Piers Paul Read OS templários t Tradução Marcos José da Cunha Imago Título Original The Templars Copyright © 1999

by Piers Paul Read Tradução: 'Marcos José da Cunha Capa: Luciana Mello e Monika Mayer CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. R221tRead Piers Paul, 1941Os templários / Piers Paul Read; tradução Marcos José da Cunha. - Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001 368 pp. Tradução de: The Templars Apêndices Inclui bibliografia ISBN 85-312-0735-5 1. Templários - História. I. Título. II. Série. 00-1475. CDD - 271.7913 CDU - 271.024 Reservados todos os direitos. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida por fotocópia, microfilme, processo fotomecãnico ou eletrônico sem permissão expressa da Editora. 2001 (MAGO EDITORA Rua Santos Rodrigues, 201-A-Estácio 20250-430 - Rio de Janeiro RJ Tel.:(21)502-9092 - Fax: (21)502-5435 E-mail: imago@imagoeditora.com.br vdww.imagoeditora.com.br Impresso no Brasil Printed'in Brazil Agradecimentos

Mapas Prefácio 1 2 3 4 Primeira Parte: O Templo O Templo de Salomão ONovoTemplo O Templo Rival O Templo Reconquistado

Sumário Segunda Parte: Os Templários 5 Os Pobres Soldados de Jesus Cristo 6 Os Templários na Palestina 7 O Ultramar 8 Saladino 9 Ricardo Coração de Leão Os Inimigos no Lado de Dentro Frederico de Hohenstaufen O Reino de Acre Luís da França A Queda de Acre

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Parte Três: A Queda dos Templários 15 O Templo no Exílio 16 O Ataque ao Templo 17 A Destruição do Templo 17 29 56 67 97 116 136 165 180 193 211 231 241 255 267 279 302 OS TEMPLÁRIOS Epílogo: O heredicto da História 320 Apêndices Agradecimentos As Cruzadas Posteriores 335 Grão-Mestres do Templo 342 Bibliografia 343 Notas 347 Índice 359 Sou grato pela autorização para reproduzir trechos de The Je=h Irar (A Guerra dos Judeus), de Josefo, com tradução e introdução de G. A. Williamson, Penguin Books, 1959 (Copyright © G. A. Williamson, Penguin Books, 1959); The Rude of the Templars (A Regra dos Templários), de J. M. Upton Ward, The Boydell Press, 1992 (Copyright © J. M. Upton Ward, 1992); e TheMurderedMagicians (O Assassinato dos Magos), de Peter Partner (Copyright © Peter Partner, 1981), com permissão de A. M. Heath & Co. Ltd em nome do professor Peter Partner. Mapas 1 O apogeu do Islã 63 Z A cristandade ao tempo da Primeira Cruzada 84

3 A França ao tempo da Primeira Cruzada 85 4 Ultramar 99 5 Jerusalém e o monte do Templo no século XII 140 6 Principais fortalezas dos templários na Síria e na Palestina 7 Comunidades e castelos dos templários no Ocidente em meados do século XII 198 Prefácio

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Quem eram os templários? Uma das concepções sobre essa ordem militar origina-se dos romances de Sir Walter Scott. Brian de Bois-Guilbert, o cavaleiro do Templo em Ivanhoé, é um anti-herói demoníaco, "valente como os mais intrépidos de sua Ordem, mas com a mácula de seus costumeiros vícios, orgulho, arrogância, crueldade e luxúria: um homem insensível, que não teme nem a terra nem o céu". Os dois grão-mestres da ordem não são muito melhores. Giles Amaury, de O Talismã, é traiçoeiro e malévolo, ao passo que Lucas de Beaumanoir, de Ivanhoé, é um fanático hipócrita. Em compensação, na ópera Parsifal, de Wagner, cavaleiros semelhantes aos templários aparecem como os castos guardiães do Santo Graal.' O libreto, do século XIX, baseou-se no poema épico do século XIII de Wolfram von Eschenbach, no qual os Templeisen têm apenas semelhança superficial com os templários, mas o germe de realidade foi suficiente para persuadir as gerações futuras de que há verdade na ficção. Assim, no imaginário do século XIX, os personagens brutos e depravados de Ivanhoé e O Talisvaã coexistiam com a valorosa confraria de Parsifal. No século XX surgiu uma imagem mais sinistra dos templários como os protótipos dos Cavaleiros Teutônicos, os quais, no 6m da década de 30, serviram de modelo histórico para as SS de Himmler. Em associação com uma percepção comum dos cruzados como um antigo exemplo de agressão e imperialismo da Europa Ocidental, os templários passaram a ser vistos como fanáticos brutais que impunham uma ideologia pela espada. Ou, antes pelo contrário, diz-se que eles se desencaminharam de seu compromisso com a causa cristã em virtude de seu contato com o judaísmo e o islamismo no Oriente, fundando uma sociedade secreta de iniciados por meio da qual os arcanos mistérios do antigo Egito, transmitidos aos maçons do Templo de Salomão, foram passados às lojas maçônicas dos tempos modernos. Também * Esses cavaleiros são os TPJ71pIPlsPI1. (N. do 'E) OS TEMPLÁRIOS se afirmou que os templários foram infiltrados pelos heréticos cátaros após a Cruzada Albigense; que através dos séculos protegeram os descendentes reais de uma união entre Jesus e Maria Madalena; que seu estupendo tesouro foi descoberto por um padre no Sudoeste da França no século XIX; e que eram os guardiães de relíquias fabulosas, entre as quais a cabeça embalsamada de Cristo e o Sudário de Turim.

Meu objetivo neste livro foi revelar a verdade sobre a Ordem, evitando a especulação fantasiosa e registrando apenas o que a pesquisa de historiadores bem-conceituados estabeleceu. Estruturei a narrativa numa perspectiva ampla: as histórias dos templários que começam com a fundação da ordem por Hugo de Payns em 1119, ou mesmo com a proclamação da Primeira Cruzada no Concílio de Clermont em 1095, muitas vezes pressupõem um conhecimento que o leitor comum talvez não possua. A meu ver, é difícil entender a mentalidade dos templários sem examinar a importância atribuída ao Templo em Jerusalém pelas três religiões monoteístas - o judaísmo, o cristianismo e o islamismo - e sem recordar por que ele tem sido objeto de conflito desde o começo do registro da história até os nossos dias. Há outras questões pertinentes, às quais só se pode responder fazendose um exame retrospectivo desde os primórdios do período medieval até o turbilhonaste caos da Idade das Trevas. Num tempo em que se sugeriu que o papa se desculpasse pelas cruzadas, é conveniente examinar os motivos que levaram seus predecessores a iniciar essas guerras santas. Aqueles que já conhecem a história das cruzadas terão a impressão de que parte do que escrevi é repetitiva; mas ao recontá-la tirei proveito das pesquisas de uma nova geração de historiadores das cruzadas. Minha dívida para com esses e outros estudiosos ficará patente a qualquer leitor deste livro. Também senti que valia a pena narrar de novo o que um cronista da época denominou "Feitos de Deus por intermédio dos francos", não apenas por seu interesse intrínseco, mas também por sua relevância para os dilemas com que somos confrontados hoje em dia. Os templários eram uma força multinacional empenhada na defesa do conceito cristão de uma ordem mundial, e sua extinção assinala o momento em que a busca do bem comum dentro da cristandade passou a subordinar-se aos interesses do Estado nacional - processo que a comunidade internacional está agora procurando inverter. Existem extraordinários paralelos entre o passado e o presente na história dos templários. No imperador Frederico 11 de Hohenstaufen encontramos um governante cuja amoralidade idiossincrásica remete a Nero no passado remoto e a Hitler em tempos mais recentes. O conceito medieval de PREFÁCIO um Sacro Império Romano era notavelmente semelhante às aspirações, para a União Européia, daqueles que a criaram. Os assassinos na Síria são descendentes dos sicários judeus e ancestrais dos homens-bombas do Hezbollah. A atitude de muitos muçulmanos do Oriente Médio para com o moderno Estado de Israel é muito parecida com a de seus ancestrais para com o reino cruzado de Jerusalém. Poder-se-ia perguntar quantos líderes árabes, de Abdul Nasser a Sadam Hussein, ansiaram por tornar-se um Saladino dos nossos dias, derrotando os invasores infiéis em outra Hattin, ou, a exemplo do sultão mameluco al-Ashraf, fazendo-os recuar para o mar.

Expresso aqui minha gratidão a todos os historiadores cujas obras me ensinaram o que sei acerca dos templários. Gostaria de agradecer em particular ao professor Jonathan Riley-Smith o incentivo inicial e os conselhos, e ao professor Richard Fletcher a leitura dos originais e o fato de ter-me chamado a atenção para vários erros. A nenhum desses historiadores devem ser imputadas as deficiências de minha obra. Gostaria de agradecer, ainda, a Anthony Cheetam, quem primeiro sugeriu que eu deveria fazer alguma coisa na área de história e propõs um livro sobre os templários; ao meu agente, Gillon Aitken, por me instar a levar a cabo o projeto; à minha editora, Jane Wood, o seu estímulo constante e inestimável trabalho na primeira versão do texto; e a Selina Walker a ajuda nos mapas e nas ilustrações. Também sou grato a Andrew Sinclair, que me emprestou sua coleção de livros sobre os templários; a Charles Glass por meter feito conhecer as memórias de Usamah Ibn-Munqidh; e à Biblioteca de Londres e aos seus funcionários pela prestimosa ajuda na minha pesquisa. 13 przírneírza parzrte 0 TEMPLO O Templo de Salomão Nos mapas desenhados em pergaminho na Idade Média, Jerusalém figura como o centro do mundo. Era então - e ainda é - a cidade sagrada de três religiões: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Para cada uma delas, Jerusalém era palco de importantes acontecimentos que estabeleciam o vínculo entre Deus e o homem-o primeiro dos quais foram os preparativos de Abraão para o sacrifício de seu filho, Isaac num afloramento de rocha agora oculto por uma cúpula dourada.' Abraão era um nômade rico originário de Ur, na Mesopotâmia, que cerca de 1.800 anos antes do nascimento de Cristo, por ordem de Deus, mudou-se do vale do Eufrates para o território habitado pelos cananeus situado entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. Ali, como recompensa por sua fé no Deus único e verdadeiro, foi contemplado com aquela terra "em que jorram leite e mel" e prometeu uma prole incontável para povoá-la. Abraão estava destinado a ser o pai de uma multidão de nações, e, para selar seu pacto, ele e todos os homens de sua tribo tiveram de ser circuncisados, prática que deveria continuar "geração após geração". Essa promessa de posteridade era problemática, porque Sara, a mulher de Abraão, era estéril. Quando se deu conta de que passara da idade de engravidar, Sara convenceu Abraão a gerar um filho em Hagar, sua serva egípcia, que no devido tempo deu à luz Ismael. Alguns anos mais tarde, enquanto Abraão estava sentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia, surgiram três homens, os quais lhe disseram que Sara, então com mais de 90 anos, teria um filho.

Abraão riu, e Sara também julgou tratar-se de um gracejo. "Agora que estou velha e velho também está o meu senhor, terei ainda prazer?` Mas verificou-se que a profecia estava correta: Sara concebeu e deu à luz Isaac. Ela então se voltou contra Ismael, a quem via como um concorrente à herança ` Referência à Cúpula da Rocha, mesquita de grande beleza construída em Jerusalém durante o período omíada. (N. do T) 17 OS TEMPLÁRIOS de Isaac, e pediu a Abraão que mandasse o menino e a mãe embora. Deus tomou o partido de Sara, e Abraão, sempre submisso às ordens de Deus, mandou Hagar e Ismael para o deserto de Bersabéia com um pouco de pão e um odre de água. Quando a água acabou, Hagar, que não suportaria ver o filho morrer de sede, pensou em abandoná-lo sob um arbusto. Mas Deus guiou os passos dela até um poço e prometeu que seu filho fundaria uma grande nação no deserto da Arábia. Depois desses acontecimentos, Deus pôs Abraão a uma derradeira prova, ordenando-lhe que oferecesse "teu filho, teu único, que amas, Isaac (...) em holocausto sobre uma montanha que eu te indicarei". Abraão obedeceu sem hesitar. Levou Isaac ao lugar indicado por Deus, um afloramento de rocha no monte Moriá, empilhou a lenha nesse altar improvisado e colocou Isaac deitado sobre ela. Mas no momento em que tomou da faca para matar o filho, recebeu ordem para não fazê-lo. "Não estendas a mão contra o menino! Não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus: tu não me recusaste teu filho, teu único. (... ) porque me fizeste isso (...), eu te cumularei de bênçãos, eu te darei uma posteridade tão numerosa quanto as estrelas do céu e quanto a areia que está na praia do mar (...). Por tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra, porque tu me obedeceste."Z Terá Abraão de fato existido? Em tempos modernos, os pontos de vista acadêmicos acerca de sua historicidade têm oscilado entre o ceticismo de exegetas alemães, que o descartaram por considerarem-no uma figura mítica, e opiniões mais positivas, resultantes de descobertas arqueológicas na Mesopotâmia.; Na Idade Média, contudo, ninguém duvidava de que Abraão tivesse existido, e quase todas as pessoas que viviam entre o subcontinente indiano e o oceano Atlântico afirmavam que descendiam desse patriarca de Ur-os cristãos, de forma figurada; os muçulmanos e os judeus, literalmente. Os judeus tinham um registro genealógico para provar isso: a compilação de textos judaicos reunidos na Torá que contam a história dos descendentes de Abraão. Por volta de 1300 a.C., de acordo com esses registros, a fome fez com que os judeus deixassem a Palestina e fossem para o Egito, onde foram acolhidos como

eram pecadores: Saul desobedeceu à ordem de Deus para exterminar os amalecitas. no monte Sinai. embora ainda indefinido. Para guardá-las. Josué. e mais tarde deu as seguintes instruções a Joab.s e tratavam mal os profetas enviados por Deus para puni-los.rituais exigentes e complexas leis resultantes dos Dez Mandamentos que Moisés recebera de Deus no cume do monte Sinai. que na juventude fora abandonado no deserto por seus invejosos irmãos para ali morrer. tirou os judeus do Egito e levou-os para o deserto. cuja construção foi afinal empreendida por seu filho Salomão por volta de 950 a. pois Deus tomou o partido dos judeus. o primeiro dos grandes profetas de Israel. no monte Moab. gravados em tábuas de pedra. nas imediações do local escolhido por Deus para o sacrifício de Isaac por Abraão. Davi reuniu o material para o Templo. Abaixo da cidadela. eram volúveis: afastavam-se de Deus para cultuar ídolos como o Bezerro de Ouro' ou deuses pagãos como Astarte e Baal.C. Davi comprou-a para que ali se erguesse um templo para abrigar a Arca da Aliança. Sua vitória nunca foi absoluta: eram constantes as guerras com as tribos vizinhas dos filisteus. os judeus fizeram uma uma portátil à qual chamaram Arca da Aliança. dos moabitas. finalmente chegaram à terra prometida de Canaã. que se irava quando os judeus se voltavam para outros deuses ou infringiam o rígido código de comportamento que lhes fora imposto . C. O casamento entre Deus e seu povo eleito não foi nada fácil. eles conquistaram a Palestina. Mas após a morte de José e a ascensão ao trono de um novo faraó. Davi conquistou Jerusalém a seus habitantes originários. dos amonitas. deixando-o só. Moisés teve permissão de vê-la apenas a distância. Moisés. por seu turno. o comandante de seu exército: "Coloca Urias no ponto mais perigoso da batalha e retirai-vos. Mas os judeus sobreviveram devido ao seu destino único. Aí. . a reivindicação do direito de primogenitura dos judeus. Por ordem de Deus. Deus transmitiu-lhe O TEMPLO DE SALOMÃO seus mandamentos.hóspedes pelo ministro-chefe do faraó. Os judeus. Até mesmo os reis. o hitita. dos amalecitas. mas a luta com os habitantes autóctones não foi justa. Na virada do primeiro milênio antes de Cristo. os jebuseus. para que seja ferido e venha a morrer". o judeu José. Ele era um Deus ciumento. Coube a seu sucessor. Após muitos anos vagueando pelo deserto do Sinai. mulher de Urias. os judeus foram escravizados e usados como mão-de-obra forçada na construção da residência do faraó Ramsés em PiRamsés. Em punição por uma transgressão passada. existia uma eira de propriedade do jebuseu Onã. Entre 1220 e 1200 a. os ungidos de Deus. dos idumeus e dos arameus.1 e Davi seduziu Betsabéia.

o Grande. tudo de ou-o maciço. o primeiroministro. concedeu a cidadania romana a Antípater e o nomeou comissário para toda a Judéia. No entanti. de acordo com o historiador judeu Josefo. Foram poucas as baixas entre os romanos... Fasael. três irmãos rnacabeus. baseados no Egito. Pompeu restabeleceu Hirc2. e por algum tempo a Palestina foi disputada pelos rivais ptolomeus.C.O reinado de Salomão marcou o apogeu de um Estado judeu independente. e viram o que ele continha: o pedestal do candelabro.. passando a fluir do Ocidente: Gs persas foram derrotados pelos macedônios durante o reinado rio jovem monarca Alexandre. O rei judeu Hircano e seu ministro Antípater colocaram-se sob a proteção de Cneio Pompeu. OS TEMPLÁRIOS No século IV a. mas. a mesa. e selêucidas. o filho mais velho de Antípater.C.).. e os judeus foram levados como escravos para a Babilônia.C. o sumo sacerdote em Jerusalém assumia muitas funções deste entre os judeus. Quando Júlio César veio da Síria em 47 a. o Grande. mas doze mil judeus morreram no conflito.C.s foi uma calamidade menos importante do que a profanação do Templo por Pompeu. ao perceber que se tratava de um governante incompetente. . Entre os infortúnios daquele tempo. Jerusalém foi defendida por Aristóbulo. atribuiu poder político a Antípater. Em 167 a. Depois de três meses de cerco. fizeram um apelo ao novo e ascendente poder de Roma.no como sumo sacerdote. cujo rei. general romano que havia conquistado a Síria. Seus líderes. Após sua morte. O Templo de Salomão foi destruído em 586 a.C. permitiu que os judeus voltassem para Jerusalém e reconstruíssem o Templo em 515 a. Por sua vez. e uma grande quantidade de especiarias e dinheiro sagrado (. No deco?rei de seus constantes conflitos com os países vizinhos. Ciro. a perda dessas vi*d2. sob Nabucodonosor. Pompeu e seu estado-maior entraram no Santuário. os quais recuperaram a maior parte do território que fora governado por Davi e Salomão. os caldeus e os persas. as legiões de Pompeu capturaram a cidade. ou Pompeu. Os romanos eram agora os árbitros do poder na nação judaica. fundaram a dinastia asmonéia de reis judeus. Israel foi conquistado por poderosas nações situadas a leste: os assírios. até então resguardado de todos os olhares. nada causou maior estremecimento à nação do que a exibição por estranhos do Lugar Sagrado. os caldeus foram conquistados pelos persas. pelos caldeus. Após a morte prematura de Alexandre. as lâmpadas. uma sublevação contra os gregos por questões religiosas transformou-se numa bem-sucedida luta pela independência política. baseados na Nesopotâmia. seu império foi dividido entre seus generais. Na ausência de um rei. a onda de conquistas diminuiu no Oriente. o que a ninguém era permitido pelo sumo sacerdote. as taças para as libações e os incensórios. o pretendente rival ao trono.

Pompeu iscou pasmado com a inabalável persistência dos judeus. tornou-se amigo de Herodes por toda a vida. passando pela Arábia e pelo Egito. A própria cidade de Roma dependia do suprimento de grãos do Egito. construiu uma cidade a que deu o nome de Cesaréia. o Grande. Nem mesmo durante a captura do Templo. Sua extraordinária fidelidade a suas crenças e práticas ao mesmo tempo impressionava e exasperava os pagãos de seu tempo. não obstante se tivesse alinhado com seu amigo Marco Antônio contra Otaviano.tornou-se governador da Judéia. foi por este confirmado como rei da Judéia após sua vitória sobre Marco Antônio na batalha de Áccio. eles conservavam sua percepção do destino como O povo eleito de Deus. Então no auge da glória. suprimento esse que estaria ameaçado.. Ao sitiar o remanescente da resistência judaica no Templo. quando eram brutalmente mortos em torno do altar. Homem de coragem e habilidades excepcionais. caso os portos na costa oriental do Mediterrâneo caíssem nas mãos dos partos. Herodes embelezou seu reino com magníficas c'dades e imponentes fortificações. w. Ampliou a fortaleza de Massada. e em Jerusalém. confrade de César. A situação dos judeus era mais problemática. eles renunciaram às cerimônias preceituadas para o dia. onde sua família se refugiara dos partos. foi nomeado governador da Galiléia. Herodes percebeu que a sua manutenção no poder na Palestina dependia de satisfazer as expectativas dos romanos sem ferir as suscetibilidades religiosas dos judeus. e Herodes. então com vinte e seis anos. O cônsul Marco Antônio. No trecho do litoral entre Jafa e Haifa. O Senado romano proveu-o com um exérO TEMPLO DE SALOMÃO cito e nomeou-o rei da Judéia. os sacrifícios diários. partos invadiram a Palestina e Herodes fugiu para Roma. muitas das quais receberam o nome de seus patronos e de membros de sua família. que estendera as rotas por terra entre o Egito e a Mesopotâmia e dominava o Mediterrâneo oriental. em especial sua manutenção de todas as cerimônias religiosas em meio a um ataque de projéteis. Como se profunda paz envolvesse a cidade. e nas colinas voltadas para a Arábia construiu uma fortaleza denominada Heródio em homenagem a si mesmo. a fortaleza que chamou de Amônia. Para os romanos.C. o controle da Síria e da Palestina era considerado essencial à segurança e bemestar de seu império. seu segundo filho. as oferendas aos mortos e todos os outros atos de adoração eram meticulosamente executados para a glória de Deus.R . Ern 40 a. Sob domínio cultural dos gregos desde a época de Alexandre. e agora politicamente subordinados aos romanos. Herodes derrotou os partos e.

onde obtiveram isenções OS TEMPLÁRIOS fora do comum de participar de cultos pagãos e permissão para observar o Slaabat.eles se insurgiam contra seus opressores por acreditarem que Deus estava do seu lado. protegido por um enorme véu. em seu Pro Flanco. No centro. do que considerava misantropia dos judeus: "A qualquer outro povo eles sentem apenas aversão e hostilidade.C. Embora cidadão romano e de origem árabe. e no outro lado da Porta Formosa. Muitas vezes. todavia. ficava o Templo propriamente dito. Sentam-se isolados para fazer as refeições e dormem à parte. já no século III a. e Tácito. emoldurado pelas colunatas. e em cada um dos seus treze portões havia uma inscrição em latim e em grego advertindo que qualquer gentio que a ultrapassasse seria punido com a morte. diante das quais pendia uma cortina de tapeçaria babilônica bordada com desenhos azuis. Os alicerces do Segundo Templo foram grandemente aumentados pela construção de gigantescos muros de retenção a oeste. após terem sido conquistados por nações vizinhas maiores e mais poderosas . De um lado localizava-se o Pátio das Mulheres. anunciou que reconstruiria o Templo. O Lugar Santo interno. O acesso ao Santuário era através de duas portas cobertas de ouro. o Pátio dos Sacerdotes. e. seu exclusivismo . Herodes prometeu que não demoliria o antigo Templo até que tivesse reunido todo o material para a construção do novo. foi na sua própria pátria que o senso de superioridade dos judeus sobre todas as nações pagãs teve sérias implicações políticas. era o Santo dos Santos. Herodes era escrupuloso em sua observância da Lei judaica. Uma vez que apenas sacerdotes poderiam entrar no recinto do Templo. estarem inclinados à concupiscência. abstêm-se de manter relações sexuais com mulheres estrangeiras. escarlates e purpúreos simbolizando toda a criação. como raça. provocando uma reação de suspeita por parte dos judeus. Galerias cobertas estendiam-se ao longo das extremidades da grande plataforma. fizeram-se críticas ao exclusivismo judeu. e. ao sul e a leste. Cícero.a crença de que se contaminavam pelo contato com os gentios . Uma cerca estendia-se ao redor da área sagrada. os persas. os gregos e agora os romanos -. 9 Contudo. entre eles próprios nada é ilícito". ele treinou mil levitas como pedreiros e carpinteiros. apesar de. Nessa época.os egípcios.Todavia. Em Roma. no qual apenas o . E a um triunfo inicial seguia-se sempre uma feroz repressão. os judeus já não estavam confinados à Palestina: havia importantes comunidades em muitas das principais cidades do mundo greto-romano e do império persa além do Eufrates. Para reassegurá-los de que levaria a cabo esse ambicioso projeto.. Em Alexandria. para granjear ainda mais a simpatia dos adeptos da religião que adotara. em suas Histórias.provocava a hostilidade de seus vizinhos. queixou-se de seu apego às tradições de seu clã e excessiva influência. sustentada por aterros ou por suportes em forma de arco.

não conseguiu estabelecer uma dinastia estável. o qual. todos os presentes choraram de emoção. como ele estava sobranceiro ao vale do Cédron. onde este imediatamente o executou. irmão de sua mulher. desdobrava-se ao longo das colunatas. O TEMPLO DE SALOMÃO A escala do Templo era estupenda e. Durante os festejos mais importantes. . conforme afirma Josefo. Encorajado pelo casamento de sua neta com Herodes. Seu esplendor não poderia deixar de causar nos súditos de Herodes a impressão de que seu rei. foi sendo dominado por uma paranóia que transformou o déspota benévolo num tirano. atingia uma altura estonteante. hábil caçador. Seu pai e seu irmão tinham tido morte violenta. No entanto. Para aplacar estes últimos. com quem se casara na juventude. Quase não resta dúvida de que Herodes estava cercado por conspiração e intriga. neta do sumo sacerdote Hircano. esse contingente. Herodes alçou Israel a um nível de esplendor que este jamais vira antes e que não tem visto desde então. mas também entre os partidários de membros da dinastia asmonéia que reivindicavam a coroa da Judéia. Herodes patrocinou e presidiu os jogos Olímpicos. Usava sua influência para proteger as comunidades judaicas na Diáspora e foi generoso com os necessitados em todo o Mediterrâneo oriental. "mas porque o trono realmente era seu". e portanto Herodes mandou sua guarda pessoal gaulesa matá-lo afogado. Mas Herodes nada deixou ao acaso. Damasco. facção que se ressentia do governo de um estrangeiro submisso a um imperador pagão em Roma.sumo sacerdote a qual Abraão pombos eram mortos. atleta entusiástico. mas quando o rapaz vestiu os trajes sagrados e se aproximou do altar durante uma festa. regressou a Jerusalém. mas fora libertado devido à intercessão dos judeus que viviam além do Eufrates. Antioquia e Rodes. era um judeu virtuoso. e ele próprio possuía inimigos poderosos não só entre os fariseus. No vigor da mocidade. Hircano tinha sido aprisionado pelos partos quando eles invadiram a Palestina. e desposou Mariamna. A era usada para poderia atrever-se a entrar em certos dias do ano. Herodes divorciou-se de Dóris. A rocha sobre preparara Isaac para o sacrifício era o altar onde cabritos e cavidade que ainda pode ser vista na extremidade norte da rocha a colheita do sangue do sacrifício. O Templo foi a realização máxima de uma das mais extraordinárias figuras do mundo antigo. aos 17 anos. fortemente armado. não. porque. Experiente em combate.'° Outro adversário potencial era Jônatas. foi feito sumo sacerdote por Herodes. por ter reivindicado o trono. Sua munificência estendeu-se a cidades estrangeiras como Beirute. A fortaleza de Antôma fazia parte da muralha norte do complexo do Templo e era permanentemente guarnecida por um contingente da infantaria romana. a despeito da origem árabe. à medida que envelhecia.

Herodes apaixonara-se intensamente por Mariamna. os pesados impostos cobrados pelos romanos e sua . Antípater foi executado pela guarda pessoal do pai. dos quais brotavam vermes". cerca de quarenta seguidores de dois rabinos de Jerusalém. da Judéia e da Samaria. seu marido. edemas nos pés como na hidropisia.. bastante conhecidos como expoentes da tradição judaica. tinha planejado envenená-lo. o próprio Herodes estava morto. O imperador Augusto confirmou esse arranjo. ele o exonerou de ambas as funções e o exilou na cidade de Vienne. Pôncio Pilatos. disseram-lhe que Antípater. seu filho mais velho e herdeiro. e. Herodes Antipas e Filipe. depois de nove anos de administração incompetente. até que. mandou estrangulá-los em Sebaste no ano 7 a.C. sobretudo sua irmã Salomé. odiava-o com a mesma intensidade. Não foram apenas essas tragédias familiares que transformaram um potencialmente grande rei num tirano. OS TEMPLÁRIOS após o que acontecera com seu irmão e seu avô. Cinco dias mais tarde. agora imperador Augusto. haviam descido em cordas do teto do Templo para remover um ídolo pagão. por ordem de Herodes.C. Por ocasião do censo de 7 a. no âmbito familiar foi um desastre. na Gália.primeiro Copônio. enquanto ele agonizava no leito com "uma comichão insuportável por todo o corpo. A Judéia foi colocada sob o governo direto de um procurador romano . Pouco antes de sua morte. havia o desdém de uma princesa real judia por um novo-rico árabe. Essa solução não garantiu a estabilidade da Palestina.C. Os sucessores de Herodes tiveram menos êxito do que ele em manter essa incipiente insubordinação sob controle. Salomé persuadiu o irmão de que Mariamna havia cometido adultério com José. mas também deixava sua família furiosa. a águia dourada que Herodes colocara acima do Grande Portão.. Por causa disso. seu reino deveria ser dividido entre seus três filhos: Arquelau. em seguida Valério Grato e. seis mil fariseus haviam se recusado a prestar juramento de lealdade a Otaviano. sua paranóia voltou-se contra seus dois filhos com Mariamna: convencido de que estavam conspirando contra ele. dores constantes na porção inferior do intestino. em 26 d. mas sobretudo a impossível tarefa de reconciliar o povo eleito de Deus com um governo pagão. inflamação do abdome e gangrena dos órgãos genitais. fazendo-o tão-somente etnarca.O que no âmbito político talvez tenha sido oportuno. Além do seu ressentimento. Desempenhando o papel de lago diante do Otelo de Herodes. os dois rabinos foram presos e. Enquanto a aristocracia judaica e o establishment saduceu fizeram o possível para conter o ressentimento de seu povo. queimados vivos. Em seguida. Herodes ordenou a imediata execução de ambos. mas negou a Arquelau o título de rei. De acordo com o testamento de Herodes. ou governador. pouco antes da morte de Herodes. que ele alterara várias vezes. o que não só atormentava Herodes. que.

a fim de restaurar a ordem na Palestina. Em seus dias. Os judeus eram agora senhores em sua própria terra e começaram a organizar suas defesas contra o retorno dos romanos. Decerto havia alguns "que viram com toda a clareza a desgraça iminente e deram vazão a seu pesar"." mas sua soberania seria universal ("que ele domine de mar a mar. os rebeldes judeus prepararam-se para resistir. Eleazar. desde o rio até aos confins da terra. ao qual se referiam como "o ungido". Essa atrocidade exaltou o ânimo dos judeus por toda a Palestina. Messias. (. Ele teria de ser um herói caracteristicamente judeu ("Eis que dias virão (. e desde o começo dos tempos seus profetas haviam prometido não apenas a libertação..) em que suscitarei a Davi um germe justo. Céstio bateu em retirada.. eles eram o povo eleito de Deus. Rebeldes judeus tomaram Massada e assassinaram a guarnição romana. Em Cesaréia. mas também um libertador. OS TEMPLÁRIOS .24 O TEMPLO DE SALOMÃO insensibilidade às crenças religiosas dos judeus levaram a revoltas esporádicas e. Anamas assassinado e os romanos rechaçados para as torres fortificadas do palácio de Herodes. mas em seguida esse conceito de salvação foi combinado com a idéia de um rei da linhagem de Davi cujo reino seria eterno. Judá será salvo e Israel habitará em segurança"). matando seus habitantes em represália. convenceu os sacerdotes a abolir os sacrifícios oferecidos a Roma e a César. Céstio Galo. a capital administrativa dos romanos no litoral. Em setembro de 66. um rei reinará e agirá com inteligência e exercerá na terra o direito e a justiça." mas a grande maioria estava absolutamente convencida de que era chegado seu momento de sorte. Em Jerusalém. como Filadélfia e Pela. os quais saquearam cidades gregas e sírias. Deus prometera a Abraão e Isaac que um tipo não especificado de salvação deveria ocorrer através de seus descendentes.'30 que deu coragem aos judeus para desafiar o poder de Roma foi a intensa sensação de expectativa messiânica entre eles na Palestina do século I.. à guerra total. Afinal. Levando em consideração a catástrofe que estava para se abater sobre eles. a população gentia atacou a colônia judaica. Após algumas escaramuças fora da cidade. Essa atitude de desafio progrediu para uma insurreição geral: a fortaleza de Antônia foi capturada. No Templo. ou. todas as nações o servirão").. não deixa de ser surpreendente o fato de os judeus terem imaginado que poderiam desafiar o poder de Roma. por fim. Filho do sumo sacerdote Ananias. o legado romano na Síria. que acabou transformando-se em fuga desordenada. partiu de Antioquia com a Décima Segunda Legião. massacrando todos os seus membros. em hebraico.) todos os reis se prostrarão diante dele.

inesperadamente transformavam-se em lutadores e. assassinavam homens e violentavam mulheres por prazer. Vespasiano enviou seu filho Tiro aAlexandria para buscar a Décima Quinta Legião e juntar-se a ele em Ptolemaida. Sua paixão pela pilhagem era insaciável: eles saqueavam as casas de homens ricos. Esse exército misto marchou para a Galiléia e. comandada por José ben-Matias. o imperador Nero recorreu ao veterano general Vespasiano e entregou-lhe o comando das forças romanas na Síria. sacando a espada de sob seus mantos coloridos. na ressurreição dos mortos e nas recompensas divinas para a virtude e na punição para o pecado no mundo vindouro. aproximavam-se com o seu jeito afetado de andar. Uma das principais diferenças nas crenças das duas facções dizia respeito à vida após a morte: os saduceus eram agnósticos e os fariseus insistiam na imortalidade da alma. suas mãos eram de assassinos. os fariseus eram mais rígidos. Um contingente de zelotes da Galiléia que se refugiara em Jerusalém travava guerra de classes contra seus anfitriões. encharcando-se de perfume e pintando a área sob os olhos para tornar-se atraentes. através do latim sicarii. trespassavam quem por ali estivesse passando. com extrema dificuldade. uma facção terrorista que desprezava não só os romanos. que controlava o Templo. que mais tarde se bandeou para os romanos. literalmente "homens do punhal")para se mesclarem à multidão e assassinar seus inimigos. chafurdavam no lodo. Devido a puro tédio. que viviam em comunidades semimonásticas. e em sua extrema torpeza inventavam prazeres ilícitos. mudou o nome para Josefo e fez um relato do conflito em sua Guerrados Judeus. Muito embora tivessem feições femininas. e brindavam aos seus espólios regados a sangue. Imitavam não apenas o vestuário. Cada cidade foi ferozmente defendida.A principal divisão entre os judeus era entre os saduceus e os fariseus: os saduceus eram o partido do establisliment. conquistou as fortalezas em poder dos rebeldes judeus e massacrou ou escravizou seus habitantes. mas todos os judeus colaboracionistas. como os essênios. mas também as predileções femininas. e os zelotes. Eles enviavam assassinos conhecidos como sicários (do grego sikaroi. convertendo a cidade inteira num bordel e poluindo-a com as práticas mais sórdidas.14 Quando recebeu a notícia da derrota de Céstio Galo. entregavam-se descaradamente a práticas efeminadas. e eram mais condescendentes em sua interpretação da Lei. em particular Jopata. mais radicais e mais austeros. adornando o cabelo e vestindo roupas femininas. 26 O TEMPLO DE SALOMÃO . e usavam a tradição oral para impor minúcias legalistas a todos os aspectos da vida judaica. Os fariseus foram os mais vociferantes na sua oposição ao domínio romano. e entre eles havia seitas austeras e fanáticas.

deixando ao encargo de Tito a subjugação dos judeus insurretos. Assim foi destruído o que Josefo descreve como "o edifício mais magnífico jamais visto ou de que se ouviu fa- . os simpatizantes de Vespasiano destituíram Vitélio e proclamaram Vespasiano herdeiro do trono imperial. as legiões repudiaram Vitélio e proclamaram Vespasiano imperador. Primeiro a fortaleza de Antôma caiu em poder dos romanos. A tentativa de solapar o portão norte também fracassou. Durante seis dias os aríetes das legiões romanas golpearam os muros do Templo. e mais tarde Galba. mães a seus bebês. e as legiões na Síria o apoiaram. "em seguida assou-o e comeu a metade. mas cada setor da cidade era violentamente disputado. a resposta foi escárnio e insultos. A fome já grassava na cidade. Ele recebeu a notícia em Alexandria. filhos a seus pais. O ódio deles aos judeus era tão intenso que civis foram massacrados junto com os combatentes. Nero foi assassinado. OS redutos dos judeus haviam se reduzido a algumas fortalezas longínquas e à cidade de Jerusalém. que já havia sido atacada pelas legiões romanas. e Josefo. pedindo a seus compatriotas que se rendessem. abrindo caminho para os soldados romanos através da alvenaria que ardia lentamente. O governador do Egito. Tito fez o possível para poupar o santuário. Em Cesaréia. não hesitavam em privá-los dos nacos que poderiam tê-los mantido vivos". os rivais que reivindicavam o trono.'S Não havia a menor dúvida quanto ao desfecho do conflito. O revestimento de prata derreteu com o calor e a madeira foi consumida pelas chamas. relata com certo vigor como a fome induzia esposas a roubar seus maridos. A resistência foi feroz: quando o renegado Josefo transpôs os muros da cidade. de onde embarcou para Roma. que estava ansioso para justificar seu protetor aos olhos dos judeus na Diáspora. que os pedreiros de Herodes haviam talhado de forma tão plana e unido tão firmemente. que matou seu bebê. O auge desse comportamento antinatural foi a história de uma certa Maria. que em sua narrativa quis demonstrar que a depravação dos rebeldes invalidava a justeza de sua causa. arrebatando o alimento de suas bocas. sem nem ao menos deixarem marcas nos enormes blocos. O fogo propagou-se até as colunatas. e "o mais terrível de tudo. da qual Vitélio saiu vencedor. mas o Templo resistiu. De acordo com Josefo. Seguiu-se uma guerra civil entre Oto e Vitélio. seu sucessor. e quando seus filhinhos queridos estavam morrendo em seus braços. escondendo e reservando a sobra". mas os soldados o incendiaram com seus archotes. Tibério Alexandre.Durante essa campanha. da aldeia de Bethezub. Em Roma. Tito deu ordem a seus soldados para atearem fogo às portas. Como não estava disposto a correr o risco de sofrer outras baixas num assalto total pelas muralhas do Templo.

mas Massada continuou nas mãos dos zelotes sob Eleazar ben-Jair. construída num planalto isolado. vestindo túnicas escarlates. foram escolhidos por sorteio dez homens para liquidar seus companheiros. comemoraram seu triunfo.27 OS TEMPLÁRIOS lar. circundou a fortaleza com um muro e construiu uma rampa. encontravam-se mil homens. em seguida. Vespasiano e Tito. fosse arrasado. incluindo os escombros do Templo. e afinal um deles.C. quando ficou claro que os romanos abririam uma brecha no muro no dia seguinte. Após ter queimado seus bens. matou os outros nove antes de tombar pelo fio de sua própria espada. Maqueronte e Massada. DOIS O Novo Templo . foi cerimonialmente executado. Heródio caiu sem dificuldade. o líder dos judeus revoltosos. cada pai matou seus familiares próximos. Ao regressarem a Roma. vendo os prisioneiros judeus serem mortos na arena por feras. A população foi quase dizimada. junto com colunas de prisioneiros acorrentados. Na Palestina. um descendente de Judas. Quando o cortejo chegou ao Fórum. Tito deixou uma guarnição na cidadela e ordenou que o resto da cidade. não só por suas dimensões e arquitetura. mas. que Tiro e suas legiões levaram seis meses para capturar Jerusalém: de março a setembro do ano 70 d. Maqueronte rendeu-se. Simão ben-Gioras. também escolhido por sorteio. Flávio Silva. Nessa fortaleza extraordinária. Carroças carregadas com os esplêndidos tesouros pilhados de Jerusalém foram puxadas pelas ruas. mas também perfeição nos detalhes e pela glória de seus lugares santos". ou então vendo-os ser queimados vivos. a fim de que um aríete pudesse abrir uma brecha no muro. o Galileu. grupos de rebeldes ainda resistiram nas inexpugnáveis fortalezas de Herodes: Heródio. Eleazar persuadiu seus seguidores de que seria melhor eles morrerem por suas próprias mãos do que serem mortos pelo romanos. Retirou-se para Cesaréia e celebrou seu aniversário em 24 de outubro. a cerca de quatrocentos e quarenta metros acima da margem oeste do mar Morto. entre eles o pedestal de ouro do candelabro do Templo. e os sobreviventes foram escravizados. Josefo estimou que mais de um milhão de pessoas morreram no cerco de Jerusalém. ou uns pelos outros. O governador romano. Os que haviam se refugiado nos esgotos da cidade morreram de fome. e a seguir os vencedores retiraram-se para regalar-se com o suntuoso banquete preparado para eles e seus convidados. pela excessiva A solidez de suas fortificações e a determinação de seus defensores eram tamanhas. suicidaram-se ou foram mortos pelos romanos ao deixarem seu esconderijo. A princípio os zelotes resistiram. mulheres e crianças.

a deusa do amor. nasceu num estábulo na cidade de Belérp. . Júlio Severo.A queda de Massada não representou o fim das esperanças de uma nação independente acalentadas pelos judeus que viviam na Palestina. mas Jesus tarrlbém demonstrou ter poderes sobre a natureza ao caminhar sobre as ágqas e acalmar tempestades. percebeu que deveria cauterizar pela sobreposição de templos pagãos. A exemplo de seu precursor João Batista. foram derrotadas. Num terreno que um século antes fora usado para execuções públicas e sobre um túmulo contíguo. ele construiu templos a Júpiter. No entanto. hoje quanto no passado. o legado romano. No monte do Templo ergueram-se santuários ao imperador divino. A Judéia foi abolida. ele chamou o homem ao arrependimento e advertiu-o do julgamento e castigo eterno para os que morressem em pecado. mais especificamente por seu primo. tornando-se a província da Síria-Palestina. Juno e Vênus.C. o pai de todos os deuses. quando Beter. um pregador popular chamado João Batista. a última de aproximadamente cinqüenta fortalezas em poder dos rebeldes. a começar pela transformação da água em vinho num casamento em Caná. pregou na Galiléia e na Judéia e realizou vários milagres espetaculares. reconhecido pelo rabi Akiba como o Messias prometido. A punição dos romanos por essa segunda rebelião foi severa. e de que ele foi milagrosamente 29 OS TEMPLÁRIOS concebido no ventre de uma virgem. o legado romano na Judéia. e a Zeus. Como no passado. Jesus Cristo tem permanecido uma figura controversa. Os judeus cativos ou eram mortos ou escravizados. mas eram sagrados para os seguidores de Jesus de Nazaré. outro reivindicante ao título de Messias. ou Jesus Cristo. Adriano. a revolta teve êxito no início: as forças de Tinéio Rufo. A guerra continuou por mais dezoito meses . A cidade de Jerusalém transformou-se numa colônia romana da qual todos os judeus foram excluídos. que no ano 134 d. Epttre esses milagres houve muitos casos de cura de enfermos. se rendeu a Severo e Simeão bar-Kochba foi morto. O imperador Adriano enviou para a Palestina o legado na Bretanha. Tais sítios não tinham a menor importância para os judeus. nessa ocasião havia em Jerusalém outros sítios sagrados para outra religião que Rufo. A doutrina tradicional da maioria das Igrejas cristãs é de que sua vinda foi prenunciada pelos profetas da nação. recapturou Jerusalém. No curso dos vinte séculos decorridos desde sua vida e morte.até agosto de 135 -. chefiada por Simeon benKoseba (Simeão bar-Kochba). Cerca de sessenta anos mais tarde ocorreu uma segunda rebelião contra o domínio romano.

menos a um segredo de sabedo¢a do que a uma fonte de poder". O estudioso da Bíblia E. mas reivindica para si o que seria de esperar de um lunático.que conseguiram convencer o procurador romano Pôncio Pilatos a crucifie. mas sempre inesperadamente magnânimo e muitas vezes inesperadamente moderado". completamente suas vidas.. de acordo com seus discípulos. conforme retratada nos Evangelhos. Porém. Não deveríamos lutar por riqueza. de perdoar pecados e de personificar o único meio de alcançar a vida eterna. das emoções e desejos além do alcance do intelecto e da linguagem". mas. Ele tem acesso. K. Os valores que incentivava eram contrários aos que ele chamou de "o mundo" . Não deveríamos toRiar represálias contra ações da justiça. P Sandersjulga que é possível chegar ao cerne do fato histórico. poder e ascedsãO social.ir Jesus. Ao contrário dos livros do Velho Testamento. Jesus ins1 ti idas vezes que a virtude não residia nas cerimônias externas do 's lu repet ti[. Não se tratava simplesmente de uma questão de passividade: ao ódio de um inimigo devia-se responder com amor. ele ressuscitou dos mortos. um furacão que arrasta o que encontrapela frente e obriga todos aqueles que cruzam seu caminho a reconsiderar." Até que ponto essas descrições de Jesus são historicamente acuradas? Os esforços para se chegar a um ponto de vista objetivo são com freqüência dificultados por preconceitos contra ou a favor da religião cristã. bem como nossos atos. causa uma forte irrpressão no leitor. O que dizia era sempre inesperado. mas ocupar à mesa o lugar menos importante. não obstante. Após sua morte. que demonstram a majestade de Deus por meio da "complexida~le da vida. Essa denegrição do ritual e da cerimônia religiosa.os escribas fariseus e os anciãos saduceus . Mesmo deste ponto afastado no tempo. desceram-no da cruz e sepultaram-no num túmI.Em contraposição à brutalidade que o rodeava na Palestina sob ocupação romana. mas dependia de nossa disposição interna nossos sentimentos e devaneios. e caso seja considerada como passagem de obra de ficção. a pessoa de Jesus.'6 Para o crítico literário Gabriel Josipo~ici. nos persuadem de que "foi assim e não de outra forma que as coisas se passaram". esbofeteados.lo próximo. Jesus se parece "corri uma força. . Chesterton assinalou. junto com a pretensãp de Jesus de ser o Messias e Filho de Deus.a cultura do egoísmo e do comodismo. "ele era exatamente o que o homem em delírio nunca é: um bom juiz. deveríamos "oferecer a outra face". como G. era considerada blasfema e sediciosa pelos líderes judeus . mas três dias mais tarde.? praticado pelos judeus. os Evangelhos são narrativas frugais virtualmente destituídas de caracterização que. Jesus louvava a brandura e a simplicidade: abençoava os pobres e oá mansos e dizia que aspirava à inocência de uma criança. Jesus fala com extraordinária convicção O NOVO TEMPLO e autoridade.

confia o suficiente em suas próprias pesquisas para decidir que o"relato de Lucas é historicamente impossível e internamente incoerente (. apesar da distância no tempo. sabemos que após sua morte seus seguidores vivenciaram o que descreveram como a "ressurreição": a aparição de uma pessoa viva mas transmudada que de fato morrera.'$ Verificou-se que essa fé em Jesus dos que o conheceram era contagiosa.C.. que foi julgado e crucificado. e sobre a minha túnica tiram sorte". ele será "desprezado e abandonado pelos homens. a fim de que a minha salvação chegue até às extremidades da terra". mas com o esperado Messias do judaísmo. Eles acreditaram nisso. os que me vêem meneiam a cabeça. Deus fará dele a "luz das nações. não apenas com um Messias. "Seja qual for a importância afinal atribuída ao título `o Cristo"'. por exemplo o nascimento de Jesus de Nazaré foi situado em Belém. escreve Geza Vermes em Jesus theJew (Jesus." . com a essência da fase inicial da religião cristã. através do seu sofrimento.'o Também nos Salmos encontramos o tipo de lamento que se repete muitos séculos mais tarde no sofrimento de Cristo antes da crucificação: "tornei-me um ultraje para eles. vivenciaram isso e morreram por isso. de forma bastante para os episódios na vida de Cristo que satisfazem os vaticír•' OS TEMPLÁRIOS João salienta que. não fazíamos caso nenhum dele. que praticou algo hostil contra o Templo. mas algo muito mais profundo e paradoxal: um bode expiatório sacrificial que. as nossas dores que ele carregava". Em última análise. Os prenúncios mais explícitos sobre esse salvador.. tão diferente do que a maioria dos judeus esperava. que esperava o "reino". a fim de condizerem com as profecias. um homem sujeito à dor. O historiador Robin Lane Fox. Por conseguinte. E no entanto. familiarizado com a enfermidade. desprezado. em quem tenho prazer". Em sua visão Deus afirma: "Eis o meu servo que eu sustenho. confundiria Satã e venceria a morte."z' E os tros autores dos Evangelhos chamam a atenção. esse messias não era um rei belicoso que conduziria os judeus ao triunfo e à supremacia neste mundo. relacionava-se com o âmago. e não em Nazaré. que teve discípulos. Alguns estudiosos céticos de hoje acreditam que os fatos foram acrescentados após o episódio. todavia. que não tinha costura. eram as nossas enfermidades que ele levava sobre si. é falso". o meu eleito.Sabemos que ele começou sob João Batista. porque isso fora vaticinado pelo profeta Miquéias. o Judeu)."'9 Contudo. e que. isso cumpre o versículo 19 do Salmo 22: "repartem entre si as minhas vestes. quando após Cristo ter sido crucificado os soldados romanos repartem as vestes dele entre si e lançam dados para ver com quem ficará a túnica. que foi da Galiléia para Jerusalém. "pelo menos um fato é certo: aidentificação de Jesus.). como uma pessoa de quem todos escondem o rosto. encontram-se nas profecias que Isaías fez no Templo em 740 a.

e.23 O NOVO TEMPLO De acordo com Josefo. escrita por Eusébio no século IV E mesmo que não seja provável que tenham sido acrescentadas por cristãos. pelo que me toca. de Josefo. de acordo com outra teoria. menciona uma inscrição afirmando que "Jesus. não posso considerá-lo um homem.. provavelmente escrita em aramaico por um círculo de leitores judeus que viviam do outro lado do Eufrates. destruísse as tropas romanas e fizesse de si mesmo rei. a fim de não despertarem o antagonismo do imperador Domiciano. no exato momento da execução de Cristo. Ele também descreve como.)". em nada se parece com um homem". "Como alguns estavam dizendo a respeito do Templo que era ornado de belas pedras e de ofertas votivas.) usava pêlos de animais nas partes de seu corpo não cobertas por seus próprios pêlos. Seu rosto é "como o de um selvagem". mas ele não lhes deu atenção . o véu do Templo "subitamente rasgou-se de cima a baixo". não posso considerá-lo um anjo (. Todavia.. Essas passagens são controversas: uma teoria afirma que elas foram extraídas de uma edição grega publicada em Roma.Será que podemos descobrir alguma coisa a respeito de Jesus de outras fontes além dos Evangelhos? As únicas referências a ele feitas por um quase contemporâneo seu encontram-se nas Antiguidades Judaicas.) Quando viram que ele era capaz de fazer o que quisesse usando a palavra. ele [Jesus] .." Josefo relatou que Jesus era notável por seus milagres: "ele fez milagres tão maravilhosos e assombrosos que.z4 Encontramos a mesma profecia nos Evangelhos. todavia. o rei que nunca reinou. Havia uma onda de ansiosa expectativa de que ele capacitara as tribos judias a livrar-se do jugo romano.. uma controversa passagem nas Antiguidades Judaicas é citada na mais antiga história da Igreja cristã. as passagens em A Guerra dos Judeus discorrem tanto sobre João Batista quanto sobre Jesus.. João é "uma criatura estranha. na sua prolixa descrição do Templo. e numa versão de sua História da Guerra dos Judeus. foi crucificado pelos judeus porque predisse o fim da cidade e a completa destruição do Templo". em virtude de sua semelhança conosco. "Ele vivia como um espírito desencarnado (. Josefo descreve como Muitas das pessoas comuns iam em bandos atrás dele e seguiam seus ensinamentos. (. trata-se de interpolações forjadas muitos anos mais tarde por monges bizantinos.. disseram-lhe que queriam que ele entrasse na cidade. Pôncio Pilatos. a consentir que crucificassem Jesus por sentirem inveja de sua popularidade. que na época estava perseguindo os cristãos. os líderes judeus influenciaram o governador romano da Judéia.

o primeiro cronista cristão. contudo. e dos gritos com que a turba de judeus clamava pela suspensão da pena do bandido e homicida [Bar rabás]. mas também Jerusalém seriam destruídos. e rogava que o Autor da Vida fosse morto. "Destruí este templo.) Depois da paixão do Salvador. subsistirá nele." Mais uma vez.. em virtude das contradições intrínsecas. Afinal de contas. é difícil saber . A isso todo o povo respondeu: 33 OS TEMPLÁRIOS "O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos". A responsabilidade é vossa". Eusébio. (. que descreve uma mãe devorando seu próprio bebê durante o cerco de Jerusalém. por exemplo. uma afirmação que foi considerada blasfema e mais tarde fez parte da acusação contra ele. do tipo que encontramos no culto da limpiesa de sangre' na Espanha.disse: `Estais contemplando essas coisas. existem teorias conflitantes a respeito das predições de Cristo de que não apenas o Templo. São Mateus.29 Mas até onde se pode julgar. O que está claro. e. exprime o protesto de Pôncio Pilatos: "Estou inocente desse sangue. como raça. após a destruição. é que os cristãos primitivos consideravam a destruição do Templo em Jerusalém tanto como parte essencial da nova aliança entre Deus e o homem quanto como punição de Deus pelo repúdio dos judeus a seu Filho unigênito.. Os céticos sugerem que essas "profecias" eram acrescentadas pelos evangelistas após o evento.. os apóstolos e os evangelistas eram todos judeus. ao que parece. ou nas teorias raciais de um Houston Stewart Chamberlain" no século XIX. "Este homem declarou: Posso destruir o Templo de Deus e edificá-lo depois de três dias. mas religiosa. sucedeu desgraça a toda a nação. A hostilidade que surgiu entre os judeus e os cristãos não era de ordem racial. Jesus sugere com mais audácia que o Templo. Notavelmente. isso não significou uma condenação dos judeus. no século XVI. Os cristãos pensam que isso explica por que a incipiente comunidade cristã em Jerusalém mudou-se para Pela antes de os romanos sitiarem a cidade. Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra sem ser demolida!""' No Evangelho de João. que assistiu a uma tentativa de exterminar o povo judeu mais implacável e sistemática do que a empreendida no tempo de Vespasiano e Adriano.. e em três dias eu o levantarei".zH Da perspectiva do século XX. Após a passagem que citei atrás. é difícil não perceber esse julgamento como uma das fontes do antisemitismo no estilo dos próprios Evangelhos. o preconceito racial nu e cru inexistia tanto na Antiguidade como na Idade Média. os discípulos de Cristo. acrescenta: Essa foi a recompensa pelo tratamento iníquo e cruel dispensado pelos judeus ao Cristo de Deus.

Talvez eles tenham sido otimistas demais ao acreditarem que tais ensinamentos morreriam com ele. do T) Houscon Scewarc Chamberlain (1855-1927). do T) 34 O NOVO TEMPLO Outrossim. está claro que os líderes judeus fizeram o possível para reprimir esse nascente movimento de judeus sediciosos. não resta dúvida de que a crucificação de Jesus de Nazaré não dissuadiu seus discípulos de pregar abertamente que ele era "não só Senhor. irmão de João. Independentemente de seu temor de que Cristo provocasse os romanos ter sido sincero ou não (devido à relutância de Pilatos de se envolver. (N. sua inquietação com a crescente popularidade de Cristo parece sensata. vindo a ser aceitas por um crescente número de judeus. durante o breve interregno entre a morte de Pórcio Festo e a chegada de Lucéio Albino. proclamava a superioridade do povo alemão. Assim. que Cristo predisse. e isso significava pertencer a uma família cuja genealogia ou representantes vivos não exibissem o menor traço de "cristãos-novos" de origem judia.como poderia mais do que havia escolhido o nascera. o Grande. Herodes Agripa I. (N. em virtude da importância dos ensinamentos dele. mas também Cristo". decapitou o apóstolo Tiago.C.. e suas idéias de pureza racial exerceram grande influência sobre as teorias racistas de Hitler. então não foi desarrazoado o fato de o sumo sacerdote Caifás ter decidido que "é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda". apedrejado até a morte. mas se era isso mesmo o que pensavam. as reivindicações de Cristo não morreram com ele. foi um fato concreto: foi uma metáfora para a morte do judaísmo. a questão da descendência cristã pura tornou-se de capital importância. . neto de Herodes. A julgar pelos Evangelhos. provavelmente não foi). Deus povo judeu como uma crisálida para o Messias: uma vez que ele tinha servido a seus propósitos. conhecido como "o irmão do Senhor". é bastante evidente que isso foi entendido pelos líderes judeus no Sinédrio naquela época. Na Espanha dos séculos XVI e XVII. A destruição do Templo. Deixando de lado as questões de se Cristo ressuscitou dos mortos ou não. Pedro foi preso e Estêvão. mas em 62 d. ela ter sido evitada. o sumo sacerdote Anan condenou um segundo apóstolo chamado Tiago. a ser lançado da muralha do Templo e morto a pauladas. Apenas os poderes reservados pelo procurador romano inibiram uma perseguição irrestrita.3° No entanto. autor de obras anti-semíticas. a categoria de limpieza de sangre ("pureza de sangue") tornou-se o padrão para se estabelecer um "bom nome" (honra). ou de se um "espírito santo" desceu sobre o resto de seus seguidores sob a forma de línguas de fogo.

ó judeus. e da própria vossa Lei. Jesus apareceulhe numa visão e designou-o como seu "instrumento de escol para levar o meu nome diante das nações pagãs. um grupo de judeus planejou assassiná-lo. Aí ele compareceu perante o legado Félix junto com seus acusadores: o sumo sacerdote Ananias com alguns . um homem que não conhecera Jesus e era zeloso na perseguição aos cristãos. Corinto e Roma revelam grande respeito pela tradição judaica. Também foi usado contra Paulo pelos líderes judeus. mas. a animosidade dos líderes judeus da época era causada pelo extraordinário êxito por ele alcançado em suas viagens de evangelização pelo Império Romano. e dos filhos de Israel".3z Todavia. em que somente podemos ser salvos pela fé em Cristo. Com uma exasperação semelhante à de Pilatos. Ao perceber que não pode35 OS TEMPLÁRIOS ria livrar-se dele por meios legais. até que. As cartas que Paulo escreveu àqueles que ele convertera em cidades como Éfeso.a saber. que enviou Paulo para Cesaréia escoltado por setenta soldados de cavalaria e duzentos de infantaria. um tribuno romano. mas Paulo de Tarso.3" Não se tratava apenas do fato de Paulo ser um apóstata. foi posto sob a proteção de Lísias. acusando-o de "persuadir os outros a adorarem a Deus de maneira contrária à Lei". mas uma insistência inflexível em que a Lei mosaica é agora redundante. A ele se atribui a invençâo do cristianismo . tratai vós mesmos disso! Juiz dessas coisas eu não quero ser 11. Esse repúdio radical à raison d'êLre dos judeus contrariou muitos dos judeus entre seus companheiros cristãos e não foi aceito de imediato pela Igreja primitiva. procônsul da Acaia. reivindicando seus direitos como cidadão romano. não foi um dos doze apóstolos originais de Cristo. insistindo num ponto que de modo nenhum estava claro para os primeiros apóstolos de Crista .A verdadeira bête noire dos líderes judeus. mas de ele ter levado o repúdio ao judaísmo um passo adiante. de nomes. com razão eu vos atenderia. que se poderia ser cristão sem se tornar primeiro judeu. a caminho de Damasco com mandados de prisão de cristãos assinados pelo sumo sacerdote. A controvérsia acerca de Paulo continua até hoje. dos reis. Paulo foi preso outra vez e conduzido diante do Sinédrio. Galião recusou-se a considerar as acusações: "Se se tratasse de um delito ou ato perverso.33 Ao regressar a Jerusalém. contudo. que o levaram à presença de Galião.elevando "um exorcista galileu" à condição de fundador de uma religião universal. Mas se são questões de palavras. mas o complô chegou ao conhecimento de Lísias.

"Seja qual for o princípio de sua conduta". ou besuntados dé resina e queimados. Paulo foi finalmente decapitado em Roma. Paulo invocou seu direito de. e de." 35 Em conseqüência.o direito de praticar o culto nas sinagogas. contudo. Plínio.dade". não como uma seita. pediu a execução daqueles que professavam a religião cristã. Nero conseguiu livrar-se da suspeita de que ele próprio fora responsável pelo incêndio. que o acusou de criar problemas "entre todos os judeus do mundo inteiro" e de ser "um dos da linha-de-frente da seita dos nazareus". como cidadão romano. . Após o incêndio que em julho de 64 destruíra grande parte da cidade de Roma. Segundo a tradição cristã. e. esse primeiro ataque aos cristãos não foi o produto de um plano de ação ponderado do governo imperial. na condição de funcionário do governo imperial. O número de judeus. Para o historiador romano Cornélio Tácito. por outro lado. durante os dois séculos e meio seguintes eles foram periodicamente re-O NOVO TEMPLO primidos. Seu desprezo pelo mundo material. e portanto Félix o mandou para Roma como prisioneiro. foi considerada não só ofensiva. atribuindo a culpa aos adeptos dessa incômoda seita. apelar a César. sua recusa em portar armas otl em participar de quaisquer rituais pagãos mais ou menos importantes que= faziam parte da vida em Roma. por esse mcltivo. as reuniões secretas e as cerimônias obscuras nas quais eles "comiam" seu deus. ele não tinha dúvida de que os cris. Assim que a rebelião na Palestina foi sufocada. Embora Tácito julgasse que a crueldade de Nero fora longe demais. no ano 67 d. e eles eram vistos como uma nação. "sua obstinação inflexível parecia merecer punição. A exclusividade dos cristãos. mas um capricho de Nero. escreveu Plínio. não em conseqüência das acusações feitas pelos líderes judeus.C.tãos mereciam "punição rigorosa e exemplar" devido ao seu "ódio à humani. À execução inicial dos suspeitos seguiu-se a prisão em massa de cristãos. de circuncisar seus filhos varões e de descansar no Shabat. refinado e magnânimo. cujas obras o mostram como um homem bondoso.foram restaurados. os privilégios especiais de que antes gozavam os judeus . que foram condenados à morte de várias formas requintadas: homens foram crucificados. tudo isso exerceu nos romanos um efeitP semelhante ao do distanciamento dos judeus. fato suscitara a compaixão dos cidadãos. o Moço. ou envoltos em peles de animais para serem dilacerados e devorados por cães. era conhecido.dos anciãos e um advogado chamado Tertulo. mas como vítima da primeira perseguição aos cristãos empreendida pelos romanos pagãos sob Nero. e sobretudo sua certeza de que seus semelhantes pagãos estavam destinados a eterno tormento enquanto eles herdariam bem-aventurança eterna. mas também sediciosa.

36 Essas atrocidades repetiram-se em todos os rincões do Império. a sistemática perseguição aos cristãos não impediu o crescimento da Igreja. em seguida. muitos deles o aceitaram como uma imitação do sofrimento de Cristo. foi mais judicioso mas igualmente inflexível quando lhe deram o direito de escolher entre cultuar César e ser queimado vivo. Na Frísia (na Ásia Menor). era tão resistente que "aqueles que se revezaram para submetê-la a toda a sorte de torturas. A perseguição foi particularmente impiedosa em duas cidades romanas às margens do rio Ródano: Vienne e Lyon. mas também os indivíduos OS TEMPLÁRIOS mais humildes foram torturados. autor cristão do século II.eles não conseguiam pensarem mais nada para fazer a ." Policarpo. o terceiro bispo de Antioquia. Ao ser preso. talvez um tanto feia ("através dela Cristo provou que as coisas que os homens julgam insignificantes. destruindo-a por completo. Primeiro servos pagãos foram induzidos a acusar seus amos cristãos de orgias incestuosas e canibalescas. proibiu seus seguidores de fazerem o que quer que fosse para salvá-lo e implorou aos romanos que o lançassem aos leões. escolheram a segunda opção. e "as turbas apressaram-se a buscar troncos de madeira e feixes de lenha em oficinas e banhos públicos. Inácio. ficaram exaustos devido a seus esforços e confessaram-se derrotados . "Incitai as feras a tornar-se meu sepulcro. Em Vienne.. Não só os líderes da comunidade. "a semente é o sangue dos cristãos. "O fogo queima por uma hora e se extingue rapidamente"." Ato contínuo Quadrato pronunciou a sentença. do amanhecer ao anoitecer.homens. E por quê? Porque todos os habitantes da cidade sem exceção-o próprio prefeito e os magistrados. uma criada." Conquanto houvesse decerto alguns apóstatas que. quando esta invocou Deus TodoPoderoso. sem deixarem sobras de mim. "mas vós nada sabeis do fogo do Julgamento vindouro e do castigo eterno reservado aos iníquos. Blandina. a fim de incitarem o povo contra eles. como o bispo Potino. mais crescemos". diante da escolha entre serem estraçalhados por leões e tigres na arena e espargirem um punhado de incenso no altar em honra de Zeus. disse ele ao governador romano Tito Quadrato. bispo de Esmirna. Longe de evitarem o martírio. junto coma população inteira . desgraciosas e desprezíveis são consideradas por Deus dignas de grande glória"). as mortes mais atrozes foram Infligidas àqueles que não abjuraram Cristo para cultuar deuses pagãos."Quanto mais nos dizimam. e como sempre os judeus participaram com mais entusiasmo do que qualquer outra pessoa". escreveu Tertuliano. mulheres e crianças -. uma cidadezinha foi cercada por legionários que em seguida a incendiaram. bem como os funcionários públicos e toda a populaçãodeclararam-se cristãos e recusaram-se terminantemente a obedecer à ordem de praticar idolatria.

os sucessores dos apóstolos realizaram concílios . como haverá entre vós falsos mestres. Alexandria e Roma. o líder dos apóstolos. o cristianismo não se limitou às pessoas sem educação: estendeu-se às famílias de senadores e até mesmo dos próprios imperadores. descrito por Eusébio como "um dos mais ilustres cristãos de seu tempo pela erudição e conhecimentos de filosofia". que por ironia mais tarde juntou-se aos montanistas. quer fundando uma seita. Tertuliano. acima de tudo. que no entanto o condenou a ser decapitado. sendo os mais preemiO NOVO TEMPLO nentes os das cidades mais importantes do Império. Filósofos e eruditos formidáveis. os quais eram os patriarcas da religião nascente. O próprio apóstolo Pedro havia advertido que "Houve. "Depois dos chicotes. que negou que a Igreja tivesse autoridade para absolver os pecados graves dos penitentes. Contudo. Tertuliano e Clemente de Alexandria. para quem a garantia de igualdade espiritual compensava sua falta de valor como cidadãos.. contudo. Essa heresia foi apenas uma entre muitas que haveriam de atormentar a Igreja cristã desde seus primórdios e através de sua história. os quais trarão heresias perniciosas (. tais como Jerusalém. em seus ensinamentos. teve uma audiência perante o Senado rornano. »3s No século XIX Friedrich Nietzsche denegriu o cristianismo por ter recorrido a servos como Blandina e.. Antioquia. não apenas adotaram o cristianismo. ela afinal foi colocada num cesto e arremessada contra um touro. como Justino. O primeiro entre seus pares no meio desses bispos e patriarcas surgiu na figura do sucessor de Pedro. da grelha. das feras. que havia presidido a comunidade cristã em Roma.39 e Paulo de Tarso condenou os gnósticos e os docetas em sua Epístola aos Colossenses. Apolônio. se desvia das doutrinas que os apóstolos receberam de Cristo. porque nenhum outro veredicto era possível sob o estatuto: "A existência de um cristão é ilegal". Inácio de Antioquia usou a palavra herege como um termo de acrimoniosa censura. A fim de refutarem falsos ensinamentos. mas em seus próprios escritos aprofundaram a compreensão do credo cristão pela Igreja. Orígenes escoimou as escrituras dos Evangelhos apócrifos e firmou a autenticidade do Novo Testamento conforme o conhecemos hoje.C.ela". . definiu um herege como alguém que coloca seu próprio julgamento acima do da Igreja.o primeiro em Jerusalém em 51 d. Apolônio refutara com vigor a heresia de um certo Montano. outro na Ásia Menor cinqüenta anos mais tarde. Orígenes. Cada um desses "bispos" também possuía autoridade no seio de sua própria comunidade. Antes de sua prisão.. ) ". ao enorme número de escravos. também falsos profetas no seio do povo. quer unindo-se a alguém que.

Por julgar que o Império Romano era grande demais para ser governado por um só homem. estabeleceu seu governo sobre todo o Império. antes de se retirar Diocleciano nomeou quatro para uma junta de governadores. fora-lhe dito num sonho (ou possivelmente numa visão) que pintasse um monograma cristão nos escudos de seus soldados com as palavras: "Inhocsigno vintes" ("Com este sinal vencerás"). que pregava que Jesus tinha sido um mero homem. De acordo com o Edito de Milão. que em 303 empreendeu o que veio a ser chamado "A Grande Perseguição". todos os decretos penais OS TEMPLÁRIOS contra os cristãos foram revogados. Cômodo. de 313. A perseguição prosseguiu sob seu sucessor. junto dos muros de Roma. Cloro tornou-se o principal César no Ocidente. após uma série de vitórias sobre pretendentes rivais. e agora cessara por completo em todo O Império. Sétimo Severo. Vítor. tolerava os cristãos por causa da influência de Márcia. Era esporádica. filho de Marco Aurélio.Clemente. seu pai. Bispos converteram-se em seus conselheiros e receberam permissão para usar o serviço postal do Império. mas morreu um ano depois em York. A perseguição havia abrandado nas províncias ocidentais durante o governo de Cloro. ou tetrarquia. a quem coube o quadrante norte do Império. estabeleceu a data para a celebração da Páscoa e excomungou um mercador de couro chamado Teodato. que só terminou quando Diocleciano abdicou e retirou-se para seu palácio em Split. Mas a política de Constantino para com os cristãos foi além da tolerância. Às vésperas da crucial batalha contra o imperador rival Maxêncio na Ponte Mílvio. Décio e sobretudo Diocleciano. que se supõe tenha sido sagrado bispo por Pedro. uma relação de cristãos condenados às minas da Sardenha e conseguiu sua libertação. foram inclementes na repressão aos cristãos. um dos quais Constâncio Cloro. A perseguição tornou-se acerba no tempo dos imperadores Maximiano. escreveu no ano 96 a fim de resolver uma disputa na Igreja de Corinto. Seu filho Constantino foi proclamado imperador pelas legiões da Bretanha e. Vítor também é o primeiro bispo de quem se tem notícia que entrou em negociações com a família do imperador: ele forneceu a Márcia. dependendo do ponto de vista do imperador que estivesse no poder: alguns dos mais sagazes e esclarecidos. apesar de ser um regente insatisfatório. a amante cristã do imperador Cômodo. como os imperadores antoninos e Marco Aurélio. bispo de Roma em fins do século II. na costa da Dalmácia. os prisioneiros cristãos foram postos em liberdade e sua propriedade restaurada. que incluía a Bretanha e a Gália. Constantino acreditava que havia chegado ao poder com a ajuda do Deus dos cristãos. Quando Diocleciano abdicou em 305. um .

Uma lei de 333 determinava que os funcionários do Império acatassem as decisões dos bispos e acolhessem seu testemunho acima de outros depoimentos. e com . é evidente que prestam grande benefício aos negócios de Estado". foi colocado na igreja construída sobre o Santo Sepulcro em Jerusalém. em Jerusalém. Bizâncio. de fazer-lhe propostas indecorosas. Se se tratava ou não do que se acreditava ser. Os imperadores haviam se tornado antes de tudo comandantes militares. em virtude de seu significado. filho dele com a foi executado antes que eram falsas. Constantino também passou por familiar próximo. e o túmulo de onde ele ressuscitara dos mortos. Como Herodes. como o da sua crucificação. "pois quando eles são livres para prestar serviços supremos à Divindade. Durante as escavações. beijava-lhes as cicatrizes com reverência. em Belém. acusou primeira esposa. que para seu poder ou legitimiO NOVO TEMPLO dade já não dependiam nem do Senado nem do povo de Roma. Rei dos Judeus". Helena . ou de uma mentira que impingiram a uma velha crédula. às margens do Bósforo. Fausta foi Na esteira dessa tragédia. Crispo Helena pudesse provar ao imperador que as acusações então asfixiada num banho quente demais. e em outros sítios. sua segunda esposa. tragédias em seu círculo Crispo.privilégio inestimável numa época em que as viagens por terra eram perigosas e caras. o madeiro foi aceito por Helena e cristãos fiéis como a suprema relíquia de sua Salvação e. recebia-os na corte e. Tornara-se claro por algum tempo que Roma estava muito mal situada como centro estratégico de um Estado cujas fronteiras mais vulneráveis e províncias mais prósperas estavam situadas no Oriente. chamava-os de irmãos.partiu numa viagem penitencial à Palestina. descobriu-se o madeiro de uma cruz com a inscrição "Jesus de Nazaré. Constantino doou a propriedade imperial de Latrão ao bispo de Roma para a construção da basílica e promulgou leis concedendo ao clero cristão privilégios fiscais e imunidades legais. A conversão de Constantino foi de momentosa importância para o cristianismo. Aí Constantino havia ordenado a demolição dos templos e a construção de igrejas no local do nascimento de Cristo. Fausta.convertida ao cristianismo por Constantino . Ele apreciava a companhia de bispos cristãos. caso tivessem sido flagelados e mutilados em perseguições passadas. entre o mar Negro e o Mediterrâneo. De igual importância para o futuro do Império foi sua decisão de transferir a capital de Roma para Bizâncio. com sua estratégica posição entre a Europa e a Ásia.

que já fora ampliada por um de seus predecessores. Cidadania plena e pão de graça eram oferecidos como estímulo a quem se estabelecesse na cidade. iniciado no tempo de Severo. Antioquia. Constantino assentou as fundações dessa "nova Roma". conhecido como Como de Ouro. OS TEMPLÁRIOS A mesma intolerância foi demonstrada com os judeus. Joviano. e havia uma política de tolerância para com pagãos e judeus. um de seus rivais. nas proximidades de Crisópolis. e em 381 a cidade tornou-se a sede de um patriarca. A cidade. Juliano foi o último dos imperadores pagãos. Os templos antigos foram abandonados e entraram em decadência ou foram destruídos. a igreja recuperou a posição privilegiada de que gozara no tempo de Constantlno e tornou-se tão intolerante para com o paganismo quanto este tinha sido para com o cristianismo. e ele foi abandonado por causa da morte do imperador em 363. Sétimo Severo. o paganismo foi restabelecido e a Igreja submetida a uma forma de perseguição renovada. Várias grandes igrejas foram construídas pelo imperador. Durante o reinado de Juliano. sobrinho de Constantino que mais tarde veio a ser conhecido como "o Apóstata". Rebatizada com o nome de Constantinopla em homenagem a seu fundador. Dentro de três semanas após sua vitória sobre Licínio. A supremacia do cristianismo ainda não estava assegurada. a cidade transformou-se num centro da religião que ele protegia. Agora a proibição era absoluta. um palácio imperial. sob Constâncio. a quem ele chamava de "os galileus". e de ruas adornadas com numerosas estátuas provenientes de outras cidades. Constantino solicitou que muitos dos primeiros concílios da Igreja se reunissem em Constantinopla ou em cidades próximas. que se juntou aos de Roma. adequava-se com perfeição a esse papel. em 324. tais como o Hipódromo. Antes. casas de banho e edifícios públicos. ter sido a reconstrução do Templo em Jerusalém. Digno de nota é o fato de uma das medidas iniciadas por Juliano para opor-se aos cristãos. Alexandria e mais tarde Jerusalém. Por terem participado da perseguição aos cristãos pelos pagãos e acolhido com prazer a contra-reforma . triplicou em tamanho e foi dotada de magníficas obras públicas.seu porto natural. e as cerimônias pagãs continuaram apenas secretamente. filho de Constantino. com freqüência à guisa de orgias ou de comemorações sazonais. Sob seu sucessor. calamidades naturais (consideradas como intervenções milagrosas pelos cristãos) dificultaram o projeto. como Nicéia e Calcedônia. os templos pagãos tinham sido fechados e os sacrifícios aos deuses pagãos proibidos sob pena de morte.

a crença de que Deus e o Demônio são poderes iguais. mas encorajou excessos entre zelotes cristãos. Antes sectário do maniqueísmo. Fora educado em Roma e contratado como funcionário público do Império. Mas ele era ambicioso e tinha uma forte pulsão sexual. Teodósio ordenou sua reconstrução a expensas dos cristãos. em Calínico. Isso se dirigia tanto contra cristãos heréticos quanto contra os pagãos e os judeus. a sinagoga foi completamente destruída por um incêndio provocado por uma chusma cristã. eles eram agora objeto de opressão pelos estatutos imperiais e de hostilidade por parte de turbas cristãs. ele ainda não havia sido batizado. exercendo por volta de 371 o cargo de governador das províncias da Emília e da Ligúria. o Apóstata. O imperador Teodósio. Agostinho vivera no Norte da África até mudarse para Milão. sendo Deus o criador do espírito e o Demônio da matéria. arcebispo de Milão. a revogar a ordem. pela perspectiva de um casaO NOVO TEMPLO mento vantajoso. Seu amor pelas mulheres tinha sido sempre um obstáculo à sua conversão. às margens do rio Eufrates. feitos em Milão. mas foi persuadido por Ambrósio. Agostinho. teve romances com várias outras mulheres. Intervindo em sua condição oficial numa acirrada eleição episcopal em 373. que persuadiram um jovem professor de retórica da cidade. "O que é mais importante?" perguntou o prelado ao imperador. Em 388. Embora sua família fosse cristã. foi inesperadamente escolhido por aclamação popular para ser bispo. cuja sede administrativa era em Milão. Foi admitido na Igreja em 24 de novembro e ordenado padre e consagrado bispo em 1° de dezembro. quando um massacre punitivo em Tessalonica ordenado por Teodósio foi condenado por um concílio da Igreja por instigação de Ambrósio. promulgou um decreto em 380 prescrevendo o Credo de Nicéia como vínculo de todos os súditos.de Juliano. um dos últimos a governar um império indiviso. mas não . a tornar-se cristão. Abandonou sua amante de longa data. o cristianismo se tornou romano. Agostinho foi persuadido por Ambrósio da verdade da doutrina cristã. e enquanto aguardava que sua futura noiva atingisse a maioridade. "A ostentação de disciplina ou a causa da religião?"4° Outra demonstração do tipo de poder agora exercido pelos bispos ocorreu dois anos mais tarde. Ambrósio mostra como. Ambrósio era filho de um prefeito romano e membro da classe senatorial. de quem tivera um filho. Foram os sermões de Ambrósio. ambos de origem berbere. enquanto Roma se tornou cristã. e o imperador só pôde voltar a comungar após penitência pública. Filho de pai pagão e mãe cristã. e mais tarde neoplatônico. adotando um sistema de administração e um corpo de leis como os do Império e empregando o mesmo pessoal. Na adolescência ele havia rezado a Deus: "Concede-me castidade e continência. As características marcantes de sua juventude foram a curiosidade intelectual e a licença sexual.

mas. onde se tornou padre. A linha demarcatória era o mar Adriático e uma linha através da atual Iugoslávia que permanece problemática até hoje. que eu preferia antes satisfazer do que suprimir". e foi a teoria de Agostinho de uma guerra justa que se usou para defender as cruzadas. Há dois outros desenvolvimentos notáveis no tempo de Ambrósio e Agostinho que vieram a moldar a Europa na Idade Média. de Milão ou de Ravena. agora OS TEMPLÁRIOS A linha não podia ser mantida. e seus "antigos amores" impediam-no de se converter. que das estepes fora empurrada para a frente por razões desconhecidas. A metade oriental tornou-se o Império Bizantino e com passar do tempo substituiu o uso do latim pelo do grego. nem em devassidão e libertinagem. Ambos os impérios estavam constantemente em guerra com as tribos e Povos além de suas fronteiras: na Ásia. francos. quados. na Europa. toma e lê". as tribos bárbaras dos sármatas. alamanos.". Ele receara que Deus talvez atendesse à sua prece depressa demais "que tu me curasses rápido demais da minha doença da concupiscência. vândalos." Agostinho tinha agora pouco mais de rinta anos. A metade ocidental foi governada nacionalmente de Roma. O primeiro foi a divisão do Império Romano em dois. até que uma tarde. andemos decentemente. mas o que veio a ser descrito como a "Queda" do Império Romano não foi a única derrota dramática ou mesmo uma seqüência de . os persas. A princípio viveu numa comunidade retirada. visigodos. foi a regra estabelecida por Agostinho para sua comunidade de cristãos que a ordem inicialmente adotou. mas depois de cinco anos foi feito bispo de Hipona. Abriu ao acaso um livro das epístolas de Paulo de Tarso. nem em rixas e ciúmes. de vez em quando. e seus olhos pousaram na Epístola aos Romanos: "Como de dia. Mas vesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne". no outro lado do Danúbio e do Reno. não em orgias e bebedeiras. ouviu uma voz etérea ("talvez fosse de um menino ou de uma menina") entoando "toma e lê. no jardim de sua hospedaria. Como veremos quando discorrermos sobre a fundação dos Templários.az Agostinho foi batizado por Ambrósio em 387 e regressou para o Norte da África. Ele se encontrava num estado de indecisão imobilizadora. ostrogodos. e atrás deles a feroz tribo d°s hunos. Passou os trinta e cinco anos restantes de sua vida cumprindo suas obrigações como bispo diocesano e escrevendo obras de suma importância para o futuro da Igreja. burgúndios.

e só não atacou Roma porque o papa havia pago tributo. Foram antes uma `corrida do ouro' de imigrantes de países subdesenvolvidos do Norte para as ricas terras do Mediterrâneo. havia chegado ao fim. deixando aos próprios b.retões a defesa contra os pictos e os escotos no norte. Mas esses eram tempos de violência.derrotas dos exércitos imperiais seguidas de uma colonização sistemática pelos vencedores bárbaros. como entidade política distinta. um meio-vândalo. Alarico e seus visigodos capturaram e saquearam Roma. os romanos retiraram suas legiões da Bretanha. ao longo da costa do Mediterrâneo. como os francos e os alamanos. depôs o último imperador. foram autorizados a se mudar para a Trácia. seguidos pelos burgúndios e pelos alamanos. Agostinho morreu em 430. e os ostrogodos e os visigodos. em direção à Itália. impelidos para oeste pelos hunos. ele o fez como regente do imperador do Oriente em Constantinopla. em seguida voltaram para o norte. e governou a Itália como rei bárbaro. fugiram do avanço dos hunos por sobre a superfície congelada do rio Reno e penetraram na Gália. Conceitualmente. fixando-se no Sudoeste da França e posteriormente na Espanha. e muito menos campanhas de conquista organizadas. 44 O NOVO TEMPLO . Em 429. estando o verdadeiro poder concentrado nas mãos de chefes de tribos germânicas. já tinham obtido permissão para se estabelecer dentro das fronteiras do Império. Em 406. Em 410. Foram feitas tentativas. Um desses chefes. confusão e desordem. Mas. Em 407. durante o cerco deles a sua Hipona. saqueando cidades na planície do Pó. Odoacro. os vândalos e os suevos. Os chamados "bárbaros" acabaram sendo recrutados pelo exército romano e chegaram até a comandá-lo. em particular pelo general romano Aécio. 1141 Algumas tribos. Houve alguns triunfos transitórios: Aécio venceu uma tropa huna sob o comando de Átila. casou-se com a sobrinha do imperador Teodósio e assumiu o controle do Império após a morte deste. oitenta mil vândalos moveram-se impetuosamente pela Espanha e cruzaram o estreito de Gibraltar. quando hordas temíveis e freqüentemente famintas vagueavam pela Europa em busca de segurança e alimento. a qual então rumou para o sul. Estilicão. Rômulo Augústulo. mas na verdade o Império Romano do Ocidente. de estabelecer um pouco de ordem na solução da questão relacionada com as tribos bárbaras. "Essas invasões não foram ataques permanentes e destrutivos. os imperadores romanos do Ocidente não passavam de chefes nominais. e contra ataques piratas na costa leste por anglos. alcançando as províncias romanas do Norte da África. após a morte de Aécio. saxões e jutos. no Nordeste da Gália.

a Igreja tinha muito a oferecer ao chefe bárbaro.Todavia. pois possuía uma organização intacta. após o colapso do comércio e da legalidade. Após a derrota dos alamanos e dos visigodos. haviam se transformado na potência dominante ao norte dos Alpes. Clóvis não era o chefe de governo de um Estado imenso e bem administrado. Ele não podia conceder aos bispos. augusto demais. Clóvis tornou-se cristão junto com todos os seus barões . como Constantino fizera. Contudo. agora chamado papa (do grego pappas. os francos. e mais ao norte o reino dos francos sólios. um bispo com um corpo de diáconos e padres letrados. por conseguinte. Por outro lado. e na maioria das cidades de alguma importância. a exemplo da conversão de Constantino. tinha condições de prover tanto O bern_estar material quanto moral aos povos sob seus cuidados. o OS TEMPLÁRIOS . o bispo de Roma. Estava em toda a parte ao redor deles. ou "pai"). duradouro demais. à medida que ducados e reinos começaram a tomar forma: o principado ostrogodo na Itália. não se opunham ao Império. e a idéia de destruí-lo nunca lhes passou pela cabeça: "a concepção de que o Império era universal demais.conta-se que ele teria testemunhado um milagre no túmulo de Maninho de Tours. à qual a do Estado romano servira de modelo. que continuaram a ser minorias nas terras que conquistaram. mas o líder de uma horda de lutadores ferozes e sem educação. privilégios fiscais e os emolumentos de funcionários civis graduados. foi de momentosa importância para o futuro da Igreja cristã. Por volta de 498. Antes do fim do século V. Com o colapso das instituições políticas e administrativas do mundo romano.''SA organização social e as tradições culturais do Império Romano sobreviveram à extinção da administração centralizada única nos condados.``'' Os bárbaros. pois recebera de imperadores cristãos generosas doações de propriedades rurais. o domínio franco estabeleceu-se entre o Reno e os Pireneus. O batismo de Clóvis. um Estado visigodo na Espanha e na Gália até o Loire. pródigas dotações. com cardeais como chefes de departamento de sua administração. no que restara das maiores cidades do arruinado Império. Abaixo dele. No topo da hierarquia estava o patriarca do Ocidente. A Igreja era portanto rica. os dotes que cada parte agora trouxe para essa união entre o secular e o espiritual eram muito diferentes do que tinham sido século e meio antes. estavam os arcebispos. e eles não conseguiam lembrar-se de nenhuma época em que não tivesse sido assim". isso não significou "o desaparecimento de uma civilização: foi cão-somente a falência de um aparato de governo que já não poderia ser sustentado". Tudo o que ele podia oferecer eram as almas de seu povo selvagem e o compromisso de proteger a Igreja universal ou "Católica". sob seu rei Clóvis.

foi acrescida a autoridade de primeiro magistrado da cidade de Roma. e as influências pagãs continuavam fortes. Os visigodos. na ausência de um imperador. a jurisdição romana era aceita em todas as dioceses do Império do Ocidente. A Igreja assumiu mais do que as funções do extinto Império: era o Império Romano na mente do povo. e na época das invasões bárbaras. Depois de Justiniano. à supremacia espiritual do papa. de determinar o que era verdadeiro e o que era falso. as antigas famílias senatoriais ainda eram preeminentes. isto é. Quando Alarico e seus visigodos ameaçaram atacar a cidade em 408. o líder dos hunos. o bispo de Roma vinha reivindicando ascendência em questões espirituais não apenas como patriarca do Ocidente. ser cristão era ser romano. Em 455. ele encontrou Gaiserico.. fora dos muros da cidade. (N. líder dos vândalos. Ser romano era ser cristão. Os pagãos desapareceram nas classes mais elevadas. graças ao seu patrimônio imobiliário. a maior e a mais populosa cidade do Ocidente. hospitais. Contudo. Alguns dos majestosos edifícios e esplêndidos monumentos tinham sido desmantelados por seus habitantes para serem usados como material de construção. mas uma sociedade totalmente cristã. e o mesmo aconteceu com a iniciativa diplomática do papa Inocêncio I. conseguiu convencê-lo a permanecer longe de Roma. e embora suas tentativas de evitar Casas de hospedagem para viajantes. fornecendo alimentos aos pobres. "o mundo mediterrâneo passou a considerar a si mesmo não mais como uma sociedade na qual o cristianismo era apenas a religião dominante.) o não-cristão constatava que era um fora-dalei num Estado unificado".41 Desde os primórdios da Igreja cristã. dirigidas por uma ordem religiosa. o papa Leão I foi a Mântua. quase cinqüenta anos mais tarde. Agora. ela continuava. orfanatos e até estalagens eram anexos de igrejas e mosteiros. onde Átila. do T) 46 O NOVO TEMPLO . sob o comando de Alarico. capturaram e pilharam Roma. o único recurso econômico que restara para o povo. e mesmo no campo (. o prefeito e o Senado propuseram sacrifícios aos deuses pagãos..episcopado tornou-se a única força moral e. mas ainda restava muito de seu glorioso passado. O bispo substituía o Estado como provedor de serviços públicos. resgatando prisioneiros e cuidando do bem-estar dos presos. Seu povo era conservador." Num sentido real e consciente. a quem o próprio Cristo dera as chaves do reino do céu e o poder de "ligar e desligar". Suas invocações fracassaram. de longe. mas como o sucessor de Pedro. Hospícios'. os bispos da Igreja Católica assumiram as responsabilidades da classe senatorial romana: essa foi "a hipótese básica por trás da retórica e do cerimonial do papado medieval 11. Mesmo que por algum tempo a cidade tivesse estado em declínio.

como também nomeou reitores para elevar ao máximo as receitas provenientes do "patrimônio de São Pedro" . quando o rei lombardo Agilulf sitiou a cidade. a exemplo de Leão. escreveu Tertuliano. veio a receber o título de "o Grande". Gregório assumiu o comando das tropas e convenceu os lombardos a partir. Desde o começo a virgindade era considerada como um sinal de dedicação total a Deus. e o crescimento do ri onasticismo é o segundo progresso na história da Igreja cristã que influencia nossa compreensão dos templários. Na ausência de qualquer autoridade secular efetiva. a seu pedido eles desistiram de fazer mal à população." Todavia. Mais de um século depois. no norte da Itália. ordenou reparação após a profanação de uma sinagoga em Caraglio. "Ao tempo de Gregório. Não foi usada pelos cristãos até o século IV porque até meados do século III os monges cristãos eram desconhecidos. Era tolerante com os judeus: em 599. Oriundo de uma família abastada e aristocrática.grandes propriedades espalhadas por toda a Europa que pertenciam ao papado. A Igreja primitiva era encontrada sobretudo nas cidades e. o qual. Paulo de Tarso. nomeou generais e celebrou tratados. seus membros mantinham seus bens em comum. "Nós partilhamos tudo". enfrentou uma invasão lombarda e tornou-se ele próprio responsável pelo bem-estar dos cidadãos de Roma. Gregório. o Grande. '141 Ele se empenhou com igual zelo em obter o bem-estar da Igreja. Gregório tornou-se governante de facto da Itália. e diz-se que a visão de anglos louros pagãos sendo vendidos como escravos em Roma induziu-o a enviar Agostinho e um grupo de quarenta monges beneditinos para pregarem o Evangelho em sua terra natal. a distinção mais tarde feita entre questões espirituais e seculares não estava clara: os homens nunca haviam pensado num divórcio entre a autoridade política e uma base religiosa. mas melhor 47 OS TEMPLÁRIOS . foi o primeiro papa que era monge. nem todos os homens e mulheres entre os cristãos primitivos se casavam. julgava que era bom se casar. impondo o celibato ao clero e um rígido código para a eleição de bispos. a quem se atribui a pecha de não olhar as mulheres com bons olhos.que pilhassem a cidade tivessem malogrado. a julgar pelos Atos dos Apóstolos. outro papa. Gregório não apenas fez uso de seus próprios recursos para mitigar o sofrimento dos pobres. Em 593. A palavra "monge" procede do grego monos e significa "sozinho" ou "solitário". "menos nossas esposas. Recrutou tropas. combateu a heresia. Gregório. insistiu na autoridade universal do bispo de Roma. e repreendeu os bispos de Aries e Marselha por permitirem o batismo compulsório de judeus em suas dioceses. Como seu antecessor Leão. mas isso não foi percebido como um afastamento radical da tradição. e parente de dois papas anteriores.

Uma leitura imparcial de suas epístolas sugere que ele não era nem puritano nem misógino.permanecer celibatário: ele esperava um iminente fim do mundo e.So O cânon dos santos tem muitas dessas "virgens e mártires" desse período.r capacidade para compreender. via o casamento como uma distração despropositada.) recatadamente pediram aos guardas que as desculpassem por um momento e atiraram-se no rio que corria ali perto". ao passo que os solteiros podiam dedicar-se integralmente a Deus. mas ainda não existiam freiras ou monges. Apesar de a princípio prescrever que os viúvos não deveriam contrair novas núpcias. Em sua história. afirmando que é melhor casar-se do que viver atormentado pelo desejo sexual ("é melhor casar-se do que ficar abrasado"). foi um desvio da doutrina judaica de que homens e mulheres deveriam obedecer à ordem de Deus no Li'ro do Gênesis: "Sede fecundos. O apreço pelo celibato. mas veio do conselho do próprio Cristo quando ele louvou "eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus". Eusébio descreve com aprovação como jovens cristãs. portanto. compreenda". ele recomendava a maridos e mulheres que dessem um ao Nutro aquilo que por direito lhes cabia esperar. embora possivelmente encontrado nas seitas essênias. Também salientou que aqueles que eram casados tinham de considerar o bem-estar de seus cônjuges. aprisionadas por serem cristãs e enviadas sob escolta para Antioquia. acrescentando: "Quem tiv-. mas p--rmaneceu um pequeno número que conservava o espírito fervoroso da igreja primitiva e tentava fugir das preocupações políticas e materiais do mundo. durante os períodos de perseguição. conforme costuma ser retratado. zelo. Contudo. Entre a maioria dos cristãos. III o jovem Orígenes foi censurado por ter interpretado ao pé da letra o que Jesus dissera. parece certo que Paulo e os cristãos primitivos consideravam o casamento um obstáculo à perfeição. "após terem viajadp metade do percurso (. Dominina e suas duas filhas "em plena flor de seu encanto juvenil".49ISSO levou a um culto da virgindade na Igreja primitiva que algumas vezes foi longe demais: no século. os padrões de piedade declinaram. No que se refere às relações sexuais. A riqueza crescente da Igreja parecia contradizer a recomendação de Cristo ao jovem rico: "Vende tudo que tens e distribui aos pobres". Viver como cristão e estar pronto para morrer por suas crenças era considerado o bastante. Somente após a conversão de Constantino e a transformação da Igreja de uma seita perseguida numa instituição rica e privilegiada é que se t)rnou vantajoso ser cristão e possível praticar essa religião com um mínimo de. enchei a terra e submetei-a". preferiram a morte à desonra. infligindo-se uma automutilação que mais tarde ele veio a lamentar.. mais tarde mudou radicalmente de opinião.. E a seguir: "Como é difícil . multiplicai-vos.

sem nenhuma proteção contra as forças da natureza. de onde se podiam ouvir não os desvarios de um fanático. que viveu de 286 a 346 d. um rapaz de Hieracômpolis. vivendo sozinhos em lugares remotos. pouco antes de sua morte. alguns acorrentavam a si mesmos às paredes rochosas de suas cavernas ou viviam ao ar livre. Ele também foi morar numa caverna no deserto próximo. mas em seguida foram criadas comunidades que aceitavam a direção de um líder ou "pai" escolhido.aos que têm riquezas entrar no Reino de Deus". infligindo severas penitências a si mesmos e devotando sua vida de vigília à oração. O exemplo dos eremitas egípcios foi seguido na Síria e na Palestina. escreveu un relato de sua vida.5' 48 O NOVO TEMO Os primeiros exemplos de cristãos que aceitaram as palavras de Cristo são encontrados no Alto Egito . ao passo que Atanásio. refugiavam-se ainda mais no deserto. O imperador Marciano visitou-o incógnito. até ser encontrado por outro eremita. Pacômio. Sua fama era tamanha. esses eremitas reuniam-se apenas para assistir à missa e receber conselhos de eremitas mais velhos. Na Síria. bispo de Alexandria. A fim de evitá-los. foi viver numa caverna perto de uma palmeira e de uma fonte. Ele aí permaneceu pelos próximos noventa anos sem companhia de nenhum outro ser humano. comendo apenas o suficiente para a mera sobrevivência. O exemplo de Antônio foi contagiante. vivendo a pão e água. que afinal fundou dois mosteiros. o Estiliza. para os quais formulou uma regra de vida. palavra oriunda de abba.primeiro Paulo. que consumia uma vez ao dia. passou a viver numa plataforma no alto de uma coluna de dezoito metros de altura. após a morte de seus pais em cerca de 273.. e sob influência de Simeão a imperatriz Eudóxia deixou de apoiar os heréticos monofisitas e retornou ao credo ortodoxo. para escapar da perseguição no tempo do imperador Décio. em cavernas. por exemplo. que o imperador Constantino pediu-lhe quf orasse por ele. mas palavras sensatas e de solidariedade. em seguida vendeu todos os seus bens restantes e deu o produto da venda aos pobres. As décadas que se seguiram à sua morte testemunharam um verdadeiro êxodo para o deserto de homens que procuravam aproximar-se de Deus. Vários admiradores juntaram-se a ele. Antônio. o equivalente hebraico de "pai°°. . Sua reputação de santidade atraía multidões de seguidores à procura de orações e conselhos. que aos quinze anos. A princípio. Ele é considerado o primeiro abade. também no Alto Egito. cabanas improvisadas ou edifícios abandonados. tomou providências para a educação da irmã. Simeão.C. Antônio. chefiou um grupo que acrescentou o voto de obediência à pobreza e à castidade e redigiu um código penal para transgressões.

primeiro numa ilha da costa italiana e depois numa pequena comunidade de eremitas perto de Poitiers. viveu entre os eremitas no deserto a leste de Antioquia. a despeito das objeções de alguns outros bispos e da nobreza local de que ele não era fidalgo e parecia "desprezível. Ele fundou dois mosteiros. após dar metade de seu manto a um mendigo. Foi consagrado em 4 de julho de 371. estabelecendo-se em Marselha. um erudito romano que traduziu a Bíblia para o latim e trabalhou como secretário do papa Dâmaso. com roupas sujas e cabelos em desalinho". no norte da França. como vimos. Os poderes milagrosos que lhe eram atribuídos continuaram após sua morte e. Embora não tenha escrito nenhuma regra. Institutos e Conferências. viajou pelo Egito. oriundo de uma família rica e ilustre da Capadócia. às margens do rio Íris. O movimento monástico propagou-se para o Ocidente.OS TEMPLÁRIOS Jerônimo. Sua santidade e os milagres que lhe foram atribuídos fizeram com que fosse eleito bispo de Tours. onde. que foram usadas pelo pai do monaquismo no Ocidente. perto de uma comunidade de freiras fundada por sua irmã Macrina. Agostinho de Hipona pensava que a conversão sincera ao cristianismo levava inevitavelmente a alguma forma de vida monástica. Após deixar o exército por volta de 355/6. Bento de Núrsia. Martinho foi o primeiro cristão que morrera de morte natural a inspirar o culto a um santo. João Cassiano. pela Síria e pela Palestina a fim de visitar as numerosas comunidades antes de regressar e fundar seu próprio mosteiro na propriedade de sua família em Annesi. Basílio. supostamente levaram à conversão de Clóvis. Era diligente na repressão do paganismo. teve uma visão na qual ele cobria os ombros de Cristo. embora tivesse nascido na Hungria. mas foi chamado da reclusão monástica para ajudar a administrar a Igreja. filho de um oficial do exército romano e ele próprio um soldado que. foi enviado pelo patriarca de Constantinopla numa missão a Roma e depois permaneceu no Ocidente. um deles na Ìle des Lérins. Como vimos. estava estacionado em Amiens. Basílio é considerado o fundador do monaquismo na Igreja do Oriente. na Ásia Menor. O mesmo se deu com Martinho de Tours. O NOVO TEMPLO . monge primeiro em Belém e mais tarde no Egito. Martinho viveu por algum tempo como eremita. e escreveu duas obras sobre a vida monástica. destruindo santuários e derrubando árvores sagradas. Mesmo como bispo. na formulação de sua regra. Ele rejeitou as proezas individuais dos eremitas em favor de uma vida comunal em que a oração era mesclada com trabalho físico e obras de caridade: um orfanato e uma oficina para os desempregados eram anexos a seu mosteiro. viveu uma espécie de vida de eremita num mosteiro que fundara fora de Tours.

A regra demonstra uma judiciosa apreciação da realidade da vida numa comunidade e uma verdadeira compreensão das forças e fraquezas inerentes à natureza humana. Enviado a Roma para ser educado. escolhido pela comunidade. e o material poderia variar a critério do abade. OS TEMPLÁRIOS . material e espiritualmente. Ao compô-la. a figura mais importante no estabelecimento do monaquismo na Europa Ocidental. um código de conduta para seus monges que veio a estabelecer o modelo da fé religiosa na Europa Ocidental pelos seiscentos anos seguintes. Eles viviam juntos para servir a Deus e salvar suas almas. Bento lançou mão das experiências de Basílio e das obras de João Cassiano. fundou o mosteiro de Monte Cassino. e não a regra. Martinho era a exceção. e os fracos não tenham de recuar com temor". Pouco depois vieram juntar-se a ele outros rapazes que queriam partilhar seu modo de vida. O abade. associado à selvageria que prevaleceu após o colapso do Império no Ocidente. levou aquelas pessoas de índole bondosa e pia a criar numerosas pequenas comunidades isoladas do mundo com nenhum interesse fora de seus muros. a não ser o de ajudar o próximo e os viajantes. entre os bispos. onde. ela baseia-se na herança romana do autor. abandonou a comunidade em Subiaco com um grupo de prosélitos e mudou-se para Cassino. Em algum momento entre 520 e 530.Contudo. Seu hábito era preto. Os regulamentos para a vida diária determinavam o que os monges deviam comer e beber e o que deviam usar. na intensa fé que ele possuía. de acordo com o clima e a estação do ano. em seu fervor. ficou tão estarrecido'com a dissipação dos romanos que abandonou a cidade e viveu como eremita numa caverna na encosta de uma montanha em Subiaco. e não havia elaboração de cântico ou ritual. e o progressivo envolvimento do clero regular em assuntos seculares nos últimos anos do Império Romano. mas ao exercê-la ele tinha a obrigação de "harmonizar todas as coisas de modo que os fortes ainda possam ter algo por que ansiar. Mesmo no interior dos muros não havia trabalho específico. em conseqüência de uma intriga.5z Esse pluralismo monástico sofreu uma transformação pela influência de Bento de Núrsia. Em sua sensatez. Ele nasceu por volta do ano 480 numa família da pequena nobreza que vivia ao sul de Roma e nos montes Sabinos. Os monges a princípio não eram nem sacerdotes nem eruditos. estava investido de absoluta autoridade. mas o teor da obra reflete a extraordinária personalidade de Bento. depois de demolir um templo a Apolo que encontrara no cume de uma montanha. Foi aí que ele escreveu sua regra.

