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INTRODUÇÃO À ECONOMIA

URANILSON BARBOSA DE CARVALHO

2011

APRESENTAÇÃO

Esse trabalho pretende dar ao “leigo” ou estudante da disciplina de Economia em cursos de graduação e pós-graduação, uma noção do funcionamento da atividade econômica de um país, fornecendo informações básicas, de maneira clara e objetiva, sobre os acontecimentos econômicos que ocorrem no mundo e, principalmente, no Brasil, desmistificando o difícil e complicado jargão econômico. A intenção principal dessa apostila é embasar o leitor para a compreensão de algumas discussões econômicas importantes presentes em nosso dia-a-dia e que circulam nos principais noticiários. Para tanto, temas como: mercado, bolsa de valores, crescimento econômico, taxa de juros, comércio exterior, globalização da economia, evolução do pensamento econômico entre outros, contemplam os conteúdos desse livro, através de uma linguagem prática, direta e bastante simplificada.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV)

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INTRODUÇÃO

Costuma-se dizer que todo brasileiro tem um pouco de técnico de futebol, médico e economista. Este argumento é até certo ponto aceitável. O futebol, como esporte principal no Brasil, leva os torcedores a dominar alguns fundamentos básicos dessa atividade, e conseqüentemente, conhecer, ou pelo menos achar que conhece táticas que possam levar seu time à vitória. Com a dificuldade de acesso de grande parte da população ao sistema de saúde pública de qualidade, busca-se a medicina caseira, porquanto a automedicação predomina nos lares das famílias brasileiras. O mesmo acontece com a Economia. A instabilidade econômica que durante anos perseguiu a Nação e as atuais e recorrentes notícias sobre as taxas de juros, o câmbio, as altas e as baixas das bolsas de valores entre outras, permite ao brasileiro conviver com temas de ampla complexidade, induzindo a alguns ficarem à vontade para sugerir ao governo, alternativas para a melhor condução da política econômica nacional. Porém, podemos perceber que apesar da maioria dos brasileiros conviverem com a adversidade econômica e principalmente a social, isso não lhes dá condição suficiente para permitir o entendimento das forças que movimentam a atividade produtiva e financeira do país. Para esclarecer alguns dos principais aspectos que dizem respeito à Economia, elaboramos essa apostila introdutória e a separamos em capítulos que irão permitir a compreensão de temas econômicos ao longo da sua leitura. No primeiro capítulo, faremos uma rápida abordagem ao surgimento da Economia, desde a fase que antecede o sistema capitalista aos dias atuais. Dando seguimento, dissecaremos o problema da escassez dos recursos e mostraremos como é feita a discussão sobre a forma de atingir o nível de bemestar desejado pela população, malgrado a escassez dos recursos. Na terceira etapa, será feita uma explicação sobre o mercado e seu funcionamento e no quarto capítulo mostraremos a dinâmica do sistema produtivo. Do quinto ao oitavo capítulos serão abordados temas de ordem macroambiental, como: inflação e suas causas; em seguida, as discussões sobre o sistema financeiro e a política econômica; o subdesenvolvimento e encerraremos com o estudo do comércio externo e uma breve análise da nova dinâmica econômica mundial.

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quando ocorreram profundas alterações econômicas e sociais. faremos um breve passeio pela história da formação econômica. os Bárbaros constituem comunidades de aldeia. das vilas romanas. A produção e o lucro seriam vistos como motores do desenvolvimento econômico. Na busca por ganhos cada vez maiores. que prestaria seus serviços em troca de salário. O autor francês Henri Denis fez a seguinte citação sobre a invasão dos Bárbaros: “Quando penetram no Império e nas regiões onde formam a maioria da população. As terras abandonadas tornam-se propriedade da aldeia. respectivamente. o poder era totalmente descentralizado. O período supracitado faz referência ao Império Romano. antes de abordarmos esse contexto mais especificamente. o homem aumentaria sua produção para obter maior margem de lucro. que as reparte periodicamente entre os habitantes. Os trabalhos artesanais e a mão-deobra escrava seriam substituídos. onde predominava o regime escravocrata. cujo poder era autoritário e extremamente concentrador. As invasões dos Bárbaros derrubaram o Império.1. dando origem ao que hoje conhecemos como Capitalismo. faremos uma breve trajetória das formas de organizações das atividades econômicas que antecederam ao sistema capitalista. sem que melhorasse a prática de produzir. no resto mundo. a princípio. p. Do Imperialismo ao Feudalismo A forma de produção pré-capitalista era a artesanal e os conhecimentos eram transmitidos de geração em geração. na Inglaterra e em parte do continente europeu e. No sistema feudal. pela produção em série com auxílio de máquinas e pelo operário. o mercado livre seria a tônica desse novo mundo. ao contrário do imperial. A Economia organizou-se como ciência no início da Revolução Industrial. Mas. e cada feudo era INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 . Porém. e formam uma aristocracia fundiária. A mão-deobra utilizada era a escrava. Não seria necessária a participação do Estado na Economia. Inconscientemente.” (Denis. prestando-lhes serviços de todos os tipos sem nenhuma remuneração. dando origem a outro modelo de sociedade. toda a comunidade seria beneficiada por uma quantidade maior e diversificada de bens e serviços. posteriormente. A cobiça do homem seria vista com bons olhos. 1974. 83) Essa aristocracia fundiária formou o Feudalismo (século XI . os chefes apoderam-se dos grandes domínios.XIV). NASCIMENTO DA ECONOMIA Introdução Neste capítulo. obtida através da força: os povos vencidos em guerra submetiam-se aos vencedores. para percebermos o surgimento da Economia como ciência. ao mesmo tempo.

Seguindo este raciocínio. Não só especiarias como também produtos agrícolas e metais preciosos eram auferidos por essas explorações. mais potente ela seria. levaria à construção de grandes embarcações. O comércio seria visto como a principal fonte de prosperidade. Os escravos seriam substituídos pelos servos. Espanha. que passariam a trabalhar nas terras do senhor em troca de proteção. ampliando possibilidades de consumo que até então o povo europeu desconhecia. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . em seu poder. Holanda. seriam confiadas. do papel-moeda e da própria inflação foram adventos ocorridos na política mercantilista. O Espírito Empreendedor dos Comerciantes Adiantando um pouco mais a história. A riqueza de uma nação media-se pelo estoque de pedras valiosas. tanto como fornecedoras de matérias-primas e de metais preciosos como. existiam o clero (Igreja) e a nobreza. que. O latifúndio era predominante. Paralelamente. A união dos burgos com a nobreza ⎯ adversários da autonomia dos feudos ⎯ contribuiria para a formação de um movimento reivindicatório que iria provocar mudanças profundas na sociedade. por seu espírito empreendedor. as colônias serviam de esteio a essas nações. Em margem dos domínios do senhor feudal os pequenos comerciantes viviam e comercializavam especiarias nas aldeias. a procura de ganhos crescentes dos burgos estimulada pelo apoio da nobreza. estimulariam a evolução da sociedade. possibilitando a aglutinação de diferentes conceitos dos fatores que representariam a verdadeira riqueza. a prepostos indicados pelos governantes ⎯ os ourives ⎯ que emitiam em nome dos depositantes recibos especificando a quantia de metais preciosos que estavam sob sua guarda. Os ourives recebiam dos depositantes uma porcentagem sobre as quantidades depositadas pelos serviços prestados de proteção e conservação dos metais. Essa prática ficou conhecida como Mercantilismo (séculos XVI-XVIII). em sua grande parte. Portanto. tirando-a da estagnação em que se encontrava no período feudal. do “além mar”. Mesmo localizados fora da área rural. que iriam em busca de novas terras. os comerciantes. França. as colônias tiveram um fundamental papel nas transformações ocorridas na Europa. os burgos (habitantes das aldeias) pagavam impostos ao senhor pelas terras utilizadas. na Europa. o regime feudal não apresentava tanta pujança. também. Inglaterra. Por sua vez. provenientes principalmente das colônias americanas. quanto mais ouro e prata possuía. chegando ao século XVI. Essa prática levou à criação de inovadoras práticas bancárias e deu aos bancos poder de criar moeda. consumidoras dos bens e serviços produzidos pela “pátria-mãe”. O início das atividades bancárias. sem dúvida alguma. Formaram-se os Estados-Nações como Portugal. A aristocracia rural iria gradativamente perdendo sua importância. O ouro e a prata que entravam na Europa. Essa modalidade comercial. cedendo espaço aos comerciantes. A intensificação do comércio trouxe consigo novos mercados. atribuindo à agricultura a principal fonte de riqueza dos feudos. traria enormes benefícios aos comerciantes e à nobreza. fora dos limites dos mercados europeus de então. representou um grande avanço naquela época.economicamente autosuficiente.

pois os indivíduos preferiam negociar com os papéis emitidos por esses estabelecimentos. em contrapartida. Com a substituição do trabalho artesanal pelo trabalho em série. o capitalismo.Mas. os recibos dificilmente retornavam aos bancos. a confiança e a segurança dessas operações desestimulavam o saque do ouro e da prata. Um problema contemporâneo manifestou-se. com o auxílio de máquinas. A praticidade. Por sua vez. A cultura produtiva transmitida de pai para filho foi radical e penosamente substituída por máquinas que trabalhavam com mais eficiência. foi-se generalizando o uso dos papéis-moedas emitidos pelos bancos. propiciariam ganhos de produtividade. a confiança era gerada por critérios rigorosos da inspeção da qualidade e da procedência feitas pelos ourives. Estava nascendo um novo modelo face ao esgotamento do mercantilismo. no período do mercantilismo ⎯ a inflação. A inflação persistente propiciou o acúmulo dos metais preciosos por parte dos comerciantes. exigência essa que a utilização dos papéis eliminou por completo. foi denominado Revolução Industrial. As invenções como a máquina a vapor e o tear mecânico. pois artesãos e agricultores tiveram que renunciar a sua autonomia e prestar serviços aos capitalistas. as condições eram pouco propícias para o transporte de metais preciosos. A Indústria e os Economistas O acúmulo dos metais preciosos observado no período mercantil acarretaria investimentos no setor produtivo. Praticidade. A distinção de raça deixava de ser a condicionante do emprego da mão-de-obra. pois se a transação comercial envolvesse produtos com valores elevados seria necessário. trouxe consigo uma grande quantidade de ouro e de prata. dando o real valor do ouro e da prata que estavam sob sua custódia. desencadeando-se assim um processo inflacionário que beneficiaria os comerciantes e prejudicaria aos consumidores. por não haver necessidade de ter em mãos as pedras preciosas para a negociação. Quanto à segurança. As fábricas aplicaram a divisão do trabalho e a especialização no processo produtivo possibilitando uma elevada produtividade. já que não podiam competir com as fábricas. devido à frequência de assaltos. Confiar sua guarda a terceiros que se remunerava com alguns gramas de ouro era a prática adotada. também. independentes da cor prestariam seus serviços em troca de uma recompensa em dinheiro ⎯ salário. Cristóvão Colombo. deu ensejo a uma ampla revolução. o que. fazendo com que o comerciante exigisse do comprador uma quantia cada vez maior de ouro e de prata. donde emergiria um novo modo de produção que transformaria os costumes do povo da época. O excesso dos metais acarretou sua depreciação. gerando inquietação no seio da população. os escravos cederiam lugar aos operários. Ao chegar à Europa. por sua vez. Por esses três motivos. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . ocorridas no século XVIII na Inglaterra. homens. O conjunto dessas reformulações. das colônias americanas. uma grande quantidade de metais.

Para ele só a natureza produziria riqueza e a indústria só transformaria. proporcionando um nível de bem-estar satisfatório aos membros da sociedade. sobretudo a questão da liberdade. voltando toda sua atenção para a produção. e sem que nenhum deles tivesse sido treinado para esse ramo de atividade. a tomada de decisões econômicas não necessita da interferência do governo. aceitava muitos pontos dos fisiocratas. do setor agrícola.a própria embalagem do alfinete constitui uma atividade independente.Por conseguinte. a principiante classe capitalista necessitava de um corpo doutrinário que interpretasse satisfatoriamente os acontecimentos e destacasse a importância econômica das indústrias. essas 10 pessoas conseguiriam produzir entre elas mais que 48 mil alfinetes por dia. . . Surge então a Escola Clássica constituída pelos chamados economistas clássicos. Os economistas. tivessem trabalhado independentemente um do outro.” E conclui: “Se. com divisão em vários setores ocorreria um ganho de produtividade: “Um operário desenrola o arame. A primeira tentativa de explicar os acontecimentos da época partiu do francês François Quesnay. Para ele uma pessoa fabricando sozinha esse produto não conseguiria ultrapassar vinte. A intervenção do Estado autoritário prejudicaria o sistema produtivo do país.A divisão do trabalho. porém. surge então a necessidade de justificar perante a sociedade os motivos dessas transformações e explicar a sua importância no âmbito mundial. sobre a produção de alfinetes. entretanto na forma que estava se desenvolvendo naquela período. para fazer a cabeça de alfinete requerem-se 3 a 4 operações diferentes . A grande falha dos fisiocratas foi subestimar a importância das indústrias. . ressalvando a importância. outro o endireita. Nessa época pairavam muitas dúvidas e incertezas: Como explicar uma sociedade cujos meios de produção não dependiam mais da mão-de-obra forçada nem dos costumes? Uma sociedade com um Estado incapaz de tomar decisões quanto ao destino da economia de uma Nação? As respostas às indagações supracitadas viriam da escola clássica. Assim nasce a ciência econômica que tentaria formular uma ideologia capaz de defender os acontecimentos recentes e indicar como as nações alcançariam o seu desenvolvimento. um terceiro o corta.Cabe citar o exemplo de Adam Smith. que deram o respaldo de uma formação ideológica à Revolução Industrial e à nascente sociedade capitalista. por isso. figura de proa da Escola Fisiocrata. A burguesia industrial. . ” (Smith. na medida em que é introduzida. são considerados cientistas. principalmente. em cada ofício. cujo INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . um quinto o afia nas pontas para a colocação da cabeça do alfinete. como a principal geradora de riquezas. Os fisiocratas defendiam a plena liberdade ⎯ o laissez-faire (deixar livre). um aumento proporcional das forças produtivas do trabalho. gera. . afirmação essa que debilita sua análise. ilustre pensador da época. p. apesar de não concordar a totalidade dessa concepção econômica.66) Neste sentido. e seus axiomas são utilizados para explicar os fenômenos que estão ocorrendo na Europa. Entretanto. 1996. principalmente pelo fato da época representar o nascimento das unidades fabris. Quesnay formulou críticas contundentes ao sistema mercantilista. que ganham destaque e notoriedade. um quarto faz as pontas. certamente cada um deles não teria conseguido fabricar 20 alfinetes por dia. . .

acarretaria um aumento de produção. 1963) O laissez-faire dos fisiocratas explicaria e justificaria o comportamento que o Governo e a sociedade deveriam adotar. porém. Smith sustenta ser desnecessária a participação do Estado nas atividades econômicas e aponta que a economia seria conduzida simplesmente pelas forças do livre mercado. cabe destacar os ocorridos na indústria de tecido com a máquina de fiar por Hargreaves em 1770. (Dobb. Thomas Robert Malthus. Tudo isto deveria acontecer inelutavelmente. A Riqueza das Nações. Assim. portanto. a interferência dos gestores públicos nas ações individuais dos cidadãos.principal mentor foi o economista escocês Adam Smith. cujas decisões são suficientes para promover o equilíbrio econômico. expõe uma doutrina econômica que trata das transformações que o velho mundo estava sofrendo. por sua vez. pois o atendimento de suas satisfações pessoais beneficiaria. Vale lembrar que a Revolução Industrial. o equilíbrio e o fôlego para o aquecimento da Economia e firmando-se a reestruturação necessária para o desenvolvimento. capaz de restaurar automaticamente o equilíbrio em toda a economia e propiciar bem-estar aos indivíduos. em 1784. Para eliminar as dúvidas. tornando-se o primeiro ideólogo a receber a confiança da burguesia industrial. A sua ânsia por lucros crescentes. assegurando assim o crescimento da nação. dentre outros. à cata de ganhos cada vez maiores. conseqüentemente. Percebemos que a livre-concorrência era o leit motiv dos economistas clássicos. ambos de Cort. Em seu livro. houve avanços técnicos expressivos. beneficiaria a sociedade como um todo. o filatório tocado por água. via ambição do homem. voltando. ocasionou um avanço técnico nos INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . A acumulação de riquezas por uma minoria estimularia mais investimentos no futuro. Outros economistas de vulto. um número maior de pessoas passaria a trabalhar nas unidades de produção. dispensando. Além do processo de pudlagem e o laminador. criado por Arkwright em 1769. a concepção clássica assim enriquecida perdurou por mais de um século. o filatório de Crompton de 1779 e o filatório autônomo introduzido por Kelly em 1792. Neste período. nenhuma dessas invenções existiria sem a máquina a vapor de Watt de 1767. As crises seriam manifestações de curto prazo. pertencentes à mesma escola. gerando mais empregos e. Esse poderoso motor dinamizaria todo o sistema produtivo. publicado em 1776. a seguir. toda a sociedade. O homem. trouxeram valiosas contribuições às idéias precursoras de Adam Smith. mais renda e mais consumo. John Stuart Mill e Jean-Baptiste Say. atentemos na situação da população. O Socialismo Científico de Karl Marx Deixando momentaneamente de lado a análise de mercado. graças a luminares como David Ricardo.

livres e prósperos. assim. A sorte era muito desigual para as diversas classes sociais. 25 ) A Revolução Industral deu origem a uma classe social excluída. Robert Malthus. Essas terras de repente são declaradas inteiramente como propriedades absolutas dos lordes e não mais disponíveis para uso dos camponeses.A lã tornara-se uma mercadoria nova.meios de produção. p. orgulho da Inglaterra. cujas famílias viviam na base da economia de subsistência. cujas consequências danosas para o pequeno produtor rural. comprometendo. chamava a atenção sobre o perigo do crescimento da população miserável. lucrativa. quanto ao futuro da humanidade. no futuro a sobrevivência da nossa espécie. Onde antes havia pequenos proprietários rurais. plantavam apenas para o próprio sustento ⎯ das atividades tradicionais pela criação de ovinos. agora há ovelhas. o setor agrícola estava em situação precária. explorava ao máximo essa mão-deobra. As perspectivas desse contingente populacional eram limitadas pela própria sobrevivência. pois apenas cem anos antes o interior da Inglaterra consistia em grande parte de proprietários camponeses que cultivavam suas próprias terras.33. o maior grupo do mundo de cidadãos independentes. Crianças e mulheres eram obrigadas a trabalhar em condições subumanas. p. Por sua vez. eram amarradas às máquinas para não fugirem. . formada por grupos marginalizados cujas atividades criminosas assustavam os capitalistas: o terror existente gerava previsões catastróficas. . a subnutrição e a exploração do operariado. a crise social geraria um grupo de miseráveis e um clima de tensão insuportável à classe burguesa.34 ) As famílias expulsas do campo migravam em grande parte para os centros urbanos. As crianças. As condições de higiene também eram péssimas e os costumes brutais. que forneceriam a matéria-prima para a indústria de tecidos. . por sua vez. Um dos conceituados economistas do período. tratava-se do pequeno proprietário. Que. agora existe a propriedade privada. para Malthus. podem ser avaliadas no obra do autor Robert Heilbroner: “Esta é uma observação surpreendente. elevando a produtividade. devido à política de substituição ⎯ nas pequenas propriedades rurais.” (Araújo. que vinha impondo estorvos ao sistema produtivo. Para avaliarmos a situação social do operário no tempo da Revolução Industrial. 1996. A população. A jornada de trabalho podia chegar a mais de 14 horas diárias. A necessidade deste povo colocava-o em uma situação de extrema submissão ao capitalista. às vezes. Qualquer viajante de um país moderno que passasse pela Inglaterra entre 1770 e 1830 ficaria chocado com a miséria. Não é de admirar que a mortalidade infantil fosse elevada. 1996. Existiam mulheres que haviam tido 20 filhos e todos haviam morrido. Tal transtorno transformou-se rapidamente num grave problema social. em busca de emprego nas indústrias. Inevitavelmente.” (Heilbroner. . e exigira que seu produtor tivesse amplas pastagens . vinha aumentando acima da capacidade de produção de alimentos. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 9 . citamos um pequeno trecho do livro de Araújo: “A situação social da maioria da população era calamitosa. ou seja. Onde antes havia uma espécie de propriedade comum.

aumentos salariais. irrompeu a Grande Depressão. Transcorrido. A Crise do Capitalismo e o Keynesianismo Em 1929. Nascia assim o Socialismo. contribuiriam para a defesa de uma sociedade que oferecesse condições iguais a todos os homens. distribuindo a riqueza e estatizando a propriedade privada. A fórmula de Adam Smith e seus seguidores não conseguira trazer soluções plausíveis para os problemas. o pensamento marxista previa o colapso do capitalismo. mas foram reformulados por pensadores geniais. não haveria mais discriminação. que se oporia ao ponto de vista dos economistas clássicos. derrubando a figura central do capitalista.As tensões sociais davam origem a conflitos sociais. Inúmeras indústrias decretaram falência. uma convulsão assombrosa do capitalismo. Mais do que nunca a ameaça comunista ganhava força e ímpeto. Concomitantemente. Entretanto. tanto o Estado como os meios de produção ficariam sob o controle da classe operária. Também existia a concreta possibilidade da instauração de governos socialistas em todo o mundo. Esta visão pertence ao chamado Socialismo Científico. Em suma. aceitação das greves etc. mais de 5. a princípio defendido pelos chamados Filósofos Utópicos. Sendo todos os cidadãos iguais entre si. sendo o poder tomado pelo proletariado. Chegava ao INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . cuja dramaticidade alimentava o pessimismo de pensadores e filósofos. a insatisfação popular perdurava e a lei do mercado livre. cujo principal formulador foi Karl Marx (filósofo e economista alemão) que conseguiu através do seu livro ⎯ O Capital ⎯. defendida pelos economistas clássicos. aproximadamente. E. Mas. É obvio que o teor ideológico do marxismo não agradava aos capitalistas. quando a ditadura favoreceria as classes mais humildes. foram adotando melhorias significativas para o trabalhador: diminuição da carga horária de trabalho.000 bancos interromperam suas atividades. Percebiam que a qualquer momento o proletariado poderia apoderar-se de suas riquezas por meio de uma revolução. a principal consequência deste estado de coisas foi a formação de uma doutrina econômica. o desemprego e a miséria aumentavam assustadoramente. por meio de uma revolução. eliminando o desemprego e miséria. As insuportáveis condições de vida do operariado e a exclusão da maioria da população. Amedrontados com a possível revolução. levantes frequentes de trabalhadores criavam um clima de insegurança para os capitalistas. Esses devaneios não chegaram a se concretizar. sendo incapaz de encontrar soluções às crises econômicas e sociais. lançado em 1867. que conseguiriam arquitetar uma sociedade que emergiria do flagelo do capitalismo. um século e meio após a Revolução Industrial. mostrava sinais visíveis de fragilidade. o comércio entrou em crise e o desemprego alcançou números astronômicos. um resultado que talvez nem ele mesmo esperasse: a mobilização dos operários para dirimir seus problemas e exigir da burguesia um melhor tratamento. cuja fértil imaginação modelou cidades utópicas para o proletariado.

