PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38.2009.5.03.0105 A C Ó R D Ã O (8ª Turma) GMDMC/Eas/rv/dc AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1.

PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O Regional afastou a configuração do cerceamento do direito de defesa em relação ao indeferimento de novos esclarecimentos acerca do laudo pericial e da qualificação técnica do perito, ao argumento de que a própria perícia evidenciava a desnecessidade de tais esclarecimentos, bem como de que o perito comprovou sua habilitação técnica para o desempenho do mister. Diante desse quadro, impossível a configuração de ofensa direta e literal ao artigo 5º, LV, da Constituição de 1988. Agravo de instrumento não provido. 2. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. JULGAMENTO EXTRA PETITA. Não se configura julgamento extra petita quando o julgador não extrapola os limites do pedido, mas apenas aplica a norma jurídica à situação correspondente. Ilesos os artigos 128 e 460 do CPC. Em relação ao aresto, incide o óbice da Súmula nº 337, IV, do TST. Agravo de instrumento não provido. 3. PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS PROVAS. Concluiu o Regional que a reclamante requereu em sua petição inicial indenização por danos morais decorrente de assédio moral e de doença ocupacional, bem como que ficou demonstrado que a recorrida foi submetida a tratamento com rigor excessivo e exposta a humilhações, situações que contribuíram para o agravamento de seu quadro de depressão, conforme laudo pericial e testemunhas ouvidas. Dessa forma, após averiguar a natureza e a gravidade do ato ofensivo, bem como a
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repercussão desse ato e sua intensidade, concluiu estar configurado o dano moral e o razoável valor arbitrado. Por esses motivos, não vislumbro violação do artigo 832 da CLT, por ausência de apreciação de provas. Agravo de instrumento não provido. 4. RETIFICAÇÃO DA CTPS. 5. COMISSÕES. INTEGRAÇÃO. 6. SEGURODESEMPREGO. DIFERENÇAS. 7. INTERVALO INTRAJORNADA. PERÍODO DE LABOR INTERNO. Os temas não vieram impulsionados por violação legal e/ou constitucional tampouco por divergência jurisprudencial. Dessa forma, estão desfundamentados à luz do artigo 896 da CLT. Agravo de instrumento não provido. 8. COMISSÕES. SÚMULA Nº 340 DO TST. A Súmula nº 340 do TST não faz distinção entre comissionista misto e puro. Quanto à aplicação do verbete, o Regional decidiu conforme a jurisprudência pacífica desta Corte Superior. Agravo de instrumento não provido. 9. DOMINGOS TRABALHADOS. A questão não foi dirimida à luz dos artigos 128 e 460 do CPC. Óbice da Súmula nº 297 do TST. A Súmula nº 340 do TST foi devidamente aplicada pelo Regional, razão pela qual não existe interesse da reclamada nesse aspecto. Agravo de instrumento não provido. 10. CELULAR. ALUGUEL DE VEÍCULO. REEMBOLSO. Em relação à Lei nº 3.207/57, incide o óbice da Súmula nº 221, I, do TST. Quanto ao paradigma, incide o óbice da Súmula nº 337, IV, do TST. Agravo de instrumento não provido.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento em Recurso de Revista n° TST-AIRR-5134038.2009.5.03.0105, em que é Agravante DEVA VEÍCULOS LTDA. e Agravada

Afirma a reclamada às fls. I. PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. e 333 do TST. 297. 2 e subscrito por advogado regularmente habilitado (fl.5. a reclamada interpõe agravo de instrumento. procurando desconstituir os fundamentos consignados na decisão denegatória do recurso de revista. V O T O I – CONHECIMENTO O recurso é tempestivo (fls. 153v. Alega que o laudo médico foi elaborado por profissional sem C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. 221. II. 296. está e observado § 5º. por força do disposto no art. CLT e da Instrução Normativa nº 16/1999 do TST.rtf 152). II – MÉRITO 1. 66) o traslado das peças essenciais. A Vice-Presidente Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região. Inconformada.03.2009. 2/22. da pelas quais . 83 do Regimento Interno do Tribunal Superior do Trabalho. negou seguimento ao recurso de revista da reclamada. É o relatório. pela decisão de fls. 425/435. Os autos não foram encaminhados à ProcuradoriaGeral do Trabalho. por não vislumbrar as violações legais e constitucionais apontadas e pela aplicação das Súmulas 126.0105-01. 184. razões dele conheço. A contraminuta ao agravo de instrumento e as contrarrazões ao recurso de revista não foram apresentadas.5.0105 KATIA EMANOELA DE FIGUEIREDO. conforme certidão à fl.3 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38.2009. às fls.fls. na forma do artigo 897. 130/132 que os novos questionamentos feitos ao perito não poderiam ter sido rejeitados. I.03.

