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REFLEXÕES SOBRE A BHAGAVAD GITA

Tarananda Sati
(Osvaldo Luiz Marmo)

Osvaldo Luiz Marmo

Reflexão sobre a Bhagavad Gitá

Esse texto é uma reflexão aos ensinamentos da Bhagavad Gitá - A Canção do Senhor -, a mais sagrada escritura da cultura espiritual da Índia e uma das mais importantes mensagens do Divino ao humano. Ela nos leva a uma importante reflexão sobre temas teológicos e filosóficos, mostrando toda a beleza da cosmogonia da Filosofia Vedanta. Este texto não é uma tradução literal nem integral. Ele é fruto da minha experiência em comentar a obra nos vários cursos que dei, e foi elaborado com objetivo de resumir a Bhagavad Gitá, mostrando sua essência para que o leitor se sinta tocado pela mensagem Divina, e se convide a 2

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fazer uma leitura completa da obra. O estudo contínuo da Bhagavad Gitá nos leva ao despertar da ilusão e nos coloca no caminho da iluminação. A Bhagavad Gitá é considerada uma escritura revelada e cuja composição é atribuída ao grande mestre e sábio Shrí Krishna Dvaipáyana Vyása, que sem dúvida nenhuma foi um dos grandes mestres espirituais da Índia em todos os tempos. Composto antes do século IV a.C., ela sintetiza o conhecimento das escrituras antigas, principalmente dos Vedas e dos Puranas, expondo-os em uma linguagem coloquial acessível às pessoas que não estão habituadas aos textos escritos em linguagem filosófica. Como obra literária a Bhagavad Gitá é parte da grande epopéia Mahábhárata, um épico monumental da literatura indiana, com cerca de 200.000 versos, onde está inserida no capítulo 7, intitulado Bhishmaparvan ou Livro de Bhishma. Em sua estrutura final a Bhagavad Gitá contém 700 versos distribuídos em 18 capítulos e pode ser lida separadamente do Mahábhárata de onde foi extraída. O conteúdo literário do Mahábhárata é uma grande metáfora onde questões éticas, metafísicas e espirituais que fazem parte da teologia (brahmavidyá) dos Vedas são apresentadas no enredo do romance. O desenrolar da história nos leva a apreender a mensagem divina pelos diálogos dos personagens, e no caso da Bhagavad Gitá pela conversa entre Krishna e Arjuna na planície de Kurukshetra. Assim, a epopéia que conta a história do clã dos kauravas e dos pandavas tornase um retrato vivo da vida e nos proporciona pausa para reflexão e exame de nossos valores e objetivos da vida frente as grandes verdades espirituais. As histórias contidas no Mahábhárata eram inicialmente levadas ao povo pelo canto dos bardos (sútas) e menestréis (kushílavas), em suas idas e vindas de aldeia em aldeia, por séculos e séculos, até que com o advento da escrita, por

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volta de dois séculos a.C., foram grafadas inicialmente em sânscrito e posteriormente em outras línguas regionais, como o hindi e o tamil. O Mahábhárata conta à história da origem de um feudo que teve seu início com a disputa da terra por duas grandes famílias do norte da Índia, os já mencionados clãs dos pandavas e dos kauravas. A origem desses dois clãs nos é contado no primeiro capítulo do Mahábhárata, denominado Livro das Origens (adiparvan), e tem seu ponto central na cidade de Hastinápura, então regida pelo Rei Vicitravírya filho do antigo Rei Shatanu e da rainha Satyavatí. O épico em sua essência relata a luta dos dois clãs pela posse do reino e a querela tem seu ponto culminante em um grande conflito entre os clãs, que culminou em uma batalha fratricida que teria ocorrido na planície de Hastinapura, ou a Elefantes. O Mahábhárata original composto por Vyása tinha cerca de 10 % de seu volume atual e era denominado Jaya (Vitória). Com o tempo, o épico recebeu algumas interpolações secundárias com a aposição de mais 24.000 novos versos, provavelmente compostos por um discípulo de Vyása, de nome Vaishampáyana, que elaborou detalhes da personalidade dos personagens, e enriqueceu a história com diálogos cheios de sabedoria e motivos de profunda reflexão filosófica sobre a vida e seus objetivos. As adições finais foram sendo acrescentadas por vaishnavas seguidores de Krishna, elevando o volume da obra para seus atuais 200.000 versos, quando então o épico atingiu sua forma final nos século II a.C., e passou a ser denominada Mahábhárata. Existem duas versões críticas da obra que servem de referência para todas as demais versões e traduções, conforme o “Bhandarkar Oriental Research Institute of Poona”. A primeira é a versão escrita em língua sânscrita, e a segunda a versão escrita em tamil. Portanto, todas as traduções do Mahábhárata e da Bhagavad Gitá devem ter seus textos aferidos por essas duas edições. Finalmente, vale a pena considerar que a obra pode não ser um relato histórico de fato reais, mas uma ficção elaborada com a finalidade de compor um 4 planície dos

não podem ser totalmente descartados como pura ficção. quando o Ser Uno torna-se muitos e o Cosmos surge como uma manifestação fenomênica e ilusória emergente da cognição sensorial e mental. o Eu e o não-Eu (ego). O aspecto mundano nos mostra o conflito fratricida com seu epicentro na saga das duas famílias. Entretanto.óbra citada em The Cultural Heritage of India ]. pois como mencionamos estes fatos têm sido constatados pelas pesquisas arqueológicas atuais. Entretanto a visão dos poderes demoníacos é uma imagem em linguagem metafórica e deve ser entendida como parte da natureza humana. embora a arqueologia moderna tenha encontrado vestígios de uma grande batalha a cerca de 50 quilômetros a noroeste de Delhi. entre o bem e o mal. Os aspectos teológicos e metafísicos expõem a natureza da Consciência Divina e de sua manifestação. nas quais as partes em conflito representam a encarnação das potencias divinas materializadas na forma de deuses (devas) e demônios (asuras) finalmente vencidos com a vitória do dharma (e a dissolução do ego). Neste contexto a reflexão das idéias envolvidas flutua entre a 5 . (1933) . Segundo um dos seus críticos [Thadani. que embora possam ter adquirido dimensões além dos fatos.Osvaldo Luiz Marmo cenário apropriado à reflexão dos grandes temas espirituais e sociais da época.V. e do conflito oriundo de suas idéias. a recente descoberta da cidade de Dvaraka. que pode ter ocorrido e ter sido a inspiração para o relato da Batalha de Kurukshetra e dos fatos que a precederam. o Mahábhárata é um símbolo dos seis sistemas de filosofia clássicos da Índia. The Mystery of Mahábhárata. que com seus condicionamentos e instintos evolutivos atua como interface na manifestação da Consciência Divina que se encarna e a natureza e a hierarquia cósmica ao seu redor. como por exemplo. onde o príncipe Krishna teria vivido. N. a justiça e a injustiça. Ou seja. no plano das relações éticas e no contexto da teologia e da metafísica. o épico faz referências a muitos fatos históricos. O aspecto ético expõe o conflito entre o dharma (lei) e o adharma. A obra em sua plenitude traz reflexões em três níveis: a história no plano da vida social mundana.

Por outro lado.Osvaldo Luiz Marmo transcendência e a imanência e a Divindade suprema apresenta-se ora sob uma forma teísta e ora sob uma forma panenteísta. agradeço a Madhu (Maria Antônia Marmo). No contexto da Bhagavad Gitá. onde somente o Absoluto é real. o melhor da cultura que nos foi legada pelos povos da Índia antiga. para restabelecer o Dharma e guiar a humanidade pelo caminho da descoberta espiritual do Eu (átma) e da dissolução do não-Eu (anátma). pelo auxílio na leitura do texto e na sua redação final. formuladas pela lógica relativa do ponto de vista humano e perdem significado quando examinadas sob a ótica relativa do ponto de vista do Ser Divino. por seu próprio poder. Finalmente. a personalidade divina encarnada. imanência. teísmo e panenteísmo sejam a meu ver falsas questões. a sutil estrutura que é repositória do dharma. OSVALDO LUIZ MARMO 2005 6 .também denominada Batalha do dharma ou dharmakshetra -. simboliza o grande conflito entre a mente instintiva por vezes denominada mente inferior (manas ou não-Eu) e a mente espiritual ou mente superior (buddhi ou o verdadeiro Eu). Embora transcendência. O entendimento deste grande mistério dual da natureza da personalidade manifestada é a essência do Vedánta. Krishna é apresentado como o sétimo avatára de Vishnu. o aspecto transcendental da Batalha de kurukshetra .

em lugar de servir de veículo ao verdadeiro Ser Real.o que denominamos o Eu superior -. os vícios. mas sim um confronto que busca o equilíbrio entre poderes divinos. luta contra sua natureza inferior para dominar sua mente e permitir o surgimento de um novo ser cuja existência será a expressão pura da consciência divina.Osvaldo Luiz Marmo CANTO 1 – A INCOMPREENSÃO DE ARJUNA A Batalha de Kurukshetra é uma metáfora da luta interior que o homem iluminado pela luz do Dharma trava contra os instintos e condicionamentos de seu veículo animal. os condicionamentos. ∇ Então tem início a Batalha de Kurukshetra! 7 . Entretanto. foram importantes elementos evolutivos do veículo material. Os kauravas representam os instintos inferiores. Shrí Krishna é a voz da consciência espiritual . Nesse contexto os pandavas representam a luz do Dharma que impelem o homem à busca de sua essência divina. desde a primeira célula do coacervado primordial até o corpo mamífero e primata que usamos como veículo no estágio atual. Arjuna é o discípulo que como um guerreiro preste a iniciar a grande aventura de sua vida. uns necessários para a manifestação individualizada da consciência. e que aparece quando o discípulo está pronto e busca a Luz para iniciar o grande combate de sua existência. e outros necessários para a manifestação plena do Divino em cada um de nós. os quais como conteúdos da mente manifesta a personalidade transitória e efêmera que age como se fosse um individuo. em suas várias fases. esta não é em verdade uma luta entre o bem e o mal. o Eu. a ignorância e o egoísmo que.