reduzem significadamente suas importações dos Estados Unidos de produtos industrializados e agrícolas. pois uma política fiscal (gastos públicos e impostos) e monetária (juros) expansivas estimulariam à geração de empregos e possibilitaria a recuperação dos investimentos privados. Um ciclo negativo é instaurado. também. os juros deveriam estar sempre baixos para desestimular as aplicações financeiras e aquecer os investimentos produtivos e. Diante da dificuldade em exportar parte de sua produção. John M. como: o ingresso de suas empresas em outros países (as multinacionais). esvaziaram a concepção clássica. O programa governamental lançado em 1933 do presidente Franco Delano Roosevelt. colocando vários países no rol de seus devedores. para tanto. Não só os problemas sociais. a “Guerra Fria” que possibilitou a venda de seu material bélico aos países subdesenvolvidos e a política de empréstimos externos. o mercado por si só mostrava-se incapaz de gerar o equilíbrio automático. que despencam rapidamente e provocam um forte movimento de vendas desses ativos. como: ferrovias. para que pudessem recuperar suas empresas. surgindo daí a necessidade de construir um novo modelo econômico que condissesse com a realidade e trouxesse soluções concretas e a curto prazo. siderúrgicas.. Todas essas medidas surtiriam efeitos positivos na Economia. Com os países europeus recuperados economicamente dos efeitos negativos da Primeira Grande Guerra. trabalhando em parceria com a iniciativa privada. A principal origem da crise estava sustentada no excesso de produção. ampliando os gastos públicos através de investimentos em infraestrutura. conhecido como New Deal.fim o modelo clássico de desenvolvimento. a crise ganhava um caráter irreversível. Keynes. A sua capacidade de avaliar o contexto econômico levou-o a criar um modelo capaz de tirar o capitalismo da crise. consolidou o programa-base de Keynes. Mas o estudo das INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . Outros fatores fariam dos Estados Unidos a nação que comandaria as ações econômicas a partir da segunda metade do século XX ou após a Segunda Guerra Mundial. Criticava severamente a lei do laissez-faire e defendia a presença de um Estado moderado na Economia. possibilitando a recuperação da Economia norte-americana e consolidando o país como uma potência mundial. reduzir a alíquota do imposto que incide sobre a renda para ampliar o consumo. facilitar os empréstimos aos empresários. Os Estados Unidos foram o primeiro país a adotar a fórmula keynesiana de desenvolvimento. há uma intensa diminuição da produção. com a redução da capacidade das empresas de si capitalizarem através da negociação de suas ações. como consequência a taxa de desemprego amplia e o consumo reduz para níveis extremamente preocupantes. A sua análise iria de encontro às dos economistas clássicos. empresas norte-americanas entram em crise com reflexos diretos percebidos nos preços de suas ações. principalmente a crise econômica. rodovias. Foi exatamente neste clima desesperador que apareceu um dos mais eminentes economistas do século XX. que estão na origem do movimento socialista. portos. mas. saneamento básico etc. refinarias. A saída apontada por Keynes era essencialmente simples: o Estado deveria atuar na Economia.

já mencionada. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . que entende que o agente econômico Governo é essencial para evitar crises econômicas e manter um nível de atividade produtiva capaz de gerar emprego e renda. Durante a leitura deste breve relato da História do Pensamento Econômico. que defende o liberalismo econômico e o Keynesiano. foram oferecidos subsídios ao leitor para fazer várias comparações com a nossa realidade. que estimularam a Economia americana não será necessária para nossa análise. estruturada no molde keynesiano.outras variáveis e das políticas internacionais. Limitaremos nosso estudo a política interna. essa discussão tenta jogar uma luz ao debate ainda contemporâneo sobre os dois principais modelos: o Clássico. Não obstante.

mesmo que se alcancem excelentes níveis de bem estar. O ser humano sempre almeja formas que possam melhorar. Certamente. É esse limite o fator primordial da ciência econômica: a escassez é o principal tópico com que lida a economia. Os desejos dos homens nunca alcançarão plena e total satisfação. sem limite de quantidade. o grau de satisfação é atingido quando são supridas as necessidades básicas. Nenhum país tem condições de atender a todas as necessidades de sua população. o desejo ilimitado e insaciável das sociedades e. que sequer imaginara antes. seu padrão de vida. ou seja. Todo indivíduo participante tem condições de adquirir bens e serviços.2 O Difícil Dilema da Escolha Como vimos no tópico anterior. a escassez dos recursos disponíveis ⎯ encontra-se a economia procurando equacionar. escolher entre este ou aquele produto que possa lhe proporcionar maior grau de satisfação. ESCASSEZ E ESCOLHAS 2. Essa escassez coloca a sociedade diante de outro grande dilema: será uma constante em qualquer grupo social. 2. do outro. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . ou seja. tão logo sejam atendidas essas necessidades. o homem procurará novas formas de consumo. da melhor maneira possível.2.“A Economia é a Ciência da Escassez” Vamos imaginar um país que consiga satisfazer plenamente todas as necessidades de consumo de sua população. um país cujos recursos disponíveis (máquinas e equipamentos. já deu para perceber algo estranho nesta suposição. Mas. Mesmo em sociedades de países com alto nível de desenvolvimento não é possível atingir o limite.1. este difícil dilema. sempre serão procuradas novas formas de consumo. sem limites de quantidade. em consequência da pequena quantidade de recursos disponíveis. Diante desta situação paradoxal ⎯ de um lado. a escassez de recursos torna possível a própria existência da economia. escassez é o limite que se impõe na produção dos bens e serviços. impera a luta pela sobrevivência. Contudo. A variável que impossibilita a existência do país citado acima é a escassez de recursos. cada vez mais. em grupos sociais onde predomine a miséria. Na economia. todos os desejos são prontamente atendidos. matéria-prima e mão-de-obra) sejam suficientes para gerar uma produção capaz de suprir qualquer necessidade.

caso Sr.Todos nós enfrentamos estes problemas. o desejo em aumentar os gastos com qualquer dos itens acima implicará.5 1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . tem início nas famílias.000.00 320.00 400.00 PORCENTAGEM (%) 25 20 7.000.5 5 12.00 100. João possui uma renda mensal líquida de R$ 2. Pois bem. fazendas. numa diminuição de outro. fábricas. nas unidades de produção (empresas. o problema da escassez e o desafio das escolhas.00 250. .000. R$ 2.00. indústrias.00 (dois mil reais) distribuída da seguinte maneira: Tabela 1 – Orçamento Familiar Hipotético DESPESAS ALIMENTAÇÃO ALUGUEL ÁGUA E LUZ TRANSPORTE EDUCAÇÃO SAÚDE LAZER VESTIMENTAS TOTAL DISTRIBUIÇÃO DA RENDA (R$) 500. João queira gastar mais com a alimentação.00 150. pois ninguém pode livrar-se de situações dessa natureza.00 250.5 100 Dado o limite de seus recursos. Com os R$ 2. seja no grupo familiar. Exemplos Hipotéticos NAS FAMÍLIAS ORÇAMENTO FAMILIAR A família do Sr.000.00 30. . terá que diminuir necessariamente a despesa com outro item do orçamento.) e nos governos.00 2.00 plenamente utilizados.5 16 12. necessariamente. independente do nível de renda estaremos sempre fadados a estabelecer nossas prioridades face à realidade dos inúmeros desejos que afetam o indivíduo e sua família e o limite de sua renda.

000.00 (dois milhões de reais) provenientes do ISS. aumentar sua produtividade.000. gerar uma quantidade maior de veículos no mesmo prazo. está robotizando sua fábrica. voltada para o aumento da produtividade e da qualidade do produto final. IPTU e das Transferências do Governo Federal.000.0 Infraestrutura* 150.00 1. levando em conta sua limitação de recursos: Tabela 2 – Síntese de um Orçamento Municipal Hipotético Setores Distribuição da Porcentagem Beneficiados Verba (em reais) % Saúde 400.00 100 * Inclui saneamento básico.000. devido à escassez de recursos. gostaria de investir maciçamente em todos esses segmentos.0 Total 2. Obviamente.000.00 20. GOVERNO MUNICIPAL (Orçamento Público) Vamos admitir que uma cidade de pequeno porte que possui uma receita de R$ 2.0 Educação 700.NAS UNIDADES DE PRODUÇÃO INDÚSTRIAS A indústria automobilística GP S/A pretende.5 Cultura e Turismo 20. a indústria terá que efetuar cortes no seu quadro de funcionários (mão-de-obra) em decorrência da robotização da industria. ou seja. NOS GOVERNOS A necessidade de escolha também se estende à administração pública. estamos diante do dilema da escolha entre a informatização dos meios de produção e a mão-de-obra. nos próximos anos.5 Transporte 30. construção de pontes e viadutos. mas a escassez de recursos obriga-o a fazer escolhas.000.00 35.000.00 35. comprometido com a melhora do bem-estar da sua população.00 1. Para tanto.000. estadual ou federal) estarão sempre diante de vários paradoxos: investir em quais projetos de infraestrutura? Saneamento básico ou pavimentação? Políticas mais austeras de combate à inflação ou mais flexibilidade nos incentivos ao crescimento econômico? Estimular a construção de rodovias ou ferrovias? É óbvio que qualquer governo. dentre muitas. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . pavimentação.000. Os governos de qualquer esfera (municipal. Elaborou o seguinte orçamento. aquelas que o gestor público e sua equipe de colaboradores entendam como prioritárias.000.0 Folha de pagamento 700.00 7. Assim.

Portanto. porquanto. seja de um bem ou de um serviço do setor público ou privado. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . poderá comprometer gastos de incentivo a cultura. será considerado um bom gestor do orçamento familiar.000. implica sempre na ausência de outro bem ou serviço. Essa fiscalização deve ser feita pelos cidadãos. Em relação mais especificamente ao setor público. Neste caso ocorre um difícil dilema da escolha entre investir em obras estruturadoras que possam estimular o crescimento das empresas.No exemplo orçamentário hipotético.00. ao constatarmos que o governo esta elaborando determinada obra com os recursos minguados. por exemplo. terá que reduzir a verba de outro setor se o Prefeito decidir aplicar mais em obras de infraestrutura no ano seguinte. É bom guardar consigo o seguinte pensamento: nada na Economia surge aleatoriamente. a combinação eficiente dos recursos e sua alocação possibilitarão melhores condições de bem-estar. convém analisar cuidadosamente seus benefícios e procurar saber se esta verba poderia ser aplicada em outros setores que auferissem maiores benefícios à população. das empresas ou do setor público não aqueles que conseguem realizar tudo – que é impossível diante da escassez dos recursos – mas aqueles que realizam as melhores escolhas. e que todos os recursos estão sendo plenamente utilizados. gerando emprego e renda ou ampliar os programas culturais para tirar jovens da criminalidade. pois qualquer forma de produção.000. considerando o limite da receita de R$ 2. Em suma.

os cursos dos rios. ou melhor. possibilitarão a produção de bens e serviços. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . Recursos de Capital. O recurso natural são jazidas. mas que ainda não foi explorado e a matéria-prima são os recursos naturais após a exploração ou os bens intermediários. podemos dar prosseguimento ao estudo deste tópico. 3. Recursos Naturais e Matéria-Prima. na produção de dois bens: ARROZ e FEIJÃO. Agora iremos analisar.2. capital e matéria-prima). ou seja. unidos. um segmento da população utilizada para elaborar a produção. mais cuidadosamente. 2. isto é. Recursos de Produção é o conjunto de fatores que. O problema da escassez nos levou ao dilema da necessidade de escolha. Mão-de-Obra. que serão necessários para um melhor aproveitamento deste tópico. como funciona o mecanismo de escolha. a flora. dada a escassez dos recursos e seu pleno emprego. A tabela abaixo mostra as possibilidades de produção. as máquinas e equipamentos. instalações e o próprio prédio onde serão elaborados os produtos. o material fornecido pela natureza. apresentaremos uma breve definição do que vêm a ser os recursos de produção e o pleno emprego. Vamos supor que um fazendeiro contrate os serviços de um Especialista em Administração de Produção e solicite desse profissional a elaboração de diversas combinações de produções de dois bens agrícolas: Arroz e Feijão. ou seja. Pleno Emprego é uma situação hipotética caracterizada pela plena utilização dos recursos disponíveis (mão-de-obra. Esses fatores são: 1. mediante uma simples análise gráfica chamada de curva de possibilidades de produção. a inexistência de capacidade ociosa na utilização dos recursos.3 Curvas de Possibilidade de Produção e o Custo de Oportunidade Antes de entrarmos no estudo das curvas de possibilidade de produção e do custo de oportunidade. Dadas as definições de recursos de produção e da situação de pleno emprego.

admita-se que a economia esteja funcionando em pleno emprego. É importante salientar que. os recursos necessários à produção de arroz e feijão (terra. Portanto. fertilizantes.Tabela 3 – Combinações Possíveis para Produção de Dois Bens POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO A B C D E QUANTIDADES (t) ARROZ FEIJÃO 35 0 30 15 20 30 10 40 0 45 Observa-se na tabela que o aumento da produção de feijão implica. vamos transportar os dados da tabela para um gráfico que denominaremos de Curva de Possibilidades de Produção. GRÁFICO 1 FEIJÃ O (t) (t) 4 5 4 0 3 0 CURVAS DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO E D C ∆Y * PLENO EMPREGO 1 5 B ∆X A 0 1 0 2 0 3 0 3 5 ARROZ (t) No eixo dos “x” colocamos as quantidades do arroz e no eixo dos “y” as quantidades de feijão. necessariamente. todos os pontos INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . Para ilustrar ainda melhor essa constatação. na curva de possibilidade de produção. na diminuição da produção de arroz e vice-versa. sementes. ou seja. trabalhadores e as máquinas e equipamentos) estão no grau máximo de utilização.

Ao admitirmos essa difícil meta do pleno emprego. Resumindo. consequentemente. 20 t de arroz e 30 t de feijão. nenhum país alcança o Pleno Emprego. 10 t de arroz e 40 t de feijão. obteve-se a seguinte produção: 30 t de arroz e 15 t de feijão. com a produção das 45 t de feijão não será possível produzir arroz. será impossibilitada a produção de feijão. Porém. no ponto B. para que o mesmo consiga racionalizar ao máximo os recursos escassos.em cima da curva (A. No ponto D. na produção de arroz e feijão. com a produção das 35 t de arroz. impondo um grande desafio ao Administrador dessa empresa. Importante: • Na prática. Assim. mesmo que voluntariamente.B.C. No ponto A. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 1 . No caso do feijão e do arroz. o aumento da quantidade de um produto implicará. No ponto E. governos e consumidores) desejarem uma aproximação do Pleno Emprego. Mas. utilizando as mesmas quantidades de recursos. a partir do momento em que o mercado decide produzir outro produto – feijão -. um aumento na quantidade do feijão acarreta perdas na produção do arroz. matériaprima e capital) ou um avanço tecnológico que possibilita ganhos de produtividade às empresas. e máquinas e equipamentos podem estar sendo subutilizados.E) representam o Pleno Emprego. a curva de possibilidades de produção indica a necessidade de escolher entre dois produtos. Tais acontecimentos possibilitam que ocorra a ampliação da produção de um bem sem reduzir do outro. O sistema produtivo dos países encontra-se aquém da “fronteira” máxima de produção. as quantidades são modificadas. estamos na verdade. e vice-versa. No ponto C. com os recursos também destinados a produção de feijão. na diminuição de outro. evitando os possíveis desperdícios e a subutilização dos insumos produtivos. dadas a escassez dos recursos e o seu pleno emprego.D. • A Curva de Possibilidade de Produção desloca-se positivamente para direita (gráfico abaixo) quando há um aumento no estoque dos recursos produtivos (mão-de-obra. não impede aos agentes econômicos (empresários. a decisão de produzir mais arroz. pois haverá sempre uma parcela da população desempregada. provoca diminuição na quantidade do feijão. O gráfico 1 mostra as combinações possíveis de suas quantidades. Havendo a plena utilização dos recursos produtivos (pleno emprego).

será possível. Essa parte que se deixa de produzir. No gráfico ao lado nota-se que foi possível produzir mais arroz (de 20 para 30 ton) sem reduzir a quantidade de feijão. qual a quantidade de feijão que deverá deixar de ser produzida para obter unidades a mais de arroz? INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . em favor de outra. 30 20 2. calcular o custo de oportunidade. Através da curva de possibilidade de produção. FÓRMULA: CO = ∆Y ∆X CO = Custo de Oportunidade ∆Y = Variação da quantidade Y ∆X = Variação da quantidade X PERGUNTA 1: Analisando a área hachurada do Gráfico 1. utilizando uma simples fórmula. com a escassez dos recursos. assim a opção em aumentar a quantidade de um bem ou serviço implicará numa diminuição de outro bem ou serviço.1 O cálculo do Custo de Oportunidade 30 Arroz Sabe-se que. chama-se Custo de Oportunidade.3. qual o custo de oportunidade para produzir mais arroz? Ou seja. há sempre a necessidade de escolha.Feijão Deslocamento da Curva de Possibilidades de produção: # Quando aumenta o estoque dos recursos produtivos e/ou # Avanços tecnológicos.

CO = ∆X . especializadas na cultura do feijão terão que se adaptar ao cultivo do arroz e isso pode representar a perda da eficiência e. Importante: A Curva de Possibilidade de Produção tende a ser côncava porque demonstra que a persistência em produzir cada vez mais um determinado bem. Porém. qual a quantidade de arroz que deverá deixar de ser produzida para conseguir mais feijão? SOLUÇÃO: Neste caso. ∆Y CO = 10 = 0. o custo de oportunidade aumentará para 1. a mão-de-obra e a matéria-prima. deixa-se de produzir 0.66 t de arroz.. suponhamos que a Economia esteja funcionado no ponto B.66 t 15 CONCLUSÃO: Para cada tonelada de feijão que se produz a mais. para produzir 1 tonelada de feijão o Custo de Oportunidade será o. em custos de oportunidades crescentes. se houver a persistência em produzir mais arroz (ponte E). Perceberemos esse fato com mais clareza no gráfico 1. continuando na área hachurada do Gráfico 1. Esse fato ocorre por que as máquinas e os equipamentos. basta apenas reverter a fórmula.5 toneladas de feijão. quando nele analisamos a passagem do ponto D (40 t de feijão e 10 t de arroz) para o ponto C (30 t de feijão e 20 t de arroz). Assim. qual o custo de oportunidade? Melhor.5t 10 CONCLUSÃO: Para produzir 1 (uma) tonelada de arroz a mais. pois estaremos deslocando recursos produtivos mais específicos de uma determinada atividade para outra.5 toneladas de feijão.66 tonelada de arroz. isso provocará uma perda de eficiência produtiva. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . para produzir 1 tonelada de arroz o Custo de Oportunidade será 1.5 toneladas de feijão. ∆X CO = 15 = 1. portanto. teremos que deixar de produzir 1.. PERGUNTA 2: Agora.. o custo de oportunidade em produzir uma tonelada a mais de arroz é exatamente uma tonelada de feijão.. Ou melhor. implicará em custos de oportunidades mais elevados (crescentes).SOLUÇÃO: CO = ∆Y . e se deseje produzir mais feijão – passar para o ponto C -.

qual foi custo de oportunidade para conseguir produzir mais algodão? (Produção do ano de 2009). Em 2010. objetivando ganhos com o comércio externo. voltar ao nível de produção conseguido no ano de 2009? INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . Construa a curva de possibilidades de produção. as produções foram às seguintes: 300 toneladas de trigo e 100 toneladas de algodão. obteve-se as seguintes produções: o trigo caiu para 160 toneladas e o algodão aumentou para 200 toneladas. Com todos os recursos disponíveis inicialmente empregados no cultivo do trigo. qual o custo de oportunidade para produzir mais trigo. não havendo ociosidade (Pleno Emprego). Supondo que a empresa esteja na combinação de produção do ano de 2010. QUESTÕES: A. Mantendo-se os mesmos recursos. impossibilitando a produção do trigo. Todos os recursos citados acima estão nas suas capacidades máximas de utilização. o administrador da fazenda. persistindo na mesma política de incentivo ao algodão. B.EXERCÍCIO HIPOTÉTICO Uma empresa do ramo agrícola possui em seu quadro de funcionários exatamente 100 trabalhadores rurais. C. ou seja. escolheu também dedicar-se à produção de outro bem. Mas. os empresários dessa atividade produtiva escolheram em aumentar a produção de algodão – que serve de matéria-prima à indústria de tecido – com os recursos disponíveis constantes. Supondo que a empresa esteja no nível de produção do ano de 2008. a produção foi para 300 toneladas. com o crescimento da indústria de tecido do país vizinho. a produção observada foi de 400 toneladas. Essa empresa voltada para o setor agrícola tem condições de trabalhar na produção de dois produtos: arroz e/ou algodão. o algodão. No ano de 2011.000 hectares de terras cultiváveis. em 2009. 50 (cinquenta) máquinas agrícolas (capital) e mais 1. em 2008.

teremos: CO = ∆Y .. para os agricultores produzirem 100 t de algodão.SOLUÇÕES: A.. C. terão que abdicar da produção de 100 t de trigo. Utilizando a fórmula do custo de oportunidade. ANO 2008 2009 2010 2011 TRIGO (t) 400 300 160 0 ALGODÃO (t) 0 100 200 300 GRÁFICO 2 PRODUÇÃO DE TRIG O (t) 40 0 30 0 16 0 10 0 2008 2009 2010 2011 0 10 0 20 0 30 0 PRODUÇÃO DE ALGODÃO (t) B.72 t 140 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . ∆X CO = 100 = 1 t 100 Para cada tonelada de algodão que o país queira aumentar. Inverte-se a fórmula: CO = ∆X .. dessa forma.. o Custo de Oportunidade será 1 t de trigo. ∆Y CO = 100 = 0.

Para cada tonelada de trigo a mais. reduzirá. necessariamente. para o país produzir 140 t de trigo. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . a empresa terá um Custo de Oportunidade de 0. em 100 t a produção de algodão.72 t de algodão. assim.

tecnológicas e sociais. implicará a redução de outros bens e serviços. Após decidir o que produzir e a quantidade a ser produzida e determinar como se processará a produção. com vistas a dinamizar e qualificar a mão-de-obra. a má distribuição. O que será produzido e em que quantidade? 2. em épocas e culturas diferentes elaboraram conceitos ideológicos diversos. inclusive a miséria. esse a questão da escassez conduz a três grandes desafios que qualquer sociedade terá que enfrentá-los: 1. que possibilitarão um incremento de produtividade. Porem. O que será produzido e em que quantidade? Como já verificamos a opção em aumentar a quantidade de um bem e serviço. dentre muitas. No tocante a problemática da escassez. Caso contrário. a distribuição mais equilibrada para os membros da sociedade. Como iremos executar a produção? 3. estudiosos.2. Para quem será distribuída? 1. ou seja. Espera-se que os bens e serviços escolhidos para a produção e as quantidades coincidam com o interesse dos consumidores. onde apenas uma pequena parcela da sociedade será beneficiada. com os recursos disponíveis optar quais os produtos devem ser produzidos e em que quantidades. as máquinas e equipamentos e o uso mais eficiente da matéria prima. em dois sistemas: o capitalista e o socialista. é necessário escolher. Como iremos executar a produção? Quais as técnicas que serão utilizadas para dinamizar a produção? A solução será decidir entre os melhores mecanismos tecnológicos. 3. Para quem será distribuída a produção? Esta é a preocupação social. tentando elevar o nível de bem-estar dos integrantes da sociedade. gerando tensões sociais capazes de aumentar os índices de criminalidade. 2. As diferenças ideológicas dividiram o mundo até um passado recente. estudaremos outros desafios enfrentados pela humanidade. A tecnologia visa racionalizar cada item que compõem os recursos produtivos. os desejos desmedidos do homem tornam os bens sempre escassos e insuficientes. Em qualquer país. evitando assim o desperdício dos recursos produtivos.4 Outros Grandes Desafios Antes de encerramos este capítulo. Assim. proporcionará um nível maior de bem-estar social. trará sérios problemas. a melhor opção para utilização dos recursos disponíveis. percebemos que a questão O Que e Quanto Produzir será um problema econômico. Na tentativa de encontrar soluções para os problemas supracitados. basicamente. a pergunta final insere a questão social: Para onde será escoada a produção? A priori. A busca do bem-estar suscita dúvidas sobre quais os caminhos que devem ser seguidos para atingi-lo. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . independente do grau de desenvolvimento. procurando a melhor maneira de resolver a contento as questões econômicas. onde a preocupação é com a eficiência produtiva.

