PROFESSOR

caderno do

1a SÉRIE

ensino médio

volume 1 - 2009

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ARTE
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Coordenação do Desenvolvimento dos Conteúdos Programáticos e dos Cadernos dos Professores Ghisleine Trigo Silveira AUTORES Ciências Humanas e suas Tecnologias Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton Luís Martins e Renê José Trentin Silveira Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo, Regina Célia Bega dos Santos e Sérgio Adas História: Paulo Miceli, Diego López Silva, Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli e Raquel dos Santos Funari Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe, Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina Schrijnemaekers Ciências da Natureza e suas Tecnologias Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Santana, Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo Venturoso Mendes da Silveira e Solange Soares de Camargo Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Leite, João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto, Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo Rogério Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro, Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão, Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume Física: Luis Carlos de Menezes, Sonia Salem, Estevam Rouxinol, Guilherme Brockington, Ivã Gurgel, Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira, Maxwell Roger da Purificação Siqueira e Yassuko Hosoume Química: Denilse Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza, Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença de Sousa Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria Eunice Ribeiro Marcondes, Maria Fernanda Penteado Lamas e Yvone Mussa Esperidião

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Arte: Geraldo de Oliveira Suzigan, Gisa Picosque, Jéssica Mami Makino, Mirian Celeste Martins e Sayonara Pereira Educação Física: Adalberto dos Santos Souza, Jocimar Daolio, Luciana Venâncio, Luiz Sanches Neto, Mauro Betti e Sérgio Roberto Silveira LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, Alzira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Donnini Rodrigues, Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles Fidalgo Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar, José Luís Marques López Landeira e João Henrique Nogueira Mateos Matemática Matemática: Nílson José Machado, Carlos Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Pastore Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Ferreira da Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Walter Spinelli Caderno do Gestor Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de Felice Murrie Equipe de Produção Coordenação Executiva: Beatriz Scavazza Assessores: Alex Barros, Antonio Carlos de Carvalho, Beatriz Blay, Carla de Meira Leite, Eliane Yambanis, Heloisa Amaral Dias de Oliveira, José Carlos Augusto, Luiza Christov, Maria Eloisa Pires Tavares, Paulo Eduardo Mendes, Paulo Roberto da Cunha, Pepita Prata, Renata Elsa Stark, Solange Wagner Locatelli e Vanessa Dias Moretti Equipe Editorial Coordenação Executiva: Angela Sprenger Assessores: Denise Blanes e Luis Márcio Barbosa Projeto Editorial: Zuleika de Felice Murrie Edição e Produção Editorial: Conexão Editorial, Edições Jogo de Amarelinha, Jairo Souza Design Gráfico e Occy Design (projeto gráfico) APOIO FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

Governador José Serra Vice-Governador Alberto Goldman Secretária da Educação Maria Helena Guimarães de Castro Secretária-Adjunta Iara Gloria Areias Prado Chefe de Gabinete Fernando Padula Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas Valéria de Souza Coordenador de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo José Benedito de Oliveira Coordenadora de Ensino do Interior Aparecida Edna de Matos Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE Fábio Bonini Simões de Lima

EXECUÇÃO Coordenação Geral Maria Inês Fini Concepção Guiomar Namo de Mello Lino de Macedo Luis Carlos de Menezes Maria Inês Fini Ruy Berger GESTÃO Fundação Carlos Alberto Vanzolini Presidente do Conselho Curador: Antonio Rafael Namur Muscat Presidente da Diretoria Executiva: Mauro Zilbovicius Diretor de Gestão de Tecnologias aplicadas à Educação: Guilherme Ary Plonski Coordenadoras Executivas de Projetos: Beatriz Scavazza e Angela Sprenger COORDENAÇÃO TÉCNICA CENP – Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegidos* deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei nº 9.610/98. * Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não estejam em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais. Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas

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São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Caderno do professor: arte, ensino médio - 1a série, volume 1 / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Geraldo de Oliveira Suzigan, Gisa Picosque, Jéssica Mami Makino, Mirian Celeste Martins, Sayonara Pereira. – São Paulo: SEE, 2009. ISBN 978-85-7849-212-0 1. Arte 2. Ensino Fundamental 3. Estudo e ensino I. Fini, Maria Inês. II. Suzigan, Geraldo de Oliveira. III. Picosque, Gisa. IV. Makino, Jéssica Mami. V. Martins, Mirian Celeste. VI. Pereira, Sayonara. VII. Título. CDU: 373.5:7

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Prezado(a) professor(a), Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2008 para atender a uma das prioridades da área de Educação neste governo – o ensino de qualidade –, encaminhamos a você o material preparado para o ano letivo de 2009. As orientações aqui contidas incorporaram as sugestões e ajustes sugeridos pelos professores, advindos da experiência e da implementação da nova proposta em sala de aula no ano passado. Reafirmamos a importância de seu trabalho. O alcance desta meta é concretizado essencialmente na sala de aula, pelo professor e pelos alunos. O Caderno do Professor foi elaborado por competentes especialistas na área de Educação. Com o conteúdo organizado por disciplina, oferece orientação para o desenvolvimento das Situações de Aprendizagem propostas. Esperamos que você aproveite e implemente as orientações didáticopedagógicas aqui contidas. Estaremos atentos e prontos para esclarecer dúvidas ou dificuldades, assim como para promover ajustes ou adaptações que aumentem a eficácia deste trabalho. Aqui está nosso novo desafio. Com determinação e competência, certamente iremos vencê-lo! Contamos com você.

Maria Helena Guimarães de Castro
Secretária da Educação do Estado de São Paulo

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SuMário
São paulo faz escola – uma proposta Curricular para o estado Ficha do Caderno 7 8 5 encontros escritos com professores de arte Arte, cidade e patrimônio cultural 12

Proposição para Sondagem – Uma conversa sobre arte, cidade e patrimônio cultural 14 Situação de Aprendizagem 1 – Artes visuais Situação de Aprendizagem 2 – Música Situação de Aprendizagem 3 – Dança Situação de Aprendizagem 4 – Teatro Nutrição Estética 39 24 28 33 18

Situação de Aprendizagem 5 – Conexão com o território de processo de criação e mediação cultural 39 Síntese do bimestre e avaliação 41

Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do tema 42 Glossário 44 46

Artistas e obras

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no contexto das escolas. Os Cadernos dialogaram com seu público-alvo e geraram indicações preciosas para o processo de ensino-aprendizagem nas escolas e para a Secretaria. São pAulo FAz eSColA – uMA propoStA É com muita satisfação que apresento a todos a versão revista dos Cadernos do Professor. por meio de um intenso diálogo sobre o que estava sendo proposto. Isso provocou ajustes que incorporaram as práticas e consideraram os problemas da implantação.indd 5 6/8/2009 14:19:16 . Os Cadernos foram lidos. Esta nova versão também tem a sua autoria. fundamental à implantação da Proposta Curricular. parte integrante da Proposta Curricular de 5a a 8a séries do Ensino Fundamental – Ciclo II e do Ensino Médio do Estado de São Paulo. apresentadas durante a primeira fase de implantação da proposta. e a nova versão tem agora a medida das práticas de nossas salas de aula. Sabemos que o material causou excelente impacto na Rede Estadual de Ensino como um todo. Foi vivida nos Cadernos do Professor e compreendida como um texto repleto de significados. com indicações permanentes sobre a avaliação dos critérios de qualidade da aprendizagem e de seus resultados. Críticas e sugestões surgiram. Não houve discriminação. as indicações vieram no sentido de aperfeiçoá-los. mas em construção. uma vez que inclui suas sugestões e críticas. Os ajustes nos Cadernos levaram em conta o apoio a movimentos inovadores. Esta nova versão considera o “tempo de discussão”. apostando na possibilidade de desenvolvimento da autonomia escolar. que gerencia esse processo. gerador de novos significados e de mudanças de ideias e atitudes. A Proposta Curricular não foi comunicada como dogma ou aceite sem restrição.CurriCulAr pArA o eStAdo Prezado(a) professor(a). analisados e aplicados. Ao contrário. 5 ARTE_1s_1bi. mas em nenhum momento se considerou que os Cadernos não deveriam ser produzidos. Esse “tempo” foi compreendido como um momento único.

competências e habilidades. Bom ano letivo de trabalho a todos! Maria inês Fini Coordenadora Geral Projeto São Paulo Faz Escola 6 ARTE_1s_1bi. de aprendizagem. O objetivo dos Cadernos sempre será apoiar os professores em suas práticas de sala de aula.Sempre é oportuno relembrar que os Cadernos espelharam-se. metodologias.indd 6 6/8/2009 14:19:16 . que também é de vocês. reverter o estigma que pesou sobre a escola pública nos últimos anos e oferecer educação básica de qualidade a todas as crianças e jovens de nossa Rede. Posso dizer que esse objetivo foi alcançado. Conto mais uma vez com o entusiasmo e a dedicação de todos os professores. por excelência. com sucesso. porque os docentes da Rede Pública do Estado de São Paulo fizeram dos Cadernos um instrumento pedagógico com vida e resultados. Para nós. de forma objetiva. avaliação e recursos didáticos. na Proposta Curricular. O uso dos Cadernos em sala de aula foi um sucesso! Estão de parabéns todos os que acreditaram na possibilidade de mudar os rumos da escola pública. da Secretaria. já é possível antever esse sucesso. para cumprir as 10 metas do Plano Estadual de Educação. para que possamos marcar a História da Educação do Estado de São Paulo como sendo este um período em que buscamos e conseguimos. e faz parte das ações propostas para a construção de uma escola melhor. revelando uma maneira inédita de relacionar teoria e prática e integrando as disciplinas e as séries em um projeto interdisciplinar por meio de um enfoque filosófico de Educação que definiu conteúdos. Esta nova versão dá continuidade ao projeto político-educacional do Governo de São Paulo. referência comum a todas as escolas da Rede Estadual. transformando-a em um espaço.

cidade e patrimônio cultural 7 ARTE_1s_1bi. cultura e práticas culturais nome da disciplina: área: etapa da educação básica: Série: período letivo: temas e conteúdos: Arte Linguagens.FiCHA do CAderno Cidade. Códigos e suas Tecnologias Ensino Fundamental 1a 1o bimestre de 2009 Arte.indd 7 6/8/2009 14:19:16 .

o encontro com os textos de Gilles Deleuze. música. Essas constantes mutações sensoriais provocadas pela obra nos dão a sensação de uma arquitetura mole. na qual o curso da linha nos põe em movimento. em diferentes momentos e situações de nossa vida pedagógica.indd 8 6/8/2009 14:19:16 . da artista Iole de Freitas. com professores de Arte e suas inquietudes em sala de aula. o encontro. avistamos uma forma.enControS eSCritoS CoM proFeSSoreS de Arte São muitos os encontros que ajudam a materializar os escritos deste Caderno do Professor de Arte. A obra nos faz imaginar. teatro e dança. é que avistamos e delineamos o mapeamento que chamamos de territórios da Arte. por proximidade. em veredas. numa imaginação fluida que abre passagem ao exercício de invenção de outra configuração para o curso dessa linha. Como pensamento curricular em Arte. às avessas de uma estrutura de organização de conteúdos sequenciais para artes visuais. leve e pesado. E. 8 ARTE_1s_1bi. o encontro com a linguagem da Arte e suas paisagens distintas com olhos que passeiam pelas artes visuais. imaginamos a possibilidade de pensar essas áreas de estudo por meio da composição de um mapa que possuísse a capacidade de criar um encontro entre as diferentes modalidades artísticas por diferentes ângulos de visão. criando um espaço para estes territórios? Qual forma encontrar que fizesse mais visível a complexidade desse pensamento curricular movido por territórios da Arte? Como traçar um desenho sem núcleo central. o curso da linha nos faz pensar em caminhos. Num exercício de pensar sobre a Arte na cultura e pinçar do próprio sistema de Arte diferentes ângulos de visão sobre ela. como sendo: f Linguagens artísticas f Processo de criação f Materialidade f Forma-conteúdo f Mediação cultural f Patrimônio cultural f Saberes estéticos e culturais Nesse movimento de dimensão cartográfica. contínuo e descontínuo. Na obra. gerou conversas que cultivam a necessária abertura para pensar possíveis processos educativos em Arte. professores autores. a bailar no espaço em superfícies múltiplas. fazendo conexões múltiplas e arranjos heterogêneos? Do encontro com a obra Estudo para superfície e linha. São encontros de várias naturezas: o encontro entre nós. pela música. que inspiram a concepção do pensamento curricular em Arte imaginado para o andamento da composição deste Caderno. superfícies de policarbonato e linhas tubulares se retesam ou se descomprimem em generosos arqueamentos que nos levam a experiências sensoriais de interior e exterior. como seria possível desenhar um mapa. pelo teatro ou pela dança. que pudesse mostrar que o mapa dos territórios oferece múltiplas entradas e direções móveis. com linhas variadas que podem se encontrar com outras linhas.

O mapa. música. 2005. cada bimestre tem como ênfase de estudo um conceito. que apresenta a criação e composição do pensamento curricular em Arte para mapeamento de conceitos e conteúdos direcionados aos segmentos da 5a série do Ensino Fundamental à 2a série do Ensino Médio. para a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. RJ. a escuta da conversa dos alunos possibilita planejar o encaminhamento das Situações de Aprendizagem sugeridas. © Sérgio Araújo 9 ARTE_1s_1bi. do teatro ou da dança. Ao professor. f Situações de Aprendizagem – problematizam o conceito. Centro Cultural Banco do Brasil. a partir de seu repertório pessoal.6 m. da música. assim. o conteúdo ou o aspecto da Arte do ponto de vista dos territórios abordados e no contexto particular de cada uma das modalidades artísticas: artes visuais. sobre os conceitos que serão estudados no bimestre. paisagens específicas para o estudo das artes visuais. teatro e dança. Na composição do Caderno do Professor de Arte. Policarbonato e aço inox. Os caminhos investigativos em sala de aula são lançados por: f proposição para Sondagem – traz imagens de obras ou ações expressivas relacionadas ao tema e às linguagens da Arte. Rio de Janeiro. 1o bimestre © Sérgio Araújo iole de Freitas. em 2007. 4. um conteúdo ou um aspecto da Arte que é visto em conexão com diferentes territórios. O mapa ajuda a visualizar os territórios da Arte como formas móveis de construção e organização de outro modo de estudo dessa disciplina no contexto escolar.0 x 10. Mapa dos territórios da Arte. ligado ao conceito de rede. Estudo para superfície e linha.2 x 30. A Sondagem possibilita que os aprendizes conversem. Linhas para a configuração do Mapa dos territórios da Arte a partir da obra de Iole de Freitas. mostrando uma forma no tempo e no espaço de caminhar por trilhas que trazem 1 Imagem criada por Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque.Arte – 1a série. é utilizado como um desenho. Dessa outra configuração é que se tornou visível a imagem do Mapa dos territórios da Arte1 para esta proposta de pensamento curricular em Arte. entre muitos outros possíveis. Instalação.indd 9 6/8/2009 14:19:20 .

