Esse caderno foi produto do Seminário de Programa “Um programa socialista para o Brasil” realizado nos dias 26 e 27 de junho

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sum
04 06 08 10 14 22 24 32 36 42 44 46
ApresentAção governo lulA

Para além de aparência
direitA

A direita não morreu
crise economicA

O novo momento da crise econômica e as eleições
emprego

Um programa socialista para o pleno emprego
sAlArio

Aumentar já os salários!
sAúde

Um programa dos trabalhadores para a saúde
educAção

Elementos para um programa socialista na educação
cAmpo

Reforma e revolução agrária
ecologiA

É preciso deter a destruição ambiental
violênciA

Violência e direitos humanos: o capitalismo mata
HAbitAção

Habitação e planejamento urbano

2

mário
50
energiA

A construção de uma nova matriz energética 48 O fracasso do modelo energético brasileiro 50 Estatização completa da Petrobrás “Petrobrás 100% estatal”
culturA

56 58 64 70 72 76 78 82 84 86

Um programa de luta pela cultura
mulHeres

Um programa para as mulheres trabalhadoras
Juventude

A juventude tem direito ao futuro
negros

Negros e negras: uma luta de raça e classe
glbt

Um programa de classe contra a homofobia
HAiti

Foras tropas brasileiras do Haiti!
oriente médio

Qual deve ser a relação do Brasil com o Oriente Médio
cAndidAtos

Candidatos aos governos dos estados
sociAlismo

Socialistas sim, com muito orgulho
pArtido

O significado do programa é o sentido do Partido 3

Apresentação

Contra burguês, um operário socialista desta vez
aculdade de Direito, Largo de São Francisco, São Paulo. Mesmo tendo de enfrentar a concorrência da Copa, reuniram-se quase duas centenas de pessoas nos dias 26 e 27 de junho. O motivo: debater uma proposta de programa socialista, que será apresentado pelas candidaturas do PSTU nas eleições. Foi um seminário aberto, com a presença de quadros de longa data do movimento de massas e do PSTU. Vieram também ativistas e intelectuais que não são do partido, como Chico de Oliveira, Iná Camargo, Armando Boito, Paula Marcelino, Guilherme Boulos (MTST). Em dezoito mesas diferentes, abarcando distintos temas do programa, se discutiu como apresentar as bandeiras socialistas para o Brasil. O resultado pode ser apreciado nessa revista virtual que reproduz e sintetiza as conclusões programáticas do seminário. Os participantes do seminário se dispunham a colaborar por acreditar na importância do debate do socialismo. Uma enorme diferença em relação às candidaturas majoritárias – Dilma, Serra e Marina - em que as “colaborações” são feitas profissionais pagos a peso de ouro. Essas campanhas têm “programas” ditados pelos marqueteiros, que orientam os candidatos para falarem o que as pessoas querem ouvir, sem nenhum compromisso. O que é levado para a TV são as “promessas de campanha” que podem decidir uma eleição, para depois desaparecer e só retornar nas próximas eleições. O verdadeiro programa dessas candidaturas é feito às escondidas com as grandes empresas e não é apresentado para ser debatido nas eleições. São duas visões radicalmente diferentes de como fazer política. A dos partidos majoritários e a nossa. O PT e o PSDB lideram os blocos burgueses majoritários, e não têm nenhum compromisso com um programa, só querem ganhar eleições. Defendemos um programa socialista para mudar o país.

F

Fazendo a diferença

O PSTU apresenta nessas eleições o companheiro José Maria de Almeida, o Zé Maria, para a Presidência. Nossa campanha vai ter a marca do classismo e da defesa intransigente da bandeira socialista. Vamos defender as lutas e as reivindicações imediatas dos trabalhadores, como salário e melhoria das condições de vida, relacionadas com o enfrentamento com a propriedade das grandes empresas, resgatando o programa socialista. A campanha vai mostrar aos trabalhadores que não há saída dentro dos limites desse sistema. Não é possível resolver os problemas mais básicos dos trabalhadores e da maioria da população, como saúde e educação, sem atacar a propriedade privada e romper com o imperialismo. É preciso também colocar nossa campanha a serviço das lutas. Mesmo pequeno, nosso tempo na TV servirá para apoiar as greves, lutas e mobilizações que estejam ocorrendo.

Sem financiamento dos patrões

Todos os partidos e organizações dos trabalhadores que se corromperam, incluindo o PT, começaram a trilhar esse caminho com o financiamento de bancos e empresas. Uma vez eleitos, os políticos passam a governar para os empresários que, por sua vez, abocanham obras e contratos públicos. É impossível permanecer politicamente independente quando se depende financeiramente da burguesia. Por isso, a campanha de Zé Maria terá a mais completa independência financeira. Todos os recursos da campanha eleitoral do PSTU serão contribuições feitas pelos próprios trabalhadores.

Um operário que não se vendeu

Zé Maria iniciou sua militância em meio às greves metalúrgicas no final dos anos 70 no ABC Paulista. Em 1977,

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Esse evento altamente representativo fundou uma nova central. no qual analisou a experiência de luta dos ferroviários e metalúrgicos do Maranhão. Em junho. Zé Maria é um operário que não se vendeu. Em 1984. que busca se apresentar como representante da luta das mulheres. será a candidata a vice-presidente na chapa de Zé Maria. Cláudia é autora do livro “Limites do Sindicalismo e Reorganização da Luta Social”. “Dilma não resolverá nossos problemas apenas porque é uma mulher. No primeiro ano do governo Lula. Venha para essa luta! Cláudia Durans. provocando milhares de demissões. Trajetória de luta Cláudia é uma das fundadoras do PSTU. 5 . diferente da maioria dos dirigentes daquela época. Não basta ser mulher. tem de ser socialista”. Duas origens em comum. Zé Maria foi um dos principais organizadores do Congresso da Classe Trabalhadora. Em 1998. como na Embraer. tornou-se um dos membros do comando de greve dos metalúrgicos do ABC. Naquele mesmo ano. Foi um dos organizadores do Encontro Sindical realizado em Luziânia (DF). do qual hoje é presidente. Dois caminhos opostos. ajuda fundar o PSTU. Mais do que o sexo do candidato. que reuniu cerca de três mil delegados. Zé Maria exigiu que o governo editasse uma medida provisória impedindo as demissões. a adesão só veio após o “Domingo Negro”. totalmente absorvidos pela estrutura do Estado ou pelas burocracias sindicais. Iniciou sua militância ainda no movimento estudantil. Em 1992. Hoje. Sua candidatura expressa a luta de negros e mulheres contra a opressão do sistema capitalista. em 2004. Em seguida. onde surgiu a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). Em 2002. negra e socialista Cláudia Alves Durans. Cada voto em Zé Maria e em nossos candidatos aos governos de estado e aos parlamentos será um apoio para essa luta. É também uma oposição à candidatura de Dilma Rousseff. foi expulso do PT por levar para as ruas a campanha do Fora Collor. foi candidato à Presidência da República pelo partido. mudou-se para Minas Gerais e tornou-se dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem e fundador da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas. Zé Maria também foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. o que importa é se vai governar com os trabalhadores. disputou novamente as eleições presidenciais. o Andes-SN. entregou seu cargo na Executiva Nacional da CUT e passou a defender a necessidade de uma nova direção sindical para o movimento sindical brasileiro. com a Convergência Socialista. Naquele ano. foi preso com Lula e mais dez sindicalistas quando o sindicato foi invadido pelos militares da ditadura. Zé Maria foi o primeiro pré-candidato a visitar o Haiti destruído pelo terremoto. dirigiu a greve com ocupação da Mannesmann. Zé Maria participou ativamente da greve dos servidores públicos contra a reforma da Previdência. com a caravana da Conlutas. Naquela época. foi um dos principais dirigentes da marcha da Conlutas a Brasília. contra as reformas de Lula e do FMI. participou do Fórum Social Mundial e foi um dos principais articuladores da campanha contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). a maioria da direção do PT era totalmente contra essa iniciativa.foi preso ao distribuir um panfleto do 1º de Maio. tendo sido uma das principais militantes do partido no Maranhão. uma vez que a CUT passou a ser uma entidade chapa branca. Doutora pela Universidade Federal de Pernambuco. incluindo o próprio presidente. que programa defenderá. afirma Cláudia. Em junho de 2004. Em 1988. Lula governa hoje para os empresários. Zé permaneceu de forma incondicional junto às lutas dos trabalhadores. Ela percorreu as ruas de Porto Príncipe e testemunhou a destruição e a situação precária em que vivem os haitianos. quando as massas já estavam espontaneamente nas ruas. mulher. a crise capitalista chegou ao Brasil. O sindicalista denunciou a ocupação militar liderada pelo Brasil e exi- giu a retirada imediata das tropas. sendo parte da direção do sindicato nacional. Em 2008. Libertado. quando ficou conhecido como “o candidato contra a Alca”. Em março deste ano. professora de serviço social na Universidade Federal do Maranhão. atua junto aos professores universitários. e no ano seguinte participou ativamente da construção da marcha dos 100 mil a Brasília defendendo o “Fora FHC e o FMI”. Zé Maria esteve ao lado de Lula nas greves do ABC. essa estratégia socialista. Mas. realizados em Santos (SP). A candidata também esteve no Haiti entre 30 de março e 3 de abril. 45. Em 1994.

Para Chico de Oliveira. Proporcionou lucros recordes a bancos e empresas. apesar de contar com um caráter de classe tão burguês como os anteriores. criando a ilusão de que os trabalhadores enfim conquistaram o poder. Ou seja. Um governo diferente Um governo de frente popular Embora o PT no poder tenha não só seguido com a política neoliberal do governo anterior. além de desmoralizar o movimento de massas. foi justamente esse o papel desempenhado por Lula e o PT. Realizou alianças com os setores mais atrasados da direita. ele representa um governo diferente. no decorrer desses quase oito anos de governo. sob pena de serem devorados. Sua trajetória. Como se explica isso? governo de “frente popular” na história do país. Não em suas práticas. Investiu contra a autonomia dos setores majoritários dos movimentos sindicais e sociais. como aprofundado essa mesma política. Mas na realidade o objetivo de um governo de frente popular é justamente o de bloquear uma situação revolucionária. Isso porque o governo eleito em 2002 foi o primeiro O Lula que recebeu a faixa de presidente de FHC em 2003 já não tinha mais nada a ver com o dirigente operário que despontou das grandes greves do final dos anos 1970. assim como a do PT e da CUT. pobreza e miséria. Ao longo de seus oito anos. A imagem de Lula na mente da maioria da população e dos trabalhadores. Foi dessa forma que o sociólogo e professor aposentado da USP. Na mitologia. Sustentado por um dos maiores partidos de base operária do mundo. o governo Lula atacou de diversas maneiras os trabalhadores. a esfinge é uma criatura que desafiava os viajantes a decifrarem seus enigmas. ele expressa um setor do movimento de massas. colocou-se à frente de um 6 . foi a de adaptação cada vez maior à institucionalidade até chegar ao governo com um programa e uma aliança em que nada se diferenciava das outras candidaturas. da redação “ Precisamos decifrar a esfinge que é o governo Lula”. uma vez nele. porém. mas nas expectativas que o levaram ao poder e. é isso o que vai acontecer com a esquerda. E.Para além de aparência Um governo tão burguês quanto os anteriores. desemprego em massa. continuava a ser a de grande liderança popular. Francisco de Oliveira. assim como uma das maiores centrais sindicais. porém. Uma alternativa à década de neoliberalismo que produziu privatizações. Apesar de tudo isso. ou simplesmente impedir que ela surja. Lula chega ao final de seu segundo mandato com uma popularidade recorde. Lula. na capacidade de criar e difundir ilusões na classe trabalhadora. mas que contou com a imagem de um governo popular e o apoio de setores do movimento de massa Diego CrUz. abriu a jornada de debates do seminário de programa da candidatura Zé Maria. caso não se compreenda bem o caráter desse governo.

Embora continuasse contando com graves problemas sociais. Além disso. Por outro lado. porém. conseguiu tímidas melhoras e investiu forte em programas sociais “focalizadas”. Logo nos primeiros anos. não é Lula. Através dos fundos de pensão. na prática. Esse elemento. Lula impôs uma política econômica neoliberal ainda mais radical que a de FHC. não conseguirá segurar a “marolinha”. Por dentro desse conselho. empresariais e do governo a fim de “construir o consenso”. anulando qualquer tipo de conflito. além de outra reforma Previdenciária. “desviando recursos do Orçamento como a Previdência Social para esse tipo de programa” criando uma enorme base eleitoral clientelista. Sua identificação com os trabalhadores e o movimento social é praticamente nula. terá uma importância fundamental numa crise econômica que se aprofunda na Europa e que não tardará em chegar ao Brasil. que talvez possa parecer secundário. estreitou relações com o mercado financeiro. O qUe repreSenTará Um gOvernO Dilma? A candidatura Dilma está sendo cuidadosamente construída pessoalmente por Lula há pelo menos dois anos. até mesmo fundindo-se com ele. A partir de 2006. “O governo passa a ideia de ser um governo do não-conflito. já que a crise do mensalão derrubou todos os seus prováveis sucessores. aprofundou uma política do governo anterior de benefícios ao setor agro-exportador. com o objetivo de reunir lideranças sindicais. onde se concentram metade da força de trabalho do país. Realizou a reforma da Previdência no setor público que acabou com a aposentadoria integral e aumentou a meta de Superávit Primário (economia que o governo faz para pagar os juros da dívida externa) que havia sido combinada por FHC com o FMI. ao contrário de Lula. porém. Sua escolha se deu por falta de opção. Dilma. representou uma reforma trabalhista nas pequenas e medias empresas. Ao mesmo tempo. suas semelhanças com os governos passados se expressavam bem mais que suas diferenças. Lula reforçou a ideia de um governo de colaboração de classes. Dilma. assim como não é correto dizer que seja diferente”. porém. “não é correto dizer que o governo Lula seja igual ao de FHC. Não é por menos que uma de suas primeiras medidas tenha sido a formação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. o país foi conseguindo crescer e equilibrar suas contas. como o Bolsa Família. passava propostas como uma reforma Sindical e Trabalhista. que satisfaz os anseios de todas as classes sociais”. ou o Super Simples que. o governo 7 . O governo Lula tem um caráter de classe muito bem definido. ou os seus “heróis”. O que sustentou esse governo? Durante boa parte do primeiro mandato de Lula. embalado pelo crescimento econômico mundial e sua localização enquanto grande exportador de matérias primas (commodities). assim como por outras instâncias parecidas. Até mesmo no escândalo do mensalão que derrubou praticamente todo o alto escalão do governo. o governo impunha uma série de ataques explícitos à classe. explica Chico de Oliveira. Um governo igual Já em 2003.governo cuja prioridade continuava a ser o lucro dos bancos e das grandes empresas. como a Lei de Falências que prioriza o pagamento de dívidas aos credores em detrimento de direitos trabalhistas em caso de falência. tem a imagem de um governo popular e é sustentado por organizações de massa que ocupam cada vez mais espaço no Estado. elegendo os grandes fazendeiros como aliados estratégicos. como o Fórum Nacional do Trabalho. Como definiu Bianchi no debate sobre governo Lula. como explica o professor Álvaro Bianchi.

que as alternativas reais colocadas não são tão liberalismo. A campanha de Dilma vai reeditar a estratégia adotada serão nove candidatos disputando o Planalto. apresentam essencialisso. Agora é oficial. da redação o dia 5 de julho terminou o prazo para o registro a volta do pSDB das candidaturas à presidência. As duas candidaturas majoritárias. os tuque ninguém melhor que o PSDB para canos nem sequer apresentaram um continuar impondo uma política neode Collor e itamar programa. indiscriminada tica econômica de FHC. mas tão somente a transliberal que eles mesmos ajudaram a e abriu o país crição de dois discursos realizados implantar no Brasil dos anos 1990. Serra seja eleito. Fernando que a direita tradicional. que inundou o país de imporpaís. Não dizem. Vai lembrar das privatizações de FHC e dos anos de neoporém. governo FHC radicalizou o neolibeao mercado ralismo dos governos Collor e Itamar Isso porque a direita vai para as eleiinternacional ções sem um programa de governo que. Programa este que incluía no Estado.A direita não morreu Sem um programa diferente do atual governo. que o tucano mente a mesma política neoliberal. continuador do governo Lula”. representadas aqui pelo PSDB Henrique criou o Plano Real que. radicalizou o programa de governo apresentado José Serra parte do princípio de neoliberalismo pelo PSDB ao TSE. porém. está se postulando como o “melhor apenas com algumas nuances. Em nome da estabilidade econômiIsso não vai impedir. tados. já que o PT e o governo Lula ao mercado internacional de forma inse apropriaram do discurso e da polídiscriminada. afirmando que tudo isso se aprofundará caso numerosas assim. partam ferozmente para a disputa eleitoral. retomando diretamente o controle sobre o a valorização do câmbio. abriu o país de forma próprio. arrasando com os empregos e boa parte da indús- N 8 . Na verdade. Uma rápida análise dos programas de governo mostra. a velha direita quer retomar o controle do país Diego CrUz. no entanto. nome de uma nova moeda. O por Serra durante a pré-campanha. E estarão cobertos de razão ao afirmarem Dilma e Serra. entre outras coisas. ca e o combate à inflação. longe de ser apenas o e o DEM. E tamo governo FHC Uma pequena amostra disso é o bém com razão. consistia em todo um proEles não veem a hora de recolocar as próprias mãos grama político e econômico. em 2006 e apostar no temor da “volta do PSDB” ao poder.

O DEM. um eleitorado jovem. não apresenta nenhuma novidade em relação às duas candidaturas majoritárias. FHC avançava com o programa de desestatização. por trás de um discurso pretensamente ecológico e progressista. Pelo contrário. do DEM do Rio de Janeiro. Depois de meses tentando convencer o governador de Minas. talvez seja justamente aí que sua candidatura apresente seu caráter mais conservador. Marina Silva defendeu o Banco Central quando ele aumentou a taxa de juros recentemente. vem adotando um discurso conservador. Marina Silva representa ainda um retrocesso em relação ao combate às opressões. o PSDB deu a vaga ao senador tucano Álvaro Dias. como na atrapalhada escolha de seu vice. 9 . A candidata concedeu diversas declarações contrárias ao casamento gay ou o direito ao aborto. invadiu terra querer se eleger a um cargo público”. a candidatura Marina Silva se coloca enquanto uma suposta novidade. vai elevar ainda mais a dívida pública. ele falou a seguinte pérola sobre esse projeto: “imagina quem roubou. a candidata defendeu os supostos “avanços” dos governos de FHC e de Lula. Foi toda uma política responsável por dobrar o índice de desemprego e ampliar a pobreza e miséria no país. Nem em relação à ecologia Marina consegue se diferenciar.tria nacional. sucessivos governos tucanos como o de Covas. A fim de equilibrar as contas externas. dar o cargo ao desconhecido deputado Índio da Costa. A candidata do PV defendeu também o veto de Lula ao fim do fator previdenciário. Sua candidatura. anti-tucano e anti-neoliberal. porém. assim como boa parte da imprensa paulista e nacional. Como se tudo isso não bastasse. marina Silva e O neOliBeraliSmO verDe Dificuldades Além de se colocar como legítimo sucessor de Lula. A Natura é processada pelo Ministério Público por biopirataria no Acre. que vendeu a preço de banana grandes empresas como a Vale e a Embraer a fim de pagar a dívida externa. Alguns exemplos mostram o caráter conservador de sua candidatura. que sofreu um forte baque com o mensalão no Distrito Federal com a prisão de Arruda. atravessa alguns momentos de crise. Apesar disso. É um inimigo que não pode ser subestimado. Ou seja. O programa de Marina. Índio da Costa é apadrinhado do ex-prefeito do Rio César Maia e só ganhou certa notoriedade ao relatar o projeto do Ficha Limpa. ameaçou pular fora da aliança. como em São Paulo e no Rio de Janeiro. Alckmin e Serra aplicam há pelo menos 16 anos uma política de privatização e sucateamento dos serviços públicos. a candidatura Serra tem a seu lado setores de peso da burguesia. Durante uma entrevista. coisa que. assim como os cortes de R$ 10 bilhões do governo para “esfriar” a economia. Além disso. o 13º mais rico do país com uma fortuna acumulada de 2. Serra tenta cativar o tradicional eleitorado de direita. Os tucanos e seus aliados do PFL (hoje DEM) foram varridos do governo federal. sobretudo. O vice de Marina é ninguém menos que um dos donos da Natura. A solução foi. com uma média de um pedágio para cada 47 km. na última hora. uma alternativa “ecológica” que tenta atingir. o empresário Guilherme Leal. Índio foi ainda investigado por favorecer uma empresa na compra de lanche para escolas públicas. por exemplo. assaltou. porém. Por isso. o que favoreceu o voto a Lula em 2002. Produziu ainda um enorme rechaço entre a população. sobretudo. Em meio à falsa polarização entre Dilma Roussef e José Serra. aceitar o posto de vice de Serra. As estradas paulistas são infestadas por praças de pedágio. que expressava um voto. mas resistiram em estados importantes. No estado de maior orçamento do país. a candidatura Marina Silva representa o que há de mais retrógrado e conservador.1 bilhões de dólares. Aécio Neves. o que o fez recentemente atacar o MST e dizer que a descriminalização do aborto provocaria um “genocídio”. Quando foi secretário municipal do Rio.

As grandes empresas frearam a produção bruscamente. O PIB de 2010 pode ultrapassar 5% de crescimento. Mas nós temos a obrigação de alertar os trabalhadores de que a crise virá. para ver o que se passaria no mundo. pelos trabalhadores. como a Embraer. O país saiu da recessão no segundo trimestre de 2009. ao contrário do que o governo afirma. o país saiu relativamente rápido da crise em 2009. Isso foi atribuído. existe a possibilidade de que ela se estenda ao conjunto do planeta. o país acompa- nhou a queda livre da produção industrial que existia no mundo. Elas 10 . simbolizada na demissão de 4200 operários da Embraer. retrocedendo 16. que já se dava em todo o mundo. Como o Brasil saiu da crise em 2009 O Brasil viveu uma recessão entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Em primeiro lugar. Trata-se de uma continuidade da crise que começou em 2007. Foi o momento em que os trabalhadores sentiram a crise e a ameaça de desemprego.7%. A primeira lição que isso nos traz é que. mas acabaram apostando na recuperação. a economia brasileira segue crescendo. Muitas outras grandes empresas. seus recordes de produção e vendas. Existe uma base material para essa postura. O alerta tem importância porque essa discussão não vai estar presente nas campanhas eleitorais de Dilma Roussef. É provável que atinja diretamente o país durante o mandato de qualquer um dos candidatos eleito em outubro. caracterizando o chamado “duplo mergulho” eDUArDo AlmeiDA. Nesse período. acompanhando a tendência de recuperação que existia na economia mundial. o que fortaleceu ainda mais Lula. mais uma vez. tanto na queda brutal da produção mundial no último trimestre de 2008 como na recuperação do segundo trimestre de 2009. Em segundo lugar. da direção nacional do PSTU M as para os trabalhadores que acreditam no que o governo lhes diz. Isso é assim porque a economia brasileira é completamente dominada pelas empresas multinacionais. e sofre diretamente com as possibilidades de crise. A indústria automobilística deve bater. por mais que se escondam. Além disso. José Serra ou Marina Silva. o Brasil não vai ser atingido pela crise. já existem reflexos da crise européia hoje no Brasil. o Brasil está muito. à ação do governo. embora possa não chegar aqui rapidamente. discutiram a possibilidade de novas levas de demissões. Se não. seria impossível explicar como o país acompanhou diretamente a evolução da economia mundial. muitíssimo exposto às variações do mercado mundial.O novo momento da crise econômica e as eleições A crise econômica europeia está gerando uma nova situação política nesse continente.

sucos cítricos automobilística. serviços (fretes.ticos (ajudando mais uma vez as multinacionais) e liberou tos externos – com os governos Collor e FHC e mantidas mais de R$100 bilhões para os banqueiros. seguros. a indústria automobilística que está inmia. eletrotudo o que se arrecadado no país é multinacionais. Tudo para seassim por Lula.5 bilhões de dólares entre janeiro e não teriam como seguir exportando. Isso o agronegócio As grandes empresas estrangeiras significa que o governo Lula pagou e penetraram aqui instaladas. Com a queda Mas poderia não ser assim. acompanhando o mesmo figurino dos governos completamente – incluindo as baixas taxas de importação imperialistas. caso essas mesmas empre. para US$ 11 ou não seguiu em recessão: as grandes empresas estrangeiras 12 bilhões. Reduziu o IPI de automóveis e eletrodomésde produtos estrangeiros e a possibilidade de investimen. o pagamento dos juros saiu da recessão em 2009 foi porque as também aumentou muito. conseguiram mais lucros aqui do que em suas matri. decidiram semais do que gastou com saúde e edufortemente no setor guir investindo no país para continuar cação juntas. controlada por bilhões em 2009. vialucros. Somente o mercado março) houve um déficit nas contas correntes do país no interno não bastaria para essas multinacionais. hoje uma multinacional. ao caracterizar a recuaos banqueiros quase cinco vezes peração internacional. é 36% de todo o orçamento geral do pelas empresas uma plataforma de exportação de propaís. de lucros das multinacionais em particular). está estreitamente ligado à dinâmica dos capitais especulaOs reflexos dessa postura sobre o endividamento do tivos de todo o mundo. o mercado acionário brasileiro guir atraindo as grandes empresas. Ou seja. Algumas delas. As exportações caíram de 197 vestindo fortemente em todo o país. primeiro trimestre de US$ 12. do entregue aos banqueiros para pagar controlam a indústria a dívida. Foi assim com A crise deixou reflexos na econona construção civil. Injetou 300 bilhões de dinheiro público nas Além disso. de supermercados e ocupando este espaço. as fronteiras econômicas foram abertas empresas. US$ 24. química. qual foi o papel do governo lula 11 . A soma das dívidas externa e interna do ritmo da Bolsa de Nova Iorque. O país tem um merros R$ 380 bilhões (dados da Auditoé completamente cado interno importante. O governo brae penetraram fortemente no setor de supermercados e na sileiro se comportou como mandaram as multinacionais construção civil.) para todo o mundo e de minérios Já os gastos com saúde foram de (em particular ferro. E junO primeiro motivo pelo qual o Brasil to com isso. ao contrário de ria Cidadã da Dívida).do superávit comercial e o aumento das remessas de lucros sas achassem que a crise internacional se aprofundaria e das multinacionais (2. como as automobilístiO resultado é que ao país deve ter em 2010 o maior décas. que compõem a dívida pública se ampliou. acompanhando dia a dia o mesmo país são graves. para ajudar as multinacionais e os banqueiros. Foi bilhões de dólares em 2008 para 152 assim com a Vale.6 bilhões. indicam uma redução ainda maior. não teve nada a ver com os interesses nacionais ou gens internacionais) e transferências unilaterais (remessa preocupação com o país. Ou seja. o menor desde 2002. soja.controlam a indústria automobilística. farmacêuO papel do governo nessa história é importante. Controlam o agronegócio não foi o que determinou o curso da crise.1 bilhões de dólares. agronegócio (carne. país. assim o decidiram. O superávit comercial em 2009 foi de fundos estrangeiros.ficit em contas correntes desde 1947. mas tica e alimentícia. As contas correntes zes nos EUA ou Europa. para a China). Em 2009 A economia brasileira o governo Lula pagou aos banqueigrandes multinacionais decidiram seguir investindo no país. mais que um terço de dutos industriais (automóveis.88%. Isso significa dominada outros países dominados. Além disso. o que projeta um déficit anual de 50 bilhões de dólares. Por último. etc. entre outras. Foi uma decisão em defesa de seus incluem a balança comercial. 4. As previsões para Esse é o primeiro e principal motivo pelo qual o país 2010. elas domésticos) para a América Latina. e os bancos.64% e com a educação 2.

o que vai depender também da evolução da luta de classes naquele continente.o governo endividou mais o país. a evolução da economia brasileira pode ser completamente diferente. Não existe a possibilidade de uma evolução semelhante á ocorrida na década de 1930. que não permitirá qualquer reajuste salarial para o funcionalismo e anunciou a perspectiva de vetar o fim do fator previdenciário. A avaliação que temos da economia internacional é que entramos em um longo período recessivo. com uma dinâmica de aprofundamento maior. Caso exista uma crise grave. que vai perdurar por muitos anos. Se os governos europeus da Espanha. R$ 10 bilhões. Agora quer fazer os trabalhadores pagarem esse dinheiro. Declarou. São claros sinais de que Lula quer descarregar os custos da crise sobre os aposentados. como os terremotos ou inundações. nada. que afete não só a Europa. Mas a crise atual já é uma demonstração de que toda a propaganda de que a crise acabou não era mais que isso: propaganda e muito bem paga. quando ocorra uma nova crise. são os trabalhadores que estão pagando hoje os custos da crise de 2008-2009. Mas já existem reflexos neste momento da crise européia. a crise brasileira seria muito maior do que a ocorrida em 2008-2009. agravando as contradições já existentes. O governo brasileiro se endividou para entregar 300 bilhões às grandes empresas no período anterior. Nem sequer defendeu os demitidos da Embraer. mesmo podendo fazê-lo legalmente pelo peso do estado na empresa. Tudo vai depender da gravidade da mesma e da disposição das empresas multinacionais. Mas não foi Lula – ao contrário do que pensam os trabalhadores – que impediu que a crise seguisse. Foram as grandes multinacionais que controlam a economia do país que decidiram. São frutos do capitalismo. Lula se dispôs a enviar quase 300 milhões de dólares para supostamente ajudar a Grécia (leia-se os bancos desse país). votado no congresso. Os aposentados devem receber como uma bofetada o compromisso do governo de entregar 10 bilhões de dólares ao FMI. como se sente hoje nas fábricas. e ao mesmo tempo quer congelar os salários do funcionalismo. o país antes das eleições. enquanto deve vetar o fim do fator previdenciário. Nesse caso. Junto com isso. já prevendo uma nova agudização da crise. E aí teremos uma situação para os trabalhadores que pode ser muito mais grave que na crise passada. Mas também podemos dizer que é bastante provável que uma nova crise atinja o Brasil durante o mandato do novo governo eleito em outubro. O país depende cada vez mais da entrada de capitais estrangeiros para manter a economia. arrebentando as aposentadorias e cortando os gastos sociais. Nenhuma medida de garanti do emprego. também impuseram um ritmo de trabalho ainda maior. Os reflexos atuais da crise: o governo ataca os trabalhadores Uma nova crise pode ser diferente Caso exista uma nova crise. Ou seja. ampliando a superexploração dos trabalhadores. Os ataques aos salários e empregos dos trabalhadores serão muito maiores. que faz a sociedade trabalhar para garantir altos lucros 12 . Isso é mais uma mostra do que seria possível em um futuro governo Dilma ou Serra. ou mais precisamente um novo momento da crise. O grau de internacionalização da produção e controle das multinacionais é muito maior. em que ainda existia um espaço para o crescimento nacional mesmo no meio da crise internacional. também. funcionários públicos e trabalhadores em geral (que serão afetados pelos cortes nos gastos sociais). A situação atual da economia brasileira (ainda crescendo fortemente) e dos EUA e China (também crescendo) indicam a possibilidade mais provável que a crise não atinja Estamos discutindo a perspectiva futura de uma nova crise no país. mas a China e os EUA. Portugal e Grécia estão impondo cortes entre 5 e 30% dos salários dos trabalhadores. as multinacionais podem decidir parar de investir no país. A crise europeia pode se generalizar ou não. imaginem o que podem fazer Dilma Rousseff ou José Serra. para evitar os efeitos de uma nova crise é preciso romper com o imperialismo As crises econômicas não são produtos da natureza. o governo cortou R$ 21 bilhões do orçamento federal e agora anunciou mais cortes. Pode haver ciclos de crescimento anêmico seguidos de novas crises. Para os trabalhadores. No início do ano. Não veremos um ascenso econômico como aconteceu na década de 1990 ou no início desse século por algum tempo.