274/275.’ Lado outro. mantendo a decisão anterior. o que foi indeferido. 130/131 e 132 a confronto. conceituada como “a arte de aplicar os conhecimentos e os preceitos dos diversos ramos principais e acessórios da Medicina à composição das Leis e às diversas questões de Direito. Informa. na audiência de fls. merecem ser transcritos os argumentos do próprio expert (fls. no que se refere à prova pericial. Ressalta que o expert. Ocorre que os citados esclarecimentos se relacionam ao fato de . Requer a nulidade do processo. ainda. Ao tratar do cerceamento do direito de defesa. a reclamada reiterou o requerimento de esclarecimentos periciais de fls. contrariando os diagnósticos de outros profissionais juntados aos autos pela própria autora. A Psiquiatria Forense é um dos ramos da Medicina Legal. o TRT da 3ª Região. e não em psiquiatria. LV. Quanto à qualificação do perito para o caso em exame. A Medicina Legal é única especialidade exclusivamente pericial reconhecida pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Federal de Medicina.qualificação adequada. assim concluiu: “DA NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA A reclamada afirma que o laudo pericial da presente demanda deixou de explicar corretamente os sintomas do problema psiquiátrico da reclamante. vez que é pós-graduado em Medicina do Trabalho e especialista em Medicina Legal. informa o Vistor que é qualificado para realizar a presente perícia. Alega que existem quesitos não respondidos pelo citado laudo. determinando que os autos voltem para o perito para que ele responda o pedido de esclarecimentos. especialista em medicina legal. que “periciar” é completamente diferente de diagnosticar e tratar. firmou quadro de depressão e afastou a bipolaridade.276/278. para iluminá-los e interpretá-los convenientemente”. Examina-se.265): ‘Inicialmente. Aponta violação do artigo 5º. da Constituição Federal e traz os arestos de fls.

fls. os procedimentos adotados pelo acórdão de origem não caracterizaram cerceio ao direito de defesa. em face de alguns exames constantes dos autos. incumbindo-lhe o indeferimento de diligências que em nada contribuem para formação do convencimento ou deslinde da controvérsia (artigo 130 do CPC). Portanto.0105-01.263/269). Se por um lado a lei assegura aos litigantes o uso de todos os meios de prova lícitos e moralmente legítimos para apuração da verdade dos fatos. Conforme se constata do acórdão recorrido. na verdade. o expert deixou claro que a reclamante não sofre de transtorno bipolar. que o Regional concluiu que os novos esclarecimentos solicitados pela reclamada.2009. bem como sobre a origem do mal do qual ela padece. no seu entender. LV.5. como expressão máxima do poder de instrução processual conferido pelo artigo 765 da CLT. impossível a configuração de ofensa direta e literal ao artigo 5º. informando que era especialista em Medicina Legal. que já havia afirmado que a reclamante não sofria de transtorno bipolar. a origem da citada doença na hipótese em apreço. C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38.229/247) quanto nos primeiros esclarecimentos periciais (fls. eram desnecessários em razão da conclusão do laudo pericial. na medida em que o julgador de origem formou seu convencimento com amparo nos elementos existentes no processo e proferiu decisão fundamentada. não se há de falar em cerceamento de defesa. Verifica-se que. mas sim de depressão. Acrescente-se. ainda. Nada a prover.2009.” (fls. Ocorre que tanto no laudo pericial (fls.5 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. diante desse quadro.0105 constar de exames colacionados aos autos que a reclamante sofre de transtorno bipolar. faculta também ao juiz admitir ou não a produção da prova pretendida pela parte.03.03. Assim. da Constituição de 1988. bem como esclareceu. sendo a única especialidade exclusivamente pericial reconhecida pela Associação Médica Brasileira e pelo Conselho Federal de Medicina.rtf . o perito comprovou sua especialidade na matéria sobre a qual seu trabalho técnico foi solicitado. 107/108).5.

ainda. um comportamento do agente que. incide o óbice da Súmula nº 337. 130/131. Nego provimento. que. prevista no artigo 7º. Alega a reclamada.) “desrespeitando a ordem jurídica. JULGAMENTO EXTRA PETITA. apenas. XXVIII. não trouxe a cópia com o inteiro teor do acórdão paradigma.. mas. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. às fls. Examina-se. Diz que as testemunhas arroladas pela autora possuem interesse na causa. Requer a redução do valor da indenização. da CR/88 e artigos 186 e 927 do Novo Código Civil. IV. que a reclamante não fundamentou a sua petição inicial na existência de dano moral. embora a parte afirme o contrário. (. em assédio moral. O aresto de fl. pressupõe necessariamente. Aponta violação dos artigos 128 e 460 do CPC e traz o aresto de fl. a ofensa a uma norma preexistente ou erro de conduta.Em relação ao aresto de fls. Insiste que o depoimento da testemunha por ela arrolada corrobora a sua tese de que a obreira nunca foi submetida a tratamento humilhante. 132/133. Assim decidiu o Regional: “DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – ASSÉDIO MORAL – DOENÇA OCUPACIONAL A reclamada não se conforma com a sua condenação em indenização por danos morais. . 133 para confronto. 132 não serve ao fim pretendido porque é oriundo de órgão não autorizado pelo artigo 896 da CLT (TJRJ). quais sejam. cause prejuízo a outrem. Nesse contexto. Na teoria subjetivista da responsabilidade civil estão presentes três elementos ditos essenciais. 2.. a pretensão indenizatória por danos morais e materiais. um dano e o nexo causal entre uma e outro. Ressalta que os problemas da reclamante eram psicológicos e não decorriam de sua relação com os diretores. do TST. esclarecendo.