Boa caminhada! ção para a problematização. entendendo que experiência “é aquilo que nos passa. 10 ARTE_1s_1bi. Acesso em: 10 dez. renunciando àquela prática pedagógica que mostra apenas um único artista ou obra para a abordagem do conteúdo. Isso implica. 2007. Para isso. Antes de dar respostas prontas. da realidade de sua escola. tal qual o artista quando mergulhado em sua criação.htm>.br/Atualidade/INFO/textos/saber. este Caderno oferece potencialidades a ser escolhidas pelo professor para provocar o encontro entre a Arte e seus aprendizes. Encontros que estarão submetidos à sua formação. envolvendo professores e aprendizes em processos educativos com desdobramentos instigantes sobre Arte. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. que podem ser sempre conectadas a outras. Que as trilhas pelos territórios da Arte aqui indicadas sejam geradoras de caminhadas que encontrem paisagens ainda não vistas. 2007. é melhor compartilhar experiências de problematização com os aprendizes. ao passar-nos. Belo Horizonte: Autêntica. f Investir na formação cultural dos alunos potencializando o repertório dos aprendizes. trabalhando os conceitos enfocados nas linguagens artísticas não abordadas. Disponível em: <http://www. praticando um modo de fazer pedagógico que mova os aprendizes à maior proximidade com o pensamento da/sobre Arte em suas diferentes linguagens. Notas sobre a experiência e o saber da experiência. O processo de aprendizagem permanente pode. o Caderno do Professor traz sempre imagens de diferentes obras de diversos artistas em múltiplas linguagens.f nutrição estética – diante do tempo de aula no bimestre. mas o que consegue permanecer sempre em processo de aprendizagem. igualmente ser dito de desaprendizagem permanente”. KASTRUP. f Praticar a análise comparativa na leitura de obras de Arte. Jorge. f Privilegiar a construção de conceitos por meio de conexões entre os territórios da Arte. Nesse caso. deslocar o foco da informa2 3 LARROSA. abandonando o velho hábito de professor que tudo quer explicar. Isso significa observar e escutar o que eles fazem. cuidando para não silenciar sua poética pessoal com atividades de releitura ou cópia de obras de arte como fazer artístico. pode ser que uma das linguagens seja privilegiada. ou que nos toca ou que nos acontece. e que podem vir a ser ampliados nas diferentes linguagens artísticas. dos interesses de seus alunos e da sua própria formação. em sala de aula. como diz Jorge Larrosa2. notas para processos educativos em Arte: metodologia e estratégias f Manejar as Situações de Aprendizagem oferecidas como modos de provocar em sala de aula a experiência com e sobre a Arte. Virgínia. seja por meio da sondagem que o investiga. Nessa direção. sugerimos a criação de uma Situação de Aprendizagem propondo uma nutrição estética para explorar as imagens e ideias contidas nas outras proposições apresentadas.miniweb. então. falam. f Sair do lugar de professor que transmite um saber sobre Arte. comentam.indd 10 6/8/2009 14:19:20 . aos momentos em sala de aula e às variações de repertório dos aprendizes. “O melhor aprendiz não é aquele que aborda o mundo por meio de hábitos cristalizados. ousando o caminho de um aprendizado permanente no próprio ato de ensinar. seja pela nutrição estética que o expande. e. tanto no fazer artístico como na leitura de imagens. com. nos forma e transforma”. para que os alunos possam se aproximar das demais linguagens. Lembrando Virginia Kastrup3. f Valorizar a percepção estética e a imaginação criadora dos aprendizes.

f Aprendendo a aprender – algumas dicas para o aluno.Arte – 1a série. diário de bordo do professor O registro do percurso vivido no bimestre também tem se mostrado uma ferramenta importante para o professor avaliar seu próprio processo de trabalho e buscar novos caminhos para desenvolvê-lo. das observações realizadas no desenvolvimento das diferentes proposições. mostrando os caminhos trilhados. f Ação expressiva – ações que desencadeiam o fazer artístico nas diferentes linguagens de acordo com as proposições do Caderno do Professor. textos escritos. para a reconstrução de seu próprio. o portfolio pode vir a ser um modo de o aprendiz pensar e apresentar seu trajeto de estudo por meio da construção de uma forma visual. sugerimos a elaboração permanente de um diário de bordo. ao final do bimestre. para além do Caderno. das adequações necessárias. Além disso. 11 ARTE_1s_1bi. como um “livro de artista”. Consideramos o Caderno do Aluno como parte do portfolio. prática comum na Arte. das dificuldades encontradas. e relacionadas às proposições do Caderno do Professor. f lição de casa – ações que sistematizam o estudo impulsionando a produção do portfolio do aluno. Para além daquelas pastas que apenas guardam trabalhos realizados. f pesquisa individual e/ou em grupo – ações que orientam o aluno para aprofundar seu nível de conhecimento sobre um ou mais assuntos. Nele. podendo envolver os seguintes itens: f o que penso sobre Arte? – ações sobre o repertório cultural dos alunos. o Caderno do Aluno é um registro que faz parte do portfolio. f pesquisa de campo – ações que orientam o aluno no planejamento. há espaços para o estudante registrar suas respostas às proposições que são oferecidas no Caderno do Professor. Nesse sentido. inventando formas para mostrar suas produções artísticas. fotografias de momentos das aulas e pesquisas realizadas. 1o bimestre Avaliação portfolio dos estudantes O conhecido portfolio. parece ser ainda uma forma interessante de os aprendizes recontextualizarem para si e para o outro (professor e grupo-classe) a investigação dos conteúdos estudados. Por isso. por exemplo. f Apreciação – ações de leitura de obras de arte nas diferentes linguagens artísticas. Para o aluno cujas competências não foram suficientemente alcançadas durante o bimestre. permitindo que o aprendiz dê expressão à sua aprendizagem. f Você aprendeu? – questões objetivas e/ou abertas para reflexão sobre os conteúdos trabalhados nas Situações de Aprendizagem de cada Caderno.indd 11 6/8/2009 14:19:20 . sugerimos propor-lhe uma leitura comentada de dois ou três portfolios produzidos por colegas. ampliando possibilidades de aproximação com a Arte. sites e filmes. avaliar seu diário de bordo pode ser um momento importante de reflexão sobre todo o caminho trilhado e de aquecimento e planejamento do novo bimestre. f para saber mais – indicações de livros. como um espaço reflexivo para tratar das escolhas na abordagem das Situações de Aprendizagem. passível de ser complementado por outros modos de registro que podem gerar uma elaboração criativa. realização e discussão de pesquisa proposta no Caderno do Professor. realizadas individualmente ou em grupo.

Cidade. que abriga e faz a circulação de diferentes formas de Arte. cidade e patrimônio cultural Cidade. reinventado constantemente por um sem número de traços. Espaço-lugar que produz. como modo de olhar com mais atenção a Arte e as práticas culturais no contexto urbano. letras. Conhecimentos priorizados Arte.Arte. É no encontro da Arte como patrimônio cultural da cidade que é pensado este Caderno. Arte na rua. Arte pública. massas. CidAde e pAtriMônio CulturAl Cidade. O estudo da Arte. linhas. movimentos. sotaques. sinais gráficos. frases. cores. sons. Espaço feito.indd 12 6/8/2009 14:19:20 . Cidade. materiais e imateriais. manifestações artísticas do povo que são mantidas de geração em geração. Arte urbana. movendo os jovens do Ensino Médio à invenção de projetos poéticos e ao exercício de mediação cultural como um modo de habitar. Lugar onde convivem diferentes culturas. diferentes práticas culturais. cheiros. são bens culturais. números. tendo 12 ARTE_1s_1bi. Obras de arte que habitam a rua. que se oferecem ao nosso olhar. que vivem em museus. Arte da rua. obras de arte efêmeras que são registradas em diferentes mídias... cultura e práticas culturais no território de patrimônio cultural patrimônio cultural patrimônio cultural. refeito. volumes. uma forma de participar e um jeito de se expressar na pólis. roupas.

Mediação cultural. f Operar com esboços de projetos individuais ou colaborativos visando à intervenção e à mediação cultural na escola e na cidade. circo contemporâneo. Competências e habilidades f Investigar a arte e as práticas culturais como patrimônio cultural no contexto da cultura urbana. dança popular. dança contemporânea. arte contemporânea. música. f paisagem sonora. os bens simbólicos materiais e imateriais. f preservação e restauro. videoclipe. f arte pública. políticas culturais.Arte – 1a série. palhaço clown e a tradição cômica. músicos da rua. famílias circenses. roda de samba. estética do cotidiano. grafite. tambor de crioula. monumentos históricos. Invenção. escolas de circo. a ligação entre processo de criação e mediação cultural acontece na pesquisa e experimentação por meio de projetos poéticos individuais ou colaborativos que intencionam provocar a experiência estética e o exercício da mediação cultural como modo de olhar para a pólis. diálogo e ampliação de repertório pessoal e cultural por meio de experiências estéticas provocadas no campo da arte e da cultura. oportuniza. f Operar com imagens. ligação arte e vida. cultural e procedimentos criativos constroem poéticas pessoais. processo de criação.indd 13 6/8/2009 14:19:20 . educação patrimonial. intervenções urbanas. f Valorizar o patrimônio cultural. jongo. patrimônio cultural imaterial e material. música contemporânea. circo tradicional. frevo. Neste Caderno. teatro ou dança. a memória coletiva. de estudantes e de artistas. neste Caderno. 1o bimestre como viés a ideia de patrimônio cultural na cidade. Aproximação. contato. f artes circenses. tradição e ruptura. gerando sua expressão em artes visuais. forró. pichação. a ampliação do olhar sobre: f heranças culturais. independentemente do número de seus habitantes e de sua história. palhaços de hospital. folia de reis. ideias e sentimentos por meio da especificidade dos processos de criação em arte. f escola de samba. Cultura urbana e práticas culturais no território de processo de criação e mediação cultural Processo de criação mediação cultural 13 ARTE_1s_1bi. nas diferentes linguagens da Arte. repertório pessoal.

os que pertencem a uma escola de samba. eles produzem um envelope com desenho. que têm atração pelas esculturas dos cemitérios. como toda cultura. se quiserem. em O que penso sobre Arte?. os que atuam em teatro amador.PROPOSIçãO PARA SONDAGEM UMA CONVERSA SOBRE ARTE. os forrozeiros. como os straight edges. 2007. trilham com mais frequência a cidade ou o bairro onde moram. No Caderno do Aluno. como são jovens acima de 15 anos. que são adeptos da street dance. encontro e sociabilidade. se lembra de ter escutado alguma música nova ou diferente. É confiando e apostando nos jovens. os alunos também podem usar desenhos. os que fazem fanzine. os que jogam capoeira. o encontro com novas turmas. proponha aos alunos que se organizem em grupo para conversar sobre as problematizações que estão no Caderno do Aluno. Após a leitura da carta recebida. sensibilizando os para os conteúdos previstos.) Jovens na metrópole: etnografias de circuitos de lazer. dança. os espetáculos de dança e de teatro aos quais assistiu. Pode ser até que eles façam parte de alguma forma de “cultura juvenil”4. a juvenil constrói formas de expressão artístico-estética. da breakdance. Para mover a apreciação. as exposições que visitou. Finalizada a carta. Para o professor. a junção entre patrimônio cultural. por isso mesmo. Na escrita da carta. um novo trajeto. ou qualquer outra coisa que lembre sobre as aulas de Arte. Certamente. os “japas”. entre a reinvenção e a herança cultural. a escuta sobre as experiências vividas é uma oportunidade de saber mais sobre o repertório dos alunos e o que da linguagem da Arte é pouco próximo deles. que trazemos percursos educativos que cercam a cidade e a arte como patrimônio cultural. o Ensino Médio. SOUZA. Nessa escrita. Enfim. o que ficou de mais significativo das aulas de Arte e se ele teve aula de artes visuais. Para o professor. os instrumentistas.indd 14 6/8/2009 14:19:21 . Para os alunos. 14 ARTE_1s_1bi. os “manos”. CIDADE E PATRIMôNIO CULTURAL Neste bimestre. reconstruindo a cultura urbana local num movimento que trafega entre a tradição e a ruptura. se conheceu alguma sala de concerto. os grafiteiros. que desenham em muros e paredes da cidade. música ou teatro. Bruna Mantese (Orgs. que têm um modo de vida associado à música punk/ hardcore. já possuem mais autonomia e. os alunos fazem um registro sobre que experiências diferentes eles percebem que o colega viveu. Neste momento. São Paulo: Terceiro Nome. é interessante conversar com eles sobre o que guardam na memória do que conheceram sobre Arte no Ensino Fundamental. cidade e cultura urbana traz para a sala de aula um olhar antropológico sobre a Arte. seus alunos. a fim de aguçar os sentidos para a investigação acerca do patrimônio cultural. proposição ii – Movendo a apreciação Esta é uma curadoria educativa que tem como foco práticas culturais urbanas. entre outros. A ideia é promover uma conversa que possa provocar um olhar sobre a Arte na cidade. os de roda de samba. colagem ou letras desenhadas para anunciar o nome do destinatário e entregam suas cartas. algumas 4 Para saber mais sobre cultura juvenil: MAGNANI. o aluno pode contar ao colega sobre: os artistas que estudou. questões são propostas para mobilizar a escrita de uma carta a um colega da sala de aula. proposição i – o que penso sobre Arte? Começo do ano letivo. os góticos. José Guilherme Cantor. e na produção da cultura juvenil.

