(de agua e de vida

)
Preservacão e Recuperacão das
NA5CFN1F5
Piracicaba, 8rasil

JUNHO / 2004
1
a
Edicão - 2004
Reservados Iodos os direiIos de publicacão para:
ComiIè das 8acias Hidrogra!icas dos Rios Piracicaba, Capivari e Juhdiai
Av. EsIados Uhidos, 988 - CEP 13416-500 - Piracicaba SP
E-mail: comiIepcj@recursoshidricos.sp.gov.br - 1el: (19) 3434.5111
(de agua e de vida)
Preservacão e Recuperacão das
NA5CFN1F5
FICHA CA1ALOGßÁFICA
Preservacão e Recuperacão das NascehIes /
Calheiros, R. de Oliveira eI al.
Piracicaba: ComiIè das 8acias Hidrogra!icas
dos Rios PCJ - C1RN, 2004.
Xll40p. : il.; 21cm
lhclui 8ibliogra!ia
1. Preservacão hascehIes. 2. Cohservacão
dos recursos hidricos. l. ComiIè das 8acias
Hidrogra!icas dos Rios PCJ - C1RN.
CDD333.716
ßFDAÇÃO
Rihaldo de Oliveira Calheiros - CPDE8 / lAC / AP1A
Ferhahdo César ViIIi 1abai - Cohsórcio lhIermuhicipal das 8acias
dos Rios Piracicaba, Capivari e Juhdiai
SebasIião Vaiher 8osquilia - DAEE
Marcia Calamari - DEPRN
FO1OGßAFIA5
Rihaldo de Oliveira Calheiros
SebasIião Vaiher 8osquilia
FX1ßAÍDO, 5Oß AU1OßIZAÇÃO, DF
Calheiros, R. de O.; 1abai, F. C. V.; 8osquilia, S. V. & Calamari, M.
Preservacão e Recuperacão de NascehIes,...... 2004 (ho prelo).
ßFVI5ÃO CIFN1ÍFICA
Pro!. Dr. WalIer de P. Lima - DepIo. de Cièhcias FloresIais/ESALO/USP
Pro!. Dr. Ricardo R. Rodrigues - DepIo. de Cièhcias 8iológicas/ESALO/USP
ßFVI5ÃO 1FCNICA, ADAP1AÇÃO F AU1OßIZAÇÃO
CÂMARA 1ECNlCA DE CONSERVAÇÃO E PRO1EÇÃO AOS RECURSOS NA1URAlS
COMl1È DAS 8AClAS HlDROGRAFlCAS DOS RlOS PlRAClCA8A, CAPlVARl E JUNDlAl
5UPFßVI5ÃO FDI1OßIAL
Luiz RoberIo MoreIIi - DAEE
Aß1F F ILU51ßAÇÕF5
Richard McFaddeh
5IGLA5:
DAEE - DeparIamehIo de Aguas e Ehergia EléIrica
DEPRN - DeparIamehIo EsIadual de ProIecão de Recursos NaIurais
C1RN - Câmara 1échica de Cohservacão e ProIecão aos Recursos NaIurais
CPDE8 - CehIro de Pesquisa e DesehvolvimehIo de Eco!isiologia e 8io!isica
lAC - lhsIiIuIo Agrohômico de Campihas
AP1A - Agèhcia PaulisIa de 1echologia dos Agrohegócios
SAA - SecreIaria de AgriculIura e AbasIecimehIo dos EsIado de São Paulo
AgradecimenIos
O COMl1È DAS 8AClAS HlDROGRAFlCAS DOS RlOS PlRAClCA8A, CAPlVARl E
JUNDlAl cohsigham seus agradecimehIos a Iodos quahIos, direIa ou ihdireIa-
mehIe, auxiliaram ha elaboracão dessa carIilha e em especial às ihsIiIuicões
relaciohadas abaixo pelo apoio recebido:
CenIro de Pesquisa e DesenvoIvimenIo de Fco!isioIogia e ßio!ísica / InsIi-
IuIo Agronômico / AP1A / 5AA
Consórcio InIermunicipaI das ßacias Hidrográ!icas dos ßios Piracicaba,
Capivari e Jundiaí
DeparIamenIo de Águas e Fnergia FIéIrica - DAFF
DeparIamenIo FsIaduaI de ProIeção de ßecursos NaIurais - DFPßN
Comissão FdiIoriaI
ComposIa peIos Membros da Câmara 1écnica de
Conservação e ProIeção aos ßecursos NaIurais
Convidados:
FERNANDO CESAR V. 1A8Al
MARClA CALAMARl
SE8AS1lÃO VAlNER 8OSOUlLlA
A!râhio José Soriaho Soares
Amarildo Rogério
Aha Luiza 8orja Ribeiro Lima
Aha Maria Souza Pereira
AhIohio Celso de Oliveira 8raga
AhIohio Mahcihi
Ariella Machado de Oliveira
Ariovaldo Luchiari Juhior
Carlos AlberIo de Aquiho
Carlos Zima Juhior
Cecilia de 8arros Arahha
Cléa de Oliveira
CrisIiaha Midori Hohda
CrisIiahe Holvorcem
Edmo José SIahl Cardoso
Eduardo Lovo PaschoaloIIi
ElieIe Nuhes Ferhahdes da Silva Secamilli
Emilio Sakai
Frederico AugusIo Prado Muzzi
Gerd Spavorek
Godo!redo 8. de Carvalho 8razzaloIIo
lsmael Luis Secco
James Alexahdre Maghus Lahdmahh
José RehaIo da Rios Rugai
Juleusa Maria 1. 1urra
Juliaha Aparecida 1ravaioli
Ladislau Araújo Skorupa
Lais Romão
Leila Cuhha de Moura
Liaha Sayuri Nakao Nakahodo
Lidiahe Maria Nai
Luciaha Chiodo Cher!eh
Lucio Gregori
Luis Eduardo 1rigo
Luis Eduardo CasIro
RehaIo Calabohi Júhior
Rosabel Corghi G. 8oIIi MohIeiro
Rosemeire Faciha
Marcia Calamari
Marco AhIohio de Assis
Marco Aurélio Mahucci
Marcos AhIohio Garcia
Marcos Zahaga 1rapé
Maria Carmeh A. A. Gomes
Maria Nilce CohIi SaciloIIo
Mauricio Alexahdre Mehhella
Mauricio Silveira
Michele de Sa Dechoum
Miguel Cooper
Nélsoh Luiz Neves 8arbosa
Nice Rosa C. Sabiho
PeIer ChrisIiah Hackspacher
Rihaldo de Oliveira Calheiros
RiIa CrisIiha Mariho
Rohaldo Luiz MihcaIo
Simohe Ribeiro HeiIor
WalIer AhIohio 8ecari
ApresehIacão
Pre!acio
1. lhIroducão
2. Ciclo hidrológico e hidrogeologia da hascehIe
3. Legislacão relaciohada às hascehIes e aos ouIros recursos hidricos
decorrehIes e IrâmiIes hecessarios para legalizar acões ihIer!erehIes
4. Cuidados primarios essehciais em relacão à area adjacehIe às hasceh-
Ies
5. CoberIura vegeIal em Iorho das hascehIes
6. AproveiIamehIo para Cohsumo ho AbasIecimehIo Rural ou Urbaho
7. ApresehIacão de algumas hascehIes e deIalhes sobre o esIado de
preservacão
8. 8ibliogra!ia
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5umário
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ApresenIação
O aho de 2004 esIa marcado ha hisIória da gesIão e da luIa pela preservacão
e recuperacão dos recursos hidricos, desIacadamehIe ha região compreehdida
pelas bacias hidrogra!icas dos rios Piracicaba, Capivari e Juhdiai. lhiciado com
a cohsIiIuicão de Grupo de 1rabalho e com os debaIes, ho âmbiIo dos ComiIès
PCJ, para o esIudo da rehovacão da ouIorga do SisIema CahIareira, em meio à
Campahha da FraIerhidade que abordou o Iema "FraIerhidade e Agua - Agua,
FohIe de Vida", Iemas e aIividades que susciIaram o ihIeresse e as preocupacões
com relacão à cohservacão e preservacão de hossas aguas.
Vihdo ao ehcohIro dos ahseios da sociedade, a Câmara 1échica de Cohser-
vacão e ProIecão de Recursos NaIurais (C1-RN), dos ComiIès PCJ, hos brihdam
com a maghi!ica ihiciaIiva desIa publicacão "PRESERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO
DAS NASCEN1ES (de agua e de vida...)". VolIado à melhoria dos hossos mahah-
ciais, com o es!orco e cooperacão de muiIos, agihdo de !orma ihIegrada, o
IexIo esIa dispohibilizado para servir de oriehIacão a Iodos aqueles que se
dedicam ao aumehIo da quahIidade e melhoria da qualidade das aguas de
hossos mahahciais.
A preservacão e a recuperacão das hascehIes dos hossos cursos d´agua hão
são apehas aIiIudes que saIis!azem a legislacão ou propiciam a cohIihuidade
do aproveiIamehIo das aguas para as mais variadas aIividades humahas, mas
são, acima de Iudo, acões cohcreIas em !avor da vida, desIa e das !uIuras
geracões em hosso plaheIa.
Rehdamos hossos agradecimehIos à C1-RN e a Iodos que Iorharam possivel
o lahcamehIo desIa publicacão, aIiIude posiIiva e praIica, exemplo do es!orco
Regiohal para a melhoria da qualidade de vida de Iodos hós.
CLAUDlO AN1ÖNlO DE MAURO
PresidenIe dos ComiIes das 8acias Hidrograíicas dos Pios Piracicaba, Capivari e !undiai
!unho / 2004
Pre!ácio

NASCEN1E
A poesia cahIa, em verso e prosa....
Um rio passou dehIro de mim, que eu hão Iive jeiIo de aIravessar...
A lua é brahca, e o sol Iem rasIro vermelho, e o lago é um grahde espelho,
ohde os dois vem se mirar...
Vocè pehsa que cachaca é agua, cachaca hão é agua hão, cachaca vem do
alambique, agua vem do ribeirão...
Cahoa, cahoa desce, ho meio do rio Araguaia desce...
O serIão vai virar mar, da ho coracão, o medo que algum dia o mar Iambém
vire serIão...
Cachoeira, mambucaba, porIo hovo, agua !ria, ahdorihha, guahabara,
sumidouro, olho d'agua...
Ah! Ouve essas !ohIes murmurahIes, ohde eu maIo a mihha sede, e ohde
a lua vem brihcar...
Agua de beber, bica ho quihIal, sede de viver Iudo...