O sistema capitalista argumenta que a livre iniciativa do indivíduo e o mercado agindo livremente são capazes, por si sós, de ajustarem automaticamente toda a economia. O Estado não pode interferir, os mecanismos mercadológicos seriam suficientes para determinar o que produzir e em que quantidade, como e para quem produzir. Paradoxalmente, surgiu o sistema socialista, que coloca o dilema o que produzir e em que quantidade, como e para quem produzir, nas mãos do Estado. Assim, o socialismo, em defesa da Economia planificada ⎯ onde o Estado coordena todas as ações mercadológicas ⎯ visa produzir e promover uma distribuição forçada e igualitária para todos os participantes da sociedade, tentando evitar uma possível acumulação de riquezas nas mãos de uma minoria. Acontecimentos contemporâneos, nos mostram que o capitalismo, através das livres forças do mercado, impossibilita uma distribuição dos bens e serviços mais eqüitativa. As imperfeições dos mercados, que geraram cartéis e monopólios, prejudicaram o bom funcionamento do sistema e o social deixa a desejar, a distribuição de renda é desigual ⎯ uma grande concentração de riqueza é destinada a uma pequena parcela da população ⎯ como acontece, principalmente nos países capitalistas subdesenvolvidos. Mudanças que ocorreram durante as décadas de 80 e 90 na Rússia e no leste europeu revelam que o Estado, sozinho, não é capaz de solucionar os problemas econômicos. As metas o que produzir e em que quantidade, como e para quem produzir, não foram plenamente alcançadas. Apesar dos avanços sociais, e uma distribuição dos bens e serviços mais equilibrada, a economia não atingiu nível desejado, pois o bloqueio ao comércio internacional efetuado pelos países ocidentais (capitalistas) sustou o intercâmbio de processos produtivos modernos, atrasando economicamente nações do bloco socialista. A perestroika, implantada na Rússia por Mikhail Gorbachev, objetivou a reestruturação econômica do país. Os problemas econômicos como o déficit das empresas públicas, a baixa produtividade, a crise no setor agrícola e déficits sucessíveis na balança comercial levaram a uma profunda crise, obrigando-os a comercializar com os países capitalistas. É fato inconteste que poucas nações conseguiram adotar um sistema econômico ideal, sem falhas. Os problemas sociais acentuados pela dinâmica capitalista dos países principalmente da periferia e os econômicos do sistema socialista colocam o homem diante de grandes desafios: encontrar novos modelos que consigam harmonizar o desenvolvimento econômico com o social e respeito aos aspectos ambientais.

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3. COMO FUNCIONA O MERCADO? É fácil compreender a definição de mercado. Mas, para entendê-lo melhor, devemos recorrer ao passado. Voltando à pré-história, quando os homens das cavernas procuravam atender, sobremodo, suas necessidades básicas. A sua satisfação era alcançada quando conseguia o alimento, a água e um local onde proteger-se do frio, da chuva e de possíveis ataques de animais carnívoros ⎯ utilizando as cavernas rochosas. A busca em atender, apenas, as necessidades básicas caracteriza o que os economistas chamam de Economia de Subsistência. Com a evolução do comportamento humano percebeu-se que cada um possuía determinada aptidão. Uns tinham facilidades em construir instrumentos para caça, alguns eram caçadores, enquanto outros ornamentavam as cavernas com suas pinturas rupestres. Aos poucos, o homem procurou melhorar sua condição. O caçador abatia os animais necessários a sua alimentação e aproveitava a pele como casaco, trocando as sobras com o construtor de lanças, que por sua vez preparava lanças para uso próprio e outras tantas para trocar por carne e pele dos animais abatidos pelo caçador. Essa relação de trocas é conhecida como Economia de escambo, que constitui a base das atividades de mercado. Etapa pela qual o homem passa da Economia de subsistência para a Economia de mercado, caracterizada pela formação de um excedente de produção. Assim, produzia-se para uso próprio e formava-se um excedente, objetivando as trocas. Essa simples atitude ⎯ trocar os excedentes dos bens e serviços que não se tinha condição de produzir ⎯ deu origem aos mercados. Assim, podemos dizer que o mercado atual, mantendo sua acepção tradicional, é o local onde se processam as compras e vendas de mercadorias e serviços. Os vendedores representam a oferta de bens e serviços, e os compradores a demanda por bens e serviços. Neste sentido, a interação entre a demanda e a oferta gera os mercados que, por sua vez, serão orientados pelos preços. A quantidade ofertada aumentará se houver um aumento nos preços dos bens e serviços, já que os vendedores buscam maior margem de lucro. A quantidade demandada diminuirá com a elevação dos preços. Os compradores estarão sempre dispostos a aumentar suas quantidades demandadas, principalmente com a queda dos preços, pois possibilitará um maior poder de compra. Nos próximos tópicos, analisaremos, sucessivamente, o comportamento dos compradores ⎯ a demanda ⎯ e o comportamento dos produtores ⎯ a oferta ⎯ em relação à variação dos preços em um mercado de concorrência.

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3.1 Mercado de Ampla Concorrência O conceito de mercado de ampla concorrência foi veiculado pelos economistas clássicos, que imaginavam um mercado tão perfeito que era capaz de regular toda a economia e atender eficazmente os interesses dos vendedores e compradores. Vamos supor um mercado de ampla concorrência: uma cidade cujo comércio é baseado na venda de água de coco verde. Existe uma grande quantidade de vendedores, todos de pequeno porte, e outra grande quantidade de compradores. Nenhum dos agentes tem a possibilidade de interferir nos preços, devido à homogeneidade do produto e à acirrada competição. Caso um dos comerciantes resolva aumentar os preços será automaticamente penalizado pela lei natural do mercado, pois deixará de vender. Caso contrário, a queda dos preços, aumentaria a demanda, impossibilitando o atendimento a todos os compradores e, também, a receita gerada não seria suficiente para pagar as despesas de comercialização do produto. Quem desejasse vender coco, poderia ingressar no mercado, sem nenhuma dificuldade ou barreira, ou dele sair a qualquer momento, caso fosse sua vontade, pois o volume de investimento (recursos financeiros) para abrir um negócio neste tipo de mercado é extremamente reduzido. Por serem produtos semelhantes, não existe o estímulo artificial através da propaganda. Nenhum comprador será induzido. A evolução da concepção capitalista contradiz com o mercado de ampla concorrência. Neste mercado, não se admite a formação de grandes grupos econômicos, porque sua força poderia dominá-lo. No entanto, o capitalismo desenvolveu-se através da concentração de riquezas nas mãos de uma minoria, formando empresas poderosas capazes de manipular, de uma maneira ou de outra, os mercados e, conseqüentemente, impor preços que possam auferir maiores lucros. Essas são as chamadas imperfeições de mercado, onde foram formados os oligopólios e monopólios. No tópico 3.3, abordaremos, com mais detalhes, as principais características das imperfeições dos mercados. A compreensão do mercado de ampla concorrência servirá para a análise mais cuidadosa da curva de demanda e da curva de oferta, que veremos a seguir.

3.2 A Demanda e a Oferta Utilizaremos o instinto humano para assimilar o funcionamento dessas duas forças antagônicas. Instintivamente, a quantidade demandada sempre será estimulada com a queda dos preços e retraída com o seu aumento. Enquanto a quantidade ofertada sofrerá aumentos caso haja uma elevação nos preços e desestimulada com a sua diminuição. Percebemos até agora, em nossa análise sobre o mercado, uma única variável capaz de modificar os desejos dos produtores e consumidores em aumentar ou diminuir as suas quantidades – o preço. As demais variáveis, no lado da Demanda: a preferência, a sua necessidade, os preços de produtos similares etc.; e o lado da Oferta: o fator tecnológico, o

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uma diminuição dos preços. devido ao barateamento do custo de produção. 3.00 8.00 6. não serão considerados neste estudo preliminar da Demanda e da Oferta. certamente. E se os valores dos recursos necessários à produção sofrerem uma queda de preços? Isto ocorrendo. inibirá à produção. ceteris paribus.custo de produção etc.00 QUANTIDADES DEMANDADAS (kg) 80 60 50 40 20 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 2 . em relação às variações dos preços. Como as demais variáveis poderiam interferir nas quantidades demandadas e ofertadas? A diminuição dos preços. obviamente. naturalmente. a oferta desse bem não será comprometida caso o preço baixe.2. a queda dos preços não irá estimular as compras. Já na Oferta. A utilização de uma única variável e permanecendo as demais constantes é exemplo cabal da condição ceteris paribus. não desejando adquirir maiores unidades desse bem. Transportaremos para o parágrafo o comportamento dos compradores e vendedores. Mas..1 A tabela e o gráfico da Demanda PREÇOS (R$) 2.00 5.00 4. caso o comprador esteja satisfeito com o atual nível de consumo. provocará um aumento na quantidade demandada.

00 5.00 QUANTIDADES OFERTADAS (kg) 20 40 50 60 80 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 . Caso ocorra um aumento dos preços para R$ 8.00 6.2.00 4. quando o preço é R$ 2. ou seja. ceteris paribus. o preço e quantidade são inversamente proporcionais.2 A tabela e o gráfico da Oferta PREÇOS (R$) 2. Neste sentido. a elevação dos preços inibe a quantidade demandada e a queda dos preços aumenta a quantidade demandada. Por este motivo o gráfico tem uma inclinação negativa ou decrescente.00 8. Assim.GRÁFICO 3 PREÇOS (R$) 8 6 5 4 2 20 40 50 60 80 QUANTIDADES (kg) O gráfico está representando a Demanda por um bem ou serviço qualquer que um consumidor deseja e está disposto a obter por um determinado preço em um dado momento.00 a quantidade demandada é 80 kg.00 a quantidade demandada cairá para 20 kg. 3.

ceteris paribus. para 80 kg. Muitos empresários optarão em reduzir sua produção ou mesmo sair do mercado. pois não será suficiente para arcar com todos os custos inerentes à fabricação de um determinado bem. numa perspectiva da elevação dos preços.GRÁFICO 4 PREÇOS (R$) 8 6 5 4 2 20 40 50 60 80 QUANTIDADES (kg) A Oferta representa o comportamento do produtor. Já os preços mais altos tende a atrair os produtores devido à expectativa em obter maiores lucros. a quantidade ofertada também aumentará. R$ 2.00. Podemos concluir que preços e as quantidades ofertadas são diretamente proporcionais. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 .00. o produtor só estará disposto a ofertar 20 kg. Observando o gráfico. há uma reação no mesmo sentido entre as duas forças. Ocorrendo um aumento de preços para R$ 8. ao preço mais baixo. sendo a quantidade de um bem ou serviço qualquer que está disposto a ofertar de acordo com o preço em um dado momento. O preço mais baixo pode desestimular a produção. O gráfico da oferta possui uma inclinação crescente ou positiva. deixando de ofertar seu produto. Um aumento dos preços aumenta a quantidade ofertada e uma diminuição dos preços diminui a quantidade ofertada.

nos dois últimos tópicos. a priori. consoante o ponto de vista de um mercado livre e com ampla concorrência. que permanecerá estável. como se comportam. isoladamente. De fato.00 4. onde há um destaque para a formação de um ponto de equilíbrio.3 A formação do mercado O encontro entre a Oferta e a Demanda Vimos. consumidores e produtores trabalham em sentidos opostos em relação às mudanças nos preços.00 5. um preço de equilíbrio será atingido naturalmente.2. PREÇOS (R$) 2.3. Perece impossível a interação da Demanda com a Oferta. Agora. possibilitando destarte a igualdade entre as quantidades demandadas e as quantidades ofertadas.00 6. Vejamos a tabela e o gráfico da união entre a Demanda e a Oferta. satisfazendo tanto o produtor quanto o consumidor. Mas.00 8.00 QUANTIDADES QUANTIDADES DEMANDADAS OFERTADAS (kg) (kg) 80 20 60 40 equilíbrio 50 equilíbrio 50 40 60 20 80 GRÁFICO 5 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 . perceberemos que o encontro entre as duas forças formam os mercados. a Demanda e a Oferta em relação às variações dos preços.

00. a diminuição dos preços.PREÇOS (R$) OFERTA 8 EXCESSO 6 5 4 2 ESCASSEZ PONTO DE EQULÍBRIO DEMANDA 20 40 50 60 80 QUANTIDADES (kg) O pressuposto básico na formação de um mercado é o confronto entre a oferta e a demanda e. abaixo dos de equilíbrio. O estoque obrigará os produtores a baixarem seus preços.00: a quantidade demandada será de 20 kg e a ofertada de 80 kg. Ao contrário. Mas. tudo que for produzido será consumido. voltando ao preço e quantidade de equilíbrio. as quantidades demandadas e ofertadas serão as mesmas – 50 kg. ao preço de R$ 2. pressionando os preços para cima. para a produção ser escoada. Por exemplo. acarretando excesso de bens ou serviços. haverá grande procura pelos consumidores por aquele produto escasso. Observa-se que.00. Vejamos por quê: Ao preço de R$5. Assim. em um mercado de ampla concorrência. o que acontecerá com este mercado caso haja variações nos preços? Supondo um aumento para R$ 8. provocará escassez de bens e serviços. com o aumento dos preços. retornando ao preço e a quantidade de equilíbrio. o aparecimento do ponto de equilíbrio estável. a quantidade demandada será 80 kg e a ofertada 20 kg. SIMPLIFICANDO INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 . Com a quantidade demandada maior que a ofertada. a produção ficou maior que o consumo.

Gráfico da Demanda Preço ↑ Preço ↓ Quantidade ↓ Inversamente proporcionais (Inclinação negativa) Quantidade ↑ Gráfico da Oferta Preço ↑ Preço ↓ Quantidade ↑ Diretamente proporcionais (Inclinação positiva) Quantidade ↓ Interação entre a Demanda e a Oferta Foramção do Mercado Preço de equilíbrio Quantidade ofertada = Quantidade demandada Preço acima do equilíbrio Quantidade ofertada > Quantidade demandada = Excesso Preço abaixo do equilíbrio Quantidade ofertada < Quantidade demandada = Escassez 3.2.4 A Variação Percentual da Quantidade Demandada em Relação à Variação Percentual dos Preços. as variações percentuais dos preços e das quantidades podem ser divergentes. Mas será que a majoração dos preços causa uma idêntica reação nas quantidade? Será. que uma diminuição da 10% nos preços ocasiona uma subida de 10% nas quantidades? Nem sempre. Então. por exemplo. Elasticidade-Preço da Demanda Já é do nosso conhecimento que a progressão dos preços resulta na deterioração nas quantidades demandadas. Dependendo do produto avaliado. São essas modificações percentuais que chamaremos de Elasticidade. a Elasticidade nos dá a INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 .

utilizaremos um simples cálculo. Para calcular a Elasticidade-preço da Demanda. falaremos em bem ou serviço Unitário. sendo : Ed = Elasticidade – Preço Demanda ∆P% ∆Q% = Variação percentual das quantidades ∆P% = Variação percentual dos preços A fórmula representa a divisão entre a variação percentual da quantidade demandada e a variação percentual dos preços. diremos que este bem ou serviço é Elástico. Vejamos a fórmula: Ed = ∆Q% . Contrariamente. cujo resultado nos dará o coeficiente de elasticidade.capacidade de avaliar como a Demanda por um bem ou serviço comportou-se com a alteração dos preços. diremos que este bem ou serviço é Inelástico. a transformação percentual dos preços sendo equivalente às mudanças percentual das quantidades. Isto ocorrendo. Uma pequena transformação nos preços pode ocasionar grande variação na quantidade demandada. Ou ainda. O coeficiente é maior que 1: O coeficiente é menor que 1: O coeficiente é igual a 1: Elástico Inelástico Unitário (Ed > 1) (Ed < 1) (Ed = 1) Bens ou Serviços Elástico INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 . uma grande variação nos preços ocasionando uma pequena modificação nas quantidades.

Bens ou Serviços Inelásticos INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 . entende-se que menor é a sua utilidade. Mas.0 0 ∆P% 3. pois sua receita será comprometida diante da queda expressiva nas quantidades demandadas. os produtos que pertencem aos mercados de ampla concorrência são bastante elásticos.GRÁFICO 6 PREÇO S (R$) 9. os empresários que ofertam bens e serviços elásticos terão prejuízos ao aumentarem os preços. De uma forma geral. é possível notar que a variação da quantidade demandada foi maior que a variação dos preços. Os bens que possuem uma elevada elasticidade são aqueles que podem ser substituídos facilmente por outros bens.0 0 A 6. Conclusão: Quanto mais elástica for a demanda por um bem ou um serviço. Portanto. através da simples visualização gráfica.0 0 B Ed = ∆Q% ∆P% Ed = 200% 50% Ed = 4 Ed > 1 → Elástico 10 0 300 30 600 0 ∆Q% 900 90 110 0 QUANTIDADE 0 S (kg) Podemos ressaltar que os dois pontos (A e B) do gráfico representam a Demanda por um bem ou serviço Elástico porque o coeficiente é maior que 1.

0 0 6. Geralmente produtos inelásticos fazem parte dos mercados menos competitivos.0 25.0 3. percebe-se nitidamente que a variação da quantidade demandada foi menor que a variação dos preços.0 0 0. Conclusão: É possível afirmar que uma demanda inelástica representa produtos necessários.0 0 10.Gráfico 7 PREÇO 35. Bens ou Serviços Unitários GRÁFICO 8 INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 .75 Ed < 1 →Inelástico ∆P% 0 300 20 600 40 0 0 900 60 0 ∆Q% 80 100 0 QUANTIDADE 0 S (kg) O resultado do coeficiente de elasticidade foi menor que 1. de poucos substitutos e de muita utilidade à sociedade.00 15. Através do gráfico.6% Ed ≈ 0.00 0 5.0 S 0 (R$)30. portanto os dois pontos (D e C) representam uma demanda inelástica.00 0 20. pois a decisão em ampliar os preços pode redundar em maiores lucros aos produtores.0 9.0 0 0 D C Ed = ∆Q% ∆P% Ed = 50% 66.

Observação 1: Como já tivemos oportunidade de conferir. 3.0 3. a modificação percentual das quantidades foram as mesmas dos preços. Demanda Inelástica : A curva tende a ficar perpendicular ao eixo dos “x”. a demanda por este bem ou serviço será unitária. ou seja.0 0 10.0 0 6. uma queda nos preços (ação negativa) provoca um aumento nas quantidades (reação positiva) e vice-versa.PREÇO 35.5 A Variação Percentual da Quantidade Ofertada em Relação à Variação Percentual dos Preços. portanto o coeficiente de elasticidade-preço da demanda seria negativo.0 (R$)9.00 0 25.0 0 15.0 0 E F Ed = Ed = ∆P% Ed = Ed = 0 300 20 0 600 900 40 60 0 0 ∆Q% 80 100 0 QUANTIDADE 0 S (kg) Quando o cálculo do coeficiente da elasticidade for igual a 1.0 0 5. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 .00 0 0. Mas.00 20. o sinal será desconsiderado.0 S 0 30.2. para a nossa análise. Observação 2: Demanda Elástica : A curva tende a ficar paralela com o eixo dos “x”.

matéria prima. É importante frisar que os fatores de produção (mão-de-obra. Fórmula: Eo = ∆Q% .Elasticidade-Preço da Oferta A idéia é a mesma da elasticidade da Demanda. A fórmula para calcular o coeficiente da elasticidade da Oferta é a mesma utilizada na Demanda. A Oferta demonstra como reagem os produtores de bens e serviços diante das alterações dos preços. sendo : Ed = Elasticidade – Preço da Oferta ∆P% ∆Q% = Variação percentual da quantidade ofertada ∆P% = Variação percentual do preço Lembrando que: O coeficiente é maior que 1: Elástico (Eo > 1) O coeficiente é menor que 1: Inelástico (Eo < 1) O coeficiente é igual a 1: Unitário (Eo = 1) INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 3 . máquinas e equipamentos) são imprescindíveis a esta análise. A diferença recai sobre as variáveis que determinam o seu grau.

máquinas e equipamentos) são importantíssimos para determinarem o grau de elasticidade.00 15.0 0 20. que exemplificaremos a seguir: INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 .Bens e Serviços Elásticos GRÁFICO 9 PREÇ 35. possivelmente sua produção não corresponderá ao aumento observado aos níveis dos preços. com recursos 0 produtivos disponíveis.0 0 5. no gráfico acima. 60 quantidades ofertadas mudem as 80 progressivamente. No entanto.0 desses recursos. matéria-prima.0 O (R$) 0 9.0 Espera-se0 que.0 0 Eo = ∆Q% ∆P% Eo = 200% 100% Eo = 2 Eo > 1 → Elástico ∆Q % 0 40 300 0 60 0 900 80 0 QUANTIDADES (kg) 100 0 A oferta desse bem ou serviço. maior será a elasticidade-preço da oferta.0 0 0.0 0 6.0 0 10. é Elástica. Quanto maior a disponibilidade 5.0 com a 20 elevação dos preços.00 ∆P % 25. Os fatores de produção (mão-de-obra.0 se o produtor não 0 estiver preparado. estabelecendo uma oferta Inelástica. 0 0. Significa dizer: um pequeno aumento nos preços estimula o produtor a ofertar uma quantidade mais que proporcional ao aumento verificado nesta variável.

0 0 5. sua decisão em investir mais na produção levará tempo. a oferta desse bem ou serviço é Inelástica. em conseqüência do modesto estoque de recursos produtivos. O produtor estava despreparado para esta brusca subida dos preços. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 .0 0 9.0 PREÇ 0 O (R$) ∆P % 25.0 0 15. o comportamento dos empresários tende a compartilhar com o conceito da oferta inelástica. o aumento percentual nos preços não estimulou um aumento significativo nas quantidades ofertadas. principalmente. os empresários irão preferir obter uma maior margem de lucro.0 3. Em princípio. Quanto maior o estoque desses recursos. já garantida com a elevação dos preços. pois esses comumente não estocam recursos produtivos e.0 0 Eo = ∆Q% ∆P% Eo = 100% 200% Eo = 0. maior a elasticidade e quanto menor o estoque.00 20. Na prática.00 0 0. tornando a reação das quantidades ofertadas menores que as dos preços. Neste caso. Conclusão: Em síntese.00 0 10. a oferta elástica ou inelástica dependerá da disponibilidade dos recursos produtivos.0 6.Bens ou Serviços Inelásticos GRÁFICO 10 35. mais inelástica se tornará a curva da oferta.5 Eo < 1 → Inelástico 0 300 40 0 ∆Q % 600 QUANTIDADES (kg) Quando o resultado do coeficiente é menor que 1.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 .0 O (R$) 0 9.00 15.0 ∆P % 0 20.00 25.0 0 3. Observação 4: Tanto na Demanda quanto na Oferta pode haver coeficientes de elasticidade assimétricos ao longo de suas curvas.Bens ou Serviços Unitários GRÁFICO 11 PREÇ 35. Oferta Inelástica: A curva tende a ficar perpendicular ao eixo dos “x”.00 5.0 0 6.0 0 10. Observação 3: Oferta Elástica: A curva tende a ficar paralela ao eixo dos “x”.0 0 Eo = ∆Q% ∆P% Eo = 200% 200% Eo = 1 Eo = 1 → Unitário 0 40 0 360 6 1000 0 ∆Q % 809 0 QUANTIDADES (kg) Oferta Unitária é aquela em que a modificação percentual dos preços e a modificação percentual das quantidades são simétricas.0 0 0.

sendo o mercado livre. determinar níveis de preços que lhes proporcionem margens crescentes de lucro. São exemplos de oligopólios no Brasil: as indústrias de cimento e as companhias de transportes aéreos.3. o preço ideal. desde que não haja a interferência do Estado na economia. objetivando a manutenção das margens de lucro. monopólios e de concorrência monopolística. e no mundo: as indústrias automobilísticas e as de computadores.3 As Imperfeições dos Mercados Durante nosso estudo. podem entrar em acordo nos preços. No entanto. nos mercados formados por oligopólios ocorre geralmente o contrário: há uma tendência de subida de preços. o livre mercado gerou muitos problemas quanto ao seu funcionamento. O primeiro deles concerne ao próprio homem que. temporariamente. fixam seus preços. no intuito de eliminar as empresas remanescentes. por si sós. muito abaixo aos do mercado. Espera-se que a queda das vendas faça os preços despencarem. A união das empresas para determinarem preços elevados e únicos é conhecida como Cartel. superestimado por seus idealizadores. O segundo deles mostra que os mercados. relatamos que o encontro entre a oferta e a demanda gera o mercado e. O ingresso de novas empresas neste tipo de mercado é extremamente dificultoso. conseqüentemente. para impossibilitar o seu aviltamento. não são capazes de solucionar os problemas sociais gerados pelo desemprego da mão-de-obra. tanto para os vendedores como para os compradores. Lembramos que a teoria supracitada só é possível manifestar-se nos mercados de ampla concorrência. fato que ocorrerá naturalmente. pois percebendo ameaças de alguma concorrente. 3.1 Mercado de Oligopólios É representado por um número reduzido de grandes empresas. na busca por maiores ganhos tenta eliminar ⎯ e na maioria das vezes com êxito ⎯ os possíveis concorrentes formando com isso os mercados de oligopólios. capazes de dominar o mercado e conseqüentemente. Essa ação ⎯ de colocar preços de custo nos bens e serviços para desestruturar a concorrência ⎯ é conhecida como Dumping. Uma vez que a “lei natural” ou a “mão-invisível” ⎯ denominações utilizadas para representar as forças que iriam atuar nos mercados ⎯ não foram suficientes para manter o equilíbrio e promover o desenvolvimento econômico contínuo. As empresas. nos mercados oligopolizados. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 .3.