Shrí Krishna inicia um longo dialogo com Arjuna. Então. Com os pandavas. versos 21). mas mesmo assim dissestes palavras sábias. Os meus membros desfalecem. Como poderíamos ser felizes. (canto 2. os pandavas com os cinco príncipes irmãos à frente de seus exércitos. pois eles são nossos parentes. (canto 1. ó Krishna matando nossa própria família? (canto 1. Arjuna pede a Krishna que estacione o carro de guerra entre os dois exércitos. versos 35). foram partes importantes de sua vida. (canto 1. Por isso creio que não devemos lutar e matar os filhos de Dhritarástra. meu querido Arjuna? Tu choras por aqueles que não deves chorar. verso 11). CANTO 2 – O CAMINHO PARA A REALIDADE ÚLTIMA Neste canto. De um lado os kauravas com seus príncipes e todos seus exércitos. Entretanto. como um auriga comanda a quadriga de combate de Arjuna. Este canto é denominado Samkhya Yoga porque nele o Verbo Divino ensina o caminho espiritual da tradição Samkhya ensinada pelo mestre Kapila. verso 35): E vejo. versos 37). Krishna. Porque devo lutar e matar? Não quero matá-los! (canto 1. Arjuna cai em desalento e reclama (canto 1.Osvaldo Luiz Marmo Os dois exércitos se antepõem frente a frente na Planície dos Elefantes. 8 . e nenhum bem ao matar meu povo neste combate. versos 30). meu corpo treme e meus pelos se eriçam. apesar das divergências. através do qual ele ensina tudo que um homem deve saber para se tornar o guerreiro da luz na luta contra as trevas da ignorância. Olhando o exército inimigo composto de parentes e amigos que. De outro. minha boca torna-se seca. ó Krishna presságios funestos. para que ele possa contemplar aqueles a quem deve combater até a morte. saiba que os sábios não choram nem pelos mortos nem pelos vivos. Porque o desalento? Porque essa tristeza e angustia.

incriado e indissolúvel. nem aqueles príncipes dos homens e também não haverá momento em que nós deixaremos de existir no futuro. verso 20). Tal como o homem abandona vestes velhas e veste outras novas. O Ser verdadeiro não mata e tampouco pode ser morto. Portanto. morrendo o corpo. procure conhecer Aquele que é indestrutível. E sendo parte emergente do Uno Absoluto não pode matar ou ser morto. não morre. verso 19). (canto 2. mas a rigor ninguém o conhece. Não nasce. Aquele que sabe que o Ser Real é imperecível. para a juventude e desta para a velhice. Quem se acha matador ou passível de ser morto é destituído de discernimento e sabedoria. verso 12). Assim. Aquele por quem tudo isso é penetrado embora nada o penetre e ninguém seja capaz de causar a destruição desse Ser imperecível. (canto 2. uns os olham como uma maravilha. Inato e eterno. verso 21). eterno. nem tu. dando asas a este e permitindo que ela alce vôo para a grande aventura do humano. (canto 2. verso 29).Osvaldo Luiz Marmo É necessário dissolver o ego e a personalidade para transferir a consciência da mente inferior (manas) para a mente superior (buddhi). Entretanto. pois Eu jamais deixei de existir. (canto 2. outros falam dele como um Ser Divino. (canto 2. o Ser Verdadeiro é imortal e está além do espaço e do tempo. 9 . por isso não deves lamentar ou temer pelo destino de nenhum ser manifestado. O Ser Verdadeiro é eterno e inato. verso 30). verso 17). verso 13). não deve pensar que pode matar ou ser a causa da morte de alguém. Os sábios não se confundem quanto a isso. também o Ser Real abandona seu velho corpo e adentra em um outro novo e preparado para Ele. Ele é o Ser Real ou a essência Divina no corpo de cada um de nós. assim também passa para um outro corpo permanecendo viva. verso 22). Como a alma neste corpo passa através da infância. (canto 2. (canto 2. (canto 2. (canto 2. Porque então chorar ou lamentar pela perda das coisas do ego? A imortalidade: Não se entristeça. nem morre. ó príncipe. que é o encontro com o Reino Divino.

verso 56). (canto 2. então atingimos a consciência espiritual e firmamo-nos no conhecimento. dos impulsos. pois a inação não te levará ao despertar da alma (canto 2. verso 48). não deves temer. torna-se o senhor de si mesmo. aquele cuja mente não é agitada pelos sofrimentos e não tem desejos ou prazeres. Entretanto. e não se entregue nem a alegria excessiva nem a tristeza. Considerando igual o prazer e a dor. (canto 2. verso 55). (canto 2. pois não deve ser o fruto da ação o que te impele a agir. este estado de indiferença é denominado Yoga. pois sem ela não é possível existir nem sabedoria nem felicidade. Assim. Pratica as obras abandonando o apego. pois não há coisa melhor para um guerreiro que um combate justo. verso 47). verso 31). (canto 2. verso 60). 10 .Osvaldo Luiz Marmo A ação pelo dever: Considerando que é teu dever lutar. verso 57). jamais aos frutos. A ação desinteressada: Tens direito somente a ação. Seja o mesmo no sucesso e no insucesso. do medo e da cólera é um sábio. (canto 2. o ganho e a perda. Tendo vencido o impulso dos sentidos pode descansar em minha Divindade. (canto 2. nada lhe roubará a liberdade. saiba que não podem chegar à verdadeira ciência àqueles que não entraram nesta paz. Portanto. Por isso. pois o irreal e o ilusório deixaram de existir para ele. O Domínio da natureza inferior: Quando abandonamos todos os desejos da mente e estamos satisfeitos conosco mesmo e por nós mesmo vivemos na paz interior. às vezes ainda sucumbe à ação repentina de um desejo tumultuoso. a vitória e a derrota. Entretanto. jamais se apegue a não-ação. (canto 2. assim não obterás o fruto das ações impuras. instintos e sentidos. verso 61). (canto 2. suporta com sabedoria as dificuldades da vida. verso 61). então parte para o combate. verso 38). (canto 2. Mas quem conhece que o Eu Real é a única realidade. e contemplar o Eu verdadeiro. e está livre das paixões. O homem que se abstém.

Quem a atingiu. na hora da morte irá diretamente ao Nirvana para comunhão com o Divino. CANTO 3 – O CAMINHO DA AÇÃO Neste canto. definimos o comportamento dentro dessa lei. os resíduos formam sua estrutura que. ou Caminho da Ação Pura. A Lei do Karma é uma das maiores conquistas da psicologia védica e se constitui num modelo para a explicação do comportamento humano. sendo a interface cognitiva e ativa com o mundo objetivo. a mente de cada ser vivente é formada pelo resíduo de todas as ações efetuadas no passado. Sendo incorporados à mente do ser agente. não se deixa embaraçar nem desviar pela ilusão. o ser vivente não é julgado pelo que fez e ninguém o pune pelas ações efetuadas. vida após vida. Os resíduos têm a qualidade da ação e a dimensão da intenção que motivaram as ações. a Lei do Karma é amoral. Assim. tem início a exposição da grande lei da dinâmica da natureza. vida após vida. Assim o comportamento do homem depende da estrutura da mente. deixa em sua mente um resíduo sutil da natureza da ação. pois tudo se passa dentro e conforme o projeto divino para a 11 . pois quando o ser age. ou seja. modula o comportamento do homem de acordo com sua própria natureza. espécie após espécie. permanecendo nesta Paz infinita e duradoura. A palavra ação em língua sânscrita é karma ou carma. Mas. verso 72). a Lei do Karma. que por sua vez é formada pelos resíduos da evolução biológica. (canto 2. De acordo com este modelo.Osvaldo Luiz Marmo A paz interior: A paz interior ou ánanda é o estado de união com o Ser Real. por isso. o estado de bem-aventurança na consciência Divina.

a ação e os sentidos. deve tudo isso a como vive no mundo. (canto 3. se ele é equilibrado ou não. Os sentidos e a mente são seu alimento. Domina teus sentidos e teus órgãos de cognição. Ação pura Porém é digno de ser chamado de sábio aquele que sujeitou seus sentidos ao Divino por amor ao altíssimo e expressa seu reto pensar pela reta ação. Antes de tudo. pois está colhendo o que em si plantou. O desejo impede o verdadeiro saber. verso 6). (canto 3. Inação Engana-se quem pensa que não agindo escapa dos resultados da ação. verso 39). a inatividade não existe. mas sua mente está apegada aos objetos dos sentidos. (canto 3. se aprisionam nos labirintos da mente condicionada. feliz ou infeliz. deves vencer o inimigo de teu coração. verso 9). fica nele e forma sua personalidade. A amoralidade é devido à perfeição do “projeto” divino que estabeleceu o processo evolutivo do não-Eu como um veículo para manifestação do Ser individualizado. ele é como o fogo devorador difícil de se extinguir. verso 7). Se alguém se assenta para reter o alento e dominar seus sentidos e os órgãos da atividade. (canto 3. (canto 3. pois suas ações por sacrifício renunciando ao apego. Pratica.Osvaldo Luiz Marmo evolução do veículo (não-Eu) de manifestação do verdadeiro Eu. (canto 3. Ação como ritual -. agem para obter recompensa e ganho. verso 40). por meio deles o desejo confunde o discernimento e obscurece a verdade. O que ele (nãoEu ou mente) fez. afugenta de ti os geradores do mal. (canto 3. pois a inatividade não conduz à perfeição. Ação impura Os homens que apegados aos objetos dos sentidos. Se sua vida é boa ou não. pois tudo no Cosmos está em movimento constante. ilude-se e merece o nome de tolo. sua maneira de ser. 12 . Quem nada começa não pode entrar no estado da Paz Eterna. verso 4). De fato.

