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Discurso

- Clarissa Garotinho

Informações Básicas Texto do Discurso A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Sr. Presidente, Srs. Deputados, todos acompanharam o processo covarde movido contra Garotinho no ano passado, quando ele quis se candidatar a Governador do Estado do Rio de Janeiro. Numa sentença comprada, a juíza de 1ª instância sequer tinha sido ouvida, fez com que ele tivesse que recorrer a uma liminar para disputar as eleições. Resolveu ele, então, vir candidato a Deputado Federal. Foi eleito mesmo com todo noticiário contra, mesmo contra o golpe armado pelo Governador Sérgio Cabral e ainda assim foi eleito Deputado Federal mais votado da História do nosso Estado. Essa mesma sentença afastou, à época, a Prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, por quase sete meses da Prefeitura de Campos, retornando depois ela pelas mãos da própria Justiça e da população de Campos. Pois bem, algum tempo atrás, desde o dia 15, uma pessoa relatou ao Garotinho uma conversa que ouviu do Vice-Governador Pezão, junto com Deputados do PMDB onde eles analisavam pesquisas eleitorais e quando chegaram à Cidade de Campos disseram: “Aqui não tem jeito, a Rosinha é imbatível.” No que Pezão teria dito: “Aqui, não se preocupem, a Justiça vai resolver; em Campos só com a Justiça.” Ou seja, só no golpe, só no tapetão. Uma pessoa que estava próxima telefonou, o Garotinho relatou no dia 15 essa conversa no blog dele. Depois disso, no dia 23, em Brasília diversos Deputados comentaram com o Garotinho que o Deputado Eduardo Cunha estava comentando em Brasília, com diversos Deputados, que uma pressão muito grande estava sendo feita por parte do Governo do Rio de Janeiro sobre o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, Sr. Luiz Zveiter, para que influenciasse, o quanto antes, no processo da Prefeita Rosinha. Ontem, ao chegar a Brasília, um Deputado do PMDB que gosta muito da nossa família, chegou para o Garotinho – tudo isso está, durante todas essas datas, tudo escrito no blog do Garotinho, cada um desses episódios ele vinha escrevendo – ontem, dizendo: “Abre o olho, querem te isolar, vão tirar a sua esposa da Prefeitura de Campos.” Ontem mesmo, no final do dia, um tempo depois dessa conversa estava na tela do TRE que o julgamento da prefeita, que poderia cassá-la novamente, aconteceria esta semana. Hoje de manhã os nossos advogados protocolaram uma sentença, protocolaram a suspeição, arguiram a suspeição da Juíza porque em Campos todos já sabiam, inclusive a oposição, o resultado da sentença antes mesmo dela ter sido dada; inclusive um vereador da Cidade de Campos protocolou no cartório a conversa que ouviu nos corredores da Câmara de Vereadores onde a oposição já sabia da sentença que seria dada conta a Prefeita Rosinha. Como sabia?

Então, arguiram a suspeição da Juíza. É o rito processual que, antes do julgamento, a Juíza tem que se pronunciar sobre a suspeição. Isso não aconteceu. Ela simplesmente foi ao cartório e protocolou a sua decisão. A decisão está no cartório, sequer foi publicada em Diário Oficial e a Juíza da 100ª solicitou ao Oficial de Justiça do TRE que fosse à Câmara de Vereadores, agora à tarde, notificar o Presidente da Câmara que assuma imediatamente a prefeitura, cassando a Prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e a tornando inelegível. Mais um absurdo. Tentaram uma vez, não conseguiram e agora estão fazendo de novo, cassando porque a Prefeita Rosinha deu uma entrevista de rádio. A Prefeita não está sendo afastada por corrupção; a Prefeita não está sendo afastada por improbidade administrativa; a Prefeita está sendo afastada porque antes da eleição, antes mesmo da convenção, concedeu uma entrevista num programa de rádio explicando por que, depois de ser Governadora do Estado, estava voltando à Cidade de Campos, aceitando o desafio de participar da convenção. Se seu nome fosse aprovado, seria a candidata do partido na Cidade. Onde já se viu afastar uma Prefeita eleita porque ela deu uma entrevista de rádio? O SR. GERALDO MOREIRA – V. Exa. me concede um aparte? A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Isso é um absurdo! Infelizmente, nós sabemos o poder que o Governador Sérgio Cabral tem para influenciar o Judiciário – não só o Judiciário, diversas outras instâncias também. É por isso que muitos temem o Governador Sérgio Cabral, é por isso muitos acabam ficando ao lado dele. Não é por amor, é por temor. Temem o que o dinheiro do Governador Sérgio Cabral pode fazer. Aliás, que os processos no Judiciário vêm sendo influenciados, isso nós já sabemos há muito tempo. Recentemente, um juiz disse isso em matéria publicada no fornal Folha de S. Paulo. Agora eu pergunto: que moral tem o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Sr. Luiz Zveiter, para cassar alguém por ter dado uma entrevista de rádio? Logo quem: o Sr. Luiz Zveiter, que fraudou um concurso público de cartório no Rio de Janeiro para beneficiar sua namorada e para beneficiar sua amiga. A namorada à época do então Presidente do Tribunal de Justiça, Sr. Luiz Zveiter, foi beneficiada, tirando segundo lugar. Os participantes do concurso entraram com uma representação no Conselho Nacional de Justiça, que, percebendo todas as evidências, suspendeu o concurso de cartório no ano de 2008. Nesse concurso, não só a namorada do Presidente do Tribunal de Justiça havia sido beneficiada, como também uma amiga sua – ele a havia indicado para assumir outro cartório, em detrimento do substituto, que deveria ter assumido. Essa amiga, não sabia sequer pontuar a prova. Não sabia utilizar ponto, não sabia utilizar vírgula, mas passou no concurso, que foi anulado pelo Conselho Nacional de Justiça. Esse é o homem que comanda hoje o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, um homem que frauda concursos. Que moral tem o Sr. Luiz Zveiter para querer – em troca de sabe-se lá o quê – cassar uma Prefeita porque ela deu uma entrevista de rádio? Trata-se de uma das Prefeitas hoje mais bem avaliadas do País – a Prefeita

