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CURSOS DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS NATURAIS NOS INSTITUTOS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

SOUSA, Aparecida Gasquez – UFMT cidagasquez@uol.com.br BERALDO, Tânia Maria – UFMT tmlima@ufmt.br Eixo temático: Formação de professores e profissionalização Agência financiadora: Não contou com financiamento Resumo Este trabalho põe em pauta o problema da formação de professores da área das ciências da natureza, no Brasil. O objetivo é estabelecer relações entre a política nacional para a formação de professores e a criação de cursos de licenciatura nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia - IFs. A análise foi desenvolvida com base em dados sobre: histórico da rede federal de educação profissional e tecnológica; demanda por formação de professores e oferta de cursos de licenciatura pelos IFs. Os dados foram extraídos de estudos realizados por pesquisadores da área (FRIGOTTO, 2005; KUENZER, 2001 e MACHADO, 1989), dos estudos realizados pelo INEP (HINGUEL, RUIZ e RAMOS, 2007; BRASIL, 2009) bem como dos sites das instituições investigadas. O quadro delineado permite compreender as razões pelas quais o MEC induz os IFs a assumirem a tarefa de realizar cursos de licenciatura para formação de professores. Essa iniciativa indica possibilidades de ocorrência de uma crise no interior das citadas instituições, uma vez que elas devem formular projetos educativos para atender alunos de diversas faixas etárias e níveis de ensino. Ademais, o histórico das instituições que compõem a rede federal de educação tecnológica revela que o legado de experiências que elas dispõem está diretamente relacionado à formação de profissionais para áreas técnicas, especialmente para o setor industrial e agropecuário. As experiências na formação de professores são recentes e restritas a algumas instituições. Embora não se possa negar o valor da política de criação de novos cursos de licenciatura em instituições federais de educação, faz-se necessário ampliar as discussões sobre as reais possibilidades que os IFs têm de realizar tal tarefa para não incorrer em práticas que comprometem a qualidade do ensino por eles promovido. Palavras-chave: Educação; Institutos Federais; Cursos de Licenciatura. Introdução

No que diz respeito ao ensino de Ciências nosso país ocupa posições desfavoráveis na classificação apresentada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos – PISA. Qatar. Ambas estão relacionadas. Esse programa se constitui numa pesquisa trienal de conhecimentos e competências de estudantes na faixa de 15 anos de idade. 2003. por assim dizer. uma vez que “os objetos que utilizamos e de que estamos rodeados são produtos da técnica e. o Brasil. fenômeno que cria intrincada relação entre as diferentes nações do globo e envolve até mesmo as sociedades não organizadas segundo a lógica capitalista. Paradoxalmente. 2008). Nos dias atuais. Nessa classificação saltamos do 17º lugar. também denominado “mundialização” (CARNOY. passamos da 15ª para a 13ª colocação (GÓIS. (HARLEY et al. 2009). O Brasil participou de todas elas. conceituada por Chassot como “o conjunto de conhecimentos que facilitaria aos homens e mulheres fazer uma leitura do mundo onde vivem” (2006. Esses dados tornam evidente a necessidade de se promover a alfabetização científica. No que se refere à produção científica. diante da notícia de um sucesso científico recente. Áustria e Polônia. Em 2008. nos últimos anos. realizada nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – e países convidados. à “esotérica comunidade científica” (CHASSOT. resultado que o deixou a frente de países como Quirquistão. tem se destacado no ranking mundial de artigos publicados em revistas especializadas. 38). p. 1994. em 2005. com a internacionalização da economia. porém até agora o desempenho de estudantes brasileiros foi preocupante. Azerbaijão e Tunísia. Bélgica. Dentre os 57 países que participaram da avaliação em 2006. para o 15º em 2007. A globalização foi acompanhada por um espetáculo de renovações e desenvolvimento da ciência nunca observado na história humana. Suíça. É cientificamente culto aquele que. Isso explica porque Granger (1994) qualificou o período que sucedeu a segunda metade do século XX como a “idade da ciência”. o Brasil ficou na 52ª posição. particularmente. 2003 e 2006. 16). e atrás de países como México e os sul-americanos Uruguai e Chile (PISA 2006). P. ou seja. tanto em quantidade como em qualidade. 2003). é capaz de avaliar a sua amplitude real e de descontar a parte de exagero demasiado .10170 Uma das palavras-chave que caracteriza o nosso tempo é “globalização”. ficando à frente de países como Suécia. p. 94). a ciência se faz presente nas várias dimensões da nossa vida cotidiana. estão impregnados de pensamento científico” (GRANGER. O PISA realizou avaliações em 2000. a ciência tem se constituído num campo de conhecimento restrito a uma minoria privilegiada. Isso explica as contradições entre a produção da ciência e o ensino de ciências.

