LFG_2º Semestre_2009 1 Civil – Pablo Stolze

1a Aula - 28/07/09 Prof. Pablo Stolze Baixar as apostilas (2009.2 - a partir de sexta-feira) dele postadas no site: www.novodireitocivil.com.br Pablo diz para não baixar as do primeiro semestre porque sempre tem atualização.

P S O E S A

JU ÍD A R IC

E

P S O F IC - P rte I E S A ÍS A a
1. PERSONALIDADE JURÍDICA:
Conceito: A personalidade jurídica é a aptidão genérica para se titularizar direitos e contrair obrigações na órbita do direito, ou seja, é a qualidade para ser sujeito de direito. 1.1 - Pessoa Física ou Natural: Natural Em que momento a pessoa física adquire

personalidade jurídica? Nos termos da 1a parte do art. 2° do CC, a personalidade civil da pessoa física começa do nascimento com vida.
Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.

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À luz do princípio da dignidade da pessoa humana, o sistema brasileiro, afastando-se do art. 30 do Código Civil espanhol, para efeito de aquisição de personalidade jurídica, não exige tempo mínimo de sobrevida nem forma humana.

TEORIAS EXPLICATIVAS DO NASCITURO:
Conceito: Nascituro é o ente concebido, mas ainda ñ Conceito nascido, com vida intra-uterina.  Dica 1: o embrião congelado em laboratório Ñ É NASCITURO! Não utilize essa expressão em prova para designá-lo.  Dica 2: as Bancas mais conservadoras tendem a seguir a Teoria Natalista que ainda é predominante. Duas teorias fundamentais: 1a) TEORIA NATALISTA (Defensores - Vicente Ráo, Silvio Rodrigues, Silvio Venosa, Eduardo Spínola): Esta teoria dá ênfase à primeira parte do art. 2°, ao considerar que o nascituro não é sujeito de direito, gozando de mera expectativa, uma vez que a personalidade só é adquirida a partir do nascimento com vida. Dica: Pablo diz que a doutrina brasileira,

predominantemente é natalista. 2a) TEORIA CONCEPCIONISTA: CONCEPCIONISTA

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Essa corrente ainda não é dominante, mas vem ganhando espaço no Direito Brasileiro. Defensores: Teixeira de Freitas, Clóvis Beviláqua,

Limongi França, Silmara Chinelato (tem um livro especificamente sobre o nascituro. É concepcionista de carteirinha). Conceito: para esta teoria, o nascituro seria considerado pessoa, inclusive para efeitos patrimoniais, desde a concepção. Esta teria concepcionista, portanto, considera que o nascituro não goza de mera expectativa. Para essa linha o nascituro é considerado dotado de personalidade desde a sua concepção. Para essa linha o nascituro adquire personalidade jurídica desde a concepção, inclusive para efeitos patrimoniais. Essa linha explica muito melhor as situações de proteção ao nascituro.
 OBS.: Reforçando a Teoria Concepcionista, podemos

observar no sistema brasileiro inúmeros dispositivos que, tratandoo como sujeito, confere-lhe direitos (ver Quadro Esquemático do material de apoio). OBS.: Existe uma Teoria intermediária, posto ñ tão relevante: TEORIA DA PERSONALIDADE FORMAL OU CONDICIONAL  esta teoria afirma que o nascituro é dotado de personalidade em face de direitos extrapatrimoniais, de maneira que os efeitos patrimoniais só seriam observados a partir do nascimento com vida.

. o próprio autor aponta inúmeras situações em que o nascituro é considerado pessoa. observa Clóvis Beviláqua. Ed. por ser mais prática. O STJ tem admitido indenização por dano moral ao nascituro. nascituro. reforçando tese já esposada pela jurisprudência. teria adotado a Teoria Natalista. o codificador. 10 do material de apoio. na obra "Código Civil dos Estados Unidos do Brasil". Todavia.804/2008 consagrou os alimentos gravídicos.  QUAL A TEORIA ADOTADA PELO CC? CC Aparentemente.LFG_2º Semestre_2009 4 Civil – Pablo Stolze Para Pablo o que esta teoria sugere é uma personalidade pela metade. Rio.  Em reforço à Teoria Concepcionista. Existe entendimento no STJ (REsp 931556/RS. é aquele que nasce morto. REsp 399028/SP1). O que é dano moral? Dano moral é lesão a direito da personalidade. sendo assim o nascituro é pessoa! admitindo indenização por dano moral ao O que é natimorto? O natimorto ñ é recém-nascido. Para o natimorto o Enunciado 1 da I Jornada de Direito Civil 1 Na pág. a lei 11. demonstrando a inequívoca influência concepcionista. 1975.

CAPACIDADE: É um tema conexo ao tema da personalidade. goza de tutela. em geral é adquirida a partir dos 18 anos (desde que tenha saúde mental). qualquer pessoa tem. mas nem todo mundo tem capacidade de fato. Todo mundo tem capacidade de direito. Esta. fala-se que ela tem capacidade plena. Capacidade de direito e personalidade são faces da mesma moeda. à imagem e à sepultura. A capacidade se desdobra em: capacidade de direito e capacidade de fato (ou de exercício). Quando a pessoa reúne as duas capacidades.: Enunciados ñ são Súmulas. O nascido morto.LFG_2º Semestre_2009 5 Civil – Pablo Stolze reconheceu que o natimorto é merecedor de tutela jurídica como o direito ao nome. . 2. porque a capacidade de direito é uma capacidade genérica. são atividades de doutrina que ñ vinculam o juiz. portanto.  OBS. CAPACIDADE DE DIREITO: DIREITO No atual estágio do direito moderno ñ há como se separar os conceitos de personalidade e de capacidade de direito (Orlando Gomes). A capacidade também é um conceito fundamental do Direito Civil.

bens móveis ou imóveis pertencentes ao menor. até o terceiro grau inclusive. não pode o tutor. mediante contrato particular. Faltar legitimidade significa existir um impedimento específico para a prática de determinado ato (art.: O que é. O art. 1749. IV).adquirir por si. IV impede o casamento entre irmãos. 1.749. temos que a legitimidade é a pertinência subjetiva para a prática de determinado ato. Ausente a capacidade de fato. De igual modo no art. 1521.os irmãos. na teoria do Direito Civil. ou por interposta pessoa. e demais colaterais. unilaterais ou bilaterais. 1. Art. embora ambos sejam capazes. 1749. fala-se que há incapacidade. I e 1521. I. Não podem casar: IV .521.LFG_2º Semestre_2009 6 Civil – Pablo Stolze A capacidade de fato traduz a aptidão para pessoalmente praticar atos na vida civil. há falta de legitimidade. O impedimento para a prática de determinado ato é o que chamamos de ilegitimidade.  OBS. Ainda com a autorização judicial. embora haja capacidade. a "legitimidade"? Seguindo a doutrina do professor Calmon de Passos. Nada tem a ver com capacidade. Art. A incapacidade é a ausência da aptidão de praticar atos da vida civil (falta da capacidade de fato). . É uma falta de legitimidade. sob pena de nulidade: I .

são chamados de menores impúberes. seguindo a linha mais moderna da medicina.: A doutrina. 3°: Art. III . Inciso II . caso o incapaz pratique o ato em momento de lucidez. II . Inciso I . esta viola a dignidade da pessoa humana. mesmo por causa transitória. este permanecerá inválido (porque ñ houve a presença de seu curador). 4° do CC/2002. que venha a praticar ato prejudicial ao seu interesse. Art. ñ usa mais a expressão "louco de todo gênero". uma vez interditado. À luz do NCC os absolutamente incapazes estão no art.os menores de dezesseis anos. ainda ñ interditado. 3° e 4° são os que Pablo chama de artigos matriciais do CC. não puderem exprimir sua vontade.LFG_2º Semestre_2009 7 Civil – Pablo Stolze Essa Incapacidade subdivide-se em: incapacidade absoluta e incapacidade relativa.  OBS.os que.  Questão de concurso: O incapaz. 3° e os relativamente incapazes estão no art. os relativamente incapazes são assistidos. não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos. pode ter este ato posteriormente invalidado? . portador de enfermidade ou deficiência mental. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: I . Os arts. Os absolutamente incapazes são representados. interpretando o inciso II do art. 3° é forte no sentido de que.os que. por enfermidade ou deficiência mental.o CC.

Novidade! Por exemplo. Segundo Orlando Gomes. Em reforço à tese exposta. 503 do Código da França admite a invalidação dos atos praticados pelo incapaz ainda ñ interditado. coloca-se em estado de incapacidade não pode alegar isenção de responsabilidade com base na Teoria da Actio Libera in causa. Silvio Rodrigues assevera que a má-fé da outra parte pode ser circunstancialmente demonstrada. Esta teoria. O "boa-noite" cinderela também. quem nos responde à questão é a doutrina. 2°) o grave prejuízo sofrido por ele. A doutrina brasileira. segundo o grande Alvino Lima em sua tese "Da Culpa ao Risco" também se aplica ao Direito Civil. por exemplo. quando estava em coma induzido). . o estado de coma pode caracterizar um exemplo desse inciso (Felipe Massa. voluntariamente. 3°) a demonstração da má-fé da outra parte.LFG_2º Semestre_2009 8 Civil – Pablo Stolze O CC é omisso quanto a isso. lançando mão de substâncias estupefacientes ou congêneres. o art. Inciso III . OBS: A pessoa que. a invalidação deste ato pressupõe: 1°) a incapacidade do agente. especialmente influenciada pelos sistemas italiano e francês. sustenta a possibilidade de invalidação do ato.

os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. Inciso I - são os chamados menores púberes - relativamente capazes -. baixar texto em espanhol no site: www. Inciso II –  Pegadinha: se a embriaguez é total e patológica e a toxicomania idem. relativamente a certos atos. podendo reduzir-se à miséria (isso passa por uma avaliação psicológica). a incapacidade ñ é relativa.INCAPACIDADE RELATIVA: Art. O pródigo é a pessoa que gasta imoderadamente o seu patrimônio. Inciso IV . relativamente incapazes também podem ser relativamente incapazes neste inciso próprio - .LFG_2º Semestre_2009 9 Civil – Pablo Stolze Dica: Texto de Claus Roxin sobre a actio libera in causa. ou à maneira de os exercer: I .os portadores da síndrome de down são considerados novidade -. IV .cienciaspenales. O pródigo é relativamente incapaz e está nesse inciso. 4° .os pródigos. e sim absoluta! Quando a embriaguez é habitual e apenas reduz o entendimento = incapacidade relativa. Os interditados.os ébrios habituais. II . III .net Art. e os que.os excepcionais. Parágrafo único. tenham o discernimento reduzido. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. por deficiência mental. 4o São incapazes. sem desenvolvimento mental completo. O pródigo beira a miséria. os viciados em tóxicos.

é considerado relativamente incapaz. Renovar. mas deve se manifestar no aspecto patrimonial. o coloca aqui com incapacidade relativa. O índio ñ tem a capacidade tratada no CC/2002. por exemplo. mas é regulada no art. em regra. 4°. O CC ñ trata mais da capacidade do índio que é tratada em lei especial. para protegê-lo dando-lhe um mínimo necessário.  QUESTÃO DO MP: O curador do pródigo deve se manifestar quanto ao casamento do pródigo? O procedimento prévio o curador deve se manifestar porque o casamento tem repercussão patrimonial. 4°. OBS. por si só. em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana. publicada pela Ed. IV c/c com o art. . segundo a qual.: Senilidade ñ é. nos termos da lei especial.: O que é estatuto jurídico do "patrimônio mínimo"? Tese desenvolvida pelo professor Luiz Edson Fachin.LFG_2º Semestre_2009 10 Civil – Pablo Stolze O legislador. PU: Para prova de MPU é interessante. considera-o absolutamente incapaz. 1782.  OBS. Art. O curador ñ pode se manifestar no aspecto material do casamento. causa de incapacidade. nos termos do art.001/73 (Estatuto do Índio) que. 8° da lei 6. devendo ser nomeado um curador para assisti-lo em atos de repercussão patrimonial. O pródigo. as normas civis devem resguardar sempre um mínimo de patrimônio para que cada pessoa tenha vida digna. a escolha do outro nubente.

REsp 442502/SP). que deve tomar como referência de termo final o período de conclusão dos estudos (REsp 347010/SP. a despeito da redução da maioridade civil para os 18 anos. exigindo o devido processo civil constitucional. 2°) Alimentos: O STJ já firmou entendimento no sentido de que a maioridade civil não implica cancelamento automático do pagamento da pensão alimentícia. fora editada a Súmula 358/STJ.LFG_2º Semestre_2009 11 Civil – Pablo Stolze EFEITOS DA REDUÇÃO DA MAIORIDADE CIVIL 1°) Previdenciário: No que tange ao aspecto previdenciário. . o Enunciado 3 da I Jornada de Direito Civil traduz a posição predominante no sentido de que. para fim de pagamento de benefício previdenciário prevalece o limite de idade da lei especial (lei previdenciária). Reforçando a tese segundo a qual o cancelamento da pensão ñ é automático.

2ª) JUDICIAL  prevista no inciso I. A emancipação está prevista no art. independentemente de homologação do juiz. EMANCIPAÇÃO VOLUNTÁRIA: VOLUNTÁRIA A emancipação voluntária. Pablito  novidade nenhuma. um falecido ou declarado ausente). conferida em caráter irrevogável e por instrumento público. instituto jurídico não apenas consagrado no Brasil. mas também em diversos outros sistemas (a exemplo do art. é manifestação dos pais (ou de um deles na falta do outro. . por exemplo. pelo menos. 16 anos completos. 5º.  Segundo o professor Barros Monteiro.LFG_2º Semestre_2009 12 Civil – Pablo Stolze 2ª Aula – 06/08/09 Obs. A Lei 12. 3ª) LEGAL  prevista nos incisos II a V. pois já havia a Súmula 301/STJ e dois artigos no CC. desde que o menor tenha.004/09  presunção de paternidade para quem se recusa a fazer o exame de DNA. 133 do Código de Portugal) antecipa os efeitos da maioridade civil. PU e neste artigo encontramos as três espécies de emancipação: 1ª) VOLUNTÁRIA  prevista no inciso I. a maioridade é atingida no primeiro instante do dia em que a pessoa completa 18 anos – a sua maioridade –. EMANCIPAÇÃO: Conceito: a emancipação. segunda parte. primeira parte.

LFG_2º Semestre_2009 13 Civil – Pablo Stolze  Atente que a emancipação é irrevogável. Ato irrevogável por excelência e que. pelo menos. ouvido o tutor. 16 anos completos. para a emancipação voluntária. Hipóteses de emancipação legal (operam-se por força de lei): 1ª) CASAMENTO – o casamento civil emancipa.  Quem emancipa é o juiz e não o tutor  o juiz ouve o tutor e. por conta do princípio da Isonomia é ato conjunto dos pais. desde que o menor tenha. emancipa o menor. A partir de que idade o homem pode se cara no Brasil? E a mulher? Também .  IPC: a despeito de a emancipação. EMANCIPAÇÃO JUDICIAL: JUDICIAL A emancipação judicial é aquela concedida pelo juiz. regra geral. extinguir o poder e a responsabilidade dos pais sobre os filhos. É a posição que Pablo Stolze também defende. para a doutrina. por sentença e ouvido também o MP. e. Isso prevalece para as outras hipóteses de emancipação? A doutrina não dá muita ênfase nessas hipóteses. por consequência. antecipar os efeitos da maioridade civil. Essa observação tem mais conexão. RT494/92) sustentam a possibilidade de os pais permanecerem responsáveis pelo filho emancipado até os 18 anos de idade. a doutrina brasileira (Sílvio Venosa) assim como a jurisprudência (RTJ 62/108. tanto é que o tutor é ouvido. Esse tipo se aplica para os menores que não estão sob o poder familiar dos pais.

Hoje. homens e mulheres podem se casar a partir dos 16 anos. No CC-16 o homem só podia casar aos 18 anos. o casamento de pessoa com idade inferior a 16 anos. é possível. se esse casamento vier a ser invalidado.LFG_2º Semestre_2009 14 Civil – Pablo Stolze 16 anos. a pessoa permanece emancipada. ela permanece emancipada ou volta a ser incapaz (caiu no MP/MG)? Emancipado pelo casamento. por exceção. as pessoas entre 16 e 18 anos. mas precisam de autorização judicial. caso o indivíduo venha a se separar ou a se divorciar posteriormente. casandose com a autorização dos representantes legais ou do juiz. emancipa-se. Não é a autorização que emancipa. esta é só para casar. por força do princípio da isonomia.  A separação judicial faz com que a emancipação venha a perder efeito ou a pessoa continua emancipada?  A pessoa emancipada pelo casamento.ocorrência de gravidez. 1520/CC. forte corrente doutrinária sustenta a . . uma vez que tais sentenças têm eficácia para o futuro. o que emancipa é o casamento. À luz do CC/02. em duas situações: .  Uma pessoa pode se casar com idade inferior a 16 anos? Na forma do art.para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. No que tange à invalidade do casamento. a despeito de existir polêmica.

Essa regra tem uma aplicação diminuta. desde que. como as militares.: Recomendação de leitura: Humberto Ávila  “Neoconstitucionalismo: entre a ciência do Direito e o direito da ciência”. uma das poucas exceções decorrem de legislação especial. é difícil encontrarmos caso de pessoa entre 16 e 18 anos que tenha assumido um cargo público.LFG_2º Semestre_2009 15 Civil – Pablo Stolze retroatividade dos efeitos da sentença de invalidade (Flávio Tartuce. Zeno Veloso).  4ª) PELO ESTABELECIMENTO CIVIL COMERCIAL OU PELA EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE OU PELO DE GRAU EM CURSO DE ENSINO SUPERIOR : também hipótese de difícil aplicação – colação de grau em ensino superior ESTABELECIMENTO EMPREGO. de maneira que seria adequado concluir o retorno à situação de incapacidade. o menor com 16 anos completos tenha economia própria. Fernando Simão. em função deles. 2ª) O EXERCÍCIO  O DE EMPREGO PÚBLICO EFETIVO: de cargo público também exercício emanciparia? Lógico. São três situações no mesmo inciso. Todavia. ressalvada a hipótese do casamento putativo. 3ª) A COLAÇÃO abaixo dos 18 anos.  Obs. Essas hipóteses de emancipação podem ser enfrentadas incidentalmente no curso de um processo.  O que se entende por economia própria? Qual a natureza jurídica dessa expressão “economia própria”? .

O professor LFG sustenta a tese no sentido de admitir a prisão civil para cumprimento de obrigação. Argumenta que essa prisão civil não tem natureza penal. na forma do ECA. 6º/CC e é a seguinte: haverá morte presumida no caso da Código Civil admite duas situações de morte . Caso venha a cometer Ilícito criminal. a ser preenchido pelo juiz. na dicção do professor Arruda Alvim. à luz do princípio da operabilidade. embora. Nos termos do art. O presumida: A primeira situação de morte presumida está na 2ª parte do art. 6º/CC. a morte marca o fim da pessoa física ou natural. “economia própria” consiste.  O Menor emancipado comete crime? O menor emancipado não tem imputabilidade penal que só é atingida aos 18 anos. a morte encefálica é o marco biológico mais seguro dada a sua irreversibilidade. por isso seria possível. a parada cardiorrespiratória possa caracterizar o óbito. no caso concreto. em um conceito vago ou fluídico. será o mesmo tratado como ato infracional. A MORTE (EXTINÇÃO DA PESSOA FÍSICA): As comunidades científicas internacional e brasileira (ver Resolução 1480 do CFM) sustentam que.LFG_2º Semestre_2009 16 Civil – Pablo Stolze Considerando-se o sistema aberto de normas do CC/2002.