Bento viveu em tempos sombrios. Foi retomada por lelisário. mas ambém da economia européia. Os monges tinham de cntoar o ofício divino-orações e salmos-em determinados momentos do lia e da noite e. quando não estavam orando. nas proximidades de Angers. ou na cama. imperador lo Ocidente. e no escritóio. Em 633. enviou Agostinho. a Itália tinha lassado do crepúsculo do mundo antigo para a escuridão da Idade das Treus. tinham le passar o tempo estudando. em Roma. Os monges trabalha•am nos campos. e cada monge devia ter uma pena e tabuinhas para escrever. os beneditinos foram para a Espanha. não só os livros da Bíblia. Na Inglaterra. diz-se que Bento enviou um de seus monges. nos Vosgos.53 Com o pasar do tempo. em favor da regra mais Iranda de São Bento. pregando e sobretudo executando algum tipo le trabalho braçal. Em 664. mas naquela obscuridade os mosteiros beneditinos da Europa Ocidenal "tornaram-se centros de luz e vida (. chamado Mauro. copiando textos em velino. eles tornaram-se parte essencial não só da cultura. o que tornava cada mosteiro auto-suficiente.. Como vimos. prior da Abadia de Santo André. Durante a vida de Bento. Laborare est orares Trabalhar é orar. para fundar um mosteiro em Glanfeuil. numa missão a Ethelbert. os godos capturaram Roma e deixaram-na em ruínas: a cidade foi completamente abandonada por quarenta dias. Antes de morrer. ou à mesa. e sua libertação final pelo exército de ustiniano causou uma devastação tão grande que Gibbon a considerou "a iltima calamidade do povo romano". que. Luxeuil e lontaine. sucumbiu de novo aos godos. Mosteiros beneditinos agora cresciam perto dos estabelecimenos do missionário celta Columbano existentes em Annegray. junto com a Abadia de Bobbio. Todo mosteiro tinha de possuir uma biblioteca. ano anteior à morte de Bento. abandonaram por fim o código rigoroso e inflexível lue Columbano trouxera de Bangor. na Irlanda. Em 546. mas também as abras de autores clássicos. comandadas pelo grande general Belisário.) preservando e mais tarde difun(indo o que permanecera da cukura e espiritualidade antigas". em 596 o papa Gregório I. na Itália. no Sínodo de O NOVO TEMPLO .. que também era monge benediino. o rei pagão de lent. ia França. porque. também Lindada por Columbano. enquanto reinos eram guerreados e randes Estados se dissolviam. com qua enta de seus irmãos beneditinos. os mosteiros freqüentemente continuavam atactos.A dieta dos monges era pobre: Bento insistia numa perpétua abstinênâa de carne e estabelecia períodos de rigoroso jejum. Os godos haviam estabelecido um eivo na Itália e lutavam para defendê-lo das forças de Justiniano. os missio ários beneditinos entraram em contato com católicos celtas que haviam ido afastados de Roma devido às invasões bárbaras.

o patrono dos francos.54 Em contraposição à sagacidade e à dedicação dos funcionários do Império da Antiguidade. Acompanhou-o Bonifácio. regressou à Inglaterra em 669 para fundar mosteiros em Jarrow e Wearmouth. e esta. Benedict Biscop. Willibrord. Por volta do século VII tinha surgido uma aristocracia "francesa". os mosteiros tornaram-se importantes centros cívicos e eram muitas vezes alçados a sés episcopais. e em certos casos era difícil distinguir conversão de conquista. e fundamentalmente egoísta e indisciplinada 11. o qual pregou o Evangelho às tribos pagãs da Alemanha. os francos tornaram-se os paladinos da Igreja. Os pagãos também tiveram seus mártires. descrita pelo historiador Ferdinand Lot como "uma classe turbulenta. companheiro de combate do rei Oswy da Nortúmbria. que desdenhava as coisas do espírito. Mogúncia e Würzburgo viriam a ser governados por seus bispos até serem secularizados por Napoleão em 1802. O barbarismo dos francos. eles retornaram ao redil romano. abandonou a carreira militar para tornar-se padre e. "o rei enlameava-se na libertinagem e seus cortesãos o imitavam. incapaz de mostrar-se à altura de qualquer noção política séria. estes passaram radicalmente de refúgios remotos para comunidades de eremitas a grandes complexos que administravam extensas propriedades. nas quais tanto a autoridade política quanto a espiritual estavam combinadas no monge-bispo. sua propriedade a única base de poder. Em 690. Casamentos mistos tinham se tornado freqüentes. As façanhas desses missionários beneditinos foram asseguradas pelos estabelecimentos monásticos que se seguiram na esteira deles. Principados tais como Colônia. e era cada vez maior o número de "romanos" que haviam trocado seus nomes romanos por outros francos. um beneditino inglês. Após a conversão de Clóvis. escreve Ferdinand Lot. outro beneditino inglês. belicosa e ignorante. Foi morto por frísios pagãos e enterrado no mosteiro por ele fundado em Fulda. Seguiu-se uma onda de entusiasmo religioso no norte da Inglaterra. descrito com certo vigor pelo cronista Gregório de Tours. a terra era a única fonte de riqueza e. alcançou seu nadir sob os sucessores merovíngios de Clóvis. Na segunda metade do século VII e no . desta vez de Devon. essa nova classe dominante buscava apenas seu próprio enaltecimento e era indiferente ao bem público. Havia costumes. quando. no Hesse. Nos dois séculos após a morte de Bento de Núrsia.Whitby. mas nenhuma lei que pudesse impor limites aos poderes dos reis. após visitar Roma e tornar-se monge na Ìle des Lérins. Nessa altura ocorrera uma fusão entre os galo-romanos e seus conquistadores francos. Com o colapso do comércio. embarcou com destino ao que são hoje os Países Baixos a fim de pregar aos frísios pagãos. Em regiões como a Borgonha e a Baviera. também da Nortúmbria. portanto.

Esse pacto entre o papado de um lado e os reis francos de outro permaneceria em vigor pelos próximos quinhentos anos. O mesmo sentimento levou bispos. traição e luxúria. e agora senhor da maior parte da Europa. -O rei franco que ordenou esse massacre foi Carlos. receosos da danação. e o batismo. conhecidos como "prefeitos do palácio". Agora pela primeira vez entramos numa era "na qual mosteiros são fortalezas. o rei saxão Widukind rendeu-se e foi batizado. e foi coroado rei dos francos em Soissons. elas tinham desde o início um matiz religioso". em novembro de 751. neto de Pepino. agora arcebispo e legado pontifício. vítima de seus próprios excessos". nos arredores de Paris. eles implicitamente acreditavam na doutrina cristã e. No ano 800. E assim como os guerreiros francos faziam uso das orações dos monges. tinham se tornado enormemente ricas ao fim do período merovíngio. Os mosteiros também foram beneficiados com a aliança. e duras medidas foram tomadas para persuadi-los das vantagens da submissão e da conversão. os francos massacraram quatro mil e quinhentos prisioneiros saxões e deportaram ou escravizaram o resto. Com ele. por Bonifácio. como os papas Leão e Gregório. coragem e erudição. "A partir do século VII não havia um único nobre ou bispo que não quisesse assegurar a salvação de sua alma por meio de uma fundação desse tipo. comprometidos por seu envolvimento no mundo secular. A classe baronial vivia vidas mergulhadas em violência. veio a ser agraciado com o título de "o Grande". Seu filho. cujas orações e austeridade redimiriam seus pecados."56 Abadias como a de Saint Germain-des-Prés. As guerras movidas pelos francos contra os saxões a leste do Elba no século VIII não visavam apenas a proteger sua fronteira e exigir tributo. o Breve. foi encorajado pelo papa Zacarias a depor o último rei merovíngio. mais notavelmente Carlos Martel. o Breve.5' A resistência dos saxões não só aos francos mas também ao cristianismo era mais recalcitrante do que se pensara a princípio.OS TEMPLÁRIOS século VIII era ainda pior: o soberano era literalmente um degenerado cheio de vícios que morria jovem. Três anos mais tarde. Childerico III.` Devido à mediocridade desses monarcas merovíngios. acontecimento celebrado pelo papa com três dias de ação de graças. chegou a O NOVO TEMPLO . que. todavia. dotavam comunidades de monges. o pacto entre os reis dos francos e os papas de Roma atingiu sua realização mais plena. o símbolo da submissão". mas "como guerras de cristãos contra bárbaros que eram também pagãos. a fundar mosteiros em suas dioceses e assegurar-lhes privilégios e isenções. o missionário de Devon. o verdadeiro poder passou para as mãos dos primeiros-ministros dos reis. um prodígio de piedade. Carlos. os monges tiravam o máximo proveito da bravura dos guerreiros. 18 Em 782. Pepino.

agora julgava-se que em Bizâncio o trono estivesse vago. A desventura desses dois poetas foi o fato de terem escrito versos criticando Maomé: um dissera que suas próprias histórias eram tão boas quanto as do Alcorão. ela convenceu alguns dos que não haviam participado da batalha a aceitar o islamismo. e nesse caso em conseqüência dos ataques de surpresa que organizou e mais tarde liderou contra as caravanas dos mercadores de Meca. Quer sua vitória. vida longa e vitória!" O sumo pontífice curvou-se em obediência ao novo César. grande e pacífico imperador. Mais tarde. uma força de oitocentos homens de Meca investiu contra Maomé. e as mulheres e as crianças. Da assembléia de fiéis romanos e francos que se comprimiam na basílica elevou-se um clamoroso grito: "A Carlos Augusto. "teve início a história moderna. onde foi recebido com cerimônia e reverência por Leão III.os homens foram executados. Um deles disparou algumas flechas contra a escolta. como Maomé acreditava. Maomé estabeleceu vínculos com as tribos autóctones de Mediria. mas foi derrotada na batalha de Badr. que estava ajoelhado. Constantino VI. na medida em que os judeus abandonaram sua oposição ao islamismo. vendidas como escravas. tenha sido uma prova da graça de Deus. a imperatriz Irene. Durante os trezentos e vinte e quatro anos anteriores. que deixou um saldo de quarenta e cinco mortos e setenta prisioneiros. o papa Leão levantou-se do trono. A princípio. aproximou-se do chefe franco. usando as vestes e as sandálias brancas de um patrício romano. Carlos foi assistir à missa na basílica construída sobre o túmulo do apóstolo Pedro. "A partir daquele momento". .Roma à frente de seu exército. ainda mais importante. Quando a leitura do Evangelho chegou ao fim. e. Ao mesmo tempo. coroado por Deus."s9 OS TEMPLÁRIOS No decurso de apenas alguns anos Maomé firmou sua autoridade em Mediria. No ano seguinte. tais ataques eram apenas escaramuças em pequena escala: em abril de 623. Ambos foram executados por ordem de Maomé. quer não. um grupo de sessenta muçulmanos interceptou uma caravana que se dirigia da Síria a Meca. escreve Sir James Bryce. casandose com várias mulheres. e depositou a coroa imperial em sua cabeça. Dois dos homens capturados em Badr eram poetas: a suprema conquista cultural dos árabes nômades desse período eram suas epopéias orais. porque a atual beneficiada. havia deposto e cegado seu filho. Essa vitória fez sua autoridade e prestígio aumentarem. No dia de Natal. era mulher. nenhum imperador havia reinado em Roma. O clã judeu dos qorayzah sofreu grave punição por ter conspirado contra Maomé . o primeiro ato de agressão em nome do Islã. Maomé permitiu que vivessem em Mediria sem serem molestados. que havia ascendido ao trono papal cinco anos antes. relatos das bravas façanhas de seus heróis recitados sob as estrelas.

os cristãos bizantinos e os judeus já possuíam. como aquele que os abissínios. os persas. mas. como também conferiu um senso de identidade aos árabes. foi admitido no templo sagrado. quando ela foi derrotada. Quando suas forças atingiram uma massa crítica. contudo. com o anjo Gabriel. até o monte do Templo. porque não continha nenhuma revelação que pudesse ser incluída no Alcorão". como as outras fés disponíveis. essa visão é comparável ao relato da transfiguração de Cristo e foi uma das razões por que Jerusalém se tornou uma cidade sagrada para o islamismo. Maomé prometeu o paraíso àqueles que morressem em batalha e pilhagem aos que não o fizessem. para encontrar Abraão. Maomé seguiu para o norte à frente de trinta mil guerreiros. mas de seu sagaz apelo ao egoísmo material e espiritual dos árabes de seu tempo. passou a ser vantajoso para outras tribos juntar-se a elas. e daí ascendia ao trono de Deus passando pelos sete céus. Conquanto nem todos os habitantes de Meca tivessem adotado o islamismo. e seu monoteísmo singelo era fácil de compreender. em Jerusalém. com dez mil seguidores. Para eles. Os judeus desdenhavam o uso de sua escritura por Maomé e achavam a improvisação . o Estado islâmico tem de encontrar rumo ao norte um meio para dar vazão à energia dos árabes"6" e que isso significava desafiar o Império O TEMPLO RIVAL Bizantino. Meca finalmente capitulou. As tribos da Arábia estavam agora unidas sob Maomé e sujeitas à disciplina do islamismo. após liderar uma Como podemos explicar o poder de atração de Maomé? Ao contrário de Jesus. o credo do Islã era menos atraente.Em 630. a fim de assegurar a submissão dos governantes de Eilat. uma vez que isso implicava que eles não poderiam mais lucrar com a pilhagem uns dos outros. podiam obter a proteção do Profeta pelo pagamento de um imposto. na qual cavalgava um corcel celestial. ele não fez milagres.ó3Todos os demais ídolos pagãos foram destruídos. el-Buruq. a Caaba. Moisés e Jesus. A estabilidade política causada pelo islamismo era útil para todos: mesmo os judeus e os cristãos. O islamismo era uma religião árabe. foram forçados a procurar saques e conversos em outros lugares. e não. Ele percebeu que "para seu contínuo bem-estar.6' Pode-se dizer que o êxito de Maomé não resultou do exercício de um poder sobrenatural sobre a natureza. Regressou peregrinação a Meca. algo que viera de fora. mas ela "parece ter sido uma experiência pessoal para o próprio Maomé. Adhruh e Jarba. repartiram a presa entre si. A autoridade do Profeta não apenas pôs fim à incessante rixa entre as tribos. A visão que teve no ano 620. na fronteira com a Síria. onde morreu em 632. Maomé. Em 630. "os Povos do Livro". dois mil alistaram-se no exército que ele comandou contra uma coalizão de nômades hostis e. e a veneração da pedra negra foi a única concessão que ele fez às antigas crenças dos árabes. à Arábia.

Jesus apreciava o celibato e era celibatário. Maomé condenava o celibato e tinha uma concubina cristã e nove esposas. Inicialmente. de conveniência. Havia outros aspectos do islamismo que o apologista cristão contrastava desfavoravelmente com sua religião. Com outra. Todavia. Maomé permitia que um homem encerrasse um casamento com uma simples declaração. Enquanto Jesus havia rescindido a Lei de Moisés e proibido o divórcio. "o Islã era a religião de Abraão ressuscitada impoluta e que fora abandonada pelos judeus". o anjo Gabriel mandou . era uma blasfêmia sugerir que Deus iria dignar-se de aparecer sob forma humana. e seu objetivo era criar vínculos com clãs até então hostis. na verdade. Ele havia mandado construir um aposento separado ou uma pequena suíte para cada uma de suas mulheres em volta do pátio de sua casa em Mediria. E porque Deus amava tanto o filho de Maria. Não há contraste mais forte entre as duas religiões do que na sua doutrina sobre a moral sexual. concubinas e escravos. Enquanto Jesus insistia em que seu reino não era deste mundo. sua mãe. Maomé fundou um império teocrático. ele era um profeta como Abraão e OS TEMPLÁRIOS Moisés. sem dúvida. ele se casou quando estava com cinqüenta e três anos e ela apenas com nove. Enquanto Jesus abençoara os mansos e os pobres de espírito. Enquanto Jesus pedia a seus seguidores que carregassem sua cruz e aceitassem o sofrimento. mais tarde. Aixa. depois da rejeição de sua mensagem pelos judeus. A mais ofensiva de todas era a insistência de Maomé em que Jesus não era o filho de Deus. Muitos desses casamentos eram. Para Maomé. a fim de ocultar que a Caaba havia sido de fato construída por Abraão. uma virgem. Maomé dissera a seus seguidores que orassem voltados para Jerusalém. prosperidade nesta vida e o paraíso num mundo vindouro. Maomé exaltava o guerreiro vitorioso. Maomé convertia pela espada.66 Os cristãos também julgavam impossível dar crédito a revelações que reescreviam a história de forma tão arbitrária e ingênua. ele os acusou de falsificar a escritura. Quando uma delas ficou com ciúmes de seus afagos a uma prisioneira egípcia. Enquanto Jesus pregara o amor e a nãoviolência. Maomé permitia que um homem tivesse até quatro esposas e quantas concubinas quisesse. Jesus insistia na monogamia por toda a vida. Jesus prometia o paraíso numa vida após a morte.do anjo Gabriel um absurdo que dispensava explicação. e Maomé. os homens do seu tempo ficaram chocados pelo fato de uma das mulheres de Maomé ter desposado o filho adotivo dele. e instruiu os muçulmanos a orar voltados para Meca. e supostamente se orgulhava de satisfazê-las todas numa única noite. e Maria. Isso não significava que ele desprezasse Cristo por considerá-lo uma fraude: antes pelo contrário. sua crucificação tinha sido uma ilusão: Deus não permitiria um destino tão cruel e ignóbil. Maomé oferecia o produto de pilhagens.

sob o imperador Justiniano no século VI. bem como a certos casos de traição que sugerem que. em particular viúvas e órfãos. também aceitaram a eleição de Ornar. Àquela altura. seguidores de Ali. Por que dois antigos impérios. ele acreditava que o fim justificava os meios. aliaram-se aos persas na destruição de igrejas e lares cristãos." . no caso de Bizâncio. outro genro do Profeta. da província norte-africana. prefeito. uma extensa área do Império do Ocidente. a Pérsia e Bizâncio. e xütas. subira ao trono imperial em 610. contra as tribos bárbaras que o rodeavam ao norte. em particular em detalhes relacionados com a vida privada do Profeta. ocorrida dois anos depois da de Maomé. e na verdade elevou os padrões éticos da sociedade em cujo seio nascera. Ele prescrevia honestidade. da Sicília e do norte da África. Em 614. em particular os ávaros. importantes mudanças tinham ocorrido nessa parte oriental do Império Romano. a Ásia Menor e a Palestina foram invadidas pelos persas. ou exarca. O latim fora substituído pelo grego e. tinha sido retomada de seus conquistadores por exércitos bizantinos. de vez em quando desnorteavam os fiéis (. a jovem esposa de Maomé. ). Mas está claro que ele não era considerado imoral pelos homens do seu tempo. Heráclio. A escolha de um sucessor de Maomé (califa. Proibiu o infanticídio e insistiu no cuidado de membros vulneráveis da sociedade. O Egito caiu em poder do exército de Ornar em 641. devido à sua morte.. Foi Ornar quem comandou os muçulmanos numa vitoriosa campanha de conquista. do árabe khalifah) foi disputada entre diferentes membros de sua família e acabou levando à divisão do islamismo em sunitas.. e das tribos nômaO TEMPLO RIVAL des da Arábia fez uma nação que conquistou um vasto império e fundou uma grande civilização. "Os interesses de Deus em detalhes. foram incapazes de resistir à investida do Islã? Ambos estavam enfraquecidos após uma longa guerra de um contra o outro e. eles capturaram Jerusalém com a ajuda dos judeus. em retaliação conta os maus-tratos infligidos pelos bizantinos sob Justiniano. na causa do Islã. mas Alá apoiava o Profeta e silenciava seus críticos. e no ano seguinte ele era senhor da Pérsia. Nos primeiros anos de seu reinado. marido de Fátima. que. Ali e seus adeptos aceitaram a eleição de Abu Bakr e. A Síria bizantina e o Iraque capitularam em 636. filha de Maomé. abrangendo partes da Itália. pai de Aixa.Maomé repreendê-la. seguidores de Abu Bakr. com o hediondo derramamento de sangue que invariavelmente acompanhava uma sucessão bizantina. humildade e frugalidade."6' Evangelizadores cristãos deram grande importância a esses aspectos da vida de Maomé. Criou uma estrutura familiar e uma forma de seguro social que eram um avanço considerável em relação ao que existia antes. A princípio.

r~ tolerância oferecida pelos muçulmanos à perseguy~ cristãos ortodoxos. as comunidades conquistadas poderiam s~ giões e viver de acordo com suas próprias leis. na Mesopotâmia. Nesse momento desfavorável de sua sorte. a No entanto..~ santuários intactos. o exércl~ desmobilizado. Mal ) que acolheram com alegria o invasor . dos apóstolos e dos santos 'y estimularam um fervor no meio da populaça que era j imperador Heráclio. no curso dos séculos VI e VII. da Virgem Maria. onde em P~ Em 630. 1169 OS TEMPLÁRIOS Essa profunda fé foi conservada pelos regentes liturgia cantada e a composição de hinos. rejeitava a doutrina ortodoxa sobre a natureza dual q prio patriarca e hierarquia e também havia sido perso~l crenças heréticas. Além do mais. Leais aos preceitos do Profeta. embora distinto do patriarca. e o imperador. a fé cristã dos bizantinos é que veio salvá-los. "A chave para compreender o Império Bizantino é a noção de que o imperador era o instrumento de Deus designado por inspiração divina para realização de Seus desígnios na terra mediante a difusão da fé cristã (. a aliança entre a Igreja e o Estado havia se tornado tão estreita que equivalia a uma fusão virtual.os judeus. num triunfo digno dos imperadores da rj devolveu a Verdadeira Cruz a Jerusalém. descrita como uma cruzada.) ortodoxa. Em muitas partes do Império. O patriarca muros da cidade segurando alto um ícone de Cristo. apenas oito anos mais tarde Jerusal eitos do Islã. numa campanha que p f"~. pintavam-se nos muros imagens d Jesus. quando ávaros pagãos e persas y diante dos portões de Constantinopla. mas também a maioria dos cri ¡.' Ç. ~~ teis do inimigo. Os d~\~ . como recompensa pela rendição assegurado a vida e os bens dos habitantes cristãos. as tropas bizantinas iw'~ recuar de volta a Nínive. Constantinopla foi cercada por um exército misto de persas e ávaros. Em 626. pois. bispos e o clero haviam assumido as funções do serviço público imperial. O cerco aumentou e. p\ Povos do Livro foi leve.A relíquia da Verdadeira Cruz foi transladada para a Pérsia como um troféu de guerra. junto cot Cristo. Se eles pagassem o necessárì ~ freqüência mais baixo do que aquele então cobradó b~ zantinos. e as forças que se reuniram para resìl~ mana foram derrotadas na batalha do rio Yarmuk. considerava-se chefe e paladino da Igreja.. Após a vitória sobre os persas. patriarcas.

V rnos à persegu¡ ~~¡ marori....~.~i. e -pr. que era c .'a imperadores i. o exér lo11.mais tarde Jerus '?s persas. onde e pi.eunirarn para r Di .. Por volta de 714 elas haviam chegado à Ásiprrus' Índia.maneceram a casta dominante e eram mantidos pep~ ditos.1tinopla.í -]ri tes cristãos. saudadas como libertadores pelos OS TEMPLÁRIO.os judeus. no Oriente.potâmia. ~°'r . darem as boas-vindas aos invasores m~ t~9J metrópole de língua grega no Mediterrâneo.isalérp. ao longodtj j~ África. O patr¡ p. finalme~brp Daí as tropas árabes marcharam para leste.. ~r.yaros pagãos e p Yr.topas bizantina `Ir . ao passo que no Ocidente tinha~l de Gibraltar e. s.''m o necessário í i. que ~ ~'l província e sede de um patriarca ortodoxo. o j • `.I da populaça q I~.um ícone de Cr¡ ~~ ?s muros image . Os árab lanudos Pelos *i zas nas fronteir ões para os copt vasores In uçulrn ìneo.a dos cri ~.9~i. ~ .°ntão cobrado ~ s poderiam seg as leis.1a campanha qp ¡. natureza dual d VU havia sido perse f pela rendição d .s do Profeta.0'. mas continuaram a ocupar fortalezas nas froqp ~4P^i Esse regime também foi uma das razões para os q~l sita do Egito.'i o rio Yarmuk.póstolos e dos S '.

. Na Síria. O TEMPLO RIVAL do Império r= responsável í~ptão ansiosamente repletos de proezas culturais nas genros anos. mas esse tipo de martíri°P'~ece ter vi (nado apenasenas aqueles que o procuravam. e os cinqueqtriromens elulheres que' que em Cérdova. dar pite a virg¡~adede uma e aa°c ~ açâo públia a Maomé ené era punida com a morte. e na Palestina. as". .Io Sul da iália. em 850. g igualdade da vida pública da comunidade. no cerco de Salerno.~o> finalmente ao longo dos d ado à Ásia Cen rte tinham atra Pelos judeus. FropaOciden1 Nr(-. que reinou entre 847 . Gibbon registra aq~.. pregaram em público Vhda~ Ne superiodo cristianis ianismo e tiveram o mesmo destino. na frente e . OS::~)eregr¡no~cristãos tinh tinham permissão para visitar a Terra Santa e. não eram molestados.I° r)7ai5 distilltis árers da real ca doradourára das origens do islamismo foi a adoção da língua ú¡Iica mar Ias .e ursva o memesmo tratamento diante da Lei ou o direito de p~o. s`' sendo o gtego ou o aramaico falados apenas em a~b0 o em partes do sul.4par em eordiçáes de igI icial a fwordos crist. Rla~ ~eo5 ocasioris de de terneterminados governantes.'3 O proselitismo cristão era proibido. o htbraico e Jivro" continuasse um princípio do governo islâom osPovas do Liv pPa a G .e ~npdo quePortxemplop ' q ~de o aos cristãos fazendo-os "atar faixas de lã em tor egyexpressou>ua versão ac roda~abeça (. mosteiros= as igrejas". ele tinha de lutar duas iras de pano ano de cores diferentes em sua túnica. elg não as. a perseguição era mais rigorosa.' Embora uma tolerância bási kt~ ~ do norte. sacrificava ca . no altar.rstãos e contra os judeus foi mudando lentamen lo o califa al-Mutawakkil.rijnos da cidental viaavam à Palestina ou por terra através . por exempl°~p. também pi eomow'. como.„ e sealgum hn homem entre eles tivesse um escravo."a divertversão dos sarracenos era profanar e 16~0. uma freira". um chefe mu ç°Imae ..~z ~m cert? ocasiões. A ten ki.0 estende seudivã junrlunto à mesa de comunhão e. e por volta do wb era de Isso comum.~lro de Caltólia.. alização hurAana. de ü0 a 950. e como. o árabe pouco a pouco nas terras 1Irb~ìtulu o grego como língrlgua oficial no curso do século VII. a 1. um eren eremita da Transjordânia que em 751 foi apedrciad até a mos por pregar egar abertamente contra o islamismo.

) eram vendidos nos mercados de Pavio na déde~80. o califa Ornar tin ido orar no monte do Templo. Conquanto o comércio fosse uma ~to% Se core-. Contudo.pado com o inn ° intensoiluxo no apogeu do Império Romano. o califa omíada Abd al-Malik decidiu const uma segunda mesquista sobre a rocha na qual Abraão havia preparado Is para o sacrifício e da qual Maomé havia ascendido ao céu. que dava a judeus e cristãos a impressão de que suas religiões tinham s suplantadas pelo islamismo. e agora usado pelos habitantes bizantinos eo depósito de lixo. junto c Meca e Mediria. o Apósta havia tentado reconstruí-lo. e Jerusalém tornou-se. vantes bizantinos e os ornamentos usados em imagens de Cristo. há uma inscrição onde se lê: . ao entrar a ~ em Jesuralém (era a vez de seu servo montar seu cavalo). ~ ~. „) e. do que por ser o Tem dos Profetas de Israel. Como o Profeta havida condenado como id tria a representação de seres animados. Esses símbolos de outra fé lá estão como troféus de um Islã triunfam ~ para fazer a mensagem ser compreendida por quem porventura não a tive. um santuário foi construído para rivalizar com o loc da Ressurreição de Cristo: a Cúpula da Rocha. a rocha era sagrada men por ser "o mais distante Templo" (em árabe masjidel-aksa) da Viagem Not na do Profeta.mios mais taras tarde. abandonado desde que Juliano.IVyo Brzanto. como descrito em 17:1 do Alcorão.'4 65 OS TEMPLÁRIOS Em Jerusalém. todavia. pedras 'edras preciosas e couro de Antioquia"'. ricas vesti~oúlpura çOro.. e c. no ruge das invasões viquingues. seda do ciente (. foi decorada artesãos sírios cristãos com um esplendor que intimidava seus visitante. compreendido. Vy°. Anteriormente. vegetação e motivos geométti formam o rico fundo do mosaico que reproduz as jóias imperiais de gov. no sul ~li ~ Os merc~ores de Am. Cinqüenta anos depois. Para os muçulmanos. Ele portanto construiu a mesquista ai-Aqsa na ext midade sudoeste do monte do Templo. e seguindo os mesmos princípios usa na construção de algumas igrejas em Ravena no século VI. Foi o primeiros "`~ tuário importante construído pelo Islã e continua a ser uma das maravil' arquitetônicas do mundo.Amalfi co>tstruíram um hospício em Jerusalém ~0 °llidado de)eregrinos duos doente. Com um traçado matemático comparável ao rn soléu de Diocleciano na Dalmácia.. um dos três lugares de peregrinação muçulmana. ou nos naus navios darepública mercantil de Amalfi. a Igreja do Santo Sepulcro permaneceu sob o contra] dos cristãos. o monbe Fle4ryìde descarréscarregar seu desprezo por aqueles homens cuja taAZinha sìdorbrandada pada por artgos de luxo do Oriente.

junto com a Bulgária e a Sérvia. o cristianismo só criou raízes na Escandinávia no século X. Ó vós. com um grupo de seguidores.75 66 O Templo Reconquistado Na península Ibérica. e de um Espírito dele se originou. em Deus e em seus apóstolos. capturando Barcelona em 801.' cuja capital era Kiev. O patriarca de Constantinopla ficou com o reina dos rus. Os viquingues. eles venceram em Covadonga uma força islâmica sob a liderança de Pelágio. entre os primeiros estava Rolão. na extremidade noroeste da península. penetrou na Rússia pelo Volga. No Oeste da Espanha. e pouco antes do fim do século VIII os francos de Carlos Magno invadiram a Catalunha. . Que esteja longe de glória ter um filho. portanto. havia certa competição pela sujeição de reis convertidos. os vendes. grupo que deu origem ao nome Rússia. nos séculos IX e X.. Mais tarde ocuparam a Galiza. durante a segunda metade do século IX. A cristandade bizantina também se expandiu por meio de uma mescla de conquista e conversão. Jesus. Apesar dos esforços missionários de Ansgário e Rembert no século IX. destacavam-se os rus. é apenas um apó . Contudo. . Deus é apenas um Deus. não ultrapasseis as fronteiras de vossa religião. que em 918. e de sua Palavra.t. povo do Livro. converteram-se tarde. Embora ainda não houvesse uma clara divisão entre a Igreja Ortodoxa Bizantina e a Igreja Católica Romana. cujos ataques piratas quase haviam destruído o cristianismo celta. Acreditai. "Um convite para abandonar a crença' Trindade e na divina Filiação de Cristo dificilmente poderia ser expresso termos mais claros 11. havia fundado uma colônia no vale do baixo Sena com a sanEntre os varegos. os ávaros. dez anos antes da derrota do exército muçulmano por Carlos Martelem Poitiers. e estabeleceram uma fronteira ao longo do rio Douro entre a Espanha cristã e a muçulmana. os acréscimos mais importantes à cristandade no Ocidente. lo de Deus. Como Jerome Murphy-O'Connor escreve ao citar essa inscrição em inestimável guia da Terra Santa. a feroz tribo dos bascos reconquistou a independência. O Messias. os eslavos. Será melhor para vós. a conquista muçulmana mal havia terminado quando o contra-ataque cristão ou Reconquista começou. Nobres visigodos que haviam se retirado para as montanhas das Astúrias somaram suas forças às dos habitantes nativos para resistir aos invasores. ao papa couberam a Hungria e a Polônia. e por volta de 722. tribo escandinava que. resultaram da derrota e conversão de tribos pagãs no Norte e no Leste da Europa: os saxões. e de D dizei somente a verdade. e não di Três. que ele transmitiu a Maria. filho de Maria.

uma lança. a posição no topo era dis putada entre papas e imperadores. Parai sua própria segurança e a de sua família. Era. Os laços mais eficazes era formados entre os grão-duques. também a única forma de proteger suas terras. Ó~ termo usado para a promessa do subordinado era vassalagem. Na Gália. em sua base abrangia toda a sociedade ocidental. com o colapso do. apesar de receberel~ propriedades como benefício.G7 OS TEMPLÁRIOS ção do rei da França. Seus vassalos. e problemático entre reis e seus barões. também poderiam possuir terras por direi próprio ou como arrendatários de uma instituição eclesiástica. cujos domínios territoriais era grandes o suficiente para manter uma força permanente de vassalos e. um homem não tinha alternativa. onde contendas entre membros da nobreza: "nada mais pareciam do que a luta de animais selvagens". Outros. mas sua força' bélica era em grande parte dissipada ao combaterem uns aos outros. e aquele par seu "pagamento" era benefício. normand em francês. Em teoria. as quais. até mesm! no que dizia respeito a cavalos e armaduras. Devido à sua proveniência. e apesar de se utilizar a linguagem da servidão.Nordemann em alemão. senão comprar a proteção de um vizinho poderoso. esse sistema feudal era uma pirâmide que. A ameaça do islamismo não saía da mente dos líderes cristãos. por sua vë contavam com a lealdade de cavaleiros menos importantes. eles eram conhecidos como os homens do Norte .. Na verdade. o cavaleiro permanecia um homem livre de acordo com a lei e tin o direito de ser julgado num tribunal público. comércio e a administração paga. o vínculo era nocional entre imperador e reis. essa lealdade era u questão de escolha: por mais que seus recursos fossem parcos e sua orige humilde." Teoricamente. O pacto era selado com votos solenes. tanto. tornava-se "umas posição cobiçada. se não na prática. em geral como guerreiro em suas guerras particulares.descendentes dos vassalos dos soberanos carolíngios -. po. por via de regra a concessão de terras. uma espada e um escud mas os que descendiam da casta de guerreiros carolíngios tornavammembros da elite social. eram a única fonte de subsistência. permanecer independentes do Estado. prestando-lhe algum tipo de serviço. sob os reis merovíngios." o Estado tinha sido incapaz de assegurar até mesmo a mais rudimentar ordem pública. Alguns vassalos dependiam inteiramente do senhor feudal. os condes e os príncipes . e por uma questão de honra se . cujas posses m teriais poderiam ser apenas um cavalo. mas às~ vezes a renda de instituições eclesiásticas. Embora vassalo pudesse ter um profundo sentimento de lealdade para com o senh de quem era um "homem". um sinal de honra pelo menos quando implicava vassala gem direta ao rei".

João VIII foi o primeiro papa assassinado: sua própria comitiva espancou-o até a morte.O TEMPLO RE CONQUISTADO gaçâo de participar de suas vinganças sua promessa não era por tempo ilimitado. ao passo que um imperador bizantino ou um califa podiam concentrarem suas mãos todas as rédeas do poder de um Estado unificado. Durante os cem anos que se seguiram à sua morte. conduzido ao trono de São Pedro pela influente família Teofilacto. Sua lealdade também poderia mudar. os diferentes principados que haviam surgido no Império do Ocidente nunca mais se uniriam sob um único soberano depois de Carlos Magno. mas tendia a tornar-se hereditário: as uniões consangüíneas produziam uma cousinagé que constituía a base da lealdade ao clã. o papa Formoso. sancionou uma reforma rciginal: parentesco de primos."0 último papa eficiente desse período foi Nicolau I (858-67). do T) OS TEMPLÁRIOS . O elo entre o senhor e o vassalo não era necessariamente hereditário. e a força que após um cerco de três meses tomou a fortaleza deles na foz n° Carigliano. o filho bastardo de Marózia Teofilacto. que. o posto de sucessor de São Pedro tornou-se o disputado privilégio de influentes famílias romanas. A violência também era endêmica no império do Oriente e nos califados do Islã. encarcerado e em seguida estrangulado. mas. organi liderou do zou uma coalização de Estados italianos contra os muçulmanos. a fim de que ele pudesse ser condenado por perjúrio e abuso de poder. Estêvão VI mandou exumar o cadáver de seu predecessor. que haviam devastado o território romano durante os Sessenta anos anteriores. Dois dos papas nomeados pelo déspota romano Alberico II óao VII e Agam pito II) foram reformadores sinceros e eficientes. e entronizá-lo em seus trajes pontificais. tais como os Teofilactos. Os três dedos de sua mão direita. Isso teve graves conseqüências para o papado. caso uma das partes não fosse capaz de cumprir com o seu dever. A depravação íntima de muitos desse s papas não significava necessaria mente que eles fossem incompetentes n a administração da Igreja. "foi deixado indefeso no ninho de serpentes da política Italiana". Pouco depois Estêvão foi deposto por partidários de Formoso. (N. onde cada sucessão geralmente dava ensejo a uma guerra civil. João X. Em 882. e sim determinada pelo costume e pela lei: por exemplo. Até mes João XI. com a desintegração do império de Carlos Magno sob seus belicosos sucessores. os cavaleiros prestavam seus serviços a príncipes diferentes que pudessem fornecer-lhes cavalos ou remunerá-los. sua obrigação de prestar serviço militar limitava-se a quarenta dias. que ele usara para abençoar seu rebanho foram decepados e seu corpo atirado no rio Tibre.

onze anos. na Provença. com freqüência aparentados com os senis seculares. mesm.da Igreja estreitamente relacionada com a hiia dos templários: ele somou sob a proteção direta do pontífice romancla comunidade de monges beneditinos de uma abadia na Borgonha chanl Cluny. e eles. O movimento floresceu. e sempre espirituosos e joviais. e fundou-se uma rede de muros subsidiários que ficou sob a direção da comunidade em Cluny. Guilherme. Com Berno.Pedro. Odo sucessor de Berno como abade de Cluny. enquanto Berno levou a cabo reformas para d o declínio da prática monástica e restaurar os rigores da regra originalBento de Núrsia. Ele foi mais tarde resgatado. As generosas dotações de gerações pasls haviam tornado os rnosteiros ricos e. eram impingidos às comunidades religiosas como pis ou abades. os quais. A origem nobre de Odon lhe possibilitav:riferenciar facilmente com papas e príncipes. portanto. O papa Leão VII convidou Odon a Roma. Os bispos locais. Sucedeu-lhe uma série qbades capazes. A exemplo de Odon. também usavam esses cargos monásticos para recompens. reis.verendo abade Mayeul de Cluny caiu presa de atacantes sarracenos proentes de sua base em FraO TEMPLO RECONQUISTADO aentum. cultos mas também simples. Odilo. vulneráveis a demançAos descendentes de seus antigos benfeitores. enquanto cruzava os Alpes. A fim de assegurar a eleição livre de seu ae. Em 972. Durante o século anterior. o Pio. entre elas aroeira abadia de Bento de Núrsia em Subiaco. cobriram um período de duzen-. sagazes mas devotados ao vemo. PÇ-. . para expiar os pecados de sua juventude e assegur.` . onde ele negociou um alo entre Alberico II e o rei Hugo da Itália e deu início a reformas das lunidades monásticas em Roma e nos Estados Pontifícios. confiavnele.us dependentes. a comunidade de Gluny foi colocada pelo duque Guilherme sob a prot) direta do papa em Roma. juntos. por sua vez. os quais. virtuosos e longevos -Aymard. Mayeul. eue descendia da nobreza burgúndia e era na épocibade da remota Abadiade Baume. Sua receita era usada paarantir o futuro dos filhos mais jovens da nobreza local. eles tornaram-se amigos e conselheiro.m vocação religiosa. Odbrovinha da nobreza franca e estabeleceu a tradição cluniacense de mongristocráticos mas genuinamente humildes. o duque escolheu um excnte local para sua instituição nas colinas a oeste do rio Saône. solicitou ao papa João XI queendesse a proteção papal a um novo mosteiro em Deols. o monacato beltino havia entrado em declínio. O homem por ele escolhido para liderabmunidade foi Berno. duques e papas. imperadores. Como Berno. o Venerável -. Hugo. mas esse escandaloso ato de banditismo desencadeou uma reação que por fim expulsou os muçulmanos da França.aa salvação no mundo vindouro. Cluny foi fundada em 910 pelo duque de Aquia.

após comprometer-se a respeitar as liberdades da cidade e a proteger a Santa Sé. que. Adelaide. Tendo sido reconhecido como rei da Itália e de Pavia. mas também no Estado. Lothringen.. A Europa Ocidental havia atingido a compreensão de si mesma como "uma sociedade singular. se o homem apolítico da Idade Média tivesse sido capaz de conceituar seu senso de comunidade. que também herdou a coroa imperial. depois de vencer os magiares. ou Óton. contudo.A influência de Cluny no século seguinte à sua fundação viria a ser imensa: dos seis papas que foram monges entre 1073 e 1119.8" Embora a lealdade imediata de um homem fosse devotada a seu senhor feudal. o Grande. onde. um Sacro Império (. mas como cristão.82 Não poderia haver igrejas nacionais. três eram de Cluny. ele não se autodefinia como inglês. francês ou alemão. Lorraine) por ter sido dado a seu filho mais velho. em francês. Esse "Sacro Império Romano" foi essencialmente um produto da imaginação criativa do duque da Saxônia. por intermédio da nova religião. Lotário. com soberania sobre a Alemanha e partes da Itália conferida a um príncipe alemão. cujo domínio universal da fé era visível não só na Igreja. Essa revivescência do Império Romano não foi apenas um expediente político ou uma ficção pitoresca. formou-se uma comunidade dos fiéis. o preconceito e o orgulho da raça até então haviam mantido separados. e entre ambas um longo e estreito reino que se estendia de Flandres a Roma e que veio a ser chamado de Lotaríngia (em alemão.)". marchou através dos Alpes em 951 a fim de reivindicar seus direitos sobre a Itália. o princípio teutônico de divisão igual entre os herdeiros de um rei havia triunfado sobre o princípio romano da transmissão de um império indivisível. porque ainda não 71 OS TEMPLÁRIOS existiam naçôes. mas a intervenção de imperadores alemães. e foi coroado imperador pelo corrupto e jovem papa João XII. que transformou "em sinônimos os nomes romano e cristão". não foi o zelo reformista dos beneditinos cluniacenses que tirou o papado da mira da corrupção. um amor que devia unir num só corpo aqueles que a suspeita. ele conduziu seu exército aos portões de Roma.. Assim. Sua herança havia portanto sido repartida em três: a França no oeste." e só quando os príncipes alemães escolheram os duques saxôes como seus líderes é que o conceito do papa Leão III de um novo imperium romano renasceu de forma modificada. . a Alemanha no leste. Após a morte de Carlos Magno. num sentido em que não fora antes e que não tem sidó desde então". ascendeu ao altar da Igreja de São João de Latrâo com sua rainha. O século que se seguiu à morte de Carlos Magno assistiu "ao nadir da ordem e da civilização". `A primeira lição do cristianismo era o amor. Óton I. ele teria dito que vivia num Estado universal.

A lealdade do homem que brandisse importância decisiva para o imperador do Sacro príncipes alemães. o que lhes permitia fazer os pratos da balança pender a seu favor. o qual. Em particular na Alemanha.que.Lamentavelmente. da qual esse governo universal dependia. eles também haviam se transformado em poderosos proprietários de terras. Um fator agravante era a importância atribuída pelos papas em Roma à sua posição como príncipes seculares. sua determinação de emancipar o clero da interferência de poderes laicos chocava com a autoridade dos imperadores. por conseguinte. Teoricamente. e poder-se-ia pensar que o direito de conquista levou os Estados Pontifícios a constranger Pepino a fazer a doação. Mogúncia. e à medida que os reformadores cluniacenses iam ganhando terreno dentro da Igreja. Em conseqüência dessas alegações em contrário dos imperadores do Oriente e do Ocidente. Não se tratava apenas de uma questão da capacidade espiritual de um candidato. tinha legado Roma e partes indefinidas da Itália aos sucessores de São Pedro. reclamavam grandes partes da Itália e governavam de Ravena por meio de seus exarcas-e também acabou sendo pleiteada por imperadores do Ocidente. em agradecimento de uma milagrosa cura de lepra nas mãos do papa Silvestre I. Os príncipes seculares tinham mais poder ainda para fazer nomeações eclesiásticas dentro de seus domínios. plenos soberanos de todos aqueles territórios que um dia tinham feito parte do Império Romano. Todavia. ela foi contestada com veemência pelos imperadores bizantinos . após o rei franco Pepino ter salvado:) papa Estêvão II dos lombardos e confirmado a Doação de Constantino como a Doação de Pepino. Fosse qual fosse o caráter legal da falsificação. como vimos. Graças a doações anteriores. Würzburgo e Salzburgo eram principados O TEMPLO RECONQUISTADO soberanos. os francos aceitaram-na como válida. O documento que comprovava essa doaçâc foi forjado em meados do século VIII. mas. Münster. Mas a soberania sobre os Estados Pontifícios de modo algum era a única diferença entre os papas e os imperadores alemães. A base legal para sua reivindicação de uma extensa área da Itália central era a suposta "Doação de Constantino". Por todo O antigo Império Romano os bispos tinham assumido a tarefa da administração secular em suas dioceses. que se consideravam os herdeiros dos Césares e. um abade era escolhido por sua comunidade e um bispo pelo clero de sua diocese. mas sobretudo de suas lealdades e filiações políticas. com vassalos armados às suas ordens. a eleição deles era com freqüência contestada. mas a croça era portanto Império Romano e para de os . como vimos no caso de Maninho de Tours. raras vezes se obtinha a cooperação do papa e do imperador. dioceses como as de Colônia. a política dos papas em Roma visava sempre a manter um equilíbrio de poder na Itália.

um grupo de peregrinos normandos . permanecendo descalço na neve diante do portão. "A fundação dos reinos de Nápoles e da Sicília pelos normandos". GuiOS TEMPLÁRIOS lherme. venceu o rei Haroldo da Inglaterra na batalha de Hastings e assegurou seu direito ao trono inglês. Em 1066. pois entre as exigências que ele fez para o pontífice romano em seu Dictatus papae estava um supremo poder legislativo e judiciário sobre todos os príncipes. promulgando decretos contra a simonia (a venda de nomeações eclesiásticas) e o casamento de sacerdotes. por sua vez. no norte da Itália.o direito à croça vinha com o pálio. que se projeta no mar Adriático. em parte devido à natureza obstinada de Gregório. a incursão normanda no sul da Itália foi uma iniciativa privada tomada num santuário do Arcanjo Miguel no monte Gargano. homem descendente de uma Família modesta da Toscam que tinha sido o indispensável conselheiro dos quatro papas anteriores. tanto os temporais quanto os espirituais. Gregório era um homem de inteligência e capacidade excepcionais. tornara-se uma potência européia. por assim dizer. o Grande. ele perdeu Roma para as forças de Henrique e só foi libertado por uma nova potência que havia surgido ao sul dos Estados Pontifícios: o reino normando da Sicília. adotando o nome de Gregório em homenagem a Gregório. da bota italiana. antes de ter sido escolhido papa por aclamação popular em 1073. não só para a Itália. o qual. o tetraneto de Rolão. escreveu Gibbon. mas também proibiu a investidura leiga de bispos. mas também para o Império do Oriente.a espora. "é um evento mais romântico na sua origem. Ao contrário da conquista normanda da Inglaterra. o ducado da Normandia. As crescentes dissensões entre o papa e o imperador resultaram numa ruptura ^. com longa experiência na administração da Igreja. Como seu ilustre predecessor. no início do século XI. a procurar Gregório no castelo de Canossa. em 1077. e professar arrependimento e pedir perdão. a faixa de lã branca usada sobre os ombros que era o símbolo de seu posto e que cabia ao papa conceder. na Apúlia . e nas suas conseqüências mais importante. Aí. A desobrigação de seus votos de fidelidade pelo papa foi aproveitada pelos opositores de Henrique e obrigou o imperador. cristão e francófono. Mas a humilhação de Henrique em Canossa não pôs fim ao conflito."83 Apenas algumas gerações depois de Rolão e seus viquingues terem se fixado no norte da França. Em 1084. Dedicou-se com todo o empenho à promoção da reforma.shlica durante o pontificado de Hildebrando. medida que provocou um conflito direto entre ele e o imperador Henrique IV Este convocou um sínodo de bispos alemães para depor Gregório. continuou durante o seu reinado. excomungou Henrique e desobrigou seus súditos dos votos de vassalagem. que.

e em 1053 o papa Leão IX comandou um exército contra eles. enviou estandartes e concedeu indulgências a cavaleiros normandos e franceses que lutavam conO TEMPLO RECONQUISTADO tra os muçulmanos na Sicília e na Espanha. embora seu assalto a Bari tivesse fracassado. então nas mãos do Império Bizantino. que a haviam dominado por duzentos anos. insistindo em que morria no exílio apenas porque tinha "amado a justiça e odiado a iniqüidade". Ao regressarem à Normandia. Depois de a princípio apoiarem os bizantinos em suas tentativas de reconquistar a Sicília aos muçulmanos. A numerosa família dos Hautevilles. onde morreu. O papa Nicolau II. que o papa teve de fugir para Monte Cassino e depois para Salerno. os papas em Roma ficaram alarmados com ascensão desses Estados normandos. transformaram-se num formidável bando de mercenários muito solicitado pelas potências em conflito na parte inferior da península Itálica . o qual foi derrotado na batalha de Civitate. os peregrinos recrutaram um exército de aventureiros que cruzavam os Alpes disfarçados de peregrinos e. energia. conquistou a ilha inteira. Rogério Guiscard capturou Reggio e Messina. após trinta anos de lutas contra os muçulmanos. mas foi bem-tratado pelos normandos. e. e apenas as cidades do litoral permaneceram nas mãos dos bizantinos. A política deu bons resultados quando os normandos. também seguindo os conselhos de Hildebrando. ou pelos agentes dos imperadores em Constantinopla. aconselhado por Hildebrando.sua bravura. era o momento oportuno para tomar esses ricos territórios governados por "tiranos efeminados" . Para os rudes nortistas. O papa Alexandre II. salvou Hildebrando do exército do imperador alemão Henrique IV. os normandos opuseram-se tanto aos cidadãos de Roma.e no curso de algumas décadas eles estabeleceram seu domínio sobre o sul da Itália. Ao perceberem uma vantagem num poder que poderia contrabalançar o dos imperadores alemães. sob Roberto Guiscard. . a política dos papas modificou-se radicalmente. ao passo que no continente italiano as cidades de Bari e Salerno renderam-se a seu irmão Roberto. investiu os normandos com seus principados na Apúlia e na Sicília em retribuição pelo reconhecimento de sua suserania total e pela promessa de assistência militar. os normandos traçaram seus próprios planos. na costa da Sicília. o futuro papa Gregório VII. A princípio. O papa Leão foi feito prisioneiro. da pequena nobreza normanda. Em 1060. Salerno e Benevento. obteve ascendência sobre seus pares barões. Todavia. agressão e destreza em combate levaram-nos a esmagar repetidas vezes as forças consideravelmente maiores desdobradas contra eles pelas duques lombardos de Nápoles.encontrou um exilado grego da vizinha cidade de Bari. porque a concessão da coroa que estes cobiçavam era um direito dele.

que foi enviado pelo imperador do Ocidente. apesar de sua suscetibilidade a influências orientais. Óton I. o Império do Oriente. as unidades regulares do exército bizantino poOS TEMPLÁRIO diam ser treinadas para obedecer às ordens complexas de um estrategista treinado na ciência militar. a despeito de toda a crueldade ocasional empregada no exercício do poder. numa missão diplomática a Constantinopla. e "como era de esperar. os próprios papas haviam recorrido a barbaridades do mesmo tipo. a . havia conservado mais da pujança do Estado romano unificado da Antiguidade do que o Império do Ocidente. Sérias divergências tinham surgido entre os ramos oriental e ocidental da Igreja cristã sobre questões. era uma sociedade profundamente religiosa. Mas os gregos eram vistos como um povo traiçoeiro corrompido pela decadência do Oriente.14 O bispo italiano Liudprand de Cremona. tais como a primazia das duas sés patriarcais. gananciosa e jactanciosa". de modo que os papas deixaram os bizantinos combater na frente oriental. havia tanto uma rivalidade endêmica com os gregos bizantinos quanto desprezo por eles. ardis. perjúrio e cobiça. Apenas quatro cargos lhes eram vedados. que nunca fora saqueada por um exército bárbaro e que. na qual as capacidades intelectuais eram tidas em alta estima e o analfabetismo entre as classes média e alta era virtualmente desconhecido.As reivindicações de Hildebrando de uma autoridade total sobre os poderes secular e espiritual para o cargo de papa trouxeram consigo um senso de responsabilidade para com os bens da cristandade. e uma de suas ambições não realizadas foi o envio de um exército cristão contra o Islã. Mas em todos esses juízos de valor ocidentais acerca da capital bizantina havia sem dúvida certa dose de ressentimento contra a arrogância dos bizantinos e inveja de uma metrópole que ultrapassara Roma em tamanho e esplendor. Além disso. muitos pais ambiciosos mandavam castrar seus filhos caçulas 11. Os imperadores bizantinos empregavam eunucos não apenas como guardiães de suas esposas. O Estado mais bem administrado do mundo tinha nessa época seu exército mais etlcaz. reunidos por períodos limitados de acordo com o costume feudal. Até então. Ao contrário dos exércitos adhoc de indivíduos indisciplinados encontrados na Europa Ocidental. Ele havia mantido um serviço público assalariado e um exército permanente disciplinado e profissional. Em outras palavras. uma cidade rapace. a ameaça sarracena tinha estado suficientemente perto de Roma. descreveu-a como "uma cidade repleta de mentiras. Não foi apenas a tendência dos imperadores bizantinos de arrancarem os olhos de seus rivais que afrontava os cristãos católicos. mas também como altos funcionários da Igreja e do Estado.

Antioquia. após a primeira onda de conquista muçulmana. Todavia. no norte. pertencente à frase do credo católico: "Creio no Espírito Santo (. e às cidades de Melitene e Edessa do outro lado do Eufrates. Por volta de 1025. Todavia. a qual permanece incompreensível para quase todos os teólogos mais eruditos. Durante algum tempo. a uma crescente confiança em tropas mercenárias. Contudo. as forças imperiais empenharam-se numa campanha de reconquista que culminou com a retomada de Chipre e do norte da Síria. mas sobretudo a veneração de imagens ou ícones de Cristo e dos santos.obediência religiosa de povos recentemente convertidos. e externamente havia aparecido nas fronteiras orientais do Império Bizantino uma nova onda de conquistadores islâmicos. uma mudança social a favor dos grandes latifundiários do Império tinha levado ao desaparecimento da classe de pequenos proprietários na Anatólia. palavra latina que significa "e do filho". quando sobreveio o endêmico conflito entre Bizâncio e o Islã. nem Rafael. o qual. os turcos seldjúcidas. no extremo sul da Ásia Menor. No início do século X. os quais Filioque. uma fronteira tinha sido estabelecida entre o Império Bizantino e o califado abácida de Bagdá na cordilheira de Tauro além de Antioquia.não só a notória cláusula filioque` no ~-c. incluindo a cidade de Alepo. . estava de novo nas mãos dos cristãos. deveria ser proibida. o Império Bizantino estendia-se do estreito de Messina e do norte do Adriático. por conseguinte. teria matado na origem a arte pictórica. essa supremacia militar não se manteve. portanto. (N. o conflito havia afetado de maneira adversa as relações entre os ramos grego e latino da cristandade.. Internamente. Embora Jerusalém ainda permanecesse nas mãos dos califas fatímidas que governavam do Cairo. as quais atingiram seu nadir com a troca de anátemas e excomunhões em 1054. nem Leonardo da Vinci. do T) O TEMPLO RECONQUISTADO até então haviam fornecido tropas para o exército bizantino. e sobre a doutrina .não teria havido nem Fra Angelico.~o. sob dois generais armênios. e. cidade muito maior e também sede de um patriarca. A controvérsia subseqüente levou a um século de violência e perseguição: os papas em Roma haviam condenado o iconoclasmo.. que veio a ser uma das mais sublimes manifestações da civilização ocidental . nunca houve a menor dúvida de que os latinos dariam uma prova de lealdade a seus pares cristãos do Oriente. se tivesse triunfado através da cristandade. no leste. no oeste. ao rio Danúbio e à Criméia. os imperadores do Oriente haviam se aproximado da posição muçulmana de que a veneração de ícones era indistinguível da adoração de imagens esculpidas e.) que procede do Pai e do Filho". como os búlgaros. No século VIII.

Roberto Guiscard. que havia cruzado o Adriático. e portanto o imperador Aleixo apelou para seus confrades cristãos do Ocidente. Bari. que por volta de 1085 havia enviado um pequeno contingente de cavaleiros a Constantinopla. havia se rendido aos normandos da Sicília. foi denominada sultanato de Rum. Os bizantinos foram derrotados e o próprio imperador feito prisioneiro por Alp Arslan. por ter feito parte do Império Romano. sob o comando de Roberto Guiscard. os seldjúcidas avançaram contra um enorme exército bizantino em Manzikert. como os fundadores árabes do islamismo. aproximaram-se com intenção predatória das fronteiras orientais do Império Bizantino. A Providência também veio em seu auxílio com a morte do líder dos normandos. e do sultão seldjúcida Alp Arslan. se autoproclamado os paladinos dos muçulmanos sunitas. agora dominada pelos turcos seldjúcidas. ao trono imperial. seu general mais competente. a situação dos bizantinos continuou crítica. composto em grande parte de mercenários que tinham sido reunidos pelo imperador Romano IV Diógenes. na Armênia. a menos de cento e sessenta quilômetros de Constantinopla. . seu último baluarte na Itália. A força dos bizantinos havia sido minada por sua necessidade de combater numa segunda frente. Nada agora detinha o avanço das tropas turcas: as tribos turcomanas moveram-se impetuosamente pela Ásia Menor. no norte da Itália.Os seldjúcidas eram uma tribo de saqueadores nômades originários das estepes da Ásia Central que no século X haviam conquistado o território do califado de Bagdá e. e antes de 1081 haviam tomado Nicéia. Em 1071. os bizantinos tiveram o bom senso de alçarAleixo Comneno. conde de Flandres. No mesmo ano da batalha de Manzikert. A primeira aproximação de Aleixo da cristandade ocidental foi a Roberto. tinha sido sua principal fonte de cereais e fornecido metade de seu potencial humano. O outrora poderoso Império do Oriente tinha sido reduzido a um pequeno Estado grego resistindo ao aniquilamento. Os bizantinos eram impotentes para resistir a eles. e na primavera de 1095 delegados bizantinos chegaram para o concílio da Igreja que estava sendo realizado em Piacenza. adotando o islamismo. AÁsia Menor. sob o sultão Alp Arslan. Ondas posteriores de membros de uma tribo turcomana afim inspirados pela mesma mescla de zelo religioso e paixão pela pilhagem. e fundaram uma província na Ásia Menor que. Nessa crise. Talvez tenha sido Roberto 77 OS TEMPLÁRIOS quem informou Aleixo de que o papa agora possuía muito mais peso na Europa Ocidental do que o imperador do Oriente. tomando o porto de Dyrrhachium (Durazzo) e planejado um avanço em direção a Tessalonica. Entretanto. perto do lago de Van.

Lã Grande Chartreuse (A Grande Cartuxa). levou consigo todo O ônus de sua responsabilidade pessoal. tomou o rumo do sul. foi eleito papa e adotou o nome de Urbano II. Ademar de Monteil. Urbano tinha em comum com seu mentor. ao passo que Urbano II. Urbano II seguiu para leste. filho de uma família da pequena nobreza que vivia em Châtillonsur-Marne. na época governada por Raimundo de Saint-Gilles. paia com o destino da Igreja universal de Cristo. Ademar fora em peregrinação a Jerusalém alguns anos antes e poderia ajudar o papa com sua experiência.O papa que presidiu o Concílio de Piacenza foi um burgúndio chamado Odon de Lagery. . viajando para Narbonne. Sua origem era portanto a mesma dos líderes da reforma ciuniacense. e então para Le Puy. A reconciliação encorajou Aleixo a solicitar auxílio à Igreja latina. o nomeou cardealbispo de Óstia. Seus embaixadores foram admitidos no Concílio de Piacenza. conde de Toulouse e marquês da Provença. ao longo da costa do Mediterrâneo. ao partir para a França. De Le Puy. a casa-mãe da ordem dos Cartuxos. até SaintGilles. onde o bispo era outro prelado aristocrático. a mesma alta apreciação de seu cargo. a apenas uns cento e sessenta quilômetros da frente ocidental da O TEMPLO RECONQUISTADO cristandade. Odon de Lagery fora ordenado padre em Reims. e os padres do concílio ouviram sua eloqüente descrição dos sofrimentos de seus confrades cristãos no Oriente. conciliador e de boa aparência. no Concílio de Melfi. mas em seguida foi chamado a Roma. um experiente veterano que lutara contra os sarracenos na Espanha. o papa Urbano convocou os bispos da Igreja Católica para encontrá-lo em Clermont. em novembro do mesmo ano. os bispos se dispersaram com uma clara compreensão da ameaça representada pelo avanço dos infiéis. Urbano II foi primeiro para Valence sobre o Ródano. e galgara todos os postos da administração arquiepiscopal até tornar-se arcediago da catedral. no outro lado dos Pireneus. que em 1084 havia fundado uma comunidade de monges num local remoto dos Alpes. ele havia suspendido o interdito de excomunhão do imperador Aleixo e sido recompensado com gestos igualmente conciliatórios em Constantinopla. Em seguida. próximo a Grenoble. então papa Gregório VII. Sua política de conciliação estendeu-se a Bizâncio: em 1089. Em 1088. mas era muito mais diplomático no exercício de sua autoridade nas difíceis circunstâncias da época. Ele agora estava na Provença. Gregório VII. onde Hildebrando. No encerramento do concílio. De Narbonne. Homem cortês. Ele teve aulas nas escolas da catedral em Reims com o excepcional Bruno. mas em 1070 abandonara o clero regular para tornar-se monge em Cluny. como O Príncipe dos Apóstolos. Durante algum tempo ele serviu como prior sob o abade Hugo. Após ter cruzado os Alpes. e sua educação também o tinha imbuído de zelo religioso.

De Cluny ele cominou para o norte. Contudo. sua terra natal. Para muitos. a cidade de sua infância. Quais eram os pensamentos de Urbano enquanto rezava junto ao túmulo de Mayeul? Sem dúvida. num navio dos mercadores de Amalfi. A viagem era um empreendimento caro e perigoso. aonde chegou em outubro.o do Arcanjo Miguel. e sobretudo o local de sua ressurreição dos mortos. que atraiu os cavaleiros normandos para o sul da Itália. que por muitos anos seria a maior da Europa Ocidental. a peregrinação tinha sido parte essencial da vida devocional dos cristãos. o solo pisado pelo Deus que se fez Homem: Nazaré. no monte Gargano. Daí ele foi para Cluny. através do vale do Ródano. A viagem por terra tornou-se mais fácil com a conversão da Hungria ao cristianismo nos primeiros anos do século XI. na Galiza. às vezes começando na Abadia de Vézelay. ou na própria Abadia de Cluny. o do apóstolo Tiago. que no século anterior fora seqüestrado pelos sarracenos enquanto cruzava os Alpes. era relativamente segura. na Borgonha. em Compostela. Por muitos séculos.no estuário do Ródano. mas nesse caso corria-se o risco de pirataria e naufrágio. que abrigava as relíquias de Maria Madalena. Todo ano. até Souvigny. milhares e milhares de peregrinos viajavam pela Europa para orar nos santuários preferidos . Mas também havia um interesse urgente da Igreja do Ocidente: o livre trânsito de peregrinos para a Terra Santa. Belém. "a peregrinação era uma forma de martírio"85 que asseguraria a salvação da alma do peregrino. e até a invasão seldjúcida a rota de dois mil e quatrocentos quilômetros através do Império Bizantino. Ou iam a Roma. mas assim que penetravam na Síria islâmica. a fim de orar diante dos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo como vimos. no noroeste da Espanha -. para quem os próprios riscos e sofrimentos que a sua viagem implicava eram parte da sua finalidade. ele sentia que alguma coisa teria de ser feita para ajudar o Império Bizantino na sua luta contra os turcos seldjúcidas. os cristãos poderiam estar sujeitos a ser molestados e a pagar onerosos pedágios. na Borgonha. a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. A maneira mais fácil de viajar à Palestina era pelo mar. de Belgrado a Antioquia. tratava-se de um grupo de peregrinos anglo-saxôes que foram feitos em pedaços quando saqueadores sarracenos atacaram Roma no século IX. 79 OS TEMPLÁRIOS Nada disso dissuadia os peregrinos. Às vezes ela era imposta como uma espécie de penitência que expiaria os pecados mais . e consagrou o altar-mor da grande igreja. onde já tinha sido prior. o destino mais almejado de todos os peregrinos era a Terra Santa. até Lyon. e depois de novo para o norte. a fim de orar no túmulo do abade Mayeul. recusara a tiara pontifícia e era agora reconhecido como um dos mais santos abades de Cluny.

três vezes. o acesso a seus santuários sagrados tinha sido permitido aos Povos do Livro. a ambição de muitos cristãos pios era tocar o Santo Sepulcro de Cristo antes de morrerem. Os monges de Cluny apresentavam a peregrinação a Jerusalém como o clímax da vida espiritual de um homem . 1187 De modo geral. o Diabo. A única perseguição aberta a cristãos havia ocorrido no começo do século XI. no curso dos quatro séculos durante os quais a Palestina tinha sido governada pelos sucessores do Profeta.uma ruptura dos laços que o prendiam ao mundo. como uma antecâmara do mundo vindouro. o escudo. junto com os bispos de Utrecht. "a mais importante expressão da renovada espiritualidade no século XI que se originou em Gluny . como a esposa de Bath. Descendentes dos companheiros de batalha dos reis merovíngios e carolíngios. na Palestina. a maioria das contendas era resolvida com a espada.sb e alguns dos mais notórios vilões do período. Bamberg e Ratisbona. o grupo foi obrigado a lutar em autodefesa. foram a Jerusalém para escapar da punição divina de seus crimes Foulques. a espada. Assim como o bom muçulmano era obrigado a ir em peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida. eles eram agora uma classe distinta na sociedade: uma eliO TEMPLO RECONQUISTADO te militar. Todavia. Mas o custo do equipamento necessário para um cavaleiro era considerável . um fanático que havia ordenado a destruição de todas as igrejas cristãs em seu domínio. embora isso jamais tenha sido estabelecido e permaneça essencialmente objeto de conjeturas. apenas uns trinta anos antes do momento em que o papa Urbano se ajoelhou diante do túmulo do abade Mayeul. o capacete de aço e o cavalo. Como era essa sua origem. cuja reconstrução foi autorizada por seu sucessor. a Cidade Santa. "Na verdade. O ataque repentino . tais como Foulques Nerra de Anjou ou Roberto. Urbano II estava bastante familiarizado com o problema representado por cavaleiros belicosos cujo único talento era sua habilidade com a lança e a espada. Embora alguns costumes e precedentes do passado bárbaro mitigassem o uso da força. durante o reinado do califa egípcio alHakim. Outra consideração que talvez tenha ocupado os pensamentos do papa Urbano. a lança. de Chaucer.a túnica de cota de malha. havia guiado um grupo de sete mil peregrinos do Reno ao Jordão. conde da Normandia. era a necessidade de encontrar uma forma de dar vazão ao excesso de energia da classe guerreira franca. com Jerusalém. Emboscado por um bando de muçulmanos nas proximidades de Ramleh. a atitude do cristão do século XI para com Jerusalém e a Terra Santa era obsessiva.graves. entre elas a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. Essas peregrinações penitenciais eram encorajadas e organizadas pela Igreja. o arcebispo de Mogúncia.foi a peregrinação penitencial".

tais como a Quaresma. papas e bispos haviam tentado impor as usuais sanções de interdição (proibição de assistir à missa e recusa dos sacramentos) e excomunhão (expulsão da Igreja). aprovou vários decretos contra os abusos comuns da investidura leiga. De 19 a 26 de novembro. O rei Filipe da França foi excomungado por causa de seu relacionamento adúltero com Bertrada de Monfort. Apesar de os relatos de seu discurso terem sido escritos após o evento e possivelmente coloridos pelo que o inspirou. o concílio. Todavia. esta sempre deixava Deus decidir a questão por meio de um duelo ou de um julgamento por ordálio."R8 Mesmo quando as dissensões eram apresentadas perante uma corte. só em parte esse estratagema fora bemsucedido: a cristandade ocidental continuava a ser escandalosamente afligida por disputas fratricidas. reunindo-se na catedral. parece que o papa primeiro narrou os reveses dos cristãos bizantinos no Oriente e o sofrimento que eles tinham suportado nas mãos dos turcos seldjúcidas. da simonia e do casamento dos sacerdotes. de modo que o papa Urbano II pudesse dirigir-se à multidão que havia se reunido a fim de ouvir o que ele tinha a dizer.a designação de certos dias santos ou períodos penitenciais do ano. cuja agressão havia sido canalizada para a conquista de novos reinos a expensas do Islã! Com tais pensamentos na mente. Como seria mais sensato se se pudesse aprender uma lição do exemplo de normandos como os Hautevilles. continuou a descrever a opresOS TEMPLÁRIOS são e o molestamento de peregrinos cristãos que se dirigiam à cidade santa de Jerusalém. o conceito de "Trégua de Deus" . em direção a Clermont. mas também. o papa Urbano II ergueu-se do túmulo do abade Mayeul e tomou o caminho para o sul. a hm de encontrar os cerca de trezentos bispos que tinham obedecido à sua convocação. O trono pontifício havia sido colocado numa plataforma. e o concílio endossou a idéia de uma Trégua de Deus. 27 de novembro. chocando-se com muitos aspectos da vida cotidiano. os padres do concílio foram convocados para se reunir num campo além dos limites do portão oriental de Clermont para uma sessão aberta ao público. quando era proibido lutar.às colheitas e aos animais domésticos de um vizinho era tão comum para os cavaleiros cristãos da Idade Média quanto tinha sido para as tribos árabes antes do advento de Maomé. ele lembrou seus ouvintes do exemplo . em seguida. Com a cativante eloqüência e o genuíno fervor de um pregador experiente. "A violência estava em toda a parte. e em particular para manter suas mãos longe dos bens da Igreja. Para restringir o conflito endêmico entre os diferentes grupos no seio da nobreza rapace da cristandade. conjurando imagens de Siâo que teriam sido completamente familiares a seus ouvintes por causa da constante entoação dos Salmos. Na terça-feira. mais recentemente.

9Z Será que o papa não sentiu nenhum drama de consciência quanto ao uso de violência? Na Igreja primitiva. Por sua vez. quando em nome do apóstolo Pedro ele apelou duas vezes aos fiéis que sacrificassem suas vidas para "libertar" seus irmãos no Oriente. a voltar suas armas contra os inimigos de Cristo. Um escritor do século XX descreveu o apelo do papa Urbano como uma "combinação de piedade cristã. após o que o sumo pontífice concedeu absolvição. ele prometeu que aqueles que se empenhassem nessa causa com um espírito de penitência teriam seus pecados pregressos perdoados e obteriam total remissão das penitências terrenas impostas pela Igreja. ao proclamar Jerusalém como O objetivo da cruzada quando o apelo do imperador Aleixo tinha sido de ajuda militar na Anatólia contra os turcos seldjúcidas." Um cardeal da comitiva do papa também se pôs de joelhos e liderou os ouvintes de Urbano no Confiteor. em vez disso. Essa doutrina foi absorvida pelo pensamento papal durante o pontificado de Gregório VII com respeito à reconquista da Sicília e da Espanha. `Pois de nada adianta libertar os cristãos dos sarracenos num lugar e entregá-los noutro à tirania e opressão sarracenas"'. xenofobia e arrogância imperialista". e num gesto dramático. . Exortou-os a parar de lutar uns contra os outros por motivos ignóbeis de vingança e cobiça e. o papa estava tirando proveito da ignorância e credulidade de seu rebanho. como o sucessor de São Pedro. e a violência era portanto julgada pecaminosa em quaisquer circunstâncias. ajoelhou-se diante do papa e pediu permissão para participar dessa Guerra Santa. Ademar de Monteil. a exortação de Jesus a oferecer a outra face de modo geral tinha sido tomada a sério. Foi Agostinho de Hipona quem a considerou justificada em legítima defesa. e. a confissão dos pecados. por ocaO TEMPLO RECONQUISTADO sião da notícia da derrota bizantina em Manzikert. está claro que formadores de opinião não são um produto do fim do século XX: já no Concílio de Piacenza. e sua doutrina.9' Além disso.dado por seus ancestrais no tempo de Carlos Magno. dispersa por várias de suas obras. com seus poderes concedidos por Deus paca "ligar e desligar" na terra. No entanto. O apelo de Urbano foi recebido com entusiásticos gritos de "Deuslevolt" ("Deus o quer"). o objetivo do papa era "a defesa dos cristãos onde quer que eles estivessem sendo atacados. bispo de Le Puy. os embaixadores do imperador Aleixo haviam dado ênfase à situação de Jerusalém precisamente porque "viria a ser um eficiente slogan de propaganda na Europa".9° Outros sugeriram que. que quase com certeza havia sido ensaiado pelos dois líderes da Igreja. sem dúvida. foi reunida no século X1 por Anselmo de Lucca.

na qual ele pensara. _ l ALEMANHA A cristandade ao tempo . Em troca. vários pregadores populares inflamaram o populacho excitável e idealista no norte da Europa e formaram um exército mal armado e sem disciplina que. na altura do ombro. a quem ele condenara no concílio. tinha-se a impressão de que (. famílias e bens por amor dele. como vimos. fazendo "atingir o auge uma onda em direção à Terra Santa de culto do Santo Sepulcro que havia produzido regularmente peregrinações em massa a Jerusalém no decorrer do século XI (.93 Os peregrinos eram armados. a abandonar esposas. "um choque para o sistema comunal" e "algo diferente de tudo que fora tentado antes". A família e o patrimônio do cruzado tinham de ser protegidos pela Igreja. partiu para subjugar os sarracenos e libertar Jerusalém... ) ". fiel à sua vocação cluniacense. Ele se referia com freqüência à exortação de Cristo. a reação mais imediata e radical não foi entre a classe dos cavaleiros. esperavase que ele cumprisse com seu dever: o homem que faltasse à sua promessa estava sujeito a excomunhão automática. A fim de dar substância ao símbolo. mas entre os pobres. Enquanto Urbano prosseguia em sua viagem predicante pela França> passando ao largo dos territórios controlados pelo rei Filipe. está claro que o apelo feito pelo papa Urbano em Clermont foi visto como momentoso. a qual deveria ser do conhecimento de todos que o ouviram. Embora. oceano Atlântico REINO DA FRANÇA.. sem mais nem menos. As indulgências que ele prometeu e os privilégios que concedeu aos cruzados eram quase indistinguíveis daqueles concedidos aos peregrinos: "quando a marcha começou. cruzes de pano foram distribuídas em Clermont a todos aqueles que juraram partirem cruzada. mas também para mostrar que o cruzado gozava de certos privilégios e sanções legais..9'' Nisso o papa. mostrou que estava tão interessado no que a cruzada poderia fazer pelo cruzado quanto no que o cruzado poderia fazer pela "Igreja asiática".) pertencia inteiramente ao universo tradicional da peregrinação a Jerusalém".Agora a doutrina de Agostinho estava ligada ao conceito de peregrinação penitenciai. Estas eram costuradas em seus mantos. a fim de assegurar. não apenas para significar seu compromisso sagrado. que os sarracenos "não continuem a triturar sob seus tacões os que crêem em Deus". erguer suas cruzes e segui-lo. tivesse havido precedentes na Sicília e na Espanha para uma guerra santa movida por cristãos contra muçulmanos. nas palavras do papa Urbano.95 Para consternação de Urbano. Ele estava isento do pagamento de impostos e lhe era assegurada moratória de suas dívidas.

ai-Mona CALIFADO DE CÓRDOVA â •. as pessoas viviam com um medo real dos tormentos do inferno. contingentes de alemães sob o comando de um padre chamado Gottschalk e de um barão da pequena . Como ainda podemos constatar pelas imagens esculpidas na estatuária de catedrais medievais. _y_ IMPÉRIO BIZANTINO LEÃO-CASTELA ARAGÃO CATA LJNI-lÁ . (aarselha _ _ -': ~. O começo da cruzada foi catastrófico. Os bispos fizeram o possível para deter os velhos e os enfermos. que afirmava ter recebido uma carta do céu autorizando a cruzada. HUNGRIA -_ -i ' Veneza s __ -_ Belgrado . z: -o _ _ _ é W p rr. e por um cavaleiro chamado Gualtério Sem-Haveres passaram pela Alemanha e pela Hungria em razoável ordem.:y y. pulou para fora e tomou a Cruz. mas muitos ignoraram a proibição. mas quando ele ouviu através da janela o que estava sendo oferecido.~-o ~ n z °' . enquanto marchavam ao longo do Reno.. Homens casados eram proibidos de partir sem permissão de suas esposas. ó z x ~a x õ n á ~ '~ Ç O OS TEMPLÁRIOS Seu líder era um carismático pregador da Picardia conhecido como Pedro. o Eremita. e proibiram especificamente os monges e o clero de partir na cruzada sem a permissão de seus superiores. Uma mulher manteve o marido em casa para que ele não ouvisse a pregação da cruzada. As forças lideradas por Pedro. o Eremita.da Primeira Cruzada Rarishona Viena. mas o movimento saiu de controle. Ali estava uma oportunidade de pôr um ponto final a esses temores. mas. O fascínio da aventura e a promessa de recompensa espiritual acabaram sendo irresistíveis.

e as criancinhas. liderados por capitães experientes. e massacraram a si mesmos. e apenas conseguiram fazer uma idéia da cruzada sob o conhecido aspecto de uma vingança que os obrigava a desforrar-se do sofrimento de seus confrades cristãos no Oriente. conversões forçadas e suicídio coletivo de judeus em santificação de sua fé (kiddush ha-shem).nobreza. o cronista depois de terem arrombado as fechaduras e posto as portas abaixo (. e o clero ameaçou os hereO TEMPLO RECONQUISTADO ges infiéis de excomunhão. por sua vez pegaram em armas contra seus correligionários. Uma coisa horrível de descrever: as mães pegavam a espada e cortavam a garganta das crianças enquanto estavam ao seio. contra suas mulliéres. seguiu-se uma série de pogroms . independentemente do sexo. "Esses exércitos continham cruzados de. Sem dúvida.massacres. Os judeus."96 Todavia. as mulheres também foram massacradas. foram mortas com a espada. os príncipes-bispos e a nobreza local acolheram os judeus sob sua proteção.9' Assim sendo. eles eram sem dúvida praticamente incapazes de fazer uma distinção significativa entre muçulmanos e judeus. cristão Alberto de Aix descreve como os pretensos cruzados.9H As atrocidades não se restringiram à Renânia: em Speyer. optando por se destruírem com suas próprias mãos em vez de sucumbirem aos golpes dos incircuncisos. os cruzados investiram contra os judeus. e em lugares tão distantes quanto Rouen. sem o menor respeito pelas fraquezas da velhice. Em Mogúncia. em algumas cidades alemãs. no oeste. Mas foi quase inútil. Essa provavelmente não era a turba indisciplinada que outrora se supunha. e Praga. judeus era a única forma de financiar uma viagem como aquela". como o dos zelotes em Massada doze séculos antes. ao verem os cristãos insurgir-se como inimigos contra eles e seus filhos. o zelo religioso da turba assassina "era apenas uma tênue tentativa de encobrir o verdadeiro motivo: cobiça. No começo do século.99 Mas os judeus não eram a única vítima da criminalidade dos cruzados: . todas as partes da Europa Ocidental. no leste. conde Emich von Leinigen. Pode-se supor que para muitos cruzados a pilhagem dos. mães e irmãs. atacaram as comunidades judaicas que encontraram pela frente em cidades como Trier e Colônia.. a Igreja percebera claramente o perigo a que comunidades judaicas estariam expostas em circunstâncias desse tipo: o papa Alexandre VI havia escrito aos bispos da Espanha ordenando-lhes que protegessem os judeus em suas dioceses. Worms. "a fim de que eles não fossem mortos por aqueles que estão partindo para lutar contra os sarracenos na Espanha". filhos. Em conseqüência.) aprisionaram e mataram setecentas pessoas que inutilmente tentavam defender-se contra forças muito superiores às suas. é quase certo que devem ter contado com pilhagem en route para financiar a viagem à Palestina..

duque da Baixa Lorena. e pelo primo deles. os primeiros contingentes do tipo de exército que o papa Urbano tinha imaginado começaram a se reunirem Constantinopla.na Hungria. a força liderada por Pedro. esses quatro eram exemplos clássicos de guerreiros francos paladinos da Igreja. e Gualtério Sem-Haveres havia chegado a Constantinopla escoltada pela cavalaria dos recémconquistados pechenegos. Descendentes de Carlos Magno tanto pelo lado paterno quanto materno (e."' Nesse meio tempo. nas proximidades de Nicéia. embora não se saiba se o seu objetivo era um principado no Oriente ou a coroa do martírio. o filho mais velho de Roberto Guiscard. e Balduíno de Boulogne. a turba predatória começou a saquear os habitantes. por seus irmãos. conde de Boulogne.) mais por avidez de dinheiro do que pela justiça de Deus". mas o fato de ele ter vendido todas as suas propriedades e seu castelo em Bouillon para financiar sua participação na cruzada sugere que não tencionava voltar para casa. Em 23 de dezembro. Godofredo havia conservado o ducado da Baixa Lorena durante o governo do imperador Henrique IV. Um ataque bem-sucedido de um contingente francês encorajou alguns alemães a seguir o exemplo. o Eremita. de um ganso). primo do rei da França. segundo uma lenda posterior. os seguidores de Pedro foram ficando cada vez mais inquietos e começaram a saquear os subúrbios da cidade. a força principal saiu para libertá-los e foi aniquilada pelos turcos em 21 de outubro de 1096. Aqui havia menos ambigüidade: os antecedentes dos normandos sugeriam que eles tinham intenções predatórias. 87 OS TEMPLÁRIOS Dois meses após a derrota dessa vanguarda indisciplinada em Xerigordon. Eustáquio... que tinha vindo por mar com um pequeno grupo de cavaleiros e soldados. Aleixo providenciou para que fossem transferidos para o outro lado do Bósforo e os alojou num acampamento militar perto do território controlado pelos turcos seldjúcidas. Quando caíram numa cilada dos turcos. Isso marcou o ignominioso fim da "Cruzada Popular". O primeiro a chegar foi o conde Hugo de Vermandois. então com quarenta anos. Alberto de Aix escreveu mais tarde que muitos cristãos acreditavam que isso fosse a punição por Deus daqueles "que pecaram diante dele por causa de sua grande impureza e de relações sexuais com prostitutas. Seu séquito abrangia a diversidade do antigo império franco. Em seguida chegou um contingente de normandos do sul da Itália comandado por Boemundo de'Iàranto. liderada por Godofredo de Bouillon. Balduíno de Lê Bourg. e com justa razão fizeram o imperador Aleixo . chegou uma força muito maior. Apesar de terem sido aconselhados a esperar o resto do exército cruzado. os quais o imperador Aleixo usava como polícia militar. com cavaleiros de língua alemã e francesa.massacraram os judeus errantes (. e. que também foram todos massacrados.

"esperamos estarem .sentir certa inquietação. conde de Blois. Kilij Arslan. de onde continuaram em perfeita ordem para Constantinopla. Boemundo havia tomado a Cruz com visíveis sinais de sincera convicção enquanto fazia o cerco a Amalfi. atacou os cruzados fora de Nicéia. Ana Comneno. não houve possibilidade para o tipo de pilhagem que um exército vitorioso poderia ter esperado como espólios de guerra. escreveria na biografa do pai que "o primeiro choque irresistível" de uma investida dos cavaleiros francos "faria um buraco nas muralhas de Babilônia". filha do imperador Aleixo. irmão do rei inglês. A influência de Ademar era preciosa para conciliar as divergências entre os príncipes francos e negociar a passagem do exército cruzado pelo Império AR O TEMPLO RECONQUISTADO Bizantino. o exército cruzado atravessou o Bósforo sem encontrar resistência. Guilherme. duque da Normandia. ao passo que o maior contigente de todos . "A menos que Antioquia se revele um obstáculo". o Conquistador -. O imperador Aleixo não havia previsto uma força desse tamanho e apenas permitiu que seus líderes entrassem em Constantinopla. Embora tivessem desempenhado um importante papel na batalha. eles haviam cruzado O Adriático da Itália à Grécia. os cruzados cumpriram as promessas que haviam feito ao imperador Aleixo de devolver suas antigas posses e permaneceram do lado de. Com seu contingente. fez com que a guarnição de Nicéia se rendesse ao almirante bizantino Butumites. conde de Flandres. Roberto. mas também por uma esquadra bizantina trazida por terra até o lago contíguo à cidade.Roberto II. Contudo. O sultão turco. genro de Guilherme. o Eremita. mantendo as tropas fora dos muros da cidade. Ele aprendeu tarde demais que estava resistindo a algo mais difícil de vencer: a cavalaria pesada composta de cavaleiros ocidentais.tomou uma rota intermediária ao longo da Dalmácia. depois através de Dyrrhachium até Tessalonica. designado por Urbano II como seu legado e líder espiritual da cruzada.provençais e burgúndios sob o conde Raimundo de Toulouse . e Estêvão. cujo pai havia combatido em prol do imperador Aleixo. tendo entregado pessoalmente as cruzes de pano àqueles que queriam juntar-se a ele. induzido por uma falsa sensação de segurança em virtude de sua vitória anterior sobre o exército de Pedro. Acompanhava-o Ademar de Lê Puy. e daí até Constantinopla. eles estavam animados. A mesma rota fora seguida por um grupo de poderosos nobres do norte da Europa . Apesar de terem recebido presentes de considerável valor. fora enquanto as tropas dele entravam na cidade. entre os quais seu jovem e impetuoso sobrinho Tancredo. o Ruivo. Não obstante. escreveu Estêvão de Blois numa carta à sua esposa."' A derrota do sultão. seguida pelo cerco de Nicéia não só pelo exército franco. Em abril de 1097.

por um contingente bizantino e por alguns flamengos. como também um rico e poderoso principado. foi atacada pelo exército de Kilij Arslan. e em 21 de outubro dc 1097 clregoL à cidade deAntioquia. A fome e a sede continuavam sendo um tormento.o exército cruzado. avançou lutando através do rio Orontes. também faltavam alimentos. o exército prosseguiu em sua marcha através da Anatólia. Depois desse segundo triunfo. w Após tm período dedescanso e recreação como hóspedes dos armênios em sua capital. Os líceres latinos são conseguam chegar a um acordo sobre se deveriam toma a cidade de assalto ou esperar por reforços. Com frio. e suas muralhas eram entrecortadas por quttrocentss to>res erguidas pelo imperador Justiniano e reforçadas pelos bizaitinos cem aros antes. O acampamento turco. atacando os grupos enviados para Irocurar comida.orno recompensa pela prestação de serviço militar. a vanguarda. desceu as colinas. e no seu ponto mais elevado. Á cidade era um espetáculo assustador com cerca ds cinco quilímetros de extensão e um quilômetro e meio de lagura. em parte nas encostas escarpadasdo monte Sílpio. uma vez que os turcos haviam devastado a terra à sua frente. sob o comando de Godofredo de Bouillon. foi tomado pelos cruzados.Jerusalém daqui a cinco semanas. molhado e faminto. um Estado anômalo na região sudes e da Anatólia Os armênia tinham sito primeiro aí instalados por imperadores bizantinos . o exército cristão viu seu . com uma população emgrande parte cristã. situava-se a cidadela. proximidades do lago de Van.urcos haviam expulsado do torrão nato armênio. O cerco arrastava-se. Seus arqueiros montados cercaram os cruzados. Tirando proveito da hesitaçãoJos cruztdos.os turcos fatiam sortidas. que se mantiveram firmes até que a retaguarda. e a eles vieram juntar-seos compatriotas que os . mas guarnecida pelos turcos que ahaviarr conquistado aos bizanrinos doze anos antes. Os soldados de infantaria cristãos foram defendidos pelo exército de Boemundo e seus cavaleiros. Antioquia tinha sido uma das principaismetrópeles do Império Romano e permanecia não apenas a chave estratégia para todo o norte da Síria. Quando se aproximavam de Doriléia. Raimundo de Toulouse e Ademar de Lê Puy. e dessa vez a presa foi deles. viesse em seu socorro e derrotasse os turcos. Os turcos tinham aprendido de sua experiência de Nicéia e executavam manobras a fim de evitar um ataque frontal da cavalaria dos cruzados. Havia escassez de água e. fora construída empane na planície do Orontes. na. formada pelos normandos italianos e franceses. pois não estavam acostumados ao calor do verão na Anatólia. abandonado pelo exército em fuga. Marash." Mas a ida foi mais difícil do que haviam previsto. a trezentos metros soma da cidade. e as tropas tiveram de combaterem duas outras batalhas antes de atingirem um OS TEMPLÁRIOS refúgio seguro no reino ristão da Arnênia Cilício. comandado por Ademar de Le Puy.

No mesmo dia. Thoros não era benquisto por seus súditos monofisitas. Deus não os havia abandonado como punição por suas más sções. os sitiantes transformaram-se em sitiados. ele fora saudado pelo governante armênio. Estêvão de Blois foi embora. o principal rival de Boemundo. da Lança Sagrada que havia trespassado o flanco de Cristo. em Edessa. e apenas um mês mais tarde. foi pego por Tancredo quando tentava desertar c forçados regressar. (N.ação oriunda do fato de eles usarem grosseiros mancos de pele.ozinhavam adultos pagãos em panelas. sob a catedral. mas. Tendo já perdido un grande número de cavalos e mulas na marcha aravés da lrtatólia. o exército cruzado permaneceu em Antioquia. Thoros.moral baixar a ponto de os cruzados começarem a s: perguntar se. Para piorar a situação. cometidos como rafurs'. eles agora comiam is animais que ainda estavam vivos. os mais intrépidos puseram-se a caminho. O preço dos alimentos vindos da Armênia tornava-os acessíveis apenas aos ricos. os cruzados receberam a notícia de que um grancL exército. Ele tinha um traidor submisso dentro de Antioquia. que no início daquele ano havia fundado o primeiro Estado latino na área."'°Z Em janeiro de 1098. devoravam depois de grelhadas. Ao perceber que a rendição da cidade era iminente. comiam os turcos que matavam. comandado po Kerbogha de Mossul. empalavan crianças emespetos e a. Em fevereiro. o contingente bizantino abandonou o arco. de moda que três quartos dos cavaleiros tinham de viajar r pé. e por ele adotado como filho. Dia de Todos os Santos. Pedro o Eremita. * Denomi. Boemundo de Taranto pôs as cartas na mesa. "Nossas tropas". mas voltou sob o manto da noite. e a data de sua partida foi marcada para 1° de novembro. o Eremita. inspirados pela milagrosa descoberta. do T) 90 O TEMPLO RECONQUISTADO Nesse momento de crise. provavelmente . foi introduzido na cidade pelo espião de Boemundo e esta foi tomada. Pondo de lado as objeções de Raimundo de Toulouse. mas queria a promessa dos outros cruzados de que a cidade seria sua se ele a capturasse. ". estava em marcha para socorer Antioquia. o conselho de príncipes concordou. e atuns flamengos empobrecidos que haviam seguido Pedro. Gomo se julgou desaconselhável continuar rumo a Jerusalém sob o intenso calor do verão. Todavia. a fim de rivalizar com Balduíno de Boulogne. esceveu RaRulfode Caen. o resto do exército cruzado simulou uma retirada para longe dos muros da cidade. eles fizeram uma sortida que pôs os sarracenos em fuga. Ao entrar na cidade com uma força de apenas oitenta cavaleiros. Nesse ínterim. Quando Kerbogha de Mossul chegou a Antioquia.

como torres e manganelas. Os muros eram guarnecidos por tropas árabes e sudanesas. deixando Balduíno como o único governante de Edessa. os príncipes escreveram ao papa Urbano pedindo-lhe que viesse liderar pessoalmente a cruzada. foi deposto e assassinado. que em 1° de agosto vitimou Ademar de Le Puy. com o que este concordou. muitos deles haviam partido de Antioquia. Em setembro. Raimundo afinal concordou que Boemundo conservasse Antioquia. não lhes interessava vir em auxílio dos califas fatímidas do Egito. em vez de impedir seu avanço. com escassez de alimentos e água. Conscientes de sua vulnerabilidade a uma força auxiliar. a seu ver. e carecendo de equipamento pesado. havia sido amplamente advertido da aproximação dos cruzados. Conquanto fosse menor do que Antioquia. o exército cruzado levantou acampamento diante dos muros da Cidade Santa. preferiu prestar apoio à progressiva horda do monstruoso Fraiej. pois. A festa de Todos os Santos chegou e passou. após regressarem aAntioquia. desde que participasse do assalto a Jerusalém. e o moral do exército estava de novo baixo. Alepo e Mossul observavam e aguardavam. Antioquia foi afligida pela peste. Em julho. e bem menos importante em termos políticos e estratégicos. isso significava uma força de combate de aproximadamente doze mil . OS TEMPLÁRIOS O exército cruzado parou ae rxtml~yU~a ~•= 13 de janeiro de 1099. Os habitantes cristãos haviam sido expulsos. seu governador fatímida. e por natureza sábio e conciliador. e foi apenas a instâncias de soldados cada vez mais exasperados que os príncipes finalmente concordaram em nomear Raimundo de Toulouse seu comandante-em-chefe. que no ano anterior haviam reocupado Jerusalém. Os bizantinos.com a conivência de Balduíno. mas a apatia parecia paralisar os líderes. Para escaparem da peste. O rancor existente entre Boemundo e Raimundo refletiu-se num crescente antagonismo entre seus seguidores normandos e provençais . As cisternas da cidade estavam repletas de água e havia farta provisão de alimentos. Apenas um terço dos que haviam partido da Europa Ocidental dois anos antes ainda estava vivo . Em 7 de junho de 1099. e Iftikhar. Jerusalém tinha permanecido bem fortificada desde que o imperador Adriano a reconstruíra. mas não os judeus. entre os quais mulheres e crianças.a chacota favorita dos normandos era dizer que a Lança Sagrada era uma fraude. Seguiram-se semanas de procrastinação. os omíadas e os fatímidas haviam todos renovado as defesas da cidade. ele havia desempenhado um papel inestimável ao serenar os ânimos dos briguemos e jactanciosos príncipes. e se havia solicitado ajuda ao Egito. enquanto os poços fora da cidade tinham sido obstruídos ou envenenados. A maioria dos emires locais. Como legado pontifício e líder espiritual da cruzada. As forças mais significativas em Damasco. marchando entre as montanhas e a costa do Mediterrâneo. os cruzados compreenderam que não tinham condições para fazer um cerco prolongado.sem levar em conta peregrinos não-combatentes.

o imperador Aleixo. navios da Inglaterra e duas galeras de Gênova haviam chegado ao porto de )afã. Os primeiros a cruzar a ponte foram dois cavaleiros flamengos. que alguns muçulmanos tencionavam transformar em seu reduto. e os provençais não conseguiram um ponto de apoio nos muros. a torre de Godofredo de Bouillon foi levada para junto do muro norte. pilhou seu precioso conteúdo e. Enquanto Godofredo enviou seus homens para abrirem os portões da cidade. rIáncredo e Roberto de Flandres foram até Samaria à procura de madeira adequada e regressaram com troncos de árvores no lombo de camelos. Raimundo aceitou as condições. ostentando seu estandarte como penhor de sua proteção. Na noite de 13 de julho teve início o assalto. O estandarte de Tancredo na mesquita al-Aqsa não bastou para salvar os que nela se haviam refugiado: foram todos mortos. de onde o próprio Godofredo e Eustáquio de Boulogne comandaram o assalto. Foram os únicos muçulmanos que escaparam com vida.soldados de infantaria e mil e duzentos ou mil e trezentos cavaleiros. e também com pregos. que tinha sido abandonado pelos muçulmanos. Inebriados pela vitória. A primeira torre a alcançar as muralhas foi a de Raimundo de Toulouse. Atrás deles vieram os cavaleiros que lideravam o contingente lotaringio. e por volta de O TEMPLO RECONQUISTADO meio-dia fez-se uma ponte do seu andar superior. em vez de ajudá-los. que ele em seguida entregou a Raimundo de Toulouse em troca do tesouro da cidade e de um salvo-conduto para que ele e seu séquito pudessem deixar Jerusalém. catapultas e escadas para escalar as muralhas. em troca da promessa de um considerável resgate da parte dos muçulmanos que se renderam. . Litold e Gilberto de Tournai. mas os cruzados incendiaram-na e os judeus foram queimados vivos. Eles sabiam que não podiam contar com a ajuda dos bizantinos: com efeito. Carpinteiros das galeras genovesas puseram-se a construir torres móveis. apossou-se da cidadela e escoltou Iftikhar e sua guarda pessoal para fora da cidade. seguidos de perto por Tancredo e seus cavaleiros normandos. Providencialmente. Sua carga abasteceu o exército com alimentos. porcas e parafusos. mas a defesa daquele setor era dirigida pelo governador muçulmano. Tancredo saiu lutando pelas ruas até o monte do Templo. Iftikhar e sua guarda pessoal recolheram-se à Torre de Davi. Os judeus de Jerusalém fugiram para a sinagoga em busca de segurança. estava em negociações com o califa do Cairo. permitiu-lhes refugiar-se na mesquita ai-Aqsa. mas Tancredo era rápido demais para eles. Iftikhar. Ele tomou a Cúpula da Rocha. os cruzados começaram a chacinar os habitantes da cidade com a mesma indiferença para com a idade ou o sexo das vítimas que fora demonstrada mais de mil anos antes pelos legionários de Tiro. e ainda impregnados do ardor da batalha. Na manhã de 14 de julho.

na outra margem do Eufrates. que morreu durante o cerco da cidade em 1105. sobre homens e cavalos mortos. em termos bem claros. os príncipes. capelão de Raimundo de Toulouse. foram criados quatro Estados diferentes nos territórios conquistados. em climas inclementes e através de terreno inóspito. seflanaa parzrte OS TEMPLÁRIOS cinco Os Pobres Soldados de Jesus Cristo Nos anos que se seguiram à captura de Jerusalém.Raimundo de Aguilers. Mas essa polêmica surgiria mais tarde. barões. guerreiros e criados do acampamento seguiram em procissão pelas ruas da cidade deserta até a Igreja do Santo Sepulcro. governado por Balduíno de Boulogne. o Templo vivo da Nova Aliança.) ruas e praças da cidade. "Que puni çâo mais oportuna! O próprio lugar que durante tanto tempo suportou blasfêmias contra Deus estava agora encoberto pelo sangue dos blasfemos.. a Gaza." Mas para ele os defensores muçulmanos haviam apenas recebido o que mereciam. Agora havia apenas júbilo pelo fato de terem executado a missão que lhes OS TEMPLÁRIOS fora incumbida pelo papa Urbano e de as promessas dos cruzados terem sido cumpridas. Depois de três anos de sofrimento e penúria. conde de Toulouse. "Em todas as (. braços e pés. no norte. estendendo-se de Beirute. do qual se apropriara Raimundo de Saint-Gilles." Apologistas muçulmanos não demoraram a chamar atenção para o contraste entre a selvageria dos francos e a civilidade e humildade do califa Ornar quando capturou Jerusalém em 638.. os peregrinos haviam chegado ao fim da viagem. podiam-se ver montes de cabeças. Ao sul de Antioquia situava-se o condado de Trípoli. ressuscitara dos mortos. pregadores. os cristãos replicaram que os bizantinos haviam se entregado sem luta. ficava . não fez nenhuma tentativa de minimizar o horror do que tinha visto quando mais tarde descreveu a captura de Jerusalém em sua crônica. ele havia caminhado até os tornozelos em sangue fresco e coagulado. visionários. e de uma viagem de três mil e duzentos quilômetros. o que veio a ser conhecido como "Outremer" (ultramar) na Europa Ocidental. no sul. Ainda mais para o sul. A leste. No norte ficava o principado de Antioquia. Durante sua visita ao monte do Templo. As pessoas andavam. Em 17 de julho. estava o condado de Edessa. Aí deram graças a Deus pela extraordinária vitória e celebraram o sacrifício da missa no santuário mais sagrado de sua religião: o túmulo de onde Jesus de Nazaré. um normando do sul da Itália. padres. bispos. governado por Boemundo de Taranto.

foi a voz de Baldíno de Le Bourg ser capturado. Daimbert tornou-se patriarca de Jerusalém e logo após a morte de Godofredo. assumiu em vez disso o título de "Defensor do Santo Sepulcro". Balduíno de Boulogne. mas agia como um prín ciae so6arab. em 1100. A ordem social agora vigente na Síria e na Palestina latinas baseava-se no sistema feudal da Europa Ocidental. em Belém.cez de potencial humano era endêmica no ultramar desde o começo. a maneira pela qual Godofredo de Bouillon e depois Balduíno de Boulogne foram escolhidos como os primeiros entre seus pares pelos líderes da cruzada levou-os a enfatizar os direitos dos vassalos e a uma codificação daqueles direitos desconhecidos no Ocidente. tentou fumar-se como um soberano teocrático em seu lugar. Antes de morrer. continuou vassalo do rei Balduíno. recusando-se a chamar-se rei onde Cristo tinha usado uma coroa de espinhos. mas antes que a notícia da tomada da cidade chegasse ao Ocidente. Este teve menos escrúpulos em adotar o título de rei. após aderrota do exército egípcio enviado para socorrelJci)salém. havia permitido que esse líder mantivesse o controle sobre seus vassalos. Antio qua foigoprnada em sua ausência por Tancredo. o derrotado Daimbert o coroou rei de Jerusalém. e no dia de Natal de 1100. como Guilherme. convocaram de Edessa o irmão de Godofredo. após o que Tancredo assumiu o g B c governoda?dessa. que. na Igreja da Natividade. Também havia transferências dos príncipes dirigentes de pjincipado~íra outro. A 97 OS TEMPLÁRIOS ot ofediênciaos príncipes de Trípoli e Antioquia e dos condes de Edessa aos rereis de Jcrualém era tão tênue quanto a dos grandes condes e duques aos reis da flana: eles só se colocavam sob a autoridade deles quando perce biam yuesa própria segurança estava ameaçada por uma coalizão muçulm G ci um p m q B L nana. governado por Godofredo de Bouillon. O papa Urbano II falecera em Roma duas semanas após o triunfo dos cruzados. a maioria dos cruzados sobreviventes iniciou a viagem . como pedras de um tabuleiro de xadrez: quando Boe mundo t'oi apturado numa expedirão contra os turcos danishnaend. mas voltou paraAntioquia como regente quando seu tio Boemuadoegressou à Europa para buscar reforços. que havia conquistado a GalilëiacSlon. um arcebispo de Pisa. Quando Balduíno de Boulogict'~ convocado para o trono em Jerusalém.Nloutono de 1099. Ojovm sobrinho de Boemundo. Os cavaleiros francos não aceitaram isso e. ao invés. ele nomeara Daimbert. o Conquistador. para suceder a Ademar de Le Puy como legado pontifício da cruzada. na Inglaterra ou Rogério de Hauteville na Sicília. Mas ao passo que um exército conquistador com um líder forte. Taneredo. seu primo Balduíno de Le Boucgccnou-se conde de Edessa.o reino de Jerusalém. A r ca. Depois do resgate de Boemundo.