nasço gerado pelo meu próprio poder. Esta tarefa é difícil. não o deixes ser teu senhor. nascendo e vivendo como homem entre os homens.Osvaldo Luiz Marmo verso 41). A rigor um avatára é uma encarnação divina. sempre que a espiritualidade é ignorada. verso 43). Eu nasço gerado pelo meu próprio poder. Entretanto. Eu. Assim. domina por seu poder o não-Eu. mas não impossível. sou o senhor de todas as criaturas. mas reduze-o a ser teu escravo! (canto 3. Combate o desejo. subjugando assim os conteúdos da mente. porém maior é a mente e mais poderosa que esta é a razão. o Jñana Yoga ou Ioga da sabedoria. Sempre quer o mundo declina em virtude e justiça. Escuta este mistério. Sabemos que o “Reino de Deus” é composto por uma hierarquia de seres em uma variada gama de restrição consciencial. verso 6). mas tu não o és! (canto 4. (canto 4. Muitos foram meus nascimentos e também muitos foram os seus. verso 4). o caminho do conhecimento que dissipa a ignorância e leva o ser humano a iluminação. sou inato e eterno. CANTO 4 – O CAMINHO DO CONHECIMENTO Neste canto é apresentado o segundo dos três pilares da Bhagavad Gitá. verso 5). (canto 4. pois tudo emana de Mim. antes de refletirmos sobre o assunto cabe uma pergunta. verso 42). que vem do Absoluto. a Luz da Divindade manifestada no Cosmos. o senhor. domina-o pelo poder da Luz Divina do Eu Real. verso 7). lembra-te que acima da razão está o Eu Real. (canto 3. o que é uma encarnação divina? A resposta não é simples. a 13 . Mas. Eu sou superior aos nascimentos. Eu sou consciente deles todos. porque o Cosmos como um Todo é uma encarnação Divina. Os sentidos são grandes e poderosos. Reconhecendo o Eu Real como o Senhor mais poderoso. Avatára Como devo te entender quando dizes que ensinaste a doutrina dos sábios a Vivasvat que viveu a milhares de anos? (canto 4.

não precisa encarnar-se mais ao deixar seu corpo mortal. ou seja. e tivermos dado um passo importante em direção à Luz. ação incorreta e inação.Osvaldo Luiz Marmo Consciência Cósmica manifestada. Quem se adiantou de tal maneira que é capaz de ver ação na inação e inação na ação. em minha essência. quando eliminarmos de nossas mentes os mais primitivos instintos. Portanto. poderemos então pensar e necessitar a presença de um Ser superior. o mineral. torna-se semelhante a Mim. Ação e inação Poderás dizer que às vezes até os sábios não sabem definir o que é ação correta. o vegetal e o hominal. verso 9). (canto 4. um Deus (!). tendo se libertado do medo. Muitos já vieram assim a Mim. Em cada nível da hierarquia existe uma manifestação do Divino. para nos auxiliar nas conquistas mais árduas. dos infinitos reinos que existem. um Ser Divino. embora essa palavra seja sempre entendida e reservada para um Ser de dimensão divina. a mais restrita forma consciencial manifestada e individualizada. Então. porque todos os caminhos e todas as formas religiosas a Mim conduzem embora possam ter denominações diferentes conforme as culturas e etnias. quaisquer que seja o caminho que sigam. ira e paixão. que esteja acima do nosso nível restritivo é em princípio para nós um avatára. Mas. (canto 4. Devoção Quem Me reconhece em minha encarnação. Esse ser vem morar comigo e gozar da bem-aventurança. pertence aos 14 . (canto 4. verso 10). penetrando na minha essência espiritual. Quem a Mim se dirige com firmeza e em Mim fixa sua mente. livre dos da atração dos objetos terrenos. Eu acolho com amor a todos que Me procuram. um pouquinho acima da nossa média espiritual para despertar nossos corações para a verdade e o Divino? Um dia. verso 16). verso 11). (canto 4. assim é nos três. ódio. qualquer ser da hierarquia. será que a humanidade em seu estágio atual está no momento oportuno para receber a presença de um Deus encarnado? Será que para a humanidade não seria melhor a presença de inúmeros seres. é purificado pela minha chama sagrada de amor e sabedoria.

30). 26. Ação consciente e autodisciplina O sábio não espera lucro no que faz. verso 21). Outros praticam abstinências. 27. adoração e moderação no domínio de si mesmo. verso 19). não receia perda e de nada depende. Sempre contente com tudo que o dia lhe oferece. Outros oferecem sacrifícios. (canto 4. outros adoram o Princípio Divino no fogo do amor. Assim. à vista e aos outros sentidos. o Eu verdadeiro no interior da alma. pois o conhecimento perfeito em si mesmo é o coroamento de todas as ações. (canto 4. Suas obras são sempre livres de vínculos com os resultados. Porém. Ação como ritual Muitos devotos invocam deuses inferiores. 15 . jejuns e esforçam-se por sacrificar a vida material. Há muitas formas de sacrifício. para alimentar o fogo místico da renunciação que lhes traz a luz do conhecimento. 29. (canto 4. fazendo sempre o melhor. sem apego a obra ou a seus resultados. o conhecimento da Verdade te conduzirá sem perigo pelo agitado mar da ilusão e da ignorância (canto 4. verso 22). ele é livre de inveja e equânime tanto no sucesso como no insucesso. Como tal Ele é o senhor de seu sentir e pensar. Outros praticam a respiração sagrada dominando a inspiração e a expiração pelo poder da vontade. Assim ele age com os sentidos sob o domínio da razão. melhor que sacrifícios de objetos e coisas é o sacrifício oferecido pelo saber. Assim é o sábio desperto! (canto 4. e sua atividade cheia de sabedoria é livre de desejos. (canto 4. renunciando ao que agrada ao ouvido. pela vida espiritual. 33).Osvaldo Luiz Marmo sábios da raça e permanece em harmonia enquanto pratica suas ações. versos 25. não se deixa alterar pela ventura ou desventura. depositando no altar do coração os prazeres da vida. Os sábios que possuem a sabedoria interior estão prontos para ajudar aqueles que procuram a Verdade. verso 34. verso 18). Outros cantam hinos devocionais. 36). (canto 4. Ainda que tenhas cometido muitos erros. verso 32.

dissolverá as amarras do ego e viverá na paz do verdadeiro Eu. e sabe que não é ele. a essência divina presente em todo ser vivo. tanto a renúncia quanto a prática das ações tem grande mérito. continuando a explanação da Leia do Karma. Ele conhece o princípio da vida universal e o que dela advém. Quem é firme na prática da ação correta. Renúncia e ação Meu querido discípulo. Saiba também que quem vive acima dos pares de opostos é um sábio. Ele sabe que as ações são engendradas pelo seu 16 . Tal ser conquistou uma grande sabedoria. entende bem estes conceitos: Somente se abstém verdadeiramente da ação incorreta aquele que olha as ações com indiferença.Osvaldo Luiz Marmo Conhecimento purificador: Não há no mundo purificador maior que a chama da verdade espiritual. (canto 5. para não caíres em confusão. (canto 4. pois a ação correta é bem mais importante que a inação. CANTO 5 – O CAMINHO DA RENÚNCIA AOS FRUTOS DA AÇÃO Neste canto. Pois o conhecimento da verdade é dado para todos aqueles que vivem sob o poder da fé. e a paz oriunda dessa o levará ao Nirvana. o princípio consciencial divino quem age. Krishna inicia a exposição do ioga da renúncia dos frutos da ação. mas é preferível a ação que a inação. verso 39). dominando o ego e as impressões causadas pelos objetos apreciados pelos sentidos. verso 38). Entretanto. (canto 4. sente-se uno com o Ser Supremo e não é influenciado pelas obras que pratica. não se apegando a elas. dominando a si mesmo e subjugando seus sentidos e seus desejos à vontade do Divino. Quem a conhece e a ela se dedica. nem a seus frutos e tampouco sentindo repulsa por elas. Yoga. versos 2 e 3).

Ela. o Eu Real. versos 21. aproximam-se da paz divina todos aqueles que seguem este exemplo. sem desejo e esperança de recompensa por suas ações. harmonia e bem-aventurança vive o ser que em si mesmo encontra a fonte da felicidade. sente. o corpo que é quem vê. não é contaminado pelo agir. Lei do Karma Vivendo em harmonia com a natureza. (canto 5. Assim. deixemo-los agir. Quem encara suas ações como obra dos sentidos e as executa sem apego a seus frutos. Saiba que Eu amparo e protejo todos os que têm domínio de si mesmo e devotam a Mim suas ações. que lhe abriu as portas do Nirvana. vivendo na simplicidade sob a luz da fé. inquieto e descontente é todo aquele que não vive em tal harmonia e age por desejo de recompensa. Em verdade é a mente e os sentidos que fazem sua parte no mundo sensual e material. pois sabe que ainda que seu corpo . Ela está sempre pronta para fazer sua parte quando o dever a chama. 24. 9 e 10): O Agente da ação: Em paz. caminha e respira. porque fez sua vida confluir com a Divindade Suprema. o Senhor do Cosmos e o amante de todos os seres. conservando-se em paz sem nenhum desejo de agir. cheira. Entretanto. nem as 17 . 8. Portanto. permanece como a testemunha das ações. por se sentir unido à Divindade e desapegado dos objetos do mundo exterior. tal como a flor de lótus não é contaminada pelas águas impuras que a rodeiam (canto 5. Mas. come.Osvaldo Luiz Marmo veículo natural (mente-corpo). Quem age assim Me conhece tal como sou. quem em si mesmo encontrou o céu e a Luz da iluminação é um santo.se ocupe das ações. Eles souberam controlar suas ações e dominar sua natureza material (não-eu). Eu não sou escravo deles. A essência divina do sábio que renunciou os frutos das ações e inações habita o corpo que é o Templo da Essência Divina.esta cidade de nove portas . o Ser alcança a paz. Portanto. porque sei que seu objetivo é a manutenção do processo da vida material. versos 7. O Eu Real é o Senhor do mundo e não produz nem as ações. 26 e 29).

