PROGRAMAÇÃO

XIII CONGRESSO DE ESTUDOS LITERÁRIOS:
Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

Realização: Programa de Pós-Graduação em Letras Centro de Ciências Humanas e Naturais Universidade Federal do Espírito Santo

Vitória 05 a 07 de outubro de 2011

Universidade Federal do Espírito Santo Reitor Reinaldo Centoducatte Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação Pró-reitor Francisco Guilherme Emmerich Centro de Ciências Humanas e Naturais Diretor Edebrande Cavalieri Departamento de Línguas e Letras Chefe Santinho Ferreira de Souza

Comissão organizadora: Adélia Miglievich Ribeiro Fabíola Padilha Trefzger Jurema José de Oliveira Leni Ribeiro Leite Orlando Lopes Albertino

Secretaria Geral: Wander Magnago Alves

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SUMÁRIO
Apresentação.................................................................................................................. 5 Programação.................................................................................................................. 7 Resumo das Conferências............................................................................................. 15 Resumo das Mesas Redondas....................................................................................... 17 Resumo dos Simpósios.................................................................................................. 19

XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

APRESENTAÇÃO
A modernidade contemporânea, para alguns, a pós-modernidade para outros, evidencia nas várias esferas da vida e nos campos de saber, dentre eles, a literatura, o vazio, numa perspectiva nostálgica, e o campo de possibilidades, numa mirada otimista, aberto pelo desmoronamento das identidades fixas, imutáveis, essenciais. “Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras”, título de nosso XIII CEL (Congresso de Estudos Literários), promovido pelo PPGL-Ufes, ao invés de preconizar um resgate do autor-Deus, o que contrariaria as tendências filosóficas da crítica do sujeito, realiza precisamente o inverso, pergunta acerca do autor, sabendo-o plástico, performático, capaz de um autoengendramento ou de um esforço consciente de desenhar uma imagem de si, façanha desconhecida outrora. Noutros termos, o retorno do autor para o qual chamamos atenção é aquele a se alinhar, num aparente paradoxo, à desconstrução da identidade e à reconfiguração contemporânea das subjetividades. Não mais se trata do retorno de um sujeito pleno, fundamento e autoridade transcendente do texto, mas de sujeitos fragmentados e suscetíveis de autocriação no ato mesmo da escrita e em sua pretensão de ser lido. Autores, portanto, que traduzem eus inquietos e desassossegados. Não falamos, porém, apenas do autor-indivíduo, mas também das chamadas subjetividades coletivas (nação, “raça”, etnia, gênero…), que mediante as narrativas de si colaboram para a urdidura de uma trama identitária necessariamente multifária, incompleta e provisória e, em muitos casos, eficazes. É o caso da ênfase na afirmação da diferença nas narrativas literárias, desta vez, esta podendo falar por si mesma, reivindicando a autonomia da enunciação, o que implica a quebra dos padrões até então intocáveis perante os quais as infindas variações que compõem o universo dos seres humanos deveriam ser classificadas (e subestimadas). Assim, a visibilidade das narrativas e escrituras de autores antes negligenciados, para dizer o mínimo, dentre eles, mulheres, judeus, negros, africanos, indianos, indígenas, palestinos, presos, exilados, mutilados, excluídos, doentes, loucos torna-se, também, problemática do XIII CEL, na medida em que se supõe que o olhar que os caracteriza é produto da experiência dos deslocamentos físicos e psíquicos, reais e metafóricos, o que lhes permite, nalgum sentido, a sua localização num entre-lugar, nas fronteiras, a partir das quais enxergam seus vários eus, a alteridade em si, as alteridades no mundo e, quiçá, as semelhanças que nos possibilitam ainda a expansão do universal mediante o reconhecimento da diversidade. Incertezas e vulnerabilidades acompanham o curso da constituição das pessoas, grupos, coletividades, povos, humanidades. Fragilidades, “negociações”, representações encontram na literatura um lócus privilegiado de observação e busca de compreensão dos sentidos para os deslocamentos, as experiências e as fronteiras no dito e no não-dito na escrita e na combinação entre memória e imaginação. “Que autor sou eu?” projeta-se como um exercício crítico da literatura também como enunciação de inéditas relações no tempo e no espaço, facultando a emergência de distintos eus. Comissão Organizadora XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

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PROGRAMAÇÃO DO XIII CEL
05 de outubro, 4ª feira, 17h às 21h
Conferências de abertura (Auditório do IC-2) RETRATO DO AUTOR ENQUANTO ANIMAL OU COISA Prof. Dr. Evando Nascimento (UFJF) DA TESTEMUNHA AO TESTEMUNHO: TRÊS CASOS DE CÁRCERE NO BRASIL (GRACILIANO RAMOS, ALEX POLARI, ANDRÉ DU RAP) Prof. Dr. Wilberth Salgueiro (Ufes) Mediador: Prof. Dr. Paulo Roberto Sodré (Ufes)

06 de outubro, 5ª feira, 8h às 11h
Mesa Redonda: Deslocamentos, Crítica e Missão: cineastas e literatos nas fronteiras (Auditório do IC-2) CINEMA À MARGEM: NACIONALISMO OU UNIDADE REGIONAL EM CINEASTAS LATINOAMERICANOS DOS 1960? Prof. Dr. Paulo Marcondes (UFPE) O FENÔMENO DA REINVENÇÃO LINGUÍSTICA NA NARRATIVA AFRICANA CONTEMPORÂNEA Profª Drª Jurema Oliveira (Ufes) Mediador: Prof. Dr. Deneval Siqueira de Azevedo Filho (Ufes)