O relatório aponta também baixo percentual de professores com formação inicial específica na disciplina que lecionam. fato que se consolidou com a criação dos Institutos Federais de Educação. Química. exigindo ações emergenciais e de caráter estrutural (RUIZ. a alfabetização científica joga luz sobre outro problema igualmente complexo: a existência de professores em quantidade e qualidade da formação profissional. mas.10171 freqüente com o qual os periódicos de vulgarização (e às vezes até as publicações científicas) anunciam a importância de uma descoberta (THOM. particularmente nas disciplinas de Física. entre 1990 e 2001. só saíram dos bancos universitários 7. 1994.216 professores nas licenciaturas de Física. De acordo com o documento. Situação similar ocorre na disciplina de Química cujo percentual é de 13%. Ciência e Tecnologia – IF. Na condição de pesquisadoras da área de educação em ciências interessamo-nos pelo estudo das políticas do governo federal para a formação de professores dessa área. Física. O relatório se apóia em dados do INEP que apontam para uma necessidade de cerca de 235 mil professores para o Ensino Médio no país. RAMOS e HINGUEL. o foco de nossa atenção é a oferta de cursos de Licenciatura em Física. 18) No Brasil. contudo a insuficiência de professores habilitados e qualificados para Física. Neste trabalho. A situação mais preocupante é a disciplina de Física. coloca essas disciplinas como prioritárias. a rede federal de educação profissional e tecnológica foi impelida a ofertar cursos de licenciaturas nas áreas prioritárias. Com o objetivo de reverter o quadro de déficit de professores do ensino médio. Matemática e Biologia. Precisa-se. Diante do problema da escassez de professores da área das ciências da natureza. o relatório propõe o estabelecimento de políticas públicas voltadas para a formação de professores que abranjam todos os conteúdos curriculares. apud GRANGER. Matemática e Biologia (Ciências). particularmente nas disciplinas de Química. propostas estruturais e emergenciais”. p. Esse problema foi revelado no relatório intitulado “Escassez de professores no Ensino Médio. produzido pela Comissão Especial instituída para estudar medidas que visem superar o déficit docente no Ensino Médio. por exemplo. o grande déficit de professores no Ensino Médio tenderá a ampliar-se nos próximos anos. Química e . cujo percentual é de 9%. Matemática e Biologia. e algo similar também se observou na disciplina de Química. 2007). diante da necessidade de universalização das matrículas nessa etapa da educação. de 55 mil professores de Física. de maio de 2007. Química.

Essas escolas surgiram para suprir a necessidade de mão-de-obra gerada pela indústria em crescimento no Brasil. Química e Biologia pelos IFs espalhados pelas unidades federativas do país. Em 1942 foi promulgada a Lei Orgânica do Ensino Industrial como parte da Reforma Capanema. Nilo Peçanha.127/42 transformou os Liceus Industriais em Escolas Industriais e Técnicas. permitindo aos concluintes dos cursos técnicos ingressarem em cursos superiores “relacionados”. destinados ao ensino profissional de todos os ramos e graus. a real finalidade dessas escolas era a formação profissional de pobres e marginalizados que perambulavam pelas ruas desde a escravidão. 2007. o quadro de ofertas de cursos de graduação em Física. foi instaurada uma nova fase na economia brasileira baseada na atividade industrial. Com essa lei ficaram estabelecidas as bases para a organização de um sistema de ensino profissional para a indústria. Apresentamos então.10172 Biologia pelos Institutos Federais de Educação. de 23 de setembro. por meio do decreto 7. quando o então presidente da República. no ano de 1937 foi promulgada a nova Constituição Brasileira tratando pela primeira vez do ensino técnico. Foi estabelecida também a equivalência parcial do ensino técnico com o sistema regular de ensino. A história da rede federal de educação profissional e tecnológica começou em 1909. Naquele mesmo ano. A Lei 378 de 1937 transformou as Escolas de Aprendizes e Artífices em Liceus Industriais. 1-Breve histórico da rede federal de educação profissional e tecnológica. Esse texto foi assim organizado: Inicialmente apresentamos um breve histórico da rede federal de educação profissional e tecnológica. BRASIL. o que exigiu a preparação de um maior contingente de mão-de-obra para atuar nesse setor em expansão. . Em seguida fazemos considerações sobre a reforma do ensino superior. com a subida de Getulio Vargas ao poder.566. estabelecendo relações com os dados derivados dos estudos publicados pelo INEP (RUIZ. RAMOS e HINGUEL. De acordo com Kuenzer (2001). Ciência e Tecnologia – IFs. procurando identificar as razões das políticas de formação de professores de ciências naturais nos IFs. subordinadas ao Ministério dos Negócios da Agricultura. A partir de 1930. Assim. Indústria e Comércio. Os dados foram extraídos do site de 33 IFs. 2009). profissional e industrial. o Decreto 4. criou 19 escolas de Aprendizes e Artífices.