SP. São Paulo. São Paulo. Cafi Otta. Grafite. g) © Fefe Talavera. Exposição A Conquista do Espaço: novas formas da arte de rua. Performance no Mercado Municipal de São Paulo. c) Z’África Brasil.Arte – 1a série. 2007. a) © Adriana Elias/Prefeitura da Cidade de São Paulo. d) © Marcello Casal Jr/Abr. 2007. d) Dança de salão. 2004. c) © Adriana Elias/Prefeitura da Cidade de São Paulo. f) © Acervo das autoras. e) Forró. São Paulo. SP. Neuropolis. Sesc Pinheiros. Sala Olido. 2007. g) Fefe Talavera. Show de inauguração do Projeto Vertentes. 1o bimestre a b e a) Orquestra dos Músicos das Ruas de São Paulo. b) © Fernando Favoretto. SP. Graffiti. SP. São Paulo. Coordenação: Livio Tragtenberg. e. f) Grupo Namakaca. b) Street dance. f g d c 15 .

por exemplo: o que registra com fotografias. O primeiro movimento é localizar a escola no mapa e os trajetos que os alunos fazem para chegar até ela. No mapa das proximidades da escola. anotações. proposição iii – uma pequena expedição cultural Para aquecer a pequena expedição cultural.A socialização do que vai sendo apreciado e comentado pelos alunos deve ser ágil. podemos partir da apreciação da obra do argentino Jorge Macchi. Como numa expedição. para uma atenção que encontra. mas sempre em um pequeno trecho. movimentos e palavras dos transeuntes. ao meio ambiente etc. é descobrir aspectos que passam despercebidos no cotidiano. No Caderno do Aluno. mas que alimentem o grupo para que suas observações sejam mais apuradas. Pode 16 ARTE_1s_1bi. Nele. fotografias e sons subvertem o que esperaríamos de um guia. cada aluno pode também ter uma função específica. aos movimentos dos transeuntes. na sua realidade. um livro-objeto.indd 16 6/8/2009 14:19:30 . for difícil propor essa expedição em grupo. cores. com apontamentos na lousa para que todos acompanhem o que está sendo falado. O objetivo. Ele colocou uma placa de vidro sobre um mapa de Buenos Aires e a quebrou. Nessa expedição. podem trazer para a classe a oportunidade de conversar e aprender sobre a cidade. O acidente provocado criou caminhos que foram percorridos por ele e por dois colaboradores. podemos ampliar com algumas informações sobre a obra deste artista. formas. Quais são as ruas próximas que pouco utilizam em seus trajetos? Para essa ação. a cuidadosa coleta sensorial e o trabalho expressivo sobre o que foi encontrado alimenta uma nova proposição aos alunos a partir do mapa das proximidades da escola: uma pequena expedição pelas ruas próximas à escola. A ação inventiva de Macchi. Este artista provoca a desfamiliarização do olhar: o cotidiano revisto por um olhar que não torna tudo familiar. Ao olhar a obra e ler a citação do artista: O que os alunos leem a partir de seus próprios repertórios? Percebem o desenho do vidro sobre o mapa da cidade de Buenos Aires? Depois das primeiras impressões. registros de sons. gestos. pois inclui o que inesperadamente se encontra nas ruas. o que fica atento especialmente a sons. entretanto. arquitetura. a poeta María Negroni e o compositor Edgardo Rudnitzky. os alunos delimitam pequenos trajetos (apenas um quarteirão de uma rua. pode-se propor uma expedição individual no caminho para a escola. transformando a qualidade da atenção que busca o que reconhece. professor. com olhos muito atentos. O registro dos aspectos observados pelos alunos é também importante para iniciar seu diário de bordo. tal qual Jorge Macchi e seus dois parceiros. para que o aluno fique com a atenção concentrada no que pode parecer insignificante. ou que podem parecer insignificantes. fotografias (se for viável) etc. Textos. a cultura e as práticas culturais. a ideia é suspender uma atitude natural como se os alunos estivessem em um passeio. já visto. Produzido em 2003. Funções que não devem ser estanques. algumas reflexões são importantes: os alunos têm familiaridade com as práticas culturais presentes nas imagens? Sobre qual prática cultural desejam saber mais? parecer estranho restringir a pesquisa às ruas próximas se considerarmos que o bairro ou a cidade podem possuir monumentos importantes para a história local. Se. por exemplo) para ser percorridos a pé. A experiência vivida resultou na obra Buenos Aires tour. que se torna disponível e aberta a acolher o imprevisível. os grupos podem ser divididos em alunos que pouco se conhecem ou alunos que moram em regiões distantes entre si. apresenta 8 itinerários com 46 pontos escolhidos. o que já sabe ou já viu.

p. [. Jorge Macchi: exposição monográfica. 37. Porto Alegre. Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul. selos). 2003. 6a Bienal do Mercosul.. Buenos Aires tour. 2007. Dimensão variável.] apenas ao concentrarmos o olhar sobre algo que parece insignificante é que o seu significado cósmico e a sua capacidade de desestabilizar expectativas ganham vida. CD-ROM. 2007.indd 17 6/8/2009 14:19:39 . Cortesia Jorge Macchi. Gabriel.. mapa. 17 ARTE_1s_1bi. Apud PÉREZ-BARREIRO. 1o bimestre © Jorge Macchi. Jorge Macchi. folhetos. postais.Arte – 1a série. Livro-objeto (caixa.

e a análise de todos os trabalhos pode revelar o repertório cultural da turma. tempo previsto: 2 a 4 aulas. Que título os alunos darão a ele? O mapa ou fôlder deve ser colado no Caderno. por exemplo. na Escócia. em Ayrshire. o momento é de classificação. mas aponta a vida correndo nas ruas. arquiteturas etc. cuja produção remete não para guias de turismo. O grafite aponta a liberdade de expressão.No retorno à sala de aula. te nas cidades. criar uma cartografia de objetos. E o pequeno trajeto dos estudantes pelas ruas do bairro pode ter estimulado muitas ideias para seguir adiante em suas pesquisas e em produções artísticas. Nina Pandolfo e Nunca. ou mesmo participando de projetos ousados. é uma manifestação de Arte na rua. sons. Entre os possíveis focos de estudo. mas que tem ganho espaço nas galerias. Depois que cada grupo apresentar suas anotações e as respostas individuais às questões propostas. sugerimos aprofundar dois conceitos que geram outros: a arte pública e os monumentos históricos. que cerca o patrimônio cultural. dentro da proposição para este bimestre. No lado ocidental do Muro de Berlim. para que cada grupo apresente seus achados. falas. muito presen- 18 ARTE_1s_1bi. como o que envolveu os brasileiros Os Gêmeos. Durante 13 madrugadas de trabalho intenso com dezenas de pedaços de pano. para mexer com os conteúdos da coleta sensorial. Ideias podem ser levantadas e depois negociadas para a construção do mapa coletivo. estão as questões do patrimônio cultural e as políticas culturais que procuram dar acesso aos bens da cultura para todos. enquanto que o lado oriental ostentava paredes limpas de qualquer marca. em seguida. relembrando Macchi. convidados a grafitar o Castelo de Kelburn. Como fazê-lo? Sugerimos um mapa expressivo que pode ser realizado de muitas maneiras. construído no século XIII. mas diferem em relação a uma intencionalidade também estética. ele imperava. agrupando os elementos da coleta sensorial para. que alguns preferem denominar com o nome de origem (graffiti). E você pode escolher por qual linguagem artística dará continuidade ao estudo do conteúdo deste bimestre. Algumas questões a ser respondidas no Caderno do Aluno podem problematizar o relato e a análise do que recolheram. O desafio proposição i – Movendo a apreciação Na pequena expedição cultural. por exemplo. os alunos encontraram pichações ou grafites? O que dizem das obras d’Os gêmeos e de Alexandre Órion? O grafite. ou de um fôlder. como vimos com a obra de Fefe Talavera. o primeiro movimento cerca o próprio ato de pesquisa. com possibilidade de desdobramentos. desenhou caveiras limpando as paredes internas do túnel Nove de Julho. São mais de 3 mil delas em 250 metros de extensão. de sair a campo com olhos/ouvidos/corpos sensíveis.indd 18 6/8/2009 14:19:39 . SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 1 ARTES VISUAIS Jorge Macchi nos abre a possibilidade de ver o trabalho do artista inserido na experiência de vida. Alexandre Órion transformou em arte urbana a poluição de túneis da cidade de São Paulo. Pichação e grafite têm pontos comuns. Como pano de fundo. Em trabalho recente.

19 ARTE_1s_1bi. a obra não se realiza. a grafia “largaticha”. aos murais da Antiguidade. Na década de 1950. Portinari. criado na década de 1970.. físico. ou seja. os pintores mexicanos Diego Rivera. 50. Di Cavalcanti.Arte – 1a série. Murais e grafites provam que a Arte sempre foi desejosa do contato com o público. José. 5 6 TEIXEIRA COELHO.indd 19 6/8/2009 14:19:42 . Sua origem remonta às paredes das grutas pré-históricas. p. ao incorporarem à obra. José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros preocuparam-se com uma Arte que pudesse falar às multidões. © Adriana Paiva os Gêmeos. SP. em caráter transitório ou perene. Clovis Graciano. A largaticha equilibrista6. tem sido utilizado para indicar obras que estão fora dos espaços tradicionais de exposição. São Paulo: Iluminuras. o termo arte pública. entre outros. difíceis ou quase inacessíveis. afetual com o público”. Centro de São Paulo. Dicionário crítico de política cultural. sendo expostas ou acontecendo em lugares públicos. Grafite.. “[. Sem ele. marcaram a história da arte brasileira e universal com seus murais. que também sofre influência da pop art. qualquer que seja ele.] um dos traços necessários à plena caracterização da arte pública é o fato de oferecer-se como possibilidade de contato direto. 1999. 1o bimestre do grafite não é pichar lugares proibidos. Para Teixeira Coelho5. Um passo para o grafite. Entretanto. No século XX. Também indica a tendência da arte contemporânea de se voltar para o espaço. mas dialogar com a cidade. Os Gêmeos fazem uma brincadeira linguística com “lagartixa” ao escreverem na parede.

Ossário.indd 20 © Alexandre Órion Alexandre Órion.20 ARTE_1s_1bi. Intervenção urbana. SP. São Paulo. Limpeza seletiva da fuligem depositada em túneis de São Paulo. 2006. 6/8/2009 14:19:51 .

o contexto da época em que foram criadas. Para levantar essa questão. Como exemplo. Há escolas que já têm uma grande preocupação com o patrimônio cultural. contornando. envolve a comunidade e gera renda para projetos de responsabilidade social. Christo e Jeanne-Claude formam uma dupla que tem feito as mais divulgadas intervenções públicas nas paisagens urbanas e rurais. como a capoeira e o pão de queijo. Dentre os artistas da land art. À direita. por mais nova que seja a escola ou a cidade. em 2007. São Paulo. Mas. recentemente declarados patrimônios culturais do Brasil. inaugurado em 2006. em 1948. vista da estação restaurada. o patrimônio cultural está dividido em três grandes categorias de elementos: a natureza e o meio ambiente. A land art também é considerada uma arte pública. Em 2005. oferecemos duas imagens da Estação da Luz. para vê-la presente na vida da comunidade. costumes. sempre com artistas locais. tradições e outras manifestações populares e eruditas também constituem o patrimônio cultural de uma nação. oferece a oportunidade de olhar a Arte como patrimônio. o conhecimento. sempre haverá patrimônios culturais a ser preservados. embrulhando.Arte – 1a série. Várias escolas paulistas estão localizadas em prédios que mostram sua história. À esquerda. que ocupa áreas críticas da cidade com obras de arte desenvolvidas especialmente para aqueles espaços. em 1998. cobrindo edifícios inteiros. retirando-a dos períodos e dos “ismos” em que foi criada. Nem sempre o estudo da História da Arte. pois é uma instalação ou intervenção em sítios naturais. © Christian Knepper/Embratur estação da luz. e os bens culturais (objetos. organizado por Nelson Brissac Peixoto. que tem sido objeto da escola. as técnicas. que tem percorrido o mundo inteiro. 1o bimestre Muitos projetos têm sido realizados no sentido de gerar intervenções urbanas. o prédio abriga o Museu da Língua Portuguesa. podemos oferecer a leitura de algumas imagens do patrimônio cultural da cidade onde se situa © Casa Garaux a escola. partindo da primeira expedição realizada. Os estudantes conhecem quais são os monumentos e cidades brasileiros considerados patrimônios culturais da humanidade? E na sua cidade? Sabem que há patrimônios materiais e imateriais? Festas. Criado na Suíça. Para o assessor internacional da Unesco. rodeando ilhas. 21 ARTE_1s_1bi. É sobre esses artefatos que a disciplina Arte poderá ampliar o conhecimento dos estudantes. Hugues de Varine-Boham. o projeto esteve presente em São Paulo e. Entre eles. cabe destacar Arte/Cidade. no Rio de Janeiro. o saber e o saber fazer. criando novas paisagens em parques. artefatos e construções). Além da estação de trem.indd 21 6/8/2009 14:19:53 . SP. Destaca-se também o projeto Cow parade.

nem sempre clara para o povo da cidade e seus dirigentes. pode-se citar. A restauradora Adriana Pires encontrou três personagens que estavam escondidos sob camadas de tinta de restauros anteriores. 106 min. fruto dessa conversa? Sugerimos duas ações: f Uma parede especial na escola para grafitar. prédios se descaracterizam sem cuidado. hoje. por exemplo. o Museu da Língua Portuguesa. entre outros. Outros exemplos de restauração podem ser aqui lembrados. as velas o ilumina vam. no Vaticano. de Henrique Bernardelli. Entre elas. de 1949 a 1983. como o caso da restauração da obra Os bandeirantes. com uma das mais modernas e belas salas de concertos do mundo – a Sala São Paulo. o Mercado Municipal da Cantareira. Alguns se utilizam de máscaras (escola vallauriana. como o teto da Capela Sistina. aberta ao público em 1901. Muitas delas espantaram o mundo. dada a classificação do filme. na cidade de São Paulo: a estação ferroviária da Luz.Há diferença entre reformar e restaurar? Os alunos podem lembrar de alguns restauros na sua região? Qual será a casa mais antiga que encontraram na expedição feita perto da escola? Haverá outros prédios na região? Esculturas nas praças ou nas entradas dos prédios? Murais? Consideram patrimônios culturais ou este conceito está distante para eles? Uma boa questão para a educação patrimonial é compreender a diferença entre reforma e restauro. 18 anos. Modernizados por reformas. como sede de seções de interrogatórios e torturas durante o período da ditadura militar e que. mas também obras que continuam a requerer muito cuidado e técnica. A descoberta aconteceu após oito meses de trabalho. 22 ARTE_1s_1bi. paciência e muita pesquisa para que a obra reviva em suas cores e formas. escurecido pelos anos em que.indd 22 6/8/2009 14:19:53 . como os precursores Keith Haring e Jean-Michel Basquiat7. como o centro da cidade de Santos. Elas dependem sempre de políticas culturais que valorizem o patrimônio. Que encomendas você poderia fazer para eles. que hoje abriga. DVD Basquiat – traços de uma vida (Basquiat). ressonâncias da obra do artista Alex Vallauri). além da estação. transformada na sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Há exemplos recentes. EUA. outros usam a mão livre. utilizado pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops). o Centro Cultural Banco do Brasil. nem sempre os restauros são feitos com todo o cuidado que merecem. O que você e seus alunos podem lembrar em sua região? 7 Não só prédios são restaurados. a Catedral da Sé. 1996. e o prédio da atual Estação Pinacoteca. projeto de Ramos de Azevedo. Há muitos procedimentos técnicos no fazer do grafite. O processo é demorado. Direção: Julian Schnabel. Todavia. Mas a inventividade faz criar outros procedimentos. e que pertence ao acervo do Palácio dos Bandeirantes. inaugurado em 1875. cria seus animais com colagem de letras extraídas dos cartazes de rua encontrados com frequência na cidade de É possível conhecer mais sobre Basquiat em sua cinebiografia. grafiteiros do metrô nova-iorquino que ganharam fama. pintada no final do século XIX. é necessária uma seleção prévia de trechos caso se resolva utilizá-lo no trabalho com os alunos. Um restauro exige estudo. pintado por Michelangelo. faz parte de um complexo cultural que também envolve a Estação Júlio Prestes. quando apenas 65% da obra havia sido restaurada. como a Pinacoteca do Estado. Entretanto. Fefe Talavera. Muitas cidades do interior e do litoral também têm passado por restaurações. proposição ii – Ação expressiva Inúmeras ações expressivas podem ser provocadas a partir da conversa gerada pela apreciação das imagens. mas muitas obras podem ser lembradas por restaurações recentes. antes da invenção da luz elétrica.

