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IINTRODUÇÃO -- PARTE A CASTRO, Iná E. Geografia e Política. Capítulo 1.

1. “PENSAR A GEOGRAFIA POLÍTICA DO SÉCULO XXI” 1.1 Os temas privilegiados: o problema das relações entre a política e o território. 1.2. O campo da geografia política: é na relação entre a política – expressão e modo de controle dos conflitos sociais – e o território – base material e simbólica da sociedade – que se define o campo da geografia política. 1.3 Agenda da Geografia Política: doze (12) grandes temas: - A globalização; - A revalorização do local; - o enfraquecimento do Estado-Nação; - o ressurgimento dos nacionalismos; - o aumento da circulação internacional de mercadorias e de mão-de-obra e o maior controle das fronteiras; - o esmaecimento das regiões; - o renascimento dos regionalismos; - a expansão da democracia; - a intensificação da pobreza; - o fortalecimento dos movimentos sociais e dos direitos da cidadania; - a ampliação da exclusão. 1.4 Os pontos fortes e fracos da Geografia Política: Enfocando a lógica espacial da política, faz emergirem as questões relativas aos fenômenos que resultam da organização e da gestão coletiva da sociedade e os modos como estes afetam e são afetados pelo espaço. Os pontos fracos encontram-se justamente na diversidade de temas o que dificulta a construção de um corpus temático coerente, com suporte numa base teóricometodológica abrangente. 1.5 Como pode ser compreendida a Geografia Política hoje: Um conjunto de idéias políticas e acadêmicas sobre as relações da geografia com a política e vice-versa. 1.6 A transformação dos marcos teóricos: - incorporação de questões de identidade política; - movimentos políticos e a invasão da política nas mais diferentes concepções do mundo contemporâneo. 2. RENOVAÇÃO DO DEBATE TEMÁTICO E TEÓRICO DA GEOGRAFIA POLÍTICA 2.1 Ampliação da agenda: pelo menos seis grandes temas impactaram a GP, na 2ª metade do século XX: - O fim da Guerra Fria; - A desagregação da União Soviética; - A globalização; - As disputas de minorias por territórios dentro das fronteiras nacionais; - A expansão e o fortalecimento da democracia representativa, etc;

2 Um Estado Nacional contra um inimigo difuso que não é nem um território nem um Estado. garantido por . 3. Jean Gottmann . 2.5 No plano externo a política externa norte-americana impõe ao mundo as decisões adequadas aos interesses do Estado-Nação. 3.1 Hobsbawm – a queda do muro de Berlim marcou o final do séc.polêmico pluralismo temático e metodológico. é. FACE A FACE COM O EVENTO 3. Maquiavel.4. 2.7 Interpretar as mudanças em curso é um desafio. inclusive pela sua incapacidade de proteger o cidadão da morte violenta.3 As novas perspectivas após a desagregação da União Soviética e a débâcle do socialismo na Europa: .O retorno recente à obra de Jean Gottmann (La politique des États et leurs géographie. 1952): a reflexão sobre a melhor organização política. .4 No plano interno o reforço do controle das fronteiras e o cerceamento das liberdades individuais dos cidadãos resultaram da prerrogativa da centralidade político-territorial do mando e da obediência. 3. . tornando-o curto. como: as grandes corporações e as organizações internacionais de regulação. 2. 3. b) a guerra contra o Afeganistão – “contra quem guerrear?”. a cooperação e a justiça no espaço geográfico => justiça espacial. 3. c) pela desnacionalização do capital financeiro.2 Arrighi – século XX ainda não terminou.ressurgimento dos problemas clássicos dos territórios. nacionalismos e regionalismos. cuja direção das mudanças vem sendo objeto de interpretações nem sempre convergentes”. estamos hoje diante de um mundo em transição. 3. 3.2. XVI. c) a guerra no Iraque – motivações explícitas e implícitas.a disciplina presente nos debates que se fundamentam no território como fonte ou estratégia de poder. interpretou o seu século: A percepção da necessidade de concentração e centralização do poder político e controle do território nas mãos do Príncipe (o Estado Absolutista). 2. i.“Enfraquecimento” do Estado Nacional como interlocutor institucional privilegiado nos processos de transformação contemporânea.6.3 A guerra contra redes reforçaria a certeza do papel secundário dos Estados nacionais. e) a perda de sua centralidade política. XX. (p.fronteiras e do Estado. séc. sendo mais longo que os outros.6. 3.1970 1980 e 1990: . d) pelo fortalecimento dos novos atores supranacionais. 3.1 Marcos da história política contemporânea no mundo: a) o ataque ao WTC – perplexidade dos EUA. 23-32).nações. o seu enfraquecimento e mesmo o seu fim: a) pela perda de sua soberania. .. b) pela permeabilidade das suas fronteiras.6 “Na realidade...5 Critica-se o Estado Nação.

