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Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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MECÂNICA DOS FLUIDOS


Capítulo 1 - CONCEITOS FUNDAMENTAIS

1) Definições:
Fenômenos de Transferência – Um processo de transferência é caracterizado pela tendência ao
equilíbrio, que é uma condição em que não ocorre nenhuma variação. Uma força motriz, o movimento no
sentido do equilíbrio e o transporte de alguma quantidade são fatos comuns a todos os processos de
transferência. A massa do material através da qual as variações ocorrem afeta a velocidade do transporte e
a geometria do material afeta a direção do processo. A força motriz nada mais é do que uma diferença de
velocidade, de temperatura ou de concentração.
Mecânica dos Fluidos - Ciência que estuda o transporte de energia pelos fluidos e a resistência ao
movimento ocasionada pelo movimento do fluido.
Transferência de calor - Ciência que estuda a transferência de energia associada à diferença de
temperatura.
Transferência de massa - Ciência que estuda a transferência de massa associada à diferença de
concentração de uma substância.

2) Dimensões e sistemas de unidades:
Dimensões fundamentais:
M - massa
L - comprimento
T - tempo
u - temperatura

Dimensões derivadas:
Força - MLT
-2

Pressão - ML
-1
T
-2

Potência - ML
2
T
-3


Sistemas de unidades:Internacional, Inglês, Métrico, CGS

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M L T u F Pressão Energia
SI kg m s K N Pa J
CGS g cm s K dina dina/cm² erg
Métrico kg m s K kgf Kgf/m² Kgf.m
Inglês Engenharia lb
m
ft s R lb
f
lb
f
/ft
2
lb
f
.ft
Inglês Técnico slug ft s R lb
f
lb
f
/ft
2
lb
f
.ft

Lembre-se que:
Força = massa x aceleração
Pressão = força /área
Energia = força x distância
Potência = trabalho/tempo

Os sistemas métrico e inglês de engenharia são sistemas não coerentes de unidades. Um sistema
coerente de unidades é aquele em que uma força unitária é capaz de acelerar uma massa unitária de uma
aceleração unitária, ou seja, uma força de 1 N é a força necessária para acelerar uma massa de 1 kg de 1
metro por segundo em cada segundo.
1 N = 1 kg. 1 m/s²

Sistemas não coerentes são aqueles em que a força unitária não corresponde à força necessária para
acelerar uma massa unitária de uma aceleração unitária. Por exemplo:
1 kg
f
= 1kg. 1m/s²
1 lb
f
= 1 lb
m
.1ft/s²

Em ambos os casos acima, as forças são definidas como as forças que aceleram massas unitárias a uma
aceleração padrão da gravidade: 9,8 m/s² ou 32,174 ft/s².

Existem também outras unidades muito comuns de uso prático, mas que não pertencem ao sistema
internacional de unidades.
Volume ÷ litro - L
Temperatura ÷ ºC ou ºF
Comprimento ÷ polegada (inche, in)
Energia ÷ caloria, Btu (British Thermal Unit)
Potência ÷ HP (horse-power), CV (cavalo-vapor), Btu/h, kcal/h

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Pressão ÷ kg
f
/cm², psi (lb
f
/in²), atm, bar, torr, mca (metros de coluna d'água), mm Hg (milímetros de
mercúrio)

Escalas de temperatura

Celsius Kelvin Rankine Fahrenheit



100 373,15 671,67 212 ponto de vapor


0 273,15 491,67 32 ponto de gelo



-273,15 0 0 -459,67

Observe que as escalas Kelvin e Rankine são escalas absolutas e as escalas Celsius e Fahrenheit são
escalas relativas. Ou seja, as duas primeiras não possuem valores negativos, elas partem do zero.
Observe ainda que as escalas Celsius e Kelvin sejam escalas centígradas, ou seja, entre o ponto de vapor
e o ponto de gelo, há 100 graus (ou 100 divisões) em ambas as escalas. Isto significa que o tamanho de
um grau Celsius é idêntico ao tamanho de um grau Kelvin. Por isso, variações de temperatura em ºC ou K
não precisam ser convertidas, porque são iguais. Outra situação que ocorre é quanto temos a unidade grau
no denominador de uma unidade composta como por exemplo:

K = condutividade térmica (W/mK ÷ W/mºC)
C = capacidade calorífica (J/kgK ÷ J/kgºC)
h = coeficiente convectivo de transferência de calor (W/m²K ÷ W/m²ºC)

As escalas Fahrenheit e Rankine não são escalas centígradas, porque entre o ponto de vapor e o ponto de
gelo temos 180º ou 180 subdivisões. Isto significa que o grau Rankine é menor que o grau Kelvin. A relação
é de 1/1,8.

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Pode-se dizer também, portanto, que diferenças de temperatura em ºF e em R são idênticas e valem
também as mesmas conclusões para estas unidades quando estão no denominador.

Exercícios
1. A constante do gás ideal pode ser dada por 0,08205 atm.L/mol.K, expresse esta constante nas
seguintes unidades:
a) J/K.mol
b) lb
f
.ft/lbmol.R
Resposta: a) 8,314 b) 1545

2. Uma propriedade comum dos materiais é a condutividade térmica K. O cobre tem um valor de
condutividade térmica igual a 400 W/mK. Expresse a condutividade do cobre em:
a) W/m°C
b) kcal/h.mºC
c) Btu/h.ft.ºF
Resposta: a) 400 b) 344 c) 231

3. Há um fluxo de energia através de uma parede igual a 5 W/m², expresse este fluxo em:
a) kcal/h.m²
b) Btu/h.ft²
Resposta: a) 4,3 b) 1,58

4. Expresse a massa específica do Hg (13550 kg/m³)
g/cm³ ÷
g/L ÷
kg/dm³ ÷
Resposta: a) 13,55 b) 13550 c) 13,55

5. O volume específico do vapor d’água a 200ºC e 1,5538 kPa é 0,12736 m³/kg. Expresse este valor em
cm³/g.
Resposta: 127,36

6. Expresse sua massa e sua altura no sistema inglês de unidades. Expresse também a potência do
chuveiro de sua residência em BTU/h e Kcal/h.

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7. A conta de energia de sua casa é quantificada em kWh. Apresente o valor da sua última conta mensal
de energia em kWh, kcal, Joules.

8. A dieta de um adulto deve conter alimentos que permitam uma provisão de energia diária de
aproximadamente 2000 kcal. Expresse isto em kW.h. Se fossemos movidos a energia elétrica qual
seria o custo diário para manter um ser humano, se o custo da energia é R$ 0,33 / kWh.
Resposta: R$ 0,77

9. Para as quantidades abaixo, indique as dimensões usando o sistema MLTu e dê unidades típicas no SI
e no Sistema Inglês
a) potência
b) energia
c) tensão de cisalhamento
d) pressão
e) velocidade angular
f) quantidade de movimento
g) calor específico
h) gradiente de temperatura
i) gradiente de velocidade
j) gradiente de concentração
Resposta:
a) ML
2
T
-3


Watt BTU/h ou lbf.ft/h
b) ML
2
T
-2
Joule BTU ou lbf.ft
c e d) MT
-2
L
-1
Pascal lbf/ft²
e) T
-1
s
-1
s
-1

f) MLT
-1
kg.m/s lbm.ft/s
g) L²T
-2
u
-1
J/kgK BTU/lbmR
h) uL
-1
K/m R/ft
i) T
-1
1/s 1/s
-

j) ML
-4
(kg/m
3
)/ m ( lbm/ft³)/ft

10. A diferença de pressão AP no bloqueio parcial de uma artéria (conhecido como estenose) pode ser
avaliada pela seguinte expressão:
2
2
1
0
2 1
1 V
A
A
C
D
V
C P µ
µ
|
|
.
|

\
|
÷ + = A
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onde V é a velocidade média do escoamento de sangue, µ é a viscosidade absoluta do sangue, D é o
diâmetro da artéria, A
0
é a seção transversal da artéria desobstruída e A
1
é a área da seção transversal da
estenose. Determine as unidades das constantes C
1
e C
2
nos sistemas inglês, SI e CGS.

11. A energia específica que é encontrada em tabelas de propriedades termodinâmicas tem unidades de
energia por unidade de massa. Mostre que esta grandeza tem as dimensões L
2
/T
2
.

12. Um óleo tem viscosidade de 380 cP e densidade igual a 0,81. Determine sua viscosidade absoluta no
SI, sua viscosidade cinemática no SI e em centistokes e sua massa específica no SI.
Resposta: 0,380 Pa.s, 4,69 x 10
-4
m²/s, 469 cS e 810 kg/m³

13. Uma solução salina tem viscosidade cinemática igual a 1,4 cS e massa específica igual a 1120 kg/m³.
Determine a viscosidade cinemática no SI, a viscosidade absoluta no SI, a massa específica em g/cm³
e a densidade relativa.
Resposta: 1,4x10
-6
m²/s 1,568x10
-3
Pa.s 1,12 g/cm³ 1,12

14. Determine as seguintes áreas e volumes:
a) área superficial externa de um forno de dimensões externas 80 x 120 x 120 cm
b) área superficial interna do mesmo forno, sabendo-se que ele tem espessura de parede igual a 5 cm.
c) volume interno (útil) do forno.
d) volume total do forno.
e) área da seção transversal de um tubo de aço de diâmetro interno igual ¾ polegada.
f) área da parede interna do mesmo tubo de aço, sendo que seu comprimento total é de 6m.
g) área da parede externa do mesmo tubo de aço, sabendo-se que a espessura de parede é 2mm.
h) área superficial de uma lata de 15 cm de altura e 8 cm de diâmetro.
i) volume da mesma lata
j) Diâmetro de uma esfera, que tem o mesmo volume da lata do item anterior
k) área superficial da esfera.
l) Se um tanque cilíndrico tem capacidade de 3 m³ e sua altura é 1,2 m, qual é o seu diâmetro?
m) Um tanque com 2 m³ de capacidade armazena quantos kg de água? E de mercúrio? E de benzeno?
n) Quais seriam as dimensões de um cubo de massa igual a 1kg se ele fosse feito de isopor? De
chumbo? De aço? De alumínio? De água?


3) Meios
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Todos os materiais se apresentam na forma sólida, líquida ou gasosa ou ainda numa combinação destas
formas.
Sólido – substância que oferece resistência à variações de forma.
Fluido – substância que se deforma continuamente quando submetida a uma tensão de cisalhamento
(líquidos e gases)

Massa específica
V
m
= µ [kg/m³]
Volume específico
m
V
v = [m³/kg]
Peso específico
V
mg
g = = µ ¸ [N/m³]
Densidade relativa
C O H
d
º 4
2
÷
=
µ
µ
[-] µ
H2O – 4ºC
= 1000 kg/m³

4) Variações de massa específica
Gases
Como uma aproximação pode-se usar a equação de estado do Gás Ideal. Esta equação pode ser utilizada
sem erro apreciável em baixas pressões e temperaturas próximas da temperatura ambiente. Qualquer
estimativa de massa específica e propriedades PVT de gases em serviços de responsabilidade deve ser
feita baseando-se nos critérios de termodinâmica (utilizando fator de compressibilidade, fator acêntrico,
equações cúbicas de estado, etc.).

A equação do Gás Ideal é dada por: nRT PV =
Onde:
P = pressão absoluta
V = volume do gás
N = número de mols
R = constante do gás ideal
T = temperatura absoluta do gás

Sabendo-se que n = m/M (m = massa e M= massa molecular), pode-se substituir e chegar a seguinte
equação:
RT
PM
= µ para consistência de unidades o ideal é utilizar os valores em unidades do SI, ou seja:

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P = Pa M = kg/kmol T=K R= 8314,3 J/kmol.K
Desta forma obtém-se a massa específica em kg/m³.

Líquidos
Os líquidos usualmente são considerados incompressíveis, uma vez que a dependência da massa
específica com a pressão e com a temperatura é muito menos significativa que para os gases. A variação
da massa específica de um líquido com a temperatura é facilmente mensurável e usualmente encontra-se
tabelada. A variação da massa específica com a pressão é dada pelo módulo de elasticidade volumétrica
do fluido (Ev) ou coeficiente de compressibilidade (K)

µ µ d
dP
Ev = Ev [Pa]






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Propriedades aproximadas de alguns líquidos
Temperatura
(
0
C)
Massa
específica µ
(kg/m³)
Viscosidade
dinâmica µ
(10
-3
xN.s/m²)
Pressão de
vapor P
v

(10
3
xN/m²)
abs
Compressibilidade
Ev
(10
9
x N/m²)
Tetracloreto
de carbono
20 1590 0,958 13 1,31
Álcool
etílico
20 789 1,19 5,9 1,06
Gasolina 15,6 680 0,31 55 1,3
Glicerina 20 1260 1500 0,000014 4,52
Mercúrio 20 13600 1,57 0,00016 2,85
Óleo SAE
30
15,6 912 380 1,5
Água do
mar
15,6 1030 1,2 1,77 2,34
Água 15,6 999 1,12 1,77 2,15



Exercícios

15. Qual é a temperatura, a pressão, a massa específica e a viscosidade do ar a 13 km e a 6 km de
altitude?

16. Qual é a variação percentual da massa específica da água (a 20°C) quando submetida a uma diferença
de pressão de 54 atm? Se a sua massa específica inicial era de 998 kg/m³, qual será o novo valor?
Resposta: 0,24% e 1000,47kg/m³

17. Qual é o aumento de pressão necessário para causar uma variação de massa específica da água
semelhante àquela que seria causada pela diminuição da temperatura da mesma de 40 para 20
0
C?
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Resposta 131,26 atm

18. Qual é a massa específica do CO
2
(dióxido de carbono) a 50ºC e 650 mmHg?
Resposta: 1,42 kg/m³

19. Qual é a alteração percentual na massa especifica dos gases de combustão de um automóvel
(considere gás ideal) quando a temperatura passa de 300°C para 35°C?
Resposta:- 86%

20. A que pressão deve ser armazenado o ar, para que sua massa específica seja de 5,3 kg/m³, se a
temperatura é de 15°C?
Resposta: 437921 Pa

21. Justifique o motivo físico pelo qual as duas equações apresentadas para o módulo de elasticidade
volumétrica tem sinais contrários.

22. Sabe-se (e você vai estudar este assunto com profundidade) que ao longo de uma tubulação, qualquer
fluido ao escoar sofre atrito com as paredes, isto causa uma queda na pressão do escoamento. Se no
início do escoamento a pressão é 180 kPa e no final do escoamento a pressão cai para 154 kPa.
Considere dois casos específicos: na tubulação A escoa nitrogênio (N
2
)a 20°C e na tubulação B escoa
água também a 20°C. Nos dois casos ocorrerá variação significativa da massa específica? Justifique
claramente a sua resposta.

23. Um recipiente pesa 2,9 lbf quando vazio. Quando cheio com água a 20
0
C, a massa do recipiente e do
seu conteúdo é de 1,95 slug. Determine o peso de água no recipiente e seu volume em pés cúbicos.
(Use os dados tabelados de massa específica da água).
Resposta: 266,24 N 0,96 ft³

24. Estime qual deve ser o aumento da pressão (em bar) necessário para provocar uma diminuição do
volume do mercúrio em 0,1%.
Resposta:28,5 bar

25. Suponha que você tenha 20ml de água a 4°C em uma proveta de 2cm de diâmetro interno. Qual a
altura correspondente aos 20 ml? Agora você transfere os 20 ml de água a 4°C para uma proveta de
1cm de diâmetro interno, qual a altura de água nesta nova proveta? Se os 20 ml de água forem
aquecidos a 60°C, a altura de água na proveta permanecerá a mesma?
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5) Transferência de Quantidade de Movimento – Lei de Newton da Viscosidade
Quantidade de movimento é uma quantidade vetorial definida por
v m P


. = onde P é a quantidade de movimento, m é a massa e u é a velocidade.









Um fluido está confinado entre duas placas planas, sendo a inferior fixa e a superior em movimento. É
aplicada uma força F
x
tangencial que provoca o deslocamento da superfície superior com a velocidade u.
Devido à condição de não escorregamento a camada de fluido em contato com uma superfície tem a
mesma velocidade da superfície. Por isso, a camada superior é arrastada juntamente com a placa e suas
moléculas colidem com as moléculas da camada imediatamente anterior, ocorrendo transferência de
quantidade de movimento entre as camadas do fluido. Devido às diferentes velocidades das camadas de
fluido, estabelece-se entre elas um atrito intenso chamado de tensão de cisalhamento e que tende a se
opor ao movimento.
As camadas de fluido ao escoarem com diferentes velocidades estabelecem um perfil de velocidades no
seio do fluido.

