46 Amarante & Megguer. Ciência Rural, Santa Maria, v.38, n.1, p.

46-53, jan-fev, 2008 ISSN 0103-8478

Qualidade pós-colheita de frutos de butiá em função do estádio de maturação na colheita e do manejo da temperatura

Postharvest quality of jelly palm fruits as a result of maturity stage at harvest and temperature management

Cassandro Vidal Talamini do AmaranteI Clarice Aparecida MegguerII

RESUMO Este trabalho objetivou avaliar os efeitos do estádio de maturação na colheita, da temperatura de armazenamento e do tempo para o resfriamento na preservação da qualidade pós-colheita de frutos de butiá. Os frutos foram colhidos em três estádios de maturação (verde, verde-amarelo e amarelo) e armazenados a 0±2oC e 20±2oC. Frutos armazenados a 0±2oC apresentaram melhor retenção de firmeza, de cor verde da epiderme, de acidez total titulável (ATT) e de sólidos solúveis totais (SST), em relação àqueles armazenados a 20±2oC. Os benefícios da refrigeração na preservação pós-colheita foram maiores para frutos colhidos em estádio verde, apesar da sua qualidade inferior, caracterizada pelos altos valores de ATT e baixos valores de SST em relação aos colhidos nos estádios verde-amarelo e amarelo. Frutos armazenados a 0±2oC não apresentaram sintoma de injúria por frio. Durante todo o período de armazenamento, não foi possível observar a ocorrência de climatério respiratório. Não houve diferença significativa nas taxas respiratórias pós-colheita entre os estádios de maturação dos frutos na colheita. O incremento na temperatura de armazenamento de 0 a 30oC ocasionou um aumento significativo nas taxas respiratórias de 50,26 a 658,35 nmol CO2 kg-1 s-1, segundo um modelo sigmoidal, ou seja, um rápido incremento entre 0 a 10 oC, seguido de um aumento gradual, tendendo a um equilíbrio na temperatura de 30oC. Houve efeito positivo da imediata refrigeração dos frutos após a colheita na preservação da firmeza, da cor verde da epiderme e da ATT, mas não dos teores de SST. A alta perecibilidade de butiá requer o imediato resfriamento a 0oC, de frutos colhidos no estádio de maturação verde-amarelo, visando a preservar a sua qualidade pós-colheita. Palavras-chave: Butia eriospatha (Martius) Beccari, fisiologia pós-colheita, respiração, Q10, cadeia de frio, amadurecimento, conservação.
I

ABSTRACT This research was carried out to assess the effects of maturity stage at harvest, storage temperature, and cooling delay on postharvest quality preservation of jelly palm fruits. The fruits were harvested at three maturity stages (green, yellowgreen, and yellow) and stored at 0±2 oC and 20± 2 oC. Fruits stored at 0±2oC showed better retention of firmness, green color of the skin, total titratable acidity (TTA), and total soluble solids (TSS) than fruits stored at 20±2oC. Fruits harvested at the green maturity stage showed the best benefit from cold storage for postharvest preservation, despite of its poorest sensorial quality, characterized by the higher values of TTA and lower values of TSS than fruits harvested at yellow-green and yellow maturity stages. Fruits stored at 0±2oC did not show any symptom of chilling injury. Along the entire storage period, the fruits did not exhibit a climacteric respiratory pattern. Fruits harvested at different maturity stages did not show significant difference in terms of respiration rates. Thee increment of storage temperature from 0 to 30 o C significantly increased the respiration rates from 50.26 to 658.35nmol CO2 kg-1 s -1. This respiratory increase followed a sigmoid model, with a rapid increase between 0 and 10oC, and a more modest increase towards the temperature of 30oC. There was a positive effect of immediate cooling after harvest on fruit retention of firmness, skin green color, and TTA, but not on TSS. Since jelly palm fruit is highly perishable, it should be harvested at the yellow-green maturity stage and then immediately stored at 0oC to preserve its postharvest quality. Key words: Butia eriospatha (Martius) Beccari, postharvest physiology, respiration, Q10, cold chain, ripening, preservation.

Departamento de Fitotecnia, Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), CP 281, 88520-000, Lages, SC, Brasil. E-mail: amarante@cav.udesc.br. Autor para correspondência. II Programa de Pós-graduação em Agronomia, CAV/UDESC, Lages, SC, Brasil. E-mail: a6cam@cav.udesc.br.
Recebido para publicação 01.08.06 Aprovado em 14.04.07

Ciência Rural, v.38, n.1, jan-fev, 2008.

