Coletânea de Exercícios

Universidade Estácio de Sá Curso de Direito

Metodologia no Ensino de Direito

(Proibida a Reprodução)

2009

Expediente Curso de Direito – Coletânea de Exercícios Diretoria Executiva de Ensino Centro de Ciências Jurídicas Direção: Profª Solange Ferreira de Moura Coordenação do Projeto Núcleo de Apoio Didático-pedagógico Coordenação Geral: Prof. Sérgio Cavalieri Filho Coordenação Pedagógica: Profª Tereza Moura Organização da Coletânea Profª Magda Ventura Professores Colaboradores Profª Aline Goldberg Profª Ana Maria Pires Novaes Profª Angela Maria Moreira Luz Profª Elaine Cristian Batista Hipolito Profª Ieda Carvalho Sande Profª Isabel Arcoverde Prof. Iraelcio Ferreira Macedo Profª Larissa Santiago de Sousa Profª Léia Mayer Eyng Profª Lilian Carmen Ribeiro e Freire Profª Mara Cristina Haum Elian Profª Marcia Goncalves Silveira Faria Prof. Marco Aurelio Da Silva Fonseca Profª Maria Geralda De Miranda Profª Maria Luiza Belotti Profª Maria Luiza Oliveira Profª Maria Onete Lopes Ferreira Profª Maria Stela Antunes da Silva Profª Marisa Goettenauer Couto Carvalho Profª Mariza Alves Braga Profª Rossana Guedes Lontra Prof. Saulo Cruz Gomes Prof. Sergio Leitao Vasco Profª Silvia Maria Leite Mota Profª Vera Elisabeth Machado Chagas

Apresentação

Caro Aluno A Metodologia do Caso Concreto aplicada em nosso Curso de Direito é centrada na articulação entre teoria e prática, com vistas a desenvolver o raciocínio jurídico. Ela abarca o estudo interdisciplinar dos vários ramos do Direito, permitindo o exercício constante da pesquisa, a análise de conceitos, bem como a discussão de suas aplicações. O objetivo é preparar os alunos para a busca de resoluções criativas a partir do conhecimento acumulado, com a sustentação por meio de argumentos coerentes e consistentes. Desta forma, acreditamos ser possível tornar as aulas mais interativas e, consequentemente, melhorar a qualidade do ensino oferecido. Na formação dos futuros profissionais, entendemos que não é papel do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá tão-somente oferecer conteúdos de bom nível. A excelência do curso será atingida no momento em que possamos formar profissionais autônomos, críticos e reflexivos. Para alcançarmos esse propósito, apresentamos a Coletânea de Exercícios, instrumento fundamental da Metodologia do Caso Concreto. Ela contempla a solução de uma série de casos práticos a serem desenvolvidos pelo aluno, com auxílio do professor. Como regra primeira, é necessário que o aluno adquira o costume de estudar previamente o conteúdo que será ministrado pelo professor em sala de aula. Desta forma, terá subsídios para enfrentar e solucionar cada caso proposto. O mais importante não é encontrar a solução correta, mas pesquisar de maneira disciplinada, de forma a adquirir conhecimento sobre o tema. A tentativa de solucionar os casos em momento anterior à aula expositiva aumenta consideravelmente a capacidade de compreensão do discente. Este, a partir de um pré-entendimento acerca do tema abordado, terá melhores condições de, não só consolidar seus conhecimentos, mas também dialogar de forma coerente e madura com o professor, criando um ambiente acadêmico mais rico e exitoso. Além desse, há outros motivos para a adoção desta Coletânea. Um segundo a ser ressaltado é o de que o método estimula o desenvolvimento da capacidade investigativa do aluno, incentivando-o à pesquisa e, consequentemente, proporcionando-lhe maior grau de independência intelectual. Há, ainda, um terceiro motivo a ser mencionado. As constantes mudanças no mundo do conhecimento – e, por consequência, no universo jurídico – exigem do profissional do Direito, no exercício de suas atividades, enfrentar situações nas quais os seus conhecimentos teóricos acumulados não serão, per se, suficientes para a resolução das questões práticas a ele confiadas. Neste sentido, e tendo como referência o seu futuro profissional, consideramos imprescindível que, desde cedo, desenvolva hábitos que aumentem sua potencialidade intelectual e emocional para se relacionar com essa realidade. E isto é proporcionado pela Metodologia do Estudo de Casos. No que se refere à concepção formal do presente material, esclarecemos que o conteúdo programático da disciplina a ser ministrada durante o período foi subdividido em 15 partes, sendo que a cada uma delas chamaremos “Semana”. Na primeira semana de aula, por exem-

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o professor ministrará o conteúdo condizente com a Semana nº 1. como se mostra mais nítida a interseção entre os campos da teoria e da prática no Direito. é possível observar o resultado positivo deste trabalho. Levou-se em consideração não somente as aulas que são destinadas à aplicação das avaliações ou os eventuais feriados. após a implantação da metodologia em todo o curso no Estado do Rio de Janeiro. Recente convênio firmado entre as Instituições que figuram nas páginas iniciais deste caderno permitiu a colaboração dos respectivos docentes na feitura deste material disponibilizado aos alunos. o desempenho e os resultados obtidos pelo aluno nesta disciplina estão intimamente relacionados ao esforço despendido por ele na realização das tarefas solicitadas. Lembre-se: na vida acadêmica. por intermédio das Coletâneas de Exercícios. principalmente. não há milagres. as necessidades pedagógicas de cada professor. mas. seja por sua complexidade. que agora chega a outras localidades do Brasil. A certeza que nos acompanha é a de que não apenas tornamos as aulas mais interativas e dialógicas.plo. em conformidade com as orientações do professor. há estudo com perseverança e determinação. Isto porque o nosso projeto pedagógico reconhece a importância de destinar um tempo extra a ser utilizado pelo professor – e a seu critério – nas situações nas quais este perceba a necessidade de enfatizar de forma mais intensa uma determinada parte do programa. Bom trabalho. O fato de termos dividido o programa da disciplina em 15 partes não foi por acaso. O período letivo semestral do nosso curso possui 22 semanas. Na segunda. como também potencializará suas habilidades e competências para um aprendizado mais denso e profundo pelo resto de sua vida. Hoje. com a Semana nº 2. Por todas essas razões. Centro de Ciências Jurídicas 4 . e assim sucessivamente. seja por ter observado na turma um nível insuficiente de compreensão. A aquisição do hábito do estudo perene e perseverante não apenas o levará a obter alta performance no decorrer do seu curso.

com o professor. respectivamente. organizado de forma cronológica. 5. utilizando.1. com respostas justificadas em até cinco linhas. Antes do início de cada aula. e de casos concretos. envolvendo a legislação. As provas (AV1. necessariamente. AV2 e AV3) valerão até 9 pontos e serão compostas de questões objetivas. O aluno deverá.Procedimentos para utilização das coletâneas de exercícios 1. 6.1. o aluno deverá aperfeiçoar o seu trabalho. devidamente identificados. Até o dia da AV 1 e da AV2. em pasta ou envelope. antes de cada aula. independentemente do comparecimento do aluno às provas. 5 . preparando-se para debates em sala de aula. 4. por meio da resolução dos casos. o aluno depositará sobre a mesa do professor o material relativo aos casos pesquisados e pré-resolvidos. 4. 2. 5. atribuir grau e lançar na pauta no espaço específico. A entrega tempestiva dos trabalhos será obrigatória. desenvolver pesquisa prévia sobre os temas objeto de estudo de cada semana. que será somada à que for atribuída à AV1 e AV2 (zero a nove). baseados nos casos constantes das Coletâneas de Exercícios. Após a discussão e solução dos casos em sala de aula. anexando os originais rubricados pelo professor. Caso o aluno falte à AV1 ou à Av2. a doutrina e a jurisprudência e apresentar soluções. 3. A pontuação relativa à coletânea de exercícios na AV3 (zero a um) será a média aritmética entre os graus atribuídos aos exercícios apresentados até a AV1 e a AV2 (zero a um). bem como o aperfeiçoamento dos mesmos. para atribuição de pontuação (zero a um). para efeito de lançamento dos graus respectivos (zero a um). o aluno deverá entregar o conteúdo do trabalho relativo às aulas já ministradas. salvo as exceções constantes do regulamento próprio. para que o docente rubrique e devolva no início da própria aula. citações de doutrina e/ou jurisprudência pertinentes aos casos. o professor deverá receber os casos até uma semana depois da prova.

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........................................ A pesquisa jurídica ........ político e social.......... Metodologia de estudos: técnicas de estudo: leitura crítica e esquema ... Universidade: contexto histórico...... O ensino jurídico e a formação do profissional de Direito ...................... Ciência jurídica: construção do objeto de estudo e da problematização ............................... A formação do profissional de Direito: perfil.................................................. iniciação científica.......... funções e responsabilidade social... funções e responsabilidade social.......... Novo paradigma científico. O ensino jurídico e a formação do profissional de Direito . O curso de Direito na Universidade Estácio de Sá e seu projeto pedagógico: concepção e desenvolvimento..... A importância da leitura trabalhada .......................... competências.............. Palavras finais – avaliação do portfolio. Metodologia de estudos: técnica de estudos-resumo ............... Ciência..............................Sumário Semana 1: Semana 2: Semana 3: Semana 4: Semana 5: Semana 6: Semana 7: Semana 8: Semana 9: Apresentação da disciplina....... A formação do profissional de Direito: perfil......... Universidade: contexto histórico............. Universidade: funções e responsabilidade social........ 9 11 14 21 27 33 40 46 Semana 10: Semana 11: Semana 12: Semana 13: Semana 14: Semana 15: 52 53 57 59 63 66 73 7 ............... missão................ Os cursos jurídicos no Brasil: legislação específica: Resolução nº 9/2004................................. Atividades acadêmicas complementares.. competências.. habilidades.... O método científico........................... Ética profissional ............................ habilidades... político e social.................................... O ensino jurídico e a formação do profissional de Direito....... O método e o objeto do conhecimento ............... O Direito como ciência social aplicada: a ciência jurídica e seu objeto de investigação.... A pesquisa científica.. Organização do tempo e dos estudos dentro do ambiente universitário.................. missão.......................................... metodologia e bibliografia..... prática jurídica e contexto social.................................. senso comum e verdade científica.. Iniciação científica................... conteúdo............................. Metodologia de estudos: técnicas de estudo: leitura crítica e esquema ........................

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de um fim de semana ou outro qualquer espaço de tempo. EXERCÍCIO: Há diversos modos de se aprender a estudar. 1992. Para ele. Observa que o estudo de um tema específico deve colocar o estudioso a par da bibliografia em questão. Rio de Janeiro: Agir. Metodologia científica: caderno de textos e técnicas. ed. pois este ato representa uma atitude frente ao mundo. dentro das suas disponibilidades. exige do sujeito uma reflexão sobre o próprio significado de estudar. Fonte: Texto adaptado de HÜHNE. que o “ato de estudar” depende de uma atitude de humildade face ao saber. Leve seu planejamento para a sala de aula e discuta com seus colegas e com o seu professor. Lembra. mas não é a única maneira de você registrar o seu planejamento. Cada pessoa cria o seu próprio estilo e organiza o seu tempo da melhor forma que achar conveniente. cujo mediador é o tema. Organização do tempo e dos estudos dentro do ambiente universitário. Portanto. O quadro abaixo poderá ajudá-lo. 5. como disse Paulo Freire. sobre o significado de estudar. mas também significa compreender e criticar. quando faz considerações em torno do ato de estudar. Sendo assim. pois a sua meta poderá ser o planejamento de um dia de estudo. um dos nossos mais importantes educadores. conteúdo. o estudante deve assumir o papel de sujeito do ato de estudar. como reflexão crítica. Comece pensando em um horário possível de ser cumprido. refletindo. A importância da leitura trabalhada. recomendamos que você comece desde agora a praticar. Registre os objetivos e as atividades que quer alcançar de acordo com as solicitações das diferentes disciplinas. metodologia e bibliografia. Sendo assim. Paulo Freire. fique à vontade para criar o melhor modo que você julgar conveniente para demonstrar como irá planejar seus estudos.). Iniciamos a disciplina com um texto de Paulo Freire para a sua reflexão sobre o ato de estudar. o “ato de estudar”. 2ª FEIRA 3ª FEIRA 4ª FEIRA 5ª FEIRA 6ª FEIRA SÁBADO DOMINGO Manhã Tarde Noite 9 . Significa assumir “uma misteriosa relação dialógica” com o autor do texto. Uma sugestão que trazemos para você é a de organizar um plano de estudos para cumprir durante uma semana. chama a atenção para alguns itens indispensáveis. p. ainda.Semana 01 Apresentação da disciplina. Leda Miranda (Org. 14.

pesquisa em material impresso e online. textos de jornais ou revistas e quaisquer outras atividades que documentam o curso que você faz. para que você possa conhecer e se familiarizar com esses conteúdos que procuram desenvolver importantes habilidades. principalmente para a realização de atividades de pesquisa. etc. disponível para o seu estudo e que você deve conhecer. 10 . relacionadas a conhecimentos de formação geral. ao concluir a disciplina. com oportunidade de desenvolver habilidades de leitura crítica e de interpretação de textos. pesquisas e debates que serão realizados em sala de aula. de forma que você se sinta mais envolvido pela possibilidade de evoluir. selecionamos questões retiradas do ENADE (Exame Nacional de Cursos/INEP-MEC). 2. Orientação para novas tarefas. não somente em conhecimento. tipos de documentos existentes. Observação: Ao final de algumas aulas. O objetivo da sua elaboração é auxiliá-lo na organização dos estudos e orientá-lo a selecionar material relevante que permita a consulta futura para a sua produção acadêmica. visitas. Elaboração de tarefas específicas: esquemas. sugerimos que. relatórios.Para sua orientação. RECOMENDAÇÕES: f l 1. Esclarecimentos de dúvidas. produção criativa do direito. Tal prática tem como objetivo exercitar a sua capacidade de raciocínio. Realização de tarefas. Saber usar a biblioteca é uma habilidade que você deve desenvolver com o propósito de facilitar sua vida acadêmica. mas também em capacidades. Releitura e estudo dos assuntos tratados na aula anterior. Além disso. Para tanto. 3. CICLO DE VIDA DE ESTUDO ESTUDO EM CASA REVISÃO PREPARAÇÃO AULA PARTICIPAÇÃO Reorganização do conteúdo desenvolvido em sala de aula. habilidades e autonomia nos estudos. servirá como ferramenta de avaliação do seu desempenho no processo de aprendizagem. Contato prévio com material de estudo relativo à próxima aula programada: caderno de exercícios. Que tal realizar um “bibliotour”? Uma visita à biblioteca é fundamental. exercícios. Este instrumento deverá conter todos os textos trabalhados. Lá você terá contato com os bibliotecários e irá conhecer regras. entre outros. você também faça uma avaliação do seu portfolio. Portfolio Você está convidado a organizar metodologicamente um trabalho acadêmico – portfolio. necessárias à sua formação integral. provas. Aprofundamento de estudo mediante leituras complementares. resumos. segue uma sugestão de ciclo de vida de estudo em casa e em aula. ATIVIDADE: Há um local muito importante. Discussão e debates (e outras técnicas de estudo). Estudo prévio Você deverá também fazer a leitura antecipada dos textos indicados em cada aula a fim de conhecer previamente o conteúdo e prepará-lo para as discussões. exercícios. pesquisas. normas e orientações sobre empréstimos de material. Iniciação científica Você também está convidado a participar da atividade de iniciação científica.

As duas propostas estão prontas para serem votadas na Câmara. 2006 com adaptação. Metodologia científica: guia para a eficiência nos estudos. ed. 2002. frei David Raimundo dos Santos.Paulo – Cotidiano. Para você se preparar para a discussão que já começa na próxima semana. econômico e cultural que foi capaz de produzir ou que ajudou a criar.) Entre os integrantes do movimento estava a professora titular de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. L.SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para se familiarizar com as técnicas de estudo. 03 jul. Rio de Janeiro: Agir. São Paulo: Atlas. funções e responsabilidade social. [. sobrepondo as leis do mercado às questões internas das economias nacionais. M. (. Semana 02 Universidade: contexto histórico. Metodologia de estudos: técnicas de estudo: leitura crítica e esquema. são instrumentos estratégicos de desenvolvimento de qualquer nação se bem apoiadas e aproveitadas em toda a sua potencialidade. (Org.) O diretor executivo da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro). missão.. identifique. A aceleração da globalização veio acompanhada de políticas hegemônicas perversas. Enquanto esses países debatem. TEXTO: A universidade e o grande desafio As universidades atravessaram os séculos. a polêmica foi reacesa. mas que considere também a condição social dos candidatos ao ingresso Analisando a polêmica sobre o sistema de cotas “raciais”. 5. você deve ler “O ato de estudar” (p. Metodologia científica: caderno de textos e técnicas. Yvonne Maggie. (. acredita que hoje o quadro do país é injusto com os negros e defende a adoção do sistema de cotas.. apresentamos uma questão discursiva do ENADE referente à adoção do sistema de cotas nas universidades: ENADE 2006 – Formação Geral/questão 9 (discursiva) Sobre a implantação de “políticas afirmativas” relacionadas à adoção de “sistemas de cotas” por meio de Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional. 2006. e cada universidade se insere no ambiente social.. economia e eficiência nos estudos” (p. no atual debate social. mas o movimento quer que os projetos sejam retirados da pauta. em detrimento das prioridades sociais.” (Folha de S.) Ampliando ainda mais o debate sobre todas essas políticas afirmativas. b) um argumento coerente utilizado por aqueles que o defendem. 30 jun.. Texto I “Representantes do Movimento Negro Socialista entregaram ontem no Congresso um manifesto contra a votação dos projetos que propõem o estabelecimento de cotas para negros em Universidades Federais e a criação do Estatuto de Igualdade Racial.. a) um argumento coerente utilizado por aqueles que o criticam. Os últimos anos têm sido marcados por importantes transformações mundiais. 5. produziram e sofreram transformações.19-33) do livro de RUIZ. ed. político e social. 1992.” (Agência Estado-Brasil. quando um grupo de intelectuais entregou ao Congresso Nacional um manifesto contrário à adoção de cotas raciais no Brasil. Leia o texto indicado a seguir e destaque as ideias principais para discussão em sala. disse. sem dúvida.) Texto II “Desde a última quinta-feira.).] cada povo possui a universidade que foi capaz de gerar. Nos nossos dias. João Álvaro. Por isso ter vindo aqui já foi um avanço’. leia os dois textos a seguir.13-22) do livro de HÜHNE.. há também os que adotam a posição de que o critério para cotas nas Universidades Públicas não deva ser restritivo. as diferenças mundiais se acentuam. em sucessivas crises. ‘É preciso fazer o debate. tornando ainda mais difícil a situação de países como o Brasil. 11 . E também o capítulo 1: “Método. comprometendo importantes avanços humanos de convivência e paz.

é especialmente importante o papel da universidade.1 com um traço.] Nesse quadro. da leitura trabalhada. Fonte: MORHY. A partir das ideias sublinhadas. Lembramos.] Em documento preparatório da Conferência Mundial sobre o Ensino Superior. o processo de discussão sobre esse tema está atrasado nas próprias universidades. as universidades mergulharam em grande crise. É a sua própria pertinência. até mesmo os mais elementares. É preciso que ela se envolva intensa.. que acaba absorvendo ou que lhe são impostos. Disponível em: http://www. então. o principal e o acessório. EXERCÍCIOS: 1.unb. No Brasil. especialmente no setor público. partilhado por todos os habitantes do planeta. pelo processo de globalização e reestruturação produtiva. 3) dificuldades financeiras. A universidade e o grande desafio. foram identificadas três grandes tendências mundiais nesse nível de ensino: 1) extraordinária expansão quantitativa (em regra acompanhada por desigualdades continuadas de acesso entre países e regiões).. DICAS para a elaboração do esquema: • fazer leitura minuciosa do texto. ainda estão enclausuradas no âmbito brasileiro.br/administracao/reitoria/artigos/20010608. Sempre muito perto da sociedade e em parceria permanente com todos os seus setores de atividade. as nossas universidades. Na nossa avaliação. [. Então o desafio é maior ainda: superar as próprias doenças e fraquezas e ajudar a sociedade e o Estado a encontrar as soluções para os seus problemas é o melhor caminho para todos. três palavras-chave recomendadas pela Unesco para repensar a universidade para os novos tempos: 1) relevância. programas e formas de estudo. [. necessidades diversificadoras de programas e cursos e severas restrições financeiras.] Todas as atividades acadêmicas devem ser permanentemente avaliadas de modo que a sua qualidade esteja constantemente em processo de aprimoramento. também padece de graves males.. [.. de modo geral.php. Isso inclui o ensino. ainda fortemente abaladas e atônitas com as mudanças. Pressionadas pela massificação do ensino superior. 2009. crítica e permanentemente no diagnóstico dos problemas locais. e 3) internacionalização. Acesso em: 09 set.. criativa e inovadora. Então precisamos dar um salto por cima da prática mais simples de manutenção do conhecimento para uma posição de fronteira viva. O ensino deve ser atualizado e capaz de gerar profissionais competentes e criativos. com feições bastante diferenciadas. mas. Esse é um dos principais instrumentos para a permanente dinamização da universidade. nacionais e mundiais. elabore um esquema para o texto.A humanidade não tem sido capaz de utilizar os seus avanços científicos e tecnológicos de modo sintonizado com as necessidades sociais e com os objetivos comuns. Mas. É hora de grande desafio. 12 . a pesquisa e a extensão. nunca foram tantas as ocasiões de divisão e de conflito’’. colocando em destaque as ideias principais e os pormenores importantes. da qual apenas agora começam a emergir em alguns países. sendo a universidade parte do sistema político-social que está doente. Relevância para lembrar o papel e o lugar do ensino superior na sociedade. mais perigoso e sujeito a graves retrocessos sob ideias totalitárias que estão sempre por aí sugerindo a prática de violências. Após a leitura do texto. a impressão geral que se tem é ambígua: nunca anteriormente o sentimento de solidariedade foi tão forte. Lauro. ao mesmo tempo. inseguro. O esquema ajuda o estudante a ter uma visão global do texto e também a discernir. procurando encontrar soluções e caminhos. É preciso um esforço maior na linha de ação internacional. realizada em Paris em 1998. as ideias principais. A internacionalização reflete o panorama do processo crescente de globalização.] O desafio às universidades está posto em um mundo bem mais complexo... [. sublinhe: 1. 2) diversificação de estruturas institucionais. 2. Orientação para a elaboração do exercício: Fazer um esquema significa organizar o texto de forma lógica.. pois ninguém está livre de violência.2 com dois traços as expressões ou palavras-chave. 1. 2) qualidade. Como diz o Relatório Delors: ‘‘Além da incerteza sobre o próprio destino.

). é: a) revolução da informática / reforma do Estado moderno com nacionalização de indústrias de bens de consumo/ assumir que está em curso um mercado de trabalho globalmente unificado. realizada em Paris em 1998. Segundo o autor. 1999. 4. ). 5. c) revolução tecnocientífica / reforço de políticas sociais com presença do Estado em setores produtivos estratégicos/ garantir níveis de bem-estar das pessoas considerando que uma parcela de atividades econômicas e de recursos é inegociável no mercado internacional. o que deve ser recomendado para se repensar a universidade para “os novos tempos”? Procure acessar o endereço http://www. e) Terceira Revolução Industrial / auxílio do FMI com impulso para atração de investimentos estrangeiros / compreender que o desempenho de empresas brasileiras que não operam no mercado internacional não é decisivo para definir o grau de utilização do potencial produtivo. O Desastre Social. numeração progressiva e outros para separar as divisões sucessivas. institucionais e sistêmicos. 1. o nível de emprego e a oferta de produtos essenciais. o mundo do trabalho e a questão social estão circunscritos aos espaços regionais. Cesar & outros. o neoliberalismo fez estragos ( .br/noticias/ultimas/relatorio%20delors/ e leia informações sobre o “Relatório Delors” e sua importância para a educação.• sublinhar as ideias principais e os detalhes importantes. O que seria necessário fazer para o Brasil enfrentar a situação da globalização no sentido de “parar de mistificá-la”? A alternativa que responde corretamente às três questões.” BENJAMIM.unesco. 13 . e assim por diante ( . o abandono de continentes e regiões. Rio de Janeiro: Contraponto.. SOARES. ocorre a fragmentação do mundo do trabalho. Rio de Janeiro: Record. o volume de produção a ser alcançado. Infelizmente. Laura T. • ser fiel ao texto do autor. ENADE 2004 – Formação Geral/questão 4 (múltipla escolha) “Os determinantes da globalização podem ser agrupados em três conjuntos de fatores: tecnológicos. A que está relacionado o conjunto de fatores de “ordem tecnológica”? 2. Globalização e Desnacionalização. • usar sistemas de chaves. no campo social. qual é o grande desafio da universidade? Apresente as três grandes tendências mundiais no ensino superior. com base na Conferência Mundial sobre o Ensino Superior. b) revolução nas telecomunicações / concentração de investimentos no setor público com eliminação gradativa de subsídios nos setores da indústria básica / implementar políticas de desenvolvimento a médio e longo prazos que estimulem a competitividade das atividades negociáveis no mercado global.. • manter um sistema uniforme para as divisões e subordinações que caracterizam a estrutura do texto. Diante do conteúdo dos textos apresentados acima. São Paulo: Paz e Terra. “A ortodoxia neoliberal não se verifica apenas no campo econômico. De acordo com a UNESCO.. em ordem. a exclusão de grupos humanos. a fragilização da maioria dos Estados. 6. 2003. o que defendem os críticos do neoliberalismo? 3. tanto no âmbito das ideias como no terreno das políticas. 1998. a concentração da riqueza em certas empresas e países.org. utilizando dois traços para as expressões ou palavras-chave da ideia principal e um único traço para os pormenores importantes. “Junto com a globalização do grande capital. Considerando que globalização e opção política neoliberal caminharam lado a lado nos últimos tempos. O primeiro passo para que o Brasil possa enfrentar esta situação é parar de mistificá-la.” GONÇALVES. algumas questões podem ser levantadas. A Opção Brasileira. Reinaldo. 3.. d) revolução da biotecnologia / fortalecimento da base produtiva com subsídios à pesquisa tecnocientífica nas transnacionais/ considerar que o aumento das barreiras ao deslocamento de pessoas.

político e social. c) o apelo à inclusão digital atrai os jovens para o universo da computação. pois a falta de acesso às tecnologias digitais acaba por excluir socialmente o cidadão.34-47) do livro de RUIZ. como um todo.ENADE 2005 – Formação Geral/questão 2 (múltipla escolha) Leia e relacione os textos a seguir. 14 . O Governo Federal deve promover a inclusão digital. Leia o texto indicado a seguir e destaque as ideias principais para discussão em sala. e da universidade.) Comparando a proposta acima com a charge. (Projeto Casa Brasil de inclusão digital começa em 2004. ed. um rápido mergulho na história da universidade. Daremos. ou seja. você deve ler o capítulo 2: “Estudo pela leitura trabalhada” (p. Metodologia de estudos: técnicas de estudo: leitura crítica e esquema. pode-se concluir que: a) o conhecimento da tecnologia digital está democratizado no Brasil. outras sugestões poderão ser feitas pelo professor da disciplina. missão. em especial a juventude. nível superior. Mariana. mas sim um recanto privilegiado onde se cultive a reflexão crítica sobre a realidade e se criem conhecimentos com bases científicas. não uma mera consumidora e repetidora de informações importadas para “profissionalizar”. JB online. Metodologia científica: guia para a eficiência nos estudos. Semana 03 Universidade: contexto histórico. In: MAZZA. d) o acesso à tecnologia digital está perdido para as comunidades carentes. 2002. criar e produzir conhecimento.] Diante do sistema educacional. TEXTO: Universidade – criação e produção de conhecimento [. funções e responsabilidade social. 5. São Paulo: Atlas. de início. SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para conhecer mais sobre leitura trabalhada. e) a dificuldade de acesso ao mundo digital torna o cidadão um excluído social... proporemos a nossa reflexão na busca de entender a universidade que temos e de clarear a nossa tentativa de construir a universidade que pretendemos. João Álvaro. técnicas de sublinhar e organização de esquemas. a fim de buscarmos os sinais e os esforços de construção de uma universidade onde inteligências se unem para conhecer. b) a preocupação social é preparar quadros para o domínio da informática. Observação: Além das leituras indicadas em cada aula.

em consequência das transformações impostas pela industrialização. ditadas. é. com os enciclopedistas.. com a nascente industrialização. por Humboldt. Algumas lições de história geral da universidade Na Antiguidade Clássica. É claro que não podemos falar ainda de conhecimento científico. porém. o hábito das discussões abertas. Grande parte do trabalho intelectual desenvolvido nesses tempos gravita em torno das verdades da fé.] Notamos. O conceito de universidade torna-se. de guarda das verdades já constituídas. para tornar-se centro de pesquisa. diremos como sonhamos uma universidade. as universidades não ficaram ilesas do ambiente dogmático Por outro lado. além de surgir em função de necessidades profissionais. hoje. já dispunha de escolas. de que a Igreja Católica mantinha severa vigilância sobre qualquer produção intelectual da época. nesses tempos. como verdades incontestáveis. nesses tempos... entretanto.] No Século XVIII surge. naquelas circunstâncias. tão a gosto dos ambientes autoritários ainda em nossos dias. estrutura-se fragmentada em escolas superiores. a “universidade”. o responsável pelo “golpe” à universidade medieval e pela entronização da universidade napoleônica na França – caracterizada pela progressiva perda do sentido unitário da alta cultura e a crescente aquisição do caráter profissional.1. fazia escola. que. Há como que um despertar da letargia intelectual vigente e a universidade. portanto.[. para tanto. estáticas e restritivas. Os dogmas eram impostos – ensinados – através de teses autoritariamente demonstrativas. gerava o dogmatismo. os estudos filosóficos – a Filosofia – são bastante cultivados.. que. Cada mestre conduzia a sua escola. enquanto centro de pesquisa.Ao final desse texto.. [. É claro que tais debates sempre aconteciam sob a vigilância do professor que. profissionalizante. pois. determinado pela Igreja Católica.. Podemos dizer mesmo que a universidade existente não acompanha o espírito difundido pela Renascença e pela Reforma. Há sobre os seus quadros certa imposição de uma atitude defensiva. então. então.. [. surge também. ao menos como é entendido hoje. [. 1. Os movimentos da Renascença e da Reforma e Contra-Reforma (Século XVI) inauguram a Idade Moderna. uma considerável diversificação do conhecimento humano e uma fragmentação dos órgãos de transmissão do saber. a imposição de verdades. religião e. espelho e modelo de aperfeiçoamento.] 15 . talvez como exigência do próprio contexto social de então. cada uma das quais isolada em seus objetivos práticos. garantia a ortodoxia das ideias e eventuais conclusões. tenta retomar a liderança do pensamento. Aos discípulos cabia aprender do mestre. uma outra mentalidade endereçada para a pesquisa científica. cuja considerável bagagem de conhecimentos era zelosamente transmitida. entre o final da Idade Média e a Reforma (entre os Séculos XI e XV) que propriamente nasce a universidade. A universidade através da história 1. uma comunidade de discípulos gravitando em torno de um mestre. Será.] É. filosofia. direito. das disputas como elementos integrantes do currículo e especificidade de certas disciplinas. ao lado da universidade napoleônica. além de moderador. das culturas. estão no esforço dos homens.[. no sentido de não acrescentar aos valores do passado as numerosas descobertas que se faziam.. retórica. o forte clima religioso. As origens do nosso sonho.. tidas como de alto nível.. dos debates públicos. o Ocidente. através da história.] A Igreja Católica desse tempo é a responsável pela unificação do ensino superior em um só órgão.] Não nos esqueçamos. Observamos nessa época. o Século XIX. enquanto preparava seus quadros. Discípulos se reuniam em torno de um mestre. Manter a unidade do conhecimento básico para todas as especialidades e proporcionar aos futuros especialistas uma formação inicial unitária e geral é um esforço característico desse tempo.. Nessa fase a universidade se caracteriza pelas repetições dogmáticas. uma criação alemã. de nossas utopias. entretanto. [. é nesses tempos que nasce e se cultiva. de um cabeça de escola. o movimento iluminista que questiona o tipo de saber estribado nas summas medievais”. para formar especialistas de classificação refinada em medicina. por um lado. quando da criação da Universidade de Berlim (Alemanha). no entanto. para o Brasil. de cátedras. preocupando-se em preparar o homem para descobrir. definidas e definitivas. inconsistente com a realidade. principalmente na Grécia e em Roma. Isto ocorre como resultante de todo um esforço da Igreja no sentido de fundamentar a sua ação política e religiosa. na linha do espírito positivista pragmático e utilitarista do Iluminismo. Notamos. A universidade moderna. levando em conta as transformações da época. nas escolas universitárias. para conquistar um espaço em que possa o homem se constituir plenamente homem. formular e ensinar a ciência. A universidade napoleônica. Tinha-se. O marco dessa transformação ocorre em 1810.. o clero especificamente.