Lei de Newton da Viscosidade

a a’ b b’ dF
x
du
x

¢ dy

c d

Observa-se que a força aplicada é proporcional à velocidade que será impressa à placa superior. Quanto
maior esta força também será maior o deslocamento da placa e, consequentemente, a deformação do
fluido. Se a força aplicada for dF, ou seja, uma força infinitesimal, deformação do fluido ¢ pode ser medida
pela tangente do ângulo, uma vez que a deformação também será infinitesimal.
dy
b b
adjacente cateto
oposto cateto
d
÷
=
÷
÷
·
1
¢
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O deslocamento b’-b pode ser medido pela equação
tempo
to deslocamen
velocidade =
Então (b’-b) = du.dt
¢ d
dy
dt du
·
.
então
dy
du
dt
d
=
¢
ambos os termos podem ser chamadas de taxa de deformação angular ou
gradiente de velocidade.
A tensão de cisalhamento que surge entre as camadas de fluido provocada pelo movimento relativo das
mesmas é proporcional à taxa de deformação.
dy
du
dt
d
· ·
¢
t
Trocando-se o sinal de proporcionalidade por um sinal de igualdade e um coeficiente de proporcionalidade
temos:
dy
du
yx
µ t ÷ =
Onde
t = tensão de cisalhamento (N/m²) - índice x – direção do movimento
- índice y – direção do transporte do impulso de quantidade de
movimento.
(-) indica o sentido do fluxo de quantidade de movimento – da maior para a menor velocidade, ou no
sentido decrescente (observe que não indica o sinal da força).
µ = fator de proporcionalidade – viscosidade dinâmica ou absoluta (N.s/m²)
du/dy = gradiente de velocidades ou taxa de deformação angular (s
-1
)

Portanto, a Lei de Newton da Viscosidade pode ser expressa como:
dy
du
A
F
x
xy
µ t ÷ = =


Lei de Newton da Viscosidade


A Lei de Newton também é apresentada sem o sinal negativo por diversos autores. O sinal da tensão é
frequentemente motivo de confusão entre estudantes. Abaixo há uma pequena explicação para clarear a
questão do sinal da equação e, consequentemente, o sinal da tensão de cisalhamento.

Tensão de cisalhamento – sinal
= −

ou
=

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O fluxo de quantidade de movimento flui da velocidade mais alta para a velocidade mais baixa,
assim como o calor flui da temperatura mais alta para a temperatura mais baixa.
Ao usarmos esta equação com sinal negativo (segundo Bird) estamos dizendo que o sinal da tensão
de cisalhamento obtido refere-se à força feita pelo fluido com y menor sobre o fluido com y maior no campo
de escoamento. Observe os exemplos abaixo:


A função v(y) é decrescente, pois quando y aumenta a velocidade diminui. Então
y
v
c
c
é negativa.
Substituindo na equação
y
v
c
c
÷ = µ t , a tensão fica positiva. Lembrando que: o sinal da força refere-se ao y
menor sobre o y maior, temos que:

Na placa inferior
- A placa inferior (y menor) exerce uma força positiva sobre o fluido (y maior)
- O fluido (y maior) exerce uma força negativa sobre a placa inferior (y menor)
Na placa superior
- O fluido (y menor) exerce uma força positiva sobre a placa superior (y maior)
- A placa superior (y maior) exerce uma força negativa sobre o fluido (y menor)



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A função v(y) é crescente, pois quando y aumenta a velocidade também aumenta. Então
y
v
c
c
é positiva.
Substituindo na equação
y
v
c
c
÷ = µ t , a tensão fica negativa. Lembrando que: o sinal da força refere-se ao y
menor sobre o y maior, temos que:

Na placa inferior
- A placa inferior (y menor) exerce uma força negativa sobre o fluido (y maior)
- O fluido (y maior) exerce uma força positiva sobre a placa inferior (y menor)
Na placa superior
- O fluido que adere à placa superior (y menor) exerce uma força negativa sobre a placa (y maior)
- A placa superior (y maior) exerce uma força positiva sobre o fluido (y menor)




Neste caso a velocidade é função do raio, ou seja, v =f(r). A função é decrescente, pois quanto maior o
raio menor a velocidade, então
r
v
c
c
é negativa. Substituindo na equação
r
v
c
c
÷ = µ t , a tensão fica
positiva.
- O fluido (r menor) exerce uma força positiva sobre a parede do duto (r maior)
- A parede (r maior) exerce uma força negativa sobre o fluido (r menor)

6) Viscosidade Absoluta ou Dinâmica (µ)
É a medida da resistência do fluido à deformação. É uma função da temperatura.

As unidades no SI são Pa.s ou Kg/m.s
Outra unidade muito utilizada é o centipoise. O centipoise é derivado do Poise (0,01P). 1 poise ÷
1g/cm.s


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7) Viscosidade Cinemática ou Difusividade de Quantidade de Movimento (v)
A viscosidade cinemática pode ser deduzida a partir da equação de Poiseuille (a ser deduzida no
capítulo 4). É útil para a determinação da viscosidade em viscosímetros de escoamento. A equação de
Poiseuille pode ser aplicada para escoamentos em regime permanente, laminares, incompressível e o
fluido seja newtoniano. A equação relaciona o tempo de escoamento (t) de um determinado volume de
fluido (V), a uma determinada pressão P, escoe em um capilar de comprimento L e raio R.
t
L V
PR
µ
t
µ
µ
v
4
8
= = No SI a unidade é m²/s. Outra unidade muito utilizada é o stoke e o centistoke. 1
stoke ÷ 1 cm²/s
A relação entre os dois tipos de viscosidade é dada por:
µ
µ
v =





















Exercícios
26. Um óleo tem viscosidade de 380 cP e densidade igual a 0,81. Determine sua viscosidade absoluta no
SI, sua viscosidade cinemática no SI e em centistokes e sua massa específica no SI.
Resposta: 0,380 Pa.s, 4,69 x 10
-4
m²/s, 469 cS e 810 kg/m³

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27. Uma solução salina tem viscosidade cinemática igual a 1,4 cS e massa específica igual a 1120 kg/m³.
Determine a viscosidade cinemática no SI, a viscosidade absoluta no SI, a massa específica em g/cm³
e a densidade relativa.
Resposta: 1,4x10
-6
m²/s 1,568x10
-3
Pa.s 1,12 g/cm³ 1,12

28. Supondo que um fluido de viscosidade 50 cP esteja confinado entre duas placas planas separadas por
uma distância de 2 mm, determine qual será a força necessária que deverá ser aplicada na placa
superior para arrastá-la a uma velocidade de 5 cm/s. A placa tem área de 0,1 m².
Resposta: 0,125N

29. Um cilindro de 0,122 m de raio gira concentricamente dentro de um cilindro fixo de 0,128 m de raio. Os
dois cilindros têm 0,305 m de comprimento. Determine a viscosidade do líquido que preenche o
espaço entre os dois cilindros, sabendo que há necessidade de um torque de 0,881 N.m para manter
uma velocidade angular de 60 rpm.
Resposta: 0,242 Ns/m²

30. Fio magnético deve ser revestido com verniz isolante puxando-o através de uma matriz circular com
passagem de 0,9 mm de diâmetro. O diâmetro do fio é de 0,8 mm e ele fica centrado na passagem. O
verniz que tem viscosidade absoluta µ = 2000cP preenche completamente o espaço entre o fio e a
passagem por um comprimento de 20 mm. O fio é puxado através da passagem a velocidade de 5
m/s. Determine a força requerida para puxá-lo.
Resposta: 10 N

31. Em relação ao problema anterior avalie o efeito sobre a força nos casos abaixo:
a. aumento da velocidade do fio
b. aumento do diâmetro do fio
c. aumento da folga entre o fio e a matriz
d. aumento da temperatura
e. aumento do comprimento da matriz

32. Analise o seguinte perfil de velocidades (parabólico) que ocorre num duto cilíndrico de seção circular
(
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
÷ =
2
1
R
r
V u
máx
onde V
máx
= constante
r = distância radial do centro do duto
R = raio do duto
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a) Onde ocorre a velocidade máxima?
b) Mostre que o gradiente de velocidade varia linearmente com o raio.
c) Determine o gradiente de velocidade na parede.
d) Determine o gradiente de velocidade na linha central.
e) Qual é a tensão de cisalhamento na parede e na linha central quando flui água a 30ºC, com uma
velocidade máxima de 5 m/s e o diâmetro do tubo é 1"?
Resposta: b) du/dr = -2u
máx
.r/R
2
c) -2u
máx
/R d) 0 e) 0,63 Pa na parede e zero na linha central

33. Uma placa que dista 0,5 mm de uma placa fixa, move-se a 0,25 m/s e necessita de uma força por
unidade de área de 2 Pa para manter a velocidade constante. Determinar a viscosidade da substância
entre as placas em unidades SI.
Resposta: 0,004 Pa.s

34. Determine a viscosidade do fluido entre o eixo e a bucha da figura abaixo
Resposta: 1,144 Pa.s

35. Um cilindro de aço de 2,54 cm de diâmetro e 30 cm de comprimento cai, sob a ação do próprio peso,
com velocidade constante de 15 cm/s dentro de um tubo de diâmetro ligeiramente maior. Existe uma
película de óleo de rícino (µ = 800 cP) com espessura constante entre o cilindro e o tubo. Determinar a
folga existente entre o tubo e o cilindro.(massa específica do aço = 7850 kg/m³)
Resposta: 0,25 mm

36. Um pistão de 50,00 mm de diâmetro se movimenta no interior de um cilindro de 50,10 mm de diâmetro.
Determinar o decréscimo percentual da força necessária para movimentar o pistão quando o
lubrificante (óleo SAE 10W) se aquece de 0
0
C a 120ºC.
Resposta: 99,1%

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

18
37. Quantas vezes maior é a viscosidade da água a 0ºC do que a 100°C? Quantas vezes maior é a
viscosidade cinemática no mesmo intervalo de temperatura?
Resposta: 6,3 vezes para a viscosidade absoluta e 6,1 vezes para a viscosidade cinemática.

38. A distribuição de velocidade para o escoamento laminar desenvolvido entre placas paralelas é dada
por

2
max
2
1 |
.
|

\
|
÷ =
h
y
u
u
onde h é a distância entre as placas; a origem é colocada à meia distância entre as
placas. Considere um escoamento de água a 15°C, com u
máx
= 0,30 m/s e h = 0,50 mm. Calcule a força
cisalhante sobre uma seção de 0,3 m² placa inferior.
Resposta: 0,82N do fluido sobre a placa.

39. Um cubo pesando 10 lbf e tendo a dimensão de 10" em cada aresta é puxado para cima sobre uma
superfície inclinada na qual há uma película de óleo SAE 10W a 100ºF. Se a velocidade do cubo é 5
ft/s e a película de óleo tem 0,001" de espessura, determine a força requerida para puxá-lo. A
superfície está inclinada de 15º em relação à horizontal.
Resposta: F total = Fpeso + Fcis = 11,5 + 135,5 = 147N (considerando µ = 3,5x10
-2
Ns/m²)

40. Uma fita de gravação deve ser revestida em ambos os lados com lubrificante, sendo puxada através
de uma estreita ranhura. A fita tem espessura desprezível e 1" de largura. Ela fica centrada na ranhura
com uma folga de 0,012 " de cada lado. O lubrificante de viscosidade semelhante a do problema
anterior preenche completamente o espaço entre a fita e a ranhura por um comprimento de 5" ao
longo da fita. Se a fita pode suportar uma força máxima de tração de 7,5 lbf, determine a velocidade
máxima com a qual ela pode ser puxada através da ranhura.
Resposta: 45 m/s

41. Um viscosímetro de cilindros concêntricos pode ser formado girando-se o membro interno de um par
de cilindros encaixados com folga muito pequena. Para pequenas folgas pode-se supor um perfil
linear de velocidades no líquido que preenche o espaço anular. Um viscosímetro tem um cilindro
interno de 75 mm de diâmetro e 150 mm de altura, com largura de folga de 0,02mm. Um torque de
0,021 Nm é necessário para girar o cilindro interno a 100 rpm. Determine a viscosidade do líquido no
espaço anular.
Resposta: 8,06x10
-4
Ns/m²

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

19
42. Um bloco de 10 kg desliza num plano inclinado sobre uma película de óleo. Determine a velocidade
terminal do bloco sabendo que a espessura do filme de óleo SAE 30 é igual a 0,1 mm e que a
temperatura é 20°C. Admita que a distribuição de velocidade no filme seja linear e que a área do bloco
em contato com o filme é de 0,2 m². O plano está inclinado de 20°em relação à horizontal.
Resposta: 0,042 m/s (considerando µ =0,4Ns/m²)


43. Um fluido newtoniano, densidade e viscosidade
cinemática, respectivamente iguais a 0,92 e 4x10
-
4
m²/s, escoa sobre uma superfície imóvel. O perfil
de velocidades deste escoamento, na região
próxima à superfície está mostrado na figura
abaixo. Determine a magnitude da tensão de
cisalhamento que atua sobre a placa. Expresse
seu resultado em função de U (m/s) e o (m)
Resposta: tensão = 0,552U/o

44. O perfil de velocidades em um meio fluido é representado pela figura abaixo. O vértice da parábola
encontra-se a 30 cm da placa fixa. Determine:
a) a função que representa a variação de velocidade
b) as velocidades em y = 0cm, y = 10cm, y = 20cm e y = 30cm
c) a expressão para o gradiente de velocidade
d) as tensões de cisalhamento em y = 0cm, y = 10cm, y = 20cm e y = 30cm (se µ = 80 cP)


Resposta:
a) u= -44,44y² + 26,67 y
b) y = 0 v = 0,- y = 0,1 v = 2,22, y = 0,2 v = 3,56,- y = 0,3 v = 4


v = 4 m/s



h = 30 cm
y
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

20
c) du/dy = -88,88y + 26,67
d) y = 0 t = -2,13, y = 0,1 t = -1,42, y = 0,2 t = -0,71, y = 0,3 t = 0

45. Um viscosímetro do tipo copo de escoamento contém um volume de 125 mL de fluido. Este fluido
escoa por um capilar de 4 mm de diâmetro e 10 mm de comprimento em 65 segundos. O escoamento
ocorre à pressão atmosférica em um local onde a mesma é 670 mm Hg. O fluido tem massa
específica igual a 980 kg/m³. Determine a viscosidade absoluta em centipoises e a viscosidade
cinemática do fluido em centistokes.
Resposta: 29781 cS e 29185 cP

08. Reologia
Este texto foi retirado do livro Fundamentos de Reologia de Polímeros, de Rômulo Feitosa Navarro, da
EDUCS (1997)

Segundo Heráclito “panta rhei”, em grego significa “tudo flui”. Desta forma, a palavra reologia sendo
resultado da soma dos radicais rhêo e logos, significaria de forma mais imediata: a ciência do escoamento.
A conceituação mais abrangente de reologia é dada por Vinograd e Malkin (1980) que definiram a
reologia como a ciência que se preocupa com a descrição das propriedades mecânicas dos vários
materiais sob várias condições de deformação, quando eles exibem a capacidade de escoar e/ou acumular
deformações reversíveis.
Objetivos da reologia: a partir da relação entre a tensão aplicada sobre um corpo e a resposta deste – a
deformação – a este esforço, os estudos reológicos terão que decifrar a estrutura do material e projetar seu
comportamento em situações diferentes, do que as usadas durante o teste.
A resposta do material à imposição de um esforço externo é a única propriedade confiável para
classificá-lo como sendo fluido ou sólido. Todavia, nem sempre os resultados desta classificação são
confiáveis. Segundo Lenk (1978) um fluido, idealmente, é um corpo que se deforma irreversivelmente como
resultado do escoamento. Entretanto, os metais e outros sólidos plásticos escoam e permitem deformações
irreversíveis e, notadamente, não são fluidos. O que distingue um sólido plástico de um fluido é que o
segundo não resiste ao próprio peso e seu escoamento é majoritariamente viscoso na temperatura
ambiente.
Desta forma, a análise da relação tensão-deformação não basta para classificar reologicamente um
material, é necessário verificar a existência de escoamento em primeiro lugar, uma vez que não escoando
o material é com certeza um sólido, e por último o tipo de escoamento verificado, se viscoso ou plástico.
Convém ressaltar que outra característica: a recuperação espontânea ou deformação reversível, antes só
relacionada com os sólidos, não pode ser um determinante do caráter reológico dos materiais, uma vez que
também pode ser apresentada por uma classe especial de fluidos chamados de viscoelásticos.
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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Fluidos Newtonianos
Este modelo impõe que a viscosidade seja uma propriedade física mutável apenas mediante
variação de temperatura e pressão. A viscosidade não depende do cisalhamento aplicado ou do tempo de
sua aplicação.

a
t b Os fluidos representados pelas retas ao lado, são todos newtonia-
nos, mas têm viscosidades diferentes. A viscosidade é a inclinação
c de cada curva do gráfico tensão x deformação.