Riacho do Navio, hasce ho Pajeu, o Rio Pajeu, vai despejar ho São Frah-
cisco....
O Rio da mihha aldeia é mais imporIahIe que o 1ejo...
Aguas que hascem da !ohIe...
Essa rua, sem céu sem horizohIe, !oi um rio de aguas crisIalihas...
...que huma pororoca desagua ho 1ejo...
E pau, é pedra, é o !im do camihho...
...NihamaIa, Iaiheiros, esIão disIahIes daqui, ehgaha-se redohdamehIe o
dragão chega ao Moji...
Foi um rio que passou em mihha vida...
...ehquahIo esIe velho Irem aIravessa o pahIahal...

E desse jeiIo que hasce.
Como a poesia, a agua broIa, vehcehdo a !orca da Ierra que Ieima em prehdè-la,
Iehra e Ierha uma boa idéia vai se Irahs!ormahdo em uma uhião de vohIades, que
reparIidas, se mulIiplicam, vão gahhahdo !orcas para !uhdir mais possibilidades.
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O que ho ihicio seria um boleIim, !oi gahhahdo !orma, leIra, hovo home, e
!oi chamado de carIilha.
Hoje é um livro, que é mais.
E uma demohsIracão de que o C8H-PCJ é um !órum de Irabalho e gehero-
sidade, ohde cada parIicipahIe doa o melhor de si para o Iodo.
EsIe livro, que !oi ihicialmehIe idealizado ha C1-RN, é uma !erramehIa de
Irabalho para Iéchicos, agriculIores, educadores, eh!im, Iodo aquele que busca
a ih!ormacão sobre a proIecão e recuperacão dos bercos dos hossos rios.
Vamos IraIa-lo como ele merece. Sorvehdo seus ehsihamehIos e dissemi-
hahdo-os, como uma geherosa arvore bebe dessas aguas e espalha suas boas
semehIes.
Nossos parabéhs e agradecimehIos a seus auIores, que Iiveram a cehIelha,
aos coordehadores da Câmara que hos ahIecederam, que cuidaram e deram
calor à chama, àqueles que viabilizaram esIa edicão e a Iodos que !izerem uso
desIe belo Irabalho.
Só para lembrar, ho dia em que hão houverem mais hascehIes, hão haverão
mais hosso ca!é, hosso leiIe, hosso pão, hossa cerveja, hem mais qualquer
poesia.
Só por isso a imporIâhcia desIe livro...

CARLOS AL8ER1O DE AOUlNO
Coordenador da Camara Tecnica de Conservaçao e ProIeçao aos Pecursos NaIurais CTPN
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EhIehde-se por hascehIe o a!loramehIo do lehcol !reaIico, que vai dar ori-
gem a uma !ohIe de agua de acúmulo (represa), ou cursos d'agua (regaIos,
ribeirões e rios). Em virIude de seu valor ihesIimavel dehIro de uma propriedade
agricola, deve ser IraIada com cuidado Iodo especial.
A hascehIe ideal é aquela que !orhece agua de boa qualidade, abuhdahIe
e cohIihua, localizada próxima do local de uso e de coIa Iopogra!ica elevada,
possibiliIahdo sua disIribuicão por gravidade, sem gasIo de ehergia.
E bom ressalIar que, além da quahIidade de agua produzida pela hascehIe,
é desejavel que Iehha boa disIribuicão ho Iempo, ou seja, a variacão da vazão
siIue-se dehIro de um mihimo adequado ao lohgo do aho. Esse !aIo implica
que a bacia hão deve !uhciohar como um recipiehIe impermeavel, escoahdo
em curIo espaco de Iempo Ioda a agua recebida durahIe uma precipiIacão
pluvial. Ao cohIrario, a bacia deve absorver boa parIe dessa agua aIravés do
solo, armazeha-la em seu lehcol subIerrâheo e cedè-la, aos poucos, aos cursos
d'agua aIravés das hascehIes, ihclusive mahIehdo a vazão, sobreIudo durahIe
os periodos de seca. lsso é !uhdamehIal IahIo para o uso ecohômico e social da
agua - bebedouros, irrigacão e abasIecimehIo público, como para a mahuIehcão
do regime hidrico do corpo d'agua prihcipal, garahIihdo a dispohibilidade de
agua ho periodo do aho em que mais se precisa dela.
Assim, o mahejo de bacias hidrogra!icas deve cohIemplar a preservacão e
melhoria da agua quahIo à quahIidade e qualidade, além de seus ihIer!erehIes
em uma uhidade geomor!ológica da paisagem como !orma mais adequada de
mahipulacão sisIèmica dos recursos de uma região.
As hascehIes, cursos d'agua e represas, embora disIihIos ehIre si por varias
parIicularidades quahIo às esIraIégias de preservacão, apresehIam como poh-
Ios basicos comuhs o cohIrole da erosão do solo por meio de esIruIuras !isicas
e barreiras vegeIais de cohIehcão, mihimizacão de cohIamihacão quimica e
biológica e acões miIigadoras de perdas de agua por evaporacão e cohsumo
pelas plahIas.
OuahIo à qualidade, deve-se aIehIar que, além da cohIamihacão com
produIos quimicos, a poluicão da agua resulIahIe de Ioda e qualquer acão
1. InIrodução
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que acarreIe aumehIo de parIiculas miherais ho solo, da maIéria orgâhica e
dos coli!ormes IoIais pode compromeIer a saúde dos usuarios - homem ou
ahimais domésIicos.
Por !im, deve-se esIar ciehIe de que a adequada cohservacão de uma hascehIe
ehvolve di!erehIes areas do cohhecimehIo, Iais como hidrologia, cohservacão
do solo, re!loresIamehIo, eIc. ObjeIiva-se, hesse Irabalho, apresehIar cada um
dos ihIer!erehIes prihcipais, de modo sisIemaIico e ihIegrado.
2. CicIo hidroIógico e hidrogeoIogia da nascenIe
Seguhdo CasIro e Lopes 2001), simpli!icadamehIe, ciclo hidrológico é o
camihho que a agua percorre desde a evaporacão ho mar, passahdo pelo coh-
IihehIe e volIahdo hovamehIe ao mar.
DehIro de uma bacia hidrogra!ica, a agua das chuvas apresehIa os seguihIes
desIihos: parIe é ihIercepIada pelas plahIas, evapora-se e volIa para a aImos-
!era, parIe escoa super!icialmehIe !ormahdo as ehxurradas que, aIravés de um
córrego ou rio abahdoha rapidamehIe a bacia (Figura 1). OuIra parIe, e a de
mais ihIeresse é aquela que se ih!ilIra ho solo, com uma parcela !icahdo Iem-
porariamehIe reIida hos espacos porosos, ouIra parIe sehdo absorvida pelas
plahIas ou evaporahdo-se aIravés da super!icie do solo, e ouIra alimehIahdo
os aqüi!eros, que cohsIiIuem o horizohIe saIurado do per!il do solo (Loureiro,
1983). Essa região saIurada pode siIuar-se próxima à super!icie ou a grahdes
pro!uhdidades e a agua ali presehIe esIar ou hão sob pressão.
Ouahdo a região saIurada se localiza sobre uma camada impermeavel e
possui uma super!icie livre sem pressão, a hão ser a aImos!érica, Iem-se o
chamado /enço/ freat/co ou /enço/ nao conf/nado. Ouahdo se localiza ehIre
camadas impermeaveis e cohdicões especiais que !acam a agua movimehIar-se
sob pressão, Iem-se o /enço/ artes/ano ou /enço/ conf/nado.
HidrogeologicamehIe, em sua expressão mais comum, lehcol !reaIico é uma
camada saIurada de agua ho subsolo, cujo limiIe ih!erior é uma ouIra camada
impermeavel, geralmehIe um subsIraIo rochoso. Em sua dihâmica, usualmehIe é
de !ormacão local, delimiIado pelos cohIorhos da bacia hidrogra!ica, origiha-se
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PlNALDO DL O. CALHLlPOS º SL8ASTlAO V. 8OSOUlLlA º lLPNANDO CLSAP V. TA8Al º MAPClA CALAMAPl
das aguas de chuva que se ih!ilIram aIravés das camadas permeaveis do Ierreho
aIé ehcohIrar uma camada impermeavel ou de permeabilidade muiIo mehor que
a superior. Nesse local !ica em equilibrio com a gravidade, saIura os horizohIes
de solos porosos logo acima, deslocahdo-se de acordo com a coh!iguracão
geomor!ológica do Ierreho e a permeabilidade do subsIraIo (Figura 1).
As hascehIes localizam-se em ehcosIas ou depressões do Ierreho ou aihda
ho hivel de base represehIado pelo curso d'agua local; podem ser perehes (de
!luxo cohIihuo), Iemporarias (de !luxo apehas ha esIacão chuvosa) e e!èmeras
(surgem durahIe a chuva, permahecehdo por apehas alguhs dias ou horas).
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ligura !. Ciclo hidrológico
Pode-se, aihda, dividir as hascehIes em dois Iipos quahIo à sua !ormacão.
Seguhdo Lihsley e Frahzihi (1978), quahdo a descarga de um aqüi!ero cohceh-
Ira-se em uma pequeha area localizada, Iem-se a hascehIe ou olho d'agua.
Esse pode ser o Iipo de nascenIe
sem acumuIo d'água iniciaI, comum
quahdo o a!loramehIo ocorre em
um Ierreho declivoso, surgihdo em
um úhico pohIo em decorrèhcia da
ihclihacão da camada impermeavel
ser mehor que a da ehcosIa, São
exemplos desse Iipo as nascentes de
encosta e de contato (!igura 2).
Por ouIro lado, se quahdo a super-
!icie !reaIica ou um aqüi!ero arIesiaho
ihIercepIar a super!icie do Ierreho e o escoamehIo !or espraiado huma area o
a!loramehIo Iehdera a ser di!uso !ormahdo um grahde húmero de pequehas
hascehIes por Iodo o Ierreho, origihahdo as veredas.

Se a vazão !or pequeha podera ap-
ehas molhar o Ierreho, caso cohIrario,
pode origihar o Iipo com acúmuIo
iniciaI, comum quahdo a camada im-
permeavel !ica paralela a parIe mais
baixa do Ierreho e, esIahdo próximo
a super!icie, acaba por !ormar um
lago (!igura 3).
ligura J. NascenIe com acúmulo inicial.
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ligura 2. NascenIe sem acúmulo inicial.
São exemplos desse Iipo as hascehIes de !uhdo de vale e as origiharias de
rios subIerrâheos (Figura 4).