Pode ser por meio de grafites ou. assinaturas de pichadores ou de grupos. monumentos históricos. Essas experiências com máscaras podem impulsionar a invenção de desenhos e pinturas que dialoguem com a cidade e que falem de seus anseios e conflitos. tempo previsto: 2 a 5 aulas. Para onde ela levará esse projeto? f Registros expressivos do patrimônio cultural da cidade. políticas culturais. Órion. coleção de postais com fotografias ou desenhos. em vez de colocar tinta.indd 23 6/8/2009 14:19:53 . Estudos podem ser realizados de modo muito simples. escova de dente e uma peneira. ou mesmo a lateral de uma régua para que a tinta seja espargida sobre ela. utilizando-se. abordando poética pessoal e/ou colaborativa nas demais linguagens.Arte – 1a série. pichação. Podemos propor que os alunos criem registros expressivos do patrimônio cultural de sua comunidade. 23 ARTE_1s_1bi. o antigo procedimento com tinta a guache. Cidade. Além deles. é possível também analisar os desenhos de letras que estão presentes nas pichações e que se abrem para novas pesquisas pessoais. grafite. outro exemplo. Atenção! Depois de finalizadas as proposições de artes visuais. Explorar assinaturas ou fazer experiências com máscaras também são algumas possibilidades. Os “pichos”. você pode encaminhar a proposição de Nutrição Estética. pela criação de jogos. 1o bimestre São Paulo. retira a fuligem das paredes internas do túnel usando panos. cultura e artes visuais no território de patrimônio cultural arte pública. Uma pesquisa das temáticas presentes pode ser instigante e provocadora. e a proposição de conexões com os territórios de mediação cultural e processos de criação. educação patrimonial. em vez de spray. intervenções urbanas. folhetos semelhantes aos de turismo. Os alunos conhecem os monumentos históricos? Há edifícios tombados? Sabem o que é um tombamento? Já ouviram falar do Iphan? Talvez poucos saibam da história de suas construções. ainda. Esses registros poderiam mobilizar a comunidade a lutar por sua preservação? Poderíamos continuar gerando um projeto de educação patrimonial? Para onde pode seguir esse projeto? Essas são algumas das ideias possíveis. têm sido até alvo de coleções.

Outro apresentou os sons de uma cidade industrial do norte da Inglaterra do século XIX. algumas questões podem ser desencadeadas: Como soaria a paisagem sonora desse lugar? Haveria som de televisor? De carro? De celular? De pássaros? De folhas de árvores? De usina? De crianças brincando? Quais sons que você nunca ouviu você acha que poderia haver nesse lugar? 2. os sons de uma aldeia indígena. Um dos alunos de Schafer apresentou os sons de uma paisagem urbana holandesa do século XVI. O termo é uma interpretação da expressão em inglês landscape (paisagem visual) para o que seria o seu equivalente sonoro (soundscape). a partir de um trecho de um romance. Seus alunos descobriram que podiam classificar os sons produzidos pela natureza. O que você vai escolher para dar impulso à percepção sonora de seus alunos? Essa ação expressiva é realizada em grupos com 2 ou 3 alunos. em três momentos: 1. Esses sons e ruídos que se manifestam em um campo de 360º ao redor do ouvinte compõem o que Murray Schafer denomina “paisagem sonora”. imagens de obras de arte que apresentam paisagens brasileiras do tempo da colonização ou de hoje. proposta deste bimestre. a descrição de um evento. proponha uma conversa para socializar a escuta e a reflexão sobre a paisagem sonora dos ambientes. imaginada a partir da obra A batalha entre o carnaval e a quaresma. proposição ii – Ação expressiva: invenção de uma paisagem sonora Poderíamos propor outro modo de escuta de paisagem sonora: um estudo comparativo a partir de um documento histórico – uma pintura. por exemplo. os sons ao seu redor. No Caderno do Aluno. um poema. fotografias de povos indígenas. Para mover essa interessante ação de “escuta expressiva”. Para mover a relação entre música e patrimônio cultural. o Velho. uma fotografia – listando todos os sons potenciais contidos neles. A escuta das músicas de uma determinada época pode nos fazer imaginar as interferências de sons e ruídos que cercavam seus compositores. Quais sons serão ouvidos primeiro? Quais sons se sobrepõem? Há algum som proposição i – Movendo a apreciação de paisagens sonoras Murray Schafer propôs a seus alunos que ouvissem diariamente. 24 ARTE_1s_1bi. cenas do metrô ou da estação rodoviária. começaremos com um exercício de apreciação sobre a paisagem sonora do ambiente onde vivemos. Realização de um planejamento e roteiro da materialização da paisagem sonora inventada. em Apreciação.SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 2 MúSICA O ambiente sonoro em que vive um compositor interfere diretamente em sua produção musical. Após você apresentar o material escolhido para provocar a interpretação sonora. você pode utilizar. Você pode propor a seus alunos o mesmo que Murray Schafer propôs aos dele. de Pieter Brueghel. há o espaço para que os alunos possam registrar sua “paisagem sonora” a partir de questões como: O que ouvimos no nosso cotidiano? Quais sons ouvimos nas ruas? Dentro dos ônibus? Em casa? Qual é a sonoridade do ambiente onde vivemos? Quais sons são agradáveis? Quais sons são desagradáveis? O que poderia ser feito para diminuir a lista dos sons desagradáveis e aumentar a dos sons agradáveis? Após os registros realizados.indd 24 6/8/2009 14:19:53 . por seres humanos e por engenhocas elétricas ou mecânicas. por dez minutos. Outro.

E como nossos alunos definem música? Eles também fariam a mesma pergunta depois de ouvir Beethoven. Raymond Murray. e eu pergunto: – Sim. 3. proposição iii – o que penso sobre música? Em continuidade à leitura das produções dos alunos. e isso também será bom. pode-se problematizar a escuta. Na apresentação de cada grupo. a voz. os cadernos. O ouvido pensante. o esgoto sonoro de nosso ambiente contemporâneo não tem precedentes na história humana. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. Apresentação da paisagem sonora inventada. depois da primeira apresentação da Quinta. SCHAFER. de Stravinsky: – Sim. depois da primeira apresentação do Tristão. de Beethoven: – Sim. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. p. de Wagner: – Sim. O ouvido pensante. o conteúdo do estojo. 1o bimestre mais fraco? Para isso. pois as costumeiras não eram abrangentes. Pois. perguntando: Conseguiram imaginar e reproduzir sonoridades diferentes das atuais? Houve produção de sons inusitados? Quais foram os mais comuns? O Caderno do Aluno traz espaço para o registro das impressões sobre a produção da classe. juntamente com outras formas de poluição. SCHAFER. também reproduzidos no Caderno do Aluno. Stravinsky. 25 ARTE_1s_1bi.indd 25 6/8/2009 14:19:54 .” Definir música meramente como “sons” teria sido impensável poucos anos atrás.Arte – 1a série. todas as definições convencionais de música vêm sendo desacreditadas pelas abundantes atividades dos próprios músicos. mas hoje são as definições mais restritas que estão se revelando inaceitáveis. Fragmento 1 Escrevi para ele [John Cage] e lhe pedi sua definição de música. 1991. mas isso é música? Entreouvido no saguão. Raymond Murray. Raymond Murray. mas isso é música? Talvez o piloto tenha errado de profissão? SCHAFER. 1991. quer estejamos dentro ou fora das salas de concerto. Pouco a pouco. sons à nossa volta. mas isso é música? Entreouvido no saguão. mas isso é música? Um avião a jato arranha o céu sobre a minha cabeça. o próprio corpo. p. depois da primeira apresentação da Sagração. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. 1991. 123. mas isso é música? Schafer conta que esta pergunta rendeu dois dias inteiros com seus alunos. de Varèse: – Sim. um avião a jato? Depois de uma rodada de possíveis respostas podemos propor um jogo. O ouvido pensante. p. Sim. 120. os alunos podem usar todos os materiais presentes ao seu redor: as carteiras. 119. dividindo a classe em 5 grupos e escolhendo para cada grupo um dos fragmentos a seguir. pode-se perguntar: Mas isso é música? Murray Schafer (1991) abre o capítulo “A nova paisagem sonora” de seu livro O ouvido pensante com as seguintes questões: Entreouvido no saguão. Sua resposta: “Música é sons. tateando uma definição. depois da primeira apresentação de Poème électronique. Wagner. mas isso é música? Entreouvido no saguão. Varèse. Fragmento 2 Pode ser que os ouvintes não gostem de todos os sons dessa nova música. no decorrer do século XX.

isso é ruído. seus sons deixam de ser ruídos. 123. a divisão da sala de aula pode ser feita formando grupos a partir da distribuição de temas.Fragmento 3 É chegada a hora. Raymond Murray. cada grupo deve apresentar uma defesa ou uma oposição às ideias contidas no texto. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. com um minuto para a sua defesa ou oposição.indd 26 6/8/2009 14:19:54 . O ouvido pensante. Num concerto. no Caderno do Aluno. 138. SCHAFER. O que seus alunos sabem sobre o frevo? Como ele nasceu? Quais os compositores mais representativos? Como se dança o frevo? Quais são os instrumentos utilizados? Qual é a função do frevo? Nesses 100 anos. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. SCHAFER. no seu diário de bordo. p. proposição iV – pesquisa em grupo Para ampliação do repertório dos alunos sobre a relação entre música e patrimônio cultural. O ouvido pensante. Para isso. 1991. Réplicas ou tréplicas podem ser concedidas com tempo limitado. dos conteúdos abordados e das opiniões decorrentes do jogo. no desenvolvimento da música. f Bossa nova: o nascimento da MpB – em 2008. Depois das apresentações. a ideia é encomendar uma Pesquisa em grupo. o novo educador musical incentivará os sons saudáveis à vida humana e se enfurecerá contra aqueles hostis a ela. Essa dinâmica pode exercitar a síntese de ideias e a comunicação condensada. o que você registra dessa experiência? Fragmento 4 Será de maior interesse tornar-se membro da International Society for Noise Abatement [Sociedade Internacional para a Diminuição do Ruído] que da Registered Music Teachers Association [Associação dos Professores de Música Registrados] local. p. 1991. Raymond Murray. Raymond Murray. a música mudou ou permaneceu a mesma? E a dança? Onde acontecem as apresentações? Fragmento 5 Ruído é qualquer som indesejado. Para que a pesquisa tenha foco. Porém se. 1991. A partir da leitura. É certo que isso faz de “ruído” um termo relativo. a bossa nova completou 50 anos. como fez John Cage. foi a vez do frevo completar 100 anos. há um espaço para que possam registrar o que pensam agora sobre a pergunta O que é música? Como professor. Após a experiência. O ouvido pensante. O que os alunos podem descobrir sobre o movimento da bossa nova? Como ela nasceu? Qual é o instrumental utilizado? Como era antes. Observando o sonógrafo do mundo. oferecemos alguns temas para investigação. SCHAFER. de nos ocuparmos tanto com a prevenção dos sons como com sua produção. converse a respeito do que perceberam. se o trânsito do lado de fora da sala atrapalha a música. as portas são escancaradas e o público é informado que o trânsito [a poluição sonora] faz parte da textura de uma peça. porém nos dá a flexibilidade de que necessitamos quando nos referimos ao som. como se fosse um progra- 26 ARTE_1s_1bi. 123. p. ma político. e como é hoje? Onde é possível ouvir ao vivo? Qual é o espaço que tem nos meios de comunicação? Quais os compositores mais representativos? Como a bossa nova contribuiu para a música brasileira? O que propôs como mudança? A bossa nova pode ser considerada patrimônio cultural? Por quê? f Frevo – em 2007. São Paulo: Fundação Editora da Unesp.

em partituras que eram lidas e interpretadas pelas pessoas que tinham o privilégio de conhecer a linguagem musical escrita. o registro sonoro passou a ser possível e. A pesquisa pode se estender para as rádios e escolas. de um pianista ou de pequenas orquestras. fitas magnéticas de áudio e vídeo.Arte – 1a série. escolas de música. hoje. para digitalizar as imagens das partituras. 1o bimestre É possível encontrar notícias nos meios de comunicação sobre os músicos e dançarinos ligados ao frevo? Qual seria a paisagem sonora dos grupos musicais que produziam frevo no século passado? Os alunos encontram relação entre essa paisagem e o instrumental da época? E o que acontece com a paisagem sonora e o instrumental dos dias de hoje? Por que o frevo foi escolhido como forma de expressão que pertence ao patrimônio imaterial brasileiro? O que é patrimônio imaterial? f restauro de obras musicais – O que os alunos podem descobrir sobre restauro de obras musicais? Como se preserva o patrimônio musical de obras das quais não há registros em gravação (fitas. da televisão. Na época do cinema mudo. os músicos tocavam para a plateia. materiais cinematográficos. Mas como respondem às demais questões? Para este tema. Era a trilha sonora sendo inventada. para que o público pudesse ouvi-las. do rádio. tudo se preservava pela transmissão oral. discos 78 RPM. há aparelhos para a reprodução do áudio? Com as partituras descobertas. Isso pode ser feito com a ajuda do professor da sala de informática da escola.indd 27 6/8/2009 14:19:54 . aos músicos cabia reproduzir o que estava nas partituras. dependendo dos músicos que participavam. parentes e vizinhos para saber da existência de partituras. Pouco espaço havia para que os músicos pudessem criar e improvisar a partir delas. O restauro para a preservação de obras musicais ocorre tanto nas partituras (o trabalho é similar ao que se faz com documentos históricos) quanto nas gravações em cilindros de metal. cada sessão era inédita. LPs e K7s? Há diferença de fidelidade na reprodução do áudio nessas diferentes mídias? O que é masterização? Há softwares para a restauração de material sonoro? Com certeza seus alunos devem conhecer e usar alguns dos softwares. A partir do início do século XX. ou por um professor ou aluno que domine esse tipo de equipamento e de software. ao vivo. entram também as fitas de vídeo (em vários forma- 27 ARTE_1s_1bi. podemos propor que usem scanner. igrejas. filmes etc. LPs e compactos simples e duplos. do disco. com o surgimento do gravador. Pode ser uma boa contribuição para o patrimônio local. a proposta é que os alunos pesquisem nas casas de seus pais. Há depoimentos de músicos e pessoas contemporâneas a esse momento que registram o retorno do público várias vezes para assistir ao mesmo filme. para melhorar e limpar a imagem. discos e gravações antigas e em que estado de conservação estão. A produção musical tem o tempo da existência do ser humano. discos. Os resultados dessas performances nunca foram registrados. pois não havia tecnologia para isso. em função da performance dos músicos que tocavam ao vivo. Inicialmente. Depois. Em muitas salas de projeção. A necessidade de ser fiel às partituras era fundamental para que a obra de um compositor pudesse ser ouvida tal como fora concebida. principalmente aqueles que transformam faixas de discos ou CDs em arquivos MP3. bibliotecas. Como não havia registro sonoro dessas obras feito pelos seus compositores. é facilitado pela digitalização. teatros.)? Ainda existem discos de 78 RPM. Muito se perdeu por falta de registro. De que ano são? Qual será a mais antiga encontrada? No caso de discos e de outros suportes de gravação encontrados. pelo registro gráfico. em salas de concerto. as projeções eram feitas com a presença e participação. se houver um. Houve uma grande perda para o patrimônio musical. e algum software. O compromisso da reprodução fiel era soberano. praças. Enquanto o filme era exibido. Agora. banda de música e outros aparelhos culturais.

