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O Estado e o Sagrado

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O Estado e o Sagrado
Max Stirner (in The Ego and His Own, 1907) O melhor Estado será aquele que tiver os cidadãos mais leais e, quanto mais perdido estiver o espírito da legalidade, menor será o poder e a qualidade do Estado, este sistema moral, essa própria vida moral. Junto com os "bons cidadãos", o bom Estado também desaparece e dissolve-se em anarquia e ausência de leis. "Respeito à lei", este é o cimento que mantém a estrutura do Estado. "A lei é sagrada e aquele que a desafia é um criminoso". Sem crime não haveria Estado: o mundo da moral - ou seja, o Estado - está cheio de vagabundos, mentirosos, ladrões. E já que o Estado é o "domínio da lei", sua própria hierarquia, segue-se que sempre que os lucros de um indivíduo vierem contra os interesses do Estado, ele só porderá obtê-los recorrendo ao crime. O Estado não pode desistir da idéia de que suas leis e ordens são sagradas. E o indivíduo é considerado então como um ímpio (bárbaro, egoísta, primitivo) que está contra o Estado, tal como era antes considerado contra a Igreja; ante o indivíduo, o Estado assume a auréola de um santo. Tomemos o caso do duelo: o Estado promulga a lei contra o duelo. Dois homens, que concordaram em duelar e estão dispostos a dar a vida por uma determinada causa (seja ela qual for), não podem fazê-lo porque o Estado os proíbe, e ainda castiga quem o desobedecer. Onde está a liberdade? A autodeterminação? Seria uma situação totalmente diferente se, tal como acontece na América do Norte por exemplo, a sociedade determinasse que os duelistas devem agüentar as conseqüências do seu ato, que resultaria na retirada do crédito de que dispunham até aquela data. Ora, se recussar o crédito é uma questão referente a todas as pessoas, e se a sociedade quiser tirar o crédito por esta ou aquela razão, o homem atingido não poderá queixar-se de que lhe tolheram a liberdade: a sociedade está apenas exercendo a sua proópria liberdade.

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Os políticos liberais admitem a existência dessa última e disputam a interferência. considera-o uma ofensa à lei sagrada. tivessem igualdade de condições. aqui crimes. isto é. Se o Estado. o último tem punições criminais. Lá inquisição. são os comandos desse Ser Sagrado. não há punição para o crime. Não poderá a santidade do Estado acabar tal como acabou a da Igreja? O respeito às leis. lá pecados. atribui a si o direito de decisão. um tem processos inquisitoriais.e insistem neste ponto . aquele que transgride as leis do Estado é olhado como alguém que transgride as leis de Deus . a censura deve existir. Desse modo reconhece o seu direito de decidir livremente. O Estado é sagrado e não deve se expor aos ataques atrevidos de certos indivíduos.html Não há punição para pecado. à Lei do Estado. o Estado tem crimes capitais.br/cantolibertario/textos/0162. aqui inquisição.O Estado e o Sagrado http://www. a reverência diante de sua majestade. A sociedade deixa que o indivíduo decida se quer ou não sofrer as conseqüências e inconvenientes de seu ato. o Estado tem os seus traidores. Se a igreja tem pecados mortais. em vez disso. rotula o duelo de crime.cedap. criminosos. Assi. faz disso um caso criminal.uma visão idêntica àquela mantida outrora pela Igreja. à medida que estas se posicionassem diante de questões como a liberdade de imprensa. eles admitem a existência de medidas repressivas pois . o outro. fiscais. ele precisa simplemente ser um poder superior usado contra o indivíduo. Lá o duelo não é crime mas somente um ato contra o qual a sociedade adota certas medidas que são uma forma de defesa. que ele transmite ao mundo através dos seus ungidos e dos seus Senhores-pela-pela-graça-de-Deus.unesp. se a igreja tem os seus heréticos. ao contrário. Aqui Deus é o Sagrado e os mandamentos da Igreja. quiser tornar-se um poder de facto. O Estado. Lá pecadores. Mas seja como for.o Estado 'e mais importante do que o indivíduo e 2 de 5 07-08-2009 00:02 . E se o Estado é sagrado. a primeira tem punições eclesiásticas.assis. a humildade de seus "súditos" permanecerão? Não serão as faces dos "santos" despidas dos seus adornos? Que loucura seria pedir que a autoridade do Estado entrasse numa luta honrada com os indivíduos e. esse pensamento. O Estado se comporta de maneida exatamente inversa e. tal como os do Estado. Em resumo. aqui.

