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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA CAMPUS DE JI-PARANÁ DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

Pós-graduação Latu Sensu em Engenharia Ambiental

Disciplina: Química Ambiental Professora: Prof. Dra. Adaiane Spinelli

UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA CAMPUS DE JI-PARANÁ DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

CAPÍTULO 1

Introdução
Para muitos de nós, a química do meio ambiente é uma área do conhecimento que surgiu dentro da química nestas últimas décadas. No entanto, é importante que se tenha em mente que essa hipótese não procede. Uma viagem pelo tempo nos mostra documentos do século XVII nos quais se observa a preocupação com a devastação do meio ambiente em regiões do Reino Unido próximas de onde se fazia a extração do carvão. Num dos volumes do periódico inglês Nature, datado de 1872, há uma minuciosa análise da qualidade do ar nas cidades inglesas de Londres e Manchester, inclusive apontando para o perigo das altas concentrações de SO2 observadas naquelas atmosferas urbanas (Thorpe,1872). A partir da década de 60, a sociedade foi repentinamente tomada por uma nova ordem. A informação transformou nosso planeta em um sistema único, interligado. Quando vimos a primeira fotografia do nosso planeta tirada de uma nave espacial, descobrimos que a Terra era realmente azul, flutuando no espaço como se fosse um organismo vivo, único. Descobrimos também que o uso indiscriminado de pesticidas estava colocando em risco a nossa saúde ao contaminar os alimentos e as águas; que o lixo urbano e industrial estavam sendo descartados inadequadamente e que o nosso ar estava se tornando irrespirável. O modelo econômico em prática não mais servia porque tratava o nosso planeta finito e limitado como se fosse algo infinitamente rico e capaz de prover recursos ilimitados a uma população que crescia assustadoramente. Como se não bastasse, via a indústria química como um mero transformador desses recursos naturais em bens de consumo, sem se importar com os rejeitos impactantes gerados nessas transformações. A década de 70 já mostra claramente os resultados produzidos como fruto da organização e da mobilização da sociedade, agora protegida por uma legislação ambiental cada vez mais restritiva, preocupada com o destino dos compostos químicos no meio ambiente, com a avaliação de risco ambiental e com o risco de exposição às novas moléculas produzidas pelo homem, de cuja toxicidade pouco se sabia. A partir dos anos 80, e até os dias de hoje, abraçada pela mídia, à questão ambiental passa a ser um tema de discussão em todos os segmentos da sociedade. Dados recentes do IBGE mostram que a expectativa de vida do brasileiro passou de 43,3 anos, na década de 50, para 68,1 anos em 1998. Parte apreciável do salto desse indicativo de qualidade de vida se deve aos avanços da química na área de saneamento ambiental e processos de desinfecção de água, ao aumento e diversificação da produtividade agrícola à custa de insumos químicos, bem como da bioquímica, que serve como base da medicina preventiva, desenvolvendo vacinas e novas drogas que aumentam a nossa longevidade. Segundo Miller (1985), nosso planeta pode ser comparado a uma astronave, deslocando-se a cem mil quilômetros por hora pelo espaço sideral, sem possibilidades de parada para reabastecimento, mas dispondo de um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e de reciclagem de matéria. Há atualmente, na

astronave, ar, água e comida suficientes para manter seus passageiros. Entretanto com o progressivo aumento do número destes passageiros, em forma exponencial, e a ausência de ponto de reabastecimento, estamos com problemas sérios para a manutenção de sua população. Pela segunda lei da termodinâmica, o uso de energia implica degradação de sua qualidade. Como conseqüência da lei da conservação da massa, os resíduos de energéticos somados aos de matéria, alteram a qualidade do meio ambiente. A tendência natural de qualquer sistema, é de aumento de sua entropia (grau de desordem). Assim o homem ao utilizar-se da inesgotável energia solar, processam, por meio de sua tecnologia e de seu metabolismo, os recursos naturais finitos; gerando algum tipo de poluição. Do equilíbrio entre os três elementos: população, recursos naturais e poluição dependerão o nível de qualidade de vida no planeta. A lei da conservação da massa mostra que nunca estaremos livres de algum tipo de poluição. Uma conseqüência da segunda lei da termodinâmica é o fato de ser impossível obter energia de melhor qualidade do que aquela disponível inicialmente, ou seja, não existe a reciclagem completa da energia. Logo a energia dispersada em qualquer transformação será perdida para sempre. Outra conseqüência é o aumento da entropia, o que implica maior desordem nos sistemas locais, regionais e globais. De acordo com essas observações, se não forem tomadas medidas de controle ambientais eficientes, a previsão é de que haverá um aumento da poluição global. Desprezando-se o problema da possível falta energia, mesmo que exista uma alta taxa de reciclagem de matéria, se o crescimento industrial continuar a uma taxa incompatível, por mais que se recicle sempre haverá a necessidade de se obter mais matéria e sempre sobrará detrito não-reciclável. Assim, explorando-se os recursos naturais inadequada, mais poluentes e energia de baixa qualidade serão produzidos, resultando em excessivos problemas para a terra. Um exemplo típico desses problemas é uma possível alteração do efeito estufa, em função do aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. O consumo inadvertido e rápido de combustíveis fósseis resulta em quantidades de dióxido de carbono que a natureza não é capaz de absorver totalmente. Percebe-se que será necessária uma ação externa para manter os sistemas em estado de menor entropia. A conservação do meio ambiente tem seu custo econômico e o compromisso adequado deve ter, como meta, o desenvolvimento sustentável.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA CAMPUS DE JI-PARANÁ DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA AMBIENTAL CAPÍTULO 2 .