conhecendo-O. CANTO 6 – O CAMINHO DA MEDITAÇÃO Neste canto. tampouco ira. nada receia. o iogue o caminho da libertação pelo Yoga e pelas práticas devocionais. (canto 5. 20. versos 17. Não sente ódio.). Então. o Divino. 21. O Ego não mais comanda suas ações. Yoga: 18 . todo o seu pensar tem raízes na Divindade. imerge-te na Divindade Suprema e participe desse imerso esplendor. Eleva tua consciência à esfera da Luz Divina. não se deixe fascinar quando te acontece algo desagradável. 13 e 14). Todos os seus sentidos obedecem à vontade espiritual. dos quais não mais se volta aos planos inferiores da existência. Na paz eterna vive o Ser que em si mesmo encontrou a fonte da felicidade. aos planos conscienciais mais altos. unindo-se a Ele. (canto 5. Em tudo isto somente age a natureza dos seres. (canto 5.Osvaldo Luiz Marmo relações de causa e efeito entre estas e seus frutos. versos 27 e 28). o devoto passa aos estados superiores da existência. versos 12. Salvação pela ação: Meditando no Ser eterno. unindo seu inspirar com seu expirar vive em harmonia Comigo. amando-O. nem percas o entusiasmo quando tens um revés. Ele é um Ser realizado. Nada para si deseja. Autodisciplina: O verdadeiro sábio não deixando os objetos exteriores influenciarem sua alma abre sua visão à luz eterna. por ser um com o Divino e sem apego pelo mundo exterior. Krishna define o Yoga. Então. que é o Eu Real.

seja barro ou ouro. ora para outro. embora para o ignorante possa parecer seu pior inimigo porque tende a aniquilar seu sentimento de personalidade separada. amando-Me e comigo se unindo. Este Ser está em Mim e Eu estou nele (canto 6. quando um devoto tem pleno domínio de si mesmo. seja amigo ou não. Entretanto.Osvaldo Luiz Marmo Saiba que a reta ação praticada com o conhecimento da verdade é a melhor renúncia. bem como aos objetos dos sentidos. nem pelo sofrimento nem pelo prazer. santos ou “pecadores”. (canto 6. (canto 6. pois para sempre estará ligado a Mim pelos laços preciosos do amor. Em realidade Eu te digo que aquele que Me vê em tudo e todo o Universo em Mim. (canto 6. Quando o homem está livre do apego aos frutos das ações e à ação propriamente dita. Alguns dizem ser difícil dominar a mente porque ela é instável. verso 30). Assim. qualquer que seja o seu modo de vida exterior neste mundo. Ele que é calmo. Portanto. não tendo anseio por nenhum objeto desejável. se a ação não é acompanhada pelo conhecimento da renúncia dos resultados não pode ser denominada reta ação. 9). e conserva a mente fixa no Eu Real. Portanto. Este Ser verdadeiro é o melhor amigo do sábio e desperto. parente ou não. merece o nome de Yukta – aquele que é “cheio de graças”. Vendo tudo com equanimidade. (canto 6. ele é afável para com todos. quem fortaleceu sua vontade por meio de 19 . não se alterando nem pelo frio ou pelo calor. permanece tranqüilo no meio da agitação do mundo. um mestre na ação. verso 7. então atingiu o mais alto grau da reta ação e tornou-se um perfeito iniciado. o melhor ascetismo. verso 31). nem pela honra ou pela desonra. Porque o ascetismo consiste em verdade só no desinteresse. O Eu e o Ego Aquele que atingiu o saber e conhece o Eu Real como a consciência em si mesmo. quem Me reconhece em todos os seres. Cada um deve elevar-se espiritualmente pela força de seu Divino Espírito. verso 18). verso 2). contente e sente compaixão por todas as criaturas. verso 4). verso 5). nunca Me abandonará e nunca será por Mim abandonado. (canto 6. ora inclinando-se para um objeto. o Eu Real. participa da vida eterna em Meu Ser. (canto 6.

pois um guerreiro cheio de fé. (canto 6. porque não dominou sua mente e se afastou do caminho da disciplina” (canto 6. (canto 6. verso 35). praticando suas obras com o desejo de recompensa. Assim. seus méritos os conduzirão ao espaço consciencial daqueles que ainda não atingiram a perfeição. esta união é possível e acessível para quem a tenha sob controle. explica-me ó mestre. verso 46). verso 43). verso 36). (canto 6.Osvaldo Luiz Marmo exercícios devocionais e disciplina tornar-se o senhor de seu coração e de sua mente. verso 41). Embora eles não tenham adquirido a perfeição. verso 37). (canto 6. vão habitar o “céu dos justos” ao deixarem este corpo físico. asceta ou fanático que procura obter o despertar através de ritos exteriores e mortificações. e faz sempre o melhor que pode. verso 40). (canto 6. mas careceram da aquisição da verdadeira disciplina. amor e bondade. (canto 6. Não se perde nunca quem vive honestamente e em Mim confia. mas ainda não atingiu a perfeição e a união. Pois de todos os meus discípulos Eu prefiro aqueles que Me adoram com fé e a Mim dedicam o interior de seus corações. Sorrindo Krishna explicou: Ninguém perece nesta condição ou será prejudicado. qual é a sorte daquele que embora tenha fé. minha presença e com ela vem à paz suprema. pois em seus corações transborda Meu amor. é considerado maior que um erudito. verso 47). (canto 6. Aqueles que com devoção e fé realizaram boas obras. Arjuna: “Entretanto. confiando no Dharma ou “Lei Absoluta”. Sejas. Embora a união (Yoga) Comigo seja dificílima para quem tem a mente descontrolada. em uma nova existência ele recuperará sua “condição espiritual” e assim sentir-se-á preparado para dar continuidade a seu despertar para a Perfeição. Aquele que procura a Verdade. CANTO 7 – O CAMINHO DA REALIZAÇÃO 20 . para aguardarem o momento de um novo renascimento em condições propícias.

Saiba que minha natureza manifesta oito formas elementais. a atividade e a inatividade. (canto 7. permanecendo imutável em meio às transformações e mudanças do Universo mutável. a união dos iogues e a santidade dos santos. mente. a sabedoria dos sábios e a nobreza dos nobres. ar. (canto 7. o conhecimento místico que nos revela a divindade e a relação Dela com o Universo. exerce o puro amor que lei nenhuma pode proibir. verso 4). É o princípio que vivifica e sustenta o Universo. além dessas formas elementais manifesto também uma natureza sutil ou espiritual. Senhor Krishna apresenta a verdade suprema. água. verso 12). Assim minha natureza manifesta três qualidades: a harmonia. verso 4). conhecidas como. verso 3). Eu não dependo delas. Poucos são aqueles que entre os milhares da raça têm suficiente discernimento para chegarem à perfeição. 21 . Somente aqueles que a Mim se devotam deixam-se iluminar pela luz que está por detrás do véu. assim a Luz da Verdade o conduzirá a Mim.Osvaldo Luiz Marmo Neste canto. A ilusão é poderosa e seu véu é de difícil penetração aos olhos humanos. verso 6). verso 14). Sou a ciência eterna e imortal de todos os seres. Os elementos são a matriz da criação. Além de Mim não há nada. (canto 7. vença a ilusão. poucos a procuram com sucesso. de onde ela tem sua origem e para onde ela retorna. razão ou intelecto e consciência individual. verso 8. E entre estes. As qualidades dão origem à ilusão e os homens imersos nelas não compreendem que Eu sou superior a elas. (canto 7. Também Eu sou a força dos fortes que. terra. a sílaba sagrada OM. 10 e 11). a vida dos vivos. Sou o perfume da terra. verso 7). Mas. Tudo depende de Mim e por Mim é sustentado. vazio. 9. Estas qualidades têm em Mim seu princípio e embora estejam em Mim. (canto 7. (canto 7. fogo. Eu sou o fluir da água. a luz do Sol e da Lua. Portanto. tal como as pérolas de um colar são sustentadas pelo fio que as une. verso 13). Eu sou a fonte de toda a criação. o esplendor do fogo. superior e mais nobre. livre de toda a paixão. (canto 7. (canto 7. (canto 7.

Saiba que Eu sou simultaneamente infinitamente pequeno e infinitamente grande. como Adhidaiva surjo como um Ser imaterial e espiritual cuja atividade produz a geração de todos os seres e formas. e de Mim emana a vida universal. que é eternamente velada ao olho material. é o princípio de minha emanação que faz com que os seres vivos nasçam. Karma. (canto 8. (canto 8. Aquele que com a visão imaterial percebe a majestade de minha face. Diz-me ó Krishna: O que é o Absoluto? O Absoluto é o Todo. Portanto. Se a tua mente e teu coração em Mim fixares. verso 7). se movam e ajam. verso 4). (canto 8. se na hora da morte pensar em Mim ao deixar o corpo material penetrará em minha essência.Osvaldo Luiz Marmo CANTO 8 . verso 3). (canto 8. Mas esse mistério somente é acessível para aqueles que possuem a sabedoria superior. Portanto. Então. verso 4). o princípio universal da vida. verso 8). com a mente elevada. Dirija. que é meu aparecimento em corpo. (canto 8. Alguns Me chamam de Adhibhûta. Mas esse princípio somente é minha vontade manifestada nas leis naturais do universo. praticando o reto pensar e a reta ação. a lei de causalidade. Sou o imaterial Senhor e sustentador de tudo. Minha manifestação produz a hierarquia do Cosmos. Sua essência chama-se Adhyâtman. Assim eu faço o supremo sacrifício – Adhiyajña -. cheia de fé e amor. a Alma das Almas. verso 5).O CAMINHO PARA O ETERNO SER Continuando sua exposição metafísica e teológica. Como Adhibhûta Eu venho a Ser e torno-Me manifestado. pois. Krishna expõe sua natureza essencial e sua manifestação no mundo objetivo. porque tendo rompido 22 . vê uma Luz mais brilhante que o Sol de meio dia. pense em Mim. a Mim certamente virá. saiba que vivendo em Mim e para Mim. Entretanto. que sou o Absoluto e eterno Todo Poderoso. (canto 8. certamente chegarás a Mim. Esse ser participa da vida verdadeira e na morte se torna imortal. Eu mesmo sou este Ser. quem abandonando todos os desejos deixar sua mente concentrada somente em Mim. a Mim todos os seus pensamentos e luta. O Ser Supremo que é Indiviso e Eterno.

