You are on page 1of 8

XXIII Encontro Nac. de Eng.

de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil, 21 a 24 de out de 2003

O papel da Ergonomia para viabilização da Acessibilidade das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais ao Mercado de Trabalho
Murilo Carneiro (CUML) muca.ml@convex.com.br João A. Camarotto (UFSCar) camaroto@power.ufscar.br

Resumo Este trabalho demonstra que a lei de cotas para contratação não é suficiente para garantir um aumento na inserção das PPNE no mercado de trabalho formal brasileiro. Apresentam-se quatro desafios que devem ser superados para que tal inserção seja garantida: a superação das apreensões (mitos e preconceitos), a definição do trabalho certo para a pessoa certa, a capacitação das empresas para recrutar e reter as PPNE e a preparação do ambiente de trabalho. Afirma-se que um destes desafios, “a preparação do ambiente”, deve ser objeto de estudo da ciência ergonômica, sendo analisado através de trabalhos acadêmicos com mais profundidade, fomentando dessa forma a acessibilidade das PPNE ao ambiente empresarial. O trabalho apresenta também as vantagens que as empresas obtêm ao contratarem PPNE. Palavras-chave: Ergonomia, Acessibilidade, Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais. 1. Introdução Dentre os problemas que afligem a sociedade moderna, pode-se considerar o desemprego um dos principais. Tal problema afeta tanto os países “desenvolvidos” quanto os classificados como “em desenvolvimento”, que é o caso do Brasil. Conseguir um emprego formal, ou seja, com carteira registrada, torna-se a cada a dia mais difícil. Mesmo indivíduos com bons currículos e que não tenham nenhuma limitação física sofrem com o desemprego. Pode-se imaginar, então, a dificuldade que as pessoas portadoras de deficiência encontram. O problema destas pessoas começa na própria “classificação” preconceituosa que recebem: PPD (Pessoas Portadoras de Deficiência). Alguns autores, como Gil (2002), sugerem que se utilize o termo PPNE (Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais). Dessa forma, salienta Pastore (2000), não se descarta o fato de que estas pessoas possuem uma larga gama de outras capacidades, pois, no campo do trabalho, a deficiência é muito mais determinada pela ausência de uma arquitetura adequada do que pela presença de uma limitação pessoal. Para contornar o problema da baixa inserção das PPNE no mercado de trabalho, o governo criou várias leis nos últimos anos. Dentre elas, destacam-se as cotas mínimas de contratação de PPNE para empresas que possuam mais de cem funcionários. Defende-se, neste trabalho, que esta lei não basta. Existem, basicamente, quatro desafios que devem ser tratados para garantir uma efetiva participação das PPNE no mercado de trabalho formal. Dentre estes desafios, um deles pode e deve ser objeto de estudo da ciência ergonômica: a garantia da acessibilidade ao ambiente de trabalho. “Os ergonomistas devem estar aptos a responder às novas demandas que a sociedade impõe” (GALLEY, 2002)”. Diante desta afirmação, feita em uma palestra pela Profa. Galley, presidente da UK Ergonomics Society, no último Congresso da ABERGO (Associação Brasileira de Ergonomia), pode-se constatar a relevância deste tema para a ergonomia. 2. Cotas obrigatórias para as empresas contratarem PPNE
ENEGEP 2003 ABEPRO 1