Teríamos também condições de financiar a reforma agrária. sob controle dos trabalhadores. Mais 160 bilhões poderiam ser utilizados para triplicar os gastos de Saúde e Educação do governo em 2009. habitação. Temos de deixar de pagar as dívidas externa e interna. para se ter certeza da necessidade de deixar de pagar essas dívidas. Basta pensar no impacto social desses planos no desemprego. Ao contrário. É possível evitar uma nova crise no Brasil. Esse plano de obras públicas poderia absorver os desempregados do país. Não existe maneira de terminar com as crises sem romper com o capitalismo. os bancos e as grandes empresas multinacionais que controlam o país. Só assim a decisão sobre investir ou não no país poderá ser feita aqui e não nas matrizes dessas empresas. O que poderia ser feito com o dinheiro das dívidas Deixar de pagar a dívida aos banqueiros possibilitaria ter dinheiro para investir em um plano de obras públicas para a construção das seis milhões de casas populares necessárias para resolver o déficit habitacional do país. 13 . (custo total de R$ 72 bilhões). será fundamental acabar com a dominação imperialista do país. saúde e educação. educar a juventude.para as grandes empresas. Podemos evitar que os salários sejam reduzidos e milhares e milhares de empregos perdidos. Mas para isso. alimentar nosso povo. Só assim poderemos reinvestir os enormes lucros conseguidos por essas empresas. podemos melhorar qualitativamente nossos salários e garantir emprego para todos. reforma agrária. com assentamento de seis milhões de famílias (apoio de vinte mil reais cada) e um gasto total de 120 bilhões. E temos que avançar para estatizar. morar com dignidade.

essa ideia vigora até hoje e foi comprada por boa parte da esquerda. como veremos. temos que levar em conta as especificidades do desenvolvimento econômico do país. culpa do próprio trabalhador e de sua baixa qualificação. necessariamente. a OMC e o Banco Mundial. de um lado. através de organismos como o Fmi. das rígidas regras do mercado de trabalho e. através de organismos como o FMI.Um programa socialista para o pleno emprego Nos anos 1990. essa ideia vigora até hoje e foi comprada por boa parte da esquerda Diego CrUz. marcado e determinado por sua posição subordinada na economia internacional. na década seguinte com o avanço do neoliberalismo. romper com o capitalismo e sua lógica. Um governo que queira promover o pleno emprego de fato deve. como fenômeno de massa. Primeiro como colônia e depois como uma semicolônia. É uma conseqüência do capitalismo. Formação do mercado de trabalho no Brasil Para entendermos o processo de formação do mercado de trabalho. de outro. alardearam a ideia de que o desemprego em massa que vitimava o Brasil e todos os países “subdesenvolvidos”. a burguesia e o imperialismo. que necessita de um exército industrial de reserva que mantenha N os salários baixos. a omC e o Banco mundial. que sempre beneficiou o capital em detrimento do trabalho. porém. a 14 . expulsos do campo pela concentração da terra. Nos países centrais a mão de obra assalariada surge com a proletarização dos pequenos produtores rurais. seria fruto. de outro. infelizmente. de um lado. o excedente da mão de obra no país foi sempre uma constante desde o início da formação de um mercado de trabalho. seria fruto. Infelizmente. O desemprego no Brasil foi visto primeiramente como um problema social nos anos 1980 e. Porém. No Brasil. culpa do próprio trabalhador e de sua baixa qualificação. A massa de desempregados hoje não tem nenhum causa “natural”. bancos e latifundiários. um índice mínimo de desemprego chega a ser uma política de Estado. jornalista do opinião Socialista com especialização em economia do Trabalho e Sindicalismo os anos 1990. alardearam a ideia de que o desemprego em massa que vitimava o Brasil e todos os países “subdesenvolvidos”. das rígidas regras do mercado de trabalho e. colocando o direito ao trabalho acima dos lucros das grandes empresas. a burguesia e o imperialismo. Nesse sentido. assim como uma legislação frouxa.

sem maiores problemas. Fato é que. Dos anos 30 aos 80 o país se industrializa e se urbaniza num ritmo tão rápido que talvez só encontre paralelo com a Coreia do Sul e. o país registra a entrada de quase um milhão e meio de imigrantes. mais recentemente. demitir em momentos de baixa e contratar quando precisasse. o país desenvolveria o mercado interno e o setor industrial. politicamente. dos quais 68% em atividades não-agrícolas. uma outra vantagem para o trabalho livre assalariado era a de permitir ao cafeicultor dispor da mão de obra de acordo com suas necessidades. mas. temos então um mercado de trabalho bastante incipiente. então. com 70% habitando o campo. com uma relativa independência do país em relação às grandes potências. com o início da industrialização. Além disso. apesar das profundas mudanças ocorridas nessas décadas. mantendo suas margens de lucro. Pelo contrário. o imperialismo inglês vai dando lugar ao emergente imperialismo norte-americano. A ausência de reforma agrária e a manutenção da estrutura fundiária produzem uma massa de pessoas que vão formar os cortiços e favelas dos grandes centros urbanos. se expressa no fim da República Velha e na revolução de 1930. Entre 1888 e 1900. Outro motivo para a política de imigração é a de constituir já um excedente da força de trabalho. são gerados 7. Assim. Nos anos 70 o emprego industrial tem uma expansão de 8. Tal urbanização e industrialização. entre 1968 e 1973. não impede o desemprego e a miséria. que possa consumir os produtos estrangeiros. “Tendências recentes nas relações de Emprego no Brasil” – Cesit –Unicamp). que limita a expansão da economia cafeeira. Até 1930. Para uma economia altamente instável como era a economia cafeeira do início do século XX (determinada pelos movimentos do mercado internacional). O trabalho assalariado inicia então com a substituição da mão de obra escrava por trabalhadores imigrantes nas lavouras de café. por outro “o intenso desenvolvimento do capitalismo no Brasil mostrou. no final do século XIX. no período. É só a partir de 1930. Podia-se.terra sempre foi concentrada. Mesmo o grande crescimento econômico observado nos anos do chamado “milagre brasileiro”. Tal mudança ocorre por diversos motivos: escassez do trabalho escravo (que vai causar o aumento do preço do escravo e consequentemente. a necessidade de se formar um mercado interno. Para se ter uma ideia. se por um lado “o dinamismo econômico possibilitou uma mobilidade social ascendente”. O Brasil constituía na época um país de economia agrário-exportadora baseada no café e submetida ao capital inglês. permite um rápido desenvolvimento industrial. a ideologia racista e a tentativa do “branqueamento” da mão de obra do país (daí a preferência por imigrantes europeus a escravos recém-libertos). após a crise de 1930 e o governo Vargas. característica que sempre vai ser estrutural no Brasil. Nesse período. isso era vital. porém. sobretudo. como o ABC paulista. A fase populista e desenvolvimentista. Os próximos cinquenta anos marcam uma profunda transformação no país. Os anos de industrialização A crise de 1929 marca o declínio da hegemonia da burguesia cafeeira no Brasil. são anos marcados pelo aprofundamento da desigualdade social e. O Brasil que é pego pela crise dos anos 70. passando do governo Vargas à chamada “industrialização pesada” do governo JK. assim. formada principalmente por mão de obra imigrante e concentrada nos centros urbanos. Forma-se então um proletariado concentrado em algumas regiões urbanas. Processo que. Entre 1940 e 1960. Embora não se possa considerar a nova burguesia industrial antagônica à velha oligarquia cafeeira. uma incapacidade de absorver uma parcela crescente da força de trabalho” (Dari Krein. já é um país majoritariamente urbano e industrializado. Ao mesmo tempo. A onda de imigração se mantém forte até pelo menos 1930. a população e a força de trabalho vão migrando do campo para as cidades. aumento dos custos de produção). é possível manter baixos salários e se contrapor a movimentos grevistas. impulsionado por uma conjuntura internacional favorável. Precisava exportar para ter divisas e pagar empréstimos e investimentos internacionais. já que foi a própria acumulação do café que criou as condições para o início da industrialização. Isso significa que. secundarizando o setor agro-exportador enquanto eixo dinâmico da economia. principalmente no final da década. a população do país em 1920 era calculada em 30 milhões de pessoas. desigual. não foram capazes de absorver toda a força de trabalho vinda do campo. mantêm-se as características estruturais do mercado de trabalho ob- 15 . pela carestia e o arrocho.5% ao ano. Isso se reflete no mercado de trabalho.9 milhões de empregos. Como afirma o professor Dari Krein. que vai se estruturar minimamente um mercado de trabalho nacional. a China.

ele se torna um fenômeno de massa” (Krein). A concorrência internacional e a entrada dos produtos chineses. parecido ao que iria ocorrer durante a década de 1990. Só na indústria 1. O mecanismo da dívida externa se torna o principal instrumento de dominação imperialista e o governo brasileiro impõe uma política recessiva para pagar os credores internacionais. o governo FHC e. Na década de 1970.servadas na transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado. sob o governo FHC.922. começa a ter significativos resultados. No Brasil. Mas nada. prosseguindo com as privatizações de FHC e uma política de câmbio valorizado que favorece as importações. inicia uma relocalização na divisão internacional do trabalho. o neoliberalismo e o desemprego em massa Após o período de crescimento acelerado. serão já 6. o total de desempregados contabilizados pela Pnad é de 1. ou melhor. baratos devido à superexploração dos trabalhadores daquele país. uma desculpa para impor medidas como a jornada flexível através do banco de horas. o país vive ano de crise. Em 1989. sobretudo. o governo vai impulsionando o setor agro-exportador. a posição ocupada pelo país permite um certo dinamismo interno. própria do período de industrialização” (Denis Gimenez “Ordem Liberal e a Questão Social no Brasil” – Cesit Unicamp). parte da força de trabalho passa a ser absorvida por setores como serviço. Mesmo com essa conjuntura externa favorável. Os anos 1980. porém. o Brasil também avança enquanto plataforma de exportação de produtos industriais 16 . Aproveitando a conjuntura de crescimento econômico mundial. O desemprego no governo lula No final da década de 1990 o Brasil. Tal argumento. Aliado a isso.4 milhão de empregos deixa de existir. comércio ou os serviços públicos. Posição típica de um país semicolonial. que se refletem no mercado de trabalho.891. não passa de uma falácia. esse período começa com a abertura econômica de Collor.619. De mercado consumidor de produtos importados e destino prioritário de capitais especulativos (remunerados com escoarchantes taxas de juros). Ocorreu o que especialistas chamam de “desestruturação do mercado de trabalho”. posteriormente. os contratos temporários. Apesar disso. que inundam o mercado interno e extinguem milhões de empregos. Aos poucos. parte majoritária do sindicalismo (Força Sindical. com dinheiro público. no início dos anos 80. A ofensiva imperialista recolonizadora se expressa através de uma política neoliberal que avança sobre os direitos e. o desemprego aparece já como um problema social e econômico na primeira crise depois de completado o processo de industrialização pesada. favorecido pelo aumento do preço das commodities. alternando parcos momentos de baixo crescimento com anos de recessão. A ideologia neoliberal credita as altas taxas de desocupação ao que seria uma rigidez exagerada nas regras de contratação e propõe a flexibilização dos di- reitos. aperto fiscal e Superávit Primário.241. Em 1998. O desemprego avança de forma sem precedentes na história do país. os empregos. com a primeira grande crise do capitalismo internacional após 1929. aumentam o trabalho precário e explode o índice de informalidade. Lamentavelmente. “O país rompe com a trajetória de incorporação acelerada das massas via mercado de trabalho. Outro fator apontado pelo pensamento neoliberal como causador do desemprego seria a baixa qualificação do trabalhador brasileiro. porém. promove “cursos de qualificação” para uma reinserção do trabalhador no mercado. além de uma série de outras medidas que submetem cada vez mais o trabalho às diretivas do capital. a terceirização. ainda mais perverso. “Dado o aumento da população ativa absorvida no mercado forma ou informal e a não existência de um sistema de proteção ao desempregado. aplicam uma política neoliberal claramente recessiva. a crise econômica e a estagnação da indústria fazem surgir o desemprego. mas também a CUT) compra e reproduz essa tese e. Nos anos seguintes. como um problema social. a economia do país mostra seu caráter dependente. Tal aspecto. o governo Lula. a Balança Comercial do país vai diminuindo o gigantesco déficit que marcou a década anterior e. A partir dos anos 90. vão pressionar ainda mais o rebaixamento dos salários e direitos. e o correspondente aumento da demanda de produtos primários. com juros altos. ou seja. talvez pela primeira vez no país. Com a estagnação da indústria. como produtos agrícolas e minério. o Brasil ocupou o papel de fornecedor desses produtos de baixo valor agregado. joga a responsabilidade pelas altas taxas de desemprego para o próprio desempregado. além do desemprego. ainda que limitado.

apesar da política econômica do governo. ao mesmo tempo em que recoloca o país na condição de fornecedora de matéria-prima. o que seria “a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica. e o desemprego pouco se alterou. a renda é inferior anos 90” (Denis). permanece alto e não acompanha esse crescimento. O governo Lula e a grande imprensa comemoram o que chamam de “maior período de crescimento desde o milagre brasileiro”.1%. Na verdade. por exemplo. quando ocorria uma onda de demissões. um relativo crescimento do PIB. trata-se de uma taxa de desemprego mínima a partir da qual começam a faltar trabalhadores em diversas funções.1% do PIB. “O desemprego é praticamente o mesmo da década passada. em março de 2002”. ou seja. expõem de forma explícita o caráter dependente e frágil da economia brasileira. os empregos gerados foram em sua grande maioria aqueles com os mais baixos salários. como causa uma onda de demissões. as taxas de desemprego sofrem pouca variação. deve sempre existir uma taxa mínima de desemprego para que não haja pressão sobre os salários. “O crescimento das exportações ao estimular a produção fez ampliarem-se o emprego e a renda o que junto com o endividamento das famílias provocaram aumento do consumo e do investimento” (Carta Social – Mercado de Trabalho – Cesit) Entre 1999 e 2004. A relativa redução da taxa de desemprego nos últimos meses foi um dos prin- 17 . Isso porque a atual taxa de desemprego do país já estaria pressionando os salários e os custos de produção. A crise econômica e os seus efeitos no mercado de trabalho. incentivado pelos subsídios. Mesmo com esse crescimento. constitui ainda um fator de pressão para que os salários continuem baixos. o que bastou para declarações efusivas do governo. Setores do mercado e do governo já prevêem crescimento de 6% a 7% este ano. O ano fecha uma variação de 5. a enorme massa de desempregados. há a geração de quase 7 milhões de empregos com carteira assinada. também permitiu o desenvolvimento. basicamente os anos de governo Lula é que a posição do país na economia internacional. o Brasil é atingido pela crise econômica internacional em outubro.3% segundo o IBGE. Não houve mobilidade social. Para eles.9%. O mercado de trabalho e o ritmo da economia. Paulo de 20 de maio. É isso que possibilita. porém. levando à alta de salários. o desenvolvimento do mercado interno e até mesmo uma limitada recuperação dos empregos na indústria. O fato é que o padrão de crescimento dos últimos anos pouco tem a ver com o observado nos anos 70. Desta forma. assim. “Analistas já veem o país no pleno emprego”. de 7. que atiçam a inflação”. Além disso. De acordo com matéria publicada pelo jornal Estado de S. No entanto. Elementos como a flexibilização e alta rotatividade permanecem. “esquecendo-se” que tal índice se refere à 2009. porém. e não “exuberante” como destacou Lula. Mesmo assim. o país estaria finalmente conseguindo superar as duas últimas décadas e caminhando rumo ao desenvolvimento econômico e ao pleno emprego. porém. do mercado interno. mas também a pressões de custos. cresce de forma muito mais rápida que o emprego. Seria mesmo assim? Não para alguns economistas e para setores do governo. o país cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010. o Brasil já contaria com pleno emprego. Isso porque o pleno emprego aqui “não significa que todo mundo que procura trabalho seja bem-sucedido. ainda que limitado. a indústria parava e o consumo estagnava. essa recuperação ficou longe de promover uma recuperação ao que foi o desastre dos anos 1990 no mercado de trabalho. Em 2008. Isso que possibilita o relativo crescimento do PIB nos últimos anos. apresentam situações contraditórias. O nível de desemprego. Em 2007 fica em 8. que fecha o ano com uma expansão de 6%. O desemprego hoje Impulsionado pelo consumo do mercado interno. mesmo com a nova conjuntura. com o governo Lula concedendo pesados subsídios e isenções aos bancos e indústria. o que indica o aumento na exploração dos trabalhadores. O que se pode observar nesse período.à América Latina. O grande contingente no exército industrial de reserva. O anúncio do crescimento do PIB veio acompanhado do resultado do desemprego no mês de abril. o ritmo da produção. ainda que conjuntural. há de se reconhecer de fato que a economia passa por uma fase de crescimento. Isso significa que. A partir de 2007 observa-se a aceleração do crescimento do PIB. o que não só interrompe o crescimento acelerado. quase o mesmo índice do ano anterior e só em 2008 tem uma pequena redução e fecha com 7. O país só iria começar a se recuperar dos efeitos da crise na metade de 2009. para o mercado e os empresários.

não estariam nos 3% que é comumente considerado (PED). O pleno emprego no Brasil.3% de desemprego. que deve existir a fim 2008 (14.1%).seja de 8%. Banco Central. os empregos prego no Brasil não é apenas uma por exemplo. De acordo go. só é considerada desempregada aquela pessoa tência.imigração em massa de mão-de-obra. economista do Santander.1%). Embora a taxa de 13. quase o dobro A estimativa da instituição é de que a do índice da PME.3% na taxa de com o observado do intervalo de 7. de garantir tranqüilidade aos empresáA enorme massa rios e impedir a alta dos salários e a O mercado de trabalho pouco de desempregados mudou ameaça dos lucros. não existe uma índice nacional tural e a força de trabalho excedente mensal que capte as variações do deé garantida por sucessivas políticas de semprego. a Pesquisa de Emprego e Desemprego ma. Não pelo próprio Banco Central (BC). como existem taxas de inflação e meta mesmo com as recentes reduções.mão-de-obra no país foi uma constante em toda a sua existo”. Brasil.a definição mais Paulo. para o indicador. O desemprego é. maior que pouco se alterou. tenta captar o chamado desemprego por desalento (a trabalho). diz Criscom a PED. O que é mais divulgado é a Pesquisa Mensal de Estado. uma política de Estado. popara que os salários semprego. Se no início do século XX isso se dava através da Emprego (PME) do IBGE. hoje o Banco Cenlitanas e utiliza critérios bastante limitados para definir a tral chega à sofisticação de estabelecer índices mínimos situação de desemprego.3% início de 2008. do seu início aos dias de hoje. critérios utilizados para defini-lo. desta forOutra pesquisa. Na verdade. de Superávit Primário. a observada no período gerados foram em questão teórica. o caráter “flexível” da Isso porque a PME capta o chamado “desemprego aber. elevar a taxa de juros. partindo também das regiões metropolitamínima que expressa a movimentação natural da força de nas. Fazendo uma rápida análise da siconstitui ainda um qual o desemprego real? tuação do mercado de trabalho no Brafator de pressão Quando analisamos o nível de desil. Assim Fato é que o desemprego total. a PED registrou precisa usada hoje para pleno emprego 13. já usa oupleno emprego nos países centrais (a taxa de desemprego tros critérios e.5% a 8. No A primeira.” em abril seja menor que no mesmo houve mobilidade Observa-se então que o pleno emmês dos últimos anos. a taxa de desemprego total o padrão de tiano Souza. crescimento dos “taxa neutra”. por exemplo.5% calculado desemprego observada no mesmo penos anos 70.e 65 anos) e que tenha procurado serviço na semana em peraquecimento da economia. baixos salários. ou seja.2%. em termos econômicos’. no ríodo de 2009. antes nômica. bem no meio pequena redução de 1. existe a taxa continua alto. que o desemprego é estrucontinuem baixos. Apenas uma pouco tem a ver . realizada pelo Dieese e Fundação Seade. como deixa claro outro trecho da situação em que o trabalhador desistiu de procurar empremesma matéria: go) e o desemprego por situação precária (o indivíduo que “’Já caímos abaixo do pleno empresobrevive através de bicos). o que levou o Banco Central que houve a pesquisa. ou “taxa não inflacionáNa região metropolitana de São últimos anos ria” de desemprego . Da mesma forma.3%. que pesquisa as regiões metropo. conjuntura em de do fim do desemprego nos marcos que o país passava por uma crise ecosua grande maioria do capitalismo.cipais indicadores que fez soar o “perigo” do suposto su. devem-se levar em conta os demos chegar a algumas conclusões. fechou o ano e o desemprego mínima de desemprego calculada pelo com uma taxa de 14. de desemprego. que faz parte da População em Idade Ativa (PIA – entre 10 Podemos ainda rechaçar alguns mitos que se construí- 18 . social. de uma impossibilidaem 1991 (de 13. aqueles com os mais disso. Em 2009. em abril foi de 13. ela é maior que. mas em 8%.

Na prática. o crescimento seria bom tanto para os empresários quanto para os trabalhadores. Só para lembrar. na região Norte a renda per capta mensal é de apenas R$ 66 e no Nordeste de só R$ 65. tanto em anos de recessão quanto de crescimento. Estudo recente apresentado pelo próprio governo. a chamada “política social focalizada”. O governo apostou então todas as fichas no Bolsa Família.25%). A política social seria então voltada a esses focos de miséria. numa economia de mercado. Apesar disso. São características estruturais que os últimos anos de crescimento não alteraram. E talvez ainda mais perversa. atingindo um total de 44 milhões de pessoas. teria obrigação somente de garantir assistência àquelas famílias miseráveis. Os neoliberais. logo no primeiro ano de mandato. esse setor ganhou força no país. ainda mais nesses últimos vinte anos. Recentemente. mas que acabou abandonado logo depois. Uma vez eleito. por exemplo. O mercado de trabalho que temos hoje apresenta um alto índice de desemprego. O Norte e Nordeste concentram 60% dos mais de 12 milhões de famílias beneficiadas pelo programa. Isso porque o Bolsa Família. assim como os custos de contratação e demissão estão longe de ser impeditivos para o emprego. e explorou a fundo essa questão. de acordo com a lógica do Banco Mundial. Focalizada. Ou seja. um programa que constituía. O Bolsa Família é a solução para o desemprego? Lula foi eleito em meio a uma enorme expectativa de mudanças profundas na condição de vida dos trabalhadores. O equivalente a apenas 3% do total pago pelo governo no ano passado em juros e amortização da dívida pública. de R$ 70 mensais. tendo como pressuposto de que. o va- 19 . o desemprego foi estrutural e as desigualdades só aumentaram. como nas terceirizações e nos trabalhos temporários.75% para 4. porém.ram e que ainda persistem hoje em relação ao desemprego. contando ainda com um avanço do trabalho precarizado que se apresenta de diversas formas. sendo o principal deles o Bolsa Escola. Fosse assim não haveria a alta taxa de rotatividade que existe hoje. tem como único objetivo ser uma espécie de “colchão” a possíveis revoltas de famintos e miseráveis. Abaixo da linha de miséria estabelecida pelo governo. é tão falsa quanto o mais radical neoliberalismo. com uma estrutura mínima. durante a campanha que daria a sua primeira vitória à presidência. A fim de garantir um mínimo aspecto de “governo popular”. No Brasil. aponta. na verdade. Essa ideia. Essa política substitui a noção de serviços públicos universais pela de assistência aos miseráveis. Lula aumentou a meta de Superávit (de 3. Eles consideram a criação de postos de trabalho uma mera conseqüência natural do crescimento econômico. através do Ministério do Desenvolvimento Social. apesar de toda a propaganda oficial. o Estado não deve garantir serviços básicos a toda à população. assim como de informalidade (que supera os 50% do total de ocupados). que seria a vitrine do novo governo. uma das principais promessas era justamente a criação de “10 milhões de empregos”. Outra tese que não resiste aos fatos é a ideia apregoada pelos desenvolvimentistas. assim como de supostas dificuldades de demissão. com a crise econômica. Não é à toa que. é extremamente limitado. a CUT e a Fiesp na reivindicação de que o governo cortasse imposto e subsidiasse a produção. é exatamente o contrário. existirão inevitavelmente famílias miseráveis precisando da ajuda do Estado. pois tende a esconder a luta de classes e enganar os trabalhadores. sem condições de sobreviverem por si próprias. que o Bolsa Família não consegue nem mesmo tirar as famílias beneficiadas da situação de miséria. apesar de o número de pessoas beneficiadas ser alto. em 20002. pois. que afirma que o crescimento econômico seria a condição primeira para a redução do desemprego. e impôs a reforma da Previdência no setor público. unindo. O mercado de trabalho sempre foi flexível. A verdade é que. Lula aplicou uma política neo- liberal ainda mais rigorosa que FHC. tal como saúde ou educação. Ou seja. O Estado. uma junção de uma série de programas sociais do governo FHC. O PT tinha plena consciência de que o desemprego era o principal problema social enfrentado pelos brasileiros. A realidade é que é muito fácil demitir. Lula investiu nos programas sociais tais como o Primeiro Emprego (voltado à juventude) e o Fome Zero. O Bolsa Família garante uma pequena ajuda às famílias em situação de pobreza ou miséria e segue à risca àquilo que o Banco Mundial defende aos países subdesenvolvidos. porém. ou R$ 380 bilhões. Repassa apenas R$ 12 bilhões (dados de 2009) a 12 milhões de famílias. que afirmam que o desemprego é fruto de um rígido regramento do sistema de relações de trabalho no país e dos altos custos de contratação. porém.

Desde os anos 70 e a crise do petróleo. as condições de produção e tecnologia são bem diferentes daquelas do século XIX. como na Alemanha nazista ou na Europa do pós-guerra. e não em favor do trabalhador. uma das principais lutas foi pela redução da jornada de trabalho. no entanto. Segundo o próprio presidente do IPEA. inchou os grandes centros urbanos e relegou milhões de pessoas à miséria. Atualmente. o agro-negócio emprega 2. cumpre uma jornada maior que a permitida pela legislação. é hoje uma das principais causas do desemprego. Por isso. é necessário. o grande latifúndio serve às multinacionais que produzem para exportação. Para se enfrentar o problema. a jornada média semanal dos trabalhadores da indústria na região de Recife. Marcio Pochmann. se incrementa a produção nos momentos de aquecimento com horas extras ou banco de horas. 76% das terras agricultáveis do país estão nas mãos do agro-negócio. Desta forma. a Constituição de 1988 estabelece a jornada máxima de 44 horas semanais.lor (R$ 140 por família em média) é muito baixo e incapaz de tirar as pessoas da pobreza. os trabalhadores do comércio trabalham em média 46 horas. Por outro lado. o avanço da técnica. Geralmente. Apesar disso. Em pleno século XXI. O governo Lula não só não faz a reforma Agrária. Grande parte dos trabalhadores. trabalha-se mais do que a própria legislação permite. No entanto. sem redução dos salários ou direitos. todo avanço tecnológico que vem no sentido de aumentar a produtividade é utilizado em benefício do incremento do lucro do capitalista. de grande fornecedora de produtos agropecuários para o mercado internacional. Estudo de Frei Sério Görgen. no entanto. plano de obras públicas O emprego é um direito e. É um dos pilares para a condição do país enquanto semi-colônia. adotando medidas que estabeleçam uma transição para uma economia planificada. vítimas do neoliberalismo. é de 47 horas (em 2008). Ocorre que. Segundo o IBGE. aponta Desde o início da industrialização e do movimento operário. já que um operário hoje pode produzir muito mais em menos tempo. deve-se necessariamente romper com o capitalismo. mas nem para isso o Bolsa Família serve. por exemplo. mas rendeu apenas maiores lucros aos empresários. Na região de São Paulo. apenas 30% dos alimentos consumidos pelos brasileiros vêm dos grandes latifúndios. deve ser garantido por um governo e um Estado dos trabalhadores. como tal. porém. assim como boa parte da esquerda hoje. A produtividade não tem comparação. Um programa social emergencial destinado às famílias miseráveis. como elegeu os grandes produtores como um de seus principais parceiros. a maior parte é produzida pelas pequenas e médias propriedades. em boa parte das grandes empresas. da Via Campesina. A expulsão das famílias do campo para as cidades criou as favelas. o desemprego crônico foi se tornando o maior problema social que aflige os trabalhadores de todo o planeta. A situação dos milhões de famílias que não tem sequer o que comer só vai mudar quando houver emprego e salário digno para todos. segundo o IBGE.5 milhões de novos empregos. Hoje. não faz sentido hoje uma jornada de trabalho maior que 12 horas semanais. Entre 1988 e 2008. a redução para 40 horas semanais poderia significar 2. já se trabalha 40 horas semanais ou algo próximo a isso.4 milhões de pessoas. Como parte de um plano emergencial para a erradicação do desempre- 20 . Segundo o Dieese. defendemos a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais. ao mesmo tempo em que ajuda a produzir mais. que uma profunda reforma Agrária teria a possibilidade de criar 21 milhões de novos empregos no campo (empregando 15 pessoas a cada 100 hectares). o governo Lula abdicou. em Recife. redução da Jornada de Trabalho Um programa socialista para o emprego O pleno emprego só existiu em momentos bastante específicos na história do capitalismo. além disso. Num país semi-colonial como o Brasil esse problema é ainda maior. 50. Segundo o Dieese. como: reforma agrária A ausência de reforma Agrária e a manutenção de um dos maiores índices de concentração fundiária no planeta constituem uma das razões históricas para os altos índices de desemprego no Brasil. No Brasil. Essa política de pleno emprego. a produtividade da indústria aumentou 84%. Tal aumento poderia ter significado redução da jornada. sob o comando dos trabalhadores. com salários baixos e péssimas condições de trabalho. ou “heróis” segundo a própria definição do presidente. no capitalismo.

Tal valor representa 25%.200 demissões da Embraer e as 1. chegaríamos ao custo aproximado de R$ 2. A razão é simples. 21 . para manterem um bom lucro aos acionistas. acima da média atual de grande parte do funcionalismo público. que pudesse.00 em maio de 2010. no início de 2009. não hesitam em mandar embora milhares de trabalhadores. Somando os encargos. propomos um plano de obras públicas.157. estatização das grandes empresas A crise econômica internacional que se abateu sobre o Brasil no final de 2008 gerou uma onda de demissões e de redução nos salários. paradigmáticas. como o déficit habitacional de 7 milhões de residências.go. assim como a estatização das grandes empresas. As 4. O recuo nas projeções de vendas das empresas fez com que elas atacassem os empregos e os direitos e salários dos trabalhadores a fim de manterem sua margem de lucro. invertendo a lógica atual e colocando como prioridade não o lucro. Quanto custaria esses empregos? Vamos ter como base o salário mínimo vital calculado pelo Dieese. Um programa dos trabalhadores para o emprego deve apontar no sentido da reestatização das empresas privatizadas. absorver o contingente de desempregados e solucionar os grandes problemas de infra-estrutura do país. nesse aspecto. Assim.700 por trabalhador.2 bilhões ao ano.3 mil demissões da Vale. mas o bem-estar da grande maioria da população. Ambas as empresas são ex-estatais funcionando hoje sob a lógica do lucro. ao mesmo tempo. provendo empregos com salários razoáveis. totalizando R$ 97. em grande parte estrangeiros.1 bilhões ao mês. na ordem de 25% do salário. estimado em R$ 2. Seria possível então absorver todo o contingente de aproximadamente 3 milhões de desempregados das regiões metropolitanas ao custo de R$ 8. ou um quarto do total pago pelo governo em juros e amortização da dívida pública o ano passado. são.

da direção nacional do PSTU Uma parte importante do prestígio do governo Lula vem de certa sensação de alívio presente na sociedade hoje. No entanto. não se ouviu nenhum deles indignado com o crescimento dos lucros das grandes empresas que aumentaram. 394. O DIEESE calcula esse valor todos os meses e nesse momento esse salário deveria ser de 2. O salário médio dos trabalhadores privados de São Paulo (o estado mais rico do país) correspondia a 2. É isso o que está ocorrendo com a demissão de operários antigos para contratação de outros precarizados 22 . O salário mínimo aumentou 53% no governo Lula. no entanto. e sim com o mínimo definido na constituição do país. os defensores do governo vão dizer que não é possível pagar isso. só no primeiro governo Lula. Isso possibilitou a ampliação do consumo de setores mais pauperizados e essa sensação de alívio.157 reais eDUArDo AlmeiDA. Esse é um dos maiores motivos de apoio ao seu governo. Mas é preciso avaliar melhor esses números. Isso é somente para manter os altos lucros das grandes empresas. Se o salário médio está estagnado durante o governo Lula. isso significou uma combinação entre um desemprego menor . O crescimento econômico permite uma base material de comparação com a crise econômica do final do governo FHC.ao redor de 13%. Os patrões e o governo dizem que nossos salários não podem ser aumentados. A comparação que se impõe não é com o mínimo durante o governo FHC. Seria sim possível ter um salário mínimo do DIEESE.uma pequena elevação do salário mínimo. A isso se associa a maior enganação da história da república brasileira: Lula é identificado pelas massas trabalhadoras como um aliado. Essa é a função desse tipo de governo. aumentaram quase exatamente quatro vezes. enquanto houve essa pequena elevação do mínimo. que chamamos de frente popular.233 reais) e em dezembro de 2009 seguia praticamente na mesma (1. é porque os salários dos trabalhadores mais qualificados foram reduzidos.261 reais). porque arrebentaria a economia. saúde para os trabalhadores e sua família. um número ainda muito grande. há uma diminuição dos rendimentos acontecendo com os outros trabalhadores. ou seja. menor que no governo FHC . o Bolsa Família e o crédito consignado. Ou seja.157 reais. o salário necessário para assegurar condições mínimas de alimentação. vestuário. Reajustou pela metade em dois governos. apesar de governar para a grande burguesia. ou seja. desde que fossem reduzidos os lucros das grandes empresas. No governo Lula. Lula tinha prometido dobrar o salário mínimo em seu primeiro governo.380 reais em janeiro de 1985. moradia. em janeiro 2003. já tinha sido reduzido à quase metade (1.Aumentar os salários já! Se o salário mínimo definido pela constituição fosse cumprido hoje ele seria de 2.8%. No início do governo Lula. Mas. Em primeiro lugar. Por outro lado. quatro vezes superior ao atual.

com salários menores. Segundo um estudo de Nazareno Godeiro.quatro vezes maior do que é hoje.144. etc. a GM gasta apenas 8% de seu faturamento com salários. em direção ao salário mínimo definido pelo DIEESE .39 por cada trabalhador no ano de 2009. e por isso ganhou R$ 1. a redução de salários dos petroleiros. 23 . bancários do Banco do Brasil. Nós propomos o aumento imediato de todos os salários.027. E duplicar já o salário mínimo.

