CENTRO UNIVERSITÁRIO SENAC

PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DA COMUNICAÇÃO EM MÍDIAS DIGITAIS

Fabiana ANDRADE-PEREIRA Junior Ribeiro de FREITAS

ROMPENDO AS FRONTEIRAS ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO: ANÁLISE DE USO DA REDE SOCIAL LINKEDIN PELA GERAÇÃO Y

São Paulo 2011

Fabiana ANDRADE-PEREIRA Junior Ribeiro de FREITAS

ROMPENDO AS FRONTEIRAS ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO: ANÁLISE DE USO DA REDE SOCIAL LINKEDIN PELA GERAÇÃO Y

Trabalho realizado como pré-requisito do Centro Universitário SENAC, Unidade Lapa-Scipião, como exigência para obtenção do grau de Especialista do curso de pós-graduação lato sensu em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais.

Orientadora Profa. Ms. Cátia Lassalvia

São Paulo 2011

Autorizamos a reprodução total ou parcial do conteúdo deste trabalho, desde que citada a fonte.

A553r Andrade-Pereira, Fabiana Rompendo as fronteiras entre o público e o privado: análise de uso da rede social LinkedIn pela Geração Y/ Fabiana Andrade-Pereira, Junior Ribeiro de Freitas. - São Paulo, 2011. 79 f.: il.; 30 cm. Orientadora: Cátia Lassalvia Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Pós-Graduação em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais. Centro Universitário SENAC, Unidade Lapa-Scipião, São Paulo, 2011. Inclui CD. 1. Redes sociais - usos. 2. Redes sociais profissionais. 3. LinkedIn. 4. Geração Y. 5. Privacidade. 6. Hibridização. 7. Capital social. 8. Web 2.0. 9. Web Social. 10. Convergência. I.Freitas, Junior Ribeiro de. II. Lassalvia, Cátia. III. Título: Análise de uso da rede social LinkedIn pela Geração Y.

CDD 302.2314

Fabiana ANDRADE-PEREIRA Junior Ribeiro de FREITAS

Título: Rompendo as fronteiras entre o público e o privado: análise de uso da rede social LinkedIn pela Geração Y.

Trabalho realizado como pré-requisito do Centro Universitário SENAC, Unidade Lapa-Scipião, como exigência para obtenção do grau de Especialista do curso de pós-graduação lato sensu em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais.

Orientadora Profa. Ms. Cátia Lassalvia

São Paulo, ____/____/2011.

Examinador(a):_________________________________________________ Conceito:_________________________

Orientador(a)___________________________________________________ Conceito:_________________________

Dedico este trabalho ao meu companheiro de jornada, Julius Cesar, que ficou ligado o tempo que durou esta pesquisa e aguentou toda a sobrecarga; Dedico aos meus pais que entenderam porque eu não saia do quarto; Dedico aos meus amigos que, DE FORMA ALGUMA me deixaram sozinha neste momento complexo e que ficaram felizes com o fim deste TCC, uma vez que agora estou livre pra voltar a vida social real: Alana, Bruna Gavranich, Wagner, Camila, Rodrigo, Gledson, Alex Bastos, Alex, Ricardo, Lidi, Manú, Renato, Ju Guerra, Ferri, Jay, Cris, Paulo, Mana, Henrik, Fuinha, Tatu, Roger, Luana, Keila, Cu, Renata, Meninas da BVFAPESP e outros (se eu esqueci de alguém, mil perdões!) - muito obrigada pelo apoio e pelos momentos de descontração pessoalmente e via redes sociais! =) Um agradecimento especial à Milena pelas super dicas do mundo acadêmico =* Dedico aos professores e colegas da pós! Muito <3 Dedico às minhas lindezas Melissa e Nicoli por tentarem me tirar da frente do computador a todo custo pra gente brincar e ser feliz; Dedico ao meu querido Jr Freitas por ter aguentado a “tia Fabi”. Obrigada pela parceria, gato! ;) Foi uma luta, mas sinto muitoooo orgulho por ter conquistado mais essa etapa na minha vida! XD

http://br.linkedin.com/in/fabiandradep

Dedico este trabalho, primeiramente, aos meus pais que tornaram mais essa etapa possível, e me incentivaram sempre a correr atrás dos meus sonhos. Agradeço também aos meus irmãos André, Adriana, Cláudia e Eliana, que mesmo distantes e sem entender o que eu faço até hoje sempre estiveram ao meu lado torcendo pelas minhas conquistas. Aos meus amigos de turma que me receberam de braços abertos a capital paulista, sempre curtindo bons momentos juntos e me ensinando os melhores lugares para beber nessa cidade. Aos grandes amigos que fiz nesse um ano de nova vida em São Paulo, especialmente a galera do @GrupoTV1. Todos frita! Aos amigos de Paraguaçu Paulista que sempre me apoiaram e nunca deixaram de olhar na minha cara mesmo que a distância e visitas fossem cada vez mais longas. A professora e orientadora Cátia, pela paciência, entusiasmo, apoio e ensinamentos a este trabalho. A minha grande amiga Fabiana Andrade Pereira, com quem divido a produção deste trabalho, e agradeço pelos ensinamentos, paciência, horas perdidas de sono, cervejas, confidências e risadas que compartilhamos juntos. Foi apenas um ano dessa etapa, mas que não será esquecida nunca. Pessoas maravilhosas, professores excelentes e momentos incríveis que me trouxeram muitas coisas boas. Obrigado a todos e a cerveja! http://br.linkedin.com/in/juniorfreitas

AGRADECIMENTOS

Aos nossos pais e amigos, À nossa orientadora Cátia Lassalvia, A Deus, Às redes sociais, Às plataformas mobile, Às redes wi-fi, À cerveja, Nossa eterna gratidão!

“Good Internet companies never ambush their users”.
(Reid Hoffman)

RESUMO

A pesquisa aborda o uso da rede social LinkedIn pela Geração Y e as motivações que a levam a integrar esse espaço a outras redes sociais. É demonstrado, por meio de levantamentos bibliográficos, que o uso das redes sociais virtuais faz com que as pessoas também atribuam novos sentidos e significados, sobretudo às noções de público e privado. Com base nas características dos Ys, buscou-se compreender como são os profissionais desta geração e qual a visão deles sobre trabalho e carreira. Por possuir uma quantidade expressiva de usuários pertencentes a esta geração, o LinkedIn se destaca atualmente como uma importante ferramenta de e-recruitment. Devido a isso, é demonstrada a importância das suas funcionalidades para atender a emergência desses novos profissionais, além de apresentar o que tem sido feito para garantir que seus usuários adquiram laços sociais e ampliem seu networking por meio da rede. Observando processos diversos de integração de redes sociais profissionais com redes de caráter pessoal, esta pesquisa verificou como os indivíduos da Geração Y se comportam diante desse movimento. Para tanto, foi necessário compreender as motivações de compartilhamento de conteúdo, expressividade e exposição pessoal dos Ys nesses espaços. Para essa geração, as redes sociais são ambientes de construção do capital social necessário para a manutenção dos laços sociais e para a conquista de oportunidades de negócios e carreira. A partir das apresentações teóricas, este trabalho permite uma reflexão ímpar acerca da influência das redes sociais no processo de hibridização entre espaços virtual e real da Geração Y, uma vez que ela não consegue mais desvincular sua vida pessoal da profissional.

Palavras-chave: Redes sociais – usos; Redes sociais profissionais; LinkedIn; Geração Y; Privacidade; Hibridização; Capital Social; Web 2.0; Web Social; Convergência.

ABSTRACT

The research discusses the use of LinkedIn social network by the Generation Y and the motivations that lead to integrate this space with other social networks. Is shown through of literature surveys, that the use of social networking makes people have new assignments of sense, especially the notions of public and private. Based on the characteristics of the Ys, we sought to understand how are the professionals of this generation and which are their view of work and careers. For having a expressive amount of users belonging to this generation, LinkedIn today is highlighted as an important tool for erecruitment. Due of this, it is proved the importance of its functionality to serve the emergence of these new professionals, and presents what has been done to make sure that users purchase their social links and expand theirs networking through of net. Noting many processes of professional social networks integration with networks of personal character, this research verified how Generation Y behave with this movement. It was necessary to understand the motivations of content sharing, personal expression and exposure of the Ys in these spaces. For this generation, social networking are environments to the construction of social capital needed for the maintenance of social links and the achievement of business opportunities and careers. Based on the theoretical presentations, this work provides a unique reflection on the influence of social networks in the process of hybridization between virtual and real spaces of Generation Y, since they can not unlink their personal lives and work.

Keywords: Social Networks – usage; Professional Social Network; LinkedIn; Generation Y; Web 2.0; Privacy; Hybridization, Social Capital, Social Web, Convergence.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................10 1.1 A Geração Y e o LinkedIn .............................................................14 1.2 Hibridação dos espaços público e privado: vida pessoal e profissional conectadas .....................................................................16 2. OBJETIVOS .....................................................................................17 3. JUSTIFICATIVA ..............................................................................18 4. HIPÓTESE .......................................................................................20 5. METODOLOGIA ...............................................................................21 6. O PÚBLICO E O PRIVADO PELO OLHAR DAS REDES SOCIAIS: UMA CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA ......................................................23 6.1 As delimitações entre público e privado na sociedade em rede ....23 6.2 Os conceitos de público e privado no compartilhamento de conteúdos em redes sociais pela Geração Y .......................................27 7. A GERAÇÃO Y E SUA RELAÇÃO COM O TRABALHO...........................33 7.1 Características da Geração Y ........................................................33 7.2 Os profissionais da Geração Y ......................................................37 7.2.1 Geração Y: Profissionais que reconfiguram as organizações com suas novas perspectivas de trabalho e carreira ................................................40 8. AS REDES SOCIAIS PROFISSIONAIS ..............................................44 8.1 Redes Sociais para estar no mercado de trabalho ........................44 8.2 As Redes Sociais Profissionais .....................................................45 8.3 O LinkedIn ...................................................................................47 8.3.1 Funcionalidades do LinkedIn...........................................................52 8.3.2 Integração do LinkedIn com outras redes sociais ..............................55 9. GERAÇÃO Y: VIDA PESSOAL E PROFISSIONAL INTEGRADAS ..........58 9.1 Geração Y e a demanda por integração ........................................58 9.2 O capital social: o que motiva a expressividade e a criação de laços sociais pela Geração Y em redes sociais ....................................60 9.3 Vida pessoal e a profissional interconectadas: uso do LinkedIn e consequências para a Geração Y ........................................................66 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................70 REFERÊNCIAS ....................................................................................73

1. INTRODUÇÃO

A Cibercultura1 pode ser entendida como uma nova estrutura social e de valores, legitimada pela emergência do ciberespaço, da sociedade em rede e de percepções diversificadas sobre o mundo. Nela estão inseridos o imediatismo, a presença constante das novas tecnologias nos hábitos mais simples, a modelagem de valores diferenciados que impactam formas de comunicação, relacionamento e de trocas sociais. Segundo Fragoso (2000, p. 1), uma “experiência exorbitante da realidade”. Modificam-se, além das noções de global e local, também os conceitos sobre tempo e espaço, privado e público, oral e escrito, individual e coletivo – sendo explícito o impacto social de todas essas transformações. A “noção de rede”, compreendida como pontos e seus nós, substitui a hierarquização das estruturas de relacionamento e comunicação, dando lugar à descentralização como formato de operação. Esse movimento, segundo Lévy, gera uma hibridização das linguagens, acarretando processos de “desterritorialização da experiência”. (LÉVY, 1996, p. 35). O fenômeno da sociedade em rede passa a atrair a atenção de pesquisadores preocupados em compreender sua potencialidade, os movimentos e as articulações que nelas ocorrem. (RADOMSKY; SCHNEIDER, 2007, p. 250). Entre os maiores teóricos que descrevem a dinâmica das redes sob o âmbito sócio-tecnológico, destacamos Castells em sua obra "A Sociedade em Rede" (1999), que demonstra como as redes, de um modo geral, precisam ser compreendidas como fenômeno social com alto grau de poder influenciador. Dentro deste contexto, esta monografia pretende recortar, no uso de uma rede social específica, como se dão as percepções sobre o que é informação pública e o que é contexto privado, tendo como base o entendimento de um perfil geracional – a chamada Geração Y.
1

Ciberespaço é definido como “o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”. Trata-se de um novo meio de comunicação estruturado. A Cibercultura é a cultura contemporânea fortemente marcada pelas tecnologias digitais. (LÉVY, 1999, p. 92).

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O LinkedIn, a rede que estudaremos nesta monografia, é uma rede social de caráter profissional. Ela possui grande representatividade entre as redes profissionais do mundo, com número de usuários muito expressivos – 101 milhões de usuários até o mês de janeiro de 2011 (LINKEDIN, 2011a), contra os 35 milhões de usuários do seu maior concorrente – a rede social de origem francesa Viadeo2, do mesmo segmento. (VIADEO, 2011). As faixas etárias que tiveram o maior crescimento de uso nesta rede foram as de 18-24 anos e de 25-34 anos, que em 2008 representavam juntas 29% do total dos usuários. Já em 2011 alcançaram 56,7% do total. Ao observar as mesmas faixas etárias no uso do LinkedIn no âmbito da América Latina, elas representam 75% - sendo um dos índices mais elevados no uso da rede profissional, perdendo somente para o total da Ásia - que possui 76% das pessoas com idades entre 18-34 anos. Entre os países latino-americanos que mais utilizam esta rede, o Brasil é o líder, com mais de 3 milhões de usuários, seguido do México e da Argentina que juntos formam 2,3 milhões de usuários. (LINKEDIN, 2008; 2011a). Estes dados são importantes no contexto desta monografia, pois demonstram que os usuários dos 18 a 34 anos estão participando de redes sociais virtuais, inclusive das mais segmentadas, como o LinkedIn. Nelas eles buscam encontrar novas formas de obter contatos e networking. Segundo o site3 da própria rede, os jovens têm apostado nesta rede social e utilizado suas ferramentas para fazer seus primeiros contatos profissionais. Para auxiliá-los nisso, no final de 2010, o LinkedIn lançou uma ferramenta para orientação profissional de estudantes de graduação – um recurso que mapeia suas carreiras, mostrando o caminho de profissionais bem sucedidos e oferecendo os recursos necessários para motivar as oportunidades de trabalhos – o LinkedIn Career Explorer4. (LINKEDIN, 2011b). Os jovens representados por esta faixa de 18-34 anos pertencem à Geração Y, segundo definiu Tapscott (2010) para designar pessoas nascidas entre 1977 a 1997. Também chamados de “Geração Internet” ou “Geração do
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http://www.viadeo.com http://www.linkedin.com http://blog.linkedin.com/2010/10/04/linkedin-career-explorer

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Milênio”, eles têm como principal característica terem crescido sob a “ascendência do computador, da internet e de outras tecnologias digitais”. Ou seja, devido ao fato de terem crescido em uma sociedade digitalizada, essa pode ser considerada a “primeira geração imersa em bits”. Eles são apontados como os protagonistas das mudanças nos comportamentos sociais, que envolvem novas formas de comunicação, interação e sociabilidade. Entre esses impactos, tornaram-se grandes defensores e usuários de redes sociais virtuais. Tapscott e Williams (2007, p. 30) definem que a Web 2.0 emerge como uma plataforma global, na qual a colaboração e o compartilhamento exercem papel central, “remodelando quase todos os aspectos das relações humanas”. Os processos comunicativos se articulam e dão visibilidade ao funcionamento das novas formas de sociabilidade, nas quais “seres digitais”, membros das comunidades virtuais que habitam o ciberespaço, constroem as suas identidades num contexto comunicacional capaz de gerar uma teia de novas sociabilidades midiáticas. (MARCELO, 2001, p. 85). Nesse contexto, surge o conceito da Web Social5, designada para descrever pessoas se socializando e usando tecnologia interativa para conseguir o que desejam – de relacionamento a manifestação em defesa de seus direitos ou de sua “arte”. Em sua maior parte, a Web Social é formada por redes sociais, por conteúdo gerado pelo de usuário, conteúdo, pela que blogosfera agregam e por sites de compartilhamento novas perspectivas

comunicacionais, tornando evidente a percepção sobre comportamentos típicos da cibercultura. As redes sociais, segundo Sayon (2008),
[...] nasceram para integrar membros com interesses e ideologias ligados pela relevância de um determinado assunto e para proporcionar integração e interatividade através de comunicação e compartilhamento de conteúdo.