2 Mercado de Monopólios O monopólio é o domínio de todo o mercado por uma única empresa que oferta um produto sem similares. tais como: extração de petróleo.3. apresentação.3. pousadas e hotéis. 3. é necessário a produção de um bem ou serviço sem substitutos.3.3 Concorrência Monopolística A concorrência monopolística parece-nos aglutinar dois tipos antagônicos de mercados:o de ampla concorrência e o monopólio. certamente não teríamos condições de exemplificá-lo. a concorrência monopolística possui traços que permeiam esses dois mercados. tinha como função principal a exploração de metais preciosos conseguidos em colônias descobertas pelas grandes navegações. tornando-a a mais utilizada na prática. embalagem. Na verdade. as empresas procuram diferenciar seu produto através da marca. Dentro deste mercado. a intervenção do Estado era INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 . A aceitação da inserção ou não do Estado no planejamento da vida econômica foi modificada de período em período: o Mercantilismo. serão considerados monopólios as grandes empresas que dominam determinadas áreas através da formação de cartéis ou empresas estatais que têm exclusividade na prestação de determinados serviços. cada qual com características próprias. É considerada concorrência monopolística o mercado onde se encontra um grande número de empresas de médio porte. 3. A dicotomia Estado versus Mercado vem rendendo modelos e mais modelos econômicos. Se levássemos a definição de monopólio ao pé da letra. Na realidade. restaurantes. O monopólio é o oposto de um mercado de ampla concorrência. Naquela época. São exemplos de produtos que fazem parte deste mercado: padarias.4 O Estado e o Mercado Não é de hoje que existe a polêmica entre essas duas facções ideológicas. porém sem serem substitutos perfeitos. questionando qual das duas deve assumir o papel principal na condução das ações necessárias a manter a solidez de uma nação. farmácias dentre outros. A priori. tentando empregar o melhor método para administrar os recursos escassos e promover o bem-estar da sociedade. utilizando a propaganda para estabelecer um vínculo com determinado perfil de consumidor. alguns itens da composição etc. que produzem ou comercializam o mesmo bem. que predominou nos séculos XVI e XVIII.

extremamente necessária. A centralização do poder serviria para regular o comércio exterior, criando leis que beneficiassem a burguesia comercial. Com os ganhos obtidos no mercantilismo, através da acumulação de metais preciosos, surgiria uma nova classe dominante: a capitalista. Essa nova classe organizou a chamada Revolução Industrial, cujo respaldo teórico seria dado pela escola clássica. A tônica dessa nova sociedade seria o liberalismo. Não admitia, de forma alguma, o intervencionismo estatal; o mercado devia agir livremente. A Economia seria regulada pela “Mão-Invisível”, encontrando espontaneamente seu equilíbrio e o próprio desenvolvimento. Mas, em 1929, a conhecida “Grande Depressão” (desequilíbrio econômico iniciado nos Estados Unidos e, depois, espalhado por toda a Europa) mostrou as falhas do livre mercado. A regulagem automática da Economia não ocorreu. Problemas como: excesso de produção, falências de indústrias e bancos, a crise no setor agrícola e o altíssimo índice de desemprego contribuíram para o enfraquecimento da concepção liberal. A depressão deu fôlego para o surgimento de um novo modelo econômico, baseado nos postulados de John M. Keynes (1883 - 1946), o Keynesianismo. A intervenção do Estado volta a ser necessária. O governo, através dos financiamentos e da redução da taxa de juros, propiciou o aquecimento da Economia, tornando-se o motor propulsor do desenvolvimento. No final do nosso século, a política econômica volta a basear-se no mercado, tornando-a incentivadora do desenvolvimento econômico.

FASES Mercantilismo Revolução Industrial Década de 30 Final do século XX

ESTIMULADOR DA ECONOMIA Estado Mercado Estado Mercado

A política “neoliberal” ⎯ rotulação dada aos economistas defensores da utilização dos mecanismos mercadológicos para o crescimento da Economia ⎯ surge, atualmente, como a “solução” para os países subdesenvolvidos equacionarem as distorções econômicas e sociais. Essa política foi sugestionada por nações consideradas ricas, e consiste, basicamente, na aplicação de três metas a citar: 1. Diminuição dos gastos públicos, ou seja, promover o “enxugamento” do Estado através da redução dos investimentos e o corte na folha de pagamento. 2. Política de juros altos, para eliminar o excesso de liquidez, ou seja, diminuir a quantidade de dinheiro no mercado, reduzindo, conseqüentemente, a demanda por bens e serviços e, também, estimular o ingresso de dólares especulativos, que servem de lastro (alicerce) às moedas em circulação, principalmente, de alguns países da América Latina,

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inclusive o Brasil. Desestimula os investimentos, endividando parte dos empresários, agricultores e pessoas físicas, colocando a Economia desses países em perigo eminente de recessão. 3. É, como última meta, as vendas de empresas estatais à iniciativa privada, processo conhecido como privatizações. Todas essas medidas servem para manter o controle inflacionário e o enfraquecimento do Estado, ampliando o poderio econômico das entidades privadas, no intuito de estruturar os países subdesenvolvidos para o processo de globalização da economia (ler tópico 8.6), que será a utilização do mundo como mercado unificado. As medidas extremistas são sempre preocupantes e dão margem para dúvidas quanto ao futuro. Será que o mercado terá condições de arcar com a responsabilidade de impulsionar e manter a sustentabilidade das economias dos países em desenvolvimento? E o desemprego? Certamente, a exclusão do Estado poderá trazer sérias conseqüências. Não podemos confundir reorganização administrativa do Estado com o seu desmonte. A eficiência econômica não retrata eficiência social. Mais do que nunca, haverá a necessidade dos governos ⎯ mesmo que enfraquecidos economicamente ⎯ viabilizarem ações sociais compensatórias, com a colaboração das próprias empresas, capazes de minimizar as tensões sociais que tenderão a se agravar, em conseqüência do desmoronamento das instituições governamentais.

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4. ENTENDENDO A PRODUÇÃO Quando falamos em produção, vem à mente a fabricação de um bem material concreto que servirá para o consumo direto da população. Se nos restringirmos a este conceito, estaremos incidindo em grave erro, pois prestar um serviço também é produzir: a aula de um professor, o trabalho de um cabeleireiro, as tarefas executadas por uma empregada doméstica, as atividades dos vendedores, a consulta de um médico, a arte de um músico etc., são exemplos cabais de produção, portanto fazem parte do sistema produtivo. Nem sempre a produção final de um bem ou serviço servirá para satisfazer os desejos de consumo da sociedade, uma vez que parte dela será aproveitada para complementar a produção de outros bens e serviços. O sistema produtivo é constituído por um conjunto de recursos imprescindíveis à produção. São eles : • mão-de-obra; • capital (máquinas e equipamentos); • recursos naturais e matéria-prima; • processo tecnológico; • dinamismo empresarial. Assim, gerar bens e serviços, mediante a combinação eficiente dos recursos de produção citados acima, resultará na produção, que será destinada para o consumo da população ou para realimentar o sistema produtivo. O sistema produtivo é composto pelos itens abaixo definidos: • Mão-de-obra - É o trabalho humano, maias especificamente, a parcela da população que prestará seus serviços ao sistema produtivo em troca de remuneração (salário) que, posteriormente, será utilizada, integral ou parcialmente, na aquisição dos bens e serviços produzidos. • Capital - São as máquinas, os equipamentos, as instalações e os próprios prédios onde será executada a produção. Portanto, capital são os instrumentos utilizados pela mãode-obra para realizar suas tarefas. No âmbito governamental, os recursos de capital consistem em: ferrovias, hidrovias, hidrelétricas, estradas etc. que permitem medir o grau de desenvolvimento de um país, pois quanto maior for a disponibilidade desses recursos, maior será a possibilidade de desenvolvimento deste país. • Recursos Naturais e matéria-prima - Os recursos naturais representam os produtos encontrados na natureza, mas que não foram ainda explorados: jazidas, cursos d’água, a terra, a fauna e a flora. A matéria-prima são os recursos naturais depois de

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Os bens de consumo podem ser duráveis ou não duráveis. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 . Seu objetivo é complementar. • Dinamismo empresarial . fábricas. máquinas de lavar roupas.explorados ou produtos intermediários que retornaram ao sistema produtivo para serem aproveitados na fabricação de outros produtos. Bens de Capital . Os não duráveis são bens com vida útil curta.São produtos que servirão para a produção de outros produtos.É o local onde serão transformadas as matérias-primas. Secundário e Terciário. Bens de Capital e Bens Intermediários.).Representa as unidades de produção voltadas para a agricultura.Já sabemos que o capital é um dos fatores que compõe os recursos de produção. fazendas . Bens e Serviços para Consumo ..É formado pelas prestadoras de serviços. os hospitais. Setor Primário . produzindo bens e serviços que atendam as necessidades de consumo. Seu objetivo é estimular o segmento humano do sistema produtivo. Setor Secundário . por exemplo. bicicletas etc. Para tanto. é necessário produzir bens de capital (máquinas. serão distribuídas por 3 (três) setores: Primário. siderúrgicas. sejam elas do Estado ou da iniciativa privada. pecuária e o extrativismo. Unidades de produção: as empresas. indústrias. ou seja. servindo de matéria-prima na formação de outro produto. automóveis.. equipamentos etc. os transportes etc. • Processo tecnológico .É o agente empreendedor. Os bens duráveis são aqueles cuja vida útil é prolongada: televisores. A combinação dos recursos de produção ⎯ realizada por qualquer unidade de produção. é o local onde serão agrupados os recursos de produção.. Representa a oferta de bens e serviços. com vistas a obter ganhos de produtividade. Esse fator deprecia-se com o passar do tempo.São aqueles voltados para atenderem às necessidades da população. em qualquer setor. e independente de ser ela executada pelo mercado ou pelo Estado ⎯ dará origem à produção de bens e serviços assim classificados: Bens e Serviços para Consumo. as siderúrgicas etc. devendo retornar às unidades de produção. sua capacidade de inovar e de aprender continuamente determinam o futuro do sistema produtivo. Setor Terciário . as escolas. Bens Intermediários . sendo necessário repô-los para manter contínuo o fluxo de produção.Sua função é racionalizar o uso do capital e aprimorar a qualidade da mão-de-obra. destinados a retornar ao sistema produtivo para assegurar a sua manutenção e a qualidade do produto. as fábricas. entre elas: o comércio. são as indústrias. os alimentos. As empresas. os bancos.

cada um desempenhando seu papel e tentando alcançar um denominador comum: a produção. Ressalvando que todos os recursos são fundamentais. PRODUTO O sistema produtivo torna-se mais eficiente com a utilização mais adequada dos recursos de produção. quando utilizado por um taxista. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 4 .Exemplo: MATÉRIAUNIDADES PRIMA DE PRODUÇÃO INDÚSTRIA ____ MINERADORA TIPO DO BEM MINÉRIO DE INTE FERRO RME DIÁ RIO INDÚSTRIA MINÉRIO DE AÇO PLANO INTE SIDERÚRGICA RME FERRO DIÁ RIO INDÚSTRIA AÇO PLANO CHASSI INTE DE PEÇAS RME DIÁ RIO MONTADORA CHASSI VEÍCULO CON DE VEÍCULOS SUM O* * O veículo é um bem de capital. a má utilização de alguns dos fatores de produção comprometerá o sistema como um todo. Logo.

O Fluxo do Sistema Produtivo SALÁRIO LUCRO DEMANDA POR BENS E SERVIÇOS MERCADO OFERTA DE BENS E SERVIÇOS MÃO-DE-OBRA CAPITAL RECURSOS NATURAIS OU MATÉRIA PRIMA O PROCESSO TECNOLÓGICO O DINAMISMO EMPRESARIAL UNIDADES DE PRODUÇÃO SETOR PRIMÁRIO SETOR TERCIÁRIO SETOR SECUNDÁRIO PRODUÇÃO BENS E SERVIÇOS DE CONSUMO BENS E SERVIÇOS INTERMEDIÁRIOS BENS DE CAPITAL DURÁVEIS NÃO DURÁVEIS INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 .

Diretoria de Pesquisas e Coordenação de Contas Nacionais. de cortes de cabelos. É importante destacar que só são considerados para efeito de cálculo do PIB.691. portanto 2004.2 8. que tenta expressar em números o total das diversas atividades econômicas como a produção: de automóveis.4. O PIB Per Capita (por cabeça) representa o valor do PIB dividido pela população. quanto maior o volume de bens e serviços novos produzidos. O PIB também serve para analisar e comparar o tamanho das economias entre países e.7 1. Tabela 4 – BRASIL: Produto Interno Bruto (preço de mercado).491.948 1.699. pois. maior será o tamanho de uma economia.822 1. Entendendo o PIB O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de tudo que se produziu durante um ano em um determinado país. de casas.7 10.497.3 2. em relação ao ano anterior. de serviços médicos entre outros. durante o ano em análise. principalmente. se possível. independente da nacionalidade da empresa.477.1 9. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 .886. possibilita uma dimensão mais adequada da participação de cada indivíduo no PIB do país.482 1.000. percentualmente. Taxa de Crescimento do PIB e PIB Per Capita– 2000/2005 – Em R$1. Em última estância. extraindo daí obviamente o reajuste dos preços provocado pela inflação.378. Assim. Assim. É um levantamento de informações extremamente complexo.000 TAXA DE CRESCIMENTO Variação real anual (%) 4.1. representa uma grande preocupação. No Brasil seu cálculo é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).1 5.9 Fonte: IBGE. por exemplo. para verificar seu desempenho em relação aos anos anteriores. que leva em consideração os preços dos bens e serviços vendidos aos consumidores finais – preços correntes. A queda do PIB em comparação ao ano anterior ou mesmo o baixo crescimento deste.941. em 2004 e vendido em 2005. crescente.944 6.147. será considerado o valor do veículo no ano da sua fabricação. Portanto.3 1.9 ANO PIB PIB PER CAPITA 2000 2001 2002 2003 2004 2005 1.498 2. significa que o país em análise teve uma redução na produção de bens e serviços ou o crescimento está sendo insatisfatório.302. esse bem contribuiu para o PIB de 2004.136 1. aqueles bens e serviços produzidos no território nacional. Quando falamos que um país está em crescimento. essa diminuição ou fraco desempenho podem representar uma redução nas oportunidades de empregos e queda da renda da população. se um automóvel foi produzido.9 11. de alimentos.3 7.179. Esperasse que o crescimento do PIB permaneça constante e.661.7 2. estamos na verdade comparando o quanto o PIB cresceu.

como o primário e. Quando dividimos o valor do PIB com a população de cada ano. Os países subdesenvolvidos ⎯ entre eles o Brasil ⎯ podem estimular esses setores. tanto nos países desenvolvidos. Com o passar do tempo. tenderá a aumentar nas próximas décadas. 4. aumentar os lucros. em conseqüência do aumento da robotização dos meios de produção: “o desemprego tecnológico”. Keynes. o terciário. nos países em desenvolvimento. apesar do aparente bom desempenho. novas técnicas irão surgir. Um Grande Problema Contemporâneo: O Desemprego Tecnológico John M. formando uma classe de excluídos ⎯. concentrada. sem dúvida. com números instáveis e ainda muito aquém do seu potencial. também. as micro e pequenas empresas etc. como. O setor de serviços requer menores investimentos em tecnologia: os transportes. primordiais em qualquer programa que vise equacionar o problema do desemprego. essa grande massa de desempregados. principalmente. reduzir os custos e. Porém. Na busca do aperfeiçoamento do sistema produtivo: melhorar a eficiência das máquinas e dos equipamentos.2. são.pessoas que ficarão à margem dos grupos sociais e tenderão a integrar subgrupos que para sobreviver serão obrigados a utilizar práticas ilegais ⎯ os marginais. temos que ter um cuidado ao discutir esses números. pouco se pode dizer de fato em relação à melhoria de vida dos brasileiros. Indubitavelmente. pois os frutos da expansão da produção podem não estar sendo dividido de forma eqüitativa. caso não seja tomada nenhuma medida compensatória para minimizar os reflexos da informatização crescente dos meios de produção. nota-se que de 2000 a 2005 o Brasil cresceu. Portanto. o avanço tecnológico progredirá de forma espontânea. reduzindo a oferta de empregos. principalmente. vivendo em condições subumanas. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . nos grandes centros urbanos. A mecanização dos meios de produção vem. esse indicador mostrou-se ascendente no Brasil. declarava nos seus escritos que seria imposto um grande empecilho à sociedade. na década de 30. porém. consequentemente. progressivamente. frente a desigual e histórica concentração de renda.7%.Ao analisarmos a tabela com os números do PIB do Brasil. Mas a preocupação maior concerne às suas conseqüências socioeconômicas. temos o PIB Per Capita. objetivando a geração de empregos. facilitando nossas atividades cotidianas. vítimas da fome e da miséria. Apenas de 2003 para 2004 o Brasil experimentou um crescimento mais expressivo: 5. dinamizar o trabalho humano e aumentar a capacidade de exploração dos recursos naturais ⎯ surgiram novas técnicas capazes de incrementar. o turismo. O enorme desafio para os cientistas ⎯ principalmente os da área social ⎯ é apresentar soluções que incentivem a utilização da mão-de-obra ociosa em outros setores da Economia.

O que deve haver são programas específicos As políticas agrárias. mas. com o intuito de complementar a renda familiar. são obrigadas a ir para a sofrida vida nas ruas. possibilitará o retorno do homem ao campo. portanto. embasada em um suporte técnico correto. não sendo permitido a elas uma formação educacional adequada. se não de muita riqueza material. para pedir esmolas ou executar trabalho braçal. a propagação do número de indigentes. O programa Bolsa-Família implantado pelo Governo Federal mostra-se eficiente nos resultados sociais. que possa dar a todos os membros condições indispensáveis para assegurarem sua sobrevivência. Com a limitação da oferta de empregos. quanto mais estorvos houver na realização desses programas. Algumas medidas supracitadas têm um caráter urgentíssimo. diminuindo o contingente populacional dos grandes centros urbanos. destinadas a estimular o retorno do homem ao campo ⎯ promovendo o que podemos chamar de êxodo urbano ⎯ fazem-se necessárias. o trabalho infantil e o da educação de jovens. mas existem soluções. Uma redistribuição de terras de forma mais equilibrada. destarte. podendo aliviar três grandes problemas: de imediato a fome e a médio e longo prazo. os pais encaminham seus filhos às ruas.Os altos índices de desemprego estimulam o aquecimento da Economia informal. já que o subemprego serve como catalisador. Dessa forma. cujos efeitos positivos só serão sentidos após alguns anos de sua implantação. desde que haja políticas públicas claras e com continuidade para dirimi-los. Portanto. pelos menos. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . amenizando os seus efeitos negativos. deve-se intensificar o planejamento familiar. paralisando. as pessoas que ingressam neste tipo de mercado não devem ser hostilizadas. crianças que deveriam estar na escola. possibilitando o acesso da população mais carente a métodos contraceptivos. incentivando o processo de interiorização. Paralelamente. perante a péssima distribuição das terras. Os problemas gerados pelo desemprego são dramáticos. mais tempo demoraremos para alcançar uma sociedade.

ENTENDENDO O SISTEMA FINANCEIRO E A POLÍTICA ECONÔMICA Todos desejamos a moeda. que estamos superestimando o poder de desagregação atribuída à moeda. mantendo um baixo padrão de vida. estudaremos a sua origem..1 Como Surgiu a Moeda? Quando ainda não existia a moeda. o simples mecanismo de trocas tornou-se impraticável. Muitos estudiosos. Para melhor entendermos sua importância. aumentou consideravelmente o volume das transações. Sua importância leva os indivíduos a lutarem. gados. Algumas mercadorias. ou seja. enquanto que outros vêem nela a causa dos processos inflacionários. fumo. O fator capaz de distinguir socialmente os indivíduos. conchas. a falta de escrúpulo. assim. metais preciosos etc. em diversas épocas e culturas diferentes. Para tanto. entre a riqueza e a pobreza. Quem a detém em grande quantidade ganha “status”. objetivando sua acumulação. Por outro lado. com o fito de adquirir qualquer outro bem ou serviço oferecidos no mercado. Dessa forma. a ganância. A criação da moeda decorreu da intensificação do comércio. chegaram à conclusão que a moeda torna os homens ambiciosos e individualistas. o produtor de batatas que desejasse um par de ferraduras teria que encontrar um ferreiro desejoso de adquirir batatas. Com o desenvolvimento do comércio. por INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . com mais conforto. a simplicidade no manuseio e sua relevância no contexto econômico. Perceberemos.. assim. quem a ela não tem acesso empobrece. uns com mais intensidade outros com menos. por sua vez. são características inerentes ao nosso ser. notaremos. Excetuando o processo inflacionário. Apareceram. 5. era preciso determinar os valores: Quantas batatas eram necessárias para obter o par de ferraduras? Esse período de trocas ficou conhecido como Economia de Escambo. no decorrer deste capítulo. necessitava de um meio que facilitasse os intercâmbios. agilizando a compra e venda dos produtos. sendo necessário encontrar meios que facilitassem o intercâmbio. portanto não podemos atribuir à moeda uma responsabilidade concernente a nossa idiossincrasia. observando o comportamento humano. Além disso.5. o que lhe possibilita um padrão de vida melhor. e chegando a afirmar que o mundo seria bem melhor se não existisse um sistema monetário e o mercado fosse baseado nas trocas ou simplesmente numa distribuição igualitária. quem desejasse obter algum produto teria que dispor de um objeto que pudesse utilizar na troca e encontrar um indivíduo ad hoc. é a moeda. seu desenvolvimento e sua perspectiva. permutava-se bens por bens. o mercado baseava-se nas trocas. Na nossa sociedade escravocrata. algumas mercadorias foram utilizadas como meio de troca. as Mercadorias-Moedas. foram aproveitadas como moedas: escravos. bens por serviços e serviços por serviços. Por exemplo. A ambição.. o qual.

qualquer bem ou serviço. Com a limadura. No Brasil. um recibo equivalente ao valor do metal depositado. no intuito de estabelecer notoriedade. os senhores de engenho utilizavam os escravos como moeda. dando início ao período da Moeda Metálica. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . Na tentativa de coibir as fraudes e manter a qualidade da moeda. dando origem ao papel-moeda. no intuito de receber uma quantia em ouro superior à quantia oferecida no início. Outro problema era a raspagem das moedas. os agentes econômicos são obrigados a aceitar a moeda oficial em circulação no país para as transações comerciais. Emitiam. sob forma de empréstimos. muitos governantes. Esse procedimento de responsabilidade das Casas de Custódias levou à criação dos primeiros Bancos. Munido de recibo. Como as cunhagens eram feitas em vários locais. Mas.exemplo. sendo utilizados como intermediários na compra e venda. Atualmente. as de maior relevância ⎯ e que merecem. Inegavelmente. o portador podia resgatar facilmente a quantidade de ouro ou prata estipulada. usando o escravo como intermediário. isto é. Deles originou-se a estrutura monetária que hoje conhecemos. de posse desse certificado. a moeda perdia peso e desvalorizava. Com o passar do tempo. em contrapartida. Por serem produtos escassos. podiam comercializar sem ter que utilizar os metais preciosos. assim. principalmente o ouro e a prata. bastavam alguns gramas para efetuar qualquer negócio. O ouro e a prata viabilizaram e dinamizaram a prática do comércio. num futuro próximo. as falsificações tornavam-se inevitáveis. De fato. lugar de destaque ⎯ são os metais preciosos. a moeda plástica dá mais segurança. portanto. contando com grande aceitação e credibilidade por parte da população. Os donos das Casas de Custódia perceberam que poderiam emitir uma quantidade maior desses papéis. dentre as mercadorias-moedas. A confiança nos papéis reduziu o uso dos metais preciosos. As pessoas. a emissão de papel-moeda não é mais realizada por particulares e não necessita de lastro em ouro. os papéis emitidos pelos donos das Casas de Custódia circulavam naturalmente. vinda de qualquer lugar. mesmo sem o lastro (garantia) do ouro. determinando a qualidade e estabelecendo o valor real do metal precioso. Com essa prática aumentou a quantidade de papel-moeda em circulação. Ao que tudo indica. A cunhagem do ouro e da prata representou um grande avanço. Qual o mecanismo que será utilizado no futuro para dinamizar ainda mais o comércio? Já estamos utilizando uma nova moeda à qual se dá o nome de moeda plástica ou cartões magnéticos. adquirindo. o Estado nomeou prepostos (Casas de Custódia) para controlar o seu uso: recebiam qualquer tipo de moeda. mandavam colocar suas efígies ou brasões nas moedas. pesavam-na. a única entidade responsável pela emissão de papel-moeda é a Casa da Moeda ⎯ autarquia incorporada ao Ministério da Fazenda. dinamismo e praticidade às relações comerciais. a moeda que hoje conhecemos tornar-se-á uma peça para numismatas ou museus. Sua fabricação é atribuição exclusiva do Estado e o curso é forçado. seu uso generalizou-se por toda a Europa.