Porém aqueles que partem no meio da fumaça dos erros voltam à esfera da mortalidade. dando sentido a materialidade. verso 14). Pois acima e por detrás da natureza invisível e visível existe minha chama imortal e eterna. (canto 8. Aperfeiçoa-te então para adquirir o saber perfeito que te levará a iluminação. (canto 8. até o momento do despertar para a verdade e a sabedoria. (canto 8. (canto 8. Estes são os dois caminhos eternos do mundo. (canto 8. verso 26). (canto 8. versos 11 e 12). Entretanto. (canto 8. versos 9 e 10). Feche bem as portas dos sentidos corporais. Aquele que pensa em Mim incessantemente e fixamente. Saiba que no início de cada nova era emergem de Mim todas as coisas. concentre tua mente sobre teu Eu interior e repita meu nome (OM) no silêncio de teu coração. a cada inalação e exalação (canto 8. Domine o teu coração. sabe isto e não tem medo. com facilidade Me achará. No fim de cada era tudo se dissolve em minha essência e Comigo se identifica. Da invisibilidade o imaterial torna-se visível. O sábio que se dedica todo a Mim. Eu que sou o Absoluto. pelo segundo vai-se até certa altura e depois se volta para trás. Esse é o caminho escolhido por todos aqueles que se dedicam à vida santa de estudo das verdades divinas e da meditação. verso 20). Em poucas palavras te ensino o caminho da imortalidade. nunca se apegando a seus pensamentos ou a qualquer outro objeto. renascendo e renascendo. saiba que aqueles que desencarnam quando neles arde a chama do amor divino conhecerão a Mim. que te levará direto a Mim. CANTO 9 – O CAMINHO PARA A SABEDORIA SOBERANA E O SOBERANO MISTÉRIO 23 . Um é iluminado e nos leva à Luz. Outro é escuro e nos ata à vida no reino da ilusão. versos 24 e 25). Pelo primeiro chega-se à esfera consciencial de onde não se volta mais. verso 27). entrou em minha vida. o Espírito Eterno. minha paz e minha essência. verso 18).Osvaldo Luiz Marmo com todos os vínculos sensoriais. o espírito supremo e comigo se unirão.

Eu que sou o Imanifesto. o espaço e o tempo. mas não sou limitado ou contido por nada. Em mim estão todas as coisas. versos 16. Sou a morte e a imortalidade. Mas. obedecendo minha vontade a natureza cria e destrói produzindo os seres animados e inanimados. Os que carecem da verdadeira luz não Me reconhecem quando apareço em forma humana. Todo esse Universo. versos 13 e 14). Os que adoram os antepassados com eles se unirão. se transforma. (canto 9. Minha vontade os vivifica. os que adoram os seres inferiores à suas esferas conscienciais irão. (canto 9. (canto 9. versos 4 e 5). Sou a prece e a invocação. versos 8 e 10). (canto 9. (canto 9. Saiba que cada um chega ao objeto de sua devoção. 18 e 19). quem a Mim verdadeiramente adora e em Mim procura refúgio.Osvaldo Luiz Marmo Neste canto. o ritual e o Ser venerado pelo ritual. Eu mando e retenho a chuva. não podem sentir a presença Divina quando manifestada como homem entre os homens. a semente e os frutos. mas Eu Não sou circunscrito por elas. pois a natureza por si é impotente para fazê-lo. Assim. Eu sou o sustentador de tudo e a tudo penetro. fé inabalável e coração puro. verso 22). Todas as coisas de Mim provêm. Eu sou o oficiante do ritual. vontade firme. Não tendo a compreensão espiritual correta e a sensibilidade. Eu sou o Pai e a Mãe do Universo. Assim sendo eles Me adoram com ânimo sincero. Por meio de Minha natureza emano a hierarquia de seres e coisas que constituem o Universo. dando-lhes nova existência. não pense que todas as coisas seja Eu mesmo. Mas aqueles que já despertaram e desenvolveram o conhecimento superior reconhecem em Mim a Divindade Suprema. É assim que o Universo se move. Entretanto. como a essência que ordena todas as coisas e dá vida a todos os seres. O princípio e o fim. a origem e o sustentador de tudo. mas quem adora a Mim. mas Eu não tenho origem nelas. verso 11). Eu sou a Felicidade Suprema e a bem-aventurança eterna. como em seu todo é uma emanação minha e Eu o penetro com minha natureza invisível. Shri Krishna revela o mistério da sua presença na natureza. 17. a origem da vibração do calor e da luz do Sol. o semeador. vivenciará a felicidade 24 . não obstante sou Um e sempre o mesmo. (canto 9. sabendo que Eu sou o caminho e a Verdade que a Mim os conduzirá. tanto em suas partes. a criação e a destruição.

Osvaldo Luiz Marmo eterna. coragem e medo. Por isso qualquer coisa que faças pense sempre em Mim e o faça por Mim. fruto dessa união encontrarás a iluminação e a mais perfeita felicidade (canto 9. Shri Krishna se apresenta como a Divindade manifestada no Universo objetivo em seus dois aspectos. nem os anjos. versos 30 e 32). Então. Saiba que Eu recebo todas as oferendas que a Mim sejam feitas com amor. Mas. Seja uma folha. Então. clemência. nem os deuses. 26. inteligência. Oferecendo a Mim todas as suas ações estarás acima dos resultados do carma (canto 9. versos 25. uma fruta ou uma gota de orvalho. conheçaMe. Nenhum ser conhece minha origem. não-manifestada. verso 34). Não Me conhecem porque Eu sou a origem de todos eles. Se um “pecador” a Mim se dirige dedicando o amor de sua alma é digno de louvor. nem os grandes espíritos (bodhisattvas). a Infinitude: Ouça. que por detrás da manifestação suporta os universos em suas inúmeras formas de existência. sabedoria. CANTO 10 – AS MANIFESTAÇÕES DIVINAS Neste canto de intensa devoção. 25 . Saiba que embora todas as características e qualidades humanas são emanadas e inspiradas por Mim [compreensão. porque procura a verdade (canto 9. Brahman. Eu não olho o valor da oferenda. prazer e dor. Pois quem a Mim se dirige. pois Eu sou o Senhor Supremo de todos os Universos. fixe tua mente em Mim e une tua vontade com a Minha. acha em Mim o refúgio e anda pelo soberano caminho da Luz. nem os sábios. mas somente o coração de quem a faz. o primeiro como a consciência dinâmica em cada ser vivo e o segundo como a consciência estática. porque minha palavra te alegre e porque quero teu bem. adore-Me. paciência. Quem tem a vidência Me reconhece como o Ser infinito e eterno. somente quem tem essa percepção da verdade é livre dos erros. 27 e 28). tranqüilidade. ó meu herói! A doutrina mais importante que te quero expor.

versos 2. (canto 10. animado ou inanimado que possa existir sem Minha presença. (canto 10. verso 25). abstinência. Eu sou o Ser presente na consciência de todas as criaturas. (canto 10. descrever-te-ei as minhas características principais. pois Meu Ser é infinito e infinita é minha opulência. (canto 10. faço-os sentir a Minha presença. 5). a essência: Quem verdadeiramente conhece Meu poder e Minha glória. CANTO 11 – A VISÃO DA FORMA UNIVERSAL 26 . meio e fim de tudo (canto 10. Brahman. Residindo no centro de seus corações. Entre os sábios sou a sabedoria. pensam em Mim continuamente e fazem suas vidas confluir em minha direção. Assim. Portanto. Aqueles que Me conhecem. sejam materiais ou imateriais. (canto 10. severidade. meu príncipe. verso 39). 4. Eu sou a semente da vida em todas as criaturas. O Verbo divino: Ouça. Assim. sou o princípio. versos 19 e 20).Osvaldo Luiz Marmo inocência. contentamento. Em resumo. entre as palavras e nomes sou a sílaba OM. misericordiosa e meu amor. Eu não sou afetado por elas. verso 9). verso 10). (canto 10. (canto 10. mas somente uma pequena parte delas. é dotado de fé e devoção infalíveis. Através da Minha Luz suas mentes se purificam e eles vêm a Mim (canto 10. verso 8). caridade. como o Eu Real de cada um. modéstia]. Quem compreende essa Verdade ocupa-se em Me servir com amor e devoção. 3. a intuição e o discernimento para chegarem até Mim. afabilidade. verso 11). verso 7). Assim eles são felizes e Eu os inspiro para que eles se ajudem uns aos outros. equanimidade. entre os sacrifícios sou a elevação do espírito e entre as montanhas sou o Himalaia. Não há ser algum. Eu sou a fonte de todos os universos. O Todo emana de Mim. minha Luz afasta as trevas da ignorância que os impede de estarem em Mim. a todos que Me oferecem o coração Eu sou o saber.