aplicar as leis das combinações químicas às reações. é importante conhecer as quantidades dos reagentes que são necessários para produzir determinadas quantidades de produto. Os cálculos estequiométricos. . em princípio.relação de mol com átomos ou moléculas. Grau de Pureza Os materiais que participam de um processo químico geralmente não são puros. 2º ) Sublinham-se.2. em 60 gramas de cloreto de sódio. Assim. Podem-se considerar quatro tipos de problemas que envolvem cálculos estequiométricos: . escrevem-se os dados estequiométricos correspondentes às unidades dos dados (mol. se trabalhamos com NaCl com 20 % de impurezas. ou seja. Por isso. volume molar). . as substâncias envolvidas nos dados e perguntas do problema. gramas. escrevem-se os dados do problema. por exemplo. estabelecendo-se assim a regra de três. . são de dois tipos: . 1. Cálculos Estequiométricos 1. que corresponde ao sal mais as impurezas que poderiam ser outras substâncias. Cálculo estequiométrico é o cálculo das quantidades das substâncias envolvidas numa reação química. 4º ) Abaixo dos dados estequiométricos. temos: .calcular a quantidade de um dos reagentes necessária para produzir determinada quantidade de produtos através de uma dada reação química.Química Geral 1.relação de volume com volume.relação de massa com massa.1. 5º ) Resolve-se a regra de três. Por exemplo. 3º ) Abaixo das fórmulas. na equação química. . número de átomos ou moléculas.relação de massa com volume. pois estas não participarão da reação química. Para facilitar a resolução de problemas que envolvem a estequiometria deve-se seguir determinada técnica: 1º ) Equaciona-se e ajusta-se a reação química. calcular a quantidade de um componente do produto da reação química. teremos uma massa total. em cálculo estequiométrico. Estequiometria Para trabalhos em laboratórios ou indústrias.dada uma determinada quantidade em massa ou volume de um reagente. muitas vezes é necessário descontar as impurezas.

o excesso estará com o reagente que pertencer ao maior produto. Excesso de reagente Muitas vezes o enunciado do problema fornece as quantidades de dois reagentes. 1. Exemplo: na reação de 100 g de NaOH com 73 g de HCl. .5. Logo.3. 1. se forem diferentes. 1. que é a Lei de Gay-Lussac. então.Aparelhagem utilizada. Estabelece-se. o excesso será: 100 .Impureza das substâncias. tais como: . pois é toda a substância que possui. Leis Volumétricas São aquelas que estabelecem relações entre os volumes das substâncias que participam de uma reação química. neste caso. Conclusão: existe excesso de NaOH.4. Rendimento de uma reação O rendimento de uma reação química está relacionado com vários fatores. . A maneira mais fácil de determinar se a lei de Proust é obedecida ou não é multiplicando os meios e os extremos. Este excesso será: x = 80 g de NaOH (é a quantidade de NaOH que reage).80 = 20 g.20 % de impurezas = 12 g 80 % de NaCl puro = 48 g Massa total = 60 g Como se determina estas quantidades (pureza e impureza)? A massa total (60 g) corresponde a 100%. .Deficiência do operador. se obedecem à lei de Proust. uma regra de três simples para determinar as outras percentagens. existirá excesso de algum reagente? Deve-se verificar se estes valores constituem uma proporção. Se estes dois produtos são iguais. é necessário verificar se algum dos reagentes está em excesso. isto é. As leis volumétricas podem ser englobadas em uma única lei. uma vez completada a reação. estes valores constituem uma proporção.

em 1961. basta citar a massa do átomo de hidrogênio. Assim: Observe na Tabela Periódica a massa atômica: MACl = 35.5 u MAFe = 55. o Cl35 e o Cl37. Logo.6. então. Os isótopos são átomos de um mesmo elemento químico que apresentam diferentes números de massa. uma relação simples.5 u . isto é impossível. Massa atômica de um elemento: Os elementos apresentam o fenômeno da isotopia. Para ilustrar a afirmação acima. A massa atômica é o número que indica qunatas vezes um determinado átomo é mais pesado que 1/12 do isótopo 12 do átomo de carbono. No caso da massa de moléculas e átomos. Estudo das massas As massas pequenas geralmente são expressas na unidade gramas (massa absoluta). Massa Atômica de um Átomo: Uma vez determinada a unidade padrão.8 u MACu = 63. uma massa qualquer. pesar um átomo é compará-lo com a mesma. Para saber a massa atômica do cloro faz-se. na proporção de aproximadamente 25%.Lei de Gay-Lussac " Os volumes dos gases que reagem e os volumes dos gases formados numa reação química guardam.66 x 10(-24) gramas. Portanto. "Massa Atômica de um elemento é a média ponderal das massas dos isótopos que constituem o elemento químico". Unidade de Massa Atômica (u). uma média ponderal das massas dos dois isótopos existentes. então comparamos com outra que é denominada de unidade de massa atômica(u). significa comparar essa massa com um padrão. é impossível a compararmos com a massa padrão gramas. ou seja. a massa atômica de um elemento será uma média das massas desses isótopos. foi adotada como unidade de massa atômica o isótopo 12 do átomo de carbono. Logo. devemos abandonar a unidade gramas e utilizar outra que é mais própria. expressas por números inteiros e pequenos. a barra de giz é três vezes mais pesada que a unidade padrão que é o grama. "Pesar". isto é. Atribui-se para o C-12 a massa atômica igual a 12 unidades. quando medidos nas mesmas condições de temperaturas e pressão ". determinar quantas vezes o átomo é mais pesado que o padrão. como no caso dos átomos. Exemplo: uma barra de giz pesa três gramas. entre si. que é 1. Comprovação da Lei 1. ao se tratar da massa de átomos (massas atômicas) e da massa das moléculas (massas moleculares). Qual será a massa atômica do cloro? O cloro aparece na natureza sob a forma de dois isótopos. o Cl35 ocorre na natureza na proporção de aproximadamente 75% e o Cl37. Na convenção da IUPAC. mas quando se trata de massas extremamente pequenas.