Evolução histórica da moeda BENS E SERVIÇOS ECONOMIA DE BENS E SERVIÇOS BENS E SERVIÇOS BENS E SERVIÇOS MERCADORIA MOEDA MOEDA METÁLICA BENS E SERVIÇOS BENS E SERVIÇOS BENS E SERVIÇOS BENS E SERVIÇOS PAPEL MOEDA CARTÕES BENS E SERVIÇOS BENS E SERVIÇOS INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 .

. no seu uso diário. Essa insegurança. daí a segunda função da moeda: a de unidade de valor. caracterizou o banco do escocês John Law. porque a maioria dos papéis em INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 .3 O Aparecimento dos Bancos A criação dos bancos acompanhou o desenvolvimento histórico das moedas. Portanto. Se o comprador não pretender consumir nenhum produto em determinado momento. e esta é a terceira função da moeda: reserva de valor. se este bem ou serviço estiver dentro do Brasil. por sua vez. como John Law demonstrou em 1719. É importante frisar que. a primeira pergunta que vem à mente é se dispomos do valor suficiente para adquiri-lo. . o resultado poderia ser um dia terrível de juízo final . Como já mencionamos. surgindo a sua primeira função: um meio de troca. desencadearam-se crises cíclicas. O vendedor só nos fornecerá o bem ou serviço se tivermos dinheiro em troca. e que o comércio era realizado por intermédio desses papéis. especificando os valores que estavam sob sua guarda. prosperou e faliu.5. eram confiados aos ourives. por um motivo ou outro. . o seu preço estará representado pelo Real (R$). Caso todos os depositantes de um mesmo banco.2 As Funções da Moeda Compreendemos facilmente as funções das moedas. emitiam um recibo para o depositário. 1977: 31). que. → meio de troca → unidade de conta → reserva de valor As funções da Moeda 5. . sem serem resgatadas. no período da moeda metálica presenciou-se o início das atividades bancárias: o ouro e a prata. em uma Economia inflacionada. Essa fragilidade é condicionada por uma simples reação psicológica. Os parisienses nunca sentiram-se tão prósperos como naquele ano maravilhoso. E. por medidas de segurança e para manter sua qualidade. Uma vez que essas notas circulavam por muito tempo. retratada por Galbraith. tornando os bancos instáveis. podia estimular a indústria e o comércio e dar a quase todos um sentido agradável de bem-estar. com a introdução das atividades bancárias que se restringiam à proteção dos metais preciosos e de imprimir dinheiro. Em segundo lugar. a moeda atua como intermediário entre os vendedores e os compradores. sujeitos a falências repentinas. o valor da moeda diminuirá aos poucos e a terceira função enfraquecerá: ninguém guardará uma moeda que se desvalorize rapidamente. Galbraith os primeiros bancos eram entidades frágeis: “. poderá guardá-la para uso futuro. no ano de 1719.” (Galbraith. como também foi demonstrado por Law. Mas. Segundo John K. que. o milagre da criação da moeda por um banco. Quando desejamos adquirir algum produto. porque sentimos os seus efeitos na prática. solicitassem a troca dos recibos pelo ouro ou prata ⎯ o que de fato ocorreu com o banco de Law ⎯ obviamente não haveria condição de atender a todos. foi concedido aos primeiros bancos o direito de imprimir o papel-moeda.

que é o dinheiro depositado em conta corrente e será manuseado por cheques. Diremos excesso de liquidez quando há um volume de moeda acima do necessário para adquirir os bens e serviços produzidos na economia. É uma instituição que faz parte do Sistema Financeiro Nacional. encontravam-se nas mãos de terceiros sob a forma de empréstimos. b) da assistência financeira de liquidez e dos c) títulos da dívida pública. Para assegurar a manutenção do equilíbrio do estoque monetário e do câmbio. isto é. a quantidade de dinheiro em circulação. o Banco Central utilizará. cuja função é fiscalizar os demais bancos e instituições financeiras. Outra importante função do Banco Central é o controle ou monitorização da taxa de câmbio. independente do lastro em metais preciosos. por sua vez. seguros.4 O Banco Central e a Política Econômica Se fizermos um organograma. Torna-se mister o conhecimento de como o Banco Central poderá interferir no grau de liquidez da Economia através a) dos depósitos compulsórios. nos níveis de preços e na distribuição do produto e da renda. fenômeno que poderá ser acarretado pela inadequação da utilização dos meios de pagamento (papel-moeda). protege também a moeda nacional. dentre outras. o Banco Central ocupará o topo da pirâmide do sistema bancário. respectivamente. Isso gerou desconfiança no seio da população. em síntese. que. procurando frear sua desvalorização. os bancos não emitem mais dinheiro. mas continuam desempenhando um importante papel como integrantes das atividades econômicas de um país. uma das causas dos surtos inflacionários. linhas de crédito e financiamentos. Além de fiscalizar o sistema bancário. Através da 1) Política Monetária. o Banco Central determinará o nível de liquidez da Economia. o que precipitou a conseqüente desvalorização das cédulas por eles emitidas. 5. Atualmente. transferências. os bancos estabelecem a chamada Moeda Escritural. foram os Estados Unidos. são medidas tomadas pelo governo federal para influir no nível de atividade econômica. e escassez quando a quantidade de moeda é insuficiente para obter os bens e serviços produzidos. desempenham outras atividades. compra e venda de moedas estrangeiras. Além da função básica de guardar dinheiro e emprestar. planos de saúde e previdência. no comércio exterior.circulação não tinha em sua contrapartida metais preciosos (lastro). Esses dois importantes instrumentos fazem parte da chamada Política Econômica que. duas políticas: a 1) Política Monetária e a 2) Política Cambial. mediante o uso das contas bancárias. tais como: cobranças para terceiros. A sua presença como intermediários financeiros reduz a necessidade de utilização do dinheiro no mercado. com garantia oficial e curso forçado. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . O primeiro país a emitir papel-moeda. A instabilidade dos bancos levou os governos a emitir moedas. Neste sentido. pois não encontrara os metais preciosos que depositara no estabelecimento bancário.

um determinado banco privado ou público entregará uma porcentagem estipulada do dinheiro disponível. emprego e renda. representa a taxa básica de juros da economia e serve de referência para remuneração dos Títulos Públicos do Brasil e. ou seja. Taxa SELIC SELIC é a abreviatura de Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Isso refletirá no crédito pessoal. ter-se-á que aumentar a porcentagem dos depósitos compulsórios. Conforme a política monetária estabelecida. promovendo sua alta ou baixa de acordo com as necessidades da política econômica vigente no país. dando aos bancos a possibilidade de colocar uma quantidade maior de papel-moeda na Economia. destarte. a porcentagem dos depósitos compulsórios será diminuída. menos disponibilidade financeira terá os bancos e. Por outro lado. reduzindo. por exemplo) é bem superior à da SELIC. isso se deve ao fato do elevado spread bancário (lucro dos bancos) que é a diferença entre a taxa SELIC e as taxas de juros cobradas pelos bancos. Por sua vez. Geralmente as taxas de juros cobradas pelos bancos (no cheque especial e no crédito pessoal. a quantidade de moeda escritural. no final do expediente. Sendo assim. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 5 . determinar que um volume maior dos depósitos recebidos pelos bancos retornem ao Banco Central. com uma maior disponibilidade de recursos financeiros esses tendem a ser investidos em atividades produtivas que geram empregos e renda.Os a) Depósitos Compulsórios representam a parcela dos depósitos à vista recebidos pelos demais bancos do sistema e que deverá ser entregue ao Banco Central. Por isso. é competência. caso se queira diminuir o grau de liquidez da Economia. no cheque especial. o Governo Federal e o Banco Central tomam uma postura mais conservadora. que é o papel-moeda em poder dos bancos pertencentes à população. Com a queda da taxa SELIC haverá uma tendência em reduzir a atração dos aplicadores aos Títulos da Dívida Pública do Governo Federal. conseqüentemente. que o manterá sob sua guarda. as demais taxas de juros cobradas pelo mercado financeiro. Noutros termos. com a redução da taxa de depósito compulsório as linhas de créditos e os financiamentos tendem a ficar mais baratos. Analogamente. nos empréstimos de toda ordem e demais modalidades de financiamentos que ficarão mais caros para os consumidores e empresários. também. mais alta se tornará as taxas de juros cobradas no mercado. Essa diferença será ampliada. se a Economia estiver com escassez de liquidez. do Banco Central a fixação da taxa de juros. O Comitê de Política Monetária (COPOM) é o órgão do Banco Central cuja Diretoria se reúne mensalmente para estabelecer a taxa de juros SELIC. ao Banco Central. agora podemos ter uma compreensão melhor o porquê dos empresários do setor produtivo pressionarem o COPOM para reduzir mais expressivamente a taxa SELIC no Brasil. também. quão maior for a taxa do depósito compulsório. nos cartões de crédito. pois temem que tal atitude possa provocar um surto inflacionário em decorrência de uma maior oferta de crédito. o risco da inadimplência. os impostos cobrados ao sistema financeiro e o desejo dos bancos em realizar lucros mais expressivos. Quanto mais elevado a taxa do depósito compulsório.

reduz a disponibilização dos recursos financeiros. a cotação do dólar sobe. quando a política monetária é contracionista. o Banco Central eleva a taxa de assistência financeira de liquidez. consequentemente. quanto maior a taxa de juro cobrada aos bancos. Nesta condição. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 .b) Assistência Financeira de Liquidez: da mesma forma que os bancos emprestam dinheiro. Efeitos da Política Monetária na Atividade Econômica As elevadas taxas de juros são extremamente nocivas para a atividade produtiva de uma nação. Na política monetária expansionista. estes solicitam empréstimos ao Banco Central. o Banco Central. estimulando a troca de títulos públicos por dinheiro e a conseqüente evasão de divisas devido à conotação do risco ampliado neste mercado 1 . deteriorando a relação dívida/PIB. numa política monetária expansionista. seguindo a determinação da Política Econômica do governo. entre eles o Brasil. com objetivo de financiar o déficit público e ⎯ como instrumento de política monetária ⎯ controlar o volume de dinheiro. 1 O risco de se investir no país estão sendo avaliados pelas Credit Rating Agencies cuja função é montar parâmetros para classificação dos riscos. principalmente através da Bolsa de Valores. reduzindo os recursos monetários disponíveis na economia. A dívida do setor público sobe desmedidamente em relação ao PIB. pois o aumento dos juros reduz o nível de investimento na economia. Ao contrário. contraindo ainda mais o consumo das famílias e os investimentos empresariais. aumentando com isso o grau de liquidez da economia. a deterioração nos investimentos acarreta a redução da produção. Portanto. diminuindo o crédito. reduz-se a taxa de assistência financeira de liquidez. Neste caso. numa política monetária contracionista. o que poderia provocar o aumento de custos pelos insumos importados. Os c) Títulos Públicos são papéis emitidos pelo governo. compra títulos tornando-os menos atraentes pela redução dos juros. há outros impactos maléficos ressentidos no aumento da dívida pública em relação ao PIB: a elevação dos juros conduz à inusitada desconfiança dos investidores estrangeiros na capacidade de pagamento do país. Com isso. Tal fato amplia-se num constante ciclo de subida exagerada dos juros. barateia-se o crédito. Esse efeito dominó é bastante claro quando verificamos a dinâmica econômica de qualquer país que possui altas taxas de juros. pratica-se o oposto. pressionando os indicadores de inflação. aumentando a quantidade de dinheiro em circulação. mais caro tornam-se os empréstimos à população. Evidentemente. A Tabela 5 apresenta o alto grau de endividamento do setor público brasileiro ao longo da década de 90. Assim. o Banco Central vende títulos com ampliação da sua remuneração.

percebido em maior grau pelos agentes econômicos do setor produtivo e pelos trabalhadores.3 34. Numa perspectiva mais pragmática. A 2) Política Cambial visa interferir nos resultados das exportações e importações de mercadorias através da valorização ou desvalorização da moeda nacional frente ao dólar. a reinserção do Brasil no crédito internacional dependeu do grau de liberalização e do prêmio (taxa de juros) estabelecido para atrair e manter significativo volume de capital volátil 2 em nosso mercado.5 42.Razão da Dívida Líquida Total do Setor Público/PIB -% Brasil ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Fonte: Banco Central do Brasil RAZÃO 36. que permitiu investimentos estrangeiros na aquisição de instituições financeiras nacionais. 2 Utilizaremos as terminologias: capital volátil. principalmente. Para tanto foram utilizados todos os instrumentos necessários ao sucesso do objetivo almejado.8 28. os formuladores da política econômica brasileira concentram-se no objetivo que se pretende alcançar.Tabela 5 . capital especulativo. elevando o risco Brasil.7 39. com o indefectível séqüito de juros mais altos. Porém. a saber.2 32. capital de curto prazo e hot money como sinônimos.9 38.6 33. a política monetária recessiva (baseada nas altas taxas de juros) contribuiria para a nociva deterioração dívida pública/PIB. independente do custo de oportunidade do projeto. Assim.4 46. controle da inflação. à guisa de conclusão poderemos considerar que na década de 90 até os dias atuais os juros elevados estão cumprindo um papel fundamental para atração de dólares para nosso país e. na abertura do mercado bancário.9 49. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . principalmente. Assim como um conjunto de medidas consubstanciadas nas privatizações e.5 31.5 O aumento da dívida pública no Brasil decorrente do aumento dos juros é incontestável. que foi neste caso a desconstrução de um ambiente favorável ao crescimento. menos investimentos produtivos e menos empregos. via o desaquecimento da atividade produtiva. na manutenção do controle da inflação. Em suma.

Imposto Sobre Serviços – ISS entre tantos outros) possam equiparar com as diversas despesas do setor público (entre outras: pagamentos dos funcionários públicos e aposentados. Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana – IPTU. o câmbio valorizado. pois o Banco Central pode permitir ou incentivar a valorização cambial com o fito em reduzir os preços dos produtos e das matérias-primas importadas para baratear os custos das empresas locais e acirrar a concorrência interna. logística e financeira não estão dentro dos padrões internacionais. O aspecto negativo de tal escolha é dificultar a sobrevivência de empreendimentos brasileiros. também. Espera-se. conseqüentemente. No caso das Viagens Internacionais. os bens importados ficam mais caros. se o montante das INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . ao contrário. permite uma ampliação do poder de compra dos estrangeiros no Brasil. A Política Cambial pode ser utilizada também como instrumento da Política Econômica. pagamentos dos juros dos Títulos Públicos. pois o real pode adquirir uma quantidade maior de dólares.).5. Ao contrário. De forma geral a Política Fiscal representa a administração dos gastos públicos e da tributação. acarretando possíveis superávits da balança comercial. com a valorização cambial ⎯ a moeda nacional cotada acima ou igual ao dólar ⎯ serão estimuladas as importações e. em princípio. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS.Com a desvalorização ⎯ o valor da moeda nacional abaixo da cotação do dólar ⎯ as exportações serão estimuladas. Impostos sobre Produtos Industrializados – IPI. que as receitas provenientes dos tributos (Imposto de Renda – IR. programas sociais etc. Breves Notas sobre a Política Fiscal A Política Fiscal é outro instrumento da Política Econômica (já apresentamos a Política Monetária e a Cambial). possíveis déficits na balança comercial. incentiva a saída de brasileiros para o exterior. que implicará numa Inflação de Demanda. b) ampliação da arrecadação. para permitir uma visão mais completa do funcionamento da Política Econômica. várias empresas podem não suportar a concorrência e fechar. Essa medida é tomada no intento de eliminar pressões inflacionárias. Já o câmbio desvalorizado. cuja capacidade tecnológica. pois expõe os produtos locais em concorrência direta com os bens e serviços produzidos em outros países. porém. apesar de não estar sobre o controle direto do Banco Central. investimentos em obras. 5. Neste sentido. ampliará a dívida pública. no sentido oposto. Caso as despesas superem as receitas. neste caso. trazendo enormes prejuízos como a queda da produção do país e ampliação do índice de desemprego. o governo terá algumas opções para financiá-lo: a) impressão de moeda. implementando com isso o turismo receptivo. optamos em discuti-la nesse capítulo por uma questão didática e. diremos que houve um déficit público. diminuindo as importações. via aumento das alíquotas ou criação de novos impostos e c) pela venda dos Títulos Públicos que trará receita ao estado.

Há três formas de mensurar o superávit ou déficit público. A Política Fiscal pode influir sobre a atividade produtiva e sobre os níveis de preços de um país. Operacional e o Primário. Brasil: Disciplina Fiscal e os Ataques Especulativos nos Anos 90 A livre mobilidade do capital especulativo estabelece o ambiente adequado aos violentos movimentos financeiros nas Bolsas de Valores. pois retira as dívidas financeiras oriundas de governos anteriores. Entretanto. tendo menos necessidade de impostos. Essa medida compõe uma estratégia em tentar minimizar os possíveis malefícios do excesso das despesas públicas sobre as receitas. IPI. para honrar em especial as dívidas financeiras. Se também reduzir o imposto de renda poderá estimular o consumo devido a uma maior disponibilidade da renda. são elas: Nominal. a situação das contas públicas será positiva (superávit público). geração e transmissão de energia e centros de pesquisas o Governo pode proporcionar uma maior oferta de empregos diretos e. exclui da contagem do lado das despesas. pode permitir que ocorram efeitos positivos na atividade econômica. principalmente. O resultado Nominal é dado pela simples subtração das receitas totais pelas despesas (inclusive com os juros). que mantém a mesma linha do Operacional. o gestor público deve promover cortes em qualquer despesa (exceto os juros) e/ou ampliar as receitas. os juros dos Títulos Públicos.despesas realizadas num determinado período ficarem abaixo do total das receitas. O resultado Primário permite uma análise do desempenho das contas públicas no momento atual. numa tendência de disseminação de crises. Quando o Governo amplia as obras públicas e/ou reduz o imposto de renda (Imposto Direto. É importante ressaltar que a perda de receita causada pela redução da alíquota do imposto de renda será compensada por uma maior arrecadação dos impostos atrelados ao consumo e a produção (ICMS. ISS entre outros) – chamados de Impostos Indiretos. por exemplo. que em último estágio podem obrigar o Banco Central a tomar uma medida desagradável que é a ampliação da oferta de dinheiro. levando as nações com baixa capacidade de implementação de instrumentos de proteção. pois tem a preocupação em excluir a correção monetária (inflação) e as variações cambiais observadas num período em análise. com isso. a sofrerem com os ataques especulativos que redundam. na maioria das vezes. Para alcançar um Superávit Primário. o Primário. indiretos pela capacidade desses investimentos em promover desdobramentos importantes que tendem a estimular os empresários a investirem cada vez mais. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . pois incide diretamente sobre a renda). reduzindo despesas e. Através de maiores investimentos em ferrovias. Por último. As metas de superávits primários vêm sendo estabelecidas como objetivo principal da Política Fiscal do Brasil. Já o Operacional representa um resultado mais real. ora de falta de divisas. para financiar o déficit público e com isso levar o país a uma inflação. se o objetivo da Política Fiscal do Governo for o controle da inflação o caminho utilizado será a tentativa em reduzir os Gastos Públicos para frear a participação do setor público na atividade econômica do país. ora de excesso de liquidez. em ganhos estratosféricos aos investidores financeiros.