música contemporânea. proposição i – Movendo a apreciação Centrando nosso pensamento no recorte das danças realizadas em diferentes regiões brasileiras. Patrimônio significa. e a proposição de conexões com os territórios de mediação cultural e processos de criação. apresentando o que descobriram para a classe. cada grupo pode montar um PowerPoint. Para a apresentação da pesquisa. patrimônio cultural imaterial e material. um espaço está reservado para que os alunos possam criar uma capa e contracapa de CD ou LP. ou até mesmo criar um blog. Quando se preserva legalmente e na prática o patrimônio cultural de um povo. preservação. Para dar início à investigação sobre a relação entre dança e patrimônio. como MySpace. tempo previsto: 3 a 6 aulas. que historicamente vem cumprindo um papel de organização. Hi5. abordando poética pessoal e/ou colaborativa nas demais linguagens. Ao mesmo tempo. “herança paterna”. cultura e música no território de patrimônio cultural paisagem sonora. a ideia é mostrar os conceitos que foram mais significativos na sua pesquisa e na pesquisa de seus colegas sobre a relação entre música e patrimônio cultural. Esses bens imateriais. conservam-se a memória e a identidade de um país. você pode encaminhar a proposição de Nutrição Estética. colando imagens ou fazendo desenhos coloridos. a proposta é inventar nomes de música inspirados nos conceitos que fazem parte da capa do CD ou LP. etimologicamente. No Caderno do Aluno. conjunto de todos os bens materiais e imateriais. além das redes virtuais que armazenam músicas. propomos uma leitura de imagens. com palavras. Na capa. Gizmo. Refletem a dinâmica da sociedade. é de fundamental importância para a memória. Cidade. são os modos específicos de criação que abrangem diversas áreas e que determinam as descobertas na Ciência. a criatividade dos povos e a riqueza das culturas. videoclipe. restauro. observaremos que suas temáticas no contexto atual trazem à cena um patrimônio imaterial artístico-cultural de significativa importância. músicos da rua. SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 3 DANçA O patrimônio cultural. simbolizado por meio da linguagem corporal. A dança popular é. a identidade. que formam o patrimônio cultural do povo. finalizando o bimestre. a riqueza comum que os cidadãos herdaram e que transmitirão de geração em geração. expressam um jeito de ser. Todas as mídias que registram as obras musicais precisam de um constante trabalho de conservação. na Arte e na Tecnologia. DVD e HD (hard disk de computadores). Como professor. de espaço de manutenção e recriação de tradições herdadas das diferentes etnias que constituem o povo brasileiro.indd 28 6/8/2009 14:19:54 . o que você pode escrever em seu diário de bordo sobre as suas experiências pedagógicas desenvolvidas em música? Atenção! Depois de finalizadas as proposições de música. entre outras. na maioria das vezes.tos) e os diversos tipos de CD. uma manifestação coletiva que obedece a fatores e influências encontrados em determinado 28 ARTE_1s_1bi. agir e ver o mundo. Na contracapa.

Essa manifestação. 29 ARTE_1s_1bi. Frevo. 1o bimestre grupo social. © Lilian Santana/Riotur/Embratur © Renata Gonçalves © Antônio Gaudério/Folha Imagem A B Escola de samba.indd 29 6/8/2009 14:19:59 . © Antonio Cruz/Abr Jongo.Arte – 1a série. formando vocábulos para a dança contemporânea. por sua vez. © Wilson Dias/Abr Mestre-sala e porta-bandeira. cruzando-se com elementos que outras vezes serão relidos e tramados com ele© Lilian Santana/Riotur/Embratur mentos provenientes dos mais variados tipos de dança. E F Samba de roda do recôncavo baiano. recebe influências do entorno onde acontece e se reelabora. C D Tambor de crioula.

os alunos. converse com os alunos sobre quais correspondências figura/manifestação eles identificaram e volte a problematizar as imagens com as questões presentes no Caderno do Aluno. se algum aluno souber uma dessas danças. de Heitor dos Prazeres. proponha aos alunos o seguinte roteiro de investigação: f Carnaval – investigação sobre como se dá a criação artística de um desfile de carnaval. divida a classe em 5 grupos e distribua os 5 temas: carnaval. até mesmo. a ala das baianas. Para isso. de Albert Eckhout.indd 30 6/8/2009 14:19:59 . o samba-enredo. o mestre-sala e a porta-bandeira. a pesquisa pode acontecer por meio de entrevista junto aos participantes dessas manifestações populares. frevo e samba de roda – investigação sobre essas manifestações populares consideradas patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). peça aos alunos que escolham uma obra ou uma música sobre a qual desejem trabalhar. possíveis caminhos para investigar. Qual a importância da dança na cultura do carnaval como festa popular? proposição iii – Ação expressiva: um fraseado coreográfico Pensando em organizar uma Situação de Aprendizagem que envolva um fazer e um dançar. Em continuidade. jongo. Para que a pesquisa tenha um foco em relação ao tema. Onde há. frevo ou samba de roda. um blog. as obras Dança dos tapuias. No Caderno do Aluno. dando continuidade à frase: No passo-a-passo. o bairro ou a cidade onde vivem os alunos tenham escolas de samba ou grupos que dançam tambor de crioula. converse acerca de quais manifestações de dança popular os alunos conhecem e. realizam um fraseado coreográfico que se aproprie da tradição e.. sobre os conceitos equivocados que talvez tenham a respeito da relação entre dança e patrimônio. propõe-se que os estudantes conversem sobre quais manifestações de dança popular eles identificam nas imagens e. Para isso. Para apresentação dos resultados da pesquisa em sala de aula. No Caderno do Aluno. incentive-o a apresentá-la e. a proposta é encomendar uma pesquisa em grupo. Caso contrário. são apresentadas como possibilidades de escolha. até a ensinar alguns passos para os colegas. f tambor de crioula. No Caderno do Aluno. depois. um painel ilustrativo ou. jongo. cada uma dessas modalidades de dança? Por que elas foram escolhidas como formas de expressão que pertencem ao patrimônio imaterial brasileiro? O que é patrimônio imaterial? Caso a comunidade. o samba no pé/passistas. no Caderno do Aluno. um catálogo com textos e fotos. o destaque principal. uma Ação expressiva. adicionam novos elementos à criação.. quem sabe. assim. pode ser realizada pela internet ou por consulta a livros na biblioteca. a ala das crianças. no Brasil. apontando. A partir de imagens de obras que fazem referência à dança ou de músicas regionais. os alunos podem produzir um jornal.As imagens movem um jogo de apreciação sobre manifestações de danças populares. Em O que penso sobre Arte?. tambor de crioula. a partir de seus elementos: a bateria. propomos. a proposta é finalizar a pesquisa em grupo escrevendo uma síntese sobre o que descobriram de mais significativo na própria pesquisa e na pesquisa de seus colegas. a rainha da bateria. Para isso. a velha-guarda. também. relacionem a imagem com o nome da manifestação de dança popular. a partir de suas vivências pessoais e pesquisas. 30 ARTE_1s_1bi. jongo. e Frevo. proposição ii– pesquisa em grupo Para ampliação dos saberes dos alunos sobre essas manifestações de dança popular. frevo e samba de roda. oferecemos algumas proposições que podem contribuir para a ampliação do conhecimento sobre o tema. Essa conversa permite um mapeamento sobre os conhecimentos dos alunos e.

© Wikipédia 31 ARTE_1s_1bi. 1641. Frevo. 46 x 55 cm.Arte – 1a série. 1o bimestre Albert eckhout. 1966.indd 31 6/8/2009 14:20:00 . Dança dos tapuias. Óleo sobre tela. © Heitor dos Prazeres Heitor dos prazeres. Óleo sobre tela. 295 x 172 cm.

ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho. Levam. o que desmistifica a tese de que a tradição é algo “velho”. As danças populares brasileiras são expressões de movimentos. desse teu corpo. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho. não vá dizer Que você já me esqueceu Ai bota aqui. filosofias. Dança-se aos pares. coreografias. Todos os direitos reservados. as rasteiras de pernas no chão e as acrobacias com uma sombrinha. Há mais de 120 passos catalogados. o teu pezinho ao pé do meu Agora que estamos juntinhos. também. “continuidade” e “descontinuidade”. Depois. possuindo uma organização própria. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho. são propostas duas ações: um desenho do fraseado coreográfico. formas. All rights reserved.. nasceram os passos. o teu pezinho ao pé do meu E depois. Dá cá um abraço e um beijinho. que ficam próximos e frente a frente.indd 32 6/8/2009 14:20:00 . uma ética entre seus membros e uma hierarquia. A. apreendidos no seio familiar e no âmbito comunitário.. © by 1957 Irmãos Vitale S. ou seja. Quantos homens eram inverno outros verão. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho. Todos os direitos autorais reservados para todos os países. sentimentos. peça aos alunos que se dividam em grupos de 4 ou 5 para elaborarem. Um abraço quero eu Ai bota aqui. Outonos caindo secos no solo da minha mão! Gemeram entre cabeças a ponta do esporão A folha do não-me-toque E o medo da solidão Veneno.Aqui. uma relíquia. Indústria e Comércio. “desatualizado” – estigmas geralmente atribuídos à cultura popular em todas as suas expressões. passos. o estudo coreográfico. Paixão Côrtes e L. subidas e descidas. o teu pezinho ao pé do meu E no chegar. sua notação gráfica. saberes que são um legado. e um relato sobre as possibilidades e os limites provo- Zé Ramalho Quantos aqui ouvem os olhos eram de fé! Quantos elementos amam aquela mulher. segredos. f o pezinho é uma dança típica originária do Estado do Rio Grande do Sul. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho bem juntinho com o meu Ai bota aqui. Entre os mais conhecidos. meu companheiro Desata no cantador E desemboca no primeiro açude do meu amor É quando o tempo sacode a cabeleira A trança toda vermelha Um olho cego vagueia Procurando por um! © Warner Chappell Edições Musicais Ltda. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho bem juntinho com o meu Ai bota aqui. temos as flexões com as pernas.. pezinho J. que não significa dominação ou imposição. o teu pezinho ao pé do meu Agora que. Os pares engatam e desengatam os braços e. No Caderno do Aluno. “estático”. para materializar um olhar sobre a experiência de criação. lembre-os que: f o Frevo surgiu dos movimentos dos capoeiristas que saíam à frente dos blocos no carnaval de Recife fazendo acrobacias. atuam num ritmo de manutenção/perda/recriação. C. ritmos. Essas danças têm como fundamento preservar tradições dos antepassados. presente em grandes e pequenos povoados ou metrópoles. C. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho bem juntinho com o meu Ai bota aqui. Dá cá um abraço e um beijinho Ai bota aqui. ai bota ali o teu pezinho O teu pezinho bem juntinho com o meu Ai bota aqui. crenças. simbologias e traços específicos do jeito de ser de um grupo social. gestos. frente a frente.. Dependendo do contexto em que estão inseridas. particularidades. International Copyright Secured. às atuais gerações. usando o recurso visual e/ou sonoro. estamos juntinhos. 32 ARTE_1s_1bi. sugerimos duas músicas que também podem ser oferecidas aos alunos para que sirvam como estímulo sonoro à criação: Frevo mulher Para os alunos que escolherem uma destas músicas. Barbosa Lessa Ai bota aqui. fazem movimentos com os pés. Da capoeira dançada no ritmo do Frevo.

Atenção! Depois de finalizadas as proposições de música. a palavra tem o dom de evocar a fantasia. forró. entre outras. É possível. 1o bimestre cados pela incorporação dos elementos da dança popular à invenção coreográfica realizada. muitos podem ser os caminhos de investigação sobre a memória e a herança teatral. o sonho e lembranças da infância. C. patrimônio cultural imaterial. e a proposição de conexões com os territórios de mediação cultural e processos de criação. pedindo a resposta em forma de desenho.Arte – 1a série. cultura e dança no território de patrimônio cultural escola de samba. Raul Cortez. dança popular. jongo. Gianfrancesco Guarnieri. tambor de crioula. Que a sutileza da passagem de uma dança popular para um fraseado coreográfico seja uma ampliação de trabalho corporal para seus alunos. uma linguagem em extinção: o circo. dos quais J.indd 33 6/8/2009 14:20:01 . como Asdrúbal Trouxe o Trombone. Para começar a conversa. na proposição O que penso sobre Arte?. estabelecer relações com a memória dos espaços cênicos brasileiros (edifícios teatrais e sua arquitetura). Cidade. ainda. Serroni soube tão bem realizar um mapeamento. você pode encaminhar a proposição de Nutrição Estética. entre outros. Outra possibilidade é remexer no baú de ideias estéticas de companhias que inovaram a linguagem teatral no Brasil. Enfim. frevo. Paulo Autran. já se configuram como patrimônio cultural. tanto nos picadeiros quanto em outros palcos. até mesmo. a pergunta aos alunos é sobre qual lembrança vem à mente quando eles pensam em circo. A ideia é lançar um olhar diferente sobre a especificidade estética do espetáculo circense como patrimônio cultural e sobre a particularidade da arte do palhaço. um modo de produção cênica que hoje pode parecer uma linguagem menor no mundo dos espetáculos e. abordando poética pessoal e/ou colaborativa nas demais linguagens. Teatro de Arena. proposição i – o que penso sobre o circo? Circo. a escolha da relação entre artes cênicas e patrimônio cultural recai sobre outro caminho. no Caderno do Aluno. Na leitura dos desenhos produzidos: O que eles mostram? O que foi mais lembrado? A lona 33 ARTE_1s_1bi. que. SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 4 TEATRO O que vem ao pensamento quando relacionamos artes cênicas e patrimônio cultural? Uma das associações pode ser com a memória artística sobre o ofício de ator no Brasil. Cacilda Becker. Teatro Oficina. em que se mesclam o riso e o deslumbramento. Para onde os alunos levariam essa investigação? O que poderiam conhecer? Para iniciar o 1o bimestre do Ensino Médio. por si só. Para muitos. O que você pode escrever sobre isso em seu diário de bordo? tempo previsto: 4 a 6 aulas. mergulhando na história teatral brasileira para trazer à cena nomes como Sérgio Cardoso. roda de samba.

