7 – Tipos de solicitação Os modos de se solicitar um corpo podem ser muito variados.Ávila 10 Suponhamos. Q. 1. em nenhum de seus pontos. Se. pois. Todos eles também são denominados admissíveis. momentos fletores e momentos torçores. Na Estática se viu a possibilidade de traçar para ditas peças diagramas análogos. será o maior momento fletor (positivo ou negativo) que uma determinada seção poderá vir a receber quando solicitada exteriormente sem que. que dependem dos sistemas estáticos e das cargas exteriores e cujas ordenadas se obtém com os simples conhecimentos da Mecânica (pelo menos para os sistemas isostáticos). Um momento fletor resistente (positivo ou negativo).4 de tal modo que as solicitações através qualquer elemento de superfície da seção não ultrapassem. assim determinados. assim. consequentemente. M ou T. de solicitação. que tenha determinado a maneira por que se distribuem as contribuições de cada elemento de superfície de uma seção qualquer na resistência às solicitações que lhe venham a ser aplicadas. haverá para cada peça em trabalho. Se assim for. e. será possível levar a efeito as integrações como as do grupo (a) do parágrafo 1. as intensidades das solicitações interiores (ou tensões) ultrapassem os valores admissíveis (tensões admissíveis). que a Resistência dos Materiais tenha resolvido o seu problema relativamente a uma determinada peça quando esta vier a ser solicitada por qualquer das solicitações simples anteriormente mencionadas. Esses valores de N.

Fig.117-1 Na solicitação em curto tempo. não só dessas. ou o crescimento da solicitação é levado até a ruptura em poucos minutos (curva 1 da Figura 117-1). a utilização. Neste gênero de solicitação convém distinguir dois casos importantes. dos dados assim obtidos exige o conhecimento das influências sobre o comportamento dos corpos. a peça é mantida sob a intens idade máxima alcançada por pouco tempo e logo descarregada.Ávila 11 Por conseguinte. nas aplicações. Neste parágrafo vamos simplesmente classificar e distinguir os principais tipos da influência mais decisiva – a solicitação mecânica.solicitações dinâmicas. conforme se verá adiante (curva 2 – Figura 117-1). . o que será objeto de tópicos ou de capítulos especiais.A.solicitações repetidas .C. uma vez atingida uma certa intensidade.solicitações estáticas . quais sejam o da solicitação estática em curto tempo e o da solicitação estática em longo tempo. esta é mantida durante muito tempo (Figura 117-2). Uma vez atingido o valor final. ou. não sendo novamente carregada senão em condições que não impliquem em fadiga do material. se não se atingir a ruptura. É o tipo de solicitação estática que prevalece na grande maioria das estruturas por influência das cargas permanentes. Este é o tipo de solicitação estática corrente nos ensaios em laboratórios para a determinação da maioria dos dados característicos dos materiais. Para os fins das aplicações técnicas bastará distinguir os seguintes tipos de solicitação: . Solicitação estática é aquela em que se atinge a uma determinada intensidade mediante um crescimento contínuo e gradual a partir de zero. Na solicitação em longo tempo. Em certos ensaios de laboratório procura-se manter a solicitação durante um tempo suficientemente dilatado de modo a se poder prever o comportamento do material quando por longo tempo carregado. como de outras circunstâncias que possam intervir. este é mantido constante enquanto durar a solicitação.H.Frazão Guimarães / J.

Solicitações repetidas são aquelas que são aplicadas e total ou parcialmente removidas. teremos o caso de uma solicitação oscilante ou alternada. com maior ou menor grau de variação. existe um estado de equilíbrio estático entre as ações mecânicas que atuam sobre qualquer elemento do corpo. Costuma-se. que em qualquer caso de uma solicitação estática. Se. 117-2 Convém frisar.C. Na solicitação intermitente a variação se processa apenas quanto à intensidade. excluindo-se nesse caso. porém. considerar como repetidas somente as solicitações cuja repetição do ciclo de variação seja suscetível de causar a fadiga do material. a natureza da solicitação sofre inversões sistemáticas.117-3 . a saber: solicitações intermitentes e solicitações oscilantes ou alternadas. 117-3. Na Fig. sem que haja inversão da natureza da solicitação.A. repetindo-se o ciclo de variação um apreciável número de vezes. Um caso típico de solicitação intermitente é o representado na Fig. onde ela varia intermitentemente de zero a um determinado valor ∆ com uma certa freqüência.Frazão Guimarães / J. Fig. Solicitações desta natureza ocorrem. em todos os instantes ou fases da solicitação. 117-4 temos a representação gráfica de um caso típico de solicitação alternada.H. onde sua intensidade oscila entre valores ∆ iguais e de sinais contrários com determinada freqüência. Um eixo girando ou um trilho à passagem de um trem são exemplos de peças sob solicitações repetidas. entretanto.Ávila 12 SOLICITAÇÃO TEMPO Fig. entretanto. em todas as estruturas e peças de máquinas e engenhos. ou ainda invertidas. Entre as solicitações desta categoria podemos distinguir dois casos bem definidos. as solicitações cuja variação se processa um número de vezes muito pequeno.

Ávila 13 Fig.C. ainda. depende.Frazão Guimarães / J. além do mais. não se retornará a um estado de equilíbrio estático. a estrutura receberá uma carga súbita.H. sem choque. tanto o corpo produtor do choque como a estrutura que o recebeu adquirem um estado de vibração que. Deve-se notar. Na realidade. Temos uma solicitação por impacto quando um corpo pesado cai sobre uma estrutura.A. essas solicitações podem ser tratadas como solicitações estáticas através as forças de inércia correspondentes. É o que ocorre. Para exemplificar. porém. que as cargas verdadeiramente súbitas são dificilmente realizáveis. Enquanto toda a energia cinética de que estava possuído o corpo percutente não tiver sido absorvida pela estrutura sob a forma de potencial elástico ou dissipada sob outras formas de energia como o calor. Assim é que quando um trem atravessa uma ponte com certa ve locidade comunica-lhe. se seu movimento se tornar bastante lento. podem ocorrer. da natureza dos materiais. entre outras. em conseqüência de sua rotação. os efeitos das cargas são praticamente os mesmos que os decorrentes de se supor carregamentos estáticos. também. Em outros casos as variações de quantidade de movimentos se devem ao choque ou impacto. Entre as solicitações dinâmicas costuma-se incluir. Identifica-se os diferentes tipos de solicitação que. em quase todos os casos. tendo-se. sobre uma estrutura em posição tal que. imagine-se um corpo pesado suspenso por um fio. eles diferem uns dos outros apenas por uma questão de fronteiras convencionais. teoricamente. se cortar o cabo. cargas estáticas crescentes em tempo extremamente curto. repentinamente. durante o impacto e por algum tempo subseqüente. Se um eixo carregado gira com grande velocidade. por exemplo. se sua . mas. os efeitos dessas cargas súbitas são duplos dos decorrentes de cargas estáticas dos mesmos valores. Como se verá posteriorme nte. com as solicitações despertadas em um disco girando.117-4 Solicitações dinâmicas são denominadas aquelas que estão intimamente ligadas às variações de quantidade de movimento dos corpos. realmente. as decorrentes das chamadas cargas súbitas que ocorrem quando se aplica sobre uma peça uma ou mais cargas que subitamente atuem com toda a sua intensidade. mas. Se. cada uma com características bem definidas. tocando-a simplesmente. seguramente estará sujeito a solicitações repetidas. Em certos casos. contudo. em que a movimentos bem definidos correspondem acelerações determinadas. solicitações por impacto. não lhe transmita nenhuma carga.

Sejam: lo – comprimento inicial da barra entre dois traços de referência. os efeitos dessas solicitações serão idênticos aos de solicitações estáticas das mesmas intensidades.C. nessa ocasião a barra estará se alongando de ∆l. dar solução aos vários problemas mediante desenvolvimentos teóricos que. vai. . ao engenheiro ou projetista decidir. 1.3).1. então. à medida das necessidades. no seu conjunto. de condições de defo rmação. Submetida a uma solicitação estática.1. No que se vai seguir. Para estabelecer essas condições. a Resistência dos Materiais tinha que lançar mão de condições elásticas. qual seja a de submeter uma haste reta a uma força axial (Figura 118-1). serão analisados os primeiros resultados experimentais.5.Ávila 14 velocidade de rotação se tornar extremamente baixa. inicialmente. recomendam-se certas relações entre o comprimento da barra e sua seção reta. o que pode ser constatado pelo fato de que entre os dois traços de referência a distância passou a ser: l = lo + ∆l ∗ Para ensaios padronizados. bem como formas bem determinadas para os corpos de prova.8 – Base experimental da Resistência dos Materiais Viu-se em 1.Frazão Guimarães / J. qual o de conhecer o modo de distribuição das ações interiores desenvolvidas nos vários pontos das seções das peças. tendente a alongar a haste.4 que para levar a cabo seu objetivo. So – área inicial da seção reta∗ . Em capítulos especiais serão tratados os efeitos dos outros tipos de solicitação. portanto. As discrepâncias inevitáveis entre este e qualquer dos tipos padrões estudados deverão ser compensados pelos coeficientes de segurança de que se tratará mais tarde (ver 2. os mais simples. a Resistência dos Materiais tem que se socorrer dos resultados experimentais que se têm acumulado no decorrer do tempo e que constituem. Por outro lado.A. a qual dos tipos teóricos antes mencionados convirá supor enquadrado um caso real.8. Apoiada nesses resultados. isto é. que essa solicitação. ou mais propriamente. mencionar-se-ão os resultados experimentais em que tiveram de se apoiar as soluções dos diferentes problemas a resolver. 1. Caberá. em face das circunstâncias. A seguir. terão caráter indutivo. seja trativa.H. Supõe-se. convém lembrar que nos casos reais o que ocorre é um misto dos diferentes tipos tratados anteriormente.1. e que se referem às hastes retas solicitadas axialmente por forças estáticas. o que se pode denominar de base experimental da Resistência dos Materiais. suporemos as solicitações sempre como estáticas.1. em conseqüência.Haste reta solicitada axialmente Diagrama tensão – deformação axial: Procedendo-se à mais simples das experiências. será N a força atuante em um determinado instante. Posteriormente.