que estabeleceu cotas de contratação de portadores de deficiência para empresas privadas com mais de cem funcionários. após a melhor correção.853. apresentado-se sob a forma de paraplegia. Traz a conceituação de deficiência e fixa os parâmetros de avaliação da deficiência. b) deficiência auditiva: perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras. Esta política trouxe como grande problema o afastamento dessas pessoas da vida em sociedade. disciplinou a atuação do Ministério Público e criou a CORDE (Coordenadoria Nacional para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência). Esta lei definiu os direitos das pessoas com deficiência.XXIII Encontro Nac. em seu artigo terceiro.298. de Eng. durante muito tempo o assistencialismo foi a resposta encontrada.5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência (GIL. Dispõe também sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social. sexo. MG. sem preconceitos de origem. que referendou a Convenção 159 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é promover o bem de todos. idade e quaisquer outras formas de discriminação. III – de 501 a 1000: 4%. que o governo passou a se preocupar mais com a integração dessas pessoas na sociedade. e) deficiências múltiplas: associação de duas ou mais deficiências. onde se constatou que 20% dos americanos possuem algum tipo de deficiência. ENEGEP 2003 ABEPRO 2 . 610 milhões de pessoas com deficiência. Fixou uma Política Nacional para a Integração de Pessoas Portadoras de Deficiência no mercado de trabalho e na sociedade. acarretando comprometimento da função física. O CEDIPOD trabalha com a possibilidade de que o número de deficientes no Brasil seja ainda maior. no Brasil. Brasil.” Os dados fornecidos pelo IBGE são contestados pelo CEDIPOD (Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência). . IV – de 1001 ou mais: 5%. II – de 201 a 500: 3%. uma amostragem da população e não a totalidade de pessoas portadoras de deficiência do país. que seguiram a seguinte sequência cronológica: .213. de Produção . 21 a 24 de out de 2003 Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial de Saúde). 2002). Segundo Dias (2002). . associado a déficits no comportamento adaptativo. Foi somente a partir de 1988. no mundo.853. raça. “No Brasil. Com o intuito de fomentar um dos princípios fundamentais da Constituição Federal.098. existem. a saber: a) deficiência física: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano.1989: Elaboração da Lei nº 7. que diz. De qualquer forma. regulamentando a Lei nº 7. c) deficiência visual: acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho. com a promulgação da nova Constituição. refletindo. cor. parágrafo IV.2000: Sancionada a Lei nº 10. esta questão demorou a preocupar nossos governantes. d) deficiência mental: funcionamento intelectual significativamente inferior à média.1991: Criada a Lei nº 8. existem 24. . paraparesia e monoplegia. Os tipos de deficiência foram agrupados em 5 grandes categorias. segundo o Censo realizado em 2000 e divulgado em 2002 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). pois cita uma pesquisa realizada pelo Governo Americano.Ouro Preto. dentre outros. pois foram colhidos em questionários que foram passados a cada dez domicílios visitados. portanto. a saber: I – 100 a 200 empregados: 2%. com manifestação antes dos 18 anos. que estabelece normas e critérios básicos da acessibilidade das Pessoas Portadoras de Deficiência ou com mobilidade reduzida. o governo brasileiro passou a criar leis e decretos sobre o assunto. chega-se à constatação de que o número de pessoas portadoras de alguma deficiência é muito grande e.1999: Edição do Decreto nº 3.

descobriram que cegos. sem que se ponha alguém na rua. basicamente. foram constatados casos em que os empregadores pagavam às PPNE para ficar em casa. b) Definir o trabalho certo para a pessoa certa: a empresa deve identificar atividades nas quais as PPNE possam exercer seu trabalho sem ter sua performance prejudicada. Se o trabalho fosse convenientemente dividido.Ouro Preto. do que cegos para lugares. a seguir. ou seja.. “Sabe-se que existem atividades que. aquelas que eliminam as desvantagens provocadas pela deficiência. de acordo com Oliveira (2002). Kemp (2002). 2002). 2002). não faltaria lugar onde homens fisicamente incapacitados pudessem desempenhar perfeitamente um serviço. As adaptações. se farão apenas na garantia da igualdade de direitos e não de privilégios. se tivessem de contratar um percentual de PPNE. uma breve descrição destes desafios. Algumas empresas que passaram a lidar com esse pressuposto. que ainda hoje não é levado em conta por algumas empresas. provavelmente.XXIII Encontro Nac. conforme se pode observar. Podem ser destacados: . na rotatividade normal dos empregos. como o Banco Santander. Pastore (2000) afirma que se pode ressaltar quatro principais desafios: a) superação das apreensões. Teixeira Jr.Algumas empresas alegam que. é tão antigo que já era abordado por Henry Ford. desde que colocados em funções certas. ENEGEP 2003 ABEPRO 3 . Jonh D. seria ingenuidade acreditar que a simples existência das leis fizesse com que as empresas passassem a contratá-los.A falta de conhecimento sobre o potencial produtivo das PPNE.. que em pouco tempo o problema estará resolvido. fazem workshops para preparar os funcionários para receber as PPNE no ambiente de trabalho. o Brasil possui uma vasta legislação envolvendo a inserção das PPNE no mercado de trabalho. em toda empresa. conforme se pode comprovar na seguinte citação: “Nas seções da indústria há postos para todos e se a indústria estiver devidamente organizada. . Em uma entrevista.” (EMMEL et all. existe atividade para ser desenvolvida por portador de deficiência habilitado. b) definir o trabalho certo para a pessoa certa. O mesmo pode-se dizer em relação aos outros aleijados. MG.. Apesar disso. pois que. de acordo com Dias (2002). “Este argumento é irreal. a) Superação das apreensões: consiste.” (FORD apud D’AMARAL. Brasil. c) capacitar-se para recrutar e reter os portadores de deficiência. d) preparar o ambiente de trabalho. pois em alguns países. por exigirem capacidade funcional e intelectual plena. Será feita. quando necessárias. na quebra dos paradigmas existentes.. Para contornar tal problema. não são disponibilizadas ao trabalhador portador de deficiência. Vários são os tipos de preconceitos e mitos envolvendo a inserção das PPNE no mercado de trabalho. as pessoas simplesmente não sabem como lidar com certas situações. Este conceito. Desafios para a efetiva inserção das PPNE no mercado de trabalho Atualmente. haverá nela mais lugares para cegos. de Produção . mantendo-as na folha de pagamento com a finalidade exclusiva de suprirem a sua cota. Mas. presidente da VSA (Very Special Arts). pois existem vários outros desafios a serem superados. basta ir cumprindo a lei gradualmente. afirmou acreditar que a maior parte da discriminação associada à deficiência não é intencional. 21 a 24 de out de 2003 3. surdos ou ocupantes de cadeira de rodas são capazes de render tanto quanto outros profissionais. 2002). de Eng. fábrica ou indústria. .” (MAZILLI. o que pode ser feito com extrema eficiência. (2002) nos relata que algumas empresas no Brasil..Falta de informações sobre as peculiaridades de uma PPNE. em 1925. teriam de demitir igual número de não deficientes.

