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COMERCIALIZAÇÃO DE LIVROS E PERIÓDICOS ATRAVÉS DE CD-ROM

Maria Lucia Americo dos Reis Procuradora da Fazenda Nacional Até uma certa época, o regime fiscal aplicável à produção e comercialização de livros, boletins e outros periódicos impressos em papel não ensejava muitos questionamentos, vez que, desde a Constituição de 1967, tanto a matéria-prima papel quanto os produtos finais (livros, jornais e periódicos) foram beneficiados com a imunidade objetiva à incidência de impostos, atualmente prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição vigente, cujo teor reproduzimos abaixo a título de ilustração: "art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ............................................................................................ VI. - instituir impostos sobre: ............................................................................................ d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão." Com o avanço da tecnologia e seus reflexos no campo da informática, entretanto, a situação alterou-se, porque diversas editoras começaram a substituir a matéria-prima tradicionalmente utilizada na impressão de livros e periódicos, pelos recursos da mídia eletrônica, passando a produzir obras em disquetes e, sobretudo, em CD-Roms, eis que estes proporcionam maior espaço para armazenamento de informações. Inicialmente, essa tendência inovadora manifestava-se com maior freqüência entre as editoras especializadas em obras de informática, porém, aos poucos, outras editoras aderiram às novas tecnologias. Ora, sempre que surgem inovações dessa natureza, despontam também dúvidas entre os contribuintes e os juristas, no que diz respeito ao tratamento fiscal compatível. No caso, as dúvidas a que nos referimos envolvem o alcance da imunidade contemplada pelo artigo 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição, sobre a produção e a comercialização de livros e periódicos em CD-Roms, e podemos sintetizá-las nas seguintes questões: 1a) a imunidade à incidência de impostos assegurada aos livros, jornais e periódicos e ao papel destinado à sua impressão, por força do artigo 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição Federal, estende-se aos produtos veiculados e comercializados em mídia eletrônica (CD-Roms)? 2a) caso haja restrição à aplicação da imunidade aos livros e periódicos veiculados em mídia eletrônica, quais os impostos incidentes sobre a produção e a comercialização

que caracteriza. eventualmente haverá quem afirme que a gravação das obras em CD-Roms configura uma prestação de serviços sujeita à incidência do ISS. acondicionamento. de impostos. 2a) uma vez concluído o processo de gravação. serão debatidas e esclarecidas a seguir. Por outro lado. se os objetos em questão não forem destinados à industrialização ou comercialização. como serviços sujeitos à incidência do ISS. lavagem. para efeitos fiscais do ISS. beneficiamento. de um modo geral. já podemos afirmar que esta última hipótese está fora de cogitação. 3ª) após a gravação e embalagem dos produtos. porque a . 1 Caracterização das Operações Em primeiro lugar. recorte. as etapas desse procedimento são as seguintes: 1ª) em uma primeira etapa. os produtos são devolvidos à empresa editora. porque tais serviços só configuram fato gerador do ISS. documentadas e contabilizadas as operações que integram o processo produtivo e a comercialização de obras em CD-Roms? Essas e outras questões que forem se delineando. o recondicionamento. anodização. mediante venda ou assinatura. estes retornam à remetente para comercialização.dessas mercadorias e quais os valores a serem considerados nas respectivas bases de cálculo? 3ª) como devem ser classificadas. opção esta aplicável aos boletins de atualização jurídica veiculados através de CD-Rom. Haverá ainda quem invoque o item 72 da mesma lista. a seguir. iremos verificar como se desenvolve o procedimento adotado pelas empresas editoras que publicam livros e periódicos em CD-Roms e. galvanoplastia. no curso desta abordagem. pois só assim teremos condições de estipular. posto que a hipótese assemelha-se ao serviço caracterizado sob o item 63 da lista anexa ao Decreto-Lei nº 406. Nesta etapa há duas alternativas: ou os produtos são embalados com material fornecido pela remetente ou pela gravadora. a empresa editora adquire CD-Roms virgens no mercado e os remete. e suas subseqüentes alterações. juntamente com o material a ser gravado. polimento. ou seja: gravação e distribuição de filmes ou vídeoteipes. a uma empresa ou a um profissional especializado na gravação de CD-Roms. a gravação de livros e periódicos em CDRom não se confunde com a gravação e distribuição de filmes ou vídeoteipes. Com algumas variações. de 31/12/68. específicas. pintura. com clareza. À vista dos procedimentos descritos acima. porém. iremos identificar e caracterizar as operações correspondentes sob a ótica fiscal. ou o processo de embalagem é efetuado por um terceiro. as incidências ou não incidências. a priori. corte. plastificação e congêneres. tingimento.

