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BIOLOGIA

1 – CITOLOGIA

Células eucariota e procariota. Composição química. Estruturas celulares: membrana plasmática, citosol e núcleo. Síntese protéica. Divisão Celular: mitose e meiose.

2 – RESPIRAÇÃO CELULAR. 3 – FOTOSSÍNTESE. 4 – HISTOLOGIA ANIMAL.
Estrutura, função e fisiologia dos tecidos: epitelial, conjuntivo, muscular e nervoso.

5 – ECOLOGIA

Conceitos principais. Desafios ecológicos atuais

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Bactérias do Gênero Salmonella: indivíduos procariotos.

As células são a menor unidade estrutural e funcional de um ser vivo, e podem ser procariotas ou eucariotas. De forma genérica, todas elas possuem membrana plasmática, estrutura esta que dá forma, protege e seleciona a entrada e saída de substâncias pela célula; citoplasma, região fluida na qual ocorre a maioria dos processos metabólicos e produção de diversas substâncias; e material genético, onde estão registradas instruções que controlam o funcionamento celular. Células procarióticas são mais simples que as eucarióticas. Nestas, o DNA não está envolto por uma membrana, não há núcleo definido pela carioteca (membrana nuclear) e podemos encontrar ribossomos dispersos no citoplasma, organelas estas responsáveis pela síntese proteica. Moléculas circulantes de DNA, os plasmídios, também podem ser encontradas. Externamente à membrana plasmática destas células, há a parede celular. Indivíduos procarióticos são unicelulares, sendo estes: as bactérias, cianofíceas, micoplasmas, rickéttsias e clamídias. Alguns destes indivíduos, como as cianofíceas, apresentam pigmentos responsáveis pela fotossíntese.

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complexo golgiense. lisossomos. Exemplos de indivíduos eucariotas: animais. além de ribossomos. envolvido pela carioteca. também são encontradas mitocôndrias. Composição química das células Todos os seres vivos possuem moléculas e elementos que são essenciais para a sua composição e para o seu metabolismo. dentre outras organelas. Substâncias Orgânicas 3 . retículo endoplasmático granuloso e não granuloso.Já as células eucarióticas. Aqui iremos conhecer um pouco dessas substâncias. peroxissomos. fungos e protozoários. Seu citoplasma é interconectado por uma rede de tubos e canais membranosos e é onde. vegetais. centríolos. a começar pelo núcleo individualizado. possuem maior tamanho e complexidade. É uma grande variedade de substâncias orgânicas e inorgânicas que fazem parte dessa composição.

Participa de inúmeras reações químicas em nosso organismo. esteroides. atuam como reserva de energia. Compõem estruturas celulares. São necessárias em pequenas quantidades pelo organismo. São formadas por aminoácidos e sua presença é indispensável para o metabolismo do organismo. fosfolipídios e carotenoides. transmissão de impulsos nervosos. pelo fato de conter trechos de DNA específicos. e armazenar as informações genéticas da célula. São classificados em glicerídeos. participar da coagulação sanguínea. além de inúmeras proteínas associadas ou não a RNAr. Substâncias inorgânicas Sais minerais: formados por íons. por isso é classificada como solvente universal. dissacarídeos e polissacarídeos.é um organóide presente em células eucarióticas. A água é fundamental para a vida! ESTRUTURA CELULAR Nucléolo . São de três tipos: monossacarídeos. isolante térmico etc. As vitaminas são adquiridas por meio de uma alimentação variada. Vitaminas: podem ser hidrossolúveis (solúveis em água) ou lipossolúveis (solúveis em lipídeos). ceras. sua falta pode causar doenças.O núcleo possui duas funções básicas: regular as reações químicas que ocorrem dentro da célula. Carboidratos ou Glicídios ou Açúcares: são fundamentais. Água: substância encontrada em maior quantidade nos seres vivos. Pode dissolver diversas substâncias. Algumas de suas funções são: formar o esqueleto.Proteínas: presentes em todas as estruturas celulares. As proteínas formam as enzimas. como celulose e quitina. 4 . ligado principalmente à coordenação do processo reprodutivo das células (embora desapareça logo no início da divisão celular) e ao controle dos processos celulares básicos. Alguns têm função estrutural. No corpo humano representa cerca de 70% do peso corporal. Sua falta pode afetar o metabolismo e levar à morte. Núcleo celular . pois dão energia às células e ao organismo. como o amido e glicogênio. Lipídios: insolúveis em água. e de reserva.

Complexo de golgi . íons diversos. enquanto nos procariotos corresponde a totalidade da área intra-celular Lisossomos . de um ponto qualquer até seu ponto de utilização.O citoplasma é o espaço intra-celular entre a membrana plasmática e o envoltório nuclear em eucariotos. assim como a reciclagem de outras organelas e componentes celulares envelhecidos Centríolo .são responsáveis por fazer a síntese de proteínas retículo endoplasmático . A mitocôndria é abastecida pela célula que a hospeda por substâncias orgânicas como oxigênio e glicose . Mitocondrias . proteínas. 5 . que suporta bolsas.sua função primordial é o processamento de proteínas ribossomaticas e a sua distribuição por entre essas vesículas.ribossomos . passivo e facilitado. as quais processa e converte em energia na forma de ATP. e fornece para a célula hospedeira. aminoácidos livres e açúcares.pois ela elimina substancias inuteis da celula e absorve as importantes *O citosol é o líquido que preenche o citoplasma. a membrana é mt importante. isso se vai estuda mais pa frente). O retículo endoplasmático tem portanto função de transporte servindo como canal de comunicação entre o núcleo celular e o citoplasma. ela define o que entra e o que sai da célula (transporte ativo. espaço entre a membrana plasmática e o núcleo das células vivas. Citoplasma . canais e organelas citoplasmáticas.exerce função vital na divisão celular *membrana .A mitocôndria é uma das mais importantes organelas celulares. É constituído por água.pode ser considerado uma rede de distribuição. levando material de que a célula necessita. sais minerais.é uma camada q envolve a célula.Lisossomos ou lisossomas são organelas citoplasmáticas que têm como função a degradação de materiais advindos do meio extra-celular.