1 átomo de Oxigênio é 16/12 vezes mais pesado que 1 átomo de Carbono. Na prática. A massa molecular é o número que indica quantas vezes uma determinada molécula é mais pesada que 1/12 do isótopo 12 de carbono. Esse número foi denominado de Número de Avogadro ou Constante de Avogadro.Oxigênio = 16u As massas atômicas indicam quantas vezes um átomo é mais pesado do que 1/12 do C12.7. temos: MA . determinar a massa de um átomo ou o número de átomos contidos numa determinada massa de um elemento químico. Fazendo um estudo comparativo com a massa atômica de alguns elementos diferentes. utiliza-se uma balança que determina a massa em gramas.OBS: o motivo pelo qual as massas atômicas dos elementos são fracionárias é justamente porque os isótopos não apresentam massas iguais e não aparecem na mesma proporção na natureza. Necessita-se. portanto. a massa molecular é determinada pela soma das massas atômicas dos elementos que formam a molécula. Logo. Constante de Avogadro No laboratório.Carbono = 12u MA . 14 gramas de nitrogênio e 16 gramas de oxigênio apresentam o mesmo número de átomos. pode-se escrever: Se x átomos de carbono pesam 12 gramas então o mesmo x átomos de nitrogênio devem pesar 14 gramas e x átomos de oxigênio devem pesar 16 gramas.Nitrogênio = 14u MA . em aulas práticas. Passando as massas atômicas para a unidade gramas e comparando com o carbono. Com isso: 1 átomo de Nitrogênio é 14/12 vezes mais pesado que 1 átomo de Carbono. Conceito de Mol .8. Massa Molecular (MM): Os grupos de átomos que formam as substâncias denominamos molécula. 12 u de Carbono = a massa de 1 átomo de Carbono 12 g de Carbono = a massa de átomos de Carbono 14 u de Nitrogênio = a massa de 1 átomo de Nitrogênio 14 g de Nitrogênio = a massa de átomos de Nitrogênio 14 u de Oxigênio = a massa de 1 átomo de Oxigênio 14 g de Oxigênio = a massa de átomos de Oxigênio 1.02 vezes 10 elevado na 23ª potência de átomos. 12 gramas de carbono. O número de átomos existentes quando a massa atômica de um elemento é expressa em gramas e foi determinada por Avogadro como sendo igual a 6. 1.

Esse volume fixo é denominado de Volume Molar.7 l nas CNTP O químico alemão Loschmidt determinou que 1 cm3 de qualquer gás a 0º e 1 atm de pressão encerra moléculas. Exemplo: LiF A representação de Lewis dos átomos de Lítio e Flúor é a seguinte: Li (3Li0: 1s2 2s1) F (9F0 1s2 2s2 2p5) .A palavra "mol" pode ser comparada com outros sistemas de contagem de objetos ou partículas. uma dúzia expressa uma quantidade igual a doze de qualquer produto ou material (laranja. íons. Volume Molar Observou-se. 1 mol de moléculas = moléculas. Normalmente. tornando inviável sua contagem em dezenas ou outros sistemas. a ligação iônica é formada entre elementos químicos que estão em lados opostos da tabela periódica.7 litros para qualquer gás. 1 mol de elétrons = elétrons. O átomo mais eletropositivo apresenta uma energia de ionização tão baixa que cede um ou mais de seus elétrons para o outro átomo formando um íon positivo. mesas.). 1 mol = partículas (átomos.9. que um mol de moléculas de qualquer substância gasosa. elétrons.CNTP (0º e 1 atm). Metais do grupo 1 e 2 formam ligações iônicas com elementos não-metálicos dos grupos 17 e 18 da tabela periódica. 2. cadeiras. nas condições normais de temperatura e pressão. Este número é denominado de Número de Loschmidt. foi determinado o volume molar nas condições normais de temperatura e pressão . etc) Exemplos: 1 mol de íons = íons. Volume Molar = 22. experimentalmente. prótons. Experimentalmente. Ligação Iônica A diferença de eletronegativadade é tão elevada que os átomos ligados entre si formam íons. ovos. Os átomos. 1. etc. moléculas. sendo constante e igual a 22. ocupa um volume fixo. Assim. Numa quantidade mesmo pequena de átomos ou moléculas. O átomo mais eletronegativo atrai os elétrons da ligação com tanta intensidade que eles passam a integrar sua camada de valência.1. formando um íon negativo. 1 mol de átomos = átomos.Ligação Química 2. 1 mol de alfinetes= alfinetes. o número de partículas é muito grande. moléculas ou íons são contados em "mol".

Assim. Os átomos não se encontram na forma de íons positivos ou negativos e sim no estado neutro. este último atrai fortemente o elétron do Lítio para si. eles compartilham o único elétron que possuem com o átomo vizinho.Quando o Lítio encontra o átomo de Flúor. atingindo a configuração eletrônica do gás nobre mais próximo (2He = Hélio = 1s2). Além disso. Ligação Covalente Quando a diferença de eletronegatividade entre os dois átomos da ligação química não é tão elevada ou é nula.2. o átomo de Flúor torna-se um íon negativo e o átomo de Lítio torna-se um íon positivo. a ligação iônica é formada. assim. Os íons de cargas opostas se atraem por forças eletrostáticas e. por ser muito mais eletronegativo. o fato de o Lítio perder um elétron da camada de valência faz com que ele adquira a configuração eletrônica da camada de valência do gás nobre Hélio e o Flúor adquire a configuração eletrônica da camada de valência do gás nobre Neônio. 2. Exemplo 2: HF O átomo de Flúor tem configuração eletrônica 1s2 2s2 2p5 e é representado por: . o tipo de ligação observada é covalente. O que mantém os átomos unidos então?Vamos considerar alguns exemplos: Exemplo 1: H2 O átomo de Hidrogênio tem configuração eletrônica 1s1 e é representado por: Quando dois átomos de hidrogênio se encontram.

