Esse caderno foi produto do Seminário de Programa “Um programa socialista para o Brasil” realizado nos dias 26 e 27 de junho

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sum
04 06 08 10 14 22 24 32 36 42 44 46
ApresentAção governo lulA

Para além de aparência
direitA

A direita não morreu
crise economicA

O novo momento da crise econômica e as eleições
emprego

Um programa socialista para o pleno emprego
sAlArio

Aumentar já os salários!
sAúde

Um programa dos trabalhadores para a saúde
educAção

Elementos para um programa socialista na educação
cAmpo

Reforma e revolução agrária
ecologiA

É preciso deter a destruição ambiental
violênciA

Violência e direitos humanos: o capitalismo mata
HAbitAção

Habitação e planejamento urbano

2

mário
50
energiA

A construção de uma nova matriz energética 48 O fracasso do modelo energético brasileiro 50 Estatização completa da Petrobrás “Petrobrás 100% estatal”
culturA

56 58 64 70 72 76 78 82 84 86

Um programa de luta pela cultura
mulHeres

Um programa para as mulheres trabalhadoras
Juventude

A juventude tem direito ao futuro
negros

Negros e negras: uma luta de raça e classe
glbt

Um programa de classe contra a homofobia
HAiti

Foras tropas brasileiras do Haiti!
oriente médio

Qual deve ser a relação do Brasil com o Oriente Médio
cAndidAtos

Candidatos aos governos dos estados
sociAlismo

Socialistas sim, com muito orgulho
pArtido

O significado do programa é o sentido do Partido 3

Apresentação

Contra burguês, um operário socialista desta vez
aculdade de Direito, Largo de São Francisco, São Paulo. Mesmo tendo de enfrentar a concorrência da Copa, reuniram-se quase duas centenas de pessoas nos dias 26 e 27 de junho. O motivo: debater uma proposta de programa socialista, que será apresentado pelas candidaturas do PSTU nas eleições. Foi um seminário aberto, com a presença de quadros de longa data do movimento de massas e do PSTU. Vieram também ativistas e intelectuais que não são do partido, como Chico de Oliveira, Iná Camargo, Armando Boito, Paula Marcelino, Guilherme Boulos (MTST). Em dezoito mesas diferentes, abarcando distintos temas do programa, se discutiu como apresentar as bandeiras socialistas para o Brasil. O resultado pode ser apreciado nessa revista virtual que reproduz e sintetiza as conclusões programáticas do seminário. Os participantes do seminário se dispunham a colaborar por acreditar na importância do debate do socialismo. Uma enorme diferença em relação às candidaturas majoritárias – Dilma, Serra e Marina - em que as “colaborações” são feitas profissionais pagos a peso de ouro. Essas campanhas têm “programas” ditados pelos marqueteiros, que orientam os candidatos para falarem o que as pessoas querem ouvir, sem nenhum compromisso. O que é levado para a TV são as “promessas de campanha” que podem decidir uma eleição, para depois desaparecer e só retornar nas próximas eleições. O verdadeiro programa dessas candidaturas é feito às escondidas com as grandes empresas e não é apresentado para ser debatido nas eleições. São duas visões radicalmente diferentes de como fazer política. A dos partidos majoritários e a nossa. O PT e o PSDB lideram os blocos burgueses majoritários, e não têm nenhum compromisso com um programa, só querem ganhar eleições. Defendemos um programa socialista para mudar o país.

F

Fazendo a diferença

O PSTU apresenta nessas eleições o companheiro José Maria de Almeida, o Zé Maria, para a Presidência. Nossa campanha vai ter a marca do classismo e da defesa intransigente da bandeira socialista. Vamos defender as lutas e as reivindicações imediatas dos trabalhadores, como salário e melhoria das condições de vida, relacionadas com o enfrentamento com a propriedade das grandes empresas, resgatando o programa socialista. A campanha vai mostrar aos trabalhadores que não há saída dentro dos limites desse sistema. Não é possível resolver os problemas mais básicos dos trabalhadores e da maioria da população, como saúde e educação, sem atacar a propriedade privada e romper com o imperialismo. É preciso também colocar nossa campanha a serviço das lutas. Mesmo pequeno, nosso tempo na TV servirá para apoiar as greves, lutas e mobilizações que estejam ocorrendo.

Sem financiamento dos patrões

Todos os partidos e organizações dos trabalhadores que se corromperam, incluindo o PT, começaram a trilhar esse caminho com o financiamento de bancos e empresas. Uma vez eleitos, os políticos passam a governar para os empresários que, por sua vez, abocanham obras e contratos públicos. É impossível permanecer politicamente independente quando se depende financeiramente da burguesia. Por isso, a campanha de Zé Maria terá a mais completa independência financeira. Todos os recursos da campanha eleitoral do PSTU serão contribuições feitas pelos próprios trabalhadores.

Um operário que não se vendeu

Zé Maria iniciou sua militância em meio às greves metalúrgicas no final dos anos 70 no ABC Paulista. Em 1977,

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disputou novamente as eleições presidenciais. Cláudia é autora do livro “Limites do Sindicalismo e Reorganização da Luta Social”. Zé Maria foi um dos principais organizadores do Congresso da Classe Trabalhadora. Zé Maria foi o primeiro pré-candidato a visitar o Haiti destruído pelo terremoto. do qual hoje é presidente. Em março deste ano. quando ficou conhecido como “o candidato contra a Alca”. Doutora pela Universidade Federal de Pernambuco. será a candidata a vice-presidente na chapa de Zé Maria. Não basta ser mulher. Duas origens em comum. Em 1998. Mas. Mais do que o sexo do candidato. Em 1984. com a Convergência Socialista. É também uma oposição à candidatura de Dilma Rousseff. foi um dos principais dirigentes da marcha da Conlutas a Brasília. tornou-se um dos membros do comando de greve dos metalúrgicos do ABC. o Andes-SN. mulher. a crise capitalista chegou ao Brasil. participou do Fórum Social Mundial e foi um dos principais articuladores da campanha contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). ajuda fundar o PSTU. A candidata também esteve no Haiti entre 30 de março e 3 de abril. Dois caminhos opostos.foi preso ao distribuir um panfleto do 1º de Maio. Lula governa hoje para os empresários. mudou-se para Minas Gerais e tornou-se dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem e fundador da Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas. Zé Maria é um operário que não se vendeu. realizados em Santos (SP). 5 . Zé Maria esteve ao lado de Lula nas greves do ABC. em 2004. O sindicalista denunciou a ocupação militar liderada pelo Brasil e exi- giu a retirada imediata das tropas. professora de serviço social na Universidade Federal do Maranhão. e no ano seguinte participou ativamente da construção da marcha dos 100 mil a Brasília defendendo o “Fora FHC e o FMI”. totalmente absorvidos pela estrutura do Estado ou pelas burocracias sindicais. No primeiro ano do governo Lula. Naquele ano. entregou seu cargo na Executiva Nacional da CUT e passou a defender a necessidade de uma nova direção sindical para o movimento sindical brasileiro. Em 2008. Em junho. Foi um dos organizadores do Encontro Sindical realizado em Luziânia (DF). que reuniu cerca de três mil delegados. Cada voto em Zé Maria e em nossos candidatos aos governos de estado e aos parlamentos será um apoio para essa luta. Esse evento altamente representativo fundou uma nova central. foi preso com Lula e mais dez sindicalistas quando o sindicato foi invadido pelos militares da ditadura. dirigiu a greve com ocupação da Mannesmann. que busca se apresentar como representante da luta das mulheres. Em 2002. Zé Maria também foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Iniciou sua militância ainda no movimento estudantil. “Dilma não resolverá nossos problemas apenas porque é uma mulher. Trajetória de luta Cláudia é uma das fundadoras do PSTU. uma vez que a CUT passou a ser uma entidade chapa branca. o que importa é se vai governar com os trabalhadores. Naquela época. com a caravana da Conlutas. Em 1988. provocando milhares de demissões. como na Embraer. incluindo o próprio presidente. Venha para essa luta! Cláudia Durans. Em 1992. Em seguida. Hoje. Zé Maria participou ativamente da greve dos servidores públicos contra a reforma da Previdência. Zé permaneceu de forma incondicional junto às lutas dos trabalhadores. quando as massas já estavam espontaneamente nas ruas. Libertado. atua junto aos professores universitários. a adesão só veio após o “Domingo Negro”. Ela percorreu as ruas de Porto Príncipe e testemunhou a destruição e a situação precária em que vivem os haitianos. a maioria da direção do PT era totalmente contra essa iniciativa. Sua candidatura expressa a luta de negros e mulheres contra a opressão do sistema capitalista. sendo parte da direção do sindicato nacional. que programa defenderá. tendo sido uma das principais militantes do partido no Maranhão. tem de ser socialista”. essa estratégia socialista. negra e socialista Cláudia Alves Durans. foi candidato à Presidência da República pelo partido. Zé Maria exigiu que o governo editasse uma medida provisória impedindo as demissões. Em 1994. contra as reformas de Lula e do FMI. foi expulso do PT por levar para as ruas a campanha do Fora Collor. diferente da maioria dos dirigentes daquela época. no qual analisou a experiência de luta dos ferroviários e metalúrgicos do Maranhão. Em junho de 2004. 45. onde surgiu a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). afirma Cláudia. Naquele mesmo ano.

caso não se compreenda bem o caráter desse governo. Proporcionou lucros recordes a bancos e empresas. ele expressa um setor do movimento de massas. porém.Para além de aparência Um governo tão burguês quanto os anteriores. uma vez nele. assim como a do PT e da CUT. Francisco de Oliveira. Investiu contra a autonomia dos setores majoritários dos movimentos sindicais e sociais. pobreza e miséria. Uma alternativa à década de neoliberalismo que produziu privatizações. Um governo diferente Um governo de frente popular Embora o PT no poder tenha não só seguido com a política neoliberal do governo anterior. Realizou alianças com os setores mais atrasados da direita. Isso porque o governo eleito em 2002 foi o primeiro O Lula que recebeu a faixa de presidente de FHC em 2003 já não tinha mais nada a ver com o dirigente operário que despontou das grandes greves do final dos anos 1970. sob pena de serem devorados. mas nas expectativas que o levaram ao poder e. Para Chico de Oliveira. A imagem de Lula na mente da maioria da população e dos trabalhadores. Apesar de tudo isso. ou simplesmente impedir que ela surja. foi a de adaptação cada vez maior à institucionalidade até chegar ao governo com um programa e uma aliança em que nada se diferenciava das outras candidaturas. no decorrer desses quase oito anos de governo. Lula chega ao final de seu segundo mandato com uma popularidade recorde. ele representa um governo diferente. E. continuava a ser a de grande liderança popular. apesar de contar com um caráter de classe tão burguês como os anteriores. Sua trajetória. porém. Como se explica isso? governo de “frente popular” na história do país. a esfinge é uma criatura que desafiava os viajantes a decifrarem seus enigmas. colocou-se à frente de um 6 . Sustentado por um dos maiores partidos de base operária do mundo. abriu a jornada de debates do seminário de programa da candidatura Zé Maria. como aprofundado essa mesma política. na capacidade de criar e difundir ilusões na classe trabalhadora. Mas na realidade o objetivo de um governo de frente popular é justamente o de bloquear uma situação revolucionária. assim como uma das maiores centrais sindicais. Foi dessa forma que o sociólogo e professor aposentado da USP. criando a ilusão de que os trabalhadores enfim conquistaram o poder. da redação “ Precisamos decifrar a esfinge que é o governo Lula”. Na mitologia. desemprego em massa. o governo Lula atacou de diversas maneiras os trabalhadores. Não em suas práticas. foi justamente esse o papel desempenhado por Lula e o PT. Ao longo de seus oito anos. é isso o que vai acontecer com a esquerda. Lula. mas que contou com a imagem de um governo popular e o apoio de setores do movimento de massa Diego CrUz. além de desmoralizar o movimento de massas. Ou seja.

o país foi conseguindo crescer e equilibrar suas contas. elegendo os grandes fazendeiros como aliados estratégicos. empresariais e do governo a fim de “construir o consenso”. Ao mesmo tempo. porém. Por dentro desse conselho. representou uma reforma trabalhista nas pequenas e medias empresas. além de outra reforma Previdenciária. ou o Super Simples que. A partir de 2006. não conseguirá segurar a “marolinha”. passava propostas como uma reforma Sindical e Trabalhista. até mesmo fundindo-se com ele. Não é por menos que uma de suas primeiras medidas tenha sido a formação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. conseguiu tímidas melhoras e investiu forte em programas sociais “focalizadas”. Por outro lado. com o objetivo de reunir lideranças sindicais. Um governo igual Já em 2003. “desviando recursos do Orçamento como a Previdência Social para esse tipo de programa” criando uma enorme base eleitoral clientelista. estreitou relações com o mercado financeiro. “O governo passa a ideia de ser um governo do não-conflito. Até mesmo no escândalo do mensalão que derrubou praticamente todo o alto escalão do governo. Sua identificação com os trabalhadores e o movimento social é praticamente nula. onde se concentram metade da força de trabalho do país. porém. Sua escolha se deu por falta de opção. como o Bolsa Família. O que sustentou esse governo? Durante boa parte do primeiro mandato de Lula. que satisfaz os anseios de todas as classes sociais”. assim como não é correto dizer que seja diferente”. ou os seus “heróis”.governo cuja prioridade continuava a ser o lucro dos bancos e das grandes empresas. Através dos fundos de pensão. como a Lei de Falências que prioriza o pagamento de dívidas aos credores em detrimento de direitos trabalhistas em caso de falência. O qUe repreSenTará Um gOvernO Dilma? A candidatura Dilma está sendo cuidadosamente construída pessoalmente por Lula há pelo menos dois anos. Como definiu Bianchi no debate sobre governo Lula. Realizou a reforma da Previdência no setor público que acabou com a aposentadoria integral e aumentou a meta de Superávit Primário (economia que o governo faz para pagar os juros da dívida externa) que havia sido combinada por FHC com o FMI. Logo nos primeiros anos. aprofundou uma política do governo anterior de benefícios ao setor agro-exportador. Embora continuasse contando com graves problemas sociais. como explica o professor Álvaro Bianchi. Além disso. “não é correto dizer que o governo Lula seja igual ao de FHC. porém. o governo 7 . embalado pelo crescimento econômico mundial e sua localização enquanto grande exportador de matérias primas (commodities). que talvez possa parecer secundário. o governo impunha uma série de ataques explícitos à classe. O governo Lula tem um caráter de classe muito bem definido. suas semelhanças com os governos passados se expressavam bem mais que suas diferenças. na prática. tem a imagem de um governo popular e é sustentado por organizações de massa que ocupam cada vez mais espaço no Estado. Lula reforçou a ideia de um governo de colaboração de classes. já que a crise do mensalão derrubou todos os seus prováveis sucessores. Esse elemento. como o Fórum Nacional do Trabalho. assim como por outras instâncias parecidas. explica Chico de Oliveira. terá uma importância fundamental numa crise econômica que se aprofunda na Europa e que não tardará em chegar ao Brasil. Dilma. Lula impôs uma política econômica neoliberal ainda mais radical que a de FHC. ao contrário de Lula. Dilma. não é Lula. anulando qualquer tipo de conflito.

Em nome da estabilidade econômiIsso não vai impedir. governo FHC radicalizou o neolibeao mercado ralismo dos governos Collor e Itamar Isso porque a direita vai para as eleiinternacional ções sem um programa de governo que. E estarão cobertos de razão ao afirmarem Dilma e Serra. mas tão somente a transliberal que eles mesmos ajudaram a e abriu o país crição de dois discursos realizados implantar no Brasil dos anos 1990. no entanto. abriu o país de forma próprio. tados. Vai lembrar das privatizações de FHC e dos anos de neoporém. já que o PT e o governo Lula ao mercado internacional de forma inse apropriaram do discurso e da polídiscriminada. que inundou o país de imporpaís. que as alternativas reais colocadas não são tão liberalismo. afirmando que tudo isso se aprofundará caso numerosas assim. arrasando com os empregos e boa parte da indús- N 8 . indiscriminada tica econômica de FHC. da redação o dia 5 de julho terminou o prazo para o registro a volta do pSDB das candidaturas à presidência. em 2006 e apostar no temor da “volta do PSDB” ao poder. partam ferozmente para a disputa eleitoral. que o tucano mente a mesma política neoliberal. os tuque ninguém melhor que o PSDB para canos nem sequer apresentaram um continuar impondo uma política neode Collor e itamar programa. representadas aqui pelo PSDB Henrique criou o Plano Real que. retomando diretamente o controle sobre o a valorização do câmbio. E tamo governo FHC Uma pequena amostra disso é o bém com razão. porém. nome de uma nova moeda. apresentam essencialisso. Uma rápida análise dos programas de governo mostra. radicalizou o programa de governo apresentado José Serra parte do princípio de neoliberalismo pelo PSDB ao TSE. Fernando que a direita tradicional. O por Serra durante a pré-campanha. Programa este que incluía no Estado. As duas candidaturas majoritárias.A direita não morreu Sem um programa diferente do atual governo. está se postulando como o “melhor apenas com algumas nuances. Serra seja eleito. Na verdade. longe de ser apenas o e o DEM. A campanha de Dilma vai reeditar a estratégia adotada serão nove candidatos disputando o Planalto. ca e o combate à inflação. consistia em todo um proEles não veem a hora de recolocar as próprias mãos grama político e econômico. entre outras coisas. a velha direita quer retomar o controle do país Diego CrUz. Não dizem. Agora é oficial. continuador do governo Lula”.

9 . o PSDB deu a vaga ao senador tucano Álvaro Dias. a candidata defendeu os supostos “avanços” dos governos de FHC e de Lula. vem adotando um discurso conservador. No estado de maior orçamento do país. Marina Silva defendeu o Banco Central quando ele aumentou a taxa de juros recentemente. que vendeu a preço de banana grandes empresas como a Vale e a Embraer a fim de pagar a dívida externa. marina Silva e O neOliBeraliSmO verDe Dificuldades Além de se colocar como legítimo sucessor de Lula. O DEM. a candidatura Serra tem a seu lado setores de peso da burguesia. uma alternativa “ecológica” que tenta atingir. O programa de Marina. o que o fez recentemente atacar o MST e dizer que a descriminalização do aborto provocaria um “genocídio”. Quando foi secretário municipal do Rio. o 13º mais rico do país com uma fortuna acumulada de 2. A candidata do PV defendeu também o veto de Lula ao fim do fator previdenciário. como na atrapalhada escolha de seu vice. A fim de equilibrar as contas externas. Depois de meses tentando convencer o governador de Minas. ele falou a seguinte pérola sobre esse projeto: “imagina quem roubou. mas resistiram em estados importantes. por exemplo. Em meio à falsa polarização entre Dilma Roussef e José Serra. talvez seja justamente aí que sua candidatura apresente seu caráter mais conservador. a candidatura Marina Silva representa o que há de mais retrógrado e conservador. Marina Silva representa ainda um retrocesso em relação ao combate às opressões. sobretudo. invadiu terra querer se eleger a um cargo público”. como em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar disso. porém. que expressava um voto. Aécio Neves.1 bilhões de dólares. um eleitorado jovem. A candidata concedeu diversas declarações contrárias ao casamento gay ou o direito ao aborto. Durante uma entrevista. Pelo contrário. Alckmin e Serra aplicam há pelo menos 16 anos uma política de privatização e sucateamento dos serviços públicos. Por isso.tria nacional. As estradas paulistas são infestadas por praças de pedágio. O vice de Marina é ninguém menos que um dos donos da Natura. Além disso. assaltou. Sua candidatura. o que favoreceu o voto a Lula em 2002. A solução foi. que sofreu um forte baque com o mensalão no Distrito Federal com a prisão de Arruda. assim como os cortes de R$ 10 bilhões do governo para “esfriar” a economia. vai elevar ainda mais a dívida pública. Nem em relação à ecologia Marina consegue se diferenciar. anti-tucano e anti-neoliberal. Alguns exemplos mostram o caráter conservador de sua candidatura. atravessa alguns momentos de crise. FHC avançava com o programa de desestatização. Índio da Costa é apadrinhado do ex-prefeito do Rio César Maia e só ganhou certa notoriedade ao relatar o projeto do Ficha Limpa. A Natura é processada pelo Ministério Público por biopirataria no Acre. Foi toda uma política responsável por dobrar o índice de desemprego e ampliar a pobreza e miséria no país. Índio foi ainda investigado por favorecer uma empresa na compra de lanche para escolas públicas. com uma média de um pedágio para cada 47 km. sobretudo. Serra tenta cativar o tradicional eleitorado de direita. assim como boa parte da imprensa paulista e nacional. do DEM do Rio de Janeiro. É um inimigo que não pode ser subestimado. na última hora. ameaçou pular fora da aliança. Como se tudo isso não bastasse. Os tucanos e seus aliados do PFL (hoje DEM) foram varridos do governo federal. por trás de um discurso pretensamente ecológico e progressista. porém. o empresário Guilherme Leal. não apresenta nenhuma novidade em relação às duas candidaturas majoritárias. Ou seja. sucessivos governos tucanos como o de Covas. Produziu ainda um enorme rechaço entre a população. a candidatura Marina Silva se coloca enquanto uma suposta novidade. coisa que. aceitar o posto de vice de Serra. dar o cargo ao desconhecido deputado Índio da Costa.

José Serra ou Marina Silva. o Brasil está muito. Trata-se de uma continuidade da crise que começou em 2007.7%.O novo momento da crise econômica e as eleições A crise econômica europeia está gerando uma nova situação política nesse continente. o que fortaleceu ainda mais Lula. embora possa não chegar aqui rapidamente. que já se dava em todo o mundo. seus recordes de produção e vendas. O alerta tem importância porque essa discussão não vai estar presente nas campanhas eleitorais de Dilma Roussef. A primeira lição que isso nos traz é que. Em segundo lugar. O PIB de 2010 pode ultrapassar 5% de crescimento. da direção nacional do PSTU M as para os trabalhadores que acreditam no que o governo lhes diz. É provável que atinja diretamente o país durante o mandato de qualquer um dos candidatos eleito em outubro. o Brasil não vai ser atingido pela crise. caracterizando o chamado “duplo mergulho” eDUArDo AlmeiDA. simbolizada na demissão de 4200 operários da Embraer. por mais que se escondam. o país acompa- nhou a queda livre da produção industrial que existia no mundo. Além disso. tanto na queda brutal da produção mundial no último trimestre de 2008 como na recuperação do segundo trimestre de 2009. discutiram a possibilidade de novas levas de demissões. Em primeiro lugar. Como o Brasil saiu da crise em 2009 O Brasil viveu uma recessão entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Muitas outras grandes empresas. mas acabaram apostando na recuperação. As grandes empresas frearam a produção bruscamente. retrocedendo 16. Isso foi atribuído. o país saiu relativamente rápido da crise em 2009. à ação do governo. Foi o momento em que os trabalhadores sentiram a crise e a ameaça de desemprego. ao contrário do que o governo afirma. existe a possibilidade de que ela se estenda ao conjunto do planeta. já existem reflexos da crise européia hoje no Brasil. e sofre diretamente com as possibilidades de crise. como a Embraer. O país saiu da recessão no segundo trimestre de 2009. para ver o que se passaria no mundo. mais uma vez. muitíssimo exposto às variações do mercado mundial. Elas 10 . Nesse período. Se não. pelos trabalhadores. a economia brasileira segue crescendo. Isso é assim porque a economia brasileira é completamente dominada pelas empresas multinacionais. Existe uma base material para essa postura. A indústria automobilística deve bater. seria impossível explicar como o país acompanhou diretamente a evolução da economia mundial. acompanhando a tendência de recuperação que existia na economia mundial. Mas nós temos a obrigação de alertar os trabalhadores de que a crise virá.

conseguiram mais lucros aqui do que em suas matri. Em 2009 A economia brasileira o governo Lula pagou aos banqueigrandes multinacionais decidiram seguir investindo no país. Foi bilhões de dólares em 2008 para 152 assim com a Vale. As contas correntes zes nos EUA ou Europa. controlada por bilhões em 2009. o pagamento dos juros saiu da recessão em 2009 foi porque as também aumentou muito. Controlam o agronegócio não foi o que determinou o curso da crise.ticos (ajudando mais uma vez as multinacionais) e liberou tos externos – com os governos Collor e FHC e mantidas mais de R$100 bilhões para os banqueiros. vialucros. Foi uma decisão em defesa de seus incluem a balança comercial. não teve nada a ver com os interesses nacionais ou gens internacionais) e transferências unilaterais (remessa preocupação com o país.6 bilhões. do entregue aos banqueiros para pagar controlam a indústria a dívida. Isso significa dominada outros países dominados. está estreitamente ligado à dinâmica dos capitais especulaOs reflexos dessa postura sobre o endividamento do tivos de todo o mundo. Ou seja. elas domésticos) para a América Latina. química. Com a queda Mas poderia não ser assim. acompanhando dia a dia o mesmo país são graves. como as automobilístiO resultado é que ao país deve ter em 2010 o maior décas. eletrotudo o que se arrecadado no país é multinacionais. As exportações caíram de 197 vestindo fortemente em todo o país. E junO primeiro motivo pelo qual o Brasil to com isso. decidiram semais do que gastou com saúde e edufortemente no setor guir investindo no país para continuar cação juntas. as fronteiras econômicas foram abertas empresas. indicam uma redução ainda maior. hoje uma multinacional. mas tica e alimentícia. ao caracterizar a recuaos banqueiros quase cinco vezes peração internacional. o menor desde 2002. para US$ 11 ou não seguiu em recessão: as grandes empresas estrangeiras 12 bilhões. país.do superávit comercial e o aumento das remessas de lucros sas achassem que a crise internacional se aprofundaria e das multinacionais (2. assim o decidiram. seguros.) para todo o mundo e de minérios Já os gastos com saúde foram de (em particular ferro. mais que um terço de dutos industriais (automóveis.controlam a indústria automobilística. agronegócio (carne. qual foi o papel do governo lula 11 . Isso o agronegócio As grandes empresas estrangeiras significa que o governo Lula pagou e penetraram aqui instaladas. que compõem a dívida pública se ampliou. para ajudar as multinacionais e os banqueiros. 4. farmacêuO papel do governo nessa história é importante. a indústria automobilística que está inmia. serviços (fretes. Injetou 300 bilhões de dinheiro público nas Além disso. O país tem um merros R$ 380 bilhões (dados da Auditoé completamente cado interno importante. soja. O superávit comercial em 2009 foi de fundos estrangeiros. Por último. para a China). A soma das dívidas externa e interna do ritmo da Bolsa de Nova Iorque. Somente o mercado março) houve um déficit nas contas correntes do país no interno não bastaria para essas multinacionais. primeiro trimestre de US$ 12. Tudo para seassim por Lula. Ou seja.1 bilhões de dólares. ao contrário de ria Cidadã da Dívida). As previsões para Esse é o primeiro e principal motivo pelo qual o país 2010. de supermercados e ocupando este espaço. Além disso. Reduziu o IPI de automóveis e eletrodomésde produtos estrangeiros e a possibilidade de investimen.ficit em contas correntes desde 1947. é 36% de todo o orçamento geral do pelas empresas uma plataforma de exportação de propaís. Algumas delas.88%. o que projeta um déficit anual de 50 bilhões de dólares. O governo brae penetraram fortemente no setor de supermercados e na sileiro se comportou como mandaram as multinacionais construção civil. de lucros das multinacionais em particular). acompanhando o mesmo figurino dos governos completamente – incluindo as baixas taxas de importação imperialistas. caso essas mesmas empre. US$ 24. o mercado acionário brasileiro guir atraindo as grandes empresas.64% e com a educação 2. sucos cítricos automobilística. etc. entre outras. Foi assim com A crise deixou reflexos na econona construção civil.5 bilhões de dólares entre janeiro e não teriam como seguir exportando. e os bancos.

as multinacionais podem decidir parar de investir no país. Portugal e Grécia estão impondo cortes entre 5 e 30% dos salários dos trabalhadores. A situação atual da economia brasileira (ainda crescendo fortemente) e dos EUA e China (também crescendo) indicam a possibilidade mais provável que a crise não atinja Estamos discutindo a perspectiva futura de uma nova crise no país. São frutos do capitalismo. Mas não foi Lula – ao contrário do que pensam os trabalhadores – que impediu que a crise seguisse. são os trabalhadores que estão pagando hoje os custos da crise de 2008-2009. Não existe a possibilidade de uma evolução semelhante á ocorrida na década de 1930. que não permitirá qualquer reajuste salarial para o funcionalismo e anunciou a perspectiva de vetar o fim do fator previdenciário. Se os governos europeus da Espanha. votado no congresso. ampliando a superexploração dos trabalhadores. Ou seja. que vai perdurar por muitos anos. o país antes das eleições. E aí teremos uma situação para os trabalhadores que pode ser muito mais grave que na crise passada. o que vai depender também da evolução da luta de classes naquele continente. agravando as contradições já existentes. A avaliação que temos da economia internacional é que entramos em um longo período recessivo. Lula se dispôs a enviar quase 300 milhões de dólares para supostamente ajudar a Grécia (leia-se os bancos desse país). Pode haver ciclos de crescimento anêmico seguidos de novas crises. Foram as grandes multinacionais que controlam a economia do país que decidiram. São claros sinais de que Lula quer descarregar os custos da crise sobre os aposentados.o governo endividou mais o país. também. a evolução da economia brasileira pode ser completamente diferente. Para os trabalhadores. para evitar os efeitos de uma nova crise é preciso romper com o imperialismo As crises econômicas não são produtos da natureza. Junto com isso. No início do ano. como os terremotos ou inundações. O governo brasileiro se endividou para entregar 300 bilhões às grandes empresas no período anterior. que afete não só a Europa. funcionários públicos e trabalhadores em geral (que serão afetados pelos cortes nos gastos sociais). em que ainda existia um espaço para o crescimento nacional mesmo no meio da crise internacional. Mas a crise atual já é uma demonstração de que toda a propaganda de que a crise acabou não era mais que isso: propaganda e muito bem paga. R$ 10 bilhões. O grau de internacionalização da produção e controle das multinacionais é muito maior. enquanto deve vetar o fim do fator previdenciário. quando ocorra uma nova crise. Isso é mais uma mostra do que seria possível em um futuro governo Dilma ou Serra. Tudo vai depender da gravidade da mesma e da disposição das empresas multinacionais. Nem sequer defendeu os demitidos da Embraer. O país depende cada vez mais da entrada de capitais estrangeiros para manter a economia. arrebentando as aposentadorias e cortando os gastos sociais. Agora quer fazer os trabalhadores pagarem esse dinheiro. A crise europeia pode se generalizar ou não. Caso exista uma crise grave. ou mais precisamente um novo momento da crise. e ao mesmo tempo quer congelar os salários do funcionalismo. Nesse caso. já prevendo uma nova agudização da crise. mesmo podendo fazê-lo legalmente pelo peso do estado na empresa. Mas já existem reflexos neste momento da crise européia. com uma dinâmica de aprofundamento maior. Declarou. Os ataques aos salários e empregos dos trabalhadores serão muito maiores. também impuseram um ritmo de trabalho ainda maior. nada. mas a China e os EUA. Mas também podemos dizer que é bastante provável que uma nova crise atinja o Brasil durante o mandato do novo governo eleito em outubro. Não veremos um ascenso econômico como aconteceu na década de 1990 ou no início desse século por algum tempo. como se sente hoje nas fábricas. Os aposentados devem receber como uma bofetada o compromisso do governo de entregar 10 bilhões de dólares ao FMI. Os reflexos atuais da crise: o governo ataca os trabalhadores Uma nova crise pode ser diferente Caso exista uma nova crise. Nenhuma medida de garanti do emprego. que faz a sociedade trabalhar para garantir altos lucros 12 . o governo cortou R$ 21 bilhões do orçamento federal e agora anunciou mais cortes. imaginem o que podem fazer Dilma Rousseff ou José Serra. a crise brasileira seria muito maior do que a ocorrida em 2008-2009.

educar a juventude. Só assim poderemos reinvestir os enormes lucros conseguidos por essas empresas. (custo total de R$ 72 bilhões). os bancos e as grandes empresas multinacionais que controlam o país. Ao contrário. sob controle dos trabalhadores. Só assim a decisão sobre investir ou não no país poderá ser feita aqui e não nas matrizes dessas empresas. para se ter certeza da necessidade de deixar de pagar essas dívidas. 13 . Não existe maneira de terminar com as crises sem romper com o capitalismo. Mais 160 bilhões poderiam ser utilizados para triplicar os gastos de Saúde e Educação do governo em 2009. Mas para isso. saúde e educação. será fundamental acabar com a dominação imperialista do país.para as grandes empresas. alimentar nosso povo. Teríamos também condições de financiar a reforma agrária. O que poderia ser feito com o dinheiro das dívidas Deixar de pagar a dívida aos banqueiros possibilitaria ter dinheiro para investir em um plano de obras públicas para a construção das seis milhões de casas populares necessárias para resolver o déficit habitacional do país. podemos melhorar qualitativamente nossos salários e garantir emprego para todos. com assentamento de seis milhões de famílias (apoio de vinte mil reais cada) e um gasto total de 120 bilhões. É possível evitar uma nova crise no Brasil. E temos que avançar para estatizar. Esse plano de obras públicas poderia absorver os desempregados do país. Temos de deixar de pagar as dívidas externa e interna. morar com dignidade. reforma agrária. Basta pensar no impacto social desses planos no desemprego. habitação. Podemos evitar que os salários sejam reduzidos e milhares e milhares de empregos perdidos.

seria fruto. Primeiro como colônia e depois como uma semicolônia. bancos e latifundiários. como veremos. alardearam a ideia de que o desemprego em massa que vitimava o Brasil e todos os países “subdesenvolvidos”. O desemprego no Brasil foi visto primeiramente como um problema social nos anos 1980 e. assim como uma legislação frouxa. É uma conseqüência do capitalismo. Porém. seria fruto. de outro. Um governo que queira promover o pleno emprego de fato deve. temos que levar em conta as especificidades do desenvolvimento econômico do país. a 14 . romper com o capitalismo e sua lógica. infelizmente. o excedente da mão de obra no país foi sempre uma constante desde o início da formação de um mercado de trabalho. de um lado. de um lado. No Brasil. um índice mínimo de desemprego chega a ser uma política de Estado. Formação do mercado de trabalho no Brasil Para entendermos o processo de formação do mercado de trabalho. porém. de outro. Nos países centrais a mão de obra assalariada surge com a proletarização dos pequenos produtores rurais. expulsos do campo pela concentração da terra. a burguesia e o imperialismo. culpa do próprio trabalhador e de sua baixa qualificação. colocando o direito ao trabalho acima dos lucros das grandes empresas. que sempre beneficiou o capital em detrimento do trabalho. como fenômeno de massa. na década seguinte com o avanço do neoliberalismo. culpa do próprio trabalhador e de sua baixa qualificação. das rígidas regras do mercado de trabalho e. através de organismos como o Fmi. que necessita de um exército industrial de reserva que mantenha N os salários baixos. jornalista do opinião Socialista com especialização em economia do Trabalho e Sindicalismo os anos 1990. essa ideia vigora até hoje e foi comprada por boa parte da esquerda. através de organismos como o FMI. necessariamente. Nesse sentido. das rígidas regras do mercado de trabalho e. a OMC e o Banco Mundial.Um programa socialista para o pleno emprego Nos anos 1990. a omC e o Banco mundial. marcado e determinado por sua posição subordinada na economia internacional. essa ideia vigora até hoje e foi comprada por boa parte da esquerda Diego CrUz. a burguesia e o imperialismo. Infelizmente. A massa de desempregados hoje não tem nenhum causa “natural”. alardearam a ideia de que o desemprego em massa que vitimava o Brasil e todos os países “subdesenvolvidos”.