Na parte central da célula. o RNA . formando assim um mRNA maturado. ele tem todos os dados codificados. Este processo inicia-se pela ligação de um complexo enzimático à molécula de DNA. inicia a síntese de uma molécula de mRNA de acordo com a complementaridade das bases azotadas.polimerase. e as porções não removidas . destruíndo as pontes de hidrogénio que ligam as bases complementares das duas cadeias. ele comtem as informações geneticas na celula. o citosol é mais viscoso. o mRNA é constituído apenas pelas sequências que codificam os 6 . vão ser removidas . Rna. O RNA que sofre este processo de exclusão de porções. O citosol encontra-se em contínuo movimento. No final do processo. *Nucleo .Na periferia.éxons -. a molécula mRNA separa-se da cadeia do DNA. Quando a leitura termina. impulsionado pela contração rítimica de certos fios de proteínas presentes no citoplasma. o nucleo comanda a celula de acordo com os genes da pessoa. ou seja. que ocorre no interior das células. tipo. Ocorre no interior do núcleo das células e consiste na síntese de uma molécula de mRNA(RNA Mensageiro) a partir da leitura da informação contida numa molécula de DNA. na cadeia do DNA o nucleotídeo for a adenina(A). Se. Dna. por exemplo. o RNA . pela tradução do RNA. essas coisas. ligam-se entre si.O RNA . afastando-as. e é chamado de endoplasma. é designado de RNA pré-mensageiro. Ao RNA sintetizado sofre um processamento ou maturação antes de abandonar o núcleo. o citosol tem consistência mais fluida. Esta enzima desfaz a dupla hélice. num processo idêntico àquele que faz os músculos movimentarem-se.polimerase. Uma grande parte das proteínas são completamente sintetizadas no citosol. Os fluxos de citosol são denominados como ciclose. tendo a consistência gelatinosa.polimerase liga o mRNA ao nucleótido uracila(U). Algumas porções do RNA transcrito. e esta restabelece as pontes de hidrogênio e a dupla hélice é reconstituída.íntrons -.é o nucleo do "bicho". e esta parte é chamada de ectoplasma. absorvendo e removendo os nutrientes da mesma de acordo com a necessidade da pessoa Síntese protéica Síntese protéica é um fenômeno relativamente rápido e muito complexo. ele produz ribossomos (rna empacotado) q faz a celula funcionar. Este processo tem duas fases: transcrição e a tradução. Mas nem todas as sequências da molécula do DNA codificam aminoácidos.

Após a intérfase. ligando-se assim ao códon de iniciação por complementaridade. que vem do interior do núcleo. as células crescem. podendo ser recicladas e por fim. podendo assim migrar para o citoplasma. na fase S ocorre a autoduplicação do DNA. constitui também a base de alguns processos de reprodução assexuada. Os tRNA que já se ligaram inicialmente. Durante a intérfase. O ribossomo avança três bases ao longo do mRNA no sentido 5' -> 3'. O ribossomo enconta o códon de finalização (UAA. E o GTP. UAG ou UGA) terminando o alongamento. S e G2. e é a segunda parte da síntese protéica e consiste apenas da leitura que o mRNA traz do núcleo. Ocorre no citoplasma. Os ribossomos.Não pertence ao fenômeno mitótico. onde vai ocorrer a tradução da mensagem. da qual representa uma seqüência de aminoácidos.Neste processo intervêm: mRNA. isto é. Esse processo ocorre durante o crescimento de um indivíduo e nos processos de regeneração.aminoácidos de uma proteína. transportando assim o tRNA o aminoácido metionina. O processo da tradução encerra com três etapas: iniciação. A subunidade maior liga-se à subunidade menor do ribossomo. O último tRNA abandona o ribossomo. Enzimas (responsáveis pelo controle das reações de síntese). se inicia o processo mitótico propriamente dito. Um 2º tRNA transporta um aminoácido específico de acordo com o códon. Cada célula filha contém exatamente o mesmo número de cromossomos da célula mãe. vão-se desprendendo do mRNA sucessivamente. alongamento e finalização A subunidade menor do ribossomo liga-se à extremidade 5' do mRNA. Subdivide-se em três fases: G1. Intérfase 7 . o material genético (DNA) se duplica. é o que fornece energia necessária para o processo Nas moléculas de tRNA apresentam-se cadeias de 75 a 80 ribonucleotídeos que funcionam como intérpretes da linguagem do mRNA e da linguagem das proteínas. formam-se novas organelas citoplasmáticas e a célula acumula energia para continuar o processo. que constituí a proteína. a síntese de proteínas. O tRNA (transferência). Estabelecese uma ligação peptídica entre o aminoácido recém-chegado e a metionina. as subunidades do ribossomo separam-se. esta desliza ao longo da molécua do mRNA até encontrar o códon de iniciação (AUG). o peptídeo é libertado Divisão Celular Mitose A mitose produz células filhas idênticas à célula-mãe. Fases da divisão celular na mitose Intérfase . como a bipartição ou cissiparidade e o brotamento. repetindo-se sempre o mesmo processo.

agora como novos cromossomos. Anáfase 8 . de modo a deixar livres as cromátides irmãs. é a fase mais propícia para estudos da morfologia dos cromossomos.Ou fase do meio. os centríolos dividem-se e dirigem-se para os pólos da célula. No final da metáfase. migram para o equador do fuso.Ou fase de cima. Dois lotes idênticos de cromátides irmãs. a carioteca e os nucléolos desintegram-se. Os cromossomos. presos às fibras do fuso.Ou fase anterior (fase da "mobilização" para a ação). Metáfase Anáfase . os centrômeros se duplicam e se partem longitudinalmente. é formado o fuso de divisão (fibras protéicas). Prófase Metáfase . devido ao enxurtamento das fibras do fuso. afastam-se e migram para os pólos. tornando-se visíveis. onde os cromossomos apresentam o máximo grau de condensação.A mitose está dividida em 4 fases: Prófase . plano médio da célula. puxados pelos respectivos centrômeros. Os cromossomos condensam-se.

Anáfase II .Os cromossomos condensam-se e os homólogos se juntam formando tétrades. Os dois cromossomos aproximam-se dos pólos e se agregam.O citoplasma se divide e formam-se duas células-filhas com n cromossomos cada uma. Terminadas a divisão do núcleo (cariocinese). é centrípeta.Ou fase do fim.Os cromossomos condensam-se e tornam-se visíveis. duas novas cariotecas são reconstituídas a partir das vesículas do retículo endoplasmático. os nucléolos reaparecem. Citocinese é a divisão do citoplasma no final da mitose.Telófase .Produz células-filhas com a metade dos cromossomos da célulamãe.Os cromossomos homólogos separam-se e migram para os pólos da célula.As tétrades se distribuem-se no equador da célula. Intercinese . Prófase II .Os cromossomos dispõem-se no equador das células. Essas células entram em intérfase e se preparam para uma nova divisão. as cromátides-irmãs se separam migrando para os pólos das células. Anáfase I . Metáfase I . Ocorre o inverso à Prófase: os cromossomos descondensam-se (tornando-se invisíveis). desaparecem as fibras de fuso.Os centrômeros dividem-se. forma-se o fuso de divisão. ocorre a distribuição dos organóides e a divisão do citoplasma (citosinese). que isola as duas células filhas. os centríolos duplicam e dirigem-se para os pólos da célula. 9 .Os centríolos se dividem e formam-se novos fusos de divisão nas duas células-filhas. ocorre na formação de gametas. a carioteca e os nucléolos se desintegram. Prófase I A prófase I é a fase mais longa e nela ocorrem os eventos mais importantes da meiose. Etapas da meiose:          Prófase I .O citoplasma se divide e os núcleos reconstituem-se nas quatro células-filhas. Telófase Meiose Divisão Reducional .Curto intervalo entre as duas etapas da divisão. Subdividem-se em cinco períodos:  Leptóteno . Metáfase II . Telófase II . Telófase I .