explica que a inserção seletiva se dará quando forem necessários procedimentos especiais para o ingresso das PPNE no mercado de trabalho. Este problema é tão grave que a Gerente da Gelre (Prestadora de Serviços Relacionados à Força de Trabalho) de Ribeirão Preto. após se determinar quais tipos de cargos podem ser oferecidos às PPNE. comunicação. ao procurar preencher 24 vagas para PPNE. como informática. uma instituição que centralize os currículos dessas pessoas. as empresas encontram várias dificuldades para contratar as PPNE. uma revisão arquitetônica na empresa. também foi um grande problema levantado pelas presidentes de duas Associações de Ribeirão Preto: a Sra. No Brasil. Segundo ela. providências físicas que vão variar de empresa para empresa. as empresas esbarram também no problema da falta de mão-de-obra qualificada. quando se abrem vagas (nas empresas) para as PPNE. 4. A baixa inserção das PPNE no mercado de trabalho. Marcelo Brandão. apud Quevedo (2000). Brasil. de Produção .Ouro Preto. devido à falta de qualificação profissional e educacional. higiene. gerente de recursos humanos da empresa Gnatus – Equipamentos Médicos e Odontológicos Ltda. apud Quevedo (2000). como a adaptação do ambiente de trabalho às suas especificidades. Célia Maria Milan. o departamento de recursos humanos tem dificuldades para identificar candidatos. Marlene Taveira Cintra. disponibilizadas por uma empresa da cidade. que regulamentou a Lei nº 7. ou seja. De acordo com o Sr. o Decreto nº 3. raciocínio. pois. tenham condições efetivas de exercer determinados cargos. delineia a inserção seletiva na esfera privada. situada na cidade de Ribeirão Preto. e a Sra. Este fato é preocupante. MG.. as cotas de reserva de empregos não se destinam a qualquer PPNE. uma vez que não há. somente conseguiu identificar 7 que se enquadrassem nos pré-requisitos exigidos. de Eng. na sequência. Por outro lado. Pastore (2000) salienta que uma série de providências específicas se fazem necessárias para suplementar as limitações dos portadores de deficiências selecionados. Além disso. por exemplo. Dentre as principais. na cidade. segundo Kemp (2002). Aloisi.XXIII Encontro Nac. da ADEVIRP (Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto). Roseli Monteiro. 21 a 24 de out de 2003 c) Capacitar-se para recrutar e reter os portadores de deficiência: este é um grande desafio a ser suplantado. pois. Os dois grandes problemas identificados por ela foram: falta de escolaridade e de conhecimentos técnicos. ajustes de equipamentos e condutas para compensar problemas de comportamento. visão. postura e destreza. deve-se planejar. tais como: mudanças na sinalização e orientação espacial do ambiente de trabalho. mas àquelas que estejam habilitadas . Este desafio também é abordado por McCampbell (2002). em 1990. Contribuição da Ergonomia para a superação destes desafios ENEGEP 2003 ABEPRO 4 .853. a Sra. a ADA prevê que empregados e empregadores podem negociar formas de acomodação que sejam interessantes para ambas as partes. Nos Estados Unidos. pode-se citar a falta de entidades que as ajudem a identificar as PPNE na sociedade. locomoção. dando-se particular atenção aos layouts dos locais de trabalho. basicamente. destaca que a profissionalização das PPNE é um processo inexistente no Brasil. a promulgação da ADA (Americans with Disabilities Act).298. modificações no sistema de iluminação. delegou aos empregadores a responsabilidade de providenciar as acomodações necessárias para acolher as PPNE. Fonseca. d) Preparar o ambiente de trabalho: envolve. da ADEFIRP (Associação dos Deficientes Físicos de Ribeirão Preto).