que tem a seguinte redação: "II. na interpretação da legislação tributária. por conseguinte. de 23/12/82. ou seja. apenas. caracteriza-se como industrialização por encomenda. produtos intermediários. o funcionamento. Este irá ocorrer. segundo a descrição do artigo 3º do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados . segundo o qual. a utilização. Essa vedação decorre do princípio da tipicidade cerrada. operação esta em que o estabelecimento comercial encomendante é equiparado a industrial. que. ou seja aquela que "importe em alterar a apresentação do produto. para fins fiscais do IPI. ou o aperfeiçoe para consumo". pelas empresas editoras. o acabamento ou aparência do produto (beneficiamento). . a remessa de insumos. o artigo 9º do RIPI equipara a estabelecimento industrial os estabelecimentos comerciais de produtos. embalagens. o acabamento. inciso I. constitui fato gerador do IPI. corolário do princípio da reserva legal estatuído pelo artigo 150. pela editora. forem também embalados pela empresa ou profissional responsável pela gravação. pela colocação de embalagem. o Código Tributário Nacional também é taxativo a respeito da matéria. alterar o funcionamento. aprovado pelo Decreto nº 87. moldes. prevista no inciso II do artigo 3º do RIPI. matrizes ou modelos. da Constituição.lista de serviços anexa ao Decreto-Lei nº 406/68 é taxativa. do artigo 29 do RIPI.RIPI. teremos a modalidade de industrialização denominada beneficiamento. mediante a remessa por eles efetuada de matérias-primas. ainda que em substituição da original. para gravação de livros e periódicos em CD-Roms. recipientes. constitui uma das modalidades de industrialização. a remessa dos materiais. pela editora." Qualquer operação que se enquadre nos requisitos de tipicidade dos incisos I a V do artigo 3º do RIPI .981. por analogia. que se denomina acondicionamento. Assim. Aliás. todas as hipóteses da exigência tributária devem estar previstas em lei. teremos a modalidade de industrialização prevista no inciso IV do artigo 3º do RIPI. cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro. não admite interpretação ou integração de determinado fato ou situação de fato à hipótese de incidência do ISS. o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. para gravação de livros e periódicos em CD-Roms.e a remessa. §1º. e não exemplificativa. aperfeiçoar ou de qualquer forma. Na realidade. se a operação consistir. de materiais e insumos para gravação de livros e periódicos em CD-Rom aí se enquadra .configura industrialização e. por filial ou estabelecimento de terceiro. 2 Tratamento Fiscal da Industrialização Por Encomenda . além de gravados em CD-Roms. a apresentação ou a finalidade do produto. No caso. pois deixa patente em seu artigo 108. que caracteriza como tal "qualquer operação que modifique a natureza. na gravação. na saída do produto do estabelecimento industrial ou equiparado. salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria." Se os materiais. Para esse fim. segundo dispõe o inciso II.a que importe em modificar.

de mercadorias destinadas à industrialização por encomenda. podemos fixar os seguintes momentos de incidência do IPI e do ICMS no ciclo econômico de mercadorias industrializadas sob encomenda: a) na remessa dos insumos. b) na aquisição dos produtos pelo estabelecimento industrializador ou por um terceiro. e 9º do RIPI. inciso I. e o fato gerador do imposto poderá ocorrer em duas hipóteses: a) na saída do estabelecimento industrial. abstendo-nos. todavia. de qualquer consideração em torno da imunidade constitucional de que gozam os livros. se a venda tiver sido realizada antes de concluída a operação industrial.Conforme já se viu. 3 Base de Cálculo . haverá incidência concomitante do IPI e do ICMS. segundo o §2º do artigo 2º da Lei Complementar 87/96. a industrialização sob encomenda é tributada pelo IPI. quanto aos produtos que. a caracterização do fato gerador do ICMS independe da natureza jurídica da operação que o constitua. a incidência do IPI e do ICMS ocorrerá por ocasião da saída do estabelecimento industrial para o estabelecimento adquirente. a qualquer título. inciso I. periódicos e o papel destinado à sua impressão. sejam por este adquiridos. dos insumos (CD-Roms e/ou material de embalagem). desde que os produtos resultantes da industrialização retornem ao estabelecimento remetente daqueles insumos. As legislações estaduais do ICMS. eis que este imposto incide na saída. da Lei Complementar 87/96). a incidência do IPI e do ICMS ficará suspensa. entretanto. na conclusão desta. pelo encomendante ao estabelecimento industrial. por ordem do encomendante. b) na aquisição do produto ou. Em conseqüência. também aplicam a suspensão do imposto às saídas e respectivos retornos. se a aquisição ocorrer após a conclusão do processo de industrialização. do estabelecimento que os tenha industrializado (artigo 2º. do RIPI. por enquanto. antes de concluído o processo de industrialização. diretamente para estabelecimento da mesma empresa ou de terceiro. A industrialização sob encomenda também é tributada pelo ICMS. ao estabelecimento industrializador e no retorno ao estabelecimento encomendante do produto final. ao estabelecimento encomendante. A esse respeito. conforme estabelece o artigo 36. inciso II. por força dos artigos 3º. A remessa. cabe lembrar que. pode ocorrer com suspensão do IPI. pelo encomendante. jornais. antes de saírem do estabelecimento que os tenha industrializado por encomenda.

