You are on page 1of 8

Aspectos físicos da incubação e sua influência sobre o desenvolvimento do embrião

Dr. Ron Meijerhof Poultry Performance Plus - Holanda ron_meijerhof@hotmail.com Introdução A inseminação artificial é um processo muito delicado que requer excelente controle para maximizar os resultados. A tecnologia e os equipamentos de controle usados no incubatório têm melhorado significativamente ao longo dos anos. Hoje, incubatórios que colocam mais de 2 milhões de ovos por semana não são mais exceção, assim como incubadoras com mais de 100 mil ovos por máquina. A tecnologia instalada para fazer este processo ocorrer de forma constante e confiável é enorme e complicada. Somos capazes de ler e acompanhar todas as máquinas de forma remota, controlar e fazer ajustes a partir de computadores centrais, receber avisos de alarme por telefone, armazenar e processar todos os dados relevantes automaticamente. O manejo dos incubatórios modernos visa criar condições ambientais ótimas para ovos e pintos, desde o armazenamento de ovos na granja de matrizes até a entrega dos pintos na granja. As condições climáticas em cada sala são controladas de forma muito precisa em qualquer momento. No entanto, apesar de todos estes avanços técnicos, a questão é se estamos de fato controlando os fatores importantes para o embrião e no nível que achamos que estamos. Para compreender estes fatores-chave, temos que ver o que ocorre durante a incubação em si.

O que acontece durante a incubação Do ponto de vista biológico, a incubação – transformar um ovo em uma galinha viva – é de uma complexidade muito além da nossa imaginação e um verdadeiro milagre. No entanto, do ponto de vista técnico, podemos reduzir o processo a um modelo bastante simples. Em essência, o embrião constrói o seu corpo a partir do conteúdo do ovo. Para isso, é necessário energia. A energia provém principalmente da queima de fontes de gordura da gema. Para queimar gordura, o embrião precisa de oxigênio, que precisa vir de fora da casca. Durante a queima, são produzidos três resíduos: dióxido de carbono, água metabólica e calor metabólico. Estes dejetos precisam ser retirados do ovo por ventilação, evaporação e resfriamento. E finalmente, mas igualmente importante, todo este processo é controlado pela temperatura. Em conclusão, isto significa que para a incubação adequada precisamos de temperatura, ventilação para troca de oxigênio e dióxido de carbono e ventilação para perda de umidade. Quando combinamos tudo isto de forma adequada, o embrião vai utilizar a gema e transforma-la em tecido corporal da melhor maneira. Além destas condições, precisamos da viragem, mas este interessante tópico não será abordado nesta apresentação.

2002). 1994). 2001). o que é importante não é a temperatura do ar. Devemos nos dar conta que esta transferência de calor não é resultado apenas da diferença de temperatura entre os ovos e o ar circundante. Início da incubação No início do processo de incubação. a temperatura é o mais importante (Deeming e Ferguson. se esfria até um novo equilíbrio ser atingido e vice versa. Isto significa que. 1994. de todos os fatores envolvidos. velocidade do ar e evaporação.Há muito tempo sabemos que. Os ovos submetidos a um alto fluxo de ar . para o embrião. 1997). 1991). Isto significa que a transferência de calor para e do ovo é importante para a temperatura do embrião (French. uma baixa velocidade do ar dá baixa transferência de calor. Um fator que complica este aspecto é que o embrião das linhagens modernas de alta conformação parecem produzir mais calor durante a incubação do que o tipo clássico de aves (Hulet e Meijerhof. Como a temperatura do embrião é um equilíbrio entre a produção de calor e a perda de calor e como a perda de calor depende da temperatura. A conseqüência disso é que a temperatura interna do ovo (temperatura do embrião) das linhagens modernas será mais alta do que a das linhagens clássicas se o as condições da incubadora não forem ajustadas. é um equilíbrio entre a produção de calor do embrião e a perda de calor do ovo (Meijerhof e van Beek. mas que a velocidade do ar e a evaporação também têm grande influência sobre a taxa de transferência de calor (Meijerhof e van Beek. Temperatura do embrião x temperatura do ar A temperatura do embrião. é evidente que apenas controlar a temperatura do ar não é suficiente para controlar a temperatura do embrião. quando o embrião começa a produzir níveis significativos de calor metabólico. Se o ovo perder mais calor do que produzir. as incubadoras são projetadas para controlar a temperatura do are m todos os pontos da máquina de forma bastante uniforme (Owen. porque esta é a única temperatura sentida pelo embrião. Por isso. Isto significativamente que o controle da temperatura do ar é adequado apenas se refletir a temperatura do embrião. No entanto. mas a temperatura dentro da casca. quando os ovos são aquecidos. os ovos precisam ser aquecidos até o ponto ajustado para temperatura de incubação. Se for necessário evaporar água na incubadora – água que sai da casca ou aspergida pelas máquinas –. Este calor adicional precisa ser retirado do ovo para manter a temperatura do embrião no nível desejado. esta evaporação também resfriará os ovos. por ser a temperatura interna do ovo. pois a evaporação requer alta quantidade de energia. a taxa de velocidade do ar vai determinar a temperatura real do embrião em um momento dado. Uma alta velocidade do ar promove alta transferência de calor. 1991). quanto na segunda parte da incubação. Isto significa que ovos relativamente frios são colocados em um ambiente quente e que a energia precisa ser transferida do ar para o ovo. quando há diferença de temperatura entre o ovo e o ar. Meijerhof. Isto é importante tanto no começo da incubação.