versos 5 e 6). se é possível. Teus ensinamentos. verso 1 e 2). (canto 11. Mas. Se mil sóis. não será com teus olhos materiais que podereis Me contemplar. que sou um só. revelou-se ao filho da terra em seu aspecto de Senhor Absoluto. (canto 11. Então te abro a visão espiritual. Variadas aparências e formas de consciência com todo o esplendor dos adornos celestes e com todo o poder divino que irradia luz e encantamento (canto 11. Veja e observe o Universo com todos os seres e coisas resumidos em meu corpo. mas possível para aqueles que receberam a graça Divina. (canto 11. pois e veja agora a minha Natureza Mística. mostra-me a Tua majestosa forma. ao mesmo tempo. Tu és em verdade o Senhor do Universo. Então. em inúmeras e variadas formas. Imerge o teu olhar no reino dos deuses. Mas. faz-me ver Tua Real Face e Forma! (canto 11. anjos e arcanjos. brilhassem no firmamento. Vós me revelastes os mistérios do espírito e a grande verdade a respeito da criação e dissolução de todas as coisas. como me expusestes e me convenceste. verso 3 e 4). destruíram minha ilusão e minha ignorância. toda essa luminosidade seria empalidecida na presença gloriosa da Luz Divina. Esse aspecto Divino é de difícil visualização pela mente humana. ó filho da terra e contempla-Me. pois. a verdade e a essência imutável no coração do Universo mutável. Se julgardes que sou capaz de vê-la. ó Senhor. versos 9 e 10). Neste aspecto Arjuna viu muitos em um só Ser.Osvaldo Luiz Marmo Neste canto. perfeição e universal imanência. faces. espíritos planetários e muitos outros seres misteriosos que estão além da compreensão humana. Luminoso. cheio de graça era seu semblante. Inúmeras formas. Olha. versos 7 e 8). Nele encontrarás tudo o que desejas ver. a consciência do cosmos. A Divindade Suprema respondeu: Veja. Senhor Krishna se apresenta como a realidade. olhos e bocas. radiante. Tendo o Senhor dos Mundos assim dito. maravilhoso. Agora conheço Tua grandeza infinita. 27 .

verso 24 e 25). Reunindo-se em falanges numerosas. Assim. 15. Arjuna viu o Universo e os Deuses revelados no corpo do Absoluto. Inúmeros são teus braços e olhos. quem Me adora. disse (canto 11. “A visão que de Mim tivestes. eles admiram ó Senhor Tua forma (canto 11. Pronunciadas estas palavras apareceu o Senhor a Arjuna em sua forma usual. como Krishna. distribuição de esmolas ou sacrifícios. com certeza absoluta” (canto 11. conhecer e penetrar em minha essência. esse a Mim chegará. os seres se apavoram ao ver-Te em milhares de cores resplandecentes.12 e 13). 22. querubins e serafins. Ó Senhor do universo. implorando ó meu senhor Tua clemência. 17. Sobre Tua cabeça trazes a coroa e em Tua mão o cetro. 53 e 54). inclinando sua cabeça com reverência e admiração. Teu Ser irradia Luz Infinita. Contemplando as Tuas grandes maravilhas me extasio e sinto invadir-me o temor. verso 44. versos. verso 14): em teu corpo vejo todos os Deuses e Deusas. e 2). não se chega pela leitura de livros. versos 11. que de fato é a hierarquia cósmica (canto 11. Só por devoção e amor pode-se chegar ao conhecimento de Meu Ser. CANTO 12 – O CAMINHO DO AMOR DIVINO 28 . Seja afável como o pai é ao filho. Com hinos te celebram todos os seres anjos. ele mirou e admirou a Visão Maravilhosa e. Com Tua Luz enche os espaços. vendo a estupenda face Tua. livre de apegos e sem odiar a ninguém. dissolvendo e reconstruindo seres e mundos. Arrebatado e com os cabelos eriçados. Teu amor aquece os mundos todos. destruindo. nem por martírios. arcanjos. 45. e 23).Osvaldo Luiz Marmo Assim. Vejo que em Teu Ser infinito não há princípio. um amante ao outro. Tal como uma imensa boca expelindo fogo e luz. Desejo ver-Te como antes te vi (canto 11. 16. Supremo mestre! Humildemente me prostro a Teus pés. verso 52. Porém. desejo de outra forma contemplar-Te. Tu a tudo engole e regurgita (canto 11. Quem tudo faz em meu nome e me conhece como objetivo de sua vida e de seus esforços. Pai e Mãe de tudo! Ó fonte do saber. meio e fim algum.

Amo aquele que considera tanto o amigo como o inimigo. esses têm a mente fixa em Mim e. impaciência e medo. versos 14.Osvaldo Luiz Marmo Neste canto o Senhor Krishna apresenta o terceiro caminho espiritual para liberação do ser humano do julgo da ilusão. não invejando e não se apegando às ações. imparciais. Bhakti. Imaterial e Inefável. Onisciente. Amo aqueles que não têm preconceitos. ao deixar este corpo morarás eternamente em Mim. afáveis. (canto 12. Considero meus melhores devotos aqueles que buscam a comunhão eterna Comigo. firmes de vontade e não têm cuidados mundanos. (canto 12. 29 . Infinito. onde quer que esteja. Onipotente. dominando seus sentidos conservam sempre o ânimo igual. verso 8). Onipresente. meditam com o maior fervor (canto 12. não se apaixonando nem odiando a nenhum ser vivo. E. respeitando todos os seres e se regozijando com o que é bom e belo. (canto 12. verso 2). Eterno. pois tua mente em Mim e satura toda tua mente de Meu Ser. versos 3 e 4). verso 6). Eu estou com eles e eles Comigo. 17. esses também chegarão a Mim (canto 12. não teme o mundo. verso 5). turbulência. Aqueles que em Mim renunciam os frutos de suas ações e meditam em Mim como seu ideal mais elevado. 16. Descansa. considerando tal meditação como um fim e não um meio. piedosos. livres de toda a ânsia e nunca se desesperam. Em verdade Te digo que amo aqueles que são sempre constantes. e que com a mente fixa em Mim. o Um e o Todo. mansos de coração. a via da devoção. 18). Assim fazendo. (canto 12. são justos. inconfidentes. Aqueles que Me adoram como o Ser Absoluto. não se entregando nem à tristeza nem a alegria excessiva. não são tímidos e são livre de cólera. os honrados como os desprezados”. Imanifesto. estão bem mais próximos de Mim que aqueles que me adoram como o Deus manifestado e possuidor de forma. Aqueles que Me reconhecem como o Ser Absoluto e Imanifesto. 15.

o transitório e o eterno. quem conhece a natureza desse campo é denominado o “conhecedor do campo”. como odor. 7. o intelecto. Somente o amor a Mim. que te leva ao isolamento do mundo profano e à abstinência das coisas mundanas. 9). E. esclarecimento sobre a natureza material e imaterial e também sobre a natureza do conhecimento e do que é conhecido” (canto 13. o Ser Real e a estrutura de manifestação ilusória. O discernimento entre o campo (não-Eu) e o conhecedor do campo (Eu) é a verdadeira sabedoria”. Isto é jñana.Osvaldo Luiz Marmo CANTO 13 – O CAMINHO DA DISCRIMINAÇÃO ENTRE MATÉRIA E ESPÍRITO Neste canto Krishna expõe a relação entre o ilusório e o real. mestre. o ódio. aquele que não tem 30 . constância e autocontrole sobre os instintos e condicionamentos. Assim. a força vital. bem como suas percepções e emoções.. (canto 13. verso 2). orgulho e vaidade. Ouça agora o que vem de Mim e por Mim é inspirado para teu encantamento e auto-realização: modéstia. Sob Minha inspiração tu aprendes-te a verdadeira tranqüilidade e o correto processo de ligação Comigo. (canto 13. inocência. verso 3). Essas são qualidades do campo e da natureza material. Krishna e disse: “Dê-me. etc. paciência retidão. Arjuna olhou para seu mestre. verso 11). como o conhecimento dos processos de nascimento. etc. Aquilo que tu chamas corpo e que serve de veículo para tua personalidade e teu ego. velhice e morte (canto 13. verso 6. doença. designam-se: os elementos materiais. o Ser Divino. o conhecimento. O contrário é ajñana. “Saiba que Eu sou o conhecedor do campo. sinceridade. Agora te falarei sobre o processo de conhecimento. leva ao verdadeiro conhecimento e à verdade suprema. o verdadeiro objeto do conhecimento é o Absoluto (Parabrahman) o Ser Supremo. alguns mestres denominam “campo”. a ignorância. bem como o amor. o ego. A sabedoria também consiste tanto na ausência de sensualidade. Com o nome de campo ou natureza material. som e visão. o prazer e a dor. os sentidos e a mente. 8. a personalidade.

esse em verdade vê (canto 13. Qualquer que seja a matriz. a verdade que os sábios e os santos possuíram para chegar às alturas da perfeição”. pois quem vê o imperecível no coração do perecível. versos 1.Osvaldo Luiz Marmo princípio e não tem fim. “Agora passo a te ensinar a verdadeira sabedoria suprema. bem como sua ação sobre a conduta humana. busca a Mim e terás a luz. esse Universo é sua matriz e Eu o Pai inoculador (canto 14. 28. à preguiça e à negligência (canto 14. mas Eu sou o verdadeiro ser que vivifica o processo da vida e anima o campo em sua manifestação. 2. versos 12. farás parte Dela. Tamas a inércia vincula o ser à apatia. e ao mesmo tempo fora de todos os seres e coisas. 7. Rajas ou movimento e Tamas ou inércia. versos 5. Uma forma metafórica de entender a natureza da mente e sua influência sobre o ser humano. Quem está sob seu domínio nasce pelos vínculos que o prendem ao saber e a beleza. ao conhecimento e a harmonia. versos 24. 8). os princípios denominados Sattva ou Harmonia. 13). Assim. pois vendo a Alma Universal em tudo. 4). 29). nem mesmo quando um novo universo for manifestado. Ouça minha inspiração. fazendo-o nascer pelo apego ao agir. como ser-indivíduo vivente. tendo compreendido a verdade os seres entram em meu Ser para nunca mais renascer. Sattva prende à felicidade. CANTO 14 – O CONHECIMENTO DAS TRÊS QUALIDADES DA MENTE Este canto é consagrado à explicação sobre as qualidades ou gunas. Sou o Ser infinito que está acima do espaço e do tempo (canto 13. Esse universo de matéria é minha matriz em que ponho a semente de que provêm todos os seres. Tu és parte da minha manifestação. Rajas. 3. 6. A matéria tem três qualidades ou gunas. a emoção é a natureza passional e o desejo que vincula o ser manifestado a ocupar-se das ações e dos objetos. O Ser Real que é imanente no Cosmos e por isso está dentro. Sattva vincula o ser manifestado ao amor. Rajas à emoção e Tamas à 31 .