Para. “De onde deve vir este dinheiro?”. educação da população e eliminação do inseto transmissor.8%). situação financeira (15. as famílias são obrigadas a recorrer a serviços privados. seria necessário medidas de prevenção e controle. mofo. “A quem interessa o sucateamento do sistema público estatal?”. entre outros). faltam desde recursos como remédios aos mais simples. o tema é a uma das maiores preocupações da classe trabalhadora brasileira. terceirização de serviços e da força de trabalho. “Quanto se deve gastar com saúde?”. com mais de mil e seiscentos e trinta mortos em 2009. além disso. com economia de materiais. goteiras. exemplificado pelas epidemias. infiltrações. luvas.Um programa dos trabalhadores para a saúde o tema saúde será um eixo central na campanha eleitoral de 2010.2% da população entrevistada a saúde é o maior problema enfrentado no dia-a-dia. No caso da gripe A (gripe suína). Em boa parte dos serviços privados a qualidade também é péssima.75 %) e transporte (18. consultas e exames que demoram meses para serem marcada (obrigando as pessoas a recorrerem aos serviços privados). diagnósticos e tratamentos errados. tais como. vale recordar que em 2009 o Brasil foi um dos recordistas mundiais em mortes pela gripe A. seguido pelo desemprego (22. subfinanciamento. comprometendo 6. por mortes evitáveis. Situação previsível se considerarmos que o ciclo natural da dengue apresenta um aumento no número de casos. como gaze. em 2010 vivemos na baixada santista e em Ribeirão Preto. Por exemplo. material de escritório.9%) e violência (14%) CoorDeNAção NACioNAl De SAúDe Do PSTU A saúde representa um peso no orçamento familiar. pois devido ao sucateamento intencional da saúde publica estatal. de dengue no verão e gripe suína no inverno. uma nova epidemia de dengue com mais de 20 mil casos em cada um dos municípios. péssimas condições de infraestrutura (como camas quebradas e/ou enferrujadas. privatização. A partir destas preocupações propomos algumas questões para reflexão: “De quem é a responsabilidade pela saúde da população?”. desmonte dos hospitais universitários. alimentação (20. “Por que diante de tantos avanços científicos e tecnológicos as pessoas ain- 24 . lençóis.44%). e com isso. consultas relâmpago e conseqüentemente. em geral. após habitação (35. Contudo apesar de sua importância o cenário da saúde pública brasileira é de descaso e caos. a cada três anos.49% do orçamento familiar. Para 24. a realidade das unidade de saúde pública incluem: filas sem garantia de atendimento.50%).

portanto. pois por um lado o SUS público e gratuito é capaz de garantir programas que são verdadeiros patrimônios. Um momento histórico de ascenso da luta de classes no país. com um contingente proporcional de trabalhadores empregados. ou seja. Breve balanço sobre o SUS No Brasil vivemos um momento de transição epidemiológica. e. Princípios que são conquistas democráticas.966. “Quem dita os investimentos em pesquisa e tecnologia: o perfil epidemiológico da população (causas que fazem as pessoas adoecer e morrer) ou a demanda do mercado? “Qual a relação de determinadas doenças com o tipo e o ambiente de trabalho e de moradia?”. Outro grande problema na consolidação do SUS foram os sucessivos ataques dos governos neoliberais e atualmente da frente popular. 198 e 200). Contudo os indicadores de saúde apontam que ainda não se deu respostas para problemas de saúde que aqueles países resolveram há 50 anos. É um número significativo e mostra o peso relativo que o setor tem hoje dentro da classe trabalhadora brasileira e na economia. mais um duro golpe no direito à saúde. criado na Constituição de 1988 (artigos 196. No Brasil. tais como mortalidade infantil. Segundo dados do IPEA. fruto de grandes lutas populares desde o final dos anos 70 e dos anos 80 do século XX. que até hoje não garante a universalidade. que combatia a ditadura militar e exigia a redemocratização. Descentralização: as políticas de saúde precisam ser mais democráticas construídas a partir da realidade dos locais. “A burguesia e a classe trabalhadora adoecem das mesmas doenças e da mesma forma?”. Participação Popular: a sociedade deve atuar ativamente na formulação e execução das políticas de saúde. A organização de sistemas nacionais de saúde é uma preocupação mundial. Integralidade: o cuidado à saúde é composto por ações preventivas e curativas. é que milhares de portarias foram editadas pelo Ministério da Saúde e leis aprovadas pelo Congresso Nacional que alteram substancialmente o texto constitucional e a lei orgânica do SUS (8080/90). O SUS foi idealizado como um sistema de saúde nacional e público. país imperialista mais importante do mundo. Neste percentual estamos incluindo não apenas o setor de serviços público e privado. Basta comparar com os Estados Unidos. Além de ser uma necessidade sentida pela classe trabalhadora e um direito conquistado. não existe nada 25 . como a universalidade. A conquista do SUS estava alinhada a um processo de lutas e de mobilizações mais amplas pelo qual passava a sociedade brasileira. que deve tratar dos indivíduos e a coletividade. cânceres.715 trabalhadores (incluindo a rede privada conveniada ao SUS). Assim como seguem formulando políticas como as Fundações Estatais de Direito Privado. moradores das comunidades pobres. e seus princípios incluem: Universalidade: todos têm direito a acessar o SUS. tratamento totalmente gratuito para qualquer pessoa. O SUS foi uma conquista da classe trabalhadora de nosso país. “Qual a relação entre as modificações ambientais e a saúde ? “A saúde na prática é um direito universal de todos os brasileiros?”. mas também o ramo produtivo e de distribuição (indústria farmacêutica e de vendas de remédios). 197. O sistema de saúde brasileiro desde a década de 80 até os dias atuais passou por um processo de reorganização inédito na história das políticas sociais no Brasil. entre outras). temos o Sistema Único de Saúde (SUS). prova disso. Contudo a viabilidade prática desses princípios tem limites importantes na operacionalização do SUS e 20 anos depois o que se vê é um constante processo de retrocesso da proposta original. Processo este expresso pelos princípios do SUS no texto constitucional e na lei 8080/90. O SUS apresenta. conselhos e conferências de saúde.9% do PIB. e com isso cresce o impacto das doenças observadas em países centrais do capitalismo (cardiovasculares. que é uma referência mundial. a população está envelhecendo. atualmente o Sistema Único de Saúde (SUS) emprega 1. o setor saúde tem um peso importante na economia do país. altos índices de tuberculose e hanseníase. inúmeras contradições.da adoecem e morrem de doenças de séculos passados?”. Hoje alguns dos nomes da reforma sanitária brasileira. tais como: Programa da AIDS. envolvendo em torno de 7. mortalidade neonatal. principalmente negros. Mesmo com a aprovação da reforma de saúde de Obama. estão dentro do governo semeando ilusões com táticas como gestões participativas. milhões de americanos continuarão sem garantia de acesso aos serviços de saúde. que cooptou muitos movimentos e ativistas que até então reivindicavam o direito à saúde. recém nascidos com baixo peso e expectativa de vida ao nascer. Outro grave problema de saúde pública é a violência urbana que tem interrompido vidas de jovens pobres. articuladas ao movimento da reforma sanitária brasileira.

a iniciativa privada ficou livre para atuar em serviços já cobertos pelo sistema público. Só quando a pessoa fica efetivamente doente descobre que o convênio não cobre uma série de situações. sabotaram o direito universal à saúde para os brasileiros. além de se alimentarem da venda de leitos e procedimentos para o setor público. Os “empresários da saúde”. não estatizou e nem coibiu a atuação do sistema privado. Fatos que demonstram que o que é publico e estatal pode ser de boa qualidade. não é capaz de responder às necessidades mais sentidas de saúde pela população no geral. A saúde. o SUS herda a privatização. contratados por prestadores privados. e com isso o funcionalismo público é substituído pelos trabalhadores terceirizados. com baixo investimento na prevenção e na educação em saúde. ou seja. 68% eram privados e tinham seu serviço comprado pelo SUS. Programa de imunizações (vacinação). o processo produtivo da saúde num contexto mais amplo no Brasil. A hegemonia privada na oferta de serviços médicohospitalares e a ênfase nas atividades de assistência.2%. que teve como umas das marcas a abertura do país às políticas neoliberais. Se por um lado o SUS demandou a ampliação da presença do Estado na saúde. Com isso. Organizações Sociais (OS). Os concursos públicos são cada vez mais raros. Porém o mesmo SUS. Em 2005. A privatização no setor saúde também se expressa pelas terceirizações que submetem esses trabalhadores a remuneração e condições de trabalho de trabalho diferenciadas. Distribuição gratuita de medicações de alto custo. é essencialmente privado. do total de leitos existentes no país. que inclusive pode ser complementar ao sistema público de saúde. cor dos uniformes e uso de alas diferentes nos restaurantes. Formouse um sistema que por um lado aponta a necessidade da presença do Estado e por outro. recepcionistas bem vestidas e alguma facilidade para marcar consultas especializadas ou exames laboratoriais. representa um grande negócio. o que nos prova que existe um corte de classe na saúde que determina onde são investidos recursos e tecnologias. A implementação do SUS começou a se efetivar durante o governo de Collor de Mello. Contudo já era expressa na Constituição de 1988 no artigo de no. que com freqüência não são resolvidos nas unidades básicas de saúde ou pelas equipes de saúde da família. 8080/90 fortaleceu o setor privado. Programa de transplantes de órgãos que é um dos maiores do mundo. É justamente explorando esta possibilidade que os planos de saúde privados florescem. principalmente na média e alta complexidade. ao ganhar status de complementar (completa o acesso a serviços não prestados pelo SUS) por outro. pelos sucessivos governos (Collor. FHC e Lula) que permitiram a abertura do SUS ao setor privado.igual em vários países ditos de primeiro mundo. fortalecendo assim medidas corporativas em oposição à identidade de classe. negaram os investimentos e destinação de verbas necessárias e com isso. e por vezes. A conquista que é o SUS tem sido destruída dia a dia. como por exemplo. e aí voltam para o SUS. no caso de serviços de apoio diagnóstico e terapia esse percentual é de 63. ao permitir esse vender livremente seus serviços ao mercado. Conforme a pessoa fica mais velha é que ela percebe que o preço de seu plano de saúde privado é maior do que sua aposentadoria. nem os filantrópicos e não governamentais. também vendem insumos e tecnologia e assim influenciam fortemente na realização de pesquisas e dos programas de saúde implementados pelo Ministério da Saúde. Medidas que ao criarem diferenciações confundem e dificultam a convivência social e a criação de identidade de classe entre os trabalhadores. inferiores. Diante disso. A lei no. 199 a autorização para a existência de um sistema suplementar de natureza privada. destacamos dois graves ataques ao SUS: a privatização e o financiamento. justamente numa das fases da vida que mais se precisa de acesso a serviços de saúde. e com isso o setor privado tornou-se concorrente do setor público. o SSA (Serviço Social Autônomo) e que 26 . Ou seja. o que levam muitos a não terem condições de pagar. privatização A promíscua relação entre o público e o privado no setor saúde brasileiro é histórica. em que pesem o crescimento da rede pública e a queda em número dos leitos hospitalares privados desde 1984. também garante o espaço de atuação da iniciativa privada. salário. as Fundações Estatais de Direito Privado (FEDP) . Parte dos planos de saúde oferece serviços com boa aparência física. Itamar Franco. que por um lado. Outra forma de privatização do SUS acontece na contratação da força de trabalho. No Brasil. por outro. surgem os “modernos” gestores da administração pública: ONG´s. do ponto de vista capitalista. Com isso. foi incluído na organização do SUS. foram uma constante ao longo da história do país. o setor privado permanece majoritário.as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPS). na marcação de consultas e exames mais especializados.

. O que demonstra que o governo de frente popular está a 27 . que recorre a clinicas e planos “populares” de qualidade questionável. que é 6% do PIB em saúde pública para países com saúde universalizada. Sendo as OS a modalidade de gestão da Estratégia de Saúde da Família em municípios como o Rio de Janeiro e São Paulo. alimentação de presidiários. estados 12% do orçamento estadual e municipios 15% do orçamento municipal. mesmo regulamentada no âmbito dos estados boa parte desses não cumprem a EC 29 (figura a seguir). Para simplificar.. votada em 2000.6% utilizam exclusivamente o sistema público o que é pouco para um sistema de acesso universal. segue engavetada a regulamentação efetiva da Emenda Constitucional 29. É fundamental destacar que o governo gasta muito mais com o pagamento dos juros das dívidas externa e interna do que com saúde.5 e 1. entre outras preciosidades.5%) utiliza o SUS e outros serviços (plano de saúde. planos de carreira.9% do PIB com saúde. mas o conjunto dos serviços públicos. como as terceirizações. ao por fim a estabilidade e levar para dentro do setor a lógica empresarial. tem a transferência de funções da administração pública estatal para o setor privado. etc. e no cumprimento de licitações e contratos administrativos.5% do PIB com gasto público (Ministério da Saúde 1. governos estaduais 0. Financiamento Outra forma de destruição progressiva do SUS é através da deficiência de verbas para o setor. Os 4. Com o fim da CPMF em dezembro de 2007 a saúde perdeu uma fonte importante de financiamento.7%. e o aumento da exploração da classe trabalhadora brasileira. pois transferem responsabilidades do Estado à iniciativa privada. porém não foi regulamentada a nível federal. consultas particulares.4% do PIB restantes englobam os gastos com saúde privada (convênios. mas de mercado. que fixa percentuais minimos de recursos por parte dos 3 entes federativos: união 10% da receita corrente bruta. E os que “dizem cumprir” como no caso do tucano Serra. embora tenham o termo “estatal” para confundir a consciência dos trabalhadores e da população são tão privatizantes quanto as O.). Se o admnistrador ultrapassar este teto tem de responder judicialmente..S. Embora mais de 90% da população seja usuária do SUS. OSCIPS entre outras.em comum. Enquanto isso. ao sucateamento da saúde pública e ao fortalecimento do setor privado. A Emenda Constitucional 29 já vale para estados e municípios. as administrações apelam para mecanismos privatizantes. pois o salário dos terceirizados não contam neste teto . guiada não por valores sociais. Para “escapar” da LRF. A não definição de uma fonte e percentual de financiamento para saúde das três esferas de governo leva ao subfinanciamento. medicação. Para se ter uma idéia. Nos anos em que a economia está em recessão fica ainda pior. através da DRU (Desvinculação de Recursos da União). etc. O Brasil gasta aproximadamente 7. Esta lei limitou o teto de gastos com salários do funcionalismo público a porcentagens do orçamento (varia para federal/estadual/ municipal). contudo. fardas para guardas. que “libera” 20% da arrecadação de impostos e contribuições para livre investimento. Contudo. onde as FEDP do governo Lula são uma versão “juridicamente aprimorada”.7%. Esses entes diferem entre si no que se refere a “normas do interesse público” principalmente no âmbito da prestação de contas. em São Paulo.9%).9% e municípios 0. valor três vezes maior do que todo o orçamento do Ministério da saúde! Desde 1995 com FHC e seu governo reconhecidamente neoliberal até 2008 com Lula e seu governo dito “democrático e popular” a porcentagem do PIB gasta pelo Ministério da Saúde flutua entre 1.7% do PIB. incluem na conta da saúde gastos como o programa de distribuição de leite para crianças como programa de saúde. Isso dificulta as contratações para expansão dos serviços. Não usuários são apenas 8. pois a arrecadação cai e o peso relativo dos salários no orçamento sobe. sendo 3. em 2007 o governo Lula pagou 160 bilhões de reais em juros da dívida. podemos afirmar que o Estado brasileiro de conjunto está gastando pouco mais da metade do mínimo preconizado pela Organização Mundial de Saúde. e meses depois o Governo Lula tentou ressuscitar a CPMF com o nome de “Contribuição Social para a Saúde (CSS)”. apenas 28. Outro ataque feito ao financiamento público da saúde foi a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Outros estados contabilizam ainda gastos em obras de infra-estrutura.. contudo parte desse recurso foi desviado para o pagamento de divida interna e externa. A maioria (61. pagamento direto) inclusive a população mais pobre. podendo ser até preso. imviabiliza reajustes salariais. Vale dizer que esta lei ataca não só a saúde. Vale lembrar que os artigos na lei 8080/90 que propunham um mecanismo de financiamento foram todos vetados. Para tentar “tapar esse buraco” durante o governo FHC em 1997 foi criada a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

o que dificulta o estabelecimento do nexo causal. o que trouxe conseqüências a saúde do trabalhador. Vale destacar ainda os ataques à previdência social promovido pelo governo FHC no que diz respeito à legislação trabalhista. que demitiu 4270 trabalhadores. perdendo apenas para a China (14. Esse fato também pode ser constatado pelos bilhões emprestados aos grandes capitalistas no auge da crise econômica (2008/2009) para evitar uma falência generalizada. Na parte II do texto abordaremos a temática de saúde do trabalhador. o setor público também sofreu com essas transformações e sofre no cotidiano com problemas concretos.090). O caso emblemático foi o da Embraer. precarização das relações de trabalho. No Brasil. assédio moral das chefias e a pressão de ter que responder a de- 28 . os índices de exploração atingiram limites muito superiores. previdência. não editou nenhuma medida de proteção e estabilidade dos empregos e assistiu o aumento da exploração. péssimas condições de infraestrutura. O governo Lula logo se apressou para emprestar dinheiro às grandes empresas e promover medidas de estimulo ao consumo como a redução de impostos para que essas se salvassem da falência. os acidentes de trabalho mataram 139. sejam colocadas como necessidades secundárias. Com a crise capitalista iniciada no segundo semestre de 2008. Acrescido a isso. com 2. pois através dela são fornecidos dados relativos ao número e distribuição dos acidentes.503 óbitos. Essa situação ainda foi agravada pelo desmonte neoliberal do Estado que promoveu o sucateamento de serviços públicos relacionados ao Ministério do Trabalho. saneamento básico. boicotavam greves e mantiveram as CIPAS articuladas aos interesses da patronal. a SaÚDe DO TraBalHaDOr Coordenação nacional de Saúde do pSTU As doenças e acidentes de trabalho que atingem a classe trabalhadora são provocadas pela super-exploração característica do modo de produção capitalista. Segundo a OIT em 2007 o Brasil ocupou o nada honroso quarto lugar em relação ao número de mortes provocadas por acidentes no local de trabalho. Vale ressaltar que a recente reestruturação produtiva impactou de maneira importante a saúde do trabalhador. Para obter lucro a burguesia imprime um ritmo produtivo alucinante. destacaremos elementos necessários para um programa socialista e revolucionário para a saúde. Estados Unidos (5. os avanços das terceirizações e a desregulamentação de direitos trabalhistas.trabalhador vitima de acidente de trabalho. que transforma o direito a saúde em mercadoria acessível aos poucos que podem pagar. melhorando a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira (melhora da saúde. pois os desprotegeu ainda mais ao introduzir as novas formas de gestão. as características das ocorrências e das vítimas. como as Delegacias Regionais do Trabalho e o INSS. Desde que começaram as estatísticas em 1970 até 2005. principalmente no setor privado. como: terceirizações.924). segurança pública) e gerando empregos através de um plano de obras públicas que corrigisse as enormes deficiências que temos nestes setores.764) e Rússia (3. a alta programada. um ex. os sindicatos e centrais sindicais governistas assinaram acordos rebaixados de ajuste salarial.serviço do grande capital. Por outro lado. existe a subnotificação destes acidentes. Embora existam especificidades. com o desmonte do INSS não existe mais pessoal disponível para fazer a pericia no local de trabalho. que associado a políticas de redução de custos fazem com que a saúde e a segurança no trabalho. que tem como causas desde a desinformação em relação aos riscos e aos aspectos epidemiológicos e jurídicos que envolvem este tipo de acidente até a submissão dos trabalhadores às condições de trabalho impostas pelo empregador. por medo de perder o emprego. que mesmo sendo Lula. assim como. No entanto. falta de material básico para trabalho. os programas de qualidade. com intensificação do ritmo e da jornada de trabalho promovidos pela burguesia para garantir seus lucros e compensar as demissões. seu governo manteve e aprofundou as alterações promovidas por FHC. o aumento dos ritmos de produção.046 trabalhadores. Estes bilhões poderiam ter sido canalizados para a área social. Por exemplo. como por exemplo. ou seja. as metas de produção. Todas essas transformações afetaram inclusive na organização política da classe de conjunto. Vale ressaltar. o trabalhador tem tempo pré-determinado para se recuperar e retomar ao trabalho. acidentes e doenças de trabalho representam uma epidemia e um grave problema de saúde pública. A notificação dos acidentes do trabalho é uma exigência legal.

atinge a realização de possuem um trabalho adicional e/ou dignidade e a integridade física e/ou são obrigados a cumprir horas extras psíquica da vítima. pois as vítiadas na produtividade. trabalhadores que sofrem perseguição política e os acometidos de doença ou que sejam vitimas de acidente de melhora na qualidade de vida dos trabalhadores. representa um que afeta todos os campos da vida.mento.meiras a ser demitidas. tendem a receber menores salários. sexual e na flexibilizagidas. O assédio lho. Em segundo lugar com saúde.mas os patrões não investem. no assédio moral de vista capitalista. freqüentemente: servidores públicos como um instrumento condições de saúde. Por exemplo. Segundo dados do Ministério da Previdência Social no moral pode causar ou contribuir para o desencadeamento Brasil os casos de LER/DORT cresceram 512% em 2007. adotada por jornadas médias semanais. Esse conjunto trabalho. Além disso. por exemcer. No setor privado acidentes seja fruto do acaso. Inúmeros trabalhadores da fundamental para promover melhores saúde sofrem com o assédio moral. 29 . Muitas são as lutas necessárias para se assegurar uma idade. que. O assédio moral não afeta as vítimas apenas na sua auto-estima profissional. emprego e degradando o ambiente de programas de saúde a redução da jornada de trabalho é trabalho. que é muito maior que na popuo setor público. e assim influenciam trabalhadores não só aumentem suas Uma conduta abusiva. numa pesquisa realizada pelo SINSgrande negócio. uma das maiores 20%. nos programas A saúde. sem riscos. é comum a perseguição política. trabalhadores com mais postos de trabalho. com de qualidade total. Muitas trabalhadoras ainda sofrem PREV. A terceira causa de doenOutro agravante à saúde do trabaça entre os trabalhadores de saúde é venda de leitos e lhador é a extensa jornada de trabalho o alcoolismo. mas tamtado devido a políticas de gestão basebém nas relações sociais. e por vezes excluídas de cargos de chefia e processos de qualificação profissional. Por isso. Especialmente entre os las horas extras que são de difícil ou trabalhadores da Funasa. São netrabalho. até porque existe um enorme exercito de reserva para “peças de reposeus direitos. do mundo.As mulheres são vitimas freqüentes de assédio moral. medo. serem as pride elementos tem levado inúmeros trabalhadores a adoe. Estes últimos geralmente são assediados também cessários ambientes de trabalho sadios. combater o desemprego e aumentar de coerção devido a estabilidade. gestos ou atitudes. como tampalavras. onde por colegas quando retornam ao trabalho. e que ainda é acrescida pelação em geral. infortemente na bém no número de trabalhadores que tencional e freqüentemente.SP constatou-se que 32% dos os empresários da com o assédio sexual. além de se ameaçar e coagir a vítima para obter 30% estão os problemas de depressão alimentarem da favores sexuais. as mulheres deparam-se com exigências Trabalho) conhecidos como LER (Lesão por Esforço Repe. também vendem nenhum controle. com a demissão dos traba. mandas como os programas de controle de qualidade que estabelecem metas absurdas e condicionam o recebimento Historicamente oprimidas e discriminadas no mercado de de benefícios ao cumprimento de tais metas. ameaçando seu pesquisas e dos e política de banco de horas. inclusive para saber se estão grávidas. hoje as doenças de ordem psíquica tem aumen. Os Dort´s (Distúrbios Osteomusculares relacionados ao plo. A redução do valor Um grave problema enfrentado peinsumos e tecnologia real dos salários faz com que muitos los trabalhadores é o assédio moral. O assédio moral é uma marca ção das leis do trabalho. de doenças psicológicas. psicossomáticas e de comportaContudo. e ansiedade. inseguras e constrane por vezes. existe tecnologia para isso. preferem o lucro e tratar os lhadores que se organizam sindicalmente para reivindicar trabalhadores como mercadorias descartáveis. do ponto mas geralmente ficam confusas.relativas a aparência física e a realização de exames desnetitivo) são as principais problemas relacionados ao traba. onde o agrestrabalhadores de saúde entrevistados sor usa seu poder de empregador para sofrem de LER. vergonha.cessários. de procedimentos para e os baixos salários. um índice altíssimo.

Organizações Sociais (OS). que permite que 20% dos recursos sociais sejam desviados para outros setores. destacar-se que a saúde do trabalhador está incluída entre os campos de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS). o governo Lula semeia ilusões na classe trabalhadora através de medidas compensatórias como. que se mantém desde o governo FHC. independente da categoria profissional ou do vínculo empregatício. ONGs. a começar pelos falidos. para quem Lula governa. é fundamental os trabalhadores se organizarem em seus sindicatos. Pela efetivação dos princípios do SUS. Por fim. • Acesso universal a medicamentos! Pela criação de laboratórios públicos de produção de medicamentos. eleitas somente pelos trabalhadores. • Pela independência na formulação e aplicação de po- 30 . Comissões de saúde e segurança dentro de todas as ‘unidades. • Por um plano de obras públicas de grande impacto: saneamento. Se por um lado. assim como. • Contra a DRU (Desvinculação de Recursos da União). Organizarem associações de lesionados e lesionáveis. cooperativas. como o imposto sobre grandes fortunas. as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPS). recuperar e reabilitar a saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho. com financiamento tripartite! Isonomia salarial para trabalhadores de mesma função e mesma escolaridade. como o pagamento da divida interna e externa. prOpOSTaS para Um prOgrama SOCialiSTa para SaÚDe • Saúde é direito de todos e dever do Estado! Pelo acesso universal e de qualidade à saúde! Exigimos um sistema de saúde público. Esse fato pode ser explicado uma vez que tratar a saúde do trabalhador implica em ir além da identificação e controle de riscos. esgoto e água de qualidade para toda a população! Que as verbas para este plano venham da suspensão do pagamento das dívidas externa e interna! • Por uma saúde pública. Que se revertam às privatizações no setor público. Lutar pelo fim da alta programada. • Em defesa dos trabalhadores terceirizados! Pela incorporação dos trabalhadores terceirizados aos sindicatos. disputarem as CIPAS como um instrumento para promover melhores condições de trabalho com minimização de riscos. entre outras. Não à renúncia fiscal na saúde para hospitais filantrópicos! • Contra as privatizações! Nenhuma verba pública para os hospitais privados ou filantrópicos. promoção e proteção da saúde dos trabalhadores. valorizar o adoecimento e o sofrimento ocasionados pelo trabalho implica em enfrentar grandes interesses da burguesia. significa trazer a tona a necessidade de mudanças de processo de trabalho. exclusivamente estatal sob o controle dos trabalhadores. o SSA (Serviço Social Autônomo) e Fundações Estatais de Direito Privado (FEDP). o PAC e o Bolsa Família. onde este é responsável por promover ações de vigilância epidemiológica e sanitária. mais ainda traz questionamentos ao modo de produção capitalista e de como inúmeras doenças. • Regulamentação da PEC 29! Dobrar as verbas para a saúde pública! Pelo financiamento mínimo de 6% do PIB para a saúde pública “estatal”! Que as verbas para a saúde venham de impostos sobre a burguesia. até hoje emperrado no congresso. Ou seja. sofrimentos e mesmo causa de morte estão condicionadas a ele. Entretanto. Pela estatização dos hospitais privados e filantrópicos. gratuito e de qualidade para todos. estatal e laica! Pela legalização e regulamentação do aborto. pela unificação dos trabalhadores de saúde. quebra de patentes. inclusive dos grandes empresários que dão sustentação ao governo. expropriação e estatização dos laboratórios existentes e das farmácias sob o controle da classe trabalhadora. por outro não faz nada para reduzir os números referentes a acidentes de trabalho. o SUS não tem a categoria “trabalho” como algo central para formulação e implementação das políticas de saúde. • Contra a Lei de Responsabilidade Fiscal que restringe o funcionalismo público! Concursos públicos já! Contra a terceirização e privatização das relações de trabalho sejam na forma de contratos.sição”. Por tudo isso. Ao pensarmos em saúde e qualidade de vida desse trabalhador é fundamental que possamos ter organizações nos locais de trabalho para lutar por saúde e segurança do trabalhador. por exemplo. Contra medidas “tapa-buraco” como a CSS (substituta da CPMF). • Luta por conselhos populares de saúde sob controle dos trabalhadores! • Pela construção e implementação do plano de cargos e salários do SUS. demonstrando assim.

• Por ambientes de trabalho sadios.líticas de saúde! Contra a interferência dos empresários da saúde e de agências internacionais. onde acidentes seja fruto do acaso! Contra o abuso patronal na imposição de ritmos de trabalho alucinantes. • Saúde não é apenas ausência de doença! Investimentos maciços em prevenção e educação em saúde de qualidade. Em defesa da organização de base nas empresas e no setor público como instrumento de combate as doenças e acidentes decorrentes do trabalho! 31 . Sem prejuízo à assistência e a incorporação de novas tecnologias. seguros. que induzem ao aumento de doenças e acidentes de trabalho. como o Banco Mundial. sem redução de salário para todos os trabalhadores do setor saúde! Redução da jornada de trabalho sem redução salarial para o conjunto da classe trabalhadora! • Pela organização política dos trabalhadores. Pelo reconhecimento e nexo causal das doenças do trabalho! • Redução da jornada de trabalho! Carga horária de no máximo 30 horas semanais.