configure fato gerador dos dois impostos.... bem como bonificações e descontos concedidos sob condição. atenderá ao seguinte: ..... para o estabelecimento adquirente ou destinatário... A base de cálculo do ICMS será o valor efetivo da operação. inciso XI... caso o transporte seja efetuado pelo próprio contribuinte.... c) o montante do próprio ICMS e do IPI. quando a operação... XI ..... o montante do IPI não integrará a respectiva base de cálculo... da Constituição........ realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização........ em seu artigo 13.. juros e demais importâncias recebidas ou debitadas pelo contribuinte." A Lei Complementar 87/96. Como a industrialização sob encomenda configura fato gerador do IPI e do ICMS. §2º.. desde que não se destinem ao comércio........... "b"........... realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização..... quando a operação........... §2º ..... b) o frete........... quando esses insumos tenham sido fornecidos pelo próprio encomendante...Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados.. o montante do imposto sobre produtos industrializados. constituindo o destaque mera indicação para fins de controle....... produtos intermediários e material de embalagem.... sujeitos a evento futuro e incerto.... diferenças ou abatimentos concedidos a qualquer título. incorpora esse mandamento constitucional.. o que significa que o IPI incide sobre o valor bruto da operação (saída do estabelecimento industrial).... por força do disposto no artigo 155............não compreenderá........ configurar fato gerador de ambos os impostos..A base de cálculo do IPI será o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial... § 2º...." .. que assim prescreve: "art...... nele incluídos: a) os seguros.................. salvo em se tratando de insumos usados..... O valor da operação incluirá o valor das matérias-primas......... isto é..... ainda que incondicionalmente... em sua base de cálculo....O imposto previsto no inciso I.. ao dispor que: "§ 2º ............... a emprego na industrialização ou no acondicionamento de produtos tributados....... 155 ... Desse valor não poderão ser deduzidos os descontos.. acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias.. cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário..

referindo-se apenas ao papel destinado à sua impressão. a incidência do IPI e do ICMS sobre o processo de produção e comercialização dessas mercadorias não deveria estar sendo cogitada. têm seu ciclo econômico beneficiado pela imunidade à incidência de impostos sobre a circulação. o valor efetivo da operação de saída (do estabelecimento industrial) para o estabelecimento adquirente ou destinatário. portanto. isto é. os seguros. jornais e periódicos. Ocorre que um novo componente agregou-se ao ciclo tradicional de produção e comercialização dessas mercadorias: a mídia eletrônica e. b) em relação ao ICMS. e o frete. juros e demais importâncias recebidas ou debitadas pelo contribuinte. sujeitos a evento futuro e incerto. a veiculação de livros e periódicos em mídia eletrônica. pelo menos aqui no Brasil. mesmo sendo fornecidos. a rigor. excluindo. posto que a questão da imunidade constitucional ainda não entrou em cogitação. Assim. bem como bonificações e descontos concedidos sob condição. caso o transporte seja efetuado pelo próprio contribuinte. a base de cálculo dos impostos incidentes sobre a industrialização por encomenda de livros e periódicos veiculados através de CD-Rom será: a) em relação ao IPI. daí porque o legislador constituinte não a incluiu no rol das imunidades objetivas asseguradas aos insumos que compõem o processo produtivo dos livros. sob o aspecto fiscal.IPI. inicialmente. por força de garantia constitucional consubstanciada em uma limitação ao poder de tributar. estaria excluída por força da imunidade. posto que à época em que a Constituição atual foi promulgada. 4 Alcance da Imunidade Constitucional Uma vez identificadas. em tese. Esse descompasso temporal entre a lei e a realidade atual suscita. se os produtos não se destinarem à industrialização ou comercialização. trouxe também uma dificuldade adicional. de outro. bem como do valor do frete e das demais despesas acessórias cobradas ou debitadas ao adquirente ou destinatário. tais como a mídia eletrônica (CD-Roms virgens) e o material de embalagem. tal inovação representou um avanço. jornais e periódicos. acrescido do valor de outros insumos. nele incluído o montante do próprio ICMS. eis que esta só reconhece a imunidade do papel destinado à impressão de livros. as operações que envolvem a produção de livros e periódicos em CD-Rom. em tese. na medida em que não há previsão legal explícita para enquadramento da mídia eletrônica ao regime fiscal da imunidade.Portanto. posto que. uma dificuldade no âmbito da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados . o preço da gravação em CD-Rom. se de um lado. era embrionária. se estes não forem fornecidos pelo encomendante e. pois os produtos industrializados sob encomenda são livros e periódicos que. chegamos ao ponto mais controverso desta abordagem. outros insumos incorporados por novas tecnologias ao .

