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O oxigênio dissolvido é um dos constituintes mais importantes dos recursos hídricos.

Embora não seja o único indicador de qualidade da água existente, é um dos mais usados porque está diretamente relacionado com os tipos de organismos que podem sobreviver em um corpo de água. Quando ausente, permite a existência de organismos anaeróbios que liberam substâncias que conferem odor, sabor e aspectos indesejáveis à água. Peixes e outras espécies animais necessitam de oxigênio para sobreviver, sendo necessária uma concentração mínima de 2 mg/l para a existência de formas de vida aeróbia superior. Algumas espécies são mais exigentes com relação à concentração de oxigênio dissolvido, necessitando no mínimo de 4mg/l. A concentração de oxigênio dissolvido na água ocorre em função de diversas variáveis: • Características de despejo estão associadas ao fatores de consumo de oxigênio dissolvido no meio, tais como a natureza do material biodegradável envolvido, a facilidade com que ele é biodegradado pelos organismos decompositores, a quantidade de poluente, a vazão despejada etc.; Características do corpo de água estão associadas a facilidade com que as cargas poluidoras são misturadas ao meio aquático. Entre as variáveis mais importantes estão a velocidade do fluido a geometria do escoamento, a intensidade da difusão turbulenta e outras; e Produção de oxigênio: o oxigênio dissolvido no meio aquático pode ser originado pela atividade fotossintética os organismos autótrofos (produção endógena) ou pela reaeração (produção exógena), a qual consiste na passagem de oxigênio atmosférico para o interior do meio aquático por meio da interface ar-água.

Um corpo de água poluído por lançamentos de matéria orgânica biodegradável sofre um processo natural de recuperação denominado de autodepuração. A autodepuração realiza-se por meios de processos físicos (diluição, sedimentação), químicos (oxidação) e biológicos. A decomposição da matéria orgânica corresponde, portanto, a um processo biológico integrante do fenômeno de autodepuração. É importante salientar que os compostos orgânicos bioresistentes e os compostos inorgânicos (incluindo os metais pesados) não são afetados pelo mecanismo de autodepuração. A matéria orgânica biodegradável é consumida pelos decompositores aeróbios, que transformam os compostos orgânicos de cadeia mais complexas, como proteínas e gordura, em compostos mais simples, como a amônia, aminoácidos e dióxido de carbono. Durante a decomposição, há um decréscimo nas concentrações de oxigênio dissolvido n água por causa da respiração dos decompositores.

antes e após o período de incubação de 5 dias a 20 ºC. Em outras palavras. DBO.O processo de autodepuração completa-se. sendo adotado o símbolo DBO 5. A temperatura afeta a taxa de degradação da matéria orgânica.Equipamentos Necessários . desse oxigênio consumido. O processo de autoepuração pode ser dividido em duas etapas: Etapa 1 : decomposição A quantidade de oxigênio dissolvido na água necessária para a decomposição da matéria orgânica é chamada Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). nas quais se adota o símbolo DBO5. a DBO é o oxigênio que vai ser respirado pelos decompositores aeróbios para a decomposição completa da matéria orgânica lançada na água.Demanda Biológica de Oxigênio “A determinação da DBO consiste em medidas da concentração de oxigênio dissolvido nas amostras. pois o metabolismo dos organismos decompositores tende a se acelerar com o aumento da temperatura. A determinação experimental da DBO é convencionalmente feita a uma temperatura de 20ºC. O consumo de oxigênio dissolvido para a digestão de matéria orgânica ocorre durante um certo intervalo de tempo. que se refere à decomposição da matéria orgânica carbonácea. A DBO serve como uma forma de medição do potencial poluidor de certas substâncias biodegradáveis em relação ao consumo de oxigênio dissolvido. consumido por microrganismos aeróbios nas reações bioquímicas de decomposição de compostos orgânicos biodegradáveis”. DBO. Durante esse período ocorrerá redução da concentração de OD na água.20 para representá-la. pela reaeração. diluídas ou não. Convencionou-se que as medições experimentais de DBO devem ser feitas com ensaios que tenham duração de cinco dias.