versos 22. (canto 14. O fruto de uma boa ação é puro e harmônico. consagra-te exclusivamente a Mim pelo caminho da devoção. 13). como podemos reconhecer quem alcançou essa vitória? Perguntou Arjuna. e da inércia é a ignorância. atividade e desejo são as características da predominância de Rajas. superando as qualidades chegarás a Mim e a união comigo. Assim. preguiça. versos 26. (canto 14. então se libertará dos vínculos das qualidades e dos vínculos com o nascimento e dos sofrimentos da vida. e quando se tornar consciente do que existe além delas. “Alcançou a vitória e caminha para o despertar. aquele que sentindo o efeito das qualidades da matéria. imortal e imperecível. e reconhecer que Aquele que se sobrepõe às qualidades é o Ser Real. 19). pois Eu sou a causa principal de se tornar alguém eterno. não se repugna pelos frutos advindos da ilusão e nem se lamenta pelos bons frutos frustrados.Osvaldo Luiz Marmo indolência. 12. Essas são as características de alguém que se dedica a Mim com sincera e pura devoção” (canto 14. Logo. Ao ver a sabedoria manifestada em alguém saiba que é Sattva que predomina. E. 27). CANTO 15 – O CONHECIMENTO DO ESPÍRITO SUPREMO Neste canto Shri Krishna expõe o reconhecimento da Divindade em si mesmo. então serás capaz de participar de minha essência e ser Um comigo. 11.). “as gunas fazem seu papel”. 32 . versos 9. o fruto da emoção é a dor. Assim. quando a alma manifestada ultrapassar as três qualidades que se manifestam com a formação de um corpo. obstinação. Estupidez. Avidez. (canto 14. Portanto. vaidade. como um neutro espectador não se comove pelas qualidades e imperturbável se retrai delas com o pensamento. versos 16. Quando fores capaz de perceber que as qualidades são o único agente. 23. e falta de discernimento são as características da dominância de Tamas.

Sou a seiva das plantas e dos vegetais. o fim e o sustentáculo dessa ilusão. Fixe teu olhar espiritual na tua própria essência.para nós humanos -. Eu Sou o que 33 . Seus galhos vergam até a terra. ao abandonarmos os objetos sensórios desaparecem também os pares de opostos conhecidos como prazer e dor. O caminho para essa meta e a libertação da ilusão. e seus rebentos equivalem aos objetos dos sentidos. Então. 8 e 10). Residindo no coração e na mente dos homens. versos 3 e 4). e unindo a inalação com a exalação dirijo todos os processos vitais. nem sabem como Meu germe divino se une as três qualidades da matéria (gunas) (canto 15. Nela brilha a Luz infinita que de Mim emana. de Mim provém a memória o entendimento e a privação de ambos. penetro no corpo que respira. Assim. é possível erradicá-la com o potente machado do discernimento. Então será possível buscar o ponto de estabilidade de onde não mais voltam os seres que o atingiram (canto 15. conhecer a natureza. do egoísmo e dos apegos. como uma grande árvore. bem como a chama que a tudo abrasa. cujas raízes estão voltadas para cima e os galhos para baixo. pois um fragmento de Mim Mesmo se constitui no espírito imortal que. tal como o vento faz com o perfume das flores. levo comigo esses princípios da materialidade. do reservatório da natureza. 7. Assim. Sua copa invertida corresponde ao descenso da manifestação divina e suas folhas. Saiba que a luz do Sol e da Lua. provêm de Mim. durante o processo cósmico ao abandonar o corpo. correspondem aos hinos védicos que cantam o processo cosmogonico. que os atam com laços cada vez mais apertados (canto 15. brotos e ramos. Os tolos não Me vêem quando deixam o corpo. Embora não seja possível . construindo para Si a mente e os canais sensoriais. versos 1 e 2). Tal como a força vital que é o fogo da vida. versos 6. nem quando neles estão. sua seiva representa as gunas. ou qualidades -. Suas radículas pendentes até o solo significam as ações engendradas no mundo dos homens.Osvaldo Luiz Marmo Os Vedas descrevem o mundo físico ou manifestação ilusória. Eu penetro a terra e sustento todas as coisas com minha vibração de vida. tira para si o germe da individualização. Assim.

a cólera. 17 e 18). versos 1. e não terem controle suficiente de si mesmos para se absterem de praticar más ações. e que são relacionados com a sabedoria daquele que age com intrepidez. a presunção. 14. 34 . ó príncipe. Os seres que não estão trilhando o caminho da Luz caracterizam-se por não praticarem a reta ação. Nele não há desejos ou outros condicionamentos da mente instintiva. por isso Sou também denominado o Altíssimo. 3. 16. o Uno e os muitos. CANTO 16 – O CONHECIMENTO DOS ATRIBUTOS DIVINOS E DEMONÍACOS Este canto mostra o homem de bem e o devoto do mal. embora essa dualidade forme a Unidade sagrada e universal. Eu sou superior a Tudo. e tem compaixão e boa vontade para com todas as criaturas. 2. Nesses seres não existe a pureza. Saiba. que o bom caráter liberta da mortalidade e nos conduz a imortalidade no seio da Divindade Suprema. conhece a Verdade e a tudo que existe (canto 15. 15. Eu o Espírito Absoluto sou imanente na Alma Una e nas almas múltiplas. pureza. o que o diferencia daqueles em que a hipocrisia. Vou te dar agora os sinais que são característicos dos homens que andam pelo caminho da Luz. a unidade e a pluralidade. 13. 4 e 5). Esse homem que já está na senda da iluminação é manso. versos 12. perseverança e discernimento entre o verdadeiro e o falso. e a ignorância predominam. (canto 16. A alma das almas e as almas múltiplas que são os germes da individualização. equânime. bem como as raízes que os conduzem. Quem assim Me conhece.Osvaldo Luiz Marmo se há de conhecer nas escrituras sagradas. Mas. a veracidade. pois Eu Sou o conhecedor das escrituras e o autor do Vedánta. a arrogância. a rudeza. o orgulho. Há no mundo dois aspectos. o primeiro à iluminação e o segundo ao renascimento.

as pessoas mais adiantadas veneram a Mim. Alguns deles. afirmam que o mundo é produto do acaso. que é baseado em tudo que manifesta o verdadeiro amor. que os homens denominam deuses e santos. CANTO 17 – AS TRÊS FACES DA FÉ Neste penúltimo capítulo é exposta a relação entre as qualidades da mente e a personalidade manifestada. praticam atos piedosos e ritos da religião. Naqueles que predominam a atividade (rajas). por hipocrisia desejam aparentar benevolência perante o mundo. atentando somente para a letra das escrituras e repelindo o verdadeiro espírito da religião. verso 24). ó Krishna. e para tanto distribuem esmolas. Portanto. versos 10. 12). entregam-se ao usufruto do prazer e egoisticamente não impõem restrições a suas ambições. pura. versos 17 e 18). Mas. faça das escrituras tua referência de vida para saberes como deves agir de forma à trilhar o glorioso caminho que te leva em direção a Divindade Suprema (canto 16. passional ou tenebrosa. procurando acumular riquezas por meios ilegais. Onde predomina a pureza (sattva). a ira e a avareza. (canto 16. existe a veneração dos seres espirituais puros. entregando-se a volúpia. Eu que não tenho forma e outro nome além da sílaba OM. pois cada tipo de fé reflete o caráter do homem.Osvaldo Luiz Marmo tampouco o discernimento entre o certo e o errado. 11. para satisfazerem seus desejos materiais. Arjuna: Diz-me. ó príncipe. (canto 16. qual o estado do homem que mesmo tendo fé não segue as escrituras sagradas? A fé dos homens pode ser de três tipos. negam a existência do Ser Divino e como materialistas que são. que sou a Divindade Suprema e o Ser Real. Eles afirmam que no mundo não há verdade nem justiça. Assim. a veneração é 35 .

simplesmente para cumprirem o costume. (canto 17. versos 11. melhor é cuidar de teu corpo e de tua saúde. pode ser de três tipos: Ela é sáttvica quando oferecida a alguém que necessita. versos 3. Nos homens em que predomina a influência da materialidade (tamas) o culto é sempre dirigido aos espíritos inferiores. versos 8. ostentação ou motivação pessoal. 12 e 13). Este tipo de devoto não espera nenhuma retribuição pelo seu ato. Mas. 4 e 5). ó príncipe. O mesmo tipo de pessoa muitas vezes dá esmolas por sentir prazer e felicidade no ato de doar. Mesmo a caridade. Pior ainda são os homens de natureza tamásica. tampouco sente prazer em fazê-lo. Por isso. Já os homens rajásicos sempre esperam uma recompensa pela oferenda do culto. seja por vaidade. Quem atormenta a vida do corpo. que fazem suas oferendas sem fé ou devoção. preservando-te da doença. Os homens sáttvicos preferem os alimentos que não são demasiados amargos. conforme as escrituras e sem nenhum desejo de recompensa. sabendo ser necessário fazer. pois o corpo é o veículo de tua manifestação no mundo fenomênico da materialidade. a Mim atormenta. efetua seus ritos pelo dever. aquele dá esmolas por esperança de recompensa futura. Por outro lado. Para isso alimenta-te pela ingestão de substâncias que te trazem vitalidade. Quanto a forma de adoração. por isso ingerem alimentos putrefatos e corrompidos devido às preparações não saudáveis que visam somente o paladar (canto 17.Osvaldo Luiz Marmo dirigida aos seres poderosos da natureza e aos heróis da mitologia. seres demoníacos e espectrais do umbral (canto 17. salgados ou muito condimentados. Já os homens rajásicos dão preferência aos alimentos que estimulam o apetite por serem condimentados. Lembra-te que as escrituras sagradas não recomendam sacrifícios e mortificações do corpo. Ele faz por dever. saiba que o devoto sáttvico no qual predomina a pureza. ele não deve ser o objetivo da doação ou caridade. vigor e saúde. embora possam causar todo o tipo de enfermidades. 9 e 10). somente por sentimento do dever. Esta atitude reflete a hipocrisia e a ignorância daqueles que desejam recompensas dos seres cultuados. seja de Deus ou de quem recebe. Embora o sentimento de prazer possa ser vivenciado. é um hipócrita de temperamento rajásico. Pior ainda são aqueles que têm natureza tamásica. pior ainda 36 . versos 5 e 6). (canto 17.