Sr. Luiz Carlos e Antônio Celso eram muito agressivos. o que era dispensado a todos os empregados. O comportamento do agente que desrespeita a ordem jurídica.03. com relação à reclamante ambos eram ainda mais agressivos. chegando a serem grosseiros com a reclamante. não sabendo se isto perdurava por toda a jornada. com relação à reclamante ambos eram ainda mais agressivos agindo com muito mais rigor. imprudência ou imperícia).0105-01. mas muito agressivo. disse às fls.fls. sendo um dos motivos para esse tratamento o fato da reclamante estar sem veículo. sem muita educação. Revista dos Tribunais).rtf . A reclamante pleiteou na inicial indenização por danos morais decorrente de assédio e de doença ocupacional.. mas.277: ‘. disse às fls.5. pela reparação do dano ocasionado.. o que era dispensado a todos os empregados. 2ª ed. gritando. é o ilícito figurando como fonte geradora de responsabilidade. devendo o agente recompor o patrimônio (moral ou econômico) do lesado.276/277: ‘. contrariando seja um dever geral do ordenamento jurídico (delito civil). na prática. mas. chegando a serem grosseiros com a reclamante...5..’ A segunda testemunha arrolada pela reclamante. Sr.2009. (Rui Stoco. traduzindo-se. como por C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38.0105 pela ofensa a bem ou direito deste. A primeira testemunha arrolada pela autora.7 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. como por exemplo.03. Esse comportamento deve ser imputável a consciência do agente por dolo (intenção) ou por culpa (negligência. seja uma obrigação em concreto (inexecução da obrigação ou do contrato)”. agindo com muito mais rigor. causando prejuízo a outrem pela ofensa a bem ou direito deste. Ênio. Luiz Carlos e Antônio Celso com quem mantinha um relacionamento normal. Márcio. gera responsabilidade civil.2009. sem muita educação.que conheceu o Sr. ressarcindo-lhe os prejuízos (danos) acarretados.que conheceu o Sr. Responsabilidade Civil.

exemplo. Em seguida esses ataques vão se multiplicando e a vítima é seguidamente acuada. expondo o empregado a uma devastação psíquica.) O assédio nasce como algo inofensivo e propaga-se insidiosamente. devido aos desgastes psicológicos que provoca. tal tratamento era cotidiano. coisas deste tipo. Embora o assédio no trabalho seja uma coisa tão antiga quanto o próprio trabalho. Editora Bertrand Brasil. à honra.66. E é difícil recuperar-se. saudável. posta em situação de inferioridade. somente no começo desta década foi realmente identificado como fenômeno destruidor do ambiente de trabalho.. não só diminuindo a produtividade como também favorecendo o absenteísmo. escritos que possam trazer dano à personalidade. humilhado. atentando contra a moral e os bons costumes. à imagem e à . deprimido. “se vira se você está sem carro”. exausto. Marie-France Hirigoyen. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. atos. p. Em um primeiro momento. dizendo “estou de saco cheio de você”. traduzido por Maria Helena Kühner. gestos. em seu livro “Assédio Moral – A violência perversa no cotidiano”. relata que: ‘Por assédio em um local de trabalho temos que entender toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos. palavras. que atenta contra o ambiente de trabalho. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. no auge de seu poder diretivo. Não se morre diretamente de todas essas agressões.’ Mister salienta que o respeito. as pessoas envolvidas não querem mostrar-se ofendidas e levam na brincadeira desavenças e maus-tratos. à vida privada. submetida a manobras hostis e degradantes durante um período maior.. mas perde-se uma parte de si mesmo. Volta-se para casa.’ O assédio moral é uma espécie de dano moral que decorre da conduta irregular do empregador. (. 2000. a cada noite.

motivando. de natureza diversa da pedida.238): ‘No caso em estudo. 109/112 – grifos no original). entende-se que o agravamento da depressão da Sra. nos termos dos referidos comandos legais (arts. Sem razão a agravante. a própria obreira associa. o início do quadro ao assassinato do irmão. o que também contribuiu para agravar o seu quadro de depressão.03.2009.0105-01. reputados violados pela recorrente. o juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta.” (fls. Kátia é compatível com as situações ocupacionais vivenciadas. tem-se reclamante com história familiar de depressão. 128 e 460 do CPC). como exposto pela síntese da literatura acima. Nego provimento. à integridade moral do cidadão.03. sendo-lhe defeso conhecer de questões não suscitadas. registro de várias situações estressantes no trabalho que culminaram na piora da depressão. de forma muito clara. a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. no prontuário do médico assistente.rtf .2009.5.0105 intimidade. bem como condenar a reclamada em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. gerando a sua violação o direito à indenização prevista nos incisos V e X do referido artigo. sendo certo que é vedado ao juiz proferir sentença a favor da autora.9 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. No que concerne ao julgamento fora dos limites da lide. Em que pese a ausência de CAT. há. ou seja. Portanto. Todavia. é direito fundamental consagrado no artigo 5º da Constituição da República. sendo que ficou demonstrado que a reclamante era submetida a tratamento com rigor excessivo e exposta a humilhações. inclusive. Assim. Além disso. conforme afirmado no laudo pericial (fls. irretocável a decisão monocrática que condenou a reclamada ao pagamento de indenização por danos morais decorrente do assédio moral e do agravamento da doença (concausa).’ (grifo meu) A questão relativa ao valor da indenização será examinada juntamente com o recurso da reclamante.fls.5. a necessidade de afastamento do labor. restou configurado o assédio moral.

que o Regional não apreciou corretamente a prova. ainda. o julgador procedeu ao enquadramento jurídico com base na prova produzida e dentro dos limites da lide. não foi trazida a cópia do acórdão paradigma. Assim. PRELIMINAR APRECIAÇÃO DAS PROVAS. julgamento extra petita. Como visto. Assevera que restou comprovado pela prova oral que a reclamante não recebeu tratamento desumano e que. 133/134. O aresto trazido a confronto encontra óbice na Súmula nº 337. Finaliza afirmando que o valor arbitrado era excessivo e que não foi comprovada nenhuma atitude da reclamada que configurasse assédio moral. confirmada pelo Regional. configura-se decisão extra petita. seria pouco provável que as testemunhas tivessem presenciado os fatos. ao contrário do afirmado pela recorrente. a sentença. Assinale-se que. Em realidade. Assim concluiu o Regional: “DAS TESTEMUNHAS . Fundamenta seu recurso na violação do artigo 832 da CLT. Acrescenta. Conforme afirmado pela Corte de origem. Nego provimento. 3. a reclamante pleiteou na inicial indenização por danos morais decorrente de assédio e de doença ocupacional. do TST. de maneira alguma. que deve ser afastada. que as testemunhas eram viciadas.demandado. se o juiz decidir causa diferente da que foi posta em juízo. às fls. e que os problemas da reclamante eram psicológicos e não decorrentes da relação de trabalho. já que possuem ação contra a reclamada. bem como que não era imperioso para a execução das atividades que a recorrida possuísse veículo próprio. em razão da natureza do labor. apenas adequou a situação fático-probatória apresentada nos autos ao livre convencimento motivado do julgador previsto no artigo 131 do CPC. DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE Alega a reclamada. IV. Essa situação não implica.

DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – ASSÉDIO MORAL – DOENÇA OCUPACIONAL A reclamada não se conforma com a sua condenação em indenização por danos morais. Dispõe a Súmula 357 do TST: ‘Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador.5. o que afasta a possibilidade de troca de favores processuais.fls. Salienta que Márcio e Ênio ajuizaram ações trabalhistas patrocinadas pelo mesmo escritório de advocacia e foram testemunhas uns dos outros. Insiste que o depoimento da testemunha por ela arrolada corrobora a sua tese de que a obreira nunca foi submetida a tratamento humilhante. Examina-se. a ofensa a uma norma preexistente C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. Requer a redução do valor da indenização. Nesse ponto é preciso registrar que também não há provas de que a reclamante da presente demanda já tenha prestado depoimento nos processos movidos pelas testemunhas.2009. o interesse delas em beneficiar a autora. quais sejam. Nego provimento. Diz que as testemunhas arroladas pela autora possuem interesse na causa.276/278 que as testemunhas arroladas pela reclamante não foram sequer contraditadas em momento oportuno.03. não basta que a ré simplesmente informe a existência de reclamações trabalhistas das testemunhas.rtf . Na teoria subjetivista da responsabilidade civil estão presentes três elementos ditos essenciais. Vislumbra-se da ata de fls. é preciso que comprove.2009.0105 A reclamada afirma que as testemunhas arroladas pela reclamante mentiram quando firmaram compromisso.5.11 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. dizendo que não possuíam interesse na demanda. Ressalta que os problemas da reclamante eram psicológicos e não decorriam de sua relação com os diretores. objetivamente.03. o que não ocorreu na hipótese.’ Nesse diapasão. Examina-se.0105-01.

mas muito agressivo.276/277: ‘. Nesse contexto. na prática. Ênio.... A reclamante pleiteou na inicial indenização por danos morais decorrente de assédio e de doença ocupacional. imprudência ou imperícia). chegando a serem grosseiros com a reclamante.) “desrespeitando a ordem jurídica.ou erro de conduta.que conheceu o Sr. sem muita educação. sendo um dos motivos para esse tratamento o fato da reclamante estar sem veículo. disse às fls. causando prejuízo a outrem pela ofensa a bem ou direito deste. XXVIII. é o ilícito figurando como fonte geradora de responsabilidade.. Sr. um comportamento do agente que. não sabendo se isto perdurava por toda a jornada. com relação à reclamante ambos eram ainda mais agressivos. como por exemplo. Márcio.. Revista dos Tribunais). da CR/88 e artigos 186 e 927 do Novo Código Civil.’ A segunda testemunha arrolada pela reclamante. a pretensão indenizatória por danos morais e materiais. disse às fls. Luiz Carlos e Antônio Celso eram . A primeira testemunha arrolada pela autora.277: ‘. mas. gritando. pela ofensa a bem ou direito deste. Sr. seja uma obrigação em concreto (inexecução da obrigação ou do contrato)”. um dano e o nexo causal entre uma e outro.. traduzindo-se. agindo com muito mais rigor.que conheceu o Sr. ressarcindo-lhe os prejuízos (danos) acarretados. Esse comportamento deve ser imputável a consciência do agente por dolo (intenção) ou por culpa (negligência. (Rui Stoco. contrariando seja um dever geral do ordenamento jurídico (delito civil). 2ª ed. pela reparação do dano ocasionado. Responsabilidade Civil. devendo o agente recompor o patrimônio (moral ou econômico) do lesado. o que era dispensado a todos os empregados. cause prejuízo a outrem.. O comportamento do agente que desrespeita a ordem jurídica. gera responsabilidade civil. Luiz Carlos e Antônio Celso com quem mantinha um relacionamento normal. pressupõe necessariamente. prevista no artigo 7º. (.

5. Em um primeiro momento. devido aos desgastes psicológicos que provoca. chegando a serem grosseiros com a reclamante. em seu livro “Assédio Moral – A violência perversa no cotidiano”. Editora Bertrand Brasil. coisas deste tipo. mas. p.03. como por exemplo. atentando contra a moral e os bons costumes.66. as pessoas envolvidas não querem mostrar-se ofendidas e levam na brincadeira desavenças e maus-tratos. (. saudável.’ O assédio moral é uma espécie de dano moral que decorre da conduta irregular do empregador. Embora o assédio no trabalho seja uma coisa tão antiga quanto o próprio trabalho.03. palavras.) O assédio nasce como algo inofensivo e propaga-se insidiosamente. 2000. posta em situação de inferioridade. Não C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38.0105-01. Marie-France Hirigoyen. escritos que possam trazer dano à personalidade. que atenta contra o ambiente de trabalho. à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa. somente no começo desta década foi realmente identificado como fenômeno destruidor do ambiente de trabalho.5. atos.. expondo o empregado a uma devastação psíquica.rtf . dizendo “estou de saco cheio de você”.13 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38.0105 muito agressivos. relata que: ‘Por assédio em um local de trabalho temos que entender toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se sobretudo por comportamentos. no auge de seu poder diretivo. traduzido por Maria Helena Kühner.. “se vira se você está sem carro”. o que era dispensado a todos os empregados. gestos. sem muita educação.2009. não só diminuindo a produtividade como também favorecendo o absenteísmo. Em seguida esses ataques vão se multiplicando e a vítima é seguidamente acuada.2009. pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. submetida a manobras hostis e degradantes durante um período maior.fls. tal tratamento era cotidiano. com relação à reclamante ambos eram ainda mais agressivos agindo com muito mais rigor.

