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VI - Carga e Descarga de Capacitores

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Experimento VI
CARGA E DESCARGA DE CAPACITORES.

1. OBJETIVO: Verificar tempos característicos na carga e descarga de um capacitor, familiarizandose com o uso do osciloscópio na observação de fenômenos transitórios.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:

A figura 1 ao lado mostra o circuito básico a ser estudado. Trata-se de um circuito para estudar os transitórios de carga e descarga de um capacitor. Quando a chave S é ligada no ponto a, estando o capacitor completamente descarregado, estabelecese o transitório de carga do capacitor, pela fonte, através do resistor R1+R2. Após carregado, ligando-se a chave no ponto b tem-se o transitório de descarga do capacitor através do resistor R2. Um circuito como o da figura ao lado é, na realidade, uma representação pictórica de um circuito real, representação essa que pode estar correspondendo a uma bateria ligada através de um interruptor a um capacitor, podendo R1 e R2 estar, respectivamente, representando as resistências internas da bateria e do capacitor. Ao estudar uma situação real no Laboratório, o estudante deve ter em mente que os vários elementos físicos que compõem um circuito nem sempre se comportam como os seus correspondentes ideais. Uma bateria de automóvel de 12V, por exemplo,

nem sempre consegue manter fixa a tensão entre seus terminais como se fosse uma fonte ideal de tensão. Ao contrário, todos sabemos que ao ligar o motor de partida do carro, a tensão da bateria cai, o que podemos perceber bem se os faróis estiverem ligados. A bateria estaria se comportando como uma fonte ideal de tensão associada a uma resistência em série, responsável pela queda de tensão da bateria que é aproximadamente proporcional à corrente consumida. Também um resistor real pode não apresentar entre seus terminais a relação tensão corrente ideal, dada pela relação V = RI. Por exemplo, no caso de uma resistência feita de um fio longo enrolado, em forma de bobina, pode desenvolver-se entre seus terminais uma tensão induzida proporcional à taxa de variação da corrente que lhe atravessa, e teríamos V = RI + L(dI/dt). Nem tampouco, um capacitor real pode em todas as situações, ser representado por uma capacitância pura dada pela relação V = q/C ou (lembrando que I = dq/dt), ou I = C(dV/dt), onde C seria o valor constante da capacitância. O material do dielétrico do capacitor nunca é um isolante perfeito, podendo apresentar uma condutividade apreciável, de forma a levar o capacitor a se comporR1

a
S

b + − ε

R2 C

Figura 1. Circuito básico usado na análise da carga e descarga do capacitor.

tar como uma capacitância pura ligada em série com uma resistência. Voltaremos a esse assunto em maior detalhe na experiência IX. De um modo geral, o estudo detalhado do funcionamento de circuitos reais requer a realização de uma etapa inicial chamada modelamento que consiste na obtenção, a partir do circuito

Eletromagnetismo Experimental

L&M

no circuito em questão. levando-a para a posição a. (1) onde ε é a fem da fonte. Eletromagnetismo Experimental L&M . descarregando-o. de forma a carregar ou descarregar completamente os capacitores existentes. depois de invertida a chave. A equação diferencial resultante para o circuito em questão. aplicando-se a “lei das malhas” à malha (única) do circuito. a tensão nos terminais do capacitor seria inicialmente nula. Uma das finalidades desta e das próximas experiências é a de nos familiarizarmos com o estabelecimento daquela relação entre as situações reais e seus modelos ideais. como circuitos abertos. invertendo-se a chave S inicialmente em b. circuitos com capacitores em situações de regime permanente. Podemos analisar mais facilmente. com o capacitor já completamente carregado.50 Carga e Descarga de Capacitores real.1 CARGA DO CAPACITOR A operação de carga do capacitor (fig. durante a carga do capacitor é: ε . 2a e 2b) se faz. o circuito comporta-se com se estivesse aberto. Conforme é visto na literatura. tratável matematicamente que corresponda de modo mais próximo possível ao circuito real no que tange ao seu funcionamento. onde todos os elementos podem ser matematicamente representados (por exemplo. estando completamente isoladas. de um circuito equivalente idealizado. C a capacitância e q a carga no capacitor no instante de tempo t. R1 S toda carga porventura existente no capacitor já teria se escoado através da resistência e dos contatos da chave. Da mesma forma que em 2a. Se a chave estava inicialmente em b já há bastante tempo.Rdq/dt . 2. A esse circuito ideal. mas que não se tocam. em que todas as cargas já fluíram. através de equações) que poderemos aplicar as poderosas ferramentas matemáticas de análise de que dispomos. R1 a b I=0 R2 C VC a S b I=0 R2 C VC + − ε + − ε Figura 2a. R a resistência. o funcionamento do circuito durante a carga do capacitor é determinado. Antes da operação de carga ( S ligada no ponto b a longo tempo ) o capacitor comporta-se como se fosse um circuito aberto. damos o nome genérico de “modelo matemático” ou simplesmente “modelo” e é nesse circuito equivalente.q/C = 0. Comportam-se portanto. Portanto. capacitores nada mais são que duas peças de condutor colocadas muito próximas uma da outra. Lembremo-nos que fisicamente. R1 S a b I=0 R2 C VC R1 S a b I=0 R2 C VC + − ε + − ε Figura 2b.