06 de outubro, 5ª feira, 13h30min às 17h30min
Simpósio 1: Pensamento liminar, narrativas e literaturas pós-coloniais Coordenadoras: Prof. Dr. Osvaldo Martins de Oliveira (Ufes) e Profª Drª Jurema Oliveira (Ufes) MESA 1 - O discurso e os reflexos da história (Sala 1 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Ana Lúcia Trevisan - Narrativas da conquista sob o olhar literário: as subversões de Carlos Fuentes no romance Terra nostra Alessandra Batista - O “espanto” silenciado nas letras da História, aguçado na voz da ficção MESA 2 - O descentramento e a ambivalência do discurso colonial (Sala 1 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Flávia Arruda Rodrigues - A reedição de Gentio de Timor e a ressignificação das relações sociopolíticas de Timor-Leste e Portugal Igor Nunes Costa - O descentramento em “As ideias fora do lugar” de Roberto Schwarz

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Simpósio 2: Escritas de si e performances autorais Coordenadores: Profª Drª Andréia Delmaschio (Ifes), Profª Me. Daise de Souza Pimentel (Doutoranda PPGL/Ufes), Profª Drª Fabíola Padilha (Ufes) e Prof. Me. Pedro Antônio Freire (Doutorando PPGL/Ufes) MESA 1 - Modalidades de cunho biográfico (Sala Clarice Lispector – Prédio Bernadette Lyra) Pedro Antônio Freire - O signo de si: autoria e alteridades (coordenador) Ataide José Mescolin Veloso - Paisagens da memória: a revisitação da infância na poética limiana Cíntia França Ribeiro - Habitar a voz: a autobiografia em Photomaton e vox, de Herberto Helder Douglas Fiório Salomão - Arnaldo Antunes: que autor é isso? Fernanda de Souza Hott - A criação poética segundo textos críticos e poemas de Ester Abreu Vieira de Oliveira José Juvino da Silva Júnior - Poesia da experiência xamânica: Roberto Piva & a escritura do real cósmico Ana Maria Quirino - Ferreira Gullar: um autor no rabo do foguete Ana Carla Marinato - Autores em cena em A hora da estrela MESA 2 - Múltiplas performances autorais (Sala Guimarães Rosa – Prédio Bernadette Lyra) Daise de Souza Pimentel - A presença do eu nas expressões do contemporâneo: relendo Walter Benjamin (coordenadora) Guaraciara Roberta Loterio - O sujeito na auto-escritura de Walter Benjamin Lairane Menezes do Nascimento - Literatura e testemunho no romance Em câmara lenta, de Renato Tapajós Lucas dos Passos - História, trauma e autoficção: Em câmara lenta, de Renato Tapajós Miguel Rettenmaier da Silva - Riscos e manuscritos sob os riscos do regime: a escrita de Josué Guimarães Aurélia Hubner Peixouto - A ave faminta Giselly Rezende Vieira - Um passeio no diário de Vargas: ecos do ressentimento, autoridade perdida e humilhação experimentada Miqueline Ferreira de Freitas - Memória: Um resgate histórico do ator político ‘Lindolfo Collor’ Selomar Claudio Borges - Fissuras de um autor na ficção: escritura e eu em El escritor y el otro de Carlos Liscano Simpósio 3: Gritos e ecos da prosa brasileira contemporânea – as formas da pátina: conto ou não conto? Coordenador: Prof. Dr. Deneval Siqueira de Azevedo Filho (Ufes/GEITES - Grupo de Estudos Interdisciplinares de Transgressão - Espírito Santo) MESA 1 (Sala 2 do IC-3) Adriana Pin - O texto de Paulo Coelho: da periferia para o centro Alemar Silva Araujo Rena - Multidão, criação colaborativa e emergência: novas configurações no ciberespaço Deneval Siqueira De Azevedo Filho - A literatura tatuada de Ó, de Nuno Ramos

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Simpósio 4: As marcas do texto e os deslocamentos do eu: análise, interpretação e significação das imagens do eu e do real na construção de territórios poéticos Coordenadores: Prof. Dr. Alexandre Jairo Marinho Moraes (Ufes) e Profª Me. Rafaela Scardino Lima Pizzol (Doutoranda PPGL/Ufes) MESA 1 (Sala 6 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Marcela Ribeiro Pacheco Paiva - Morte do pai e universo da culpa Marcelo Lins de Magalhães e Marcus Alexandre Motta - Presságios, marcas e territórios: Emerson, Thoreau, Waltercio Caldas e Richard Serra Alexandre Rodrigues da Costa - Corpos cegos: a dissolução da identidade nas obras de Georges Bataille e de Hans Bellmer MESA 2 (Sala 6 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Rafaela Scardino - O horizonte flutuante do autor Pedro Granados - Pacto poético e internet: El caso de Cristóbal “Tobi” Kanashiro Jefferson Diório do Rozário - Eu vagabundo: agenciamentos de sujeitos ficcionais em Rubem Fonseca Simpósio 5: Ficcionalidades Coordenadores: Prof. Dr. Sérgio da Fonseca Amaral (Ufes), Prof. Me. Adolfo Oleare (Ifes), Prof. Me. Vitor Cei (Doutorando-UFMG) MESA 1 - Literatura. História. Memória. (Sala 7 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Coordenador: Vitor Cei (UFMG) Arnon Tragino - A ficção e a história em O templo e a forca – romance de Luiz Guilherme Santos Neves Cláudia Fachetti Barros - Autor-criador, escrito e função-autor: ficção/realidade em Luiz Guilherme Santos Neves Maria Amélia Dalvi - O livro didático de literatura tem um autor: que autor é ele? Rafael Azevedo Nespoli - Roque Santeiro: permanências e mudanças na sociedade brasileira Renato Prelorentzou - O Passado: leituras e escrituras da história e da ficção, da autoficção e da autobiografia Rodrigo Moreira de Almeida - A Guerra de Canudos em João Abade MESA 2 – Literaturas (Sala 7 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Coordenador: Adolfo Oleare (Ifes) Alana Rúbia Stein Rocha - Apocalipsis de Solentiname: o real político na ficção Fabiana Curto Feitosa - Saramago e o jogo para entender o mundo contemporâneo Felipe Vieira Paradizzo - Apontamentos sobre a experiência urbana moderna em To a Stranger e Out of the rolling ocean the crowd, de Walt Whitman Leonardo Mendes Neves - Concepções de língua e literatura em Rayuela Luciana Marquesini Mongim - Entre becos e vielas, as vozes da quebrada: uma leitura de Capão Pecado, de Ferréz Sandra Mara Moraes Lima - Resposta e autoria em Desenredo Sarah Maria Forte Diogo - Quando eu quero eu mudo: o jogo das identidades em “Meu tio o Iauaretê”