Quando os umidificadores são usados no início na incubação. os ovos perdem umidade de forma mais ou menos constante. a velocidade do ar também tem papel importante na transferência de calor dos ovos para o ambiente (Lourens. A partir de aproximadamente 4-8 dias. os últimos serão aquecidos à temperatura do ar e o processo de incubação começa em velocidade máxima para todos os ovos. isto faz com que a temperatura do ovo fique levemente abaixo do ponto de ajuste de temperatura (do ar). Com alta velocidade do ar. as observações de campo e os primeiros experimentos indicam que a produção de calor das linhagens de alta conformação é substancialmente maior em comparação à produção de calor de embriões das raças mais tradicionais. o embrião começa a produzir calor metabólico e. Apesar de ainda haver poucos dados científicos adequados disponíveis. Uma quantidade reconhecível de calor começa a ser produzida no dia 4 do processo de incubação. as máquinas precisam começar a resfriar quando são usadas máquinas de estágio único. forçando a redução da temperatura do embrião. Esta perda de umidade resfria os ovos porque este processo usa energia para evaporação (Meijerhof e van Beek. Dependendo do tipo de máquina. Depois de várias horas. a temperatura do ovo aumenta.serão aquecidos rapidamente. mais calor será removido da casca do ovo. a partir deste momento. Durante a incubação. 1994). Quando os ovos são grandes. Nesse estágio. a produção de calor causa aumento significativo da temperatura do embrião acima da temperatura do ar. No início da incubação. ovos em baixo fluxo de ar demoram várias horas para aquecer. 2001). Depois disso. foram observadas diferenças de mais de 1. Com baixa velocidade do ar. têm uma superfície relativamente limitada para transferência de calor e o fluxo de ar sobre estes ovos é limitado (Meijerhof. 2002). Um fator que complica é o aumento da produção de calor metabólico pelas linhagens modernas. Esta energia (calor) precisa ser fornecida através do ar e vai esfriar principalmente os ovos próximos do umidificador. dependendo da uniformidade do fluxo de ar sobre os ovos. Quando são usados umidificadores nas máquinas para controlar a umidade relativa. a temperatura interna do ovo começa a ficar mais alta que a temperatura do ar. Produção de calor metabólico Depois de alguns dias. Isto faz com as diferenças na temperatura do embrião sejam mais pronunciadas em alguns pontos. tanto nas máquinas de estágio múltiplo. produzem mais calor metabólico. deve ser levado em conta que esta evaporação de água usa uma grande quantidade de energia. . a diferença de tempo que leva dos primeiros aos últimos ovos atingir a temperatura final de incubação pode ser considerável.5º C na temperatura dos embriões. os ovos serão mais resfriados e levarão mais tempo para atingir a temperatura ajustada. como nas de estágio único. foram feitas medições em uma máquina comercial de estágio único. Medições da temperatura dos embriões em incubadoras comerciais confirmam isto. Em Praktijkonderzoek Pluimveehouderij. Aos 17 dias de incubação.