determinar a constante de tempo τ (fig. a corrente é proporcional à tensão. Assim.: Ohm x Farad = segundo). resultando um comportamento exponencial. no caso do capacitor se descarregando. tem-se uma expressão exponencial para o decaimento radioativo. Da equação (2). pois a atividade dela é proporcional ao número de átomos radioativos presentes. e como resultado.37ε/R Corrente. o qual usualmente denomina-se constante de tempo do circuito τ ou seja: τ ≡ RC (Obs. nos terminais do capacitor./RC). sendo impossível prever quando um particular átomo irá se desintegrar. O decaimento ou a desintegração de um átomo radioativo é de natureza estatística. a taxa de descarga (ou seja. (5) onde a constante λ de proporcionalidade é denominada constante de decaimento radioativo (que corresponde ao inverso da constante de tempo (fig. Acontece que a própria pressão decresce a uma taxa proporcional à vazão e. i. Ela decorre em razão da emissão de radiação resultante da desintegração de átomos radioativos existentes em determinados materiais. portanto. dN(t)/dt = . Trata-se de situações em que a intensidade com que varia uma determinada variável é proporcional à magnitude da própria variável.VI . (2) e para a tensão VC. Na natureza encontramos inúmeras situações em que os fenômenos ocorrem exponencialmente no tempo. O que se pode dizer é que o número de átomos que se desintegram num certo intervalo de tempo é proporcional ao número de átomos radioativos presentes na amostra ou seja. chama-se meia-vida ao tempo requerido para que a atividade da metade dos átomos instáveis decaia.Carga e Descarga de Capacitores 51 Resolvendo a equação (1) obtemos para a corrente a expressão i = dq/dt = (ε/R)e -t/RC (3) e então derive VC(t) em relação ao tempo. . Sugestão: Tome a eq. Uma situação semelhante se dá no esvaziamento de um pneu furado.e. 4)). Questão 1: Deduza a equação (4). usualmente elevada. nota-se que para t = τ = RC a corrente cai para 1/e (cerca de 37%) da amplitude (ε/R). VC ε/R Tensão. Resposta exponencial e constante de tempo capacitiva. a atividade da amostra decrescerá para a metade do seu valor inicial. pois ela é proporcional à pressão. pois dando-se a descarga através do resistor. Um caso de comportamento exponencial bastante conhecido dos físicos. Inicialmente a vazão é elevada.(2) e Eletromagnetismo Experimental L&M . a corrente) é proporcional à própria tensão. é. V 0. depende do produto RC. a partir de uma análise gráfica. 3). i (4) ε τ Tempo Figura 3.(1) com ε=0 e realize os passos usados na obtenção das eqs. Podemos portanto. mas a taxa de descarga diminui à medida em que a tensão vai diminuindo. No caso dos materiais radioativos. t (3) A rapidez (ou lentidão) com que se dá a carga do capacitor. ocorre com a radioatividade. Integrando a equação (6). No caso da descarga do capacitor através de um resistor tem-se: VC(t) = −RC(dVC/dt). quando a tensão no capacitor é grande. a descarga é rápida no início. resulta: VC = q/C = ε (1 .λN(t). i.. à pressão.