A partir de 1964 emergiu um novo discurso nacional fundamentado na Teoria do Capital Humano. p. Dava-se prioridade aos cursos acadêmicos em detrimento dos cursos técnicos (KUENZER. 15). Em 1961. o ensino profissional foi equiparado ao ensino acadêmico com a promulgação da Lei 4. As escolas que atendiam a população de maior poder aquisitivo continuavam preparando seus alunos para o vestibular. 1989. Modificou-se a estrutura do ensino. respectivamente (MACHADO. e destinada à população de baixa renda não conseguiram desempenhar a função propedêutica e muito menos a profissionalizante. ou seja. de 16 de fevereiro de 1959. 2001). principalmente nas áreas voltados para a indústria. Somente as escolas que antes da promulgação da Lei n. a agropecuária e o comércio. 2001. com os cursos normal (magistério). Em sintonia com o referido discurso a lei 5. com a abolição dos cursos primário. ginasial e secundário. o que resultou numa perda crescente de sua qualidade (KUENZER. mas equivalentes: “um propedêutico representado pelo científico e outro profissionalizante. o ensino profissionalizante de 2º grau não se concretizou. As escolas públicas de 2º grau. A essência dualista da educação brasileira permaneceu inalterada. propiciou uma maior autonomia e o desenvolvimento da organização administrativa da rede de ensino técnico. marcadas pela falta de recursos e por uma estrutura de funcionamento precária.692/71 ministravam os cursos de profissionalização deram continuidade ao percurso histórico desses cursos. A crise econômica do país era explicada pela inadequação da proposta educacional em relação ao momento histórico que o país atravessava. com autonomia didática e de gestão. p.10173 A Lei n.º 5. O caráter propedêutico era camuflado sob uma falsa proposta de profissionalização. 2001.024 que fixou as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. comercial e agrícola” (KUENZER. Foram estabelecidos dois ramos de ensino médio diferenciados. instituiu-se a iniciação profissional e a profissionalização em todo o ensino de 1º e 2º graus.º 3552.67-68). Essa constatação motivou o governo federal emitiu o parecer nº 76/75 como forma de iniciar o processo de descompromisso da escola com a generalização . eliminou-se a estrutura de ensino baseada em ramos profissionais para constituir-se uma rede única de ensino. As Escolas Industriais e Técnicas foram transformadas em autarquias com o nome de Escolas Técnicas Federais.692 de 1971 formulou as novas diretrizes e bases da educação. criaram-se novas denominações.14). industrial. p.