A autoduplicação do DNA ocorre na interfase.Os cromossomos homólogos iniciam a separação. ocorre de forma gradativa. RESPIRAÇÃO CELULAR. atuando como uma verdadeira usina de energia. formando tétrades. não comprometendo a vitalidade da célula. além da liberação de energia. que é utilizada para que possam ocorrer as diversas formas de trabalho celular. processo conhecido como permuta ou crossing-over. Essa quebra da molécula de glicose.    Zigóteno . produzindo gás carbônico e água.Os cromossomos migram para o equador da célula. podem ser observados os quiasmas. tais como carboidratos e lipídios.Os cromossomos homólogos juntam-se aos pares. Diplóteno . Diacinese . Nesse processo. Paquíteno . que evidenciam trocas de pedaços entre os homólogos. na prófase I os cromossomos estão duplicados em cromátides-irmãs. A respiração celular é um fenômeno que consiste basicamente no processo de extração de energia química acumulada nas moléculas de substâncias orgânicas diversas. EQUAÇÃO GERAL DA RESPIRAÇÃO CELULAR C6H12O6 + O2 → 6 CO2 + 6 H2O + energia Por essa equação é possível verificar que a molécula de glicose (C6H12O6) é degradada de maneira a originar substâncias relativamente mais simples (CO2 e H2O). entretanto.Os cromossomos tornam-se mais curtos e espessos. verifica-se a oxidação de compostos orgânicos de alto teor energético. A organela citoplasmática responsável por este mecanismo de respiração é a mitocôndria. 10 .

com auxílio da clorofila. ciclo de Krebs (na matriz mitocondrial) e a cadeia respiratória (nas cristas mitocondriais). HISTOLOGIA O que é A histologia é a ciência que estuda os tecidos do corpo humano. sobretudo nos dias de frio. como a água e o dióxido de carbono (CO2).o CO2 é retirado do ar atmosférico pelas folhas através dos estômatos . Equação Geral da Fotossíntese 12 H20 + 6 CO2 -----> C6H12O6 + 6 H20 +6 O2 . FOTOSSÍNTESE A fotossíntese é o processo através do qual ocorre a produção de compostos orgânicos (carboidratos) a partir de compostos inorgânicos. a respiração ocorre em três fases: a glicólise (no hialoplasma). 11 . Na respiração.a energia luminosa é transformada em energia química.Através do processo aeróbio. Essa produção de calor contribui para a manutenção de uma temperatura corpórea em níveis compatíveis com a vida. grande parte da energia química liberada durante oxidação do material orgânico se transforma em calor.a água é absorvida do solo pelas raízes . compensando o calor que normalmente um organismo cede para o ambiente. utilizando a energia luminosa em presença de clorofila. Os tecidos são formados por grupos de células de forma e função semelhantes.

circulatório. elásticas e reticulares). linfático. Ele se encontra recobrindo o corpo externamente (epiderme e córnea) e a superfície interna dos órgãos ocos como o estômago. O tecido conjuntivo possui espaço entre as células. substâncias químicas e agressões físicas. realizar a manutenção postural e a produção de calor. respiratório. etc). chamadas neuroglias. pâncreas. é ricamente vascularizado. Assim como ocorre no tecido muscular. Além disso. possui também o líquido intersticial (local de onde as células retiram seus nutrientes e depositam os seus resíduos). os sistemas são a união de vários órgãos (sistema nervoso. pulmão. nariz. etc. tecido muscular e tecido nervoso. ele é o responsável pela formação de glândulas (fígado. este tecido possui uma importantíssima: unir e separar órgãos ao mesmo tempo. Sua função é permitir o movimento. tegumentar. tecido conjuntivo. ausência de vascularização e grande capacidade de renovação celular. os órgãos são a junção de vários tecidos que realizam uma determinada função.De forma simples podemos entender que a célula é a unidade fundamental do corpo. etc) e que a união de todos os sistemas formam o organismo. O tecido epitelial apresenta como características: ausência de espaço entre as células. este não possui renovação celular. Os tecidos de nosso corpo podem ser classificados em tecido epitelial. obrigatoriamente. um tecido conjuntivo. possui baixa renovação celular e material intersticial (fibras colágenas. Sua função principal é proteger o corpo contra a penetração de microorganismos. os tecidos são a associação de várias células semelhantes. bexiga. glândulas salivares. útero. Abaixo de todo tecido epitelial. Entre suas várias funções. esquelético. boca. Ao contrário dos tecidos citados acima. O tecido muscular possui células especializadas para a contração. ouvido. ECOLOGIA 12 . O tecido nervoso é formado por células nervosas (neurônios) e também por células protetoras e de sustentação. este é formado por células que não se renovam. deve haver.

Fatores abióticos: substâncias inorgânicas . chamam-se fatores bióticos todos os elementos causados pelos organismos em um ecossistema que condicionam as populações que o formam. o vento. fluxo de energia. 4 Ecossistema é o conjunto formado por todas as comunidades que vivem e interagem em determinada região e pelos fatores abióticos que atuam sobre essas comunidades 5 Fatores Bióticos Biótico (bio = vida) Em ecologia. derivadas de aspectos físicos. Fatores Abióticos 6 Abiótico ( A =não. Fatores bióticos: produtores macroconsumidores microconsumidores. Uma comunidade pode ter seus limites definidos de acordo com características que signifiquem algo para nós.ciclos dos materiais compostos orgânicos . bio = vida) Em ecologia. químicos ou físico-químicos do meio ambiente. a existência de uma espécie em número suficiente para assegurar a alimentação de outra condiciona a existência e a saúde desta última. num espaço de tempo definido 3 Comunidade ou biocenose: conjunto de espécies diferentes que sofrem interferência umas nas outras. Por exemplo. as comunidades possuem estrutura trófica. tais como a predação. 2 População: grupo de indivíduos de mesma espécie Genericamente. a temperatura. entre outros componentes e propriedades. Muitos dos fatores bióticos podem traduzir-se nas relações ecológicas que se podem observar num ecossistema.ligam o biótico-abiótico regime climático temperatura luz pH oxigênio e outros gases humidade solo 7 Comunidade clímax 13 . Por exemplo.1 Espécie: é o conjunto de indivíduos altamente semelhantes. Mas ela também pode ser definida a partir da perspectiva de um determinado organismo da comunidade. tais como a luz. denominam-se fatores abióticos todas as influências que os seres vivos possam receber em um ecossistema. uma população é o conjunto de pessoas ou organismos de uma mesma espécie que habitam uma determinada área. etc. investigadores humanos. processos de sucessão. que na natureza são capazes de intercruzarem. o parasitismo ou a competição. produzindo descendentes férteis. diversidade de espécies.