7º do CC estabelece outras situações de morte presumida que com a ausência não podem se confundir.  O que se entende por COMORIÊNCIA? A simultânea. devo considerar os comorientes simultaneamente mortos. Conceito: a ausência.  Tem de ser morte no mesmo local? Em geral sim porque é pouco provável que faleçam no mesmo instante em local distinto. matéria detalhada no texto complementar do material de apoio. Caso a questão do concurso não indique a sucessividade cronológica dos óbitos. 8º/CC). É possível. Aqui é registrado em livro próprio para óbito e não de ausência. consiste simplesmente em procedimento de transmissibilidade do patrimônio da pessoa que desaparece do seu domicílio sem deixar notícia ou representante (art. comoriência traduz uma situação de morte P S O JU ÍD A E S A R IC . abrindo-se cadeias sucessórias autônomas e distintas (art. 22 e seguintes do CC). de maneira que um não herda do outro. O CC/2002 inaugurou outras situações de morte presumida que não se confundem com ausência: O art. mas não é provável.LFG_2º Semestre_2009 17 Civil – Pablo Stolze AUSÊNCIA quando for aberta a sucessão definitiva dos bens do ausente.

CONCEITO: Nesta perspectiva temos que pessoa jurídica é o grupo humano. a noção básica de pessoa jurídica deriva do agrupamento humano personificado pelo Direito. . para atingir fins comuns. Planiol. visando a atingir diversas finalidades. sempre tendeu ao agrupamento.LFG_2º Semestre_2009 18 Civil – Pablo Stolze A origem da pessoa jurídica é o fato associativo. Kelsen dizia que a pessoa jurídica era um conjunto de normas. TEORIAS JURÍDICA: EXPLICATIVAS DA PESSOA Existem duas correntes fundamentais: CORRENTE NEGATIVISTA (Brinz. Dentro dessa corrente Afirmativista existem várias teorias. criado na forma da lei e dotado de personalidade jurídica própria. A Teoria da Ficção afirma que a pessoa jurídica tema existência meramente 2 Era uma teoria radical. outros diziam que não eram sujeito de direito. Não predominou. mas um grupo de pessoas físicas reunidas. CORRENTE AFIRMATIVISTA  PREDOMINOU. Nessa linha. Por exemplo. Ihering)  negava a existência da pessoa jurídica como um sujeito de direito2. afirmava a existência da pessoa jurídica como um sujeito de direito. O ser humano é gregário por excelência e. Alguns diziam que a pessoa jurídica era apenas um patrimônio coletivo.  Três teorias são fundamentais: 1ª) TEORIA DA FICÇÃO  defendida por SAVIGNY.

2ª) TEORIA DA REALIDADE OBJETIVA  defendida por muitos autores. diferentemente da visão sobremaneira abstrata de Savigny. Para os adeptos da Teoria da Realidade Objetiva ou Organicista. sem negar a dimensão e a atuação social da pessoa jurídica. uma pessoa jurídica seria um organismo social vivo. OBJETIVO ADMITE O DANO MORAL à pessoa jurídica. dentre eles. que a sua personalidade é fruto da técnica do Direito. 45/CC que veremos na próxima aula.  PESSOA JURÍDICA PODE SOFRER DANO MORAL? MORAL A corrente predominante em nosso Direito. bem como no art. por outro lado. . 3ª) TEORIA DA REALIDADE TÉCNICA  dentre alguns autores. 3 Foi quem cunhou a expressão: “contrato de adesão”. A terceira Teoria é a que melhor explica o art. pessoa jurídica não sofreria dano moral (ver Wilson Melo da Silva). Essa teoria faz o contraponto de Savigny. CLÓVIS BEVILÁQUA. Pablo  equilíbrio entre as duas anteiores. 52/CC. a ser estudado pela Sociologia. fruto da técnica jurídica. Os adeptos da Teoria da Realidade Técnica. é a melhor teoria porque marca o SALEILLES3. negando-lhe dimensão social. amparada na Súmula 227 do STJ. Uma segunda corrente (minoritária) afirma que. por não ter dimensão psicológica.LFG_2º Semestre_2009 19 Civil – Pablo Stolze ideal ou abstrata. reconhecia.

O Enunciado diz o contrário do que diz o Código Civil e. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado. por defeito do ato respectivo. Parágrafo único. temos uma mera sociedade irregular ou de fato. 3ª Aula – 13/08/09 COMENTÁRIOS AO ART. contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro.LFG_2º Semestre_2009 20 Civil – Pablo Stolze  IPC: Apesar de ser minoritária. de autorização ou aprovação do Poder Executivo. Em geral. O professor Caio Mário sustenta que a eficácia desse registro opera efeitos ex nunc (para o futuro). tratada como ente despersonificado pelas regras do Direito Empresarial (arts. quando faz isso. acaba dando força à teoria minoritária. averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. . cremos que a segunda corrente acaba recebendo reforço do Enunciado 286 da IV Jornada de Direito Civil.  E se a pessoa jurídica não tiver registro? Ausente o registro. caso em que os seus sócios passam a ter responsabilidade pessoal pelos débitos sociais. por via oblíqua. 986 e seguintes). Esse artigo acaba reforçando a tese de que o registro da pessoa jurídica é constitutivo da sua personalidade. quando necessário. 45 DO CC: Art. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro. 45. o ato constitutivo da pessoa jurídica (o estatuto ou o contrato social) é registrado ou na Junta Comercial (JC que é o Registro Público de Empresa) ou o registro é feito no CRPJ (Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas). precedida.

sociedades e fundações.12.12.as associações. II .2003) Art. (Incluído pela Lei nº 10. III .825. de 22. de 22. (Incluído pela Lei nº 10.825.12.2003) V . ainda. (Incluído pela Lei nº 10.127. de 22.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.031. de 22.825. embora sem configurar tecnicamente pessoa 12/CPC).os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10. 2. jurídica têm capacidade processual (é o caso do condomínio. (Incluído pela Lei nº 10. bem como os empresários.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código.825.  Vale lembrar. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. a exemplo daquela dada pelo Banco Central aos Bancos ou da autorização concedida pela SUSEP às Seguradoras. As associações.LFG_2º Semestre_2009 21 Civil – Pablo Stolze  Em situações especiais.12. a existência de entes despersonificados (ou com personificação anômala segundo Maria Helena Diniz) os quais.as sociedades. a organização. deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007.as organizações religiosas.12. 44. para que se posa constituir. São pessoas jurídicas de direito privado: I . (Incluído pela Lei nº 10. (Redação dada pela Lei nº 11. sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. dos espólio e das outras entidades referidas no art.825. ESPÉCIES PRIVADO DE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO Art.2003)) .as fundações. a pessoa jurídica (exige a obtenção de uma autorização específica do Poder Executivo. de 22.825.2003) § 1o São livres a criação. de 22. de 2005) Parágrafo único. a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas. IV .12. constituídas na forma das leis anteriores.

findou em 11/01/2007. Art. constituídas na forma das leis anteriores.  Para aqueles que não realizarem a necessária adaptação. resolveu dilatar este prazo para aquelas outras pessoas (a respeito desta polêmica. terão o prazo de 2 (dois) anos para se adaptar às disposições deste Código.838.LFG_2º Semestre_2009 22 Civil – Pablo Stolze  OBS: Tamanha foi a pressão exercida por empresários. sociedades e fundações. (Redação dada pela Lei nº 10. posto eximindo apenas partidos políticos e organizações religiosas da adaptação ao Código.031. sociedades e fundações. sociedades. analisando o sistema jurídico como um todo. por estar irregular.031. O prazo de adaptação ao novo Código. As associações. não há sanção específica prevista no CC.Impossibilidade de obter crédito ou financiamento em banco. As associações. igual prazo é concedido aos empresários. de 2004) (Vide Medida Provisória nº 234.031/CC”)45. constituídas na forma das leis anteriores. assim como. a partir de sua vigência. fundações. ver no material de apoio o item “Breve Síntese do drama existencial vivido pelo art. 2. que não se aplica a organizações religiosas e partidos políticos. Art. mas a doutrina. de 2005) 5 4 . . terão o prazo de um ano para se adaptarem às disposições deste Código. reconhece as seguintes: . haverá a responsabilidade dos seus sócios ou administradores –  -. a partir de sua vigência igual prazo é concedido aos empresários. e demais tipos de associação que o legislador.Proibição de participar de licitação. 2. 2.

 Fundação não pode ter finalidade lucrativa. mas deve reinvesti-la na própria fundação. não deriva da união de indivíduos. o legislador não disse “testamento público”. 62/CC). morais. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos. Art. mas sim da afetação de um patrimônio que se personifica para a realização de finalidade não lucrativa (art. especificando o fim a que se destina. Para criar uma fundação. 65/CC. a maneira de administrá-la. nos dando a impressão de ser por qualquer testamento. o seu instituidor fará. culturais ou de assistência. O estatuto da fundação tanto pode ser elaborado diretamente pelo seu criador como também por um terceiro (elaboração fiduciária). 3º) A elaboração do seu estatuto. e declarando. A fundação pode até gerar receita. 2º) A sua criação só se dará por escritura pública ou testamento. por escritura pública ou testamento. 62. diferentemente das sociedades e das associações. O que não pode haver é a perspectiva de lucro entre seus fundadores. Escritura e testamento são as duas únicas formas de criação. Percebe que quanto ao testamento. . ETAPAS/REQUISITOS PARA CONSTITUIÇÃO DA FUNDAÇÃO: 1 º) A afetação de bens livres do instituidor. Parágrafo único.LFG_2º Semestre_2009 23 Civil – Pablo Stolze FUNDAÇÃO: Conceito  a fundação. se quiser. dotação especial de bens livres. nos termos do art.

Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime. 68. pelo MP. a requerimento do interessado. III . 67 e 68: Art. e. 1202 do CPC. 62). em regra. se quiser. a incumbência caberá ao Ministério Público. 5º Requisito: o registro da fundação no CRPJ (Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas). caberá ao juiz aprová-lo do art. ou no estatuto. . em dez dias7. os administradores da fundação. 69.seja deliberada por dois terços6 dos competentes para gerir e representar a fundação. II . Subsidiariamente. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio. o órgão do Ministério Público. em tendo ciência do encargo. Essa aprovação é feita. ou vencido o prazo de sua existência.seja aprovada pelo órgão do Ministério Público. o estatuto pode ser elaborado pelo MP. incorporando-se o seu patrimônio. submetendo-o. Art. que se proponha a fim igual ou semelhante. ou. poderá o juiz supri-la. 6 7 Mudou – era maioria absoluta. impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação. em cento e oitenta dias.LFG_2º Semestre_2009 24 Civil – Pablo Stolze Art. Tornando-se ilícita. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I . em seguida. não havendo prazo. à aprovação da autoridade competente.  Quando é o próprio MP que elabora o estatuto quem o aprova? Caso o MP elabore o estatuto. ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público. lhe promoverá a extinção. salvo disposição em contrário no ato constitutivo. 65. em outra fundação. 4º Requisito: a aprovação do estatuto  o estatuto é elaborado e deve ser aprovado. formularão logo. Prazo decadencial. caso este a denegue. de acordo com as suas bases (art. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor. designada pelo juiz. 67. com recurso ao juiz.não contrarie ou desvirtue o fim desta. Art.  A modificação do estatuto da fundação é possível nos termos dos arts. Parágrafo único. ou qualquer interessado. requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la. o estatuto da fundação projetada.

ATENÇÃO. dotada de personalidade jurídica própria.  Pegadinha: § 1o Se funcionarem no Distrito Federal. Isso gerou a ADIN 2794-8. . cuida do contrato de sociedade. Art. O art. § 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado. 981/CC. já julgada procedente.LFG_2º Semestre_2009 25 Civil – Pablo Stolze  Pegadinha – art. Isso porque a fundação tem finalidade social. integrada por sócios. caberá o encargo ao Ministério Público Federal. ao respectivo Ministério Público. (Vide ADIN nº 2. já no âmbito do Direito Empresarial. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.  O MP tem o dever legal de fiscalizar as fundações no Brasil.794-8) O DF também tem Ministério Público. caberá o encargo. a fiscalização deveria ser feita pelo MPDF. 69.  A ADIN 2794-8. ou em Território. Então o legislador aqui cometeu um erro terrível – esqueceu que o DF tem o seu MP – e mantendo a linha isonômica. SOCIEDADES Conceito: as sociedades. estabeleceu o correto entendimento segundo o qual se a fundação funciona no DF a função fiscalizatória precípua é do próprio MP do DF e não da Procuradoria da República. em cada um deles. espécie de corporação (união de indivíduos). 66. é constituída por meio de contrato social e visa à finalidade lucrativa.

simples.LFG_2º Semestre_2009 26 Civil – Pablo Stolze Art. 982. e. . 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. desde que não tenham casado no regime de comunhão universal ou separação obrigatória de bens. com bens ou serviços. Parágrafo único. 8 Aqui a lei pressupõe uma fraude. Independentemente de seu objeto. as demais. Art. 977/CC não atingiria sociedades anteriores ao CC/02. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados. para o exercício de atividade econômica e a partilha. Art. TIPOS OU ESPÉCIES DE SOCIEDADES: O CC/02. a cooperativa. passaria a classificar as sociedades em: a) Sociedade Empresária. 977. O DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio – supervisiona as Juntas Comerciais) publicou o parecer 125/2003 no sentido de que a proibição constante no art.8 Aqui a lei pressupõe uma fraude. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. dos resultados. desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens. seguindo a transformação experimentada pelo Direito Comercial. na trilha da consagração do conceito de Empresa. ou no da separação obrigatória. e. 977/CC admite a sociedade entre cônjuges ou com terceiros. Salvo as exceções expressas. em seu art. b) Sociedade Simples. entre si ou com terceiros. entre si. considera-se empresária a sociedade por ações. 982. Parágrafo único.  Questão de concurso: marido e mulher podem constituir sociedade? O art. 967). simples.

982). vem ganhando força a tese segundo a qual. Além disso. Paulo Rego). 982/CC –  . trabalho. Quanto às Cooperativas. estão sujeitas à falência e o seu registro é .  Uma sociedade empresária notabiliza-se por um acentuado caráter capitalista e impessoal: os seus sócios atuam basicamente como articuladores de fatores de produção (capital. À luz do art. no Registro Público de Empresa. DIFERENÇA SIMPLES: ENTRE SOCIEDADE EMPRESÁRIA E SOCIEDADE Art. se faltar qualquer deles.cuidado. 2º) Requisito Formal  o obrigatório registro na Junta Comercial. tecnologia e matéria-prima) de maneira que a atividade pessoal de cada sócio não se confunde com a atividade da sociedade. ela é simples: 1o) Requisito Material  o exercício de uma atividade tipicamente empresarial. por ser simples. O sócio de uma empresária pode pouco frequentar a empresa. toda sociedade anônima é empresária e todo cooperativa é simples.LFG_2º Semestre_2009 27 Civil – Pablo Stolze As substituídas simples”. o seu registro deverá ser feito no CRPJ e não na Junta Comercial (Julieta Lunz. ou seja. 982/CC uma sociedade para ser Empresária deve observar dois requisitos. reunidos esses dois requisitos. antigas pelas tipologias mercantis empresárias” e e civis foram “sociedades “sociedades  Vale lembrar que por força de lei (PU do art. ela é empresária.

de 2005) VI . III . V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos. assim como as fundações têm finalidade ideal. Não há. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. de 2005) . o estatuto das associações conterá: I . IV . Em geral. 54. VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. Já a sociedade simples. demissão e exclusão dos associados. 54. espécies de corporação (união de indivíduos). entre os associados. Parágrafo único. Associações no CC são reguladas a partir do art. Art.a denominação.os requisitos para a admissão. como a sociedade entre médicos para formar uma clínica. 53. direitos e obrigações recíprocos. ASSOCIAÇÕES Conceito  as associações. caracteriza-se principalmente pelo fato de os próprios sócios realizarem ou supervisionarem a atividade exercida. são sociedades prestadoras de serviços.127. constitui-se por meio de estatuto levado ao CRPJ. Art. (Redação dada pela Lei nº 11.os direitos e deveres dos associados. 53. (Incluído pela Lei nº 11.as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. Sob pena de nulidade.LFG_2º Semestre_2009 28 Civil – Pablo Stolze feito na Junta Comercial.o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos. V . sujeita à registro no CRPJ. e.127. O estatuto é o ato normativo da associação cujos requisitos estão no art.as fontes de recursos para sua manutenção. II . os fins e a sede da associação.

de 2005) Parágrafo único.127. Art.127. O órgão mais importante de uma associação é a sua Assembléia Geral cuja competência está prevista no art. em seu art. nos termos previstos no estatuto. cujo quorum será o estabelecido no estatuto.  Regra geral. de 2005) II – alterar o estatuto. 57. dissolvida a associação.LFG_2º Semestre_2009 29 Civil – Pablo Stolze  É possível numa associação existam associados com direitos distintos? Na forma do art. (Redação dada pela Lei nº 11. 55/CC. (Redação dada pela Lei nº 11. Art. de 2005) 9 Conceito aberto. vale anotar que em uma associação até pode haver categorias diferentes de associados. na mesma categoria. 57. (Redação dada pela Lei nº 11. estadual ou federal de fins iguais ou semelhantes. 59. de 2005)  O CC/02. observada a garantia do contraditório.127. (Redação dada pela Lei nº 11. 59. estabeleceu a possibilidade legal. de 2005) I – destituir os administradores. nos termos do art. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa9. .127. bem como os critérios de eleição dos administradores. Compete privativamente à assembléia geral: (Redação dada pela Lei nº 11. de EXCLUSÃO DO ASSOCIADO. mas. 61. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim. Omisso este – pegadinha – a outra instituição municipal. não pode haver diferenças entre eles. assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso.127. o seu patrimônio será atribuído a entidades de fins não econômicos designadas no estatuto.

