DIABETES NA GRAVIDEZ

10 º CLE – 3º ANO
Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 1

REGULAÇÃO DA GLICÉMIA

INSULINA
Musculo e células usam a glicose como fonte de energia ou convertemna em glicogénio; síntese proteica

Pâncreas

Fígado

Células β libertam insulina na corrente sanguínea

Converte a glicose em glicogénio; síntese de ácidos gordos; síntese proteica

Níveis de glicose no sangue baixam diminui produção de insulina

Níveis altos de glicose no sangue

Níveis de glicose no sangue sobem diminui produção de glucagon

Baixo nível de glicose no sangue

Fígado

Pâncreas

GLUCAGON
Converte o glicogénio em glicose Células α libertam glucagon na corrente sanguínea Afonso e Helena Bértolo

Normoglicemia (glicemia em jejum < 110 mg /dl)

Esmeralda 2010/2011

DIABETES MELLITUS - Fisiopatologia Insulina insuficiente ou ineficaz Hiperglicémia

Hiperosmolaridade sanguínea

Incapacidade de utilização da glicemia como fonte de energia para as células

Passagem de líquido intracelular para o espaço vascular Consumo de proteínas e gorduras como fonte de energia Desidratação celular e aumento do volume plasmático

Corpos cetónicos

Polifagia

Emagrecimento

Poliúria e glicosúria

Cetoacidose e cetonúria
Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011

Polidipsía

Complicações multisistémicas Manifestações mais graves: Doença Cardiovascular Doença renal Doença ocular Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .DIABETES MELLITUS .

3) Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . às 2 horas Nota: Na ausência de hiperglicemia inequívoca.0 mmol/l) ou II– Sintomas clássicos + Glicemia ocasional ≥200 mg/dl (≥11.Diagnóstico DIAGNÓSTICO DE DIABETES (Plasma Venoso) I – Glicemia de jejum ≥126 mg/dl (≥7.1 mmol/l) ANOMALIA DA GLICEMIA DE JEJUM (AGJ) Glicemia de jejum ≥110 e <126 mg/dl (≥6. associada a sintomas clássicos.0 mmol/l) (DGS. estes critérios devem ser confirmados num segundo tempo Situação de Risco TOLERÂNCIA DIMINUÍDA À GLUCOSE (TDG) Glicemia de jejum <126 mg/dl (<7.0 mmol/l) e às 2h (PTGO) ≥140 e <200 mg/dl (≥7.8 e <11. na PTGO com 75g de Glucose.1 e <7.1mmol/l) ou III – Glicemia ≥200 mg/dl (≥ 11.1mmol/l). 04-07-2002. Circular Normativa nº9/DGCG. p.DIABETES MELLITUS .

3) Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 6 . Circular Normativa nº9/DGCG.DIABETES MELLITUS . 04-07-2002. p.Classificação Diabetes Tipo I Deficiência absoluta de insulina Diabetes Tipo II Resistência à insulina e relativa deficiência de insulina Diabetes gestacional Outros tipos específicos de diabetes Situações em que a diabetes é consequência de um processo etiopatogénico identificado (dça pancreática) (DGS.

GRAVIDEZ Alterações complexas no metabolismo materno da glicose. da produção de insulina e da homeostase metabólica Objectivo: proporcionar um ambiente adequado ao normal desenvolvimento do embrião / feto Mecanismo: acção hormonal que promove a diminuição do consumo de glicose e de aminoácidos pelo organismo materno (para que estes sejam fornecidos adequadamente e de modo ininterrupto ao embrião/feto) O mecanismo energético materno é assegurado preferencialmente à custaEsmeralda ácidos gordos dos Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

1º Trimestre da gravidez Elevação dos níveis de estrogénios e progesterona Estimulação das células β pancreáticas Aumento da produção de insulina Maior utilização periférica de glicose + maior armazenamento de glicogénio nos tecidos + diminuição da produção de glicose pelo fígado Hipoglicémia Lipólise acentuada (com tendência a cetoacidose) Grávidas com diabetes mellitus prévia à gravidez: mais Esmeralda Afonso cetoacidose. susceptíveis à ocorrência de hipoglicémia e de e Helena Bértolo 2010/2011 .

prolactina e glicocorticóides . estrogénios.2º e 3º Trimestres da gravidez Mecanismo poupador de glicose para assegurar o fornecimento de glicose ao feto : • Aumento da resistência à acção da insulina desencadeado pelo aumento dos níveis da hormona lactogénica placentária (HLP). progesterona. • Aumento da lipólise materna e glicogenólise hepática Hipoglicemia em jejum Hiperglicemia pós-prandial Resistência periférica à insulina com hiperinsulinemia compensadora Gravidez – efeito diabetogénico Diabetes mellitus prévia à gravidez (aumento das necessidades de insulina para contrariar as hiperglicémias pósprandiais) Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . • Incremento da degradação da insulina pelo rim materno e pela placenta.