Através da Lei nº 10. sua acessibilidade. químicos e biológicos. c) layout específico e do espaço dentro do qual o posto está inserido. 2001). A ergonomia (do grego ergon = trabalho e nomos = normas) surgiu como ciência durante a Segunda Guerra Mundial. representam a grande dificuldade de acesso das PPNE não só ao mercado de trabalho. deve resultar numa melhor adaptação do homem aos meios tecnológicos e aos ambientes de trabalho e de vida”. mobiliários e equipamentos urbanos. é o local ou são os locais específicos onde as pessoas trabalham. equipamento e ambiente. segundo Rio (2001). basicamente. seus efeitos são tão antigos quanto o homem. MG. As barreiras arquitetônicas ambientais que restringem ou até inviabilizam a acessibilidade das PPNE existem em escalas diferentes. chega-se à conclusão que se deve garantir às PPNE o direito de ir e vir. uma rede de transportes públicos que permita a qualquer pessoa. através da análise de alguns fatores. mas a todos os locais procurados no cotidiano. uma malha viária sem obstáculos. usá-las. das edificações. materiais. a acessibilidade foi definida como a possibilidade e condição de alcance para utilização. ENEGEP 2003 ABEPRO 5 . possui três campos mais precisos de atuação: a) posto de trabalho: em termos genéricos. dos espaços. O microambiente constitui-se no espaço imediato que rodeia o indivíduo. prevê que a construção. mesmo com limitações físicas. A Lei. adotou-se o seguinte conceito para a ergonomia: “Estudo científico da relação entre o homem e seus meios. Grandjean (1998) lembra que o homem sempre se preocupou – desde a invenção da roda até o moderno computador – em tornar o trabalho mais leve e eficiente. mediante a constituição de diversas disciplinas científicas que a compõem. de Produção . durante o IV Congresso Internacional de Ergonomia. b) máquinas. um corpo de conhecimentos que. (RIO. No Brasil.XXIII Encontro Nac. dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação. métodos e espaços de trabalho. Dul (1995) afirma que a ergonomia difere de outras ciências por apresentar duas características inerentes: a interdisciplinaridade e a aplicabilidade. Consequentemente. em seu capítulo IV – artigo 11. 21 a 24 de out de 2003 Dias (2002) afirma que as barreiras arquitetônicas. O estudo do microambiente de trabalho nas organizações é uma das áreas de atuação da ergonomia. dentro de casa ou no ambiente de trabalho. com segurança e autonomia. dentro de uma perspectiva de aplicação. como: a) mobiliário.098. A interdisciplinaridade devido à sua relação com diversas outras áreas do conhecimento e a aplicabilidade devido à constante busca da adaptação do posto de trabalho e do ambiente às características e necessidades do trabalhador. de Eng. apesar disso. equipamentos. c) ambiente de trabalho: referente aos aspectos físicos. ampliação ou reforma de edifícios públicos ou privados deverão ser executadas de modo que sejam ou se tornem acessíveis às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. A ergonomia. b) organização do trabalho: volta-se para os diversos fatores que definem as formas como o trabalho é organizado. como o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho.Ouro Preto. Brasil. sem dúvida. Um macroambiente acessível significa. ferramentas. apud Iida (1990). Prado (2002) classifica o ambiente em macro e microambiente. mentais ou funcionais. realizado em 1989. Seu objetivo é elaborar. ou seja. fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. e particularmente a aplicação dos conhecimentos da anatomia. O campo de atuação “posto de trabalho” envolve o estudo da relação entre o homem e seu ambiente de trabalho. por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. sensoriais. A instituição inglesa Ergonomics Research Society define ergonomia.