escalas de ação e instituições.E O MOMENTO ATUAL? “A complexidade do momento atual reside. TEXTOS DE AULA: CASTRO.. do século V aC. 4. para evitar a fragmentação territorial e o enfraquecimento do poder dos Estados. • • . Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Iná E. do século XVIII. 4. Há um duplo desafio para a Geografia Política: . Geografia e Política. (Vários pensadores antes dele abordaram esse tema: Aristóteles. ritmos e dos interesses que se movem de modo assincrônico e em diferentes escalas”. Leipzig. 1897).buscam o nascimento da geografia política em outros autores e épocas: Para Kasperson e Minghi (The structure of Political Geography. considerar e interpretar as estratégias de conservação do antigo (.1. mesmo não pretendendo fazer geografia nem sendo considerados geógrafos).. Mas alguns autores . na visibilidade e na aceleração dos tempos. 1952).) incluindo-se aí o território. Território. Para Jean Gottmann (La Politique des Etats et leur Géographie. justamente. 1969) ela teria sido iniciada por ARISTÓTELES na sua obra A Política. Paris. Armand Colin. isto é.incorporar os fatos e as dinâmicas que trazem o novo e. 2009.. ao mesmo tempo. por que Ratzel é tido como o fundador da Geografia Política? 1. (Capítulo 1) AS ORIGENS DA GEOGRAFIA POLÍTICA • Há quase um consenso entre os especialistas que essa disciplina teria sido fundada ou pelo menos redefinida – advindo daí a “geografia política moderna” – por Friedrich RATZEL. decisões e ações – e o território – base material e simbólica do cotidiano social”. com a obra Politische Geographie (Munique.. Maquiavel. Ele teria sido o primeiro a escrever sobre o assunto. as instituições e as normas que estruturam a organização das sociedades no espaço. etc. Chicago. Aldine Publishing. Montesquieu. “À geografia política cabe refletir sobre as questões colocadas pelas dimensões inerentes às relações entre a política – controle dos conflitos de interesses.um exército profissional. Afinal. ela teria começado com MONTESQUIEU no seu livro O espírito das Leis.poucos . sobre a dimensão espacial da política? NÃO.

verbetes em enciclopédias e até livros – com esse título nos séculos XVI. Seção 3 – O crescimento espacial dos Estados . o clima. ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► ► Seção 1 – Sobre as relações entre o solo [espaço/território] e o Estado . conquistas territoriais. advinda da modernidade – de política = Estado e as atividades a ele ligadas (lutas pelo poder.Domínio Estatal e domínio natural. Fronteiras como órgão periférico. conceitos. guerras. . propriedade e soberania. são: • Ele delimitou com relativa clareza o que é política – fazendo uso de uma concepção maquiavélica – e quais são os seus aspectos geográficos ou espaciais. todos os aspectos de um Estado ou país eram abordados: as montanhas. princípios ou leis). Seção 5 – A extensão . Ele propôs um estudo nomotético (que busca teorias. isto é. . . .Extensão [tamanho] territorial e seus efeitos políticos.Diferenciação e valores políticos.Posse. da expressão “geografia política?” NÃO. busca de poderio internacional) • • Politsche Geographie [Geografia Política].Conquista e colonização. Seção 6 – As fronteiras As fronteiras naturais. a população. Ele teria sido afinal o criador do rótulo.O solo no desenvolvimento do Estado.O Estado. Seção 4 – A posição . organismo ancorado ao solo. . .A influência das representações geográficas e das idéias religiosas e nacionais sobre o desenvolvimento dos Estados. Nas obras anteriores.Posição no sentido lato e restrito. XVII e XVIII.O movimento histórico.Povoamento e comércio. os motivos para se considerar Ratzel como o iniciador da Geografia Política. sendo que as obras anteriores eram todas idiográficas (isto é. etc. Era muito comum a existência de obras – artigos. pelo menos de sua fase “científica” ou moderna.Ratzel (1897) SUMÁRIO. Ele adotou uma concepção moderna – isto é. Então.2. de F.O desenvolvimento estatal em interação ao meio ambiente. . Seção 2 – Movimento histórico e crescimento dos Estados . os rios. . estudos de casos particulares) e descritivas.