as primeiras letras. mesmo com apresentações individuais no espetáculo. Esse conteúdo trata também de ensinar sobre a vida nas cidades. os alunos têm qual referência de espetáculos circenses? No Caderno do Aluno. O que esse mapeamento revela? O circo é uma linguagem artística próxima ou distante dos alunos? Sobre isso. o que você pode registrar em seu diário de bordo? proposição ii – Movendo a apreciação Muitas lembranças de infância dos alunos talvez aqueçam o traço dos desenhos e a conversa sobre o circo.indd 34 6/8/2009 14:20:03 . A relação de trabalho que se estabelece é tal que. Na conversa sobre as imagens. 34 ARTE_1s_1bi. Mas. é importante chamar a atenção dos alunos sobre as diferenças que hoje existem entre o circo tradicional e o contemporâneo. É por meio desse saber transmitido coletivamente às gerações seguintes que se garantiu a continuidade de um modo particular de trabalho e de uma maneira específica de montar o espetáculo. algumas questões movem a apreciação.colorida do circo? O mágico? O equilibrista? O domador de leão? O malabarista? O contorcionista? O palhaço? A memória registrada veio da experiência de ter assistido a um espetáculo circense? Os alunos se lembram do nome de alguma companhia de circo? Esse tipo de espetáculo fez ou faz parte da vida cultural dos alunos? A escuta atenta dessa conversa com os alunos sobre o circo pode oferecer um mapeamento sobre a prática e a significação cultural do circo na vida deles. A transmissão do saber circense faz desse mundo particular uma escola única e permanente. hoje. O conteúdo desse saber é suficiente para ensinar a armar e desarmar o circo. © Luiz Doroneto É nomeado circo tradicional aquele formado por grupos familiares. além de treinar as crianças e os adultos para executá-los. a organização familiar é a base de sustentação do circo. as técnicas de locomoção do circo. 2007. Circo roda Brasil. a preparar os números ou peças de teatro. Stapafúrdyo.

a partir das décadas de 1980 e 1990. La Mínima. Caso haja algum circo com a lona montada em sua cidade. além de outros que os alunos podem encontrar. Nau de Íca- 35 ARTE_1s_1bi. apresentando o que descobriram para a classe. entre outras. que pode ser feita por meio de um roteiro de perguntas para uma entrevista.Arte – 1a série. A linguagem do circo contemporâneo é tecida por saltimbancos urbanos. por exemplo. 1o bimestre O espetáculo do circo tradicional é. Circo Real Moscou? O que faz com que o circo-família possa vir a ser reconhecido pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial? Esses temas e questões suscitam vários aspectos que podem ser pesquisados em um encontro marcado na sala de informática. mas pelas escolas de circo. Ozon. Patifes e Paspalhões. proposição iii – pesquisa em grupo A aproximação com a linguagem contemporânea do circo e a ampliação de repertório dos alunos pode acontecer por meio da encomenda de uma pesquisa em grupo. a Escola Nacional de Circo da Funarte. ou até mesmo criar um blog. pesquisando. No Caderno do Aluno. seja temático ou estético. que ganham espaço na cultura urbana. Carlo. Para que a pesquisa tenha foco. de modo ofensivo. Seyssel. Qual o perfil dessas companhias? Qual o repertório? Quais técnicas circenses desenvolvem? Nessas companhias. As famílias Ferreira Rezende e Simões. inclusive. Para isso. Chiarini. formando um mapa que apresente o que foi mais significativo na sua pesquisa e na pesquisa de seus colegas sobre o circo e sua linguagem artística. assim. oferecemos alguns temas para investigação: f Companhias contemporâneas de circo – Pia Fraus. socialização e aprendizagem artística de geração em geração. no Brasil. um dos pré-requisitos para a inscrição é o não-uso de animais em cena. entre outras. rigoroso e complexo processo de formação. Temperani. Intrépida Trupe. Circo Zanini. o Galpão do Circo. formada por escolas de circo e/ou teatro e que. sobre a Escola de Circo Picolino. Outra característica é que os animais somem de cena. cada grupo pode montar um PowerPoint. temos renomadas famílias circenses: Pery. fazem a interação entre as técnicas circenses e os elementos teatrais. São vários os sites indicados ao final do Caderno. Parlapatões. Em festivais de novo circo. há fusão das linguagens de dança e teatro às artes circenses? f escolas de circo – Quais os cursos oferecidos? Há pesquisa sobre a linguagem circense? O que os alunos podem descobrir sobre a formação profissional circense. O que os alunos podem descobrir pesquisando sobre essas famílias? No circo contemporâneo. No Brasil. um espaço está reservado para que eles possam criar palavras-chave. a divisão da sala de aula pode ser feita formando grupos a partir da distribuição de temas. Para a apresentação dos resultados da pesquisa. o resultado de um longo. O que mais os alunos podem descobrir sobre a linguagem contemporânea do circo? ros. Acrobáticos Fratelli. Teatro de Anônimos. será uma excelente oportunidade para uma pesquisa de campo. desenvolvido em sequência lógica durante o espetáculo. François. a sociedade dizia que “gente de circo não presta”? Há alguma família circense radicada na sua cidade? O que é possível descobrir sobre: Circo Zanchettini. entre outros? f Circo de tradição familiar – O que é o circo-família? A que se deve o quase desaparecimento do circo-família? Por que. a aprendizagem não acontece pela dinastia familiar. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vem desenvolvendo um trabalho para o reconhecimento do circo de tradição familiar como dimensão do patrimônio cultural de natureza imaterial. Casali. colar imagens ou fazer desenhos coloridos. gente que não é de circo. A introdução da teatralidade faz com que a linguagem circense tenha um fio condutor.indd 35 6/8/2009 14:20:03 . no passado.

O palhaço surgiu para ridicularizar as atrações oficiais. 36 ARTE_1s_1bi. marcar a singularidade de sua personagem como a sua própria. É isso que investigaremos a seguir. estão no texto. É importante situar os alunos sobre a origem do palhaço. alegria. Personagem inspirado no bobo shakespeariano e influenciado pela Commedia dell’Arte italiana. outros. a criação da personagem palhaço tem o objetivo de despertar a alegria. da UniRio. Enquanto o equilibrista e o trapezista lidam com o sublime. o palhaço traz à cena o grotesco. Conta a história que Astley inventou o picadeiro e montou espetáculos de equilíbrio e malabarismo com cavalos. especialistas em besteiras que visitam os hospitais. por exemplo. Cada palhaço constrói sua maquiagem de acordo com o que acha mais expressivo em seu rosto. © Luizinho Coruja/Conteúdo Expresso © Acervo da família Palhaço Pimentinha. a boca. Fora do picadeiro. que pode ter como base a comicidade corpórea presente em cada pessoa. a criação de uma personagem é o mais delicado dos problemas. como Piolim. a ingenuidade. o estúpido. como o de Torresmo. de Aracaju. sapatos grandes e um eterno sorriso. Para isso. no Rio de Janeiro. ou seja. Torresmo e Arrelia. no Paraná. Mas todos usam a menor máscara do mundo: o nariz vermelho. como o Plantão Sorriso. levando alegria às crianças internadas. Será que é essa a imagem do palhaço que os alunos guardam na memória? Para aproximar os alunos desse personagem. Sua personalidade. os dados. como.proposição iV – Movendo uma apreciação sobre o personagem palhaço Palhaço. roupas largas. é proposta uma pesquisa individual a partir da seguinte questão: O que mais você pode descobrir sobre os Doutores da Alegria e outros projetos. seja grande. Alguns ressaltam os olhos. surgiu no século XVIII para subverter a apresentação dos equilibristas nos espetáculos do inglês Philip Astley. a Enfermeira do Riso. como o de Pimentinha. há também uma arte do palhaço que se faz presente em hospitais. enquanto que o palhaço é o próprio autor de seu personagem. No Caderno do Aluno. em geral. como: O que você percebe na caracterização dos palhaços? De que modo é a maquiagem? O que ela realça no rosto? Por que o nariz é ressaltado? Na arte do palhaço. seja pequeno. Ao conceber a maquiagem. como fazem Pimentinha. o palhaço procura ressaltar o traço do rosto mais propício para despertar o riso e. Nariz vermelho.indd 36 6/8/2009 14:20:08 . Torresmo e Arrelia. suas roupas e sua maneira de se comportar devem estar de acordo com certo sentimento: tristeza. em Sergipe? Seja como for a caracterização. um dos fundadores do circo moderno. de Londrina. ainda na Apreciação. no Caderno do Aluno é proposta uma apreciação movida por questões. Para a criação de uma personagem do cinema ou do teatro. o riso. são lançadas as questões: Você conhece a trupe Doutores da Alegria? O que ela faz? A trupe é formada por artistas que se apresentam para uma plateia de doentes ou por “médicos” que visitam seus “pacientes”? Qual tratamento é ministrado aos pacientes? Para aprofundar o conhecimento dos alunos quanto à arte desses palhaços. e a UTI Riso. no trabalho dos Doutores da Alegria. a arte clownesca inicia-se por encontrar o nosso lado ridículo. A trupe se apresenta como besteirologistas. aos pais e aos profissionais da saúde que atuam no local. Palhaço Torresmo. malandragem etc. assim.

sairá e levará consigo uma cadeira. dispor as cadeiras em círculo. da girafa comilona. dos seguintes exercícios: f dança das cadeiras – Para jogar é preciso. Quando a música acaba. por exemplo. A ideia é propor qualidades dos bichos – por exemplo. Quem ficar por último terá de mostrar uma dança da felicidade. levando-os a inventar outra forma para os animais. do dinossauro sonolento.Arte – 1a série. a baleia assassina. como um modo de aproximar os alunos da arte dos palhaços. O número de cadeiras deve ser definido de forma que um dos participantes fique sem ter onde sentar. primeiro. o riso nos participantes. Enquanto toca a música. é importante propor uma conversa: O que faz certas pessoas provocarem o riso imediatamente e por que algumas não conseguem isso? O que é esse tempo da surpresa? O que é surpreender e ser surpreendido pelo © Cecília Laszkiewicz/Divulgação 37 ARTE_1s_1bi. todos os participantes dançam ao redor das cadeiras. Finalizado o jogo.indd 37 6/8/2009 14:20:11 . Quem fica sem a cadeira deve imitar um animal. do javali do Japão – buscando. Se a imitação provocar o riso. que os alunos deixem de simplesmente imitar o que conhecem. com a imitação. A proposta é provocar. se não conseguir. do golfinho Fliper. o participante permanecerá na brincadeira. por meio. a imitação de Orca. por exemplo. a partir das impressões que cada aluno escreveu no Caderno do Aluno. podemos provocar uma experimentação do ridículo. todos se sentam. proposição V – Ação expressiva Para mover a comicidade corpórea presente em cada pessoa. 1o bimestre Doutores da Alegria. com isso. As sugestões de nomes de bichos e coisas não são fixas. nascem das imagens que o coordenador do jogo vai inventando de imediato na brincadeira. na forma de um elefante da França.

conversar sobre o exercício como uma ação na qual ninguém perde ou ganha. Outras vezes. como se estivesse na rua. circo tradicional. que é basicamente a forma de a pessoa posicionar sua postura. dentro do círculo. Cada aluno. a partir dele. quando aumentamos a maneira natural de andar. famílias circenses. Cada um de nós tem um modo pessoal de andar. f o andar dilatado – Sentados em roda. uma vez que a tentativa é de fazer algo mais importante: brincar. a própria pessoa observada ri de si mesma. palhaços de hospital. tamanhos. aquela que anda projetando o peito para a frente. cultura e teatro no território de patrimônio cultural artes circenses. são desenvolvidos outros. Todos observam o andar do outro. Este exercício revela o próprio andar de forma dilatada. as nádegas para trás etc. Analisando todos juntos como é a maneira de cada pessoa andar. Este é um exercício em que todos ajudam todos na observação do corpo. a cabeça está sempre mais à frente do pescoço. esse exagero algumas vezes provoca o riso nos espectadores. o exercício é repetido a partir de sugestões para que se dilatem essas formas. por exemplo: uma pessoa que anda apoiando os pés mais na parte de dentro do calcanhar pode aumentar isso. e a proposição de conexões com os territórios de mediação cultural e processos de criação.indd 38 6/8/2009 14:20:11 . isto é. ressaltando essas qualidades expostas no sentido de ver. Cidade. circo contemporâneo. uma mão balança mais que a outra. aquilo que pode ser dilatado. Esse é um processo de observação muito detalhado. no corpo do observado. há um gingado diferente etc. abrindo um caminho para que se reflita sobre a corporeidade do outro. palhaço/clown e a tradição cômica. com outras dinâmicas. 38 ARTE_1s_1bi. velocidades. tempo previsto: 5 a 6 aulas. em que todos começam a observar o outro e a ajudar na observação do movimento corporal. pois descobre que a sua maneira de andar dilatada é muito estranha e diferente do que ela imaginava. abordando poética pessoal e/ou colaborativa nas demais linguagens. cada aluno se levanta e caminha normalmente.inesperado? É importante. também. Por exemplo. você pode encaminhar a proposição de Nutrição Estética. escolas de circo. indo a um banco ou passeando com velocidades variadas. em todas as direções. permitindo que os outros alunos observem seu modo de andar. qual roupa escolhe para caracterizar seu personagem palhaço? Qual será seu nome? Que esquetes podem surgir a partir do momento em que todos ganham seu “nariz vermelho”? Atenção! Depois de finalizadas as proposições de teatro. a partir da criação de um jeito básico do andar do clown. Esse é o andar de base ou básico e. Quando dilatamos o jeito de andar. o pé abre apontando para fora.

tempo previsto: 1 aula. Agora. SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 5 CONEXãO COM O TERRITÓRIO DE PROCESSO DE CRIAçãO E MEDIAçãO CULTURAL Movendo projetos poéticos de intervenção na escola As proposições sugeridas até aqui podem gerar ideias para projetos de intervenção na escola nas várias linguagens da Arte. Essa ação é importante para que seus alunos conheçam a relação entre as diferentes modalidades de Arte e o patrimônio cultural. instigados a produzir um projeto de intervenção na escola. peça aos alunos que releiam atentamente o que registraram no Caderno do Aluno durante o bimestre e respondam à questão: As práticas culturais pertencem ao patrimônio cultural? Depois de os alunos lerem suas respostas. seus estudos nas aulas de Arte focalizaram artes visuais. Para isso. O território de mediação cultural pode deixar os estudantes mais atentos às relações entre a Arte e o público. Novas proposições ampliarão repertórios e oferecerão subsídios para essa escrita. 39 ARTE_1s_1bi.Arte – 1a série. como responderiam à mesma questão? Essa conversa é uma preparação para a ação de avaliação no Caderno do Aluno. você pode perguntar aos seus alunos: Neste bimestre. você pode provocar uma conversa a partir das seguintes questões: Qual é o caminho de uma ideia em Arte? A ideia já nasce pronta num insight? Ou nasce de uma coleta sensorial. proponha uma nutrição estética com as imagens do Caderno do Aluno que não foram trabalhadas. de esboços que vão apurando ideias? É importante que os alunos possam ampliar o conhecimento sobre processos de criação já que há muitos mitos cercando os artistas. foco de estudo neste bimestre. Considerando que qualquer projeto de intervenção espera gerar um [con]tato com o público – seja pelo impacto causado pelo ato de desfamiliarizar o olhar. Esperamos que os projetos se realizem no terceiro e quarto bimestres. podem se conscientizar desses mitos e superá-los.indd 39 6/8/2009 14:20:11 . dança ou música? As respostas deles apontam que compreenderam o caminho escolhido por você entre as Situações de Aprendizagem oferecidas? Em continuidade. teatro. 1o bimestre NUTRIçãO ESTÉTICA Como mediador cultural. Após olhar e conversar com seus alunos sobre todas as imagens das linguagens artísticas que eles não estudaram. Para isso. sugerimos percorrer dois territórios: processos de criação e mediação cultural. O talento e a inspiração são muitas vezes percebidos como centrais nos processos de invenção. Caminhar em suas trilhas pode ajudar os alunos a iniciar um esboço para a construção de um projeto que será escrito no segundo bimestre. da vigília criativa.