o ensino superior em forma de Faculdade ou Escola Superior. já expressa uma preocupação de superar o simples agrupamento de faculdades. religiosos. Até mais ou menos 1960 continuamos com os agrupamentos de escolas e faculdades. mais que nos países latino-americanos colonizados pelos espanhóis. A quase totalidade daquela equipe de professores foi afastada de suas funções de refletir. aqui no Brasil. porque. uma busca pela livre autonomia universitária. Havana. Universidade e poder: análise crítica / fundamentos históricos: 1930-45. elabora o projeto. Mas. A partir de 1930 inicia-se o esforço de arrumação e transformação do ensino superior no Brasil. em sua maioria. assim. apesar dos esforços dos jesuítas. Há notícias de 2. com a constituição da Escola Militar e Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Santiago. Bogotá. sobre os problemas nacionais. O ajuntamento de três ou mais faculdades podia legalmente chamar-se de universidade. os luso-brasileiros faziam seus estudos superiores na Europa. é instituído aqui o chamado ensino superior. Com uma equipe de intelectuais. em Ouro Preto – Minas Gerais – é inaugurada a Escola de Engenharia. o Cardeal Newman. 1728. as Faculdades de Direito de São Paulo e Recife (1854) resultam dos cursos jurídicos (já em 1827 se fala dos Cursos Jurídicos em São Paulo – São Francisco e em Olinda – São Bento. 1692. Era a esperança de uma universidade brasileira. apesar de muitos dos seus criadores serem decapitados. de autonomia cultural da nação. em resposta às necessidades militares da Colônia. Argentina. nascida a partir de uma reflexão nacional. caiu por terra o sonho do extraordinário Anísio Teixeira. Com a vinda de D. A universidade no Brasil Até 1808 (chegada da família real ao Brasil). cirurgia e medicina. agora com a liderança de um seu amigo e discípulo. 1613. da cultura. as forças contrárias à renovação das ideias impedem despoticamente o desenvolvimento da nascente universidade brasileira.. Isso ocorre em 1964. 1551. Percebemos. e como a expressão da vontade das bases intelectuais do país: Darcy Ribeiro. propor soluções de problemas levantados pela atividade humana. Criava-se propriamente uma universidade nova.A Faculdade de Medicina da Bahia (1808) é resultante da evolução de cursos – durante a época colonial – de anatomia. aqueles professores e cientistas emigraram e foram engrandecer o pensamento da humanidade em países estrangeiros. no pensamento de Newman. que em 1934. É que as ditaduras são incompatíveis com os debates e a verdadeira universidade deve ser edificada sobre e a partir do debate livre das ideias. de colonização espanhola. a aspiração por uma universidade que seja centro de criação e difusão do saber. p. ligado sempre aos interesses do colonizador. condições necessárias a um povo que buscava sua identidade e autodeterminação social e política. Peru. S. 1622. o “Profeta” Anísio Teixeira pensa uma universidade brasileira como centro de debates livres de ideias. condicionou as funções das universidades existentes.[. Em sua grande maioria. 1538. Cuzco. o processo de transplante cultural. Sempre importamos técnicas e recursos culturais. separam-se os cursos civis dos militares. 34). Já nos demais países da América Latina.] 16 . Irlanda. É nesses termos que se fundam as Universidades de Minas Gerais – reorganizada em 1933 – e a Universidade de São Paulo. a criação de uma universidade no Brasil. Por volta de 1900 estava consolidado. México. João VI para a Colônia.2. convence os governantes e funda a Universidade de Brasília. 1. Mais uma vez. o comportamento foi outro (Em Lima. numa cidade nova – Brasília – em circunstâncias totalmente novas. com a implantação do Estado Novo em 1937. as academias. a primeira universidade realmente universidade. Observamos que nesse esforço de construção da universidade europeia há. em moldes novos. Peru. fundador da Universidade de Dublin. Por isso é que renasce com força a ideia de Anísio Teixeira. À sociedade como um todo cabia suscitar e manter um clima de liberdade. Domingo. Em 1874. exigidos por uma realidade nova. A ideia tomou corpo e foi bravamente iniciada a sua implantação. Em nosso país. Em 1935. como garantia de uma ação racional de crítica. concomitantemente. Até nossos dias aspiramos a tais qualidades para nossa universidade. Maria de Lourdes FÁVERO. principalmente em Coimbra – Portugal. 1783).500 brasileiros diplomados até 1808. de renovar o saber. Chile. Cf. Mas as ideias não morrem. “não havia lugar para eles”. Logo depois. Portugal não permitia. no Brasil. Córdoba. sonha com uma Universidade que seja lugar do ensino do saber universal.Em 1851. investigar. consequência da instalação da Corte no Rio de Janeiro.. provavelmente. Nascem as aulas régias. os cursos. 1553. como condição indispensável para questionar. com a chegada da ditadura. Seria.

ainda está viva uma tentativa de gerar. na perspectiva de participar e interferir que a universidade é. o homem inteligente sempre soube construir o novo com as lições incorporadas das refletidas experiências do passado. com seu característico patrulhamento ideológico. ao redor de seu mestre. com suas relações com o sistema político vigente. Longe estamos de pensar que o problema da universidade brasileira pode ser refletido à margem do complexo e abrangente sistema educacional como um todo. 2. continuam a ser de absorção. É com essa fé que vemos renascer sinais de uma universidade brasileira que quer descobrir-se universidade. de Newman. rigorosamente. ser chamada de universidade. escravizada à tecnocracia. 17 . de criar um clima de reflexão. chamada a abandonar seu papel tradicional de receptora e transmissora de uma cultura técnico-científica importada. aliando a ânsia do mais alto nível do saber à efetiva preocupação com os problemas nacionais. com a Renascença. que as funções da universidade existente no Brasil. a universidade como órgão de elaboração do pensamento da época. Saindo do clima de debates. Todos esses passos e crises do processo deixam evidente que ideias não morrem e que. fazer nascer e crescer uma autêntica universidade brasileira. a ideia de uma universidade centro livre de debate das ideias. pela qual somos corresponsáveis. que é sepultada pelo Estado Novo. a dimensão de criação e difusão do saber e da cultura. Novamente ideias tomam corpo e ressurgem esperanças de uma universidade nova. é que lançamos os olhos sobre a universidade que temos e a denunciamos. analisar. luta e transformação na história da universidade. ouvindo e refletindo. rigor e lógica na demonstração das verdades. por exemplo. no entanto. da Idade Média.Percebemos.] É. sugerir e avaliar. [. É esse quadro que determina um segundo ou terceiro plano para a educação nacional. tentava.] Desse rápido mergulho na história da universidade podemos. enquanto abrimos os olhos para a universidade que almejamos e nos propomos a conquistar. no Brasil. para depois perceber que o conhecimento só evolui se é passível de crise. Faz-se necessário. se surgiu a universidade do debate. Nossas escolas universitárias. refletir. identificada com sua cultura.. A universidade que não queremos Não queremos uma universidade-escola. Entretanto. abertura e infra-estrutura que permitam e incentivem a pesquisa. aplicação e difusão do saber humano. em que se faça tão somente ensino. fruto da atividade intelectual dos grandes centros técnico-científicos das nações desenvolvidas. de orientação explicitamente tecnocrata e voltado para interesses dos grandes capitais internacionais. não mais apenas repetir e importar. universidade voltada para o homem e não a exclusivo serviço da economia polarizada pelo lucro. para poder conhecer cientificamente a nossa realidade. uma postura de guardiã e defensora das verdades definidas e estáticas.. de esperança. então. conservar e transmitir a cultura. com Anísio Teixeira. por conseguinte. ressaltar que elas são fruto de um processo dialético: na Idade Média. os saberes e encaminhar cada um dos seus membros a tornar-se especialistas. criar proposições novas. [. mesmo após a dita independência política. lutam por conquistar a possibilidade de construção de uma personalidade universitária livre e crítica. livre. onde não exista efetivamente campo. Essas são manifestações efetivas do “fazer universidade” que a história registra. construir. sem medir esforços. bloqueada bruscamente pelo movimento de 1964. Uma universidade sem pesquisa não deve.. criadora. o processo de nossa universidade não tem sido diferente: os primeiros sinais da instituição da universidade brasileira aparecem com a marca europeia da universidade napoleônica: são vários cursos profissionalizantes em instituições isoladas de nível superior. desvinculada do sentido do homem. da universidade alemã. destacar alguns sinais da universidade que queremos: da Antiguidade Clássica.. constatamos a existência de centros universitários no Brasil que. Portanto. quando muito. Entre nós. Na década de trinta nasce. cria-se a vigilância da ortodoxia na produção intelectual. com o rótulo de “desinteressada”. em síntese. enfim. o seu entendimento como centro de pesquisa. a universidade assume. a comunidade de discípulos que. mesmo diante de um quadro tão pouco promissor. mantém sua clientela informada dos resultados das investigações feitas sobre problemas de outras realidades e não daqueles emergentes das necessidades e desafios de nossa nação e de nosso povo. dialeticamente. a Universidade de Brasília. de questionamento. encarnada e crítica. urgentemente. centro de debates e discussões e a exigência de seriedade. e assumir a luta pela conquista de uma cultura. Na expectativa. um saber comprometido com os interesses nacionais.

fica encerrado com o anúncio da nota ou conceito obtido na prova. executar ensino. à revelia do corpo de professores e alunos. um ano. Em outros termos. através do exercício da assimilação – não simples deglutição – da comparação. questionada. o trabalho criativo no sentido de aumentar o cabedal cognitivo da humanidade. Por conseguinte. alheia à realidade onde está plantada. indiscutivelmente certas e detém os critérios incontestáveis do certo e do errado... Sem um mínimo de clima de liberdade.. é impossível uma universidade centro de reflexão crítica. Em síntese. real e concreto. Estudar.] Verdades estudadas há dez. nesse modelo é. verbalístico. porque em dez. A pesquisa será. a universidade deve ser o lugar por excelência do cultivo do espírito. é verbalizar “conhecimentos”. indicada pura e simplesmente pelos donos do poder político e econômico sem a interferência de sua célula básica – aluno e professor – e aja como se fosse senhora de tudo.. 3. ler matéria a fim de se preparar para fazer provas. aprender. erudições.. o mestre que fala. hoje. Todas as demais atividades tomarão significado só na medida em que concorram para proporcionar a pesquisa. avaliada. “erudições” sem uma paralela visão do contexto social. formando profissionais de alto nível tecnológico e fazendo ciência. para que possa ser continuamente transformada. Rejeitamos um modelo de universidade que não exercita a criatividade. memorizar e repetir bem o que lhe é transmitido. estudada e entendida em todos os seus ângulos e relações. mas o jeito de estudá-las. simplesmente como uma parasita ou um quisto. sobre o projeto de sua comunidade. ao contrário. estabelecer uma mentalidade criativa. que não incentiva o hábito do estudo crítico. e todo um processo de crescimento intelectual e aprofundamento.O ensino repetitivo é. professores – alunos – administração. isto é.] Não queremos uma universidade onde a direção-administração – integrante fundamental do conjunto. a não ser aquela ditada pelo professor. comprometida exclusivamente com a busca cada vez mais séria da verdade. estruturadas. informações memorizadas e facilmente repetidas nas provas. da avaliação das proposições e dos conhecimentos. [. a fim de que a realidade seja percebida. absolutizar qualquer conhecimento como um valor em si. sua função é..[. Presumimos que. porque resta ao aluno-objeto pouca ou nenhuma possibilidade de criação. de argumentação. e onde se desenvolvem as mais altas formas da cultura e da reflexão. em determinada área ou disciplina. geralmente.] Não queremos uma universidade na qual o professor aparece como o único sujeito. com rigor. simplesmente. a realidade muda. A universidade que não toma a si esta tarefa de refletir criticamente e de maneira continuada sobre o momento histórico em que ela vive. cinco anos passados podem até continuar válidas. nessa universidade. As aulas são constituídas por falações do professor e audições dos alunos. portanto. a atividade fundamental desse centro. todo o seu corpo seja constituído por pessoas adultas: todos já sabem muitas coisas a respeito de muitas coisas. ao intercâmbio das ideias. de ouvir. não 18 .. o centro da sabedoria e das decisões. Nestes termos. por pessoas capazes de refletir e abertas à reflexão. de percebê-las é necessariamente novo. Não queremos uma universidade desvinculada. Buscaremos. onde o conteúdo como a forma não dizem respeito a um espaço geográfico e a um momento histórico concretos. [. a investigação crítica. livresco e desvinculado da realidade concreta em que estamos. não identifica nem analisa problemas concretos a serem estudados. Ser alheia. do saber.. O aprendizado é medido pelo volume de “conhecimentos”. Uma universidade que se propõe a ser crítica e aberta não tem o direito de estratificar. normalmente desmotivados. o melhor aluno é o que mais fielmente repete o professor e seus eventuais textos nas provas. permitindo-a e lutando continuadamente para conquistar espaços de liberdade que assegurem a reflexão. cinco. Trata-se de uma função nitidamente objetificante. da análise. à participação em iniciativas construtivas. todo o corpo universitário. O aluno é o ouvinte. ainda. criando-a provocando-a. portanto. A universidade que queremos Queremos construir uma universidade. em consequência. não queremos uma universidade originada da imposição e meramente discursiva. precisa comprometer-se com a reflexão.] Há sempre a necessidade de um entendimento novo. diz verdades já prontas.[. O melhor professor é aquele que traz maior número de informações. não uma simples escola de nível superior. mas nunca a definição última da universidade – surja a partir de organismos e razões outros que não os eminentemente pedagógicos e didáticos. reconhece que toda conquista do pensamento do homem passa a ser relativa. Nesse centro buscaremos o máximo possível de informações em todos os níveis. nunca refletidas ou analisadas. o receptor passivo do que é emitido pelo professor-mestre. o magister. desvinculada ou descomprometida com a realidade é sinônimo de fazer coisas.

poderemos visualizar o processar-se dessa mesma racionalidade em dois momentos complementares: primeiro. proposições criativas e originais. além de se consumir conhecimento.. uma universidade onde. porque isso marca a historicidade crítica de uma instituição humana.está realizando sua essência. ao estudo e. professor e aluno optaram por criá-lo e produzi-lo. razão concretizada. de outro. Ocasionando o desenvolvimento do potencial de reflexão crítica dos alunos. do município. exercitando e desenvolvendo seu potencial crítico. entretanto. ou não. o aluno. marcando a corresponsabilidade na condução do próprio processo. porque além de tomar consciência continuamente do que faz. para que possa criticamente identificar e estudar seus reais e significativos problemas e desafios. é obviamente necessário que o professor esteja sempre bem informado da realidade como um todo. em acordo sempre com as exigências do homem que aspira a ser mais. aquele potencial humano racional constantemente ativo na leitura dos acontecimentos da realidade. coordenação. a microrregião. sujeito de criação. porque a razão é eminentemente crítica. avaliar. questionar. permitindo ampliar o poder do homem sobre a natureza. propor perspectivas racionais de ação. conservação e transmissão da cultura.] 19 . econômica e cultural e equipada com adequado instrumental científico e técnico que. de criar uma relação entre dois sujeitos empenhados em edificar a reflexão crítica: de um lado o professor.. porque sua missão não se esgota na mera transmissão do que já está sabido. para analisar. uma universidade “consciência crítica da sociedade”. do Estado. sujeito – nunca objeto – de seu aprendizado. debater. profissionais do saber.] Queremos produzir conhecimento a partir de uma realidade vivida e não de critérios estereotipados e pré-definidos por situações culturais distantes e alheias às que temos aqui e agora. na medida em que exercita as funções de criação. a racionalidade instrumental-crítica. o continente latino-americano. segundo. por natureza. sua característica que a especifica como tal crítica. da nação. e de sua área de especialização em particular. discernir. mas em que muitos sabem algo e querem saber muito mais. mas pretendemos achar. Se entendemos a função específica da universidade como desenvolvimento da dimensão de racionalidade. através do estudo e pesquisa. com isso. de criação. ou seja. Estar atentos para os desafios dessa nossa realidade e estudá-los é a grande tarefa do corpo universitário. ela deve fazer avançar o saber. Queremos uma universidade em contínuo fazer-se. crítica. a fim de que possa proporcionar a seus alunos temas de reflexão concretos. inventar. deve se colocar num processo permanente de revisão de suas próprias categorias. problemas e fontes de estudos. portanto. ao debate. Propondo-se a formar cientistas. porque específico da universidade é o esforço de ser e desenvolver nos seus membros a dimensão de uma consciência crítica. fundamentado no princípio do incentivo à criatividade. dentro do processo histórico. o Estado. a racionalidade crítico-criadora. [. o país. comparar. Com essas pretensões. Trata-se. o professor se torna um motivador do saber. na qual terá suas raízes. discernir e. política. inteligência institucionalizada daí ser.. de questionamento.. julgar. a região. Criadora e crítica. Não imaginamos um modelo definitivo de universidade. por excelência. conquistar nosso modelo. até as esferas mais remotas. o terceiro mundo. decorrentes da incessante observação crítica da realidade. ponha a serviço da realização de cada pessoa as conquistas do saber humano. Queremos. enfim. Enfim. Dessa forma. ou seja. o município. A universidade. com aguda consciência de nossa realidade social. Nesses termos. um corpo responsável por indagar. não se trata mais de uma universidade em que um sabe e muitos não sabem. dando ao homem consciência de suas necessidades. a universidade ajuda a sociedade na busca de encontrar os instrumentos intelectuais que. fazer entender melhor e mais profundamente a realidade concreta. lhe possibilitam escolher meios de superação das estruturas que o oprimem. questionamentos e debates. à crítica. queremos construir uma universidade plantada numa realidade concreta. na medida em que a estivermos construindo. econômico e cultural. finalmente. Nesse contexto a validez de qualquer conhecimento será mensurada na proporção em que este possa. político. queremos criar um inter-relacionamento professor-aluno. só poderá desempenhar tais funções quando for capaz de formar especialistas para os quadros dirigentes da própria universidade. proposição de estudos. através de um esforço inteligente de assimilação. para ver. desde a esfera mais próxima. [. o planeta. refletir a nossa realidade histórico-geográfica nos seus níveis social. Para que um tal clima se faça. propor caminhos de soluções. Isto nos quer dizer que a universidade é. porque tem a universidade a responsabilidade de formar os quadros superiores exigidos pelo desenvolvimento do país. Queremos uma universidade onde se torne possível e habitual trabalhar. investigar. criadora e crítica.

Zapatero afirmou que não há política. cap. Por que Luckesi. Isabel. 1. com os demais companheiros. propomos livremente e livremente avaliamos a nossa responsabilidade. critica a concepção de aprendizagem que leva em conta [. para que haja tais iniciativas do terror está explicitada na seguinte afirmação: a) O desejo de vingança desencadeia atos de barbárie dos terroristas. Enquanto pensamos livremente. só há o vazio da futilidade. por isso transformador. havendo ataques em várias cidades. a responsabilidade pelo todo. 2005. revistas. 1998. c) A desigualdade social existente em alguns países alimenta o terrorismo. ed. resistência ou luta no terror. O corpo universitário. política. econômica e cultural. que constituem. “assinalou que os espanhóis encheram as ruas em sinal de dor e solidariedade e dois dias depois encheram as urnas. Luckesi. na atualidade. para discussão em aula. efetivamente. Disponível em: http://www2. 5. que jamais poderá existir sem professor e aluno voltados para a criação e construção do saber engajado. lembrando que não se deve vincular esse fenômeno com nenhuma civilização. Também proclamou que não existe álibi para o assassinato indiscriminado. 2. a exclusão social ou os Estados falidos. Organize um quadro comparativo entre a universidade que se quer e a que não se quer e apresente as críticas feitas pelo autor a este respeito. Fonte: LUCKESI. ao mencionar a universidade brasileira.] “o volume de ‘conhecimentos’ e informações memorizadas e facilmente repetidas nas provas. internet. enfim. questionamos livremente. informações sobre o tema universidade/ensino superior. em todos os continentes.nl/rnw/pt/atualidade/europa/at050311onzedemarco? Acesso em Set. São Paulo: Cortez.. [. segundo ele. Queremos uma universidade democrática e voltada inteiramente para as lutas democráticas. ENADE 2005 – Formação Geral/questão 3 (múltipla escolha) As ações terroristas cada vez mais se propagam pelo mundo. cada um a seu nível. com a realidade social. cultura ou religião. José Luis Rodriguez Zapatero. É nesses termos que pretendemos um corpo universitário que lute para eleger seus diretores a partir de critérios que correspondam aos objetivos da Universidade. indicada pelo governante espanhol. 10. um terreno fértil para o terrorismo”. o Presidente de Governo da Espanha. ao aluno. Nesse contexto.] Queremos. EXERCÍCIOS: Refletindo sobre o texto trabalhado.. para que nessa busca de interação seja construída a universidade. a infâmia e a barbárie. com o aluno. II. como ser sujeito em diálogo com a realidade. Por esse motivo apostou na criação pelas Nações Unidas de uma aliança de civilizações para que não se continue ignorando a pobreza extrema. 3. b) A democracia permite que as organizações terroristas se desenvolvam. C. e) A intolerância gera medo e insegurança criando condições para o terrorismo. nunca refletidas ou analisadas. responda às questões a seguir e participe da discussão em sala de aula. (Adaptado).. Levante em jornais. Explique as preocupações por trás das razões que levaram à criação da universidade na Idade Média e a importância do dogmatismo como referencial daquela prática. Organize o seu material no portfolio. mostrando assim o único caminho para derrotar o terrorismo: a democracia. professor-aluno e administração. Fazer universidade: uma proposta metodológica. em conferência sobre o terrorismo.. nem ideologia. d) O choque de civilizações aprofunda os abismos culturais entre os países. et al.Enfim. uma universidade onde possamos lutar para conquistar espaços de liberdade. ocorrida em Madri para lembrar os atentados do dia 11 de março de 2004. analise a seguinte notícia: No dia 10 de março de 2005. (MANCEBO.rnw. fazer-se sujeito em diálogo com o professor. necessita de espaço para assumir. Madri fecha conferência sobre terrorismo e relembra os mortos de 11-M. afirma que esta não pode ser apenas uma instituição repetidora das descobertas feitas nos outros países? 4. A principal razão. cabe ao professor-educador descobrir.” Explique esta afirmação. Também defendeu a comunidade islâmica. ao se referir ao modelo autoritário de universidade. 20 .

Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e. (. 2004. Mas mesmo nestas suas formas enviesadas. n. embora não possamos aceitá-la.. 21-25. jan. (. de que os senhores desejam o nosso bem e agradecemos de todo o coração. Marcus Tadeu Daniel.br. O conhecimento é a grande estratégia da espécie. testemunhando sua imprescindibilidade e sua irreversibilidade em nossa história. d) ciência e escolaridade / educação técnica..cmconsultoria. ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportar o frio e a fome. os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa ideia de educação não é a mesma que a nossa. Mas. você deve ler o artigo de RIBEIRO. Não sabiam caçar o veado. E esse tipo de situação se caracteriza. feita pelo Governo do Estado da Virgínia (EUA). Leia também o artigo de Ronaldo Mota. O que é educação. Carlos Rodrigues. se sistematiza. Rio de Janeiro. c) ideologia e filosofia / educação superior. b) identidade e história / educação formal. disponível no Portal www. Eles eram. O conhecimento é.. no caso da educação universitária. 1984) A relação entre os dois principais temas do texto da carta e a forma de abordagem da educação privilegiada pelo cacique está representada por: a) sabedoria e política / educação difusa. refiro-me aqui ao conhecimento ainda em sua generalidade./jul. São Paulo: Brasiliense.) Nós estamos convencidos. antecipando-me assim a uma crítica que levantasse a efetiva determinação de nosso agir a partir de formas ambíguas e de intencionalizações deficientes e precárias. Semana 04 Universidade: funções e responsabilidade social. e) educação e cultura / educação assistemática. pois. ENSINO E EXTENSÃO NA UNIVERSIDADE Do compromisso da Universidade com a construção do conhecimento O conhecimento é o referencial diferenciador do agir humano em relação ao agir de outras espécies. etc. eram maus corredores.com. Sem dúvida. De modo geral.ENADE 2005 – Formação Geral/questão 5 (múltipla escolha) Leia trechos da carta-resposta de um cacique indígena à sugestão. se transmite e se universaliza. Metodologia de estudos: técnica de estudos-resumo. quando eles voltaram para nós.. que lhes ensinaremos tudo que sabemos e faremos deles homens. elemento específico fundamental na construção do destino da humanidade. 21 . sendo assim.. uma vez que sua legitimidade nasce exatamente de seu vínculo íntimo com o conhecimento.) Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. portanto. intitulado Das artes e dos ofícios da educação superior. Dissertar. de modo radicalizado. se reproduz. com acesso em 15 de agosto de 2008 (Fonte: Valor Econômico). A pesquisa e a universidade. TEXTO: PESQUISA.. Daí sua relevância e a importância da educação.) Ficamos extremamente agradecidos pela vossa oferta e. SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre universidade. da ideologia. para mostrar a nossa gratidão concordamos que os nobres senhores de Virgínia nos enviem alguns de seus jovens. se organiza. 6. inúteis. (. o conhecimento já se revela como o grande instrumento estratégico dos homens. (BRANDÃO. como ocorre nos casos do senso comum. r Leia o texto indicado a seguir e destaque as ideias principais para discussão em sala. ano III. de que uma tribo de índios enviasse alguns jovens para estudar nas escolas dos brancos. p. se conserva. então. portanto. matar o inimigo ou construir uma cabana e falavam nossa língua muito mal. a educação pode ser mesmo conceituada como o processo mediante o qual o conhecimento se produz.

seja mediante a criação de instâncias internas de incentivo. decorrentes da própria política educacional desenvolvida no país que. o ensino superior entre nós. apenas a profissionalizar mediante o repasse de informações. de fato. nem mesmo transmite adequadamente os conhecimentos disponíveis no acervo cultural. a ser traduzida e realizada mediante procedimentos apoiados na competência técnico-científica. ao mesmo tempo. eis que a 22 . Tenho por hipótese. programas e projetos de pesquisa. não forma. não conseguem entender a necessidade da postura investigativa como inerente ao processo do ensino. com relação ao atingimento de seus objetivos. seja mediante a implantação de cursos de pós-graduação stricto sensu e de Programas de Iniciação Científica. Daí inclusive defenderem a existência de dois tipos de universidades: as universidades de ensino e as universidades de pesquisa. pesquisa básica ou aplicada. O ensino superior. para que possa atingir esse fim. no entanto. Mas. impõe-se que seja integrada num sistema articulado. está mesmo destinado a fracassar. a pesquisa precisa ser organizada no interior da Universidade. tal ensino superior não profissionaliza. com criatividade e riqueza de iniciativas. em face da complexidade das novas situações. especialistas em educação. só pode mesmo reproduzir as relações sociais vigentes na sociedade pelo repasse mecânico de técnicas de produção e de valores ideologizados. a identificação dos problemas que digam respeito à comunidade próxima. que a principal causa intramuros do fraco desempenho do processo de ensino/aprendizagem do ensino superior brasileiro parece ser mesmo uma enviesada concepção teórica e uma equivocada postura prática. o que vai se realizar através das atividades de extensão. Tudo indica que a grande causa da ineficácia do ensino universitário. cabe-lhe delinear uma política de pesquisa no âmbito da qual possam ser elaborados e desenvolvidos planos. a prática da pesquisa no âmbito do trabalho universitário contribuiria significativamente para tirar o ensino superior de sua atual irrelevância. já explicam a pouca valorização da própria pesquisa como elemento integrante da vida universitária. não está conseguindo cumprir nenhuma de suas atribuições intrínsecas. Há causas mais profundas. Cabe assim aplaudir as Universidades que ultimamente vêm buscando oferecer condições objetivas para a instauração de uma tradição de pesquisa. destinadas. Por outro lado. Hoje a atuação profissional. de modo que os resultados das investigações possam se traduzir em contribuições para a mesma. em decorrência das quais pretende-se lidar com o conhecimento sem construí-lo efetivamente. mediante uma atitude sistemática de pesquisa. Esse ponto de vista vem sendo vitorioso no contexto da política educacional brasileira. seja ainda tornando exigência curricular a atividade de elaboração de Trabalhos de Conclusão de Curso. assim conduzido. testada e amadurecida na prática. Desempenhando seu papel quase que exclusivamente no nível burocrático-formal. Uma Universidade efetivamente comprometida com a proposta de criação de uma tradição de pesquisa não pode mesmo deixar de investir na formação continuada de seus docentes como pesquisadores. assim como muitas autoridades da área. de acordo com a proclamação corrente. no seu processo interno. em qualquer setor da produção econômica. lamentavelmente. aliás. Da impropriedade da Universidade só se dedicar ao ensino A implantação em nosso país de escolas superiores totalmente desequipadas das condições necessárias ao desenvolvimento de uma prática de pesquisa. Sem dúvida. Na realidade. Desse modo. Tanto quanto o ensino. que é tratado como se fosse mero produto e não um processo. Na verdade. seja mediante alguma forma mais sistemática de efetivo apoio à formação pós-graduada de seus docentes em outras instituições. de técnicas e habilitações pré-montadas. física e financeira. De modo especial. testemunha o profundo equívoco que tomou conta da educação superior no Brasil. Por outro lado.A pesquisa é coextensiva a todo o tecido da instituição universitária: ela aí se desenvolve capilarmente. não poderá deixar de colocar os meios necessários em termos de condições objetivas e de infraestrutura técnica. Muitos teóricos. É bem verdade que a ausência de tradição de pesquisa não é a única causa da atual situação do ensino universitário. exige capacidade de resolução de problemas. não se pode perder de vista que ela precisa ser relevante: daí a necessária atenção ao campo de seus objetos. Limita-se a repassar informações fragmentadas e a conferir uma certificação burocrática e legal de uma determinada habilitação. planejamento e coordenação da pesquisa. tem a ver fundamentalmente com esta inadequada forma de se lidar com o conhecimento. a ser.

nova LDB consagrou, dando-lhe valor legal, essa dicotomia. Assim, os Centros Universitários, por exemplo, deverão cuidar apenas de ensino, enquanto as Universidades cuidariam de ensino e pesquisa. Não se trata de transformar a Universidade em Instituto de Pesquisa. Ela tem natureza diferente do Instituto de Pesquisa tanto quanto ela se diferencia de uma Instituição Assistencial. O que está em pauta, em verdade, é que sua atividade de ensino, mesmo quando se trata de uma simples faculdade isolada, deve ser realizada sob uma atitude investigativa, ou seja, sob uma postura de produção de conhecimento. É claro que isto vai custar mais do que colocar milhares de professores fazendo conferências para milhões de ouvintes passivos, que pouco ou nada vão aproveitar do que estão ouvindo, independentemente da qualidade ou do mérito daquilo que está sendo dito... Mas, não vai custar o mesmo que custa um Instituto de Pesquisa, com o qual a Universidade não está competindo, concorrendo, no mau sentido. Da necessidade do envolvimento da Universidade com a extensão A Universidade não é Instituto de Pesquisa, no sentido estrito, mas nem por isso pode desenvolver ensino sem adotar uma exigente postura investigativa na execução do processo ensino/aprendizagem; também não é Instituição de Assistência Social, mas nem por isso pode desenvolver suas atividades de ensino e pesquisa sem se voltar de maneira intencional para a sociedade que a envolve. A única exigência é que tudo isso seja feito a partir de um sistemático processo de construção de conhecimento. A extensão se torna exigência intrínseca do ensino superior em decorrência dos compromissos do conhecimento e da educação com a sociedade, uma vez que tais processos só se legitimam, inclusive adquirindo sua chancela ética, se expressarem envolvimento com os interesses objetivos da população como um todo. O que se desenrola no interior da Universidade, tanto do ponto de vista da construção do conhecimento, sob o ângulo da pesquisa, como de sua transmissão, sob o ângulo do ensino, tem a ver diretamente com os interesses da sociedade.[...] Deste modo, a extensão tem grande alcance pedagógico, levando o jovem estudante a vivenciar sua realidade social. É por meio dela que o sujeito/aprendiz irá formando sua nova consciência social. A extensão cria então um espaço de formação pedagógica, numa dimensão própria e insubstituível. Quando a formação universitária se limita ao ensino como mero repasse de informações ou conhecimentos está colocando o saber a serviço apenas do fazer. Eis aí a ideia implícita quando se vê seu objetivo apenas como profissionalização. Por melhor que seja o domínio que se repassará ao universitário dos conhecimentos científicos e das habilidades técnicas, qualificando-o para ser um competente profissional, isso não é suficiente. Ele nunca sairá da Universidade apenas como um profissional, como um puro agente técnico. Ele será necessariamente um agente político, um cidadão crítica ou dogmaticamente, consciente ou alienadamente formado. A extensão se relaciona à pesquisa, tornando-se relevante para a produção do conhecimento, porque esta produção deve ter como referência objetiva os problemas reais e concretos que tenham a ver com a vida da sociedade envolvente. A relevância temática dos objetos de pesquisa é dada pela significação social dos mesmos. É o que garante que a pesquisa não seja desinteressada ou neutra... Por sinal, a prática da extensão deve funcionar como cordão umbilical entre a Sociedade e a Universidade, impedindo que a pesquisa prevaleça sobre as outras funções, como função isolada e altaneira na sua proeminência. É no contexto dessas colocações sobre a natureza do conhecimento e do caráter práxico da cultura que se tornam claros os compromissos éticos da educação e dos educadores, bem como das instituições universitárias. Compromissos que se acirram nas coordenadas histórico-sociais em que nos encontramos. Isto porque as forças de dominação, de degradação, de opressão e de alienação se consolidaram nas estruturas sociais, econômicas e culturais. As condições de trabalho são ainda muito degradantes, as relações de poder muito opressivas e a vivência cultural precária e alienante. E a distribuição dos bens naturais, dos bens políticos e dos bens simbólicos é muito desigual. De todas estas considerações impõe-se concluir que as funções da Universidade – ensino, pesquisa e extensão – se articulam intrinsecamente e se implicam mutuamente, isto é, cada uma destas funções só se legitima pela vinculação direta às outras duas, e as três são igualmente substantivas e relevantes. Com efeito, a pesquisa é fundamental, uma vez que é através dela que podemos gerar o conhecimento, a ser necessariamente entendido como construção dos objetos de que se precisa apropriar humanamente.