(canto 17. Eles estão somente mostrando suas natureza tamásica. Sat é verdade. A cessação dos atos oriundos dos desejos é denominada abstenção e a ação desinteressada que é executada sem apego aos seus possíveis frutos é 37 . OM Tat Sat. pela pronuncia Sat. está dando qualidade e pureza à ação. bondade e amor. 21 e 22). Mestre. A explanação do mestre alcança a luz e o esplendor que só o espírito de um Avatára pode articular. e pronunciando esta palavra nos ritos e nos atos de caridade estão invocando a unicidade. versos 20. olhando seu devoto e reconhecendo sua ânsia em ter a compreensão para viver a verdade. Krishna pronuncia suas últimas palavras e ensinamentos. Por isso aqueles que Me conhecem pronunciam sempre a palavra OM antes de qualquer ato religioso e qualquer doação. Quem pratica uma ação invocando o amor. CANTO 18 – O CAMINHO DO DESPERTAR ESPIRITUAL Neste último canto Shri Krishna enfatiza o controle sobre as qualidades como meio de libertação. Assim.Osvaldo Luiz Marmo são aqueles que somente dão esmolas pela repugnância que sentem pela pessoa favorecida ou por desprezo ou ainda por vaidade pessoal e ostentação. Meu Nome também tem uma natureza tríplice. ensine-me o que é verdadeiramente a abstenção e o que é renúncia! Então. A palavra Tat indica que estou presente em todos os seres. estão despertando em suas consciências Minha presença e fazendo a ação em Meu Nome.

Passional é a mente de quem desconhece a diferença entre a justiça e a injustiça. Tenebrosa é a mente de quem faz o mal dizendo ser o bem. Por isso faça todas as suas ações refugiando-se em Mim. Não se deve cultuar a inação. Assim. 23 e 24). entre o receio e a ousadia. versos 30. quem age sem repugnância e faz aquilo que não lhe traz nenhum proveito. versos 1 e 2). mas no fim deleita. porque entende que a ação se faz necessária. sem apego. Puro é o prazer oriundo do autoconhecimento. Por isso 38 . Por isso ofuscada está a mente de quem crê que o Ser Real (o Eu) é o agente das ações. o bem e o mal. Entende então que ninguém na Terra está livre da ação das três qualidades! Por isso. alcançarás a paz que te levará ao Divino. Tenebroso ainda é o prazer que tanto no início como no fim perturba o ânimo. (canto 18. por ter sua origem na morbidez. e assim saberás claramente quem Sou e o que Sou. 22. troca a injustiça pela justiça (canto 18. No princípio deleita. pois esse mesmo amor fará aflorar em ti a Minha presença. versos 21. Finalmente. por parecer contrário à natureza humana. nada te entristecerá nem nada te faltará.Osvaldo Luiz Marmo denominada renúncia. portanto a Mim e terás a Paz e a serenidade. na negligência e na preguiça (canto 18. Une-se. mas sempre cultuar a ação pura. banindo de sua natureza as tendências inferiores da mente. independentemente de serem ações puras ou impuras. Ame por igual a todos os seres com amor intenso. e não somente o dever que te for dado. verso 40). a liberdade e a servidão. se um homem faz uma ação. Assim. essa renúncia é de natureza sáttvica. As ações são inspiradas por fatores da natureza humana. Logo. Passional é o prazer nascido da união entre os sentidos e os objetos sensórios. Assim. No início repugna. (canto 18. agindo sem nenhum desejo. Pura é a mente de quem conhece a diferença entre ação correta e incorreta. por se mostrar ser o grilhão da escravidão do karma. isenta de desejos e de expectativa de recompensa. é alguém que pode ser considerado um renunciante. 31 e 32). por se mostrar a chave do despertar para a Luz. saiba que ninguém alcança a perfeição sem cumprir contente seu próprio dever. mas no fim repugna. por minha graça alcançarás a perfeição eterna e imutável.

ó herói. vã será tua determinação. evitando o justo combate. que é o mistério dos mistérios. Assim sendo. agora a ti dou meu último conselho referente ao mistério maior. tampouco ao ímpio. Esta é a verdade. Medita cuidadosamente em minhas palavras e haja conforme tua vontade. nem a quem não quer ouvir ou Me maldiz. Me ouviste atentamente ó príncipe! Vejo que se desvaneceu tua ilusão que era fruto da ignorância. Portanto. estará sempre em Mim e por minha graça vencerás todos os obstáculos. ao meditares nesse nosso Santo Colóquio. ó príncipe! Quem não desejar agir movido pela ilusão. eu te afirmo. Assim. Eu te transmiti o conhecimento. Por seres meu amado. fixa tua mente em Mim. Mas. Então. Portanto. te levará ao combate. Assim. seja Meu devoto. Arjuna: 39 . adorando-Me pela compreensão da verdade. forçado pelos impulsos da Luz do dharma que modela a conduta do verdadeiro devoto. serve-Me. e desse modo a Mim chegarás. só te digo o que te convém. prostra-te diante de Mim. Assim. por minha graça alcançarás a paz suprema que é a fortaleza indestrutível do ser. Por isso. Pois se confiares apenas em ti e decidir não lutar. livre do mal. saiba que esse meu ensinamento não deve ser transmitido ao mundano. pois tu és meu muito amado filho. Entretanto. Desiste de todas as obrigações religiosas e toma-Me como teu único refúgio. o resplandecente mundo dos justos. segue de coração Meu conselho e. E saiba também que todo os homens que cheios de fé escutarem esses ensinamentos alcançarão. Por isso não te aflijas. pois tua natureza espiritual – inspirada pela minha presença -. será levado pelo amor e o saber até Mim. bendito todo aquele que o divulgar esse Meu segredo entre os meus devotos – aquelas pessoas de coração puro que desejam somente a Mim -. agirá irremediavelmente.Osvaldo Luiz Marmo dedica todos os teus pensamentos a Mim e fazes tudo por Mim. Te libertarei de todas as dificuldades. Mas. Tal é minha vontade. pois esse chegará até Mim sem nenhuma dúvida.

Estou decidido a lutar.Osvaldo Luiz Marmo Desvanecida está minha ilusão. e por mercê de Vyása conheceu os mistérios. ó buscador da verdade. ali estará seguramente a grandeza. a felicidade e a justiça eterna (canto 18. o Senhor do Yoga. versos 56 . pois se dissiparam minhas dúvidas e agirei segundo Tuas palavras. Por Tua graça adquiri o conhecimento. revelados pela palavra da Divindade Suprema. Arjuna ouviu os magníficos ensinamentos de Krishna. ó meu amado Senhor. onde quer que esteja o Senhor Krishna e onde quer que esteja tu. Portanto. Assim. a prosperidade. a vitória.78). 40 .

Por isso. ou o que Krishna simboliza? De fato Krishna representa a mais pura presença da consciência divina na hierarquia manifestada e individualizada. relatados no Mahabharata e nos Puranas. também denominado Krishna. Nesse aspecto. como qualquer tentativa de classificação filosófica da inimaginável complexidade da hierarquia divina. Entretanto. que atingiu o despertar para as verdades eternas e a auto-realização. entre outros textos. Ai está a Sagrada Trindade! Referências 41 . a pergunta correta deveria ser “o que é Krishna”. Ele algumas vezes se apresenta como o Ser Absoluto e transcendente por detrás da manifestação. vivendo como homem entre os homens. teísmo e panenteísmo se mesclam perdendo sentido. e que é conhecido pelo nome Shrí Krishna Dvaipáyana Vyása. Mas quem foi em verdade Krishna? Provavelmente ele foi o sábio que nos legou inúmeros ensinamentos espirituais importantes.Osvaldo Luiz Marmo OM TAT SAT O PRÍNCIPE KRISHNA E O AVATAR DA LUZ Shrí Krishna é uma pessoa em que a realidade e a ficção se mesclam de maneira a compor a natureza de um Ser. que provavelmente pouco tem a haver com o príncipe dos Yadas. outras vezes como um Ser imanente na manifestação e outras vezes ainda como um Ser aparentemente individualizado vivendo como o princípio da vida na materialidade.

Editora Pensamento. Bhagavad Gita – A Mensagem do Mestre.Osvaldo Luiz Marmo The Bhagavad Gita. Abhinavagupta´s Commentary on Bhagavad Gita. Tradução do Sânscrito de Swami Nikhilananda . Editora New York – Ramakrishna Vivekananda Center. The Bhagavad Gita – Royal Science of God Realization Yogananda Paramahansa. 42 . Editora Indica.