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Simpósio 6: Marginais e intelectuais: escritas e imagens do Brasil contemporâneo Coordenadores: Prof. Dr. Jorge Nascimento (Ufes), Andressa Nathanailidis (Doutoranda PPGL/Ufes), Michele Freire Schiffler (Doutoranda PPGL/Ufes) MESA 1 (Sala 8 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Suely Bispo - Solano Trindade - Para além da liberdade estética Guilherme Horst Duque - “Rasgábil, inflamábil e até mesmo legíbil”: Glauco Mattoso e o Jornal Dobrabil Jorge Henrique da Silva Romero - As formas de resistência na poética de Patativa do Assaré Leandra Postay Cordeiro - Proibido para menores de cinco cruzeiros: pornografia mimeografada de Nicolas Behr MESA 2 (Sala 8 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Marihá Barbosa e Castro - A construção da subjetividade coletiva na poesia de Leila Míccolis Michel Mingote - Errâncias: vagabundeios, derivas e desterritorialização em Crônica de um vagabundo, de Samuel Rawet Helciclever Barros da Silva Vitoriano - Plínio Marcos: convicções políticas, estéticas e ideológicas de um peculiar intelectual brasileiro Simpósio 7: Música na Literatura : Literatura na Música Coordenadora: Profª Drª Mónica Vermes (PPGL, PPGA, DTAM – Ufes) MESA 1 (Sala 9 do IC-3) Mónica Vermes - A música na crônica de Luiz Edmundo Robson Leitão - Bug Jargal: o Haiti não é aqui! André Luís Gomes e Beatriz da Silva Lopes Pereira - Diálogos interartes na Pauliceia: melopoética e polifonia cultural em Mário de Andrade Luciana Fernandes Ucelli Ramos - Ensaio sobre uma possível crítica da canção como canção Marcus Vinicius Marvila das Neves - Entre sins e nãos: escutando “Todos os sons”, de Augusto de Campos Rafael Barcellos de Moraes e Sirlei Santos Dudalski - A música de cena em Noite de Reis, de Shakespeare

06 de outubro, 5ª feira, 18h às 21h
Mesa redonda: Literatura e cinema: novos olhares e escritas no Brasil contemporâneo (Auditório do IC-2) A AUTOFICÇÃO EM CLOSE-UP: KIAROSTAMI, O CINEMA E A IMAGEM-TESTEMUNHA Prof. Dr. Tadeu Capistrano (UFRJ) IMAGENS E LETRAS, FALAS E BALAS: NARRATIVAS DO BRASIL CONTEMPORÂNEO Prof. Dr. Jorge Nascimento (Ufes) Mediador: Prof. Dr. Alexandre Curtiss (Ufes)

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11 07 de outubro, 6ª feira, 8h às 11h
Mesa redonda: Potencialidades autorais: dos grafites de Pompeia às grafias de Rosa (Auditório do IC-2) GRAFITES ROMANOS EM POMPEIA: AUTORIA E DIVERSIDADE NA ANTIGUIDADE Profª Draª Renata Senna Garraffoni (Dehis/UFPR) O MUNDO, UM OUTRO E EU EM COAUTORIA? (SOBRE UM ROMANCE NÃO ESCRITO POR J. G. ROSA) Prof. Dr. Lino Machado (Ufes) Mediadora: Profª Drª Leni Ribeiro Leite (Ufes)