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Construir o objeto que se necessita conhecer é processo condicionante para que se possa exercer a função do ensino, eis que os processos de ensino-aprendizagem pressupõem que tanto o ensinante como o aprendiz compartilhem do processo de produção do objeto Do mesmo modo, a pesquisa é fundamental no processo de extensão dos produtos do conhecimento à sociedade, pois a prestação de qualquer tipo de serviços à comunidade social, que não decorresse do conhecimento da objetividade dessa comunidade, seria mero assistencialismo, saindo assim da esfera da competência da Universidade. Por outro lado, o conhecimento produzido, para se tornar ferramenta apropriada de intencionalização das práticas mediadoras da existência humana, precisa ser disseminado e repassado, colocado em condições de universalização. Ele não pode ficar arquivado. Precisa então transformar-se em conteúdo de ensino, de modo a assegurar a universalização de seus produtos e a reposição de seus produtores. Tal a função do ensino. Mas os produtos do conhecimento, instrumentos mediadores do existir humano, são bens simbólicos que precisam ser usufruídos por todos os integrantes da comunidade, à qual se vinculam as instituições produtoras e disseminadoras do conhecimento. É a dimensão da extensão, devolução direta à mesma dos bens que se tornaram possíveis pela pesquisa. Mas, ao assim proceder, devolvendo à comunidade esses bens, a Universidade o faz inserindo o processo extensionista num processo pedagógico, mediante o qual está investindo, simultaneamente, na formação do aprendiz e do pesquisador. A função extensionista, articulada à prática da pesquisa e à prática do ensino, não se legitimaria então, se não decorresse do conhecimento sistemático e rigoroso dos vários problemas enfrentados pelas pessoas que integram determinada sociedade ou parte dela. Ainda que formalmente se imponha, no interior da instituição universitária, a divisão técnica entre estas funções, elas se implicam mutuamente. Não haveria o que ensinar e nem haveria ensino válido se o conhecimento a ser ensinado e socializado não fosse construído mediante a pesquisa; mas, não haveria sentido em pesquisar, em construir o conhecimento novo, se não se tivesse em vista o benefício social do mesmo, a ser realizado através da extensão, direta ou indiretamente. Por outro lado, sem o ensino, não estaria garantida a disseminação dos resultados do conhecimento produzido e a formação dos novos aplicadores desses resultados. A extensão como mediação sistematizada de retorno dos benefícios do conhecimento à sociedade exige da comunidade universitária imaginação e competência com vistas à elaboração de projetos como canais efetivos para este retorno. Chega a ser um escárnio e, no fundo, uma tremenda injustiça, a omissão da instituição universitária em dar um mínimo que seja de retorno social ao investimento que a sociedade faz nela. Este retorno deveria se dar mediante o desenvolvimento de projetos de grande alcance social, envolvendo toda a população universitária do país. E isto deveria ser feito de modo sistemático e competente, não se tratando de iniciativas de caráter compensatório, de cunho assistencialista. Por outro lado, a extensão tem que ser intrínseca ao exercício pedagógico do trabalho universitário. Não se trata de uma concessão, de um diletantismo, mas de uma exigência do processo formativo. Toda instituição de ensino superior tem que ser extensionista, pois só assim ela estará dando conta da formação integral do jovem universitário, investindo-o pedagogicamente na construção de sua nova consciência social. A extensão deve expressar a gênese de propostas de reconstrução social, buscando e sugerindo caminhos de transformação para a sociedade. Pensar um novo modelo de sociedade, nos três eixos das práticas humanas: do fazer, do poder e do saber, ou seja, levando a participação formativa dos universitários no mundo da produção, no mundo da política e no mundo da cultura. Só assim o conhecimento estará se colocando a serviço destas três dimensões mediadoras de nossa existência. E só assim a universidade estará cumprindo a sua missão. Fonte: SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2007, pp. 27-36. EXERCÍCIOS: Após a leitura do texto, responda: 1. Explique como a universidade deve estar comprometida com a construção do conhecimento. 2. Por que o autor critica a universidade que só se dedica ao ensino? 3. Qual a importância do envolvimento da universidade com a extensão? 4. A que conclusão o autor chega a respeito das funções da universidade: ensino, pesquisa e extensão? 5. Com base na leitura do texto, escreva um resumo informativo.

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Orientação para a elaboração do resumo: Resumir um texto é sintetizar as ideias e não as palavras do texto. Deve ser escrito com as suas próprias palavras, mantendo-se fiel às ideias do autor do texto. DICAS para a elaboração do resumo: • fazer leitura minuciosa do texto; • sublinhar as ideias principais e os detalhes importantes; • apresentar de forma ordenada essas ideias e esses detalhes (introdução, desenvolvimento e conclusão); • respeitar as ideias do autor, não apresentando comentários ou apreciações. SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre conhecimento e universidade, você deve ler o artigo de DEMO, Pedro. Professor/conhecimento. UNB 2001. Disponível em: www.omep.org.br/artigos/palestras/08.pdf. Acesso em: 10 set. 2008. Para saber sobre resumo, você deve ler o capítulo 7 do livro de MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: prática de fichamentos, resumos, resenhas. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003, pp. 137-157. E também consultar a Norma NBR6028/2003 da ABNT sobre resumo (indicativo, informativo e crítico). Observação: Apresentamos, a seguir, partes selecionadas do texto referido anteriormente de Pedro Demo, intitulado Professor/conhecimento, para orientar sua leitura e consequente discussão em sala de aula. Com base nesta leitura, compare o posicionamento de Pedro Demo com o de Antônio J. Severino. A respeito da reconstrução do conhecimento e do papel da universidade nesse processo, assim se posiciona Pedro Demo. [...] Não basta apenas transmitir e socializar conhecimento. É mister saber reconstruí-lo com mão própria. Em grande parte, temos aí o diferencial mais concreto entre países ditos desenvolvidos e outros subdesenvolvidos ou em desenvolvimento: os primeiros alimentam condição inequívoca de manejo próprio de conhecimento e, por conta disso, definem as universidades como centros de pesquisa fundamentalmente, enquanto os segundos importam conhecimento alheio, a ele se subordinam, e fazem de suas universidades instâncias onde se ensina a copiar. Assim, enquanto o Primeiro Mundo pesquisa freneticamente, o Terceiro dá aula despreocupadamente. Não se trata de construir conhecimento original como alternativa única, porque isto é algo raro. Trata-se, na verdade, da tese mais modesta e realista de reconstruir conhecimento, partindo do já existente [...] Alargamos nossos conhecimentos, partindo do que já conhecemos. Por isso, continua importante socializar conhecimento, embora seja impróprio falar de transmissão de conhecimento. Mesmo que quiséssemos apenas transmitir conhecimento, não é viável por pelo menos dois argumentos claros: pelo argumento hermenêutico: sempre interpretamos, nunca reproduzimos, porque não somos capazes de assumir posição de mero objeto que engole o que vem de fora; pelo argumento biológico: o ser vivo, ao captar a realidade externa, o faz ativamente, de tal sorte que o “ponto de vista do observador” se impõe mais do que o contrário (MATURANA/VARELA, 1995. VARELA, 1997). Disseminar informação, conhecimento, patrimônios culturais é tarefa fundamental, mas nunca apenas transmitimos. Na verdade, reconstruímos. Por isso mesmo a aprendizagem é sempre fenômeno reconstrutivo político, nunca apenas reprodutivo. A universidade que apenas repassa conhecimento, além de superada no tempo, é desnecessária, porque o acesso à informação disponível está sendo tomado, com vantagens reconhecidas, pelos meios eletrônicos. O estudante não comparece à universidade para escutar aulas copiadas que levam a reproduzir a cópia, mas para reconstruir conhecimento com os professores. Estes têm, como tarefa central, não a aula, que continua expediente didático secundário e intermitente, mas o compromisso de fazer o aluno aprender. Ora, conforme as modernas teorias de aprendizagem (DAMÁSIO, 1996. GARDNER, 1994. GOLEMAN, 1996. DEMO, 2000), esta somente ocorre diante de dois fatores humanos: o esforço reconstrutivo do aluno, e a orientação do professor. [...] Conhecimento, mesmo sendo expressão humana, tende a ser virtude apenas técnica, e, neste sentido, voraz e cáustica. Pode ser muito mais inovador do que educativo. [...] o conhecimento está menos ligado a conteúdos, do que a procedimentos metodológicos de superação dos conteúdos. O exemplo da informática já é paradigmático: cada novo computador é feito para ser jogado fora. Não há como imaginar um

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com qualidade formal e política.. como signo fundamental da gestação da autonomia. e mesmo da escola (BECKER. se pudesse refazer seu horizonte de lugar estratégico da reconstrução do conhecimento. para motivar o surgimento do saber pensar. Entretanto. não só como princípio científico. já em nome sobretudo da formação da cidadania. pois. pesquisa é vista como estratégia pedagógica. [.] A universidade cumpriria função crucial se pudesse. aspirar desmesuradamente. Diante de tudo isso. então. ao resgatar a competência humana da intervenção alternativa para benefício do bem comum. a habilidade de se revoltar contra o que se recebe do trajeto evolucionário e da história. sempre oferecidos como propostas externas e eventuais.] De outra parte. no fundo. mas principalmente se formem para a vida. ou seja.. mas igualmente da cidadania. no fundo crítica e criativa.] A universidade poderia recuperar alguma centralidade na sociedade de hoje.] Colocam-se. em particular daquela cidadania que seria específica da escola e da universidade. porque herdeira do modernismo iluminista. da habilidade de questionar. Estaria implicado aí. longe do compromisso de fazer o estudante aprender de modo reconstrutivo político. infelizmente colonialista ao extremo.. postar-se em favor dos marginalizados do conhecimento. esta ganhou hoje dimensões mais amplas e centrais.. enquanto a face formal expressa a instrumentação metodológica. com suas virtudes e defeitos sabidos. ao lado de patrimônios educativos e culturais. pesquisar não é apenas fazer conhecimento. a rigor.. A tradição emancipatória que a universidade sempre cultivou. O próprio mercado. chegando ao patamar tecnológico civilizatório. [. um dos traços mais distintivos de todo o ser vivo – não só do ser humano – é a capacidade de reação reconstrutiva. De uma parte.. Neste sentido. a conquista do conhecimento inovador. no contexto da politicidade da educação. baseada na reprodução sistemática de aulas surradas.computador final. 2001). ao lado da pesquisa. Poderia ser definida minimamente como “questionamento reconstrutivo”. Significa não aceitar o que aí está. De fato.. como é o caso das máquinas industriais. questionar) e reconstruir (intervir de modo alternativo). como mola-mestra central. pesquisa continua significando o caminho para reconstruir conhecimento com mão própria. E se o ser humano se apegar a tais produtos. dois desafios interligados na formação dos estudantes: a) É preciso aprimorar o exercício da pesquisa. o que lhe permite ter e fazer história (MATURANA/VARELA. a reconstrução do conhecimento parece ser tarefa central da universidade. é mister introduzir a estratégia da elaboração própria. pela porta da qualidade formal é sempre possível tentar introduzir a politicidade da aprendizagem emancipatória. através da qual professores e estudantes se formam de modo permanente. Quanto à discussão em torno da pesquisa. Conhecimento significa. de aprendizagem. não só o progresso da ciência. com qualidade formal e política.]. 1995). Precisa não incidir tão facilmente nesta contradição performativa: prega a inovação. A pesquisa sobressai. o estudante precisa dominar o instrumental metodológico. poderia ser reativada em grande estilo. A face política é essencial até porque expressa os fins e a ética. [. b) É preciso impulsionar a face pedagógica da pesquisa. pesquisa deveria ser o ambiente da aprendizagem. mas sobretudo como princípio educativo. de corte crítico. O lado atraente desta perspectiva é a valorização sem precedentes do saber pensar e do aprender a aprender [. porque os marginalizados precisam das mesmas armas para o bom combate. busca esta perspectiva: precisa de profissionais que sabem pensar. [. Sua pedagogia continua instrucionista visceralmente. na condição de ferramenta central da reconstrução do conhecimento. porque a ideia de produtos e resultados acabados se extinguiu em ciência. para que os estudantes não só se profissionalizem. Os povos que desenvolveram melhor tal habilidade. Poderíamos resumir o mandato da universidade como sendo de educar novas gerações e formar profissionais inovadores. também vai para o lixo. O conhecimento sempre foi importante para a humanidade.. é sobretudo fazer conhecimento próprio. colocando em jogo dois desafios: questionar (argumentar é. ou seja. melhor que recorrer a projetos de extensão universitária. Como as próprias bases biológicas da teoria da aprendizagem procuram mostrar. avançaram mais. Para tanto – sobretudo para não oferecer coisa pobre para o pobre – precisa saber manejar conhecimento próprio da maneira mais reconstrutiva possível e imaginável. não reconhecer qualquer limite. na base do trajeto emancipatório humano.. competitivo. para que possa sair da condição de mero absorvente de conhecimento e atingir a posição de participante da engrenagem do conhecimento. é encaixar no próprio cur- 26 . desde seus primórdios. fundada na reconstrução do conhecimento.. parece estar. mas não consegue inovar-se. ainda que deteste a qualidade política.

. enquanto os progressos sem precedentes nas ciências são previstos. Maiores esforços interdisciplinares. Precisam buscar uma colaboração ativa por meio de esforço em todos os campos científicos. Para tanto. há necessidade de um forte e esclarecedor debate democrático sobre o uso do conhecimento científico. Tecnologias baseadas em novos métodos de comunicação. capaz de confrontar com as mazelas da sociedade e da economia. Considerações No que diz respeito à relação ciência e sociedade. estamos fornecendo à humanidade uma abordagem conceitual e prática que influencia profundamente sua conduta. A maioria dos benefícios da ciência é irregularmente distribuída e se tornou mais injusta. saber intervir de modo alternativo. Iniciação científica. do meio ambiente. devemos admitir. reconstruindo conhecimento. de manipulação de informação e de computação têm trazido oportunidades sem precedentes e desafio para o empenho científico e também para a sociedade como um todo. formando gente crítica. O conhecimento científico já ocasionou inovações notáveis. econômico e da saúde. os campos da ciência. incluindo armas convencionais e armas de destruição em massa. as ciências devem se colocar a serviço da humanidade como um todo e devem contribuir para dar a todos um entendimento mais profundo da natureza e da sociedade.. não fazendo uso desse reconhecimento de forma errônea. Sendo assim. o progresso científico tornou possível a fabricação de armas sofisticadas. cultural. para que a participação da ciência aumente no sentido de se construir um mundo mais justo. Além de seus benefícios demonstráveis. • onde as ciências naturais se encontram e onde elas estão liderando. mais próspero e mais sustentável.rículo. as nações e os cientistas estão convocados a compreender a urgência de se encontrarem. Estamos em uma situação de crescente independência e o nosso futuro está intimamente ligado ao sistema global de subsistência e à sobrevivência de todas as formas de vida. Hoje. uma melhor qualidade de vida e um ambiente sustentável e sadio para as gerações presentes e futuras. TEXTO 1: Declaração sobre a ciência e o uso do conhecimento científico Preâmbulo Todos nós vivemos no mesmo planeta e somos parte da biosfera. Leia o texto indicado a seguir e destaque as ideias principais para discussão em sala. qual tem sido seu impacto social e o que a sociedade espera delas. social. A expectativa de vida aumentou surpreendentemente e curas para muitas doenças têm sido descobertas. constantemente. no longo prazo. A produção agrícola tem aumentado significativamente em muitas partes do mundo para fazer face à necessidade da crescente população. das funções e da evolução do universo e da vida. a maneira responsável para tratar das necessidades e aspirações. de todos os interessados. Por exemplo. as aplicações dos progressos científicos. com a ajuda de todos. que têm sido de grande benefício para a humanidade. melhoramos o conhecimento científico da origem. a habilidade de. o desenvolvimento e a expansão da atividade humana têm também levado à degradação ambiental e a desastres tecnológicos que contribuem para o desequilíbrio ou para a exclusão social. Os desenvolvimentos tecnológicos e o uso de novas fontes de energia têm criado a oportunidade de libertar a humanidade do árduo trabalho forçado e têm tornado possível a geração de uma cadeia de produtos industriais e processos expansíveis e complexos. é fundamental que apareça a oportunidade emancipatória da educação. senso comum e verdade científica. Semana 05 Ciência. questionadora. separando cada vez mais os ricos dos pobres. A comunidade científica e os tomadores de decisões devem procurar o fortalecimento da confiança e do apoio públicos para a ciência por meio desse debate. envolvendo as ciências naturais e sociais. Quando. há a necessidade de um compromisso. Assim. 27 . são prérequisitos para se lidar com os problemas ético.

têm a responsabilidade especial de procurar se prevenir contra as aplicações da ciência que estão eticamente erradas ou que têm um impacto adverso. a necessidade urgente de se reduzir o vácuo existente entre o desenvolvimento e os países desenvolvidos. que algumas aplicações da ciência podem ser prejudiciais ao indivíduo e à sociedade. cria-se um grande potencial para melhorar a qualidade da saúde para a humanidade. que há algumas barreiras que têm obstruído a participação total de outros grupos. que necessitam praticar e aplicar as ciências em conformidade com os requisitos éticos apropriados. de ambos os sexos. que há uma desigualdade histórica na participação dos homens e das mulheres em todas as atividades relacionadas com a ciência. que a ciência é um recurso poderoso para a compreensão dos fenômenos naturais e sociais e que o seu papel promete ser ainda maior no futuro. daqui por diante. ao desenvolvimento humano sustentável. e possivelmente até ameaçar o a continuidade da existência das espécies. com base na solidariedade. da segurança global e da despreocupação global. e que a contribuição da ciência é indispensável à causa da paz. a importância para a pesquisa científica e para a educação com acesso amplo e claro a informações e dados de domínio público. a ciência deve se tornar um benefício compartilhado por todas as pessoas. as recomendações das principais conferências conveniadas aos sistemas de organizações das Nações Unidas e outras organizações e os encontros associados com a Conferência Mundial sobre a Ciência. ao meio ambiente e à saúde humana. o processo atual de globalização e o papel estratégico do conhecimento científico e tecnológico dentro dele. no intuito de se melhorarem a capacidade científica e a infra-estrutura dos países em desenvolvimento. que o propósito da ciência e o uso do conhecimento devem respeitar e manter a vida com todas as suas diversidades. como era feito há muito tempo. a necessidade sempre crescente do conhecimento científico no momento de decisões pública e privada. é uma parte do direito à educação que todos os homens e mulheres têm. o papel representado pelas ciências sociais na análise das transformações sociais relacionado ao desenvolvimento científico e tecnológico e à procura por soluções do problema gerado no processo. e que a ciência da educação é essencial para o desenvolvimento humano. que os cientistas. serão referidas como grupos desfavoráveis. uma contribuição valiosa 28 . e que o futuro da humanidade tornar-se-á mais dependente da produção equitativa e do uso do conhecimento como nunca foi antes. que o acesso ao conhecimento científico para propósitos pacíficos. do desenvolvimento. que os sistemas de conhecimentos locais e tradicionais como as expressões dinâmicas de percepção e compreensão do mundo podem dar. bem como os sistemas de manutenção da vida de nosso planeta. ao se fazer maior uso do conhecimento científico. que a revolução da informação e da comunicação oferece novos e mais eficientes meios para mudar o conhecimento científico e melhorar a educação e a pesquisa. que a pesquisa científica e o uso do conhecimento científico deveriam respeitar os direitos humanos e a dignidade do ser humano em concordância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e com a ajuda dada pela Declaração sobre o Genoma Humano e Direitos Humanos. incluindo a diminuição da pobreza. nativas e minorias étnicas que. quando a complexidade crescente do relacionamento entre a sociedade e o ambiente for melhor compreendida. que a pesquisa científica e suas aplicações podem produzir retorno significativo em direção ao crescimento econômico. que a pesquisa científica é a mais forte tendência em relação aos cuidados de saúde e sociais e que. desenvolvidos com base em um intenso debate público. e historicamente têm dado. para criar capacidade científica endógena e para criar cidadãos ativos e informados.• • • • • • • • • • • • • • • • • • • que no século XXI. incluindo pessoas inaptas. juntamente com outros participantes mais importantes. incluindo notadamente o papel a ser representado pela ciência na formulação de política e decisões reguladoras.

a ciência e suas aplicações são indispensáveis ao desenvolvimento. para uma maior eficiência no uso dos recursos e produtos menos agressores ao meio ambiente. social e cultural ambientalmente sadio. como a pobreza. e a tecnologia como armas para chamar atenção para as causas mais urgentes e para os impactos dos conflitos. assim como um forte comprometimento dos cientistas para com o bemestar da sociedade. CIÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO Hoje. que é o essencial no mundo democrático. O objetivo deve ser um movimento em direção ao desenvolvimento de estratégias sustentáveis por meio da integração econômica. deveriam estar cientes da necessidade de se usarem as ciências. em todos os níveis (social e cultural). aumentando a competitividade e a justiça social. a insegurança no alimento e na água. que é a base da cultura da paz. ambas direcionadas para esses objetivos e para uma melhor compreensão e preservação da base de recursos naturais do planeta. Os governos. CONHECIMENTO PARA O PROGRESSO A função inerente do esforço científico é fazer uma averiguação compreensiva e completa na natureza e na sociedade que leve a um novo conhecimento. cultural e das dimensões ambientais. a degradação ambiental. compartilhando de uma tradição existente há muito tempo e que supera as nações. social. Esse novo conhecimento proporciona o enriquecimento educacional. treinando cientistas na educação do povo. A comunidade científica. e o setor privado deveriam prover um apoio maior para construírem. Dessa forma. que um novo relacionamento entre a ciência e a sociedade é necessário para enfrentar os problemas globais urgentes. submetendo-os constantemente a uma análise crítica. com a capacidade tecnológica e científica adequada e compartilhada por meio de programas apropriados de educação e pesquisa. Governos e sociedade. CIÊNCIA PARA A PAZ A essência do pensamento científico é a habilidade de examinar os problemas de diferentes perspectivas e procurar as explicações dos fenômenos naturais e sociais. naturais e sociais. com o crescimento da população. O desenvolvimento tecnológico requer uma base científica sólida e precisa ser direcionado firmemente para uma produção segura. as religiões ou o etnicismo. a saúde pública inadequada. e conduz ao progresso tecnológico e a benefícios econômicos. e poderia estimular outras medidas para o desarmamento. aqueles que investem dinheiro em apostas. e os associados. mas isso não pode excluir a necessidade da pesquisa pública. por meio da política da ciência nacional e agindo como catalisadores para facilitarem a interação e a comunicação entre os stakeholders. proteger. a necessidade de um forte comprometimento com a ciência por parte dos governos. deveria promover. da sociedade civil e do setor produtivo. como foi afirmado na Constituição da UNESCO. em particular. juntos. deveriam identificar o papel-chave da pesquisa científica na aquisição do conhecimento. um alicerce indispensável ao desenvolvimento econômico. a biodiversidade e os sistemas de manutenção de vida. inclusive o nuclear. Deve-se aumentar o investimento na ciência e na tecnologia. A pesquisa científica custeada pelo setor privado tem sido um fator crucial para o desenvolvimento socioeconômico. pesquisar e promover essa herança cultural e o conhecimento empírico. A colaboração mundial entre os cientistas é uma contribuição construtiva e valiosa para a segurança global e para o desenvolvimento de interações pacíficas entre as diferentes nações. Isso é particularmente urgente para os países em desenvolvimento. a ciência pode confiar no pensamento livre e crítico. Os governos. sociedades e culturas. cultural e intelectual. Ambos os setores (privado e público) deveriam colaborar juntos e em forma complementar para o financiamento de pesquisas científicas com objetivos a longo prazo.• • para a ciência e para a tecnologia. Promover uma pesquisa fundamental e orientada é essencial para se conseguir o desenvolvimento endógeno e o progresso. e que há uma necessidade de preservar. Ciência e tecnologia também deveriam ser firmemente direcionadas ao objetivo de melhorar o uso. 29 . mais do que nunca. Resoluções CIÊNCIA PARA O CONHECIMENTO. Os investimentos nas pesquisas científicas referidas acima deveriam ser aumentados. a solidariedade moral e intelectual da humanidade.

apoio à ciência da educação e à pesquisa científica. A cooperação entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento deve ser efetuada em conformidade com os princípios de total e livre acesso à informação. nenhuma medida deve restringir a livre circulação desses cientistas. universidades e indústrias como parte dos sistemas de inovações nacionais. Em particular. É sobre essa plataforma que a educação da ciência. aumentado significativamente o apoio aos projetos colaborativos internacionais. há uma necessidade de fortalecer a pesquisa científica na educação mais avançada e em programas de pós-graduação. Todavia. deve ser dada a devida consideração à adversidade de tradições e culturas. A esse respeito. no amplo sentido. governamentais e não governamentais. tais como as universidades. em primeiro lugar. acordos internacionais para a junta de promoção. Por meio desses e outros esforços. pesquisa de trabalhos reticulares. a fim de melhorar a aplicação do novo conhecimento. e na sua coordenação em todos os níveis da educação. Mais do que nunca. programas para facilitar o intercâmbio de conhecimentos. o desenvolvimento de centros de pesquisas científicas internacionalmente reconhecidos. O acesso a essas facilidades pelos cientistas de países em desenvolvimento deve ser ativamente apoiado e aberto a todos sobre bases de mérito científico. Nos últimos anos.A educação da ciência. parcerias envolvendo as comunidades científicas de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento para encontrar a necessidade de todos os países e facilitar seu progresso. Há a responsabilidade do mundo desenvolvido de aumentar as atividades de parceria na ciência com os países em desenvolvimento e países em transição. O progresso na ciência faz com que o papel das universidades seja particularmente importante na promoção e na popularização da ciência do ensino. e arranjos internacionais para a promoção de treinamento de pós-graduação. está para ser expandido como um meio de promover o fluxo livre do conhecimento. avaliação e capital disponível para megaprojetos e amplo acesso para eles. com vistas à carreira profissional subsequente dentro do próprio país. o desenvolvimento de cooperação entre instituições R&D. equidade e benefícios mútuos. uma atenção particular deve ser dada para a necessidade de continuidade de apoio para a pesquisa. Em todos os países. a expansão e a utilização da criatividade humana. painéis internacionais para a tributação científica de ordem complexa. e que esforços sejam feitos para fortalecer a compreensão delas nos avanços científicos nessas áreas. medidas difundidas mundialmente têm sido empreendidas para promover a educação básica para todos. sem discriminação e incluindo todos os níveis e modalidades. é um pré-requisito para a democracia e para se garantir o desenvolvimento sustentável. os arranjos institucionais e os sistemas de financiamentos devem ser estabelecidos ou revisados para acentuar o papel das ciências num desenvolvimento sustentável dentro do novo contexto. deve-se ter cuidado para que o uso dessas tecnologias não leve a uma restrição negativa das riquezas das várias culturas e dos meios de expressão. incluindo o trabalho reticular do Sul-Sul. Ao mesmo tempo. tais como: projetos multilaterais. O caráter internacional da pesquisa fundamental deve ser fortalecido. sem discriminação de qualquer espécie contra países. É de suma importância que o papel fundamental representado pelas mulheres na aplicação do conhecimento científico para sustentar a produção e os cuidados com a saúde seja inteiramente reconhecido. Novas iniciativas são necessárias para a colaboração interdisciplinar. levando em consideração prioridades nacionais. O progresso na ciência requer vários tipos de cooperação entre os níveis intergovernamentais. Em todos os esforços de cooperação. é um elemento essencial para o treinamento de quadro de funcionários no país. em paralelo às tentativas de aproximações internacionais. especialmente aqueles de interesse global. e em particular nos países em desenvolvimento. bem como argumentar a habilidade. eles devem incluir: uma política nacional a longo prazo sobre a ciência a ser desenvolvida juntamente com a maioria pública e participantes privados. grupos ou indivíduos. É especialmente importante para os estados pequenos e países menos desenvolvidos ajudar a criar uma maioria criteriosa de pesquisa nacional nas ciências por meio da cooperação regional e internacional. doações e promoção de junta de pesquisa. a comunicação e a popularização precisam ser construídas. é necessário desenvolver e expandir a ciência literária em todas as culturas e em todos os setores da sociedade. O uso de informação e comunicação tecnológica. Para que todos os países sejam suscetíveis aos objetivos expostos nesta Declaração. particularmente por meio do trabalho reticular. buscando melhores oportunidades. as estratégias nacionais. particularmente nos países em desenvolvimento. A formação da capacidade científica deve ser sustentada pela cooperação regional e internacional para que ambas garantam o desenvolvimento equitativo. a destreza e uma apreciação de valores técnicos. Especial atenção é ainda exigida para grupos marginalizados. a cria- 30 . A presença de estruturas científicas. coleguismo. condições favoráveis devem ser criadas a fim de reduzir ou inverter o fluxo de técnicos especializados que se deslocam para outros países.