Até 1930. Outro motivo para a política de imigração é a de constituir já um excedente da força de trabalho.terra sempre foi concentrada. já é um país majoritariamente urbano e industrializado. A onda de imigração se mantém forte até pelo menos 1930. Os próximos cinquenta anos marcam uma profunda transformação no país. no final do século XIX. então. permite um rápido desenvolvimento industrial. politicamente. a população do país em 1920 era calculada em 30 milhões de pessoas. que possa consumir os produtos estrangeiros. como o ABC paulista. Processo que. Embora não se possa considerar a nova burguesia industrial antagônica à velha oligarquia cafeeira. O Brasil que é pego pela crise dos anos 70. Ao mesmo tempo. pela carestia e o arrocho. Dos anos 30 aos 80 o país se industrializa e se urbaniza num ritmo tão rápido que talvez só encontre paralelo com a Coreia do Sul e. Podia-se. com o início da industrialização. a população e a força de trabalho vão migrando do campo para as cidades. Assim. A fase populista e desenvolvimentista. não foram capazes de absorver toda a força de trabalho vinda do campo. Além disso. Fato é que. característica que sempre vai ser estrutural no Brasil. entre 1968 e 1973. sem maiores problemas. se expressa no fim da República Velha e na revolução de 1930. formada principalmente por mão de obra imigrante e concentrada nos centros urbanos. a ideologia racista e a tentativa do “branqueamento” da mão de obra do país (daí a preferência por imigrantes europeus a escravos recém-libertos). passando do governo Vargas à chamada “industrialização pesada” do governo JK. porém. Tal urbanização e industrialização. impulsionado por uma conjuntura internacional favorável. “Tendências recentes nas relações de Emprego no Brasil” – Cesit –Unicamp). a necessidade de se formar um mercado interno. Nesse período. já que foi a própria acumulação do café que criou as condições para o início da industrialização. o imperialismo inglês vai dando lugar ao emergente imperialismo norte-americano. mantendo suas margens de lucro. Nos anos 70 o emprego industrial tem uma expansão de 8. Para uma economia altamente instável como era a economia cafeeira do início do século XX (determinada pelos movimentos do mercado internacional). com uma relativa independência do país em relação às grandes potências. o país desenvolveria o mercado interno e o setor industrial. após a crise de 1930 e o governo Vargas. Forma-se então um proletariado concentrado em algumas regiões urbanas. são gerados 7. principalmente no final da década. o país registra a entrada de quase um milhão e meio de imigrantes. Mesmo o grande crescimento econômico observado nos anos do chamado “milagre brasileiro”. apesar das profundas mudanças ocorridas nessas décadas. dos quais 68% em atividades não-agrícolas. uma outra vantagem para o trabalho livre assalariado era a de permitir ao cafeicultor dispor da mão de obra de acordo com suas necessidades. Como afirma o professor Dari Krein. por outro “o intenso desenvolvimento do capitalismo no Brasil mostrou.5% ao ano. é possível manter baixos salários e se contrapor a movimentos grevistas.9 milhões de empregos. são anos marcados pelo aprofundamento da desigualdade social e. assim. Precisava exportar para ter divisas e pagar empréstimos e investimentos internacionais. sobretudo. secundarizando o setor agro-exportador enquanto eixo dinâmico da economia. Isso se reflete no mercado de trabalho. se por um lado “o dinamismo econômico possibilitou uma mobilidade social ascendente”. É só a partir de 1930. aumento dos custos de produção). Entre 1940 e 1960. não impede o desemprego e a miséria. com 70% habitando o campo. que vai se estruturar minimamente um mercado de trabalho nacional. Isso significa que. desigual. Os anos de industrialização A crise de 1929 marca o declínio da hegemonia da burguesia cafeeira no Brasil. mantêm-se as características estruturais do mercado de trabalho ob- 15 . Para se ter uma ideia. temos então um mercado de trabalho bastante incipiente. Pelo contrário. que limita a expansão da economia cafeeira. Tal mudança ocorre por diversos motivos: escassez do trabalho escravo (que vai causar o aumento do preço do escravo e consequentemente. Entre 1888 e 1900. A ausência de reforma agrária e a manutenção da estrutura fundiária produzem uma massa de pessoas que vão formar os cortiços e favelas dos grandes centros urbanos. O Brasil constituía na época um país de economia agrário-exportadora baseada no café e submetida ao capital inglês. O trabalho assalariado inicia então com a substituição da mão de obra escrava por trabalhadores imigrantes nas lavouras de café. uma incapacidade de absorver uma parcela crescente da força de trabalho” (Dari Krein. demitir em momentos de baixa e contratar quando precisasse. isso era vital. a China. mais recentemente. no período. mas.

não passa de uma falácia. parte da força de trabalho passa a ser absorvida por setores como serviço. ou seja.241. Na década de 1970. ele se torna um fenômeno de massa” (Krein). Tal argumento. que inundam o mercado interno e extinguem milhões de empregos. no início dos anos 80. A ideologia neoliberal credita as altas taxas de desocupação ao que seria uma rigidez exagerada nas regras de contratação e propõe a flexibilização dos di- reitos. A ofensiva imperialista recolonizadora se expressa através de uma política neoliberal que avança sobre os direitos e. Posição típica de um país semicolonial.4 milhão de empregos deixa de existir. a Balança Comercial do país vai diminuindo o gigantesco déficit que marcou a década anterior e. o governo Lula. começa a ter significativos resultados. parte majoritária do sindicalismo (Força Sindical. a economia do país mostra seu caráter dependente. Outro fator apontado pelo pensamento neoliberal como causador do desemprego seria a baixa qualificação do trabalhador brasileiro. aperto fiscal e Superávit Primário. serão já 6. e o correspondente aumento da demanda de produtos primários. Ocorreu o que especialistas chamam de “desestruturação do mercado de trabalho”. Tal aspecto. “O país rompe com a trajetória de incorporação acelerada das massas via mercado de trabalho. posteriormente. O desemprego no governo lula No final da década de 1990 o Brasil.922. parecido ao que iria ocorrer durante a década de 1990. prosseguindo com as privatizações de FHC e uma política de câmbio valorizado que favorece as importações. talvez pela primeira vez no país. porém. o total de desempregados contabilizados pela Pnad é de 1. Lamentavelmente. inicia uma relocalização na divisão internacional do trabalho. Aproveitando a conjuntura de crescimento econômico mundial. os contratos temporários. esse período começa com a abertura econômica de Collor. De mercado consumidor de produtos importados e destino prioritário de capitais especulativos (remunerados com escoarchantes taxas de juros). promove “cursos de qualificação” para uma reinserção do trabalhador no mercado. a posição ocupada pelo país permite um certo dinamismo interno. Em 1998. a crise econômica e a estagnação da indústria fazem surgir o desemprego. o Brasil também avança enquanto plataforma de exportação de produtos industriais 16 . ou melhor.619. Mesmo com essa conjuntura externa favorável. vão pressionar ainda mais o rebaixamento dos salários e direitos. Em 1989. baratos devido à superexploração dos trabalhadores daquele país. sob o governo FHC. favorecido pelo aumento do preço das commodities. Aliado a isso. No Brasil. uma desculpa para impor medidas como a jornada flexível através do banco de horas. sobretudo. com a primeira grande crise do capitalismo internacional após 1929. Mas nada. além do desemprego. O mecanismo da dívida externa se torna o principal instrumento de dominação imperialista e o governo brasileiro impõe uma política recessiva para pagar os credores internacionais. mas também a CUT) compra e reproduz essa tese e. ainda que limitado. como um problema social. o neoliberalismo e o desemprego em massa Após o período de crescimento acelerado. o governo FHC e. com juros altos. joga a responsabilidade pelas altas taxas de desemprego para o próprio desempregado. Aos poucos. alternando parcos momentos de baixo crescimento com anos de recessão. porém. como produtos agrícolas e minério. aplicam uma política neoliberal claramente recessiva. a terceirização.servadas na transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado. O desemprego avança de forma sem precedentes na história do país. A partir dos anos 90. Apesar disso. aumentam o trabalho precário e explode o índice de informalidade. o desemprego aparece já como um problema social e econômico na primeira crise depois de completado o processo de industrialização pesada. Só na indústria 1. o Brasil ocupou o papel de fornecedor desses produtos de baixo valor agregado. Nos anos seguintes.891. ainda mais perverso. com dinheiro público. comércio ou os serviços públicos. o governo vai impulsionando o setor agro-exportador. A concorrência internacional e a entrada dos produtos chineses. além de uma série de outras medidas que submetem cada vez mais o trabalho às diretivas do capital. os empregos. Com a estagnação da indústria. “Dado o aumento da população ativa absorvida no mercado forma ou informal e a não existência de um sistema de proteção ao desempregado. Os anos 1980. própria do período de industrialização” (Denis Gimenez “Ordem Liberal e a Questão Social no Brasil” – Cesit Unicamp). que se refletem no mercado de trabalho. o país vive ano de crise.

ao mesmo tempo em que recoloca o país na condição de fornecedora de matéria-prima. Na verdade. essa recuperação ficou longe de promover uma recuperação ao que foi o desastre dos anos 1990 no mercado de trabalho. O desemprego hoje Impulsionado pelo consumo do mercado interno. Desta forma. De acordo com matéria publicada pelo jornal Estado de S. um relativo crescimento do PIB. Mesmo assim. por exemplo. Isso porque o pleno emprego aqui “não significa que todo mundo que procura trabalho seja bem-sucedido. o que indica o aumento na exploração dos trabalhadores. A relativa redução da taxa de desemprego nos últimos meses foi um dos prin- 17 . “O desemprego é praticamente o mesmo da década passada. Isso significa que. a renda é inferior anos 90” (Denis). do mercado interno. Paulo de 20 de maio. Em 2007 fica em 8. Isso porque a atual taxa de desemprego do país já estaria pressionando os salários e os custos de produção. O nível de desemprego. No entanto. com o governo Lula concedendo pesados subsídios e isenções aos bancos e indústria.1% do PIB. Elementos como a flexibilização e alta rotatividade permanecem. o que não só interrompe o crescimento acelerado. porém. basicamente os anos de governo Lula é que a posição do país na economia internacional. o que bastou para declarações efusivas do governo. o Brasil é atingido pela crise econômica internacional em outubro. ainda que limitado. Não houve mobilidade social. É isso que possibilita. apesar da política econômica do governo. em março de 2002”. “esquecendo-se” que tal índice se refere à 2009. expõem de forma explícita o caráter dependente e frágil da economia brasileira. a indústria parava e o consumo estagnava. incentivado pelos subsídios. cresce de forma muito mais rápida que o emprego. também permitiu o desenvolvimento. como causa uma onda de demissões. constitui ainda um fator de pressão para que os salários continuem baixos. Isso que possibilita o relativo crescimento do PIB nos últimos anos. Além disso. “O crescimento das exportações ao estimular a produção fez ampliarem-se o emprego e a renda o que junto com o endividamento das famílias provocaram aumento do consumo e do investimento” (Carta Social – Mercado de Trabalho – Cesit) Entre 1999 e 2004. deve sempre existir uma taxa mínima de desemprego para que não haja pressão sobre os salários. o país cresceu 9% no primeiro trimestre de 2010. de 7. que fecha o ano com uma expansão de 6%. O governo Lula e a grande imprensa comemoram o que chamam de “maior período de crescimento desde o milagre brasileiro”. o Brasil já contaria com pleno emprego. O anúncio do crescimento do PIB veio acompanhado do resultado do desemprego no mês de abril. assim. trata-se de uma taxa de desemprego mínima a partir da qual começam a faltar trabalhadores em diversas funções. O fato é que o padrão de crescimento dos últimos anos pouco tem a ver com o observado nos anos 70. os empregos gerados foram em sua grande maioria aqueles com os mais baixos salários. o país estaria finalmente conseguindo superar as duas últimas décadas e caminhando rumo ao desenvolvimento econômico e ao pleno emprego. há de se reconhecer de fato que a economia passa por uma fase de crescimento.3% segundo o IBGE. A crise econômica e os seus efeitos no mercado de trabalho. permanece alto e não acompanha esse crescimento. e o desemprego pouco se alterou. o ritmo da produção. Para eles. as taxas de desemprego sofrem pouca variação. apresentam situações contraditórias. ainda que conjuntural. O ano fecha uma variação de 5. O país só iria começar a se recuperar dos efeitos da crise na metade de 2009. porém. Setores do mercado e do governo já prevêem crescimento de 6% a 7% este ano. “Analistas já veem o país no pleno emprego”. levando à alta de salários. e não “exuberante” como destacou Lula. O mercado de trabalho e o ritmo da economia.1%. O que se pode observar nesse período. Em 2008. há a geração de quase 7 milhões de empregos com carteira assinada. o que seria “a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica.à América Latina. para o mercado e os empresários. Seria mesmo assim? Não para alguns economistas e para setores do governo. porém. a enorme massa de desempregados. mas também a pressões de custos. quase o mesmo índice do ano anterior e só em 2008 tem uma pequena redução e fecha com 7. que atiçam a inflação”. A partir de 2007 observa-se a aceleração do crescimento do PIB. ou seja.9%. quando ocorria uma onda de demissões. Mesmo com esse crescimento. O grande contingente no exército industrial de reserva. o desenvolvimento do mercado interno e até mesmo uma limitada recuperação dos empregos na indústria. mesmo com a nova conjuntura.

realizada pelo Dieese e Fundação Seade. que pesquisa as regiões metropo. devem-se levar em conta os demos chegar a algumas conclusões. a observada no período gerados foram em questão teórica.3% início de 2008. aqueles com os mais disso. de uma impossibilidaem 1991 (de 13. que faz parte da População em Idade Ativa (PIA – entre 10 Podemos ainda rechaçar alguns mitos que se construí- 18 . a taxa de desemprego total o padrão de tiano Souza. o caráter “flexível” da Isso porque a PME capta o chamado “desemprego aber.” em abril seja menor que no mesmo houve mobilidade Observa-se então que o pleno emmês dos últimos anos.5% a 8. no ríodo de 2009. do seu início aos dias de hoje.5% calculado desemprego observada no mesmo penos anos 70. O pleno emprego no Brasil. Não pelo próprio Banco Central (BC).3%. uma política de Estado. para o indicador. desta forOutra pesquisa. ela é maior que. de garantir tranqüilidade aos empresáA enorme massa rios e impedir a alta dos salários e a O mercado de trabalho pouco de desempregados mudou ameaça dos lucros. em termos econômicos’.mão-de-obra no país foi uma constante em toda a sua existo”. de Superávit Primário. como existem taxas de inflação e meta mesmo com as recentes reduções. De acordo go. a PED registrou precisa usada hoje para pleno emprego 13. No A primeira. Fazendo uma rápida análise da siconstitui ainda um qual o desemprego real? tuação do mercado de trabalho no Brafator de pressão Quando analisamos o nível de desil.1%). Se no início do século XX isso se dava através da Emprego (PME) do IBGE. elevar a taxa de juros. que o desemprego é estrucontinuem baixos. crescimento dos “taxa neutra”. critérios utilizados para defini-lo.3% de desemprego. como deixa claro outro trecho da situação em que o trabalhador desistiu de procurar empremesma matéria: go) e o desemprego por situação precária (o indivíduo que “’Já caímos abaixo do pleno empresobrevive através de bicos). hoje o Banco Cenlitanas e utiliza critérios bastante limitados para definir a tral chega à sofisticação de estabelecer índices mínimos situação de desemprego. não estariam nos 3% que é comumente considerado (PED). bem no meio pequena redução de 1. antes nômica. não existe uma índice nacional tural e a força de trabalho excedente mensal que capte as variações do deé garantida por sucessivas políticas de semprego. Apenas uma pouco tem a ver . maior que pouco se alterou. Embora a taxa de 13. economista do Santander. que deve existir a fim 2008 (14. popara que os salários semprego. fechou o ano e o desemprego mínima de desemprego calculada pelo com uma taxa de 14.imigração em massa de mão-de-obra. Banco Central.cipais indicadores que fez soar o “perigo” do suposto su. por exemplo. Assim Fato é que o desemprego total. de desemprego. só é considerada desempregada aquela pessoa tência. mas em 8%. O que é mais divulgado é a Pesquisa Mensal de Estado. Na verdade. quase o dobro A estimativa da instituição é de que a do índice da PME. Da mesma forma. existe a taxa continua alto.2%.a definição mais Paulo. ou seja. partindo também das regiões metropolitamínima que expressa a movimentação natural da força de nas.e 65 anos) e que tenha procurado serviço na semana em peraquecimento da economia. o que levou o Banco Central que houve a pesquisa. O desemprego é. em abril foi de 13.1%). social. já usa oupleno emprego nos países centrais (a taxa de desemprego tros critérios e. os empregos prego no Brasil não é apenas uma por exemplo. a Pesquisa de Emprego e Desemprego ma. Brasil. ou “taxa não inflacionáNa região metropolitana de São últimos anos ria” de desemprego . conjuntura em de do fim do desemprego nos marcos que o país passava por uma crise ecosua grande maioria do capitalismo. baixos salários.seja de 8%. tenta captar o chamado desemprego por desalento (a trabalho).3% na taxa de com o observado do intervalo de 7. Em 2009. diz Criscom a PED.

Ou seja. Abaixo da linha de miséria estabelecida pelo governo. é extremamente limitado. tanto em anos de recessão quanto de crescimento. ou R$ 380 bilhões. Não é à toa que. ainda mais nesses últimos vinte anos. Uma vez eleito. e explorou a fundo essa questão. Na prática. apesar de toda a propaganda oficial. sendo o principal deles o Bolsa Escola. Focalizada. O mercado de trabalho sempre foi flexível. O mercado de trabalho que temos hoje apresenta um alto índice de desemprego. O Bolsa Família garante uma pequena ajuda às famílias em situação de pobreza ou miséria e segue à risca àquilo que o Banco Mundial defende aos países subdesenvolvidos. na verdade. Lula investiu nos programas sociais tais como o Primeiro Emprego (voltado à juventude) e o Fome Zero. Eles consideram a criação de postos de trabalho uma mera conseqüência natural do crescimento econômico. e impôs a reforma da Previdência no setor público. O Estado. O Bolsa Família é a solução para o desemprego? Lula foi eleito em meio a uma enorme expectativa de mudanças profundas na condição de vida dos trabalhadores. Essa ideia. A realidade é que é muito fácil demitir. na região Norte a renda per capta mensal é de apenas R$ 66 e no Nordeste de só R$ 65. E talvez ainda mais perversa. A verdade é que. o va- 19 . O PT tinha plena consciência de que o desemprego era o principal problema social enfrentado pelos brasileiros. que afirmam que o desemprego é fruto de um rígido regramento do sistema de relações de trabalho no país e dos altos custos de contratação. logo no primeiro ano de mandato. assim como os custos de contratação e demissão estão longe de ser impeditivos para o emprego. tal como saúde ou educação.ram e que ainda persistem hoje em relação ao desemprego. de acordo com a lógica do Banco Mundial. em 20002. a chamada “política social focalizada”. o desemprego foi estrutural e as desigualdades só aumentaram. a CUT e a Fiesp na reivindicação de que o governo cortasse imposto e subsidiasse a produção. porém. mas que acabou abandonado logo depois. Só para lembrar. que seria a vitrine do novo governo. o crescimento seria bom tanto para os empresários quanto para os trabalhadores. apesar de o número de pessoas beneficiadas ser alto. que afirma que o crescimento econômico seria a condição primeira para a redução do desemprego. Lula aplicou uma política neo- liberal ainda mais rigorosa que FHC. é exatamente o contrário. Fosse assim não haveria a alta taxa de rotatividade que existe hoje. porém. atingindo um total de 44 milhões de pessoas. No Brasil. com uma estrutura mínima. pois. durante a campanha que daria a sua primeira vitória à presidência.75% para 4. Ou seja. por exemplo. O equivalente a apenas 3% do total pago pelo governo no ano passado em juros e amortização da dívida pública. uma junção de uma série de programas sociais do governo FHC. Isso porque o Bolsa Família. contando ainda com um avanço do trabalho precarizado que se apresenta de diversas formas. Outra tese que não resiste aos fatos é a ideia apregoada pelos desenvolvimentistas. O Norte e Nordeste concentram 60% dos mais de 12 milhões de famílias beneficiadas pelo programa. de R$ 70 mensais. existirão inevitavelmente famílias miseráveis precisando da ajuda do Estado. é tão falsa quanto o mais radical neoliberalismo. o Estado não deve garantir serviços básicos a toda à população. numa economia de mercado. através do Ministério do Desenvolvimento Social. unindo. esse setor ganhou força no país. A fim de garantir um mínimo aspecto de “governo popular”. teria obrigação somente de garantir assistência àquelas famílias miseráveis. Lula aumentou a meta de Superávit (de 3. Os neoliberais.25%). como nas terceirizações e nos trabalhos temporários. que o Bolsa Família não consegue nem mesmo tirar as famílias beneficiadas da situação de miséria. uma das principais promessas era justamente a criação de “10 milhões de empregos”. tem como único objetivo ser uma espécie de “colchão” a possíveis revoltas de famintos e miseráveis. tendo como pressuposto de que. aponta. sem condições de sobreviverem por si próprias. um programa que constituía. O governo apostou então todas as fichas no Bolsa Família. porém. com a crise econômica. assim como de supostas dificuldades de demissão. Repassa apenas R$ 12 bilhões (dados de 2009) a 12 milhões de famílias. A política social seria então voltada a esses focos de miséria. pois tende a esconder a luta de classes e enganar os trabalhadores. Essa política substitui a noção de serviços públicos universais pela de assistência aos miseráveis. Apesar disso. São características estruturais que os últimos anos de crescimento não alteraram. Recentemente. assim como de informalidade (que supera os 50% do total de ocupados). Estudo recente apresentado pelo próprio governo.

trabalha-se mais do que a própria legislação permite. os trabalhadores do comércio trabalham em média 46 horas. ou “heróis” segundo a própria definição do presidente. A situação dos milhões de famílias que não tem sequer o que comer só vai mudar quando houver emprego e salário digno para todos. como na Alemanha nazista ou na Europa do pós-guerra. deve ser garantido por um governo e um Estado dos trabalhadores. já que um operário hoje pode produzir muito mais em menos tempo. Por outro lado. Ocorre que. como tal. a Constituição de 1988 estabelece a jornada máxima de 44 horas semanais. sem redução dos salários ou direitos. Grande parte dos trabalhadores. além disso. plano de obras públicas O emprego é um direito e. de grande fornecedora de produtos agropecuários para o mercado internacional. segundo o IBGE. adotando medidas que estabeleçam uma transição para uma economia planificada. inchou os grandes centros urbanos e relegou milhões de pessoas à miséria. cumpre uma jornada maior que a permitida pela legislação. o avanço da técnica. a produtividade da indústria aumentou 84%. 50. Atualmente. em boa parte das grandes empresas. No Brasil. em Recife. Marcio Pochmann.4 milhões de pessoas. já se trabalha 40 horas semanais ou algo próximo a isso. Hoje. sob o comando dos trabalhadores. Tal aumento poderia ter significado redução da jornada.5 milhões de novos empregos. não faz sentido hoje uma jornada de trabalho maior que 12 horas semanais. o grande latifúndio serve às multinacionais que produzem para exportação. redução da Jornada de Trabalho Um programa socialista para o emprego O pleno emprego só existiu em momentos bastante específicos na história do capitalismo. Na região de São Paulo. com salários baixos e péssimas condições de trabalho. a maior parte é produzida pelas pequenas e médias propriedades. A expulsão das famílias do campo para as cidades criou as favelas. é de 47 horas (em 2008). a jornada média semanal dos trabalhadores da indústria na região de Recife. como elegeu os grandes produtores como um de seus principais parceiros. a redução para 40 horas semanais poderia significar 2. aponta Desde o início da industrialização e do movimento operário. Apesar disso. Segundo o IBGE. mas rendeu apenas maiores lucros aos empresários. A produtividade não tem comparação. no entanto. ao mesmo tempo em que ajuda a produzir mais. o desemprego crônico foi se tornando o maior problema social que aflige os trabalhadores de todo o planeta. porém. todo avanço tecnológico que vem no sentido de aumentar a produtividade é utilizado em benefício do incremento do lucro do capitalista. assim como boa parte da esquerda hoje. Um programa social emergencial destinado às famílias miseráveis. defendemos a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais.lor (R$ 140 por família em média) é muito baixo e incapaz de tirar as pessoas da pobreza. Em pleno século XXI. Segundo o Dieese. Como parte de um plano emergencial para a erradicação do desempre- 20 . Desde os anos 70 e a crise do petróleo. Segundo o Dieese. O governo Lula não só não faz a reforma Agrária. Num país semi-colonial como o Brasil esse problema é ainda maior. Essa política de pleno emprego. uma das principais lutas foi pela redução da jornada de trabalho. no capitalismo. Por isso. mas nem para isso o Bolsa Família serve. Desta forma. o agro-negócio emprega 2. Para se enfrentar o problema. Segundo o próprio presidente do IPEA. e não em favor do trabalhador. Estudo de Frei Sério Görgen. é necessário. Entre 1988 e 2008. se incrementa a produção nos momentos de aquecimento com horas extras ou banco de horas. 76% das terras agricultáveis do país estão nas mãos do agro-negócio. vítimas do neoliberalismo. o governo Lula abdicou. por exemplo. No entanto. deve-se necessariamente romper com o capitalismo. como: reforma agrária A ausência de reforma Agrária e a manutenção de um dos maiores índices de concentração fundiária no planeta constituem uma das razões históricas para os altos índices de desemprego no Brasil. apenas 30% dos alimentos consumidos pelos brasileiros vêm dos grandes latifúndios. no entanto. é hoje uma das principais causas do desemprego. as condições de produção e tecnologia são bem diferentes daquelas do século XIX. que uma profunda reforma Agrária teria a possibilidade de criar 21 milhões de novos empregos no campo (empregando 15 pessoas a cada 100 hectares). É um dos pilares para a condição do país enquanto semi-colônia. Geralmente. da Via Campesina.

no início de 2009. A razão é simples. estatização das grandes empresas A crise econômica internacional que se abateu sobre o Brasil no final de 2008 gerou uma onda de demissões e de redução nos salários. Seria possível então absorver todo o contingente de aproximadamente 3 milhões de desempregados das regiões metropolitanas ao custo de R$ 8. que pudesse. 21 .200 demissões da Embraer e as 1. ao mesmo tempo.157. Assim. O recuo nas projeções de vendas das empresas fez com que elas atacassem os empregos e os direitos e salários dos trabalhadores a fim de manterem sua margem de lucro. Um programa dos trabalhadores para o emprego deve apontar no sentido da reestatização das empresas privatizadas. absorver o contingente de desempregados e solucionar os grandes problemas de infra-estrutura do país. totalizando R$ 97. Quanto custaria esses empregos? Vamos ter como base o salário mínimo vital calculado pelo Dieese. invertendo a lógica atual e colocando como prioridade não o lucro. Somando os encargos. são. propomos um plano de obras públicas. Tal valor representa 25%. mas o bem-estar da grande maioria da população. acima da média atual de grande parte do funcionalismo público. ou um quarto do total pago pelo governo em juros e amortização da dívida pública o ano passado. provendo empregos com salários razoáveis.1 bilhões ao mês. paradigmáticas. As 4. estimado em R$ 2. nesse aspecto. Ambas as empresas são ex-estatais funcionando hoje sob a lógica do lucro. para manterem um bom lucro aos acionistas.3 mil demissões da Vale. em grande parte estrangeiros. na ordem de 25% do salário.go. não hesitam em mandar embora milhares de trabalhadores.00 em maio de 2010. chegaríamos ao custo aproximado de R$ 2.700 por trabalhador.2 bilhões ao ano. assim como a estatização das grandes empresas. como o déficit habitacional de 7 milhões de residências.

380 reais em janeiro de 1985.8%. Ou seja. não se ouviu nenhum deles indignado com o crescimento dos lucros das grandes empresas que aumentaram. enquanto houve essa pequena elevação do mínimo. O DIEESE calcula esse valor todos os meses e nesse momento esse salário deveria ser de 2. há uma diminuição dos rendimentos acontecendo com os outros trabalhadores. só no primeiro governo Lula. No governo Lula. Mas.uma pequena elevação do salário mínimo. Se o salário médio está estagnado durante o governo Lula. ou seja. desde que fossem reduzidos os lucros das grandes empresas. um número ainda muito grande. Em primeiro lugar. os defensores do governo vão dizer que não é possível pagar isso. ou seja.157 reais eDUArDo AlmeiDA. No início do governo Lula. apesar de governar para a grande burguesia. A isso se associa a maior enganação da história da república brasileira: Lula é identificado pelas massas trabalhadoras como um aliado. vestuário. No entanto.233 reais) e em dezembro de 2009 seguia praticamente na mesma (1. moradia. no entanto. o Bolsa Família e o crédito consignado. O salário médio dos trabalhadores privados de São Paulo (o estado mais rico do país) correspondia a 2. que chamamos de frente popular. em janeiro 2003. Mas é preciso avaliar melhor esses números. porque arrebentaria a economia. 394. A comparação que se impõe não é com o mínimo durante o governo FHC. Seria sim possível ter um salário mínimo do DIEESE. Reajustou pela metade em dois governos. Os patrões e o governo dizem que nossos salários não podem ser aumentados. da direção nacional do PSTU Uma parte importante do prestígio do governo Lula vem de certa sensação de alívio presente na sociedade hoje. já tinha sido reduzido à quase metade (1. o salário necessário para assegurar condições mínimas de alimentação. é porque os salários dos trabalhadores mais qualificados foram reduzidos. Isso possibilitou a ampliação do consumo de setores mais pauperizados e essa sensação de alívio. saúde para os trabalhadores e sua família. aumentaram quase exatamente quatro vezes. isso significou uma combinação entre um desemprego menor .261 reais). quatro vezes superior ao atual. e sim com o mínimo definido na constituição do país.ao redor de 13%.Aumentar os salários já! Se o salário mínimo definido pela constituição fosse cumprido hoje ele seria de 2. Esse é um dos maiores motivos de apoio ao seu governo. Isso é somente para manter os altos lucros das grandes empresas. Lula tinha prometido dobrar o salário mínimo em seu primeiro governo. É isso o que está ocorrendo com a demissão de operários antigos para contratação de outros precarizados 22 .157 reais. Essa é a função desse tipo de governo. Por outro lado. O salário mínimo aumentou 53% no governo Lula. O crescimento econômico permite uma base material de comparação com a crise econômica do final do governo FHC. menor que no governo FHC .

a redução de salários dos petroleiros. e por isso ganhou R$ 1. em direção ao salário mínimo definido pelo DIEESE .144. 23 . etc. E duplicar já o salário mínimo. Nós propomos o aumento imediato de todos os salários.quatro vezes maior do que é hoje. bancários do Banco do Brasil.com salários menores. a GM gasta apenas 8% de seu faturamento com salários.027.39 por cada trabalhador no ano de 2009. Segundo um estudo de Nazareno Godeiro.