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Os conceitos de Web 2.0 e Web Social são tão congruentes que muitas vezes são apresentados como sinônimos.

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Para Figueiredo (2009, p. 22), o ato de “estar on-line” nas redes sociais e o hábito de compartilhamento vêm promovendo modificações profundas no nosso cotidiano. Esse fato é ainda mais perceptível quando levamos em consideração o acesso à banda larga e a mobilidade6. Por meio das redes sociais virtuais é possível se comunicar com indivíduos que estão fora da rede social real e partilhar interesses comuns, estabelecendo assim, a manutenção dos laços sociais. De outra forma, eles poderiam existir, mas não seriam tão visíveis, ou em alguns casos, nem seriam possíveis. Por isso, as redes sociais passaram a ser potenciais agregadoras de valor de capital social, aumentando a rede de relacionamentos – do círculo de amizades ao networking profissional7. No ano de 2010, diversas plataformas de redes sociais viram potencial no Brasil e lançaram suas versões em língua portuguesa. Segundo o artigo "Social Networks/Blogs Now Account for One in Every Four and a Half Minutes Online", publicado em 15 de junho de 2010 do Blog NielsenWire8, 86% do usuários brasileiros utilizaram redes sociais, e lideram o ranking mundial nessa categoria. A rede social mais acessada pelos brasileiros é o Orkut9, rede de relacionamento do Google, no qual compõe 50% dos seus usuários. Outras ferramentas de redes sociais virtuais de diferentes seguimentos tiveram crescimentos consideráveis e têm sido cada vez mais utilizadas. Para se ter idéia da proporção do crescimento da utilização desse meio, é possível observar alguns números em relatórios disponibilizados por empresas de pesquisas como The Nielsen Company10 - que revela outro fenômeno importante: o mercado de produtos e serviços para internet ou os modelos de negócios que utilizam a Internet como canal primário ou

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Lemos (2005) define mobilidade como o movimento do corpo entre espaços, entre localidades, entre espaços privados e públicos. Trata-se de colocar máquinas e objetos computacionais imersos no cotidiano de forma onipresente – computação ubíqua. 7 Networking é a construção de relacionamentos que atendem a interesses pessoais e profissionais. (GRINBERG, 2009). 8 http://blog.nielsen.com/nielsenwire 9 www.orkut.com 10 http://www.nielsen.com – Empresa dedicada na análise, mensuração, oportunidades e identificação de tendências de negócios on-line. É um excelente canal de coleta de dados e estudos sobre o comportamento dos consumidores on-line.

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secundário de comercialização. Assim como as pessoas, muitas empresas estão investindo na criação de perfis para “estar presente” nas redes sociais. Carvalho (2010, p. 2) descreve que a mudança comportamental do consumidor diante da realidade atual pode ser caracterizada como uma “combinação do espaço tradicional e do ciberespaço, do racional e do emocional, da comunicação virtual e da presença física”. Para ele, ocorre uma convergência desses fatores em um único indivíduo, pertencente à nova sociedade de consumo e que necessita se expressar.

1.1 A Geração Y e o LinkedIn

De acordo com os dados do ComScore (2011), a audiência da internet no Brasil é composta por 63% de pessoas com idade entre 15 e 35 anos, que navegam em média 24,3 horas por mês. O aumento da população on-line no Brasil se deve, sobretudo, ao “boom” das redes sociais, que abordam todos os temas e integram novos meios de comunicação entre os usuários. Tapscott (2010) define essa faixa etária como a Geração Y,

caracterizada pela grande assimilação de tecnologia, “já que cresceram com ela”, enquanto as outras gerações tiveram de se “adaptar a ela”. Tapscott destaca:
[... eles] passaram a ver a tecnologia simplesmente como uma parte do seu ambiente e a absorveram como todas as outras coisas. [...] A tecnologia foi completamente transparente para a Geração Internet. (TAPSCOTT, 2010).

Assistimos a um movimento no qual as redes sociais buscam criar produtos direcionados à Geração Y, por entender que elas expressam os anseios da geração digital – talvez a primeira das várias que estão por vir. Essa geração que já nasceu sob o signo da cibercultura e da web social anseia por plataformas para sua liberdade de expressão e a possibilidade de compartilhar conteúdos diversificados: os insumos para que possam adquirir

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capital social – expresso como visibilidade, popularidade, reputação e autoridade nas redes. Um exemplo de rede que tem sido bastante acessada no Brasil, e que representa um importante modelo de segmentação e clusterização11, é o LinkedIn - ferramenta de relacionamento entre profissionais do mundo todo, criada em 2002, e que será o foco do nosso trabalho. É interessante perceber também como tendência generalizada o movimento de integração entre as redes. A partir de uma postagem única, várias podem ser atualizadas ao mesmo tempo. Um exemplo disso é a integração do MSN12 com o Twitter13, ou de aplicativos14 externos - como os agregadores. Nesse contexto, o que nos inquieta – precisamente por representar um comportamento novo – é explicar as razões que levam as pessoas a misturar redes com informações e propósitos tão diferentes. Ou seja, por que as pessoas, em particular a Geração Y, parecem achar normal a integração de informações profissionais e mais sérias a outras que são puro entretenimento e socialização entre amigos e conhecidos virtuais. De acordo com o Portal Terra (2010), em sua seção sobre Tecnologia, a rede social LinkedIn foi bastante relutante no início à implementação de novas funcionalidades de integração, mas nos últimos tempos buscaram desenvolver APIs15 e plugins16 para integração com o Twitter, Microsoft Outlook, MSN e outros. Integrar, portanto, parece ter se tornado um valor, algo importante para o profissional da Geração Y - já que para ele as informações pessoais

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Clusterização: Método de agrupamento por afinidade e semelhanças. www.msn.com 13 www.twitter.com 14 Aplicativos sociais são programas desenvolvidos para serem disponibilizados em sites de redes sociais (como Orkut, Facebook, MySpace, Twitter, entre outras) para utilização opcional pelos usuários. 15 API: Application Programming Interface (ou Interface de Programação de Aplicações) é um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por programas aplicativos que não querem envolver-se em detalhes da implementação do software, mas apenas usar seus serviços. Fonte: Wikipedia. 16 Plugin (também conhecido por plug-in, add-in, add-on) é um programa de computador usado para adicionar funções a outros programas maiores, provendo alguma funcionalidade especial ou muito específica. Fonte: Wikipedia.

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podem acrescentar ao mundo profissional, e vice-versa, fazendo parte de sua personalidade.

1.2 Hibridação dos espaços profissional conectadas

público e

privado: vida pessoal e

Com a globalização e a convergência17 instauradas na vida das pessoas e vivenciadas em ambientes virtuais, fica difícil observar as delimitações entre tempo e espaço, público e privado, pessoal e coletivo, vida pessoal e profissional. Esse fato é resultante da percepção híbrida do estar on-line e offline. Ou seja, a hibridização entre o espaço físico e espaço digital ocorre com naturalidade. (LEMOS, 2005). Santaella (2008, p. 130) destaca que o ciberespaço se tornou “parte integrante de um espaço de fluxos”. Ou seja, passou a ser um local de práticas sociais e de compartilhamento que “deixaram de viver nas áreas limítrofes entre a cultura física e da virtual.” A autora compreende que a evolução das tecnologias multifuncionais “introduziu condições sociais inesperadas”, que prometem reconfigurar experiências e entendimento sobre espaço e cultura. Ela enfatiza que essas tecnologias “[...] com seus canais abertos para a intimidade, ensejam os mais variados graus de privacidade em ambientes públicos, tornando movediças as fronteiras entre o público e o privado”. Por meio de pesquisa bibliográfica, este trabalho propõe analisar o que tem acontecido com as percepções sobre público e privado no ambiente das redes, em especial no LinkedIn. Nosso foco terá recorte preferencial na Geração Y, que já integra o mercado de trabalho e que possui perspectivas e anseios diferentes das gerações anteriores.

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De acordo com Jenkins (2006, p. 27) “convergência [também] é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais”.

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2. OBJETIVOS

Este trabalho tem por objetivo analisar se a Geração Y atribui valor à diferenciação e se, na prática, faz distinção entre o que são informações de redes sociais de caráter pessoal, de outras de caráter mais profissional e público. O foco do nosso estudo será o uso da rede social profissional LinkedIn. Ou seja, dado um ambiente como a rede social LinkedIn, que destinase principalmente ao universo das relações profissionais e corporativas, e que é acompanhado por recrutadores de empresas em busca de novos profissionais, quais são as motivações dos usuários para a valorização dessa mistura de informações pessoais e profissionais? Como fazem discernimento sobre os limites da informação em redes sociais de caráter tão diferentes?

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3. JUSTIFICATIVA

Nossa escolha deve-se à importância que o tema mídias sociais e capital social vêm adquirindo nos últimos anos, com impactos significativos para os campos da comunicação e do desenvolvimento de produtos e negócios. No ponto de vista acadêmico, o tema se justifica pela premência em compreendermos os fenômenos da web social, das mídias sociais, dos novos perfis de consumo como agentes de re-significação de valores e percepções no universo da cibercultura. Buscamos entender com isso: a) o comportamento social em rede, em especial da Geração Y,

antecipando algumas tendências para as gerações que a sucederão; b) as estratégias que as redes sociais virtuais utilizam para atrair novos usuários, para mantê-los em movimento, criando e adotando produtos e serviços de acordo com suas necessidades; c) os conceitos sobre trabalho, profissão e empreendedorismo; d) as percepções sobre tempo e espaço, indivíduo e coletivo, público e privado, entre outros aspectos nominalmente opostos.

Esses pontos foram mencionados, sobretudo, por fazer parte do percurso metodológico desta pesquisa. A maioria dos materiais de referência utilizados para a construção deste trabalho se baseia em conteúdos que abordam um ou mais desses aspectos. Este estudo é importante, principalmente, por demonstrar as

peculiaridades das redes sociais virtuais como meio de comunicação e das possibilidades de interação e relacionamentos que elas proporcionam. Tomaél, Alcará e Di Chiara (2005, p. 93) destacam que a configuração social em rede é característico do ser humano e que pode ter diversas formas. Assim, o indivíduo vai delineando e expandindo sua rede conforme sua 18

inserção nas comunidades virtuais, que funciona como um dos principais meios de concretização dessa sociabilidade virtual. Com as redes sociais virtuais, as relações podem independer do tempo e do espaço. Mesmo assim, o que mais vemos são relações que refletem a realidade ao seu redor e a influência que já existe no mundo real. Por ter essa dimensão, a representação e a interpretação das relações em rede estão fortemente ligadas à realidade que a cerca; a rede é influenciada pelo seu contexto e esse por ela. (TOMAÉL; ALCARÁ; DI CHIARA, 2005, p. 93). De acordo com a pesquisa da YouthNet (2009) é crucial compreender como as pessoas se comportam on-line, e entender que as mudanças tecnológicas significam uma mudança no comportamento das pessoas. A observação e análise fornecem uma visão sobre como se comportam as novas gerações, como elas interagem por meio das tecnologias, e revelam informações importantes que confrontam essas pessoas quando estão em meio virtual. A Pesquisa também destaca que é precisamente a natureza “híbrida da vida” desses jovens que precisa ser entendida – a junção do mundo virtual com o mundo físico, uma vez que eles são “Nativos Digitais”. Eles são fundamentalmente diferentes das gerações anteriores, na medida em que cresceram com comunicação digital e têm diferentes expectativas e necessidades, no qual combinam aspectos físicos e virtuais em uma rede contínua de comunicação, informação, entretenimento e compartilhamento.

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4. HIPÓTESE

A hipótese preliminar deste trabalho é que as noções sobre público e privado, pessoal e profissional, ganham novas significações para a Geração Y. Para eles, portanto, não haveria problema nenhum de uma rede social profissional – que atua muitas vezes como seu currículo e portfólio profissionais – expor publicamente o lado pessoal e de entretenimento de suas vidas, pois tudo faria parte de um todo de sua personalidade, não havendo necessidade de uma etiqueta mínima que diferencie quem eu sou no trabalho de quem eu sou com meus amigos e familiares.

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5. METODOLOGIA

Para

o

desenvolvimento

deste

trabalho

optamos

pela

análise

bibliográfica, tendo como base autores transdisciplinares, capazes de olhar a realidade a partir de prismas diferenciados, mas que tratam dos temas Comunicação e Cibercultura com amplo domínio. Estão na lista principalmente Tapscott (2009; 2010), Castells (1999), Recuero (2005; 2006; 2009), Jenkins (2008), Lemos (2002; 2005), Lévy (1996; 1999), Solove (2004; 2007; 2008) e outros. Estes autores nos apóiam na contextualização dos sobre Geração Y, Web 2.0, comportamento de usuários de redes sociais e redes sociais profissionais. Também serviram como base para este estudo, sites e institutos de pesquisas que mensuram constantemente a audiência da internet, como Alexa, ComScore, Johnson Controls, Pew Internet & American Life Project, YouthNet e IBOPE Nilsen Online - que forneceram dados secundários como audiência, gráficos e considerações, úteis para fomentar a pesquisa com números atuais que comprovam o grande poder dos usuários da internet e as redes sociais, principalmente a utilização destes sites por usuários da Geração Y. Estes sites serviram como base para analisar e comparar o comportamento dos novos profissionais na internet. Parte das informações utilizadas neste trabalho foi encontrada na Internet, visto que ainda são poucos os livros e materiais acadêmicos que falam a respeito do conteúdo relacionado à pesquisa. Para encontrar estes materiais foi utilizado o Google Acadêmico18, importante buscador de teses, artigos acadêmicos e livros do mundo todo. Devido ao tema ser de interesse atual, também encontramos em Blogs (como o Nilsen Wire e o Blog do próprio LinkedIn) e grupos de discussão (tal como o grupo Geração Y19, no Facebook) diversas informações sobre o tema da pesquisa.