eles compartilham seus elétrons de valência desemparelhados. portanto. atingindo a configuração do Hélio (1s2) e do Neônio (1s22s22p6). respectivamente. não há tendência em haver concentração de elétrons sobre nenhum dos dois átomos e. a configuração do argônio é atingida ( [18Ar] = [10Ne] 3s2 3p6 ) Como os dois átomos apresentam as mesmas configurações eletrônicas e os mesmos valores de eletronegatividade. a ligação química é considerada covalente e polar. Exemplo 3: Cl2 O átomo de Cloro tem a configuração eletrônica 1s2 2s2 2p6 3s2 3p5 e necessita apenas de um elétron na camada de valência par atingir a configuração eletrônica do gás nobre mais próximo que é o Argônio.6). formando um dipolo permanente. a ligação é covalente apolar.2 = 1. . Como os dois átomos apresentam uma diferença de eletronegatividade igual a 1. Isto porque o flúor é mais eletronegativo que o hidrogênio e atrai os elétrons da ligação para si. o Neônio.6 (3.Quando os dois átomos se encontram. Exemplo 4: O2 O oxigênio tem configuração eletrônica 1s2 2s2 2p4 e necessita de dois elétrons para atingir a configuração eletrônica do gás nobre mais próximo.8-2. Ao compartilhar um elétron com o átomo de cloro vizinho.

a ligação é covalente apolar. a ligação é covalente apolar. o oxigênio atinge a configuração do Neônio ([2He]2s22p6). fazendo uma ligação tripla e atingindo a configuração 2s2 2p6 do neônio. então. ao fazer o número de ligações que lhes é permitido. Cada um deles. assim. formando um dipolo. Mas. como cada nitrogênio ainda apresenta dois elétrons desemparelhados. covalente polar. A diferença de eletronegatividade entre os dois átomos é zero e. Os elétrons da ligação encontram-se concentrados sobre os átomos de oxigênio. Ao compartilhar um elétron. eles apresentam o mesmo valor de eletronegatividade. atinge a configuração do gás nobre neônio e a estabilidade. Exemplo 6: CO2 Utilizando as estruturas de Lewis. vemos que o carbono pode fazer quatro ligações e o oxigênio pode fazer duas ligações. Ao fazer essas duas ligações. A diferença de eletronegatividade entre oxigênio e carbono é de 0. Exemplo 5: N2 O nitrogênio apresenta configuração eletrônica 1s2 2s2 2p3 e necessita de três elétrons para atingir a configuração eletrônica do gás nobre Neônio. cada oxigênio pode fazer até duas ligações químicas. Como os dois átomos são idênticos. os átomos de nitrogênio atingem configuração de valência 2s2 2p4. formada por duas ligações duplas entre carbono e oxigênio. Assim.89 e. eles compartilham esses dois elétrons com o átomo vizinho. portanto. A molécula é. desta forma eles ficam a dois elétrons de atingir a configuração de valência do neônio. .Como ele apresenta dois elétrons desemparelhados.

Como os dipolos apontam sempre na direção do átomo mais eletronegativo (no nosso caso. São exemplos de soluções verdadeiras: . numa segunda substância sob forma de pequenas partículas. Eles cancelam um ao outro e a molécula em si é apolar. o sal e a cal. Soluções Solução é a denominação ao sistema em que uma substância está distribuída. Classificação das soluções A classificação das soluções pode ser feita sob diferentes critérios: a) De acordo com o tamanho das partículas dispersas: As soluções verdadeiras. Nos dois exemplos acima. dispersos num solvente. Mas a molécula em si é apolar porque os dipolos têm a mesma intensidade. são formadas por moléculas ou íons isolados. . dispersante ou dispergente.1. 3. o oxigênio). Dissolvendo-se sal na água.solução de sal em água. são a fase dispersa ou o disperso e a água é a fase de dispersão. Misturando-se cal na água. esta molécula apresenta duas ligações polares. mas apontam para lados opostos. ou simplesmente soluções. ou disseminada. obtém-se uma solução onde predominam as partículas de cal não dissolvidas. forma-se uma solução de íons sódio (Na+) e íons cloreto (Cl-). 3.

. ou entre quantidades de soluto e solução.. Exemplos: .solução de moléculas de proteínas na água. .solução de enxofre em sulfeto de carbono.solução de açúcar em água. .solução de amido em água.solução de enxofre (S8) em água. . 3.2.solução de cloreto de prata (AgCl) em água. As partículas dispersas de soluções grosseiras são agregados de moléculas ou íons. As soluções coloidais apresentam como partículas dispersas agregados de moléculas ou íons. macromoléculas ou macroíons. ou seja a proporção entre quantidades de soluto e solvente. Características das soluções As principais características das soluções estão descritas no quadro comparativo a seguir: Expressão de Concentração das Soluções Existem muitas formas de expressar a concentração de soluções. Exemplos: .

Usaremos a seguinte convenção para índices: índice 1: para as quantidades relativas ao soluto índice 2: para as quantidades relativas ao solvente sem índice: para as quantidades relativas à solução -------------------------------------------------------------------------------Concentração Comum (C) É o quociente da massa do soluto (em gramas) pelo volume da solução (em litros). Substituindo o número de mols pela razão m/MM: Título (T) É o quociente da massa do soluto pela massa total da solução (soluto+solvente). Percentagem Volumétrica É o quociente do volume de soluto pelo volume total da solução (soluto+solvente). . Molaridade ou Concentração Molar (M) É o quociente do número de mols do soluto pelo volume da solução (em litros).

Então: . tem 12 volumes de soluto para 100 volumes de solução -------------------------------------------------------------------------------Fração Molar (X para líquidos ou sólidos e Y para gases) É o quociente do número de mols de soluto pelo número total de mols da solução (soluto+solvente) Para líquidos e sólidos: Para gases: A Molalidade A molalidade de um soluto é o número de mols do soluto em uma solução dividido pela massa do solvente em quilogramas: Molalidade = mols do soluto (mol) / massa do solvente (kg) As unidades são mols do soluto por kg do solvente (mol kg-1). Ou seja. não alteramos o número de mols do soluto. que é igual ao percentual volumétrico.OBS. Diluição Este procedimento está baseado em uma idéia simples: embora possamos adicionar mais solvente a um dado volume de solução.: Existe uma unidade de concentração chamada graus Gay Lussac (GL). uma bebida 12 graus GL.Estas unidades são abreviadas por m (lê-se molal).