isto é. para os Estados. Essa ligação pode ser vista claramente pelo fato de que. e a política em geral. brusco e violento. ou geográfica. capítulo 2). não territorial” (Seção1. capítulo 1) • “Faz parte da natureza dos Estados o desenvolvimento em rivalidade com os vizinhos. de Ratzel (1897). independente do solo. A aquisição de terras torna-se o alvo do desenvolvimento político e a existência de um grande Estado incita os seus vizinhos menores a nivelar as diferenças através da aquisição/conquista de territórios” (Idem. que se encontra enraizado ao solo” (Idem). seção 3). seção 3) • “Todos os grandes Estados do passado e do presente foram obra de povos civilizados. • “A extensão [territorial] e a duração são. dois atributos intimamente ligados(…) São as mesmas forças. não pode existir a não ser como forma transitória” (Idem) • A guerra representa. e o objetivo da disputa consiste geralmente em porções territoriais. aquelas que permitem a um povo preservar a integridade de seu território herdado ou conquistado. com exceção da China. os grandes Estados da atualidade estão na Europa ou em zonas coloniais européias” (Idem. • “O desenvolvimento do Estado é um processo espacial (…) Uma potência puramente política. • “A geografia política é o estudo das relações entre o Estado e o solo” (apresentação) • “Podemos encontrar na História uma diferença entre a política territorial. no qual massas humanas de um país penetram dentro de um outro país” (Seção 2. • “A forma correta de entender o Estado é considerálo como um organismo. um movimento poderoso. do ponto de vista geográfico.Alguns trechos do livro Geografia Política. as que da mesma forma .

São Paulo. Ratzel. 1990. a norteamericana. A GEOGRAFIA POLÍTICA CLÁSSICA (OU TRADICIONAL) TEVE DOIS MOMENTOS OU FASES: 1a. São Paulo. Delimitação de um novo objeto [os geógrafos políticos que o sucederam. De Ratzel até os anos 1970  Geografia Política Clássica 2. Fase = do final do século XIX até a Segunda Guerra Mundial (1939-45): 2a. M. Fayard. além de outras (a russa. (capítulo 2) • MORAES. A Geografia Política – e também a geopolítica. Geografia politica e geopolitica.Rússia. 1987.C. Seção 5). EUA. XIX e inícios séc. Edusp. declínio relativo da potência dominante (Reino Unido) com ascensão de novas (Alemanha. que surgiu logo em seguida a Ratzel – teve um solo fértil para se expandir. F. TEXTOS DE AULA: • COSTA. 1992. UM HISTÓRICO DA GEOGRAFIA POLÍTICA O contexto histórico do final séc. mesmo discordando de vários aspectos. além da França).). Como avaliar criticamente essa obra de Ratzel? 1. etc. uma situação de pré-guerra (que eclodiria em 1914). A.XX favoreceu os estudos geográfico-políticos  imperialismo e rivalidades entre as “grandes potências”. darwinismo. ou Geopolítica crítica). Atica. Japão. expansão territorial e colonial. Fase = de 1945 até os anos 1970.permitem que ele dure décadas ou séculos” (Idem. (introdução) • RATZEL. De meados dos anos 70 em diante  Nova Geografia Política (ou Geografia do Poder. o que ocorreu com a multiplicação de obras sobre o assunto nas chamadas “Escolas Nacionais de Geografia”. La Geographie politique. A geografia política a partir de Ratzel pode ser dividida em duas fases principais: 1. Paris.R. . W. principalmente a alemã. positivismo e cientificismo. Forte influência do seu contexto: defesa do colonialismo alemão. reproduziram os seus temas e conceitos essenciais] 2. a francesa e a inglesa.

com acirrados conflitos entre escolas ou correntes nacionais. 1965). representou: • Um rompimento com a Geopolítica. GOTTMANN (La politique des Etats et leur Géographie.POUNDS (Political Geography. 1915).Ratzel. 1905).BRUNHES E C.ANCEL (Géographie des fontières. ALBERT DEMANGEON (Géographie Politique.1938). GEORGE (Panorama du monde actuel. 1902).FAIRGRIÈVE (Geography and World Power. com ideologia e com sistemas sócioeconômicos.VALLAUX (Géographie de l’histoire. 1952). 1950). A 2a. AUTORES/OBRAS MARGINALIZADOS (anarquistas): • E. • Forte identificação com a Geopolítica AUTORES/OBRAS MARCANTES NESSA PRIMEIRA FASE: • • • • • • • • • RATZEL. J.HUNTINGTON (Civilization and Climate. Fase. J. N. J. 1932). 1957). • P. • P. 1942). 1957). Géographie de la paix et de la guerre. RECCLUS (L’homme et la Terre. • H. • N. 1904). 1898). 1918). .W.SPYKMAN (America’s Strategy and World Politics. E. COHEN (Geography and Politics in a World Divided. • Um maior rigor teórico-metodológico: ênfase na cientificidade ao invés da busca de poderio para o Estado. • S. VIDAL DE LA BLACHE (La Géographie Politique à propos des écrits de F.ALEXANDER (World Political Patterns. 1963). 1915). • R.KROPOTKIN (Mutual Aid. HARTSHORNE (The fuctional approach in Political Geography.A primeira fase (1897-1945) teve os seguintes traços: • Forte base nacional. • Ênfase na ordem mundial (competição entre Estados por maior influência econômica e territorial) e nas relações entre poderio estatal e espaço. HALFORD MACKINDER (Geographical Pivot of History. de 1945 até inícios dos anos 1970. • Enfraquecimento das escolas alemã e francesa e fortalecimento da escola norte-americana. AUTORES/OBRAS MARCANTES NESTA FASE: • J. • Preocupações com a Guerra Fria.