Normalmente. pois. de acordo com D’Amaral (2002). desmistifiquem mitos e concientizem os empresários da importância do assunto. 2002). Diante desta realidade. desonerar-se dos encargos previdenciários e assistenciais com elas relacionados. fazendo a produtividade aumentar. pois. a participação das PPNE no mercado de trabalho ainda é pequena. dentro desse contexto. “No Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada com consumidores pelo Instituto Ethos. 2000). pode comprovar tal afirmação. indispensável. de Eng. c) Cumprimento da lei. passou a elaborar ações concretas na direção desse campo de atuação. realizado em setembro de 2002. pois. como também para que as ocupações disponíveis para estes trabalhadores ofereçam condições ideais de trabalho. Assim. também se beneficiaria. no ano 2000. 46% dos entrevistados declararam que a contratação de pessoas com deficiência está em primeiro lugar entre as atitudes que os estimulariam a comprar mais produtos de determinada empresa.” (GUALBERTO FILHO. A empresa passa a cumprir a lei de cotas de contratação de PPNE. evitando principalmente o agravamento da incapacidade ou deficiência existente e/ou o surgimento de novas. tanto em termos de acessibilidade como na adequação do ambiente de trabalho (estrutura física e organizacional). deixando de ficar suscetível a sanções do Ministério do Trabalho. o trabalho desenvolvido por elas supera as expectativas do início do contrato de trabalho.XXIII Encontro Nac. a comunidade acadêmica também deve ter sua cota de participação. A entrada das PPNE em um ambiente de trabalho faz com que os outros funcionários passem a dar mais valor a sua condição de pessoa não portadora de necessidades especiais e se sintam mais motivados para o trabalho. pois.” (PASTORE. b) Ganhos no clima organizacional. a introdução das PPNE no mercado de trabalho formal traz para a economia a incorporação de sua renda e torna possível ao governo. MG. tais como: a) Ganhos com imagem. a ciência ergonômica pode estudar o layout ideal de uma organização para receber as PPNE. além de aumentar o contingente de contribuintes. et all. de um modo geral. 21 a 24 de out de 2003 “A ergonomia se torna. A ciência ergonômica. O último Congresso da ABERGO (Associação Brasileira de Ergonomia). dentro da ENEGEP 2003 ABEPRO 6 .Ouro Preto. d) O desempenho e comprometimento das PPNE. Consequentemente. Conclusões Apesar da existência das leis. a inserção das PPNE no seu contingente de funcionários traz inúmeras vantagens. apenas 2% dos que estão em idade de trabalhar estão no mercado formal. elaborando pesquisas que forneçam informações. tanto para maximizar as capacidades do portador de deficiência. enquanto nos países mais avançados este percentual gira em torno de 30 a 45%. de Produção . ela estará contribuindo para a superação de um dos maiores desafios que impedem a inserção de tais indivíduos no mercado de trabalho: “a preparação do ambiente”. 5. Os empresários precisam encarar a contratação das PPNE não como uma forma de caridade ou uma obrigação legal e sim como um investimento que traz um custo-benefício vantajoso. A sociedade. Acredita-se que a fraca participação das PPNE no mercado de trabalho brasileiro decorre da carência de ações e estímulos para que as empresas viabilizem mais vagas. Brasil.

