TRATAMENTO DE EFLUENTE SANITÁRIOS E INDUSTRIAIS

SUMÁRIO

CAPITULO I – CARACTERIZAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUÁRIAS ...................................5
1 – PROCEDÊNCIA DOS ESGOTOS.............................................................................................................................5 2 – Vazão de esgotos...........................................................................................................................................................5 2.1 – Variação da vazão...................................................................................................................................................7 2.2 – Vazão de Infiltração................................................................................................................................................8 3 – Características Físicas..................................................................................................................................................8 3.1 – Matéria Sólida.........................................................................................................................................................8 3.2 – Classificação da matéria sólida...............................................................................................................................9 3.2.1 – Definições e faixas de variação.......................................................................................................................9 3.3 – Temperatura..........................................................................................................................................................10 3.4 – Odor......................................................................................................................................................................10 3.5 – Cor e turbidez........................................................................................................................................................11 4 – Características químicas............................................................................................................................................11 4.1 – Demanda Bioquímica de Oxigênio.......................................................................................................................12 4.2 – As formas de Nitrogênio.......................................................................................................................................13 4.3 – Outras determinações............................................................................................................................................14 4.4 – Demanda Química de Oxigênio DQO..................................................................................................................14 4.5 – Carbono Orgânico Total COT..............................................................................................................................14 5 – Características BIOLÓGICAS..................................................................................................................................15 5.1 – Indicadores da Poluição........................................................................................................................................15 6 – Contribuição unitária da DBO e de MS...................................................................................................................16

CAPITULO II – CARGA, VAZÕES E INFILTRAÇÕES .....................................................18
1 – INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................18 2 – ESTIMATIVA DE VAZÕES ...................................................................................................................................18 2.1 – Vazões Médias......................................................................................................................................................18 2.2 – Vazões Máximas...................................................................................................................................................20 2.3 – Vazões Mínimas...................................................................................................................................................21 3 – CARGAS DE ESGOTO SANITÁRIO.....................................................................................................................21 4 – Vazões e cargas de despejos líquidos industriais.....................................................................................................21

CAPÍTULOS III PROCESSO E GRAU DE TRATAMENTO...............................................23
1 – INTRoDUÇÃO............................................................................................................................................................23 2 – OPERAÇÕES UNITÁRIAS......................................................................................................................................23 3 – PROCESSOS DE TRATAMENTO..........................................................................................................................24 3.1 – Processos Físicos..................................................................................................................................................24 3.2 – Processos Químicos..............................................................................................................................................25 3.3 – Processos Biológicos............................................................................................................................................25 3.4 – Outros Processos...................................................................................................................................................25
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4 – CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS...................................................................................................................26 4.1 – Em Função da Remoção.......................................................................................................................................26 4.2 – Em Função da Eficiência das Unidades................................................................................................................27 5 – Remoção de sólidos grosseiros...................................................................................................................................28 5.1 – Conceito................................................................................................................................................................28 5.2 – Finalidades............................................................................................................................................................29 5.3 – Características das grades de barras......................................................................................................................29 5.3.1 – Características do material retido..................................................................................................................33 5.4 – Tipos de Equipamentos.........................................................................................................................................35 5.4.1 – Grade de Barras com Limpeza Frontal ou por Trás......................................................................................35 5.4.2 – Grade de Barras com Acionamento por Correntes ou por Cabos, dos Tipos Cremalheira ou Catenária.....35 5.4.3 – Grade de Barras Curvas................................................................................................................................36 5.5 – Peneiras.................................................................................................................................................................38 5.5.1 – Peneiras Estáticas..........................................................................................................................................38 6 – REMOÇÃO DE AREIA............................................................................................................................................40 6.1 – Conceito................................................................................................................................................................40 6.2 – Finalidade..............................................................................................................................................................40 6.3 – Características.......................................................................................................................................................40 6.3.1 – Tipos de Caixas de Areia..............................................................................................................................41 6.3.2 – Dispositivo de Retenção................................................................................................................................41 6.3.3 – Dispositivo de Remoção...............................................................................................................................41 6.3.3.1 – Quantidade de Material Retido.............................................................................................................43 6.3.3.2 – Destino do Material Removido.............................................................................................................44 6.3.4 – Localização da Caixa de Areia......................................................................................................................45 6.4 – Operação...............................................................................................................................................................45 6.4.1 – Limpeza Manual...........................................................................................................................................45 6.4.2 – Limpeza Mecânica.............................................................................................................................................46 6.4.3 – Medidas de Segurança .................................................................................................................................46 7 – Remoção de gorduras e sólidos flutuantes...............................................................................................................46 7.1 – Conceito................................................................................................................................................................46 7.2 – Finalidade..............................................................................................................................................................46 7.3 – Características.......................................................................................................................................................47 7.4 – Funcionamento......................................................................................................................................................47 7.5 – Caixas de Gordura................................................................................................................................................48

CAPÍTULO IV – FUNDAMENTOS DO TRATAMENTO ANAERÓBIO..............................50
1 – Histórico .....................................................................................................................................................................50 2 – Mecanismo de processo de digestão..........................................................................................................................51 2.1 – Hidrólise ...............................................................................................................................................................51 2.2 – Acidogênese..........................................................................................................................................................51 2.3 – Acetogênese..........................................................................................................................................................51 2.4 – Metanogênese.......................................................................................................................................................52

CAPÍTULO V – CRITÉRIOS DE PROJETO DE REATOR ANAERÓBIO DE FLUXO ASCENDENTE (UASB) OU REATORES ANAERÓBIOS DE MANTA DE LODO............53
1 – INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................53 2 – DIMENSIONAMENTO DOS REATORES DE MANTA DE LODO..................................................................54 3 – NOMENCLATURA DE REATORES ANAERÓBIOS .........................................................................................54 4 – PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO REATOR............................................................................................55 5 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS.................................................................................................................................56
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6- Sistema de Gases.......................................................................................................................................................60

CAPITULO VI – LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO..............................................................62
1 – HISTÓRICO...............................................................................................................................................................62 2 – CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO ..........................................................................................................................63 3 – EFICIÊNCIA E APLICABILIDADE DAS LAGOAS............................................................................................63 4 – LAGOAS ANAERÓBIAS..........................................................................................................................................64 4.1 – Princípios de Funcionamento................................................................................................................................64 4.2 – critérios de dimensionamento...............................................................................................................................65 5 – lagoas facultativas.......................................................................................................................................................66 5.1 – Princípios de Funcionamento................................................................................................................................66 5.2 – Fatores que Interferem no Processo......................................................................................................................68 5.2.1 – Fatores Incontroláveis...................................................................................................................................68 5.3 – Parâmetros de Interesse no Projeto.......................................................................................................................69 Condições locais................................................................................................................................................................69 6 – lagoas de maturação...................................................................................................................................................72 6.1 – Introdução.............................................................................................................................................................72 6.2 – Descrição do Processo..........................................................................................................................................72 6.3 – Critérios de Projeto...............................................................................................................................................73 7 – LAGOAS AERADAS.................................................................................................................................................73 7.1 – Conceito................................................................................................................................................................73 7.2 – Características das Lagoas e Aplicabilidade.........................................................................................................74

CAPITULO VII – LODOS ATIVADO ..................................................................................76
1 – INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................................76 2 – população MICROBIANA DOS lodos ativados.....................................................................................................77 3 – DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO...............................................................................................................78 4 – PARÂMETROS DE CONTROLE E VARIAÇÕES DO PROCESSO DE LODOS ATIVADOS.....................80 4.1 – Relação F/M ou fator de carga..............................................................................................................................80 4.2 – Concentração de SSVTA ou Xv...........................................................................................................................81 4.3 – Idade do Lodo, θc.................................................................................................................................................81 4.4 – Índice Volumétrico de Lodo ou Índice de Mohlman (I V L)...............................................................................81 4.5 – Produção de Lodo em excesso..............................................................................................................................81 4.6 - Tempo de detenção hidráulica...............................................................................................................................82 4.7 – Necessidade de oxigênio.......................................................................................................................................82 5 – SISTEMA DE AERAÇÃO........................................................................................................................................83 6 – SEPARAÇÃO DOS SÓLIDOS.................................................................................................................................83 7 – OPERAÇÃO E CONTROLE....................................................................................................................................85 7.1 – Procedimentos de Start-up (partida).....................................................................................................................85 7.2 – Rotina de operação e procedimentos de controle das unidades............................................................................85 7.2.1 – Tanque de aeração.........................................................................................................................................85 7.2.2 – Recirculação do Lodo ..................................................................................................................................86 7.2.3 – Decantador Secundário.................................................................................................................................87

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.................................................................................................................................91 5......90 5 – Os principais processos de tratamento de lodo são:.1 – Leitos de secagem..........................................................................................................................................................................................................................................4 – Filtros de esteira..........................................................................................................................................89 4 – TRANSPORTE DO LODO............................................92 5.................................................................................................................................2 – Lagoas de secagem de lodo..CAPITULO VIII – TRATAMENTO DO LODO GERADO EM ETE ACONDICIONAMENTO E DESTINO FINAL DO LODO....................................................................................92 5............................................................................................................................................91 5......................93 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 4 ..........88 1 – CONCEITO.........................................................................................................91 5.........................3 – Filtros Prensa..............................................................88 3 – PRÉ-CONDICIONAMENTO DO LODO .......................................................................................................................................................................................88 2 – FORMAS DE DISPOSIÇÃO FINAL.............................5 – Centrífuga ...........................................................................................................................................92 BIBLIOGRAFIA.................................................................................

uma vez que seus efluentes diferem até mesmo em processos industriais similares. amplamente usada em inglês para substituir o rejeitado termo “sewage”. águas de infiltração. minuto (min). lavanderias. estão relacionadas com grandezas quantitativas. edifícios comerciais. indicando o transporte conjunto de todos os seus componentes. urina. instituições ou quaisquer edificações que contenham instalações de banheiros. matéria sólida (mineral ou orgânica). tradicional e recomendada pela ABNT. em harmonia com os parâmetros de projetos adotados de acordo com o comportamento físico-químico e biológica dos processos de tratamento. as de utilidades públicas. Essa tendência tem proliferado o nome da sigla ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuárias) conflitando com a sigla ETE (Estação de Tratamento de Esgotos). cada indústria deverá ser considerada separadamente. sendo quase sempre expressas em forma de concentração (mg/l. provêm de qualquer utilização da água para fins industriais. águas de lavagem. Assim sendo. Assim sendo. e eventualmente uma parcela não significativa de despejos industriais. Os esgotos domésticos ou domiciliares provêm principalmente de residências. Os esgotos costumam ser classificados em dois grupos principais: os esgotos sanitários e os industriais. Compõem-se essencialmente da água de banho. As características dos esgotos variam quantitativa e qualitativamente com a sua utilização. pluviais. que exprime a tradução literal da palavra “wastewater”. tais como água. Os esgotos industriais. e outros efluentes sanitários. Hoje este termo é usado quase que apenas para caracterizar os despejos provenientes das diversas modalidades do uso e da origem das águas. tendo características bem definidas.CAPITULO I – CARACTERIZAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUÁRIAS 1 – PROCEDÊNCIA DOS ESGOTOS A palavra esgoto costumava ser usada para definir tanto a tubulação condutora das águas servidas de uma comunidade. Normalmente representado pela letra “Q” tem sua grandeza expressa em litros (l) ou metros cúbicos (m3) por unidade de tempo. hora (h) ou dia (d). restos de comida. etc). em sua maioria. e adquirem características próprias em função do processo industrial empregado. a POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 5 . de superfície. portanto. de áreas agrícolas. papel. microorganismos. A característica da vazão e sua variação condicionam o número e as dimensões das unidades de tratamento e suas canalizações de interligação. poluentes químicos. tais como de uso doméstico. cozinhas ou qualquer dispositivo de utilização de água para fins domésticos. industrial. detergentes. 2 – VAZÃO DE ESGOTOS A vazão ou descarga de esgotos expressa a relação entre a quantidade do esgoto transportado em um período de tempo. segundo (s). de infiltração. g/m3. fezes. A aversão injustificada pelo termo “esgoto” tem levado alguns autores ao emprego do termo “águas residuárias”. extremamente diversos. uma parcela de águas pluviais. Os primeiros são constituídos essencialmente de despejos domésticos. comercial. o conhecimento da quantidade de esgoto deverá estar relacionada com a duração de seu escoamento. trata-se da mais importante característica dos esgotos. As características físico-químico-biológicas. como também o próprio líquido que flui por estas canalizações. sabão.

). desperdícios e contribuições não encaminhadas para a rede coletora. Para isto. água e solo). dos parâmetros representativos da quantidade de esgoto a ser recebido. podendo ser usada na falta de informações locais e específicas. Com base neste enfoque torna-se indispensável a determinação tão precisa e exata quanto possível ou exigido.) influi diretamente na estimativa da massa de poluentes presente no esgoto (kg/d. atividades industriais. A desarmonia de planejamento pode acarretar características dos esgotos incompatíveis com as elevatórias e com os processos de tratamento implantados. deve-se conhecer ou estimar a vazão de esgoto gerado pelas diversas atividades ao longo do sistema de coleta. afluente à ETE. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 6 . entre os quais convém salientar os mais importantes: região atendida. A estimativa em função da produção e do consumo de água está condicionada à avaliação das perdas. a produção de esgoto está condicionada à disponibilidade de água. Este desencontro no planejamento e na implantação dos sistemas – rede coletora. a exigência mínima necessária para atender uma comunidade e suas atividades normais pode ser caracterizada pelas quantidades relacionadas na tabela 2. m3/d. t/d. etc. interceptores e ETE – tem sido a causa de inúmeros problemas na partida (“start up”) e nas condições de operação das elevatórias e das unidades de tratamento. Obviamente.1.quantidade ou vazão de esgotos (m3/s. No entanto. atividades desenvolvidas. hábitos de higiene. nível sócio-econômico. tornam-se necessários estudos específicos de compatibilização das influências da expansão da rede com as unidades de recalque e tratamento da ETE. etc. assim como no dimensionamento das unidades de tratamento e na avaliação dos impactos no meio ambiente (ar. bem como o comportamento da variação desta vazão nos períodos representativos de cada fase de implantação dos sistemas. Nas regiões onde as etapas construtivas da rede coletora conflitam com as da ETE. A contribuição dos esgotos depende de inúmeros fatores. nível cultural e inúmeras causas comportamentais.

Sistema de coleta (unitário ou separador). • POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 7 . Regime de escoamento (por gravidade ou sob pressão).5. ATIVIDADE/USUÁRIO UNIDADE Residência (urbana) pessoa Residência (popular ou rural) pessoa Apartamento pessoa Escola (internato) pessoa Escola (externato) pessoa Hotel (sem cozinha e lavanderia) pessoa Hospital leito Alojamento (provisório) pessoa Fábrica (em geral) pessoa Escritório e edifício público pessoa Restaurante ou similar refeição Cinema. é usual adotar-se o valor de 1. a vazão de esgoto afluente a uma ETE é afetada pelos seguintes fatores principais: • • • • • • • • • Tipo de esgoto coletado (doméstico ou misto). Condições climáticas (temperaturas e condições do ano). Quantidade de poços de visitas. Tipo e material das canalizações. No caso de indisponibilidade destes elementos é recomendado considerar as variações típicas indicadas na Norma Brasileira: • Variação diária: caracterizada por um coeficiente de variação anual k1 igual ao resultado da divisão da vazão máxima diária pela vazão média diária registrada no período de um ano. Qualidade de execução das obras. e Qualidade dos serviços de conservação. ESGOTO (L/D) 150 120 200 150 50 120 250 80 70 50 25 2 2. Variação máxima horária: caracterizada por um coeficiente da variação k2 igual ao resultado da divisão da vazão máxima horária pela vazão média horária registrada no dia de maior contribuição do ano. principalmente nas redes assentadas em grandes profundidades. ABNT. No caso de uma rede existente é recomendada a realização de medições das vazões ao longo do dia. na ausência de determinações locais é usual adotar-se o valor de 1.1 – Variação da vazão Independentemente dos aspectos próprios ao consumo de água. Concepção e quantidade de extravasores. teatro e templo lugar Fonte: NBR 7229. manutenção e reparos da rede coletora. A variação da vazão afluente à ETE pode ser avaliada em função do hidrograma de vazões na entrada da ETE. Além destes fatores é importante se considerar a influência do lençol freático.Tabela 2. na ausência de determinações locais.2.1 – Produção de esgotos por atividade e usuário.

Variação mínima horária: caracterizada por um coeficiente de variação k3 igual ao resultado da divisão da vazão mínima horária pela vazão média horária registrada no dia de menor contribuição no ano: é usual adotar-se o valor de 0,5.

A variação da vazão está condicionada aos mesmos fatores que influem na geração dos esgotos. Assim sendo, atingirão valores máximos ou mínimos, em função da incidência predominante dos fatores atuando simultânea ou isoladamente, em período de tempo longo ou simultâneo. Para as grandes cidades, ou para as grandes bacias de contribuição, a variação da vazão é amortecida devido à diversidade de atividades e costumes, e pelo comportamento de grandes interceptores, que podem atuar como reservatórios de amortecimento de cheias. De modo inverso, para as comunidades menores ou menores bacias de contribuições, o efeito da variação da vazão será maior. De um modo geral a variação horária tem menor amplitude na parte da noite, quando a população está dormindo, e torna-se máxima nos períodos de atividade típicas de uso de banheiros e cozinhas, na parte da manhã e da tarde.

2.2 – Vazão de Infiltração
A vazão a ser utilizada para dimensionamento deverá ser acrescida da vazão de infiltração de águas através das juntas e paredes das canalizações, caixas de passagem e poços de visita. Este parâmetro pré estabelecido em função da extensão da rede de esgotos, portanto, não tem nenhuma relação com a população atendida, vazões e suas variações. A ABNT recomenda adotar valores para a taxa de infiltração, de acordo com as condições locais, como o nível da água do lençol freático, na natureza do sub-solo, a qualidade da execução da rede, o material da tubulação e o tipo de junta utilizado. Na ausência de dados locais específicos, a faixa de valores de 0,05 a 1,01s/s por km. de extensão da rede é recomendada. O emprego de tubos de plástico te reduzido consideravelmente o valor da taxa de infiltração, assim como o uso de juntas com anéis de borracha em manilhas cerâmicas, e outras melhorias nos materiais e nas técnicas construtivas. Este valor nunca deverá ser nulo, uma vez que exigiria condições de absoluta ausência do lençol freático, da precipitação pluviométrica, e de outras contribuições clandestinas. A vazão de infiltração afluente à estação de tratamento é afetada pelas etapas construtivas da rede coletora, devendo haver compatibilização entre estas etapas construtivas e da rede ETE. Quando isto não acontece poderá ocorrer problemas na parte do ETE, devido a diferença de características do esgoto afluente, tanto na quantidade quanto na qualidade. Alguns problemas tem como causa a desobediência destes cuidados.

3 – CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
As características físicas o esgoto podem ser interpretadas pela obtenção das grandezas correspondentes às seguintes determinações: matéria sólida; temperatura; odor; cor; e turbidez

3.1 – Matéria Sólida
Das características físicas, o teor de matéria sólida é o de maior importância, em termos de dimensionamento e controle de operações das unidades de tratamento. A remoção de matéria sólida é fonte de uma série de operações unitárias de tratamento, ainda que represente apenas cerca de 0,08% dos esgotos (a água compõe s restantes 99,92%).

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3.2 – Classificação da matéria sólida
A matéria sólida contida nos esgotos é classificada em funções de inúmeros fatores, podendo ser classificada das seguintes maneiras: a) em função das dimensões das partículas: • sólidos em suspensão; sólidos coloidais; e sólidos dissolvidos.

b) em função da sedimentabilidade: • sólidos sedimentáveis; sólidos flutuante ou flutuáveis; e sólidos não sedimentáveis. . c) em função da secagem, a alta temperatura (550 a 600º C): • sólidos fixos; e sólidos voláteis.

d) em função secagem em temperatura média (103 a 105º C): • sólidos totais; sólidos em suspensão: e sólidos dissolvidos.

A determinação de cada tipo de matéria sólida é criteriosamente padronizada, e os procedimentos laboratoriais soa revistos periodicamente pelas entidades internacionais responsáveis por atividades afins. Algumas entidades governamentais tem utilizado terminologias diferentes na tentativa de designar termos mais representativos das determinações em laboratório. Assim é que considerando que os sólidos em suspensão não são sólidos que estão sem suspensão no líquido, e sim partículas sólidas que ficam retidas numa membrana filtrante, tem havido uma tendência de estabelecer a seguinte relação na terminologia: • • Sólidos em suspensão = Resíduos Não Filtráveis; Sólidos Totais = Resíduos Totais

É importante considerar que o “Standard Methods”, que é manual de referência para procedimentos laboratoriais, preconiza a nomenclatura tradicional, de Sólidos em Suspensão. No entanto, alguns organismos públicos vem usando variações na terminologia. 3.2.1 – Definições e faixas de variação A matéria sólida total do esgoto (sólidos totais) pode ser definida como a matéria que permanece como resíduo após evaporação a 103º C. Se este resíduo é calcinado a 600º C, as substâncias orgânicas se volatilizam e as minerais permanecem em forma de cinza: compõem assim a matéria sólida volátil (sólidos voláteis) e a matéria fixa (sólidos fixos). O conhecimento da fração de sólidos voláteis apresenta particular interesse nos exames do lodo dos esgotos (para se saber a sua estabilidade biológica), e nos processos de lodos ativados (para se saber a quantidade de matéria orgânica tomando parte no processo). A forma mais usual de classificar a matéria sólida total, de uma forma global, é em matéria em suspensão e dissolvida. A matéria sólida em suspensão (sólidos em suspensão) compõe a parte que é retida, quando um volume da amostra de esgoto é filtrado através de uma membrana filtrante apropriada, normalmente um filtro de fibra de vidro com tamanho do poro igual a 1,2 mm; a fração que passa pelo filtro
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compõe a matéria sólida dissolvida (sólidos dissolvidos), que está presente em solução ou sob a forma coloidal. A Figura 3.1 representa em termos de percentagem a ocorrência mais comum desta matéria sólida no esgoto de condição média. A Tabela 3.1 representa dados típicos para várias condições do esgoto sanitário. Tabela 3.1 – Características típicas de sólidas no esgoto bruto (mg/l). Matéria sólida Esgoto forte 1.000 700 300 500 400 100 500 300 200 Esgoto médio 500 350 150 300 250 50 200 100 100 Esgoto fraco 200 120 80 100 70 30 100 50 50 ETE Ilha Gov* 562 299 263 184 148 36 5,3 ETE Penha* 485 330 175 146 107 39 3,1 ETE Icaraí* 535 377 158 278 232 46 5,5

Sol. Totais Sol. Voláteis Sol. Fixos Sol. Susp. Tot. Sol. Susp. Vol. Sol.Susp. Fixos Sol. Diss. Tot. Sol. Diss. Vol. Sol. Diss. Fixos Sol. Sedim. (ml/1) * Valores médios, Rio de Janeiro

3.3 – Temperatura
A temperatura dos esgotos é, em geral, pouco superior à das águas de abastecimento (pela contribuição de despejos domésticos que tiveram as águas aquecidas). Pode, no entanto, apresentar valores reais elevados, pela contribuição de despejos industriais. Normalmente, a temperatura nos esgotos está acima da temperatura do ar, à exceção dos meses mais quentes do verão, sendo típica a faixa de 20 a 25º C. Em relação aos processos de tratamento sua influência se dá, praticamente :

• nas operações de natureza biológica (a velocidade de decomposição do esgoto aumenta com a

temperatura, sendo a faixa ideal para a atividade biológica 25 a 35º C, sendo ainda 15º C a temperatura abaixo da qual as bactérias formadoras do metano se tornam inativas na digestão anaeróbia); • nos processos de transferência de oxigênio (a solubilidade do oxigênio é menor nas temperaturas mais elevadas); • nas operações em que ocorre o fenômeno da sedimentação (o aumento da temperatura faz diminuir a viscosidade melhorando as condições de sedimentação).