Mas. “Saber pensar o espaço para saber nele se organizar. Procedeu a uma releitura da Geopolítica. sob pretexto de que ele esteve estreitamente ligado à argumentação do expansionismo hitleriano. numa grande proporção. o raciocínio do tipo geopolitico não postula o primado do Estado: ele é utilizável por aqueles que o combatem” (p. A PARTIR DOS ANOS 1970: • A “nova Geografia Política” • Ou Geografia do Poder? • Ou Geopolítica crítica? • Ou Geografia dos conflitos? • Ou “Estudo geográfico dos fenômenos de dominação?”.. da qual os teóricos nazistas das ‘raças superiores’ fizeram o uso que se sabe?” (p. marginalidade/exclusão. a obra do geógrafo libertário Elisée Reclus é. Esta “nova” geografia política iniciou-se a partir do final dos anos 1960 e principalmente na década de 1970 interligada à emergência de novos atores: o feminismo. a contracultura. com novas formas de lutas: relações de gênero. ou lutam ainda. etc. Na França.” (p.. de orientação sexual.. pelo mesmo motivo. o termo geopolítica foi proscrito há decênios. “Seguramente. para fazer a guerra. Poder (ou poderes) e não mais apenas Estado Agora a geografia política estuda mais as relações de poder (ou relações de dominação). “Os dirigentes dos povos que lutaram. novas territorialidades. 189) “Contrariamente ao que pensam certas pessoas. para a independência ou para a autonomia. os mesmos que os das potencias que os dominam. há uma preocupação com novos agentes/atores.A FASE ATUAL. Uma geopolítica não mais a serviço dos Estados totalitários. etc.242). o maio de 1968. conflitos culturais e étnicoterritoriais. Reclus considerava o raciocínio geográfico um meio de resistência à opressão e ele desejava fazê-lo conhecer ao maior número de cidadãos. as lutas contra a guerra do Vietnã e pelos direitos civis. Isso começou com Yves Lacoste e a sua revista Hérodote (1976). uma geopolitica. ao invés de ver política apenas no Estado. evidentemente. mas seus argumentos não são. para saber ali combater” (p.243). Com isso. Raffestin: Por uma geografia do poder . em primeiro lugar. Trechos da obra de C. a política lato sensu.. Uma geopolítica crítica? Trechos da obra de Y. Lacoste: A Geografia. se baniu a biologia. também eles fazem geopolítica. isto serve..243).

e KEITH. etc.“Ratzel. La Géographie. 1995. Y. 1974. as diferenças regionais das lideranças e dos partidos políticos.Techniques. 1995. Paris. London. • CLAVAL. Nosso objetivo foi recuperar as outras escalas. Geographies of resistance. são relações de poder que se vinculam a uma geografia imediata. com a globalização ou o sistema global. Oxford. Fayard. . das preocupações epistemológicas e teórico-metodológicas da fase anterior: estatuto científico e relações com a geopolítica. ça sert. e GIBLIN. 3 vols. Foucault. Paris. Mastering Space: Hegemony.. (org. Geopolitical Perspectives on the 21st Century.. Penser la Terre. Se não sabemos analisá-los ou se nos recusamos a fazê-lo.B.Maspero. então o conhecimento científico que pretendemos elaborar não é um conhecimento científico. • RAFFESTIN. Escola de Frankfurt. Paris. W. • TAYLOR. LACOSTE. anarquismo… Preocupações. Stratèges et citoyens: le rével des géographes..1985. Y. limites do Estado-nação. por intermédio das relações de poder. 1976. etc. Paris. P. 1994. London. • FOUCHER. Fayard. • LACOSTE. World-Economy. (org. Pour une Géographie du Pouvoir. criou as bases de uma ‘geografia do totalitarismo’ porque só levou em consideração uma escala. Revue de géographie et de géopolitique. P. Revista trimestral. G. etc. 268). d’abord. o terrorismo. uma ‘geografia da autonomia que está em causa” (p. A nova Geografia Política Uso de autores/teorias considerados críticos ou radicais: Marx e marxismos. Criação de novos conceitos ou abordagens: territorialidades. o tráfico de recursos. • DEMKO. com a ciência política. J. M. M. portanto. Libr. Y. tribos. 1997. Paris. • HÉRODOTE. • AGNEW. F. Political Geography. Alguns autores/obras importantes nesta nova fase: • LACOSTE. a marginalização. Gramsci.). Um tour du monde géopolitique. 1988. B. “Os fatos do mundo. Géographie des frontières. e WOOD. a do estado. • PILE. Géopolitiques des Régions Françaises. Nation-State and Locality. 1980. as lutas das minorias. Longman.J.J. e OUTROS. Territory and International Political Economy. C. 1986. editada desde setembro de 1976. PUF. com um enfoque mais crítico. o registro do que acontece. Routledge. Westview Press..). 267). relações de poder no/com o espaço… Há também uma continuação. no máximo. sem ganho de inteligibilidade e de informação reguladora” (p. O trunfo da geografia política é o homem na sua qualidade de membro de uma coletividade é. Autrement. Paris. é. a faire la guerre. C. a continuidade da geografia eleitoral. sem se dar conta. Fronts et Frontières. regionalismos. • RAFFESTIN. Routledge. a partir dos anos 80. London. S.