57 não cuida de condômino. Calixto Salomão Filho. introduzida no Brasil pelo professor Rubens Requião. 57/CC.Prof.  Questão – TFN: O que é Teoria Ultra Vires Societatis? 4ª Aula .LFG_2º Semestre_2009 30 Civil – Pablo Stolze  Esse art. CONCEITO  a doutrina da desconsideração. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA Também é conhecido como DISREGRAND DOCTRINE (a doutrina da desconsideração). associação. A despersonificação é mais grave porque resulta no cancelamento do registro e no fim da pessoa jurídica. Portanto.  Matéria importantíssima. mas sim de associado. para permitir que o credor satisfaça o seu direito no patrimônio pessoal do sócio ou administrador que cometera o ato abusivo. não se pode expulsar condômino com base no art. por exemplo. Dica de livro  “O novo Direito Societário”. pretende o afastamento temporário da personalidade da pessoa jurídica.20/08/09 . OBS.: Essa teoria pode ser aplicada para outros tipos societários. O condômino é co-proprietário e existem outros mecanismos.

que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. não constituindo objeto social. ou pela confusão patrimonial. Art. II . 50. Art. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo.015 do CC. caracterizado pelo desvio de finalidade. não se admite que a Administração Pública possa operara a desconsideração ex officio. em situações excepcionais de grave fraude aceita-se a desconsideração administrativa (RMS 15166-BA). trata-se de matéria sob reserva de jurisdição.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. uma vez que. 50/CC podemos dizer que os elementos da desconsideração são: . Com base nesse art. Em caso de abuso da personalidade jurídica. O excesso por parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: I .tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir. No silêncio do contrato. Parágrafo único. amparada no art. ELEMENTOS DA DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NO CC: CC O art. 1. 50/CC consagra a Teoria da Desconsideração da Pessoa Jurídica.LFG_2º Semestre_2009 31 Civil – Pablo Stolze Teoria de origem anglosaxônica. esta doutrina. 1. a requerimento da parte.provando-se que era conhecida do terceiro. III . Em regra.015. os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. sustenta ser nulo o ato praticado pelo sócio que ultrapasse os poderes que lhe foram conferidos pelo contrato social. segundo Edmar Andrade. Entretanto. pode o juiz decidir.

exige-se o requisito específico do abuso caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. em prejuízo a terceiro de boa-fé.LFG_2º Semestre_2009 32 Civil – Pablo Stolze 1º) Descumprimento de uma obrigação (ou da insolvência) – 2º) Abuso cometido pelo sócio desvio de finalidade Confusão patrimonial  OBS: Sob influência da doutrina do professor Fábio Konder Comparato.  O Enunciado 7 da I Jornada de Direito Civil direciona a desconsideração para o sócio ou administrador que cometera o ato irregular.  Questão especial de concurso: O que se entende por desconsideração inversa? A desconsideração inversa. já a Teoria Menor. . Deve ser citado na prova. adotada pelo art. concluímos pela desnecessidade de o credor demonstrar o dolo específico do sócio ou administrador. e à luz do relatório do senador Josaphat Marinho acerca do Código Civil. adotada pelo CDC e pela legislação ambiental não exige a demonstração de tal requisito (RESP 279273-SP10). mais fácil de ser aplicada. 10 Relatora do Acórdão Nancy Andrighi – esse RESP é didático. consiste em atingir o patrimônio da pessoa jurídica para a qual o sócio ou administrador indevidamente desviou bens particulares. para efeito de desconsideração. consagrada no Enunciado283 da IV Jornada.  OBS2: Qual é a diferença entre Teoria Maior e Teoria Menor da Desconsideração da Pessoa Jurídica? Segundo a Teoria Maior. 50/CC.

LFG_2º Semestre_2009 33 Civil – Pablo Stolze .

A pessoa pode ter duas residências. Se. nos termos no art. 83 do Código de Portugal. a pessoa natural tiver diversas residências. porém.  QUESTÃO ESPECIAL DE CONCURSO: O que é domicílio profissional no CC? Na vereda do art. Existe o chamado animus manendi. RESIDÊNCIA  é mais que a morada porque residência é o lugar em que a pessoa é encontra com habitualidade. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. 70. 72 do CC estabelece uma forma peculiar de domicílio limitada a aspectos da profissão. 71. COM A INTEÇÃO DE ALI transformando-o em centro da sua vida jurídica. 70/CC é o lugar em que a pessoa física fixa residência PERMANECER. ou seja. o art. alternadamente. onde. . considerarse-á domicílio seu qualquer delas. viva. o propósito de permanecer naquela residência com intenção de permanência e definitividade. passemos por dois outros: os conceitos de residência e morada. transformando-o no centro de sua vida jurídica. Art. Art. DOMICÍLIO  o domicílio.LFG_2º Semestre_2009 34 Civil – Pablo Stolze D M ÍL O IC IO É preciso que para chegar ao conceito de domicílio. MORADA  é o lugar em que a pessoa se estabelece temporariamente. Exemplo: a pessoa que recebe uma bolsa para estudar durante quatro meses em outro Estado – esse passa a ser a sua morada. A residência é habitual.

A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares. o lugar onde for encontrada. caixeiroviajante. que não tenha residência habitual. é específico para aspectos da profissão. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos. com as circunstâncias que a acompanharem. da própria mudança. 74 do CC (é um dos mais difíceis de interpretar no CC). Muda-se o domicílio. Art. com a intenção manifesta de o mudar. o lugar onde esta é exercida. ou. cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem.  OBS: O que é domicílio aparente ou ocasional? Trata-se de um domicílio definido por ficção jurídica com amparo na Teoria da Aparência.LFG_2º Semestre_2009 35 Civil – Pablo Stolze Art. domicílio da pessoa jurídica. 73/CC. transferindo a residência. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural. Parágrafo único. 74. está previsto no art. . profissionais de circo. nos termos do art. se tais declarações não fizer. Art. É também domicílio da pessoa natural. e para onde vai. O 75/CC. 73. quanto às relações concernentes à profissão. ESPÉCIES DE DOMICÍLIO: Fundamentalmente três: 1º) Convencional – é o domicílio comum fixado por simples ato de vontade. Esse domicílio não é domicílio genérico. tema cujo desdobramento é feito em processo civil. que deixa. Parágrafo único. A mudança de domicílio é prevista no art. Exemplos: ciganos. 72.

e o do preso. Art. o seu domicílio. 77/CC:visto em Direito Internacional. 76/CC. o lugar em que exercer permanentemente suas funções. onde servir. onde o navio estiver matriculado. deverá o juiz declarar sua nulidade absoluta. em evidente prejuízo ao aderente. nos termos do PU do art. nos termos do art. MARÍTIMO. 76/CC. Parágrafo único.LFG_2º Semestre_2009 36 Civil – Pablo Stolze 2º) de Eleição – é um domicílio especial fixado no contrato.  Domicílio do diplomata – art. o do militar. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. no país. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve. 76. O agente diplomático do Brasil. segundo a autonomia provada das partes. 78/CC. 112/CPC. especialmente o consumidor. poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. o servidor público. Art. DomicílioINCAPAZ. o lugar em que cumprir a sentença. SERVIDOR PÚBLICO Legal MILITAR*.  Não tem jeito. 78. e. que. a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado.  Ver no site dele o artigo sobre a Súmula 281/STJ. 3º) Legal ou Necessário – a base é o art. citado no estrangeiro. PRESO *Marítimo = marinheiro da Marinha Mercante (navio particular) . Nos contratos escritos. 77. o do servidor público.  Em havendo abusividade da cláusula de eleição. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente. Art. Têm domicílio necessário o incapaz. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. declinando da sua competência de ofício. o marítimo e o preso. o do marítimo. tem que decorar o art. o militar.

nesse ponto. o preso provisório não está cumprindo sentença. Pela letra da lei não é apenas para efeito da profissão. ou seja. o foro do domicílio do detentor da sua guarda. mas a lei diz “onde cumpre sentença”. Preso – e prisão provisória? Pablo  vai depender do juiz. ele faz interpretação literal do CC. O servidor público tem por domicílio o lugar onde ele exerce permanentemente a sua função. Com base no Direito alemão.LFG_2º Semestre_2009 37 Civil – Pablo Stolze  OBS. por exemplo. . em princípio. ele mora em Niterói e trabalha em Maricá – domicílio: Maricá. B N JU ÍD O E S R IC S  OBS: na apostila 03 do professor tem uma tipologia de todos os bens do CC. especialmente no § 90 do BGB. objeto de um direito subjetivo. CONCEITO  bem jurídico é toda utilidade física ou ideal. não houve essa limitação. COISA é sempre uma utilidade material ou corpórea como uma mesa ou uma cadeira. Portanto. vai depender do juiz.: A recente Súmula 383/STJ estabeleceu que a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é.

O Enunciado 11 da I Jornada de Direito Civil não reconhece no Código Civil a categoria de “IMÓVEL INTELECTUAL” POR ACESSÃO (a exemplo do equipamento agrícola empregado na fazenda. O art. portanto. autores como Flávio Tartuce discordam do Enunciado (entende que essa categoria continua persistindo). 83. 79 define o que é bem imóvel (ver apostila). 1793/CC. II/CC estabelece ser IMÓVEL por força de lei o direito à sucessão aberta (direito à herança). 3. O QUE SE ENTENDE POR IMÓVEL POR ACESSÃO INTELECTUAL? Acessão – significa UNIÃO expressão acessão intelectual união intencional. 79. Art. 80. Nos termos do art. as energias que tenham valor econômico são BENS MÓVEIS – o sêmen de um animal reprodutor é uma energia valiosíssima. tem NJ de bem móvel. Isso explica. I/CC.LFG_2º Semestre_2009 38 Civil – Pablo Stolze CONCEITOS E CONSIDERAÇÕES FUNDAMENTAIS SOBRE BENS JURÍDICOS APLICADOS AO CONCURSO PÚBLICO (no material de apoio consta a classificação geral dos demais tipos de bens jurídicos): 1. COM AUMENTO DE VOLUME. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. nos termos do art. a necessidade de escritura pública no instrumento de cessão. Todavia. 2. O CC no art. . por exemplo. A significa união intelectual.

ao serviço ou ao aformoseamento de outro. 6. São pertenças os bens que. mas se vier acoplado de fábrica no painel não! Pertença não pode ser confundida com parte integrante! Uma pertença NUNCA integra a coisa principal. de outro. melhorá-la (benfeitoria útil) ou propiciar prazer (benfeitoria voluptuária). o petróleo. A pertença é um bem acessório que serve ao uso.LFG_2º Semestre_2009 39 Civil – Pablo Stolze 4. . Não posso confundir (porque às vezes as pessoas se confundem). de sem constituir parte ar integrante Exemplo Orlando Gomes: condicionado. Toda benfeitoria é artificial. a exemplo do aparelho de ar condicionado. 5. serviço ou aformoseamento do mesmo11. o rádio do carro? Depende. o aluguel (fruto civil) em relação ao imóvel. são utilidades que não se renovam e cuja percepção diminui a substância da coisa principal. cuja percepção NÃO diminui a substância da coisa principal. Exemplo: a maçã em relação à macieira. Se você o que você retira sim. 93/CC: Art. BENFEITORIA: a benfeitoria é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa com o propósito de conservá-la (benfeitoria necessária). Exemplo: o minério em face da mina. 93. de modo duradouro. não constituindo partes integrantes. se destinam. ao uso. FRUTO com PRODUTO. o bezerro em relação à vaca. O FRUTO é uma utilidade renovável. Já os PRODUTOS.  Não podemos confundir benfeitoria com acessão  a ACESSÃO (está nos “Modos de Aquisição de Propriedade Imobiliária”) a acessão tanto pode ser Natural quanto Artificial (só 11 Não é benfeitoria porque esta você faz na coisa. O que são PERTENÇAS? Art.

piscina que não traduza construção considerável (acessão artificial). a acessão artificial implica!  Exemplo: um segundo andar construído sobre a laje da casa – essa construção. Depende da análise do caso concreto. pois implicou num aumento considerável de volume: É ACESSÃO. uma piscina em um colégio poderia ser interpretada como uma benfeitoria útil. NATUREZA JURÍDICA DA PISCINA  DEPENDE. Mas. tecnicamente não é benfeitoria. Exemplo de acessão artificial  construção. pois a benfeitoria é sempre artificial). Não implica um aumento considerável de volume da coisa principal. A BENFEITORIA é feita na estrutura da coisa. HISTÓRICO: 12 Cavou o chão. Finalmente.LFG_2º Semestre_2009 40 Civil – Pablo Stolze isso já a diferencia. . em uma clínica de hidroterapia pode ser considerada necessária à finalidade do empreendimento. 5ª Aula – 27/08/09 B MD F M IA E E A ÍL  Tema importante para concurso público. em geral. impermeabilizou e colocou azulejos. Isso explica porque a acessão é estudada como Modo de Adquirir Propriedade! 7. é uma benfeitoria voluptuária12. Porém.

O bem de família é isento de execução por dívidas posteriores à sua instituição. BEM DE FAMÍLIA VOLUNTÁRIO Conceito: o Bem de Família voluntário é aquele instituído por ato de vontade do casal. mediante registro público. podemos reconhecer dois tipos de Bem de Família: . para sustento familiar. da entidade familiar ou de terceiro. . . como bem de família.LFG_2º Semestre_2009 41 Civil – Pablo Stolze O referencial histórico mais importante é a lei texana de 1839. salvo as que provierem de tributos relativos ao prédio. 1711/CC. Efeitos: O Bem de Família produz dois efeitos fundamentais (ambos com caráter relativo): 1º) IMPENHORABILIDADE  a partir do momento em que o imóvel é inscrito como Bem de Família ele se torna impenhorável. salvo se motivos relevantes aconselharem outra solução. Tributos e despesas condominiais podem levar o imóvel à penhora. Parágrafo único. ou de despesas de condomínio. No caso de execução pelas dívidas referidas neste artigo.O Bem de Família legal – regulado pela Lei 8009/90. 1. Art.O Bem de Família voluntário – regulado a partir do art. o saldo existente será aplicado em outro prédio. BEM DE FAMÍLIA NO DIREITO BRASILEIRO: Em nosso sistema. Essa lei texana é reputada por muitos autores como a referência mundial do bem de família.715. a critério do juiz. ou em títulos da dívida pública. intitulada Homestead act.

ou a entidade familiar. arts. 2ª – a possibilidade de se incluir na instituição do Bem de Família valores mobiliários.717. mantidas as regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial. destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família. mediante escritura pública ou testamento. Art. 1711 e 1712. desde que não ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição. Parágrafo único. destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar. 1. duas características são muito importantes no que tange ao Bem de Família voluntário: 1ª .o limite máximo de 1/3 do patrimônio líquido dos instituidores.LFG_2º Semestre_2009 42 Civil – Pablo Stolze 2º) INALIENABILIDADE  aliená-lo livremente. com suas pertenças e acessórios. Art.712 ou serem alienados sem o consentimento dos interessados e seus representantes legais. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural. a partir do momento em que se institui o Bem de Família voluntário o proprietário perde o direito de Art.  Esses efeitos têm caráter relativo!  Comparando o CC-16 com o CC-02.712.ouvido o Ministério Público. o que é mais provável cair em concurso? Duas características saltam aos olhos quando se faz esse cotejo. 1. não podem ter destino diverso do previsto no art.711. . e poderá abranger valores mobiliários. são duas características que não havia no CC-16:  No NCC. 1. cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família. O prédio13 e os valores mobiliários. Podem os cônjuges. e se houver interesse de incapaz o MP é chamado a se manifestar a respeito do cancelamento dessa instituição. constituídos como bem da família. 13 Imóvel. 1. O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por testamento ou doação. dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada. A pessoa não tem a plena liberdade para alienar o Bem de Família.

estabeleceu que a impenhorabilidade atingiria inclusive penhoras anteriores à Lei 8009/90. por meio da Súmula 205. de grande aplicação social. 5º da L8009/90. 1720. extinção do Bem de Família voluntário – art.  Obs: O Bem de Família voluntário ganha interesse nos termos do art. O STJ. BEM DE FAMÍLIA LEGAL A Lei 8009/90. 1722. Ver o PU do art. uma vez que. . O Bem de Família voluntário não pegou no Brasil. 5º da L8009/90. Esse julgado se refere ao Bem de Família legal. OBS.  QUESTÃO DE CONCURSO: A renda de aluguel proveniente de um Bem de Família locado é impenhorável? O STJ já assentou entendimento no sentido da impenhorabilidade (AgRg no RESP 975858-SP). mas o raciocínio é o mesmo para Bem de Família voluntário. confere uma proteção traduzida em uma IMPENHORABILIDADE LEGAL INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO CARTORÁRIA.LFG_2º Semestre_2009 43 Civil – Pablo Stolze  Ler em casa: Administração do Bem de Família voluntário – art. em havendo dois ou mais imóveis a proteção legal automática recairá sempre no de menor valor. 70 corresponde ao 1711 do NCC.: No PU onde se lê art.

salvo nas hipóteses previstas nesta lei. fiscal. . 1º O imóvel residencial próprio do casal. Art.televisão. as plantações. lei consagra uma impenhorabilidade legal. comercial. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de transporte. PU: Parágrafo único. mas comporta  OBS: O STJ. ou móveis que guarnecem a casa.ar condicionado. de bens móveis protegidos pela 14 Embora exista divergência. .freezer . vem admitindo o desmembramento do imóvel para efeito de penhora (RESP 968907RS). as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos. Exemplos jurisprudência:14 . inclusive os de uso profissional.máquina de lavar.computador. obras de Não estão protegidos pelo Bem de Família. independentemente de registro em cartório. desde que quitados. previdenciária ou de outra natureza. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção. A exceções. 2º: arte e adornos suntuosos. No caput a lei diz o que não está protegido. é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil. . ou da entidade familiar. contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam. em mais de uma decisão. . 1º: Art. Art.LFG_2º Semestre_2009 44 Civil – Pablo Stolze Lei 8009/90: Art.