A partir destas preocupações propomos algumas questões para reflexão: “De quem é a responsabilidade pela saúde da população?”. luvas. mofo.9%) e violência (14%) CoorDeNAção NACioNAl De SAúDe Do PSTU A saúde representa um peso no orçamento familiar. tais como. terceirização de serviços e da força de trabalho. Em boa parte dos serviços privados a qualidade também é péssima.Um programa dos trabalhadores para a saúde o tema saúde será um eixo central na campanha eleitoral de 2010.75 %) e transporte (18. educação da população e eliminação do inseto transmissor. Para. por mortes evitáveis. situação financeira (15.44%). além disso. com economia de materiais.2% da população entrevistada a saúde é o maior problema enfrentado no dia-a-dia. consultas relâmpago e conseqüentemente. de dengue no verão e gripe suína no inverno. a realidade das unidade de saúde pública incluem: filas sem garantia de atendimento. faltam desde recursos como remédios aos mais simples. infiltrações. após habitação (35. pois devido ao sucateamento intencional da saúde publica estatal. Situação previsível se considerarmos que o ciclo natural da dengue apresenta um aumento no número de casos. péssimas condições de infraestrutura (como camas quebradas e/ou enferrujadas. “Por que diante de tantos avanços científicos e tecnológicos as pessoas ain- 24 . comprometendo 6. No caso da gripe A (gripe suína). “Quanto se deve gastar com saúde?”. seguido pelo desemprego (22. lençóis. e com isso. privatização.8%). subfinanciamento. desmonte dos hospitais universitários. o tema é a uma das maiores preocupações da classe trabalhadora brasileira. as famílias são obrigadas a recorrer a serviços privados. alimentação (20.49% do orçamento familiar. consultas e exames que demoram meses para serem marcada (obrigando as pessoas a recorrerem aos serviços privados). vale recordar que em 2009 o Brasil foi um dos recordistas mundiais em mortes pela gripe A. em 2010 vivemos na baixada santista e em Ribeirão Preto. entre outros). uma nova epidemia de dengue com mais de 20 mil casos em cada um dos municípios. Por exemplo. a cada três anos. diagnósticos e tratamentos errados. seria necessário medidas de prevenção e controle. Contudo apesar de sua importância o cenário da saúde pública brasileira é de descaso e caos. Para 24. exemplificado pelas epidemias. como gaze. em geral. com mais de mil e seiscentos e trinta mortos em 2009. material de escritório. “De onde deve vir este dinheiro?”. “A quem interessa o sucateamento do sistema público estatal?”. goteiras.50%).

No Brasil. Hoje alguns dos nomes da reforma sanitária brasileira. recém nascidos com baixo peso e expectativa de vida ao nascer. como a universalidade. A conquista do SUS estava alinhada a um processo de lutas e de mobilizações mais amplas pelo qual passava a sociedade brasileira. estão dentro do governo semeando ilusões com táticas como gestões participativas. moradores das comunidades pobres. que deve tratar dos indivíduos e a coletividade. Basta comparar com os Estados Unidos. 198 e 200). O SUS apresenta. A organização de sistemas nacionais de saúde é uma preocupação mundial. e. não existe nada 25 . tais como mortalidade infantil. pois por um lado o SUS público e gratuito é capaz de garantir programas que são verdadeiros patrimônios. tais como: Programa da AIDS. inúmeras contradições. e seus princípios incluem: Universalidade: todos têm direito a acessar o SUS. O SUS foi uma conquista da classe trabalhadora de nosso país. envolvendo em torno de 7. principalmente negros. É um número significativo e mostra o peso relativo que o setor tem hoje dentro da classe trabalhadora brasileira e na economia. que é uma referência mundial. atualmente o Sistema Único de Saúde (SUS) emprega 1. mas também o ramo produtivo e de distribuição (indústria farmacêutica e de vendas de remédios). temos o Sistema Único de Saúde (SUS). e com isso cresce o impacto das doenças observadas em países centrais do capitalismo (cardiovasculares. Contudo a viabilidade prática desses princípios tem limites importantes na operacionalização do SUS e 20 anos depois o que se vê é um constante processo de retrocesso da proposta original. entre outras). Processo este expresso pelos princípios do SUS no texto constitucional e na lei 8080/90. a população está envelhecendo. que cooptou muitos movimentos e ativistas que até então reivindicavam o direito à saúde. Princípios que são conquistas democráticas. Outro grande problema na consolidação do SUS foram os sucessivos ataques dos governos neoliberais e atualmente da frente popular. “A burguesia e a classe trabalhadora adoecem das mesmas doenças e da mesma forma?”. com um contingente proporcional de trabalhadores empregados. fruto de grandes lutas populares desde o final dos anos 70 e dos anos 80 do século XX. Neste percentual estamos incluindo não apenas o setor de serviços público e privado. Assim como seguem formulando políticas como as Fundações Estatais de Direito Privado. Descentralização: as políticas de saúde precisam ser mais democráticas construídas a partir da realidade dos locais. mortalidade neonatal. O sistema de saúde brasileiro desde a década de 80 até os dias atuais passou por um processo de reorganização inédito na história das políticas sociais no Brasil.9% do PIB. prova disso. criado na Constituição de 1988 (artigos 196. mais um duro golpe no direito à saúde. é que milhares de portarias foram editadas pelo Ministério da Saúde e leis aprovadas pelo Congresso Nacional que alteram substancialmente o texto constitucional e a lei orgânica do SUS (8080/90). milhões de americanos continuarão sem garantia de acesso aos serviços de saúde. tratamento totalmente gratuito para qualquer pessoa. o setor saúde tem um peso importante na economia do país. cânceres. que até hoje não garante a universalidade. O SUS foi idealizado como um sistema de saúde nacional e público. conselhos e conferências de saúde. “Qual a relação entre as modificações ambientais e a saúde ? “A saúde na prática é um direito universal de todos os brasileiros?”. ou seja.966.da adoecem e morrem de doenças de séculos passados?”. Breve balanço sobre o SUS No Brasil vivemos um momento de transição epidemiológica. articuladas ao movimento da reforma sanitária brasileira. Além de ser uma necessidade sentida pela classe trabalhadora e um direito conquistado. “Quem dita os investimentos em pesquisa e tecnologia: o perfil epidemiológico da população (causas que fazem as pessoas adoecer e morrer) ou a demanda do mercado? “Qual a relação de determinadas doenças com o tipo e o ambiente de trabalho e de moradia?”. que combatia a ditadura militar e exigia a redemocratização. Participação Popular: a sociedade deve atuar ativamente na formulação e execução das políticas de saúde.715 trabalhadores (incluindo a rede privada conveniada ao SUS). portanto. 197. Segundo dados do IPEA. altos índices de tuberculose e hanseníase. Um momento histórico de ascenso da luta de classes no país. Outro grave problema de saúde pública é a violência urbana que tem interrompido vidas de jovens pobres. Integralidade: o cuidado à saúde é composto por ações preventivas e curativas. Mesmo com a aprovação da reforma de saúde de Obama. país imperialista mais importante do mundo. Contudo os indicadores de saúde apontam que ainda não se deu respostas para problemas de saúde que aqueles países resolveram há 50 anos.

foram uma constante ao longo da história do país. e por vezes. o setor privado permanece majoritário. e com isso o setor privado tornou-se concorrente do setor público. Programa de transplantes de órgãos que é um dos maiores do mundo. Distribuição gratuita de medicações de alto custo. além de se alimentarem da venda de leitos e procedimentos para o setor público. e com isso o funcionalismo público é substituído pelos trabalhadores terceirizados. representa um grande negócio. é essencialmente privado. por outro. Organizações Sociais (OS). não é capaz de responder às necessidades mais sentidas de saúde pela população no geral. Porém o mesmo SUS. Só quando a pessoa fica efetivamente doente descobre que o convênio não cobre uma série de situações. cor dos uniformes e uso de alas diferentes nos restaurantes. Os “empresários da saúde”. Ou seja. A conquista que é o SUS tem sido destruída dia a dia. justamente numa das fases da vida que mais se precisa de acesso a serviços de saúde. sabotaram o direito universal à saúde para os brasileiros. Parte dos planos de saúde oferece serviços com boa aparência física. em que pesem o crescimento da rede pública e a queda em número dos leitos hospitalares privados desde 1984.2%. surgem os “modernos” gestores da administração pública: ONG´s. Programa de imunizações (vacinação). que por um lado. as Fundações Estatais de Direito Privado (FEDP) . Se por um lado o SUS demandou a ampliação da presença do Estado na saúde. 199 a autorização para a existência de um sistema suplementar de natureza privada. fortalecendo assim medidas corporativas em oposição à identidade de classe. principalmente na média e alta complexidade. como por exemplo. o SSA (Serviço Social Autônomo) e que 26 . 68% eram privados e tinham seu serviço comprado pelo SUS. Com isso. que inclusive pode ser complementar ao sistema público de saúde. que com freqüência não são resolvidos nas unidades básicas de saúde ou pelas equipes de saúde da família. Medidas que ao criarem diferenciações confundem e dificultam a convivência social e a criação de identidade de classe entre os trabalhadores. e aí voltam para o SUS.as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPS). A implementação do SUS começou a se efetivar durante o governo de Collor de Mello. contratados por prestadores privados. a iniciativa privada ficou livre para atuar em serviços já cobertos pelo sistema público. Conforme a pessoa fica mais velha é que ela percebe que o preço de seu plano de saúde privado é maior do que sua aposentadoria. negaram os investimentos e destinação de verbas necessárias e com isso. o que nos prova que existe um corte de classe na saúde que determina onde são investidos recursos e tecnologias. também garante o espaço de atuação da iniciativa privada. ao permitir esse vender livremente seus serviços ao mercado. Outra forma de privatização do SUS acontece na contratação da força de trabalho. não estatizou e nem coibiu a atuação do sistema privado. destacamos dois graves ataques ao SUS: a privatização e o financiamento. também vendem insumos e tecnologia e assim influenciam fortemente na realização de pesquisas e dos programas de saúde implementados pelo Ministério da Saúde. privatização A promíscua relação entre o público e o privado no setor saúde brasileiro é histórica. o SUS herda a privatização. Os concursos públicos são cada vez mais raros. com baixo investimento na prevenção e na educação em saúde. pelos sucessivos governos (Collor. A hegemonia privada na oferta de serviços médicohospitalares e a ênfase nas atividades de assistência. salário. Em 2005. Itamar Franco. FHC e Lula) que permitiram a abertura do SUS ao setor privado. Diante disso. nem os filantrópicos e não governamentais. do total de leitos existentes no país. ou seja. o que levam muitos a não terem condições de pagar. na marcação de consultas e exames mais especializados. inferiores. A privatização no setor saúde também se expressa pelas terceirizações que submetem esses trabalhadores a remuneração e condições de trabalho de trabalho diferenciadas. A lei no. o processo produtivo da saúde num contexto mais amplo no Brasil. É justamente explorando esta possibilidade que os planos de saúde privados florescem. Com isso. que teve como umas das marcas a abertura do país às políticas neoliberais. ao ganhar status de complementar (completa o acesso a serviços não prestados pelo SUS) por outro. recepcionistas bem vestidas e alguma facilidade para marcar consultas especializadas ou exames laboratoriais. A saúde. 8080/90 fortaleceu o setor privado. foi incluído na organização do SUS. do ponto de vista capitalista. no caso de serviços de apoio diagnóstico e terapia esse percentual é de 63. Contudo já era expressa na Constituição de 1988 no artigo de no. Formouse um sistema que por um lado aponta a necessidade da presença do Estado e por outro.igual em vários países ditos de primeiro mundo. No Brasil. Fatos que demonstram que o que é publico e estatal pode ser de boa qualidade.

etc. Os 4. O que demonstra que o governo de frente popular está a 27 . onde as FEDP do governo Lula são uma versão “juridicamente aprimorada”.7%. Nos anos em que a economia está em recessão fica ainda pior. que “libera” 20% da arrecadação de impostos e contribuições para livre investimento. Isso dificulta as contratações para expansão dos serviços.9%). estados 12% do orçamento estadual e municipios 15% do orçamento municipal. pois a arrecadação cai e o peso relativo dos salários no orçamento sobe.5 e 1. O Brasil gasta aproximadamente 7. pagamento direto) inclusive a população mais pobre. sendo 3. guiada não por valores sociais. através da DRU (Desvinculação de Recursos da União). contudo. imviabiliza reajustes salariais. Esses entes diferem entre si no que se refere a “normas do interesse público” principalmente no âmbito da prestação de contas. A maioria (61. segue engavetada a regulamentação efetiva da Emenda Constitucional 29. Não usuários são apenas 8. consultas particulares.4% do PIB restantes englobam os gastos com saúde privada (convênios. É fundamental destacar que o governo gasta muito mais com o pagamento dos juros das dívidas externa e interna do que com saúde. A Emenda Constitucional 29 já vale para estados e municípios. em São Paulo. que recorre a clinicas e planos “populares” de qualidade questionável. como as terceirizações. pois o salário dos terceirizados não contam neste teto . podemos afirmar que o Estado brasileiro de conjunto está gastando pouco mais da metade do mínimo preconizado pela Organização Mundial de Saúde. Contudo. e no cumprimento de licitações e contratos administrativos. Outros estados contabilizam ainda gastos em obras de infra-estrutura. E os que “dizem cumprir” como no caso do tucano Serra. Financiamento Outra forma de destruição progressiva do SUS é através da deficiência de verbas para o setor.em comum. que é 6% do PIB em saúde pública para países com saúde universalizada. alimentação de presidiários. governos estaduais 0. etc. tem a transferência de funções da administração pública estatal para o setor privado. medicação. as administrações apelam para mecanismos privatizantes. ao por fim a estabilidade e levar para dentro do setor a lógica empresarial. entre outras preciosidades. Outro ataque feito ao financiamento público da saúde foi a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Embora mais de 90% da população seja usuária do SUS. Esta lei limitou o teto de gastos com salários do funcionalismo público a porcentagens do orçamento (varia para federal/estadual/ municipal). votada em 2000.). ao sucateamento da saúde pública e ao fortalecimento do setor privado. fardas para guardas. Se o admnistrador ultrapassar este teto tem de responder judicialmente. apenas 28. Vale lembrar que os artigos na lei 8080/90 que propunham um mecanismo de financiamento foram todos vetados. OSCIPS entre outras. e o aumento da exploração da classe trabalhadora brasileira. Enquanto isso. planos de carreira. e meses depois o Governo Lula tentou ressuscitar a CPMF com o nome de “Contribuição Social para a Saúde (CSS)”. em 2007 o governo Lula pagou 160 bilhões de reais em juros da dívida. mesmo regulamentada no âmbito dos estados boa parte desses não cumprem a EC 29 (figura a seguir). podendo ser até preso.. Sendo as OS a modalidade de gestão da Estratégia de Saúde da Família em municípios como o Rio de Janeiro e São Paulo.5%) utiliza o SUS e outros serviços (plano de saúde. porém não foi regulamentada a nível federal. Para simplificar. pois transferem responsabilidades do Estado à iniciativa privada. incluem na conta da saúde gastos como o programa de distribuição de leite para crianças como programa de saúde. Para tentar “tapar esse buraco” durante o governo FHC em 1997 foi criada a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).. contudo parte desse recurso foi desviado para o pagamento de divida interna e externa. valor três vezes maior do que todo o orçamento do Ministério da saúde! Desde 1995 com FHC e seu governo reconhecidamente neoliberal até 2008 com Lula e seu governo dito “democrático e popular” a porcentagem do PIB gasta pelo Ministério da Saúde flutua entre 1.7%.7% do PIB. embora tenham o termo “estatal” para confundir a consciência dos trabalhadores e da população são tão privatizantes quanto as O.S. mas o conjunto dos serviços públicos. Para se ter uma idéia.6% utilizam exclusivamente o sistema público o que é pouco para um sistema de acesso universal. Vale dizer que esta lei ataca não só a saúde. mas de mercado.. Para “escapar” da LRF. que fixa percentuais minimos de recursos por parte dos 3 entes federativos: união 10% da receita corrente bruta.9% e municípios 0.. A não definição de uma fonte e percentual de financiamento para saúde das três esferas de governo leva ao subfinanciamento.9% do PIB com saúde. Com o fim da CPMF em dezembro de 2007 a saúde perdeu uma fonte importante de financiamento.5% do PIB com gasto público (Ministério da Saúde 1.

ou seja. No Brasil. os sindicatos e centrais sindicais governistas assinaram acordos rebaixados de ajuste salarial. o setor público também sofreu com essas transformações e sofre no cotidiano com problemas concretos. com 2. melhorando a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira (melhora da saúde. um ex.trabalhador vitima de acidente de trabalho. não editou nenhuma medida de proteção e estabilidade dos empregos e assistiu o aumento da exploração. pois através dela são fornecidos dados relativos ao número e distribuição dos acidentes. previdência. Por outro lado.764) e Rússia (3.503 óbitos. que demitiu 4270 trabalhadores. destacaremos elementos necessários para um programa socialista e revolucionário para a saúde.serviço do grande capital. O governo Lula logo se apressou para emprestar dinheiro às grandes empresas e promover medidas de estimulo ao consumo como a redução de impostos para que essas se salvassem da falência.924). que mesmo sendo Lula. Essa situação ainda foi agravada pelo desmonte neoliberal do Estado que promoveu o sucateamento de serviços públicos relacionados ao Ministério do Trabalho. o trabalhador tem tempo pré-determinado para se recuperar e retomar ao trabalho. o que dificulta o estabelecimento do nexo causal. Todas essas transformações afetaram inclusive na organização política da classe de conjunto. a SaÚDe DO TraBalHaDOr Coordenação nacional de Saúde do pSTU As doenças e acidentes de trabalho que atingem a classe trabalhadora são provocadas pela super-exploração característica do modo de produção capitalista. a alta programada. com intensificação do ritmo e da jornada de trabalho promovidos pela burguesia para garantir seus lucros e compensar as demissões. Vale destacar ainda os ataques à previdência social promovido pelo governo FHC no que diz respeito à legislação trabalhista. por medo de perder o emprego. sejam colocadas como necessidades secundárias. Embora existam especificidades. as características das ocorrências e das vítimas. A notificação dos acidentes do trabalho é uma exigência legal. como as Delegacias Regionais do Trabalho e o INSS. como por exemplo. que tem como causas desde a desinformação em relação aos riscos e aos aspectos epidemiológicos e jurídicos que envolvem este tipo de acidente até a submissão dos trabalhadores às condições de trabalho impostas pelo empregador. Estes bilhões poderiam ter sido canalizados para a área social. péssimas condições de infraestrutura.090). que transforma o direito a saúde em mercadoria acessível aos poucos que podem pagar. perdendo apenas para a China (14. saneamento básico. o que trouxe conseqüências a saúde do trabalhador. Por exemplo. Vale ressaltar. Segundo a OIT em 2007 o Brasil ocupou o nada honroso quarto lugar em relação ao número de mortes provocadas por acidentes no local de trabalho. existe a subnotificação destes acidentes. assim como. que associado a políticas de redução de custos fazem com que a saúde e a segurança no trabalho. os avanços das terceirizações e a desregulamentação de direitos trabalhistas. Desde que começaram as estatísticas em 1970 até 2005. Vale ressaltar que a recente reestruturação produtiva impactou de maneira importante a saúde do trabalhador. Acrescido a isso.046 trabalhadores. os acidentes de trabalho mataram 139. com o desmonte do INSS não existe mais pessoal disponível para fazer a pericia no local de trabalho. seu governo manteve e aprofundou as alterações promovidas por FHC. os programas de qualidade. o aumento dos ritmos de produção. Com a crise capitalista iniciada no segundo semestre de 2008. precarização das relações de trabalho. Para obter lucro a burguesia imprime um ritmo produtivo alucinante. os índices de exploração atingiram limites muito superiores. boicotavam greves e mantiveram as CIPAS articuladas aos interesses da patronal. No entanto. segurança pública) e gerando empregos através de um plano de obras públicas que corrigisse as enormes deficiências que temos nestes setores. falta de material básico para trabalho. assédio moral das chefias e a pressão de ter que responder a de- 28 . pois os desprotegeu ainda mais ao introduzir as novas formas de gestão. as metas de produção. Estados Unidos (5. como: terceirizações. acidentes e doenças de trabalho representam uma epidemia e um grave problema de saúde pública. Esse fato também pode ser constatado pelos bilhões emprestados aos grandes capitalistas no auge da crise econômica (2008/2009) para evitar uma falência generalizada. O caso emblemático foi o da Embraer. principalmente no setor privado. Na parte II do texto abordaremos a temática de saúde do trabalhador.

que é muito maior que na popuo setor público. serem as pride elementos tem levado inúmeros trabalhadores a adoe. Segundo dados do Ministério da Previdência Social no moral pode causar ou contribuir para o desencadeamento Brasil os casos de LER/DORT cresceram 512% em 2007. Por exemplo. Em segundo lugar com saúde. hoje as doenças de ordem psíquica tem aumen. trabalhadores com mais postos de trabalho. um índice altíssimo.As mulheres são vitimas freqüentes de assédio moral. O assédio moral não afeta as vítimas apenas na sua auto-estima profissional.meiras a ser demitidas. trabalhadores que sofrem perseguição política e os acometidos de doença ou que sejam vitimas de acidente de melhora na qualidade de vida dos trabalhadores.mento. combater o desemprego e aumentar de coerção devido a estabilidade. Especialmente entre os las horas extras que são de difícil ou trabalhadores da Funasa. também vendem nenhum controle. e assim influenciam trabalhadores não só aumentem suas Uma conduta abusiva. existe tecnologia para isso. inseguras e constrane por vezes. Muitas trabalhadoras ainda sofrem PREV. além de se ameaçar e coagir a vítima para obter 30% estão os problemas de depressão alimentarem da favores sexuais. as mulheres deparam-se com exigências Trabalho) conhecidos como LER (Lesão por Esforço Repe. no assédio moral de vista capitalista.relativas a aparência física e a realização de exames desnetitivo) são as principais problemas relacionados ao traba. ameaçando seu pesquisas e dos e política de banco de horas. freqüentemente: servidores públicos como um instrumento condições de saúde. inclusive para saber se estão grávidas. com de qualidade total. No setor privado acidentes seja fruto do acaso. nos programas A saúde.cessários. com a demissão dos traba. O assédio moral é uma marca ção das leis do trabalho. pois as vítiadas na produtividade. A terceira causa de doenOutro agravante à saúde do trabaça entre os trabalhadores de saúde é venda de leitos e lhador é a extensa jornada de trabalho o alcoolismo. A redução do valor Um grave problema enfrentado peinsumos e tecnologia real dos salários faz com que muitos los trabalhadores é o assédio moral. de procedimentos para e os baixos salários. Além disso. Os Dort´s (Distúrbios Osteomusculares relacionados ao plo. preferem o lucro e tratar os lhadores que se organizam sindicalmente para reivindicar trabalhadores como mercadorias descartáveis. sem riscos. gestos ou atitudes. uma das maiores 20%. até porque existe um enorme exercito de reserva para “peças de reposeus direitos. e ansiedade. como tampalavras. emprego e degradando o ambiente de programas de saúde a redução da jornada de trabalho é trabalho. adotada por jornadas médias semanais. Esse conjunto trabalho. do mundo. mandas como os programas de controle de qualidade que estabelecem metas absurdas e condicionam o recebimento Historicamente oprimidas e discriminadas no mercado de de benefícios ao cumprimento de tais metas. Inúmeros trabalhadores da fundamental para promover melhores saúde sofrem com o assédio moral. vergonha. numa pesquisa realizada pelo SINSgrande negócio. psicossomáticas e de comportaContudo. infortemente na bém no número de trabalhadores que tencional e freqüentemente. do ponto mas geralmente ficam confusas. que. de doenças psicológicas. Por isso. atinge a realização de possuem um trabalho adicional e/ou dignidade e a integridade física e/ou são obrigados a cumprir horas extras psíquica da vítima. 29 . sexual e na flexibilizagidas. por exemcer. representa um que afeta todos os campos da vida. Estes últimos geralmente são assediados também cessários ambientes de trabalho sadios. tendem a receber menores salários. e por vezes excluídas de cargos de chefia e processos de qualificação profissional. Muitas são as lutas necessárias para se assegurar uma idade. mas tamtado devido a políticas de gestão basebém nas relações sociais. medo. onde o agrestrabalhadores de saúde entrevistados sor usa seu poder de empregador para sofrem de LER. e que ainda é acrescida pelação em geral. São netrabalho. onde por colegas quando retornam ao trabalho.SP constatou-se que 32% dos os empresários da com o assédio sexual.mas os patrões não investem. O assédio lho. é comum a perseguição política.

gratuito e de qualidade para todos. cooperativas. • Acesso universal a medicamentos! Pela criação de laboratórios públicos de produção de medicamentos. é fundamental os trabalhadores se organizarem em seus sindicatos. a começar pelos falidos. entre outras. Esse fato pode ser explicado uma vez que tratar a saúde do trabalhador implica em ir além da identificação e controle de riscos. disputarem as CIPAS como um instrumento para promover melhores condições de trabalho com minimização de riscos. exclusivamente estatal sob o controle dos trabalhadores. com financiamento tripartite! Isonomia salarial para trabalhadores de mesma função e mesma escolaridade. Se por um lado. ONGs. expropriação e estatização dos laboratórios existentes e das farmácias sob o controle da classe trabalhadora. • Por um plano de obras públicas de grande impacto: saneamento. Organizações Sociais (OS). demonstrando assim. o SSA (Serviço Social Autônomo) e Fundações Estatais de Direito Privado (FEDP). que se mantém desde o governo FHC. Lutar pelo fim da alta programada. por exemplo. Organizarem associações de lesionados e lesionáveis. Por tudo isso. • Contra a Lei de Responsabilidade Fiscal que restringe o funcionalismo público! Concursos públicos já! Contra a terceirização e privatização das relações de trabalho sejam na forma de contratos. Pela efetivação dos princípios do SUS.sição”. promoção e proteção da saúde dos trabalhadores. Pela estatização dos hospitais privados e filantrópicos. o governo Lula semeia ilusões na classe trabalhadora através de medidas compensatórias como. Comissões de saúde e segurança dentro de todas as ‘unidades. valorizar o adoecimento e o sofrimento ocasionados pelo trabalho implica em enfrentar grandes interesses da burguesia. as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPS). para quem Lula governa. Entretanto. independente da categoria profissional ou do vínculo empregatício. que permite que 20% dos recursos sociais sejam desviados para outros setores. • Pela independência na formulação e aplicação de po- 30 . Por fim. • Em defesa dos trabalhadores terceirizados! Pela incorporação dos trabalhadores terceirizados aos sindicatos. esgoto e água de qualidade para toda a população! Que as verbas para este plano venham da suspensão do pagamento das dívidas externa e interna! • Por uma saúde pública. inclusive dos grandes empresários que dão sustentação ao governo. Ao pensarmos em saúde e qualidade de vida desse trabalhador é fundamental que possamos ter organizações nos locais de trabalho para lutar por saúde e segurança do trabalhador. sofrimentos e mesmo causa de morte estão condicionadas a ele. como o pagamento da divida interna e externa. • Regulamentação da PEC 29! Dobrar as verbas para a saúde pública! Pelo financiamento mínimo de 6% do PIB para a saúde pública “estatal”! Que as verbas para a saúde venham de impostos sobre a burguesia. estatal e laica! Pela legalização e regulamentação do aborto. o PAC e o Bolsa Família. significa trazer a tona a necessidade de mudanças de processo de trabalho. quebra de patentes. eleitas somente pelos trabalhadores. o SUS não tem a categoria “trabalho” como algo central para formulação e implementação das políticas de saúde. como o imposto sobre grandes fortunas. Contra medidas “tapa-buraco” como a CSS (substituta da CPMF). prOpOSTaS para Um prOgrama SOCialiSTa para SaÚDe • Saúde é direito de todos e dever do Estado! Pelo acesso universal e de qualidade à saúde! Exigimos um sistema de saúde público. Que se revertam às privatizações no setor público. por outro não faz nada para reduzir os números referentes a acidentes de trabalho. • Contra a DRU (Desvinculação de Recursos da União). destacar-se que a saúde do trabalhador está incluída entre os campos de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja. • Luta por conselhos populares de saúde sob controle dos trabalhadores! • Pela construção e implementação do plano de cargos e salários do SUS. pela unificação dos trabalhadores de saúde. até hoje emperrado no congresso. mais ainda traz questionamentos ao modo de produção capitalista e de como inúmeras doenças. Não à renúncia fiscal na saúde para hospitais filantrópicos! • Contra as privatizações! Nenhuma verba pública para os hospitais privados ou filantrópicos. assim como. onde este é responsável por promover ações de vigilância epidemiológica e sanitária. recuperar e reabilitar a saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho.

líticas de saúde! Contra a interferência dos empresários da saúde e de agências internacionais. Em defesa da organização de base nas empresas e no setor público como instrumento de combate as doenças e acidentes decorrentes do trabalho! 31 . Pelo reconhecimento e nexo causal das doenças do trabalho! • Redução da jornada de trabalho! Carga horária de no máximo 30 horas semanais. • Por ambientes de trabalho sadios. onde acidentes seja fruto do acaso! Contra o abuso patronal na imposição de ritmos de trabalho alucinantes. • Saúde não é apenas ausência de doença! Investimentos maciços em prevenção e educação em saúde de qualidade. seguros. que induzem ao aumento de doenças e acidentes de trabalho. sem redução de salário para todos os trabalhadores do setor saúde! Redução da jornada de trabalho sem redução salarial para o conjunto da classe trabalhadora! • Pela organização política dos trabalhadores. Sem prejuízo à assistência e a incorporação de novas tecnologias. como o Banco Mundial.

nas instituições privadas. deixando prefeitos e empresários de mãos livres para fazerem a farra com o dinheiro público destinado ao ensino. Este processo de privatização da educação básica contou. O PROUNI compra de vagas. Continuou com a expansão desenfreada do ensino superior privado. o FUNDEF – que estimulou a municipalização do ensino fundamental nos dois mandatos de FHC – e o FUNDEB – criação do lulopetismo – que permite a municipalização de todo o ensino básico. salvando muitas dessas instituições da falência pura e simples. De SoUzA. sem falar do abandono das escolas onde alunos. contratação de instituições privadas para “formação” de professores. professor de rede estadual de São Paulo overnos estaduais e municípios gastam boa parte dos recursos destinados ao ensino de jovens e crianças em parcerias com empresas privadas de ensino – compra de livros e apostilas. destroem as carreiras docentes e condenam os mesmos a conviverem com salários que beiram à miséria. com a ajuda de duas políticas federais. Lula foi mais além. Como exemplo desta tragédia grega o governo de São Paulo gastou em 2009 com parcerias mais de R$ 200 milhões de verbas da educação – o suficiente para conceder o reajuste reivindicado pelos professores estaduais na greve de 2010 – e mais de 70% dos municípios mantém parcerias com sistemas didáticos privados de ensino. compra de vagas em escolas privadas e repasse de verbas às fatídicas ONG’s. agora através dos empréstimos para lá de generosos do BNDES e de uma invenção de seu governo. e conta. professores e demais funcionários convivem com um cotidiano de horrores de violência e péssimas condições de trabalho para os docentes e de aprendizagem para os jovens. a um custo-aluno quatro vezes maior do que na rede pública segundo o ANDES-SN. e infindáveis outros mecanismos – e reduzem ano a ano as verbas investidas na educação. que G são a mesma apesar dos arautos do neoreformismo afirmarem o contrário. FHC foi agente de um processo de expansão acelerada do ensino privado. 32 . como gosta de dizer o tempo todo nosso atual presidente. de privatização sistemática da educação – da educação básica ao ensino superior gilBerTo P. enquanto as universidades públicas se viram asfixiadas pela eterna “falta de verbas” e as empresas do ensino se esbaldavam nos empréstimos subsidiados (com prazos a perder de vista e módicas prestações para dar inveja até as Casas Bahia) do BNDES. na maioria dos casos ociosas. A educação superior não foge a este cenário hediondo.Elementos para um programa socialista na educação os dois mandatos de FHC e lula são responsáveis por um processo “nunca visto antes na história deste país”.