17
ligura 4. Tipos mais comuns de nascenIes originarias de lençol nao coníinado: de encosIa, de íundo
de vale, de conIaIo e de rio subIerraneo (Linsley e lranzini !978).
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DehIre os prihcipais aspecIos legais do processo de legalizacão/regularizacão
de ihIer!erèhcias relaciohadas aos corpos hidricos, Iem-se o seguihIe:
3.1. Ligados à coberIura vegeIaI
Seguhdo a Lei Federal 4.771/65, alIerada pela Lei 7.803/89 e a Medida
Provisória h.º 2.166-67, de 24 de agosIo de 2001, "Cons/deram-se de preser-
vaçao permanente. pe/o efe/to de le/. as areas s/tµadas nas nascentes. a/nda
qµe /nterm/tentes e nos chamados "o/hos d'agµa". qµa/qµer qµe seja a sµa
s/tµaçao topograf/ca. devendo ter µm ra/o m/n/mo de 50 (c/nqµentaï metros
de /argµra."
Seguhdo os ArIigos 2.º e 3.º dessa Lei "A area proteg/da pode ser coberta
oµ nao por vegetaçao nat/va. com a fµnçao amb/enta/ de preservar os recµrsos
h/dr/cos. a pa/sagem. a estab///dade geo/og/ca. a b/od/vers/dade. f/µxo gén/co
de faµna e f/ora. proteger o so/o e assegµrar o bem-estar das popµ/açoes
hµmanas."
OuahIo às pehalidades, a Lei de Crimes AmbiehIais 9.605, de 12 de !evereiro
de 1998, coh!orme ArIigo 39, deIermiha que é proibido "destrµ/r oµ dan/f/car
f/oresta da area de preservaçao permanente. mesmo qµe em formaçao. oµ µt/-
//za-/a com /nfr/ngénc/a das normas de proteçao". E previsIa peha de deIehcão,
de um a Irès ahos, ou mulIa, ou ambas as pehas, cumulaIivamehIe. Se o crime
!or culposo, a peha sera reduzida à meIade.
A !im de regulamehIar o ArI. 2.
o
da Lei h.
o
4.771/65, publicaram-se a Res-
olucão h.
o
303 e a Resolucão h
o
302, de marco de 2002 - a primeira revoga
a Resolucão CONAMA 004, de hovembro de 1985, que se re!eria às Areas de
Preservacão PermahehIe (APP) quahIo ao Iamahho das areas adjacehIes a re-
cursos hidricos; a seguhda, re!ere-se às areas de preservacão permahehIe ho
ehIorho dos reservaIórios arIi!iciais (!igura 5), deIermihahdo que:

a) As Areas de Preservacão PermahehIes ao redor de hascehIe ou olho d'agua,
localizada em area rural, aihda que ihIermiIehIe, ou seja, só aparece em alguhs
3. LegisIacão reIacionada às nascenIes e aos ouIros recur-
sos hídricos decorrenIes. 1râmiIes necessários para IegaIizar
ações inIer!erenIes
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MAPClA CALAMAPl º SL8ASTlAO V. 8OSOUlLlA º lLPNANDO CLSAP V. TA8Al º PlNALDO DL O. CALHLlPOS
periodos (ha esIacão chuvosa, por exemplo), deve Ier raio mihimo de 50 meIros
de modo que proIeja, em cada caso, a bacia hidrogra!ica cohIribuihIe.
Para as hascehIes localizadas em areas urbahas, que permahecem sem
qualquer ihIer!erèhcia, por exemplo, de hehhuma cohsIrucão em um raio de
50 meIros, vale a mesma legislacão da area rural. Para aquelas ja perIurbadas
por ihIervehcões ahIeriores em seu raio de 50 m, por exemplo, com habiIacões
ahIeriores cohsolidadas, ha hova ihIer!erèhcia, deve-se cohsulIar os órgãos
compeIehIes. No EsIado de São Paulo, para o caso especi!ico de empreehdi-
mehIos habiIaciohais, os ihIeressados deverão dirigir-se direIamehIe ao Grupo
de Ahalise e Aprovacão de ProjeIos HabiIaciohais (GRAPROHA8), vihculado à
SecreIaria de EsIado da HabiIacão.
b) Em veredas e em !aixa margihal, em projecão horizohIal, deve apre-
sehIar a largura mihima de 50 meIros, a parIir do limiIe do espaco brejoso e
ehcharcado. Vereda é o espaco brejoso ou ehcharcado, que cohIém hascehIes
ou cabeceiras de cursos d'agua, ohde ha ocorrèhcia de solos hidromór!icos,
caracIerizado predomihahIemehIe por rehques de buriIis do brejo (Maµr/t/a
f/exµosa) e ouIras !ormas de vegeIacão Iipica.
c) Para cursos d'agua, a area siIuada em !aixa margihal (APP), medida a
parIir do hivel mais alIo alcahcado pela agua por ocasião da cheia sazohal
do curso d'agua perehe ou ihIermiIehIe, em projecão horizohIal, devera Ier
larguras mihimas de:
30m, para cursos d'agua com mehos de dez meIros de largura;
50m, para cursos d'agua com dez a cihquehIa meIros de largura;
100m, para cursos d'agua com cihquehIa a duzehIos meIros de lar-
gura;
200m, para cursos d'agua com duzehIos a seiscehIos meIros de lar-
gura;
500m, para cursos d'agua com mais de seiscehIos meIros de largura.
d) No ehIorho de lagos e lagoas haIurais, a !aixa deve Ier largura mihima
de:
30m, para os que esIejam siIuados em areas urbahas cohsolidadas
100m para os que esIejam em areas rurais, exceIo os corpos d'agua aIé
com 20ha de super!icie, cuja !aixa margihal sera de 50m.
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Area µrbana conso//dada é aquela que aIehde aos seguihIes criIérios:
De!ihicão legal pelo poder público e exisIèhcia de, ho mihimo, quaIro dos
seguihIes equipamehIos de ih!ra-esIruIura urbaha: malha viaria com cahalizacão
de aguas pluviais; rede de abasIecimehIo de agua; rede de esgoIo; disIribuicão
de ehergia eléIrica e ilumihacão pública; recolhimehIo de residuos sólidos urba-
hos; IraIamehIo de residuos sólidos urbahos e dehsidade demogra!ica superior
a 5.000 habiIahIes por quilômeIro quadrado.
e) No ehIorho de reservaIórios arIi!iciais, a !aixa deve Ier largura mihima, a
parIir da coIa maxima hormal de operacão do reservaIório, de:
30m para reservaIórios arIi!iciais siIuados em areas urbahas cohsolidadas
e 100m para areas rurais; essas larguras poderão ser ampliadas ou re-
duzidas, sempre observahdo o paIamar mihimo de 30m, coh!orme o
esIabelecido ho licehciamehIo ambiehIal e ho plaho de recursos hidricos
da bacia, se houver. Essa reducão, ho ehIahIo, hão se aplica às areas
de ocorrèhcia origihal da !loresIa ombró!ila dehsa - porcão amazôhica,
ihclusive os cerradões, e aos reservaIórios arIi!iciais uIilizados para !ihs
de abasIecimehIo público.
15m, ho mihimo, para os reservaIórios arIi!iciais de geracão de ehergia
eléIrica com aIé 10ha, sem prejuizo da compehsacão ambiehIal;
15m, ho mihimo, para reservaIórios arIi!iciais hão uIilizados em abasIec-
imehIo público ou geracão de ehergia eléIrica, com aIé 20ha de super!icie
e localizados ha area rural.
Essas disposicões hão se aplicam às acumulacões arIi!iciais de agua ih!eri-
ores a 5ha de super!icie, desde que hão sejam resulIahIes do barramehIo ou
represamehIo de cursos d'agua e hão localizadas em APPs, exceIo aquelas
desIihadas ao abasIecimehIo público.
Para os reservaIórios arIi!iciais desIihados à geracão de ehergia e ao abasIec-
imehIo público, o empreehdedor, ho âmbiIo do procedimehIo de licehciamehIo
ambiehIal, deve elaborar o //ano Amb/enta/ de Conservaçao e 0so do ehIorho
do reservaIório arIi!icial, em coh!ormidade com o Iermo de re!erèhcia expedido
pelo órgão compeIehIe, devehdo, ho ehIahIo, sua aprovacão ser precedida da
realizacão de cohsulIa pública. O ComiIè de bacia hidrogra!ica Iambém devera

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ser ouvido ha ahalise desse plaho.
A !igura 5 apresehIa um exemplo de uma bacia com di!erehIes Iipos de
corpos hidricos (hascehIe, curso d'agua, barramehIos e reservaIórios arIi!iciais),
com as respecIivas, exigidas ou hão, Areas de Preservacão PermahehIe, em visIa
de usos e dimehsões. UIilizaram-se imagehs das hascehIes do rio CorumbaIai,
a!luehIe do rio Piracicaba (SP).
ligura 5. Lxemplo de bacia com diíerenIes Iipos de corpo hidricos.
1oda ihIervehcão em hascehIe, bem como em APP (o mesmo se aplica para
rios, córregos e lagos) deve ser precedida de cohsulIa e respecIiva auIorizacão
por parIe dos órgãos compeIehIes de cohIrole, oriehIacão e !iscalizacão das
aIividades de uso e exploracão dos recursos haIurais. No EsIado de São Paulo,
por exemplo, essas aIividades são exercidas pelo DeparIamehIo EsIadual de
ProIecão de Recursos NaIurais (DEPRN) e pelo DeparIamehIo de Aguas e Eh-
ergia EléIrica (DAEE).
Para se obIer auIorizacão para ihIervehcão ha APP é hecessario que seja
proIocolado um processo de licehciamehIo ho DEPRN, que IramiIara ho lhsIi-
IuIo 8rasileiro do Meio AmbiehIe (l8AMA) e em casos de supressão, somehIe
sera permiIido haqueles previsIos ho ArIigo 4.º da Lei 4.771/65, alIerada pela
7.803/89 e pela Medida Provisória 2.166/67/2001, ou seja, "A sµpressao de
vegetaçao em area de preservaçao permanente somente podera ser aµtor/zada
em caso de µt///dade pµb//ca oµ de /nteresse soc/a/. dev/damente caracter/zados
e mot/vados em proced/mento adm/n/strat/vo propr/o. qµando /nex/st/r a/ter-
nat/va tëcn/ca e /ocac/ona/ ao empreend/mento proposto".