Nesse contexto. à distribuição e ao uso do conhecimento. devem ser resolvidas urgentemente.ção e a conservação de instituições nacionais para o risco de tributação e gerenciamento. CIÊNCIA NA SOCIEDADE E PARA A SOCIEDADE A prática da pesquisa científica e o uso do conhecimento dessa pesquisa devem visar sempre ao bemestar da humanidade. Isso deve ser empreendido por meio da educação. perseguirem e progredirem numa carreira no campo científico. As autoridades políticas devem adotar a ciência ética. Cada país deve estabelecer medidas convenientes para falar da ética. fortalecendo os sistemas de pesquisas científicas e tecnológicas nacionais e regionais. as fontes e os produtos. que são mutuamente sustentadas. 31 . um plano e uma formulação do desenvolvimento sustentável das estratégias. Há também a necessidade de se desenvolver mais a estrutura legal nacional apropriada para acomodar os requisitos específicos dos países em desenvolvimento e o conhecimento tradicional. bem como o treinamento em história. a iniciativa recente pelos países de maiores credores G8 de se envolverem no processo de redução de débito de certos países em desenvolvimento será útil na união de esforços entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos. e levar inteiramente em consideração nossa responsabilidade em direção às gerações presentes e futuras. pesquisa e inovação. segurança e saúde. Todos os cientistas devem se comprometer com altos padrões éticos. A Comissão Mundial sobre a Ética da Tecnologia e Conhecimentos Científicos da UNESCO pode proporcionar um meio de interação a esse respeito. institucional e legal. e incentivos para investimentos. Os direitos de propriedade intelectual precisam ser devidamente protegidos em uma base global. redução de vulnerabilidade. e ao participarem do ato de decidir na ciência e na tecnologia. Parlamentos e governos devem ser convidados para prover uma base econômica. garantindo seu reconhecimento e a proteção adequada sobre as bases do consentimento dado pelos proprietários tradicionais ou usuais desse conhecimento. Um fluxo livre de informação para todos os usos possíveis e as consequências das novas descobertas e das tecnologias recentemente desenvolvidas devem ser assegurados de forma que os problemas possam ser debatidos de modo apropriado. a filosofia e o impacto cultural da ciência. Há uma necessidade de se considerar a extensão. e um código de ética baseado em normas relevantes e consagradas nos instrumentos internacionais dos direitos humanos deve ser estabelecido para profissões científicas. da prática da ciência e das aplicações do conhecimento científico. expandindo a capacidade tecnológica e científica nos setores públicos e privados e facilitando sua interação. e compartilhem seus conhecimentos. A responsabilidade social dos cientistas requer que eles mantenham altos padrões de integridade científica e controle de qualidade. o volume da aplicação dos direitos de propriedade intelectual em relação à produção equitativa. desenvolvendo parcerias sólidas e de longo prazo entre todos os interessados e canalizando programas para essas tarefas. Os governos e os cientistas do mundo devem tratar os problemas complexos relacionados à saúde e o aumento da desigualdade nesse campo em países diferentes e entre as comunidades dentro do mesmo país com o objetivo de alcançar um aumento equitativo do padrão e um suprimento melhorado da qualidade da saúde de todos. visando estabelecer um mecanismo apropriado de recursos financeiros para a ciência. Há uma necessidade igualmente urgente de se tratar das dificuldades enfrentadas por grupos em desvantagem que impedem sua total e efetiva participação. O ato de decidir na ciência e a seleção de prioridades devem ser uma parte integral de um todo. aos direitos do ser humano e ao meio ambiente global. se comuniquem com o público e eduquem as gerações mais jovens. o respeito à dignidade. As dificuldades encontradas pelas mulheres – que constituem mais da metade da população do mundo – ao entrarem. Medidas devem ser tomadas para aumentar aquelas afinidades entre a proteção dos direitos de propriedade intelectual e a disseminação do conhecimento científico. As igualdades no acesso à ciência não são somente uma exigência ética e social para o desenvolvimento humano. usando os avanços científicos e tecnológicos. Essas medidas devem incluir o procedimento para tratar com discordâncias e dissidentes de uma forma justa e responsável. incluindo a redução de pobreza. e o acesso a dados e informações é essencial ao empreendimento do trabalho científico e para a tradução dos resultados da pesquisa científica em benefícios tangíveis para a sociedade. São também uma necessidade de se realizar o potencial total das comunidades científicas em todo o mundo e para se orientar o progresso científico ao encontro das necessidades da humanidade. Deverá haver um novo compromisso para com esses princípios importantes para todas as partes interessadas.

4 anos. Procure exemplos de situações experimentadas por você. Ensino Médio – 1 milhão de novos alunos por ano e idade média de ingresso caiu de 17 para 15. o atendimento à população na série correta é de 45%. e) uma melhoria na qualificação da força de trabalho. c) um aumento da evasão escolar. como Argentina. Disponível em: <http://unesdoc.pdf. o desenvolvimento e a expansão da atividade humana têm também levado à degradação ambiental e a outros problemas? 2. Além do conhecimento científico e do conhecimento referente aos saberes cotidianos ou do senso comum de nossa sociedade. Declaração sobre a ciência e o uso do conhecimento científico. além de seus benefícios demonstráveis. percebe-se: a) um avanço nos índices gerais da educação no País.) para discussão em sala de aula. incentivada pelo aumento da escolaridade média.org/images/0013/001315/131550por. Quando conseguiam. Dados de 2002 Já está em 60% a taxa dos que concluem o Ensino Fundamental na idade certa. em seguida.3 anos. graças ao investimento aplicado nas escolas. Por isso não iam para o Ensino Médio. b) um crescimento do Ensino Médio. Disponível em: http://revistaescola.abril. as aplicações dos progressos científicos. Como. O que representam a ciência para a paz. Tempo médio atual é de 9. ou por outros. etc. a ciência para o desenvolvimento e a ciência na sociedade e para a sociedade? 3. A escolaridade média da força de trabalho subiu para 6. com índices superiores aos de países com desenvolvimento semelhante.pdf) Observando os dados fornecidos no quadro. No Ensino Médio. que outros tipos de conhecimento existem? 5.com. faça um comentário sobre a importância dessa declaração no mundo de hoje. revistas. ENADE 2006 – Formação Geral/questão 1 (múltipla escolha) INDICADORES DE FRACASSO ESCOLAR NO BRASIL Até os anos 90 Mais da metade (52%) dos que iniciavam não conseguia concluir o Ensino Fundamental na idade correta. o tempo médio era de 12 anos. sustentado pelo índice de aprovação no Ensino Fundamental. d) um incremento do tempo médio de formação. Para que você continue desenvolvendo sua habilidade de leitura e interpretação de textos. devido à necessidade de inserção profissional no mercado de trabalho. Organize o material coletado em seu portfolio. Chile e México. que retratem vivências do cotidiano pessoal e situações que evidenciem a ciência e outros tipos de conhecimento (consulte jornais.br/edicoes/0173/aberto/fala_exclusivo. iam direto para o mercado de trabalho.Fonte UNESCO. No Ensino Médio. A escolaridade média da força de trabalho era de 5. o atendimento à população na série correta (35%) era metade do observado em países de desenvolvimento semelhante.7 anos. elabore um resumo informativo e. 2008. Acesso em: 10 set.unesco. indicador indireto de que os concluintes do Fundamental estão indo para o Médio. 32 . 4. EXERCÍCIO: 1.

br/ler. selecione alguma(s) cena(s) que possibilita(m) realizar comentários sobre o tema estudado (ciência. Acesso em: 10 set.128-136) do livro de RUIZ. Prepare-se também para selecionar uma bibliografia inicial sobre o assunto a ser pesquisado.). 247-251. Disponível em: http://br. ed. São Paulo: Ática. Este material deverá ser sempre consultado para a realização de trabalhos acadêmicos durante o seu curso de Direito. você deve ler “O mito da neutralidade científica” do livro de HÜHNE. 2002. 33 . 2008. 2002. Metodologia científica: caderno de textos e técnicas. Sendo assim. objetivo e universal. 5. senso comum e verdade científica).serprofessoruniversitario. 12. assistemático e particular e valorativo. procure identificar exemplos de que o conhecimento empírico é superficial e subjetivo. Ao assistir ao filme. Apresente os resultados do seu trabalho em sala de aula para ser discutido com seus colegas e professor. a observação.pro. você terá também disponibilizadas as normas de referências e citações. Acesso em: 10 set. Direção: Kenneth Branagh. é interessante ler o capítulo 4 “Diferentes modos de conhecer” (p. Marilena. a criatividade e a precisão.SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre ciência. consulte o texto resumido de Gilberto Teixeira. • FRANKEINSTEIN. 2008. 1992. bem como a atitude científica do pesquisador.com/mcrost02/index. procure identificar exemplos de que o conhecimento teológico é valorativo. abrangente e não é verificável. Ao assistir ao filme. você deve ler CHAUÍ. Semana 06 O ensino jurídico e a formação do profissional de Direito Leia o texto a seguir sobre o ensino jurídico de João Paulo de Souza e leve suas reflexões para debater em sala de aula.89-114) e o capítulo 6 “Natureza da ciência e do espírito científico” (p. escolha um filme para assistir e depois faça um resumo informativo que revele os pontos centrais sobre o mesmo.php?modulo=21&texto=1691. ed. 5. João Álvaro. de Mary Shelley. levantando um problema e os objetivos que deseja alcançar. o discernimento. deixamos registrados temas prováveis para estudo e diversos sites de revistas jurídicas. Ao assistir à primeira parte do filme. Em relação ao estudo sobre conhecimento científico. Em seguida. ed. • A BÍBLIA. procure identificar cenas que mostrem a curiosidade.geocities. filosófico. • O ÓLEO de Lorenzo. Leda Miranda (Org. Direção: George Miller. p. sistemático e dogmático. Além destas. Ao assistir ao filme. sistemático. elaboradas com base nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Direção: John Huston. por ocasião da semana 14. Ao assistir ao filme. Sugestão de alguns filmes que contribuem para identificar diferentes tipos de conhecimento: • 2001: uma odisséia no espaço: Direção: Stanley Kubrick. 76-77. Comece a preparar o seu trabalho. Proposta de atividade complementar: Em vários filmes de ficção científica você irá encontrar possibilidades de analisar o papel da ciência e de vários tipos de conhecimento (conhecimento empírico. procure identificar exemplos de que o conhecimento científico é metódico. Além dos temas sugeridos. a partir do tema selecionado por você. disponível em: http://www.). prevista como parte desta disciplina. características inerentes ao cientista. Metodologia científica: guia para a eficiência nos estudos. procure identificar exemplos de que o conhecimento filosófico é especulativo. Direção: Michael Almereyda. Para saber sobre neutralidade científica. Nesta referida semana. p. Ao consultar o material apresentado na semana 14. Convite à filosofia. mítico.htm. São Paulo: Atlas. Rio de Janeiro: Agir. para que possa apresentá-la na reta final do nosso estudo. teológico. você pode também se interessar sobre a sempre importante e atual questão do acesso à justiça. • HAMLET. Observação: É importante que você comece desde já a planejar a atividade de iniciação científica. Para saber sobre diferentes tipos de conhecimento. você deve identificar outras que marcam a sua atuação quando realiza uma pesquisa. etc.

ou participar de certames públicos para ingresso nas carreiras jurídicas do Estado (advogados. o Direito assenta seus fundamentos em três dimensões – político-ideológica.906/94 para exercer a advocacia privada. porque ensinado em descompasso com as exigências da modernidade. essa formação jurídica é a base da capacitação técnico-profissional que dá identidade e legitimidade aos operadores jurídicos no mercado de trabalho. impede a pesquisa inovadora e a extensão como suportes do ensino. imperatividade e coercibilidade. procuradores. que se esgota na lei. econômicas e sociais de uma formação social determinada. epistemológica e normativo-dogmática –. indicado nas diretrizes curriculares na forma de matérias. o aluno gradua-se bacharel em direito. Portanto. a prática vira praxismo. Por isso vale dizer que o Direito também é fato político. Em outras palavras. Cursando o conteúdo curricular. por relações de interdependência. A hipótese básica de trabalho é que o ensino jurídico limitando-se à sala empobrece o processo de ensino-aprendizagem. O CURRÍCULO O conteúdo teórico-prático mínimo dos Cursos de Direito. postas pelo Estado com os atributos de generalidade. deste modo. mas focalizar o método e as práticas didático-pedagógicas pelas quais o direito é ensinado nas instituições de nível superior. o ensino do direito é mera reprodução do conhecimento sistematizado nos manuais de doutrina e nos repertórios de jurisprudência e. ou a análise das técnicas de pesquisa empregada em uma ciência. A dimensão político-filosófica do direito é a que reflete no jurídico as determinações políticas. este trabalho acerca do ensino jurídico não pretende discorrer sobre o conteúdo curricular do curso jurídico. um direito de que não se precisa na rua. um campo autônomo do conhecimento humano. que se implicam entre si e com as demais esferas da vida social. tem-se como objetivo básico analisar a sala de aula e a rua como lugares possíveis de ensinar e aprender o direito. quer dizer. Dada a amplitude do tema. a sala de aula e a rua NOTA INTRODUTÓRIA Visto como um sistema de normas impostas pelo Estado para regulação da conduta humana em sociedade ou visto como ciência jurídica. assim como um dos elementos objetivos da existência de um exército de bacharéis de reserva. delegados) e em outras carreiras estatais para as quais se exige o bacharelado. OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ENSINO JURÍDICO O curso jurídico de graduação tem como elementos constitutivos (1) o conteúdo teórico-prático materializado nas diretrizes curriculares fixadas na forma da legislação vigente. pode ser produzido.TEXTO: O ensino jurídico. o Direito constitui-se como uma ciência social. com objeto e método próprios. no conjunto dos pressupostos político-filosóficos da democracia liberal e no estado capitalista. o processo de produção do direito deita suas raízes no modo de produção da vida material: deste recebe determinações e condicionamentos e faz incidir normas jurídicas reguladoras das relações sociais de produção. Entende-se por metodologia o conjunto de procedimentos metódicos de uma ciência.1 1. a forma pela qual o conteúdo curricular mínimo é ministrado pela Instituição de Ensino Superior. Assim. assim como o modo como afetam a capacidade técnica e conceitual do bacharel em direito. se assenta numa teoria da ciência e num método lógico de construção e abordagem do seu objeto. a dogmática jurídica vira dogmatismo e acaba-se por ensinar na academia um direito empobrecido pela repetição. realiza-se materialmente sob a influência de três dimensões interdependentes: (a) a dimensão político-filosófica. ensinado e aprendido. que são o produto do processo de ensino-aprendizagem. como um campo autônomo do saber humano. Portanto. Dotado de um complexo feixe de normas jurídicas carregadas de positividade. que. Assim. (2) a metodologia. a exemplo das demais ciências. pois busca seus fundamentos no paradigma político-ideológico. Dessa forma. com o aproveitamento exigido pelas normas da Instituição de Ensino Superior. isto é. promotores de justiça. cuja dinâmica extrapola os limites do formalismo dogmático. c) a dimensão normativo-dogmática. a ciência do direito se constrói sobre um paradigma teórico-metodológico. condição que lhe permite realizar o exame de ordem exigido pela Lei nº 8. (b) a dimensão epistemológica. enquanto conhecimento. A dimensão epistemológica se revela no fato de que o direito se reivindica como ciência social 34 . isto é. de valores e significados. o pensamento político-filosófico forma o arcabouço jurídico-político-ideológico que explica as relações sociais de produção que se travam na sociedade.

A SALA DE AULA A sala de aula. como defendem Kelsen. 1. (b) os recursos didático-pedagógicos (audiovisuais.. que também se refletem no ensino jurídico.e. a biblioteca pública. (d) a pesquisa jurídico-científica. A casa.). debates. As diretrizes curriculares e conteúdos mínimos implementados no Brasil [. bibliografia. formação sócio-política.. de juízes e tribunais. quer pelo processo legislativo estatal. etc. que se pretende completo. pela qual a Instituição de Ensino Superior recolhe das instituições e dos movimentos sociais matéria fática para elaboração de novas pesquisas e estende os conhecimentos àquelas para solver problemas da cidadania. bem como a sua jurisdicização. mediante a inserção da interdisciplinaridade. como instância de produção produza conhecimento novo. formação técnico-jurídica e formação prática. ou para socializar conhecimento novo (comunicações de pesquisa. A sala de aula pode ser local apropriado para aprofundamento da dogmática jurídica. embora seja o locus privilegiado do ensino jurídico na maioria das instituições de ensino superior do Brasil e seja apropriado para o domínio teórico e conceitual não o é para o desenvolvimento das habilidades técnico-profissionais de caráter pragmático que se pretende dos egressos dos cursos jurídicos. se presentes três condições: (a) a capacitação técnico-jurídica do professor. há que se ter em mente que a sala de aula por si só não possibilita a articulação teoria-prática: ela é tão-somente um dos espaços de prática do ensino. no qual se interferem. tanto do ponto de vista do desempenho do professor. (e) a extensão.) são pontos de apoio ao desenvolvimento da atividade educativa.3 e os adeptos das escolas positivistas. etc. (b) a capacitação didático-pedagógica do professor. opera sob um determinado paradigma científico. Assim. indicativa do domínio da doutrina dogmática4 e da jurisprudência da disciplina que constitui o seu objeto de ensino. Ademais. quanto da apreensão do conheci- 35 . que pode ser apreendido e aplicado enquanto técnica social específica de uma ordenação coercitiva. A adequação da metodologia e a seleção e o uso dos recursos da tecnologia educacional (recursos audiovisuais. sem lacunas. A METODOLOGIA Não levando em conta as questões administrativas. de concepções pedagógicas e habilidades didáticas.] 2. mesmo sem mudanças no paradigma jurídico-político. tornando efetivo o direito instituído e dando juridicidade a novos direitos ou a novos institutos jurídicos realizadores da democracia e da justiça social.. pela ação dos movimentos sociais. em termos de conhecimentos teórico-práticos. seminários. como o são os órgãos governamentais e as organizações da sociedade civil. em termos metodológicos sobreleva-se o projeto pedagógico da Instituição de Ensino Superior. A dimensão normativo-dogmática decorre de ser o direito um conjunto de normas. mas o termo empregado aqui no sentido restrito de Instituição de Ensino apenas reforça a diferença de relações político-culturais com o contexto social em que está inserida. os movimentos sociais também são instituições. como tal. a partir da observação e interpretação dos fatos sociais que ocorrem na realidade social. indicativa do domínio e adequação das técnicas de ensino ao conteúdo programático a ser ministrado. ou seja. ONDE SE ENSINA E SE APRENDE O DIREITO O direito se ensina e se aprende na sala de aula. nas demais instituições.] propiciaram uma reforma curricular do ensino jurídico. É evidente que sob o ponto de vista jurídico-político a academia também é uma instituição. instituindo quatro níveis de formação interdependentes e complementares entre si: formação básica. modificando-se a sua matriz epistemológica. no laboratório e na rua.2 interligado com a dimensão político-filosófica. quer pela releitura hermenêutica alternativa de advogados. ou seja.. as favelas. (c) o preparo do professor. um lugar destinado ao encontro de professores e alunos para transmissão e recepção do conhecimento necessário à formação básica (momento formativo) e à formação técnico-profissional (momento profissionalizante). positiva ou negativamente: (a) as concepções de educação que orientam os métodos e técnicas usadas no processo de ensino e aprendizagem das várias disciplinas e práticas específicas. inserido num ordenamento jurídico positivo e hierarquizado. da pesquisa e da extensão como momentos de elevação da capacidade técnica e conceitual do aluno [. na acepção de Thomas Kuhn. materiais e equipamentos) utilizados para a transmissão dos conteúdos programáticos das disciplinas curriculares do curso jurídico. materiais e equipamentos. reestruturou-se o currículo dos cursos jurídicos.

reagentes. às favelas. mas. mas uma hermenêutica que remeta a uma nova matriz de racionalidade. As instituições são o locus privilegiado de aplicação e aprimoramento da capacidade técnica e conceitual dos alunos dos cursos jurídicos. ou uma oficina. a juridicização da política dá juridicidade aos fatos. candente) de releitura do direito. apropriado.. como expressão cotidiana das pretensões e das resistências. como efetivação da democracia enquanto espaço político de manifestação do indivíduo e dos grupos e realização da justiça social. [. instituinte de novos direitos ou institutos jurídicos.mento e aquisição de habilidade técnica e conceitual do aluno. se apresenta inteiro ao aluno. mais do que a sala de aula o laboratório é o locus apropriado não só para a transmissão de conhecimentos acumulados. desejável e necessário – que o direito também seja ensinado em laboratório . ou trabalhos práticos reais. [. (c) a capacitação e o preparo do aluno em termos de conhecimentos teóricos trazidos do ensino médio e dos conteúdos ensinados nas disciplinas básicas de formação geral e de formação jurídica.). às associações de moradores.. etc. que exige não só urna hermenêutica que sirva de capa formal para reforçar a aplicação conservadora da dogmática jurídica.[. cadeias públicas. deste aos conselhos comunitários. É na rua e não no laboratório onde aparecem indiferenciados o jurídico e o político. É no cotidiano das pessoas e das instituições que os fatos acontecem. nas instituições. de aplicação qualificada da dogmática jurídica e da técnica processual.] Nas instituições o fato social é fonte viva de onde desponta o fenômeno jurídico ainda não juridicizado. pela observação e controle das relações de causa/efeito. em laboratório é possível que se transmita e se produza conhecimento novo. que desenvolva a crítica do direito vigente [. isto é. de enriquecimento hermenêutico da lei. É bem verdade que esse termo evoca. dos manuais de doutrina ou dos repertórios de jurisprudência. Em outras palavras. O que distingue o laboratório da sala de aula como lugar de ensino (de transmissão e de produção de conhecimento) é o controle que se exerce sobre o objeto de estudo. aos movimentos sociais organizados e organizações não governamentais. recompilação de teorias condensadas nos manuais ou em repertórios de jurisprudência. na acepção aqui utilizada o laboratório é qualquer lugar onde o objeto de conhecimento pode ser submetido a estudo pela observação e/ou experiência empírico-crítica. A RUA Um terceiro lugar onde o direito pode e deve ser ensinado e também aprendido é na rua. já como ato ou fato jurídico.. passando pelos órgãos estatais legislativos e pelos executivos (delegacia de polícia. refutar ou confirmar as suas predições.. operando com eficiência e eficácia a dogmática jurídica. sobretudo. Em laboratório. aqui tomadas no sentido mais amplo: vai da casa do aluno ao foro. não mera reprodução. ainda durante a formação acadêmica os alunos já sabem identificar e resolver problemas práticos. como fato social politizado e juridicizado. o ensino jurídico também pode ser associado à pesquisa e. Munidos dos aportes teórico-práticos. dá-lhes contornos jurídicos. dotado de novos aportes teórico-metodológicos. e de outro. de imediato. onde se operam as mudanças sociais. aparelhos. imediata. como é o caso da assistência jurídica prestada nos Escritórios Modelos ou nos Serviços de Assistência.. 3. cheio de instrumentos. onde o cientista se isola para realizar experiências e desvendar o seu objeto de estudo e. a politização do jurídico se dá como expressão democrática das tendências plurais da sociedade. organizados e sistematizados como ciência jurídica.. penitenciárias. Entretanto. instituindo-os como direito emergente (novos direitos que ganham autonomia como ramo próprio ou se integram a um ramo já reconhecido da ciência jurídica). um aparato sofisticado.] Nas instituições se apresentam as possibilidades (e a necessidade concreta. De um lado. assim. enriquecer a dogmática jurídica enquanto sistema de conceitos. controlados.] Ali o direito. para a produção de conhecimento novo pela pesquisa teórica ou teórico-prática (pesquisa aplicada). O LABORATÓRIO É possível – mais do que isso. Portanto. efetuada conjuntamente por alunos e professores. onde se luta pelos bens da vida..] 36 . sem a assepsia da sala de aula. 2.. de saberes acumulados historicamente. Em laboratório também é possível realizar trabalhos práticos simulados de aplicação do direito. além do Ministério Público e das empresas públicas e privadas.

a inefetividade do direito legislado. Por isso. em última instância é o rebaixamento ao dogmatismo e ao exegetismo.] Sem pesquisa jurídica. o ensino dogmático.] Não convém. [. A PESQUISA A escola é o locus privilegiado da transmissão do saber. reproduções. 2. e o aluno continua incapaz de perceber a sonegação. alargamento. em particular das técnicas de ensino. Em outras palavras.. aumento. teórico e prático. Aqui a pesquisa é mera compilação de fontes secundárias. Ou como diz Aurélio Wander Bastos: Não se deve desvincular o ensino do Direito. que lê mal a lei. entretanto confundir extensão com convênios de prestação de serviços de ensino entre universidades. ampliação. academicismo. OS RESULTADOS OBTIDOS A utilização da concepção tradicional do processo de ensino-aprendizagem e a inadequada utilização dos recursos metodológicos. centrada no professor. “extensão é o ato ou efeito de estender(se). Isso é reducionismo inaceitável. então. a bem dizer. enquanto proposta juridicamente consolidada de compreensão e percepção da vida. recensão de conceitos legais e doutrinários ou de teorias jurídicas. ou seja. ou uma prática sem referências conceituais – o burocratismo. mediante compilação. mas não é ela a produtora do saber por excelência. da técnica. laboratórios) com a rua (instituições). da política. Assim como o ensino do Direito não pode estar dissociado de sua própria ocorrência judicial. tais como favelas. Na sua atuação profissional este bacharel se nivela ao do praxista. Os ditos trabalhos de pesquisa que se fazem nos cursos de graduação são.. certamente. de compreensão da visão de mundo da cultura. cadeias públicas e penitenciárias.. em verdade. do trabalho.5 1. inapto para realizar novas leituras do instituído. porque. etc.. saber técnico é torná-lo acessível aos não iniciados em ciência. também descolada da praxis reflexiva e transformadora do modo de produção do direito no Brasil contemporâneo.]. pois o conhecimento apenas reproduz o instituído. não consegue interpretar a lei senão pelo viés dogmático-exegé- 37 . o locus da pesquisa jurídica? Está na rua mais do que na escola e. sindicatos. o que se pratica é reprodução fragmentária de conhecimento histórico-social acumulado. e a identifica com o direito. juízos e tribunais. desenvolvimento. pesquisa e extensão só poderão se realizar pela interação da escola (sala de aula. políticas ou sociológicas. dos valores e dos projetos de sociedade e avaliação de projetos. pois esta predomina na pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado). resumo. muito além da sala de aula. também não o pode a sua ocorrência social [. pela transmissão verbalista. dar-lhe novo conteúdo através de uma hermenêutica alternativa. enfim ao empobrecimento mesmo da dogmática jurídica enquanto sistema de conceitos normativos e como “ciência jurídica dominante que possui a pretensão de estudar o direito positivo vigente sem construir sobre esse objeto juízos de valor” 6 Nos cursos jurídicos de graduação não se desenvolve o hábito da pesquisa jurídica científica. comunidades de bairro. pois neste ambiente só se realiza a reprodução do saber acumulado e sistematizado na doutrina e na jurisprudência dos tribunais. Não há pesquisa-participante que permita que o aluno se encontre com os fatos sociais onde eles ocorrem. O estudante de Direito não pode ser levado a entendê-lo como uma nova abstração sem referências práticas. Sem pesquisa jurídico-participante não se pode compreender as demandas jurídicas que veiculam nos movimentos sociais.. ensino. Como se dá a extensão? Essencialmente pela troca de experiências e vivências planejadas como processo de coleta de informações.A EXTENSÃO Segundo o Dicionário Aurélio.. cidadãos em geral) interagindo com as pautas mais reivindicatórias dos movimentos sociais”. para apreender o fenômeno jurídico como dimensão da vida social concreta. transformá-lo em arma de combate para a efetividade da lei no campo material e processual. da própria vida. é pobre. Estender conhecimento. apreensível pelo homem comum”. Qual.[. implica a formação de um bacharel de baixa capacidade técnica e conceitual.AS AUSÊNCIAS INJUSTIFICÁVEIS Qualquer pretensão de eficácia dos cursos jurídicos deve conter a opção de levar o ensino jurídico para “além dos muros universitários e acadêmicos envolvendo o maior número possível de atores sociais (jurídicos.

em que predomina a interpretação gramatical e lógico-sistemática. então. onde o fenômeno jurídico pode ser apreendido como força viva que desponta no movimento histórico-social de produção das condições materiais da existência humana. demandas tecnológicas. nem mesmo para a transmissão de conhecimentos. Isto porque. Para que a sala de aula seja atraente. perplexidades). de especialização.. onde poderá haver interação efetiva entre saber teórico e a prática no campo jurídico. quando professor-alunos interagem como sujeitos do conhecimento (portadores de saberes. É o regulador do custo e da qualidade dos profissionais que estão na ativa”. no plano da realidade social. demandas éticas. que é uma vertente do ensino. pois ele se insere num processo maior no qual se dão relações de caráter geral entre instituição de ensino e sociedade e de caráter particular entre a instituição de ensino e de seus egressos em face do mercado de trabalho. NOTAS 1. este tem de saber manejar as técnicas de ensino e os recursos didático-pedagógicos. da inserção de novas tecnologias.tico. o Direito deve ser ensinado nos cursos jurídicos? Em primeiro lugar. de refundamentação científica e de atualização de paradigmas”. econômicas e culturais. 38 . A baixa capacidade técnica e conceitual do bacharel têm efeito sobre sua própria identidade: mal preparado para operar o direito visto como uma evolução sucessiva.. 220: “Exército acadêmico de reserva é o conjunto de bacharéis desempregados ou subempregados. Como. de efetivação do acesso à justiça. porém não é o mais adequado. um grande contingente de egressos dos cursos jurídicos vai engrossar as fileiras do exército de reserva de bacharéis. Segundo RODRIGUES. porque o processo de ensino-aprendizagem é dialético. Mesmo que a aula expositiva em sala de aula seja a única forma possível de ministrar as disciplinas básicas de formação geral e de formação jurídica. tão bem diagnosticadas pela Comissão de Ensino Jurídico da OAB. ao lado da pesquisa e da extensão. ou seja.. A sala de aula é lugar adequado para transmitir conhecimento velho. no plano teórico e histórico. historicamente acumulado. aprendidas. [. p. Sabendo apenas subsumir o fato à norma torna-se incapaz de perceber as mutações qualitativas que se operam na realidade histórico-cultural e de atender “as demandas sociais de novos sujeitos. cabe destacar que o processo de ensino-aprendizagem vai além da relação professor-aluno.] CONSIDERAÇÕES FINAIS O locus privilegiado do ensino jurídico é a sala de aula. dos novos direitos e de novos sujeitos de direito. para encontros destinados a socializar conhecimento novo e. Nessa concepção. ou seja. desenvolvendo conhecimento jurídico pela praxis jurídico-política e pela aplicação enriquecida da dogmática jurídica a situações reais ou simuladas. em ambos os casos. mediado por práticas de ensino que superem a concepção tradicional. as teorias da aprendizagem têm de deixar de constituir um ideário pedagógico externo ao professor para se incorporar à sua praxis pedagógica. pode-se adotar a rua como locus privilegiado do ensino jurídico. na atualidade. que detém o saber. Em segundo lugar. dúvidas. porque portadora de vivo saber. Ensino jurídico e direito alternativo. sua formação deficiente não atende as exigências do mercado de trabalho. ela não o é para as disciplinas de formação técnico-jurídica (profissionalizantes). pelo menos. Em resumo: para que os cursos jurídicos possam cumprir a sua responsabilidade social. pois tem-se a rua (as instituições) como lugares possíveis de ensino do Direito e como espaços privilegiados para promover a interação da escola com a realidade social concreta. fundada na autoridade do professor. Horácio Wanderlei. em locais onde se possa manusear os textos legais para análise de doutrina e jurisprudência. no processo de ensino-aprendizagem aluno e professor ampliam a capacidade técnico-jurídica e desenvolvem habilidades conceituais que lhes permitem atingir um patamar elevado de compreensão teórico-prática do fenômeno jurídico ocorrente na esfera das relações políticas. Sem se dar adeus à sala de aula.] Assim. de novas formas organizativas. o direito deve ser ensinado (e aprendido) em locais onde se possa dissertar e debater sobre temas que integram o conteúdo programático da disciplina. sob pena de empobrecimento do conteúdo teórico-filosófico das matérias formativas e do conteúdo teórico-prático das disciplinas profissionalizantes.. além da capacidade técnica e conceitual do professor. [. o próprio educador é educado. ou nas palavras de Marx. em face das demandas sociais. a bem dizer. ensina-se e aprende-se ao mesmo tempo. vivenciadas e refletidas.