A educação superior não foge a este cenário hediondo. Este processo de privatização da educação básica contou. na maioria dos casos ociosas. FHC foi agente de um processo de expansão acelerada do ensino privado. contratação de instituições privadas para “formação” de professores. Continuou com a expansão desenfreada do ensino superior privado. professor de rede estadual de São Paulo overnos estaduais e municípios gastam boa parte dos recursos destinados ao ensino de jovens e crianças em parcerias com empresas privadas de ensino – compra de livros e apostilas.Elementos para um programa socialista na educação os dois mandatos de FHC e lula são responsáveis por um processo “nunca visto antes na história deste país”. de privatização sistemática da educação – da educação básica ao ensino superior gilBerTo P. com a ajuda de duas políticas federais. Lula foi mais além. salvando muitas dessas instituições da falência pura e simples. sem falar do abandono das escolas onde alunos. destroem as carreiras docentes e condenam os mesmos a conviverem com salários que beiram à miséria. enquanto as universidades públicas se viram asfixiadas pela eterna “falta de verbas” e as empresas do ensino se esbaldavam nos empréstimos subsidiados (com prazos a perder de vista e módicas prestações para dar inveja até as Casas Bahia) do BNDES. agora através dos empréstimos para lá de generosos do BNDES e de uma invenção de seu governo. e infindáveis outros mecanismos – e reduzem ano a ano as verbas investidas na educação. O PROUNI compra de vagas. De SoUzA. que G são a mesma apesar dos arautos do neoreformismo afirmarem o contrário. deixando prefeitos e empresários de mãos livres para fazerem a farra com o dinheiro público destinado ao ensino. professores e demais funcionários convivem com um cotidiano de horrores de violência e péssimas condições de trabalho para os docentes e de aprendizagem para os jovens. como gosta de dizer o tempo todo nosso atual presidente. compra de vagas em escolas privadas e repasse de verbas às fatídicas ONG’s. e conta. a um custo-aluno quatro vezes maior do que na rede pública segundo o ANDES-SN. nas instituições privadas. Como exemplo desta tragédia grega o governo de São Paulo gastou em 2009 com parcerias mais de R$ 200 milhões de verbas da educação – o suficiente para conceder o reajuste reivindicado pelos professores estaduais na greve de 2010 – e mais de 70% dos municípios mantém parcerias com sistemas didáticos privados de ensino. 32 . o FUNDEF – que estimulou a municipalização do ensino fundamental nos dois mandatos de FHC – e o FUNDEB – criação do lulopetismo – que permite a municipalização de todo o ensino básico.

cada vez mais frequentes. filhos de trabalhadores e de burgueses não estudam no mesmo lugar escolar. que tomaram de assalto as universidades paulistas –principalmente a USP – estão sendo legalizadas e generalizadas para todas as instituições federais e ingerindo na administração dos recursos e na pesquisa que está sendo voltada para o mercado. uma conquista das comunidades acadêmica e estudantil e da própria sociedade. Está assumindo também uma dimensão cultural. nem todas as escolas ensinarão a mesma coisa. atingindo diretamente um direito consagrado pelas revoluções burguesas e pelos movimentos trabalhistas no período das revoluções francesa e industrial. o apartheid não se limita aos aspectos geográfico e socioeconômico. Com o PROUNI/ REUNI estão sendo criados verdadeiros “escolões” destinados a formar mão-de-obra um pouco mais qualificada para o capital. 33 . A pesquisa se concentra. de seu professor ou da família. Assim o tripé – ensino-pesquisa-extensão – que é a base das universidades brasileiras. por não cumprir de maneira adequada seus objetivos – alfabetizar e transmitir conhecimento aos alunos – que eram os mesmos das escolas privadas que. É a clássica educação de classe. como São Paulo. transformou a educação em serviço. cada escola deve ensinar seus alunos de acordo com suas expectativas na vida. ou se tanto familiar. nunca do Estado. na defesa do trinômio ensino-pesquisa-extensão nas universidades públicas e da autonomia universitária e no fim do PROUNI/REUNI e também no fim do ensino a distância. Um programa socialista para a educação deve partir de uma premissa simples e elementar: educação somente será um direito de todos se for pública e estatal.O REUNI. como prescreve a OMC. A escola pública tem sido criticada tradicionalmente. começa a ser abalado e a própria pesquisa começa a servir diretamente aos grandes grupos econômicos representados nas fundações de direito privado incrustadas na estrutura universitária. Por este conjunto de leis e decretos as fundações privadas. supostamente. na educação básica. a alfabetização deve abranger todo o ensino fundamental e em vários estados. e no caso dos setores médios em algumas escolas privadas de segunda linha na busca ilusória de um ensino melhor. são as instituições privadas financiadas pelo PROUNI e as instituições públicas filhas da expansão desordenada da REUNI. ela compreende toda a educação básica. como reza na LDB e na Constituição Federal. na LDB. A privatização/mercantilização ameaça diretamente o trinômio ensino-pesquisa-extensão de nossas universidades e o acesso à educação como direito de todos. Juntamente com o fortalecimento das fundações privadas – leia-se do capital dentro das universidades – o REUNI promove uma expansão desordenada das instituições federais de ensino superior – retomando os “escolões” de FHC/Paulo Renato – com o aumento das vagas sem a contrapartida do aumento dos recursos materiais e humanos. O mesmo acontece no ensino superior. para classes sociais diferentes escolas diferentes. Para os burgueses e seus herdeiros uma educação clássica – universal. não apenas por criar uma “escola de classe”. É a ideologia da “regulação das aprendizagens” de Perrenoud e outros. todas voltadas para os antes “excluídos” do ensino superior. Verbas públicas somente para escolas públicas. mas também por transformar o direito ao ensino e a aprendizagem como uma questão individual. e consequente privatização. e não por acaso se destina fundamentalmente a formação de professores para o ensino público e aos antes excluídos do ensino superior. na educação básica os primeiros frequentam as escolas públicas. como mercado. Esta mercantilização. cumpriam esses objetivos de maneira mais satisfatória que suas congêneres públicas. Mas. geralmente privadas e com mensalidades altíssimas. do ensino tem provocado um duplo apartheid educacional. cada vez mais. Não por acaso. Os segundos frequentam as escolas de elite. ciência e cultura geral – e para os trabalhadores e seus filhos apenas o estritamente necessário para servir ao capital. a reforma universitária. se a pessoa não aprende é um problema dela. Mas isso implica na estatização do ensino privado. ou seja. cada vez mais sucateadas. A grande “descoberta” do neoliberalismo é que classes sociais diferentes devem ter uma educação diferente de acordo com seu lugar social no processo de produção e circulação de mercadorias. Primeiramente. completa este filme de horror. no fim das parcerias público-privadas e das fundações privadas nas universidades. do apartheid educacional. O neoliberalismo é a negação da educação como direito e dever do Estado. em algumas poucas instituições de elite que trabalham em parcerias. nem todos aprenderão a mesma coisa. A expansão do ensino a distância é mais uma faceta desta “escola de classe”. negando o acesso ao conhecimento e a cultura.

decano do neoliberalismo. ou seja. Um programa socialista para a educação deve defender a total democracia no interior das escolas. piso salarial nacional para os professores de educação básica (piso do DIEESE por 20 horas/aula e 50 % de hora atividade). ano após ano as verbas para moradia estudantil. os professores e os demais trabalhadores da educação têm pagado a conta da privatização e da mercantilização do ensino com os baixos salários e as cada vez mais precárias condições de trabalho na educação básica. mais do que previdência social. Grêmio Livre são duas palavras que provocam a ira da maioria dos diretores. O economista guru dos “Chicago Boys”. com o desemprego. é necessário calar a voz dos que discordam. o mesmo acontece em universidades públicas. consumiram apenas 3. A juventude sofre com a má qualidade do ensino básico. além de conselhos deliberativos e paritários formados por professores. Esta conduta antissindical é a outra faceta da privatização. 34 . E quando foi estabelecido o corte de R$10 bilhões do orçamento de 2010 para fazer frente aos efeitos da crise mundial a equipe econômica de Lula não titubeou. 4. Os programas de assistencialismo do governo Lula. o acesso ao conhecimento e o direito de se organizar sindicalmente por local de estudo.43% do bolo orçamentário. Também deve atender todas as reivindicações sindicais e profissionais de professores. Segundo o governo federal (Lula). a principal causa mortes entre a juventude é assassinato. seja pelo crime organizado ou uniformizado. eleições diretas para todos os cargos diretivos e o fim dos organismos de controle governamental ou inspeção escolar. necessariamente deve ser completada com outra: Quem paga a conta? Os trabalhadores. Enquanto isso “no andar de cima” alguns poucos nababos fazem a festa com o dinheiro público que poderia ser usado para melhorar a educação e a vida de milhões de brasileiros. o aumento do número de alunos por professor e com o achatamento dos salários. seja na educação básica ou na educação superior. bolsas (alimentação.64% e 2. passando pela estatização do sistema financeiro para termos mais verbas para a educação – de pré-escola a universidade – com o investimento de 10% do PIB como mínimo. permanência e pesquisa) para todos os estudantes universitários. o desemprego é três vezes maior na juventude do que nos demais segmentos da classe trabalhadora. Democracia X mercado A privatização. para ser aplicada de maneira consequente no interior das escolas. alimentação e bolsas são reduzidas. tal qual Maria Antonieta e a nobreza francesa pré-revolução nos mandam comer brioches para aplacarmos a fome. a juventude. que levaram no total 33. ficando cada uma das principais áreas sociais do governo com. proclamam a liberdade individual do estudante. na prática dois direitos fundamentais. diretores ou reitores. os economistas ultra-neoliberais da Universidade de Chicago. Milton Frie- “não existe almoço de graça” dman tem razão: alguém deve pagar a conta.57% do orçamento de 2009. os grandes capitalistas que se esbaldam à custa do sofrimento de milhões.09% do orçamento. assume necessariamente um viés autoritário.Esta frase do economista Milton Friedman. a grande maioria das instituições privadas no ensino superior perseguem e punem os estudantes que ousam organizar centros ou diretórios acadêmicos. os encargos com a dívida pública – juros e amortizações – consumiram 35. através do SIAF. que este é o protagonista do processo de aprendizagem – na versão neoliberal e pós-moderna do construtivismo ninguém ensina ninguém e o aluno aprende sozinho – mas lhe nega. É a versão educacional da criminalização dos movimentos sociais. Segundo dados oficiais 20% dos jovens egressos do ensino médio jamais terão um emprego formal. alunos e pais (no caso da educação básica).88%. incluindo aí o Fome Zero. Também a irrestrita liberdade de cátedra. 25. a mais ampla liberdade de ensinar dos professores e a total liberdade de aprender dos jovens. faculdades e universidades. saúde e educação juntas. respectivamente. estudantes e trabalhadores do ensino. e no ensino superior com o aviltamento da profissão através da ingerência do capital privado nas pesquisas. A burocracia escolar. com a violência e com a ausência de condições para freqüentar as universidades públicas. nem 10% do que foi doado aos agiotas da dívida pública brasileira. cortou R$2. os jovens formam mais de 64% dos desempregados do Brasil. Um programa socialista para a educação deve começar pelo não pagamento das dívidas interna e externa.5 bilhões das verbas do ministério da educação.91%. para negar o acesso da juventude ao conhecimento e à ciência e para servir governos diretamente vinculados ao capital.

um movimento social poderosíssimo em defesa do direito universal a educação pública e de qualidade para todos. Não haverá genuinamente educação pública de qualidade para todos numa sociedade fundada na exploração. neste caso não apenas na defesa do direito universal a educação. algo parecido com as promessas dos partidos do capital – incluindo aí a esquerda oficial. As lutas cotidianas de jovens. efeito duvidoso diga-se de passagem. como e por quem este programa será aplicado) pode se tornar um conjunto de frases de efeito. cotidiana. Mas também devem ser o passaporte para a construção diária. que estas podem. luta mais e melhor” (Oliver Cronwell) Um programa somente faz sentido se estiver a serviço de uma estratégia. num mundo onde o sucesso individual só é possível com o fracasso de milhões. pais trabalhadores e demais trabalhadores da educação devem estar a serviço da sobrevivência diária neste “mondo canni”. do socialismo. juntamente com suas organizações. senão falarmos claramente aonde queremos chegar (ou seja. Para tal é necessário a unidade de jovens com professores e funcionários da educação – do ensino básico a universidade – e com os demais trabalhadores criando. da construção do reino da liberdade. 35 . Tal como Marx acreditamos na força das ideias. mas também na luta pelo socialismo. em cada local de estudo e trabalho do combate a exploração e a opressão.“aquele que sabe pelo que luta. na desigualdade e na opressão. professores. numa ordem social a serviço de uma minoria privilegiada. e devem. ser a base de um movimento social. neste reino da necessidade.

mais de R$ 30 bilhões em um ano e deram ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) R$ 6. No entanto.7% da área agricultável. Nesse sentido. para que os trabalhadores e camponeses pobres possam de fato produzir. O BNDS e outras instituições liberaram. A produção de maquinaria para estes camponeses. a Embrapa e outros centros de pesquisa tem se dedicado a pesquisar plantas transgênicas e não os temas de verdadeiro interesse dos pequenos agricultores. Uma parte considerável dessas terras é destinada à especulação. No entanto. É necessário expropriar e dividir todos os latifúndios improdutivos. O Estado. a partir de seus vários órgãos. O Estado deve garantir um preço mínimo compensatório para os A produtos agrícolas dos camponeses pobres em especial a produção de alimentos. onde 47% dos estabelecimentos ocupam 2. O Estado deve financiar o pequeno camponês e estimular as cooperativas camponesas de produção. com créditos subsidiados. e o estímulo a cooperação no seu uso é uma medida fundamental para garantir que uma vez divida a terra entre os camponeses pobres esses comecem o mais rapidamente possível. O crédito do Estado deve estar a serviço dos pequenos e médios proprietários. beneficia o grande capital e o latifúndio no campo. afirmação de que há muita gente sem terra e muita terra sem gente continua sendo uma verdade indiscutível. sem indenização e sob controle dos trabalhadores e camponeses pobres. também não tem às máquinas e as tecnologias em geral. É dever do Estado garantir que o pequeno camponês possa ter acesso a isso. Para que uma verdadeira reforma agrária triunfe é necessário que o Estado garanta pesquisas voltadas aos interesses dos camponeses pobres. 40% das terras agricultáveis no Brasil não são aproveitadas. e 0. não basta dividir a terra entre os camponeses pobres. em especial os alimentos. Muitas vezes os produtos dos camponeses pobres.Reforma e revolução agrária o Brasil tem uma das estruturas agrárias mais injustas do mundo. seja através da cooperação. acabam não recebendo um pagamento sequer compensatório ao seu esforço. também é fundamental que o Estado 36 . é necessária uma assistência técnica e pesquisas voltadas para suas áreas de interesse. e dentro de seus ritmos e seus desejos. a produzir da forma mais elevada possível. Da mesma forma que os pequenos produtores não têm acesso a pesquisa ou a atendimento técnico. para os grandes plantadores de cana e bicombustíveis. que são os principais produtores de alimento do país.5 bilhões. Esse estímulo deve começar por garantir um preço mínimo a todos os produtos agrícolas voltados para as necessidades básicas dos trabalhadores e da população em geral. seja através de serviços dos Estado acessos aos meios necessários para produzir. Alem disso.91% dos estabelecimentos ocupam 43% da área total.

tenha como política a construção de cooperativas de produção, consumo, venda e uso de maquinarias. A possibilidade de que as pequenas parcelas individuais dos camponeses não naufraguem diante da grande produção só existe na medida em que essa mesma pequena produção tenha acesso a maquinarias, técnica e tecnologia, por um lado e por outro se associe livremente para poder produzir, mais, melhor e mais barato. É necessário que tomemos consciência de que a idéia de uma vida idílica no campo não condiz com a verdadeira situação da maioria dos camponeses desse país. A população rural brasileira é de 19% (31 milhões). Cerca de 15 milhões de agricultores vivem abaixo da linha de pobreza, e 11% dos agricultores vivem somente de aposentadoria (R$ 240,00 por mês). Além disso, 4,8 milhões de famílias são agricultores sem terra. É preciso uma infra-estrutura no campo. Centros hospitalares, escolas públicas, programa de edificação de moradia, assistência ao idoso. Direitos mínimos são negados ao conjunto dos camponeses pobres, é necessário garantir esses direitos A reforma agrária será feita, não por um decreto, mas pela ação das massas no campo e na cidade onde o apoio mútuo entre camponeses pobre, operários agrícolas, os pobre da cidade e os trabalhadores em geral. A histórica consigna, “reforma agrária na lei ou na marra” é no campo brasileiro atualíssima. De todos os métodos e formas de ação que os camponeses utilizaram, a ocupação de terras foi a que se mostrou mais eficaz para obrigar o governo a fazer algumas concessões, além de paralisar a reação assassina do latifúndio. Por isso defendemos esse método incondicionalmente como um instrumento eficaz e legitimo na luta pela reforma agrária. Defendemos hoje, quando dizemos que é necessário descriminalizar as lutas sociais, a ocupação do latifúndio, e defendemos como método privilegiado de luta dos camponeses pobres e como instrumento fundamental para levar a reforma agrária até seu fim. Por fim, uma reforma agrária de verdade tem que ter como medida fundamental a nacionalização de todas as terras do país. As terras agricultáveis não podem estar sujeitas as leis cegas do mercado e menos ainda aos interesses das multinacionais e especuladores, as terras agricultáveis devem ser todas nacionalizadas, concedendo aos camponeses pobres o direito de usufruto.

a situação dos assalariados agrícolas

A agroindústria e o agronegócio muitas vezes se apóiam nas mais atrasadas relações de trabalho, inclusive no escravismo. É o caso de grandes multinacionais, como a Volkswagen, acusadas de manter trabalho escravo por fora de toda a legislação trabalhista em suas fazendas. É necessária uma punição exemplar dessas empresas, prisão para todos os envolvidos, e expropriação de todos os bens das empresas com trabalho escravo. O trabalho escravo em grandes carvoarias, madeireiras, serrarias e usinas é uma pratica comum no Brasil. É apenas a expressão mais cruel e desumana de uma relação que tem se perpetuado desde sempre. Já que a ampla maioria dos trabalhadores assalariados no campo não tem seus direitos respeitados, recebem menos que o salário mínimo, cumprem jornadas de trabalho sobre humana, não recebem horas extras e não tem materiais de proteção. E fundamental exigir que se cumpra a legislação trabalhista em todas as propriedades agrícolas e punir exemplarmente as grandes empresas e os latifundiários que a desobedeçam. A fiscalização efetiva do Estado poderia resolver ambos os problemas rapidamente. No entanto, tal fiscalização vai contra os interesses do grande capital e de seus aliados o latifúndio. Essa situação se agrava no campo, pois os trabalhadores assalariados, em sua ampla maioria, não conseguiram ainda organiza-se, se quer sindicalmente, como uma classe em separado, inclusive dos camponeses pobre. Esses milhares de trabalhadores assalariados no campo não têm sindicatos próprios, sendo representados em sindicatos policlassistas ou não tendo nenhuma representação sindical. Os chamados STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) são na maioria das vezes organizações que representam aos camponeses pobres, mas que tem terra ou pelo menos a posse de alguma terra. Nessas condições, ainda que eventualmente esses camponeses possam assalariar a mão de obra, a mesma mão de obra que depois se vê representado nesses mesmos sindicatos. Além disso, a própria estrutura dos STR é organizada para as reivindicações clássicas dos camponeses, terra, insumos, créditos, preços mínimos etc., ficando as reivindicações operárias perdidas e secundarizadas dentro dessas. É necessário organizar sindicato de operários agrícolas em todo o país, como única forma de garantir um verdadeira representação desses trabalhadores.

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O planeta jamais esteve tão ameaçado como hoje. Pela ação do homem, a terra, como um patrimônio de toda a humanidade vem sendo destruída sistematicamente pelo conjunto de práticas predatórias do capitalismo. É possível desenvolver uma agricultura em larga escala, comercialmente viável e ecologicamente menos agressiva a natureza. Hoje já existe técnica e tecnologia para que os danos causados a natureza se minorem de forma qualitativa. As grandes explorações agrícolas continuam sendo as principais responsáveis pelo desmatamento descontrolado da amazônia e do serrado brasileiro. As grandes plantações de soja, a criação extensiva de gado, e a indústria madeireira têm uma atitude verdadeiramente predatória com o conjunto da natureza e com a humanidade. Mas isso não tem a ver com um problema de garantir a produção de alimentos, e sim de gerar o máximo de mercadorias como um mínimo de custos. É necessário barrar a destruição da natureza. Expropriar sob controle dos trabalhadores todo latifúndio e agronegócio que atuem de forma predatória e antiecológica. Essa pratica predatória tem uma de suas máximas expressões no uso dos chamados transgênicos. Na busca de lucros e do controle absoluto da produção de alimentos um punhado de grandes empresas tem investido cada vez mais nos transgênicos, e transformado o conjunto da humanidade em um laboratório onde provam suas novas criações. A absoluta falta de controle desses produtos e sua proliferação desenfreada é um risco para a saúde e para o meio ambiente. É necessário proibir definitivamente o uso de transgênicos na agricultura e a comercialização de produtos transgênicos. Defendemos o controle do Estado e publicidade nas pesquisas sobre transgênico. Por outro lado, a santa aliança entre o Estado brasileiro com o agronegócio se manifesta na enxurrada de dinheiro liberadas para os chamados bicombustíveis. Os chamados bicombustíveis são uma farsa montada a partir da preocupação justa de uma ampla parcela da humanidade sobre a poluição e o atual modelo energético. Os bicombustíveis são tão antiecológicos quanto os combustíveis fósseis, e no Brasil tem sido uma cortina de fumaça para justificar a entrega de bilhões de reais a usineiros falidos e grandes latifundiários em geral. É preciso dizer não aos bicombustíveis. Nem um centavo do governo aos usineiros. Financiamento para os pequenos produtores e

revolução agrária

para a produção de alimentos. Nada para os latifundiários e exploradores. Esse financiamento dos bicombustíveis é apenas a ponta do iceberg. O governo financia todo o agronegócio, patrocina pesquisas para as grandes plantações, ajuda e estimula a exportação de soja, milho e carne. No entanto, não financia a pequena agricultura. É necessário que o Estado destine verbas para a pequena produção e a conduza no caminho da produção cooperativa ou estatal, e não dê um centavo sequer para a grande produção capitalista no campo. Por outro lado, não defendemos a desorganização da grande produção no campo. Hoje as grandes plantações de soja, milho e cana de açúcar e a grande criação de gado, têm servido nas mãos dos grandes latifundiários e capitalistas do campo como um instrumento para a destruição da natureza, a exploração os trabalhadores, o uso abusivo de técnicas e tecnologias predatórias, a expulsão de nacionalidades originárias de seus territórios, o estímulo ao êxodo rural e, agora, avançam em direção da destruição da maior reserva biológica do mundo, a amazônia. É necessário deter este tipo de agricultura predatória antes que ela destrua o país. A grande produção deve ser nacionalizada sob controle dos trabalhadores e dos pobres do campo. Somente a nacionalização das grandes fazendas, sob controle dos trabalhadores, poderá garantir ao mesmo tempo, que toda a técnica e tecnologia desenvolvida possa ser preservada e usada adequadamente, por um lado, e que o país produza no campo de forma racional e a serviço da maioria do povo.

COnSTrUir Uma DireÇÃO revOlUCiOnária nO CampO
Não há nenhuma possibilidade de levar esse programa adiante se ele não se basear em forças vivas e reais no campo. É necessária a construção de uma direção para a revolução agrária. Os trabalhadores assalariados rurais normalmente não têm sindicatos próprios e terminam em sindicatos de trabalhadores rurais que são policlassistas e dirigidos muitas

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vezes por seus patrões. É fundamental garantir que esses trabalhadores tenham seus próprios sindicatos e representações, a CSP - Conlutas, deve fazer todo o possível para organizar esses trabalhadores de forma independente. Sem um esforço consciente por parte dos trabalhadores da cidade, para auxiliar essa organização, o mais provável é que ela não se dê. Isso não se deve a uma hipotética anemia dos assalariados rurais, mas da profunda sangria que sofre a classe trabalhadora e seus aliados no campo Os melhores lutadores do campo - camponeses pobres, advogados de sindicatos, deputados, padres e freiras - tem sido sistematicamente assassinados, nos últimos 25 anos foram assassinados pelo latifúndio e seus aliados mais de 600 pessoas em uma macabra média de 25 assassinatos por ano. Os trabalhadores, camponeses pobres e seus aliados têm o direito de se defender. Pelo direito a auto-defesa dos lutadores e das organizações camponesas. Mas, a violência contra os camponeses e sua vanguarda não se resume a assassinatos, os casos de tortura, saltou de seis em 2008 para 71 em 2009. Outros dados igualmente reveladores são as ações de violência e terror coletivo, o número de famílias expulsas cresceu de 1.841, para 1.884, o número de famílias despejadas passou de 9.077, para 12.388, um crescimento de 36,5%. Também se elevaram o número de casas e de roças destruídas, de 163% para 233% respectivamente. Em 2009, registrou-se 9.031 famílias ameaçadas pela ação de pistoleiros, contra 6.963, em 2008, mais 29,7%. A violência exercida contra os trabalhadores, suas lideranças e organizações têm guarida na relação promiscua entre o latifúndio e o Estado. Como exemplo, no Paraná um tenente coronel, Valdir Copetti Neves, foi condenado à prisão por envolvimento no caso que ficou conhecido como “março branco”. Ele chefiou uma milícia armada, formada por policiais aposentados, contratada por fazendeiros para despejar áreas ocupadas pelos sem terra na região de Ponta Grossa. A milícia praticou vários crimes, entre tentativas de homicídio até o fornecimento de armas e drogas para incriminar outras pessoas. Esse é, porém, apenas um exemplo, no mar de outros como o de onde o próprio Estado atua diretamente como assassino, como no caso do massacre de El Dourado dos Carajás ou de Corumbiara. O outro grande problema a ser enfrentando para construir uma direção revolucionária no campo é o MST. O movimento foi o maior depois da ditadura militar. Nos anos noventa chegou a ter índices de popularidade inimaginá-

veis, e foi para amplos setores da esquerda uma esperança e uma alternativa as permanentes capitulações do PT. Amplos setores do ativismo, nas universidades e nos movimentos sociais aderiram de alguma forma a essa organização que utilizavam um método radical de enfrentamento no campo. As ocupações de terras e desafiava um elemento central na ordem capitalista, a propriedade privada. Montados e dirigindo um assenso gigantesco, onde milhares e milhares de trabalhadores e pobres do campo se organizaram para enfrentar ao latifúndio e ao grande capital essa organização ganhou os melhores lutadores camponeses e se transformou na principal referência nacional e internacional na luta pela reforma agrária no Brasil. Um verdadeiro símbolo de radicalidade consequente e de primazia da ação direta sob todos os demais métodos de ação Em um momento em que o movimento sindical urbano, em especial CUT, abandonava seus velhos preceitos, ideais e estatutos, e quando palavras como socialismo e luta de classes eram já totalmente démodé, o MST seguia cantando que “só sai reforma agrária com a aliança camponesa e operária”, ou “nosso lema é ocupar resistir e produzir”. Paralelo a essa radicalidade na ação, o MST, sempre desenvolveu uma posição político-teórica policlassista e frente populista. Influenciados por certos aspectos do maoísmo, o MST nunca se negou a fazer gente com a bueguesia ou com setores dela, manteve inclusive com Roberto Requião, no Paraná, uma relação errática. Com o governo Lula isso deu um salto, apesar de afirmas coisas como que “a reforma agrária no governo Lula não tem capacidade de alterar a estrutura fundiária. Os únicos resultados positivos se referem ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o que é pouco para sustentar a afirmativa de que reforma agrária de qualidade está para ser efetivada. Na prática o MST apóia ao governo Lula e participa dele, algumas vezes em forma indireta como no caso da fundação de estudos e pesquisas agrícolas e florestais (Fepaf) que presta serviço ao INCRA no pontal do Paranapanema. A própria caracterização que João Pedro Stedile faz do governo Lula, comparando com o de FHC, é de que “na forma de tratamento dos movimentos sociais, não são iguais, não. FHC tentou cooptar, isolar e criou condições para a repressão física, que resultou nos massacres de Corumbiara e Carajás. Já no governo Lula há mais diálo-

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go. Nunca houve repressão por parte do governo federal. E que “o governo FHC era o legítimo representante da aliança entre uma parcela da burguesia brasileira subordinada aos interesses do capital internacional e financeiro. Já o governo Lula representa um outro tipo de alianças. É um governo de conciliação de classes, que juntou dentro dele setores da burguesia brasileira e setores da classe trabalhadora. E por isso é um governo mais progressista do que o governo FHC.” Contudo, isso é um erro. O governo Lula, de fato é um governo de colaboração de classe, uma frente popular, mas onde que leva a batuta é justamente as grandes multinacionais, basta ver, por exemplo, o controle da agroindústria no campo e seu peso no governo. Essa relação também tomou outro caminho, como no caso de Jose Rainha Junior, o Zé Rainha. No auge da luta contra a expansão do agronegócio no campo, o governo federal destinou quase R$ 1 milhão para o grupo do líder José Rainha para plantar mamona no Pontal do Paranapanema. A última parcela desse dinheiro, no valor de R$ 351.198,25, caiu na conta da Federação das Associações dos Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Faafop), entidade criada por Rainha. Assim, um setor do MST virou a perna esquerda do agronegócio, inclusive legitimando dessa maneira a política, mentirosa, dos bicombustíveis. Por outro lado, essa permanente adaptação ao governo levou a que a própria estratégia central do MST, as ocupações de terra, fosse sendo relativizadas por sua direção. Em uma recente e interessante polêmica, João Pedro Stedile disse que as ocupações já não eram mais a atividade central do movimento. Em seguida, em uma carta ao jornalista Luis Nassif, o Stedile negou tal declaração e reafirmou que as ocupações como um dos métodos do MST, mas reafirma que há um novo momento no campo, e que é fundamental juntar a todos os que estão contra o modelo do agronegócio. A afirmação seria coerente, se nela não estivesse embutida justamente o que o MST considera “todos”, ou seja, se não estivesse embutido o sentido policlassista desse “todos”. Ao MST sobram dois caminhos: romper com Lula e voltar para ação direta e atualizar seu programa, ou ser cada vez mais governista e adaptado ao governo, ficando cada vez mais longe da luta dos trabalhadores e pobres do campo

Construir o pSTU no campo

A reforma e a revolução agrária no campo será socialista ou não será. É necessária uma direção política revolucionária que unam os trabalhadores da cidade e do campo para uma transformação radical do país, a expropriação de todos os capitalistas e a construção de um governo dos trabalhadores. Hoje o PSTU é esse partido. É necessário construí-lo também no campo. Somente a adesão dos melhores e mais abnegados lutadores do campo a este partido permitirá levar esse programa a bom termo.

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como o fim do monopólio brasileiro sobre o subsolo nacional. que facilita a privatização da água potável. seriam anistiados todos aqueles que cometeram algum crime ambiental. mas não foi o que aconteceu. estão causando secas. Como se não bastasse. Para que isso ocorresse. Usina Nuclear Angra 3 e as hidrelétricas do Rio Madeira e Belo Monte. Aldo Rebelo. reduzindo a disponibilidade de recursos naturais. que. o deputado propõe a diminuição da chamada da Reserva Legal. provocando o aquecimento global. transformando habitats e provocando doenças. levando a alterações climáticas profundas. por sua vez. no século 19. Qualquer desmatamento feito até 22 de julho de 2008 estaria automaticamente perdoado. V governo lula e meio ambiente Durante o governo do PSDB aprovou-se uma série de reformas neoliberais que aprofundaram o saque internacional das riquezas naturais do Brasil e da Amazônia em particular. petróleo. O capitalismo é responsável pela catástrofe. muitos ambientalistas alertam que qualquer fazendeiro com mais de 600 hectares de terra na Amazônia poderá fracionar sua propriedade para escapar da legislação. para ao menos ficar como está. do PCdoB. a proposta é que fazendas com ta- 42 . a busca de lucros crescentes provoca um consumo desenfreado e a apropriação intensa da natureza. A proposta é acabar com a Reserva Legal para qualquer propriedade localizada na Amazônia com até 600 hectares. algo que está longe de ocorrer. e a Lei das Patentes. foi decisiva a presença de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Também aprofundou a política de FHC em relação à gestão de recursos hídricos. Esse cenário é irreversível e. Segundo a proposta. O governo de Lula e Marina Silva liberou os organismos geneticamente modificados (transgênicos) no país. gás e carvão vegetal. No entanto. O resultado é a fragilização dos ecossistemas que perdem sua capacidade de proteção e auto-recomposição. área de propriedades rurais que devem ser destinada à preservação da mata nativa. A produção capitalista está sustentada em uma matriz energética baseada nos combustíveis fósseis.É preciso deter a destruição ambiental o capitalismo é incapaz de resolver a crise ecológica que provocou. Já nas outras regiões do país. será necessária uma redução dos níveis de emissão de CO² em 50%. A luta ambiental deve se juntar às demais lutas de todos os trabalhadores. está a frente do que poderá ser o maior ataque ecológico de toda história. Por outro lado. permitiu a privatização de grandes áreas na Amazônia e a exploração dos recursos florestais em geral. grandes inundações. Como se não bastasse. elevou os níveis de tolerância para o lançamento de efluentes tóxicos nas águas. Os últimos oito anos foram marcados pelos mais graves ataques ao meio ambiente. licenciou obras como a transposição do Rio São Francisco. o deputado governista. A temperatura média do planeta subiu assustadoramente a partir da Revolução Industrial. O deputado é o relator do projeto que visa modificar o Código Florestal brasileiro. Com a eleição de Lula se alimentou a expectativa de que isso tudo iria mudar. A queima desses combustíveis aumenta a temperatura da Terra. cuja tarefa básica é garantir o livre acesso dos recursos naturais às pessoas que deles necessitam para viver dignamente ivemos a beira de uma barbárie ambiental.