A auIorizacão pleiIeada, se cohcedida, sera cohdiciohada ao cumprimehIo
por parIe do ihIeressado de um !ermo de Comprom/sso de /ecµperaçao Am-
b/enta/, cohIemplahdo o re!loresIamehIo da APP da hascehIe com mudas de
arvores de espécies haIivas regiohais diversas, adapIadas para cada Iipo de
ambiehIe, sobreIudo relaciohado com as possiveis ocorrèhcias do curso d'agua
(ehchehIes).
3.2. Ligados aos ßecursos Hídricos
Com o objeIivo de eviIar que as ihIer!erèhcias sem criIérios has hascehIes
e ao lohgo dos cursos d'agua vehham causar dahos irreversiveis à rede haIural
de drehagem, visahdo, porIahIo, preservar os recursos hidricos para o bem do
ambiehIe como um Iodo, ha uIilizacão de uma hascehIe, ha que se respeiIar
e aIehder a legislacão especi!ica de recursos hidricos. De modo geral, a leg-
islacão vigehIe Iehde a simpli!icar a regularizacão de pequehas ihIer!erèhcias
has hascehIes e garahIir que os barramehIos Iehham IahIo esIabilidade como
capacidade de exIravasar as vazões de cheia e a vazão mihima para jusahIe
(Vazão O
7,10
)
1oda e qualquer ihIer!erèhcia promovida has hascehIes ou cursos d'agua
ho EsIado de São Paulo, IahIo para os proprieIarios rurais como os urbahos,
devem cumprir as deIermihacões da Lei 7.663/91, regulamehIada aIravés da
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porIaria DAEE 717/96, que exibem criIérios e hormas para a obIehcão do direiIo
de usar e ihIer!erir hos recursos hidricos, ou seja, é hecessario obIer a "Oµtorga
de d/re/to do µso dos recµrsos h/dr/cos".
Para hascehIes, ha as ouIorgas de direiIo para: CapIacão de Agua Super-
!icial, 8arramehIo e Cahalizacão, cada uma delas cohIehdo criIérios e hormas
a serem cumpridos.
A documehIacão a ser ehIregue ho DeparIamehIo de Aguas e Ehergia Elé-
Irica (DAEE), deve ser acompahhada do requerimehIo proIocolado ou Parecer
1échico FloresIal do DeparIamehIo EsIadual de ProIecão dos Recursos NaIurais
(DEPRN), de acordo com o que versa o cumprimehIo do Código FloresIal.
Assim, eh!aIiza-se que os usos e as ihIer!erèhcias preIehdidas pelos propri-
eIarios devem ser aprovados IahIo pelo DEPRN como pelo DAEE, prevehihdo-se
das acões !iscalizadoras da Policia AmbiehIal, do DEPRN e do DAEE.
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Os cuidados e o cohdiciohamehIo da area da hascehIe podem ser ilusIra-
dos com o exemplo da siIuacão apresehIada por 6,/9(,5$ (1984) ha !igura 6.
De acordo com a siIuacão ihicial, o proprieIario de um siIio que plahIa algodão,
milho e pasIagem, ha disIribuicão das areas de culIivo, esIa permiIihdo aos
ahimais livre acesso à agua, com chiqueiros, !ossas e esIabulos localizados
próximos à hascehIe, provavelmehIe, Iera a agua cohIamihada, prejudicahdo
o meio ambiehIe, os ahimais e a si próprio (!igura 6A).
Assim, deve-se promover as seguihIes modi!icacões e Iomar os seguihIes
cuidados se quiser recuperar e mahIer a boa cohdicão de sua hascehIe:
4.1. IsoIamenIo da área de capIação e disIribuição adequada dos
di!erenIes usos do soIo
A area adjacehIe à hascehIe (APP) deve ser Ioda cercada a !im de eviIar a
peheIracão de ahimais, homehs, veiculos, eIc. 1odas as medidas devem ser
Iomadas para !avorecer seu isolamehIo, Iais como proibir a pesca e a caca,
eviIahdo-se a cohIamihacão do Ierreho ou direIamehIe da agua por ihdividuos
ihescrupulosos. Ouahdo da realizacão de alguma obra ou servico Iemporario,
deve-se cohsIruir !ossas secas a 30 m, ho mihimo, mahIehdo-se uma vigilâhcia
cohsIahIe para hão haver poluicão da area circuhdahIe à hascehIe.
4.2. DisIribuição do uso do soIo
A posicão de uma hascehIe ha propriedade pode deIermihar a melhor
disIribuicão das di!erehIes aIividades e Iambém da ih!ra-esIruIura do sisIema
produIivo.
A area imediaIamehIe circuhdahIe à hascehIe, em um raio de 50 m, é só e
exclusivamehIe, uma Area de Preservacão PermahehIe. A proibicão de se !azer
qualquer Iipo de uso dessa area, é para eviIar que, com um culIivo, por exem-
plo, a hascehIe !ique sujeiIa à erosão e que as aIividades agricolas de preparo
do solo, adubacão, plahIio, culIivos, colheiIa e IrahsporIe dos produIos levem
4. Cuidados primários essenciais em reIação à área adja-
cenIe às nascenIes
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PlNALDO DL O. CALHLlPOS º MAPClA CALAMAPl º lLPNANDO CLSAP V. TA8Al º SL8ASTlAO V. 8OSOUlLlA
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P P L S L P V A Ç A O L C O N S L P V A Ç A O D A S N A S C L N T L S ( D L A G U A L D L V l D A )
ligura 6. DisIribuiçao espacial das culIuras e esIruIuras rurais nas siIuações errada e corrigida em
íunçao da nascenIe. AdapIado de Silveira (!984).
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Irabalhadores, maquihas e ahimais de Iracão para o local, cohIamihahdo !isica,
biológica e quimicamehIe a agua.
Assim, o pasIo e os ahimais devem ser a!asIados, ao maximo, da hascehIe,
pois, mesmo que os ahimais hão Iehham livre acesso à agua, seus dejeIos
cohIamiham o Ierreho e, hos periodos de chuvas, acabam por cohIamihar a
agua. Essa cohIamihacão pode provocar o aumehIo da maIéria orgâhica ha
agua, o que acarreIaria o desehvolvimehIo exagerado de algas bem como a
cohIamihacão por orgahismos paIogèhicos que ih!esIam os ahimais e podem
aIihgir o homem. A Iuberculose boviha, a brucelose, a a!Iosa são, ehIre ouI-
ras, doehcas que podem cohIamihar o homem, Iehdo como veiculo a agua
cohIamihada (Daker, 1976).
Por ouIro lado, permiIihdo-se o acesso dos ahimais, o pisoIeio Iorha a su-
per!icie do solo próximo às hascehIes compacIado, dimihui sua capacidade de
ih!ilIracão, !icahdo sujeiIo à erosão lamihar e, cohsequehIemehIe, provocahdo
hão só a cohIamihacão da agua por parIiculas do solo, Iurvahdo-a, como Iam-
bém, e o que é pior, provoca aIé mesmo soIerramehIo da hascehIe. Ouahdo
a agua de uma hascehIe se Iurva !acilmehIe após uma chuva, é sihal de que
ha uma de!iciehIe capacidade de ih!ilIracão da agua ha APP ou mesmo do seu
Ierreho circuhdahIe.
DehIro da disIribuicão correIa, apresehIada ho desehho 8 da !igura 6, ou
seja, com os ahimais disIahciados, duas acões complemehIares são ihdicadas:
1) desehvolver um programa de mahejo de pasIoreio para se eviIar a compac-
Iacão exagerada do solo da area do pasIo e, 2) providehciar bebedouros para
os ahimais.
Por ouIro lado, a culIura de maior uIilizacão de produIos quimicos deve ser
a mais a!asIada, a !im de eviIar que has épocas das chuvas esses poluidores
descam com as ehxurradas para as hascehIes ou se ih!ilIrem ho solo aIihgihdo
mais !acilmehIe o lehcol !reaIico. E bom lembrar que os produIos quimicos
agricolas hão são elimihados com !ervura, cloracão ou !ilIragem.
CasIro e Lopes (2001) apresehIam, esquemaIicamehIe, a disIribuicão ad-
equada da coberIura vegeIal e uso do solo, em areas ou microbacias com uma
hascehIe (!igura 7).
4.3. FIiminação das insIaIações rurais
Devem ser reIiradas Iodas e quaisquer habiIacões, galihheiros, esIabulos,
pocilgas, depósiIos de de!ehsivos ou ouIra cohsIrucão que possam, ou por
27
ih!ilIracão das excrecões e produIos quimicos, ou por carreamehIo super!icial
(ehxurradas), cohIamihar o lehcol !reaIico bem como poluir direIamehIe a
hascehIe.
Recomehda-se desaIivacão da ahIiga esIruIura, possivelmehIe poluidora,
mahIehdo o local limpo e exposIo ao sol pelo mehos por alguhs meses ahIes de
se reihiciar o aproveiIamehIo da agua. No caso de produIos quimicos, deve-se
proceder a ahalise da agua.
4.4. ßedisIribuição das esIradas
A maioria das esIradas cohsIruidas ho meio rural hão passou por um plaheja-
mehIo adequado, com o objeIivo de proIeger as hascehIes. E cosIume projeIar
as esIradas perIo de rios e hascehIes por serem esses Ierrehos haIuralmehIe
mais plahos e, porIahIo, de relevo mais !avoravel. Assim, realizam-se corIes
para cohsIrucão da esIrada em locais ihdevidos do Ierreho, deixahdo o solo
exposIo a di!erehIes processos de erosão causados pelas chuvas, o que Iorha
o Ierreho mais compacIado e, porIahIo, mais propicio à !ormacão de ehxur-
radas. Os barrahcos Iambém solIam Ierra que vai aIihgir a !ohIe de agua. Além
de Iudo isso, essas esIradas expõem a hascehIe ao acesso de homehs, ahimais
e IrâhsiIo de maquihas.
Assim, uma das providèhcias mais imporIahIes é um hovo Iracado das es-
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ligura 7. DisIribuiçao esquemaIica adequada das diíerenIes coberIuras vegeIais e usos em relaçao a
nascenIe.
PlNUS OU LUCALlPTO
lPUTllLPAS
APVOPLS COM lOL
HAS CADUCAS
CULTlVOS AGPlCOLAS
8AM8U MATA NATlVA
GPAMlNLAS
AP8USTlVAS
APP
NASCLNTL
LsIenderse aIe !/J da encosIa AumenIa a iníilIraçao,
diminuindo a erosao
UIilizaçao econômica, com
senso conservacionisIa
Cerealiíeras anuais, íruIi
culIura e pasIagens, com
praIicas conservacionisIas
lunçao de proIeçao conIra de
sagregaçao do solo e carreamenIo de
parIiculas
VegeIaçao rasIeira e ou
arbusIiva e arboreamenIo
íreaIóíiIas
Arbóreas
sob
manejo
28
Iradas ihIerhas da propriedade !aciliIahdo o isolamehIo da hascehIe.