Minas Gerais e Rio de Janeiro) em Centros Federais de Educação Tecnológica. a lei 3. (Decreto n. paralelamente. com vistas à formação de professores para a educação básica. . e para a educação profissional. No ano de 1978 a Lei 6. as referidas instituições passaram a oferecer cursos técnicos em diversas áreas e. Com o passar do tempo.044/82 que extinguiu ao nível formal a escola única de profissionalização obrigatória. 3462 de 17/05/2000). além do ensino técnico. Os citados CEFETs assumiram também a tarefa de promover atividades de extensão e de pós-graduação lato sensu bem como de realizar pesquisas na área técnico-industrial. Em 2008. Isso se deu por meio da Lei 8. o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação de Jovens e Adultos. sobretudo nas áreas de ciências e matemática. essas instituições passaram a oferecer também a pós-graduação stricto sensu nos níveis mestrado e doutorado (FRIGOTTO. outras Escolas Técnicas Federais e Escolas Agrotécnicas Federais foram transformadas em Centros Federais de Educação Profissional e Tecnológica – Cefets. cursos de graduação. no âmbito federal.” (Decreto n. Ciência e Tecnologia – IF – que resultaram da integração e/ou transformação de instituições que compunham a rede federal de educação profissional e tecnológica. 8º da referida lei também estabelece que os institutos devam garantir o mínimo de 20% de vagas para atender tais objetivos. Dentre outros objetivos estabelecidos no artigo 7º da referida Lei os IFs têm a função de ministrar cursos de licenciatura.545 transformou três Escolas Técnicas Federais (Paraná. conforme estabelece a alínea b. desde cursos profissionais até cursos de graduação e pós-graduação.775 de 16/07/2008 criou os Institutos Federais de Educação. do inciso VI.948. fato que se consolidou com a lei 7. No ano de 2006 foi instituído.10174 profissional. A lei definiu para essas instituições. 2005). tecnológicos e licenciaturas voltadas para a formação de professores para o ensino técnico e para os cursos de tecnólogos. de 08 de dezembro de 1994 que institui o Sistema Nacional de Educação Tecnológica. Destarte. cursos de Engenharia Industrial. No contexto das reformas educacionais engendradas no inicio na década de 1990. a tarefa de oferecer. Os CEFETs passaram a ministrar cursos em todos os níveis. como proposta de promover educação para aqueles que não a tiveram na idade regular. Dentre esses cursos: “Formação de professores para as disciplinas científicas e tecnológicas do Ensino Médio e da Educação Profissional. 5840 de 13/07/2006). O art. bem como programas especiais de formação pedagógica.

em 2007. A oferta de cursos de licenciatura é uma tarefa recente e desafiadora para o quadro de docente de tais instituições. que pôde contar com amparo legal e financeiro oferecido pelo Estado brasileiro. condições apontadas como requisitos para participar da dinâmica do mundo globalizado. . este número alterou para 1.281 IES. por sua vez. visto que requer domínio teórico e metodológico do campo da educação. tecnológicos. o Brasil é palco de expressivas mudanças no cenário político e econômico justificadas pela necessidade de tornar o Estado mais “leve” e mais “eficiente”. para 4. foi alterado pelo Decreto 5. em 1991. 3.306/97. Esse fato foi possibilitado pela expansão do setor privado. especialmente no setor técnico-industrial e agropecuário. 16. Esse largo espectro de atuação dos IFs compromete a identidade construída na história dessas instituições e pode repercutir na qualidade do ensino. tradicionalmente.225/04.10175 O breve histórico apresentado anteriormente revela que as instituições que compõem a rede federal de educação profissional e tecnológica têm atuado. em 2007.056 matrículas em cursos de graduação presenciais.032 (89%) estava vinculado ao setor privado e apenas 249 (11%) ao setor público. As reformas tiveram impactos nos diversos setores da gestão governamental incluindo a educação. 2 . O desafio está ainda na capacidade de articular projetos educacionais de ensino médio e ensino superior ofertando diversos cursos (técnicos para alunos em idade regular. engenharias.596 (29%) em IES públicas.A reforma da educação superior e a oferta de cursos superiores pela rede federal de educação profissional e tecnológica. técnicos para jovens e adultos.381.488 cursos de graduação desenvolvidos no país. De acordo com o Censo da Educação Superior publicado pelo MEC/INEP.565. havia no Brasil 2.529 e. A expansão do setor privado pode ser explicada pela possibilidade de diversificação na forma de organização acadêmica das IES. o Brasil registrou 1.892 (71%) ocorreram em IES privadas e 6. Desse total.860/01 que. licenciaturas. na formação profissional.880. que incluiu os Centros Federais de Educação tecnológicas – CEFET – entre a classificação das IES do sistema federal de 1 Conforme dados disponibilizados pelo MEC/INEP. 2. Em se tratanto da educação superior o fenômeno mais notório foi o elevado aumento no número de matrículas na educação1. especializações lato sensu e stricto sensu).868. Este foi revogado pelo Decreto nº. A diversificação de IES prevista na LDB de 1996 (Lei 9394/96) foi regulamentada pelo Decreto 2. Dos 23. Em 1996. Desde a década de 1990.