µ
a

b

c

t = µ. du/dy (1)
du/dy

Fenômenos Não-Newtonianos
Os fluidos que não obedecem à Lei de Newton da Viscosidade são uma parcela significativa dos
fluidos reais. Para estes fluidos a viscosidade deixa de ser um coeficiente para se tornar uma propriedade
que varia de acordo com as condições com as quais o fluido se depara. Neste caso passa a ser
denominada de viscosidade aparente. Os fluidos não newtonianos têm uma viscosidade chamada de
viscosidade aparente.
A dependência da viscosidade aparente com a taxa de deformação e/ou com o tempo, bem como
as características inerentes aos sólidos (elásticas e plásticas) quando presentes em fluidos viscosos
formam a base do que se convencionou chamar de fenômenos não newtonianos.
Esses fenômenos são divididos em 3 categorias:
- independentes do tempo;
- dependentes do tempo;
- viscoelásticos.

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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Fenômenos não-newtonianos independentes do tempo
Os comportamentos independentes do tempo podem ser incluídos em duas categorias:
- fluido essencialmente viscoso, mas sua viscosidade aparente varia com a taxa de deformação (ou seja,
não é representado por uma reta no plano tensão deformação) – fenômenos de potência;
- fluido tem um comportamento plástico antes de escoar como um fluido;

1) Fenômenos da Potência
Ao examinar determinados fluidos sob escoamento cisalhante, Ostwald de Waale verificou que os
mesmos exibiam um comportamento diferente do proposto por Newton no tocante ao comportamento
da viscosidade frente ao cisalhamento aplicado. Ao contrário dos fluidos newtonianos, os fluidos
examinados apresentavam uma relação tensão de cisalhamento (t) versus taxa de deformação (du/dy)
não linear em que a inclinação variava também de forma não linear com a taxa de deformação.
Tomando como base a Lei de Newton, Ostwald propôs o seguinte modelo:
t = K
du
dy
n
(2)
onde:
n é o índice de comportamento ou de potência
K é o índice de consistência
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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Observe que a equação (2) se reduz à equação (1) (Lei de Newton da Viscosidade) se n=1, desta forma
K=µ.
K está relacionado com a viscosidade aparente (q) da seguinte forma:

t q =
du
dy
(3) q =
÷
K
du
dy
n 1
(4)

Quanto mais distante o índice de comportamento estiver de 1, mais distante o fluido estará do
comportamento newtoniano.


















Pseudoplasticidade
Este é o fenômeno de potência que ocorre mais freqüentemente. Este fenômeno faz com que a
viscosidade aparente, que a baixas taxas de cisalhamento tem um valor alto, caiam a um valor
constante q
·
a partir de um valor crítico da tensão de cisalhamento.
Este comportamento pode ser explicado por uma das 3 razões que se seguem:
- existência no sistema líquido de partículas assimétricas que estando no repouso, orientadas de
forma aleatória, assumem uma direção preferencial na direção do escoamento;
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

24
- sistemas líquidos constituídos de moléculas grandes e flexíveis que passam de uma configuração
aleatoriamente enrolada no repouso, para uma orientada na direção do escoamento, assumindo
uma forma quase linear;
- existência de moléculas que em repouso se encontram altamente solvatadas, têm as camadas de
solvatação destruídas pela ação do cisalhamento.
Moléculas grandes e flexíveis, como as moléculas poliméricas, devido ao elevado grau de enrolamento
produzem vários pontos de contato entre seus segmentos cinéticos ao longo de seu comprimento.
Estes pontos de contato atuam de forma a evitar o livre movimento destas moléculas e/ou de seus
segmentos, de forma que confere ao sistema uma viscosidade maior em taxas de deformação mais
baixas. Na medida em que o cisalhamento imposto é capaz de iniciar a eliminação destes pontos de
contato, alinhando as moléculas na direção do cisalhamento, a viscosidade aparente do sistema será
paulatinamente diminuída até que o equilíbrio seja novamente alcançado.
Exemplos: suspensões coloidais, polímeros no estado fundido, soluções poliméricas, polpa de papel em
água.

Dilatância
É o fenômeno oposto à pseudoplasticidade. Foi observado pela primeira vez por Reynolds ao
observar que alguns sistemas se expandiam volumetricamente sob cisalhamento. Estudando suspensões
concentradas em água, Reynolds deduziu que este comportamento anômalo se devia ao fato de que estas
suspensões , quando em repouso, apresentavam uma quantidade mínima de vazios e que o líquido era
suficiente apenas para preenchê-los . Sob cisalhamento suave, o líquido lubrificava as partículas facilitando
seus movimentos relativos. Aumentos posteriores na taxa de deformação provocavam expansão no
material e aumento na quantidade de vazios. Deste ponto em diante o líquido não era mais suficiente para
lubrificar as partículas em movimento. O aumento na viscosidade aparente do sistema era então
evidenciado pela necessidade de se aumentar a tensão de cisalhamento para manter o movimento das
partículas.
É um fenômeno pouco comum, estando associada às suspensões concentradas de partículas
grandes.
Exemplo: suspensões de amido e areia.

2) Viscoplasticidade

a) Fluido de Bingham
A viscoplasticidade é um fenômeno caracterizado pela existência de um valor residual para a tensão
de cisalhamento, o qual deve ser excedido para que o material apresente um fluxo viscoso. Este
comportamento é comum às composições altamente concentradas em que a interação partícula-partícula
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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desempenha um papel importante. Sistemas que são considerados líquidos como lamas, polpas de frutas e
suspensões concentradas, quando têm sua concentração de sólidos elevada além do valor crítico,
favorecem a formação de um “esqueleto” por parte das partículas antes dispersas . Esse “esqueleto” além
de ser responsável pela elevação na viscosidade do sistema, impede que o mesmo flua normalmente.
Portanto é necessário destruir este “esqueleto” para que o material realize um escoamento viscoso.
t t µ = +
0
du
dy

onde t
0
= tensão residual
µ = viscosidade plástica
Exemplos: suspensões de argila, lamas de perfuração e pasta dental.

b) Fluido de Herschel-Bulkley (pseudoplástico com tensão inicial)


Fenômenos não newtonianos dependentes do tempo
O efeito do tempo assume grande importância quando a estrutura aleatória dos sistemas líquidos
muda de forma gradual frente a um campo de cisalhamento. A heterogeneidade no escoamento é
caracterizada pela presença de duas ou mais fases que interagem entre si e produzem perturbações locais
nas linhas de fluxo. Dentre os fatores que causam a heterogeneidade podem ser citados: forças
interfaciais, pontes de hidrogênio e outras interações moleculares. Além disto existe a tendência de uma
das partes da fase dispersa se cristalizar durante o escoamento, aumentando sua fração volumétrica à
custa da fase contínua que lhe providencia volume livre e lubrificação. Estas perturbações aumentam de
importância com o aumento de concentração, podendo gerar aumento ou diminuição da viscosidade
aparente do sistema dependendo da forma como a estrutura interna do líquido será alterada: se destruída
ou ampliada. Os processos caracterizados pela destruição estrutural pela ação do tempo fazem parte do
fenômeno conhecido como tixotropia. Os processos contrários recebem o nome de não-tixotrópicos.

Tixotropia
É um fenômeno caracterizado pela diminuição da viscosidade aparente do líquido com o tempo de
aplicação de uma dada taxa de deformação.

Fenômenos não-tixotrópicos – Reopéticos
A antitixotropia ou reopexia é perfeitamente explicada pelas teorias aplicadas à tixotropia, só que no
sentido inverso. Todavia deve ser acrescentado que as partículas da fase dispersa devem possuir uma
tendência à aglomeração, a qual é aumentada pela ação do cisalhamento imposto.
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

26

Fluidos viscoelásticos
São fluidos que têm características viscosas e elásticas. Ou seja, quando submetidos a uma tensão
de cisalhamento deformam-se, mas recuperam-se parcialmente da deformação ao cessar o esforço.
Exemplos deste tipo de fluidos são as massas e as geléias.
















9. Métodos para determinação da viscosidade
Viscosímetros capilares de fluxo
Os viscosímetros capilares de fluxo
tem normalmente a forma de um
tubo em U. Alguns tipos de
viscosímetros capilares podem ser
vistos na figura ao lado.





O mais simples é o viscosímetro de Ostwald. O viscosímetro é preenchido cuidadosamente com o
fluido a ser medido até a marca A. O fluido é succionado pela outra extremidade até alcançar a marca B. O
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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fluido então escoa pelo tubo capilar devido à pressão hidrostática que foi induzida. É registrado o tempo
que o fluido leva para escoar entre as marcas B e C. Este tempo é então multiplicado por uma constante do
instrumento para determinar a viscosidade cinemática do fluido. O tempo é diretamente proporcional à
viscosidade absoluta e inversamente proporcional à massa específica.
µ
µ
· t
Devido ao fato de que o tempo depende tanto da densidade como da viscosidade do fluido, os
viscosímetros capilares de fluxo proporcionam um medida direta da viscosidade cinemática. Se não se
conhece a constante do instrumento, esta pode ser calculada empregando-se um fluido de viscosidade
cinemática conhecida. O tamanho do capilar é variável, mas é necessário que seja escolhido o tamanho
certo para cada aplicação. Assim evita-se que o fluido flua muito rapidamente, o que faria com que o fluxo
fosse turbulento, ou muito lentamente, o que demandaria muito tempo para as medidas. Tempos
adequados são normalmente entre 100 e 500 segundos. Este tipo de viscosímetro é barato, necessita de
amostras pequenas de fluido e é adequado para fluidos com baixa viscosidade como água, solventes
orgânicos, leite, soluções diluídas e também para controlar as mudanças produzidas sobre estes fluidos por
processos como aquecimento e homogeneização.




Viscosímetros de orifício

O viscosímetro de orifício
é composto de um tubo ou
orifício, geralmente disposto na
vertical com comprimento
pequeno quando comparado ao
seu diâmetro. Este instrumento é
muito utilizado industrialmente,
mas não pode ser utilizado para
estudos reológicos, pois seus
resultados não são muito
precisos. Neste tipo de equipamento é difícil estabelecer as equações de fluxo, mas são úteis em
determinações relativas de fluidos newtonianos e não-newtonianos.

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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Viscosímetros de queda de esfera
Quando um objeto cai através de um fluido está submetido a
uma série de forças. Para baixo atua a força da gravidade e para cima,
uma força viscosa e o empuxo (igual ao peso do fluido deslocado pelo
objeto). Quando se alcança o equilíbrio, as forças em ambos os sentidos
se igualam e o objeto cai à velocidade constante (velocidade terminal).
Se o fluxo é laminar, e no caso de uma partícula esférica de diâmetro D,
estas forças podem ser representadas por:
2
6
6 6
1
3
2
3
u D g D g D µ t µ t µ t
+ =
peso = empuxo + força viscosa

onde:
u = velocidade terminal
D = diâmetro da esfera
µ
2
= massa específica da esfera
µ
1
= massa específica do fluido
µ = viscosidade absoluta ou dinâmica

Esta equação pode ser simplificada como:
( )
µ
µ µ
18
1 2
2
g D
u
÷
= Lei de Stokes
Com este tipo de viscosímetro não é possível determinar se o fluido é newtoniano. Normalmente, o fluido
que se deseja medir a velocidade é mantido à temperatura constante com a ajuda de um banho
termostático. Mede-se o tempo necessário para que a esfera caia entre duas marcas cuja distância é
conhecida. Deve-se assegurar-se de que a esfera alcançou a velocidade limite antes de iniciar a medição.
Se o tamanho da esfera é próximo ao tamanho do tubo, deve-se aplicar uma correção devido aos efeitos
de parede.


Viscosímetros rotacionais
Para caracterizar fluidos não newtonianos
é necessário determinar a viscosidade para uma
série de forças de cisalhamento. Os viscosímetros
rotacionais podem ter diversas formas. Os tipos
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

29
principais são os de cilindros concêntricos, cone e placa e de cilindro simples. Baseiam-se na rotação de
um corpo cilíndrico, cônico ou circular, imerso em um líquido, o qual experimenta uma força de resistência
viscosa, quando se impõe uma velocidade rotacional ao sistema. Esta força é função da velocidade de
rotação do corpo e da natureza do fluido. A dependência da viscosidade com o tempo pode ser estudada
nestes viscosímetros, o que é impossível de ser feito nos outros tipos.


a) Viscosímetro de cilindros concêntricos
Ele é constituído de dois cilindros com uma pequena folga entre eles. Pode ser baseado no sistema
Searle (o cilindro interno gira) ou no sistema Couette (o cilindro externo gira). Quando o cilindro gira,
estabelece-se um perfil de velocidades no fluido e, consequentemente, um atrito viscoso entre as camadas
de fluido. O torque necessário para manter a velocidade constante é medido por uma mola de torção. Este
torque pode ser facilmente relacionado com a tensão de cisalhamento.
( ) ( )
1 2
1
1 2
. 0
R R
R w
R R
u
dr
du
÷
=
÷
÷
=
1
R F Torque
cis
=
A
F
cis
cis
= t

w = velocidade angular (rad./s)
R
1
= raio do cilindro interno (m)
R
2
= raio do cilindro externo (m)
u = velocidade tangencial (m/s)
du/dr = taxa de deformação (1/s)
F
cis
= força de cisalhamento (N)
t
cis
= tensão de cisalhamento (N/m²)


Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

30















b) Viscosímetro de eixo simples
Neste tipo de viscosímetro, gira um eixo em um fluido e se mede o torque necessário para vencer a
resistência viscosa. São também chamados de viscosímetros de fluido infinito. Não é possível calcular a
tensão de cisalhamento e a taxa de deformação a que o fluido está submetido, por isso não é possível a
determinação do comportamento reológico do fluido, mas tão somente a viscosidade.

Dados adicionais para fluidos de importância na indústria de alimentos
Leite e produtos lácteos
O leite é um sistema coloidal que consta de uma fase aquosa que contém lactose, minerais,
proteínas, vitaminas e outros elementos. Disperso na fase aquosa existem pequenas gotas de gordura. .A
aparência leitosa deve-se à suspensão coloidal da proteína do leite (caseína) e do cálcio na solução. Há
diferenças consideráveis entre a composição do leite de diferentes fontes (espécie, estação, etc.).
O leite pode ser processado para aumentar seu tempo de conservação e para convertê-lo em
produtos lácteos. A maior parte das técnicas de processamento podem alterar a integridade das fases
dispersa ou aquosa e, portanto, a viscosidade dinâmica. O tratamento térmico do leite dá como resultado
um leve aumento da viscosidade. A homogeneização aumentará a viscosidade do leite integral em até
15%. O leite que será esterilizado ou tratado por UHT requer a homogeneização para impedir a separação
da gordura durante o armazenamento. O leite pasteurizado também pode ser homogeneizado. A
homogeneização é responsável pelo aspecto cremoso do leite.
As natas também necessitam de homogeneização. A nata normal (18% de gordura) sofre uma
homogeneização considerável (até 200 bar) para melhora sua consistência e proporcionar que a mesma
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

31
fique encorpada. A nata com 35% de gordura não necessita de homogeneização. A nata com 48% de
gordura necessita de uma baixa pressão de homogeneização (ao redor de 30 bar). Se a pressão é muito
alta, a nata pode solidificar no envase.
A reologia dos produtos lácteos é extremamente complicada e a viscosidade final da nata
dependerá de fatores como a temperatura de separação, tratamento térmico, taxa de resfriamento e
condições de armazenamento.
O leite desnatado, o leite integral e o soro de queijo são evaporados até aumentar seu conteúdo em
sólidos tanto quanto possível antes de sua secagem e amotinação. A concentração final pode ser limitada
pela viscosidade de tais alimentos e dos limites de solubilidade da lactose. Estes fluidos também podem
ser concentrados mediante técnicas de membrana como osmose reversa e ultrafiltração. Novamente, a
magnitude da concentração é limitada pelas características da viscosidade do concentrado.

Óleos e gorduras
Os óleos e as gorduras são essencialmente ésteres de glicerol e ácidos graxos obtidos a partir de
fontes animais e vegetais. Os óleos que provêm de fontes diferentes, têm diferentes composições e,
portanto, diferentes viscosidades. Os óleos são normalmente líquidos à temperatura ambiente e as
gorduras são normalmente sólidas.
Os óleos são normalmente mais viscosos que as soluções aquosas, sendo normalmente
newtonianos. Mas às vezes podem apresentar comportamento pseudoplástico a elevadas tensões de
cisalhamento. De maneira geral, a viscosidade é tanto maior quanto maior for a quantidade de ácidos
graxos de cadeia longa e ao aumentar seu grau de saturação. Assim, a hidrogenação aumentará a
viscosidade.