onde cada espécie se alimenta em vários níveis hierárquicos diferentes e produz uma complexa teia de interações alimentares. 8 Equilíbrio ecológico Quando falamos em equilíbrio ecológico. (2) População na qual as freqüências de genes estão em equilíbrio. estamos falando sobre uma relação estabelecida entre os organismos e que são vitais para a manutenção dessa espécies. geralmente representado como um diagrama das relações tróficas (alimentares) entre os diversos organismos ou espécies de um ecossistema[1]. mas uma teia alimentar pode ter vários produtores. apresentam situações mais perto da realidade.Comunidade clímax é a comunidade (ou biocenose) que possui a capacidade de perdurar indefinidamente enquanto perdurarem as condições ambientais nas quais se originou. o transporte de matéria e energia. Um exemplo é a floresta da Amazônia: nela a produção de biomassa. taxa respiratória. (3) O equilíbrio ecológico é um requisito para a manutenção da qualidade e das características essenciais do ecossistema ou de determinado meio. a destruição do equilíbrio ecológico causa a extinção de espécies e coloca em risco os processos ecológicos essenciais. a produtividade líquida tende a zero. Quando falamos em equilíbrio ecológico de populações. Equilíbrio de fluxo de energia em um ecossistema. através do fenômeno de sucessão ecológica. uma centralidade e presença marcantes na vida cotidiana. (4) Equilíbrio da natureza. Numa comunidade clímax a biodiversidade permanece constante. em anos recentes. As teias alimentares. em nossa sociedade. pois tudo o que é produzido é consumido. remetemos aos seguintes aspectos: (1) População de tamanho estável na qual as taxas de mortalidade e emigração são compensadas pela taxa de natalidade e imigração. Todas as cadeias alimentares começam com um único organismo produtor. que logo atinge novamente o estado de equilíbrio. nichos ecológicos e biodiversidade é máxima. em comparação com as cadeias. mas como estado dinâmico no amplo contexto das relações entre os vários seres que compõem o meio. estado em que as populações relativas das diferentes espécies permanecem constantes. o equilíbrio ecológico tem um caráter dinâmico pois é submetido às relações constantes entre os seres vivos de uma comunidade e entre as comunidades ecossistemas. 5. assim como na cadeia. podendo haver pequenas alterações na composição da comunidade. A extinção de determinada espécie ou população pode acabar afetando o equilíbrio ecológico existente em uma comunidade. assumiu.2 DESAFIOS ECOLOGIOCOS O problema ecológico. O equilíbrio ecológico supõe mecanismos de auto-regulação ou retroalimentação nos ecossistemas. A complexidade de teias alimentares limita o número de níveis hierárquicos. 9 Teia ou rede alimentar é um conjunto de cadeias alimentares ligadas entre si. como as relações tróficas. 14 . Não deve ser entendido como situação estática.

Habita o concreto de nossas vidas. a cultura do tempo. estão se referindo. exaustivamente utilizada na bibliografia especializada. no sentido de valorização da vida. Somos parte de uma espécie que é . Dificilmente vivemos. como também os principais obstáculos e desafios a seu avanço. assim como as subjetividades individual e coletiva. Expressa a compreensão de que a presente crise ecológica articula fenômenos naturais e sociais e. quando setores da sociedade ocidental industrializada passam a expressar reação aos impactos destrutivos produzidos pelo desenvolvimento tecnocientífico e urbano industrial sobre o ambiente natural e construído. salvadora e destruidora. Busca-se compreender as possibilidades e os limites de transformar a consciência e os comportamentos individuais e sociais. ou o usaremos contra nós. sem uma preocupação [fim da página 139] da maioria dos autores de precisarem a que. solidária e egoísta. perigo e oportunidade. Isto porque entende que a degradação ambiental é. de anos recentes. conseqüência de 15 . 1995). Representa o despertar de uma compreensão e sensibilidade novas da degradação do meio ambiente e das conseqüências desse processo para a qualidade da vida humana e para o futuro da espécie como um todo. mais que isso. culturais. das relações sociais e destas com a natureza. simultaneamente. numa atitude resignada e conformista? Como na tradição chinesa. sua origem histórica . exatamente.material e simbólica . na verdade. simultaneamente. sem registrar uma referência à esta realidade e seus efeitos abrangentes. ambientais. Os motivos que conduziram à presente análise são questionamentos que refletem a crise sócio-ambiental contemporânea. Busca compreender o significado dessa noção.os fatores sociais. tardiamente ? Saberemos nos organizar em defesa da vida e de sua qualidade ou nos adaptaremos à sua degradação. Qual sua opção? DEFININDO O FENÔMENO DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Consciência ecológica é uma expressão. um dia sequer. econômicos e políticos que a impulsionaram. A noção focalizada se contextualiza. As marcas do tempo mostram sinais contraditórios. Quem vencerá essa luta? Saberemos compreender a crise em que estamos envolvidos e pôr em prática respostas sensatas e viáveis ou esperaremos o impasse e o desastre para agir? Trabalharemos preventivamente. sapiens (inteligente) e demens (demente) (Boff. no período pós Segunda Guerra Mundial. o ideograma que representa a idéia de crise significa. Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre o fenômeno da consciência ecológica. privilegia as razões político-sociais da crise relativamente aos motivos biológicos e/ou técnicos. usando o tempo a nosso favor. historicamente.

com relação aos 'verdadeiros' temas políticos. de organização político-social e de desenvolvimento econômico. também. Isto implica no estabelecimento de um determinado padrão tecnológico e de uso dos recursos naturais. como deve produzir e como será distribuído o produto social. uma nova forma de ver e compreender as relações entre os homens e destes com seu ambiente. antropocêntrica e utilitária que. associados a uma forma específica de organização do trabalho e de apropriação das riquezas socialmente produzidas. já que ela critica e rejeita. quanto os princípios do crescimento e do desenvolvimento que propulsam a civilização tecnocrática. portanto. de constatar a indivisibilidade entre sociedade e natureza e de perceber a indispensabilidade desta para a vida humana. em última instância. 1995.) a consciência ecológica é historicamente uma maneira radicalmente nova de apresentar os problemas de insalubridade. A solução para tais problemas. desencadeia e materializa ações e sentimentos que atingem. historicamente. principalmente. os impactos ecológicos e os desequilíbrios sobre os ciclos biogeoquímicos são decorrentes de decisões políticas e econômicas previamente tomadas. para a busca de um novo relacionamento com os ecossistemas naturais que ultrapasse a perspectiva individualista. Aponta. esta tendência se torna um projeto político global . dentre os quais aqueles em posição hegemônica decidem os rumos sociais e os impõe ao restante da sociedade. 1975). Essa consciência ecológica. Comporta. Mansholt. Para Morin. Significa. dada sua capacidade de elaborar comportamentos e inspirar valores e sentimentos relacionados com o tema. como compreensão intelectual de uma realidade." (Morin. exige mudanças nas estruturas de poder e de produção e não medidas superficiais e paliativas sobre seus efeitos. Isso quer dizer que a consciência ecológica não se esgota enquanto idéia ou teoria. as relações sociais e as relações dos homens com a natureza abrangente. até então julgados excêntricos. tanto os fundamentos do humanismo ocidental. que estabelece prioridades e define o que a sociedade deve produzir. um dos autores que mais avança no esforço de definir o fenômeno: [fim da página 140] "(. interesses divergentes entre os vários grupos sociais. Assim. tem caracterizado a cultura e civilização modernas ocidentais..um modelo. Morin. nocividade e de poluição. que se manifesta.(Leis.. 1992. 1975) 16 . ainda. por conseguinte. Unger. 1992. Boff. 1973.