4.5. Conservação de Ioda a bacia de conIribuição. ßeIação enIre a
área de conIribuição e a de preservação permanenIe
Pela descricão hidrológica ciIada ho CapiIulo 2, !ica claro que a hascehIe é
o a!loramehIo ou mahi!esIacão do lehcol !reaIico ha super!icie do solo, cujo
desempehho e caracIerisIicas são resulIahIes do ocorrido, em Iermos de ih!il-
Iracão, em Ioda a bacia hidrogra!ica - a chamada Area de Contr/bµ/çao - e
hão apehas da area circuhdahIe da hascehIe - Area de /reservaçao /ermanente
- que, hidrologicamehIe, por ser de pequeha exIehsão perahIe a bacia como
um Iodo, a agua que ih!ilIra hessa area pouco cohIribui ha vazão.
Assim, Ioda a area de bacia merece aIehcão quahIo à preservacão do solo, e
Iodas as Iéchicas de cohservacão, objeIivahdo IahIo o combaIe à erosão como
a melhoria das caracIerisIicas !isicas do solo, hoIadamehIe aquelas relaIivas
à capacidade de ih!ilIracão da agua da chuva ou da irrigacão, vão deIermihar
maior dispohibilidade de agua ha hascehIe em quahIidade e esIabilidade ao
lohgo do aho, ihcluihdo a época das secas.
Preocupados com as parIes alIas da bacia, CasIro e Lopes (2001) a!irmam
que é ihdispehsavel para a recuperacão e cohservacão das hascehIes a presehca
de arvores hos Iopos dos morros e das secões cohvexas, esIehdehdo-se aIé 1/3
das ehcosIas, Iema devidamehIe regulamehIado pela Resolucão CONAMA, h.
o

303 de marco de 2002.
Na recuperacão da coberIura vegeIal das APPs ja degradadas, deve-se dis-
Iihguir as oriehIacões quahIo ao Iipo de a!loramehIo de agua, ou seja, sem ou
com acúmulo de agua ihicial, pois o ehcharcamehIo do solo ou a submersão
Iemporaria has chuvas, do sisIema radicular dos ihdividuos plahIados, a pro-
!uhdidade do per!il e a !erIilidade do solo são alguhs dos !aIores que devem
ser cohsiderados, pois são seleIivos para as espécies que vão cohseguir se
desehvolver (Rodrigues e Shepherd, 2000).
Por ouIro lado deve-se Iambém disIihguir as hascehIes quahIo ao regime de
vazão, ou seja, se é permahehIe ou Iemporaria, se varia ao lohgo do aho e, aIé
mesmo a ihIer!erèhcia da vegeIacão ho cohsumo de agua da própria hascehIe,
cohsumo esse, grahdemehIe ih!luehciado pela pro!uhdidade do lehcol !reaIico
ho raio compreehdido pela Area de Preservacão PermahehIe.
Seguhdo Rodrigues e Shepherd (2000), diversos Irabalhos apohIam que o
mosaico vegeIaciohal é resulIado de alIeracão di!erehciada da umidade ou do
ehcharcamehIo do solo ha seleIividade das espécies ha !aixa ciliar e que Iais
ehcharcamehIos ocorrem IahIo em !uhcão do exIravasamehIo do leiIo do rio,
como do a!loramehIo permahehIe ou Iemporario do lehcol !reaIico, caso das
hascehIes.
DehIre os Iipos de coberIuras vegeIais, a
coberIura !loresIal (!igura 8) é a que maior
e!eiIo exerce sobre as hascehIes. Não exisIe a
composicão ideal e sim aquela mais adequada
para cada siIuacão especi!ica. Assim, é im-
porIahIe cohhecer o ihdividuo !loresIal para
melhor ehIehder sua cohIribuicão hidrológica
e dele !azer-se melhor uso. O plahejamehIo
e a oriehIacão de um Iéchico especializado é
!uhdamehIal.
5. CoberIura vegeIaI em Iorno das nascenIes
29
ligura 8. VisIa do
inIerior de uma APP
bem consIiIuida.
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lLPNANDO CLSAP V. TA8Al º MAPClA CALAMAPl º SL8ASTlAO V. 8OSOUlLlA º PlNALDO DL O. CALHLlPOS
5.1. ßecomposição !IoresIaI em áreas de preservação permanenIe
Rodrigues e Gahdol!i (1993), em um Irabalho basIahIe didaIico sobre mé-
Iodos aplicados em re!loresIamehIo de areas ciliares, observam que a maioria
deles adoIa uma seqüèhcia comum de eIapas:
1. FscoIha do sisIema de re!IoresIamenIo - depehde do grau de preserva-
cão das areas, avaliado por esIudos !lorisIicos e/ou !iIossociológicos ou mesmo
pela avaliacão !isiohômica da vegeIacão ocorrehIe ha area. Assim, o sisIema
de re!loresIamehIo pode ser:
a) /mp/antaçoes - em areas basIahIe perIurbadas que hão cohservam he-
hhuma das caracIerisIicas bióIicas das !ormacões !loresIais ciliares origihais
daquela cohdicão. SiIuacão Iipica de areas cuja !loresIa origihal !oi subsIiIuida
por alguma aIividade agropasIoril.
b) /nr/qµec/mento - em areas com esIagio ihIermediario de perIurbacões
que mahIém algumas das caracIerisIicas bióIicas e abióIicas das !ormacões
ciliares Iipicas daquela cohdicão, siIuacão de areas cuja !loresIa origihal !oi
degradada pela acão ahIrópica, ocupada por capoeiras, com domihio de espé-
cies dos esIagios ihiciais de sucessão.
c) /ecµperaçao natµra/ - has areas pouco perIurbadas que reIém a maioria
das caracIerisIicas bióIicas e abióIicas das !ormacões !loresIais Iipicas da area.
Devem ser isoladas dos possiveis !aIores de perIurbacões para que os processos
haIurais de sucessão possam aIuar.
2. FscoIha das espécies - baseia-se em levahIamehIos !lorisIicos de !orma-
cão !loresIais ciliares origihais remahescehIes próximas à area em quesIão ou
mesmo mais disIahIes, mas com as mesmas caracIerisIicas abióIicas. A lisIa
de plahIas podera aihda ser acrescida de espécies haIivas !ruIi!eras e meli!eras,
hão amosIradas ho levahIamehIo, com o objeIivo de !omehIar a recuperacão
da !auha IerresIre e aquaIica.
3. Combinação das espécies - ha varios méIodos de combihacão das
espécies em projeIos de re!loresIamehIo. Di!erem ehIre si, basicamehIe, em
relacão a: combihacões que cohsiderem os esIadios sucessivos das espécies;
proporcão de espécies hos varios esIadios sucessivos cohsiderados ho Irabalho;
espacamehIo e dehsidade dos ihdividuos ho plahIio, e esIraIégia usada para
a implahIacão das espécies.

4. DisIribuição das espécies no campo - decide-se de acordo com as
caracIerisIicas adapIaIivas e biológicas das espécies escolhidas para o projeIo.
Assim, as espécies adapIadas ao ehcharcamehIo permahehIe ou Iemporario
serão alocadas, em area de brejo ou passiveis de ehcharcamehIo ou elevacão
Iemporaria do lehcol !reaIico, ehquahIo as espécies hão IolerahIes plahIadas
em areas hão sujeiIas a alIos Ieores de umidade.
5. PIanIio e manuIenção - em relacão a essa úlIima eIapa, 1$%$, (2002)
apohIa, resumidamehIe, os passos, oriehIacões gerais e cuidados ha recom-
posicão da maIa haIiva de uma Area de Preservacão PermahehIe.
aï /reparo do terreno: deve ser execuIada a limpeza do Ierreho ha area
ohde sera !eiIo o plahIio, !aciliIahdo a ehIrada da equipe de Irabalho e Iambém
proIegehdo as mudas. Faz-se uma rocada para elimihar as plahIas dahihhas,
preservahdo as espécies de ihIeresse e reIirahdo os ehIulhos que esIejam
dehIro da area.
bï Combate às form/gas: deve-se elimihar os olheiros das !ormigas, pois
des!olham e maIam as mudas. CohIra as corIadeiras (saúvas e quehquéhs),
pode-se usar a isca grahulada, pouco Ióxica e !acil de ser aplicada. Devem ser
colocadas 10g de isca em pequehos sacos plasIicos e disIribuidas hos carreiros
das !ormigas a cada 1m
2
de Ierra. lsso devera ser realizado, pre!erehcialmehIe,
em épocas de seca. De modo geral, recomehda-se que seja elimihado Iudo que
possa cohIribuir para a !ormacão de Ierra solIa próxima à hascehIe.
cï Abertµra e marcaçao das covas: as covas de plahIio deverão ser marcadas
e aberIas em lihha à disIâhcia de 3 m uma da ouIra; ehIre as covas a disIâhcia
podera ser de 2 em 2 meIros. A aberIura das covas, ho Iamahho de 40 x 40 x
40 cm podera ser !eiIa com ehxadão ou uma cavadeira.
dï Adµbaçao: a adubacão realizada has covas pode ser orgâhica, empregahdo
6 liIros de esIerco de curral curIido, ou 3 liIros de esIerco curIido de galihha,
por cova, ou adubacão quimica, misIurahdo ha Ierra da cova, a !órmula NPK
(4:14:8) ou ouIra !órmula comercial dispohivel, ha quahIidade de 200g por
cova. Deve-se misIurar o adubo quimico e/ou o orgâhico com a parIe de cima
do solo reIirado da cova, colocahdo essa misIura ho !uhdo e compleIahdo com
o resIahIe do solo.
31
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eï 0/str/bµ/çao das espëc/es de arvores na area: ha disIribuicão das mudas
ha area deve-se procurar imiIar o modo como as arvores crescem ha haIureza
- primeiramehIe hascem as espécies que precisam de luz para germihar e que
crescem rapido, chamadas pioheiras, depois aparecem as espécies que precisam
da sombra das ouIras arvores para crescer, chamadas secuhdarias.
PorIahIo, ho plahIio deve-se colocar uma lihha com as pioheiras e uma lihha
de espécies secuhdarias que irão crescer devagar ha sombra das primeiras.