1992. (trechos) • RAFFESTIN. (trechos) • VESENTINI. o russo. São Paulo.M. ou seja. GRANDES POTENCIAS E ESTRATÉGIAS GLOBAIS Final do século XIX. cada vez mais. diferentemente dos outros. Além das grandes potências imperialistas. Para Fazer a Guerra. C. aqui. Bertrand Brasil. devemos observar os impérios territoriais estruturados formalmente como impérios. Geografia e política. o japonês e o turco-otomano que.Isso Serve em Primeiro Lugar. 1989. Esse processo qualifica a nova etapa imperialista. (capítulos 1 e 2) • LACOSTE. São Paulo: Edusp. Rio de Janeiro. O que é geografia política? E geopolitica? (mimeo) IMPERIALISMO. (capítulos 3 e 4) • CASTRO. Por uma Geografia do Poder.R. New Geographies. Àtica. . I. assumindo. Território. Alemanha e França – cujo objetivo é o controle dos mercados em escala mundial. mas de competição entre Estados associados aos grandes monopólios. de conquista territorial. principalmente. suas áreas de influência direta compreendiam. Campinas: Papirus. de. Geografia Política e Geopolítica. a sua forma monopolista. cartéis e associações de todo o tipo entre capitais industriais e bancários – observados nos EUA. Y. as grandes potências passaram às disputas pelo controle de mercados e territórios. os coloniais. começo do século XX: emergência das potências mundiais e do imperialismo como forma histórica específica de relacionamento internacional. New York. 2) manifestam o caráter da expansão do capitalismo – observado no crescimento. após a expansão colonial. 2009. J. J. W. São: o alemão. Syracuse University Press. É o capitalismo monopolista. Não se trata. TEXTOS DE AULA: • COSTA. 1998. New Worlds. territórios europeus ou asiáticos contíguos e suas economias ainda eram fortemente assentadas nas atividades primárias. escalas de ação e instituições. W. concentração e centralização de capitais industriais e bancários em poucos países e a sua desigual internacionalização. o austro-húngaro. Inglaterra. 1993. em especial. baseado no crescimento dos trustes.• SHORT. E. A Geografia . Potencia mundial e imperialismo: conceitos que expressam – 1) a expansão do capitalismo baseado na industrialização crescente e na reprodução ampliada do capital.

É nesse contexto que se desenvolveu a Geografia Política e sua vertente aplicada às estratégias de domínio e de guerra. mais óbvio do que os escritos de Ratzel .este sim um teórico) ele explicitou seus objetivos imperialistas. segundo ele. até o advento das estradas terrestres. mas sempre serão mundiais. o quadro geopolítico mundial apresentava-se completo. em especial Karl Haushofer. As projeções do poder dessas nações poderão ser terrestres ou marítimas. que os distinguem dos espaços terrestres. no controle das rotas marítimas. Sua concepção de Estado assume um caráter estreito. GEOPOLITICOS CLÁSSICOS A “Geopolítik” nasceu das idéias do jurista sueco. reducionista e expansionista e é francamente dirigida aos “estados maiores” dos impérios centrais da Europa. em especial à Alemanha. de 1905 e reafirmado na obra “O Estado como forma de vida”. Observa que a articulação com os continentes. professor de direito político e germanófilo. mas articulados a estes pelos portos e vias de comunicação interiores. As ideias de Kjellen são bem recebidas dentro de determinada esfera intelectual alemã. Por manipular os conceitos da Geografia Política (seus escritos se assemelham a um receituário de imperialismo. Mahan: oficial da marinha norte americana e professor do colégio naval.Observando essas potências. de 1916. Rudolf Kjellen num texto intitulado “As grandes potências”. Sua obra mais conhecida “A influência do poder marítimo sobre a história” foi publicada em 1890. formadora do pensamento nacional socialista. e o mundo estava dividido por áreas de influência de cada uma delas. Com o desenvolvimento das vias terrestres. . As fronteiras formais são linhas de tensões e as estratégias dos Estados são condicionadas por esse novo quadro e devem ser globais. e terá outros expoentes. dependia quase que exclusivamente das vias navegáveis interiores. favorecendo o comércio mundial e a circulação em geral. a geopolítica. que em grande parte foram publicados antes de Kjellen ter proposto sua geopolítica. Tomava de Ratzel a idéia de Estado como organismo territorial. reduzindo-a a um organismo do tipo biológico. formando um único sistema durante os conflitos. Daí a chave para a hegemonia mundial estar. é conhecido como o precursor das teorias geopolíticas sobre o poder marítimo (sea power) – apesar de nunca ter feito uso desse rótulo em seus escritos. promovendo uma interdependência entre as marinhas mercantes e de guerra. com características próprias. há o estreitamento das relações entre os dois espaços. Seus trabalhos baseiam-se em observações sobre a Inglaterra e outros países europeus e visa o poder imperialista dos EUA sobre o mundo. Alfred T. MAHAN Mahan concebe os oceanos e mares como um vasto espaço social e político.