Parte do pressuposto de que os problemas do desenvolvimento e do meio ambiente não podem ser tratados separadamente. com a adesão. gradualmente. que transita de uma forma bissetorial preservacionista para um multissetorialismo orientado para o desenvolvimento sustentável. políticas. são oficialmente apresentados através do Relatório Bruntland. assim. ainda. Viola & Leis (1995) analisam. tem com ponto de partida a crítica do modelo de desenvolvimento econômico das nações industriais. e dos demais movimentos sociais e religiosos. sem comprometer a capacidade de as gerações futuras também atenderem as suas. ao defender uma abordagem multidimensional do desenvolvimento que integra à econômica as dimensões ecológicas. PNUMA) da iniciativa privada. elaborada por Ignacy Sachs e colaboradores. a partir de uma base finita de recursos naturais. A proposta inspirada na noção de ecodesenvolvimento. Uma das críticas centrais a esse modelo dominante é a contradição existente entre uma proposta de desenvolvimento ilimitado. esse processo de desenvolvimento do ambientalismo mundial e nacional. não-governamentais e internacionais (ONU. culturais. algumas referências preliminares que indicam o significado aqui atribuído à expressão consciência ecológica. oportunamente. até os dias atuais. e atenta para a necessidade de conciliá-los. dos meios de comunicação de massa. na etapa seguinte.CNUMAD . produzido pela Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento . BIRD. Para tanto apresenta uma nova concepção de desenvolvimento que conjuga viabilidade econômica. a longo prazo. éticas e sociais e ao introduzir nesse debate os problemas da pobreza e da desigualdade social (Lima. prudência ecológica e justiça social. através do trabalho persistente de setores da comunidade científica. da militância dos movimentos ambientalistas. A EMERGÊNCIA DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Historicamente. pacifistas e da contracultura numa primeira fase. todas elas evidenciando a insustentabilidade do modelo. Esta contradição tem sido analisada por diversas perspectivas. O conceito e a proposta de desenvolvimento sustentável.Sinaliza-se. 17 . Esta conscientização cresceu. Segundo o Relatório Bruntland o desenvolvimento sustentável é definido [fim da página 141] como aquele que atende às necessidades do presente. considerado esgotado em princípios da década de 70. podemos considerar os anos do Pós Guerra como o marco inicial do processo de conscientização social da destrutividade do sistema tecnocientífico humano. 1997). Inova.e publicado em 1987. da atuação de órgãos governamentais. e da ameaça potencial desse sistema para a continuidade da própria vida no planeta.

ecossocialistas. Essa despolitização implica numa leitura alienada do problema. cultural e social que lhe dá sustentação (Mansholt. a saber: a daqueles interessados na transformação das relações entre a sociedade e a natureza . Percebe-se assim. ocupados nos meios de comunicação. um duelo de forças favoráveis e desfavoráveis à expansão da consciência ecológica. ampliam o leque de suas possíveis abordagens e discutem propostas transdisciplinares. Pode-se. Herculano. 1992. porque já detectou na opinião pública e consumidora o interesse por esta nova tendência. ainda. Novos e crescentes espaços são. Cresce o número de publicações ou de seções ecológicas em jornais.e a daqueles interessados na conservação da sociedade capitalista industrial. no exterior e no Brasil. de modo sucinto. De modo análogo. fundamentalistas. o setor privado tem se preocupado em introduzir em seus produtos e estratégias mercadológicas o "apelo verde". tal como se configura no momento. Entre as décadas de 70 e 80. [fim da página 142] político. igualmente. devido à banalização e mercantilização excessiva da temática e à despolitização do problema. organismos plurinacionais e partidos políticos envolvidos com a questão ambiental. 1995). Também nos movimentos da sociedade civil. simultaneamente. tornou-se freqüente a criação de secretarias. desde esferas municipais até o nível internacional. As Universidades. Morin & Kern. como se fora um ingrediente indispensável dos novos tempos.embora orientados por diversas propostas ecoanarquistas. e naqueles de caráter religioso. apesar da dificuldade em superar suas barreiras disciplinares. desperta para realidades até então esquecidas. mesmo que de maneira enganadora e superficial. revistas e demais meios. 1973. que observa a crise ambiental sem enxergar suas causas profundas e sem questionar o modelo de desenvolvimento econômico. defendendo apenas pequenos ajustes técnicos e demográficos. Diria até que estes últimos estão interessados em "mudar" para que tudo permaneça como está. introduzem o debate ambiental. Negativas. Positivas no sentido que difunde informações sobre problemas sócio-ambientais. influencia comportamentos. se materializam hoje na grande expansão de agências governamentais voltadas para o ambiental. nas artes e no meio científico. Negativas na medida em que favorece o modismo. agências especializadas. alternativistas entre outras (2) . a abordagem superficial e acrítica de problemas que exigem reflexão profunda e análise pluridimensional. 18 . assim como para novas possibilidades de ampliação da cidadania.As repercussões desse avanço da consciência ecológica. no panorama mundial e brasileiro atuais. conseqüências positivas e negativas. De modo resumido podemos formular esse conflito em torno de duas categorias básicas. ministérios. avaliar que essa cultura ecológica em expansão traz. no meio social. a preocupação ecológica se faz presente.

uma certa leitura reducionista da consciência ecológica. a pobreza de largos contingentes populacionais e o baixo nível educacional e de cidadania dessas mesmas populações. Entre tais requisitos pode-se destacar: a [fim da página 143] necessidade de volumes sempre crescentes de investimentos (para manter taxas constantes de crescimento). o processo de conscientização da crise ambiental e a deflagração de ações para combatê-la. e materializadas num sistema produtivo e tecnocientífico orientado para tais fins. condicionam comportamentos imediatistas. Entre esses fatores podem ser elencados: os interesses político-econômicos dos grupos socialmente hegemônicos.OS OBSTÁCULOS À CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Conforme indicamos. com impactos perversos sobre a vida humana . e 19 . individualistas e predatórios . Essas características pressupõe um consumo crescente de recursos naturais e energéticos. A realidade tem. a perspectiva de tempo econômico pautado no curto e curtíssimo prazos . divorciado de quaisquer considerações éticas.em especial da força de trabalho que torna tal sistema possível . seguidamente.e sobre o meio ambiente (Cavalcanti. tal análise conclui pela completa incompatibilidade entre esses dois ritmos. enfrenta um conjunto de fenômenos que funcionam como obstáculos à seu crescimento e realização. Os requisitos inerentes ao sucesso da empresa capitalista encerram incompatibilidades flagrantes com as propostas de preservação da vida. demonstrado que os interesses da acumulação de capital se colocam como os principais responsáveis pela presente crise ambiental. os objetivos centrais visando o crescimento ilimitado e lucros imediatos. o consumismo. competitividade e lucratividade. Ilustra esse processo a análise comparativa de Stahel entre a aceleração do tempo econômico e a estabilidade do tempo biofísico no contexto do capitalismo. expressas na incessante busca de produtividade. À luz da lei da entropia. um comportamento consumista por parte dos compradores e um estímulo obsessivo na busca do ganho rápido e fácil. 1995). OS INTERESSES POLÍTICOS E ECONÔMICOS DOMINANTES As exigências da racionalidade capitalista.por parte dos grandes grupos empresariais e pela própria ação governamental .e.já que a rentabilidade depende da maior rotatividade do capital . o tipo de ética predominante na sociedade capitalista industrial.que se refletem negativamente sobre o ambiente natural concreto e sobre a cultura ambiental simbólica. Essa conjugação de características e objetivos resulta numa equação insustentável.