restou configurado o assédio moral. a própria obreira associa.. à honra. Afirma que a recorrida cometeu vários erros com a recorrente. a cada noite. Em que pese a ausência de CAT.’ (grifo meu) A questão relativa ao valor da indenização será examinada juntamente com o recurso da reclamante. conforme afirmado no laudo pericial (fls. Volta-se para casa.se morre diretamente de todas essas agressões. mas perde-se uma parte de si mesmo. como exposto pela síntese da literatura acima. expondo-as a riscos.’ Mister salienta que o respeito. exausto. inclusive. . de forma muito clara. à imagem e à intimidade.) RECURSO DA RECLAMANTE DO VALOR DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS A reclamante insiste na majoração do valor da indenização por danos morais.238): ‘No caso em estudo. motivando. à integridade moral do cidadão.. tem-se reclamante com história familiar de depressão. deprimido. Diz que a indenização deve ter caráter pedagógico. registro de várias situações estressantes no trabalho que culminaram na piora da depressão. é direito fundamental consagrado no artigo 5º da Constituição da República. entende-se que o agravamento da depressão da Sra. Kátia é compatível com as situações ocupacionais vivenciadas. humilhado. Portanto. (. a necessidade de afastamento do labor. Todavia. ou seja. há. gerando a sua violação o direito à indenização prevista nos incisos V e X do referido artigo. o início do quadro ao assassinato do irmão. E é difícil recuperar-se. à vida privada. sendo que ficou demonstrado que a reclamante era submetida a tratamento com rigor excessivo e exposta a humilhações. Assim. o que também contribuiu para agravar o seu quadro de depressão. Nego provimento. irretocável a decisão monocrática que condenou a reclamada ao pagamento de indenização por danos morais decorrente do assédio moral e do agravamento da doença (concausa). Além disso. no prontuário do médico assistente.

2009. merece prevalecer a decisão que fixou a indenização por danos morais no valor de R$10. também. situações que contribuíram para o agravamento de seu quadro de depressão.0105-01. O que pretende a parte é que a prova produzida seja analisada somente na parte que julga lhe ser favorável. a natureza e a gravidade do ato ofensivo. 108/112 e 121 – grifos no original).03. RETIFICAÇÃO DA CTPS. O tema não veio impulsionado por violação legal C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. a conclusão do acórdão recorrido foi toda fundamentada na prova produzida. Registrou. tais como a natureza e a gravidade do ato ofensivo. Não vislumbro violação do artigo 832 da CLT e. nego provimento ao agravo de instrumento. Examina-se. Dessa forma.” (fls.5.15 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38.fls. assim. bem como a repercussão desse ato e sua intensidade.rtf . após averiguar que as testemunhas não tinham interesse no deslinde da causa. deve-se adotar critérios orientadores.03. razão pela qual não há falar em ausência de apreciação desta.5.000. Nego provimento.0105 Insiste que deve ser levada em conta a capacidade financeira da recorrida. Como visto. Afirma a reclamada que as testemunhas faltaram com a verdade e que não é sua prática a contratação de empregado sem o devido registro na CTPS.00. Concluiu o Regional que a reclamante requereu em sua petição inicial indenização por danos morais decorrente de assédio e de doença ocupacional e esclareceu ser o assédio moral uma espécie do dano moral. conforme laudo pericial.2009. 4. concluiu estar razoável o valor arbitrado. Assim. que ficou demonstrado que a recorrida foi submetida a tratamento com rigor excessivo e exposta a humilhações. bem como a intensidade de repercussão do ato e intensidade do sofrimento do ofendido. Para se arbitrar o valor da indenização por danos morais.

O tema não veio impulsionado por violação legal e/ou constitucional tampouco por divergência jurisprudencial. Aduz que a reclamante não se desincumbiu de seu ônus em demonstrar a existência de qualquer valor a seu favor. COMISSÕES. Nego provimento. está desfundamentado à luz do artigo 896 da CLT. 135 afirma a reclamada que a prova testemunhal comprovou que apenas alguns empregados recebiam comissões e que essa verba não era paga sem o devido registro nos contracheques. PERÍODO DE LABOR . acrescentando que elas não presenciaram o trabalho da reclamante quando este se deu INTERVALO INTRAJORNADA. parcela que somente era paga aos vendedores internos. está desfundamentado à luz do artigo 896 da CLT. 6. DIFERENÇAS. À fl. Nego provimento. não fazia jus ao recebimento de comissões. INTERNO. 7. 138 reitera a reclamada o interesse das testemunhas no resultado do processo. SEGURO-DESEMPREGO. Mais uma vez o tema não veio impulsionado por violação legal e/ou constitucional tampouco por divergência jurisprudencial. Dessa forma. À fl.e/ou constitucional tampouco por divergência jurisprudencial. 5. INTEGRAÇÃO. Dessa forma. no período em que a reclamante trabalhou como vendedora externa. Assinala que. Dessa forma. que realizavam a venda de consórcios. À fl. Nego provimento. 136 afirma a reclamada que o cálculo da rescisão contratual levou em consideração a correta remuneração fixa e variável recebida. está desfundamentado à luz do artigo 896 da CLT.