em conjunto com um programa. por fitas magnéticas de áudio ou compact discs. Néri da Silveira. a reprodução falada do conteúdo de livros pelo rádio. inclusive "não há livro. os filmes cinematográficos. elétricos e eletrônicos com os quais são montados os computadores e equipamentos periféricos. Assim. para os precursores dessa corrente dogmática. mas qual será esse valor. periódico ou jornal sem o papel". a mídia escrita tendo como suporte o papel. alínea "d". para excluir os livros e jornais publicados em mídia eletrônica (CD-Roms. não alcançando os insumos. o Ministro do Supremo Tribunal Federal. os programas de computador e os apelidados livros eletrônicos. necessitando para ser utilizado de um conjunto de componentes mecânicos. do jornal e dos demais periódicos. há duas correntes que defendem posições diametralmente opostas quanto ao alcance da imunidade sobre livros e periódicos comercializados em CD-Roms. os programas científicos ou didáticos ou os metaforicamente chamados jornais transmitidos pela televisão. inciso VI. ou o preço de mercado do produto? É nesse momento que a controvérsia relativa à imunidade adquire contornos mais dramáticos. originariamente impresso em papel. o que está amparada pela imunidade tributária é. para tanto. Ricardo Lobo Torres e outros juristas entende e. que os livros e os periódicos. ou os CD-Roms ou disquetes que. disquetes e outras) da imunidade objetiva à incidência de impostos. da Constituição. Procurador da Fazenda Nacional e Consultor da União. Gustavo Sampaio Valverde e. posto que o imposto incide sobre o valor efetivo da operação de que decorrer a saída. as peças teatrais. A segunda corrente. os filmes gravados em discos de vídeo laser ou em fitas para vídeocassete. com a técnica digital. "qualquer material relacionado ou suscetível de ser assimilado ao papel no processo de impressão". ao contrário do livro impresso que se bastaria por si mesmo. sujeitam-se à incidência do IPI. armazenam. invoca jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal.processo de industrialização desses produtos. mas tão somente. inciso VI. representada por José Eduardo Soares de Mello. alínea "d".o "software". Para alguns expoentes dessa corrente. nem alcançado a mídia eletrônica . Com base nessa linha de pensamento. excluídos estariam pelo preceito do artigo 150. Conseqüentemente. o conteúdo de um livro. Tampouco admite a concepção de que a única forma de apresentação do livro é o papel. Sobre o tema. Jayme Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti Filho. tanto a mídia eletrônica. a partir do momento em que os produtos forem comercializados. entre outros juristas igualmente ilustres. da Constituição. abrangidos pela imunidade são os produtos finais. em se tratando de produtos teoricamente imunes? O valor que serviu de base de cálculo para o IPI. Hugo de Brito Machado. já prontos. . apenas. inclusive a cabo. da qual fazem parte Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Junior. quanto o material de embalagem e outras despesas que compõem o custo da industrialização de livros e periódicos em CD-Roms. A segunda dificuldade é apresentada pela legislação do ICMS e irá ocorrer. não tendo sido acolhida a mídia falada ou vista. ainda que atendendo às mesmas funções do livro. como o Ministro do Supremo Tribunal Federal. A primeira corrente. não admite interpretação restritiva do artigo 150. Marco Aurélio.

onde este autor transcreve passagens colhidas de Ulpiano. haja vista a decisão abaixo reproduzida que é bastante ilustrativa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 198608-5 . convenhamos. da Constituição. mas. certamente o legislador constituinte teria estabelecido.RS DECISÃO: IMUNIDADE . percebe-se qualquer referência. estamos desconsiderando que diversas obras da antiguidade como a Bíblia e outras de cunho filosófico como as de Sócrates.IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS . É óbvio que a imunidade. pois aplicam. e isso não ocorreu. alínea "d". de pergaminho ou de qualquer outra matéria.INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE . e não aos produtos finais. para excluir fatos e circunstâncias que o legislador pretendeu contemplar. Se admitimos que só podem ser considerados como livros ou como periódicos. é elemento meramente acidental que não tem o condão de transformar sua substância. pois diz respeito aos insumos utilizados na produção de livros. por constituir norma limitadora da competência tributária. indiscriminadamente.Essa corrente traz à baila argumentos bastante pertinentes a respeito da conceituação de livros e periódicos. o papel ou outro suporte físico do livro. de modo expresso. a interpretação restritiva. bem demonstra que a restrição." Com efeito. sem distinguir entre insumos e produto final. o texto do artigo 150. Quanto à jurisprudência recente do Supremo Tribunal Federal sobre o tema imunidade objetiva. que ressaltam a variedade do suporte físico do livro ao longo da história. em artigo publicado no volume 27 da Revista Dialética de Direito Tributário. periódicos e jornais impressos em papel gozam da imunidade. Se assim não fosse. deve ser interpretada no seu sentido literal. No entanto. que os defensores da primeira corrente incorrem em equívoco. citam estudo realizado por José Teixeira de Oliveira na obra "A Fascinante História do Livro". por exemplo. verificamos que não discrepa do nosso entendimento. o que. explícita ou implícita. autorizadora da ilação de que somente os livros. aqueles que são impressos no papel. Platão e Aristóteles não se enquadram no conceito de livros. porém. jornais e periódicos. se de um lado. de outro. que somente os livros. invocada por aqueles que apoiam a primeira corrente. eis que o dispositivo constitucional só faz referência ao "papel destinado à sua impressão". também implica em não restringí-lo. só se aplica aos insumos que compõem o processo de produção dos livros. inciso VI. mantida pelo legislador constituinte. periódicos e jornais impressos em papel estão compreendidos pela norma da imunidade. Jayme Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti Filho e Gustavo Sampaio Arcoverde. porque não foram escritas em papel impresso. abrange também os volumes de casca de árvores ou de qualquer outra substância do mesmo gênero. estrito. É justamente neste último aspecto. essa imposição importa em não estender o seu alcance para nela incluir situações não contempladas pelo legislador. jornais e periódicos. em nenhuma passagem do mesmo. chega a ser uma heresia. para fins de enquadramento fiscal ao regime da imunidade. a fim de demonstrar que: "A palavra livro compreende todos os volumes de papiro.