3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil. ele considera que se aplicam sim. I – I . Isso está AgRg no Ag 1058070/RS.houve decisão protegendo o teclado musical – RESP 218882 – Min. mas não é pacífico isso. essas exceções têm regramento de cogência. O Min. Todavia.  A impenhorabilidade do Bem de Família legal é relativa. 3º da Lei 8009/90 para penhorar o imóvel . trabalhista ou de outra natureza.LFG_2º Semestre_2009 45 Civil – Pablo Stolze . uma vez que comporta as exceções do art. Art. salvo se movido:  Essas exceções se aplicam ao Bem de Família voluntário? Pablo explica que isso não fica muito claro na lei. 3º.  CONCURSO – VAGA DE GARAGEM: O Banco pode penhorar a vaga de garagem? O já consolidou entendimento no sentido de que vaga de garagem só é impenhorável quando vinculada ao imóvel residencial. por isso. previdenciária. 3º da Lei 8009/90. que se a vaga de garagem tiver matrícula e registro próprios pode ser penhorada. Ver art. Luiz Fux pontificou um entendimento que vale a pena ser visto: trabalhadores meramente eventuais. Sálvio de Figueiredo. não podem se valer da exceção do inciso I do art. Vale dizer.em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias. conforme ficou assentado no RESP 644733/SC. fiscal.

copeiros. São direitos sociais a educação. deve ser interpretada restritivamente. A impenhorabilidade do bem de família. no RE 352. mordomos. embora realizem atividade profissional na residência do devedor. exercendo trabalho autônomo ou vinculado a empregador. art. na forma desta Constituição. MÃO DE OBRA EMPREGADA NA CONSTRUÇÃO DE OBRA. . Em conseqüência. entendeu-se que a exceção não comporta interpretação extensiva. no tocante aos débitos daquelas relações trabalhistas domésticas. de 2000.009. in litteris: "A Lei 8. jardineiros e mesmo faxineiras diaristas se caracterizado o vínculo empregatício. de 2000. eletricistas. de 1990. de 1990. que veio a ser reconhecido pela EC 26. no Congresso Internacional de Direito do Trabalho. art. 6. manobristas . a assistência aos desamparados. Não se enquadram nessa categoria pessoas que.009/90.2003.009/90".F. 1º. da Lei 8. pintor. sem vínculo empregatício. Sobre o tema confira-se o recente posicionamento monocrático do ilustre Ministro Carlos Mário Velloso. a referência é às contribuições devidas para a Previdência Social.' É dizer.. acrescentou o inciso VII. sob o patrocínio da Universidade Carlos III e da ANAMATRA. com a redação da EC nº 26. em 10. estabelece a impenhorabilidade do imóvel residencial do casal ou da entidade familiar e determina que não responde o referido imóvel por qualquer tipo de dívida. não são seus empregados. vale dizer. e. inciso I a VI. art. incluídos nessa categoria os considerados empregados domésticos . a ressalvar a penhora "por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. é consectário do direito social à moradia. INCISO I DA LEI 8. encanadores. 5. BEM IMPENHORÁVEL. A exceção prevista no artigo 3º. que se transcreve.10. 3." Em trabalho doutrinário que escrevi . governantas. não se confundem os serviçais da residência. REsp 644733 / SC – Min. 6º da C. texto básico de palestra que proferi na Universidade de Carlos III. ARTIGO 3º. Destaquese ainda a posição do professor Rainer Czajkowski.940-4/SP. Consignada a sua eminência constitucional. ficou assim redigido: "Art. e outros profissionais que trabalham no âmbito da residência apenas em caráter eventual. I. salvo nas hipóteses previstas na mesma lei.009/90. há de ser restrita a exegese da exceção legal. O bem de família.LFG_2º Semestre_2009 46 Civil – Pablo Stolze residencial. a proteção à maternidade e à infância. representado pelo síndico ou por empresas administradoras. decisão julgada em 25/04/2005.entre os quais. no sentido que "quanto aos débitos previdenciários. e nem outros débitos previdenciários que o proprietário do imóvel possa ter estranhos às relações trabalhistas domésticas. É cediço em sede doutrinária que: "Os trabalhadores a que a Lei se refere são aqueles que exercem atividade profissional na residência do devedor. a moradia do homem e sua família justifica a existência de sua impenhorabilidade: Lei 8. oponível na forma da lei à execução fiscal previdenciária. principalmente. pedreiro.91.F. a segurança a previdência social. 1. a saúde. porque são contratados pelo próprio condomínio. 6º. de 18. com empregados eventuais que trabalham na construção ou reforma do imóvel. é um direito fundamental de 2ª geração e o direito social. eletricista. 1º. Consectariamente. Não se incluem na exceção cobranças de empresas de previdência privada. Acontece que a Lei 8. zeladores. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 4ª edição. 2.Comentários à Lei 8. Espanha. porteiros. a moradia."(comentários de Rita de Cássia Corrêa de Vasconscelos em artigo de revista intitulado "A impenhorabilidade do Bem de Família e as novas entidades familiares).245. I. trabalhadores em geral. como o exercido pelo diarista.por não trabalharem propriamente no âmbito das residências. Também não estão abrangidos pela exceção do inc.empregados mensalistas. em Madri. Editora Juruá..(in "A Impenhorabilidade do Bem de Família . estranhos às relações trabalhistas domésticas. C."Dos Direitos Sociais na Constituição do Brasil". Neste julgado. registrei que o direito à moradia.009. 6º. bem como os motoristas particulares dos membros da família. cozinheiros. 3º. IMPOSSIBILIDADE.3. o trabalho. página 153). pública. marceneiros. Luiz Fux PROCESSUAL CIVIL. previstos na segunda parte do inc. na exceção legal da "penhorabilidade" do bem de família não se incluem os débitos previdenciários que o proprietário do imóvel possa ter. pintores. Nesse contexto estão os pedreiros. os empregados dos condomínios residenciais . estabelecido no art. 4. Acontece que o art. o bem de família de um fiador em contrato de locação teria sido excluído da impenhorabilidade. inciso I.

3°. Em síntese. título I. art. 14) . no dizer do maior exegeta brasileiro que foi Carlos Maximiliano. foi dito linha atrás.245/91. (. própria. tít. non est producendum ad consequentias' (Paulo. de 1990. aplicar não podemos regra geral". embora diversa da razão mais geral sobre a qual se baseia o Direito comum (3). Publique-se. o citado dispositivo. não se estendem além dos casos e tempos que especificam". aut liberum jurium exercitium crctant.2001). até evidente. esquecendo-se do velho brocardo latino: ubi eadem ratio. liv. no Digesto. publicado pela Editora Forense. não foi recebido pela EC 26." 7. 8. de 1991. 4° do Titulo Preliminar do Código italiano de 1865. no inciso VII do art.) 272 . de 1991. ter estampado.009/90. não se aplicavam a hipóteses análogas. só abrange os casos que especifica. ou restringe direitos. publicado no DJ 22. que proibiam estender disposições excepcionais. tratando desigualmente situações iguais. 3°. este preceito translúcido: "Leges quoe poenam statuunt.F. imóvel residencial próprio do casal. não se dilatavam de modo que abrangessem as conseqüências lógicas dos mesmos.. 3º feriu de morte o princípio isonômico. liv.Relator. a contrária à razão de Direito (contra rationem. . os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito. Menos vetusta é a parêmia . veja-se a contradição: a Lei 8. 15) . no art. ou . anormal ou anômalo. direito social. frag. deve ser interpretada à risca" (Resp nº 187052/SP. Ora. porém reconhecível. ibi eadem legis dispositio. 'Quoe propter necessitatem recepta sunt.. Brasília. juris receptum est. sob o império de necessidade inelutável. in litteris "(. contra outras normas jurídicas. prevalece a mesma regra de Direito. 3º da Lei 8. com inserir no Livro I. 162) -"o que é admitido sob o império da necessidade. não se estendiam além dos casos expressos. não deve estender-se aos casos semelhantes".As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares. prohibetur: "presume-se permitido tudo aquilo que a lei não proíbe". Isto quer dizer que. é admitido contra as regras gerais de Direito. 1°. impõe obediência a certas regras. não se deviam generalizar: não firmavam precedente. em verdade. cânon 19. aut exceptionem a lege continent. Consoante as suas insuperáveis lições. Os três apotegmas faziam saber que as regras adotadas contra a razão de Direito. de 1991. liv. 3º. C. 265 O)."o que. ou da entidade familiar à penhora. invertidos os ônus da sucumbência. A Corte já assentou que "a exceção prevista no artigo 3º. de 1990.245. 1 °.245. 'In his quoe contra rationem. 6° da antiga Lei de Introdução. o inciso VII do art. às páginas 191/193. Eis os mais prestigiosos brocardos relativos ao assunto:'Quod vero contra rationem. Hoje se não confunde a lei excepcional com a exorbitante. strictae subsunt interpretation" ("As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos. não se estende a espécies congêneres".009. no constituir o direito à moradia um direito fundamental que deve ser protegido e por isso mesmo encontra garantia na Constituição.245. às vezes. 6° da antiga Introdução. non debent in argumentum trahi' (Paulo. sujeitou o seu imóvel residencial. embora mal necessário (2). redação da EC 26/2000. 50. Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonici (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo. expressas em seu livro "Hermenêutica e Aplicação do Direito". excepcionando o bem de família do fiador. juris constituta sunt..Permittitur quod non. O Direito Excepcional é subordinado a uma razão também. isto é. Relator Ministro Ari Pargendler. non possumus sequi regulam juris' (Juliano."no tocante ao que é estabelecido contra as normas comuns de Direito. expressamente.LFG_2º Semestre_2009 47 Civil – Pablo Stolze Essa impenhorabilidade decorre de constituir a moradia um direito fundamental. 1º encontra justificativa. tít. 6º. conheço do recurso e dou-lhe provimento. 6º. A hermenêutica e a aplicação do Direito. tendo em vista o princípio isonômico. por serem um mal. frag.009. sua. Do exposto. inciso I da Lei 8. limitava-lhes o alcance. fatia reddi non potest'). introduzido pela Lei 8. Não há dúvida que a ressalva trazida pela Lei 8. art. Essa não recepção mais se acentua diante do fato de a EC 26. no Digesto.'Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis' ("interpretam-se as exceções estritissimamente") no art. ou contêm exceção a lei.10. de 2000. 25 de abril de 2005. não foi recebido pela CF.. frag. Posto isso. ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis.A fonte mediata do art. tí. de 2000. Ministro CARLOS VELLOSO . assim concebido: "A lei que abre exceção a regras gerais. do repositório brasileiro. deve ser o art. 19ª Edição. inciso VII do art. acrescentado pela Lei 8.. o bem de família da Lei 8. o direito à moradia como direito fundamental de 2ª geração. ou em vernáculo: onde existe a mesma razão fundamental. original. submetem-se a interpretação estrita"). O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma. 17. juris).) 271 – O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico . e assim denominavam as do Direito exorbitante. em o Digesto. aquela cujo fundamento jurídico se não pode dar ('cujus. cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles (4) e era assim formulado: "As leis penais as que restringem o livre exercício dos direitos.

admiráveis súmulas de doutrinas consolidadas. nem mais. Com as reservas expostas. quando esta se não impõe à evidência. bastará que se entenda a letra de outrora de acordo com as idéias de hoje: o brocardo sintetiza o dever de aplicar o conceito excepcional só à espécie que ele exprime. portanto.As palavras . 6º da antiga Lei de Introdução abrange. faculdade ou prerrogativa não se presumem: é isto que o preceito estabelece. Bem compreendido este. do repositório italiano. Eis porque se diz que a exceção confirma a regra nos casos não excetuados. aquela síntese expressiva .in esse espressi. ressaltará ainda a vantagem atual desses comprimidos de idéias jurídicas. fanais do julgador vacilante em um labirinto de regras positivas. a parêmia terá sempre cabimento e utilidade. não dilata.interpretam-se restritivamente as disposições derrogatórias do Direito comum."ou restringe direitos" (4). Exclui-se a extensão propriamente dita. Ainda enfrenta. nada acrescido.que especifica. 6° da antiga Lei de Introdução ao Código Civil consolida o velho adágio . só atingem a poucos. nem menos. brocardo este correspondente ao dos romanos .LFG_2º Semestre_2009 48 Civil – Pablo Stolze contra o Direito comum. as disposições derrogatórias do Direito comum. em sentido negativo. do menor número. 286 . 287 . e outras. Os males que lhes atribuem são os de todas as regras concisas: decorrem não do uso. estritamente.'interpretam-se restritamente as disposições derrogatórias do Direito comum'. ao passo que o resto da comunidade fica isenta (3). ou dúvida . auxiliares da memória. nem restringe (5). Essa interpretação bastante se aproximada que os clássicos apelidavam declarativa. ou prejuízo. ou frase de expositor. O exagero encontra-se antes na deficiência de cultura ou no temperamento do aplicador do que no âmago do apotegma. observada a mesma. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva. ato jurídico. Restrições ao uso ou posse de qualquer direito. porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. persiste o adágio em amparar a recusa. executadas na íntegra. Cumpre opinar pela inexistência da exceção referida. de exigir individuação precisa. Devem ressaltar dos termos da lei. denomina-se estrita: busca o sentido exato. fazem-no com o intuito de excluir o restritivo. Não se confunda com as de alcance geral. completa. esclarecer como se entende e aplica uma norma excepcional. e comporta numerosas exceções (1): daí a divergência na maneira de o entender. a letra antiga e as idéias modernas.ir além do que o texto prescreve.Releva advertir que todo preceito tem valor apenas relativo. Comporta esta as hipóteses todas compatíveis com o espírito do texto. como sejam os fatores sociológicos. de cada caso a incluir na exceção. do Código brasileiro. não se interpretam no sentido literal. Se prevalecer o escrúpulo em emendar adágios. 288 . em toda a sua plenitude (6). até entre pontífices das letras jurídicas. porém mais na aparência do que na realidade: esboçam um sim acompanhado de reservas que o aproximam do não. substituir-se-ia apenas o advérbio: ao invés de restritiva. em seu conjuntos. Qualquer dos três conceitos aplica-se com a maior circunspeção e reserva. e com vantagem. É de Direito estrito.exceptiones sunt strictissimoe interpretationis. segue-se a regra geral. a Werturteil dos tedescos. e sim do abuso dos dizeres lacônicos. amparos do hermeneuta. num relâmpago.O processo de exegese das leis de tal natureza é sintetizado na parêmia célebre. à primeira interrogação: o Direito Excepcional comporta o recurso à analogia? (2).Parece oportuna a generalização da regra exposta acerca de determinadas espécies de preceitos. porém não a justa aplicação integral dos dispositivos. acompanham-no reputados mestres (3). Refere-se o preceito àquela que. outros divergem (4). por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente.interpretam-se restritivamente as disposições derrogatórias do Direito comum! Responde. Quanta dúvida resolve. Não há efeito sem causa: a predileção tradicional pelos brocardos provém da manifesta utilidade dos mesmos. a segunda: é ele compatível com a exegese extensiva? Neste último caso. em proveito. as que confinam a sua operação a determinada pessoas. tomado este na acepção tradicional. Impõe-se também a exegese estrita à norma que estabelece uma incapacidade qualquer. Timbram em evitar que se aplique menos do que a norma admite. conciliados os seus termos e a evolução do Direito. de leve sequer. ou comina a decadência de um direito: esta é designada pelas expressões legais . Quando se pronunciam pelo efeito extensivo. reduz-se à hipótese expressa: na dúvida. Se fora lícito retocar a forma tradicional. que seria imprudência eliminar sem maior exame . nem suprimido ao que a norma encerra. aplicáveis a todos. A regra do art. O art. paráfrase de . atuam excepcionalmente. Constituem sínteses esclarecedoras. O seu intento é tirar da regra tudo o que na mesma se contém. 289 . ou a um grupo de homens à parte. porém não pretendem o oposto .

(.pelo credor de pensão alimentícia.  Inciso IV: se o processo foi movido para cobrança de tributo relativo ao imóvel. ITR. III -. por exemplo. Voto pelo improvimento do recurso especial interposto pelo Instituto Nacional de Seguridade Social. pois que este tributo não está vinculado ao imóvel.)" 9. não pode atingir o Bem de Família. . se houve financiamento junto à CEF para comprar ou reformar seu imóvel.  Taxa de condomínio é taxa tributária? Apesar de taxa de condomínio não ser taxa tributária. IPTU. não pode opor a proteção do Bem de Família. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. Todavia. ou seja.. taxa de condomínio se não for paga. no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato. predial ou territorial. se o proprietário é comerciante e deixa de recolher o ICMS relativo aos seus negócios. II . o STJ e o STF já firmaram o entendimento que a palavra “taxa” engloba também taxa de condomínio. Inciso III: se houver cobrança de pensão alimentícia. Portanto.LFG_2º Semestre_2009 49 Civil – Pablo Stolze razoável paira sobre a sua aplicabilidade a determinada hipótese. o credor – alimentando – penhora o Bem de Família.pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel. IV . o imóvel vai a hasta pública. você não pode opor ao próprio agente financeiro a proteção do Bem de Família.. o devedor não tem a proteção do Bem de Família.para cobrança de impostos. Inciso II: por exemplo. divergindo do Relator.

relação de comunhão de escopo. A relação condominial é. em mais de uma oportunidade.a dignidade da pessoa humana. RE 439003 / SP . O pagamento da contribuição condominial [obrigação propter rem] é essencial à conservação da propriedade. vale dizer. Inciso VI: em qualquer dos dois casos: aquisição do imóvel. A cobrança de taxa de condomínio excepciona o Bem de Família. 2.  Inciso V: por exemplo. DECORRÊNCIA DE DESPESAS CONDOMINIAIS. não obstante a indicação à penhora.LFG_2º Semestre_2009 50 Civil – Pablo Stolze O próprio STF já firmou (RE 439003/SP) que a cobrança de taxa de condomínio possibilita a penhora do Bem de Família. Não há razão para. por seu Plenário no sentido da constitucionalidade da penhora do Bem de Família do fiador na locação (RE-Agr 477953/SP). 3. a exemplo do RESP 684587/TO e do AgRg no RESP 813546/DF. 1.  . cogitar-se de impenhorabilidade. no caso. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O STJ. O STF já firmou o entendimento. BEM DE FAMÍLIA. tem admitido que o devedor. na forma da Súmula 364/STJ: . com dinheiro sonegado (produto de crime) ou quando o proprietário do imóvel tem que indenizar a vítima por crime cometido. EROS GRAU EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO.Min.Mais problemático – Inciso VII: Fiança em locação. um empréstimo em Banco dando o imóvel como garantia real de hipoteca. à garantia da subsistência individual e familiar --.  O devedor solteiro goza da proteção do Bem de Família? Positivo. por exemplo. alegue depois a proteção do Bem de Família. PENHORA. tipicamente.

Seu escopo definitivo é a proteção de um direito fundamental da pessoa humana: o direito à moradia.009/90.É impenhorável. por efeito do preceito contido no Art. da Lei 8. o devedor celibatário. sozinho.A interpretação teleológica do Art. .RESIDÊNCIA – DEVEDOR SOLTEIRO E SOLITÁRIO – LEI 8. separadas e viúvas."(EREsp 182.fato jurídico em sentido estrito Ordinário DE FATO JURÍDICO  fato jurídico é todo acontecimento natural ou humano que deflagra efeitos na orbito do Extraordinário . . revela que a norma não se limita ao resguardo da família.Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS "PROCESSUAL – EXECUÇÃO .009/90. T O IA D F T E R O A O JU ÍD O R IC CONCEITO Direito. DJ de 07/04/2003). CLASSIFICAÇÃO .IMPENHORABILIDADE – IMÓVEL . Ver RESP 450989/RJ reafirma a proteção ao devedor que more sozinho com base no direito constitucional à moradia.Ato-Fato .LFG_2º Semestre_2009 51 Civil – Pablo Stolze O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras.Ações Humanas Lícitas Ilícitas . Corte Especial.009/90. o imóvel em que reside. Se assim ocorre. não faz sentido proteger quem vive em grupo e abandonar o indivíduo que sofre o mais doloroso dos sentimentos: a solidão.223-SP. 1º. 1º da Lei 8. REsp 450989 / RJ .