Transferir por sifonação a amostra diluída de cada balão para três frascos de DBO enchendo-os até transbordar e tendo o cuidado de não deixar bolhas no interior dos mesmos. preencher dois frascos de DBO com água de diluição de modo semelhante ao acima explicado. Essa diluição deve permitir que o consumo de oxigênio dissolvido (OD) durante a incubação da amostra esteja entre 40 e 70% do OD inicial. Para efetivar o controle da água de diluição. cloreto de cálcio e cloreto férrico. Imediatamente após a aeração. Anotar nos frascos a denominação das amostras. . transfira 2000 mL desta água para um balão volumétrico de 2000 mL e acrescente 2 mL da solução tampão de fosfato e das soluções de sulfato de magnésio. Em um balão volumétrico de 1000 mL faça a diluição necessária da sua amostra usando a água de diluição.DBO-Procedimentos Em um béquer de 3000 mL coloque aproximadamente 2500 mL de água destilada e aere por aproximadamente 30 minutos.

Demanda Química de Oxigênio “O teste de DQO corresponde a uma oxidação química da matéria orgânica. em uma reação catalisada. K2Cr2O7. o dicromato de potássio (K2Cr2O7) em meio ácido. utilizando-se a estufa incubadora de DBO. Cálculos Finais DQO. Realizar esse mesmo procedimento com os frascos contendo a água de diluição. Durante a determinação de DQO. obtida através de um oxidante forte. T HgSO4 CaHbOc + Cr2O72.Após 15 minutos determinar a concentração de oxigênio dissolvido inicial (ODi) de um dos três frascos de cada uma das diferentes amostras e incubar as demais (2 réplicas para cada amostra) por um período de 5 dias a 20 °C. a matéria orgânica é convertida a CO2 e H2O”. Determinação: Oxidação da Matéria Orgânica pelo Dicromato: Ag2SO4.+ H+ CO2 + H2O + Cr3+ + Cr2O72- . • • • • Conceito: Medida da matéria (orgânica) oxidável pelo dicromato de potássio. em elevada temperatura. INCUBAR Após 5 dias determinar a concentração de oxigênio dissolvido final (ODf) para todas as amostras incubadas.

Titulação do excesso de dicromato com sulfato ferroso amoniacal. DQO. metodologia analítica para a determinação da demanda química de oxigênio em águas e efluentes pouco poluídos. A grandeza caracteriza-se como um parâmetro particularmente importante por estimar o potencial poluidor ( no caso. Propõe-se então. consumidor de oxigênio) de efluentes doméstico e industriais. No caso de águas.Equipamentos 6Fe3+ + 2Cr3+ + 7H2O Determinação da Demanda Química de oxigênio em água por espectrometria simultânea dos íons Crômio (III) e dicromato Introdução: A demanda química de oxigênio. é uma grandeza que diz respeito à quantidade de oxigênio consumido por materiais e por substâncias orgânicas e minerais que se oxidam sob condições experimentais definidas.Fe(NH4)2(SO4)2: 6Fe2+ + Cr2O72. assim como o impacto dos mesmo sobre os ecossistemas aquáticos. .+ 14H+ DQO.

e medida de absorvância num único comprimento de onda. respectivamente. 240 mg/L e 300 mg/L. Solução catalítica. em um litro de solução concentrada de ácido sulfúrico p. O conteúdo foi armazenado em vidro âmbar com tampa esmerilhada de vidro. 0.05%. em cerca de 800 mL de água recém destilada e. com pureza entre 99. Demonstrando-se que a inter-relação entre as concentrações de DQO. após a clássica oxidação sulfocrômica das amostras. Transferiu-se a cada balão. 4 mL. e diliu-se até as marcas com água recém destilada. e medidas de absorvância em pelo menos dois comprimentos de onda para monocomponente.. devido ao intenso calor de diluição desenvolvido.a. 0.pela espectrofotometria simultânea de íons crômio (III) e dicromato.a. seca a 140° C por uma hora).95% e 100.0593 g de dicromato de potássio ( substância de referência. dissolveu-se 2.95 % e 100. misturou-se a cada tubo alíquotas de 2. Reagentes: Solução referência.L-1 em dicromato. na temperatura ambiente. e 11. diluindo a solução para um volume final de 1 litro. 6 mL.236 g de sulfato de prata p. permite simplificar a resolução numérica do sistema de multicompenente. · · · . · Solução digestora. 7. de crômio (III) formado e de dicromato residual.04 mol/L em sulfato de mercúrio(II). 120 mg/L. Procedimentos: · · Transferiu-se para 6 balões volumétrico de 100 mL 1 mL. 3 mL.a. contendo o equivalente a 3000mgL-1 de DQO: Dissolveu-se 1. Colocou-se os tubos fechados no reator e aqueceu-se a 140°C por duas horas em bloco digestor de alumínio.5 mL das soluções agora diluídas de DQO.5 mol/L em ácido sulfúrico: Diliu-se 85 mL de solução concentrada de ácido sulfúrico p.866g de sulfato de mercúrio (II) p. à quente e catalisada por íons Ag +.5 mL da solução digestora e 5 mL da solução catalítica e homogeneizou-se o sistema.5%.02 mol/L em sulfato de prata e 18 mol/L em ácido sulfúrico: Dissolveu-se 6. 5 mL. armazenando a solução em vidro âmbar com tampa de vidro.a. com água recém destilada. com concentrações de 30 mg/L.a.000mmol. envolvendo diretamente a concentração em DQO..2765g de hidrogenoftalato de potássio ( substância de referência com pureza de 99. para uma coleção de 6 tubos de ensaios devidamente enumerados de 25 mm de diâmetro por 250 mm de comprimento ( com paredes grossas. 60 mg/L. e 1. alíquotas de 2. envolvendo as concentrações desses dois íons. nessa solução. 2 mL. acidulada em 1 mL de solução concentrada de ácido sulfúrico p. respectivamente. seca a 120°C por duas horas) em meio litro de solução. 180 mg/L. usados em digestão ácidas a quente) Com os devidos cuidados.