Soluções açucaradas
A viscosidade destas soluções aumenta com a diminuição da temperatura e com o aumento na
concentração. A maior parte das soluções de açúcares simples têm comportamento newtoniano.

Hidrocolóides
Os hidrocolóides são substâncias poliméricas que são solúveis ou dispersáveis em água. Alguns
exemplos são goma arábica, goma guar, xantano, gomas de celulose, etc. Estas substâncias são
adicionadas à formulação dos alimentos para elevar sua viscosidade ou para obter uma consistência
gelatinosa. . Em soluções muito diluídas, normalmente apresentam comportamento newtoniano; muitos
formam géis a concentrações relativamente baixas. Podem ser obtidos a partir de uma ampla gama de
fontes de origem animal e vegetal ou mediante processos de fermentação.
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

32
Muitos destes hidrocolóides podem ser modificados de forma química ou enzimática para controlar
sua ação espessante e estão disponíveis em uma ampla graduação. Por exemplo, a viscosidade de uma
goma guar de 10º diluída a 1% e medida a uma taxa de cisalhamento de 100s
-1
varia entre 5 e 525 cP.
O tempo de hidratação pode ser bastante significativo para alguns produtos, por exemplo: uma
goma guar levará 24 horas até alcançar sua viscosidade máxima. A viscosidade de muitos hidrocolóides
pode ser afetada de maneira significativa pelo pH do meio e pela presença de sais, açúcares e proteínas.
Em muitos casos há uma concentração crítica onde há a passagem de comportamento newtoniano a não
newtoniano.
As proteínas formam uma classe especial de material polimérico. O comportamento de fluxo das
proteínas em solução concentrada ou diluída depende do pH, da força iônica e temperatura.

Alguns aspectos sensoriais
Em alguns momentos é necessário distinguir entre alimento sólido e alimento líquido. No caso de
líquidos e semilíquidos descreve-se a sensação ao paladar em termos de viscosidade ou consistência.
Para sólidos, emprega-se a textura. É sugerido que se faça uma divisão utilizando a força da gravidade. Se
um objeto flui sob a ação da gravidade, então é líquido, se não, é um sólido. Isto conduz a dúvidas no caso
das substâncias de comportamento plástico, para as quais é necessária a classificação tanto acima quanto
abaixo do limite de fluência (t
0
).
Muitas medidas de viscosidade são utilizadas como medida de controle de qualidade para
diferentes produtos.


Exercícios

46. A tabela a seguir apresenta os valores de torque e velocidade angular obtidos num viscosímetro de
cilindros concêntricos com as seguintes dimensões? R
e
= 64,0 mm, R
i
= 62,2 mm e L = 125 mm.
Determine a viscosidade dinâmica do fluido ensaiado utilizando estes dados e um programa de ajuste
de curvas.

Torque
(N.m)
17,8 35,3 53,6 71,5 88,0 106,6
w (rad./s) 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0
Resposta: o fluido é newtoniano e a viscosidade é169 Pa.s

47. Obteve-se os seguintes dados num viscosímetro de cilindros concêntricos, determine o comportamento
reológico do fluido através de uma curva tensão x deformação
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

33

Tensão
(N/m²)
6,5 4,8 2,7 1,7
du/dr (s
-1
) 600 470 300 200
Resposta: o fluido é dilatante, índice de consistência = 0,0025 e índice de comportamento = 1,22

48. Um fluido que tem a seguinte curva viscosidade (µ) versus taxa de deformação (du/dr) como pode ser
classificado quanto ao seu comportamento reológico?
µ (cP) 9198 5870 4769 3179 1890 1350 897
du/dr (1/s) 0,102 0,238 0,340 0,680 1,700 3,400 8,500
Resposta: o fluido é pseudoplástico

49. Levantou-se uma curva viscosidade em função do tempo para o extrato de tomate onde foram obtidos
os dados abaixo. Classifique o fluido segundo o comportamento reológico.

µ (cP) 286000 249000 78383 45990 32093 16846 7078 3569
T (s) 14 105 169 272 343 411 494 560
Resposta: o fluido é tixotrópico

50. Um fluido que escoa em um tubo de 1,5 polegada de diâmetro, apresenta uma viscosidade aparente de
50 cP. Este fluido passa através de uma restrição escoando então por uma extensão do tubo de 1
polegada de diâmetro. Neste trecho o fluido comporta-se como tendo uma viscosidade de 85 cP. Qual
é o comportamento reológico deste fluido?

51. Um fluido que preenche uma folga entre dois cilindros concêntricos exige que, para que o cilindro
interno gire a 120 rpm, seja feito um torque de 380 Nm. Se o fluido for do tipo pseudoplástico e a
velocidade de rotação seja agora de 240 rpm, o novo torque necessário será de exatos 760 Nm? Ou
será diferente? Maior ou menor?

52. Você resolve fazer um bolo e usa manteiga como pede a receita. No início do seu trabalho a manteiga
está (a temperatura ambiente) quase sólida. Entretanto você, antes de misturá-la aos demais
ingredientes resolve bate-la com auxílio de uma colher (para facilitar a mistura), fazendo movimentos
circulares. Estes movimentos circulares são constantes, você procura faze-los sempre com a mesma
velocidade. Logo você observa que a manteiga torna-se mais fluida. Qual é o comportamento
reológico da manteiga?

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

34
53. Há alguma situação em que um fluido newtoniano pode apresentar mudança na sua viscosidade?

54. Para um fluido dilatante, ao dobrar a taxa de cisalhamento (por exemplo, diminuindo-se o diâmetro do
tubo ou a folga onde o fluido escoa), espera-se que:
a. o torque também dobre
b. o torque permaneça constante
c. o torque aumente mais que 100%
d. o torque aumente, mas não o suficiente para dobrar.


09) Descrição e Classificação do Movimento dos Fluidos

Os diferentes tipos de escoamento considerados são classificados pelas características do modo do
escoamento e das propriedades do fluido. O campo de escoamento é uma representação do movimento no
espaço em diferentes instantes. A propriedade que descreve o campo de escoamento é a velocidade
V(x,y,z,t). Note que a velocidade é uma quantidade vetorial e tem
componentes nas direções x, y e z e pode também variar com o
tempo. A representação visual de umcampo de escoamento é obtida
pela introdução de um material de rastreamento no escoamento e pela
sua fotografia (tintas coloridas em água e fumaça no ar). Estas
fotografias fornecem as linhas de corrente definidas como uma linha
contínua que é tangente aos vetores velocidade ao longo do
escoamento num dado instante. Como conseqüência desta definição,
não há escoamento cruzando uma linha de corrente. Portanto, uma
superfície sólida ou parede que delimita o escoamento também é uma
linha de corrente. Quando se observa o caminho de uma dada
partícula fluida em função do tempo, tem-se a trajetória da partícula.


L






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35


9.1. Experiência de Reynolds - Escoamento laminar e turbulento
Devido ao efeito da viscosidade, o escoamento de fluidos reais pode ocorrer de dois modos
diferentes: o escoamento laminar e o escoamento turbulento. As características destes regimes foram
inicialmente descritas por Reynolds, com um dispositivo como o descrito abaixo. A água escoa de um
tanque através de um tubo de vidro com abertura em forma de sino, sendo o escoamento controlado pela
válvula. Um tubo fino proveniente de um reservatório de corante, termina no interior da entrada do tubo de
vidro. Reynolds verificou que, para pequenas velocidades de escoamento no tubo de vidro, forma-se um
filamento estreito e paralelo ao eixo do tubo. Entretanto, abrindo-se mais a válvula, e atingindo-se
velocidades maiores, o filamento de corante torna-se ondulado e se interrompe, difundindo-se através da
água que escoa no tubo. Reynolds verificou que a velocidade média para a qual o filamento de corante
começa a se interromper (chamada velocidade crítica) dependo do grau de estabilidade da água no tanque.
Uma vez que o movimento caótico das partículas fluidos durante o escoamento produzia difusão do
filamento, Reynolds deduziu de sua experiência que em velocidades baixas isto não deveria ocorrer, e
verificou que as partículas fluidas se movimentavam em camadas paralelas, ou lâminas, escorregando
através de lâminas adjacentes, mas não se misturando entre si, este movimento denomina-se escoamento
laminar. Mas para velocidades superiores, o filamento do corante se difunde através do tubo, tornando-se
aparente o movimento caótico das partículas fluidas, e neste caso, dizemos que o escoamento é
turbulento.

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

36
Reynolds generalizou as conclusões tiradas de sua experiência com a introdução de um termo
adimensional Re, definido pela relação:
v µ
µ uD uD
= = Re
Onde:
u é a velocidade média no tubo
D é o diâmetro interno do tubo
µ é a viscosidade absoluta ou dinâmica do fluido
v é a viscosidade cinemática do fluido
µ é a massa específica do fluido

Reynolds inferiu que certos números podem delimitar a transição entre o regime laminar e o regime
turbulento para qualquer fluido. O número de Reynolds crítico é função da geometria dos contornos

Para:
dutos cilíndricos - L
c
(dimensão característica) = D Re
c
= 2300
escoamento entre paredes paralelas - L
c
= distância entre paredes Re
c
= 1000
escoamento em canal aberto - L
c
= profundidade da água Re
c
= 500
ao redor de uma esfera - L
c
= diâmetro da esfera Re
c
= 1

Quando temos outros tipos de seção transversal, pode-se utilizar o conceito de Diâmetro Hidráulico (D
H
).

P
A
D
s
H
4 =
Ex: onde A
s
= área da seção formada pelo fluido P = perímetro
molhado
Ex:
( ) b a
ab
D
H
+
=
2
4


O número de Reynolds é uma relação entre forças de inércia e forças viscosas. As forças de inércia são
perturbadoras, enquanto as forças viscosas são amortecedoras das perturbações.

9.2. Escoamentos uni, bi e tridimensionais
Um escoamento é classificado como uni, bi ou tridimensional em função do número de coordenadas
espaciais necessárias para se especificar o campo de velocidade.





a



b
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

37
O campo de velocidade descrito abaixo é unidimensional, pois é função apenas de r, a distribuição de
velocidade pode ser

descrita como:
(
(
¸
(

¸

|
.
|

\
|
÷ =
2
1
R
r
u u
máx


Escoamento bidimensional é aquele em que o número de coordenadas necessário para descrever o
escoamento é igual a 2. No escoamento abaixo, o campo de escoamento depende de x e y.




9.3. Escoamento Compressível e Incompressível
Os escoamentos em que as variações na massa específica são desprezíveis denominam-se
incompressíveis. São usualmente escoamentos de líquidos ou de gases com transferência de calor
desprezível, desde que as velocidades sejam pequenas quando comparadas com a velocidade do som. A
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

38
razão entre a velocidade do escoamento u e a velocidade do som c é definida como número de Mach.
c
u
M =
Para M < 0,3 as variações de massa específica são inferiores a 5% e o escoamento pode ser
tratado como incompressível.
Escoamentos com M > 0,3 devem ser tratados como compressíveis (para o ar a velocidade crítica é
aproximadamente de 100 m/s). Escoamentos compressíveis acontecem com freqüência em aplicações da
engenharia. Ex.: sistemas de ar comprimido, tubulações com gases a altas pressões, controle pneumático,
etc.
Normalmente o escoamento de um líquido será considerado incompressível, uma vez que as
velocidades do som nos líquidos são grandes, por exemplo, a velocidade do som na água é cerca de 1500
m/s.

9.4. Escoamento Interno e Externo
Os escoamentos completamente envoltos por superfícies sólidas são chamados internos ou em
dutos. Aqueles em torno de corpos imersos num fluido não contido são denominados externos. Tanto o
escoamento interno quanto o externo pode ser laminar ou turbulento, compressível ou incompressível.
O escoamento de líquidos no qual o duto não fica completamente preenchido - onde há uma
superfície livre submetida a uma pressão constante - é denominado de canal aberto.







Escoamento interno



Escoamento externo



Escoamento interno e externo

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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9.5. Escoamento permanente e não-permanente
Escoamento permanente ou estacionário é o escoamento em que as propriedades não mudam com
o tempo. Para escoamento permanente: 0 =
c
c
t
µ
0 =
c
c
t
u


No escoamento permanente, qualquer propriedade pode variar de ponto a ponto no campo de
escoamento, mas todas as propriedades permanecerão constantes com o tempo, em cada ponto.
Escoamento não-permanente, não-estacionário ou transiente é o escoamento em que as
propriedades são f unção do tempo.
Em escoamento em regime, as linhas de corrente e as trajetórias são coincidentes. Se o
escoamento for uma função do tempo, transiente, as linhas de corrente e as trajetórias serão diferentes.

9.6. Aceleração total
Se as velocidades ortogonais de um escoamento forem conhecidas, V = ui + vj + wk, a aceleração
das partículas do fluido (a) poderá ser determinada como sendo a variação total da velocidade com relação
ao tempo.
t
z
z
V
t
y
y
V
t
x
x
V
t
V
Dt
DV
a
c
c
c
c
+
c
c
c
c
+
c
c
c
c
+
c
c
= =
z
V
w
y
V
v
x
V
u
t
V
Dt
DV
a
c
c
+
c
c
+
c
c
+
c
c
= =

aceleração aceleração
local convectiva

A aceleração total envolve tanto a mudança de velocidade como tempo (aceleração local), como a
mudança da velocidade devido ao movimento espacial do fluido (aceleração convectiva). Se o regime
permanente for considerado, a aceleração do fluido será apenas devido à aceleração convectiva. Um
exemplo de regime permanente é o escoamento de um fluido em um tubo, cuja seção transversal diminui.
Embora o escoamento seja independente do tempo, ele ai ser acelerado devido à diminuição da área do
tubo.

9.7. Escoamento uniforme e não uniforme
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

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Se o escoamento for uniforme, a aceleração convectiva é nula. Num escoamento uniforme, o vetor
velocidade é o mesmo, em módulo e direção para qualquer ponto do escoamento. Esta definição não
obriga a velocidade ser constante em relação ao tempo, ela obriga sim se houver variação, esta deve
ocorrer simultaneamente em todos os pontos do escoamento

9.8. Escoamentos rotacional e irrotacional – velocidade angular e vorticidade
O escoamento de um fluido pode ser pensado como o movimento de uma coleção de partículas de
fluido. Enquanto a partícula viaja, ela pode girar ou deformar-se. A rotação e a deformação das partículas
do fluido são de interesse particular em nosso estudo de mecânica dos fluidos. Há certos escoamento, ou
regiões de um escoamento, nos quais as partículas de um fluido não giram; tais escoamentos são
chamados de escoamentos irrotacionais.
Para entender claramente o escoamento irrotacional, compare a rotação de um corpo sólido com o
movimento da cadeira de uma roda gigante. A orientação de um elemento de linha do corpo sólido que gira
varia com o tempo, ao passo que um elemento de linha na cadeira de uma roda gigante retém sua
orientação original. No escoamento irrotacional, um elemento de fluido, tal como a cadeira de uma roda-
gigante, retém sua orientação original.



Usando o exemplo de um rio profundo escoando sobre um leito rugoso de cascalhos, imagine que
exista um palito sobre a superfície da água. Se o escoamento for tranqüilo, espera-se que o palito conserve
a mesma orientação a jusante do escoamento, embora as águas do rio possam serpentear de modo
irregular durante o escoamento. Verificar se o escoamento é irrotacional significa medir uma orientação e
não uma trajetória. Pode-se imaginar que o palito seja um medidor de rotacional ou medidor de vorticidade.

Exercícios
55. Determine se o escoamento de glicerina é laminar ou turbulento em um tubo de 2” de diâmetro,
comprimento de 13m, velocidade de 2,5m/s e temperatura de 20°C.
Resposta: 127 - laminar

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

41
56. Qual é o diâmetro de tubo necessário para que o escoamento de ar a 15ºC e velocidade de 0,1 m/s seja
laminar?
Resposta: 0,33m

57. Qual é a velocidade crítica para alteração de escoamento laminar para turbulento em um escoamento
de água a 50°C em um duto de 10 cm de diâmetro?
Resposta: 0,013 m/s

58. Quando a vazão de óleo (µ = 870 kg/m³ e µ=140 cP) for de 0,3 L/s em um duto de 8 cm de diâmetro, o
escoamento será laminar ou turbulento? (Vazão = velocidade x área da seção transversal)
Resposta: 30 - laminar

59. Quando se aquece um líquido, a tendência é de aumentar o nº de Reynolds ou diminuir? E quando se
resfria um gás?

60. Mantendo-se a vazão constante, mas duplicando-se o diâmetro, o Reynolds aumentará ou diminuirá?
De quantas vezes? Demonstre.
Resposta: Reynolds cai pela metade

61. Duplicando-se a vazão e o diâmetro, o Reynolds aumentará, diminuirá ou se manterá constante?
Demonstre.
Resposta: Reynolds fica constante.