18 19

http://scholar.google.com.br http://www.facebook.com/GeracaoY

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Foram realizadas pesquisas utilizando palavras chave como: Geração Y, redes sociais profissionais, LinkedIn, Geração Y e trabalho, privacidade nas redes sociais, público e privado, uso de redes sociais por jovens, integração, redes sociais, Web 2.0, compartilhamento de informações na internet, peering, interoperabilidade e audiência das redes sociais. Todos estes termos também foram pesquisados em língua inglesa, a fim de encontrar um maior número de materiais disponíveis, visto que no Brasil esse assunto ainda é pouco discutido e os materiais nacionais necessitam de maior aprofundamento teórico, pois as maiores referências são autores estrangeiros. A falta de materiais em língua portuguesa e, principalmente, de fontes que teorizariam o tema deste trabalho foi a principal dificuldade encontrada. O Brasil ainda não possui muitos materiais teóricos especializados, disponíveis ao público, sobre o tema que fomente pesquisas e estudos a respeitos dessas novas inovações e comportamentos de usuários na internet. Muitos estudos são realizados por empresas e, muitas vezes, estas informações não estão disponíveis. Por se tratar de um assunto recente e que sofre alterações a cada dia, é difícil encontrar materiais atualizados sobre os assuntos discutidos, e as rápidas mudanças ocorridas na internet, impedem que sejam produzidos novos materiais sem que se tornem obsoletos em curto período de tempo. Para este trabalho não houve a necessidade de uma pesquisa de campo mais aprofundada a respeito da opinião dos usuários que utilizam a rede social LinkedIn, pois foram utilizadas fontes teóricas e dados secundários quantitativos que responderam as dúvidas e hipóteses que surgiram no início desse tema.

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6. O PÚBLICO E O PRIVADO PELO OLHAR DAS REDES SOCIAIS: UMA CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

Este capítulo tem o objetivo de fazer uma revisão bibliográfica e de promover uma reflexão a respeito dos impactos da comunicação em rede sobre os conceitos de público e privado. Nesta monografia, essa discussão ganha importância ímpar, na medida em que acreditamos haver, com a emergência das mídias sociais e de pessoas conectadas em rede, o surgimento de novas atribuições de sentido sobre o que deve ser informação pública e o que deve ser mantido na esfera privada.

6.1

As delimitações entre público e privado na sociedade em rede

Como visto na introdução desta pesquisa, a internet tem possibilitado novas práticas de sociabilidade que geraram transformações na subjetividade humana. As pessoas agora contam com ferramentas capazes de dotar sua existência de novos significados, perante os demais e perante o mundo globalizado da sociedade em rede. Blogs, redes sociais e demais mídias sociais agora são espaços no qual as formas subjetivas modernas ganham contorno e visibilidade. (SIBILIA, 2003). Lemos (2002) afirma que os dispositivos tecnológicos que propiciam acesso ao ciberespaço favorecem "novas construções de imagens identitárias"20 a fim de expressar ao mundo todas as faces e narrativas do eu21
20

Imagens Identitárias: movimento de construção das imagens (sociais, científicas, políticas, etc.) e das Identidades que se constroem juntos a partir de fluxos contínuos em que um encontra-se imbricado no outro em constantes e diversificadas construções. Falar somente em Imagem e/ou Identidade separadamente reduz a importância de se compreender como ambos os conceitos funcionam quando se encontram implicados. Com vista a uma definição de Imagética, as comunicações tenderão a refletir sobre a construção e desconstrução de imagens no decurso da História, a imagem do possível, a imagem virtualmente atualizada, a imagem do meio, imagem do entre e imagem dos espaços. (SILVA, 2009, p. 164). 21 Narrativas do eu: narrativas construídas pelos sujeitos que protagonizam e apresentarem suas trajetórias de vida, em relação às expectativas do outro, como traços identitários associados ao universo simbólico. A reflexão sobre a espetacularização e a estetização da intimidade, por meio da midiatização das narrativas do eu, serve como base para a compreensão do papel da atividade produtiva na vinculação de sujeitos em comunidades imaginadas. (CASAQUI, 2010, p. 1).

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na vida cotidiana. Dessa forma, as mídias sociais diversas viabilizam as novas práticas contemporâneas no qual as pessoas descrevem fatos das suas vidas privadas, seus interesses e demais aspectos das suas vivências na cultura contemporânea. O autor também salienta que esses dispositivos e as novas mídias criam uma relação na qual público e privado se confundem. Sobre a convergência entre público e privado, Santaella (2008) ressalta sua importância para a construção dos “espaços híbridos” – aqueles oriundos da mescla entre os espaços físico e virtual. A consequência da “intersecção do físico com o virtual” é a composição de um “mundo híbrido, pautado pela interconexão de redes e sistemas on e off-line”. Segundo a autora, a internet e seu poder comunicativo, sobretudo através das redes de socialização como as mídias sociais, “propiciam novas formas de compartilhamento e de troca inimagináveis no espaço físico”. A autora considera que isso criou uma “desvalorização do espaço público fisicamente localizável”, dando maior valor a “esfera pública globalizada” propiciada pelas redes virtuais, “comprovando que transformações nas mídias” são capazes de moldar as experiências sociais. Com a crescente inserção das mídias sociais como um aspecto rotineiro na vida de pessoas comuns, estamos assistindo a mudanças de percepção sobre onde termina o público e começa o privado. Santaella (2008) também ressalta que a internet e a Web causaram um “deslocamento da esfera pública para a imaterialidade das redes” por meio da apropriação das mídias eletrônicas e dos sistemas de informação. Quando nos apropriamos dessas informações – agora mais públicas e mais fáceis de serem encontradas – estamos criando múltiplos lugares e comunidades, com capacidade de manipulação de informações, bens e serviços e, consequentemente, tornando nossas vidas tecnicamente mediadas. Sendo assim, o espaço híbrido se torna um ambiente no qual emergem novas formas de sociabilidade, que, segundo Santaella, são capazes de “caracterizar as múltiplas faces das mudanças mais recentes do mundo da comunicação e da cultura”. Em seu artigo, a autora destaca as mídias

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locativas22 e a mobilidade como principais responsáveis pela visão híbrida do mundo na atualidade, por permitir uma relação entre conteúdo digital com localidades físicas e o contato com o virtual de qualquer localidade física. Para a autora, é principalmente a mobilidade que explicaria o mundo híbrido. Por sua vez, Sibilia (2003) faz uma revisão bibliográfica, na qual aponta que a separação entre os âmbitos público e privado é uma invenção recente, surgida na Europa durante os acontecimentos dos séculos XVIII e XIX, no qual destaca que a privacidade surgiu
[...] quando um certo espaço de “refúgio” para o indivíduo e a família começou a ser criado no mundo burguês, almejando um território a salvo das exigências e dos perigos do meio público que começava a adquirir um tom cada vez mais ameaçante. [...] Em tempos de incertezas, curiosamente, a mítica singularidade do eu conserva a sua força – nutrida por uma cultura do individualismo cada vez mais depurada. (SIBILIA, 2003).

Essa diferença de percepção entre público e privado também é discutido por Sennett (1999) em sua obra “O declínio do homem público: as tiranias da intimidade”, que busca descrever e compreender os sentidos e as concepções da intimidade na contemporaneidade. O autor descreve que até o século XVIII a sociedade era considerada pública por suas características que regulavam e favoreciam o enriquecimento das relações públicas. A partir do século XIX, devido às mudanças do capitalismo e das crenças religiosas, ocorre o que ele aponta como “o esvaziamento da esfera pública” sendo substituída por uma sociedade “baseada na hipervalorização da intimidade”, que teria como principais sintomas a “cultura narcísica” e as “comunidades destrutivas” formada por pequenos círculos identitários e fechados. Sibilia (2003) aponta que os séculos XIX e XX foram marcados por uma valorização do espaço “íntimo” e privado, pois “em contraposição aos rituais hostis da vida pública, o lar foi transformado no território da autenticidade e da verdade, um refúgio no qual era permitido ser “si mesmo””. Com isso, a modernidade foi responsável por delimitar os dois campos: o espaço público e o espaço privado, dando, para cada um, funções diferenciadas e opostas.
22

Mídias locativas são dispositivos e sistemas capazes de “agregar conteúdo digital a uma localidade física, servindo para funções de monitoramento, vigilância, mapeamento, geoprocessamento, localização, anotação ou jogos”, exemplos: GPS, a rede social FourSquare, entre outros. (SANTAELLA, 2008, p. 132).

25

Na

atualidade,

a

delimitação

entre

essas

esferas

vem

sendo

amplamente rediscutida. Alguns autores contemporâneos voltados para os estudos das redes virtuais, ciberespaço e cibercultura - tais como Santaella (2008), Lemos (2002), Castells (1999), Lévy (1999) além de outros, defendem que a percepção sobre o público e o privado é consequência das novas formas de comunicação e expressão propostas pelas novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), que foram sendo apropriadas pela sociedade. Dupas (2005, p. 41) com uma visão política e econômica sobre os conceitos de público e privado, ressalta alguns pontos críticos. Primeiramente reforça que, na atualidade, não há uma fronteira exata entre uma esfera e outra, no qual ele analisa como “indispensável para localizar o cidadão e constituir a cidadania”. Uma vez que na sociedade virtual essa fronteira passa a não ser mais delimitada, torna-se “permeável e problemática”, pois apesar dos elos culturais e sociais do “indivíduo virtual” existir com a comunidade, o elo político fica fragilizado por exigir “uma troca real entre homens que se reconhecem como livres e iguais”, e destaca:
A internacionalização das mídias e o progressivo rompimento do delicado equilíbrio de fronteiras entre Estado, sociedade civil e indivíduo fazem a prática da liberdade dissociar-se cada vez mais da idéia de compromisso com sua sociedade e seu meio cultural. A democracia passa, assim, a ser ameaçada em duas frentes principais: o individualismo extremo, que abandona a vida social aos aparelhos de gestão e aos mecanismos de mercado, e a desagregação das sociedades política e civil. (DUPAS, 2005, p. 34).

Devido a isto, o autor (p. 35) considera a “visão tecnocrática e funcional” como uma ameaça à democracia: causada pelo individualismo, abandono da vida social real e da desagregação da sociedade política em detrimento de uma “sociedade atomizada”, em que a necessidade de “interconexão” – que ele define como a capacidade de “estar ou não conectado”, traz a tona as questões de inclusão e exclusão.

26

6.2

Os conceitos de público e privado no compartilhamento de conteúdos em redes sociais pela Geração Y

"Estamos no meio de uma revolução da informação, e ainda estamos tentando entender suas implicações sobre nossas vidas", declara Solove (2004, p. 14, tradução nossa), na Introdução do seu livro “The digital person: tecnology and privacy in the Information Age”. O autor também escreveu no ano de 2007 o livro “The future of reputation: gossip, rumor and privacy on the internet” e no ano de 2009 o “Understanding Privacy”. Todos os livros tratam das seguintes questões: a difusão das informações pessoais na internet, a privacidade versus a liberdade de expressão. Em “Understanding Privacy”, o autor (2009) propõe uma visão diversificada sobre diversas teorias que abordam o termo “privacidade” como forma de estabelecer um conjunto de aplicações baseadas em problemáticas atuais, no qual o conceito torna-se ainda mais complexo, uma vez que agora há muito mais informações pessoais disponíveis no ciberespaço às vistas do público em geral. O que está nítido na atualidade é o embaralhamento dos conceitos de público e privado. Sibilia (2003) diz que isso ocorre devido aos meios técnicos e digitais permitirem práticas comunicativas, muitas vezes com conotações confessionais, consideradas significativas da cultura de nossa época, cujas ferramentas são exatamente a peculiar “inscrição na fronteira entre o extremamente íntimo e o absolutamente público”. Isso dependerá muitas vezes da intenção de uso que os sujeitos farão dessas ferramentas e o que farão com a sua própria representação no ciberespaço. Também desenha um cenário no qual passa a ser possível compreender por que as ferramentas sociais da web possibilitam a exposição de nossas vidas ao outro, e mais ainda, por que as pessoas parecem não se opor a isso.

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Para Sibilia (2003), “os novos mecanismos de construção e consumo identitário encenam uma espetacularização do eu que visa o reconhecimento nos olhos do outro e, sobretudo, ao cobiçado fato de ser visto”. Nesse sentido, Lemos (2002, p. 12-13) destaca:
O ciberespaço faz com que qualquer um possa não só ser consumidor, mas, também, produtor de informação. A liberação do pólo da emissão parecer ser um dos motivos para a efervescência desses fenômenos. O que pode parecer um fenômeno minoritário e sem importância, reveste-se, na realidade, no sintoma da nossa época, ou seja, a democratização da comunicação, a elevação da vida banal ao estado de "arte", o compartilhar esse novo espaço com e através do "outro" criando assim um verdadeiro fenômeno comunicacional e social.

Para o autor, trata-se, portanto, da visibilidade e da intersubjetividade entre os sujeitos como valores adquiridos através da sociabilidade pelas mídias sociais. Isso faz com que, no ciberespaço, qualquer pessoa possa ser vista, lida ou ouvida por outros sujeitos. A vida comum se transforma em “algo espetacular” na medida em que pode ser compartilhada, verificada, seguida por muitos olhos potenciais. As redes sociais se tornam, portanto, o espaço legitimado para que esse novo comportamento e subjetividade. Lago (2010) aponta para um redimensionamento das esferas privada e íntima, evidenciando que
[...] a dimensão da exposição e captura de conteúdos de natureza mais privada e íntima, que através da Internet passaram a transbordar para a esfera do conhecimento público, seria tão grande quanto a importância e influência que a Internet passou a exercer nas vidas dos usuários; e, no mais das vezes, legitimada por estes últimos na medida que eles próprios atuariam ativamente em tal processo por estarem eles mesmos disponibilizando online informações (escritas, imagens, vídeos e links postados) sobre suas vidas pessoais, verdadeiras ou fantasiosas (mas nem por isso irreais, enquanto expressão legítima de desejos verdadeiros).