3.4 – Odor
Os odores característicos dos esgotos são causados pelos gases formados no processo de decomposição. Há alguns tipos principais de odores, bem característicos:

• odor de mofo, razoavelmente suportável, típico do esgoto fresco;
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algumas vezes com nitrogênio. A cor preta é típica do esgoto velho e de uma decomposição parcial. e nas operações de transferência e manuseio de lodo. de areia. ou a sua “condição”. no entanto. De matéria fecal. o estado de decomposição do esgoto. não é usada como forma de controle do esgoto bruto. como por exemplo. dos despejos de indústrias têxteis ou de tintas. Cerca de 70% dos sólidos no esgoto médio são de origem orgânica. nos casos em que a rede coletora. em quantidade). de produtos rançosos. 3. A tonalidade acinzentada da cor é típica do esgoto fresco. uma atenção especial deverá ser dada às unidades que mais podem apresentar esses odores desagradáveis. e • odores variados. e as ligações correspondentes construídas de modo a que o sistema opere com as vazões de projeto. de produtos podres.• odor de ovo podre. mas principalmente em depósitos de material gradeado. Assim. Algumas vezes se pratica um processo de controle de odor ou lavagem de gases nas unidades da estação de tratamento. uma vez que pode ser relacionada à concentração de sólidos em suspensão. das caixas de areia. “insuportável”. ácidos orgânicos. o fato se deve à presença de despejos industriais. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 11 . Quando ocorrem odores diferentes e específicos. como repolho. fenóis . mas pode ser medida para caracterizar a eficiência do tratamento secundário. como é caso das grades na estrada da ETE. etc. pesticidas (típicos de despejos industriais. os interceptores e as elevatórias são adequadamente projetados. 4 – CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS A origem dos esgotos permite classificar as características químicas em dois grandes grupos: da matéria orgânica e da matéria inorgânica. e uréia. nos casos de contribuição importante de despejos industriais.5 – Cor e turbidez A cor e a turbidez indicam de imediato. legumes. peixe. podres. apresentar qualquer outra cor. No entanto. surfatantes. típico do esgoto velho ou séptico. de acordo com aa predominância de produtos sulforosos. se ele chega em estado séptico. etc. Nas estações de tratamento o mau cheiro eventual pode ser encontrado não apenas no esgoto em si. não se caracteriza qualquer impacto negativo de cheiro na área da ETE. A turbidez. e aos adensadores de lodo. hidrogênio. carboidratos (25 a 50%). gordura e óleos (10%). que ocorre devido à formação de gás sulfídrico proveniente da decomposição do lodo contido nos despejos. Os grupos de substâncias orgânicas nos esgotos são constituídos principalmente por: • • • • compostos de proteínas (40 a 60%). Geralmente estes compostos orgânicos são uma combinação de carbono. a aproximadamente. Os esgotos podem. nitrogenados.

além de diminuir as seções úteis: formam “escuma”.1 – Demanda Bioquímica de Oxigênio A forma mais utilizada para se medir a quantidade de matéria orgânica presente à através da determinação. Os surfactantes são constituídos por moléculas orgânicas com a propriedade de formar espuma no corpo receptor ou na estação de tratamento em que o esgoto é lançado. sendo. produzindo odores desagradáveis. A gordura está sempre presente no esgoto doméstico proveniente do uso de manteiga. ainda que em baixa concentração. pois geralmente são contribuições não permitidas (de garagens. costuma-se limitar o teor de gordura nos efluentes. Os carboidratos contêm carbono. não são desejáveis nas unidades de transporte e de tratamento dos esgotos: aderem às paredes. originados em despejos industriais. 4. mas ocorrem também em plantas. e que têm a propriedade de causar. e neste caso sua presença é altamente indesejável. Os pesticidas e demais compostos químicos orgânicos são utilizados. no entanto. mede a quantidade de oxigênio necessária para estabilizar biologicamente a matéria POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 12 . oxigênio. principalmente. uma fonte de poluição e de toxidez à vida aquática. pela presença de areia e de substâncias minerais dissolvidos. nos decantadores que poderá vir a entupir os filtros. Entre os principais exemplos de carboidratos pode-se citar os açúcares. uma camada de matéria flutuante. indústrias) que chegam às canalizações e provocam seu entupimento. Pode estar presente também sob forma de óleos minerais derivados do petróleo (querosene. óleo lubrificante). Os fenóis são compostos orgânicos. o amido. e nas unidade de aeração aderem a superfície das bolhas de ar. como tal. não costumam chegar às galerias urbanas de esgoto. interferem e inibem a vida biológica. Raramente os esgotos são tratados para remoção de constituintes inorgânicos. principalmente. da carne. aos óleos e às substâncias semelhantes encontradas no esgoto. formando uma espuma muito estável e difícil de ser quebrada. trazem problemas de manutenção. A matéria inorgânica contida nos esgotos é formada. O tipo mais comum é o chamado ABC (alquilbenzeno-sulfonado). As proteínas são o principal constituinte de organismo animal. a celulose e a fibra da madeira. na agricultura. em cozinha. que chegam às galerias de modo indevido ou que se infiltram através das juntas das canalizações. As gorduras e muito particularmente os óleos minerais. O gás sulfúrico presente nos esgotos é proveniente do enxofre fornecido pelas proteínas. hidrogênio. típico dos detergentes sintéticos e que apresenta resistência à ação biológica. Em vista disso. nitrogênio. óleos vegetais. algumas vezes fósforos. e. etc. enxofre e ferro. com produção de ácidos orgânicos (por essa razão os esgotos velhos apresentam maior acidez).As proteínas são produtoras de nitrogênio e contêm carbono. Gordura é um termo que normalmente é usado para se referir à matéria graxa. São as primeiras substâncias a serem destruídas pelas bactérias. salvo e à exceção de alguns despejos industriais. postos de gasolina. Tendem a se agregar à interface ar-água. mas aos rios e corpos receptores. A areia é proveniente de águas de lavagem das ruas e de águas do subsolo. hidrogênio e oxigênio. este tipo vem sendo substituído pelos do tipo “LAS” (alquil-sulfonado-linear) que é biodegradável. principalmente. gosto característico à água (em especial à água clorada). padronizada pelos “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater”.

decresce a DBO. depois em nitritos e depois em nitratos. Nos efluentes tratados a concentração de nitratos pode variar. Tabela 4. á medida que ocorre estabilização da matéria orgânica. substituídos pela determinação da DBO. estes valores podem ser diferentes em diversas localidades ou países. segundo o grau de tratamento. Os nitritos são muito instáveis no esgoto e se oxidam facilmente para a forma de nitritos. para indicar a carga de nutriente lançados ou presentes num corpo d’água.1 – Valores típicos de parâmetros de carga orgânica (mg/l) no esgoto. já não são mais usados com este fim. A Figura 4. da demanda nitrogenada da DBO. com a fabricação de detergentes e compostos ricos em fósforos. nitritos: nitratos. de acordo com a condição e nos tratamentos completos. sua presença indica uma poluição já antiga e raramente excede 1. praticamente. gera o nitrogênio amonical e assim o ciclo se completa. A decomposição e morte da proteína vegetal e animal.0 mg/l nas águas de superfície. estes. Já os nitritos são a forma final de uma estabilização e podem ser utilizados por algas ou outras plantas para formar proteínas. de acordo com usos e práticas locais. após um tempo dado (tomado para efeito de comparação em 5 dias) e a uma temperatura padrão (20º C. Quanto maior o grau de poluição orgânica. A quantidade de matéria orgânica presente – indicada pela determinação da DBO – é importante para se conhecer o grau de poluição de uma água residuária.1. Normalmente a DBO5 dos esgotos varia entre 100 e 300 mg/l. nitrogênio total (método Kjeldahl. as bactérias no seu trabalho de oxidação biológica transformam o nitrogênio presente primeiramente em amônia. de cerca de 20mg/l (tratamento secundário) até quase zero (tratamento terciário). A concentração com que o nitrogênio aparece sob estas várias formas indica a idade do esgoto. 4. como por exemplo. para se dimensionar as estações de tratamento de esgotos e medir sua eficiência. que por sua vez podem ser utilizados por animais para formar proteína animal. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 13 . nitrogênio orgânico (método Kjeldahl). num verdadeiro “ciclo da vida”.1 representa o ciclo do nitrogênio.orgânica presente numa amostra. sua importância resume-me agora como indicativa da disponibilidade de nitrogênio para manter a atividade biológica nos processos de tratamento. pode-se citar os constantes da Tabela 4. para efeito de comparação). pela ação das bactérias. maior a DBO do corpo d’água. Como dados de parâmetros da matéria orgânica no esgoto doméstico. O nitrogênio presente no esgoto fresco está quase todo combinado sob forma de proteína e uréia. As determinações de nitrogênio costumam indicar: • • • • • nitrogênio amoniacal (pode estar presente sob a forma de íon NH4+ ou amônia NH3). nitrogênio orgânico mais amoniacal).2 – As formas de Nitrogênio Pode-se conhecer a presença e estimar o grau de estabilização da matéria orgânica pela verificação da forma como estão presentes os compostos de nitrogênio na água residuária. deseja-se atingir uma redução de DBO5 até uma faixa de 20 a 30 mg/l. Embora seja possível caracterizar a matéria orgânica pelos testes de nitrogênio. paralelamente.0 mg/l no esgoto ou 1.

).10 0. 20º DQO O.5 – Carbono Orgânico Total COT POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 14 .DTeO (demanda teórica de oxigênio). . 5d.). em substituição às de DBO.40 20 7 13 Condições do esgoto Médio 200 400 0 40 20 20 0. mas tudo o que susceptível de demandas de oxigênio. aplicados em caos específicos. . mas o teste é realizado em cerca de 2 minutos.Parâmetros DBO. não utilizado em termos práticos para esgoto. Uma das grandes vantagens da DQO sobre a DBO é que permite respostas em tempo muito menor: duas horas (método do dicromato). Alguns aparelhos foram recentemente desenvolvidos para medir instrumentalmente a DQO. de: . A ref.D.10 5 2 3 4. com uma reprodutibilidade de ±3%. NO2 Nitratos. Nitrogênio Total Nitrogênio Orgânico Amônia Livre Nitrito.D. sendo não só muito eficientes. tem levado ao uso cada vez maior das análises de DQO.4 descreve os procedimentos para o teste da DQO. em particular os sais minerais oxidáveis. Por isto mesmo a DQO é preferível à DBO. como: • • • • oxigênio consumido (O.e testes mais recentes.C. 2. “Chemical Oxigen Demand” na terminologia inglesa) correspondente à quantidade de oxigênio necessária para oxidar a fração orgânica de uma amostra que seja oxidável pelo permanganato ou dicromato de potássio em solução ácida.3 – Outras determinações Além das determinações de DBO e das formas de nitrogênio .4 – Demanda Química de Oxigênio DQO A DQO (COD. 4.20 10 4 6 Fraco 100 200 0 20 10 10 0 0.05 0. medição da fração de sólidos voláteis nos totais (sujeira a muitos erros). Além disto. como também de custo elevado. o teste de DQO engloba não somente a demanda de oxigênio satisfeita biologicamente (como a DBO). 4. NO3 Fósforo Fósforo Total Orgânico Inorgânico Forte 300 600 0 85 35 50 0. oxigênio dissolvido (O. utilizado praticamente para corpos d’água.COT (carbono orgânico total). há outras que podem caracterizar a matéria orgânica.DQO (demanda total de oxigênio). para um mesmo tipo de água residuária.

ela virá acompanhada deste organismo capaz de trazer as conhecidas doenças de veiculação hídrica. chegando mesmo a ser um fator indesejado quando o crescimento se dá em demasia (os “florescimentos” de algas. ao invés disto se determina a presença de coliformes e. os fungos. Seria por demais trabalhoso e antieconômico realizar todas as análises para determinar a presença dos diversos organismos patogênicos no esgoto. por segurança. os protozoários. Por isto mesmo foram desenvolvidos testes específicos para medir coliformes totais. Os principais organismos encontrados nos rios e nos esgotos são: as bactérias. se age como se os patogênicos também estivessem presentes. CF. não transmite qualquer doença. 5 – CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS O engenheiro. CT. tanto na natureza como nas unidades de tratamento biológico. mas se excretada por indivíduo doente.1 – Indicadores da Poluição Há vários organismos cuja presença num corpo d’água indica uma forma qualquer de poluição. A bactéria coliforme. usa-se adotar os organismos do grupo coliforme como indicadores.dia) e serem de simples determinação. e coliformes fecais. pois estes organismos podem também se desenvolver no solo e serem carregados com a água de lavagem. a presença de bactérias do grupo “coli” (Escherichia” e “Aerobacter”) numa água residuária não significa. As bactérias coliformes são típicas do intestino do homem e de outros animais de sangue quente (mamíferos em geral). Em alguns casos se torna necessária a retirada de pelo menos um dos elementos nutrientes. e podem interferir com o uso da água. necessariamente. No entanto as algas se desenvolvem como o lançamento de efluentes de estações de tratamento. salvo nas lagoas de estabilização onde desempenham um papel importante na oxidação aeróbia e redução fotossintética das lagoas. e justamente por estarem sempre presentes no excremento humano (100 a 400 bilhões de coliformes/hab. são adotadas como referência para indicar e medir a grandeza da poluição. ricos em nutrientes (nitratos e fosfatos). No tratamento de esgotos deve-se ter um cuidado especial quando o corpo receptor é um lago ou lagoa. sozinha. para não causar um enriquecimento de nutrientes. Para indicar no entanto a poluição de origem humana e para medir a grandeza desta contribuição. ou “floração”). portador de um organismo patogênico. deverá ter alguns conhecimentos básicos no campo da biologia. o que se denomina “eutroficação” ou “eutrofização”. as algas e os grupos de plantas e de animais. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 15 . responsáveis que são pela decomposição e estabilização da matéria orgânica. à medida que suas funções e responsabilidades exigirem. lidando com o controle de poluição e tratamento de esgotos. As algas não interferem diretamente nas unidades convencionais de tratamento. que seja de contribuição humana ou animal. 5. As bactérias constituirão talvez o elemento mais importante deste grupo de organismos. deverá contar com a assistência de um biologista ou se aprofundar no estudo da matéria. os vírus. Por outro lado. “Total Organic Carbon” na literatura inglesa) são baseados na oxidação do carbono da matéria orgânica para dióxido de carbono e na determinação de CO2 para absorção em KOH ou sistema instrumental.Os testes de COT (TOC.

d Medições feitas no Rio de Janeiro pela antiga Sursan (Superintendência de Urbanização e Saneamento).DBO/hab.969.Zâmbia . de forma tal que esta contribuição alcança a rede e a estação de tratamento de esgotos. Unitário Esg.1 resume os estudos clássicos feitos. Muitos pesquisadores tentaram relacionar a DBO de uma comunidade à contribuição unitária de seus habitantes. conhecida como o Número Mais Provável de Coliformes (NPM/ml ou NPM/100 ml).d. Theariaul e Homman Dep.DBO/hab. verifica-se pela tabela que as pesquisas ali referidas são antigas. tanto para a DBO como para a matéria sólida em suspensão. é recomendado adotar os valores clássicos determinados por Fair e Geyer. d . e de 108 a 109 NMP/100 ml de colis fecais. em particular nos centros mais desenvolvidos. do despejo de restos de comida na própria pia de cozinha. 24 h. d . Parâmetro DBO Ano 1927 1927 1927 1927 1927 1927 1936 1954 1968 1927 1947 1952 Pesquisador Monhlman e Pearson Streeter e Phelps Wagenhais.d. USA Mc Guire Estudo. cujos valores são de interesse para efeito de dimensionamento.MS/hab. 20ºC 5d. Baltimore.4). isto é. 54 g. e a matéria sólida para 90 a 100 g. USA Carpinter e outros Fair e Geyer Fair e Geyer Mohlman Tolman Swipon Carga g/hab.d e 90 g. d 118 * 113 77 * 82 * 109 * 109 * 45 a 91 54 54 60 a 147 91 76 Observações Esg. apresentaram valores entre 50 e 54 g/hab.43 g/hab.A medida dos coliformes é dada por uma estimativa estatística de sua concentração.d.Sudeste Asiático . .Quênia . muitas vezes utilizado para dimensionamento e projeto das unidades de tratamento. tendo sido por muitos anos adotados os valores de 54 g.1 – Cargas unitárias para DBO e matéria em suspensão (g/hab. como.30-45 g/hab. Estes valores mais elevados ocorrem muitas vezes devido à prática comum nos países ricos.Índia . 2.dia). Em países tropicais e regiões menos desenvolvidas a DBO unitária medida tem sido menor. O esgoto bruto contém cerca de 109 a 1010 NMP/100 ml de colis totais.DBO/hab. 6 – CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA DA DBO E DE MS A contribuição unitária da DBO é um dado importante. para 80 a 90 g.23 g/hab. ao invés de ser colocado no lixo.d.500 hab.d No nosso país. 20ºC MS POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 16 . em 1. 37º C Esg. Observações mais recentes mostraram que os valores da DBO unitária têm aumentado. determinada por técnicas próprias de laboratório (Ref. Saúde Pública de Minnesota. d . na ausência de determinações diretas. A Tabela 6. Unitário 5d. Tabela 6. Unitário <3. dotada de triturador apropriado.36 g/hab.MS/hab.

1954 1954 1960 1968 * Para a demanda total Babbit Fair e Geyer Schropfer Fair e Geyer 96 90 91 90 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 17 .

fazendo com que o tratamento não atinja os objetivos a que se propõe. um estudo de concepção. definição das etapas de implantação (modulação). As variações de vazão também devem ser definidas. uma vez que determinadas unidades de tratamento são dimensionadas para as condições extremas (vazão máxima ou mínima). a partir de: estudo de crescimento populacional. o qual tem por meta definir claramente o sistema de tratamento. exigindo. No caso específico de Sistemas de Tratamento de Águas Residuárias Industriais (STAR).1 – Vazões Médias A vazão média de esgoto em L/s ou m3/dia pode ser estimada pela expressão: Q = Q + I + Ind Onde: Q = Vazão média de esgoto. processo produtivo e capacidade de produção. O objetivo deste trabalho é apresentar sistemática e resumidamente os pontos principais para a Estimativa de Vazões e Cargas a serem consideradas no projeto de ETE ou STAR. estimativa de vazões e cargas para todo o horizonte de projeto. As estações de Tratamento de Esgoto são projetadas para atender um horizonte de projeto (normalmente 20 anos).CAPITULO II – CARGA. e seleção da alternativa que atenda técnica e economicamente as exigências legais. portanto. as vazões e cargas são função do tipo de indústria . As variações de carga devem ser verificadas principalmente para os despejos industriais cuja composição variam no decorrer do tempo. tendo em vista que tanto o super como o dimensionamento podem trazer problemas insolúveis a nível operacional. VAZÕES E INFILTRAÇÕES 1 – INTRODUÇÃO Uma das condições básicas para que um sistema de esgotos sanitários funcione de forma satisfatória é que seu dimensionamento seja precedido de um criterioso estudo de vazões e cargas afluentes. I = Vazão de infiltração: e POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 18 . Q = Vazão média de esgoto doméstico. sendo que o tipo de tratamento deve levar em consideração a necessidade ou não de segregação dos despejos. estudo de distribuição populacional. 2 – ESTIMATIVA DE VAZÕES 2.

Porte da Comunidade Povoado rural Vila Pequena comunidade Cidade média Cidade Grande Faixa da População (hab) < 5. condições econômicas da comunidade.dia.. porte da comunidade.000 50. definida em função da rede coletora existente e a ser implantada no futuro. a qual é função da distribuição espacial da população. é importante definir a população contribuinte para cada sistema de tratamento. custo da água. e pressão da água. podem ser usados. nível de micromediação e programas de conservação de água. Finalmente. de acordo com a literatura. que na falta de valores medidos. quando o estudo de concepção do sistema de esgotos sanitários indicar a conveniência de implantação de mais do que um sistema de tratamento para uma comunidade.000 – 50. etc. principalmente quando essas instituições se situam em pequenas comunidades. as vazões referentes a estabelecimentos comerciais e institucionais são bastante representativas no cômputo das vazões. Dia) 8-15 80-150 30-70 19 .000 – 250.dia) 90 – 140 100 – 160 110 – 180 120 – 220 150 – 300 O consumo “per-capita” de água é altamente influenciado por inúmeros fatores. devendo. grau de industrialização. podendo ter. portanto. sendo usualmente obtido a partir da micromedição do sistema produtor de água e o número médio de moradores por economia. disponibilidade de água. entre os quais podemos destacar: clima. A população é a parcela da população total da comunidade que contribue ao sistema de tratamento. devendo-se atentar para a existência ou não de população flutuante. A tabela abaixo representa alguns valores de referência. Em determinadas situações. ou seja: quanto menor a ocupação maior a possibilidade de não haver rede coletora. A tabela abaixo representa as faixas normalmente utilizadas.000 Consumo (L/hab. os dados censitários e as perspectivas sócio-econômicas da comunidade.000 10. tipo de comunidade e seus hábitos higiênicos e alimentares. A população total futura é obtida pela utilização de diferentes métodos de previsão de crescimento populacional. O consumo “per-capita” é a água consumida pelo homem para atendimento de suas necessidades biológicas. Estabelecimento Aeroporto Alojamento Escritório POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA Unidade Passageiro Residente Empregado Faixa (L/unid.Ind = Vazão média de despejos líquidos industriais.000 5. serem consideradas isoladamente. É importante ressaltar que a população contribuinte está relacionada com a rede coletora.000 – 10.000 >250. tendo como base a população atual. valores entre 50 e 600 L/hab. higiênicas.

I = taxa de contribuição de infiltração (0. sendo os valores normalmente utilizados de 1. material de tubulação. e que penetra nas canalizações.50 25 – 30 2000 – 4000 30 –50 4 – 10 300 – 1000 20 – 60 40 – 80 200 – 500 20 . A Vazão máxima de esgoto doméstico (Qmax) é obtida pelo produto da vazão média (Q) pelos coeficientes do dia de maior consumo (K1) e da hora de maior consumo (K2). entre os quais podemos destacar: nível do lençol freático. e L = extensão das redes coletora (km).60 A água de infiltração é toda água proveniente do subsolo. tipo de junta utilizado. natureza do subsolo.0 l/s. A taxa de contribuição depende de vários fatores. A vazão de infiltração em L/s é calculada pela expressão: I = i. manutenção e operação da rede. 1 a 1.05 – 1.Hotel Indústria (só esgoto doméstico) Posto de gasolina Restaurante Lavanderia automática Shopping center Hospital Escola com lanchonete sem chuveiro Prisão Hóspede Empregado Empregado Veículo servido Refeição Máquina Empregado M2 de área Leito Empregado Aluno Detento Empregado 100 – 200 30 – 50 50 – 80 25 .5. Qmax = vazão máxima de esgoto doméstico.25 apesar da literatura apresente valores de 1. indesejável ao sistema separador.km). e qualidade de execução. 2.2 – Vazões Máximas A vazão máxima de esgoto tem como expressão geral: Qmax= Qmax + I + Indmax Onde: Qmax = vazão máxima de esgoto. O coeficiente K1 varia fundamentalmente com as variações climáticas. e Indmax = vazão máxima de despejo industrial. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 20 .20 e 1.L Onde: I = água de infiltração (L/s).