43 cursos de licenciatura nas áreas de ciências naturais (Química. . O governo estabelece que os 38 institutos federais existentes no país. em especial para o magistério das disciplinas Física. Em junho de 2009.755 de 29 de janeiro de 2009 e visa formar. no campo da formação de professores. R$ 500 milhões por ano na formação de licenciados na área das ciências da natureza. no portal da Secretaria de Educação Tecnológica – SETEC – do MEC. em junho de 2009. De acordo com Chaves. Os 33 IFs que foram campo do nosso estudo ofertavam juntos. Os demais indicam que o site está em construção. por região. Biologia e Matemática. 6. na atualidade. em especial para as disciplinas de Física. Ciência e Tecnologia está relacionada com a política do governo federal para a formação de professores.gov. aumentando 1. Física.br/index. Disponível em http://portal.mec. Biologia e Ciências da natureza). contabilizamos 38 IFs. esse número corresponde a cerca de 50% do total de professores que estão em exercício na educação básica pública e que não possuem graduação ou atuam em áreas diferentes das licenciaturas em que se formaram. p. 2 De acordo com informações apresentadas no site do MEC. Química e Biologia.10176 ensino. 2 3-A oferta de cursos de licenciatura nos Institutos Federais de Educação. para além do plano nacional de formação.338) “esse tipo de IES foi a que apresentou o maior crescimento após a aprovação da LDB passando de 16 em 1999. terão que investir. Todavia. Lima e Medeiros (2008. Para identificar as instituições e os cursos que estão sendo oferecidos pelos IFs. A tabela 1 apresenta o quadro de oferta dos referidos cursos. nos próximos cinco anos. A expansão dos CEFETs e a consequente transformação destas instituições em Institutos Federais de Educação. extraímos dados do site de 33 IFs que compõem a rede federal de educação profissional e tecnológica e de documentos oficiais publicados pelo MEC/INEP. apenas 33 deles disponibilizaram informações sobre a oferta de cursos. Ciência e Tecnologia.php?option=com_content&view=article&id=13583. para 184 em 2005. Acesso em 17 de junho de 2009. Química.050% em apenas seis anos”. 330 mil professores que atuam na educação básica e ainda não são graduados. Conforme indicam os dados do Educacenso 2007. Tal política foi instituída pelo Decreto Nº.

segundo a Região. 15% Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste 8434. De acordo com o Estudo exploratório sobre o professor brasileiro (Brasil. a citada região é a que apresenta maior número de professores da educação básica com escolaridade de nível fundamental (de acordo com o gráfico 1). de acordo com dados apresentados na tabela 2.2007 1002. por localização. 2009).Brasil.10177 Tabela 1. . 53% 2126. o estado do Rio Grande do Norte é o que oferece a maior quantidade de cursos nas áreas de ciências naturais. Gráfico 1. ofertados pelos Ifs. 13% 2362. que juntas concentram 65% dos cursos oferecidos.Cursos de Licenciaturas da área das Ciências da natureza. Professores da educação básica com escolaridade de nível fundamental. 13% Na região Nordeste. Consideramos que a maior concentração de cursos no Nordeste (42%) está relacionada com as deficiências observadas nessa região em termos de formação de professores. 6% 2058. representando um total de 19%. por regiões Total Total de de Regiões IFs cursos % Química % Biologia % Física % 4 Norte 5 12 2 12 2 29 1 6 11 Nordeste 18 42 7 41 3 43 8 44 6 Sul 7 16 3 18 1 14 3 17 9 Sudeste 10 23 4 24 1 14 4 22 3 Centro-Oeste 3 7 1 6 0 2 11 33 43 100 17 100 7 100 18 100 Total Ciências da Natureza 1 1 % 100 100 Verificamos que a maior parte dos Institutos Federais está situada nas regiões Nordeste e Sudeste.

Estados Amazonas Ceará Espírito Santo Goiás Maranhão Minas Gerais Mato Grosso Pará Paraíba Pernambuco Paraná Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rio Grande do Sul Santa Catarina São Paulo Piauí Total nº de cursos 2 1 1 2 3 1 1 3 1 2 3 5 8 2 2 3 3 43 % 5 2 2 5 7 2 2 7 2 5 7 12 19 5 5 7 7 100 De acordo com informações disponíveis no site dos IFs pesquisados estas instituições passaram a oferecer cursos de licenciatura em diversas áreas (Educação Física. embora os dados indiquem a existência de apenas um curso. Este visa à formação generalista de professores. Física. Construção Civil. Eletricidade. na área das ciências naturais. ofertados pelos IFS. Considerando os propósitos deste texto destacamos também o curso de Ciências da Natureza.10178 Tabela 2 . Geografia e Espanhol para a educação básica) e cursos de Informática. por disciplina. Biologia e Matemática. Cursos Química Biologia Física Ciências da Natureza Total 17 7 18 1 % 40 16 42 2 . na referida área. Observa-se que há predomínio de cursos destinados à formação de professores de Física. Química. por unidades da federação. Química. Mecânica para a educação tecnológica.Cursos de licenciatura da área das ciências da natureza. Tabela 3: Licenciaturas ofertadas pelos Institutos Federais de Educação. Ciência e Tecnologia. Biologia. Matemática.