A pesquisa se concentra. ciência e cultura geral – e para os trabalhadores e seus filhos apenas o estritamente necessário para servir ao capital. Por este conjunto de leis e decretos as fundações privadas. O mesmo acontece no ensino superior. por não cumprir de maneira adequada seus objetivos – alfabetizar e transmitir conhecimento aos alunos – que eram os mesmos das escolas privadas que. É a ideologia da “regulação das aprendizagens” de Perrenoud e outros. cada vez mais. Mas isso implica na estatização do ensino privado. A escola pública tem sido criticada tradicionalmente. e consequente privatização. do ensino tem provocado um duplo apartheid educacional.O REUNI. que tomaram de assalto as universidades paulistas –principalmente a USP – estão sendo legalizadas e generalizadas para todas as instituições federais e ingerindo na administração dos recursos e na pesquisa que está sendo voltada para o mercado. Para os burgueses e seus herdeiros uma educação clássica – universal. para classes sociais diferentes escolas diferentes. todas voltadas para os antes “excluídos” do ensino superior. mas também por transformar o direito ao ensino e a aprendizagem como uma questão individual. Não por acaso. não apenas por criar uma “escola de classe”. o apartheid não se limita aos aspectos geográfico e socioeconômico. Um programa socialista para a educação deve partir de uma premissa simples e elementar: educação somente será um direito de todos se for pública e estatal. e no caso dos setores médios em algumas escolas privadas de segunda linha na busca ilusória de um ensino melhor. ou seja. na educação básica os primeiros frequentam as escolas públicas. cada escola deve ensinar seus alunos de acordo com suas expectativas na vida. Os segundos frequentam as escolas de elite. ela compreende toda a educação básica. começa a ser abalado e a própria pesquisa começa a servir diretamente aos grandes grupos econômicos representados nas fundações de direito privado incrustadas na estrutura universitária. de seu professor ou da família. na educação básica. Juntamente com o fortalecimento das fundações privadas – leia-se do capital dentro das universidades – o REUNI promove uma expansão desordenada das instituições federais de ensino superior – retomando os “escolões” de FHC/Paulo Renato – com o aumento das vagas sem a contrapartida do aumento dos recursos materiais e humanos. na LDB. se a pessoa não aprende é um problema dela. a alfabetização deve abranger todo o ensino fundamental e em vários estados. transformou a educação em serviço. na defesa do trinômio ensino-pesquisa-extensão nas universidades públicas e da autonomia universitária e no fim do PROUNI/REUNI e também no fim do ensino a distância. A grande “descoberta” do neoliberalismo é que classes sociais diferentes devem ter uma educação diferente de acordo com seu lugar social no processo de produção e circulação de mercadorias. Assim o tripé – ensino-pesquisa-extensão – que é a base das universidades brasileiras. e não por acaso se destina fundamentalmente a formação de professores para o ensino público e aos antes excluídos do ensino superior. nunca do Estado. A expansão do ensino a distância é mais uma faceta desta “escola de classe”. É a clássica educação de classe. no fim das parcerias público-privadas e das fundações privadas nas universidades. uma conquista das comunidades acadêmica e estudantil e da própria sociedade. do apartheid educacional. cumpriam esses objetivos de maneira mais satisfatória que suas congêneres públicas. supostamente. completa este filme de horror. ou se tanto familiar. como mercado. Mas. em algumas poucas instituições de elite que trabalham em parcerias. filhos de trabalhadores e de burgueses não estudam no mesmo lugar escolar. a reforma universitária. como reza na LDB e na Constituição Federal. A privatização/mercantilização ameaça diretamente o trinômio ensino-pesquisa-extensão de nossas universidades e o acesso à educação como direito de todos. são as instituições privadas financiadas pelo PROUNI e as instituições públicas filhas da expansão desordenada da REUNI. Está assumindo também uma dimensão cultural. O neoliberalismo é a negação da educação como direito e dever do Estado. geralmente privadas e com mensalidades altíssimas. Primeiramente. cada vez mais frequentes. 33 . Com o PROUNI/ REUNI estão sendo criados verdadeiros “escolões” destinados a formar mão-de-obra um pouco mais qualificada para o capital. como prescreve a OMC. nem todos aprenderão a mesma coisa. Verbas públicas somente para escolas públicas. nem todas as escolas ensinarão a mesma coisa. negando o acesso ao conhecimento e a cultura. como São Paulo. Esta mercantilização. atingindo diretamente um direito consagrado pelas revoluções burguesas e pelos movimentos trabalhistas no período das revoluções francesa e industrial. cada vez mais sucateadas.

permanência e pesquisa) para todos os estudantes universitários. eleições diretas para todos os cargos diretivos e o fim dos organismos de controle governamental ou inspeção escolar. 34 . mais do que previdência social. os professores e os demais trabalhadores da educação têm pagado a conta da privatização e da mercantilização do ensino com os baixos salários e as cada vez mais precárias condições de trabalho na educação básica. Segundo o governo federal (Lula).91%. que levaram no total 33. a grande maioria das instituições privadas no ensino superior perseguem e punem os estudantes que ousam organizar centros ou diretórios acadêmicos. E quando foi estabelecido o corte de R$10 bilhões do orçamento de 2010 para fazer frente aos efeitos da crise mundial a equipe econômica de Lula não titubeou. respectivamente. Enquanto isso “no andar de cima” alguns poucos nababos fazem a festa com o dinheiro público que poderia ser usado para melhorar a educação e a vida de milhões de brasileiros. ficando cada uma das principais áreas sociais do governo com. diretores ou reitores. ou seja. a juventude. faculdades e universidades. os economistas ultra-neoliberais da Universidade de Chicago. É a versão educacional da criminalização dos movimentos sociais. Também deve atender todas as reivindicações sindicais e profissionais de professores. 4. alunos e pais (no caso da educação básica). os jovens formam mais de 64% dos desempregados do Brasil. Grêmio Livre são duas palavras que provocam a ira da maioria dos diretores. Esta conduta antissindical é a outra faceta da privatização. estudantes e trabalhadores do ensino. Milton Frie- “não existe almoço de graça” dman tem razão: alguém deve pagar a conta. na prática dois direitos fundamentais.Esta frase do economista Milton Friedman. é necessário calar a voz dos que discordam. bolsas (alimentação. O economista guru dos “Chicago Boys”. decano do neoliberalismo.88%. A juventude sofre com a má qualidade do ensino básico. tal qual Maria Antonieta e a nobreza francesa pré-revolução nos mandam comer brioches para aplacarmos a fome. A burocracia escolar. ano após ano as verbas para moradia estudantil.43% do bolo orçamentário. a mais ampla liberdade de ensinar dos professores e a total liberdade de aprender dos jovens. cortou R$2. Os programas de assistencialismo do governo Lula.57% do orçamento de 2009. a principal causa mortes entre a juventude é assassinato. o aumento do número de alunos por professor e com o achatamento dos salários. saúde e educação juntas. consumiram apenas 3. proclamam a liberdade individual do estudante. Um programa socialista para a educação deve começar pelo não pagamento das dívidas interna e externa. para negar o acesso da juventude ao conhecimento e à ciência e para servir governos diretamente vinculados ao capital. alimentação e bolsas são reduzidas. necessariamente deve ser completada com outra: Quem paga a conta? Os trabalhadores. 25. nem 10% do que foi doado aos agiotas da dívida pública brasileira.64% e 2. através do SIAF. o acesso ao conhecimento e o direito de se organizar sindicalmente por local de estudo. Segundo dados oficiais 20% dos jovens egressos do ensino médio jamais terão um emprego formal.09% do orçamento. Um programa socialista para a educação deve defender a total democracia no interior das escolas.5 bilhões das verbas do ministério da educação. além de conselhos deliberativos e paritários formados por professores. o mesmo acontece em universidades públicas. passando pela estatização do sistema financeiro para termos mais verbas para a educação – de pré-escola a universidade – com o investimento de 10% do PIB como mínimo. assume necessariamente um viés autoritário. o desemprego é três vezes maior na juventude do que nos demais segmentos da classe trabalhadora. incluindo aí o Fome Zero. que este é o protagonista do processo de aprendizagem – na versão neoliberal e pós-moderna do construtivismo ninguém ensina ninguém e o aluno aprende sozinho – mas lhe nega. Democracia X mercado A privatização. com a violência e com a ausência de condições para freqüentar as universidades públicas. seja pelo crime organizado ou uniformizado. piso salarial nacional para os professores de educação básica (piso do DIEESE por 20 horas/aula e 50 % de hora atividade). os encargos com a dívida pública – juros e amortizações – consumiram 35. e no ensino superior com o aviltamento da profissão através da ingerência do capital privado nas pesquisas. os grandes capitalistas que se esbaldam à custa do sofrimento de milhões. para ser aplicada de maneira consequente no interior das escolas. Também a irrestrita liberdade de cátedra. seja na educação básica ou na educação superior. com o desemprego.

senão falarmos claramente aonde queremos chegar (ou seja. Tal como Marx acreditamos na força das ideias. numa ordem social a serviço de uma minoria privilegiada. As lutas cotidianas de jovens. pais trabalhadores e demais trabalhadores da educação devem estar a serviço da sobrevivência diária neste “mondo canni”. efeito duvidoso diga-se de passagem. neste caso não apenas na defesa do direito universal a educação. algo parecido com as promessas dos partidos do capital – incluindo aí a esquerda oficial. mas também na luta pelo socialismo. 35 . ser a base de um movimento social. num mundo onde o sucesso individual só é possível com o fracasso de milhões. neste reino da necessidade. como e por quem este programa será aplicado) pode se tornar um conjunto de frases de efeito.“aquele que sabe pelo que luta. um movimento social poderosíssimo em defesa do direito universal a educação pública e de qualidade para todos. juntamente com suas organizações. do socialismo. luta mais e melhor” (Oliver Cronwell) Um programa somente faz sentido se estiver a serviço de uma estratégia. e devem. na desigualdade e na opressão. cotidiana. Não haverá genuinamente educação pública de qualidade para todos numa sociedade fundada na exploração. Mas também devem ser o passaporte para a construção diária. Para tal é necessário a unidade de jovens com professores e funcionários da educação – do ensino básico a universidade – e com os demais trabalhadores criando. em cada local de estudo e trabalho do combate a exploração e a opressão. da construção do reino da liberdade. que estas podem. professores.

A produção de maquinaria para estes camponeses. e dentro de seus ritmos e seus desejos. é necessária uma assistência técnica e pesquisas voltadas para suas áreas de interesse. Alem disso. No entanto. para os grandes plantadores de cana e bicombustíveis. O BNDS e outras instituições liberaram. afirmação de que há muita gente sem terra e muita terra sem gente continua sendo uma verdade indiscutível. seja através de serviços dos Estado acessos aos meios necessários para produzir.7% da área agricultável. onde 47% dos estabelecimentos ocupam 2. a partir de seus vários órgãos. não basta dividir a terra entre os camponeses pobres. e 0. também não tem às máquinas e as tecnologias em geral. sem indenização e sob controle dos trabalhadores e camponeses pobres. que são os principais produtores de alimento do país. Nesse sentido. beneficia o grande capital e o latifúndio no campo. a produzir da forma mais elevada possível. seja através da cooperação. Uma parte considerável dessas terras é destinada à especulação. Muitas vezes os produtos dos camponeses pobres. O Estado deve garantir um preço mínimo compensatório para os A produtos agrícolas dos camponeses pobres em especial a produção de alimentos. Para que uma verdadeira reforma agrária triunfe é necessário que o Estado garanta pesquisas voltadas aos interesses dos camponeses pobres. mais de R$ 30 bilhões em um ano e deram ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) R$ 6. O crédito do Estado deve estar a serviço dos pequenos e médios proprietários. O Estado deve financiar o pequeno camponês e estimular as cooperativas camponesas de produção. É dever do Estado garantir que o pequeno camponês possa ter acesso a isso. No entanto.91% dos estabelecimentos ocupam 43% da área total. e o estímulo a cooperação no seu uso é uma medida fundamental para garantir que uma vez divida a terra entre os camponeses pobres esses comecem o mais rapidamente possível.5 bilhões.Reforma e revolução agrária o Brasil tem uma das estruturas agrárias mais injustas do mundo. para que os trabalhadores e camponeses pobres possam de fato produzir. O Estado. Da mesma forma que os pequenos produtores não têm acesso a pesquisa ou a atendimento técnico. a Embrapa e outros centros de pesquisa tem se dedicado a pesquisar plantas transgênicas e não os temas de verdadeiro interesse dos pequenos agricultores. com créditos subsidiados. É necessário expropriar e dividir todos os latifúndios improdutivos. também é fundamental que o Estado 36 . em especial os alimentos. acabam não recebendo um pagamento sequer compensatório ao seu esforço. 40% das terras agricultáveis no Brasil não são aproveitadas. Esse estímulo deve começar por garantir um preço mínimo a todos os produtos agrícolas voltados para as necessidades básicas dos trabalhadores e da população em geral.

tenha como política a construção de cooperativas de produção, consumo, venda e uso de maquinarias. A possibilidade de que as pequenas parcelas individuais dos camponeses não naufraguem diante da grande produção só existe na medida em que essa mesma pequena produção tenha acesso a maquinarias, técnica e tecnologia, por um lado e por outro se associe livremente para poder produzir, mais, melhor e mais barato. É necessário que tomemos consciência de que a idéia de uma vida idílica no campo não condiz com a verdadeira situação da maioria dos camponeses desse país. A população rural brasileira é de 19% (31 milhões). Cerca de 15 milhões de agricultores vivem abaixo da linha de pobreza, e 11% dos agricultores vivem somente de aposentadoria (R$ 240,00 por mês). Além disso, 4,8 milhões de famílias são agricultores sem terra. É preciso uma infra-estrutura no campo. Centros hospitalares, escolas públicas, programa de edificação de moradia, assistência ao idoso. Direitos mínimos são negados ao conjunto dos camponeses pobres, é necessário garantir esses direitos A reforma agrária será feita, não por um decreto, mas pela ação das massas no campo e na cidade onde o apoio mútuo entre camponeses pobre, operários agrícolas, os pobre da cidade e os trabalhadores em geral. A histórica consigna, “reforma agrária na lei ou na marra” é no campo brasileiro atualíssima. De todos os métodos e formas de ação que os camponeses utilizaram, a ocupação de terras foi a que se mostrou mais eficaz para obrigar o governo a fazer algumas concessões, além de paralisar a reação assassina do latifúndio. Por isso defendemos esse método incondicionalmente como um instrumento eficaz e legitimo na luta pela reforma agrária. Defendemos hoje, quando dizemos que é necessário descriminalizar as lutas sociais, a ocupação do latifúndio, e defendemos como método privilegiado de luta dos camponeses pobres e como instrumento fundamental para levar a reforma agrária até seu fim. Por fim, uma reforma agrária de verdade tem que ter como medida fundamental a nacionalização de todas as terras do país. As terras agricultáveis não podem estar sujeitas as leis cegas do mercado e menos ainda aos interesses das multinacionais e especuladores, as terras agricultáveis devem ser todas nacionalizadas, concedendo aos camponeses pobres o direito de usufruto.

a situação dos assalariados agrícolas

A agroindústria e o agronegócio muitas vezes se apóiam nas mais atrasadas relações de trabalho, inclusive no escravismo. É o caso de grandes multinacionais, como a Volkswagen, acusadas de manter trabalho escravo por fora de toda a legislação trabalhista em suas fazendas. É necessária uma punição exemplar dessas empresas, prisão para todos os envolvidos, e expropriação de todos os bens das empresas com trabalho escravo. O trabalho escravo em grandes carvoarias, madeireiras, serrarias e usinas é uma pratica comum no Brasil. É apenas a expressão mais cruel e desumana de uma relação que tem se perpetuado desde sempre. Já que a ampla maioria dos trabalhadores assalariados no campo não tem seus direitos respeitados, recebem menos que o salário mínimo, cumprem jornadas de trabalho sobre humana, não recebem horas extras e não tem materiais de proteção. E fundamental exigir que se cumpra a legislação trabalhista em todas as propriedades agrícolas e punir exemplarmente as grandes empresas e os latifundiários que a desobedeçam. A fiscalização efetiva do Estado poderia resolver ambos os problemas rapidamente. No entanto, tal fiscalização vai contra os interesses do grande capital e de seus aliados o latifúndio. Essa situação se agrava no campo, pois os trabalhadores assalariados, em sua ampla maioria, não conseguiram ainda organiza-se, se quer sindicalmente, como uma classe em separado, inclusive dos camponeses pobre. Esses milhares de trabalhadores assalariados no campo não têm sindicatos próprios, sendo representados em sindicatos policlassistas ou não tendo nenhuma representação sindical. Os chamados STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) são na maioria das vezes organizações que representam aos camponeses pobres, mas que tem terra ou pelo menos a posse de alguma terra. Nessas condições, ainda que eventualmente esses camponeses possam assalariar a mão de obra, a mesma mão de obra que depois se vê representado nesses mesmos sindicatos. Além disso, a própria estrutura dos STR é organizada para as reivindicações clássicas dos camponeses, terra, insumos, créditos, preços mínimos etc., ficando as reivindicações operárias perdidas e secundarizadas dentro dessas. É necessário organizar sindicato de operários agrícolas em todo o país, como única forma de garantir um verdadeira representação desses trabalhadores.

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O planeta jamais esteve tão ameaçado como hoje. Pela ação do homem, a terra, como um patrimônio de toda a humanidade vem sendo destruída sistematicamente pelo conjunto de práticas predatórias do capitalismo. É possível desenvolver uma agricultura em larga escala, comercialmente viável e ecologicamente menos agressiva a natureza. Hoje já existe técnica e tecnologia para que os danos causados a natureza se minorem de forma qualitativa. As grandes explorações agrícolas continuam sendo as principais responsáveis pelo desmatamento descontrolado da amazônia e do serrado brasileiro. As grandes plantações de soja, a criação extensiva de gado, e a indústria madeireira têm uma atitude verdadeiramente predatória com o conjunto da natureza e com a humanidade. Mas isso não tem a ver com um problema de garantir a produção de alimentos, e sim de gerar o máximo de mercadorias como um mínimo de custos. É necessário barrar a destruição da natureza. Expropriar sob controle dos trabalhadores todo latifúndio e agronegócio que atuem de forma predatória e antiecológica. Essa pratica predatória tem uma de suas máximas expressões no uso dos chamados transgênicos. Na busca de lucros e do controle absoluto da produção de alimentos um punhado de grandes empresas tem investido cada vez mais nos transgênicos, e transformado o conjunto da humanidade em um laboratório onde provam suas novas criações. A absoluta falta de controle desses produtos e sua proliferação desenfreada é um risco para a saúde e para o meio ambiente. É necessário proibir definitivamente o uso de transgênicos na agricultura e a comercialização de produtos transgênicos. Defendemos o controle do Estado e publicidade nas pesquisas sobre transgênico. Por outro lado, a santa aliança entre o Estado brasileiro com o agronegócio se manifesta na enxurrada de dinheiro liberadas para os chamados bicombustíveis. Os chamados bicombustíveis são uma farsa montada a partir da preocupação justa de uma ampla parcela da humanidade sobre a poluição e o atual modelo energético. Os bicombustíveis são tão antiecológicos quanto os combustíveis fósseis, e no Brasil tem sido uma cortina de fumaça para justificar a entrega de bilhões de reais a usineiros falidos e grandes latifundiários em geral. É preciso dizer não aos bicombustíveis. Nem um centavo do governo aos usineiros. Financiamento para os pequenos produtores e

revolução agrária

para a produção de alimentos. Nada para os latifundiários e exploradores. Esse financiamento dos bicombustíveis é apenas a ponta do iceberg. O governo financia todo o agronegócio, patrocina pesquisas para as grandes plantações, ajuda e estimula a exportação de soja, milho e carne. No entanto, não financia a pequena agricultura. É necessário que o Estado destine verbas para a pequena produção e a conduza no caminho da produção cooperativa ou estatal, e não dê um centavo sequer para a grande produção capitalista no campo. Por outro lado, não defendemos a desorganização da grande produção no campo. Hoje as grandes plantações de soja, milho e cana de açúcar e a grande criação de gado, têm servido nas mãos dos grandes latifundiários e capitalistas do campo como um instrumento para a destruição da natureza, a exploração os trabalhadores, o uso abusivo de técnicas e tecnologias predatórias, a expulsão de nacionalidades originárias de seus territórios, o estímulo ao êxodo rural e, agora, avançam em direção da destruição da maior reserva biológica do mundo, a amazônia. É necessário deter este tipo de agricultura predatória antes que ela destrua o país. A grande produção deve ser nacionalizada sob controle dos trabalhadores e dos pobres do campo. Somente a nacionalização das grandes fazendas, sob controle dos trabalhadores, poderá garantir ao mesmo tempo, que toda a técnica e tecnologia desenvolvida possa ser preservada e usada adequadamente, por um lado, e que o país produza no campo de forma racional e a serviço da maioria do povo.

COnSTrUir Uma DireÇÃO revOlUCiOnária nO CampO
Não há nenhuma possibilidade de levar esse programa adiante se ele não se basear em forças vivas e reais no campo. É necessária a construção de uma direção para a revolução agrária. Os trabalhadores assalariados rurais normalmente não têm sindicatos próprios e terminam em sindicatos de trabalhadores rurais que são policlassistas e dirigidos muitas

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vezes por seus patrões. É fundamental garantir que esses trabalhadores tenham seus próprios sindicatos e representações, a CSP - Conlutas, deve fazer todo o possível para organizar esses trabalhadores de forma independente. Sem um esforço consciente por parte dos trabalhadores da cidade, para auxiliar essa organização, o mais provável é que ela não se dê. Isso não se deve a uma hipotética anemia dos assalariados rurais, mas da profunda sangria que sofre a classe trabalhadora e seus aliados no campo Os melhores lutadores do campo - camponeses pobres, advogados de sindicatos, deputados, padres e freiras - tem sido sistematicamente assassinados, nos últimos 25 anos foram assassinados pelo latifúndio e seus aliados mais de 600 pessoas em uma macabra média de 25 assassinatos por ano. Os trabalhadores, camponeses pobres e seus aliados têm o direito de se defender. Pelo direito a auto-defesa dos lutadores e das organizações camponesas. Mas, a violência contra os camponeses e sua vanguarda não se resume a assassinatos, os casos de tortura, saltou de seis em 2008 para 71 em 2009. Outros dados igualmente reveladores são as ações de violência e terror coletivo, o número de famílias expulsas cresceu de 1.841, para 1.884, o número de famílias despejadas passou de 9.077, para 12.388, um crescimento de 36,5%. Também se elevaram o número de casas e de roças destruídas, de 163% para 233% respectivamente. Em 2009, registrou-se 9.031 famílias ameaçadas pela ação de pistoleiros, contra 6.963, em 2008, mais 29,7%. A violência exercida contra os trabalhadores, suas lideranças e organizações têm guarida na relação promiscua entre o latifúndio e o Estado. Como exemplo, no Paraná um tenente coronel, Valdir Copetti Neves, foi condenado à prisão por envolvimento no caso que ficou conhecido como “março branco”. Ele chefiou uma milícia armada, formada por policiais aposentados, contratada por fazendeiros para despejar áreas ocupadas pelos sem terra na região de Ponta Grossa. A milícia praticou vários crimes, entre tentativas de homicídio até o fornecimento de armas e drogas para incriminar outras pessoas. Esse é, porém, apenas um exemplo, no mar de outros como o de onde o próprio Estado atua diretamente como assassino, como no caso do massacre de El Dourado dos Carajás ou de Corumbiara. O outro grande problema a ser enfrentando para construir uma direção revolucionária no campo é o MST. O movimento foi o maior depois da ditadura militar. Nos anos noventa chegou a ter índices de popularidade inimaginá-

veis, e foi para amplos setores da esquerda uma esperança e uma alternativa as permanentes capitulações do PT. Amplos setores do ativismo, nas universidades e nos movimentos sociais aderiram de alguma forma a essa organização que utilizavam um método radical de enfrentamento no campo. As ocupações de terras e desafiava um elemento central na ordem capitalista, a propriedade privada. Montados e dirigindo um assenso gigantesco, onde milhares e milhares de trabalhadores e pobres do campo se organizaram para enfrentar ao latifúndio e ao grande capital essa organização ganhou os melhores lutadores camponeses e se transformou na principal referência nacional e internacional na luta pela reforma agrária no Brasil. Um verdadeiro símbolo de radicalidade consequente e de primazia da ação direta sob todos os demais métodos de ação Em um momento em que o movimento sindical urbano, em especial CUT, abandonava seus velhos preceitos, ideais e estatutos, e quando palavras como socialismo e luta de classes eram já totalmente démodé, o MST seguia cantando que “só sai reforma agrária com a aliança camponesa e operária”, ou “nosso lema é ocupar resistir e produzir”. Paralelo a essa radicalidade na ação, o MST, sempre desenvolveu uma posição político-teórica policlassista e frente populista. Influenciados por certos aspectos do maoísmo, o MST nunca se negou a fazer gente com a bueguesia ou com setores dela, manteve inclusive com Roberto Requião, no Paraná, uma relação errática. Com o governo Lula isso deu um salto, apesar de afirmas coisas como que “a reforma agrária no governo Lula não tem capacidade de alterar a estrutura fundiária. Os únicos resultados positivos se referem ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o que é pouco para sustentar a afirmativa de que reforma agrária de qualidade está para ser efetivada. Na prática o MST apóia ao governo Lula e participa dele, algumas vezes em forma indireta como no caso da fundação de estudos e pesquisas agrícolas e florestais (Fepaf) que presta serviço ao INCRA no pontal do Paranapanema. A própria caracterização que João Pedro Stedile faz do governo Lula, comparando com o de FHC, é de que “na forma de tratamento dos movimentos sociais, não são iguais, não. FHC tentou cooptar, isolar e criou condições para a repressão física, que resultou nos massacres de Corumbiara e Carajás. Já no governo Lula há mais diálo-

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go. Nunca houve repressão por parte do governo federal. E que “o governo FHC era o legítimo representante da aliança entre uma parcela da burguesia brasileira subordinada aos interesses do capital internacional e financeiro. Já o governo Lula representa um outro tipo de alianças. É um governo de conciliação de classes, que juntou dentro dele setores da burguesia brasileira e setores da classe trabalhadora. E por isso é um governo mais progressista do que o governo FHC.” Contudo, isso é um erro. O governo Lula, de fato é um governo de colaboração de classe, uma frente popular, mas onde que leva a batuta é justamente as grandes multinacionais, basta ver, por exemplo, o controle da agroindústria no campo e seu peso no governo. Essa relação também tomou outro caminho, como no caso de Jose Rainha Junior, o Zé Rainha. No auge da luta contra a expansão do agronegócio no campo, o governo federal destinou quase R$ 1 milhão para o grupo do líder José Rainha para plantar mamona no Pontal do Paranapanema. A última parcela desse dinheiro, no valor de R$ 351.198,25, caiu na conta da Federação das Associações dos Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Faafop), entidade criada por Rainha. Assim, um setor do MST virou a perna esquerda do agronegócio, inclusive legitimando dessa maneira a política, mentirosa, dos bicombustíveis. Por outro lado, essa permanente adaptação ao governo levou a que a própria estratégia central do MST, as ocupações de terra, fosse sendo relativizadas por sua direção. Em uma recente e interessante polêmica, João Pedro Stedile disse que as ocupações já não eram mais a atividade central do movimento. Em seguida, em uma carta ao jornalista Luis Nassif, o Stedile negou tal declaração e reafirmou que as ocupações como um dos métodos do MST, mas reafirma que há um novo momento no campo, e que é fundamental juntar a todos os que estão contra o modelo do agronegócio. A afirmação seria coerente, se nela não estivesse embutida justamente o que o MST considera “todos”, ou seja, se não estivesse embutido o sentido policlassista desse “todos”. Ao MST sobram dois caminhos: romper com Lula e voltar para ação direta e atualizar seu programa, ou ser cada vez mais governista e adaptado ao governo, ficando cada vez mais longe da luta dos trabalhadores e pobres do campo

Construir o pSTU no campo

A reforma e a revolução agrária no campo será socialista ou não será. É necessária uma direção política revolucionária que unam os trabalhadores da cidade e do campo para uma transformação radical do país, a expropriação de todos os capitalistas e a construção de um governo dos trabalhadores. Hoje o PSTU é esse partido. É necessário construí-lo também no campo. Somente a adesão dos melhores e mais abnegados lutadores do campo a este partido permitirá levar esse programa a bom termo.

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Por outro lado. Os últimos oito anos foram marcados pelos mais graves ataques ao meio ambiente. O deputado é o relator do projeto que visa modificar o Código Florestal brasileiro. para ao menos ficar como está. Já nas outras regiões do país. A luta ambiental deve se juntar às demais lutas de todos os trabalhadores. a busca de lucros crescentes provoca um consumo desenfreado e a apropriação intensa da natureza. Com a eleição de Lula se alimentou a expectativa de que isso tudo iria mudar. licenciou obras como a transposição do Rio São Francisco. e a Lei das Patentes. Também aprofundou a política de FHC em relação à gestão de recursos hídricos. Esse cenário é irreversível e. está a frente do que poderá ser o maior ataque ecológico de toda história. Como se não bastasse. A produção capitalista está sustentada em uma matriz energética baseada nos combustíveis fósseis. que. o deputado governista. Usina Nuclear Angra 3 e as hidrelétricas do Rio Madeira e Belo Monte. grandes inundações. área de propriedades rurais que devem ser destinada à preservação da mata nativa. O governo de Lula e Marina Silva liberou os organismos geneticamente modificados (transgênicos) no país. foi decisiva a presença de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. A temperatura média do planeta subiu assustadoramente a partir da Revolução Industrial. reduzindo a disponibilidade de recursos naturais. O resultado é a fragilização dos ecossistemas que perdem sua capacidade de proteção e auto-recomposição. por sua vez. será necessária uma redução dos níveis de emissão de CO² em 50%. transformando habitats e provocando doenças. que facilita a privatização da água potável. V governo lula e meio ambiente Durante o governo do PSDB aprovou-se uma série de reformas neoliberais que aprofundaram o saque internacional das riquezas naturais do Brasil e da Amazônia em particular. gás e carvão vegetal. Para que isso ocorresse. a proposta é que fazendas com ta- 42 . seriam anistiados todos aqueles que cometeram algum crime ambiental. do PCdoB. muitos ambientalistas alertam que qualquer fazendeiro com mais de 600 hectares de terra na Amazônia poderá fracionar sua propriedade para escapar da legislação. cuja tarefa básica é garantir o livre acesso dos recursos naturais às pessoas que deles necessitam para viver dignamente ivemos a beira de uma barbárie ambiental. no século 19. permitiu a privatização de grandes áreas na Amazônia e a exploração dos recursos florestais em geral. provocando o aquecimento global. estão causando secas. O capitalismo é responsável pela catástrofe.É preciso deter a destruição ambiental o capitalismo é incapaz de resolver a crise ecológica que provocou. No entanto. Aldo Rebelo. petróleo. Como se não bastasse. levando a alterações climáticas profundas. o deputado propõe a diminuição da chamada da Reserva Legal. A queima desses combustíveis aumenta a temperatura da Terra. Segundo a proposta. mas não foi o que aconteceu. como o fim do monopólio brasileiro sobre o subsolo nacional. A proposta é acabar com a Reserva Legal para qualquer propriedade localizada na Amazônia com até 600 hectares. algo que está longe de ocorrer. elevou os níveis de tolerância para o lançamento de efluentes tóxicos nas águas. Qualquer desmatamento feito até 22 de julho de 2008 estaria automaticamente perdoado.

engarrafamento e distribuição. Buscando impulsionar a produção mineral na Amazônia e diminuir o custo energético de grandes empresas instaladas em outras regiões. Isso não significa. uma área equivalente ao território francês já foi desmatada. No ano passado.158. Lucro e responsabilidade socioambiental são coisas que não andam juntas. acabou em fracasso e demonstrou a incapacidade do imperialismo em firmar um acordo sobre o clima. programa ecológico classista A luta ambiental deve se juntar às demais lutas de todos os trabalhadores. 35% para o Cerrado e 20% nos demais biomas – . • Revogação de todas as concessões e outorgas para a exploração econômica de fontes de água potável e estatização. • Expropriação e estatização de empresas que causarem contaminação do ar e da água. As usinas vão provocar um imenso alagamento florestal. COP-15 (2009).500 hectares. mais de três bois para cada habitante da região. contudo. Agora. pois toda reivindicação ambiental se choca com a lógica destrutiva do sistema. o governo tenta modificar o Código Florestal para reduzir as áreas de preservação permanente e entregá-las à exploração econômica. dos sistemas de captação. devemos deixar as coisas como estão. O favorecimento ao agronegócio provocou o avanço de atividades que mais desmatam a Amazônia . Não há desenvolvimento sustentável sob o capitalismo. O capitalismo é incapaz de resolver a crise que provocou. poderá abrir uma brecha para que estados e municípios reduziam esses números pela metade para as propriedades maiores. A Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas. a proposta de desenvolvimento sustentável de Marina Silva não passa de uma grande farsa. 43 . • Defesa da Amazônia. junto aos demais países amazônicos. Pará). que. são totalmente insuficientes para resolver o desequilíbrio ecológico mundial. • Não à construção de Belo Monte e outras grandes hidrelétricas na Amazônia. como é o caso dos índios do Xingu. além de propor o fim do capítulo que trata de incêndios florestais e rurais. Lula editou a medida provisória 458 (MP da grilagem). como o Protocolo de Kioto. transporte e armazenamento dos transgênicos. Alguns cientistas acreditam que neste ritmo a floresta pode desaparecer em 30 ou 40 anos. destruindo significativa riqueza natural e expulsando diversas populações tradicionais da área afetada.241 cabeças. Tudo de acordo com a cartilha da bancada ruralista no Congresso Nacional. • Não à transposição do rio São Francisco • Defesa do atual Código Florestal. com a ampliação dos limites das Áreas de Preservação Permanente. substituindo os combustíveis fósseis por fontes alternativas. Aldo Rebelo. que permitem que empresas continuem poluindo desde que criem ações que compensem essa poluição (o que na realidade não acontece). Além disso. • Mudança progressiva e acelerada da matriz energética. Por fim. • Defesa do cerrado e dos outros ecossistemas brasileiros. Isso corresponde a 67. Certamente.manho de até 4 módulos rurais também estejam dispensadas de ter a Reserva Legal. soja e madeireiras. como as localizadas no rio Madeira (Rondônia) e a hidrelétrica de Belo Monte (rio Xingu. seria o fim do modelo capitalista e sua substituição pelo socialismo. sob o controle dos trabalhadores. Sanções econômicas e políticas àqueles que se negarem a assinar. • Não às compensações ambientais. a proposta do camarada do agronegócio. cuja tarefa básica é garantir o livre acesso dos recursos naturais às pessoas que deles necessitam para viver dignamente. regularizando 400 mil propriedades irregulares na Amazônia com até 1. Embora o projeto mantivesse a obrigação nos percentuais atuais – 80% para a Amazônia. bem como das terras onde ocorrem queimadas de origem não natural.pecuária. Em 2010 o rebanho bovino na Amazônia Legal totalizou 70. Por isso defendemos: propostas ecosocialistas • Imediata aprovação de um tratado de redução significativa da emissão dos gases de efeito estufa. • Proibição da produção.4 milhões de hectares de terras públicas. ao fim do segundo mandato. o alagamento de florestas contribui para o aquecimento global. Essa nova matriz deve ser financiada e controlada pelo Estado. Propostas sobre tímidos acordos climáticos. Não aceitamos nenhuma interferência imperialista. o governo petista objetiva construir dezenas de mega-hidrelétricas nos rios amazônicos. abre brechas para que as vegetações de encostas sejam derrubadas. ocorrida na Dinamarca. utilização. amazônia na mira Na Amazônia. o grande salto na busca por um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Por isso. até lá.