como.C. não mais N ∆l ligando N a ∆l. podemos admitir que a solicitação se distribui uniformemente ao longo de toda seção. podendo-se traçar um diagrama ligando essas grandezas. 118-1 Por outro lado. se observarmos que o traço segundo a seção reta da peça se desloca mantendose todos os seus pontos num mesmo plano.Ávila 15 Fig. A Figura 118-2 nos indica os aspectos mais comuns desses diagramas∗ . no entanto.4. Podemos. não só pela qualidade do material. So lo ∗ Posteriormente se verá a que materiais correspondem esses tipos de diagramas. e sim σ = a ε= . contudo. de sorte que: σ= e. . A experiência mostra que à proporção que a solicitação N cresce.H. É lógico.A. pela seção So e pelo comprimento lo da barra. também ∆l vai crescendo. também. pelo valor atingido por N. então: dN = constante dS N So σ= onde σ é a tensão normal conforme se estudou em 1. que os acréscimos de comprimento da barra estarão influenciados.1. eliminar tantas dependências se traçarmos o nosso diagrama.Frazão Guimarães / J.

H. Fig. já que se refere a um comprimento unitário. conforme o material∗ . Em se tratando de um aço doce. 118-5.A. só depende das características do material e das condições de ensaio. 118-2(a).118-2 Quanto a σ já conhecemos sua significação.1.5. Ela independe agora do comprimento lo . Poderiam. 118-2(b) e 118-2(c).Ávila 16 Fig. denominaremos simplificadamente de deformação axial. também. em conformidade com o que se disse em 1.118-3 Este diagrama. ∗ Os diagramas das figuras 118-2(a) e 118-3 são típicos para os aços doces. 118-3 onde convém notar o que adiante se verá. denominado diagrama tensão – deformação axial. correspondendo ao da Fig. ele pode apresentar o aspecto da Fig. ser semelhantes aos da Fig.Frazão Guimarães / J.C. Teremos assim um diagrama como o da Fig. . quanto a ε = ∆l l o vemos que será o alongamento específico que.

apresentar um comprimento l = lo (1 + 0. conforme a marcha do ensaio. maior importância. embora isso não seja rigorosamente certo. os vários congressos destinados a fixar normas têm procurado defini-lo. em geral. Assim é que o Congresso Internacional de Ensaios de Materiais reunido em Bruxelas em 1906 definiu o limite de elasticidade como sendo o ponto definido pela tensão σE tal. a Comission Permanente de Standardisation Française confundia o limite de elasticidade com o limite aparente de elasticidade.H. do que resulta uma nova ascensão no diagrama. e ainda de limite aparente de elasticidade . de ordenada mais baixa que R.00001 . ruptura esta que corresponde a um ponto R’ do diagrama. Isto se constata na máquina de ensaio por um retrocesso na escala das forças. se tomar o limite de proporcionalidade como sendo o limite de elasticidade. segundo uma lei de proporcionalidade entre tensões e deformações. É útil assinalar que. as deformações começam a crescer mais rapidamente até atingir um ponto Ss. após os quais o material entra em uma fase de deformações permanentes. o que leva o diagrama a atingir um ponto Si onde o material. superior e inferior.1. em geral. designaremos por σS ao limite de escoamento inferior que é o que usualmente tem importância prática. 0. como que recuperando sua resistência. ou então as deformações se localizam em um pequeno trecho que se adelgaça rapidamente para romper-se logo a seguir. Por isso. na literatura técnica. Nessa ocasião ou a barreta se rompe. b) A maior parte do diagrama na zona elástica se desenvolve segundo uma reta OP. é o limite de elasticidade .01% até 0. denomina-se limite de proporcionalidade nome que.001% do comprimento inicial da barra. pode o ponto Ss desaparecer. isto é. deverá. isto é.A.00001) Essa precisão dificilmente pode ser obtida pelo fato de que a precisão com que se consegue medir as solicitações não ultrapassa. Aos pontos S s e Si denominam-se limites de escoamento. A DIN. d) Após o escoamento. a atenção para o fato de que adotando um valor tão elevado para ∆lp . muitas normas definem o limite de elasticidade permitindo valores maiores para as deformações permanentes.01%. pelo fato de aí se tornarem bem apreciáveis as deformações permanentes. ∗∗ Como os limites de proporcionalidade e de elasticidade pouco diferem um do outro quanto as tensões que os definem. que a deformação permanente seja igual a 0. como às vezes se denomina ao limite de escoamento. Acima desse ponto já se manifestam deformações permanentes. começa a oferecer nova oposição à deformação. ou sejam as referentes ao primeiro trecho OE da curva. não são permanentes.Ávila 17 a) As deformações correspondentes às tensões mais baixas. é comum. atingindo-se a um ponto R onde a resistência oferecida pelo material passa por um maximum. Sendo assim. muito pouco abaixo do ponto E.Frazão Guimarães / J. ∗ Tendo em vista o conceito mais correto de elasticidade exposto em 1. no que se seguirá. portanto. . A esse limite costuma-se também chamar de limite de alongamento rápido ou de encurtamento no caso de compressão. também se dá à tensão σP que o define∗∗ . elas desaparecem quando removida a solicitação. depois de descarregada. correspondente a uma tensão σR. em um regime plástico. O ponto E.002 lp Chamaremos. todavia.3. tendendo para o ponto Si que adquire. lo A barra.003% de lp A Comission Permanente de Standardisation Française fixava: ∆lp = 0. assim.C. portanto. onde o material sofre uma mudança em sua estrutura e em suas propriedades elásticas de tal sorte que para manter a deformação já atingida basta uma solicitação bem menor. 1602 indica valores de ∆lp desde 0. Ao ponto P. nome que comumente se costuma atribuir à tensão σE que define esse ponto∗ . as deformações crescem sempre mais rapidamente que as tensões. c) Após o limite de elasticidade E. ou seja ∆lp = 0.

ambas referidas à seção inicial da haste. Sendo assim. costuma-se considerar um limite de deformação. ∗∗ . de proporcionalidade. a resistência estática do material. os anglo-saxões distinguem o Yelding point (tensão no limite de escoamento bem definido) do Yelding strenght (tensão no limite de deformação.2% do comprimento inicial da haste de ensaio (Fig. por definição. Em primeiro lugar notaremos que se. 118-3. cuja ruptura é. pois. Estes últimos se denominam materiais frágeis como o são o vidro. Convém frisar que. aos materiais dúteis que podem apresentar ou não escoamento definido. denominam-se resistência estática e tensão de ruptura. pela ordem. o ponto R’ se confunde com o ponto R. não há estricção. ou seja ε R = 0. ao que ocorre no caso dos materiais dúteis com escoamento definido por ocasião desse escoamento. σ-S. o ferro fundido ou o concreto. de certa forma. (b) ou (c) da Fig.2% pareça um tanto arbitrário (e. podem se apresentar semelhantes aos casos (a). não há um escoamento nítido. isto é. e sinais negativos aos mesmos elementos quando de sentidos contrários. σ-E. É bom que se observe desde logo que. em lugar de ter uma haste tracionada. Faremos ainda algumas observações complementares a respeito do diagrama tensãodeformação axial e dos limites que acabamos de definir. de resistência à compressão. para muitos materiais como certos aços duros. da ordem de 5%. para os quais às notações já indicadas se acrescentará o sinal negativo ficando-se. rompem bruscamente sem apresentar grandes deformações que anunciem a ruptura. No segundo caso. embora ainda as deformações antes da ruptura sejam grandes. ela fosse comprimida os fenômenos estudados seriam análogos. 118-2. Embora esse valor 0. ele corresponde. que. como acontece com o alumínio e algumas de suas ligas.H. ∗ Em peças esbeltas comprimidas a ocorrência da flambagem modifica os resultados. se denominam dúteis em contraposição aos que. se fixa como o ponto para o qual a deformação permanente atinge o valor de 0. Uma outra observação a ser feita refere-se ao aspecto geral dos diagramas tensão-deformação que. ainda. nele se observando um escoamento nítido e grandes deformações antes da ruptura. aproximadamente.Frazão Guimarães / J. apresentando um diagrama tensão-deformação semelhante ao caso (c) da Fig.05.118-4)∗* .A.C. anunciada por grandes deformações. No primeiro caso temos a Fig. a seção reta da peça deverá ser grande relativamente ao seu comprimento∗ . σR e σR’ . da zona puramente elástica à zona inteiramente plástica de maneira progressiva. Apenas. mas é comum considerar-se uma deformação específica na ruptura. se o toma como 0. para se estudar uma peça solicitada axialmente de um modo geral. σ-R. como já dissemos. quando o escoamento não é bem definido). então. embora esse valor não deixe de ser puramente arbitrário. em um ensaio à compressão. neste último caso – escoamento não definido. ou por encurtamento. embora as deformações fossem de sentido contrário. bastará. Voltando. bem como às deformações totais e específicas quando por alongamento. às vezes. A esses materiais. como já dissemos atrás. quantitativamente falando. e a tensão de ruptura é.5%). não há um limite bem definido que permita rotular um material de dútil ou de frágil. convém assinalar que. como um valor capaz de se constituir num tal limite. de elasticidade. Ter-se-iam os mesmos limites anteriores. passando-se. Em sua literatura técnica. como σ-P .118-2. que é típica dos aços doces. de escoamento.Ávila 18 Aos pontos R e R’ se denominam respectivamente ponto de estricção e ponto de ruptura: às tensões correspondentes. atribuir sinais positivos à força axial e à tensão normal quando tratativas.