Ouro Preto. afirma que pensar que o acesso de pessoas com deficiência ao mundo do trabalho depende apenas da quebra de barreiras arquitetônicas ou adaptações de ergonomia é algo ingênuo e até mesmo pueril. DIAS. 1990. por isso. 2002. www. 1995.org – (05/07/02). Nelson. 8 a 10 de junho de 1994. De acordo com Iida (1990).L.epnet. Ergonomia: projeto e produção.com – (24/07/02). 4º ed. de Produção . Estatísticas dos deficientes físicos no Brasil. APADE – Associação de Pais e Amigos de portadores de Deficiência da Eletropaulo – Normas sobre a equiparação de oportunidades para pessoas com deficiência.ibap. Uma visão ergonômica do portador de deficiência (mesa redonda). Aloisi. CEDIPOD. O panorama atual da pessoa portadora de deficiência física no mercado de trabalho. Brasil.br – (12/07/02).XXIII Encontro Nac. GUALBERTO FILHO. Marcas de valor. não se pode negar a contribuição que a ciência ergonômica pode trazer para este processo. Margarete Gonçalves. a um aumento de sua participação na força de trabalho. (Projeto de iniciação científica) – Centro Universitário Moura Lacerda. apud Quevedo (2000). WEERDMEESTER. KEMP. Tal autor também afirma que as leis que protegem as PPNE levarão. com o passar do tempo. Identificação da áreas e postos de trabalho com potencial para receber pessoas portadoras de necessidades especiais (artigo). et all. 2002. Magdalen. Ergonomia prática. 6 e 7 de junho de 1994. 2002. Brasília: CORDE. J. a ergonomia tem apresentado um interesse crescente no estudo de suas peculiaridades. não como panacéia. Itiro. ano 35. Luiz Cláudio Portinho. Revista Exame.org. GALLEY. pessoas idosas e deficientes físicos. São Paulo. São Paulo: Instituto Ethos. nº 21 – (17/10/02). 2002. O que as empresas podem fazer pela inclusão das pessoas com deficiência. Deficientes e o direito ao trabalho. 1995. Rio de Janeiro. 1996. 50 years of ergonomics: where have we been and where are we going? (palestra). Teresa Costa. Recife: Anais do VII Congresso latino-americano de ergonomia (ABERGO). mas como forma de se fomentar a superação de um dos desafios que prejudicam a inserção das PPNE no mercado de trabalho Referências ANAIS do VI SIAMF – Seminário sobre acessibilidade ao meio físico. ADA + ability + accommodations = access to employment. GRANDJEAN. D’AMARAL. A. 2002.cedipod. as características de trabalho de mulheres. 1998. MG. DUL. www.. Apesar da verdade desta afirmação.br – (14/07/02). Marta (coordenação).ibdd. FARINHA.G. M. BLECHER. ANAIS do curso básico sobre acessibilidade ao meio físico.. Etienne. www. São Paulo: Editora Edgard Blucher. Manual de ergonomia – adaptando o trabalho ao homem. as aplicações da ergonomia se expandiram muito e por isso são exigidos novos conhecimentos. ENEGEP 2003 ABEPRO 7 . que tratou da acessibilidade do deficiente físico e do idoso no mercado de trabalho. de Eng. John D. A eficiência do deficiente nas empresas de Ribeirão Preto. Porto Alegre: Bookman. 21 a 24 de out de 2003 programação também foi realizado o Iº Seminário Brasileiro de Acessibilidade Integral. GIL. IIDA. Recife: Anais do VII Congresso latino-americano de ergonomia (ABERGO). Recife: Anais do VII Congresso latino-americano de ergonomia (ABERGO). et all. São Paulo: Editora Edgard Blucher.org. como. EMMEL. http://trial. por exemplo.

OLIVEIRA.br – (16/07/02).epnet. Rio de Janeiro: WVA Editora. STONE. www. O ministério público e a pessoa portadora de deficiência. SLACK.Ouro Preto.br – (05/07/02). Maurício.mpt. Tese (doutorado).com. Adriana Romeiro de Almeida. Os eficientes. PRADO. Nigel et all. de Eng.entreamigos. Practical. São Paulo: LTR. comunicação e educação: desafios à acessibilidade. ENEGEP 2003 ABEPRO 8 . Cartilha da inclusão. www. http://trial. José. MAZZILLI.mpt. Revista Exame. QUEVEDO. José Raimundo. MARTINS. PIRES.com – (24/07/02). PASTORE. ano 35. MG. Jonh D. Administração da Produção. nº 23 – (12/06/02). Roberto Antonio. RIO. Mobilidade. http://trial. 2001.gov. Brasil.state. Oportunidades de trabalho para portadores de deficiência. Karen. MANTOAN. beautiful. 1997. Sistemas de Medição de Desempenho: Um Modelo para Estruturação do Uso. 2000. 3º ed. Examinando as possibilidades (entrevista).prt22. nº 1 – (09/01/02). http://usinfo. Revista Veja. Uma grande pequena mudança.com – (24/07/02). OLIVEIRA. 1998. Ambientes acessíveis. humane. Ergonomia – fundamentos da prática ergonômica. Maria Teresa Eglér (Organizadores). Susan W. São Paulo: Atlas. 21 a 24 de out de 2003 KEMP. ano 36. de Produção . Facility design can help welcome disabled staff. www. Hugo Nigro. Sérgio. Licínia.epnet. Antonio A F. São Paulo: Escola Politécnica da USP – Departamento de Engenharia de Produção. McCAMPBELL. 2000.br – (05/07/02). Rodrigo Pires do.pgt.gov. Ministério Público do Trabalho.XXIII Encontro Nac.gov – (05/07/02). TEIXEIRA JR. São Paulo: LTR.