tampouco do Estado. Ainda segundo cálculos do Pnud. colocar mais polícia na rua. É resultado do sistema capitalista. à insegurança judicial e à falta de oferta de serviços básicos à população. lema combatido pelo PT naquela época.1% têm a percepção de que o país está se tornando mais violento. segurança nada mais é que a formalização política e justificada da preservação do “egoísmo” da sociedade burguesa. A política é clara: aumentar a repressão. Por este motivo. mas agora assume as bandeiras da direita. criou o Pelotão de Repressão. onde a desigualdade e a seletividade são produtos de uma relação de dominação. Na sociedade burguesa. a segurança existe apenas para garantir a cada um de seus membros a conservação de sua pessoa. Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgado em maio de 2010 demonstra que a cada dia a violência é o que os brasileiros mais comentam em casa. a maioria delas civis. como educação e saúde. e. se possível. a pena de morte. o PT se associava a várias ONGs na defesa dos “direitos humanos”. produto social A violência é um produto da miséria. estão entre os temas mais delicados a serem enfrentados na formulação de um programa para o Brasil studo da ONU (Organização das Nações Unidas) mostra que a população sentiu o crescimento da violência no Brasil. A realidade vem demonstrando que o objetivo destas intervenções de política de segurança é o extermínio de jovens e a intimidação e repressão dos movimentos social e sindical. com o governo estadual. No capitalismo. todas as candidaturas burguesas não propõem uma mudança global na política econômica. essa iniciativa se expressa na chamada Polícia Pacificadora. No Rio de Janeiro. O programa de segurança nacional do governo Lula é uma reedição ampliada da política de Paulo Maluf quando governava São Paulo: “mais Rota nas ruas”. E Nestas eleições. ao crescimento da desigualdade de gênero. a partir da experiência da ocupação no Haiti. de seus direitos e sua propriedade. Não existe nenhuma maneira de acabar com os crimes em uma sociedade 44 . cerca de 2 mil pessoas morrem todos os dias vítimas de arma de fogo.Violência e direitos humanos: o capitalismo mata A violência e a violação aos direitos humanos são os problemas que mais preocupam a população brasileira. Lula. “bandido bom é bandido morto”. no trabalho ou nas ruas: 90. Hoje. A principal finalidade é o controle social. Antes da eleição de Lula. na escola. A violência armada também é associada à violação de direitos humanos.

dos aos conselhos populares de segurança. brutalidade na ação policial em ocupações. com dos internacionais. e acompanhar o trabalho em nosso país têm classe. enfermagem. subordinaoperários. desenvolva a proassistência material e psicológica. • O PSTU assume o compromisso público em seu progradevem ter punições exemplares. que defenda os interesses dos pobres e dos dos Advogados do Brasil (OAB). que promovem um círculo vicioso de repressão trabalhadores (as). corruptas e de. São as próprias instituições do Estado. já que são os que mais conhecem o próprio bairro. grosserias e formado por membros de confiança da comunidade. Além de investir em tecnologia e apostar no sil convivem o consumo de superluxo e a fome. a favela e mapeamento da criminalidade e em políticas específicas de as mansões. MST etc. Com uma estrutura interna democrática e eleição dos superiores. Aplicarão penas na região. negros e desempregados. e a clara determinação de represmaneira de acabar de combater os grandes narcotrafisão do povo pobre.onde impera a desigualdade.investigação. Terão como função e dirigentes sindicais quando realizam A violência é um dar proteção à integridade física das suas mobilizações. No Bra. como • Formar tribunais de pequenas gerando emprego com salários e condino capitalismo causas com os trabalhadores (as) ções de vida dignas. com punições aos pequenos infratores em forma de serviços comunitários e penas alternativas. de combate a incêndio. rompa os acoronde impera a um programa de apoio à vítima. dução com o controle de nossa classe. desenvolvendo também pagar a dívida externa. relocalização dos • Crimes de autoridades policiais. combate à criminalidade. condições de trabalho como as do restante do funcionalismo público. desigualdade. o povo negro que vive nas favelas e nos bairros controlar e trabalhar com policiais nos bairros. • Formação de grupos comunitários encarregados de do Brasil. como tariado civil para combater a violência e a criminalidade. Por isso há violência.). a polícia e os tribunais na região. sem fa. Com salários dignos. como no capitalismo. prisão e mortes nas favelas (como MTST. • Os delegados. auditoria patrimonial para aqueles que as criaram. bairros da periferia. poderá combater a membros da comunidade para julgar criminalidade e a violência. A classe burNão existe nenhuma de inteligência e investigação. com a construção de um volundo Rio.sas pessoas receberão treinamento militar. Esagressões contra jovens. Fim imediato das ma eleitoral de combater a criminalização dos movimentos tropas encarregadas de repressão das manifestações e dis. os casos que ocorrem nesses locais.sociais e de assumir para si as bandeiras do seminário nacional contra a criminalização dos movimentos sociais. políticas e judiciárias trabalhadores de segurança após prévia capacitação. formados por cadentes. produto da miséria. • Fim da atual estrutura policial e criação de uma polícia do nos dias 21 e 22 de outubro de 2008 na sede da Ordem civil unificada. cantes que intimidam a população Somente um verdadeiro governo socom os crimes em mais carente nas favelas e nos baircialista dos trabalhadores que deixe de uma sociedade ros pobres. técnicas de lar na criminalização de trabalhadores investigação etc. No caso pela comunidade. realizatúrbios sociais. Com direito a sindicalização e de realizar greves em defesa de suas reivindicações. a do Pinheirinho (em São José dos Campos). • Desmilitarização da Polícia Militar. e capacitação profissional para Um prOgrama DOS TraBalHaDOreS COnTra a viOlênCia 45 . • Fim das empresas de segurança privada. pessoas e aos bens dos trabalhadores Sem dúvida. Além guesa. sindicatos e organizações populares e crime. em Brasília (DF). promotores e juízes devem ser eleitos O aparato de repressão policial existe para reprimir e agir de maneira coercitiva contra o povo pobre.

15. Em algumas cidades mais ricas. Embora a pobreza se manifeste em diversos aspectos. pois não são dadas oportunidades para que os trabalhadores e seus filhos superem o nível socioeconômico em que vivem. das riquezas naturais. são segregados em áreas até então não ocupadas. isto é. que só visam o lucro. a pobreza não é natural. que vivem de bicos ou estão desempregados.85% dos chefes de família têm renda de até um salário mínimo. rede de esgoto ou coleta de lixo domiciliar. como desmoronamento. fato agravado pela escassez de transporte público. onde há precariedade de serviços de consumo coletivo como supermercados. no estado de São Paulo. baseado na exploração da mão-de-obra. o Mapa da Pobreza Urbana do Brasil. aponta que. em 1998. a re- dução dos gastos com serviços públicos e com os programas sociais. que se baseou em dados do censo de 2000 do IBGE. só agravaram a pobreza. Além disso. a infra-estrutura. isto é. da terra. áreas ao redor da cidade. Estes trabalhadores vivem principalmente em favelas e em 46 . para fora do centro das cidades. ou mesmo aos serviços públicos básicos de saneamento e eletrificação. Os anos de neoliberalismo. Impossibilitados sequer de residir na periferia. e mesmo a legalidade da terra onde esta edificada.Habitação e planejamento urbano embora a pobreza se manifeste em diversos aspectos. chegando a uma renda 50 vezes maior para as famílias mais ricas. eletricidade e coleta de lixo. no Brasil. No Brasil. sem infraestrutura e sujeitas a riscos ambientais. 6. sem água encanada. esses trabalhadores mais pobres. a pobreza não é uma etapa provisória da vida das pessoas. aquela que nega aos trabalhadores as condições materiais necessárias para sua sobrevivência. com o desemprego. material e forma de construção da moradia. esse índice se eleva ainda mais. levando um grande número de trabalhadores a viver em condições subumanas. padarias e farmácias. que vive em situação de extrema pobreza. esgoto. riqueza nas cidades não significa qualidade de vida para todos. em benefício de uns poucos. enchentes etc. Os trabalhadores são empurrados para a periferia. sua forma mais concreta e visível é a condição de habitação. localização. Ela existe em razão do sistema capitalista. Esse sistema perverso retira da maioria da população a possibilidade de ter acesso à terra e à moradia. 5% das famílias mais ricas tinham um rendimento médio pelo menos 28 vezes maior que 5% das famílias mais pobres. Ou seja. onde nem sempre contam com serviços de água.57% da população vive em situação crítica no que tange ao saneamento básico. Ainda que seja um problema histórico. De acordo com o Seade. No Brasil. o desempenho econômico representou poucos benefícios para uma enorme parcela da população. sua forma mais concreta e visível é a condição de habitação A pobreza é uma das faces da exclusão social. geralmente distantes dos postos de saúde e das escolas.

casa. que só dependem de vontade política pra regularização. é para poder determinar a qualidatapete necessário destruir o construído para de de vida nas cidades. dos centros urbanos. sobretudo àqueles que vivem em condições subumanas. esconder a miséria debaixo do tapete. dividem o fruto da corrupção entre os governos e buintes. na maioria das vezes. Mas a classe os governos aplicam ciar a população sem moradia. Nas cidades. construção civil. para que seja paga pelos contrisua vez. mais são milhares de casos. O projeto “Minha dicados. não podem se beneficiar de e avenidas. só é clandestino para as prefeituras. Esses loteamentos são chamados clandestinos porque não tiveram autorização do poder público para serem comercializados. não são projetados para benefipopulação mais pobre. os governos aplicam uma política de higienização social. tipos de transporte. a população trabalhadora. esconder ficuldade. Muitas áreas urbanas são mantidas sem nenhuma fun. que expulsa os pobres dos centros urbanos. Trata-se de uma política para maquiar as cidades. O resultado são vernos. Pelos modelo de transporte de massa. As cidades pascionais são insuficientes e precários. na verdade. dar lucros a granmônio histórico também são prejuuma política de des construtoras. Além disso. se construir desde o alicerce pelas empresas de construção. São obras de má qualidade. são bairros irregulares. que. como o BID.loteamentos clandestinos concentrados em áreas distantes dos centros. deixando-os sem acesso ao trabalho e confinados na periferia.possuem informações privilegiadas repassadas pelos gotam especificações mínimas de segurança. estão cheios de rachaduras e vazamentos. tanto do governo pelo país afora. Muitas vezes. deslizes de morros etc. federal quanto dos governos estaduAs grandes vítimas são sempre a ais. Não raramente.ternacionais. o meio ambiente e o patrivisam. Mas os trabalhadores que lá residem pagaram pelos terrenos. que não fiscalizaram os loteadores. Eles média. O loteamento. em poucos anos.Estes grupos econômicos através de lobby e corrupção pulares são muito pequenas. o planejamento urbano é feito para beneficiar as empreiteiras e não as necessidades e a qualidade de vida da população. tamente visando o lucro. Todas as cidades deveriam ter Trata-se de uma Os moradores que ocupações que um plano diretor que englobasse já construíram suas casas. embora transporte. planejamento da mobipolítica para maquiar precariamente. Os casos mais divulgados. a miséria debaixo do nenhum programa habitacional. no Rio. Veio na esteira da crise econômique estão sendo destruídos para que ca mundial e tem como objetivo alasejam erguidos edifícios. construção de ruas as cidades. A ocupação e verticalização higienização social. não cobraram qualquer multa nem puniram estes empresários fraudadores. com suor e muita dilidade urbana.das cidades deve trazer benefícios à população trabalhação social para especulação imobiliária. vancar a economia. Isso sem falar no grau de corrupção das empresas da sam a ter a cara que interessa aos grupos econômicos. na verdade. Além de promover a exclusão. jus. ultimamente. Minha vida” é um bom exemdo centro afeta os prédios históricos que expulsa os pobres plo. são o do Jardim Pantanal em são Paulo e o programas habitacionais do Morro do Bumba. por financeiros internacionais.quem dá as cartas é o setor imobiliário. Todos os programas habitacionais. ou seja. os dora. Não é raro a farra ter financiamento de organismo incasas e apartamentos que. Para nós. os programas habita. É preciso mudar radicalmente esta situação. As casas construídas pelo programas po. Nos planos diretores. A riqueza políticos facilitadores. e as construtoras não respei. Essa situação não raro leva a desastres como alagamentos. sobretudo da população pobre. O valor real gasto na construção ainda aumenta a dívida dos governos com os organismos é muito inferior ao recebido pelas empreiteiras. As vendas dos terrenos foram feitas a céu aberto. Higienização social 47 . donos dessas áreas não pagam impostos. pois ao financiar as campanhas eleitorais cobram a fatura. programas até hoje apresentados.

5. da preservação do meio ambiente e do patrimônio histórico. para deliberar sobre obras e planejamento urbano. e uma proposta para minimizá-las onde já existem. Pensamos que deveria existir um combate às conurbações. pois nas cidades de pequeno porte. contaminando solo. Apenas 36% do esgoto gerado recebe algum tipo de tratamento. a situação é ainda pior. em pleno século 21. • Criação de uma frota federal de transportes coletivos urbanos e interurbanos. para construção de 7. estudantes e desempregados. Somente 50. não é um bom mote eleitoral. 3) planejamento Urbano • Análise dos impactos ambientais e sociais de todas as novas construções e empreendimentos. Conurbação As grandes cidades vivem o fenômeno das conurbações. captação e aproveitamento de águas pluviais. especialmente daquelas que se destinam à especulação imobiliária. Cerca de 18 milhões de brasileiros não tem sequer banheiro. Mas tem influência direta na saúde pública. com efetiva participação popular. segundo a mesma pesquisa. tais como ocupações.9% da população. e também do acesso das populações dos bairros mais distantes do centro aos serviços públicos e privados de interesse social. que estabeleça os planos e formas para crescimento urbano. praias e mananciais. inclusive no fornecimento de água. onde elas ainda ainda não existem. a fim de detectar e reparar eventuais vazamentos. Extensão à toda população os serviços de saneamento básico. praças de esporte e lazer. 2) plano de moradias populares • Plano de obras públicas. exatamente igual aos tempos em que desembarcou por aqui a família real. rios. Desapropriação de áreas para construção de moradias 4) Conselho Federal popular de Habitação • Formado pelos representantes dos sem-teto e das ocupações. • Construção e implementação de Centros Culturais e Esportivos nos municípios que ainda não os tenham. trazendo impactos diretos na saúde da população brasileira. que serão abastecidos com a produção local e fornecerão alimentos a preço de custo. sobretudo para as famílias com renda de até três salários mínimos. através da criação de Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis). com isso.Saneamento básico e tratamento de esgoto Segundo a Fundação Getúlio Vargas – Instituto Trata Brasil –.4 bilhões de litros de esgotos sem tratamento são jogados na natureza no Brasil de um total de 8. • Revisão da rede de distribuição de água das cidades. serviço de esgoto e trânsito das regiões. 1) plano emergencial • Regularização de todos os assentamentos urbanos. através do incentivo à agricultura de policulturas e a implementação de uma rede federal de restaurantes populares. sem participação de empresas privadas. 48 . financiado pelo não pagamento das dívidas interna e externa. previstas no Estatuto das Cidades. • Proibição de construções nas divisas entre cidades. como condição para autorização das obras. a partir do pressuposto de manutenção da população onde reside. água. • Realização de Plano Diretor.9 milhões de moradias populares (para acabar com o déficit). visando o fim do déficit habitacional. favelas e loteamentos clandestinos. Isso significa que. com determinação de distância mínima para. tratamento do esgoto doméstico e coleta seletiva de lixo. escolas. Isso nas grandes cidades. construir um corredor ecológico. • Programas rígidos de proteção e recuperação de mananciais. pela população trabalhadora e pela juventude. sem dúvida prejudicando a qualidade de vida das pessoas. O grande problema é que este tipo de construção não aparece. • Criação de um programa de integração entre a zona rural e urbana dos municípios.4 bilhões recolhidos. têm acesso a saneamento básico. postos de saúde. que serão realizados de forma integral. diariamente. reciclagem de águas. populares. boa parte da população brasileira ainda vive no século 19. com passagens a preço de custo e passe-livre a idosos.

49 .

do ilAeSe s recursos naturais. geradora de guerras e invasões por parte dos paises imperialistas AmériCo gomeS e DAlToN SANToS. altamente poluente e politicamente belicosa. transporte. A natureza jamais pode igualar a taxa de criação dos recursos naturais com a taxa de consumo predatório atual. Segundo um estudo realizado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). Em abril de 1987. O petróleo e o gás natural cumprem os papeis tanto de combustível (para a indústria. A escala de tempo geológico para a criação de combustível fóssil é milhões de anos. sem comprometer a capacidade das gerações futuras. com fontes limpas e renováveis de produção de energia. No entanto a Terra não tem mais capacidade de absorver os gases provenientes de sua combustão (o gás carbônico. custosa. para a indústria petroquímica onde atualmente é insubstituível. a extração deste combustível se torna cada vez mais cara. Os combustíveis fósseis ainda são responsáveis pelo O fornecimento de três quartos da energia consumida no mundo. que foi criado em milhões de anos. e uma enganação para a 50 . Este petróleo. definido como aquele que responde às necessidades do presente. o Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. 40% das emissões de CO2 provém da geração de energia e calor a partir de queima de combustíveis fósseis.A construção de uma nova matriz energética1 o uso dos combustíveis fosseis (petróleo e gás natural) de forma capitalista-imperialista se tornam cada dia mais inviável. geração de eletricidade e como de matéria-prima. são não-renováveis ou finitos. casas residenciais e comerciais). criados muito lentamente pela natureza. Consequentemente com sua eminente escassez. responsável pelo aquecimento global). Daí a importância de construção de forma rápida de uma nova matriz energética. disseminou a expressão “desenvolvimento ecologicamente sustentável”. grande vilão do efeito estufa. posteriormente denominado “Nosso Futuro Comum”. isso por que já foi ultrapassado o auge das reservas produtivas e estas começaram a decair. Mas isso é uma utopia imperialista. a maior parte da produção atual de petróleo convencional provém de duas épocas geológicas de extremo aquecimento global. está sendo extraído e consumido dentro de um século e meio. 90 e 150 milhões de anos atrás. É impossível a natureza criar novos recursos minerais e fósseis correspondentes ao consumo atual para atender o crescimento econômico das nações capitalistas.

o chão e. Atua como alguém que ficou sem lenha para esquentar a casa e fazer a comida e. finalmente. BP e Conoco/Phillips). Notas 1 Etanol como uma nova matriz energética? Profª. O problema é que todos nós estamos dentro dela. Como raspagem de alcatrão. Esta claro que o desenvolvimento das forças produtivas da humanidade esta travado pelas relações de produção. as Big Oil (ExxonMobil. buscando adiar no tempo a previsão de crises energéticas. Um exemplo é a perfuração em águas profundas. pelo menos nas próximas décadas. Maria Flávia de Figuei- redo Tavares – ESPM SP 51 . do que preservá-lo. freia o desenvolvimento de fontes e tecnologias alternativas que poderiam gerar uma matriz alternativa. “por sua voracidade. além disso. que além da grande emissão de CO2 coloca a possibilidade de grandes acidentes ecológicos. além de uma questão de soberania nacional. Shell. a casa inteira. Querem aumentar o aproveitamento dos combustíveis fosseis através de diferentes tecnologias. na defesa de seu monopólio internacional estão convencidas que é melhor destruir o mundo em busca de seus lucros. arriscados. geraria inclusive um excedente de energia. subsidiados por dinheiro publico. A ruptura das relações capitalistas na área de energia é um fator essencial para a sobrevivência e desenvolvimento da humanidade. assim como nacionalização completa da Petrobras e a volto do Monopólio Estatal do Petróleo. são utilizados em experiências com métodos caros. particularmente para nosso pais. as portas. que tenha como uma das bases a energia solar. finalmente. começa a queimar as janelas.. (.maioria da população. Por isso o PSTU propõe como saída a expropriação sem indenização de todas as concessões das grandes multinacionais petroleiras no Brasil. ao invés de buscar uma alternativa. O salto para uma matriz energética de caráter superior esta travado pelos interesses das grandes companhias de petróleo (Big Oil) na medida em que elas querem reproduzir as mesmas relações sociais de produção as quais permitem reproduzir as atuais relações capitalistas de produção.) destrói a natureza e. como a que querem fazer no Pré-Sal. escavação de montanhas e perfurações profundas nos oceanos. Com isso poderemos desenvolver uma matriz energética combinada. perigosos e ambientalmente nefastos. para toda a área energética a nacionalização de todas as empresas que atuam nesta área pois aqui se trata de um problema estratégico para o desenvolvimento industrial do pais e de toda a população. Chevron..” As grandes multinacionais petroleiras. que tem um grande potencial em várias matrizes. A explosão da plataforma da BP no Golfo do México é o maior acidente ecológico de todos os tempos e matou e mutilou dezenas de trabalhadores. Não gastam em investimentos para o desenvolvimento de energia limpa. o capitalismo imperialista faz exatamente o oposto: desperdiça a energia. Ao contrário. seus recursos financeiros.

com largas cachoeiras e fortes corredeiras. florestas. peixe e transporte as comunidades indígenas e tradicionais ao longo de uma extensão de 130 km na Volta Grande do Xingu. Em Rondônia. para dar lugar às usinas do Rio Madeira. a flora e parte da natureza intocável e de rara beleza serão destruídas. A fauna. Com isso degradam os recursos hídricos e o meio ambiente de forma irreversível. professor da Unicamp e pesquisador da área de hidrelétricas. mas cercada pelo seu próprio esgoto jogado nos vários igarapés que a cruzam antes de desaguar 52 . Configura-se como um projeto economicamente perdulário. cidade que se tornará outra São Paulo. O rebaixamento do lençol freático poderá vir a destruir a produção agrícola da região. arquipélagos. “mais de vinte mil pessoas serão expulsas de suas moradias. dos quais nem um terço foi indenizado! O caso emblemático sobre esta questão é a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A formação de pequenos lagos de água parada entre as rochas da Volta Grande propiciarão a proliferação do mosquito transmissor da malária. Não é limpa porque emite metano. Segundo Oswaldo Sevá. Representa um dos maiores ataques ao meio ambiente nas últimas décadas.O fracasso do modelo energético brasileiro AmériCo gomeS e DAlToN SANToS. Belo Monte irá inundar uma área de 500 quilômetros quadrados e desviar quase todo o fluxo do Xingu para a usina na barragem através de dois canais artificiais. somadas ao milhão de brasileiros atingidos pelas barragens. em razão do assoreamento. Principalmente termelétricas. Esse desvio do fluxo do rio deixará sem água. do ilAeSe o modelo energético brasileiro foi criado pelo governo FHC mas mantido em sua alma e espírito. com o desalojamento de populações inteiras. gás que tem uma contribuição 20 vezes maior que o CO2 para o aquecimento global. bem menor claro. assim como a qualidade da água. Tentam passar o mito de que a hidroeletricidade é uma energia limpa. além de aumentar os problemas sociais. cujas emissões aéreas exercem um impacto crescente sobre o meio ambiente. socialmente desastroso e ambien- talmente devastador. canais naturais rochosos – se tornarão secos ou serão reduzidos a um filete de água. engrossando as fileiras da miséria. afetando os produtores indígenas e não indígenas. Itaipu afogou o Parque Nacional de Sete Quedas na década de 1970. Não é renovável porque os reservatórios têm vida útil prevista para 100 anos. serão mais de 5000 famílias jogadas nas estradas e na capital. Animais serão extintos e os modos de vida locais se perderão em definitivo. e renovável. a maioria delas nos bairros de Altamira. pelo governo lula e sua ministra de minas e energia Dilma rouseff A progressiva demanda de energia tem exigido a construção de novas usinas geradoras de eletricidade.

Os efeitos são: desmatamento ilegal para dar lugar ao plantions. Sem falar na baixa qualidade de vida das populações envolvidas neste negócio. Dos Santos 53 . trigo. um dos projetos prioritários do governo federal. aumento da violência no campo decorrente da expulsão de camponeses e posseiros. pobreza rural e urbana. Mas a verdade é que a cana. decorrente do êxodo e da baixa incorporação de trabalho. Na ponta do processo. Odebrecht e Andrade Gutierrez. especialmente da Mata Atlântica.. dez a menos que um escravo tinha à época da abolição. etanol do latifúndio Os defensores biocombustível afirmam que eles não causam danos ao meio ambiente. chegando a quase 10 milhões de hectares em meados da próxima década. empreiteiras como Camargo Corrêa. na outra ponta.no Xingu. com a usina em funcionamento. representando cerca de 528 milhões de toneladas. Direcionado para o plantio de etanol nos mega–latifúndios do semi-árido nordestino. de habitats e ecossistemas. batata.2% sobre a safra anterior. Engenheiros Florestais da Fundação AVINA (Brasil Sul e Pantanal). De acordo com projeções de entidades patronais do setor. aumento e aparecimento de novas doenças. é uma fonte de energia natural. Vale. Ele é um bom negócio para poucos. Caso tais previsões se confirmem. Importante considerar que o desmatamento é uma das principais causas do efeito estufa. Até 2012 a perspectivas é de co-gerar o equivalente à capacidade de uma usina Itaipu e meia em bioeletricidade. Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. renovável e sustentável. Gerdau e CSN. Especialistas sinalizaram que um trabalhador deste ramo tem cerca de 15 anos de “vida útil”. por que fazer a hidrelétrica de Belo monte? A obra privilegiará sobretudo os grandes grupos econômicos – da sua construção ao consumo da energia. feijão. soja e o eucalipto são produzidos em regime de extensas monoculturas com sérios impactos negativos. aceleração do processo erosivo e de carregamento de sedimentos. a área ocupada pela cana crescerá mais de 50%. como arroz. Notas 1 O etanol além da verdade oficial que nos vendem todos os dias.. o número de usinas de etanol deve crescer 30% no país em apenas cinco anos . Ainda por cima o projeto é inviável pois a grande oscilação entre cheias e secas do rio Xingu vai transformar a hidrelétrica de Belo Monte numa imensa usina “vaga-lume”. perda e fragmentação de áreas com vegetação nativa. Miguel Serediuk Milano e André Rocha Ferretti. ampliação da concentração fundiária.2 A transposição trará interferência nas populações indígenas.pulando das atuais 248 para 325 unidades de produção na safra de 2012/2013. conseqüência: alta dos preços dos alimentos. Isso quando as plantações de cana-de-açúcar e a produção de etanol não utilizam diretamente o trabalho escravo. cebola. Membro da coordenação do “Observatório do Clima.1 Ou a transposição do rio São Francisco para o SemiArido. e com inundações cada vez mais calamitosas e putrefatas”. a agroindústria da cana-de-açúcar fatura cerca de US$ 8 bilhões anuais e na safra 2007/2008 houve um crescimento de 11. multiplicação do uso de agrotóxicos e demais agro químicos. modificação da composição e risco de redução da biodiversidade das comunidades biológicas aquáticas nativas das bacias receptoras. os beneficiados com sua energia serão Alcoa. interferência com o patrimônio cultural das populações atingidas. 2 Necro-Combustíveis: Um vampiro não pode viver sem sugar sangue. aumento das importações de produtos historicamente produzidos pelo Brasil. limpa. Dal- ton F. Tomemos o exemplo anterior do pró-álcool e a expansão das fronteiras agrícolas canavieiras sobre os remanescentes florestais. Votorantim.

foram registrados 282 mortes de trabalhadores na área petroleira.8% das ações estão nas mãos da União e mais de 50% estão negociadas na Bolsa de Nova York. transporte. Mas o mais interessante é que a produção média anual em 1989.5 milhões de barris de óleo equivalente.2 com a política privatista de FHC. 62 mil trabalhadores. era de 701 mil barris diários. refino. referentes ao ano de 2009.000. precarização e morte A Petobras chegou a ter. importação/exportação. o que representa um aumento de 13. benefícios e direitos. do ilAeSe A Petrobras é 9ª maior empresa do mundo. desses 227 eram terceirizados. Em junho de 1998 a produção superou 1 milhão de barris e atualmente. A manobra culmina com a criação de uma empresa estatal gerenciadora da entrega do petróleo para as transnacionais. Isso leva a diminuição da massa salarial. ao invés do “melhor preço”.Somente 32. a Petrobrás aponta que o número atual de empregados terceirizados está em 295. é 2. distribuição e petroquímica. Portanto produz mais que o dobro com praticamente a mesma quantidade de trabalhadores.35% em relação ao ano anterior.1 O problema é que seu crescimento é conseguido com a utilização do patrimônio nacional e nossas reservas petrolíferas. enquanto a maioria das ações ficam nas mãos dos grandes especuladores internacionais.000 de trabalhadores.260.245 bilhões de dólares em valor de mercado. Foi a companhia que mais pagou dividendos nos últimos dez anos . produção. Com o pré-sal. reestatização total da petrobras A NOVA PETROBRAS será uma empresa integrada em toda a cadeia produtiva: exploração. em março de 2010. baixou para 39 mil em junho de 1998. Agora o governo quer transformá-la numa das maiores prestadoras de serviços do mundo para as transnacionais petrolíferas do imperialismo. De 1995 até 2009. O modelo de contratação das “terceiras” é baseado no “menor preço”. inclusive fatais. com 199. Assim como o elevado número de acidentes. em 1969. Em 2010 distribuiu em dividendos 8.Estatização completa da petrobrás “Petrobrás 100% estatal” AmériCo gomeS e DAlToN SANToS. 54 .335 bilhões de reais a estes acionistas. Apenas 2% dos contratos feitos levam em consideração a questão técnica.aproximadamente R$ 20 bilhões. estima-se que esse número passará de 1. A empresa fala em contratar mais 10 mil até 2013. Em seu relatório de atividades. Atualmente o número de trabalhadores próprios está na casa dos 70 mil.