Mackinder hierarquizou esses espaços como se eles tivessem um valor intrínseco e permanente para o poderio mundial. via o poder marítimo como o centro das mudanças. sob o domínio direto dos EUA até 1999. algo decorrente de sua atividade e da incumbência a que se propôs – pensar as condições para o fortalecimento do seu Estado no cenário mundial – nesse sentido. Mackinder. e que seria coberta de pastagens (grassland). teria ocorrido a imensa maioria das guerras da história da humanidade.Toda a Geopolítica. que seria uma imensa região central localizada em parte na Europa e em parte na Ásia. ele foi muito ouvido. como “conselheiro do príncipe”. que se prolongaria desde as estepes russas até a Alemanha. situado no centro do continente euroasiático – a ilha mundial – de modo que quem a controlasse. sua grande idéia tornou-se realidade: a construção do canal do Panamá. que abrange cerca de 58% do total (se excluirmos a Antártida). e passou a denominar a área pivô de Heartland (coração da Terra). Ele chamou de “ilha mundial” (world island) esse grande bloco de terras (o velho mundo). Nele. Sua leitura da História. é considerado o grande teórico da geopolítica clássica. o autor lembra a chegada ao fim da era dos descobrimentos e constata a tomada de posse do planeta. desde o início do século XX. apesar de também não ter feito uso do rótulo geopolítica. e a de Mahan não foge à regra. por ele denominado de Pivô geográfico. com o desenvolvimento das comunicações terrestres – precisamente graças ao trem – estava posta em cheque a hegemonia das vias maritimas – a base de poder do Império Britânico. no interior dela. a região geoestratégica do planeta. dominaria o mundo. A importância dessa região estaria na combinação de três características: a presença de uma porção importante da maior planície do mundo. de forma distorcida. publicou “Ideais democráticos e realidade”. Relacionava essas mudanças com uma “constante geográfica” na história universal: a existencia de um espaço que era determinante para o controle do planeta. de acordo com os seus estudos. Em 1919. Suas ideias foram expostas inicialmente num paper apresentado à real sociedade geográfica de Londres intutulado “O pivô geográfico da História”. Lembrava que. surgindo uma nova fase. o velho mundo (África e Eurásia). A VISÃO GEOESTRATÉGICA DE MACKINDER Halford J. E. unindo o Pacífico ao Atlântico. no qual. o que favoreceria a . os paises baixos e o norte da França. Além disso. a grande potência marítima do planeta. de enfrentamento das potencias imperiais. na medida em que ai vive a maior parte da população mundial). implica uma filosofia da história. Como os oceanos e mares cobrem cerca de três quartos da superfície terrestre e. dentro dessa ilha mundial haveria uma área central básica. pois os EUA se tornaram. (algo que provavelmente seja verdadeiro. nas terras emersas (onde logicamente vivem os povos e existem os Estados) destaca-se um conjunto ou “continente”. a heartland – que corresponde aproximadamente ao que hoje chamamos de Europa Oriental – cuja posse seria a condição básica para a hegemonia mundial. em 1904.