2 a 2. a qual. proíbe o lançamento de determinadas substâncias em concentrações que possam inibir o processo biológico.20/dia) atual e futura afluente a ETE. A estimativa das cargas orgânicas (em kg DBO5.A variação o coeficiente K3 é função do tamanho. A carga orgânica de origem doméstica é obtida pelo produto da população contribuinte (hab) pela contribuição “per capta” (g DBO5. que. Carga orgânica = 400 mg/l x 100 m³/h x 24 h 1000 Carga orgânica = 960 KgDBO/d 4 – VAZÕES E CARGAS DE DESPEJOS LÍQUIDOS INDUSTRIAIS POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 21 . 2. Normalmente a vazão mínima dos despejos líquidos industriais é considerada zero. no dimensionamento de uma Estação de Tratamento de Esgotos é a DBO5.20.20. onde a vazão mínima de esgoto doméstico é obtida pelo produto da vazão média pelo coeficiente de vazão mínima (Qmin = K3Q). o qual teoricamente. A carga pode ser calculada pela seguinte equação: Carga = concentração x vazão EX: calcular a carga orgânica de uma conjunto cuja a DBO = 400 mg/l e a vazão é de 100 m³/h. usos e costumes da comunidade e da extensão e declividade da rede coletora.3 – Vazões Mínimas A vazão mínima de esgoto sanitário é expressa por Qmin = Qmin + I + Indmin. 3 – CARGAS DE ESGOTO SANITÁRIO O parâmetro mais importante. é obtida pela somatória das cargas de origem doméstica e as de origem industrial. em via de regra.5. sendo estas últimas objeto do item seguinte. O valor normalmente utilizado é de 1. por exemplo). além da vazão. uma vez que a grande maioria das ETEs utiliza processos biológicos para a estabilização dos esgotos sanitários. dos hábitos da população e do consumo “per capta” de água.dia). A vazão mínima de origem industrial é o produto da média (Ind) pelo coeficiente de mínima industrial (Kmin. A contribuição “per capta” é função do poder aquisitivo.5.20/hab.Ind). no caso do Estado de São Paulo. apesar da literatura citar valores de 1. conforme a literatura. segundo a hipótese básica de uma possível paralisação da fonte geradora (para manutenção. sendo a faixa mais usual de 40 a 54 g DBO5. É importante salientar que os efluentes industriais só podem ser lançados em redes coletoras dentro das condições previstas na legislação vigente. uma relação inversa. com o qual apresenta. sendo o valor de K3 de 0.5.0.20. pode variar de 30 a 70 g DBO5. pela legislação vigente não deve superar 1. A Vazão máxima industrial (Indmax) é obtida pelo produto da vazão média (Ind) pelo coeficiente de máxima industrial.

10 8 .4 5 .60 20 .4 5 . dessa forma.0.20 3-9 100 . dos despejos industriais independentemente dos esgotos de origem doméstica da industria. TIPO Laticínio sem queijaria Laticínio com queijaria Matadouro Cervejaria Refrigerante Tinturaria Curtume Unidade de produção 1000 L leite 1000 L leite 1 boi/2. sendo que os valores somente deverão ser adotados após uma criteriosa análise do balanço hídrico de cada indústria. preferencialmente composta e.40 Carga específica (kg DBO5/unidade) 1. se possível.40 4 .10 0. conforme exemplificado no quadro abaixo.A estimativa das vazões e cargas orgânicas de despejos líquidos para indústrias existentes deve ser feita a partir de uma adequada caracterização quali e quantitativa a partir de uma amostragem. Na impossibilidade de se fazer essa caracterização ou no caso de novas industrias. procurando-se.20 2-5 20 .150 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 22 .3 .10 2 .5 porco 1 m3 1 m3 1 ton 1 ton pele Consumo específico (m3/unidades) 1 . correlaciona-los com a capacidade máxima de produção. Deve-se também correlacionar os dados obtidos com a produção da indústria no dia da amostragem. pode-se lançar mão dos fatores de emissão.200 20 .

estabelece o grau de condicionamento a que deverá ser submetido o efluente sanitário. para corpos d’água receptores. reduzida. Flotação: operação pela qual a capacidade de carreamento da água é diminuída e sua capacidade de empuxo é então aumentada às vezes até pela adição de agentes flotantes. por uma série de operações unitárias. mas que tornaram sedimentáveis pela ação de coagulação. Exemplos: a remoção de gordura e óleo do esgoto. a remoção de partículas em suspensão pelo efeito de aeração ou outros agentes. sobem à superfície e são. então. Embora solúveis. ou normal de pressão. com uso ou não de aeração. pela exposição ao ar sob condição elevada. para criar ou manter condições aeróbias. de modo que o corpo d’água receptor não sofra alterações nos parâmetros de qualidade fixados para a região afetada pelo lançamento. a remoção de sólidos não sedimentáveis. Exemplos: a adição de oxigênio ou ar ao esgoto. formados pelos conjuntos das águas de superfície ou de subsolo. precipitação química ou oxidação biológicas. as substâncias que se sedimentaram são chamadas. em harmonia com sua utilização. direta ou indiretamente. genericamente de “lodo”. os coagulantes se precipitam depois de reagir com outras substâncias do meio. 2 – OPERAÇÕES UNITÁRIAS Os processos de tratamento dos esgotos são formados. as substâncias naturalmente mais leves que a água. As mais importantes destas operações unitárias. Os condicionamentos aplicados aos esgotos são comumente denominados de processos de tratamento. empregadas nos sistemas de tratamento são: • Troca de gás: operação pela qual gases são precipitados no esgoto ou tomados em solução pelo esgoto a ser tratado. operações que são empregadas para a remoção de substâncias indesejáveis. a remoção de sólidos sedimentáveis em decantadores. como em tanques de flotação. a adição de cloro por meio de cloradores gasosos. Os agentes flotantes costumam ser pequenas bolhas de ar ou compostos químicos. Exemplos: a retirada de areia do esgoto através das caixas de areia. desintegradores ou peneiras. 23 • • • • POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . Sedimentação: operação pela qual a capacidade de carreamento e de erosão da água é diminuída. são retidos e removidos. Gradeamento: operação pela qual o material flutuante e a matéria em suspensão que foram maior em tamanho que as aberturas das grades. em última análise. até que as partículas em suspensão decantem pela ação da gravidade e não possam mais ser relevantadas pela ação de correntes. ou para transformação destas substâncias em outras de forma aceitável. ou que pela ação destes agentes flotantes são tornadas mais leves. os flocos. A capacidade receptora desta águas. Coagulação química: operação pela qual substâncias químicas formadoras de flocos – coagulantes – são adicionadas ao esgoto com a finalidade de se juntar ou combinar com a matéria coloidal. para redução da carga de microorganismos. agregados às partículas em suspensão. com isto se formam rapidamente. raspadas. Exemplo: a remoção de sólidos grosseiros do esgoto por meio de grades de barras.CAPÍTULOS III PROCESSO E GRAU DE TRATAMENTO 1 – INTRODUÇÃO Um sistema qualquer de esgotos sanitários encaminha seus efluentes.

Assim. os processos de tratamento podem ser classificados em: • • • Processos físicos. um sistema de remoção destes agentes poderá ser adotado como um processo físico de tratamento. as transformações provocadas por um determinado processo de tratamento influirão indiretamente nos fenômenos inerentes aos demais processos. se um esgoto é formado pela adição de agentes estritamente físicos. a digestão do lodo. a filtração biológica. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 24 . Basicamente têm por finalidade separar as substâncias em suspensão no esgoto. de modo inverso. ação de raios ultravioleta sobre o esgoto. Exemplo: adição de cal ao esgoto rico em ferro. Exemplo: a filtração lenta do esgoto através de leitos de areia. ou outro material granular. 3. Processos biológicos. as substâncias químicas adicionadas são solúveis e reagem com as substâncias químicas do esgoto. Um exemplo evidente está na alteração das características químicas e biológicas. Remoção dos sólidos sedimentáveis. produzindo flocos que sedimentam. Precipitação química: operação pela qual substâncias dissolvidas são retiradas de solução. Exemplo: coloração do esgoto. a depuração nas lagoas de estabilização. sedimentação e de contrato interfacial combinam-se para transferir a matéria em suspensão para grãos de areia. Desinfecção: operação pela qual os organismos vivos infecciosos em potencial são exterminados. 3 – PROCESSOS DE TRATAMENTO Os fenômenos atuantes na formação dos esgotos sanitários deverão atuar.• • • • Exemplo: a adição de cal ao esgoto rico em ferro. Exemplos: a aeração dos esgotos. produzindo flocos que sedimentam. ao submeterem-se os esgotos a um processo físico de sedimentação dos sólidos sedimentáveis.1 – Processos Físicos São os processos em que há predominância dos fenômenos físicos de um sistema ou dispositivo de tratamento. Filtração: operação pela qual os fenômenos de coar . Assim sendo os processos de tratamento são definidos em função do fenômeno predominante. Obviamente estes processos não atuam isoladamente. e Remoção dos sólidos flutuantes. Neste caso se incluem: • • • Remoção dos sólidos grosseiros. Oxidação biológica: operação pela qual os microorganismos decompõem a matéria orgânica contida no esgoto ou no lodo e transformam substâncias complexas em produtos finais simples. Estes fenômenos caracterizam-se principalmente nos processos de remoção das substâncias fisicamente separáveis dos líquidos ou que não se encontram dissolvidas. nos processos de tratamento. de onde deverá ser removida. Processos químicos. carvão. Em função destes fenômenos e da mesma forma que os poluentes contidos no esgoto são de natureza física. precipitando-as. química e biológica.

e Homogeneização dos esgotos ou do lodo. condicionando-os em área e tempo economicamente justificáveis. a remoção da unidade do lodo por centrifugação ou por filtração terá resultados nitidamente superiores com o auxílio de polieletrólitos. 3. 3. valos de oxidação e lagoas de estabilização. Elutriação. Os principais processos biológicos de tratamento são: Oxidação biológica (aeróbia. Cloração. tais como: sais minerais. Os processos químicos comumente adotados em tratamento de esgoto são: • • • • • • Floculação. e Digestão do lodo (aeróbia e anaeróbia.2 – Processos Químicos São os processos em que há utilização de produtos químicos e são raramente adotados isoladamente. Os processos biológicos de tratamento procuram reproduzir . como: • • • • • Remoção da unidade do lodo. como lodos ativados.Mas qualquer outro processo em que há predominância dos fenômenos físicos constitui um processo físico de tratamento. fossas sépticas). Diluição dos esgotos.4 – Outros Processos POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 25 . Oxidação química. poderá alcançar níveis elevados se for auxiliada por um precipitação química. e Neutralização ou correção do pH. Filtração dos esgotos. gás carbônico e outros. em dispositivos racionalmente projetados. Incineração do lodo. Via de regra. e anaeróbia. os fenômenos inerentes à alimentação são predominantes na transformação dos componentes complexos em compostos simples. como reatores anaeróbios de fluxo ascendente). filtros biológicos.3 – Processos Biológicos São considerados como processos biológicos de tratamento de esgotos ou processos que dependem da ação de microorganismos presentes nos esgotos. os fenômenos biológicos observados na natureza. é utilizado quando o emprego de processos físicos e biológicos não atendem ou não atuam eficientemente nas características que se deseja reduzir ou remover. Precipitação química. A necessidade de se utilizar produtos químicos tem sido a principal causa da menor aplicação do processo. A remoção de sólidos por simples sedimentação. por exemplo. 3.

REMOÇÃO DE ÓLEOS. os dispositivos onde se processam as operações unitárias. e 26 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . REMOÇÃO DE MATERIAL MIÚDO EM SUSPENSÃO • • Tanques de flotação. REMOÇÃO DE SÓLIDOS GRAÚDOS SEDIMENTÁVEIS • • • Caixas de areia. e Desintegradores.Além dos processos de tratamento citados. o que se tem chamado de “tratamento avançado”. constituindo. especificando já as unidades de tratamento. Peneiras. os processos de tratamento podem ser classificados em função dos fenômenos da remoção ou transformação e de acordo com o grau de eficiências obtido por um ou mais dispositivos de tratamento. muitas vezes. Entre alguns destes. • • • Tanque de retenção de gorduras (caixas de gordura). • • • • Crivos.1 – Em Função da Remoção O método de classificação da remoção ou transformação das características dos esgotos é amplamente adotada por Karl Imhoff. sem dúvida. Eletrodiálise. Tanques de flotação. 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS Para efeito didático. isto é. Tanques de precipitação química. Absorção. vários outros têm resultado de pesquisas ou são de implantação mais recente. formas normais de tratamento. e Decantadores com removedores de escuma. à medida que o desenvolvimento tecnológico tornar mais econômica e simples sua aplicação. Centrifugadores. e Decantadores. pode-se citar: • • • • • Filtração rápida. Troca de íons. REMOÇÃO OU TRANSFORMAÇÃO DE SÓLIDOS GROSSEIROS EM SUSPENSÃO. Grades. GRAXA E SUBSTÂNCIAS FLUTUANTES ANÁLOGAS. A técnica do tratamento de esgotos tem evoluído de forma extraordinária e estes outros processos “especiais” constituirão. e Osmose inversa. 4.

Lagoas de estabilização. Reagentes químicos. Decantação intermediária ou final (sedimentação de lodo flocoso ou biomassa) e Lagoas de estabilização aeróbias (facultativa. Tanques de lodos ativados. aerada). Processos de lodos ativados. Campo de nitrificação sem finalidade agrícola. TRATAMENTO TERCIÁRIO POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 27 . TRATAMENTO PRELIMINAR • • • Remoção de sólidos grosseiros. e Instalações biológicas (aeróbias). • • • Desinfecção (cloração. Remoção de gorduras. Sistemas compactos (sedimentação e digestão.• Filtros de areia. sistemas de aeração prolongada. REMOÇÃO DE SUBSTÂNCIAS ORGÂNICAS DISSOLVIDAS. Secagem do lodo. ozonização. reator de fluxo ascendente). REMOÇÃO DE ODORES E CONTROLE DE DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS. Tanques sépticos. e Remoção de areia. ultravioleta). 4. Sistemas anaeróbios (lagoa anaeróbia. • • • • • • • • Irrigação de grandes superfícies de solos. Filtros biológicos.2 – Em Função da Eficiência das Unidades É comum classificar as instalações de tratamento em função do grau de redução dos sólidos em suspensão e da demanda bioquímica do oxigênio proveniente da eficiências de uma ou mais unidades de tratamento. SEMIDISSOLVIDAS E FINAMENTE DIVIDIDAS. Flotação. Campo de nitrificação com finalidade agrícola. e Valos de oxidação. Tanque Imhoff) e. TRATAMENTO SECUNDÁRIO • • • • Filtração biológica. Digestão do lodo. TRATAMENTO PRIMÁRIO • • • • • • Sedimentação.

influentes no aspecto estético do destino final. também contribuem para o agravamento dos problemas.• • • • Lagoas de manutenção. permitindo que as operações subseqüentes não tenham os incômodos que teriam com sólidos de grandes dimensões. de bactérias coliformes. Esta eficiência é medida em função da redução de matéria orgânica (DBO). como lançamento direto nos corpos d’água receptores. A operação de remoção de sólidos grosseiros é realizada por unidades de grades e barras. O emprego de tributadores tem a finalidade de reduzir as dimensões dos sólidos grosseiros. através de operações físicas de gradeamento e peneiramento. As conexões irregulares desse sistema. Em casos especiais. condicionada a POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 28 . 40 – 60 60 – 90 60 – 90 80 –90 90 90 – 96 90 85 – 95 99 5 – REMOÇÃO DE SÓLIDOS GROSSEIROS 5. e disposição final nos corpos d’água receptores. com efluentes pluviais e industriais. peneiras com pequenos espaçamentos para remover os resíduos mais finos. A sua utilização é. ou de sólidos em suspensão. e Filtração final. dos coletores públicos.1 – Conceito São considerados grosseiros os resíduos sólidos contidos nos esgotos sanitários e de fácil retenção e remoção. razão pela qual os sólidos grosseiros devem ser previamente removidos. Processos de remoção de nutrientes. e demais componentes de um sistema de esgotamento sanitário. tratamento. Desinfecção. como complementação. devido à presença de sólidos grosseiros nas operações de elevação (recalque). ou ainda. Tabela 4.1 abaixo mostra a eficiência dos diversos dispositivos de tratamento. os quais preferem a remoção imediata desses sólidos do que a sua transformação. A tabela 4.1 – Eficiência do tratameto (% de remoção). podem ser usadas. Este material é precedente do uso inadequado das instalações prediais. bastante discutida pelos projetistas e operadores. Unidade de tratamento 1 – Crivos finos 2 – Cloração de esgoto bruto ou decantado 3 – Decantadores 4 – Floculadores 5 – Tanques de precipitação química 6 – Filtros biológicos de alta capacidade 7 – Filtros biológicos de baixa capacidade 8 – Lodos ativados de alta capacidade 9 – Lodos ativados convencionais 10 – Filtros intermitentes de areia 11 – Cloração de efluentes biológicos 12 – Lagoas de estabilização DBO 5 – 10 15 – 30 25 – 40 40 – 50 50 – 85 65 – 90 80 – 95 50 – 75 75 – 95 90 – 95 90 SS 5 – 20 – 40 – 70 50 – 70 70 – 90 65 – 92 70 – 92 80 85 – 95 85 – 95 Bactérias 10 – 20 90 – 95 25 – 75 40 – 80 70 – 90 90 –95 70 – 90 90 –98 95 – 98 98 – 99 99 Colif. no entanto.

5. através do espaçamento entre as barras. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 29 . bem como dispositivos de entrada e saída. como finalidade fundamental condicionar os esgotos para posterior tratamento ou lançamento no corpo d’água receptor. adequadamente projetadas para reter o material que se pretende remover. transportadores e peças especiais. e remoção parcial da carga poluidora. quando são retornados aos esgotos. contribuído para melhorar o desempenho das unidades subseqüentes de tratamento e de desinfecção.3 – Características das grades de barras As grades de barras convencionais são constituídas de dispositivos de retenção e de remoção. com baixa perda de carga (Figuras 4. tais como: raspadores. geralmente. removedores. meio filtrante.1 e 4. podem produzir mais quantidade de escuma nas unidades de tratamento subseqüentes. 5. tanto no espaço estético como nos regimes de funcionamento de fluxo e de desempenho.2). proteção dos corpos d’água receptores.2 – Finalidades A remoção dos sólidos grosseiros contidos nos esgotos tem as seguintes finalidades: • • • • proteção dos dispositivos de transporte dos esgotos nas suas diferentes fases. Os sólidos triturados. proteção dos dispositivos de tratamento de esgotos. verticais ou inclinadas. DISPOSITIVOS DE RETENÇÃO Os dispositivos de retenção são. tubulações. líquida e sólida (lodo). tais como: bombas. portanto. aeradores. barras de ferro ou aço dispostas paralelamente. de modo a permitir o fluxo normal dos esgotos.um outro dispositivo de remoção a jusante. A remoção de sólidos grosseiros tem.

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79 x 3. de acordo com o espaçamento.27 x 3. deverão ter rigidez estrutural para adequadação de instalação nos canais afluentes. Tabela 4. médias e finas (Tabela 4.95 x 3. A dimensão maior é função da estabilidade da estrutura metálica e não tem influência significativa no desempenho da unidade.27 x 5.81 3/8 x 2 0.64 x 3.1).1 – Tipo de grade e espaçamento entre barras.2 apresenta as dimensões das seções transversais das barras retangulares mais usadas.2 – Seção transversal das barras.95 x 6. muitas vezes a grande profundidades. A menor dimensão representa a espessura da barra.95 x 5. Além destes aspetos.81 3/8 x 1 ½ 0. as grades podem ser classificadas em grosseiras.81 5/16 x 1 ½ 0. A tabela 4.35 ½x1½ 1. com a horizontal. Tipo de grade Grades grosseiras Grades médias Grades fixas DIMENSÕES DAS BARRAS As barras deverão ser suficientemente robustas para suportar os impactos e esforços devidos aos procedimentos operacionais e possíveis acúmulos de materiais retidos. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 32 . Tipo de grade Grade grosseira Seção transversal de barras Em polegadas Em centímetros 3/8 x 2 0.00 3/8 x 1 ½ 0.00 5/26 x 2 0.0 3/8 a ¾ 1.00 ¼ x1½ 0.0 a 2.95 x 3. normalmente de aço carbono. de 45º a 60º. as barras. Tabela 4.ESPAÇAMENTO ENTRE BARRAS O espaçamento entre barras é fixado em função das dimensões dos sólidos grosseiros que se pretende remover. para as grandes finas de limpeza manual.81 Espaçamento entre barras Em polegadas Em centímetros Acima de 1 ½ 4.79 x 5. Portanto.81 ½ x2 1.95 3/8 x 2 ½ 0.0 Grade média Grade fina INCLINAÇÃO DAS BARRAS As grades podem ser instaladas verticalmente ou inclinadas. Geralmente são adotadas inclinações.0 a 4.0 ¾a1½ 2. os quais poderão ser agravados com grandes variações de desníveis do líquido a montante e jusante.

em torno de 30º.A. adotar-se o valor de 0. estabeleceram-se valores em função do espaçamento entre as barras (Tabela 4. ou através de flutuadores adequadamente instalados para comandar o mecanismo de limpeza sempre que o diferencial de níveis. Essa irregularidade poderá também acarretar elevação do nível d’água na canalização afluente e.04 litros de materiais retidos por m3 de esgoto. e conseqüente elevação do nível e aumento excessivo da velocidade do líquido entre as barras. Nos E. retornando ao canal afluente. isto porque a inclinação evita que o material se desprenda facilmente do rastelo. em grande parte.4). evidentemente. tão rapidamente quanto possível. para as grades de espaçamento médio. Em alguns países da Europa e estimativa da quantidade de sólidos grosseiros removidos é avaliada através da produção anual por habitante.. As grandes inclinações de 70º a 85º. entre montante e justamente. principalmente devido à emanação de gases tóxicos e explosivos. exceder o valor máximo recomendado para operação de limpeza. DISPOSITIVOS DE REMOÇÃO O material retido deve ser removido. conseqüentemente. material arenoso e acúmulo de gases nas zonas livres da rede de esgotos contribuinte. materiais que não deveriam ser lançados nas partes componentes dos sistemas de esgotamento sanitário. é função da educação sanitária da população servida. considerando-se a vazão média de cada unidade de gradeamento.3) ou o ancinho acionado manualmente(Figura 4. apresentam maior rendimento do que as grades verticais. normalmente inclinadas. A remoção pode ser realizada através de rastelo mecanizado (Figura 4. de modo a evitar represamento dos esgotos no canal a montante. As grades grosseiras.3.U. encontram-se. É prática comum. desde que sejam dotadas de mecanismo de limpeza. entre os sólidos removidos.3). O restabelecimento das condições normais provocará arraste desse material com inúmeros problemas operacionais e de segurança. 5. A remoção mecanizada pode ser automaticamente controlada por temporizador (timer). POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 33 . isso porque. acarretam grandes extensões do canal.Inclinações menores. diminuição da velocidade do fluxo com depósito de resíduos sólidos. provocando o arraste do material que se pretende remover.1 – Características do material retido A quantidade e qualidade do material retido. podem ser instaladas na vertical.