Por isso defendemos: propostas ecosocialistas • Imediata aprovação de um tratado de redução significativa da emissão dos gases de efeito estufa. o alagamento de florestas contribui para o aquecimento global. acabou em fracasso e demonstrou a incapacidade do imperialismo em firmar um acordo sobre o clima. ao fim do segundo mandato. como é o caso dos índios do Xingu. o governo tenta modificar o Código Florestal para reduzir as áreas de preservação permanente e entregá-las à exploração econômica. • Expropriação e estatização de empresas que causarem contaminação do ar e da água. Não há desenvolvimento sustentável sob o capitalismo. substituindo os combustíveis fósseis por fontes alternativas. • Revogação de todas as concessões e outorgas para a exploração econômica de fontes de água potável e estatização. regularizando 400 mil propriedades irregulares na Amazônia com até 1. uma área equivalente ao território francês já foi desmatada. • Não à construção de Belo Monte e outras grandes hidrelétricas na Amazônia.241 cabeças. Agora. utilização. como o Protocolo de Kioto.158. Buscando impulsionar a produção mineral na Amazônia e diminuir o custo energético de grandes empresas instaladas em outras regiões. amazônia na mira Na Amazônia. Isso não significa. Certamente. até lá. ocorrida na Dinamarca. Alguns cientistas acreditam que neste ritmo a floresta pode desaparecer em 30 ou 40 anos. Sanções econômicas e políticas àqueles que se negarem a assinar. Essa nova matriz deve ser financiada e controlada pelo Estado. O favorecimento ao agronegócio provocou o avanço de atividades que mais desmatam a Amazônia .500 hectares. • Defesa do cerrado e dos outros ecossistemas brasileiros. contudo. além de propor o fim do capítulo que trata de incêndios florestais e rurais.pecuária.manho de até 4 módulos rurais também estejam dispensadas de ter a Reserva Legal. programa ecológico classista A luta ambiental deve se juntar às demais lutas de todos os trabalhadores. engarrafamento e distribuição. Lucro e responsabilidade socioambiental são coisas que não andam juntas. • Mudança progressiva e acelerada da matriz energética. cuja tarefa básica é garantir o livre acesso dos recursos naturais às pessoas que deles necessitam para viver dignamente. O capitalismo é incapaz de resolver a crise que provocou. • Não às compensações ambientais. Não aceitamos nenhuma interferência imperialista. sob o controle dos trabalhadores. Isso corresponde a 67. COP-15 (2009). dos sistemas de captação. Além disso. Aldo Rebelo. devemos deixar as coisas como estão. abre brechas para que as vegetações de encostas sejam derrubadas. pois toda reivindicação ambiental se choca com a lógica destrutiva do sistema. bem como das terras onde ocorrem queimadas de origem não natural. Por isso. • Defesa da Amazônia.4 milhões de hectares de terras públicas. com a ampliação dos limites das Áreas de Preservação Permanente. seria o fim do modelo capitalista e sua substituição pelo socialismo. • Proibição da produção. destruindo significativa riqueza natural e expulsando diversas populações tradicionais da área afetada. No ano passado. Em 2010 o rebanho bovino na Amazônia Legal totalizou 70. que permitem que empresas continuem poluindo desde que criem ações que compensem essa poluição (o que na realidade não acontece). Pará). A Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas. como as localizadas no rio Madeira (Rondônia) e a hidrelétrica de Belo Monte (rio Xingu. Embora o projeto mantivesse a obrigação nos percentuais atuais – 80% para a Amazônia. o governo petista objetiva construir dezenas de mega-hidrelétricas nos rios amazônicos. 35% para o Cerrado e 20% nos demais biomas – . mais de três bois para cada habitante da região. Por fim. junto aos demais países amazônicos. Lula editou a medida provisória 458 (MP da grilagem). o grande salto na busca por um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Tudo de acordo com a cartilha da bancada ruralista no Congresso Nacional. a proposta de desenvolvimento sustentável de Marina Silva não passa de uma grande farsa. 43 . • Não à transposição do rio São Francisco • Defesa do atual Código Florestal. Propostas sobre tímidos acordos climáticos. que. são totalmente insuficientes para resolver o desequilíbrio ecológico mundial. soja e madeireiras. As usinas vão provocar um imenso alagamento florestal. poderá abrir uma brecha para que estados e municípios reduziam esses números pela metade para as propriedades maiores. transporte e armazenamento dos transgênicos. a proposta do camarada do agronegócio.

como educação e saúde. A realidade vem demonstrando que o objetivo destas intervenções de política de segurança é o extermínio de jovens e a intimidação e repressão dos movimentos social e sindical. se possível. Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado em maio de 2010 demonstra que a cada dia a violência é o que os brasileiros mais comentam em casa. estão entre os temas mais delicados a serem enfrentados na formulação de um programa para o Brasil studo da ONU (Organização das Nações Unidas) mostra que a população sentiu o crescimento da violência no Brasil. no trabalho ou nas ruas: 90. A principal finalidade é o controle social. Na sociedade burguesa. lema combatido pelo PT naquela época. No capitalismo. Antes da eleição de Lula.Violência e direitos humanos: o capitalismo mata A violência e a violação aos direitos humanos são os problemas que mais preocupam a população brasileira. Lula. produto social A violência é um produto da miséria. a partir da experiência da ocupação no Haiti. Hoje.1% têm a percepção de que o país está se tornando mais violento. E Nestas eleições. tampouco do Estado. Por este motivo. na escola. a segurança existe apenas para garantir a cada um de seus membros a conservação de sua pessoa. o PT se associava a várias ONGs na defesa dos “direitos humanos”. A política é clara: aumentar a repressão. todas as candidaturas burguesas não propõem uma mudança global na política econômica. essa iniciativa se expressa na chamada Polícia Pacificadora. a maioria delas civis. “bandido bom é bandido morto”. A violência armada também é associada à violação de direitos humanos. criou o Pelotão de Repressão. No Rio de Janeiro. colocar mais polícia na rua. e. É resultado do sistema capitalista. ao crescimento da desigualdade de gênero. mas agora assume as bandeiras da direita. Não existe nenhuma maneira de acabar com os crimes em uma sociedade 44 . segurança nada mais é que a formalização política e justificada da preservação do “egoísmo” da sociedade burguesa. Ainda segundo cálculos do Pnud. O programa de segurança nacional do governo Lula é uma reedição ampliada da política de Paulo Maluf quando governava São Paulo: “mais Rota nas ruas”. a pena de morte. de seus direitos e sua propriedade. com o governo estadual. à insegurança judicial e à falta de oferta de serviços básicos à população. cerca de 2 mil pessoas morrem todos os dias vítimas de arma de fogo. onde a desigualdade e a seletividade são produtos de uma relação de dominação.

Com salários dignos. • Formação de grupos comunitários encarregados de do Brasil. políticas e judiciárias trabalhadores de segurança após prévia capacitação. Com direito a sindicalização e de realizar greves em defesa de suas reivindicações. como • Formar tribunais de pequenas gerando emprego com salários e condino capitalismo causas com os trabalhadores (as) ções de vida dignas. brutalidade na ação policial em ocupações. promotores e juízes devem ser eleitos O aparato de repressão policial existe para reprimir e agir de maneira coercitiva contra o povo pobre. Terão como função e dirigentes sindicais quando realizam A violência é um dar proteção à integridade física das suas mobilizações. • Fim das empresas de segurança privada. com punições aos pequenos infratores em forma de serviços comunitários e penas alternativas. • O PSTU assume o compromisso público em seu progradevem ter punições exemplares. enfermagem.sociais e de assumir para si as bandeiras do seminário nacional contra a criminalização dos movimentos sociais. auditoria patrimonial para aqueles que as criaram. com dos internacionais. cantes que intimidam a população Somente um verdadeiro governo socom os crimes em mais carente nas favelas e nos baircialista dos trabalhadores que deixe de uma sociedade ros pobres. No Bra. Além de investir em tecnologia e apostar no sil convivem o consumo de superluxo e a fome. grosserias e formado por membros de confiança da comunidade. Por isso há violência. de combate a incêndio. negros e desempregados. em Brasília (DF). corruptas e de. que promovem um círculo vicioso de repressão trabalhadores (as). sindicatos e organizações populares e crime.onde impera a desigualdade. dução com o controle de nossa classe. combate à criminalidade. já que são os que mais conhecem o próprio bairro.dos aos conselhos populares de segurança. bairros da periferia. o povo negro que vive nas favelas e nos bairros controlar e trabalhar com policiais nos bairros. e acompanhar o trabalho em nosso país têm classe. e a clara determinação de represmaneira de acabar de combater os grandes narcotrafisão do povo pobre. que defenda os interesses dos pobres e dos dos Advogados do Brasil (OAB). Com uma estrutura interna democrática e eleição dos superiores.investigação. MST etc. técnicas de lar na criminalização de trabalhadores investigação etc. sem fa. como no capitalismo. produto da miséria.sas pessoas receberão treinamento militar. • Desmilitarização da Polícia Militar. rompa os acoronde impera a um programa de apoio à vítima. a do Pinheirinho (em São José dos Campos). realizatúrbios sociais.). pessoas e aos bens dos trabalhadores Sem dúvida. a polícia e os tribunais na região. poderá combater a membros da comunidade para julgar criminalidade e a violência. Fim imediato das ma eleitoral de combater a criminalização dos movimentos tropas encarregadas de repressão das manifestações e dis. São as próprias instituições do Estado. e capacitação profissional para Um prOgrama DOS TraBalHaDOreS COnTra a viOlênCia 45 . A classe burNão existe nenhuma de inteligência e investigação. • Fim da atual estrutura policial e criação de uma polícia do nos dias 21 e 22 de outubro de 2008 na sede da Ordem civil unificada. Aplicarão penas na região. prisão e mortes nas favelas (como MTST. Além guesa. desenvolva a proassistência material e psicológica. relocalização dos • Crimes de autoridades policiais. os casos que ocorrem nesses locais. subordinaoperários. com a construção de um volundo Rio. a favela e mapeamento da criminalidade e em políticas específicas de as mansões. condições de trabalho como as do restante do funcionalismo público. No caso pela comunidade. Esagressões contra jovens. formados por cadentes. desenvolvendo também pagar a dívida externa. desigualdade. • Os delegados. como tariado civil para combater a violência e a criminalidade.

com o desemprego. como desmoronamento. e mesmo a legalidade da terra onde esta edificada. que se baseou em dados do censo de 2000 do IBGE. Estes trabalhadores vivem principalmente em favelas e em 46 . em benefício de uns poucos. no estado de São Paulo. a infra-estrutura. 6. No Brasil. Esse sistema perverso retira da maioria da população a possibilidade de ter acesso à terra e à moradia. geralmente distantes dos postos de saúde e das escolas. localização. sua forma mais concreta e visível é a condição de habitação A pobreza é uma das faces da exclusão social. enchentes etc. que só visam o lucro. sem infraestrutura e sujeitas a riscos ambientais. fato agravado pela escassez de transporte público. a pobreza não é natural. material e forma de construção da moradia. das riquezas naturais.57% da população vive em situação crítica no que tange ao saneamento básico. só agravaram a pobreza. baseado na exploração da mão-de-obra. isto é. Impossibilitados sequer de residir na periferia. Ainda que seja um problema histórico. Em algumas cidades mais ricas. esgoto. Embora a pobreza se manifeste em diversos aspectos. Os trabalhadores são empurrados para a periferia. Ela existe em razão do sistema capitalista. aquela que nega aos trabalhadores as condições materiais necessárias para sua sobrevivência. onde há precariedade de serviços de consumo coletivo como supermercados. De acordo com o Seade. sem água encanada. o desempenho econômico representou poucos benefícios para uma enorme parcela da população. rede de esgoto ou coleta de lixo domiciliar. da terra.85% dos chefes de família têm renda de até um salário mínimo. a pobreza não é uma etapa provisória da vida das pessoas. em 1998. No Brasil. aponta que. áreas ao redor da cidade. 5% das famílias mais ricas tinham um rendimento médio pelo menos 28 vezes maior que 5% das famílias mais pobres. esses trabalhadores mais pobres. que vive em situação de extrema pobreza. riqueza nas cidades não significa qualidade de vida para todos. para fora do centro das cidades. isto é. Além disso. Ou seja. padarias e farmácias. a re- dução dos gastos com serviços públicos e com os programas sociais.Habitação e planejamento urbano embora a pobreza se manifeste em diversos aspectos. ou mesmo aos serviços públicos básicos de saneamento e eletrificação. esse índice se eleva ainda mais. o Mapa da Pobreza Urbana do Brasil. levando um grande número de trabalhadores a viver em condições subumanas. são segregados em áreas até então não ocupadas. pois não são dadas oportunidades para que os trabalhadores e seus filhos superem o nível socioeconômico em que vivem. Os anos de neoliberalismo. que vivem de bicos ou estão desempregados. sua forma mais concreta e visível é a condição de habitação. 15. eletricidade e coleta de lixo. no Brasil. chegando a uma renda 50 vezes maior para as famílias mais ricas. onde nem sempre contam com serviços de água.

o meio ambiente e o patrivisam. Todas as cidades deveriam ter Trata-se de uma Os moradores que ocupações que um plano diretor que englobasse já construíram suas casas. As vendas dos terrenos foram feitas a céu aberto. Mas os trabalhadores que lá residem pagaram pelos terrenos. ultimamente. são o do Jardim Pantanal em são Paulo e o programas habitacionais do Morro do Bumba. Essa situação não raro leva a desastres como alagamentos. O loteamento. Não raramente. em poucos anos. deixando-os sem acesso ao trabalho e confinados na periferia. e as construtoras não respei. tanto do governo pelo país afora. esconder ficuldade. sobretudo da população pobre. o planejamento urbano é feito para beneficiar as empreiteiras e não as necessidades e a qualidade de vida da população. Mas a classe os governos aplicam ciar a população sem moradia. por financeiros internacionais. embora transporte. na maioria das vezes. como o BID. As casas construídas pelo programas po. casa. O projeto “Minha dicados. não são projetados para benefipopulação mais pobre. Pelos modelo de transporte de massa. na verdade. os programas habita.possuem informações privilegiadas repassadas pelos gotam especificações mínimas de segurança. vancar a economia. A ocupação e verticalização higienização social. Nos planos diretores. mais são milhares de casos. a população trabalhadora. Trata-se de uma política para maquiar as cidades. estão cheios de rachaduras e vazamentos. com suor e muita dilidade urbana. que expulsa os pobres dos centros urbanos. Além de promover a exclusão. construção civil. dividem o fruto da corrupção entre os governos e buintes. É preciso mudar radicalmente esta situação. no Rio. só é clandestino para as prefeituras. Muitas áreas urbanas são mantidas sem nenhuma fun. é para poder determinar a qualidatapete necessário destruir o construído para de de vida nas cidades. Muitas vezes. Os casos mais divulgados. a miséria debaixo do nenhum programa habitacional. construção de ruas as cidades. Esses loteamentos são chamados clandestinos porque não tiveram autorização do poder público para serem comercializados. planejamento da mobipolítica para maquiar precariamente.das cidades deve trazer benefícios à população trabalhação social para especulação imobiliária. tamente visando o lucro. O resultado são vernos. sobretudo àqueles que vivem em condições subumanas. São obras de má qualidade. O valor real gasto na construção ainda aumenta a dívida dos governos com os organismos é muito inferior ao recebido pelas empreiteiras.quem dá as cartas é o setor imobiliário. dar lucros a granmônio histórico também são prejuuma política de des construtoras. Não é raro a farra ter financiamento de organismo incasas e apartamentos que. deslizes de morros etc. tipos de transporte. federal quanto dos governos estaduAs grandes vítimas são sempre a ais. não cobraram qualquer multa nem puniram estes empresários fraudadores. Eles média. Higienização social 47 . donos dessas áreas não pagam impostos. Minha vida” é um bom exemdo centro afeta os prédios históricos que expulsa os pobres plo. dos centros urbanos. os dora. Para nós. os governos aplicam uma política de higienização social. Veio na esteira da crise econômique estão sendo destruídos para que ca mundial e tem como objetivo alasejam erguidos edifícios. Nas cidades. ou seja. programas até hoje apresentados. esconder a miséria debaixo do tapete. não podem se beneficiar de e avenidas.Estes grupos econômicos através de lobby e corrupção pulares são muito pequenas. pois ao financiar as campanhas eleitorais cobram a fatura. Além disso. A riqueza políticos facilitadores. que. se construir desde o alicerce pelas empresas de construção. para que seja paga pelos contrisua vez.ternacionais. jus. na verdade. que só dependem de vontade política pra regularização. Isso sem falar no grau de corrupção das empresas da sam a ter a cara que interessa aos grupos econômicos. Todos os programas habitacionais. que não fiscalizaram os loteadores. As cidades pascionais são insuficientes e precários. são bairros irregulares.loteamentos clandestinos concentrados em áreas distantes dos centros.

pela população trabalhadora e pela juventude. Conurbação As grandes cidades vivem o fenômeno das conurbações. diariamente. que serão abastecidos com a produção local e fornecerão alimentos a preço de custo. Somente 50. tais como ocupações. com passagens a preço de custo e passe-livre a idosos. 3) planejamento Urbano • Análise dos impactos ambientais e sociais de todas as novas construções e empreendimentos. água. da preservação do meio ambiente e do patrimônio histórico. a situação é ainda pior. favelas e loteamentos clandestinos. serviço de esgoto e trânsito das regiões. captação e aproveitamento de águas pluviais. que serão realizados de forma integral. exatamente igual aos tempos em que desembarcou por aqui a família real. 1) plano emergencial • Regularização de todos os assentamentos urbanos. segundo a mesma pesquisa. e uma proposta para minimizá-las onde já existem. com efetiva participação popular. Mas tem influência direta na saúde pública. escolas. não é um bom mote eleitoral. que estabeleça os planos e formas para crescimento urbano. construir um corredor ecológico. como condição para autorização das obras. rios. a partir do pressuposto de manutenção da população onde reside. • Programas rígidos de proteção e recuperação de mananciais.Saneamento básico e tratamento de esgoto Segundo a Fundação Getúlio Vargas – Instituto Trata Brasil –.9 milhões de moradias populares (para acabar com o déficit). tratamento do esgoto doméstico e coleta seletiva de lixo. • Proibição de construções nas divisas entre cidades. em pleno século 21. Apenas 36% do esgoto gerado recebe algum tipo de tratamento. contaminando solo. inclusive no fornecimento de água.4 bilhões recolhidos. praias e mananciais. Isso nas grandes cidades. boa parte da população brasileira ainda vive no século 19. • Realização de Plano Diretor. populares.9% da população. • Criação de um programa de integração entre a zona rural e urbana dos municípios. através do incentivo à agricultura de policulturas e a implementação de uma rede federal de restaurantes populares. Extensão à toda população os serviços de saneamento básico. Pensamos que deveria existir um combate às conurbações. reciclagem de águas. com isso. praças de esporte e lazer. • Criação de uma frota federal de transportes coletivos urbanos e interurbanos. e também do acesso das populações dos bairros mais distantes do centro aos serviços públicos e privados de interesse social. com determinação de distância mínima para. postos de saúde. sobretudo para as famílias com renda de até três salários mínimos. a fim de detectar e reparar eventuais vazamentos.4 bilhões de litros de esgotos sem tratamento são jogados na natureza no Brasil de um total de 8. Isso significa que. sem participação de empresas privadas. têm acesso a saneamento básico. onde elas ainda ainda não existem. • Construção e implementação de Centros Culturais e Esportivos nos municípios que ainda não os tenham. trazendo impactos diretos na saúde da população brasileira. sem dúvida prejudicando a qualidade de vida das pessoas. 5. O grande problema é que este tipo de construção não aparece. • Revisão da rede de distribuição de água das cidades. Desapropriação de áreas para construção de moradias 4) Conselho Federal popular de Habitação • Formado pelos representantes dos sem-teto e das ocupações. visando o fim do déficit habitacional. através da criação de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). Cerca de 18 milhões de brasileiros não tem sequer banheiro. para construção de 7. previstas no Estatuto das Cidades. estudantes e desempregados. 2) plano de moradias populares • Plano de obras públicas. financiado pelo não pagamento das dívidas interna e externa. pois nas cidades de pequeno porte. para deliberar sobre obras e planejamento urbano. 48 . especialmente daquelas que se destinam à especulação imobiliária.

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com fontes limpas e renováveis de produção de energia. grande vilão do efeito estufa. criados muito lentamente pela natureza. A natureza jamais pode igualar a taxa de criação dos recursos naturais com a taxa de consumo predatório atual. casas residenciais e comerciais). Consequentemente com sua eminente escassez. posteriormente denominado “Nosso Futuro Comum”. Daí a importância de construção de forma rápida de uma nova matriz energética. a extração deste combustível se torna cada vez mais cara. 90 e 150 milhões de anos atrás. a maior parte da produção atual de petróleo convencional provém de duas épocas geológicas de extremo aquecimento global. para a indústria petroquímica onde atualmente é insubstituível. está sendo extraído e consumido dentro de um século e meio. responsável pelo aquecimento global). o Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. disseminou a expressão “desenvolvimento ecologicamente sustentável”. Segundo um estudo realizado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). Os combustíveis fósseis ainda são responsáveis pelo O fornecimento de três quartos da energia consumida no mundo. sem comprometer a capacidade das gerações futuras. que foi criado em milhões de anos. do ilAeSe s recursos naturais. geradora de guerras e invasões por parte dos paises imperialistas AmériCo gomeS e DAlToN SANToS. transporte. geração de eletricidade e como de matéria-prima. O petróleo e o gás natural cumprem os papeis tanto de combustível (para a indústria. altamente poluente e politicamente belicosa. No entanto a Terra não tem mais capacidade de absorver os gases provenientes de sua combustão (o gás carbônico. Em abril de 1987. Este petróleo. definido como aquele que responde às necessidades do presente. são não-renováveis ou finitos. Mas isso é uma utopia imperialista. e uma enganação para a 50 . A escala de tempo geológico para a criação de combustível fóssil é milhões de anos.A construção de uma nova matriz energética1 o uso dos combustíveis fosseis (petróleo e gás natural) de forma capitalista-imperialista se tornam cada dia mais inviável. 40% das emissões de CO2 provém da geração de energia e calor a partir de queima de combustíveis fósseis. custosa. É impossível a natureza criar novos recursos minerais e fósseis correspondentes ao consumo atual para atender o crescimento econômico das nações capitalistas. isso por que já foi ultrapassado o auge das reservas produtivas e estas começaram a decair.

maioria da população. para toda a área energética a nacionalização de todas as empresas que atuam nesta área pois aqui se trata de um problema estratégico para o desenvolvimento industrial do pais e de toda a população. além disso. geraria inclusive um excedente de energia. O salto para uma matriz energética de caráter superior esta travado pelos interesses das grandes companhias de petróleo (Big Oil) na medida em que elas querem reproduzir as mesmas relações sociais de produção as quais permitem reproduzir as atuais relações capitalistas de produção. “por sua voracidade. assim como nacionalização completa da Petrobras e a volto do Monopólio Estatal do Petróleo. A ruptura das relações capitalistas na área de energia é um fator essencial para a sobrevivência e desenvolvimento da humanidade. perigosos e ambientalmente nefastos. o capitalismo imperialista faz exatamente o oposto: desperdiça a energia. ao invés de buscar uma alternativa. além de uma questão de soberania nacional. BP e Conoco/Phillips). (. subsidiados por dinheiro publico. que tenha como uma das bases a energia solar. que tem um grande potencial em várias matrizes. finalmente. as Big Oil (ExxonMobil. arriscados. Chevron. escavação de montanhas e perfurações profundas nos oceanos. freia o desenvolvimento de fontes e tecnologias alternativas que poderiam gerar uma matriz alternativa. que além da grande emissão de CO2 coloca a possibilidade de grandes acidentes ecológicos. o chão e. são utilizados em experiências com métodos caros. Como raspagem de alcatrão. Notas 1 Etanol como uma nova matriz energética? Profª.. Por isso o PSTU propõe como saída a expropriação sem indenização de todas as concessões das grandes multinacionais petroleiras no Brasil. Atua como alguém que ficou sem lenha para esquentar a casa e fazer a comida e. Ao contrário. Não gastam em investimentos para o desenvolvimento de energia limpa. Com isso poderemos desenvolver uma matriz energética combinada. Maria Flávia de Figuei- redo Tavares – ESPM SP 51 .. particularmente para nosso pais. Esta claro que o desenvolvimento das forças produtivas da humanidade esta travado pelas relações de produção. A explosão da plataforma da BP no Golfo do México é o maior acidente ecológico de todos os tempos e matou e mutilou dezenas de trabalhadores. Um exemplo é a perfuração em águas profundas. Querem aumentar o aproveitamento dos combustíveis fosseis através de diferentes tecnologias. buscando adiar no tempo a previsão de crises energéticas. pelo menos nas próximas décadas. O problema é que todos nós estamos dentro dela. seus recursos financeiros. na defesa de seu monopólio internacional estão convencidas que é melhor destruir o mundo em busca de seus lucros. a casa inteira. as portas. como a que querem fazer no Pré-Sal.” As grandes multinacionais petroleiras. finalmente. do que preservá-lo. Shell.) destrói a natureza e. começa a queimar as janelas.

florestas. além de aumentar os problemas sociais. cidade que se tornará outra São Paulo. Segundo Oswaldo Sevá. gás que tem uma contribuição 20 vezes maior que o CO2 para o aquecimento global. em razão do assoreamento. para dar lugar às usinas do Rio Madeira. socialmente desastroso e ambien- talmente devastador. pelo governo lula e sua ministra de minas e energia Dilma rouseff A progressiva demanda de energia tem exigido a construção de novas usinas geradoras de eletricidade. arquipélagos. O rebaixamento do lençol freático poderá vir a destruir a produção agrícola da região. Belo Monte irá inundar uma área de 500 quilômetros quadrados e desviar quase todo o fluxo do Xingu para a usina na barragem através de dois canais artificiais. assim como a qualidade da água. com largas cachoeiras e fortes corredeiras. peixe e transporte as comunidades indígenas e tradicionais ao longo de uma extensão de 130 km na Volta Grande do Xingu. somadas ao milhão de brasileiros atingidos pelas barragens. Principalmente termelétricas. A formação de pequenos lagos de água parada entre as rochas da Volta Grande propiciarão a proliferação do mosquito transmissor da malária. a flora e parte da natureza intocável e de rara beleza serão destruídas. com o desalojamento de populações inteiras. serão mais de 5000 famílias jogadas nas estradas e na capital. a maioria delas nos bairros de Altamira. Esse desvio do fluxo do rio deixará sem água. Com isso degradam os recursos hídricos e o meio ambiente de forma irreversível. bem menor claro. cujas emissões aéreas exercem um impacto crescente sobre o meio ambiente. canais naturais rochosos – se tornarão secos ou serão reduzidos a um filete de água. engrossando as fileiras da miséria. e renovável. Tentam passar o mito de que a hidroeletricidade é uma energia limpa. do ilAeSe o modelo energético brasileiro foi criado pelo governo FHC mas mantido em sua alma e espírito.O fracasso do modelo energético brasileiro AmériCo gomeS e DAlToN SANToS. A fauna. “mais de vinte mil pessoas serão expulsas de suas moradias. Itaipu afogou o Parque Nacional de Sete Quedas na década de 1970. mas cercada pelo seu próprio esgoto jogado nos vários igarapés que a cruzam antes de desaguar 52 . dos quais nem um terço foi indenizado! O caso emblemático sobre esta questão é a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Não é renovável porque os reservatórios têm vida útil prevista para 100 anos. Em Rondônia. professor da Unicamp e pesquisador da área de hidrelétricas. Não é limpa porque emite metano. Configura-se como um projeto economicamente perdulário. Animais serão extintos e os modos de vida locais se perderão em definitivo. Representa um dos maiores ataques ao meio ambiente nas últimas décadas. afetando os produtores indígenas e não indígenas.

. Ainda por cima o projeto é inviável pois a grande oscilação entre cheias e secas do rio Xingu vai transformar a hidrelétrica de Belo Monte numa imensa usina “vaga-lume”. chegando a quase 10 milhões de hectares em meados da próxima década. batata. de habitats e ecossistemas. interferência com o patrimônio cultural das populações atingidas. Importante considerar que o desmatamento é uma das principais causas do efeito estufa. aceleração do processo erosivo e de carregamento de sedimentos. é uma fonte de energia natural. conseqüência: alta dos preços dos alimentos. Engenheiros Florestais da Fundação AVINA (Brasil Sul e Pantanal). a agroindústria da cana-de-açúcar fatura cerca de US$ 8 bilhões anuais e na safra 2007/2008 houve um crescimento de 11. Isso quando as plantações de cana-de-açúcar e a produção de etanol não utilizam diretamente o trabalho escravo. especialmente da Mata Atlântica. os beneficiados com sua energia serão Alcoa. trigo. Sem falar na baixa qualidade de vida das populações envolvidas neste negócio. Tomemos o exemplo anterior do pró-álcool e a expansão das fronteiras agrícolas canavieiras sobre os remanescentes florestais. Vale. Gerdau e CSN. perda e fragmentação de áreas com vegetação nativa. aumento e aparecimento de novas doenças. Especialistas sinalizaram que um trabalhador deste ramo tem cerca de 15 anos de “vida útil”. De acordo com projeções de entidades patronais do setor. soja e o eucalipto são produzidos em regime de extensas monoculturas com sérios impactos negativos.1 Ou a transposição do rio São Francisco para o SemiArido. limpa. multiplicação do uso de agrotóxicos e demais agro químicos. Dos Santos 53 . pobreza rural e urbana. Votorantim. Notas 1 O etanol além da verdade oficial que nos vendem todos os dias. a área ocupada pela cana crescerá mais de 50%. Os efeitos são: desmatamento ilegal para dar lugar ao plantions. 2 Necro-Combustíveis: Um vampiro não pode viver sem sugar sangue. o número de usinas de etanol deve crescer 30% no país em apenas cinco anos . etanol do latifúndio Os defensores biocombustível afirmam que eles não causam danos ao meio ambiente. dez a menos que um escravo tinha à época da abolição.2 A transposição trará interferência nas populações indígenas. Direcionado para o plantio de etanol nos mega–latifúndios do semi-árido nordestino. por que fazer a hidrelétrica de Belo monte? A obra privilegiará sobretudo os grandes grupos econômicos – da sua construção ao consumo da energia. renovável e sustentável. Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. um dos projetos prioritários do governo federal. ampliação da concentração fundiária. Na ponta do processo. Caso tais previsões se confirmem. aumento da violência no campo decorrente da expulsão de camponeses e posseiros. empreiteiras como Camargo Corrêa. decorrente do êxodo e da baixa incorporação de trabalho. Até 2012 a perspectivas é de co-gerar o equivalente à capacidade de uma usina Itaipu e meia em bioeletricidade. como arroz. cebola. Dal- ton F. Mas a verdade é que a cana. aumento das importações de produtos historicamente produzidos pelo Brasil. Membro da coordenação do “Observatório do Clima. modificação da composição e risco de redução da biodiversidade das comunidades biológicas aquáticas nativas das bacias receptoras. Miguel Serediuk Milano e André Rocha Ferretti.. Ele é um bom negócio para poucos.2% sobre a safra anterior. na outra ponta. e com inundações cada vez mais calamitosas e putrefatas”. representando cerca de 528 milhões de toneladas. feijão. Odebrecht e Andrade Gutierrez.no Xingu.pulando das atuais 248 para 325 unidades de produção na safra de 2012/2013. com a usina em funcionamento.

ao invés do “melhor preço”. Em 2010 distribuiu em dividendos 8. Portanto produz mais que o dobro com praticamente a mesma quantidade de trabalhadores.000.000 de trabalhadores. estima-se que esse número passará de 1. é 2. O modelo de contratação das “terceiras” é baseado no “menor preço”. em março de 2010. Mas o mais interessante é que a produção média anual em 1989. Agora o governo quer transformá-la numa das maiores prestadoras de serviços do mundo para as transnacionais petrolíferas do imperialismo.5 milhões de barris de óleo equivalente.Estatização completa da petrobrás “Petrobrás 100% estatal” AmériCo gomeS e DAlToN SANToS. importação/exportação. Isso leva a diminuição da massa salarial. transporte. baixou para 39 mil em junho de 1998. 62 mil trabalhadores. produção.260. Atualmente o número de trabalhadores próprios está na casa dos 70 mil. Em seu relatório de atividades. a Petrobrás aponta que o número atual de empregados terceirizados está em 295. era de 701 mil barris diários. 54 . A empresa fala em contratar mais 10 mil até 2013. com 199. inclusive fatais. benefícios e direitos. o que representa um aumento de 13.1 O problema é que seu crescimento é conseguido com a utilização do patrimônio nacional e nossas reservas petrolíferas. A manobra culmina com a criação de uma empresa estatal gerenciadora da entrega do petróleo para as transnacionais.335 bilhões de reais a estes acionistas.8% das ações estão nas mãos da União e mais de 50% estão negociadas na Bolsa de Nova York. Assim como o elevado número de acidentes. Foi a companhia que mais pagou dividendos nos últimos dez anos . Com o pré-sal. foram registrados 282 mortes de trabalhadores na área petroleira. distribuição e petroquímica. em 1969. refino. referentes ao ano de 2009.245 bilhões de dólares em valor de mercado. enquanto a maioria das ações ficam nas mãos dos grandes especuladores internacionais.aproximadamente R$ 20 bilhões.2 com a política privatista de FHC.35% em relação ao ano anterior. De 1995 até 2009. desses 227 eram terceirizados.Somente 32. reestatização total da petrobras A NOVA PETROBRAS será uma empresa integrada em toda a cadeia produtiva: exploração. Em junho de 1998 a produção superou 1 milhão de barris e atualmente. do ilAeSe A Petrobras é 9ª maior empresa do mundo. Apenas 2% dos contratos feitos levam em consideração a questão técnica. precarização e morte A Petobras chegou a ter.

Será um instrumento estratégico de aplicação das políticas energéticas nacionais e soberania da nacional. O preço da passagem e ônibus será irrisório os alimentos serão mais baratos. no Brasil. quase totalmente dependentes de empresas multinacionais estrangeiras. 2 55 . Sindipetro RJ zembro de 2009. sendo feita. que hoje oneram e inviabilizam a produção. pois deixa de utilizar o combustível para o desenvolvimento do pais. Com este alinhamento perdem todos. Organizar para Lutar. e a integração energética no Mercosul e na América Latina como um todo Retomando a participação na produção e mercado de fertilizantes e insumos agrícolas. preferencialmente. E o gás de cozinha poderá inclusive ser distribuído gratuitamente para a população mais carente. gasolina e gás mais baratos Com o Monopólio Estatal e a Petrobras 100% estatal poderemos acabar com o alinhamento dos preços dos derivados às flutuações dos preços do óleo no mercado internacional. Notas 1 Consultoria Ernst & Young considera os valores fechados em 31 de deContratados. Agente de desenvolvimento nacional com a aquisição de materiais. equipamentos e serviços. subsidiado. Perde a Petrobras pois sua atividade de refino apresenta uma das menores margens de lucro. com ênfase nas outras estatais. principalmente pelos médios e pequenos produtores. de forma a contribuir para a redução dos custos de produtos agrícolas. Favorece o aumento da inflação com aumentos de preços. Esta medida fará baixar o preço do combustível principalmente para os meios de transporte coletivos e de carga. Perde a economia nacional. Estabelecendo diretrizes que visem alianças entre companhias estatais de petróleo.