O autor salienta que as redes sociais foram feitas para servirem de instrumentos por estabelecer alguma forma de relacionamento entre as pessoas, fato que notadamente exige uma redução do estado de privacidade, uma vez que as redes sociais dispõem de ferramentas que são alimentadas 28

pela expressividade e criatividade das pessoas, aliadas a diversos canais que possibilitam uma interação com o outro. Castells (1999, p. 23) circunscreve esse comportamento como sendo uma característica básica da “sociedade em rede”, afinal “a sociedade em rede é uma sociedade hipersocial, não uma sociedade de isolamento” onde “as pessoas integraram as tecnologias nas suas vidas, ligando a realidade virtual com a virtualidade real”. Para ele, essas ferramentas sociais perderiam a sua naturalidade se fossem conjugadas a noções de extrema privacidade, pois elas são instrumentos que permitem a exposição e a avaliação pelo outro. Mais do que isso, são atraentes justamente por favorecer as mais diferentes formas de expressão. Solove (2009, p. 02) explica que é extremamente difícil definir o conceito de privacidade, precisamente por ser um "fluid concept" (conceito fluido), pois engloba diversas ideias sobre o uso adequado ou inadequado de informações. Porém privacidade é, de certa forma, a "personal bubble” (bolha pessoal) que protege os indivíduos de alguns males da sociedade. Também expõe "que estar na sociedade é se envolver em constantes atritos e que estamos colidindo sempre um com os outros", ou seja, cada indivíduo tem uma perspectiva particular do que é privacidade e isto, consequentemente, dependerá de um julgamento. O autor articula que o conceito foge ainda mais de um consenso quando é contraposto ao direito de liberdade de expressão maior qualidade das ferramentas de redes sociais. O receio diante das questões de privacidade ocorre devido os indivíduos acharem que elas contrapõem a liberdade de expressão, principalmente para a Geração Y que tem consigo a emergência de estar conectados em rede. Para eles a concepção de privacidade está mais para a privação do que respeito a intimidade do indivíduo. É por essas e outras razões que fica difícil discutir a sociabilidade das redes a partir de conceitos tradicionais sobre público e privado. As relações virtualmente fundamentadas se baseiam em princípios que navegam em ambas as esferas, não podendo ser classificadas por apenas uma delas. Apesar das diversas regras de condutas apresentadas por aqueles que 29

defendem uma “netiqueta23”, conforme aponta Mancini (2011), de certa forma elas limitariam as possibilidades do agir espontâneo e livre no ciberespaço. Uma mudança fundamental está ocorrendo na identidade humana e nas suas atividades em comunidade. Como muitas vezes aconteceu na história da humanidade, a sociedade é impulsionada pela mudança social, que é alavancada pela evolução tecnológica. Tapscott (2009, p. 69) comenta que “a Geração Y por serem os mais ativos utilizadores das redes sociais estão na vanguarda deste tema”, principalmente na complexidade em torno das questões como privacidade. Isto também é enfatizado pela pesquisa “Millennials will make online sharing in networks a lifelong habit” realizada em 2010 pela Pew Internet & American Life Project24. A pesquisa ouviu a opinião de diversos especialistas em tecnologia, buscando entender o futuro da internet e da “Geração Y/Milênio”. Segundo seus resultados, esta geração seria responsável por levar a sociedade para um novo mundo de comunicação pessoal e de compartilhamento de informações usando novas mídias. A pesquisa revelou que os padrões de comunicação dos "nativos digitais" são baseados no uso de tecnologia e de redes sociais, fato que deve ser tratado como característica que prosseguirá por toda a vida desta geração, causando reflexos em muitas áreas e em outras gerações. De acordo com os especialistas entrevistados no estudo, pode haver modificações nos interesses da Geração Y em relação aos aspectos de compartilhamento, privacidade, troca de informações, etc., mas o padrão geral para a divulgação e exposição permanecerá como um “padrão histórico” – ou seja, a Geração Y marcará novos limites da privacidade e a identidade da sociedade atual.

23

Netiqueta: decorrente da fusão de duas palavras: o termo inglês net (que significa rede) e o termo etiqueta (conjunto de normas de conduta sociais). Trata-se de um conjunto de recomendações para evitar mal-entendidos em comunicações via internet, especialmente em e-mails, chats, listas de discussão, etc. Serve, também, para regrar condutas em situações específicas (por exemplo, ao colocar-se a resenha de um livro na internet, informar que naquele texto existem spoilers; citar nome do site, do autor de um texto transcrito, etc.). Fonte: Wikipedia. 24 A Pew Internet & American Life Project é um dos sete projetos que compõem o Pew Research Center, um centro de análise de fatos “que fornece informações sobre as questões, atitudes e tendências que moldam a América e o mundo”. O Projeto produz relatórios a fim de conhecer os impactos da Internet nas famílias, comunidades, trabalho, casa, vida diária, educação, saúde, vida cívica e política.

30

O que nos parece é que a Geração Y tem “atitudes liberais” ao tratar do compartilhamento de suas informações. No entanto, o paradigma sobre o que é público e o que é privado está em estado de evolução, no qual as pessoas podem simplesmente ser mais tolerantes e menos incomodadas às indiscrições dos outros. Tapscott (2009, p. 64-65) contesta esse fato no livro “Grown up digital” no capítulo denominado “The dark side of social networking: is privacy over?”. O autor exprime que os Ys postam informações sobre si e demais conteúdos pessoais simplesmente porque querem e gostam compartilhar, e salienta que “a Geração Net não entende porque privacidade é importante”. Mesmo as redes sociais fornecerem medidas que protegem a privacidade, não se reduz a quantidade de informações que as pessoas compartilham, e muitas vezes, ocorre o movimento contrário: por achar que estão mais seguras no mundo on-line as pessoas tendem a compartilhar mais informações. Solove (2009, p. 02) diz que mesmo as pessoas disponibilizando informações pessoais na internet, ao mesmo tempo elas ainda cultivam uma expectativa de privacidade. A questão em torno da privacidade está em voga não somente por causa da exposição, mas é devido principalmente à presença de instituições que estão se apropriando dessas informações sem consentimento, como empresas e governos e, cada vez mais, crescem os registros sobre as pessoas na internet abastecendo bancos de dados e não se sabe como essas instituições vêm utilizando essas informações - e isso levanta uma série de preocupações. O autor também argumenta que seremos capazes de abordar as questões de privacidade de forma mais eficaz somente quando compreendermos mais profundamente o que está em jogo quando o termo é invocado. Nas redes sociais como o LinkedIn estariam em jogo valores mínimos de capital social como visibilidade, reputação, popularidade e autoridade. Contudo, agora esses valores estão “supervalorizados” a ponto de serem mais importantes que outros como a privacidade. Segundo o autor, uma vez que os indivíduos estão buscando estabelecer valores digitalmente, o correto é dar a eles o controle sobre o que pode fazer com eles. 31

A pesquisa realizada pela Pew Internet & American Life Project (2010) demonstra um otimismo sobre este aspecto, pois os entrevistados acreditam que essa inadvertência perante o compartilhamento de informações deve mudar conforme a geração amadurece. Porém, Staddon (2009) enuncia que essa tensão entre metas de redes sociais de ampliar conexões e servirem de ferramentas dinâmicas de comunicação versus violações de privacidade podem ser equilibradas com a construção da conscientização do usuário, prontificando a privacidade como utilidade, sugerindo a implementação das configurações de privacidade. Essas implementações de privacidade são importantes no contexto das redes sociais, mas necessitam de adaptações para acomodar a interdependência das redes sociais, assim como a permitir a preservação da utilidade da rede. Dessa forma, independente da tipologia e objetivo da rede social, a questão do compartilhamento público de conteúdo versus privacidade está constantemente provocando debates.

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7. A GERAÇÃO Y E SUA RELAÇÃO COM O TRABALHO

Neste capítulo abordaremos os nativos digitais, também chamados de Geração Y. Nosso foco será aferir, mediante pesquisa bibliográfica, como eles compreendem trabalho e evolução de carreira. Essa visão será fundamental para que seja possível entender como são os profissionais desta geração – objeto da análise monográfica – e como as tecnologias atribuíram significações e papéis no uso de redes sociais como o LinkedIn.

7.1 Características da Geração Y

A Geração Y representa os nativos digitais, aqueles que cresceram em plena evolução tecnológica, em uma sociedade em rede, e que estiveram em contato desde sempre com a cultura digital. Cada geração é produto dos acontecimentos, avanços tecnológicos, mudanças sociais, condições econômicas e outros fatos que ocorrem durante o seu amadurecimento. Isso é responsável pelo conjunto de comportamentos e valores adquiridos pelos sujeitos. Essa geração assimilou os acontecimentos de forma tão intensa que, consequentemente, teve predisposição natural para o uso das novas tecnologias. Mas não é só isso. Esse contexto gerou novas significações e valores na vida, nos ambientes de estudo e trabalho. Aqui nosso interesse particular é entender como essa geração delineia os limites entre informação pública e informação privada no contexto das redes sociais – um ambiente público por sua natureza.

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De acordo com o estudo "Generation Y and the Workplace: annual report 2010" realizado pela Johnson Controls25 (2010, p. 22), essa geração representa o equivalente a 25,47% da população mundial e “vão dominar a força de trabalho, consumo e política.” (TAPSCOTT, 2008). Tapscott (2010, p. 20) aponta que a assimilação tecnológica obtida durante todo crescimento dessa geração “causou um impacto profundo no seu modo de pensar, a ponto de mudar a maneira como o seu cérebro está programado”. O autor expõe que essa mudança foi positiva sob diversos aspectos, sobretudo por eles saberem lidar naturalmente com a “vasta quantidade de informações” e manterem um equilíbrio entre os mundos digital e físico. O autor também faz um panorama das mudanças sociais decorrentes da atuação da geração que vem “remodelando todas as instituições da vida moderna, do local de trabalho ao mercado, da política à educação”, no qual aponta como principal consequência a “ascensão do computador, da internet e das outras tecnologias digitais”. Dessa forma, por terem assimilado as tecnologias e “por crescerem com ela”, a absorção das mídias digitais foi algo “transparente” para a Geração Y. Sobre as características da Geração Y, Tapscott e Williams (2007, p. 63) contextualizam:
É a primeira geração a crescer na era digital, e isso a torna uma força para colaboração. Esses jovens estão crescendo banhados em bits. [...] Essa é a geração da colaboração devido a uma razão principal: [...] os jovens dessa geração crescem interagindo. Em vez de serem apenas recipientes passivos da cultura de consumo em massa, a Geração Net26 passa o seu tempo pesquisando, lendo, inspecionando, autenticando, colaborando e organizando [...]. A internet torna a vida uma colaboração contínua e maciça, e essa geração adora isso. Eles não conseguem imaginar uma vida em que os cidadãos não tinham as ferramentas para pensar criticamente, trocar opiniões, desafiar, autenticar, verificar ou desmascarar o tempo todo.

25

Johnson Controls é uma empresa global líder em tecnologia que atende a clientes em mais de 150 países. A empresa oferece produtos, serviços e soluções de qualidade para otimizar a eficiência e a operação de edifícios, baterias para veículos convencionais, híbridos e elétricos e também sistemas de interiores e componentes para automóveis. O interessante é que esta pesquisa foi realizada com o intuito de estabelecer parâmetros para construções de edifícios e ambientes organizacionais de forma a atender a atual demanda da sociedade e da nova geração de trabalhadores. Fonte: http://www.johnsoncontrols.com.br 26 Geração Net, Geração Milênio, Ys ou Millennials citados diferentemente pelos autores são considerados como Geração Y ou Ys, como explicado na Introdução desta pesquisa.

34

Como se trata de uma geração que visa a conectividade, interatividade e imediatismo em todos os processos, esperam as mesmas características de suas relações. Isso dita novos paradigmas nas relações e percepções, bem como uma apresentação diferenciada nos ambientes profissionais e acadêmicos – o que pode inclusive significar alguma forma de conflito quando se deparam com pessoas de outra geração, menos imersas em tecnologia. Howe e Strauss (2000) na obra "Millennials Rising: The Next Great Generation", que definem os sujeitos dessa geração como "Millennials", explicam que esta é uma geração que profere tendências, sendo a maioria delas uma inversão dos valores das gerações anteriores, como a Geração X e Baby Boomer27. Ao contrário das gerações anteriores, os Ys tiveram os mais profundos avanços tecnológicos das últimas décadas que colocaram vastas opções à sua disposição, entre elas uma riqueza de informações disponíveis por meio da Internet. Considerada por Tapscott (2010, p. 34) como a “Primeira Geração Global”, por possuírem os maiores índices de pessoas com acesso à rede, sobretudo por utilizarem os recursos e ferramentas da Web 2.0, os Ys são aqueles que vêm “possibilitando a comunicação global como nunca antes”, e esse contato com os demais do mundo vem propiciando uma unificação de tal forma que eles se tornam parecidos comportamentos, no qual o autor destaca:
A nova rede é um meio de comunicação que permite que as pessoas criem seu próprio conteúdo, colaborem entre si e construam comunidades. Tornou-se uma ferramenta de auto-organização. [...] Enquanto os adultos usavam a internet para ver páginas da rede, os jovens usavam a internet para se comunicar com os amigos. Suas experiências on-line eram o núcleo do que se tornaria a Internet 2.0 – uma plataforma de comunicação totalmente nova e revolucionária. (TAPSCOTT, 2010, p. 29).

em suas atitudes, princípios

e

27

Geração X: é o termo que se refere às pessoas nascidas em 1965 até 1976. Os integrantes desta geração estão entre os mais bem instruídos da história. Eles enfrentaram algumas das maiores taxas de desemprego. Consideram o rádio, a tevê, o cinema e a internet como mídias não especializadas, disponíveis para que todos acumulem informações e apresentem seu ponto de vista. Baby Boomers: se refere aos filhos da Segunda Guerra Mundial, já que durante a guerra houve uma explosão populacional. Normalmente são as pessoas nascidas entre 1946 e 1964. Foi o impacto da revolução nas comunicações, liderada pela ascensão da televisão, que moldou essa geração. (TAPSCOTT, 2010).

35

Com isso, a Geração Y é formada por estudantes, trabalhadores e consumidores com novas perspectivas, que estão trazendo consideráveis mudanças em todos os âmbitos da sociedade. Como estudantes, estão exigindo novas formas de ensino e aprendizagem, com pedagogias mais dinâmicas e mais de acordo com a vida cotidiana e com o mercado atual globalizado, baseado em conceitos colaborativos. Como trabalhadores, buscam constantemente novos desafios, dedicados a aquilo que realmente se identificam e procurando um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Como consumidores, estão transformando mercados e exigindo inovadoras ações de marketing, venda e pós-venda devido, principalmente, ao poder de influência que exercem através das ferramentas da Web 2.0. Em vez de consumidores, eles querem ser prosumers28 – no qual buscam co-inovar produtos e serviços deixando-os de acordo com suas expectativas. Também é devido à apropriação dessas ferramentas que esta geração integra uma cultura povoada por nichos e “tribos” de pessoas que compartilham de gostos e interesses por afinidade. Tapscott (2010, p. 48-49) aponta oito “normas” características da Geração Y, no qual se destacam alguns pontos fundamentais, como:

1. Liberdade para fazer, escolher, expressar: usam a tecnologia para fugir das restrições tradicionais e integrar a vida profissional à vida pessoal e social. Eles buscam a liberdade para “mudar de emprego, para encontrar seu próprio caminho e para se expressar”; 2. Possibilidades de customização e personalização: querem deixar em produtos e serviços a marca da sua personalidade. Buscam produzir, criar, modificar conteúdos fugindo de padronizações; 3. Querem investigar: procuram informações sobre tudo, pesquisam conteúdos sobre os assuntos que lhe interessam na rede, principalmente opiniões sobre produtos e serviços; 4. Gostam de integridade: buscam posições transparentes de empresas antes de investir ou de trabalhar para elas;

28

Prosumer é um termo originado do inglês que provém da junção de producer (produtor) + consumer (consumidor) ou professional (profissional) + consumer (consumidor). Fonte: Wikipedia.