67g ( 3 E = mol1 / x = 82g / 2 = 41g (2 . Vinicial = V Mfinal = 1.Al Para o oxigênio .250 L EQUIVALENTE-GRAMA (E) Equivalente-grama (E) de um elemento químico é a relação entre átomo-grama (A) e sua valência (v).038 M.50 x 10-3 M.50 x 10-3 M de KMnO4. Exemplos: Para o sódio .Minicial= n / Vinicial Mfinal = n / Vfinal n = Minicial x Vinicial n = Mfinal x Vfinal Minicial x Vinicial = Mfinal x Vfinal Exemplo: Suponha que queremos saber o volume de uma solução 0.O E = A / v = 23g / 1 = 23g E = A / v = 137g / 2 = 68. Minicial = 0.Ba Para o alumínio .Na Para o bário .5g E = A / v = 27g / 3 = 9g E = A / v = 16 g / 2 = 8g Equivalente-grama (E) de um ácido é a relação entre a molécula-grama ou mol (mol1) do ácido e o número de hidrogênios ácidos ou ionizáveis (x).H2SO4 hidrogênios ácidos) Para o ácido fosfórico . Exemplos: Para o ácido nítrico . Vfinal = 0.H3PO3 hidrogênios ácidos) E = mol1 / x = 63g / 1 = 63g E = mol1 / x = 98g / 2 = 49g (1 (2 E = mol1 / x = 98g / 3 = 32.038 M de KMnO4 que deveria ser usado para preparar 250 mL de uma solução 1. no composto considerado.HNO3 hidrogênio ácido) Para o ácido sulfúrico .H3PO4 hidrogênios ácidos) Para o ácido fosforoso .

5g Para o sulfeto de cálcio .5g Para o sulfato de alumínio .BaF2 87.Para o ácido hipofosforoso .5g / Equivalente-grama (E) de um oxidante ou redutor é a relação entre a molécula-grama ou mol (mol1) da substância e o número total de elétrons cedidos ou recebidos (x) pela molécula. 5 H2O 2 = 124.CaS 36g Para o fluoreto de bário . é: 2MnO4.5g / 1 E = mol1 / x = 72g / 2 = E = mol1 / x = 175g / 2 = E = c 342g / 6 = 57g E = mol1 / x = 249.NaCl = 58. Exemplos: Para o cloreto de sódio .H3PO2 hidrogênio ácido) E = mol1 / x = 66g / 1 = 66g (1 Equivalente-grama (E) de uma base é a relação entre a molécula-grama ou mol (mol1) da base e o número de hidroxilas (x).NaOH Para o hidróxido de cálcio .75g E = mol1 / x = 58. E = mol1 / x = 158g /5 = 31. Exemplos: Qual o equivalente-grama do permanganato de potássio (KMnO4) quando atua como oxidante em meio ácido ? A equação iônica da reação. Como a molécula do KMnO4 contém apenas 1 átomo de Mn.+ 6H++ <==> 2Mn++ + 3H2O + 5[O] Quando o KMnO4 atua como oxidante em meio ácido o Mn de nox +7 ao receber 5 elétrons passa para Mn de nox +2.Ca(OH)2 Para o hidróxido de alumínio . Exemplos: Para o hidróxido de sódio .CuSO4 .5g .Al(OH)3 E = mol1 / x = 40g / 1 = 40g E = mol1 / x = 74g / 2 = 37g E = mol1 / x = 78g / 3 = 26g Equivalente-grama (E) de um sal é a realção entre a molécula-grama ou mol (mol1) do sal e valência total do cátion ou ânion (x).Al2(SO4)3 Para o sulfato de cobre II pentahidratado . seu equivalente-grama será a molécula-grama dividida por 5.

2 l N = m1 / E .Qual o equivalente-grama do permanganato de potássio (KMnO4) quando atua como oxidante em meio alcalino ? A equação iônica da reação. seu equivalente-grama será a molécula-grama dividida por 3 E = mol1 / x = 158g /3 = 52. Como a molécula do KMnO4 contém apenas 1 átomo de Mn. Exemplos: Qual a normalidade (concentração normal) de uma solução que contém 21. 0.+ 2(OH)<==> 2MnO3. é: 2MnO4. E = equivalente-grama. V => E = 98 g / 2 = 49 g => m1 = 21.Relação entre a normalidade e a concentração comum: .67g . O = 16 mol1 = 98 g => = 0.56 g de H2SO4 dissolvido em 200 cm3 solução? Dados: H = 1. S = 32. em litros.56 g / 49 g .2 normal (2. em gramas.56 g => V = 200 cm3 N = 21.-). Vamos agora para a NORMALIDADE ou CONCENTRAÇÃO NORMAL Normalidade ou concentração normal é a relação entre o número de equivalentes-gramas do soluto e o volume da solução.+ H2O + 3[O] Quando o KMnO4 atua como oxidante em meio básico o Mn de nox +7 ao receber 3 elétrons passa para Mn de nox +4 (MnO3. em litros.2 l => N = 2.. V = volume da solução. m1 = massa do soluto. ne = nº de equivalentes-grama do soluto.2 N) RELAÇÕES ENTRE AS CONCENTRAÇÕES . Sendo: N = normalidade ou concentração normal.

x Soluções Aquosas e Precipitação Eletrólitos: Substância solúvel: quando se dissolve no solvente Substância insolúvel: quando não se dissolve (ou menos que 0. uma solução de nitrato de prata consiste em cátions Ag+ e ânions NO3-. Reações de Precipitação Vamos misturar duas soluções. Eletrólito fraco: íons e moléculas (CH3COOH). Eletrólito forte: só íons (HCl).. Exemplo: solução aquosa de cloreto de sódio. Um soluto pode estar presente como íons ou como moléculas.Relação entre a normalidade e a molaridade: N = M .1 mol L-1). Podemos observar a forma do soluto verificando se a solução conduz corrente elétrica (cargas em movimento). O que acontece ao misturarmos as duas soluções? . Por outro lado. Por exemplo. uma solução de cloreto de sódio consiste em cátions Na+ e ânions Cl-. Uma substância que se dissolve dando origem a uma solução que conduz corrente elétrica se chama eletrólito.