Com efeito. não serão computadas as horas extras deferidas. SÚMULA Nº 340 DO TST.5. Fundamenta seu recurso na contrariedade à Súmula nº 340 do TST e traz aresto para configuração de divergência jurisprudencial (fls.. assevera que a decisão não desconsiderou.rtf . por ser comissionista mista. 117).fls. o período de afastamento e de férias. que.2009.. Dessa forma. Em razão da natureza salarial das horas extras foram deferidos os reflexos nas demais parcelas trabalhistas. a sentença deferiu as horas acrescidas do adicional convencional ou legal e. O juízo a quo deixou claro que nos período de férias e afastamentos da reclamante. 136/137. Ademais.” (fl. às fls.03. a jurisprudência desta Corte vem entendendo que não se faz distinção entre comissionista misto (ou impróprio) e puro (próprio). COMISSÕES. O tema não veio impulsionado por violação legal e/ou constitucional tampouco por divergência jurisprudencial. no sentido de aplicá-la C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. Nego provimento. a reclamante não faz jus ao recebimento de horas extras.17 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. que estejam comprovados nos autos. Nego provimento. 8. Por fim. verifica-se que o Regional decidiu em consonância com a Súmula nº 340 desta Corte. na condenação. Afirma a reclamada. sendo que com relação à parte fixa do salário.2009. conforme Súmula 340 do TST. em relação à parte variável do salário. 136/137). está desfundamentado à luz do artigo 896 da CLT. HORAS EXTRAS Assim concluiu o Regional: “(.03.) A reclamante era comissionista misto.0105-01. deferiu apenas o adicional.0105 internamente.5. não havendo motivo para irresignação da ré neste aspecto.

. porquanto as horas simples já estão remuneradas pelas comissões recebidas. o empregado que recebe remuneração em parte fixa e em parte variável. Fernandes. Rel. considerando-se como divisor o número de horas efetivamente trabalhadas. Rel. são os seguintes precedentes: ERR-92800-36. COMISSIONISTA MISTO. aplicando-se à hipótese o disposto na Súmula n.. sendo-lhe aplicável o disposto na Súmula 340 do TST. Lelio Bentes Corrêa. SÚMULA N.” (TST-RR992/2002-092-09-00. João Batista Brito . E. o Reclamante tem direito apenas ao adicional de horas extras em relação à parte variável da sua remuneração. APLICAÇÃO.5. A jurisprudência predominante nesta Corte superior tem se orientado no sentido de que o empregado que recebe remuneração em parte fixa e em parte variável (comissionista misto) tem jus. apenas ao adicional de horas extras. relativamente à parcela variável. porquanto as horas simples já estão remuneradas pelas comissões recebidas.0010. “(. em relação à parte variável da sua remuneração. Recurso de Revista conhecido e provido. Recurso de embargos conhecido e provido. Min. EEDRR-493/2001-052-02-00. Nesse sentido. Relator Ministro: Lelio Bentes Corrêa. data de julgamento: 4/6/2009. data de julgamento: 12/8/2009.0113. BASE DE CÁLCULO. DEJT 5/3/2010.º 340 do TST. deve receber apenas o adicional de horas extras. em relação à parte fixa da remuneração. Relator Ministro: José Simpliciano Fontes de F.” (E-RR-12850028. Assim.5. faz jus apenas ao adicional de horas extras em relação à parte variável.2003. os seguintes precedentes do TST: “EMBARGOS. Na esteira da jurisprudência predominante desta Corte. HORAS EXTRAS.02.) HORAS EXTRAS.4 .03.º 340 DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO. ou seja. calculado sobre o valor-hora das comissões recebidas no mês. data de publicação: DEJT 12/6/2009). 2ª Turma. a reclamante deve receber. que é comissionista misto. Min.somente em relação à parcela variável da remuneração. ou seja. PAGAMENTO APENAS DO ADICIONAL EM RELAÇÃO À PARTE VARIÁVEL DA REMUNERAÇÃO.2003. APLICAÇÃO DA SÚMULA 340 DO TST.5. Subseção I Especializada em Dissídios Individuais. horas extras com o respectivo adicional. DEJT: 28/8/2009) No mesmo sentido.

19 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38.2009. A reclamada. de 2002 a 2004 e o 2º. A primeira testemunha arrolada pela reclamante. Salienta. ÔNUS DA PROVA. Rel. ERR-1285/2003-113-03-00. Guilherme Augusto Caputo Bastos.2009.rtf .03. incide o óbice da Súmula nº 337.5. Assim decidiu o Regional: “DAS HORAS EXTRAS – EXTRAPOLAÇÃO DA JORNADA – CURSOS E REUNIÕES – INTERVALO INTRAJORNADA A reclamada não se conforma com a condenação em horas extras. DOMINGOS TRABALHADOS. 9. ERR-8182/2000-001-12-00. Em relação ao aresto trazido a cotejo.03. do TST. em relação à extrapolação de jornada. IV.276/277: ‘trabalhou para a recda em 2 períodos sendo o 1º. não fazendo jus às horas extras e nem à hora do intervalo suprimido. por sua vez.0105 Pereira.0105-01. Sr. como vendedor externo C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. Rel. Lelio Bentes Corrêa. Alega que as testemunhas arroladas pela reclamante não poderiam falar sobre o seu horário de trabalho na jornada interna.5. Examina-se. DEJT 27/11/2009.5. Diz que o horário apontado pela testemunha Márcio para reuniões é surreal e que a testemunha Túlio comprovou que sempre houve gozo regular de intervalo intrajornada. além de participar de eventos e cursos que extrapolavam a jornada contratual. Min. A reclamante alegou na inicial que laborou das 08:00 às 18:00 horas sem intervalo. DEJT 12/6/2009. Nego provimento. de 2004 a set/2008.fls. que não foram considerados os períodos de afastamentos e férias. disse às fls. Min. afirmou que a reclamante não se submetia a controle de horário quando laborava externamente. Registre-se que os cartões de ponto não foram colacionados aos autos. Ênio. sendo certo que a recorrente não o trouxe em inteiro teor. DEJT 20/2/2009.6.