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5. Buscam entretenimento e diversão no trabalho, educação e na vida social: buscam forma se integrar em ambientes que propiciem dar vazão a sua criatividade; 6. Buscam colaboração e relacionamentos diversos: como cresceram diante de ambientes interativos e compartilhadores, são mais flexíveis e aceitam com mais facilidades trabalhos colaborativos, e facilmente criam redes de influência on-line; 7. Gostam de velocidade: são imediatistas, instantâneos; 8. Gostam de inovar: buscam constantes formas de colaborar, se divertir, aprender e trabalhar – de preferência, tudo isso ao mesmo tempo.

Ao descrever essas normas, o autor faz alguns questionamentos que envolvem todos os âmbitos da vida destes jovens, uma vez que suas perspectivas e visões alteram temas de grande impacto. Entre eles, a inclusão no mercado de trabalho, no qual suas atitudes, ideais e normas exigem compreensão dos demais, algumas vezes resultando em choques com as gerações antecessoras.

7.2 Os profissionais da Geração Y

Vasconcelos et al. (2010, p. 227) apontam que a Geração Y vem sendo objeto de estudos em diversas áreas do conhecimento, pois suas características estão relacionadas aos conceitos de mudança, interatividade, colaboração e tecnologia, de tal forma que definiram seu entendimento do mundo - refletindo no modo de ser e agir na sociedade e, consequentemente, no ambiente de trabalho. Há 12 anos, aproximadamente, os primeiros representantes da Geração Y começaram a entrar no mercado de trabalho e nas universidades. Com o acompanhamento sistemático desses impactos, alguns novos talentos tentam transpor para o profissional as abordagens de colaboração, compartilhamento 37

de conhecimento e de inovação, tornando um desafio para as organizações compreender esses indivíduos. (TAPSCOTT, 2010, p. 50-51). A pesquisa desenvolvida pela Johnson Controls (2010, p. 24-25) explica que os profissionais pertencentes à Geração Y possuem quatro características principais, que se subdividem em outras. Elas estão compiladas no quadro a seguir:

Quadro 1 – Características e sub-características dos profissionais pertencentes a Geração Y

CARACTERÍSTICAS

SUB-CARACTERÍSTICAS

Digitais e Ligados ao Social

Aceitam rapidamente as tecnologias São capazes de utilizar múltiplos dispositivos digitais simultaneamente Gerenciam grandes quantidades de dados paralelamente com outros processos e estímulos Procuram estar digitalmente, globalmente e constantemente conectados Participam ativamente em redes sociais e enxergamnas como potenciais ferramentas de colaboração e sociabilidade, “dentro e fora das fronteiras da empresa” Buscam trabalhar em ambientes que favoreçam as relações sociais e com organização horizontal Apreciam o posicionamento claro dos seus superiores Necessitam de feedbacks imediatos sobre seus desempenhos Esperam ser consultados e incluídos nas decisões de gestão Demandam por constantes desafios intelectuais Gostam de oportunidades de aprendizagem e de qualificação contínua Buscam ascender rapidamente na carreira Compõem a faixa etária mundialmente mais populosa, no entanto a distribuição dos Ys entre os países não são iguais, gerando uma demanda por profissionais qualificados e que entendam os novos modelos de negócios que estão surgindo Forma nos Estados Unidos a maior geração desde os Babys Boomers, e na Índia representam mais da metade da população. Entretanto, no Reino Unido eles são o menor índice diante do total da população Não priorizam a estabilidade no trabalho, que faz essa geração ser comumente considerada “infiel” Estão desencadeando novas formas de sociabilidades Estão estabelecendo tendências comportamentais que se propagam com força a ponto de influenciar o comportamento social das gerações futuras.

Desafiantes

Escassos

Transformadores

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Alguns pontos destacados no quadro também são indicados por Tapscott (2010, p. 20) quando descrever que a Geração Y está “derrubando hierarquias rígidas e obrigando as empresas a repensar seus métodos de recrutamento, remuneração, desenvolvimento e supervisão de talentos”. As organizações passam a entender que as relações internas necessitam se tornar mais horizontais, organizadas em rede. A comunicação interna das organizações também necessitou de novas abordagens, uma vez que esses profissionais querem ouvir e serem ouvidos. Dessa forma, esta geração tem exigido uma nova realidade no ambiente profissional, tanto que está reconfigurando as organizações com suas perspectivas de carreira, na qual buscam flexibilidade de ação, horário e local de trabalho e, especialmente estão em busca de ambientes que propiciem a colaboração. Tapscott (2008) reforça esta questão ao dizer que:
Eles têm a expectativa de um ambiente de trabalho inovador, com flexibilidade de horário, mobilidade e um processo de tomada de decisão muito ágil. Eles ficarão frustrados se encontrarem um ambiente de controles rígidos e que os digam como é melhor que eles façam o trabalho deles. O velho modelo de "recrutar, gerenciar e manter" os empregados não funciona mais.

Sobre esse aspecto, Lafuente (2009, p. 74) exprime que as “empresas jovens reconhecem a importância de oferecer a sua força de trabalho a flexibilidade e a liberdade de ações necessárias ao estímulo da criatividade”, e às formas de expressão desses profissionais. Com isso, verifica-se que as escolhas profissionais dos indivíduos da Geração Y são influenciadas pelas oportunidades de desempenhar papéis significativos em suas vidas, uma vez que encaram o trabalho não somente como fonte de renda, mas como uma fonte de satisfação e aprendizado. Por isso, esta mudança de paradigma altera todo o entendimento sobre carreira, estabilidade, vínculo profissional, entre outros aspectos valorizados pelas gerações anteriores.

39

7.2.1 Geração Y: Profissionais que reconfiguram as organizações com suas novas perspectivas de trabalho e carreira

Apesar de trazer energia e inovação para local de trabalho, a Geração Y é um desafio para a gestão empresarial e de pessoas. Um ponto que é destacado constantemente na literatura é o choque de gerações. Lafuente (2009, p. 71) diz que no ambiente corporativo “sempre houve indivíduos com diferentes valores, idéias e maneiras de comunicar e fazer as coisas”, afinal são atritos normais de convivência. Ocorre que, “pela primeira vez na história corporativa há quatro gerações29”, com perspectivas e necessidades diferentes, compartilhando o mesmo ambiente. Consequentemente, acordos organizacionais estão sendo revistos, pois de um lado está a hierarquia tradicional, e do outro está a descentralização, a flexibilidade e os questionamentos aos superiores vindo de profissionais que tem visões diferenciadas das estabelecidas. Mesmo cada geração tendo sua forma de trabalhar, autores como Tapscott e Willians (2007, p. 70) destacam que a Geração Y em particular mobilizou uma grande transformação no ambiente de trabalho, principalmente ao mencionar que:
Cada uma das gerações anteriores levou características singulares ao seu local de trabalho, mas a adoção da alta tecnologia, a criatividade, a conectividade social e a diversidade incorporadas na Geração Net realmente a diferenciam das outras. Os trabalhadores dessa geração transformarão o local de trabalho e a maneira como os negócios são conduzidos com uma intensidade que não vemos desde o “homemorganização” da década de 1950.

Os autores expõem que a Geração Y, enquanto funcionários, causariam choque por representarem uma força diante de uma estrutura estática, exigindo a revisão de valores, substituindo as normas por outras não-

29

Quatro gerações: A autora considera a Geração Next ou Geração Z como já ascendendo ao mercado de trabalho. Ao seguir a linha proposta por Tapscott, percebe-se que esta geração ainda não possui idade suficiente para estar ativa no mercado de trabalho, entretanto, isso irá depender de qual base teórica é considerada e isso não está claro no artigo. Porém, será mantida a proposta de “quatro gerações” da autora, pois daqui poucos anos esse fato será uma realidade. Nesta pesquisa consideramos as três principais: Geração Baby Boomer, Geração X e Geração Y.

40

tradicionais, trocando as imposições pelo sentimento de “fazer parte” e de “estar envolvido” nos processos. Como resultado disso, surgem transformações profundas na cultura, estrutura, processo e economia de trabalho, modificando os locais de trabalho fechados, hierárquicos e com relações de empregatícias rígidas, sendo valorizado os ambientes colaborativos, auto-organizados e distribuídos. A pesquisa da Johnson Controls (2010, p. 86) enfatiza que a sinergia e a disposição da Geração Y em trabalhar em equipe e de forma colaborativa no ambiente corporativo tende a ser o fator que mais destaca esses indivíduos perante os demais. Enquanto as pessoas das outras gerações estão acostumadas a realizar reuniões formais, 73% dos Ys preferem as formas de comunicações informais, envolvendo inclusive o uso de ferramentas sociais em rede.
Eles querem o estado da arte da tecnologia e de ferramentas de colaboração, tais como wikis e mensagens instantâneas, que os ajudam para trabalhar. Quando convém, eles anseiam por trabalhar desde outras localidades, em casa, por exemplo, e esperam que as tecnologias estejam disponíveis nestas localizações remotas. (TAPSCOTT, 2008).

Devido a isso, com a Geração Y no mercado, a maneira como ocorre a comunicação no ambiente de trabalho também necessita de mudanças, pois o conceito da rede é muito mais presente nesta geração que nas gerações anteriores. Por serem mais sociáveis, se sentem à vontade ao utilizar novas formas de comunicação que visam agilizar as decisões (pois prezam o imediatismo) e facilitam o contato entre os profissionais no ambiente corporativo (como utilizando recursos de comunicação remota e da web 2.0). Mas essas soluções nem sempre estão de acordo com a realidade dos demais profissionais que pertencem a outras gerações. Santiago (2010, p. 15) reforça essa afirmação, e diz que a Geração Y exige grande atenção das organizações para suas expectativas em relação ao trabalho e a forma como se comunicam, e que esse fato trouxe necessidades expressas para as empresas repensarem, não somente sua comunicação externa, assim como a comunicação interna com seus funcionários. 41

Lipkin e Perrymore (2010, p. 97) adicionam que a Geração Y trouxe ao ambiente de trabalho um novo estilo de comunicação interpessoal que fez a comunicação empresarial sofrer “uma metamorfose, gerando grande confusão intergeracional, já que os indivíduos de outras gerações não foram criados dentro da mesma linguagem”. Para as autoras, os Ys foram responsáveis pela modificação das bases da comunicação profissional e pessoal mais do que qualquer outra geração, contribuindo para “o declínio da linguagem profissional formal no ambiente de trabalho”. Para alcançar seus objetivos, os Ys trazem para o ambiente de trabalho noções de colaborativismo que vem restaurando as formas de trabalho por demonstrarem, às organizações, que seus talentos não são prejudicados pela liberdade de ação e expressão, e que estes fatos são até benéficos para os negócios. A Geração Y é uma força de trabalho social e colaborativa, e sua relação com o espaço é visível e aberto. Outro ponto valorizado por essa geração é o equilíbrio entre a vida pessoal e o profissional, pois “acreditam que a realização pessoal é o objetivo do trabalho”. (SANTIAGO, 2010, p. 15). Lafuente (2009, p. 75) também aborda este aspecto e aponta que, ao proporcionar esse equilíbrio aos profissionais, cria-se um “poderoso recurso para ancorar os talentos”. Para os Ys, o equilíbrio entre o profissional e o profissional está totalmente ligado à flexibilidade de trabalho. Os Ys são impulsionados pela vida pessoal e social e o trabalho deve ser reflexo disso. Dentro desta conotação, Vasconcelos et al. (2010, p. 230-231) menciona que “o trabalho estará para objetivos e a remuneração estará para o concílio entre a vida pessoal com o profissional”. Por isso, trabalhar para esta geração é muito mais que ter um emprego, principalmente por estar arraigado nas qualificações pessoais. O perfil desses profissionais é visto como inovador, cuja liderança exercida se baseia em pilares de confiança, focam resultados, mas são motivados por feedbacks constantes. É possível compreender nas descrições anteriores que o ambiente organizacional está com um público misto, formado por diferentes gerações. 42

Porém a Geração Y trouxe novas noções que estão reconfigurando a visão de trabalho. Por terem ideais diferenciados, a Geração Y procura basicamente transpor para o profissional suas habilidades, no qual consideram parte de si, como pessoa.
Os jovens pensam e se relacionam de forma diferente, e estão dispostos a trabalhar em um ambiente de constantes mudanças. Ainda que os integrantes da geração net sejam confidentes, criativos, independentes e tenham mente aberta, eles tendem a ser um grande desafio para gerenciar. Eles demandam novas oportunidades para aprender e responsabilidade, querem feedbacks instantâneos, primam por balancear a vida profissional e pessoal e anseiam por relacionamentos fortes no ambiente de trabalho. Por isto, as companhias precisam alterar sua cultura de gestão destes jovens, sem, no entanto, perder o respeito com as necessidades dos outros funcionários. Se cultivado propriamente, esta geração traz vantagens para organização no que se refere à inovação e competitividade. (TAPSCOTT, 2008).

Esses

ideais

criam

choque

em

ambientes

organizacionais

mais

tradicionais por propor algo diferente de tudo que foi sugerido pelas gerações anteriores, porém o assunto agora vem sendo mais discutido por ser considerado como atual reflexo da sociedade – na qual a Geração Y trouxe profissionais competentes com formas de gestão inovadoras e bem sucedidas. O desafio das organizações está em reter esses profissionais, que não estão preocupados em estabilidade profissional, mas sim em atingir seus objetivos profissionais e pessoais.

43

8. AS REDES SOCIAIS PROFISSIONAIS

Neste capítulo serão apresentadas as redes sociais como importante ferramenta de e-recruitment, como é o caso do LinkedIn – nosso objeto de estudo.

8.1 Redes Sociais para estar no mercado de trabalho

A Geração Y vê a internet como meio natural de integração - “antes, a internet era considerada uma mídia. Hoje, é um ponto de convergência”. A sociabilidade construída através das redes sociais é o motor da Geração Y, que, por meio do uso desses recursos, obtém acesso a um universo de relações e informações virtuais. Eles encontram nessas redes sociais os recursos necessários para produzir e compartilhar diversificados conteúdos com os demais e ampliar suas redes de contato. (COGO, 2009). Conforme apresentado na Introdução deste trabalho, as redes sociais são as principais responsáveis pelo tempo de conexão dos internautas, sendo a maior parte deles pertencentes à Geração Y. Além de essas redes servirem como espaço de expressão das narrativas do “eu”, o potencial também se deve pela possibilidade de conexão entre pessoas com interesses similares, de uma forma que jamais seria possível antes da internet. Com o avanço tecnológico e o lançamento de vários produtos como celulares, tablets e netbooks que facilitam a entrada na internet, essa conexão entre pessoas se tornou algo simples e comum no cotidiano do indivíduo visto que não é necessário conhecer alguém pessoalmente ou estar próximo para criar uma conexão, elas surgem de forma espontânea como base os interesses de cada um. De acordo com a pesquisa da Johnson Controls (2010) os nativos digitais utilizam as redes sociais para fins de sociabilidade, para criar grupos, 44

para criar e distribuir conteúdos e para manter uma rede networking. O estudo também aponta que os elementos fundamentais das redes sociais são perfis "amigos" que constituem uma identidade cultural30 ou grupo social. As conexões criam oportunidades para conhecer, conectar e ser visto um grupo maior e mais diverso do que seria possível face a face. Como o usuário esta cada vez mais presente nestas redes, elas também servem como espaço para as marcas e organizações criarem relacionamentos com os consumidores, clientes e demais interessados. Devido ao seu poder comunicativo, a cada dia surgem novas aplicações e diferentes redes focadas em diferentes propósitos.