A solução transparente acima contém cátions Na+ e ânions NO3-. Ag+(aq) + Cl-(aq) AgCl(s) . Estes íons permanecem em solução como NaNO3.Obtemos um precipitado branco. uma nuvem de sedimentos sólidos. AgNO3(aq) + NaCl(aq) AgCl(s) + NaNO3 (aq) Equações iônicas e iônicas simplificadas Ag+(aq) + NO3-(aq) + Na+(aq) + Cl-(aq) AgCl(s) + Na+(aq) + NO3-(aq) Equação iônica simplificada. Em uma reação de precipitação forma-se um produto sólido insolúvel quando dois eletrólitos fortes são misturados. AgCl. que é solúvel em água.

que significa azedo. Regras de solubilidade: (a) solúveis: Compostos dos elementos do Grupo I. Ba(IO3)2. Ba2+. bem como da maioria das propriedades do reino mineral. Compostos de amônio (NH4+). e iodato de amônio. Sulfetos (S2-). oxalatos (C2O42-) e fosfatos (PO43-). 4. não é de se espantar que os ácidos e bases tenham sido estudados por tantos séculos. Com tamanha freqüência em nosso ambiente. junto com outras substâncias básicas como fostatos. Sulfatos (SO42-). o termo era . arsenatos e amônia. cromatos (CrO42-). Hg22+ e Pb2+. Cloretos (Cl-). para formar iodato de bário insolúvel. exceto os de Cu2+. a substância geradora de ácido mais comum na natureza. Quando utilizamos nossos músculos em excesso sentimos dores provocados pela liberação de ácido lático. A fermentação do suco de frutas pode vir a produzir ácido acético. A fotossíntese das plantas pode alterar a acidez da água nas vizinhanças por produzir CO2. boratos. Ba(NO3)2. Pb2+. NH3IO3. Nitratos (NO3-). acetatos (CH3CO2-).Exemplo: A equação química para a reação de precipitação que ocorre quando são misturadas as soluções aquosas de nitrato de bário. Brometos (Br-) e iodetos (I-). exceto os de Ag+. vulcões podem gerar águas extremamente ácidas pela presença de HCl e SO2. São os grandes pilares de toda a vida de nosso planeta. (b) Insolúveis: Carbonatos (CO32-). cloratos (ClO2-) e percloratos (ClO4-). Hg22+ e Ag+. Íons carbonatos e bicarbonatos (ambos básicos) estão presentes na maior parte das fontes de água e de rochas. exceto os dos elementos dos Grupos 1 e 2. Sr2+. exceto os dos elementos do Grupo 1 e o NH4+. Em adição. Inicialmente. Funções Químicas As funções mais importantes da química são os ácidos e bases. Hidróxidos (OH-) e óxidos (O2-). exceto os dos elementos do Grupo 1 e 2 e o NH4+. Os próprios termos são medievais: "Ácido" vem da palavra latina "acidus".

mas outras substâncias com propriedades semelhantes passaram a ter esta denominação. um químico suéco. por Friedrich Kohlraush. 4) segundo este conceito. não são bases de acordo com o conceito de Arrhenius. duas moléculas de água podem interagir e produzir dois íons: um cátion. A equação 1 demonstra a reação de ionização da água. É uma reação onde ocorre uma transferência de próton de uma molécula de água para outra. por Svante Arrhenius. "Álcali". mais precisamente íons hidrônios e hidróxidos. . 3) não pode ser aplicado para outros solventes.em sua composição. Quando cinzas são dissolvidas em água. embora utilizado até hoje. equação 1 Um dos primeiros conceitos de ácidos e bases que levavam em conta o caráter estrutural das moléculas foi desenvolvido no final do século 19. o hidrônio. tem sérias limitações: 1) só pode ser empregado a soluções aquosas. que significa cinzas. de fato. Os íons hidrônio e hidróxido A água. há uma de particular interesse no estudo de ácidos e bases: a auto-ionização. é uma substância deveras bizarra. 2) o íon H+. mesmo que totalmente purificada e de-ionizada. Ele descobriu que a água. É verdade para o NaOH. sequer existe em solução aquosa. o hidróxido. A compreensão da auto-ionização da água é o ponto de partida para os conceitos de ácidos e bases aquosos. devido a presença de carbonato de potássio. Kohlraush atribuiu esta propriedade à existência de íons na água. Entre várias propriedades anômalas. Ele propôs que os ácidos eram substâncias cujos produtos de dissociação iônica em água incluiam o íon hidrogênio (H+) e bases as que produzem o íon hidróxido (OH-). vem da palavra arábica "alkali". A existência da auto-ionização da água foi provada. A palavra "sal" já foi utilizada exclusivamente para referência ao sal marinho ou cloreto de sódio. esta se torna básica. como a amônia. ainda no século IXX. Este conceito. outro termo para bases. e um ânion. somente são bases substâncias que possuem OH. ainda apresenta uma pequena condutividade elétrica. mas outras substâncias. mas hoje tem um significado muito mais amplo.aplicado ao vinagre. De fato.

J.M. na reação com amônia. A água. ácidos são substâncias capazes de doar um próton em uma reação química. Segundo eles. E bases. Repare que. compostos capazes de aceitar um próton numa reação. pois aceita um próton deste íon. por exemplo. pois doa um próton. pois explica o caráter básico da amônia e o caráter ácido do íon amônio. Bronsted. já na reação com o amônio. Esta nova definição é bem mais ampla.A seguir é demonstrado exemplos de ácidos e bases de Arrhenius. Lowry. a água se comporta como um ácido. é um exemplo de substância anfiprótica. pois este e seus alunos foram mais ágeis na difusão da nova idéia. em Copenhagen (Denmark) e J.N. isto é. Em 1923. portanto. a água se comporta como uma base. Este conceito ficou conhecido como "definição de Bronsted". moléculas que podem se comportar como um ácido ou como uma base de Bronsted . em Cambridge (England) independentemente sugeriram um novo conceito para ácidos e bases.