que já trabalhou internamente com a reclamante por cerca de 5 vezes em plantões.. mas também não havia fiscalização. que o horário dos eventos era de 14h/15h às 22h/00h a depender do evento. o lançamento de veículos ocorriam 1 vez por ano entre 18h às 22h/24h. para o que.. Sr.nas vezes em que viu. a reclamante viajava para várias cidades de Minas Gerais.. desfrutando apenas de 30 min...não havia intervalo para refeição....... o que era feito em 4 ou 5 dias. depoente e reclamante participaram de diversos cursos que ocorriam a cada três ou quatro meses... com participação de todos os vendedores. incluindo lançamento de veículos. o que também se dava com a reclamante... disse às fls.. em 4 anos.que havia eventos a cada 40/50 dias com duração de 4 a 5 dias para todos os vendedores. o horário normal de trabalho da reclamante era de 8h às 18h.de veículos. que duravam.quando o depoente viajava por 4 a 5 dias. com duração 8h às 20h. que havia cerca de 4 a 5 eventos por ano para todos os vendedores. a cada mês o vendedor permanecia cerca de 8 dias úteis em BH.. em média. a reclamante não usufruiu intervalo integral para refeição.’ ‘. o horário normal de trabalho .’ ‘. Márcio. tendo trabalhado juntamente com a autora estando ela na condição de vendedora externa e interna. viajou junto com a reclamante cerca de 3 vezes.’ ‘. sendo que durante o período a reclamante executou vendas externas.. ocasiões em que não havia intervalo para refeição. o gerente controlava a jornada de trabalho através de contato telefônico...’ A segunda testemunha arrolada pela reclamada.277: ‘. de 4ª a domingo de 14h às 22/00h a depender do evento. depoente e reclamante participaram de diversos cursos que ocorriam trimestralmente com duração de 60 horas cada. o que era feito em 4 ou 5 dias. que.

havia horas extras decorrentes da participação em eventos e cursos tanto na jornada interna como na externa.... das 08:00 às 20:00 horas.. sendo que como vendedor pode ocorrer de almoçar rapidamente e voltar para atender clientes. a vendedora externa. Túlio. nos dias de eventos e cursos.fls. além de intervalo para refeição de 01h/01:30h.5.’ Quanto ao período no qual a autora exerceu atividade interna.. Diante da inexistência de registros de ponto. a reclamante laborava em sobrejornada sem receber as horas extras. era comum o gerente ligar para tomar ciência das vendas e dos trabalhos executados... fixou que.’ ‘.. o juízo monocrático. que a reclamante era vendedora interna.03.21 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38.03.. com duração de 3 a 7 dias. correspondentes ao labor na jornada de 08:00 às 23:00 horas. de 14h às 22h.’ ‘.que havia eventos cerca de 5 ou 6 por ano.usufruí de 1 hora de intervalo para almoço. excedendo assim a jornada normal em 6 horas durante três dias em cinco eventos ao ano.2009.’ A testemunha arrolada pela reclamada. o próprio vendedor é quem faz seu roteiro para viagens ao interior. portanto. Além disso.0105-01. excedendo. duas horas a jornada normal. passando após um tempo. participava de 2 a 3 cursos por ano.’ ‘. restou demonstrado pela prova oral que ela não gozava integralmente do intervalo intrajornada..2009. com duração de 2 dias cada de 08h até as 18h/19h horas com intervalo de 30 min para 2 lanches.. disse às fls. incluído o destinado ao lançamento de veículos e 12 horas extras a cada trimestre relativas ao labor em quatro dias de cursos... incluindo lançamento de veículos. Sr... além de 05 C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38.278: ‘...trabalha na Reclamada há 5 anos como consultor de negócios/vendedor interno. assim como a reclamante. sendo devidas 90 horas extras anuais.que o controle de jornada quando da viagem é feito através de relatório entregue pelos vendedores especificando hora e data de visitas e quilômetros rodados.. pela média dos horários alegados na inicial e da prova oral.0105 da reclamante era de 8h às 18h/18:30h.rtf ..5..