8.2 As Redes Sociais Profissionais

As redes sociais como LinkedIn, Xing31, Viadeo, Twitter e Facebook representam uma nova tendência de ampliar contatos, compartilhar informações, conhecimentos e conteúdos criados pelo próprio usuário. Cada vez mais, as mídias sociais são profissionalmente relevantes, sobretudo na área de recursos humanos e nas questões de recrutamento e seleção de pessoas. O advento e crescimento de redes profissionais representam uma nova oportunidade para acelerar o processo de busca de empregos, promover os serviços e competências de pessoas e empresas para ampliar a rede de relacionamentos, conhecida como networking. As redes sociais profissionais são aquelas destinadas para a construção de perfis, no qual visa desenvolver uma rede de contatos on-line com outros profissionais. O conceito de compartilhamento é essencial nas redes sociais profissionais, nos quais os principais objetivos são as trocas de recomendações, conselhos, sugestões, etc. Essas trocas favorecem a criação
30

Identidade cultural é o sentimento de identidade de um grupo ou cultura, ou de um indivíduo, na medida em que ele é influenciado pela sua pertença a um grupo ou cultura e/ou seus mecanismos de afiliação/exclusão do mesmo. Fonte: Wikipedia. 31 www.xing.com

45

de um clima de confiança que, consequentemente, facilita os contatos e as negociações. De acordo com o site da Kioskea.net (2010) as redes sociais profissionais tem como objetivo principal criar contatos a partir dos seus contatos, isto é, criar conexões a partir de conexões, ampliando o networking, facilitando a vinculação entre profissionais de uma mesma área de atuação. O site também aponta que estas redes, quando corretamente utilizadas, podem facilitar o recrutamento de novos funcionários, novos clientes, sócios, fornecedores e demais interessados. Com isso, estas redes são novas ferramentas que passam a auxiliar as antigas técnicas de captação de profissionais usadas pelos recursos humanos, tornando o processo de seleção pró-ativo, uma vez que oferecem recursos para localizar profissionais que tenham competências essenciais para os negócios de determinadas organizações - incluindo as redes sociais como ferramentas essenciais ao e-recruitment32. Conforme descreve Sendin (2010), “as ferramentas de recrutamento on-line caíram no gosto dos gestores de recursos humanos, que encontraram nelas uma solução mais barata para buscar muitos profissionais em pouco tempo”. Em seu artigo a autora menciona que atualmente as empresas buscam criar perfis em redes como LinkedIn, Facebook e Twitter, e salienta que:
No ano passado [2009], 355 gestores de pessoas dos Estados Unidos disseram aos consultores da Jobvite (empresa de recrutamento online) que já usavam ou pretendiam usar sites como LinkedIn, Facebook e Twitter para encontrar e atrair candidatos. A maioria (72%) pretendia até reduzir o investimento em formas tradicionais de recrutamento, como empresas terceirizadas, e aumentar o investimento nas redes sociais. (SENDIN, 2010).

A principal vantagem do e-recruitment via redes sociais apontada autora é a rapidez no processo de seleção, menos burocracia e a redução significativa de custos com esses processos – índice que chega a um abatimento de até 90%, se comparado com os métodos tradicionais.
32

e-recruitment: recrutamento on-line - o processo de recrutamento de pessoas com uso recursos eletrônicos, em especial a internet. Fonte: Wikipedia.

46

As principais vantagens para as empresas que se utilizam o erecruitment estão diretamente relacionadas com a possibilidade de adquirir um número de candidatos consideravelmente maior do que poderiam aderir por meio das metodologias tradicionais de captação; bem como com a possível agilidade dos processos de recrutamento devido à automatização das suas fases. Ao mesmo tempo, as empresas podem contar com uma vasta disponibilidade de informações acerca de novos talentos, podendo usar os filtros e demais recursos presentes nas redes sociais para localizar o profissional certo para a vaga disponível. Para os profissionais, as redes sociais profissionais são

importantes, pois permitem que os currículos tenham visualização global, além de poderem atualizar constantemente suas informações (diferentemente dos bancos de dados das empresas e demais setores de recrutamento) e agregarem valores a elas, como demonstrar diferentes habilidades e competências além das profissionais. Além deste fato, permite manter um contato com pares, que talvez não seria possível se não fosse o uso dos recursos das redes sociais ao prontificar as conexões existentes através de afinidades. O portal Administradores33 recomenda, inclusive, que o endereço do perfil do LinkedIn seja citado no currículo do profissional, pois essa têm se destacado como uma ferramentas para contato ou para estratégia de carreira, pelos internautas no país. (DVS, 2011).

8.3 O LinkedIn

O LinkedIn é uma rede social de compartilhamento de informações, cuja característica principal é formar uma comunidade voltada para negócios e construção de relacionamento e conexões entre profissionais de todas as áreas
33

http://www.administradores.com.br

47

do mercado e também estudantes acadêmicos e pessoas que estejam entrando no mercado de trabalho. A empresa responsável pela rede foi fundada em dezembro de 2002 (LINKEDIN, 2011b) por Reid Hoffman34 e alguns membros da equipe de fundadores do PayPal35, site pioneiro em pagamentos feitos pela internet que também teve um dos seus criadores como fundador do YouTube36. O site como é conhecido hoje foi lançado apenas em 5 de maio de 2003, apenas 5 meses após a empresa ter sido fundada na sala de estar de Reid Hoffman. No final do primeiro mês de operação, o site já contava com 4.500 membros inscritos em sua rede e continuou com um crescimento desenfreado até os dias de hoje. Com o “boom” das redes sociais e surgimento da Web 2.0 já descritos neste trabalho, o LinkedIn viu uma adequação e aceitação do público à novas redes mais segmentadas e focadas para determinados fins, e criou um serviço que além de inovador, facilitaria processos no meio digital como o erecruitment e a conexão entre profissionais. O site recebeu uma imensa aceitação pelo target e após 494 dias do seu lançamento já havia atingido seu primeiro milhão de usuários utilizando a rede e hoje possui mais de 100 milhões de profissionais cadastrados, numa média de 1 membro cadastrado a cada segundo do dia, e 1 milhão de novos usuários a cada 12 dias. (LINKEDIN, 2011b). Com o interesse de estar presente para todos os profissionais do mundo, atualmente o site atinge mais de 200 países sendo que metade dos usuários ativos está nos Estados Unidos, país que se destaca pela aceitação de inovações e novos serviços no meio digital, considerado também o berço dos grandes sites conhecidos pelo mundo todo. O crescimento da rede não se deve apenas ao fato de ser inovadora e segmentada, mas sim pelo trabalho conjunto de grandes nomes que integram a gestão da empresa, que se pauta por um modelo mais aberto de gerenciamento. Entre os profissionais que gerenciam a empresa, encontram34 35 36

http://www.linkedin.com/in/reidhoffman http://www.paypal.com http://www.youtube.com

48

se grandes nomes de empresas como Yahoo!37, Google38, Microsoft39, Tivo40, PayPal e Electronic Arts41, profissionais pioneiros na criação novos serviços e ferramentas da Web 2.0. O LinkedIn atualmente possui versões em 6 diferentes línguas (inglês, francês, alemão, italiano, português e espanhol) para facilitar a entrada de novos membros na rede, e existem projetos para a sua tradução em novas línguas, atingindo novos públicos e mercados em outros países. Embora a maioria dos usuários cadastrados seja de países de primeiro mundo como Estados Unidos, Canadá e da Europa Ocidental, e conforme visto na Introdução, o Brasil entra no ranking sendo responsável por mais de 3 milhões (10% do total) de usuários cadastrados nesta rede. (LINKEDIN, 2011b). O Brasil é o quinto país com maior número de usuários, ultrapassando Noruega, Itália, Espanha e França. De acordo com estudo realizado pelo site Alexa.com42 (2011) o LinkedIn lidera a 42ª posição dos sites mais visitados do país, superando sites como Caixa Econômica Federal43, Correios44, Banco Bradesco45 e Banco do Brasil46, sites de serviços públicos e financeiros que atingem grande número de visitação.

37 38 39 40 41 42 43 44 45 46

http://www.yahoo.com http://www.google.com http://www.microsoft.com http://www.tivo.com http://www.ea.com http://www.alexa.com http://www.caixa.gov.br http://www.correios.com.br http://www.bradesco.com.br http://www.bancodobrasil.com.br

49

Figura 1: Ranking de sites Fonte: Alexa (2011).

A Figura 1 apresenta a posição do LinkedIn no ranking dos sites mais acessados no Brasil. Esse número comprova que hoje o LinkedIn é tão importante para os usuários da internet brasileira, quanto serviços públicos que possuem uma abrangência e diferentes classes de usuários. A posição do site também demonstra que embora seja uma rede segmentada, sua audiência de usuários possui maior interesse nesse tipo de comunidade, do que todas as outras audiências que procuram por serviços públicos.

Gráfico 1: O crescimento de Redes Sociais.

BRASIL

DEMAIS PAÍSES

Fonte: ComScore (2011).

Conforme estudo realizado pela ComScore em fevereiro de 2011, demonstrado no Gráfico 1, o uso de redes sociais no Brasil cresceu 10% no 50

ano de 2010 em comparação ao ano de 2009, enquanto no mundo todo este aumento foi de apenas 4%. O Brasil lidera o ranking com o maior número de usuários on-line da América latina e é considerada a 8ª maior audiência de internet no mundo, com aproximadamente 40 milhões de pessoas em 2010, sendo 62,7% destes usuários com idades de 15 a 34 anos, sendo eles pertencentes a Geração Y, conforme podemos verificar no Gráfico 2.

Gráfico 2: Composição da Audiência da Internet Brasileira de usuários acima de 15 anos nos anos de 2009 e 2010.

Dez. 2009

Dez. 2010

Faixa etária Fonte: ComScore (2011).

Destes 40 milhões de usuários conectados à internet no Brasil, o LinkedIn absorve o índice de mais de 1% destes usuários. Embora esse volume seja pequeno comparado aos números gigantescos de membros cadastrados em redes como Facebook e Orkut, o LinkedIn prova o seu crescimento e audiência, e afirma-se como a principal rede social profissional no Brasil. O site do LinkedIn que conhecemos hoje sofreu várias alterações desde seu lançamento em 2002, visto que desde essa data a internet em geral passou por grandes mudanças, incluindo linguagens de programação, novos softwares, novos gadgets e meios de acesso até a forma como ela é utilizada. Com o surgimento da Web 2.0, o usuário deixou de ser apenas um participantes passivo e se tornou cada vez mais ativo nas redes, necessitando de meios que o fizessem interagir junto as novas redes. Esses dados 51

comprovam que os profissionais estão aderindo as novas formas e tendências de comunicação a fim de buscar oportunidades de negócios, carreira, valorização de currículo e visualização do mesmo.

8.3.1 Funcionalidades do LinkedIn

Entre seus principais recursos podemos destacar o compartilhamento de informações, notícias e documentos importantes para outros profissionais, além de fomentar a participação ativa em fóruns, a criação de grupos de discussão categorizados por áreas e temas que são criados pelos próprios usuários, garantindo maior integração e conexão entre eles. As características da Web 2.0 que o LinkedIn agrega, foram

importantíssimas para o crescimento rápido desta rede social. Isso justificaria o aumento obtido na sua audiência, que chega aos rankings de maiores acessos em redes sociais do mundo, sendo considerada a maior rede profissional da internet. O perfil de um usuário no LinkedIn é considerado um currículo, no qual o usuário agrega informações profissionais, qualificações, méritos, competências, recomendações de outros usuários e integração de redes sociais, como por exemplo o SlideShare47, onde é possível expor no perfil apresentações e documentos como artigos, teses, trabalhos acadêmicos que qualificam o profissional. Em vez do usuário enviar o portfólio de seus trabalhos para os recrutadores, o LinkedIn torna essa exposição de maneira fácil, pois nestes perfis se encontra todas as informações que os profissionais desejam ser exibir e compartilhar com seus pares. Pelo fato de o LinkedIn usar uma plataforma livre na internet e de fácil usabilidade, ele trouxe a facilidade para o profissional deixar aberto ao mundo seus conhecimentos e vida profissionais compartilhando experiências, aprendizados e seus méritos, ou seja, prontificam a adesão de capital social
47

www.slideshare.net

52

importante em seu meio. Antes, o currículo de um profissional só poderia ser visto por uma empresa ou algum Headhunter48; isso se o mesmo tivesse alguma forma de contato direto com os recrutadores ou departamento de recursos humanos das empresas. Pelo site é possível encontrar novas oportunidades de trabalho por meio de buscas segmentadas, aproximar-se de empresas e contratantes e entrar em contato direto com outros profissionais por meio do InMail49, ferramenta de comunicação entre usuários cadastrados. Para os recrutadores também é possível anunciar vagas e fazer pesquisas mais detalhadas a fim de encontrar profissionais qualificados, segmentando por nível, escolaridade, idade, sexo e qualificações, o que facilita o processo de e-recruitment como citado anteriormente. O LinkedIn recomenda aos usuários por meio de um gráfico (conforme será apresentado na Figura 2 a seguir), no perfil de cada profissional que deve ser preenchido com detalhes sobre sua vida profissional. Esse interesse demonstra que a ferramenta preza pela criação de um diretório mais completo de profissionais, podendo oferecer novos serviços a recrutadores e empresas, além de entender quais as necessidades dos usuários fornecendo ferramentas para aproveitar melhor dos recursos disponíveis.

Figura 2: Porcentagem de preenchimento do perfil no LinkedIn

Fonte: LinkedIn (2011b).

A conexão entre usuários do LinkedIn é outro fator bastante importante em suas funcionalidades. Por meio dessas conexões é possível encontrar diversos outros profissionais que possuam algum tipo de ligação com o usuário
48

Headhunter ou caça-talentos é uma pessoa ou um grupo de pessoas ou empresas especializadas na procura de profissionais talentosos ou gestores de topo; 49 http://www.linkedin.com/static?key=about_inmail

53

cadastrado, como por exemplo: pessoas que trabalham na mesma empresa, pessoas que trabalharam com pessoas conectadas ao usuário, pessoas que fizeram algum curso acadêmico com o usuário, amigos e colegas. Esta vasta gama de opções de conexões é gerada automaticamente por listas atualizadas conforme vão se criando novos laços e nunca deixam de oferecer novas conexões, pois a cada nova conexão o sistema define quais novas conexões podem ser oriundas oferecendo uma ampliação da rede networking do usuário gerando, assim, uma imensa rede de contatos sejam eles próximos ou não. A Figura 3 exemplifica as conexões. O sistema apresenta que por meio das conexões já existentes de um usuário, ele está interligado a milhões de novos usuários.

Figura 3: Conexões no LinkedIn

Fonte: LinkedIn (2011b).