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retorna para o meio líquido do esgoto já gradeado. ou do tipo em que o rastelo desce pela parte de jusante da grade. penetrando entre as aberturas das barras pela parte posterior .5 3.5 4.0 2.0 Quantidade de sólidos grosseiros retidos (l/m3) 0. 5.Tabela 4. Ocorrem também riscos de quebra de elos das correntes ou alongamento dos cabos.012 0. A grade de limpeza frontal (Figura 4. no entanto. dos tipos cremalheira ou centenária.1 – Grade de Barras com Limpeza Frontal ou por Trás Uma e outra forma de limpeza apresentam vantagens e desvantagens. se acontecer de algum material se acumular na base da grade. verifica-se o inconveniente de se manter peças móveis no meio líquido. tais como: • • • com limpeza frontal ou por trás.2 – Grade de Barras com Acionamento por Correntes ou por Cabos. com evidentes vantagens de manutenção.4. grades de barras ou curvas. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 35 . Recentemente surgiram novos tipos de grades. pela parte de montante (Figura 4. na operação de limpeza. qualquer sujeira que tenha permanecido no rastelo após a limpeza. 5.4 – Tipos de Equipamentos As grades de barras podem ser construídas com vários tipos ou características particulares.009 5. Eventualmente o material acumulado pode emperrar o mecanismo e sobrecarregar o equipamento.4. No caso das grandes em que o acionamento se dá por meio de correntes (Figura 4. com maior dificuldade de manutenção. o rastelo terá que empurrar esses sólidos entre as barras antes de inicial seu movimento de subida e limpeza. podendo ser inclinadas com limpeza frontal. Espaçamento entre barras (cm) 2. em que os mecanismos de acionamento se situam totalmente fora do meio líquido. A grade de limpeza por trás pode ser do tipo em que o rastelo se movimenta sempre pela parte posterior. ou vertical com limpeza por trás. dos Tipos Cremalheira ou Catenária. Estas grades são do tipo cremalheira (Figura 4. A grade de limpeza por trás não apresenta este tipo de inconveniente após a limpeza.3). e sobe.5).038 0.023 0.2) ou por cabos (Figura 4.2). com acionamento por correntes ou por cabos.3 – Quantidade de sólidos grosseiros removidos em função do espaçamento entre barras.1) tem o seu rastelo de limpeza operando sempre na parte da frente da grade.

em operação há mais de 20 anos.6 e 4. Dispositivos mecânicos e elétricos livres de contato com os esgotos.3 – Grade de Barras Curvas As grades de barras curvas. Apresentam as seguintes vantagens. esses modelos têm demonstrado elevada durabilidade. na cidade do Rio de Janeiro. • • • • • • Fácil automação. Fácil limpeza manual em casos de paralisação. Em função do tipo de limpeza. Permite prazos mais longos de paralisação. são fornecidas por diversos fabricantes (Figuras 4. Manutenção fácil e de pouca freqüência. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 36 . e Baixo consumo de energia elétrica. Embora de pouco uso no Brasil. como ocorre na Estação de Tratamento dos Esgotos da Base Aérea do Galeão.7). com um rastelo em cada extremidade (acionamento mecânico de rotação contínua). em funcionamento há mais de 40 anos. normalmente mecanizadas. na cidade de Recife.5 m.4. possui duas unidades. A Estação de Tratamento de Esgotos de Peixinhos. Esses modelos são recomendados somente para canais rasos com profundidade máxima de 2. podem ser um braço com um único rastelo (mecanismo hidráulico) e de dois braços.5.

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Até a década de 1970/80. tornavam-se inadequadas.25 a 2. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 38 . etc. As barras são de aço inoxidável com forma e afastamento regulares.5. de 0. de curtumes. em Niterói.1 – Peneiras Estáticas As peneiras estáticas são modelos projetados para remover a auto-limpeza. no entanto. essas unidades eram usadas praticamente no tratamento de despejos industriais. SP). como ocorre na ETE Icaraí. de 0. principalmente em instalações de condicionamento prévio de esgotos para lançamento subaquático (como ocorre no lançamento submarino de Santos.9). na indústria agro-alimentar. maior área que as outras peneiras similares. 5. têxtil. Em função do tipo de remoção do material retido. reduzindo o custo e a área necessária para as unidades de tratamento subseqüentes. Essas unidades. ou para redução da carga orgânica nas estações de tratamento. Comercialmente essas peneiras são conhecidas como “Hydrasieve”. variando o espaçamento normalmente. química. sendo usadas para remoção de sólidos muito finos ou fibrosos.5.00 mm. Ocupam. em instalações de esgoto doméstico. apresentando baixo custo de operação e manutenção. RJ. técnicas e economicamente.50 mm entre barras. de pequena capacidade e elevado nível de mecanização.25 a 5. a remoção do material retido se dá através do efeito do fluxo do líquido durante o processos de peneiramento (Figuras 4. de celulose. A evolução para modelos de auto-limpeza e grau de mecanização simplificado estabeleceu ampla aplicabilidade dessas unidades. A principal vantagem das peneiras estáticas está no fato de não requererem energia e não possuírem peças móveis.8 e 4.5 – Peneiras As peneiras se caracterizam por disporem de aberturas tão pequenas. as peneiras podem ser classificadas em estáticas e móveis.

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3 – Características A unidade de remoção de areia é comumente chamada de Caixa de Areia ou Desarenador. o qual exerce a função de pré-condicionar o esgoto bruto favoravelmente aos processos de tratamento subseqüentes. principalmente devido a assoreamento. bem como impactos nos corpos receptores. Para isso. As remoções do material grosseiro e da areia fazem parte do denominado tipo de Tratamento Preliminar. orifícios. o efluente do Tratamento Preliminar poderá ser lançado diretamente no corpo receptor. mais favoravelmente. É comum a presença de pelos. Armazenamento do material retido durante o período entre limpezas. sifões. etc. casca de ovos e pedaços de ossos e penas de aves. pedrisco. etc. são indispensáveis estudos da capacidade de assimilação e comportamento do corpo receptor. escória. poços de elevatórias. tanques. cabelos. calhas.. Em casos especiais.1 – Conceito A areia contida nos esgotos é. e Facilitar o manuseio e transporte das fases líquida e sólida. A origem desse material é devido ao manuseio normal do uso doméstico.). indesejáveis ao efluente ou ao corpo receptor. lavagens de pisos. das águas provenientes do lançamento inadequado nas instalações de esgotamento sanitário. no que se refere às cargas orgânicas e hidráulicas. das ligações clandestinas de águas pluviais. obstrução ou unidades dos sistemas. salite. qualitativa e quantitativa. ao longo dos componentes da ETE. Basicamente. piaçava. caixas de distribuição ou manobra. gordura. Entre outras finalidades da remoção de areia é importante destacar as seguintes : • • • Evitar abrasão nos equipamentos e tubulações. tem por finalidade eliminar ou abrandar os efeitos adversos ao funcionamento das partes componentes das instalações a jusante. cascalho. o mar. com soluções indesejáveis ou arenosas. deve ser projetada para realizar as seguintes operações: • • • Retenção da areia com características. mediante estudos criteriosos. grãos de feijão. ou desarenação. tais como: canalizações. As variações bruscas de quantidades incomuns deste material são provenientes de atividades relacionadas com a conservação. 6. a remoção de areia. tais como: areia. 40 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . e Remoção e transferência do material retido e armazenado para dispositivos de líquido para as unidades subseqüentes. cujas execuções deverão ser criteriosamente programadas e controladas para evitar problemas .. 6. em sua maioria. despejos industriais ou comerciais e infiltrações na rede coletora. manutenção o obras de ampliação do sistema de coleta e transporte. Reduzir a possibilidade de avarias. plásticos e fibras (palhas. frutas e verduras).. em harmonia com as exigências e parâmetros de qualidade estabelecidos pelas entidades governamentais de controle ambiental.6 – REMOÇÃO DE AREIA 6. tais como: vegetais (grãos de café. Este material arenoso contém também reduzida quantidade de matéria orgânica putrescível .2 – Finalidade Basicamente. constituída de material mineral.

A inadequabilidade dos projetos e a inobediência das recomendações técnicas daquelas funções constituem as principais causas das perturbações operacionais ou mau desempenho daquelas unidades. 6.3.1 – Tipos de Caixas de Areia As unidades de Caixa de Areia podem ser classificadas em função das seguintes características: • • • • De acordo com a forma: prismática (seção retangular ou quadrada), cilíndrica (seção circular); De acordo com a separação sólida-líquida: por gravidade (natural e aerada), por centrifugação (vórtex e centrífuga); De acordo com a remoção: manual, ciclone separador, e mecanizada (raspador, bombas centrífugas, parafuso, air lift, caçambas transportadoras) e; De acordo com o fundo: plano (prismática com poço), inclinado (prismática aerada) e cônico (vórtex).

6.3.2 – Dispositivo de Retenção Utilizando-se a propriedade de rápida sedimentação da areia contida numa massa líquida, condiciona-se o fluxo dos esgotos e velocidades que permitam separar racionalmente o material pesado que se deseja remover, o qual pode ser armazenado em compartimento apropriado para posterior remoção. Na prática, este tipo de retenção, por gravidade, remove particulares com diâmetros variando de 0,1 a 0,4 mm. Normalmente, para esgoto doméstico, preconiza-se remover partículas com diâmetro mínimo de 0,2 mm. Nas caixas de areia convencionais retangulares por gravidade é usual condicionar-se a velocidade do fluxo horizontal de escoamento em torno de 0,30 m/s. Para partículas com mesma densidade e velocidades acima deste valor acarreta-se arraste de partículas menores do que se deseja remover. Velocidades em torno de 0,1 m/s causarão a sedimentação de matéria orgânica, provocando odores desagradáveis devido a sua decomposição. Para o condicionamento da velocidade do fluxo afluente, promove-se o alargamento da seção transversal da câmara de sedimentação, diminuindo-se as velocidades de chegada. O material arenoso retido é acumulado em compartimento especificamente projetado e construído com capacidade de retenção suficiente para armazenar a areia durante o período entre cada remoção (limpeza) sucessiva deste material. 6.3.3 – Dispositivo de Remoção A retenção da areia se processa continuamente. Portanto, é necessário que este material seja removido periodicamente, dotando o sistema de condições de armazenamento indispensáveis ao bom funcionamento destas unidades de tratamento. A remoção da areia pode ser realizada manual ou mecanicamente. A remoção manual exige a paralisação da unidade de retenção, de modo que, com a drenagem do líquido retido na câmara, a areia possa ser facilmente removida. Essa operação é normalmente realizada nas caixas de areia não patenteadas, onde o projetista teve a preocupação de incluir dispositivos necessários ao isolamento da unidade. Geralmente esse
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isolamento é facilitado pela existência de uma unidade extra de caixa de areia ou por meio de tubulações de desvio (“by pass”). (Figura 5.1). A remoção mecânica, geralmente nas instalações maiores, é realizada por dispositivos, transportadores de areia, que removem continuamente a areia acumulada em depósitos, especificamente projetados. Os transportadores mais comuns são: em esteiras, caçambas, raspadores, “air lift”, de parafuso sem-fim, ou bombas especiais (Figura 5.2). Em algumas instalações adota-se conjugar com o dispositivo de remoção, equipamentos destinados a lavagens de areia retida, com retorno de líquido de lavagem para o afluente da ETE. Geralmente são constituídos de transportadores inclinados, os quais reduzem também grande quantidade de líquido. Um outro mecanismo que tem sido usado para a remoção da areia é o “clamshell”, movido por um sistema mecanizado acionado ao longo de um sistema de monovias. A principal experiência nacional é a da ETE Barueri, em São Paulo.

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6.3.3.1 – Quantidade de Material Retido A quantidade do material retido é, como acontece com os sólidos grosseiros, função dos costumes locais e do sistema de retenção deste material. Quando não é possível remover-se por meio de carga hidráulica, deve-se observar que a canaleta tenha, pelo menos, espaço suficiente para o arraste da areia por meio de pás, enxadas ou outros tipos de ferramentas fabricadas para esse fim.

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ou em casos especiais. quando bem lavada. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 44 . Os dispositivos de lavagem podem ser: • • De parafuso sem-fim.1 mostra a estimativa de remoções de areia segundo várias referências da literatura.A tabela 5.2 mostra os valores medidos nas ETEs Pinheiro e Vila Leopoldina.3. bem como variação em relação às próprias estações de tratamento. durante 15 meses consecutivos de medição. São Paulo. e selecionada. Verificou-se razoável variação ao longo do ano na mesma ETE. esse material poderá ter o destino que o seu grau de limpeza permitir. De transportadores horizontais (Figura 5. juntamente com o material removido das grades de barras. poderá servir para aterros próximos ao local. para o aterro sanitário da comunidade.3. A tabela 5. para incineradores de lodo.2 – Destino do Material Removido Se a areia sofre alguma operação de lavagem. 6. Nas instalações isentas de dispositivos de lavagens a areia é normalmente encaminhada. Portanto. como também para a reposição do material drenante comumente utilizado nos leitos de secagem.3).

retida nas demais unidades de tratamento. Esta localização prende-se ao fato de sua função básica de proteção do equipamento. levando em conta as vantagens e desvantagens de cada caso.4 – Operação Para que uma caixa obtenha o máximo de rendimento. o lançamento no solo poderá acarretar alguns inconvenientes. isolamento da caixa de areia que se apresenta com quantidade de areia estabelecida para remoção.4. análise de uma amostra de areia removida em termos de sólidos voláteis. por meio de canalizações que retornam o líquido drenado para o afluente ou para uma unidade dos sistema de tratamento adotado.1 – Limpeza Manual Esta operação deverá obedecer às seguintes fases: • • • • • • • • • • • medição periódica da camada de areia acumulada.3. se for o caso.6. lavagem da câmara para ser reutilizada. isso acontece quando o material acumulado ocupa a metade do liquido do canal em 2/3 de todo o seu comprimento.4 – Localização da Caixa de Areia Usualmente as unidades de remoção de areia são localizadas a montante da elevatória de esgoto bruto. verificação de quantidade de areia nas unidades subseqüentes. 6. transporte do material removido para um dos destinos adequados. esta concepção deve atender as viabilidades técnicas e econômicas. a localização das caixas de areia. neste caso as bombas da elevatória. adoção de medidas de correção para os casos em que apresentarem alto teor de sólidos voláteis. estimativa da quantidade de areia removida para registro nas fichas de operação. podendo ser realizada. Portanto. a jusante das unidades de remoção de sólidos grosseiros (grades de barras). deverá ser observado o seu funcionamento normal de acordo com as características dos dispositivos instalados. drenagem do esgoto retido na câmara. 45 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . deverá ser definida mediante estudo criterioso específico. e remoção da areia. e de operação e manutenção desta unidade. em algumas instalações. No entanto. geralmente. 6. remoção da areia isenta de líquido por meio de pás ou enxadas.

Essa determinação tem atingido valores para esgoto bruto na faixa de 50 a 150 mg/l. margarina. Manter o movimento do equipamento livre do entulho. Estas substâncias.4. ou triclorotrifluoretano .4. RJ: 70 mg/l. são comumente denominadas de “gorduras”. ceras e outros materiais de densidade inferior à da água. revestimentos.6. SP: 45 mg/l e Esgoto da ETE Penha. No entanto. também denominadas sólidos flutuantes ou escuma. bem como equipamentos. gorduras. 7 – REMOÇÃO DE GORDURAS E SÓLIDOS FLUTUANTES 7. 7. pelo menos uma vez por ano a unidade. com jatos d’água. gorduras e olés vegetais. garagens e pequenos estabelecimentos industriais. gorduras de carnes vermelhas. Nos esgotos domésticos estão presentes como restos de manteiga. seus dispositivos. graxas. etc. as caixas de areia instaladas internamente em edifícios.1 – Conceito • Os esgotos contém grande quantidade de óleos. e • A área deve ser considerada como zona tóxica e precauções adequadas devem ser adotadas de modo a proteger os operadores e visitantes. tubulações imersas. É comum existir também uma parcela de matéria oleosa devido à presença de lubrificantes usados em postos de serviço. Exceto para os casos das caixas de areia externas. Alguns dados nacionais são a seguir apresentados: Esgoto da ETE Ipiranga. devem-se tomar as seguintes precauções: • ambiente da caixas de areia dever ser sempre ventilado. e Esvaziar e vistoriar. • A área deve ser considerada como zona explosiva e como tal deve ser protegida. certas vezes.2 – Finalidade POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 46 .).3 – Medidas de Segurança Gases explosivos ou tóxicos nos esgotos atingem. hexano. etc. as paredes e os raspadores fora do esgoto. e condições da estrutura de concreto (rachaduras. causando condições indesejáveis à atmosfera das áreas de operação da ETE. as quais são extraídas em laboratório por meio de éter de petróleo. as seguintes práticas devem ser necessárias: • • • • Manter os equipamentos de acordo com o manual de instrução do fabricante. 6.2 – Limpeza Mecânica A operação desta unidade deve ser similar às operações manuais. Lavar diariamente.

• • • • Evitar obstruções dos coletores. 7. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 47 . Distância entre os dispositivos de entrada e saída suficiente para reter a gordura e evitar que esse material seja arrastado com o efluente. simplesmente de caixa de gordura. indústrias.3 – Características As características de uma unidade de remoção de gordura é função da localização deste dispositivo. existem vários tipos. de aplicação maior nos caos de refinarias e indústrias afins (como o separador tipo API – “American Petroleum Institue” ou PPI – “Parallel Plate Interceptor”. alguns patenteados. • Independentemente de sua localização. e Condições de vedação suficiente para evitar o contato com insetos.A necessidade da remoção da gordura comida nos esgotos está condicionada aos problemas que esse material trará às unidades de um sistema de esgoto sanitário. podendo estar situada nas seguintes partes: • • • Caixa de gordura domiciliar: normalmente recebendo esgotos de cozinhas e situada na própria instalação predial de esgoto. Condições de tranqüilidade suficiente para permitir a flutuação do material. denominado. se presente em grandes proporções. a remoção da gordura tem as seguintes finalidades. apenas se processando em sentido o inverso. e Evitar aspectos desagradáveis nos corpos receptores. roedores. que permitem recolher o material flutuante em depósitos convenientemente projetados para o encaminhamento posterior às unidades de tratamento do lodo. Separadores de óleo: são unidades destinadas a remover o óleo presente num esgoto. Assim sendo. patenteadas e aprovadas pelos órgãos fiscalizadores locais. em particular nos casos em que há presença de despejos industriais com elevado teor de óleo. Dispositivo de remoção de gordura em decantadores: são dispositivos adaptados nos decantadores (primários em geral). Caixa de gordura coletiva: são unidades de grande porte e poderão atender conjuntos de residências. A unidade recebe nomes específicos de acordo com o tipo de matéria flutuante a ser removida. etc. muitas vezes. ou constituir uma unidade de tratamento do sistema de tratamento de esgoto de uma comunidade. Dispositivos de entrada e saída convenientemente projetados para permitir ao afluente e efluente escoarem normalmente.4 – Funcionamento O funcionamento dos dispositivos de remoção de gordura está condicionado às mesmas leis que regem os fenômenos de sedimentação de sólidos. Evitar acúmulo nas unidades de tratamento provocando odores desagradáveis e perturbações no funcionamento dos dispositivos de tratamento. Evitar aderência nas peças especiais da rede de esgotos. 7. etc). os dispositivos de remoção de gordura deverão ter condições favoráveis à retenção da gordura deverão ser adotadas das seguintes características: • • • • • Capacidade de acumulação de gordura entre cada operação de limpeza. São geralmente.

7.1). As caixas de gordura são geralmente dimensionadas para reter a vazão afluente. algumas substâncias mais densas do que a água por meio de flotação. originadas dos esgotos de cozinha ou de despejos industriais típicos. tais como de matadouros. sendo as caixas de gordura domiciliares padronizadas por diferentes fabricantes . decomposição bacteriana. em geral de acordo com a vazão contribuinte (Figura 6. e ser aproveitada nas indústrias de sabão ou glicerina. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 48 . com a finalidade de evitar que o material seja arrastado com o efluente. Esta velocidade pode ser observada em cilindros graduados pela determinação do tempo necessário para formar uma camada de escuma na superfície do líquido. O dimensionamento das caixas de gordura é estabelecido em norma. remoção da gordura retida. lanifícios. Em instalações de tratamento de despejos industriais remove-se.5 – Caixas de Gordura Existem vários modelos e tipos. Pode-se também estabelecer o cálculo para a área de uma caixas de gordura em função da velocidade mínima de ascensão. que é a velocidade correspondente à menor partícula que se deseja reter em um determinado grau de remoção. Essa limpeza é função da capacidade de retenção. adição de produtos químicos. também. eletrólise. a qual não deverá ser utilizada mais do que em 75% de seu volume. aquecimento. normalmente. Têm a capacidade de se agrupar alterando o tempo de detenção de acordo com a velocidade de ascensão. a qual pode ser realizada com auxílio de aeração.As gorduras são. curtumes. também estabelecer períodos de limpezas. injeção de gás. As gorduras das instalações prediais são mais impuras do que as gorduras provenientes de instalações industriais. A gordura removida poderá ter os seguintes destinos: ser enterrada. e outras indústrias alimentícias. durante um período médio predeterminado. ou em função de um número estimado de refeições preparadas. com aprovação dos órgãos fiscalizadores locais. pode-se determinar a área da caixas de gordura pela seguinte aproximação: Área (m2) = Vazão (m3/h) Velocidade mínima de ascensão (m/h) A operação das caixas de gordura resume-se na limpeza periódica. A observação periódica do efluente permitirá. Assim.

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denominados de “Upfow Anaerobic Blanket” (UASB). 1976). através do fenômeno de eutrofização. Na Segunda metade do séc. o tratamento primário associado com a digestão anaeróbia teve grande aplicação na 2a Guerra Mundial. Nos primórdios do séc. XX foram desenvolvidos novos sistemas anaeróbios: tanque Imhoff (na Alemanha). VAN HAANDEL & LETTINGA (1994) reportam que os primeiros sistemas comunitários de esgotos surgiram no final do séc. desenvolveram os digestores anaeróbios de fluxo ascendente e manta de lodo. Mais tarde tornou-se necessário desenvolver um tratamento secundário para a remoção do restante do material orgânico dos esgotos (sólidos não sedimentáveis). no fim da década de 1970. MAGALHÃES. a descarga excessiva de nutrientes constituía uma fonte de poluição ambiental para os corpos receptores de esgotos. CORBELLINI (1995) cita em seu trabalho que a primeira aplicação da digestão anaeróbia ocorreu na França. XX o tratamento pela via aeróbia predominava e era sinônimo de tratamento secundário ainda acarretava deterioração dos mananciais. ou seja. sendo desenvolvidos inicialmente para a remoção dos sólidos sedimentáveis (tratamento primário). destinava-se ao tratamento de águas residuárias com baixo teor de matéria orgânica. que posteriormente foram batizadas de “Digestão Ácida” e “Digestão Metânica” por IMHOFF.a fossa séptica idealizada por LOUIS MOURAS. A partir daí. para tratamento de águas residuárias concentradas (industriais). com o desenvolvimento da tecnologia. em 1916. O “rush” demográfico nos centros urbanos da Europa apresentava as novas condições sanitárias e declinava o perfil da civilização moderna (GARCEZ. 1994). 1982). “não sendo mais possível a sua disposição sanitária num curso d’água ou no solo por simples remoção ou lançamento in-natura” (GARCEZ. Esse problema levou à descoberta dos chamados sistemas de tratamento terciário. sendo também destinados para o tratamento de esgotos domésticos. 1976. LETTINGA e colaboradores. XIX. 1981 apud VAN HAANDEL & LETTINGA. novos e modernos sistemas surgiram. cuja característica peculiar em ambos sistemas era a direção horizontal do fluxo afluente no digestor. sendo o biogás produzido no sistema utilizado como combustível automotivo (McCARTY. conferindo POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 50 . Nos últimos quinze anos. XIX) foi o ponto de partida para o desenvolvimento da tecnologia anaeróbia. na Inglaterra). registrou-se na época uma elevada produção de águas residuárias. Com a crise do petróleo (1973) as pesquisas tecnológicas despontaram em busca de novos sistemas alternativos de tratamento. tornando-se possível tratar águas residuárias de alta concentração orgânica. Com o surgimento das fábricas e o aumento das atividades humanas em decorrência do novo estilo de vida. Nas décadas seguintes do corrente século. os estudos da digestão anaeróbia evoluíram. o tratamento aeróbio tomou impulso com a predominância do tratamento biológico em sistemas de lodos ativados (VAN HAANDEL & LETTINGA. na tentativa de evitar a degradação dos corpos d’água receptores de águas servidas.CAPÍTULO IV – FUNDAMENTOS DO TRATAMENTO ANAERÓBIO 1 – HISTÓRICO A revolução industrial (séc. 1994). em 1881. industriais e domésticas. sendo mais tarde estudada por THUM & REICHEE (1914) especialmente quanto ao desenvolvimento das fases do processo de digestão. tanque séptico (por CAMERON.