· Após resfriamento até a temperatura ambiente.704 0.244 0.454 0. em cubetas com caminho ótico de 1cm padronizada com água destilada. leu-se as absorvâncias a 415 nm. 430 nm e 445 nm.626 0.570 0.377 0.346 0.391 0.465 0.536 0.192 445 nm 0.604 0.108 Gráfico 1: Curva analítica para determinação de DQO. Os valores encontrados estão dispostos no Quadro 2 abaixo: Quadro 2: Valores de Absorvância em cada comprimento de onda de cada amostra Comprimento de Tubo 1 Tubo 2 Tubo 3 Tubo 4 Tudo Tubo 6 onda 5 415 nm 0.648 0.228 0.579 0.295 0.192 430 nm 0. em l = 430 nm .

além do fósforo.Consequencias da eutrofização As principais conseqüências da eutrofização acelerada podem ser entendidas quand A camada superior do lago passa a ser zona’produtora ‘ de oxigênio. Os baixos teores de oxigênio dissolvido na água alteram a composição das espécies de peixes presentes no meio. como trihalometanos. As conseqüências da eutrofização podem ser englobadas em duas categorias: 1) impacto sobre o ecossitema e a qualidade da água: • • A diversidade biológica diminui. haverá um crescimento excessivo de algas azuis. alterando condições químicas como o pH. que são produzidos quando a água sofre desinfecção por cloro em estações de tratamento. amônia. ferro e manganês e outros compostos. Com o agravamento do processo. diversas espécies podem estar presentes. e A decomposição anaeróbia que ocorre no fundo do lago libera metano. • • • 2) impactos sobre a utilização dos recursos hídricos: . pela presença dos decompositores. Alguns desses compostos são precursores de compostos halogenados. gás sulfídrico. se não houver nitrogênio na forma de nitrato. A quantidade de matéria orgânica a ser decomposta é tão grande que os peixes passam a competir com os decompositores pelo oxigênio disponível. pois poucas espécies sobrevivem às condições adversas. e a camada inferior do lado passa a ser zona ‘consumidora’ de oxigênio. pois haverá oxigênio disponível apenas em uma estreita camada superficial. totalmente tomada pelas algas. Disso resulta a morte de peixes e a sobrevivência das espécies menos exigentes. mesmo essas espécies desaparecem. As concentrações elevadas de compostos orgânicos dissolvidos provocarão sabor e odor desagradável e diminuirão a transparência da água. potencialmente cancerígenos. por exemplo. pela presença de algas. caso haja nitrato em quantidade suficiente. Há alteração das espécies de algas presentes no meio.

• A utilização do corpo de água como manancal de abastecimento fica prejudicada porque o excesso de algas obstrui os filtros das estações de tratamento. e. pode haver a formação de trihalometanos. Investigações epidemiológicas têm mostrado elevada correlação entre a presença de grandes concentrações de algas azuis e epidemias de distúrbios gastrintestinais. após a cloração. dificulta a operação para o controle de PH e da floculação e aumenta os custos para o controle de odor e sabor. pois e torna necessário instalar filtros de carvão ativado e unidades para remoção do ferro e do manganês. impedindo atividades como a natação e dificultando até mesmo o acesso de barcos. O uso do corpo de água para irrigação também fica comprometido em virtude da obstrução nos sistemas de bombeamento e crescimento de macrófitas nos canais. e Há perda de valor comercial das propriedades localizadas nas margens dos corpos de água que sofrem eutrofização • • • • . O uso recreacional do corpo de água fica prejudicado.