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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .... ª VARA DO TRABALHO DA COMARCA DE ....

................................., (qualificação), portadora da Cédula de Identidade/RG..., inscrita no CPF/MF...., residente e domiciliada na ...., Cidade de ...., por intermédio de sua procuradora, que adiante assina (procuração em anexo), com escritório profissional na Rua..., Cidade de ...., onde recebe notificações e intimações, respeitosamente comparecer perante Vossa Excelência, com a finalidade de promover a presente AÇÃO DE INDENIZAÇÃO com fundamento nos artigos 5º, V da CF e 159, 1518, 1521-III, 1522, 1538 e 1539 do Código Civil, e demais dispositivos cabíveis a espécie, contra ........................................, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CGC/MF sob o nº...., com sede na Rua ...., Cidade de ...., na pessoa de qualquer de seus representantes legais, quais sejam: ...., pelos fatos e motivos que a seguir expomos:

PRELIMINARMENTE Requer-se seja deferido o benefício da Justiça Gratuita, por não possuir a Requerente renda suficiente para prover as despesas judiciais, com base na Lei 1.060/50 (nova redação pela lei 7.510/86)

DOS FATOS A Requerente foi admitida pela Requerida em data de .... para exercer a função de caixa, função esta que desempenhou por .... anos, sendo demitida injustamente em .... É de conhecimento de todos que para se exercer a função de caixa, é exigido que o funcionário desenvolva sua atividade com rapidez e agilidade. Ocorreu que, a Requerente, laborando por quase três anos na função de caixa, bem como ao exercer a tarefa de contagem de dinheiro no setor de tesouraria da empresa Requerida, por quase dois anos, foi acometida de sérios problemas de saúde, caracterizado como "tendinite", conforme se observa nos atestados médicos anexos, em decorrência das exaustivas atividades que exercia para a empresa Requerida. Esta doença é, indiscutivelmente, provocada por trabalho que a Requerente exercia, de forma ininterrupta e excessiva, bem como em condições não favoráveis. "Tendinite", implica na inflamação em articulações, no caso da Requerente, localizou-se nos cotovelos. Saliente-se a este Juízo que a Requerente começou a sentir sérias dores originadas de seu estado de saúde, provocado pela "tendinite", o que a levou a procurar auxílio médico, sendo realizado vários exames, constatou-se que a autora não mais poderia realizar esforços, pois poderia danificar, irremediavelmente, seus braços. Entretanto, a Requerida, não obedecendo

pág. ensejou no acometimento da doença. CABIMENTO DA INDENIZAÇÃO DE DIREITO COMUM. (Recurso especial nº 19338-0-SP. JÁ NO REGIME DA LEI 6367/76. O entendimento de nossos Tribunais em casos semelhantes é pelo conhecimento da culpa da empregadora. Deveria a Requerida ter respeitado horários para descanso e não obrigar a Requerente ao trabalho ininterrupto de até 12 horas diárias. dos braços. esta não era administrada . esta a cargo do empregador e desde que haja ele. ou seus prepostos concorrido para o acidente. o que. in "Revista do Superior Tribunal de Justiça. nº 37. OMISSÃO QUANTO AS CAUTELAS NECESSÁRIAS. SÚMULA 229 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. a falta das cautelas devidas deve ser traduzida no comportamento negligente da Requerida. deixou que a Requerente permanecesse trabalhando na mesma função e nas mesmas condições. set/92. Chega-se à conclusão que se realmente a Requerida dispõe de CIPA. a Requerente não mais poderá laborar na sua função de caixa ou qualquer outra que exija esforços. sempre exigia que a Requerente permanecesse trabalhando. por dolo ou por culpa. Min. muito pelo contrário. senão vejamos: "MOLÉSTIA PROFISSIONAL. fatalmente. Athos Carneiro). sem a devida assistência da Requerida que a deixou totalmente desprotegida e sem a mínima assistência. Admite-se para acidente do trabalho e moléstias profissionais ocorrentes já sob o regime da lei 6367/76. pois já se encontravam danificados. acidentária e a de direito comum. simplesmente demitiu-a. o acúmulo das duas indenizações. mas não provido. como a doença chegou ao seu limite. Cumpre informar a este Juízo que a Requerente. Recurso especial conhecido. Ou simplesmente deveria ter transferido a autora de função. pois quase não podia movimentar seus braços. DA CULPA Com efeito. ao subordinar a Requerente ao arbítrio da sua própria sorte. e nada fazer para contornar a situação. até chegar ao ponto crítico de não mais haver serventia para a Requerida. simplesmente omitiu-se. pois não tomou nenhuma providência preventiva. sumariamente. após sua demissão teve que recorrer a auxílio médico. A Requerida mostrou-se negligente por não se precaver contra possível ocorrência de dano. não mais permitindo seu esforço com os braços. E.ordens médicas. violando e desprezando dispositivos legais e específicos. 516. mesmo que leves. a requerida ao saber que a doença da Requerente agravou-se e esta não mais suportaria trabalhar. que não observou determinadas providências exigíveis. quer culpa grave ou leve. e sem a devida assistência médica. nem ao menos quando constatado o problema da empregada." Meritíssimo. Relator Sr. O fato revoltante é que. no sentido de se prevenir a doença. nobre julgador. CULPA LEVE DA EMPRESA. a culpa do ocorrido é da Requerida.