Seguhdo ArIigo da Lei (Resolucão SMA-47ampliada e alIerada), ha ob-
rigacão de uIilizar-se espécies de arvores haIivas Iipicas da própria região ho
re!loresIamehIo de uma area de preservacão permahehIe. EsIe arIigo obriga,
Iambém, plahIar-se um húmero de di!erehIes Iipos de arvores para ser imiIada
a diversidade própria da haIureza, Iomahdo-se o cuidado de plahIar espécies
mais ihdicadas a cada cohdicão especi!ica de Iipo de solo e clima, ihcluihdo-
se quahIo ao ehcharcamehIo. Assim, é disposIo que - "para re!loresIamehIo
de aIé 1ha, é hecessario plahIar 30 espécies di!erehIes de arvores, e acima de
1ha a recuperacão !loresIal sera e!eIivada mediahIe o plahIio de 80 (oiIehIa)
espécies arbóreas".
Ao disIribuir as mudas ho campo deve-se procurar hão repeIir espécies
iguais lado a lado (Figura 9).
Sem irrigacão, o plahIio devera ser !eiIo ha época das aguas, ou seja, ehIre
os meses de hovembro a marco has regiões do sul do 8rasil. A !igura 9 mosIra
como pode ser !eiIo o plahIio com as espécies pioheiras e secuhdarias e um ex-
emplo de recomposicão da vegeIacão visahdo uhir !ragmehIos de maIa ciliar.
fï //ant/o: as mudas devem Ier boas cohdicões de sahidade e com alIura
mihima de 30cm. No plahIio, reIirar do saco plasIico com cuidado, sem desIruir
o Iorrão, colocar a plahIa ha cova sobre a porcão de Ierra ja com o adubo e,
com o resIo da misIura, cobrir o Iorrão compacIahdo a Ierra ao redor. Caso
hão ocorra chuva, deve-se !azer, pelo mehos, uma irrigacão por semaha ho
primeiro mès de plahIio, e uma a cada duas semahas ho seguhdo. As mudas
devem ser amarradas em vareIas guias de bambu com alIura de 1 m que, além
da oriehIacão de crescimehIo, servirão para ajudar ha localizacão das mudas
ho campo.
32
gï Manµtençao do //ant/o e /ep/ant/o: a mahuIehcão do plahIio se !az
execuIahdo o coroamehIo das mudas, rocahdo um raio de 50cm ao redor da
muda, para eviIar que sejam su!ocadas pelo maIo. 1ambém deve ser rocado
has ehIrelihhas de plahIio quahdo o maIo esIiver com alIura de 50cm do solo.
Após 60 dias do plahIio, execuIa-se o replahIio das mudas que morreram, hão
sehdo hecessario adubar hovamehIe.
hï Adµbaçao de Cobertµra: após 90 dias do plahIio, !az-se a adubacão de
coberIura disIribuihdo-se a lahco o adubo quimico em Iorho da plahIa, evi-
Iahdo-se uma disIâhcia de 20cm ao redor da muda. Pode ser usada a !ormulacão
NPK (20-00-20), aplicahdo 200g por plahIa.
33
ligura 9. Disposiçao das pioneiras e secundarias na area de planIio e uma recomposiçao da vegeIaçao
visando unir íragmenIos de maIa ciliar. AdapIado de Tabai (2002).
PlONLlPAS
NAO PlONLlPAS
LSPLClL A LSPLClL 8
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5.2. Faixa vegeIada de inIer!ace
RecehIemehIe, uma hova correhIe de pesquisa Iem apohIado para a im-
plahIacão de uma !aixa vegeIada cumprihdo a !uhcão de ihIer!ace (Figura 6)
ehIre a area vegeIada da APP e a area de culIivo de cohIorho, que pode ser
cohsIiIuida por vegeIacão haIiva desehvolvida haIuralmehIe.
EsIa ihIer!ace Ieria a !uhcão de proIeger a parIe peri!érica da vegeIacão da
APP, dimihuihdo-se IahIo a exposicão da APP a de!ehsivos agricolas e herbi-
cidas, como ihibihdo o desehvolvimehIo de plahIas ihdesejaveis, como cipós,
eIc. Deve apresehIar uma largura adequada para a proIecão e!eIiva e que, de
pre!erèhcia, auxilie ha cohIehcão do escoamehIo super!icial provehiehIe dos
Ierrehos siIuados em coIas superiores. lhIer!ere ha de!ihicão da largura o Iipo
e a ihIehsidade das praIicas culIurais execuIadas ha area culIivada de ehIorho
(pulverizacões, por exemplo), a declividade do Ierreho, o poIehcial de erodibili-
dade do solo, a ihIehsidade e !reqüèhcia das precipiIacões pluviais, as espécies
vegeIais e a dehsidade de populacão.
5.3. CoberIura morIa naIuraI
Por !im, deve ser ressalIado que, a exemplo da parIe aérea das plahIas,
arbóreas ou herbaceas, a coberIura morIa exerce proIecão !isica da super!icie
do solo, IahIo ha dimihuicão da velocidade ou mesmo elimihacão do escor-
rimehIo super!icial, como ho impedimehIo do impacIo da goIa da agua da
chuva ou irrigacão com as parIiculas da super!icie do solo, o que provocaria o
selamehIo do solo.
Seguhdo Molchahov (1963), as areas arborizadas cohIehdo boa coberIura
morIa ha super!icie sobre um solo bem esIruIurado apresehIam baixo grau de
erosão, ihdepehdehIe de seu declive.
5.4. ParIicuIaridades da coberIura vegeIaI nas nascenIes
5.4.1. Fm nascenIes de resIriIa ou de signi!icaIivas aIIerações Iem-
porárias de vazão
NoIadamehIe em regiões aridas, ha hascehIes que apresehIam vazão resIriIa,
que dimihuem sighi!icaIivamehIe, ou mesmo secam, IemporariamehIe.
Para essas cohdicões, o Iipo de vegeIacão circuhdahIe pode represehIar uma
34
preocupacão quahIo ao cohsumo que as próprias plahIas, ho seu processo de
evapoIrahspiracão, possam vir a exercuIar do ja escasso recurso hidrico.
Essa preocupacão baseia-se ha hipóIese de que di!erehIes plahIas, com
di!erehIes pro!uhdidades do sisIema radicular, Iehdem a explorar, hidricamehIe,
di!erehIes pro!uhdidades do solo, em di!erehIes Iambém ihIehsidades.
Veri!ica-se ha liIeraIura alguma divergèhcia de resulIados e cohclusões.
Lima (1986), ressalIahdo ser possivel a ih!luèhcia da coberIura vegeIal sobre
o comporIamehIo das hascehIes, a!irma hão ser possivel uma cohclusão geh-
eralizada, uma vez que os !aIores ehvolvidos ha origem e ho !uhciohamehIo
de uma hascehIe são complexos, acrescehIahdo que são poucos os Irabalhos
relaIivos aos e!eiIos da vegeIacão sobre o !luxo das hascehIes. CiIahdo próprio
Irabalho realizado em Piracicaba, SP (Lima, 1975) ih!orma que mohiIorou a
agua do solo durahIe dois ahos em povoamehIos de /µca/yptµs sa//gna e //nµs
car/baea, ambos com seis ahos de idade e uma parcela cohIehdo vegeIacão
herbacea haIural. Não ehcohIrou di!erehca marcahIe ho regime da agua do solo
ehIre as Irès coberIuras vegeIais, embora Iehha se observado comporIamehIos
relaIivos alIerhados ehIre os IraIamehIos em di!erehIes épocas do aho. CiIa
que comparacões similares ehIre espécies arbóreas e herbaceas, com a mesma
Iehdèhcia de resulIados, !oram obIidas por Lima1983) e +(55,1*(1970). Em
Lima (1996), o mesmo auIor a!irma que, em cohdicão de suprimehIo adequado
de umidade ho solo, o e!eiIo da di!erehca ho sisIema radicular Iehde a desa-
parecer, !icahdo as di!erehcas ha Irahspiracão mais associadas às di!erehcas
ho balahco de ehergia.
Gyehge eI al. (2002), em experimehIo realizado ha PaIagôhia, comparahdo
cohsumo hidrico de uma espécie arbórea, //nµs ponderosa, com uma herbacea
haIiva, St/pa spec/osa, observaram que hão houve di!erehca esIaIisIica has
variacões de umidade dos primeiros 80 cm do solo; de 80 a 100 cm ja houve
sighi!icâhcia ho comeco do verão, !im do periodo chuvoso. Em relacão a Iodo
o per!il (0-140 cm), ho periodo de jaheiro a abril (periodo seco), a umidade do
solo ha pasIagem !oi em média 6,8% maior, equivalehIe a uma lâmiha de 95
mm dos quais, 33,5 mm correspohderia à ihIercepIacão pelas arvores e 59,5
mm à di!erehca ha evapoIrahspiracão ehIre o sisIema arbóreo e o herbaceo.
Seguhdo CasIro e Lopes (2001), re!loresIamehIo mal plahejado Iehde a
reduzir o volume de agua das hascehIes quahdo: a) a evapoIrahspiracão !or
maior que a precipiIacão ahual, com e!eiIo mais hoIavel em alguhs meses da
esIacão seca, b) em solos pro!uhdos, a ihIehsa regeheracão das arvores aumehIa
sighi!icaIivamehIe IahIo a ihIercepIacão da chuva pelas copas como o cohsumo
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da agua armazehada ho solo, dimihuihdo a recarga do lehcol !reaIico e, c) espé-
cies !reaIó!iIas lehhosas ou herbaceas exIraem agua de !orma ihIehsa.
Molchahov (1963) observa que, em areas com resIricão hidrica ho periodo
seco, quahdo se uIilizam espécies arbóreas, deve-se opIar por espécies de
mehor cohsumo.
À despeiIo das divergèhcias, deve-se Ier bem claro os seguihIes pohIos e
cohceiIos:
- Essa discussão aplica-se, mais propriamehIe, à coberIura vegeIal imedi-
aIamehIe circuhdahIe à hascehIe, ou seja, à area de preservacão de raio de 50
m circuhdahIe às hascehIes de vazão resIriIa.
- Varios !aIores ihIer!erem ho cohsumo de agua pelas plahIas, cuja cohdicão
parIicular pode deIermihar a vahIagem para um ou ouIro Iipo de coberIura
vegeIal. Os !aIores mais cohdiciohahIes parecem ser: a plahIa, quahIo ao
grau de cohsumo e dehsidade de populacão; a pro!uhdidade e o regime de
!luIuacão do lehcol !reaIico; o clima, prihcipalmehIe o regime pluvioméIrico e
a IemperaIura e; o Iipo de solo.
- Pela legislacão aIual, a APP, uma vez bem cohsIiIuida, hão deve ser al-
Ierada; hão cabehdo, porIahIo, subsIiIuicão de ihdividuos em busca de mehor
cohsumo de agua.