07 de outubro, 6ª feira, 13h30min às 17h30min
Simpósio 1: Pensamento liminar, narrativas e literaturas pós-coloniais Coordenadoras: Prof. Dr. Osvaldo Martins de Oliveira (Ufes), Profª Drª Jurema Oliveira (Ufes) MESA 1 - Transculturação, hibridismo e pós-colonialismo (Sala 1 do IC-3 – 13h30min às 14h30min) Lenice Garcia - Em Diálogo entre o Pós-colonialismo e a Literatura Contemporânea é Possível Identificar Marcas de Subjetividade do Autor Através das Vozes das Personagens? Lídia da Cruz - Transculturação e hibridismo na ficção de Helena María Viramontes MESA 2 - Vozes da diáspora (Sala 1 do IC-3 – 14h30min às 16h10min) Esteban Reyes e Stéphanie Soares - Do mito do lugar e do lugar do mito na obra Órfãos do Eldorado de Milton Hatoum Renata O. Bomfim - O princípio revolucionário da poesia hispano-americana na poética de Rubén Darío Wellington Rogério da Silva - Maux dits: A poesia migrante de Anissa Mohammedi. MESA 3 - Historiografia, resistência e opressão (Sala 1 do IC-3 – 16h20min às 17h30min) Arnaldo Rosa Vianna Neto - Identidades pós-coloniais e ethoï undergrounds em narrativas de Nélida Piñon e Réjean Ducharme Carlos Vinicius Costa de Mendonça - O Olhar de Clio na era Vargas: silêncio feminino e ressentimento masculino na obra de José Lins do Rego (1932 – 1943) Simpósio 2: Escritas de si e performances autorais Coordenadores: Profª Drª Andréia Delmaschio (Ifes), Profª Me. Daise de Souza Pimentel (Doutoranda PPGL/Ufes), Profª Drª Fabíola Padilha (Ufes) e Prof. Me. Pedro Antônio Freire (Doutorando PPGL/Ufes) MESA 1 - Estratégias autobiográficas na narrativa contemporânea (Sala Clarice Lispector – Prédio Bernadette Lyra) Andreia Penha Delmaschio - Hieróglifos no peito (coordenadora) Cibele Lopresti Costa - Experiência e ficcionalidade em Morreste-me, de José Luís Peixoto XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

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Nelson Martinelli Filho - Confissão e autoficção em Sueli: romance confesso, de Reinaldo Santos Neves Paulo Muniz da Silva - Memórias e estórias-coberturas nas tramas dum falso mentiroso Selomar Claudio Borges - Fissuras de um autor na ficção: escritura e eu em El escritor y el otro de Carlos Liscano João Paulo Matedi Alves - O homem que não estava lá e a volta dos que não foram Fabíola Padilha - O a(u)tor e suas interversões em Retrato desnatural (diários – 2004 a 2007), de Evando Nascimento Henrique de Oliveira Lee - Uma minúscula imitação da morte: espaço autobiográfico e efeitos performativos em Yukio Mishima MESA 2 - Deslocamentos, experiências e fronteiras (Sala Guimarães Rosa – Prédio Bernadette Lyra) Carlos André de Oliveira - A volta amigável do autor no texto “Noites de Paris” de Roland Barthes: a escrita de vida ou o fictício da identidade (coordenador) Cinthia Mara Cecato da Silva - Lima Barreto no entre-lugar da ficção: reminiscências entre autor e obra Daniela Aguiar Barbosa e Waleska de Paula Carvalho Rocha - Blog: um ‘espaço biográfico’ contemporâneo João Gonçalves Ferreira Christófaro Silva - Deslocamentos: a construção da imagem do escritor nos Diários de Lima Barreto Josely Bittencourt Gonçalves - Conficção de cartas: um tecido de envios e desvios em Ana C. Maria Inês de Moraes Marreco - A literatura do ‘Eu’ na obra memorialística de Maria Helena Cardoso Laércio Rios Guimarães - O ethos discursivo no diário de Simonton: um olhar sobre os registros na missão no Brasil Iran Felipe Alvarenga e Gomes - Metaficção na criação do eu autoral: analizsando a personagem Reta Winters de Carol Shields Simpósio 4: As marcas do texto e os deslocamentos do eu: análise, interpretação e significação das imagens do eu e do real na construção de territórios poéticos Coordenadores: Prof. Dr. Alexandre Jairo Marinho Moraes (Ufes) e Profª Me. Rafaela Scardino Lima Pizzol (Doutoranda PPGL/Ufes) MESA 1 (Sala 9 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Alexandre Moraes - Que autor encontramos nas marcas do texto? Marcos Ramos - A poesia como convocação (sobre Casé Lontra Marques) Leonardo Barros Sasaki - A “cicatriz de tinta”: sujeito, escrita e experiência em Al Berto Alexander Nassau - Fiama Hasse e um eu que desrealiza tudo quanto toca MESA 2 (Sala 9 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Marcelo Antonio Milaré Veronese - A intertextualidade da primeira poesia de Roberto Piva Maria Lúcia Kopernick - A escrita autoral como etiqueta de si. Breve passeio pelo território poético de Viviane Mosé Danilo Barcelos Corrêa - O lugar no poema “Confidência do itabirano”, de Carlos Drummond de Andrade