O esforço pelo disciplinamento fiscal percebido no corte dos gastos públicos e a tentativa na conquista de superávits primários. os ataques especulativos são frutos da má gestão da política macroeconômica. Caso o governo financie seu déficit com emissão de moeda. provocará a expansão da oferta monetária. enquanto o modelo de “segunda geração” acredita na escolha das autoridades monetárias locais em permitir a desvalorização ou não do câmbio. como conseqüência. Quais os condicionantes que levam um grande número de investidores a retirar suas aplicações de determinados mercados. torna-se insustentável a manutenção do câmbio fixo. com informações simétricas. Antevendo a perda do poder de compra da moeda nacional os agentes a trocam por ativos denominados em moeda estrangeira. estadual e federal) significa que o país estava cumprindo com o “dever de casa”. Entretanto. os principais modelos que tentam explicar por quais motivos surgem os ataques especulativos. Assim. A conquista do Superávit Primário Consolidado pelo setor público (receita menos despesas não-financeiras do governo municipal. deixando-as vulneráveis às mudanças de expectativas dos investidores internacionais. o resultado positivo implica na real capacidade em honrar com os pagamentos aos credores internos e externos. que os ataques especulativos são provenientes dos equívocos na administração das autoridades públicas. Assim. Para o primeiro modelo a desvalorização cambial ocorre inelutavelmente. por exemplo. Partimos do princípio que tais oscilações só são possíveis diante da contestável liberdade do capital financeiro praticada por algumas nações. sendo um componente importante para possibilitar a sustentabilidade da dívida e restabelecer a credibilidade dos investidores. Outro modelo foi baseado no trabalho de Obstfeld. Com efeito. provocando a crise cambial. acrescenta o componente político. alocando-as em outros. estavam calcados na visão que só através do equilíbrio fiscal sustentável seria possível estabelecer um ambiente favorável ao crescimento econômico e manter o país protegido dos ataques especulativos. parte do mesmo princípio do modelo de “primeira geração”. cujo formulador foi Paul Krugman. parte do princípio de que os mercados são perfeitos. mesmo tendo a consciência da perda da autonomia da política monetária. reduz a exposição da nação aos ataques especulativos. pois haverá uma tendência de queda nos juros devido à conotação do menor risco. diante da redução das reservas internacionais e. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . porém. ao longo da década de 90.Neste tópico desenvolveremos. ocorre a maxidesvalorização cambial. segundo esse modelo. sucintamente. Existem três modelos básicos que explicam os ataques especulativos: o de “primeira geração”. os ataques especulativos notados no Brasil. Parte da análise da escolha entre possíveis perdas políticas incorridas se os gestores públicos decidirem liberar o câmbio e dos possíveis benefícios econômicos decorrentes da manutenção do câmbio estável. estão dissociados dos argumentos teóricos dos modelos de “primeira” e “segunda geração”. analisando o aspecto do custo/benefício social da sua decisão.

inclusive de investimento e/ou ampliar a carga tributária. estados e o governo federal apresentando entre 1994 a 2000 esforços para promover o superávit médio primário. levando o Governo a liberar definitivamente o câmbio e reforçar a política fiscal contracionista. em troca os estados conquistavam o direito de refinanciar suas dívidas com a união. em cada crise aumenta-se a pressão por superávits primários. o Programa de Apoio à Reestruturação e ao Ajuste Fiscal dos Estados. a elevação das receitas. Nem a eliminação do déficit primário em 1998 e a tendência para conquista de novos superávits nos anos subseqüentes – que de fato vieram acontecer. obrigando o Governo a praticar cortes mais severos nas suas despesas. que os governos das três esferas (municipal. concretizando-se no dia 04 de maio de 2000 na complexa Lei da de Responsabilidade Fiscal (LRF) que introduziu regras na gestão pública. Neste contexto. seu objetivo principal era estimular que os estados realizassem um planejamento orçamentário mais eficiente. não permitindo. por exemplo. como demonstrados na tabela 6 – evitaram o sofrimento do país com a crise cambial que eclodiu no início de 1999. esses foram incapazes de colocar o Brasil numa posição confortável frente às crises financeiras internacionais. as privatizações. Para alcançar tal feito foram adotadas as seguintes medidas: a) programa para recuperação da receita tributária do Governo Federal. Os dois programas estabeleceram maior austeridade na administração pública.95 0. pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). compromisso com o superávit primário e o controle do endividamento. não excluindo o mérito e a importância da responsabilidade fiscal. b) cobrança das dívidas dos estados e municípios com a união.23 3. pois mesmo os municípios. Nesse caso.01 3. que tinha como principal objetivo a redução dos gastos públicos. Ano 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Fonte: Banco Central do Brasil Resultado Primário 5.27 -0. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . cabia aos estados a redução das despesas com pessoal. denominada de PAI (Programa de Ação Imediata).Dentro dessa perspectiva. Tabela 6 – Brasil: Superávit Primário Consolidado (1994/2000) Em % PIB – acumulado de12 meses. c) controle mais rigoroso sobre os bancos públicos e d) aperfeiçoamento do programa de privatizações. a partir de 1993 o Governo brasileiro dá início a um programa de medidas emergenciais.21 0.09 -0.46 Entretanto. como conseqüência gera entraves ao crescimento do emprego e da renda. Além do PAI foi criado em 1995. estadual e federal) gastassem acima da receita prevista. a mesma não valida os pressupostos teóricos dos modelos de “primeira” e “segunda geração”.

com os nervos à flor da pele e a população na expectativa quanto aos resultados. portanto. através do comportamento de “manada”. cuja liberdade excessiva vulnerabiliza a economia de um país. deixam os agentes econômicos nacionais e internacionais. do Brasil na década de 90. 5. Podemos notar que a atenção dispensada às Bolsas de Valores. dirigindo as decisões de alocações em carteira ao efeito “contágio”.6. fruto da baixa capacidade tecnológica e. mesmo que indiretamente. especificamente. as crises cambiais originam-se da incapacidade de países com essas características atraírem um fluxo regular de capitais. sobre a economia de determinado país. O movimento de saída. Partindo do modelo de “terceira geração”. distanciando-a do entendimento da maioria. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . são baseados na experiência da América Latina e. foi construído a partir de uma comparação alegórica com o estouro da boiada. Bolsa de Valores Certamente. Como as informações são assimétricas. É possuidora de um jargão que a torna singular. não ocorre por acaso. reduzindo o grau de competitividade. para reduzir a vulnerabilidade do país aos ataques especulativos.Os trabalhos mais recentes partem da hipótese de que os mercados não são perfeitos e. Assim. conseqüentemente. mesmo quando há disciplina fiscal e controle dos preços. encaminhando as causas dos ataques especulativos aos desequilíbrios sistemáticos do balanço de transações correntes. fomentando um cenário propício aos ataques especulativos. levantamos a hipótese de que os ataques especulativos só podem ser contornados pelo estabelecimento de controles de capitais financeiros de curto prazo. a Bolsa de Valores é uma das instituições que mais aguçou a curiosidade da população quanto ao seu funcionamento. os investidores baseiam-se em dados mais acessíveis fornecidos através dos rumores. Os resultados saltitantes e imprevisíveis. preferindo seguir os “boatos” a trabalharem com informações mais precisas. portanto. por dois motivos básicos: as informações são assimétricas e os investidores optam por informações advindas dos rumores. que sendo desfavoráveis. As mudanças de humor podem induzir o comportamento de “manada” ou “contágio”. sendo destacados com veemência pela mídia. pois mesmo com uma gestão política crível condizente com a disciplina fiscal a nação continuará sofrendo com as abruptas saídas de capital de curto prazo. Partindo do modelo de “terceira geração”. países como o Brasil deve escolher ações que limitem a livre mobilidade do capital financeiro. sugerem um aprofundamento no debate. A aversão ao risco coloca os investidores totalmente sensíveis aos rumores. no caso dos países emergentes a lei de mercado não se aplica. pelas crises na conta financeira. partindo da idéia que a ação de saída de um grupo de investidores pode disseminar uma reação por outros grupos no mesmo sentido. principalmente. os ataques especulativos ocorrem. Em suma. mas pelo fato inusitado da sua importância para a conjuntura econômica de um país. assim. poderão 66omprlos. as informações são assimétricas. Com efeito. reais ou não. nos últimos tempos. As abruptas saídas e.

como o do Brasil. assim sendo. todos os acio5nistas arcarão com a perda. caso contrário. essa iniciativa abalou os alicerces do plano de estabilização econômica. Um exemplo cabal é a moratória da dívida interna e externa anunciada pela Rússia ⎯ suspensão do pagamento dos juros ⎯ com a perda neste mercado os aplicadores. Uma perda nas Bolsas de Hong Kong e da Rússia. repercutiu de modo nefasto nas Bolsas dos países denominados emergentes. Quando um investidor adquire uma ação. Dessa forma. levando o governo a aumentar. com a divisão da empresa. estimulados pelos avanços tecnológicos. Se durante o seu exercício. o principal produto negociado nas Bolsas. quanto maior o montante negociado. em operações com retornos imediatos. de acordo com a sua cota. apresentando bons resultados. seguindo a determinação da política monetária do governo. conjuntamente vem a consciência de que o ganho não será imediato. maior será o nível de investimentos. Em conjunto com a alta INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . maiores as taxas de juros e quanto menores os riscos. tornando-se uma S/A (Sociedade Anônima). que o Banco Central vende ou compra. Além das ações. em várias partes ⎯ ações. legalmente credenciados à Bolsa de Valores. os especuladores.Sua principal função é canalizar poupanças para os investimentos. há. As Corretoras de Valores através de seus funcionários. graças à velocidade de informações. ganhando mais em outras. os ganhos serão divididos. através das Bolsas de Valores. também são negociados outros ativos financeiros. No caso das empresas. distribuindo o dinheiro por várias regiões do globo. os juros para estimular a permanência desse dinheiro. como os títulos públicos. compram e vendem títulos e ações. ou melhor. que comercializam as ações para ganhar com a diferença obtida. não havendo a preocupação de 67ompra67a67t-los em investimentos produtivos e muito menos de se preocupar com as conseqüências que a evasão desse dinheiro poderá acarretar para alguns países. Os aplicadores consideram o mundo como uma carteira de aplicação. todos os sócios terão uma participação nos lucros. sendo o objetivo dos aplicadores internacionais obter ganhos a curto prazo. para captar recursos financeiros. se a empresa for bem sucedida. Os investidores tradicionais seguem à risca a lógica das regras necessárias para a efetivação do processo de compra/venda. faz-se necessário que ela abra o capital. Seu ganho consiste em comprar uma ação quando sua cotação estiver em baixa e 67ompr-la nos momentos de alta. estão circulando por todos os continentes. porém. objetivando a compensação das perdas. quanto maiores os riscos. resgataram os papéis de mercado instáveis. menores as taxas de juros. é um tipo de mercado onde encontram-se os que possuem dinheiro extra e desejam 67ompra-lo e os possuidores de empresas que necessitam do dinheiro para investir. Os recursos financeiros (capital volátil ou especulativo). ainda mais. E são exatamente essas ações. ganhando menos em umas. A informação e a experiência são armas imprescindíveis para quem especula com as ações. principalmente alemães. a empresa obtiver prejuízo.

ENTENDENDO A INFLAÇÃO INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . 6. redução de gastos públicos e privatização. o governo brasileiro adotou medidas austeras de arrecadação fiscal.dos juros. abrangente a todo o país através do aumento dos impostos.

O Estado. percebemos que os preços dos bens e serviços estão diretamente ligados à quantidade de moeda em circulação. 6. Esse excesso de moeda sem lastro acarretará uma pressão sob os preços. É plausível detectar outras causas nos aumentos dos preços dos bens e serviços. a Espanha e. como conseqüência. no século XVI. que no período do “milagre brasileiro” houve um significativo crescimento da indústria automobilística. a conseqüência inevitável será a alta dos preços. Inflação Passo a Passo O primeiro passo é compreender a origem dos aumentos de preços. quanto maior a oferta de dinheiro no mercado. por toda a Europa. Essa má formação estrutural dá origem aos “pontos de estrangulamento”. a descoberta de novas jazidas por Cristóvão Colombo levou ao aumento de preços. O retorno de Colombo à Espanha. a economia brasileira não estava estruturada para lidar com esse novo surto de consumo. quando um volume. a perda do poder de compra desse meio de troca. em conseqüência. Dessa forma. mas a quantidade dos bens e serviços permaneceu a mesma. Realmente. toda a Europa. e depois. Como já mencionamos. Determinados setores cresceram. A contínua elevação dos preços tende a beneficiar os agentes que compõem a oferta de bens e serviços ⎯ protegem-se da inflação pela correção imediata dos preços ⎯ e prejudica aqueles que representam a demanda (consumidores) ⎯ cujos reajustes salariais independem deles. quanto menor a quantidade de dinheiro. a INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 6 . A inflação provocada pelo excesso de dinheiro é denominada inflação de demanda. com bastante ouro. Uma delas concerne ao desenvolvimento econômico desequilibrado. daí surgindo o primeiro problema. maiores serão seus preços e. provocou aumento dos preços em decorrência da oferta maior desse metal precioso. Esses reflexos representam os aumentos contínuos de preços dos produtos e.1. menor será o nível de preços dos produtos. aumentando o consumo de gasolina. Vamos relembrar o período da moeda metálica ⎯ século XVI ⎯ com a descoberta da América por Cristóvão Colombo. desprovidos de estrutura que os viabilizasse. de ouro ingressava no comércio. Portanto. se analisarmos a economia brasileira. pois todos seus reflexos se manifestarão através da moeda. cada vez maior. depois. Dessa forma. expandindo-se a oferta de veículos e.A exemplo dos bancos. como exemplo. de fato. Portanto. quando as moedas utilizadas eram o ouro e a prata ⎯ moedas metálicas ⎯. a princípio na Espanha. atribuível ao seu uso. registrou-se o primeiro surto inflacionário da História. vice-versa. sem que haja aumento na produção de bens e serviços. principalmente. Vale lembrar. caso a produção de bens e serviços não acompanhe o montante de dinheiro em circulação. a inflação também teve origem com o desenvolvimento da moeda. Podemos considerar a inflação como sendo um fenômeno tipicamente monetário. Inicialmente. sentiram os efeitos da descoberta desse novo mundo. na busca do financiamento dos seus déficits ⎯ não optando pelo aumento da carga tributária e nem por empréstimos externos ⎯ emite papel moeda.

cuja compensação será a transferência do ônus para o preço final do produto. portanto. mais cimento. Portanto. dependiam desse insumo. No Brasil. tornando-se uma inflação inercial. no Brasil. provocando o aumento generalizado dos preços. mesmo depreciada pela inflação. desencadeados pelos países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). sendo difícil a sua identificação. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . não adotamos a dolarização (utilização do dólar como meio de troca) porque existiam alguns problemas de “conversibilidade”. A inflação causada pelo encarecimento dos custos de produção ⎯ aumento dos preços de insumos importados e da elevação salarial ⎯ é conhecida como Inflação de Custos.maior demanda pressionou o preço desse insumo. Sendo as rodovias insuficientes para atender a proliferação dos veículos. Outra causa da inflação é o aumento dos custos de produção. cujo preço subiu excessivamente. promovendo o efeito cascata. o governo encontrou uma saída: já que não podia dolarizar a Economia. que justifique esse aumento. ou seja. ocorridos na década de 70. inclusive ao Brasil. equiparando o Real à unidade monetária norte-americana. sendo a inflação alimentada pela própria inflação passada. denominada inflação de custo. acarretando perdas sucessíveis na balança comercial. Entendendo o Plano Real É interessante frisar que. uma vez que os empresários não querem comprometer sua margem de lucro. poderá onerar o seu valor final. pois todos os preços passam a ser alterados. podemos afirmar que o processo inflacionário é capaz de se autoalimentar. tinham como principal objetivo a elevação do preço do barril de petróleo. é possível falar em inflação cultural: todos os agentes econômicos sempre atentos para reajustarem os preços. Os “choques de petróleo”. sem a necessidade de uma causa inerente entrar em jogo. uma vez instalada a inflação. uma forte pressão nos preços dos bens e serviços que.2. novas estradas tiveram de ser construídas. a gasolina e o cimento representaram dois “pontos de estrangulamento”. onde a inflação inercial acompanha a nossa História. Em conseqüência. o mesmo ocorrendo com o cimento. 6. A elevação dos preços dos insumos necessários à produção de um bem ou serviço. toda a Economia operava com a moeda nacional. a quantidade de dólares que o Banco Central tinha em seu poder não era suficiente para substituir todo o meio circulante e. a partir de reivindicações salariais por ganhos reais. Finalizando. quer haja uma causa ou não. surtindo o mesmo efeito da dolarização. provocando a evasão de divisas. utilizou o dólar como âncora cambial. Então. ou seja. Esse aumento provocou às nações importadoras dessa matéria-prima. desencadeando o processo inflacionário. a principal variável causadora desses aumentos consegue se manter disfarçada entre outros insumos. organizados nas centrais sindicais. acima da capacidade de pagamento da Economia. que também majoraram seus preços. direta ou indiretamente. as expectativas inflacionárias são motivadoras dos aumentos persistentes dos preços. ainda. Na prática. fica impossível identificar os “pontos de estrangulamento”. o brasileiro passou a demandar produtos externos. poderão pressionar os preços. Os trabalhadores. requerendo. Como outros setores da economia dependem desses dois insumos ⎯ gasolina e cimento ⎯ tiveram que reajustar seus preços.

Se os agentes econômicos. utilizadas agora. O atual quadro socioeconômico do Brasil exige uma atitude totalmente oposta a que está sendo tomada. descumpriu-se uma das promessas que era aplicar as verbas advindas das privatizações em obras estruturais e sociais. foi necessário vender as empresas estatais (privatizações) para sanear o déficit com os especuladores. restabelecendo o processo inflacionário. o dólar serviu de âncora (lastro) para nossa moeda. qualquer variação na moeda americana surtiria efeitos imediatos na moeda brasileira. promove leilões da moeda americana para evitar sua valorização.Como já verificamos. 7. apenas para amenizar os efeitos negativos do plano. conseqüentemente. fiscal e cambial de controle inflacionário adotada pelo governo. para que isto não ocorra. para evitar o colapso do real. Para constituir este estoque de dólares. por algum motivo. ENTENDENDO O SUBDESENVOLVIMENTO INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . Portanto. a estabilidade do Real era garantida pela equiparação ao dólar. de investimentos estruturais para acelerar nosso crescimento. a elevação dos preços. o Governo Federal adotou a política de juros altos. Os juros pagos aos especuladores internacionais. ou seja. Assim. sempre que necessário. A arma que o governo utiliza. urgentemente. Precisamos. Este. puramente especulativo. voltassem a comprar dólares. é manter um estoque de dólares em poder do Banco Central. A dívida interna aumenta assustadoramente. para nossa Economia. antevendo uma possível inflação. para manter seus dólares aplicados no Brasil. ocorreria a desvalorização da moeda brasileira e. Outro importante fato que devemos comentar é a incompatibilidade do desenvolvimento econômico do Brasil com a política monetária. vêm criando sérias dificuldades à nação. visando atrair o capital financeiro estrangeiro.

regiões extremamente ricas e outras miseráveis localizadas no mesmo país.1 O Aspecto Histórico INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . exigindo do Estado melhor policiamento. um parque industrial incipiente. impossibilitando o desenvolvimento dessas regiões. forte dependência dos países desenvolvidos que se transforma em submissão. os alarmantes índices sociais e o pouco interesse de grande parte dos políticos locais em questões de desenvolvimento. Por Que Somos Assim? Dentre as causas inerentes ao subdesenvolvimento. vultosa dívida externa e interna. são gerados bolsões de pobreza. abordaremos dois subitens: o primeiro diz respeito à análise do fator histórico. o papel dos descobridores no desenvolvimento ou subdesenvolvimento das antigas colônias. uma visão mais completa. balança comercial onde há tendência para importações de produtos industrializados e exportações de produtos agrícolas e minerais. América Central. baixos níveis salariais. que ingressarão progressivamente no submundo do crime. não esquecendo de falar da política do “é dando que se recebe”. malha ferroviária deficitária. em face do crescimento assustador da criminalidade.1. identificaremos outras causas plausíveis do nosso desequilíbrio econômico e da conseqüente desagregação social. Teremos. as altas taxas de natalidade e mortalidade infantil. além do “A” inicial. a saber. onde se concentram uma grande massa de excluídos. o restante da sociedade protege-se dessa crescente massa. o altíssimo grau de corrupção. assim.América Latina. baixa taxa de poupança interna. dando ênfase ao período colonial. sistemas educacional e de saúde falhos. por interesse escuso ou. Algumas pessoas. desemprego e fome. simplesmente. ao calor. que burla os interesses da população e das ambíguas “propinas” nos países emergentes ⎯ inclusive no Brasil ⎯ onde qualquer obra pública é motivo para atos de corrupção. ou seja. Ásia e África. senão adequada. apontaremos para outras razões que explicam por que as atuais administrações públicas satisfazem os interesses de pequenos grupos. que predomina na maioria dos países pobres. ou seja. por desconhecimento dos problemas. disparidades regionais acentuadas. 7. sérios problemas habitacionais. que facilitará sobremaneira nossa compreensão do subdesenvolvimento. Em conseqüência. Como principais características dessas regiões podemos citar: a péssima distribuição de renda. uma forte tendência à agricultura e o predomínio do latifúndio.1. Certamente. excesso de mão-de-obra não qualificada. 7. atribuem as causas desses desequilíbrios ao fator climático. mediante uma rápida análise histórica e o estudo das atuais políticas nacionais atreladas aos interesses de políticas internacionais. No segundo item. saneamento básico precário. possuem outros fatores em comum: os problemas econômicos. Por sua vez. a baixa expectativa de vida.

não contribuem para o melhoramento dos países pobres. na maioria das vezes. objetivavam a fixação. refletiu nas culturas dessas colônias. As colônias se limitariam a fornecer produtos primários e metais preciosos. consideramos apenas as decisões políticas atuais. entregue ao domínio dos ingleses. uma nação desenvolvida. incentivando apenas o setor agrícola ou as atividades que eram do interesse dos colonizadores. consideradas extensão de seus mercados. para assegurar o sustento familiar e garantir o futuro das gerações vindouras. sob o impulso de uma cultura desenvolvimentista que propiciou o investimento na industrialização. Perceberemos que a forma como foram utilizadas as colônias. quando se pratica o “fisiologismo político”. Impedia-se. independentemente das INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . que.1. ao discutirmos as causas do nosso subdesenvolvimento. reprimindo qualquer iniciativa de industrialização. as terras já eram utilizadas por parte de grupos sociais bem definidos. fortalecendo toda a estrutura econômica e social. De fato. com forte dependência dos países ricos e na formação de uma classe política sem interesse de promover o desenvolvimento autônomo de seu país. a princípio. estabelecendo-se definitivamente no local.Geralmente. como o ouro. o que dificultou a radicação. em alguns casos. Dessa forma. conseqüentemente. 7. no jargão político. determinaram o grau de desenvolvimento da maioria das nações modernas. utilizada. acumulou riquezas. Resumidamente. Mas. tornando-as nações subdesenvolvidas. por seus “descobridores”. Posteriormente. tornando-se. os países exploradores passariam a escoar parte de sua produção manufatureira nas colônias. por sua vez. a política do “é dando que se recebe”. O Brasil é um exemplo típico de colônia de exploração. No caso das colônias de exploração. Já é do nosso conhecimento a existência de dois tipos de colônias: radicação e exploração. iniciado nas grandes navegações. Os Estados Unidos são exemplo cabal de colônia de radicação. as decisões políticas. mostraremos como funcionava ⎯ e. ou. representam um entrave a qualquer processo de desenvolvimento econômico. ao colonizarem esse novo território. na sua grande maioria. O modelo de exploração econômico. depois. e a segunda como mercado para absorver produtos manufaturados do país matriz. ainda funciona ⎯ a relação entre metrópole e colônia. a colônia americana desenvolveu-se. Distinguem-se nesse tipo de colonização duas fases: a primeira como fornecedora de matéria-prima e mão-de-obra.2 A Teoria do “Fisiologismo Político” Infelizmente. utilizavam essas novas terras como extensão de seu país. As colônias de radicação eram terras ricas em recursos naturais e pouco povoadas. o crescimento industrial das colônias. assim. Não é o intuito desse trabalho aprofundar-se numa análise do período colonial. através de um acordo. gerando produção e crescimento. de fácil acesso para os colonizadores. Os ingleses. A administração da verba pública é orientada para gerar reciprocidade de favores políticos. pelos portugueses e. tudo tem um começo: De onde veio essa cultura retroativa de crescimento? Dos políticos legislarem em causa própria ou em prol de uma minoria? Do imediatismo que descarta e invalida planos responsáveis de estruturação futura? Não será surpresa se encontrarmos as respostas no período colonial.

não há espaço para as ações responsáveis. e condenar o desmonte e desarticulação da máquina estatal. elevação da alíquota de alguns impostos e. abertura da economia ao comércio internacional e as privatizações. à moralização na utilização da verba pública e o seu conseqüente fortalecimento. endividamento de parte dos empresários. O mais estarrecedor e chocante é constatarmos que atitudes como estas são encaradas com naturalidade no meio político. O conteúdo desses programas concerne ao controle inflacionário. diminuição dos gastos públicos. O importante é cumprir o acordo feito. com a redução das despesas de custeio e de investimento e corte na folha de pagamento. analisando o caso do Brasil. como o meio mais perfeito para que essas nações trilhem o caminho do desenvolvimento. As principais conseqüências desse conjunto de medidas foi o desencorajamento dos investimentos privados.2. de alguns países da América Latina. ou melhor. Portanto.conseqüências ⎯ se a obra em discussão trará benefícios ou não para a consolidação da estrutura econômica da nação. para estimular o ingresso de dólares especulativos. imposta às economias dos países emergentes. queda no nível geral de preços e o brutal enfraquecimento do Estado. em concomitância. cobrando dos administradores públicos maior responsabilidade no uso da verba. cujos escopos são: 1. Estaremos avançando quando a sociedade repudiar qualquer ato de “fisiologismo político”. é imprescindível o investimento em educação ⎯ segmento não prioritário nos países subdesenvolvidos ⎯ para que a população seja formada com base sólida e consciente. utilizando os recursos ⎯ que são extremamente escassos ⎯ em obras superfaturadas e economicamente irrelevantes. valorização cambial. é válido afirmar que INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . também. como últimos requisitos. afastando assim. que servem de lastro (alicerce) às moedas em circulação.juros estratosféricos. principalmente. 7. Diante disso. qualquer expectativa de desenvolvimento. Isso nos leva a refletir para a defesa da organização administrativa do Estado. para eliminar o excesso de liquidez. Brasil: Um Modelo de Desenvolvimento Regionalizado A década de noventa ficou marcada na história pela supremacia da doutrina econômica neoliberal. colocando a economia desses países em perigo eminente de recessão. proposta como solução aos problemas econômicos e sociais. surge um intrigante paradoxo: Como corrigir as disparidades regionais sem a presença do Estado? No momento em que as Regiões Norte e Nordeste necessitam de uma política estrutural. que possivelmente beneficiará apenas as duas partes interessadas ⎯ o político defensor do projeto e a entidade que o executará. agricultores e pessoas físicas. diminuir a quantidade de dinheiro no mercado. 2. Para tanto. deixando para o mercado a “responsabilidade” do desenvolvimento socioeconômico. Onde predomina o imediatismo político. reduzindo a demanda por bens e serviços e. fala-se no desmonte do aparelho estatal e do enfraquecimento das entidades de fomento – como exemplo a SUDENE. capaz de julgar e exigir uma utilização mais adequada do dinheiro público. que garantem a firmeza da nação e do bem-estar do seu povo. inclusive o Brasil.