AÇÕES HUMANAS:  Grande controvérsia na doutrina.LFG_2º Semestre_2009 52 Civil – Pablo Stolze FATO JURÍDICO EM SETIDO ESTRITO: Conceito  fato jurídico em sentido estrito é todo acontecimento natural que deflagra efeitos na órbita do Direito. por exemplo. Essa parte da doutrina afirma que as ações humanas ilícitas são atos ilícitos e que as ações humanas tratadas como ATO JURÍDICO. Parte da doutrina (inclusive Pablo Stolze. baixa temperatura que faz uma pessoa morrer. Exemplo fato jurídico natural ordinário: nascimento. 186 e 187 do CC (ato ilícito e abuso de direito). Zeno Veloso. Exemplo fato jurídico natural extraordinário: furacão – típico fato natural que é um fato jurídico em sentido estrito. a morte natural.Negócio Jurídico LÍCITAS são . Flávio Tartuce.Ato Jurídico em sentido estrito . Dentro da noção de ATO JURÍDICO vamos encontrar duas categorias: . o decurso do tempo. Variação de temperatura. Clóvis Beviláqua) entende que as ações humanas ILÍCITAS traduzem uma categoria própria denominada de “ATO ILÍCITO”. Está regulado nos arts.

. Aos atos jurídicos lícitos. você escolhe aonde vai morar). falta a este tipo de ato a autonomia privada e a liberdade para a escolha dos seus efeitos. Exemplos de ato em sentido estrito: . que não sejam negócios jurídicos. no que couber. as disposições do Título anterior. .  Obs.a pessoa muda de cidade  a aquisição do domicílio é determinada pela lei.  O QUE É ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO? Conceito  o ato jurídico em sentido estrito. 15 Abstraindo-se os crimes ambientais. 185.Atos de comunicação.LFG_2º Semestre_2009 53 Civil – Pablo Stolze OBS: O negócio jurídico está para o civilista assim como o crime está para o penalista. CUJOS EFEITOS ESTÃO PREDETERMINADOS NA LEI. também denominado de ato não negocial. . em geral. A fixação de domicílio é um ato jurídico em sentido estrito (voluntário. mas os efeitos jurídicos estão predeterminados pela lei. Ou seja. Art. Exemplo – uma notificação (ato jurídico em sentido estrito) efeito jurídico determinado pela lei  comunicação. são atos jurídicos em sentido estrito. o homem realiza ato! O ato em sentido estrito é um ato humano em que há uma carga de voluntariedade.: o animal realiza FATO. automaticamente o efeito jurídico é a aquisição da propriedade. É a lei que determina isso. Efeito  você fixa o seu domicílio lá – determinação legal.uma concha na praia15  o simples ato de se apropriar da concha (coisa de ninguém). consiste em um mero comportamento humano voluntário e consciente. aplicam-se.

Pode gerar efeitos jurídicos. traduz uma declaração de vontade. diferentemente do simples ato em sentido estrito. é desprovido de voluntariedade e consciência em face do resultado pretendido. mas é desprovido de consciência e voluntariedade. testamento. Exemplos: contrato. existe uma categoria intermediária – ATO-FATO – o CC não tratou disso. manifestada segundo o princípio da autonomia privada. Exemplo de Jorge Cesa Ferreira: a compra de um doce por uma criança em tenra idade no boteco da esquina é um ato-fato: é um comportamento que deriva do ser humano. é construção doutrinária. pela qual o agente pretende atingir determinados efeitos jurídicos escolhidos. posto derive do homem. ATO – FATO: Conceito  o ato-fato consiste em um comportamento que. desprovido de consciência e que deflagra efeitos no mundo jurídico. respeitando parâmetros de ordem pública.  O negócio jurídico. . Pontes de Miranda percebeu que entre a categoria do fato jurídico em sentido estrito e as ações humanas.LFG_2º Semestre_2009 54 Civil – Pablo Stolze No ato jurídico em sentido estrito você não tem liberdade para determinar os seus efeitos.

TEORIAS EXPLICATIVAS DO NEGÓCIO JURÍDICO: JURÍDICO Fundamentalmente importantes. 112): Art.LFG_2º Semestre_2009 55 Civil – Pablo Stolze 6ª Aula – 03/09/09 NEGÓCIO JURÍDICO (Cont. 1.) 1.1 – TEORIA VOLUNTARISTA: Sustentava que o núcleo do negócio jurídico seria a vontade interna ou a intenção do declarante. Seguindo o pensamento de Antônio Junqueira de Azevedo. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. observamos que. em verdade. pois o negócio jurídico perfeito resulta da união harmônica entre a vontade interna e a manifestada.  OBS: O que é TEORIA DA PRESSUPOSIÇÃO? . 112. Essa primeira corrente influenciou fortemente o Código Civil brasileiro (art. mas a vontade externa ou declarada. temos duas correntes mais 1.2 – TEORIA OBJETIVA OU DA DECLARAÇÃO: Para a segunda teoria o núcleo essencial do negócio não seria a intenção. as duas teorias devem se Azevedo conjugar.

. Em 2010 o Banco não dá férias a ele. hoje. Essa teoria influenciou o que nós conhecemos como “Teoria da Imprevisão”. Exemplo: um bancário celebra hoje um contrato de Exemplo locação de uma casa de veraneio para gozar em janeiro de 2010. segundo a qual haveria invalidade do negócio jurídico. faltando qualquer desses elementos o negócio jurídico será inexistente: manifestação de vontade.LFG_2º Semestre_2009 56 Civil – Pablo Stolze Trata-se de uma Teoria do negócio jurídico desenvolvida por Windscheid.1 – PLANO DE EXISTÊNCIA: EXISTÊNCIA Para que o negócio jurídico exista deverão concorrer quatro elementos existenciais do negócio jurídico. ele poderia intentar a Teoria da For. verificada ao tempo da celebração do negócio. pois esteve em voga há mais de século. Ver na Apostila 04. quando a certeza subjetiva do declarante.Ca Maior para tentar invalidar esse contrato. objeto do negócio jurídico e forma do negócio jurídico. 2. Já não é mais abraçada. Como essa Teoria não é mais abraçada. com base na Teoria da Pressuposição ele diria que o negócio é inválido. Então. agente. PLANOS DE ANÁLISE DO NEGÓCIO JURÍDICO: JURÍDICO NEGÓCIO JURÍDICO EXISTÊNCIA VALIDADE EFICÁCIA 2. não se concretizasse depois.

que segue tendência dos sistemas britânico e alemão. sem ele o contrato é inexistente! 16 Concurso de Delegado de polícia/RJ – “quem cala consente”. e não for necessária a declaração de vontade expressa. é absoluta ausência de Mário manifestação de vontade. 3º) Objeto do negócio jurídico  negócio jurídico sem objeto não existe! Exemplo: contrato de empréstimo de dinheiro a juros – Mútuo Feneratício – se o Banco.LFG_2º Semestre_2009 57 Civil – Pablo Stolze 1º) Manifestação da vontade  o silêncio pode ser encarado como uma manifestação de vontade16? Segundo o professor Caio Mário. ciente do prazo. 111. a declaração. após a assinatura do contrato não credita o dinheiro em sua conta. não faça. Art. esse ditado tem respaldo no Direito Civil? . isto é. mas enfatiza que existem situações em que excepcionalmente. O silêncio importa anuência. entender-se-á que aceitou. dentro dele. nos termos do art. 111/CC. para declarar se aceita ou não a liberalidade. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário. quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem. se a doação não for sujeita a encargo. em geral é uma pessoa física ou jurídica. O dinheiro é o objeto desse contrato. Pablo Stolze sustenta a correção dessa afirmação. o silêncio é o nada. Art. 539. 2º) Agente  para que o negócio jurídico se realize deve haver um agente emissor da vontade que. sem encargo). Desde que o donatário. em situações especiais o silêncio pode caracterizar anuência (como na hipótese da doação pura do art.

possível. o meio pelo qual a vontade se manifesta (escrita. dizendo que o art. 104: Art. Os pressupostos de validade conferem a aptidão para gerar efeitos. etc. ou seja: Para que o negócio jurídico exista a manifestação de vontade (existência) deve ser LIVRE + BOA-FÉ.).objeto lícito. O CC não abriu um Título para o plano da Existência e a doutrina critica essa omissão.LFG_2º Semestre_2009 58 Civil – Pablo Stolze 4º) Forma do negócio jurídico  para que o negócio jurídico exista deverá haver uma forma pela qual a vontade se manifeste. Trata-se do revestimento exterior da vontade. 104/CC é incompleto.agente capaz. OU e. é elemento de existência do negócio jurídico de grande importância. por fim. Para se chegar aos pressupostos de validade devemos partir dos pressupostos de existência.2 – PLANO DE VALIDADE: VALIDADE Disciplinado a partir do art. Com a conjugação desses quatro requisitos o negócio jurídico é considerado existente. verbal. a forma do negócio jurídico (existência) deve ser LIVRE OU EM . Se faltar qualquer dos pressupostos de validade o negócio é inválido. III . II . mímica. 2. o objeto (existência) deve ser LÍCITO + POSSÍVEL + DETERMINADO PRESCRITA LEI. por si só. o agente que emite DETERMINÁVEL a vontade (existência) deve ser CAPAZ + LEGITIMADO. A forma. ou seja.forma prescrita ou não defesa em lei. determinado ou determinável. 104. A validade do negócio jurídico requer: I .

Um dos pontos mais importantes sob o prisma formal envolvendo a forma como pressuposto de validade  vigora no Brasil. Esses defeitos afetam qual plano do negócio jurídico? Esses defeitos interferem no plano de VALIDADE do negócio jurídico. 227: Art. etc.  OBS: DEFEITO DO NEGÓCIO JURÍDICO Erro. como regra geral dos negócios jurídicos. 227. 107.LFG_2º Semestre_2009 59 Civil – Pablo Stolze Exemplo: negócio jurídico cujo objeto (existência) é ilícito (plano da validade)  negócio jurídico INVÁLIDO. nos termos do art. Art. Exemplo2: O agente é menor de idade (capacidade = plano da validade)  negócio jurídico inválido. lesão. Parágrafo único. senão quando a lei expressamente a exigir. Dolo. a validade do negócio!  OBS: Seguindo o pensamento de Orlando Gomes. o PRINCÍPIO DA LIBERDADE DA FORMA. a licitude do negócio jurídico abrange a legalidade e o respeito ao padrão médio de moralidade. atacando. 107/CC. JURÍDICO: coação. Por exemplo. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial. um negócio jurídico celebrado com dolo. poderá ser para efeito de prova do negócio jurídico (negócio ad probationem. Quando a lei prescreve determinada forma. Salvo os casos expressos. ataca a boa-fé do negócio jurídico. portanto. . art. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados.

mas não é válido.3 – PLANO DE EFICÁCIA: será detalhado mais a EFICÁCIA frente. Art. 108. 2. Não dispondo a lei em contrário. VALIDADE do Negócio imobiliário com valor superior a 30 salários mínimos sem a observância da forma prescrita em lei – escritura pública – se esta não for lavrada. Vale lembrar que a Promessa de Compra e Venda. transferência. Três elementos: CONDIÇÃO TERMO .LFG_2º Semestre_2009 60 Civil – Pablo Stolze Qualquer que seja o valor do negócio jurídico. 108).) ou a forma é exigida como requisito de negócio (negócio solene ou ad solemnitatem.  OBS: O Enunciado 289 da IV Jornada de Direito Civil estabelece que o valor que se considera para efeito de se lavrar ou não escritura pública. nos termos do art. o negócio existe. a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito. pode ser lavrada por instrumento particular. art. o melhor entendimento é aquele em que o valor considerado é o declarado no contrato. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. 108/CC. é aquele lançado no contrato. Esse valor de 30 salários mínimos tem como referência o lançado no contrato pelas partes ou o valor venal lançado pela prefeitura para pagamento de IPTU? O valor a ser considerado não é o da Administração Pública. independentemente do valor. há até Enunciado sobre o assunto.

o Direito não pode compactuar com a ignorância. com base no princípio da confiança. A doutrina moderna tece uma crítica duríssima a essa escusabilidade. 139/CC: OBJETO – é aquele que incide nas características do objeto do negócio. .  Verificar o perfil da Banca do concurso a fim de saber se é clássica ou mais moderna. . 3. ESCUSABILIDADE  perdoável. Os clássicos queriam dizer com mais moderna isso que a pessoa que incorreu no erro deveria ser uma pessoa de diligência comum. a despeito da corrente clássica. a doutrina (Enunciado 12 da I Jornada) dispensa o requisito da escusabilidade.1 – ERRO: O erro é causa de anulação do negócio jurídico. cuidadosa.2 .LFG_2º Semestre_2009 61 Civil – Pablo Stolze MODO OU ENCARGO 3. Se o erro fosse imperdoável porque o cidadão era um boboca.ESPÉCIES DE ERRO: pode incidir – art. Portanto. ESSENCIAL  atacar a sua essência ou substância. DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO JURÍDICO: 3. NO NEGÓCIO – incide na estrutura do negócio. pois dizer se um erro é escusável ou não é algo subjetivo. e. para a doutrina clássica.1. seria dotado de duas características: ESSENCIALIDADE.ESCUSABILIDADE.

sem traduzir intencional recusa ao império da lei. inova o sistema do Código anterior ao admitir o ERRO DE DIREITO.2 – DOLO: O dolo tem a mesma essência do erro. O erro é substancial quando: I . III. . III . Art. 1556 e 1557/CC). Essas três espécies de erro que incidem na percepção da realidade fática. é um erro de interpretação. O CC/2002. Em geral. o qual.  ERRO DE DIREITO. pode haver um erro que incide na percepção normativa. ou a alguma das qualidades a ele essenciais. em seu art.  OBS: a principal aplicação do erro sobre pessoa ocorre no casamento (arts. Todavia. projeta-se no âmbito de atuação permissiva da norma. de má-fé. há uma carga negativa no dolo porque a outra parte.sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei. for o motivo único ou principal do negócio jurídico. 139. Trata-se de um erro sobre a ilicitude do fato.interessa à natureza do negócio. embora Clóvis Beviláqua não a aceita. Por isso.LFG_2º Semestre_2009 62 Civil – Pablo Stolze NA PESSOA – incide nos elementos de identificação ou características da outra parte do negócio. sendo que este é provocado.concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade. 3. É possível anular o casamento com base no erro sobre a pessoa. o dolo é o erro provocado. 139. desde que tenha influído nesta de modo relevante. II . sabe que está induzindo o outro ao erro. ao objeto principal da declaração.

São os negócios jurídicos anuláveis por dolo. ou seja. Nos termos do art. 145. o núcleo do negócio. e sim os aspectos secundários. mas a vítima pode pedir perdas e danos. para invalidar o negócio. a causa do negócio. realçar as características do produto é técnica publicitária permitida. acessórios do negócio.LFG_2º Semestre_2009 63 Civil – Pablo Stolze O dolo traduz o malicioso artifício empregado por uma das partes ou por terceiro. Caracteriza atividade DOLOSA E ILÍCITA. 145/CC. socialmente admitido. pedindo desconto. segundo doutrina (ver também o Projeto de Lei 4068/08 – visa alterar o CDC) a denominada técnica da mensagem subliminar que. é frequentemente invocado como possível técnica publicitária. O negócio não será invalidado. Se o dolo não atacar a causa. jurídico  OBS: O DOLO BONUS. em linhas gerais. desde que não se desvirtue como propaganda enganosa. A consequência do dolo no negócio jurídico é a mesma do erro. induz o destinatário da informação a realizar determinada conduta que conscientemente poderia não adotar. . Por exemplo. Ou seja. mas o teria celebrado de outra maneira. esse dolo é acidental e significa que vítima ainda tem interesse no negócio. quando este for a sua causa. o dolo também é causa de ANULAÇÃO do negócio jurídico. o dolo deve ser principal. Os antigos costumavam se referir a ele como DOLO MALUS. para enganar a outra causando-lhe prejuízo. atacar a essência. por exemplo. Art.

à luz do art. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos. 148. tocando aspectos secundários do negócio. Se ambas as partes procederem com dolo. em havendo dolo bilateral fica tudo como está. em seu art. provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. 150. o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou que haja ignorado.LFG_2º Semestre_2009 64 Civil – Pablo Stolze  Caso o dolo seja apenas acidental. nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio. e é acidental quando. 150. embora por outro modo. 146/C): Art. ainda que subsista o negócio jurídico. Art. 147/CC. o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. 146.  Se houve o chamado DOLO BILATERAL o que fazer? O Código brasileiro. em caso contrário. a Nos outra negócios parte jurídicos bilaterais. ou reclamar indenização. qualidade 147. a seu despeito. estabelece que. violadora da boa-fé. . Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro. constitui omissão dolosa. 2ª) O que é dolo de terceiro? Art. se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. este será mantido cabendo ao prejudicado perdas e danos (art. Art. o negócio seria realizado. DUAS QUESTÕES ESPECIAIS DE CONCURSO: CONCURSO 1ª) O que é dolo negativo? Trata-se do silêncio ou omissão intencional de informação.

premido da necessidade de salvar-se ou à pessoa próxima de grave perigo de dano material ou moral. 156. de grave dano conhecido pela outra parte. ou a pessoa de sua família. firme AC jurisprudência (RESP 796739/MT. pois Caio Mário já dele tratava há muitos anos. 156/CC. CONCEITO  trata-se de uma aplicação do estado de necessidade na teoria do negócio. 70024412397 do TJ/RS) tem perfeita aplicação na espúria exigência de cheque caução como condição essencial para o atendimento de emergência. assume obrigação excessivamente onerosa. aproxima-se outra embarcação e oferece carona cobrando. assume obrigação excessivamente onerosa. tratado no art. três milhões de reais para levá-lo até o porto  obrigação excessivamente onerosa.3 – ESTADO DE PERIGO: Não estava no CC de 1916.LFG_2º Semestre_2009 65 Civil – Pablo Stolze O negócio só é invalidado por dolo de terceiro se ficar demonstrado que o beneficiário sabia ou tinha como saber. RESP segundo 918392/RN. premido da necessidade de salvar-se. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante. O ANULAÇÃO ESTADO DE PERIGO. é novo no NCC. Exemplo de Caio Mário: sujeito está numa embarcação que está afundando. Parágrafo único. mas não do Direito. Configura-se o estado de perigo quando alguém. o juiz decidirá segundo as circunstâncias. é causa de do negócio jurídico. conhecido pela outra parte. “Dolo de terceiro” é o que parte do intermediário e “a parte a quem aproveita” seria um dos celebrantes do negócio. Configura-se quando o agente. . 3. Art. por exemplo. A Teoria do Estado de Perigo.