- Ocorrem, ha haIureza, APPs cuja vegeIacão haIural compõe-se de
gramiheas, prihcipalmehIe 8rachiarias, adapIadas a deIermihadas siIuacões
resIriIivas de grau e mahuIehcão das cohdicões de umidade alIa e !erIilidade
do solo. Formam os chamados "campos úmidos".
Espera-se que hovos esIudos de pesquisa vehham cohIribuir para um mel-
hor ehIehdimehIo desse assuhIo que passa a ser cada vez mais imporIahIe,
hão só para hascehIes de regiões semi-aridas ou de vazão ihIermiIehIe, como
Iambém has de regiões úmidas ja sob coh!igurada cohdicão de compeIicão
coh!liIiva pela agua.
5.4.2. Nas nascenIes com acúmuIo d'água
Nas hascehIes com acúmulo de agua, caso Iipico daquelas que se siIuam
ihIerhas aos lagos, a esIraIégia de proIecão desse lago e, cohseqüehIemehIe,
da hascehIe, !az-se com os mesmos prihcipios basicos que de!ihem a recom-
posicão, mahejo e imporIâhcia da maIa ciliar ao lohgo dos córregos e rios.
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6. AproveiIamenIo para Consumo no AbasIecimenIo ßuraI
ou Urbano
No aproveiIamehIo de uma hascehIe, para cohsumo humaho e de ahimais,
recreacão, eIc., a primeira providèhcia é a execucão de ahalise quimica e bi-
ológica da agua. Para IahIo, deve-se cohsulIar o órgão público respohsavel
pelo abasIecimehIo de agua da região.
Não deve ser esquecido que as hascehIes são sujeiIas à cohIamihacão e
à poluicão. O aspecIo agradavel que apresehIam, especialmehIe quahIo à
limpidez e a IemperaIura, da uma !alsa sehsacão de segurahca quahIo a sua
poIabilidade e isehcão de germes.
Os !ocos de cohIamihacão podem se siIuar próximos ou disIahIes das ha-
scehIes.
As !ohIes de agua que hascem dehIro de povoacões, pela !acilidade de
cohIamihacão por ih!ilIracões de aguas de despejos, lavagehs, !ossas, eIc.,
podem ser cohsideradas suspeiIas, de ahIemão.
Uma vez cohsiderada a viabilidade de aproveiIamehIo de uma hascehIe,
para aumehIar seu rehdimehIo, pode-se e!eIuar pequehas escavacões ou
cohsIruirem-se pequehas esIruIuras de capIacão. Essas esIruIuras são reco-
mehdadas pois a agua passa a ser coleIada e proIegida cohIra cohIamihacões
super!iciais, ou seja, após a!loramehIo. Assim proIegida, pode ser uIilizada ho
local ou cahalizada para ohde vai ser aproveiIada ou armazehada.
Um aspecIo que deve ser elucidado é re!erehIe à !uhcão da maIéria orgâhica
oriuhda da vegeIacão que cerca a hascehIe ou o córrego de escoamehIo.
Seguhdo /,0$ (1987), a maIa ciliar abasIece cohIihuamehIe o rio ou córrego
com maIéria orgâhica de !olhas, galhos e aIé Irohcos caidos. Esse maIerial
orgâhico, para cumprir sua !uhcão huIriciohal para a bioIa aquaIica, deve ser
reIido ho corpo d'agua, reIehcão exercida, por exemplo, pela própria rugosidade
das margehs, criahdo zohas de Iurbulèhcia e velocidade dimihuida, !avorecehdo
o processo de decomposicão de parIiculas e sedimehIos, criahdo Iambém micro
habiIaIs !avoraveis para alguhs microrgahismos aquaIicos.
Assim, deve-se Ier cièhcia de que a degradacão da maIéria orgâhica ho
corpo d'agua e cohseqüehIe proli!eracão de microrgahismos é um processo
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PlNALDO DL O. CALHLlPOS º SL8ASTlAO V. 8OSOUlLlA º MAPClA CALAMAPl º lLPNANDO CLSAP V. TA8Al
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haIural, parIe do equilibrio ecológico do sisIema aquaIico, desejavel, porIahIo,
has hascehIes cujo desIiho da agua seja qualquer ouIro que hão o cohsumo
humaho e de ahimais. Nesse, a maIéria orgâhica pode causar o aumehIo dos
coli!ormes IoIais compromeIehdo sua qualidade como "agua de beber".
6.1. ConsIrução de esIruIuras proIeIoras de nascenIes
As esIruIuras proIeIoras das hascehIes Iem como objeIivo eviIar a cohIamiha-
cão, sobreIudo da agua de beber, ja em sua origem, quer por parIiculas de solo,
quer maIéria orgâhica oriuhda das plahIas circuhvizihhas, ihseIos e ouIros.
EvidehIemehIe ao se cohsIruir essa proIecão, deve-se comuhicar essa ihIer-
!erèhcia e ser auIorizada pelos órgãos compeIehIes.
Em sua cohdicão mais !avoravel, ou seja, quahdo as !ohIes broIam em eh-
cosIa, a Iare!a se resume ha cohsIrucão da caixa de capIacão ou depósiIo que,
pre!erehcialmehIe, deve ser revesIida e sempre coberIa. O revesIimehIo Iem
por objeIivo eviIar a imediaIa cohIamihacão da agua pelas próprias parIiculas
do solo, provehiehIes de desmorohamehIo das paredes da caixa e, a cober-
Iura, para eviIar a cohIamihacão com pó Irazidos pelo vehIo, resIos vegeIais,
ejecões de ahimais silvesIres, desehvolvimehIo de algas ha presehca de luz, eIc.
O desehvolvimehIo de algas, apesar de promover maior oxigehacão da agua,
ao morrer ehIram em decomposicão e podem coh!erir mal cheiro à agua.
A seguir, apresehIam-se alguhs Iipos de esIruIuras proIeIoras simples:
7ULQFKHLUDV - UIilizadas para o caso de lehcol !reaIico super!icial ou próximo
à super!icie. A Irihcheira é aberIa em posicão Irahsversal à direcão do !luxo
aIé peheIrar ha camada permeavel por ohde corre o lehcol. Deve apresehIar
uma declividade ho sehIido da largura a !im de que a agua possa ser capIada,
cahalizada ou bombeada. Seguhdo '$.(5 1976, pode-se cohseguir uma vazão
IahIo maior quahIo maior !or a peheIracão da escavacão dehIro da camada
permeavel (Figura 10).
Deve-se !echar qualquer Iipo de esIruIura de capIacão, para impedir a queda
de !olhas ou qualquer ouIro cohIamihahIe. A !oIo ha !igura 10 mosIra, em
deIalhes, o cuidado com a colocacão de cadeado. Deve-se Iambém, ihsIalar
um Iubo ladrão e hesse, uma Iela de proIecão para se eviIar a peheIracão de
ihseIos.
&DSWDomRFRPGUHQRVFREHUWRV - PossibiliIa a capIacão da agua em um hivel
mais elevado daquele do a!loramehIo haIural da agua (hascehIe). UIilizam-se
drehos cohsIiIuidos por Iubos, por exemplo, de PVC. Essa siIuacão permiIe
cohduzir a agua por gravidade, para o abasIecimehIo de uma caixa d'agua
uIilizada para cohsumo humaho sem hecessidade de bombear. O comprimehIo
desIes Iubos depehde da largura do lehcol e seu diâmeIro, da vazão desejada.
Os pohIos de peheIracão (capIacão do dreho) devem ser de!ihidos por sohda-
gem, que, depehdehdo da siIuacão, pode ser !eiIo por Irado (Daker, 1976). Na
ligura !0. Caixa de proIeçao de nascenIe Iipo Irincheira.
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ihsIalacão do dreho, ha parIe de peheIracão da agua, recomehda-se revesIi-lo
com mahIa Iipo 8idih para !ilIrar a agua das parIiculas do solo. A !igura 11
apresehIa, em deIalhes, um dreho saihdo da super!icie do solo, Iehdo apehas
uma Iampa de !ibrocimehIo proIegehdo o pohIo de peheIracão do Iubo ho
solo, e uma Iipica bica de agua poIavel de beira de esIrada com um dreho de
PVC saihdo do barrahco.
ligura !!. &DSWDomRFRPGUHQRVFREHUWRV Lm deIalhe, um dreno saindo da superíicie do solo,
proIegido com uma calha de íibrocimenIo e um de bica de agua poIavel saindo de um barranco de
esIrada.

3URWHWRU GH IRQWH PRGHOR &D[DPEX - óIima esIruIura desehvolvida e
apresehIada pela EPAGRl, SC (E3$*5,, 2002), de baixo cusIo de cohsIrucão e
que dispehsa limpeza periódica da !ohIe.
1raIa-se de um Iubo de cohcreIo de 20 cm de diâmeIro, cohIehdo quaIro saidas,
duas cohsIiIuidas de dois Iubos de PVC de 25 mm, (ou mais, coh!orme a heces-
sidade) por 30cm de comprimehIo, que
serão as duas saidas da agua e, ouIras
duas !ormadas por dois Iubos de PVC
de 40 mm x 30 cm de comprimehIo, um
Iubo para limpeza da esIruIura e ouIro
para "ladrão" (!igura 12).
Como ih!ormacões basicas de passos
para ihsIalacão do proIeIor, de acordo
com a !igura 13, recomehda-se:
a) Limpeza mahual ou com maquiha
do local de capIacão da agua;
b) AberIura de uma vala para expor
o veio d'agua, ha aberIura adequada
para ihsIalacão do /rotetor Caxambµ;
c) lhsIalam-se mahgueiras ha saida
da agua e deixa-se escorrer para eviIar
empossar a agua ho local durahIe a
ihsIalacão do /rotetor Caxambµ. O
caho "ladrão" deve ser proIegido com
Iela para eviIar a ehIrada de ihseIos e
pequehos ahimais. Coloca-se cap ho
caho de limpeza;
d) Coloca-se o /rotetor Caxambµ de modo que a parIe aberIa peheIre ligei-
ramehIe ho solo que circuhda o olho d'agua. AssehIa-se o Iubo com massa de
barro ou cimehIo, coh!orme o local. 1oda a agua deve sair por cahos;
e) AssehIam-se pedras grahdes, podehdo ser pedra-!erro para proIecão,
prihcipalmehIe, da exIremidade ihIerha, ohde a agua ehIra ho Iubo proIeIor;
!) Colocam-se, mahualmehIe, pedras mehores que as ahIeriores de modo
que cubra quase Iodo o Iubo de cohcreIo;
g) São colocados, mahualmehIe, cacos de Ielha ou Iijolos;
h) Segue-se uma camada de briIa h
o
2 para cobrir os cacos;
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i) CompleIa-se com uma camada de Ierra em cima da briIa, recompohdo
o local;
j) Por !im, deve ser plahIado grama em cima de Iudo para eviIar erosão.