Todos os problemas relativos à cultura hoje. este programa faz parte de um todo. tudo o que a humanidade vem construindo em sua história. mas também porque no capitalismo a Cultura é usada pela burguesia em proveito próprio e também como forma de ganhar dinheiro. o cinema. dos “traficantes da arte”. A Cultura é importante para os trabalhadores não apenas porque todos devem ter direito a usufruir dela. dominando-a tanto econômica quanto ideologicamente. Marx e Engels já haviam 56 . contra os interesses da classe trabalhadora. Daí a importância de traçar um programa socialista de luta em defesa da Cultura. não apenas os artistas. o sentido mais comum de cultura são as artes: a música. exprimem os sentimentos mais profundos do ser humano. Os discursos do governo e da burguesia sobre a liberdade artística são pura hipocrisia. A Cultura é algo amplo. Por isso. têm a ver com essa relação mercantil. a sensibilidade.Um programa de luta pela cultura A questão da Cultura é muito importante para todos os trabalhadores. no capitalismo. a dança. do empresário. enfim. a literatura. as criações artísticas que. obedecem as leis de mercado e as necessidades da burguesia de manter a sua dominação sobre a classe trabalhadora. É preciso defender a Cultura contra os ataques da burguesia e do grande capital. A burguesia e seus sucessivos governos fizeram da cultura um negócio. quando são verdadeiras. como o Brasil. A Cultura tem relação com a Educação e sobretudo com a Economia. o artista de teatro e cinema. que envolve a linguagem. enfim. O centro do problema a ser atacado hoje na questão da Cultura é a sua privatização. e colocando-a a serviço de seus valores e de suas concepções de vida. o palhaço do circo. nos países coloniais e semi-coloniais. de manter a exploração e a opressão sobre os trabalhadores. os hábitos. o teatro. o escritor. a pintura. todos dependem do editor. das forças do mercado. O músico. E também a serviço da privatização das empresas estatais. Mas não se pode discutir a Cultura sem discutir as demais questões sociais. porque o desenvolvimento cultural depende muito da situação econômica geral do país e principalmente da situação econômica da classe trabalhadora. em que tudo obedece à ditadura do dinheiro? A submissão do artista ao capital não provém de sua venalidade. Como falar de liberdade para o artista numa sociedade em que a arte é uma mercadoria. um conjunto de questões que se interligam. que faz da arte a mais reles mercadoria. a poesia. A arte e a cultura. o pintor. mas das condições objetivas do regime capitalista . as habilidades.

na fase imperialista. É urgente deter os rumos da barbárie que avança na sociedade. a privatização da cultura. por meio dos monopólios e dos grandes bancos . tanto do ponto de vista ideológico quanto econômico. trabalho morto que deforma os homens. mesmo com pouco investimento estatal.06% do PIB. mas a realidade ainda é a mesma. O médico. estende-se para o âmbito de toda a cultura. e isso coloca em xeque a noção de “progresso da humanidade”. a transformação da arte em mercadoria. mas uma necessidade política. que se inoculam nos bens culturais no momento em que se convertem em mercadorias. confirma o estrangulamento financeiro da população brasileira como em nome de quem ocorre esse estrangulamento. Apesar das promessas do governo Lula. nos quais seu valor de troca antecede seu valor de uso. Hoje. o sábio. e que deveria servir para a emancipação humana. é preciso perguntar. A indústria cultural expressa a forma repressiva da cultura. Estamos realmente progredindo?. ela fez deles assalariados a seu soldo” . de que no capitalismo a educação serve para fazer os trabalhadores “aceitarem” ser classe proletária. como forma indireta de manipular a própria classe trabalhadora. A arte não está conseguindo ajudar a humanidade a livrar-se da barbárie porque está vinculada a uma determinada formação social: o modo de produção capitalista. Os dados são antigos. A própria organização da cultura segue os preceitos do modo de produção das mercadorias. a cultura continua relegada a segundo plano pelo Estado e. Dados do Minc mostram que em 1997 o segmento cultural na economia brasileira movimentou 1% do PIB (equivalente a 7 bilhões de reais). A frase de Marx. a iniciativa privada vem avançando sobre esse setor estratégico para o país. O resultado é um acelerado processo de privatização. contribui com parte importante da riqueza nacional. o jurista. como produto e objeto. por veneráveis e que se considerava com sadio respeito. Reverter essa tendência não seria simplesmente uma necessidade “cultural”. mas o que se universalizou foi o trabalho alienado e alienante. única forma de atingir uma arte e uma cultura verdadeiramente livres.dito. é a expressão mais desenvolvida da crise da sociedade burguesa em que vivemos. O lugar da cultura no orçamento nacional Para analisar a situação da arte e da cultura devemos partir do exame da situação da economia e do grau de dependência dos países coloniais e semi-coloniais em relação ao imperialismo. a sua forma autoritária e destruidora da identidade humana. sua degeneração em produto de consumo. dizemos que o trabalho forma os homens. Faz o homem interiorizarse como mercadoria. mas o orçamento público destinado à área cultural foi de apenas 0. Logo. do ponto de vista econômico. que lhes quita autonomia ao invés de conduzi-los a uma autonomia cada vez maior. A classe trabalhadora – incluindo os artistas – precisa dotar-se de um programa de combate para libertar a arte e a cultura das forças econômicas que a oprimem e manipulam. ao invés de formá-los. aos interesses econômicos da indústria. a cultura. publicado pela Auditoria Cidadã da Dívida em 30 de março de 2010. interiorizando a dominação. vem servindo para aprofundar as desigualdades e o fosso entre as classes sociais. O exame do Orçamento Geral da União – Executado – 2009 no governo Lula. no Manifesto Comunista: “A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades que passavam. porque tudo o que a cultura já conseguiu avançar até hoje. a serviço da emancipação humana. até então. Lênin afirma que. o padre. nos seus hábitos. de desatá-la das mãos do capitalismo. Falamos do trabalho. o poeta. por exemplo. os valores de uso inseridos nos produtos culturais se amoldam aos seus valores de troca. o capitalismo transforma-se em um sistema universal de dominação colonial e estrangulamento financeiro da imensa maioria da população do planeta por um punhado de países “adiantados”. A deficiência da experiência cultural e artística continuada constitui a característica mais marcante da sociedade em que vivemos.02% do PIB. É preciso afirmar e reafirmar que não poderá haver uma cultura verdadeiramente livre enquanto persistir essa situação. um Programa para a Cultura tem de atacar o nó do problema: a sua privatização e transformação em instrumento que se volta contra os próprios trabalhadores. Hoje o orçamento é de 0. ao ser utilizada pelo Capital para aprofundar a exploração e manter o atraso no nível de consciência dos trabalhadores. em produtos para o consumo. quando a participação da cultura na economia mais do que triplicou. 57 . Portanto. com isso. moldando os sentidos humanos para aceitar que esse seja o único caminho possível. com implicações ainda pouco previstas e discutidas pela classe trabalhadora. nosso programa tem de partir da necessidade urgente de emancipar a cultura. Hoje. A política cultural na democracia burguesa determina toda a estrutura de sentido da vida cultural por meio das regras e das estratégias da produção econômica capitalista.

por sua vez. de defesa da mulher trabalhadora. Além disso. A opressão às mulheres chama-se machismo. constitui-se em um programa para ação. etc). Por não acreditarmos que somente as eleições burguesas podem garantir as mudanças necessárias à sociedade. A opressão significa a transformação de diferenças em desigualdade social e/ou cultural. nenhuma mulher burguesa. já que ele é um componente fundamental 58 . não sofrem a exploração capitalista. É a através da diferença de gênero que o capitalismo justifica as diferenças salariais entre homens e mulheres. É através da opressão que se cria a ideologia de que as mulheres são responsáveis pelos cuidados domésticos e pela criação dos filhos. é preciso ser contundente no combate ao machismo. As mulheres burguesas. Não querem mudanças que as façam perder os privilégios garantidos pelo capitalismo. que são a minoria. Por isso. apesar de serem vítimas da opressão. Essas. estão submetidas à opressão e à exploração. Um programa que visa atender aos trabalhadores tem de ter um caráter classista. tendo em vista que a construção uma sociedade socialista só se concretizará a partir da luta direta dos trabalhadores (as) SeCreTAriA NACioNAl De mUlHereS A exploração é definida como a apropriação dos frutos do trabalho de uma maioria pelos proprietários dos meios de produção (fábricas. A opressão justifica a exploração enquanto a exploração ajuda a manter a opressão. ou seja. o objetivo é apresentar as principais bandeiras que serão defendidas por nossos candidatos (as) nas eleições de 2010. ajudam a sustentar um sistema excludente e contribuem com a exploração de outras mulheres.Um programa para as mulheres trabalhadoras As propostas para as mulheres da classe trabalhadora foram construídas a partir do acúmulo e da elaboração coletiva da militância do PSTU. na intervenção da luta de classes. minas. Ao contrário. mesmo sendo mulher. é capaz garantir os direitos das trabalhadoras. Em outras palavras. É uma atitude de se aproveitar das diferenças que existem entre os seres humanos para colocar uns em desvantagem em relação aos outros. pois é ela quem sofre as maiores conseqüências do sistema e são aliadas no processo de transformação social. terras. numa relação combinada. os patrões obtêm seus lucros a partir da exploração dos trabalhadores.

em decorrência disso. 97% são mulheres. colocaram-na em uma posição distinta da quase feudal esposa. uma mulher é vitima de violência. por falta de emprego e educação gratuita. para libertar as mulheres da escravidão do trabalho doméstico nãoremunerado. À mulher lésbica e bissexual é negado o controle sobre questões relativas a sua sexualidade. de cada 7 mulheres brasileiras entre 18 a 39 anos. de maneira global. O expediente termina quando terminam as “tarefas do lar”. Continuam obedecendo a uma dupla jornada de trabalho. As mulheres jovens sofrem mais com a imposição de comportamentos. As estatísticas demonstram a mesma lógica: de que as mulheres trabalhadoras são as que ganham menos. Apesar dos avanços conquistados pelas lutas das mulheres ao longo do tempo. A cada 2 horas. a situação é ainda pior. além de correrem o risco de ser presas. Apesar disso. sem sofrer coerção. A violência acaba sendo permissiva pela ideologia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. mas elas ainda ganham menos que os homens para exercerem uma mesma função. Assusta ainda mais ver uma jovem ser morta de maneira cruel por um famoso jogador de futebol. o valor pago pelas horas trabalhadas ao conjunto da classe. Situação das mulheres trabalhadoras Hoje. são a maioria entre as mais pobres do mundo (70% do total). ajudando a diminuir. quando “a última criança vai dormir”. que acabam presas ou morrendo vítimas de intervenções mal sucedidas e clandestinas. lavanderias e creches em período integral públicos e gratuitos. que nega às mulheres o direito a se defenderem por não terem políticas efetivas de combate e punição de agressores. entre os empregados domésticos em São Paulo. no emprego e em suas casas. Por isso. Só é proibido para as trabalhadoras e as pobres. Um problema de saúde pública.para sustentar o capitalismo e dividir a classe trabalhadora. a democracia burguesa ainda as responsabiliza pelos afazeres domésticos e pelos cuidados dos filhos. discriminação ou violência. Sabemos que os direitos adquiridos pelas mulheres. Mas a maior violência é a do Estado. ideologias e repressão a suas atitudes. a mídia e a burguesia tentam passar a impressão de que o machismo acabou. De maneira geral. O turismo sexual e a prostituição são destaque negativo do país em nível internacional. No Brasil. Dados oficiais revelam que 1/3 das famílias brasileiras são sustentadas unicamente pelas mulheres. muitas morrem ou ficam com seqüelas. as “piadas inofensivas”. 59 . o aborto já é legalizado. cerca de 40% declaram já ter feito aborto. é preciso fortalecer a luta contra o machismo para fortalecer as mulheres trabalhadoras. uma é morta. No Brasil. porque entre outras coisas era uma “Maria chuteira”. Essas diferenciações não são decorrentes da “inferioridade feminina”. O fato é que para quem tem como pagar. De acordo com pesquisa publicada pela Folha de São Paulo. a mulher-objeto. Escandaliza a todos assistir ao quase linchamento de uma estudante por usar uma “minisaia” dentro de uma universidade privada. em maio de 2010. em função de abortos clandestinos. O agressor é geralmente o homem com quem ela vive ou viveu. ainda demonstram que as mulheres ainda são valorizadas pelos atributos que podem oferecer aos homens. por serem mais dependentes econômica e juridicamente da família. A realidade e as estatísticas ainda demonstram o contrário. laica e de qualidade. bem como. creches para todas as crianças. ainda ocupam os postos de trabalhos menos especializados e ganham até 40% menos que os homens. as mulheres são a metade da população mundial e correspondem a 42% da população economicamente ativa. que deveria criar restaurantes. Mas a violência do machismo não está somente em crimes bárbaros. de direito democrático das mulheres trabalhadoras decidirem sobre seus corpos e. adorada e estampada como objeto de consumo por marcas de cerveja ou carros. a cada 15 segundos. somente na América Latina. houve também um retrocesso na ofensiva contra o machismo. também. através de suas lutas. do avanço das idéias neoliberais. não por suas qualidades. estão nas funções menos especializadas. cessa-lhes o direito de decidir livremente. mas da opressão. moralismos. O requinte da cantada barata. Cerca de 6 mil mulheres morrem por ano. Os capitalistas utilizam a diferença de gênero para ampliar a exploração e transformar a mão-de-obra feminina num exército de reserva. Por não terem dinheiro para realizá-lo nas clínicas particulares. observamos que em decorrência do refluxo da luta dos trabalhadores. sobretudo a partir da década de 1990. que cresceu enormemente. Os índices de violência doméstica e sexual são escandalosos. a situação não é diferente. Por exemplo. Isso isenta o Estado de suas responsabilidades. por sua vez. Em se tratando das mulheres negras. de vida. pois são impedidas de manifestá-la publicamente. o que. Mas é também reconhecemos que.

Nenhuma mulher é capaz de ser “sensível” às demandas dos trabalhadores se não tiver um programa voltado à defensa dos interesses dessa classe. O resultado é que algumas. assassinada em seu próprio local de trabalho. Em alguns municípios a lei foi implementada. ao denunciarem os maridos. ambas ex-ministras do governo Lula. ajuda a perpetuar no poder a elite branca e machista que sempre governou nosso país. A realidade. fechando os olhos para as inúmeras mulheres que morrem vítimas de intervenções mal sucedidas e contribuindo com os lucrativos negócios do aborto clandestino. Dilma Rousseff ou Marina Silva. retirou do Estatuto da Igualdade Racial as políticas de cotas que beneficiariam as mulheres negras e vetou o fim do fator previdenciário. criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.770. a licença-maternidade ainda não se transformou em um direito. Antes do gênero do candidato (homem ou mulher) está sua condição de classe: se vai defender os ricos ou a população trabalhadora? As candidatas dos partidos de oposição de direita ao governo (PSDB e DEM). a política de atendimento às vítimas de maus tratos físicos e psicológicos (incluindo as mulheres). Recentemente. Prevaleceu a mesma lógica do governo de direita de FHC.governo lula não trouxe benefícios às mulheres trabalhadoras Após quase 8 anos dos mandatos de Lula. para aju- dar as empresas a saírem da crise. o governo retirou do Plano Nacional de Direitos Humanos a medida que possibilitava as condições para descriminalização do aborto em nosso país. mas pouco as efetivou. A primeira é sucessora escolhida pelo PT para dar continuidade ao que Lula vem desenvolvendo. não são capazes 60 . Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PV). em 2004. Apesar do Senado ter aprovado recentemente a extensão da lei a outros estados. contribuindo para a privatização do serviço público. mas da mesma maneira é facultada ao gestor. sendo que o caso recente de maior notoriedade foi da cabeleireira mineira. que dá continuidade ao projeto de FHC. o governo cortou cerca de 10 bilhões de reais dos orçamentos das áreas de saúde e educação. prevê a ampliação da licença-maternidade para seis meses apenas para as empresas que aderirem ao programa “SIMPLES” e como ato facultativo ao empregador que tem isenção fiscal. Crislayne. prevê. menos políticas específicas para a saúde da mulher. Dilma e marina não representam as mulheres trabalhadoras Duas candidatas se apresentam à presidência da República. um governo eleito a partir das ilusões da classe num ex-operário metalúrgico no poder. Elaborou políticas de cunho assistencialista. acabam sendo vitimadas pelos próprios denunciados. Não basta ser mulher para defender as mulheres. sancionada em 2008. já que as casas-abrigo e os centros de atendimento às mulheres são ainda um projeto. em parceria com os estados e municípios. a Lei Maria da Penha. através da criação dos centros de referência de atendimento (CREAS). ao contrário do modelo. Isso sem falar naquelas que perderam seus postos de trabalho. atendendo à pressão dos setores conservadores. sancionado em 2004. novamente. após denunciar as inúmeras ameaças sofridas. cortou em 42% o orçamento destinado a esse fim. Com menos recursos nessas áreas. não trouxe avanços às mulheres trabalhadoras. No início de 2010. que atinge principalmente as mulheres. bem como. Em seguida. menos creches construídas. Essa ideologia. No início do mandato. foram as mais afetadas. O SUAS (Sistema Único de Assistência Social). como parte da rede da assistência social (proteção especial). A Lei 11. mas que em essência mantém o mesmo projeto do PT. é que tais centros são pouco implementados pelos municípios e quase sempre funcionam através de parcerias público-privadas. O resultado é que a lei sequer foi efetivada em sua totalidade. sem qualquer preocupação do governo em assinar um projeto que impedia as demissões imotivadas. A garantia da proteção à mulher vítima de violência permanece apenas na letra morta da lei. mas não atacou o que era essencial: as diferenças sociais e econômicas entre os mais ricos e os trabalhadores. Em 2009. apesar de mulheres. que teria como objetivo principal ajudar no combate à violência contra a mulher. a segunda é uma tentativa de “terceira via” apresentada pelo PV. Sancionou. pois elas teriam “sensibilidade” feminina e “amor no coração”. As mulheres. Os setores governistas e parte da mídia iniciam uma campanha sobre a necessidade de eleger uma mulher para melhorar o Brasil. que atribui às mulheres condições criadas culturalmente para oprimi-las. pois amplia consideravelmente o tempo requerido de trabalho para a aposentadoria.

• Pela anulação da reforma da previdência promovida pelo governo Lula: por uma previdência universal. 13º salário. quando ainda estava no governo. Em relação à ocupação militar no Haiti. proibição de salários diferenciados para um mesmo trabalho. Para A luta pela garantia e ampliação da licença maternidade é uma bandeira histórica das mulheres trabalhadoras. • Punição às empresas. porque nossa unidade é a unidade da classe trabalhadora. pois sabemos que o direito à maternidade. • Igualdade salarial entre homens e mulheres. Criação de lavanderias e restaurantes públicos. com profissionais capacitados. 53% são mulheres). nos locais de trabalho. os negros e todos os setores oprimidos. Suas campanhas obedecem aos interesses de quem as financiam (grandes empresários) e não propõem rupturas com esse sistema de exploração e opressão capitalista. Defendemos um programa. de maneira geral.de defender as mulheres trabalhadoras. pelo exército brasileiro. • Redução da jornada de trabalho para 36h sem redução de salários. de acompanhamento pré-natal. Direito à maternidade nOSSO prOgrama Direito ao trabalho As mulheres. • Estabilidade no emprego para todas. na realidade. especialmente às vítimas de doenças profissionais (LER/DORTE). para todos os filhos da classe trabalhadora. mulher trabalhadora precisa de candidatura trabalhadora revertes essa situação.3% a menos do valor pago a um homem. diante dos fatos. A ex-ministra da casa civil e natural sucessora de Lula em 2011. Em poucas palavras. Pelo contrário. • Punição às empresas. torna-se mero discurso eleitoreiro. com um programa classista. bem como. apresentamos candidatas mulheres em vários estados. • Pelo reconhecimento da profissional do campo (camponesa) como trabalhadora. A sensibilidade feminina. Nessas eleições de 2010. • Aumento da licença-paternidade para 01 mês. não se manifestou em favor de nenhuma medida para as mulheres. são trabalhadores e defenderão as mulheres. além de figurarem entre os maiores índices de desemprego. em 2010. Zé Maria (presidente) e Claudia Durans (vice-presidente). pois o estado não nos garante o mínimo:assistência médica. em 2007. não beneficiam os trabalhadores. licença maternidade e creches em período integral.Cerca de 80% (cerca de 9 milhões) de crianças em idade de 0 a 3 anos não têm acesso a creches. para combater a exploração. • Creches em tempo integral. solidária. única e integral para todos e controlada democraticamente pelos trabalhadores. é negado às mulheres pobres. órgãos públicos e responsáveis que realizarem revistas íntimas e ou demitirem mulheres que engravidaram. licença-maternidade entre outros. nossos candidatos. propomos: • Emprego pleno a todas as mulheres. silenciou-se frente às inúmeras denúncias de mulheres violadas pelas tropas. financiada pelo Estado. • Aplicação imediata da licença-maternidade para seis meses para todas as trabalhadoras e estudantes. • Pelo fim da dupla-jornada e do trabalho doméstico. sem isenção fiscal. • Salário-família (meio salário por dependente) baseado no índice do Dieese. nós. órgãos públicos e responsáveis por práticas de assédio moral e sexual no trabalho. Ganham os menores salários (dos que ganham salário mínimo. • Pelo fim do fator previdenciário. Sua hora de trabalho custa em média 14. foi a favor do corte no orçamento da Secretaria Nacional de Combate à Violência. de boa qualidade. buscando ampliar para um ano. do PSTU. com atendimento de qualidade e gratuito. a emenda que tratava da legalização do aborto. apóia a utilização das forças armadas brasileira para oprimir e ajudar na exploração dos trabalhadores e trabalhadoras naquele país. pública. Apoiou a iniciativa do governo em retirar do plano nacional de direitos humanos. sem carteira assinada e sem direitos como férias. É preciso candidatos e candidatas que defendam um governo dos trabalhadores. o machismo e o capitalismo. a todas as mulheres que desejarem ter filhos. fruto de uma concepção de que elas são sujeitos políticos e devem ocupar esse papel. moradia e estudo. que afeta principalmente as mulheres. fi- 61 . Mas não defendemos a ”sensibilidade” das mulheres burguesas. construído e levado a frente por homens e mulheres trabalhadores. Por isso defendemos: • Garantia de acesso à saúde pública de boa qualidade. estão nos serviços mais precarizados.

Nesse sentido. Direito a participar das decisões políticas A educação opressora em nossa sociedade não estimula a participação das mulheres nas decisões políticas da sociedade. Direito à juventude Direito à vida e à liberdade sem violência A violência sofrida pelas mulheres faz com que a cada quatro minutos uma mulher seja agredida. com eleição dos superiores e direito à sindicalização e realização de greves em defesa de suas reivindicações. não são oferecidas as condições adequadas para a maternidade ou para decidir se querem realmente ter filhos. criação de uma polícia civil unificada com estrutura interna e democrática. de forma laica. idosa. • Cotas nas universidades para as mulheres negras. É preciso combater a violência com medidas efetivas: • Prisão e punição exemplar para os agressores de mulheres. • Pelo reconhecimento da licença-maternidade pelas escolas e universidades. laica e de qualidade para todas as mulheres trabalhadoras. • Construção de casas a todas as mulheres pobres e trabalhadoras. como se este fosse o destino obrigatório delas. distribuídos sem burocracia. a tortura e a morte acontecem. Direito à saúde. com orientação • Pelo fim da violência contra as mulheres pobres que vivem nas periferias. • Descriminalização e legalização plena do aborto no país. organizações populares e de mulheres. garantir apoio jurídico. • Escola pública. • Atendimento ao aborto legal (em casos de estupro ou risco de vida da mãe) em todos os hospitais imediatamente.nanciadas pelo Estado. lésbica. formados por associações de bairros. e formação profissional e infra-estrutura necessária para abrigar e assistir mulheres e filhos em situação de violência. • Educação Sexual nas escolas. é preciso: • Políticas de saúde pública com atendimento integral às necessidades da mulher em todas as fases de sua vida e não apenas na fase reprodutiva. sindicatos. Ao mesmo tempo. • Manutenção das cotas para participação das mulheres 62 . de combate a incêndio. em sua maior parte. pílula anticoncepcional. financiados pelo Estado. médico e psicológico às mulheres vítimas de violência. com poder de acatar denúncias. contra a homofobia. • Contraceptivos gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde como DIU. ainda decidem muito pouco. com atendimento em tempo integral. • Pelo direito ao estudo e garantias de creches nas escolas e universidades para as estudantes que têm filhos. O estupro. enfermagem e estarem preparados para intervir nas agressões sofridas pelas mulheres dentro dos lares. jovem. e que ajude as mulheres as compreenderem seu corpo e sua sexualidade. gratuita. • Pelo fim da exploração sexual e comércio de prostituição de adolescentes. para que as jovens não tenham de abandonar os estudos. pílula do dia seguinte. • Implementação dos Centros de Referência da Mulher. que dêem conta de sua diversidade (negra. • Imediata construção de casas-abrigo. sem necessidade de apresentação do boletim de ocorrência. ao longo da história. Todos e todas devem receber treinamento militar. • Saneamento básico em todos os bairros. camisinha feminina e masculina. • Iluminação pública em todas as ruas. têm sido vistas como destinadas a serem mães. • Grupos comunitários de autodefesa encarregados de controlar e trabalhar conjuntamente com policiais nos bairros. Apesar de maioria. portadora de necessidades especiais). • Para defender os interesses das mulheres pobres. a agressão física e psicológica. É preciso radicalizar a democracia e estimular a participação das mulheres em todos os seguimentos da sociedade: • Criação Nacional de uma Secretaria de Mulheres que vise elaborar políticas para as mulheres trabalhadoras. • Direito à livre expressão e manifestação sexual das mulheres. • Defesa da adoção de filhos por casais homossexuais (mulheres lésbicas). Direito à moradia e à educação. no interior dos lares. como parte do sistema de proteção social. subordinados aos conselhos populares de segurança. a decidir sobre seu corpo e à sexualidade As mulheres.

onde todos têm os mesmos direitos e deveres. e por vezes dividem a classe. • Pela criminalização do racismo. A opressão expressa através do racismo. • Contra a mercantilização e comercialização do corpo da mulher. a luta não é somente em defesa de uma candidatura dos trabalhadores. que vitimiza as mulheres negras. Precisamos ter a preocupação de organizar as mulheres para construir uma sociedade socialista.nas eleições burguesas e demais espaços de representação política da classe. a homofobia e o machismo em defesa da construção de uma sociedade socialista A libertação das mulheres da opressão e exploração só terá fim em uma sociedade sem classes. anúncios de cigarro. Por isso. 63 . da homofobia e do machismo. precisamos: • Criar políticas de combate ao racismo. equiparando-as a cervejas. que subjuga as mulheres lésbicas. • Criação de conselhos populares. • Criar políticas de combate e punição ao machismo que afeta a todas as mulheres. da homofobia e do machismo são elementos que ajudam a sustentar o capitalismo e sua exploração. na qual as mulheres possam ser parte constituinte das decisões. propaganda sinônimo de objeto sexual. com a participação das mulheres. • Pelo direito às organizações de luta de mulheres contra a opressão e a exploração. mas principalmente de uma mudança social. junto aos setores explorados e oprimidos. Qualquer outra saída não é capaz de resolver os problemas das trabalhadoras. no bairros. Para avançarmos na construção de uma sociedade socialista. • Criar políticas de combate e punição à homofobia. de entidades sindicais e organismos da classe. Contra o racismo.

O capitalismo quer nos fazer acreditar que tudo é imutável. o desemprego.A juventude tem direito ao futuro Nosso país nunca teve uma população tão jovem quanto nos dias atuais. 8 anos na vida de um jovem é relativamente muito tempo e o país continua muito desigual. Segundo pesquisa do Professor Márcio Poschman da Unicamp e pesquisador do IPEA. pela expectativa de mudança e pela fé no futuro. A maior parte dos desligados. a violência. Nós não acreditamos nisso. Essa realidade demonstra que em geral. segundo grau de instrução. o DIEESE revelou que. Entre os jovens de 15 a 24 anos. A juventude é uma fase da vida marcada por sonhos. ao lazer. que o mundo é impossível de mudar. Ao realizar uma pesquisa em algumas metrópoles brasileiras no ano de 2005. a exclusão da educação de qualidade e da cultura atingem toda a classe trabalhadora. foram pessoas com ensino médio completo (cerca de 40%). mas sim relacionada à busca por uma forma de sobrevivência. na luta pelo socialismo no Brasil. temos esperança no futuro. a ampliação do desemprego entre 1995 e 2005 entre os jovens de 15 a 24 anos foi de 107%. que a colaboração de classes é a única saída. A maioria esmagadora dos jovens de 16 à 24 anos apenas trabalha. Em São Paulo apenas 16% combina trabalho com estudo. à cultura. ocupando os postos mais precarizados de trabalho e convivendo com a violência nas periferias. em média. Os jovens deixam de estudar para trabalhar O desemprego é maior entre os jovens Não é fácil ser jovem no Brasil. os jovens seguem sem acesso à escola. os jovens representam 46. entre os ocupados da PEA. apenas 18 milhões estão empregados e 14 milhões de jovens vivem com renda familiar inferior a meio salário mínimo.4% do total. os jovens representam 20. A maior parte dos admitidos no ano de 2008. A juventude depositou junto com a classe trabalhadora sua expectativa de mudança na eleição de Lula em 2002. somos 35 milhões de brasileiros. o emprego do jovem brasileiro não está relacionado a uma capacitação. O desemprego é maior entre os jovens pobres: o percentual de desempregados entre os jovens pobres é o dobro do percentual de desempregados entre os jovens ricos. ou 64 . a uma atividade de realização individual e social. Mas o país não mudou e Lula tenta nos fazer acreditar que foi feito o possível. os jovens pobres são particularmente atingidos por essas mazelas do capitalismo A queles que completam 18 anos em 2010 sequer participavam da vida política do país quando Lula foi eleito em 2002.8% e entre os desocupados.