o papel da impressão. Marco Aurélio. visa preservar a produção e a comercialização de livros. que o benefício alcança. pág. alínea "c". que não o papel impresso. o periódico e o jornal à imunidade de impostos. da Constituição. Recorrente: Zero Hora Editora Jornalística Ltda. Posteriormente. INCISO VI. encontrando-se a decisão recorrida em harmonia com os precedentes deste Tribunal. a imunidade do artigo 150. Publique-se. da Constituição Federal. inciso VI. e o mesmo se aplica aos periódicos e aos jornais.. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. através do art. Inicialmente. alínea "a". 4ª ed. afasto o sobrestamento deste recurso. 1º de abril de 1997 Origem: STF. a imunidade assegurada aos livros. 3. em função de seu conteúdo. porém tal conceito foi ampliado pela Constituição de 1967. Brasília. Seção 1. 2. pelo simples fato de ser veiculado através de outros meios. alínea "d". versando sobre matéria idêntica. Min. contemplando não apenas os insumos. conforme expresso no dispositivo. Saraiva. a fim de facilitar sua comercialização e incrementar a divulgação da cultura nacional. o livro não deixa de ser livro. 4. o conceito de cultura evoluiu. da Constituição de 1946. revista e atualizada. jornais e periódicos como veículos de divulgação da cultura. e não em função de sua forma. nego seguimento ao extraordinário. Destarte. as opiniões que procuram reduzir o livro e outras . Recorrido: Estado do Rio de Janeiro Fonte: DJ de 12/05/97. Com essa modificação. ALÍNEA "D". inciso V. jornais e periódicos. Tendo sido concluído o julgamento do RE 203. e o que se convencionou chamar de papel fotográfico. de informações e de todas as formas de manifestação do pensamento humano. 1. Rel. não podendo ser interpretado de forma a abranger os demais insumos utilizados na produção de livros. em 11 de dezembro de 1996. Concluiu. alínea "d". Ontologicamente. que a estendeu aos livros. o intérprete não pode se abster dos antecedentes extrajurídicos que serviram de fundamento à imunidade consagrada por esse dispositivo. aplicavase apenas ao papel. 1993). ou seja.ARTIGO 150. O Plenário desta Corte pacificou o tema relativo à extensão da imunidade prevista no artigo 150.. jornais e periódicos. o constituinte procurou baratear tais produtos. inciso VI. contra o meu entendimento. Assim. Segundo relata o emérito constitucionalista Manoel Gonçalves Ferreira ("Comentários à Constituição Brasileira". LIVROS E PERIÓDICOS . 18717" Na interpretação do artigo 150. passando a abranger também a informação.JORNAIS. proporcionados pela tecnologia. Ed. inciso VI. periódicos e ao papel destinado à sua impressão ingressou no nosso ordenamento jurídico constitucional.859-8. 31. a contrário senso do que pretendem os defensores da primeira corrente. tão-somente. mas também os produtos finais. Apesar do respeito que merecem aqueles que sustentam entendimento oposto. jornais. preserva o livro.