1992).1995). caracterizado pelo individualismo. 1992.corrente que vê na crise ambiental o resultado de problemas demográficos e tecnológicos de fácil ajustamento. O CONSUMISMO E O MEIO AMBIENTE O consumismo é outra característica da sociedade contemporânea que produz impactos preocupantes sobre o ambiente natural e construído. Esse modelo ético. entre outros fins. que contradizem as propostas práticas. em uma relação de sujeição sem limites. Deixa de ter leis e necessidades próprias. por outro lado. se faz presente a proposta de subjugar a natureza. Portanto. serve. desmistifica a doutrina desenvolvimentista que. possuí-la e escravizá-la para extrair seus segredos (Boff. Nesta concepção a natureza existe e é valorada. À exceção de partidários do que se convencionou nomear de ecocapitalismo . 1995). Herculano.todos os demais matizes do ambientalismo [fim da página 144] tecem algum tipo de crítica ao padrão ético acima referido ( Leis. antropocentrismo e pelo utilitarismo. exclusivamente. segundo ele. para serví-lo e ser por ele dominada. para explorar os povos da periferia. A ÉTICA NO CAPITALISMO INDUSTRIAL O paradigma ético predominante na sociedade industrial se coloca como um forte obstáculo ao avanço da consciência e ação ecológicas. não demandando reformas profundas do modelo convencional de desenvolvimento capitalista . na medida em que atua como referência de comportamentos e ações individuais e sociais. em seu O Mito do Desenvolvimento Econômico. em propostas variadas de reformulá-las. 1996). entre outros Descartes e Francis Bacon. legitimar a destruição de culturas e do meio físico e para justificar o caráter predatório do sistema produtivo por ela orientada (Furtado. Essa rede tecida com traços utilitários. estritamente. justamente.1992. Furtado. 1995). A sociedade capitalista industrial criou o mito do consumo 20 . é antagonizado por amplos setores do pensamento ambientalista que.identifica nesse descompasso a origem da crise ambiental e da insustentabilidade do modelo de desenvolvimento capitalista (Stahel. passando a subordinar-se. Unger. da natureza à sociedade humana. Boff nos lembra que. teóricas e éticas de sustentabilidade socioambiental. apoiam seu pensamento e ação na crítica a estas tendências e. aos desígnios humanos (Grün. Sung. já entre os pais da modernidade ocidental. 1996. em função do homem. os imperativos da razão capitalista e os meios técnicos construídos para sua realização orientam ações e representações auto-legitimadoras. individualistas e antropocêntricos condiciona comportamentos e legitimações marcados pelo domínio e exploração do ambiente físico.

O mercado e as mercadorias não são destinados a satisfazer toda e qualquer necessidade das pessoas. por exemplo. se transformando em medida para valorizar os indivíduos e fonte de prestígio social. que a teoria econômica. portanto. agrava os problemas de geração e 21 . Gorz. Tal tendência conduz. mas não foi programado para perceber e responder a necessidades e problemas sociais. diariamente.conhecidas como culturas de pobre. legitimidade ou pela racionalidade das necessidades atendidas (Galbraith. grosso modo. também. evidentes as conseqüências do consumismo sobre o meio ambiente e sobre a qualidade da vida social. Fromm. ao desperdício no uso de recursos naturais e energéticos e. Buarque. mas sim dos consumidores. o Brasil investir na exportação de soja para alimentar o rebanho animal europeu. tornando-se um fim em si mesmo. acumulação e investimentos crescentes.não são atendidos com investimentos de pesquisa. para indicar os caminhos da maior rentabilidade econômica. Para a lógica capitalista de produção o principal objetivo é atender ao consumidor e estimular necessidades artificiais que promovam uma maior rotatividade e acumulação do capital investido. A capacidade aquisitiva vai. historicamente. São. por um lado. pelo estímulo do sistema de valores e prestígio social. enquanto grandes contingentes da população brasileira não tem feijão para comer e os produtos alimentares básicos . 1987. para sua sobrevivência. por outro. É por esse motivo que assistimos.como sinônimo de bem-estar e meta prioritária do processo civilizatório. 1990. Observa-se. nesta lógica as categorias de consumidor e indivíduo/cidadão são diferentes. Os economistas. se atinham à satisfação dos consumidores sem se perguntar pela relevância. seja por processos de competição entre consumidores. gradualmente. defendeu o crescimento do sistema de produção/ consumo de forma completamente desvinculada de considerações éticas entre meios e fins. 1990). freqüentemente. 1979). A ânsia de adquirir e acumular bens deixa de ser um meio para a realização da vida. Naturalmente. ao crescimento simultâneo do mercado de rações animais e do número de menores abandonados nas ruas. [fim da página 145] A natureza intrínseca do capitalismo exige. assim. seja através da publicidade e marketing. 1968. Isto porque o mercado no capitalismo é um eficiente instrumento para alocar recursos. capaz de comprar mercadorias. como mandioca e feijão . o que inevitavelmente aponta para a estimulação do sistema de produção/consumo. Assistimos. O sistema de produção que satisfaz as necessidades dos consumidores é o mesmo que as cria. justiça. Consumidor é toda pessoa dotada de poder aquisitivo. o símbolo da felicidade capitalista (Buarque.

São leituras reducionistas que se apresentam: a) reduzindo a complexidade da crise ecológica a um problema estritamente ecológico. retira da consciência ecológica uma de suas características centrais. REDUCIONISMO E CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Trata-se. A primeira delas. e não o contrário como pretende a redução tecnicista. a proliferação de supérfluos e a obsolescência planejada. incorrer numa simplificação excessiva. Ambas as colocações são limitadas e enganadoras. tanto das relações sociais em si quanto das relações entre sociedade e natureza. Do ponto de vista cultural e econômico. políticos. Representa. data de publicação do Relatório Bruntland. sobretudo a partir de 1987. A mesma crítica pode ser estendida ao economicismo. Ou seja. Menosprezar essa capacidade articuladora significa perder a oportunidade de experimentar uma visão sistêmica da realidade. que vê a vida e a questão ambiental como um campo relacional. RENDA. uma dimensão técnica. entre outras. Está claro que a questão ambiental tem. que comporta decisões políticas e econômicas que condicionam toda a vida individual e social. que é a de unir realidades. mas esta é precedida e condicionada por razões políticas e econômicas. de criticar certas interpretações da problemática ambiental como reais entraves ao crescimento da consciência ecológica. expressa o tecnicismo e a excessiva simplificação que reduz a complexa [fim da página 146] multidimensionalidade da temática ambiental à unidimensionalidade técnica. desvinculado de outras considerações. A segunda redução. aprofunda os processos de alienação e exploração do trabalho e cria irracionalidades como a industria bélica.processamento de lixo. assim. CIDADANIA. um todo integrado onde todas as partes se comunicam entre si e com a totalidade. neste momento. fora de propósito a leitura que pretende encontrar no desenvolvimento tecnológico a solução de todos os problemas. EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Em anos recentes e. tratar um problema ambiental que é resultante de fatores econômicos. também bastante freqüente. no mínimo. um tipo de comportamento e de ideologia que alimenta o processo de degradação. culturais e ecológicos conjugados como um problema exclusivamente técnico é. Mostra-se. Desconsidera o fato de que a crise ambiental é produto de um modelo de organização geral da sociedade. articular e relacionar dimensões complementares que constituem um todo maior. e b) reduzindo o problema ecológico a um problema técnico. sociais. enfim. que propõe soluções exclusivamente econômicas como resposta à questões de maior complexidade. ganha força no debate ambiental a relação 22 .