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Simpósio 5: Ficcionalidades Coordenadores: Prof. Dr. Sérgio da Fonseca Amaral (Ufes), Prof. Me. Adolfo Oleare (Ifes), Prof. Me. Vitor Cei (Doutorando PPGL/UFMG) MESA 1 - Crônica. Teatro. Crítica. (Sala 11 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Coordenador: Vitor Cei Ednaldo Cândido Moreira Gomes - Horizontes e limites da ficção oitocentista: o crítico Bernardo Guimarães Fernanda Maia Lyrio - O Álbum de Família e a multifacetada tragédia rodriguiana Geraldo Magela Cáffaro - Sujeitos pré-textuais: autoria em prefácios de Hawthorne e James João Guilherme Dayrell - O (neo) barroco de Severo Sarduy: linguagem da voz, voz da linguagem Moisés Nascimento - Sob a pena do mestre: leituras da crítica de Antonio Candido às memórias de Pedro Nava Tamilis Loredo de Oliveira e Cristiano Augusto da Silva Jutgla - Era uma vez... os gêneros: transformações da narrativa em Sérgio Sant’Anna Sérgio da Fonseca Amaral - Um reacionário sob suspeita: crônicas de Nelson Rodrigues MESA 2 – Intersemioses (Sala 11 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Coordenador: Sérgio da Fonseca Amaral Adolfo Miranda Oleare - A procedência afetiva do eu na concepção nietzschiana do corpo Carlos André Ferreira - Ditaduras no Brasil e na Alemanha Oriental: representações da violência e do sujeito em Caio Fernando Abreu e Thomas Brussig Fernanda Valim Côrtes Miguel, Mayra Helena Alves Olalquiaga e Marcelo Eduardo Rocco de Gasperi - Limiares da ficcionalidade na escrita de Valêncio Xavier Juan Filipe Stacul - Eros em trânsito; relações intertextuais entre Tennessee Williams e Caio Fernando Abreu Maria Angélica Amancio Santos - Nos bastidores das grandes telas: o autor literário no Cinema Roberto Muniz Dias - A voz do sereio – a autoria homotextualizada Vitor Cei - Heidegger e a angústia do autor Simpósio 6: Marginais e intelectuais: escritas e imagens do Brasil contemporâneo Coordenadores: Prof. Dr. Jorge Nascimento (Ufes), Andressa Nathanailidis (Doutoranda PPGL/Ufes), Michele Freire Schiffler (Doutoranda PPGL/Ufes) MESA 1 (Sala 12 do IC-3 – 13h30min às 15h20min) Andressa Zoi Nathanalidis - Do estigma à canção: considerações sobre o RAP no mundo globalizado. Gabriela Alves - O fotógrafo-escritor Monteiro Lobato Luiz Eduardo Neves da Silveira - Transnação Hip-hop: a viagem do discurso sem fronteiras MESA 2 (Sala 12 do IC-3 – 15h40min às 17h30min) Ricardo Ibrhaim Matos Domingos - O corpo na/da escrita: estratégias estético-temáticas no livro Vão, de Allan da Rosa Michele Freire Schiffler - Resistência, memória e representação em versos de Ticumbis no Norte do Espírito Santo Marcos Pasche - Ferréz: de sola no social. XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

14 07 de outubro, 6ª feira, 18h às 21h
Conferências de encerramento (Auditório do IC-2) ESCREVENDO A NAÇÃO NO FEMININO: FICÇÃO E HISTÓRIA Profª Drª Stelamaris Coser (Ufes) LITERATURA E EXISTÊNCIA (UMA MODERNIDADE ESQUECIDA?) Profª Drª Diana Klinger (UFF) Mediadora: Profª Drª Fabíola Padilha (Ufes)

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RESUMOS
Conferências
Profª Drª Diana Klinger (UFF) LITERATURA E EXISTÊNCIA (UMA MODERNIDADE ESQUECIDA?) Uma série de práticas literárias contemporâneas vem problematizando a relação entre obra e sujeito da escrita, entre arte e experiência vivida. Essas escritas podem ser pensadas não apenas como objetos, mas também como acontecimentos que remetem a um exterior e assim produzem a impugnação da categoria de obra como forma autônoma e distanciada do real. Essa perspectiva implica ir de encontro à compreensão moderna hegemônica de arte e de literatura, segundo a qual a arte adquire potencial crítico justamente a partir de seu caráter autônomo e de seu divórcio com a experiência. Os projetos de alguns escritores contemporâneos, no entanto, adquirem seu valor pela coerência de um universo, que inclui as correspondências que o artista estabelece entre sua existência, seu dispositivo de produção e seus processos de visibilidade. Trata-se de práticas que mobilizam o que Bourriaud chama de “estéticarelacional”: elas enfatizam processos em lugar de “definir” produtos e visam menos à representação do que à configuração de sentidos compartilhados, levando assim ao questionamento da relação entre autonomia e resistência. Nessa transitividade se exerceria sua função estética, ética e política, que implicaria tanto o questionamento de uma identidade formal de obra, quanto um radical deslocamento de práticas e valores críticos relativos à subjetividade. Prof. Dr. Evando Nascimento (UFJF) RETRATO DO AUTOR ENQUANTO ANIMAL OU COISA Pensar a autoria como o lugar mesmo da produção e da recepção transdisciplinar. Trata-se de uma instância de passagem, em que são articulados e retransmitidos diversos discursos: literatura, filosofia, artes, mídia etc. O autor é um dispositivo tanto pessoal quanto impessoal, no limite do anonimato. É-se autor em princípio em primeira pessoa, “Eu escrevo”/ “Eu falo”, mas em seguida é preciso que esse “eu” se altere performativamente em diversas outras figuras, tanto discursivas quanto empíricas: ele/eles, você/tu, nós. Um autor plenamente autoidentificado seria natimorto, pois incapaz de assumir outras máscaras, sem as quais não há autoria: vozes narrativas, personagens, sujeitos poéticos, vozes dramáticas, personae ensaísticas, biográficas, sociais. A autoria seria, antes de tudo, um espaço-tempo de enunciação. Nesse sentido, caberia pensar a animalidade e a coisalidade do autor: seu deviranimal e/ou coisa. Trata-se de palestra teórico-crítica, com referências ao pensamento de Heidegger, Derrida, Barthes, Foucault, Deleuze/Guattari e à ficção de Lispector, Rosa, Cortázar, Kafka, Coetzee, Sebald, entre outros.