(2) acidogênese. e após a acidogênese. produção de biogás e produção de biofertilizantes estáveis. acetato hidrogênio.o que se tentou e de certo modo se conseguiu com êxito. álcoois e compostos minerais como NH3 . objetivando uma ou mais das seguintes finalidades: tratamento dos resíduos (remoção da matéria orgânica poluente e de organismos patogênicos).3 – Acetogênese É a transformação dos produtos da acidogênese em compostos que formam substratos para produção do metano: dióxido de carbono. ricos em nutrientes assimiláveis e com melhor qualidade sanitária em relação ao material original (CURDS & HAWKES. (1979) e MAH & SMITH 1981 afirma que: “.” De acordo com VAN HAANDEL & LETTINGA (1994).etc. enquanto o restante é POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 51 .A degradação das proteínas se faz através de (poli)peptidas para formarem aminoácidos. são absorvidos nas células bacterianas fermentativas. excretadas com substâncias orgânicas simples como ácidos graxos voláteis(AGV). algumas espécies são facultativas e podem metabolizar o material orgânico. Os açucares solúveis são produtos da transformação dos carboidratos (mono e dissacarideos) elipídeos são convertidos em ácidos graxos de longa cadeia de C (C15 e C17) e glicerina. grande aceitabilidade e simplicidade operacional. o processo de fermentação anaeróbia dos substratos presentes em águas residuárias pode ser dividido em 4 (quatro) fases distintas: (1) hidrólise. 2. Porem. O processo ocorrido devido a interferência das chamadas exo-enzimas que são excretadas pelas bactérias fermentativas .1 – Hidrólise O material orgânico particulado neste processo é convertido em compostos e dissolvidos de menor peso molecular. 2 – MECANISMO DE PROCESSO DE DIGESTÃO Quando devidamente projetado e operado... a um custo relativamente baixo. composto por culturas de microorganismos capazes de realizar a decomposição da matéria orgânica. rurais e industriais).. 1983). CORBELLINI (1995). Em uma fração de aproximadamente 70 por cento de DQO originalmente presente se converte em ácido acético.CO2 .produzidos no processo de hidrólise ou liquefação.2 – Acidogênese Os carboidratos dissolvidos . foi transferir para o interior de um recipiente (digestor). o processo de digestão via mecanismo anaeróbio realiza a oxidação da matéria orgânica dos diversos tipos de efluentes (urbanos.. Esses ecossistemas ocorrem de forma natural em ambientes desprovidos de oxigênio e com a mínima penetração de luz.H2 S.uma boa qualidade aos efluentes industriais. (3) acetagênese e (4) metanogênese. com base nos estudos de BALCH et al. na qual a maioria é anaeróbia obrigatória. 2. ácido láctico. 2. Um grupo de diferentes tipos de bactérias são responsáveis pela fermentação acidogênica. o desenvolvimento de um ecossistema.

As bactérias responsáveis pela produção do metano a partir de hidrogênio crescem mais rapidamente que aquelas que usam ácidos acético. a formação de ácido acético pode ser acompanhada pelo surgimento de dióxido de carbono ou hidrogênio. de maneira que as metanogênicas acetotróficas freqüentemente limitam a taxa de transformação de material orgânico complexo presente no esgoto para biogás (van Haandel) POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 52 . De acordo com o estado de oxidação do material orgânico a ser digerido. principalmente em hidrogênio. 2.4 – Metanogênese A metanogênese é a etapa limitada do processo da digestão como um todo .embora a temperatura abaixo dos 20 C a hidrólise possa se tornar limitante.convertido. As bactérias acetotróficas produzem o metano a parti da redução do ácido acético ou pelas bactérias hidrogenotróficas a parti da redução de dióxido de carbono.

Possibilidade de rápido reinício. em Minas Gerais. As experiências bem-sucedidas em diversas localidades no Paraná. da ordem de 60% a 70%. Embora os reatores UASB incluam amplas vantagens. com a utilização de metodologias de partida bem fundamentadas e com o estabelecimento de rotinas operacionais adequadas. são um forte indicativo do potencial dos reatores de manta de lodo para o tratamento dos esgotos domésticos. quando foram utilizadas pequenas quantidades de inoculo (inferior a 4% do volume do reator). Nessas situações. principalmente no que diz respeito a requisitos de área. 1996). mesmo após longas paralisações. Baixo consumo de energia (apenas para a elevatória de chegada. Elevado intervalo de tempo necessário para a partida do sistema. esta pode ser realmente lenta (4 a 6 meses). notadamente quando aplicado em locais de clima quente. e. Baixo custo de implantação e de operação. O processo anaeróbio por meio de reatores de manta de lodo apresenta inúmeras vantagens em relação aos processos aeróbios convencionais. Satisfatória eficiência de remoção de DBO e de DQO. Necessidade de uma etapa de pós-tratamento. com algumas estações já em operação e vários estudos e projetos contemplando esse tipo de reator. Bahia. sendo perfeitamente toleráveis pelo sistema de tratamento. construído e operado. alguns aspectos negativos ainda são atribuídos aos mesmos: • • • • Possibilidade de emanação de maus odores. pode-se esperar um sistema com as seguintes características principais: • • • • • • • • Sistema compacto com baixa demanda de área. significativos avanços foram conseguidos no sentido de diminuir o período de partida dos sistemas e de minimizar os problemas operacionais nessa fase. Nos últimos anos. o sistema não deve apresentar problemas de mau cheiro e de falhas devido à presença de elementos tóxicos e/ou inibidores. Nas situações em que o esgoto é predominantemente doméstico. mas apenas situações em que não são utilizados inóculos. o POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 53 . operação e manutenção. Baixa capacidade do sistema em tolerar cargas tóxicas. a presença de compostos de enxofre e de materiais tóxicos usualmente ocorre em níveis muito baixos. simplicidade e baixos custos de projeto. ultimamente. Quanto à partida do sistema. São Paulo. Baixa produção de lodo.CAPÍTULO V – CRITÉRIOS DE PROJETO DE REATOR ANAERÓBIO DE FLUXO ASCENDENTE (UASB) OU REATORES ANAERÓBIOS DE MANTA DE LODO 1 – INTRODUÇÃO A utilização de reatores de manta de lodo para o tratamento de esgotos domésticos já é uma realidade no Brasil. Paraíba. Elevada concentração do lodo excedente. Em situações já relatadas (Chernicharo & Borges. como é o caso da maioria dos municípios brasileiros. quando for o caso). Boa desidratabilidade do lodo. Quando bem projetado.

permitindo o dimensionamento das câmaras de reação. No Brasil. são apresentadas algumas considerações sobre o dispositivo de reatores UASB nos quais têm sido observados equívocos de projeto. é sem dúvida bastante confusa. Esses reatores. não demandando a implantação de qualquer equipamento sofisticado ou de meios suporte para a retenção da biomassa. Apesar do conhecimento acumulado sobre os reatores UASB no Brasil. Rio de Janeiro. decantação e captura de gás. a qualidade do efluente produzido não se enquadra nos padrões estabelecidos pela legislação ambiental. sendo que pelo menos cinco siglas têm sido de uso freqüente em nosso meio: POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 54 . Estima-se que haja atualmente mais de 600 reatores anaeróbios tipo UASB tratando esgotos domésticos no Brasil. na Universidade de Wageningen (Lettinga et al. Outras informações sobre a partida de reatores anaeróbios são apresentadas na Seção 7. notadamente dos reatores tipo UASB. que na sua versão mais aperfeiçoada tiveram sua origem na Holanda. deste Capítulo. a maioria deles localizada nos estados do Paraná e da Bahia. colocam o Brasil em uma posição de vanguarda em nível mundial.período de partida foi reduzido a 2 ou 3 semanas. Esse ordenamento do dimensionamento com certeza evitaria alguns equívocos de projeto que têm sido observados. os mesmos deveriam ser denominados Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente e Manta de Lodo.6. Rio Grande do Sul. Há ainda relatos de outros em operação em diversos estados. na década de 1970. tem sido divulgadas novas terminologias para a identificação desse tipo de reator. alguns avanços já foram conseguidos nesse sentido. 3 – NOMENCLATURA DE REATORES ANAERÓBIOS A denominação de alguns tipos de reatores no Brasil. No presente capítulo. São Paulo e Distrito Federal. Quanto ao projeto de reatores de manta de lodo. É reconhecida a importância de que os diversos critérios e parâmetros de projeto de reatores UASB sejam expressos de uma forma compreensível e seqüencial. Pará. da estabilidade e da eficiência do processo de tratamento. foram denominados de reatores UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket Reactors). não há ainda roteiro claro e sistematizado. Na tradução para o português. Gatze Lettinga. Embora não haja muitas experiências que consolidem e tratem conjuntamente a questão do tratamento anaeróbio e do pós-tratamento. 1980). a qualidade da biomassa a ser desenvolvida no sistema dependerá de uma rotina operacional adequada e. em função do grande incremento no número de projetos de UASBs. este é bastante simples. após trabalhos desenvolvidos pela equipe do Prof. notadamente os de manta de lodo. Paraíba. particularmente em Minas Gerais. conforme tratado por van Haandel & Lettringa (l994) e Chernicharo (1997). acessível aos projetistas. Tal aspecto ganha relevância na medida em que os órgãos ambientais estaduais tem intensificado a sua fiscalização e atuado efetivamente no licenciamento ambiental de novos empreendimentos no setor de saneamento. por conseguinte. sobre o dimensionamento desses reatores.. sem o proporcional aumento de capacitação de projetista. De qualquer forma. No que pesem as grandes vantagens dos reatores de manta de lodo. 2 – DIMENSIONAMENTO DOS REATORES DE MANTA DE LODO A aceitação e disseminação da tecnologia anaeróbia para o tratamento de esgotos domésticos.

têm servido para confundir ainda mais o público.5% e 3%. sólidos e líquidos) na parte superior do reator. sem a necessidade de qualquer tipo de meio suporte. A concentração do lodo nessa zona usualmente varia entre 1. 4 – PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO REATOR Procede-se inicialmente a inoculação do reator com quantidades suficientes de lodo anaeróbio.1). por exemplo. ocorrendo. Esse período inicial é referido como “star up” ou partida do sistema. constituindo-se na fase mais importante da operação do reator. como. RAFA (reator anaeróbio de fluxo ascendente). RALF (reator anaeróbio de leito fluidizado). sendo necessária a instalação de um separador trifásico (gases. em geral. sólidos e líquidos é que garante o retorno do lodo e a elevada capacidade de retenção de grandes quantidades de biomassa. das características das águas residuárias e das condições operacionais do reator. A instalação do separador de gases. em que os sólidos apresentam velocidades de sedimentação mais baixas. de acordo com o sucesso da resposta do sistema. iniciando-se em seguida a sua alimentação em baixa. após alguns meses de operação.000 a 100.• • • • • DAFA (digestor anaeróbio de fluxo ascendente). dependendo da natureza do lodo de semeadura. O lodo é muito denso e com excelentes características de sedimentação. em torno de 40. configura-se uma câmara de sedimentação. A remoção do substrato ocorre por meio de todo o leito e manta de lodo. de forma a permitir a retenção e o retorno do lodo. embora esta seja mais pronunciada no leito de lodo. nem para a harmonização da terminologia a ser utilizada. Acima do leito de lodo. os reatores UASB apresentam elevados tempos de residência celular (idade do lodo). o que é uma característica dos sistemas anaeróbios de alta taxa. no qual o lodo mais denso é removido da massa líquida e retornado ao compartimento de digestão. RAFAALL (reator anaeróbio de fluxo ascendente através de leito de lodo). ocorre o carreamento de lodo. resultando muitas vezes na denominação incorreta dos diferentes tipos de reatores anaeróbios. apresentam impropriedades. pode-se tornar necessária alguma forma de mistura adicional. além de não contribuírem para a difusão dessa modalidade de tratamento. no modo ascendente.000 mgST/l) junto ao fundo do reator. O sistema é automisturado pelo movimento ascendente das bolhas do biogás é usualmente baixa. Como resultado. A taxa de alimentação do reator deve ser aumentada progressivamente. bastante superiores aos tempos de detenção hidráulica. os autores deste livro são da opinião de que se deva utilizar uma das seguintes terminologias para a denominação dos reatores anaeróbios de fluxo ascendente e manta de lodo: • Reator da UASB. Por tudo isso. de elevada atividade. • Reator anaeróbio de fluxo ascendente e manta de lodo. Entende-se que essas siglas. encontra-se uma zona de lodo mais dispersa. o desenvolvimento de um leito de lodo bastante concentrado (4% a 10% ou seja. enquanto as partículas mais leves são perdidas do sistema juntamente com o efluente final (veja a Figura 4. Ao contrário. As idades de lodo POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 55 . • Reator de manta de lodo. Pode ocorrer o desenvolvimento de grânulos de lodo (“diâmetros” de 1 a 5mm). No entorno acima do separador trifásico. Com o movimento ascendente das bolhas de gás e do líquido. por meio da recirculação do gás ou do efluente. RAFMAL (reator anaeróbio de fluxo ascendente e manta de lodo). denominada manta de lodo.

descartado do sistema. em que ás áreas dos compartimentos de digestão e de decantação eram iguais. O reator de manta de lodo é capaz de aceitar altas taxas de carga orgânica e a grande diferença. alto grau de estabilização. A adaptação desses reatores para o tratamento de águas residuárias de baixa concentração (como os esgotos domésticos) tem levado a diferentes configurações. o líquido e os sólidos. capaz de separar de forma adequada o biogás. portanto. configurando-se. é a simplicidade construtiva e os baixos custos operacionais. Figura 4. Os princípios mais importantes que governam a operação de um reator de manta de lodo são os seguintes: • As características do fluxo ascendente devem assegurar o máximo contato entre a biomassa e o substrato. liberando os dois primeiros e permitindo a retenção do último. Em relação à sedimentabilidade.1 – Desenho esquemático de um reator UASB.verificadas em reatores UASB são usualmente superiores a 30 dias. reatores de paredes verticais. propiciando ao lodo excedente. o lodo granulado apresenta características bem melhores que as do lodo floculento. • O lodo na região da manta deve ser bem adaptado. com alta atividade metanogênica específica (AME) e excelente sedimentabilidade. 5 – CONFIGURAÇÕES TÍPICAS Os reatores anaeróbios de manta de lodo foram inicialmente concebidos para o tratamento de efluentes industriais como estruturas cilíndricas ou primático-retangulares. • Os “curto-circuitos” devem ser evitados. de forma a garantir tempo suficiente par a degradação da matéria orgânica. em função dos seguintes aspectos principais: POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 56 . quando comparado com outros reatores de mesma geração. • O sistema deve ter um dispositivo de separação de fases bem projetado.

pode ser uma estratégia necessária no sentido de garantir as baixas velocidades ascensionais durante os picos de vazão. ao contrário dos reatores tratando esgotos domésticos. propiciando que sua operação seja feita dentro de faixas de vazão e de carga orgânica mais uniformes.4).. nestes últimos. em função da área ocupada pelo dispositivo de distribuição do efluente. o aumento da seção transversal do reator. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 57 . a fim de diminuir as velocidades ascendentes e favorecer a sedimentação do lodo nesse compartimento. dependendo das cargas hidráulicas aplicadas ao sistema. No tratamento de efluentes industriais. e não pela carga orgânica. a fim de garantir a manutenção das velocidades ascensionais dentro das faixas adequadas (veja a Tabela 6. aumentando a sua seção transversal. a distribuição do efluente é usualmente feita a partir da base do reator. Os reatores de seção circular são mais econômicos do ponto de vista estrutural. Nesse caso. os esgotos afluentes a uma estação de tratamento de esgotos domésticos não sofrem qualquer tipo de equalização (a não ser pela existência de uma elevatória). Como conseqüência. pode ocorrer.3). expondo o reator UASB a variações de vazão e de carga que podem ser extremamente elevadas.3 e 5.2). Nos reatores tratando efluentes industriais.2 a 5. sendo mais utilizados para o atendimento a pequenas populações. Nessa situação. Como conseqüência. junto ao compartimento de decantação. usualmente com uma unidade única. o reator passa a ter uma seção variável. redução da área superficial do compartimento de decantação.No projeto de reatores tipo UASB. em certos casos se prevê a implantação de uma unidade de equalização a montante do reator UASB. a altura do reator deve ser reduzida. Dessa forma. Novamente. reduzindo a estabilidade do processo.Em relação à forma dos reatores em planta. Ao contrário. menor junto ao compartimento de digestão e maior junto ao compartimento de decantação (veja as Figuras 5. conforme discutido na seção seguinte. o dimensionamento é feito pelo critério de carga hidráulica. estes podem ser circulares ou retangulares. a velocidade ascendente nos compartimentos de digestão e de decantação passa a ser de fundamental importância: velocidades excessivas resultam na perda de biomassa do sistema. tratando esgotos de baixa concentração. nos quais o dispositivo de distribuição do efluente se localiza na parte superior do reator (veja Figuras 5. pode se tornar necessária a adoção de seções transversais maiores junto ao compartimento de decantação.

quando a modulação se torna necessária.2 e 5. um retangular e outro circular. os reatores retangulares passam a ser mais indicados. desenvolvida pela SANEPAR e denominada reator anaeróbio do leito fluidizado (RALF).2 – Representação esquemática de um reator UASB retangular. As figuras 5. A Figura 5. Para atendimento a populações maiores. uma vez que uma parede pode servir a dois módulos contíguos. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 58 .4 ilustra uma variante do reator UASB.3 ilustram duas configurações típicas de reatores UASB.Figura 5.

3 – Representação esquemática de um reator UASB circular. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 59 .Figura 5.

• Compartimento hermético com selo hídrico e purga de biogás. preferencialmente localizados a uma distância segura do reator.1. 6. a partir interface líquido-gás no interior do reator. Nos casos em que o biogás não é aproveitado. • Reservatório de biogás (tanque pulmão). POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 60 .4 – Representação esquemática de um reator tipo RALF. • Medidor de biogás (opcional). conforme ilustrado nas Figuras 6. é composto de: • Tubulação de coleta. o reservatório (tanque pulmão) é substituído por uma válvula corta-chama e um queimador de gases.Figura 5.Sistema de Gases O sistema de retirada do biogás.

A fim de evitar danos aos medidores.Figura 6. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 61 . Fonte: ETE Coqueiro (Belém.5 m/s.1 – Diagrama de um sistema de gases em reatores UASB. provocados pelo arraste de líquidos condensados ao longo das tubulações coletoras. PA). essencial para a avaliação da eficiência do processo. a velocidade média de escoamento do biogás não deve ultrapassar 3. O medidor de vazão de biogás constitui-se em dispositivo importante para o monitoramento da quantidade de gás produzida no sistema.

Austrália. As primeiras lagoas. África do Sul.948. e este país foi o pioneiro no uso de lagoas em série. não se tinha conseguido construir o sistema de tratamento para uma nova rede de coleta. e já em 1. Costa Rica. no Rio de POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 62 . no Brasil. para se evitar o custo de uma estação de tratamento. isto é.963. na Califórnia (USA. Israel. México. e não havendo corpo receptor adequado. no sistema australiano. o efluente da rede foi dirigido a uma depressão do terreno. que. ficavam as autoridades surpreendidas com a qualidade do efluente final. Os Estados da Dakota do Norte e Dakota do Sul foram os primeiros na pesquisa objetiva nos Estados Unidos e. em 1. Índia. e melhor entendimento de seu funcionamento. Já na década de 40 apareciam lagoas com acompanhamento de sua operação. de origem acidental. comparável a de um tratamento secundário. em que os fenômenos do tratamento de esgotos foram constatados. 1. tempo de detenção. se fez passar o esgoto sobre um leito de pedras. A finalidade do convênio era operar esta lagoa a ser construída e estabelecer parâmetros de projeto de lagoas em nosso país.924). Em Santa Rosa. Mas foi apenas nos últimos quarenta anos que experimentos objetivos e critérios racionais de projeto começaram a ser desenvolvidos. A partir de 1. Foi fruto de um convênio entre o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo. No Brasil.928). Colômbia.90 m. Em 1. na Austrália desenvolveu-se estudos para realizar o tratamento de esgoto em lagoas. que alguns chamam de “lagoas australianas“. 1.950 os principais pesquisadores começaram a publicar seus trabalhos.CAPITULO VI – LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO 1 – HISTÓRICO Há séculos existem lagoas naturais ou artificiais que recebem despejos de animais. Nova Zelândia. O que veio a ocorrer foi a colmatação dos vazios e uma acumulação de esgotos até 0. sem que os especialistas se dessem conta. e a partir do qual se procurava conhecer parâmetros para dimensionamento. Este desenvolvimento maior tem-se dado nos Estados Unidos. Essa lagoa permaneceu em operação por trinta anos. etc. a lagoa de São José de Campos foi a primeira experiência de lagoas em nosso país. a primeira lagoa construída foi a de São José do Campo. realizam os fenômenos típicos e próprios de depuração das lagoas de estabilização. Alguns meses depois. duas lagoas em série. a Fundação SESP (Serviço Especial de Saúde Pública) e a Prefeitura de São José dos Campos. Peru. e de Fesseden na Dakota do Norte (USA. de modo a se estabelecer parâmetros de carga orgânica. acreditando-se que este teria um efeito de filtro percolador.960 se estabeleceu um intercâmbio de informações e experiências entre o meio técnico dos países. de altura – mas o efluente desta “lagoa” tinha características equivalentes ao de um filtro biológico. Se bem que o acompanhamento da operação tenha sofrido descontinuidades. e na América Latina. fora da cidade. entrou em operação a primeira lagoa projetada especificamente para receber e tratar esgoto bruto (lagoa de Maddock). Equador. e de pequenas comunidades. Canadá. profundidade. uma aeróbias seguida de uma facultativa. de usos domésticos. Em Fesseden. que de forma definitiva aceitavam e defendiam o uso de lagoas. Aproximadamente nesta mesma época. Cuba. parecem ter sido as de Santa Rosa. São Paulo.

de maturação: usadas como refinamento do tratamento prévio por lagoas. facultativas: nas quais ocorrem. ou outro processo biológico. sólidos em suspensão. e a DBO geralmente encontra-se numa faixa de 30 a 50 mg/l. de Cidade de Deus. dá-se preferência à realização do processo sob condições aeróbias. nutrientes e uma parcela negligenciável da DBO. inicialmente facultativa e depois aerada. ou CO2 e água sob condições aeróbias. A matéria orgânica é estabilizada principalmente pela ação das bactérias. foi construída uma lagoa também pioneira. a produção de gases mal-cheiros nos processos anaeróbios faz com que a oxidação aeróbia tenha preferência em geral. as lagoas de estabilização são lagoas. 3 – EFICIÊNCIA E APLICABILIDADE DAS LAGOAS As lagoas apresentam excelente eficiência de tratamento. o baixo custo de construção e operação. Muitos estados adotaram definitivamente as lagoas. embora não seja correto. De acordo com a forma predominante pela qual se dá a estabilização da matéria orgânica a ser tratada. uma zona anaeróbia de atividade bêntica é sobreposta por uma zona aeróbia de atividade biológicas. As bactérias produzem ácidos orgânicos. A matéria orgânica dissolvida no efluente das lagoas é bastante estável. que prevalecem condições técnicas adequadas aos fenômenos físicos. As lagoas aeradas devem ser seguidas de uma lagoa de decantação. reduz bactérias. pelo monos nas localidades em que aqueles inconvenientes poderiam ser prejudiciais a uma população eventualmente próxima. as lagoas costumam ser classificadas em: • • • • • anaeróbias: nas quais predominam processos de fermentação anaeróbias.Janeiro. Nem sempre porém o objetivo será a remoção da DBO ou da DQO – interessará muitas POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 63 . simultaneamente. imediatamente abaixo da superfície não existe oxigênio dissolvido. processos de fermentação anaeróbia. Na verdade. oxidação aeróbia e redução fotossintética. Uma vez que a DBO do efluente tratado é menor nos casos em que o produto final do metabolismo é CO2 e água. além desta razão. aeradas: nas quais se introduz oxigênio no meio líquido através de um sistema mecanizado de aeração. quer naturais ou artificiais. A simplicidade e eficiência do processo. é comum chamar-se de aeróbias as lagoas facultativas. e grande número de pesquisas e resultados operacionais têm sido publicados 2 – CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO As lagoas de estabilização são sistemas de tratamento biológico em que a estabilização da matéria orgânica é realizada pela oxidação bacteriológica (oxidação aeróbias ou fermentação anaeróbia) e/ou redução fotossintética das algas. sob condições anaeróbias. esta concentração pode reduzir-se para 15 a 30 mg/l). nas lagoas facultativas (havendo uma separação de algas. as lagoas aeradas podem ser estritamente aeradas ou facultativas. e as condições climáticas extremamente favoráveis levaram o processo a sua completa aceitação entre nós. químicos e biológicos que caracterizam a autodepuração. embora alguns fungos e protozoários também participem do processo. próxima a superfície. estritamente aeróbia: nas quais se chega a um equilíbrio da oxidação e da fotossíntese para garantir condições aeróbias em todo o meio.