Hans. 2000. 3. p. Dogmática jurídica: escorço de sua configuração e identidade. intitulado Reflexões sobre ensino e aprendizagem nos cursos jurídicos. João Paulo de. consequentemente. a possibilidade de uma reforma política e eleitoral..]”. O autor João Paulo de Souza afirma que o ensino jurídico que se limita à sala de aula empobrece o processo de ensino-aprendizagem. disponível em: http://www. conceitua Dogmatismo como “uma atitude de acatamento e de submetimento do jurista ao estabelecido como Direito positivo que. entre outras propostas. ou seja. “o ensino de direito é mera reprodução de conhecimento sistematizado nos manuais de doutrina e nos repertórios de jurisprudências e deste modo. 74. 219) entende “a prática hermenêutica. a sala de aula e a rua. SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre ensino jurídico. Qual a função da pesquisa na formação do aluno do curso de Direito. In: RODRIGUES. Disponível em: http://portal. O texto mostra que a sala de aula. subtraída à arbitrariedade.com. pp. A estrutura das revoluções científicas. Qual o papel que a rua pode desempenhar na vida acadêmica de um aluno do curso de Direito? 4.asp?id=1251. mudanças na legislação eleitoral poderão representar. São Paulo: Martins Fontes. Fonte: SOUZA. ENADE 2005 – Formação Geral/questão 1 (múltipla escolha) Está em discussão. 4. Vera Regina Pereira de. independentemente do seu conteúdo material (mutável) desempenha sempre a função de dogma. EXERCÍCIOS: Analise o texto e responda as questões a seguir.boletimjuridico. Os dispositivos ligados à obrigatoriedade de os candidatos fazerem declaração pública de bens e prestarem contas dos gastos devem ser aperfeiçoados. Op. 1991.. Ver KELSEN.mec. docente e de pesquisa. no que diz respeito à preocupação com as demandas sociais? 5. garante essencialmente a segurança jurídica”. Ensino jurídico para que(m)? Florianópolis: Fundação Boiteux. p. Acesso em: 10 set. os órgãos públicos de fiscalização e controle podem ser equipados e reforçados. Thomas. Paulo. 103-115. Elabore um comentário crítico sobre as considerações finais do autor. p. Explique essa afirmação. 6. Com base no exposto. ainda hoje..br/doutrina/impressao. 3. 218.. um reforço da: 39 .br/sesu/arquivos/pdf/nova/emancipartexto. a dogmática vira dogmatismo [. 2008. 79: “Partindo assim da interpretação das normas jurídicas produzidas pelo legislador (material normativo) e recolhendo-as individualmente na construção sistemática do Direito. inversamente. As diretrizes curriculares e o desenvolvimento de habilidades e competências nos cursos de Direito: o exemplo privilegiado da Assessoria Jurídica Popular. em financiamento público de campanhas.Teoria pura do direito. já que “Dogmática é a formulação e não o conteúdo do formulado”. O termo dogmática é aqui empregado no sentido que lhe atribui ANDRADE.. E. como principal aspecto. teria a função de garantir a maior uniformização e previsibilidade (certeza) possível das decisões judiciais e.). a Dogmática Jurídica conserva e desenvolve um sistema de conceitos que. 2. uma aplicação igualitária (decisões iguais para casos iguais) do Direito que. O ensino jurídico. cit. Falase. Com base nessa afirmação. a prática vira praxismo. na sociedade brasileira. 180. lista eleitoral fechada e voto distrital. KUHN. um paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade científica partilham. TORELLY. Leia também o artigo de Edihermes Marques Coelho. ANDRADE. p.2. que reduz o Direito às leis em vigor. 219: “. RODRIGUES. 1. Aurélio Wander apud RODRIGUES. Por sua vez.gov. Op. Este autor define Dogmatismo como “a leitura dogmática do direito positivo vigente”. Vera Regina Pereira de. E por Exegetismo (p.. Acesso em 12 set. resultando congruentes com as normas. 5. uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma”. Horácio Wanderlei (Org. leia o artigo de ABRÃO. fidelidade partidária. Marcelo Dalmás. 2008. cit. é somente um local apropriado para o aprofundamento da dogmática jurídica. explique como a sala de aula pode se tornar um espaço de articulação teoria-prática e desenvolver habilidades técnico-profissionais. p.pdf. BASTOS.

os acusam de serem totalmente dogmáticos e práticos. porque facilitarão o combate à corrupção e o estímulo à transparência. Hoje. pensam uma democracia efetiva – política. colocando-o a serviço da democracia e da justiça social. No entanto. essas características ainda continuam presentes. vinculada à necessidade de formação do Estado Nacional. desde o início. NOTA INTRODUTÓRIA O ensino do Direito é. compare com o texto da aula anterior e leve suas reflexões para o debate em sala de aula. tendo em vista que forma o senso comum sobre o qual se estrutura a prática dos egressos dos cursos de Direito. marcou. mas que desejam que o ensino do Direito desempenhe o papel de formar profissionais conscientes de seu papel na sociedade – (a) operadores do Direito competentes para o exercício das várias profissões jurídicas. discussões essas centradas em torno da bipolaridade teoria versus prática. Mas como fazê-lo? Quais as perspectivas de se implantar no país uma reforma do ensino jurídico que reabilite a dignidade política do Direito. após a independência. Retrógradas e estagnadas. cidadania. pois os saberes por ele transmitidos reproduzem a sociedade autoritária e o estado burocrático existentes no país. social e econômica – para o Brasil. que pretendem formar juristas críticos. hoje. ou seja. têm-se voltado para os problemas da metodologia didático-pedagógica mais adequada ao ensino do Direito e do currículo mais apropriado para os cursos. Isto pode ser creditado. TEXTO: O ensino do direito. A maior evidência dessa falta de questionamento é a crise pela qual passa o ensino jurídico no país. porque permitirão a ampliação do número de cidadãos com direito ao voto. hoje esgotado. vinculados ao mundo jurídico. e como mais um empecilho à construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. no mais das vezes. Os cursos de Direito estão anualmente entre os mais procurados no país. Formam-se por ano muito mais profissionais do que o mercado de trabalho pode absorver. de que o ensino jurídico não é apenas fonte material do Direito. mas é também fonte da política. E aqueles que desejam que os cursos não sejam meras fábricas de práticos e nem de críticos. Os que pretendem que os cursos jurídicos sejam voltados a um questionamento da relação entre o Direito. Semana 07 O ensino jurídico e a formação do profissional de Direito. um dos temas que ocupa o pensamento de todos aqueles que. regra geral. Os que pretendem que os cursos jurídicos sejam meros formadores de técnicos em Direito os acusam de serem excessivamente teóricos. dessa forma. A criação dos primeiros cursos. porque incentivarão gastos das empresas públicas e privadas. a sociedade e o Estado. as faculdades e cursos de Direito continuam contribuindo para a reprodução de muitos dos problemas existentes no país. os sonhos e as utopias. porque garantirão a seleção de políticos experientes e idôneos. e (b) conscientes do seu papel político dentro de uma sociedade em mudança – os acusam de não ministrarem aos estudantes os conteúdos teórico-práticos necessários. A realidade do ensino jurídico no Brasil é que ele não forma. suprindo. Essa é uma constatação geral. reclama-se a falta de bons profissionais. economia. dessa forma. ética. Leia o texto a seguir sobre o ensino jurídico de Horácio W Rodrigues. sob novas formas e matizes. Esquece-se. o ensino jurídico brasileiro como um ensino voltado à formação de uma ideologia de sustentação política e à formação de técnicos para ocuparem a burocracia estatal. É necessário reformulá-lo. e que atenda às necessidades do mercado de trabalho. como força conservadora e estagnadora do status quo. em grande parte. deforma. os diferentes interesses em conflito? 40 . As preocupações com o ensino jurídico no país. mas em crescente diversificação. nessas discussões e nas propostas delas oriundas. servindo. à má qualidade de ensino de graduação vigente. porque inviabilizarão candidaturas despreparadas intelectualmente. moralidade.a) b) c) d) e) política.

Muitas vezes sua escolha pelo Direito não é consciente. se restringe à análise da legalidade e da validade das normas. pois. o ensino do Direito. fruto do legalismo e do exegetismo. tais como funcionam hoje. 41 . principalmente. É ele. para os que analisam esse aspecto. a mesa-redonda. Os currículos são. reduzindo a ciência do Direito à ciência do direito positivo – a dogmática jurídica – e. sobre a situação do ensino jurídico brasileiro contemporâneo. Esse talvez seja um dos motivos principais pelos quais não se conseguiu introduzir ainda no Brasil um ensino jurídico realmente profissionalizante. servem à manutenção do status quo.. também. ao ensino deste. b) A substituição da aula-conferência por formas alternativas de metodologias e técnicas didático-pedagógicas (como a aula dialogada. pelo menos parcialmente. segundo alguns autores. possuindo apenas a graduação e exercendo o magistério ou como forma de obter o status. juiz. b) Isso se deve. o que faz com que não frequente bibliotecas e não efetive trabalhos de pesquisa. para a profissionalização em função dos respectivos mercados de trabalho. Os cursos de Direito. nas várias análises existentes. segundo a maioria. Como consequência disso não vivem a realidade acadêmica e não se dedicam à pesquisa. Seu objetivo é o diploma e ele procura no curso uma formação geral que lhe permita o desempenho de funções sociais variadas. segundo a grande maioria dos autores. Acredita-se poder caracterizá-lo resumidamente da seguinte forma: a) Necessidade de uma alteração curricular que introduza um currículo mais flexível. i) Por fim. a que têm acesso devido ao caráter pretensamente generalista do ensino que lhes foi ministrado. d) Esse tipo de postura levou. É antes de tudo um problema político. estanques. pouco flexíveis e unidisciplinares – no sentido de que se voltam apenas para as disciplinas eminentemente jurídicas (dogmáticas) – e os programas. tanto em nível de Estado como de sociedade civil. O problema do ensino jurídico tem parecido uma questão insolúvel. Enfatizou-se o saber-fazer em detrimento do porque-fazer de tal forma. f) O perfil do aluno de Direito. consequentemente. pelo que se depreende das análises e pesquisas existentes. em sala de aula. desviando os egressos dos cursos de Direito. delegado. assim. – ou como forma de complementar a renda. são os centros reprodutores da ideologia do poder estabelecido. Regra geral trabalha. o de um aluno acomodado. restringindo-se a reproduzir. é. Grande parte dos bacharéis formados acaba trabalhando para o Estado. um núcleo aproximadamente comum na maioria das várias propostas apresentadas. mas sim por falta de outra opção. a uma supervalorização da prática. o mercado de trabalho parajurídico. c) Esse ensino conservador e tradicional desconhece as reais necessidades sociais. regra geral. h) O mercado de trabalho jurídico. O QUE SE PODERIA MUDAR Há. marcado pelo ensino codificado e formalizado. é que a crise do ensino jurídico não é meramente pedagógica. voltando-se. as diversas dinâmicas de grupo. g) Também esses mesmos autores salientam que um percentual significativo dos professores são mal preparados. caracteriza-se por seu tradicionalismo e conservadorismo. Pensa-se poder apresentá-la da seguinte forma: a) O ensino jurídico existente hoje no país. esquecendo totalmente a questão de sua eficácia e legitimidade. Dessa forma. consequentemente.A resposta a essas questões não é nada fácil. segundo alguns.. o que se pode dizer. dentre outras) que viabilizem a implantação de uma educação participativa. que os auxiliará na sua real profissão – de advogado. COMO SE APRESENTA O ENSINO DO DIREITO HOJE Existe uma base comum. Ele levou à adoção do método lógico-formal como o adequado para a apreensão da realidade. e) O tipo de aula preponderantemente adotada continua sendo a aula-conferência. que concilie a teoria e a prática de forma harmônica e que permita a sua adaptação às realidades sociais e regionais. promotor. para o mercado parajurídico. um ensino dogmático. segundo os pesquisadores que trabalham esse tema. esquecendo-se de que a atividade prática é o exercício prático de uma teoria. à influência do positivismo no pensamento e na cultura jurídica brasileiros. está saturado. em serviços técnico-burocráticos. através do judicialismo e do praxismo. a aula interativa. regra geral. as velhas lições de seu tempo de estudantes somadas à sua prática na atividade profissional desenvolvida.

econômicos. sem uma mudança de mentalidade. projetos e programas de pesquisa e de extensão. 3. em contradição com um mercado de trabalho já bastante saturado e com uma qualidade de ensino extremamente questionável. não resolve basicamente nenhum dos problemas atuais do ensino jurídico no país. etc. mercado de trabalho abrangido.. regra geral. ser levados em consideração em qualquer novo estudo ou proposta sobre a complexa questão do ensino jurídico brasileiro. A maioria dos especialistas defende a necessidade da 42 . Poderão. programas e planos de ensino. A QUESTÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA A questão da metodologia de ensino a ser utilizada em sala de aula é o outro grande debate existente no país com relação à crise do ensino do Direito. e que veem a necessidade de um currículo mais flexível. também. quadro de professores. algumas funções históricas marcadamente políticas: a) de sistematização e divulgação da ideologia de sustentação do estado nacional. de forma contínua. visando desenvolver a visão crítica do fenômeno jurídico. Ao lado disso. vê-se as reformas. políticos e culturais abrangidos. ele.] QUESTÕES CENTRAIS DO ENSINO DO DIREITO NO BRASIL: UMA TENTATIVA DE SISTEMATIZAÇÃO Os pontos aqui enumerados constituem alguns tópicos – inferidos no decorrer da elaboração do trabalho – que se entende sistematizarem a questão do ensino jurídico de graduação no Brasil contemporâneo.[. A QUESTÃO HISTÓRICA O ensino jurídico no Brasil foi marcado historicamente por sua desvinculação perene da realidade social e por suas sucessivas crises e reformas. Em realidade. Concorda-se com alguns deles que pretendem. esses aspectos devem. inclusive. reformulações curriculares mais adequadas para cada instituição. através da reforma. Nesse sentido. dentro do contexto em que elas se inserem. sistema de avaliação. servir como ponto de partida para novas pesquisas sobre o tema. atividades complementares. Tem apresentado. via MEC. com disciplinas optativas e diferentes possibilidades de ênfases temáticas. exegético e unidisciplinar. talvez. mas também a sua legitimidade e eficácia. mas sempre se fizeram presentes. nesse sentido. e a pensar não apenas a lei. os cursos de Direito estão entre os que existem em maior número em todo o país e entre os mais procurados em todos os concursos vestibulares. perfil de aluno. o raciocínio jurídico e a adequação do Direito à realidade social em constante evolução. Os matizes dessas funções mudaram com o decorrer do tempo. porque. Essas comissões poderiam encontrar. como prejudiciais. A QUESTÃO CURRICULAR A reforma curricular vem sendo historicamente apresentada por grande parte dos especialistas no tema como uma solução para os problemas do ensino jurídico. impostas de forma centralizada pelo Estado. 2. no entendimento deste autor. Talvez uma possível solução para a questão dos currículos – como também dos conteúdos programáticos das diversas disciplinas – esteja na implantação de comissões mistas permanentes pelas Faculdades e Cursos de Direito – formadas por membros de seus corpos docente e discente e com a participação dos Departamentos de Educação e Ciências Sociais das respectivas entidades educacionais às quais estejam integradas. Essas se reduziram basicamente à questão curricular. em especial aqueles que têm sob sua responsabilidade disciplinas do curso jurídico – visando um balanço geral periódico da estrutura desses cursos e faculdades – currículos. monografia final. d) Aumentar a qualificação e dedicação do corpo docente e exigir maior dedicação do corpo discente. nunca tendo logrado o êxito almejado. no Brasil. estágios. qualidade de ensino. São eles: 1. não são adequadas aos mais variados contextos acadêmicos. b) de formação dos quadros para a burocracia e tecnocracia estatais. em substituição ao ensino dogmático. Mas acredita-se que meras reformas curriculares não solucionam problemas estruturais. Mas volta-se a insistir: a simples mudança do currículo.. sociais. propiciando-lhes um ensino interdisciplinar voltado à realidade social e que vincule a prática à teoria. como forma de melhor desenvolver o senso crítico dos alunos. aumentar o número de disciplinas teóricas de formação. É necessário ensinar o aluno a pensar.c) A implantação de um ensino interdisciplinar.

Não é apenas com a alteração metodológica na forma de transmitir o conhecimento que se vai solucionar o impasse do ensino jurídico. portanto. Talvez isso possa dar-se através de um saber poliparadigmático e com pluralidade de métodos. Os saberes monoparadigmáticos e unimetodistas. 4. que a forma eficaz de se construir um saber democrático sobre o Direito é fazê-lo através de uma ciência que esteja comprometida somente com a vida e na qual não haja restrições paradigmáticas e/ou metódicas. do excesso de cursos existentes e de vagas oferecidas – necessários ao Estado como forma de evitar protestos sociais contra a ausência de oportunidade de acesso ao ensino superior – e a opção de investimento nas áreas tecnológicas em detrimento das humanas – feita 43 . como saberes muito racionalizados. A QUESTÃO POLÍTICA O problema do ensino jurídico no Brasil hoje. pois apenas dessa forma poder-se-á produzir um novo objeto de conhecimento. através da utilização de um determinado método.substituição da aula magistral por formas de aulas participativas – principalmente a aula dialogada e o seminário. democrático e não autoritário para o ensino jurídico. e consequentemente da concepção do que é Direito. A QUESTÃO EPISTEMOLÓGICA Neste tópico estão englobados dois dos aspectos fundamentais na discussão do problema do ensino jurídico: seu método e seu objeto. que apenas serve para apreender o dever-ser. não solucionando. Todo ato pedagógico está vinculado a um determinado paradigma de ciência – e nesse sentido é a imposição de um saber em detrimento de outros. atualmente. em favor do Executivo – do Poder Judiciário – burocratizado e sem a autonomia necessária –. 5. sempre com a ressalva de que não é nesse nível que se solucionará a complexa questão do ensino jurídico. a questão. A história dos cursos brasileiros confirma a sua função eminentemente política. pois só assim poder-se-á alterar efetivamente o seu ensino. É necessário mudar o paradigma dominante na ciência do Direito. Alterar a ciência jurídica significa deixar de lado a atual estrutura de produção de saberes e substituí-la por outra. além de ser epistemológico – como visto no item anterior – é também político. Para que se possa mudar estruturalmente o ensino jurídico é necessário mudar antes a própria ciência do Direito e. através do ensino jurídico. transformando-se o ensino a eles vinculado em um ato de violência simbólica. acabam tornando-se perigosos e autoritários. O autoritarismo permanece. como condições básicas para a efetivação de qualquer mudança estrutural no ensino jurídico brasileiro. a necessidade de substituir o paradigma positivista de ciência do Direito e seu método lógico-formal. Mas há o receio de uma possível substituição paradigmática A simples substituição de um paradigma por outro é a substituição de uma verdade por outra – retira-se um dogma e coloca-se outro no seu lugar. dessa forma. a própria concepção do que é Direito. Para isso é necessária a mudança do método de abordagem utilizado no ato cognoscente. produz um determinado objeto. ser a pluralidade de metodologias a melhor alternativa. uma visão unidimensional do real e transformando o ensino jurídico em mero ensino descritivo e exegético do direito positivo em vigor. consequentemente. Acredita-se que tanto a preleção como as aulas participativas têm sua utilidade em determinados momentos do processo educativo. Parece. Há. produzindo. E a própria questão epistemológica – a concepção dominante na ciência do Direito – está diretamente vinculada a essa trajetória. dessa forma. Acredita-se na necessidade de alteração da atual concepção de ciência do Direito. do Poder Legislativo – atrofiado em suas funções. o que o caracteriza como uma violência simbólica. Vê-se essa discussão como uma questão acessória. onde o Estado é um grande empregador dos egressos dos cursos jurídicos. pois serve à manutenção e reprodução do status quo. Toda ciência é um processo de produção de conhecimentos que. As questões do mercado de trabalho. Apenas o ato pedagógico vinculado a uma visão plural do mundo pode recuperar um espaço livre. Isso nega a pluralidade de significações e a polifonia do real. que é ao mesmo tempo reprodutor e realimentador dos saberes por ela produzidos. Objeto esse que é o conhecimento posteriormente transmitido – no caso da ciência do Direito. portanto. Entende-se.

políticas e ideológicas do seu autor. São elas: a) O discurso aqui colocado é um objeto construído – e não dado – a partir das opções acadêmicas. levando consequentemente a uma mudança estrutural no próprio ensino do Direito. Toda a interpretação da realidade se dá a partir de categorias simbólicas construídas pelo homem. UMA ÚLTIMA QUESTÃO: COMO COMEÇAR? Concorda-se com a ideia de que. Nesse tipo de sociedade – revitalizados os poderes legislativo e judiciário –. Só os discursos marginais conseguem efetuar essa superação. Apenas rompendo com ele é possível se vislumbrar o novo. em qualquer discussão. do seu ensino. Isso o tornaria conservador.pelo Estado brasileiro em nome da necessidade de desenvolvimento e progresso do país –. Uma nova rede de símbolos a partir da qual se possa apreender o real. e nesses o discurso do autor do texto se mistura aos vários discursos enunciados no decorrer de todo o trabalho.. sugestão. Talvez o caminho para se recuperar o Direito e seu ensino como forma de libertação. no entanto. Marginalidade e utopia talvez sejam o início de um novo caminho. para se mudar o real. a crise do ensino jurídico como vinculada à crise da universidade brasileira em geral e à crise do próprio sistema político-econômico vigente no país. da democracia e da justiça social – reinventando o desejo e o sonho e aceitando as diferenças –. deve ele estar sempre em estado de alerta à procura dos sinais do novo. não pode ser feita a partir do vigente. Nesse sentido. a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. na luta pela concretização das utopias que os homens conseguem mudar a história. dando-lhe novos rumos e sentidos. É ele uma tentativa de oferecer: (a) uma análise aberta. com a possibilidade material de toda a população ter acesso à justiça na busca da concretização de seus direitos. no entanto. muitas vezes. 6. É. Vê-se como uma necessidade para a realização do direito e. Convém salientar que as conclusões obtidas nada têm de definitivas. Nem por isso deve-se voltar as costas para ela. é não esquecer a sua vinculação política. pois o definitivo se constitui na negação da possibilidade de evolução do saber. A conclusão aqui esboçada está apresentada em forma de itens. caracterizam. consequentemente. pode. a partir da proposição de novos universos simbólicos. É necessário resgatar a dignidade política do Direito. pesquisa. propostas sobre a questão do ensino jurídico. CONSIDERAÇÕES FINAIS O que se deve dizer em uma conclusão? Um resumo do que já foi dito? Um levantamento das teses centrais do texto? Enumerar as possíveis contribuições ao tema em estudo existentes no trabalho? Elaborar uma crítica geral sobre as obras e os temas estudados? Nesta conclusão optou-se por um caminho relativamente diferente. Uma solução estrutural dos problemas atuais do ensino na área do Direito passa. Pelo contrário. estudo. Sonhar com o novo e lutar pela sua realização já é o primeiro passo para a sua concretização.. de utopias para a nossa sociedade. esteja então na construção de discursos marginais avessos ao padrão de normalidade dominante – que consigam. Lutar pela mudança já é começar a mudar. perspectivas de uma mudança imediata nesse sentido. Não há. criar utopias e caminhar no sentido de efetivá-las. o papel a ser desempenhado pelos profissionais do Direito adquire novos matizes e amplia-se o mercado de trabalho. O conhecimento nunca pode ser visto como final. debate. é necessário mudar-se o simbólico. Não se adotou integralmente nenhum desses modelos clássicos e também não se os eliminou de todo. não 44 . o que é necessário. colocando-os a serviço de toda a sociedade. de forma marcante. A construção de novas teias simbólicas para a cultura jurídica. criando um discurso plural e não conclusivo. colocando-o a serviço da justiça social efetiva. necessariamente – além da questão epistemológica já colocada anteriormente – por uma mudança do próprio sistema político-econômico do país. sob pena de os operadores do direito se tornarem marionetes a serviço do sistema. ser encarada como uma utopia por aqueles que não conseguem superar o instituído. entre outras que aqui poderiam ser enumeradas. para se possuir uma práxis transformadora.

Que relação é possível de ser feita entre a utopia e a concretização das mudanças? ENADE 2007 – Formação Geral/questão 7 (múltipla escolha) Desnutrição entre crianças quilombolas Cerca de três mil meninos e meninas com até cinco anos de idade. responda às questões a seguir. 1. a preconização da mudança já é o primeiro passo para a sua realização. passem. Não se expressa. Destaque e explique as questões centrais do ensino do Direito no Brasil segundo o texto. Dada a profundidade dos problemas apontados e das mudanças sugeridas. como uma verdade inquestionável. substituir o paradigma dominante. como negação do instituído.. O ensino do direito. d) Além da questão epistemológica e junto a ela há a questão política. Não se modifica a práxis jurídica dominante no ensino do Direito. A análise feita por Rodrigues acerca do ensino jurídico sugere a necessidade de uma transformação radical deste ensino. a proposta apresentada talvez represente apenas uma utopia. foram pesados e medidos. Ensino jurídico para que(m)? Florianópolis: Fundação Boiteux. EXERCÍCIOS: Com base no texto. na busca da construção de um saber poliparadigmático. dentro das condições do ensino e da estrutura social vigentes. através de uma práxis efetivamente formadora.) De acordo com o estudo. Horácio Wanderley. o próprio sistema vigente e sua estrutura. Rodrigues faz sobre o ensino do Direito hoje e o que se poderia mudar.conclusiva. os sonhos e as utopias. 11. propondo novas redes simbólicas a partir das quais se procure compreender e mudar o real. 45 . Elas são apenas complemento. Uma ciência dogmática transfere o seu dogmatismo para o ensino. a necessidade de colocar o Direito e o seu ensino a serviço da democracia e da justiça social efetiva. não atingindo o principal. e) Dentro da atual estrutura é inviável a implantação integral de propostas realmente revolucionárias. 2. por isso. Isso talvez possa ser feito a partir da utilização de uma pluralidade de métodos na apreensão do Direito dentro da complexidade social. É alargando os horizontes. Novas teias simbólicas e utopias não se constroem dentro do institucionalizado. se não se modifica o simbólico a ela correspondente. Fonte: RODRIGUES.. (b) comprometida. f) Toda práxis transformadora pressupõe uma nova simbologia como forma de tratar o real e uma utopia como meta a ser atingida. propiciando visões alternativas permitam o seu repensar e a sua reestruturação a partir de novas categorias. Mas deve-se tê-las sempre em mente.6% dos meninos e meninas que vivem nessas comunidades estão mais baixos do que deveriam. então. necessariamente. dentro do senso comum teórico dos juristas. c) Para mudar o ensino jurídico é necessário mudar também a ciência do Direito. que se pode efetivamente mudá-lo.. não neutra. como utopias a serem buscadas. na atual estrutura do ensino jurídico brasileiro. As utopias são necessárias porque revolucionárias. h) Talvez as perspectivas de mudança real. Explique a apresentação que Horácio W. 15-32. Para isso tem-se que superar a antinomia positivismo X jusnaturalismo – ambos no sentido amplo dos termos. 3. Talvez seja o momento de sermos realistas e lutarmos pela realização dos nossos sonhos e pela concretização das utopias . é a única forma eficaz de construção do novo. g) A marginalidade. 2000. In: ______ . dentro do próprio sistema. Não se cria o novo a partir do vigente. pela construção de discursos marginais que.(.. considerando-se a sua idade. pp. b) Mudanças apenas nos níveis didático-pedagógico e curricular não são suficientes para solucionar a crise do ensino jurídico. que vivem em 60 comunidades quilombolas em 22 Estados brasileiros. O objetivo era conhecer a situação nutricional dessas crianças.

SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre ensino jurídico. A formação do profissional de Direito: perfil. 8. competências e habilidades. a. Observe o texto 1 e o quadro a seguir que retratam os momentos históricos curriculares do Direito no Brasil. No Brasil. II. Rafael. é correto afirmar que: a) somente I é solução dos problemas a médio e longo prazo. na qual estão 33. Estude-os e leve as suas reflexões para uma discussão em sala de aula. Para resolver essa grave questão de subnutrição infantil. 46 . Boletim. 9/2004) e faça os exercícios correspondentes. e) II e III são soluções dos problemas a médio e longo prazo. O boletim do UNICEF mostra a relação da desnutrição com o nível de escolaridade materna e com a condição econômica da família.6%. a desnutrição chega a 15. algumas iniciativas são propostas: I. leia o artigo de FREITAS FILHO. que ofereçam não só alimentação de qualidade. O Ministério de Desenvolvimento Social prevê ainda um estudo semelhante para as crianças indígenas.41 n. UNICEF/BRZ.7% entre as crianças de mães com escolaridade menor que quatro anos. Esse indicador sobe para 13. Semana 08 Os cursos jurídicos no Brasil: legislação específica – Resolução nº 9/2004. Entre as crianças que vivem em famílias da classe E (57. ano 3. Os resultados serão incorporados à política de nutrição do país.gov. programas de educação que atendam a crianças e também a jovens e adultos. e cai para 5. Roberto. 164 out-dez 2004. A escolaridade materna influencia diretamente o índice de desnutrição. III.5% das avaliadas). b) somente II é solução dos problemas a curto prazo.4% do total das pesquisadas. mas também renda para as famílias.senado. Segundo a pesquisa.8% dos filhos de mães com mais de quatro anos de estudo estão desnutridos. Disponível em: www.pdf. O ensino jurídico e a mudança do modelo normativo: normas fechadas X normas abertas. d) I e II são soluções dos problemas a curto prazo. Acesso em: 11 set. hortas comunitárias. Das iniciativas propostas.br/web/cegraf/ril/Pdf/pdf_164/R16412. BAVARESCO. jun. 8. Leia também o texto 2 (Resolução n. estima-se uma população de 2 milhões de quilombolas.índice que mede a desnutrição. Brasília. A condição econômica também é determinante. distribuição de cestas básicas para as famílias com crianças em risco. n. 2007. c) somente III é solução dos problemas a curto prazo.6% no grupo que vive na classe D. Revista de Informação Legislativa. 2008.

Marcelo Dalmás. Inclui-se neste período [. Sociologia. implica ”dar-se conta”. os cursos de Direito se tornaram realidade definitiva em 1827 e de lá para cá muita coisa aconteceu. 1827 5 anos 1962 Currículo mínimo Parecer 215 de 15/09/1962 (CFE) 5 anos 2004 Diretrizes vigentes Resolução nº 9/2004 (CNE) Na ausência de definição pela CES/CNE.886/94. Disponível em: http://portal. As diretrizes curriculares e o desenvolvimento de habilidades e competências nos cursos de Direito: o exemplo privilegiado da Assessoria Jurídica Popular. Projeto pedagógico Perfil do graduando Habilidades e competências Conteúdos fundamentais 47 . desembocando.TEXTO 1: As diretrizes curriculares e o desenvolvimento de habilidades e competências nos cursos de Direito Como se sabe. no que se refere à formação do graduando. Ciência Política. Admitir que as diretrizes curriculares aprovadas.pdf.] Pode-se resumir e sistematizar em três momentos esta longa trajetória dos marcos legais e regulatórios dos cursos de Direito no país: 1º momento – currículo único: adotou-se um currículo único para todos os cursos de Direito brasileiros de 1827 até 1962. homologadas e publicadas. a Portaria MEC nº 1. Acesso em: 10 set. Antropologia.] 2º momento – currículo mínimo: estabelecem-se os conteúdos mínimos a partir dos quais são construídos os currículos plenos de cada instituição de ensino. Ética. com a Resolução nº 9/2004 do Conselho Nacional de Educação.886/94 (3. continua vigente. representam.. QUADRO MOMENTOS HISTÓRICOS CURRICULARES DOS CURSOS DE DIREITO NO BRASIL CURRÍCULO Base normativa Duração 1827 Currículo único Lei de 11 ago.. em pleno século XXI. nessa matéria. sob a Resolução nº 9/2004.gov. Economia Política Economia. Inclui-se neste período o ato de criação das faculdades de Direito de Olinda e de São Paulo em 1827 [. Fonte: ABRÃO.300h). uma nova etapa para o Ensino do Direito. com abrangência e elementos estruturais expressamente definidos definido de forma expressa.. tendo por base as habilidades e competências definidas no âmbito da normatização do “Provão” Direito Natural.] a Portaria Ministerial 1. Economia Política Introdução à Ciência do Direito. 2008.. Filosofia. História.br/sesu/arquivos/pdf/nova/emancipartexto. TORELLY. Paulo. tendo por base o perfil definido no âmbito da normatização do “Provão” definidas de forma expressa.. 3º momento – diretrizes curriculares: estabelecem competências e habilidades que devem pautar a formação do graduando em Direito. em um período de 5 a 8 anos obrigatório.mec. numa expansão do número de matriculados em cursos de Direito que enseja uma legítima preocupação com a qualidade do ensino [. do deslocamento da abordagem dos conteúdos mínimos (modelo conteudista) para as habilidades e competências (modelo de habilidades e competências). O sistema vigorou de 1962 a 2004.. Entrou em vigor em 29 de setembro de 2004. Psicologia.