coleta sensorial. no Caderno do Aluno. os esboços dos projetos serão ampliados com outras problematizações. Depois da conversa sobre os territórios de processo de criação e mediação cultural. sugerimos que eles apresentem e discutam suas ideias de intervenção na escola. No próximo bimestre. gerar impacto. 40 ARTE_1s_1bi. mas trazê-lo à tona aponta outros modos de olhar as manifestações culturais. um projeto de intervenção também deve levar em conta o público a que se destina. tempo previsto: 1 a 3 aulas. desfamiliarizar o olhar. E pensar formas de dar acesso a todos à Arte e à Cultura. Você pode fazer uma leitura dessas ideias. dar acesso. proponha que os alunos registrem três ideias que considerem viáveis realizar como projeto de intervenção na escola. os alunos podem esboçar. Processo de criação esboço em várias versões. como viabilizá-las? O que os alunos percebem de seus próprios processos de criação? O que lhes interessa provocar no público? Eles têm claro o conceito de relação Arte-público como conceito de mediação cultural? Este pode ser um conceito muito novo na escola. ainda. problematizando: No que as várias ideias diferem? Há esboços para as várias linguagens artísticas? São ideias viáveis? Se não são. seja pelo estranhamento ou pela proximidade –. Depois da apresentação e discussão.indd 40 6/8/2009 14:20:11 . Projetos de intervenção na escola mediação cultural relacão Arte-público. suas ideias e expectativas sobre a realização de projetos de intervenção na escola.obrigando a um olhar como se fosse o primeiro. vigília criativa. não esquecendo aqueles que têm baixa visão ou que são cegos ou. os que têm dificuldade de audição ou de locomoção. Após a escrita do esboço pelos alunos.

1o bimestre SínteSe do BiMeStre e AVAliAção A formação cultural dos alunos envolve diferentes aspectos. videoclipe. monumentos históricos. políticas culturais. estética do cotidiano. frevo. palhaço/clown e a tradição cômica. ligação Arte e vida.Arte – 1a série. patrimônio cultural. circo contemporâneo. música contemporânea. forró. educação patrimonial. pichação. dança popular. Projetos de intervenção na escola mediação cultural relacão Arte-público. Arte. heranças culturais. escolas de circo. jongo. grafite. circo tradicional. Os mapas a seguir mostram os conteúdos potenciais apresentados nas possibilidades deste Caderno para a relação entre a Arte e o território de patrimônio cultural. dar acesso. escola de samba. tradição e ruptura. desfamiliarizar o olhar. palhaços de hospital. artes circenses. assim como o início da trilha pelo território de processo de criação e mediação cultural. músicos da rua. famílias circenses. tambor de crioula. roda de samba. cidade e patrimônio cultural paisagem sonora. entre os quais o alargamento de conceitos e a percepção e expressão sobre/na Arte. coleta sensorial. vigília criativa.indd 41 6/8/2009 14:20:11 . Processo de criação esboço em várias versões. intervenções urbanas. arte pública. gerar impacto. 41 ARTE_1s_1bi. arte contemporânea.

como você percebe suas ações pedagógicas? O modo como você escolheu e reinventou as possibilidades sugeridas foi adequado? O que você faria de modo diferente? Quais outras conexões poderiam ter sido feitas? Para onde você pode caminhar com seus alunos a partir de agora? RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR E DO ALUNO PARA A COMPREENSãO DO TEMA livros ARAUJO. 2004. 2007. Carlos Carvalho. você percebeu como os alunos: f investigaram a Arte e as práticas culturais como patrimônio cultural no contexto da cultura urbana. LEMOS. HERNANDEZ. Celso. BLASS. você pode avaliar o percurso trilhado com a turma. 2005. Alice Viveiros de. Cidade e cultura: esfera pública e transformação urbana. Palhaços. TELLES. ideias e sentimentos por meio da especificidade dos processos de criação em Arte. São Paulo: José Ricardo Paes. Catadores da cultura visual: proposta para uma nova narrativa educacional. gerando sua expressão em artes visuais. refletindo sobre o seu diário de bordo Pensando sobre o percurso trilhado pelos alunos. na seção Você aprendeu?. São Paulo: Editora da Unesp. cidade e patrimônio cultural. 2003. Ou seja. teatro ou dança. música. p. 2007. Leila Maria da Silva. 2000. Mirian Celeste. Carlos A. Porto Alegre: Mediação. Terezinha. trabalho na escola de samba: a dupla face do carnaval. mudança educativa e projeto de trabalho. Folia de reis em Sorocaba. PICOSQUE. PEREIRA. a memória coletiva. 100 anos de frevo. 2007. A partir do glossário e da leitura do portfolio composto do Caderno do Aluno e de outros modos de registro. Mário Fernando. In: PALLAMIN. 2002. Projetos artísticos nos espaços não-institucionais de hoje. O que é patrimônio histórico. Margarida. Sorocaba: Edição do Autor. MARTINS. 73-101. BÜTTNER. no Caderno do Aluno.Avaliando os portfolios Partindo desses mapas e das experiências estéticas e artísticas realizadas em sala de aula e registradas pelo aluno em seu portfolio – Caderno do Aluno e em outros modos de registro realizados. CASTRO. f operaram com esboços de projetos individuais ou colaborativos visando à ação de intervenção e mediação cultural na escola e na cidade. CAVALHEIRO. f operaram com imagens. os bens simbólicos materiais e imateriais. Cultura visual. (Coleção Primeiros Passos). a organização de verbetes a partir de palavras e seus significados no contexto do estudo realizado no bimestre. M. Vera (Org. f valorizaram o patrimônio cultural. Gisa.). João. São Paulo: Annablume. Para isso. (Coleção Primeiros Passos). é proposta a criação de um glossário sobre Arte. ______. A língua do mun- 42 ARTE_1s_1bi. 2007. Desfile na avenida. BOLOGNESI. O que é graffiti. São Paulo: Estação Liberdade.indd 42 6/8/2009 14:20:11 . C. Porto Alegre: ArtMed. GITAHY. Rio de Janeiro: Família Bastos. C. O elogio da bobagem: palhaços no Brasil e no mundo. 1999. São Paulo: Brasiliense. São Paulo: Brasiliense. Fernando.

Clown.alexandreorion. 2005. São Paulo: Fundação Editora da Unesp. <http://www.htm>.uol.br>.1.uol.Arte – 1a série. 2002. 1999. <http://www.com. 2007.html>. br/home. Rio de Janeiro: Pallas. PÉREZ-BARREIRO. José.doutoresdaalegria. 1.php>.cfm?paramend=1&IDCate goria=5051>. <http://www.br>. Paisagens urbanas.sescsp.com. CIRCO CONTEMPORÂNEO. <http://www. Teatro. GRAFITE.com. PEIXOTO. São Paulo: Iluminuras.itaucultural. <http://www. DOUTORES DA ALEGRIA.br/new/ site_v1/php/index.br/novafunarte/ funarte/circo/circoprincipal.br>.org. WUO. em São Paulo.teatrodeanonimo. 1998.trd. p. 2007. 2004. 1991.gov. htm>.acrobaticofratelli.htm>.br/frevo1.galpaodocirco.br/ tropico/html/textos/956. PANTANO. Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul.htm>. 1996.stencilbrasil. Cidade e cultura: esfera pública e transformação urbana. 1o bimestre do: poetizar. Amelinha – Maxximum. 2007. FREVO.br>. Sonia.org. 1 CD. (Coleção Lembranças Africanas).br/JC/ sites/100anosfrevo/index.com. São Paulo: Clam Zimbo.com. Nelson Brissac. Educação em arte: música.org. 1 CD. <http://www. <http://www. Rio de Janeiro: Sony/BMG.br>. <http://www. Ivone M.com. <http://www.br>.circorodabrasil. ALEXANDRE ÓRION.funarte. Geraldo. ROSA. São Paulo: Altana. SUZIGAN.rosanevolpatto. SILVA.graffiti. ESCOLAS DE CIRCO.namakaca. São Paulo: G4. fruir e conhecer arte. Ermínia.br/parlapatoes/ home/index. <http://www. Antônio.intrepidatrupe. Sites de artistas e sobre Arte Os sites a seguir foram acessados em 28 dez. 2007. <http://www. Gabriel. O circo no Brasil.br>. 2007. 103-110.). (Coleção Didática do Ensino).indd 43 6/8/2009 14:20:11 . Interculturalidade e estética do cotidiano no ensino das artes visuais. v.arq.br>. A personagem palhaço. Rio de Janeiro: Funarte/Atração Produções Ilimitadas.com. 2003.). Campinas: FEF/Unicamp. Jorge Macchi: exposição monográfica. São Paulo: Estação Liberdade.com>. Arte urbana como prática crítica. Geraldo (Org. PALLAMIN.com. Cds e dVds AMELINHA. São Paulo: FTD. <http://www.pindoramacircus. In: ______ (Org. Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil. <http://www2. <http://www. TEIXEIRA COELHO. exposição no SESC. Campinas: Mercado de Letras. TORRES. <http://www. Ana Elvira. ARTE PúBLICA.br>. O ouvido pensante. Raymond Murray. ENCICLOPÉDIAS. <http://www. Jongo. CIRCO RODA BRASIL.uol. SCHAFER. São Paulo: Editora da Unesp. <http://www. 43 ARTE_1s_1bi. Arte e tecnologia. Artes visuais.terrabrasileira.br/escolas/ roteiescolas.com.piafraus. <http://www.com. com. Bossa nova: música. RICHTER. Tese de Doutorado. ARTE NAS RUAS. 1989.br/sesc/ revistas/subindex.php>. <http://www2. Dicionário crítico de política cultural. Super-8.net/folclore/ regioes/5ritmos/frevo.org. <http://pphp.htm>. SUZIGAN. Andreia Aparecido. 2007. política e educação no Brasil. São Paulo: Senac-SP/Marca d’Água. processo criativo: rito de iniciação e passagem.shl>. V. 1998.

caracterizada pela complexidade harmônica e rítmica. Nessa direção. 44 ARTE_1s_1bi. daí o nome 78 RPM. restrito à zona sul do Rio de Janeiro. as duas palavras confluem em essências cômicas. INSTITUTO ARTE NA ESCOLA.iphan.artenaescola. <http://jorgemacchi. ambos marcados pela influência moderna do impressionismo europeu. portanto. que modificam a paisagem circundante.indd 44 6/8/2009 14:20:11 .com/filme. (em inglês).gov. A música brasileira. ao rádio. O termo entrou para o vocabulário da crítica de arte na década de 1970. de modo temporário ou permanente. É o mais conhecido movimento musical brasileiro em todo o mundo. depois nos toca-discos elétricos. obras fisicamente acessíveis ao público.org. A velocidade da reprodução é de 78 rotações por minuto. O caráter universal que a música popular brasileira adquiriu com a bossa nova estabeleceu uma nova fase na qual. ao disco e à televisão. que até então disputava o mercado internacional como latin american rhythm.com>. as letras de Vinicius de Moraes e o violão e a voz de João Gilberto. se torna arte. como o humor (ação intencional de provocar o riso). abertos ou fechados. Projetos de intervenções urbanas e grafites são alguns exemplos. indígenas e africanas em produto de exportação de alta qualidade.asp?Codigo= 6301&Ficha=Completa>. comparado ao jazz.br>. político ou moral). em lugar do antigo isolamento que lhe bastava nos limites da nação brasileira.co. que usa as linguagens verbal e não-verbal para expressar o cômico.br/dvdteca/>. Os termos clown e palhaço têm origens diferentes. com a música de Tom Jobim. No Brasil esses discos foram gravados entre 1902 e 1964. é um termo que se refere às obras expostas em espaços públicos.bbc. na linguagem do espetáculo. <http://www. a ironia (intenção de dizer o que se pensa dizendo exatamente o oposto) e a sátira (ridicularização de um tema ou situação com objetivo social. reconhece-se na bossa nova uma renovação sem volta da música brasileira. GLOSSÁRIO Arte pública – De modo geral. com duração de 4 a 5 minutos cada lado.curtagora. mas abarca toda a capacidade humana de apreensão de aspectos insólitos e ridículos da realidade física e social ao gosto do homem pelo jogo e pelo riso.shtml>. depois. Anos depois.INSTITUTO DO PATRIMôNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Iphan). PROJETO GRAFFITI NO CASTELO DE KELBURN. NEUROPOLIS. São. mas. <http://www. Inicialmente parecia apenas um novo jeito de cantar ou de tocar o samba de forma estilizada.uk/ portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070516_ castelografite_pu. JORGE MACCHI. Clown – Termo usado para designar o palhaço teatral. A bossa nova transformou as matérias-primas fruto das influências culturais europeias do Brasil Colônia. Do Beco das Garrafas (um bar no Rio de Janeiro) chegou às faculdades de todo o País e. <http://www. no espetáculo. Os sons eram gravados em sulcos e reproduzidos por agulhas. passa a ser bossa nova. Bossa nova – Movimento musical brasileiro que surge no final dos anos 1950. à criança interior que. conectada às políticas de financiamento criadas para a Arte em espaços públicos. compreende vários aspectos. disco de 78 rpM – Mídia de gravações sonoras feita em discos de goma-laca com 25 a 30 cm de diâmetro. fugindo do caráter elitista ou restrito (como museus e galerias). <http://www. Cômico – Não se limita ao gênero da comédia. inicialmente nos gramofones. torna-se cada vez mais universal. DVDteca. A gravação era feita em dois lados do disco.