. Indevida a dívida cobrada. EM PARTE. UNÂNIME. O paciente em casos de necessidade. AO APELO. pois acarretaria desequilíbrio entre as partes. quedar-se-ia à mercê do hospital e compelido a emitir cheque. resta minorada a fixação dos honorários. POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Relator: Otávio Augusto de Freitas Barcellos. SEGURADO E FAMILIARES QUE SÃO LEVADOS A ASSINAR ADITIVO CONTRATUAL DURANTE O ATO CIRÚRGICO. SEGURO SAÚDE ANTERIOR À LEI 9. POSSIBILIDADE Cheque entregue para garantir futuras despesas hospitalares deixa de ser ordem de pagamento à vista para se transformar em título de crédito substancialmente igual a nota promissória.LFG_2º Semestre_2009 66 Civil – Pablo Stolze Resp 796739: Ementa CHEQUE. REsp 918392 CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. nos termos da Resolução. em face de prestadores de serviços médicos.656/98.É possível assim. CAUSA DEBENDI. ESTADO DE PERIGO. CAUÇÃO. previsto pelo art. DANO MORAL CONFIGURADO. PRESTAÇÃO SERVIÇO HOSPITALAR. AC 70024412397 EMENTA: AÇÃO DE COBRANÇA. 156 do Código Civil. Verificada a excessividade alegada. REJEITARAM A PRELIMINAR E DERAM PROVIMENTO. Décima Quinta Câmara Cível. configurado vício de consentimento consistente na assinatura do contrato em estado de perigo. É EXCESSIVAMENTE ONEROSA O NEGÓCIO QUE EXIGE DO ADERENTE MAIOR VALOR POR AQUILO QUE JÁ LHE É DEVIDO DE DIREITO. Na espécie. COM VALORES MAIORES. Tribunal de Justiça do RS. VERBA HONORÁRIA. SUBMISSÃO DO SEGURADO À CIRURGIA QUE SE DESDOBROU EM EVENTOS ALEGADAMENTE NÃO COBERTOS PELA APÓLICE. (Apelação Cível Nº 70024412397.Não é razoável em cheque dado como caução para tratamento hospitalar ignorar sua causa. a investigação da causa debendi de tal cheque se o título não circulou. CONFIGURAÇÃO. Julgado em 08/10/2008)  DICA DE CONCURSO: A Resolução no 44/2003 da Agência Nacional de Saúde (ANS). PROÍBE a cobrança de . no valor arbitrado pelo credor. NECESSIDADE DE ADAPTAÇÃO A NOVA COBERTURA. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA. .

000 Devedor Insolvente BEM Parte Beneficiária concilium fraudis Fraude contra Credores Eventus Damni A doutrina clássica afirma que a fraude pressupõe dois requisitos: . Credor Preexistente 10.Eventus Damni. prejudicando o credor preexistente. 7ª Aula – 10/09/09 FRAUDE CONTRA CREDORES: Em Direito Civil qual é a garantia geral que o credor tem em face do devedor? É o patrimônio. .LFG_2º Semestre_2009 67 Civil – Pablo Stolze cheque caução estabelecendo que a denúncia deste tipo de prática poderá ser levada ao MPF para a apuração devida. .Concilium Fraudis (má-fé). CONCEITO  a fraude contra credores. instituto protetivo do crédito. consiste na prática de um ato negocial que diminui o patrimônio do devedor.

§ 1o Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. poderão ser anulados pelos credores quirografários.  Outro caso: poderá também ser fraude contra credores nos contratos onerosos do devedor insolvente em duas hipóteses: a) quando a insolvência for notória. perdão fraudulento de dívida.LFG_2º Semestre_2009 68 Civil – Pablo Stolze A alienação gratuita de bens (doação. como lesivos dos seus direitos. Opinião de Maria Helena Diniz. Por exemplo. Por exemplo. b) quando houver motivo para ser conhecida do outro contratante. . § 2o Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles.  OBS: Fraude 17 18 NÃO se presume.  Ver no material de apoio as hipóteses de fraude previstas no CC. Os negócios de transmissão gratuita de bens17 ou remissão de dívida18. ou por eles reduzido à insolvência. 158. por exemplo) é tão grave que a má-fé é presumida. HIPÓTESES LEGAIS DE FRAUDE CONTRA CREDORES: CREDORES 1ª) Art. a doação. ainda quando o ignore. 158/CC: Art. por exemplo. se os praticar o devedor já insolvente.

LFG_2º Semestre_2009 69 Civil – Pablo Stolze

 Antecipação de pagamento feita a um dos credores quirografários, em detrimento dos demais – art. 162.
Art. 162. O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu.

Exemplo: Devedor Insolvente Credor 1 Credor 2 Credor 3  Outorga de garantia de dívida dada a um dos credores em detrimento dos demais – art. 163/CC – .
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.

Exemplo: O Devedor insolvente vai ao credor 3 e, fraudulentamente em conluio com ele, hipoteca o seu imóvel a esse credor 3.  OBS: Não posso confundir fraude contra credores com fraude à execução. Esta última é mais grave porque desrespeita a administração da justiça, uma vez que, no caso, já existe demanda proposta contra o devedor apta a reduzi-lo à insolvência. Inclusive, há uma Súmula recente sobre isso: Súmula 375/STJ. Essa Súmula cria um “fraudômetro” para sabermos quando há fraude à execução.
Súmula 375
O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente.

LFG_2º Semestre_2009 70 Civil – Pablo Stolze

Na fraude contra credores não existe ainda demanda proposta contra o devedor. A grande vítima da fraude contra credores é o credor preexistente. Todavia, existe um instrumento jurídico para impugnar o negócio fraudulento, é a AÇÃO PAULIANA. O credor preexistente é quem tem legitimidade ativa para propor a ação pauliana.  O credor preexistente para que tenha

legitimidade ativa, interesse processual, necessariamente é um credor sem garantia?  Cuidado porque o CC inovou contra isso. Em geral é o credor sem garantia, mas mesmo o credor com garantia pode ajuizar se esta se tornar insuficiente. Portanto, a
LEGITIMIDADE ATIVA

para propor a Pauliana é do

credor preexistente, mesmo aquele com garantia, caso esta se torne insuficiente – art. 158, § 1º:
garantia se tornar insuficiente. § 1o Igual direito assiste aos credores cuja

–.

LEGITIMIDADE PASSIVA  a Pauliana deverá ser proposta contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele estipulou o ato e eventualmente o terceiro de má-fé (art. 161). Ver também o RESP 242151-MG.
REsp 242151 / MG - Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ILEGITIMIDADE RECONHECIDA DE OFÍCIO PELO TRIBUNAL "A QUO". IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA SANÇÃO PREVISTA NO ART. 22, CPC. NÃO CONFIGURADA A EXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS, NÃO HÁ FALAR EM VIOLAÇÃO DO ART. 535, CPC. DISSÍDIO NÃO COMPROVADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. 1. Não viola o art. 535 do CPC o acórdão que analisa a matéria posta nos embargos, sob fundamento diverso do pretendido pelo embargante. 2. Em se tratando de ação anulatória (pauliana) para tornar sem efeito negócio jurídico, há litisconsórcio necessário entre todos os

LFG_2º Semestre_2009 71 Civil – Pablo Stolze
que participaram do ato, porquanto a sentença será, necessariamente, a mesma em relação às partes litigantes. 3. Cuidando-se de matéria de ilegitimidade à causa, salvo se houver malícia do réu, não se insere no rol previsto no art. 22, CPC. 4. Ademais, inexistindo má-fé ou conduta deliberada da parte, não cabe aplicação da sanção prevista no art. 22, CPC. 5. Dissídio não comprovado por inobservância dos pressupostos para a sua configuração. Incidência da súmula 13/STJ, segundo a qual a divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial. Recurso Especial não conhecido.

Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé.

Se o terceiro estiver de boa-fé o bem permanecerá com ele e o credor terá que buscar outros bens com o devedor. Ou seja, se o terceiro estiver de boa-fé não deverá sofrer os efeitos da sentença. Esse é o raciocínio de grande parte da doutrina com base no Código. PRAZO
PARA A

AÇÃO PAULIANA  a ação pauliana tem prazo

decadencial de 04 anos. A fraude contra credores é tão grave que exige a propositura dessa ação pauliana.  QUAL É A NATUREZA JURÍDICA DA SENTENÇA NA AÇÃO PAULIANA? Desde Clóvis Beviláqua, chegando a autores como Moreira Alves, na dicção expressa do art. 165/CC, conclui-se que a sentença é DESCONSTITUTIVA ANULATÓRIA.
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. Parágrafo único. Se esses negócios tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.

para produzir efeitos contra a mulher. Nesta linha de pensamento.Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI PROCESSUAL CIVIL. sendo legítima. Há um RESP contra legem – RESP 506312-MS. teria por pressuposto a citação dela (CPC. na forma dos arts. a ineficácia do negócio jurídico reconhecido nessa ação produziu efeitos apenas em relação ao marido. § 3º. a ação pauliana. § 1º. 106. No caso dos autos. sendo o imóvel objeto da alienação tida por fraudulenta de propriedade do casal. que não foi parte. em relação a determinados credores. do CPC. mas a responsabilidade por suas dívidas. 541 do CPC e 255 do RISTJ. mas que. CC/16. na forma do art. que não foram vítimas de fraude alguma. EXECUÇÃO. puro e simples. art. livrando-a da penhora. em verdade. O conhecimento de recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional exige a demonstração analítica da divergência. Teoria Zavascki. 4. Não tendo havido a citação da mulher na ação pauliana. 1. em regra. a sentença. restabelecendo sobre eles. A fraude contra credores não gera a anulabilidade do negócio — já que o retorno. a sentença de ineficácia. mas sim à de retirada parcial de sua eficácia. único). Frederico Pinheiro. ALÍNEA C.LFG_2º Semestre_2009 72 Civil – Pablo Stolze Todavia. não conduz a uma sentença anulatória do negócio. "não beneficiando. 5. 10. Esse respeito segue essa 2ª corrente. Alexandre Câmara. que. 158. não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir. 1046. 472). e que não poderiam alimentar expectativa legítima de se satisfazerem à custa do bem alienado ou onerado. 5. discorda do pensamento tradicional. 2. Afinal. REsp 506312 / MS . mas apenas DECLARATÓRIA DA RELATIVAMENTE AO CREDOR INEFICÁCIA DO NEGÓCIO PREJUDICADO. RECURSO ESPECIAL. permitindo-lhes excutir os bens que foram maliciosamente alienados. nem prejudicando terceiros" (CPC. por isso é contra legem. DESCONSTITUIÇÃO DE PENHORA SOBRE MEAÇÃO DO CÔNJUGE NÃO CITADO NA AÇÃO PAULIANA. segundo o próprio Código Civil. só produz efeito em relação a quem foi parte. I). a sentença NÃO SERIA ANULATÓRIA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO DISSÍDIO. . pois a à corrente segue o disposto no CC. de preservar a sua meação. existe uma 2ª corrente – processualista defendida por autores como Yussef Cahali. art. não a propriedade do alienante. NATUREZA DA SENTENÇA DA AÇÃO PAULIANA. art. a pretensão da mulher. SIMULAÇÃO: CONCEITO  na simulação celebra-se um negócio jurídico que tem aparência normal. só pode ser intentada pelos credores que já o eram ao tempo em que se deu a fraude (art. § 2º. Recurso especial provido. FRAUDE CONTRA CREDORES. par. EMBARGOS DE TERCEIRO. de índole processual. Portanto. 3. ao status quo ante poderia inclusive beneficiar credores supervenientes à alienação.

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É diferente do dolo porque neste uma das partes é vítima; na simulação as duas partes se mancomunam, ou seja,
SIMULAÇÃO É BILATERAL. A

Na fraude não há o necessário disfarce. Na fraude a vítima é específica  o credor preexistente. Na simulação você não tem essa especificidade. Antes, com o CC-16, a simulação era tratada como causa de anulabilidade do negócio jurídico. Com a entrada em vigor do CC-02 a simulação foi tratada como
NEGÓCIO JURÍDICO CAUSA DE NULIDADE ABSOLUTA DO

(art. 167/CC-02).

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. § 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.

Em doutrina reconhecem-se duas espécies de simulação: 1ª) A simulação ABSOLUTA  as partes criam um negócio jurídico destinado a não gerar efeito jurídico algum. 2ª) Simulação RELATIVA (DISSIMULAÇÃO)  na simulação relativa as partes criam um negócio jurídico destinado a encobrir um outro negócio jurídico que surtirá efeitos proibidos por lei. Por exemplo, o homem casado simula uma compra e venda para simular uma c a doação feita à concubina. Nos termos do art. 167 e do Enunciado 153 da III Jornada de Direito Civil, na simulação relativa, em sendo possível, o juiz, à

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luz

do

Princípio

da

Conservação

aproveitará

o

negócio

dissimulado.
153 – Art. 167: Na simulação relativa, o negócio simulado (aparente) é nulo, mas o dissimulado será válido se não ofender a lei nem causar prejuízos a terceiros.

Por exemplo, um , ainda casado, mas separado de fato e vivendo em união estável com outra  se fizer essa simulação de compra para encobrir uma doação feita a essa nova companheira, o juiz pode anular a doação, mas aproveitar a compra e venda.  OBS: Nos termos do Enunciado 294 da IV Jornada de Direito Civil, sendo a simulação causa de
NULIDADE

(absoluta) do

negócio jurídico, pode uma das partes alegá-la contra a outra. Isso não vai causar o venire contra factum proprium porque sendo causa de nulidade absoluta, que o juiz pode conhecer de ofício, uma parte pode alegá-la contra a outra. DUAS QUESTÕES DE CONCURSO CONCURSO: 1ª) O que é reserva mental mental? R: Alguns autores – Pablo, inclusive – a denominam também de RETICÊNCIA  a reserva mental configura-se quando o agente emite declaração de vontade resguardando o íntimo propósito de não cumprir o que projetou. Comparando com o Direito Penal, a reserva mental é muito próxima da cogitatio  o crime está na mente do agente. Enquanto a pessoa mantém a sua reserva mental em sua mente, não há repercussão para o Direito. No momento em que a reserva é manifestada, e dela a outra parte toma conhecimento, o

LFG_2º Semestre_2009 75 Civil – Pablo Stolze

art. 110/CC, na linha do pensamento de Moreira Alves, considera o negócio
INEXISTENTE.

Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

Uma negócio
EXISTE,

2ª mas

corrente

doutrinária

(Carlos

Roberto

Gonçalves) sustenta que, uma vez manifestada a reserva, o
É INVÁLIDO POR DOLO OU SIMULAÇÃO .

Pablo Stolze

considera esse pensamento mais coerente.
Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

2ª) O que é contrato de “vaca papel” papel”? R: O contrato de “vaca papel” traduz um típico negócio simulado de parceria pecuária que, em verdade, encobre um empréstimo a juros extorsivos (ver RESP 441903-SP – OBS: no julgado fala-se em anulação porque o julgado é anterior ao CC-02. Com este passa a ser nulo).

LESÃO:
CONCEITO  a lesão, causa de
INVALIDADE

do negócio

jurídico, traduz o prejuízo resultante da desproporção entre as prestações do próprio negócio, em virtude do abuso da necessidade ou da inexperiência de uma das partes (art. 157/CC).
Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.

§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. Esse § 1º é uma dicção aberta.LFG_2º Semestre_2009 76 Civil – Pablo Stolze § 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. Na lesão o negócio nasce desproporcional. § 2o Não se decretará a anulação do negócio. ou seja. no estado de perigo essa desproporção decorre de um estado de perigo de não há o risco de um dano. tem que provar que a vítima atuou sob premente necessidade ou por inexperiência. traduzem uma situação em que há desequilíbrio nas prestações. Tanto a lesão quanto o estado de perigo são causas de invalidade do negócio. no Código Civil. O Direito Romano já conhecia a lesão e chamava de Enorme e Enormíssima e as distinguia estabelecendo frações. mas sim. Todavia. o juiz tem discricionariedade. Portanto. por 1º) o elemento SUBJETIVO é a premente necessidade ou inexperiência da vítima. uma exemplo. . A lei não exige dolo de aproveitamento. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. econômica. 2º) OBJETIVO  é a manifesta desproporção entre as prestações deo negócio. Isso não se presume. compõe-se de DOIS ELEMENTOS: NECESSIDADE DANO. se for oferecido suplemento suficiente. No caso concreto o juiz analisa se houve ou não lesão – § 1º do art. O exigido por lei é a necessidade ou inexperiência da vítima. 157 –. Na LESÃO da pessoa. mas não o dolo de se aproveitar. A lesão.

a lesão é causa de NULIDADE ABSOLUTA! ANULAÇÃO do negócio jurídico. 152/CC. A coação. A coação é sempre analisada EM CONCRETO. já no CDC. Havendo coação o negócio existe. ter-se-ão em conta o sexo. dada a sua principiologia de § 2o Não se decretará a anulação do negócio. 152. C O A Ç Ã O : “VIS COMPUSLIVA” – coação moral.LFG_2º Semestre_2009 77 Civil – Pablo Stolze No § 2º do art. porque INVALIDADE é gênero. se for oferecido suplemento suficiente. consiste na violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. 6º. cuidado. Parágrafo único. art. para viciar a declaração da vontade. Art. 157. . V. A coação moral vem conceituada a partir do art. mas é anulável. CONCEITO  a coação. Art.a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. decidirá se houve coação. a saúde. 157 a expressão “anulação”. a condição. o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. ou aos seus bens. há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa. à sua família. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente. 151. causa de ANULAÇÃO do negócio jurídico. No apreciar a coação. § 2º do art. Art. a lesão é causa de ordem pública. 151/CC. não tem a ver com o conceito de “homem médio”. a idade. com base nas circunstâncias. o juiz. CDC: V . ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.  essa é uma das maiores pegadinhas de concurso! concurso No CC. do qual são espécies a nulidade e a anulabilidade.

Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. a simples informação de possível inscrição em sistema de proteção ao crédito é exercício regular de direito (sobre o sistema de proteção ao crédito ver as recentes Súmulas 359 e 385 do STJ). Art. O simples temor não é coação. e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. Subsistirá o negócio jurídico. Isso não é coação. Se. nem o simples temor reverencial. 154 e 155 do CC): Art. 19 Coacto = coagido. não se considera coação a ameaça do exercício de um direito nem o simples temor reverencial. Art. 154. militar. 153. 153/CC. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento. 155. COAÇÃO DE TERCEIRO (arts.19 Da leitura dos arts. . se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. familiar. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito. ambos responderão SOLIDARIAMENTE pelas perdas e danos. aí sim será coação. Neste caso.LFG_2º Semestre_2009 78 Civil – Pablo Stolze  Nos termos do art. TEMOR REVERENCIAL  é o respeito à autoridade instituída que pode ser uma autoridade profissional. 154 e 155 do CC observamos que o negócio só será anulado se o beneficiário soubesse ou tivesse como saber da coação de 3º. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. junto com o temor vier a ameaça. se a coação decorrer de terceiro. AMEAÇA DO EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO  por exemplo.

LFG_2º Semestre_2009 79 Civil – Pablo Stolze  QUESTÃO: o negócio nulo é mais grave. no campo cível. cause não tem salvação. se houvessem previsto a nulidade. é tão grave e doente que o juiz pode conhecê-lo de ofício. falava na conversão do negócio jurídico. por meio da qual aproveitam-se os elementos de um negócio inválido. . o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro. teriam celebrado o negócio convertido). Assim: O QUE É CONVERSÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO JURÍDICO? CONCEITO  trata-se de uma medida sanatória. subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido. 170: Art. 2º) ELEMENTO IMATERIAL – é a intenção dos declarantes no sentido da conversão (se as partes houvessem previsto a nulidade. EXEMPLO: contrato de compra e venda de imóvel nulo por vício de forma (por exemplo. 170. falta de escritura pública em imóvel com valor superior a 30 salários mínimos) pode ser convertido em uma Promessa de Compra e Venda. Todavia. O CC disciplina a conversão do negócio inválido no art. porém. convertendo-o em outro negócio válido e de fins lícitos. Se. Karl Larenz foi um dos primeiros autores a falar sobre imputação objetiva e. Para que haja a conversão a doutrina aponta dois elementos: 1º) ELEMENTO MATERIAL – é o aproveitamento do suporte fático do primeiro negócio. há um instituto que pode salvá-lo.