.. até que. Acre. c oferecüas elo domínio latino da barganha r rim sevapio no cerco dos portos em quando eles fusca tomados. lombardos e k bávarosp'aliram da Europa. com a quedade~iro em 1124. Casientes dessa necessidade. e em particular pela tomada dos portos mediterrâ r ricos. Apaa1cação do interior era mais problemática. troca de privilégios comerciais Cesaréia. Jafa. Em Jerusalém. por fim. regressando a Constanti r nopla. ASSASSINOS • Hum. Arsuf.d de voltaacsa. que. Ao ascender ao trono. Dama 17-d'. E Balduíao ao tinha mais do que isso. Godofredo de Bouillon foi deixado com cerca d de trezcnrcl cavaleiros e mil soldados de infantaria. As galeras italianas tam1 bém troustam um crescente número de peregrinos que foram inspirados a 98 ~ Mediterrâneo ARMËNIA CILÍCIA CONDADO DE EDESSr1 Anrinqma -:uepn PRINCIPADO DE ANTIOQUI:1 limosa I'ríhnli urc. ' CONDADO DE TRIPOLI .upenas um pequeno número escapou. outro esse' portos sucumbiram às forças ao perceberem as oportunidades costa oriental do Mediterrâneo. a armada fatímida perdeu todas as bases na Palest tina e aflolteira litorânea do ultramar ficou livre de perigo. um após o latinas. ao rei Balduíno eram as esquadras das repúblicas marítimas i italianas-Pisa. Sídon. Foram todos atacados e vencidos ao cruzarem a f Anatóli3. Veneza e Gênova-. e ansiando tanto por glória quanto por r recomvOs espirituais com que )s primeiros e bem-sucedidos cruzados t tinhali cumulados. outros contingentes de franceses. Haifa. Embora não houvesse ameaça imi n nente dona invasão fatímida e se pudesse contar com o apoio de cristãos a aUtôcmusa frágil situação do reine de Jerusalém só poderia ser assegurada f por expo ulterior.

Na extremidade sudeste do monte do Templo encontrava-se a casa de São Simeão. pelo toco da árvore à qual Zaqueu havia subido para ver Jesus. como também saíam em peregrinação a muitos santuários da Judéia e da Somaria que uma familiaridade com as Escrituras e indiferença à historicidade transformaram num parque temático da religião cristã. uma igreja construída onde antes fora a casa dos pais da Virgem Maria. Em Jerusalém. Alguns portavam armas. o poço de Maria.Tiro Acre .u aydoiu I_+4> 100 milhas OS TEMPLÁRIOS fazer peregrinação a Sião devido à notícia da vitória dos cruzados. pela cisterna na qual José havia sido jogado por seus irmãos. de onde eia e José haviam voltado para encontrar Jesus em Jerusalém. o sítio onde fora abatida a árvore da qual se fez a cruz usada na crucificação de Jesus. aonde muitos iam para um rebatismo em suas águas. . Um caminho bastante trilhado por peregrinos cristãos conduzia. e ao norte da Porta de Josafá. agora transformada de mesquita em igreja. Joaquim e Ana. havia a Cúpula da Rocha.mr:í> o0 zoo km REINO` DE p JERUSALÉM a. e finalmente pelos baixios onde João tinha batizado Jesus com as águas do Jordão. a leste de Jerusalém. a Jericó e ao rio Jordão. que continha a cama da Virgem e o berço e a banheira do menino Jesus. Estes não apenas oravam na Igreja do Santo Sepulcro a fim de cumprirem suas promessas. e o lugar onde ele ensinou o Pai-nosso a seus discípulos. pela curva da estrada onde o bom samaritano havia encontrado a vítima de uno assalto. Haifa °x° Harun lllnt> usalcm Cat° rNlen. Nos arredores da Cidade Santa havia a casa de Zacarias. santificando o lugar onde Jesus havia açoitado os cambistas e conhecida pelos cruzados como o Templo do Senhor. pelo local onde a Sagrada Família havia descansado durante a fuga para o Egito. Aí eles passavam pelo bloco de rocha usado por Jesus para montar no jumento que cavalgou até Jerusalém no Domingo de Ramos. onde João Batista tinha nascido. mas outros estavam equipados apenas corri a sacola e o bastão dos peregrinos: a distinção entre peregrino e cruzado continuava imprecisa.

a alguns quilômetros de Troyes a jusante do Sena. e sim as roupas de sua profissão secular. fizeram votos de pobreza. mas em 1114 estava de volta a Jerusalém. os peregrinos eram vulneráveis a ataques de saqueadores sarracenos e de bandoleiros beduínos que viviam nas cavernas das colinas da Judéia. na borda sul do monte do Templo.. mas não havia proteção alguma para os desarmados. era parente do conde de Champagne. e ao patriarca Daimbert. A essa altura.'Warmund de Picquigny. Archambaud de Saint-Aignan. Quer Hugo de Payns o tivesse acompanhado ou não em sua primeira peregrinação. As forças à disposição do rei Balduínojá estavam espalhadas ao máximo. o caminho não era mais seguro do que na época do bom . Hugo era pio e infeliz no casamento. parece que aí permaneceu quando Hugo voltou de novo para a Europa. ao rei Balduíno I. protegendo as fortalezas estratégicas e os portos do Mediterrâneo. o Calvo. Entre seus vassalos estava um cavaleiro chamado Hugo de Payns. A regra que tinham em mente era a de Agostinho de Hipona. tinha o feudo de Montigny e trabalhava como administrador na casa do conde. ele governava um grande c rico principado que tinha feito parte do reino franco ocidental deiOS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO lado por Carlos. Geoffroy Bissot e um cavaleiro chamado Rossal ou possivelmente Rolando. seguida pelos cônegos da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. Os peregrinos aunados podiam defender-se. o patriarca e o rei dotaram-nos com vários benefícios. A fim de proporcionar-lhes uma renda suficiente. no trecho superior do rio Sena. entre eles Godofredo de Saint-Orner. A partir do momento em que desembarcavam em Jafa ou em Cesa.réia. Payen de Montdidier. pois não tinha certeza se era mesmo pai de seu filho mais velho. que não tinha tido filhos. A proposta de Hugo foi aprovada polo rei e pelo patriarca. sucedera seu primo. e a princípio não usavam um hábito que os distinguisse. Seu lugar de nascimento era provavelmente Payns. Ele.>amaritano. Foi a eles que Hugo e um cavaleiro chamado Godofredo de Saint-Omer propuseram a organização de uma comunidade de cavaleiros que seguiria a regra de uma ordem religiosa. O rei Balduíno II também lhes providenciou um lugar para viver. e no dia de Natal de 1119. mas se devotaria à proteção dos peregrinos. o conde Hugo de Champagne foi à Terra Santa com um séquito de cavaleiros.Por causa da natureza do terreno e do descontentamento dos muçulmanos entre os habitantes. Balduíno de Lê Bourg. encontrando espaço no palácio em que ele transformara a mesquita al-Aqsa. De 'Iìoyes. Eles chamaram a si mesmos "Os Pobres Soldados de Jesus Cristo". conhecido . castidade e obediência perante o patriarca na Igreja do Santo Sepulcro. o conde Hugo regressou à Europa. quer tivesse ido só agora para a 'terra Santa. I?m 1108. Em 1101. Hugo de Payns e outros oito cavaleiros.

aos venezianos e até ao arcebispo de Compostela.pelos cruzados como o Tenaplum Salomonzs. Tampouco o que deve ter-se afigurado uma boa idéia na época-a fusão de habilidades militares com vocação religiosa . "Os Cavaleiros do Templo". E possível que a intenção original de Hugo de Payns e seus companheiros fosse apenas retirar-se para um mosteiro. Um grupo de setecentos peregrinos desarmados que viajavam de Jerusalém ao rio Jordão na Semana Santa de 1119 foi emboscado pelos sarracenos: trezentos foram mortos e sessenta levados como escravos. Como sempre. fliguel. Em conseqüência. A decisão de permanecerem em armas deve ter sido inspirada pela crescente insegurança dos latinos no ultramar. Mais tarde. ele provavelmente teria sido favorável às aspirações dos cavaleiros. em janeiro de 1120. Isso levou a urgentes pedidos de ajuda ao papa Calisto II. havia sido assassinado numa emboscada e suas forças aniquiladas no que veio a ser chamado de "Campo de Sangue". Outro historiador das cruzadas medieval. Não se sabe se foi feita uma consulta ao papa Calisto II em Roma sobre a fundação dessa confraria. Jacques de Vitry. no Noroeste da Espanha.o 'Ièmplo de Salomão. mas. de acordo com as regras de padres ordinários". "Os Cavaleiros do Templo de Salomão". eles vieram a ser conhecidos sucessivamente como "Os Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão". saudou o projeto de Payns tanto por seu potencial espiritual quanto prático. que havia sido fundado pelos mercadores de Amalfi antes da Primeira Cruzada para cuidar dos peregrinos. castidade e obediência. chegou ao reino a notícia de uma catástrofe no principado de Antioquia: Rogério. Já vimos como a aprovação da luta por uma causa justa por teólogos católicos havia evoluído .parece ter sido considerado como um desvio radical de qualquer norma. mas também observar "pobreza. mais do que consciente de sua incapacidade de administrar o reino. ainda nesse ano. quem persuadiu Hugo de Payns e seus companheiros a continuarem a ser cavaleiros em OS TEMPLÁRIOS vez de se tornarem monges. um cronista medieval. os reveses foram vistos como castigo divino: achava-se que alguns dos latinos que tinham se estabelecido na Terra Santa se haviam suavizado e corrompido pelos costumes lassos do Oriente. Uma reunião de líderes leigos e espirituais em Nablus. Saqueadores sarracenos haviam chegado até os muros de Jerusalém. ou talvez fundar uma confraria leiga comparável ao hospício de São João. como filho do conde Guilherme da Borgonha. descreve a natureza dual de seu juramento: "defender os peregrinos contra salteadores e estupradores". "Os'lèmplários" ou simplesmente "O Templo". filho de seu primo Boemundo. o Sírio. "a fim de trabalharem para salvar a alma dele e de protegerem estes lugares contra ladrões". sugeriu-que foi o rei Balduíno. e havia se tornado perigoso sair da cidade sem uma escolta armada. atuando como regente de Boemundo II.

Vários outros nobres franceses fizeram o mesmo. Hugo. como também do fluxo de peregrinos que partiam de Cluny e passavam pelas estações de posta a caminho do santuário de São Tiago em Compostela. dos dízimos e dos direitos feudais. Ele havia repudiado sua. Essa fundação em Clairvaux era um ramo da Abadia de Citeaux. Mais tarde ele levou essa comunidade para terras pertencentes à sua . Hugo de Payns. Em 1125. conde de Champagne.parecia quase inevitável que o "mosteiro nômade" mais cedo ou mais tarde tomasse a forma de uma ordem militar. nfiel esposa. Em 1120. tomou seu nome. foi em peregrinação à Terra Santa e associou-se aos Pobres Soldados de Jesus Cristo. Uns dez anos antes. que percebeu que as comunidades cluniacenses haviam abandonado os rigores e a simplicidade da regra de Bento de Núrsia. O dinheiro jorrava nos cofres monásticos. A igreja da abadia em Cluny. Citeaux fora fundada em 1098 por um abade beneditino. Parece que ele havia desenvolvido um elevado conceito do mestre deles. e após seu regresso dotou a Ordem com uma renda regular. os monges haviam abandonado o trabalho braçal para trabalhar ou como funcionários da administração ou como "monges do coro" devotados a uma soberba liturgia. ele havia dado uma extensão de terra inculta e reflorestada. os abades e priores cluniacenses haviam sido atraídos pelos negócios do mundo secular. materiais e fez os votos de pobreza. deserdado o filho que acreditava não fosse seu e transmitido o condado de Champagne a seu sobrinho Teobaldo. um jovem nobre burgúndio. proveniente não apenas das rendas. Esse não foi o mais significativo ato penitenciai do conde Hugo. elaborada com uma pletora de novas devoções.para uma santificação da cruzada . A pedido de um grupo de eremitas que viviam na vizinha floresta de Colam Roberto abandonou seu cargo para ensiná-los a viver de acordo com a regra beneditina. Um breve relato dessa nova fase de renovação monástica revela os estreitos vínculos daqueles envolvidos nos primeiros dias dos templários. da dual uma nova ordem monástica. voltou a Jerusalém pela terceira e última vez. Tornou-se monge beneditino aos dezesseis anos e mais tarde foi abade do mosteiro cluniacense de São Miguel de Tonnerre. a um grupo de monges liderados por Bernardo de Fontaines-les-Dijon. a maior da Europa. Roberto de h-lolesme. 'era ricamente decorada e seus ornatos eram fabulosos. castidade e obediência como um pobre soldado de Jesus Cristo. onde Bernardo freqüentou a escola. Deixando aos servos o cultivo de suas terras. a mais ou menos sessenta e cinco quilômetros a leste de 'Iroyes. Roberto de Molesme. no noroeste da Espanha. como Hugo de Payns. nasceu nas proximidades de Troves.loa OS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO Hugo renunciou então a todos os seus bens. Foulques de Anjou. Com suas dotações maciças e poderes e responsabilidades conseqüentes. a cerca de cinqüenta quilômetros de Châtillon-sur-Seine. os cistercienses. um poderoso nobre do centro da França.

e depois retornou pelos Alpes para juntar-se à comunidade de Molesme. Entre seus discípulos.nas. entre Zónnerre e Châtillon-sur-Seroe. nascido em Colônia. haviam provocado em muitos dos monges uma lassidão que ele julgava incompatível com seu conceito de vida beneditina. com suas ramificações. a dos cartuxos. Indo primeiro para a Escócia. por todo o mundo. mudaram a cor do hábito de preta para branca. Estêvão Harding. Um segundo monge que passou por Molesme foi um inglês. ou cartuxas. . entre eles Alberico e Estêvão Harding. . La Grande Chartreuse (A Grande Cartuxa) tornou-se a casa-mãe da mais rigorosa de todas as ordens monásticas. a reputação de santidade de Roberto tinha atraído dotações que. estava o jovem nobre burgúndio Odon de Lagery. para Savoy. onde recebeu a tonsura de um monge beneditino. Um foi Bruno. e. OS TEMPLÁRIOS Bruno retirou-se do mundo para viver como eremita perto de Molesme. Estêvão estudou em Paris e em 1085. foi para o sul. os quais . A comunidade devia ser auto-suficiente: o trabalho braçal pesado tornou-se parte da rotina diária do monge. A essa altura. Dois outros monges à procura de um árduo caminho para a perfeição passaram por Molesme. Urbano II. que prosseguiu seus estudos até tornar-se monge de Cluny e depois o papa que pregou a Primeira Cruzada. o ano anterior à rendição de Jerusalém aos cruzados. Roberto deixou Molesme com quase vinte adeptos. Recusavamse a aceitar oblatos infantis e não empregavam servos. Como símbolo de sua dedicação a uma vida de pureza. aos vinte e cinco anos. foram para o sul a fim de fundarem uma comunidade em Citeaux. Em 1098. Abandonaram as longas litanias e orações que ocupavam o dia inteiro dos monges do coro de Cluny e rejeitaram todos os vínculos com a nobreza local. membro da nobreza anglo-saxã cuja família se tinha arruinado em conseqüência da Conquista Normanda em 1066. e daí para a França. fez uma peregrinação a Roma. Depois de desavir-se com o arcebispo de Reims. a aproximadamente vinte e cinco quilômetros ao sul de Dijon. que havia estudado e mais tarde ensinado na escola da catedral em Reims.família. julgando seu refúgio insuficientemente remoto. por sua vez. após uma breve estada na diocese de Langres. mas aceitavam irmãos leigos para trabalharem em suas propriedades.caso estas se situassem a certa distância do mosteiro viviam numa "herdade". onde fundaram o mosteiro de Molesme. Aí eles puderam viver de acordo com o seu conceito da regra de Bento de Núrsia. e fundou um conglomerado de eremitérios nas montanhas de Chartreuse. situadas num penhasco de onde se descortinava a vista do pequeno rio Laignes.

era então. Aqueles que ingressassem num mosteiro menos rigoroso como Cluny poderiam contemplar uma carreira como administrador eclesiástico ou homem de Estado. Antes do fim do século haveria mil e duzentas comunidades filiadas a Citeaux por toda a Europa. e continuaria a ser por algum tempo. e a austeridade que impressionou papas dissuadiu aqueles com vocação monástica. ou simplesmente com aversão à violência e ao derramamento de sangue. a exemplo de Odon de Lagery. entre o escarlate e o preto. mas seu distanciamento afastou a nobreza da Borgonha. Impressionados com a sua austeridade. Então. O papa Urbano II ordenou-o a voltar. Ou eram livres para dedicar-se à erudição e ao saber: Estêvão I-larding foi um erudito de primeira ordem. Por conseguinte. é difícil entender como tantos jovens que pertenciam à elite do seu país haviam optado por uma vida de renúncia. sua natureza irascível e até mesmo violenta só poderia ser domesticada pela vida austera seguida . bem poderia ser direcionado para a vocação religiosa por uma mãe pia e amorosa -. o jovem e carismático Bernardo chegou de Fontainesles-Dijon com trinta e cinco parentes e amigos seus. quando um monge é visto como algo excêntrico à margem da sociedade. No fim do século XX. Clairvaux logo atraiu um intenso fluxo de fervorosos rapazes. Sucederam-lhe como abades em Citeaux primeiro Alberico de Aubrey e depois Estêvão Harding. que revisou o texto da Bíblia latina e pediu a rabinos que o ajudassem a entender o hebraico do Antigo Testamento. Arlete de Montbard. como papa. doado por Hugo. A ordem cisterciense (7S POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO passou por um rejuvenescimento.Na ausência de Roberto. Três anos após sua admissão em Citeaux. Molesme tinha entrado em declínio. Nos primeiros anos do abadado de Estêvão Harding.este parece ter sido o caso de Bernardo e sua mãe. Eles mudaram o nome para vale da Luz (Clairvaux) e começaram a desbravar o terreno e a construir uma igreja e uma habitação. não se deve esquecer que a escolha de um descendente de uma casa nobre. Também revela certo grau de autoconhecimento: pelo seu próprio relato. o próprio Bernardo levou doze outros monges para darem início a um mosteiro no arborizado vale do Absinto. entre lutar e orar. em 1113. A decisão de Bernardo de escolher o portão mais estreito e o caminho mais íngreme para o Reino dos Céus em Citeaux demonstra a pureza de sua vocação. terminando. tinha-se a impressão de que o projeto fracassaria. Sem necessariamente pôr em dúvida a sinceridade e convicção de cada um que estava respondendo a um chamado de Deus. um rapaz com uma índole sensível ou estudiosa. e conhecido como um refúgio de salteadores. entre a guerra e o ministério. os papas viriam a conceder posteriormente aos cistercienses isenções do pagamento de dízimos e tributos senhoriais. ou mesmo da pequena nobreza. conde de Champagne.

nos primeiros dias da Igreja. e nas Confissões. Uma sensação de repulsa pelo nosso aparelho reprodutor é encontrada. nunca desenvolvida e mais tarde abandonada. revolucionário: até mesmo a beleza de Cluny é um sintoma de corrupção. Vários fatores concorrem para explicar o que no século XX talvez pareça uma neurose. havia escrito que. havia moralistas monásticos que julgavam que as relações sexuais conjugais só poderiam ser justificadas se o seu propósito fosse a procriação-e ainda assim a conjunção carnal continha certo grau de pecado. embora fosse bom ser casado. OS TEMPLÁRIOS Outro aspecto da vocação monástica que surpreende e mesmo afronta as normas aceitas do fim do século XX é o elevado valor atribuído à castidade. permanecer solteiro era melhor. de Agostinho. em sua réplica. moderado. Ele é ardente. Bernardo censura severamente a degeneração moral da comunidade de Pedro. e uma das principais campanhas do papado nesse período era a insistência no celibato para o clero. vivia à base de pão grosseiro e água choca. Bernardo desdenhosamente contrastou a vida aprazível. obstinado. Em primeiro lugar. . Em sua carta a Pedro. O expoente mais radical desse ponto de vista era Pedro Damião. provocador. abade de Cluny. A própria força e intensidade do sexo. na aversão por ele expressa às suas emissões noturnas involuntárias. É difícil não sentir pena das aristocráticas moças da Borgonha e da Champagne quando seus maridos potenciais retiravam-se para trás dos muros dos mosteiros cistercienses. é conservador. Indícios dessa natureza são encontrados em sua discussão sobre um jovem monge com Pedro. Agostinho de Hipona. existiam duas correntes de pensamento contraditórias na doutrina da Igreja. de que o Pecado Original de Adão e Eva tinha algo a ver com o sexo e que foi transmitido pelo ato sexual. gentil. na impureza ritual de uma mulher durante o período menstrual. um dos principais ideólogos das reformas gregorianas . Cristo tinha louvado aqueles que "se fizeram eunucos" por causa do Reino. tornavam-no um obstáculo no caminho da santidade. conciliador. a equação fundamental da vida eremítica era que a indulgência de instintos atávicos fechava os canais para o espírito de Cristo. Arrebatado por sua própria retórica. Por um lado. como vimos. pensava que uma entrega sincera a Cristo era incompatível com o casamento. e o apóstolo Paulo. Será que isso significava que mesmo dentro do casamento o sexo era errado? Por volta do século XI.pelos cistercienses.um monge que fez carreira na administração pontifícia até tornar-se cardealbispo de Óstia. no judaísmo. e o modo pelo qual ele compromete a vontade. o Venerável. Pedro. Também havia a idéia proposta por Agostinho de Hipona. fácil e luxuosa em Cluny com a dieta frugal e o severo regime em Clairvaux.

"Nenhuma comunidade religiosa era mais radicalmente masculina em sua têmpera e disciplina do que os cistercienses. próximo a Molesmé. nenhuma evitava o contato com o sexo feminino com maior determinação ou erguia barreiras mais difíceis contra a intrusão de mulheres. os cabelos. tornar-se freira. e "embora se passassem muitos longos anos até que a sociedade ocidental acreditasse em seus próprios ouvidos. louros e a barba. Em meados do século XII. mas celestial (. com consentimento do marido.evidente que aqui estava um profeta plenamente reconhecido em seu próprio país. e foi sem dúvida pensando na salvação de suas almas. a tez. Humbeline. a pele. o papa OS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO inglês Adriano IV decidiu que esse direito se aplicava até a escravos. "Sua face irradiava um intenso esplendor. a decisão dele afinal prevaleceu". Em que consistia a natureza do carisma de Bernardo? Seu biógrafo na pita prinaa considerava-o bonito: o corpo era esguio e frágil. era crescente a insistência do papado na natureza sacramental do casamento como uma condição sagrada que. avermelhada. se o sexo era um pecado fora do casamento e uma fonte de imperfeição mesmo dentro dele. mas também em assegurar o futuro das mulheres solteiras de sua própria família e das famílias de seus monges."' Inevitavelmente. Era axiomático que monges não deviam misturar-se com mulheres. dependia de livre consentimento. e se regozijava com qualquer expediente que desencorajasse os homens em quem a imagem divina fora estampada de envolver-se em algo tão degradante". macia."' Ao mesmo tempo.usava uma cinta de ferro ao redor dos quadris e submetia-se a freqüente e severa flagelação. uma comunidade de freiras. cujos olhares convidativos haviam induzido muitos homens bons à perdição. mediana. entre as quais sua própria irmã caçula. cuja origem não era terrena."'°9 É inútil especular como ele teria aparecido na televisão.. Humbeline tinha sido casada e levado uma vida mundana antes de ser persuadida pelo irmão a se arrepender e. tudo o que precisamos saber em relação ." Aconteceu o mesmo com Guido. Mas seu poder sobre os outros procedia claramente de sua personalidade e convicção. Ele considerava o casamento "como um disfarce obscuro para o pecado.. que Bernardo fundou em Jully. o irmão mais velho de Bernardo: ele era casado e tinha duas filhas. e no entanto foi convencido por Bernardo a renunciar a elas e ingressar na comunidade em Clairvaux. É . era melhor evitar a fonte de tentação. a compleição. fresca e rosada." É claro que igualmente tentadores para as mulheres eram os rapazes bonitos. para sua validade. Será que essas moças se tornaram freiras voluntariamente? Segundo a hitaprima de Bernardo de Clairvaux.) até mesmo sua aparência física era transbordaste de pureza interior e abundância de graça.

o arcebispo de York c muitos cardeais e bispos. um historiador beneditino contemporâneo nosso.aos templários é que Bernardo de Clairvaux. tinha derroxado um exército sarraceno em Azaz e feito incursões no território damasceno.. como escritor. O objetivo dessa missão era persuadir Foulques de Anjou a desposar Welissanda.] 1. Sem dúvida.e recrutar tropas para um planejado ataque a Damasco. mas agora ele podia fazer esse apelo de uma posição de poder. Citeaux-Clairvaux foi o centro espiritual da Europa.1 Em 1127. cujos dons e oportunidades foram exatamente harmonizados. e tornar-se herdeiro do trono de Jerusalém . Corri Tiro nas mãos dos latinos. A própria Damasco parece ter estado ao seu alcance: com reforços e uma derradeira arremetida. ele havia sitiado Alepo. e de que ele se julgava capaz de fazer com duo alguns cavaleiros entrassem para o seu séquito. Como Balduíno tinha três filhas e nenhum filho. Independentemente do que os papas pudessem dizer a respeito da validade de um casamento que dependesse do . sua posição tinha sido desesperadora. criando um novo principado para os latinos e fornecendo quantidades fabulosas de presas de guerra. c outrora São Bernardo teve entre seus ex-mondes o papa. os Cavaleiros do Templo. seu magnetismo pessoal e sua força espiritual eram importantes e irresistíveis. Gomo líder. ela poderia ter caído. mas o próprio fato de que o mestre tenha sido escolhido pelo rei Balduíno para essa importante müssão. ele podia contemplar um ataque ao interior do território muçulmano. havia penetrado ainda mais no território damasceno. Em 1124. ). filha do rei Balduíno. Por Os TE \7PLARIOS quarenta anos. como pregador e como santo. Homens vinham de todos os rincões da Europa para Clairvaux e eram enviados de novo por todo o continente (. Não se sabe qual era o tamanho da Ordem nessa ocasião: os cronistas mencionam apenas os nove fundadores. se casasse com um homem de certa posição social. era um da pequena categoria de grandes homens no mais alto grau.. sugere que a Ordem havia alcançado certo prestígio no ultramar. No início de 1126. em 1125. com a força militar completa de seu reino. Hlugo tinha um terceiro objetivo: conquistar recrutas e obter a sanção do papa para sua ordem. Hugo de Payns foi enviado pelo rei Balduíno II com Guilherme de Burros numa missão diplomática à Europa Ocidental. o rei Balduíno julgou que sua oferta a Foulques e à nobreza européia fosse atraente: cinco anos antes. com considerável êxito. conforme sintetizado por Dom David Knowles. afastando a ameaça de muçulmanos do interior. sua filha mais velha. era evidentemente indispensável para a estabilidade em longo prazo do reino que Melissanda.

nem uma mulher nem uma criança poderiam comandar cavaleiros em batalhas. logo após a morte de um barão. que consistiam em ouro e prata ". tinha-se convencionado que um feudo poderia ser herdado por sua mulher e filhos. recolhendo pequenas doações de armaduras e cavalos e dotações mais significativas dos condes de Blois e de Flandres. fora o co-fundador dos Pobres Soldados de Jesus Cristo. No entanto. castelão de Saint-Olner. "no uso medieval. sem dúvida com certo exagero. mas não existe nada que sugira que Hugo viajou pela Europa dessa forma. oido significava bem mais do que uma organização ou pessoa jurídica. foi a aprovação da nova Ordem pela Igreja. Não está de todo clara se a arrecadarão de fundos de Hugo foi especificamente para sua Ordem ou. A viagem de hlugo à Europa foi um enorme sucesso. Godofredo. pela Escócia. seus sentimentos às vezes influíssem na escolha. na Picardia. dúvida pavimentou o caminho para a bem-sucedida viagem de Hugo pela Inglaterra. Gomo concessão à maior probabilidade de um homem morrer jovem. embora. Não obstante a turbulência política na Europa possa ter impedido monarcas de primeira categoria. de tomar a Cruz. e de Guilherme II. Numerosas escrituras públicas mostram nobres francos vendendo seus bens ou levantando empréstimos para financiar sua participação numa cruzada.livre consentimento do casal. de modo mais geral. Não existem provas de OS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO que as próprias esposas questionassem essa necessidade. eles haviam reagido de maneira entusiástica ao pedido de Hugo de ajuda à sua Ordem militar. O rei Henrique I reagiu com generosidade à arrecadação de fundos de Hugo. sua mulher desposasse alguém que pudesse fazê-lo. que. casou-se cota Matilda. ACrôjr2caflyaglo-Saxã relata. era imperativo que. a herdeira de Henrique I da Inglaterra. pela França e por Flandres. I?mjunho. Em abril de 1128. encontramo-lo em Anjou visitando Fouldues em Le Mans. pai"' de Godofredo de Saint-Omer. junto com Hugo cie Payns. tais como os reis da Inglaterra e da França e n conde de Flandres. o que sem. era essencial à segurança do ultramar que cada feudo tivesse um líder forte. porque . Portanto. deixando Fouldues livre para mudar-se para Jerusalém e desposar iylelissanda. Como o historiador Joshua Prawer assinala. contudo. A autoridade que Balduíno deu a Hugo e seu sucesso no recrutamento de nobres importantes para o assalto a Damasco sugerem que ele era uma figura investida de mais autoridade do que antes se supunha. dando-lhe "grandes tesouros. Mais importante ainda. duo Hugo conseguiu recrutar mais pessoas do que o papa Urbano II para a Primeira Cruzada. O selo primitivo dos templários exibia dois cavaleiros montando um único cavalo para simbolizar sua pobreza. filho de Foulques. como veremos. para a planejada campanha do rei Balduíno IT contra Damasco.

. Bernardo deve ter tido certa dívida de gratidão para com esse grande nobre que havia renunciado ao mundo. e na presidência do concílio estava o legado pon tifício.'" Todavia. Havia . e não monges que cantem e se lamentem". sugere uma crise no estado de ânimo deles.e continuava a haver . seu amigo e benfeitor. de Reims e de Sens. abade de Molesme.)".. arcebispo de Canterbury. O conde Teobaldo de Champagne era anfitrião dos veneráveis sacerdotes. Hugo de Payns lhe escrevera de Jerusalém pedindo-lhe ajuda na obtenção de "confirmação apostólica" e na redação de uma Regra . dez bispos e sete abades. Um homem ainda mais estreitamente relacionado com os templários era o tio mais moço de Bernardo. que se julga ter sido escrita por Hugo aos irmãos em Jerusalém enquanto ele estava na Europa. meioirmão de sua mãe.. não passava de uma visão de destruição (. que seria encontrada na vida monástica.dúvidas no espírito de alguns eminentes sacerdotes acerca da moralidade da guerra: alguns eram de opinião que a reprimenda de Cristo a Pedro quando este decepou a orelha do servo do sumo sacerdote significava que o uso da violência era incompatível com a vida de um religioso professo.dois arcebispos. Devido ao patrocínio anterior de Hugo. A maioria dos prelados presentes eram franceses 109 OS TEMPLÁRIOS . Uma carta de encorajamento. sob qualquer que fosse o nome. Bernardo escreveu-lhe congratulando-o. quando o abade cisterciense de Morimond propôs a fundação de um mosteiro na Terra Santa. Mateus de Albano. a aprovação do concílio não foi uma conclusão precipitada. mas ao mesmo tempo lamentando-se de que ele não tivesse optado por tornar-se monge em Clairvaux. 114 Para atrair o apoio de Bernardo. A despeito da sanção prévia do patriarca de Jerusalém. mas ocupavam um lugar numa forma de organização política cristã". Bernardo sabia da fundação da Ordem dos Templários por intermédio do conde Hugo de Champagne. Os homens que pertenciam a um O1-(Io não seguiam simplesmente seu destino pessoal. entre eles Estêvão Harding.incluía a idéia de uma função social e pública. havia considerado o ato de tomar a Cruz para ir em cruzada imensamente inferior à vocação monástica: "Para ele. André de Montbard. que.). Hugo compareceu perante o concílio da Igreja reunido em T royes em janeiro de 1129. e Bernardo. Apesar de sua vida encerrada em Clairvaux."' A fim de assegurar essa aprovação. Ambos devem tê-lo mantido informado das necessidades do ultramar: em 1124. e a carnificina da Jerusalém terrena neste mundo. Bernardo rejeitou a idéia alegando que "as necessidades lá são cavaleiros que combatam. Ao ouvir que Hugo havia entrado para a Ordem em Jerusalém. abade de Clairvaux. Anselmo estava agora morto e a preeminência por ele conquistada em virtude de sua santidade e sabedoria tinha passado para Bernardo de Clairvaux. a escolha importante era simplesmente entre a Jerusalém celestial (.. O culto lombardo Anselmo.

de Vida.veio de João. Godemar e André é possível que este último fosse o tio de Bernardo..)". abade de Clairvaux". acompanhado de cinco membros da Ordem . disse que o fez "por ordem do concílio e do OS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO venerável padre Bernardo. era a ."` I Iugo de Payns. a diferença entre um cavaleiro do Templo e um sargento ou escudeiro deveria tornar-se evidente pela sua vestimenta. "Vós que renunciais a vossos próprios anseios (." O branco só poderia ser usado por um cavaleiro de profissão plena. foi transcrita por Jean Michel num documento de setenta e três artigos. ou seja. Geoffroy Bisot. "a fim de que aqueles que renunciaram à vida de trevas reconheçam uns aos outros como tendo sido reconciliados com o seu criador pelo símbolo de seus hábitos brancos. que registrou as atas do concílio. descrito pelo cronista Ivo de Chartres como um "súcubo e sodomita" e conhecido pela alcunha de "Flora". O prólogo nada tem de bom a dizer sobre a cavalaria secular: ela "desprezou o amor à justiça que constitui seus deveres e não fez o que deveria. e se as circunstâncias tornassem isso impossível.. pretos ou marrons. roubar e matar".cujas razões são desconhecidas . ele deveria rezar treze pai-nossos: sete para cada hora e nove para as vésperas".. A influência cisterciense logo se faz notar. celibato. que significam pureza e castidade absoluta". Assim como nas ordens beneditina e cisterciense se fazia uma distinção entre o monge e o irmão leigo. com desejo sincero. que é defender os pobres. os órfãos e as igrejas. Isso significava renúncia total e. Examinada atentamente e revisada pelos padres do concílio.."' mas agora àqueles que se juntavam aos templários oferecia-se a oportunidade de "abandonar a massa da perdição" e de "revitalizar" a ordem de cavalaria e ao mesmo tempo salvar suas próprias almas. isto é. Ele enviou o pedido aos cuidados de dois cavaleiros.. Payen de NIontdldier e um certo Rolando -. "em vez de rezar as matinas. por ouvir as matinas e todo o serviço de acordo com a lei canônica (. Bernardo obedeceu a uma convocação imperativa para participar do concílio da Igreja em Troyes e claramente dominou os debates: Jean Michel."5 cujas palavras eram "prodigamente elogiadas" pelos prelados ali reunidos.. ) esforçai-vos em toda a parte. mas empenhou-sé em pilhar. Castidade.Godofredo de Saint-Omer. Archambaud de Saint Armand. a quem ele dificilmente se recusaria a atender. descreveu a fundação da Ordem e apresentou sua regra. as viúvas. bispo de Orléans. A única oposição . ) para a salvação de vossas almas (. "Ordenamos que os hábitos de todos os irmãos sejam sempre de uma só cor. Embora prostrado pela febre. brancos. quando não ocupados com obrigações militares. viver a vida de um monge.

os cavaleiros e o clero tinham permissão para fazer duas refeições à base de carne. Isso talvez visasse a capacitá-los a lutar em pouco tempo: "ordenamos que todos façam o mesmo. embora fossem sustentadas pela Ordem por causa do domínio feudal trazido OS TEMPLÁRIOS por seus maridos.. mas não podiam usar o hábito branco.. os cavaleiros tinham de comerem silêncio no refeitório. de modo que cada um possa vestir-se e despir-se. o dormitório onde os cavaleiros dormiam deveria estar "iluminado até de manhã". A companhia de mulheres é uma coisa perigosa. "A castidade é a convicção do coração e a sanidade d0 corpo. Nós proibimos sapatos de bico fino e cadarços e vedamos seu uso a qualquer irmão (." Consentia-se que homens casados ingressassem na Ordem com a permissão de suas esposas. ser banidas das comunidades dos templários. e calçar e tirar suas botas com facilidade". enfraquecê-los-ia como combatentes. irmã. moça. como as outras parentas dos cavaleiros.. sem o que ninguém pode ver Deus'. todavia. Como os monges. deviam. possivelmente como precaução contra outras formas de pecado sexual.) `Esforçai-vos para levar a paz a todos. o consumo de carne era permitido apenas três vezes por semana . conforme a promessa do apóstolo que disse (. tia. como os cistercienses. Pois se um irmão não fizer o voto de castidade ele não poderá alcançar o descanso eterno nem poderá ver Deus. mãe..condição sinequa non do juramento do cavaleiro. e doravante os Cavaleiros de Jesus Cristo devem evitar a qualquer preço os abraços das mulheres.." Seguindo a regra de Bento de Núrsia. pois por causa dela o velho diabo tem desviado muitos do reto caminho do Paraíso (. e os templários tinham de dormir "vestidos com camisa e calções e sapatos e cinto".). não lhes era permitido barbear-se: todos os cavaleiros do Templo usavam barba. seja outra qualquer. e as viúvas.).abster-se por completo.. Por esta razão nenhum de vós deve atrever-se a beijar uma mulher. O fanqueiro da Ordem visava a assegurar que as roupas dos cavaleiros lhes assentassem bem e que seus cabelos fossem cortados curtos. Aos domingos. conservai-vos castos... Não devia haver variações de seus trajes de acordo com a moda: "nenhum irmão terá uma peça de pele em suas roupas (.) pois é manifesto e bastante conhecido que essas coisas abomináveis pertencem aos pagãos". seja viúva. Porque "se sabe que o hábito de comer carne corrompe o corpo". pelos quais os homens muitas vezes se arruinaram. a fim de que possam permanecer eternamente perante a face de Deus com a consciência pura e a vida firme. ao passo que os escudeiros e os sargentos "devem contentar-se com uma refeição e ser gratos a Deus por . Acreditamos que seja perigoso para qualquer religioso olhar demais para o rosto de uma mulher.

. o poder do mestre era absoluto. do rumor. Eles não podiam jactar-se de suas proezas passadas: "nós proibimos e impedimos com firmeza qualquer irmão de narrar a outro ou a qualquer pessoa os atos de bravura por ele praticados na vida secular. presumivelmente uma injunção prática contra a inveja. caso fossem obrigados a hospedar-se numa estalagem. Também lhe era permitido receber dízimos como parte de uma dotação leiga ou clerical. "A fim de executarem seus santos deveres e obterem a glória do regozijo do Senhor . podem ir aos aposentos de outro para vê-lo ou falar com ele sem permissão".antes ser chamados disparates cometidos na execução dos deveres de um cavaleiro. A Ordem poderia possuir terras e beneficiar-se do trabalho de arrendatários e vilões. e durante os seis meses entre Todos os Santos (1° de novembro) e a Páscoa deviam consumir uma quantidade mínima de alimentos. os irmãos podiam fazer duas ou três refeições à base de vegetais e pão. e. OS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO Pode-se perceber nessa primitiva regra dos templários o medo de Bernardo de Clairvaux e dos padres do concílio de que. exceto ao leão. Eles tinham de jejuar às sextasfeiras. Mesmo aí os irmãos tinham de ir aos pares. "nem irmão. nem escudeiro. e os prazeres da carne que ele teve com mulheres imorais". como Satã. e. Os irmãos tinham de evitar a frivolidade em duas conversas . se o mestre decidisse dá-los a outro. nem sargento. Os doentes estavam isentos do jejum.. "vem rodeando e procurando o que possa devorar". A exemplo de um abade numa comunidade monástica. o qual. os cavaleiros do Templo resvalassem de volta para os hábitos do mundo. os quais ela deveria governar de maneira justa.) que conversa em excesso não é destituída de pecado"."9 Reconhecia-se que os cavaleiros deveriam ter algum contato com o mundo.) exceto para orar à noite no Sepulcro e nos lugares de oração que se situam dentro dos muros da cidade de Jerusalém". Um décimo da comida dos templários e todas as sobras eram destinados aos pobres. os quais deveriam. "nenhum irmão deveria pedir de modo explícito o cavalo ou a armadura de outro". Não só sapatos de bico fino e cadarços eram proibidos a um cavaleiro do Templo.. do ressentimento e da maledicência". Eles tinham de evitar "a praga da inveja.ela".e tampouco deviam passar o tempo tagarelando. A falcoaria e a caça eram proibidas."palavras vãs e gargalhadas pecaminosas" . mas também ornamentos de ouro ou prata em suas rédeas e uma sacola de linho ou lã para comida. mas eles não podiam "ir à vila ou à cidade sem a permissão do mestre (. Às segundas e quartas-feiras e aos sábados.. ele "não deveria ficar aborrecido ou indignado". e. sem a salvaguarda do enclausuramento monástico. "pois está escrito (.

" Se o desejasse. Hugo de Payns recebeu uma carta de Guigo."' Contudo. o qual ele reforçou. O mestre e o capítulo estavam autorizados a punir os irmãos que transgredissem. Mas em feral o foco da regra parece ter sido a salvação das almas dos cavaleiros.! i Foi decerto para mitigar quaisquer dúvidas no espírito dos templários já existentes e de recrutas potenciais que Hugo insistiu com Bernardo para escrever De lande. em seguida confirmada pelo papa Honório II. o quinto prior da Grande Cartuxa. Ele era um monge respei tadíssimo e evidentemente sentiu que era seu dever convencer os templá rios de que deveriam ver sua voca~âo antes de tudo como espiritual. a Ordem dos Cavaleiros do Templo bem poderia ter mal grado desde o início. . em se tratando de assuntos sérios. e não a eficácia de uma força de combate. Dos setenta e três artigos dessa rega aprovada no Concílio de Troyes para os Cavaleiros do Templo. Essa aprovação deveu-se em grande parte ao apoio de Bernardo de Clairvaux. deve ser feito sem demora. "Na verdade. cerca de tri>ta baseiam-se na regra de Bento de Núrsia. o mestre poderia aconselhar-se com os irmãos mais sábios e. e não como marcial. Pois assim que algo é ordenado pelo mestre ou por aquele a quem o mestre deu autoridade. após seu retorno a Clairvaux. Há algumas referências à vocação militar dos irmãos-por e~emplo. nutra cavalaria pesada disciplinada e uniformizada que iniciava uma campanhaque não estava sujeita a oscilações de lealdades pessoais ou às incertezas dos tributos feudais. Bernardo e os padres do concílio pareciam mais ansiosos em transformar cavaleiros em monges do que monges em cavaleiros.""' Ele enviou cópias de sua carta'. Os padres do concílio não parecem ter previsto que a aplicação da disciplina monástica a uma unidade militar resultada. é conveniente que todos os irmãos professos obedeçam estritamente a seu mestre. Bernardo afirma na introdução que bastaram apenas três pedidos para que ele pegasse na pena.e uma concessão às condições no ultramar: ser-lhes-ia permitido trocar suas camisas de lã por outras de linho nos meses de verão. por dois mensageiros e pediu a Hugo que assegurasse que ela fosse lida para todos os membros de sua Ordem. é inútil para nós atacarmos os inimigos externos se não derrotarmos primeiro os internos. como se o próprio Cristo o tivesse ordenado. O tratado é dirigido aos irmãos e no início os adverte de . pela primeira vez desde o colapso do Império Romano do Ocidente. "reunir a congregação inteira para ouvir os conselhos de OS T:MPLÁRIOS todo o capítulo". escrevendo o tratado De laude novas militae ("Em louvor da nova ordem de cavalaria"). Será que isso foi suscitado por críticas à Ordem? Ao regressar a Jerusalém. se não tivesse recebido a aprovação da Igreja no Concí lio de Troyes. Pois nada é mais caro a Jesus Cristo do que a obediência. especificando o número de cavalos a serem colocados à disposição de cada cavaleiro .e de escaparem do medo do fogo do inferno.

os cavaleiros seguiram a regra de Agostinho de Hipona e construíram seu hospício no local onde a concepção de São João Batista tinha sido anunciada por um anjo. A vida de fato é fecunda e a vitória gloriosa. do T) OS TEMPLÁRIOS na.que o Diabo tentará solapar a resolução deles. Era para o bem espiritual dos templários que eles pisariam o mesmo solo que seu salvador. destemidos atletas. tentando desviá-los do ofício escolhido com a quimera de um bem maior. junto com seus dependentes. Gomo os Templários primitivos e os cônegos da Igreja do Santo Sepulcro. um mosteiro fundado em Jerusalém antes da Primeira Cruzada por mercadores de Amalfi. os quais naquela época exerciam o monopólio no comércio do Ocidente com o Levante. certos de que nem a morte nem a vida podem separarvos do amor de Deus. . (N. deparar com a realidade material do Santo Sepulcro faz o cristão recordar-se de que aqui ele também vencerá a morte. deveriam ser dispensados da jurisdição de tribunais leigos.o homicídio do mal -. se viverdes e conquistardes no Senhor. Ide em frente em segurança. Uma segunda ordem de monges militares com raízes na Terra Santa . em malecídio' . Pois se aqueles que morrem no Senhor são abençoados. mas como uma comunidade leiga devotada ao cuidado de peregrinos pobres pelos monges de Santa Maria dos Latinos. Acima de tudo. o que era bom. quer morramos. mas exultai e glorificai ainda mais se morrerdes e vos juntardes ao Senhor. repetindo para vós mesmos a cada perigo: Quer vivamos."' cujos motivos puros transforOS POBRES SOLDADOS DE JESUS CRISTO oravam homicídio. impugnando seus motivos para matar o inimigo e levar os espólios de guerra. mas (.os Cavaleiros do Hospital de São João . Quão gloriosos são os vencedores que regressam da batalha! Quão abençoados são os mártires que morrem em combate! Regozijai-vos. Ele também decretou que os templários. quão mais abençoados são aqueles que morrem pelo Senhor? Malecide no original. Essa ordem tinha sido fundada não como uma ordem militar. cavaleiros. "completamente diferente da maneira habitual da cavalaria". o que era mau. Não havia dúvida no espírito de Bernardo de que a Terra Santa era o patrimônio de Cristo injustamente confiscado pelos sarracenos grande parte do tratado era preenchida com uma descrição das cenas de sua vida e Paixão.também foi atraída para a Reconquista ibérica. que está em Cristo Jesús. e com alma intrépida afugentai os inimigos da cruz de Cristo. e um grupo de seus vassalos comprometeram-se a servir com os templários por um ano. Ele reconhecia que eles eram uma inovação na vida da Igreja. nós somos do Senhor...) a morte é melhor do que qualquer dessas coisas.

"um edifício tão grande e maravilhoso que parecia inacreditável. apesar de todas as suas proezas como martelo dos mouros. Embora o Hospital nunca abandonasse sua vocação original de cuidar dos peregrinos e dos enfermos. a necessidade imperativa de uma força para proteger os peregrinos era tão óbvia para ele quanto para Hugo de Payns. Sem herdeiros. os bispos. em outubro de 1131. um cavaleiro franco que por princípios religiosos permanecera em Jerusalém depois da Primeira Cruzada. Após a captura de Jerusalém em 1099.Um bula papal de 1113 sancionando o Hospital chama seu fundador de irmão Gérard. redigiu um testamento. e possivelmente com a expectativa de prevenir uma disputa pelo seu reino que levasse a dissensões após a sua morte. deixando seu reino para os Cônegos do Santo Sepulcro em Jerusalém e para as duas ordens militares. associada a uma excepcional competência como "o mais eficiente oficial de aquartelamento que os cruzados haviam encontrado". enquanto Hugo de Payns estava na Europa. os cônegos. Seu casamento com Urraca de Castela foi dissolvido em 1114. Em 1128. revelou-se incapaz de gerar filhos. Por volta de 1113. os cavaleiros. Se Raimundo e seus confrades tinham renunciado à espada e à armadura. o Hospital havia fundado várias casas na Europa para prestar assistência a peregrinos a caminho da Terra Santa. o irmão Raimundo de Le Puy acompanhava o rei Balduíno II numa campanha contra Ascalão. Seus alojamentos junto da Igreja do Santo Sepulcro logo absorveram o mosteiro de Santa Ana e possuíam um grande átrio com capacidade para dois mil peregrinos e várias centenas de cavaleiros. tanto sobre os clérigos como sobre os leigos..) também a autoridade que tenho em todas as terras de meu reino. sua piedade. "A estes três concedo todo o meu reino (.'26 levou a dotações por Godofredo de Bouillon e seus sucessores e por europeus pios impressionados com o que tinham ouvido dos soldados e peregrinos que retornaram. os homens e as mulheres. Evidentemente. os burgueses. a menos que alguém o visse". O irmão Gérard morreu em 1120 e sucedeu-lhe Raimundo de Le Puy. Os hospitalários retiveram a regra mais branda dos cônegos agostinianos. acabou tornando-se uma ordem militar. 127 O rei Afonso de Aragão. mas tiraram dos templários o título de mestre para o OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA seu superior. "o Batalhador". os pequenos . ao passo que a aprovação da regra dos templários pela Igreja no Concílio de Troyes e o tratado de Bernardo de Clairvaux em sua defesa sancionaram e encorajaram a evolução do Hospital numa ordem militar comparável. os monges.. os abades. os nobres. os hospitalários e os templários. eles agora as recobravam. os camponeses e os mercadores. As duas ordens expandiram-se lado a lado: a estrutura administrativa desenvolvida pelos templários na Europa era baseada na que já havia sido criada pelos hospitalários.

mas."'33 A família Bourbouton procedia de uma classe social um pouco abaixo da dos grandes nobres da Europa ocidental. os três beneficiários foram incapazes de fazê-la cumprir. Pois aquele que quiser salvar a sua vida. exceto as ovelhas. um décimo da receita real. vai encontrála". Suas razões para alistar-se variavam. com leis como as que meu pai e eu temos tido até agora e que devemos ter.) implicava pesadas despesas e verdadeiros sacrifícios financeiros.'os ricos e os pobres. "Eu me submeto à mesma ordem de cavalaria de Deus e do Templo. seu filho Nicholas seguiu-lhe o exemplo e doou toda a sua propriedade à Ordem. doação e compromisso estavam associados. Hugo de Bourbouton ingressou na Ordem do Templo em 1139. ela foi ignorada e. eles foram atraídos para a Reconquista e tornaram-se uma das forças mais temíveis em Portugal e na Espanha.. vai perdê-la. Todavia. a fim de servir como servo e irmão."'z8 Não se sabe o motivo dessa decisão. a despeito do apoio do papa Inocêncio II. que deveriam prover à subsistência de sua mãe. embora indigno. que continua a ser uma das mais bem preservadas até hoje. isenção de vários impostos e um quinto de todas as terras conquistadas aos mouros. com quem tinha relações de amizade.. O consenso entre historiadores de que outrora as cruzadas eram um frágil pretexto para pilhagem e rapina havia agora mudado em favor da motivação penitenciai."' Assim. negue-se a si mesmo. os templários foram compensados com o domínio de meia dúzia de fortalezas.I" e suas famílias e amigos muitas vezes arcavam com as despesas. tome a sua cruz e siga-me."'3° O mesmo acontecia com um cavaleiro que se juntava aos templários: "esperava-se que os postulantes providenciassem OS TEMPLÁRIOS suas próprias roupas e equipamento quando ingressavam na ordem". Com freqüência. Hugo de Payns e Geoffroy de Saint-Omer foram elogiados por trazerem seus bens consigo. O próprio fato de a Ordem do Templo ter sido capaz de assumir esse compromisso militar numa segunda frente em 1114 demonstra seu êxito no recrutamento de cavaleiros. mas seria um erro subestimar o zelo religioso. 131 Seis anos mais tarde. mas o que perder a sua vida por causa de mim. e o mesmo . quando dez anos mais tarde se chegou a um acordo em Gerona com Raimundo Berenguer de Barcelona. quando Afonso morreu em 1134. No Norte da Provença. "O compromisso de participar de uma cruzada (. e que todos os dias da minha vida possa eu merecer a indulgência de meus pecados e por herança [estar] com o eleito na eternidade. não obstante sua relutância inicial. bem como os judeus e os sarracenos. doandolhe terras suficientes para fundar a comunidade de Richerenches.e os grandes. e os ônus sobre as famílias eram ainda mais pesados se vários membros decidissem partir. Ele afirmou que o fez em obediência à exortação de Cristo no Evangelho de São Mateus: "Se alguém quer vir após mim.

Sua reputação de honestidade e discernimento os transformou nos conselheiros de confiança de papas e reis. como Hugo. e tudo o que se requeria dos irmãos era que eles rezassem o número de pais-nossos prescritos nas horas determinadas.se pode dizer de Hugo de Payns. OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA Como a Ordem cresceu em poder e riqueza. mas também na Europa Ocidental. ele foi rejeitado sob pressão causada por atritos. Em pouco tempo. Os mestres provinciais e outros funcionários graduados. com experiência ou em batalhas ou pelo menos em justas. Contudo. dizia-se que Gérard de Ridefort. É claro que um postulante teria de ser treinado em combate a cavalo. o décimo mestre."'36 Um cavaleiro acusado de homicídio poderia ingressar na Ordem para expiar seus pecados. ela oferecia uma estrutura de carreira comparável à da Igreja. de Geoffroy de SaintOmer e da maioria dos que proviam a liderança da Ordem. Embora um período probatório constasse na regra primitiva. havia se alistado por ter sido repudiado como marido por uma herdeira. por exemplo. Como veremos. passaram a pertencer à mesma categoria dos mais eminentes pares do reino. o outro por morte. Grandes do reino. A penitência imposta aos cavaleiros que assassinaram o arcebispo . esta também apelava a cavaleiros mais pobres. e mesmo no início da Ordem haviam sido tomadas providências para recrutar entre cavaleiros excomungados. Cabia aos capelães recitar o ofício. As ordens militares eram na verdade menos exclusivas do que os mosteiros :134 a instrução não era uma exigência poucos dentre os cavaleiros sabiam ler ou escrever. oprimo de Rogério. entraram para a Ordem do Templo num estádio mais avançado de suas vidas. que ingressou numa ordem militar quando seus recursos acabaram. todavia. "Onde sabeis que cavaleiros excomungados se reúnem. Há casos de cavaleiros que haviam viajado à Palestina a suas próprias expensas. Talvez tenha havido motivos mais românticos: baladas e canções de gesta gostavam de sugerir que os cavaleiros entravam para a Ordem do Templo por causa de amor não retribuído. havia postulantes cujos motivos eram mistos. bispo de Worcester. ordenamo-vos que ides lá. Cavaleiros mais jovens e de recursos limitados eram atraídos pelas "perspectivas de viagens e promoção no mundo". Sem dúvida.13= Também havia a irresistível atração da Terra Santa. como. e com certeza não em latim. após perderem suas esposas-um devido à separação. não só na Síria e na Palestina. e no começo uma origem fidalga não parece ter sido um requisito necessário à admissão. ou Harpin de Bourges. conde de Champagne. os mestres das ordens militares tornaram-se figuras de proa. mas nesse caso um desgosto amoroso pode ter sido menos significativo do que expectativas frustradas. não seria fantasioso inferir pelo menos uma analogia parcial entre a Ordem do Templo e a Legião Estrangeira francesa. com recursos enormes à sua disposição.

vinte e cinco descendentes de OS TEMPLÁRIOS Guido de Monthéry tomaram a Cruz.de Canterbury Tomás Becket. "embora não excluísse mulheres de suas amizades. os grandes abades. não obstante. foi de quatorze anos de serviço na Ordem. Muito pelo contrário. beijo por beijo). Bernardo de Clairvaux e Aelred de Rievaulx.13' Numa sociedade onde a violência era endêmica e a coroa era incapaz de controlar barões rebeldes. os laços de parentesco e amizade eram de suma importância. Conquanto Anselmo estivesse escrevendo cerca de meio século antes da fundação da Ordem do fémplo. viam-na como um dos maiores bens que esta vida tinha a oferecer. ou: "Se eu tivesse de descrever a paixão de nosso amor mútuo. Mas tu sabes quão profunda é a afeição que vivenciamos .)".olhos nr3s olhos. Bernardo. As inferências deduzidas pelo erudito arrlericano John Boswel113's de passagens como as acima citadas.) já que não alimento dúvidas de que amamos urh ao outro com a mesmia intensidaJe. De spiritualiamicitia. entre os monges não havia proibiição do tipc de amitié particulière que mais tarde não foi vista com bons olhos na históriada Igreja. o arcebispo benieditino de Canterbury. havia o permanente apelo de camaradagem masculina em situações de perigo e necessidade. abraço po.. receio qLe àqueles que não conhecem a verdade eu daria a irrlpressão de. e sem dúvida atraía homens para as ordens militares. de que Anselmo considerava os atos homossexuais como "fraquezas comuns. recusava-se ainda menos a permitir que o amor de marido e mulher pudesse partilhar a qualidade da verdadeira amizade humana". Algumas cartas escritas por Anselmo. tenho de ocultar um pouco da verdade. [e] o amor conjugal. Aelred escreveu um tratado sobre o assunto. como Anselmo de Canterbury. seu caso é adequado à nossa consideração do modo de vida semimorástico dos ttemplários. foram refutadas de maneira convincente pelo eminente historiacor Sir .. Por fim. exagerar. pelas quais quase tidos poderiam sentir empatia". Fortanto. pois alueles cujos espíritos são fundidos juntos no fogo do amor sofrern de igual nodo se seus corpos estão separados pelo lugar de suas atividades diárias (... A tendência beneditina e cisterciense em se desligar do mundo não se estendia à amizade entre homens. ey nós vimoscomo Bernardo apareceu diante dos portíSes de CiteaUX com trirrlta e cinco )arentes e amigos. Isso certamente era uma importante característica das cruzadas. Durante duas gerações. e verificamos que a cousinage com freqüência determinava quem entrava para um mosteiro ou partia em cruzada. pensava que "o amor humano era infinitamente menor do que o amor de Deus. menor do que o amor entre amigos do sexo masculino". se parecem com cartas de amor: "Meu bem-amado (.abraço". Será que havia um elernento sexual nesses laços masculinos? Com certeza. tenho certeza de que cada um de nós deseja igualmente o olutro.

Richard Southem. Esse autor assinala que "ninguém sabia coisa algurra a respeito de tendências homossexuais inatas ou tilha interesse nelas; na medida em que se sabia que elas existiatrn, eram vistas simplesmente com) sintomas da má conduta geral da humanidade". A úuca forma de homossexualidade notada no século XI era a sodomia, "e esta era mais ou nnenos equiparada com outra forma de sexo antinaturatl, a cópula com animais ".`39 A condenação inequíwca da sodomia pela Igreja como um pecado contra Deus e contra a natureza baseou-se nas doutrinas de Paulo de Tarso'` e de Agostinho de Hipona,I" as quais eram bastan:e conhecidas dos instruídos beneditinas. Elas semdúvida tinham menor importância para os barões e os cavaleiros analfabetos, e a sodomia era com certeza praticada, no tempo de Anselmo, n~i corte do r-,i Guilherme, o Ruivo. "Deve-se reconhecer que esse pecado se tornou tão ~omum", escreveu Anselmo, "que quase ninguém se envergonha dele, e muitos, por serem ignorantes da sua enormidade, abandonam-se a ele." Em -onseqüência do que viu, Anselmo, como arcebispo de Canterbnlry, "foi no:ável por suar condenação desse pecado e de qualquer comportalmento que pudesse erlcorajá-lo, como cabelos compridos e roupas efeminadas".I4z OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA Portanto parecia certo que, embora a oportunidade de amores homossexuais não fosse um motivo para ingressar na Ordem do Templo, os padres do Concílio de Troyes estavam cônscios do perigo: daí o regulamento de que o dormitório dos irmãos deveria permanecer iluminado a noite inteira. A proibição de partilharem camas, dormirem nus ou no escuro era "para que o Inimigo hostil não lhes desse ensejo para pecarem".'43 Também está claro que havia casos em que cavaleiros ou sargentos sucumbiam à tentação. A transgressão foi incluída no detalhado rol de penitências redigido pela Ordem por volta de 1167, descrita como "o imundo e fétido pecado da sodomia, o qual é tão imundo, tão fétido e tão repugnante que não deveria ser mencionado". 144 Sua gravidade era da mesma ordem que matar um cristão ou uma cristã - e era considerado mais grave do que dormir com uma mulher. Após o retorno a Jerusalém de seus emissários, Hugo de Payns e Guilherme de Burres, com forças que haviam recrutado na Europa, o rei Balduíno II iniciou imediatamente seu planejado ataque a Damasco. No começo de novembro, Balduíno saiu da fortaleza de Banyas à frente de seu exército, que incluía um contingente de templários, e chegou a menos de dez quilômetros de Damasco. Guilherme de Burres partiu numa expedição de pilhagem com o contingente da Europa, o qual, ansioso por saquear, saiu de controle. A trinta quilômetros do acampamento principal, esse contingente foi atacado pela cavalaria damascena e apenas quarenta e cinco homens sobreviveram.

Balduíno, esperando pegar o inimigo desprevenido enquanto celebrava essa vitória, ordenou a seu exército que atacasse. Mas assim que as tropas iniciaram a marcha contra Damasco começou a chover torrencialmente e as estradas tornaram-se intransitáveis, de modo que a ação teve de ser abandonada. Existem poucas informações a respeito das atividades de Hugo de Payns e dos templários primitivos durante os anos seguintes. A primeira fortaleza a ser transferida para uma ordem militar, Bethgibelin, situada entre Hebron, nas colinas da Judéia, e Ascalão, no litoral, foi entregue aos hospitalários em 1136. É provável que os templários tenham concentrado seus recursos na tarefa para a qual tinham sido originalmente destinados: a proteção das rotas em geral seguidas pelos peregrinos. Na Cisterna Rubea, a meio caminho entre Jerusalém e Jericó, os templários construíram um castelo, uma estalagem e uma capela. Havia uma torre dos templários mais perto de Jericó, em Bait Jubr atTahtani; um castelo e priorado no cume do monte Quarantânia, onde Jesus jejuou por quarenta dias e foi tentado por Satanás; e um castelo às margens do rio Jordão, no local onde Jesus foi batizado por João Batista." OS TEMPLÁRIOS A primeira fortaleza importante transferida para os templários não foi noreirno de Jerusalém, mas na fronteira mais ao norte das possessões latinas, no; mentes Amanus. Essa estreita cadeia de montanhas estende-se ao sul da Ás.a M enor e, com picos que atingem de d o is a três mil metros, cria uma barreira natural entre o reino armênio da Cilicia e o principado de Antioquia, e também entre Alepo e o interior da Síria e a costa mediterrânea. A estrada por entre essas montanhas a partir de Alepo ou de Antioquia até os portos de Alexandreta e Port Bonnel (Arsuz) é pelo desfiladeiro de Belen, também conhecido como portões da Síria. Na década de 1130 os templários receberam a responsabilidade de proteger a região montanhosa frentei riça entre o reino da Cilícia e o principado de Antioquia - a fronteira deAmanus. Afim de guardarem o desfiladeiro de Belen através da cordilheira deAmanus, eles ocuparam a fortaleza de Barghas, que denominaram Gastou, um Castelo "que domina um cume inacessível, erguido numa rocha inexpugnável e cujos alicerces tocam o céu".'46 Gaston ficava no lado oriental da cordilheira, de onde se descortinava a planície de Alepo a Antioquia. Mais ao norte, para protegerem o desfiladeiro de Hajar Shuglan, eles ocuparam os castelos de Darbsaq e de Ia Roche de Roussel. Eras 1130, o príncipe de Antioquia, Boemundo II, foi morto quando combatia os turcos danishmend e sua cabeça embalsamada foi enviada pelo emir dCmishmend Ghazi como presente ao califa de Bagdá. Sua viúva, Alice de Jerusalém, foi a segunda das três admiráveis filhas de Balduíno de Le Bourg e Morphia, uma princesa armênia.

Melissanda, sua irmã mais velha e herdeira de Jerusalém, estava agora casada com Foulques de Anjou. Constança, filha de Alice, herdou então o trono do pai em Antioquia, mas, ao saber da morte do marido, Alice usurpou o trono. Logo se tornou evidente que esse não era o limite de suas ambições: ela planejou deserdar a própria filha e frustrar uras movimento de seu pai, o rei Balduíno de Jerusalém, para exercer seus direitos como regente. Alice enviou um emissário a Zengi, o governador sarraceno de Alepo, pedindo-lhe ajuda. Esse infeliz mensageiro foi interceptado por Balduíno e enforcado. Alice fechou os portões de Antioquia ao pai, provavelmente com o apoio de cristãos autóctones entre seus cidadãos, mas os barões franceses não a apoiaram e reabriram os portões. Pai e filha foram reconciliados. Alice foi banida para o porto de Latáquia, mas sua deslealdade para com o pai sem dúvida apressou o firas dele. Regressando enfermo a Jerusalém, Balduíno foi admitido como Cônego da Igreja do Santo Sepulcro e morreu em agosto de 1131 usando o hábito de um monge. OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA Cinco anos mais tarde faleceu Hugo de Payns. O capítulo geral dos cavaleiros do Templo reuniu-se em Jerusalém para eleger um novo grão-mestre, Roberto de Craon, o qual, embora fosse conhecido como "o Burgúndio", era na verdade de Anjou e, portanto, foi sem dúvida o candidato preferido de Foulques. Contudo, ele também havia firmado reputação como um notável administrador, e logo demonstrou sua compreensão das necessidades da Ordem do Templo ao obter privilégios adicionais e excepcionais do papa Inocêncio II na bula Omne datum optimum, publicada em 1139. Tratado por "nosso querido filho Roberto", a bula decretava que a Ordem do Templo deveria ser isenta de toda a jurisdição eclesiástica intermediária e estar sujeita apenas ao papa. Até mesmo o patriarca de Jerusalém, em cuja presença os cavaleiros fundadores haviam feito seus votos, perdeu toda e qualquer autoridade sobre a Ordem. A bula consentia que a Ordem tivesse seus próprios oratórios e permitia que padres nela ingressassem como capelães, o que tornou os templários completamente independentes tanto no ultramar quanto no Ocidente. A Ordem foi autorizada a receber dízimos, mas não precisava pagá-los - uma isenção que até então se aplicava apenas à.Ordem Cisterciense; ela poderia ter cemitérios vinculados a suas casas e enterrar viajantes e seus confrâtres - direitos com um considerável valor pecuniário. Os templários também tinham o direito aos despojos tomados ao inimigo e deviam ser responsáveis apenas perante seu mestre, que tinha de ser um deles e escolhido pelo capítulo sem qualquer pressão dos poderes seculares.

O que estava por trás dessa generosidade do papa? Inocêncio II, nascido Gregório Papareschi, procedia da classe alta romana, mas sua eleição tinha sido contestada, e um candidato rival, que adotara o nome de Anacleto II, era apoiado pelo rei normando da Sicília, Rogério II. Inocêncio fugiu para a França, onde recebeu o apoio de Bernardo de Clairvaux, cuja influência era suficiente para trazer Luís VI da França e Henrique I da Inglaterra para o seu lado. Norberto, o arcebispo de Magdeburgo, persuadiu os bispos alemães e o rei Lotário III a apoiá-lo, e por fim apenas a Igreja na Escócia, na Aquitânia e na Itália normanda reconheceu Anacleto II. Anacleto morreu em 1138 e no ano seguinte Inocêncio regressou a Roma pondo fim ao cisma de oito anos. Será que Omnedatum optimum foi a recompensa de Bernardo por seu apoio? A gratidão talvez tenha sido um fator; todavia, as bulas que reforçavam os privilégios dos templários, publicadas durante os pontificados subseqüentes de Celestino II e Eugênio III Milites Templi em 1144 e Militia Dei em 1145 -, sugerem que o apoio à Ordem era agora a política oficial da Cúria romana. Manter a Terra Santa continuou a ser uma prioridade para quem quer que estivesse usando a tiara 125 OS TEMPLÁRIOS papal, e a Ordem do Templo, que começara em conseqüência do carisma de alguns cavaleiros pios, já se tornara o principal sustentáculo da guerra da cristandade contra o Islã. Se alguém duvidasse da necessidade de crescente ajuda ao ultramar, a demonstração veio logo após a publicação de Milites Templi, na véspera do Natal de 1144, pela rendição de Edessa ao exército do governador de Mossul, Irnad ad-Din Zengi. A notícia dessa catástrofe alcançou o recém-eleito papa Eugênio III em Viterbo, no outono de 1145. Italiano de origem humilde, Eugênio tinha sido monge em Clairvaux, tendo sido atraído para a comunidade pelo magnetismo de Bernardo, e na época de sua eleição era abade da casa cisterciense de São Vicente e Santo Anastácio, além dos limites de Ruma. Em reação a esse revés no Oriente, Eugênio endereçou uma bula, Quantum praedecessores, a Luís VII, rei da França, pedindo-lhe que tomasse a Cruz. Agora, pela primeira vez, um monarca europeu assumia o desafio de uma cruzada. Luís era descendente direto de Hugo Capeto, eleito rei dos francos por seus barões em 987. Tendo herdado o trono de seu pai, Luís, o Gordo, aos dezessete anos, era casado com Alienor, filha e herdeira de Guilherme, duque de Aquitânia. Apesar de ter apenas vinte e cinco anos quando recebeu o apelo do papa, ele convocou seus barões ajuntar-se a ele em Bourges por ocasião do Natal de 1145. Aí lhes disse que planejava partir em cruzada e solicitou-lhes que fizessem o mesmo. Luís não mencionou nem a exortação do papa, nem sua encíclica Quantum praedecessores, apresentando a iniciativa como se fosse sua.

A reação foi insatisfatória. Os principais barões tinham pouco respeito por Luís, que, três anos antes, havia precipitado uma guerra ao apropriar-se de terras pertencentes a Teobaldo de Champagne, seu vassalo mais poderoso. Em Bourges, até mesmo seu conselheiro mais eminente, o abade Suger de Saint-Denis, argumentou contra a idéia de uma cruzada. Estadista perspicaz que percebia o valor de uma monarquia forte, Suger receava que os barões franceses criassem problemas na ausência do rei. O máximo que Luís ccnseguiu em Bourges foi um acordo para adiar a decisão sobre o assunto até a Páscoa seguinte, quando a corte se reuniria em Vézelay, na Borgonha. Sem se intimidar por esse contratempo inicial a seu plano, o rei Luís voltou-se para o único homem na França cuja autoridade e prestígio excediam os do abade Suger: Bernardo de Clairvaux. Fazia trinta e dois anos que Bernardo tinha aparecido diante dos portões de Citeaux e trinta que ele fundara a comunidade cisterciense em Clairvaux. Nesses anos, como vimos, ele havia firmado uma posição ímpar como mentor de papas e reis. Não só 126 OS TEMPLÁRÍOS NA PALESTINA Eugênio III havia sido um de seus monges, mas naquele mesmo ano o irmão de Luís VII, Henrique de França, ingressara na comunidade em Clairvaux. O poder de Bernardo não se originava apenas dessas relações influentes: num mundo em que tantos pregavam, mas tão poucos praticavam as virtudes cristãs, sua piedade e ascetismo o qualificavam a atuar como a consciência da cristandade, constantemente punindo os ricos e poderosos e protegendo os pobres e os fracos. Para alguns historiadores modernos, que vivem numa época em que a maioria das pessoas são indiferentes ao que as espera após a morte, Bernardo se parece com um zelote virtuoso a seus próprios olhos - alguém que "via o mundo com os olhos de uma fanático"'"' e "tinha uma inquietante tendência a considerar natural e certo que seus contemporâneos eram malvados que precisavam arrepender-se". 148 Entretanto, para Bernardo, rodeado pela brutalidade secular e pela corrupção do clero, e absolutamente convencido da realidade do inferno, não era possível fazer muita coisa para salvar uma alma exposta ao perigo. O fascínio do mal, a seu ver, residia não apenas na óbvia tentação da riqueza e do poder temporal, como também na mais sutil e de resto mais perniciosa atração de falsas idéias. Além de sua piedade, Bernardo era famoso pela extraordinária inteligência, que demonstrou em seus sermões sobre Graça e Livre-arbítrio e sobre o livro Cântico dos Cânticos, do Velho Testamento. Reconhecia prontamente idéias heréticas e era implacável na perseguição de quem as pregava. Em 1141, no Concílio

de Sens, acusou o célebre téologo (e amante de Heloísa) Pedro Abelardo de heresia e persuadiu os bispos convocados a condenar a doutrina exageradamente nacionalista de Abelardo. Em 1145, ao mesmo tempo que Eugênia III estava pensando numa nova cruzada, Bernardo estava no Languedoc pregando contra as idéias heréticas de um pregador popular, Henrique de Lausanne. Após ter cooperado para a reconciliação do rei Luís VII com o conde Teobaldo de Champagne, Bernardo ouviu de forma acolhedora o pedido do jovem rei. Não obstante, ele não gostaria de ver um arriscado empreendimento espiritual liderado por um senhor secular e, portanto, encaminhou de novo a questão ao papa Eugênio, o qual, em 1° de março de 1146, republicou sua bula Quantum praedecessores e atribuiu a Bernardo a tarefa de promulgá-la na França. No dia 31 de março, Luís VII e os nobres franceses reuniram-se em Vézelay, conforme fora combinado. Como já se sabia que Bernardo iria pregar, admiradores seus vieram de toda a França. Do mesmo modo como acontecera com o papa Urbano II em Clermont, em 1095, a igreja que abrigava as relíquias de Maria Madalena não era grande o suficiente para conter a multidão: um palanque teve de ser construído nas cercanias da cidade. A eloqüên127 OS TEMPLÁRIOS cia de Bernardo surtiu o efeito desejado. Quando terminou seu discurso, havia tantos homens dispostos a tomar a Cruz que Bernardo teve de cortar seu hábito em tiras de pano. Primeiro veio o rei Luís, e depois dele seu irmão Roberto, conde de Dreux. Muitos dos que seguiram os príncipes capetíngios "estavam seguindo, ou tinham a intenção de seguir, as pegadas de pais e avós",14' como Afonso Jordão, conde de Toulouse, que havia nascido enquanto seu pai sitiava Trípoli; Guilherme, conde de Neves, cujo pai participara da desastrosa expedição de 1101; Thierry, conde de Flandres, que era casado com a enteada da rainha Melissanda; e Henrique, herdeiro do conde de Flandres. A eles juntaram-se Amadeu, conde de Savóia; Arquibaldo, conde de Bourbon; e os bispos de Langres, Arras e Lisieux. Alguns dias mais tarde, Bernardo escreveu ao papa: "Vós ordenastes, e eu obedeci, e a autoridade de quem deu a ordem tornou fecunda minha obediência (...). Aldeias e cidades estão agora desertas. Vós dificilmente encontrareis um homem para cada sete mulheres. Em toda a parte, vereis viúvas cujos maridos ainda estão vivos"."' A pregação de Bernardo não se limitou a Vézelay. Daí ele seguiu para o norte, para Châlons-sur-Marne, de onde foi para Flandres. Aos recrutas potenciais que não pôde encontrar pessoalmente ele remeteu cartas. Ao povo inglês escreveu: O Senhor do céu está perdendo sua terra, a terra na qual apareceu aos homens, na qual viveu entre os homens por mais de trinta anos (...). Sabe-se que vosso país

. Bernardo foi chamado à Renânia pelo arcebispo de Mogúncia. O mundo está repleto de louvores a eles. Imediatamente vós tereis indulgência de todos os pecados que confessardes com o coração contrito. Sua ênfase recaía sempre sobre a vantagem espiritual para o pecador . ele agora pedia a Conrado que imaginasse Cristo no Dia do Juízo comparando o que fizera por Conrado com o que Conrado fizera por ele. Para nós os judeus são as palavras vivas da Escritura. Por conseguinte. a abadia . mas deram-lhe uma segunda oportunidade em Speyer no Natal... nenhuma exortação semelhante foi feita aos alemães. a fim de deter a pregação não autorizada de um monge cisterciense chamado Rodolfo.""' O monge Rodolfo foi posto no seu lugar.). mortos ou mesmo postos em fuga (.). o papa Eugênio III cruzou os Alpes com destino à França. e Bernardo viajou de cidade em cidade apregoando essa maravilhosa oportunidade para a remissão dos pecados. "Homem.. A missão mais importante de Bernardo era persuadir o relutante rei Conrado a liderar os cruzados alemães..é rico em homens jovens e vigorosos. em novembro de 1146. Vós agora tendes uma causa pela qual podeis lutar sem pordes vossas almas em perigo. Tomai o sinal da cruz. mas o entusiasmo pela cruzada que ele havia despertado já não podia ser aplacado. "Os judeus não devem ser perseguidos. Ele encontrou-se com o rei Luís em Dijon e prosseguiu até Clairvaux. pois sempre nos fazem lembrar do que o Senhor sofreu. Contudo. o que eu deveria ter feito por ti e não fiz?" A resposta do rei foi ajoelhar-se e tomar a Cruz. Iç' Ele enfatizou a boa sorte deles por lhes ter sido dada essa oportunidade de salvar suas almas. Rogério II. e se a usardes com humildade. Bernardo já havia condenado tais atrocidades em suas cartas. pregação essa que estava incitando 128 OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA pogroms contra os judeus. Não vos custa muito comprar. Não percais esta oportunidade. uma causa em que vencer é glorioso e pela qual morrer não é senão ganhar (. Embora um intérprete. vereis que ela é o reino dos céus. e o renome de sua coragem está nos lábios de todos (.). A princípio. Em janeiro de 1147. porque o papa Eugênio queria que o rei Conrado III o ajudasse contra o rei normando da Sicília.. Ele fracassou na primeira tentativa em Frankfurt. operando milagres por onde ele passava. e Deus parecia validar o que ele oferecia. decidiu-se incluir os alemães.a excepcional oportunidade de escapar à punição de seus pecados -.

Oto. havia tornado a chamar seus melhores homens de Portugal e da Espanha. quatro outros bispos e cento e trinta cavaleiros. Eugênio designou o irmão Aymar. De Clairvaux foi para Paris. Ao contrário de seu predecessor. no dia 27 oitava da Páscoa. compareceu à reunião do capítulo dos templários seu novo enclave. ao passo que Conrado seguiu à frente do exército através da com seu exército partiu com todos o controle dos pela rota direta . que se havia reunido em Metz. Alienor de Aquitânia. o rei Luís acompanhado por sua corajosa esposa. Conrado cruzou o Bósforo de alemães. Com eles estavam pelo menos outros tantos sargentos e escudeiros. o Leão. construído um pouco ao norte da cidade de Paris. Ele estava em guerra com Rogério da Sicília e sentira-se obrigado a firmar um pacto com os turcos seldjúcidas para lhe darem cobertura na retaguarda. Aleixo Comneno.onde fora outrora monge. "de modo que o sinal servisse triunfantemente como um escudo e eles nunca recuassem em face dos infiéis": o sangue vermelho do mártir foi superposto ao branco do casto. os não-combatentes pela rota mais longa junto à costa . que se separou em Nicéia. como Henrique. Apesar dessas defecções. margrave de Brandemburgo. o arcebispo de Reims. esse pacto com o infiel só era compreensível como um sintoma de traição. No dia da Páscoa ele presenteou o rei estandarte real. a franceses em Foi uma ocasião solene e grandiosa. O exército francês. e a suspeita que Manuel alimentava sobre eles foi retribuída ao décuplo.''' Acompanhavam o papa o rei Luís da França. que firmou a importância da Ordem. e Alberto. então. um exército de aproximadamente vinte mil homens partiu de Ratisbona em maio de 1147 para seguir a rota por terra da Primeira Cruzada. Ansioso para seguir viagem. A visão dos cavaleiros barbados em seus hábitos brancos impressionou todos os cronistas que registraram o evento. a oriflamme. O mestre da Ordem. onde passou Abadia de Saint-Denis. seguiu poucas semanas mais tarde. bispo de Freising. 154 OS TEMPLÁRIOS Vários dos nobres alemães haviam seguido o exemplo de Conrado de tomar a Cruz. a Páscoa na Luís com o de abril. e é quase certo que foi nessa ocasião que o papa Eugênio lhes deu o direito de usar uma cruz escarlate sobre o peito. mas alguns dos que possuíam terras no Oriente. para receber a renda de um imposto de um vinte avos sobre todos os bens da Igreja que o papa havia instituído para financiar a cruzada. duque da Saxônia. receberam os mesmos privilégios do papa Eugênio para uma cruzada contra os vendes pagãos. o Urso. e um cajado de peregrino. Para os cruzados ocidentais. o imperador bizantino Manuel Comneno não havia solicitado ajuda à Europa Ocidental e suspeitava de suas intenções.rota essa ainda sob bizantinos -. nas fronteiras orientais da Europa cristã. tesoureiro dos templários em Paris. Everardo de Barres.

Aí os turcos intensificaram seus ataques. onde os franceses juntaram-se a eles. Em Doriléia os alemães foram atacados e vencidos pelos turcos seldjúcidas. composta de soldados com um talento extraordinário para disparar flechas enquanto cavalgavam. não podia ser desdobrada nos estreitos desfiladeiros dos montes Cadmus. Conrado entre eles. lutando constantemente com os bizantinos em busca de alimentos. O rei Luís já havia descoberto o valor do mestre dos templários franceses. Uma calorosa recepção aguardava o rei Luís e os cruzados franceses quando chegaram a Antioquia. e cavalgou até o porto de São Simeão para saudar sua sobrinha real e os cruzados franceses. O príncipe regente era agora Raimundo de Poitiers. Everardo de Barres. Agora ele passava a apreciar o valor de seus cavaleiros. A situação de Luís nessa conjuntura piorou devido à falta de dinheiro: ele havia gastado todo o seu tesouro em alimentos e transporte. os cruzados formaram uma fraternidade com os templários. Enquanto marchavam durante o penetrante tempo invernal . inteligente. um dos filhos mais novos do duque Guilherme de Aquitânia que alguns anos antes fora casado com Constança. Em Éfeso. Ele era portanto tio de Alienor de Aquitânia. fornecidos a preços . os cruzados eram constantemente fustigados pela cavalaria ligeira dos turcos. ao sul. e os sobreviventes. ao longo do vale do Meandro. e o enviou como um de seus três embaixadores para tratar como o imperador bizantino.a rainha e suas damas de honra tiritando em suas liteiras -. Manuel Comneno. entusiasmada e com cerca de vinte e cinco anos. Os dois reis então conduziram suas tropas para Êeso. a cujas ordens juraram obedecer°. Luís voltou-se para Everardo de Barres. que dividiu o exército em diferentes OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA unidades. Bonita. A cavalaria pesada dos francos. Os franceses dirigiram-se para o interior. o pequeno destacamento francês era consideravelmente realçado pela presença da jovem rainha com suas damas de honra. Para Raimundo e os barões latinos. Conrado adoeceu e voltou por mar para Constantinopla.'S5 Dessa maneira a coluna alcançou o porto bizantino de Antália. cada uma comandada por um cavaleiro do Templo: "uma forma de organização comunal remediou a situação. deixando que o resto se encaminhasse para a Síria da melhor maneira possível. de onde o rei Luís tomou um navio para Antioquia com a nata do que sobrara de seu exército. tão eficaz numa batalha campal. ela julgava que seus sentimentos pelo jovem marido petulante e indeciso não haviam melhorado durante a terrível viagem através da Anatólia. a jovem herdeira do principado. regressaram a Nicéia. e Alienor também estava contente de ver seu destemido tio Raimundo.Anatólia. vivaz. Nessa situação extrema. e o exército francês estava em risco de desintegrar-se.

Ao ser informado de que Conrada. Não se sabe quais eram os sentimentos de Constança. uma força considerável da Europa Ocidental reuniu-se em Acre em junho de 1148. A equipe local era superada em hierarquia pelos visitantes entre eles . Ba. cuja queda tinha levado à cruzada. instruindo-o a pagar à Ordem dois mil marcos de prata.extorsivos por seus aliados bizantinos. rei de Portugal.e por Afonso Henriques. onde usou os recursos da Ordem do Templo para arrecadar a quantia necessária. tinha chegado por mar. ela mais tarde demonstraria que também era suscetível à paixão. Apesar das perdas sofridas pelos exércütos alemão e francês enquanto cruzavam a Anatólia. como também os consideráveis recursos financeiros da Ordem do Templo. Raimundo queria que Luís atacasse Alepo a fim de aliviar a pressão sobre suas forças em confronto com os turcos seldjúcidas no norte. Ele arguOS TEMPLÁRIOS meltava que era também a melhor medida preparatória para a reconquista de ? dessa. Luís talvez tivesse concordado. conde de Toulose. havia chegado a Acr. esposa de Raimundo. O prazer de Alienor em flertar era claramente apreciado por seu tio. agora restabelecido. Uma força provençal sob d comando de Afonso Jordão. Também por mar veio o que restou de um contingente de cruzados ingleses.não fosse pela suspeita de que Railmundo estava dormindo com sua muIhe~. para ajudá-lo a tomar Lisboa aos mocos. Mais uma vez voltou-se para o mestre francês dos templários. em Antioquia. Melissanda. disse que ficaria e que solicitaria a anulação do casamento. Alienor.'"' o que demonstrava não apenas os elevados custos de uma cruzada. Conrad) e Luís. O rei escreveu ao abade Suger. Faziam parte da sua comitiva os principais barões e bispos de seu reino. mas nessa fase talvez fosse jovem demais para se dar conta do que estava acontecendo. mas Luís levou-a consigo à força. com a autocorifiança de uma mulher que sabe que é mais ripa do que o marido.lduíno III. a reunião de latinos da Europa e do ultramar foi presidida pelo jovem rei de Jerusalém. que governava juntamente core a mãe. No dia 24 de junho. ele anunciou que apenas em Jerusalém seu goto poderia ser cumprido e deu ordens a seu exército para marchar rumo ao sul. de que a afeição de um pelo outro havia ido além dos limites do decoro. quantia equivalente à metade da renda anual das propriedades reais. Tropas lideuadas pelo marquês de Montferrat e pehs condes de Auvergne e de Savóia haviam se juntado aos dois reis. cujo ciúme era agravado pelo apoio direto de Alienor às idéias de Raimundo acerca do que deveria ser feito com a força expedicionária francesa. flamengos e fdsiosque fora desviado en rou. Everardo de Barres tomou um navio até Acre. e começaram a circular mexericos em sua corte. Mas não o rei Luís.

Sua derrota também era a necessária preliminar para a recuperação de Edessa. onde se preparou para o cerco. suas forças foram obrigadas a continuar na defensiva. governada por Nur ed-Din. príncipe de Antioquia. seu sobrinho Frederico da Suábia. mas não havia água. e os poderosos bispos de Metz e Toul. os dois monarcas europeus mudaram o acampamento para o terreno aberto a leste de Damasco. . Os barões locais então se deram conta da insensatez de sua estratégia e em 28 de julho persuadiram os monarcas europeus a abandonar o cerco. Com o rei Luís estavam seu irmão Roberto de Dreux. A exemplo da força comandada pelo rei Balduíno II vinte anos antes. O terceiro objetivo possível era Damasco. mas Damasco era o único domínio muçulmano na região que se mostrara disposto a aliar-se aos francos contra Nur ed-Din. uma cidade com ressonância bíblica. Henrique de Champagne (filho de Teobaldo. Os damascenos fizeram sortidas e atacaram os francos com forças irregulares escondidas nos pomares. Enquanto os líderes do invencível exército dos cruzados discutiam uns com os outros sobre quem governaria a cidade assim que ela fosse capturada. que estavam de olho na extensa faixa de terra controlada pelos damascenos. que julgavam que Damasco. Reforços muçulmanos entraram em Damasco pelo norte e juntaram-se às forças nativas em repetidas incursões.seu antigo inimigo) e Thierry. que morrera subitamente em Cesaréia. e eles tiveram de enfrentar a seção mais bem fortificada dos muros da cidade. e começaram a circular rumores de que eles tinham sido traídos. Aí puderam desdobrar sua cavalaria pesada. Também estavam presentes os grão-mestres do Templo e do Hospital. Fustigado pela cavalaria ligeira damascena. A humilhação dos cruzados era total. Essa consideração foi desOS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA cartada tanto pelos barões locais.o rei Comado e dois dos seus meios-irmãos. Ao sul. O que se deveria fazer com esse poderoso exército? Um conselho de sábio3 teria concordado com Raimundo de Antioquia que a maior ameaça aos francos vinha de Alepo. e de Afonso Jordão. o exército cruzado marchou através de Banyas e chegou a Damasco em 24 de julho. Chegando à conclusão de que a cobertura do terreno estava ajudando o inimigo. guelfo da Bavie-a. quanto pelos monarcas europeus. conde de Flandres. a estrada para o Egito estava bloqueada pela fortaleza de Áscalâo. ainda nas mãos dos califas fatímidas. filho de Zengi. Chegou ao acampamento a informação de que Nur ed-Din estava a caminho para socorrer Damasco com a condição de que lhe permitissem entrar na cidade. conde de Toulouse. assentando acampamento nos pomares ao sul da cidade. não lhes traria apenas presa de guerra. agastado depois da rixa core Luís. mas também renome. o duque da Áustria e o bispo de Freisingen. o outrora invencível exército moveu-se com dificuldade de volta à Galiléia. Ás ausências marcantes foram as de Raimundo de Poitiers.

Sem dúvida. À altura do Peloponeso. o papa Eugênio tentou reconciliar o casal real. Mas aquela terrível marcha através da Anatólia. meditando sobre a catástrofe. o Venerável. Em novembro. Em Potenza. com o rei Rogério. insistindo em que dormissem na mesma cama e chorando ao abençoá-los quando partiram. e até mesmo seu principal mentor. cujo casamento problemático era então de conhecimento público. a disposição de ânimo vingativa de Luís originava-se em parte da consciência de que perdera muito mais no Oriente do que um excelente exército e os lauréis da vitória: também perdera sua esposa.Inevitavelmente. seu exército constantemente fustigado. não era provável que o tivessem recebido de novo? Mesmo os templários ficaram sob suspeita. Pedro. permitiram que seu barco prosseguisse. o abade de Cluny. Ele continuou a promover a idéia em sua viagem para o norte."' Apesar dos conselhos do papa. Entre as lembranças do ainda jovem rei. que estavam noutro navio siciliano. o abade Suger de Saint-Denis. Os cruzados culpavam os barões do ultramar. Quando eles passaram por Roma na volta. que antes tinham tido relações tão amigáveis com os damascenos. foi de navio de Acre a Tessalonica. e uma aliança foi selada com o casamento do irmão de Comado com a sobrinha de Manuel. os bizantinos tinham sido a causa de todos os seus infortúnios e agora estavam juntos com os sarracenos como inimigos da crisOS TEMPLÁRIOS tandade. Luís planejou uma nova cruzada. a flotilha foi atacada por uma esquadra bizantina. Luís demorou-se na Palestina. . Para o rei Luís VII. mas alguns de seus companheiros e a maior parte de seus bens. a responsabilidade pelo fiasco diante dos muros de Damasco pelo menos fora partilhada com outrem. ignorando o ceticismo expressado pelo papa Eugênio e recrutando vários cardeais da cúria. Essa derradeira humilhação fez com que o fremente ódio de Luís aos gregos finalmente estourasse. que incluía Constantinopla entre seus objetivos. Com seu séquito. o casamento nunca se refez da humilhação de Luís durante a Segunda Cruzada. Se nutria suspeitas de traição dos gregos. Quando afinal decidiu regressar à Europa Ocidental. e quando o estandarte de Luís foi erguido. ele as refreou: o imperador grego e o rei alemão tinham um inimigo comum em Rogério da Sicília. A despeito dos rogos do abade Suger para que ele retornasse. Eles já haviam recebido seu dinheiro. seus causadores procuraram bodes expiatórios e os encontraram em muitas formas diferentes e contraditórias. escolheu um navio siciliano. de onde foi atraído de volta a Constantinopla pelo imperador Manuel Comneno. depois de uma derrota desse tipo. e com ela urr dote maior do que o reino da França. foram capturados e levados como presa para Constantinopla. seu ódio aos gregos induzindo-o a uma aliança com o rei Rogério. o rei Comado partiu desgostoso da Terra Santa.

ele não obstante sentiu-se compelido a tentar recuperar algo do que fora perdido. o rei Conrado III. numa decisão das mais surpreendentes. conforme eu os avalio. A idéia de uma nova cruzada foi abandonada. A nobreza da Europa Ocidental também não reagiu ao apelo do abade de Clairvaux. como a assembléia em Chartres. e a mim não me compete ensinar-vos. a derrota foi a punição de Deus por causa dos pecados dos homens. Para seus críticos. Luís solicitou mais uma vez a Bernardo de Clairvaux que pregasse essa nova cruzada. e que está completamente além de meus poderes. nem é agora. em fevereiro de 1152. Bernardo sentiu que não poderia recusar. renunciou ao seu cargo para tornar-se monge em Clairvaux. Ele havia se correspondido com a rainha Melissanda em Jerusalém e com o tio dele. Mais tarde. pediram a Bernardo que não apenas pregasse como também liderasse uma nova cruzada. Mas vós sabeis tudo isto. Também estava cônscio de que muitos dos que tinham tomado a OS TEMPLÁRIOS NA PALESTINA Cruz instigados por ele consideravam-no responsável pelo desastre. O papa Eugênio III morreu . O abade Suger de SaintDenis morreu em janeiro de 1151. para comandar homens armados? Eu não poderia pensarem nada mais distante da minha vocação.salvo da aniquilação não pela sua liderança. O entusiasmo do rei Luís era contrabalançado pelo ceticismo do rei Contado. Como antes. e em vão. e portanto sabia muito bem que eles necessitavam de ajuda. fazer tal coisa. Ele se defendeu no segundo livro de sua De consideratione. o senescal dos templários no ultramar. Everardo de Barres. Sempre ansiando pela paz do claustro. Num concílio da Igreja realizado em Chartres em 1150. seu abandono de uma grande parte de seu exército no porto de Anatólia. Estejais absolutamente certo de que isto nunca foi. mas pela disciplina dos templários.tudo isso era decerto mais doloroso e. na sua própria opinião. essa hipótese em parte tornou Deus inescrutável demais: alguns. O que aconteceu foi que a Ordem Cisterciense obstou a determinação do concílio. escreveu ele ao papa Eugênio. e dentro de três anos cinco dos principais atores haviam saído de cena. Homens demais haviam morrido bem recentemente. o grão-mestre dos templários. "Espero que a esta altura vós já deveis ter sido informado". André de Montbard. provinha da traição dos gregos. Os bodes expiatórios aqui não eram barões traiçoeiros ou gregos ardilosos: para Bernardo. como Gerhoh de Reichersberg. no mesmo ano. preferiam ver a cruzada como a obra do Diabo. me escolheu como líder e comandante da expedição. e a desgraça final de se descobrir um marido enganado na corte do tio de sua mulher . mesmo supondo que tivesse a força e a habilidade necessárias. por conselho ou desejo meus. Quem sou eu para organizar exércitos em ordem de batalha. Visando a submeter-se a uma prova e a procurar vingança.

cujos nomes desde então entraram no vocabulário gastroO ULTRAMAR nômico do Ocidente.muçulmana. carpideiras profissionais. cozinheiros. romãs. entre os que sobreviveram. Decerto que o clima quente era debilitante. onde não se encontravam produtos fiescos durante o inverno. a decepção que se seguiu ao fiasco dia Segunda Cruzada obrigou O6 latinos na Terra Santa a chegar a um tipo doe acordo com os infiéis que teria parecido sacrílego às gerações de cruzados anteriores. Isto foi também a conseqüência de um processo de aclimatação cultural que havia ocorrido durante mais de meio século de vida no Oriente. Sete O Ultramar NJa Europa. ao passo que as moedas cunhadas por Tancredo mostravgm-no com o turbante de um árabe. cristã e judaica-era mais desenvolvida esofistïcada do que a da sua terra.'6° Procedentes de países de clima frio. laranjas. pasta de grão-de-bico. que eram projetadas de acordo com o modelo sírio. Os primeiros cruzados tinham achado que encontrariam bárbaros incivrilizados e pagãos depravados na Síria e na Palestina. casara com uma armênia.em julho de 1153. e na verdade. . pêssegos. com O$ condimentos originários da região e com iguarias como uma espécie de sorvete de frutas. Em suas festas havia dançarinas e em seus funerais. usavam sabão e comiam açúcar. Tinham vidros nas janelas. azeitonas. Mas os que permaneceram no Oriente Médio foram O1brigados a reconhecer que a cultura da Palestina árabe . muitos adotaram o estilo de vida fragrante e sensual que haviam julgado efeminado nos bizantinos. limões e bananas. e o abade Bernardo de Clairvaux. mas.ia cozinha e que seu cozinheiro era egípcio. em alguns casos. mosaicos no assoalho e chafarizes no pátio de suas casas. arroz. artesãos e trabalhadores sírios. O cronista e diplomata damasceno LJsamah Ibn-Munqidh descreve um cavaleiro franco reassegurando a um convidado muçulmano que nunca permitia que carne de porco entrasse em st. verificou-se que era fatal. Balduíno de Lê Bourg. criados. que se. eles tomavam banho. esse encontro deve ter convencido os cruzados de que não era apenas no sentido espiritual que essa era a terra prometida. mas também com figos. e onde até mesmo a batata ainda era desconhecida.Scoras no tapete. Vestiam-se com trajes orientais e incluíam em suas dietas as frutas e os pratos do país.'S9 Os francos empregavam médicos. um mês depois. Alguns logo adquiriram costumes orientais. passou a usar um cafetã oriental e jantava de c. o encontro não só com o açúcar.

havia insuficientes imigrantes cristãos para substituírem os muçulmanos. Entre os próprios francos não havia servos. de taxas portuárias e de impostos sobre mercadorias." O respeito dos francos pela lei feudal contrastava de maneira favorável com as caprichosas exigências dos príncipes muçulmanos. a França e a Alemanha. A conversão ao cristianismo implicava plenos direitos civis e levava à assimilação à população síria cristã. A administração dos suseranos francos era de fato mais leve do que no período anterior de dominação muçulmana. de pedágios. Da prosperidade deles dependia a riqueza de um barão. sociedade de homens livres. "Embora hierárquica. Embora a lealdade fundamental dos muçulmanos fosse sempre para com o Islã. existia um elevado grau de tolerância aos judeus nos Estados cruzados: eles eram tratados muito melhor do que seus congêneres na 137 OS TEMPLÁRIOS Europa Ocidental e podiam pratícar sua religião com relativa liberdade..tinham suas próprias cortes e funcionários. 'bz Pelos padrões da época-e até pelos de hoje-. como também foram obrigados a alcançar um modos vivendi com os muçulmanos.'6' e os rendimentos de um barão originavam-se do arrendamento de propriedades. a Espanha. de licenças para banhos públicos.Os francos não apenas se suavizaram pelo estilo de vida que encontraram na Síria e na Palestina. tratava-se de uma. mas . fato que os distinguia das sociedades feudais da Europa Ocidental.164 Apesar das atrocidades anti-semíticas que haviam acompanhado a Primeira Cruzada."' Tornaram-se mais freqüentes as peregrinações aos lugares santos e a Jerusalém de judeus procedentes de lugares tão distantes quanto Bizâncio. Contanto que pagassem seus impostos.esses encargos e exações não eram pesados: o imposto sobre a produção de um agricultor (terrage) era fixado em cerca de um terço. há indícios de que não estivessem insatisfeitos com o domínio latino. eles eram proibidos de usar trajes francos. os suseranos francos estavam dispostos a permitir que as comunidades muçulmanas escolhessem sua própria administração. era importante que os proprietários de feudos os persuadissem a ficar. Não há dúvida de que os muçulmanos eram cidadãos de segunda classe. 'A Terra Santa era uma área urbanizada par excellence". cuja renda principal não provinha da terra. na qual mesmo os mais pobres e mais destituídos não só eram livres. como na Europa. mas também gozavam de uma condição legal mais elevada do que os mais ricos entre a população nativa conquistada. que continuaram a ser a maioria da população. por conseguinte.'` Os latinos católicos não fizeram nenhuma tentativa de converter os muçulmanos .Como nos territórios reconquistados na Espanha. fornos e mercados. 1.