Isto tem importância prática. as pesquisas também mostram que uma temperatura do embrião abaixo da ideal tem efeito negativo sobre o desenvolvimento do embrião e. A experiência prática demonstra que tentar controlar a temperatura do embrião dentro de limites aceitáveis resulta em melhor eclodibilidade e. são observadas mais conseqüências negativas da alta temperatura do que quando há oxigênio suficiente disponível (Lourens et al. Também foi demonstrado que diferenças na temperatura do embrião resultaram em diferença no desenvolvimento tanto do corpo da ave como um todo. Se é importante. principalmente devido a diferenças na velocidade do ar e no uso de spray.embora a temperatura do ar fosse mais ou menos a mesma em todos os pontos (Lourens. . A influência sobre a absorção da gema e fechamento do umbigo é alta. Um efeito adicional sobre a temperatura do embrião também é o efeito dos umidificadores da máquina devido à evaporação da água. como o músculo cardíaco (Wineland et al. em segundo lugar. demandando mais oxigênio no final da incubação. isto afeta o embrião ou o pinto? 2. Além disso. nem sempre é fácil encontrar uma boa solução. Implicações práticas Nos últimos anos. uma parte substancial do problema está no desenho das incubadoras e dos nascedouros. 2007). 2000). Em alguns tipos de máquina. Elibol e Brake (2008) também observaram que a posição dos ovos em relação ao ventilador influenciou a temperatura dos ovos. Várias pesquisas estão sendo realizadas para entender melhor a influência da temperatura sobre o desenvolvimento do embrião. Se a temperatura do embrião aumenta. Com as incubadoras e nascedouros atuais. Se esta demanda não for atendida. com isso. Foi demonstrado que uma diferença na temperatura do embrião de aproximadamente 1º C resultou em diferença significativa no crescimento do embrião e na conversão alimentar de frangos às 6 semanas de idade (Gladys et al.. Isto levanta duas questões: 1. 2000b). sobre o desempenho dos frangos (Lourens et al. A questão de como chegar a uma temperatura precisa e uniforme do embrião é difícil de responder. Como o fator mais importante para a temperatura do embrião é velocidade do ar e. resultando em diferenças na mortalidade na primeira semana por infecções do umbigo/saco vitelino e infecções por E. 2005). podemos fazer alguma coisa em relação a isso? Respondendo à primeira pergunta: sim. também aumenta o seu metabolismo. Isto fornece uma força mais ou menos constante de resfriamento dos ovos na área próxima aos umidificadores. a localização e a função do umidificador.. é um fator muito relevante que afeta a eclosão e o desempenho do pinto... pintos de melhor qualidade (Wineland et al. coli. esta influência pode ser enorme. 1999). 2000a). especialmente.. 2000a. Um dos fatores envolvidos parece ser a disponibilidade de oxigênio para o embrião. isto é. e isto é um desafio para os fabricantes. especialmente com as máquinas atuais. mas também de órgãos específicos. pesquisas demonstraram que a temperatura do embrião na maioria das incubadoras e nascedouros comerciais é muito variável.