por sua vez. Para tanto. é fundamental a formação de hidrovias e a conclusão do traçado da Nova Transnordestina. buscando novas fontes energéticas como a energia solar e a de combustíveis alternativos como o álcool da canade-açúcar e o óleo da mamona. No extrativismo. O Norte e o Nordeste. O aproveitamento metódico dos recursos da Amazônia. Entre outros cultivares aproveitáveis: a castanha-do-pará. há muito tempo vem-se financiando as grandes indústrias. para a produção de aços planos. Apoio à micro e à pequena empresa pois. O turismo ecológico afigura-se uma indústria de extrema rentabilidade. o que dificulta a prática e o sucesso de programas dessa abrangência.devemos exaltar um modelo de desenvolvimento regionalizado. portanto torna-se uma fonte preciosíssima na geração de empregos. podendo os produtos pesqueiros serem vendidos no mercado internacional. evitando dessa forma o aviltamento dos preços. palmeira de semente oleaginosa e comestível da qual se extrai um óleo. A indústria do turismo revela-se como uma grande incentivadora do INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . deve-se incentivar a indústria de beneficiamento da madeira. torna-se uma excelente geradora de divisas e de empregos. Para tanto é necessário adotar políticas de incentivos técnicos e financeiros. que é a fruta de uma palmeira de pequeno porte. A reforma agrária. No setor madereiro. servindo tanto para transporte de passageiros como de carga. De particular importância é o desenvolvimento da indústria pesqueira. o coco para a produção de óleo de dendê. para redução das desigualdades entre as regiões e o conseqüente fortalecimento do Brasil como um todo. capaz de promover o êxodo urbano. Ao defendermos um programa único de desenvolvimento para o Brasil. viabilizando a fixação do homem na floresta. mas estudos comprovaram que a pequena empresa investe menos em tecnologia. no Nordeste. para corrigir as falhas históricas. a sua industrialização na própria região e propiciar o aumento na produção do látex. ainda mais. Para a Região Nordeste. que ainda requer estudos e investimentos para o seu aperfeiçoamento e aumento da produção. é importante investir na extração de manganês. porquanto cada região tem suas características próprias. haja vista que a Amazônia possui abundantes reservas de peixes. a saída espontânea do homem da cidade para o campo. social. que. A construção de usinas siderúrgicas. visando a comercialização. com o objetivo de diversificar as culturas de subsistência e. pois requer poucos investimentos e o retorno é a curto prazo: atraindo turistas de todas as partes do mundo. também. por exemplo. incentivar a pesquisa da biomassa. através da combinação dos recursos hídricos. também necessitam de melhoramento infraestrutural. sim. o açaí. estaremos cometendo um terrível equívoco. a maior exploração do potencial energético. que privilegiaram algumas regiões em detrimento de outras. capazes de estimular o processo de interiorização e diversificar a agricultura regional. devendo ser estimulada. impedindo que seja exportada em tora. cujo suco possui um grande potencial exportador e o babaçu. ou seja. é de suma importância a adoção de algumas medidas que possam implementar a economia das regiões desfavorecidas: na Região Norte. necessitam de investimentos públicos maciços e a prática de um modelo de desenvolvimento próprio. cujo escoamento se daria nos grandes portes da Região. interligando alguns Estados. Na área de transporte. que deve deixar de ser encarada como uma questão política e.

O hiato entre territórios também acentua os fluxos migratórios para os locais de maior dinâmica econômica e agrava os propalados e discutidos problemas urbanos. Os fatores supracitados que seriam capazes de proporcionar o “arranque” dessas Regiões. extraindo de cada território os produtos e serviços capazes de proporcionar o acesso à renda das camadas mais pobres da população. capazes de empregar a mão-de-obra local ligadas à agricultura familiar.aquecimento da economia nordestina. O estímulo ao desenvolvimento das Regiões Norte e Nordeste depende muito mais da simples vontade política do que problemas de ordem econômica que possam justificar a não execução dos projetos. concentrando renda e reduzindo o nível de bem-estar do grupo social de menor qualificação. passa por um clima de euforia. Porém. consoante com o interesse dos governos dos estados. faz-se mister o empenho numa discussão mais aprofundada sobre a questão de descentralizar os efeitos positivos desses investimentos à geração de emprego e renda também para o interior do Estado. consolidando as estruturas econômicas. uma política de desenvolvimento deve estar centrada na questão da redução das desigualdades socioeconômicas. Esse processo para ser interrompido e até mesmo revertido torna imprescindível a participação do Estado com a assistência técnica e a ampliação das linhas de financiamento dos bancos de fomento. como a Refinaria de Petróleo e o desenvolvimento do Pólo Petroquímico. situados fora dos requisitos básicos do mercado capitalista. como: a privilegiada localização geográfica. proporcionando a todos os brasileiros oportunidade de exercerem sua cidadania. a prioridade política do Governo Federal. são bem claros e definidos. até um certo ponto. políticas e sociais. como os bolsões de pobreza e em conseqüência a baixa qualidade de vida. o Estaleiro Atlântico Sul. principalmente. 7. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . A recente história do desenvolvimento do país mostra que os livres mecanismos do mercado aprofundaram o gap entre áreas periféricas e os centros mais avançados. Portanto. é fundamental para que o país possa extinguir a miséria. Pernambuco e o Desafio do Crescimento do Interior O Estado de Pernambuco vive uma grande expectativa e. uma razoável infra-estrutura. às cooperativas e às associações entre outras organizações.3. beneficiar o setor informal e captar divisas de serviços no balanço de pagamento. somadas ainda ao crescimento do terciário moderno e. para um maior aproveitamento desse momento. justificada em grande parte pelas seguintes constatações: as conhecidas vantagens competitivas. é capaz de absorver um grande contingente de mãode-obra. que contribuirá com o soerguimento da Indústria Naval e a expansão da Indústria Metal-Mecânica no entorno da Grande Recife. para induzir o processo centrífugo de expansão das atividades produtivas que leve em consideração o formato de empreendimentos de pequeno porte. valorizando as potencialidades locais sem perder a dimensão global. ao conjunto de investimentos estruturadores que apontam para nosso Estado. a Nova Transnordestina. Para que seja eficaz. alguns centros de pesquisa de referência nacional e uma grande diversidade produtiva. a duplicação da BR 101 entre outros.

Neste sentido. deram sensação do encurtamento das distâncias geográficas. o presente texto pretende contribuir para uma reflexão acerca de tal afirmativa. dos avanços tecnológicos na engenharia genética e. havendo a necessidade de políticas públicas para incentivar à expansão dos pequenos empreendimentos organizados no interior. ao new deal adotado a partir de INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . O processo de globalização da economia com a intensificação das relações econômicas internacionais. em simetria com as características sócio-culturais e que respeitem as regras ambientais. os investimentos estruturadores programados para o Estado de Pernambuco tendem ao favorecimento do crescimento da renda. principalmente. principalmente. que tende inelutavelmente ao estímulo do perverso mecanismo de dependência e concentração de renda. que se articulem com a base social local e assim possibilite a inserção desses grupos via mecanismos de produção e comercialização. dando maior atenção aos setores pobres e marginais dos territórios periféricos. Redirecionando o welfare state (Estado do Bem-Estar Social) para um novo conceito. Há condicionantes relevantes para o desenvolvimento regional que não necessitam estar alicerçados apenas nos grandes empreendimentos. tanto no que tange o financiamento e controle como na própria execução dos projetos. de alguma forma. sem cingi-los ao fornecimento de insumos básicos de baixo valor agregado. dentro do discurso da inclusão. existe uma complexa cadeia de Entidades sem Fins Lucrativos mobilizadas. pela sociedade civil. Explicitaremos que por detrás da cortina da concepção neoliberal. representa a supremacia da concepção ortodoxa do funcionamento do mercado. O maior desafio é possibilitar que esses arranjos possam.O reforço técnico e financeiro para grupos de atividades econômicas do interior. possibilitadas pelo fomento dos cabos transoceânicos e satélites. nas comunicações.4. Entretanto. prestando serviços de bem-estar social sobre a égide do Estado. mais especificamente no cinturão da Região Metropolitana do Recife. Todos esses fenômenos supracitados. ao contrário. principalmente. induzem a uma falsa assertiva: que o final do século XX. representado pela diminuição de gerência direta do estado na economia e nos programas sociais – se comparado. é mais estratégico colocar em prática instrumentos que favoreçam uma maior dinâmica dos arranjos produtivos em consonância com a base social local. 7. estão mais condizentes com o paradigma do desenvolvimento sustentável capazes de estabelecer uma agenda positiva às regiões historicamente desprovidas em conquistar naturalmente o seu espaço no competitivo mercado. inclusive. restringindo-os as medidas desregulamentadoras. O capital financeiro ganha poder de barganha e os estados-nações são alijados em seu grau de manobra. Texto para Reflexão Uma Nova Alternativa: Entidades Sem Fins Lucrativos e as ONGs Há um consenso sofista que a última década do século XX ficará marcada para a história como o período da hegemonia do modelo econômico neoliberal. construir uma interface com os grandes investimentos. à gestão das políticas sociais.

cada vez mais. que caracteriza a visão norte-americana antes da década de 30. quanto no fornecimento dos programas sociais. os governos tem tido um papel imprescindível à viabilização das ações das entidades sem fins lucrativos. principalmente. de fato. um novo modelo. sucumbido. sendo o Estado responsável pela condução das políticas sociais.1933. com esfacelamento do estado. pela racionalização levada ao extremo. abre espaço para possíveis crises. O Estado utiliza como principal instrumento a política fiscal expansiva. observa-se que há uma grande possibilidade de desviarmos a lógica mercadológica. sim. de ações compensatórias dos efeitos nocivos impostos pela visão mercadológica. não. a delegação de ações sociais para grupos privados. com elevação dos gastos públicos. elevando. nem a visão extremista do laissez-faire. a alíquota de grandes fortunas. a mobilização da sociedade civil como agente ativo no processo da gestão de uma política do bem-estar social deu margem ao surgimento de uma “terceira via” que representa um caminho intermediário entre os opostos: Mercado e Estado. principalmente. não significa a derrocada da política do Estado do Bem-Estar Social e. Portanto. para uma atuação mista com forte participação da sociedade civil respaldada. Nos Estados Unidos da América. Dentre os principais objetivos poderíamos destacar: possibilitar aos cidadãos padrões de vida mínimos. Os críticos do Estado do Bem-Estar Social. nos recursos do governo. financiado. Não significa o planejamento econômico. Destarte. o paternalismo estatal. muito menos. na falência do modelo do Estado de Bem-Estar Social. apesar de passar uma imagem inexorável da participação efetiva privada. na gestão do então presidente norte-americano Franco Delano Roosevelt – e. Assim. não objetivando lucros. a incapacidade do Estado gerar recursos suficientes para equilibrar os crescentes gastos do setor público. argumentam que a fragilidade desse programa encontra-se num paradoxo: a adoção da prática do imposto progressivo contradiz com os alicerces do sistema capitalista. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . vem crescendo desde da década de 80. pela visão mercadológica. mas. amiúde. O tradicional conceito do Welfare State concerne ao sistema econômico de livreconcorrência. É importante fazer um alerta sobre a expressão simplista “privatização do estado do bem estar social”. prejudica o princípio da acumulação. por governos e executada por representantes organizados da sociedade civil. com interferência estatal. sim. com perigo iminente de paralisar o ciclo de crescimento. O fornecimento de serviços sociais por grupos privados. tanto no financiamento e controle. produzir bens e serviços sociais entre outros. no intuito de financiar políticas sociais compensatórias. com sua política de bem-estar. que conduz todas as ações. é uma complexa rede de programas de bem-estar social patrocinadas por recursos oriundos também do governo. pois. Porém. o que existe.

como foi comentado no capítulo 3. Espanha. impõe-se a necessidade do intercâmbio internacional em três casos: 1. Na pré-história registraram-se as primeiras relações comerciais. Em síntese. Por mais rico que seja o país sempre carecerá de certos insumos necessários para a fabricação de determinados bens e serviços. E. na agricultura – soja. O “pool” das relações comerciais internacionais intensificou com as grandes navegações. finalmente. para exportar os excedentes de produção. Nenhuma nação consegue viver isoladamente. que consistia em trocar alguns produtos por outros. Sendo INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 7 . colocando o excedente no mercado externo. sendo a lacuna preenchida por nações que se especializaram no setor secundário ⎯ como os Estados Unidos. Especializou-se. tornando seu preço final mais baixo. também. se especializa em determinada profissão. 8. café etc. ENTENDENDO O COMÉRCIO EXTERNO A necessidade do comércio externo O comércio ultrapassa as fronteiras nacionais. 3. – e no extrativismo – como exemplo a exploração do minério de ferro. Holanda e Inglaterra visavam conseguir nesse “Novo Mundo” produtos que não tinham possibilidades de fabricar e. é indispensável comercializar com diversas regiões do mundo. O principal objetivo dessas atividades era descobrir novas terras no “além-mar” para obter metais preciosos. Os Estados-Nações como Portugal. cana-de-açúcar. Para adquirir bens e serviços que não podem ser produzidos internamente. serviços e matérias-primas cujos custos de produção são menores. A escassez de capital retardou o processo de industrialização. vejamos o caso do Brasil. ou seja. que se deram mediante a chamada Economia de Escambo. produtos agrícolas. Dessa forma. podemos afirmar que a base do comércio internacional é a especialização. 2. culturais etc. Mas este comércio era realizado a nível local ou regional. que utiliza o excedente de produção para a comercialização.8. escoar os excedentes da produção de bens manufaturados. A Evolução As atividades comerciais são muito antigas. conforme sua própria aptidão. O mesmo ocorre com os países: de acordo com suas características climáticas. cada nação irá se especializar na produção de determinados bens e serviços. Para melhor entendermos. tentando exerce-la para assegurar sua sobrevivência. de solo. Para adquirir bens. no setor primário. utilizando os excedentes para o comércio externo. Cada indivíduo. pois sua autosuficiência é utópica. basicamente. Procurando atender com a maior eficiência possível as necessidades do consumo interno. país de proporções continentais e ricas jazidas minerais. mão-de-obra etc.2. dando origem ao mercantilismo ⎯ doutrina econômica que predominou nos séculos XVI e XVIII..

houve um estímulo às importações. muitos países. promovendo uma grande evasão de divisas na nossa economia e. e. conseqüentemente. interferir nos montantes das exportações e importações através da desvalorização ou da valorização do câmbio. Entretanto. cujo tema será abordado ainda neste capítulo. aplicam taxas e tarifas a serem pagas por produtos importados. pratica-se na América Latina a “abertura de mercado”. impedindo que fossem adotadas medidas restritivas à sua realização. acarretando a evasão de divisas (dólar) e. 8. Essas medidas são justificadas pelos governos para que a indústria nacional gere empregos e tributos para o país produtor. houve grande transformação no comércio internacional. as colônias seriam importantíssimas para propiciar aos descobridores um nível melhor de bem-estar. pretendendo proteger a indústria nacional remanescente ou mesmo as indústrias já instaladas. 8. o acúmulo de saldos negativos na balança comercial ⎯ déficit. déficits sucessíveis na balança comercial.4. estimulando. algumas nações uniram-se e deram respaldo à formação de órgãos supranacionalistas como o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) que depois deu origem a OMC (Organização Mundial do Comércio). que não iria trabalhar em prol de nenhuma nação. Essa política é conhecida como “protecionismo”. tornando-os caros e inviabilizando sua utilização no mercado interno.assim. Com o avanço tecnológico ⎯ dinamizando o transporte e a comunicação ⎯ e com o crescimento das empresas multinacionais. neste fim de século. despontando. facilitando assim o ingresso de produtos estrangeiros ⎯ independente de estarem prejudicando ou não a indústria nacional. o chamado processo de globalização. onde se impõem medidas protecionistas contra os produtos da América Latina. ou seja. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . a produção local e possibilitando a fomentação da indústria nacional. O mesmo procedimento não é observado nos Estados Unidos e na União Européia. Podemos citar como exemplo a implantação do Plano Real : com a adoção da política de valorização cambial ⎯ colocando a cotação do real acima do dólar ⎯. Entidades Supranacionais e o Protecionismo Para regular o comércio internacional foram criadas algumas entidades com o objetivo de garantir o “livre comércio” entre os países. A valorização do câmbio ⎯ cotação da moeda nacional acima do dólar ⎯ estimula as importações. sim. devido ao barateamento dos bens e serviços estrangeiros. A Política Cambial e o Comércio Externo As autoridades governamentais ⎯ mais especificamente o Banco Central ⎯ podem utilizar a política cambial para gerar superávit ou déficit na balança comercial. assim. como fiscalizador para coibir o uso de taxas e tarifas alfandegárias que pudessem prejudicar as relações comerciais internacionais. conseqüentemente. em especial os produtos agrícolas.3. Neste sentido. caso continue a mesma política. Atualmente.

que poderá ser fixa ou flutuante. Para manter o controle de todas essas atividades. Entretanto. A taxa de câmbio fixa é determinada pelas autoridades governamentais. A determinação do valor da moeda nacional em comparação com o dólar. financiamentos. abrange todas as formas possíveis de transações. é o que os economistas denominam de taxa de câmbio. Essa política é geralmente adotada pelos países subdesenvolvidos.5 O Balanço de Pagamento O estudo realizado até agora sobre o comércio externo nos proporcionou uma visão geral da necessidade que os países têm de realizar transações comerciais e financeiras com outros países. doações. o Governo Federal utiliza um artifício contábil denominado Balanço de Pagamento. entre elas: empréstimos.Com a desvalorização do câmbio ⎯ cotação da moeda nacional abaixo do dólar ⎯ ocorrerá o estímulo às exportações. por se tornar o produto nacional mais barato quando convertido em dólar. É importante ressaltar que o comércio entre as nações não se limita a compra e venda de mercadorias. turismo. através da oferta e demanda de divisas. O aumento das exportações causa o superávit na balança comercial. Já a taxa de câmbio flutuante é determinada pelo livre mercado. prestação de serviços etc. 8. dessa comercialização poderão advir resultados positivos ou negativos. no intuito de receber uma quantidade maior de divisas para saldar o pagamento dos juros da dívida externa e para garantir a remessa de lucros das empresas multinacionais. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . dependendo da administração dos componentes que constituem o Balanço de Pagamento.

00 1.00 2. torna-se um preciosíssimo elemento para a análise macroeconômica.00 -100. BALANÇA DE SERVIÇOS E RENDAS 2.00 ( .798. servindo de valioso auxílio para tomadas de decisões que venham estimular ou inibir determinadas relações com o mercado externo. BALANÇA COMERCIAL Exportações Importações 2. SALDO EM TRANSAÇÕES EM CONTA-CORRENTE (1+2+3) 5. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 .00 -3.00 -2.00 -1. descrevendo as suas funções e assinalando as ligações que existem entre elas. SUPERÁVIT ou DÉFICIT (4 + 5) 500.00 800.00 20.298.00 1.100.00 ( . TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS Entradas Saídas 4.00 18. CONTA DE CAPITAL E FINANCEIRA 5.000.1 Turistas Entradas Saídas 2. Todas as transações que um residente de um país realiza com residentes de outros países serão. Investimentos a curto prazo Entradas Saídas 6. Transferências Unilaterais e a Conta de Capital e Financeira.Síntese de um Balanço de Pagamento – US$ milhões 1.00 (-) .) 2.00 1.2 Lucros Entradas Saídas 2. basicamente. dependendo da natureza.00 ( . Investimentos Diretos Entradas Saídas 5. buscando o equilíbrio que lhe proporcionará ganhos.000.2.000.) 300.000.1.500.00 500.00 ( .00 500.3. Empréstimos e Financiamentos Entradas Saídas 5.) 1.00 -1.00 2.00 O Balanço de Pagamento consiste. registradas em uma das quatro contas mencionadas.500.) 3.00 800.00 ( .00 300.500.) 100. a principal função do Balanço de Pagamento é indicar aos governantes a situação do seu país em relação ao comércio internacional.) 600.) 500.00 200.00 ( .00 500. Balança de Serviços e Rendas. Portanto. em quatro contas: Balança Comercial.200.00 ( . Neste sentido.3.3 Juros Entradas Saídas 3. Iremos analisar separadamente as quatro contas que compõem o Balanço de Pagamento.800.

passando a receber juros. Outra subconta na Balança de Serviços é o lucro. ou seja. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . o país que recebe a empresa multinacional estará recebendo divisas. Caso o resultado seja negativo significa que esse país recebeu. terá um retorno em forma de juros. os pagamentos efetuados não têm contrapartida. divisas entram. Inclui-se. e negativo quando a saída de turistas for maior. Assim. diz-se que o saldo é negativo ⎯ déficit. entre elas: turismo. Quando um país recebe o turista. há várias subcontas. Concerne às empresas multinacionais que enviam seus lucros ao país-matriz. e os Investimentos a curto prazo. divisas saem. Ao contrário. o saldo na Balança Comercial é positivo ⎯ superávit. Empréstimos e Financiamentos. nos anos anteriores. o saldo positivo pode representar uma menor absorção de poupança externa dos anos anteriores ou simplesmente o melhor desempenho das exportações que possibilitaram o saldo comercial positivo o suficiente para cobrir a Balança de Serviços e Rendas. Quanto à conta de Capital e Financeira. Para o país devedor. na Balança de Serviços. gerando a entrada de divisas. citaremos as três principais subcontas: Investimentos Diretos. o capital emprestado significará a saída de divisas e para o país contemplado a entrada de divisas. poupança externa provenientes da conta de Capital e Financeira. Para o país fornecedor do empréstimo. O saldo em Transações em Conta-Corrente é a soma dos saldos da balança comercial. Os Investimentos Diretos ocorrem quando uma empresa nacional se instala em outro país ou quando essa empresa faz investimentos na sua subsidiária. ou seja. São os registros das entradas e saídas de divisas. quando seus residentes vão ao exterior. também. através das doações de residentes de um país para residentes de outros países e as remessas feitas por empregados estrangeiros para familiares no país de origem. Caso contrário. Na Balança de Serviços e Rendas. forneceu empréstimo a outra nação. o país a que a empresa pertence registrará a saída de divisas. a subconta juros. O saldo da subconta turismo será positivo sempre que a entrada de turistas for maior que a saída. Quando as exportações superam as importações. isto é. balança de serviços e renda e de capital e financeira. Nas Transferências unilaterais. quando as importações são maiores que as exportações. o pagamento dos juros significará a saída de divisas. Se um país é credor. o que representa a saída de divisas para a nação-filial e entrada de divisas para o país de origem. quando as compras são maiores que as vendas. levando o país a uma dependência ainda maior dessa mesma conta.Na Balança Comercial são registradas as exportações e importações de mercadorias. Os Empréstimos e Financiamentos representam o dinheiro que um país empresta a outro. lucros e juros. quando um determinado país vende mais e compra menos no mercado externo. pois necessitará de mais recursos financeiros para conseguir fechar o exercício do presente ano.