(Apêndice: “Histórico dos currículos dos cursos de direito”) TEXTO 2: BRASIL. Resolução CNE/CES nº 9. em conjunto com a Prática Jurídica. de 29 de setembro de 2004. sendo obrigatória a supervisão. Aná. Direito Direito Administrativo. § 2º. e 100/2002. Direito Civil. 776/97. Direito do Trabalho. em conjunto com as Atividades Complementares.Conteúdos Direito Público. considerando o que consta do Parecer CES/CNE 55/2004 de 18/2/2004. Direito Processual. Administrativo. no uso de suas atribuições legais.Direito Constitucional profissionalizantes lise da Constituição (incluindo Teoria Geral do Império. Bacharelado. Direito Penal. Duração: até 20% da C/H do curso. Trabalho de Curso obrigatório Atividades complementares TCC Fonte: Quadro adaptado de RODRIGUES.131. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR RESOLUÇÃO CNE/CES Nº 9. Direito Civil. Direito macia. a serem observadas pelas Instituições de Educação Superior em sua organização curricular. projeto pedagógico e outras questões pertinentes. da Lei nº 4. Art. com a teoria do reito do Trabalho. as competên- 48 . 2005. Pátrio Civil. 2º A organização do Curso de Graduação em Direito. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito e dá outras providências. Direito Interdas Gentes e Diplo.nacional Privado. Direito Forense). e as Diretrizes Curriculares Nacionais elaboradas pela Comissão de Especialistas de Ensino de Direito. podendo em parte ser realizado mediante convênios. abrangendo o perfil do formando. to Penal. Dinal. 9º. Horácio Wanderlei. Estágio supervisionado Prática do processo Prática Forense (como adotado pelas leis do conteúdo de Direito Império (junto com Judiciário) a teoria) Direito Constitucional. com a redação dada pela Lei nº 9. Duração: até 20% da C/H do curso. Direiprocesso criminal. aprovado em 8/7/2004.Direito Comercial. Direito Tributário. Florianópolis: Fundação Boiteux. Direito Judiciápartir de 1954: Direito rio Penal (com Prática Romano. Direito Direito Financeiro e FiMercantil e Marítimo. Pensando o ensino do Direito no século XXI: diretrizes curriculares. propostas ao CNE pela SESu/MEC. observadas as Diretrizes Curriculares Nacionais se expressa através do seu projeto pedagógico. tendo em vista as diretrizes e os princípios fixados pelos Pareceres CES/CNE n. reconsiderado pelo Parecer CNE/CES 211. nanças. alínea “c”. Direito Internacional. Direito Empresarial. Prática Jurídica obrigatória no NPJ. Direito Judiciário processo adotado pelas Civil (com Prática Foleis do Império. Eclesiástico. Direito Pátrio Crimi. Direito Público Internacional Público. 583/2001. com fundamento no art. de 25 de novembro de 1995. A rense). O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Direito. Medicina LeTeoria e prática do gal. DE 29 DE SETEMBRO DE 2004 Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito e dá outras providências. Direito do Estado). resolve: Art.024. Direito Administrativo. Obrigatório. homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 23 de setembro de 2004. de 20 de dezembro de 1961.

no perfil do graduando. IX – concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado. § 2º Com base no princípio de educação continuada. IV – formas de realização da interdisciplinaridade. Ética. nas respectivas modalidades. Psicologia e Sociologia. História. seu currículo pleno e sua operacionalização. atos e procedimentos. o trabalho de curso como componente curricular obrigatório do curso. de qualquer natureza. política. VIII – incentivo à pesquisa e à extensão. da prestação da justiça e do desenvolvimento da cidadania. com a devida utilização de processos. V – correta utilização da terminologia jurídica ou da Ciência do Direito. atos e documentos jurídicos ou normativos. Filosofia. Art. O curso de graduação em Direito deverá assegurar. geográfica e social. Ciência Política. II – Eixo de Formação Profissional – abrangendo. as seguintes habilidades e competências: I – leitura. da doutrina e de outras fontes do Direito. sólida formação geral. 5º O curso de graduação em Direito deverá contemplar. o regime acadêmico de oferta. e. o conhecimento e a aplicação. XI – inclusão obrigatória do Trabalho de Curso. sem prejuízo de outros. III – pesquisa e utilização da legislação. II – interpretação e aplicação do Direito. oferta de cursos de pós-graduação lato sensu. VI – utilização de raciocínio jurídico. o estágio curricular supervisionado. adequada argumentação. VII – julgamento e tomada de decisões. da jurisprudência. III – cargas horárias das atividades didáticas e da integralização do curso.cias e habilidades. com suas peculiaridades. X – concepção e composição das atividades complementares. os conteúdos curriculares. II – condições objetivas de oferta e a vocação do curso. as IES poderão incluir no Projeto Pedagógico do curso. 3º. compreensão e elaboração de textos. de acordo com as efetivas demandas do desempenho profissional. § 1° O Projeto Pedagógico do curso. Art. contextualizados em relação às suas inserções institucional. 4º. a duração do curso. como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica. os seguintes elementos estruturais: I – concepção e objetivos gerais do curso. quando houver. Art. em diferentes instâncias. Economia. aliada a uma postura reflexiva e de visão crítica que fomente a capacidade e a aptidão para a aprendizagem autônoma e dinâmica. sem prejuízo de outros aspectos que tornem consistente o referido projeto pedagógico. V – modos de integração entre teoria e prática. VII – modos da integração entre graduação e pós-graduação. além do enfoque dogmático. indispensável ao exercício da Ciência do Direito. além da clara concepção do curso de Direito. em seu Projeto Pedagógico e em sua Organização Curricular. e. conteúdos e atividades que atendam aos seguintes eixos interligados de formação: I – Eixo de Formação Fundamental – tem por objetivo integrar o estudante no campo. IV – adequada atuação técnico-jurídica. O curso de graduação em Direito deverá possibilitar a formação profissional que revele. abrangerá. domínio de conceitos e da terminologia jurídica. de persuasão e de reflexão crítica. abrangendo dentre outros. administrativas ou judiciais. estabelecendo as relações do Direito com outras áreas do saber. VIII – domínio de tecnologias e métodos para permanente compreensão e aplicação do Direito. o sistema de avaliação. estudos que envolvam conteúdos essenciais sobre Antropologia. as atividades complementares. suas diferentes formas e condições de realização. estudados sistematicamente e contextualizados segundo a evolução da Ciência do Direito e sua aplicação 49 . pelo menos. observadas as peculiaridades dos diversos ramos do Direito. bem como a forma de implantação e a estrutura do Núcleo de Prática Jurídica. interpretação e valorização dos fenômenos jurídicos e sociais. capacidade de análise. de argumentação. VI – formas de avaliação do ensino e da aprendizagem. humanística e axiológica. com a devida utilização das normas técnico-jurídicas.

até que se possa considerá-lo concluído. Art. Art. deverão conter. § 2º As atividades de Estágio poderão ser reprogramadas e reorientadas de acordo com os resultados teórico-práticos gradualmente revelados pelo aluno. Trabalho de Curso e Atividades Complementares. obrigatoriamente. a partir da publicação desta. com suas diferentes modalidades de operacionalização. resguardando. Direito Penal. As IES poderão optar pela aplicação das DCN aos demais alunos no período ou ano subseqüente à publicação desta. na supervisão das atividades e na elaboração de relatórios que deverão ser encaminhados à Coordenação de Estágio das IES . a serem fornecidos aos alunos antes do início de cada período letivo. com conteúdo a ser fixado pelas Instituições de Educação Superior em função de seus Projetos Pedagógicos. e III – Eixo de Formação Prática – objetiva a integração entre a prática e os conteúdos teóricos desenvolvidos nos demais Eixos. conhecimento e competência do aluno. Direito do Trabalho. no prazo máximo de dois anos. 12. Parágrafo único. em serviços de assistência judiciária implantados na instituição. do Ministério Público e da Defensoria Pública ou ainda em departamentos jurídicos oficiais. em parte. Direito Internacional e Direito Processual. A duração e carga horária dos cursos de graduação serão estabelecidas em Resolução da Câmara de Educação Superior. a metodologia do processo de ensino-aprendizagem. os critérios de avaliação a que serão submetidos e a bibliografia básica. devendo cada instituição. econômicas. para a avaliação pertinente. indispensável à consolidação dos desempenhos profissionais desejados. 10. sistema de créditos com matrícula por disciplina ou por módulos acadêmicos. por seus colegiados próprios. contendo necessariamente.às mudanças sociais. Parágrafo único. incluindo a prática de estudos e atividades independentes. A realização de atividades complementares não se confunde com a do Estágio Supervisionado ou com a do Trabalho de Curso. desenvolvido individualmente. Direito Administrativo. especialmente nas atividades relacionadas com o Estágio Curricular Supervisionado. 50 . Art. Direito Tributário. As Diretrizes Curriculares Nacionais desta Resolução deverão ser implantadas pelas Instituições de Educação Superior. As IES deverão emitir regulamentação própria aprovada por Conselho competente. conteúdos essenciais sobre Direito Constitucional. como padrão de qualidade. aos alunos ingressantes. Direito Empresarial. Art. critérios. atendido o disposto nesta Resolução. regime seriado semestral. 8º As atividades complementares são componentes curriculares enriquecedores e complementadores do perfil do formando. através do Núcleo de Prática Jurídica. de interdisciplinaridade. na forma definida na regulamentação do Núcleo de Prática Jurídica. interna e externa. importando. O Trabalho de Curso é componente curricular obrigatório. contemplar convênios com outras entidades ou instituições e escritórios de advocacia. centradas em aspectos considerados fundamentais para a identificação do perfil do formando. dentre outros condizentes com o projeto pedagógico. nos órgãos do Poder Judiciário. 6º A organização curricular do curso de graduação em Direito estabelecerá expressamente as condições para a sua efetiva conclusão e integralização curricular de acordo com o regime acadêmico que as Instituições de Educação Superior adotarem: regime seriado anual. Art. especialmente nas relações com o mercado do trabalho e com as ações de extensão junto à comunidade. em qualquer caso. incluindo-se necessariamente. que deverá estar estruturado e operacionalizado de acordo com regulamentação própria. políticas e culturais do Brasil e suas relações internacionais. inclusive adquirida fora do ambiente acadêmico. além dos conteúdos e das atividades. com a adoção de pré-requisitos. procedimentos e mecanismos de avaliação. inerentes ao perfil do formando. aprovar o correspondente regulamento. Os planos de ensino. Art. Parágrafo único. Art. os domínios indispensáveis ao exercício das diversas carreiras contempladas pela formação jurídica. sistemáticas. Direito Civil. podendo. Parágrafo único. transversais. opcionais. além das diretrizes técnicas relacionadas com a sua elaboração. por avaliação de habilidades. 9º As Instituições de Educação Superior deverão adotar formas específicas e alternativas de avaliação. § 1º O Estágio de que trata este artigo será realizado na própria instituição. aprovada pelo conselho competente. envolvendo todos quantos se contenham no processo do curso. possibilitam o reconhecimento. 11. 7º O Estágio Supervisionado é componente curricular obrigatório.

53). como poderão ser desenvolvidas. Luciana Stegagno Picchio. Por que o estágio supervisionado e as atividades complementares são componentes curriculares imprescindíveis para o curso de Direito? ENADE 2005 – Formação Geral/questão 7 (múltipla escolha) (Colecção Roberto Marinho. p. e o oceano Em uma areia sáfia.886. Destaque duas delas e mostre. II. (MENDES. Rio de Janeiro: Record. 2º. meus membros lassos. Qual a importância da Resolução nº 9/2004 para os cursos de Direito? 2. 1994. 1191) B) Repousemos na pedra de Ouro Preto. Gregório de. Qual o papel do projeto pedagógico na organização dos cursos de Direito? 3. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação. Obra poética. 1989. James Amado. Edson de Oliveira Nunes Presidente da Câmara de Educação Superior EXERCÍCIOS: 1.Art. Ed. A“cidade”retratada na pintura de Alberto da Veiga Guignard está tematizada nos versos: (A) Por entre o Beberibe. Poesia completa e prosa. Murilo. Seis décadas da arte moderna brasileira. Org. De acordo com o artigo 3º desta Resolução. parágrafo 1º da Resolução e mostre como eles podem ser desenvolvidos no processo ensino-aprendizagem. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 460. com exemplos. determinadas características. Repousemos no centro de Ouro Preto: São Francisco de Assis! igreja ilustre. (MATOS. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Vol. 1990. Que o belga edificou ímpio tirano. 4. p. e lagadiça Jaz o Recife povoação mestiça. 5. 13. p. no perfil do graduando. o curso de graduação em Direito deverá assegurar. acolhe À tua sombra irmã. Escolha dois elementos estruturais do Art. ficando revogada a Portaria Ministerial n° 1. de 30 de dezembro de 1994 e demais disposições em contrário.) 51 .

3. Em relação aos objetivos específicos.) (D) Bahia. Explique qual é a missão do curso de Direito. prática jurídica e contexto social. compreenda as suas orientações e. competências e habilidades. p. 1994. (MELO NETO. Qual o papel da iniciação científica no Curso de Direito? 7. 211). 52 . Poesia completa. o que significa desenvolver um raciocínio tópico-problemático? 4. Destaque duas características do perfil profissional que demonstrem a preocupação com a formação cidadã do profissional do Direito. pp. cruzes e cruzes De braços estendidos para os céus. a partir delas possa participar da discussão em sala de aula. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Selecione dois objetivos gerais e explique como eles podem ser alcançados. 199-240. iniciação científica. 5. Obra completa. das casaronas de alma fêmea. Horácio Wanderlei. 2005. João Cabral. EXERCÍCIOS: 1. Semana 09 O curso de Direito na Universidade Estácio de Sá e seu projeto pedagógico: concepção e desenvolvimento. 2. de casa-grande de engenho. A formação do profissional de Direito: perfil. I. Qual a importância do acompanhamento dos egressos do curso de Direito? ENADE 2004 – Formação Geral/questão 6 (múltipla escolha) Muitos países enfrentam sérios problemas com seu elevado crescimento populacional. escolha um item e crie duas atividades que você gostaria de desenvolver. ao invés de arranha-céus. Para iniciar o estudo desta semana é importante que você leia o projeto pedagógico do seu curso. 343. p. O primeiro Cristo Redentor do Brasil! (LIMA. 1958. 1997.C) Bembelelém Viva Belém! Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial Beleza eterna da paisagem Bembelelém Viva Belém! (BANDEIRA. (E) No cimento de Brasília se resguardam maneiras de casa antiga de fazenda. Antes do Farol da Barra. Manuel. Vol. leia o cap. E na entrada do porto. A partir do quadro das habilidades e competências. Seu professor disponibilizará uma versão resumida do projeto pedagógico do seu curso para que você possa realizar as tarefas propostas. 6 do livro de RODRIGUES. Jorge de. Alexei Bueno. Pensando o ensino do Direito no século XXI: diretrizes curriculares. enfim. projeto pedagógico e outras questões pertinentes.) SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre diretrizes curriculares e projeto pedagógico. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. de copiar. Atividades acadêmicas complementares. 6. Org. p. Florianópolis: Fundação Boiteux. 196. Rio de Janeiro: Aguilar.

SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre projeto pedagógico. seria esperado que: a) o número de nascimentos de meninos fosse aproximadamente o dobro do de meninas. p. A notícia sobre o crime contra o índio Galdino leva a reflexões a respeito dos diferentes aspectos da formação dos jovens. o homem a quem incendiaram. perdeu-se nas ruas de Brasília (. Horácio Wanderlei. apresentado a seguir.. Florianópolis: Fundação Boiteux. (. Uma delas foi: as famílias teriam o direito a um segundo (e último) filho. Com relação às questões éticas.. fariam uma segunda e última tentativa para ter um menino). 1997. Levado ainda consciente para o Hospital Regional da Asa Norte – HRAN. c) fornecer soluções por meio de força e autoridade. Barueri. Às 5 horas da manhã. 2004. Suponha ainda que. outras leis menos restritivas foram consideradas. Um grupo “insuspeito” de cinco jovens de classe média alta. 21 abr. a estupefação: ‘os jovens queriam apenas se divertir’ e ‘pensavam tratar-se de um mendigo. c) aproximadamente 25% das famílias não tivessem filhos do sexo masculino. Galdino. com 95% do corpo com queimaduras de 3º grau.) Em mais um triste “Dia do Índio”. enquanto um manteve-se ao volante.). 53 . Daisy. atearam fogo no corpo.Em alguns destes países. Leia o texto de Eduardo Bittar sobre Ética. esta política teve consequências trágicas (por exemplo. Examinando os registros de nascimento.” Conselho Indigenista Missionário – Cimi. Suponha que esta última regra fosse seguida por todas as famílias de um certo país (isto é. faleceu às 2 horas da madrugada de hoje.25 filhos.. Galdino saiu à noite com outros indígenas para uma confraternização na Funai. Ensinar Direito. sejam iguais as chances de nascer menino ou menina. sentou-se num banco de parada de ônibus e adormeceu. leia o livro de VENTURA.149-198 Semana 10 O ensino jurídico e a formação do profissional de Direito. d) expressar os interesses particulares da juventude. Foram flagrados por outros jovens corajosos.. Aí. e) aproximadamente 50% das famílias tivessem um filho de cada sexo. Por essa razão. Ao voltar. em alguns países houve registros de famílias de camponeses abandonarem suas filhas recém-nascidas para terem uma outra chance de ter um filho do sexo masculino). os outros quatro dirigiram-se até a avenida W/3 Sul. Os criminosos foram presos e conduzidos à 1ª Delegacia de Polícia do DF onde confessaram o ato monstruoso. ENADE 2004 – Formação Geral/questão 5 (múltipla escolha) “Crime contra Índio Pataxó comove o país (. Pensando o ensino do Direito no século XXI: diretrizes curriculares. no entanto. Leia também o capítulo 5 do livro de RODRIGUES. sempre que o primeiro filho fosse do sexo feminino. Logo após jogar combustível. b) em média. Algumas vezes. local onde se encontrava a vítima. d) aproximadamente 50% dos meninos fossem filhos únicos. SP: Manole..) parou o veículo na avenida W/2 Sul e. não de um índio’.. Galdino acordou ardendo numa grande labareda de fogo. após alguns anos de a política ter sido colocada em prática. Brasília-DF. pode-se afirmar que elas devem: a) manifestar os ideais de diversas classes econômicas. cada família tivesse 1. b) seguir as atividades permitidas aos grupos sociais. em cada nascimento. ocupantes de veículos que passavam no local e prestaram socorro à vítima. 2005. para estudo em sala de aula. entre eles um menor de idade. caso o primeiro fosse do sexo feminino. Cansado. Ética profissional. e) estabelecer os rumos norteadores de comportamento. projeto pedagógico e outras questões pertinentes. foi proposta (e por vezes colocada em efeito) a proibição de as famílias terem mais de um filho.

de indivíduos. o que é que se constata no comportamento humano? O que é que permite inaugurar uma investigação ligada à perspectiva que ora se assume como eixo de reflexão? Parte-se de uma pergunta: do que é que somos capazes como seres capazes de razão. As mesmas relações de trabalho que produzem crescimento e riqueza. desconstruir. mulheres e idosos indefesos. por vezes. Trata-se de colocar a nu uma evidência. ligados ao comportamento humano em sociedade. pode despejar toneladas de bombas sobre culpados ou inocentes. sobre um projeto social que possui como substância de desenvolvimento o próprio comportamento humano (suas necessidades e patologias. por sermos seres que intentam. O mesmo gênio posto à disposição da melhoria da condição humana é capaz de servir às causas mais ignóbeis. sistematizar. as dificuldades. deformar. De fato. de realizações que rompem limites físicos e aumentam a flexibilidade da condição humana. dominar. grupos e sociedades. trata-se de evidenciar a raiz de onde tudo provém. formar. as angústias. agem e são capazes de criação? O que podemos fazer como seres criativos? Quando a pergunta é o que somos capazes de fazer como seres criativos. O mesmo Estado que é capaz de criar regras e mantê-las a serviço da comunidade é capaz de escravidão. consertar. orientações. vingar. de criativas soluções mecânicas. destituir. refletem. construir. Um discurso filosófico pode ser importante arma de luta pacífica contra a 54 . e. dimensionar. etc. inviabilizar. O mesmo sentimento que é capaz de unir duas pessoas pode ser transformado na causa de seu recíproco aniquilamento. E. que é aquela segundo a qual boa parte das práticas sociais (boas ou más.).. A mesma lógica teórica que justifica descobertas inteiras é capaz de pôr-se a serviço de tiranos e conquistas soberanas e arbitrárias. a sede das tormentas e das soluções sociais: o comportamento humano. e as práticas axiológico-comportamentais. Onde está a humanidade está a ambiguidade. progresso e inovação são manipuláveis para a exploração de uns pelos outros. num primeiro olhar. Isso significa que nesses verbos moram as grandes catástrofes que marcaram e marcam indivíduos. quando se trata de pensar a ética. O mesmo programador de software que traz soluções da informática ao estado da técnica é o portador de conhecimento suficiente para inviabilizar seu uso (hacker). projeções. lícitas ou ilícitas) se compõe de ações (individuais ou coletivas) capazes de traduzir os sentimentos. E. as sensações. instituir. No entanto. Isso significa que nesses verbos moram as grandes conquistas e realizações. também somos capazes de desfazer. portanto. seus desvios. fazer. de soluções práticas e técnicas que favorecem a melhoria de qualidade de vida. Somos capazes de agir. de deliberação e decisão? Do que é que somos capazes por pensarmos causas e fins. E esta parece ser uma força tão equivalente àquela criativa. mudar. É assim que fenômenos absolutamente assintônicos e diametralmente opostos convivem lado a lado. suas carências. o que somente torna ainda mais importante a reflexão conjunta acerca das práticas sócio-políticas. a reflexão ética se propõe exatamente a colocar-se atenta aos entrelaçamentos profundamente humanos das ações inter-subjetivas e das intenções intrassubjetivas. produzindo todas as contradições que marcam a vida social Se somos capazes daquelas coisas anteriormente citadas. não bastasse o termo éthos (do grego. estruturar. de imensas atitudes de solidariedade e afetividade. meios e métodos. A mesma máquina que transporta pessoas e pode distribuir alimentos. ÉTICA E CIDADANIA Delinear um entrelaçamento nas discussões entre ética e cidadania é mais que estreitar os relacionamentos entre o saber ético-filosófico e o saber político. etc. veste e produz é capaz de criar em série os meios de destruição da vida. revolucionar. alienação e desvio do poder. “hábito”) já revelar esse sentido. moldar. isso significa que somos capazes de imensas obras de engenharia. A mesma indústria que alimenta. As mesmas técnicas agrícolas que favorecem frutos tenros e que plantas medicinais possam vicejar dão suporte para o plantio de ervas das quais se extraem os alucinógenos que sustentam o tráfico e a exploração humana. O mesmo fervor popular que movimenta a luta por direitos e práticas sociais justas é capaz de exercer-se cegamente em busca de ideais políticos arbitrários. civilizações inteiras.TEXTO: ESTUDOS DE ÉTICA. de descobertas e revelações científicas. calcular. confabulam. É assim que a mesma ciência que produz cura de doenças para milhares também produz artefatos capazes de destruição em massa. As práticas políticas se constroem.. a resposta parece encaminhar-se com facilidade. entre outras coisas. poluir. civis ou militares. O mesmo exército que é capaz de se mobilizar para salvar vidas pode ser o agente que assassina crianças. é paradoxal que a capacidade de criar se encontra alinhada com a capacidade de destruir. de lideranças intelectuais e teóricas. grupos. produzir. que se tenta tornar maximamente previsível e calculadamente controlado dentro das necessidades sociais. etc. desestruturar. Ainda mais. úteis ou não. de formidáveis obras artísticas. inovar. desarticular. CIDADANIA E EXCLUSÃO SOCIAL 1. encetadas pela reflexão ética. encetadas pela revolução política.

da fé. Ética. por isso. ENADE 2004 – Formação Geral/questões 1. educação. é o que se pode chamar de experiência ética. a justiça social e o cultivo da verdadeira imagem do homem. que dão condições para a formação do agir ético. não visa ao homem. Barueri. porque a meta do desenvolvimento industrial está concentrada num objeto e não no ser humano. mas sim um exercício necessário. cidadania e direitos humanos. a ganância e o amor se impõem para uma convivência possível.opressão. Para o sentido mesmo da existência. Fonte: BITTAR. TEXTO II: Millôr e a ética do nosso tempo 55 . até mesmo porque num momento de ceticismo ético e de derrocada dos universais morais se depreende novos valores despontando a partir da própria cultura histórica desse tempo. ou. não tiveram respeito algum para o humanismo. 2 e 3 (múltipla escolha) TEXTO I “O homem se tornou lobo para o homem. a degeneração e a apatia mentais. e) o desenvolvimento tecnológico e científico não respeitou o humanismo. Principalmente num contexto pós-moderno. Rio de Janeiro: Avenir. Eduardo C. B. Esse exercício contínuo e reiterado de equilíbrio sobre um fio de prumo. As máquinas andaram por cima da plantinha sempre tenra da esperança. p.” (ARNS. Com base no texto. urge sejam pensadas as perspectivas éticas e os dilemas axiológicos. assim. pp. 1-4. se já suficientemente explorado. SP: Manole. b) a confiança. 2004.10. ainda inadequadamente explorado. bem como do entrelaçamento desta com as questões de cidadania. Na própria política. tendo em vista a importância de se falar de algo que se pode considerar ainda pouco explorado. muito pouco. s/d. pode-se afirmar que: a) a industrialização. EXERCÍCIOS: 1. esta sensação de que se vive ora pendendo para um lado. o que contou no pós-guerra foi o êxito econômico e. d) o sentido da existência encontra-se instalado no êxito econômico e no conforto. não é contrassenso. a inculcação de ideias. perdemos o sentido autêntico da confiança. do amor. Organize o seu material no portfolio e traga para uma discussão e debate em sala de aula. E foi o caos. E. c) a política do pós-guerra eliminou totalmente a esperança entre os homens. Por que o comportamento humano pode ser considerado contraditório? 3. Em favor do homem. ora pendendo para o outro. a fé. revistas ou pela Internet. mas pode ser também a chama para incendiar multidões em direção a práticas violentas e a derramamento inútil de sangue. portanto. embora respeite os valores éticos.Falar de ética. Para a convivência. Das cifras. Pesquise em jornais. estabeleça a relação entre ética e cidadania. 2. A tecnologia e a própria ciência não respeitaram os valores éticos e. Fomos vítimas da ganância e da máquina. É curioso pensar que o mesmo líquido pode ser veneno e antídoto! Atrás de todo esse dilema está o infindável rol de escolhas e decisões que marcam a capacidade humana de deliberar e.) Questão 1 De acordo com o texto. situações que demonstrem a falta de ética profissional do advogado e proponha como a ética pode estar presente na formação do profissional do Direito. Paulo Evaristo.

2. c) da ênfase no êxito econômico acima de qualquer coisa. Helena pensa: “Não sou médica – devo ou não devo medicar o doente? Caso não seja problema cardíaco – o que acho difícil –. se sente mal. e) Afirmativa 2 – porque a “consciência moral” indica um “juízo de valor” que define o que as coisas são e por que são. palavras e a modismos estrangeiros. a conduta e a ação de outras pessoas segundo ideias como as de justiça e injustiça. d) Afirmativa 2 – porque a “consciência moral” se manifesta na capacidade de deliberar diante de alternativas possíveis que são avaliadas segundo valores éticos. Questão 3 (ENADE 2004) A charge de Millôr e o texto de Dom Paulo Evaristo Arns tratam. b) da defesa das convicções morais diante da corrupção. certo e errado. um indivíduo atrás na fila. leia os quadros a seguir. b) a defesa das convicções políticas. nosso comportamento. Qual afirmativa e respectiva razão fazem uma associação mais adequada com a situação apresentada? a) Afirmativa 1 – porque o “senso moral” se manifesta como consequência da “consciência moral”.porque o “senso moral” revela a indignação diante de fatos que julgamos ter feito errado provocando sofrimento alheio. e) da perda da fé e da esperança num mundo globalizado. quando. a agir em conformidade com elas e a responder por elas perante os outros. d) o predomínio do econômico sobre o ético. Quadro I – Situação Helena está na fila de um banco. que é um ato normativo enunciador de normas segundo critérios de correto e incorreto. Dou ou não dou o remédio? O que fazer? Quadro II – Afirmativas 1. tem a impressão de que o homem está tendo um enfarto. c) a persuasão como estratégia de convencimento. de repente. Devido à experiência com seu marido cardíaco. 56 . ENADE 2006 – Formação Geral/questão 4 (múltipla escolha) A formação da consciência ética. “senso moral”. A esse respeito. em comum: a) do total desrespeito às tradições religiosas e éticas. Em sua bolsa há uma cartela com medicamento que poderia evitar o perigo de acontecer o pior. e) o desrespeito às relações profissionais. b) Afirmativa 1 – porque o “senso moral” pressupõe de fato. O “senso moral” relaciona-se à maneira como avaliamos nossa situação e a de nossos semelhantes. que revela sentimentos associados às situações da vida. alguém poderá dizer que foi por minha causa – uma curiosa que tem a pretensão de agir como médica. c) Afirmativa 1. “juízo de fato” e “juízo de valor”. ele poderia piorar? Piorando. d) da perda dos valores éticos nos tempos modernos. baseada na promoção dos valores éticos.Questão 2 (ENADE 2004) A charge de Millôr aponta para: a) a fragilidade dos princípios morais. envolve a identificação de alguns conceitos como: “consciência moral”. A “consciência moral” refere-se a avaliações de conduta que nos levam a tomar decisões por nós mesmos.

por exemplo. A pesquisa explicativa tem como base para suas explicações a pesquisa descritiva. Contornos da ética na advocacia.br/artigos/x/18/08/1808/ Acesso em: 10 set. Ética – ética profissional e outras reflexões. 2008. Disponível em: <http://www1. 5. possibilidades de analisar a questão da ética. isto porque a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e detalhado. Assim. Não têm compromisso de explicar os fenômenos que descreve. com a intenção de compreender o objeto da investigação.com/mcrost02/index. Explicativa: tem como principal objetivo apurar as causas dos fenômenos investigados. 12.geocities. procure identificar cenas em que por meio da ciência. Procura justificar os motivos ou os fatores que contribuem. pode ser a continuação de outra descritiva. Sendo assim. n. Exploratória: realizada em área na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. 337. p. 2002. a pesquisa pode ser classificada em três grandes grupos: exploratórias. Apresente os resultados do seu trabalho em sala de aula para ser discutido com seus colegas e professor.jus. segundo os autores Gil e Vergara. processos.direitonet. Disponível em: <http://www. 2008. para a ocorrência de determinado fenômeno. São Paulo: Ática. José César. Semana 11 A pesquisa científica. Marilena. procedência. 57 . o porquê das coisas. apresenta uma natureza de sondagem. procurando encontrar as respostas para as questões ou hipóteses formuladas no início da pesquisa. TEXTO 1: TIPOS DE PESQUISA As pesquisas podem ser classificadas segundo diferentes critérios. Apresentam planejamento flexível. Direção: Andrew Niccol. Ao assistir ao filme. Quanto ao objetivo a que se propõe. ed. porque explica a razão. Disponível em: http://br. out. para esclarecer dúvidas nos primeiros passos da pesquisa. Portanto. com a ajuda de bibliografia básica. você poderá encontrar. • GATTACA – Experiência genética. nível de escolaridade. sexo. Leia os textos que se seguem sobre tipos de pesquisa e leve suas reflexões para a discussão em sala de aula. Direção: Steven Spielberg. de alguma forma. escolha um filme para assistir e depois faça um resumo informativo que revele os pontos centrais sobre o mesmo. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade. Expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno. Dentre as pesquisas descritivas são comuns as que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade. Ao assistir ao filme.com. com o propósito de torná-lo mais explícito. estado de saúde física e mental. coisas. explicar as razões do sucesso de determinado empreendimento. 51. É o estudo preliminar. Proposta de atividade complementar: Além destes filmes. embora sirva de base para tal explicação.br/doutrina/texto. os interesses do grupo se sobrepõem aos do próprio indivíduo e se questione a necessidade da ética na prática científica. A seguir.com. leia o livro de CHAUÍ. Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. Em seguida. 2001. Consulte também o artigo de AQUINO. 2008 e o artigo de OLIVEIRA. Sugestão de alguns filmes que contribuem para a reflexão sobre ética: • MINORITY Report = A NOVA Lei. a. Desta forma. etc. Descritiva: descreve ideias. procure refletir sobre a discussão acerca das relações entre ética. selecione alguma(s) cena(s) que possibilita(m) realizar comentários sobre o tema da ética. Acesso em: 10 set. Carlos Pessoa de. em outros relacionados à área jurídica. Teresina. Convite à filosofia.SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre ética. moral e ciência e as limitações humanas. apresenta-se uma classificação simples (de acordo com os objetivos e os procedimentos utilizados). descritivas e explicativas.asp?id=2237> Acesso em: 12 set. de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. A pesquisa jurídica. Jus Navigandi.htm.