trabalho. renda e cidadania. excessivamente. a base de recursos naturais. própria ao capitalismo. Confirmam. mais uma vez. Trata-se. 1986). figura a constatação básica de que os problemas do meio ambiente estão diretamente relacionados com os problemas da pobreza. que ao melhorar as condições gerais de vida de uma população .nos países política e sócio-economicamente mais desenvolvidos. de associar a politização da questão ambiental com o avanço da consciência e ação ecológicas. A realidade tem demonstrado que a ação e o nível de consciência ecológicas são mais presentes e desenvolvidos naqueles países com maior nível de informação. embora as grandes vítimas sejam sempre os mais pobres. Na verdade. entre si. essa constatação levou o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) a diagnosticar que as duas causas básicas da crise ambiental são o mau uso das riqueza e a pobreza. Ou seja. educação. Os pobres. em geral. muito antes do Relatório Bruntland já alertava para a desigualdade social como causa primária do mau desenvolvimento. Ignacy Sachs. informação. as mentalidades tenderão a avançar à medida que se perceba o ambiente como um direito político. pois. fato. sofre os efeitos do ambiente agredido. a maior incidência de organizações. os próprios recursos que deveriam garantir sua subsistência a longo prazo. um ciclo vicioso de gravidade crescente. para os mais pobres (CIMA. Significa que os mais pobres tendem a destruir. formulador do Ecodesenvolvimento. Raciocínio análogo desenvolvemos no tocante à relação entre cidadania e consciência ecológica. economista polonês. essa tendência. como vimos. ocultado pelos arautos do desenvolvimentismo. cria situações extremas [fim da página 147] e desfavoráveis à consciência e atitude ecológicos. toda a sociedade perde em sistemas muito desiguais (Sachs. onde os indivíduos conhecem e exercitam plenamente seus direitos e deveres sociais. Isto é. relacionado à qualidade de vida e ao usufruto de um patrimônio público comum. a importância da distribuição de renda como um instrumento democratizador.assim como movimentos de protesto e de consumidores contra produtos e processos agressivos à vida e aos direitos dos cidadãos . Segundo ele. tanto dos próprios homens como de seu ambiente. Evidencia-se. a opulência não é mais que a outra face da miséria e. no curto prazo. destróem os recursos naturais para sobreviver. pela própria situação de escassez em que vivem.tende a favorecer mudanças e atitudes de defesa da vida. Entre outras inovações introduzidas por este relatório. enquanto os ricos consomem e desperdiçam. e que ambos formam. 23 . deixando os custos.através do acesso à alimentação.entre pobreza social e degradação ambiental. partidos políticos e associações centradas na questão ambiental . Nesse sentido. educação. 1991). Isto porque. moradia e lazer . saúde. entre outros motivos. a pobreza ao mesmo tempo que contribui para a degradação ambiental. assim. também. a concentração de riqueza.

e) dialógica . a motivação social e a capacidade de organização para participar na solução dos problemas comunitários. f) multidimensional . Por outro lado. valores e mentalidades contrários à vida coletiva. parece difícil pensar uma educação de qualidade em sociedades onde a educação continua sendo um privilégio e não um direito prioritário. valores e padrões de comportamento. b) participativa . conservadora. Analistas e filósofos da educação preocupados com a questão ambiental têm desenvolvido propostas pedagógicas com características: a) democrática . sociais e culturais. 1995.que respeita e atua segundo o interesse da maioria dos cidadãos. de tendência monodisciplinar. para transformar o nível de consciência de um povo.fundada no diálogo entre todos os participantes do processo educativo e da sociedade circundante. [fim da página 148] c) crítica . acrítica e autoritária representa. Grün. renda e cidadania. 1996. observar que o processo de mudança de mentalidades e atitudes envolve um conjunto de estímulos econômicos. políticos.que busca a mudança de comportamentos. e que a definição de uma ordem de prioridades entre eles dependerá de cada configuração social específica. 24 . A educação é outro elemento chave no processo de mudança de mentalidades. Essa transformação exige uma conjugação de elementos.Dias. Reigota. 1977.que pauta sua compreensão dos fatos na integração dos diversos aspectos da realidade. são fatores necessários. que além dos citados inclui a qualidade da educação e da informação.1993).Reconhecemos que ambos os condicionantes. Isto significa dizer que uma educação convencional. hábitos e comportamentos. um obstáculo à mudança de consciência e atitudes. no sentido de uma sociedade sustentável.(Freire. d) transformadora . na verdade. 1996.UNESCO/UNEP.onde o cidadão faz parte da elaboração de respostas aos problemas vividos pela comunidade que integra.que exercita a capacidade de questionar e avaliar a realidade socioambiental. Deve-se. desintegrada da realidade comunitária e da participação social. onde a elite cultural importa dos centros industrializados não só conhecimentos técnicos mas concepções de desenvolvimento. ainda. mas não suficientes.

análises superficiais do tipo citado tendem a atribuir. de chamar muita atenção para uma espécie ameaçada de extinção e promover sua reprodução em cativeiro. É o caso de transferir para toda a sociedade as responsabilidades de um problema ambiental causado por um determinado grupo empresarial ou iniciativa governamental. de fato. explicam a origem dos problemas 25 . por exemplo. portanto.Merecem destaque. Além disso. despolitizador e invertido dessa realidade. que dão origem à crise atual. onde se decide o que. assim fazendo. de produzir mais bens necessários ou mais bens supérfluos. outros são assalariados. as responsabilidades dos danos ambientais à ação humana. Assim. desviam a atenção pública dos interesses políticos e econômicos que. quanto e como produzir.que engendra e condiciona toda a dinâmica produtiva . deixando de dizer que o homem vive em sociedades heterogêneas. A educação ambiental. completamente alheios à degradação que causam. Assim. ainda. O problema de inversão da realidade se observa na ênfase que certas vertentes de educação ambiental colocam na esfera do consumo destino do lixo. certas propostas de educação ambiental que tendem a banalizar o tratamento da questão ambiental com um enfoque superficial. Isso porque focaliza e dá excessiva atenção aos efeitos mais aparentes do problema. alguns são proprietários. os homens ocupam posições sociais diferentes. limpar a praia . porque desconsideram as causas políticas da questão ambiental. Concentra-se toda atenção em paliativos superficiais sem tocar nas reais causas que originam os problemas sócio-ambientais. formadas por grupos e classes sociais com poderes. outros excluídos. É o caso. estaremos invertendo e parcializando a realidade(3). ponto de origem de todo processo industrial. sem questionar suas causas profundas. da opção de usar embalagens renováveis ou descartáveis. outros governados. de modo genérico. criar ilhas de conservação fica parecendo a melhor solução para um problema com raízes mais profundas. sem perguntar e discutir os modelos de ocupação e exploração dos recursos naturais. outros consumidores. e se relacionam com a natureza e o ambiente diversamente. responsáveis pela destruição de ecossistemas inteiros para satisfazer interesses econômicos e políticos. atividades e interesses diferenciados. substituindo-as por motivos e soluções técnicas e.em detrimento da esfera da produção. Do contrário. por exemplo. exige uma compreensão mais global do sistema de produção/consumo e um enfoque que privilegie mais a esfera da produção (causa) . uns são produtores. uns incluídos.que a esfera do consumo (efeito). Alguns são governantes. É o caso. de escolher entre produtos com maior vida útil ou produtos que rapidamente se tornam obsoletos. As citadas propostas de educação ambiental também tornam-se despolitizadoras. reciclagem. Portanto a afirmação genérica de que "o homem" é o grande predador da natureza e do [fim da página 149] ambiente deve ser melhor qualificada. para evitar conclusões apressadas e enganosas.