não abrangendo outros insumos que integram a composição do CD-Rom. o custo de industrialização do CD-Rom. essas seguem a orientação da corrente que opõe restrições à extensão da imunidade aos livros. ainda encontra resistências por parte de outros doutrinadores e hermeneutas da área fiscal. · número de inscrição no CGC/MF. . ao fixar o preço de comercialização dos produtos. para cumprimento das obrigações acessórias relativas ao IPI e ao ICMS: 5. periódicos e jornais comercializados em CD-Roms. No que concerne às autoridades administrativas. Com base nessa linha de raciocínio. independentemente de sua própria identificação. periódicos e jornais como conteúdo.1 Obrigações Comuns: Rotulagem e Marcação dos Produtos e Classificação Fiscal O estabelecimento executor da industrialização. Essa imunidade. todavia. tendo em vista que o Poder Judiciário ainda não se manifestou de maneira uniforme e definitiva sobre a matéria. o contribuinte deve computar o valor da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial. inciso VI. 5 Cumprimento das Obrigações Acessórias Nas operações que se caracterizam como industrialização sob encomenda. o encomendante. o fornecedor dos insumos.expressões culturais e outros veículos de divulgação da informação à mera forma. da Constituição. poderá acrescentar as indicações referentes ao encomendante. dos periódicos e dos jornais aos distribuidores e aos consumidores finais está abrangida pela imunidade constitucional. alínea "d". da qual constará: · nome da empresa. rua e número do estabelecimento. não deveriam integrar a base de cálculo do IPI e do ICMS. só alcança os livros. a nosso ver. e o industrializador devem adotar os seguintes procedimentos. para efeito de recolhimento do IPI e do ICMS incidentes sobre aquela operação. isto é. desde que mencione na rotulagem ou marcação dos produtos a expressão "Industrialização por Encomenda". posto que a venda dos livros. embora defendido por expressiva corrente doutrinária. · localidade. Não obstante. entendemos que a imunidade contemplada pelo retromencionado dispositivo constitucional estende-se aos livros. cumpre esclarecer que este entendimento. se este não for o próprio encomendante ou o industrializador. Assim. desprezando o conteúdo. Os demais custos envolvidos na comercialização dos produtos. periódicos e jornais comercializados em CD-Roms. estão em profundo descompasso com a realidade contemporânea e com a "mens legis" do artigo 150.

124.4 Escrituração das Notas Fiscais emitidas pelo Encomendante e Executor da Encomenda As notas fiscais emitidas pelo encomendante e pelo executor da encomenda serão registradas no Livro Registro de Saída. serão observados os seguintes procedimentos para cumprimento das obrigações acessórias: . 5. identifique o encomendante na forma acima e inclua na rotulagem ou marcação do produto a expressão "Indústria Brasileira" (art. sem lançamento do imposto. modelo 1 ou 1 A. a classificação fiscal dos produtos no corpo do documento. Modelo 1. com a qualificação do remetente dos insumos e indicação da nota fiscal correspondente.39. A classificação fiscal dos CD-Roms corresponde à posição 8524. por ocasião da saída dos insumos (CD-Roms virgens e material de embalagem. 5.3 Obrigações do Estabelecimento Industrializador na Saída dos Produtos Industrializados Na saída dos produtos do estabelecimento industrializador. A nota fiscal deve conter a expressão "Saída com Suspensão do IPI/ICMS".94/6. contendo ainda a declaração de que os produtos se destinam à industrialização por encomenda para fins de comercialização. que forem entregues diretamente ao industrializador.13 1. este deverá emitir Nota Fiscal em nome do encomendante.13/6.As indicações relativas ao executor da encomenda poderão ser dispensadas. e será emitida em nome do industrializador.13/2. §§5º e 6º do RIPI). bem como o valor dos insumos remetidos anteriormente. com referência ao dispositivo legal correspondente.94 5. se for o caso) de seu estabelecimento. Modelo 2.00 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM).5 Remessa direta pelo fornecedor dos insumos para o industrializador Nas operações em que um estabelecimento mandar industrializar produtos com insumos adquiridos de terceiros. o valor total cobrado pela operação.092.13 Insumos enviados anteriormente CFOP 5. e de Entradas. com destaque do IPI/ICMS. de acordo com o exemplo abaixo: SAÍDA ENTRADA Produto industrializado por encomenda CFOP 5.2 Obrigações do Remetente dos Insumos (Encomendante) nas Remessas ao Estabelecimento Industrializador O remetente (encomendante) deverá emitir Nota Fiscal. 5. de 10/12/96. desde que este ponha no produto a sua marca fabril registrada. sem transitar pelo estabelecimento encomendante (adquirente).94 1. tributada pelo IPI à alíquota de 15% (quinze por cento). para acompanhar os insumos fornecidos.94/2. e não a dos insumos aplicados no processo de industrialização. estabelecida pelo Decreto nº 2. No retorno da industrialização a classificação fiscal será aquela que corresponda ao produto saído do estabelecimento industrializador.