revistas. Pode incluir entrevistas. Fontes:GIL. Pesquisa de campo: é investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Participante: Dela tomam parte pessoas implicadas no problema sob investigação. Quanto aos procedimentos que utiliza.A classificação das pesquisas em exploratórias. torna-se necessário traçar um delineamento para a pesquisa. Comparada: procura estabelecer semelhanças e diferenças entre situações. São Paulo: Atlas. memorandos. É também conhecida como pesquisa retrospectiva. Uma modaa lidade desta pesquisa é a chamada pesquisa-ação. etc. sem se preocupar com as suas raízes explicativas. regras. Estudo de caso: é o estudo circunscrito a uma ou poucas unidades. microfilmes. por meio de relações entre os elementos que são comparados. de fontes. diários. Fornece instrumento analítico para qualquer outro tipo de pesquisa. fotografias. Documental: é a realizada em documentos: registros. aplicação de questionários. ofícios. desenvolvido com base em material publicado em livros. regulamentos. material acessível ao público em geral. considera o ambiente em que são coletados os dados e as formas de controle das variáveis envolvidas. vale ressaltar a necessidade de se abordar o fenômeno histórico além da forma linear tradicional e estudá-lo a partir de condições de possibilidade transdisciplinares. uma empresa. ao contrário do que ocorre na pesquisa tradicional. Entre outros aspectos. de causa e efeito e de sucessividade dos fatos. circulares. Pesquisa de laboratório: é experiência realizada em local circunscrito. uma pesquisa inicia-se. que pode estar relacionado a lacunas do conhecimento ou a dúvidas. de redes conceituais e sociais. um órgão público. Deve ser reconhecido a partir de uma multiplicidade de tempos. análise e interpretação de fatos ocorridos no passado. sempre. uma família. No entanto. testes e observações. As pesquisas jurídico-exploratórias representam a abordagem preliminar de um problema jurídico. balancetes. Tem caráter de profundidade e detalhamento. filmes. 2) jurídico-exploratórias. podendo ser ou não realizado no campo. entendidas essas como uma pessoa. teorias. redes eletrônicas. a previsão de análise e de interpretação de coleta de dados. envolvendo o procedimento que será utilizado. descritivas e explicativas é muito útil para o estabelecimento de seu marco teórico. fazendo com que a fronteira pesquisador/pesquisado. Como elaborar projetos de pesquisa. 4) jurídicodescritivas e 5) jurídico-projetivas. pois não há tempos lineares e sucessivos. o que já aconteceu. cartas pessoais e outros. para poder compreender o presente. fenômenos e coisas. seja tênue. quando um sujeito do conhecimento percebe algum problema no saber vigente em determinado campo. 2) desenvolvimento da ação (realização da pesquisa) e 3) divulgação e validação do estudo e das conclusões. sob a forma de investigação. As pesquisas histórico-jurídicas são aquelas que analisam a evolução de determinado instituto jurídico pela compatibilização de espaço/tempo. jornais. refere-se ao planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla. 3) jurídico-comparativas. informações em disquete. estas autoras destacam a classificação das pesquisas em: 1) histórico-jurídicas. 1998 e VERGARA Sylvia C. É comum neste tipo de investigação a preocupação com a origem dos fenômenos numa relação temporal de busca de origens. Este. pois as pesquisas podem apresentar diferentes procedimentos. já que no campo seria praticamente impossível realizá-la. São Paulo: Atlas. registro. videoteipe. isto é. para analisar os fatos do ponto de vista empírico. No entanto. Somente a partir desta situação problemática é que se pode propor o desenvolvimento de uma pesquisa científica. Histórica: descreve o que era. São conhecidas também como pesquisas diagnósticas e 58 . a pesquisa pode ser: Bibliográfica: é o estudo sistematizado. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. Quanto aos tipos genéricos de pesquisas no campo do Direito. um produto. para confrontar a visão teórica com os dados da realidade. Antônio Carlos. O material publicado pode ser fonte primária ou secundária. Este desenvolvimento consistirá em três momentos principais: 1) definição do marco teórico do planejamento da ação (elaboração do projeto). comunicações informais. Esta classificação não pode ser tomada como absolutamente rígida. uma comunidade ou mesmo um país. mas também pode esgotar-se em si mesmo. quanto à eficácia e validade de determinados princípios. 1998. anais. TEXTO 2: PESQUISA JURÍDICA E SUA CLASSIFICAÇÃO Para Gustin e Dias. que supõe intervenção participativa na realidade social.

revistas impressas ou on-line e procure identificar na realidade exemplos das pesquisas mencionadas. classificado pelas autoras. b) no que se refere aos tipos genéricos de pesquisas aplicadas ao campo do Direito. faça os exercícios solicitados e leve suas reflexões para discussão em sala de aula. Leia os dois textos apresentados a seguir. 2002. Pedro. p. Acesso em 13 set. alguns autores são importantes para o seu estudo. Semana 12 O método científico. 2. 59 . João Álvaro. você pode consultar o livro de MARCONI. DEMO. ed. 5. ed. Em relação ao segundo texto: a) explique como se pode propor o desenvolvimento de uma pesquisa científica. 6). organize-as em um quadro-síntese. Anote suas observações e leve-as para a sala de aula. A respeito de pesquisa jurídica. Traga este exemplo para a sala de aula e não deixe de registrá-lo também em seu portfolio. Metodologia da pesquisa jurídica: teoria e prática da monografia para os cursos de Direito. Por exemplo. descubra outros filmes semelhantes que procurem mostrar a importância da pesquisa para a ciência. Assista ao filme O COLECIONADOR de ossos (Direção: Phillip Noyce) e procure identificar cenas em que a capacidade de observação. pp. c) escolha um tipo de pesquisa jurídica. Marina de Andrade. (Re)pensando a pesquisa jurídica. DIAS. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire. O método e o objeto do conhecimento. disponível em: http://www. quanto servir como fase metodológica de determinada investigação. As pesquisas jurídico-comparativas têm por objetivo identificar semelhanças e diferenças de normas e instituições em dois ou mais sistemas jurídicos ou ainda realizar investigações comparativas dentro de um mesmo sistema jurídico. 2008. quanto o meio para se verificar e validar novos conhecimentos.asp. consultando revistas jurídicas impressas ou on-line (na semana 14 há exemplos de sites jurídicos). FONTE: GUSTIN. e identifique-o. tanto é o ponto de partida de um estudo científico. 2005. Maria Tereza Fonseca. 2. leia RUIZ.46. analise-os. porém exige grande rigor metodológico e habilidade para a organização de “cenários” atuais e futuros. Metodologia científica para o curso de Direito. A partir daí. ed. 2002. Com base no primeiro texto lido. É de grande importância para a análise de tendências.podem tanto representar uma investigação autônoma. 2001 e o de BITTAR. relações e níveis. pp. 2000. Belo Horizonte: Del Rey. EXERCÍCIOS: 1. servindo como banco de dados. (Guia da Escola Cidadã. Eduardo. Leia também o artigo de Luis Gustavo Grandinetti Castanho de Carvalho intitulado Pesquisa científica em Direito.br/graduacao/direito/publicacoes/dir_artpes. Saber pensar. SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre pesquisa. 48-61. São Paulo: Saraiva. v. As pesquisas jurídico-descritivas ou interpretativas utilizam-se do procedimento analítico de decomposição de um problema jurídico em seus diversos aspectos. 93-94. As pesquisas jurídico-projetivas ou prospectivas partem de premissas e condições vigentes para detectar tendências futuras de determinado instituto jurídico ou de determinado campo normativo específico. consulte jornais. Traga o seu material para a sala de aula para discutir e organize-o no seu portfolio. São Paulo: Atlas. Miracy Barbosa de Souza. 4. Ou então. movida pela curiosidade.estacio. Metodologia científica: guia para a eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas.

que representam. de antemão. partiria de uma posição dogmática. Método dedutivo Também conhecido como racional. Assim. o método dedutivo corresponde ao silogismo. que é o tipo de raciocínio em que. generalizador. mas apenas uma probabilidade. Sócrates é mortal. permite concluir. No método indutivo as generalizações não devem ser previamente aceitas. deve o pesquisador promover uma investigação que obedeça a determinados passos definidos de modo criterioso. Assim. essencialmente lógico. o método indutivo apresenta caráter mais concreto: a observação de fatos particulares e a depreensão de semelhanças entre eles permitem chegar a uma conclusão geral. Veja-se o exemplo: Premissa maior: Todos os homens são mortais. 28). mas constatadas a partir da observação da realidade. Em sua forma mais básica. Considerando-se que os três indivíduos observados são homens. mas não necessariamente verdadeiras.TEXTO 1: Métodos Científicos (texto elaborado pelo Professor Sérgio Vasco. Uma diz respeito à própria limitação de seu alcance. Conclusão: Logo. O método dedutivo.” Método dialético Outro tipo de raciocínio é o dialético que tem sido abordado de formas diversas. Paulo é mortal. indutivo e dialético. apenas pela indução. portanto. 26). Diferentemente do dedutivo. no indutivo o raciocínio é construído do particular para o geral. p. ser aceitas como verdadeiras. Nesse tipo de raciocínio. o método indutivo é alvo de críticas. a essa classificação pertencem os métodos que serão aqui abordados: dedutivo. sendo difíceis as universalizações dos conhecimentos obtidos. p. Assim. origina-se no raciocínio que parte de enunciados gerais para chegar a conclusões particulares. trabalha sempre com o objetivo de conhecer (ou aprofundar um conhecimento). a Ciência não permitiria atingir uma verdade plena. (todos) os homens são mortais. a mesma coisa” (GIL. Algumas críticas têm sido feitas a esse método. apresentando à humanidade uma descrição objetiva e verificável sobre a realidade. entre os gregos. equivalia a diálogo. já que não comporta dúvidas acerca das leis segundo as quais um determinado objeto é analisado. A aceitação indubitável de uma afirmação como a apresentada no exemplo exigiria a observação de diversos casos semelhantes. Para atingir esse objetivo. é. esse raciocínio seria “essencialmente tautológico. Método indutivo Este método compreende um percurso de raciocínio oposto ao que se configura no método dedutivo: enquanto no primeiro. “o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento”. se analisa uma premissa menor para chegar a uma conclusão. o pensamento se organiza do geral para o particular. De acordo com Gustin e Dias (2006). de forma diferente. Exemplo: Pedro é mortal. a crítica que pode ser feita ao uso deste raciocínio nas ciências sociais aplicadas é que “as pesquisas nesse campo não permitem generalizações completas por restringirem-se a campos sociais específicos. o que desviaria a investigação para o método indutivo. O dedutivo é o método utilizado para quem a razão seria a fonte do verdadeiro conhecimento. Para que a conclusão seja aceita como válida e verdadeira. José é mortal. a conclusão resulta da relação lógica entre as proposições apresentadas. o raciocínio indutivo. que se produz a partir de princípios preestabelecidos. Premissa menor: Sócrates é um homem. segundo Gil (1999. portanto. 1999. o raciocínio conduz a conclusões mais amplas do que o conteúdo estabelecido pelas premissas nas quais está fundamentado. Em suas origens. Considera-se que as conclusões sejam plausíveis. já que a conclusão é parte das premissas anteriormente enunciadas. Ao classificar os métodos segundo a definição das bases lógicas da investigação. Outra crítica diz respeito ao estabelecimento prévio de uma suposta verdade que não pode ser discutida. Os passos que norteiam os caminhos da investigação compõem aquilo a que chamamos métodos científicos. a partir de uma premissa maior. Exatamente pela característica acima descrita. no sentido da argumentação que distingue conceitos em determinada discus- 60 . as premissas devem. tem-se a conclusão: Logo. com adaptações) A ciência é forma de conhecimento usualmente definida como racional e sistemática. ou seja.

Referências no texto: GIL. Como é possível recortar a realidade? Nas universidades norte-americanas. então. e dar o maior número de respostas possíveis e definitivas sobre ela (é claro que isto é apenas uma pretensão. em que Getúlio Vargas criou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). pois a partir do conflito tudo se transforma. 2. imagine-se que um graduando se interesse por Direito do Trabalho. que são abstrações ou momentos de um processo de racionalidade que é absorvido na e pela síntese. Consulte em revistas jurídicas. Tudo é transitório. Texto de aula da disciplina Metodologia de Estudos Universitários. ele terá que delimitar sua extensão. 1999 e GUSTIN. de forma bastante exaustiva. chegar-se a um terceiro: a ameaça comunista (notadamente. Métodos e técnicas de pesquisa social. portanto. Métodos científicos.. tem-se o período do Estado Novo. Antonio Carlos. Identifique o método que foi utilizado nelas e traga como exemplo para a sala de aula.. Sérgio. o terceiro elemento da comparação. Pensa-se o fenômeno contendo a contradição que lhe é inerente e que determina a mudança. 61 . o olhar do pesquisador deve ser direcionado para uma questão específica. Se ele. e à direta. A figura a seguir poderá ajudar a visualizar a triangulação estabelecida: Legislação trabalhista brasileira Na base do triângulo. refletir sobre uma dada realidade ou fenômeno. de modo criterioso e consistente. já nos primeiros semestres de graduação. para que ele possa investigá-la. Do contrário. Organize depois o seu material no portfolio. Miracy Barbosa de Souza. DIAS. EXERCÍCIOS: 1. o primeiro fator a ser considerado no processo de construção de um objeto de estudo. por sua vez. sujeito do conhecimento.ed. está o tema a ser delimitado pelo aluno. Fonte: VASCO. não terá condições de falar sobre essa questão de maneira objetiva. estabelecer uma inter-relação entre a legislação trabalhista brasileira e o período do Estado Novo. artigos que apresentem pesquisas realizadas. Belo Horizonte: Del Rey. e queira fazer uma pesquisa sobre a legislação trabalhista brasileira. Maria Tereza Fonseca. pode-se. 5. Por exemplo. 2. E o que é o objeto? Para o ser humano. Este será. basicamente. em se comparar dois elementos com vistas à criação de um terceiro. TEXTO 2: Método e objeto do conhecimento (Texto elaborado pelo Professor Saulo Cruz Gomes) O método e o objeto do conhecimento são dois elementos imprescindíveis para a produção científica. rev. (Re)pensando a pesquisa jurídica. o tertium comparationis. razão pela qual Vargas deu início a essa conhecida fase ditatorial da história do Brasil). Assim. De modo geral. é utilizada uma técnica para delimitar o objeto de estudo: o tertium comparationis (que pode ser traduzido como o “terceiro elemento da comparação”).ed. o objeto pode ser entendido como “recorte da realidade pelo sujeito cognoscente” ou aquele que conhece. ampl.são. À esquerda. 2006. A este conceito foi incorporado o sentido de mudança. já que a concepção a respeito de um assunto muda com o amadurecimento de sua análise por outros cientistas). Destaque as principais características de cada método e compare-os. formulando o seu pensamento por meio da lógica do conflito”. São Paulo: Atlas. método pode ser compreendido como o “raciocínio seguido pelo pesquisador para conhecer melhor seu objeto de estudo”. em um segundo momento. a partir do confronto entre ambos os elementos. a ameaça comunista. “O raciocínio dialético fundamenta-se a partir do pressuposto de que a contradição está na realidade.2007. pois caso ele não delimite sua abordagem. [. não poderá observá-los nem descrevê-los satisfatoriamente. Trabalha com a noção de “tese” e “antítese”.] Hoje. Ela consiste.

fora! b) Mais respeito às comunidades indígenas! c) Pagamento de royalties é suficiente! d) Diga não à biopirataria. já! e) Biodiversidade. Escolha outros temas e problemas. há também o de RUIZ. Ausência de patente sobre esses recursos. Como funciona o princípio do tertium comparationis? 4. animais silvestres. Rio de Janeiro: Agir. um mau negócio? SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais sobre método científico. Temas de Filosofia. 62 .Período do Estado Novo Legislação trabalhista brasileira Ameaça Comunista Agora que há um objeto constituído.177 e de HÜHNE. de forma que seu procedimento possa ser acompanhado por outro pesquisador. sistematicamente. O que é o objeto do conhecimento? 2. consulte os livros de ARANHA. 2007. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. ed. constitua um objeto de estudo jurídico.). rev. Com base no princípio do tertium comparationis. Selecione um tema e o problema decorrente. 4. 5. Fonte: GOMES. Saída da mercadoria do país. é possível problematizar. 1992. 5. 3. EXERCÍCIOS: 1. uma campanha publicitária contra a prática do conjunto de ações apresentadas no esquema poderia utilizar a seguinte chamada: a) Indústria farmacêutica internacional. p. Maria Helena Pires. microrganismos e fungos da floresta amazônica. por portos e aeroportos. o que deixa as comunidades indígenas e as populações tradicionais sem os benefícios dos royalties. Venda dos produtos para laboratórios ou colecionadores que patenteiam as substâncias provenientes das plantas e dos animais. Além deste. 2002. seu objeto de estudo. 2005. Leda Miranda (org. João Álvaro. você será capaz de construir. 5. São Paulo: Moderna. Texto de aula da disciplina Metodologia de Estudos Universitários. Coleta de plantas nativas. MARTINS. 2. Saulo Cruz. p. pesquisadores ou religiosos. 3. Por exemplo. Do tema legislação trabalhista brasileira chegou-se ao problema. Com essa técnica. São Paulo: Atlas. que pode muito bem ser enunciado sob a forma do título: O papel da ameaça comunista na criação da legislação trabalhista brasileira no período do Estado Novo. Qual seria o objeto de estudo? Como problematizar? ENADE 2007 – Formação Geral/ questão 5 (múltipla escolha) Leia o esquema abaixo: 1. Prejuízo para o Brasil! Com base na análise das informações acima. Metodologia científica. camuflada na bagagem de pessoas que se disfarçam de turistas. Como o sujeito cognoscente pode delimitar seu objeto de estudo? 3. Maria Lúcia de Arruda. 137-139. Método e objeto do conhecimento. poder-se-ia verificar a possibilidade de realização de uma pesquisa com o objetivo de demonstrar a violência na cidade onde você mora. ed. p.151-157.

urge uma nova síntese jurídico-cultural. e procure identificar cenas que mostrem a importância do método.. que não podem ser compreendidas em sua plenitude a partir do aumento da eficiência dos procedimentos. da reflexão e da experimentação na pesquisa científica. O modelo analítico foi sempre apresentado como sendo de caráter formalista e que se dedicava à sistematização de regras e de normas. porém.] Para Boaventura de Sousa SANTOS (2002b). no interior ou no exterior do ordenamento jurídico. O modelo da teoria da argumentação jurídica é aquele que sustenta a necessidade de convencimento. preocupando-se com as noções de vigência e de eficiência procedimental.] constitui-se como teoria da decisão jurídica no sentido de investigar normas de convivência. por isso.. O interesse restringia-se às questões voltadas ao ordenamento jurídico e às suas relações internas. Somente o “des-pensamento” dessas dicotomias pode revelar dissimulações tradicionais que ocultavam o 63 . ou outro semelhante. obrigações e instituições. por meio da atribuição de validade aos argumentos utilizados e de legitimidade dos procedimentos decisórios e dos próprios argumentos.Assista ao filme O enigma de Andrômeda (Direção: Robert Wise).. O modelo empírico [.. Só podem ser considerados emancipados aqueles grupamentos que. convencem-se da validade dos argumentos e do saber produzido e. afirmava-se que a Ciência do Direito limitava-se a um conjunto de teorias sobre as normas vigentes e suas exigências práticas.] Nessa análise dos modelos mais correntes é necessário entender que há uma interação entre esses modelos que não se constitui. tinha natureza dogmático-tecnológica. Utopia Jurídica x Pragmatismo Jurídico. como paradigma. O modelo hermenêutico. Alguns modelos teóricos têm sido atribuídos à produção do saber jurídico o analítico. Entendia-se o Direito somente como um elenco de normas. Direito Público x Direito Privado. o Direito como campo autônomo em relação à sociedade. a maioria dos teóricos do Direito afirma que o saber jurídico não se restringe a um saber dogmático. o hermenêutico. O saber jurídico. o empírico e o argumentativo..[. proibições. ou a teoria da interpretação – tradicionalmente assim concebido – constrói-se como sistema jurídico aplicado e compreensivo das condutas humanas por meio da atividade discursiva-interpretativa. Registre suas observações e leve-as para a sala de aula. dando assim um maior realce ao aspecto regulador do Direito. a produção do conhecimento da Ciência do Direito tinha como elemento primordial a norma e. como uma unidade sistemática (forma tradicionalmente utilizada). nessa concepção. adquirem a capacidade de julgá-los e justificá-los perante si mesmos e os demais grupos sociais e indivíduos.. e a Ciência do Direito dedicava-se à sistematização e interpretação unidisciplinar desse elenco. por essa razão. Leia o texto sobre ciência jurídica das autoras Miracy Barbosa de Souza Gustin e Maria Tereza Fonseca Dias apresentado a seguir para estudo e discussão em sala de aula. para facilitar os procedimentos decisórios formais e não formalizados. [. Suas formas de produção do conhecimento são discursivas e seu conjunto de complexos argumentativos trabalha com a validade dos argumentos por sua relevância prática e sua capacidade de emancipação dos grupos sociais e dos indivíduos. TEXTO: A CIÊNCIA JURÍDICA E SEU OBJETO DE INVESTIGAÇÃO Na atualidade. um “des-pensar” o Direito fundado em tradicionais dicotomias: Estado Nacional x Sistema Mundializado. Logo. ao conhecimento crítico e à reconceituação do ato justo. A interação entre esses modelos dá-se por meio de um processo dialético de inclusão/complementação/distinção. priorizava-se a criação de condições para a ação e para o aumento da possibilidade de decisão dos conflitos sociais. Até meados do século XX. A Ciência Jurídica contemporânea apela à razoabilidade. Sociedade Civil x Sociedade Política. sem se preocupar com a problematização dos fenômenos sócio-jurídicos e das formas de atuação e de regulação desses mesmos fenômenos. Novo paradigma científico. Novas condições de concepção da Ciência do Direito e das demais Ciências Sociais Aplicadas foram constituídas a partir da noção da complexidade das relações sociais. Semana 13 O Direito como ciência social aplicada – a ciência jurídica e seu objeto de investigação. a partir dos conhecimentos científicos.

são assumidos por grupos sociais concretos com projetos locais de vida. Esse processo pode culminar na eliminação da dicotomia fundamental: regulação – emancipação.]. segundo princípios próprios e regras peculiares. A atividade científica ordenada. no ponto de partida de uma nova racionalidade que não mais identifica ciência e certeza [. ele só se realiza quando se transforma em senso comum. Esse é o objetivo primordial das ciências. no entanto. [. rev. percebe-se que a emergência de um novo paradigma das ciências finaliza com a noção anterior de que as investigações científicas deveriam se estruturar sobre o fundamento da neutralidade e da teoria da causalidade. caos e as leis da natureza. Ilya Prigogine – prêmio Nobel de Química – assevera em seu livro O fim das certezas: tempo. 2002a). 64 . 1996. A segunda tese refere-se ao conhecimento como local e total. O conhecimento científico. pois. Apesar do conhecimento científico originar-se de regras metodológicas próprias. O ato criativo da produção científica deve conhecer-se intimamente antes de conhecer aquilo que cria ou compreende. DIAS. ser formulado e justificado a partir de um conjunto de quatro teses que se inter-relacionam e se complen s mentam. A ciência. pois estimula os conceitos e teorias desenvolvidas localmente a tornarem-se universais. que nos relaciona ao que estudamos. no paradigma emergente fenômenos naturais também são explicados a partir de conceitos originários das Ciências Sociais. todas as concepções anteriores de um conhecimento absoluto ou de verdades absolutas.. ao passo que em todos os níveis de observação reconhecemos agora o papel primordial das flutuações e da instabilidade [. A terceira tese afirma que todo conhecimento é autoconhecimento. por supor constantes situações comunicativas. ampl. 2. na atualidade. A produção do saber está sempre condicionada por um sistema de referências do sujeito de conhecimento que se insere em um patrimônio cultural comum a determinados grupos sociais ou sociedades mais abrangentes e a determinados tempos. torna o objeto uma continuação do sujeito. racional. que: A ciência clássica privilegiava a ordem. como um conjunto de constatações. Deixam-se de lado. não mais permite campos de conhecimento unidisciplinares e fragmentados. teorias físico-naturais são aplicadas ao domínio social.fato de que o Direito. em si mesma. s A última tese culmina com a postulação de que todo conhecimento científico visa constituir-se em senso comum. Maria Tereza Fonseca. metodicamente fundado... (Re)pensando a pesquisa jurídica. A pessoa surge como autor e sujeito do mundo e este. Não mais existe a distinção dicotômica entre sujeito do conhecimento e objeto: um conhecimento compreensivo e íntimo.. Ao mesmo tempo. pois é formado por temas que. Não sem razão. visa construir um paradigma em que a ciência. porém inter ou transdisciplinares. O conhecimento total é aquele que tem como horizonte uma globalidade universal e indivisa. é concebida como um conhecimento prudente para a constituição de uma vida humana decente e o desenvolvimento tecnológico deve traduzir-se em sabedoria de vida (SANTOS. demonstrado e sistematizado. necessita-se dialogar com outras formas de conhecimento que se interpenetram e se completam. 2002a). o conceito de ciência requer. em momentos determinados.. Fonte: GUSTIN. Ele é também local. deverá ser sempre passível de verificação por ser um saber coerente. assim pensado. nenhuma forma de conhecimento é. Essa ciência pode ser dita como uma ciência tradutora.. pode “regular” tanto o progresso ou o desenvolvimento quanto a estagnação ou a decadência. 2006. possibilita fundamentar a relativa certeza do saber científico e de sua validade para o ser humano e a sustentação de seu bem-estar e de sua dignidade. A primeira tese afirma que todo conhecimento científico-natural é científico-socíal. só assim se constituindo como ciência clara e transparente.] (PRIGOGINE. segundo o qual tudo estaria previsto e os achados das pesquisas seriam imutáveis e absolutos. Belo Horizonte: Del Rey. Miracy Barbosa de Souza. mas essa história levaria a uma contradição se as ciências fizessem triunfar uma concepção determinista da natureza. Enquanto na ciência dos tempos modernos havia uma nítida separação entre Ciências Naturais e Ciências Sociais. ed. por ser social. Para o mesmo autor. em obra anterior (SANTOS. a partir dessas teses. Sendo assim. A democracia e as ciências modernas são ambas as herdeiras da mesma história. a estabilidade. pp. ao passo que a democracia encarna o ideal de uma sociedade livre.] Pensamos situar-nos hoje num ponto crucial dessa aventura. 12-14) Por tudo que se afirmou até aqui.

relacionando-as com o saber jurídico dogmático. 2002a. mais cedo ou mais tarde. THOMAS. a que conclusões pode-se chegar sobre atividade científica ordenada? 6. o efeito de toda essa mesmice humana? Afinal.) Para fazer tudo bem direitinho. A individualidade é um fato essencial da vida. a mesmice. 4. 7. o afastamento provável do eu real. São Paulo: Cortez. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2002b. ao permanente estímulo da singularidade. ao ensino da linguagem.. ao estabelecimento da disciplina e das maneiras. 59. é aterrorizante quando a gente se põe a pensar no assunto. Como se sentiria você caso se tornasse. É preciso clonar o mundo inteiro. nada menos. Em no máximo dez linhas. É difícil imaginar algo parecido à afeição ou ao respeito filial por um único e solteiro núcleo. no decorrer de milênios. Ciência com consciência. 7. p. sobre os não reproduzidos clonalmente. A reprodução clonal é a mais espantosa das perspectivas. Para um novo senso comum: a ciência. 13. 4. cada um de nós é totalmente diverso. Gustin e Dias citam Boaventura Santos para dar suporte teórico à exposição do tema. ed. E isso para não mencionar o complexo relacionamento interpessoal inerente à autoeducação desde a infância. (. ed. etc. então idoso. EXERCÍCIOS: 1. Porto: Afrontamento. tais como uma reprodução clonal autodeterminada pelos ricos e poderosos. ou a reprodução feita pelo Governo de massas dóceis e idiotas para realizarem o trabalho do mundo? Qual será. Explique essas características da ciência do direito. principalmente quando essa vida incluirá. a ciência jurídica contemporânea preocupa-se com o conhecimento crítico. o transplante de cabeças. A medusa e a lesma. até meados do século XX essa ciência não se preocupava com a problematização dos fenômenos sócio-jurídicos e com as formas de atuação e regulação desses fenômenos. Explique a posição de Prigogine. 2003 65 . Explique essas características da ciência do direito tradicional. Explique os modelos teóricos da produção do saber jurídico apresentados pelas autoras. ao estudarem a ciência jurídica e seu objeto de investigação. Saber pensar. apresente seu comentário em relação a uma – e somente uma – das questões propostas no terceiro parágrafo do texto. São Paulo: UNESP.. citado pelas autoras. trazendo como compensação a eliminação metafórica da morte. de todos os bilhões. em sentido fundamental. por procuração. pois acarreta a eliminação do sexo. A crítica da razão indolente: contra e desperdício da experiência. a engenharia genética. 2. com esperanças de terminar com genuína duplicata de uma só pessoa. leia o livro de DEMO. não há outra escolha. 3. a poesia de computador e o crescimento irrestrito das flores plásticas. Segundo as autoras. Lewis. mais difícil ainda é considerar o nosso novo eu autogerado como algo que não seja senão um total e desolado órfão. São Paulo: Cortez. 3. ______ . ed. Ilya. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.Referências no texto: PRIGOGINE. A ideia da ausência de um eu humano. SANTOS. Qual o posicionamento deste autor sobre conceito de ciência? Que teses apresenta? 5. Tradução Roberto Leal Ferreira. mas socialmente indesejáveis. idêntica a nós. nós nos habituamos. Quase não é consolo saber que a nossa reprodução clonal. (adaptação) SUGESTÃO PARA ESTUDO: Para saber mais. O fim das certezas: tempo. ed. com as formas de produção discursivas e com a validade dos argumentos. caos e as leis da natureza. Boaventura de Sousa. continua a viver. A partir dessas teses. De acordo com Gustin e Dias. um incorrigível delinquente juvenil na idade de 55 anos? As questões públicas são óbvias. 2002 e o de MORIN. Pedro. A que conclusão chegam as autoras a respeito da “emergência de um novo paradigma das ciências”? ENADE 2004 – Formação Geral/ questão discursiva 2 A Reprodução Clonal do Ser Humano A reprodução clonal do ser humano acha-se no rol das coisas preocupantes da ciência juntamente com o controle do comportamento. Edgar. Um discurso sobre as ciências. 1996. Quem será selecionado e de acordo com que qualificações? Como enfrentar os riscos da tecnologia erroneamente usada. 1980. relacionando-as com a atualidade. o direito e a política na transição paradigmática.