A velocidade de deslocamento do ponto luminoso é proporcional à “inclinação” da rampa aplicada nas placas de deflexão horizontal. ∆V/∆t. digamos.5 USO DO OSCILOSCÓPIO NA OBSERVAÇÃO DE TRANSITÓRIOS O osciloscópio é um instrumento em que um tubo de raios catódicos. pois o deslocamento do feixe será uma composição dos deslocamentos nas direções horizontal e vertical. onde N0 é o número de átomos radioativos existentes no instante inicial (t = 0) e N(t) é o número de átomos presentes no instante t. Veja figura 5. uma senóide como a tensão da rede de energia. determinando a escala do tempo do eixo horizontal que está sendo desenhado pelo feixe. Imagem Vy Tempo Tempo Vx Rampa Figura 6. Resultado da composição da rampa na horizontal com a senóide vertical. (6) mento correspondente produzido no feixe chamamos de “varredura”. O tempo que essa tensão levar para variar de -1V a +1V é o tempo que o ponto luminoso levará para deslocar-se da esquerda para a direita. como o visto em experiências anteriores. traçando uma linha horizontal. com o deslocamento na direção horizontal se dando proporcionalmente ao tempo. a tensão nas placas de deflexão tenha que variar de -1V a +1V. uma função “rampa”. aplicarmos às placas de deflexão vertical uma tensão variável no tempo. O princípio de funcionamento do osciloscópio pode ser facilmente compreendido. o feixe “desenhará” na tela uma figura que é uma réplica do gráfico contra o tempo da senóide ou de outra tensão que estiver sendo aplicada nas placas de deflexão vertical. por exemplo. da esquerda para a direita. pensando-se no feixe de elétrons do tubo de raios catódicos como uma espécie de esguicho. com o qual desenhamos na tela um gráfico de uma variável em função do tempo. veremos o ponto luminoso caminhar a uma velocidade constante no sentido horizontal. essa tensão rampa é chamada de “base-de-tempo e ao desloca- Vy Imagem Tempo Tempo Vx Rampa Figura 5. uma tensão V que cresce linearmente com o tempo. 2. é utilizado para visualizar fenômenos transitórios. Eletromagnetismo Experimental L&M . Sincronismo entre a descarga de um capacitor e a rampa.52 Carga e Descarga de Capacitores N(t) = N0e-λt. Suponhamos que para o feixe deslocar-se da extrema esquerda para a extrema direita. Por isso. Se aplicarmos às placas de deflexão horizontal do tubo. Se enquanto é aplicada a tensão rampa nas placas de deflexão horizontal.

. Para que se possa observar o transitório desde o início a rampa Vx deve disparar um pouco antes ou exatamente junto com o início do transitório. Eletromagnetismo Experimental L&M . c). a observação de um transitório como o da descarga de um circuito capacitivo (fig. como o sinal observado é periódico. 8: em a) a freqüência da tensão rampa. agora. O osciloscópio possui internamente circuitos que realizam esse sincronismo (fig.é igual à freqüência da tensão senóide fs. o próprio sinal da exponencial.Fios de ligação. Senóides. caso não haja sincronismo entre a varredura e o sinal a ser observado? Figura 8. 3.Osciloscópio.47µF .1 MATERIAL NECESSÁRIO . fr. 7 Diagrama funcional do osciloscópio Com ajustes adequados pode-se fazer com que o gerador de rampa dispare no exato momento em que a exponencial se inicia.6 O SINCRONISMO DO FEIXE COM O EVENTO Consideremos. . É necessário sincronizar a rampa com o evento em observação.Gerador de onda quadrada. Obs.85H.Resistor 390Ω. utilizando para isso. se conseguirmos sincronizar a varredura com uma determinada fase de ciclos sucessivos da senóide. Sinal de entrada Amplificador Questão 5: Porque a imagem aparecerá deslocando-se na tela.VI . .Carga e Descarga de Capacitores 53 2. por um circuito que condicione adequadamente esse sinal para disparar a rampa. e a senóide nas placas de deflexão vertical for estabelecida. No caso da senóide. 7). PARTE PRÁTICA Gerador de rampa Tensão de sincronismo 3. em b) temos fr =4fs) .:Confirme com o professor ou com o técnico do laboratório as especificações acima dos dispositivos.Capacitor de 0. a) e b).Caso contrário. a tela mostrará uma imagem parada da senóide (fig. passando-o antes. Figura. . a imagem aparecerá andando. 6).Indutor (bobina) com L∼0. vistas no osciloscópio quando o sincronismo entre a tensão rampa.