registrando-se a saída de divisas na subconta lucro da Balança de Serviços e Rendas.00 no Movimento de Capitais. O país que recebe essa aplicação estará. do Fundo Monetário Internacional – FMI.Os Investimentos a curto prazo são os recursos financeiros que residentes de um país aplicam em outros países ⎯ geralmente no mercado monetário ⎯. O superávit na balança comercial ocorreu porque as exportações superaram as importações. proporcionando. representou a entrada de divisas na subconta investimentos diretos da conta de Capital e Financeira. Sendo assim. em conseqüência da remessa de lucros das multinacionais e dos juros pagos aos credores internacionais. O resultado no final do ano em Transações em Conta-Corrente foi negativo em US$ 3. principalmente na década de 70. pois os juros pagos aos credores internacionais interferiram diretamente na subconta juros da Balança de Serviços e Rendas. A curto prazo. em outra conta. em contrapartida. recebendo divisas.800. fechando negativo o Balanço de Pagamentos. Mas. Daí a necessidade de gerar superávits na Balança Comercial para financiar as remessas de lucros das multinacionais e garantir o pagamento dos juros da dívida externa. esse fato tende a pressionar negativamente as Transações–Correntes do país. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . Portanto.00. As transferências unilaterais. sabe-se porém que essa ajuda amplia o endividamento externo do país.500. quando ainda assim a conta de Capital e Financeira não consegue superar o saldo da conta de Serviços e Rendas. mesmo que a Balança Comercial tenha apresentado superávit. não têm possibilidade de alterar o resultado final do Balanço de Pagamento. por movimentarem pouca quantia em dinheiro. acarretando um déficit no Balanço de Pagamentos na ordem de US$ 1.00 na Balança Comercial e de US$ 1. que poderão auferir um retorno financeiro superior ao retorno proporcionado por investimentos no país onde reside. Assim. a longo prazo.00. principalmente. haverá saída de divisas para o país onde residem os aplicadores. fica claro que o superávit de uma das contas do Balanço de Pagamento poderá se transformar posteriormente em déficit. até os dias atuais. a evasão (saída) de divisas ao efetuarmos o pagamento dos juros.00. podemos concluir que. Neste caso. em torno de U$S 3. Finalizando o nosso estudo sobre o Balanço de Pagamentos. os reflexos do ingresso desse dinheiro na nossa Economia.298. estimulados por ganhos provenientes das altas taxas de juros. vamos analisar o resultado da estrutura do nosso Balanço de Pagamento hipotético: verificam-se superávits de US$ 500. tivemos. o superávit no movimento de capitais decorreu da entrada. A Balança de Serviços e Rendas apresentou um elevado déficit. a curto prazo. No entanto. o lucro dessas empresas retorna ao seu país de origem. não foi suficiente para evitar o déficit da Balança de Serviços e Rendas. Alguns exemplos contribuirão para melhor entendermos a interrelação existente entre as 4 (quatro) contas do Balanço de Pagamento: o Brasil recebeu bastantes empréstimos externos. o que significou a entrada de divisas na subconta de empréstimos e financiamentos. de investimentos a curto prazo. Outro exemplo de peso é a instalação das empresas multinacionais no Brasil. cuja missão é socorrer as nações com dificuldade em fechar o Balanço. principalmente.798. apela-se para as reservas cambiais do país e à ajuda externa. em contrapartida.

um dos mais surpreendentes. Com isso. Doutrina econômica dos séculos XVI a XVIII. pp. . O sapateiro não tenta fazer suas próprias roupas. O alfaiate não tenta fazer seus próprios sapatos. Já pela terceira parte do século XVIII. sobre a internacionalização do capital e a interdependência entre as nações. 438/439) Dentre os relatos históricos.6. Em seu livro A Riqueza das Nações: Investigação Sobre Sua Natureza e Suas Causas. teria que possuir um “pool” de colônias e auferir delas o máximo de riquezas. empregada de forma que possamos auferir alguma vantagem” (Smith. e sim utiliza os serviços de um alfaiate . A eliminação das barreiras alfandegárias e. mas compra-os do sapateiro. descrevem de maneira profética. conhecidos como os mais severos críticos do sistema capitalista. com formação de grandes conglomerados econômicos e a forte tendência à unificação dos mercados. do economista clássico Adam Smith (1723-1790). Se. 1776. é do célebre filósofo e economista Karl Marx (1818-1883) e de seu amigo e colaborador Friedrich Engels (1820-1895). para ser considerada desenvolvida. Se os produtos fabricados no país podem ser nele comprados tão barato quanto os importados. O mercado INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . lançado em 1848. Cada país deveria se especializar na produção de bens e serviços que proporcionassem ganhos de escala. que a contemporaneidade constitui mais uma etapa do processo histórico da globalização da economia. . a medida é evidentemente inútil. Tópicos Especiais Sobre a Globalização da Economia Neste tópico observaremos. a aquisição de produtos a custo menores. todas as nações sairiam ganhando com a plena liberdade comercial. ou danosa. Em princípio aludiremos a um sistema que se originou das Grandes Navegações – o Mercantilismo. a orientar pessoas particulares sobre como devem empregar seus capitais – o que. Smith traça o seguinte quadro do comércio internacional: “Outorgar o monopólio do mercado interno ao produto da atividade nacional. porém. a norma é necessariamente prejudicial . representa uma norma inútil. transformando-as em financiadoras do processo de internacionalização. Uma nação. a onipresença do capitalismo pelo mundo. de modo a financiar a aquisição de excedentes de outros países. . o preço do produto nacional for mais elevado que o importado. possibilitaria a diversificação do consumo nacional e a melhoria no nível de bem-estar. em conseqüência. em qualquer arte ou ofício. Marx e Engels argumentam: “A grande indústria criou o mercado mundial. considerava o comércio internacional como ferramenta importante para o desenvolvimento de uma nação. o acúmulo de metais preciosos e o superávit na balança comercial eram os principais fundamentos econômicos. inicialmente. . mais precisamente.8. em quase todos os casos. de certo modo. o comércio internacional fora respaldado cientificamente pela Teoria da Vantagem Absoluta. em 1776. é melhor compra-lo com uma parcela da produção de nossa própria atividade. No Manifesto do Partido Comunista. sendo parte da produção destinada ao mercado nacional e o excedente utilizado no mercado externo. equivale. para o qual a descoberta da América preparou o terreno. Se um país estrangeiro estiver em condições de nos fornecer uma mercadoria a preço mais baixo do que a mercadoria fabricada por nós mesmos.

permanecendo até então uma complexa teia de proteção consubstanciada na forma de barreiras tarifárias e não tarifárias. 8.6.mundial deu imenso desenvolvimento ao comércio. Com rápido aperfeiçoamento de todos os instrumentos de produção. . Adam Smith no século XVIII e Karl Marx e Engels no século XIX. os bens primários não foram colocados na preferência dos debates. A necessidade de mercados cada vez mais extensos para seus produtos impele a burguesia para todo o globo terrestre. mas em todos as partes do mundo . principalmente.49) O mercantilismo no século XVI à XVIII. a burguesia deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países . com as comunicações imensamente facilitadas. desenvolve-se em todas as direções um intercâmbio universal. criar vínculos em toda parte. 1997. Essa questão já foi abordada amplamente por Adam Smith no século XVIII. mais uma fase do desenvolvimento do capitalismo. . superando as tradicionais discussões. possibilitando sua livre circulação sem protecionismo que impõe estorvos ao comércio internacional. que versavam principalmente a intensificação do comércio de INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . negociou-se a eliminação gradativa de barreiras alfandegárias. iniciada em 1986 e concluída em 1993. . O debate sobre a eliminação de barreiras limitou-se à bens de informática e telecomunicações.46. para alguns produtos. e cujos produtos são consumidos não somente no próprio país. E continuam Marx e Engels explicando o que seria hoje a base logística e o perfil de concentração industrial inerentes a globalização: “As antigas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a ser destruídas a cada dia. . .1 Globalização: “Rodada Uruguai” e Conceito Atual Alguns estudiosos citam a “Rodada Uruguai”. os subsídios aos produtores agrícolas dos Estados Unidos e União Européia. instalar-se em toda parte. a burguesia arrasta para a civilização todas as nações. cuja introdução se torna uma questão de vida ou morte para todas as nações civilizadas – indústrias que não mais empregam matérias-primas locais. São suplantadas por novas indústrias. indícios empíricos importantes que nos levam a defender a hipótese e a refletir sobre a questão da interdependência entre as nações como um processo histórico. da oligopolização dos mercados e das diversas formas de intercâmbio entre firmas multinacionais.” (Marx e Engels. Porém.48. . mas matérias-primas provenientes das mais remotas regiões. Através da exploração do mercado mundial. . até mesmo as mais bárbaras . às comunicações por terra . pp. Numa palavra. como os impostos sobre importação de commodities e. do sistema financeiro internacional. O destaque desta Rodada foi a extrapolação do foco das negociações. . . . Os produtores intelectuais de cada nação tornam-se patrimônio comum . com a formação das áreas de livre comércio. . à navegação. Uma ressalva importante quanto à “Rodada Uruguai” é o fato inusitado do favorecimento de mercadorias produzidas nos países centrais. uma universal interdependência entre as nações . cria um mundo à sua imagem e semelhança. representando avanços consideráveis na tecnologia da comunicação. Ela deve estabelecer-se em toda parte. na pauta de discussão dos países participantes. sendo o final do século XX e o início do XXI. como um marco importante no processo globalizante. representam alguns dos períodos em que se manifestaram as idéias sobre a globalização da economia. .47.

d) Inclusão do setor têxtil e de serviços ao sistema multilateral de investimento. As multinacionais vendem seus produtos aos países que oferecerem melhores preços ou mercado para escoamento. Na pauta de discussão houve a inclusão desse setor ao sistema multilateral de comércio. Em busca de um conceito sintetizado poderíamos colocar a globalizaçãocomo uma tentativa ao livre comércio entre as nações. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . Como principais pontos apresentados na “Rodada Uruguai” podemos destacar (Rêgo. 1996): a) Os países desenvolvidos assumiram o compromisso de reduzir as tarifas dos produtos industrializados em média de 49%. (Chesnais. em grande parte. f) Disciplinamento das políticas comerciais e a criação de um novo modelo de solução de disputas comerciais. O trabalho da OMC deve permitir que as relações comerciais internacionais possibilitem ganhos multilaterais. Em relação ao comércio internacional acordou-se uma redução média de 37% nas tarifas de importação. o economista francês François Chesnais apresenta quatro modelos de intercâmbio entre as multinacionais que estabelecem. c) Os produtos agrícolas obtiveram poucos avanços. favorecendo práticas comerciais que permitam uma disputa mais justa entre os países. Japão e União Européia – cabendo aos países periféricos uma inserção passiva. 1996) Ainda sobre o papel das multinacionais no mercado mundial.mercadorias. ficando numa média de 35% e os produtos agrícolas em 55%. passando pelos investimentos internacionais até aspectos direcionados à política industrial. cujos protagonistas são as empresas multinacionais com intensificação das relações filiais-matrizes. as tarifas dos produtos industrializados registrados na OMC não seguiram o acordo. para a construção de regras que vão desde as questões do direito de propriedade intelectual. e) Evolução das discussões sobre direitos de propriedade intelectual. As novas regras firmadas na “Rodada Uruguai” ficaram sob o controle da OMC. posto em prática pelas grandes corporações internacionais. No Brasil. produzem nas regiões onde o custo de produção for menor. o fluxo internacional de mercadorias e capital e dão origem aos recursos financeiros que circulam com alta volatilidade pelos mercados de capitais de todos os continentes. Dessa forma. mais especificamente. que desde a sua criação em janeiro de 1995 tem a responsabilidade de administrar o sistema multilateral de comércio estabelecidas nesta Rodada. polarizam-se os investimentos diretos na tríade – Estados Unidos. b) Ampliação dos produtos registrados na OMC (Organização Mundial do Comércio) de 78% para 99% do total das linhas alfandegárias dos países desenvolvidos e de 21% para 75% dos países em desenvolvimento e de 73% para 98% para as nações consideradas em fase de transição. São eles: •Comércio Intersetorial com Companhias Independentes: exportação das matrizes e das filiais para companhias independentes.

como a Teoria da Vantagem Absoluta de Adam Smith e. com a globalização. Nenhuma nação. podendo barganhar com governos. a Teoria da Vantagem Comparativa de David Ricardo. que suplantam os mercados nacionais. para uma empresa sobreviver nesse mundo dominado pela competição – o reino das “mega-empresas” -. aberto à concorrência internacional.16) 8. o lucro anual dessas empresas chega a ser superior ao PIB (Produto Interno Bruto) de alguns países da América Latina. Destaca Chesnais (1996) que nos países centrais predominam os intercâmbios entre as filiais. 1996. a participação dos assalariados na riqueza social. Já nas nações periféricas predomina o intercâmbio matriz-filial. outro fato comum. Para se obter ganhos no mercado extremamente competitivo.diminui em proporções mundiais. Os autores Hans-Peter e Harald Schumann. •Comércio Intra-Setorial com Intercâmbio Intragrupal: intercâmbio de produtos intermediários entre filiais. melhor. sem comprometer a qualidade. inclusive os do primeiro mundo. deverão buscar incessantemente o aperfeiçoamento do seu produto. deixaram lugar para um novo substituto: a Teoria da Vantagem Competitiva. contribuintes de impostos. intercâmbio intracorporativo de produtos acabados entre filiais e matriz e filiais entre si. oligopoliza o mercado nacional e internacional e reduz a possibilidade do aviltamento dos preços. tem condições de oporse a tal pressão. No mundo todo. Assim. ela deverá conjugar redução de custos com melhorias crescentes na qualidade. destacam a fragilidade das nações diante das multinacionais: “Lucros somente são declarados naqueles países em que a alíquota de impostos seja realmente mínima. o que acarretará o aumento do desemprego onde tais filiais estão instaladas. O processo de aquisição de empresas nacionais por grupos estrangeiros e a fusão entre multinacionais. os manipuladores dos fluxos globais de capital vivem achatando o nível de remuneração dos cidadãos. sozinha.2 Da Vantagem Comparativa à Competitiva As tradicionais teorias do comércio internacional. ocasionando uma monopolização comercial à aquisição do capital e da tecnologia no país do qual a empresa originou-se. posteriormente. elimina pequenos concorrentes. •Comércio Intra-Setorial com Companhias Independentes: intercâmbio resultante de relações de terceirização internacional entre matriz ou filial com companhias independentes. as empresas terão que racionalizar ao máximo sua estrutura produtiva e administrativa.” (Martin. p. Além de contar INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . Também a cota de salários. Dessa forma. cai drasticamente a porcentagem que capitalistas e detentores de patrimônio concedem ao financiamento das metas sociais dos governos. a tendência desses grupos é tornarem-se cada vez mais fortes. cujas conseqüências são o déficit comercial desses países e a redução dos suprimentos locais.6. De outro lado. por isso não se confirma a formação de uma relação de dependência tecnológica e financeira.•Comércio Intersetorial com Intercâmbio Intragrupal: fluxo comercial dentro do espaço próprio “internalizado” da multinacional. através da integração produtiva entre a tríade. Portanto.

com uma infra-estrutura moderna e instituições ágeis. União Aduaneira. Ao contrário. Integração Econômica Total.3 Blocos Econômicos Os Blocos Econômicos têm como principal objetivo estimular as relações comerciais em determinada região. que estão buscando a unificação entre os países geograficamente próximos com características econômicas similares. O último estágio é representado pela Integração Econômica Total. através de um conjunto sofisticado de medidas protecionistas – como os subsídios – que elevam nações (empresas). na tentativa precípua de barganhar vantagens no comércio internacional. segundo estágio. numa tentativa em intensificar o comércio entre os países membros. excluindo os demais. antes incapazes de escoar sua produção no mercado externo. Pois. de desregulamentação e de privatização” (Chesnais. Esses blocos podem se enquadrar em cinco estágios: 1.6. 8. 3. o ganho de uma empresa representará a perda de outra: “O movimento de centralização e concentração vem se desenvolvendo há mais de dez anos de modo sem precedentes. a poderosas concorrentes das nações com natural vantagem comparativa. Para tanto. possibilitando ganhos crescentes aos países cujas empresas detém maior poder de negociação e competitividade. sem leis ou carga tributária que impossibilitem os ganhos dos arranjos produtivos.09) O oligopólio mundial adquire sua vantagem competitiva não só pela sua capacidade técnica. adaptando formas consensuais nas cobranças de taxas aos países não participantes. A União Econômica ocorre quando o bloco encontra-se no estágio do Mercado Comum e possibilita harmonizar as políticas econômicas. sendo favorecidas pelas políticas de liberação. p. Este caso só é possível ocorrer INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 8 . Existe uma situação paradoxal entre globalização e os blocos econômicos. Área de Livre Comércio. O terceiro estágio é a formação do Mercado Comum. Chesnais (1996) observa que o atual quadro de competição entre as multinacionais elimina a essência dos postulados firmados na Teoria Clássica que estabelecia um jogo de soma positiva com ganhos mútuos. se um país conceder algum benefício alfandegário para uma nação. 4. Mercado Comum. ao contrário. nos blocos observa-se uma tendência protecionista entre os países que formam alianças. que após estabelecida a União Aduaneira. União Econômica e 5. A idéia da globalização é conflituosa. acorda-se a eliminação de barreiras aduaneiras. 2. esse deve ser estendido aos demais. Hoje. até certo ponto. Com isso contraria-se a “Cláusula de Nação mais Favorecida” que defende tratamento não discriminatório. Já na União Aduaneira. cuja conseqüência inexorável é o acirramento das disputas. As Áreas de Livre Comércio limitam-se a negociar a redução gradativa das taxas alfandegárias. libera capital e trabalho. além de eliminar as barreiras alfandegárias adota-se uma tarifa em comum para produtos importados dos países que não pertencem ao bloco. 1995. com a formação dos blocos. impulsionado pelas exigências da concorrência aos grupos mais fortes no sentido de arrebatar das firmas absorvidas suas fatias de mercado e reestruturar e ‘racionalizar’ suas capacidades produtivas. como também.

implementando políticas sob a égide do combate à inflação.4 Globalização Financeira A tecnologia de informação possibilita as interligações entre as principais bolsas de valores. que nos blocos. ainda mais. As pesquisas e os conhecimentos científicos e tecnológicos concentram-se nos países ricos.22) Tal procedimento deixa vulnerável a economia dessas nações diante dos ataques especulativos contra o câmbio. sim. sendo o objetivo dos aplicadores internacionais obter ganhos em curto prazo. entre os conglomerados de países.(Chesnais. a maioria dos acordos limitam-se aos países participantes. graças à velocidade de informações. criando-se um Banco Central único e uma moeda comum para circular dentro dos países-membros. 8. cuja inevitável conseqüência é o aumento contínuo de dívida pública. são os centros decisórios. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 9 . Porém.6. oriundas da dinâmica dos movimentos de capitais. a liberalização dos mercados locais. não havendo a preocupação de transformá-los em investimentos produtivos e muito menos de se ater com as conseqüências que a evasão desses recursos poderão acarretar para alguns países. estimuladas pelos avanços tecnológicos. agravando. . a formação dos blocos de menor poder econômico. trata-se da dinâmica do capitalismo financeiro cujo dinheiro. Dentro da dinâmica dos blocos é plausível construir um canário onde as negociações não serão realizadas no âmbito dos países isoladamente e. está circulando por todos os continentes. obrigando os governos a adotarem uma política monetária contracionista com elevação das taxas de juros sempre que se esboça um movimento de retirada – ou mesmo ameaça – de dólares desses mercados. mesmo com a formação dos Blocos. Ordens de compra e venda de ativos financeiros acontecem numa velocidade sem precedência histórica. Certamente. 1995. Essa vertente de captação de recursos servirá para atrair divisas. o que não mudará nessa nova etapa do capitalismo. p. impondo barreiras a países não membros. ou até mesmo. A exclusão de uma nação. que permanecerão nas regiões desenvolvidas. tornaram-se o pagamento dos juros e do principal das dívidas públicas e a garantia de taxas reais positivas. É importante ressaltar. outra faceta da globalização transcende os limites das fronteiras dos blocos.quando o bloco atinge o estágio de União Econômica. Portanto.” . . determinará as possíveis desvantagens que um país obterá com o comércio internacional. as disparidades econômicas e sociais. objetivando lastrear as moedas nacionais de alguns países periféricos: “As prioridades da política econômica de muitos governos. passando pela tradicional avaliação financeira e patrimonial das empresas até a divulgação de expectativas em relação à condição de solvência de determinados países em relação a seus títulos. através de um mercado financeiro interligado. não apenas da periferia como também do coração do sistema. dividindo o mundo de três à cinco áreas de influência. associada aos movimentos de capitais que “navegam” pelas infovias. capazes de transmitir todo tipo de informação: desde os aspectos políticos relevantes como guerras e golpes.

i) a intensificação na formação dos Blocos Econômicos. em títulos da dívida pública lançados no exterior – commercial papers. respaldado no capital financeiro. 1995.21) A década de 90 apresentou profundas alterações em relação à inserção do Brasil ao crédito internacional. a crescente necessidade da desregulamentação do mercado financeiro nacional para possibilitar o ingresso capital financeiro. Portanto. representa uma extensão do tradicional sistema capitalista.Porém. pois “. A economia mundial no século XXI continua apresentando um elevado poder de barganha das grandes empresas multinacionais. que agora utiliza o mercado de capitais para ampliar os ganhos. esse novo paradigma mundial de acumulação. iv) o papel estratégico das multinacionais na intensificação das relações comerciais e. o capital que se valoriza na esfera financeira nasceu – e continua nascendo – da esfera produtiva. as corporações multinacionais são grandes centros financeiros. em busca de ganhos rápidos e elevados. . em grande parte. Para Pudwell (2003) “Hoje. também. floating rates notes. portanto. A dívida externa acentuada no período do “milagre brasileiro” (1968-73) é transformada. INTRODUÇÃO À ECONOMIA – Autor: Uranilson Carvalho (Professor da FBV) 9 . p. A principal fonte dos recursos financeiros destinados para fomentar a atividade financeira. operando e influenciando as oscilações no mercado de câmbio. que à luz do pragmatismo representaram uma alternativa de curto prazo para viabilizar os programas de controle da inflação implantados em grande parte desses países. v) como fonte originária de grande parte dos recursos financeiros que navegam em frações de segundos por diversos mercados. iii) a abertura da conta financeira com transformação da maior parte da dívida externa dos países em desenvolvimento em dívida interna. em aplicações financeiras variadas e com a compra e venda de moedas estrangeiras” (2003. A retração do tradicional sistema financeiro internacional – cujo escopo eram os bancos – que marcou a origem dos recursos para os projetos desenvolvimentistas brasileiros nas décadas de 60 e 70. que são ações das empresas nacionais negociadas nas bolsas de valores nos principais mercados internacionais. é substituída pela captação de recursos de curto prazo. através dos mercados de capitais.04). origina-se dos oligopólios industriais. na atualidade. consubstanciando numa nova etapa do sistema capitalista denominada de Globalização Financeira. . como também ter resultados em investimentos em bolsa de valores. inclusive ao Brasil. a nova ordem econômica mundial vem representada por um conjunto de importantes características que diferenciam o passado da contemporaneidade. Essa mudança no perfil da dívida impôs aos países periféricos. podemos citar como pontos dignos de destaque. entre outros – e em American Depository Receipts (ADR). Em resumo. que utilizam sua estrutura financeira não somente para dar suporte às operações tradicionais. ii) os avanços na tecnologia da informação. p. sendo uma ilusão a autonomia do setor financeiro.” (Chenais.

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