Ênio afirmou que laborou internamente com a obreira em 5 plantões. Como visto em tópico anterior. o juízo monocrático deferiu ainda 60 minutos extras por dia de efetivo trabalho. Dessa forma. Registre-se que. Em razão da natureza salarial das horas extras foram deferidos os reflexos nas demais parcelas trabalhistas. Por tal motivo. em relação à parte variável do salário. as testemunhas Sr. Examina-se. sendo que a testemunha Sr. sendo que com relação à parte fixa do salário. Ênio e Sr. durante o período em que a autora laborou internamente. as citadas testemunhas também podem falar sobre o intervalo usufruído pela reclamante no período em que ela laborou em serviços internos. férias e eventos ocorridos quando a autora laborava externamente. não havendo motivo para irresignação da ré neste aspecto. a sentença deferiu as horas acrescidas do adicional convencional ou legal e. deferiu apenas o adicional. relativos à concessão parcial do intervalo intrajornada nos 12 primeiros meses de labor e no período de abril a junho de 2008. Ressalta que não foi considerado o período de afastamento.domingos anuais em dobro. conforme Súmula 340 do TST. DOS DOMINGOS Alega a reclamada que não há provas de que a reclamante tenha participado de eventos aos domingos. Nego provimento. O juízo a quo deixou claro que nos período de férias e afastamentos da reclamante. que estejam comprovados nos autos. Considerando a prova oral. laborados nos mesmos eventos. A reclamante era comissionista misto. Afirma que não há provas da obrigatoriedade da participação nos eventos. Márcio passavam alguns dias úteis durante o mês em Belo Horizonte. verifica-se que as horas extras pela extrapolação da jornada deferidas na sentença se restringiram ao labor em eventos e cursos que ocorreram tanto na jornada interna como na externa. não serão computadas as horas extras deferidas. restou comprovado pela prova testemunhal que a reclamante laborava em cinco domingos por ano em . apesar de vendedores externos.

03. Afirma a reclamada (fls. mesmo devido o sobrelabor. Afirma que o Sr. C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. conforme Súmula nº 340 do TST. Nego provimento. por não haver pedido. que os eventos ocorriam tanto na jornada interna quanto na externa. também. motivo pelo qual faz jus ao pagamento em dobro desses dias. e que.0105-01. REEMBOLSO. somente seria devido o adicional. razão pela qual não existe interesse da reclamada nesse aspecto. Assim concluiu o Regional: “DAS DESPESAS DE CELULAR E DO PAGAMENTO DE ALUGUEL DO VEÍCULO A reclamada insiste que não há provas nos autos de que a reclamante tenha desembolsado valores referentes a telefone celular. nos termos da Súmula 146 do TST. Saliente-se que restou demonstrado. 137/138) que a condenação se mostra extra petita.2009. CELULAR. a sentença já determinou que sejam considerados os períodos de férias e afastamentos comprovados nos autos. Túlio confirmou o fornecimento de celulares para os vendedores externos.5. não tinha a reclamante participação obrigatória.5.0105 eventos realizados pela reclamada.”(fls. 10. Lado outro. Óbice da Súmula nº 297 do TST. que há prova de que. Sustenta. A questão não foi dirimida à luz dos artigos 128 e 460 do CPC.fls. ademais. também. Alega. A Súmula nº 340 do TST foi devidamente aplicada pelo Regional. 114/118). Nada a prover. ALUGUEL DO VEÍCULO.rtf .23 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. que não há prova de que a reclamante tenha trabalho em eventos aos domingos. Sem razão. nos eventos que ocorriam aos domingos. Fundamenta seu recurso na violação dos artigos 128 e 460 do CPC e na contrariedade à Súmula nº 340 do TST.03.2009.

...00 por mês pelo uso de celular. Sr. e R$250... que não se pode admitir que o empregador transfira os riscos da atividade econômica para o empregado.00 mensais. Aduz que a autora poderia utilizar ônibus.. pelo uso do celular. Por tal motivo.depoente gastava cerca de R$200.’ A própria testemunha arrolada pela reclamada.’ Portanto. táxi ou qualquer outro veículo.’ A primeira testemunha arrolada pela reclamante Sr. disse às fls. mas não funcionava fora de BH.’ A segunda testemunha arrolada pela reclamada. como muito bem asseverado pela decisão de origem.Diz que jamais exigiu como requisite para contratação que seus empregados possuíssem automóveis. Túlio. Sr.depoente gastava. Afirma que sempre quitou todas as despesas decorrentes da prestação de serviço.que para vendedor externo é condição ter veículo próprio e celular.. havia um nextel. sendo que o aparelho nextel não pega em algumas localidades de MG. por mês.00 .278: ‘. a sentença condenou a reclamada ao pagamento do valor de R $600. disse às fls.. Ocorre..277: ‘. no mínimo.. a título de aluguel do veículo..que é condição para o trabalho ter veículo próprio. em média.277: ‘. cerca de R$300.276: ‘. restou comprovado nos autos que a reclamada exigia que seus empregados utilizassem veículo e celular próprios na prestação de serviço de vendedor externo.00. Examina-se. Ênio. disse às fls. O preposto da reclamada disse às fls. Márcio..

ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho.207/57. Nada a prover.25 PROCESSO Nº TST-AIRR-51340-38. 118/119).” (fls. Nego provimento. no período no qual a reclamante exerceu atividades externas. do TST.2009. o quilômetro percorrido e as contas de telefone.rtf . Em relação à Lei nº 3. 139).207/57 e traz aresto para configuração de divergência jurisprudencial (fl. 03 de agosto de 2011. Quanto ao paradigma. sempre custeou os gastos com o veículo. I.5. DORA MARIA DA COSTA Ministra Relatora C:\sistemas\temp\AIRR-51340-38. 138/139) que. Afirma a reclamada (fls. incide o óbice da Súmula nº 221. por unanimidade. conhecer do agravo de instrumento e negar-lhe provimento. IV. incide o óbice da Súmula nº 337. a título de despesas com celular.fls. esclarecendo-se que a cópia integral do aresto trazido a confronto não veio com o recurso.03.5.2009. apesar de não constituir obrigação legal. do TST.03.0105 mensais.0105-01. Aponta violação da Lei nº 3. Brasília.