62. Qual deve ser a área da seção transversal de um tubo de seção circular, por onde escoa óleo de
máquina a 20
0
C, com uma vazão de 1,63 L/s para que o número de Reynolds seja de 67.000.?

63. Para dobrar o número de Reynolds do problema anterior, mantendo o mesmo fluido e a mesma
temperatura de escoamento, qual deveria ser:
o novo diâmetro, mantida a vazão
a nova velocidade, mantido o diâmetro.

64. Classifique o comportamento das seguintes variáveis ou processos quanto à condição de estarem no
regime de estado estacionário, transiente ou pseudo-estacionário.(justifique sua resposta)
Temperatura da sala de aula
Nível da água na represa do Faxinal
Volume de água na caixa de água de sua residência ou do condomínio.
Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

42
Fluxo de carros na BR 116 em frente ao Hospital Geral
Umidade do ar em Caxias do Sul


Referências bibliográficas
Grande parte do material teórico e dos exercícios apresentados, foi retirado dos seguintes livros:
Mecânica dos Fluidos
Merle C. Potter & David C. Wiggert
Pioneira Thomson Learning, 2004.

Mecânica dos Fluidos
Streeter, V.L.; Wylie, E.B.
McGraw-Hill do Brasil, 7ª edição, 1982.

Introdução à Mecânica dos Fluidos
Fox, R.W. & McDonald, A.T.
LTC Editora, 5ª edição. 1998.

Fundamentos da Mecânica dos Fluidos
Bruce R. Munson, Donald F. Young
Theodore H. Okiishi
Tradução da 2ª edição americana. Ed. Edgard Blucher. 1997.

Fenômenos de Transporte
Leighton E. Sissom & Donald R. Pitts
Editora Guanabara Dois, 1979.

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

2

M SI CGS Métrico Inglês Engenharia Inglês Técnico kg g kg lbm slug m cm m ft ft

L s s s s s

T K K K R R

 N

F

Pressão Pa dina/cm² Kgf/m² lbf/ft2 lbf/ft2

Energia J erg Kgf.m lbf.ft lbf.ft

dina kgf lbf lbf

Lembre-se que: Força = massa x aceleração Pressão = força /área Energia = força x distância Potência = trabalho/tempo

Os sistemas métrico e inglês de engenharia são sistemas não coerentes de unidades. Um sistema coerente de unidades é aquele em que uma força unitária é capaz de acelerar uma massa unitária de uma aceleração unitária, ou seja, uma força de 1 N é a força necessária para acelerar uma massa de 1 kg de 1 metro por segundo em cada segundo. 1 N = 1 kg. 1 m/s²

Sistemas não coerentes são aqueles em que a força unitária não corresponde à força necessária para acelerar uma massa unitária de uma aceleração unitária. Por exemplo: 1 kgf  1kg. 1m/s² 1 lbf  1 lbm.1ft/s² Em ambos os casos acima, as forças são definidas como as forças que aceleram massas unitárias a uma aceleração padrão da gravidade: 9,8 m/s² ou 32,174 ft/s².

Existem também outras unidades muito comuns de uso prático, mas que não pertencem ao sistema internacional de unidades. Volume  litro - L Temperatura  ºC ou ºF Comprimento  polegada (inche, in) Energia  caloria, Btu (British Thermal Unit) Potência  HP (horse-power), CV (cavalo-vapor), Btu/h, kcal/h

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

3

Pressão  kgf/cm², psi (lbf/in²), atm, bar, torr, mca (metros de coluna d'água), mm Hg (milímetros de mercúrio)

Escalas de temperatura

Celsius

Kelvin

Rankine

Fahrenheit

100

373,15

671,67

212

ponto de vapor

0

273,15

491,67

32

ponto de gelo

-273,15

0

0

-459,67

Observe que as escalas Kelvin e Rankine são escalas absolutas e as escalas Celsius e Fahrenheit são escalas relativas. Ou seja, as duas primeiras não possuem valores negativos, elas partem do zero. Observe ainda que as escalas Celsius e Kelvin sejam escalas centígradas, ou seja, entre o ponto de vapor e o ponto de gelo, há 100 graus (ou 100 divisões) em ambas as escalas. Isto significa que o tamanho de um grau Celsius é idêntico ao tamanho de um grau Kelvin. Por isso, variações de temperatura em ºC ou K não precisam ser convertidas, porque são iguais. Outra situação que ocorre é quanto temos a unidade grau no denominador de uma unidade composta como por exemplo: K = condutividade térmica (W/mK  W/mºC) C = capacidade calorífica (J/kgK  J/kgºC) h = coeficiente convectivo de transferência de calor (W/m²K  W/m²ºC)

As escalas Fahrenheit e Rankine não são escalas centígradas, porque entre o ponto de vapor e o ponto de gelo temos 180º ou 180 subdivisões. Isto significa que o grau Rankine é menor que o grau Kelvin. A relação é de 1/1,8.

Alguns textos, exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

4

Pode-se dizer também, portanto, que diferenças de temperatura em ºF e em R são idênticas e valem também as mesmas conclusões para estas unidades quando estão no denominador. Exercícios 1. A constante do gás ideal pode ser dada por seguintes unidades: a) J/K.mol b) lbf.ft/lbmol.R Resposta: a) 8,314 b) 1545 0,08205 atm.L/mol.K, expresse esta constante nas

2. Uma propriedade comum dos materiais é a condutividade térmica K. O cobre tem um valor de condutividade térmica igual a 400 W/mK. Expresse a condutividade do cobre em: a) W/m°C b) kcal/h.mºC c) Btu/h.ft.ºF Resposta: a) 400 b) 344 c) 231

3. Há um fluxo de energia através de uma parede igual a 5 W/m², expresse este fluxo em: a) kcal/h.m² b) Btu/h.ft² Resposta: a) 4,3 b) 1,58

4. Expresse a massa específica do Hg (13550 kg/m³) g/cm³  g/L  kg/dm³  Resposta: a) 13,55 b) 13550 c) 13,55 5. O volume específico do vapor d’água a 200ºC e 1,5538 kPa é 0,12736 m³/kg. Expresse este valor em cm³/g. Resposta: 127,36

6. Expresse sua massa e sua altura no sistema inglês de unidades. Expresse também a potência do chuveiro de sua residência em BTU/h e Kcal/h.

33 / kWh. A diferença de pressão P no bloqueio parcial de uma artéria (conhecido como estenose) pode ser A   C2  0  1 V 2 avaliada pela seguinte expressão: P  C1 A  D  1  V 2 . A conta de energia de sua casa é quantificada em kWh. A dieta de um adulto deve conter alimentos que permitam uma provisão de energia diária de aproximadamente 2000 kcal. se o custo da energia é R$ 0. Joules.h. kcal. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Para as quantidades abaixo. Expresse isto em kW. 5 7.ft lbf/ft² s-1 lbm.Alguns textos. 8.ft/s BTU/lbmR R/ft 1/s( lbm/ft³)/ft f) MLT-1 g) L²T-2 -1 h) L-1 i) T-1 j) ML-4 kg. indique as dimensões usando o sistema MLT e dê unidades típicas no SI e no Sistema Inglês a) potência b) energia c) tensão de cisalhamento d) pressão e) velocidade angular f) quantidade de movimento g) calor específico h) gradiente de temperatura i) j) gradiente de velocidade gradiente de concentração Resposta: a) ML2T-3 b) ML2T-2 c e d) MT L e) T -1 -2 -1 Watt Joule Pascal s -1 BTU/h ou lbf.77 9. Resposta: R$ 0. Apresente o valor da sua última conta mensal de energia em kWh.ft/h BTU ou lbf.m/s J/kgK K/m 1/s (kg/m3)/ m 10. Se fossemos movidos a energia elétrica qual seria o custo diário para manter um ser humano.

a massa específica em g/cm³ e a densidade relativa.12 g/cm³ 1. 12.69 x 10-4m²/s. i) j) volume da mesma lata Diâmetro de uma esfera. 11. A0 é a seção transversal da artéria desobstruída e A1 é a área da seção transversal da estenose. qual é o seu diâmetro? m) Um tanque com 2 m³ de capacidade armazena quantos kg de água? E de mercúrio? E de benzeno? n) Quais seriam as dimensões de um cubo de massa igual a 1kg se ele fosse feito de isopor? De chumbo? De aço? De alumínio? De água? 3) Meios .81. Um óleo tem viscosidade de 380 cP e densidade igual a 0. sendo que seu comprimento total é de 6m. A energia específica que é encontrada em tabelas de propriedades termodinâmicas tem unidades de energia por unidade de massa. Resposta: 1. 469 cS e 810 kg/m³ 13.s 1.2 m.Alguns textos. que tem o mesmo volume da lata do item anterior k) área superficial da esfera. D é o diâmetro da artéria. Determine as seguintes áreas e volumes: a) área superficial externa de um forno de dimensões externas 80 x 120 x 120 cm b) área superficial interna do mesmo forno. Mostre que esta grandeza tem as dimensões L2/T2.4x10-6 m²/s 1. SI e CGS. Determine sua viscosidade absoluta no SI.4 cS e massa específica igual a 1120 kg/m³. l) Se um tanque cilíndrico tem capacidade de 3 m³ e sua altura é 1. e) área da seção transversal de um tubo de aço de diâmetro interno igual ¾ polegada.s. Determine a viscosidade cinemática no SI. Resposta: 0. Determine as unidades das constantes C1 e C2 nos sistemas inglês. sabendo-se que ele tem espessura de parede igual a 5 cm. 6 onde V é a velocidade média do escoamento de sangue.12 14. f) área da parede interna do mesmo tubo de aço.568x10-3 Pa. 4. d) volume total do forno. sabendo-se que a espessura de parede é 2mm. c) volume interno (útil) do forno. sua viscosidade cinemática no SI e em centistokes e sua massa específica no SI.380 Pa. h) área superficial de uma lata de 15 cm de altura e 8 cm de diâmetro. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. g) área da parede externa do mesmo tubo de aço.  é a viscosidade absoluta do sangue. Uma solução salina tem viscosidade cinemática igual a 1. a viscosidade absoluta no SI.

fator acêntrico. equações cúbicas de estado. pode-se substituir e chegar a seguinte  PM RT para consistência de unidades o ideal é utilizar os valores em unidades do SI.Alguns textos. líquida ou gasosa ou ainda numa combinação destas formas. Esta equação pode ser utilizada sem erro apreciável em baixas pressões e temperaturas próximas da temperatura ambiente. ou seja: . etc.). exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Fluido – substância que se deforma continuamente quando submetida a uma tensão de cisalhamento (líquidos e gases) Massa específica Volume específico Peso específico Densidade relativa  v m V [kg/m³] [m³/kg] V m   g  d mg V [N/m³] [-] H2O – 4ºC = 1000 kg/m³   H O 4ºC 2 4) Variações de massa específica Gases Como uma aproximação pode-se usar a equação de estado do Gás Ideal. A equação do Gás Ideal é dada por: Onde: P = pressão absoluta V = volume do gás N = número de mols R = constante do gás ideal T = temperatura absoluta do gás PV  nRT Sabendo-se que n = m/M equação: (m = massa e M= massa molecular). Sólido – substância que oferece resistência à variações de forma. 7 Todos os materiais se apresentam na forma sólida. Qualquer estimativa de massa específica e propriedades PVT de gases em serviços de responsabilidade deve ser feita baseando-se nos critérios de termodinâmica (utilizando fator de compressibilidade.

exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. uma vez que a dependência da massa específica com a pressão e com a temperatura é muito menos significativa que para os gases.K Desta forma obtém-se a massa específica em kg/m³. A variação da massa específica de um líquido com a temperatura é facilmente mensurável e usualmente encontra-se tabelada. 8 P = Pa M = kg/kmol T=K R= 8314. A variação da massa específica com a pressão é dada pelo módulo de elasticidade volumétrica do fluido (Ev) ou coeficiente de compressibilidade (K) Ev  dP d  Ev [Pa] . Líquidos Os líquidos usualmente são considerados incompressíveis.3 J/kmol.Alguns textos.

exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.31 Compressibilidade Ev (109x N/m²) Exercícios 15.34 SAE 15.12 1.000014 0.06 20 1590 0.9 1.6 1030 1.24% e 1000. 9 Propriedades aproximadas de alguns líquidos Temperatura (0C) Massa específica  (kg/m³) Viscosidade dinâmica  (10-3xN. Qual é a temperatura.77 2. a pressão.00016 1.47kg/m³ 17.6 680 1260 13600 912 0. qual será o novo valor? Resposta: 0.6 999 1.s/m²) Pressão de vapor Pv (103xN/m²) abs Tetracloreto de carbono Álcool etílico Gasolina Glicerina Mercúrio Óleo 30 Água mar Água 15. a massa específica e a viscosidade do ar a 13 km e a 6 km de altitude? 16. Qual é o aumento de pressão necessário para causar uma variação de massa específica da água semelhante àquela que seria causada pela diminuição da temperatura da mesma de 40 para 200C? .15 do 15.57 380 55 0.Alguns textos.2 1.85 1.3 4.31 1500 1.19 5.77 2.5 20 789 1.52 2. Qual é a variação percentual da massa específica da água (a 20°C) quando submetida a uma diferença de pressão de 54 atm? Se a sua massa específica inicial era de 998 kg/m³.6 20 20 15.958 13 1.

Um recipiente pesa 2.9 lbf quando vazio. Suponha que você tenha 20ml de água a 4°C em uma proveta de 2cm de diâmetro interno.1%. Determine o peso de água no recipiente e seu volume em pés cúbicos. 22. para que sua massa específica seja de 5. Considere dois casos específicos: na tubulação A escoa nitrogênio (N2)a 20°C e na tubulação B escoa água também a 20°C. Resposta: 266.24 N 0. qualquer fluido ao escoar sofre atrito com as paredes.26 atm 18. qual a altura de água nesta nova proveta? Se os 20 ml de água forem aquecidos a 60°C.42 kg/m³ 19.86% 20. 23. (Use os dados tabelados de massa específica da água). a massa do recipiente e do seu conteúdo é de 1. Resposta:28. Qual a altura correspondente aos 20 ml? Agora você transfere os 20 ml de água a 4°C para uma proveta de 1cm de diâmetro interno. A que pressão deve ser armazenado o ar. isto causa uma queda na pressão do escoamento.5 bar 25. 10 Resposta 131. Sabe-se (e você vai estudar este assunto com profundidade) que ao longo de uma tubulação. Qual é a massa específica do CO2 (dióxido de carbono) a 50ºC e 650 mmHg? Resposta: 1.96 ft³ 24. Estime qual deve ser o aumento da pressão (em bar) necessário para provocar uma diminuição do volume do mercúrio em 0.95 slug. Justifique o motivo físico pelo qual as duas equações apresentadas para o módulo de elasticidade volumétrica tem sinais contrários. Quando cheio com água a 200C. a altura de água na proveta permanecerá a mesma? . se a temperatura é de 15°C? Resposta: 437921 Pa 21.3 kg/m³. Se no início do escoamento a pressão é 180 kPa e no final do escoamento a pressão cai para 154 kPa.Alguns textos. Nos dois casos ocorrerá variação significativa da massa específica? Justifique claramente a sua resposta. Qual é a alteração percentual na massa especifica dos gases de combustão de um automóvel (considere gás ideal) quando a temperatura passa de 300°C para 35°C? Resposta:. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.