3 Negócio Jurídico: IV. for ilícito. a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias.4. o juiz poderá suprimir ou reduzir a parte viciada do negócio. se válido for na substância e na forma”).LFG_2º Semestre_2009 80 Civil – Pablo Stolze Aula 8 . conservando-o no que for válido. que conduz à nulidade do negócio. a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida. comum a ambas as partes. CC (“Respeitada a intenção das partes. mas subsistirá o que se dissimulou. IV) não revestir a forma prescrita em lei. Art. até mesmo sob o prisma axiológico. Invalidade do negócio jurídico: Gênero do qual decorrem as espécies nulidade absoluta (o ato é nulo) e nulidade relativa (o ato é anulável). III) o motivo (a finalidade) determinante.: O que é redução do negócio jurídico? R: À luz do Princípio da Conservação. É nulo o negócio jurídico simulado. impossível ou indeterminável o seu objeto. nos termos do art. 184. a) Nulidade Absoluta: Mais grave que a nulidade relativa. 167. VI) tiver por objetivo fraudar lei imperativa. Teoria do Fato Jurídico IV. Obs. V) for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade.3. II) for ilícito. VII) a lei taxativamente o declarar nulo. 20 Cedida por Louise. 166.”). não se refere àquele encarcerado na intenção do agente.17/09/0920 CONTINUAÇÃO IV. Inciso III: A palavra “motivo”. sem cominar sanção. . se esta for separável. encontra-se tutelada nos arts. É nulo (nulidade absoluta) o negócio jurídico quando: I) celebrado por pessoa absolutamente incapaz. 166 e 167 do Código Civil (“Art. ou proibirlhe a prática. mas a destas não induz a da obrigação principal.

. quando esta for fixada.LFG_2º Semestre_2009 81 Civil – Pablo Stolze A lei. mas sim a sua finalidade. Parágrafo único. CC“As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado. ainda que a requerimento das partes. a. nem convalesce pelo decurso do tempo (art. afirmar que os negócios nulos “não convalescem com o decurso do tempo”. aqui. no entanto. sua finalidade não o é (instalar casa de prostituição). por sua vez. Este negócio é nulo e não pode ser confirmado pelo agente quando completar 18 anos. 168. o objeto do contrato é licito (uso oneroso do imóvel). fixar-lhe uma sanção específica. Inciso VII: A lei dispõe expressamente que aquele negócio é vedado sem. entretanto. quando lhe couber intervir. ou pelo Ministério Público. quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas.”). CC – “O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação. não é o motivo do negócio. Neste caso. será ela aplicada. Causa. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz. reconhecida ex officio pelo juiz (art.: Contrato de locação celebrado entre 2 amigos.: Negócio celebrado por pessoa com 15 anos (absolutamente incapaz). visto que os negócios nulos são inconfirmáveis. pelo Ministério Público (quando lhe couber intervir) ou. Ex. significa dizer que estes são imprescritíveis. 169. de forma que a melhor interpretação deste inciso é no sentido de que é nulo o negócio jurídico quando a sua causa for ilícita. até mesmo. Por outro lado.1) Características da nulidade absoluta:  Pode ser argüida por qualquer interessado. nem convalesce pelo decurso do tempo”). não lhe sendo permitido supri-las. a função a que se destina. se refere à causa do negócio jurídico. com o objetivo de ali instalar uma casa de prostituição.  Não admite a confirmação do negócio. (Ex.

esta deverá obedecer os prazos fixados na lei. que representa o “artigo matriz” da nulidade relativa em nosso ordenamento jurídico. Em alguns casos. (“É anulável a venda de ascendente a descendente. Entretanto. pelo legítimo interessado. II) por vício resultante de erro. coação.: Embora a nulidade seja imprescritível. b) Nulidade relativa (anulabilidade): Menos grave que a nulidade absoluta. embora a parte interessada possa argüir em juízo. a exemplo do art.  A sentença declaratória de nulidade opera retroativamente os seus efeitos (ex tunc).LFG_2º Semestre_2009 82 Civil – Pablo Stolze Obs. existem outros casos que se encontram espalhados pelo Código. excepcionalmente. estado de perigo. Sua previsão legal encontra-se no art. CC (“Além dos casos expressamente declarados na lei.1) Características da nulidade relativa:  A anulabilidade deve ser argüida em ação própria. os efeitos do negócio poderão ser mantidos em relação a terceiro de boa-fé. CC – “A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença. Ressalte-se que o maior prazo prescricional previsto no NCC é de 10 anos. não podendo o juiz reconhecê-la ex officio (art. 177. isto é. é anulável o negócio jurídico: I) por incapacidade relativa do agente. 496 do CC. 171. b. sendo menor o nível de impacto produzido pela sentença que a declara. salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. pois configura um causa de nulidade absoluta.”) Inciso II: A simulação não se encontra prevista no inciso. lesão ou fraude contra credores. nem se pronuncia . se esta desejar formular pretensão de cunho condenatório.”). os efeitos patrimoniais prescrevem. a qualquer tempo a nulidade do negócio. dolo.

178 e 179.: Negócio anulável celebrado em 2005. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. a contar da data da conclusão do ato. convalesce pelo decurso do tempo. Neste interregno entre 2005 e 2009 produziu-se a eficácia interimística. Com isso. O termo a quo deste será o momento em que o ato foi concluído Obs. Ex. contado: I) no caso de coação. salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes. do dia em que se realizou o negócio jurídico. segundo Pontes de Miranda. 173. dolo. II) no de erro. Art. 172. fraude contra credores. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. ou seja. do dia em que ela cessar. 172 a 174. 179. do dia em que cessar a incapacidade. CC. denomina-se eficácia interimística. em relação aos quais a lei não fixe um prazo específico. CC – “Art. ciente do vício que o inquinava.  Admite confirmação expressa ou tácita (arts. É escusada a confirmação expressa. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável. 174. que impõe o prazo genérico de 2 anos para os demais negócios jurídicos. III) no de atos de incapazes. 179. 178. estado de perigo ou lesão. CC – “Art. e aproveita exclusivamente aos que a alegarem. (arts. tendo a sentença anulatória sido proferida em 2009. só os interessados a podem alegar. será este de dois anos. salvo direito de terceiro. Art.”) A anulabilidade não é imprescritível.”) Cumpre ressaltar o teor do art. quer-se dizer que existem prazos decadenciais previstos em lei para se impugnar o negócio anulável.”). sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação. .: A eficácia produzida pelo negócio jurídico anulável até futura e eventual sentença condenatória. quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor. Art.LFG_2º Semestre_2009 83 Civil – Pablo Stolze de ofício.

EM VINTE ANOS. pois o pagamento não poderia ser desconstituído. SEM CONSENTIMENTO DOS DEMAIS. prejudicou a súmula 494 do STF (“AÇÃO PARA ANULAR VENDA DE ASCENDENTE A DESCENDENTE. este prazo será de 2 anos sempre que a lei não trouxer um prazo prédeterminado. 182.”).: Negócio anulável por coação realizado em 2007. .LFG_2º Semestre_2009 84 Civil – Pablo Stolze Obs2: A regra do art. 179 do CC cumulada com a do art. o contratante sofre um pequeno ônus. ou seja. mediante a imposição do encargo de fazer determinada doação em dinheiro a uma instituição de caridade). Este elemento é muito comum nos negócios gratuitos. pois. (“Anulado possível restituí-las. CC. REVOGADA A SÚMULA 152. CONTADOS DA DATA DO ATO. PRESCREVE – decai . 496. nos termos daquele artigo. Ex. Neste caso.: Doa-se um imóvel. a condição. restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. a exemplo da doação (Ex. 496.3. a teor do que dispõe o art. Plano de eficácia do negócio jurídico: Aqui incidem os elementos acidentais. para pagamento 30 dias depois. como é o caso do art. é razoável o entendimento (Humberto Theodoro Júnior) no sentido de que a sentença anulatória de negócio jurídico tem eficácia ex tunc.  A despeito da polêmica (ver estudo do grande Caio Mário).5. serão indenizadas com o equivalente. O coacto ingressa com ação anulatória e a sentença é proferida após a realização do pagamento. quais sejam.”) o negócio jurídico. a) Encargo: Trata-se de um ônus que se atrela a uma liberalidade. não sendo IV. não haveria sentido que a sentença produzisse apenas efeitos ex nunc. o termo e o encargo. e. comparando-se com o grande benefício que receberá.

como condição suspensiva. consistente em um evento futuro e incerto. b) Condição: Trata-se de um elemento acidental. não suspende o exercício do direito pelo outro contratante. no exemplo acima mencionado. Excepcionalmente. tão logo realizada a doação. CC – “Considera-se condição a cláusula que. Assim. Ressalte-se. em regra.LFG_2º Semestre_2009 85 Civil – Pablo Stolze No Código Civil. no caso de uma doação com encargo impossível. a aquisição do direito poderá ser condicionada ao implemento do encargo. o encargo encontra-se previsto nos arts. caso em que se invalida o negócio jurídico. Já no que se refere ao art. A cumulativos: condição caracteriza-se por 2 aspectos . subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”). Art. que subordina ou resolve a eficácia jurídica do negócio. derivando exclusivamente da vontade das partes. observa-se que. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. nos termos do art. 136. o encargo. 136. 137. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. 121. nunca decorrendo da lei. 136 e 137 (“Art. que. 137. Porém. previsto segundo a vontade das partes (art. mesmo antes de realizar a doação que lhe foi imposta.”). Cumpre ressaltar que a cláusula que impõe a condição decorre sempre da vontade das partes. pelo disponente. o donatário adquire os direitos de propriedade sobre o imóvel doado. esta será considerada uma doação pura e simples. quando o encargo ilícito foi a causa decisiva de sua realização. o negócio jurídico poderá ser totalmente anulado. se o encargo for ilícito ou impossível este será desconsiderado. ou seja. da mesma forma com que se dá no caso das condições. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade.

CC – “Art. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. limitando-se o tempo para a ocorrência da morte. 121 c/c art. Obs. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. morrer até o dia 20/09/09. Ex.”). caso se venha a ganhar. pois não há como se precisar que ela ocorrerá naquele período. CC deixa claro que a condição suspensiva. cujo sorteio foi realizado na véspera. seu tio. Aqui.: Contrato de doação de metade do prêmio da loteria. Art.1. pois trata-se de uma certeza de vida.: O art. enquanto esta se não verificar.1) Quanto ao modo de atuação: A condição poderá ser suspensiva ou resolutiva. Obs.  Condição suspensiva: É aquela que subordina o início da eficácia jurídica do negócio (art.LFG_2º Semestre_2009 86 Civil – Pablo Stolze  Futuridade: Não havendo futuridade. Caso isto não ocorra. não se pode definir se a morte de “C” realmente ocorrerá. o contrato firmado não produzirá qualquer efeito. Ex. Considera-se condição a cláusula que. pois sua execução sequer foi iniciada. paralisa não apenas a . não existe a condição. 125. b. caracterizando termo. uma vez que todos um dia irão morrer. Neste caso não há condição pois o evento já aconteceu. 125. esta se torna uma condição. a morte não é condição.: A morte é uma condição? R: Em geral. enquanto não implementada. a que ele visa. Ex. não se terá adquirido o direito.: Compra e venda de camisas de propaganda política.: “A” doará imóvel a “B” se “C”. Por outro lado. derivando exclusivamente da vontade das partes. 121. caso o candidato venha a obter êxito nas eleições.1) Classificação da condição: b.  Incerteza: Decorre do fato. 125.

. salvo disposição em contrário. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé .1.: “A” permite que “B” receba a renda proveniente do aluguel de um imóvel até que venha a passar em um concurso. extingue-se. Sobrevindo a condição resolutiva. não há direitos e obrigações recíprocos. enquanto não for verificada a condição. mas também os direitos (e deveres) decorrentes do negócio jurídico. Caio Mário. adverte quanto à possibilidade de haver pagamento indevido. vigorará o negócio jurídico. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. 128. à ordem pública ou aos bons costumes.  Condição resolutiva: É aquela que. podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. 122.”)  Condição Lícita  Condição Ilícita: É aquela contrária à lei.”). Art. quando implementada. quando este é realizado antes do implemento da condição suspensiva.2) Quanto à licitude: Nos termos do art. o direito a que ela se opõe. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. 127 e 128. No momento em que “A” foi aprovado. O Prof. Isto porque. assim. CC. CC (“Art. em geral. (“São lícitas. a sua realização. resolve ou desfaz os efeitos jurídicos do negócio. para todos os efeitos.LFG_2º Semestre_2009 87 Civil – Pablo Stolze exigibilidade. nos termos dos arts. evitando-se. Se for resolutiva a condição. mas. em sua obra Instituições de Direito Civil. Nada impede que uma condição ilícita seja suspensiva ou resolutiva. b. Ex. 127. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. todas as condições não contrárias à lei. à ordem pública ou aos bons costumes. a condição poderá ser lícita ou ilícita. o negócio jurídico acima mencionado perderá sua eficácia. . se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. o enriquecimento sem causa. enquanto esta se não realizar.

abaixo transcrito: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSO CIVIL. em geral.e a condição puramente potestativa – vedada por lei e de natureza ilícita.aquela contraditória em seus próprios termos. As regras de locação não admitem cláusula que conceda a uma das partes benefício ou vantagem que a torne mais poderosa. todas as condições. que é admitida pelo nosso sistema e. .: contrato cuja condição é de que a parte somente pagará se assim quiser. diferentemente da condição simplesmente potestativa. que a lei não vedar expressamente. ex. ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes. ou ainda que a submeta ao arbítrio da outra. "São lícitas. é aquela que faz depender os efeitos do negócio ao exclusivo arbítrio de uma das partes. CLÁUSULA PURAMENTE POTESTATIVA. 2. privando o negócio jurídico totalmente de efeitos. 1. PROIBIÇÃO PELO SISTEMA JURÍDICO.503/RJ. ex. não é abusiva porque se correlaciona a outras condições circunstanciais.LFG_2º Semestre_2009 88 Civil – Pablo Stolze São consideradas ilícitas a condição perplexa ." (Artigo 115 do Código Civil de 1916). embora dependa da vontade de uma das partes. Entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato. ARTIGO 115 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. O STJ tratou da condição puramente potestativa no AgRg no AgRg no Ag 652.: compra e venda de um imóvel sob a condição de que o comprador não possa nele entrar . LOCAÇÃO.

ou de fazer coisa ilícita. especialmente por telefone ou a domicílio”) Obs2: O que seria uma condição promiscua? R: É aquela é nasce simplesmente potestativa e se impossibilita por uma circunstância superveniente. isto é.  Condição casual: É aquela que depende de uma circunstancia natural. Obs3: Interpretando o art. concluímos que uma condição ilícita (ou de fazer coisa ilícita) invalida todo o negócio jurídico. CDC. (Ex. mista ou casual.LFG_2º Semestre_2009 89 Civil – Pablo Stolze Obs.: Vale lembrar a existência de situações excepcionais em que prevalece a exclusiva vontade de uma das partes como condição de eficácia do negócio. no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço. 49. sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial.1. mas o jogador quebra a perna e precisa parar de jogar). 123 do CC (“Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I) as condições física ou juridicamente impossíveis.: Time de futebol assina contrato com jogador. III) as condições incompreensíveis ou contraditórias”).  vontade Condição potestativa: Aquela que se origina da partes. determinando que ele receberá 1 milhão de reais se vier a se tornar o artilheiro do campeonato. está ligada à ocorrência de um fato da . a exemplo do art.  Condição mista: É aquela que deriva da vontade da parte de do ato de um terceiro. b.3) Quanto à origem: A condição poderá ser potestativa. podendo ser simples ou puramente das potestativas. (“O consumidor pode desistir do contrato. II) as condições ilícitas. quando suspensivas. conforme explicação acima.

caracteriza-se por 2 aspectos cumulativos. daquela se diferindo apenas acerca da certeza quanto à ocorrência do evento:  Futuridade  Certeza c. mas não a estabelece que. o que é muito comum no âmbito das obrigações tributárias.LFG_2º Semestre_2009 90 Civil – Pablo Stolze natureza. não impede a aquisição dos direitos e . 131. c) Termo: Acontecimento futuro e certo que interfere na eficácia jurídica do negócio. o termo inicial. o termo consiste na determinação de uma data para que o negócio jurídico possa passar a produzir ou deixar de produzir seus efeitos. c. CC). Ex.  Termo convencional: Fixado pela vontade das partes. Em geral. diferentemente da condição suspensiva (art.  Termo de graça (Judicial): Fixado pelo juiz em decisão ou sentença. Assim como a condição.: Contrato de safra se vier a chover no ano seguinte.1) Quanto ao modo de atuação: O termo poderá ser inicial ou final.: O art.2) Quanto à origem: O termo poderá ser convencional. 125. Obs. posto suspenda a exigibilidade do negócio.1.  Termo legal: Determinado pela lei.1.1) Classificação do termo: c. CC (“O aquisição do direito. legal ou de graça.”) termo inicial suspende o exercício.

proíbe as instituições financeiras a cobrar tarifa de liquidação antecipada (TLA). concluímos que a pretensão nasce no dia em que o direito à prestação é violado e morre no último dia do prazo prescricional. Nos termos do art. os direitos e obrigações recíprocos passam a existir desde a celebração do negócio. porém.516/07. regra de clareza meridiana. através da Resolução 3.LFG_2º Semestre_2009 91 Civil – Pablo Stolze obrigações dele decorrentes. A PRESCRIÇÃO não ataca o direito de ação.  A PRESCRIÇÃO PRESCRIÇÃO AÇÃO ataca a PRETENSÃO. mas não existe mais a PRETENSÃO. exigíveis. 189/CC. não sendo. . Depois do prazo prescricional podemos dizer que existe direito de ação. Obs2: O BACEN. o que só será possível quando do advento do termo designado. 9ª Aula – 24/09/09 Pretensão Tv NJ Direito à Prestação Não é correto dizer que mesmo depois do prazo prescricional o direito de ação extinguiu-se porque o direito de ação é o direito de pedir ao Estado a prestação jurisdicional. isto é.