este composto é considerado um ácido de Bronsted forte. Por exemplo: o íon bicarbonato pode transferir um próton para a água. retornando ao ácido conjugado. Este composto é. e o íon hidrônio é o ácido conjugado da base H2O. aceitando. enquanto que algumas bases são melhores aceptoras de prótons do que outras. Desta forma. Isto é. Entretanto. alguns ácidos são melhores doadores de prótons do que outros.do ácido para a base. Por exemplo: uma solução aquosa de HCl diluída consite. o íon carbonato é a base conjugada do ácido bicarbonato. pela doação ou ganho de um próton. A espécie capaz de se ligar mais fortemente ao próton é que vai determinar a força do ácido ou da base. uma solução diluída de ácido acético contém apenas uma pequena quantidade de íons acetato e hidrônio . Em contraste. o íon carboxilato pode atuar como uma base.Como vimos. De acordo com o modelo de Bronsted. Um par de substâncias que diferem pela presença de um próton é chamado de par ácido-base conjugado. Em água. um ácido doa um próton para produzir uma base conjugada.que atua como um ácido. praticamente. Portanto. a noção de ácidos e bases de Bronsted envolve. uma vez que quase 100% das moléculas do ácido são ionizadas. Como a reação é reversível. gerando o íon carbonato. ele deve estar em contato com uma base. os íons bicarbonato e carbonato estão relacionados entre si. Portanto: . para um ácido desempenhar seu caráter ácido. na reação inversa. Por isso. assim como a água e o íon hidrônio. esta base conjugada pode vir a aceitar o próton de volta.a maior parte das moléculas permanece na forma não ionizada. a transferência de um próton . considerado um ácido Bronsted fraco. de íons cloreto e hidrônio. um próton do íon hidrônio . sempre. portanto.

mais forte é a base conjugada. apenas 2 de cada um bilhão de moléculas sofrem auto-ionização. b) quanto mais fraco for o ácido. podemos descrever o processo como: . e o íon A. De fato.é estável. Kw Como vimos anteriormente. como o íon hidróxido é uma base muito mais forte do que a água. Entretano. é uma base fraca. ou seja. a água sofre um processo de auto-ionização. produzindo íons hidrônios e hidróxidos.a) quanto mais forte for o ácido. que tende a recapturar o próton A constante de ionização da água. a 25oC. a ligação H-A é bastante fraca. Isto significa que a ligação H-A é uma ligação forte. o equlíbrio é grandemente deslocado para o lado esquerdo da equação.é pouco estável e representa uma base forte. pois o íon A. Quantitativamente. da mesma forma que o íon hidrônio é um ácido muito mais forte. mais fraca é a base conjugada Neste caso.

008 x 10-14 M2 Esta expressão de Kw é muito importante. em água pura ou em uma solução aquosa diluída. Desta forma.Todavia.5 mol/L). o termo [H2O] é uma constante (55. Kw = 1. podemos simplificar a equação acima como: Keq.[H2O]2 = Kw e Kw = constante de ionização da água = [H3O+]. e deve ser memorizada. pois é através dela que todos os conceitos de pH e pOH são deduzidos. Exercícios resolvidos: 1)Qual é a concentração de íons hidrônio na água pura.[OH-] a 25oC. a 25oC? .

Esta é uma operação muito simples de se fazer. [OH-] = 1 x 10-11 M. Percebe-se que todos estes números encontrados nos exercícios anteriores são muito pequenos. que nos diz que [OH-] = Kw / [H3O+]. Sabemos. fica fácil deduzir que [H3O+]= (Kw)1/2. os químicos encontraram uma forma de expressar tanto a [OH-] como a [H3O+] em números decimais positivos. 2) E qual seria o valor da [H3O+] se adicionássemos.001M de íons [H3O+].001M? Bem.0000007 M em água pura. que o produto [H3O+]. [H3O+] é igual a 0. e são definidos como o negativo do logarítimo de base 10 da concentração do íon na solução. b) vinda da ionização do ácido forte de Bronsted. já.001) M. neste caso seriam duas as fontes de íon hidrônio: a) vinda da própria auto-ionização da água. Portanto. aproximadamente igual a 0.[OH-] é uma constante (Kw). Então. [H3O+] = (0. que variam de 0 a 14. à água. pOH = -log[OH-] As escalas de pH e pOH são complementares . Como. Para simplificar o raciocínio. ou seja. O mesmo valor vale para a [OH-].0000007) + (0. Portanto. Estes números são chamados de pOH e pH da solução. 3) E qual seria a [OH-] neste caso? Basta lembrar da valiosa expressão para o Kw. a [H3O+]=[OH-]. pH = -log[H3O+] . dada a equação de auto-ionização. um pouco de HCl suficiente para gerar uma solução 0.

A expressão do Kw pode ser reescrita em termos de pH e pOH. a reação que ocorre entre um ácido e a água pode esquematizar-se assim: HA(aq) + H2O(l) H3O+(aq) + A–(aq) aplicando a Lei da Ação das Massas: como a [H2O] é aproximadamente constante. a [OH-]=[H3O+]=1x10-7.1. basta aplicar -log dos dois lados da equação. Equilíbrio Químico Ácido-Base 5. tanto o pH como o pOH tem o valor de 7 para a água pura a 25oC. e teremos: (-log[H3O+]) + (-log[OH-]) = (-logKw) ou pH + pOH = pKw Devemos lembrar desta relação. pois ela é extremamente útil nos cálculos de pH ou pOH de soluções.Como. Forças dos ácidos e bases Segundo Bronsted e Lowry. 5. em água pura. KC x [H2O] = Ka CONSTANTE DE ACIDEZ .

Nota: Consultar Tabela de constantes de acidez. No caso da reação do ácido acético e a da água: . e mede a extensão da reação. logo considera-se o anião NO3. Podem comparar-se a força de dois ou mais ácidos. Para a reação: A Lei da Ação das Massas conduz a um valor muito elevado para Ka. quanto maior for o valor de Ka. comparando as sua constantes de acidez.uma base muito fraca. é constante a uma dada temperatura T.A grandeza Ka. Se o valor de Ka (HA) é muito elevado Þ o valor de Kb(A-) é muito pequeno. Assim. mais forte será o ácido. Logo a ionização do ácido é uma reação muito extensa com um grau de ionização ( ) muito elevado. Assim a reação deve ser traduzida pelo seguinte esquema: Grau de Ionização: A reação inversa é muito pouco extensa.