Gênova e Pisa -. virou meu rosto para o leste e repetiu: "É assim que nós oramos". Em seguida preparei-me para orar de novo.Veneza. Um dia eu entrei. e as igrejas Jacobita. Houve um incidente célebre quando Usamah lbnMunqidh foi a Jerusalém negociar um pacto contra Zengi. aproveitando um momento de descuido. um Fraj. Quando eu estava visitando Jerusalém. Armênia. Ele escarnece do julgamento por combate e do julgamento por ordálio como uma forma de justiça. mas o mesmo homem. cunhada cem anos antes dos florins e dos ducados da Itália". do outro. o governador sarraceno de Alepo. costumava ir à mesquita al-Aqsa.tanto a muçulmana quanto a cristã . Os templários precipitaram-se para a frente e o tiraram dali."a primeira moeda cristã de ampla circulação. lançou-se sobre mim.foi estimulado um considerável comércio com o interior do território muçulmano. chegava ao Oriente por intermédio dos mercadores de Amalfi. Antes da conquista pelos cruzados. voltou a se lançar sobre mim. levaram-no e desculparam-se comigo. a atitude de Usamah para com os francos foi de desdém. agarrou-me e me virou para o leste. de um lado. As disputas religiosas que aconteceram foram antes entre os católicos e os cristãos ortodoxos. o besant . exacerbadas pela rivalidade dos latinos com Bizâncio. como sedas e especiarias. De fato. 167 Os templários tiraram proveito dessa prosperidade através de seus feudos e também acabaram oferecendo aos muçulmanos autóctones uma tolerância que chocava os recém-chegados da Europa. quando um homem. A população autóctone . um pequeno fluxo de comércio de produtos orientais."R 138 O ULTRAMAR Apesar de sua amizade com os templários. Com a captura dos portos da costa do Mediterrâneo e a concessão de privilégios às crescentes potências marítimas da Itália . os francos desenvolveram uma abordagem pragmática da doença: o tipo de histeria religiosa . ou entre a Igreja Católica e a Ortodoxa. dizendo: "Ele é um estrangeiro que acabou de chegar da terra do Franj e nunca viu ninguém orar sem voltar a face para o leste". onde meus amigos templários ficavam. Nestoriana e Maronita.ou os judeus: havia uma notável falta de qualquer tipo de atividade missionária. disse Allahn akbar [Deus é grande] e estava prestes a começar minha prece. Mais uma vez os templários intervieram. Os templários puseram esse lugar à minha disposição. financiado por uma moeda latina. dizendo: "É assim que nós oramos". bem como de suas práticas médicas. a fim de que eu pudesse fazer minhas orações. Ao longo de um dos lados do edifício havia um pequeno oratório no qual o Franj havia erigido uma igreja.também foi beneficiada com a prosperidade resultante do aumento do comércio.

mas usavam a mesquita al-Aqsa como centro administrativo e depósito. e em seguida os cruzados "parecem ter abordado a medicina de uma maneira muito prática.. para dez mil cavalos. habitações e anexos para todos os fins.. a única qualidade dos latinos que se julgava digna de respeito pelos muçulmanos eram suas proezas militares.. chamando-a de palácio de Salomão.'71 E difícil saber quantos homens viviam nesse complexo. escadaria e telhado. os templários construíram uma nova casa. os livros de estrangeiros não mereciam ser lidos (.soldados de cavalaria ligeira nascidos na Síria e empregados pela BAIRRO DO PATRIARCA A Igreja do Uavi O Hospital ..) Do outro lado do palácio. Contíguo à al-Aqsa ficava o palácio originalmente ocupado pelo rei Balduíno e várias outras casas. eles aí construíram um novo Palácio. roupas e alimentos que eles sempre têm prontos para guardar a província e defendê-la". assim como do outro lado têm o antigo. gramados. "talvez porque oração e penitência não funcionaram". alpendres. (. em geral. não se deveria dirigir-lhe a palavra. salas de audiência do conselho. e é repleto de lugares para passear. que fica no oeste. extensão e largura. talvez tenham tido menos para aprender dos médicos nativos do que se supusera". na extremidade do pátio externo. Os templários podem ter permitido que seu hóspede muçulmano rezasse na sua capela.'69 De modo geral.. consistórios e esplêndidas cisternas para o abastecimento d'água. um monge alemão em peregrinação a Jerusalém na década de 1170. mútuo. construíram uma nova igreja de dimensões e acabamento magníficos.""° Esse desdém pelas crenças religiosas do inimigo era. No máximo.. e todos os seus porões e refeitórios. "De acordo com o Balaral-Fava`id. descreve como era usada para "armazenagem de armas. Aí também. havia provavelmente cerca de trezentos cavaleiros e mil sargentos no reino de Jerusalém.causado pela epidemia em Antioquia durante a Primeira Cruzada não se repetiu."z Teria havido um número irregular e indeterminado de cavaleiros servindo por um período definido na Ordem. Teodorico. "erigidos pelo rei Salomão" e com espaço. Eles menosprezavam a cultura e as crenças dos cristãos. Abaixo da mesquita ficavam os estábulos dos templários. e havia os templários turcópolos . (. segundo seus cálculos. cuja altura.) [e] qualquer pessoa que acredite que seu Deus saiu dos órgãos genitais de uma mulher é absolutamente louca.) Na verdade. e ela não tem nem inteligência nem fé. ultrapassam em muito o costume deste país.

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ó (-9S TEMPLÁRIOS A regra reflete alguns dos Preconceitos do período . tornou-se nece. E como os castigos impostos nas . tudo isso está especificado ia regra. O hábito branco. e os cavalos são mencionados em cgrca . ele não podia ser enterrado em solo abençoado.~ ~: c C C . Os cavaeiros comiam no primeiro turno. que tinha sido Iscolhido para ~sImbolizar a pureza.. Essas punições eram semelhantes iquelas imposC as aos monges e normais para a época. Ele não tinha propriedade privada: "todas as coisas da casa são comuns. postos a ferros ou obrigidos a comer d o chão como um cachorro.sinal de prestígo: as túnicas d As escudeiros e dos sargentos eram marrons ou pretas. no segunde. a menos que gesse um sangramento nasal.p. Ele rlão podia erguer-se da mesa sem permissão.por exemplo. apesor cio compromisso com a hu :Idade. Cada aspecto do dia-a-d ía do templário era regulado nos mínimos detalhes.. Se porventura :e encontrasse dinheiro em poder de um irmão quando de sua morte. O 'C7• C O C¢D Ó ... O CD rOn CD c .q' (CO ~ w f•r •. Dado o fato ele que quase nenhum dos cavaleiros ou sargentos sabia ler. Quando. e os sargentos e os escudeiros. como deveria comportar-se durante a refeição e ate mesmo como deveria cortar o queijo (371).e faz-se saber que nem o mestre nem nenhuma outra pessoa têm autoridade para permítir que um irmão possua algo de seu (.ário que um cavaleiro do Templo fosse "o filho de um cavaleira ou desceniente do filho CJeum cavaleiro" (regra 337). houvesse um chamado às armas (c: nesse case ele tinha de estar seguro de que o chamado fora feito por um irmão ou por"um homem respeitável"). cometiam faltas pareciam cruéis: eram açoitados.scolas públicas de antigamente. um incêndio ou algum problema com os caval)s. O cuidado dos cavalos era de fundamental importância: o número destinado ao mestre é estabelecido no primeiro estatuto. por volta de meados do século XII. .quanto deveria comer.^. as punições infligidas aos templários qu. transformou-se então em . f bem provável que a maioria dos estatutos simplesmente refletisse os c)stumes que tinham evoluído e fossem assimilados pelos noilos recrutascomo novos garotos numa escola pública.)".

por exemplo. Enquanto esse estandarte fosse conservado no alto pelo marechal. da procura da salvação individual para um espritde corps regimental.de cem dos que se seguem. Devido ao peso do equipamento de combate. Se estivesse servindo como confrère por tempo limitado. 176 O ULTRAMAR Poucos artigos da regra referem-se ao treinamento: esperava-se que um cavaleiro fosse experiente em combate a cavalo antes de entrar para a ordem. em comparação com a regra primitiva. e a aposta de dinheiro no resultado delas era proibida. "Cada irmão deveria empenhar-se em viver honestamente e dar bom exemplo em tudo aos cidadãos seculares e às outras ordens (. terminado em duas pontas.. cavalos de carga e rocins . na comunidade dos templários em Richerenches. um dos quais mantinha um estandarte sobressalente enrolado na sua lança. ele receberia outro do pool. e uma das Snicas justificativas para faltar às orações era levar um cavalo para o ferreiro ferrar. ou. era-lhe permitido reagrupar-se em torno do estandarte dos hospitalários ou de outro estandarte cristão (167).cópolos. eles seriam devolvidos ao cabo desse tempo. . Fiéis ao espírito de Bernardo de Clairvaux.transporte para os soldados. Havia vários tipos diferentes: cavalos de batalha para os cavaleiros. O estandarte preto e branco do Templo. Também se esperava que um cavaleiro trouxesse seu próprio cavalo e equipamento.. As "outras ordens" não especificadas eram principalmente os hospitalários e mais tarde os cavaleiros teutônicos. Era seguro pelo marechal. ao passo que os demais eram mantidos num p0ol comum aos cuidados do marechal da Ordem. nenhum templário poderia deixar o campo de batalha. Os cavalos eram criados em coudelarias no reino de Jerusalém e na Europa Ocidental . no norte da Provença. há uma mudança na ênfase. Se um cavaleiro se separasse de seu contingente. o confanon baucon. era necessário obter permissão para participar de corridas. mulas. palafréns. Cada cavaleiro recebia seu próprio cavalo.)" (340). cada qual deve ter sido imensamente forte. selas e rédeas não podiam ser adornadas. era seu ponto de reunião em batalha. Embora o modo de viver sugerido pela regra dos templários esteja imbuído de religiosidade cristã e as práticas monásticas tenham obtido o mesmo relevo dos regulamentos militares. se seu cavalo morresse a serviço dos templários. e dez cavaleiros eram designados para guardá-lo. corcéis mais leves e velozes para os tur. Havia regulamentos precisos para o cuidado dos cavalos. O voto monástico de obediência era inestimável num contexto militar: severas punições eram infligidas a um cavaleiro que não resistisse ao ímpeto.

Apenas a punição da covardia e a deserção para o inimigo estavam relacionadas especificamente com condições de guerra. eram absolutamente tão precisos quanto aqueles relacionados com selas e rédeas. a recitação do ofício e de preces pelos mortos. e nela e em honra dela. o ethos regimental nunca foi distinto do ethos cristão do Templo como comunidade religiosa. como a de Richerenches. Da mesma forma. se Deus quiser."' Um dos artigos mais reveladores da regra dos templários (325) relaciona-se com o uso de luvas de couro. e uma pedra na qual Maria descansou ficava do lado de fora da fortaleza do Castelo Peregrino. que era consentido apenas aos irmãos capelães. Havia capelas de Nossa. "que . será o fim de nossas vidas e de nossa Ordem. Em quaisquer outras circunstâncias.. Senhora em muitas das igrejas dos templários. mas como "a casa da Abençoada Maria". a punição era ser mandado a pé de volta ao campo (163).. e várias de suas casas. de atacar o inimigo por sua própria iniciativa. a conspiração entre dois ou mais irmãos e a saída de uma casa dos templários a não ser pelos portões determi143 OS TEMPLÁRIOS nados eram infrações que teriam sido aplicadas a qualquer instituição monástica. não se faziam distinções entre transgressões religiosas e militares. a Mãe de Jesus: "E as horas de Nossa Senhora deveriam ser sempre recitadas em primeiro lugar nesta casa (. pertencente à Ordem do Templo. Os templários mostravam uma particular devoção a Maria. dizia-se que a Anunciação havia acontecido no Templo do Senhor (a Cúpula da Rocha). Das nove "coisas pelas quais um irmão da Casa do Templo pode ser expulso da Casa". Os regulamentos que prescreviam os jejuns e os dias de festa. a fim de se assegurar de que sua sela e arnês estavam firmes. ou se tinha visto um cristão sendo atacado por um sarraceno.) porque Nossa Senhora foi o começo de nossa Ordem. eram dedicada: a Maria: vários doadores referiam-se a Richerenches não como o Templo. Assim. quatro eram pecados que intrinsecamente nada tinham a ver com a vida sob armas: simonia. assim que Deus o desejar" (306). roubo e heresia. assassinato. A revelação das atas do capítulo do Templo.tão comum entre os cavaleiros francos. Surgiram várias crenças que vinculavam Maria com o Templo: por exemplo. As únicas ocasiões em que lhe era permitido sair de formação eram para fazer uma breve sortida.

Tropas não-mercenárias tinham de pensar na colheita e na proteção de sias famílias contra saqueadores que tiravam proveito de sua ausência e. 179 Com uma guarnição relativamente pequena. reproduzido de um volume misto de conhecimentos sobre o mundo. (l3ritisla Gibr<n_~/I3rid~rrnan firt l..) por causa do grande sofrimento que têm de suportar e a fim de que não firam facilmente as mãos. Um castelo construído pelos templários ou pelos hospitalários "parecia-se com uma fortaleza por fora. ela poderia fazer sortidas para atacar sua retaguarda..~e dc. Iluminura do século XV de Jean Pouquet no Livro das Horas de Etienne Chevalier.têm permissão para usá-las em honra do corpo de Nosso Senhor. abade de C.~) Bernardo. (Pibliothégue Aatioaale/ lkirloeznan Ai-t Librm _1. um castelo bem abastecido poderia resistir ao cerco de um exército considerável. na Aquitânia.lairvaux.ibrrn. em 1099. suas habilidades devem ter sido altamente apreciadas. Iluminura do século XV dd. mas eles não devem usá-las quando não estiveram trabalhando"..ihrarl) Hugo de Vaudemont abraçado pela esposa após seu retorno da cruzada Obra de talha em pedra do século XII do Priorado de Belval./l. na Borgonha. Iluminura do século XV de Tean de Courev.. e aos irmãos pedreiros (. mas. em 1146. enquanto por dentro era um mosteiro". (dlrr. na Lorena. .hlzz_sée G'ozzdé/GIraTUlozz/I3ridgerraarz 'li-1 l.nron. (WeitlrnfelrlAtrfüve) .. I ì~rn~rri. devido à importância das fortalezas no ultramar.ibror1) Bernardo.ihraty0 Um cavaleiro do 7cmplo. (BiUiotlzégue Nationulell3rirlgezraan Ai -t l.) ()assalto a Jerusalém duraste a Primeira Cruzada.llouruttrtrt.-(:intitulou/l3ri~l~etnrnt flrt L. Ilur»inara do século XIV (13iGlirthéque N<rtiouale/l3ritlgenzau ~Irt Liltr A pilhagens de Jerusalém após sua caTtura pelos cruzados em 1(199. Wnchester ou Canterbury. Sebastien iVlamerot. no caso dos francos. Caso esse exército a ignorasse. de um mural do século XII na capela dos templários em Cressac-sur-Charente. Os cercos umam exércitos que muitas v--zes só podiam ser mantidos juncos por um espaço de tempo limitado. que eles com freqüência seguram em suas mãos"."' Não se conhece o número desses irmãos pedreiros.. abade de Clairv?uY pregando a cruzada ao rei Luís VII em Vézclay. o recrutamento nos feudos restringia-se a um Feríodo de quarenta dias. O conflito entre cristãos e muçulmanos na Terra tanta "raramente propiciava o espetáculo de dois exércitos empenhados Mapa-múndi do século XI com Jerusalém no centro e as Ilhas Britânicas no canto ~querdo inferior. (.

(C.tr A mesquita al-Aqsa no monte do Templo.IIIOIição após a Revolução Francesa de 1789. "0 Um excelente exemplo foi a grande fortaleza de Ascalão. (Ghester 13eatty Lihrary arzd Gallery of l n ar Sal. Ela foi doada aos templários. Blanchegarde e Bethgibelin: esta última foi transferida para os hospitalários e Ibelin para um cavaleiro. provavelmente de origem italiana. Os francos construíram . O sul do reino de Jerusalém estava agora seguro. ela protegia a estrada litorânea que conduzia ao Egito e servia de base para ataques de surpresa a colônias cristãs. os egípcios em Ascalão não poderiam ser submetidos à fome até se renderem: a cidade teria de ser tomada de assalto. ele reuniu suas forças diante da cidade. Abastecidos por mar. Bernardo era um burgúndio das proximidades de Dijon que havia sido escolhido para substituir Everardo de Barres como grão-mestre quando. no ano anterior.oÏrsao pnrtrirrlwlBullo~l Reconstrução do mosteiro c: da abadia em CVuny feita por Kenneth John Conant. Raimundo de Le Puy. na ti m . e o rei Balduíno III poderia começara sitiar a própria Ascalâo. Suprida por terra através da península Sinaítica e por mar desde Alexandria. o verdadeiro fim da atividade militar era a captura e a defesa de lugares fortificados". tudo o que resta da sua d('. liderada por Bernardo de Trémélay. Em 1150. em . e a de templários. o Velho". Sem dúvida conhecido de Bernardo de Clairvaux. a cidade ao sul de Ascalão onde no Antigo Testamento Sansão fora aprisionado pelos filisteus.rh l. chamada de Templo de Salomão pelos cruzados e sede dos templários até 1187. Numa tentativa de imobilizar Ascalão. o rei Foulques a cercara com uma roda de fortalezas em Ibelin. de um manuscrito do século XI\' ornado com iluminuras.ibrar_rll3r-zd. sob o comando de seu mestre. do Álbum Muraqqa. que repeliram com êxito uma tentativa dos egípcios de torná-la.c Ricardo Coração de Leão enristando com Saladino. O ULTRAMAR em destruição mútua.lerusalétn. o cerco foi completado com a construção de uma fortaleza nas ruínas de Gaza.(13rili. em poder dos califas fatímidas do Egito. Em janeiro de 1153. que veio a ser conhecido como "Balião. Guache sobre papel. Everardo se retirara como monge para Clairvaux.zrnarz~lrtl•iGrar.y) A torre do sino da Abadia de Clum-. incluindo a força de hospitalários.

` contudo. Bernardo de Trémélay. A perda dos templários não afetou o resultado do cerco. todavia. usando-a como uma base a partir da qual patrulhavam as rotas seguidas pelas caravanas que viajavam entre o Cairo e Damasco. o capítulo dos templários elegeu André de Montbard. No entanto.uma torre de madeira mais alta do que os muros e que foi posicionada no setor guarnecido pelos templários. eles continuaram a guarnecer sua fortaleza em Gaza. um grupo dos defensores fez uma sortida a partir da cidade e ateou fogo a essa torre. conde de Jafa. quando ela estava em chamas. Para substituir Bernardo de Trémélay. a pesquisa mais recente sugere que "a versão de Guilherme desse incidente parece estar distorcida". Apesar da perda de quarenta cavaleiros. seus corpos decapitados foram pendurados nos muros. a calúnia propagou-se amplamente e manchou a reputação da Ordem na Europa Ocidental.tornado vítimas de sua própria ambição: Bernardo de Trémélay havia ordenado a seus cavaleiros que impedissem que quaisquer outras pessoas se juntassem a eles nesse assalto inicial. Na noite de 15 de agosto. o mestre dos templários. que haviam sido criticados "por não terem conseguido seguir os templários através da bre-cha". entre eles o do grão-mestre. um contingente de templários emboscou uma força egípcia que escoltava o vizir egípcio Abbas e seu filho Nasir al-Din. mas. A mesquita foi consagrada como catedral e dedicada ao apóstolo Paulo. e os templários foram cercados e mortos pelos defensores. porque queria reservar para a sua Ordem a glória de tomar a cidade e a parte do 153 OS TEMPLÁRIOS leão dos despojos de guerra. Ascalão era um prêmio extraordinário e sua captura marcou o ponto alto de seu reinado. A alvenaria rachou e esboroou-se e parte do muro veio abaixo. Ela foi doada como feudo a seu irmão Amauri. o tio de Bernardo de Clairvaux que até então tinha ocupado o cargo de senescal do reino de Jerusalém. Para trás iscaram enormes quantidades de tesouros e suprimentos de armas. tendo-se baseado nos relatos defensivos dos comandantes latinos. No seu relato dessa desgraça. aproveitou essa oportunidade e conduziu quarenta de seus homens através da brecha. No dia seguinte. o cronista latino Guilherme de Tiro escreveu que os templários se haviam . a força principal não conseguiu segui-los. Em 1154. Para o rei Balduíno. o vento mudou de direção e soprou as chamas contra os muros. No dia 19 de agosto a cidade rendeu-se ao rei Balduíno e foi evacuada pelos egípcios. Bernardo de Trémélay. permitindo-se a seus habitantes levar consigo seus bens móveis. o ano após a queda de Ascalão. ambos em fuga coe .

Em 1158. As despesas em que as ordens militares incorriam eram estupendas: os hospitalários estiverem à beira da falência na década de 1170. os templários. foi primeiro "mutilado pessoalmente" pelas quatro viúvas do califa` e então "feito em pedaços pela turba". seu sucessor. mas Nasir al-Din foi feito prisioneiro pelos templários.) fuga simulada. Também não se deve esquecer que a pilhagem era considerada uma forma legítima de renda e provia os meios para promover o trabalho de sua Ordem. e os cava francos. de dinheiro que seus inimigos no g Nasir al-Din foi devidamente devolvido aos partidários do califa e.'8Z Essas acusações de cobiça contra os templários foram feitas por cronistas que tinham interesses pessoais.. Eles apreciavam "que eles devessem perr cer firmes apesar dos arqueiros e do cerco. era difícil proteger-se contra vicissitudes desse tipo. preservar sua solidariedade e coesão até que . ignorar a tentação oferecida (. em geral. foi emboscado e capturado po força sarracena quando atravessava o vale do Jordão. com oitenta e irmãos e trezentos cavaleiros seculares. Bertrand de Blanquefort. após apenas três anos como grão tre. mas isso não foi considerado pelos templários uma razão boa o suficiente para abrirem mão da substancial soma E ito ofereciam por ele . tão logo chegou ao Cairo. tornavam-se mais circunspectos à medida que o t passava. como Guilherme de Tiro e Walter Map. em particular. 154 O ULTRAMAR André de Montbard morreu em 1156. Eles haviam aprendido da experiência que os sarracenos tan eram hábeis combatentes que com freqüência tiravam proveito da cor dos francos com sua astúcia. Mais tarde Guilherme de Tiro afirmaria que sob sua custódia ele aprendera latim e estava disposto a tornar-se cristão. e desta distância no tempo são difíceis tanto de comprovar quanto de refutar. depois do fracassado golpe contra o califa.um enorme tesouro. Abbas foi morto no ataque. e porque a c de informações dos sarracenos era em geral melhor do que a dos cr (eles usavam pombos-correios e a maior parte da população rural era m mana).. sem dúvida inspirada pela conl em que Deus ficaria do seu lado. A despei sua bravura ocasionalmente insensata. Devido ao terreno montanhoso na Síria e na Palestina.

Melissanda não estava mais disposta a abdicar a partilha de F 155 OS TEMPLÁRIOS com o filho do que estivera com o marido. seu pai. o conde Raimundo. como sua irmã Alice em A quia. nove anos após sua coroação... "De todos os homens".. foi a vez do filho de Melissanda. Melissanda. uma divisão de facto do reino e. embora coroado rc 1143 por insistência dos barões. "os francos são os mais cautelosa guerra. a abadessa Joveta.) ela administrou o reino com tanta habilidade que se considerou com justiça que havia igualado seus predecessores .Ig4A impetuosidade desenfreada do zados primitivos era agora coisa do passado. posteriormente. mas também mais tarde os historiadores. foi com grande dificuldade que se libda tutela da mãe. em seu convento em Betânia. quando Balduíno era ainda criança. magro e ruivo que fora obrigada a ac por interesses políticos". esc~ o diplomata damasceno Usamah. que morrera subitamente em Cesaréia por ocasião da Seg Cruzada-ele tinha mais direito hereditário ao condado de Trípoli do c marido de Hodierna. ficaram impressionados por essa "mulher de fato notável. o belo senhor de Jafa. e.I86 Para Guilherme de Tiro. em primeiro lugar. lhe faltasse comp~ cia para governar. Melissanda foi afinal persuadida a se render e a viver com sua irmã. o rei Balduíno III. havia se recusado a aceitar que. por ser mulher. encomendara o envenenamento de Afonso Jordão. Foulques de A preferindo o amigo de infância dela. Hugo de Le R ao "homem de meia-idade baixo. Não só os contemporâneos de Melissanda. fora morto du uma caçada. como um favor à Hodierna. Melissanda. "ela era uma mulher muito sábia. um conflito aberto entre mãe e filho.)".pude escolher o momento de lançar sua carga com a certeza de atingir a prir formação militar do inimigo (. Sitiada pelas forças de Balduíno na cidadela em Jerusalém."' Também se dizia que. de modo que pudesse encarregar-se de importantes assuntos (. Em 1152. A mais velha das três extraordinárias filh rei Balduíno II de Jerusalém. Na década de 1140 ela havia levado o reino de Jerusa: beira de uma guerra civil numa luta com seu marido. que por mais de trinta anos exerceu considerável poder num reino onde não havia tradição prévia de nenhuma mulher exercendo um cargo público". Foulques. ele tentou governar p mesmo. opor mãe. que vencera por completo as desvantagens de seu sexo. quando. Suas divergências levaram a uma ruptura com.. o jovem c de Toulouse." A mesma circunspecção era evidente na diplomacia do rei Balduín o mais sagaz dos reis de Jerusalém. com plena experiência em quase todas as esferas dos negócios de Estado.

Raimundo de Poiders. e considerava-se de suma importância que Constança se casasse com um líder na guerra que gozasse de credibilidade: sugeriu-se um normando. Ele tinha acesso a conhecimentos especiais e devia Ser obedecido sem objeção. fosse seu verdadeiro sucessor. métodos revolucionários e aspirações messiânicas. . os xiitas desenvolveram noções místicas. no norte da Pérsia. mas. o cunhado viúvo do imperador bizantino. apenas agora está começando de novo a obter reconhecimento de seu real valor". a princesa viúva de Antioquia. ela fora convocada para reunir-se com os principais dignitários do ultramar a fim de refletirem sobre o futuro de sua sobrinha Constança. Também se esperava que ela pudesse reconciliar a irmã Hodierna com o marido. tentavam alcançar seus objetivos por meio da morte encoberta de seus inimigos. o genro de Maomé. um grupo de intransigentes ismaelitas sob Hassan al-S~abbah instalou-se na inexpugnável . No tempo das cruzadas. O assassino de Raimundo foi um membro de uma seita fanática de muçulmanos xiitas. os assassinos. o inspirado e infalível descendente de Ali e Fátima por intNrmédio de Ismael. tio e suposto amante de Alienor de Aquitânia. Três anos antes. nos montes Elburz. como os sicários entre os zelotes judeus. induzia a um transe que tornava os matadores alheios ao perigo. e 156 O UL'T'RAMAR d1 jd1 is radical eram os ismaclitas. depor de séculos de eclipse. Mesmo antes da queda de Ascalão. de acordo com os cruzados. Os xiitas eram originalmente uma facção política que acreditava que Ali. e com a confiança reforçada pela captura de Ascalão. Contudo. O próprio Balduíno acabou reconhecendo as qualidades dela. Perseguidos por suas crenças. das quais a rna 1 1 que "elaboraram um sistema de doutrina religiosa num elevado nível filosó fico e produziram uma literatura que. Em princípios do século X. após a morte de Aliem 661. seu belo marido. mas nesse caso ela fracassou de ambos os modos: Constança recusouse a considerar o maduro Jean Roger e Raimundo II foi assassinado quando se dirigia a cavalo para a cidade de Trípoli. Seu nome originase da palavra haxixe. o conde Raimundo II de Trípoli. o império fatímida estava em declínio.v ram-se em outras facções. Jean Roger. ela progrediu para uma seita islâmica radical empenhada em derrubar o califado sunita de Bagdá. de onde se descortinava o litoral do mar Cáspio. um homem que alegava ter essa descendência tomou o poder no norte da África e instituiu o califado fatímida (de Fátima) do Cairo para rivalizar com o califado sunita de Bagdá.nesse aspecto". os quais. tinha sido morto durante uma incursão no norte de seu principado. 181 Fundamental ao sistema ismaelita era a idéia do imã. tratou a mãe com considerável respeito e a envolveu nos negócios de Estado. que.

Em 1133. e tirou seu título de Châtillon-surOS TEMPLÁRIOS Loire. ele era desumano. Reinaldo de Châtillon. não é impossível que ela também tivesse incumbido os assassinos de se livrarem do difícil marido de Hodierna. reconheceu-o como príncipe de Antioquia. Ali ibn Wafa.qualidades que conquistaram o amor de Constança e levaram à mésalliance do século. quando Constança regressou ao principado de Antioquia. escreveu o arcebispo de Tiro. O ódio dos assassinos a seus inimigos muçulmanos tornou-os sujeitos a formar alianças com os francos. apenas três anos mais tarde um membro d~ mesma seita assassinou Raimundo II de Trípoli por razões desconhecidas. Agora tornava-se claro por que ela recusara o noivo proposto pelo rei de Jerusalém e pelo Imperador de Bizâncio. excepcionalmente corajoso e quase com certeza bonito. tomaram Khariba aos francos. Dessa forma. admi~ indo as habilidades de Reinaldo como soldado. Além disso. P.julgar pelo seu comportamento subseqüente. adquiriram al-Kahf. se dignasse se casar com uma espécie de cavaleiro mercenário 188 Balduíno III. em 113. em 1142. Reinaldo era o filho mais novo de Geoffroy. Seus olhos haviam câído sobre outro homem. Logo em seguida. "que uma mulher tão fsmosa. enviou missionários à Síria para conquistarem conversos. o imperador bizantino Manuel fez o rrlesmo. viúva de Um marido tão ilustre. conde de Gien-sur-Loire. O exemplo mais fatídico dessas paixões veio em 11 . os assassinos compraram o castelo de Qadmus aos muçulmanos que o haviam conquistado aos francos. Daí Hassan enviou seus sectários para assassinarem os sultões sunitas e seus vizires. associadas às paixões de mulheres obstinada~. Uma vez que a rainha Melissanda era suspeita de ter ordenado o envenenamento do jovem Afonso Jordão. em retribuição á ajuda de Reinaldo contra os j . onde permaneceu no séquito do rei Balduíno III. em 1149. poderosa e bem-nascida. um líder assassino. e. todavia. a importante fortaleza dP Masyaf foi conquistada aos damascenos. Na batalha de Inab. morreu lutando ao lado de Raimundo de Poitiers. acabaram afetando o destino dos latinos no ultramar. um cavaleiro francês. Outras fortalezas caíram em ôuas mãos mais ou menos ao mesmo tempo e colocaram-nos face a face cora os castelos das ordens militares em Kamel. divergências teológicas entre os seguidores de Maomé.53.fortaleza de Alamut. e nas cidades litorâneas de Valania e Tortosa. mas também para tomarem fortalezas como bases para sua campanha de terror. audaz. conde de Toulouse. La Colée e Krak dos Cavaleiros. Era absolutamente surpreendente. Crê-se que tenha pdo para o Oriente com o rei Luís'JII na Segunda Cruzada. Embora com relutãn~ia.

Encorajado pelos templários. Miguel Bravas. num evidente gesto de desafio e desdém. Ele agora o estava em contenda cone o imperador Manuel devido aos subsídios a que supunha ter direito. com um imenso dote que encheria os esvaziados cofres do reino. trazerem-no para Jerusalém. O objetivo diplomático dessa aliança era a ajuda bizantina contra Nur ed-Din e. Esse tratamento surtiu o efeito desejado: o patriarca entregou seu dinheiro a Reinaldo. A fim de selar o pacto. Ele precisava de fundos para wa expedição e ` decidiu extorqui-los a Aimery. João Comneno. e seu líder militar. uma O ULTRAMAR vez que isso estivesse assegurado. Reinaldomarchou para '¡ norte e tomou o porto de Alexandreta. Ao ser üformado do encarceramento do patriarca Aimery. reconciliou-se com os armênios e decidiu recuperar dos bizantinos aquilo a que julgava fazer jus pilhando a ilha de Chipre. Indiferentes ao fato de os cipriotGs serem cristãos. o exército de Reinaldo e Thoros passou a pilhar afilha "numa escala que talvez tivesse deixado com inveja os °° I$` hunos e os mongóis . Os prisioneiros ou compravam a própria liberdade. o rei Balduíno 111 enviou emissários para insistirem em que =osse solto e. sobrinha do imperador. com o rei arménio Thoros.R naldo tinha aversão pordue Aimery se tinha oposto ferozmente a seu casamento com Constança.armênios na Cilicia.ele desembarcou comum exército em Chipre. violentaram suas mull•eres. para o imperador Manuel. dando-o aos teme ários. e então Reinaldo mandou lançá-lo na prisão. Na primavera de 1156. o patriarca latino de Antioquia. que ousou para equipar uma esquad-a. Aimery recusou-se a dar-lhe dinheiro. Corii a ajuda dos templários. À aproximação de . até então uma das mais pacíficas províncias do Império Bizantino e fonte de suprimentos para o faminto exército da Primeira Cruzada. ou eram levados agrilhoados para Antioquia ou eram mutilados e enviados para Bizãncio. a quem Rei. a punição de Thoros e Reinaldo. de quinze anos. Após vencer e capturar o governador da ilha. A pilhagem de Chipre foi ainda mais grave porque pôs em risco o plano de Balduíno de uma aliança com o Império Bizantino. espancá-lo brutalmente e depois amarrá-lo no teto da cidadela apés terem esfregado mel em suas feridas para atrair moscas. assassinaram seus filhos e parentes idosos. fora prometida a Balduíno a princesa bizantina Teodora. O comportamento brutal e pirático de Reinaldo causou consternação em Jerusalém. sobrinho do imperador. saquearam suas igrejas conventos e seqüestraram seu gado e suas colheitas. O casamento realizou-se em Jerusalém em 1158.

Reinaldo fez um ataque repentino aos rebanhos de gado pertencentes sobretudo a sírios cristãos. do que por outro príncipe menos submisso e com certeza menos visivelmente seu vassalo. as prioridades estratégicas dos dois homens não eram as mesmas. contudo. Conquanto Manuel revelasse sincera afeição por Balduíno.a Rochc de Rousscl w La lìoche Guillaumc w 1)arhsek w(iaston (Baghras) fw Port Bonnel Antioquia nrar Meiliterrmreo w La Colée . enquanto Reinaldo se submeteu de forma abjeta. descalço e sem chapéu. entre eles o mestre do Templo. contra os turcos seldjúcidas na Anatólia. Balduíno tinha alimentado a esperança de que Reinaldo não seria tão facilmente perdoado. foi emboscado por uma força muçulmana sob o comando do governador de Alepo. todavia. Após saborear a humilhação de seu inimigo e impor certas condições. que foi Principais fortalezas w l. No caminho de volta a Antioquia com sua presa quadrúpede. o rei Balduíno III morreu com apenas trinta e três anos um homem extremamente encantador. Ninguém se apresentou para oferecer um resgate. e prostrou-se na poeira diante do imperador bizantino. Manuel permitiu que o penitente se erguesse e retornasse a Antioquia. conforme Manuel demonstrou ao fazer um pacto com Nur ed-Din. quando Manuel fizesse sua entrada triunfal na cidade. Em novembro de 1160. Para os latinos. estivesse disposto a caminhar a seu lado. Qualquer expectativa entre os príncipes cristãos de que Reinaldo de Châtillon tivesse aprendido de seus erros logo se revelaria despropositada. julgaram-na uma humilhação a todos eles. Para Manuel. esse foi mais um exemplo da perfídia grega. inteligente e culto. entre os benefícios desse acordo para os latinos estava a soltura de prisioneiros cristãos. Reinaldo foi capturado e levado para Alepo no lombo de um camelo. Reinaldo avançou. seu sobrinho por afinidade. Bertrand de Blanquefort. Embora os latinos reconhecessem que a degradação de Reinaldo fora bem merecida. e ele teve de ficar encarcerado pelos dezesseis anos seguintes. Em fevereiro de 1160. Perante uma assembléia de príncipes visitantes e cortesãos reunida em frente dos muros de Mamistra. o arquünimigo dos latinos. era melhor que Antioquia fosse governada por um homem que.um poderoso exército bizantino. Thoros fugiu para as montanhas. conduzindo seu cavalo.

estava contente de deixar os bizantinos para proteger as fronteiras setentrionais de seu reino. que recebera como parte do arranjo de casamento. a rainha Teodora. Ele não tinha herdeiros: sua esposa. A Balduíno sucedeu seu irmão Amauri.M (:hastcl-Blane AI-Arimah Trípoli Sídon w Beirute w Cauto« n Tiro Chastellet Acre Safad w Haifa-~nSaffran nrardaCaNéia Des«oir Castelo Peregrino ('Atlit Caco la Fèvt w w w Le Petit Gerin Cesaréiã Nablus/r~ gafa a castel Arnald Casal des Maios w w A Quaranrânia !I 11 w Ahamanr (Aman) ~fòron dos w Ascalio~ ~ Cavaleiros Jer~salém ': Maldoim (Cisterna Rubra) • Gaza dos templários na Síria e na Palestina . Poucas cidades no Sinai ou no delta do Nilo eram fortificadas. mas sem a erudição e o encanto deste. Nur ed-Din. Aí. de vinte e cinco anos. tão alto e bem-apessoado quanto Balduíno. e a possibilidade de pilhagem era estupenda. tinha apenas dezesseis anos. Amauri. que fora senhor de Jafa e Ascalão.morto L O O ULTRAMAR pranteado até mesmo por seus súditos muçulmanos e pelo governador de Alepo. mas também havia a razão estratégica mais urgente para o 25 so 50 milhas >oo km . em direção ao Egito. o califado fatímida estava desintegrando-se e o governo do país estava desorientado. e então retirou-se para Acre. e voltou sua atenção para o sul. em conseqüência de uma série de golpes e contragolpes sanguinários.

Nessa força havia um contingente de cavaleiros do Templo acompanhados de seus sargentos. Usando essa falta de pagamento como pretexto. Em 1168. mas os egípcios forçaram os francos a recuar. escudeiros e turcópolos. pois. Em 1166. senhor da Transjordânia. Ela provavelmente tinha feito parte da doação feita por Filipe de Nablus. foi apoiado . Amauri reuniu um exército para aliviá-lo. o jovem filho de Constança e Raimundo de Poitiers. protegido de Nur ed-Din. quando Amauri decidiu-se pela invasão do Egito com o uso de todos os meios possíveis. Nur ed-Din com certeza o preencheria.entrar em ação contra o Cairo. Embora os templários estivessem comprometidos por seus estatutos a defender a Terra Santa. uma planejada invasão por Balduíno II fora negociada pela promessa de um tributo anual jamais pago. abrindo brechas em diques no delta do Nilo. a autonomia das ordens militares tolhia sua conduta de guerra contra o Islã. Ao ser informado do sítio. Aproveitando-se da ausência de Amauri. foi sitiada pelas forças de Nur ed-Din. Amauri ficou tão irado que mandou enforcar os cavaleiros. pondo cerco à fortaleza de Harene. Boemundo saiu em perseguição desse exército muito maior e o alcançou no dia 10 de agosto. todavia. Usando sua tática favorita. Boemundo. Nur ed-Din atacara o principado de Antioquia. foram emboscados e feitos prisioneiros ou mortos. Nur ed-Din suspendeu o cerco e retirou-se. armênios e bizantinos a fim de socorrer Harenc. quando entrou para a Ordem em janeiro de 1166. Contrariando os conselhos de seus companheiros mais experientes. e chegou a um acordo com Shawar de que ambos os exércitos deveriam retirar-se. guarnecida pelos templários e que se dizia ser inexpugnável. Para Amauri. e não ao OS TEMPLÁRIOS rei de Jerusalém. mas ao chegar ao rio Jordão ele encontrou doze templários que haviam entregado a fortaleza sem lutar. À sua aproximação. bem poderia ter sido um dos fatores que azedaram as relações entre a Ordem do Templo e o rei. Em 1160. se os latinos não preenchessem o vácuo. registrado na história de Guilherme de Tiro. Esse revés foi sem dúvida um dos fatores que levaram os templários a preferir seu próprio julgamento sobre questões militares ao dos príncipes latinos. agora reinando como príncipe Boemundo III. sessenta caíram na batalha e apenas sete escaparam. partiu com um exército misto de antioquenos. os muçulmanos simularam uma retirada. Dos cavaleiros do Templo. Esse episódio. Boemundo e seus cavaleiros arremeteram contra eles. Amauri estava de volta ao Egito para antecipar-se a uma tomada do poder no Cairo por Shawar. No ano seguinte. no outono de 1163 Amauri invadiu o Egito à frente de uma força que incluía um grande contingente de templários. o grão-mestre estava sujeito ao papa. uma caverna-fortaleza na Transjordânia.

também foi uma lição prática para o Templo. Mas a quase falência do Hospital. recusou-se categoricamente a participar. se um fosse morto. que aconselhou o rei Amauri. os hospitalários. Durante trinta anos. e pela maioria dos barões leigos. Gilberto de Assailly. "Homens . os eleitos abandonaram-se a um excesso de libertinagem. na fronteira de Amanus. Os templários. o imã assassino de Alamut. Na década de 1160. talvez não entendessem o valor de se manter a promessa feita a um infiel. originário de uma aldeia próxima de Basta. Sinan tornou-se o governante do enclave dos assassinos na Síria e seguia sua própria política. que poderiam ter investido contra eles a partir de suas bases em Tortosa. tanto no norte. porque os assassinos O ULTRAMAR haviam compreendido claramente que. como o conde Guilherme IV de Nevers. conhecido pelos cruzados como "O Velho da Montanha". As exceções eram os grão-mestres das ordens militares.pelo grão-mestre do Hospital. Tratava-se de Sinan ibn-Salman ibn-Muhammad. os assassinos eram tolerados pelos francos. as tendências milenárias inerentes à doutrina ismaelita explodiram quando Hassan. Bertrand de Blanquefort. por serem os inimigos de seus inimigos. no Iraque. sempre haveria outro para assumir seu lugar. Sinan promulgou a nova dispensação na Síria. perto de Gaza. o líder em Alamut. mas o grão-mestre do Templo. De modo geral. e.000 besants dos assassinos para que estes fossem deixados em paz. Outro exemplo da independência dos templários e de sua disposição de frustrar os planos do rei ocorreu em 1173. Motivos mesquinhos foram atribuídos aos templários para essa decisão: afirmou-se que foi porque o plano tinha sido incentivado por seus rivais. mas os templários já tinham suficiente compreensão das condições locais para reconhecerem que de vez em quando a diplomacia poderia ser mais eficaz do que a força. que tinha tido graves prejuízos em Antioquia e estava totalmente comprometido com a defesa da Terra Santa.os recém-chegados da França. recebiam um "tributo" anual de 2. ou que eles tinham lucrativas transações financeiras com os mercadores italianos que comerciavam com o Egito. La Colée e Chastel-Blane. todo governante nos califados islâmicos e em cada Estado cristão esteve sob risco de um ataque homicida de um dos fanáticos sectários ismaelitas de Sinan. que sem dúvida induziu Gilberto de Assailly a tentar compensar no Nilo os prejuízos da Ordem. Também havia o acordo de Amauri com Shawar . Protegido de Hassan. quando Amauri entrou em negociações com o chefe dos assassinos na Síria. revogou a Lei de Maomé e proclamou a Ressurreição. como os anabatistas em Münster muitos séculos depois. quanto no sul.

e ela agora o enviaria a Roma para o julgamento final. e Sinan foi persuadido pelos profusos pedidos de desculpas de Amauri de que o ataque a seu embaixador não fora um ato seu. e seu plano de requerer ao papa e aos monarcas europeus que dissolvessem a Ordem só foi frustrado por sua morte em 1174. Walter Map. Sinan mandou recado ao rei Amauri e ao patriarca de Jerusalém de que estava interessado na conversão à fé em Cristo. e deteve o agressor Gualtério de Mesnil. Após uma conclusão satisfatória dessas conversações preliminares. Pouco depois de passar por Trípoli. Sua escolha como grão-mestre tinha sido quase com certeza para promover boas relações com o rei Amauri. que havia substituído Filipe de Nablus em 1168. O grão-mestre do Templo era agora Odon de Saint-Amand. Esse atentado enfureceu o rei Amauri. nenhum homem se abstinha de sua irmã ou filha. Entre 1157 e 1159 fora prisioneiro dos muçulmanos. devido ao voto de obediência feito por todo irmão cavaleiro. Odon tinha sido um funcionário público real que ocupara vários postos importantes antes de entrar para a Ordem. Para esse fim Hassan enviou um emissário. parece improvável que Gualtério estivesse agindo inteiramente por iniciativa próprià. que ordenou a prisão dos culpados. Abdullah. matando o emissário dos assassinos "a fim de que (diz-se) a crença dos infiéis não se extinguisse e a paz e a união não reinassem". Abdullah iniciou a viagem de volta de Jerusalém a Massif com um salvo-conduto do rei Amauri.000 besants que teria prescrito com a conversão dos assassinos.e mulheres umam-se em rodadas de bebidas. Todavia. e uma delas declarou que Sinan era Deus. Amauri viajou para Sídon. as mulheres usavam roupas masculinas.'9' . cronista da época. onde o capítulo dos templários estava reunido. o incidente indispôs irrevogavelmente o rei contra o Templo. Um cronista posterior. seu pequeno destacamento foi atacado por um cavaleiro zarolho chamado Gualtério de Mesnil. mas agora Odon insistia nos direitos legais concedidos aos templários pela bula papal Omne datum optimum. Ele foi aprisionado em Tiro. mas. O motivo fornecido por Guilherme de Tiro. sugere que eles receavam que a paz destruísse sua raison d ëtre. Seus cavaleiros estavam isentos da jurisdição secular: Gualtério de Mesnil tinha sido punido pela Ordem por sua transgressão. OS TEMPLÁRIOS O que estava por trás do ataque ao embaixador assassino por Gualtério de Vlesnil? Odon de Saint-Amand nunca assumiu a responsabilidade de seu ato. é cobiça: os templários não estavam dispostos a perder o tributo anual de 2.` 11 Alguns anos depois da ab-rogação do Islã por Hassan. para negociar um acordo com o rei. Ignorando essas sutilezas.

ele adotou o traje cerimonial do imperador Bizantino em sua corte em Jerusalém. que tinha apenas trinta e oito anos. mas o filho de um alto funcio- . sempre fora desfavoravelmente comparado com seu irmão Balduíno III e havia dissipado a força de seu reino em suas infrutíferas expedições ao Egito. seu primo. Isabel. duque da Saxônia. O princípio hereditário era agora inconteste nos reinos latinos. tornou-se regente do reino de Jerusalém. oÉto Saladino 0 ano de 1174 assistiu à morte do rei Amauri de Jerusalém e de Nur ed-Din. Seu filho e herdeiro. "com feições regulares e uma expressão triste e suave". conde de Trípoli. após retornar de uma visita a Constantinopla. É mais provável que. por viverem próximo aos assassinos. Balduíno tinha treze anos e era leproso. e na opinião de alguns clérigos a doença era a punição de Amauri por Deus por ter-se casado com sua prima. estava com apenas onze anos e havia pretensões rivais dos governadores de Damasco. de Alepo. o legado de Nur ed-Din era menos seguro. e pouco antes de sua morte.000 besents. Agnes de Courtenay. eles pensas3em que Amauri estivesse sendo logrado. Contudo. Mas eles não eram os únicos que não confiavam nos assassinos: após a morte de Amauri. Isso fora obtido pelo casamento de sua prima. uma vez que os templários tin-iam acabado de receber uma substancial doação de Henrique. Sua estratégia para assegurar a sobrevivência dos Estados latinos na Síria e na Palestina tinha sido a de fazer aliança com o Império Bizantino. de quem teve somente uma filha.Historiadores modernos"' sugerem que. Amauri. eles não teriam desafiado o rei por causa de meros 2. cujo pai tinha sido morto pelos assassinos. Malik as-Salih Ismail. As negociações com Sinan não foram retomada:. e não houve nenhum outro rumor de sua conversão à fé em Cristo. Além disso. com o imperador Manuel e pelo seu próprio casamento com a filha do imperador. o conde Raimundo III de Trípoli. À primeira vista. Nur ed-Din demonstrara que era possível para os muçulmanos unir-se contra os francos. Raimundo III. o Leão. também chamada Maria. o poderoso governante de Alepo. Esse apreço por Bizâncio foi demonstrado quando. desempenhou as funções de regente.'93 ele também era pio e tinha elevado sua luta contra os cristãos latinos ao nível de um jihad ou guerra santa. O homem que adquiriria essa combinação de ascendência espiritual e política não seria da progênie de Nur ed-Din. Até Balduíno atingir a maioridade. de Mossul e do Cairo sobre quem deveria atuar como seu regente. havia acrescentado uma dimensão espiritual a este fato político: parcimonioso e austero. ao firmar sua autoridade sobre os diferentes emirados que antes tinham vivido às turras uns com os outros. Maria de Antioquia. e por isso a Amauri sucedeu Balduíno IV seu filho com a primeira mulher.

e às vezes em desobediência a . Quando parecia oportuno . e não restam dúvidas de que sua guerra contra os francos cristãos foi inspirada por um autêntico zelo religioso. depois de ser derrotado numa batalha com as forças do califa de Bagdá. ajudando-o a fugir através do rio Tigre. Ele todavia o fez em estreita colaboração com o seu jovem e vigoroso sobrinho Salad ed-Din Yusuf. eram os generais de Nur ed-Din em quem ele mais confiava. e foi Shirkuh quem frustrou as tentativas do rei Amauri de fundar um protetorado franco no Egito. junto com seu irmão Shirkuh. era instruído. ordenou a suas manganelas que não disparassem contra a torre onde as bodas estavam sendo celebradas . durante as festividades de casamento de Humphrey de Toron e da princesa Isabel. moderado. mais conhecido como Saladino. cabelos pretos e olhos escuros. Ele é descrito como de baixa estatura. mesmo depois de ele ter demonstrado seu compromisso com o Islã ao unir os diversos Estados muçulmanos contra os latinos. Não foi fácil manter o conceito moral elevado na comunidade islâmica mais ampla: ele teve de revelar-se leal não apenas a Nur ed-Din. que sua famosa magnanimidade fosse em parte uma questão de prudência. o amo de seu pai. Tanto durante a sua vida quanto após a sua morte. ou como. Também parece provável. Foi Saladino quem deu o coup de grâce no califado fatímida do Cairo.165 OS TEMPLÁRIOS nário curdo que salvara a vida do pai de Nur ed-Din. Como a maioria dos membros da elite muçulmana. Najm ed-Din. estivera mais interessado em religião do que em combate. e não simplesmente por uma compreensão adquirida a partir do exemplo de Zengi e Nur ed-Din de que os diversos Estados islâmicos só poderiam ser induzidos a atuar juntos em nome de um jihad. refinado e hábil com a lança e a espada. em 1143. como ele deu peles a alguns de seus prisioneiros cristãos para mantê-los aquecidos nas masmorras de Damasco.por exemplo. mas também pelos cristãos. Ele firmou um domínio pessoal sobre o Egito. agindo de forma independente de . mas também ao califa de Bagdá. Saladino era não obstante um estadista arguto e um comandante competente. muitos continuaram a considerá-lo um usurpador. Esse homem. quando estava sitiando o castelo de Kerak em 1183. como veremos. com o rosto redondo. Zengi.tinham todas muita mais impacto porque os europeus cristãos haviam até então tentado converterem demônios seus inimigos infiéis. o antigo amo de seu pai.Nur ed-Din. As histórias de sua urbanidade e benevolência que foram trazidas para a Europa . Na juventude. Pio. mudando a submissão espiritual dos muçulmanos egípcios para o califa de Bagdá. generoso e compassivo. Saladino seria visto como um modelo de bravura e magnanimidade não só pelos muçulmanos.

em 1071. e a capacidade de Bizâncio de influenciar os acontecimentos na Síria se fora com ela. 194 Se tivesse sido capaz de prever o futuro. que havia levado à Primeira Cruzada. concordou em libertar seus prisioneiros cristãos em troca de resgate . dois anos após a captura de seu belo marido. ele sentia um ódio implacável pelas ordens militares. Essa derrota foi tão catastrófica quanto a de Manzikert.ser cruel. Conquanto viesse a respeitar e até a admirar o altivo código dos cavaleiros francos e fosse diligente em sua urbanidade para com príncipes e reis cristãos. seu sultão Kilij Arslan II avançou contra Bizâncio. em retribuição. o jovem rei leproso Balduíno IV não conseguia ser um . que desposara a princesa Constança de Aritioquia: o preço por ele fixado foi de 120. talvez de desgosto. Não obstante. Os francos estavam agora por sua própria conta. que desempenhava as funções de regente em nome do rei Balduíno IV a fazer um ataque diversivo à cidade de Homs e. que lhe trouxe os domínios de Hebron e da Transjordânia. AAnatólia foi perdida para sempre para os turcos.000 dinares de ouro. imperatriz de Bizâncio. filho de Constança com o primeiro marido. Reinaldo agora era um príncipe sem principado: sua mulher havia morrido. o conde Raimundo com certeza teria resolvido deixar esse "elefante desgarrado" nas masmorras de Alepo. Em seus esforços para frustrar a ascensão de Saladino ao poder absoluto após a morte de Nur ed-Din. o qual foi aniquilado pelos turcos em Miriocéfalo. Estefânia de Milly. A situação agravou-se com as divisões dentro do reino de Jerusalém. e de vez em quando mandava mutilar ou executar seus prisioneiros. das quais procedia: sua filha Agnes era agora rainha da Hungria. ele 166 SALADINO era cruel: ordenou a crucificação de oponentes xütas no Cairo. Em 1176. O imperador Manuel liderou um exército contra ele. Raimundo de Poitiers. seus rivais fizeram alianças táticas com os latinos. e Antioquia era governada por Boemundo III.entre eles o adventício cavaleiro francês Reinaldo de Châtillon. Reinaldo não poderia simplesmente ser relegado às fileiras de cavaleiros mercenários. e sua enteada Maria. Embora paciente e perseverante. Uma das principais conseqüências da morte de Nur ed-Din e da desordem que se lhe seguiu foi a remoção do controle que ele havia exercido sobre os turcos seldjúcidas. Ele estava portanto casado com a mais rica herdeira do reino. O governador de Alepo persuadiu o conde Raimundo de Trípoli.

era como prisioneiro dos muçulmanos. havia regente até Balduíno atingir a maioridade. Saladino saiu à frente de uma força. rompeu o cerco de Ascalão e.fora reconhecida por Saladino.diz-se que foi aí que Jacó lutou com um anjo. Conquanto se falasse muito sobre a ajuda que viria do Ocidente sob a forma de uma nova cruzada liderada pelo rei Luís VII da França e pelo rei Henrique 11 da Inglaterra. seu exército desintegrou-se. e ele fugiu de volta para o Egito. agora casado com a ex-mulher de Luís. Balduíno IV. 1G7 OS TEMPLÁRIOS Trípoli. historiadores muçulmanos insistem que ele era liderado por Reinaldo de Châtillon. no dia 25 de novembro de 1177. cauteloso e. construindo um castelo às margens do Jordão num lugar chamado vau do Jaboc . Como lhe faltasse potencial humano para secundar essa vitória. recrutou um exército para defendê-la. mas Saladino passou ao largo de Gaza e sitiou Ascalão. o único príncipe que apareceu na Terra Santa foi Filipe. Essa vitória foi um triunfo para os francos e talvez os tenha encorajado a superestimar sua verdadeira força. Alienor de Aquitânia.líder forte. deixou uma pequena força para conter Balduíno e marchou para a Cidade Santa. que. depois de anos conhecia bem a psicologia do boa reputação do reino de Jerusalém. que até então tinha sido acessível tanto a muçulmanos quanto a cristãos . Ele chegou à cidade antes de Saladmo. Ele contava com o apoio das famílias de mas a ele se opunham os templários e os recém-chegados à Palestina comandados por Reinaldo de Châtillon. em direção à fortaleza dos templários de Gaza. Sua posição estratégica na estrada que ligava o litoral a Damasco . Balduíno cedeu à forte pressão . Raimundo III de desempenhado as funções de experiente. conde de Flandres. que. Saladino foi pego de surpresa. e não em cruzada. Embora crônicas francas relatem que o exército era comandado por Balduíno. alcançou o exército egípcio em Montgisard. através do deserto do Sinai. o rei Balduíno IV reforçou sua fronteira com Damasco. que julgava ter chegado a um acordo com o rei Balduíno de que ela deveria permanecer uma zona desmilitarizada. Ao se dar conta de que tinha sido flanqueado. os quais ansiavam pela guerra e pela conquista de novas terras. que havia então atingido a maioridade. Os templários concentraram suas forças para defendê-la. conforme descrito no Livro do Gênesis. Balduíno convocou de Gaza os cavaleiros do Templo. mas ele insistia que tinha ido em peregrinação.'95 É provável que ele tenha lutado com grande bravura e que a vitória tenha aumentado seu prestígio. Contudo.de onde dominava a fértil planície de Banyas. Aproveitando-se da desunião dos francos. ao perceber que Jerusalém estava desprotegida. como seu parente mais próximo. falava árabe e inimigo.

Orgulhoso demais para ser trocado por um muçulmano mantido pelos cristãos. não por vocação religiosa. mas foram vencidos. era mulher de um negociante de fazendas de Nablus. mas entre as baixas sofridas pelos francos incluíam-se vários cavaleiros do Templo. solicitando a Raimundo de Trípoli e aos templários. os templários atacaram. Heráclio dedicou a nova igreja dos templários em seu complexo a oeste da cidade: sua figura perfumada e cheia de jóias deixou . que se juntassem a ele. Rogério des Moulins. Heráclio. O cronista Guilherme de Tiro. cujo irmão foi morto nesse combate. Os que conseguiram atravessar o rio Litani refugiaram-se na grande fortaleza de $eaufort. condenou Odon pela arrogância. sob o comando de Odon de Saint-Amand. na França e na Inglaterra. Paschia de Riveri. mas como uma manobra lateral para atingir os escalões superiores da administração leiga da cristandade. era "um homem sem valor. e Balduíno foi em seu socorro. a fim de tentarem obter ajuda na Itália. ou se tinha visto alguma vantagem na escolha de um grão-mestre que já era uma figura de certa estatura. conhecida como Madame la Patriarchesse. É impossível dizer se o capítulo dos templários que escolheu Odon estava interessado ou não no discernimento de uma vocação sincera. a rainha Agnes. que era agora vista como um defeito comum dos cavaleiros do Templo: as ações dele eram "ditadas pelo caráter orgulhoso. cuja influência havia assegurado sua nomeação primeiro como arcebispo de Cesaréia e mais tarde como patriarca de Jerusalém. que já tinha sido mestre na Provença e na Espanha. o patriarca recémeleito. Odon de Saint-Amand. que ele tinha de sobra". o conde Raimundo e os templários fizeram contato com o exército de Sala1G8 SALADINO dino. e Heráclio. Tirando proveito de um armistício de dois anos ajustado entre Saladino e o rei Balduíno IV-armistício que lhes fora imposto por uma seca e pelo conseqüente risco de escassez de alimentos -. tinha sido amante da mãe do rei. e entre os que foram aprisionados estava o grão-mestre. Durante sua estada em Londres. Saladino sitiou o castelo. orgulhoso e arrogante. Odon morreu no cativeiro no ano seguinte."' Sem dúvida.Amoldo de Torroja embarcou para a Europa com o grão-mestre do Hospital. Mas foi talvez em reação a Odon de Saint-Amand que os cavaleiros escolheram como seu sucessor um templário de carreira. um padre semi-analfabeto de Auvergne. que trazia nas ventas a disposição para a ira e que não temia a Deus nem tinha respeito pelo ser humano". No dia 10 de junho. No verão de 1179. Arnoldo de Torroja. era exemplo de um cavaleiro que fizera seu nome no mundo secular e mais tarde ingressara na Ordem. Impetuosamente.dos templários e construiu a fortaleza numa época em que Saladino estava perturbado por dissidências entre membros de sua família. Sua então amante.

000 para o Templo. onde faleceu em 30 de setembro de 1184. Ele havia chegado à Terra Santa no início da década de 1170 e servido com Raimundo 111. filho de sua irmã Sibila com o primeiro marido. de sete anos.'98 Com suas esperanças frustradas dessa forma.000 marcos para "casas religiosas mistas. 5. do arcebispo de Canterbury. Sucedeu-lhe o sobrinho Balduíno V. como também prometeu prover os templários com dinheiro para manter duzentos cavaleiros por ano. o que a reduziu a cerca de 63. Por ocasião da morte de Amoldo de Torroja. e embora os acontecimentos o impedissem de cumprir sua promessa.'9' O grão-mestre do Templo. leprosos. 5. Henrique jurou tomar a Cruz.5kg. Em 1180. morreu. Todavia. Segundo os cronistas. Para suceder-lhe.uma má impressão e fez com que alguns dos homens que o conheceram se perguntassem se seus irmãos cristãos no Oriente estariam em necessidade tão extrema. Parece que Gérard foi um caso clássico de um cavaleiro que entrou para a Ordem fauce de mieux. um cavaleiro de o rigem flamenga ou anglonormanda.000 para ambos em conjunto.ludido da ambição terrena. o Templo inglês já se havia beneficiado de um grave acontecimento na história da Inglaterra: o assassinato. ele era o seneseal dos templários no reino de Jerusalém. reclusos e eremitas na Palestina". Ela lhe trouxe 10. voltou atrás em sua promessa a Gérard e "vendeu" Lúcia para um mercador de Pisa chamado Plivano pelo peso de sua noiva em ouro. Tomás Becket. Arnoldo de Torroja. Em março de 1185. deixando seu feudo para a filha Lúcia. em 1172. Raimundo. conde de Trípoli. senhor de Botron.000 para o Hospital. não apenas fez penitência pública na Catedral de Canterbury. Guilherme Dorel. Balduíno IV afinal morreu. como parte de sua penitência. O rei Henrique 11.000 marcos para o custeio da cruzada: 5. possivelmente pressionado por dívidas. A penitência imposta aos 1G9 OS TEMPLÁRIOS quatro cavaleiros normandos que o mataram foi servirem quatorze anos com os templários na Terra Santa. Raimundo lhe garantiu que ele receberia um feudo em seu país quando algum ficasse vago. Foi dito que mais :)u menos nessa época ele sofria de uma grave doença. e o incidente deixou-o com um profundo ressentimento contra o conde Raimundo de Trí)oli. e uma quantia final de 5. Gérard ingressou na Ordem do Templo. o capítulo dos templários em Jerusalém escolheu Gérard de Ridefort.000 besants. adoeceu em Verona. em 1170. que os havia incitado. seu testamento de 1172 deixou 20. Em Avranches. levando-o a concentrar seu espírito no mundo vindouro. . o jovem rei leproso. Mas o ímpeto de religiosidade não atenuou a humilhação que sent u como cavaleiro ao ser preterido em favor de um mercador. e isso pode tê-lo des.

ela gostou do que viu e instou com o irmão. que era amante de Agnes. Sibila colocou uma segunda coroa na cabeça do marido. Raimundo de Trípoli. e durante algum tempo Sibila cogitara de se casar com um barão local. a filha de . o destino dos cristãos latinos na Terra Santa viria a ser afetado pelas emoções de uma mulher. que já vinha exercendo as funções de baill (governador ou ministro-chefe) de Balduíno IV. preferindo jogá-lo pela janela. Sibila convocou seus partidários a Jerusalém e foi coroada rainha por outro dos ex-amantes de sua mãe. o rei Balduíno IV que concordasse com o casamento deles. os planos das duas mulheres se concretizaram. A princípio. morrera de malária em 1177. O grão-mestre do Hospital. e então "Gérard de Ridefort gritou bem alto que essa coroa restituía o casamento de Botron". mas o detentor da segunda chave. O rei resistiu porque podia ver que esse fraco e incapaz filho mais novo de um conde francês era uma escolha medíocre como futuro governante de seu reino. a mãe de Sibila. o patriarca Heráclio. uma sondagem entre as famílias reais da Europa não conseguiu sugerir um substituto. Guilherme de Montferrat. Todavia. pois correspondiam a todos os vassalos do reino menos Reinaldo de Châtillon. importado da Europa como um futuro rei. logo no ano seguinte. Quando ele chegou. foi buscálo. um dos principais defensores de Sibila e Guido. Guido. entretanto. a autoridade de Raimundo foi enfraquecida quando. 170 SALADINO De acordo com o testamento de Balduíno IV a sucessão deveria ser decidida pelo papa. Raimundo propôs que coroassem a princesa Isabel. Sibila mandou trazê-lo da Europa. e por fim ele deu seu. Seu primeiro marido. o condestável do reino. Mais uma vez. Balduíno de Ibelin.istício de quatro anos. conservava a chave do cofre que continha os adereços reais. Contudo. sem deixar he'deiro óbvio. Assim que foi coroada. Gérard de Ridefort. como o grãomestre do Templo. Guido de Lusignan era desprezado por todos. A princesa Sibila. era agora esposa de um cavaleiro francês. tinha um irmão mais novo chamado Guido. consentimento: eles se casaram na Páscoa de 1180. pelo imperador e pelos reis da Inglaterra e da França. Seis anos mais tarde. mãe do falecido rei. recusou-se a exibi-lo. mas sua mãe e sua irmã o influenciaram. Amauri de Lusignan. lideradas por Raimundo de Trípoli. tornou-se então o regente de Balduíno V Nessa qualidade. Induzida pelos relatos sobre os encantos dele. o jovem rei também morreu.199 O golpe da rainha Sibila representou o triunfo dos falcões sobre as pombas.Guilherme de Montferrat. que. As pombas poderiam ter resistido. Guido de Lusignan. ele fez um acordo com Saladino de um arn.

que não recebeu seus emissários. quer tenha sido "a parte mais ousada de uma campanha orquestrada. prime ro de Reinaldo. entraram em forma. em direção ao mar Vermelho. e todos os barões. Isso foi uma violação do armistício. Em 1182. que eram testadas no mar Morto e em seguida lançadas ao golfo de hcaba. de dezoito anos. Reinaldo de Châtillon. depois da ascensão do rei Guido.aghib. "um jovem de extraordinária OS 'TEMPLÁRIOS beleza e grande erudição. mais dotado por seus gostos para ser uma garota do queum homem". Estas navegaram para o sul. no castelo de Kerak. Foi no casamento deles no ano anterior. matando sua escolta de tropas egípcias. pilhando os Portos no litoral do Egito e da Arábia. . Após o desembarque no porto de ar-P.treze anos do rei Amauri I. Reinaldo exacerbava seu ultraje ao atacar uma grande caravana que viajava do Egito à Síria."' isso transformou Reinaldo num homen marcado para Saladino. que recentemente desposara Humphrey de Toron. O cerco fora suspenso pessoalmente pelo rei Balduíno IV que viajava numa liteira. com a intenção de levar consigo o corpo do profeta Maomé. situavase em ambos os lados das rotas de caravanas entre o Egito e a Síria e dividia em dois os domínios de Saladino.zoo Quando Raimundo então propôs que ele fosse feito rei. mas é possível que a experiência tivesse enervado o jovem Humphrey de Toron. que. e Saladino exigiu reparação. O feudo da Transjordânia. ele devia seu trono a Reinaldo. Ele mandara construir galeras em partes. com exceção de Raimundo de Trípoli e Balduíno de Ibelin. que este ordenara que suas manganelas não disparassem contra a torre onde as festividades do casamento estavam sendo realizadas e fora recompensado pela mãe de Humphrey com pratos servidos na festa. cujo papel como guardião dos Lugares Santos na Arábia sustentava sua autoridade no mundo muçulmano. e depois do rei Guido. Quer tenha sido um ato individual de terrorismo da parte de Reinaldo. não insistiu: em grande parte. e os sobreviventes forem executados ou em Meca ou no Cairo. que ele hava adquirido através do casamento e que se estendia até o golfo de Ácaba. Eles foram vencidos por uma força enviada do Egito por Malik. da qual todas as forças do reino participaram". Reinaldo usara essa posição estratégica para organizar um ataque repentino cuja ousadia levou ao maior ultraje possível no mundo muçulmano. embora tivesse ordenado a Reinaldo que desse satisfações. O golpe foi um fait accompli. durante o cerco feito por Saladino. ele foi furtivamente para Jerusalém e prestou homenagem a Guido de Luxgnan. navios mercantes e até transportes que levavam peregrinos para Meca. um grupo de incursores partiu para a própria Meca. os quais ela mandou para o líder muçulmano. Agora não havia mais nada para refrear os agressivos planos do principal fabricante de reis. Agora. irmão de Saladino.

até mesmo seus defensores julgaram-no "enigmático ".. esse ataque à caravana foi um clamoroso atode vandalismo. e os cavaleiros recém-chegados. cruzasse seu país até a Galiléia.'02 sugerindo que. Rogério des Moulins. A força mista de cavaleiros então investiu contra os egípcios com um efeito catastrófico. que queriara conservar o que tinham. numa missão de reconhecimento. onde quarenta cavaleiros seculares foram acrescentados à sua força. Sois vós quem fugirá como um traidor". na fortaleza de Lã Fève. mas decerto o conhecimento de que Raimundo de Trípoli era fluente em árabe e interessado pelo estudo de textos islâmicos fez com que muitos suspeitassem de que não estivesse integralmente comprometido com a causa cristã. concordou. cujo objetivo era buscar a reconciliação com o conde Raimundo e da qual faziam parte os grãomestres do Templo e do Hospital. Raimundo procurou obter a ajuda de Saladino contra Guido de Lusignan. talvez devido à escolta egípcia..Para os detratores de Reinaldo. Gérard de Ridefort imediatamente convocou dos castelos vizinhos noventa cavaleiros do Templo e cavalgou para Nazaré. Havia um conflito de interesses entre os barões estabelecidos. eles tornaram a guerra inevitável numa época em que os Estados latinos estavam profundamente divididos. filho de Saladino. Saladino quem violara o armistício. equivalendo a colaboração inequívoca. Além de Nazaré. Notícias desse acordo foram enviadas aos súditos de Raimundo e. alcançaram uma delegação do rei Guido a caminho. Como que para provar que as suspeitas deles estavam corretas. combinado com uma divergên172 SALADINO cia ideológica entre aqueles que buscavam uma conciliação com seus vizinhos muçulmanos e aqueles para quem qualquer compromisso com os infiéis era uma traição da cristandade. Raimundo permitiu que uma força da cavalaria egípcia liderada por al-Afdal. Ao ver a sua força. Jacques de Mailly. aconselhou a retirada. eles encontraram a força muçulmana dando de beber a seus cavalos nas fontes de Cresson. e o marechal do Templo. era às vezes difícil distinguir entre ambos. Combinou-se que ela seria não-beligerante e que se moveria durante o dia. ao que o marechal do Templo retrucou: "Hei de morrer em batalha como um homem corajoso. Isso ia muito além de pedir um armistício. que acusou o grão-mestre do Hospital de covardia e desdenhou de Jacques de Mailly: "Vós amais em demasia vossa cabeça loura para querer perdê-la". Isso encolerizou Gérard de Ridefort. . Fossem quais fossem seus motivos. o mestre do Hospital. que esperavam fazer fortuna com as novas conquistas. Mesmo nessa época. Como um favor a seu possível aliado. Reinaldo tivesse achado que for.

metade seguiu pela margem do lago Tiberíades.convergiram para al-Ashtara. seu marido. que eram virtualmente todos os combatentes. o rei Guido proclamou uma levée en 173 OS TEMPLÁRIOS masse. incluindo doze mil de cavalaria. para formarem a maior força que ele jamais tivera sob seu comando. Os cavaleiros seculares foram feitos prisioneiros junto com alguns cidadãos cristãos de Nazaré que haviam deixado a cidade na esperança de pilhagem. que estava com o rei Guido em Acre. resistiu na cidadela e enviou mensagem de seu apuro a Raimundo. numa posição estrategicamente vantajosa. Gérard de Ridefort. Como antes. no extremo sudoeste do lago Tiberíades. voluntários e mercenários. com trinta mil soldados de infantaria e doze mil soldados de cavalaria. a condessa de Trípoli. Raimundo aconselhou cautela. na margem mais afastada do Jordão. o rei Guido havia reunido vinte mil soldados. Guido foi incapaz de rejeitar os conselhos dos dois homens que haviam conquistado o trono para ele e ordenou ao exército cristão que avançasse para Tiberíades. Os filhos dela. que lhes contou do apuro da mulher do conde Raimundo. Aí ele dividiu suas forças: metade marchou para as montanhas a oeste.Alepo. Reinaldo de Châtillon e Gérard de Ridefort preferiam um ataque imediato para socorrer Tiberíades. Como ainda não soubesse que sua esposa estava em perigo. Aí as encontrou o mensageiro de Tiberíades. censurando Raimundo por sua covardia e por seu pacto anterior com Saladino. Nesse ponto o indeciso rei Guido recebeu conselhos conflitantes dos falcões e das pombas.Jacques de Mailly e Rogério des Moulins foram ambos mortos junto com todos os templários. que aí estavam com o pai. Mossul. à exceção de três. levando-o a quebrar seu pacto com Saladino e a fazer as pazes com o rei Guido. . disponíveis no ultramar: as cidades e as fortalezas latinas ficaram vazias. mas Eschiva. um deles seu grão-mestre. As tropas acamparam em Seforia na tarde de 2 de julho. Para os latinos. A cidade foi tomada após um breve assalto. argumentando que Saladino não poderia manter unido por muito tempo um exército tão grande no interior árido no auge do verão. Em Jerusalém. mas. com muita água e forragem para os cavalos. imploraram a Guido que fosse salvá-la. ele estava disposto a pôr em risco sua cidade e sua mulher. a única vantagem desse desastre foi que ele envergonhou Raimundo de Trípoli. Raimundo argumentou que seria loucura abandonar a posição em que estavam: pelo bem dos reinos cristãos. Saladino cruzou o Jordão em Sennabra. No dia 1° de julho. convocando todas as forças latinas para reunir-se em Acre. como antes. Damasco e Egito . o fundo de vinte mil marcos que tinha sido mantido pelas ordens militares em nome do rei Henrique II da Inglaterra para financiar sua planejada cruzaua tui usado para contratar mercenários e equipar as foras cristãs Em fins de junho. Enquanto exércitos de todos os domínios de Saladino .

eles alcançaram a aldeia de Lubiva. pelo calor e pela fumaça. Com a extrema urbanidade pela qual era célebre. Depois de beber dessa água. Saladino ofereceu ao sedento rei um copo de água de rosas. e não pela espada. O rei Guido e os cavaleiros que permaneceram vivos caíam agora de exaustão. Com eles estava o bispo de Acre segurando a preciosa relíquia da Verdadeira Cruz. O reino está perdido". O exército acampou no árido planalto conhecido como Comos de Hattin. seu irmão Amauri. À medida que a noite avançava. mas. o rei Guido ordenou ao exército que marchasse ao raiar do dia. Reinaldo de Châtillon e o jovem Humphrey de Toron. Saladino ordenou o ataque. onde o exército de Saladino o esperava. Os mais eminentes dentre eles foram levados cativos para a tenda de seu conquistador. e logo debilitados pela sede. disse ele.entre eles o rei Guido. Impossibilitados de regressar ao principal contingente do exército. com o que o rei concordou. e cada investida reduzia seu número. resfriada com gelo trazido do pico do monte Hebron. A batalha tinha terminado. questionou ele. Somos homens mortos. Saladino . que liderava a vanguarda. deixando-os passar. e a brisa levou a fumaça para o acampamento dos cristãos. antes . Gérard de Ridefort voltou à tenda do rei. Incapaz de fazer frente a Gérard de Ridefort. Os templários que formavam a retaguarda solicitaram-lhe que aí pernoitassem. o rei passou o copo a Reinaldo de Châtillon. que de repente se abriu.O rei e seu conselho de barões aceitaram as recomendações de Raimundo. Os muçulmanos atearam fogo aos arbustos que cobriam a colina. O conde Raimundo. Ao alvorecer. ficou horrorizado: "Ai meu Deus. a Verdadeira Cruz foi tomada. Quando ele caiu. a guerra está terminada. Enlouquecidos pela sede. mas também estavam enfraquecidos pela sede. os soldados da infantaria cristã tentaram abrir caminho até o lago através da hoste muçulmana e foram todos mortos ou feitos prisioneiros. os cavaleiros com armadura rechaçaram várias vezes os repetidos assaltos da cavalaria muçulmana. prefeririam "pôr de lado seus mantos brancos" e vender e penhorar tudo o que tinham a perder essa oportunidade de vingar seus irmãos que haviam morrido nas fontes de Cresson. Tomando o rumo do norte pelas áriSALADINO das colinas em direção a Tiberíades. depois que eles se recolheram à noite. mas. Como o rei Guido. Com seus cavaleiros. constantemente fustigados por arqueiros muçulmanos. os muçulmanos foram se aproximando pouco a pouco: todos os soldados que saíram à procura de água foram pegos e mortos. poderia confiar num traidor? Que desonra abandonar uma cidade que estava tão próxima! Os templários. Os cavaleiros que ficaram para trás formaram um círculo em volta do rei e fizeram muitas sortidas contra os homens de Saladino. o conde Raimundo arremeteu contra a hoste muçulmana. Acima deles. O poço em Lubiya estava seco. eles fugiram para Trípoli. de onde se descortinava a aldeia de Hattin.

Estudiosos do Alcorão. declarou Saladino. ascetas islâmicos e místicos sufistas do séquito de Saladino implowam-lhe que lhes fosse permitido cortar a cabeça deles. Nenhum deles opou por negar a Cristo.z°' Ao ouvir isso. os cristãos na Terra Santa pareciam condenados. a vida de um prisioneiro a quem se dá comida ou água está assegurada. Em Ascalão. nepois de Hattin. O rei Cuido ordenou aos defens)res da cidade que se rendessem. foi mantido na prisão: aos demais cavaleiros. ']mad ad-Din. dades e. A mesma clemência. Reinaldo riu na cara dele. eles se prepararam para o seu destino. de novo em obediência aos ensinamentos de Maomé. e na esteira da vitória de Saladino cinqüenta e dois ou se renderrm ou foram tomados. Ao amanhecer. Saladino pegou sua cimiorra e cortou a cabeça de Reinaldo. Saladmo então repreendeu Reinaldo por causa de todas as suas iniqüi-. Apenas Gérard de Fidefort. "mas a perfídia e a insolência daquele homern foram longe demais. outrora um dos falcões. dizendo que era antes Saladino quem deveria voltar-se para Cristo: "se vós acreditásseis 175 OS TEMPLÁRIOS n'Ele." Eles foram conduzidos à prisão em Danlasco com instruções de que não lhes fizessem mal. rão havia dúvidas quanto ao resultado final. "Uru rei não mata outro rei". poderíeis evitar o castigo da danação eterna que não deveríeis duvidar de que esteja preparado para vós". tomaram-lhe o copo: de acordo com as regras de hospitalidade árabe. entregou Acre sem lutar no dia 10 de julho. e no dia 4 de setembro Ascalão . a exemplo de Reinaldo de Châtillon. não se estendeu aos cavaleiros das ordens militares. aos gritos selvagens dos que pretendiam ser seus algozes. A noite toda. disse Saladino a seu chanceler e secretário.que ele pudesse saciar a sede. ofereceu-se a escolha de apostasia ou morte. ofereceu-lhe a escolha de aceitar o Islã ou morrer. A condessa de Trípoli teve permissão para partir da cidade de Tiberíades. No entanto. e Jocelino de Courtenay. o grão-mestre dos templários. Ele recompensou com cinqüenta Binares cada soldado que havia capturado um irmão cavaleiro e ordenou a morte destes. A vida do rei Cuido e a de seus barões seculares estavam seguras. e dois cos emires de Saladino foram mortos no cerco subseqüente. Responderam-lhe com insultos. Alevéeen passe havia afastado as guarnições de todas as cidades e castelos nas mãos dos latinos. o valor dos eminent°s prisioneiros de Saladino foi testado quando Gérard de Ridefort e o rei Cuido foram levados até as portas da cidade. "Vou purificar aterra dessas raças impuras". 230 cavaleiros do Templo junto com seus irmãos do Hospital foram decapitados pelos extáticos sufrstas. contudo.

Ele tratou os conquistados com grande magnanimidade.000 dinares de resgate pela população da cidade. não restavam dúvidas quanto ao resultado final. cinco por uma mulher e um por uma criança. e só com relutância liberaram o que restava dos fundos de Henrique II para salvar da escravidão os cristãos mais pobres. pelo patriarca Heráclio e por Balião de Ibelin. de a]-Harawi. Foi estabelecido um preço de dez dinares por um homem. mas era impossível encontrar tamanha soma de dinheiro. Num tratado militar. em particular os templários. ou possivelmente do próprio Saladino. O Templo foi então entregue a Saladino. o autor afirma que "a afabilidade para com os não-combatentes pode ser usada como uma demonstração de força. e os latinos não podiam SALADINO contar com a lealdade dos cristãos sírios e ortodoxos. Então Saladino voltou sua atenção para o maior prêmio de todos. As forças que tinham sido deixadas na cidade eram totalmente insuficientes: havia apenas dois cavaleiros. obrigada por seus votos de cbediência. mas as ameaças de destruir a Cúpula da Rocha e incendiar a cidade persuadiram Saladino a entrar em negociações. a guarnição de templários. o que pode ajudar a intimidar o inimigo (. sob os golpes dos porretes dos exultantes muçulmanos. assim que o sítio começou. Ela foi purificada com água de rosas e foi instalado um púlpito que Nur ed-Din encomendara ao prever esse triunfo. Discussão dos Estratagemas de Guerra." A cidade estava abarrotrda de refugiados. a Cruz foi tirada do alto da Cúpula da Rocha e arrastada em redor da cidade por dois dias. Permitir generosamente que as guarnições das cidades e dos castelos capturados se retirassem para Tiro e outros centros francos foi outra demonstração dessa força.000 dos que não podiam pagar.)". A generosidade de Saladino para com os cristãos latinos em Jerusalém era tanto uma questão de prudência quanto a expressão de uma natureza magnânima. Ele pediu 100. escrito a pedido do filho de Saladino. rendeu-se ao comando de seu grão-mestre.-'-de de 7. Em Gaza. Trinta mil Binares dos fundos públicos compraram a lit)c. Gérard de Ridefort.. a cidade ce Jerusalém. Aí uma defesa fora organizada pela rainha Sibila. evidenciando que o sultão . e os templários foram expulsos de sua sede na mesquita al-Aqsa. o maior opróbrio dos cronistas foi dirigido contra o patriarca Heráclio e as ordens militares... al-Malik. sobretudo mulheres e crianças. No dia 2 de outubro de 1187.r. o aniversário da visita do Profeta ao Céu a partir do monte do Templo.ndeu-se. Saladino fez sua entrada triunfal na cidade. que se re>!usaram a renunciar a seu próprio tesouro. e a crise era tão grave que Balião de Ibelin foi obrigado a outorgar a dignidade de cavaleiro a trinta homens solteiros da burguesia. De novo. Embora a Igreja do Santo Sepulcro fosse deixada ao encargo dos cristãos ortodoxos e jacobitas.

Os hospitalários continuaram no Krak dos Cavaleiros e em Chastel Blane.-lue as bodas reais tinham sido celebradas sob o bombardeio de Saladino em 1183. Ao receber a garantia da Igreja de que um juramento feito sob coação de um infiel não tinha validade. seu castelo em Belvoir. Trípoli e Tiro. Uma esquadra siciliana entrou no porto de Antioquia e reforçou a guarnição de Boemundo. permaneceram nas mãos dos cristãos.. Conrado de Montferrat recusou-se a deixá-lo entrar: a seu ver. mas expressou um austero respeito pelas ordens militares. Esses redutos. Al-Harawi condenou os membros do clero latino pela facilidade com que eles anularam os juramentos feitos a Saladino. Seus navios derrotaram uma esquadra egípcia.nada tinha a temer da parte de seus derrotados inimigos. porquanto eles têm grande fervor religiosa e não prestam atenção às coisas deste mundo".) pois ele não pode atingir suas metas por 177 OS TEMPLÁRIOS intermédio deles. depois de um cerco de mais ce um ano. Mas algumas balizas permaneceram de pé. a derrota de Guido lhe custara a coroa."irresponsáveis. Conrado de Montferrat. mantiveram-se firmes na cidadela de Tortosa. Em junho do mesmo ano.. Todavia. na fronteira de Amanus. insignificantes e gananciosos (. enquanto a situação em Tiro se transformou com a chegada de uma força de cruzados liderada por um príncipe alemão.. embora a cidade fosse tomada. e os hospitalários. Os templários entregaram Gaston. o tratamento que ele dispensava aos cavaleiros das ordens militares fortaleceu a resolucã. o. dos templários e dos hospitalários.. Será que al-Harawi estava certo em suas conjeturas? Não pode haver a menor dúvida de que as generosas condições para a rendição de Jerusalém aumentaram o prestígio de Saladino e ao mesmo tempo atenuaram a vontade de alguns cristãos latinos de resistir. imprudentes. Guido reuniu uma força composta pelos cavaleiros que também haviam sido resgatados ou libertados e marchou para Tiro. Depois de um mês de bombardeio. após ele ter dado sua palavra de que deixaria seu reino. A grande fortaleza de Kerak.) estando preocupados com títulos e posição social entre reis e nobres". junto com as cidades litorâneas de Antioquia. e no dia 1° de janeiro de 1188 Saladino abandonou o cerco. os templários haviam entregado Safed. que assumiu o encargo de defender a cidade.z°s Em todo o caso. Saladino libertou o rei Guido. O mesmo aconteceu com Montréal. teve de ser levada à submissão pela fome. advertindo a Saladino que "tomasse cuidado com os monges [das ordens do Hospital e do Templo] (. os francos eram desprezíveis . Depois de esperar do lado de fora dos muros por . mas conservaram La Roche Guillaume e.

em certa medida contribuiu para salvar sua reputação. em agosto de 1189 o rei Guido marchou para o sul. pregariam a Cruz de Cristo não só por meio de palavras. o comandante da Ordem do Templo na Terra Santa que fora um dos poucos a escapar depois de Hattin. morreu pouco depois. o rei tirou às pressas seu fino traje de seda. Urbano e toda a Cúria Pontifícia ficaram atordoados com as notícias: ninguém na Europa tinha imaginado que um revés como esse fosse possível. e começou a sitiá-la. era por causa de seus pecados. Guido organizou um reforçado cerco da cidade.2°8 Urbano 111. O monge Pedro de Blois. Quando no verão de 1187 Josias. enviado pelos barões do ultramar para solicitar ajuda ao Ocidente. que estava visitando a Cúria nessa ocasião. resolutamente prometeram entre si que. em direção a Acre. a hm de deixá-los . Guido percebeu que teria ou de se retirar da Terra Santa ou de fazer alguma coisa arrojada para restabelecer seu controle.iuados". em 4 de outubro de 1189.")' e o fato de o impetuoso grão-mestre ter morrido quando lutava próximo da cidade. o qual resistiu aos assaltos a ela. Não obstante parte do exército de Saladino ainda estivesse nas proximidades. mas também por meio de atos e de exemplos". se Deus havia abandonado seu povo. mas durante esse tempo redigiu um eloqüente apelo de um armistício de sete anos entre os reis europeus ern guerra. com Gérard de Ridefort e uma força dos templários do seu lado. que então se encontrava em Verona. tendo renunciado a toda a riqueza e luxo. Alberto de Morra. vestiu um hábito de aniagem e partiu para um retiro penitencial por quatro dias. quebrantado por sua dor. que se havia rendido às forças de Saladino depois de Hattin.alguns meses. e contou ao rei Guilherme II da Sicília toda a proporção da catástrofe. o arcebispo de Tiro. 179 Ricardo Coração de Leão As notícias dos desastres que haviam acontecido na Terra Santa foram transmitidas ao papa Urbano III. e eles imediatamente admitiram que. por cavaleiros das ordens militares-os templários traziam uma carta do irmão Terence.z°6 A audácia do plano faz com que pareça provável que Gerárd estivesse por trás dele. com o consentimento do Senhor Papa. relatando como "os cardeais. Com determinação incomum. O sucessor do papa Urbano. escreveu ao rei inglês. um italiano de idade avançada que adotou o nome de Gregório VIII. só reinou nos dois últimos meses do ano de 1187. Henrique II. "o único exemplo nas operações militares sírias do século XII de um importante sítio conduzido com êxito 178 SALADINO na presença de um exército capaz de acossar os sitiantes e ajudar o~ ~. chegou a Palermo procedente dessa cidade.

O casamento de Alienor com o rei Luís VII da França fora anulado em 1152. Alienor.livres para uma nova cruzada. entre 1152 e 1167 ela deu à luz cinco filhos e três filhas de Henrique. o conde Godofredo de Anjou. e sinceramente concordou com os sentimentos penitenciais na Audita tremendi. Audita tremendi.z°9 e uma reação imediata partiu do rei Guilherme da Sicília. que em 1154. também escreveu em sua obra Passio Regánaldi um relato da vida e morte do pirata Reinaldo de Châtillon que o apresenta não só como mártir. que eram compatíveis com a teologia das cruzadas de Bernardo de Clairvaux. era "um documento comovente e uma obra-prima de retórica pontifícia". conde de Portou. com a morte de seu avô. mas entre cavaleiros leigos e príncipes. seu casamento com Henrique foi a princípio um sucesso. então com trinta anos. se avaliado pelo número de seus filhos: tendo tido apenas duas filhas de Luís (o fracasso dela em gerar um herdeiro do sexo masculino levou os conselheiros capetíngios a concordar com a anulação do casamento). mas também como santo. de dezenove. um governante impiedoso e. depois de tomar a supostamente inexpugnável fortaleza de . que enviou a frota de cinqüenta galeras que levou ajuda ao principado de Antioquia. Pedro de Blois. Essa encíclica. Oito semanas mais tarde. Essas rápidas segundas núpcias foram criticadas pelos subseqüentes biógrafos de Alienor: para um. subiu ao trono da Inglaterra como Henrique II. eram agora complementadas por uma idéia mais cavalheiresca por trás do ato de tomar a Cruz. aos onze anos. era uma dessas mulheres que gostam de ser espancadas". Um dos primeiros príncipes europeus que se mostraram sensíveis ao apelo do papa foi Ricardo. o derradeiro esforço cavalheiresco.a justa definitiva contra as forças do mal. não entre clérigos. filho do rei Henrique II da Inglaterra e de Alienor de Aquitânia. do papa Gregório VIII. e havia a sensação de que na mente da nobreza européia a cruzada havia se tornado a maior prova de coragem e virtude . ela simplesmente havia se cansado da "graça quase efeminada" de Luís e "desejava ser dominada. que havia testemunhado a penitência dos prelados na corte do papa Urbano I. foi dotado com o ducado de Aquitânia.z'1 Dois cronistas relatam que Alienor já havia sido seduzida. ou possivelmente estuprada. três anos após seu retorno da desastrosa Segunda Cruzada. e como o vulgo cruamente dizia. de sua mãe. Foi nessa época que RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO a palavra crucesignata passou a ser de uso comum. pelo pai de Henrique. Mergulhado desde a juventude em constantes guerras com vassalos revoltosos. O terceiro desses filhos foi Ricardo. desposou o conde de Anjou. que. Essas reações penitenciais. Contudo. Assim. Figuras heráldicas desconhecidas ao tempo da Primeira Cruzada foram brasonadas em estandartes e escudos. Alfred Ricard. Ricardo firmou sua reputação como um guerreiro feroz.

em última análise. Outrora amigos. ao passo que Alienor. irmã do primeiro. Henrique 11. Em 1173. Com o passar do tempo.. A rebelião fracassou: os filhos submeteram-se de forma OS TEMPLÁRIOS abjeta a seu pai. foi levada de volta para a Inglaterra e aprisionada pelos quinze anos seguintes. Mas."' O papa instituiu um imposto de dez por cento sobre toda a renda e bens móveis que veio a ser conhecido como o "dízimo saladino". Alienor associou-se aos filhos numa revolta contra Henrique II. Foulques de Anjou. o irmão maisvelho de Ricardo. seu pai. um estrategista e general brilhante. as maquinações políticas e militares de ambos os príncipes foram suspensas pelas notícias da derrota do exército latino em Hattin e da rendição de Jerusalém às forças do Islã. arcebispo de Canterbury. como na época da Primeira Cruzada. Conquanto. antes que pudesse cumprir sua promessa. capturada quando viajava a fim de procurar refúgio com o primeiro marido. em particular com sua amante inglesa. Eles deveriam partir de Vézelay depois da Páscoa de 1190. havia pedido a Ricardo que transferisse o ducado de Aquitânia para João. mas Henrique II morreu em 6 de julho de 1189. bem como do ducado de Aquitânia e do condado de Anjou. havia partido para se casar com a princesa Melissanda e com ela governar o reino de Jerusalém. Havia grande entusiasmo popular pela cruzada. Nessa conjuntura. Luís VII.. "que invocavam a ajuda de Deus (. ele tomou a Cruz.) confiavam em seus próprios recursos". o rei Filipe Augusto da França. foi forçado pelos dois jovens príncipes a juntar-se a eles. pois Ricardo deveria desposar Alice. A morte em 1183 de Henrique. e cistercienses como Balduíno. Filipe Augusto protestou. após ouvir um eloqüente sermão do arcebispo de Tiro. incentivaram a guerra santa no estilo de Bernardo de Clairvaux. Agora rei da Inglaterra e também duque da Normandia e de Aquitânia. transformouo em herdeiro do trono da Inglaterra. Ricardo havia recusado e apelado para seu suserano nocional. mais tarde rivais e por fim inimigos implacáveis. Ricardo tomou a Cruz na nova catedral de Tours. Precipitadamente. que há muito tinha planejado partir em cruzada e enviado substanciais somas de dinheiro para o reino de Jerusalém. Ricardo tinha recursos enormes à sua disposição e traçou meticulosos planos para a sua cruzada. a cruzada ainda dependesse da disposição do indivíduo a arriscar sua . mas já não encontramos. sem o consentimento de seu pai. "eremitas taciturnos e misteriosos dando conselhos aos líderes sobre táticas militares": até mesmo os clérigos. Henrique II.Taillebourg aos vinte e um anos. no mesmo luga: de onde seu bisavô. o sucessor de Luís VII. o casamento de sua mãe com Henrique foi afetado pelas infidelidades dele. seu filho caçula. Rosamunda Clifford.

italianos de Ravena sob seu arcebispo Gérard. esquadras poderosas de Gênova e Pisa. mais tarde morto durante uma sortida contra o acampamento de Saladino. margrave da Turíngia. cavaleiros de Flandres. antecipando-se aos dois monarcas. o imperador bizantino e . Frederico era uma figura heróica dotada de grande charme. Também havia alemães. conde de Blois. Brienne. se deteve en route para ajudar o rei português Sancho a conquistar aos mouros a fortaleza de Silves. Todavia. . "o estímulo do Espírito Santo agora passava de forma mais óbvia pelos canais oficiais". em abril de 1189. e um contingente de Londres que. Seu reinado tinha sido marcado por uma luta interminável por primazia entre o imperador.as poderosas cidades lombardas lideradas por Milão. como Luís. os condes de Bar. da Hungria e da Dinamarca. Agora com cerca de sessenta e seis anos. Teobaldo. e sua corajosa defesa de Tiro havia impressionado o imperador. como seu predecessor durante a Segunda Cruzada. uma reação vigorosa. os alemães tinham desempenhado um papel secundário nas cruzadas e poucos deles haviam se estabelecido no ultramar.000 galeses. e na juventude ele acompanhara seu tio Comado na desastrosa Segunda Cruzada. e Balduíno de Canterbury com 3. Blois e Toul. o arcediago de Colchester. e Ralph. sobrinho dos reis da Inglaterra e da França. conde de Clermont. Iatêvão de Sancerre e Alan de Saint-Valéry."' Uma série de príncipes menos importantes seguiu o exemplo do rei Ricardo da Inglaterra e do rei Filipe Augusto da França e. o papa. o próprio imperador do Sacro Império Romano tomou a Cruz. outros arcebispos de Messina e Pisa. que fora eleito rei alemão em 1152 e coroado imperador pelo papa Adriano IV em 1155. Muitos deles eram descendentes de antigos cruzados ou parentes da nobreza do ultramar: 182 RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO Henrique. Conrado de Montferrat era parente de Barba-Roxa. neto de Alienor de Aquitânia e. como o líder leigo da cristandade. conhecido como Barba-Roxa. Até então. Na Alemanha. o rei da Sicília. juntou-se ao exército cristão que sitiava Acre. Tratava-se de Frederico I de Hohenstaufen. portanto. Frederico enviou então um emissário a Saladino reclamando a volta da Palestina ao domínio cristão. filha do duque da Baviera.vida e seus bens para reconquistar os Lugares Santos.um novo fator na equação . conde de Champagne. bispos de Besançon. Seu pai fora duque da Suábia e sua mãe. A difícil situação da Terra Santa não apenas inspirou uma decisão pessoal de mais uma vez pegar sua espada para combater os infiéis. como também exigiu dele. A resposta de Saladino não foi além de oferecer a libertação de todos os prisioneiros cristãos e de devolver as abadias cristãs a seus monges. Fonttgny e Dreux.

As relações entre os cristãos gregos e seus correligionários latinos tinham se deteriorado pelos acontecimentos dos quais Constantinopla fora palco cinco anos antes. mas muitos outros rumaram para os portos da Cilícia e da Síria e voltaram para casa. quando O ódio do povo à imperatriz latina. o exército que ele havia reunido se desagregou. as providências para a sua passagem. Sem a sua personalidade dominadora. Malik Shah.Para Barba-Roxa. O ódio dos gregos aos latinos era tão intenso que. morreu afogado. o exército de Frederico Barba-Roxa era forte demais para se opor a ele. em Antioquia. eles então desceram pelos montes Tauro à planície de Selência. o jovem imperador Aleixo. Na Palestina. quando Saladino capturou Jerusalém. o duque Frederico da Suábia. Todavia. na expectativa de que talvez se alcançasse a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. No dia 18 de maio de 1190. ele partiu de Ratisbona com a "maior tropa única que algum dia sairia em cruzada". mulheres e crianças. Nada menos de oite:ita mil latinos viviam na cidade:"' homens. foram todos atacados e muitos massacrados. O cadáver em decomposição de Barba-Roxa foi enterrado na Catedral de São Pedro. Seu filho. o imperador bizantino. puxado para o fundo pelo peso de sua armadura. sendo afinal enterrados na catedral de Tiro. queimadas. Maria de 183 OS TEMPLÁRIOS Antioquia. Em maio de 1189. prosseguiu para Antioquia com o corpo do pai. A exemplo do que ocorrera com os exércitos do imperador Conrado e do rei francês Luís VII quarenta anos antes. o imperador Frederico caiu na água e. mas os turcos foram decisivamente vencidos e varridos do caminho dos cruzados.' 14 Frederico tomara de antemão. Travou-se batalha. mas alguns de seus ossos acompanharam os cruzados alemães num sarcófago. e na primavera Barba-Roxa conduziu-o sem ser molestado para o outro lado do Bósforo e entrou no território controlado pelos turcos seldjúcidas. o rigor do clima e a aridez do terreno através do qual eles avançavam resultaram em grandes perdas por sede e fome nas forças de Frederico. enviou-lhe uma mensagem de congratulação. havia levado a um pogrom de seus moradores latinos pela população grega. ao que restara do exército de Barba-Roxa vieram juntar-se contingentes que tinham chegado por mar sob o comando de Luís da Turíngia e de Leopoldo . isso não bastava. a não-colaboração dos gregos. porém teve dificuldades ao penetrar no Império Bizantino. velhos e jovens. Continuando sem empecilhos. junto aos soberanos sobre cujo território essa tropa marcharia. Isaac Ângelo. Ela passou sem incidentes pela Hungria. os cruzados alemães depararam com o exército do genro de Saladino. suas casas e igrejas. Enquanto cruzava o rio Selef. sãos e doentes. regente de seu filho.

porém a mãe dela. mas morreu em 19 de novembro de 1190. de sua esposa e de suas duas jovens filhas. Guido de Lusignan foi destituído como rei titular de Jerusalém por Comado 184 RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO de Montferrat. alguns dias antes do casamento. que estava no acampamento diante de Acre. Apesar de seu audacioso cerco de Acre. mas Humphrey também havia se tornado malquisto pelos barões ao submeter-se a Sibila e Guido. o arcebispo de Canterbury. o conde Ricardo. ele então passou para sua sobrinha Isabel. As rotas seguidas pelos dois reis tinham começado em Vézelay em julho de 1190: Filipe e seu exército . Para eles. A esse destronamento do rei Guido opuseram-se energicamente não só a família Lusignan. filha do rei Amauri I. que se tornara o ponto focal da nova cruzada. os barões mais importantes do ultramar nunca o tinham perdoado por ser o consorte da rainha Sibila. e Isabel foi casada com Conrado pelo bispo de Beauvais. pretextando que ela se casara antes de atingir a idade-limite para o consentimento. o arcebispo de Pisa. Para cuidar de seus doentes e feridos. o qual. mas também o suserano das Lusignans em Poitou. Isabel casou-se com o atraente Humphrey de Toron durante o cerco da fortaleza de Kerak por Saladino. Uma vez que o direito de Guido à coroa provinha de Sibila. o fato estava consumado. agora rei da Inglaterra. no dia 20 de abril de 1191. O casamento foi anulado pelo legado pontifício em Acre. estavam ambos mortos. O rei Filipe Augusto da França tinha chegado sete semanas antes. Reinaldo de Châtillon e Gérard de Ridefort. por doença. e em 1190 sua posição enfraqueceuse ainda mais pela morte. denunciou o acordo. por encabeçar o grupo de parvenus e por conduzi-los à derrota em Hattin. bem como o mesmo hábito branco destes. Balduíno. sobrinha-neta de um imperador bizantino. a rainha-mãe Maria Comneno. Quando os cruzados ocidentais convergiram para a Terra Santa em 1190. a exemplo do Hospital de São João.da Áustria. Essa fundação foi aprovada em 1196 pelo papa Celestino 111 como a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos. A princesa estava completamente feliz com o seu fraco marido. e promover o casamento dela com Comado de Montferrat. Como vimos. um grupo de cruzados de Lübeck e Bremen fundou o hospital sob o patronato de Santa Maria dos Alemães. a solução seria anular o casamento dela com Humphrey. percebeu os imperativos políticos por trás da exigência dos barões e persuadiu a filha a levar a cabo o plano deles. marcandoo porém com uma cruz preta em vez de vermelha. formou uma ordem de cavaleiros que adotou a regra dos templários. Seus dois paladinos principais. em Jerusalém. Quando Ricardo afinal chegou a Acre.

prendeu-o com grilhões de prata. enquanto Ricardo se encontrara com sua esquadra em Marselha. Filipe também ficou enfurecido porque Ricardo agora recusava-se a desposar Alice. elevando o moral dos cruzados. de quem tivera um filho. Ricardo deixou ume. o rei Henrique II. e era agora aco panhada pela irmã dele. e então o vento a impeliu para o nort em direção a Rodes. ainda apoiavam o rei Guido). um príncipe bizanti renegado que nomeara a si mesmo. rios do ultramar mais antigos (os templários. a despeito da morte de Gérartlk de Ridefort. Ele desembarcou perto de Tiro. Por isso. aonde chegou em 8 de junho. que fo trazida à Sicília pela mãe de Ricardo. a rainhamãe da Sicília. Filipe Augusto partiu de Messina e. após uma viagem ma. Com o reforço de uma es.. por' tanto. a fim de hospedar-se na corte do rei Tancredo da Sicília .. Humphrey de Toron e os templád>. A viagem de Ricardo foi menos tranqüila: sua esquad foi forçada a entrar no porto de Creta. alegando que ela fora seduzida pelo pai dele. mas por ordem do rei Filipe Augusto e de Conrado de Montferrat. . em vez disso. Isaac Ducás Comneno. Agindo com prudência. apesar de inteligente . preparou-se para a guerra. não lhe permitiram entrar na cidade. Quando Ricardo alcançou uma semana mais tarde. a irmã de Filipe com quem ele tratara casamento muitos anos antes. rumo a~ Acre. Ricardo concordou e. Enormemente enriquecido por essa conquista. Ambos demoraram-se na Itália e então navegaram para Messina. Filipe .haviam então zarpado de Gênova. exigiu a libertação dos prisioneiros e. Joana e rengária recusaram sua proposta para desembarcarem. Augusto. após o que eles se desavieram na divisão da presa. aprisionou os cruzados náufragos. Joana. com a condição de que não fosse posto a ferros. chegou a Tiro. dos de sua administração e zarpou para a Palestina. no qual viajava sua prometida. outro. te da recusa de Isaac. Boemundo de Antioquia. Enquanto um de seus navios naufragou na costa de Chi pre. Alienor de Aquitânia. guarnição latina nas fortalezas da ilha e dois magistrados ingleses incumbi-. quadra de Acre que transportava Guido de Lusignan. Isaac Duc não conseguiu ensaiar senão uma fraca resistência e logo se rendeu ao rei in<' glês. diarli. o príncipe Leão d~' Armênia Cilícia. 185 OS TEMPLÁRIOS Na primavera.uma contenda entre Ricardo e Tancredo fez com que os dois reis-hóspedes tomassem a cidade de Messina. O governante de Chipre. foi forçado a entrar porto de Limassol. Ricardo empreendeu uma con:' quisto-relâmpago da ilha. Malquisto por seus súditos gregos. Berengária de Navarra. tinha feito aliança com Saladino e. navegou para o sul.

os ingleses. Feito o acordo. próximo aos dos reis da Inglaterra e da França.000 besants. vários cruzados decidiram que suas promessas tinham sido cumpridas e voltararfl Para casa. O rei Ricardo dirigiu-se para o palácio real. mesmo antes da? pilhagem de Chipre. Ricardo Coração de Leão ficou como o incontc-ste comandante do exército cruzado.000 besants. rasgaram-no e lançaram-no por sobre as muralhas dentro do fosso. havia esvaziado as tesourarias da Inglaterra e de seus. Uma das primeiras ações do novo grão-mestre foi adquirir Chipre de Ricardo por 100. para a fortaleza que antes estivera em poder dos templários. Leopoldo da Áustria foi embora apenas dias depois de sua humilhação pelo rei Ricardo. Além disso.e fascinado por engenhos de cerco. Com Acre agora nas mãos dos cristãos. Ricardo recebera a notícia de que seus magistrados na ilha tinham sido incapazes de controlar a população grega.t era sarcástico e hipocondríaco. qualidades impróprias para estimular combatentes. os barões do ultramar que apoiaram Comado estavam tristes em vê-lo partir. No dia 12 de julho de 1191. Embora deitasse a maior parte de seu exército sob o comando do duque da Borgonha. a libertação cie 1. reivindicando assim o direito de partilha do espólio. tambérn. a guarniçíio muçulmana rendeu-se: Saladino fora incapaz de levantar o cerco. em 186 RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO virtude de todas as depredações recentes. O preço a ser pago pela vida de seus habitantes eram 200. Com esses amplos recursos e 5 sua reputação como guerreiro. Chegou-se a uma solução conciliatória entre o rei Guido e Comado de Montferrat: aquele reinaria até a morte. ele queria livrar-se do problema e deve ter sido informado de que os templários. e o elegeram seu grão-mestre. Roberto de Sablé enviou vinte cavaleiros com o apoio de escudeiros e sargentos para assumirem o controle da ilha. tinham om considerável tesouro à sua disposição. O rei Filipe Augusto retirou-se para Tiro com Comado de Montferrat. concordou-se que Ricardo deveria assumir o ' comando da cruzada.500 prisioneiros cristãos e a devolução da relíquia da Verdadeira Cruz Comado de Montferrat conduziu os vitoriosos cruzados para dentro da cidade. O duque da Áustria colocou seu estandarte nas muralhas. Ele tornou-se impaciente quando houve um obstáculo à troca de prisioneiros . e então tomou um navio para Brindisi. ele tinha sido acometido por constantes enfermidades e não gostava do rei inglês. A principal força de templários permaneceu cdm o exército cruzado que sitiava Acre. Roberto de Sablé. Os templários acolheram como irmão o amigo e vassalo dele. era mais pobre do que Ricardo. as receitas reais seriam partilhadas. e este seria seu sucessor. por ordem! de Ricardo. e o rei Filipe. domínios franceses para financiar sua cruzada. nesse meio tempo. o qual.

evitando assim o avanço mais rápido Tendo dado cabo dos prisioneiros e reforçado as fortificações. Saladino organizou um ataque total. tratou-se de uma ação necessária e até digna de louvor dentro das convenções de gueria aceitas. que foi rechaçado. em particular pelos arqueiros ingleses de Ricardo.embora enfraquecido e prejudicado por defecções . e por seu turno protegiam a tropa de animais de carga com a bagagem.' lb Os templários confiavam menos em Ricardo e recusaram-se a dar a Saladino a garantia que ele solicitara. o exército cruzado deixou Acre e marchou para o sul pela estrada litorânea. em direção a Haifa e Cesaréia. o exército de Saladino . Quando este saiu da floresta de Arsuf. ao sul de Cesaréia. Ricardo teria com certeza se assegurado da aquiescência dos 187 OS TEMPLÁRIOS demais príncipes cristãos antes de empreender essa drástica ação: preservar os prisioneiros teria retido grande parte da força latina-algo que sem dúvida entrou nos cálculos de Saladino da cruzada. eram protegidos pela infantaria cristã.700. onde reconstruiu as fortificações. a qual era suprida pela esquadra cristã que acompanhava a marcha do exército. o resultado foi a derrota de Saladino. por mais que os odiasse. e assim o conflito só poderia ser resolvido por meio de negociações. A despeito do massacre da guarnição de Acre. sabia que manteriam sua palavra. Saladino conservava um profundo respeito pelo rei inglês. Todavia. Ricardo ficou exasperado com a procrastinação de Saladino e supervisionou pessdalmente a execução dos prisioneiros muçulmanos: 2. al-Adil. afinal de contas. entre eles mulheres e crianças. com os templários na vanguarda e os hospitalários na retaguarda. foram chacinados por seus soldados ingleses. No lado oposto ao mar. a primeira num combate direto desde Hattin. a cavalaria cavalgou em formação cerrada. Saladino. isso foi uma clara violação do acordo de Ricardo com Saladino.e ao pagamento da indenização. Saladino pediu aos templários que garantissem os (ermos de um acordo provisório com Ricardo porque. Estava claro que nenhum dos dois exércitos era forte o bastante para destruir o outro. Apesar de pequenas perdas de ambos os lados. Ricardo avançou com suas forças para Jafa. Constantemente fustigada pelas forças de Saladino. De acordo com uma fonte. havia massacrado os cavaleiros das ordens militares após sua vitória em Hattin. para os cronistas francos. A cortesia inicial resultou em confraternização: Ricardo propôs a al-Adil que desposasse sua irmã Joana e que juntos eles governassem a .não foi destruído. Para os muçulmanos. -. Foram realizadas freqüentes parlamentações com o irmão de Saladino.