devemos observar que no diagrama tensão-deformação axial da Fig.Ávila 19 Fig.A. entretanto. Depois. isto é. como mostram as curvas À e Á da Fig. daí resultando que as tensões reais são maiores que as nominais afastando-se destas cada vez mais.118-3 as tensões são nominais.118-5. Para os materiais não dúteis e para os dúteis até o escoamento essas tensões são aproximadamente as reais porque a seção varia muitíssimo pouco como se verá a seguir. referidas à seção So inicial.H.C.Frazão Guimarães / J. expresso em % do seu comprimento inicial: δn % = lr −lo 100 lo 118-I . Alongamento percentual de ruptura Vem a ser o alongamento total sofrido pela barreta de ensaio. de ultrapassado o limite de escoamento. a seção diminui à medida que a barra se alonga.118-4 Ainda no caso dos materiais dúteis.

Após grande número de experiências verificaram os pesquisadores que essas deformações não são independentes. guardam entre si. pelo contrário. medida após a ruptura.C.A. devendo ser sempre indicado seu valor porque influencia o do alongamento percentual. Deformação transversal – Coeficiente de Poisson Até agora só se tratou das deformações longitudinais. Antes.118-5 lo entre o comprimento e o d diâmetro iniciais da barreta. em virtude da própria deformação longitudinal. enquanto não se ultrapassar o limite de elasticidade.Ávila 20 Fig. isto é ε εq = − m O fator 118-III 1 é o coeficiente de Poisson.H.Frazão Guimarães / J. surge uma deformação transversal de sentido contrário àquela. onde lr é o comprimento total depois da ruptura e n indica a relação n = Contração percentual de ruptura (em ensaio de tração) ou estricção É definido esse índice pela relação: ψ %= S o −S r 100 So 118-II onde Sr é a área da seção estrita. Mas observando-se bem o que se passa com a haste se verá que. uma relação que se pode considerar constante para cada material. representado usualmente na literatura por ν : m 1 ν= m .

sendo as demais nulas. a solicitação sobre uma seção reta da peça se resume à força N normal a ela.118-6 vem a ser a relação entre o acréscimo da deformação longitudinal para o acréscimo da tensão ou módulo de alongamento do material. Se se trata de uma barreta cilíndrica teremos ∆D εq = D onde D é o diâmetro inicial.A. dadas as suas condições. ainda.Ávila 21 Note-se que evidentemente: ∆l εq = l q q onde lq é uma grandeza linear situada no plano perpendicular ao eixo da solicitação. onde.C.H.Frazão Guimarães / J. . e nós o designaremos por α. Foi visto que havia uma deformação longitudinal ε = ∆l lo e que desperta uma tensão dada por N σ = dN = S dS o desde que se admita a distribuição uniforme de tensões. o caso da nossa experiência anterior. Lei de Hooke Considere-se. Módulo de elasticidade longitudinal. O sinal (-) na fórmula 118-III interpreta os sentidos das deformações. Uma lei deve existir ligando ε a σ e que será a equação do diagrama tensão-deformação axial. Seja ε = f (σ) Sua derivada: dε = f ' (σ) = cot g ϕ = α dσ 118-IV Fig.

ferro fundido. aliás. materiais litoides.). se procura fazer trabalhar os materiais. Ao coeficiente E costuma-se chamar ainda de módulo de Young. nos casos da prática. e. costuma-se admiti-los como constantes. é representado pela letra E: Por se tratar de uma grandeza sempre muito pequena. se fosse possível∗ . integrando suas expressões virá: ε= σ E σ = Eε duas formas sob as quais se apresenta a lei de Hooke que nos diz: “Há proporcionalidade entre a deformação e a tensão”. etc. de Ritter. como se verá mais tarde.Frazão Guimarães / J.Ávila 22 1 a α que se dá o nome de módulo de elasticidade longitudinal correspondente a uma certa tensão. de Lang. dá σ = E. e nos casos gerais. etc. ele se deformasse longitudinalmente de comprimento igual ao primitivo. ∗ É possível para a borracha. e é um coeficiente do material. prefere-se trabalhar com seu inverso E= 1 dσ 1 = = = tg ϕ α dε f ' (σ) 118-V A este módulo de elasticidade costuma-se. nesse caso. . Nesses casos. também.C. denominar de módulo de elasticidade tangente. Entre elas podem ser citadas as de Bach-Schüle.A. dever-se-ia ter um valor do módulo de elasticidade para cada tensão ou: 1 E= f '( σ) Vários experimentadores têm procurado estabelecer a forma da equação 118-VI ε = f (σ) para esses materiais.H. que mostra que o módulo de Young seria uma tensão fictícia (na grande maioria dos casos) a que seria preciso submeter o material para que. Tomá-lo constante equivale a admitir como retilíneo o diagrama tensão-deformação. Na realidade. a rigor. Materiais para os quais a lei de Hooke não é verdadeira. isto é. Para grande número de materiais o diagrama tensão-deformação não apresenta nenhum trecho retilíneo. E e α variam com σ. a variação das tensões com as deformações não segue uma lei linear (madeiras. A relação σ = ε E. dentro do qual na maior parte dos casos. quando ε = 1. mas. o que no caso de muitos materiais é verdadeiro até um certo limite – o limite de proporcionalidade .

157 457000 Embora muito usada.A. isto é. .H. quando σ tende para zero. de não ser possível estabelecer a significação física da constante C uma vez que sendo: C= ε k σ haveria dimensões diferentes para C quando k mudasse de valor.0663 Ensaio de compressão: C= 1 . 1132700 k = 1. k = 1. para um concreto (1: 2-1/2: 5) 1 C= . Seguem-se alguns de seus valores. Bülfinger apresenta: 1 C= .395 Para uma argamassa de cimento e areia (traço 1:3) à compressão.15 315000 De experiência de Bach encontra-se. k = 1. a fórmula de Schüle apresenta o defeito.C. de ordem teórica. Para um certo ferro fundido : Ensaio de tração: C= 1 . Ter-se-á: k −1 dε =Ckσ dσ 118-VII e E= dσ 1 = d ε C k σk −1 118-VIII Nestas expressões C e k são constantes do material determinadas experimentalmente para os casos de tração e de compressão. C teria uma significação física diferente para cada material. 1381700 k = 1. o que não corresponde à realidade.Frazão Guimarães / J.Ávila 23 Fórmula de Bach-Schüle Bach e Schüle e outros experimentadores como Bülfinger propuseram uma fórmula empírica da forma: ε = C σk para representar a lei procurada dentro do intervalo das solicitações correntes na prática. Um outro defeito é que conduz a um valor infinitamente grande para o módulo de elasticidade E.

Eo = a e.C. Vem: e −1000ε = 1− σ K ( K − σ) K e aplicando o logaritmo. e que podemos fazer 2b = C: E = Eo . então. ter-se-á C = 0 dentro desse regime. substituindo e levando em conta que b2 é muito Eo pequeno.Frazão Guimarães / J. Vem: α= dε (a − bσ) + bσ a = = 2 2 2 2 dσ (a − bσ) a − 2abσ + b σ 2 118-IX dσ b E= = a − 2bσ + dε a Vemos que quando σ 2 σ = 0.Ávila 24 Fórmula de Lang Segundo Lang: σ ε = a − bσ onde a e b são coeficientes experimentais próprios do material. para o concreto.C σ 118-X Para os materiais que admitem um regime proporcional.H. vem: − 1000ε = lg . Fórmula de Ritter (concreto) Ritter. estabeleceu a expressão: σ = K (1 – e-1000ε) onde: 118-XI K – é uma tensão ideal que experiências mostram poder ser tomada igual à resistência cúbica do concreto ou: K = Wb e – base dos logaritmos neperianos.A.