Profª Drª Stelamaris Coser (Ufes) ESCREVENDO A NAÇÃO NO FEMININO: FICÇÃO E HISTÓRIA A fundação das colônias ao longo do continente americano se faz com base em relatos documentais de navegadores e colonizadores europeus, e a representação literária desses espaços continua sendo elaborada por autores homens e brancos mesmo após a independência total ou parcial. A decadência dos centros metropolitanos tradicionais e os diversos tipos de movimentos de libertação na segunda metade do século XX, porém, colaboram para a inserção de novos grupos e indivíduos no cenário nacional e a gradual XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

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proliferação de olhares e narrativas. No centro do continente, situado num poroso lugar ‘entre’ que inclui e confunde sul e norte, ameríndios, europeus e africanos, anglos e hispânicos, o Porto Rico desenhado pela escritora Rosário Ferré parece refletir e ao mesmo tempo contradizer aspectos hegemônicos dos textos fundadores. Com o viés feminista e politizado e um caráter metaficcional, romances e contos de Ferré abordam a construção desse território-nação ambivalente, fronteiriço e particularmente controverso. Enquanto problematiza o registro da ‘verdade’ via manuscritos pessoais e documentos oficiais, seu texto dialoga com a tradição literária das Américas ao alinhavar cruzamentos intertextuais e inserir a questão de gênero no debate sobre autoria, memória e poder. Prof. Dr. Wilberth Salgueiro (Ufes) DA TESTEMUNHA AO TESTEMUNHO: TRÊS CASOS DE CÁRCERE NO BRASIL (GRACILIANO RAMOS, ALEX POLARI, ANDRÉ DU RAP) Notáveis escritores fizeram da estadia na prisão uma espécie de escada – tortuosa, sem dúvida – para a criação: Cervantes, Wilde, Genet, Dostoiévski, Sade. Aqui, abordaremos três obras brasileiras que relatam a passagem de seus autores pela cadeia: Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, fala da detenção do escritor alagoano, nos anos 1930, nebulosamente acusado de subversivo pelo aparelho getulista; Camarim de prisioneiro, de Alex Polari, faz um balanço, em prosa e verso, dos anos (1971 a 1980) em que o militante da VPR, Vanguarda Popular Revolucionária, permaneceu trancafiado; Sobrevivente André Du Rap (do Massacre do Carandiru), de André du Rap, conta a versão da matança do Carandiru, em 1992, da perspectiva de quem estava, no exato momento, encarcerado. O que se quer pôr em pauta com estes relatos é a problematização do “teor de verdade” que tais relatos solicitam. Para avaliar o grau de veracidade que cada obra postula, um caminho é examinar a concepção de linguagem que sustenta o imaginário de seus autores e, mesmo, a feitura de cada uma delas. Textos como “A testemunha” de Agamben (O que resta de Auschwitz) e “O testemunho” de Ricoeur (A memória, a história, o esquecimento) entrarão como contraponto teóricometodológico para o avanço do debate.

XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

17 Mesas redondas
Prof. Dr. Jorge Nascimento (Ufes) IMAGENS E LETRAS, FALAS E BALAS: NARRATIVAS DO BRASIL CONTEMPORÂNEO A partir do estudo de obras artísticas brasileiras - literárias e cinematográficas - e com arcabouço teórico relacionado aos estudos da contemporaneidade, pretende-se propiciar um diálogo entre tais obras e alguns conceitos, tais como: eurocentrismo, pluralidade, reconhecimento e hibridismo. Serão ventiladas as seguintes obras: Cidade de Deus - livro e filme; O invasor – livro e filme; Diário de um detento – livro, RAP, videoclip. Profª Drª Jurema Oliveira (Ufes) O FENÔMENO DA REINVENÇÃO LINGUÍSTICA NA NARRATIVA AFRICANA CONTEMPORÂNEA A obra de Boaventura Cardoso, José Luandino Vieira e Mia Couto tem como característica predominante a fusão entre o histórico e o literário. Esse processo advém da necessidade, ou melhor, do desejo desses escritores de preencherem as lacunas existentes na memória das sociedades onde vivem - a angolana e a moçambicana -, fraturadas pelo advento do colonialismo. É necessário reinventar uma memória histórica que perpasse ou fundamente ficcionalmente uma narrativa que englobe o conceito de nação e os vários segmentos sociais da contemporaneidade. Privilegiando um discurso polifônico, dialógico, o que em parte remonta à tradição, com suas vozes sonantes, capazes de partilhar as experiências de forma conjuntiva, esses escritores africanos contemporâneos recorrem a um produtivo artifício artístico: criam um personagem com os traços do griot para dar a veracidade necessária à enunciação. O griot procura dar um direcionamento à estória, mas partilha com os vários outros personagens o ato de narrar. Essa nova modalidade da oratura explicita a interação entre a tradição e modernidade nas obras ficcionais da atualidade. Prof. Dr. Lino Machado (Ufes) O MUNDO, UM OUTRO E EU EM COAUTORIA? (SOBRE UM ROMANCE NÃO ESCRITO POR J. G. ROSA) Discutiremos um aspecto incomum de “Sobre a escova e a dúvida”, um dos quatro prefácios de Tutaméia, de João Guimarães Rosa: a sequência de coincidências estranhas envolvendo um romance apenas projetado pelo escritor (A fazedora de velas), a sua própria existência e a novela Dona Sinhá e o filho padre, de Gilberto Freyre, a qual também entrou num jogo de semelhanças esquisitas com a vida do seu autor. Mesmo que anômalas, tais coincidências não precisam ser consideradas inexplicáveis, pois foi proposta uma conceituação apta a dar conta de fenômenos parecidos: a de sincronicidade, de Carl Gustav Jung. Com a colaboração do cientista Wolfgang Pauli, Jung estabeleceu paralelos entre o fenômeno de sincronicidade e a física moderna (sobretudo a mecânica quântica), os quais pretendemos explorar. Se, de acordo com a Interpretação de Copenhague da física quântica, não existe uma separação nítida, na esfera dos fenômenos subatômicos, entre sujeito pesquisador e objeto pesquisado, igualmente Jung vislumbrou, no terreno macroscópico do cotidiano, uma espécie de intercessão entre a experiência contextual, dita externa, e a atividade mental, dita interna, que o psicólogo tratou como psicóide (ligado ao que ele considerou inconsciente coletivo). A experiência de Rosa com o seu romance afinal não escrito parece mostrar que, em termos de