27. contado o prazo: 21 Prazos prescricionais especiais. Art. 205 – o art. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo.  OBS: Só o prazo prescricional refere-se à pretensão no NCC. a qual se extingue. Art. 206. Todo prazo prescricional deve estar previsto em lei e no NCC os prazos prescricionais encontram-se em apenas dois artigos: arts. já utilizava essa dicção de que a prescrição ataca a pretensão. pela prescrição. 189. Art. 206 traz os PRAZOS PRESCRICIONAIS ESPECIAIS. quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. 189. iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. Prescreve:21 § 1o Em um ano: I . II . O CC inaugura a disciplina da prescrição no art. Ou seja. . Violado o direito. ou a deste contra aquele.a pretensão do segurado contra o segurador. para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos.  OBS: O CDC. 27. A prescrição ocorre em dez anos. TODOS OS OUTROS PRAZOS DO CC SÃO DECADENCIAIS! No CC-16 o prazo prescricional extintivo máximo era de 20 anos. o CDC já nasceu com essa preocupação técnica de dizer que a prescrição ataca a pretensão. No NCC o prazo máximo é de 10 anos – art. nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. nasce para o titular a pretensão. 205. art.a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento. 205 e 206. Art.LFG_2º Semestre_2009 92 Civil – Pablo Stolze PRETENSÃO – CONCEITO  a pretensão é o poder jurídico conferido ao credor de coercitivamente exigir o cumprimento da prestação violada.

§ 2o Em dois anos.a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade. em períodos não maiores de um ano.a pretensão contra os peritos. serventuários judiciais. b) para os administradores. IV . a contar do vencimento. do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada. c) para os liquidantes.a pretensão para haver o pagamento de título de crédito. V . da apresentação. b) quanto aos demais seguros. da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado.a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes. contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo. aos sócios. § 3o Em três anos: I . correndo o prazo da data em que foi deliberada a distribuição. custas e honorários.LFG_2º Semestre_2009 93 Civil – Pablo Stolze a) para o segurado. III . VI . V . pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade anônima. . ou da data que a este indeniza.a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias. II . a partir da data em que se vencerem.a pretensão dos tabeliães. da ciência do fato gerador da pretensão. da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima. dividendos ou quaisquer prestações acessórias. auxiliares da justiça. pela percepção de emolumentos. pagáveis. com capitalização ou sem ela. ressalvadas as disposições de lei especial.a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos.a pretensão de reparação civil. a pretensão para haver prestações alimentares.a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto. com a anuência do segurador. VIII . ou fiscais.a pretensão de restituição dos lucros ou dividendos recebidos de má-fé. árbitros e peritos. contado o prazo: a) para os fundadores. III . ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento. VII . no caso de seguro de responsabilidade civil. IV .a pretensão para haver juros. da primeira assembléia semestral posterior à violação.

REDUÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA TRÊS ANOS. DECRETO Nº 20. 10 do Decreto nº 20. . no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório. III . 3. II . § 5o Em cinco anos: I .a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. Inteligência do art. § 4o Em quatro anos.a pretensão do beneficiário contra o segurador. contado o prazo da conclusão dos serviços.137. da cessação dos respectivos contratos ou mandato. procuradores judiciais. Recurso especial provido. 1. No NCC o prazo para propor ação de reparação de dano caiu para 03 anos enquanto que no CC-16 era de 20 anos! Os prazos prescricionais em geral foram reduzidos no NCC.910/32. a pretensão relativa à tutela. estipulou que. com o manifesto objetivo de favorecer ainda mais os entes públicos. o prazo quinquenal seria afastado nesse particular.a pretensão dos profissionais liberais em geral. em recente julgado (noticiário da semana passada – RESP 1. V. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. 1º do Decreto nº 20. o STJ decidiu. do Código Civil de 2002 – prevalece sobre o quinquênio previsto no art. O legislador estatuiu a prescrição de cinco anos em benefício do Fisco e. a contar da data da aprovação das contas. e a do terceiro prejudicado. Todavia. no caso da eventual existência de prazo prescricional menor a incidir em situações específicas.LFG_2º Semestre_2009 94 Civil – Pablo Stolze IX . § 3º.354) firmou entendimento no sentido de que o prazo prescricional para se formular pretensão contra a Fazenda Pública é de 03 anos.a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo.910/32.910/32. O prazo prescricional de três anos relativo à pretensão de reparação civil – art. 206. curadores e professores pelos seus honorários. ADVENTO DO CÓDIGO CIVIL DE 2002.  OBS1: A Fazenda Pública tem prazo de 05 anos para deduzir uma pretensão em face do cidadão. 2.PRESCRIÇÃO.

205 e 206. III . sem que esta pessoa nada possa fazer. contado: I .LFG_2º Semestre_2009 95 Civil – Pablo Stolze  No CC/02 os prazos prescricionais da prescrição extintiva da pretensão estão nos arts. fraude contra credores. Exemplo: o direito de anular o negócio é o típico direito potestativo – a outra parte vai sofrer a interferência – o art. II . dolo. Por exemplo. Art. 178 é um exemplo de prazo decadencial legal.no de erro. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico. Sempre que o direito potestativo tiver prazo para o seu exercício.no de atos de incapazes. . PRAZO DECADENCIAL PARA O EXERCÍCIO DE UM DIREITO POTESTATIVO. DECADÊNCIA: A DECADÊNCIA ou CADUCIDADE não se refere a direitos com conteúdo prestacional. 178. do dia em que ela cessar. mas existem direitos potestativos com prazo para exercício. do dia em que se realizou o negócio jurídico. esse prazo será decadencial. assim como o cliente também tem o direito potestativo de revogar o mandato dado ao advogado. O prazo decadencial pode ser legal ou convencional. o seu titular simplesmente interfere na esfera jurídica alheia. mas sim a direitos potestativos. Direito Potestativo – Conceito  direito potestativo nada mais é do que um direito de sujeição. do dia em que cessar a incapacidade. Ao exercer o direito potestativo. estado de perigo ou lesão.no caso de coação. o advogado tem o direito potestativo de renunciar ao mandato. Existem direitos potestativos sem prazo para o seu exercício.

o prazo decadencial de 90 dias não começa a correr – § 2º .entre os cônjuges. No NCC as causas que estão no art. se o consumidor formular uma reclamação junto ao fornecedor e enquanto este não lhe der resposta definitiva. SUSPENSIVAS E INTERRUPTIVAS DO PRAZO PRESCRICIONAL  Em geral. CAUSAS IMPEDITIVAS. § 2º do CDC. Art. Todavia. 197.LFG_2º Semestre_2009 96 Civil – Pablo Stolze O prazo decadencial convencional é aquele criado pela vontade das partes.a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente. por exceção.é exemplo de impedimento de início de prazo decadencial. o prazo potestativo de reclamar em juízo o defeito de produto ou serviço (vício do produto ou serviço): 30 dias para bens não duráveis e 90 para bens duráveis. 26. que deve ser transmitida de forma inequívoca. Art. 197 a 199 e as causas que INTERROMPEM I . . observamos a previsão de causa impeditiva de decadência no art. o próprio CDC diz que. 26. Não corre a prescrição: IMPEDEM ou SUSPENDEM a prescrição a prescrição estão nos arts. Exemplo: cláusula contratual que estipula prazo para a desistência do negócio é o típico prazo decadencial convencional. na constância da sociedade conjugal. Todavia. Por exemplo. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: § 2° Obstam a decadência: I . tais causas referem-se a prazos prescricionais. 202/CC.

uma vez que o prazo prescricional é de 10 anos. 22 Poderia ser também “companheiros”. Não corre igualmente a prescrição: I . por exemplo. tem direito a uma prestação já vencida contra a esposa. 3o. II .entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores. 198. se o PRAZO JÁ e a causa surge = A causa suspende o prazo enquanto ela durar. 197. Marido e mulher podem ser sócios dependendo do regime de bens do casamento. I: Art. 197. o prazo restante será de 08 anos. . III . Art.entre ascendentes e descendentes. O marido. Também não corre a prescrição: I . em tempo de guerra. durante o poder familiar. finda a causa o prazo volta a correr.LFG_2º Semestre_2009 97 Civil – Pablo Stolze II . durante a tutela ou curatela.contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas. Por exemplo.pendendo ação de evicção. se já houver transcorrido 02 anos quando sobreveio a causa. Se a causa se dá no ESTAVA CORRENDO INÍCIO DO PRAZO SUSPENDE. embora o direito dele à pretensão não corre durante a constância do casamento  causa impeditiva = impede o início do prazo. Enquanto eles estiverem casados. Art. = IMPEDE. 199.não estando vencido o prazo.pendendo condição suspensiva. Funcionamento suspendem – exemplo  das 22 causas que impedem ou art.contra os ausentes do País em serviço público da União.entre os cônjuges. dos Estados ou dos Municípios. III . Não corre a prescrição: I . na constância da sociedade conjugal. III .contra os incapazes de que trata o art. II . finda a causa.

ainda que extrajudicial. o prazo volta a correr restando 05 anos: 2+3++5= 10 anos.por protesto. IV . recomeça a contar do zero! Todavia.por qualquer ato inequívoco. nas condições do inciso antecedente. Art. que ordenar a citação. Inciso II  é a medida cautelar de protesto – protesto judicial –. no exemplo acima.  CAUSAS INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO: são muito perigosas. Antônio Carlos Marcatto – observa que este dispositivo do CC deverá ser entendido em consonância com o § 1º do art.por despacho do juiz. 02 anos do prazo.LFG_2º Semestre_2009 98 Civil – Pablo Stolze Causa Suspensiva  Já havia corrido. Após o início do prazo – 02 anos – eles casam e ficam casados por 03 anos. que somente poderá ocorrer uma vez. caput –. VI . ou do último ato do processo para a interromper. mas eles não eram casados. I a doutrina processual brasileira – prof. A interrupção da prescrição. 219/CPC no sentido da retroatividade da eficácia interruptiva do despacho citatório. 202.por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. protestam em juízo para interromper o prazo. mesmo incompetente. Terminado o casamento. 202. Quando o prazo prescricional é interrompido.por protesto cambial. se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. II . a prescrição estará interrompida. OBS  interpretando o art. Se o credor ingressar com o protesto cautelar. dar-se-á: I . 202. que importe reconhecimento do direito pelo devedor. . V . o NCC inovou estabelecendo que a interrupção da prescrição só pode ocorrer uma única vez – art.pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores. III . Parágrafo único. Muitos credores fazem isso. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu.

 OBS: existe um projeto de lei n. notificação extrajudicial judicial”. segundo Pablo deveria interrompe. interrompe. Inciso VI  se o devedor. interpelação. por qualquer ato. necessariamente. ainda que extrajudicialmente. Se o devedor. entende CARACTERÍSTICAS DECADÊNCIA: E ASPECTOS RELEVANTES DA PRESCRIÇÃO E DA . Inciso IV  habilitar o crédito é o credor levar o crédito ao processo. interrompe a prescrição. a notificação. Sempre que o credor habilitar seu crédito em processo de inventário ou concurso de credores. Pablo não extrajudicial também. reconhecer a dívida. Inciso V –  PEGADNHA  exemplos: citação. ainda que extrajudicial. mas pela letra da lei. judicial? A notificação extrajudicial judicial (por AR). confessar uma dívida – confissão de dívida – interrompe a prescrição. NÃO INTERROMPE porque a lei diz: “ato que deveria ser concorda.LFG_2º Semestre_2009 99 Civil – Pablo Stolze  Inciso III – PEGADINHA: esse protesto do inciso III é o protesto de título de crédito! Esse inciso derrubou uma Súmula do STF 153 que dizia que protesto cambiário não interrompe prescrição. 3293/2008 do deputado Celso Russomano que pretende estabelecer que notificação extrajudicial também interrompa prescrição. O CC é expresso  protesto cambial interrompe a prescrição. A notificação que interrompe a prescrição tem que ser.

Art. em qualquer grau de jurisdição (art.  3ª) A PRESCRIÇÃO pode ser reconhecida de ofício pelo juiz? O Direito Positivo brasileiro. uma vez que é ao devedor que interessa prescrição? A prescrição é uma defesa do devedor e ele pode querer renunciar a ela – art. 193. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição. 210) e a alegada pelo interessado. com estabelece que a previsão normativa do reconhecimento de ofício da prescrição não retira do devedor a faculdade de renúncia à sua defesa. 211).  propriedade. Deve o juiz. mas o juiz não pode suprir a alegação. 211. de ofício. é recomendável que o juiz. Art. art. antes de . 2ª) A PRESCRIÇÃO pode ser alegada em qualquer grau de DECADÊNCIA LEGAL CONVENCIONAL. pela parte a quem aproveita.LFG_2º Semestre_2009 100 Civil – Pablo Stolze 1ª) Prazos prescricionais não podem ser alterados pela vontade das partes (art. quando estabelecida por lei. Art. 191/CC – então. Os prazos de prescrição não podem ser alterados por acordo das partes. apenas os convencionais admitem alteração. a parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. Se a decadência for convencional. em respeito ao Princípio da Cooperatividade. como harmonizar a regra do CPC que manda o juiz reconhecer de ofício a prescrição e a regra do CC que diz que o devedor pode rejeitá-la. 192). 193). Art. Já a deve ser reconhecida de ofício (art. Já os decadenciais. jurisdição pela parte interessada (art. por óbvio. 219. O Enunciado 295 da IV Jornada de Civil. conhecer da decadência.  Para processos em andamento. § 5º do CPC firma a seguinte regra: “o juiz pronunciará de ofício a prescrição”. 192. E se o devedor não quiser que o juiz pronuncie de ofício a prescrição. 210.

40.  OBS: Ler (no material de apoio) o texto do professor Arruda Alvim a respeito da contagem de prazo no Código de 2002 (art. foi admitida expressamente a prescrição intercorrente. embora você tenha deduzido a pretensão no prazo.051/04. RESP 827948/SP e Súmula 106 do STJ) e não se deve ao credor e. deverá o juiz pronunciá-la de ofício. existem sanções processuais contra ele como. AgRg no Ag 618909 / P. que mudou a LEF (art. 2028/CC). tratase da prescrição que se opera no bojo do próprio procedimento. ficar parado no PJ por mais de cinco anos? O réu pode alegar que. Caso o réu não se manifeste no prazo. mesmo que ele desse motivo. O credor (autor) poderá demonstrar não ter havido prescrição.LFG_2º Semestre_2009 101 Civil – Pablo Stolze pronunciar a prescrição. estando a pretensão já deduzida em juízo. nos termos da Lei 11. Exemplo: Prazo prescricional E se o processo já deduzido. e o devedor renunciar a ela. por exemplo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Na linha de pensamento do professor Arruda Alvim. a perempção.E .Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA pretensão . ocorreu a prescrição? No Direito Tributário. No processo civil a tese da prescrição intercorrente não é pacificamente aceita porque. conceda prazo para que autor e réu se manifestem. mormente porque a paralisação pode decorrer do próprio judiciário (AgRgAg 618909/PE. § 4º).

O agravante não procedeu ao cotejo analítico do acórdão recorrido e dos paradigmas. POR MOTIVOS INERENTES AO MECANISMO DA JUSTIÇA. §§ 1º e 2º. do CPC. a exemplo da Súmula 264/STF referente à ação rescisória e da execução de título judicial (matéria que serão vistas pelo professor Fredie Didier). Inteligência da Súmula 106/STJ. a sua dimensão existencial. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.  OBS: Excepcionalmente. a teoria estudada é aplicada pelo direito processual. 4. PRESCRIÇÃO. 541. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AUSÊNCIA. em sentido estrito. pelo que não se opera a prescrição intercorrente. 535 do CPC. ao próprio dever imposto ao devedor. 1. A demora na prestação jurisdicional resultou exclusivamente do mecanismo judiciário. 2. A DEMORA NA CITAÇÃO. parágrafo único. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência. do RI/STJ.  OBRIGAÇÃO  a palavra obrigação tanto pode se referir. DEMORA IMPUTADA AO PODER JUDICIÁRIO. 535 DO CPC. como . e 255. incumbindo a este último uma prestação de dar. D E OD S O R A Õ S IR IT A B IG Ç E CONCEITO  trata-se do conjunto de normas que regula a relação pessoal e patrimonial entre credor e devedor.LFG_2º Semestre_2009 102 Civil – Pablo Stolze PROCESSUAL CIVIL. fazer ou não fazer. VIOLAÇÃO AO ART. CULPA DO EXEQÜENTE. a demora na citação. 3. NÃO JUSTIFICA O ACOLHIMENTO DA ARGUIÇÃO DE PRESCRIÇÃO OU DECADENCIA. respeitadas. Não há omissão quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e precisa sobre a questão posta nos autos.Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. FUNDAMENTOS SUFICIENTES PARA EMBASAR A DECISÃO. por motivos alheios à vontade do autor. (Súmula 106) Súmula: 106 PROPOSTA A AÇÃO NO PRAZO FIXADO PARA O SEU EXERCICIO. contradição ou omissão existentes na decisão recorrida. Agravo regimental improvido. DEMORA NA CITAÇÃO. REsp 827948 / SP . segundo o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana. . NÃO-OCORRÊNCIA. Conforme previsto no art. conforme exigência dos arts.Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS RECURSO ESPECIAL. os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual obscuridade. INEXISTÊNCIA.

se. por sua vez. na forma da lei.  O que é obrigação natural? Trata-se de uma obrigação imperfeita. A obrigação com eficácia real. a concordância na manutenção da locação. taxa de condomínio (essa é uma típica obrigação propter rem). § 1º Idêntico direito terá o promissário comprador e o promissário cessionário. em sentido amplo. com o prazo de noventa dias para a desocupação. 8º Se o imóvel for alienado durante a locação. pode traduzir a própria relação obrigacional. Esta obrigação vincula-se a uma coisa. Art.LFG_2º Semestre_2009 103 Civil – Pablo Stolze também. e que passa a ter oponibilidade erga omnes (Exemplo: art. § 2º A denúncia deverá ser exercitada no prazo de noventa dias contados do registro da venda ou do compromisso. C relação obrigacional Obrigação  OBS: DIFERENÇA ENTRE OBRIGAÇÃO PROPTER REM(OB REM) E OBRIGAÇÃO COM EFICÁCIA REAL: A obrigação propter rem é uma relação mista porque tem características de relação real e pessoal. 8º da Lei 8245/91 – Locações). presumindo . é D simplesmente uma obrigação registrada em cartório. Não basta registrar em cartório. acompanhando-a. com imissão na posse do imóvel e título registrado junto à matrícula do mesmo. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. em caráter irrevogável. o adquirente poderá denunciar o contrato. porque desprovida de exigibilidade jurídica. independentemente de quem seja o devedor (ver RESP 846187/SP). tem que ter um fundamento jurídico que autorize tal efeito. Livro específico sobre o . Exemplo: obrigação de pagar IPTU. após esse prazo.

Exemplo: dívida de jogo. Leud) “A Obrigação Natural – Elementos para uma possível teoria”. dívida prescrita. o fiador tem a responsabilidade patrimonial. . a obrigação natural produz o efeito da Solute Retentio (retenção do pagamento) – art.LFG_2º Semestre_2009 104 Civil – Pablo Stolze tema: Sérgio Covello (Ed. mas dela pode existir efeito? Embora desprovida de coercibilidade. por exemplo. qual é a diferença entre Schuld e Haftung? Schuld traduz o débito e Haftung a responsabilidade patrimonial. FIADOR: o débito é do devedor. Sabemos que a obrigação natural é desprovida de exigibilidade jurídica. Normalmente schuld e haftung estão na mesma pessoa. 882/CC –. mas pode acontecer de schuld e haftung estarem em pessoas distintas.  Em direito das obrigações.