Comado foi assassinado nas ruas de Acre. nas colinas da Judéia. Ele também estava determinado a deixar o reino de Jerusalém com uma clara cadeia de comando.Palestina. Para o monarca inglês. estava convencido de que os matadores tinham sido contratados pelo rei inglês. mas exatamente quando os preparativos para sua coroação estavam sendo feitos. Não se sabe quais eram seus objetivos. Ricardo voltou para o litoral e passou os quatro primeiros meses de 1192 fortificando Ascalão antes de dirigir-se para Gaza. NeRICARDO CORAÇÃO DE LEÃO gociações amistosas com Saladino deram-lhe a impressão de que era possível chegar a um acordo. Comado tinha provocado a hostilidade dos assassinos ao atacar um navio de carga que lhes pertencia e se recusara a indenizá-los. foi prometida ao sobrinho de Ricardo. como poderia ser mantida depois que Ricardo e os cruzados partissem? Sem defesas avançadas entre a Palestina e o Sinai. ele aceitou a decisão unânime dos barões locais de que deveria ser Comado de Montferrat. Com a concordância de Roberto de Sablé. a rainha Isabel. o tempo estava se esgotando: ele recebera da Inglaterra notícias inquietantes sobre as atividades de Filipe Augusto e de seu irmão João. contudo. Ricardo conduziu seu exército a menos de vinte quilômetros de Jerusalém. com a Cidade Santa partilhada por suas duas religiões. sua viúva. . mas ele certamente lucrou com o resultado: dentro de dois dias do assassinato de Conrado. para compensar a perda do reino de Jerusalém. e em 4 de abril de 1192 a guarnição latina em Nicósia fora sitiada pelos gregos. enviados por Sinan. Conquanto seu candidato à coroa preferido fosse Guido de Lusignan. Para a solução definitiva dos assuntos do ultramar. Tinha-se constatado que os cavaleiros eram gananciosos e impopulares. ela continuaria permanentemente vulnerável a ataques do Egito. só faltava resolver a situação de Guido de Lusignan. Outros argumentaram que não era seu estilo liquidar um inimigo de maneira tão desleal. Depois de passar o Natal no mosteiro de Latrun. decidiu-se que. sugestão que ultrajou Joana e não foi levada a sério por Saladino. a quem ele visitara pouco antes~` de sua morte. Portanto. ele deveria ter Chipre. Os cruzados que tinham vindo da Europa queriam sitiar a Cidade Santa. Os templários não tinham tido mais êxito do que os magistrados de Ricardo no controle da ilha. o conde H-enrique de Champagne. o Velho da Montanha. Uma sortida havia dado conta dos insurretos. as suspeitas também recaíram sobre o rei Ricardo. mas os barões do ultramar e os grão-mestres das ordens militares recomendaram prudência: mesmo que Jerusalém fosse tomada. Os matadores eram assassinos. amigo íntimo de Comado. mas o incidente tinha deixado claro que uma pequena guarnição não poderia controlar a população: "o que era necessário. de vinte e um anos. O bispo de Beauvais.

suas tropas eram com freqüência motivadas pela expectativa de pilhagem neste mundo. O obstáculo a um acordo nas negociações anteriores fora sempre Ascalão. . era um grande número de homens com fortes interesses pessoais em preservar o novo regime". Saladino contra-atacou. Peregrinos cristãos deveriam ter liberdade para visitar Jerusalém e os outros lugares sagrados para a religião cristã. quando cinqüenta galeras pisanas e genovesas chegaram à cidade com o rei Ricardo a bordo. Muçulmanos e cristãos deveriam ser livres para cruzar o território uns dos outros. o saldo devido pelos templários. Ricardo pulou na água. que prontamente a revendeu a Guido de Lusignan por 60. que marchava ao longo da costa. avançou lutando pelas ruas da cidade e pôs em fuga as forças de Saladino. e quando isso não estava prestes a acontecer. Com brilhante improvisação. mas agora Ricardo recuava. "Saladino estava absorto em indignada admiração diante da cena. em vez de recompensa no outro. Saladino garantiu o domínio cristão das cidades costeiras de Antioquia a Jafa. e ambos tinham urgentes motivos para acabar com o conflito. enquanto Ricardo estava em Acre.caso se quisesse manter Chipre permanentemente. mas agora estava claro para ambos os líderes que eles estavam empatados: nenhum conseguia destruir o outro. mas em seguida. A guarnição retirou-se para a cidadela e estava a ponto de render-se. Ricardo pressionou ainda mais Saladino para chegara um acordo. Henrique de Champagne e os mestres do Templo e do Hospital. Era imperativo que Ricardo voltasse para casa. seguido por apenas oitenta cavaleiros.000 besants. Balião de Ibelin. eles julgavam difícil resistir à atração do lar. o próprio Saladino atacou Jafa e após três dias conquistou a cidade. a fim de assegurar seus domínios na Europa. em troca. Antes que essa pequena força pudesse OS TEMPLÁRIOS ser socorrida pelo exército principal de Ricardo."' A ilha foi portanto devolvida ao rei Ricardo."z'8Quando o cavalo de Ricardo foi morto sob a montada dele. Seu exército tomou o castelo de Daron. Ricardo orientou seus homens para que resistissem a uma onda após a outra do assalto muçulmano. Ele concordou que Ascalão fosse demolida. Apenas isso compensava os perigos e as privações da campanha. Ricardo levou a palma. Embora ele tivesse firmado certa supremacia moral em seu papel de paladino do Islã. ao sul de Asca1ão. quatrocentos arqueiros e cerca de dois mil marinheiros italianos. esse modelo de cavalheirismo islâmico enviou dois vigorosos corcéis de presente para o rei inglês: Por sua própria bravura e táticas inspiradas. Ansioso para regressar à Europa. em nome de Ricardo. ao passo que Saladino enfrentava a perene dificuldade de manter um grande exército em campanha. juraram manter a paz pelos cinco anos seguintes.

Ele próprio partiu no dia 9 de outubro. Receando que o imperador bizantino o tomasse como refém. Isso tornava impossível desembarcarem qualquer dos portos do Sul da França. no extremo norte do mar Adriático. Depois de permanecer apenas um mês na Inglaterra. a maior parte do seu resgate fora paga. Ricardo não. o diabo está em liberdade". duque da Áustria. o rei Sancho de Navarra.apoio entre os príncipes da corte do imperador alemão. conde de Toulouse. O vento desviou seu barco da rota. mas numa estalagem em Viena Ricardo foi reconhecido. como a prosperidade da Inglaterra nessa época fosse enorme.ele estava disfarçado de templário . o grão-mestre do Templo. foi libertado: ele havia feito os votos exigidos e. Ele regressou a Acre. também morreu.obteve. supostamente por causa do anel de valor exorbitante que ainda trazia no dedo. depois de uma permanência de dezesseis meses na Terra Santa. Em fevereiro. o barco pirata encalhou perto de Aquiléia. cujos termos pára a libertação de Ricardo foram que este deveria jurar-lhe obediência como vassalo e pagar um resgate de 150. o rei Filipe Augusto escreveu a João: "Cuidado. disfarçados de peregrinos. o imperador Henrique VI. e foi entregue a seu arquünimigo desde o cerco de Acre. o imperador Henrique VI de Hohenstaufen. quase imperturbável na sua posição humilhante . Ricardo regressou à Normandia e passou os cinco anos seguintes em guerra intermitente com vassalos rebeldes . resolveu seus negócios e assistiu à partida de sua esposa e de sua irmã para a França a bordo de um navio. irmão de Ricardo. morreu. Seu amigo e ex-vassalo. depois o transferiu para seu suserano. Sua escolha da rota lhe foi imposta por importantes acontecimentos políticos em sua ausência.e viajava com uma escolta que incluía quatro cavaleiros do Templo.de 1194. Com a aproximação do inverno. em particular uma guerra entre seu sogro. e este foi forçado a entrar no porto da ilha bizantina de Corfu. Ricardo viajou com alguns piratas rumo a Veneza . Ao ouvir a notícia. O homem que comprara e vendera a ilha de Chipre tornava-se agora ele próprio uma mercadoria.cortês. Leopoldo. a longa viagem através do estreito de Gibraltar e em redor da peRICARDO CORAÇÃO DE LEÃO nínsula Ibérica era arriscada demais. Roberto de Sablé. mas este .000 marcos. tentaram persuadir o imperador a reter Ricardo.Muitos dos seguidores de Ricardo foram então à Terra Santa como peregrinos desarmados. Primeiro Leopoldo o aprisionou em seu castelo de Dürrenstein. seu adversário que o admirava. e Raimundo. O rei Filipe Augusto e João. Daí. Dirigindo-se para Veneza. Ricardo e seus companheiros tomaram o rumo do norte através dos Alpes. Saladino. viajar através da Itália e subir o vale do Reno deixá-lo-ia vulnerável à captura por seu inimigo. jovial. Enquanto Ricardo estava no cativeiro.

ao lado cia sua ouadia e impetuosidade. Em 1199. havia . julgavam insensato que um comndante tão inspirado arriscasse sua vida em combate. de que Ricardo era homossexual.""' Mais uma vez. um rei inclinado à guerra pela guerra e à 9gressã. aos quarenta e dois anos de idade." O mito mais recente. Cada uma delas reflete os preconceitos de seu tempo. de modo "que mesmo em seu leto de morte ele mandou que lhas trouxessem.e com o rei Filipe Augusto da França. "Não restan dúvidas de que ele pensava que fosse uma coisa boa e sublime lutar por Jeusalém". ele "não era un rei cruamente belicoso. mas um governante preocupado em empregar com inteligênciâ seus taentos militares nos vastíssimos interesses da casa de Anjou."' Uma crítica mais persistente de Ricardo foi a de que suas aventuras no esrangeiro tiveram um efeito adverso no governo da Inglaterra. pois. em desobediência às recomndações de seu médico". o qual partilhava com outros cavaleiros de sua época. E. e. Cronistas de seu tempo antes o criticaram devido ao seu insaciável apetite por mulheres. o muros problemático dos seus domínios. foi chamada para ficar a seu lado. escreveu Gibbon. ele imprudentemente pôs em perigo sua própria pessoa ao atirar-se à lua. "Ricardo Plantageneta continuará a ter posição de destaque entre os heróis de sua época. Ricardo Coração de Leão foi lembrado como um modelo de cavalheirismo. A crítica mais notável feita a Ricardo por seus contemporâneos fdi a de qL°. tornando-se o tema de várias lendas exóticas e improváveis. OS TEMPLÁRIOS mis agora se crê que seja falso. "mas quão melhor teia sido se ele tivesse tentado governar seu próprio país de forma pacífica e trzer felicidade para seu povo. seu compêndio para estudantes ingleses. avaliações mais recentes aGolvem Ricardo: suas responsabilidades iam muito além da Inglaterra. Alienor. Não obstante seu entusiasmo pelo ccnbate. sua luta para preservar suas possessões destro do reino da França das usurpações dos capetíngios talvez pareça ter si(o causa perdida. os sarracenos. muito embora não passa ser investigado além de 1948. Nos séculos que se seguiram. Mesmo seus inimigos. escreveu H. foi aceito por muitos historiadores. ele foi atingido no ombro pela flecha de uma besta e letalmente ferido. Marshall em Our Island History (A História da Nssa Ilha). pertencente a um de seus vassalos. Ricardo morreu no dia 6 de abril. após confessar seus pecados e receber os últimos sacramentos da Igreja. em retrospecto.221 Embora. o visconde de Limoges. Sua mãe. "Se o heroísmo estiver restrito a bravura brutal e feroz". da qual era o caleça". durante o cerco do castelo de Châlus. não parecia na época.

seu amor pelo luxo para os frades mendicantes e seu orgulho para os cavaleiros do Tear p1o. de que "como político. Inocêncio era filho do conde de Segni e.em suma. "agudamente alerta ao absurdo nos acontecimentos e nas pessoas à sua volta". um dos homens mais notáveis que usaram a tiara pontifícia nos dois mil anos de história da Igreja Católica. muito íntegro. havia muitas correntes ocultas de entusiasmo religioso e variantes do credo. se o nepotismo tinha sido um elemento que fizera parte de sua ascensão. que foi codificada nos decretos do Quarto Concílio de Latrão. deixando sua avareza para os cistercienses. fizera-o cardeal em 1190. e tanto um sobrinho quanto um sobrinho-neto seus se tornariam papas.expressão que foi o primeiro a usar -. Fc essa ousadia que fez com que sua vida tivesse um fim prematuro. administrâdor e seihor da guerra . a energia e a paciência de Ricardo furam dele o mais extraordinário governante de seu tempo 11. a perspicácia. o papa Clemente III.a de que.ele foi um dos mais importantes gaemantes da história européia". membro da família patrícia romana Scotti. ecoa o veredicto do cronista muçulmano Ibi Athir de que "a bravura. com apenas trinta e sete anos de idade. Inocêncio era suficientemente compreensivo para reconhecer o valor OS TEMPLÁRIOS . magnânimo. como rei -. A conclusão do historiador coitemporâneo John Gillingham.um gênio para o planejamento e a logística. Contudo.22`' todavia absolutamente convencido de que. que forneceu vários papas nos séculos XI e XII: o tio de Inocêncio. ele promoveu a reforma pastoral da Igreja Católica e a elucidação de sua doutrina.223 O pecado do orgulho foi também imputado aos templários pelo contemporâneo de Ricardo. A opulência e o mundanismo de muitos membros do clero produziram desafios para a Igreja. mas sua maneira de tratar os assuntos nunca foi tacanha ou pedante. Eleito em 1198. mas que não é julgado por ninguém". Inocêncio era canonista. portanto. sob a uniformidade superficial da fé católica. realizado em 1215. como sumo pontífice e "Vigário de Cristo" . "abaixo de Deus mas acima dos homens: alguém que a todos julga. espirituoso. Por formação. ele jocosamente abandonou seus principais vícios. Ele insistia na ortodoxia: era uma época na qual. isso não significava que Inocêncio não fosse o melhor homem para o cargo. o primeiro de vários papasadvogados. Com extraordinária energia.222 Os Inimigos no Lado de Dentro Uma das histórias que mais tarde se contaram a respeito de Ricardo Coração de Leão foi. Mas isD não diminui suas façanhas como um todo. o papa Inocêncio III. enquanto agonizava.tinha autoridade sobre o mundo inteiro. Ele era excepcionalmente inteligente.

) mesmo que ele tenha sido excomungado". como soberanos totais das ordens militares. ele insist.por exemplo. eram constantemente assaltados por queixas contra os cavaleiros. criou um imposto de dois e meio por cento sobre a renda da Igreja. banqueiros e burocratas que se ocupavam em juntar e distribuir dinheiro. A promoção de uma guerra santa na Terra Santa acabou então aceita "como um ideal na vida cotidiana dos europeus ocidentais". a de que o scar dos sinos no complexo dos hospitalários em Jerusalém incomodava o patriarca e deixava confusos os cônegos da Igreja do Santo Sepulcro. Inocêncio III tinha uma atitude 2mbivalente para com a Ordem do Templo e estava ciente de seus defeitos. logo após sua ascensão. Uma vez que a maioria dos cronistas da época eram clérigos. No Terceiro Concílio de Latrão. como Guilherme de Tiro.. Concedeu indulgência total. e em 1199 escreveu aos bispos e aos barões do ultranar queixando-se de que os acordos com os sarracenos solapavam suas ten:ativas de persuadir os cristãos da Europa a tomar a Cruz.de um inovador idealista como Francisco de Assis. Outras originam-se diretamente dos privilégios que os papas tinham concedido às ordens militares. Inocêncio III era um entusiástico partidário da guerra contra o Islã.zzb A exemplo de Ricardo Coração de Leão. o que impliOS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO . o perdão de todos os pecados confessados não apenas para aqueles que foram para a Palestina. em particular a isenção do pagamento de dízimos. Em 1198."' mas "a presença da cruzada na Europa num estádio tardio da Idade Média talvez fosse mais do que os exércitos de coletores. sem o que nada poderia ser feito". Como todos os papas desde Urbano II. que sentia que seus direitos tinham sido transgredidos. Os papas. e em 1207 o papa Inocêncio III os censurou por desobedecerem a seus legados. mas condenou e empenhou-se em erradicar a doutrina herética dos cátaros no Languedoc. Em 1196 o papa Celestino III repreendeu os templários por violarem um acordo que tinham feito com os cônegos do Santo Sepulcro sobre a divisão de dízimos.. foram aprovados vários decretos restringindo os privilégios das ordens militares.u numa nova cruzada. eles provavelmente dão uma impressão exagerada do opróbrio que o público em geral sen:ia pelo Templo. quer por líderes seculares. com mais freqüência. pelo clero. Algumas das acusações são absolutante triviais . decretos esses que foram mais tarde anulados pelo papa. tirando proveito do privilégio de celebrar a missa em igrejas postas sob interdito e admitindo qualquer um "que esteja disposto a pagar dois ou três pence para ingressar numa confraria dos templários (. como também para aqueles que enviaram substitutos em seu lugar. em 1179. A hm de financiara cruzada. como o rei Amauri de Jerusalém no caso da morte dos emissários assassinos pelos templários. quer.

Fora das capitais ou dos territórios onde estavam . admitiu que eles distribuíam esmolas aos pobres. foram corrompidos pelo seu êxito. O ressentimento contra os templários foi exacerbado por sua cultura do segredo. por sua vez. até que eles. extravagância. dotações prévias e uma bemsucedida administração de propriedades tinham transformado o Templo e o Hospital em duas das mais ricas corporações nos reinos da Europa Ocidental. O abade cisterciense de I'Etoile. Como no caso dos beneditinos e dos cistercienses. expressão que ecoava o pequeno tratado de Bernardo de Clairvaux a favor dos templários. contrastando esses vícios com a pobreza e a caridade de seu fundador. eles davam apenas uma pequena contribuição ao Estado social medieval: um dos primeiros críticos da Ordem. em meados do século XII pregou contra a "nova monstruosidade" da novamilitia. os templários viviam num estado de severa parcimônia. Entre os descendentes espirituais de Bento de Núrsia e Bernardo de Clairvaux. eles estavam "exalando sua cobiça por dinheiro". Uma causa de inveja era a manifesta riqueza da Ordem do Templo. ainda no século XII."' Um grande segredo também cercava a cerimônia de admissão na Ordem. os templários preferiam ocultar suas imperfeições. Ao contrário das ordens monásticas. um inglês chamado Isaac. um inimigo dos cistercienses. Na Terra Santa havia boas razões militares para que suas deliberações não fossem reveladas.cava que adúlteros e usurários poderiam assegurar-se de um enterro cristão. dois outros ingleses. com o carisma da pobreza apostólica passando para as ordens de frades como os franciscanos. João de Würzburgo. Mais tarde. OS TEMPLÁRIOS Apesar dessa tendência entre os religiosos. mas não com a mesma generosidade dos cavaleiros do Hospital. Walter Map. fazia muitos se perguntarem se eles estavam prestando os serviços que deles se esperavam. perto de Poitiers. como a maioria das instituições. De laude novae militiae: ele denunciou aqueles que usaram a força para converter muçulmanos e considerou como mártires aqueles que morreram enquanto pilhavam não-cristãos. a qual. em virtude das más notícias que vinham da Terra Santa. Segundo suas palavras. criticou os templários por sua avareza e.22' Poucos questionavam a própria existência das ordens militares. os cronistas Walter Map e Ralph Niger. essa riqueza havia resultado em consideráveis compromissos com os ideais originais deles. Era no capítulo que as transgressões dos irmãos eram confessadas e as penitências impostas. Hugo de Payns. mas na Europa o motivo era antes o de que eles não queriam que seus defeitos se tornassem conhecidos. também questionaram o uso da força para difundir a religião cristã. e por volta de meados do século XIII "todas as três ordens [militares] continham regulamentos que proibiam os irmãos de tornar públicas as atas do capítulo da ordem ou de consentir que estranhos vissem cópias da regra".

z3° Na Europa. no condado de York. depois de OS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO . os "homens" dos templários. no oeste. As críticas à Ordem eram sempre contrabalançadas pelo elogio. como a de Richerenches. Como os cistercienses. Os edifícios de suas comunidades e preceptorias eram totalmente práticos: celeiros para armazenar os cereais. Rogério de Mowbray.000 domínios que com o passar dos anos haviam sido doados à Ordem por benfeitores pios. a acusação contra os templários mais digna de nota era a de que. copiada da Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. embora todos reivindicassem as insenções que tinham sido concedidas à Ordem. 229 A percepção pública das ordens militares era a de que elas eram ricas. As acusações diretas de luxure "estavam reservadas para os clumacenses e os bispos". ou os trabalhadores que neles trabalhavam. os próprios templários administravam suas propriedades. por exemplo no Bulmer Hundred. as relações com os funcionários reais eram amistosas. pareciam bastante modestas. Ambas as ordens "competiam para serem associadas aos olhos do público com a defesa do lugar da Ressurreição". Na Inglaterra. eles contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da agricultura e aliciavam recrutas das famílias que tinham doado as terras. e modestas fortificações para manter os ladrões a distância. Um grande nobre do Norte da Inglaterra. uma vez que eram as cortes reais que conservavam o status privilegiado deles. Nos condados de Li ncoln e de York. As isenções da justiça e das obrigações feudais de que gozavam mesmo esses membros subalternos da Ordem inevitavelmente causavam ressentimentos nos senhores feudais. em que os templários abusavam de seus privilégios. eles possuíam propriedades até em Penzance. "mas as próprias ordens esforçavam-se por mostrar aos novos recrutas que a vida nelas não era tão confortável quanto a sua imagem talvez tivesse levado a acreditar". dormitórios para abrigar uma meia dúzia de irmãos que formavam o seu quadro de pessoal. A grande maioria eram administradores dos mais de 9. em particular dos barões que retornavam das cruzadas. sobretudo quando comparadas com o esplendor das instituições monásticas. conde da Nortúmbria. apenas uma pequena parte realmente pegou em armas contra o infiel. admitindo delinqüentes e ladrões na Ordem e impedindo que magistrados reais efetuassem prisões. estábulos para os cavalos. ou em lugares tão remotos quanto a ilha de Lundy.em guerra. Suas igrejas também eram modestas e construídas como símbolos de sua missão: a característica das igrejas dos templários e dos hospitalários que chamava a atenção era a rotunda. mas havia situações. eles não gastavam grandes somas de dinheiro em castelos enormes e igrejas magníficas: as comunidades existentes. De modo geral.

A reputação de probidade dos templários significava que se confiava neles tanto para manter o dinheiro de outrem quanto para transferi-lo para diferentes locais. conforme era permitido no direito canônico". e "com freqüência se concordava que a Ordem poderia deduzir parte da importância coletada para cobrir suas despesas. teve o seu resgate pago pelo Templo e. teria tido seu equivalente no Templo de Londres onde hoje só existe a igreja. e seus empréstimos com freqüência evitavam o colapso das finanças reais.ser capturado por Saladino em Hattin. e na França a Ordem muitas vezes tinha dificuldade em satisfazer as necessidades reais. Os templários também emprestavam dinheiro a indivíduos e instituições. O Templo de Paris transformou-se "num dos mais importantes centros financeiros do noroeste da Europa". mas seus principais clientes eram reis."' Entre os serviços financeiros fornecidos pelos templários estavam a provisão de anuidades e pensões. que eram "dois por cento menos do que o máximo permitido a agiotas cristãos em Aragão e metade da taxa dos judeus". os templários se tornaram. No reino de Aragão. os reis estavam constantemente tomando dinheiro emprestado do Templo. os banBueiros da cristandade e mantinham em suas galerias subterrâneas não só a riqueza da Ordem. Freqüentemente a doação de terras ou de dinheiro estipulava que ela deveria prover à subsistência de um homem e sua esposa até eles morrerem: "havia poucas maneiras de prover à subsistência de alguém na velhice ou de assegurar o bem-estar dos dependentes de alguém. ou donjon. Fortuitamente. incluindo os judeus. embora poucos deles usassem o hábito branco de um cavaleiro habilitado. expressou sua gratidão mediante várias doações. se o Templo desse garantia do empréstimo. a não ser fazendo uma doação a uma instituição eclesiástica"."' Sua grande torre de menagem."' As instituições eclesiásticas estavam mais dispostas a emprestar dinheiro à Coroa. assim. Estima-se que em Paris cerca de quatro mil homens marcados com a cruz da Ordem residiam no Templo. ao regressar. os empréstimos eram feitos com a garantia de uma renda da terra ou de um benefício. Em Aragâo." Também se pagava por um pacote de benefícios temporais e espirituais: para a 197 Comunidades e cas=elos dos templários no Ocidente . mas também o tesouro de reis. e embora "em alguns casos os templários claramente obtivessem um lucro financeiro direto dos empréstimos. em algumas outras ocasiões parece que não o obtiveram". Sobre alguns empréstimos eles cobravam juros de dez por cento. Foi por intermédio do Templo em Londres que o rei Henrique II criou um fundo para cruzadas em Jerusalém que se revelou tão útil por ocasião da batalha de Hattin. que era provida de torrinhas e mais tarde serviria de prisão para o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta na época da Revolução de 1789.

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as ordens militares tinham se tornado indispensáveis ao governo pontifício da cristandade e. Em julho de 1120. O cronista Guilherme . foi excomungado pelo papa e todavia foi aconselhado pelo mestre dos templários na Inglaterra. Seu statur como cavaleiros dava-lhes autoridade e os qualificava para assumirem funções militares: por exemplo. Hugo de Payns: agora ela se estendia da escolta de peregrinos na Palestina à proteção da transferência de dinheiro. e como tais estavam em condições de exercer influência a favor de sua Ordem. recebiam total apoio do papa. eles tinham o hábito da obediência _ç. nenhuma ambição dinástica. que não poderia encontrar ninguém em quem confiasse mais para transportar uma grande soma de dinheiro. o imperador Frederico II. Como monges. quando o patriarca Fulcher de Jerusalém foi a Roma a fim de persuadir o papa a revogar alguns dos privilégios do Hospital. Em quase todo reino europeu. Assim.o ~~ISp ~3qp milhas OS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO salvação da alma do doador e proteção pelo Templo numa sociedade onde a violência era endêmica. parece que se aceitou que irmãos da mesma Ordem trabalhassem para monarcas cujos interesses divergiam uns dos outros. que sucedeu a seu irmão Ricardo. Pelágio. Aimery de Saint Maur: ele era praticamente o único homem em quem João confiava. A despeito da estrutura unitária das ordens militares.zss Os templários também trabalhavam como funcionários civis: encontram-se com freqüência irmãos do Templo e do Hospital servindo a papas e reis. foi aconselhado e apoiado por Hermann de Salza. Essa função dos templários como uma forma de força policial naturalmente tinha sido contemplada por seu fundador. independentemente de se estar ou não sob a proteção nominal de um senhor feudal. Apesar de seu orgulho e do abuso ocasional de seus privilégios. o papa Urbano IV nomeou três irmãos da Ordem do Templo para tomarem conta de castelos nos Estados Pontifícios. Da mesma forma. o papa Honório III disse a seu legado. e em Acre o Templo e o Hospital eram as únicas corporações nas quais Ricardo Coração de Leão e Filipe Augusto confiavam. o grão-mestre dos cavaleiros teutônicos. os templários eram uma fonte de servidores públicos dignos de confiança. ele não foi bemsucedido. A presença de templários nos conselhos de papas e reis coloca as críticas de Inocêncio III em perspectiva. havia muito o que dizer para que se tivesse uma cruz dos templários na propriedade. Com a sua argúcia financeira. O rei João da Inglaterra. do voto de obediência dos cavaleiros a seu grão-mestre e de sua fidelidade ao papa. em seus constantes conflitos com o papado. como celibatários. portanto. os templários eram com freqüência transformados em esmoleres reais pelos reis europeus. ou daqueles do papa.

e mesmo depois de a ilha ter sido revendida a Guido de Lusignan. não a regra. A insurreição contra os templários em Nicósia em 1192 tinha sido esmagada pela força. dandonos um vislumbre da maneira pela qual o ressentimento popular contra os templários encontrou expressão. "A Coroa era claramente cautelosa em usar os próprios templários contra os inimigos cristãos" e os templários eram relutantes em serem usados dessa forma: os reis tinham de ameaçar fazer uso de duras medidas para assegurar que suas convocações fossem obedecidas. e. condenou qualquer um que atacasse um cavaleiro do Templo e o puxasse de seu cavalo. e advertiu ao clero que não interferisse nos direitos dos templários. de coletar seus próprios dízimos. Denunciou bispos que tinham aprisionado templários e insistiu que estes punissem qualquer um que roubasse comunidades dos templários. para lutar contra os castelhanos e os franceses. onde estavam a serviço de papas ou reis." Dois outros territórios onde os templários entraram em conflito armado com seus confrades cristãos foram Chipre e a Armênia Cilícia. e até mesmo os próprios cavaleiros. o papa Clemente IV solicitou a ajuda dos hospitalários contra os alemães na Sicília. Da mesma forma. tomando dízimos de suas propriedades ou pondo suas igrejas sob interdito. esperava-se que os cavaleiros pertencentes às ordens militares pegassem em armas para defender os interesses de seus senhores. mas parece mais provável que a atitude da Cúria refletisse o crescente desencanto na 199 OS TEMPLÁRIOS Europa coam os latinos no ultramar e que ela visse nas ordens militares o meio mais: eficaz de atingir os objetivos da Igreja. de ter seus próprios cemitérios.de Tiro considerou isso suborno. e houve casos em que os reis de Aragão convocaram os criados dos templários. certa restrição se revela no fato de que há apenas uma situação na qual eles as envolviam em suas próprias guerras: em 1267. Contudo. 117 Sem dúvida. isso era a exceção. Considerando que os papas tinham autoridade suprema sobre as ordens militares. Suspendeu o bispo de Sídon por excorryungar o grão-mestre do Templo numa disputa sobre as rendas da diocese de Tiberíades. Omne datum optimum. os decretos aprovados pelo Terceiro Concílio de Latrão que restringiam os privilégios das ordens militares foram revogados por papas posteriores?' Inocêncio III foi até mais enfático na sua defesa dos privilégios e isenções dos templários. renovou todos os privilégios concedidos ao Templo pela bula do papa Inocêncio II de 1139. os templários mantiveram a fortaleza . insistindo no direito da Ordem de construir igrejas.

de Gastria. Isso foi aceito pelo rei cristão da Hungria. Enrico Dandolo. OS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO 1ços dois conflitos mais significativos entre cristãos nesse período. o conde Balduíno de Flandres e o conde Teobaldo de Champagne. Simão de Montfort. o pai de Saladino) do Egito. estava longe da senilidade: ele combinou que. Contudo. porque agora. nos montes Amanus. tanto na Europa quanto no ultramar.arriscar suas vidas pela Cidade Santa. que partiu em conseqüência do primeiro apelo de ajuda à Terra Santa feito pela papa Inocêncio III após sua ascensão e. O doge de Veneza.000 escudeiros e 20.000 hode mens haviam se reunido em Veneza e havia um déficit de 35. e possuíam propriedades fortificadas em Yermasoyia e Khirokitia. foi liderada por um grupo de governantes secundários com uma linhagem de cruzados. por causa da fortaleza de Gaston. príncipe da Armênia Inferior. e o alto comando dessa nova expedição escolheu como líder o marquês Bonifácio Montferrat. pela quantia de 85. Na Cilícia. O primeiro foi a Quarta Cruzada. embora idoso.000 soldados de infantaria. como a Primeira Cruzada. e muitos dos cruzados foram contra. os cristãos do Ocidente só estavam dispostos a .000 marcos na quantia que fora prometida aos venezianos. quase com certeza não tinham intenção de apoiar um ataque no Nilo. o consenso de que Jerusalém jamais poderia estar segura enquanto fosse ameaçada do Cairo. como na época da Primeira Cruzada. O conde Teobaldo de Champagne morreu no início de 1201. como o conde Luís de Blois. Eles foram derrotados: . e uma casa fortificada em Limassol. e portanto emissários desses nobres foram a Veneza preparar a viagem por mar. 9. os templários foram apenas marginalmente envolvidos. Estes recusaram-se a reduzir seu preço. Desde a morte do imperador Barba-Roxa na Anatólia. a norte de Famagusta. O objetivo aparente dessa expedição era liberar Jerusalém. mas numa cláusula secreta do acordo concordava-se que a cruzada atacasse o Egito. mas concordaram em aceitarem troca a ajuda do exército cruzado para a tomada da cidade de Zara. com alimentos para um ano. entre eles o abade cisterciense de Les-Faux-de-Cernay e um barão francês. Desde a Terceira Cruzada difundira-se entre os líderes dos latinos. a Ordem chegou às vias de fato com Leão.000 marcos de prata. a rota por terra para o Oriente era considerada intransitável. apenas 10. na costa da Dalmácia. na data estabelecida para a partida. os venezianos.500 cavaleiros. de onde se avistava Antioquia. en coute para o Oriente. que tinham lucrativos vínculos comerciais com os ayyúbidas (sultões descendentes de Ayyub. A data da partida foi fixada para um período de doze meses. Todavia. a república providenciaria uma frota de cinqüenta galeras e transporte para 4.

em conseqüência. se o exército ocidental rèstituísse seu pari. rescindiu a sentença. em junhco de 1203. que reivindicara Io trono bizantino. de=. até certo ponto. fronte de Constantinopla. A restauração de um governantce legítimo era uma causa justa no cânon do direito feudal. cujos "pseudomonges e sacerdotes sacrílegos" são não só cismáticos.24' algo que. mas também do fato de que todas as campanhas militares. sua única crítica aos bizantinos é que eles são fracos demais para defenderem os Lugares Santos. e podemos perceber seu efeito na hiistória de Guilherme. A lembrança dessa atrocidade ainda estava vívida na mente dos latinos. havia outras emoções menos 1 louváveis no espírito dos guerreiros. pia em 1182.'. Os franceses lembraram-se da. e Enrico Dandolo tinha seus próprios motivos para ter aversão aos gregos: perdera a visão durante os pogroms contra os latinos em Constantino. 201 OS TEIMPLÁRIOS Aleixo IV Angelo. mas.': dos bizantinos para participarem dia cruzada. exceto dos reis mais ricos. mas heréticosz'9 . arcebispo de Tiro. e os bispos que acompanhavam a cruzada foram persuadi dos a apoiá-la. o exército cruzado foi abordado por um príncipe grego.Zara foi tomada. e ele decide que estava errado a respeito "dos enganosos e traiçoeiros gregos".o epíteto mais condenador que um clérigo medieval poderia excogitar. mas. Depois dos pogroms de 1182. para aqueles que vivem numa era de exércitos bem pagos e até tratados com mimo. latinos. Agindo sobre esse ódio latente estava "a notória ganância do soldado medieval por pilhagem 11. mas quando a esquadra chegou à altura de Calcedônia. ele os considera úteis como aliados contra os sarracenos. abandonaram a cruzada. Enquanto passava o inverno em Zara. Inocêncio III ficou tão ultrajado com esse ataque a um rei cristão que excomungou todo o exército. A idéia interessou ao doge:.' provação do rei Luís VII e dos cavaleiros na Segunda Cruzada enquanto mar chavam através da Anatólia em 11418. Mais uma vez. eles foram derrotados e. a despeito de seu imposto sobre o clero. poderia garantir a reconciliação da Igreja Ortodoxa com a Católica. O que Inocêncio III não conseguiu reconhecer foi que. Ao dar o sinal . tencionando continuar rumo ao leste na primavera. confrontado com o colapso da cruzada. ao trono.' A princípio. a Enrico Dandolo. parece mais repreensível do que o foi na época. suas ilusões são destruídas. mas contou com a oposição das mesmas pessoas que se ti. grandes subvenções e dez mil solda. nham oposto ao ataque a Zara: Simião de Montfort e o abade de Les-Fauxf°de-Cernay. os custos de uma cruzada estavam além dos recursos de todos. Não se tratava apenas do fato de a paixão bárbara pelo saque ser ainda forte na psique dos francos. tinham de ser custeadas por si mesmas. Ele propôs que. pelo que o rei culpara a perfídia dos gregos.

como ímãs para atrair peregrinos às igrejas da Europa. Apesar disso. não pode haver dúvida de que o que agora se seguia era "um empreendimento escandaloso 11. de Flandres e de Champagne. A antiga e até então inconquistada capital do Império Romano do Oriente foi submetida à chacina de seus habitantes e à pilhagem de seus tesouros. O imperador que o substituiu. capturaram o subúrbio de Galeta e quebraram a corrente que protegia a entrada do porto da cidade.verde a nobres de menor importância. e dentro de um dia ela foi tomada. o candidato dos cruzados. como os condes de Blois. Também está claro que nessa. Um dos cronistas do saque da cidade.o dia 17 de julho. descreveu como um abade latino. no espírito de muitos dos participantes. logo após sua chegada.141 mesmo que permaneça obscuro de quem era a culpa. isso foi suficiente para assustar o imperadorAleixo III a ponto de fugir e para pôr no trono Isaac Ângelo. os cruzados atacaram os arrabaldes de Constantinopla. a qual. e a cruzada escava inadequadamente provida de recursos.242 . ele em seguida carregou para o navio". Aleixo V Ducás. eles atacaram a cidade. era mais da preferência dos gregos e combateu os cruzados. Os mais apreciados eram os repositórios de relíquias. todavia. a motivação penitencial estava combinada com a esperança. em janeiro de 1204. de que eles tanto salvariam suas almas quanto fariam fortuna: era inteiramente aceito entre todas as pessoas que participavam desses incessantes conflitos que o risco deveria ter sua recompensa. ao encontrar o depósito das relíquias na Igreja de Cristo. mas. Não obstante. "encheu as pregas de sua batina cote a presa sagrada da igreja. como em todas as outras cruzadas. 202 OS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO como a conquista de Zara havia demonstrado. o novo imperador foi incapaz de angariar o dinheiro que havia prometido aos cruzados e. seu controle era tênue. Em junho de 1203. Em 12 de abril de 1204. o Onipotente. talvez ele tenha contado manter maior grau de controle pontifício sobre a expedição do que se tivesse esperado pelos reis da Inglaterra e da França. rindo de felicidade. Gunther de Paris. após ameaçar de morte um sacerdote grego se ele não lhe dissesse onde elas estavam escondidas. Desprezado por seus. tinham muito mais valor do que seu peso em ouro. foi deposto e assassinado junto com seu filho pela populaça enfurecida. eles organizaram um ataque à própria Constantinopla. o Como de Ouro. N. súditos gregos como um subordinado dos latinos. mas foram rechaçados pela guarda varangiana do imperador. que.

Esta afirmava que existiam dois Deuses. Enrico Dandolo não havia apenas se vingado: ele também havia estabelecido controle veneziano sobre as rotas de comércio do Adriático ao mar Negro.uma seita herética que se havia estabelecido nos ricos territórios que se estendiam do rio Ródano aos Pireneus. o estoicismo e o neoplatonismo revelavam certa afinidade com . como também aqueles do Império Bizantino. da ilha de Eubéia. Até mesmo os templários. Esta era um centro dos cátaros. eles adquiriram terras no Peloponeso e. mas também os cristãos sitiados na Terra Santa. recrutas potenciais entre os cavaleiros da Europa Ocidental sem bens de raiz que poderiam ter tentado a sorte na Síria e na Palestina foram desviados pelas oportunidades mais fáceis oferecidas por feudos na Grécia. no sudoeste da França. Daí em diante. conhecidos em virtude de seu dialeto francês distintivo como o langue d'oc.3 Junto com os hospitalários e os cavaleiros teutônicos. Bonifácio de Montferrat fundou um reino em Tessalonica. Portanto. Nenhum dos. a quem os cruzados tinham partido para ajudar. não foram apenas os gregos bizantinos que sofreram com a conquista de seu império. conquanto tivessem desempenhado um papel insignificante na Quarta Cruzada.'-45 O segundo conflito mais importante entre cristãos que se seguiu logo após a conquista de Bizâncio foi a Cruzada Albigense. foram divididos entre os conquistadores latinos. que havia criado o mundo material. e a salvação residia em libertarse da carne. "embora o serviço militar que deviam prestar fosse nominal". participaram da conquista da Grécia central entre 1205 e 1210. uma deidade benévola. de cidades na costa do Peloponeso. com os venezianos tomando quase metade da cidade. As origens do catarismo se encontram na antiga religião zoroastriana da Pérsia.Não apenas os tesouros de Constantinopla. Constantinopla foi também subdividida em 203 OS TEMPLÁRIOS distritos.2. de algumas ilhas jônias e de Creta. Todas as coisas materiais eram portanto intrinsecamente más. Todos permaneceram a fim de fazerem valer seus direitos a feudos na carcaça do Império Bizantino. O budismo. cujo reino era puro espírito. ao passo que os venezianos se apossaram de algumas possessões bizantinas na conca do Adriático. Em 16 de maio. que haviam partido sob o comando de Bonifácio de Montferrat foi para a Terra Santa. e uma malévola. Balduíno de Flandres foi coroado imperador na Catedral de Santa Sofia e recebeu terras na Trácia. em partes da Ásia Menor e em algumas das ilhas Cíclades.Z'4contribuíram "para ã defesa do império latino de Constantinopla". que recebeu esse nome por causa da cidade de Albi.

os bogomilos rejeitavam o Antigo Testamento. Para os dualistas. no norte da Grécia. o batismo. como Flandres. uma vigorosa comunidade de maniqueístas. Daí. . enquanto o cristianismo. em Jesus. que fundou uma igreja dualista nos Balcãs. e é possível que cruzados que retornavam à Europa Ocidental trouxessem consigo idéias dualistas. ensinou que. por exemplo. Alguns bolsões de paulicianos foram encontrados pelas forças da Primeira Cruzada nos arredores de Antioquia e de Trípoli. a cruz. nem se casar. foi fundada na Armênia. afirmava que Deus não só aprovou sua criação material. um herege cristão do século II. para se evitar contato com o mal do mundo material. Parte de seu apelo residia na solução que eles postulavam para o etemo enigma: por que. Mani. como o jovem Agostinho de Hipona. No século III. e alguns evitavam tê-los por meio do intercurso anal: a palavra bugger (sodomita) origina-se de búlgaros. mas. e foram vigorosa e efetivamente reprimidas. nem lutar. quando muito dos bogomilos bósnios tornaram-se muçulmanos. e ter filhos era cooperar com o Demiurgo ou Diabo OS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO na perpetuação da matéria. a eucaristia. o celibato não era uma questão de escolha. Eles também pensavam que ter filhos era colaborar com o Diabo na perpetuação da matéria. proibia o casamento e fazia do celibato uma condição do batismo. a Igreja Bogomila sobreviveu até a conquista dos Balcãs pelos turcos otomanos. a Renânia e a Champagne. apesar de seu apreço pela abnegação. suas idéias difundiram-se para a Bulgária e foram adotadas pelos seguidores de um padre eslavo chamado Bogomilo. um persa. Apesar da perseguição pelos imperadores ortodoxos. não se deveria trabalhar. os sacramentos e toda a estrutura da igreja visível. no século X. Eles se tornaram poderosos o suficiente para fazerem com que os imperadores bizantinos enviassem expedições militares contra eles e. os deportassem em massa para a Trácia. os paulicianos. as idéias de Mam difundiram-se da Pérsia ao Império Romano e fizeram alguns prosélitos.essa condenação da matéria. Depois que ele foi martirizado por suas crenças pela hierarquia zoroastriana em 276. Márcion. No século V. se o Diabo foi criação de Deus. este continuou a permitir que ele existisse? A condenação da carne e de todas as paixões bestiais e egoístas que ela engendrava parecia harmonizar-se com a doutrina de Cristo. Elas foram encontradas na terra natal dos cruzados. Como os paulicianos. Conceitos dualistas afetaram a crença de cristãos desde os primórdios da Igreja. Todo intercurso carnal era mau. tornou-se parte da criação material quando a Palavra se fez carne.

mas o êxito do Islã havia mostrado 0 que poderia resultar quando idéias heréticas prosseguiam irrefreadas e eram exploradas por uma classe social emergente.No Sul da Europa. e também entre eles e o papa. em particular as de um mercador de Lyon chamado Pedro Valdes. O maior apoio para aqueles que OS TEMPLÁRIOS atacavam a riqueza da Igreja vinha da ascendente classe de mercadores das cidades da Lombardia."' Sem dúvida. faziam o possível para amanhá-las de volta. Como Bernardo de Clairvaux tinha visto ao pregar contra Henrique de Lausanne. Grande parte da riqueza que o clero corrupto gozava tinha sido doada pelos ancestrais da nobreza possuidora de terras. e foi dito que. o contato com as idéias islâmicas que vieram em virtude do comércio com a Espanha moura e o destacado papel desempenhado pelos judeus na economia da região criaram um clima de tolerância para com outras crenças. os quais. a doLtrina cátara era a de que apenas . O que à primeira vista parece incoerente é que "uma sociedade turbulen:a. outros dos reis de Aragão e até. Ele condenou a gritante riqueza do clero e deixou sua mulher e seus bens para viver como eremita. Ao mesmo tempo.um refúgio para jongleurs e troubadours. a Igreja estava numa condição deplorável. culta e hedonista da Europa . gananciosos e ignorantes. Isso resultava em constantes conflitos entre eles e os bispos locais. não era de surpreender que uma religião que julgava o clero supérfluo tivesse considerável poder de atração. nem sempre era fácil distinguir entre entusiasmo pela reforma. do imperador alemão. embora não fosse dualista. com padres e bispos negligentes. vendo-as agora em mãos visivelmente indignas. do Languedoc e da Provença. Mesmo os barões que possuíam feudos não tinham um único senhor feudal sequer: alguns os receberam do conde de Toulouse. Portanto. isso em grande parte parecia ser uma questão de acaso". nocionalmelte. agitada e egoísta 11. Sua concepção da pobreza como uma virtude suprema não era muito diferente da de Francisco de Assis. e não como feudos. se os homens santos dessa época "eram reverenciados como santos ou excomungados como hereges. os meros crentes.141 talvez a mais educada. Mas deve-se lembrar que apenas alguns deles. Havia um controle menos centralizado porque muitos dos principados menos importantes eram mantidos corno propriedades livres e alodiais. O anticlericalismo era reinante. rejeitou a idéia de que a graça sacramental fosse necessária para a salvação. No Languedoc havia outros fatores que favoreciam a difusão da religião cátara. as teorias dualistas tiveram de competir com outras idéias heterodoxas. viviam uma vida de abnegação sobrehumana: para a massa de credentes. anticlericalismo e a promoção de idéias hostis à doutrina cristã. o qual. mais preocupados em esbulhar do que em proteger seus rebanhos. conhecidos como parfaits. tenha se revelado tão receptiva ao desolado dualismo dos cátaros. os poetas do amor cortês -.

adotou um estilo de vida de abjeta pobreza e rigorosa mortificação. Inocêncio aceitou sua missão. Ele juntou-se aos cistercienses na pregação da fé católica ortodoxa e nos debates com os sacerdotes cátaros. mas os condes não estavam dispostos a fazê-lo . . Dois anos antes. perto de Castelnaudary. em vão. eles haviam fracassado. OS INIMIGOS NO LADO DE DEN'rR0 e agora outros bispos eram nomeados para Toulose. Os bispos católicos no Languedoc. apesar dos seus melhores esforços. Domingos. Mais uma vez a persuação não foi bem-sucedida.`aits do sexo feminino se concedia a mesma reverência concedida aos do sexo masculino. horrorizados pela difusão dessa seita herética. Tratava-se antes do fato de que as almas colocadas por Deus sob os seus cuidados estavam sendo induzidas à danação eterna. jogando o mesmo jogo dos parfaits.um sacramento era necessário para a salvação e de que o último. Domingos de Gusmão. mas. que julgavam blasfema por representar o sofrimento da divindade. visitou o papa Inocêncio III em 1205 a fim de pedir-lhe permissão para pregar o Evangelho aos pagãos que viviam junto ao Vístula. ele apelara aos cistercienses para reconverterem os cátaros.e provavelmente eram incapazes de fazê-lo . Niquinta. Os cátaros tinham um ódio especial não só pela cruz. mas a redirecionou para o sul da França. destituiu sete bispos na região e os substituiu por incorruptíveis cistercienses. O catarismo também era uma religião que atraía as mulheres: aos par. Relatos de seu crescimento e enraizamento chegaram a Roma. tornava desnecessário esforçar-se para ser virtuoso até que se defrontasse com a morte. primos ou primas que viviam vidas exemplares. tentaram opor-se a ela. o consolamentum que tirava todos os pecados. A hierarquia católica considerava o triunfo dessa religião herética com consternação.z48 Em 1167. mas são as mulheres que as difundem e as tornam imortais"). por meio de debates públicos. embora esse bem que poderia ter sido um fator entre os prelados do Languedoc. no Languedoc.porque as raízes do catarismo haviam se tornado profundas demais. Como um padre francês viria a expressá-lo. o "papa" grego dos cátaros de Constantinopla. les femmes leur donnent cours et les rendem immortelles" ("Os homens podem inventar as heresias. presidiu um concílio dos fiéis fora da cidade de Saint-Félix-de-Caraman. Já nessa época havia um bispo cátaro em Albi. Quando um zeloso castelhano. irmãs. Inocêncio. que reconhecia perfeitamente bem os graves defeitos do clero católico no Languedoc. Carcassonne e Agen. "Leshommesfont les lérésies. prior dos cônegos da Catedral de Osma. Não se tratava simplesmente do fato de o catarismo ter removido sua raison d'être. e repetidas vezes apelou aos condes de Toulouse que agissem. Muitos católicos tinham irmãos.

quer cátara. Raimundo VI. Raimundo prometeu fazê-lo. Que isso não era uma fantasia extravagante foi confirmado pelo ensinamento cátaro de que o casamento. eles não hesitavam em sua ambição de destruir a Igreja: em 1207. a Igreja e a sociedade eram coincidentes. o legado pontifício. quer católica. os cátaros de Carcassonne expulsaram o bispo católico da cidade. e.'. Esse ultraje induziu Inocêncio III a proclamar uma cruzada. a despeito de um constante fluxo .~ heresia foi afinal destruída. es alguns deles alegremente confiaram às chamas seus corpos corruptos. foi morto por um homem do séquito de Raimundo.mas também pela missa. Na Europa medieval. mas com ela se foi o que alguns historiadores. vêem como uma civilização incomparavelmente refinada e culta e outros. Em vez de viverem pacificamente lado a lado com os cristãos. a cruzada foi uma invasão da sua terra natal por um inimigo do norte.141 Após o fracasso de repetidas campanhas de persuasão. que consideravam sacrílega por afirmar que na consagração o pão se tornava a carne de Cristo. n ele poderia ter fundado uma dinastia. como "uma sociedade num avançado estádio de desintegração que ainda sèy apegava à casca de uma civilização que por pouco não havia desaparecido". o mesmo ca. que os cátaros condenavam. mas não o fez. conde de Toulouse. Em 1207. a exemplo dos francos na Palestina ou dos normandos em Antioquia. A apostasia levaria à anarquia e solaparia as instituições humanas mais fundamentais. na Provença. A. Seguiram-se vinte anos de guerra. Em 1205. com massacres. e. A certa altura. todo o Languedoc estava sob seu po-: der. esse prêmio lhe escapou e ele acabou sendo morto enquanto sitiava Toulouse. nas palavras de um 207 OS TEMPLÁRIOS herege apóstata. o papa Inocênció solicitou ao principal governante da região. contudo. Os cátaros foram perseguidos e queimados. embora a serviço da Igreja. com os mutáveis acasos da guerra. Rainier Sacchoni. eram os alicerces sobre os quais se baseava toda a estrutura da sociedade feudal. que extirpasse a heresia à força.. o ano era pontuado dejejuns e festas do calendário cristão e a vida era mediada através dos sacramentos. depois de uma reunião com Raimundo em Saint-Gilles.. era "um pecado mortal (. Para a nobreza nativa. Os juramentos. mas. indiscriminados de ambos os lados que só terminaram com a anexação do Languedoc pelo rei da França.) tão severamente punido por Deus quanto o adultério ou o inces t011. Pedro de Castelnau.: valeiro do norte da França que havia abandonado Bonifácio de Montferrat e :'j os venezianos em Zara.z5 O primeiro líder da Cruzada Albigense foi Simão de Montfort.

212 . testemunhas. Qual era o papel das ordens militares nessa guerra cruenta e disputa fratricida? Tanto o Templo quanto o Hospital tinham consideráveis propriedades na região. Ambas as OS INIMIGOS NO LADO DE DENTRO ordens também estavam profundamente engajadas no reino de Aragão e envolvidas na guerra contra o Islã na Espanha. enviando-o a Saint-Antonin para aceitar a rendição da cidade. investiu de plenos poderes em sua ausência um cavaleiro do Templo. que havia alcançado uma importante vitória contra os muçulmanos em Lãs Navas de Tolosa em 1212. o rei Luís VIII da França. em particular o Hospital. encontramos Simão hospedado na casa dos templários fora de Montpellier. que por fim pôs termo ao conflito. a comunidade de Mas-Deu. parece que o Hospital tomou o partido de Raimundo VI e Pedro II. Raimundo de Saint-Gilles. Contudo. mas também seus vassalos. Todavia.. e não só seus descendentes. o dos cruzados. ambas tentaram permanecer neutras e como tais foram reconhecidas pelo Tratado de Paris. mas "todos respeitaram incondicionalmente seus deveres para com o papa e a Igreja. eles lutaram para defendê-la. e o Templo. em Roussillon. haviam legado benefícios substanciais às ordens militares. conde de Toulouse. foi morto no ano seguinte combatendo Simão de Montfort fora dos muros de Muret. tinha estado entre os líderes da Primeira Cruzada. era uma das mais importantes fortalezas do Templo. Em 1126.. parece ter sido aceito que o principal compromisso dos templários era com a guerra contra o Islã no Oriente.de lealdades. Em conseqüência. levou a um racha nas lealdades entre as ordens militares. Onde as ordens foram aliciadas para o conflito. (. Lealdades feudais e interesses políticos ficaram inextricavelmente emaranhados com fervor religioso. junto com a maior parte da nobreza do Languedoc.) A fidelidade dos cavaleiros do Templo a Simão de Montfort e aos cruzados jamais diminuiu":"' em 1215. uma ordem moldada no Templo. se não participantes. uma guerra entre Simon de Montfort. De modo geral. o papa Inocêncio III não fez nenhuma tentativa de recrutá-los contra os cátaros. o que levou a alianças paradoxais: o rei Pedro II de Aragão. parecia confirmar isso. da chacina dos habitantes da cidade. ao sitiar Avignon. Os templários haviam lutado com Pedro II em Lãs Navas de Tolosa. com certeza. da parte do papa. e o conde Raimundo VI e o rei Pedro II de Aragão. o irmão Everardo. na primavera de 1219. Foi possivelmente como vassalos do rei da França que eles estavam com o príncipe Luís na tomada de Marmande. e a criação em 1221 por Conrado de Urach da Milícia da Fé de Jesus Cristo.

que viria a inspirar um sem-número de teorias fabulosas em tempos modernos. Quia maior.zs3 Provavelmente. Havia numerosos estabelecimentos no Languedoc. Durante a CrUZadaAlblgense. à diferença dos cavaleiros do Templo. De modo análogo. Seu corpo permaneceu do lado de fora do priorado dos hospitalários. Vários fatores sugeriam que o momento ira propício: Simão de Montfort estava no auge da prosperidade no Languedoc. ficaram com a guarda de seu corpo. portanto. o Hospital tinha estreitos vínculos com os condes de Toulouse tanto na Europa quanto no ultramar. há indícios de que eles mostravam simpatia pela religião herética. que. a mais clara demonstração de suas lealdades veio com a morte do rei Pedro II de Aragão na batalha de Muret: os hospitalários pediram e receberam permissão para remever seu cadáver do campo. na Espanha. mas neste caso. Depois da morte de Simão de Montfort no cerco de Toulouse e da retirada dos cruzados. como o de um excomungado. eram com freqüência aparentados. O corpo ainda estava lá no século XIV mas. é mais crível se equiparada com os hospitalários. vemos que alguns dos mais corajosos defensores dos cátaros que pediram para receber o consolamentum de seus parfaits também dotaram o Hospital e além disso OS TEMPLÁRIOS pediram para ser admitidos como confrères.214 Frederico de Hohenstaufen Em 1213. e após sua morte. em 1222. o papa Inocêncio III publicou uma bula. e o extraordinário . Assim. os bispos católicos e os cistercienses retiraram-se da área e os templários abandonaram sua comunidade na Champagne. por volta do século XVI. Desde a época de sua evolução numa ordem militar. enquanto Raimundo VII rogou a sucessivos papas que permitissem que ele fosse enterrado na capela. ao passo que na Síria a grande fortaleza do Krak dos Cavaleiros tinha sido doada ao Hospital por Raimundo II de Trípoli. mas os hospitalários e os beneditinos ficaram: os beneditinos em Alet foram mais tarde expulsos de sua abadia por cumplicidade com os cátaros. "ratos haviam destruído o caixão de madeira e os ossos de Raimundo haviam desaparecido 11. um exército muçulmano tinha sido derrotado em Lãs Navas de Tolosa.A acusação de apoio dos templários aos cátaros. mais uma vez. convocando uma nova cruzada contra os sarracenos no Oriente. com quem os próprios cavaleiros. eles tendiam a sentir solidariedade pelos descendentes de seus benfeitores. O Hospital lucrou com seus vínculos com os inimigos da cruzada. um bisneto de Raimundo IV de Toulouse. não poderiá ser enterrado ei solo sagrado. eles admitiram Raimundo VI como confrère. o que sugere que eles tinham pouca compreensão de teologia ou que estavam fazendo jogo duplo.

o Hospital lucrou com seus vínculos com os inimigos da cruzada. antes que seus planos tivessem sido postos em execução.fenômeno da cruzada das crianças. Seu corpo permaneceu do lado de fora do priorado dos hospitalários. o cardeal Savelli. a mais clara demonstração de suas lealdades veio com a morte do rei Pedro II de Aragão na batalha de Muret: os hospitalários pediram e receberam permissão para remover seu cadáver do campo. De modo análogo. não poderia ser enterrado em solo sagrado.""' As quantias arrecadadas eram comadas ao irmão Haimard. o tesoureiro do Templo em Paris. pregou para suas esposas em vez de para eles. em que sete mil jovens da França e da Renânia tinham partido para libertar o Santo Sepulcro. como o de um excomungado. cujos cavalos foram requisitados por alguns genoveses para uma excursão militar. mas os hospitalários e os beneClltinos ficaram: os beneditinos em Alei: foram mais tarde expulsos de sua apadia por cumplicidade com os cátaros. Mesmo as desvantagens. "Os burgueses levaram meus cavalos e eu transformei suas esposas em cruzados. o que sugere que eles tinham pouca compreensão de teologia ou que estiavam fazendo jogo duplo. embora mal concebido. incluindo a extensão da indulgência da cruzada daqueles que lutassem àqueles que pagassem. e após sua morte.zssAs mulheres também eram usadas para persuadir seus maridos a partir em cruzada: Jacques de Vitry. Honório não possuía as qualidades de liderança e energia OS TEMPLÁRI OS pedirOm para ser admitidos como confz-ères. que. enquanto Raimundo VII rogou a sucessivos papas que permitissem que ele fosse enterrado . Inocêncio morreu em 1126. em 1222. Isso capacitava as mulheres a tomar a Cruz mediante doações e legados. malfadado e desencorajado pela Igreja. que escolheu o título de Honório III.z" Provavelmente. Mesmo o escandaloso desvio da Quarta Cruzada para Constantinopla afigurava-se ao papa como uma desgraça com um lado positivo: todos os poderes da cristandade estavam agora unidos sob seu comando. Eles foram assumidos com igual entusiasmo por seu sucessor. Depois da morte de Simão de Montfort no cerco d e Toulouse e da retirada dos cruzados . serviam aos propósitos de Inocêncio por afastarem quaisquer rivais do comando da cruzada. os bispos católicos e os cistercienses retiraram-se da área e os templários apandonaram sua comunidade na Charnpagne.300 bispos que se reuniram em Roma para o Quarto Concílio de Latrão. Seu chamado foi repetido pelos 1. e abrangentes medidas legais e administrativas foram postas em prática a Fim de arrecadar o dinheiro para financiar o projeto. em 1215. Já um ancião na época de sua ascensão. como os contínuos conflitos entre os Capetíngios e os Plantagenetas na França e entre os Welfs e os Hohenstaufen na Alemanha. ficaram com a guarda de seu corpo. eles admitiram Raimundo VI como confrère. demonstrara a intensidade do entusiasmo popular pela busca de uma guerra santa.

a cruzada tinha agora seu próprio impulso: os cavaleiros da França e da Inglaterra podiam estar perturbardos pelas guerras de seus reis e pela repressão dos hereges. na Espanha. por volta do século XVI. . incluindo a extensão da indulgência da cruzada daqueles que lutassem àqueles que pagassem. Seu chamado foi repetido pelos 1. convocando uma nova cruzada contra os sarracenos no Oriente. embora mal concebido. malfadado e desencorajado pela Igreja. e abrangentes medidas legais e administrativas foram postas em prática a fim de arrecadar o dinheiro para financiar o projeto. Inocêncio morreu em 1126. em que sete mil jovens da França e da Renânia tinham partido para libertar o Santo Sepulcro. o papa Inocêncio 111 publicou uma bula. "ratos haviam destruído o caixão de madeira e os ossos de Raimundo haviam desaparecido". Honório não possuía as qualidades de liderança e energia OS TEMPLÁRIOS de Inocêncio. Não obstante. "Os burgueses levaram meus cavalos e eu transformei suas esposas em cruzados. pregou para suas esposas em vez de para eles.z55As mulheres também eram usadas para persuadir seus maridos a partirem cruzada: Jacques de Vitry.na capela. mas um pouco mais para o leste contingentes austríacos e húngaros reuniram-se em Spoleto para serem transportados para a Palestina pelos venezianos. um exército muçulmano tinha sido derrotado em Las Navas de Tolosa. O corpo ainda estava lá no século XIV mas. como os contínuos conflitos entre os Capetíngios e os Plantagenetas na França e entre os Welfs e os Hohenstaufen na Alemanha. serviam aos propósitos de Inocêncio por afastarem quaisquer rivais do comando da cruzada. que escolheu o título de Honório 111. e o extraordinário fenômeno da cruzada das crianças. o tesoureiro do Templo em Paris. Quia rzzaior. cujos cavalos foram requisitados por alguns genoveses para uma excursão militar. Mesmo as desvantagens. Vários fatores sugeriam que o momento era propício: Simão de Montfort estava no auge da prosperidade no Languedoc. o cardeal Savelli. Isso capacitava as mulheres a tomar a Cruz mediante doações e legados.` onze Frederico de Hohenstaufen Em 1213. Já um ancião na época de sua ascensão." -''hAs quantias arrecadadas eram confiadas ao irmão Haimard. demonstrara a intensidade do entusiasmo popular pela busca de uma guerra santa. Eles foram assumidos com igual entusiasmo por seu sucessor. Mesmo o escandaloso desvio da Quarta Cruzada para Constantinopla afigurava-se ao papa como uma desgraça com um lado positivo: todos os poderes da cristandade estavam agora unidos sob seu comando.300 bispos que se reuniram em Roma para o Quarto Concílio de Latrão. antes que seus planos tivessem sido postos em execução. em 1215.

Guilherme de Chartres. No dia ? 4 de maio."' Dentro dos. fornecendo ao ~ei João de Jerusalém os meios para dar início a uma invasão do Egito. O grão-mestre dos templários. De tcordo com o cronista Oliver de I'aderborn. a esquadra zarpou. Tendo cumprido suas promessas. irmão e sucessor de Saladino. lue comandava um significativo contingente de templários. adotando urina política cautelosa para com ai-Adil. que tinha sido mestre da Ordem do Templo na Provença e na Espanha e lutara nat batalha de Las Navas de Tolosa. Baluartes havia três salões e uma igreja dos templários com rotunda. Quarndo eles se casaram em 1210. herdeira do reino. Derby e Winchester. Erguida num promontório no litoral ao sul de Haifa para proteger a estrada. Arundel. Aí eles acamparam em 24 de agosto organizaram um bem-sucedido ataque ao forte que prote. bem como as videiras. Sucedeu-lhe um experiente templário "de carreiFREDERICO )DE HOHENSTAUFEN ra". foram feitas várias incursões em pequena escala no território muçulmano. sem resultados significativos. Em abril de 1218. Após os cruzados terem estabelecido essa cabeça-de-ponte defronte de Damieta. os condes ingleses de Chester.ia a entrada do rio. os pomares e os campos cultivados da localidade que eram vulneráveis a ataques de surpresa dos muçulmanos. o arcebispo de Paris e. Pedro de Montaigu. Quando o rei André chegou com seu contingente de húngaros em 1217. Laon e Angers. João de Brienne. os húngaros voltaram para casa através da Anatólia com uma grande quantidade de relíquias.000 combatentes. que o mundo inteiro não seria capaz de conquistá-la [a fortaleza]". vieram juntar-se a eles outros contingentes da Europa. os bispos de Paris. Durante sua estada na Terra Santa. ele tinha sessenta anos e ela dezessete. . Era um sinal do pouco prestígio do ultramar entre a nobreza européia o fato de ele ter sido o melhor noivo que se pôde encontrar para a princesa Maria. com um fosso e muralha dobrada no lado que dava para a terra. Dois anos mais tarde. entre eles os condes franceses de Nevers e de Ia Marche. em homenagem à contribuição deles. Maria faleceu após dar à luz uma filha. Isabel. conhecida como Iolanda. uma esquadra da Frísia chegou a Acre. por fim. Era do interesse de ambos a renovação da trégua em 1212. os peregrinos austríacos e húngaros tinham ajudado os templários e os cavaleiros teutônicos a construir uma nova fortaleza em Atlit. morreu de fe)re dois dias mais tarde. foi chamada Castelo Peregrino. a fortaleza estava abastecida som provisões suficientes para alimentar 4. a qual. e três dias depois os soldados desembarca-am nas margens do Nilo defronte da cidade de Damieta. entre elas a cabeça de Santo Estêvão e um dos jarros das bodas em Caná. os baluartes e as barbacãs tão fortes e acastelados. era uma fortificacâo formidável.O rei de Jerusalém era agora urm cavaleiro idoso da Champagne. O dominicano alemão Burkhard de Monte Sião ¡ulgou "as muralhas. João agora reinava como regente de sua filha.

Em 1221. apesar dos pressentimentos de João de Brienne e dos templários. Pelágio. transpusesse as linhas e pregasse para ele em seu acampamento em Fariskur. Os grão-mestres das ordens militares adotaram o ponto de vista de que Jerusalém não poderia ser mantida a menos que a Transjordânia também fosse cedida. o duque Luís da Baviera chegou com 500 cavaleiros. Suas objeções foram repudiadas. e o exército cruzado marchou ao longo da margem do Nilo em direção a Mansurá. estava disposto a sacrificar Jerusalém se os cruzados suspendessem o cerco de Damieta. com as enfermidades cobrando seu tributo aos cruzados. todavia. Como o grão-mestre do Templo escreveu mais tarde ao preceptor da Ordem na Inglaterra. estava agora no comando. que adotaram o ponto de vista de que os recursos dos cruzados estavam no limite máximo e a conquista do Egito além deles.Assis. Seus termos foram portanto rejeitados. como legado pontifício. Enquanto eles se estabeleciam fora dos limites da cidade. que estava visitando os cruzados. ao passo que o rei João. com o apoio dos barões da Palestina e da Europa. se os egípcios não tivessem aberto as comportas e inundado o terreno que eles teriGm de cobrir. o sultão al-Kamil. Essa oferta provocou um racha entre os cruzados: Pelágio e o patriarca de Jerusalém eram contra qualquer pacto com o infiel. mas presunçoso. os cristãos agora aguardavam a chegada de um exército liderado pelo imperador alemão Frederico II de Hohenstaufen. supostamente a vanguarda do exército de Frederico. e em 5 de novembro os cruzados organizaram um bem-sucedido assalto a Damieta: sua guarnição e seus cidadãos estavam debilitados demais para resistir a eles. mas nenhum deles foi persuadido a aceitar as crenças do outro. Estabelecidos em Damieta. Embora não disposto a tornar-se cristão. contingentes do exército de alKamil moveram-se atrás deles e navios egípcios zarparam do lago de 213 OS TEMPLÁRIOS Manzalá para interceptar a retirada dos cristãos. aonde chegou uma semana mais tarde. Isso foi inaceitável para alKamil. permitiu que Francisco de . Dando-se conta de que não estavam para chegar mais reforços. Os dois homens trocaram muitas cortesias. O cerco de Damieta continuou até o verão de 1219. como prova de suas intenções pacíficas. o cardeal espanhol Pelág:io de Santa Lúcia. Pelágio ordenou um avanço no Egito. Ele era determinado e enérgico. al-Kamil.uma força de italianos liderada pelo legado do papa Honório. antes de continuarem Nilo acima. irmão de Saladino. Os cruzados poderiam ter rompido esse cerco lutando.211 . indelicado e autocrático. queria aceitá-lo. eles foram "pegos como um peixe numa rede 11. tentou reconciliar-se com eles e. Incapaz de desalojá-los.

o guardião nomeado por Gonstança. caprichoso. Salimbene o descreve. Em 7 de setembro de 1228. mas também por ser rei. Ele agora tinha trinta e seis anos e já firmara a extraordinária reputação que lhe daria o título de stupor mundi et immutator mirabilis. Pelágio não teve alternativa senão pedir paz. tomada por seu irmão Saladino em Hattin. falecera quando ele tinha três anos de idade. "Ele era um homem sagaz". gregas e muçulmanas que formavam a cultura da corte siciliana. mas sua reivindicação ao título de rei de Jerusalém era remota demais para inspirar a lealdade dos barões da Europa ou mesmo do ultramar. quando desejava revelar suas qualidades boas e corteses. quando seus cálculos estratégicos foram distorcidos pelo fervor religioso. o imperador Henrique VI. A falta de afeto dos pais. e não há dúvida de que sua natureza abrasiva fez dele um comandante insatisfatório. encantador e trabalhador. consolador. levara-o para Palermo. grego. junto com a mistura de influências normandas. onde morreu apenas um ano mais tarde. Frederico . escreveu Salimbene. quando ele solicitou que ela fosse entregue. Mas às vezes. Contudo. mas os cabelos ruivos que rareavam. cúpido. latim. como "um homem bonito. Sua mãe.Literalmente atolado nos pântanos do delta do Nilo. ao passo que muitos consideravam que o status clerical de Pelágio o tornava incapaz para comandar. essa relíquia cristã mais preciosa de todas não pôde ser encontrada. "119 Ele sabia cantar e compor música. de boa compleição e estatura mediana". Damieta foi abandonada e o exército latino navegou para Acre sem nada ter conquistado. gerou um caráter idiossincrásico num espírito excepcionalmente cultivado. Frederico foi criado por tutores selecionados pelo papa Inocêncio III. e falava alemão. A responsabilidade pelo fracasso da Quinta Cruzada é invariavelmente atribuída ao indelicado e voluntarioso cardeal Pelágio. italiano. Seu pai. herdeira do reino normando da Sicília. um contemporâneo seu. francês e árabe. esFREDERICO DE HOHEN:STAUFEN pirituoso. mas. a imperatriz Constança. o imperador Frederico II de Hohenstaufen. herdados de seu avô. seus legados e todos os príncipes feudais esperaram durante a campanha foi o neto de Frederico BarbaRoxa. de mau gênio. Frederico II de Hohenstaufen desembarcou em Acre para assumir a liderança da cruzada. quinze anos depois de ter tomado a Cruz pela primeira vez. O único líder inconteste que os papas. "engenhoso. os exércitos cruzados eram sempre fracos quando não tinham um líder militar inconteste. Era um excelente cavaleiro e hábil falcoeiro. Ricardo Coração de Leão havia arrostado Saladino não só pela sua coragem e carisma. A única concessão que al-Kamil estava disposto a fazer a Pelágio era a devolução da relíquia da Verdadeira Cruz. João de Brienne também era rei.

a segurança dos Estados Pontifícios. Frederico impetuosamente prometera partir em cruzada. Todavia. -orno em qualquer era. tinha sido assegurada tirando-se partido da rivalidade entre os dois reinos a fim de se manter um equilíbrio de poder. Ambas estavam mais desenvolvidas do que seus equivalentes latinos e levaram a uma tolerância para com os que as esposavam. Igualmente ameaçador era o ceticismo que se desenvolveu no espírito do jovem rei. que adotou o título de Honório III. o papa Inocêncio IIII. A dependência de seus súditos muçulmanos para com sua mercê também os tornava mais dignos de confiança aos olhos de Frederico: ele tinha uma guarda pessoal sarracena. Roma estava ameaçada de cerco.Barba-Roxa. a Inocêncio sucedeu como papa o tutor de Frederico. e do indiferentsmo . com a união dos dois Estados na pessoa de Frederico. a educação de Frederico em Palermo fizera com que ele se familiarizasse com idéias árabes e bizantinas.ze° Na sua coroação como rei da Alemanha em Frankfurt. in215 OS TEMPLÁRIOS dependentemente ce raça ou nacionalidade11. cujo aprendizado era limitado pelo currículo estabelecido pela Igreja Católica. a rivalidade intrínseca entre os líderes leigos e espirituais da cristandade era exacerbada pela fato de Frederico ser rei tanto da Alemanha quanto da Sicília. havia ima natural progressão da tolerância para o ind ferentismo. Seu camareiro era um cavaleiro do Templo. tolerância essa que contrastava acentuadamente com os sentimentos sectários de outros reis cristãos. e seus olhos ligeiramente esbugalhados faziam-no parecer não atraente a ulm observador muçulmano. permitiam que os muçulmanos praticassem sua religião nas propriedades da Ordem do Templo como um estímulo para mantêlos no país. Agora. não teria alcançado 200 dirhams". "se ele tivesse sido escravo. e por conseguinte do papado. Isso não fazia parte dos planos de seu guardião. No ano seguinte. mas é quase certo que resultou de considerações práticas e ideológicas: os templários na Espanha. que antes servira ao papa na mesma função. que julgou que. Cencio Savelli. Mas essa tolerância não era uma questão de mera prudência: para um biógrafo que o admirava. o irmão Ricardo. em 1212. "ele possuía as qualidades inerentes ao homem verdadeiramente culto de qualquer era: uma sincera e profunda apreciação das potencialidades culturais da humanidade. e nos seus primeiros anos Frederico parecia ser um submisso filho da Igreja.261 Mas igualmente. por exemplo. O tratamento indulgente que Frederico dispensava aos muçulmanos dentro de seu reino chocou alguns de seus contemporâneos católicos. Até então. Ao contrário dos monarcas do norte da Europa. e portanto foi por essa vez ignorado.

Estátua da Cate de Florença. O primeiro foi demonstrado pela maneira com que ele lidou com uma acusação feita contra judeus na Alemanha. Ele revelava um espírito científico que é mais moderno do que medieval: no prefácio de um tratado sobre falcoaria.) ninguém pode nasesr se a sua concepção não tiver sido precedida oelo coito entre um homem euma mulher"."' O católico Salimbene tambémescreveu que "ele não tinha fé em Deus" e que "se ele tivesse sido um bom católico e amado Deus e Sua Igreja. Mengele. contudo. contemporâneos de Fr. pensassem que ele fosse "com muita certeza ateu". Subiaco. (I~ider fP. apesar de sua amizade com muçulmanos.. do assassinato ritual de uma criança cristã: d exaustiva investigação que ele iniciou resultou não apenas na absolvição deles. "sem a intervenção de uma causa natural?". (Gléi~lerrfi'ldllrrlrire) .Jawzi. elas são compatíveis com a percepção de seus amigos muçulmanos. Frederico não estava em sintonia com o seu tempo. junto com Moisés. também é um dbgma da fé islâmica. em 1235-6. Ele também aboliu o julgamento por ordálio de fogo. Foi dito que Frederico zombou da Eucaristia . como também num decreto ". Papa Bonifácio V11I. Itália. Papa Inocêncio III. e sua própria alma. ele escreveu que "nosso objetivo neste livro é descrever (. Afresco do séc VIII da Igreja do Sacro Speco (Gr Sagrada). a não ser naquilo que pode ser comprovado pela natureza e pela força da razão".e da doutrina da Imaculada Conceição de Jesus: "São completamente tolos os que (creditam que Deus poderia nascer de uma Virgem (. perguntou Frederico. De arte Uenandi. noptro contexto.para um inequívoco ceticismo. arrolando-o. Em outros aspectos.. e. e de novo. atribuída a An di Cambio.n Favorem Jadaeorum".) aquelas coisas que são como sâo". como um dos "três impostores ou embusteiros do muldo"."Até quando esse embuste vai continuar?" . de Isaac Newton e . Frederico não mostrava maior respeito por Maomé do que por Cristo.derico se Por causa da odósa propaganda que passou a ser dirigida contra ele por seus inimigos. e alguns dos perguntaram se ele acreditava ot. como o cronista damasceno Sibt Ibn a1. agora no Museo dell'OI del Duomo.. a que Francisco de Assis havia se oferecido a submeter-se diante do sultão al-Adil para provar a verdade da religião cristã: como um ferro incandescente poderia ficar morno ou frio.z63 Embora essas o'')servaçôes possam ter sido exageradas por seus inimigos papistas. "não se deve acreditarem nada. Florença..do Dr. O resUtado era uma combinação do rei Salomão. é difícil distinguir fato de ficção. p)ucos entre os imleradores do mundo ter-se-iam igualado a ele". mas é significativo que mesmo seus contemporíneos muçulmanos.se se pode confiarem seus contemporâneos . não em Deus. A Imaculada Conceição de Jesus.

fairrt-Uenis. 14~ QtuwwtMu fatot><daetlattta-~u T áfttxriáttaptttCr Duti^ttt»0zc l~W r nonqucstvelei6a d O rei buís XI da França uroferindo uma sentença. Iluminura do século XII. da autoria de Dominique Louis Papety.. Gravura de Gheuauchet do século XIX.blesvo prrrtirrzlar/Rogrz`-hodlPt/ l3rirlytozzan '4nt l. de Andrea Buonaiuti.árarrll3ritloentan Art L.1 w~ 4. (f7rttlaon~ Ker. Iluminura do século XIV da C. na P I lilugre.ilmzir _y) A Igreja do Santo Sepulcro Jerusalém. (C. A capela circular ou rotunda da fortaleza dos templários de Tomar. Iluminura do século XIV da Oficina do Mestre Boucicaut. construída em 1160 pela mestre português Gualdira pais. em Portugal.v 1'Ei té11 1iOL. Santa Maria Novella. Florença.Sno Luís. (GÚStrlo de Versalhes/I.iGz nrv ) 3. (Nzid~mfvl~J~lmln9wl Pintura do século XIX de Guilherme de Glermont defendendo Acre em 1291.iGruro) Cruzados expulsando cátaros de Carcassonne.tin O projeto original para a reconstrução da Igreja do Santo Sepulcro após a captura de Jerusalém pela Primeira Cruzada. (Brìtisl~ I_ibrat..Papa Clemente V.'r8uiia (Ia França ou (le .'nâztira da FrazzÇrr ou ele ('. em Portugal. de9 C)e.1~/l3ridgerrtan .r_ Ilovic l ldrìricli l. t~_ .s rle .iGrnr~/Bridnerurrn dr-t I. A fortaleza dos templários na ilha de Almourol.1 11 . o último grão-mestre dos templários.ibrnz'v) Jactlucs de Molav.auros-C'irUZahrz/Bridgenzazz Ai-1 GiGrar11) O rei Filipe IV da França (Filipe. l rt l. o Belo) com seus quatro filhos e seu irmão Carlos de Valois. Iluminura do século XIV A queima dos templários. 1365..4guirro. avara do século XVIII ~lorjozz dos templários ~ E'aris onde o rei Luís 1 foi preso antes da sua ecução em 1793. (13iGliot Cruzados sob o rei Luís XI atacam Damieta em IZ&8. de Saint Patbus. no rio 'èjo.W. (10-itish l. . Iluminura do século XIV da (. de U 7üunfo r!e 7i~rn de.

embora neste caso. Assim que se livrou da tutela dos papas. entre eles Manfredo. O apologista do papado Nicolau de Carbio. "que nosso coração nunca cessa de arder com o desejo de restabelecer na posição de sua antiga dignidade o fundador do Império Romano e sua fundadora. Após sua coroação como imperador pelo papa Honório III em 1220. e ainda mais pernicioso de praticar". mais uma vez. Frederico aplicou suas crenças racionais e seculares ao governo de seus domínios. mais tarde rei da Sicília. exagero e invenção. Alguns estudiosos. 264 Sua moral sexual estava em desacordo com a doutrina cristã. talvez de forma um tanto ingênua. a própria Roma.a uma suprema autoridade exercida pelos imperadores romanos de antigamente. De acordo com Nicolau. escreveu ele. Frederico "disseminou seu crime. mas também rapazes. Tanto um tipo atávico dos déspotas da Antiguidade quanto um precursor dos ditadores dos tempos modernos. não seja fácil distinguir entre verdade.direito esse concedido por Deus . e não há dúvida de que Frederico levou a sério seu dever. não porque se preocupasse se Jerusalém estava ou não nas mãos de cristãos. O velho papa havia outorgado a coroa imperial a seu refratário pupilo como uma forma de comprometê-lo com a cruzada. o árabe ou o latim .FREDERICO DE HOHENSTAUFEN Encontramos o Dr. o grego. abertamente.211 . entregando-se a "um vício vergonhoso até de pensar ou mencionar. escreveu Salimbene. O que é incontestável é que Frederico manteve um harém com houris muçulmanas e cristãs e que foi pai de vários filhos ilegítimos."mas ele se esforçou em vão". Mengele nas experiências que ele supostamente iniciou a fim de testar certas hipóteses. "perito na arte da difamação ". 1. ele substituiu por advogados os servidores clericais e feudais em sua administração siciliana e fundou uma universidade em Nápoles para treinar seus funcionários nos métodos legislativos e judiciários da antiga administração romana. Crianças foram criadas em absoluto silêncio a fim de se descobrir se a língua materna da humanidade era o hebraico. Frederico evitava a virtude cristã da humildade e acabou acreditando em seu próprio direito como imperador . "pois todas as crianças morreram 11 . aquele de Sodoma. "Desde há muito tempo". condessa de Caserta. sem tentar ocultá-lo". Dois homens foram mortos e em seguida eviscerados para se estudarem os efeitos relativos do sono e dos exercícios. Um homem foi aprisionado num barril de vinho para se observar se a alma poderia ser vista deixando seu corpo quando ele morresse. e Volante. sustentaram que as duas paixões são mutuamente exclusivas. mas porque liderar uma cruzada confirmaria seu status como o soberano supremo da cristandade. Ele escreveu que Frederico prostituiu não só moças.zss acusou-o de transformar igrejas em bordéis e de usar um altar como privada.

Seu pai. Sucedeu-lhe outro membro da família Segni. Gregório IX era canonista e. Como seu tio. como legado pontifício.225 OS TEMPLÁRIOS Isso inevitavelmente fez com que ele entrasse em conflito com o papado. o papa Inocêncio III. Em março de 1227. intransigente. sua mulher. Outrora íntimo de Frederico II. sem se preocupar em esperar até que o papa suspendesse a excomunhão. Conrado. Frederico concordou. morrera de febre. Após uma relutância inicial. Hermann de Salza. se não uma maior autoridade. mas em 1221 era do interesse tanto de Frederico II quanto de Honório III que o imperador cumprisse sua promessa e partisse em cruzada. Ele em seguida seduziu a prima da rainha Iolanda e quebrou sua promessa ao pai dela de que continuaria a ser seu regente. o companheiro de Frederico. excepcionalmente enérgico e experiente em política. e portanto adiou a fruição de sua jovem noiva até a manhã depois das núpcias. O uso evidentemente . A moça. de ser rei. onde se casou com Frederico na Catedral de Brindisi em 9 de novembro de 1225. tinha vindo à Europa a fim de encontrar um marido para ela. e é provável que Frederico sofresse da mesma doença. Repetidas vezes Frederico adiou sua partida. passou uma temporada em Otranto porque estava doente. Quando se constatou que Iolanda estava grávida. depois de zarpar para a Terra Santa. que reivindicava a mesma. Frederico a enviou para seu harém em Palermo. foi a vez de o papa Honório III morrer. o que o fez ser excomungado de novo. Luís IV landgrave da Turíngia. em comparação com o indiferente Honório III. Profundamente devoto. e o casamento foi incentivado pelo grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos. João de Brienne. de dezesseis anos. mas trouxera consigo inestimável ajuda quando eles se casaram em 1209. morreu. onde ela deu à luz um menino. Em 1223. ele também era. e quando este. reivindicando seu próprio direito. determinado. Frederico era governado por previsões astrológicas. como marido de Iolanda. foi coroada rainha de Jerusalém em Acre e então trazida para a Europa. Tendo-se recuperado no ano seguinte. Gregório o excomungou por deixar de cumprir sua promessa. e alguns dias mais tarde morreu. conforme prometido em agosto de 1227. as quais prezavam sua independência. ele continuou sua viagem. Constança de Aragão. ele suspeitava de suas intenções. Apesar de sua fé na razão. De fato. amigo e paladino de Domingos de Gusmão e de Francisco de Assis. Ela era consideravelmente mais velha do que ele. tinha dado a Cruz a Frederico II na sua coroação em 1220. um momento propício para gerar um filho de acordo com as estrelas. que tomou o nome de Gregório IX. Agora que estava livre para se casar de novo. e também com as cidades da Liga Lombarda lideradas por Milão. Ugolino. a princesa Iolanda de Jerusalém foi proposta como noiva.

e desde sua partida a guerra rebe tara no sul da Itália entre forças imperiais sob o comando de Reinaldo c Spoleto e um exército pontifício liderado pelo humilhado ex-sogro de Fr derico. Em conseqüência da segunda excomunhão. e dividiram-se em duas facções: uma leal ao imper dor e a outra à Igreja. O grão-mestre dos cavaleirl teutônicos. logo se reconciliaria com a Igreja. Com efeito. um emissário do sultão do Egito. esse racha nas lealdades dos latint. sob o patriarca Gerold. o sobr nho de Saladino. as forças cristãs não eram grau des-os barões do ultramar. mas Frederico não demon trava nenhum sinal de arrependimento. apoiou seu amigo Frederico.s só t~ ria importado se ele tivesse contemplada uma guerra. Mesm antes de deixar a Sicília. Freder co. por sua vez. João de Brienne. al-Kamil . cia o que não pudesse ser tomado pela força. Fakhr ad-Din voltou mais um vez a Palermo. o ex-rei de Jerusalém.rápido da sanção máxima da Igreja era considerado necessário por um papa que acreditava que era. as circunstâncias ti nham mudado dentro do império ayyúbida. pressupôs-se que. A prinl pio. mas o Templo o Hospital recusaram-se a receber ordens do excomungado. 226 FREDERICO DE HOHENSTAUFEN sua obrigação preservar sua autoridade: Gregório IX aceitou inequivoc mente o ponto de vista de Bernardo de Clairvaux de que. De qualquer modo. agora que ele finalmente havia cumprido sua prome sã da cruzada. Por ocasião da chegada de Frederico à Palestina.este último ofereceu devolver Jerusalém ac cristãos em troca de ajuda militar contra seus inimigos mais a leste. aos olhos da Igreja. cerca de 800 cavaleiros peregrinos e 10. onde ele e Frederico tornaram-se amigos íntimos. Frederico encontrou cer grau de hostilidade entre o clero latino ao chegara Acre em 1228. Da perspectiva de Frederico. anulou os juramentos de fid lidade de seus vassalos. para lembra-lo de sua promessa de entregar Je . agora em Nablus. enviou o bispo de Palermo e Tomás de Acerra ao Cairo cor presentes valiosos e protestos de amizade.000 sc dado de infantaria -. embora o impes dor empunhasse a espada temporal. Isso tirou a autoridade do imperad para comandar a cruzada e. e al-Kamil tornara-se completa mente cônscio do dano que seria causado à sua reputação no mundo islâmic se ele devolvesse Jerusalém aos francos. Frederico enviou emissários al-Kamil. Hermann de Salza. Frederico tinha recebido em sua corte em Palerm o emir Fakhr ad-Din ibn as-Shaikh. ela só poderia ser tirada de sua bain: por ordem do papa. a fraque za das forças à sua disposição reforçava sua inclinação a obter pela diplom. Os augúrios eram bons. Em Acre o patriarca recebeu então cartas do papa Gregório IX confi mando a sentença de excomunhão.

Se eu regressar de mãos abanando. Quando o exército chegou a Arsuf.monstração de força. pessoas que eram não só de má reputação. não só porque as forças de Federico eram insuficientes e al-Kamil estava sitiando Damasco. animosidade da Ordem contra o imperador foi possivelmente exacerbad2pelo favor que ele demonstrara para com a Ordem dos Cavaleiros Teutôrcos e pela presença. para que eu possa manter minha cabeça erguida." Ao que al-kamil retrucou: "Se eu te entregar Jerusalém. "que vos comunicamos que foi dito que o sult ão. 11261 No qu. Em noembro de 1228. ai-Kamil sinpatizou com esse intelectual cético e mandou-lhe presentes para tornarsua estada na Palestinas mais agradável. dois himens essencialmente ürreligiosos disputavam uma cidade com a qual nenhim deles se importava como tal. Meios fervoroso como mluçulmano do que seu irmão. de vários cavaleiros da Apúlia quese tinham rebelado contra Frederico e em seguida procurado refúgio.Z68No fim. Frederico decidiu persuadir seu amigo al-Kamil com uma d. o senso de honra de al_Kamil . Por intermédio de Fakhr ad-Din. entre os templários. perderei muito prestígio. tohando o hábito branco do Templo.m delegar o comando a líderes que não estavam sob a excomunhão da Igeja. ao saber do prazer do imperador de viver à manera dos sarracenos. isso poderá resultar não apenas numa condenação de minhas ações pelo califa. Durante os longos meus de negociações. a ]imortalidade da alma e a lógica de Aristóteles. Frederico concordou. Ele partiu de Acre e marchou para o sul. Nem Irederico nem al-Kamil desejavam uma guerra. como'. e portanto as ordens militares aliaram-se à força principal. Saladino. "É com a maior vergonha e desgraça`. origem do universo. segundo cronistas árab_-s. Por piedade. mas tambén porque eram homens de mentalidade semelhante. Enquanto al-Kamil prevaricava. mas os templários fecharam-lhe OS TIEMPLÁRIOS os portões. "Foste tu quem instou comigo para que fizesse esta viagem". Frederico fez esporádicas e em su maior parte fracassadas tentativas de afirmar sua autoridade. enviou-lhe jovens cantoras e prestidigitadores. como também numa insu:reição religiosa que ameaçaria meu trono". dd_me Jerusalém. Faklnr ad-Din tinha sido o canal de freqüentes intercâmbios entre o imperador e lo sultão que nada tinham a ver com os assuntos imediatos. escreveu Frederico a ai-Kamil. Os cavaleiros ca Templo e do Hospital recusaram-se a colocar-se sob suas ordens. porém ambos conscientes do que ela significava em termos do prestígio deles. mas indignas até mesmo de serem mencionadas entre cristãos. foi provavelmente o ponto alto da ironia na história das cruzadas. "O papa e todos os reis do Ocidente agora sabem da minha missão. Frederico pediu ao sultão que coisultasse seus eruditos . Numa ocasião ele tentou apossar-se do Castelo Peregrino. mas seguirm um dia depois. escreveu o patriarca (Gerold ao papa Gregório IX.rusalém.a respeito de profundas questões filosóficas.

No dia 18 de fevereiro de 1229. ma. Eles tampouc queriam reconhecer uma proeza que aumentaria o poder de Frederico contribuindo para seu prestígio. Em Jerusalém. ligadas apenas por uma estreita faixa de terra. os barões nativo permaneceram a distância. Apenas o leal Hermann de Salza e seus cavaleiros teutôni cos e os bispos ingleses de Winchester e Exeter acompanhavam-no. uma faixa de terra da costa em Jafa. elogiaram o tratado. sobretudo os s cilianos e os alemães. "O que mais pecadores pode desejar".prevaleceu. quando Frederico fez uma entrada cerimonial na Cidade Santa. dos peregrinos cruzado e das duas principais ordens militares. foi um triunfo militar. em 17 de março de 1229. Fre derico tinha ido para o Oriente a um convite seu e qeveria receber algo errn troca. Quando Frederico entrou na Igreja do Santo Sepulcro. Para chegar a esse acordo histórico. da Igreja cristã . Nazaré e partes Galiléia que abrangiam os castelos de Montfort e Toron. Todos os prisioneiros teriam de ser libertados. foi FREDERICO DE HOHENSTAUFEN assinado um tratado que devolvia Jerusalém ao domínio cristão. obedientes ao interdito que fora pronunciado con tra Jerusalém pelo patriarca Gerold. não se achava sequer um bispo ou padre. eles não ousaram desafiar o interdito. No tratado. deveria pe manecer em mãos muçulmanas. Jerusalém e Belém permaneceram isoladas das cidade litorâneas. Também houve as mesmas objeções estratégicas ao acordo que unhar sido feitas quando ele foi proposto por al-Kamil ao cardeal Pelágio durant a Quinta Cruzada.uma apologia do imperador. Encolerizou em particular os templários o fato de sua sede n monte do Templo continuar a ser uma mesquita. Assim. prometendo fazer tudo o que estivesse em seu poder como "Vigário de Deus na terra" que repercutiria "para honra de Deus. perguntou o poeta e cruzado alemão Friedank. tampouco a cidade deveria ser purificad dos infiéis. na mente do patriarca. Hermann de Salza então leu um discurso em latim e alemão . Parecia reba xar o valor penitencia) do voto de partirem cruzada o fato de que ele tivess sido cumprido sem derramamento de sangue. nenhum dos governantes recebe agradecimentos: al-Kamil foi execrado por seus imãs por sua traição do Isl enquanto no lado cristão apenas os partidários de Frederico. com a Cúpula da Rocha e a mesquita al-Aqsa. monte do Templo. bem como os cavaleiros do Templo e do Hospi tal e todo o clero latino. També foram cedidas Belém. fez-se um acordo de trégua nos dez anos seguintes. com livre acesso concedido aos muçulman que quisessem ir lá para orar. não se fez nenht ma menção a Cristo ou à Igreja. "senão o sepulcro a gloriosa cruz?" A resposta. caso o imperador Frederico passasse por suas portas. Ele portanto pegou a coroa do reino de Jerusalém e a colocou na própria cabeça. que perdoava o papa por opor-se a ele.

Frederico objetou. Aí o patriarca Gerold.e do Império". que não tinha concordado com a trégua. ele disse. AI-Kamil havia ordenado aos OS TEMIPLARIOS mulás na mesquita al-Aqsa que se abs. Deixandovários cavaleiros da Ordem Teutônica para guarnecer a cidade. o imperador do Ocidente fez um passeio pela Cidade Santa. eu lhe arrancarei os olhos". estava recrutando um exército para apossar-se de Jerusalém em nome do papa e para avançar contra o sultão de Damasco. visitando santuários muçulmanos e cristãos. De madrugada. os venezianos e os genoveses estavam ressentidos da preferência que Frederico demonstrara pelos pisanos. e cercou o palácio do patriarca e a fortaleza dos templários. quando ele se dirigia de seu palácio para o porto pela Rua do Açougue. Quando um sacerdote católico tentou segui-lo na Cúpula da Rocha. dizendo: "Por Deus. senhor de Beirute.mestre do Templo. afirmando que foi precisamente para ouvir a chamada para as orações que ele tinha ido a Jerusalém.. cujas boas relações com seus opositores expunham a realidade de sua derrota. barões e peregrinos para justificar suas próprias ações e queixar-se da hostilidade do patriarca e dos templários. empregando o ofensivo termo usado pelos muçulmanos para os francos: "Deus agora vos enviou os porcos". prelados. o grão. e instruções para a reconstrução de suas torres e muralhas. mas ambos estavam bem protegidos demais para que tais planos fossem postos em prática. Notícias de contratempos na Itália tornaram imperativo seu regresso à Europa. se algum de vós ousar pôr os pés aqui de novo sem permissão. Frederico os censurou. Frederico convocou todos os cidadãos. Depois disso. Frederico marcou para 1° de maio a data de sua partida. e Frederico apelou para a coerção. mas Gerold recusou-se a ouvir o imperador excomungado. e havia motins entre a populaça contra a guarnição imperial.tivessem de chamar os fiéis para as orações. Nomeando baillis para representarem seus interesses. Quando lhe disseram que a treliça de madeira à entrada da Cúpula visava ai evitar a entrada de pássaros. Frederico não se demorou em Jerusalém. Ele ordenou a suas tropas que fechassem as portas da cidade a seus inimigos. ele retornou a Acre. e João de Ibelin. Para afirmar sua autoridade. Frederico o pôs para fora. O Reino de Acre . A nobreza nativa estava furiosa por não ter sido consultada acerca do acordo. A assembléia não foi persuadida. seus aliados na Itália. Ele tinha planos de seqüestrar Pedro de Montaigu. A própria Acre estava em desordem. incluindo os templários. e destruindo todas as armas que poderiam ter caído nas mãos de seus inimigos. os zombeteiros cidadãos de Acre cobriram-lhe de detritos. junto com os templários.

mas mesmo quando atingiu a maioridade Comado não foi para o Oriente a fim de reivindicar sua coroa. também. João de Brienne foi obrigado a fugir para a Champagne. os templários tentaram expandir-se para o território de Alepo a partir de sua 231 OS TEMPLÁRIOS base em Gaston. Os templários pagaram um preço pela sua rebeldia: suas casas na Sicília foram tomadas pelas forças imperiais. Alice de Chipre foi escolhida como regente pela Alta Corte de Jerusalém. "Todas as energias intelectuais parecem ter sido concentradas no estudo do direito. nas décadas de 1220 e 1230. as ordens militares agiam com a autonomia de Estados soberanos. O exército pontíficio que sitiava Capua sob o comando dos dois veteranos. exceto Guilherme de Tiro. bateu em retirada e depois desintegrou-se quando Frederico marchou para socorrer a cidade. por exemplo. Marqab. pouco consultando seus senhores nominais na Cilício". No norte. nos montes Amanus. 273 .z'Z Na Síria e na Palestina.No seu regresso à Itália. Frederico obteve maior êxito ao frustrar os planos do papa do que tivera ao vencer a oposição dos aliados deste no ultramar. O rei titular de Jerusalém era Comado. João de Brienne e o cardeal Pelágio. nem eruditos ou homens de letras. Não havia universidades no ultramar. e cem escravos muçulmanos que pertenciam aos templários e aos hospitalários foram devolvidos aos sarracenos sem que nenhuma indenização fosse paga às ordens.2'° uma administração imperial sob o marechal Ricardo Filangieri. o conhecimento do direito e do processo consuetudinários e o domínio das complexidades do direito constitucional eram tão cultivados e nutridos como no reino latino". foi vendida à Ordem do Hospital porque seu senhor já não podia administrá-la. sua terra natal. Em nenhuma aristocracia cristã da época. não tinha condições de guarnecer seus castelos e portanto os transferira para as ordens militares -em 1186. que estava constantemente em guerra com os barões nativos sob João de Ibelin tanto na Palestina quanto em Chipre. o que fez os barões declararem-na confiscada por negligência e expulsarem Filangieri de Tiro. cujos feudos estavam agora restritos aos enclaves nas proximidades das cidades litorâneas. uma das maiores e mais fortes praças fortificadas da Síria. 11271 Nesse estado de pedante anarquia. mas uma Jerusalém tão estrategicamente vulnerável que "permaneceu uma cidade aberta"."' O legado de Frederico à Terra Santa era uma Jerusalém livre. filho da rainha Iolanda com Frederico II. no qual os templários agiam com autonomia. a riqueza e o poder dos templários aumentaram porque a nobreza do ultramar. mas o reino era na verdade governado por uma oligarquia da nobreza franca que "desenvolveu um interesse entusiástico e até fanático pelo direito e pela legitimidade. tornando-o "um território semi-independente.