11 5) Transferência de Quantidade de Movimento – Lei de Newton da Viscosidade Quantidade de movimento é uma quantidade vetorial definida por   P  m. Devido à condição de não escorregamento a camada de fluido em contato com uma superfície tem a mesma velocidade da superfície. consequentemente. As camadas de fluido ao escoarem com diferentes velocidades estabelecem um perfil de velocidades no seio do fluido.v onde P é a quantidade de movimento. a deformação do fluido. Lei de Newton da Viscosidade a’ b b’  c d dy dF x a dux Observa-se que a força aplicada é proporcional à velocidade que será impressa à placa superior. ou seja. sendo a inferior fixa e a superior em movimento. Por isso. ocorrendo transferência de quantidade de movimento entre as camadas do fluido. Um fluido está confinado entre duas placas planas. uma vez que a deformação também será infinitesimal. É aplicada uma força Fx tangencial que provoca o deslocamento da superfície superior com a velocidade u. m é a massa e u é a velocidade. deformação do fluido  pode ser medida pela tangente do ângulo. d  cateto  oposto b1  b  cateto  adjacente dy . exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.Alguns textos. Quanto maior esta força também será maior o deslocamento da placa e. Devido às diferentes velocidades das camadas de fluido. estabelece-se entre elas um atrito intenso chamado de tensão de cisalhamento e que tende a se opor ao movimento. a camada superior é arrastada juntamente com a placa e suas moléculas colidem com as moléculas da camada imediatamente anterior. uma força infinitesimal. Se a força aplicada for dF.

dt velocidade  deslocamento tempo du.índice y – direção do transporte do impulso de quantidade de movimento. ou no sentido decrescente (observe que não indica o sinal da força). consequentemente. O sinal da tensão é frequentemente motivo de confusão entre estudantes. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. 12 O deslocamento b’-b pode ser medido pela equação Então (b’-b) = du.  = fator de proporcionalidade – viscosidade dinâmica ou absoluta (N.  d du  dt dy Trocando-se o sinal de proporcionalidade por um sinal de igualdade e um coeficiente de proporcionalidade temos: Onde  = tensão de cisalhamento (N/m²) índice x – direção do movimento .dt  d então dy d du  dt dy ambos os termos podem ser chamadas de taxa de deformação angular ou gradiente de velocidade. (-) indica o sentido do fluxo de quantidade de movimento – da maior para a menor velocidade. Tensão de cisalhamento – sinal 𝜏 = −𝜇 𝑑𝑣 𝑑𝑦 ou 𝜏 = 𝜇 𝑑𝑣 𝑑𝑦 . o sinal da tensão de cisalhamento. Abaixo há uma pequena explicação para clarear a questão do sinal da equação e.Alguns textos.s/m²) du/dy = gradiente de velocidades ou taxa de deformação angular (s-1)  yx    du dy Portanto. A tensão de cisalhamento que surge entre as camadas de fluido provocada pelo movimento relativo das mesmas é proporcional à taxa de deformação. a Lei de Newton da Viscosidade pode ser expressa como:  xy   Fx du    Lei de Newton da Viscosidade A dy A Lei de Newton também é apresentada sem o sinal negativo por diversos autores.

Observe os exemplos abaixo: A função v(y) é decrescente. v . Então v Substituindo na equação     y é negativa.Alguns textos. a tensão fica positiva. Lembrando que: o sinal da força refere-se ao y y menor sobre o y maior. temos que: Na placa inferior     A placa inferior (y menor) exerce uma força positiva sobre o fluido (y maior) O fluido (y maior) exerce uma força negativa sobre a placa inferior (y menor) Na placa superior O fluido (y menor) exerce uma força positiva sobre a placa superior (y maior) A placa superior (y maior) exerce uma força negativa sobre o fluido (y menor) . pois quando y aumenta a velocidade diminui. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. 13 O fluxo de quantidade de movimento flui da velocidade mais alta para a velocidade mais baixa. Ao usarmos esta equação com sinal negativo (segundo Bird) estamos dizendo que o sinal da tensão de cisalhamento obtido refere-se à força feita pelo fluido com y menor sobre o fluido com y maior no campo de escoamento. assim como o calor flui da temperatura mais alta para a temperatura mais baixa.

A função é decrescente. v . Lembrando que: o sinal da força refere-se ao y y menor sobre o y maior. Então v Substituindo na equação     y é positiva. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. ou seja. temos que: Na placa inferior     A placa inferior (y menor) exerce uma força negativa sobre o fluido (y maior) O fluido (y maior) exerce uma força positiva sobre a placa inferior (y menor) Na placa superior O fluido que adere à placa superior (y menor) exerce uma força negativa sobre a placa (y maior) A placa superior (y maior) exerce uma força positiva sobre o fluido (y menor) Neste caso a velocidade é função do raio.s ou Kg/m.   O fluido (r menor) exerce uma força positiva sobre a parede do duto (r maior) A parede (r maior) exerce uma força negativa sobre o fluido (r menor) r é negativa.s Outra unidade muito utilizada é o centipoise. a tensão fica negativa. v =f(r). 1 poise  1g/cm. As unidades no SI são Pa. O centipoise é derivado do Poise (0. 14 A função v(y) é crescente. a tensão fica r 6) Viscosidade Absoluta ou Dinâmica () É a medida da resistência do fluido à deformação.Alguns textos. Substituindo na equação     v .01P).s . pois quanto maior o raio menor a velocidade. É uma função da temperatura. pois quando y aumenta a velocidade também aumenta. então v positiva.

Um óleo tem viscosidade de 380 cP e densidade igual a 0. 1 A relação entre os dois tipos de viscosidade é dada por:     Exercícios 26. sua viscosidade cinemática no SI e em centistokes e sua massa específica no SI.Alguns textos. Determine sua viscosidade absoluta no SI. laminares. escoe em um capilar de comprimento L e raio R.   PR 4   t  8 VL stoke  1 cm²/s No SI a unidade é m²/s. incompressível e o fluido seja newtoniano. É útil para a determinação da viscosidade em viscosímetros de escoamento. a uma determinada pressão P. 4.69 x 10-4m²/s. Outra unidade muito utilizada é o stoke e o centistoke.81. 15 7) Viscosidade Cinemática ou Difusividade de Quantidade de Movimento () A viscosidade cinemática pode ser deduzida a partir da equação de Poiseuille (a ser deduzida no capítulo 4).380 Pa.s. 469 cS e 810 kg/m³ . Resposta: 0. A equação relaciona o tempo de escoamento (t) de um determinado volume de fluido (V). exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. A equação de Poiseuille pode ser aplicada para escoamentos em regime permanente.

128 m de raio. 16 27. a viscosidade absoluta no SI. Determine a viscosidade do líquido que preenche o espaço entre os dois cilindros. Um cilindro de 0. Resposta: 0.4 cS e massa específica igual a 1120 kg/m³.12 g/cm³ 1. aumento da temperatura e. a massa específica em g/cm³ e a densidade relativa.Alguns textos. determine qual será a força necessária que deverá ser aplicada na placa superior para arrastá-la a uma velocidade de 5 cm/s.122 m de raio gira concentricamente dentro de um cilindro fixo de 0. sabendo que há necessidade de um torque de 0. aumento da velocidade do fio b. Uma solução salina tem viscosidade cinemática igual a 1. Fio magnético deve ser revestido com verniz isolante puxando-o através de uma matriz circular com passagem de 0.881 N. Determine a viscosidade cinemática no SI.4x10-6 m²/s 1. aumento do diâmetro do fio c. A placa tem área de 0. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Em relação ao problema anterior avalie o efeito sobre a força nos casos abaixo: a. O fio é puxado através da passagem a velocidade de 5 m/s.s 1. Analise o seguinte perfil de velocidades (parabólico) que ocorre num duto cilíndrico de seção circular   r 2  u  Vmáx 1     onde Vmáx = constante  R    r = distância radial do centro do duto R = raio do duto . Resposta: 1.305 m de comprimento.568x10-3 Pa. Determine a força requerida para puxá-lo. aumento da folga entre o fio e a matriz d.125N 29. O verniz que tem viscosidade absoluta  = 2000cP preenche completamente o espaço entre o fio e a passagem por um comprimento de 20 mm. aumento do comprimento da matriz 32. O diâmetro do fio é de 0.m para manter uma velocidade angular de 60 rpm.242 Ns/m² 30. Resposta: 10 N 31. Supondo que um fluido de viscosidade 50 cP esteja confinado entre duas placas planas separadas por uma distância de 2 mm. Os dois cilindros têm 0.12 28.9 mm de diâmetro.8 mm e ele fica centrado na passagem.1 m². Resposta: 0.

63 Pa na parede e zero na linha central 33.5 mm de uma placa fixa.25 m/s e necessita de uma força por unidade de área de 2 Pa para manter a velocidade constante.10 mm de diâmetro. Uma placa que dista 0.(massa específica do aço = 7850 kg/m³) Resposta: 0. com uma velocidade máxima de 5 m/s e o diâmetro do tubo é 1"? Resposta: b) du/dr = -2umáx.s 34. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.54 cm de diâmetro e 30 cm de comprimento cai.00 mm de diâmetro se movimenta no interior de um cilindro de 50. Um pistão de 50. e) Qual é a tensão de cisalhamento na parede e na linha central quando flui água a 30ºC. d) Determine o gradiente de velocidade na linha central. Determinar o decréscimo percentual da força necessária para movimentar o pistão quando o lubrificante (óleo SAE 10W) se aquece de 00C a 120ºC.144 Pa. Determine a viscosidade do fluido entre o eixo e a bucha da figura abaixo Resposta: 1. move-se a 0.r/R2 c) -2umáx/R d) 0 e) 0. Resposta: 99.004 Pa. Determinar a viscosidade da substância entre as placas em unidades SI. Resposta: 0. 17 a) Onde ocorre a velocidade máxima? b) Mostre que o gradiente de velocidade varia linearmente com o raio.1% . Um cilindro de aço de 2.Alguns textos.s 35. sob a ação do próprio peso. com velocidade constante de 15 cm/s dentro de um tubo de diâmetro ligeiramente maior. c) Determine o gradiente de velocidade na parede.25 mm 36. Existe uma película de óleo de rícino ( = 800 cP) com espessura constante entre o cilindro e o tubo. Determinar a folga existente entre o tubo e o cilindro.

Se a fita pode suportar uma força máxima de tração de 7.1 vezes para a viscosidade cinemática. Para pequenas folgas pode-se supor um perfil linear de velocidades no líquido que preenche o espaço anular. a origem é colocada à meia distância entre as placas. Resposta: 0. Um torque de 0. Resposta: 45 m/s 41.001" de espessura. Resposta: 8.06x10-4 Ns/m² .3 m² placa inferior.5 lbf. Quantas vezes maior é a viscosidade da água a 0ºC do que a 100°C? Quantas vezes maior é a viscosidade cinemática no mesmo intervalo de temperatura? Resposta: 6. 18 37. sendo puxada através de uma estreita ranhura.5 = 147N (considerando  = 3. Determine a viscosidade do líquido no espaço anular. com umáx = 0. determine a velocidade máxima com a qual ela pode ser puxada através da ranhura.02mm. Um viscosímetro tem um cilindro interno de 75 mm de diâmetro e 150 mm de altura. A distribuição de velocidade para o escoamento laminar desenvolvido entre placas paralelas é dada por u u max  2y   1    h  2 onde h é a distância entre as placas. 39. Resposta: F total = Fpeso + Fcis = 11. com largura de folga de 0.3 vezes para a viscosidade absoluta e 6. Uma fita de gravação deve ser revestida em ambos os lados com lubrificante.021 Nm é necessário para girar o cilindro interno a 100 rpm. Calcule a força cisalhante sobre uma seção de 0. A superfície está inclinada de 15º em relação à horizontal. Um cubo pesando 10 lbf e tendo a dimensão de 10" em cada aresta é puxado para cima sobre uma superfície inclinada na qual há uma película de óleo SAE 10W a 100ºF.82N do fluido sobre a placa. 38. Se a velocidade do cubo é 5 ft/s e a película de óleo tem 0. Considere um escoamento de água a 15°C.5 + 135. A fita tem espessura desprezível e 1" de largura.012 " de cada lado. Um viscosímetro de cilindros concêntricos pode ser formado girando-se o membro interno de um par de cilindros encaixados com folga muito pequena. Ela fica centrada na ranhura com uma folga de 0. determine a força requerida para puxá-lo.Alguns textos.50 mm.5x10-2 Ns/m²) 40. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. O lubrificante de viscosidade semelhante a do problema anterior preenche completamente o espaço entre a fita e a ranhura por um comprimento de 5" ao longo da fita.30 m/s e h = 0.

O vértice da parábola encontra-se a 30 cm da placa fixa.1 mm e que a temperatura é 20°C.1 v = 2. O perfil de velocidades deste escoamento. respectivamente iguais a 0. y = 0.67 y b) y = 0 v = 0.2 m².y = 0. y = 10cm. O plano está inclinado de 20° em relação à horizontal. y = 20cm e y = 30cm (se  = 80 cP) v = 4 m/s h = 30 cm y Resposta: a) u= -44.3 v = 4 .552U/ 44. Um fluido newtoniano.56. densidade e viscosidade cinemática..22. Um bloco de 10 kg desliza num plano inclinado sobre uma película de óleo. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. y = 10cm. na região próxima à superfície está mostrado na figura abaixo. O perfil de velocidades em um meio fluido é representado pela figura abaixo. Determine: a) a função que representa a variação de velocidade b) as velocidades em y = 0cm. Determine a magnitude da tensão de cisalhamento que atua sobre a placa. Admita que a distribuição de velocidade no filme seja linear e que a área do bloco em contato com o filme é de 0.92 e 4x104 m²/s.042 m/s (considerando  =0. Resposta: 0. y = 20cm e y = 30cm c) a expressão para o gradiente de velocidade d) as tensões de cisalhamento em y = 0cm. escoa sobre uma superfície imóvel. Expresse seu resultado em função de U (m/s) e  (m) Resposta: tensão = 0.Alguns textos.44y² + 26.y = 0. Determine a velocidade terminal do bloco sabendo que a espessura do filme de óleo SAE 30 é igual a 0. 19 42..4Ns/m²) 43.2 v = 3.

quando eles exibem a capacidade de escoar e/ou acumular deformações reversíveis.2  = -0. Objetivos da reologia: a partir da relação entre a tensão aplicada sobre um corpo e a resposta deste – a deformação – a este esforço.67 d) y = 0  = -2. não pode ser um determinante do caráter reológico dos materiais. a análise da relação tensão-deformação não basta para classificar reologicamente um material. significaria de forma mais imediata: a ciência do escoamento. Desta forma. Este fluido escoa por um capilar de 4 mm de diâmetro e 10 mm de comprimento em 65 segundos. em grego significa “tudo flui”. nem sempre os resultados desta classificação são confiáveis. Entretanto. .13. O escoamento ocorre à pressão atmosférica em um local onde a mesma é 670 mm Hg. da EDUCS (1997) Segundo Heráclito “panta rhei”. Todavia. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. e por último o tipo de escoamento verificado.1  = -1. 20 c) du/dy = -88. Convém ressaltar que outra característica: a recuperação espontânea ou deformação reversível.42. os metais e outros sólidos plásticos escoam e permitem deformações irreversíveis e. Determine a viscosidade absoluta em centipoises e a viscosidade cinemática do fluido em centistokes. Segundo Lenk (1978) um fluido. y = 0. uma vez que também pode ser apresentada por uma classe especial de fluidos chamados de viscoelásticos. O fluido tem massa específica igual a 980 kg/m³.71. a palavra reologia sendo resultado da soma dos radicais rhêo e logos. é necessário verificar a existência de escoamento em primeiro lugar. notadamente. não são fluidos. do que as usadas durante o teste. Um viscosímetro do tipo copo de escoamento contém um volume de 125 mL de fluido. Desta forma. idealmente. Resposta: 29781 cS e 29185 cP 08. y = 0. se viscoso ou plástico. antes só relacionada com os sólidos.3  = 0 45. O que distingue um sólido plástico de um fluido é que o segundo não resiste ao próprio peso e seu escoamento é majoritariamente viscoso na temperatura ambiente. y = 0. Reologia Este texto foi retirado do livro Fundamentos de Reologia de Polímeros. de Rômulo Feitosa Navarro. é um corpo que se deforma irreversivelmente como resultado do escoamento. A conceituação mais abrangente de reologia é dada por Vinograd e Malkin (1980) que definiram a reologia como a ciência que se preocupa com a descrição das propriedades mecânicas dos vários materiais sob várias condições de deformação. os estudos reológicos terão que decifrar a estrutura do material e projetar seu comportamento em situações diferentes. A resposta do material à imposição de um esforço externo é a única propriedade confiável para classificá-lo como sendo fluido ou sólido. uma vez que não escoando o material é com certeza um sólido.88y + 26.Alguns textos.

a >b >c  = . a  b c Os fluidos representados pelas retas ao lado. 21 Fluidos Newtonianos Este modelo impõe que a viscosidade seja uma propriedade física mutável apenas mediante variação de temperatura e pressão. A viscosidade é a inclinação de cada curva do gráfico tensão x deformação.Alguns textos. Neste caso passa a ser denominada de viscosidade aparente. Os fluidos não newtonianos têm uma viscosidade chamada de viscosidade aparente. viscoelásticos. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Para estes fluidos a viscosidade deixa de ser um coeficiente para se tornar uma propriedade que varia de acordo com as condições com as quais o fluido se depara. são todos newtonianos. A dependência da viscosidade aparente com a taxa de deformação e/ou com o tempo. du/dy (1) du/dy Fenômenos Não-Newtonianos Os fluidos que não obedecem à Lei de Newton da Viscosidade são uma parcela significativa dos fluidos reais. Esses fenômenos são divididos em 3 categorias:    independentes do tempo. . dependentes do tempo. A viscosidade não depende do cisalhamento aplicado ou do tempo de sua aplicação. mas têm viscosidades diferentes. bem como as características inerentes aos sólidos (elásticas e plásticas) quando presentes em fluidos viscosos formam a base do que se convencionou chamar de fenômenos não newtonianos.