Há. acabam predominando a descrença. Nesse sentido. individualista e dotada de baixos níveis de educação política. Por isso. atrofiando as possibilidades de participação. Todas as propostas de fortalecimento da sociedade civil. a inércia e o despreparo para a participação social. paternalista. Assim. em pesquisas sobre o tema. necessariamente. com sentido democrático. O indivíduo. a participação social cumpre o relevante papel de romper o distanciamento entre a ação individual e 26 . desde a Colônia. de uma forma onde a casa (a esfera privada) funciona e a rua (a esfera pública). Tais características sociais terminam produzindo nos indivíduos um conjunto de atitudes e sentimentos negativos. 1995). tende a perder a confiança e a crença de que sua atitude individual se transforme numa iniciativa coletiva e eficaz. Nesse contexto. nessas condições. onde a coisa pública é mais valorizada e próxima do cidadão (Da Matta. em materializar idéias e teorias em práticas cotidianas ecologicamente orientadas. Chamam atenção para os vícios herdados de uma sociedade historicamente autoritária. que tão bem se expressam no antigo divórcio entre o público e o privado no Brasil. que reconhecer-se que a consciência e o discurso ecológicos se expandiram mais rapidamente que os comportamentos e ações práticas. 1996). Diversos analistas das relações entre sociedade. Penteado. desde os anos 70 a consciência ecológica avançou bastante. a apatia.sócio-ambientais. diferentemente de outras nações. Reigota. embora. a identidade do brasileiro contém mais valores da vida privada que da vida pública. segundo ele. que os distancia da ação coletiva e da mobilização para resolver seus próprios problemas comunitários. 1995. educação e sustentabilidade enfatizam a impossibilidade de realizar transformações. Portanto. DESAFIOS À CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Vimos até aqui que. justamente. insere-se como ingrediente indispensável o exercício da participação social. Soma-se a isso o histórico descrédito nas autoridades e iniciativas públicas. 1994. em primeiro lugar. Guimarães. da cidadania e de melhoria da qualidade da vida social [fim da página 150] passam. não. 1996). ainda não o suficiente para conter o crescente ritmo de degradação socioambiental. meio ambiente. o primeiro desafio consiste. 1991. sem a promoção da participação social (Sorrentino. Da Matta. pelo desenvolvimento da participação social. observa com lucidez que a vida pública no Brasil foi construída. É por esse motivo que analistas mais críticos da questão pensam a educação ambiental como uma educação política com vistas ao exercício pleno da cidadania (Reigota.

a contribuição dos movimentos civis se revela como decisiva na reorganização de uma sociedade voltada aos interesses da maioria dos cidadãos e pautada em princípios democráticos. ecológicas. Conceber o ambiente como um patrimônio público comum e sua defesa como um direito político que amplia a compreensão e a prática da cidadania. Refiro-me à politização da questão ecológica. ora como problemas estritamente técnicos. desvinculados das relações políticas e econômicas. O desafio.e a eficiência alocativa a serviço de interesses privados. respectivamente. portanto. no contexto da globalização e do neoliberalismo. culturais. já percebida e praticada por diversos setores do ambientalismo. participativos.coletiva e de mostrar a possibilidade de transformar a realidade no sentido de valorização da vida do indivíduo consigo mesmo. a realidade tem demonstrado que são as próprias iniciativas estatal e privada os principais agentes responsáveis pela devastação sócio-ambiental. ora por uma ótica econômica estrita. Dentro dessa compreensão plural surge um outro desafio. ainda. Um outro ponto. pela própria natureza dos interesses que encarnam. Por outro lado. mas ingenuamente [fim da página 151] esquecida por setores tradicionais do conservacionismo e bastante manipulada pelos setores dominantes do ecocapitalismo. que pretendiam explicar os problemas ambientais. ora por um ponto de vista exclusivamente biológico ou técnico. facilmente ajustáveis através do desenvolvimento tecnológico. por parte do Estado. central nessa discussão. de sua importância e autonomia na relação com os conglomerados transnacionais. reside na necessidade de exercitar um enfoque multidimensional na análise e tratamento dos problemas ambientais. como uma alternativa frágil diante das três forças 27 . econômicas e filosóficas. a intervenção normativa e controladora do sistema social . Sem negar a importância da participação do Estado e do Mercado nesse processo. tratam os problemas ecológicos ora como problemas meramente biológicos. o que nos remete ao próximo ponto. Ademais. se coloca a questão do fortalecimento político da sociedade civil na construção da sustentabilidade social. de justiça social.orientada por interesses fortemente contraditórios . Isto para não perder a riqueza e maior fidedignidade de uma compreensão e análise pluricausal da realidade. que é o de priorizar e hierarquizar as diversas dimensões do real. embora a via da sociedade civil e da cidadania se apresente. consiste em tratar os problemas ecológicos como problemas políticos. com os outros e com o seu ambiente. Esse enfoque supera as abordagens anteriores de caráter unilateral e reducionista. que incorpora e articula dimensões políticas. assistimos à perda progressiva. Portanto. prudência ecológica e viabilidade econômica. Convergente com o desafio acima proposto. privilegiam. As outras opções lideradas pelo Estado e pelo mercado. Numa ou noutra versão.

dada a composição de poder presente no neoliberalismo e da conseqüente desorganização. A realização de tais mudanças vai. que vão exigir iniciativas proporcionais pautadas no diálogo.é a que representa a resposta mais legítima e sintonizada aos interesses e necessidades da maioria dos trabalhadores e a mais promissora. perplexidade e desmobilização da sociedade civil nesse quadro. São tarefas e desafios de magnitude. em especial nos países periféricos . cada vez mais. exigir a descoberta dos limites quantitativos e qualitativos do crescimento [fim da página 152] econômico.apresentadas . 28 . na direção dos meios científicos e técnicos. já que o Estado tende à atrofia e o mercado. a subordinação do avanço técnicocientífico a controles éticos. a reforma da ética do egoísmo no sentido da solidariedade e o despertar para a dependência ecossistêmica a que está sujeita a sociedade e vida humanas. que a mudança da consciência e da ação ecológicas encontra obstáculos objetivos e subjetivos poderosos. embora em posição hegemônica. Vimos. nos padrões de comportamento social e nos referenciais éticos que dirigem os rumos hegemônicos da sociedade capitalista globalizada. cuja superação exige profundas transformações no modelo de desenvolvimento sócio-econômico. na participação social e na luta por uma vida mais digna. dramáticos problemas sociais. cada vez mais. não responde aos crescentes e. pela análise precedente.

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