quando necessário. não seja constante o valor de E.C. é corrente. ou (Fig. o próprio coeficiente de Poisson também varia.H. mesmo assim. Por isso. σA εA Fig. procurando. adotar-se o chamado módulo de elasticidade secante. É costume. ainda se vai supor E como constante.001 K − σ 2 = 0. valores variáveis conforme o problema. para esses materiais.A. então lógico considerar essa variação. Este procedimento se impõe na prática para evitar a complexidade que tomariam as fórmulas obtidas com a consideração do valor variável de E com σ.Frazão Guimarães / J. claramente. embora sabendo que não se trata de uma constante.118-7) E sec = tg ϕ1 = Vê-se. admitir a validade daquela lei pelo emprego de um valor de E médio. que tg ϕ0 〉 tg ϕ1 〉 tg ϕ ou E o 〉 E sec 〉 E T sendo Eo o módulo de elasticidade inicial e ET o módulo tangente no ponto A. Além do mais.001 lg  K K σ    −   E também: 118-XII α = dε = 0. para isso. tomando. de acordo com o problema que se tem a resolver. isto é. naturalmente.Ávila 25 ε = 0.118-7 . controlar o erro cometido.001 dσ (K − σ) E= dσ = 1000 ( K − σ) dε K −σ 118-XIII Embora para esses materiais a lei de Hooke não seja verdadeira. Assim o valor médio entre o estado livre de carga e o representado pelo ponto A seria dado pelo coeficiente angular da secante OA ao diagrama tensão-deformação. e seria.

usualmente. como nos casos das molas usadas como elementos propulsores (mecanismo de relojoaria) ou amortecedores. o mais comum é tomar o ponto A no limite de elastic idade do material. em parte em outras formas de energia. entre as quais energia cinética imprimindo às diversas partes do corpo uma certa velocidade. os seguintes valores médios: Eo = 210. lembrar que para os materiais que admitem regime proporcional. convindo. praticamente. Esse trabalho se transforma. em energia potencial de deformação do corpo e.Ávila 26 Em cada caso. de mesmo valor que o trabalho exterior desde que o limite de elasticidade do material não tenha sido ultrapassado.000 kg/cm2 (estudo de tensões e dimensionamento).H.C. Desde que. as ações exteriores – forças e conjugados – executam um certo trabalho mecânico.A. se tem Eo = Esec = ET Quando não há regime proporcional.000 kg/cm2 (cálculo de deformações) Eo = 140. Fig. como já foi definida anteriormente. todo o trabalho executado é consumido na deformação do corpo acumulando-se sob a forma de um potencial elástico. Essa propriedade de os corpos elásticos se constituírem em um acumulador de energia potencial. em determinado instante. porém. crescente. em virtude da deformação a que fica sujeito. Iniciaremos a nossa apreciação pelo caso em que tenhamos uma haste reta. é muitas vezes utilizada. a ação exterior seja uma ação estática. podendo fornecer trabalho quando se os descarrega. No momento nos ocuparemos dessa acumulação de potencial nas hastes solicitadas axialmente por forças estáticas. as velocidades de deslocamento das partículas são extremamente pequenas de modo que. Ainda como exemplo cita-se o caso do concreto onde se adotam. designando por N ao valor dessa força normal.118-8 . Trabalho de deformação de uma haste solicitada axialmente Quando um corpo é solicitado. o ponto A deverá ser fixado de modo adequado. desde já. homogênea e de seção constante submetida a um diagrama solicitante axial também constante ao longo de seu comprimento. em parte.Frazão Guimarães / J.

constância da seção da haste. como o potencial elástico. Portanto. Então será avaliável pela área sob o diagrama tensão-deformação axial. um acréscimo correlato d∆l da deformação axial terá lugar. isto é. constância da força normal – conduzem a uma uniformidade de solicitações nas vizinhanças de todos os pontos da peça. está uniformemente disperso na massa do corpo pode-se determinar o potencial específico dividindo pelo volume da haste. desde o início da solicitação até um certo valor da força normal N . para tanto. isto é. evidentemente d = Nd∆l avaliável pela área hachurada do diagrama (b) da Fig. Genericamente falando. será = ∫o ∆l Nd∆l (a) que é medido pela área sob o diagrama N . o trabalho de deformação de um corpo qualquer poderá ser sempre calculável por = ∫ V dV 118-XIV desde que tenhamos exprimido como função do ponto ao longo do corpo. pelo produto lSo em que l é o comprimento da haste e So a área de sua seção reta. em determinado instante. com o que um trabalho elementar terá sido executado e será acrescido ao potencial já armazenado no corpo até aquele instante. Se. Esse modo de acumular potencial na massa de um corpo. portanto. sente-se que o potencial armazenado na massa do corpo estará distribuído. assim.118-8b) representará a S interdependência entre N e ∆l. o potencial elástico específico ou trabalho específico de deformação nas vizinhanças de cada ponto se exprima por d = dV No caso geral. porém. ∆l das deformações. um certo comprimento l da haste terá sofrido um alongamento ∆l . O valor desse acréscimo elementar de potencial será. e acumulado em toda a massa da haste. uma certa curva (Fig. a partir desse instante. a força normal houver atingido a um valor N . constante. poderemos admitir que cada elemento de volume dV existente nas vizinhanças de cada ponto haja acumulado um potencial elementar d desde o início da solicitação e que. bastando. não se constitui em regra geral. No caso presente em que todas as circunstâncias – homogeneidade do material.A. partindo da expressão (a) = o σ dε ∫ ε (b) . No caso que se está analisando até aqui. de maneira uniforme. que as solicitações em torno de cada ponto sejam diferentes umas das outras.C. também. ocorrer um acréscimo dN da solicitação. ou seja. o potencial acumulado por unidade de volume nas vizinhanças de qualquer ponto será o mesmo. o trabalho total consumido para deformar a haste.H.118-8. ao mesmo tempo que a tensão normal a um elemento de superfície nas vizinhanças de qualquer ponto do corpo e perpendicular a seu eixo terá N atingido ao valor σ = . De qualquer forma.Ávila 27 Quando. porém.Frazão Guimarães / J.

chega-se a 1 = 2 ∫l 2 N dl ES 118-XV Conhecidas as variações de E. então. nele se armazenará um potencial elástico 1 N l = 2 ES 2 118-XVI Tendo em vista que este caso corresponde ao de uma peça de comprimento l solicitada axialmente pelas pontas por uma força P= N . nesse comprimento a força normal for.Ávila 28 Admitindo. e. N e S ao longo da peça a expressão 118-XVI poderá ser integrada. e que.Frazão Guimarães / J. isto é. virá para este caso = o ∫ ε ε E dε = E 2 2 σ = 2 2E (c) que dá o potencial elástico específico acumulado em torno de um ponto solicitado por uma tensão normal σ. Quando a peça for de seção constante em um comprimento l. a lei de Hooke. Agora podemos.H. Fica-se com = ∫l dl ∫S σ 2 2E dS e como σ= N S (constante ao longo de cada seção reta). .C. constante N . dando o potencial armazenado na mesma no caso mais geral de solicitação por forças normais. nesse caso o alongamento total será Pl ∆l = ES virá = 1 P ∆l 2 118-XVII 1 que aparece em face de se tratar de 2 Nesta expressão convém observar a presença do fator uma solicitação suposta estática. que entre σ e ε vigore uma lei de proporcionalidade. calcular o potencial total armazenado em nossa haste como em qualquer outra solicitada por um diagrama de forças normais N variando ao longo de seu comprimento. o que se pode supor válido até o limite de elasticidade de um modo mais ou menos preciso. partindo de 118-XIV.A. também.

à medida que ∆l também vai crescendo com ela. P Tudo.8. Entretanto. por extensão às considerações anteriores. Os elementos ortogonais do volume elementar sofrerão. o trabalho dessa força seria P∆l.4. se durante todo o crescimento da deformação total da haste. atuasse uma força P. constante. substituindo a tangente pelo arco: γ= dy dx Supondo. 1.2 – Força tangencial única no plano da seção reta Módulo de elasticidade transversal ou de escorregamento Considere-se agora uma peça onde. de zero até ∆l.118-9).Frazão Guimarães / J. 118-9 Por efeito dessa solicitação o elemento de superfície correspondente sofrerá um escorregamento dy relativamente ao seu correspondente situado na seção vizinha. do início ao fim. então. podemos escrever: γ = βτ análoga à expressão ε = α σ anteriormente já achada para solicitações axiais. que a relação que liga γ a proporcionalidade. Para um elemento de área sit uado em cada ponto da seção haverá uma força elementar d Q a que corresponderá uma tensão cisalhante que.H. atuasse uma força de valor médio com o 2 que o trabalho correspondente ao deslocamento ∆l será expresso por 118-XVII. como se viu em 1. se passa como se. assim.Ávila 29 Efetivamente.1. será: → → → τ = dQ dS Fig. a solicitação seja unicamente uma força Q em seu próprio plano (Fig. em uma seção. uma deformação angular γ a que já denominamos distorção e que pode ser calculada mediante as expressões abaixo dy = dxtgγ ou.C. afastada de dx.A. τ seja a de 118-XVIII . a força P vai crescendo proporcionalmente ao tempo.1.

preferindo-se trabalhar com seu inverso G= 1 β 118-XIX onde G. variável como pode escrever: γ = f( τ) E sua derivada dγ será mais precisamente o valor de β ou: dτ dγ β = f ' (τ) = dτ τ de modo que se 118-XX Nesse caso o módulo de elasticidade transversal será. todavia.118-10 Na prática.Ávila 30 Também β é muito pequeno.A. Como no caso das solicitações axiais. Costuma-se obter os diagramas tensão tangencial-distorção partindo-se de ensaios de torção. admite-se β e G como constantes. como se faz com α e E.H. β é. homogêneo ao módulo E. Fig. mais precisamente: G= 1 dτ = = tg ϕ f ' ( τ) dγ 118-XXI onde ϕ se encontra assinalado no diagrama tensão tangencial-distorção que pode ser traçado analogamente ao diagrama para tensão-deformação axial (Fig. β é o módulo de escorregamento.Frazão Guimarães / J. Então: τ = γG τ γ= G 118-XXII .118-10).C. tem os nomes de módulo de elasticidade transversal. nos casos gerais. o que conduz às expressões anteriores. ou módulo de elasticidade ao escorregamento.