Segundo Pesquisa da Socióloga Selma Venco. Os empresários do setor buscam conscientemente a contratação dessa faixa etária alegando que o início da experiência profissional permite que não haja muitos questionamentos sobre as condições de trabalho. no marco do enfrentamento ao desemprego. Há uma presença majoritária de mulheres. seja na forma de estágio. A maior parte dos funcionários deste ramo de trabalho é de jovens de 18 a 24 anos. é necessário transformar todo contrato precarizado. um patamar que garanta que todo jovem de até 25 anos possa combinar trabalho e estudo. 65 . lo ao Primeiro Emprego atendeu segundo o Anuário dos Trabalhadores de 2009. voltadas para a promoção real e efetiva de emprego e renda para a juventude brasileira. como depressão e síndrome do pânico. que são bastante precarizadas. apenas 5. pacotes. Já no programa nacional de inclusão de jovens participaram 0. seja dentro da empresa. Dura vida das trabalhadoras do Telemarketing Um verdadeiro programa nacional pelo primeiro emprego reduzir a Jornada para gerar mais empregos É muito importante que. cerca de 85% ao ano. Também defendemos como medida de governo. levam a problemas de saúde físicos e mentais. É importante observar que mesmo aos jovens que tem acesso ao Ensino Superior. sem que o trabalho signifique uma pressão para o abandono da vida escolar ou universitária. com pausa de apenas 15 minutos. com quase nenhum direito trabalhista. Essas condições justificam o fato de o telemarketing ser um setor de alta rotatividade de funcionários. em contrato efetivo. tem dificuldade para encontrar emprego. dos demitidos. etc. Salário e Direitos iguais para o estagiário programas do governo lula não melhoraram as condições da juventude Lula lançou um série de programas que tiveram pouquíssimas consequências. O Programa Nacional de Estímu- A Lei do estágio Estágio (11. bem como garantir a fiscalização no que diz respeito às medidas de segurança no trabalho. pôr fim à terceirização e garantir uma fiscalização efetiva que puna severamente as empresas que mantiverem os subcontratos e a terceirização. pesquisadora da Unicamp. sem redução do salário não apenas para 36 horas. mas para 30 horas. como demonstra o Anuário dos Trabalhadores de 2009. Dessa forma. Os empresários do ramo se aproveitam do fato de serem setores possivelmente mais rejeitados em trabalhos que exigem contato físico com o público. mas inserido entre os estagiários. para absorver esse setor geracional que é o mais excluído do mercado de trabalho. se desenvolva políticas específicas. com menos exigência de capacitação e aptidão.788/2008) do Governo Lula regulamentou alguns direitos do estagiário.198 jovens. os chamados teleoperadores realizam em média 140 ligações por dia. o que demonstra que a forma de trabalho mais acessível é a forma de trabalho mais instável. o que já é um montante pequeno do total da juventude brasileira. negros e homossexuais entre os trabalhadores de telemarketing. seja na forma de terceirização. Diante do enorme contingente de jovens que trabalha igual a um contratado efetivo.seja. combinados com a garantia de educação e conhecimento para todos os jovens. Os números mostram que o resultado destes programas são inteiramente questionáveis.9% possuía Ensino Superior completo. Esse ritmo de trabalho deve cumprir metas altíssimas de venda de produtos. insultos e agressões promovidas pelos supervisores e pelos clientes. seja pelos clientes do outro lado da linha. dentre os admitidos de 2008. em uma jornada de 6 horas. obrigar as empresas a contratarem um percentual mínimo de jovens. Ou seja. Muitos trabalhadores choram no banheiro durante a jornada em função dos xingamentos. e submetem esse setor à péssimas condições de trabalho. o que representa cerca de 1% da população jovem brasileira. apenas 364.3% da população jovem. Uma candidatura a serviço dos trabalhadores também deve se propor a acabar com qualquer tipo de trabalho precarizado. quase que a totalidade dos trabalhadores dessas empresas não agüentam o ritmo de trabalho que combinado com o assédio moral sofrido por todos os trabalhadores. foi de pessoas também com o ensino médio completo (37%). promoções. mas seguiu permitindo que o estágio seja um contrato precarizado de trabalho. defendemos a redução da jornada de trabalho dos jovens.

projetos como o Reuni. O PROUNI foi uma política elaborada ao lado dos grandes empresários da educação para salválos da inadimplência. universidade. 66 . das. o crescimento vertiginoso do qualidade. pública sendo que no nordeste esse índice reuni. o CINEB. sob a histórica bandeira de Além disso. Alguns dados já nos mostram que a taxa de analfabetismo segue sendo altíssima. inclusive se comparada a países da América Latina: 10% em 2008. O aumensais per capita de meio a um salário mínimo cursam o ensino superior. Em 2003. Um governo ses de inadimplência. um ano antes da implementação do PROUNI o número de vagas ociosas era espantoso e o número de vagas ofertadas foi superior ao número de formandos do ensino médio. mas o índice só caiu de 3. uma espécie de SPC da educação que impede a matrícula de inadimplentes em qualquer instituição do país.1%. o governo emprestou a baixíssimos juros 1 bilhão de reais para as instituições privadas do ensino superior. O Governo Lula fez uma opção de salvar o setor. apenas 13.5% em São comprometido somente com os interesses dos trabalhado- Paulo) e da alta taxa de evasão (cerca de 50%). a implementação de expansão da universidade pública.demonstra que a porcetagem do PIB investida em educação rior. o setor controla 74% do total de matrículas e fatura 24 O Governo quer nos fazer escolher entre expansão e bilhões por ano. a análise do investimento do PIB em educação centagem sobre 10 vezes: 55. sequer aumentou REUNI. que segue sendo jovens no ensino sistência de milhares de estudantes muito pequena. o Prouni O projeto do governo mais conheatinge 27.6% em 8 anos (passou de 13. como se as únicas alternativas viáveis fossem setor privado enfrenta a contradição permanente das cri. Para os jovens que se to das verbas para a educação ficou só na propaganda do encontram na faixa de 5 salários mínimos ou mais a por. não há nenhuma diferença qualitativa com o investimento durante prouni: democratização do acesso o venro FHC. durante o governo Lula aumentou vegetativamente. A meta do Plano Nacional de Educação era erradicar o analfabetismo.universidade elitista ou expansão precarizada. 19% dos O reuni: mais um capítulo jovens de 10 a 17 anos começaram a Projetos como o do desmonte da educação trabalhar antes de completar 9 anos. Esses dados revelam um grave quadro de crise das empresas privadas da educação.7 % em 2008 de vagas sem expansão do investidos jovens que tem rendimentos menmento é pura demagogia. que segue que ocuparam reitorias em defesa da 2008.6% apenas 13.governo. A comparação deste dados consendo muito pequena. eDUCaÇÃO De qUaliDaDe para TODOS Oito anos de governo Lula não trouxeram uma educação de qualidade. O Reuni enfrentou a reno ensino superior. Durante o auge da crise econômica em 2008 ficou ainda mais claro o lado do governo. ou estímulo às instituições privadas? Considerou-se apenas o investimento direto em educaHoje 90% das instituições de ensino superior são priva. No Paraguai a taxa é de 5. No entanto. enquanto os estudantes que não conseguiam pagar as mensalidades foram presenteados com o Cadastro Nacional dos Estudantes Brasileiros. No Uruguai.6% cursam o ensino supe.9%.ção. o Prouni e o significativamente Lula institucionalizou a precarização novo Enem sequer aumentou signifia porcentagem de da universidade impondo as metas cativamente a porcentagem de jovens do decreto.6% em 2000 para 10% em 2008) .7% em superior.com todos os direitos sociais e salariais que isso implica. Argentina e Chile as taxas variam entre 2% e 4%. (os índices chegam a 34. 86% contribuem com e o novo enem cido nas universidades federais é o quase 1/3 da renda familiar. siderando-se a variável renda explicita Qualquer proposta de expansão a natureza do problema: apenas 5. A cada 100 estudantes que chega a 8ª série apenas 54 concluem o ensino médio.

portanto. criando para milhões de jovens a oportunidade de estudar e para o país milhares de professores. em 2008 foram 13. A burguesia. O dado que demonstra que 46. O novo Enem não toca na raiz do problema da baixíssima mobilidade estudantil brasileira.93. Nesse ritmo demorariam 59 anos para atingirmos 30%. vencem os “melhores”. lazer e serviços públicos em geral. no primeiro ano do governo 10. com toda sua hipocrisia. médicos e engenheiros comprometidos com a melhoria da qualidade de vida da população. que.55. mas o funil é o mesmo Em 2009. Hoje 37 % das matrículas na graduação presencial são nos cursos de Administração. é incapaz de admitir que a violência é expressão da falência de sua própria sociedade. poderíamos estatizar o ensino pago. A nota média geral dos estudantes que cursaram o ensino médio particular no sudeste é 70. é a sua parcela mais pobre e negra que está mais vulnerável. Uma pesquisa do IBGE de 2007 constatou que apenas 0. As notas do último Enem demonstraram o que já era evidente: as desigualdades sociais e regionais definem quem tem ou não direito de estudar. portanto podem optar pelas melhores universidades. Se. 49% dos registros de crime de tráfico de drogas também se referem à faixa etária até 24 anos. Para quem estudou na escola pública ou tem poucas condições de se manter longe da família não mudou praticamente nada.6% dos jovens entravam no ensino superior. professores e estudantes devem decidir os rumos da universidade JUvenTUDe e viOlênCia: O CapiTaliSmO maTa Um programa socialista para a educação Os empresários já se mostraram incapazes de criar e administrar um sistema de ensino que beneficie a maioria da sociedade. Direito e Pedagogia. as vagas de todas as universidades do país são disputadas entre todos os estudantes. O Novo Enem é tão elitista e meritocrático quanto o vestibular.7% das vítimas de homicídio no Brasil são jovens de até 24 anos expõe o dramático fato de que a juventude é o setor da sociedade mais vitimizado pela violência. educação. novo enem: a prova que mudou de nome. que era a meta do PNE para 2010. O Brasil apresenta índices de violência e criminalidade que figuram entre os mais altos do mundo. a violência é uma realidade duríssima para o conjunto da juventude.res teria total condições de expandir e aumentar a qualidade da educação. Isso não tem nada a ver com a demanda da maioria da população brasileira. Se a educação fosse voltada para atender os interesses dos trabalhadores. Os números desmentem a lógica do possibilismo do Governo Lula. Dessa forma. • Investir 10 % do PIB em educação • Estatizar o ensino pago e expandir a rede pública garantindo vagas para todos • Transferência imediata dos estudantes do Prouni para as universidades federais • Revogar a lei de inovações tecnológicas e o decreto das fundações • Produção livre de conhecimento que atenta os interesses da maioria da população • Construir parques tecnológicos com financiamento 100% estatal • Fim das fundações de apoio e incorporação de seu patrimônio à universidade pública • Cotas para negros e negras na universidade • Democracia e paridade nos conselhos • Servidores. Diante da falta de perspectivas oferecidas às nossas crianças e adolescentes em termos de emprego. Perto ou longe de casa está garantido o acesso ao ensino superior daqueles que podem pagar pelo ensino médio privado e também pelo deslocamento e custeio dos estudos em outra cidade.04 % dos estudantes do primeiro ano do ensino superior vieram de outro estado. o Governo Lula anunciou o Novo Enem como forma de ingresso alternativa ao vestibular. já que não oferece aos jovens plenas condições de estudar longe de casa. crescem no Brasil as campanhas que apontam como saída o aumento da re- 67 . a criminalidade exerce uma forte atração como alternativa.7%. Os cursos são abertos e fechados com o único critério do lucro e não das necessidades da sociedade. enquanto que a nota média dos estudantes que cursaram ensino médio público no nordeste é de 44.

que teve continuidade no governo Lula. vestuário. A cadeia. também. teatro e até mesmo o cinema. longe de ser uma concessão do governo e dos grandes monopó- legalizar as drogas para combater a violência Mais do que uma grande polêmica na sociedade. Nessas condições. Sem educação e emprego. até das necessidades mais básicas do ser humano como a alimentação. O nível de escolaridade é baixíssimo entre os presos brasileiros. O abuso de entorpecentes é um problema de saúde pública. reforça a falta de possibilidades dessa juventude e funciona muito mais como um catalisador da violência – inclusive da organizada. etc a 40% os ingressos em cada evento. O abuso de drogas ilícitas também tem crescido. A arte. que supostamente combateria a delinqüência juvenil. agrava a violência. enquanto atividade econômica do crime organizado. Estamos falando. Na prisão segue separado do ensino público e de qualquer possibilidade de formação profissional. estádios. shows. é preso. arTe. não é de se esperar que o jovem busque outra alternativa senão o crime. o jovem parte para o crime. um real ataque aos dutos de corrupção oriundos da relação das instituições com o narcotráfico. contudo. A faixa etária entre 18 e 24 anos é a que apresenta o maior número de pessoas presas no Brasil. que em nosso país o Estado está prendendo mais e não menos e. da prescrição terapêutica. com a juventude não é diferente. o número de jovens presos segue aumentando. A análise de dados relativos à população carcerária brasileira apontam. Novamente.3% dos registros se referem a indi- 68 . No ano passado foi proposto um projeto de lei que restringe a meia entrada nos cinemas. O maior beneficiado com a proibição é justamente o crime organizado. Longe de evitar a proliferação das drogas entre nossos jovens. a juventude protagoniza os indicadores de posse de drogas: 58. Nos últimos 9 anos a população carcerária no Brasil dobrou de tamanho. Apenas 1.4% do total concluiu o ensino médio. Como se não bastasse essa exclusão. relacionado à causas sociais e econômicas. sobretudo. ao sair da prisão. O que se pode concluir é que. que movimenta milhões de dólares no Brasil e no mundo.pressão do Estado. o lazer e o esporte devem ser um direito de todos e não um privilégio de alguns. longe de contribuir para combater a violência. o debate em torno à legalização das drogas é parte necessária de qualquer abordagem séria sobre o tema da violência urbana no Brasil. víduos entre 12 e 24 anos. os jovens ocupam um percentual que ilustra a falta de perspectivas que encontram na sociedade capitalista. Pouquíssimos brasileiros tem acesso à espetáculos de dança. expressão de sociedade doente. onde todos possam amadurecer plenamente desenvolvendo suas capacidades. a legislação que proíbe sua venda apenas contribui para a formação de um cenário ainda mais trágico em torno a esse triste fenômeno. que buscar se desfazer de toda uma coleção de ideologias e moralismos que envolvem essa temática. a política de Estado de repressão e encarceramento. Por se tratar de um comércio que passa ao largo de qualquer regulamentação. ainda. CUlTUra e lazer para a JUvenTUDe Vivemos numa sociedade que nos priva de tudo. por outro. sem encontrar na proibição um entrave para sua proliferação. Quando não morre. Se por um lado. É preciso. representando cerca de 30% do total. da pesquisa científica sobre riscos e para o controle da composição química das substâncias – medidas todas que poderiam traduzir políticas para a redução dos danos aos usuários. Há. situar a discussão em seu devido lugar. A meia-entrada. A campanha do “bandido bom é bandido morto” está conectada com a proposta de redução da maioridade penal. assim. essa camada da população segue apartada do acesso à educação formal. O abuso no consumo é. o tráfico de drogas é – na ilegalidade – um ramo altamente lucrativo. a cultura. teatros. de uma medida que possibilitaria um autêntico combate à violência. um direito histórico da juventude está ameaçado: a meia entrada. Produção e distribuição estatizadas seriam. moradia. que esse modelo mais potencializa a violência do que a combate. golpeando o tráfico e a repressão policial ao mesmo tempo. Nós queremos viver numa sociedade livre da exploração e das opressões. Dentre toda a população presa em nosso país. portanto. A legalização criaria espaço para a regulamentação da venda. Só a legalização das drogas pode acabar com o tráfico. por um lado.

e por isso somente em época de eleições ouvimos falsas promessas sobre o tema. 69 . os espaços escassos que existem na maior parte dos municípios. Garantir que a população possa ter acesso ao mar de informações do mundo virtual significa dentre outras coisas se enfrentar com grandes multinacionais do ramo da telefonia. É importante observar que quanto menor a renda maior é o percentual de pessoas que pagam para a utilização da internet. enquanto a cada dia que passa cresce o avanço tecnológico da sociedade crescem também os grandes monopólios e principalmente as barreiras para a livre utilização desta ferramenta. incentivo e acesso à cultura. filmes. Direitos autorais Assim que a febre pegou e filmes que ainda nem tinham sido lançados no cinema já eram vistos por milhões de pessoas uma grande revolta abarcou empresários da música e a mídia de forma geral. desenhos. que são os altos valores do transporte urbano combinado com uma forte centralização dos espaços de arte e cultura. Esse limite “geográfico” não é menor. que embora não esteja ligada somente ao aspecto cultural é bastante sentida também neste aspecto na vida de um jovem. os filmes. a produção artística e cultural da humanidade seja propriedade de toda a humandade e não das grandes multinacionais. Por isso nós defendemos que todas as músicas. artigos de outros países.lios culturais é na verdade fruto de uma intensa luta que a juventude travou e conquistou. mas nenhum compromisso com o lucro das grandes gravadoras e produtoras. Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e Comunicação em 2009. no entanto é importante destacar que este acesso está bastante estratificado de acordo com a classe a qual pertence este jovem. este dado (72%) sem dúvida tem sua concentração sobre a juventude com menor possibilidades de estudo e trabalhos mais precarizados. o alto custo de eventos culturais. como livros. Não se trata de fazer um julgamento moral das pessoas que assistem filmes piratas. internet gratuita para todos O desenvolvimento tecnológico que temos na sociedade poderia potencializar de forma inimaginável não apenas o acesso à cultura. comprar filme em DVD ou um CD de música. como quer nos fazer acreditar um setor da burguesia que vê seus lucros ameaçados pela pirataria. etc. a ausência do passe livre na maior parte das cidades. é um avanço exuberante para a sociedade e poderia significar a universalização do acesso ao conhecimento. Esse mercado informal só ganhou tanto peso porque é muito caro ter acesso ir ao cinema. obras raras. Hoje no Brasil. Toda vez que ouvimos falar da universalização do acesso a internet. peças de teatro. O acesso universal á internet encontra como barreira o grande lobby entre empresários e governos. e também região do país. como é o caso das Lan Houses. mas sobretudo sua produção e sociabilização. como forma de garantir minimamente seu já escasso acesso à alguma forma de arte e cultura. Combinam-se portanto vários elementos restritivos. músicas. Nós temos muito respeito pelo trabalho de todos os artistas. a juventude vive sob a contradição de ser a faixa etária que mais navega pagando locais próprios para isso. A internet por exemplo. a restrição á meia entrada. ficamos entre o oportunismo eleitoral e grandes interesses do mercado. uma ausência completa de política pública de fomento. dado que a maior parte da juventude trabalhadora mora e vive nas regiões periféricas das cidades. No entanto. estima-se que cerca de 78% dos jovens entre 16 e 24 anos tenham algum tipo de acesso á internet. Há ainda outra restrição.

Essa é uma definição fundamental para que possamos entender corretamente o que significa defender um programa de “Raça e Classe” numa visão revolucionária e socialista para a classe trabalhadora no mundo. praticamente em nosso lema no movimento negro. Como não bastasse o governo federal aprofunda a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza criou a Guarda Nacional. que no seu segundo mandado disse aos trabalhadores e trabalhadoras negras que fariam uma segunda abolição no país. que nada mais é que um processo de a militarização das políticas de segurança nacional para exterminar ainda mais os jovens negros e negras das periferias das grandes metrópoles. o governo mantém as tropas brasileiras no Haiti. escolas e nas comunidades pobres e periferias. como PDT. ataca as conquistas da classe trabalhadora e do povo negro. mas é uma obrigação dos revolucionários e socialista intervir neste processo onde a burguesia mente para a população. mas atacou ainda mais as conquistas de direitos sociais e trabalhistas. o machismo e a homofobia como opressões para dividir os trabalhadores. Mas Lula não governa para os trabalhadores. PCdoB. O governo Lula. incentivo ao acesso ao trabalho por parte das empresas. Lula. A campanha eleitoral não mudará a vida dos afrobrasileiro. país símbolo da luta negra. PSB. Junto com partidos dito de esquerda e outros da direita. A tarefa fundamental da classe proletária é compreender uma frase de Malcolm X: “Não há capitalismo sem racismo”. não regimentaram as Titulações das Terras dos povos originários (indígenas) e das terras dos remanescentes de quilombos. desde 2002. elementos para formulação de um programa 70 . é preciso lutar contra o sistema capitalista que explora e oprime a classe trabalhadora juntamente com os governos e os patrões que usam o racismo.e da representação de 30% nas direções dos partidos. cujo ancestrais trabalharam mais de 350 anos sob o julgo da escravidão.Negros e negras: uma luta de raça e classe A questão racial faz parte de um elenco de propostas para a revolução socialista brasileira. PMDB. e esvaziou as questões da comunidade negra como as ações afirmativas como cotas raciais nas universidades públicas. Além disso. sendo que é estratégia a consigna de “raça e Classe” para o fortalecimento da luta dos trabalhadores e das questões raciais especificas no país A ntes de tudo. nas fábricas. leva ilusões de que pode resolver os problemas mais sentidos do povo negro. Recentemente ocorreu a votação do Estatuto da (des) igualdade racial: que afirmou a retirada das reparações que é um divida do Estado brasileiro tem com os países africanos e com os afro-descendentes.

Segundo a presença da população de pessoas de cor ou raça preta e parda no interior do país desde 2006 poderemos comprovar que a população ativamente ainda está no campo com baixo poder aquisitivo e sendo explorada e oprimida pelos latifundiários e pelas elites da cidades metropolitanas como São Paulo. Rio de Janeiro. Minas Gerais e Bahia. 71 .

índios e brancos. heterossexuais e homossexuais contra o inimigo comum que é a burguesia. da direção nacional do PSTU Para o PSTU. marxista.Um programa de classe contra a homofobia eDUArDo AlmeiDA. onde a miséria é o único caminho apontado para aqueles que vivem do próprio trabalho. Fazemos uma leitura de esquerda. para ser levada ao seu limite e não encontrar maiores resistências necessita de um conjunto de ideologias que divida a classe trabalhadora e enfraqueça sua luta. Nestas eleições apresentamos um programa específico para gays. Nosso programa busca inserir cada ponto da luta específica dos GLBTs dentro de um conjunto de reivindicações maiores. isso se deve às relações de exploração dos proprietários sob os trabalhadores. Assim. negros. Já nos processos 72 . Se nossa época é marcada por uma profunda desigualdade social. Portanto. os preconceitos (como a descriminação de homossexuais) são disseminados e reforçados cotidianamente de forma a fragmentar os trabalhadores e legitimar a exploração que sofrem pelo capital. Trabalho Nas relações de trabalho a opressão contra GLBTs ganha uma forma particularmente cruel. o partido conta com um programa de luta contra as mais frequentes formas de preconceito e discriminação em nossa sociedade: o machismo. conectando as necessidades mais imediatas aos problemas mais profundos da sociedade. Queremos travar uma luta contra as bases econômicas e ideológicas que sustentam a violência cotidiana sofrida pelo proletariado. bissexuais e transgêneros (glBTs) para ser defendido pela militância do PSTU e seus candidatos D esde sua fundação. unindo trabalhadores do campo e da cidade. pela miséria. mulheres e homens. tampouco travamos a luta por dentro do capital e de seu Estado. o racismo e a homofobia. impedindo que se unam para lutar contra este estado de coisas. em seu conjunto. a luta contra a exploração capitalista é inseparável da luta contra as diferentes formas de opressão. Mas essa exploração. da luta contra a homofobia. lésbicas. por mais importantes que sejam. as diferentes formas de opressão precisam ser entendidas como parte de uma engrenagem muito maior que permite a reprodução da sociedade de classes. lutamos pelo socialismo. assim como não acreditamos na luta isolada dos que sofrem com as mazelas do capitalismo. Por isso. Nas eleições vamos reafirmar a luta cotidiana que esta importante parcela da população enfrenta todos os dias para driblar a violência que sofre e apontando uma alternativa socialista para o combate ao preconceito. a fome e o desemprego crônicos. e temos a ousadia de apontar um caminho: a transformação radical da sociedade capitalista e a construção do socialismo. Esta maneira de tratar a luta homossexual nos obriga a adotar uma postura diferente da maior parte dos grupos que existem hoje no Brasil. Porém nossa visão sobre a opressão sofrida pelos GLBTs é diferente do entendimento dos grupos majoritários do movimento gay nos últimos anos. Não nos detemos na reivindicação de pequenas melhoras.

o peso dos ataques da patronal aos trabalhadores recai de modo mais intenso sobre os trabalhadores GLBTs. sendo esta uma luta combinada com a das mulheres. O reconhecimento destes direitos passa. o direito a adoção por casais do mesmo sexo é pré-condição para a igualdade de direitos.. • Contra as demissões de trabalhadores. em função disso. Em sua maioria. administradoras residenciais etc. o fato é que os padrões morais burgueses também operam no livre-mercado. principalmente aquelas motivadas pelo preconceito. Este é o ponto onde o peso do preconceito é mais forte. uma vez que trabalhadores GBLTs que tenham filhos. marginalizando aqueles que não se enquadram nas normas dominantes. O preconceito que existe na hora de alugar ou comprar um imóvel submete os homossexuais a terríveis constrangimentos e os coloca na posição de reféns de imobiliárias. Quando empregados. • Pela proibição de qualquer norma que restrinja o direito de livre escolha de local de moradia. Os casais heterossexuais possuem um conjunto de direitos que são negados aos casais homossexuais. • Pela união civil de casais do mesmo sexo. são o local onde as ideologias dominantes estão mais enraizadas. Nesse sentido somos Como desdobramento da união civil.). O preconceito também serve como estímulo. humilhação e discriminação sofridas pelos GLBTs em locais de trabalho. de maneira explícita ou velada. onde a orientação sexual ainda é critério de seleção. precisam ter os mesmo direitos que os demais trabalhadores como creche para suas crianças. como último ponto de apoio do Estado burguês. • Pelo fim da homofobia institucionalizada nas Forças Armadas. pela negação da lógica machista tradicional. com a extensão de todos os direitos concedidos aos heterossexuais para os casais homossexuais. a dificuldade de se realizar financiamentos e obter crédito em função do não reconhecimento da união civil por pessoas do mesmo sexo agrava ainda mais o problema do acesso a moradia aos homossexuais. • Contra o assédio moral e sexual: contra as diferentes formas de perseguição. • Pelo direito à adoção • Por creches para os filhos de trabalhadores e de trabalhadores • Por licença-maternidade e paternidade educação 73 . obrigatoriamente. uma vez que põe em cheque a tradicional noção de família. O pensamento machista entende que o papel da criação de filhos seja exclusivamente feminino. licença maternidade e paternidade etc. radicalmente contrários à regras e normas que discriminem homossexuais tanto no interior das Forças Armadas quanto no processo de alistamento militar. partilha de bens etc. A homofobia e o preconceito nesta instituição estão institucionalizados. aos casais homossexuais. como forma de garantir acesso à direitos e benefícios legais que já são concedidos ao restante da população. A discussão da união civil para pessoas do mesmo sexo não passa pelo debate moral ou religioso. adoção Forças armadas As forças armadas. diversas formas superexploração. Deste modo. sofrem pesadamente com o assédio moral e sexual. Além disso. que entende que a presença de gays e lésbicas pode rebaixar o valor de imóveis. Ainda que no discurso a economia funcione sob as frias leis de mercado. perseguição e. mas pela defesa da igualdade de direitos civis que são negados aos casais de pessoas do mesmo sexo. herança.de seleção homossexuais são discriminados e deixados de fora das relações de trabalho. adotivos ou não. fazendo-os selecionar o público como forma de valorização financeira. A combinação da união civil com o direito de adoção subverte por completo os papéis historicamente construídos para o homem e a mulher. acabam ocupando postos de trabalho precarizados. Defendemos a extensão radical de todos benefícios sociais concedidos aos casais heterossexuais (contrato de união civil. União Civil moradia O problema crônico da falta de moradia no país é sofrido com mais intensidade pelos GLBTs. às demissões destes trabalhadores. • Pelo acesso ao crédito e financiamento por casais do mesmo sexo. previdência social. humilhação. o debate precisa ser feito por completo. sendo majoritários em funções terceirizadas. • Contra a precarização das relações de trabalho. Além disso. A lógica por traz disso é a mesma da especulação imobiliária.

bissexuais e principalmente transgêneros sofrem o pesado preconceito das instituições de ensino. • Pela inclusão do nome social no sistema de ensino em todos os níveis para estudantes transgêneros. Contudo. há ainda todas as formas de vexação 74 . no sistema de ensino. as demais formas não podem ser ignoradas. Por um lado. • Pela desburocratização e maior agilidade no processo de alteração do nome nos registros e documentos do indivíduo. sofrendo de preconceitos e discriminação por todos os lados. estudo. a população homossexual acaba não encontrando alternativas de sobrevivência iguais às do restante da população. para a saúde sexual. • Por um ensino laico. lésbicas. nos locais de trabalho. Isso sem mencionar a humilhação cotidiana a que se submetem estas pessoas toda vez que precisam apresentar alguma identificação. universidades e locais de trabalho. Nesse sentido. Gangues e grupos de extrema direita ficam à espreita. seja na homofobia explícita. sem a influência dos moralismos religiosos e conservadores. carteira de trabalho e demais documentos legais fica praticamente impossível conseguir emprego. Com um registro errado na identidade. os casos de crimes de ódio são mal investigados e não ganham a devida repercussão. a exposição à violência acaba sendo muito maior para aqueles que não podem pagar pela sua segurança. orientados para a conscientização da população. Defendemos o trato da sexualidade sem a influência de moralismos de toda ordem. rondando as periferias de guetos gays para atacar homossexuais. Daí decorre a cadeia de exclusão que joga uma parcela importante dos GLBTs na prostituição e outras tantas formas de degradação humana. há a própria violência policial. o preconceito do Estado na hora de dar o correto registro para estas pessoas acaba agravando ainda Segundo dados do Grupo Gay de Bahia. etc. Por outro lado. Além de todos os problemas já mencionados. os preconceitos contra homossexuais têm aí mais um sólido ponto de apoio. Por isso. inclusive nas escolas. O reconhecimento do nome social é peça fundamental para o combate ao preconceito e à marginalização deste setor. A laicidade do ensino é fundamental para esta mudança. entendemos que escolas e universidades precisam romper com os padrões heteronormativos de educação e voltarem-se para um ensino que respeite a diversidade sexual. Com baixa escolaridade. • Pelo reconhecimento do nome social em documentos. reforça a marginalidade social do setor. quando sofrem ataques violentos não podem contar com a segurança pública. Como se não bastasse. moradia. para o respeito à diversidade e contra a opressão. mais o problema da marginalização social. deixando apagada a escandalosa posição do Brasil no ranking da violência homofóbica. principalmente em tempos de crise. existe concretamente o problema do trato com alunos e alunas GLBTs. • Pela inclusão da disciplina de educação sexual nas escolas e nos cursos de formação de professores. o fato é que o sistema de ensino no país é hostil aos GLBTs e. Um homossexual é morto de maneira violenta a cada 3 dias no país. A própria medicina começa a avançar no reconhecimento das pessoas que tem uma identidade de gênero que discorda de seu gênero biológico. seja de forma direta. existe a violência cometida por bandos fascistas que se proliferam nas capitais e grandes cidades. estudantes gays. por isso mesmo. Enquanto que nos locais frequentados por homossexuais das elites há segurança privada. violência nome social para transgêneros Entendemos que o nome de registro de uma pessoa deve estar subordinado a sua identidade de gênero. • Por uma educação voltada ao respeito da diversidade sexual. pois são alvo de desrespeito nas delegacias.. Seja de foram indireta. principalmente em locais frequentados por GLBTs trabalhadores e pobres em geral. Além disso. quando os próprios policiais praticam a violência contra homossexuais. Contudo. Aqui também o peso de classe é visível. órgãos públicos e privados para travestis e transgêneros. etc. pelo próprio preconceito. O grau de evasão escolar é mais intenso no setor. Seja na tentativa de enquadrálos ao padrão considerado normal de comportamento sexual. uma vez que além dos preconceitos dos demais alunos. o Brasil é recordista mundial em assassinatos e crimes de ódio cometidos contra homossexuais. se a violência física e os assassinatos são a forma mais radical do preconceito contra homossexuais. pelo descaso com GLBTs que.A educação vem sendo utilizada como forma de reprodução dos valores e ideologias dominantes desde muito tempo.

pois o sangue dos homossexuais é recusado como sangue contaminado mesmo quando há carência de doadores. Um bom exemplo são OSs cuja gestão está a cargo de setores ligados à Igreja. serviços e órgãos públicos. a mídia e demais espaços da vida social. A resolução da Anvisa. • Pela criminalização da homofobia. • Por uma política de saúde que atenda as especificidades dos GLBTs. acaba sendo utilizada como ponto de encaminhamento obrigatório para GLBTs que buscam se tratar de qualquer outro problema de saúde e são negligenciados em postos e hospitais. Através da privatização da saúde. a falta de recursos combinada com uma burocracia negligente são um enorme empecilho para que as operações sejam feitas. a discriminação acaba sendo agravada. Mas além do tradicional problema da opressão. a criminalização por si só não alterará a cultura homofóbica da sociedade. independente da orientação sexual. Além disso. defendemos a criminalização da homofobia. particularmente ginecologistas. ainda há o seu reforço gerado pelas políticas neoliberais. 80% dos portadores de HIV são heterossexuais. • Pela retirada da resolução da Anvisa. impõe que homens homossexuais ou bissexuais sejam proibidos de doar sangue. como a AIDS. acabam não realizando. Desvincular esta doença da homossexualidade tornou-se uma tarefa central para o movimento homossexual no combate a opressão. particularmente de lésbicas.pública a que se submetem os GLBTs no cotidiano. distribuição de preservativos e mais verbas para a saúde. que por motivos ideológicos e morais. e por isso mesmo. Mas um dos setores que mais sofre com o preconceito são as travestis e transexuais. pois retoma a ideia equivocada de grupo de risco (da qual os homossexuais já não fazem parte). Da mesma forma. 75 . desconsidera a relevância do uso da camisinha e ignora que a janela imunológica (período em que não é possível detectar por exames se o sangue está contaminado ou não) é válida para qualquer pessoa. seja no atendimento preconceituoso nos comércios. Saúde Doação de sangue O preconceito contra GLBTs ganha materialidade especial na questão da saúde no Brasil. Isso sem falar de um acompanhamento psicológico obrigatório de dois anos no qual se realiza uma verdadeira campanha para a desistência da cirurgia. Por fim. que privatizam a gestão do serviço de saúde. Seja ao serem expulsos de um bar ou uma loja por andarem de mãos dadas. Por isso tudo. O despreparo dos médicos. seja pelas Organizações Sociais (OS) e Fundações Públicas de Direito Privado. para lidar com a especificidade lésbica é completo. travestis e transgêneros. a rede de Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs). HIV é muito limitada e. preparo aos profissionais da saúde e da educação. responsáveis pela realização de testes de A associação da homossexualidade a elementos indesejáveis. • Pela ampliação da de rede de CTAs • Por um sistema de saúde 100% público • Pela laicidade da gestão da saúde • Pela ampliação das campanhas de conscientização e prevenção de DST/AIDS sem qualquer constrangimento de setores religiosos e conservadores. seja pela ampliação da rede privada. No setor público o problema não é menor. seja nas ruas. hoje. Falta informação. Não como uma solução definitiva para a violência cotidiana que sofremos. é responsabilidade do governo Lula que não só segue omisso. valorização e incentivo ao exercício seguro da sexualidade. não há lei que garanta a inclusão de parceiro do mesmo sexo como dependente de plano de saúde ou convênio médico em função do não reconhecimento da união civil. mas reforça o preconceito através dessa legislação que institucionaliza e promove a vinculação da AIDS à homossexualidade. Todo esse quadro. Hoje. bem como de qualquer outra medida. acirrou absurdamente o preconceito e a discriminação. A saúde expressa parte da situação que os homossexuais enfrentam no Brasil. convênios de planos de saúde. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) deva realizar cirurgias de modificação de sexo. deve ser acompanhada de amplas medidas de combate ao preconceito desde as escolas. ou realizando de maneira formal. que proíba a doação de sangue por homossexuais. Nos hemocentros a discriminação instalou-se permanecendo até hoje. frequentemente. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. campanhas de conscientização e de distribuição de preservativos em função da condenação que o Vaticano faz da camisinha por exemplo. Agir contra ela é ilegal. Essa resolução é extremamente incoerente. mas como maneira de ir quebrando a cumplicidade do Estado e demais instituições com a discriminação.

o verdadeiro significado da ocupação colonial é manter a ordem no Haiti sob as pontas das baionetas. Um contraste enorme diante do escasso número de médicos. surgiram inúmeras denúncias de violações contra os direitos humanos. foi aplicado um acordo de livre comércio por meio da lei Hope (Haitian Opportunity for Economic Enhancement). permitindo a aplicação de um plano de recolonização no país. aprovada pelo Congresso dos EUA. acusou os soldados brasileiros de acobertar crimes cometidos pela polícia haitiana. o que as tropas brasileiras fazem no país caribenho é o mesmo trabalho sujo que os soldados norte-americanos fazem no Iraque. Um relatório da ONG Centro de Justiça Global. ligada à Universidade de Harvard. A lei abre todas as barreiras para que os dois países possam realizar intercâmbios comerciais livres sem pagar taxas alfandegárias. que tenta se disfarçar como uma missão de paz. que inclui a criação de zonas francas no país. com multinacionais produzindo para o mercado norte-americano. No entanto. O governo Lula. dobrou o número de tropas no país. as tropas brasileiras lideram a chamada minustah (missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti). Trocando em miúdos. sob a desculpa de “reconstrui-lo”.Foras tropas brasileiras do Haiti! Há quase seis anos. Com a bênção da oNU. o governo lula mantém soldados do exército Brasileiro na vergonhosa ocupação do Haiti. O trágico terremoto que devastou o país em janeiro deste ano serviu como pretexto para reforçar a ocupação militar no país. por sua vez. Os EUA enviaram milhares de marines para o Haiti. Colonização O que está em curso é a implementação de um plano econômico no Haiti. ou mesmo qualquer taxa que o Estado possa cobrar sobre as mercadorias ou que trave sua livre 76 . remédios e alimentos enviados para a “reconstrução’. Para isso. Passaram por cima das tropas brasileiras para comandar diretamente a ocupação. D esde que os primeiros coturnos dos soldados brasileiros pisaram no Haiti.