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autoria, o processo se desloca da figura do eu, do indivíduo isolado, relativizando as fronteiras entre este e o próprio mundo. Prof. Dr. Paulo Marcondes (UFPE) CINEMA À MARGEM: NACIONALISMO OU UNIDADE REGIONAL EM CINEASTAS LATINOAMERICANOS DOS 1960? Pretendo refletir diferenciações entre um cinema da diáspora e uma estrutura de sentimento acentuadamente marcada por referencia ao lugar, na forma do nacionalismo ou do regionalismo ou de um estado de exílio. Essa é uma questão central para a investigação de parte da produção cinematográfica na A. L. e regiões da periferia do capitalismo hegemônico. Tais reflexões partem de uma pesquisa em andamento sobre as idéias de cinema de cineastas latino-americanos dos anos 1960 a propósito de uma estética descolonizada. Embora heterogêneo o grupo fomentou um diálogo nacionalista, mas que expressava o desejo de constituição de uma unidade regional autônoma. Nestes termos, o grupo acentuou uma estrutura de sentimento afirmativa de uma ruptura regional na perspectiva de uma nova ordem, vis a vis o bloco ocidental hegemônico. O resultado indicou um sentimento de elo perdido ou de auto-exílio, não propriamente de uma diáspora: mais multifacetada e híbrida, característica da produção atual. Profª Drª Renata Senna Garraffoni (Dehis/UFPR) GRAFITES ROMANOS EM POMPEIA: AUTORIA E DIVERSIDADE NA ANTIGUIDADE Durante muito tempo entendidos como grotescos ou exemplos de latim vulgar, os grafites de Pompeia, embora registrados por epigrafitas, dificilmente eram estudados. Nas últimas décadas, no entanto, a partir do desenvolvimento da arqueologia pós-processual e sua abordagem crítica aos modelos normativos de cultura, os grafites e as inscrições parietais passaram a ocupar um lugar de mais destaque entre os epigrafitas. Por terem sido escritos por pessoas das camadas populares, para além de indicarem as formas diversas de escrita do latim, os grafites tem se mostrado registros importantes da diversidade de forma de pensamentos e visões de mundo nesse momento do império romano. Nesse sentido, a presente comunicação tem o objetivo de explorar as potencialidades desses registros para pensarmos diversidade, autoria e pluralidade no mundo antigo. Prof. Dr. Tadeu Capistrano (UFRJ) A AUTOFICÇÃO EM CLOSE-UP: KIAROSTAMI, O CINEMA E A IMAGEM-TESTEMUNHA Close-up (1990), de Abbas Kiarostami, apresenta a narrativa de Hossain Sabzian que, ao se fazer passar pelo diretor de cinema Mohsen Makhmalbaf, engana uma família prometendo um filme. Preso, ele é julgado pelo crime que cometeu. No entanto, quando esta situação é restituída pelo cinema ocorre um sofisticado jogo metafílmico que mobiliza discussões sobre imagem e autoria, e que eleva a arte cinematográfica ao estatuto de testemunha de defesa dos abalos entre ficção e realidade. A partir dessa questão estética e política observaremos como o filme de Kiarostami se tornou uma obra paradigmática para se pensar as relações entre sujeito e representação, bem como a metáfora do cinema como um tribunal onde verdade, origem e justiça estão radicalmente sob acusação.

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19 Simpósios
1. "Pensamento liminar, narrativas e literaturas pós-coloniais" Coordenadores: Profª Drª Adelia Miglievich (Ufes), Profª Drª Jurema Oliveira (Ufes) e Profª Drª Júlia Almeida (Ufes) A ampla gama de estudos sob a rubrica pós-colonial reúne, dentre outros, a crítica literária, a literatura, os estudos culturais, a crítica social no esforço de desconstrução das narrativas colonizadoras que atraíam para si o estatuto de universal mediante o silenciamento violento da voz do colonizado e de seu ponto de vista. Em suas várias vertentes, a crítica pós-colonial aponta para a colonialidade do ser, do poder e do saber que fizeram da diferença em relação ao suposto padrão universal (por ela revelado como ocidental) algo inferior, destituído de legitimidade e de voz. A crise do ocidentalismo e das narrativas historicamente hegemônicas, acerca da organização do mundo, das culturas e das identidades (gênero, "raça" e outras), faz emergir, porém, um pensamento liminar, nascido nas fronteiras, produto de deslocamentos no espaço e no tempo que vem promover os saberes tidos como subalternos. O Simpósio reunirá pesquisas que problematizam, na observação do sujeito da enunciação e de seu lugar, a modernidadecolonialidade presente na construção das identidades ontem e hoje bem como as novas sinalizações de descolonização epistêmica.