não é representado por uma reta no plano tensão deformação) – fenômenos de potência. Ao contrário dos fluidos newtonianos. Tomando como base a Lei de Newton.Alguns textos. 22 Fenômenos não-newtonianos independentes do tempo Os comportamentos independentes do tempo podem ser incluídos em duas categorias:   fluido essencialmente viscoso. Ostwald propôs o seguinte modelo: K onde: du n (2) dy n é o índice de comportamento ou de potência K é o índice de consistência . 1) Fenômenos da Potência Ao examinar determinados fluidos sob escoamento cisalhante. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. mas sua viscosidade aparente varia com a taxa de deformação (ou seja. os fluidos examinados apresentavam uma relação tensão de cisalhamento () versus taxa de deformação (du/dy) não linear em que a inclinação variava também de forma não linear com a taxa de deformação. fluido tem um comportamento plástico antes de escoar como um fluido. Ostwald de Waale verificou que os mesmos exibiam um comportamento diferente do proposto por Newton no tocante ao comportamento da viscosidade frente ao cisalhamento aplicado.

orientadas de forma aleatória. 23 Observe que a equação (2) se reduz à equação (1) (Lei de Newton da Viscosidade) se n=1. mais distante o fluido estará do comportamento newtoniano. K está relacionado com a viscosidade aparente () da seguinte forma: du  dy (3) du n 1  K (4) dy Quanto mais distante o índice de comportamento estiver de 1. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Este fenômeno faz com que a viscosidade aparente. desta forma K=. assumem uma direção preferencial na direção do escoamento. Este comportamento pode ser explicado por uma das 3 razões que se seguem: existência no sistema líquido de partículas assimétricas que estando no repouso.Alguns textos. caiam a um valor constante  a partir de um valor crítico da tensão de cisalhamento. que a baixas taxas de cisalhamento tem um valor alto. Pseudoplasticidade Este é o fenômeno de potência que ocorre mais freqüentemente. .

o qual deve ser excedido para que o material apresente um fluxo viscoso. quando em repouso. Aumentos posteriores na taxa de deformação provocavam expansão no material e aumento na quantidade de vazios. a viscosidade aparente do sistema será paulatinamente diminuída até que o equilíbrio seja novamente alcançado. Deste ponto em diante o líquido não era mais suficiente para lubrificar as partículas em movimento. Foi observado pela primeira vez por Reynolds ao observar que alguns sistemas se expandiam volumetricamente sob cisalhamento. Reynolds deduziu que este comportamento anômalo se devia ao fato de que estas suspensões . têm as camadas de solvatação destruídas pela ação do cisalhamento. estando associada às suspensões concentradas de partículas grandes. para uma orientada na direção do escoamento. Moléculas grandes e flexíveis. 2) Viscoplasticidade a) Fluido de Bingham A viscoplasticidade é um fenômeno caracterizado pela existência de um valor residual para a tensão de cisalhamento. como as moléculas poliméricas. Na medida em que o cisalhamento imposto é capaz de iniciar a eliminação destes pontos de contato. 24 - sistemas líquidos constituídos de moléculas grandes e flexíveis que passam de uma configuração aleatoriamente enrolada no repouso. Dilatância É o fenômeno oposto à pseudoplasticidade. apresentavam uma quantidade mínima de vazios e que o líquido era suficiente apenas para preenchê-los . de forma que confere ao sistema uma viscosidade maior em taxas de deformação mais baixas. devido ao elevado grau de enrolamento produzem vários pontos de contato entre seus segmentos cinéticos ao longo de seu comprimento. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. polpa de papel em água. - existência de moléculas que em repouso se encontram altamente solvatadas. Exemplos: suspensões coloidais. polímeros no estado fundido. alinhando as moléculas na direção do cisalhamento. Estes pontos de contato atuam de forma a evitar o livre movimento destas moléculas e/ou de seus segmentos. o líquido lubrificava as partículas facilitando seus movimentos relativos. Estudando suspensões concentradas em água. Sob cisalhamento suave. Exemplo: suspensões de amido e areia. É um fenômeno pouco comum. Este comportamento é comum às composições altamente concentradas em que a interação partícula-partícula . assumindo uma forma quase linear. soluções poliméricas. O aumento na viscosidade aparente do sistema era então evidenciado pela necessidade de se aumentar a tensão de cisalhamento para manter o movimento das partículas.Alguns textos.

Todavia deve ser acrescentado que as partículas da fase dispersa devem possuir uma tendência à aglomeração. Os processos contrários recebem o nome de não-tixotrópicos. Os processos caracterizados pela destruição estrutural pela ação do tempo fazem parte do fenômeno conhecido como tixotropia. 25 desempenha um papel importante. impede que o mesmo flua normalmente. b) Fluido de Herschel-Bulkley (pseudoplástico com tensão inicial) Fenômenos não newtonianos dependentes do tempo O efeito do tempo assume grande importância quando a estrutura aleatória dos sistemas líquidos muda de forma gradual frente a um campo de cisalhamento. a qual é aumentada pela ação do cisalhamento imposto. podendo gerar aumento ou diminuição da viscosidade aparente do sistema dependendo da forma como a estrutura interna do líquido será alterada: se destruída ou ampliada. Dentre os fatores que causam a heterogeneidade podem ser citados: forças interfaciais. Esse “esqueleto” além de ser responsável pela elevação na viscosidade do sistema.   0   du dy onde 0 = tensão residual  = viscosidade plástica Exemplos: suspensões de argila. favorecem a formação de um “esqueleto” por parte das partículas antes dispersas . exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. aumentando sua fração volumétrica à custa da fase contínua que lhe providencia volume livre e lubrificação. A heterogeneidade no escoamento é caracterizada pela presença de duas ou mais fases que interagem entre si e produzem perturbações locais nas linhas de fluxo. Estas perturbações aumentam de importância com o aumento de concentração.Alguns textos. pontes de hidrogênio e outras interações moleculares. Portanto é necessário destruir este “esqueleto” para que o material realize um escoamento viscoso. Sistemas que são considerados líquidos como lamas. . Tixotropia É um fenômeno caracterizado pela diminuição da viscosidade aparente do líquido com o tempo de aplicação de uma dada taxa de deformação. só que no sentido inverso. quando têm sua concentração de sólidos elevada além do valor crítico. polpas de frutas e suspensões concentradas. Fenômenos não-tixotrópicos – Reopéticos A antitixotropia ou reopexia é perfeitamente explicada pelas teorias aplicadas à tixotropia. lamas de perfuração e pasta dental. Além disto existe a tendência de uma das partes da fase dispersa se cristalizar durante o escoamento.

Ou seja. 9. O viscosímetro é preenchido cuidadosamente com o fluido a ser medido até a marca A. mas recuperam-se parcialmente da deformação ao cessar o esforço. Exemplos deste tipo de fluidos são as massas e as geléias. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. O . quando submetidos a uma tensão de cisalhamento deformam-se. O mais simples é o viscosímetro de Ostwald. Métodos para determinação da viscosidade Viscosímetros capilares de fluxo Os viscosímetros capilares de fluxo tem normalmente a forma de um tubo em U. Alguns tipos de viscosímetros capilares podem ser vistos na figura ao lado. O fluido é succionado pela outra extremidade até alcançar a marca B.Alguns textos. 26 Fluidos viscoelásticos São fluidos que têm características viscosas e elásticas.

O tamanho do capilar é variável. Se não se conhece a constante do instrumento.Alguns textos. mas é necessário que seja escolhido o tamanho certo para cada aplicação. os viscosímetros capilares de fluxo proporcionam um medida direta da viscosidade cinemática. o que faria com que o fluxo fosse turbulento. Este tipo de viscosímetro é barato. t    Devido ao fato de que o tempo depende tanto da densidade como da viscosidade do fluido. O tempo é diretamente proporcional à viscosidade absoluta e inversamente proporcional à massa específica. geralmente disposto na vertical com comprimento pequeno quando comparado ao seu diâmetro. mas são úteis em determinações relativas de fluidos newtonianos e não-newtonianos. É registrado o tempo que o fluido leva para escoar entre as marcas B e C. soluções diluídas e também para controlar as mudanças produzidas sobre estes fluidos por processos como aquecimento e homogeneização. Tempos adequados são normalmente entre 100 e 500 segundos. pois seus resultados precisos. ou muito lentamente. Viscosímetros de orifício O viscosímetro de orifício é composto de um tubo ou orifício. Assim evita-se que o fluido flua muito rapidamente. 27 fluido então escoa pelo tubo capilar devido à pressão hidrostática que foi induzida. necessita de amostras pequenas de fluido e é adequado para fluidos com baixa viscosidade como água. solventes orgânicos. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. o que demandaria muito tempo para as medidas. . Este tempo é então multiplicado por uma constante do instrumento para determinar a viscosidade cinemática do fluido. leite. Neste tipo de equipamento é difícil não são muito estabelecer as equações de fluxo. Este instrumento é muito utilizado industrialmente. esta pode ser calculada empregando-se um fluido de viscosidade cinemática conhecida. mas não pode ser utilizado para estudos reológicos.

Para baixo atua a força da gravidade e para cima. Deve-se assegurar-se de que a esfera alcançou a velocidade limite antes de iniciar a medição. Se o fluxo é laminar. o fluido que se deseja medir a velocidade é mantido à temperatura constante com a ajuda de um banho termostático.Alguns textos. Os tipos . estas forças podem ser representadas por: D 3  2 g 6 peso  D 3  1 g 6  6Du 2 = empuxo + força viscosa onde: u = velocidade terminal D = diâmetro da esfera 2 = massa específica da esfera 1 = massa específica do fluido  = viscosidade absoluta ou dinâmica Esta equação pode ser simplificada como: u D 2  2   1 g 18 Lei de Stokes Com este tipo de viscosímetro não é possível determinar se o fluido é newtoniano. Viscosímetros rotacionais Para caracterizar fluidos não newtonianos é necessário determinar a viscosidade para uma série de forças de cisalhamento. 28 Viscosímetros de queda de esfera Quando um objeto cai através de um fluido está submetido a uma série de forças. e no caso de uma partícula esférica de diâmetro D. deve-se aplicar uma correção devido aos efeitos de parede. Se o tamanho da esfera é próximo ao tamanho do tubo. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. uma força viscosa e o empuxo (igual ao peso do fluido deslocado pelo objeto). Os viscosímetros rotacionais podem ter diversas formas. Quando se alcança o equilíbrio. Mede-se o tempo necessário para que a esfera caia entre duas marcas cuja distância é conhecida. as forças em ambos os sentidos se igualam e o objeto cai à velocidade constante (velocidade terminal). Normalmente.

estabelece-se um perfil de velocidades no fluido e.R1 du u 0   dr R2  R1  R2  R1  w = velocidade angular (rad. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. consequentemente. Esta força é função da velocidade de rotação do corpo e da natureza do fluido. um atrito viscoso entre as camadas de fluido. O torque necessário para manter a velocidade constante é medido por uma mola de torção. o que é impossível de ser feito nos outros tipos. cone e placa e de cilindro simples./s) R1 = raio do cilindro interno (m) R2 = raio do cilindro externo (m) u = velocidade tangencial (m/s) du/dr = taxa de deformação (1/s) Fcis = força de cisalhamento (N) cis = tensão de cisalhamento (N/m²) Torque  Fcis R1  cis  Fcis A . Quando o cilindro gira. imerso em um líquido. w. Pode ser baseado no sistema Searle (o cilindro interno gira) ou no sistema Couette (o cilindro externo gira). o qual experimenta uma força de resistência viscosa. cônico ou circular. A dependência da viscosidade com o tempo pode ser estudada nestes viscosímetros. Baseiam-se na rotação de um corpo cilíndrico. quando se impõe uma velocidade rotacional ao sistema.Alguns textos. a) Viscosímetro de cilindros concêntricos Ele é constituído de dois cilindros com uma pequena folga entre eles. 29 principais são os de cilindros concêntricos. Este torque pode ser facilmente relacionado com a tensão de cisalhamento.

O leite pode ser processado para aumentar seu tempo de conservação e para convertê-lo em produtos lácteos. 30 b) Viscosímetro de eixo simples Neste tipo de viscosímetro. proteínas. . portanto. O leite pasteurizado também pode ser homogeneizado. gira um eixo em um fluido e se mede o torque necessário para vencer a resistência viscosa.).Alguns textos. mas tão somente a viscosidade. O leite que será esterilizado ou tratado por UHT requer a homogeneização para impedir a separação da gordura durante o armazenamento. A homogeneização é responsável pelo aspecto cremoso do leite. etc. São também chamados de viscosímetros de fluido infinito.A aparência leitosa deve-se à suspensão coloidal da proteína do leite (caseína) e do cálcio na solução. Não é possível calcular a tensão de cisalhamento e a taxa de deformação a que o fluido está submetido. Há diferenças consideráveis entre a composição do leite de diferentes fontes (espécie. vitaminas e outros elementos. Dados adicionais para fluidos de importância na indústria de alimentos Leite e produtos lácteos O leite é um sistema coloidal que consta de uma fase aquosa que contém lactose. por isso não é possível a determinação do comportamento reológico do fluido. As natas também necessitam de homogeneização. A nata normal (18% de gordura) sofre uma homogeneização considerável (até 200 bar) para melhora sua consistência e proporcionar que a mesma . A homogeneização aumentará a viscosidade do leite integral em até 15%. Disperso na fase aquosa existem pequenas gotas de gordura. minerais. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. a viscosidade dinâmica. A maior parte das técnicas de processamento podem alterar a integridade das fases dispersa ou aquosa e. O tratamento térmico do leite dá como resultado um leve aumento da viscosidade. estação.

a magnitude da concentração é limitada pelas características da viscosidade do concentrado. Os óleos são normalmente mais viscosos que as soluções aquosas. Se a pressão é muito alta. De maneira geral. . A reologia dos produtos lácteos é extremamente complicada e a viscosidade final da nata dependerá de fatores como a temperatura de separação. Assim. sendo normalmente newtonianos. portanto. taxa de resfriamento e condições de armazenamento. tratamento térmico. Estes fluidos também podem ser concentrados mediante técnicas de membrana como osmose reversa e ultrafiltração. Podem ser obtidos a partir de uma ampla gama de fontes de origem animal e vegetal ou mediante processos de fermentação. . a viscosidade é tanto maior quanto maior for a quantidade de ácidos graxos de cadeia longa e ao aumentar seu grau de saturação. Óleos e gorduras Os óleos e as gorduras são essencialmente ésteres de glicerol e ácidos graxos obtidos a partir de fontes animais e vegetais. A nata com 35% de gordura não necessita de homogeneização. Em soluções muito diluídas. normalmente apresentam comportamento newtoniano. muitos formam géis a concentrações relativamente baixas. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. A maior parte das soluções de açúcares simples têm comportamento newtoniano. Soluções açucaradas A viscosidade destas soluções aumenta com a diminuição da temperatura e com o aumento na concentração. A nata com 48% de gordura necessita de uma baixa pressão de homogeneização (ao redor de 30 bar). 31 fique encorpada.Alguns textos. A concentração final pode ser limitada pela viscosidade de tais alimentos e dos limites de solubilidade da lactose. o leite integral e o soro de queijo são evaporados até aumentar seu conteúdo em sólidos tanto quanto possível antes de sua secagem e amotinação. Hidrocolóides Os hidrocolóides são substâncias poliméricas que são solúveis ou dispersáveis em água. xantano. Os óleos são normalmente líquidos à temperatura ambiente e as gorduras são normalmente sólidas. Estas substâncias são adicionadas à formulação dos alimentos para elevar sua viscosidade ou para obter uma consistência gelatinosa. têm diferentes composições e. O leite desnatado. Mas às vezes podem apresentar comportamento pseudoplástico a elevadas tensões de cisalhamento. Os óleos que provêm de fontes diferentes. a nata pode solidificar no envase. Alguns exemplos são goma arábica. Novamente. a hidrogenação aumentará a viscosidade. etc. gomas de celulose. goma guar. diferentes viscosidades.