Mas como pode haver democracia em um país que sofre uma ocupação militar? Como pode existir democracia quando o direito de autodeterminação do povo haitiano é reprimido pela força das baionetas? A degradante submissão do governo brasileiro ao imperialismo deve acabar. Querem seus irmãos de alma na mesma trincheira. Muitos foram presos e assassinados. Por outro lado. Os haitianos não querem ver os brasileiros reforçando a opressão. interessados na exploração da mão de obra haitiana. ativista que era referência nas lutas pelo 1º de Maio independente e pelo reajuste do salário mínimo. A localização na América Central permite aos EUA ter eficiência no controle da região. No ano passado. Assim. Um governo dos trabalhadores também deve exigir a retirada de todos os soldados da Minustah e dos EUA. liderados pelo vice-presidente José Alencar. grande solidariedade concreta e a luta contra o inimigo comum. especialmente da indústria têxtil. A paralisação terminou derrotada pela repressão violenta das tropas da Minustah. a manutenção da ocupação no Haiti é uma questão estratégica para o imperialismo norte-americano. Dilma Rousseff e José Serra vão repetir o mesmo discurso na campanha. Trabalhadores e estudantes que também reivindicavam aumento no salário mínimo foram duramente reprimidos. As tropas brasileiras estão no Haiti para garantir a aplicação desse plano econômico definido pelo governo dos EUA e implementado pelo governo de René Préval. as multinacionais se aproveitam do salário miserável pago aos trabalhadores do Haiti. Atualmente. os operários têxteis haitianos realizaram uma greve contra esse plano. Também propomos organizar uma 77 . Também explica o olho gordo dos empresários brasileiros. como o professor Jean Anil. É por essa razão que se explica a presença do ex-presidente americano Bill Clinton como “enviado especial da ONU para o Haiti”. Em defesa da soberania e da dignidade de todos os trabalhadores. O PSTU defende a imediata retirada das tropas brasileiras do Haiti. existem várias lutas sociais em curso nos países da América Central contra os tratados de livre comércio implementados pelos governos subservientes a Washington. Mas o descontentamento da população com a ocupação vem crescendo. com saldo de duas mortes. pela retirada imediata das tropas! O governo Lula afirma que a permanência das tropas brasileiras é fundamental para a “retomar a democracia no Haiti”. As mercadorias indicadas por essa lei se referem aos produtos têxteis provenientes das chamadas maquiladoras. que garante uma taxa de lucro maior do que na China.circulação.

levou o grosso de suas tropas para o Afeganistão e começou uma dura ofensiva para obrigar os talibãs a negociar o futuro do país. Além disso. mais del 60% do total mundial. seguiu-se a vitória eleitoral de Obama e uma nova estratégia dos EUA para reverter a derrota que estava sofrendo no Oriente Médio. IX Congresso Mundial da LIT-QI). Daí surge a imperiosa necessidade. No Iraque. com a necessidade de controlar as imensas reservas de petróleo da região. Esta política. elaborado pela equipe de George W. aplastar a resistência palestina. colheu fracasso atrás de fracasso no Oriente Médio. Depois de um primeiro ensaio no Afeganistão contra o regime talibã. Israel não só não se recu- 78 . Desse modo. por um lado. depois da derrota no Líbano. depois de uma rápida vitória militar inicial contra Sadam Hussein. Ao fracasso da política de guerra de Bush. a sua maneira. continua funcionando a resistência. no Afeganistão. a ocupação encontrou uma resistência militar e popular que começou a desenvolver uma guerra de liberação nacional cada vez mais forte. planejou uma retirada parcial de soldados do Iraque. Por sua vez. aproveitando os atentados de 11 de setembro de 2001 para ganhar a opinião pública dos Estados Unidos. de colonizar toda a área. invadindo e bombardeando a Faixa de Gaza no final de 2008. por outro. o genocídio televisionado de Israel deu lugar a mobilizações em todo o mundo. Obama privilegiou as negociações com os governos e facções do Oriente Médio. Por outro lado. O projeto “Um novo século americano”. Igualmente. e os talibãs recuperam cada dia mais poder ofensivo contra as tropas invasoras. Israel tentou. ao peso geopolítico adquirido por essa acumulação de riqueza. O início de uma crise econômica mundial aumenta esta importância. o projecto começou a ser testado a fundo no Iraque. utilizando seu poder de fogo. em vez de conseguir um regime colonial estável. em 2006. combinando-as à pressão militar. e. sua exploração começou a se dividir em grupos e facções iraquianas (que muitas vezes se enfrentam violentamente entre si) e cheia de desvios e roubos (Resolução sobre Oriente Médio. sua ofensiva não fez nada além de incendiar o vizinho Paquistão. no Irã. Este foi o pano de fundo para a adoção da política da “guerra ao terror”. que permitisse a rápida extração das reservas e o barateamento do custo do petróleo. Bush um ano antes de assumir o poder. para conseguir um retrocesso do Hamas e do Hezbolah e para frear a resistência no Iraque. O massacre sionista não conseguiu seu objetivo de colocar novamente seu aliado Abbas à frente do território controlado pelo Hamas. No entanto. para o imperialismo. ainda resistiam em passar diretamente o controle das reservas para as mãos do imperialismo norteamericano. Assim. continuou com o apoio histórico dos EUA a Israel.Qual deve ser a relação do Brasil com o Oriente Médio Que política o país deve adotar gente a uma das regiões mais disputadas pelo imperialismo ianque? P ara responder essa questão é preciso entender a importância estratégica do Oriente Médio e da Ásia Central para o imperialismo norte-americano. enfatizava claramente a necessidade de retomar o domínio absoluto da região e derrotar os regimes que. e as eleições não conseguiram estabilizar nem sequer formar um novo governo. Essa importancia está relacionada. aprofundou o cerco a Ahmadinejad. negociando com setores da resistência. em apenas um ano e meio do governo Obama.

contudo. que a política derivada dos acordos de Oslo se transformou numa armadilha para a luta do povo palestino pelo caráter de “administração colonial” que teve a ANP. que mostrou que sua única política é a do genocídio do povo palestino. inclusive. Neste ano e meio. igual ao que faziam os nazistas. Em primeiro lugar. tanto no Líbano quanto em Gaza. laico. mas. Na incursão. grandes mobilizações aconteceram em todo o mundo.org). que faz fronteira com Gaza. para manter esse papel. O governo israelense. Por isso. até o fim. A reação ao ataque produziu um salto na campanha a favor do boicote a Israel. destruindo suas casas. Como observou o editorial do Peacereporter. Israel é um Estado racista. e a campanha de boicote pode ser uma arma para que. à luta pela destruição do Estado de Israel. como um enclave colonial militar. Israel precisa esmagar o Hezbollah e a resistência palestina. este não terá nenhuma possibilidade de existência real. Durante 22 dias de assédio. os estivadores suecos. e a campanha pelo boicote à Israel deu um salto. em que os árabes são expulsos de suas terras e casas ou são cidadãos de segunda categoria. deu origem a um Estado de ideologia e legislação racista. estará condenado a viver sob as botas de Israel. o Estado de Israel. Israel é um aliado estratégico para o imperialismo estadunidense (conceito que foi claramente reafirmado por Obama) e sua existência sempre será defendida. Diante desta nova barbárie de Israel. e dezenas ficaram feridos. É importante ressaltar que grande parte da esquerda renunciou. O Estado de Israel foi criado pelo imperialismo. neste momento. democrático e não-racista. Israel bombardeou selvagemente e invadiu militarmente a Faixa de Gaza. O sindicato israelense Histadrut. Sua criação. Para isso. por o outro. Obama. Quatro mil casas foram destruídas ou danificadas. suas últimas tentativas nesse sentido. “tratouse da intervenção militar mais dura desde as guerras de 48 e 67 nos territórios ocupados. A maioria vive rodeada pelos muros que construíram os sionistas e sem possibilidades de nenhum desenvolvimento econômico. que encabeçam. de materiais para reconstruir as moradias e infraestruturas econômicas destruídas por Israel. poucos días antes de Obama tomar posse como presidente dos EUA. “Ao mesmo tempo. Israel impediu a chegada de ajuda humanitária e. fracassaram. consciente de que não pode conseguir uma vitória militar contra a resistência palestina e dos povos árabes. Entre eles. usurpou o histórico território do povo palestino (uma parte da qual expulsou violentamente). O ataque teve como primeira consequência que Israel entrou em crise com um importante aliado muçulmano. 300 crianças e 115 mulheres. O último foi o comboio de ajuda humanitária que foi assaltada em alto mar. Pelo menos nove ativistas morreram por disparos israelenses. pelo imperialismo. morreram 13 soldados israelenses. Em segundo lugar. defende os trabalhadores judeus. que inclusive se for criado um miniestado palestino.400 palestinos. Israel mantevo o bloqueio à Faixa de Gaza. cujos máximos dirigentes provêm sempre do exército. há anos. mas deu um salto qualitativo com o ataque ao navio de ajuda humanitária por parte das tropas sionistas em águas internacionais. pressionou este governo para que não continue com sua política ofensiva e se encaminhe a criação de um Estado Palestino sob controle de Israel.perou da crise este ano. uma espécie de grande base armada contra o mundo árabe-muçulmano e suas lutas. e vendo o desprestígio e a crise de seu enclave no Oriente Médio. em seu papel de enclave e gendarme estrutural do imperialismo. Isso significa que não haverá nenhuma solução verdadeira sem a destruição do Estado nazista de Israel (verdadeira causa dos conflitos na região) e a construção de um Estado palestino único. em águas internacionais. a partir das organizações sindicais e populares se possa enfraquecer o Estado israelense. No entanto. não o conjunto dos trabalhadores. Pela tarefa que lhe foi designada em sua criação. moereram 1. por um lado. 79 . Cinquenta mil palestinos ficaram sem teto e entre 35% e 60% das atividades econômicas de Gaza sufreram danos irre- versíveis” (rebelion. como uma administração colonial encarregada de controlar seu povo. Israel está mais isolado que nunca. castigam os familiares dos ativistas da resistência. similar à dos nazistas ou à do Apartheid sul-africano. pelo contrário. contou com a colaboração do governo egípcio de Hosni Mubarack. Assim foi quando. Muitas iniciativas internacionais se deram deste então para quebrar o bloqueio a Gaza. assinalamos que é necessário tirar as conclusões de tudo que aconteceu nos últimos anos. por tropas de elite sionistas. em 1948. Ante esta brutal agressão. considera que a única forma de sobrevivência é destruindo militarmente dos povos árabes em geral e da resistência palestina em particular. o governo turco. no final de 2008. encabeçada pelo Hamas. Os militares israelenses. Israel é o único aliado seguro e incondicional dos EUA na região.

no ano passado. mas como porta-voz do imperialismo e sustentáculo do Estado genocida de Israel. A proposta turco-brasileira estava encarregada de impedir o desenvolvimento tecnológico iraniano em matéria nuclear. mais diferenças entre EUA e Brasil tem sido o tema do comércio de urânio enriquecido para o Irã.onde os palestinos expulsos possam retornar a suas terras e onde os judeus que aceitam os direitos dos palestinos à terra. na maior parte carne e derivados e commodities. as exportações brasileiras a Israel caíram de pouco menos de 400 milhões de dólares. aparentemente. vinha avalizado pelos EUA. em 2008. com Mahmud Abbas (presidente da Autoridade Nacional Palestina. Israel. Josef Biden. Propomos. e assim o queiram. O comércio entre os dois países é ainda pequeno. Este acordo dá continuidade às excelentes relações comerciais que já mantinha o Brasil com Israel. assim.2 bilhão de dólares. O acordo. Lula lhe abre as portas do mercado brasileiro e do resto do Mercosul. além de 50 representantes de empresas estrangeiras interessadas em ampliar negócios na região”. podemos apreciar com clareza o papel de Lula a serviço desta política. Tem de se fechar as fronteiras brasileiras a todos os produtos israelenses. possam conviver em paz” (Declaração da LIT-QI. para 270. e o mundo acadêmico e científico têm 80 . a ruptura de relações diplomáticas com Israel e a ruptura do TLC do Mercosul com esse país. Indústria e Comércio Exterior) e Celso Amorim (Relações Exteriores). É preciso destacar que a relação comercial com Israel é a típica relação de um país semicolonial com um país imperialista: importação de produtos manufaturados e expor- tação de matérias-primas.5 milhões de dólares. Colocamos o boicote a Israel em todos os terrenos. Recordemos como. que se transformou num fantoche de Israel. O que tem causado. a política de lula para Oriente médio Vendo quais são as necessidades e a política do imperialismo no Oriente Médio. Uma política internacionalista É necessária outra política internacional do Brasil em relação ao Oriente Médio. inseticidas e manufaturados (O Globo. café e açúcar. para mostrar que a comunidade internacional está com ele e não com os rebeldes do Hamas. e 651 milhões de dólares no ano passado. Lula se reuniu. Há anos que la Elbit Systems israelense é provedora da Embraer. insistindo na posição que tinha expressado dias antes o enviado de Obama. O imperialismo usou a face amável de Lula para facilitar seus negócios e seu intervencionismo. proposto pela Turquia e pelo Brasil. com o Irã. na ocasião. É preciso não reconhecer Israel como Estado. de forma imediata. quase metade em fertilizantes e também produtos médicos. em Março deste ano a Israel. O Brasil não pode continuar sendo parte dos negócios das multinacionais que estão espoliando os recursos do Oriente Médio. Importantes empresas israelenses são a fabricante de fertilizantes Chemicals e a companhia de genéricos agroquímicos MA Industries. fruto das críticas ao tema dos assentamentos. No entanto. fazem parte os ministros Franklin Martins (Comunicação Social). precisamos explicar a fundo qual tem sido a verdadeira atuação de Lula. Por sua vez. Para começar. que passou a valer pouco depois de 4 de abril. O jornal O Globo informou assim a viagem de Lula à Aràbia Saudita: “Da comitiva. como soja. 2/3/2010). O Brasil importa mais: 1. Os próximos acordos do Mercosul com o Egito e com países do Oriente Médio servirão para que as multinacionais instaladas no Brasil possam acessar mais facilmente aquela região. e pediu ao governo de Netanyahu (primeiro ministro israelense) que pare a construção de novos assentamentos israelitas nos territórios da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Enquanto no mundo se amplia a campanha pelo boicote aos produtos e ao comércio com Israel. essa viagem selou o maior acordo comercial que já conseguiu Israel com a América Latina. o que mais se destacou foram os desencontros entre Lula e governo de Israel. Naquela viagem. deixando Lula mal localizado. não como amigo dos palestinos ou do Irã. Miguel Jorge (Desenvolvimento. que governa a Cisjordânia apoiado nas forças militares israelenses). que são dos maiores exportadores destes produtos para o Brasil. apoiando a campanha mundial que realizam organizações como o BDS. mantendo o monopólio do controle da produção de urânio com os países imperialistas o seus aliados seguros. em 2008. que finalmente acabou rechaçando-o e impondo a política das sanções. se converteu no único país fora da América Latina que conseguiu um acordo de livre comércio com o Mercosul. Lula comprou 18 aviões não tripulados israelenses pelo valor de 350 milhões de dólares. Lula levou a mensagem de Obama. 21/3/2010). em novembro do ano passado. a proposta dos EUA de criação de dois estados. Lula foi acompanhado por 200 empresários brasileiros para finalizar os detalhes da entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel.

O Brasil se colocará. Esta política é a que vamos defender nas eleições. Nosso programa também se opõe frontalmente às sanções ao Irã. como as que anos atrás o imperialismo. aplicou ao Iraque. O Brasil apoiará os países árabes frente ao imperialismo e quando lutam consequentemente contra o avanço de Israel na região. e exigir a retirada de todas as tropas imperialistas do Oriente Médio e o apoio material à resistência de todos estes povos contra a ocupação imperialista. ao lado dos trabalhadores e dos povos na luta contra o imperialismo e pela revolução socialista no Oriente Médio. são uma agressão ao país. Essas sanções. implementando o boicote. através da ONU. geralmente ditaduras criminosas. entre os setores camponeses e populares. Em relação à ocupação militar de vários países por parte do imperialismo. O Brasil tem de apoiar o fim do Estado de Israel e ajudar a construir um Estado Palestino laico. O Brasil deveria fazer como muitos países fizeram no passado com o regime racista do Apartheid na África do Sul. democrático e nãoracista. tanto aos que se encontram no Brasil quanto aos que estão em outras partes do mundo. Vamos impulsionar esta política a partir das entidades sindicais. contra todos os governos burgueses da região. entre os professores e os estudantes. Um Brasil socialista não será neutro no Oriente Médio. nas fábricas. Isso significa apoio material à resistência palestina e apoio real aos refugiados. que estão a serviço dos EUA. porque a proposta de classe e socialista do PSTU se expressa em nível de uma política exterior a favor dos trabalhadores e dos povos oprimidos contra o imperialismo e suas multinacionais. em que acabam sofrendo os trabalhadores e o povo mais pobre.de fechar as portas a qualquer colaboração. 81 . incondicionalmente. o Brasil tem de começar por retirar suas tropas do Haiti.

Candidatos aos governos nos estados amazonas governador: Herbert amazonas vice: João rebouças pará governador: Cleber rabelo vice: Fátima “Fafá” amapá governador: genival Cruz vice: Bruno Souza Distrito Federal mg governadora: vanessa portugal vice: Oraldo paiva Vanessa tem 40 anos. CSN e demais empresas privatizadas e o não pagamento da dívida do estado para investir em saúde. É professora das redes municipais de ensino de Belo Horizonte e de Betim. 2004. é casada e formada em biologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É presidente regional do PSTU. ao qual está filiada desde 1997. educação e moradia públicas. e não para as grandes empresas como é feito hoje. Vanessa defende que o estado de Minas seja governado para trabalhadores. Para isso. minas gerais governador: rodrigo Dantas vice: rosa Olímpia Donizetti goiás Senador: rubens paraná governador: avanilson araújo vice: ivan Bernardo Sp rS 82 . defende a reestatização da Vale. diretora do Sindicato dos Professores da Rede Municipal de BH (Sindrede-BH) e fundadora da Conlutas. 2006 e 2008. Já representou o partido nas eleições de 2002.

Fundador do PSTU.maranhão governador: marcos Silva vice: Hertz Dias piauí governador: Cyro garcia rJ rio de Janeiro a governador: geraldo Carvalho vice: miguel malheiros Uma das lideranças mais importantes dos bancários do Rio e um dos dirigentes nacionais da Conlutas. Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e. Durante os anos 1980. Depois. já como metalúrgico. onde foi ativista das grandes greves da categoria e da luta contra a privatização do banco. participou das grandes mobilizações operárias em São Paulo e do Movimento de Oposição Metalúrgica. É funcionário do Banco do Brasil e professor universitário. atualmente é seu presidente estadual. Em 1983. Foi da Secretaria Nacional da Conlutas e. Sp São paulo Bahia governador: Carlos nascimento vice: Daniel romero Santa Catarina governador: gilmar Salgado governador: Julio Flores vice: vera rosane É dirigente das lutas dos professores e bancários. ajuda a organizar a oposição de esquerda no Cpers (sindicato da educação). Popular e Estudantil. Começou sua militância no final da década de 1970. começou a trabalhar na GM de São José dos Campos e se transformou num dos principais representantes dos trabalhadores da região. Cyro foi deputado federal e presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro. além de bacharel em direito pela UFRJ e mestre em história pela UFF. o MONSP. é casado e tem três filhos. integra a Executiva da Conlutas-CSP. Central Sindical. Mancha tem 54 anos. rS rio grande do Sul vice: rosângela Barreiros 83 . vice: Hallysson Ferreira Ceará governador: Francisco gonzaga vice: nivânia amâncio paraíba governador: marcelino rodrigues rio grande do norte governadora: Simone Dutra vice: José mendes pernambuco Sergipe governadora: vera lúcia mg rJ vice: Dalton dos Santos governador: Jair pedro vice: Kátia Telles governador: luiz Carlos prates “mancha” vice: eliana Ferreira Metalúrgico. é secretário geral da entidade. eletricista de manutenção. trabalhou no Banco Meridional. nas lutas estudantis contra a ditadura militar. É professor de matemática das redes municipal e estadual. atualmente. Desde 2000. Foi diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. na Universidade Federal de São Carlos. agora.

Felizmente caiu o aparato internacional do stalinismo. o desemprego e a miséria em todo o mundo. Nas crises. Os 24 trilhões de dólares entregues aos banqueiros pelos governos poderiam ser usados para isso. Nas manifestações. Os reformistas falam de um “capitalismo com preocupação social” até chegarem ao poder como o PT. acabar com a fome. com muito orgulho A participação do PSTU nessas eleições já se justificaria por defender as bandeiras do socialismo. a grande trava da humanidade: a propriedade privada das grandes empresas a única alternativa realista é a abolição da propriedade privada O capitalismo hoje é o domínio das grandes empresas privadas sobre a sociedade. O capitalismo se prepara para escapar desta crise reforçando todas as suas características mais parasitárias. nas greves. 84 . Já existem sinais de barbárie nas periferias das grandes cidades no mundo. Este ascenso operário pode ser a base objetiva para uma ampliação das idéias socialistas. levando ao atual desastre ecológico mundial . tudo se agrava rapidamente. Não existe nenhuma possibilidade de reformar do capital. As empresas competem entre si. e isso não ocorre hoje. Isso existe mesmo nos períodos de crescimento. Durante a década de 90 existiu uma gigantesca campanha de propaganda de que “o socialismo morreu”. na década de 80 do século passado havia uma ampla hegemonia do socialismo entre intelectuais e artistas. Agora. As multinacionais fazem também um ataque desenfreado aos recursos naturais. gerando uma anarquia na produção. Mesmo se o capitalismo fosse abolido hoje. O desemprego e a miséria se alastram. Até a queda das ditaduras stalinistas. Começa a se mover o proletariado de maior tradição de todo o mundo. com o nível das forças produtivas atual. A vanguarda das lutas já nascia socialista. os reflexos no aquecimento global tardariam talvez um século para serem superados. A isso se alia uma maior centralização do capital (como nas fusões da industria automobilística). inevitáveis no capitalismo. mas tampouco existe uma clareza de que o socialismo é possível. como indicam os “acordos” da indústria automobilística dos EUA. As riquíssimas multinacionais gastam ao redor de 5% de seu faturamento no pagamento aos trabalhadores. mas foram destinados a salvar as grandes empresas responsáveis pela crise. Hoje não existe mais a URSS. Aí viram os administradores do neoliberalismo. Elas buscam cada vez mais lucros e isso leva à exploração e a miséria do proletariado.Socialistas sim. Pode ser que o ascenso operário europeu comece a mudar essa realidade. Isso impede o planejamento da produção em função do atendimento às necessidades da população. com a fome e a violência urbana atingindo graus inimagináveis. as conseqüências brutais do capitalismo vêm a tona com a crise européia. Seria possível. A grande “saída” é a redução dos salários e direitos dos trabalhadores. que demonstrava a existência de uma alternativa de sociedade não capitalista. surgem de novo as bandeiras vermelhas socialistas.

Um estado operário seria a expressão da dominação da maioria sobre uma minoria. de que governos capitalistas como Obama e Lula possam evitar ou resolver as crises. Outra utopia. a distância enorme com os parlamentares de hoje acabaria. Só assim será possível organizar a economia para satisfazer às necessidades dos trabalhadores e não para aumentar os lucros de uma pequena minoria. a asfixia da arte e da ciência. em que segue existindo um estado burguês com um governo autoritário como Chavez. Como a grande burguesia controla a economia. A abolição do capitalismo permitiria também uma democracia muito superior à democracia burguesa. É por isto que. é acreditar que Chavez vai levar ao socialismo. Mas nada poderá apagar este exemplo do que pode significar a abolição da propriedade privada. em que os trabalhadores poderiam livremente debater e decidir os grandes temas políticos e econômicos. Existe uma enorme distância entre os trabalhadores e os “políticos”. Os representantes eram eleitos e podiam ser revogados a qualquer momento. Um novo tipo de estado muito mais democrático que a democracia burguesa corrupção e o aproveitamento das verbas públicas. Ganham os candidatos que a grande burguesia apóia. compra votos em grande escala. A burocratização da URSS acabou com esta experiência histórica fantástica e acabou levando-a a restauração do capitalismo. Existiria uma ampla democracia operária. dirige também o estado. possibilitaria que os trabalhadores discutissem em seus organismos de luta nas fábricas e empresas os temas mais importantes do país. ou outros (como Lula) que se dispõem a fazer o que eles querem. Um novo tipo de estado. A abolição da propriedade privada das grandes empresas é a única alternativa realista para evitar as crises e a barbárie. nada muda. apesar de se votar a cada dois anos. Todas as eleições são viciadas. antes da revolução era o mais atrasado da Europa.e um predomínio ainda mais forte do capital financeiro. Um país que. Segue convivendo com elas e por isso os trabalhadores nesse país têm níveis salariais e de desemprego semelhantes aos brasileiros. Como esses delegados poderiam ser mudados a qualquer momento e não teriam qualquer privilégio em relação aos outros trabalhadores. A democracia burguesa é uma ditadura disfarçada das grandes empresas. foi o maior exemplo histórico de como isso pode ser feito. Mesmo em condições objetivas econômicas ruins. com eleições a cada dois anos. Possui os grandes meios de comunicação (TVs e jornais em particular). A burguesia afirma que o socialismo destrói a liberdade. a incompetência. acabou com o desemprego. A experiência da democracia operária nos primeiros sete anos da revolução russa. O nacionalismo burguês chavista não acabou com a dominação das multinacionais petroleiras e dos bancos nesse país. A evolução da URSS mostrou o que isso pode significar. e se transformou em uma potência mundial que rivalizou com os EUA. antes da burocratização do stalinismo. No entanto. Utopia reacionária é a esperança. que a democracia é indissociável da propriedade privada. e um longo etc. baseado na democracia operária. Mais uma vez. identificados com a 85 . amplamente majoritária. O socialismo não é nenhuma utopia. financia os grandes partidos. As ditaduras stalinistas ajudaram a burguesia a associar o socialismo com a burocracia. nada disso se passa na Venezuela. a fome e o analfabetismo. apoiada pela maioria da esquerda. Elegeriam seus representantes para os congressos que decidiriam sobre esses temas. qualquer estado é uma ditadura de uma classe social sobre as outras classes. os trabalhadores discutiam e decidiam livremente nos sovietes sobre os destinos da guerra e os rumos da economia.

Mas se de oito anos de governo pararmos com o lucro das grandes emo programa é uma ferramenta para de colaboração de classes a ação. a qualidade da saúde e da educação pública segue decain. Ocorre que a vida já demonstrou nos oito anos de gotradas. Ele sintetiza a experiênO PSTU apresenta nestas páginas de milhões de o seu programa de governo. mas em afirmar qual é a saída para conquistar uma é construído nas pequenas e grandes batalhas da classe Q 86 . aplicado. tampouco um programa não está somente em reconhecer a realidade do partido para a revolução pode ser improvisado. sem os temas consi. A verdadeira realidade é que das eleições. Logo em seguida. ocorreu um fato curioso: o PT registrou um programa com “tópicos considerados radicais” tais verno de aliança com a burguesia que nenhum dos problecomo a necessidade da reforma agrária. é que Assim. o ritmo de trabalho nas empresas converte as programa sem um partido.ções. não se pode construir um presas a escala é astronômica. o partido que construímos é a expressão desse prodo. porém. Mas o debate fundamental sobre o Não é possível improvisar um programa. Como o programa que apresentamos vai além das eleifábricas em verdadeiras máquinas de moer seres humanos. A explicação da “gafe”: uma coisa é o nas com a luta contra os patrões e a dominação do país pelas multinacionais. O que não diz. voltou atrás e o substituiu por outro. o país continua sendo saqueado pelas multinacionais e grama. lhadores. A luta para que os trabalhadores governem deve ser as imensas riquezas naturais do país enriquecem especula.construída cotidianamente em todas as batalhas de nossa dores da bolsa de valores. outra é o programa de governo! deve ser um governo socialista dos A direção do PT diz que apresenta trabalhadores.O significado do programa é o sentido do Partido uando as candidaturas presidenciais foram regis. Um partido país. por isso não cabe nesse expressão da luta diária programa nenhuma das reivindicações expressão da luta diária pela pela sobrevivência sobrevivência de milhões de trabacentrais da classe trabalhadora. classe. e se comta para ação e mobilização. que lute contra os um programa “realista”.vida digna. mas fundamentais dos trabalhadores pode ser resolvido. que pode ser o programa que interesses das grandes empresas. o programa que apreseu programa significa governar para apresentamos é a sentamos nestas eleições é a a burguesia.Nossas principais reivindicações serão conquistadas apederados “radicais”. E o governo necessário para essa luta programa do partido. pois é uma ferramenos salários tiveram uma redução em sintetiza a experiência termos relativos e absolutos. E somos cia desses oito anos de governo de trabalhadores. ele colaboração de classes e vai além realistas. Isto é a realidade.

pois a dependência material da burguesia significará a destruição da base do nosso programa: a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. Os partidos que se reivindicam da classe trabalhadora e deixaram de lado esta forma de organização e a independência. a instância máxima do partido. destrói a base fundamental da democracia interna. E a base da garantia de nossa independência política é a independência econômica do partido frente à burguesia. uma mudança no seu programa. por cima dos militantes. Não existe democracia interna se os militantes não podem discutir cotidianamente a política do partido e controlar a sua direção. O PSTU esta sendo construído sob estas bases. expressam. Nos congressos. como gabinetes de parlamentares e aparatos sindicais. que organiza os ativistas que querem lutar pelo programa da revolução. As reuniões são polêmicas. O PSTU é um partido vivo. o que impera é a decisão dos aparatos. na verdade. é onde se tomam as principais decisões. a construção de uma disciplina coletiva. por tanto.trabalhadora. pois permite que a direção não esteja submetida à decisão coletiva de sua base. Nenhum dirigente está acima dos militantes. porque elas discutem a nossa intervenção. 87 . Uma vez tomada a decisão. Convidamos você a vir construir conosco esta ferramenta. todos estão submetidos às decisões de cada reunião em que participa nos organismos do partido. todos do partido aplicam a política decidida. Esta é base sob a qual se sustenta a democracia interna: os organismos do partido. Um partido que se baseia nos filiados e não nos organismos. Por isso convidamos todos nossos leitores para essa empreitada. Quando o centro das decisões do partido não são seus organismos e seus militantes. Temos orgulho de ser um partido que sobrevive com a contribuição de seus militantes e simpatizantes.

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