2. “Escritas de si e performances autorais” Coordenadores: Profª Drª Andréia Delmaschio (Ifes), Profª Me. Daise de Souza Pimentel (Doutoranda do PPGL/Ufes), Profª Drª Fabíola Padilha (Ufes) e Prof. Me. Pedro Antônio Freire (Doutorando do PPGL/Ufes) Na esteira do que a crítica literária recente vem denominando de “retorno do autor”, este simpósio pretende reunir trabalhos comprometidos com a investigação das várias formas narrativas de “escritas de si” praticadas na contemporaneidade. Além de contemplar as diversas modalidades de cunho biográfico (relatos, testemunhos, diários, correspondências, biografias e autobiografias), a ideia deste simpósio é proporcionar ainda uma ampla discussão acerca da incorporação de estratégias autobiográficas pela escrita ficcional, deflagrando um redimensionamento de noções como verdade, sujeito e ficção. Esperamos, assim, fomentar uma reflexão sobre os deslocamentos, as experiências e as fronteiras atinentes à construção do eu, que dão ensejo à manifestação de múltiplas performances autorais, mobilizando-nos a pensar a questão lançada por este congresso: “Que autor sou eu?”

3. “Gritos e ecos da prosa brasileira contemporânea – as formas da pátina: conto ou não conto?” Coordenador: Prof. Dr. Deneval Siqueira de Azevedo Filho (GEITES - Grupo de Estudos Interdisciplinares de Transgressão - Espírito Santo) Este simpósio tem como objetivo abordar os fenômenos estéticos e midiáticos da prosa brasileira pós-modernista, entre 1970 e os dias atuais, enfocando aspectos como prosa de raiz poética, prosa antiliterária, poéticas de visualidade, poéticas de visibilidade, oralidade, intertextualidades e as incorporações da linguagem das várias mídias e dos vários meios de comunicação e de expressão. A ideia é remexer o caldeirão autoria/cânone/mercado da prosa de ficção brasileira contemporânea e como ela incorpora e reprocessa os "textos" da XIII Congresso de Estudos literários: Que autor sou eu? Deslocamentos, experiências, fronteiras

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indústria cultural e os signos urbanos e/ou outros que gritam por visibilidade transformando-os em textos literários.

4. “As marcas do texto e os deslocamentos do eu: análise, interpretação e significação das imagens do eu e do real na construção de territórios poéticos” Coordenadores: Prof. Dr. Alexandre Jairo Marinho Moraes (Ufes) e Profª Me. Rafaela Scardino Lima Pizzol (Ufes) Este simpósio tem por objetivo propor interpretações, conceituações e análises referentes aos processos de constituição, afastamento e aproximação do eu, seus deslocamentos, fronteiras ficcionais e de autoria presentes no texto e suas marcas, verificando como o texto poético circunscreve, representa e atua como discurso propositivo de significação do eu, do real e da circulação dos sistemas de autoria e de identidade.

5. “Ficcionalidades” Coordenadores: Prof. Dr. Sérgio da Fonseca Amaral (Ufes), Prof. Me. Adolfo Oleare (Ifes), Prof. Me. Vitor Cei (UFMG) O simpósio tem por objetivo discutir trabalhos voltados à tensão entre a escrita ficcional e os discursos formadores das práticas sociais e subjetivas (sejam eles coletivos ou individuais). A partir de estudos de filósofos e de teóricos envolvidos no exame crítico de escritas e valores constituintes da tradição ocidental, pretende-se reunir pesquisas sobre textos teóricos, narrativos, poéticos ou dramáticos no intuito de realçar as complexas relações discursivas em torno das noções de autor, deslocamentos, experiências, fronteiras, entendidas como áreas hachuradas de ficção/realidade. Desse modo, o universo ficcional deve ser encarado como o lugar de diluição da subjetividade e da objetividade, produzindo vazios de sentido no intuito de instabilizar formas sociais ritualizadas, tais como humanidade, raça, gênero, sexualidade, etnia, religião, língua, ideologia, política e sujeito.

6. “Marginais e intelectuais: escritas e imagens do Brasil contemporâneo” Coordenadores: Prof. Dr. Jorge Nascimento (Ufes), Andressa Nathanailidis (Doutoranda PPGL/Ufes), Michele Freire Schiffler (Doutoranda PPGL/Ufes) Qual a importância de certo tipo de produção artística contemporânea no que tange às possibilidades de construção de processos reflexivos que levem à atuação social? Partindo da percepção de Heloisa Buarque de Hollanda de que “vamos ter que repensar, com radicalidade, nosso papel como intelectuais tanto no campo social, como no acadêmico e artístico”, o nosso Simpósio pretende aglutinar trabalhos que se baseiem na reflexão acerca da nova produção artística brasileira que se insira no eixo temático da(s) “marginalidade(s)”. Dessa forma, quer seja do campo literário ou audiovisual, abordaremos obras – tanto de escritores e/ou artistas das periferias, como de outros – que tratem de temas como exclusão social, violência urbana, marginalização, guetização, patrimônio cultural, ancestralidade, hibridismo etc.

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7. “Música na Literatura: Literatura na Música” Coordenadora: Profª Drª Mónica Vermes (PPGL, PPGA, DTAM – Ufes) Música e literatura estão entrelaçadas desde a origem de ambas. A música como linguagem primordial de Rousseau, a musicalidade na poesia dos simbolistas, a grande importância da retórica musical – fruto das estreitas relações da música com as artes dicendi – nos séculos XVII e XVIII, os gêneros indissociavelmente literários e musicais dos poetas gregos, a inspiração literária para a música programática romântica, os exemplos são inúmeros. Para além da relação mais frequentemente discutida entre música e letra na canção, o diálogo entre essas duas formas de expressão tem sido intenso e enriquecedor para ambas. Convidamos a participar deste simpósio trabalhos que explorem as várias relações possíveis entre Música e Literatura.

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