Milhões para Sul. De Washington a Estugarda, descendo para o Mediterrâneo e finalmente chegando à perferia do poder.

Estranhamente a primavera árabe resulta numa intervenção de fundo da OTAN no continente africano. De fundo porque parte de um comando militar criado pela OTAN para controlar o território africano, recentemente criado. Da mesma forma invulgar se começa no fim da primavera árabe (que também é norte africana), neste período de celebração da derrota do grande empecilho que foi o ditador líbio, neta hora se começa a ouvir um discurso virado para o Golfo da Guiné (a Ocidente do continente). Passado o discurso e acção sobre o Golfo de Aden (a Oriente do continente). Mas não há nada de novo aqui, á medida que no Sul da Europa o Diálogo Mediterrânico (1) se dava a conhecer na defesa da segurança do material que é transportado nesse espaço (65% do gás natural e petróleo que alimenta a Europa), crescia a atenção dada ao comando instalado na Itália, para mais tarde operações como o Leão Africano (em colaboração com Marrocos - esse velho companheiro americano e dos aliados) ou Expresso Fénix onde já os militares portugueses se juntam à festa com Marrocos, Tunísia, Algéria, Líbia,Itália, França, Estados Unidos, Malta, entre outros. Mas agora, que o Magrebe ainda está no caos (esperemos que não caminhe para uma anarquia iraquiana pós-aliados) já se move em nome do clássico combate ao terrorismo, ao narcotráfico, ao tráfico de armamento, à segurança ambiental; já se sente a OTAN no golfo da guiné (não fosse este um importante ponto de passagem de petróleo africano). Falamos agora de pirataria. Tal como se tinha falado no corno de África mas em menor escala . Claro está, que esta organização de defesa que se baseia na cooperação entre os seus membros, tem o seu membro central a apresentar uma proposta de dezenas de milhões de dólares a serem pagos por ano ao país que aceitar alojar o AFRICOM que já estava esboçado em 2007 ( o "frutífero" ano da cimeira Europa-África). Um valor que ultrapassa o orçamento anual de certos estados várias vezes. Um doce para uma arena de feras ou uma negociação e concertação de estratégia. Veremos. De que calibre serão feitos os líderes africanos no que passa por defender uma estratégia para a prosperidade e a paz no continente. Teremos continente ou protectorados atomizados? É que neste momento, o comando que está para nascer em África existe mas com sede em Estugarda, aguarda um voluntário periférico que aspire em espiral escalar para a semi-periferia do poder internacional. É engraçado, os candidatos são soberanos e defenderão os seus interesses como tal. Mas o engodo vem da mesma mão que outrora ficou conhecida por colonialista. O que não sabemos é se serão defendidos interesses apenas nacionais ou nacionais mas também continentais. Já eram esperadas as animosidades entre o Botswana e a África do Sul.haverá mais tensão entre estados? A questão de fundo (repito-a) é a seguinte: terão os líderes africanos uma estratégia continental á luz

da qual pesarão e discutirão a proposta, ou pelo contrário, andarão a correr atrás da cenoura, sem escolher o menu e esmagando-se uns aos outros? lideram ou subordinam-se á vontade dos césares contemporâneos? Alguém dirá que o continente não necessita de uma estratégia internacional comum, aliás reforçando o papel das organizações regionais. Mas o que se perde numa coesão continental? Não será essa a ambição do grande projecto de referência no que toca a integração política no século XX (a UE)? É a segunda guerra que a OTAN faz em África em menos de um ano. Não existe uma União Africana, várias uniões regionais, o que se expreme disto? o que decidem estas organizações? Porque não parte das mesmas a intervenção? Obama mano, o que queres afinal? e o povo do continente o que diz de todas estas decisões discutadas á porta fechada?

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