Rosinha Garotinho tem hoje 80% de aprovação popular na Cidade de Campos. Se chegamos ao ponto de não poder mais confiar na Justiça, que esperança teremos neste País? Hoje, abro os jornais e vejo os especialistas falando sobre o temor que agora estão tendo com a possibilidade de esvaziamento do Conselho Nacional de Justiça porque os magistrados estão achando que o CNJ tem poder demais. O CNJ é o único órgão de fiscalização do Poder Judiciário de que a sociedade dispõe, e agora querem esvaziá-lo. Diante de uma Justiça como essa, sinceramente, dá vergonha de ser honesto, dá vergonha de fazer direito as coisas. Onde estão a Justiça e o Ministério Público, que não vão atrás daqueles que desviam recursos públicos da população? Onde estão a Justiça e o Ministério Público, que não vão atrás daqueles que enriqueceram e fizeram patrimônio à custa do dinheiro público? Onde estão o Ministério Público e a Justiça, que não investigam que o escritório de advocacia da primeira-dama do Estado tenha virado uma lavanderia para lavar dinheiro público? É o que está acontecendo lá! Onde estão a Justiça e o Ministério Público, que não vão atrás do ex-Presidente desta Casa, Sr. Jorge Picciani, que há dez anos tinha um Corcel e hoje virou o Rei do Gado, um dos maiores fazendeiros do país; que evolui o seu patrimônio em milhões - o seu e de toda a sua família? Onde está? A Justiça só serve para punir aqueles que são adversários dos que hoje estão no governo? Para punir injustamente? O que eles chamam de abuso de poder econômico foi o fato de a Prefeita ter dado uma entrevista de rádio. Isso está certo? Uma entrevista de rádio explicando por que ela seria candidata, e isso leva à cassação de uma Prefeita, ao seu afastamento imediato, sem poder sequer recorrer. Que Justiça é essa? Que Justiça é essa? Aliás, outros prefeitos afastados não saíram imediatamente de seus cargos; puderam recorrer no cargo. Por que com ela é diferente? O SR. PRESIDENTE (Alexandre Correa) – Conclua, por favor, Deputada. A SRA. CLARISSA GAROTINHO – Concluindo, Sr. Presidente, mesmo fora do cargo, a Prefeita Rosinha Garotinho vai recorrer; primeiro ao TRE, que já está comprado e, posteriormente, vamos recorrer em Brasília. Porque, ainda que a justiça dos homens possa ser falha, confiamos na justiça de Deus, e esse, sim, pode julgar as nossas ações; esse, sim, conhece o nosso coração e os nossos atos. E tenho certeza que, mais à frente, não irá nos deixar desamparados. Mais tarde irei para Campos ficar ao lado da minha mãe, a Prefeita de Campos, neste momento em que ela está sendo injustiçada. Estou indo para lá me somar à multidão que está indo para a porta do Fórum, para a porta da Prefeitura para apoiar a Prefeita, porque ela tem hoje 80% de apoio da população da cidade de Campos. Infelizmente, o jogo sujo dos adversários prevaleceu, mas só por esse instante. Continuaremos lutando de cabeça erguida porque quem não deve, não teme. Não

temos vergonha de nada, porque nada de errado foi feito. Vamos recorrer e tenho certeza que a justiça será feita. Muito obrigada, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Alexandre Corrêa) – Obrigado, Deputada Clarisse Garotinho. http://www.alerj.rj.gov.br/assuntos2.htm sessão de 28/09
Sessão Ordinária Expediente Inicial Discurso

....Clarissa Garotinho