Na verdade tudo se passa como num digestor anaeróbio ou numa fossa séptica. em seguida as bactérias formadoras de metano (estritamente anaeróbias) transformam os ácidos orgânicos formados na fase inicial em metano (CH 4) e dióxido de carbono (CO2). irrigação de hortaliças e plantas frutíferas. como as lagoas abrangem em geral áreas extensas. coliformes fecais em excesso. havendo formação de escuma. quando o pH sobe para até 7. principalmente ácidos orgânicos. As lagoas de estabilização tem hoje outro campo muito importante de aplicação: preparar o efluente para uso em agricultura ou aguacultura.mosquitos e etc. nos casos em que existem grupos de trabalhadores ou consumidos ou públicos expostos. de produção de material celular (síntese) e compostos intermediários mal cheirosos (gás sulfídrico. No entanto. Por outro lado. transformam compostos orgânicos complexos em substâncias e compostos mais simples.2 ou 7. o tratamento adequado. estética desfavorável. Primeiramente microorganismos facultativos. perante a opinião pública. e a proteção da saúde pública. e nesse caso tem-se em vista principalmente a remoção da DBO. de cor cinzenta e aspecto feio. os inconvenientes dos demais processos aparecem: exalação de mau cheiro. Na fermentação metânica a temperatura deve manter-se acima de 15º C. Os limites estabelecidos na Resolução nº 20 do Conselho Nacional do Meio Ambiente para águas da Classe 2. É a fase chamada de “digestão ácida “. < 1000 CF/100 ml. com efeito localizado. as conseqüências exteriores de um mau projeto ou má operação podem atingir uma grande comunidade.5 os maus odores desaparecem. até 5. Diretrizes recentes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde estabelecem que a qualidade microbiológica de efluentes tratados usados em irrigação de culturas consumidas cruas.vezes a remoção de organismos. fixam: em 80% ou mais de pelo menos 5 amostras mensais. e tem-se alcançado até 99. Modernamente se aceita que as lagoas devem cumprir dois objetivos principais: a proteção ambiental.9999% de eficiência am lagoas de maturação em série. 4 – LAGOAS ANAERÓBIAS Nas lagoas anaeróbias a estabilização ocorre sem o concurso do oxigênio dissolvido: são os fenômenos de digestão ácida e fermentação metânica que tomam parte no processo. e aí se visa a remoção de organismos patogênicos. é a fase chamada de “fermentação metânica ou alcalina”. se o projeto não for criterioso. mercaptanas). deve ser inferior a 1000 CF/100 ml com média geométrica.1 – Princípios de Funcionamento A fermentação anaeróbica e´um processo seqüencial. já que comprometem o bom trabalho que a lagoa faz. Os casos de odores ofensivos são péssimos. e indicam que uma série de lagoas de estabilização pode alcançar esta qualidade microbiológica. o pH baixa para 6. se deixar de existir equilíbrio entre as condições locais e as cargas poluidoras. bem como em campos esportivos ou parques públicos. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 64 . 4. na ausência do oxigênio dissolvido. ao invés do que ocorre em uma estação de tratamento. DBO elevada. e < 5000 CT/100 ml.

com 3 a 4 metros de profundidade. principalmente ácidos acético. A transformação dos ácidos voláteis pelas bactérias formadoras de metano determina uma sensível redução na matéria biodegradável. relacionar as cargas às condições climáticas locais. Entre os parâmetros principais serem observados no seu dimensionamento deve-se resultar. ainda que a temperatura influa na acidificação.d. e amônia. igual ao necessário para a geração das bactérias formadoras do metano. representada pela DBO ou DQO. e estes em ácidos orgânicos. Assim. butírico). aldeídos e ácidos orgânicos. no mínimo. Lipídios. a profundidade: recomenda-se projetar uma lagoa mais profunda. o tempo de detenção nas lagoas anaeróbias para esgotos domésticos pode ser adotado entre 2 e 5 dias. buscando minimizar problemas de odor. Os procedimentos na Norma Brasileira indicam as seguintes faixas admissíveis Temperatura média da lagoa no mês mais frio < 20ºC > 20ºC • Tempo de detenção final e inicial > 4d <6d > 3d < 5d Eficiência de remoção da DBO < 50% < 60% • a taxa de aplicação de carga orgânica: observa-se que a taxa de aplicação de carga orgânica é volumétrica. que serão convertidos pelas bactérias formadoras do metano. a lagoa anaeróbia deve ser dotada de profundidade adicional 65 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . em metano e dióxido de carbono. para evitar a emissão de maus odores. 4. na adoção desses parâmetros. propiônico. Nessa fase pode haver desprendimento de CO2. É importante. o que vai acontecer na fermentação metânica. sendo a quantidade de matéria orgânica estabilizada nesta fase diretamente proporcional à quantidade de metano produzido. Existem vantagens importantes em se adotar lagoas mais profundas – menor área superficial. e estes por sua vez em ácidos orgânicos. As bactérias facultativas da fase de acidificação podem tolerar uma faixa de variação de pH de 5. embora grande número de lagoas no Brasil venha operando bem com cargas relativamente baixas.2 – critérios de dimensionamento Uma lagoa anaeróbica criteriosamente projetada poderá operar livre de maus odores. oferecendo uma redução de DBO na faixa de 50 até 60%. como 50g DBO/m3.Ambos os processos podem ocorrer simultaneamente e de forma sincronizada. aldeídos e álcoois. mercaptanas e aminas. teoricamente.5 até cerca de 8. Proteínas em amino-ácidos. H2S. A tendência é manter pelo menos 100g DBO/m3.d. gorduras. uma vez que a lagoa anaeróbia opera como um digestor. que requerem de 2 a 5 dias. Os principais compostos intermediários formados nesta fase são ácidos orgânicos voláteis. de modo a manter a lagoa totalmente anaeróbia. e não mais de 400. em particular à temperatura. Em relação a este último aspecto. Na acidificação carbohidratos são convertidos em açúcares.4 e se manter ativas entre as temperaturas de 5 até mais de 60ºC. as de crescimento mais lento. e óleos são também convertidos em álcoois. na fase seguinte. O tempo de detenção deve ser. • o tempo de detenção hidráulico: deve ser suficiente para a sedimentação de sólidos e para a degradação anaeróbia da matéria orgânica solúvel. volume adequado para acumulação de sólidos. menor ação do meio externo sobre o meio líquido. as Normas recomendam que não havendo desarenação prévia. Na fase de digestão ácida praticamente não ocorre redução de DBO ou DQO.

cortinas de anteparo. inibindo o processo metânico e levando à superfície gases mal cheirosos do fundo. ou em seqüência a uma lagoa anaeróbia. proteção contra a ação dos ventos. há referências de que se pode ter uma queda de até 3º C por metro nos períodos de estratificação. ou nas mudanças bruscas do clima. redução do tempo de detenção hidráulico. uma vez que a lagoa mais profunda retém mais calor. a camada superior da lagoa é diretamente afetada. disposição irregular de sólidos na entrada. e superfície líquida limitada a 5 ha. As principais reações biológicas incluem: • • • • oxidação da matéria orgânica carbonácea pelas bactérias. em que os mecanismos de estabilização da matéria orgânica são a oxidação aeróbia e a redução fotossintética. dispersão adequada do fluxo. A lagoa facultativa pode ser projetada para operar como uma única unidade. onde os processos de oxidação aeróbia e redução fotossintética ocorrem. Procura-se neste caso projetar entradas e saídas múltiplas. Na maior parte da lagoa. A camada intermediária entre essas duas zonas é dita facultativa. No primeiro caso costuma ser chamada de lagoa “primária”. nitrificação da matéria orgânica nitrogenada pelas bactérias. entendendo-se por pelo menos 25% da área de fundo da lagoa. distribuição uniforme do esgoto afluente: é difícil existir uma distribuição uniforme do esgoto ao longo da lagoa.50m no mínimo. Quando ocorrem quedas repentinas de temperatura no meio externo. e uma zona anaeróbia na camada de fundo. junto à entrada. e de uma redução na produção de metano de até 5 vezes para uma redução de temperatura de 20 para 15º C. durante a noite. tornando-se mais densa e se deslocando para o fundo. Ainda que lagoas rasas apresentem temperaturas maiores no período diurno. ou mesmo após uma estação de tratamento. oxigenação da camada superior da lagoa através de fotossíntese das algas. e nos demais “secundária”. fundamental no processo de digestão. onde ocorrem os fenômenos típicos da fermentação anaeróbia. O risco da lagoa ser muito profunda é possuir uma estratificação térmica que baixe muito a temperatura no fundo. este fenômeno pode acarretar a introdução de oxigênio dissolvido no interior da lagoa anaeróbia. e redução da matéria orgânica carbonácea por bactérias anaeróbias no fundo da lagoa. o que não é desejado. A razão mais importante para adotar-se uma profundidade maior será talvez a proteção das bactérias formadoras do metano a eventuais mudanças climáticas e de temperatura. ocasionando curto-circuitos (caminhos preferenciais).• de 0. aerada. Algumas vezes pode também anteceder uma série de lagoas de polimento ou maturação. 5.1 – Princípios de Funcionamento Na lagoa facultativa todo o processo ocorre como um ciclo natural e contínuo. e principalmente na camada superior. o calor costuma ser rapidamente perdido. 5 – LAGOAS FACULTATIVAS A lagoa facultativa se caracteriza por possui uma zona aeróbia superior. os fenômenos seguintes são encontrados: POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 66 . ocasionando às vezes um revolvimento no meio líquido. de diferenças de temperatura. vindo a diminuir a profundidade de digestão. ocorrendo influências do vento. predominando os processos de oxigenação aeróbia e fotossintética. resfriando-se mais que o interior de uma lagoa rasa.

passam a consumir (importante é portanto a ação moderada do vento sobre o espelho d’água da lagoa. Euglenas. contribuindo para o aumento da concentração de sólidos e da DBO. Paramecium). Assim. se localizam preferencialmente na camada superior. Há tipos de algas nas lagoas. mas inversamente o número de espécies aumenta com o grau de tratamento. filamentosas. São assim as algas responsáveis pela produção da maior parte do oxigênio dissolvido na lagoa. Phordimium. em geral as algas verdes não encontram ambiente favorável ou serviram de alimento a outras formas de animais. Explica-se assim a variação de OD al longo do dia. Anacystis. CO2 e água. sintetizam a matéria necessária a seu próprio desenvolvimento (protoplasma das algas) e liberam oxigênio em presença de energia solar. sobressaindo porém as algas verdes. São assim as bactérias as responsáveis pelas transformações de substâncias orgânicas complexas em matéria solúvel. necessitando luz solar. enquanto mais de 15 possam ser encontradas no final de uma série de lagoas de maturação. favorecendo assim o desenvolvimento das algas azuis-verdes: Oscillatória. amônia. necessário para satisfazer a demanda de oxigênio das bactérias (a outra fonte é a difusão de oxigênio da atmosfera na lagoa). típicas de situações com pH baixo e pouco nutriente nos esgotos. Eventualmente toda a lagoa poderá se tornar anaeróbia. que flutuam com manchas de algas mortas e geram uma depleção de oxigênio. e à noite. as algas azuis-verdes. convertida em matéria celular. e é respirado como CO2. protoplasma e profundas finais (que por sua vez atravessam a parede celular e se difundem no meio líquido – CO2. principalmente se houver dominância de algas azuis-verdes. parte é utilizado com o nitrogênio e o fósforo para formar novas células. que atravessa a parede celular e é convertida em energia. na presença de oxigênio dissolvido. que dão à lagoa uma cor esverdeada e indicam geralmente boas condições. • • • Algumas observações características podem ser apresentadas em relação ao carregamento da lagoa: • a população microbiana é muito maior próximo à entrada da lagoa. normalmente com 15 a 40cm de profundidade. tendem a ser dominantes nos períodos frios. Os dois primeiros gêneros são normalmente os primeiros a aparecer na lagoa e. o super carregamento de uma lagoa promove um rápido desenvolvimento de bactérias e algas. usando as bactérias e as algas como alimento. As algas.• a matéria orgânica é sintetizada pelas bactérias. é possível que um número tão pequeno como apenas 2 espécies estejam presentes em uma lagoa com elevada taxa de aplicação de carga orgânica. diminuindo em relação à saída. transferindo o oxigênio da atmosfera para o meio líquido). Durante o dia estão produzindo oxigênio. Chlorellas. é possível o aparecimento de vários protozoários (Daphnia. Para diminuir esta possibilidade. Anabaena. • • Uma preocupação constante é a perda de algas com o efluente. Tal fenômeno pode resultar em morte das algas. Paralelamente. A literatura faz referência a que algumas vezes essas lagoas ficam totalmente claras. Euglenas tem grande capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas. usa-se antepor uma chicana à POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 67 . fosfatos). outras permanecem verdes. que exercem uma demanda de oxigênio nem sempre suportada pela ação fotossintética das algas ou pela transferência pelo vento. intocadas pelos predadores. algas utilizam o CO2 desprendido por bactérias. em lagoas de polimento com muito baixa taxa de aplicação de carga orgânica. como protozoários. filalentosas. tipicamente: Chlamydomonas. e sua menor concentração no período noturno. Parte do carbono serve como fonte de energia para os organismos.

poderão provocar uma diluição desfavorável ao processo. visto que grandes ondas provocam erosão nos diques. uma vez que a temperatura apresenta um relacionamento com outros fatores importantes. A camada superior de algas pode mover-se para cima e para baixo. os ventos dominantes. São fatores meteorológicos. são benéficos também para transportar as algas imóveis para zonas mais fundas na lagoa. Atividade das bactérias aeróbias e das algas é diminuída abaixo do valor inferior. podendo haver modificações no equilíbrio biológico (por exemplo. que pode provocar modificações na pressão osmótica da matéria celular).1 – Fatores Incontroláveis Sobre estes fatores praticamente não se pode exercer qualquer ação visando modificá-los. e da temperatura do ar e da água.saída do efluente. A ação desejada do vento no entanto é uma ação moderada. devido a um aumento demasiado da salinidade. • evaporação: a evaporação da água altera a concentração de sólidos. de modo a não se posicionar a lagoa desfavoravelmente 68 • • • POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . dependendo da sua duração e intensidade. e deverão ser considerados de forma criteriosa. formando uma camada estratificada de aproximadamente 15 cm. ou mesmo do equilíbrio hidráulico (a evaporação excessiva poderá baixar a lâmina d’água a níveis que interfiram com a boa operação). de modo a retirá-lo de um ponto abaixo das algas. para projeto.2 – Fatores que Interferem no Processo As condições hidráulicas e biológicas que tomam parte no processo de depuração nas lagoas podem ser afetadas por uma série de fatores. de modo que sua interferência seja desprezível. 5. e praticamente inexistente em muitos gêneros de algas verdes. precipitação pluviométrica: as chuvas. do grau higrométrico do ar. 5. durante todo o dia. a velocidade do metabolismo dos organismos. nos primeiros 50 a 60 cm de profundidade. e relacionados à intensidade luminosa. Alguns destes são facilmente controláveis ou adaptáveis ao projeto. Será necessário conhecer a intensidade. Este movimento pode-se dar pela própria mobilidade das algas móveis. e protegidos. ou pela ação da transferência dos ventos e ondas. contribuem para uniformizar a distribuição do oxigênio dissolvido e aumentam a superfície de contato das partículas de água com a atmosfera. as variações sazonais. deve-se conhecer a precipitação média. hidrológicos. ventos: tem importância para as lagoas na medida em que favorecem a homogeização da massa líquida e a formação de ondas. temperatura: é sem dúvida. Na camada anaeróbia de fundo o limite inferior é de 15º C. em geral uma função do vento. Por isso os taludes internos dos diques são mais suaves (1:4 ou 1:3). o valor de interesse para projeto é a evaporação média. que no entanto irão morrer se o sistema tiver incluído lagoas finais de maturação. As lagoas são projetadas com base na temperatura média do mês mais frio. previamente estabelecidos no projeto. a temperaturas abaixo deste valor as bactérias anaeróbias tem pouca atividade. de acordo com as mudanças na intensidade luminosa. outros são por sua própria natureza incontroláveis. ou mesmo benéfica. aos equilíbrios hidráulicos e biológicos. atuando de modo inverso ao da evaporação.2. a velocidade da fotossíntese. com conseqüente aumento da eficiência de transferência de oxigênio. isto é. Nas zonas aeróbia e facultativa e faixa aplicável é 5 a 35º C. como a radiação solar. da matéria orgânica e dos elementos presentes. a direção dos ventos. o fator mais atuante.

Recomenda-se superfícies com comprimento longo. qualquer formato. e o tempo médio em que o sol se encontra sobre o horizonte. A: é o fator fundamental . • Tabela 5. radiação solar: influi diretamente sobre a velocidade da fotossíntese. O sentido do escoamento deve também coincidir com o sentido dos ventos dominantes. com coberturas < 10 < 200 > 200 esporádicas de gelo. O formato da lagoa deve ser preferivelmente retangular..em relação a comunidades próximas . de acordo com a latitude e o hemisfério.DBO/ha. profundidade: a profundidade nas lagoas facultativas está na faixa de 1. no ano. Usa-se também posicionar o maior comprimento da lagoa na direção dos ventos dominantes. favorecendo a dispersão e o escoamento hidráulico.2). ha que se ter em conta no entanto o efeito indesejado dos curto-circuitos e das reentrâncias ou zonas mortas (áreas sem circulação) a serem evitadas. Taxa de aplicação População Tempo de CONDIÇÕES LOCAIS kg. diminuindo o efeito de ondas maiores e favorecendo a acumulação da matéria flutuante ao longo de uma chicana na parte final da lagoa. com riscos de eventual transferência de maus odores. deve-se avaliar sua importância em relação ao local e estimar a porcentagem do tempo em que podem existir formações espessas d nuvens durante o dia. a profundidade mínima deve ser 1. A superfície de uma lagoa facultativa deve ser inferior a 15 ha. por pequenos períodos. • nuvens: interferem como elemento capaz de se interpor à passagem da radiação solar e diminuir a intensidade luminosa. Estes últimos expressam a carga orgânica afluente à lagoa.00 m.2 – Taxas de aplicação e tempos de detenção em lagoas facultativas.50 m.3 – Parâmetros de Interesse no Projeto Os principais parâmetros de interesse no projeto das lagoas são de natureza física e de carga orgânica.DBO/ha. com a direção e o sentido do vento dominante. É comum ver-se este parâmetro referido em termos de população equivalente/ ha.d (Tabela 5. Alguns especialistas coletaram dados disponíveis para elaborar um quadro de valores médios prováveis da insolação direta e difusa sobre uma superfície ao nível do mar. nas lagoas facultativas. representando a área sujeita à iluminação e à ação do vento. detenção dias Regiões muito frias. cobertura variável de nuvens Clima frio com coberturas de gelo 10 – 50 200 – 1000 200 – 100 sazonais e temperaturas de verão temperadas.20 a 2. os valores maiores sendo mais recomendados. a referência à área superficial se dá pela grande importância que o espelho d’água tem no processo. temperatura baixa. Entre os parâmetros da natureza física sobressaem: • área superficial. onde se processa a oxigenação pela ação fotossintética das algas. como a área de incidência da luz solar.d. A superfície da lagoa pode ter.d equivalente/ha. onde a sedimentação de sólidos tende a ocorrer com maior intensidade. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 69 . No caso de lagoas primárias. e nas secundárias 1. favorecendo o escoamento.20 m. a rigor. obedecendo no entanto às pecularidades topográficas em relação a compensação de volumes de corte e aterro. e são medidos em termos de kg.. • 5.

produção de oxigênio por unidade de massa de alga e outros. sol e temperatura 100 –350 3000 – 7000 33 –17 uniformemente distribuídos. e o volume da lagoa. a) Taxa de aplicação superficial A área requerida para lagoa é calculada em função da taxa de aplicação superficial Ls. Além disso. baseados na experiência adquirida em diversas regiões do país. e 100l/hab. Regiões tropicais. E evaporação. permitem a adoção de taxas bem elevadas. sem coberturas de nuvens sazonais. CRITÉRIOS DE PROJETO Os dois principais parâmetros de projeto das lagoas facultativas são: • • Taxa de aplicação superficial tempo de detenção. P precipitação. exposição solar.DBO/ha. de abordagem essencialmente simplificada. A = L/Ls Onde: A = área requerida para a lagoa (ha) L = carga de DBO total (solúvel + particulada) afluente (kgDBO5/d) Ls = taxa de aplicação superficial (kgDBO5/ha. No entanto. sem cobertura de nuvens prolongadas. a vazão fluente. kg. Qe vazão efluente. como produção de algas em função da radiação solar. Para cada um deles existem alguns modelos matemáticos que permitem projetar as lagoas facultativas com base em métodos conceituais. Locais com clima e insolação extremamente favoráveis. pode-se estabelecer que Qa + P = Qe + E + I • tempo de detenção: o tempo de detenção hidráulico tem variado de acordo com a taxa de aplicação de carga orgânica adotada. contribuição de 50g. Ambos os critérios são basicamente empíricos. como o nordeste do Barsil. Infiltração (a infiltração pode ser controlada pela colocação de uma camada de argila de 5 a 10 cm. eventualmente superiores a 300 kgDBO5/ha. expressa em ha).d. Admite vazão efluente igual à afluente. 50 – 150 1000 – 3000 100 –33 • equilíbrio hidráulico: sendo Qa vazão afluente. altitude e outros.d) A taxa a ser adotada varia com a temperatura local. o que implica em POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 70 . tendo caráter meramente indicativo.Regiões temperadas a semi-tropicais. A tabela 5.d. de espessura). latitude. A taxa é expressa em termos da carga de DBO (L.d. cobertura de gelo ocasional. tais métodos fogem ao escopo do presente texto. expressa em kgDBO5/d) que pode ser tratada por unidade de área da lagoa (A. os métodos empíricos têm sido tradicionalmente utilizados em nosso meio.2 relaciona esses parâmetros.

adotam-se tempos de detenção variando de: t = 15 a 45 dias Os menores tempos de detenção podem ser adotados em regiões em que a temperatura do líquido seja mais elevada.d Mara e Pearson (apud van Buuren et al. no caso de se necessitar de grandes lagoas depende essencialmente das condições locais.072T (T = temperatura média do ar. e alta concentração de DBO).menores áreas superficiais da lagoa. o tempo de detenção requerido é função da cinética da remoção da DBO e do regime hidráulico da lagoa. Em locais com esgotos concentrados (baixa vazão per capita de esgotos. Usualmente. ºC) Ls = 350 × (1. media do líquido no T. locais de clima temperado requerem taxas de aplicação inferiores a 100 kgDBO5/ha. Por outro lado. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 71 .média do ar (ºC) Ls (kgDBO5/ha.Q onde: V = volume requerido para a lagoa (m3) T = tempo de detenção Q = vazão média afluente (m3/d) O tempo de detenção requerido varia também com as condições locais. tem-se adotado taxas variando de: • • • Regiões com inverno quente e elevada insolação: Ls = 240 a 350 kgDBO5/ha. notadamente a temperatura. Além disso. 002 × T) (t-25) (T = temperatura media do líquido no mês mais frio. A desejabilidade de se adotar sistemas mais compactos.d. segundo as equações acima: T. tem-se as seguintes taxas de aplicação.d) Ls (kgDBO5/ha.d Regiões com inverno frio e baixa insolação: Ls = 100 a 180 kgDBO5/ha. V = t. Em nosso país. 1995) e Mara (1996) apresentam as seguintes relações entre a taxa de aplicação superficial Ls e a temperatura T: • • Ls = 50 × 1. a partir do qual o sistema de lagoas facultativas se torna inviável. b) Tempo de detenção O volume requerido para a lagoa pode ser calculado com base no tempo de detenção adotado e na vazão de projeto. o tempo de detenção tende a ser elevado.d Regiões com inverno e insolação moderados: Ls = 120 a 240 kgDBO5/ha.d) mês mais frio (ºC) 15 142 15 167 20 201 20 253 25 284 25 350 30 403 30 440 Não ha um valor máximo absoluto de área. O tempo de detenção é expresso em dias. alcançando-se com isso uma redução no volume requerido para a lagoa. ºC) (Mara e Pearson) (Mara) Para diferentes valores de T.072 – 0.

