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RECURSOS

ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO


1) Item 39 do caderno A.

O item apresenta duas impropriedades. A primeira refere-se à competência


exclusiva do Tribunal de Contas da União para apreciar a legalidade dos atos concessivos
de aposentadoria. De fato, a Constituição Federal concede competência ao TCU para a
apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de concessão de aposentadoria. Ocorre,
contudo, que essa exclusividade somente se faz sentir para as aposentadorias que são
regidas pelo Regime Próprio servidores públicos. As aposentadorias daqueles que, apesar
de comporem os quadros da Administração Pública, são regidos pelo Regime Geral da
Previdência serão apreciadas, consoante o disposto na Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991,
pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
Logo, pode-se perceber que não todos os servidores que integram os quadros da
Administração Pública terão, ao se aposentarem, seu atos apreciados pelo Tribunal de
Contas da União.
A segunda impropriedade encontra-se na passagem em que diz: “o que torna
definitiva a aposentadoria”.
O art. 260, § 2º, do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União dispõe que
“o acórdão que considerar legal o ato e determinar o seu registro não faz coisa julgada
administrativa e poderá ser revisto de ofício pelo Tribunal, com a oitiva do Ministério
Público, dentro do prazo de cinco anos do julgamento, se verificado que o ato viola a ordem
jurídica, ou a qualquer tempo, no caso de comprovada má-fé”. (grifo acrescentado).
Pode-se perceber que o Regimento do Tribunal estabelece de forma, límpida, que a
mera apreciação do ato pela Corte de Contas NÃO tem o condão de dar defintividade à
aposentadoria.
Pelo exposto, solicita-se que o item seja considerado CERTO.

2) Item 40 do caderno A.

A parte final do item, ao se referir à “prestação de contas das pessoas ou empresas


que não pertençam à administração pública” não menciona que as aludidas pessoas geriram
recursos públicos, e, caso os tenha gerido, que estes sejam de origem federal.
O item deixa margem para que o candidato analise a questão no sentido de que o
Tribunal de Contas da União pode fiscalizar as contas de qualquer empresa não pertencente
à administração pública, mesmo que elas não tenham gerido recursos públicos. Pelo
exposto no item, caso o gabarito o considere certo, o Tribunal poderia fiscalizar a prestação
de contas que uma sociedade anônima deve fazer para os seus acionistas, o que,
definitivamente, não corresponde às competências apresentadas no art. 71 da Constituição
Federal.
Pelo exposto, solicita-se que o item seja considerado ERRADO.
3) Item 42 do caderno A.

O item informa que todas as manifestações das cortes de contas têm valor e forma
coercitiva. Definitivamente, isto não corresponde à realidade.
A título de exemplo, podem ser apontadas as seguintes manifestações que não
possuem força coercitiva:
 Resposta às consultas, nos termos do art. 1º, § 2º, da Lei n.
8.443/1992;
 Apreciação por meio de parecer prévio das contas apresentadas pelo
Presidente da República; e
 Avaliação de relatório de Auditoria de Natureza Operacional em que
o Tribunal faz apenas RECOMENDAÇÕES para o órgão.
Dessa forma, não há como prosperar a idéia defendida no item.
Ademais, a redação apresentada neste item deixa margem a interpretação no sentido
de que somente em processos de contas pode-se ter acórdão condenatório com eficácia de
título executivo.
Mais uma vez, isto não corresponde à realidade. Em processo de fiscalização,
consoante o disposto no art. 251, § 1º, inciso III, do Regimento Interno, o Tribunal pode
aplicar multa ao gestor, caso verifique alguma ilegalidade. Assim, não é somente em
processo de contas que o Tribunal pode constituir acórdão condenatório com eficácia de
título executivo.
Pelo exposto, solicita-se que o item seja considerado ERRADO.

TÉCNICO DE CONTROLE EXTERNO


1) Item 32 do caderno B.

O item considerou que o Tribunal possui competência para fiscalizar a aplicação dos
recursos tributários correspondentes ao fundo de participação dos estados.
Consoante previsto na Lei Complementar n. 62/1989, c/c o art. 1º, inciso IX, do
Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, a competência da Corte cinge-se ao
cálculo das quotas destes recursos, bem como a fiscalização de seu repasse.
A competência do Tribunal para fiscalizar a aplicação de recursos transferidos a
estados e municípios se dá quando a transferência é feita por meio de convênio, ajuste ou
outros instrumentos congêneres. Esta é a dicção do art. 71, inciso VI, da Constituição
Federal.
Pelo exposto, solicita-se que o item seja considerado ERRADO.