2 55 . principalmente pelos médios e pequenos produtores. Favorece o aumento da inflação com aumentos de preços. quase totalmente dependentes de empresas multinacionais estrangeiras. Notas 1 Consultoria Ernst & Young considera os valores fechados em 31 de deContratados. com ênfase nas outras estatais. e a integração energética no Mercosul e na América Latina como um todo Retomando a participação na produção e mercado de fertilizantes e insumos agrícolas.Será um instrumento estratégico de aplicação das políticas energéticas nacionais e soberania da nacional. Esta medida fará baixar o preço do combustível principalmente para os meios de transporte coletivos e de carga. Com este alinhamento perdem todos. Perde a Petrobras pois sua atividade de refino apresenta uma das menores margens de lucro. subsidiado. sendo feita. Agente de desenvolvimento nacional com a aquisição de materiais. preferencialmente. Sindipetro RJ zembro de 2009. Organizar para Lutar. pois deixa de utilizar o combustível para o desenvolvimento do pais. no Brasil. equipamentos e serviços. Perde a economia nacional. Estabelecendo diretrizes que visem alianças entre companhias estatais de petróleo. de forma a contribuir para a redução dos custos de produtos agrícolas. gasolina e gás mais baratos Com o Monopólio Estatal e a Petrobras 100% estatal poderemos acabar com o alinhamento dos preços dos derivados às flutuações dos preços do óleo no mercado internacional. O preço da passagem e ônibus será irrisório os alimentos serão mais baratos. que hoje oneram e inviabilizam a produção. E o gás de cozinha poderá inclusive ser distribuído gratuitamente para a população mais carente.

dos “traficantes da arte”. porque o desenvolvimento cultural depende muito da situação econômica geral do país e principalmente da situação econômica da classe trabalhadora. das forças do mercado. Marx e Engels já haviam 56 . dominando-a tanto econômica quanto ideologicamente. Os discursos do governo e da burguesia sobre a liberdade artística são pura hipocrisia. a dança. O músico. este programa faz parte de um todo. os hábitos. que faz da arte a mais reles mercadoria. a pintura. um conjunto de questões que se interligam. O centro do problema a ser atacado hoje na questão da Cultura é a sua privatização.Um programa de luta pela cultura A questão da Cultura é muito importante para todos os trabalhadores. tudo o que a humanidade vem construindo em sua história. no capitalismo. o cinema. enfim. nos países coloniais e semi-coloniais. quando são verdadeiras. as criações artísticas que. a literatura. exprimem os sentimentos mais profundos do ser humano. o sentido mais comum de cultura são as artes: a música. A Cultura tem relação com a Educação e sobretudo com a Economia. que envolve a linguagem. como o Brasil. não apenas os artistas. A burguesia e seus sucessivos governos fizeram da cultura um negócio. Por isso. em que tudo obedece à ditadura do dinheiro? A submissão do artista ao capital não provém de sua venalidade. obedecem as leis de mercado e as necessidades da burguesia de manter a sua dominação sobre a classe trabalhadora. Todos os problemas relativos à cultura hoje. de manter a exploração e a opressão sobre os trabalhadores. A Cultura é algo amplo. A arte e a cultura. o pintor. enfim. todos dependem do editor. o artista de teatro e cinema. mas também porque no capitalismo a Cultura é usada pela burguesia em proveito próprio e também como forma de ganhar dinheiro. Como falar de liberdade para o artista numa sociedade em que a arte é uma mercadoria. o palhaço do circo. a poesia. o teatro. É preciso defender a Cultura contra os ataques da burguesia e do grande capital. as habilidades. e colocando-a a serviço de seus valores e de suas concepções de vida. do empresário. mas das condições objetivas do regime capitalista . E também a serviço da privatização das empresas estatais. Mas não se pode discutir a Cultura sem discutir as demais questões sociais. a sensibilidade. Daí a importância de traçar um programa socialista de luta em defesa da Cultura. contra os interesses da classe trabalhadora. A Cultura é importante para os trabalhadores não apenas porque todos devem ter direito a usufruir dela. o escritor. têm a ver com essa relação mercantil.

Logo. Hoje. e que deveria servir para a emancipação humana. o capitalismo transforma-se em um sistema universal de dominação colonial e estrangulamento financeiro da imensa maioria da população do planeta por um punhado de países “adiantados”. Reverter essa tendência não seria simplesmente uma necessidade “cultural”. porque tudo o que a cultura já conseguiu avançar até hoje. por meio dos monopólios e dos grandes bancos . tanto do ponto de vista ideológico quanto econômico. contribui com parte importante da riqueza nacional. a iniciativa privada vem avançando sobre esse setor estratégico para o país. até então. o poeta. como produto e objeto. de que no capitalismo a educação serve para fazer os trabalhadores “aceitarem” ser classe proletária. publicado pela Auditoria Cidadã da Dívida em 30 de março de 2010. os valores de uso inseridos nos produtos culturais se amoldam aos seus valores de troca. em produtos para o consumo. ao invés de formá-los. Lênin afirma que. Dados do Minc mostram que em 1997 o segmento cultural na economia brasileira movimentou 1% do PIB (equivalente a 7 bilhões de reais). o jurista. nos seus hábitos. no Manifesto Comunista: “A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades que passavam. confirma o estrangulamento financeiro da população brasileira como em nome de quem ocorre esse estrangulamento. nos quais seu valor de troca antecede seu valor de uso. mesmo com pouco investimento estatal. que se inoculam nos bens culturais no momento em que se convertem em mercadorias. o sábio. com implicações ainda pouco previstas e discutidas pela classe trabalhadora. é a expressão mais desenvolvida da crise da sociedade burguesa em que vivemos. com isso. mas o orçamento público destinado à área cultural foi de apenas 0. Falamos do trabalho. sua degeneração em produto de consumo. Os dados são antigos. o padre.dito. a cultura continua relegada a segundo plano pelo Estado e. a cultura.06% do PIB. de desatá-la das mãos do capitalismo.02% do PIB. por exemplo. a serviço da emancipação humana. Estamos realmente progredindo?. como forma indireta de manipular a própria classe trabalhadora. Hoje. mas uma necessidade política. A frase de Marx. É preciso afirmar e reafirmar que não poderá haver uma cultura verdadeiramente livre enquanto persistir essa situação. O exame do Orçamento Geral da União – Executado – 2009 no governo Lula. a privatização da cultura. Portanto. única forma de atingir uma arte e uma cultura verdadeiramente livres. O lugar da cultura no orçamento nacional Para analisar a situação da arte e da cultura devemos partir do exame da situação da economia e do grau de dependência dos países coloniais e semi-coloniais em relação ao imperialismo. O resultado é um acelerado processo de privatização. interiorizando a dominação. 57 . Apesar das promessas do governo Lula. dizemos que o trabalho forma os homens. A arte não está conseguindo ajudar a humanidade a livrar-se da barbárie porque está vinculada a uma determinada formação social: o modo de produção capitalista. moldando os sentidos humanos para aceitar que esse seja o único caminho possível. A deficiência da experiência cultural e artística continuada constitui a característica mais marcante da sociedade em que vivemos. A própria organização da cultura segue os preceitos do modo de produção das mercadorias. do ponto de vista econômico. trabalho morto que deforma os homens. nosso programa tem de partir da necessidade urgente de emancipar a cultura. A indústria cultural expressa a forma repressiva da cultura. e isso coloca em xeque a noção de “progresso da humanidade”. um Programa para a Cultura tem de atacar o nó do problema: a sua privatização e transformação em instrumento que se volta contra os próprios trabalhadores. a sua forma autoritária e destruidora da identidade humana. vem servindo para aprofundar as desigualdades e o fosso entre as classes sociais. que lhes quita autonomia ao invés de conduzi-los a uma autonomia cada vez maior. Hoje o orçamento é de 0. A política cultural na democracia burguesa determina toda a estrutura de sentido da vida cultural por meio das regras e das estratégias da produção econômica capitalista. a transformação da arte em mercadoria. ao ser utilizada pelo Capital para aprofundar a exploração e manter o atraso no nível de consciência dos trabalhadores. é preciso perguntar. aos interesses econômicos da indústria. quando a participação da cultura na economia mais do que triplicou. A classe trabalhadora – incluindo os artistas – precisa dotar-se de um programa de combate para libertar a arte e a cultura das forças econômicas que a oprimem e manipulam. por veneráveis e que se considerava com sadio respeito. Faz o homem interiorizarse como mercadoria. mas o que se universalizou foi o trabalho alienado e alienante. na fase imperialista. O médico. mas a realidade ainda é a mesma. ela fez deles assalariados a seu soldo” . É urgente deter os rumos da barbárie que avança na sociedade. estende-se para o âmbito de toda a cultura.

ou seja. é preciso ser contundente no combate ao machismo. Ao contrário. de defesa da mulher trabalhadora.Um programa para as mulheres trabalhadoras As propostas para as mulheres da classe trabalhadora foram construídas a partir do acúmulo e da elaboração coletiva da militância do PSTU. A opressão significa a transformação de diferenças em desigualdade social e/ou cultural. os patrões obtêm seus lucros a partir da exploração dos trabalhadores. mesmo sendo mulher. A opressão às mulheres chama-se machismo. Por não acreditarmos que somente as eleições burguesas podem garantir as mudanças necessárias à sociedade. Por isso. As mulheres burguesas. Essas. nenhuma mulher burguesa. Um programa que visa atender aos trabalhadores tem de ter um caráter classista. pois é ela quem sofre as maiores conseqüências do sistema e são aliadas no processo de transformação social. minas. apesar de serem vítimas da opressão. terras. É a através da diferença de gênero que o capitalismo justifica as diferenças salariais entre homens e mulheres. Não querem mudanças que as façam perder os privilégios garantidos pelo capitalismo. É uma atitude de se aproveitar das diferenças que existem entre os seres humanos para colocar uns em desvantagem em relação aos outros. tendo em vista que a construção uma sociedade socialista só se concretizará a partir da luta direta dos trabalhadores (as) SeCreTAriA NACioNAl De mUlHereS A exploração é definida como a apropriação dos frutos do trabalho de uma maioria pelos proprietários dos meios de produção (fábricas. Além disso. É através da opressão que se cria a ideologia de que as mulheres são responsáveis pelos cuidados domésticos e pela criação dos filhos. A opressão justifica a exploração enquanto a exploração ajuda a manter a opressão. que são a minoria. ajudam a sustentar um sistema excludente e contribuem com a exploração de outras mulheres. na intervenção da luta de classes. numa relação combinada. por sua vez. constitui-se em um programa para ação. o objetivo é apresentar as principais bandeiras que serão defendidas por nossos candidatos (as) nas eleições de 2010. já que ele é um componente fundamental 58 . Em outras palavras. é capaz garantir os direitos das trabalhadoras. etc). não sofrem a exploração capitalista. estão submetidas à opressão e à exploração.

De acordo com pesquisa publicada pela Folha de São Paulo. A violência acaba sendo permissiva pela ideologia de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. No Brasil. são a maioria entre as mais pobres do mundo (70% do total). Assusta ainda mais ver uma jovem ser morta de maneira cruel por um famoso jogador de futebol. laica e de qualidade. é preciso fortalecer a luta contra o machismo para fortalecer as mulheres trabalhadoras. Apesar disso. estão nas funções menos especializadas. por serem mais dependentes econômica e juridicamente da família. Isso isenta o Estado de suas responsabilidades. que cresceu enormemente. que deveria criar restaurantes. Apesar dos avanços conquistados pelas lutas das mulheres ao longo do tempo. além de correrem o risco de ser presas. ainda ocupam os postos de trabalhos menos especializados e ganham até 40% menos que os homens. Por não terem dinheiro para realizá-lo nas clínicas particulares. As mulheres jovens sofrem mais com a imposição de comportamentos. O turismo sexual e a prostituição são destaque negativo do país em nível internacional. entre os empregados domésticos em São Paulo. ainda demonstram que as mulheres ainda são valorizadas pelos atributos que podem oferecer aos homens. sem sofrer coerção. as “piadas inofensivas”. a situação é ainda pior. do avanço das idéias neoliberais. de cada 7 mulheres brasileiras entre 18 a 39 anos. Em se tratando das mulheres negras. o aborto já é legalizado. sobretudo a partir da década de 1990. porque entre outras coisas era uma “Maria chuteira”. moralismos. O agressor é geralmente o homem com quem ela vive ou viveu. No Brasil. muitas morrem ou ficam com seqüelas. 59 . quando “a última criança vai dormir”. não por suas qualidades. a mulher-objeto. por falta de emprego e educação gratuita. a cada 15 segundos. as mulheres são a metade da população mundial e correspondem a 42% da população economicamente ativa. em decorrência disso. A cada 2 horas. Situação das mulheres trabalhadoras Hoje. uma mulher é vitima de violência. a mídia e a burguesia tentam passar a impressão de que o machismo acabou. ajudando a diminuir. de direito democrático das mulheres trabalhadoras decidirem sobre seus corpos e. também. de maneira global. Dados oficiais revelam que 1/3 das famílias brasileiras são sustentadas unicamente pelas mulheres. A realidade e as estatísticas ainda demonstram o contrário. observamos que em decorrência do refluxo da luta dos trabalhadores. o que. creches para todas as crianças. Os capitalistas utilizam a diferença de gênero para ampliar a exploração e transformar a mão-de-obra feminina num exército de reserva. colocaram-na em uma posição distinta da quase feudal esposa. através de suas lutas. que nega às mulheres o direito a se defenderem por não terem políticas efetivas de combate e punição de agressores. As estatísticas demonstram a mesma lógica: de que as mulheres trabalhadoras são as que ganham menos. Escandaliza a todos assistir ao quase linchamento de uma estudante por usar uma “minisaia” dentro de uma universidade privada. para libertar as mulheres da escravidão do trabalho doméstico nãoremunerado. Por exemplo. Mas a violência do machismo não está somente em crimes bárbaros. À mulher lésbica e bissexual é negado o controle sobre questões relativas a sua sexualidade. mas da opressão. ideologias e repressão a suas atitudes. Um problema de saúde pública.para sustentar o capitalismo e dividir a classe trabalhadora. lavanderias e creches em período integral públicos e gratuitos. adorada e estampada como objeto de consumo por marcas de cerveja ou carros. 97% são mulheres. somente na América Latina. no emprego e em suas casas. Cerca de 6 mil mulheres morrem por ano. pois são impedidas de manifestá-la publicamente. a situação não é diferente. O fato é que para quem tem como pagar. Só é proibido para as trabalhadoras e as pobres. Mas a maior violência é a do Estado. uma é morta. mas elas ainda ganham menos que os homens para exercerem uma mesma função. em função de abortos clandestinos. Por isso. Mas é também reconhecemos que. Sabemos que os direitos adquiridos pelas mulheres. em maio de 2010. Os índices de violência doméstica e sexual são escandalosos. Continuam obedecendo a uma dupla jornada de trabalho. Essas diferenciações não são decorrentes da “inferioridade feminina”. cerca de 40% declaram já ter feito aborto. por sua vez. o valor pago pelas horas trabalhadas ao conjunto da classe. houve também um retrocesso na ofensiva contra o machismo. bem como. a democracia burguesa ainda as responsabiliza pelos afazeres domésticos e pelos cuidados dos filhos. O requinte da cantada barata. de vida. que acabam presas ou morrendo vítimas de intervenções mal sucedidas e clandestinas. cessa-lhes o direito de decidir livremente. O expediente termina quando terminam as “tarefas do lar”. De maneira geral. discriminação ou violência.

Em 2009. Essa ideologia. em 2004. Recentemente. Antes do gênero do candidato (homem ou mulher) está sua condição de classe: se vai defender os ricos ou a população trabalhadora? As candidatas dos partidos de oposição de direita ao governo (PSDB e DEM). assassinada em seu próprio local de trabalho. mas não atacou o que era essencial: as diferenças sociais e econômicas entre os mais ricos e os trabalhadores. um governo eleito a partir das ilusões da classe num ex-operário metalúrgico no poder. não trouxe avanços às mulheres trabalhadoras. Isso sem falar naquelas que perderam seus postos de trabalho. novamente. ao denunciarem os maridos. Em alguns municípios a lei foi implementada. Nenhuma mulher é capaz de ser “sensível” às demandas dos trabalhadores se não tiver um programa voltado à defensa dos interesses dessa classe. criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. a segunda é uma tentativa de “terceira via” apresentada pelo PV. No início de 2010. ajuda a perpetuar no poder a elite branca e machista que sempre governou nosso país. Elaborou políticas de cunho assistencialista. a licença-maternidade ainda não se transformou em um direito. atendendo à pressão dos setores conservadores. através da criação dos centros de referência de atendimento (CREAS). Prevaleceu a mesma lógica do governo de direita de FHC. Apesar do Senado ter aprovado recentemente a extensão da lei a outros estados. contribuindo para a privatização do serviço público. pois elas teriam “sensibilidade” feminina e “amor no coração”. é que tais centros são pouco implementados pelos municípios e quase sempre funcionam através de parcerias público-privadas. apesar de mulheres. O resultado é que algumas. fechando os olhos para as inúmeras mulheres que morrem vítimas de intervenções mal sucedidas e contribuindo com os lucrativos negócios do aborto clandestino. sancionado em 2004. a Lei Maria da Penha. cortou em 42% o orçamento destinado a esse fim. O SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Crislayne. A realidade.governo lula não trouxe benefícios às mulheres trabalhadoras Após quase 8 anos dos mandatos de Lula. que atribui às mulheres condições criadas culturalmente para oprimi-las. que teria como objetivo principal ajudar no combate à violência contra a mulher. As mulheres. sendo que o caso recente de maior notoriedade foi da cabeleireira mineira.770. A Lei 11. para aju- dar as empresas a saírem da crise. como parte da rede da assistência social (proteção especial). No início do mandato. que atinge principalmente as mulheres. Com menos recursos nessas áreas. Dilma e marina não representam as mulheres trabalhadoras Duas candidatas se apresentam à presidência da República. em parceria com os estados e municípios. pois amplia consideravelmente o tempo requerido de trabalho para a aposentadoria. Dilma Roussef (PT) e Marina Silva (PV). menos creches construídas. ambas ex-ministras do governo Lula. mas que em essência mantém o mesmo projeto do PT. não são capazes 60 . sancionada em 2008. mas pouco as efetivou. bem como. acabam sendo vitimadas pelos próprios denunciados. foram as mais afetadas. Dilma Rousseff ou Marina Silva. O resultado é que a lei sequer foi efetivada em sua totalidade. após denunciar as inúmeras ameaças sofridas. mas da mesma maneira é facultada ao gestor. o governo cortou cerca de 10 bilhões de reais dos orçamentos das áreas de saúde e educação. A primeira é sucessora escolhida pelo PT para dar continuidade ao que Lula vem desenvolvendo. Em seguida. a política de atendimento às vítimas de maus tratos físicos e psicológicos (incluindo as mulheres). prevê. menos políticas específicas para a saúde da mulher. retirou do Estatuto da Igualdade Racial as políticas de cotas que beneficiariam as mulheres negras e vetou o fim do fator previdenciário. Os setores governistas e parte da mídia iniciam uma campanha sobre a necessidade de eleger uma mulher para melhorar o Brasil. prevê a ampliação da licença-maternidade para seis meses apenas para as empresas que aderirem ao programa “SIMPLES” e como ato facultativo ao empregador que tem isenção fiscal. o governo retirou do Plano Nacional de Direitos Humanos a medida que possibilitava as condições para descriminalização do aborto em nosso país. Não basta ser mulher para defender as mulheres. já que as casas-abrigo e os centros de atendimento às mulheres são ainda um projeto. ao contrário do modelo. Sancionou. A garantia da proteção à mulher vítima de violência permanece apenas na letra morta da lei. sem qualquer preocupação do governo em assinar um projeto que impedia as demissões imotivadas. que dá continuidade ao projeto de FHC.

Por isso defendemos: • Garantia de acesso à saúde pública de boa qualidade. que afeta principalmente as mulheres. licença maternidade e creches em período integral.3% a menos do valor pago a um homem. apresentamos candidatas mulheres em vários estados. Defendemos um programa. nossos candidatos. pública. solidária. Mas não defendemos a ”sensibilidade” das mulheres burguesas. Nessas eleições de 2010. bem como. foi a favor do corte no orçamento da Secretaria Nacional de Combate à Violência. Em poucas palavras. estão nos serviços mais precarizados. para combater a exploração. A ex-ministra da casa civil e natural sucessora de Lula em 2011. do PSTU. • Pelo fim do fator previdenciário. são trabalhadores e defenderão as mulheres. a emenda que tratava da legalização do aborto. financiada pelo Estado. • Aumento da licença-paternidade para 01 mês. • Pelo fim da dupla-jornada e do trabalho doméstico. nós. em 2010. não beneficiam os trabalhadores. torna-se mero discurso eleitoreiro. Apoiou a iniciativa do governo em retirar do plano nacional de direitos humanos. • Creches em tempo integral. A sensibilidade feminina. com um programa classista. 53% são mulheres). • Estabilidade no emprego para todas. Sua hora de trabalho custa em média 14. moradia e estudo. pelo exército brasileiro. órgãos públicos e responsáveis que realizarem revistas íntimas e ou demitirem mulheres que engravidaram. sem isenção fiscal. proibição de salários diferenciados para um mesmo trabalho. licença-maternidade entre outros. • Aplicação imediata da licença-maternidade para seis meses para todas as trabalhadoras e estudantes. mulher trabalhadora precisa de candidatura trabalhadora revertes essa situação. • Pelo reconhecimento da profissional do campo (camponesa) como trabalhadora. não se manifestou em favor de nenhuma medida para as mulheres. pois sabemos que o direito à maternidade. apóia a utilização das forças armadas brasileira para oprimir e ajudar na exploração dos trabalhadores e trabalhadoras naquele país. Criação de lavanderias e restaurantes públicos. de acompanhamento pré-natal. pois o estado não nos garante o mínimo:assistência médica. os negros e todos os setores oprimidos. de maneira geral. com atendimento de qualidade e gratuito. Em relação à ocupação militar no Haiti. Zé Maria (presidente) e Claudia Durans (vice-presidente). • Pela anulação da reforma da previdência promovida pelo governo Lula: por uma previdência universal. para todos os filhos da classe trabalhadora. propomos: • Emprego pleno a todas as mulheres. porque nossa unidade é a unidade da classe trabalhadora. única e integral para todos e controlada democraticamente pelos trabalhadores.de defender as mulheres trabalhadoras. órgãos públicos e responsáveis por práticas de assédio moral e sexual no trabalho. sem carteira assinada e sem direitos como férias.Cerca de 80% (cerca de 9 milhões) de crianças em idade de 0 a 3 anos não têm acesso a creches. o machismo e o capitalismo. buscando ampliar para um ano. Ganham os menores salários (dos que ganham salário mínimo. fruto de uma concepção de que elas são sujeitos políticos e devem ocupar esse papel. com profissionais capacitados. na realidade. nos locais de trabalho. diante dos fatos. • Punição às empresas. • Igualdade salarial entre homens e mulheres. quando ainda estava no governo. • Punição às empresas. além de figurarem entre os maiores índices de desemprego. Pelo contrário. especialmente às vítimas de doenças profissionais (LER/DORTE). construído e levado a frente por homens e mulheres trabalhadores. Suas campanhas obedecem aos interesses de quem as financiam (grandes empresários) e não propõem rupturas com esse sistema de exploração e opressão capitalista. a todas as mulheres que desejarem ter filhos. fi- 61 . • Salário-família (meio salário por dependente) baseado no índice do Dieese. 13º salário. silenciou-se frente às inúmeras denúncias de mulheres violadas pelas tropas. em 2007. É preciso candidatos e candidatas que defendam um governo dos trabalhadores. de boa qualidade. Para A luta pela garantia e ampliação da licença maternidade é uma bandeira histórica das mulheres trabalhadoras. • Redução da jornada de trabalho para 36h sem redução de salários. é negado às mulheres pobres. Direito à maternidade nOSSO prOgrama Direito ao trabalho As mulheres.

com eleição dos superiores e direito à sindicalização e realização de greves em defesa de suas reivindicações. que dêem conta de sua diversidade (negra. É preciso combater a violência com medidas efetivas: • Prisão e punição exemplar para os agressores de mulheres. Direito a participar das decisões políticas A educação opressora em nossa sociedade não estimula a participação das mulheres nas decisões políticas da sociedade. como parte do sistema de proteção social. com orientação • Pelo fim da violência contra as mulheres pobres que vivem nas periferias. Direito à moradia e à educação. jovem. Ao mesmo tempo. distribuídos sem burocracia. camisinha feminina e masculina.nanciadas pelo Estado. • Iluminação pública em todas as ruas. Apesar de maioria. no interior dos lares. ainda decidem muito pouco. pílula do dia seguinte. e formação profissional e infra-estrutura necessária para abrigar e assistir mulheres e filhos em situação de violência. Todos e todas devem receber treinamento militar. • Educação Sexual nas escolas. em sua maior parte. com poder de acatar denúncias. Direito à saúde. organizações populares e de mulheres. O estupro. idosa. médico e psicológico às mulheres vítimas de violência. • Manutenção das cotas para participação das mulheres 62 . • Grupos comunitários de autodefesa encarregados de controlar e trabalhar conjuntamente com policiais nos bairros. contra a homofobia. como se este fosse o destino obrigatório delas. a decidir sobre seu corpo e à sexualidade As mulheres. não são oferecidas as condições adequadas para a maternidade ou para decidir se querem realmente ter filhos. • Defesa da adoção de filhos por casais homossexuais (mulheres lésbicas). é preciso: • Políticas de saúde pública com atendimento integral às necessidades da mulher em todas as fases de sua vida e não apenas na fase reprodutiva. Nesse sentido. enfermagem e estarem preparados para intervir nas agressões sofridas pelas mulheres dentro dos lares. e que ajude as mulheres as compreenderem seu corpo e sua sexualidade. para que as jovens não tenham de abandonar os estudos. sem necessidade de apresentação do boletim de ocorrência. garantir apoio jurídico. • Escola pública. subordinados aos conselhos populares de segurança. • Pelo direito ao estudo e garantias de creches nas escolas e universidades para as estudantes que têm filhos. Direito à juventude Direito à vida e à liberdade sem violência A violência sofrida pelas mulheres faz com que a cada quatro minutos uma mulher seja agredida. gratuita. com atendimento em tempo integral. financiados pelo Estado. • Saneamento básico em todos os bairros. • Pelo reconhecimento da licença-maternidade pelas escolas e universidades. • Construção de casas a todas as mulheres pobres e trabalhadoras. • Descriminalização e legalização plena do aborto no país. formados por associações de bairros. laica e de qualidade para todas as mulheres trabalhadoras. • Atendimento ao aborto legal (em casos de estupro ou risco de vida da mãe) em todos os hospitais imediatamente. criação de uma polícia civil unificada com estrutura interna e democrática. de combate a incêndio. a agressão física e psicológica. É preciso radicalizar a democracia e estimular a participação das mulheres em todos os seguimentos da sociedade: • Criação Nacional de uma Secretaria de Mulheres que vise elaborar políticas para as mulheres trabalhadoras. lésbica. sindicatos. • Direito à livre expressão e manifestação sexual das mulheres. portadora de necessidades especiais). • Imediata construção de casas-abrigo. • Para defender os interesses das mulheres pobres. pílula anticoncepcional. de forma laica. têm sido vistas como destinadas a serem mães. • Pelo fim da exploração sexual e comércio de prostituição de adolescentes. a tortura e a morte acontecem. • Implementação dos Centros de Referência da Mulher. • Cotas nas universidades para as mulheres negras. ao longo da história. • Contraceptivos gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde como DIU.

da homofobia e do machismo são elementos que ajudam a sustentar o capitalismo e sua exploração. A opressão expressa através do racismo. • Pela criminalização do racismo. • Criar políticas de combate e punição à homofobia. e por vezes dividem a classe. de entidades sindicais e organismos da classe. 63 . Qualquer outra saída não é capaz de resolver os problemas das trabalhadoras. equiparando-as a cervejas. com a participação das mulheres. onde todos têm os mesmos direitos e deveres. • Criar políticas de combate e punição ao machismo que afeta a todas as mulheres. • Contra a mercantilização e comercialização do corpo da mulher. Para avançarmos na construção de uma sociedade socialista. Contra o racismo. a luta não é somente em defesa de uma candidatura dos trabalhadores. • Criação de conselhos populares. a homofobia e o machismo em defesa da construção de uma sociedade socialista A libertação das mulheres da opressão e exploração só terá fim em uma sociedade sem classes. que vitimiza as mulheres negras. • Pelo direito às organizações de luta de mulheres contra a opressão e a exploração. no bairros.nas eleições burguesas e demais espaços de representação política da classe. precisamos: • Criar políticas de combate ao racismo. na qual as mulheres possam ser parte constituinte das decisões. junto aos setores explorados e oprimidos. propaganda sinônimo de objeto sexual. anúncios de cigarro. Por isso. mas principalmente de uma mudança social. que subjuga as mulheres lésbicas. da homofobia e do machismo. Precisamos ter a preocupação de organizar as mulheres para construir uma sociedade socialista.

temos esperança no futuro. 8 anos na vida de um jovem é relativamente muito tempo e o país continua muito desigual. A maior parte dos admitidos no ano de 2008. os jovens representam 46.A juventude tem direito ao futuro Nosso país nunca teve uma população tão jovem quanto nos dias atuais. A maior parte dos desligados. Entre os jovens de 15 a 24 anos. A juventude é uma fase da vida marcada por sonhos. que a colaboração de classes é a única saída. Os jovens deixam de estudar para trabalhar O desemprego é maior entre os jovens Não é fácil ser jovem no Brasil. que o mundo é impossível de mudar. o desemprego. a ampliação do desemprego entre 1995 e 2005 entre os jovens de 15 a 24 anos foi de 107%. os jovens representam 20. apenas 18 milhões estão empregados e 14 milhões de jovens vivem com renda familiar inferior a meio salário mínimo. a exclusão da educação de qualidade e da cultura atingem toda a classe trabalhadora. o DIEESE revelou que. Essa realidade demonstra que em geral.4% do total. A juventude depositou junto com a classe trabalhadora sua expectativa de mudança na eleição de Lula em 2002. ou 64 . Nós não acreditamos nisso. somos 35 milhões de brasileiros. ocupando os postos mais precarizados de trabalho e convivendo com a violência nas periferias. segundo grau de instrução. ao lazer. na luta pelo socialismo no Brasil. entre os ocupados da PEA. os jovens seguem sem acesso à escola. à cultura. em média. Em São Paulo apenas 16% combina trabalho com estudo. A maioria esmagadora dos jovens de 16 à 24 anos apenas trabalha. pela expectativa de mudança e pela fé no futuro. O desemprego é maior entre os jovens pobres: o percentual de desempregados entre os jovens pobres é o dobro do percentual de desempregados entre os jovens ricos. os jovens pobres são particularmente atingidos por essas mazelas do capitalismo A queles que completam 18 anos em 2010 sequer participavam da vida política do país quando Lula foi eleito em 2002.8% e entre os desocupados. O capitalismo quer nos fazer acreditar que tudo é imutável. a violência. Ao realizar uma pesquisa em algumas metrópoles brasileiras no ano de 2005. Mas o país não mudou e Lula tenta nos fazer acreditar que foi feito o possível. a uma atividade de realização individual e social. foram pessoas com ensino médio completo (cerca de 40%). mas sim relacionada à busca por uma forma de sobrevivência. o emprego do jovem brasileiro não está relacionado a uma capacitação. Segundo pesquisa do Professor Márcio Poschman da Unicamp e pesquisador do IPEA.

que são bastante precarizadas. Também defendemos como medida de governo. em uma jornada de 6 horas. mas para 30 horas. sem que o trabalho signifique uma pressão para o abandono da vida escolar ou universitária. Dura vida das trabalhadoras do Telemarketing Um verdadeiro programa nacional pelo primeiro emprego reduzir a Jornada para gerar mais empregos É muito importante que. como demonstra o Anuário dos Trabalhadores de 2009. sem redução do salário não apenas para 36 horas. dos demitidos. como depressão e síndrome do pânico. Há uma presença majoritária de mulheres. Muitos trabalhadores choram no banheiro durante a jornada em função dos xingamentos. seja na forma de estágio. foi de pessoas também com o ensino médio completo (37%). Essas condições justificam o fato de o telemarketing ser um setor de alta rotatividade de funcionários. o que representa cerca de 1% da população jovem brasileira. obrigar as empresas a contratarem um percentual mínimo de jovens. Os empresários do ramo se aproveitam do fato de serem setores possivelmente mais rejeitados em trabalhos que exigem contato físico com o público. Diante do enorme contingente de jovens que trabalha igual a um contratado efetivo. voltadas para a promoção real e efetiva de emprego e renda para a juventude brasileira. 65 . pacotes. Já no programa nacional de inclusão de jovens participaram 0.seja. etc. com menos exigência de capacitação e aptidão.9% possuía Ensino Superior completo. bem como garantir a fiscalização no que diz respeito às medidas de segurança no trabalho. é necessário transformar todo contrato precarizado. os chamados teleoperadores realizam em média 140 ligações por dia. se desenvolva políticas específicas. Esse ritmo de trabalho deve cumprir metas altíssimas de venda de produtos. levam a problemas de saúde físicos e mentais. promoções. Os números mostram que o resultado destes programas são inteiramente questionáveis. negros e homossexuais entre os trabalhadores de telemarketing. Dessa forma. Uma candidatura a serviço dos trabalhadores também deve se propor a acabar com qualquer tipo de trabalho precarizado. É importante observar que mesmo aos jovens que tem acesso ao Ensino Superior. o que já é um montante pequeno do total da juventude brasileira. seja pelos clientes do outro lado da linha. defendemos a redução da jornada de trabalho dos jovens. A maior parte dos funcionários deste ramo de trabalho é de jovens de 18 a 24 anos. Salário e Direitos iguais para o estagiário programas do governo lula não melhoraram as condições da juventude Lula lançou um série de programas que tiveram pouquíssimas consequências. seja na forma de terceirização. dentre os admitidos de 2008. apenas 364. cerca de 85% ao ano. pesquisadora da Unicamp. insultos e agressões promovidas pelos supervisores e pelos clientes. tem dificuldade para encontrar emprego.198 jovens. mas inserido entre os estagiários. combinados com a garantia de educação e conhecimento para todos os jovens. com pausa de apenas 15 minutos. Os empresários do setor buscam conscientemente a contratação dessa faixa etária alegando que o início da experiência profissional permite que não haja muitos questionamentos sobre as condições de trabalho. com quase nenhum direito trabalhista.788/2008) do Governo Lula regulamentou alguns direitos do estagiário. Ou seja. O Programa Nacional de Estímu- A Lei do estágio Estágio (11. em contrato efetivo. no marco do enfrentamento ao desemprego. lo ao Primeiro Emprego atendeu segundo o Anuário dos Trabalhadores de 2009. mas seguiu permitindo que o estágio seja um contrato precarizado de trabalho. pôr fim à terceirização e garantir uma fiscalização efetiva que puna severamente as empresas que mantiverem os subcontratos e a terceirização. seja dentro da empresa. Segundo Pesquisa da Socióloga Selma Venco. para absorver esse setor geracional que é o mais excluído do mercado de trabalho. apenas 5. o que demonstra que a forma de trabalho mais acessível é a forma de trabalho mais instável. quase que a totalidade dos trabalhadores dessas empresas não agüentam o ritmo de trabalho que combinado com o assédio moral sofrido por todos os trabalhadores. e submetem esse setor à péssimas condições de trabalho.3% da população jovem. um patamar que garanta que todo jovem de até 25 anos possa combinar trabalho e estudo.