No LinkedIn é possível editar e publicar informações tornando-as visíveis aos demais participantes sem a necessidade de avisar os outros membros, já que a plataforma envia notificações diretamente a rede de contato tornando essas informações acessíveis a todos de forma rápida e descentralizando os dados e integrando as informações em outras redes, Web Search Engines50 e diretórios profissionais. Todo perfil cadastrado no LinkedIn possui integração direta com o maior buscador da internet - o Google - e por meio do site é possível definir quais informações serão expostas a internet e quais são sigilosas a rede de contato.

50

Web Search Engines: Buscadores, tais como Google, Bing e outros.

54

Dessa forma o usuário pode definir quem e por onde suas informações podem ser vistas. Dessa forma, novas oportunidades de emprego e crescimento

profissional podem ser almejadas e alcançadas, pois se criou uma nova forma das empresas procurarem por profissionais qualificados para suas vagas, de forma rápida e segura além da facilidade do próprio profissional buscar novas vagas e desafios.

8.3.2 Integração do LinkedIn com outras redes sociais

Entende-se por integração o ato ou processo de integrar, incorporar, complementar e constituir um todo pela adição de partes ou elementos (MICHAELIS, 2011). Estas “partes e elementos”, no contexto desta pesquisa, podem ser associados aos diversos recursos oferecidos pelas redes sociais em busca de interação entre diferentes bases. Nessa concepção, uma determinada rede pode ir muito além de suas fronteiras e do seu papel, originalmente estabelecido, agregando novos elementos que se integram, e que alteram seu ambiente de significação. A idéia principal desta rede social, que é de criar conexões entre profissionais, sempre esteve presente ao longo dos seus nove anos de existência. Isso é continuadamente aprimorado e a rede busca adquirir novas opções para o compartilhamento de informações, estímulos para manter os profissionais conectados à rede e interessados pelos seus serviços. Por meio destas mudanças, o LinkedIn foi evoluindo, agregando novos recursos e produtos que se adequassem aos seus utilizadores formados, sobretudo, pela Geração Y. Seguindo as tendências da Web, o LinkedIn vêm buscando se integrar com outras redes e sites de compartilhamento, e apropria-se desse benefício criado pela tecnologia e projetos de código aberto, onde desenvolvedores são 55

permitidos pelo próprio site a criarem novas ferramentas e conexões entre softwares, gadgets e dispositivos móveis tornando o site acessível a todos e a toda rede. Essa integração entre redes sociais pode ser considerada como um estímulo a mais para que elas continuem exercendo sua atividade e conquistando novos usuários. Quando uma rede, por mais que seja de grande audiência não se comunica com outras, existe a chance dessa rede perder usuários para outras mais interligadas e que facilitem o processo de comunicação. Como a Geração Y é caracterizada como imediatista e instantânea, conforme descrito no Capítulo 7, podemos analisar que quanto maior a facilidade de estar em todos os ambientes virtuais ao mesmo tempo, facilita o processo de comunicação e evita a perda de tempo atualizando rede a rede. Essa integração gera maior interesse pelo usuário, pois suas mensagens chegam ao alcance de todos sem a necessidade de informar rede a rede. Além disso, por meio das integrações e conexões, o indivíduo está interligado em inúmeros grupos de referência, ou seja, comunidades e redes nas quais se mantém atualizado, usando várias fontes de informação disponíveis. A possibilidade de interagir com outras pessoas e divulgar produtos criados pelo próprio usuário, participar de discussões e grupos, e estar presente na internet expondo o “eu profissional” são fatores que agregaram valor ao profissional presente nesta rede. O LinkedIn também segue padrões de interoperabilidade, que é um conceito presente nessa onda de compartilhamento e integração, pois representa a capacidade de um sistema de se comunicar com outro. Para que um sistema seja considerado interoperável, ele deve trabalhar com padrões abertos, desde que esteja dentro das regras e conceitos de código aberto ou open source51 - propiciando uma crescente forma de interligação entre outras

51

Open source: O termo código aberto, ou open source em inglês, foi criado pela OSI (Open Source Initiative) e refere-se a software também conhecido por software livre. Genericamente trata-se de software que respeita as quatro liberdades definidas pela Free Software Foundation. Fonte: Wikipedia.

56

fontes de informação. Ou seja, o sistema deve se comunicar com outras plataformas ou redes sociais, e estar aberto a receber novas conexões. No LinkedIn há uma área destinada a desenvolvedores, bastante rica de informações importantes para o desenvolvimento de novas plataformas e principalmente para que o site não fique isolado das outras redes em constante evolução, fornecendo documentações, códigos e regras para estes desenvolvedores criem livremente aplicativos e gadgets para o uso da ferramenta em outros meios e sites. Assim como qualquer sistema interoperável, o LinkedIn possui regras bastante claras sobre o uso de sua plataforma para criar conexões com outros sistemas. Em sua página para desenvolvedores, a rede social define sua política e explica por que é importante contribuir para esse colaborativismo do site. Atualmente o LinkedIn preza a integração com as principais redes sociais de grande audiência na internet. Por meio do site é possível conectar o perfil profissional às atualizações de redes de uso pessoal como Facebook, Twitter, SlideShare, entre outras. O LinkedIn, embora seja uma rede de compartilhamento de informações profissionais, fornece a possibilidade de mesclar informações pessoais e profissionais utilizando as inúmeras formas de integração e valorizando a capacitação do profissional através das redes.

57

9.

GERAÇÃO

Y:

VIDA

PESSOAL

E

PROFISSIONAL

INTEGRADAS

Este capítulo explica como os indivíduos da Geração Y estão se comportando diante do movimento de integração que vêm ocorrendo em redes sociais como o LinkedIn. Os conceitos de capital social teorizado por Bourdieu, Recuerdo e Rodrigues, que versam sobre os valores adquiridos através dos laços sociais e o comportamento de compartilhamento de conteúdos dos indivíduos, mostram-se particularmente interessantes para explicar as motivações de participação e expressão dos sujeitos nas redes sociais.

9.1 Geração Y e a demanda por integração

[Vejam isso! Com FlitterIn eu posso conectar com meu futuro patrão,
atual obsessão em um só lugar!]

meus amores do passado e minha

Figura 4 – Cartoon FlitterIn: agrega Facebook, Twitter e LinkedIn Fonte: Mashable (2009).

58

Integração é um termo facilmente assimilado pela Geração Y, por fazer parte do conjunto de características semelhantes às da sua geração - estando ligada aos contextos de união, colaboração e agregação. Os Ys cresceram em meio a três grandes pontos integralistas, intimamente ligados, sendo um a consequência do outro: a globalização, a sociedade em rede e a cultura da convergência. O processo de globalização vivido por esta geração é a integração mundial expressa no “agir globalmente”, diferente dos acontecimentos vivenciados pelas gerações anteriores. Eles cresceram em um mundo no qual os “estados-nação” são interconectados e interdependentes, cujas consequências são advindas dos processos históricos, da expansão e da nova estruturação do capitalismo, dos avanços tecnológicos e científicos. Isso provoca, além da mobilidade de capitais e mercadorias, a ubiquidade das tecnologias de informação e telecomunicações. (SÁNCHEZ-RUIZ, 2000, p. 16). De acordo com Terra (2010, p. 02) a internet é considerada um espaço de integração. Com as ferramentas de mídias sociais, a convergência passa a ser amplamente difundida, em detrimento dos processos interativos, colaborativos e participativos dos usuários. Entre essas ferramentas, estão os sites de redes sociais que são as mais utilizadas pela Geração Y. Nestes sites os indivíduos encontram, nos ambientes virtuais e nos seus recursos, os atrativos necessários para a produção e compartilhamento de conteúdos em diferentes linguagens, que prontificam a comunicação e a conexão entre as pessoas e até instituições. Dessa forma, esses sites formam um “lócus, no qual a interação social visa à construção coletiva, à mútua colaboração, à transformação e compartilhamento de idéias em torno de interesses mútuos dos atores sociais que a compõem”. (COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL, 2010, p. 02). A maioria desses pontos é ressaltada por Tapscott e Williams (2007, p. 11) ao descreverem o novo mundo da “Wikinomics” como uma perfeita integração entre “tecnologia, demografia e economia global”, capaz de promover “uma força inexorável de mudança e inovação”. A base da nova economia se dá através da colaboração pela internet, baseado em quatro 59

princípios que se complementam: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Dessa forma, nota-se que todos os termos se referem à ação conjunta, onde estar conectado é uma necessidade e uma valoração da sociedade atual, globalizada e em rede. O processo de integração não é algo imposto para a Geração Y, mas é uma consequência da sua vivência, algo tão necessário e natural que faz parte de todos os valores que moldam os indivíduos desta geração. Os Ys vêem tudo com muita naturalidade, parte de seu modo de vida. Da integração “das coisas” surgem soluções que ampliam o leque de serviços, recursos, eficiência, monitoramento e gestão das ferramentas que favorecem a conexão, a troca de informações e conhecimento entre os indivíduos. A isso damos o nome de capital social, amplamente valorizado pela Geração Y, e que estabelece seu lugar e suas causas no mundo. Todas as características culturais, sociais, políticas e econômicas observadas nesta geração estão arraigadas na sua relação com as tecnologias: a penetração tecnocrata no cotidiano com seus movimentos de integração e colaborativismo. Dessa forma, o movimento de integrar os recursos de várias redes sociais acontece de forma quase natural. Esses usuários esperam ambientes que sirvam de espaços convergentes e que ofereçam cada vez mais recursos dinâmicos. Essas são as condições estruturais para o capital social da Geração Y acontecer.

9.2 O capital social: o que motiva a expressividade e a criação de laços sociais pela Geração Y em redes sociais

As redes sociais se alimentam dos laços sociais. Da relação do indivíduo com esses laços é formado o capital social – que se refere, principalmente, às “conexões entre os indivíduos e ao valor implícito das conexões internas e externas da sua rede social”. (RECUERDO, 2005). 60

Esses laços sociais podem ser fortes ou fracos e irão depender do grau de proximidade e intimidade entre os agentes que formam as conexões. Os laços entre as pessoas são mais fortes quando há mais canais de ligação ou quanto há um motivo forte e claro para os contatos: amigos, parentes, etc. Os laços fracos se tratam dos contatos fortuitos, cuja tendência no mundo off-line é se desmanchar com o tempo. Porém, é por meio desses laços que os indivíduos entram em contato com universos sociais distintos. As redes sociais permitem a manutenção desses laços fracos ou conexões, que emergem da estrutura dos grupos sociais. Por isso, compreender a natureza das conexões auxilia na percepção dos tipos de valores que são gerados nessas redes. Esse fato será importante para entender “em troca do quê” os Ys são motivados a se expressar e interagir com os demais. Esses valores compõem o capital social, principal responsável pelo sentimento de pertencimento a um determinado grupo, uma vez que o ciberespaço potencializa a criação de conexões por diversas afinidades. Pierre Bourdieu (1985, p. 248) que introduziu o conceito de capital social no discurso sociológico contemporâneo o descreve como “o agregado dos recursos efetivos ou potenciais ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de conhecimento ou reconhecimento mútuo”. Recuerdo (2009, p. 107-108) ressalta a importância de analisar o capital social nos sites de redes sociais, por se tratar da “verificação dos valores constituídos nesses ambientes”. Esse entendimento pode auxiliar na percepção do capital social que está em emergindo dessa coletividade e, dessa forma, compreender sua dinâmica e os fenômenos que nelas ocorrem. Quando comparamos a rede social off-line com os sites de redes sociais, percebemos a diferença das especificidades de capital social. A quantidade de conexões que pode ser criadas em sites de redes sociais é muitas vezes superior ao do mundo off-line, oriundos da maior capilaridade e da rapidez de conexões. Além disso, as redes se alimentam de popularidade, visibilidade e compartilhamento. 61

Conforme aponta Recuerdo (2006), a principal vantagem da rede social on-line se deve justamente à amplificação da rede social e à conectividade com diferentes grupos sociais. A autora identifica, entre os capitais apontados por Bertoline e Bravo52, duas formas de capital social significativos e proporcionados aos usuários de redes sociais: o "capital social relacional" e o “capital social relacional cognitivo”. O primeiro estaria ligado basicamente à percepção do indivíduo; e o segundo, relacionado, além da percepção, também à sua capacidade de emissão de informação e influência na rede. (RECUERDO, 2009, p. 108). Analisando os capitais sociais, Recuerdo (2009, p. 109-115) aponta quatro principais valores constituídos a partir do uso das redes sociais. Eles estão compilados no Quadro 2:

Quadro 2 – Valores e Capital Social em Sites de Redes Sociais
VALOR PERCEBIDO DESCRIÇÃO DO VALOR TIPO DE CAPITAL SOCIAL

Visibilidade

Trata-se de um valor por proporcionar que "os nós sejam mais visíveis na rede", seja para ancorar no suporte social e de obtenção de informações relevantes, como também para manter laços sociais fisicamente distantes. De qualquer forma a visibilidade é decorrente da presença e atuação do indivíduo na rede social; Decorre da percepção construída de alguém pelos demais, ou seja, as impressões do "eu" sobre os nós. Essas impressões advêm das expressões do indivíduo e da aceitação desses conteúdos pelos outros. Dessa forma, as redes sociais "são extremamente efetivas para a construção de reputação”, pois permite o feedback das percepções qualitativas causadas pelo conteúdo expressivo perante os demais membros. Dessa forma, pode-se trabalhar a reputação através das informações publicadas e da construção da visibilidade social; Está relacionada à audiência, no qual é maior visualizado na rede, sendo possível verificar "as conexões e as referências a um indivíduo", no qual prontifica sua posição como central em uma rede

Relacional

Reputação

Relacional cognitivo

Popularidade

Relacional

52

BERTOLINE, S.; BRAVO, G. Social capital, a multidimensional concept. 2001. Disponível em: < http://web.archive.org/web/20030318075349/http://www.ex.ac.uk/shipss/politics/research/socialcapital/ot her/bertolini.pdf >.

62

Popularidade

social, demonstrando sua capacidade influenciadora perante os nós ou seu poder de ser conector. Dessa forma, a popularidade está relacionada a quantidade de comentários, referências, links, entre outros pontos que permitam quantificar a percepção dos demais. Portanto, "esse valor relaciona-se com o número de conexões ou relações de um determinado nó com os outros", sendo diferente da reputação por permitir "uma medida quantitativa da localização do nó em uma rede"; Trata-se de um valor por se referir ao poder de influência de um nó em uma rede social. Está ligada a reputação, porém ancorado no capital social relacional e cognitivo por buscar na influência a capacidade de gerar autoridade e de difundir informações. Dessa forma, a medida de uma autoridade se deve aos "aos processos de difusão de informações nas redes sociais” e da percepção dos demais indivíduos da importância contida nessas informações.

Relacional

Autoridade

Relacional cognitivo

Fonte: Adaptação de Recuerdo (2009, p. 114).