Alguns membros da nobreza nativa prosperaram. No início do século XIII.É consumido na Europa era exportada de Acre junto com uma multiplicidade 5~` de produtos exóticos que não só abasteciam. Armênia. mas os recursos que propiciavam esse luxo originavam-se agora r. os 250. Havia uma ampla opção de igrejas cristãs . cristãos continuamente recusavam o batismo de seus escravos muçulmanos. A conversão individual de muçulmanos livres também ocorria. cujo luxuoso palácio em Beirute maravilhou um emissário da corte imperial alemã. A produtos têxteis e peles. Acre havia se transformado num centro comercial em igualdade de condi. notavelmente os Ibe.000 libras de prata e superior à do ~.~. menos da terra do que dos lucros que poderiam ser auferidos do comércio. e o interior muçulmano.000 habitantes do ultramar proporcionavam um mercado para exportações européias. mas também não havia integração das diferentes comunidades cristãs. embora estes o solicitassem com seriedade e em lágrimas". corantes e especiarias. rutenos e valáquios importados por mercadores das repúblicas italianas. Estes eram vendidos como muçulmanos. Jacobita e Nestoriana -. O tratamento que os latinos dispensavam aos cristãos nativos era um pouco melhor do que aquele dispensado por eles aos muçulmanos. Grande parte do açúcar .' mas as tentativas ocasionais em Roma e Constantinopla para uni-las só foram bem-sucedidas com os maronitas no Líbano.a grão-mestres das ordens militares. Mercadores de Damasco para aí afluíam a fim de comerciarem com açúcar.'' ções com Constantinopla e Alexandria: a renda anual dos reis de Jerusalém proveniente de Acre era estimada em 50. búlgaros. aos judeus e aos samaritanos.' lins. já que por lei nenhum cristão poderia se escravizado. quer prisioneiros muçulmanos.z'6 . Fossem quais fossem ~'' intenções dos papas.Católica. tais como capas e boinas da Champagne. 275 e em 1237 o papa Gregório IX queixou-se do mesmo abuso aos bispos da Síria e aos. Não só as igrejas não quiseram unir-se. mas os mercadores de escravos desconsideravam esse estatuto e os donos proibiam a conversão de seus escravos. Maronita. levando à assimilação à população síria cristã.á rei da Inglaterra na época. . Ortodoxa Grega. '."' Por sua vez.. um bispo latino queixou-se de que "osf .. para ferro. mas criavam um mercado para artigos de luxo no Ocidente. Também havia um ativo mercado de escravos. o clero latino estava apenas interessado numa unis O REINO DE ACRE com outras igrejas que assegurasse sua preeminência. quer gregos. madeira.

considerava como mártires aqueles que morreram combatendo o infiel. ao passo que os mercadores italianos 233 OS TEMPLÁRIOS . Com certeza. luxuosa e imoral. por volta de 1255. Digno de nota é o fato de o bispo espanhol Diego de Osma e seu companheiro Domingos de Gusmão terem pedido ao papa Inocêncio III que os deixasse pregar o Evangelho não aos sarracenos.Dado o grande esforço missionário da Igreja Católica nos séculos IX e X. parece enigmático que os vitoriosos cruzados quase não se tenham empenhado em . Contudo. o único bispo latino que fez uma tentativa de converter os muçulmanos na Terra Santa foi o prelado francês Jacques de Vltry. sua conduta pacífica granjeando-lhes o privilégio de agir como os guardiães dos Lugares Santos. ---erter os muçulmanos sob seu domínio.. aceitava o direito dos cristãos à Terra Santa e achava que se poderia deduzir do Evangelho que a cruzada era um ato legítimo de retribuição pela violenta conquista de território cristão pelos sarracenos e por suas blasfêmias contra Cristo. Humberto de Romans.. Embora o papa Urbano II sem dúvida quisesse ajudar o imperador bizantino. a conversão nunca foi um objetivo das cruzadas em si. levando uma vida indolente. Todavia. o mestre-geral dos dominicanos. suas intenções primárias eram. o que não é de surpreender. O clero local era ganancioso e corrupto. quando estes voltaram ao controle muçulmano. ele não a via como uma âernativa para antpiiaro domínio . mas aos pagãos da região do Vístula.ele ulgo'a que poderia respeitar eram as ordens militares. ao cruzar as linhas entre as forças cristãs e muçulmanas no cerco de Damieta para pregar ao sultão al-Kamil no Cairo. solicitou aos frades que estudassem árabe e se empenhassem na conversão dos sarracenos. Ele admirava os heróis de Roncesvalles conforme descritos na Canção de Rolando. a reconquista cristã dos Lugares Santos e a salvação da alma do cruzado. As únicas instiuições que. deu um exemplo que seus frades mendicantes seguiriam. na Espanha. que foi nomeado bispo de Acre. Francisco de Assis não desaprovava a participação em cruzadas. como as de Bernardo de Clairvaux. e. Foi somente no começo do século XIII que encontramos a gênese de um esforço missionário. Conquanto Jacques de Vrtry fosse extraordinário na pregção da fé cartóica ~os muçulmanos no ultramar.sraam sempre às turras uns com os outros. Ele tinha pouco apreço por seus correligionários na Terra Santa e escreveu ao papa que os cristãos nativos tinham tanta aversão aos latinos que preferiam ser governados pelos muçulmanos. onde o êxito da Reconquista havia colocado um grande número de muçulmanos sob controle cristão. e talvez desviar a destrutiva agressão dos guerreiros francos para uma causa nobre.'" Praticamente. Francisco de Assis. e que os latinos haviam se tornado nativos.

O principal consolo humano dos cavaleiras era provaivelrnerrea companhia dos outros cavaleiros que tinham origen semelhantee. mas de esterco de cavalo. a menos que fosserrn os bos~italários. couro e seor. e em 1260. apesar da rivalidade entre as duas ordens.. Num de seus sermões pregados aos cavaleios do Templlo e q. Jacques de Vitry lhes díz que não cêem ouvidos a taisugumentos de "falsos cristãos. a canrradagem dos cavaleiros e sargentos da Ordem do Templo tambéml era senda para com os irmãos da Ordem do Hospital.. Cruzado entusiástico. . como vimos. teremos a impresúo de uma wida aosiera.cristão pela força. eles devirem ter-se conscientizado do grau de desgaste entre os que servirm na Palesttina e conhecido que mais cedo ou mais tarde morreriam nas nãos dos inümigosla sua fé. da acusação de que estavam desobdec. range da Abatdia de Sento Albano. e penebe-se pela regra que. era em volta do estandarte do Hospital que: um templário tinha de se reunir se perdesse de vista o estandarte militar de. Embora eles apareçam nos registros históicos sobretludo atra~ésde seu papel na guerra. companhiaa de outos religiosos. Se olharmos mais uma vez para a regra e os atos penitenciais que vieram aseredigidos em meados do século XII. Vivendo não corro odor de incenso. ou para visitar seus alojamentos. com estrita disciplina e severa punição de qualqier transgressão dos-egulamentos.acompanho1u o caidã Pelágio ao delta do Nilo. Numa época em que as orc~ns monástiicas sáoireqüentemente acusadas de falta de firmeza e corrupção. seu comand arZ te não o teria feito sem os hospitalários que se haviam juntado a eles.'8 D próprio fato de Jacques de Vitry julgar necessário tranlüilizar os templários dessa forma sugere que eles ainda sentiam que estavan seguindo um chamado religioso.um argumento proposto na Europa não apenas pelos herticos cátaros e valdnses.do à in)unç0 de Jesus a Pedro no Evangelho de Mateus para embaiinar sua espada . A amizade.em particular os templários. como também por clérigos como Walter Map. o cavaleiro ordinário parece ter conservado a severa regra estabelecida no Concílio de Troyes. Em batalha.rrivalidaJe essa que de vez em quando se manifestava em conflito aberto -. sua ordem.jeioram preservados. era altamente apreciada na Ordem Cisterciense. quando um contingente de templários recebeu de seu 234 O REINO DE ACRE superior ordens para retirar-se de Jerusalém. nenhuma acwrção desse tipo parece ter sido feita contra os cavaleiras. Os templários tinhalm de obter permissão de seus superiores para comer ou beber ri. ou através da atitude polítia assumida por seuslideres. Também defendeu as ordens militares. sarracenos e beduínos".

. era uma força multinacional cujos fundos eram providos por uma corporação multinacional que combatia os inimigos da Igreja etn várias frentes. Oestudo de um exemplo fornecido no parágrafo 573 dos atos penite. ele obteve o dinheiro vendendo terras ao Templo e ao Hospital. quando deveria ser tomar 235 OS TEMPLÁRIOS das mãos dos infiéis as terras consagradas ao sangue de Cristo". O Templo continuava a ser uma potência considerável em Portugal e na Espanha.As relações homossexuais entre os cavaleiros eram consideradas como uma grave infração ca regra."' Entre os principais vícios atribuídos aos templários estava a avareza. chamado Lucas. onde tiveram ele tirar seus hábitos e foram postos a `erro. "de que vosso principal objetivo é aumentar vossas propriedades nas terras dos fiéis. como o Hospital.. A riqueza gerada pelas propriedades dos templários onde a generosidade de doadores pios tinha sido explorada por uma administração eficiente inspirou inveja e ressentimento naqueles na Europa que ignoravam as enormes despesas que pesavam sobre a Ordem. não só na Terra Santa mas por toda a cristandade. um crime "contra a natureza e contra a lei de Nosso Senhor". Quando João de Ibelin estava desesperado para arrecadar fundos a fim de combater Frederico II. os templários usavam seus fundos não só para darem continuidade à guerra contra os sarracenos. em 1241. mas também para expandirem suas propriedades no Oriente. os templários contribuíram com apenas cerca de quatro por cento da força. na Europa Oriental. todos punidos com a expulsão da Ordem. o segundo tentou fugir. fugiu e desertou para os muçulmanos. recebendo-os em suas casas e permitindo-lhes . O Templo.. mas morreu durante a tentativa. Mesmo em Aragão se aceitava que a principal missão dos templários era na Terra Santa: recrutas para a Ordem. Um deles.:-is descreve como. Seis cavaleiros do Templo morreram lutando contra os mongóis na batalha de Legnica. o terceiro "ficou na prisão por muito tempo". ele quis evitar levá-lo perante o capítulo do Templo "porque o ato era ofensivo demais".Z$° Da mesma forma que instituições de caridade modernas criam investimentos. embora sua relativa contribuição para a Reconquista tivesse declinado: quando os cristãos atacaram Maiorca em 1229. Esse reinvestimento da renda dos templários foi alvo de críticas do papa Gregório IX: "muitas pessoas foram forçadas à conclusão". quando o caso de três irmãos no Castelo Peregrino "que cometeram um pecado imoral e se acariciaram mutuamente em seus aposentos à noite" foi levado à atenção do grão-mestre. escreveu ele ao grão-mestre. Nos atos penitenciais. cavalos e entre um terço e um décimo de sua receita eram enviados para o Oriente. Em vez disso. essa infração situa -se entre a perda da fé em Cristo e a deserção no campo de batalha."' Eles também foram acusados de ser brandos com os muçulmanos. eles foram convocados a Acre.

Aí os templários guardavam seu tesouro. e Hugo de Payns não pode ter contemplado o mestre dos seus Pobres Soldados de Jesus Cristo vivendo num palácio. existia uma torre. Ela cheira mal e é imunda. "À entrada". havia outra torre enorme com sinos e uma igreja maravilhosa e altís sima.500 besants sarracenos. a acusação não foi apoiada pelos demais membros da delegação espanhola.282 suas ruas. Os diferentes bairros da cidade eram "repúblicas em miniatura cercadas por muralhas e torres". com a exceção dos cartuxos. conforme descritas pelo escritor muçulmano lbn Jubayr.o Templo. E existiam muitas outras belas habitações no Templo. Os leões de ouro eram .214 Contudo. A Ordem também gastava prodigamente na sede da sua corporação na cidade de Acre."5 e o franciscano inglês Roger Bacon atacou não a pusilanimidade. acima do mosteiro de freiras de Santa Ana. acusou os templários de deliberadamente atrasarem a decisão a respeito de uma nova cruzada contra os mouros. todo coberto de ouro. escreveu o templário de Tiro. De cada lado da fortaleza havia uma pequena torre. construída por ordem de Saladino. Além disso.que rezassem a Alá nas comunidades dos templários. Quando o rei Jaime I de Aragão. por ironia. era de 1. era administrada por uma comuna. que me absterei de mencionar . havia uma torre na praia. todas as ordens religiosas nesse período. mas a agressividade dos templários. Era maravihoso de contemplar. Ricardo Filangieri. havia uma fortificação muito alta e forte. Do outro lado. essa acusação foi feita por Frederico II numa carta a Ricardo. foram criticadas por sua extravagância e pela traição de seus objetivos originais . e em cada uma delas um leão passante tão grande quanto um boi cevado. Era uma torre antiga. de modo geral. menos do que as ordens de monges e frades. muitas das acusações feitas contra os templários eram contraditadas por outros."' O complexo do Templo ficava nos contrafortes da cidade que davam para o mar e formava um trecho essencial às defesas da cidade. um bloco de seis metros. incluídos o material e a mão-de-obra. repudiando a administração do governador de Frederico. estando repleta de lixo e excrementos". "estão atulhadas pela multidão de homens. conde da Comualha. de cem anos. que para ele impedia a conversão de muçulmanos ao cristianismo. mas a proporção de recursos destinados pelo Templo 236 O REINO DE ACRE aos objetivos de sua fundação original teria sido comparada de forma favorável com a de outras instituições religiosas e até com algumas instituições de caridade .sem dúvida desnecessários. Além disso. Bem próximo. em 1245. com muralhas muito grossas. no Segundo Concílio de Lyon. O preço dos quatro leões. de modo que é difícil pôr o pé no chão. Essa torre ficava tão perto da praia que as ondas do mar nela batiam. a qual. em direção ao bairro pisano.

de hoje. Com certeza, os papas, embora ocasionalmente repreendessem o Templo, eram efusivos no elogio das ordens militares em suas bulas e continuavam a defendê-las pela concessão de privilégios e isenções. Também estava claro que as finanças das ordens militares foram afetadas em conseqüência de despesas que aumentavam inexoravelmente. A terra necessária para equipar e manter um cavaleiro burgúndio em 1180 atingia cerca de 750 acres; pelos meados do século XIII isso havia quintuplicado, chegando a quase 4.000 acres;"' o custo, bem como a importância militar, transformava um cavaleiro completamente armado, com seu séquito de escudeiros e sargentos, no equivalente de um tanque pesado de hoje. Apesar da evidência de que o Templo tinha com freqüência dinheiro à disposição, suas despesas administrativas eram consideráveis: nos Estados latinos do ultramar, eles guarneceram e mantinham pelo menos cinqüenta e três castelos ou estações de posta fortificadas, que abrangiam de grandes fortalezas, como o Castelo Peregrino, a pequenas torres de vigia nas rotas dos peregrinos. No apogeu da prosperidade da Ordem, existiam quase comunidades dos templários na Europa e no Oriente, e cerca de 7.000 memmil

bros. Estima-se que o número de auxiliares não-professos e dependentes tenha sido sete ou oito vezes esse número. A proporção entre pessoal de apoio e combatentes era de cerca de 3:2.28' Por volta de meados do século XII, a Ordem havia construído sua própria frota de galeras, que transportava cavalos, cereais, armas, peregrinos e pessoal militar. As companhias de transporte tradicionais sofriam com essa competição pelo lucrativo transporte de peregrinos, e em 1134 a cidade de Marselha limitou os templários a um embarque de peregrinos por ano. 288 A despeito de seu envolvimento nos aspectos financeiros, logísticos e mffi 1 i itares da guerra, os templários não parecem ter perdido de vista seu compromisso de defender a Terra Santa e reconquistar Jerusalém. Uma das primeiras traduções do latim para o vernáculo foi a do Livro dos Juízes, encomendada pelo Templo, a fim de que, nas palavras de sua introdução, eles pudessem aprender do "cavalheirismo" do período e ver "que honra é portanto servir a Deus e como Ele recompensa os seus 11.181 Uma vez que a maioria dos cavaleiros, dos escudeiros e dos sargentos eram analfabetos, tais leituras visavam não apenas à sua instrução, mas a manter seu estado de ânimo. O Livro dos Juízes foi uma boa escolha. Enquanto o Livro de Josué descreve a conquista da Terra Prometida pelos judeus numa série de eficazes campanhas

militares, "o Livro dos Juízes a vê como um fenômeno mais complexo e gradual, pontuado por êxito e fracasso parciais". Havia uma íntima e inquestionáOS TEMPLÁRIOS vel identificação dos cristãos na Palestina com os israelitas de antigamente. As narrativas do Antigo Testamento, ao contrário dos ditos de Jesus no Novvo, entendem que a pilhagem sistemática do inimigo é parte da guerra e, naturalmente, que não só é permitida, mas na verdade ordenada por Deus,ZVo Em 1239, o tratado de Frederico II com o sultão egípcio al-Kamil deveria expirar. Ciente disso, o papa Gregório IX pregou outra cruzada. Ela foi encorrajada pelos reis da França e da Inglaterra, mas nenhum deles tomou a Crwz. Em vez disso, como nos dias da Primeira Cruzada, nobres francos de mentor importância partiram para a Terra Santa, lideradospor Teobaldo, conde ode Champagne. Ele era primo dos reis da Inglaterra, da França e de Chipre:, e via a cruzada como o apogeu da bravura cavalheiresca: "é cego", disse eile, "quem nem uma vez na vida cruzou o mar para ir em auxílio de Deus".z9'1 A complexidade da situação política na Terra Santa confundia os novros cruzados, e os conselhos que eles recebiam eram contraditórios. Os ayyúlbidas estavam era guerra uns com os outros, e Ismail, o sultão de Damascco, propôs um acordo com os francos contra seu sobrinho Ayyub, filho de al-Kamil, agora sultão do Cairo. Em retribuição pela defesa da fronteira qlue dava para o deserto do Sinai, ele lhes daria as fortalezas de Beaufort e Safeed. Antes de Hattin, Safed pertencera aos templários, eeles estavam agora ansiosos da sua devolução. O acordo foi firmado, e em conseqüência as propriedades dos latinos na Palestina eram agora mais numerosas do que em qualquer época desde Hattin; mas o custo foi considerável para ambas as partes. Muitos muçulmanos zelosos entre os damascenos desertaram para os egípcios, ao passo que no lado cristão ele levou a uma animosidade total entre os templários e; os hospitalários, que até então tinham formado uma frente comum contra, os lacaios de Frederico II. Ignorando o acordo firmado com Ismail em Damasco, os hospitalários; assinaram um tratado com Ayyub no Cairo. Essa foi a confusa situação que Ricardo, conde da Cornualha, sobrinho de Ricardo Coração de Leão, irmão de rei Henrique 111 e cunhado do imperador Frederico II, encontrou ao chegar à Terra Santa. Aos 32 anos, ele já tinha firmado uma reputação de coragem e competência. Ele veio com recursos consideráveis e também com a plena autoridade do imperador, que, após a morte da infeliz rainha Iolanda de Jerusalém, desposara a princesa Isabel da Inglaterra. Ricardo encontrou o reino de Jerusalém num estado de caos, mas com tato e energia chegou a um acordo tanto com Damasco quanto com o Egito que resultou na;

libertação de todos os prisioneiros cristãos mantidos no Cairo confirmaação da posse pelos latinos das terras recentemente cedidas. 238 O REINO DE ACRE

e

na

Mas ele mal havia zarpado para a Inglaterra quando esse acordo se desfez. O grão-mestre do Templo, Armando de Périgord, ignorou o tratado com o Egito e em 1242 atacou a cidade de Hebron, que tinha permanecido nas mãos dos muçulmanos. Em seguida, após uma fraca reação dos egípcios, os templários tomaram Nablus, queimaram sua mesquita e mataram muitos de seus habitantes muçulmanos e também cristãos. Quase ao mesmo tempo, o bailli imperial, Ricardo Filangieri, tentou reimpor a autoridade de Frederico II em Acre com a ajuda dos hospitalários. O golpe fracassou, resultando num cerco de seis meses do Hospital composto pelas forças do líder dos barões latinos, Balião de Ibelin, auxiliado pelos templários. Esse conflito aberto entre as duas ordens militares escandalizou a opinião pública na Europa, e a culpa foi atribuída aos templários pelos cronistas que apoiavam o grupo imperial, como o monge da Abadia de Santo Albano, Mateus Paris. Os templários, escreveu ele, não permitiam, que se enviasse comida ao complexo do Hospital ou que os hospitalários trouxessem seus mortos para fora. Eles também expulsaram os cavaleiros teutônicos de algumas de suas propriedades: como era escandaloso que "aqueles que se tinham abarrotado de tantas rendas, a fim de serem capazes de atacar de modo eficaz os sarracenos, estivessem impiamente dirigindo a violência e o rancor contra os cristãos, na verdade contra seus próprios irmãos, atraindo assim, da forma mais grave, a ira de Deus sobre eles".z93 Não pode haver dúvida de que o Templo, sob Armando de Périgord, era um grupo antümperial que apoiava Alice, a rainha de Chipre, como regente do reino de Jerusalém e aceitou a legalidade de se excluir Comado, filho da rainha Iolanda com Frederico II, quando ele atingiu a maioridade em abril de 1243, argumentando que ele não visitara a Terra Santa para reivindicar a coroa. Nisso eles não estavam sozinhos. Os venezianos e os genoveses eram da mesma opinião, e no verão de 1243 aliaram-se aos barões do ultramar na expulsão de Filangieri e dos imperialistas de Tiro. Mas isso não foi necessariamente uma expressão de inveja ou da busca de seus próprios interesses pela Ordem. Numa carta a Roberto de Sandford escrita em 1243, Armando de Périgord explicava os fundamentos de seu plano de ação. Emissários dos templários que tinham sido enviados ao Cairo estavam sendo mantidos em virtual cativeiro. Não se podia confiar nos egípcios, que estavam apenas ganhando tempo. Em compensação, a aliança com Damasco havia assegurado não apenas a devolução de várias fortalezas e extenso território, como também a expulsão dos muçulmanos que permaneceram em Jerusalém.

Para consolidar a aliança damascena, o príncipe muçulmano de Homs, aiMansur Ibrahim, foi convidado a Acre, onde foi prodigamente recebido no Templo. As comemorações foram prematuras. Para conter as forças que se ali2i9 OS TEMPLÁRIOS nharam contra ele, o sultão egípcio Ayyub recorreu a uma tribo selvagem de nômades mercenários que haviam se estabelecido perto de Edessa, os turcos khwarezrnitas. Em junho de 1244, uma força de dez mil soldados de cava, laria khwarezmitas invadiu o território damasceno e, passando ao largo da pró. pria Damasco, dirigiu-se para a Galiléia e capturou Tiberíades. No dia 11 de junho, os khwarezmitas chegaram a Jerusalém e romperam suas frágeis dele. sãs. Por algum tempo sua guarnição resistiu, mas em 23 de agosto, num salvo-conduto assegurado pelo senhor muçulmano de Kerak, a guarnição e toda a população cristã deixaram a cidade em direção a Jafa, e então, vendo bandeiras francas nas muralhas de Jerusalém e imaginando que a cidade tinha sido socorrida, regressaram, apenas para serem massacrados pelos khwarezmitas, que estavam à sua espera. Somente trezentos deles alcançaram Jafa. Os khwarezmitas então saquearam a cidade, desenterraram os ossos de Godofredo de Bouillon e dos outros reis de Jerusalém enterrados na Igreja do Santo Sepulcro e mataram os poucos padres que ali tinham permanecido, antes de atearem fogo à igreja. Em seguida, após evacuarem a cidade vazia, cavalgaram para a costa, juntando-se ao exército egípcio do sultão Ayyub em Gaza, sob o comando de um jovem oficial muçulmano, Rukn ad-Din Baibars. Em 17 de outubro de 1244, numa planície arenosa perto da aldeia de Herbiya conhecida pelos francos como Lã Forbie, essa hoste egípcia confrontouse com os exércitos associados de Damasco e de Acre. As forças damascenas eram lideradas pelo príncipe de Homs, ai-Mansur Ibrahim, e incluía um contingente de soldados de cavalaria beduínos sob o senhor de Kerak, anNasir. O exército cristão era o mais considerável que tinha sido reunido desde Hattin. Havia seiscentos cavaleiros seculares sob Filipe de Montfort e Gualtério de 8rienne e seiscentos do Templo e do Hospital liderados por seus grão-mestres, Armando de Pé rigord e Guilherme de Châteauneuf. Também havia vários cavaleiros teutônicos e um contingente de Antioquia. Como eri7 Hattin, houve uma controvérsia entre os aliados sobre se deveriam atacar ou permanecer na defensiva: ai-Mansur Ibrahim era a favor da segunda alternativa, Gualtério de Brienne, da primeira, e foi o ponto de vista de Gualtério de Brienne que prevaleceu. O superior exército aliado avançou contra os egípcios, mas estes fizeram face a ele e a cavalaria khwarezmita atacou o seu flanco. As tropas damascenas puseram-se em fuga, e com elas seguiu an-Nasir, o senhor de Kerak. Numa questão de horas, o exército latino foi destruído. Pelo menos 5.000 foram mortos e 800 prisioneiros foram levados para o Egito, entre eles o grão-mestre do Templo, Armando

de Périgord. A perda total do Templo foi de 260 a 300 cavaleiros. Dos cavaleiros das ordens militares, apenas trinta e três templários, vinte e seis hospitalários e três cavaleiros teutônicos sobreviveram. 240 Luís da França Quem agora poderia salvar a Terra Santa? Na Europa Ocidental, a acerba rivalidade entre o papado e o imperador Frederico excluía o líder leigo da cristandade de reassumir o papel. Em todo o caso, Frederico sentia que seus inimigos na Palestina, em particular os templários, tinham provocado sua própria destruição ao quebrarem essa cuidadosamente elaborada trégua com os ayyúbidas do Egito. Apenas um monarca europeu estava em condições de liderar uma nova cruzada, e este era o rei Luís IX da França. Felizmente, ou por coincidência, no mesmo ano da catastrófica derrota em Lã Forbie, Luís, tendo adoecido com febre, provavelmente malária, sentiu-se bastante perto da morte e do julgamento para se decidir, caso se recuperasse, a tomar a Cruz. Filho de uma mãe extraordinária, Branca de Castela, e casado com Margarida da Provença, ambas de famílias com uma longa tradição de serviço na guerra contra o Islã, Luís herdara o trono da França na infância e o conservou graças à enérgica regência de sua mãe. Aos quinze anos de idade, Luís comandara uma campanha armada contra o rei da Inglaterra, Henrique III. Bonito, bem-humorado, expansivo, ocasionalmente genioso, Luís, em comparação com Frederico II, era também profundamente pio e impérturbado por dúvidas acerca da fé católica. No começo de seu reinado, sob o Tratado de Paris, ele firmou o domínio francês sobre o Languedoc e afinal pôs termo à heresia cátara. Ele não tinha escrúpulos em usar a força para defender a religião cristã. A seu amigo João de Joinville ele disse que um cavaleiro, "sempre que fica sabendo que a religião cristã é difamada, não deveria tentar defender seus dogmas, a não ser com a espada, e que deveria enfiá-la na barriga do patife até onde ela pudesse penetrar ".z94Ainda que as palavras de Luís talvez não tenham sido tão brutais como Joinville as recordou na velhice, elas estão em marcante contraste com os pontos de vista céticos do imperador Frederico II. Ao contrário de Frederico, Luís tinha uma única mulher, com quem era feliz. Seu afeto por Margarida da Provença provocou o ciúme da mãe dele: 241 OS TEMPLÁRIOS quando recém-casados, eeles tinham aposentos separados e só ousavam i contrar-se nas escadas, ro'egressando a seus quartos ao serem alertados I seus criados da aproximOção da rainha-mãe. Durante a cruzada, Joinville provou Luís por esperar qque a missa terminasse antes de se erguer para sau-

Jar Margarida, que acabalira de chegar como filho recém-nascido-ruas isso tos provavelmente um sirinal de sua religiosidade, e não de indiferença p com a esposa. Não existem indícios de desavença: Margarida deu à luz onze filhos do rei. Luís IX tinha paixão por relíquias. Ele comprou a Balduíno, o imperador latino de Bizãncio, a Core.'oa de Espinhos e a carregou descalço pelas ruas de Paris até a requintada calpela que construiu para abrigá-la, Sainte-Chapelle, na ile de Ia Cité. Ele tamlbém dotou várias instituições religiosas, entre elas a Abadia de Royaumont, mas não se deixou intimidar pelos bispos franceses para intervir no conflito centre o imperador e o papa. O zelo de Luís pela justiça e sua escrupulosa ateenção às necessidades dos pobres firmaram sua reputação de santidade e ctonferiram-lhe prestígio inigualável, mas foi a toma= da da Cruz que marcou o seu reinado, pois "empreender uma cruzada continuava a ser amais elevada expressão das idéias cavalheirescas da aristocracia no Ocidente". 295 Assim que o juramer!lto foi feito, Luís preparou-se para a cruzada com a mesma eficiência que demonstrara ao reprimir seus vassalos revoltosos e ao reorganizara administracção da França. Seu primeiro objetivo foi angariar o dinheiro para custear suar expedição ao além-mar. Ele o fez com um imposto de um vigésimo sobre os recursos da Igreja e subvenções das cidades. Como o porto de Marselha na (ocasião ficou sob a supremacia do imperador, Luís construiu uma nova saída para o Mediterrâneo em seu próprio território, o porto de Aigues Mortes. Foi daí que ele embarcou para a Terra Santa em 25 de agosto de 1248. Seus irmãos e muitos de seus vassalos seguiram-no com relutância, bem como su;a esposa, a rainha Margarida, e seus filhos. A França foi deixada ao encargo d mãe dele, Branca de Castela. A Luís juntaram-se- cruzados de fora da França, tais como João de Joinville, o senescal da C:hampagne. O ponto de reunião do exército cruzado foi Chipre, onde, em conseqüência de cuidadoso planejamento, haviam reunido suprimentos para o ,exército de Luís, de cerca de 25.000 homens, entre eles 5.000 besteiros e 2. 600 cavaleiros. O rei Luís aí permaneceu durante o inverno. Em janeiro de 1249, ele enviou dois pregadores dominicanos como emissários ao cã mongol> na expectativa de que seu ascendente poder na Ásia, que diziam ser favorável ao cristianismo, pudesse juntar forças contra o Islã. 242 IÍS DA FRANiA

tanto abaixo cot. A algazarra que esse exército fazia com seus timbales ee suas trompas sarracenas era atemorizante de ouvir. que. conde de Postou. ele :=oi persuadido por seu irmão Roberto. assim que a oriflamme foi fincada na praia.. Guilherme de Sonnac. escolhido após a morte de Armarld o de Périgord numa prisão egípcia. amigo do mperador Frederico. estabeleceu Damieta como sua capital temporária no ultramar. ao longo da margem oriental do Nilo.).Aceitando o mesmo ponto cde vista esaatégico do cardeal Pelágio. 14 pois as arn--x." As forças latinas eram ì2yualmente ostentosas: a galera do conde de Jafa "era coberta. Em vez diss. mas. . de que era somente pela subjugaçã~jo do Egito cue a Terra Santa poderia ser garantida. com brasões que ostentavam suas armas (. "Era uri-r1a visão que encantava os olhos". comandado por Fakhr ad-Di nl. estava esperando em terra firme. pela qual o roei Luís deu graças a Deus. em direção a Mansurá.mo acima da água. ordenou c desembarque e. incapazes de resistir ao irrip)acto do assalto dos francos. e quando O sol batia nelas. queimando o bazar..~as o'nvl do sultãoeram todas de ouro.o. e não dissuadido pelo fraQCasso da crtzada anterior. ao lado de cada remador estava um pequeno escudo com as armas do conde nele. elas resplandeci . Luís e seu exército zarparam no fim de maio Pai rxa o delta do Nilo.ym esplendidamente. Em 20 de novembro Luís serntiu-se disposto a mover-se mais para o interior do Egito. Na vanguarda do seu exército escavam os cavaleiros da Ordem do Templo sob seu grão-mestre. a esquadra latina ancoroL 1 diante de :)amieta.la presa ume flâmula com as mesmas armas trabalhadas em ouro 11. Rejeitando os conselhos dos barões do ultramar para mover-se contra o porto de Alexandria. ele não perseguiu os egípcios rio acima.296 Embora aconselhado a espe rw parte de sua esquadra que se havia dispersado numa tempestade. a marcl-ler para o sul. e a cada escudo estaN. Ele tinhas pelo mencs trezentos remadores em sua galera. lembrando-se do destino da Quinta Cruzada sob o cardeal Pelágio. recordou j1 ille na velhice. essa força. Lu is. O exército muçulmano. mandaryo buscar a rainha Margarida em Acre e aguardando reforços da França liderados por seu irmão Afonso. conde de Artois. Guiada a uma passagenn do rio por um beduíno apóstata. li deerou seus valeiros contra os sarracenos. sem esperar pelo resto do exercito conforme as instruções do rei Luís. Foi uma vitória fácil e rápida. Atrás deles vinham o conde de Artois e um contingente inglês sob o conde de Salisbury. retiraram-se para Damieta e então abandonarmm a cidade. e que as águas do Nilo baixassem. Na madrugada de 5 de junho.

como o cavaleiro que segurava a rédea do conde era surdo. que atacassem os cruzados. Oferecendo pouca resistência inicial aos cavaleiros latinos. tentou detê-lo. Roberto de Artois ouviu o grão-mestre muito bem. Rukn ad-Din Baibars Bundukdari. De acordo com o cronista Mateus de Paris. já ferido.JÁ 2 OS TEMPLÁRIOS Roberto de Artois preparou-se então para perseguir até Mansurá os sarracenos que bateram em retirada. João de Joinville. ainda com o principal destacamento do exército na margem sul do rio. O grão-mestre do Templo. ele foi uma antecipação do que estava por vir. Fakhr ad-Din. estava tomando banho. cravou as esporas nos flancos de seu cavalo e galopou à frente de seus cavaleiros franceses. travou batalha com as forças muçulmanas. que aguardavam nas ruas transversais. Guilherme de Sonnac. ad-Din cavalgou para o campo de batalha e foi morto pelos cavaleiros da Ordem do Templo. e pegos de surpresa por vigas atiradas dos telhados. ele esperou até que eles tivessem penetrado na cidade e alcançado os portões da cidadela antes de ordenar a seus homens.atacou o acampamento sarraceno. escreveu mais tarde que Guilherme de Sonnac insistiu para que o conde de Artois aguardasse os templários para liderar o ataque. Sentindo que não tinham escolha. Aí nem tudo era tão caótico quanto parecia. entre eles o conde de Salisbury e o conde de Artois. repetindo a calúnia de Frederico II de que os templários não tinham interesse numa vitória total porque a Ordem lucrava com a guerra contínua. . os cavaleiros foram massacrados. Joinville. mas. Trezentos cavaleiros morreram. ele não conseguiu passar a mensagem adiante. Incapazes de executar manobras nas ruas estreitas. Quando o conde de Salisbury sugeriu que talvez o grão-mestre dos templários tivesse a vantagem da experiência de combater os sarracenos. que se tinha retirado da peleja depois de perder um olho. havia assumido o comando. Os cronistas divergem quanto ao que aconteceu em seguida. um deles o grão-mestre Guilherme de Sonnac. o oficial comandante da guarda mameluca de elite. os templários e os cavaleiros ingleses seguiram o conde de Artois até a cidade de Mansurá na perseguição dos sarracenos que bateram em retirada. Roberto de Artois disse que ele também era covarde. Conquanto esse revés tivesse sido causado pela vanglória e impetuosidade de Roberto de Artois. Os templários perderam 280. Embora Fakhr ad-Din estivesse agora morto. Sem esperar para Pôr sua armadura. mas respondeu-lhe com insultos. apenas dois regressaram com vida. viu o rei Luís numa estrada elevada à frente de seu exército. Ele já estava irritado pelo fato de o irmão do rei ter usurpado a posição dos templários na vanguarda. omde o comandante. . Assim que o exército principal cruzou o braço do Nilo.

à frente dos poucos templários que restaram.m mantidos para a obtenção de resgate.. Naquela noite. Agora estava claro que. O próprio Luís sofreL. ou a obstinação. ou meio milhão de livres tournois. a guarnição pisam e genovesa foi dissuadida de ddeserção pela rainha Margarida: a cidade foi de inestimável vantagem nas neggociações que se seguiram e. Ele ordenou uma retirada para Damieta. os muçulmanos cortaram a ligação deeste com Damieta e interromperam o suprimento de alimentos frescos. dos templários. embora os cruzados não pudessem ser vencido. Mas o caos na corte aytyyúbida tinha sido evitado pela sultana viúva.lera.a própria imagem da bravura e da honra. mas o centltro agüentou firme. os egípcios foram forçados a voltar para Mansurá. A maior esperança de Luís residia a no desfecho da' convulsão política no Cairo que se seguiu à morte do su141tão Ayyub e de seu comandante. os egípcios fizereram uma sortida a partir de Mansurá e mais uma vez foram derrotados.) grossas lágrimas commeçaram a cair de seus olhos". Transpor)rtando uma esquadra de embarcações leves no lombo de camelos até o l Nilo a jusante do exército cruzado. Joinville foi salvo da morte quando se descobriu que sua esposa cera prima do imperador Frederico. a cidade tampouco podia ser tomada. junto com um resgate de um milhão de besants. Durante oito semanas ele eesperou."z9' Após um dia de luta feroz. e nesse combate Guilherme doe Sonnac.os. perdeu seu segundo O olho e em seguida morreu. e no fim de fevereiro Turanslshah. conta-nos Joinville. recusou-se a abandonar seus homens e fugir numa gal. Na cidade de Damieta. e por fim os egípcios retiraram-se novamente para Manstsurá. tiveram de cortar a parte inferior dee suas ceroulas".eu irmão Roberto de Artois "estava agora no paraíso (. incidente Durante a A arrecadação de dinheiro para co pagamento desse resgate ensejou um que revela a escrupulosiddade. ele trazia na cabeça um elmo dourado e na mão uma espada de aço alemão. Luís foi afinal feito prisioneiro e obrigado a t render-se. A c doença disseminou-se no acampamento dos cruzados. Quando o chefe do capítulo LUÍS D DA FRANÇA dos hospitalários disse a Luís que se.. "Nunca vi cavaleiro mais distinto ou mais bonito! Sua cabeça e seus ombros pareciam elevar-se acima de toda a sua comitiva. regressou da Síria para assumir o comando. filho de Ayyub. e os menos eminentes foram mortoos. a despeito c de sua enfermidade.. Fakhr ad-Din. comprou a liberdade do rei e de seu exér. O exército de Luís foi quase destruído. Perseguido pelos egípcios. e seus criados.rcito. . NNo dia 11 de fevereiro eles atacaram de novo.u de disenteria crônica. mas. Prisioneiros de alguma posição social forar. porque ele era ""continuamente obrigado a ir à privada. acampado diante das muralhas de Mansurá.

o conde de Poitiers. ao saber da notícia . o poder tinha sido tomado pelo regimento de elite de guerreiros escravos. Joinville foi à galera dos templários. O pedido foi recusado pelo comandante do Templo. e. instando para que ele retornasse à França.298 eles haviam obtido uma influência sobre os sultões ayyúbidas que se afigurava ameaçadora quando o filho de Ayyub. mas Luís foi aceito como governante defacto. e disso dependia a libertação de seu irmão. mas não havia nada que pudesse impedir o rei de tomar seus fundos 2 força. Descritos pelo cronista árabe Ibn Wasil como "os templários do Islã". O mesmo conselho foi dado por seus irmãos e seus barões. e com a autorização do rei foi pedir o empréstimo. e então tentou obter pela diplomacia o que não conseguira obter pela força. Reinaldo de Vichiers. com o pretexto de quer havia jurado jamais não ser para os que o haviam colocadjo sob seus cuidados. os mamelucos. até que o marechal do Templo. descobriu-se que faltavam ao rei trinta mill livres. o filho de Frederico II com a rainha Iolanda. mas não foi apenas um exército francês que fora derrotado no Nilo: as forças dos cristãos no ultramar tinham sido seriamente enfraquecidas pelo desastre. Os templários não poderiam quebrar seu juramento. Capturados ainda meninos às tribos de turcos kipchak que viviam nas estepes do sul da Rússia. liberar dinheiro. Estêvão de Otricourt. ele permaneceu em Acre com sua esposa e filhos. eram vendidos pelos mercadores de escravos aos sultões ayyúbidas. João d3e Joinville sugeriu que se tornasse essa quantia emprestada dos templários. onde encontrou cartas de sua mãe. chegou ao poder. Luís estava relutante em deixar a Terra Santa numa situação tão perigosa ou em abandonar os prisioneiros francos ainda mantidos no Egito.contagem do dinheiro para pagar o depósito combinado. sem lealdades a qualquer classe ou facção. propôs uma solução. Com a libertação de seu irmão garantida. os ayyúbidas permaneceram no poder na Síria. Branca de Castela. a OS TEMPLÁRIOS Isso levou a uma acerba discussão entre Joinville e Otricourt. entre eles seus irmãos. regressou à Fança com a sua bênção. enquanto a maioria de seus vassalos franceses. portanto. em meio às negociações com o rei Luís. arrombou um cofre com um machado e tornou a Luís com o dinheiro. Portanto. O legítimo rei de Jerusalém pode ter sido Contado. Todavia. os mamelucos assassinaram Turanshah e puseram fim ao domínio dos descendentes de Saladino no Egito. que os educavam como uma força militar sem vínculos e. o rei Luís foi com seu séquito de navio para Acre. No Cairo. Turanshah. em particular porque o Templo conservava os depósitos daquele emAcre e poderia deduzir esse empréstimo forçado quando ele retornasse. e por isso. Em 2 de maio de 1250.

ele enviara o marechal da Ordem.do golpe dos mamelucos. Reinaldo fora sem dúvida o candidato predileto do rei Luís. o rei Luís teve um acesso de fúria e insistiu não só que o tratado fosse anulado. fora o marechal de Luís em Chipre. Sem consultar o rei Luís. esse gesto visava menos a firmar sua autoridade entre os latinos do que a causar nos mamelucos a impressão de que ele estava no comando. os assassinos sabiam de que nada adianta- . O rei Luís usou essa abordagem para pressionar os mamelucos a chegarem a um acordo. providenciara transporte para as tropas dele a partir de Marselha. O bode expiatório foi Hugo de Jouey. Como alternativa ao tributo. enviou emissários logo após o regresso de Luís de Damieta. ao Cairo. Sem dúvida. ou dinheiro em troca de proteção. o emir sugeriu que o rei eximisse os assassinos do tributo que eles pagavam ao Templo e ao Hospital. Assim que se tornou grão-mestre. contudo. pois fora preceptor dos templários na França enquanto Luís estava preparando sua cruzada.sentença que ele não rescindiu. tinha vLUÍS DA FRANÇA sido eleito grão-mestre em sucessão a Guilherme de Sonnac. e era padrinho do filho que a rainha Margarida tivera no Castelo Peregrino. Reinaldo de Vichiers. O ex-marechal da Ordem. Havia dois outros poderes na região com os quais estada em Acre. Hugo de Jouey. Sua política foi bem-sucedida: em março de 1252. Tendo chegado a um acordo. Como Joinville observou ao descrever essa negociação. o conde de Alençon. O primeiro foi o Velho da Montanha. todos os prisioneiros cristãos ainda mantidos pelos mamelucos foram postos em liberdade. apesar dos apelos do grão-mestre e da rainha. os templários estavam seguindo uma iniciativa diplomática própria. que eles afirmavam Luís negociou durante sua o líder dos assassinos. mas também que o grão-mestre do Templo e todos os seus cavaleiros se humilhassem perante todo o exército. ter sido pago pelo imperador Frederico. que a fim de exigir o tributo. caminhando descalços pelo acampamento e ajoelhando-se em submissão diante do rei. seu camarada de armas no Nilo. Sem que o rei soubesse. a quem Luís baniu do reino de Jerusalém . a Damasco para negociar com o sultão a respeito de uma disputada extensão de terra. enviando um emissário. neto de Saladino e sultão de Alepo. an-Nasir Yusuf. pelo rei da Hungria e pelo sultão do Cairo. ocupou Damasco e enviou imediatamente uma embaixada ao rei Luís para pedir sua ajuda. Hugo retornou com um emir damasceno para que o acordo fosse ratificado em Acre. Ao descobrir o que tinha acontecido sem o seu conhecimento. as pretensões do cargo devem ter-lhe subido ã cabeça. João de Valenciennes.

O rei Luís retribuiu.300 A derrota do exército do rei Luís no delta do Nilo viu o fim da ambição dos. OS TEMPLÁRIOS O segundo grupo de emissários veio dos mongóis. feudais do ultramar e foram portanto mantidas pelas ordens militares: os cavaleiros teutônicos ficaram com Montfort. "igualmente bom. O custo da sua construção foi orçado em 1. nós vos destruiremos (. dores chegaram a Acre com os dois firades dominicanos que Luís enviara ao cá mongol sugerindo uma aliança contra o Islã. a um custo enorme. As fortalezas do interior eram agora dispendiosas demais para serem conservadas pelos barões. 50 eram cavaleiros e 30 sargentos do Templo. inexpugnável fortaleza de Almut.. Dentro de duas semanas eles regressaram a Acre com generosos presentes. cujas guarnições foram reforçadas com contingentes permanentes de tropas francesas. dando-lhes jóias igualmente valiosas e enviando-lhes um frade que falava árabe.. 50 turcópolos e 300 besteiros. Jafa e Sídmn. aos quais outros 500 eram acrescentados em tempos de guerra. uma força que dentrqh de vinte anos derrotaria o Velho da Montanha.va matar qualquer dos grão-mestres. Yves le Breton. para pregar a fé cristã. Luís_ "arrependeu-se amargamente de algum dia ter enviado emissários ao grande rei dos tártaros11. Agora o imperativo era obter máxima vantagem explorando as rivalidades dos poderes islâmicos e melhorando as defesas dos territórios que os latinos ainda possuíam. e parte das provisões era agora importada das comunidades dos templários . Luís portanto ordenou a r'efortificação das cidades litorâneas de Acre. Destes. A resposta do cã foi a exigência de que o rei francês se tornasse soeu vassalo e enviasse "uma quantidade suficiente de dinheiro em contribuições anuais para que continuemos a ser vossos amigos. Não foi a resppsta que o rei tinha esperado. a quem o rei convidou para essa negociação. Em tempos de paz sua guarnição era de 1. e 400 escravos foram utilizados para ajudar os pedreiros qualificados.. seria posto em seu lugar 5). latinos de retomar Jerusalém atacando a fonte do poder muçulmano.700 homens. de acordo com Joinville. Se vós vos recusardes a fazêlo. os hospitalários com Belvoir e os templários com Chastel Blanc e Saphet. Doze mil mulas carregadas de cevada e grãos eram necessárias para abastecer o castelo todo ano.100. porque outro cavaleiro.. Cesaréia.000 besants sarracenos. e. e era agora o maior castelo no reino de Jerusalém.)". Os embaixa_. pertencente aos assassinos. ficaram enfurecidos com a insolência dos assassinos e enviaram os emissários de volta ao Velho da Montanha com a recomendação de que ele abordasse o rei Luís de outra forma.299 Os grão-mestres. dominando a Galiléia e a rota entre Damasco e Acre. tomando em 1256 a até então. Esta última tinha sido reconstruída na década de 1240.

os genoveses. os cristãos tinham sido poupados. o rei Luís decidiu regressar à França. Contudo. quase morrera e permanecera quatro anos na Terra Santa após seus irmãos e barões terem partido. Sua presença era urgentemente necessária em seu reino. permaneceu em Acre para representar o rei Luís. e o patriarca de Jerusalém e os barões locais disseram-lhe que ele tinha feito o que podia e que deveria agora voltar para casa. Alepo rendeu-se em janeiro de 1260 e Damasco capitulou em marçc. em conseqüência da morte do impera. Tomás Bérard fez um pacto para marnter a paz com os outros grão-mestres: Hugo de Revel. em particular as cidadea marítimas italianas No início de 1256. Reinaldo de Vchiers. do Hospital. chegou a Londres em apenas treze semanas. cristãos na Terra Sinta era precária. o legítimo rei era agora Conradino.'°' Depois de completara refortificação de Sídon. A urgência era tamanha. que o mensageiro dos templários. estimada por sua tesourari. Ele havia cumprido sua promessa da melhor maneira possível: arriscara sua vida. como escudo humano contra seus inimigos. "uma possível aniquilação em breve terse-á abatido sobre o mundo"-3o3 As intenções dos mongóis para com os cristãos ainda não eram claras: em Bagdá. A menos que fosse pr°stada ajuda. enquanto os muçulmanos tinham sido massacrados. o irmão Amadeu. incluindo mulheres. Percebendo a insensatez de dissensão interna nessa época. os mongóis capturaram Bagdá. que se tornou senescal do reino.uma disputa entre os venezianos. informando-os da devastação causada pelos mcongóis e pedindo ajuda. . onze ou doze vezes a renda anual de ser reino. No dia 24 de abril de 1254. No mesno ano morreu o grão-mestre do Templo.A aproximação dessa horda asiática causou pânico entre os latinos na Síria ena Palestina. ela era insuficiente para impor ordem às facões rivais."' Havia paz to ultramar por ocasião de sua partüda.3 milhão e livres tournois. mãos dos infiéis.na Europa. mas a situação do. e An no de Sangerhausen. Tomás Bérard escreveu aos dirigentes do Templo na Europa. Em 1258. filio de Comado. Geoffroy de Sargines. viajando de Dover a Londres num único dia Ele descreveu como os mongóis usavam prisioneiros cristãos. e não Luís IX. dos Cavaleiros Teuânicos. dor Frederico II eml 250 e de seu filho Comado em 1254. e os hospitalários. e embora houvesse uma guarnição francesa sob o comando de Godofredo. a quem su:edeu Tomás Bérard. e os genoveses pelc mosteiro de Saint-Sibas em Acre resultou em conflitos armado: os templários e os cavaleiros teutônicos apoiaram os venezianos. e ele estava deixando Jerusalém na. Luís partiu de Acre num navio dos templários. assassinaram o califa e massacraram a população. real em 1. Ele haLUÍS DA FRANÇA via gastado uma sova de dinheiro fenomenal.

Safed.000 soldados de infantaria. fez cair numa cilada e massacrou o conde Roberto de Artois e suo força de franceses. liderado por Kitbogha. com o correr do tempo. O Conselho do Reino concordou com a primeira solicitação. O exército mamelluco marchou para a Palestina e. João de Ibelin e João de Giubelet. Foi também ele quem. como comandante de Mansurá durante a cruzada do rei Luís. junto com outros oficiais mamelucos. Foi igualmente ele quem liderou a vanguarcla do exército egípcio contra os mongóis na batalha de Ain Jalut. Treinado como membro da guarda pessoal do sultão numa ilha do Nilo. As negociações subseqüentes com Baibars para a libertação dos prisioneiros cristãos forarri arruinadas pela recusa dos templários e dos hospitalários em entregar algurys de seus prisioneiros muçulmanos porque apreciavam suas habilidades.Foram portanto os mamelucos nos Egito que se prepararam para resistir a eles. ingleses e cavaleiros do Templo. O exército latino foi derrotado. Anno de Sangerhausen. de Mansurá. Em fevereiro. AI-Malik az-Zahir Rukn ad-Din Baibars era um turco kipchak da margem norte do mar Negro que tinha sido vendido como escravo pelos mongóis ao sultão ayyúbida do Cairo. A princípio. sobrinho de Saladino. entre' eles fortes contingentes de templários de Acre. reconstruindo a frota egípcia e. Foi ele ainda quenh. Geoffroy de Sargines. Furioso pelo que considerou uma manisfestação de cobiça grosseira. Beaufort e do Castelo Peregrino. Baibars foi subindo de posto até tornar-se seu com4ndante e um dos oficiais mais competentes do exército egípcio. como o fizera Saladino. enn Ain Jalut. unindo. Baibars saqueou Nazaré e atacou Acre. lideraram 900 cavaleiros. solicitando tanto livre passagem para seu exército quanto ajuda dos francos. assassinou o sultão ayyúbida Turatishah. nume luta . a Síria e o Egito sob seu domínio. IJstêvão de Sissey. ferindo o senescal. ao sul de Nazaré. 1. Baibars assassinou seu amo e apoderou-se do trono. foi um dos poucos que escaparam vivos. contra um exército saqueador formado por membros da tribo dos turcomanos. venceu o exército mongol. o heró.fortificando as cidades destruídas pelos mongóis. Foi Baib4rs quem comandou a cavalaria egípcia na batalha de Lã Forbie em 1244.500 turcópolos e 3. em 3 de setembro de 1260. r(-. mas uma aliança concreta foi vetada pelo nnestre dos cavaleiros teutônicos. marechal do reino. irritado com a recusa do sultão Kutuz de recompensá-lo com a cidade de Alepb. Ele imediatamente se revelou tão competente como governante quanto fora como soldado. expulsando os assassinos de suas fortificações e os últimos dos sucessores de Saladino de seus principados na Síria. Kitbogha OS TEMPLÁRIOS foi morto e um mês mais tarde o próprio Kutuz foi assassinado por Baibars. o marechal do Templo. os latinos no ultramar não conseguiram avaliar a importância da vitória dos mamelucos em Ain Jalut para o equilíbrio de poder na região. sob seu sultão K:utuz.

. Assim que os egípcios assumiram o controle do castelo. mas a única pele que foi salva foi a de Cazelier. mas os francos não podiam organizar nenhuma força que impedisse que as tropas dele se movessem à vontade do Egito para a Palestina. cidade tão recentemente refortificada pelo rei Luís IX. enquanto os templários foram decapitados. Sabendo que não receberiam ajuda e vendo que os soldados turcópolos estavam começando a desertar. Suas fortificacçes maciças. verificou-se que o castelo em si era inexpugnável. e as concentrações que eles pudessem reunir chegavam ao conheciLUÍS DA FRANÇA mento dos muçulmanos graças ao seu uso de pombos-correios. a cidadela. A fortaleza foi refortificada por Baibars. após os engenhos de cerco egípcios terem feito uma brecha na muralha e um terço dos 270 cavaleiros da Ordem do Hospital ter-se rendido. as mulheres e as crianças foram levadas como prisioneiras e vendidas como escravos no Cairo. o comandante dos templários enviou um sargento sírio de nascimento chamado Leon Cazelier para negociar a rendição. as cabeças dos templários decapitados foram dispostas num círculo ao redor do castelo. Em junho de 1266. foi feito um acordo com o comandante para os termos da rendição. acordo esse que assegurava a liberdade dos sobreviventes e que Baibars então infringiu. Baibars apareceu de repente com um grande exército diante de Cesaréia. proporcionando aos mamelucos controle da Galiléia e dos acessos às cidades litorâneas de Acre. Aí. de propriedade dos hospitalários. fortaleza dos templários. resistiram ao primeiro assalto. tão recentemente reconstruídas. mas o próprio tamanho do castelo siginificava que uma grande parte da guarnição era composta de cristãos sírios. Como os mongóis no norte da Síria aindai eram uma ameaça em sua retaguarda. A perda de Safed após um sítio de apenas dezesseis dias foi uma catástrofe para os francos no ultramar e uma humilhação para o Templo. Tiro e Sídon. Em 1265. O alvo seguinte de Baibars foi o Castelo Peregrino. Alguns dias depois. A cidade capitulou em 27 de fevereiro. foi a vez de Haifa. mas enquanto a cidade fora das muralhas foi tomada e queimada. que os emissários de Baibars prometeram poupar se eles se rendessem. e assim Baibars seguiu para o castelo de Assuf. onde os habitantes que não haviam fugido foram mortos. Cazelier retornou com a garantia de Baibars de salvo-conduto para Acre. aprisionando os cavaleiros que sobreviveram. Baibars não estava em condições de sitiar Acre. Para impressionar os francos com o destino que os aguardava. Baibars sitiou a grande fortaleza dos templários de Safed. uma semana mais tarde.fora das muralhas da cidade.

A guarnição de templários em Gaston (Baghras). foi Toron. depois de uma resistência simulada. As portas foram fechadas. as ordens do grão-mestre. mas a cidade foi arrasada e seus habitantes cristãos mortos. um dos irmãos. entregar uma fortaleza numa região de fronteira sem a permissão do grão-mestre era uma grave infração das regras da Ordem. Em seguida foi a vez da fortaleza de Beaufort. e os habitantes.A próxima fortaleza a cair. Jafa rendeu-se a um exército mameluco em menos de um dia. Baibars havia chegado a Antioquia. o inexpugnável castelo que guardava os portões da Síria. que havia enviado um certo irmão Pelestort para informar à guarnição de Gaston que se retirasse para La Roche Guillaume. recentemente guarnecida de templários: ela rendeu-se no dia 18 de abril. Nesse aspecto ele anteviu. a capital da Armênia Cilícia. Simão Mansel. Guis de Belin. que. No entanto. A guarnição teve permissão para retirar-se para Acre. ou massacrados ou escravizados. Em 18 de maio os mamelucos entraram através de uma brecha para tomar a cidade. continuava a ser a maior cidade cristã no ultramar. pelos mamelucos. corretamente. Com a captura de Antioquia e antes de Sis. o príncipe Boemundo. Na primavera de 1268. e dando-se conta de que àquela altura Baibars deveria ter sido informado de sua frágil situação por Guis de Belin. decaindo até que afinal foi riscada do mapa-múndi. que fora o primeiro prêmio dos cruzados latinos. Essa outrora grande metrópole do Império Romano. O comandante e os cavaleiros do Templo estavam dispostos a repudiar essa rendição não autorizada. estava em Trípoli. o comandante ordenou a evacuação de Gaston. as fortalezas dos templários nos montes Amanus ficaram expostas. os soldados de Baibars mataram todos os cristãos que capturaram. e a guarnição era comandada por seu condestável. enquanto a comunidade estava comendo. Confrontado com a probabilidade da deserção deles. que tinham frustrado por tanto tempo os soldados da Primeira Cruzada. e o comandante portanto resolveu resistir ao exército mameluco da melhor maneira possível. saiu da fortaleza com as chaves do portão e levou-as a Baibars. mas. Todavia. a despeito de seu declínio como centro comercial. Seu governante. não obstante. mas ela era pequena demais para guarnecer as longas muralhas. Os souks e as graciosas casas foram saqueados e mais tarde abandonados. ao saber que Antioquia havia se rendido após apenas alguns dias. . após dez dias de bombardeio. Marchando sem obstáculos até a costa mediterrânea. os cavaleiros de Gaston foram acusados da rendição não autorizada do castelo. dizendo que a guarnição dos templários queria render-se. OS TEMPLÁRIOS Por volta de 14 de maio. mas os sargentos da Ordem estavam menos resolutos. ao chegarem a Acre. jamais se recuperaria dessa devastação. decidiu que seria impossível resistir.

e em Paris seu corpo foi enterrado na Abadia de Saint-Denis. a pureza das intenções do rei estava agora contaminada pelas ambições de seu irmão Carlos. A cruzada de Luís desintegrou-se após sua morte. As cidades litorâneas que permaneceram nas mãos dos francos foram reforçadas por contingentes de cruzados da Europa liderados por Teobaldo Vsconti. de expulsão do Templo. que. arcediago de Liège. foi a vez de Krak dos Cavaleiros. Em março. Baibars então marchou para Montfort. conde de Anjou. o castelo dos templários de Chastel Blanc rendeu-se a conselho do grão-mestre. ao tentar recuperar seu patrimônio. o jovem neto de Frederico II. morrendo em 25 de agosto de 1270. Ferozmente defendida. Carlos. Coma no delta do Nilo vinte anos antes. Akkar. mantida pelos cavaleiros teutônicos. a magnífica fortaleza dos hospitalários. Em 1268. Luís teve algum êxito no início. Eduardo fora encorajado por seu pai . competente e enérgico. Conradino. que se havia retirado para o Egito para se preparar para uma possível invasão dos franceses. foi reduzida à perda de seus hábitos por um ano. e poderia ter sido ainda mais leve se antes de saírem eles tivessem destruído as armas e os suprimentos que tinham em Gaston . e. após um cerco de duas semanas. de Suger. Seu corpo foi levado de volta para a França pelo caminho de Lyon e da Abadia de Cluny.Em virtude das circunstâncias.304 Ao saber da rendição de Safed em 1267. Em fevereiro de 1271. acabou rendendo-se em 8 de abril. servindo como legado pontifício em Londres. pelo príncipe Eduardo da Inglaterra. Todavia. e Baibars. ainda mais significativo. sobrinho de Ricardo da Cornualha e filho e herdeiro do rei Henrique III. foi vencido na batalha de Tagliacozzo e em seguida executado. tinha tomado a Cruz na Catedral de São Paulo. Com pouco mais de trinta anos. caiu em 1° de maio. persuadiu seu irmão Luís de que ele deveria tomar Túnis como prelúdio de uma invasão do Egito. Tinha sido a última fortaleza no interior mantida pelos francos. agora o mausoléu dos reis capetíngios. e permitiu-se que sua guarnição se retirasse para Tortosa. que havia usurpado a Coroa LUÍS DA FRANÇA da Sicília aos Hohenstaufen com a bênção do papa. o rei Luís mais uma vez tomou a Cruz. que se renderam no dia 12 de junho. Outro castelo dos hospitalários. com ambições de fundar um império no Mediterrâneo oriental. mas adoeceu de novo e dessa vez não se recuperou. depois de um sítio de sete dias. a punição prescrita. com multidões aglomerando-se ao longo do trajeto para prestar as últimas homenagens ao virtuoso monarca. poderia agora continuar sua inexorável redução das fortalezas latinas no Oriente. capturando Cartago.

embarcou para a Inglaterra com a intenção de regressar com forças mais substanciais. Baibars sabia disso. ambos com permissão da Alta Corte em Acre. o . arcediago de Liège: en quanto ele estava em Acre.suficientes para alguns ataques de surpresa no território muçulmano. Em seguida. e os genoveses. Carlos de Anjou. a fim de juntar-se ao rei Luís. um alio depois. Após anos de altercação. aonde chegou em maio de 1271. para hospedar-se na casa de seu tio. A chegada de Eduardo em maio de 1271 o havia induzido a oferecer uma trégua a Boemundo de Trípoli. ao chegar foi informado de que ele estava morto. os escravos para seus regimentos de mamelucos. Eduardo ficou estarrecido com a situação que encontrou no ultramarnão só a incapacidade das forças nativas de manter as fortalezas do interior. mas que nunca se sentira capaz de cumprir. Tendo sido incapaz de persuadir os barões ingleses a unir-se a ele numa cruzada. mas inteiramente inadequados para influenciar o equilíbrio de poder básico. em território sírio. Ele descobriu que os cavaleiros de Chipre não estavam dispostos a lutar no continente. e este a aceitara com alívio. em seguida para Chipre e por fim para Acre. Ele portanto navegou para a Sicília. e que os mongóis. que ele fundara. a quem enviou uma embaixada de três ingleses. 253 OS TEMPLÁRIOS mas também o zelo com que as repúblicas marítimas italianas negociavam com o inimigo: os venezianos forneciam a Baibars o metal e a madeira de que necessitava para suas armas e engenhos de cerco. Nenhum lado considerava isso um acordo permanente: Eduardo construiu uma torre em Acre e a pôs ao encargo da valorosa Ordem de São Eduardo). pouco depois da rendição do Krak dos Cavaleiros. Agora. Teobaldo Visconti. não estavam em condiçoes de oferecer-lhe ajuda substancial. Zarpando primeiro para Túnis. dois emissários chegaram da Europa para infoi má-lo de que fora escolhido como o novo papa. mas. A Queda de Acre Outro cruzado que ascendeu durante sua ausência da Europa foi o compa ribeiro de armas de Eduardo. chegava-se a acordo semelhante com o reino de Acre: a integridade de seu território seria assegurada pelos dez anos e dez meses seguintes. com os mongóis ainda capazes de ameaçar sua retaguarda. mas ao chegar em casa constatou que seu pai havia morrido e que ele era agora rei. as próprias forças de Eduardo estavam limitadas a cerca de mil homens . ascendendo ao trono como Eduardo I. não estava em condições de mover-se para os domínios cristãos da costa.a cumprir os juramentos que Henrique freqüentemente fizera.

Gregório X fez o que pôde para reconciliar as facções em guerra na Europa. Humberto de Romans. e aí fo coroado com a tiara pontifícia em 27 de março de 1272. o papa eleito regressou primeiro a Vi terbo e depois a Roma. convidando-o a mandar delegados a Lyon com o objetivo de reunir as duas igrejas. ele convocou um concílio geral da Igreja para reunir-se em Lyon. e ele pediu que se fizessem sugestões à luz do fracasso da expedição de Luís IX a Túnis dois anos antes. para obriga-los a chegar a uma decisão.o passagium generale -. de que incompatível com a doutrina de Cristo matar 255 OS TEMPLÁRIOS em nome da Igreja: "os defensores de missões pacíficas junto aos infiéis eram bastante numerosos na época do Segundo Concílio de Lyon". a pregação de uma cruzada já não se fazia sem dificuldades. Apenas um monarca europeu. Gregório recorreu aos conselhos dos grão-mestres das ordens militares: Hugo Revel. o rei Jaime I de Aragão. e também fez uma tentativa de aproximação ao imperador grego em Constantinopla.3°' Até mesmo entre aqueles que defendiam uma nova cruzada.por exemplo. que que uma era ."' Menos de um mês após sua ascen são. foi ao concílio de Gregório X em Lyon. O item mais importante de sua agenda era uma nova cruzada. todavia permaneceu na Palestina: ele "preservou uma vívida lembrança de Jerusa lém e trabalhou pela sua reconquista. do Hospital. ex-companheiro de armas do papa. que seus dois predecessores tinham evitado. foi uma decepção particular. en seguida expostos ao tempo com a remoção do teto do palácio. o quinto mestre-geral da Ordem de Pregadores de Domingos de Gusmão. Em espírito. Adotando o título de Gregório X. conforme proposto por Gilberto de Tournai. Como requisito indispensável a uma cruzada bem-sucedida. Miguel VIII Paleólogo. porque ele teria sido capaz de oferecer aos padres do concílio o benefício de sua experiência. Na esteira de tantos reveses. e Guilherme de Beaujeu. A ausêncis de Eduardo 1 da Inglaterra. que se reuniu em 7 de maio de 1274. Sua genuína devoção à causa da Terra Santa tornou-se a base de sua política". e por fim lhe tinham sido negadas provisões até que fizessem uma escolha. havia advertido seus frades no manual De predictatione sancte crucis de eles deveriam estar prontos para responder a críticas rudes e hostis e de seus sermões seriam com freqüência recebidos "com zombaria e derrisão". Sem o rei Eduardo e o rei Filipe 111 da Rança.cardeais católicos reunidos em Viterbo tinham sido trancados no Palácio do Papas pelos prefeitos da cidade. uma força expedicionária de soldados profissionais ."' Humberto fez relação dos argumentos usados por seus opositores .o passagium particulare. mas. havia amplo consenso de que ela não deveria ser o tipo de empreendimento popular visto durante a Primeira Cruzada .

Em 1261. em segundo lugar. Em conseqüência.000 soldados de infantaria como a vanguarda de um passagiumgenerale. mas. argumentando que hordas de cruz2dos entusiásticos. sua ascensão quase com certeza aconteceu por causa de seus vínculos com a coroa francesa. pagando a uma força permanente de cavalleiros e besteiros em Acre. Seguindo esses conselhos. Para os templários. mas isso fez com que a Ordem entrasse em conflito com a nobreza nativa do reino de Acre. Não apenas os reis franceses tinham sido a mais confiável fonte européia de ajuda à Terra Santa. era uma guarnição permanente na 'ferra Santa. Sibila de Hainault. Guilherme era um templário de carreira com considerável experiência em combate na Palestina e na administração da Ordem. mas indisciplinados e transientes. no Concílio de Lyon. com o triunfo de Carlos de Anjou sobre seu rival Hohenstaufen na batalha de Tagliacozzo. Havia outra razão para que os templários apoiassem Carlos de Anjou: ele comprara os direitos ao trono de Jerusalém de uma pretendente digna de fé. periodicamente reforçada por pequenos contingentes de sold2dos profissionais. em primeiro lugar. Gênova e Pisa: seu comércio com o Egito era simplesmente "llucrativo demais para que 256 A QUEDA DE ACRE abrissem mão dele". era aparentado com a família real capetíngia. pronunciou-se contra uma proposta apresenta pelor rei Jaime 1 de Aragãc de enviar uma força de 500 cavaleiros e 2. Veneza. que apoiou a reivindicação do rei Hugo de Chipre.. seriam ineficazes. um único soberano da casa real francesa reinando sobre um reino unido da Sicília e de Jerusalém era de longe a melhor base política para a preservação da presença dos latinos na Terra Santa. ele tinha sido capturado num ataque de surpresa e em seguida resgatado. O que era necessário. e. o poder francês agora se estendia por todo o Mediterrâneo. fora preceptor dos templários no condado de Trípoli em 1271 e era preceptor do reino da Sicília ao tempo de sua eleição. Maria de Jerusalém. por mil libras de ouro e uma pensão anual de 4. um bloqueia econômico do Egito para solapar sua economia. e sem dúvida para o papa.3°8 e os venezianos até usavam Acre para seu comércio com o Egito de petrechos de guerra proibidos procedentes da Europa. Como condição prévia desse bloqueio.000 livres tournois. Guilherme de Beaujeu. Seu tio havia lutado ao lado de Luís IX no Nilo. Contudo. o Concílio de Lyon ordenou aos grão-mestres do Templo e do Hospital que construíssem uma frota de navios de guerra. os cristãos teriam de firmar um domínio naval no Mediterrâneo oriental que não dependesse das repúblicas marítimas italianas. afirmou Guilherme de Beaujeu. Quando Guilherme de Beaujeu regressou .eleito grão-mestre do Templo após a morte de Tomás de Bérard no ano anterior. e através de sua avó paterna.

Luís IX.000 franceses que viviam na cidade. disputa essa que levou a uma guerra civil em pequena escala. uma imagem _ que. já havia despertado o antagonismo dos sicilianos em geral com seu governo opressivo e do povo de Palermo em particular por transferir sua capital para Nápoles. O desembarque de um exército aragonês em Trapani alguns meses mais tarde deu início a uma guerra que acabou com qualquer esperança de ajuda aos latinos na Terra Santa. que também tinha o apoio do papa Gregório X. ele se recusou a reconhecer a autoridade do rei Hugo. mas contra os aragoneses. Como várias outras cruzadas pregadas contra os . criando "uma imagem dele como indigno de confiança e sectário. que em conseqüência voltou para Chipre profundamente ressentido e escreveu ao papa queixando-se de que as ordens militares tinham tornado a Terra Santa ingovernável. Carlos. veio a se refletir em alguns dos juízos tardios a seu respeito. Carlos de Anjou. Esse conflito cruento entre os cristãos latinos numa época em que seu reino já se encontrava numa situação perigosa escandalizou a opinião pública européia e minou a autoridade moral do grão-mestre do Templo. Guilherme de Beaujeu também envolveu o Templo numa prolongada disputa pela mão de uma herdeira entre Boemundo VII de Trípoli e seu principal vassalo. Duas tentativas do rei Hugo de recuperar seu posto com forças expedicionárias a Tiro em 1289 e a Beirute em 1284 foram frustradas. enviou a Acre um bailli para governarem seu nome. o povo de Palermo seguiu o exemplo do ataque aos soldados franceses do lado de fora da catedral com o massacre de 2.310 ' No fim de março de 1282.309 De forma mais arbitrária. acelerando assim o declínio econômico da cidade. enquanto se entoavam as vésperas. um homem arrogante e insensível que não possuía nenhuma das judiciosas quali257 OS TEMPLÁRIOS dades de seu virtuoso irmão. por seu turno. e levou a um ataque contra a guarnição francesa. e a respeito dos últimos anos dos templários na Palestina 11. que por sua vez resultaram em protestos do papa. O preço pago pela Ordem foi o seqüestro ou a destruição de suas propriedades em Chipre. Rogério de San Severino. toda a base da política de Guilherme foi solapada com a revolta dos sicilianos contra Carlos de Anjou. Esta começou com um tumulto do lado de fora da catedral em Palermo. A nobreza nativa não viu outra opção senão aceitar a autoridade de Rogério. em grande parte pelos templários. Uma cruzada foi proclamada pelo papa Martinho IV não contra os sarracenos. Incitado pelo pretendente rival ao trono siciliano. que ele exercia junto com Guilherme de Beaujeu. Pedro III de Aragão.a Acre em setembro de 1275.

000 onças de ouro. Em 13 de dezembro de 1282. . Contudo. As conseqüências para a Terra Santa foram claras na ocasião. as Vésperas Sicilianas tinham tornado insustentável a situação do novo bailli de Carlos de Anjou. filho e herdeiro do rei Hugo. autorizou o rei Filipe III da França a retirar 100. Essas comemorações continuaram por duas semanas. onde a ascensão dele foi celebrada com jogos. préstitos e torneios organizados pelos hospitalários. 258 A QUEDA DE ACRE Um fator que até então havia atuado em favor dos latinos na Palestina tinha sido o caos que se seguia à morte de um líder muçulmano . pelo menos para os propagandistas antipapais.000 livres tournoir do Tèmplo de Paris. um francês chamado Simão de Brion. e os templários transferiram seu apoio para o rei Henrique II de Chipre. o papa Martinho IV. e que montava a 15. nada restava que o impedisse de tentar alcançar a ambição de Baibars de empurrar os francos para o mar.inimigos do papado no século XIV ela depreciou todo o conceito de guerra santa. Odon Poilechien. Não se tratava apenas do fato de a Europa estar escandalizada por uma guerra contra os inimigos cristãos do papa. em que cavaleiros vestidos como mulheres encenaram justas simuladas. o mais competente comandante de Baibars..31' Na própria Terra Santa.) mas preferistes atacar um rei cristão e os sicilianos cristãos. armando reis contra um rei para reconquistar a ilha da Sicília". na Sicília. foi transmitido a Carlos de Anjou. Bartolomeu de Neocastro descreve um cavaleiro do Templo censurando o papa Nicolau IV "Vós podíeis ter ajudado a Terra Santa com o poder de reis e a força de outros crentes em Cristo (. seus ineficazes filhos foram substituídos dentro de três anos por Qalawun. quando Baibars morreu em 1277.por exemplo. na Córsega. O imposto de dez por cento sobre a Igreja que tinha sido coletado na Hungria.. Demonstrando uma rara concórdia. A jovem nobreza do ultramar interpretou cenas de cavalheirismo de Os Cavaleiros da Tdvola Redonda e de A Rain14a de Femenie. após a morte de Saladino em 1193. O principal fator que inibira o novo sultão de mover-se em grande número contra os francos fora um medo residual de Carlos de Anjou: uma vez que esse medo fora eliminado pelas Vésperas Sicilianas em 1282. dos hospitalários e dos cavaleiros teutônicos persuadiram Odon Poilechien a entregar-lhes a cidadela em Acre e então eles mesmos deram-na ao rei. na Sardenha. na Provença e em Aragão. mas também do fato de que havia um explícito desvio de recursos. para financiar a guerra entre os sicilianos e os aragoneses. os grão-mestres dos templários. depois da coroação do jovem rei em Tiro. arrecadados mediante o imposto das cruzadas. Seis semanas mais tarde. a corte regressou a Acre.

Em vez disso. ele exigiu que os canalhas lhe fossem entregues para execução. Pedro de Moncada. As autoridades em Acre recusaram-se a entregar cruzados cristãos ao infiel. Guilherme de Beaujeu propôs enviarem seu lugar todos os prisioneiros condenados mantidos nos cárceres da cidade. Guilherme de Beaujeu enviou seu próprio mensageiro ao Cairo para negociar com Qalawun. e portanto o exército de Qalawun os encontrou despreparados. mas Qalawun logo encontrou um pretexto para quebrá-la. o reino de Acre ainda estava protegido por uma trégua. Isso não satisfez Qalawun. permaneceu e foi morto junto com todos os prisioneiros do sexo masculino. reagiu ao rumor de que uma cristã havia sido seduzida por um sarraceno atacando todos os muçulmanos na cidade de Acre. as mulheres e as crianças foram levadas como escravos. Qalawun ordenou que ela fosse completamente arrasada para evitar qualquer proveito pelos francos. e que. o emir al-Fakhri enviou uma mensagem a Guilherme de Beaujeu. Em 1288. o último porto no principado de Antioquia que permanecia nas mãos dos cristãos. de qualquer modo. o distúrbio tinha sido desencadeado pelos mercadores muçulmanos. portanto. aproveitando-se de uma disputa pelo governo de Trípoli depois da morte de Boemundo IV Qalawun preparou em segredo o assalto à cidade. o emir al-Fakhri. Não se fez nenhuma tentativa de socorrê-lo. Em desespero. mas a proposta foi rejeitada. Seu plano foi revelado por um espião a serviço do Templo.Em 1287. mas vários muçulmanos foram mortos. Quando as tropas mamelucas irromperam na cidade. Depois que a cidade estava em suas mãos. o comandante dos templários. Mais uma vez. mas novamente não deram crédito ao grão-mestre do Templo. Quando Qalawun soube do massacre. eles não acreditaram nele. e Guilherme de Beaujeu escreveu para advertir os cidadãos de Trípoli. e Latáquia rendeu-se após um resistência simbólica. porém. não haviam entendido a lei. recém-chegado do norte da Itália. Um entusiástico mas indisciplinado grupo de cruzados. em virtude dos seus antecendentes de má-fé em interesse próprio. que ofereceu paz em troca de um cequim por cada habitante . Qalawun enviou um de seus emires para atacar Latáquia. Os barões latinos e as ordens militares fizeram o possível para deter esse pogrom. ele ordenou a seu exército que OS TEMPLÁRIOS se preparasse em segredç para um assalto a Acre. Nocionalmente. o rei Henrique enviou emissários a Qalawun para explicar que os lombardos eram recém-chegados e. Informado por seus conselheiros de que tinha uma causa justa para quebrar a trégua.

Os templários. os franceses. que. Em 5 de abril o próprio al-Ashraf chegou diante das muralhas de Acre e o cerco começou. Novos emissários de Acre. os Pisanos e. Colberto por uma saraivada de flechas disparadas contra os defensores. o rei Eduardo I havia enviado alguns cavaleiros sob Oto de Grandson. os ingleses. Junto a eles estavam os h(Dspitalários e. Na noite de 15 de abril. por fim. as tropas da Comuna de Acre. e o rei Henrique. guarneceram a seção mais ao norte. Embora adequadamente abastecidos de alimentos pc mar. Guilherme de Beaujeu liderou uma sort da para atacar o acampamento dos muçulmanos. irmão do rei. reforçados pelos cavaleiros teutônicos. quando deixou a sala de audiência. mas. Qalawun partiu para Acre à frente de seu exército. mas adoeceu e dentro de uma semana estava morto. e em março de 1291 os exército.de Acre. enquanto o pai agonizava. Guilherme recomendou essa c. prometeu que continuaria a guerra contra os francos. na junção com as muralhas de Acre. Em 6 de abril. após um êxito inicia os cavaleiros ficaram enredados nas . A população da cidade era estimada em aproximadamente quarenta mil. de onde os bastiões de Montmusard avançavam até o mar. protegido por uma muralha dobrada e um fosso. As ordens militares tinham convocado cavaleiros da Europa. a seguir.ferta à Alta Corte em Acre. O próprio Guilherme foi acusado de traição e xingado pela multidão. as forças cristãs combinadas consistiam em cerca de mil cavaleiros e quatorze mil soldados de infantaria. e todo homem vigoroso assumiu seu lugar nas muralhas. os cavaleiros reais comandados por Arnauri. Sucedeu-lhe seu filho al-Ashr~f. foram lançados na prisão. catapultas gigantes e manganelas. um contingente de tropas de Chipre. como o príncipe Eduardo da Inglaterra. sob Guilherme de Beaujeu. $artolomeu Pizan. os venezianos. o cerco começou com um bombardeio das catapultas e manganelas do sultão. os engenheiros mamelucos avançaram a fim de solapar as A QUEDA DE ACRE torres e as muralhas. No máximo. A cada contingente cias forças de defesa foi designada uma seção das muralhas. No dia 4 de novembro de 1290. de al-Ashraf da Síria e do Egito começaram a convergir para Acre com mais de cem engenhos de cerco. e entre Montmusard e Acre propriamente dita havia outro fosso e uma muralha que ligava torres fortificadas construídas por eminentes cruzados. entre eles os indisciplinados lombardos. os cristãos não tinham armas e soldados suficientes para guarnecer c baluartes. A cristandade tinha sido informada dos planos dos muçulmanos contra Acre pelo menos seis mesas antes. mas pouco tinha sido feito para intensificar suas forças na Terra Satita. mas ela foi desdenhosamente rejeitada. entre eles um cavaleiro do Templo. Ao norte ficava o subúrbio de Montmusard.

comandante de uma galera dos templários. que foi rechaçado pelos templários e pelos hospitalários.cordas de retenção das barracas e forar forçados a voltar para a cidade. Nicolau de Hanape. O rei Henrique e seu irmão Amauri zarparam para Chipre. e "muitas mulheres e crianças desapareceram para sempre nos haréns dos emires mamelucos". obrigando sua guarnição a incendiá-la e então reta rar-se. retornou à batalha e foi morto. Em 8 d maio. Galera: regressaram de Chipre para mantê-los abastecidos. O grão-mestr< do Hospital. Mas por fim o porto foi isolado pelas forças mamelucas que avançavam lutando pelas ruas da cidade. Os que se esconderam em suas casas até que a fúria da batalha tivesse cessado foram capturados e escravizados. enquanto descansava. devido àqueles que tentavam abandonar a cidade conde nada. assentou os alicerces de sua subseqüente carreira de pirata. a fim de comandar um con tra-ataque. toda Acre estava nas mãos dos muçulmanos. que tinha estado com Guilherme de Beaujeu. e sua força residual fo: suficiente para induzir o sultão al-Ashraf a propor os termos da rendição. a fim de nadarem até as galeras fundeadas ao largo O patriarca. sob o comando de seu marechal. O marechal dos hospitalários. Rogério de Flor. outras torres começaram a desmonc rar. Oto de Grandson e João de Grailly apoderaram-se de um navio. a primeira das torres solapadas pelos engenheiros muçulmanos estav a ponto de desmoronar. também foi ferido. Guilherme de Beaujeu ficou sabendo que os mamelucos haviam capturado a Torre Maldita. onde morreu naquela noite. Durante a semana que se seguiu. Seus confrades do Templo leva ram-no de volta para a fortaleza dos templários no extremo sudoeste d. exceto a fortaleza dos templários no extremo da cidade que dava para o mar. Pedro de Sevrey.3'z OS TEMPLÁRIOS Aoanoitecer de 18 de maio. Fugitivos desespe rados jogavam-se no mar. cidade. mulheres e crianças. Foi acertado que os templários entregariam . extorquindo grandes somas de dinheiro das ricas matronas de Acre por um lugar em seu barco. João de Villiers. Mateus de Clermont. mas foi rechaçado e ferido. En 15 de maio. Nos embarcadouros. Aí os templários restantes. deixando dezoito mortos para trás. tantos foram levados que o preço de uma garota no mercado de escravos em Damasco caiu a uma dracma. que o pequeno bote emborcou e o patriarca morreu afogado. e em 16 de maio os mamelucos fizeram um ataque arrojado à Porta d~ Santo Antônio. resistirem com civis que se haviam refugiado atrás das muralhas maciças. Sem esperar para pôr tod a sua armadura. acolheu tantos no escaler que o estava conduzindo a uma galera. mas não fatalmente. ele saiu precipitadamente. matando sem distinção homens. confusão era total. f levado por seus confrades para uma galera no porto.

os templários mataram os mamelucos e rasgaram o estandarte do sultão que haviam alçado acima da torre. o comandante dos templários. por ordem do sultão. primeiro como chefe dos turcópolos. ao passo que Acre. oculto pela escuridão. e vendo que os mamelucos tinham começado a construir uma estrada elevada. Tiro já se havia rendido aos mamelucos. Em 28 de maio. foram capturados e decapitados. Em Sídon. levando consigo o tesouro da Ordem. a tomar um navio com o tesouro da Ordem e alguns dos civis e navegar até a fortaleza dos templárïos em Sídon. com cem mamelucos que foram aceitos para supervisionar essa trégua. Teobaldo Gaudin foi eleito grão-mestre em sucessão a Guilherme de Beaujeu. Naquela noite. foi ordenado pelo marechal. com um pequeno grupo de cavaleiros do Templo deixou a fortale2a com um salvo-conduto a fim de conferenciar. Enfurecidos. Os que permaneceram atrás das muralhas do Templo fecharam os portões e aguardaram o ataque final dos muçulmanos. Haifa renA QUEDA DE ACRE deu-se em 30 de julho. Na manhã seguinte. junto com suas posses. O marechal. . ele era um soldado experiente que servira durante trinta anos na Terra Santa. Te obaldo Gaudin zarpou para Chipre em busca de reforços. parte da muralha do lado da terra foi solapada e os muçulmanos entraram pela brecha. Beirute. Aconselhado por seus confrades em Chipre a abandonar Sídon. e suas muralhas foram demolidas e sua catedral transformada em mesquita. Mas o emir. o inexpugnável Castelo Peregrino. Acre foi afinal conquistada. Os últimos defensores foram dominados e massacrados. Tudo o que restou foi a sua guarnição na ilha de Ruad. um dia depois. Tortosa foi evacuada em 3 de agosto. tinha sido sistematicamente arrasada. Teobaldo Gaudin. Pedro de Sevrey. retirou-se com a guarnição de templários para a cidadela. quando um exército mameluco apareceu diante das muralhas da cidade. a pouca distância da praia. a duas milhas da costa. Quando chegaram ao acampamento do sultão. próximo a Tortosa. apossou-se da propriedade dos civis e começou a maltratar mulheres e crianças cristãs. e o portal da Igreja de Santo André foi levado para o Cairo como uma lembrança da gloriosa vitória de al-Ashraf Airda tencionando resistir. o sultão al-Ashraf pediu que se reabrissem as negociações para a rendição dos templários. e não retornou. Pedro de Sevrey.a fortaleza em troca do livre enbarque de todos que estavam no complexo. os templários abandonaram o castelo e navegaram costa acima até Tortosa. e onze dias mais tarde os templários retiraram-se de sua maior fortaleza. depois como comandante em Acre. Ele permaneceu em Sídon por um mês após a queda de Acre e.

entre as classes inferiores. . e. e tinha se tornado possível pela solução do imbróglio siciliano pelo Tratado de Brignoles no mês anterior. A queda de Acre não foi vista naquela época como o fim da presença latina na Terra Santa. os procrastinadores líderes da cristandade. escreveu o autor de um pequeno tratado. enviara um missionário franciscano. em 29 de março de 1291. "Chorai. Em pouco tempo. A estratégia do papa era reforçar esses postos avançados cristãos e enfraquecer o Egito com um bloqueio naval antes da cruzada do rei Eduardo. filha de Sião". tendo subjugado os galeses. Além disso. príncipes. que. 24 de junho de 1293. Ela seria liderada pelo rei inglês Eduardo I. As recriminações foram menos enérgicas. a presença dos francos no continente asiático eram ruínas no meio da areia.Z~II l~z~ O Templo no Exílio Embora tivesse sido prevista. Chorai sobre vossos reis. e Chipre continuava nas mãos dos francos. que vos abandonaram. De Exidio Urbis Acconzs. foram todos responsabilizados. os muçulmanos arrasaram as cidades e devastaram a terra no litoral do Mediterrâneo. a decadência pecaminosa dos habitantes do ultramar. Havia um ponto de vista comum de que os mongóis se revelariam a salvação dos cristãos. Os lombardos que haviam dado a Qalawun um pretexto para quebrar a trégua. e a crença baseada no desejo. e não em razões lógicas.Aí os templários mantiveram uma guarnição durante os doze anos seguintes. OS TEMPLÁRIOS Chorai sobre vossos chefes. Giovanni di Monte Corvino. Chorai sobre vosso papa. Esta fora proclamada uns dois meses antes de a notícia chegar à Europa. pQRte tueS A QUEDA DOS TEMPLÁRIOS V (. sobretudo quando comparadas com as que haviam se seguido ao fracasso da Segunda Cruzada. O papa Nicolau IV o primeiro frade franciscano a ocupar a Sé de São Pedro. Nesse período. na Armênia Cilicia. sentia-se capaz de realizar sua aspiração de longa data de regressar à Terra Santa à frente de um exército: a data para sua partida foi marcada para a Festa de São João Batista. sobre vossos cardeais e prelados e sobre o clero da Igreja. à corte do Grande Kubla Khan. transformou a esperança em expectativa. ainda havia uma presença cristã no continente asiático. A conversão ao cristianismo de alguns dos delegados mongóis que participaram do Segundo Concílio de Lvon resultou na esperança de que outros pudessem seguir seu exemplo. a queda de Acre foi um choque para a cristandade latina e deu uma sensação de urgência aos planos do papa Nicolau IV de uma nova cruzada.

O papa Nicolau IV anunciou publicamente que as disputas entre o Templo e o Hospital haviam contribuído para a ruína de Acre e propôs que as duas ordens fossem portanto fundidas. freiras transformadas em concubinas. morreu em 1293. Contudo." 314 Encontrando na kasbah o conteúdo de uma igreja saqueada em Acre. que estava em Bagdá na ocasião. deixando-a só como um cordeiro no meio de lobos. Ricoldo quase entrou em desespero: Maomé tinha triunfajo na terra natal de Cristo. que tinha sido ferido e levado para a segurança de ChiprC. num tom que sugere que ele estava perfeitamente cônscio de que se julgava que deveria ter morrido no seu posto.. do papa Gnegório. o missionário Ricoldo de Monte Croce. quando Nicolau IV cruzada morreram com ele. o hospitalário prior de Saint-Gilles. Tudo a seu redor era apostasia e sujeição. ninguém teve a temeridade de fazer de Cristo o bode expiatório.. Não obsO TEMPLO NO EXÍLIO tante. e em Acre. Isso foi endossado por quase todos os concílios da Igreja depois de 1201 e associado a exigências. Trinta frades dominicanos na cidade tiniham sido massacrados pelos mamelucos após sua rendição."' A morte heróica de Guilherme de Beaujeu não expungiu por completo sua reputação como a principal fonte de desunião no reino latino. mas (. e um de seus colnfrades. "Judeus e nnongóis também zombaram dos cristãos (. padres tinham sido chacinados. longe do escárnio dos muçulmanos. para quem o fracasso de Cristo em salvar os cristãos provava que ele era um mero homem. e "se os sarracenos continuarem a fazer o que fizeram em dois anos a Trípoli e Acre. João de Villiers.r causa de dez homens justos. de que uma nova cruzada fosse custeada com os recursos financeiros das duas ordens. Muitos cristãos tiraram concluisões extremas e converteram-se ao islamismo.barões e cavaleiros cristãos. o Grande. que se chamam a si mesmos de grandes combatentes. mas houve críticas retrospectivai às repúblicas marítimas italianas e às ordens militares... em alguns anos não restarão mais cristãos no mundo inteiro"."' A falta de firmeza moral dos cristãos foi contrastada com o fervor religiosodos muçulmanos. apesar de toda a sua decadência. escreveu posteriormente a Guilherme de Villaret.) deixaram essa cidade repleta de cristãos sem defesa e abandonaram-na. Ripoldo comprou um missal e uma cópia de A Moral do Trabalho. e com o destino dos cristãos na Ásia testemunhado apenas indiretamente. como as do Concílio de Canterbury que se reuniu no Templo em Londres em fevereiro de 1292. os resolutos planos de uma nova . o mestre do Hospital. foi alvo de intenso escárnio dos muçulmanos..). tinha havido muito mais que dez.315 Na Europa. o Senhor estivera disposto a poupar Sodoma po.

a rendição de Sídon e do Castelo Peregrino sem luta. após a queda de Acre. Com alguma presciência. Latinizando seu nome para Rogério de Flor. a defesa da Terra Santa tinha sido sua raison d ëtre.A fusão proposta do Templo e do Hospital foi mal recebida pelas duas ordens militares. ele navegou para Marselha e em seguida para Gênova. Creta e algumas das ilhas jônias por Veneza. ingressou na Ordem do Templo e ascendeu ao posto de comandante da galera Falcon. nos últimos trinta anos Rodes tinha sido governada por genoveses piratas. ou entre mercenários e bucaneiros. conforme instruído pelo Segundo Concílio de Lyon. a Ordem Teutônica. que tinham sido seqüestrados por piratas de seu castelo em Chipre. caiu sobre a ilha de Rodes. e ambas sentiam que estavam sendo usadas como bodes expiatórios para o fracasso de outrem na organização de ajuda a Acre.000 moedas de prata para assegurar a libertação de Guido de Ibelin e sua família. Uma boa idéia do caos que reinava no Mediterrâneo nessa época é fornecida pela carreira de Rogério de Flor. Nenhuma delas queria abdicar de sua autonomia. mas também de que eram indispensáveis a qualquer cruzada futura. o Templo em Chipre pagou um resgate de 45. O Hospital. como o Templo. o templário que extorquiu o tesouro das matronas de Acre em troca de um lugar em sua galera. ainda que sem dúvida justificada por motivos estratégicos. como taifeiro numa galera dos templários no porto de Brindisi. eleito em 1305. não havia aumentado seu prestígio. e a partir de então lutou exclusivamente contra os prussianos e os lituanos pagãos. filho de Richard von der Blume. onde possuía extensas propriedades. na Prússia. 269 OS TEMPLÁRIOS Expulso da Ordem devido ao seu comportamento em Acre. os hospitalários agora procuravam uma base livre da jurisdição do rei de Chipre. Segundo se dizia. para Marienburg. em 1309. mudara sua sede primeiro para Veneza e depois. e se fazia pouca distinção entre comerciantes e piratas. O olhar do grão-mestre. Mas tendo expandido sua frota de galeras para reforçar o bloqueio ao Egito. após a queda dos Hohenstaufen ele foi contratado. falcoeiro do imperador Frederico II. Ambas estavam seguras não apenas de que eram poderosas demais para serem coagidas a uma união. Não obstante. e embora sua bravura na defesa de Acre lhes tivesse dado crédito. estabelecendo seu convento em Limassol em 1292. a . Em março de 1302. aos oito anos de idade. onde foi posto no comando de uma nova galera. Não havia nenhum soberano na região do mar Egeu: o Sul da Grécia ainda era governado por príncipes latinos. Nominalmente ainda parte do Império Bizantino. Foulques de Villaret. buscou refúgio em Chipre.

só lhes foi devolvida depois da intervenção do papa Maninho IV na década de 1280. e antes do fim do ano havia capturado a capital. e em 1300 esta foi capaz de enviar 120 cavaleiros. Estes ele colocou à disposição do imperador bizantino Andrônico Paleólogo em troca da mão de sua sobrinha Maria. do dobro das taxas de pagamento usuais. embora mais três anos fossem necessários para subjugar a ilha inteira. uma força de hospitalários desembarcou em Rodes em junho de 1306. seqüestrada pelo rei Hugo. Rogério foi assassinado. tinham sido punidos pelo rei Hugo de Chipre por apoiarem Carlos de Anjou na disputa pela coroa de Jerusalém: sua casa em Limassol. mas não estavam em condições de governar ou mesmo dominar a ilha.Olivetta. a rápida ascensão e a súbita queda de Rogério de Flor revelam a relativa facilidade com que uma bem organizada força de combatentes poderia adquirir um domínio da sua escolha. e. Sua Companhia Catalã. entre elas uma fortaleza ao norte de Famagusta e torres fortificadas em Limassol. 500 arqueiros e 400 serviçais para reforçarem a guarnição na ilha de Ruad. O Capítulo Geral que se reuniu em Nicósia na esteira do desastre contou com a presença de 400 confrades da Ordem. o rei Henrique II enviou uma embaixada para se queixar ao papa do comportamento da Ordem. apossou-se do ducado de Atenas em 1311. Yermasoya e Khirokitia. Tirando proveito dessa anarquia."' Um de apenas pouquíssimos templários renegados cuja história foi registrada. Eles tinham propriedades substanciais na ilha de Chipre. Os templários não eram tão sagazes. o papa Clemente V sancionou sua conquista. sargentos e tropas auxiliares. quando a sede do Templo se mudou para Chipre: o rei Henrique dificilmente pode ter-se sentido inclinado a dar as boas-vindas a um influxo de cavaleiros do Templo. onde permaneceu por senta e sete anos. do título de megas dux e. As relações continuaram azedas após a queda de Acre. Como sempre. o Hospital possuía um principado bem fortificado e auto-suficiente que assegurava sua independência de controle externo. Em 1307. para sua Companhia Catalã. por volta de 1302 estava no comando de uma frota de trinta e duas galeras e navios de transporte e de uma força de 2. Filermo. Em 1298. quando ele foi obrigado a abdicar pelos barões ciprio270 O TEMPLO NO EXÍLIO . e. primeiro através da pirataria e depois como líder de um bando de mercenários catalães que combatiam na Sicília.500 homens. Enormemente enriquecido. os templários foram alvo de ressentimentos devido a seus privilégios e isenções. Após uma vitoriosa campanha contra os turcos na Anatólia. sob um novo comandante. Além do mais.

parte do pós-carolíngio reino central da Lorena. os templários faziam parte do grupo que ficou contra e1e. por dois altos funcionários. que em 1302 lhe escreveu que apenas as guerras na França e na Escócia o haviam impedido de "ir a Jerusalém. conforme ele havia jurado (. mestre na Inglaterra. num momento único na história da Igreja Católica Romana. inflexível e não possuía a astúcia do grão-mestre do Hospital. Ou pessoalmente. mestre na França. De Roma. Jacques de Molay viajou à Europa para tentar obter apoio à sua Ordem. O lobby de Jacques de Molay em Roma também se revelou frutífero: o novo papa. Em 1294. na Borgonha. com o nome de Bonifácio VIII. sucedendo-lhe um de seus cardeais. Sem dúvida experiente depois de trinta anos na Ordem. mas não se sabe se estava presente ou não durante o sítio de Acre. quando pela primeira e última vez um papa. ele era filho de João de Longwy e parente da distinta família Rohan pelo lado materno. Humberto de Pairaud. de modo que os fundos coletados pelo Templo de Londres pudessem ser remetidos a Chipre. ele mantinha a guarnição na ilha de Ruad.3'9 Eduardo isentou a Ordem de uma proibição geral da exportação de valores. Celestino V abdicou. que fornecera muitos cavaleiros à Ordem. publicou uma bula determinando que o Templo deveria gozar os mesmos privilégios e isenções em Chipre que gozara na Terra Santa. em 1265... ou por intermédio de correspondência.tas em favor de seu irmão Amauri em 1306. a fim de compensar as perdas que a Ordem sofrera em Acre. Para esse fim. Jacques de Molay era também destituído de imaginação. e em seguida a Paris e Londres.) e nessa viagem ele havia concentrado todo o seu coração". Tinha passado grande parte de sua carreira no ultramar. Tomou o nome de Molay de uma propriedade na diocese de Besançon e fora recebido na Ordem em Beaune. Ele estava em Roma em dezembro. Navios de carga foram cons271 OS TEMPLÁRIOS . e com toda a certeza competente de muitas formas. ele estava em contato com todos os monarcas da Europa Ocidental. O único papel que ele conseguia conceber para o Templo era o da vanguarda numa reconquista da Terra Santa. Tinha relações particularmente cordiais com o rei Eduardo I da Inglaterra. Foulques de Villaret. e Amauri de La Roche. para as de um novo grão-mestre. Originário da pequena nobreza do Franche-Comté. e convocou cavaleiros e sargentos da Europa. Bonifácio VIII. e Carlos II em Nápoles decretou que as exportações de alimentos dos templários dos portos do sul da Itália deveriam ser isentas de impostos. Jacques de Molay. contanto que fossem para uso da Ordem.31s A direção da Ordem tinha passado nessa ocasião das mãos de Teobaldo Gaudin. Molay viajou à Itália central. que falecera em abril de 1293.

onde se acreditava que Jerusalém tinha sido conquistada pelo Il-khan mongol. reconciliou-se com Aragão e concentrou suas energias na modernização da administração real da França. em dezembro de 1290. Isso era não apenas o resultado de uma falsa crença. mas quando os exércitos deles chegaram a Tortosa em fevereiro de 1301. e os templários foram mortos ou feitos prisioneiros. O ataque a Tortosa veio na crista da onda de entusiasmo. as forças latinas tinham desistido de esperar e retornado a Chipre. por uma nova cruzada. porém mais uma vez os mamelucos não mantiveram a palavra. trabalhando como lenhadores perto do mar Negro. Filipe III. Seu comandante. mas os mamelucos no Egito. 272 O TEMPLO NO EXÍLIO . que contemplava o papel mais destacado para as ordens militares. Filipe IV havia ascendido ao trono em 1285. após a morte de seu pai. e seria devolvida aos cristãos. e em 1293 seis galeras foram compradas de Veneza. em virtude de uma febre que contraíra enquanto participava da "cruzada" do papa Martinho IV contra os aragoneses. vendo-as como "a mais importante fonte individual de projetos de cruzadas". Com a rendição de Ruad.3z° Durante a maior parte do ano de 1300. baseada no desejo. Filipe IV ao ascender ao trono. em 1340. . Esse regresso à Terra Santa foi planejado como uma operação combinada com os mongóis sob Il-khan Ghazan e os armênios sob o rei Hetoum. um otimismo inebriante havia prevalecido na Cúria Pontifícia. percebendo como ela poderia ter sido usada como base para a reconquista da Palestina. pois no ano seguinte os mamelucos regressaram. responsabilidade essa herdada de seu pai. Viajantes mais tarde relataram sobre cavaleiros do Templo vivendo em pobreza no Cairo e. pediu ao papa Nicolau IV que o desobrigasse da responsabilidade pela custódia da Terra Santa. e em novembro transportou uma força de 600 cavaleiros a Ruad como base para um assalto a Tortosa. Estas faziam parte de uma esquadra que em julho de 1300 fez vários ataques de surpresa na costa do Egito e da Síria. mas o otimismo era prematuro. porque durante a primeira metade de 1300 não restavam forças mamelucas na Síria e os mongóis controlavam a Terra Santa. O Templo continuou a fortificar e abastecer Ruad. A guarnição resistiu até que se defrontou com a fome. Não entusiástico por essa guerra contra o irmão de sua finada mãe. providenciou então um salvo-conduto como condição da sua rendição.truídos para transportar os carregamentos do Templo. a maior esperança de uma cruzada bem-sucedida parecia residir de novo no rei da França. ele demonstrou pouco interesse numa cruzada e. enviaram uma frota de dezesseis galeras para sitiá-la. na Europa Ocidental. o irmão Hugo de Dampierre. Na fase inicial de seu reinado. Ghazan.

bispo de Troyes. traição. sob outros aspectos é um pássaro inútil". "mais do que um homem. Filipe foi profundamente afetado pela morte dela e nunca voltou a se casar. Joana de Navarra. Ela e sua mãe tornaram-se inimigas de Guichard. reconhecia que Filipe era "mais bonito do que qualquer outro homem no mundo". em abril de 1305."uma pessoa capciosa. bonito. o Belo. quando Filipe tinha seis anos. para o Concílio de Sens. obstinada. inflexivelmente moralista. e a vinda de uma madrasta ardilosa. pois quando seu irmão Luís morreu. Homem alto. que tinha uma profunda devoção a Luís IX. mas igualmente sem atrativos . entre elas o uso do cilício.A exemplo do imperador Frederico II. sem senso de humor. bruxaria. exceto encarar os homens como uma coruja. Filipe refugiou-se cada vez mais numa religiosidade apreensiva. mas também a Champagne como dote. foi acusado de assassiná-la por meio de bruxaria e magia negra. bispo de Pamiers. e para Giles de Roma. Ele foi o décimo primeiro membro da dinastia fundada por Hugo Capeto em 987 e. simonia e fornicação. embora seja bonita de contemplar. heresia. agressiva e vingativa. avô de seu marido. Maria de Brabante. Luís 1X.s2' A piedade de Filipe era sincera: ele se submeteu a diferentes penitências para mortificar sua carne.322 O casamento de Filipe com Joana de Navarra era feliz: Joana era uma mulher enérgica e solícita. o rei francês era um hábil caçador e era considerado um cavaleiro consumado. o qual. Luís tornou-se rei apenas um ano mais tarde. rigorosamente escrupulosa. mas julgava que seu comportamento arredio era uma forma de encobrir uma cabeça vazia: "ele nada sabia. sob as acusações de blasfêmia. ele era o rei da França "mais cristão". Ele pouco vira seu pai. contava com o apoio de cortesãos. reservado. que trouxe não só Navarra. que fizeram com que viesse a ser chamado de Filipe. Filipe IV tinha sido afetado na infância pela morte precoce da mãe. Bernardo Saisset. voltando-se para o seu pio avô. completamente divino". em busca de um modelo de conduta. fê-lo apenas sentir-se menos seguro. totalmente imbuído com o elevado conceito que sua família tinha da monarquia. correram rumores de que ele tinha sido envenenado por Maria de Brabante e de que ela tencionava livrar-se de seus outros enteados de forma semelhante. que tinha medo das conseqüências eternas de seus atos temporais". dois anos mais tarde. com cabelos louros e tez pálida. bem como de clérigos. a qual. Casando-se aos dezesseis anos com a sua companheira de infância. Essas observações resultaram na prisão do bispo em 1301. 273 OS 'EMPLÁRIOS . quando Joana morreu. Um historiador contemporâneo vê em Filipe uma personalidade mais complexa.