C. os efeitos de um certo número de ações são iguais às somas dos que ocorreriam se cada uma das ações atuasse isoladamente e consideradas em qualquer ordem”.2 – PRINCIPAIS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS ESTRUTURAIS Trataremos. Também o princípio não se aplicará aos sistemas cujas deformações sendo muito grandes. estas alterações fazem com que.H. agora. Este princípio permitir-nos-á. enquanto o limite de elasticidade do material não for ultrapassado. afinal. muitas vezes. entre ações e deslocamentos.Ávila 31 1. Pois bem: quando entre efeitos e causas prevalece uma relação de proporcionalidade é possível aplicar ao sistema o chamado princípio da superposição ou da independência dos efeitos de ações simultâneas.Frazão Guimarães / J. Uma grande parte delas é determinada através os ensaios axiais de tração e de compressão.1. Esse princípio pode ser assim enunciado: “Salvo algumas exceções∗∗. que. quer locais. é um verdadeiro postulado já que sua validade não decorre propriamente de nenhuma demonstração teórica.9 – Princípio da superposição Em grande número de casos as peças de uma estrutura se encontram sob a influência de várias ações exteriores que sobre elas incidem simultaneamente. suas formas mais simples. ∗ Em capítulos posteriores a lei de Hooke aparecerá de forma mais generalizada. somarmos seus efeitos. ocorre que elas têm lugar em quaisquer casos em que uma ação produza efeitos tais que conduzam as demais a ter outros efeitos que não teriam sem a existência dos primeiros∗∗∗ . 1. Os efeitos mais característicos dessas ações exteriores são as solicitações interiores – que se manifestam sob a forma de tensões – e as deformações. consequentemente. estudar cada ação de per si. podendo-se. Cada uma delas dando lugar a certos e determinados efeitos. Voltando ainda às exceções à aplicação deste princípio. para. as relações geométricas entre suas diferentes partes venham a sofrer alterações substanciais. mas da coincidência de suas conseqüências com os resultados experimentais. refletindo-se. em Resistência dos Materiais. deixe de prevalecer uma relação de proporcionalidade e. e. É o que se fará em todo o resto deste curso. pois. ∗∗∗ Uma haste sujeita simultaneamente a um carregamento axial e a outra transversal é um exemplo disso: o encurtamento decorrente do carregamento transversal torna possível à carga axial produzir momento fletor – e consequentemente novas deformações laterais – que não ocorreriam se a própria carga axial agisse sozinha. substituir a simultaneidade das ações pela sucessividade em qualquer seqüência. de algumas das principais propriedades dos materiais estruturais. apresentada em 118-VI e 118-XXII. As exceções se referem aos efeitos que não se ligam às causas sob forma linear. ∗∗ .A. necessário se torna conhecer os efeitos decorrentes da simultaneidade das causas. invalida a aplicabilidade do princípio da superposição. Tanto uns como outros desses efeitos costumam ser admitidos em Resistência dos Materiais como obedecendo à chamada lei da proporcionalidade ∗ que tem na lei de Hooke. quer gerais na peça. no diagrama tensão-deformação axial como se verá a seguir. desse modo.

à compressão e ao cisalhamento. é função da repetição da solicitação e do ciclo dessa repetição.1. Quando se trata de materiais não dúteis é a ruptura que delimita essa resistência. como para os materiais não dúteis. Conclui-se que os materiais serão tanto mais dúteis ou maleáveis quanto mais bem definido tiverem o limite de escoamento. ser ainda a resistência estática à ruptura. Como a redução a fios ou a lâminas exige do material uma deformação plástica sem ruptura. A plasticidade é. podendo. conforme tem sido extensamente comprovado. então. a fixação da resistência depende da deterioração estrutural que se teme (ver 2.3 – Resistência. que costuma ser designado por fadiga do material. subentende-se tratar-se de ruptura estática.Frazão Guimarães / J. . Os materiais a que faltam essas propriedades são frágeis ou quebradiços conforme se definirá em 1. a maioria dos elementos de máquinas e engenhos.3). se as solicitações forem estáticas. pelo menos dentro de certos limites. Materiais com estas propriedades apresentam valores elevados para o coeficiente de alongamento percentual δ n (ver 118-I). entretanto. Para os materiais dúteis. é dada pela ordenada máxima do diagrama tensão-deformação axial (σR ou σ-R conforme se trate de tração ou compressão). a maleabilidade a de se deixarem reduzir a lâminas (pela passagem no laminador ou por martelagem). em certos casos. como não são adequadas às peças onde as solicitações sejam repetidas ou dinâmicas. durante essas mudanças de forma. É costume. A dutilidade é a propriedade que certos materiais apresentam de se deixarem reduzir a fios (em geral pela passagem na fieira). algumas peças de outros tipos de estruturas.2.7) cujas intensidades das solicitações se mantêm abaixo daquelas a que o material provou resistir sob solicitações estáticas.Ávila 32 1.2 – Dutilidade e maleabilidade A dutilidade e a maleabilidade são propriedades análogas. às vezes.A. embora neste caso a deformabilidade maior ou menor dependa.C. considerando-se um material como mais elástico que outro quando mais facilmente deformável que esse outro. ou mesmo de solicitações dinâmicas muito pouco freqüentes. e mais afastado dele o limite de ruptura. Como se verá em capítulos especiais posteriores. Isso porque. a elasticidade terá como propriedade inversa a rigidez∗ .1). ∗ Com esta acepção os termos elasticidade e rigidez são também usados em referência a estruturas.2. e. Subentendido fica não haver.4. é comum definir como dúteis os materiais suscetíveis de grandes deformações plásticas. Rigidez. caso em que. ligar o termo elasticidade simplesmente à noção de deformabilidade. ruptura da coesão interna. a propriedade inversa (ver 1. Entendida nessa acepção. como também das características geométricas da estrutura. e. a experiência mostra que o simples conhecimento do comportamento de um material sob cargas estáticas não é suficiente para definir suas qualidades para todas as necessidades das aplicações correntes. esse decréscimo de resistência. 1.2. não só do material. Resistência permanente ou endurance A resistência é avaliada pela maior tensão a que o material pode resistir.H.1 – Elasticidade e plasticidade. principalmente à tração.1. influindo na vida da peça. Quando não se tratar de solicitações estáticas.2.4. acabam rompendo por efeito de cargas repetidas (ver 1. Já definimos elasticidade como sendo a propriedade que apresentam os materiais de terem suas deformações transitórias. em alguns casos. 1.

ou seja a capacidade de absorver energia sem deformação permanente. só viria a ocorrer após um número de repetições muitíssimo elevado. a deterioração considerada para fixação da resiliência é a deformação permanente. é claro que a resiliência será tanto maior quanto o for a energia que o material tiver de absorver para se deteriorar.Ávila 33 Mostrar-se-á também que. a forma original quando descarregados De vez que.A. (ver parágrafo 1. ensaios de duração. referido. as suas resistências a esses tipos de solicitações. para os diferentes materiais. Fragilidade Por resiliência se designa a propriedade que têm os materiais. avaliada pela área OEE1 do diagrama tensão-deformação axial até o limite de elasticidade (Fig. ∗∗ . de resiliência elástica. em maior ou menor grau. ou capacidade de absorver energia sem ruptura.H. a qual poderá ser avaliada pela área OR’R1 do diagrama tensão-deformação∗∗∗ . pelo menos. Fig. Comumente. Isto só será rigoroso se as deformações forem independentes da velocidade de aplicação de carga. de absorverem energia quando submetidos a solicitacões dinâmicas.124-1 Nada impede. uma porção de energia cinética se transmite ao corpo que o recebe transformando-se em trabalho de deformação. dos ensaios correspondentes∗ . de vez que o diagrama tensão-deformação é obtido em ensaios estáticos. nunca ocorrerá a ruptura qualquer que seja a repetição do ciclo correspondente.4 – Resiliência. ∗ Ensaios de fadiga. é possível determinar. . à unidade de volume. com mais justeza. Ela será. que se fixe a deterioração a temer como sendo a ruptura. considera-se como resiliência o que se poderá denominar. Sendo assim. então. sob a forma de resistências permanentes ou limites de endurance abaixo dos quais estando mantido o material. 1. se deformarem e recuperarem. ensaios de endurance. por efeito desta.124-1)∗∗ e corresponde à capacidade do material para servir de mola. ∗∗∗ Aqui se aplica a mesma consideração anterior estendida à zona não elástica das deformações.7) com crescimento contínuo e lento da carga aplicada.2. isto é. ou. evidentemente.C. a resiliência poderá ser avaliada pelo trabalho absorvido pelo material para se deteriorar. isto é. entretanto.Frazão Guimarães / J. Neste caso teríamos a resiliência total.1.