cada um deles deverá adotar os seguintes procedimentos: (1) emitir Nota Fiscal para acobertar o trânsito da mercadoria ao industrializador seguinte. 5. com a qualificação. com a qualificação do encomendante (adquirente).5. para lançamento do IPI. endereço e inscrições estadual e no CGC.2 Pelo estabelecimento executor (industrializador) Na saída dos produtos do estabelecimento industrializador. com destaque do IPI/ICMS. a emprego em nova industrialização. ou acondicionamento de produtos tributados. será o valor total cobrado pela industrialização. que se destinará a acobertar o trânsito dos insumos. que será qualificado na Nota Fiscal..1 Pelo remetente dos insumos (fornecedor) O remetente dos insumos (fornecedor) deverá emitir Nota Fiscal em nome do estabelecimento encomendante (adquirente). CGC nº (.. indicação do número.). se forem devidos. Se os produtos industrializados por encomenda não se destinarem ao comércio. e o lançamento desses impostos. 5. no corpo do documento.....3 Valor da Operação de Industrialização Nas Notas Fiscais emitidas em nome do encomendante.). 5. os seguintes: a) a observação de que a remessa se destina à industrialização por conta e ordem do autor da encomenda. sem lançamento do IPI e do ICMS.)" . em nome do encomendante. além dos requisitos normais. o valor total cobrado pela operação. bem como a declaração de que os produtos destinam-se à industrialização por encomenda. série e data da Nota Fiscal emitida ao encomendante e declaração de que nela foram lançados os tributos porventura devidos. sem destaque dos impostos. conforme exemplo abaixo: "Industrialização por conta e ordem do encomendante (. inscrição estadual nº (. contendo.5. se for o caso. endereço (. o valor da operação será acrescido do valor das matérias-primas.4 Industrialização por mais de um estabelecimento Se as mercadorias tiverem de transitar por mais de um estabelecimento executor (industrializador) antes de serem entregues ao autor da encomenda.. a indicação da Nota Fiscal pela qual foram remetidos. O remetente dos insumos (fornecedor) também deverá emitir Nota Fiscal em nome do estabelecimento executor (industrializador).). o valor da operação. Nesta Nota Fiscal serão lançados os tributos devidos.. produtos intermediários e material de embalagem fornecidos pelo encomendante. este emitirá Nota Fiscal. do destinatário (estabelecimento industrializador) que conterá nome.5. com a qualificação do remetente (fornecedor) dos insumos.

. se for o caso.5. endereço.. deverão constar os seguintes: a) a indicação do número.. 5. Cidade. diretamente a outro estabelecimento que os tenha adquirido.. conforme exemplo abaixo: "Valor dos insumos recebidos para industrialização através da Nota Fiscal nº (. inscrição estadual e no CGC. subsérie e data na Nota Fiscal de remessa ao estabelecimento industrializador. na qual... conforme exemplo abaixo: "Mercadorias recebidas através da Nota Fiscal nº (. Estado)" .. endereço. data (.).)" c) o valor das mercadorias recebidas para industrialização e o valor total cobrado do encomendante. subsérie e data da Nota Fiscal de remessa ao estabelecimento industrializador. data (. endereço.).5 Remessa direta pelo industrializador a estabelecimento diverso do autor da encomenda Na remessa de produtos que. além das exigências normais.)" d) o lançamento do IPI/ICMS.).. for efetuada pelo estabelecimento industrializador. conforme exemplo abaixo: "Mercadorias enviadas ao novo industrializador através da Nota Fiscal nº (. endereço. subsérie e data da Nota Fiscal pela qual foram recebidas as mercadorias no estabelecimento do emitente. em nome do estabelecimento adquirente. data (. no valor de R$ (. na qual. conforme exemplo abaixo: "Mercadorias enviadas através da Nota Fiscal nº (. bem como seu nome.. série. emitida por (nome. inscrição estadual e no CGC. conforme exemplo abaixo: "Produto industrializado por (nome..). os seguintes procedimentos deverão ser observados pelo encomendante e industrializador das mercadorias: 5. endereço e número de inscrição estadual e no CGC do estabelecimento industrializador.1 Pelo Encomendante O encomendante deverá emitir Nota Fiscal.. além dos requisitos normais. série.. que irá promover a remessa das mercadorias ao adquirente. inscrição estadual e no CGC)" b) a indicação do número. inscrição estadual e no CGC)" (2) emitir outra Nota Fiscal em nome do estabelecimento encomendante. por conta e ordem do encomendante.). série.). sobre o montante cobrado. destacando-se deste o valor das mercadorias empregadas no processo de industrialização.b) a indicação do número.... acrescido dos valor dos insumos remetidos pelo autor da encomenda. emitida por (nome. deverão constar o nome...

com lançamento do IPI/ICMS. endereço. constarão os seguintes dados: a) Natureza da operação: Remessa por conta e ordem de terceiros.... os procedimentos a serem adotados são os seguintes: 5. endereço. d) valor das mercadorias. além das exigências normais. emitida em nome de (.. quando devidos. além das exigências normais.. mercadorias adquiridas por (nome. b) número e data da Nota Fiscal emitida pelo encomendante. mercadorias recebidas para industrialização através de Nota Fisdal nº (.)"" 5. data (. série.). c) nome.1 Estabelecimento Industrializador O estabelecimento industrializador deverá emitir Nota Fiscal para o encomendante. emitida por (nome.. série. lançamento do IPI/ICMS. 5." Outra Nota Fiscal será emitida em nome do estabelecimento encomendante. conforme exemplo abaixo: "Remessa por conta e ordem de terceiros. através da Nota Fiscal nº (. subsérie e data da Nota Fiscal pela qual as mercadorias foram recebidas para industrialização no estabelecimento emitente. a expressão "Retorno Simbólico de Produtos Industrializados por Encomenda". constarão os seguintes dados: a) Natureza da operação: Retorno Simbólico de Produtos Industrializados.. na qual. antes da saída de seu estabelecimento. inscrição estadual e no CGC). se devidos. consignando no local destinado à natureza da operação. endereço e números de inscrição estadual e no CGC do estabelecimento adquirente para qual for efetuada a remessa dos produtos.).. se for o caso.Na Nota Fiscal deverão ser lançados os valores do IPI/ICMS.. inscrição estadual e no CGC).). que serão aproveitados como créditos fiscais pelo encomendante.5.2 Pelo Industrializador O estabelecimento industrializador deverá emitir Nota Fiscal em nome do estabelecimento adquirente. para acobertar o trânsito das mercadorias. se devidos. subsérie e data da Nota Fiscal que acompanhou os insumos recebidos para industrialização. data (. conforme exemplo abaixo: "Retorno simbólico de produtos industrializados. b) nome. c) número.. o número.. que serão aproveitados como crédito fiscal pelo adquirente.6 Aquisição dos Produtos pelo Industrializador Caso os produtos industrializados por encomenda sejam adquiridos pelo próprio industrializador. conforme modelo abaixo: . sem lançamento do IPI/ICMS.). na qual.. endereço e números de inscrição estadual e no CGC do emitente da Nota Fiscal.6.