H). 1994. ou no corpo receptor. deve-se aumentar o volume. As lagoas de maturação constituem-se numa alternativa bastante econômica à desinfecção do efluente por métodos mais convencionais. Com o valor de t. organismos predadores. Como a área A já foi determinada com base no critério da taxa de aplicação. calcula-se o volume V (V=A. de qualquer sistema de tratamento de esgotos. em terrenos mais amplos.2 – Descrição do Processo O ambiente ideal para os microorganismos patogênicos é o trato intestinal humano.Os critérios de taxa de aplicação superficial e de tempo de detenção são complementares . ou seja. como temperatura. comparadas aos demais tipos de lagoas. isolação. tendo-se H e A. o tempo de detenção t (t=V/Q). os patogênicos tendem a morrer. e não da remoção adicional de DBO. o tempo de detenção.Q). pode-se (van Haandel et Lattinga. O principal objetivo das lagoas de maturação é o da remoção de patogênicos.5) • Elevada concentração de OD (favorecendo uma comunidade aeróbia. a área e o volume obtidos devem ser coerentes. pH. Vários destes mecanismos se tornam mais efetivos com menos profundidades da lagoa. segundo os critérios do Item c. 1995): • • Radiação solar (radiação ultra-violeta) Elevado pH (pH > 8. Após ter sido adotado t. e em decorrência. A lagoa de maturação é dimensionada de forma a fazer uma utilização ótima de alguns destes mecanismos.1 – Introdução As lagoas de maturação possibilitam um polimento no efluente de qualquer dos sistemas de lagoas de estabilização descritos anteriormente ou. Dentre os mecanismos associados à profundidade da lagoa. competição. O tempo de detenção pode ser utilizado em uma das seguintes duas formas: • Adotar t como um parâmetro explícito de projeto. calcula-se V (V = t. Caso a concentração efluente não satisfaça os requisitos. mais eficiente na competição por alimento e na eliminação dos patogênicos). 72 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . compostos tóxicos etc. o que justifica o fato de que as lagoas de maturação sejam mais rasas. Diversos fatores contribuem para tal. no tratamento de esgotos. quer na rede de esgotos. Adotar um valor para a profundidade H. pode-se calcular H (H=V/A). • 6 – LAGOAS DE MATURAÇÃO 6. e verificar se o mesmo encontra-se dentro da faixa apresentada no Item e. como a cloração. Fora deste. escassez de alimento. van Buuren et al. estima-se a concentração efluente de DBO (ver Item 6). 6. ou seja.

É importante diferenciar os conceitos de lagoa aerada. Em assim sendo. onde o suprimento de oxigênio é realizado artificialmente por dispositivos eletromecânicos.As lagoas de maturação devem atingir elevadíssimas eficiências na remoção de coliformes (E > 99. garantindo as reações bioquímicas que caracterizam o processo. resultando na elevação do pH.99%).9 ou 99. as lagoas usualmente atingem eliminação total de helmintos. para que possam ser cumpridos os padrões para utilização do efluente para irrigação ou os padrões para corpos d’água. As chicanas podem ser construídas com taludes.5 m das lagoas de maturação. que forcem um percurso em zig-zag) células em série (preferencialmente 3 ou mais) As lagoas de maturação são usualmente projetadas com baixas profundidades. ou com lona ou membranas plásticas apoiadas em estruturas como cercas internas. de forma a evitar sobrecarga orgânica: 75% da taxa de aplicação na lagoa facultativa precedente. e lago ou rio aerado: no primeiro caso se POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 73 . com a finalidade de manter uma concentração de oxigênio dissolvido em toda ou parte da massa líquida. que pode ser alcançado numa lagoa com chicanas através de defletores.8 a 1. 1981). com madeira.d) máxima na primeira lagoa de maturação.1 – Conceito As lagoas aeradas constituem uma modalidade de processo de tratamento através de lagoas de estabilização. de forma a evitar curto-circuitos e varrimento de algas: 3 dias. cistos e ovos (Arceivala. de forma a maximizar os efeitos bactericidas da luz solar. Mara (1996) propõe ainda a observação aos seguintes critérios: • • Tempo de detenção mínimo em cada lagoa. 6. Com relação aos outros organismos de interesse na saúde pública. em função da classe a que pertencem (Resolução CONAMA Nº 20). bem como da fotossíntese. Taxa de aplicação superficial Ls (KgDBO5/ha. a introdução de chicanas ou divisórias é facilitada. deve ser levada em consideração nos cálculos a prévia remoção de coliformes nas unidades de montante (ex: lagoas facultativas). Ao se dimensionar as lagoas de maturação. mas não bem representados pelos coliformes. 7 – LAGOAS AERADAS 7.3 – Critérios de Projeto A necessidade de elevadas eficiências faz com que o regime hidráulico a ser adotado para as lagoas de maturação seja direcionado para favorecer esta maior eficiência. as lagoas de maturação devem se conformar a uma destas configurações: • • fluxo em pistão (percurso predominantemente longitudinal. Valores comumente adotados são: Profundidade H: 0.

Assemelham-se completamente às lagoas de estabilização fotossintéticas. como uma tentativa de abrandar a carga poluidora não assimilada pela coleção de água cuja qualidade se pretende melhorar. aeradas e lodos ativados convencionais. geralmente de aeração prolongada (lodos ativados). o que diferencia as lagoas aeradas das lagoas facultativas fotossintéticas é que nas primeiras a redução pela ação fotossintética é quase desprezível (o aporte de oxigênio pela redução fotossintética é da ordem de 10%). da mesma forma que as lagoas clássicas de estabilização. constituídas em terra. removendo a carga orgânica efluente de outras unidades de tratamento. em série. Os fatores de maior influência na seleção deste processo são a área adequada disponível. e particularmente em casos especiais de despejos industriais. que ocorre também nos demais processos biológicos. Tabela 7.1). a fonte de energia elétrica e. devido ao fornecimento. 7. contínuo de oxigênio. Já a população bacteriana nas lagoas aeradas é um pouco maior que nas lagoas facultativas fotossintéticas. que chega a ser até cinco vezes maior do que a necessária para que as lagoas aeradas. Uma característica importante do processo. no caso de lagos e rios aerados prevê-se alguma forma de aeração no corpo receptor. mantidas evidentemente as diferenças típicas relativas ao processo. As lagoas aeradas por sua vez. resultado das pequenas profundidades exigidas naquele tipo de lagoas. permitem adotar maiores profundidades. é que a degradação da matéria orgânica se dá predominantemente pela ação das bactérias. O processo de lagoas aeradas é utilizado para o tratamento de esgotos domésticos e de despejos industriais com elevado teor de substâncias biodegradáveis. obviamente. Nesse aspecto. Em ambos os casos.2 – Características das Lagoas e Aplicabilidade As lagoas aeradas são. menor tempo de detenção. o tempo de detenção se situa em uma faixa intermediária entre os dois processos (Tabela 7. O uso de lagoas de estabilização facultativas (fotossintéticas) apresentam como principal desvantagem a grande área ocupada. porém muito menor ainda que no processo de lodos ativados. Estas vantagens permitem as seguintes concepções de projeto: • • • somente unidades de lagoa aerada. e às características construtivas recomendadas em função do tipo de suprimento de oxigênio (aeração). ocorrem fenômenos físicos distintos e comportamento bioquímico similar. Em decorrência. e devido à capacidade de misturação dos equipamentos de aeração. resultando conseqüentemente menor área ocupada. dia e noite.e lagoas de polimento. e da modalidade do processo. quase sempre. similares aos tanques de aeração do processo de lodos ativados. Parâmetro e Unidade Lagoas lagoas aeradas lodos ativados 74 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . lagoas aeradas seguidas de lagoas facultativas ou de decantação. do escoamento hidráulico.1 – Valores usuais de confronto entre os processos de lagoa de estabilização facultativas. Em função de seu desempenho o processo de tratamento de lagoas aeradas se mantém entre o de lagoas facultativas fotossintéticas e o de lodos ativados na modalidade de aeração prolongada.objetiva reduzir a carga poluidora antes do lançamento nos corpos receptores. ou eventualmente em concreto armado. os custos de implantação e operação.

0 – 4.000 – 3.000 Profundidade m 1.0 3.0 3.000 Remoção de DBO % 80 – 90 90 – 95 (*) 90 – 95 (solúvel) (*) 60 – 70% para a DBO total das lagoas aeradas não seguidas de lagoas de decantação.DBO/ha.desempenho facultativas convencionais População bacteriana mg/l 50 200 2.d 100 – 300 1.000 (SSV) Tempo de detenção dias 10 – 50 200 2.0 – 4. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 75 .0 Carga orgânica aplicada kg.0 – 2.

REATOR afluente BIOLÓÓGICO RECIRCULAÇÃO POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA SEPARADOR DE SÓLIDOS EFLUENTE TRATADO 76 . O processo possui uma unidade de aeração seguida por uma unidade de separação dos sólidos. através de difusores dentro da mistura lodo/líquido. de onde o lodo separado é parcialmente retornado ao tanque de aeração para mistura com as águas residuárias e o restante é descartado do sistema. levando a produtos de metabolismo. Outros fatores ambientais. magnésio. ao CO2 e H2O. Os microrganismos ao ingressarem no reator biológico encontram condições ambientais favoráveis ao seu desenvolvimento. em presença de oxigênio. mantido em suspensão por uma aeração adequada e durante um tempo suficiente para converter uma porção biodegradável daqueles resíduos ao estado inorgânico. sob condições de turbulência. que metaboliza as substâncias orgânicas. No processo de tratamento emprega-se uma elevada população microbiana (biomassa) confinada num dado equipamento (reator). é feita através do emprego de um microflora altamente heterogênea (biomassa). cálcio. enquanto o remanescente é convertido em lodo adicional. O oxigênio é normalmente proveniente de bolhas de ar injetado. O lodo ativado é constituído por colônias de microrganismos em suspensão. tal como se observa nos cursos d’água. Assim a remoção da poluição devida aos compostos de carbono.CAPITULO VII – LODOS ATIVADO 1 – INTRODUÇÃO O processo de lodos ativados consiste essencialmente da agitação de uma mistura de águas residuárias com um certo volume de lodo biologicamente ativo. ou por aeradores mecânicos de superfície. permitem a esses organismos se reproduzirem mais rapidamente. em um líquido que contém. etc). em solução. como temperatura adequada. é um fenômeno de degradação bacteriana. ou outros tipos de unidades de aeração. O processo biológico de tratamento. fósforo. Há alimento em abundância (matéria orgânica) e oxigênio dissolvido fornecido pelos aeradores. matéria orgânica que lhes serve de alimento. O processo de lodos ativados pode ser definido como um sistema no qual uma massa biológica que cresce e flocula é continuamente circulada e colocada em contato com a matéria orgânica do despejo líquido afluente ao sistema. agrupando-se em colônias (flocos) que permanecem em suspensão devido à turbulência causada pelos dispositivos de aeração. nutrientes básicos e oxigênio dissolvido. sendo o oxigênio suprido de forma intensiva (aeradores). além de nutrientes básicos encontrados nos esgotos (nitrogênio.

remoção mais lenta da matéria orgânica solúvel da solução pelos microrganismos. Para a estabilização da matéria orgânica. a.anaerobiose C6H12O6 3 CO2 + 3 CH4 34 cal/mol . Bactérias: as bactérias podem ser consideradas como a base do floco do lodo ativado. 1 As reações que ocorrem no processo podem ser resumidas nas seguintes etapas: • remoção inicial de sólidos em suspensão e coloidais por aglomeração física. b. novos microrganismos. floculação e por absorção dentro dos flocos biológicos. a produção celular é muito mais acentuada em fase aeróbia. Considerando o exemplo da glicose: . a desnitrificação pode ocorrer na unidade de separação dos sólidos. Fungos: não estão presentes em grandes quantidades nos sistemas de lodos ativados operados adequadamente. Todos eles se relacionam através de uma cadeia alimentar: bactérias e fungos decompõem o material orgânico complexo e através dessa atividade se multiplicam servindo como alimento aos protozoários os quais. e estão universalmente presentes no processo de lodos ativados. em condições anóxicas. e o processo de oxidação da matéria orgânica mais rápido. A fração orgânica é então decomposta por processo biológico aeróbio. Esta é a reação em dois estágios. fungos e mesmo fragmentos maiores dos flocos de lodos ativados. • • 2 – POPULAÇÃO MICROBIANA DOS LODOS ATIVADOS Os lodos ativados consistem de agregados floculentos de microrganismos e materiais orgânicos e inorgânicos. larvas de insetos e certos vermes. tanto estrutural como funcionalmente. os produtos finais (CO2. resultando pela oxidação. Os microrganismos considerados incluem bactérias.EXCESSO DE LODO DO LODO BIOLÓGICO Fig. iniciando-se com a oxidação de amônia a nitrito e posteriormente à nitrato (quando a nitrificação ocorre no tanque de aeração. por sua vez. quando condições adequadas existem no sistema. os fungos são tão eficientes quanto as bactérias. Ocorrem em pH baixo e na falta de nitrogênio.aerobiose 6 O2 + C6H12O6 6 CO2 + 6 H2O 648 cal/mol Esta energia liberada torna possível o processo de reprodução/multiplicação microbiana. H2O) e pela síntese. com a formação de N2. A oxidação bioquímica por via aeróbia é mais exotérmica do que a reação por via anaeróbia. mas a sua presença como organismos POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 77 . fungos. são consumidos pelos metozoários que também podem se alimentar diretamente de bactérias. também ocorrerá a nitrificação. Assim. resultando os produtos finais (CO2. protozoários e metazoários como rotífero. Uma bactéria aeróbia duplica-se em cerca de 20 minutos. H2O e novas células).

seguem com o efluente final do processo. pode-se partir de uma cuba de água (limpa) onde é introduzida uma pequena parcela de esgoto doméstico (Fig. c. os protozoários são os organismos mais numerosos do lodo ativado. é indicadora de boa eficiência do sistema de lodos ativados. Na ausência de protozoários. O principal grupo de protozoários encontrados nos lodos ativados são ciliados. 2). que geralmente são associados a lodos de sistemas com bom nível de depuração. d.predominantes no lodo cria dificuldades na separação do lodo líquido no decantador secundário. quando se tem condições de operação do processo. expressa pela DBO. só os micrometazoários tem condições para se desenvolverem num ambiente com turbulência. pode-se representar o crescimento dos microrganismos e a queda da matéria orgânica. Pesquisas também sugerem que a ação predatória por parte dos protozoários é o principal mecanismo pelo qual bactérias livres são removidas do efluente. um grande número de bactérias que não floculam e. Metazoários: dentre os metazoários. porém o seu número decresce grandemente quando uma população de protozoários ciliados está presente nos lodos. enquanto que a indução da floculação pelos protozoários é de importância secundária. permitiram concluir que. como verificado no processo de lodos ativados. em particular os pertencentes aos gêneros Philodina e Rotária.1: Figura 2 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 78 . experiências desenvolvidas. Após mistura e uma oxigenação da massa líquida. conseqüentemente não sedimentaram. associados ou não aos nematóides. 3 – DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO Para desenvolver um processo de lodos ativados. conforme figura 3. Protozoários: depois das bactérias. mantendo-a homogênea. A presença de Rotíferos. Os metazoários mais freqüentes no processo de lodos ativados são os Rotíferos. Eles normalmente representam aproximadamente 5% do peso seco dos sólidos em suspensão presentes no tanque de aereção.

1 As principais fases são: a. No entanto. d. c. com baixos níveis de energia). também. NH3. e. com uma massa orgânica compatível com a massa biológica ativa existente na cuba. Fase estacionária (CD): o equilíbrio de microrganismos e matéria orgânica disponível não permite um aumento na massa de microrganismos. como mostra a fase FG. f. a velocidade de crescimento dos microrganismos decresce até estacionar. na utilização da matéria orgânica (GH) que ocorre indefinidamente. h. muito embora a matéria orgânica continue a ser consumida. Fase de crescimento decrescente (BC): nesta fase. Fase de crescimento logarítmico (AB): nesta fase o crescimento dos microrganismos ocorre na presença de grandes quantidades de alimentos. Queda da matéria orgânica (FG): enquanto ocorre o crescimento e o declínio da massa biológica. com a introdução dos esgotos haverá um efluente da cuba que conterá a massa líquida com os microrganismos que necessitarão ser removidos numa unidade de separação de sólidos em suspensão (lodo POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 79 . A introdução de uma certa quantidade de esgotos.Figura 3. b. a matéria orgânica é consumida para os processos de síntese (reprodução de novas células) e respiração ou oxidação (transformação da matéria orgânica com elevados níveis de energia em compostos mais simples como CO2. Fase de crescimento (DE): o consumo de matéria orgânica leva uma condição de escassez de alimento e ao início da auto-oxidação dos microrganismos (fase endógena). Com a introdução de uma agitação/aeração na cuba. para aquela população biológica. em decorrência da grande massa de microrganismos formada e da diminuição do substrato disponível. será provida a necessária a massa de O2 para os microrganismos.fará com que as condições de desenvolvimento daqueles microrganismos venha a ocorrer no ponto escolhido da curva AE. Há uma fase estacionária. g. pois representa a matéria orgânica não biodegradável. H20.

POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 80 . e a massa de microrganismos (Xv = SSVTA) presente no reator biológico. as chamadas aeração prolongada e o sistema convencional. mede a relação entre o alimento disponível no afluente (F = food). mg/l) DBO5 afluente (Kg/m3. A taxa F/M. r onde: − − − − − − − − − volume no tanque de aeração (m3) vazão afluente (m3/dia) vazão de descarte de lodo (m3/dia) vazão de recirculação de lodo (m3/dia) SSVTA = sólidos suspensos voláteis no tanque de aeração (Kg/m3) sólidos suspensos voláteis no lodo de retorno (Kg/m3) sólidos suspensos voláteis no efluente final (Kg/m3) DBO5 afluente (Kg/m3.1 – Relação F/M ou fator de carga É o principal parâmetro de projeto pelos métodos empíricos e racional do processo de lodos ativados. como também é chamada. Sistema com tanque de aeração de mistura completa. 4. apresenta alguns parâmetros de controle que também são utilizados para o seu dimensionamento pelo método empírico. A figura 3. Sua unidade é Kg DBO5/KgSSVTA x dia. Xv. expresso em termos de carga orgânica. Xv.2 ilustra a remoção do lodo e o seu retorno ao tanque de aeração (cuba) bem como os demais parâmetros envolvidos no processo. mg/l) 4 – PARÂMETROS DE CONTROLE E VARIAÇÕES DO PROCESSO DE LODOS ATIVADOS O processo de lodos ativados em suas diversas variações.biológico). Se Qr. sendo usual adotar-se dia – 1. O processo ainda apresenta um excesso de lodo que necessita ser descartado para tratamento e disposição final. Xv V. das quais serão tratadas neste texto.

Qw Onde Xv e Xv.3 – Idade do Lodo. como a composição da água residuária. assim como a taxa F/M.5 – Produção de Lodo em excesso O lodo em excesso de um processo de lodos ativados é função de diversas variáveis. Na prática obtém-se o IVL de um lodo pela expressão: IVL = onde: RS SSTA : : teor de resíduo sedimentável em ml/l. o pH. Praticamente é obtida pela relação entre a massa total de lodo no tanque de aeração e a massa de sólidos descartada por dia. θc A idade do lodo representa o tempo médio de retenção celular ou ainda o tempo médio que uma partícula (lodo biológico) permanece no sistema de tratamento (tanque de aeração e sistema de separação e retorno do lodo). os tipos de microrganismos no tanque de aeração. V em m3. RS SSTA 4. concentração em g/l dos sólidos em suspensão totais no tanque de aeração. a temperatura. Qw em m3/dia e θc em dias. Sua unidade é Kg/m3.4. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 81 . a relação F/M e a idade do lodo. O produto de Xv ou SSVTA pelo volume do tanque de aeração resulta na massa total de microrganismos (M) disponível para oxidar a matéria orgânica dos despejos.r .25 a 0.4 – Índice Volumétrico de Lodo ou Índice de Mohlman (I V L) É o volume ocupado por um grama de lodo após decantação do líquido em aeração por um período de 30 minutos. Experimentos demonstraram que o excesso de lodo num processo de lodos ativados varia na faixa entre 0. Esta relação desconsidera o valor de Xe que é a concentração de sólidos suspensos no efluente final. A concentração de sólidos em suspensão voláteis no tanque de aeração representa a massa biológica ativa na degradação da matéria orgânica. 4. V Xv. após 30 minutos de sedimentação em Cone Imhoff ou cilindro graduado.2 – Concentração de SSVTA ou Xv Este parâmetro. θc = Xv . Sua unidade é ml/g. quanto menor será a relação Qr/Q.r em Kg/m3.8 Kg SS/Kg DBO removida. 4. é adotado no desenvolvimento do projeto pelo método empírico.