aquela do Estado territorial militarizado. Esse raciocínio fundamenta-se no que Aron chamou de “esquematização geográfica”. e sua natureza mais ou menos fechada em relação às incursões marinhas. pode ter esperança de alcançar verdadeira grandeza”. com a guerra sendo desenvolvida. a partir de características territoriais. uma entidade que modela e determina todas as demais esferas da vida social. a revista de geopolítica. da Russia (mas somente depois de renunciar ao bolchevismo). não na tecnologia de precisão. domina o mundo. que afinal de contas foram levadas a sério até a segunda guerra mundial. navios e armamentos. etc. Essas ideias. Criou. Partindo de um conceito metafísico de espaço geral e abstrato. na terra ou no mar (mas ainda não ar e muito menos com o apoio do espaço cósmico) com base. Na obra Geopolitica das panregiões. A obra de Haushofer e de sua “escola” de geopolítica não prima pela criatividade teórica. Também como Ratzel. de 1931. Suas ligações com os componentes do III Reich como Rudolf Hess. Nas célebres palavras do autor “Quem controla a heartland. controla a ilha mundial e. o aproximam de Hitler. organizar o mundo). tanto espirituais como materiais. a presença de alguns dos maiores rios do mundo (sic). já com 50 anos. ele conclui que “o espaço rege a História da Humanidade”. notadamente as guerras e os conflitos entre os povos. mas no número de soldados. * Observar trecho e citação de Gallois na página 71 do texto de Font e Rufi. talvez tenham tido uma boa base de sustentação na época de Mackinder. sob o dominio da Grã-Alemanha. o binômio raça e terra. Hausofer leva a extremos o que chamamos de “determinismo territorial” de Ratzel. Foi aceito após apresentar seu doutorado sobre o Japão. Karl Haushofer e a Geopolitik alemã Ao fim da 1a guerra . a leste-asiática. As 4 panregiões: americana. O BLOCO EUROASIATICO CONTINENTAL . prega que as 4 potencias devem assumir responsabilidades internas e externas (neste caso. junto com um grupo denominado “escola de Munique”. do que era produzido pela Geografia nos problemas políticos da conjuntura internacional alemã. a euroasiática. do Japão e a Euro-africana. para quem apresentou suas idéias sobre o espaço vital alemão. como professor. quem controla a ilha mundial. preferindo os que almejam o espaço ideal ao seu futuro: “Só uma nação cujo espaço se ajusta às suas necessidades.mobilidade de povos e guerreiros. condena os povos que se conformam com “as pequenas comodidades de um rincão seguro e acolhedor”. já que se propunha somente a apresentar um conjunto de técnicas de aplicação. que consiste em tentar compreender a história. decide entrar na reserva e ingressar na Universidade de Munique. veículo para suas elocubrações sobre a necessidade de espaço vital. dos EUA.

segundo Huntington. Terminada a fase da guerra-fria. mas eles se identificam como europeus e. Conflitos civilizacionais Ainda segundo Huntington. é o que se refere à sua idéia de um bloco euroasiático continental (a união das panregiões russa e alemã).Um tema das teorias geopolíticas de Haushofer sobre a política externa. É o perigo de toda doutrina”. etc. posteriormente. S. Antes mesmo do fim da 1a guerra. Haushofer conhecia o famoso texto de Mackinder sobre o pivô geográfico e.as coisas estão voltando ao “normal”. p. devido a um declinio relativo do ocidente ou uma nova ascensão das civilizações (islâmica e confuciana. o padrão normal da história é a predominância de conflitos civilizacionais e. Considera as 21 “civilizações” enumeradas por Toynbee: a ocidental. a japonesa. CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES? SAMUEL HUNTINGTON Em 1993.. democráticos e nãodemocráticos. capitalistas e comunistas. no mundo pós. É o caso de Gottmann. depois nações. o desenvolvimento de suas idéias no livro sobre o assunto.. Observar curiosidades sobre a figura de Haushofer nas páginas 64 e 66.guerra fria. no limite. a hindu. é “a identidade cultural mais ampla de um povo: um inglês e um irlandês podem ter diferenças ou tensões culturais.a humanidade teria vivido um padrão ocidental de história – baseado no conflito entre reis. Muitos lamentam ou consideram até irônico que as teorias de um inglês pudessem ter servido tão bem ao campo do adversário.).ex. etc. . a africana. “As Nações-Estado continuarão a ser os agentes mais poderosos nos acontecimentos globais. os conflitos não são mais ideológicos ou econômicos mas. somente nos últimos quatro séculos – desde a paz de Westfalia até a guerra fria. fossem postas a serviço dos grandes desígnios de um outro e. que lamenta que essas teorias “elaboradas por um grande patriota para servir o seu país. o que tornou necessário criar uma nova diferenciação no mapa mundi: a das “civilizações”. que se transformou no assunto mais comentado no âmbito da Geografia política e mesmo fora dela. como ocidentais”. em 1919. entre interesses econômicos e ideológicos. Huntington afirma que. a islamica. a ultima de padrão ocidental. sobretudo contra o país de Mackinder. a eslava. fundamentalmente. de fato. Civilização. culturais. Entre os comentaristas da geopolítica alemã é unânime a constatação de uma forte influência do geógrafo inglês sobre Haushofer. mas os principais conflitos ocorrerão entre nações e grupos de diferentes civilizações” Huntington diz ter criado um “novo paradigma” para explicar os conflitos pósguerra fria: O novo paradigma Os grupos não se agrupariam mais entre “ricos e pobres”.