100mL) e armazenados em câmaras BOD nas temperaturas de 0±2oC e 20±2oC. com 90±5% UR. nos municípios de Barracão. ocorre de forma endêmica e natural. Japão). 2003. 2005). da mesma família botânica do butiá. Este trabalho objetivou avaliar os efeitos do estádio de maturação. frutos de ambas as espécies. têm despertado a atenção da população pelas suas características nutracêuticas e antimicrobianas (MARIATH et al. RS. Os teores de SST (oBrix) foram quantificados com o uso de refratômetro manual (Atago. Foram feitas avaliações de maturação e respiração dos frutos. em regiões com altitudes de 800-900m (REITZ. em Lages. verde-amarelo e amarelo. durante o período de armazenamento em ambas as temperaturas. nativa da América do Sul (HENDERSON et al. acondicionados em embalagens plásticas em pvc (1. da gueroba [Syagrus oleracea (Martius) Beccari] e do bacuri (Scheelea phalerata Mart. são desconhecidos a fisiologia e os efeitos do manejo da temperatura sobre o comportamento póscolheita de frutos de butiá.. acidez total titulável (ATT). a exemplo do buriti (Mauritia vinifera Mart). SILVEIRA et al. 1995). cor da epiderme e firmeza de polpa. e Lages. Frutos de espécies nativas do Brasil pertencentes à família Arecaceae.38. 3. No Brasil. apresentaram injúria por frio. 6. e avaliados após 0. v. da temperatura de armazenamento e do tempo para o resfriamento na preservação da qualidade pós-colheita de butiás. 1989. Para as avaliações de amadurecimento. No entanto. frutos climatéricos podem ser colhidos em estádios menos avançados de maturação. n. 1998). e imediatamente transportados para o Laboratório de Fisiologia Pós-Colheita do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A ATT (% de ácido cítrico). suculentos. A redução do tempo para o resfriamento e da temperatura. 20 e 25 dias de armazenamento a 0±2oC.1. MATERIAL E MÉTODOS Local de coleta dos frutos e de execução dos experimentos Os frutos foram colhidos de plantas nativas de Butia eriospatha (Martius) Beccari. TAVARES et al. e após 0. jan-fev. 10. Frutos denominados climatéricos apresentam produção autocatalítica de etileno e climatério respiratório. podendo ser consumidos in natura ou usados na elaboração de sucos. A planta produz frutos globosos. 1974). nos meses de fevereiro e março de 2005. principalmente de respiração e produção de etileno (KADER. vinhos e licores. Em buriti e gueroba. 2005). 3. através de titulometria de neutralização com NaOH (0. Dessa forma. até pH 8.. 47 INTRODUÇÃO Butia eriospatha (Martius) Beccari é uma espécie pertencente à família Arecaceae (=Palmae). os frutos foram acondicionados em embalagens contendo dez frutos. espécie nativa de regiões frias da região Sul do Brasil. através da determinação dos valores Ciência Rural. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. nos Estados do Paraná.. 2003. quando armazenados à temperatura de 8oC.1 N). HIANE et al.. A cor da epiderme foi quantificada pela utilização do colorímetro Minolta CR 400.9cm de diâmetro em média. 1995). ainda assim permitindo o seu amadurecimento pós-colheita (WILLS et al. SANTELLI (2005) constatou o padrão climatérico de maturação póscolheita dos frutos. 2008. 15.. devido principalmente às elevadas taxas de perda de água e susceptibilidade a injúria por frio quando armazenados em ambiente refrigerado (SANTELLI. Os frutos foram avaliados quanto aos teores de sólidos solúveis totais (SST). 2002). SC. e que apresenta potencial de exploração comercial visando ao consumo in natura. respectivamente.Qualidade pós-colheita de frutos de butiá em função do estádio de maturação na colheita e do manejo da temperatura. Experimento 1 Butiás foram colhidos na mesma data. duas espécies nativas no Brasil. A determinação do ponto ideal de colheita e das condições de manejo pós-colheita dos frutos depende diretamente da característica fisiológica de cada produto. associados ao estádio menos avançado de maturação na colheita. 1974). de 1. Frutos resfriados imediatamente após a colheita apresentam redução no metabolismo celular. porém de ocorrência em regiões tropicais. estudos realizados com os frutos dessas espécies demonstram limitações quanto a sua utilização para consumo in natura.). 6 e 10 dias de armazenamento a 20±2oC. cujo epicarpo torna-se amarelado na maturidade (HENDERSON et al. Frutos nãoclimatéricos não apresentam aumento na respiração e produção de etileno e não amadurecem após a colheita. de 25-75 e <25. Segundo esse mesmo autor... No entanto. visando à uma melhor preservação da sua qualidade durante o manuseio e armazenamento. promovem um efeito positivo na preservação da qualidade pós-colheita dos frutos. SC. nos estádios de maturação verde. com percentagens de coloração verde da superfície da epiderme >75. e continuam os processos de amadurecimento após a colheita. popularmente conhecida por butiá ou butiá-da-serra (REITZ.7 a 1. .2.