Como. aqueles que. se a última considera que uma determiada ação é um crime contra o direito. ele certamente estava errado. Um homem que permite que outro homem continue vivendo. Weitling precisa conservar as boas graças criando os seus "meios de regeneração e cura contra os resíduos naturais das doenças e fraquezas humanas" e esses "meios curativos" já anunciam que determinados indivíduos serão "escolhidos" para um determinado tipo de "salvação". embora professassem abertamente sua lealdade à causa comunista. é simplemente um homem religioso. o direito de todos ou a saúde não só do indivíduo doente como da sociedade em geral. entretanto. A punição só tem valor quando for um meio de expiar qualquer ofensa contra uma coisa sagrada.já não existirãm mais.br/cantolibertario/textos/0162. Meios de regeneração ou de cura são o oposto do castigo. ele certamente merecerá ser castigado quando agir como se fosse seu inimigo.unesp. apesar de suas boas intenções. cuidadndo dele ou destruindo-o. a sociedade organizada que imaginou também é exaltada como sendo algo sagrado e inviolável. um sinal de decadência do corpo. sendo tratados de acordo com as necessidades deste chamado. o dinheiro . a doença com amorosa gentileza e compaixão.cedap. Mas o certo seria que eu o considerasse como algo que me serve ou que não me serve. Não faltaria. algo tão hostil ou amigável que eu poderia tratá-lo como se me pertencesse.a saber. pois as tentações que nos levam a cometê-lo .O Estado e o Sagrado http://www. a primeira vê nele um pecado do homem contra si próprio. trabalhariam secretamente para arruiná-la. a teoria da cura corre paralela à teoria do castigo. Além disso. O crime é tratado de forma impiedosa. num regime comunista. 3 de 5 07-08-2009 00:02 . nem "doença" chegam a ser uma visão egoísta do problema . se pode ser considerado algo que ofende o direito.como por exemplo. Nem "crime". E se alguma coisa for sagrada para um homem.assis. o crime se tornará impossível.isto é.html pode exercer uma vingança justificada que recebe o nome de punição. Weitling atribui o crime à "desordem social" e vive na esperança de que. um julgamento que Não parte de mim mas de outra pessoa . porque para ele a vida é algo sagrado e porque não admitiria a idéia de tirá-la.

Quando alguém nos faz alguma coisa que julgamos insuportável. com ele. cujo objetivo não deve ser satisfazer a lei ou a justiça. mas o próprio homem. só representações e petições. Para castigar os danos à propriedade. o crime. assim como as oferecem ao sagrado. No momento. pretendendo criar um novo códgo penal. Essa devoção ao sagrado também faz com que não participemos ativamente do castigo. os homens discutem em toda a parte. a "suspensão dos direitos humanos".assis. o mesmo deveria ocorrer com os crimes contra o que chamam de "sagrado". não poderá mais haver o crime contra ele. criaram as casas de correção.br/cantolibertario/textos/0162. O prórpio Deus. como você sabe. Se já não exige mais nada que seja sagrado.O Estado e o Sagrado http://www. também já não se defende contra o homem. não deve existir o castigo.unesp. mas desaparecerá por si mesmo no dia em que ambos desaparecerem.cedap. O código penal só continua existindo porque o sagrado existe e. todas as outras punições também deveriam desaparecer. As punições eclesiásticas desapareceram? Por quê? Porque a atitude dos indivíduos em relação a Deus é algo que só a eles diz respeito. As nossas teorias de direito penal por cujo "aperfeiçoamento. até hoje) todos os "servos de Deus" ofereciam as mãos para com elas punir o herege. Mas tornam-se apenas tolices sem nenhuma coerência quando enforcam o ladrãozinho e deixam que o grande escape. Não é o sagrado que deve se defender contra os ataques do homem. Mas não questionam.html O castigo é uma conseqüência do crime. Mas assim como desapareceu a penalidade eclesiástica. dando lugar à reparação. sobre a validade do castigo. destruímos o seu poder e procuramos estabelecer o nosso e vingar-nos dele para nossa própria satisfação e não para cometer a tolice de satisfazer a lei (um fantasma). limitando-nos a entregar o criminoso nas mãos da 4 de 5 07-08-2009 00:02 . Assim como os pecados cnotra Deus só interessam a quem os praticou. Se não existe o crime. mas garantir a melhor sulução possível para nós. para que se adaptem aos novos tempos" as pessoas ainda continuam lutando em vão pretendem que o homem seja punido por certas "desumanidades". para os "crimes de pensamento". nem por um momento. esse mesmo Deuys a quem antes (e na verdade. Mas é justamente ele que deve desaparecer.

será que você não é capaz de ver um crime poderoso. sem nenhuma vergonha e sem consciência. O egoísta até agora tem conseguido defender os seus direitos em relação ao crime e consegue até rir dele. Uma revolução nunca mais volta. e essa fúria popular para defender a moral protege a instituição policial mais do que qualquer governo. saberão administrar melhor essas questões".html polícia e dos tribunais: delegamos a nossa participação às autoridades que "é claro.unesp..cedap. As pessaos adoram lançar a polícia contra tudo aquilo que lhes apareça imoral. ressoando ao longe como o ruído de um trovão? E observe como o sel se torna cada vez mais silencioso e escuro. mas um crime . imprudente.O Estado e o Sagrado http://www. orgulhoso. C a n t o L i b e r t á r i o 5 de 5 07-08-2009 00:02 . por mais tolo que seja.br/cantolibertario/textos/0162..assis. Essa pode tornar-se a regra geral.