Para a nitrificação de NNH3 a NNO3 são gastos 4.15 2400 a 4800 3000 a 6000 0. convencional e aeração prolongada. na respiração endógena e na nitrificação.0 KgO2/kgDBO e para aeração prolongada entre 2. relacionada com a carga orgânica dos despejos. Assim.0 e 2.5 a 2. para lodos ativados convencional. para os dois processos de lodos ativados em estudo. no caso de lodos ativados convencional.5 e 2.57 KgO2/1 Kg NNO3. Quando a aeração se faz com a insuflação de ar deve. T= onde: V : Q : t : volume do tanque de aeração vazão dos efluentes tempo de detenção hidráulico V Q 4.0 mg/1. O tanque de aeração deve ter um residual de 02 entre 0. na oxidação. Tabela 4. A prática tem mostrado que existe uma quantidade de 02.7 1200 a 3200 1500 a 4000 0. sem considerar no cálculo a vazão de recirculação.5 KgO2/Kg D B O. no mínimo. e 3.3 a 0.6 .07 a 0. no caso de lodos ativados convencional.0 Kg02/Kg D B O quando houver nitrificação (θc > 20 dias).7 – Necessidade de oxigênio O oxigênio é utilizado em todas as fases do processo de degradação aeróbia da matéria orgânica.3 a 0. PARÂMETROS Idade do Lodo – θc F/M SSVTA = 0. quer na síntese. a 125 m3 ar/Kg DBO5.1 são apresentadas as faixas de variação de valores para os parâmetros mencionados.45 100 a 300 16 a 48 80 a 120 82 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA .1: Parâmetros Operacionais e de Projeto para o processo de Lodos Ativados.Tempo de detenção hidráulica É definido como o tempo de detenção hidráulica dos efluentes no tanque de aeração. necessita-se de 1. onde a nitrificação e respiração endógena são significativas.15 a 0.6 25 a 50 4a8 80 a 150 AERAÇÃO PROLONGADA 15 a 30 0.8 SSTA SSTA CV = F/M x SSSVTA Qr/Q V/Q IVL (ideal) UNIDADE DIAS KG DBO/Kg SSVTA x dia mg/l mg/l Kg DBO/m3 x dia % ~ ml/g SISTEMA CONVENCIONAL 4 a 10 0.4. Na tabela 4. a 125 m3 ar/Kg DBO5 no caso de aeração prolongada. atender à demanda de 60 m 3 ar/Kg DBO.

evitando sua sedimentação. por oxigênio puro. % - 1. mas somente uma efetivamente concretizada. com entrada e saída lateral. através do artifício da recirculação do lodo. sendo este último processo raramente usado.0 0. Os decantadores. Um terceiro sistema. vem tendo algum avanço no país.8 85 a 95 não 2. haja visto que em algum ponto do reator biológico está sendo introduzida uma vazão de efluentes (matéria orgânica) e o lodo de retorno (microrganismos). por se referirem a um sistema de tratamento classificado como secundário. podem ser de vários tipos: retangulares. Para o dimensionamento do decantador secundário deverão ser observados os seguintes parâmetros: POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 83 .0 0.25 a 0. e mais do que manter os sólidos em suspensão. 6 – SEPARAÇÃO DOS SÓLIDOS As características dos sistemas de aeração fazem com que o líquido que sai do reator biológico seja uma amostra representativa do seu conteúdo e portanto. que necessita ser separado de forma a garantir a qualidade do efluente final e promover a manutenção de altas concentrações de sólidos suspensos no tanque de aeração. motivo pelo qual apenas serão abordados os decantadores. quer na determinação das dimensões do tanque de aeração. garantindo uma homogeneização da massa líquida a mais perfeita possível. A combinação dos dois primeiros sistemas seria uma quarta maneira de se promover a aeração na massa líquida.0 a 3. Vale observar que a aeração tem 3 objetivos básicos que devem ser satisfeitos na elaboração do projeto. a matéria orgânica e os flocos biológicos.Necessidade de 02 Excesso de Lodo Eficiência na remoção de DBO5 Nitrificação KgO2/KgDBO5 Kg SS/Kg DBO5remov.5 a 2. existindo várias tentativas de introduzí-lo. manter um contato muito estreito e freqüente entre o oxigênio.5 a 0. proveniente do separador de sólidos. b) promover agitação na massa líquida de forma a manter os sólidos em suspensão. As três funções básicas são: a) introdução de oxigênio e sua difusão na massa líquida. mas não é muito difundida.6 90 a 98 possível 5 – SISTEMA DE AERAÇÃO Os sistemas de aeração utilizados no nosso país resumem-se a dois tipos: aeração por ar difuso e aeração por agitação mecânica (aeradores superficiais). apresenta elevadas concentrações de sólidos em suspensão (SSTA) ou lodo biológico. quer no estabelecimento do tipo e das características do equipamento de aeração. quadrados e circulares. compatíveis com a massa orgânica afluente. realizada em unidades de flotação a ar dissolvido. ou a flotação. Os processos usados na separação do lodo biológico são a sedimentação realizada em decantadores. chamados secundários. com dispositivos de remoção do lodo sedimentado (raspadores) ou com poços de adensamento de lodo.

h • • vazão máxima: lodo ativado convencional: < 9 Kg SS/m2 . Para decantadores retangulares • relação comprimento/largura : > 2 : 1 • relação comprimento/altura : > 4 : 1 • relação largura/largura :>2:1 • velocidade de escoamento horizontal : < 20 m/s • com remoção hidráulica de lodo: .4 da altura lateral (com remoção mecanizada) ou 0. dia aeração prolongada: 24 a 32 m3/m2 . . g.vazão média: • lodo ativado convencional: 16 a 32 m3/m2 . Taxa de aplicação superficial .inclinação das paredes do poço de lodo > 60º com a horizontal .0 m (com remoção mecanizada de lodo) d. Tempo de detenção • é um parâmetro de verificação.0 m . dia • • vazão máxima: lodo ativado convencional: 40 a 48 m3/m2 .4 da altura lateral mais terço superior do poço de lodo (caso de remoção hidráulica). • velocidade descensional do líquido: < 1 m/s POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 84 .30 do diâmetro do decantador • altura de submergência do poço de entrada: 0.20 a 0.volume útil: volume do terço superior do poço de lodo de mais o volume da seção reta. dia • aeração prolongada: 8 a 16 m3/m2 .0 h para vazão média • máximo: 6.vazão média: • lodo ativado convencional: 3 a 6 Kg SS/m2 .h • aeração prolongada: 1 a 5 Kg SS/m2 .h aeração prolongada: 24 a 32 < 7 Kg SS/m2 .h c.0 h para vazão média e. Altura lateral • mínima: 2.a. x dia f.carga hidrostática: > 1. Carga de sólidos . Para decantadores circulares • diâmetro do poço de alimentação: 0. dia b.0 m e 5 vezes a perda de carga hidráulica calculada para água. não de dimensionamento • mínima: 2. Taxa de escoamento através do vertedor de saída • menor que 290 m3/m vert.diâmetro ou diagonal < 7.

devem ser colhidas com critério para que representem as condições médias do fluxo. Sólidos Suspensos no Tanque de Aeração (SSTA) 85 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . oxigênio dissolvido. as tarefas do operador mais comuns são as de inspecionar visualmente a recirculação de lodo. removendo os possíveis materiais ou resíduos existentes. testando-os. sem interrrupção. 7. pH.2 – Rotina de operação e procedimentos de controle das unidades.1 – Tanque de aeração O tanque de aeração é a unidade do sistema de tratamento que requer a maior atenção do operador. segundo as especificações do fabricante. Determinações de vazões afluentes. bem como o decantador secundário. b) verificar se todos os equipamentos instalados estão devidamente lubrificados. Ler e registrar o volume ocupado pelo lodo sedimentado o cilindro. d) encher o tanque de aeração com água limpa. a. temperatura e sólidos sedimentáveis.2. f) iniciar a introdução de parte dos efluentes no tanque de aeração que poderá receber também lodo de fossas sépticas ou lodos ativados de outro processo. e) acionar todos os equipamentos para verificação final dos seus funcionamentos. 7. Parâmetros de Operação Teste de Sedimentação “30 minutos” O teste de sedimentação de 30 minutos é uma aproximação razoável do que está acontecendo no decantador.7 – OPERAÇÃO E CONTROLE 7. h) o sistema de recirculação de lodo opera continuamente. coletar amostras e efetuar análises de rotina.000 ml. c) verificar todo o sistema elétrico. a coloração do volume do tanque. Os resultados destes testes são usados para determinar o índice volumétrico do lodo (IVL). Valores entre 250 e 400 ml/l são considerados satisfatórios. As amostras que forem coletadas para serem enviadas a laboratório especializado. g) acompanhar o crescimento de lodo no tanque de aeração ao mesmo tempo em que vai-se aumentando gradativamente a vazão dos efluentes até atingir a vazão total.1 – Procedimentos de Start-up (partida) a) proceder rigorosa limpeza de todos os tanques. b. bem como se não há vazamentos em tubulações e nos tanques. O aerador deve ser inspecionado e sofrer manutenção periódica. A amostra é colocada cuidadosamente dentro de um cilindro graduado. deixando em repouso por 30 minutos. devem ser feitas diariamente e passadas em um boletim diário de operação da estação. Sob condições normais de operação. de 1.

O teste de pH pode ser feito na amostra de sedimentação do sobrenadante ou no efluente do decantador e deverá ser feito diariamente. dividindo o resultado do teste de sedimentação de 30 minutos pelo resultado do teste de SSTA.000 mg/l são considerados satisfatórios. Quando for estabelecida a concentração ideal de sólidos suspensos da instalação.400 mg/l = 3. e. 7. Índice volumétrico de Lodo (IVL) O índice volumétrico de lodo é obtido.2 – Recirculação do Lodo Operação Normal POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 86 . Temperatura A temperatura de operação tem um efeito notável no desenvolvimento da instalação. A amostra deverá ser coletada no mesmo tempo que for coletada a amostra para o teste de sedimentação de 30 minutos.0 e 8. A temperatura pode influir nas atividades das bactérias.000 a 4. No caso do oxigênio dissolvido ultrapassar 3 mg/l. facilitar a introdução do oxigênio na mistura líquida e a sedimentação dos sólidos no tanque de decantação.4 = 111 ml/l d. esta deverá ser mantida dentro de uma faixa razoavelmente estreita. Os testes de OD deverão ser feitos em diferentes secções dos tanques de aeração para assegurar que o valor seja mantido. Exemplo: Volume lodo teste 30 minutos = 380 ml/l SSTA = 3. pode-se diminuir a submergência das pás do aerador.Este é um teste executado no líquido em aeração e é normalmente feito por técnico especializado em um laboratório bem equipado.4 g/l IVL = 380 + 3. Os aeradores foram dimensionados para fornecer suficiente introdução de oxigênio no tanque de aeração. f. c. A quantidade de sólidos suspensos no tanque de aeração pode variar consideravelmente. Oxigênio Dissolvido no Tanque de Aeração Este é um teste que pode ser executado pelo operador no local. mas valores compreendidos entre 2. requer o mínimo de equipamento e é relativamente simples de ser feito.2. Valores compreendidos entre 7. pH É importante que o pH seja mantido no nível adequado.0 são considerados satisfatórios.

A observação da superfície do líquido diariamente pode detectar a presença de lodo flutuante. o que certamente acarretará condições anaeróbias. A operação restringe-se à determinação de sólidos sedimentáveis na entrada e saída do decantador para verificação da eficiência de funcionamento. que fluem para fora do tanque de aeração. precisam ser continuamente recirculados para manter uma população suficientemente grande para estabilizar os despejos. carga de DBO5. pode necessitar concentração mais alta ou mais baixa que deverá ser determinada nos testes experimentais. O valor de projeto é o ponto de partida durante o início da operação da instalação. prejudicando sensivelmente o funcionamento da unidade. A população é mantida em nível alto bombeando o lodo concentrado do tanque de decantação para o tanque de aeração.000 a 4. deve-se proceder a limpeza no leito. o líquido deve verter continuamente do tanque de aeração para o decantador e deste para o lançamento final.000 mg/l. Deve-se observar se as bombas de recirculação estão operando adequadamente. É importante controlar-se a recirculação do lodo. Taxa de Recirculação de Lodo A taxa para retorno tem o objetivo de manter a concentração de SSTA em 2. A taxa de recirculação do lodo é dada como 100% da vazão afluente. 7. Todo o material seco dever ser movido e a camada de areia reposta. A alteração da vazão. para que não haja acúmulo no decantador.Os microrganismos na mistura líquida. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 87 .3 – Decantador Secundário Em regime de operação normal. após o que deverão ser feitos os ajustes necessários. temperatura ou a composição do esgoto. que deve ser colhido e observado com atenção. Estando seco o lodo. pois suas características são importantes para o controle do tanque de aeração.2.

e aspectos econômicos desta destinação final. incluem diversas opções. para as características de lodo digerido e lodo seco. estimada para um período de tempo correspondente à vida de projeto do sistema de destino final. distribuição e venda. pode-se relacionar: • • • aterros sanitários. eventuais impactos e riscos ambientais. podendo abranger um âmbito apenas local ou regional. grau de desidratação. em volume. incineração.produção de compostos ou fertilizante organo-mineral. entre as quais: . características especiais que possam interferir com o sistema de disposição final. bem como as características geomecânicas do comportamento do lodo com vistas a seu possível lançamento em aterros sanitários. o destino final envolve estudos e decisões relativos ao condicionamento e estabilização do lodo gerado. restauração de terras. de natureza física. • • • Estas diversas opções admitem soluções individualizadas ou combinações de acordo com as características próprias da região em que se localizam as estações de tratamento. uso agrícolas. para cada cinco anos). . . • 2 – FORMAS DE DISPOSIÇÃO FINAL Entre as soluções possíveis para os sistemas de disposição final. reuso industrial. É possível ainda dispor-se o lodo dos esgotos conjuntamente com o lixo urbano e eventualmente com resíduos industriais e de desassoreamentos. quantidade de lodo gerado na estação de tratamento. capaz de atribuir características especiais ao lodo. eventual reuso de lodo.incorporação do lodo à fabricação de cimento e de produtos cerâmicos.produção de agregado leve para a construção civil. formas de transporte.aplicação no solo com fins agrícolas. .CAPITULO VIII – TRATAMENTO DO LODO GERADO EM ETE ACONDICIONAMENTO E DESTINO FINAL DO LODO 1 – CONCEITO O destino final do lodo gerado nas estações de tratamento tem-se apresentado como um dos principais problemas na cadeia “coleta – tratamento – disposição final”. química. e biológica. Os seguintes aspectos principais deverão ser bem conhecidos antes de se decidir sobre a forma e o local de destino final: • • • produção e caracterização do lodo gerado na estação de tratamento. A questão portanto não é simples. lançamento no oceano. presença de esgotos industriais no sistema. com diversas opções: . Na verdade. em peso seco e em peso úmido.aplicação em áreas de reflorestamento. e deve ser analisada sob uma ótica abrangente. esta estimativa deve ser conhecida para intervalos de tempo ao longo da vida de projeto (por exemplo. Em qualquer POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 88 .

Digestão: reduz a parcela de sólidos voláteis e biodegradáveis. mas eleva a massa de sólidos secos no lodo. e a disposição oceânica. seu uso como fertilizante. embora a digestão reduza o poder calorífico do lodo para a incineração. e que devem estar compatíveis com os planos urbanísticos e de uso do solo da região. Adensamento: aumenta o teor de sólidos do lodo e reduz seu volume. A digestão é a forma de estabilização mais indicada para lançamento em aterros sanitários e aplicação no solo. Tratamento Térmico: promove a total eliminação dos organismos patogênicos. diminui os riscos de contaminação atmosférica e reduz os problemas com a disposição das cinzas. Condicionamento: químico praticado pela adição de floculantes e cal. bem como uma parcela de nitrogênio e outras substâncias solúveis que são perdidas com o centrado ou filtrado nas unidades de desidratação mecânica. econômicos. • Compostagem: reduz a atividade biológica e pode eliminar totalmente os organismos patogênicos. legais. O pH elevado no lodo estabilizado quimicamente mantém uma solidificação dos metais pesados enquanto este pH for mantido. controla a putrescibilidade. Reduz temporariamente a atividade biológica. 89 POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA . Nos casos de prática de incineração do lodo. Pode ser realizada antes de lançamentos em aterros sanitários e aplicação no solo. No entanto. ou de polímeros. eleva a massa de sólidos secos a ser disposta fora (adição de cal e cloreto férrico por exemplo). • • • • • Extremamente favorável em relação aos custos de transporte. Reduz o peso e o volume de lodo a transportar. Torna viável as formas de aplicação do lodo no solo. Reduz o número de organismos patogênicos. Esta característica terá maior importância no caso de incineração do lodo. aumenta a necessidade de combustível auxiliar devido aos sólidos inertes adicionados. Aumenta a massa de sólidos secos pela adição de agentes de aceleração do processo. Do ponto de vista energético. Estabilização química: com cal. Geralmente só utilizado antes de utilização de lançamento em aterros sanitários que requeiram baixíssimo teor de umidade.dessas hipóteses. • Como resultado do pré-condicionamento o lodo apresentará características importantes para se considerar no planejamento do seu destino final como: • parcela de compostos orgânicos: normalmente medida pela concentração ou percentual de sólidos voláteis. Reduz custos de transporte até o local de destino final. Transforma o lodo em um material tipicamente como húmus. se deverá proceder a estudos técnicos. e no caso de incineração. eleva o pH. a digestão anaeróbica produz metano que pode ser utilizado. Desidratação: aumenta o teor de sólidos do lodo seco. A relação seguinte indica as principais vantagens dos diversos tipos e fases de précondicionamento: • Pretratamento industrial: reduz as concentrações eventualmente presentes de metais pesados e orgânicos presentes no solo. diminui a atividade biológica. Reduz também os custos de combustível para a incineração. 3 – PRÉ-CONDICIONAMENTO DO LODO Diversas formas de pré-condicionamento do lodo se mostram favoráveis a diferentes esquemas de destinação final. facilita as operações de desidratação. reduzindo seu volume. por transformação em material solúvel e gás. ambientais. Extremamente favorável em relação ao uso agrícola do lodo. reduz o número de organismos patogênicos e controla a putrescibilidade.

3 2.5 1.1 mostra alguns resultados típicos.0 Fósforo (%) 10 2. A medição da presença dos metais no lodo é normalmente feita com a indicação de massa/massa seca (mg/kg). SP (***) Tabela 3. A tabela 3. e potássio.3 1.000 NÚM/100 ml. e nos casos em que o potencial de produção de maus odores pode ser significativo.000-6. é sempre menor que o desejado nos fertilizantes para uso agrícola. ou doméstico mais industrial. deve-se ter em conta ainda que a presença destes componentes no lodo pode ser muito variável. São Paulo.3 0.1-0. LODO CRU 2. estrada de ferro. Em baixas concentrações estes metais agem como micro-nutrientes para o solo. O lodo pode ter no entanto um papel importante como condicionador do solo.000 3-62 0-1.000. e tubulação.3 • metais: o lodo das estações de tratamento pode conter metais em diferentes concentrações. 4 – TRANSPORTE DO LODO O transporte do lodo pode ser feito.000 30. LODO DIGERIDO 100-1. e vir a ter a distribuição de seus componentes melhorada pela produção de composto agrícola. a presença nos esgotos domésticos não ocorre em concentrações danosas ao ambiente ou ao homem.• • quando se deseja alto poder calorífico. aos animais. típico (*) Lodo seco ETE Penha..2 – Organismos no lodo. fósforo. no lodo dos esgotos domésticos. compostos orgânicos tóxicos: estão presentes em concentrações perigosas apenas no caso de contribuição de esgotos industriais perigosos. TIPO Vírus Coliformes Fecais Salmonella Ascaris Lumbricóides • NÚMERO/100 ml. dependendo do tipo de contribuição de esgotos. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 90 . no caso do lodo úmido. possível.500-70.000.1 – Nutrientes do lodo. por: • • • • caminhão tanque.2 apresenta faixas típicas destes indicadores. No caso do lodo seco esta última hipótese não é. Origem Fertilizantes.000 8.5-4. sendo o número de organismos coliformes (indicador geral) reduzido no processo de digestão anaeróbia. evidentemente. RJ (**) Lodo seco.000 1. se apenas doméstico. mas em concentrações mais elevadas podem ser tóxicos às plantas.000 200-1.000 Nitrogênio (%) 5 3. e ao homem.8 1.0-4. nutrientes: os valores típicos de nitrogênio.000. Tabela 3. e nos processos de secagem térmica. no cão da aplicação no solo.000. organismos patogênicos: são eventualmente presentes no lodo. barcaça. A tabela 3.0 Potássio (%) 10 0. típico (*) Lodo doméstico.

por força de lei. 5 – OS PRINCIPAIS PROCESSOS DE TRATAMENTO DE LODO SÃO: • • • • • Leito de secagem. hoje desativada. O sistema de disposição de lodo em lagoas resume-se no emprego de reservatórios feitos em terra ou em simples depósito de lodos em depressões do terreno. Filtros de esteiras. as diferenças de altitude. As barcaças têm sido usadas nos casos de disposição oceânica. em que a implantação de um sistema de bombeamento e tubulação onera os custos capitais. cujas as características evitem problemas com as fases de manuseio do lodo. Centrífugas. Neles se processa a redução de umidade com a drenagem e evaporação da água liberada durante o período de secagem. A disposição via ferroviária encontra aplicação nos casos de grandes distâncias. sendo no entanto em geral mais vantajoso para comunidades pequenas. como a melhor alternativa entre os processos naturais de secagem. No Rio de Janeiro existiu um “navio-lameiro”. Pode apresentar impactos ambientais pela passagem de vias urbanas centrais ou residenciais. as características da rota do transporte. O uso de caminhões apresenta vantagem de maior flexibilidade. como: características do lodo. as distâncias.1 – Leitos de secagem Os leitos de secagem são unidades de tratamento. etc.Na escolha da forma mais adequada de transporte. aeróbio e anaeróbio. São mais indicadas para volumes menores de lodo. Lagoa de lodo. os terrenos para passagem das tubulações. etc. os impactos ambientais. principalmente na operação de descarga e aplicação do lodo no solo. como é o caso dos Estados Unidos. em muitos casos. 5. e ainda que os gases e líquidos liberados pelo processo não afetem as condições ambientais. o volume do lodo. e se existir a facilidade de uma estrada de ferro entre os pontos de produção e de aplicação do lodo. estando sua indicação condicionada às facilidades portuárias. geralmente em forma de tanques retangulares. Filtros prensa. quando as tubulações submarinas apresentam maior custo capital. o teor de sólidos. o “Carioca”. carga e remoções. para alto-mar. 5. canais de navegação. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 91 . as facilidades das estradas . os inconvenientes da passagem por vias urbanas. O custo pode ser elevado. que transportava o lodo da antiga Estação de Tratamento da Glória. projetadas e construídas de modo a receber o lodo dos digestores. o peso úmido.2 – Lagoas de secagem de lodo As lagoas de secagem de lodo apresentam-se. A disposição oceânica do lodo está banida. há que se pesar os fatores de influência direta no custo deste transporte. em alguns países.

Os filtros de esteira apresentam como vantagem principal a operação contínua. permitindo obter uma torta seca com cerca de 15 a 25% de sólidos (75 a 85% de umidade). conseguindo-se uma captura entre 85 e 98% de sólidos na torta. POS GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA 92 . sendo recomendados para os casos em que se requer elevada redução de umidade. Estas últimas deverão ser dimensionadas para a vida útil do processo de tratamento adotado. operam com menor eficiência de remoção de umidade. com ou sem revezamento de aplicação. Uma rosca interna que gira no mesmo sentido do tambor com velocidade diferente.3 – Filtros Prensa Os filtros prensa constituem um equipamento de grande eficiência na desidratação mecânica do lodo. são empregados produtos químicos como condicionantes. cuja separação dos sólidos do líquido se dá através da deposição dos sólido. enquanto a parte líquida sai pela superfície cilíndrica (maior diâmetro) no lado oposto ao de entrada. podendo apresentar faixa típica entre 25 e 50% (teor de sólidos). pode-se contar o tipo de condicionante – polieletrólitos – que são de mais simples manuseio e aplicação. Para melhorar a performance da unidade. e para uso definitivo. obtendo se um lodo bem desidratado. obrigando a presença do operador nas atividades de enchimento.5 – Centrífuga A centrifuga é utilizada na desidratação de lodo através das forças centrifugas criadas por um tambor em rotação. isto é. Cal ou Polieletrólitos. 5. De acordo com o uso e o processo. 5. É comum obter-se uma torta com teor de sólidos da ordem de 35%. 65% de umidade. Os filtros prensa têm tido maior desenvolvimento na Europa. As lagoas de uso temporário são geralmente as mais economicamente justificáveis.As unidades podem ser projetadas para uso temporário. durante um período diário predeterminado. Cerca de 90 a 98% dos sólidos chegam a ser retirados na torta. Normalmente são usados Cloreto Férrico. como outro aspecto vantajoso. retornando para o tanque de equalização. • Permanentes. 5. e retirada da torta. Têm contra si o fato de operarem em batelada. onde as forças os empurram para a superfície interna do tambor. transporta os sólidos para superfície cônica (menor diâmetro) onde é descarregado.4 – Filtros de esteira Também chamados prensa desaguadoras. e ao contrário dos condicionantes usados nos filtros prensa não aumentam a massa de lodo como ocorre com a incorporação do cal e do floculante. as lagoas de secagem podem ser classificadas nos seguintes tipos: • Temporárias. prensagem.

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