6. expressa por um valor numérico. Num primeiro grupo teremos os padrões de dureza. são chamados frágeis. sob certas condições.2. definida em 1. e S é a área (em mm2 ) da calota esférica da mossa deixada. de resiliência pequena. Rockwell).Frazão Guimarães / J. inclusive de carga.2. podendo a penetração ser apreciada quer pela área da mossa produzida (Brinell.Ávila 34 Assinalemos que a área total do diagrama tensão-deformação que nos dá uma idéia da resiliência total vai se constituir no critério de avaliação da chamada tenacidade . . o padrão Brinell. e onde a dureza. A comparação das durezas dos vários materiais se faz mediante dois critérios principais: . a dar alguns detalhes acerca de um deles.C. . como indicação. virá sucessivamente 2  2 πD  d  S= 1− 1−  2   D    2  D d  h= 1− 1−  2  D    H= 2P  2  1− d   πD     D    2 125-II ∗ Há também padrões de dureza com cargas dinâmicas. utilizado mais extensamente em tecnologia. Os materiais que não são capazes de absorver energia e restituir a deformação quando descarregados. Deixando de lado o primeiro. se procura fazer penetrar na massa do material usado. nos detenhamos um pouco no segundo. o padrão Shore. quer pela profundidade da mesma (Rockwell). são materiais quebradiços.resistência à impressão. para cargas não dinâmicas∗ . isto é. No segundo grupo teremos os padrões de dureza. Sendo D o diâmetro da esfera e h a profundidade da mossa que pode ser obtida em função de D e do diâmetro aparente da própria mossa d. todavia.resistência ao risco. A variabilidade dos elementos acima citados acarreta a existência dos vários padrões de dureza que. podem ser classificados em dois grandes grupos. onde uma mossa determinada é conseguida com cargas variáveis para cada material (Janka).H. 1. Vickers). limitar-nos-emos. o conhecimento minucioso desses padrões e da técnica dos ensaios respectivos. como por exemplo. Não constituindo assunto primordial de nosso estudo.A. usado em técnica mineralógica. onde a penetração variável se faz sob carga constante (Brinell. depende da natureza e forma de um corpo padrão que. A dureza Brinell é definida pela relação H= P S 125-I onde P é a carga (em kg) que pressiona uma esfera de aço sobre o material a ensaiar.5 – Dureza Costuma ser definida como a propriedade que os materiais apresentam de se oporem à penetração de um corpo em sua massa. Vickers.

distinguir a tenacidade estática (ou por ação lenta) da tenacidade dinâmica (ou por choque ) que devem ser determinadas em ensaios especiais. com o que é preciso despender considerável trabalho de deformação. Nos ensaios normais essa duração é de 30 segundos∗ .Ávila 35 E uma vez que P e D sejam prefixados. Ainda se costuma fixar o tempo de duração de aplicação da carga em seu valor máximo. sofre grandes deformações. Denomina-se dureza Brinell normal à dureza H10/3000/30 obtida com a bilha de 10 mm pressionada pela carga de 3000 kg durante 30 segundos.C. demonstre tenacidade apreciável e apresente uma ruptura por deslizamento. também. podendo ser tabelado. para as ligas ferro-carbono. consequentemente. em geral. Assim sendo. .1065. demonstrará tenacidade menor e pode vir a apresentar uma ruptura por separação. bem como para ligas de alumínio e cobre. o coeficiente k pode ser tomado com um valor médio de 0. H só depende de d. sendo regra a seguir que essa duração deva ser maior para materiais macios e vice-versa. a comparabilidade da tenacidade de materiais dúteis tem que levar em conta essa influência. tomando como base a dureza Brinell normal Hn . Os valores de P e D são variáveis.Frazão Guimarães / J. Como universalmente se tem verificado. a influência da variação de velocidade no seu crescimento é mais sensível no caso dos materiais dúteis. e que varia com o tratamento térmico e mecânico a que tiver sido submetida.2. sua resistência estática. antes de se romper à tração. A tenacidade está. a tenacidade de um material varia com a velocidade de aplicação das cargas. da deformação sofrida pelo material. ∗ Para maiores detalhes ver DIN. Para as ligas ferro-carbono. submetido a cargas estáticas lentas.6 – Tenacidade Um material é dito tenaz quando. Os materiais frágeis não são tenazes.2. Assim é que um material é isótropo a uma propriedade quando esta se manifesta independentemente da direção ou sentido que se considere.H. a qual se constitui em uma adaptação do mesmo como que para mobilizar resistências novas a maiores solicitações. não só da tensão exigida para se conseguir a ruptura como. se tem verificado ser possível escrever σRH = kH 125-III onde k é um coeficiente próprio de cada liga. de uso corrente a esfera de diâmetro D=10mm e a carga P=3000 kg∗ . à dureza de um material se liga. Simbolicamente é representada por Hn .7 – Isotropia e anisotropia Estas propriedades se referem a qualquer outra propriedade.A. 1. 1. porém. assim. característica dos materiais frágeis ou quebradiços. e estes são geralmente resilientes.35. dependendo. Um material dútil que. por ação lenta ou rápida. se se aumentar a velocidade de aplicação das cargas ao ponto de transformá-las em choque. de certo modo. conforme as experiências mostram. conforme o país. mas a tenacidade e a fragilidade não são propriedades opostas. fundamentalmente ligada ao trabalho de deformação por tração até a ruptura. É útil atentarmos para o fato de que. Para cargas estáticas. Em particular. sendo. convindo.

A.1 – Modificações por ação mecânica. se o ensaio for levado a esse extremo.H. o que. pouco diferem das do caso de solicitação estática. os materiais serão considerados como isótropos. descarregada. se referir. ela não mais voltará a seu comprimento primitivo. observa-se que ela se comporta elasticamente até um ponto E’ já abaixo do ponto E anterior. a não ser para casos especiais. mas as diferentes fases aparecerão de modo mais ou menos nítido. isto é. Evidentemente. tendo o estilete descrito a reta DO’ paralela a OE. Atingir-se-ia. poderá. 1o caso: Supondo que a solicitação ultrapassa o limite de escoamento ao atingir o ponto D (Fig. aliás. alternada. Como caso de anisotropia elástica pode-se citar a ortotropia que ocorre para os materiais com duas direções privilegiadas ortogonais. uma deformação OO’. que os cristais cúbicos e os corpos amorfos são isótropos às propriedades óticas. conforme sua qualidade e marcha do ensaio. Para a Resistência dos Materiais interessa a isotropia e a anisotropia elásticas. Deslocamento do limite de elasticidade O diagrama tensão-deformação. elasticamente falando. por fim.1.8. Tendo sofrido deformações permanentes. Dois grandes casos se podem apresentar: 1o ) A solicitação máxima ultrapassa o limite de escoamento σ S (material sobre-deformado). .C. Depois apresenta um limite de escoamento em S’. Admitamos. 2o ) A solicitação máxima fica aquém daquele limite. porém.Ávila 36 Diz-se. o que. por isso. deve-se frisar que durante o ensaio atua uma força axial estática. dado o pequeno número de intermitências.Frazão Guimarães / J. às tensões e às deformações. que parte de um valor inicial nulo. descrevendo-se a reta FO” paralela a E’O’. dão lugar a propriedades elásticas marcantes em suas direções. exemplificado e analisado anteriormente (parágrafo 1. De qualquer maneira. 1. carregando e descarregando a peça. é bem próximo da realidade. Tornando a carregar a peça. crescendo progressiva e ininterruptamente até a ruptura da peça. prosseguindo na solicitação. os pontos R e R’ onde as tensões σR e σR’ são as tensões máximas e de ruptura do material. intermitente ou. isto é. que.1) como referente a um ensaio de tração sobre uma barreta de aço. Nem sempre haverá o trecho compreendido entre os pontos Ss e Si. É o caso das placas de concreto armado onde as armaduras. Assim por diante.131-1) a peça seja descarregada.3 – MODIFICAÇÕES NAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS 1. dispostas ortogonalmente. poderá ocorrer com o próprio aço. também. e que os demais cristais são anisótropos a essas propriedades. e apresentará. De modo geral. zona elástica inicial. que se esteja solicitando intermitentemente um material dútil. mas. Encruamento. Vejamos agora o que se passa se a solicitação não for estática. descarregando a peça. então. acima da anterior S. voltar-se a suspendê-la em F. a qualquer material dútil. chega-se ao ponto O”. quanto ao seu andamento geral. em cada caso. obter-se-iam limites de elasticidade mais baixos e de escoamento mais alto. primeiramente. haverá uma forma particular da curva. Se.3.

nos detivermos.H. entretanto. O''. S'. etc. Pouco varia a tensão máxima σR antes da ruptura. E'. Note-se que o encruamento pode ser obtido por qualquer gênero de solicitação que obrigue o material a trabalhar acima de seu limite de escoamento.Frazão Guimarães / J. em vez de ultrapassar o limite de escoamento do material em cada carga i termitente.). Conclui-se que o material vai ficando não só menos elástico como menos dútil. em cada caso. 2o caso: A solicitação não ultrapassa o limite de escoamento. levando. mais frágil. por um repouso prolongado. O''') vão diminuindo. c) os alongamentos totais de ruptura referidos a cada início de nova solicitação (O. dobradura.. então. S''. ver-se-á que a resistência máxima cai quando aumenta a freqüência da intermitência. Entretanto: a) o limite de elasticidade vai baixando (E. os fenômenos se processarão de modo diferente.. a solicitação acima do limite de escoamento respectivo. punção. E'''. ∗ Posteriormente. É o caso do encruamento por laminagem. encruado. isto é. o modo de eliminá-lo pelo recozimento. martelagem. E''. Em metalurgia se aprenderá as causas prováveis do encruamento. Se. ..). Assim é que não varia o alongamento total de ruptura (∆lr = lr – lo ).C. b) o limite de escoamento vai subindo (S.. referido ao comprimento inicial da peça.A. feitos a frio.Ávila 37 Fig. desde que o número de intermitências seja pequeno ∗ . traz modificações nas propriedades do material. d) a resiliência vai diminuindo.131-1 Observa-se que a marcha intermitente do ensaio. O aumento da fragilidade torna a peça imprópria à resistência aos choques e às cargas dinâmicas. em certos casos. sempre. O'. ou. O material diz-se. antes desse n limite.