Quando deixa de amamentar restabelece-se o equilíbrio pré-gravídico Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .Pós-parto A expulsão da placenta induz uma descida abrupta dos níveis das hormonas placentárias Rapidamente desaparece o fenómeno de insulinoresistência dos tecidos Pelo 7º -10º dia fica restabelecido o equilíbrio pré-gravídico entre a insulina e a glicose Na mulher que amamenta as necessidades de insulina permanecem baixas pois a lactação utiliza a glicose materna.

DIABETES E GRAVIDEZ Diabetes gestacional Diabetes pré-existente Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

O feto começa a segregar a sua própria insulina .DIABETES E GRAVIDEZ Glicose materna – principal fonte de energia utilizada pelo feto A glicose materna atravessa a barreira placentária – níveis de glicemia fetais proporcionais aos níveis de glicemia materna A insulina materna não atravessa a placenta Cerca das 10-12 sem.

definição É toda e qualquer intolerância aos HC reconhecida ou diagnosticada. Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . independentemente ◦ do grau ◦ da necessidade ou não de insulina ◦ da sua persistência ou não após a gravidez ◦ da suspeita de diabetes prévia mas não diagnosticada. pela 1ª vez durante a gravidez.DIABETES GESTACIONAL .

DIABETES GESTACIONAL Factores de Risco: • Familiares em 1º grau diabéticos • História de macrossomia fetal > 4 kg • Idade > 35 anos • Obesidade com índice de massa corporal > 30kg/m2 • Dois ou mais abortos espontâneos em gestações anteriores • História prévia de diabetes gestacional • Multiparidade > 4 partos • Presença de glicosúria Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

Obesidade Adulto .Hipomagnesiemia .DIABETES GESTACIONAL .Hipocalcemia .Diabetes Mellitus Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .Hipoglicemia .Policitémia .Trombocitopenia .Obesidade .Hiperbilirrubinemia Criança .Diabetes Perinatal .Riscos materno-fetais Tempo Gestação Mãe Feto Parto Hipoglicemia Cetoacidose Hidrâmnios Pré-eclâmpsia/eclâmpsia Aumento de peso Infecções Distócia Aborto Morte in utero / neonatal Prematuridade Anomalias congénitas Macrossomia/RCIU Traumatismo do parto Pos-parto .Sindroma da membrana hialina .

se for normal Prova de O’Sullivan Ingestão de 50 g de glicose / 200 ml de água (não necessita de jejum prévio) Avaliação da glicemia 1 hora depois Se o valor é igual ou superior a 140 mg/dl. em grávidas com factores de risco. a prova é positiva Se positiva Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 PTGO .Prova de O’Sullivan Indicações: Todas as grávidas entre as 24 e 28 semanas de gestação (quando a hormona lactogenica placentária atinge níveis máximos) No 1º trimestre.DIABETES GESTACIONAL Rastreio . devendo repeti-lo entre as 24 e 28 semanas.

0) (8.PTGO É feita com 100g de glicose em jejum. 120’ e 180 ‘ Se pelo menos 2 valores estivem alterados estabelece-se o diagnóstico Hora 0 1 2 3 glicemia mg/ dl ≥ 95 ≥ 180 ≥ 155 ≥ 140 plasmática (mmol/l) (5. aos 60’.6) (7.8) Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .DIABETES GESTACIONAL.3) (10.

Rastreio Não efectuar o rastreio quando a glicemia plasmática for: ≥ a 126 mg/dl em jejum (7 mmol/l) ≥ a 200 mg/dl (11.1 mmol/l) a qualquer hora “Qualquer dos valores é diagnóstico de diabetes” Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .DIABETES GESTACIONAL .

PTGO No caso de PTGO negativa com rastreio positivo. No caso de PTGO negativa com rastreio positivo.DIABETES GESTACIONAL . Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . às 24-28 semanas. repetir PTGO às 32 semanas. repetir PTGO às 24-28 semanas. no início da gravidez.