Se um ácido é fraco. temos: .2. a sua base conjugada tem uma força relativa. Relação entre Ka e Kb Para um ácido de forma geral HA. Podemos dizer que: No caso das bases: 5.

3. Ácidos Polipróticos .5.

Entretanto ocorrem algumas exceções como o Ácido Sulfúrico: H2SO4(aq) + H2O(l) HSO4-(aq) + H2O(l) H3O+(aq) + HSO4-(aq ) Ka1 muito elevada H3O+(aq) + SO42-(aq) Ka2 = 1. como por exemplo o ácido sulfídrico (H2S). [H3O+] = 10-x mol/L.log10[H3O+] . Sugeriu-se então aplicar a função logarítmica a estes valores.4. Assim. são valores extremamente pequenos. 5. Cálculos de pH 5.1. o ácido sulfúrico (H2SO4) e o ácido fosfórico (H3PO4). y) = logax + logay loga(x/y) = logax . em cálculos de pH é sempre de considerar a protólise do anião hidrogenossulfato.logay logaxp = p. pH = . ião indicativo da acidez da solução.2x10-2 (a 25ºC) Neste caso a segunda protólise tem uma constante de equilíbrio superior a muitos ácidos monopróticos. O que não torna muito prático estabelecer uma escala com estes valores. log10x = Y 10y = x Propriedades dos logaritmos: loga(x .logax Introduziu-se o operador p pX = . H2A(aq) + H2O(l) H3O+(aq) + HA-(aq) Ka1 HA-(aq) + H2O(l) H3O+(aq) + A2-(aq) Ka2 sendo Ka1 > > > Ka2 Na maior parte dos ácidos polipróticos podemos desprezar a segunda protólise.Alguns ácidos. ACIDEZ E ALCALINIDADE DE SOLUÇÕES AQUOSAS – pH Normalmente as concentrações do ião hidrónio. Nota: Função logarítmica Se. H3O+.4. pois esta é muito pouco extensa. H+. têm a capacidade de ceder mais do que um protão.log10x Assim.

9X10-15.0x10-14 logo para a água pura a 25ºC: [H3O+] = [OH-] = Kw = 1. portanto se [H3O+] pH Exemplo: t = +10ºC .[OH-] a 25ºC Kw = 1. Ka x Kb = [H3O+]. [H3O+]= Kw = 2.[OH-]) -14.[OH-]. pH = 7.log10[OH-] Na auto-ionização da água tem-se: H2O(l) + H2O(l) H3O+(aq) + OH–(aq) sendo. a 25ºC . logo: pKw = pKa + pKb pKa + pKb = 14.4. [H3O+]= Kw = 2. H2O(l) + H2O(l) H3O+(aq) + OH– (aq) com E > 0 (Reacção endotérmica) significa que: se T Kw como: [H3O+] = Kw .9X10-15. pH = 7.(log10) = log [H3O+] + log [OH-] x (-1) 14 = .0 X10-14 =1.log [OH-] 14 = pH + pOH 5.log [H3O+] .3 t = + 25ºC. pH = -log (10-7) = 7 pOH = -log (10-7) = 7 a 25ºC pH + pOH = 14 ou Kw = [H3O+]. pH DA ÁGUA A DIFERENTES TEMPERATURAS Se.0 por outro lado se: pKw = pH + pOH e se Kw = Ka x Kb. aplicando logaritmos log (10-14) = log([H3O+].2.e pOH = .0 X10-7 mol × dm-3 assim.

3. de um modo geral. DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DE pH INDICADORES ÁCIDO-BASE Como é sabida a cor de um composto orgânico depende dos comprimentos de onda que este absorve (e transmite ou reflete) e. Exemplo para um Indicador Ácido HInd + H2O H3O+ + Ind– cor 1 cor 2 A cor do indicador vai depender do sentido para o qual o equilíbrio é deslocado. for no mínimo 10 vezes superior à outra. que. .Observe a escala de pH a 25ºC: 5. os indicadores são ácidos ou bases fracas. a concentração da espécie que confere uma cor.4. alteram a sua estrutura e mudam de cor. sofrendo uma reação de protólise. Assim. consegue detectar uma alteração de cor se. Se adicionarmos um ácido: [H3O+] evolui a reação inversa cor 1 Se adicionarmos uma base: [H3O+] evolui a reação directa HInd + H2O H3O+ + Ind– cor 2 O olho humano. orgânicos. estes dependem da sua estrutura.

0. . como a fenolftaleína. usam-se vários corantes como indicadores.Fenolftaleína No laboratório.3 e vermelha (carmim) em soluções com pH superior a 10. que é incolor em soluções com pH inferior a 8.

em soluções aquosa com valores diferentes de pH.4. 010 mol/L a 25ºC. 5. cores e zonas de viragem para alguns indicadores.CÁLCULO DE pH DE ÁCIDOS E BASES FORTES ÁCIDO FORTE Consideremos uma solução aquosa de ácido clorídrico.4.Na tabela apresentam-se os valores de pKind. Existem 2 equilíbrios: .

2002. I. 1982. LTC. 2a ed. Química Geral. J.log (0. .E. Química Geral. 2002.10) = 1.M.. 2. ROZENBERG.E. McGraw-Hill.. Edgard Blucher Ltda. 1a ed.0 pH = 14 – 1 = 13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: RUSSEL.10 mol/L de hidróxido de sódio a 25º C: NaOH (aq) Na+ (aq) + OH– (aq) Reação muito extensa. quase completa [OH–]total = [OH–]base + [OH–]água [OH–]total » [OH–]base = 0. G. Química Geral..10 mol/L pOH = . vol.B. J. BRADY.BASE FORTE Para uma solução aquosa 0. HUMISTON.