6% em 8 anos (passou de 13.5% em São comprometido somente com os interesses dos trabalhado- Paulo) e da alta taxa de evasão (cerca de 50%). A meta do Plano Nacional de Educação era erradicar o analfabetismo. sob a histórica bandeira de Além disso. Alguns dados já nos mostram que a taxa de analfabetismo segue sendo altíssima. Esses dados revelam um grave quadro de crise das empresas privadas da educação.6% em 2000 para 10% em 2008) . a análise do investimento do PIB em educação centagem sobre 10 vezes: 55. sequer aumentou REUNI.governo. que segue sendo jovens no ensino sistência de milhares de estudantes muito pequena. Argentina e Chile as taxas variam entre 2% e 4%. não há nenhuma diferença qualitativa com o investimento durante prouni: democratização do acesso o venro FHC. durante o governo Lula aumentou vegetativamente. A cada 100 estudantes que chega a 8ª série apenas 54 concluem o ensino médio. o setor controla 74% do total de matrículas e fatura 24 O Governo quer nos fazer escolher entre expansão e bilhões por ano.demonstra que a porcetagem do PIB investida em educação rior. Para os jovens que se to das verbas para a educação ficou só na propaganda do encontram na faixa de 5 salários mínimos ou mais a por.6% cursam o ensino supe. apenas 13. que segue que ocuparam reitorias em defesa da 2008. a implementação de expansão da universidade pública. No Paraguai a taxa é de 5. o crescimento vertiginoso do qualidade. O PROUNI foi uma política elaborada ao lado dos grandes empresários da educação para salválos da inadimplência. Durante o auge da crise econômica em 2008 ficou ainda mais claro o lado do governo. projetos como o Reuni. inclusive se comparada a países da América Latina: 10% em 2008. mas o índice só caiu de 3.com todos os direitos sociais e salariais que isso implica. No entanto.9%. Em 2003. siderando-se a variável renda explicita Qualquer proposta de expansão a natureza do problema: apenas 5. universidade.ção. (os índices chegam a 34. No Uruguai.7 % em 2008 de vagas sem expansão do investidos jovens que tem rendimentos menmento é pura demagogia. eDUCaÇÃO De qUaliDaDe para TODOS Oito anos de governo Lula não trouxeram uma educação de qualidade. O aumensais per capita de meio a um salário mínimo cursam o ensino superior. das. 19% dos O reuni: mais um capítulo jovens de 10 a 17 anos começaram a Projetos como o do desmonte da educação trabalhar antes de completar 9 anos. enquanto os estudantes que não conseguiam pagar as mensalidades foram presenteados com o Cadastro Nacional dos Estudantes Brasileiros. um ano antes da implementação do PROUNI o número de vagas ociosas era espantoso e o número de vagas ofertadas foi superior ao número de formandos do ensino médio. A comparação deste dados consendo muito pequena. o CINEB. O Reuni enfrentou a reno ensino superior. 86% contribuem com e o novo enem cido nas universidades federais é o quase 1/3 da renda familiar. pública sendo que no nordeste esse índice reuni.universidade elitista ou expansão precarizada. o Prouni O projeto do governo mais conheatinge 27. O Governo Lula fez uma opção de salvar o setor. Um governo ses de inadimplência. o governo emprestou a baixíssimos juros 1 bilhão de reais para as instituições privadas do ensino superior. o Prouni e o significativamente Lula institucionalizou a precarização novo Enem sequer aumentou signifia porcentagem de da universidade impondo as metas cativamente a porcentagem de jovens do decreto. como se as únicas alternativas viáveis fossem setor privado enfrenta a contradição permanente das cri. ou estímulo às instituições privadas? Considerou-se apenas o investimento direto em educaHoje 90% das instituições de ensino superior são priva. 66 .1%.7% em superior. uma espécie de SPC da educação que impede a matrícula de inadimplentes em qualquer instituição do país.6% apenas 13.

criando para milhões de jovens a oportunidade de estudar e para o país milhares de professores. Dessa forma. Uma pesquisa do IBGE de 2007 constatou que apenas 0. portanto podem optar pelas melhores universidades. crescem no Brasil as campanhas que apontam como saída o aumento da re- 67 . Para quem estudou na escola pública ou tem poucas condições de se manter longe da família não mudou praticamente nada. Direito e Pedagogia. portanto. Diante da falta de perspectivas oferecidas às nossas crianças e adolescentes em termos de emprego. novo enem: a prova que mudou de nome. educação. no primeiro ano do governo 10.7%.res teria total condições de expandir e aumentar a qualidade da educação. O novo Enem não toca na raiz do problema da baixíssima mobilidade estudantil brasileira. vencem os “melhores”. Isso não tem nada a ver com a demanda da maioria da população brasileira. poderíamos estatizar o ensino pago. O Brasil apresenta índices de violência e criminalidade que figuram entre os mais altos do mundo. professores e estudantes devem decidir os rumos da universidade JUvenTUDe e viOlênCia: O CapiTaliSmO maTa Um programa socialista para a educação Os empresários já se mostraram incapazes de criar e administrar um sistema de ensino que beneficie a maioria da sociedade. Hoje 37 % das matrículas na graduação presencial são nos cursos de Administração.7% das vítimas de homicídio no Brasil são jovens de até 24 anos expõe o dramático fato de que a juventude é o setor da sociedade mais vitimizado pela violência. com toda sua hipocrisia. A nota média geral dos estudantes que cursaram o ensino médio particular no sudeste é 70. • Investir 10 % do PIB em educação • Estatizar o ensino pago e expandir a rede pública garantindo vagas para todos • Transferência imediata dos estudantes do Prouni para as universidades federais • Revogar a lei de inovações tecnológicas e o decreto das fundações • Produção livre de conhecimento que atenta os interesses da maioria da população • Construir parques tecnológicos com financiamento 100% estatal • Fim das fundações de apoio e incorporação de seu patrimônio à universidade pública • Cotas para negros e negras na universidade • Democracia e paridade nos conselhos • Servidores. que era a meta do PNE para 2010. é incapaz de admitir que a violência é expressão da falência de sua própria sociedade. lazer e serviços públicos em geral. A burguesia. Perto ou longe de casa está garantido o acesso ao ensino superior daqueles que podem pagar pelo ensino médio privado e também pelo deslocamento e custeio dos estudos em outra cidade. o Governo Lula anunciou o Novo Enem como forma de ingresso alternativa ao vestibular. Os números desmentem a lógica do possibilismo do Governo Lula. Os cursos são abertos e fechados com o único critério do lucro e não das necessidades da sociedade. Nesse ritmo demorariam 59 anos para atingirmos 30%. as vagas de todas as universidades do país são disputadas entre todos os estudantes. em 2008 foram 13. enquanto que a nota média dos estudantes que cursaram ensino médio público no nordeste é de 44. Se a educação fosse voltada para atender os interesses dos trabalhadores.55.04 % dos estudantes do primeiro ano do ensino superior vieram de outro estado. é a sua parcela mais pobre e negra que está mais vulnerável. Se. As notas do último Enem demonstraram o que já era evidente: as desigualdades sociais e regionais definem quem tem ou não direito de estudar. 49% dos registros de crime de tráfico de drogas também se referem à faixa etária até 24 anos. a criminalidade exerce uma forte atração como alternativa. médicos e engenheiros comprometidos com a melhoria da qualidade de vida da população. já que não oferece aos jovens plenas condições de estudar longe de casa.93. O dado que demonstra que 46. que. mas o funil é o mesmo Em 2009. O Novo Enem é tão elitista e meritocrático quanto o vestibular. a violência é uma realidade duríssima para o conjunto da juventude.6% dos jovens entravam no ensino superior.

a política de Estado de repressão e encarceramento. longe de contribuir para combater a violência. O nível de escolaridade é baixíssimo entre os presos brasileiros. moradia. enquanto atividade econômica do crime organizado. Por se tratar de um comércio que passa ao largo de qualquer regulamentação. teatros. não é de se esperar que o jovem busque outra alternativa senão o crime. também. O abuso de drogas ilícitas também tem crescido. a cultura. ainda. Longe de evitar a proliferação das drogas entre nossos jovens. é preso. Dentre toda a população presa em nosso país. É preciso. da pesquisa científica sobre riscos e para o controle da composição química das substâncias – medidas todas que poderiam traduzir políticas para a redução dos danos aos usuários. onde todos possam amadurecer plenamente desenvolvendo suas capacidades. O que se pode concluir é que. Há. Nós queremos viver numa sociedade livre da exploração e das opressões. O maior beneficiado com a proibição é justamente o crime organizado. que supostamente combateria a delinqüência juvenil.4% do total concluiu o ensino médio. golpeando o tráfico e a repressão policial ao mesmo tempo. Estamos falando. Novamente. agrava a violência. por um lado. reforça a falta de possibilidades dessa juventude e funciona muito mais como um catalisador da violência – inclusive da organizada. um direito histórico da juventude está ameaçado: a meia entrada. CUlTUra e lazer para a JUvenTUDe Vivemos numa sociedade que nos priva de tudo. estádios. que em nosso país o Estado está prendendo mais e não menos e. A análise de dados relativos à população carcerária brasileira apontam. da prescrição terapêutica. o tráfico de drogas é – na ilegalidade – um ramo altamente lucrativo. contudo. teatro e até mesmo o cinema. com a juventude não é diferente. portanto. sobretudo. A cadeia. expressão de sociedade doente. longe de ser uma concessão do governo e dos grandes monopó- legalizar as drogas para combater a violência Mais do que uma grande polêmica na sociedade. o número de jovens presos segue aumentando. shows. Produção e distribuição estatizadas seriam. Se por um lado. representando cerca de 30% do total. O abuso de entorpecentes é um problema de saúde pública. Sem educação e emprego. que esse modelo mais potencializa a violência do que a combate. assim. o lazer e o esporte devem ser um direito de todos e não um privilégio de alguns. Na prisão segue separado do ensino público e de qualquer possibilidade de formação profissional. etc a 40% os ingressos em cada evento. Nos últimos 9 anos a população carcerária no Brasil dobrou de tamanho. até das necessidades mais básicas do ser humano como a alimentação. Como se não bastasse essa exclusão. o jovem parte para o crime. que buscar se desfazer de toda uma coleção de ideologias e moralismos que envolvem essa temática. relacionado à causas sociais e econômicas. Só a legalização das drogas pode acabar com o tráfico. A faixa etária entre 18 e 24 anos é a que apresenta o maior número de pessoas presas no Brasil. Quando não morre. situar a discussão em seu devido lugar. que teve continuidade no governo Lula. sem encontrar na proibição um entrave para sua proliferação. de uma medida que possibilitaria um autêntico combate à violência. ao sair da prisão. Pouquíssimos brasileiros tem acesso à espetáculos de dança. o debate em torno à legalização das drogas é parte necessária de qualquer abordagem séria sobre o tema da violência urbana no Brasil. vestuário. essa camada da população segue apartada do acesso à educação formal. por outro. A arte. Nessas condições. arTe. A legalização criaria espaço para a regulamentação da venda. os jovens ocupam um percentual que ilustra a falta de perspectivas que encontram na sociedade capitalista. Apenas 1. No ano passado foi proposto um projeto de lei que restringe a meia entrada nos cinemas. A meia-entrada. um real ataque aos dutos de corrupção oriundos da relação das instituições com o narcotráfico.3% dos registros se referem a indi- 68 . a legislação que proíbe sua venda apenas contribui para a formação de um cenário ainda mais trágico em torno a esse triste fenômeno. O abuso no consumo é. a juventude protagoniza os indicadores de posse de drogas: 58. que movimenta milhões de dólares no Brasil e no mundo.pressão do Estado. A campanha do “bandido bom é bandido morto” está conectada com a proposta de redução da maioridade penal. víduos entre 12 e 24 anos.

lios culturais é na verdade fruto de uma intensa luta que a juventude travou e conquistou. o alto custo de eventos culturais. Há ainda outra restrição. a produção artística e cultural da humanidade seja propriedade de toda a humandade e não das grandes multinacionais. músicas. enquanto a cada dia que passa cresce o avanço tecnológico da sociedade crescem também os grandes monopólios e principalmente as barreiras para a livre utilização desta ferramenta. Hoje no Brasil. os espaços escassos que existem na maior parte dos municípios. Não se trata de fazer um julgamento moral das pessoas que assistem filmes piratas. Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e Comunicação em 2009. O acesso universal á internet encontra como barreira o grande lobby entre empresários e governos. Esse mercado informal só ganhou tanto peso porque é muito caro ter acesso ir ao cinema. a restrição á meia entrada. uma ausência completa de política pública de fomento. estima-se que cerca de 78% dos jovens entre 16 e 24 anos tenham algum tipo de acesso á internet. a juventude vive sob a contradição de ser a faixa etária que mais navega pagando locais próprios para isso. etc. como forma de garantir minimamente seu já escasso acesso à alguma forma de arte e cultura. Garantir que a população possa ter acesso ao mar de informações do mundo virtual significa dentre outras coisas se enfrentar com grandes multinacionais do ramo da telefonia. este dado (72%) sem dúvida tem sua concentração sobre a juventude com menor possibilidades de estudo e trabalhos mais precarizados. que embora não esteja ligada somente ao aspecto cultural é bastante sentida também neste aspecto na vida de um jovem. ficamos entre o oportunismo eleitoral e grandes interesses do mercado. mas nenhum compromisso com o lucro das grandes gravadoras e produtoras. e também região do país. filmes. desenhos. dado que a maior parte da juventude trabalhadora mora e vive nas regiões periféricas das cidades. peças de teatro. A internet por exemplo. e por isso somente em época de eleições ouvimos falsas promessas sobre o tema. Combinam-se portanto vários elementos restritivos. Nós temos muito respeito pelo trabalho de todos os artistas. como é o caso das Lan Houses. É importante observar que quanto menor a renda maior é o percentual de pessoas que pagam para a utilização da internet. obras raras. mas sobretudo sua produção e sociabilização. artigos de outros países. 69 . que são os altos valores do transporte urbano combinado com uma forte centralização dos espaços de arte e cultura. a ausência do passe livre na maior parte das cidades. Por isso nós defendemos que todas as músicas. é um avanço exuberante para a sociedade e poderia significar a universalização do acesso ao conhecimento. incentivo e acesso à cultura. Toda vez que ouvimos falar da universalização do acesso a internet. internet gratuita para todos O desenvolvimento tecnológico que temos na sociedade poderia potencializar de forma inimaginável não apenas o acesso à cultura. No entanto. como livros. no entanto é importante destacar que este acesso está bastante estratificado de acordo com a classe a qual pertence este jovem. Esse limite “geográfico” não é menor. como quer nos fazer acreditar um setor da burguesia que vê seus lucros ameaçados pela pirataria. os filmes. Direitos autorais Assim que a febre pegou e filmes que ainda nem tinham sido lançados no cinema já eram vistos por milhões de pessoas uma grande revolta abarcou empresários da música e a mídia de forma geral. comprar filme em DVD ou um CD de música.

não regimentaram as Titulações das Terras dos povos originários (indígenas) e das terras dos remanescentes de quilombos.Negros e negras: uma luta de raça e classe A questão racial faz parte de um elenco de propostas para a revolução socialista brasileira. que no seu segundo mandado disse aos trabalhadores e trabalhadoras negras que fariam uma segunda abolição no país. Essa é uma definição fundamental para que possamos entender corretamente o que significa defender um programa de “Raça e Classe” numa visão revolucionária e socialista para a classe trabalhadora no mundo. praticamente em nosso lema no movimento negro. desde 2002. nas fábricas. mas atacou ainda mais as conquistas de direitos sociais e trabalhistas. Junto com partidos dito de esquerda e outros da direita. O governo Lula. Lula. A campanha eleitoral não mudará a vida dos afrobrasileiro. PCdoB. escolas e nas comunidades pobres e periferias. PMDB. Mas Lula não governa para os trabalhadores. é preciso lutar contra o sistema capitalista que explora e oprime a classe trabalhadora juntamente com os governos e os patrões que usam o racismo. ataca as conquistas da classe trabalhadora e do povo negro. cujo ancestrais trabalharam mais de 350 anos sob o julgo da escravidão. elementos para formulação de um programa 70 . incentivo ao acesso ao trabalho por parte das empresas. mas é uma obrigação dos revolucionários e socialista intervir neste processo onde a burguesia mente para a população. PSB. país símbolo da luta negra. leva ilusões de que pode resolver os problemas mais sentidos do povo negro.e da representação de 30% nas direções dos partidos. que nada mais é que um processo de a militarização das políticas de segurança nacional para exterminar ainda mais os jovens negros e negras das periferias das grandes metrópoles. Recentemente ocorreu a votação do Estatuto da (des) igualdade racial: que afirmou a retirada das reparações que é um divida do Estado brasileiro tem com os países africanos e com os afro-descendentes. o governo mantém as tropas brasileiras no Haiti. A tarefa fundamental da classe proletária é compreender uma frase de Malcolm X: “Não há capitalismo sem racismo”. Além disso. Como não bastasse o governo federal aprofunda a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza criou a Guarda Nacional. sendo que é estratégia a consigna de “raça e Classe” para o fortalecimento da luta dos trabalhadores e das questões raciais especificas no país A ntes de tudo. e esvaziou as questões da comunidade negra como as ações afirmativas como cotas raciais nas universidades públicas. o machismo e a homofobia como opressões para dividir os trabalhadores. como PDT.

71 . Rio de Janeiro. Minas Gerais e Bahia.Segundo a presença da população de pessoas de cor ou raça preta e parda no interior do país desde 2006 poderemos comprovar que a população ativamente ainda está no campo com baixo poder aquisitivo e sendo explorada e oprimida pelos latifundiários e pelas elites da cidades metropolitanas como São Paulo.

heterossexuais e homossexuais contra o inimigo comum que é a burguesia. Já nos processos 72 . lésbicas. índios e brancos. em seu conjunto. o partido conta com um programa de luta contra as mais frequentes formas de preconceito e discriminação em nossa sociedade: o machismo. Portanto. Fazemos uma leitura de esquerda. a fome e o desemprego crônicos. unindo trabalhadores do campo e da cidade. Mas essa exploração. conectando as necessidades mais imediatas aos problemas mais profundos da sociedade. marxista. pela miséria. bissexuais e transgêneros (glBTs) para ser defendido pela militância do PSTU e seus candidatos D esde sua fundação. impedindo que se unam para lutar contra este estado de coisas. Nas eleições vamos reafirmar a luta cotidiana que esta importante parcela da população enfrenta todos os dias para driblar a violência que sofre e apontando uma alternativa socialista para o combate ao preconceito. tampouco travamos a luta por dentro do capital e de seu Estado. Assim.Um programa de classe contra a homofobia eDUArDo AlmeiDA. Se nossa época é marcada por uma profunda desigualdade social. a luta contra a exploração capitalista é inseparável da luta contra as diferentes formas de opressão. as diferentes formas de opressão precisam ser entendidas como parte de uma engrenagem muito maior que permite a reprodução da sociedade de classes. os preconceitos (como a descriminação de homossexuais) são disseminados e reforçados cotidianamente de forma a fragmentar os trabalhadores e legitimar a exploração que sofrem pelo capital. Trabalho Nas relações de trabalho a opressão contra GLBTs ganha uma forma particularmente cruel. isso se deve às relações de exploração dos proprietários sob os trabalhadores. o racismo e a homofobia. da luta contra a homofobia. lutamos pelo socialismo. onde a miséria é o único caminho apontado para aqueles que vivem do próprio trabalho. Não nos detemos na reivindicação de pequenas melhoras. para ser levada ao seu limite e não encontrar maiores resistências necessita de um conjunto de ideologias que divida a classe trabalhadora e enfraqueça sua luta. Por isso. da direção nacional do PSTU Para o PSTU. Esta maneira de tratar a luta homossexual nos obriga a adotar uma postura diferente da maior parte dos grupos que existem hoje no Brasil. por mais importantes que sejam. e temos a ousadia de apontar um caminho: a transformação radical da sociedade capitalista e a construção do socialismo. mulheres e homens. negros. Nestas eleições apresentamos um programa específico para gays. Queremos travar uma luta contra as bases econômicas e ideológicas que sustentam a violência cotidiana sofrida pelo proletariado. assim como não acreditamos na luta isolada dos que sofrem com as mazelas do capitalismo. Nosso programa busca inserir cada ponto da luta específica dos GLBTs dentro de um conjunto de reivindicações maiores. Porém nossa visão sobre a opressão sofrida pelos GLBTs é diferente do entendimento dos grupos majoritários do movimento gay nos últimos anos.

onde a orientação sexual ainda é critério de seleção. precisam ter os mesmo direitos que os demais trabalhadores como creche para suas crianças. uma vez que trabalhadores GBLTs que tenham filhos. • Pelo acesso ao crédito e financiamento por casais do mesmo sexo. perseguição e. previdência social. Além disso. marginalizando aqueles que não se enquadram nas normas dominantes. o debate precisa ser feito por completo. sendo esta uma luta combinada com a das mulheres. são o local onde as ideologias dominantes estão mais enraizadas. O preconceito que existe na hora de alugar ou comprar um imóvel submete os homossexuais a terríveis constrangimentos e os coloca na posição de reféns de imobiliárias. humilhação. Deste modo. uma vez que põe em cheque a tradicional noção de família. O reconhecimento destes direitos passa. Além disso.). diversas formas superexploração. obrigatoriamente. o fato é que os padrões morais burgueses também operam no livre-mercado. adotivos ou não. em função disso. o direito a adoção por casais do mesmo sexo é pré-condição para a igualdade de direitos. Quando empregados. Em sua maioria. o peso dos ataques da patronal aos trabalhadores recai de modo mais intenso sobre os trabalhadores GLBTs. sofrem pesadamente com o assédio moral e sexual. herança. a dificuldade de se realizar financiamentos e obter crédito em função do não reconhecimento da união civil por pessoas do mesmo sexo agrava ainda mais o problema do acesso a moradia aos homossexuais. O preconceito também serve como estímulo. pela negação da lógica machista tradicional. Este é o ponto onde o peso do preconceito é mais forte. União Civil moradia O problema crônico da falta de moradia no país é sofrido com mais intensidade pelos GLBTs. O pensamento machista entende que o papel da criação de filhos seja exclusivamente feminino. • Pelo fim da homofobia institucionalizada nas Forças Armadas. Ainda que no discurso a economia funcione sob as frias leis de mercado. • Pela união civil de casais do mesmo sexo. acabam ocupando postos de trabalho precarizados. administradoras residenciais etc. como forma de garantir acesso à direitos e benefícios legais que já são concedidos ao restante da população. sendo majoritários em funções terceirizadas. A discussão da união civil para pessoas do mesmo sexo não passa pelo debate moral ou religioso. partilha de bens etc. • Pelo direito à adoção • Por creches para os filhos de trabalhadores e de trabalhadores • Por licença-maternidade e paternidade educação 73 . que entende que a presença de gays e lésbicas pode rebaixar o valor de imóveis. • Pela proibição de qualquer norma que restrinja o direito de livre escolha de local de moradia. mas pela defesa da igualdade de direitos civis que são negados aos casais de pessoas do mesmo sexo. • Contra as demissões de trabalhadores. Os casais heterossexuais possuem um conjunto de direitos que são negados aos casais homossexuais. de maneira explícita ou velada. com a extensão de todos os direitos concedidos aos heterossexuais para os casais homossexuais. Nesse sentido somos Como desdobramento da união civil. adoção Forças armadas As forças armadas. fazendo-os selecionar o público como forma de valorização financeira. humilhação e discriminação sofridas pelos GLBTs em locais de trabalho.de seleção homossexuais são discriminados e deixados de fora das relações de trabalho. radicalmente contrários à regras e normas que discriminem homossexuais tanto no interior das Forças Armadas quanto no processo de alistamento militar. como último ponto de apoio do Estado burguês. A homofobia e o preconceito nesta instituição estão institucionalizados. A combinação da união civil com o direito de adoção subverte por completo os papéis historicamente construídos para o homem e a mulher. • Contra o assédio moral e sexual: contra as diferentes formas de perseguição. principalmente aquelas motivadas pelo preconceito. • Contra a precarização das relações de trabalho. às demissões destes trabalhadores. licença maternidade e paternidade etc.. aos casais homossexuais. Defendemos a extensão radical de todos benefícios sociais concedidos aos casais heterossexuais (contrato de união civil. A lógica por traz disso é a mesma da especulação imobiliária.

a exposição à violência acaba sendo muito maior para aqueles que não podem pagar pela sua segurança. os casos de crimes de ódio são mal investigados e não ganham a devida repercussão. • Pela inclusão da disciplina de educação sexual nas escolas e nos cursos de formação de professores. a população homossexual acaba não encontrando alternativas de sobrevivência iguais às do restante da população. reforça a marginalidade social do setor. nos locais de trabalho. • Por uma educação voltada ao respeito da diversidade sexual. carteira de trabalho e demais documentos legais fica praticamente impossível conseguir emprego. Nesse sentido. Um homossexual é morto de maneira violenta a cada 3 dias no país. órgãos públicos e privados para travestis e transgêneros. entendemos que escolas e universidades precisam romper com os padrões heteronormativos de educação e voltarem-se para um ensino que respeite a diversidade sexual. moradia. O grau de evasão escolar é mais intenso no setor. Enquanto que nos locais frequentados por homossexuais das elites há segurança privada. uma vez que além dos preconceitos dos demais alunos. estudantes gays. o Brasil é recordista mundial em assassinatos e crimes de ódio cometidos contra homossexuais. Por um lado. Contudo. Contudo. A laicidade do ensino é fundamental para esta mudança. Gangues e grupos de extrema direita ficam à espreita. sofrendo de preconceitos e discriminação por todos os lados. • Pelo reconhecimento do nome social em documentos. por isso mesmo. Por isso. bissexuais e principalmente transgêneros sofrem o pesado preconceito das instituições de ensino. Como se não bastasse. pelo descaso com GLBTs que. Além disso. • Pela desburocratização e maior agilidade no processo de alteração do nome nos registros e documentos do indivíduo. universidades e locais de trabalho. etc. Com baixa escolaridade. mais o problema da marginalização social. lésbicas. o fato é que o sistema de ensino no país é hostil aos GLBTs e. deixando apagada a escandalosa posição do Brasil no ranking da violência homofóbica. há ainda todas as formas de vexação 74 . seja na homofobia explícita. Seja de foram indireta.. pois são alvo de desrespeito nas delegacias. • Por um ensino laico. principalmente em locais frequentados por GLBTs trabalhadores e pobres em geral. Daí decorre a cadeia de exclusão que joga uma parcela importante dos GLBTs na prostituição e outras tantas formas de degradação humana. para o respeito à diversidade e contra a opressão. se a violência física e os assassinatos são a forma mais radical do preconceito contra homossexuais. o preconceito do Estado na hora de dar o correto registro para estas pessoas acaba agravando ainda Segundo dados do Grupo Gay de Bahia. A própria medicina começa a avançar no reconhecimento das pessoas que tem uma identidade de gênero que discorda de seu gênero biológico. Aqui também o peso de classe é visível. pelo próprio preconceito. existe a violência cometida por bandos fascistas que se proliferam nas capitais e grandes cidades.A educação vem sendo utilizada como forma de reprodução dos valores e ideologias dominantes desde muito tempo. há a própria violência policial. no sistema de ensino. orientados para a conscientização da população. quando os próprios policiais praticam a violência contra homossexuais. sem a influência dos moralismos religiosos e conservadores. Defendemos o trato da sexualidade sem a influência de moralismos de toda ordem. • Pela inclusão do nome social no sistema de ensino em todos os níveis para estudantes transgêneros. Seja na tentativa de enquadrálos ao padrão considerado normal de comportamento sexual. principalmente em tempos de crise. seja de forma direta. existe concretamente o problema do trato com alunos e alunas GLBTs. violência nome social para transgêneros Entendemos que o nome de registro de uma pessoa deve estar subordinado a sua identidade de gênero. Isso sem mencionar a humilhação cotidiana a que se submetem estas pessoas toda vez que precisam apresentar alguma identificação. inclusive nas escolas. estudo. as demais formas não podem ser ignoradas. Por outro lado. Com um registro errado na identidade. Além de todos os problemas já mencionados. etc. os preconceitos contra homossexuais têm aí mais um sólido ponto de apoio. rondando as periferias de guetos gays para atacar homossexuais. O reconhecimento do nome social é peça fundamental para o combate ao preconceito e à marginalização deste setor. para a saúde sexual. quando sofrem ataques violentos não podem contar com a segurança pública.

• Pela ampliação da de rede de CTAs • Por um sistema de saúde 100% público • Pela laicidade da gestão da saúde • Pela ampliação das campanhas de conscientização e prevenção de DST/AIDS sem qualquer constrangimento de setores religiosos e conservadores. acaba sendo utilizada como ponto de encaminhamento obrigatório para GLBTs que buscam se tratar de qualquer outro problema de saúde e são negligenciados em postos e hospitais. seja nas ruas. frequentemente. que privatizam a gestão do serviço de saúde. Agir contra ela é ilegal. Essa resolução é extremamente incoerente. Por fim. Mas um dos setores que mais sofre com o preconceito são as travestis e transexuais. ainda há o seu reforço gerado pelas políticas neoliberais. A resolução da Anvisa. a falta de recursos combinada com uma burocracia negligente são um enorme empecilho para que as operações sejam feitas. que por motivos ideológicos e morais. hoje. Hoje. particularmente de lésbicas. campanhas de conscientização e de distribuição de preservativos em função da condenação que o Vaticano faz da camisinha por exemplo. para lidar com a especificidade lésbica é completo. como a AIDS. não há lei que garanta a inclusão de parceiro do mesmo sexo como dependente de plano de saúde ou convênio médico em função do não reconhecimento da união civil. mas reforça o preconceito através dessa legislação que institucionaliza e promove a vinculação da AIDS à homossexualidade. mas como maneira de ir quebrando a cumplicidade do Estado e demais instituições com a discriminação. impõe que homens homossexuais ou bissexuais sejam proibidos de doar sangue. pois retoma a ideia equivocada de grupo de risco (da qual os homossexuais já não fazem parte). Seja ao serem expulsos de um bar ou uma loja por andarem de mãos dadas. responsáveis pela realização de testes de A associação da homossexualidade a elementos indesejáveis. serviços e órgãos públicos. valorização e incentivo ao exercício seguro da sexualidade. Mas além do tradicional problema da opressão. travestis e transgêneros. • Por uma política de saúde que atenda as especificidades dos GLBTs. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) deva realizar cirurgias de modificação de sexo. Todo esse quadro. a discriminação acaba sendo agravada. Através da privatização da saúde. acabam não realizando. seja pela ampliação da rede privada. Isso sem falar de um acompanhamento psicológico obrigatório de dois anos no qual se realiza uma verdadeira campanha para a desistência da cirurgia. Além disso. e por isso mesmo. pois o sangue dos homossexuais é recusado como sangue contaminado mesmo quando há carência de doadores. a mídia e demais espaços da vida social. Da mesma forma. Desvincular esta doença da homossexualidade tornou-se uma tarefa central para o movimento homossexual no combate a opressão. Falta informação. distribuição de preservativos e mais verbas para a saúde. Saúde Doação de sangue O preconceito contra GLBTs ganha materialidade especial na questão da saúde no Brasil. 80% dos portadores de HIV são heterossexuais. acirrou absurdamente o preconceito e a discriminação. Nos hemocentros a discriminação instalou-se permanecendo até hoje. particularmente ginecologistas. seja pelas Organizações Sociais (OS) e Fundações Públicas de Direito Privado. HIV é muito limitada e. defendemos a criminalização da homofobia.pública a que se submetem os GLBTs no cotidiano. a rede de Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs). convênios de planos de saúde. desconsidera a relevância do uso da camisinha e ignora que a janela imunológica (período em que não é possível detectar por exames se o sangue está contaminado ou não) é válida para qualquer pessoa. ou realizando de maneira formal. bem como de qualquer outra medida. Não como uma solução definitiva para a violência cotidiana que sofremos. O despreparo dos médicos. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. deve ser acompanhada de amplas medidas de combate ao preconceito desde as escolas. • Pela retirada da resolução da Anvisa. Por isso tudo. que proíba a doação de sangue por homossexuais. independente da orientação sexual. preparo aos profissionais da saúde e da educação. No setor público o problema não é menor. a criminalização por si só não alterará a cultura homofóbica da sociedade. Um bom exemplo são OSs cuja gestão está a cargo de setores ligados à Igreja. A saúde expressa parte da situação que os homossexuais enfrentam no Brasil. é responsabilidade do governo Lula que não só segue omisso. • Pela criminalização da homofobia. seja no atendimento preconceituoso nos comércios. 75 .

permitindo a aplicação de um plano de recolonização no país. sob a desculpa de “reconstrui-lo”. O governo Lula. as tropas brasileiras lideram a chamada minustah (missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti). Com a bênção da oNU. dobrou o número de tropas no país. No entanto. o governo lula mantém soldados do exército Brasileiro na vergonhosa ocupação do Haiti. Passaram por cima das tropas brasileiras para comandar diretamente a ocupação. D esde que os primeiros coturnos dos soldados brasileiros pisaram no Haiti. Um relatório da ONG Centro de Justiça Global. Os EUA enviaram milhares de marines para o Haiti. ligada à Universidade de Harvard. que tenta se disfarçar como uma missão de paz. Um contraste enorme diante do escasso número de médicos. foi aplicado um acordo de livre comércio por meio da lei Hope (Haitian Opportunity for Economic Enhancement). aprovada pelo Congresso dos EUA. remédios e alimentos enviados para a “reconstrução’. que inclui a criação de zonas francas no país. o que as tropas brasileiras fazem no país caribenho é o mesmo trabalho sujo que os soldados norte-americanos fazem no Iraque. por sua vez. acusou os soldados brasileiros de acobertar crimes cometidos pela polícia haitiana. ou mesmo qualquer taxa que o Estado possa cobrar sobre as mercadorias ou que trave sua livre 76 . surgiram inúmeras denúncias de violações contra os direitos humanos. com multinacionais produzindo para o mercado norte-americano. A lei abre todas as barreiras para que os dois países possam realizar intercâmbios comerciais livres sem pagar taxas alfandegárias.Foras tropas brasileiras do Haiti! Há quase seis anos. Para isso. Colonização O que está em curso é a implementação de um plano econômico no Haiti. o verdadeiro significado da ocupação colonial é manter a ordem no Haiti sob as pontas das baionetas. Trocando em miúdos. O trágico terremoto que devastou o país em janeiro deste ano serviu como pretexto para reforçar a ocupação militar no país.