br. Semana 14 Ciência jurídica: construção do objeto de estudo e da problematização.org.cjf.com.factum.com.br/links. Rafhael. apresentamos o exercício a seguir.com.br Editora Revista dos Tribunais: http://www.ipbeja. a partir daí.br/links. elabore os objetivos que poderão ser propostos para iniciar uma pesquisa. 66 . Breves considerações sobre projetos de pesquisa em direito: afinal. Insegurança pública. indicar as referências utilizadas para a composição do trabalho.br.br/acervo/cat. EXERCÍCIO 1: Selecione em jornais.terra. Violência urbana.ihj.cjf. após consulta às normas da ABNT.htm. Acesso em: 13 set.com.gov.trf1. ao final.com.com. além de.net.senado.uol.com/juridica Tribunal Regional Federal: http://www.htm Série Monografias do CEJ: http://daleth.escritorioonline.http://www. não deixe de cumprir as normas para apresentação de trabalhos acadêmicos da ABNT que orienta a organização em introdução.br E outros: http://www.br JusNavigandi: http://jus. Mais adiante.pt/~ac_direito/revgeraisbrasil.cjf.htm. http://www.estig.gov.digesto. Em seguida. Apresente o seu trabalho em sala de aula com o propósito de possibilitar uma discussão sobre o assunto. Clonagem humana e ética.adv. Ao fazê-lo. Para orientá-lo na atividade de iniciação científica.anpr.htm Revista TravelNet: http://tvtem.adv.br Escritório on line: http://www.br/revista/revista. http://www.htm Revista CEJ: http://daleth. Favelização. revistas.br Boletim dos procuradores da República: http://www. Levante o problema e.http://www.Leia também o artigo de FRATTARI.gov. o quê é marco teórico? Disponível em: http://www. Observação: Apresentamos diversos sites de revistas jurídicas que poderão facilitar seu trabalho de investigação.ebookcult. Crimes na internet. Aborto. 2008.gov. Exemplos de temas (ou outros a indicar): A idade e as razões: imputabilidade penal.cadireito.gov.htm E-Book: http://www.com.direito.br/revista/cadernos. no exercício 2.htm. textos on-line e outros.direitonet.br/boletim/index.globo.htm Série Cadernos do CEJ: http://daleth.br/freebook/freebook_codigos_leis1.br/artigos/art70. redija uma justificativa para o assunto escolhido e levante uma bibliografia inicial sobre o assunto.rt.br/revista/monografias. Desarmamento: a única arma / legítima defesa. você terá oportunidade de aplicar a norma sobre referências utilizadas em trabalhos científicos. Cotas raciais.php?cat=LAW Virtual books: http://virtualbooks. temas que se prestam à investigação. Lentidão da justiça. População de rua: urgência / questão nacional.org. Geral: http://www.html Instituto de Hermenêutica Jurídica: http://www. desenvolvimento e conclusão.

leis. Teoria do conhecimento. decretos e demais fontes que serviram ao pesquisador para elaborar seu estudo. ed. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 67 . Tradução de Carlos Felipe Moisés.pdf. artigos. São Paulo: Martins Fontes. 1999.n.: Deve-se indicar sempre o nome do tradutor. A inserção dessas fontes impõe alguns cuidados metodológicos. como no exemplo seguinte. usa-se a abreviatura s. Obs. A indicação da edição é obrigatória após o título da obra. (Studium) Obs.: Quando houver mais de três autores. indicar somente o primeiro. São Paulo: Saraiva. Disponível em: http://conpedi. Nesta parte deverão entrar todos os livros e demais fontes que compõem o fichário bibliográfico [. sugerimos a leitura do artigo de FRAGALLE FILHO.l.2: Quando não houver indicação da cidade em que a obra foi editada. Dificuldades de aprendizagem: o que são. Coimbra: Arménio Amado. 1974.]. 1979.org/manaus/arquivos/anais/campos/felipe_dutra_asensi. seguido da expressão et al. Johannes. Como tratá-las. a seguir. 2000. Roberto. Obs. Rio de Janeiro. b) Livro com três autores BOCK. [sem local]. Odair. Silvia Primila Garcia.. Tradução de Antônio Correia. deve-se colocar a abreviatura S. quando se tratar de uma obra estrangeira.: Usa-se o ponto-e-vírgula para separar nomes de autores ou de editoras. RASCOVISCH. Obs. páginas da Rede Mundial. Duílio Colombini e Elenir de Barros. ed. J. 2002) 1. d) Livro com mais de uma cidade Deve-se usar o ponto-e-vírgula para separar o nome de duas cidades. ASENSI. c) Livro com quatro autores ou mais DUBOIS. 7. NORMAS PARA REFERÊNCIAS E CITAÇÕES Com o objetivo de servir de instrumento de consulta para os alunos que se preparam para elaborar trabalhos acadêmicos no curso de Direito. TEIXEIRA. Claire Neib Ferrari Guimarães. que são definidos pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Felipe Dutra. Ana Mercês Bahia.Procure acessar também o endereço do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá que orienta para vários sites interessantes de pesquisa.. O subtítulo da obra deve ser escrito sem qualquer tipo de grifo. FURTADO. 2008. “A pesquisa científica: projeto e monografia jurídica”. Referência de obra inteira: a) Livro com um autor BOSSA. Serão vistos. Nadia A. Izabel Leventoglu e Marcus Tadeu Daniel Ribeiro (2006). documentos. Eliete F. [sine nomine]. HESSEN. (ABNT/NBR6023: informação e documentação: referências – elaboração. Atenção: Para você conhecer os resultados de uma pesquisa realizada na área jurídica. seja ele um projeto de pesquisa. seja a própria pesquisa. sob a responsabilidade da professora Izabel Leventoglu e com a colaboração da professora Vera Pataco (2005). Carlos Cordeiro de Mello e Magda Anachoreta. REFERÊNCIAS As referências são o que antigamente chamava-se Bibliografia. elaborado pela equipe de professores Ari Francisco Barbosa Filho. Porto Alegre: Artmed. alguns dos exemplos mais comuns que ocorrem em referências e que obedecem à norma técnica. Obs. 13. Retórica geral. et al.1: Só o título do livro deve ser grifado (itálico). São Paulo: Cultrix. este documento representa uma adaptação de parte de dois textos referentes às orientações para elaboração de referências e citações: “Projeto de Pesquisa e Monografia em Direito– normas de formatação e padronização”. Pensando o ensino do direito através de uma pesquisa: contribuições sob a perspectiva da sociologia jurídica. quando não houver a indicação da editora. Acesso em: 13 set. Batista. Maria de Lourdes Trassi. salvo no caso da primeira edição. A palavra Studium dentro do parêntese indica o nome de uma série temática que tem sido publicada pela editora. É o conjunto de livros. elaborado pela equipe de professores Ari Francisco Barbosa Filho.

no caso de leis e publicações oficiais (ex. 34. BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO).terra. título e subtítulo (da parte ou da obra como um todo). UFMG. Ciência hoje das crianças: Revista de Divulgação Científica para crianças (Revista da SBPC). Rio de Janeiro.htm>. p. 1990. 1998. 7. 2002.: Reparar que o destaque conhecido como VERSAL (todas as letras do sobrenome em maiúsculas) é usado também para mencionar o nome de publicações (ex. _____ . Disponível em: <http://www. b) Parte de autoria diferente Deve-se referenciar o nome do autor do capítulo.8 milhões para divulgar o Brasil. Ives Gandra da. Artigos de publicações periódicas: a) Publicações especializadas MORHY. jun. Uma pequena história do livro. Disponível em: <http://www. História de Portugal. Microsoft Windows 95. ano 13. 1998. A ciência no Brasil. Belo Horizonte: Ed.providafamilia. Lisboa: Instituto Camões. Tradução de Cleonice Paes Barreto Mourão. UnB Revista (Revista da Universidade de Brasília). 19 set. Lauro. 2000.htm>.). edição especial. Penhora e avaliação. (Org. INSTRUPEDIA: Your interactive encyclopedia of instrumentation. Títulos de obras sem autoria conhecida: Deve-se iniciar a referência apresentando a primeira palavra do título do artigo em letras maiúsculas. BRASIL. Dataveni@. Campina Grande. separados por ponto para substituí-los.br/virtualbooks/freebook/port/Lport2/navionegreiro. Portugal e a Europa na época moderna. Castro.html>. 105-126. 3. 139-164.e) Livro com mais de uma editora Deve-se separar o nome de duas editoras (localizadas na mesma cidade) com dois-pontos. seguido da expressão latina In: e continuada pelo nome do autor principal da obra e de seu título. O demônio da teoria: leitura de senso comum. São Paulo. São Paulo: Martins Fontes. 33. Ministério da Cultura) ou para nome de instituições (ex. Pena de morte para o nascituro. cap. 2 jul. Obs: Quando um autor vier citado mais de uma vez. CHARTIER. jul. n. para substituir o nome do autor e registram-se. Obs. 2000. Referência de parte de livro/monografia: a) Capítulo de livro de um mesmo autor COMPAGNON. O Estado de S.org/pena_morte_nascituro. Navio negreiro. José. 2000. 1 CD-ROM. 2000. data e informações relativas à descrição física do meio ou suporte. [S.br/frame-artig. Brasília. p. nome do país. Livro. O leitor. 1998. REVISTA BRASILEIRA DE ESTATÍSTICA). usam-se dois travessões. 1999. Monografia em meio eletrônico: Autor(es). São Paulo: Martins Fontes. Sandra Medeiros.l. E.] Virtual Books. b) Artigo publicado em meio digital SOUZA. 1999. p. Acesso em: 10 jan. O processo educativo. São Paulo. 2.: Não há necessidade de repetir o nome do autor. Acesso em: 19 set. 68 . 104. com. 4. Disponível em: <http:/www. Paulo. a seguir. nas referências. 4. editor. In: TENGARRINHA.inf. Acesso em: 31 jul. Se o título e o autor forem repetidos. cap. 2000. dados da edição. Roger. usa-se o travessão equivalente a seis espaços e ponto. São Paulo: Unesp.datavenia. jul. In: ______. O Globo. VARIG e Embratel investem 1. ano 4. 1993-1996. 1989. VIEIRA. o título do capítulo. ALVES. São Paulo: Imprensa Oficial: Unesp. Microsoft Corporation. SILVA. com seis espaços cada. Antoine. os dados referentes à fonte consultada. bastando a colocação de um traço (sublinhado) de seis toques. Maria do Rosário Themudo. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Obs. 5. Teoria do vínculo. dados da publicação: local. Bauru: Edusc. 2000. n. PICHON RIVIÈRE. Ailton Elisário de. BARATA. Economia.

1994. São Paulo. 14 dez. 1997. 2001. Supremo Tribunal Federal. Disponível em: <http://www. Apelação Cível BRASIL. In:_____ Súmulas. Aprova a consolidação das leis do trabalho.br/anais. 1996. Relator: Juiz Nereu Santos. mar. Seção 1. inscrições em concurso para cargo público.). de 11 de dezembro de 1997. 1988. 202. n. 1996. Apelante: Edilemos Mamede dos Santos e outros. Acesso em: 21 jan. Em meio eletrônico: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Recife. Decreto nº 1. Brasília. p.htm>. 4. Lex – Coletânea de Legislação: edição federal. da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.. 1994. Vocabulário jurídico. 1998. Apelada: Escola Técnica Federal de Pernambuco. Rio de Janeiro: Forense. Estabelece multa em operações de importação e dá outras providências.636-1. p. Código BRASIL. p. Brasília. 4 de março de 1997. SILVA. 103. fev. MEDEIROS.propesq. Constituição (1988). n. ______. Seção 1. São Paulo: Associação dos Advogados do Brasil. 6 de dezembro de 1994. André. 16-29. v. 2. mar. Processual Penal. b) Publicação periódica: Número especial de revista MACEIÓ – terra do sol. 6. em 3. Conferências etc. São Paulo. 103. Lex: Jurisprudência do STJ e Tribunais Regionais Federais.441 – PE (94. DF: Senado Federal. São Paulo: Saraiva. ed. pp. Organização dos textos. instituído pela Lei nº 8. Medida provisória BRASIL. Apelação cível nº 42. Superior Tribunal de Justiça. A. Rio de Janeiro: Forense. de 1 de maio de 1943. Incorporação do tempo em SG. São Paulo: USP. Anais. Direção Geral de André Koogan Breikmam.ufpe. 16. Decreto-lei nº 5. Constituição da República Federativa do Brasil. Recife: UFPe. Antônio (Ed. DF. De Placido e. 29. Medida provisória nº 1. (5. Alguns exemplos de referências: a) Dicionário KOOGAN. 501. 1998. Escola Técnica Federal. 05. 4. 1995.01629-6). Poder Executivo. 5 v. 14 dez. 1994. Produzida por Videolar Multimídia. C. d) Documentos Jurídicos Constituição Federal BRASIL. São Paulo. notas remissivas e índices por Juarez de Oliveira.. e dá outras providências. 1996. ano 6. 558-561. Decreto SÃO PAULO (Estado). Congressos.B. Poder Executivo. 10. São Paulo. p.Obs. p. Habeas-Corpus C BRASIL. 2. BRAYNER. em razão de idade. 1943. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Viagem e Turismo. n. Súmula nº 14. Consolidação das Leis do Trabalho. São Paulo. ed. São Paulo: Delta: Estadão. Habeas-corpus nº 181. Não é admissível por ato administrativo restringir. 69 . Anais eletrônicos. 29514. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE BANCO DE DADOS. Região) Administrativo. 1997. 1998.451. HOUAISS. Consolidação de lei BRASIL. 236-240. Brasília. ed. Habeas-corpus. Recife. v. Enciclopédia e dicionário digital 98. de 11 de Dezembro de 1997. Pagamento de diferenças referentes a enquadramento de servidor decorrente da implantação de Plano Único de Classificação e Distribuição de Cargos e Empregos. Brasília. 10. c) Simpósios.A.. Predominância da lei sobre a portaria. 46. 5 CD-ROM. Constrangimento ilegal. em 3. 9. 5v. Estabelece multa em operações de importação.270/91. DF. 1997.: A obra mais recente vem em primeiro lugar. Tribunal Regional Federal.569-9. BD orientado a objetos. Código civil. seguida da mais antiga. pp. p.______. 1990.514. Lex: Jurisprudência do STJ e Tribunais Regionais Federais.R.569-9. Súmulas BRASIL. DF.

v. K. Revelação. 1 disquete. 1 RODRIGUES. 3. 1 CD-ROM. acrescidas das informações relativas à descrição física do meio eletrônico (disquetes. ed. f) Documento sonoro Entrevista gravada SILVA. CITAÇÕES E NOTAS DE RODAPÉ Citação: Menção de uma informação extraída de outra fonte. A citação direta de até três linhas vem incorporada ao parágrafo. Doenças dos chavantes. 7. Revista Trimestral de Jurisprudência dos Estados. 2 fitas cassetes. Foto publicada no jornal. transcrita no texto. 19.Sílvio. 2002. D. 1CD-ROM. 1. Em meio eletrônico: As referências devem obedecer aos padrões indicados para documento jurídico. LEGISLAÇÃO brasileira: normas jurídicas federais. estranho à convenção e nela não representado”. 16 cm x 56 cm. In: SISLEX: Sistema de Legislação. 2003. Rio de Janeiro. pp. Direito Civil: dos contratos e das declarações unilaterais da vontade.Citação direta: Transcrição textual de parte da obra do autor consultado. indicados no rodapé. Ministério Público: sua legitimação frente ao Código do Consumidor. pactua-se que a vantagem resultante do ajuste reverterá em benefício de terceiro. da. Entrevista concedida ao Projeto Memória do SENAI – SP. Fita Cassete FAGNER. 1980. 53-72. 70 . Exemplo no texto: “Dá-se estipulação em favor de terceiro quando. e) Documentos iconográficos Fotografia em papel KOBAYASHI.: Quando a obra estiver sendo citada pela primeira vez. Felipe.]: DATAPREV.1 A citação direta longa é a que abrange mais de três linhas e deverá constituir-se em um parágrafo independente. atual. v. Jurisprudência e Pareceres da Previdência e Assistência Social. 1995. Obs. assim como textos integrais de diversas normas. As citações devem aparecer em nota de rodapé (procedimento adotado como uniformização dos trabalhos). Rio de Janeiro. ABNT/NBR10520: informação e documentação: apresentação de citações em documentos. p. L. n. os dados devem vir completos. 30. em letra menor (fonte 10) que a do texto (fonte 12) e sem aspas. São Paulo: SENAI-SP. num contrato entre duas pessoas. 14 fev. 1 fotografia. Garcia. etc. Rio de Janeiro. 1991. A digitação deverá ser em espaço simples. estéreo. 3 ¾ pps. bibliografia brasileira de Direito. 1999. 93.). ago. O Globo. 1991. [s. 139.Doutrina BARROS. 2004. e as indicações normais. I. Tipos: 1. à ortografia e à pontuação. R. Raimundo Gomes de. CD-ROM. color. Tremel e M. mantendo um afastamento de 4 cm da margem esquerda do papel. Inclui resumos padronizados das normas jurídicas editadas entre janeiro de 1946 e agosto de 1999. 2001. 1991]. Regulamento dos benefícios da previdência social. respeitando-se todas as características formais em relação à redação. color. Rio de Janeiro: CBS. AYRES. PMS do BOPE se protegem atrás de um carro num dos acessos ao Complexo do Alemão: eles têm a missão de encontrar um depósito de fuzis. São Paulo. entre aspas duplas.l. 1988. Entrevistadores: V. 1 cassete sonoro (60 min). DF: Senado Federal. p. Luiz Inácio Lula da Silva: depoimento [abr. Aposentadoria por tempo de serviço. L. São Paulo: Saraiva. online. Exemplo: De acordo com Sílvio Rodrigues. BRASIL. Brasília. ed. PEIXOTO. 1 fotografia.

14. 1985. José Maria Pinheiro. em outubro de 2001. Trata-se de uma paráfrase. 52. Exemplo no texto: O novo medicamento estará disponível até o final deste semestre (informação verbal).3 3. em causa própria”. São Paulo: Saraiva... ed. atual. Sílvio. isto é. Exemplo no texto: Diz Lionel Bellenger: “Conversar ou enfrentar em nome do consenso ou da rejeição. debates. independente da sequência das citações anteriores. Notícia fornecida por John A. interpretada ou traduzida.”7 b) idem ou id. mencionando-se os dados disponíveis em nota de rodapé. p.. 5. Citação indireta: Texto baseado na obra do autor consultado. p. 71 . 2005. com a referência apresentada no rodapé. p. Zahar. 162. Citação de citação: Refere-se à citação direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso ao original. ed. Rio de Janeiro: América Jurídica.. qualquer pessoa capaz pode. Deve-se usar a expressão latina apud seguida da indicação da fonte efetivamente consultada. é permitida e se caracteriza. 15.. MONTEIRO. 2004.. 1992.”10 2 3 4 5 6 7 8 9 10 RODRIGUES.”9 p p c) Opus citatum ou op.. em linhas bem gerais. Washington de Barros apud RODRIGUES. 15.. acréscimos ou comentários:[ ]. agir de acordo com o senso comum em uma determinada sociedade. p. Formas abreviadas das notas de referências: A primeira citação de uma obra deve ter sua referência completa. pela manifestação. utilizando as seguintes abreviaturas quando for o caso: a) ibidem ou ibid (na mesma obra): usar quando a mesma obra de um autor aparecer sequencialmente no texto. 1987. Introdução ao direito. interpolações. resumida. Sinais e convenções: supressões: [. Filosofia do direito. 72. eis o imperativo.5 6. Rio de Janeiro: Forense. p. 30. Direito Civil: dos contratos e das declarações unilaterais da vontade. comunicações e devem ser indicados pela expressão – informação verbal. ou não o contradigam. 3. Informação verbal: são dados obtidos em palestras. no caso da venda feita a si próprio pelo mandatário. GUSMÃO. 3. Direito Civil: dos contratos e das declarações unilaterais da vontade. BELLENGER. Exemplo: “Essa espécie de negócio. (do mesmo autor): usar quando duas obras diferentes do mesmo autor forem citadas em sequência. Exemplo no texto: Clayton Reis diz: “O homem é o único ser vivente capaz de edificar o patrimônio ideal. Smith no Congresso Internacional de Engenharia Genética.o princípio da autonomia da vontade consiste na prerrogativa conferida aos indivíduos de criarem relações na órbita do direito. A citação pode ser literal. As subsequentes citações da mesma obra podem ser referenciadas de maneira abreviada. Ibid.”6 Se a próxima citação no texto for da mesma obra e do mesmo autor: Segundo Clayton Reis: “O princípio moral é que dá sustentação aos postulados do direito . Sílvio. Paulo Dourado de.. 85. uma interpretação do texto lido.. 2003. em Londres. entre parênteses. cit. ênfase ou destaque: em itálico. 2. ed. Administração pública centralizada e descentralizada. entretanto. v. 30. REIS.]. Dano moral. 3. Exemplo no texto: Paulo Dourado de Gusmão cita: “A segurança jurídica foi assim um fim do direito. 2004. MADEIRA. A persuasão. p. ed. São Paulo: Saraiva. Exemplo no texto: A razoabilidade significa..2 2. Idem. atual. Lionel.4 4.. Rio de Janeiro: Forense. (obra citada): usar quando uma mesma obra aparecer mais de uma vez citada no texto. Desse modo. Clayton. em obra diferente: De acordo com Paulo Dourado de Gusmão: “A segurança tem se manifestado em todo o direito .”8 Se a próxima citação for do mesmo autor. sem existir uma outra citação entre elas. Rio de Janeiro: J. 9. Rio de Janeiro: Forense.. p. p. desde que se submetam às regras impostas pela lei e que seus fins coincidam com o interesse geral. v.

se aparecer outra citação da mesma obra. mas existirem referências de obras diferentes entre as duas citações a expressão op. número 6. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ EX. 75.”11 p d) apud – citado por. Tratase de uma 2ª edição. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ EX. Pelo sucesso da obra. op. encontra-se na 5ª edição. escrito no jornal O Globo. 1992. Vitor Eusébio Tourinho e Renato Neves... A obra intitula-se O Direito em Cena e foi publicada em 2006 pela Editora Novos Horizontes do Rio de Janeiro. conforme. pela Editora Movimento. Exemplo no texto: Gustav Radbruch já observara: “A relação entre o Direito e o fim . Cândida Nascimento. Em sua primeira edição. esta obra foi publicada no Rio de Janeiro. no Rio de Janeiro. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ EX. 2: Numa coletânea com vários autores. julho de 2005. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 11 12 BELLENGER. segundo: usar quando a citação referenciada for de um trecho de um determinado autor. de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 3: O livro Direito Ambiental: legislação e jurisprudência foi escrito por vários autores: José Emanuel Ribeiro. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ EX. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ EX.. do Rio Grande do Sul. cit. páginas 13 a 18 do livro organizado por Martim Fonseca. É a primeira edição da obra. RADBRUCH apud SLAIBI FILHO.Mais adiante no texto. Rio de Janeiro: Forense. na página 8.”12 EXERCÍCIO 2: EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DAS NORMAS DA ABNT SOBRE REFERÊNCIAS: A partir das informações que se seguem faça as referências das obras relacionadas. pela Editora Vazantes. p.. 6: O artigo Adoção Internacional: quem se habilita? foi redigido por Paula Coutinho e publicado pela Revista Consultor Jurídico. Nagib. em 4 de maio de 2006. nas páginas 2 a 6. p. em 2006. NBR 6023/02: informação e documentação: referências – elaboração. em 2006. intitulado Principais problemas da juventude brasileira.. em 2005. 1: O livro Direito de Família foi elaborado por Joaquim Ribeiro da Silva. publicada pela Editora Tordesilhas. publicada em São Paulo. 5: O artigo Violência no Rio: aumento vertiginoso. foi publicado no Rio de Janeiro. mas que aparece na obra de um outro autor. 72 . EX. o organizador da obra é Mario Fontenele. 4: Rosa de Almeida escreveu o capítulo Drogas na Adolescência. 258.cit será usada: Segundo Lionel Bellenger: “Convicção e persuasão não podem ser estendidas senão em relação com o tempo e a história individual das pessoas. Comentários à nova lei do inquilinato. Contém as seguintes indicações: ano 2.

jun. 14. 7: Heron da Silva Neto escreveu o artigo Crimes Passionais na legislação brasileira que pode ser acessado on-line. f l Aproveitamos esta última semana para apresentar mais algumas questões de Formação Geral de provas do ENADE (2005. A última. com todas as suas consequências. (CONCOLOR. Se assim não for. com base científica e fotos de satélite: a continuar o ritmo atual da devastação e a incompetência política secular do Governo e do povo brasileiro em contêla. p. no 41. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Observação: A atividade de iniciação científica sugerida nesta aula poderá ser antecipada e solicitada a partir da semana 5. ENADE 2005 – Formação Geral/ questão discursiva 1 Agora é vero. 15. Semana 15 PALAVRAS FINAIS – A avaliação do portfolio. que o inaceitável processo de destruição das nossas florestas é o mesmo que produz e reproduz diariamente a pobreza e a desigualdade por todo o mundo. Assim. a critério do seu professor. escolher a Amazônia para demonstrar preocupação com o futuro da humanidade é louvável se assumido também.EX. a Amazônia desaparecerá em menos de 200 anos. Dia Mundial do Meio Ambiente e Dia Mundial da Esperança. na data 10 de junho de 2006. daqui a dois séculos. vida louca. longe está de ser solução para qualquer dos nossos problemas. A última grande floresta tropical e refrigerador natural do único mundo onde vivemos irá virar deserto. Nem brasileiros. os animais. e os povos índios. Felis.artig. Internacionalização já! Ou não seremos mais nada. fragmento) A tese da internacionalização. os céus. as plantas. Dia cinco de junho de 2005. caboclos e universais da Floresta Amazônica. assinam essa declaração: todos os rios.dataveni@.br/frame. Deu na imprensa internacional. Apenas uma lembrança vaga e infeliz de vida breve. nem terráqueos. 2006 e 2007) para que você possa conhecê-las e aplicar seus conhecimentos. 2005. Servirão como suporte ao seu estudo e poderão ser antecipadas e realizadas em qualquer momento. no site http://www. Ano 4. Amazônia? Internacionalização já! In: JB ecológico. ainda que circunstancialmente possa até ser mencionada por pessoas preocupadas com a região. ao longo do seu curso.html.in. e a 73 . A quem possa interessar e ouvir.

Apresente duas sugestões de providências a serem tomadas pelos governos que tenham como objetivo minimizar o processo de aquecimento global. Queremos campanhas que os alertem. apresente seu comentário. portanto. 2005. Não podemos seguir vendo a vida dos nossos jovens escorrer pelas mãos. fundamentando o seu ponto de vista com argumentos. um estudo amplo realizado por pesquisadores de oito países.. fragmento) A partir das ideias presentes nos textos acima. As temperaturas atmosféricas no Estado norte-americano aumentaram entre 2ºC e 3ºC nas últimas cinco décadas. Cabe a quem está de fora a atitude. 46. ENADE 2007 – Formação Geral/ questão discursiva 9 Leia.) Queremos diálogo com nossos meninos. 74 . fundamentado em dois argumentos sobre a melhor maneira de se preservar a maior floresta equatorial do planeta. Preconceito e pretensão. chorar. 2006). Por que se mata tanto? Por que os governantes não se sensibilizam e só no discurso tratam a segurança como prioridade? Por que recorrer a chavões como endurecer as leis. 10 set. responda à seguinte pergunta. (JATENE. disseram cientistas. Queremos leis que os protejam. Duas das feridas do Brasil de hoje. tantas mães chorarem a falta dos filhos? (O Globo. os textos a seguir. dos poços de petróleo ou ainda. jul. • Seu texto deve ser redigido na modalidade escrita padrão da Língua Portuguesa. Podem sofrer. do sistema financeiro mundial. de todos nós. números recorde de incêndios florestais e cada vez menos gelo: esses são alguns dos sinais mais óbvios e assustadores de que o Alasca está ficando mais quente devido às mudanças climáticas. Queremos – e precisamos – ficar vivos para que eles fiquem vivos (O Dia.. ENADE 2006 – Formação Geral/ questão discursiva 10 Leia com atenção os textos abaixo. número muito superior ao de civis mortos em países atravessados por guerras. não fazer nada. Ano 4. (adaptado) ENADE 2005 – Formação Geral/ questão discursiva 3 Vilarejos que afundam devido ao derretimento da camada congelada do subsolo. mais tarde. 2005) O aquecimento global é um fenômeno cada vez mais evidente devido a inúmeros acontecimentos como os descritos no texto e que têm afetado toda a humanidade. (Folha de S. Como o Brasil pode enfrentar a violência social e a violência no trânsito? Observações: • Seu texto deve ser dissertativo-argumentativo (não deve. Paulo. Caderno Especial. uma explosão na quantidade de insetos. In: JB ecológico. Não podemos achar que evoluir é aceitar crianças de 11 anos consumindo bebidas alcoólicas e. 28 set. e neste caso não totalmente desprovido de razão. segundo a Avaliação do Impacto do Clima no Ártico. qualquer reação das pessoas diretamente envolvidas é permitida. então seria justificável também propor devaneios como a internacionalização do Museu do Louvre ou. ser escrito em forma de poema ou de narração). Cabe à sociedade perceber que o drama que naquela hora é de três ou cinco famílias é. 47. surge a pergunta: de quem é a responsabilidade? POR QUÊ? São cerca de 50 mil brasileiros assassinados a cada ano. juntando esse hábito ao de dirigir. 2 set. com atenção. • O seu ponto de vista deve estar apoiado em argumentos. no 42. são a banalidade do crime e a violência praticada no trânsito. Rio de Janeiro. Caderno Especial. E a nós não é reservado o direito da omissão. sobretudo nos grandes centros urbanos. FIQUE VIVO! Diante de uma tragédia urbana. sem a menor noção de responsabilidade. Simão. Ao se clamar por solução. • O texto deve ter entre 8 e 12 linhas. pp. 2006). Com base nas ideias contidas nos textos acima. (.prevalecer mera motivação “da propriedade”. quando já existe legislação contra a impunidade? Por que deixar tantos jovens morrerem. revoltar-se. na verdade. quem sabe. Queremos mantê-los no mundo para o qual os trouxemos.

disse Paulo Adário. Editoria de Ciência. reduz muito rapidamente o processo de aquecimento global. sobre o tema proposto) Observações: o texto deve ser dissertativo-argumentativo (não deve. Folha de S. portanto. Com a redução do desmatamento entre 2004 e 2006. no Protocolo de Kyoto.” GERAQUE. representando uma redução de cerca de 30% no índice registrado entre 2005 e 2006. Paulo – Editoria de Ciência. 11 ago. JB Ecológico. sobre o seguinte tema: Em defesa do meio ambiente. Acho medonho que a gente esteja contribuindo para destruir essas coisas. 41. 65) Desmatamento cai e tem baixa recorde O governo brasileiro estima que cerca de 9. a partir de análise de imagens no ano que vem. acaba encarecendo os produtos deles. 2007 (Adaptado). o texto deve ter entre 8 e 12 linhas. os passarinhos. caiu. Mas. atualizando-o sempre para que possa ser útil à sua vida acadêmica. Paulo. (JOBIM. O desmatamento. O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem a oportunidade de implementar um plano que protege a biodiversidade e. Quando uma árvore é cortada. Antônio Carlos. (SELIGMAN. ao mesmo tempo. Chegamos ao final da nossa disciplina! Além da apresentação e da discussão dos trabalhos de pesquisa que você realizou.600km da floresta amazônica desapareceram entre agosto de 2006 e agosto de 2007. dois argumentos. ser escrito em forma de poema ou de narração ). como a soja. 11 ago. é preciso ver se essa queda acentuada vai continuar”. A partir da leitura dos textos motivadores. Só a queda dos preços e a ação da União não explicam o bom resultado atual. 2005. “O momento é de aprofundar o combate ao desmatamento”. Ano 4. será o menor desmatamento registrado em um ano desde o início do monitoramento. coordenador de campanha do Greenpeace. as pedras. Também evitou o corte de 600 milhões de árvores e a morte de 20 mil aves e 700 mil primatas. fundamentada em dois argumentos. Eduardo. Essa emissão representa quase 15% da redução firmada pelos países desenvolvidos para o período 2008-2012. Quando eu morrer. no médio prazo. Paulo Moutinho do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). onde as árvores vivem em paz. Felipe. quero ir para esse lugar.5 cidades de São Paulo. Soja ameaça a tendência de queda. Pedimos também que faça uma avaliação do mesmo e o guarde. indicando os critérios norteadores da organização do seu material. em 1998. uma área equivalente a cerca de 6. diz Moutinho. diz ONG Mesmo se dizendo otimista com a queda no desmatamento.Amo as árvores. pelo menos. 2007 – Adaptado). deve ser redigido na modalidade escrita padrão da língua portuguesa e os textos motivadores não devem ser copiados. Folha de S. p. disse o pesquisador à Folha. “Estados como Mato Grosso e Amazonas estão fazendo esforços particulares e parece que a ficha dos produtores caiu. redija uma proposta. (Procure utilizar os conhecimentos adquiridos. solicitamos que mostre ao professor o seu portfolio. o Brasil deixou de emitir 410 milhões de toneladas de CO (gás do efeito estufa). n. Se confirmada a estimativa. Um bom curso de Direito para você! 75 . ao longo de sua formação. com a recuperação nítida do preço das commodities. afirma que é preciso esperar a consolidação dessa tendência em 2008 para a “comemoração definitiva”. jun. “Que caiu. ela renasce em outro lugar. a sua proposta deve estar apoiada em.