in: egg incubation: its effect on embryonic development in birds and reptiles. S. (2001).W. Meijerhof.. Heetkamp.. R. H. and egg size. and B.Quando não se consegue obter uma boa uniformidade de temperatura em toda a máquina.2199.5-37.J. Saleh and R.. and M. Meijerhof and B. Quando a diferença na temperatura do embrião dentro da máquina chega a 2º C ou às vezes mais. Physiological effects of incubation temperature on embryonic development in reptiles and birds. G. Suppl 1.8º C e uma temperatura final de 37. enquanto que outros vão estar quentes demais. Se calcularmos o número de aves produzidas em uma única incubadora por ano. mas especialmente sobre a qualidade do pinto e o desenvolvimento dos frangos. 26-28 Lourens. embryonic development.05º C. Atualmente.W. R.M. A. and J.E. hatchability and posthatch development. esta é uma meta razoável.M. Elibol. M. R. Poultry Science 80. os custos de não poder controlar a temperatura do embrião a um nível desejado são enormes. S. porque parte dos ovos vai estar demasiado fria. temos que ajustar a temperatura do ar em função da temperatura do embrião. 1:128 Lourens. Effect of eggshell temperature during incubation on embryo development. van den Brand. Lourens. World Poultry 17: 29-30 Lourens. and R. Praktijkonderzoek Pluimveehouderij 99/1. The importance of air velocity in incubation. Modelling incubation temperature: the effect of incubator design. Ferguson (1991).A (1997). Brake (2008). 2194 . Especialmente com as linhagens modernas de alta conformação. Meijerhof (2001) Real time incubation temperature control and heat production of broiler eggs. Effect of embryo temperature and age of breeder flock on broiler post hatch performance.M. Effect of Egg Weight and Position Relative to Incubator Fan on Broiler Hatchability and Chick Quality. Não só sobre a eclodibilidade. Quando a temperatura do embrião estiver o mais uniforme possível. O. não adiante obter uma boa média.Poultry Science 86 (10). Poultry Science 76: 124-133 Gladys. especialmente. (1999). Effects of Eggshell Temperature and Oxygen Concentration on Embryo Growth and Metabolism during Incubation. 2000).J. Cambridge university press: 141-172 French N. R. A influência de ter uma temperatura de embrião correta é grande.C Deeming and M. International Poultry Scientific Forum Abstract 179. Temperatuur metingen in commerciele broedmachines. é questionável se isto é ideal para todas as situações. mas a experiência prática mostra que. H.C. Poultry Science 84 (6): 914 920. tentamos fornecer uma temperatura inicial de embrião de 37. é difícil obter uma boa média. Kemp (2007). Hill. que tendem a ter uma alta produção de calor metabólico durante a incubação. Hulet (2000). . Kemp (2005). pelo menos.8-38.J. van den Brand. D. pintos de melhor qualidade. A. ed D. Pesquisas mostram diferenças na conversão alimentar de até 100 gramas de ração para um frango de 2 kg (Gladys et al. Bibliografia Deeming. Meijerhof. Poultry Science 87: 1913-1918 Hulet. Ferguson. o controle da temperatura do embrião é essencial para obter boa eclodibilidade e. T.W.. D.

Journal of Theoretical Biology 165: 27-41 Meijerhof. U.. Int Poultry Sci Forum: 181 . Butterworth-Heinemann. K. Christensen. K. van Beek (1993) Mathematical modelling of temperature and moisture loss of hatching eggs. London 205-224 Wineland. December 2001 Wineland. (2002) Design and operation of commercial incubators. Effect of high and low incubator temperatures at different stages of development upon the broiler embryo. 2000a.D. R. in: Avian incubation. Impact of hatchery conditions on chicks. Christensen. Mann.J. Poultry and eggs Association.. and V. R.M.Meijerhof. and G. Int Poultry Sci Forum: 180 Wineland. J. Fairchild and V. Christensen (2001). Mann. Tullet. Lincolnshire. In: Practical aspects of commercial incubation.L.L. UK.D. 2000b. M. Ratite Conference books. In: Completed Research.G. Fairchild and V. M. B.S. M. (1991) Principles and problems of incubator design.L.J.J.M. Effect of different setter and hatcher temperatures on the broiler embryo. Owen. B. ed S.

Biol (1993) 165.0 Tovo. 27-41) .0 50 55 60 65 2.5 2.5 1. velocidade do ar e temperatura do embrião (produção de calor metabólico 4000 w/m3) (Fonte: Meijerhof e van Beek.Tar (ºC) 1.0.0 m/s 70 75 80 Peso do ovo (g) Figura 1: Relação teórica entre peso do ovo. J.5 0.5 m/s 2.0 0. theor.

Band. superior Band.Band. interm. inferior Temperatura da casca (ºF) 104 103 102 101 100 99 240 264 288 312 336 360 384 408 432 Tempo incubação -h Figura 2: Temperatura da casca do ovo em uma incubadora comercial de estágio único (Fonte: Praktijkonderzoek Pluimveehouderij 99/1) .