Trabalhadores e estudantes que também reivindicavam aumento no salário mínimo foram duramente reprimidos. especialmente da indústria têxtil. Mas o descontentamento da população com a ocupação vem crescendo.circulação. os operários têxteis haitianos realizaram uma greve contra esse plano. pela retirada imediata das tropas! O governo Lula afirma que a permanência das tropas brasileiras é fundamental para a “retomar a democracia no Haiti”. Também explica o olho gordo dos empresários brasileiros. O PSTU defende a imediata retirada das tropas brasileiras do Haiti. Os haitianos não querem ver os brasileiros reforçando a opressão. No ano passado. A paralisação terminou derrotada pela repressão violenta das tropas da Minustah. A localização na América Central permite aos EUA ter eficiência no controle da região. Atualmente. Um governo dos trabalhadores também deve exigir a retirada de todos os soldados da Minustah e dos EUA. Em defesa da soberania e da dignidade de todos os trabalhadores. Por outro lado. com saldo de duas mortes. como o professor Jean Anil. Querem seus irmãos de alma na mesma trincheira. a manutenção da ocupação no Haiti é uma questão estratégica para o imperialismo norte-americano. existem várias lutas sociais em curso nos países da América Central contra os tratados de livre comércio implementados pelos governos subservientes a Washington. Mas como pode haver democracia em um país que sofre uma ocupação militar? Como pode existir democracia quando o direito de autodeterminação do povo haitiano é reprimido pela força das baionetas? A degradante submissão do governo brasileiro ao imperialismo deve acabar. grande solidariedade concreta e a luta contra o inimigo comum. As mercadorias indicadas por essa lei se referem aos produtos têxteis provenientes das chamadas maquiladoras. As tropas brasileiras estão no Haiti para garantir a aplicação desse plano econômico definido pelo governo dos EUA e implementado pelo governo de René Préval. É por essa razão que se explica a presença do ex-presidente americano Bill Clinton como “enviado especial da ONU para o Haiti”. Também propomos organizar uma 77 . que garante uma taxa de lucro maior do que na China. Muitos foram presos e assassinados. Dilma Rousseff e José Serra vão repetir o mesmo discurso na campanha. interessados na exploração da mão de obra haitiana. as multinacionais se aproveitam do salário miserável pago aos trabalhadores do Haiti. Assim. liderados pelo vice-presidente José Alencar. ativista que era referência nas lutas pelo 1º de Maio independente e pelo reajuste do salário mínimo.

e. sua exploração começou a se dividir em grupos e facções iraquianas (que muitas vezes se enfrentam violentamente entre si) e cheia de desvios e roubos (Resolução sobre Oriente Médio. Desse modo. a ocupação encontrou uma resistência militar e popular que começou a desenvolver uma guerra de liberação nacional cada vez mais forte. Este foi o pano de fundo para a adoção da política da “guerra ao terror”. Ao fracasso da política de guerra de Bush. no Afeganistão. elaborado pela equipe de George W. para conseguir um retrocesso do Hamas e do Hezbolah e para frear a resistência no Iraque. Por outro lado. colheu fracasso atrás de fracasso no Oriente Médio. com a necessidade de controlar as imensas reservas de petróleo da região. aplastar a resistência palestina. Esta política. invadindo e bombardeando a Faixa de Gaza no final de 2008. Além disso. IX Congresso Mundial da LIT-QI). utilizando seu poder de fogo. sua ofensiva não fez nada além de incendiar o vizinho Paquistão. Bush um ano antes de assumir o poder. combinando-as à pressão militar. continua funcionando a resistência. No Iraque. no Irã. Obama privilegiou as negociações com os governos e facções do Oriente Médio. e as eleições não conseguiram estabilizar nem sequer formar um novo governo. Assim. Israel tentou. ainda resistiam em passar diretamente o controle das reservas para as mãos do imperialismo norteamericano. Israel não só não se recu- 78 . Essa importancia está relacionada. mais del 60% do total mundial. negociando com setores da resistência. Depois de um primeiro ensaio no Afeganistão contra o regime talibã.Qual deve ser a relação do Brasil com o Oriente Médio Que política o país deve adotar gente a uma das regiões mais disputadas pelo imperialismo ianque? P ara responder essa questão é preciso entender a importância estratégica do Oriente Médio e da Ásia Central para o imperialismo norte-americano. aprofundou o cerco a Ahmadinejad. a sua maneira. o genocídio televisionado de Israel deu lugar a mobilizações em todo o mundo. continuou com o apoio histórico dos EUA a Israel. Igualmente. depois de uma rápida vitória militar inicial contra Sadam Hussein. o projecto começou a ser testado a fundo no Iraque. aproveitando os atentados de 11 de setembro de 2001 para ganhar a opinião pública dos Estados Unidos. O projeto “Um novo século americano”. em apenas um ano e meio do governo Obama. para o imperialismo. que permitisse a rápida extração das reservas e o barateamento do custo do petróleo. O massacre sionista não conseguiu seu objetivo de colocar novamente seu aliado Abbas à frente do território controlado pelo Hamas. Daí surge a imperiosa necessidade. depois da derrota no Líbano. por outro. em vez de conseguir um regime colonial estável. e os talibãs recuperam cada dia mais poder ofensivo contra as tropas invasoras. de colonizar toda a área. planejou uma retirada parcial de soldados do Iraque. ao peso geopolítico adquirido por essa acumulação de riqueza. em 2006. O início de uma crise econômica mundial aumenta esta importância. levou o grosso de suas tropas para o Afeganistão e começou uma dura ofensiva para obrigar os talibãs a negociar o futuro do país. seguiu-se a vitória eleitoral de Obama e uma nova estratégia dos EUA para reverter a derrota que estava sofrendo no Oriente Médio. No entanto. Por sua vez. por um lado. enfatizava claramente a necessidade de retomar o domínio absoluto da região e derrotar os regimes que.

suas últimas tentativas nesse sentido. Cinquenta mil palestinos ficaram sem teto e entre 35% e 60% das atividades econômicas de Gaza sufreram danos irre- versíveis” (rebelion. Israel está mais isolado que nunca. encabeçada pelo Hamas. Ante esta brutal agressão. no final de 2008. morreram 13 soldados israelenses. 79 . e a campanha pelo boicote à Israel deu um salto. moereram 1. por tropas de elite sionistas. Por isso. Pela tarefa que lhe foi designada em sua criação. usurpou o histórico território do povo palestino (uma parte da qual expulsou violentamente). consciente de que não pode conseguir uma vitória militar contra a resistência palestina e dos povos árabes. contou com a colaboração do governo egípcio de Hosni Mubarack. pressionou este governo para que não continue com sua política ofensiva e se encaminhe a criação de um Estado Palestino sob controle de Israel. e vendo o desprestígio e a crise de seu enclave no Oriente Médio. por um lado. e dezenas ficaram feridos. Sua criação. Israel mantevo o bloqueio à Faixa de Gaza. inclusive. uma espécie de grande base armada contra o mundo árabe-muçulmano e suas lutas. castigam os familiares dos ativistas da resistência. a partir das organizações sindicais e populares se possa enfraquecer o Estado israelense. Na incursão. até o fim. É importante ressaltar que grande parte da esquerda renunciou. em águas internacionais. grandes mobilizações aconteceram em todo o mundo. para manter esse papel. contudo. este não terá nenhuma possibilidade de existência real. Durante 22 dias de assédio. Diante desta nova barbárie de Israel. não o conjunto dos trabalhadores. poucos días antes de Obama tomar posse como presidente dos EUA. Israel é o único aliado seguro e incondicional dos EUA na região.org). Obama. Em primeiro lugar. Entre eles. O sindicato israelense Histadrut. Israel bombardeou selvagemente e invadiu militarmente a Faixa de Gaza. Como observou o editorial do Peacereporter. deu origem a um Estado de ideologia e legislação racista. de materiais para reconstruir as moradias e infraestruturas econômicas destruídas por Israel. igual ao que faziam os nazistas. pelo imperialismo. fracassaram. Os militares israelenses. O ataque teve como primeira consequência que Israel entrou em crise com um importante aliado muçulmano. Em segundo lugar.400 palestinos. por o outro. Israel precisa esmagar o Hezbollah e a resistência palestina. Assim foi quando. Israel é um aliado estratégico para o imperialismo estadunidense (conceito que foi claramente reafirmado por Obama) e sua existência sempre será defendida. neste momento. como uma administração colonial encarregada de controlar seu povo. os estivadores suecos. Isso significa que não haverá nenhuma solução verdadeira sem a destruição do Estado nazista de Israel (verdadeira causa dos conflitos na região) e a construção de um Estado palestino único. como um enclave colonial militar. A maioria vive rodeada pelos muros que construíram os sionistas e sem possibilidades de nenhum desenvolvimento econômico. à luta pela destruição do Estado de Israel. pelo contrário. Israel é um Estado racista. Para isso. “Ao mesmo tempo. que faz fronteira com Gaza. “tratouse da intervenção militar mais dura desde as guerras de 48 e 67 nos territórios ocupados.perou da crise este ano. que inclusive se for criado um miniestado palestino. A reação ao ataque produziu um salto na campanha a favor do boicote a Israel. similar à dos nazistas ou à do Apartheid sul-africano. Pelo menos nove ativistas morreram por disparos israelenses. estará condenado a viver sob as botas de Israel. defende os trabalhadores judeus. que encabeçam. Neste ano e meio. O último foi o comboio de ajuda humanitária que foi assaltada em alto mar. O Estado de Israel foi criado pelo imperialismo. o governo turco. tanto no Líbano quanto em Gaza. cujos máximos dirigentes provêm sempre do exército. laico. Muitas iniciativas internacionais se deram deste então para quebrar o bloqueio a Gaza. em seu papel de enclave e gendarme estrutural do imperialismo. Quatro mil casas foram destruídas ou danificadas. o Estado de Israel. assinalamos que é necessário tirar as conclusões de tudo que aconteceu nos últimos anos. que a política derivada dos acordos de Oslo se transformou numa armadilha para a luta do povo palestino pelo caráter de “administração colonial” que teve a ANP. há anos. considera que a única forma de sobrevivência é destruindo militarmente dos povos árabes em geral e da resistência palestina em particular. em que os árabes são expulsos de suas terras e casas ou são cidadãos de segunda categoria. Israel impediu a chegada de ajuda humanitária e. No entanto. que mostrou que sua única política é a do genocídio do povo palestino. e a campanha de boicote pode ser uma arma para que. 300 crianças e 115 mulheres. democrático e não-racista. O governo israelense. destruindo suas casas. mas deu um salto qualitativo com o ataque ao navio de ajuda humanitária por parte das tropas sionistas em águas internacionais. mas. em 1948.

Recordemos como. em Março deste ano a Israel.2 bilhão de dólares. em 2008. Enquanto no mundo se amplia a campanha pelo boicote aos produtos e ao comércio com Israel. Propomos. que são dos maiores exportadores destes produtos para o Brasil. quase metade em fertilizantes e também produtos médicos. precisamos explicar a fundo qual tem sido a verdadeira atuação de Lula. Colocamos o boicote a Israel em todos os terrenos. vinha avalizado pelos EUA. 21/3/2010). A proposta turco-brasileira estava encarregada de impedir o desenvolvimento tecnológico iraniano em matéria nuclear. Por sua vez. inseticidas e manufaturados (O Globo. de forma imediata. Lula comprou 18 aviões não tripulados israelenses pelo valor de 350 milhões de dólares. Há anos que la Elbit Systems israelense é provedora da Embraer. que finalmente acabou rechaçando-o e impondo a política das sanções. O imperialismo usou a face amável de Lula para facilitar seus negócios e seu intervencionismo. a proposta dos EUA de criação de dois estados. Lula foi acompanhado por 200 empresários brasileiros para finalizar os detalhes da entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel. Tem de se fechar as fronteiras brasileiras a todos os produtos israelenses. as exportações brasileiras a Israel caíram de pouco menos de 400 milhões de dólares. como soja. aparentemente. Israel. 2/3/2010). podemos apreciar com clareza o papel de Lula a serviço desta política. e o mundo acadêmico e científico têm 80 . No entanto. no ano passado.5 milhões de dólares. mas como porta-voz do imperialismo e sustentáculo do Estado genocida de Israel. possam conviver em paz” (Declaração da LIT-QI. a política de lula para Oriente médio Vendo quais são as necessidades e a política do imperialismo no Oriente Médio. na ocasião. insistindo na posição que tinha expressado dias antes o enviado de Obama. Lula se reuniu. fruto das críticas ao tema dos assentamentos. Importantes empresas israelenses são a fabricante de fertilizantes Chemicals e a companhia de genéricos agroquímicos MA Industries. a ruptura de relações diplomáticas com Israel e a ruptura do TLC do Mercosul com esse país. na maior parte carne e derivados e commodities. O acordo. mais diferenças entre EUA e Brasil tem sido o tema do comércio de urânio enriquecido para o Irã. além de 50 representantes de empresas estrangeiras interessadas em ampliar negócios na região”. É preciso não reconhecer Israel como Estado. Indústria e Comércio Exterior) e Celso Amorim (Relações Exteriores). Josef Biden. Para começar. assim.onde os palestinos expulsos possam retornar a suas terras e onde os judeus que aceitam os direitos dos palestinos à terra. com o Irã. que se transformou num fantoche de Israel. Lula lhe abre as portas do mercado brasileiro e do resto do Mercosul. que governa a Cisjordânia apoiado nas forças militares israelenses). café e açúcar. apoiando a campanha mundial que realizam organizações como o BDS. mantendo o monopólio do controle da produção de urânio com os países imperialistas o seus aliados seguros. para 270. Este acordo dá continuidade às excelentes relações comerciais que já mantinha o Brasil com Israel. que passou a valer pouco depois de 4 de abril. O Brasil importa mais: 1. o que mais se destacou foram os desencontros entre Lula e governo de Israel. para mostrar que a comunidade internacional está com ele e não com os rebeldes do Hamas. deixando Lula mal localizado. em 2008. se converteu no único país fora da América Latina que conseguiu um acordo de livre comércio com o Mercosul. O que tem causado. Os próximos acordos do Mercosul com o Egito e com países do Oriente Médio servirão para que as multinacionais instaladas no Brasil possam acessar mais facilmente aquela região. O comércio entre os dois países é ainda pequeno. e pediu ao governo de Netanyahu (primeiro ministro israelense) que pare a construção de novos assentamentos israelitas nos territórios da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental. Lula levou a mensagem de Obama. É preciso destacar que a relação comercial com Israel é a típica relação de um país semicolonial com um país imperialista: importação de produtos manufaturados e expor- tação de matérias-primas. Naquela viagem. não como amigo dos palestinos ou do Irã. em novembro do ano passado. proposto pela Turquia e pelo Brasil. essa viagem selou o maior acordo comercial que já conseguiu Israel com a América Latina. com Mahmud Abbas (presidente da Autoridade Nacional Palestina. e 651 milhões de dólares no ano passado. O jornal O Globo informou assim a viagem de Lula à Aràbia Saudita: “Da comitiva. fazem parte os ministros Franklin Martins (Comunicação Social). O Brasil não pode continuar sendo parte dos negócios das multinacionais que estão espoliando os recursos do Oriente Médio. Miguel Jorge (Desenvolvimento. Uma política internacionalista É necessária outra política internacional do Brasil em relação ao Oriente Médio. e assim o queiram.

Isso significa apoio material à resistência palestina e apoio real aos refugiados. o Brasil tem de começar por retirar suas tropas do Haiti. porque a proposta de classe e socialista do PSTU se expressa em nível de uma política exterior a favor dos trabalhadores e dos povos oprimidos contra o imperialismo e suas multinacionais. Essas sanções. incondicionalmente. contra todos os governos burgueses da região. O Brasil se colocará. através da ONU. tanto aos que se encontram no Brasil quanto aos que estão em outras partes do mundo. democrático e nãoracista. O Brasil apoiará os países árabes frente ao imperialismo e quando lutam consequentemente contra o avanço de Israel na região. Um Brasil socialista não será neutro no Oriente Médio. Nosso programa também se opõe frontalmente às sanções ao Irã. nas fábricas. em que acabam sofrendo os trabalhadores e o povo mais pobre. geralmente ditaduras criminosas. Em relação à ocupação militar de vários países por parte do imperialismo. aplicou ao Iraque. Esta política é a que vamos defender nas eleições. como as que anos atrás o imperialismo. 81 . O Brasil deveria fazer como muitos países fizeram no passado com o regime racista do Apartheid na África do Sul. e exigir a retirada de todas as tropas imperialistas do Oriente Médio e o apoio material à resistência de todos estes povos contra a ocupação imperialista. que estão a serviço dos EUA. entre os setores camponeses e populares. são uma agressão ao país.de fechar as portas a qualquer colaboração. O Brasil tem de apoiar o fim do Estado de Israel e ajudar a construir um Estado Palestino laico. entre os professores e os estudantes. Vamos impulsionar esta política a partir das entidades sindicais. ao lado dos trabalhadores e dos povos na luta contra o imperialismo e pela revolução socialista no Oriente Médio. implementando o boicote.

é casada e formada em biologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). defende a reestatização da Vale. CSN e demais empresas privatizadas e o não pagamento da dívida do estado para investir em saúde. É presidente regional do PSTU. e não para as grandes empresas como é feito hoje. minas gerais governador: rodrigo Dantas vice: rosa Olímpia Donizetti goiás Senador: rubens paraná governador: avanilson araújo vice: ivan Bernardo Sp rS 82 . ao qual está filiada desde 1997. 2006 e 2008.Candidatos aos governos nos estados amazonas governador: Herbert amazonas vice: João rebouças pará governador: Cleber rabelo vice: Fátima “Fafá” amapá governador: genival Cruz vice: Bruno Souza Distrito Federal mg governadora: vanessa portugal vice: Oraldo paiva Vanessa tem 40 anos. É professora das redes municipais de ensino de Belo Horizonte e de Betim. educação e moradia públicas. diretora do Sindicato dos Professores da Rede Municipal de BH (Sindrede-BH) e fundadora da Conlutas. Para isso. Já representou o partido nas eleições de 2002. Vanessa defende que o estado de Minas seja governado para trabalhadores. 2004.

Foi da Secretaria Nacional da Conlutas e. agora. Desde 2000. Em 1983. é secretário geral da entidade. Fundador do PSTU. rS rio grande do Sul vice: rosângela Barreiros 83 . Cyro foi deputado federal e presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro. trabalhou no Banco Meridional. ajuda a organizar a oposição de esquerda no Cpers (sindicato da educação). Durante os anos 1980. É funcionário do Banco do Brasil e professor universitário. integra a Executiva da Conlutas-CSP. Sp São paulo Bahia governador: Carlos nascimento vice: Daniel romero Santa Catarina governador: gilmar Salgado governador: Julio Flores vice: vera rosane É dirigente das lutas dos professores e bancários. atualmente. Começou sua militância no final da década de 1970. já como metalúrgico. nas lutas estudantis contra a ditadura militar. vice: Hallysson Ferreira Ceará governador: Francisco gonzaga vice: nivânia amâncio paraíba governador: marcelino rodrigues rio grande do norte governadora: Simone Dutra vice: José mendes pernambuco Sergipe governadora: vera lúcia mg rJ vice: Dalton dos Santos governador: Jair pedro vice: Kátia Telles governador: luiz Carlos prates “mancha” vice: eliana Ferreira Metalúrgico. na Universidade Federal de São Carlos. eletricista de manutenção. o MONSP. Mancha tem 54 anos. Foi diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. atualmente é seu presidente estadual. onde foi ativista das grandes greves da categoria e da luta contra a privatização do banco.maranhão governador: marcos Silva vice: Hertz Dias piauí governador: Cyro garcia rJ rio de Janeiro a governador: geraldo Carvalho vice: miguel malheiros Uma das lideranças mais importantes dos bancários do Rio e um dos dirigentes nacionais da Conlutas. Central Sindical. Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e. É professor de matemática das redes municipal e estadual. Depois. Popular e Estudantil. participou das grandes mobilizações operárias em São Paulo e do Movimento de Oposição Metalúrgica. além de bacharel em direito pela UFRJ e mestre em história pela UFF. começou a trabalhar na GM de São José dos Campos e se transformou num dos principais representantes dos trabalhadores da região. é casado e tem três filhos.

O capitalismo se prepara para escapar desta crise reforçando todas as suas características mais parasitárias. Os 24 trilhões de dólares entregues aos banqueiros pelos governos poderiam ser usados para isso. levando ao atual desastre ecológico mundial . Até a queda das ditaduras stalinistas. as conseqüências brutais do capitalismo vêm a tona com a crise européia. Isso existe mesmo nos períodos de crescimento. 84 . com o nível das forças produtivas atual. e isso não ocorre hoje. Mesmo se o capitalismo fosse abolido hoje. tudo se agrava rapidamente. como indicam os “acordos” da indústria automobilística dos EUA. As empresas competem entre si. Durante a década de 90 existiu uma gigantesca campanha de propaganda de que “o socialismo morreu”. A grande “saída” é a redução dos salários e direitos dos trabalhadores. gerando uma anarquia na produção. Agora. As multinacionais fazem também um ataque desenfreado aos recursos naturais. Hoje não existe mais a URSS. nas greves. Seria possível. Já existem sinais de barbárie nas periferias das grandes cidades no mundo. que demonstrava a existência de uma alternativa de sociedade não capitalista. A isso se alia uma maior centralização do capital (como nas fusões da industria automobilística).Socialistas sim. Nas manifestações. acabar com a fome. Começa a se mover o proletariado de maior tradição de todo o mundo. mas tampouco existe uma clareza de que o socialismo é possível. mas foram destinados a salvar as grandes empresas responsáveis pela crise. com muito orgulho A participação do PSTU nessas eleições já se justificaria por defender as bandeiras do socialismo. Isso impede o planejamento da produção em função do atendimento às necessidades da população. Felizmente caiu o aparato internacional do stalinismo. Elas buscam cada vez mais lucros e isso leva à exploração e a miséria do proletariado. Nas crises. Aí viram os administradores do neoliberalismo. o desemprego e a miséria em todo o mundo. O desemprego e a miséria se alastram. inevitáveis no capitalismo. surgem de novo as bandeiras vermelhas socialistas. Não existe nenhuma possibilidade de reformar do capital. Pode ser que o ascenso operário europeu comece a mudar essa realidade. a grande trava da humanidade: a propriedade privada das grandes empresas a única alternativa realista é a abolição da propriedade privada O capitalismo hoje é o domínio das grandes empresas privadas sobre a sociedade. As riquíssimas multinacionais gastam ao redor de 5% de seu faturamento no pagamento aos trabalhadores. com a fome e a violência urbana atingindo graus inimagináveis. os reflexos no aquecimento global tardariam talvez um século para serem superados. A vanguarda das lutas já nascia socialista. Este ascenso operário pode ser a base objetiva para uma ampliação das idéias socialistas. na década de 80 do século passado havia uma ampla hegemonia do socialismo entre intelectuais e artistas. Os reformistas falam de um “capitalismo com preocupação social” até chegarem ao poder como o PT.

a asfixia da arte e da ciência. dirige também o estado. No entanto. financia os grandes partidos. A evolução da URSS mostrou o que isso pode significar. Como esses delegados poderiam ser mudados a qualquer momento e não teriam qualquer privilégio em relação aos outros trabalhadores. é acreditar que Chavez vai levar ao socialismo. Só assim será possível organizar a economia para satisfazer às necessidades dos trabalhadores e não para aumentar os lucros de uma pequena minoria. Utopia reacionária é a esperança. os trabalhadores discutiam e decidiam livremente nos sovietes sobre os destinos da guerra e os rumos da economia. Um novo tipo de estado. O nacionalismo burguês chavista não acabou com a dominação das multinacionais petroleiras e dos bancos nesse país. Segue convivendo com elas e por isso os trabalhadores nesse país têm níveis salariais e de desemprego semelhantes aos brasileiros. Existe uma enorme distância entre os trabalhadores e os “políticos”. Outra utopia. Um estado operário seria a expressão da dominação da maioria sobre uma minoria. Elegeriam seus representantes para os congressos que decidiriam sobre esses temas. A experiência da democracia operária nos primeiros sete anos da revolução russa. a distância enorme com os parlamentares de hoje acabaria. antes da burocratização do stalinismo. em que os trabalhadores poderiam livremente debater e decidir os grandes temas políticos e econômicos. Mais uma vez. antes da revolução era o mais atrasado da Europa. O socialismo não é nenhuma utopia. A abolição da propriedade privada das grandes empresas é a única alternativa realista para evitar as crises e a barbárie. possibilitaria que os trabalhadores discutissem em seus organismos de luta nas fábricas e empresas os temas mais importantes do país. a fome e o analfabetismo. Todas as eleições são viciadas. qualquer estado é uma ditadura de uma classe social sobre as outras classes. Possui os grandes meios de comunicação (TVs e jornais em particular). Mas nada poderá apagar este exemplo do que pode significar a abolição da propriedade privada. As ditaduras stalinistas ajudaram a burguesia a associar o socialismo com a burocracia. foi o maior exemplo histórico de como isso pode ser feito. A democracia burguesa é uma ditadura disfarçada das grandes empresas. amplamente majoritária. e se transformou em uma potência mundial que rivalizou com os EUA. Um novo tipo de estado muito mais democrático que a democracia burguesa corrupção e o aproveitamento das verbas públicas. em que segue existindo um estado burguês com um governo autoritário como Chavez. Os representantes eram eleitos e podiam ser revogados a qualquer momento. e um longo etc. compra votos em grande escala. nada disso se passa na Venezuela. Como a grande burguesia controla a economia. ou outros (como Lula) que se dispõem a fazer o que eles querem. identificados com a 85 . acabou com o desemprego.e um predomínio ainda mais forte do capital financeiro. apesar de se votar a cada dois anos. com eleições a cada dois anos. Um país que. É por isto que. A burocratização da URSS acabou com esta experiência histórica fantástica e acabou levando-a a restauração do capitalismo. Existiria uma ampla democracia operária. de que governos capitalistas como Obama e Lula possam evitar ou resolver as crises. A burguesia afirma que o socialismo destrói a liberdade. Ganham os candidatos que a grande burguesia apóia. Mesmo em condições objetivas econômicas ruins. baseado na democracia operária. nada muda. apoiada pela maioria da esquerda. que a democracia é indissociável da propriedade privada. A abolição do capitalismo permitiria também uma democracia muito superior à democracia burguesa. a incompetência.

A luta para que os trabalhadores governem deve ser as imensas riquezas naturais do país enriquecem especula.O significado do programa é o sentido do Partido uando as candidaturas presidenciais foram regis. o ritmo de trabalho nas empresas converte as programa sem um partido. A explicação da “gafe”: uma coisa é o nas com a luta contra os patrões e a dominação do país pelas multinacionais. aplicado. classe. é que Assim. sem os temas consi. por isso não cabe nesse expressão da luta diária programa nenhuma das reivindicações expressão da luta diária pela pela sobrevivência sobrevivência de milhões de trabacentrais da classe trabalhadora. mas fundamentais dos trabalhadores pode ser resolvido. não se pode construir um presas a escala é astronômica. e se comta para ação e mobilização. que pode ser o programa que interesses das grandes empresas. mas em afirmar qual é a saída para conquistar uma é construído nas pequenas e grandes batalhas da classe Q 86 . que lute contra os um programa “realista”. Como o programa que apresentamos vai além das eleifábricas em verdadeiras máquinas de moer seres humanos. o programa que apreseu programa significa governar para apresentamos é a sentamos nestas eleições é a a burguesia. Ocorre que a vida já demonstrou nos oito anos de gotradas. Mas o debate fundamental sobre o Não é possível improvisar um programa. A verdadeira realidade é que das eleições.ções. Logo em seguida. ocorreu um fato curioso: o PT registrou um programa com “tópicos considerados radicais” tais verno de aliança com a burguesia que nenhum dos problecomo a necessidade da reforma agrária. o partido que construímos é a expressão desse prodo.vida digna. O que não diz. outra é o programa de governo! deve ser um governo socialista dos A direção do PT diz que apresenta trabalhadores. lhadores. Um partido país. E o governo necessário para essa luta programa do partido. voltou atrás e o substituiu por outro. a qualidade da saúde e da educação pública segue decain. o país continua sendo saqueado pelas multinacionais e grama. Ele sintetiza a experiênO PSTU apresenta nestas páginas de milhões de o seu programa de governo.Nossas principais reivindicações serão conquistadas apederados “radicais”. Isto é a realidade. pois é uma ferramenos salários tiveram uma redução em sintetiza a experiência termos relativos e absolutos. ele colaboração de classes e vai além realistas. tampouco um programa não está somente em reconhecer a realidade do partido para a revolução pode ser improvisado.construída cotidianamente em todas as batalhas de nossa dores da bolsa de valores. porém. E somos cia desses oito anos de governo de trabalhadores. Mas se de oito anos de governo pararmos com o lucro das grandes emo programa é uma ferramenta para de colaboração de classes a ação.

o que impera é a decisão dos aparatos. Esta é base sob a qual se sustenta a democracia interna: os organismos do partido. 87 . As reuniões são polêmicas. porque elas discutem a nossa intervenção.trabalhadora. E a base da garantia de nossa independência política é a independência econômica do partido frente à burguesia. Quando o centro das decisões do partido não são seus organismos e seus militantes. por tanto. a instância máxima do partido. Nos congressos. expressam. Por isso convidamos todos nossos leitores para essa empreitada. é onde se tomam as principais decisões. Nenhum dirigente está acima dos militantes. por cima dos militantes. Uma vez tomada a decisão. Temos orgulho de ser um partido que sobrevive com a contribuição de seus militantes e simpatizantes. O PSTU é um partido vivo. pois a dependência material da burguesia significará a destruição da base do nosso programa: a libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores. pois permite que a direção não esteja submetida à decisão coletiva de sua base. O PSTU esta sendo construído sob estas bases. a construção de uma disciplina coletiva. todos do partido aplicam a política decidida. Convidamos você a vir construir conosco esta ferramenta. uma mudança no seu programa. todos estão submetidos às decisões de cada reunião em que participa nos organismos do partido. Um partido que se baseia nos filiados e não nos organismos. Não existe democracia interna se os militantes não podem discutir cotidianamente a política do partido e controlar a sua direção. na verdade. Os partidos que se reivindicam da classe trabalhadora e deixaram de lado esta forma de organização e a independência. que organiza os ativistas que querem lutar pelo programa da revolução. como gabinetes de parlamentares e aparatos sindicais. destrói a base fundamental da democracia interna.

Mas que 88 m é o pa rtido ? “Mas qu em é o partid o? Ele fica sentado em uma casa com telefone s? Seus pen sa São secr mentos eto Suas dec s. vocês – Nós tod os. e q uando v ocê é Atacado ele luta. a. isõ Desconh es ec Quem é idas? ele? Nós som os ele. Você. eu . Ele veste su Camarad a roupa. Onde m oro é a c asa Dele. Com sua e pensa cabeça. ” Brec ht .

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