nas disciplinas de Física.4 5. Gráfico 2. O gráfico apresentado a seguir sintetiza os dados sobre a formação de professores que atuam no ensino médio. Biologia e Química. . Tal carência foi revelada também no “Estudo exploratório sobre o professor brasileiro” que apresenta um quadro atual sobre a formação de professores que estão em exercício na rede pública. os maiores problemas ocorrem nas disciplinas Física e Química.9 40 38. BRASIL. conforme indica o relatório da escassez de professores do Ensino Médio publicado pelo MEC/INEP (RUIZ.4 Outras áreas 55. Nesta a situação é menos grave. Percentual de professores do Ensino Médio.2 6. No primeiro caso (Física) há predominância de professores de outras áreas (54.10179 Total 43 100 A centralidade nos cursos de Física e de Química pode ser explicada pela expressiva carência de professores dessas disciplinas. no Brasil.6 50 38. segundo a disciplina que lecionam e a área de formação na graduação -Brasil -2007 % 60 54. O problema ocorre em menor proporção na disciplina de Química e de Biologia. Quando se trata da área das Ciências da Natureza. são ministradas por professores de diversas áreas de formação. as disciplinas Física.2 10 5.9 16. os professores com formação em Física representam apenas 25.5%.2 21. no Ensino Médio. Biologia e Química.3 17. ou seja. Isso ocorre também em outras disciplinas conforme indica o referido estudo (BRASIL. um quarto do total de professores que ministram a referida disciplina. em todo país. 2007. RAMOS e HINGEL. 2009).6%) que juntos com os pedagogos (5. 2009).4 20 14. Contraditoriamente.2%.9 Mesmo curso Área específica 30 Pedagogia 25.5 0 Física Biologia Química Os dados apresentados neste gráfico indicam que.9%) somam 60.

o histórico das instituições que compõem a rede federal de educação tecnológica revela que o legado de experiências que elas dispõem está diretamente relacionado à formação de profissionais para áreas técnicas. sobretudo. explica a iniciativa do governo federal de transformação das escolas agrotécnicas. em especial no que se refere à área das ciências da natureza (Física. 2007. A carência de professores formados na área em que atuam. Vale destacar que tais instituições continuarão a ofertar diversos cursos da Educação Básica (técnicos de nível médio para alunos em idade regular.10180 visto que os professores graduados na disciplina representam mais da metade (55. Esse quadro tem implicações no trabalho docente e pode comprometer a qualidade do ensino. técnico de nível médio voltado para jovens e adultos). Ademais. Os reflexos da carência de professores em quantidade e qualidade da formação podem ser identificados nos baixos resultados do Brasil no PISA. na educação básica. Química e Biologia). graduação e pós-graduação). caso não sejam tomadas medidas emergenciais (RUIZ. a possibilidade de ocorrência de um “apagão” no Ensino Médio. Todavia. As experiências na formação de professores são recentes e restritas a algumas instituições. em nosso país. além de cursos de nível superior (tecnológicos.9%) do total. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O quadro apresentado nos estudos que tratam da formação de professores. nas disciplinas Física.12). Biologia e Matemática. Com criação de cursos de licenciatura nos IFs o governo federal almeja formular alternativas para enfrentamento do problema da escassez de professores no Brasil. . revela um panorama crítico que prevê inclusive. é preciso reconhecer que o desafio que se impõe para essa nova institucionalidade – os IFs – pode gerar uma crise de identidade de tais instituições. RAMOS e HINGUEL. Química. técnicas e CEFETs em Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia. Não podemos deixar de considerar a premência de ações que representam iniciativas para a solução do problema da escassez de professores. p. uma vez que elas devem formular projetos educativos para atender alunos de diversas faixas etárias e níveis de ensino.

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