contendo a seguinte declaração: "Sem valor para acomapanhar o produto."Retorno simbólico de produtos industrializados por encomenda . 5. coluna "Valores Fiscais . data (.6. deverá conter os seguintes: a) valor da operação: o mesmo da Nota Fiscal originária. c) a declaração..).. A referida Nota Fiscal.insumos recebidos pela Nota Fiscal nº (.. sem nenhum lançamento na coluna do IPI. ou na data de conclusão do processo de industrialização. Outras.Operações sem crédito do Imposto".).)..)" 5.. série (. através da qual o executor (industrializador) cobrará. modelo 1. 5. modelo 1 ou 1-A. Produto adquirido pelo próprio estabelecimento industrializador" Quando o produto for adquirido pelo próprio industrializador. a base de cálculo do IPI e do ICMS não poderá ser inferior ao preço corrente do produto no mercado atacadista da praça do remetente. o fato gerador dos impostos incidentes sobre a operação ocorrerá na data da aquisição. O mesmo lançamento deverá ser efetuado com relação ao Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas ...) e data (. b) natureza da operação: retorno de insumos enviados para industrialização CFOP 6. deverá ser emitida uma segunda Nota Fiscal pelo estabelecimento executor (industrializador).. o valor da industrialização.7 Entrada dos Insumos no Estabelecimento Industrializador Por ocasião da entrada dos insumos no estabelecimento industrializador.. Além dessa Nota Fiscal.. este deverá conferir a exatidão das Notas Fiscais que acobertaram o trânsito das mercadorias e efetuar sua escrituração no Livro Registro de Entradas. do encomendante. se efetuada após.. por pertencerem ao encomendante ou destinatário. tendo sido utilizados em processo de industrialização por encomenda. além dos requisitos normais. enviados anteriormente através da Nota Fiscal nº (. VC. Nestas hipóteses. no tocante à devolução dos insumos remetidos.CTRC. .8 Retorno dos Produtos ao Estabelecimento Encomendante Por ocasião do retorno dos produtos ao estabelecimento encomendante. com lançamento do IPI/ICMS. o estabelecimento industrializador emitirá Nota Fiscal. se a venda tiver sido efetuada antes de concluída a industrialização. no corpo da Nota Fiscal. se devidos.2 Estabelecimento Encomendante O estabelecimento encomendante deverá emitir Nota Fiscal. de que os insumos estão sendo devolvidos. sem destaque do ICMS.99. tendo como destinatário o estabelecimento encomendante.

como não há decisão judicial da Suprema Corte. para a empresa que remete materiais e insumos a um terceiro destinados à gravação em mídia eletrônica. Assim. periódicos e jornais em CD-Rom. alínea "d". em relação à imunidade prevista no artigo 150. e devem ser documentadas e contabilizadas. da Constituição. no tocante à classificação. estes impostos são devidos pelas empresas que praticam tais operações. não podemos desconsiderar o fato de que o Poder Judiciário ainda não se manifestou de modo uniforme sobre o tema. há divergências doutrinárias de peso quanto à extensão dessa garantia aos livros. conforme os procedimentos descritos no item 5 deste parecer.6 Conclusões Retormando as questões que formulamos ao início. Embora os argumentos da corrente doutrinária favorável à aplicação da imunidade aos produtos gravados em CD-Rom nos pareçam mais consistentes. documentação e contabilização das operações que integram o processo produtivo de livros e periódicos em CD-Rom. inciso VI. cabe-nos esclarecer que. periódicos e jornais veiculados em CD-Rom. . vimos que essas se caracterizam como industrialização por encomenda. Finalmente. reconhecendo a imunidade e a inexistência de obrigações tributárias do IPI e do ICMS incidentes sobre a produção e comercialização de livros. inclusive porque a atual Constituição não estabeleceu restrição quanto aos meios de veiculação desses produtos.