MODE”? c) Qual a posição do seletor de sensibilidade do sinal de entrada vertical (VOLT/DIV)? Qual a amplitude da onda quadrada? Qual foi a posição escolhida para o botão “VARIABLE”? Observe que além das opções “VAR” e “CAL” existe a opção “X5MAG”. f) Inverta o controle de atenuação da ponta de prova e.5 micro-segundos por divisão e. Anote a atenuação que foi escolhida na ponta de prova. Compare esses valores com o tempo-de-subida do amplificador vertical especificado pelo fabricante no manual. reajustando adequadamente o seletor VOLT/DIV.1. PROCEDIMENTO 3. Procure se esclarecer sobre a diferença observada e anote. “COUPLING”. Com o botão de controle variável (VAR) da amplitude vertical “CAL”. “SLOPE”. selecione o controle de sensibilidade vertical (VOLTS/DIV) para uma amplitude de onda quadrada de aproximadamente quatro divisões.VAR) na posição “CAL”.2. Verifique e anote: a) Qual a posição do controle de base de tempo (TIME/DIV)? Mantendo o btão de ajuste fino do tempo de varredra (SWP. Familiarizando-se com o osciloscópio (Importante! Procure entender todas as funções do osciloscópio. Consulte o manual quando em dúvidas!) Ligue o osciloscópio e observe a onda quadrada de calibração (CAL 2 Vp-p). b) Qual a posição escolhida para a chave “VERT. “SOURCE”.54 Carga e Descarga de Capacitores 3. até os 90% dessa altura. Chama-se tempode-subida de um pulso. 10). meça novamente o tempo-de-subida da onda quadrada do calibrador. uma onda quadrada conforme mostra a figura 9. meça o “tempo-de-subida” (“rise-time”) dos pulsos da onda quadrada. L&M . o tempo que ele leva desde que passa pelo nível de 10% da altura total.VAR) em CAL. meça o período (e a freqüência) da onda quadrada. do próprio osciloscópio utilizando a ponta de prova. MODE”. ajustando o nível de gatilhamento (LEVEL) de forma a poder observar o detalhe da subida dos pulsos desde o início(fig. Ajuste os controles de forma a obter na tela. “HOLD OFF” e “LEVEL”? e) Aumente a velocidade de varredura para 0.2. Imagem da onda quadrada a ser obtida na tela do osciloscópio. d) Quais posições dos controles de gatilhamento você escolheu para “SWEEP Eletromagnetismo Experimental Figura 9. aproximadamente. Colocando o botão de ajuste fino do tempo de varredura (SWP. selecione a base de tempo (TIME/DIV) para obter aproximadamente 1 pulso a cada duas divisões da tela.

2. Uma seqüência de carga e descarga. Figura 11. Obs. 3) Calcule os erros experimentais e expresse os valores medidos com os respectivos erros. do capacitor. inicialmente. teoricamente.VI . o que impossibilita a medida do tempo τ. R = 390Ω e f ∼ 100Hz. ε O Onde observa-se que a carga e descarga do capacitor não se dá por completo.47µF. e compare com os valores medidos. 12): 2) Meça a tensão inicial na descarga e final na carga do capacitor e determine a constante de tempo capacitiva τ para cada caso (cada conjunto de capacitores considerados). o capacitor de 0. onde G é um gerador de onda quadrada com fem ε de pico a pico. G é um gerador de ondas quadradas e O um osciloscópio. Sugerimos usar. Eletromagnetismo Experimental L&M . τ = RC) de modo a produzir a carga e descarga completa do capacitor. e observe os transitórios de carga e descarga do capacitor ( ou da composição série ou paralela de capacitores. 4) Calcule as constantes de tempo τ esperadas. R G C A ε Tempo Figura 12. Baseie-se nos elementos da figura 19. talvez necessária. para aumentar ou diminuir a constante de tempo τ de forma conveniente a uma melhor observação do transitório ).Medição de transitórios em circuitos RC. Portanto procure no gerador de ondas quadradas uma freqüência f adequada (f<1/τ. não completa.9A 0. Tempo de subida de um pulso de amplitude A. como mostrado na figura 12. 3. 1) Monte o circuito da figura 11. Circuito RC a ser usado na observação da Carga e descarga de um capacitor (ou composição de capacitores).Carga e Descarga de Capacitores Tempo de subida VC 55 ts 0.1A Tempo Figura 10.2 .: Dependendo da freqüência f que se usa no gerador de onda quadrada pode-se observar no osciloscópio um transitório com a forma (Fig.

37ε Carga Descarga τ Tempo Figura 14.63ε 0.56 Carga e Descarga de Capacitores VC ε Tempo Figura 13. Tempo característico de carga e descarga de um capacitor. τ = RC. Seqüência carga e descarga. VC ε 0. Eletromagnetismo Experimental L&M . do capacitor. completa.

Carga e Descarga de Capacitores 57 Anotações: Eletromagnetismo Experimental L&M .VI .