T.Rotina P.O 3 dias antes.) Jejum 12 horas (10 – 16h) Glicemia e glicosúria de jejum Ingestão lenta (5 . dieta livre ( ≥ 150g H.G.DIABETES GESTACIONAL .10 minutos) de 100g glucose dissolvida em 4 dl de água (+ sumo de 1-2 limões e 1-2 pedras de gelo) Glicemias e glicosúrias aos: 60.C. 120 e 180 minutos após a ingestão Repouso durante a prova Abstenção de tabaco e café Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

Administração de insulina. ou antidiabéticos orais Esmeralda (segundo prescrição médica/protocolo) Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . intervalo nocturno não superior a 7h • Evitar HC com absorção rápida Programa de exercício físico adequado A grávida deve ser orientada para pesquisar a glicémia capilar em jejum e 1 a 2 h após as 3 refeições principais. se necessário.DIABETES GESTACIONAL Pré-natal As grávidas diabéticas devem ser referenciadas para unidades de cuidados especializados Objectivo: Manter os níveis normais e estáveis da glicémia Na maioria dos casos isto é conseguido com: Modificação do regime alimentar (apoio de nutricionista) • Cerca de 200g de hidratos de carbono (HC) por dia • 6-7 refeições .

DIABETES GESTACIONAL Pré-natal Objectivo: vigilância do estado fetal CTG periódico (o início desta vigilância e a sua periodicidade é de acordo com o controlo metabólico materno conseguido e com o aparecimento ou não de intercorrências materno /fetais Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

parto de termo Antecipado – só por razões obstétricas Assistência ao recém-nascido programada Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .Parto - Bem controladas .DIABETES GESTACIONAL .

DIABETES GESTACIONAL . Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 24 .Parto Intervenção de enfermagem Parto – Via vaginal sempre que possível Ter em atenção o peso estimado ◦ Monitorização da glicémia e insulinoterapia conforme esquema protocolado ◦ Reforçar a importância da vigilância de saúde para a mulher e filho.

DIABETES GESTACIONAL Pós-parto Suspender a administração de insulina.deve ser motivada a prosseguir vigilância médica adequada Prevenção da diabetes nos filhos Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . se indicado Determinação da glicémia (habitualmente os valores normalizam após o parto) 6 semanas após o parto ou após suspender o aleitamento a mulher deve realizar PTGO com 75 g de glicose Informar acerca da possibilidade de vir a desenvolver DG em gravidez futura (60 a 70%) Informar a mulher acerca do risco de poder desenvolver DM cerca de 5 a 15 anos após diabetes gestacional .

DIABETES GESTACIONAL .anomalias fetais 2.jejum ≤ 90 mg/dl . Bom desenvolvimento fetal Bem-estar in utero e perinatal A médio e longo prazo Prevenção Obesidade Diabetes HTA Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .HbA1c < ao limite do valor de referência do Lab.hiperinsulinismo fetal .Síntese MÃE Durante a gravidez 1. Normoglicemia .macrossomia .1h pp ≤ 120 mg/dl . 2. Aumento de peso ≥ 7 e < 12 kg Pós-parto – médio e longo prazo Prevenção: Obesidade Diabetes HTA FETO Durante a gravidez 1. Prevenir .

DIABETES MELLITUS PRÉ-EXISTENTE Cuidados pré-concepcionais (essenciais para prevenir/diminuir complicações): ◦ Estabelecer / garantir o controlo glicémico antes da concepção ◦ Despistar possíveis complicações vasculares da diabetes (retinopatia e nefropatia diabética) ◦ Avaliar ou treinar em relação à administração da insulina e ao autocontrolo da glicemia durante a gravidez Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

DIABETES MELLITUS PRÉ-EXISTENTE Cuidados pré-concepcionais (Cont.) ◦ Alertar para os riscos materno-fetais associados à doença ◦ Alertar sobre as alterações no controlo da diabetes durante a gravidez e sobre a necessidade de acompanhamento por uma equipa multidisciplinar de saúde ◦ Informar sobre os benefícios da insulinoterapia. da dieta e do exercício físico no controlo metabólico durante a gravidez Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .

parto e pós-parto: Semelhantes aos cuidados na diabetes gestacional Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 .DIABETES MELLITUS PRÉ-EXISTENTE Cuidados durante o período prénatal.

7ª ed. 2008. RODRIGUES. MONTENEGRO. 708 – 725 PORTUGAL: Direcção Geral da Saúde – Actualização dos Critérios de Classificação e Diagnóstico da Diabetes Mellitus . Lisboa: Lidel. Teresa – Protocolos de Medicina Materno-Fetal. Nuno. Diogo A. p. Luís Mendes – Medicina materno-fetal. 2ª ed. 524 . p. 14 – 15.BIBLIOGRAFIA SUGERIDA CAMPOS. 174-175 GRAÇA.536 LOWDERMILK. 2005. Data: 04/07/02 Esmeralda Afonso e Helena Bértolo 2010/2011 . Deitra L. Shannon E. Loures: Lusodidacta. Lisboa: Lidel.. p. Circular Normativa Nº09/DGCG. PERRY. 2008. 3ª ed. – Enfermagem na Maternidade.

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