Muitos materiais estão sujeitos à deformação lenta∗ de maneira mais ou menos acentuada. o que torna o conhecimento deste fenômeno de grande importância.. respectivamente. o que não deve ser desprezado em face da vida provável das estruturas dessa natureza. em relação às correspondentes em curto tempo.. à flexão e à compressão paralela às fibras.131-2 No caso da solicitação ser alternada. com um decréscimo rápido do limite elástico e um decréscimo da resistência à ruptura. chegam a cair para cerca de 55% e 75%. muito mais acentuada que a do aço. Suspendendo-se a solicitação sempre ao atingir uma tensão σS. mais elástico.A. ele vai tendendo para o limite de escoamento que se mantém.. em certos casos.Ávila 38 E a grande diferença está em que o limite de elasticidade passa a subir.1. então. que consiste na diminuição da solicitação necessária à manutenção de uma deformação mantida constante. .7). Bauschinger observou que os fenômenos descritos no 1 caso da solicitação intermitente (solicitações acima do limite de escoamento) se manifestam com muito maior intensidade. por flow. σ''. e. porém. No caso da madeira. peças podem vir a entrar em colapso sob tensões mantidas constantes com valores menores que as resistências manifestadas em curto tempo (item 1.. Deformação lenta Por deformação lenta se entende o fenômeno de contínuo aumento de deformação apresentado por um corpo com o correr do tempo. as experiências mostram que suas resistências em longo tempo. No caso do concreto armado a deformação lenta do concreto. O material conservará. Um aspecto do mesmo fenômeno é o chamado relaxação. o 1. sempre menores que teremos um diagrama como o da Figura 131-2..2 – Influência do tempo e da temperatura. geralmente nos casos de solicitações compressivas. ao contrário do que se dava anteriormente.C. Fig.3. fixo. σ'. quando submetido a uma solicitação constante ou mesmo decrescente. ∗ Na literatura técnica anglo-americana este fenômeno é designado por creep e.. como se poderá observar ao fim da experiência.Frazão Guimarães / J. conduz a uma redistribuição progressiva dos esforços inicialmente recebidos pela armadura e pelo próprio concreto. sendo este último termo usado. E nessa ascensão. tornando-se.H. suas qualidades dúteis. também. portanto.

Do que se acaba de dizer. simplesmente. também decresce com o aumento da temperatura.Ávila 39 Apesar de se tratar de um fenômeno bastante geral em todas as temperaturas. Em compensação. .Frazão Guimarães / J. o aumento desta última acarreta um aumento da dutilidade. não venham a surgir deformações excessivas. Para os aços de teor médio de carbono. Denomina-se limite de resistência à deformação lenta∗∗ ou. Quanto ao módulo de elasticidade.A. ∗ No caso dos metais macios.000 a 100. Particularmente.C. é possível concluir da necessidade de limitar as tensões que possam vir a ocorrer em uma estrutura ou máquina de modo que. ele se apresenta de um modo muito acentuado nos metais quando submetidos a temperaturas elevadas∗ quando. a ruptura. para cair depois. Da definição acima infere-se a necessidade de fixar o intervalo de tempo (que será função da vida provável da construção ou máquina) como também a deformação permitida. limite de deformação lenta (normalmente referido a um metal a uma dada temperatura) à maior tensão que pode ser desenvolvida no material durante um certo tempo sem que se ultrapasse determinada deformação. Entre os valores mais usados para esses elementos indicam-se períodos de tempo que vão de 10. sua importância é decisiva. possivelmente.H.000 horas e deformações específicas da ordem de 1%. os limites de resistência e de escoamento são muito afetadas pelas condições de temperatura. de um modo geral. se as temperaturas continuarem a crescer. durante a vida da mesma. e. Também para esses aços o limite de escoamento se torna cada vez menos pronunciado à proporção que a temperatura sobe e o limite de proporcionalidade tende a descer mais e mais nas mesmas condições. principalmente no caso dos metais. o fenômeno é muito acentuado mesmo na temperatura ambiente. o limite de resistência sobe um pouco até cerca de 250o C. ∗∗ Creep Strenght” ou ainda “Creep Limit” da literatura anglo-americana. como o são o chumbo e o estanho. então. A temperatura influi ainda sobre outras características dos materiais.

3 3 130000 49000 55000 20000 17000 6000 0.4 10 160 180 a 260 350 =σ-S >200 240 em média (*) 120 a 240 600 a 850 370 a 450 =σ-S >200 ≈60 =σ-S >180 ≈45 350 a 380 160 a 200 40 a 500 100 a 150 80 a 130 150 a 300 k 120 a 380 120 a 200 ≈60 (*) Não existem: Conforme 118-VII temos: ε = Cσ 1 Para tração: C = e k = 1.25 300 a 900 6000 .25 a 0.C.8) Cobre Bron ze Alumínio Duralu mínio 72000 27000 a 0.3 320 ≥360 500 a 640 Ferro Fundido 100000 38000 (*) E G ν σP σE σS σ-S σR σ-R δ% ϕ% 120000 47000 60 120 140 90000 3500 30 100 200 72000 27000 0.1.4 a 0.1 1250000 1 Para compressão: C = e k = 1.Ávila 40 1.05 1180000 Materiais Litoides (Módulos de elasticidade e tensões em kN/cm2 ) Granito Mármore Concreto (*) E 2400000 2600000 1400000 a 3500000 G 1000000 600000 a 1500000 m 0.28 500 a 800 200 a 600 150 a 500 σR 9000 a 23000 7000 a 20000 1250 a 3500 σ-R (*) Variável com a idade. Os valores da tabela são para 28 dias.3.Frazão Guimarães / J.A.37 210000 81000 180 a 220 Aço de Constru ção Ca.H.17 a 0. Vidro ≈ 7500000 ≈ 2700000 0.3 – Valores médios para constantes e limites de alguns materiais METAIS Módulo de elasticidade e tensões em kN/mm2 (Para notações ver 1.20 0.25 30 100 6 40 40 200 a 230 200 100 400 120 a 250 40 10 a 50 Zinco Estanho Chumbo Ferro doce 200000 77000 130 a Aço doce Ca.14 ≈ 0.50 220000 85000 0.

Para resolver um problema dessa natureza – verificar ou dimensionar uma construção∗ .C. em cada um deles. é provável que se possa desprezar o peso da própria peça V.T. com o que. conforme a intensidade das ações decorrentes da carga a suspender. na prática. Seu esquema de cálculo seria o da Fig.H. Da mesma forma.141-1a. a aceleração do movimento e. as reações dos elementos estruturais que a suportam. considere-se o caso de um monta-cargas como o apresentado na Fig. . ∗ A solução desses problemas não compete direta e unicamente à Resistência dos Materiais dentro do espírito deste Curso. O comportamento da peça V e de outras partes do sistema não serão considerados ao se tratar do cabo C. Os conhecimentos auridos na Resistência dos Materiais estão.A.Frazão Guimarães / J. com o que se torna possível verificar ou dimensionar.1 – Esquematização das construções reais A Resistência dos Materiais estudando. Esse procedimento de esquematizar o cálculo de uma construção. o comprimento do cabo.Ávila 41 Madeiras (Módulos de elasticidade e tensões em kN/cm2 ) Pinho do Paraná 1300000 2000 3900 Peroba Rosa 1000000 2300 5000 Peroba de Campos 1400000 4000 6000 Cedro 900000 1800 6500 Aroeira do Sertão 1900000 5500 9000 Eucaliptos 1000000 2100 4100 Observações Madeiras verdes Madeiras com 15% de umidade E σ-P σ-R Valores mínimos segundo o I. de São Paulo. 1. tão ligados aos daquelas disciplinas que seu estudo terá de ser feito tendo em vista o que tiver sido aprendido em uma e houver de ser aplicado na outra. distinguir. Sente-se. as diferentes partes das construções civis ou mecânicas∗ . deixando de lado todos os fatores que não tenham influência em cada um desses estágios. Nessa esquematização. Em contrapartida é importante observar que certos e determinados esquemas gerais podem atender a um grande número de situações reais. permite que as propriedades de resistência e de maior ou menor deformabilidade desses corpos sejam avaliadas.141-1c. que para cada parte de um sistema construtivo e para cada situação pode-se estabelecer um esquema de cálculo. ter-se-á os elementos para a apreciação de todas as situações reais a ele filiadas. enfatizando o essencial. onde se acham representadas as ações exercidas não só pelo cabo C como.4. os fenômenos ocorrentes no interior dos corpos reais solicitados exteriormente. em geral.4 – METODIZAÇÃO DA SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS REAIS DE VERIFICAÇÃO E DIMENSIONAMENTO DAS ESTRUTURAS 1. torna-se imperativo porque é praticamente impossível focalizar os múltiplos aspectos de uma construção real de uma só vez e levando em conta todas as suas diferentes propriedades. em desdobrar em vários estágios o estudo a fazer. esquematizando-a como se vê na Fig. Para exemplificar. como já se esclareceu. do que se acaba de ver.141-1b. ao se passar à apreciação da peça V nos abstrairíamos do comportamento das demais partes do conjunto.P. estudados todos os fenômenos ligados a esse esquema. Ao calcular o cabo C abstrai-se de todos os fatores que não fossem a carga P a suspender. além de simplificá-lo. em caso de muita altura. entretanto.o primeiro passo a dar é sempre o de se estabelecer o que se denomina esquema de cálculo que consiste. e. a Estática e a Estabilidade das Construções têm papel preponderante nessas soluções. também.