já os turcos querem entrar na UE). (mas não enfrentam conflitos com outrascivilizações). diferente das potencias do ultimo século. na tentativa de fundamentar melhor sua interpretação do ”choque de civilizações” (O choque de civilizações e a recomposição da ordem mundial). Sínica: a China. “São relativamente frágeis do ponto de vista da percepção e tendem a se colocar como dependentes do ocidente”. Islâmica: “tem percepção de si. Ortodoxa: o lider da família é Russia. que o veem como um parente cuja liderança proporciona a eles apoio e disciplina”. Latino-americana: não há. locais onde há significativa presença de civilizações diferentes e ocorre uma “luta pelo controle do território de cada um”. Hinduista: a India. Na Bósnia. os centros mundiais de poder ainda são os Estados. ocorreu uma disputa entre grupos “ocidentais” (os croatas). Ocidente: dois polos: UE e EUA (que tendem a se alinhar por meio da OTAN). Exemplos: Bósnia e Kosovo. mas os agrupamentos mais importantes são as 7 ou 8 “grandes civilizações” que existem no globo. Africana: não há. Os Estados-núcleo têm papel de mediadores nos conflitos mundiais e encontrar esses líderes para as civilizações que ainda não os têm seria algo imprescindível para manter a paz mundial. Estado civilizacional núcleo Categoria nova de poder. o lider dos demais Estados do bloco civilizacional. Está dividido em centros de poder competitivos (o autor prefere a Turquia como lider. islâmicos (os bósnios) e eslavos ortodoxos (os sérvios). . Huntington publicou novo livro. e no Kosovo haveria uma disputa entre islamicos (os kosovares) e eslavos ortodoxos (os sérvios) Nova ordem mundial: multipolar e multicivilizacional Em 1996. mas não tem coesão”.Linha de cisão entre civilizações Áreas de fronteira ou contato cultural (não são fronteiras politicas). “Civilizações são famílias e os Estados-núcleo representam o chefe.

em 1920.. 57%. ► O “poder” (território.população e recursos) dos EUA e da Europa está encolhendo. ao passo que hoje são pouco mais de 13% do efetivo planetário. ► Quanto ao produto econômico mundial. em 1900 os ocidentais representavam cerca de 30% da população mundial e governavam outros 45%. ► Do que ele tem medo? Argumentos: ► Do ponto de vista territorial. em 1980. ► Do ponto de vista demográfico. ► “Ocorre um declínio gradual e inexorável do poder relativo do ocidente ante o resto do mundo”. Conclusões de Huntington . em 1920 o ocidente governava cerca de 66 milhões de km2 e hoje essa área seria cerca de 32.O PAPEL DOS EUA ► A grande preocupação de Huntington é com o que chama de “declinio do ocidente” e com o papel que os EUA deveriam desempenhar nessa nova ordem multipolar e multicivilizacional.. a parcela do ocidente representava 84% do total e.8 milhões de km2.

. Este seria o primeiro requisito para a paz no mundo multipolar e multicivilizacional. ► “Huntington subestimou a força da modernidade e do secularismo em lugares que seguiram este caminho com muitas dificudades. ► Mediação conjunta: Estados-núcleo deveriam negociar entre si para conter guerras que ocorrem nas linhas de cisão entre as civilizações..de outras civilizações – mesmo que seja em nome dos direitos humanos. J. Do seu ponto de vista. Os choques culturais marcarão o século XXI? In: Novas Geopoliticas. p. ► Não se deve intervir no desejo da China de anexar Taiwan e outras áreas. fenômenos como a “hinduização” da India ou o fundamentalismo islâmico venceram”. Isso significa a partilha do planeta entre meia duzia de Estados Núcleo. “é inútil e até arrogante tentar impedir a China de cumprir seu destino de dominar a Asia oriental” As insuficiencias das teses de Huntington ► Legitima uma “desconsideração” pelos direitos humanos em culturas não ocidentais. cada um podendo fazer oque bem entender em sua zona de influencia (parecido com a proposta do “mundo em fatias” de Haushofer). Contexto. 2000. . exemplos ► Não se deve impedir a Russia de dominar os países eslavo-ortodoxos da Europa e a Russia não deve se opor à expansão da OTAN nos países da Europa Oriental com cultura ocidental. São Paulo. Texto de aula: VEZENTINI.► Os EUA e a UE têm de se manter unidos ou “serão destruidos separadamente” .W.por isso.53-62. ► Nada de se envolver em “guerras alheias” . EUA e OTAN não deveriam se envolver em conflitos que ocorrem em “outras civilizações”.