2 mm e L = 125 mm.8 35. açúcares e proteínas. é um sólido. A tabela a seguir apresenta os valores de torque e velocidade angular obtidos num viscosímetro de cilindros concêntricos com as seguintes dimensões? Re = 64. No caso de líquidos e semilíquidos descreve-se a sensação ao paladar em termos de viscosidade ou consistência. A viscosidade de muitos hidrocolóides pode ser afetada de maneira significativa pelo pH do meio e pela presença de sais.0 5.0 106.0 2.6 1. a viscosidade de uma goma guar de 10º diluída a 1% e medida a uma taxa de cisalhamento de 100s-1 varia entre 5 e 525 cP. por exemplo: uma goma guar levará 24 horas até alcançar sua viscosidade máxima.6 71.3 53.0 3.0 4. Determine a viscosidade dinâmica do fluido ensaiado utilizando estes dados e um programa de ajuste de curvas. O tempo de hidratação pode ser bastante significativo para alguns produtos. para as quais é necessária a classificação tanto acima quanto abaixo do limite de fluência (0).0 Resposta: o fluido é newtoniano e a viscosidade é169 Pa.Alguns textos.s 47. Se um objeto flui sob a ação da gravidade. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Exercícios 46. determine o comportamento reológico do fluido através de uma curva tensão x deformação . Muitas medidas de viscosidade são utilizadas como medida de controle de qualidade para diferentes produtos./s) 17. da força iônica e temperatura. Obteve-se os seguintes dados num viscosímetro de cilindros concêntricos. se não.0 6. Em muitos casos há uma concentração crítica onde há a passagem de comportamento newtoniano a não newtoniano.m) w (rad. As proteínas formam uma classe especial de material polimérico.0 mm. então é líquido. Isto conduz a dúvidas no caso das substâncias de comportamento plástico. 32 Muitos destes hidrocolóides podem ser modificados de forma química ou enzimática para controlar sua ação espessante e estão disponíveis em uma ampla graduação. emprega-se a textura. Ri = 62.5 88. Por exemplo. O comportamento de fluxo das proteínas em solução concentrada ou diluída depende do pH. Alguns aspectos sensoriais Em alguns momentos é necessário distinguir entre alimento sólido e alimento líquido. Torque (N. Para sólidos. É sugerido que se faça uma divisão utilizando a força da gravidade.

400 897 8.5 polegada de diâmetro. Estes movimentos circulares são constantes.238 4769 0.8 2.22 48. Um fluido que escoa em um tubo de 1.7 600 470 300 200 Resposta: o fluido é dilatante. o novo torque necessário será de exatos 760 Nm? Ou será diferente? Maior ou menor? 52. Logo você observa que a manteiga torna-se mais fluida.5 4.680 1890 1. 33 Tensão (N/m²) du/dr (s-1) 6. Classifique o fluido segundo o comportamento reológico. Levantou-se uma curva viscosidade em função do tempo para o extrato de tomate onde foram obtidos os dados abaixo. Um fluido que tem a seguinte curva viscosidade ( ) versus taxa de deformação (du/dr) como pode ser classificado quanto ao seu comportamento reológico?  (cP) du/dr (1/s) 9198 0. Entretanto você. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.340 3179 0. índice de consistência = 0. você procura faze-los sempre com a mesma velocidade. Qual é o comportamento reológico da manteiga? . seja feito um torque de 380 Nm.700 1350 3. No início do seu trabalho a manteiga está (a temperatura ambiente) quase sólida. Este fluido passa através de uma restrição escoando então por uma extensão do tubo de 1 polegada de diâmetro. Qual é o comportamento reológico deste fluido? 51. Você resolve fazer um bolo e usa manteiga como pede a receita. Se o fluido for do tipo pseudoplástico e a velocidade de rotação seja agora de 240 rpm. apresenta uma viscosidade aparente de 50 cP. Neste trecho o fluido comporta-se como tendo uma viscosidade de 85 cP.  (cP) T (s) 286000 14 249000 105 78383 169 45990 272 32093 343 16846 411 7078 494 3569 560 Resposta: o fluido é tixotrópico 50.7 1. Um fluido que preenche uma folga entre dois cilindros concêntricos exige que.Alguns textos. fazendo movimentos circulares.102 5870 0.0025 e índice de comportamento = 1. para que o cilindro interno gire a 120 rpm. antes de misturá-la aos demais ingredientes resolve bate-la com auxílio de uma colher (para facilitar a mistura).500 Resposta: o fluido é pseudoplástico 49.

y e z e pode também variar com o tempo. tem-se a trajetória da partícula. o torque permaneça constante c. Para um fluido dilatante. Note que a velocidade é uma quantidade vetorial e tem componentes nas direções x. A representação visual de umcampo de escoamento é obtida pela introdução de um material de rastreamento no escoamento e pela sua fotografia (tintas coloridas em água e fumaça no ar).z. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. uma superfície sólida ou parede que delimita o escoamento também é uma linha de corrente. diminuindo-se o diâmetro do tubo ou a folga onde o fluido escoa). O campo de escoamento é uma representação do movimento no espaço em diferentes instantes. o torque aumente. o torque aumente mais que 100% d. ao dobrar a taxa de cisalhamento (por exemplo. Estas fotografias fornecem as linhas de corrente definidas como uma linha contínua que é tangente aos vetores velocidade ao longo do escoamento num dado instante. 34 53. 09) Descrição e Classificação do Movimento dos Fluidos Os diferentes tipos de escoamento considerados são classificados pelas características do modo do escoamento e das propriedades do fluido. o torque também dobre b. Como conseqüência desta definição. A propriedade que descreve o campo de escoamento é a velocidade V(x.y. não há escoamento cruzando uma linha de corrente. L . espera-se que: a. mas não o suficiente para dobrar.t). Há alguma situação em que um fluido newtoniano pode apresentar mudança na sua viscosidade? 54. Quando se observa o caminho de uma dada partícula fluida em função do tempo. Portanto.Alguns textos.

o filamento de corante torna-se ondulado e se interrompe. para pequenas velocidades de escoamento no tubo de vidro. difundindo-se através da água que escoa no tubo. 35 9. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. A água escoa de um tanque através de um tubo de vidro com abertura em forma de sino. tornando-se aparente o movimento caótico das partículas fluidas. As características destes regimes foram inicialmente descritas por Reynolds. . e atingindo-se velocidades maiores. termina no interior da entrada do tubo de vidro. e neste caso. com um dispositivo como o descrito abaixo. o escoamento de fluidos reais pode ocorrer de dois modos diferentes: o escoamento laminar e o escoamento turbulento. sendo o escoamento controlado pela válvula. mas não se misturando entre si. forma-se um filamento estreito e paralelo ao eixo do tubo. ou lâminas. Entretanto. Reynolds verificou que a velocidade média para a qual o filamento de corante começa a se interromper (chamada velocidade crítica) dependo do grau de estabilidade da água no tanque. Reynolds deduziu de sua experiência que em velocidades baixas isto não deveria ocorrer. Um tubo fino proveniente de um reservatório de corante.Alguns textos. Reynolds verificou que.Escoamento laminar e turbulento Devido ao efeito da viscosidade. o filamento do corante se difunde através do tubo. e verificou que as partículas fluidas se movimentavam em camadas paralelas. Experiência de Reynolds . Mas para velocidades superiores. escorregando através de lâminas adjacentes.1. este movimento denomina-se escoamento laminar. dizemos que o escoamento é turbulento. abrindo-se mais a válvula. Uma vez que o movimento caótico das partículas fluidos durante o escoamento produzia difusão do filamento.

Lc (dimensão característica) = D escoamento entre paredes paralelas .Lc = distância entre paredes escoamento em canal aberto . Escoamentos uni. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. bi e tridimensionais Um escoamento é classificado como uni. enquanto as forças viscosas são amortecedoras das perturbações.Alguns textos. 9. 36 Reynolds generalizou as conclusões tiradas de sua experiência com a introdução de um termo adimensional Re.Lc = profundidade da água ao redor de uma esfera . As forças de inércia são perturbadoras. pode-se utilizar o conceito de Diâmetro Hidráulico (DH). bi ou tridimensional em função do número de coordenadas espaciais necessárias para se especificar o campo de velocidade. definido pela relação: Onde: u é a velocidade média no tubo D é o diâmetro interno do tubo  é a viscosidade absoluta ou dinâmica do fluido  é a viscosidade cinemática do fluido  é a massa específica do fluido Re  uD   uD  Reynolds inferiu que certos números podem delimitar a transição entre o regime laminar e o regime turbulento para qualquer fluido. .2. DH  4 Ex: molhado a As P onde As = área da seção formada pelo fluido P = perímetro Ex: DH  4 b ab 2a  b O número de Reynolds é uma relação entre forças de inércia e forças viscosas. O número de Reynolds crítico é função da geometria dos contornos Para: dutos cilíndricos .Lc = diâmetro da esfera Rec = 2300 Rec = 1000 Rec = 500 Rec = 1 Quando temos outros tipos de seção transversal.

o campo de escoamento depende de x e y. pois é função apenas de r. Escoamento Compressível e Incompressível Os escoamentos em que as variações na massa específica são desprezíveis denominam-se incompressíveis. A . No escoamento abaixo. 9.Alguns textos. 37 O campo de velocidade descrito abaixo é unidimensional.3. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. desde que as velocidades sejam pequenas quando comparadas com a velocidade do som. São usualmente escoamentos de líquidos ou de gases com transferência de calor desprezível. a distribuição de velocidade pode ser   r 2  descrita como: u  u máx 1      R    Escoamento bidimensional é aquele em que o número de coordenadas necessário para descrever o escoamento é igual a 2.

onde há uma superfície livre submetida a uma pressão constante .: sistemas de ar comprimido. tubulações com gases a altas pressões. Normalmente o escoamento de um líquido será considerado incompressível. Escoamento interno Escoamento externo Escoamento interno e externo .é denominado de canal aberto. a velocidade do som na água é cerca de 1500 m/s. uma vez que as velocidades do som nos líquidos são grandes. Ex.3 as variações de massa específica são inferiores a 5% e o escoamento pode ser tratado como incompressível. Aqueles em torno de corpos imersos num fluido não contido são denominados externos. M u c Para M < 0. Tanto o escoamento interno quanto o externo pode ser laminar ou turbulento. Escoamentos compressíveis acontecem com freqüência em aplicações da engenharia. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. Escoamento Interno e Externo Os escoamentos completamente envoltos por superfícies sólidas são chamados internos ou em dutos. Escoamentos com M > 0.Alguns textos. compressível ou incompressível.3 devem ser tratados como compressíveis (para o ar a velocidade crítica é aproximadamente de 100 m/s). por exemplo. O escoamento de líquidos no qual o duto não fica completamente preenchido . controle pneumático. 38 razão entre a velocidade do escoamento u e a velocidade do som c é definida como número de Mach. etc. 9.4.

não-estacionário ou transiente é o escoamento em que as propriedades são f unção do tempo. Se o escoamento for uma função do tempo. Aceleração total Se as velocidades ortogonais de um escoamento forem conhecidas. 9. Em escoamento em regime. Escoamento permanente e não-permanente Escoamento permanente ou estacionário é o escoamento em que as propriedades não mudam com o tempo. V = ui + vj + wk. transiente. Um exemplo de regime permanente é o escoamento de um fluido em um tubo. 9. a a DV V V x V y V z     Dt t x t y t z t DV V V V V  u v w Dt t x y z aceleração local aceleração convectiva A aceleração total envolve tanto a mudança de velocidade como tempo (aceleração local). qualquer propriedade pode variar de ponto a ponto no campo de escoamento. Escoamento não-permanente.5. Para escoamento permanente:  0 t u 0 t No escoamento permanente. a aceleração do fluido será apenas devido à aceleração convectiva. mas todas as propriedades permanecerão constantes com o tempo.Alguns textos. em cada ponto. cuja seção transversal diminui. as linhas de corrente e as trajetórias são coincidentes. Se o regime permanente for considerado. a aceleração das partículas do fluido (a) poderá ser determinada como sendo a variação total da velocidade com relação ao tempo. como a mudança da velocidade devido ao movimento espacial do fluido (aceleração convectiva). Embora o escoamento seja independente do tempo. as linhas de corrente e as trajetórias serão diferentes. 39 9. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina.7. Escoamento uniforme e não uniforme . ele ai ser acelerado devido à diminuição da área do tubo.6.

imagine que exista um palito sobre a superfície da água. velocidade de 2. embora as águas do rio possam serpentear de modo irregular durante o escoamento. espera-se que o palito conserve a mesma orientação a jusante do escoamento. Há certos escoamento. Pode-se imaginar que o palito seja um medidor de rotacional ou medidor de vorticidade. tais escoamentos são chamados de escoamentos irrotacionais.laminar . ou regiões de um escoamento. nos quais as partículas de um fluido não giram. Usando o exemplo de um rio profundo escoando sobre um leito rugoso de cascalhos. ela obriga sim se houver variação.5m/s e temperatura de 20°C. um elemento de fluido. em módulo e direção para qualquer ponto do escoamento. Se o escoamento for tranqüilo. a aceleração convectiva é nula. Determine se o escoamento de glicerina é laminar ou turbulento em um tubo de 2” de diâmetro. A rotação e a deformação das partículas do fluido são de interesse particular em nosso estudo de mecânica dos fluidos. Verificar se o escoamento é irrotacional significa medir uma orientação e não uma trajetória. No escoamento irrotacional.Alguns textos. esta deve ocorrer simultaneamente em todos os pontos do escoamento 9. A orientação de um elemento de linha do corpo sólido que gira varia com o tempo. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. o vetor velocidade é o mesmo. Enquanto a partícula viaja. Esta definição não obriga a velocidade ser constante em relação ao tempo. ao passo que um elemento de linha na cadeira de uma roda gigante retém sua orientação original. ela pode girar ou deformar-se. Para entender claramente o escoamento irrotacional.8. comprimento de 13m. Exercícios 55. Resposta: 127 . compare a rotação de um corpo sólido com o movimento da cadeira de uma roda gigante. Escoamentos rotacional e irrotacional – velocidade angular e vorticidade O escoamento de um fluido pode ser pensado como o movimento de uma coleção de partículas de fluido. retém sua orientação original. tal como a cadeira de uma rodagigante. 40 Se o escoamento for uniforme. Num escoamento uniforme.

o Reynolds aumentará ou diminuirá? De quantas vezes? Demonstre. o Reynolds aumentará. Qual é o diâmetro de tubo necessário para que o escoamento de ar a 15ºC e velocidade de 0.000. Resposta: Reynolds cai pela metade 61. Qual é a velocidade crítica para alteração de escoamento laminar para turbulento em um escoamento de água a 50°C em um duto de 10 cm de diâmetro? Resposta: 0. . qual deveria ser: o novo diâmetro.3 L/s em um duto de 8 cm de diâmetro.013 m/s 58.laminar 59. 41 56.1 m/s seja laminar? Resposta: 0. 64.(justifique sua resposta) Temperatura da sala de aula Nível da água na represa do Faxinal Volume de água na caixa de água de sua residência ou do condomínio. o escoamento será laminar ou turbulento? (Vazão = velocidade x área da seção transversal) Resposta: 30 . por onde escoa óleo de máquina a 200C. mantido o diâmetro. Duplicando-se a vazão e o diâmetro. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. mas duplicando-se o diâmetro. Qual deve ser a área da seção transversal de um tubo de seção circular. Quando a vazão de óleo ( = 870 kg/m³ e =140 cP) for de 0. mantida a vazão a nova velocidade. transiente ou pseudo-estacionário. Resposta: Reynolds fica constante.33m 57. mantendo o mesmo fluido e a mesma temperatura de escoamento. 62.63 L/s para que o número de Reynolds seja de 67. Para dobrar o número de Reynolds do problema anterior.Alguns textos. com uma vazão de 1. Mantendo-se a vazão constante. Classifique o comportamento das seguintes variáveis ou processos quanto à condição de estarem no regime de estado estacionário. diminuirá ou se manterá constante? Demonstre. Quando se aquece um líquido. a tendência é de aumentar o nº de Reynolds ou diminuir? E quando se resfria um gás? 60.? 63.

Mecânica dos Fluidos Streeter. V. Wiggert Pioneira Thomson Learning. Sissom & Donald R. Young Theodore H. E. 1982.. Munson. Donald F. R.T. Pitts Editora Guanabara Dois. . Potter & David C. Okiishi Tradução da 2ª edição americana. foi retirado dos seguintes livros: Mecânica dos Fluidos Merle C. 2004. LTC Editora.L. Edgard Blucher.Alguns textos. 1998. Fenômenos de Transporte Leighton E.W. 7ª edição. 1997. McGraw-Hill do Brasil. 42 Fluxo de carros na BR 116 em frente ao Hospital Geral Umidade do ar em Caxias do Sul Referências bibliográficas Grande parte do material teórico e dos exercícios apresentados. 1979. & McDonald. Wylie. exercícios e figuras foram retirados das referências bibliográficas constantes no programa da disciplina. 5ª edição. Ed. A.B. Introdução à Mecânica dos Fluidos Fox. Fundamentos da Mecânica dos Fluidos Bruce R.