É importante salientar que os tipos de capital social e os valores atribuídos a eles serão diferentes, de acordo com os propósitos dos sites de redes sociais. Porém eles permitem a identificação de padrões comportamentais dos indivíduos. (BRANDÃO; PARREIRAS; SILVA, 2007). A possibilidade de identificar padrões é importante, inclusive, para a atuação mercadológica dentro dessas redes, pois ela permite a visualização de nichos. A análise quantitativa e qualitativa permite a inserção de ações de marketing e publicidade de marcas extremamente focadas. Foram entendimentos como esses que despertaram o interesse de empresas pelo tema rede social. No Quadro 2, feito com base nos apontamentos de Recuerdo, podemos observar quais capitais e valores são importantes para os indivíduos que compõem redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter, LinkedIn e outras. Nessas redes, há diversos recursos que permitem a expressividade, fornecendo aos indivíduos condições de percepções (ser percebido e perceber) e compartilhamento de conteúdo com os demais, o que ampara a manutenção dos laços sociais. Ao analisarmos a rede social profissional LinkedIn, percebemos que os valores e capitais sociais apontados por Recuerdo também podem ser 63

identificados nela. Conforme apresentado no Capítulo 8, os membros da Geração Y estão utilizando as redes sociais profissionais como importante instrumento para buscar oportunidades no mercado de trabalho. Essa geração busca manter a atuação dentro dessas redes como forma de identificar as oportunidades que estejam de acordo com suas expectativas profissionais e pessoais, uma vez que para eles ambas as esferas são congruentes e interrelacionadas. Eles, ao mesmo tempo, buscam formas de expressar conhecimentos e de estabelecer novos laços sociais. As do site”. O Quadro 3 demonstra como o capital social relacional e relacional cognitivo discutidos por Recurdo (2009) podem ser adquiridos no LinkedIn através das funcionalidades proporcionadas aos seus usuários: funcionalidades do LinkedIn oferecem oportunidades para a

construção do capital social. Para Lane (2009), esse seria o “principal objetivo

Quadro 3 – Capital social identificados nas funcionalidades do LinkedIn

CAPITAL SOCIAL

FUNCIONALIDADES DO LINKDEIN

Relacional

Permite a criação de conexões por afinidades diversas, tais como instituições educacionais, empregos anteriores, pares, áreas relacionadas a área de atuação, conexões de conexões; permite a busca por novas conexões através dos contatos como e-mail, outras redes sociais e recomendações de contato; permite o envio de convites para participação na rede; Oportuniza a amplificação dos laços fracos ao criar conexões a partir de conexões, uma vez que elas são importantes para a recomendação profissional; Possui ferramentas para interação como mensagens; Disponibiliza link para visualização de perfis extra-rede; Busca a integração com outras redes como forma de tentar ampliar a rede networking dos seus usuários; Apresenta o número de conexões e faz um mapeamento do grau das conexões possíveis através das já existentes; Possui recursos que ajudam o usuário a criar uma imagem profissional; Apresenta vagas que tenham relação com seu perfil e apresenta perfis de acordo com as vagas disponíveis.

64

Relacional cognitivo

Possui ferramentas para criação e gestão de grupos de discussão e de interesses; Oportuniza a recomendação do indivíduo por seus pares; Possui recursos para o compartilhamento de informações; Possui recursos para facilitar a busca de informações dentro da rede; Permite criar estatísticas das conexões existentes na rede; Busca aderir recursos de outras redes sociais como forma de ampliar a circulação de informações dentro da rede; Busca criar relevância do profissional em buscadores como Google, Bing, e outros. Fonte: LinkedIn (2011b); Recuerdo (2009).

O LinkedIn, por priorizar a criação de conexões de conexões, aposta na “força dos laços fracos”53. De acordo com Raud-Mattedi (2005, p. 67) são esses laços aqueles mais fundamentais para quem, por exemplo, está em busca de emprego. É, principalmente, através dos laços fracos que as informações a respeito de novas vagas chegam a potenciais candidatos. É através do contato com “conhecidos”, inclusive por intermédio da própria rede social, que os profissionais terão a oportunidade de entrar em contato com informações ou produzirão e compartilharão conteúdos que farão com que estas pessoas sejam reconhecidas pelo grupo e adquiram o capital social. Esse capital permite “identificar as formas de inserção social das ações econômicas e a influência destas relações sociais nos resultados econômicos”. Com isso, para os profissionais da Geração Y estar em contato com o maior número de pessoas e compartilhar o conhecimento é uma forma de constituir os valores que serão importantes para o profissional e para as conquistas pessoais, pois “além dos objetivos econômicos, os atores perseguem também objetivos sociais” de reputação, popularidade, visibilidade e autoridade. Granovetter (1973 apud RAUD-MATTEDI, 2005, p. 67) teoriza sobre a importância dos laços fracos presentes nas redes sociais e argumenta que as ações dos atores sociais são condicionadas pelo seu pertencimento a redes de relações interpessoais, ressaltando:

53

Teoria de GRANOVETTER, M. The Strength of Weak Ties. In: American Journal of Sociology, vol. 78, n. 6 1360-1380, 1973.

65

Na medida em que as redes pessoais agem como canais de circulação de informações, a posição de um indivíduo na rede, assim como a qualidade da rede são elementos fundamentais. Assim, é menos importante estar fortemente inserido numa rede (de amigos ou de parentes, por exemplo) do que ter acesso, por meio de laços fracos (ou seja, de conhecidos), a várias redes. Os laços fracos são decisivos porque estabelecem pontes entre as redes, permitindo assim o acesso a universos sociais diversificados e a uma maior variedade de informações. [...] Neste sentido, o mercado (de trabalho, no caso) não é o resultado de escolhas racionais por parte de indivíduos considerados como independentes, já que os laços sociais influenciam as trajetórias. (RAUD-MATTEDI, 2005, p. 66-67).

Redes sociais voltadas para o mercado de trabalho como o LinkedIn, procuram, por meio de funcionalidades e agregação com outras redes, amplificar a conexão de laços sociais. O LinkedIn procura classificar os laços, colocando o número de grau daquela conexão. Por meio do LinkedIn é possível visualizar todos os graus dos laços das redes sociais e verificar qual grau dos laços podem trazer mais informações ou oportunidade de trabalho. Do mesmo modo, as informações que circulam nessas redes têm a intenção de auxiliar, mostrar e agregar os valores aos profissionais, o que também está associado à construção de capital social. Utilizando-se dos recursos de propagação de informações, os usuários esperam receber como retorno status no grupo, melhores oportunidades e autoridade perante os pares, ou seja, os valores relacionais cognitivos. Também é através do compartilhamento de informação que se pretende a construção de uma imagem e de importância na rede social, que forma o valor relacional. Ao mesmo tempo, difundir informações na rede é também interagir, tentar ampliar e complexificar os laços sociais.

9.3 Vida pessoal e profissional interconectadas: uso do LinkedIn e consequências para a Geração Y

No Capítulo 7 foram apontadas as características da Geração Y, que não distingue a vida profissional da pessoal simplesmente por achar que ambos 66

estão ancorados no ser. Com o avanço das tecnologias, como dos dispositivos móveis que prontificam respostas em tempo real, é ainda mais “derradeiro a libertação em relação ao lugar”, ou desterritorizalização dos espaços, como define Bauman (2004, p. 81). Com isso, há uma emergência mundo pela da “interconexão”, como define Dupas (2005, p. 36), no qual a vida se resume basicamente em “estar ou não conectado”. Para ele, no interconexão a distinção entre a vida privada e a vida profissional é diluída. Castells (1999, p. 284) também descreve esse fenômeno e diz que até o século XX o lar era a representação do espaço privado. Com a flexibilização proporcionada pelas TIC na sociedade em rede, as pessoas se tornam capazes de transportar para os seus lares diversas ações pertencentes aos outros âmbitos cotidianos. Logo, a separação de ambientes como trabalho e lazer passa a não ser delimitada e o “significado dos termos privacidade, lar e comunidade mudaram de forma significativa”. Sennett em seus livros “A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo” (1999) e “A nova cultura do capitalismo” (2008) faz uma análise sociológica das transformações do mundo do trabalho oriundas do que ele chama de “capitalismo tardio”. Segundo o autor, “é dimensão do tempo do novo capitalismo” que afeta a vida dos indivíduos, cujas características principais é a “flexibilização” e o ”fluxo a curto prazo” Essas características viriam do fim das “rotinas burocráticas”, da estabilidade do emprego em detrimento de exigências flexíveis e projetos de curta duração, sendo isso os principais motivos que modificaram a ética do trabalho e da sociedade. (SENNETT, 1999, p. 25; 32). O autor em seus livros traz uma visão crítica ao novo sistema capitalista, onde expõe que as características do capitalismo tardio é responsável pela corrosão do caráter dos seres, pois por mais que tudo se torna flexível, maleável e adaptável, ao mesmo tempo se formam novas formas de poder e controle sobre os indivíduos, e é ressaltado pelo autor que:

67

[...] o comportamento flexível gera liberdade pessoal. [...] imaginamos o estar aberto à mudança, ser adaptável, como qualidades de caráter necessárias para a livre ação - o ser humano livre porque capaz de mudança. [...] A repulsa à rotina burocrática e a busca da flexibilidade produziram novas estruturas de poder e controle. (SENNETT, 1999, p. 54).

Para este trabalho não será adotada a visão crítica de Sennet, somente a contextualização que ele faz da sociedade, que é muito importante. O autor defende que as “modernas comunicações” instituíram uma linha divisória com as questões de rotina desses indivíduos que tem como “força tênsil” a capacidade de “ser adaptável a circunstâncias variáveis”. Porém, essa flexibilidade, adaptabilidade e quebra de rotina exigida pela nova “cultura capitalista”, ou sociedade em rede, geram novas “emoções fogem ao controle” e empurram os indivíduos para “fora das fronteiras morais normais”. (SENNETT, 1999, p. 42; 53; 59). Dessa forma, vida on-line e off-line estariam se tornando híbridas, da mesma maneira como não há mais a distinção clássica entre privado e público (Capítulo 6), sendo as barreiras entre pessoal e profissional diluídas, pois o novo modo de produção flexível incorporou as tecnologias como práticas profissionais, pessoais, sociais e culturais.
Estar em rede, ser flexível e adaptável tornam-se, assim, condições de inserção no mundo do trabalho e, sobretudo, símbolo de eficiência e de participação daquilo que os autores chamam de mundo conexionista, expressão que denomina esse ideal de rede associado à valorização de novos paradigmas. (RODRIGUES, 2010, p. 04).

A rede social LinkedIn permite a agregação de diferentes laços, no qual cabe ao indivíduo a sua classificação e organização. De qualquer forma os laços fortes se fazem importantes, pois são os que estão intimamente ligados ao pessoal, e os laços fracos foram demonstrados por Granovetter como eficientes para criação de oportunidades. Dessa forma, o LinkedIn não busca se constituir somente como uma rede profissional, uma vez que considera que todos os laços podem proporcionar oportunidades. Da mesma forma a Geração Y leva esse fato em consideração, tanto que não veem razões para distinguir as esferas. 68

Esse fato traz à tona outro fator importante – a imagem humanizada do profissional – que é também decorrente da flexibilidade e da capacidade de ser adaptável. Tendo a possibilidade de conectar o pessoal com o profissional, os indivíduos da Geração Y também buscam agregar às suas competências outras qualidades ligadas ao caráter. A exposição de informações pessoais em uma rede social profissional pode trazer implicações para o profissional? Houve modificações no entendimento sobre privacidade? Os indivíduos da Geração Y conseguem distinguir a tipologia de informações? Estas questões serão respondidas a seguir.

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10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base no que foi exposto nesta monografia e tendo por método o levantamento bibliográfico, consideramos os seguintes pontos importantes para as considerações conclusivas deste estudo:

As redes sociais são importantes ferramentas de interatividade e disseminação de informações, que servem para a construção da sociabilidade, legitimando a subjetividade e o reconhecimento perante os outros. Atualmente, por possuírem milhões de usuários ativos no mundo, são as principais responsáveis pela inclusão de informações pessoais na Web, pois seus recursos de interação promovem a criação de espaços colaborativos, de comunicação e compartilhamento de conteúdos. É difícil perceber uma delimitação clara e valoração sobre a diferença entre as esferas pública e privada nas redes sociais, pois a emergência desses sites serve de ferramenta para a expressividade e compartilhamento de conteúdos pelos seus usuários, formados, em sua maioria, pela Geração Y. Para esses indivíduos, os perfis em redes sociais são demonstrações públicas de identidade e promovem a troca de valores entre os participantes. A Geração Y, por suas características peculiares e perspectivas colaborativas, está trazendo consideráveis mudanças em todos os âmbitos da sociedade em que atuam. Como profissionais, buscam constantemente novos desafios, dedicados àquilo com que realmente se identificam: um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, já que essa diferença espacial não deve existir. As empresas buscam estes profissionais pertencentes à Geração Y também nas redes sociais – que passaram a servir como importante ferramenta de e-recruitment, como o LinkedIn. O objetivo dessas redes é, por meio de suas funcionalidades, multiplicar os laços sociais que podem criar oportunidades de negócios dos seus utilizadores, tanto para 70

empresas como para pessoas. Para isso, é necessário que a rede ofereça novas formas de participação e recursos para o compartilhamento de conteúdo. O LinkedIn promove integração com demais redes sociais de caráter pessoal, como Twitter, MSN e outras, buscando expandir funcionalidades e cumprindo seu propósito de fornecer aos seus usuários diferentes formas de facilitar a amplificação de networking. Os Ys, por crescerem imersos nos meios digitais, enxergam estes movimentos integralistas e interoperáveis, que ocorrem em redes, como condições favoráveis para a construção do seu capital social. Valores como visibilidade, reputação, popularidade e autoridade têm motivado esta geração a expor suas narrativas, a ampliar seus contatos e a compartilhar conteúdos em redes sociais agindo em prol da manutenção dos laços sociais fortes e, sobretudo, dos laços fracos. Dessa forma, buscam construir nesses espaços, além da representação virtual de identidade, um ponto de unificação dos propósitos interconectados de suas vidas.

Com essas considerações, são expostos os cumprimentos dos objetivos deste trabalho, no qual se buscou analisar a rede social LinkedIn e seu uso pela Geração Y. Por meio da análise feita, foi possível entender que os usuários Y não fazem distinção entre as informações de redes sociais de caráter pessoal, de outras de caráter mais profissional. O fato de redes sociais profissionais como o LinkedIn estimularem a expressividade dos seus usuários, por meio da integração com redes de caráter pessoal, demonstra uma resposta ao modo de agir do mercado e também uma compreensão sobre o fato de informações profissionais conviverem com informações pessoais – pelo menos para parte desse público. Os Ys são impulsionados pela vida pessoal e social, e o trabalho deve ser somente mais um reflexo ou ângulo dessa realidade – pois eles o encaram não somente como fonte de renda, mas como uma fonte de satisfação e aprendizado. 71

Essa hibridização pessoal-profissional, natural da Geração Y, vem sendo notada por empresas e qualificada muitas vezes como uma característica positiva e importantes inovadora. Ela favorece exigidas pelos atuais a demonstração das competências postos de trabalho: capacidade de

sociabilidade, criatividade, facilidade de lidar com meios de comunicação e participação em trabalhos colaborativos. Dessa forma, os Ys atribuem novas significações às esferas de público e privado, profissional e pessoal, e aos conceitos de privacidade – por entenderem que é por meio de compartilhamento de conteúdo que o seu capital social é construído. Esses nativos digitais não são irresponsáveis; possuem apenas visões diferentes do mundo que os cerca.

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