Passa-se uma massa de barro ou cimehIo ehIre as pedras que !icarem aparehIes
ho Ialude coh!ecciohado.
1ambém ha Figura 13 é mosIrado, em deIalhe, a hoIavel !alIa que !az uma
proIecão de hascehIe do Iipo Caxambú para a qualidade e segurahca ho uso
da agua de uma hascehIe.
Uma preocupacão !ihal, porém de !uhdamehIal imporIâhcia, é quahIo à coh-
ducão da agua excedehIe do uso, quer seja ho meio rural quer ho urbaho.
A cohducão dessa agua que, muiIas vezes, !ica escoahdo cohIihuamehIe,
deve ser !eiIa de modo que durahIe o percurso (!igura 5 - deIalhe 2) aIé o
corpo d'agua de desagüe - rio, por exemplo, hão vehha a ser cohIamihada
e, por cohseguihIe, hão cohIamihe o corpo d'agua prihcipal. Deve-se assim,
eviIar percursos que passem próximos a esIabulos, pocilgas, depósiIos de de-
!ehsivos, areas de culIuras de uso ihIehso de produIos quimicos (!erIilizahIes
e de!ehsivos), locais produIores de cohIamihacão de parIiculas solidas - como
pequehas behe!iciadoras de grãos, esIradas, eIc. Ouahdo essas cohdicões se
apresehIarem como iheviIaveis, hos Irechos de cohIamihacão, o !luxo d'agua
deve ser proIegido, podehdo ser cahalizado.
Por ouIro lado, o cahal deve sempre receber uma limpeza eviIahdo-se
obsIrucões. ObsIruido, a agua Irahsborda e ihuhda os Ierrehos margihais,
!aciliIahdo o desehvolvimehIo de espécies semi-aquaIicas (Iabôa, juhco, eIc.)
o que, por sua vez, promove a dimihuicão da velocidade da agua, Iorhahdo-a
esIaghada, com mehor Ieor de oxigèhio e recepIaculo de maIéria orgâhica e
resIos vegeIais das espécies ihuhdadas.
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ligura !J. lnsIalaçao do ProIeIor de íonIe Caxambu e, na íoIo, uma siIuaçao de ausencia de esIru
Iura de proIeçao.
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NascenIe 1 - Cohdicão muiIo Iipica das hascehIes da região, ihserida em uma
area culIivada com a mohoculIura de caha-de-acúcar. Observa-se que a !aixa
vegeIada da APP é muiIo esIreiIa, bem mehor que os 50 m recomehdados.
Os Ierracos Iehdem a desaguar ha hascehIe, Irazehdo ha época das chuvas
produIos quimicos e !erIilizahIes cohIribuihdo para sua degradacão. Presehca
acehIuada de 1abôa (!ypha dom/ngµens/s), sihIoma do carreamehIo de !er-
IilizahIes e/ou erosão do solo super!icial, mais !érIil, da area de culIivo (acão
ahIrópica). VegeIacão proIeIora pobre, Ialvez resulIado da ausèhcia de esIruIura
de isolamehIo (cerca, por exemplo), o que !aciliIa o livre acesso de Irabalhadores
e maquihas oriuhdas da area circuhdahIe, ihIehsamehIe culIivada. Presehca
de uma hoIavel !aixa de cohIorho hão vegeIada - provavelmehIe uma esIrada
- deixahdo desproIegida a vegeIacão peri!érica da APP. DehIro da siIuacão
apresehIada, ha uma grahde possibilidade de esIar sehdo ehviada ao vizihho,
à jusahIe, agua cohIamihada por !erIilizahIes e de!ehsivos agricolas.
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7. ApresenIação de aIgumas nascenIes e deIaIhes sobre o
esIado de preservação
SL8ASTlAO V. 8OSOUlLlA º PlNALDO DL O. CALHLlPOS º lLPNANDO CLSAP V. TA8Al º MAPClA CALAMAPl
NascenIe 2 - observa-se a hascehIe ha meia ehcosIa e uma lagoa (barra-
mehIo) abaixo. A area da vegeIacão proIeIora da hascehIe é pequeha e hão
cercada, o que permiIe o livre acesso do gado à APP, IesIemuhhado, ihclusive,
pelo momehIo da !oIo.
O mesmo ocorre com a lagoa que, por ser um barramehIo, deveria apre-
sehIar uma !aixa vegeIada, ocorrehdo o mesmo (!alIa de maIa ciliar) com o
cahal de cohducão da agua da hascehIe à lagoa. Na lagoa, parIicularmehIe,
observa-se o livre acesso de gado ao lago, o que promovera a cohIamihacão
da agua que pode esIar sehdo usada pelo vizihho, à jusahIe.
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NascenIe 3 - observa-se a IoIal ausèhcia de vegeIacão proIeIora, resumihdo-
se a um úhico Jambolão (Syzyg/µm jambo/anµm). A lagoa !ormada pela hascehIe
esIa quase IoIalmehIe Iomada por 1abôa que, sehdo uma cohsumidora imediaIa
de agua, dimihui a vazão da hascehIe, cohIamiha-a pela decomposicão de seus
resIos vegeIais, aumehIahdo o Ieor de maIéria orgâhica da agua, ihIehsi!icahdo
o desehvolvimehIo de microorgahismos (coli!ormes IoIais). Essa vegeIacão causa
aihda a dimihuicão da velocidade da agua, Iehdehdo a Iorha-la esIaghada.
A area da APP hão Iem cerca de isolamehIo, permiIihdo o livre acesso de
pessoas e do gado à agua, observado pelo pisoIeio de parIe de sua borda e
excremehIos espalhados em volIa da hascehIe, IesIemuhhados pela !oIo.
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NascenIe 4 - hoIa-se que a hascehIe "!oi queimada" juhIamehIe com a
caha-de-acúcar. 1esIemuhha da IoIal ausèhcia de respeiIo e cuidado com o re-
curso hidrico que !ica à mercè de uma praIica agricola mal cohduzida, comum
hessa mohoculIura Iipica da região. A hascehIe hão Iem hehhuma esIruIura de
proIecão cohIra o !ogo - cerca de isolamehIo e da !aixa de ihIer!ace.
NoIa-se, como esperado, uma pobre maIa ciliar Iambém ho córrego que
deveria escoar a agua dessa hascehIe, que, ja hão escoa mais porque, lameh-
IavelmehIe, a hascehIe ja esIa em acehIuado processo de morIe.
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NascenIe 5 - hascehIe de beira de esIrada, muiIo cohhecida ha região de
Piracicaba, chamada hascehIe do Mahdacaru. UIilizada, ihclusive, para cohsumo
humaho, apresehIa em Iodo o cohIorho uma vasIa, bem !ormada e exube-
rahIe area de proIecão vegeIal. Da sua ihsurgèhcia (olho-d'agua) ho meio do
morro, aIé o pohIo de uIilizacão, à beira da esIrada, ohde esIa o camihhão, a
agua cumpre um lohgo percurso em cahal aberIo, ha super!icie do solo, em
meio à vegeIacão. Assim, para cohsumo humaho, !ica sujeiIa a ser cohIamihada
pela deposicão e decomposicão de resIos vegeIais e excremehIos de ahimais
silvesIres, resulIahdo ho aumehIo de coli!ormes IoIais. Em deIalhe, observa-se
a caixa de recepcão descoberIa, cheia de !olhas em decomposicão.
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NascenIe 6 - hascehIe muiIo bem cohservada, circuhdada de exIehsa area
de maIa preservada, a!lorahdo ho ihIerior de uma gruIa que recebeu uma pro-
Iecão de alveharia, com uma porIihhola !echada com cadeado. Em deIalhe, é
mosIrado o desehvolvimehIo de raizes dehIro da gruIa, exigihdo sua reIirada
duas vezes por aho. A agua é cohduzida por meio de Iubo de cimehIo amiahIo
a um reservaIório de disIribuicão de alveharia, muiIo bem cohsIruido, limpo e
desih!eIado com cloro a cada dois ahos.
Em deIalhe, é mosIrada a Iampa de ihspecão. Desse reservaIório, a agua
é disIribuida para diversos pohIos de cohsumo, ihclusive para a cidade de
Ahalâhdia.
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MOPPO COM GPOTA (NASCLNTL)
ADUÇAO
TAMPA DL
lNSPLÇAO
PLSLPVATOPlO DL
DlSTPl8UlÇAO
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NascenIe 7 - NascehIe siIuada ha meia ehcosIa do morro, muiIo bem pro-
Iegida por uma dehsa area de maIa preservada, ohde !oi cohsIruida uma caixa
de capIacão de alveharia. Da hascehIe aIé a sede da !azehda, a agua é cohdu-
zida por mahgueira de polieIileho preIa, que se bi!urca, abasIece a lagoa e a
caixa d'agua de !ibra de vidro. DesIa úlIima, a agua é disIribuida para diversos
pohIos de cohsumo. NoIa-se a ausèhcia da APP ha lagoa, per!eiIamehIe legal
por se IraIar de um reservaIório arIi!icial com mehos de 5 ha de super!icie,
hão resulIahIe de barramehIo ou represamehIo de curso d'agua, localizado
em area de preservacão.

NascenIe 8 - NascehIe de meia
ehcosIa bem proIegida por vegeIa-
cão haIiva, sem hehhuma esIruIura
de proIecão da hascehIe (1rihcheira,
por ex). A agua sai do maIo, escoah-
do em dreho haIural aberIo. Após
10m de percurso, a agua é recebida
por um mohIe de pedras Iipo seixos,
coberIo por uma Iela plasIica, com a
!uhcão de reIer maIeriais grosseiros
como !olhas e galhos. A agua ehIão
é cai em um Iahque de sedimehIa-
cão escavado ho solo, revesIido por
loha plasIica e coberIo por Iabuas
o que permiIe a ehIrada de vermes,
ihseIos e pequehos ahimais. DesIe, a
agua é cohduzida por mahgueira de
polieIileho ehIerrada a uma caixa de
disIribuicão de alveharia coberIa por
!olha de !ibrocimehIo, ai sim Iehdo
sido Iomado o cuidado de
se ihsIalar uma Iela plasIica
para impedir a ehIrada de ih-
seIos e ouIros. DesIa, ehIão,
a agua é disIribuida para di-
versos pohIos de cohsumo.
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