1o bimestre disco lp (abreviatura do inglês long play) – Mídia de gravações sonoras surgida em 1948. quente. Grafite. No centro. toscamente riscado com objetos pontiagudos ou carvão em rochas e paredes”) – Inscrições ou desenhos feitos em muros ou lugares públicos. portanto. nascem da capoeira dançada no ritmo do frevo. que envolve canto e percussão de tambores. como o fato de definir letra (frevo-canção). fiscalização. Algumas falhas que são percebidas após mixagem (equilíbrio de volumes de vários sons de uma gravação) nas gravações sonoras podem ser diminuídas e até eliminadas com a masterização. mistura dois ritmos (marcha dobrada e maxixe) e. como frevo-de-rua. registro. plural de graffito. Os passos (hoje. respondidos em coro pelos demais participantes. mais de 120 catalogados). com 31 cm de diâmetro. Na realização do jongo forma-se uma roda de dançarinos.Arte – 1a série. ancestral do samba. com muito baixo nível de ruído. frevo-canção e frevo de bloco. consumidos por audiófilos entusiastas que preferem o seu tipo de reprodução sonora à do CD e DVD. pois acham mais fieis às gravações. graffiti (do italiano graffiti. educação patrimonial – Forma de mediação cultural que estimula o contato do público com a obra de arte. assumiu características mais próximas às que apresenta hoje. um solista (jongueiro) entoa os cantos. na década de 1930. Algumas ações 45 ARTE_1s_1bi. com capacidade de gravação. atualmente está ligado ao Ministério da Cultura e atua na identificação. Há vários tipos de frevo. o DVD-áudio – tomou o lugar dessas mídias. tambor e caxambu. reproduzidos em toca-discos. mais recetemente. que vieram escravizados para o Brasil para trabalhar nas fazendas de café e de cana-de-açúcar do Vale do Rio Paraíba (Região Sudeste). Também é conhecido como tambu. tendo a cidade e. Já a dança surge dos movimentos dos capoeiristas que iam à frente dos blocos no carnaval de Recife. Desde a década de 1980. no sentido de festa animada. em 1937. tombamento. instituto do patrimônio Histórico e Artístico nacional (Iphan) – Órgão federal responsável pela preservação dos bens culturais no Brasil. O resultado da reprodução sonora é muito melhor que o do 78 RPM.indd 45 6/8/2009 14:20:12 . entre as comunidades afro-brasileiras que o praticam. Frevo – Termo popular do início do século XX. como principais suportes. O jongo é fruto da herança cultural dos negros do Reino do Congo. A velocidade de reprodução é de 33 ½ rotações 3 por minuto. Entre os temas abordados. Ainda hoje se fabricam LPs e toca-discos. os sons são gravados em sulcos em ambos os lados dos discos e reproduzidos por agulhas mais sofisticadas que às dos 78 RPM. originário da transformação do verbo ferver. geralmente estão a crítica social e cenas bem-humoradas. também tidos como arte urbana. também caracterizados pela reverência aos antepassados. antes inexistente. O CD – e. É indispensável na produção de materiais sonoros musicais. o jongo do Sudeste é registrado como patrimônio cultural imaterial desde 15/12/2005 no Livro de Registro das Formas de Expressão. No Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). seus muros. Na gravação. restauração e promoção do patrimônio cultural brasileiro. Jongo – Dança de origem africana. valorizando o patrimônio cultural material e imaterial. de 20 minutos cada lado. Masterização – Técnica de apurar e corrigir deficiências sonoras e eliminar ruídos em gravações. “inscrição ou desenho de épocas antigas. só com a vibração da agulha no sulco (ranhuras da representação frequencial do áudio). feita em vinil. São também mais flexíveis e resistentes ao impacto de quedas. Seu objetivo é o exercício da cidadania e da responsabilidade social. é considerado linguagem artística. compartilhando e cuidando da preservação e valorização das heranças culturais. Esses discos você consegue ouvir mesmo com as caixas de som desligadas. Como gênero musical tipicamente pernambucano. em cada lado. conservação. principalmente. Criado no governo de Getúlio Vargas. em disputa com blocos rivais.

ajuste de níveis para equilibrar volumes de picos. Os retratos dos brasileiros daquela época (ameríndios ou indígenas brasileiros. fauna etc. negros. indivíduos. proporcionalidade entre faixas e correções (read-ahead digital limiter). É transmitido de geração a geração. usos e costumes de todos os povos e grupos étnicos. atabaque. o amor etc. Envolve produtos artísticos. que teve influência de diferentes ritmos tribais africanos. pode ser conside- 46 ARTE_1s_1bi. viola e chocalho. em especial o semba. dança dos tapuias. artesanais e técnicos. de Angola. Do mesmo modo. berimbau.indd 46 6/8/2009 14:20:12 . restauro e incentivo às formas contemporâneas de cultura (considerados patrimônios culturais) têm sido exigidos às políticas públicas. marcada pela descrição detalhada das coisas e dos seres. como a identidade de um povo. Exerceu influência no samba carioca e até hoje é uma das referências do samba nacional. artefatos e lugares associados a comunidades. As naturezas-mortas.feitas na masterização: equalização de graves e agudos. padroeiro dos negros do Maranhão. O conjunto de sua obra. reservas de água. Caracteriza-se por um círculo em que dançarinos se revezam individualmente no centro da roda. edição para nivelar partes da gravação que estão mais fortes ou mais fracas que outras. têm uma importância singular dentro da obra eckhoutiana. É executado com instrumentos de percussão e corda. compressão para estreitar diferenças de sinais fortes e fracos. mulatos ou mestiços e mamelucos) constituem um importante registro para o entendimento da formação e da identidade do povo brasileiro. preconiza duas características pictóricas: o naturalismo e o realismo. patrimônio cultural – Conjunto de bens móveis e imóveis. além de espaços naturais como bosques. relacionada à capoeira. de diferentes tamanhos. assim. No Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). ARTISTAS E OBRAS Albert eckhout (Holanda. materiais e imateriais. como pandeiro. do passado e do presente. Refletem a influência da pintura holandesa do século XVII. Sua coreografia tem como característica marcante a umbigada. e pela matraca (instrumento de percussão feito de madeira e uma argola que se move rapidamente em torno de um eixo. os registros de animais e plantas locais documentam a diversidade da fauna e da flora brasileiras. Albert Eckhout figura entre os mais significativos. tambor de crioula – Dança afro-brasileira praticada especialmente no Maranhão. objetos. representações. Constitui-se. matas. de-essing para redução de sibilância (pronúncia muito acentuada de s). grupos e. Samba de roda – Expressão musical. poética e festiva das mais importantes e significativas da cultura brasileira. a Ciência e a Cultura (Unesco) como práticas. em alguns casos. 1612-1665) – Dos artistas trazidos ao Brasil pelo conde Mauricio de Nassau na época da invasão holandesa ao nordeste do País. patrimônio cultural imaterial – Definido pela Organização das Nações Unidas para a Educação. coreográfica. expressões literárias linguísticas e musicais. mas também é usada em festividades religiosas em homenagem a São Benedito. a devoção. O ritmo que embala esta dança é produzido por tambores afunilados. que o transforma de acordo com sua interação com a natureza e com sua história. de quantidade desconhecida. provocando o som). pendurados à cintura dos tocadores ou apoiados no chão. registradas com riqueza de detalhes. É principalmente uma dança de divertimento. o samba de roda do recôncavo baiano é registrado como patrimônio cultural imaterial desde 5/10/2004 no Livro de Registro das Formas de Expressão. de 1641. expressões. O canto aborda o trabalho. conhecimentos e técnicas. acompanhado por canto. instrumentos. Preservação. palmas e dança.

Utiliza como suporte dos seus trabalhos o espaço público. Circo roda Brasil – Surgiu da união de dois grupos teatrais – Parlapatões. 1987) – Grafiteiro. com as seguintes intervenções: antigo matadouro municipal (Cidade sem janelas. Em 1965. Desenho. com figuras humanas caricatas. 1o bimestre rada um dos primeiros registros etnográficos de um ato cerimonial indígena brasileiro. Fefe talavera (São Paulo/SP. 18981966) – Compositor. 1949-São Paulo/SP. Teve início em 1994. desenhista. Alexandre Órion (São Paulo/SP. bruxas e panteras. Formação em Comunicação Visual. Stapafúrdyo foi seu espetáculo de lançamento. além da manutenção de seus respectivos repertórios. Em 1978. como o Mandrake. com o objetivo de renovar o conceito da atividade circense. 2002). Em ossário. O projeto ganhou vida graças à política cultural da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR). telas ou papéis são seus suportes. Alex Vallauri (Etiópia. Essa junção compõe uma unidade no que diz respeito à comunicação direta com a plateia. inspirada numa maneira felliniana de ver o mundo e os seres humanos. residiu em Santos. números acrobáticos. cantor e pintor auto- 47 ARTE_1s_1bi. envolvendo-se também com fotografia. um cerimonial de preparação para a guerra. onde compõe grafites com adesivos e colagens. reunindo um universo de possibilidades dentro do espetáculo circense. foi um dos primeiros a realizar grafites em espaços públicos de São Paulo. A série A rainha do frango assado tornou-se também tema de instalação apresentada na 18a Bienal Internacional de São Paulo. street dance e saltos na cama-elástica com voos inusitados. Formado em Artes Visuais. Arte/Cidade – Projeto que reúne artistas. Cursou Artes Plásticas. adesivos. e outros símbolos da comunicação de massa. 1997) e uma área de aproximadamente 10 km2 na zona leste paulistana (Zona Leste. Inovou pela produção de lona sem mastro interno com apenas dois arcos que dão sustentação externa. inova no uso de materiais ao desenhar caveiras por meio da “limpeza” da fuligem impregnada em alguns túneis da capital paulista. Parte do visual do espetáculo. 1994). três edifícios da zona central (A cidade e seus fluxos. pintor. estapafúrdias. denominada CCR Cultura nas Estradas. roteiro e direção de profissionais renomados no cenário artístico. circo e teatro de bonecos. desde 1995 trabalha com grafite e outros tipos de intervenção urbana. Com produção elaborada. em cores fortes e letras criativas. além de performance musical ao vivo e linguagem jovem. Heitor dos prazeres (Rio de Janeiro/RJ.indd 47 6/8/2009 14:20:12 . O cenário revela imagens fantásticas feitas em grafite. a Estação da Luz. utilização de recursos circenses. constante pesquisa cênica. incluindo efeitos de iluminação. onde iniciou seu trabalho com xilogravura retratando personagens do porto. em 2006. Patifes e Paspalhões e Pia Fraus –. personagens de histórias em quadrinhos. de 2006. palhaços e acrobatas.Arte – 1a série. Conferem inovações nos recursos circenses. arquitetos brasileiros e estrangeiros que se dedicam a estudar soluções artísticas e urbanísticas para situações urbanas complexas que atingem a cidade de São Paulo. com tinta spray sobre moldes de papelão (estêncil e composição à mão livre). palhaços parlapatões. Paredes. cultura de rua (hip-hop) e elementos da capoeira. artista gráfico. como televisões e telefones. em 1985. por intermédio da Lei Rouanet. Entre suas criações estão: mulheres misteriosas. camisetas. 1994). atraem diferentes públicos com gêneros da palhaçaria universal. no caso. um trecho ferroviário indo até os silos do antigo Moinho Central e os galpões e chaminés que restam das Indústrias Matarazzo (A cidade e suas histórias. permitindo visibilidade privilegiada da plateia e ampliando as evoluções dos números aéreos. O Circo Roda Brasil contempla os artistas que sempre sonharam em seguir pelas estradas levando às cidades brasileiras suas variadas linguagens cênicas: teatro. pois mescla outras linguagens corporais. 1980) – Artista plástico. é realizada com bonecos. cenógrafo e gravador. 1980) – Artista plástica e grafiteira. cupidos. Litografia e Grafite.

o cotidiano. Astley era ex-sargento auxiliar de cavalaria e hábil treinador de cavalos. estuda Arte e. de pé sobre o dorso nu do cavalo. voltou ao seu país de origem. escritor. Seus primeiros espetáculos foram apresentações equestres com saltadores e palhaços. bolivianos. 1963) – Artista multimídia. paraguaios. onde nasceram. Em 1997. aplicadas em várias partes do mundo. nordestinos etc. sendo dele os cartazes dessa Bienal e da 6a Bienal do Mercosul. ora parecem ter saído de sonhos. Dominava o clarinete e o cavaquinho. em 1987 recebe o título de Professor Nacional de Pintura. Os personagens são representados com estampas marcantes. teria o equilíbrio facilitado pela força centrífuga. Participaram do auge do movimento hip-hop.indd 48 6/8/2009 14:20:12 . Formada por 16 músicos. em parceria com Noel Rosa. a cidade dos nervos. Jorge Macchi (Argentina. em 2006. expondo em diversos eventos. a violência e o destino. Seus sambas e marchinhas ficaram conhecidos nacionalmente. pinturas. Obteve êxito no Brasil e no exterior. surge o picadeiro. raymond Murray Schafer (Canadá. 1974) – Otávio e Gustavo Pandolfo. em Londres. Apropria-se dos elementos cotidianos abordando de modo sutil as questões políticas e as informações veiculadas pelos jornais. iniciaram como grafiteiros no final da década de 1980. Ganhou reputação internacional pelas suas composições musicais e teorias educacionais inovadoras. lidando com a informação de jornais e mapas em diversas mídias: instalações. Foi artista residente em diversos países e tem seus trabalhos presentes em grandes exposições e em coleções de importantes museus. 48 ARTE_1s_1bi. vídeos e fotografias. publicou A afinação do mundo. philip Astley (Inglaterra. no bairro do Cambuci (zona sul de São Paulo). desde anônimos que atuam nas ruas de São Paulo até vindos de comunidades de imigrantes importantes na história da cidade de São Paulo (japoneses. os Gêmeos (São Paulo/SP. 1742-1814) – Criador do circo moderno em 1768. um tipo de dança de rua. com produção do cineasta Fernando Meirelles. Em seus experimentos com o circo. Pierrô apaixonado. Suas experiências radicais em educação musical nos anos 1960 resultaram em materiais educacionais imaginativos e várias composições elaboradas para orquestras jovens e coros. Os temas de suas obras articulam a cidade. Entre outros projetos e exposições. Um dos pioneiros do samba carioca. fazendo grafites e apresentações de break. gêmeos idênticos. que busca representar em forma de música a mistura de culturas de São Paulo. de 1956 a 1961. orquestra de Músicos das ruas de São paulo – Orquestra com concepção e direção musical de Livio Tragtenberg. pedagogo. Participou da 27a Bienal de São Paulo. livro traduzido em oito idiomas.) e que ainda praticam suas tradições musicais com melodias e instrumentos típicos.didata brasileiro. em 2007. participaram do filme Ginga – a alma do futebol brasileiro. aproximando-se também da escrita e da música. Após viver na Áustria e na Inglaterra. 1933) – Compositor. como América do Sul. Hoje. ora retratam a dura realidade brasileira. Seus desenhos são elaborados. neuropolis é um projeto com entrevistas e depoimentos dos participantes. continuam com seus grafites espalhados pelo mundo. compôs seu maior sucesso. Japão e Escandinávia. Assim. distanciados daquele movimento. Inicia nas artes plásticas após a morte de sua esposa. entre outras. foi o primeiro a descobrir que. se galopasse em círculos.

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