total despreocupação e menosprezo pela segurança e bem-estar da Requerente. Diante destes motivos e aspectos. caixa e outras que exijam o manuseio dos braços. Editora Forense). mais de dois anos em que foi demitida. pág. Salienta-se que mesmo na época que a Requerente laborava como caixa. 6ª edição. e até serviços domésticos. Ademais. em voto que serviu . 136. por suas atitudes comissivas e omissivas. temos o seguinte: "A culpa é a falta de diligência na observância da norma de conduta. que. Foi negligente. pois uma vez portadora deste mal. como necessitava do emprego e a requerida orientava-lhe para que continuasse a laborar. Sendo que até os presentes dias. dando causa ao evento. mas previsível. e sofrerá por toda a vida. nem de prever o resultado danoso. com resultado não objetivado. A única atitude da Requerida foi de demitir a Requerente quando tomou conhecimento de que esta portava a doença "tendinite". agiu a Requerida culposamente porque causou grave prejuízo à Requerente em virtude de sua negligência. a situação foi se agravando periodicamente. por via de conseqüência. 137) . sofresse o dano sem receber atenção ou proteção. e não mais seria útil para trabalhar na empresa. O estado físico da Requerente se encontra lastimável. É do mesmo mestre (Obra citada. Impedindo. capacidade. demonstrou através de sua negligência e omissão. a Requerente ainda se encontra desempregada. somente ensejando na revolta que esta situação pode causar aos olhos de quem. isto é.por pessoas competentes. Saliente-se que. segundo ensinamento do emérito Ministro Gonçalves de Oliveira." A atitude da requerida se enquadra na definição. desde que o agente se detivesse na consideração das conseqüências eventuais de sua atitude. Ficando a Requerente. vê-se quão culpada foi a Requerida. na medida que não se deu ao trabalho de analisar as circunstâncias. inclusive nas atividades que desempenha para a Requerida. solicitude e discernimento. Assim sendo. no mínimo. vol. ajustadas as condições emergentes as considerações que regem a conduta normal dos negócios humanos. do esforço necessário para observá-la. já sentia os efeitos de sua doença. ainda sofre os malefícios desta doença. principalmente que seja admitida em outras empresas. à mercê de sua própria sorte. uma das formas de manifestação da culpa. É a observância das normas que nos ordenam operar com atenção. fazendo com que a Requerente. Entretanto. a noção de negligência : "É omissão daquilo que razoavelmente se faz. o desprezo. pág. por parte do agente. e ainda no início do contrato de trabalho. quais sejam. não mais poderá desempenhar um grande leque de funções." (grifei). respeita os mais singelos princípios de direitos humanos. I. Seguindo ensinamento de Aguiar Dias (Da Responsabilidade Civil.

tão inconsiderado seu procedimento. que se exige de qualquer pessoa sensata. CULPA GRAVE Ensina Orlando Gomes (Obrigações. a omissão consciente do empregador. que compreende precauções aconselhadas pelas circunstâncias. e que ele agiu de modo culposo para que fique estabelecida a culpa "in vigilando". Basta. 327). que: "se o agente se comporta levianamente. que trará consigo. negligência. tão insensata sua conduta que chega a ser equiparada a de quem age com "animus injuriandi". por ação ou omissão voluntária. "verbis": "aquele que. humilde." Logo. O Código Civil pátrio assim o quer. não ocorreu. para o resto de sua vida. conforme relatou-se nos fatos. ou imprudência violar ou causar prejuízo a outrem fica obrigado a reparar o dano. sua culpa será tão grave. pág. os dissabores do fato de que foi vítima. que ficou da mesma forma evidenciado. 356): "que entre nós é dominante o entendimento de que se a vítima não precisa provar que houve culpa "in vigilando." A lei presume. Editora Forense. fruto do comportamento negligente e censurável da Requerida. Diz Orlando Gomes. razão pela qual se impõe à Requerida o dever legal de ressarcir o dano que causou à Requerente." (in "Revista dos Tribunais. ao acidente. a exigência legal foi obedecida na sua íntegra. que resultou nas doenças de que hoje é portadora a Requerente. trabalhadora. portanto. Os exames e atestados comprovam o dano . o que. expondo-o ao perigo. quando regula em seu artigo 159. Vigilância esta que deveria traduzir-se na diligência." CULPA "IN VIGILANDO" A Requerida faltou também com o dever de vigilância que lhe é inerente. consubstanciada no dever de reparar o dano é notória e imperativa. equipara-se ao dolo. pessoa simples. 5ª edição. revelando falta de atenção ou cuidado. o ofendido provar a relação de subordinação entre o agente direto e a pessoa incumbida legalmente de exercer a vigilância.de precedente para a Súmula 229 do Pretório Excelso: "a negligência grave. pág. o referido dano é pressuposto legal para atribuições do dever de indenizar pelos danos morais. que não se incomoda com a segurança do empregado. tão grosseira a sua negligência." DA RESPONSABILIDADE E MÉRITO A responsabilidade da Requerida. n o 315/11). (Obra citada. DO DANO MORAL E.