Na década de 1290. expressar uma particular repugnância por ela e promover seu soberano como um rei "catolicíssimo". sua mãe e vários de seus parentes tinham sido queimados por heresia". continuada por Filipe.325 A crença de Filipe de que era um eleito de Deus não o alçou acima de princípios políticos práticos. Sem dúvida. das cidades e da Igreja. em 1302. caso se originasse. o que levou alguns historiadores a supor que ele tivesse algo a esconder. foi onde o "papa" cátaro Niquinta havia realizado um concílio em 1167. os selos foram transferidos a Guilherme de Nogaret. como também da política dos monarcas capetíngios de inexorável desenvolvimento a expensas dos principados ao redor. era difícil avaliar a influência exercida pelos ministros que executavam essa política. os légistes. guardião dos selos e chefe da chancelaria.Filipe era herdeiro não apenas de uma tradição de piedade. Antes de tudo. Se Nogaret se originava ou não de uma família herética. mas também para os de seu tempo. sua simpatia residual pelos derrotados cátaros resultou em animosidade contra a Igreja Católica. Saint-Félix-deCaraman. mas antes o tornou muito resoluto em adquirir os meios para cumprir seu papel divinamente determinado. e na verdade mais eficaz. isso não passa de conjeturas. o duque da Gasconha. O principal obstáculo era a obstinação de seu principal vassalo. em segundo lugar. que descendia de "ardorosos paladinos da fé e resolutos defensores da Santa Madre Igreja". dentro de seu reino. o mais eminente desses ministros era Pedro Flote. Eduardo I. Eduardo era considerado o líder natural de qualquer cruzada e. 324 Tampouco o consenso entre historiadores contemporâneos aceita que Filipe fosse manipulado por seus ministros. Isso levou à guerra entre a França e a Inglaterra e o aliado da Ingla274 O TEMPLO NO EXÍLIO . Para historiadores posteriores. favorecendo a ideologia absolutista que marcou o reinado de Filipe. dada a piedade do rei Filipe. de expandir seus poderes à custa de seus vassalos. teria sido imprudente de sua parte revelar qualquer simpatia pela heresia. Pouco se sabe acerca das origens e dos primeiros anos da vida de Guilherme de Nogaret.323 sua cidade natal. mas o vê antes como "o poder dirigente no reinado". o principal soberano da cristandade. mas após sua morte. que era ao mesmo tempo o rei da Inglaterra. no condado de Toulouse. portanto. como cruzado oficial. como o de Toulouse. "Diferentes cronistas sugeriram que o pai de Guilherme. Estes eram oriundos de uma ascendente classe de advogados. e se. sua base de poder na Inglaterra permitia-lhe resistir à política capetíngia. um advogado procedente das imediações de Saint-Félix-deCaraman. por meio da expansão dos direitos reais a expensas da nobreza. possivelmente a descendência de cátaros. mas derivavam seu poder exclusivamente da mercê do rei. que nada deviam à Igreja ou à nobreza. e.

os Caetani. Até então.livres. e. durante a qual Pedro Flote foi morto. ao sul de Roma. Primeiro foi a vez dos mercadores lombardos que viviam em Paris. os ministros do rei voltaram-se para minorias ricas impopulares. sous e denirs. foi a vez dos judeus. as tentativas do papa Bonifácio VIII de intervir na guerra entre os dois reis tinham malquistado os franceses. ele não teve alternativa senão voltar atrás. Entre 1295 e 1306. não era tão eminente quanto os Segni. Como O papa dependia de seus rendimentos franceses. para selar sua reconciliação. no início do reinado de Filipe. Sua família. culminando com desapropriação total e expulsão da França. Quando todas as fontes aceitas e legítimas se exauriram. A reação de Filipe foi proibir a transferência de todos os fundos da França para o papa em Roma. dando garantia de empréstimos com base em tributação futura: eles foram pouco a pouco esbulhados por meio de multas e confiscos. Seus bens foram confiscados e eles também foram expulsos da França. Todo expediente à disposição do monarca foi usado para angariar fundos. a casa da moeda real reduziu o valor da moeda em duzentos por cento. A exemplo dos papas Inocêncio III e Gregório IX. Em maio de 1302.cerca de 1. em 11 de agosto de 1297 declarou santo o avô de Filipe. Flandres. numa bula intitulada Clerico laicos. os quais. aumentando as dívidas que Filipe herdara da guerra de seu pai contra Aragão . Em junho de 1306. Em julho de 1306. Já por volta de 1296. A reconciliação com Eduardo I ocorreu em 1298. o que levou a distúrbios em Paris. mas tanto Eduardo I na Inglaterra quanto Filipe IV na França tinham-no feito sem tal permissão. Luís IX. Bonifácio VIII nascera na cidadezinha de Anagni. Luís IX. Agora. os franceses de Bruges foram massacrados e a subseqüente campanha de Filipe para vingá-los terminou em derrota em Courtrai. Outro expediente foi a depreciação da moeda corrente . ela só podia ser taxada com a permissão do papa. Essas guerras incorreram em enormes despesas. mas a guerra em Flandres revelou-se um atoleiro. o rei Filipe jovialmente propôs a volta da moeda corrente na época de seu avô. As obrigações feudais foram exploradas até o limite máximo e a força foi usada para extorquir impostos às cidades. haviam atuado como seus banqueiros. a mais promissora fonte de receita adicional era a Igreja Católica. um bacharel em direito canônico .terra. que tinham fornecido os papas anteriores.5 milhão de livres tournois. Bonifácio reiterava a condenação da tributação do clero sem o consentimento do papa. De longe. dos quais o rei só escapou por ter-se refugiado no Templo da cidade. mas ele era um homem com a mesma índole. O dinheiro em circulação na França perdeu dois terços de seu valor.

arrasando seus castelos e doando suas terras a membros da família dele. onde ele faleceu em 1296. Citando falsos precedentes. fora outrora eremita. contra a vontade dos cardeais. A reconciliação do papa Bonifácio VIII com o rei Filipe IV. que resultou na canonização de São Luís em 1297. instalou Celestino V no Castel Nuovo. na década de 1260. sem instrução e incompetente. ele também era o candidato favorita de Carlos II. quando foi escolhido como papa. e já quase em fins de 1293 tinha-se-lhe tornado claro que ele não estava à altura do cargo. Pietro fundara o mosteiro de Santa Spiritu em Nápoles e criara vínculo com os "místicos" franciscanos. alegando que a abdicação de Celestino tinha sido não-canônica e que ele fora assassinado pelo novo papa. mas seu sucessor.OS TEMPLÁRIOS por Bolonha. fora em missões diplomáticas ã França e à Inglaterra. na França. Embora sem dúvida virtuoso. Num consistório em 13 de dezembro. Benedetto Caetani. foi colocada sob reiterada tensão por causa de uma acirrada disputa entre o papa e a poderosa família Coloriria por terras na Campanha. e abarrotou o Colégio de Cardeais com as pessoas que ele próprio nomeara. O O TEMPLO NO EXÍLIO . Depois de os Coloririas terem se apropriado de uma consignação de tesouro pontifício. perto de Ferentino. o rei francês de Nápoles. Celestino era também ingênuo. Depois de tentar transferir o governo da Igreja para um comitê de três cardeais. ele estava com oitenta e quatro anos e vivia de novo sozinho numa caverna. que adotou o nome Bonifácio VIII. o cardeal redigiu uma fórmula para sua abdicação. que tinha reinado como Celestino V. Celestino V tinha relutado em aceitar a tiara pontifícia. o qual. Seu predecessor. Esse sucessor foi Benedetto Caetani. que desejavam observar a absoluta pobreza do fundador da ordem Em 1294. que. em Nápoles. tornando-se cardeal durante o pontificado de Nieolau IV. se era possível que um papa renunciasse. mandou confinar Celestino em Castel Fuome. ele perguntou ao principal canonista entre os cardeais. Os cardeais Coloriria fugiram para a corte do rei Filipe. Deixar-ido a reclusão de sua caverna. receando que ele pudesse formar o foco de um cisma. Bonifácio moveuse contra eles. Contudo. Pietro de a Morrone. com insuficientes conhecimentos de latim para acompanhar o dia-adia da administração da Igreja. na esperança de regressar à vida de eremita. A eleição de Celestino V tinha ocorrido após um longo impasse no Colégio de Cardeais e com a expectativa de que a escolha de uma pessoa genuinamente devota revitalizasse a Igreja. Os dois cardeais Coloriria que tinham apoiado a eleição de Bonifácio VIII voltavam-se agora contra ele. O ano de 1300 marcou o ponto alto do pontificado de Bonifácio VIII e na época pareceu o auge das reivindicações pontifícias à jurisdição universal. Celestino V renunciou à insígnia pontifícia.

publicada em 5 de dezembro de 1301. A oferta foi aceita por não menos de 200. O papa Bonifácio. como o rei Luís IX. desafiou seus captores a matá-lo. com provas obtidas após a tortura de seus serviçais. Isso foi uma clamorosa infração da jurisdição eclesiástica e uma afronta à autoridade do papa. "que toda criatura humana esteja sujeita ao Pontífice Romano". "Eis aqui meu pescoço". que reiterava todas as reivindicações à supremacia pontifícia que tinham sido feitas desde o pontificado de Gregório VII: "é completamente necessário à salvação". ao passo que Jerusalém deveria ser devolvida pelos mongóis à Igreja. coroa e cetro e gritando: "Eu sou César! "I" O orgulho precede a queda. uma força de soldados franceses liderada pelo ministro do rei Filipe. Unam sanctam. "eis aqui OS TEMPLÁRIOS . Essa foi a mais surpreendente demonstração do poder de um papa de "ligar e desligar". Guilherme de Nogaret. e incluindo amigos dos dois cardeais Coloriria e seus partidários. o papa Bonifácio preparou uma bula de excomunhão. Em 1301. foi detido por ordem do rei. ele foi imediatamente detido por um golpe de estupenda audácia. o papa Bonifácio. tinha sido declarado santo. acusado de blasfêmia. Todavia. cujos desdenhosos comentários sobre o rei Filipe IV já foram mencionados. segurando espada. o papa Bonifácio condenou essa violação das prerrogativas da Igreja e convocou os bispos franceses para um sínodo em Roma. escreveu ele. prometendo total remissão dos pecados àqueles que visitassem a Basílica de São Pedro e o Latrão após confessarem seus pecados. exultante. e em 18 de novembro de 1302 o papa Bonifácio publicou uma bula. apareceu diante dos peregrinos sentado no trono de Constantino. o papa Bonifácio o proclamou um ano de jubileu.000 peregrinos: a multidão era tão densa que uma brecha teve de ser feita no muro de Leão para deixá-la passar. irrompeu no Palácio dos Papas para prender o papa. gritou ele. desde que Urbano II pregara a Primeira Cruzada. bispo de Pamiers. lançado na prisão e. heresia. Defendido por apenas uma pequena força de cavaleiros do Templo e do Hospital.papa não só prevaleceu sobre os Coloririas. Bernardo Saisset. A bula fazia citações em profusão dos escritos de papas anteriores e de Tomás de Aquino e Bernardo de Clairvaux. simonia e traição. para marcar a ocasião. o qual agora. usando os adereços pontifícios completos. Enquanto Bonifácio estava em seu palácio em Anagni. Também era o milésimo trecentésimo aniversário do nascimento de Cristo e. a curvar-se à vontade do sumo pontífice e a arrepender-se de seus erros. mas parecia à beira de um triunfo no Oriente: uma cruzada estava em marcha para retomar Tortosa. Como o rei Filipe não desse nenhuma demonstração de estar disposto a aceitar as reivindicações da bula Unam sanctam. Trinta e nove ousaram comparecer. Na bula Auscultafili. antes que fosse publicada.

Os primeiros estavam em maioria. Por unanimidade. capelão papal. a fim de que fosse julgado perante um concílio da Igreja sob as acusações que os propagandistas deles lhe imputavam: heresia. o rei Eduardo I da Inglaterra. que se reuniu em defesa do papa. dez dos quinze cardeais chegaram a um acordo sobre um francês. mas divididos pela ambição pessoal de dois cardeais da família Orsini. ao invés. Eles estavam sujeitos à evidente pressão externa: o rei Carlos II de Nápoles foi a Perugia para juntar-se a uma delegação enviada pelo rei Filipe IV da França. tornando-se seu vigário-geral. Beltrão ascendeu no rastro de seu irmão. havia subido na hierarquia da Igreja até se tornar cardeal e arcebispo de Lyon. mis seu espírito estava alquebrado pela humilhação. Ele morreu quatro semanas mais tarde. o conclave que se reuniu para escolher um sucessor excomungou os dois cardeais Colonna e os excluiu de suas deliberações. a notícia da afronta se espalhou entre a população de Anagni. Estimados por seu suserano. cardealarcebispo de Óstia. Em junho de 1305. eles tencionavam levar Bonifácio para a França. apesar de sua aversão a Bonifácio VIII. O rei Eduardo I da Inglaterra mostrou sua aprovação da ascensão do filho de um de seus vassalos OS TEMPLÁRIOS . à recrucificação de Cristo. bispo e por fim arcebispo de Bordéus. sodomia e o assassinato do papa Celestino V. Após onze meses de deliberações inconclusivas. membros da família Got tinham sido enviados em delicadas missões diplomáticas. Horrorizado pelo sacrilégio. o arcebispo de Bordéus. e com ele morreram as aspirações dos papas ao governo urfiversal. senhor de Villandraut. Terceiro filho de Béraud de Got.minha cabeça. e o irmão mais velho de Beltrão. O Ataque ao Templo A "afronta" em Anagni escandalizou a Europa e foi comparada por Dante. e sim porque ele era o candidato menos objetável para as diferentes facções envolvidas. Contudo. Beltrão de Got. O rei Filipe IV da França tinha razão em pensar que o novo papa seria submisso a suas ordens. os demais cardeais escolheram Niccolò Boccasino." Nogaret e os Coloririas rec-varam de um ato tão irrevogável. sua família estava profundamente envolvida no establishment político e eclesiástico da Gasconha. Os franceses foram expulsos da cidade e o papa Bonifácio VIII regressou a Roma. Béraud. os cardeais resolveram pensar em candidatos da Igreja mais ampla. mas dentro de um ano após sua ascensão ele foi acometido de disenteria e morreu. Adotando o nome de Clemente V Beltrão de Got estava sem dúvida cõnscio de que sua ascensão ao trono do sumo pontífice não se devia a nenhuma qualidade positiva. mas havia um impasse entre aqueles que queriam vingança pelo ultraje em Anagni e aqueles que procuravam conciliação com os Coloririas e o rei da França. Os cardeais voltaram a reunir-se para escolher um sucessor.

ou de qualquer modo na Itália. e um da Inglaterra. o Belo. e Filipe. manter a corte em Orvieto. atrdos novos cardeais eram parentes do papa e um. eles haviam escolhido cidades dentro dos Estado trios. que o rei comunicaria a Beltrão dê.. Mas essa preponderância de clérigos franceses não visava t~mrte a saldar numa dívida. Com certeza. Vietr p( fim Avignon. e uma como Se'eta. "ela reflete os motivos por trás da ele -o d0emente conforme percebida na península Itálica". na i si coroação. Antes. nove deles o reo da França.'Z8 O balam a faR dos cardeais do reino da França foi confirmado por uma segunda nor~açãde cinco cardeais em 1310. aos seus olhos. a resposta de Beltrão à otl rlci. de modo geral.cm ricos presentes para ele tanto em Bordéus quanto em Lyon. Clemente V jamais cruzaria O3 e mbora ele residisse temporariamente em cidades como Lyon.` Tarribé se dereende de suas ações posteriores que Clemente V satisfez as exigên as doei: em dezembro de 1305.. com freqüência preferindo. ele nomeou dez novos cardeais. Clemente Vera uma coai reFilipe da França. F. como de. De acordo com os teóricos desse conluio. ot noa data posterior. o cultivo de Filipe. uma denúncia f al deBonifácio VIII. ra pque "a colaboração com o rei da França era (. cairia no Concílio de Vienne. pelo pape.329 .linv foi: "Vós ordenareis A A„ obedecerei". muito embora a hfC~ se agora considerada imaginária. os papas haviam aI r~ pc apenas oitenta e dois anos. Agnaldo de Tura e Giovanni Villani. Por que Clemente V permaneceu tão perto da França? Dois crot itianos. as asgurava ao novo papa uma equipe em que podia confiar. Arnaud de Poyannes~ m veo amigo. Viterbo. pelo fato e] nunca pisou em Roma como papa. A escolha deles não foi apenas uma questão de favoritismo. escreveram que o cave Ncolò da Prato tinha providenciado um encontro entre Beltrão de qindo ele ainda era arcebispo de Bordéus. dois deles sobrinhos do papa e todoo~a Fr. no qual o rei e ciara quatro condições para seu apoio: a reconciliação com os Colonte ccl todos aqueles envolvidos no ultraje em Anagni. nos dois séculos anteriores. Para os italianos.. incluindo as possessões angevinas. por r az sade ou segurança. que estavam tecnicamente fora da jurisdição do reis c~ elas não estavam além do alcance de suas forças armadas. o Belo. a nomeação de cardeais francófilos. "misteriosa e importante".) imperativa para a reÁ aF ~m çãdo objetivo mais caro a Clemente: a cruzada 11.ça. no entanto. Anagni ou Ná ` rrn. percepção substanciada.

dcois dias mais tarde ele publicou uma encíclica que procla'iava uma nova cruzada. duque da Bretanha. Nad tinha se rendicdo. Ghazan. A inteenção do rei Filipe nessa conjuntura era cumprir sua promessa.c. o que ele fez em Lyon em 29 de dez=cobro de 1305. concedew-lhe um décimo da renda da Igreja na França para financiar a cruzada . a tomar a Cruz. o Belo. maus também trabalhou diligentemente para resolver as entendas que poderiam impedir o cumprimento de sua promessa. A fralueza do imperadolr bizantino que possibilitara aos hospitalários se apossarem da ilha de Rodes levava agora o rei Filipe IV a cobiçar o trono do Império df Oriente para seu ürmão Carlos de Valois. na presença do rei Filipe. Ele comandaria a Ordem résultante dessa fuso e um de seus filhos lhe sucederia. Ele serviu de intermediário num acordo erfre Filipe IV e Edwardo I e. Para ~ Clemente.ZRn 'ia O ATAQUE AO TEMPLO O inebriáante otimismo acerca da Terra Santa que tinha prevalecid na Cúria Pontifíci. de seu irrla° Carlos de Valois3. uma condição prévia para uma cruzada brm-sucedida era ai fusão das ordens militares. proclamou em 1304 que a religião oficial em toas os seus domínioss seria o islamismo. de João II. em 1300 fora exposto como uma crença baseada no deeJo. em Lyon. mas também para fundar um império francês no Mediterrâneo oriental. uma cruzada só poderia ser bemsucedida se fosse liderada pelo rei da França. e não em razõecs lógicas. •m 14 de novembrro de 1305. ele não só 'ersuadiu Filipe. foi atacado por mongóis e mamelucos.inco ou seis vezes a receita do rei. e o II-khan mongol. como aqcela entre a França ce a Inglaterra.ia. A idéia não era nova eP°de ser encontrada em muitos dos tratados escritos mais ou menos nessa éli°ca para aconselhar o papa na reconquista . Isso talvez não estivesse de acor'1° com o plano de (Clemente V mas a França. duque cF Luxemburgo. a Asrmênia Cilicia. Clemente foi coroado com a tiara pontifícia n. Para esse fim. Veneza. Os mamelucos tinham reocupado a Palestina. avaliando o peso sobre os recursos financeiros le Filipe.sa° Na mlente de Filipe. Aragão e Nápoles "estivam claramente (comprometidos com a conquista de Constantinopla". que deveria ter devolvi1° Jerusalém aos ccristãos. e de Henrique. O último principado cristão no contirmte asiático. o IBelo.Igreja de Saint-Jusst. não só para conquistar glória ao livrar os Lugares Santos do infiel. que adotara o nome do papa anterior que traPlhata em tamanha harmonia com São Luís.

sugeriu ele. e relacionando os papas. Dubois acrescentou que talvez fosse conveniente "destruir por completo a Ordem dos Templários e. Em resposta a uma solicitação do papa Clemente V ele elaborou um memorando expondo seus pontos de vista. que dedicou muito tempo e basicamente sua vida aos problemas apresentados pelo Islã. Além disso. Praticamente. Ominosamente. Jacques de Molay. os armênios não permitiriam qule eles entrassem em seus castelos. De particular imf °rtância foi De reczuperationeterresanete. os templários tinham-nos achado indignos de confiança. restrita incursão de uma força profissional para dar apoio às forças da Armênia Cilícia. Ele tampouco poderia reComendar uma aliança com os armênios. ele achava que as duas ordens tinham maior probabilidade de alcançar seus objetivos de dar esmolas. Sua proposta era em essêr{cia "um plano para o estabelecimento da hegemonia francesa sobre o Ocidente e o Oriente pior meio de uma cruzada". o qual era favorável ao passagsum particulare . Jacques de Molay reconhecia que haveria algumas vantagens numa fusão . a pedido do papa. um propagandista do governo francês. se preservassem sua independência. que tinham decidido contra ela. era a de que essas operações em pequena escala estavam fadadas a fracassar. embora seus objetivos fossem semelhantes. Nais suas negociações com eles sobre a fronteira de Amanus. mas.a. proteger os peregrinos e travar guerra contra os sarracenos. a idéia de fundir as duas ordens era quase universal: o escritor maiorquino Raimundo Lúlio.uma ordem unida estaria em condições mais sólidas de se defender contra seus inimigos -. o clima . uma espécie de especialista em marketing político de seu tempo. para as necessidades da justiça. num pós-escrito a esse tratado. o grão-mestre foi contra o ponto de vista predominante na época. ao passo que o Templo era antes de trudo uma força militar "fundada especialmente como uma ordem de cavalaria". levando tudo em consideração. Como eles não gostavam dos francos e suspeitavam de suas intenções. A competição entre o Templo e o Hospital era benéfica. A lição a ser aprendida da perda de Ruad pelo Templo."' Todavia. Mais uma vez. e. remontando-a ao Segundo Concílio de Lyon em 1274. o único homem que se opôs à idéia foi o grão-mestre do Templo. na verdade condenou ao inferno os que a este se opunham. ele julgava que elas seriam mais eficazes se continuassem separadas. Ele começou com a origem da proposta de fundir as ordens. da autoria de um advogado normand°> Pierre Dubois.33' Essencial a esse empreendimento era OS TEMPLÁRIOS a fusão do Templo e do Hospital e a utilização de seus recursos pelo rei francês.da Terra Santa. cada uma delas tinha um ethos distinto: o Hospital dava precedência a sua obra de caridade. entre eles Bonifácio VIII. Além do mais. aniquilá-la totalmente". sobre a futura conduta da cruzada. Um segundo memorando foi apresentado por Jacques de Molay.

Jaacques escreveu em seu memorando a Cele. se forem considerados inocentes. conforme dizem. Alegações de flagrante impropriedade parecem ter sido feitas por al guns cavaleiros que tinham sido expulsos da Ordem: Esquin de Floyran. Esquin havia primeiro contado ao rei Jaime I de Aragão o . uma cruzada em grande escala barseada no modelo clássico. s forem considerados culpados. e que os absol vais. A reunião foi adiada porque o pap sucumbiu ao ataque de uma gastropatia endêmica que com freqüência incapacitava por meses de urina vez. como afirmam. que as repúblicas marít mas itaianas transportariam cem suas galeras até Chipre como uma bas avançaca para a reconquista daa Palestina. mas chegou Poitiers antes do fim de agosto. Para todos os outros panfleetários. 1° de novembrro de 1306. Parca fazê-lo. o papar Clemente V convocou os grão-mestres d Templo e do Hospital para cornferenciarem com ele em Poitiers no Dia d Todos os Santos. Sem dúvida cônscio de que seus pontc de vista seriam impopulares. Gérard de Byzol. como a do O AITAQUE AO TEMPLO rei LuísIX. foi retardado pelas operações de sua Ordem em Rodes. ele não sabia nem ler ner escreve. IFoulques de Villaret. o expôs como um velho teimoso desprovido de imaginação e eg(oísta.00 a 15. Jacques de Molay chegou à Europ procedente de Chipre em fins de 1306 ou princípios de 1307 e estava e Poitiersantes do fim de maio. A única maneira de-. Qual. prior de Mas-d'Agenais. ou os condenais. e um cavalei ro de Gisors. em particular aqueles com um pont de vista semelhante ao do rei da França.000 cavaleiros e 5. Jacques de Molay suscitou questão de certas acusações (que tinham sido feitas contra membros d Templo e pediu ao papa que instituísse uma investigação "relacionada cor essas coisas. tino V cue julgava que seria miais fácil expressar suas idéias na presença d papa: como a maioria dos cavaleiros na época. considerado com a oposiçã de Jacques de Nlolay à fusão cilas ordens. além da dia cussão do aborrecido assunto de uma cruzada. Em conseqüência. o grão-mestre do Hosp: tal. esse era um conceito de cruzad antiquado e completamente dlesacreditado e. os reis da França. ino que eles de modo algum acreditam".reconquistar a Terra Santa era derrotando forças nilitares do Egito. era a solução? Jacques de Molay propôs um passagiumgenerale. falsamente atribuídas a eles. então.000 solcdados de infantaria. da Inglaterra. Durante a estada em Poitiers. c Alemanha. prior de Montfaucon. da Sicília e da Esparnha deveriam recrutar um exército de 12.na região era tão insalubre que ele duvidava se mais do que uma fração de um exército cruzadlo sobreviveria. Bernardo Pelet.

Essas ordens foram executadas com extraordinária eficiência: cerca de 15. e. e Imbert Blanke. toda a propriedade do Templo foi seqüestrada. sextafeira.escândalo dentro da Ordem e. No dia seguinte. O rei Filipe havia capturado as pessoas e confiscado a propriedade de uma ordem livre. uma desgraça detestável. seus mandados de prisão tinham implic-afio consulta prévia "ao nosso mais santo padre em Cristo. uma coisa quase inumana. tinha ido até o rei Filipe da França. capelães. terríveis de ouvir (. o preceptor do Auvergne. 13 de outubro de 1307."3 Nesse ínterim. angústia e dor no coração" havia decido instituir uma investigação. Clernente V escreveu ao rei Filipe IV a respeit~ dessas acusações.) uma obra abominável. na época de sua coroaçã em 1305. dizendo que. na verdade desprezara por toda a humanidade".Molay viajou de Poitiers a Paris. Filipe I` relatou os rumores ao papa Clemente V em Lyon. foi um dos que carregaram o caixão no funeral da cunhada do rei Filipe. e de novo em maio de 1307. esposa de Carlos de Valois.. revelando que estava até muito cônscio da legalidade dúbia de sua ação. embora "dificilmente possamos crer no qu OS TEMPLÁRIOS foi dito naquela ocasião". ele em seguida ouvira "muitas coisas estranhas e inauditas" a respeito do Templo e. . entre eles o preceptor da França.. confrères. foi reconhecido e preso. serviçais e trabalhadores em todos os territórios governados pelo rei da França foram arrebanhados num único dia. Os templários não eram estrangeiros como os lombardos nem infiéis como os judeus. De fato. quando o rei estava em Poitiers. enquanto se restabelecia. Eram membros de uma corporaçãó orgulhosa e poderosa que se encontrava sob jurisdição eclesiástica. Pedro de Boucle. não tendo conseguido persuadi-l da verdade de suas acusações. o papa uma indignada reprepnsão. A exemplo do que acontecera com os judeus e os lombardos alguns meses antes. Catarina de Courtenay. portanto. mas o golpe do rei contra o Templo foi de um tipo diferente. sargentos. "não sem grande pesar. ele foi preso por Guilherme de Nogaret e Reinaldo Roy no complexo do Templo além dos limites de Paris. onde. Apenas cerca de duas dúzias escaparam. Um cavaleiro. Sem dúvida satisfeito de que seu pedido de investigação tivesse sido atendido. apesar de ter-se desfeito de seu hábito e se barbeado. em 12 de outubro de 1307. o rei Filipe tinha enviado ordens secretas a seus baillis e senescais em toda a França. sujeita dão ao rei. ordenando a detenção de todos os membros do Templo por Crimes "horríveis de contemplar. o papa pediu que não se empreendesse nenhuma ação precipitada. Três semanas afites. o papa". mas ao papa. Gérard de Villiers.000 cavaleiros. N dia 24 de agosto de 1307. Jacques de.

Igreja Romana (. De vez em quando. foram cão gravemente queimados que seus ossos ficaram expostos. nosso querido filho (. e à entrapada.. sua objeção fo principalmente à usurpação de sua prerrogativa e à traição de confiança inplíci ta na ação unilateral do rei. estima o ní. que tinham sido atados nas suas costas. mas aquela outra "aflição" que ele censLra Filipe por acrescentar ao desconsolo do encarceramento era sem dúvida i tortura. aparecendo ao lado dos oficiais deste.334 Clemente não disse seacred fitava ou não nas acusações feitas contra os templários. à qual os acusados foram imediamente submetidos por outra insttuição eclesiástica.mero em trinta e quatro. Uma terceira técnica era esfregar gordura nas solas dos pés e colocá-los diante do fogo.dosso irrlpetuoso ato é visto por todos. afirmou saber de vinte e cinco confrades que tinham morrido "por causa de tortura e sofrimento": uma carta anônima na biblioteca da Faculdade Corpus Christi.Vós. em Cambridge... com seu quadro de pessoal formado por frade. Criada para descolrir a heresia no Languedoc. Vós também os aprisionastes e. os torturadores calculavam mal: os pés de Bernardo de Vado. No domingo após a prisão dos templários.. Guilherme de Paris. Um cavaleiro da Ordem. a tortura tinha sido autorizada meio século antespelo papa Inocêncio IV Ela cessaria abruptamente de derramar sangue ou fraturar membros: os métodos favoritos na época eram o cavalete.) violastes. que distendia os membros de um homem a ponto de deslocar suas articulações. em nossa ausência.). o que nos entristece ainda mais.) e acrescentastes ao desconsolo do encarceramento ainda outra aflição. e de forma correta. por meio da qual um homem era erguido sobre uma viga por uma corda amarrada a seus pulsos.emente V não havia sido consultado e enviou ao rei 284 O ATAQUE AO TEMPLO Vós deitastes a mãos pessoas e propriedades que estão sob a proteção direta da. foram pregadores dominicanos quem primeiro explicou as razões das prisões numa r:união pública nos jardins do rei.. Jacques de Soci. estava sem dúvida a par de seus planos.335 Para auxiliar o interrogatório pelo inquisidor. devida à religiosidade do rei. (. era o confessor do rei Filipe e. todas as regras e deitastes a mão a pessoas e propriedades dos templários.. como um ato de de~espeito para conosco e a Igreja Romana. não os tratastes com a devida clemência (. a Inquisição na França se transformara num instrumetto de coerção nas mãos do Estado. O inquisidor-mor. desde 1234 un santo canonizado. a Inquisição. . da Ordem de Pregadores fundada por Domingos de Gusmão. um sacerdote da Ordem do Templo originário de Albi.

uma coisa quase inumana. Em acréscimo a essas graves iniqüidades. rapidamente faziam com que muitos admitissem o que quer que os oficiais do rei e os inquisidores sugerissem. nas nádegas. Eles eram cobiçosos e avarentos: "eles não consideravam pecado (. à noite. mas como uma punição por seus próprios pecados. ferreiros. na verdade desprezada por toda a humanidade"? De acordo com os promotores públicos capetíngios. carpinteiros e mordomos. mas lavradores. Para assinalar sua rejeição de Cristo. "e às vezes no pênis".Além dessas medidas específicas para produzirem dor. AS reuniões do capítulo do Templo eram realizadas em segredo. uma desgraça detestável. dizia-se que Jesus Cristo era um falso profeta que tinha sido crucificado não para redimir os pecados da humanidade.feitas contra eles. foi dito que os padres da Ordem do Templo omitiam as palavras de consagração durante a missa. ainda que não fossem padres. terríveis de ouvir (. que isso era não só lícito. pastores. Ordenava-se ao postulante que negasse Cristo e escarrasse. os crimes "horríveis de contemplar. pisasse ou urinasse numa imagem de Cristo na Cruz. eles veneravam um demônio chamado Baphomet. "mas também que eles deveriam praticar e submeter-se a isso mutuamente". e sob proteção cerrada. Isso era feito em toda a parte e "pela maioria": aqueles que se recusassem a fazê-lo eram mortos ou aprisionados.. moageiros. Diziam-lhe que poderia ter "relações carnais" com outros irmãos. Quais eram as "coisas estranhas e inauditas" das quais eles eram acusados.. O grão-mestre e outros dirigentes mais antigos tinham ouvido as confissões e absolvido os pecados de seus confrades. de um crânio ou de uma cabeça com três rostos. Dado que um grande número dos presos não eram guerreiros endurecidos pela batalha. os suspeitos eram postos a ferros. A cada novo recruta. no umbigo.. Por volta de janeiro de 1308. havia crimes menores que confirmavam as suspeitas públicas existentes. o choque e ~ desorientação. e então que beijasse o templário que o recebera na boca. OS TEMPLÁRIOS 134 dos 38 templários presos em Paris tinham admitido algumas das acusações ou todas elas . passavam apenas a pão e água.)uma obra abominável. Cordões que haviam tocado essa cabeça eram amarrados em torno da cintura dos templários "em veneração" do ídolo. Em cerimônias secretas. na sua iniciação.. a Ordem do Templo entregou-se à adoração e ào serviço do Diabo. Jacques de Molay. e que "para eles não era pecado praticá-lo". combinados com a simples ameaça de tortura. na base da espinha dorsal. que aparecia sob a forma de um gato.) adquirir propriedades pertencentes a outrem por meios legais ou . que dentro de dez dias após sua prisão mostrou o caminho. e foi o próprio grão-mestre. e proibiam-nos de dormir.

ele lhes dava permissão para aplacá-lo com outros irmãos". caso Jacques de Molay não tivesse admitido que de fato negara Jesus Cristo e escarrara na imagem de Cristo na época de sua admissão em Beaune. preceptor na Normandia. se porventura o ardor da natureza os impelisse à incontinência. e Hugo de Pairaud. "Claramente. soberanos frustrar. Sem dúvida. Recusando-se a princípio a incriminar outrem.. eles acharam impossível acreditar nelas. quando o papa Clemente V e o rei Jaime 11 deAragão ouviram essas acusações pela primeira vez. Uma acusação posterior foi a de traição: foram as suas negociações secretas com os muçulmanos que tinham levado à perda da 'Iérra Santa. foi citado por outros como o instigador da corrupção deles. neste caso o cabedal de acusações estava não apenas combinado com as faltas que tinham sido imputadas à Ordem por seus críticos. feita no dia 9 de novembro. se fosse incapaz de o ataque do rei Filipe à Ordem. talvez tivesse dificultado. por 286 O ATAQUE AO TEMPLO exemplo. As confissões de outros eminentes templários vieram em seguida: Geoffroy de Charney. Heresia e sodomia estavam invariavelmente associadas pelos propagandistas hostis da época . tendo recebido muitos dos templários franceses. até então um estreito conselheiro financeiro do rei Filipe.)". incluindo a admissão de que "ele disse aos que estava recebendo que. 11131 . junto com a ampla aceitação de seus direitos sobre o Templo. ou por Guilherme de Nogaret e Guilherme de Plaisans em seu ataque ao papa Bonifácio VIII.pelos católicos ao descreverem os cátaros. ele também explorava uma intensa inquietação pública com a bruxaria e o poder de demônios que viria a explodir na caça às bruxas dos séculos XV e XVI. A confissão de Hugo.ilegais" e procuravam "obter o crescimento e o lucro da referida Ordem de qualquer modo que pudessem (. A única acusação rejeitada pelo grão-mestre foi a de que ele tinha se entregado a atos homossexuais. Todavia. João de La Tour.. ameaças ou tortura tinham sido usadas para forçar o resultado. ele foi levado por seus guardas e "mais tarde. abrangia todas as acusações. no mesmo dia". supervisor da Ordem do Templo na França. O ceticismo do papa. que. tesoureiro do Templo em Paris. admitiu para os inquisidores que a prática era ubíqua. Contudo. a blasfêmia era mais do que suficiente para satisfazer Guilherme de Nogaret.

ao que os cardeais "choraram amargamente e foram incapazes de falar". O golpe de Filipe contra a Ordem parecia justificar-se. De acordo com um relato. estava agora no comando.uma proporção tão pequena que poderia ser desprezada. João de Paris e Lamberto de Toysi -. e enquanto suspeitas de seus OS TEMPLÁRIOS motivos persistiam. foi enquanto jantava com eles que Hugo de Pairaud revogou sua confissão. talvez porque seu tio fosse uma figura influente no governo do rei da Inglaterra. devido à pusilânime atitude do papa para com o rei da França. Haviasem dúvida descontentamento na Cúria Pontifícia. Henrique de Herçigny.. discrição e em segiredo" prendessem todos os templários e mantivessem a propriedade deles sob custódiaoara a Igreja. o papa. Mas ele teve de jurar sobre o Evangelho que não revelaria que tinha sido perdoado. mas insistia que ele.33' Outras retratações se seguiram. e que todos que fossem recebidos a partir de então deveriam negar Jesus Cristo (. o preceptor do Templo naAquitânia e em Poitou.. é possível que se tratasse de Bertrand de Blanquefort ou de Guilherme de Beaujeu. como o irmão de Jacques de Molay. que. . afirmou que "certo mestre maligno (. revogou sua confissão. muitos dos templários mais importantes eram conhecidos dos três cardeais enviados a Paris. dois dos quais eram franceses. introduziria esse costume na nossa Ordem.) esteve na prisão de certo sultão e não pôde escapar a menos que jurasse que. pedindo-lhes que "com prudência. e também pressão da partelos amigos do Templo.. Ele elogiava a profunda fé e zelo religioso de Filipe IV. ele rasgou sua camiaa de alto a baixo para mostrar as marcas de tortura no seu corpo. menos de um mês após a confissão de Jacques de Molay. Oprimeiro a ser convencido de que era esse o caso foi Jacques de Molay. Clemente V enviou uma caril intitulada Pastoralis praeeminentiae a todos os reis e príncipes da cristandade. e parece provável que os cardeais não estivessem de todo surpresos: foi dito que os dez membros do sacro colégio nomeada pelo papa Clemente em seu primeiro consistório ameaçaram renuncia. o papa Clemente V sentiu que não tinha alternativa senão aceitar a ação do rei como um faitaccompli e tentar ap'oveitar ele próprio a iniciativa. se fosse libertado. quando levado à presença de três cardeais enviados por Clemente V de Poitiers uParis. Apenas quatro templários negaram completamente as acusações João de Châteauvillars. Geoffroy recusara-se a negar Cristo e fora desculpado pelo preceptor. o diácono de [angres.Como haviam começado essas práticas diabólicas? Geoffroy de Gonneville. No dia 22 de novembro de 130?..)". Além disso. sobretudo fora da França.

e os poderes dejure do papa eram insignificantes em comparação com os poderes defacto do rei. e. Em fins de fevereiro de 1308. incapaz de dispensar justiça.Riscos consideráveis estavam relacionados com esse curso de ação. uma vez que o papa Clemente não reagira às suas ameaças iniciais. dizia que o nepotismo do papa Clemente tinha provado sem sombra de dúvida que ele era corrupto e. Jacques de Molay sem dúvida se sentia confiantcem que receberia um tratamento justo do papa. eles foram mantidos nas prisões de Filipe. Apenas o suborno poderia explicar por que ele não havia condenado os templários depois de tantos terem confessado sua culpa. hereges reincidentes eram entregues ao braço secllar para serem queimados. Oliver de Perlne.opreceptor da Lombardia. Além do mais. Poitiers ficava mais perto de Paris do que Anagni. o que deveria ser feito com a sua propriedade? A resposta deles não foi o que ele . soube que os cardeais tinham se recusado a confirmar a condenação dos templários. Panfletos anônimos eram impressos atacando o papa. sobes estatutos da Inquisição. As duas importantes corporações do reino foram aliciadas a fim de apoiarem e disseminarem essa propaganda real: a Universidade de Paris e os Estados Gerais. foi o único templário de algum prestígio que o papa Clemente manteve em Poitiers sob prisão domiciliar.000 florins foi oferecida pela sua cabeça. mas o papa manteve-se calmo. provavelmente escrito pelo advogado normando Pierre Dubois. o Belo. o rei Filipe perguntou aos doutores em teologia em Paris como ele deveria proceder no caso dos templários. e em fevereiro de 1308 ele ordeou à Inquisição que suspendesse o processo contra os templários. pretendendo expressar os sentimentos ultrajados do povo da França. mas ele evadiu-sena noite de 13 de fevereiro e uma recompensa de 10. respondendo que prefria morrer a condenar homens inocentes. Quando o rei Filipe. a caminho de Poitiers. Um. Todria. e a princípio essa confiança parecia justificar-se. os propagandistas do rei puseram-se a trabalhar a fim de estigmatizar qualquer um que pudesse dar a impressão de apoiar os templários. Não obstante. embora a lei possa ter dado ao papa controle sobre o destino dos templários. voltou às pressas para Paris e escreveu a Clemente V ameaçando acusá-lotos mesmos pecados. Ele seria perdoado por submetê-los a julgamento sem consulta ao papa? E no caso de eles serem declarados culpados. e o papa não tinha 288 O ATAQUE AO TEMPLO nenhum batalhão sob seu comando. o rei Filipe tinha de estar atento à opinião pública. as extensas propriedades do Templo Também estavam nas mãos dos oficiais reais. por consequinte. porque.

Aí. o rei Filipe enviou setenta e dois templários para repetirem suas confissões perante Clemente em . Conquanto Guilherme de Plaisans tivesse especificamente negado que o rei Filipe estivesse de olho na propriedade dos templários.queria: embora elogiando O rei pelo seu zelo católico. ou justificavam. Em 29 de maio. que por sua vez o ergueu com todo sinal exterior de respei289 OS TEMPLÁRIOS to e afeição. mas parece provável que se chegou a um meiotermo nos bastidores. que representavam a nobreza. nobres e burgueses. Enquanto seus colegas voltaram para casa a fim de disseminar a informação sobre os templários. mas também responsáveis pela perda da Terra Santa. bispos. o papa disse que não daria a sentença até que a propriedade e as pessoas do Templo estivessem em suas mãos. como "os mais zelosos paladinos da fé cristã". ao passo que os vassalos do rei e os membros mais importantes do clero foram convidados por meio de uma carta pessoal de seu soberano. Apenas graças ao zelo religioso do rei Filipe e do povo da França é que eles tinham sido descobertos. que incluía Carlos de Valois. eles confirmaram que o Templo estava sob jurisdição do papa e lembraram-no de que os direitos do rei não substituíam. Guilherrne de Plaisans. executaria ele mesmo o julgamento de Deus. vários delegados dos Estados Gerais permaneceram para acompanhar o rei a Poitiers. O rei tampouco poderia processar hereges. Bonifácio VIII. o clero e o povo. o povo da França. na companhia de um séquito poderoso e até mesmo intimidador. Ordenaram aos oficiais reais que se assegurassem de que cada cidade com um mercado enviasse um representante. O papa Clemente não seria intimidado a uma ação precipitada. Indo de alguma forma ao encontro das exigências do papa. a fim de apoiarem seu rei nessa luta contra os templários heréticos. a usurpação dos direitos de outrem. o ministro do rei. Eles eram nãc só culpados de heresia e bruxaria. e. Eles tinham feito o trabalho do papa por ele. irmão de Filipe. Frustrado pelos teólogos. se ele não reconhecesse imediatamente que os templários eram culpados. os filhos deste e os próceres dos Estados Gerais. para se reunirem em Tours três semanas após a Páscoa. mas é quase certo que ministros reais como Guilherme de Nogaret discursaram para a assembléia em Tours sobre as iniqüidades do Templo e do predecessor de Clemente V. num consistório público realizado perante uma grande assembléia de cardeais. o rei Filipe convocou os Estados Gerais. exceto a pedido da Igreja. Não sobreviveram registros das atas. expôs o processo contra os templários. A primeira vista. as posições eram irreconciliáveis. o rei prostrou-se diante do papa Clemente.

Embora isso sem dúvida tenha sido apresentado como um reconhecimento pelo rei da França da jurisdição do papa. os setenta e dois templários tinham sido escolhidos com cuidado. João de Châlons. o preceptor na França. um sargento da Ordem que fez uma vívida descrição da cabeça que foi introduzida no capítulo do Templo por um padre "precedido por dois irmãos com duas grandes velas de cera em candelabros de prata". Não obstante. portanto. O mesmo fizera Estêvão de Troves. Uma análise dos depoimentos revela que sessenta por cento foram feitos por templários que eram ou apóstatas da Ordem ou que tinham sido coagidos pela tortura. Clemente autorizou . este lhe disse que não deveria ter recusado. em particular Faciens misericordiam. mas eram mantidos à sua disposição numa prisão em Chinon. seguindo os claros passos de seus ancestrais". que afirmou ter alertado as autoridades para a corrupção do Templo antes das prisões. Inevitavelmente. o papa Clemente V endossou a versão do rei Filipe dos eventos e aceitou que ele tinha agido "não por avareza". As descrições do ídolo eram incoerentes. e escapara em dezoito galeras com o tesouro de Hugo de Pairaud. desaparecera. Sem perder a dignidade. e o primeiro a dar testemunho perante a Cúria Pontifícia foi o padre João de Folliaco. um dizendo que era "um ídolo repelente e negro". Em várias bulas publicadas em Poitiers em julho e agosto de 1308. e em troca o rei Filipe oficialmente submeteu a propriedade da Ordem a curadores especiais e confessou que apenas tinha deitado a mão aos templários "a pedido da Igreja"."' Ele também afirmou que tinha sido espancado por rejeitar as propostas homossexuais de um irmão da Ordem. mas "com o fervor da fé ortodoxa. declarou que Gérard de Villiers. quando se queixou disso a Hugo de Pairaud. Um sargento da Ordem. ao passo que dois insistiram 290 O ATAQUE AO TEMPLO que ele tinha três rostos. a seleção serviu aos propósitos tanto do papa quanto do rei. Nenhum deles era um funcionário graduado: disseram ao papa que todos estes estavam doentes demais para irem a Poitiers. com uma barba". Clemente podia agora autorizar a Inquisição a continuar com as investigações. levando consigo cinqüenta cavalos. outrossim bem que poderia ter sido uma medida para dar a Clemente a aparência de ouvir ambos os lados da questão. tinha colocado templários recalcitrantes num fosso em que nove dos irmãos haviam morrido.Poitiers. Ele também disse que o preceptor tinha sido advertido de que seria preso e. e que. outro que ele "parecia branco. Quarenta dos depoimentos que foram preservados admitem uma ou outra das acusações feitas na época das primeiras prisões.

Filipe herdara o prestígio e a autoridade de seu avô. Apesar da opinião dos teólogos parisienses de que a heresia era um assunto para a Igreja e só a Igreja. judeus e muçulmanos. dois franciscanos e dois cônegos da catedral. Os propagandistas capetíngios também influenciaram as inquietações públicas ao associarem os templários com os outros grupos marginalizados na sociedade européia: leprosos. Bernardo de Fontibus. poderia ameaçar usurpar não apenas o poder temporal do pontífice. o ex-preceptor de Corberis. Também se disse que alguns templários fugitivos tinham procurado asilo com os sarracenos. A frase usada na sua encíclica sobre o rei Filipe "seguindo os claros passos de seus ancestrais" é reveladora. A Ordem como um todo deveria ser investigada por oito comissários pontifícios. e três cardeais foram mandados a Chinon para entrevistarem seus líderes. ao contrário do imperador Frederico II em sua titânica luta com o papado. Não só no seu próprio espírito. indagando se era verdade que os templários haviam se convertido ao islamismo e planejado fazer uma aliança com os judeus e os muçulmanos de Granada.cada bispo em sua diocese a designar concílios provinciais para julgarem os templários heréticos sob sua jurisdição. Foi nesse momento 291 OS TEMPLÁRIOS que o primo do rei Filipe. O sucesso dessa propaganda pode ser aferido por uma carta remetida pelo Tribunal de Foix ao rei Jaime II de Aragão. havia nisso um germe de verdade: em setembro de 1313. foi enviado como embaixador pelo sultão de Túnis à corte do rei Jaime II em Barcelona. que governava Nápoles. aqueles que foram cúmplices da sua iniqüidade. São Luís. que ele tivesse sido persuadido pela confissão dos templários trazidos a Poitiers: ele conhecia muito bem os métodos dos templários e do rei Filipe. o rei Carlos II. com todo o êxito da propaganda. a propaganda real contra os templários denunciou como igualmente culpáveis os fautores. no sul da Itália. e portanto. mas não provável. e de fato. Estes deveriam ser compostos por dois dominicanos. Parece mais provável que Clemente decidiu que os templários deveriam ser sacrificados pelo bem da Igreja. a cruzada e a reforma da Igreja. Ainda mais eficaz foi a associação desses grupos marginalizados com as forças das trevas. ainda que somente por negligência. mas também no espírito de seus súditos. a fim de discutir os templários. como também seu poder espiritual. Clemente convocou um concílio geral da Igreja para reunir-se em Vienne em 1310. Por fim. As acusações de bruxaria e culto ao Diabo tinham um potente efeito . decidiu expulsar de seus domínios a comunidade muçulmana que o imperador Frederico II havia estabelecido em Lucera. O que ocasionou essa aparente mudança na atitude de Clemente para com os templários? É possível.

"mas também de capturar e punir ur papa herético". em seguida aprisionado e por fim assassinado por sei sucessor. Para Filipe. que Bonifácio estava no inferno. de acordo com a alegação dos franceses. o arquimimigo de Filipe. Bonifácio VIII. ordenou a seus inquisidores que descobrissem aqueles que tinham feito "um pacto com o inferno". ao tornar-se papa. Imagens de demônios sempre estavam presentes nas obras de talha e nos afrescos de catedrais e igrejas. o papa Bonifácio VIII. uma condenação justificaria expostfacto o ultraje em Anagni. anularia a excomunhão de Guilherme de Nogaret e fir292 O ATAQUE AO TEMPLO marfa o direito do rei não só de julgar. que gozavam das boas graças do rei Filipe. um sodomita e fizera pacto com o Diabo? A reputação espiritual do finado papa era de interesse mais do que acadêmico. além de instar pela condenação dos templários. porque. que dissera que Filipe era tão calado e estúpido como uma coruja. e precedentes. também insistia na canonização de Pietro del Morone. ela parece ter sido a única forma plausível de explicar as ações daqueles que se opuseram ao rei "mais cristão".34° Como parte de sua campanha de difamação contra o falecido pontífice Filipe. Sob intensa pressão do poderoso monarca francês. um gascão que recebeu o chapéu cardinalício de Clemente V e viria a suceder-lhe como o papa João XXII. o pap eremita. Os serviçais do bispo de Béziers. tinha pavor de ser morto através de bruxaria e. como a exumação e o julgamento do papa Formoso em 897. e alega ções a favor de Celestino eram realçadas por pretensos milagres e pela ampl devoção popular. o Belo: de fato. e totalmente vulnerável às forças de coerçãl sob o comando .339 Poderia o próprio papa ter sido subornado por Satã? A idéia não era forçada demais para aqueles como Guilherme de Nogaret e Guilherme de Plaisans. não tinha sido um herege. o rei Filipe IV também estava insistindo num julgamento póstumo de Bonifácio VIII sob a acusação de heresia. Havia uma cláusula no direito canônico para um processo desse tipo. mascaradas de cristãos. e não eram apenas camponeses sem instrução que viviam com medo de seus poderes. Proclamar infalivelmente que Celestino estava ri céu provaria. não tinham admitido sob tortura que ele se comunicava com espíritos malignos? E. no pensar de Filipe. Ele estava "convencido de que existiam pessoas. que se julgava res ponsável apenas perante Deus. Celestino V que. tinha sid forçado a abdicar. Jacques Duèze. embora fosse filho de um rico mercador de Cahors e bacharelem direito pela Universidade de Montpellier. o Belo. mais importante de tudo.no pensamento medieval. que tinham se juntado ao diabo por meio de uma aliança secreta 11.

recordando sua devoção. e. e Clemente V revogou todas as bulas papais prejudiciais a Filipe ou ao reino da França. Clemente havia concordado com um julgamento póstumo de Bonifácio VIII. Ele o fez com muita relutância e com considerável angústia. porque sabia como seria danoso à autoridade do papado se o papa Bonifácio VIII fosse condenado como herege. conseguiu protelar as coisas. que só se completou em março de 1309. mas os papas aí permaneceriam pelo setenta anos seguintes. nãc aliviou a pressão de Filipe. quer exigindo depoimentos por escrito. As negociações continuaram fora do tribunal durante sua recuperação. Nenhum ato de violência contra a pessoa do papa tinha sido o resultado de uma vingança pessoal empreendida por seus inimigos nos Estados Pontifícios. o Belo. p Cúria Pontifícia deixaria Poitiers e se estabeleceria em Avignon. graças aos seus conhecimentos de direito romano. em dezembro de 1310. Antes mesmo de deixar Poitiers. seus serviços à Igreja e as muitas manifestações da sua fé ortodoxa. adequadamente instalada junto ao rio Ródano. Filipe foi elogiado como "um combatente em prol da fé" e "defensor da Igreja". sobre o papa. A mudança para Avignon. quando o julgamento afinal teve início.deste. Em troca dessas concessões. Todavia. tencionando simplesmente entregar uma convocação para que o papa Bonifácio VIII participasse de um concílio geral. c'dade de Av'arion. mas. resultando num acordo: o papa reconhecia' que o rei Filipe e seus serviçais OS TEMPLÁRIOS tinham agido de boa-fé em Anagni. o rei Filipe IV declarou sua completa submissão a qualquer decisão que o papa Clemente V tomasse acerca da questão da ortodoxia do papa Bonifácio VIII. Em agosto de 1308. mas o papado havia adquirido um enclave na Provença. O caos político na Itália tornava impossível seu regresso aos Estado. Depois disso. o apa Clemente anunciou que 1 1. Dante Alighieri julgouo outro exemplo da prostituição da Cúria Pontifícia perante o rei Filipe IV O embaixador . ele permitiu que o julgamento continuasse. Clemente V lançou mão de sua tática favorita de pio crastinação e ao mesmo tempo foi se afastando da esfera de controle do re Filipe. Pontifícios. Esse acordo teve má repercussão fora da França. o con dado de Venaissin. o próprio Clemente defendeu a memória de Bonifácio VIII antes dos advogados do rei francês. Guilherme de Nogaret foi absolvido em troca do compromisso de partirem cruzada e de visitar vários santuários na França cria Espanha. suspendendo os procedimentos legais corri o argumento de que estava sofrendo de um dos periódicos ataques da sua doença. As notícias do julgamento escandalizaram a opinião pública fora da França e confirmaram a impressão de que Clemente V era um fantoche nas mãos de Filipe IV O rei Jaime II de Aragão escreveu ao papa a fim de expressar sua inquietação. Isso foi con. quer. siderado uma medida temporária.

Ao contrário de seus grandes predecessores. 1 O ATAQUE AO TEMPLO nuaram nas mãos dos carcereiros reais. mas como confessor. essa crítica à política de Clemente durante o julgamento de Bonifácio "não encontra apoio na pesquisa histórica". O único acordo que ele foi forçado a fazer envolvia seu generoso elogio do comportamento de Filipe .de Aragão junto à Cúria escreveu a seu soberano que o rei Filipe era agora "rei. para um historiador contemporâneo. o rei Filipe com certeza presumiu que os meios fossem oportunos para decidir o destino da Ordem num espaço de tempo relativamente curto.141 O mesmo era verdadeiro no caso do papa eremita. porque. conforme o rei Filipe desejava. Celestino V. Nenhum deles admitiu todas as acusações. Quando o papa Clemente V deixou Poitiers em agosto de 1308. papa e imperador!". Clemente se descobrira virtualmente sem poderes numa contenda trivial com um rei fanático e vingativo. Havia todo incentivo para que o acusado admitisse as acusações. mas as confissões em conjunto abrangiam-nas todas.mas essa foi uma concessão teórica que o papa com freqüência achava fácil fazer 11.000 florins a Filipe. No entanto. A presença em Chinon de Guilherme de Nogaret e Guilherme de Plaisans bem pode ter tido alguma relação com o que os templários veteranos escolheram para dizer. o papa Clemente V preservou a autoridade e a autonomia da Igreja. e não como um mártir. Dessa forma. fazendo concessões apenas a coisas insignificantes. com as armas da paciência e da procrastinação. mas antes deixa claro "que Clemente obteve uma vitória irrefutável. Havia uma crença muito difundida de que a absolvição de Guilherme de Nogaret tinha custado 100. Celestino. se continuasse a protestar inocência. corria o risco de ser torturado de novo e de ser condenado . como os papas Gregório VII e Inocêncio III. que Clemente V canonizou em 1313. Os templários conti\. que se empenharam em titânicas batalhas contra os imperadores alemães. Mas será que o Templo era insignificante? O papa Clemente parecia incapaz de decidir. Os líderes dos templários entrevistados pelos quatro cardeais em Chinon tinham todos revogado suas retratações e confirmado seus crimes. Quanto à questão do papa Bonifácio VIII e de seu antecessor. Todos se arrependeram do que tinham feito e pediram para serem readmitidos na Igreja. e outras confissões dos membros da ordem militar que tinham sido presos poderiam ser esperadas agora que ele autorizara a Inquisição a dar continuidade ao interrogatório. não sob o nome que adotara como papa. ele havia se empenhado numa bem-sucedida ação de retaguarda. e sim como São Pedro dei Morrone.

no dia 22 de novembro no salão episcopal do bispo de Paris. no mosteiro de Santa Genoveva em Paris. da qual tinha recebido tantas vantagens e honras". que nada disse em defesa dela. que havia se pronunciado contra os templários em Poitiers em 1308. como atestara quando de sua prisão. Não se tratava apenas do fato de Jacques de Molay ser analfabeto. o supervisor da Ordem do Templo na França. ele "se consideraria vil e miserável e assim seria considerado por outrem se não defendesse a Ordem. Quatro dos comissários não eram franceses. não conseguira adaptar-se ao crescente legalismo do período. como o Hospital e as ordens monásticas. mas tinha dúvidas quanto à sua capacidade de fazê-lo sem ajuda. Contudo. No entanto. ela expediu a todos aqueles que gostariam de prestar depoimento uma convocação para que comparecessem perante ela em novembro. trabalhara com um dos cardeais Coloriria e outro. e este último era com freqüência utilizado por Filipe nos assuntos reais. mas um. O rei Filipe também poderia sentir-se seguro da comissão pontifícia de inquérito na Ordem. e entre os oito membros incluíam-se vários partidários do rei. ele disse que OS TEMPLÁRIOS 1 OATAQUE AO TEMPLO gostaria de defender a Ordem porque era inconcebível que a Igreja quisesse agora destruí-la. Ele próprio remetera ao papa Clemente V uma lista de candidatos adequados. pedindo-lhes que detivessem todos os templários fugitivos nas terras que controlavam e que os entregassem às comissões episcopais. a despeito da vigilância com que tinham protegido seus direitos e imunidades. tinham sido indicados por Filipe.à prisão perpétua. além do mais. sob sua administração. confuso. e a comissão finalmente se reuniu. Outras instituições. Muitos dos bispos. Em 8 de agosto de 1309. o prévost de Aix. arcebispo de Narbonne. Quando Jacques de Molay prestou depoimento em 26 de novembro.3'2 Emotivo. o rei Carlos II de Nápoles. o papa havia advertido todos os membros do clero de que a ajuda aos templários os faria culpados de heresia por associação. as complexas normas estabelecidas pelo papa Clemente V e a dificuldade de reunir oito clérigos tão eminentes fizeram com que a comissão só realizasse sua primeira sessão um ano após ter sido formada. mas os cavaleiros do Templo "parecem ter-se esforçado pouco tanto para recrutar advogados quanto para formar especialistas em direito entre suas próprias fileiras". o arcebispo de Trento. em particular os do norte da França. como também do fato de que o Templo. Se fugisse. Entre as primeiras testemunhas estava Hugo de Pairaud. não tinha onde se esconder: Clemente tinha voltado a escrever a todos os reis da cristandade. tinham contratado os serviços de aconselhamento jurídico. Os bispos de Mende e Bayeux também eram homens do rei. bem como na percepção . depois de atrasos de última hora. tinha sido empregado como diplomata pelo primo do rei Filipe. O presidente da comissão era Gilles Aicelin. um Dom Quixote a seus próprios olhos.

ele persignou-se duas vezes e lançou o que a comissão considerou ser um desafio de julgamento por duelo com "certas pessoas" . Em 28 de novembro. e se se esperava que ele defendesse ou não a Ordem. e cada um de nós saberia a verdade dessas coisas que nós estivéssemos fazendo nc momento". o grão-mestre parecia confuso com o que tinha confessado. mas concordaram com um recesso para permitir-lhe que preparasse a defesa de sua Ordem. mas que. e que. se fosse da vontade de Deus. Quando um relato de sua confissão perante os cardeais em Chinon lhe foi lido. como lera numa das cartas apostólicas que no seu caso o papa Clemente reservara a si o julgamento. então ela seria visível para quem fosse bom e para quem fosse mau. e a quem. Repreendido pela comissão.de outrem.) e quando a alma estivesse separada do corpo. que nenhuma Ordem em defesa da fé crista" ou era tida O conde de Artois não havia colocado São Luís no Nilo? E ele não teria grão-mestre? "tinha derramado seu sangue tãc prontamente em mais alta conta pelo inimigo sarraceno. mas insistiu que acreditava "num só Deus e numa Trindade de Pessoas e em outras coisas pertencentes à fé católica (. o derrotismo que se abatera . 28 de novembro.. que "decepavam a cabeça desses malfeitores (. que a Ordem tinha sido pródiga em suas doações para caridade. com o que tinha revogado. Jacques de Molay apelara por ajuda. por ironia. Jacques de Molay concordou. ele repetiu que se sentia incapaz de armar a defesa de sua Ordem porque "era um cavaleiro. ficou desconcertado com o espetáculo desse velho dissoluto: depois de dois anos de tortura e prisão. Quando Jacques de Molay voltou a ficar perante a comissão na sextafeira. eles deveriam seguir a prática dos tártaros e dos sarracenos.. segundo.. Nesse ínterim. O ministro do rei Filipe. iletrado e pobre". À comissão ele diria apenas três coisas: primeiro. a comissão suspendeu sua primeira sessão e só voltou a se reunir em 3 de fevereiro de 1310. Jacques de Molay sem dúvida lamentou a omissão. os templários na vanguarda do exército de vivido se tivesse ouvido os conselhos do Quando os membros da comissão friamente retrucaram que tudo issc era inútil se não houvesse fé.3a3 Os membros da comissão não se impressionaram com essa fúria beligerante. Guilherme o advertiu de que tomasse cuidado para não "sucumbir a uma armadilha preparada por si mesmo". que estava presente à sessão. que a liturgia nas igrejas dos templários era mais bela do que em quaisquer igrejas ou catedrais.) ou os cortavam ao meio". e terceiro. ele decidira permanecer calado até que fosse levado à presença do papa.. Jacques disse que não tinha planejado esse desafio. Guilherme de Plaisans.presumivelmente os cardeais que tinham tomado seu depoimento.

sempre houve vícios e pecados". Ele negou a prática de sodomia. A primeira submissão desses dois padres da Ordem foi um protesto contra as condições em que estavam sendo mantidos: a negação dos sacramentos. ele disse que. admitiria qualquer coisa que lhe fosse atribuída. e Pedro de Bolonha. Entre 7 e 27 de fevereiro. Por volta do fim do mês. João Roberto. Quaisquer confissões eram claramente falsas. e no devido tempo dois padres foram escolhidos. Ele foi admitido na Ordem em Brie quinze anos antes. inventadas e renovadas por testemunhas e adversários e por inimigos mentirosos". Ele era presumivelmente lombardo e tinha sido admitido em Bolonha. Guilherme de Noris. ele confessou ter negado Cristo e cuspido na Cruz. quando entrevistado pelos notários da comissão no Templo de Paris. os grilhões de ferro e o modo como aos que haviam morrido na prisão tinha sido recusado enterro em solo sagrado. o confisco de seus bens e hábitos religiosos. dissera à comissão que todas as acusações imputadas à Ordem eram falsas. 532 templários de toda a França seguiram seu exemplo.. procurador do 7èmplo na Cúria Pontifícia. entre eles um padre. Ponsard de Gizy. Ele insistia "que a Ordern do Templo era limpa e imaculada e que. Na primeira sessão. que as confissões tinham sido feitas "devido ao perigo e ao medo". uma lista completa com as 127 acusações feitas contra a Ordem foi redigida e lida diante de noventa templários que tinham se oferecido espontaneamente para defender a Ordem. Em 14 de março. nenhuma das quais mencionava nenhum dos pecados imputados à Ordem. após descrever como tinha sido torturado. muito iníquas. e a maneira pela qual evitou uma confissão aberta quando interrogado pela primeira vez demonstra um espírito sagaz. Pedro de Bolonha era um padre de quarenta e quatro anos e membro do Templo havia vinte e cinco. irracionais e detestáveis (. de acordo com todos os artigos. preceptor de Orléans. Após sua prisão em novembro de 1307. caso fosse ameaçado com semelhantes tormentos. a comida de má qualidade. . Mais tarde.sobre a maioria dos templários após sua prisão dera lugar a um espírito de resolução. O fato de que ele pensara em entrar para a Ordem dos Dominicanos. o número tinha aumentado para 597 templários.. onde talvez tenha estudado direito sob a orientação do preceptor da Lombardia. Pedro de Bolonha denunciou as acusações como "coisas vergonhosas. Reinaldo de Provins. Sua nomeação como procurador do 'Iémplo na Cúria Pontifícia sugere uma aptidão intelectual raras vezes encontrada na ordem militar. Confrontada com número tão grande. onde estava encarcerado. e. e não para a Ordem do Templo. mas admitiu que tinha sido permitida.) fabricadas. o preceptor de Payns. cerca de oito anos mais jovem do que Pedro de Bolonha. em Roma. que disse ter ouvido inumeráveis confissões dos templários. a comissão pediu aos acusados que selecionassem um número manejável como procuradores. Os TEMPLÁRIOS Reinaldo de Provins também era padre. também sugere uma educação avançada.

removia qualquer "liberdade de espírito. que é o que todo homem bom deve ter". Ele também revelou que havia mostrado aos templários cartas com o selo do rei Filipe com a promessa de que eles não seriam torturados. afrontavam o senso comum. e nem um nem outro confessaram nenhuma das acusações quando interrogados pela primeira vez pelo bispo de Clermont. da lembrança e do entendimento". as palavras de Pedro de Bolonha sugerem não só um hábil advogado. primeiro insistindo que apenas o grão-mestre e o capítulo da Ordem eram autorizados a nomear procuradores para a defesa do Templo. É claro que um pré-requisito para uma defesa adequada era a concessão de dinheiro aos acusados para contratarem advogados e se colocarem sob a custódia da Igreja. compareceram diante da comissão pontifícia. ambos os cavaleiros tinham servido na Terra Santa. portanto. junto com dois cavaleiros com uma folha de serviços prestados no ultramar. em Rouergue. e Beltrão de Sartiges. Pedro de Bolonha e Reinaldo de Provins. tinham sido adotados "com uma fúria destrutiva". I° de abril. . mas também um eterno defensor dos direitos dos acusados. que os procedimentos iniciais contra a Ordem com base em acusações de heresia tinham sido irregulares e. Pela primeira vez desde a prisão dos templários em outubro de 1307. se tivessem descoberto tais iniqüidades no Templo. os irmãos "tinham sido levados como ovelhas para o abatedouro" e coagidos "por vários tipos de tortura. cavaleiros desse quilate. no Auvergne. de legalidade duvidosa. sempre lhes dizendo em primeiro lugar que a Ordem do Templo estava completamente condenada". e.feitas ou em conseqüência de tortura ou para evitá-la. qualquer coisa dita sob tortura não deveria ser levada em conta. preceptor de Carlat. eminentes e poderosos fossem "tão tolos e loucos" que "com a perda de suas almas [eles] entrariam para a Ordem e nela perseverariam"? Decerto. muitos O ATAQUE AO TEMPLO estavam para sempre inválidos. Imediatamente Reinaldo de Provins pôs a própria comissão na defensiva. afirmou ele. Os procedimentos iniciais contra os templários. eles estavam organizando uma defesa convincente. A tortura. preceptor de Blaudeix. Era crível que tantos homens nobres. e muitos na ocasião foram obrigados a mentir contra si mesmos e contra a Ordem". disse ele à comissão. e não do rei. em particular as blasfêmias contra Jesus Cristo. segundo. em virtude dos quais muitos haviam morrido. "teriam todos gritado e divulgado o assunto para o mundo inteiro". Ela o privava do "conhecimento. Guilherme de Chambonnet.3'` Assim. por conseguinte. mas também de que "uma boa provisão e elevados rendimentos lhes seriam concedidos anualmente durante sua vida. além do mais. Na quarta-feira. Mesmo após cerca de setecentos anos. todos os depoimentos contra a Ordem estavam corrompidos e.

Na segunda-feira.Essa robusta defesa do Zèmplo e as intermináveis deliberações da comissão pontifícia exasperaram o rei Filipe IV O concílio da Igreja convocado para se reunirem Vienne em outubro de 1310 a fim de dissolver o Templo teve de ser adiado por um ano. . os procedimentos da comissão pontifícia e do concílio designado pelo arcebispo de Sens eram "completamente diferentes e mutuamente separados". anunciou-se que quarenta e quatro templários que haviam revogado suas confissões para defender a Ordem seriam queimados como hereges reincidentes naquele mesmo dia. que estava em via de substituir Nogaret como o principal ministro do rei. a comissão não tinha competência pari interferir. Gilles Aicelin. Enguerrand de Marigny. 11 de maio. A pedido de Enguerrand é que o rei Filipe tinha conseguido a nomeação de Filipe pelo papa para a sé de Sens. Filipe de Voet. Era portanto o arcebispo de Sens quem tinha poder para julgar os casos dos templários dentro de sua jurisdição. arcebispo de Sens.amente recusou-se a levar essa petição em consideração. O arcebispo tinha sido recentemente promovido da sé de Cambrai graças à influência de seu irmão. ele estava em dívida tanto para com o rei quanto para com seu irmão. a diocese de Paris estava situada na província de Sens. que as acusações contra a Ordem eram falsas. a fim de pedirem ao arcebispo que adiasse a execução: Voet lhes contara como muitos templários que tinham morrido na prisão haviam jurado. arcebispo de Narbonne. Num intervalo do processo. Ele pediu à comissão que ordenasse ao arcebispo de Sens que não instaurasse processo contra eles. A comissão imediatamente enviou o arcediago de Orléans e um dos carcereiros dos templários. Uma vez que o arcebispo recebera seus poderes diretamente da Santa Sé. Devido a demarcações eclesiásticas que remontavam ao tempo do Império Romano. quando) a comissão pontifícia estava em recesso. ele convocou um concílio em Paris para instaurar processo contra eles. e na primavera de 1311 estava em condição de saldá-la. à beira da eternidade.. Pedro de Bolonha se deu conta imediatamente do que se tencionava e logo apelou à comissão que protegesse os templários "que haviam se apresentado para defender a referida Ordem". 10 de maio. O rei portanto decidiu apressar as coisas por intermédio de Filipe de Marigny. por conseguinte. OS TEMPLÁRIOS O presidente da comissão. alegando que "tinha de celebrar ou de assistir à missa". o arcebispo de Narbonne. a comissão reuniu-se novamente para tornar o depoimento de qualquer templário que desejasse defender a Ordem na ausência de seu presidente. imedia. No domingo. Ficou a cargo dos demais membros da comissão decidir que. porque a comissão não havia apresentado seu relatório. embora sentissem considerável simpatia pelos peticionários da Ordem do Templo.

negaram "os crimes a eles imputados. onde foram queimados. O protesto foi eficaz: Reinaldo de Provins foi devolvido junto com os dois cavaleiros. portanto. porque não queria ser queimado. mais quatro templários foram entregues pelo arcebispo de Sens para serem queimados como hereges reincidentes. Guilierme de Chambonnet e Beltrão de Sartiges. os membros da mais temível força militar do mundo ocidental seguiram para a morte "como cordeiros para o abatedouro"? . e. e Pedro de Bolonha fugira da prisão. mas implorou aos membros da comissão que não revelassem isso aos oficiais do rei. com muitos de seus membros ausentando-se com diversas desculpas. Apenas aqueles que confirmaram sua confissão e se arrependeram foram absolvidos de seus pecados e postos em liberdade. a despeito do envio de três cônegos para ir buscá-lo. a fim de que também pudesse ser consumido pelas chamas. e o corpo do ex-tesoureiro do Templo de Paris. Os membros da comissão apenas foram induzidos a proO ATAQUE AO TEMPLO testar. chamado Aimery de Villiers-le-Duc. João de La rlóur. quando um dos dois procuradores. Quatro dias depois. disseram-lhes que ambos os padres do Templo haviam desistido da defesa da Ordem e regressado a suas confissões originais. qualquer que tenha sido o destino dos dois padres da Ordem."' A Destruição do Templo Por que. No dia 17 de dezembro. muitas das pessoas foram capazes de perceber. os dois cavaleiros julgaram-se incapazes de continuar sem eles e portanto "deixaram a presença dos membros da comissão". na verdade. mas. nas palavras de Pedro de Bolonha. os procedimentos da comissão prosseguiram com dificuldade. Todos eles. Reinaldo de Provins fora excluído do sacerdócio pelo Concílio de Sens. dizendo sempre que estavam sendo condenados à morte sem razão e injustamente-o que.A intervenção deles foi ignorada. fora dos limites da cidade. mas constantemente persistindo na negação geral. sem exceção. desapareceu da prisão. ele não foi encontrado. de modo algum sem grande admiração e imensa surpresa". Mais provavelmente fora assassinado por seus carcereiros. foi exumado. Os quarenta e quatro templários foram amontoados em carroças e levados para um campo próximo ao convento de Santo Antônio. Reginaldo de Provins. O efeito dessas ações era visível nas testemunhas agora chamadas à presença da comissão: um templário da diocese de Langres. foram condenados à prisão perpétua. mas agora Pedro de Bolonha é que tinha desaparecido. quando Guilherme de Chambonnet e Beltrão de Sartiges disseram que não poderiam continuara defender a Ordem sem Reinaldo de Provins e Pedro de Bolonha por serem "leigos iletrados". insistiu que todos os erros imputados à Ordem eram falsos. Depois disso.3'S Os que nunca tinham admitido os crimes alegados não puderam ser julgados hereges reincidentes e.

Uma das razões foi sem dúvida a idade avançada da maioria dos templários que viviam na França. e portanto talvez se tenha esperado que mostrassem animosidade contra os templários. não obstante. O senhor Perceval de Mar. Os depoimentos foram tomados de testemunhas que não pertenciam à Ordem. os templários renderam-se e oitenta e três cavaleiros e trinta e cinco sargentos foram colocados sob prisão domiciliarem suas propriedades. um genovês. que foi a primeira testemunha. Remaldo de Soissons. mas eles encontraram alguma resistência e houve luta. Filipe de Ibelin. Reinaldo de Soissons confirmou que os templários acreditavam nos sacramentos e tinham sempre conduzido suas cerimônias religiosas corretamente. descreveu um . Ele portanto ordenou a seus oficiais que se movessem contra os templários sob seu marechal. A bula do papa Clemente V ordenando a prisão dos templários em toda a cristandade. que tinha sido apoiado pelos templários quando tomou o poderem agosto de 1306. Por fim. Ayme de Oselier. irmão do rei João. Um cavaleiro. Na época o governante defacto era Amauri. As ordens do papa deixaram Amauri numa situação embaraçosa. ele também não estava disposto a desafiar o papa ou a fazer do rei Filipe da França um inimigo. Nenhum dos acusados admitiu as acusações. Pastoralis praceminentiae. chegou a Chipre em novembro de 1307. Nenhum julgamento ocorreu até maio seguinte. mais de setenta por cento da força de templários tinha sido recrutada desde o início do século. quando dois juízes nomeados pelo papa Clemente chegaram à ilha. Os cavaleiros mais jovens foram mandados para Chipre: em 1307. Ele estava em dívida para com os templários e. e que eram homens tão bons e honestos quanto os que se poderiam encontrar em qualquer ordem religiosa. julgou as acusações contra a Ordem quase com certeza inverídicas. foi franco em sua defesa dos templários. como a maioria das outras pessoas em Chipre. Tendo servido por algum tempo no Oriente. entre elas dezesseis cavaleiros e o senescal do reino. mas os oficiais de Amaun não conseguiram encontrar o grosso do tesouro dos templários. mas todos os depoimentos deles foram a seu favor."' Aí eles estavam preparados para a ação militar: tinham combatido os sarracenos por causa de Tortosa e estavam prontos para uma invasão mameluca da ilha. julgava que apenas o segredo que cercava as admissões na Ordem é que levava à suspeita de mau procedimento. lembrando ao tribunal que eles tinham derramado seu sangue por Cristo e pela fé cristã. Jacques de Plany. e o marechal do rei. Filipe de Ibelin. A propriedade deles foi seqüestrada. A maioria havia apoiado o rei Henri302 A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO que II contra Amauri. muitos tinham regressado à Europa para assumir postos na administração.

e muitos outros templários morreram durante o encarceramento na fortaleza de Kervnia. um concílio provincial da Igreja convocado pelo arcebispo não encontrou nenhuma prova contra a Ordem. Os bispos de Ravena. Um concílio semelhante. o prior do Hospital de São João.grupo de templários aprisionados pelos sarracenos que tinham escolhido morrer a trair sua fé. o Belo. não obstante fossem partidários do rei Henrique II. Esse resultado foi considerado inaceitável pelo papa Clemente V que ordenou um novo julgamento sob o legado pontifício no Oriente. assegurou as confissões necessárias presumivelmente graças ao uso de tortura. após o uso de tortura. Um padre. Frederico de AlverIsleben. primo do rei Filipe. franciscanos e padres seculares. Ayme de Oselier. Nos Estados Pontifícios. arcebispo de Magdeburgo. realizado em Mogúncia e presidido . parece que os imperativos políticos do papa prevaleceram: os cronistas relatam que o marechal do Templo. A única testemunha entre os latinos de Chipre que depôs contra os templários foi Simão de Sarezarüs. Carlos II de Nápoles. Lourenço de Beirute. t~1a Alemanha. e não necessariamente com seus próprios capelães. os processos contra os templários variavam de acordo com as lealdades políticas dos governantes envolvidos. embora as atas não tenham sido preservadas. de escarrada na Cruz e da adoração de ídolos. mas em geral uma investigação 1Íti nerante executada pelo bispo de Sutri teve Resultados insignificantes. a tortura também produziu algumas con303 OS TEMPLÁRIOS fissões da negação de Cristc. Com essa única exceção. disse que ouvira as confissões de sessenta templários e nada poderia dizer contra eles. nada disseram que envolvesse os templários em blasfêmia ou heresia. Testemunhas menos importantes. até onde se sabe dos poucos depoimentos que sobreviveram. muitos dos bispos apoiaram os templários e alguns foram corajosos o suficiente para dizê-lo. seis entre dezesseis templários confessaram. Na Itália. e. aludindo tão-somente a conversações que tivera com pessoas anônimas rio passado. Pedro de PlaineCassagne. Este ocorreu após o assassinato de Amauri e a restauração do rei Henrique no verão de 1310. Burhhard. embora mencionassem o segredo das admissões na Ordem do Templo e a avareza desta. Na Lombardia. entre eles o preceptor alemão. mas ele não pôde fornecer provas concretas. Outros testemunhos deixaram claro que muitos templários confessavam-se com dominicanos. Em Florença. todas as testemunhas nobres depuseram a favor dos templários. Rimim e Fano não conseguiram encontrar provas de culpa nos poucos templários conduzidos à sua presença. Em Trier. moveu-se rapidamente contra os templário. bispo de Rodez.

como uma prova milagrosa de sua inocência. A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO Em meados de outubro de 1307. pelo contrário. neste país. foi interrompido por um contingente de vinte cavaleiros do Templo artnatlos. quando chegou à Espanha a notícia de que Jacques de Moláy tinha confessado os pretensos crimes. Todavia.pelo arcebispo. o Belo. Os enormes privilégios e as substanciais dotações que datavam dos heróicos dias da Reconquista tinham sido corroídos pelo rei havia algum tempo. O monarca aragonês estava incrédulo. Numa audiência posterior. o irmão de Hugo de Salm. o preceptor do Reno. ofereceu-se para provar a inocência da Ordem por meio de um julgamento por ordálio. Fora da França e de Chipre. O atemorizado arcebispo foi obrigado a ouvir as queixas deles de que não se tinha dado aos membros da Ordem unta oportunidade justa de se defenderem. liderados pelo preceptor de Grumbach. o rei Jaime II recebeu uma carta do rei Filipe IV da França relacionando as iniqüidades dos templários e aconselhando-o a deitar a inão sobre suas propriedades e pessoas como Filipe fizera na França. em particular em Aragão. Os templários. os hábitos brancos dos templários não foram consumidos pelo fogo. escreveu ele em resposta a Filipe. ela tinha sido onerada pela necessidade de remeter fundos à Ordem na Síria e na Palestina e pelas exigências feitas pelos reis aragoneses. Frederico. Outras testemunhas atestaram a obra de caridade dos templários. Ele disse que tinha servido no Oriente com Jacques de Molay e sabia que ele era "um bom cristão. Pedro de Aspelt. ele próprio estava endividado. a comunidade de Maistre tinha dado de comer a mil pobres todos os dias. o que desagradou ao papa. onde a Ordem tinha desempenhado um pjpel de destaque na reconquista das terras mantidas pelos mouros. De fato. Ao fim da audiência. têm vivido na verdade de uma forma digna de louvor como religiosos. a presença dos templários mais significativa era na Espanha. Hugo de Salm. tão bom quanto qualquer um poderia ser". entre elas um padre que disse que. Hugo de Salm também afirmou que. de acordo com a opinião geral. o arcebispo formulou uma decisão a favor dos templários que tinham sido conduzidos à sua presença. até agora. e de que aqueles que tinham insistido na sua inocência tinham sido queimados. o rei Jaime II ordenou a prisão dos templários e o confisco . embora a Ordem ainda possuísse consideráveis propriedades em Aragão. e nenhuma acusação de desvio da fé foi feita contra eles aqui. na repressão dos inimigos da fé. durante um período de séria escassez de alimentos. Conquanto o Templo ainda atuasse como um banco. durante nosso reinado nos têm prestado fielmente grandes serviços em tudo quanto lhes temos solicitado.

caso ele iludisse a si mesmo de que estava fazendo o 305 OS TEMPLÁRIOS trabalho de Deus e não do Diabo. a Ordem em Aragão tinha vários homens em armas e tempo para se preparar para tal defesa. católicos e bons cristãos". Durante um período de séria escassez de alimentos. se o papa abrisse mão de seus direitos à propriedade do Templo na Espanha. resistiu na fortaleza de Miravet. . por meio da qual dois sobrinhos deste receberiam terras em Aragão. Chalamera e Monzón permaneceram nas mãos da Ordem. Castellote. Alguns templários recusaram-se a entregar seus castelos: em contraste com a França. advertiu que eles estavam dispostos a morrer como mártires. mais recentemente contra Granada. o rei Jaime decidiu sitiar essas fortalezas ainda nas mãos dos templários. sua tática foi levar as guarnições à sujeição pela fome. Todavia. foram os templários que agüentaram frmes. se as acusações eram verídicas. Exemen de Lenda.não porque o rei Jaime tivesse sido persuadido de que os templários fossem culpados.de suas propriedades em seu reino. perguntava ele agora. o rei Jaime não sentiu nenhuma necessidade de chegar a um acordo. alguns deles por pelo menos seis anos. Villel. Como Pedro de Bolonha. Sem vontade ou incapaz de organizar um ataque frontal.'4' Talvez cônscio de que a avareza era agora a motivação prioritária do rei. tantos membros das melhores famílias haviam entrado para a Ordem. vinte mil pessoas tinham sido alimentadas pelos templários em Gardeney e seis mil em Monzón. e ainda não haviam denunciado os pretensos abusos? Em 1° de fevereiro de 1308. preso. Contudo. ao passo que Ramón Sá Guardia. Cantavieja. a menos que o rei Jaime garantisse protegê-los enquanto o papa Clemente permanecesse sob a influência do rei da França. Ele témia pela alma do rei. e em fins de novembro os templários de Miravet tinham sido levados à sujeição pela fome. Ramón Sá Guardia escreveu para dizer quanto ele tinha pena dele. Ramón Sá Guardia. o preceptor de Mas-Deu em Roussillon. que são "leais. os dados já tinham rolado . "do rei da França e de todos os católicos em relação ao dano que se originava de tudo isso. àquela altura. mas porque queria assegurar os bens deles antes que fossem desapropriados pela Igreja. lembrando-o do sangue que tinha sido derramado pelos templários nas guerras contra os mouros. Quando os franceses invadiram Aragão e ameaçaram Barcelona. A fortaleza em Pensícola foi tomada. e o mestre do Temple em Aragão. Por todos esses motivos. ele até sugeriu uma compensação ao papa Clemente. mas Ascó. que continuou a comunicar-se com o rei. conforme as acusações. que temos de suportar o mal". Daí ele escreveu ao rei Jaime 11. Monzón resistiu até maio de 1309. mais do que de nós mesmos. o rei deveria libertar o mestre e outros templários.

Os templários eram presos e chamados ajuízo diante de comissões episcopais. na Escócia. considerou os templários inocentes. em meados de outubro de 130. extremamente hediondas e diabólicas". foi apenas em Navarra 306 A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO que a influência francesa predominante levou confissões dos pretensos crimes dos templários. com 144 a 230 cavaleiros n Inglaterra. Ele disse que as admissões na Ordem tinham sido completamente ortodoxas. estes não resultaram em confissões.. descrevendo como ele tinha posto a descoberto a cloaca de corrupção n Templo e aconselhando seu genro a proceder como ele fizera com a prisã dos canalhas e a desapropriação de seus bens. para fundamentar as acusações. mas nenhuma conseguiu encontrar provas.e em fins de julho. como a tortura não era permitida pela lei aragonesa. a resistência da Ordem chegara ao fim. em 4 de novembro de 1312. na Irlanda e no País de Gales. a algum êxito na extração d A exemplo do rei Jaime II de Aragão. como tinha sido a prática da religião católica pelos templários. um concílio local da Igreja em Tarragona. o Belo. Hugo . Em março de 1311. Ramón Sá Guardia foi tão franco perante os inquisidores quanto tinha sido em suas cartas ao rei. com uma alimentação decente.. Oito templários torturados em Barcelona persistiram com os seus protestos de inocência. o rei Eduardo II da Inglaterra tinh recebido uma carta do rei Filipe. "embora tivessem sido submetidos à tortura para confessar seus crimes". o papa ordenou ao arcebispo de Tarragona e ao bispo de Valência que usassem a tortura para extrair confissões. e "qualquer irmão que cometesse um pecado contra a natureza" (i. mas. As alegações da negação de Cristo eram "horríveis. O que aconteceu em Aragão também aconteceu nos reinos de Castela-Leão e Portugal. sodomia) era punido "com a perda do hábito e prisão perpétua (. Em toda a península Ibérica.e. com a rendição de Chalamera.. Seguiram-se então os processos contra os templários aragoneses.)". mas os métodos que se tinham revelado tão eficientes na França fracassaram na Espanha. Os prisioneiros foram mantidos em razoável conforto. As acusações tinham surgido de "um espírito maligno e diabólico". Como o rei Jaime de Aragão.) com grandes grilhões nos pés e correntes no pescoço (. e todos aqueles que as tinham confessado eram mentirosos. rei Eduardo a princípio ficou cético.. Embora a presença do Templo não fosstão considerável quanto era no reino da França. ele não obstante tinh desempenhado um importante papel no governo real desde que o primeir~ grãomestre.