141-1 Assim. a peça estará enquadrada desde o terceiro até o sexto esquema. Dito isto. Convém desde já notar.barra hastiforme ou peça prismática de grande curvatura . que a Resistência dos Materiais.a das barras. cujas principais são: . com seus métodos simplificados. note-se que a esquematização de uma estrutura ou de uma peça compreende.H. princ ipalmente.disco . ao esquema da Fig.casca . enquanto que ao da Fig. No que tange à geometria e forma de carregamento é comum se fazer filiar as diferentes peças constitutivas das estruturas a determinados esquemas de características próprias.A. limitar-nos-emos a dizer agora que. os seguintes aspectos: . do modo de carregamento e de sua rigidez à flexão. quando uma das dimensões da peça (o seu comprimento) é predominante sobre as outras duas estará ela classificada em uma das duas subdivisões da primeira categoria . Quando uma das dimensões da peça (a espessura) for sensivelmente pequena relativamente às outras duas.141-b estarão filiadas todas as peças solicitadas unicamente por forças normais.Ávila 42 Fig. para não nos alongarmos demasiadamente. entretanto.natureza das ações aplicadas.Frazão Guimarães / J. conforme se verá com mais detalhes no Capítulo 3. .141-c estarão as peças solicitadas por forças normais e cortantes. abordar alguns casos simples das outras categorias.C. Casos não enquadráveis nas categorias anteriores pertencerão à última delas. Por isso mesmo. a distinção entre eles dependendo da curvatura da superfície média.geometria das peças e forma de carregamento. .tipos especiais. no tocante à simples geometria.membrana . antes de caracterizar esses esquemas. considerando-se na primeira quando seu eixo tiver curvatura pequena. bem como por momentos fletores. .placa . não pode resolver satisfatoriamente todos os problemas envolvendo todas as peças classificadas nos tipos acima mencionados: ela tem seu campo de aplicação primordial entre as peças prismáticas podendo.natureza do material.

Na realidade isso nem sempre é estritamente verdadeiro. supostos constituindo um meio contínuo. voltar-se-á ao assunto para responder a duas indagações que a respeito se poderão ser feitas. Uma forma possível de aplicação dessa força é a indicada na Fig. Como decorrência da noção de homogeneidade surge a noção de continuidade do meio. podendo outras influir nessa esquematização. envolvendo volumes essencialmente maiores que os da zona em que ela realmente se exerce. isto é. a seguir. entretanto. dada a estrutura molecular.Frazão Guimarães / J. Para finalizar estas considerações deve-se assinalar que a esquematização das soluções não ficarão dependendo só das circunstâncias aqui apresentadas. Assim. dos tecidos e das lajes de concreto armado.C. por menor que esta seja. Vê-se que a representação de uma força por um vetor.141-2c). Para o cálculo da viga AB a consideração da força P concentrada em A é perfeitamente aceitável. perfeitamente homogêneos. agindo ao longo do suporte do vetor. uma vez que este preencherá qualquer que seja o volume que lhe seja atribuído. Já a madeira tem suas propriedades dependendo da orientação de suas fibras. na Fig.141-2b.2. concentrada no ponto A.141-2 se acha indicada a ação de uma carga P.Ávila 43 Quanto à natureza do material é usual se admitir que o mesmo seja homogêneo.H. isto é uma ficção porquanto uma força de intensidade finita tem de se distribuir ao longo de uma certa área. não pode acontecer precisamente.7.A. Finalmente observa-se que é corrente em Resistência dos Materiais admitir como isótropos nas condições em que esta propriedade já foi definida em 1. . Há homogeneidade quando as propriedades do material independem da grandeza do volume considerado no corpo. devendo o vetor ser encarado como a efetividade da força (intensidade. por exemplo. o mesmo acontecendo com alguns materiais que podem ser anisótropos em função de particularidades de fabricação. bem como a idéia de uma força de x kg aplicada a um ponto A. não são. os métodos da análise infinitesimal. O essencial é que se tenha presente que a esquematização dos cálculos é um primeiro passo a ser dado e que a solução de um caso real não pode se limitar a uma simples aplicação de fórmulas. Os metais. em cada caso. considerado um certo volume desse metal com seus cristais dispostos caoticamente. A substituição de forças repartidas por uma resultante concentrada só é. o que. pois. do papel. se fixar naquilo que é essencial antes de escolher os métodos de cálculo e se atingir à fase puramente matemática. constituídos na sua estrutura por cristais dispostos caoticamente.4. entretanto. Antes que isso é preciso imaginar como se comporta a peça ou estrutura. as dimensões das peças são muito maiores que as dos elementos diferentes que constituem o material no seu todo e que as das distâncias que os separam. mas. Em 1. A propriedade da continuidade tem como conseqüência a possibilidade de se aplicar aos corpos. Uma das simplificações importantes que se fazem ao esquematizar o estudo de uma estrutura ou peça diz respeito às ações que lhe são aplicadas com a introdução da noção de força concentrada representada por um vetor. Como. direção e ponto de aplicação). sem o que não poderá haver homogeneidade. para efeito do estudo das peças estruturais a consideração da homogeneidade é perfeitamente aceitável. contínuo e isótropo. mas não o será para o caso em que se trate de estudar o olhal que transmite a força ao pino (Fig. também finita. onde ela é transmitida à viga por intermédio de um pino que pressiona toda a parte inferior do furo praticado na viga. possível para o caso do estudo de uma peça em seu todo. e idêntica situação ocorre com outros materiais – como o concreto ou a madeira. Um cristal constitutivo de uma peça metálica é anisótropo quando tomado separadamente. Na realidade. e. são abstrações simplificativas.2. o material pode ser considerado como isótropo no seu todo. como é o caso dos contraplacados.

introduzindo uma abstração. depois de 2h não haveria. efeitos de conjugados. os efeitos decorrentes das dimensões do pino e de sua localização sobre o vertical só seriam sensíveis a distâncias menores que h. para representar uma ação distribuída simplifica os cálculos sem lhes alterar os efeitos gerais. O emprego. entre h e 2h essas influências seriam muito pequenas.Ávila 44 Fig. condições de equivalência e de equilíbrio. Desse modo a consideração de uma força concentrada no ponto A da viga da Fig. nenhuma influência. A Estática mostra que forças distribuídas ou um sistema de forças podem ser reduzidas a uma única força equivalente em seus efeitos totais passando em pontos diferentes da região de aplicação das primeiras (em certos casos a efetividade do conjunto pode ser representado apenas por um conjugado). no estudo da estrutura ou peça com tal procedimento? A resposta à primeira pergunta decorre dos métodos adotados no estudo da Estática ao tratar das forças como grandezas vetoriais: adição de vetores. Ela está ligada ao chamado Princípio de Saint-Venant.C..Frazão Guimarães / J. virtualmente. etc. que é constantemente empregado nos cálculos estruturais. representada por um vetor. etc. uma vez que os limites do campo de sua influência dependem de condições particulares existentes na região da aplicação das forças.141-2 pode se tornar completamente errada quando se trate de estudar a situação interna da viga na vizinhança imediata do pino. Como ordem de grandeza poderíamos estatuir que. consequentemente. perfeitamente aceitável quando estivermos considerando as ações interiores nas regiões bem à direita desse mesmo pino. certamente. da consideração de forças concentradas previmos a necessidade de responder a duas indagações que poderiam surgir.2 – Princípio de Saint-Venant Ao tratarmos. pois. De um modo geral esse princípio estatui que efeitos localizados tendem a desaparecer cada vez mais rapidamente à proporção que as forças em jogo se propagam para longe da região de sua aplicação. no parágrafo anterior. a saber: Primeiro: Porque consideramos forças concentradas. quando se sabe que ela não representa a condição real? Segunda: Que erro se comete.141-2 1.4.H. embora não possa ser instituído em termos gerais. mas será.A. A resposta à segunda pergunta não é tão evidente. . de uma única força. sendo h a altura da seção da viga.

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