já mencionados. Se é certo. Isto porque se trata de doença incurável que impede exercer a função que desempenhava na empresa Requerida. pois esta doença tem-lhe trazido vários dissabores na sua vida profissional. não constituiria motivo para que ela fosse negada. reputa-se-lhe a obrigação de ressarcir os prejuízos por não ter respeitado a integridade física e moral da Requerente. inc. há de se atentar para o dano moral. Wilson de Melo da Silva tece considerações importantes sobre dano moral e sua responsabilidade. pouco importa que a expressão "danos morais" não chegue a se cristalizar no Código Civil. condenando-se a Requerida a: b. em letra de forma . no momento em que vier a ser satisfeita a obrigação. na pessoa de seus representantes legais. artigos 222. Tal indenização se dará pela cabal reparação do dano físico. estabelecida na nossa Lei Civil. DO PEDIDO Neste sentido. seja particularmente difícil.. em montante a ser levantado pelo Sr. Face a tudo que se expôs. devendo as prestações vencidas serem devidamente pagas. Contador. pede e requer à Vossa Excelência: a) Citação da Requerida. até que a Requerente complete 65 anos de idade (idade média presumida). decorrentes da culpa ou dolo do empregador podem ser cumuladas às indenizações previdenciárias e de seguros. como adverte Josserand. da redução da capacidade laborativa e do dano moral. perfeitamente previsível. V da Constituição Federal. Se não se pode dar tudo. Assim é que ensina: "Embora sob outros nomes ou sem uma qualificação específica. e um imenso leque de outras profissões. Certo é que . evidenciada a culpa da Requerida. pelo correio.. dando causa ao evento danoso (lesões nas articulações do braço). b) Seja ao final julgada procedente a Ação. (in "Da responsabilidade Civil Automobilística. efetuando o pagamento de pensão mensal na proporção da redução. não deixaria de configurar uma líquida reparação por danos morais. gerar nulificação de um princípio.)" O dano moral causado à Requerente é cristalinamente inquestionável e está amparado no art. através de atribuição de valores em quantidade de salários mínimos vigentes. muita reparação. estes exames e atestados estão de posse da Requerida. que se dê ao menos o possível. 5º. que a reparação do dano moral. Editora Saraiva. que. Bem como o fornecimento de toda a assistência médica e tratamentos necessários. não podendo uma questão de cifra. atualizando segundo . 470 e seg. conforme ordenamento do Código de Processo Civil.físico causado. como também particular. INEXISTÊNCIA DO "BIS IN IDEM" As indenizações causadas por doenças de Trabalho ou Profissionais. para nós. pág. mas. conclui-se que a Requerente tem direito à indenização por todas as espécies de danos que sofreu e vem sofrendo.1) Reparar a redução da capacidade laborativa sofrida. 4a edição. isto contudo. desde a data do evento.

... Pede deferimento. a ouvida de testemunhas a serem arroladas em momento oportuno... sobre o total da condenação. Termos em que..... Requer outrossim. V e 335 do CPC e 1553 do CC). inc...... Advogado OAB/.. e honorários advocatícios. na base de 20%...2) Reparar o dano moral. Ainda requer o deferimento do benefício da gratuidade de justiça... (. atualizados desde o ajuizamento da ação....). .3) Ressarcir e prestar toda a assistência médica e tratamentos necessários para a doença de que é portadora. ... tendo em vista os motivos já expostos. efetuando o pagamento de 100 salários mínimos vigentes à época de satisfação da obrigação (artigos 5º.. depoimento pessoal do representante legal da requerida. Dá-se à causa o valor de R$ . .. de .. conforme dispõe o artigo 602 do Código de Processo Civil.variações do salário mínimo (Súmula 490 do STF)... b. prova pericial e produção de todo o gênero de provas de direito admitidas. b...00.. c) Tudo acrescido de custas processuais..000. como fisioterapeuta e remédios. de ..000... observada a incidência do 13o salário.. . ou indenização correspondente a R$ 5.

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