Ele também escreveu ao papa Clemente. ficou encarcerado em Canterbury. mas dois templários . mas também um amigo de confiança.1411 Jacques de Molay fora calorosamente recebido pelo rei Eduardo I quando visitou a Inglaterra em 1294. O mestre inglês.. ordenando a prisão de todos os templários na cristandade. insuficentes para inspirar "fortes sentimentos de inveja" ou "uma antipatia geral1. Guilherme de La More. atingisse a maio ridade. Isso deixou o 307 OS TLMIPLÁRIOS jovem rei sem. em 26 de dezembro.800 livres. a ele foram confiadas as multas paga pelos assassinos de Tomás Becket. Eduardo II. o grão-mestre do Templo.de Payns. e assim. tirando proveito dos muitos privilégios e isenções concedidos por reis e papas. de Portugal e de Nápoles para dizer isso. como o rei Jaime de Aragão. mantendo fortalezas na Nor mandia que eram o dote da princesa Margarida da França. o mestre inglês. remetida em 10 de dezembro. A Ordem tinha uma honrosa folha de serviços na Terra Santa e "brilha intensamente na religião". fora não só sei vassalo. de Aragão. a notícia da confissão de Jacques de Molay tinha chegado à Inglaterra. A confiança que o rei Ricardo Coração de Leão depositava na Ordem j. viera a Londres em 1129. e a Ordem era uma presença substan cial na vida comercial dos reinos. e ele atuara como intermediário em con tendas entre os reis da Inglaterra e da França. O Templo em Londres era urr depósito seguro para as receitas reais. julgou as acusações feitas contra a Ordem implausíveis e escreveu aos reis da França. de Castela. ter visto as vantagens de assumir o controle dos bens dos templários antes que eles caíssem em outras mãos. e Eduardo. Por essa ocasião. também pode. Embora a riqueza do Templo tivesse suscitado um pouco de inveja. foi mencionada. que foi preso em 9 de janeiro. cruzou com a bula papal Pastora&Praeeminentiae. que apenas ascendera ao trono três meses antes. alrernativa. e Guilherme de La More. ele ordenou a detenção dos templários ingleses "da maneira mais rápida e melhor". sua renda anual proveniente de bens de raie não excedia 4. a qual o rei Eduardo recebeu quatro dias mais tarde. fora o conselheiro de confiança dc velho rei. permaneceram as suspeitas sobre o rei Filipe e sua influência sobre o papa Clemente. ao passo que aqueles que fizeram acusações tão infames eram criminosos e mentirosos. Roberto de Sablé. o filho e herdeiro do rei Henrique II da Inglaterra. Não obstante. até que sei marido. insistindo que os templários tinham sido "inabaláveis na pureza da fé". Ele servira comi banqueiro aos monarcas angevinos. Essa carta. e o tratamento dispensado aos templários dificilmente sugere que se acreditou nas acusações.

que se reuniu em Londre em 24 de novembro. e ele teve direito a mobília. arenque. Muitos dos preceptores tiveram permissão de ficar em comunidades até serem convocados a comparecer perante os inquisidores dois anos mais tarde. Não havia armas. mas quase nenhum. roupa dois suas quase Na época da prisão dos templários. e Sicard de Uaur. foi a relutância do rei Eduardo em da garantias para . um cônego de Narbonne. o presidente da comissão pontifícia que investigava a Ordem em Paris. cujo arcebispo era Gilles Aicelin. o interrogatório cios templários ingleses realizado entre 20 de outubro e 18 de novembro perante os dois inquisidores e o bispo de Londres não produziu resultados. Além disso. ela não tinha nenhum relevo na lei inglesa. peixe salgado. mas a tortura não produziu os resultatdos almejados. n DESTRUIÇÃO Do TEMPLO Frustrados por seu fracasso em extrair confissões. roupas. vinho . onde a Inquisição fora aceita e usada como um instrumento da monarquia. Essa foi a primeira aparição dos inquisidores na Inglaterra: ao contrário da França. queijo e um pouco de carne bovina salgada. fez-se um inventário de suas posses chie dá um vislumbre de seu estilo de vida e contradiz as acusações de seus críticos de que eles estavam vivendo na abundância. bacalhau seco e salgado. abade de Lagny. Nenhum deles admitiu nenhuma má ação. o preceptor do Auvergne que havia fugido para a Inglaterra por ocasião das prisões na França. que eles expressa mam em seu relatório para o papa. e a mobília. os inquisidores per suadiram o Concílio Provincial de Canterbury.tiveram permissão de acompanhá-lo. escassa e de má qualidade. disse que o segredo que cercava as admissões dos templários tinha sido "por causa de insensatez" e que nada de indesejável tinha acontecido. os dois inquisidores designados pelo papa chegaram à Inglaterra: Dieudonnc:. o pedido foi redigido eufemisticamente como se dimanasse "de acorde com os estatutos eclesiásticos". Ern conseqüência. No condado de Yórk. A única irregularidade que veio à tona fo a difundida pressuposição entre os templários de que o perdão de transgres soes pelo mestre no capítulo equivalia à absolvição sacramental. Encontraram-se alguns estoques de carne de carneiro salgada. bem como a uni subsídioperdion de xelins e seis pence. o dinheiro era pouco. de cama e seus pertences pessoais. Irnbert Blanke. os inventários mostram que as vestes eclesiásticas. os animais domésticos e os implementos agrícolas eram os únicos bens de algum valor. Concedeu-se permissão. toicinho defumado. a pedir ao rei Eduardo 11 permissão para se usar a ror cura. Uma frustração adicional para os dois inquisidores.3111 No dia 13 de setembro de 1309. os julgamentos eram feitos norrnalmente perante os jurados e a tortura não era permitida.

se a Ordem fosse disso] vida. arcebispo de York.Adão de Heton. pela qual cada templário deveria declarar o seguinte em público: "Reconheço que sou gravemente difamado pelos artigos contidos . O concílio provincial em York. estava habilitada a tê-las de volta. eles chegaram a uma fórmula bastante inglesa. o rei poderia igualmente afirma que eles tinham vindo da nobreza inglesa. o papa Clemente instou os arcebispos de Canterburv e. disse que o preceptor de Westerdale havia mos trado à sua mulher um livro que afirmava que Cristo não havia nascido de uma virgem. a qual. o. João de Ure.a trarnsferência da propriedade dos templários para a Igreja Ele disse que não poderia agir sem consultar os condes e os barões do reino uma posição que não era apenas procrastinação. O único testemunho de sodomi. que disse que. pois embora o papa pudesse legitimamente salientar que as dotações originais tinham sido feiras em pro da missão dos templários na Terra Santa. Outro frade sabia de uma mulher que encontrara as ceroulas de um templáric numa latrina e vira que o sinal da cruz tinha sido costurado no fundilho. Ele também exerceu pressão sobre os clérigos ingleses ac declararem sua bulla Paciens misericordiam que a culpa dos templários estava 309 OS TEMPLÁRIOS estabellecida e que qualquer um que agora tentasse protegê-los era culpado por ass. . Nesse imeio tempo. O máximo que ele conseguiu obter foi o testemunho auricular de tes temunhas que não ]pertenciam à Ordem: João de Nassington fora informado de que os templários no Templo Hirst haviam prestado culto a um bezerro Um cavaleiro. Exasperado pela falta de resultados da Inglaterra. Essa posição foi vigorosamentf apoiada por seus barões. de Yórk a dedicar-se ao processo conta os templários com maior zelo. "nunca se ouvira falar de tortura rio reino da Ingla terra". sentindo-se incapaz de condenar ou de absolver. As autoridades da Igreja fizeram o possível mas. recebera uma carta do rei Filipe B insistindo na sua cooperação. meninos costumavam dizer: "Cuidado com o beijo dos templários". e escreveu ao rei Eduardo oferecendo-lhe indulgência plena.ociação com os seus pecados. A pressão também veio de outra parte: Gui lherme de Greenfield. autorizou o arcebispo a encaminhar todo o caso ao tribunal pontifício no concílio a ser realizado em Vienne. como Guilherime de Greenfield disse ao concílio provincial que se meu nira em maio de 1310. veio de um frade."' O papa Clemente claramente suspeitava de que os ingleses estavam sendo vagarosos nas suas averiguações. se ele transferisse os templários sob a sua jurisdição para a França. quando era criança. e sim que era filho de José.

ela afinal foi colocada num cesto e arremessada contra um touro". Tomás de Stanford para Fountains e Henrique de Kirby para Rievaulx. O anfiteatro romano nas encostas do monte Pipet tinha capacidade para mais de 13. Tendo feito essa declaração do lado de fora da Catedral de York. o Papa. um concílio ecumênico da Igreja Católica reuniu-se em Vienne. Enn junho. após um ano de atraso. 16 de outubro de 1311. O mesmo se deu com outros cinqüenta e dois templários que aceitaram a fórmula a que o Concílio de York chiegara. das feras. o filho do rei Herodes. continuaram a insistir na sua inocência e na de sua Ordem: Guilherme até mesmo negou o uso das palavras de absolvição ao perdoar templários em erro por suas transgressões da regra. Fora em Vienne que o imperador Augusto tinha exilado Arquelau. e a ser visitado nesse meio tempo.'SZ Ele também morreu na prisão. da grelha. cada um deles estava reconciliado com a Igreja e era enviado parar viverem várias instituições monásticas: Guilherme de Grafton para Selby. submeto-me à Graça Divina e à decisão do Concílio". e aí ser mantido até que se ordenasse de outro modo. Ricardo de Keswick para Kirkbam. visto que não sou capaz de me exculpar. os dois templários mais eminentes da Inglaterra. Ele foi mandado para a Torre de Londres para aguardar a misericórdia do papa e aí faleceu em fevereiro de 1313. um ano depois de sua admissão. um padre da Ordem do Templo chamado João de Stoke também confessou que. o mestre„ Guilherme de La More. Imbert Blanke. Estêvão de Stapelbrugge e Tomás de Thoroldeby. acorrentado) a grilhões duplos. e aí a desgraciosa Blandina morrera como um mártir por Cristo "depois dos chicotes. Quando todos expressaram arrependimento. à cerca apenas vinte quilômetros ao sul de Lyon. e. Imbert Blanke foi condenado a "ser encerrado na mais abjeta prisão.na bula de nosso Senhor. No sábado. Outro mártir da época. e o preceptor do Auvergne. com o fim de ver se ele desejava confessar mais alguma coisa". As únicas confissões proveitosas foram feitas na Inglaterra por dois telmplários fugitivos.000 espectadores. foram absolvidos e reconciliados com a Igreja. Essa cidade junto ao Ródano. Jacques de Molay lhe dissera que negasse Cristo. Os processos contra os templários na Escócia e na Irlanda não foram mais bem-sucedidos em satisfazer as expectativas do papa Clemente e do rei da França. O mau comportamento de Tomás de Stanford e de Henrique de Kirby resultou emi queixas dos abades cistercienses ao arcebispo de York. e o templo dedicado ao imperador Augusto era agora usado como igreja. que foram recapturados em junho de 1311 e mais tarde descreveram blasfêmias na época de sua admissão. João de Walpole para Byland. . Contudo. fora construída A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO entre as ruínas de seu passado romano. Ambos provavelmente tinham sido torturados.

incluindo os quatro patriarcas da Igreja Ortodoxa. conforme o bispo de Valência queixouse ao rei Jaime 11 de Aragão. um dos três itens na agenda do concílio. O cinismo era o sentimento que prevalecia entre aqueles que participaram do concílio: um cronista francês. Isso havia tomado mais tempo do que ele previra e tinha sido a razão para o adiamento do concílio por um ano. não por votação no concílio. . era imperativo que o concílio se decidisse pela dissolução. só conseguiram obter testemunhos auriculares de nãotemplários para dar substância às acusações. A afluência foi desapontadora.um oficial romano chamado Maurício. e para esse fim ele estivera reunindo todas as provas dos inquéritos em diferentes países. bispo de Angers. e nessa época do ano. zelo esse que animara concílios anteriores. o papa Clemente pediu a dois de seus cardeais que redigissem pareceres a respeito do que deveria ser feito com o Templo: um era Jacques Duèze. os de fora da França. Quando chegaram e foram estudados pelo papa e seus conselheiros no priorado de Grazean. No verão de 1311. mas o zelo em escoimar a Igreja da corrupção. Além de preparar resumos desses relatórios para apresentá-lo ao concílio. que o papa Clemente V deu as boasvindas aos padres de toda a cristandade e abriu a primeira sessão do concílio. "o país está demasiadamente frio". estavam longe de ser satisfatórios. de Aragão e de Chipre. muito embora a reconquista da Terra Santa. em particular da Inglaterra. em Augaune.353 O terceiro item na agenda do concílio era a Ordem do Templo. Apenas os da França continham OS TEMPLÁRIOS confissões críveis. Ambos julgaram que a culpa da Ordem tinha sido provada e que ela portanto deveria ser extinta. um gascão agora bispo de Avignon. mas pelo papa na sua condição de chefe da Igreja -deplenitvdinepotestatis. a reforma da Igreja. O segundo item. por recusar-se a oferecer sacrifícios a deuses pagãos. enviando delegados em seu lugar. por conseguinte era difícil encontrar alojamento decente. estava lá quase como uma coisa natural. Foi na grande catedral às margens do Ródano. era difícil de conservar com um papa que havia nomeado quatro parentes seus para o Colégio de Cardeais e usado todo expediente possível para extorquir dinheiro aos fiéis. dedicada a esse santo. fora executado rio acima. Jean de Saint Vector. mas dos 161 prelados convidados mais de um terço tinha apresentado suas desculpas. insistindo no uso da tortura quando eles não extraíam as necessárias confissões dos acusados. escreveu que "muitos disseram que o concílio foi inventado com o objetivo de extorquir dinheiro". na Suíça. muitos dos relatórios ainda não haviam chegado. e o outro Guilherme Le Nlaire. Nenhum rei apareceu durante os primeiros seis meses de suas deliberações. Para o papa Clemente. os interessasse muito. O papa Clemente havia convocado bispos e príncipes de toda a cristandade. Os bispos que compareceram fizeramno sem muito entusiasmo: a cidade estava superlotada.

uma vez que não há provas de culpa por parte da Ordem". sete templários se apresentaram perante o concílio. mas esses pontos de vista eram claramente predominantes fora da Cúria Pontifícia e dos círculos leais ao rei da França. ou se os templários de toda a cristandade deveriam escolher um procurador. se seriam apenas aqueles que tinham comparecido perante o concílio. não ousavam agir de outro modo por temor do rei. A obstinação da comissão em tais circustâncias exasperou o papa Clemente V e enfureceu o rei Filipe da França. exceto os prelados da França. não é possível condenar a Ordem como um todo.não em Tours. A conclusão dessa comissão foi. com a escassez de alimentos fazendo os preços subir e a disseminação de doenças resultando na morte de vários padres do concílio. convocando os Estados Gerais para reunir-se em fevereiro . em fins de outubro. a causa de todo este escândalo". Sens e Rouen discordaram.3s+ Clemente estava numa situação difícil. A fim de exercer pressão sobre o concílio. Mralter de Guisborough. A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO Essa decisão era muito mais extraordinária porque as condições em Vienne estavam se deteriorando. No entanto. O abade cisterciense Jacques de Thérines perguntou-se se homens de origem nobre que haviam arriscado a vida para defender a Terra Santa poderiam de fato ser hereges. E. mas é claro que não esperava que eles o fizessem. para sua perplexidade.500 e 2. e chamou a atenção para muitas incoerências nos procedimentos inquisitoriais. Ele havia formalmente convidado os templários a irem a Vienne para defender a Ordem. . um sacerdote inglês. se o papa deveria designar um para atuar por eles. em caso afirmativo. O papa Clemente ordenou que fossem detidos e solicitou ao concílio que formasse um comitê de cinqüenta membros para decidir se os templários deveriam ter permissão de defender a Ordem ou não. os quais.os de Rheims. caso isso se revelasse difícil demais. ao que parecia.Eles rejeitaram as objeções "de que se deveria oferecer uma defesa à Ordem. mas em Lyon. escreveu que "a maioria dos prelados tomou o partido dos templários. e de que tampouco um membro tão nobre da Igreja deveria ser cortado de seu corpo sem o rigor da justiça e grandes debates". por grande maioria. que se deveria permitir que os templários montassem uma defesa. a apenas vinte quilômetros rio acima. dizendo que ali estavam para defender a Ordem e que entre 1. Apenas os bispos franceses próximos do rei Filipe . O rei Jaime II de Aragão foi informado por seu representante no concílio de que "com base no que ouvimos de cardeais e sacerdotes. Filipe recorreu à tática que usara quatro anos antes.000 de seus confrades estavam nas vizinhanças prontos para apoiá-los.

nós. se o Templo fosse dissolvido. Etn 3 de abril. ainda receando que Filipe pudesse voltar ao ataque contra o papa Bonifácio VIII. com seus direitos. nem os pecadores conselho dos justos". insistindo que. "contra a razão e a justiça". Enguerrand de Marigny. Percebendo que o jogo acabara. barões. e caso uma injúria tão grande feita a Cristo permaneça impune. prometendo aceitar o que quer que o papa decidisse. com afeto. Sabendo que o rei Filipe tinha um de seus filhos em mente como grãomestre dessa nova ordem. formada pelo filho de Filipe. os padres do concílio reuniram-se na Catedral SaintMaurice para ouvir uma homilia pregada pelo papa Clemente sobre o Salmo versículo 5: "Pois os ímpios não ficarão de pé no Julgamento. a maioria dos prelados votou pela extinção da Oirdem . no da .uma decisão. e em 17 de fevereiro recebeu uma delegação secreta e poderosa. o rei Filipe resolveu transigir. correspondia-se constantemente com o rei. a apenas sessenta milhas ao norte. e por seus principais ministros. na opinião de um dos poucos dissidentes. nobres e vários outros no nosso reino". os prelados. no qual se pediu à sua comissão especial encarregada da Ordem do Templo OS TEMPLÁRIOS que revisse séu parecer. à qual seriam conferidos os bens da Ordem supracitada. O papa Clemente ainda estava perturbado. acompanhado por seus dois irmãos. O sumo pontífice sentou-se no trono com o rei Filipe rança de um de 1. Dois dias mais tarde. o bispo dê Valência. suas propriedades deveriam passar para o Hospital. eles conferenciaram com o papa sobre como proceder. O destino a ser dado à riqueza do Templo parece ter sido um percalço nas negociações entre o papa e o rei francês: Filipe. pelos condes de Boulogne e Saint-Pol. Guilherme de Plaisans e Guilherme de Nogaret. e ansioso para pôr uma nova cruzada em marcha. reservando apenas "quaisquer direitos que restem para nós. escreveu ao papa de Mâcon. junto ao rio Ródano. honras e responsabilidades". Junto com o círculo interno dos cardeais da cúria. Para pôr fim ao assunto. devoção e humildade. pedimos a Vossa Santidade que suprimais a aludida Ordem e desejamos criar sob nova forma outra Ordem Militar. Outra fonte também fez pressão para uma rápida solução: o rei Jaime II de Aragão foi enfático em que a Ordem do Templo deveria ser dissolvida e suas propriedades em seu reino transferidas para a Ordem Espanhola de Calatrava. Luís de Navarra. "ardendo com o zelo pela fé ortodoxa. mas em 20 de março ele chegou a uma decisão com a chegada em Vienne do próprio rei Filipe. ainda persistindo no mesmo tipo de acordo do rei Jaime II. e possivelmente subornada ou intimidada pelos franceses. Clemente realizou um consistório secreto.O papa. o papa Clemente permaneceu surpreendentemente firme na questão. três filhos e um forte contingente de homens armados.

lado, num pedestal um pouco mais baixo, e do outro um dos filhos do rei Filipe, o rei de Navarra. Após a homilia, e antes que os trabalhos começassem, o convocador da sessão anunciou que, sob pena de excomunhão, ninguém tinha permissão para falar nessa sessão, exceto com o Consentimento do papa ou a seu pedido. O papa Clemente então leu a bula hox in excelso, que abolia a Ordem do Templo. A bula foi cuidadosamente redigida, a fim de evitar uma clara condenação da oídem em si: ela foi extinta "não por meio de uma sentença judicial, mas pr meio de provisão ou ordenação apostólica", por causa da "infârtlia, suspeita, insinuação clamorosa e outras coisas que foram aduzidas contra a Ordem"*Ela mencionava certos fatos incontestáveis: "o segredo e a recepção clandestina dos irmãos dessa Ordem, e a diferença de muitos desses irmãos em relação ao costume geral, à vida e aos hábitos de outros crentes em Cflsto"; mas também aceitava como firmadas as "muitas coisas horríveis" que tinham sido feitas "por muitos irmãos dessa Ordem (...) que mergulharam no pecado de perniciosa apostasia contra o próprio Senhor Jesus Cristo, no crime de detestável idolatria, no execrável ultraje dos sodomitas O texto eça autojustificativo, lembrando os fiéis de que "a Igreja Romana tinha às vezes feito com que outras Ordens ilustres fossem extintas por motivos incomparavelmente menos importantes do que os acima mencionados, mesmo sem que se imputasse culpa aos irmãos". Era até apologético: o papa chegara à sua decisão "não sem amargura e pesar no coração". Contudo, não ~e pediu aos padres do concílio que concordassem com a decisão do papa olá dela discordassem: a Ordem do Templo foi abolida por um decreto irrevogável e perpetuamente válido, e nós a submetemos à proibição Verpétua com a aprovação do santo concílio, estritamente proibindo qualquer uin de conjeturar entrar para a referida Ordem no futuro, ou de receber ou usatseu hábito, ou de agir como um templário. E qualquer um que agir contra istoincorrerá na sentença de excomunhão ipso facto. ,i, A DESTRUIÇÃO b0 TRMPLq Por meio de uma bula subseqüente, ,Ad provpdam, publicadai em 2 de maio, a propriedade dos templários foí transferida para os hos;pitalários "que estão sempre colocando suas vidas em risco al~m,mar". Fez-s,e exceção ao patrimônio dos templários em Aragão, Castela, Portugal e Maiiorca, cujo destino seria decidido numa data posterior. No caso, os três reis principalmente envolvidos - Eduairdo II d, Inglaterra, Jaime II de Aragão e sobretudo Filipe TV da França _, embor-, publicamente concordassem

com os planos do papa sobre a riiqueza dc Templo, asseguraram que uma parte permanecesse nas suas mãos ou na; de seus vassalos. Eduardo II já tinha arrendado algumas das propriedade; dos templários e advertido o Hospital de que não se aproveitalsse da Ac providam para "usurpar" o patrimônio dos templários. O litígiio entre c Hospital e os legados pontifícios continuou até 1336. O Templo de Lon dres foi por fim cedido para o uso de advogados; a igreja do Templo perma nece de pé até hoje. Em Aragão, o rei Jaime insistia que a segurança de seu reino dependia d, posse real das propriedades dos templários: a resistência deles à prisão err 1308 tinha demonstrado os perigos de uma força armada que não, devia su-, lealdade primária ao rei. Também neste caso, só após vários anos de nego ciações é que se chegou a um acordo. Uma nova ordem militar baseada n< Montesa, de Valência, foi criada e ficaria sujeita ao mestre de Calatrav~ juntamente com o abade cisterciense de Stas. No resto de Arag;ão, as pro priedades dos templários seriam transferidas para o Hospital, rhas, ante; de tomar posse, o hospitalário castelão de Amposta teria de presta.r homena gem ao rei. Os templários que foram reconciliados com a Igreja co>ntinuaratr a viver nas comunidades da Ordem ou foram para outros conventos e mos teiros, onde viviam das pensões pagas com os recursos do Templo. A disso lução da Ordem não significava que eles tivessem sido desobrigados de seus votos. Como no condado de York, todavia, os ex-templários em Ar-agão tive ram dificuldade de mudar da rotina militar para a monástica. Alguns evadi ram-se dos mosteiros, abandonaram o hábito e retornaram ao mundo secu lar. Ou desiludidos pelo que tinha ocorrido, ou simplesmente liberados d, estrita disciplina da Ordem, alguns ex-templários tornaram-se mercenário; e se casaram. Em alguns casos, sugeriu-se que as pensões pagas eram polpu das demais, permitindo-lhes levar uma vida indolente. Um ex-templário Berenguer de Bellvís, mantinha uma amante; outro foi acusado de estupro mas, o que é digno de nota, não existem acusações de sodomia. OS TEMPLÁRIOS As queixas contra ex-templários levaram o sucessor do papa Clemente V, o papa João XXII, a fazer repetidas tentativas de persuadi-los a voltar à vida religiosa. Numa carta ao arcebispo deTarragona, o papa pediu-lhe que se assegurasse de que eles "não se envolvessem em guerras ou em assuntos seculares" ou usassem roupas luxuosas. Dever-se-ia tomar cuidado para que nunca houvesse mais de dois ex-templários em qualquer mosteiro, e, caso se recusassem a voltar à vida reclusa, eles seriam privados de sua pensão. Houve alguns casos em que essa sanção foi posta em prática, mas em geral "os sobreviventes não eram acossados por dificuldades financeiras, ainda que alguns estivessem vivendo uma vida frustrante; e, à medida que o seu número se reduzia, provavelmente a preocupação da Igreja com eles também diminuía, e deixavam-nos terminar seus dias com pouca interferência"."'

Em Portugal, permitiu-se ao rei Dinis que criasse uma nova ordem militar, a Ordem de Cristo, e a dotasse com os bens dos templários; a magnífica sede em Tomar, com sua rotunda, está de pé até hoje. O rei Sancho de Maiorca chegou a um acordo com a Cúria, transferindo propriedades dos templários para o Hospital em troca de uma renda anual. Em Castela, algumas das propriedades dos templários foram confiscadas pelo rei, outras por barões e algumas pelas ordens militares de Ucles e Calatrava; o fato de o rei ter deixado de assegurar a transferência para o Hospital gerou um protesto do papado em 1366. Um padrão similar é observado na Itália, naAlemanha e na Boêmia, onde os governantes locais confiscaram parte das propriedades dos templários, deixando o que sobrou para o Hospital. Em Hildesheim os templários resistiram e foram postos para fora à força. A Ordem de Pregadores Dominicanos, que administrava a Inquisição, recebeu as casas dos templários em Viena, Estrasburgo, Esslingen e`Vorms. No reino de Nápoles e na Provença transcorreram cinco anos antes que o rei Carlos transferisse a propriedade dos templários. Apenas em Chipre a transferência foi rápida e não-problemática, sem dúvida por causa da sua posição avançada. Na França o rei Filipe IV Fora persuadido por seu irmão Carlos de Valois e por seu principal ministro, Enguerrand de Marigny, de que render-se ao papa Clemente na questão relativa à propriedade do 'Iémplo foi um preço que valeu a pena pagar para assegurar a dissolução definitiva da Ordem. No entanto, o rei atacou pela retaguarda ao escrever ao papa que concordava com a transferência para o Hospital desde que este reformasse a Ordem, e isso só seria feito "depois da dedução das necessárias despesas para a custódia e a administração desses bens". Como seu genro, o rei Eduardo II, ele também reservava os direitos "do rei, dos prelados, dos barões, dos nobres e de todas as outras pessoas do reino que tinham uma cota na mencionada MA A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO propriedade". No caso, o Hospital teve de pagar por seus direitos: 200.000 li;rPSmnunois foram transferidos para a tesouraria real em Paris pelo prior do Hospital em Veneza, supostamente para indenizara Coroa pela perda do tesouro que fora depositado noTemplo em Paris. Mesmo depois desse adoçamento, não ocorreu uma transferência total; outros 60.000 livres tournois foram adiantados pelo prior do Hospital em Veneza, em 1316, a fim de cobrir as despesas da Coroa para levar os templários ajulgamento; e em 1318 mais 50.000 no acordo final, deixando o Hospital, no curto prazo, em pior situação financeira do que antes.

Esse não foi o único lucro que coube ao rei da França em conseqüência do Concílio de `ienne. Em 3 de abril de 1312, menos de duas semanas após ter dissolvido a Ordem do Templo, o papa Clemente V consumou a ambição que tinha sido o objetivo de suas tortuosas políticas desde o início do seu pontificado. Pregando para os prelados da cristandade reunidos na Catedral de Saint-11Iaurice, e escolhendo para seu texto um versículo do Ilivro de Provérbios, "o desejo dos justos será satisfeito", o sumo pontífice proclamou uma nova cruzada. Não seria um passagiu;w particnlarP, como a maioria havia aconselhado, mas opassagiunngenei-ale cujo único proponente fora o ex-grão-mestre do Templo, Jacques de Molay, agora definhando na prisão. Ela seria liderada pelo rei Filipe da França, mas custeada pela Igreja mediante um imposto de dez por cento sobre toda a renda eclesiástica nos próximos seis anos. No ano seguinte, numa cerimônia de grande solenidade realizada em Paris, o rei Filipe, o Belo, tomou a Cruz. Ele a recebeu das mãos do núncio pontifício, o cardeal Nicolau de Fréauville, e foi seguido por seus três filhos, por seu genro, o rei Eduardo II da Inglaterra, e por muitos membros da nobreza de ambos os reinos. Com as suas dissensões superadas, o neto de São Luís e o papa gascão tiniram-se finalmente no empreendimento para reconquistar a'Iérra Santa ao infiel. Os dois rios de piedade e bravura convergiarri para formar uma torrente irresistível; e para celebrar essa grande ocasião, a cidade de Paris foi enfeitada com estandartes reluzentes, o ar encheu-se com o som de música e de regozijo, e festividades de um esplendor sem precedentes continuaram por mais de uma semana. Havia apenas um assunto por resolver: a pouca distância dos festejos, os oficiais mais antigos da extinta Ordem do ~lèmplo aguardavam nas masmorras do rei o julgamento do papa Clemente V O ex-grão-mestre, Jacques de Molay, recusara-se obstinadamente a dar as últimas explicações sobre si mesmo a qualquer um, a não ser ao papa, e parecia convencido de que, quando estiOS TEMPLÁRIOS vesse face a face com a única autoridade que a Igreja pusera acima dele, com certeza defenderia sua própria honra e a de sua Ordem. Esse encontro nunca aconteceu. Por volta do fim de dezembro de 1313, o papa Clemente designou uma comissão de três cardeais-o legado Nicolau de Fréauville, Arnaud de Auch e Arnaud Nouvel -para decidir acerca do destino dos líderes dos templários. Em 18 de março de 1314, esses três cardeais convocaram um concílio de doutores em teologia e direito canônico para se reunir em Paris na presença de Filipe de Marigny, o arcebispo de Sens. Perante esse concílio foram chamados Jacques de Molay, Hugo de Pairaud, Geoffroy de Gonneville e Geoffroy de Charney. A sentença então proferida foi a de que "uma vez que esses quatro, sem exceção, tinham pública e abertamente confessado os crimes que lhes tinham sido imputados e insistido nessas confissões, e pareciam por fim insistir nelas (...), eles foram condenados a

prisão perpétua e severa"."' Dois dos acusados, Hugo de Pairaud e Geoffroy de Gonneville, submeteram-se a esse julgamento sem protestar; mas a severidade da sentença, vindo ao fim de sete anos de encarceramento, foi decisivamente insuportável para Jacques de Molay. Agora um velho com mais de setenta anos, que vantagem havia na submissão se a recompensa era uma morte lenta? O papa o traíra; tudo o que ele poderia esperar nessas circunstâncias era a justiça de Deus. Portanto, exatamente quando os três cardeais julgaram que o caso do Templo estava afinal resolvido, Jacques de Molay e o preceptor da Normandia, Geoffroy de Charney, levantaram-se finalmente para retratar suas confissões e insistir que tanto eles quanto a Ordem eram completamente inocentes de todas as acusações. Essa virada nos acontecimentos assombrou os cardeais e precipitou em confusão o final cuidadosamente ensaiado. Os dois cavaleiros recalcitrantes foram levados dali pelo marechal real, enquanto a notícia do que tinha acontecido foi transmitida às pressas ao rei. Nem bem ela o alcançara quando o rei Filipe convocou os membros leigos de seu conselho, onde foi decidido que os cavaleiros, como hereges reincidentes, deveriam sofrer o destino prescrito. Naquela mesma tarde, "por volta da hora das vésperas", Jacques de Molay e Geoffroy de Charney foram conduzidos a uma pequena ilha no rio Sena, chamada Ìle-des-Javiaux, para serem queimados na fogueira. Antes de eles morrerem, foi dito mais tarde, Jacques de Molay fez um último pedido ao papa Clemente e ao rei Filipe: ele os convocou a comparecer, antes que o ano terminasse, perante o tribunal de Deus. Também foi relatado que "se verificou que eles estavam preparados para alimentar o fogo com o espírito tranqüilo", o que "suscitou de todos que os viram muita admiração e surpresa pela persistência na morte e pela negação final". Os 318 A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO dois anciãos foram então amarrados ao poste e queimados. Mais tarde, sob c manto da noite, frades do mosteiro agostiniano situado na beira do rio e outras pessoas pias foram recolher os ossos carbonizados dos dois templário; como relíquias de santos. Como os céticos no Concílio de Vienne tinham predito, a planejada cruzadido papa Clemente V nunca se realizou. Ele morreu no dia 20 de abril de 1314, pouco mais de um mês após a morte de Jacques de Molay. O inventário dos poucos pertences encontrados no seu quarto de dormir incluía "dois livretes na língua `romance', revestidos de couro curtido e com um fecho de ferro (...) contendo a Regra dos Templários 11.311 O rei Filipe, o Belo, seguiu-c para o túmulo no dia 29 de novembro do mesmo

ano, depois de um acidente durante uma caçada. As grandes somas de dinheiro que tinham sido arrecadadas para custear a cruzada foram tragadas pelo erário francês ou usadas para os objetivos particulares do falecido papa. Em seu testamento, o papa Clemente V deixou 300.000 florins para seu sobrinho Beltrão de Got, visconde de Lomagne, em troca da promessa de empreender uma cruzada, promessa jamais cumprida. Como um cronista anônimo expressou na época, "o papa guardou o dinheiro, e seu primo, o marquês, teve o seu quinhão; e o rei e todos os que tinham aceitado a Cruz permaneceram aqui; e os sarracenos vivem em paz lá, e creio que eles podem continuar dormindo em segurança". epílogo O Veredicto da História Qual foi o veredicto da história sobre os templários? Desde a época de seu ~ulgarnento, a opinião estava dividida quanto a se eles haviam cometido ou não oh crimes a eles imputados. Dante Alighieri julgou-os vítimas inocentes da cobiça do rei Filipe, ao passo que Raimundo Lúlio, o poeta, místico, missionário e teórico das cruzadas maiorquino, embora a princípio em dúvida, acabou por aceitar que as acusações feitas contra a Ordem do Templo eram verdadeiras. Contudo, ambos eram sectários: Dante tinha sido expulso de Florença pela facção apoiada por Carlos de Anjou, enquanto Lúlio, como Filipe, o Belo, era fanaticamente a favor da fusão das duas principais ordens militares. Nos séculos seguintes, julgamentos retrospectivos do Templo foram distorcidos de forma semelhante por considerações políticas: partidários dos papas romanos e dos reis franceses não estavam dispostos a admitir que os predecessores de seus soberanos tinham cometido uma gritante injustiça, ao passo que democratas e constitucional istas tendiam a retratar os templários como vítimas da tirania. Assim, no início do século XVI, em De occultaphilosophia, de Henrique Cornélio Agripa, os templários estavam associados com bruxas, enquanto mais tarde, no mesmo século, o pensador político francês Jean Bodin, cita-os, junto com Jesus, como exemplo de uma minoria vulnerável marginalizada e depois expropriada por um rei ganancioso. Nos séculos XVII e XVIll, a presunção de culpa no caso dos templários foi usada como um bastão com o qual protestantes e céticos desferiam golpes contra a Igreja Católica Romana. O teólogo anglicano Thomas Fuller escreveu que foram "em parte seus vícios, em parte sua riqueza" que causaram a "extirpação final" dos templários, ao passo que Edward Gibbon, em sua obra IVistorY of the Decline and Fall of the Roman Empire (História d o Deel ínio e Queda do Império Romano), mencionou "o orgulho, a avareza e a corrupÇãD desses soldados cristãos".358 Foi tal percepção dos templários que inspirou os personagens templários de SirWalter Scott. 320

O VEREDICTO DA HISTóRIA Cortudo, com o advento do Iluminismo no século XVII, surgiu uma terceira concepção dos templários como nem cristãos ortodoxos nem heréticos, mas antes como os sumos sacerdotes de uma religião antiga e oculta anterior ao nascinento de Cristo. Poder-se-ia pensar que um movimento intelectual que se orgulhava de substituir a superstição pelo senso comum removeria o véu de obscuridade que cercava a história dos templários; mas o Iluminismo, como Peter Partner assinalou em seu livro sobre os templários, TheMurdered Magiciarls (O Assassinato dos Magos), estava longe de ser o simples exercício das faculdades racionais que alguns dos seus protagonistas gostavam de sugerir. A transformação das idéias sobre os templários durante o século XVIII revela quão distantes do rigoroso racionalismocientífico os homens do Iluminismo poderiam vaguear. No próprio corpo da histéria da Igreja, que foi o principal alvo da racionalização e da desmistificação, os homens do século XVIII encontraram os templários e transformaram-nos numa fantasia absurda que, pela mistagogia e obscuridade, igualava tudo que a antiga historiografia católica pudesse oferecer. O empreendimento foi tão bem-sucedido que até hoje é impossível discorrer sobre os templários sem enconcar os remanescentes, ou mesmo as vestes completas e aparatosas, do preconceito do século XVIII.319 Os Frincipais agentes desse "templarismo" - a metamorfose dos templários de história em mito-foram os maçons, confrarias secretas comprometidas com o apoio mútuo, cujo deísmo impreciso tornou-as inimigas da Igreja Católica Romana. Eles não foram os primeiros a transformar os templários em personagens de ficção: antes mesmo da dissolução da Ordem, os templários tinham começado a figurar em epopéias e romances, com freqüência como os paladinos de amantes, consolando-os se sua paixão não fosse correspondida e facilitando sua consumação se o, fosse. Muito mais do que os hospitalários ou os cavaleiros teutônicos, os templários cativaram a imaginação de cronistas e poetas. Os Cavaleiros do Santo Graal no Parsifal, de Wolfram von Eschenbach, são descritos como templários, mas "não há indícios em seu poema de que ele, um cavaleiro alemão pobre, possuísse quaisquer conhecimentos secretos sobre a Ordem do Templo, que naquela época ainda tinha pouquíssimas propriedades na Alemanha e cuja maioria dos membros eram franceses"."' A hipótese dos maçons era positivamente tão fantasiosa quanto Parsifal. Ramsay, um jacobita escocês exilado na França que foi chanceler da Grande Loja francesa na década de 1730, afirmou que os primeiros maçons tinham sido pedreiros nos Estados cruzados que tinham aprendido os rituais secretos e conquistado a sabedoria especial do mundo antigo. Ramsay não fez

321 OS TEMPLÁRIOS uma referência específca aos templários, provavelmente porque não queria contrariar seu anfitrião, o rei da França; mas na Alemanha outro exilado escocês, George Frederick Johnson, criou um mito que transformou "os templários (...) de seu aparente status de monges-soldados iletrados e fanáticos para o de videntes cavalheirescamente esclarecidos e sábios, que tinham usado sua estada no Oriente para recuperar seus segredos profundos e para se emancipar da credulidade católica medieval"."' Segundo os maçons alemães, os grão-mestres da Ordem tinham aprendido os segredos e adquirido o tesouro dos essênios judeus, que eram transmitidos de um para outro. Jacques de Molay, na noite de sua execução, enviara o conde de Beaujeu à cripta da Igreja do Templo em Paris para recuperar esse tesouro, que incluía os candelabros de sete braços dos quais o imperador Tito se apropriara, a coroa do reino de Jerusalém e uma mortalha. É inconteste que, num depoimento prestado no julgamento dos templários, um sargento, João de Châlons, afirmou que Gérard de Villiers, o preceptor na França, tinha sido advertido de sua prisão iminente e, portanto, fugido em dezoito galeras com o tesouro dos templários. Se assim foi, o que aconteceu com esse tesouro? George Frederick Johnson disse que ele fora levado para a Escócia, e um de seus seguidores especificou a ilha de Mull. A especulação não chegou ao fim no século XVIII; na verdade, nunca foi mais febril do que hoje, criando, nas palavras de Malcolm Barber, o principal historiador dos templários na Grã-Bretanha, "uma pequena indústria muito ativa, rendosa para cientistas, historiadores da arte, jornalistas, editores e críticos de televisão"."" Começando com as alegações esotéricas dos maçons, afirma-se que os templários foram os guardiães do Santo Graal - que é por sua vez o cálice usado por Cristo na última Ceia -, da linhagem de reis merovíngios descendentes da união de Cristo com Maria Madalena ,161 ou simplesmente da relíquia mais preciosa dos templários, o Sudário de Turim.36a Fatos escassos são ilustrados com especulação. Em Les Templiers. Ces Grands Seigneurs aux Blancs Manteaus (Os Templários. Esses Grandes Senhores de Mantos Brancos) (1997), o escritor francês Michel Lamy retrocede além da criação dos Pobres Soldados de Jesus Cristo, em 1119, até o cisterciense saxão e abade de Citeaux Estêvão Harding, amigo e mentor de Bernardo de Clairvaux. Lamy nos lembra de como o abade Estêvão procurou a ajuda de rabinos nas suas traduções dos livros do Velho Testamento do hebraico. "Que razão havia para esse súbito interesse por textos hebraicos?", pergunta ele. De acordo com Lamy, eles revelavam que um tesouro oculto estava enterrado sob o monte do Templo. Esse é o motivo por que o patrono leigo dos cistercienses, o conde Hugo de Champagne, foi a Jerusalém e ins-

322 O VEREDICTO DA HISTÓRIA tigou seu vassalo, Hugo de Payns, a fundar sua Ordem dos Pobres Soldados de Jesus Cristo no monte do Templo: "Pode-se pensar que os documentos levados para a Palestina por Hugo de Champagne (que sem dúvida os descobriu na companhia de Hugo de Payns) tinham algum tipo de relação com o lugar que mais tarde se tornou a moradia dos templários",365 A mesma hipótese é encontrada em dois livros de escritores britânicos, The Holy Blood and the Holy Grail (O Sangue Sagrado e o Santo Graal), de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln (1982), e The Head of God (A Cabeça de Deus), de Keith Laidler (1998): o ritmo lento de recrutamento nos primeiros anos da Ordem é explicado pela necessidade de restringir essa busca do tesouro enterrado aos poucos iniciados. "A evidente falta de atividade dos templários nos seus anos de estruturação", escreveu Laidler, "parece ter sido devida a alguma forma de projeto secreto sob o Templo de Salomão ou nas suas proximidades, uma operação que não poderia ser revelada a ninguém, a não ser a alguns nobres de alta categoria. 11161 Para esses escritores, não há dúvida de que algo extraordinário foi encontrado. Será que foi, pergunta Michel Lamy, a Arca da Aliança? Um meio de se comunicar com forças externas: deuses, elementais, gênios, extraterrestres ou outras coisas? Um segredo sobre o uso sagrado e poder-se-ia dizer da mágica da arquitetura? A chave de um mistério relacionado com a vida de Cristo e sua mensagem? O Graal? O meio de reconhecer os lugares onde a comunicação com o céu assim como com o inferno é facilitada sob o risco de libertar Satã ou Lúcifer? Não, afrma Laidler: o que eles encontraram foi nada menos do que a cabeça embalsamada de Cristo. Esta era a cabeça conhecida como Baphomet e que supostamente era adorada em segredo pelos templários. Se não foi encontrada sob o Templo por Hugo de Payns, então pode ter sido levada para a França por Maria Madalena, onde entrou para a posse dos cátaros e foi conservada na sua fortaleza de Montségur. Quando ela estava quase se rendendo aos cruzados, três parfaits fugiram com o tesouro. "Mas qual era esse tesouro dos cátaros? Quanto ouro e prata poderiam três parfaits carregar? Não poderia ter sido dinheiro (...). Tinha de ser outra coisa, algo que tivesse sido essencial para o ritual que aconteceu no equinócio da primavera, no dia anterior à capitulação do castelo" - em outras palavras, a cabeça de Cristo. E para onde os cátaros fugitivos poderiam tê-la levado senão para o "único lugar na França que estava além do alcance do rei, uma organização que para todos os efeitos era autônoma e partilhava essencialmente a mesma visão do mundo gnóstica dos cátaros: a Ordem do Templo"?3e'

)". uma missa de réquiem foi celebrada no aniversário de sua morte. que defendia a inocência dos templários. Raynouard teve permissão para . "esses fantasistas formularam uma hipótese. metade rumando para o sul.)". levou consigo essa relíquia mais importante de todas. "parece certo que (.. O fato de a família real francesa ter sido aprisionada na torre de menagem do Templo de Paris. Cristo ou o Graal foi enterrado sob uma montanha no Sul da França? Jesus desposou Maria Madalena e forneceu a linhagem dos merovíngios? Em algumas páginas. onde mais tarde foi absorvida pela Ordem de Cristo do rei Dinis. da autoria de um advogado da Provença...a monarquia e a Igreja Católica-. "o templarismo (.. "parece bastante provável que (. como Peter sucintamente o expressa em relação aos templários. "Após alguma pesquisa". A Revolução Francesa de 1789. metade navegando rumo ao norte. elas traem. foi visto por muitos defensores dos templários como uma vingança simbólica pela morte de Jacques de Molay: em março de 1808. tinha sido encenada no Théâtre français. para a Escócia.369 O enigma da Ordem do Templo não foi deixado completamente para os charlatães.. mas também tem sido objeto de estudo sério por historiadores profissionais... o donjon do Templo foi demolido: ele se havia transformado num lugar de peregrinação de monarquistas leais à memória de seu rei martirizado.323 OS TEMPLÁRIOS Assim."g Ou. sob um pilar.)". A peça conveio bastante a Napoleão para que ele redigisse uma crítica durante a campanha em benefício de seu chefe de polícia. para Portugal.. a idéia é transformada em prova (. onde a capela era "um Templo de Salomão diferente". "bem poderia ter (... Quando os arquivos papais foram levados para Paris em 1810. François Ravnouard.... Ao sul de Edimburgo estava o castelo de Rosslyn. uma peça intitulada Les Templiers (Os Templários).) foi uma crença forjada por charlatães para os incautos". escreve Andrew Sinclair em seu Livro The Discovery of the Grail (A Descoberta do Graal). pelo seu uso da linguagem. que derrubou as duas instituições que tinham particular interesse na culpa dos templários . uma família com longos vínculos com os templários. quando Gérard de Villiers evadiu-se do Templo de Paris em 1307. a falta de um fundamento histórico plausível: "a resposta parecia residir (.. a asserção se torna real. Foi aí. Por mais intrigantes que tais especulações possam ser. "sabe-se que (. Três anos antes. No mesmo ano. que os templários fugitivos enterraram "a Cabeça de Deus".)". e daí ter ido para a execução. em 1805. de propriedade dos Saint-Clairs.abriu caminho para uma investigação menos parcial. A esquadra de galeras dos templários que zarpou de Lã Rochelle se dividiu.)". onde lançou âncora no estuário do Forth.)".

revel ram um talento digno de Goebbels.l de conclusivo. o cordão amarrado ao redor da ci tura. o beijo simbólico que era comum como "o clímax e seqüências de ações tanto na vida monástica quanto na secular""' transfC ma-se na entrega à paixão homossexual. e seus pr pagandistas. nenhuma prova co creta de adoração do Diabo tinha sido encontrada.) o inofensivo e o criminoso".."° Já quase no fim do século XIX.e certamente "não d nenhum apoio àqueles que nutriam suspeitas sombrias das práticas de bt xaria pelos templários ou de seus ritos religiosos gnósticos". demonstl ram a mesma brutalidade dos agentes do NKVD` e da Gestapo. feitas s~ tortura. do T) OS TEMPLÁRIOS . meramente demons. como Pedro de Bolonha dissera na oc sião. o historiador alemão Ha Prutz. como Guilherme de Nogaret e Guilherme de Plaisans. é deturpado de talismã pio e amuleto diabólico. 373 a alterar sua percepção do que ler brava. em induziras pessoas a darem fal testemunho contra si mesmas. após um exaustivo estudo dos depoimentos dos templários.3'I Por outro lado. o historiador da Inquisição o ame cano Henry Charles Lea. (N.~ depois que a acusação fatal de heresia lhe fosse imposta. O exagero e a deturpação do que de fa aconteceu podem persuadir o sujeito do interrogatório. mas f a balança oscilar a favor da inocência da Ordem. n. guém "insuficientemente instruído para ser capaz de perceber a diferen entre (. na extinta União Soviética). independentemente de quão eminente fos. Assim. conclL que muitos deles tinham sido contaminados pelo ca:arismo e eram culpad de adoração do Diabo. E. Comissariado do Povo pa Assuntos Internos. Será que o Templo era um foco de homossexualidade? Inevitavelmente. prática comum entre os templários. em particular . a veneração das imagens de Cristo ou de João Batista pode s apresentada como adoração de um ídolo.. o Belo.324 O VEREDICTO DA HISTÓRIA procurar documentos que pudessem lançar luz nova sobre o julgamento d templários. contudo. escrevendo cerca de de:: anos depois de Pru~ decidiu que o templários eram quase cote certeza inocentes: nenhum del estivera disposto a morrer por suas crenças heréticas. tais como a privação do sono. e era imposta p meio da Inquisição". "o desamparo da vítima.ravam.3'z A experiência dos julgamentos de fachada de Stalin no século demonstrou a eficácia não só da tortura. Os carcereiros de Filipe. e as confissões. durante as quais as atitudes para com homossexualidade na Europa e na América mudaram da condenação para Sigla de Norodn~ Komisariat huurnnitsch Djel (literalmente. mas também de meios secundári de coerção. últimas décadas do século XX. O material que ele divulgou nada provo.

3's Que a sodomia era encontrada entre os templários é também estabelecido pelo relato de caso encontrado nas "Especificações das Penitências" de sua regra. o historiador francês jean Favier julgou que a "ausência de mulheres. menos a prática de sodomia. afirmou-se que a promiscuidade do imperador Frederico 11 abrangia rapazes e moças. Se. portanto. acreditando que a homossexualidade é sempre encontrada em instituições exclusivamente masculinas . o Ruivo. que em The Murdered Magicians (O Assassinato dos Magos) tão efetivamente salvou a reputação dos templários não só do diabolismo de Filipe. e não o visionário incomum. Assim." A queda da Ordem aconteceu em conseqüência da "mediocridade e O VEREDICTO DA HISTÓRIA falta de fibra deles (. a influência do Oriente.. um consenso bastante geral entre os historiadores modernos de que os templários não eram culpados conforme afirmado"."' Todavia. eles representavam o homem comum.talvez ele estivese pensando nas escolas públicas britânicas. entre eles Jacques de Molay. escreveu Malcolm Barber num artigo recente. e embora agora pareça que Ricardo Coração de Leão não era homossexual. "O Julgamento dos Templários Revisitado". Filipe de Maugustel. o Belo.) a maioria. é significativo que "o ato foi tão ofensivo que o mestre e "um grupo de respeitáveis homens da casa" decidiram que ele não deveria ser apresentado ao capítulo. e essa mesma repugnância é encontrada na prontidão de muitos templários. foi acusado por seus inimigos Ibelins de relações amorosas homossexuais com o bailli imperial em Acre. parece quase "homofóbico" sugerir que muitos dos templários não eram homossexuais.tolerância. seu senescal na Terra Santa. Essas pressuposições do século XX são úteis para se chegar a um veredicto sobre essa acusação específica? Não pode haver dúvida de que a homossexualidade não era desconhecida na sociedade medieval: ela era comum na corte de Guilherme. mas também da "mistagogia e obscuridade" dos maçons. E o historiador americano joseph Strayer concorda. somos deixados com algo completamente vago. "A característica mais marcante dos templários medievais era o seu caráter ordinário. for possível evitar as distorções do preconceito do fim do século XX. incluindo seus líderes.. poder-seá estar bastante seguro de que não havia sodomia institucionalizada no Templo e ao mesmo tempo rejeitar as acusações de heresia.3'R .3" Qual deveria ser o veredicto mais abrangente da história sobre os Cavaleiros da Ordem do Templo? Para Peter Partner. blasfêmia e idolatria como destituídas de provas. Ricardo Filangieri. em confessar quase tudo. no momento do julgamento provou que não tinha muito a dizer". Existe. tudo contribuiu para o fato de a sodomia ter penetrado profundamente nos costumes do Templo".

um cavaleiro franco como o conde d'Eu. um veredicto definitivo sobre os templários deve depender de nosso juízo acerca da cristandade católica. como também poeta. corajoso e um caçador hábil.`nós somos defensores da Santa Igreja'. "montou uma máquina de balística em miniatura com a qual podia atirar pedras à minha barraca. Diderot.foram uma coisa má. Renart le nouvel. os cruzados eram motivados pela cobiça. em vez de escrever poesia. Os monges guerreiros do Templo eram de algum modo diferentes de cavaleiros como o conde d'Eu? Até que ponto o aspecto religioso de sua vocação os elevava acima dos cavaleiros seculares? Se o cavaleiro da Ordem do Templo mostrasse em batalha a mesma bravura prodigiosa de seu homólogo secular. o Belo. Usamah não é apenas pio. De modo geral. Para o filósofo escocês David . ajustava sua máquina para corresponder ao comprimento de nossa mesa e então disparava contra nós. "imbecilidade e falso zelo".. se se compara a matéria-prima de um templário. Assim. com um cavaleiro muçulmano como Usamah Ibn-Munqidh. Eles eram mesmo medíocres? Certamente.e enfatizando o perigo que os muçulmanos representam para a Europa (. para ele.o tipo de brincadeira rude que pode ser encontrado em alguns ranchos de oficiais do Exército Britânico hoje. quebrando nossas panelas e copos".)" 38° . Mas essa falta de sofisticação não exclui certa santidade.. as cruzadas. mais uma vez nos deparamos com "as vestes completas e aparatosas (. e em particular de sua prolongada guerra contra o Islã. Ele nos observava enquanto tomávamos a refeição. no verbete sobre as cruzadas em sua Encyclopaedia. Neste caso. sugere um alto padrão de santidade na Ordem.uma imagem que condiz quase com exatidão com a impressão que adquirimos através dos séculos de Jacques de Molay. repetindo-se com freqüência . hoje se percebe que as cruzadas como a Inquisição . conforme descrito por João de Joinville. esse veredicto sobre os templários é positivamente tão condenador quanto o dos maçons ou o de Filipe. descreveu o Santo Sepulcro como "um fragmento de OS TEMPLÁRIOS rocha que não vale uma gota sequer de sangue humano"..) do preconceito do século XVIII" de Peter Partner. O grande respeito pelos templários do franciscano John Peckham. seu argumento é simples e desajeitadamente externado. o muçulmano parece possuir muito mais das qualidades que nos agradam hoje. arcebispo de Canterbury mais ou menos na época em que Giélée escreveu sua sátira..3'9 e ele abatia as aves domésticas de Joinville . ele também partilhava sua falta de cultura e sofisticação. Num poema satírico escrito em fins do século XIII pelo trovador flamengo Jacquemart Giélée.Em certos aspectos. o templário é retratado como consideravelmente menos sofisticado do que o hospitalário: ele "não é um orador adestrado. e "um homem de grande integridade e austeridade". O conde d'Eu.

escreveu Jonathan Riley-Smith sobre os que partiam em cruzada. 333 Só mais recentemente é que os historiadores lançaram um novo olhar na mente dos cruzados e chegaram a uma conclusão menos condenadora. Poucos historiadores parecem acreditar mais neles 11. que é o pecado contra o Espírito Santo". Nos depoimentos em seu julgamento. escreveu Jonathan Riley-Smith. mas para o cavaleiro que ingressava numa ordem militar. era bastante provável que a austera regra da caserna combinada com o claustro levasse ou a um longo período na prisão ou a morte precoce. eles foram "a maior demonstração e o mais durável monumento da insensatez humana que já surgiram em qualquer era ou nação". um período de aventura e o subseqüente renome cavalheiresco podem ter sido um incentivo para tomar a Cruz. e a insuficiência das provas em que eles se baseavam tornou-se muito mais clara. Alguns foram mortos em combate.) a fragilidade fundamental dos argumentos a favor de uma motivação materialista geral. Para um cavaleiro secular.como assinala o historiador Christopher Tyerman.. declarando que "nunca houve crime maior contra a humanidade do que a Quarta Cruzada" . após terem sido aprisionados. preferiram morrer a renunciar à sua fé. por envolver a aceitação voluntária da morte .. Seis dos vinte e três grão-mestres morreram em combate ou na prisão. professor de História Eclesiástica na Universidade de Cambridge.38' Essa opinião passou por meio de Edward Gibbon ao mais renomado historiador das cruzadas de nossos dias. o grau de desgaste na Ordem do Templo era alto. um juízo estranho de emitir menos de dez anos após o término da Segunda Guerra Mundial.Hume. "Os historiadores das cruzadas".382 Runciman foi particularmente injuriado pelo saque de Constantinopla pelos latinos. Desde o começo. e para o teólogo Michael Prior as cruzadas são um impressionante exemplo de como "a Bíblia foi usada como agente de opressão". Os filhos intrépidos mais jovens começaram afinal a sair de cena. a cruzada era sempre voluntária.-foi dito que 20. dever-se-ia lembrar que o martírio.114 A verdade que emergiu da pesquisa recente é que o cruzado muitas vezes vendia ou hipotecava seus bens materiais na esperança de uma recompensa puramente espiritual. O postulado de um ano originalmente considerado foi abandonado por causa da urgente necessidade de homens para servirem no Oriente. Ao contrário do jihad muçulmano. Sir Steven Runciman: o veredicto ao fim de sua monumental obra foi o de que a guerra santa travada pela Igreja Católica foi "nada mais do que um longo ato de intolerância em nome de Deus. "Para avaliar como é surpreendente encontrar esses mártires". Mas Runciman não está só: para o historiador israelense Joshua Prawer. mas outros.000 templários haviam morrido no O VEREDICTO DA IiISTóRIA ultramar. o reino de Jerusalém foi um exemplo precoce do colonialismo europeu. "subitamente descobriram (.

OS TEMPLÁRIOS rocha que não vale uma gota sequer de sangue humano". e até mesmo a cristandade. Sir Steven Runciman: o veredicto ao fim de sua monumental obra foi o de que a guerra santa travada pela Igreja Católica foi "nada mais do que um longo ato de intolerância em nome de Deus.386 É claro que os cavaleiros do Templo também ceifaram vidas. Por conseguinte. e um ato de tão grande mérito que justifica o mártir imediatamente aos olhos de Deus?s Da perspectiva cristã. e não a cristandade. é o supremo ato de amor de que um cristão é capaz e o exemplo perfeito de uma morte cristã. a percepção dos cristãos era a de que as guerras contra o Islã eram travadas ou em defesa da cristandade ou para libertar e reconquistar terras que eram legitimamente suas. É a doação de sua própria vida pelo mártir. que é o pecado contra o Espírito Santo". que desde o começo promoveu a conversão pela conquista. até abranger todo o Império Romano. No entanto. foi quase inteiramente pacífico. Isso está explícito na Reconquista.no interesse da fé e refletir a morte de Cristo. eles foram "a maior demonstração e o mais durável monumento da insensatez humana que já surgiram em qualquer era ou nação". desde a época da primeira razzia do Profeta Maomé. em certas épocas e em certos lugares. na pregação do papa Urbano II após a derrota bizantina na batalha de Manzikert e na pregação do dominicano Humberto de Romans no século seguinte. os cruzados eram motivados pela cobiça. O apelo de Humberto "baseava-se em grande parte no argumento de que o Islã se expandira agressivamente à custa de governantes cristãos e de que os exércitos cristãos tinham tanto o direito quanto a obrigação de deter a expansão islâmica e de reaver as terras que os muçulmanos tinham ocupado".38' A idéia de que um homem podia chegar ao martírio enquanto ele próprio estava perpetrando violência não era nenhuma inovação. mas está claramente estabelecida na cristandade ocidental desde fins do século VIII. mas seu crescimento nos três primeiros séculos.3e' Essa opinião passou por meio de Edward Gibbon ao mais renomado historiador das cruzadas de nossos dias. mas aqui também há um equívoco acerca da motivação daqueles que lutaram nas cruzadas. declarando que "nunca houve crime maior contra a humanidade do que . também batizou à ponta da espada. e lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro".'8z Runciman foi particularmente injuriado pelo saque de Constantinopla pelos latinos. para ele. "imbecilidade e falso zelo". é comum vê-la como a primeira de muitas ondas de agressão do Ocidente cristão contra o Oriente islâmico. e porque a maioria das histórias das cruzadas tende a começar com a Primeira Cruzada. foi o Islã. poder-se-iam portanto aplicar aos templários as palavras de João no Livro do Apocalipse: "Estes são os que vieram de grande tribulação. Para o filósofo escocês David Hume. Devido à animosidade anticatólica que data do Iluminismo.

. era bastante provável que a austera regra da caserna combinada com o claustro levasse ou a um longo período na prisão ou a morte precoce. um período de aventura e o subseqüente renome cavalheiresco podem ter sido um incentivo para tomar a Cruz. é o supremo ato de amor de que um cristão é capaz e o exemplo perfeito de uma morte cristã.) a fragilidade fundamental dos argumentos a favor de uma motivação materialista geral. um juízo estranho de emitir menos de dez anos após o término da Segunda Guerra Mundial. Alguns foram mortos em combate.a Quarta Cruzada" .como assinala o historiador Christopher Tyerman.114 A verdade que emergiu da pesquisa recente é que o cruzado muitas vezes vendia ou hipotecava seus bens materiais na esperança de uma recompensa puramente espiritual. Mas Runciman não está só: para o historiador israelense Joshua Prawer. dever-se-ia lembrar que o martírio. "Para avaliar como é surpreendente encontrar esses mártires". após terem sido aprisionados. mas outros. escreveu Jonathan Riley-Smith... O postulado de um ano originalmente considerado foi abandonado por causa da urgente necessidade de homens para servirem no Oriente. escreveu Jonathan Riley-Smith sobre os que partiam em cruzada. Seis dos vinte e três grão-mestres morreram em combate ou na prisão. E a doação de sua própria vida pelo mártir. e a insuficiência das provas em que eles se baseavam tornou-se muito mais clara. o grau de desgaste na Ordem do Templo era alto. a cruzada era sempre voluntária. Os filhos intrépidos mais jovens começaram afinal a sair de cena. o reino de Jerusalém foi um exemplo precoce do colonialismo europeu.000 templários haviam morrido no O VEREDICTO DA I'ISTóRIA ultramar. Nos depoimentos em seu julgamento. Ao contrário do jihad muçulmano. "Os historiadores das cruzadas". e um ato de tão grande mérito que justifica o mártir imediatamente aos olhos de Deus?s Da perspectiva cristã. e para o teólogo Michael Prior as cruzadas são um impressionante exemplo de como "a Bíblia foi usada como agente de opressão". mas para o cavaleiro que ingressava numa ordem militar. poder-se-iam portanto aplicar aos templários as palavras de João no Livro do Apocalipse: "Estes são os que vieram de grande tribulação. Desde o começo. por envolver a aceitação voluntária da morte no interesse da fé e refletir a morte de Cristo. Para um cavaleiro secular. professor de História Eclesiástica na Universidade de Cambridge. e lavaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro". 3B3 Só mais recentemente é que os historiadores lançaram um novo olhar na mente dos cruzados e chegaram a uma conclusão menos condenadora.386 . Poucos historiadores parecem acreditar mais neles 11.foi dito que 20. "subitamente descobriram (. preferiram morrer a renunciar à sua fé.

e até mesmo a cristandade. mas está claramente estabelecida na cristandade ocidental desde fins do século VIII. Um indício da devoção sincera da Ordem a seus objetivos originais é o fato de que. na pregação do papa Urbano II após a derrota bizantina na batalha de Manzikert e na pregação do dominicano Humberto de Romans no século seguinte. e porque a maioria das histórias das cruzadas tende a começar com a Primeira Cruzada. apesar de haver alguns hospitalários canonizados. não existem santos templários? Isso pode serem parte explicado pela modéstia de cada cavaleiro. então. foi quase inteiramente pacífico. Por conseguinte. jamais foi recrutada pelos papas em sua constante luta para impor a seus rivais. é comum vê-la como a primeira de muitas ondas de agressão do Ocidente cristão contra o Oriente islâmico. Isso está explícito na Reconquista. e sua megalomania pagã. O perigo representado por Frederico II de Hohenstaufen tinha sido óbvio.38' A idéia de que um homem podia chegar ao martírio enquanto ele próprio estava perpetrando violência não era nenhuma inovação. em certas épocas e em certos lugares. foi o Islã.É claro que os cavaleiros do Templo também ceifaram vidas. e não a cristandade. até abranger todo o Império Romano. os imperadores alemães. os papas estavam tão decididos a vencer essa disputa que não conseguiram perceber. Sua destruição final. Devido à animosidade anticatólica que data do Iluminismo. O apelo de Humberto "baseava-se em grande parte no argumento de que o Islã se expandira agressivamente à custa de governantes cristãos e de que os exércitos cristãos tinham tanto o direito quanto a obrigação de deter a expansão islâmica e de reaver as terras que os muçulmanos tinham ocupado". OS TEMPLÁRIOS Por que. também batizou à ponta da espada. como vimos. mas seu crescimento nos três primeiros séculos. suas reivindicações ao domínio universal. mas das forças de coerção da Inquisição a serviço do "mais cristão" rei da França. a percepção dos cristãos era a de que as guerras contra o Islã eram travadas ou em defesa da cristandade ou para libertar e reconquistar terras que eram legitimamente suas. Todavia. embora fosse uma força multinacional. Mas quem poderia ter . a ameaça representada pelo Estado nacional predador. até que fosse tarde demais. não foi obra de muçulmanos. fácil de ver para todos. desde a época da primeira razzia do Profeta Maomé. a morte cruel de vários de seus membros. mas também pelo envolvimento da Igreja no fim da Ordem. que desde o começo promoveu a conversão pela conquista. mas aqui também há um equívoco acerca da motivação daqueles que lutaram nas cruzadas. O período de existência de duzentos anos da Ordem do Templo coincide quase exatamente com a reivindicação do papado a uma soberania suprema sobre o mundo todo. No entanto.

tirando proveito dos interesses particulares de novas forças sociais. mas. Napoleão teve êxito onde Guilherme de Nogaret fracassara: em levar um papa prisioneiro a Paris para observar impotentemente O VEREDICTO DA HISTÓRIA enquanto o aventureiro corso coroava a si mesmo imperador na Catedral de NotreDame. cabe a cada um de nós decidir.. deixando mosteiros como Citeaux e Molesme em ruínas e convertendo Clairvaux em prisão. o Vigário de Cristo foi mais uma vez humilhado pelo poder da força bruta. mais de duzentos anos mais tarde. A Reforma que se seguiu na Inglaterra. dos gulags e dos campos de concentração. na Escócia e no continente europeu levou à fragmentação daquela cristandade unificada que os sucessores de São Pedro tinham tentado por tanto tempo preservar. a percepção whig da história inglesa vê nisso a gênese do Estado nacional inglês. espiritual e autorizada que o papado havia firmado na Europa durante séculos de trabalho minucioso. Clemente V apenas alguns anos mais tarde. demonstrou a altura das pretensões papais. o rei Henrique VIII espoliaria os mosteiros exatamente como o rei Filipe IV da França tinha espoliado o Templo. APÊNDICES 1 As Cruzadas Posteriores As guerras entre cristãos e muçulmanos continuaram por muitos séculos após a dissolução da Ordem do Templo. A história européia por fim abandonou as restrições intrínsecas às aspirações cristãs e moveu-se rapidamente em direção à era moderna. ele não conseguiu fazer o papa de seu tempo curvar-se à sua vontade e repudiou a autoridade da Santa Sé. No decorrer do século XIV os mamelucos do Egito foram substituídos pelos turcos otomanos como a principal força que impulsionava a expansão islâmica. ao sentar-se no trono de Constantino durante as comemorações do centenário em 1300.. Assim designados por causa do emir seldjúcida Oman. da Inquisição e das guerras religiosas. detalhado.imaginado que o neto de São Luís seria o instrumento para a queda dos pontífices romanos .um homem "cuja devoção religiosa (. ao contrário do rei Filipe IV. coerente.319 Na Inglaterra. declarou que tinha perdido "a liderança moral. dinâmico e progressista". ou para a era do Estado nacional sob a carnificina das trincheiras. Com essa cerimônia. Se a balança de sofrimentos suportados pela humanidade pende ou não para a Idade Média sob o peso das cruzadas. Assim como no caso da percepção das cruzadas pelo Iluminismo. mesmo em claro antagonismo com os interesses reais"?3$$ O papa Bonifácio VIII.) algumas vezes beirava o misticismo" e que "com freqüência impunha sua política. A Revolução Francesa em 1789 também espoliou e quase destruiu a Igreja Católica. cujo feudo ficava .

Erasmo condenotodo o conewito da cruzada. AS principais forças que tomaram parti4 contra o Islã procediam daquelas nações cujos interesses ele ameaçava:. (rpogeu da expansão islâmica na cristandade. a capital do imperador do Sacro Império Romano. Os sérvios cristãos foram derrotados na batalha de Kosovo em 1386. Belgrado em 1688.ao sul de Nicéia. a prorrogação foi apenas temporária: Belgrado rendeu-se em 1521. recrutando um exército que em 1456 derrotou uma força otomana superior que sitiava Belgrado. A vitória de uma esquadra cristã na batalha de Lepanto no mesmo ano possibilitou aos venezianos manter-se firmes em Creta até 1669. venezianos no Mediterrâneo e os Habsburgos da Áustria na Europa Orienl. eles rapidamente se expandiram durante o século XIV conquistando toda a Ásia Menor e. e a um profL:io cinismo entre seus súditos. quando um exército otomancitiou Viena. Em 1396. por um lado. Os Cavaleiros do Hospital perderam Rodes em 1522 e o reino latino de Chipre caiu em 1571. grandes partes da Europa Central e da Gréc foram recuperadas . Dez anos mais tarde. e os húngaros foram afinal vencidos na batalha de Mohács em 1526. No século XVI. mas a ajuda a Constantinopla. e a Reforma que se seguiu solapou o valor penillcial de se empreender uma cruzada por negar o poder dos papas para remir penitências e perdoar pecados. Essa catástrofe para a cristandade teve o mesmo impacto da rendição de Jerusalém mais de dois séculos antes. liderada pelo rei Sigismundo da Hungria e pelo conde João de Nevers. na Anatólia. 1•stados alemães vizinhos e os poloneses sob jan Sobieski formam um exército que aliviou o cerco. uma grande força expedicionária da Europa Ocidental. Leopoldcla Áustria. O imperativo cristão tornou-se então não a reconquista de Jerusalém. que começara durante a vida Profeta no século VIII. ocorreu em 1683. e. um exército cruzado convocado pelo papa Eugênio IV foi vencido em Varria. João Capistrano foi enviado pelo papa Nicolau V para pregar uma nova cruzada na Hungria. Contudo. passando ao largo de Constantinopla pelos Dardanelos. e em 1684. O único progresso feito pelos cristãos antes do século XVII foi na Espanha: entre 1482 e 1492 a Reconquista chegou ao fim com a queda de Granada. foi aniquilada em Nicópolis. Buda foi reconquistada em 1686. por outro. 335 OS TEMPLÁRIOS I século XIV em diante. às margens do Danúbio. uma Liga Santa foi forma sob os ~Pícios do papa para repelir o avanço otomano. moveram-se impetuosamente através da Macedônia e da Bulgária até o Danúbio. pe Paz de Karlowitz em 1699. Constantinopla render-se-ia aos turcos otomanos. o último principado islâmico na península Ibérica. Em 1443. No século XVII a Rússia assumiu a defesa dos cristãos ortodoxos que viviam sob domío muçulmano. Um avanço paralelo do Islã sob os otomanos ocorreu no Mediterrâneo. o idealismo das primeiras cruzadas tinha dado lugar frios cálculos da parte de governantes cristãos.

Va>>tagens do contraste serão óbvias". foram recuadas para a Trácia. quando foi tomada pelas forças israelenses durante a Guerra dos Seis Dias. O monte do Templo permanece nas mãos dos muçulmanos. os Irmãos da Espada. A Igreja do Santo Sepulcro é partilhada. Agora que a Terra Santa era inacessível . Seu status preciso sob o direito internacional continua sem solução. Em 1947. Pls séculos XIX e XX. ao sul de Danzig (Gdansk). Apóss guerras dos Balcãs de 1912 e 1913. no século XIII. e. onde permanece hoje.pelas potências cristãs. proclamaram um Estado judeu. por seis denominações cristãs diferentes.39° O "homem melhor" a qur' Ministério da Guerra se referia não era Jesus Cristo. e não pelo zelo religioso. Freqüentemente criticados pelos papas em Roma por estarem mais interessados em escravizar do que em converter seus prisioneiros pagãos. (domínio britânico no ultramar depois de 1917 foi partilhado com os frances. Que papel foi desempenhado pelas ordens militares nas cruzadas posteriores? Após a queda de Acre. no ano 336 AS CRUZADAS POSTERIORES seguinte. e a Grã-Bretanha tornou-se o suserano virtual (Egito e do Sudão. eles importaram camponeses da Alemanha para colonizar as terras prussianas conquistadas e lucravam com o comércio como um membro da Liga Hanseática. Em 1309. mas o sogro de Maomé. que entrou na cidacno lombo de um jumento. colônias espanholas. Um cabograma do Ministério da Guerra britâco afirmava' "Fortemente sugerem desmonte à entrada. ele estava cônscio do signi:ado histórico do que fizera. transferiram sua sede de Veneza para Marienburg. os cavaleiros teutônicos abandonaram a causa da Terra Santa para concentrar-se em campanhas contra os prussianos e os lituanos pagãos no Báltico. tendo absorvido uma ordem militar menor na Livônia. as fronteiras do Império Otomanctgora o Estado da Turquia. O conceito de cristandadeavia perdido seu significado. O genel Allenby desmontou e entrou a pé na Cidade Santa. que tinham perrrnecido leais à Igreja Ortodoxa durante cinco séculos de domínio otomancreconquistaram a independência sob o Tratado de Berlim em 1878. francesas e italianas foram estalecidas no norte da África. os blânicos retiraram-se da Palestina. freqüentemente com acrimônia. obtiveram controle do litoral báltico até o golfo da Finlândia. ao norte. Quando o general Allenby se apossou de Jerusém após derrotar os turcos em Gaza em 1917. o califa Ornar. mas essas conquistas foram inspiradas pela rivalidadeamercial e política. Imperador alem entrou a cavalo e o comentário circulou: `Um homem melhor do que ele alou a pé'. que exerceram um protetorado sobre a Síria até 1941. Jerusalém foi governada pelo Reino Hachemita da Jordânia até junho de 1967. Os sérvios. cujos habitantes judeus.

transformando-se no duque secular de Courland. A maioria se casou e acabou absorvida pela nobreza local. a princesa herdeira da Polônia. o grão-duque da Lituânia.o Saldo em 1340. a qual levou à captura de A]geciras em 1344. a Reconquista estava limitada a vários ataques de surtinham sempre tido menos diferenças do que pontos em comum. Dos cinqüenta e cinco cavaleiros que restaram na Prússia. Foi restaurada como uma corporação eclesiástica honorária pelo império austríaco em 1834.aos cavaleiros ocidentais. Todas participaram das últimas h talários continuaram a ter um grande respeito pelos templários. os junkers prussianos. as ordens militares continuaram a combater os mouestava fora do alcance de qualquer outro poder. As duas ordens e tl~e~1o subseqüente. e os hospi t~l~ a a Granada. Em 1561. No século que os hospitalários exultaram com o destino de seus irmãos. converteu-se ao protestantismo. Ordem de Alcántara também protegia a fronteira com Portugal na Clemente V. perdendo seus poderes. Todas as ordens hispânicas contribuíram para a vitória cristã Apesar da rivalidade entre o Templo e o Hospital. A. o rei da Polônia. 337 1 OS TEMPLÁRIOS AS CRUZADAS POSTERIORES N >enín. as campanhas sazonais dos cavaleiros teutônicos contra os lituanos pagãos. Em 1525. Depois disso. por outro lado. Henrique Bolingbroke participou de várias dessas Reisen antes de se apoderar do trono inglês como Henrique IV Em 1386. poucos continuaram católicos. o último principado mouro. Em 1410. levou todo o seu povo para a Igreja Católica e desposou Jadwiga. Es~I~Nmadura. Sua prontidão a assumir um ~ nas s)b a direção de reis. o último Landmeister do ramo livômo dos cavaleiros teutônicos seguiu o exemplo. os exércitos desse Estado recém-unificado derrotaram os cavaleiros teutônicos na batalha de Tannenberg: 400 cavaleiros e o grão-mestre foram mortos. dissolveu a Ordem e transformou seu território num ducado secular. a Ordem entrou em declínio. Alcántara e importante papel em algum futuro passagium parliculare se harmonizava C . para seu vizinho mais forte. chamadas Reisen. Alberto de Brandem burgoAnsbach. o último grão-mestre. Em Castela.b trava continuaram a defender e a consclidar as terras conquistadas aos tanto com a concepção da cruzada do rei Filipe IV quanto com a do papa a) ó ros.ula Ibérica. Uma Ordem remanescente com propriedades na Alemanha católica continuou a existir até ser abolida por Napoleão em 1809. as ordens de Santiago. por um lado. para os alemães seculares que tinham colonizado o país e. tornaram-se uma forma elegante de os cavaleiros europeus provarem seu valor. não existem provas de no . "Sua he . Jagiello.

500 cavaleiros.lda como a Ordem de Cristo. conforme Jacques de Molay predissera. Entre 1487 e 1499. Jean Parisot de La Valette. sua ca pi p... os a Ç~4p'oa. o qual usou a riqueza da ordem para tal La Valeta foi sitiada pelos turcos. tinha sido iam-se propostas para se criar uma nova ordem dotada com parte da riqueza rel rl. era controlada pelos reis do Hospital . Fize ~Em Portugal. Em 1565. secular" que os hospitalários nada estavam fazendo pela defesa da fé. nomeado em 1418. o papa Clemente VI escreveu fll~l.l~lo os Inuçulmanos da Espanha. Enl Aragão. mas eles prepararam uma heróica re ~s fl. não tanto pelo fato de eles se terem tornado proprietários rurais IIPepcis disso. como as sucessivas bulas papais atenuaram os votos de pobreza. ao redor do cabo da Boa tência sob seu grão-mestre. permissão do papa. Seus feitos mais significativos se deram sob seu mestre. Aí. tanbém. O poder dos mestres inevitavelmente os envolveu europeus. o controle das ordens passou para s V quase 250 entre os 1. h (ciar c-. Reis e nobres reiteradamente asseguraram o cargo de passar do tempo. os hospitalários perderam Rodes para os turcos otomanos e corVt !h mestres. a qualidade de membro transformou-se meramente r~. deixando mortos E :rança e por fim à Ásia. Depois de um cerco de cinco meses. mas com o en ntriga política. ~k únüca ordem que continuou a dar Lma contribuição substancial à Durante todo o século XVII. Em 1343. apesar das "deduções" feitas pelo rei Filipe IV e por outros reis mui arde da Estremadura.xpedições exploratórias à costa da África.3112 poli igueles. e.391 A adição das propriedades dos templários às que eles já ptr ~~ rietário rural individual e em Castela a Ordem de Alcántara possuía possuíam. cora. o Hospital era o maior ração tão nobre". prestígio. Seis anos mais tarde. que em 1492 finalmente consumaram a Reconquista. os hospitalários. as ordens castelãs ficaram `~p que era "a opinião virtualmente unânime e popular do clero e do Estado sol jd? controle do rei. lÀpe I4enrique. mas porque era uma honra seguir os passos de uma corpo CO~. o em 1530 o imperador Carlos V lhes doou a ilha de Malta. e Montesa foi incorporada à Coroa de Aragão em 1587. No século XVI. ~~°raçoes dentro dos Estados ibéricos. a Ordem do Templo. galeras dos hospitalários contribuí ca &de e obediência.paÌ~ mnhks. aumentou consideravelmente os recursos do Hospital. i o questão de honra e prestígio. expulrança de propriedades que tinham pertencido aos templários fez crescer seu sat.t~ ram para a derrota da esquadra otornaria na batalha de Lepanto.~l~s legítimos ou ilegítimos. turcos se retiraram. que conseguiram instalar prírcipes reais ou outros favoritos Em 1522. agora mais comumente ..aniz. as ordens espanholas continuaram como ricas e poderosas mais importantes. a falta de competi m` t` =re Pára os candidatos que eles apoiavam que eram muitas vezes seus ção levou ao declínio e à estagnação.

já quase no fim do século.~ ~m~ mas não a outra. À primeira vista. "que não era católico ou celibo) ou celibatário. os Cavaleiros de São conhecidos como os cavaleiros de Malta. mas com certeza era louco". Dos 322 cavaleiros na guarnição. cujos membros . hes Poderia acontecer caso se opusesses a Filipe. com uma meticulosa e exagerada insistência na disciplina e na precedência. que não tinham a menor intenção de devolvê-la ao remanescente da . Na ocasião em que Napoleão foipoleão foi afinal derrotado na batalha de Waterloo. e os ofciais. cilrnição. Como Napoleão comentou maisntou mais tarde." 1cia. talvez ele tenha numerosas comendadorias na Europa. Depois de deporem o grão-mestre que tinha perdidha perdido Malta. com ude. Ferdinand de Hompesch. o Hospitaltinha várias vantagens: possuía dor Roderico Cavaliero como monótona. os cavaleiros de São João escolheram colheram como seu sucessor o czar da Rússia. parece pequena a giada que proporcionava um satisfatório benefício para toda a vida". Todavia. ela voltou ao objetivo filantrópico por que fora originalmente criada: uma corporaça corporação de católicos romanos devotos.39s Não obstante. "A monotonia era o traço predomi m~ advD.gados treinados na sua folha de paramentos e sua sede em Rodes nante da vida na ilha.\ . a capital da Ordem na ilha de Malta. O tom estabelecido no topo era de moderada urbaniíli 338 OS TEMPLÁRIOS 339 dade.gtt ra santa da cristandade contra o Islã foi u Hospital.cente da Ordem do Hospital. JoV~'~ Sob o grão-mestre Foulques de Villaut." Por volta Por voltado fim do século XVIII. eles tinham ficado notavel-quer para campanhas contra as potências islâmicas.os britânicos. cinqüenta eram velhos demais para lutar. em parte por receio do tas em pequena escala a expensas de navios procedentes dos portos do norte q . Paulo I.'9' A vida pr h¡abilidlade de que a blasfêmia. que tornaram permanentes os desastres temporários nporários do período revolucionário". ela vculo. o Belo.. Os remadores eram escravos. a decadência do Hospital chegara a um ponto em quito em que sua inexpugnável fortaleza de La Valeta pôde ser tomada por Napoleão Bopoleão Bonaparte após um cerco de apenas um dia. 394 Seguiu-s Seguiu-se o que um historiador do Hospital chamou de "os piores vinte anos da históls da história da Ordem: vinte anos de oportunidades desperdiçados por interesses peresses pessoais mesquinhos. forneceram uma útil força naval. foi descrita pelo historia or~. a heresia ea sodomia contaminassem uma em La Valeta. quer para ataques pira m`Vte calados durante o julgamento dos terlplários. A qualidade de membro da Ordem siç erpnflutnciado a seu favor pela atitude complacente da Ordem para com assegurava "uma sinecura dentro de uma corporação aristocrática privile os ÇregeN durante a Cruzada Albigense. jovens aristocratas das qV `I~esperavam lucrar com a extinção do TerAplo. em parte porda África. mas absolutamente nenhuma força moral". Por que eles foram poupadiferentes langues da Ordem que mais tarde se retiraram para administrar as dQ e'Se Guilherme de Nogaret era de fato n-to de cátaros. ristência. Malta foi ocupada pelos britâni. ou um irmão professo. "o lugar certamente possuía imensos meios físicos de resistência.

. em sua maioria rr maioria muçulmanos. os pobres e os destituídos. E como tal permanece a-manece até hoje. e os israelenses. o Vaticano acabou reconhecendo o Estado de Israel e. Após longa hesitação. O conflit O conflito também prossegue na Terra Santa entre os palestinos. embora 340 AS CRUZADAS POSTERIORES continue a argumentar que Jerusalém deveria ser colocada sob ju internacional. na maior parte judeus. mas a práticas a prática da religião cristã continua proibida na Arábia. nos Balcãs. em Londres e na própria Roma -. o Afeganistão e o Paquistão. Foi inevi Foi inevitável que os cavaleiros de Malta da atualidade renunciassem à sua vocação t. vocação militar. não se pode dizer que esse espírito de tolerância teerância tenha significado o fim de toda inimizade entre cristãos e muçulmanos. governam de acordo coacordo com a doutrina do Alcorão. o Sudão. monges coptas no Egito. Grão-Mestres do Templo Hugo de Payns Roberto de Craon Everardo de Barres Bernardo de Trémélay André de Montbard Bertrand de Blanquefort Filipe de Nablus Odon de Saint-Amand Arnoldo de Torroja . Mesalos. Fundamentahdamentalistas islâmicos em anos recentes assassinaram missionários cristãos no Ptãos no Paquistão.em Paris. Contudo. como o Irã. Conflitos armados entre cristãos e muçulmanos çulmanos continuam na África. o âmago do Islã. o 'itação. se a atual tendência coI o único grupo significativo de cristãos a ser encontrado assistindo ac ços religiosos na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém serão os pel que até aí terão ido de aviões a jato. na Indonésia e nas Filipinas. No próximo milênio. e monges trapistas e um bispo católicoo católico na Argélia. Igreja testemunha com consternação o êxodo da Terra Santa de nativos que sentem que não têm nenhum futuro no país que assistiu cimento de sua religião. Mesquitas são construídas na parte mais importante do que um dia foi chamado ichamado de cristandade .aristocráticos trabalhavam balhavam para ajudar os doentes. uma vez que a Igreja Católica desistira do conceito de uma cruzada a cruzada armada: de fato. desde o Segundo Concílio do Vaticano tem-se demonstradorlonstrado um respeito pelo herege e pelo infiel que teria frustrado São Bernardo demardo de Clairvaux. Vários Estadcios Estados. não mais advoga a reconquista cristã da Terra San tinha sido o principal objetivo de tantos papas durante tantos anos.

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). Londres. Prima Vta. p. 184. Military Ordens Fighting for the Faith and Garing for the Sick. 362 Barber. Les Templiers. xix. 48. p. p. citada em Barber. 28. p. 16. p.334 335 336 337 Citado em Barber. 100. Londres. p.. 349 Menache. 236. The Holy Blood az Holy Grail. p. 363 Ver Michael Baigent. "A New Edition of the Latin and French Rule o Temple". 1 p. lha Thal of the Templars. The Templars in Yorkshire. Ibid. 142. 364 365 366 367 368 369 370 371 372 Lamy.. p. 341 Ibid. p. 2 354 Crônica de Walter de Guisborough. p. em Nicholson (org. 206. Glem p. The Trial of the Templars. 355 Forey The Templars in the Gorona de Aragon. Citado em ibid. The Murdered Magiciarrs. 360 Nieholson. 358 Citado em Barber. p. 147. The Trial of the Tem. 348 Ver Barber. 339 Ibid. Richard Leigh e Henry Lincoln. em Barber (org. 148. 206.. The Military Ordens: From the Twelfth to lhe Early Fourseenth Genturies. 1998. 207. citada em Barber.Vlctor. p. 177.. 352 Citado em Barber. 342 James Brundage.'ó. p. citado em Barber. Citado em Menache. citada em Menache. citada em Menache. 340 Menache. Ces Grand Seigneurs aux Blancs Manteaux. p. 67. TheTrialoftheTemplars. 361 Partner. 316. pp. p. p. Clernent V. 331. Templars. 161. p. 345 Da Crônica de Guilherme de Nangis. 357 Ver Simonetta Cerrini. vol. 125.. The New Knighthood. The Trial of the Templars.. The Trial of the Templars. p.. 396. 202.. 356 A Crônica de Guilherme de Nazzgis. . p. Keith Laidler. NOTAS 338 Citado em ibid. 351. The Murdered magicians. 351 Ibid. p. 1982. 2. The Trial of the 7érnplars. The New Knighthood. Ibid. 344 Citado em ibid. 364. 192. "The Lawyers of the Military Ordens". TheMilitary Ordens. p. The Blood and the Shroud. p. 199. 229. p. p. p. Clement V. Ver Ian Wilson. The Trial of the Tem p. 346 Ver ibid. 353 Jean de Saint Vector. p. p. Jean de Saint. 94. The Head of Goda The Lost Treasure of the Templars. Clement l. 100. 350 Martin. 157. p. 359 Partner. 211-12. 343 Citado em Barber. p. 241. 347 Forey. p. Glement V. Londres. Barber. Hospitallers and Teutonic Knights. p.. 656.

. citado em Tyerman. 86. Favier. 267-268 Anselmo de Canterbury 121. 148. 35. p.. 74. citado em Malcolm Barber. p. p. 183. 306. "The Trial of the Templars Re ted". p.. The Murdered Magicians. ' 380 Nicholson. p. Partner. p. citado em Barber. em Kedar comércio 224 163-164.. Prutz. 378 Pa rtner. Carlos de Anjou 257 Amauri. Nova Iorque. 178. "The Trial of the Templars Revisited". 238 André de Montbard. 374 Southern. 267146-147 389 Ibid. p. 92. Frederico II 221222. p. 447. 1978. vol. Sainl Anselm. I n d i e e 376 Ver Upton-Ward. l. 201. Londres. p.). PhilippeleBel. p. Berlim. sultão 213-214. A History of the Crusades. . The Invention of the Crusades. 76 al-Kamil. 254. 209. grão-mestre 110. p. Paris. TheMilitary Ordens. sultão de Alepo 240. The Bibleand Colonialism. Abraão 17-18. "ProdefensioneTerreSancte: The Development and Exploitation Saladino 178. Andrew Sinclair. p. p. mamelucos 250. 100. 165. "The Trial of the Templars Revisited". The Ferulal Nobility and the Kingdom of Jerusalern. 167. p.p. em The abácidas 65. p. 480. 268 an-Nasir Yusuf. 329. 310. 180. 59 al-Mansur Ibrahim 239-240 385 Riley-Smith. 377 Barber. queda de 259-262. 379 Joinville. Acre Alp Arslan. 334. i. 246 390 Citado em Amos Elon. p. The First Crusade and the Mea of Crusading. 357 OS TEMPLÁRIOS 373 J. Geheimlehre und Geheimstatreten des Templerherren-Ordens. 1 p. 122 391 Michael Gervers. p. Artigo 573. 382 Runeiman. 219-221. 1989. 138. 25. H. Templars. 384 Jonathan Riley-Smith. Lea. 1998. The Kingdom of Acre. 115. 383 Prior. H.a. 22. em Berber (org. The Life of Saint Louis. 153. "The Trial of the Templars Revisited". 89-91. rei de Jerusalém 146. principado de 97-98. p. Hospitallers and Dutonic Knights. Londres. The Rule of the Templars. p. 1 pp. 62. p. p. 331. The Murdered Magicians. 381 David Hume.). The Discovery of the Grail. 194 complexo do Templo 236 Amauri de Chipre 302-303 (org. 238 Oxford Alustrated History of the Crusades. Jerusalem: City of Mirrors. The Military Terceira Cruzada 185-188 Antioquia. 112. 199. 330. em Nicholson (org. sultão 77 386 A Bíblia de Jerusalém. Ibid. Livro do Apocalipse 7:15. i 375 Ver Riley-Smith. 330. 111. 7. citado em Barber. p. 259262. C. 171. 13. 177. p. "The Crusading Movement and Historians". 86. The Homns of ~attin. vol 2. p. 388 Menache. A History of the Inguisition in the Middle Ages. 264. 153-15~ 387 "Humbert of Romans and the Legitimacy of Crusader Conquests". 185 Antioquia 76. 3. History. Clement V. 252 of the Hospitallers' Landed Estare in Essex".

The Knights of Malta. Balduíno 111. 168. 238 Credo de Nicéia 42 Filipe de Nablus. 219. The Atlas of the Crusades. 268. 91. 323 Frederico 11218. 131. ávaros 61. 119 304-307. 171 314. "The Military Orders. rei de Jerusalém 132. 176. 67 306. 145.99. 170 Alcorão 57. p. 243 agostinianos 101. rei de Aragão 117. 191 16~ ° V rei de Jerusalém 170 fortalezas 123. 1991. grão-mestre 239 395 Sire. 156. rei de Jerusalém (Balduíno de Alice de Jerusalém 124 Le Bourg) 88. 347. 281. rei de Jerusalém 165. 323 128. 91. 234. Fidelis Crucis. 130. 338 turcos otomanos 335 188. 189 alegações de bruxaria 286. 62. 126. . 316. p. rei de Jerusalém (Balduíno de Aleixo V Ducás. 200. imperador bizantino 77. 259 392 Ver Schein. 98. 241. grão-mestre 169. 282 al-Ashraf 260. 314. 308-309. 118-119 Armênia Cilícia 90. 1312-1789". 295assassinos 13. 315 394 Jonathan Riley-Smith. príncipe 202 Balduíno I. 150. 240. 12~ Orders: FightingfortheFaithandCaringfortheSick. 251 . em The Oxfordlllustrated Adriano. 136. 148. 170. 295-304. 290. conde de Toulouse 117. Nova Iorque. reino de 197. 87. 97-98. patriarca de Antioquia 150 281. 219. 248-249. 101. 194. 163. 258. 188. 168e os templários 143. 290. p. 83. Agostinho de Hipona 42-44. 124. 245 Aleixo Comneno. imperador 29 Aragão. bispo de Le Puy 78. 97 anti-semitismo 33. 20. 189. 99. 58. 239 123-124. 245. 292. 250. 325-326 250 alegações de heresia 286. ayyúbidas 201. 88. 148149. 246 82. 262 Amoldo de Torroja. rousinage 69. Afonso Jordão. 132. 272 History of the Crusades. senhor da Transjord Baphonís 44-46 igrejas 196 cristianismo monofisita 62 154.. 118. 121 Filipe de Montfort 240 Balduín'let 286. 238. rei da França 182. p. Afonso I. imperador bizantino 203 Boulogne) 88. 224 Aimery. 82. 200. Arca da Aliança 19. 165 358 ÍNDICE ÍNDICE o IV. 92 Aleixo IV Ângelo. persas 62 Filipe Augusto. 221. 144. 149 Armando de Périgord. rainha de Chipre 223. 168. papa 86 Balduíno II. Ademar de Monteil. 150. 106 240. 108-109. p. 186 Balduín'). 181-182 147. 147. Alice. 147 Alienor de Aquitânia 116. 163 bárbaro. 235. 100 Alexandre VI. 90. 151. 247 298. 325-326 Ayyub 238. 59 Ascalão 145-146. 137 393 Anthony Luttrell. 101.

238. 78. 259 mamelucos 251. 269. 103. patriarca de Jerusalém 97. 241. 233 Bento G Tomás 249 Sicília 200 Luís IX 241-249 francos 55 Bérard~o de Clairvaux 103-105.222 Frederico I. 317-319. 330 Citeaux. 268 ver tambérrr cátaros 272-277. 93. 106. 112 Rudes 269. 252 '6-57. 221 estilo de vida no ultramar 136-13 13 )o de Trémélay. 134cavaleiros 112 Quarta Cruzada 201-204. 294 Quinta Cruzada 211-213. 276. 147 BonifO. papa 271. 302-303. Cúpula da Rocha 66. 100. 178. 213. 195. 24i'm°s 70. 218-222 Francisco de Assis 213. 195. patriarca 199 2?-io. 220. 211. Luís IX 242 Romano 183-184 2 templários 189. grão-mestre 147. Damieta 213. 224. 205 Segunda Cruzada 126-135 Império Romano 44 Bernart 6 Cesaréia 21. 125. 200. príncipe de Antioquia 153. 288-289. 311. Romano xii-xiii. príncipe de Antioquia 124 271. 302-303 Damasco 108-109. Chartres.123. rei da França 83 ver finos cluniacenses 72. 88 Bernar 1. 243. 28 Terceira Cruzada 182192 invasão da Catalunha 67 14 d de Blanquefort. 200. grão-mestre 145celibato 48. 249 222. 249 7 cistercienses 103-105. 267 benedil~e Núrsia 50-53. o B Baibars~. 233. 309.Cruzada Albigense. 216. 313. 1dÃo VIII. papa 279-284. 98. 335-341 312-315. 140. imperador do Sacro Imp 15(ido de Taranto 88. 233. 89. 103 rendição a Saladino 178 quista franciscanos 195.132-133. 25 Foulques de Anjou 80. 207. 103. 91. 99. 101 Boemu Frederico II. ReconFilipe. 253. 105. 126 Geoffroy de Saint-Omer 120 . Terceira Cruzada 186 222. 317. 111. 108-109. 279-281. Concílio de (1150) 135 . promoção do cristianismo 54-55 Bertradl~ 154 Chipre 150-151 177. 278. Boemu fido III. 257. 239-240. 223. 97. 293. 283-285. 335 Frederico 11214. 110Terceira Cruzada 188 Primeira Cruzada 83. 328 Clóvis 45 11 5 Celestino V. 27.al-Malik az-Zahir Rukn ad-Din Malta 339 Cruzada Albigense 204-210 Filipe IV. imperador do Sacro Imp Idpdo II. 97. 214. 218. 125-129. 144. 59 291-295. 218. 235. 86-94 classe de guerreiros 80. marquês de Montferrat 203 Clairvaux. 168. 330 benedit também beneditinos cluniacenses queda de Acre 261. 210 mongóis 249 cruzadas 328329. 268 vertall.221. 152. 279. 58. 286. Abadia de 103. 199. 285 Bonifá~ Clemente V. 25. 85. 113. 121. rei da França (Filipe. 121. 250-254. 70. 111-112. papa 271. Edessa 91. 210 145. 233. 121. 287-. 245 Boemu Davi 19. Abadia de 103. 114-115. 98. 292-294. 12. 107 Domingos de Gusmão 207. 238. 260. Gaston 124. 104-105 Doação de Constantino 72 Foulques. 275-278. 102.: ' --. 107. 270Daimbert.

236 Conrado de Montferrat 178. 92. 256. 194 empréstimo de dinheiro 197 God i ï8 o de Bouillon 88. 284. rei da Inglaterra 307-310. eremitas 49-50. 239. 79.aIno funcionários civis 199 fundação 41 fariseus 23. 253. 277. rei da Alemanha 128-131 Estêvão VI. 218-219. 198. 259-261.135 Gualtério de Mesnil. 271. 223. 176. 135 Gregório VIII. Estêvão. 38. 241. 109. 129. II 102 Clermont. 259 cônegos do Santo Sepulcro 119. 322 Gregório I (o Grande). 89. 173-174. 123 Guilherme de Chartres. 189 Estêvão de Otricourt 245 godos 52 cartux. 171. 237. 178. Concílio de 81. conde de Boulogne 88. 30 signan) 171-176.133. 204-210. 91Gregório VII.Caaba 57 260. 204 carolíd'lls 104. 256. 274. 319. conde de Blois 88. 127. Eusébio 32. Estêvão Hardin 104-105. 250. 89. 52 casam' Peregrino 212. papa 47. 289. 80 Conradino. 249 Eugênio III. 149. 184. 83 267. 166 189 zrn 361 Guilherme de Beaujeu 256-257. 1 c~izada Albigense 209 Islã 63 fatímidas 65. 80. 323. 105 Egito 201.Jerusalém 249. 71 Cluny 70-71. 268 Guilherme de Burres 108. 134. papa 180-181 2. 60. 82 castelt~l8 246. 97 2~ ~nos 68. 1 unto 48. 243. papa 74. rei de .129. 184-185. 237. 53 Eduardo II. 224. 235 Casteli. grão-mestre 121. 205 Godofredo de Saint-Omer 101. 257comunidades de templários 116. 274. 281 Geoafdoy de Margines 249. 281 Fakhr ad-Din 219. rei de Jerusalém 218. 244. princesa deAntioquia 131. papa 126. doge de Veneza 201. 26. 194. 235. Comado II. 330 Eduardo I. 203. 153. 245 . 48 Gregório X. 93 Gualtério de Brienne 240 CavalE 9 Constantino. 325 Guilherme de Sonnac 243-244. 279. 269 Conrado III. 253 Enrico Dandolo. 212-213. 163-164 1 !~ub 238 Constantinopla Gualtério Sem-Haveres 86. 167 Eustáquio. 24. 49. 219. 130-131. 72 Everardo de Barres 116. rei de Jerusalém (Guido de b. 303 Clóvis 45. imperador 39-41.198 249-250 Carlos4~8. 245 Guido. 154 cruzadas 88. 110. grão-mestre 212 Guilherme de Nogaret 274.135 ~ g Gre ório IX. 315 Ntagno 67. 178 Carlos gnosticismo 38 Carlos conde de Anjou 252. 92. 238-240. 76. 294-295. 313.183.3. 50. 106 186-187. 153.196. 246. 33. 152. Calistdíh rei de Nápoles 279. papa 255257 cátaro~ros do Hospital de São João 118150. papa 69 g papa 2i> e fortalezas 144. 185.148. 243. 87 A icarrota 147. 292. rei daAlemanha 132. 325 Constança. Contado. rei da Inglaterra 254. 78. 250 Cadija Gérard de Ridefort.

Roberto 77. 23 homossexualidade 122. 270. 44-46. 133. 175. 125. 223 Guiscard. 76 Itália 72. 180. 260. 114. 39-40. 286-287. 77 rivalidade com o papado 75 turcos seldjúcidas 82. 202. 181-182 Henrique JI. 270 Humphrey de Toron 166. 214 Inquisição 285. 177 Hermann de Salza 199. 200 Inocêncio III. 306. 217. 92. 186 Iftikhar 92. 199-200. 297. 235. 100 Primeira Cruzada 93 reconstrução (1149) 141 Império Bizantino 43. imperador do Sacro Império Romano 73. 163 Hattin. 261. 258. 116 Henrique II. 83. imperador bizantino 61.148. 194. rei da Judéia 20. 219. 108-111. 177. batalha de 175 Henrique I. patriarca 169. 171. 211.154. conde 88 Hugo.149 Império Romano 20-23. papa (Gregório Papareschi) 119. 30.164. 88 Henrique VI. 218. 323 Hugo de Vermandois. 199.218 hospitalários ve-Cavaleiros do Hospital de São João Hugo de Payns 101-103. 315. 130. o Grande 20. 61-62. 184. rei da Inglaterra 168. 202203 Filipe IV 281 Islã 59.Guilherme de Tiro 145-146. papa (cardeal Savelli) 199. 123. 22-25 Hildebrando ver Gregório VII Hircano. 171. 185. rei de Chipre 257. 201 202. 116. 55 Chipre 150 cruzadas 88-89. 120. conde de Champagne 100. 325-326 Honório III. 88 Hasan-Sabah 149. 169. 62 Heráclio. 51 Inab. rei da Inglaterra 109. 288. 74. rei de Chipre 258. 207-208. 291. 125. 291. 322 Hugo. batalha de (1149) 149 Inocêncio II. 102. 295. 174. 325 . 93 Igreja do Santo Sepulcro 140 conquista islâmica de Jerusalém 66 Frederico 11221 igrejas baseadas na 196 ÍNDICE ÍNDICE peregrinação à 80. papa 193-194. 120. 303 Henrique IV. 211.217. 209.110. 308. 170.215. 221 Herodes Agripa 135 Herodes. imperador do Sacro Império Romano 191 Heráclio.

batalha de (1244) 240. 213. 250 João de Joinville 241-242. 312. 102 primórdios da história 17-28 Saladino 177 sécuL vy 336. 245-246. 62 Estados cruzados 137 Primeira Cruzada 86-87. 93 Juliano. papa 55. 238 Isaac Ducás Comneno.187. imperador 52. 189 Islã ver também muçulmanos Abraão 18 conversão forçada ao 329 divisão do 61 fundação do 56-66 Império Bizantino 75-77 mapa 63 islamismo sunita 61. rei da Inglaterra 188. 2 273. 310. 282-284.. 32 João Cassiano.1 Luís da Baviera. duque daÁustria 184. 77 islamismo xiita 61. 51 João de Brienne (rei de Jerusalém) 212214. 1 135. 32 judaísmo vertambém judeus Abraão 18 anti-semitismo 33. 90 Kerbogha de Mossul 90 Knowles. 59 Joana de Navarra 273 João Batista 30. 100. 59. papa 69 João X. 233-234 Jaime I. 318 Jacques de Vitry 211. 99 Jesus Cristo 29-34. 64. 316 João. rei da França 209 . marechal do Templo 173 Jacques de Molay 271. 168. 181. 286-288. papa 74 Leão. 315 Jean Michel 111 Jerusalém 140 conquista islâmica 66 conquista persa 62 cristãos primitivos 40 cruzadas 92-93. rainha de Jerusalém 212. 61. duque 213 Luís IX. 218. príncipe de Chipre 186 Isabel. 235. rei de Aragão 305-307. 129. 252. papa 69 João XI. 223 domínio latino 136-139 Império Romano 20-27. rainha 185.97-98. 27-28. 191. Dom David 107 Lã Forbie. 33. 268 João VIII. 64. rei da França 241-249. príncipe da Armênia Inferior 20i Leopoldo. 250 Lança Sagrada 91 Languedoc. 40 Maomé 58 peregrinações a 79-80. rei de Aragão 236.241 Leão 1.Iolanda. 341 Jerusalém. 188. 219. 313. 295-297. 202 Luís VIII. papa 46 Leão 111. 218. 64 Leão IX. reino . 223 João de Giubelet 250 João de Ibelin 222. papa 292. 201. papa 69-70 João XII. 220221. 244. 31. 256 Jaime II. o Apóstata 41-42. 148 Jacques de Mailly. 137138 Jesus Cristo 29-35 mundo greco-romano 21 primórdios da história 18-19 judeus ver também judaísmo e cristãos primitivos 42 e o Islã 58. 275 Luís VII. 40. 83. 247. 327 João de Villiers 261. 23. 199 Josefo 20. rei da França 126-127.cátaros 206-209. 50. 304. 66 Justiniano. 29. papa 71 João XXII. 223.

250-252. 6 mestres 113. 322 mesquita al-Aqsa 66. Segundo Concílio de (1274) 25f Malta 339 mamelucos 244. 268-269 Nip Pacômio 49 . imperador biz~ tino 255 Milícia da Fé de Jesus Cristo 209 MilitesTempli (1144) 125-126 MilitiaDei (1145) 125 Moisés 18-19 monasticismo 47-55 ÍNDICE mop~óis 243. 2$1 Paganismo moq~anista5 38 mop~e do 'fbmpla140 der tamkán mesquita ai-Aqsa. 272.249-250. 267.templo de Salomão Wificios dos terrlplários 138-139 17reder0 11220 Ma%é 59 beregrinos 100 ialadi00 177 §antuá(io Islâmico 66 Mona Alberto dever Gregório VIII muç. 248.almanOs 64 ber ta0ém Islã ameaça a Roma 75 ataques a peregrinos 100. imperador bizant 130. 2 247 Maria. batalha de 77. 81 Meca 56-59. Cúpula da Rocha. mãe de Jesus 144 Mariamna (segunda mulher de Herod 23-24 Martinho de Tours 50. 80. 270 Massada 21. 140. 177 Messias do judaísmo 25. Primeira Cruzada 89 NiQÇ)lau IV papa 258. 31. 141 vertambém nomes individuais Miguel VIII Paleólogo. 147. >77. 2 262. 139. 79. 121. 151. 25. rainha de Jerusalém 108-1i 132. 134. 246-247. 133. 72 Martinho IV papa 258.Lyon. 34. 272. 102 convefsão aocristianismo 224 EstadOs cruzados 136-139 França 71 Nie~Sia. 68. 83. 30. 28 Mayeul de Cluny. 281 maniqueístas 206 Mansurá 243-245 Manuel Comneno. 150. 172 Melissanda. 329 Maomé 56-61 Marco Antônio 21 Margarida da Provença 241-242. 267. 149 merovíngios 54. 267-268. 167 Manzikert. 29. 254. 243. abade 70.

322-323 Poitiers. 4$ ótç. 29. 102 primórdios da história 18-19 século XX 340 papado conflitos com governantes seculares 71-72 cristianismo primitivo 46-47 desintegração do império de Carlos Magno 69-70 Doação de Constantino 72 e o Império Bizantino 75-78 pacto franco 54-55 privilégios das ordens militares 125. cardeal 213-214. 336 O»te datiA Optimrem (1139) 125. 89. 302 Pedro de Capitólia (eremita) 65 Pedro de Montaigu. 248 Frederico 11218 219. 271 supremacia do 277 Papareschi. 93. 32-37 língua árabe 65 peregrinações à 100. o Apóstolo 38. 87.n I (oGrande) duque da Saxônia 71. 39 Pelágio de Santa Lúcia. 248 Império Romano 20-28.br. o Eremita 86. 91 Nur ed-Dín 151. califa 61. 210 Pedro. 24. 199. 30. 221. Ra1Ph 195 norrnarldo9 73-75 77. 134 Pedro. São 35. 66.223. 67 Pôncio Pilatos 24. 36-37. rei de Aragão 208. Concílio de 78. Gregório ver Incêncio II partos 20 23 Paulo de Tarso 35-36.. o Venerável 105. 46 Pedro. 301. batalha de 64. 235 Qalawun 259-260 Quantrempraedecessores (1145) 126-127 . 102 período do Evangelho 29-36 Pérsia. 46 mártires 53 norte da Europa 67 tribos árabes 56. 33 Portugal 117. 165-167. 200 Orem dos Cavaleiros Teutônicos 184 e os dmplaqos 143 fortalezas na palestina 212. 221 La Fotbie 240 mamelucos 254. 168 ~~ÇIn Poilechienz58 k>n. 30. conquista islâmica da 61 Piacenza. 163. 41. 92. 260 mona°IS 249 mudança pata a Prússia 269. 47. o Breve 54 Pepino.153-154. 58 Palestina conquista islâmica 6` conquista persa 61 domínio latino 136-137 fortalezas dos templários 123.152.243 Pepino. 88. 236. 75 ÍNDICE Império Romano 21. 337 Ori. 90 Pedro. 122 Payen de Montdidier 116 pedreiros-livres 321 Pedro de Bolonha 297-299. grão-mestre 163. 293 Pobres Soldados de Jesus Cristo 101-102. 38. 222 Pedro de Rovira 116 Pedro de Sevrey 262 Pedro II. 119. 48 osCkogodaç 43. rei 72 peregrinação 79-80. abade de Cluny 70 Orar.234. 177 Odcracro 4'1 ~~qm de Lagery ver Urbano II qm de Saint-Amand. 82 Pietro dei Morrone 276. 100. 194. grão-mestre 213.genes38.

253. 92-93. 1' Sicília 73-75.123. 165.141 turcos khwarezmitas 240 turcos otomanos 335. fatímic melucos. 118. 88. 89-90 . grão-mestre pitai 169. 249 regra de vida 111-114. E. 67 segredo 195. 136 Tancredo.173 Raimundo VI. 210 Raimundo VII. 187-188. 2250 Roberto. rei da Armênia Cilícia 150 Tiberíades 174 Tiro 27 Tomás Becket 169 Trípoli. 98. 181 Reinaldo de Provins 298. 239. rei da Sicília 125. 235. 301 Reinaldo de Spoleto 219 Reinaldo de Vichiers 246. 38. duque da Normandia 88 Roche Ia Roussel 124 Rodes 269-270. 258 Simão de Montfort 201-202. 185192. 119. 197. 233. 137 Suger de Saint-Denis. 271. 234 relíquias 40 Ricardo Coração de Leão 181-182. 339 Rogério de Flor 261. 79. imperador 42 Tertuliano 37. 269-270 Rogério de Mowbray. 73 Roma conquistas islâmicas 64. abade 126. P 31 Santiago. 308. 89. 132. 98. 151.110. 93. 21 profecias de Jesus 33 reconstruído por Herodes 22 tesouro enterrado 323 Teobaldo Gaudin 262. 47 Thoros. 120. 90. 77.1 f sistema feudal 68-69. Concílio de 109. 148. 336. 171-172. Ordem de 117. 26. 339 turcos seldjúcidas 77. I Tancredo 88. 141-143. 323 Saphet248 sarracenos ver ayyúbidas. 97. 286. 82 Império Bizantino 149 Primeira Cruzada 88.193 Ricardo Flangieri 223. 99 Troyes. 214.114. 173 Rogério II. 1 Rolão 67. 208. turco: cidas saxões 54. 183. 1 Salimbene 214. 69 cristãos primitivos 42 Doação de Constantino 72 godos 52 papado primitivo 46-47 Ruad 263. 33 Pobres Soldados de Jesus Cristo 101 profanação por Pompeu 20. 272 Sacro Império Romano 71 saduceus 24. muçulmanos. conde de Toulouse 210 Reconquista 67. condado de 97.170-171. 196-197 confisco de 313-315 Inglaterra 307 lendas relativas à 322-323 serviços financeiros 199 Roberto de Craon. 271 Teodósio. 30 Safed 152. 314 serviços financeiros 199 Sibila. 250-251. conde de Flandres 88 Roberto. conde de Trípoli 148-149 Raimundo III. conde de Toulouse 79. 324 Templo de Salomão 17-28 destruição pelos romanos 27. conde de Barcelona 117. 153 Raimundo de Saint-Gilles. 2 211 Simeão EstiLita 49 Sinan (Velho da Montanha) 154. 252 Saladino 165-179. conde de Toulouse 208. 190 Raimundo II. 191 Roberto II. 91. 167. 98.Raimundo Berenguer IV. grão-mestre 186. conde de Trípoli 164. 168. 167-168. conde de Artois 243. 338 Santo Graal 322. 329. grão-mestre 125 Roberto de Flandres 92 Roberto de Molesme 103-104 Roberto de Sablé. 335. rei da Sicília 185 ÍNDICE templarismo 321-324 Templo de Londres 197 Templo de Paris 129. 270. 335. 303. 338 Reinaldo de ChâtiLlon 149-150. 175. 326 riqueza 195-196. 128. 189. 217 Salomão 19 Salomé 24 Sanders. conde da P bria 196 Rogério de San Severino 257 Rogério des Moulins. 216. 209. 145 Raimundo de Poitiers 131. 235-236 benefícios 116. rainha de Jerusalém 171. 119 Raimundo de Le Puy 118. 236.

147.187. 214 vestuário 112. 195.175. 47 Vítor. 61. 136-164. 237 ver também Palestina Urbano 11. 234 zelotes 26. 28 zoroastrismo 204 . papa 199 Usamah Ibn-Munqidh 136.176. 97. 103. 80-83. 138-139. 91. 46. 104 Urbano 111. 113. Concílio de (1311) 310-315 viquinques 68. papa (Odon de Lagery) 78-79. 132 Terceira Cruzada 184 ultramar 97-115. 74 visigodos 44. bispo de Roma 39 Walter Map 164.Segunda Cruzada 130. 327 vassalagem 68-69. papa 180 Urbano IV. 98 vau de jaboc 168 Verdadeira Cruz 40. 142 Vienne.

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