n. Porém.. com dez frutos. equipado com um metanador. 5. Durante todo o período de armazenamento. variando de 230kPa.1. visando a caracterizar os efeitos da temperatura de armazenamento sobre as taxas respiratórias. 10. RESULTADOS E DISCUSSÃO Experimento 1 Não houve diferença significativa nas taxas respiratórias entre os estádios de maturação dos frutos na colheita (Figura 1). 16 e 24 horas após a colheita. sendo que. v. 8. não foram mais observadas diferenças significativas entre estádios de maturação. na colheita e após 7. conforme descrito no experimento 1. com quatro repetições. segundo um fatorial 5 x 4 (tempos para o resfriamento x períodos de armazenamento). segundo um fatorial 3 x 2 (estádios de maturação x temperaturas de armazenamento). nos diferentes períodos de armazenamento. como resultado da degradação de clorofilas. a partir do sexto dia de armazenamento. cada repetição correspondendo a uma embalagem de frutos. O ho representa a variação na coloração de verde (ho = 180o) a amarela (ho = 90o). contendo 15 frutos. descrito por CALBO & NERY (1995). com quatro repetições. com cinco temperaturas e quatro repetições. e 90±5% UR).38. As amostras de 1cm3 foram extraídas com seringa hipodérmica graduada e injetadas em um cromatógrafo a gás Varian® (modelo CP 3800). não foi possível observar a ocorrência de climatério respiratório (Figura 1) No momento da colheita. Em todas as análises estatísticas foi adotado 5% de probabilidade de erro. mesmo após 25 dias de armazenamento. 1995). 30 e 300mL min-1. 14 e 21 dias de armazenamento. acondicionados em embalagens em pvc (1. 120. na colheita. Estes frutos foram armazenados em câmara BOD. nas temperaturas de 0.100mL). como era esperado. cada repetição correspondendo a uma embalagem contendo 15 frutos. As taxas respiratórias foram avaliadas em sistema fechado. do metanador e do injetor foram de 45. apresentavam ho de ~93o (Figura 2). As médias de tratamentos foram comparadas pelo teste de LSD. Experimento 3 Butiás foram colhidos em estádio de maturação verde-amarelo (25-75% de cor verde). respectivamente (Figura 2). O experimento seguiu um delineamento inteiramente casualizado. segundo metodologia descrita para o experimento 1. A refrigeração foi efetuada 0. no qual os frutos foram acondicionados em embalagens plásticas em pvc (1. 24 horas após estabilização nas diferentes temperaturas. contendo 15 frutos. Experimento 2 Butiás foram colhidos no estádio de maturação verde-amarelo (25-75% de cor verde). jan-fev.48 Amarante & Megguer. visando a avaliar os efeitos do tempo entre a colheita e o armazenamento refrigerado sobre a preservação da qualidade pós-colheita de butiá. As avaliações das taxas respiratórias foram feitas por cromatografia gasosa. detector de ionização de chama e coluna Porapaq N (80 a 100 mesh). 2008. selecionados e acondicionados em embalagens plásticas. No terceiro experimento. respectivamente. A determinação da firmeza de polpa foi realizada pelo método de aplanação. de 20oC para 0oC. Os frutos foram avaliados quanto à cor da epiderme. As taxas respiratórias (nmol CO2kg -1 s -1) foram calculadas e expressas segundo o sistema internacional de unidades (BANKS et al. os frutos colhidos nos estádios de maturação verde.100mL). do detector. houve efeito substancial da redução na temperatura. o efeito quantitativo do tempo de resfriamento na preservação da qualidade. e armazenados em câmaras BOD. 100-93º e 85º. Os fluxos de N2. foi avaliado através de contrastes ortogonais polinomiais. SST e ATT. Análise estatística dos dados Os dados coletados nos três experimentos foram submetidos à análise de variância. a redução dos valores de ho foi mais gradual. . cada repetição correspondendo a uma embalagem plástica contendo dez frutos. sendo que frutos colhidos no estádio verde. 4. O experimento seguiu um delineamento inteiramente casualizado. 300 e 110oC. verde-amarelo e amarelo apresentavam valores de ho da epiderme de 101o. respectivamente. a 0±2oC/90±5% de UR. antes da coleta das amostras gasosas. Na temperatura de 0oC. sobre as taxas respiratórias (Figura 1). 20 e 30ºC (temperaturas com variação de ±2ºC. A redução dos valores de h o foi mais acentuada para os frutos armazenados sob a temperatura de 20oC. para a quantificação das concentrações de CO2. de ângulo “hue” (ho). durante 30 minutos. As temperaturas do forno. com valores próximos a 80o (Figura 2). Ciência Rural. O experimento seguiu um delineamento inteiramente casualizado. H2 e ar utilizados foram de 70. firmeza de polpa. A redução da firmeza de polpa de butiás colhidos em estádio de maturação verde e armazenados a 0oC foi gradativa.

Para os valores de ATT. . em locais com altitudes de 800900m (REITZ. e armazenados sob as temperaturas de 0±2ºC e 20±2ºC (e UR de 90±5%). O mesmo não ocorre com buriti e gueroba. apresentavam firmeza de polpa de 80kPa no terceiro dia de armazenamento (Figura 2). além de promover uma redução na solubilidade do O2 no meio aquoso celular. 1974). 2004) e inferior à da amora-preta (119. espécies originárias de regiões tropicais. Isso pode ocasionar a estabilização no aumento das taxas respiratórias em temperaturas próximas de 30oC. a elevação da temperatura para valores próximos a 30 o C aumenta a demanda respiratória por O2. Considerando a temperatura de armazenamento de 0 oC. o butiá apresentou taxa respiratória (50. n. jan-fev.26nmol CO2kg-1 s-1) superior à da laranja (25. seguido de um aumento gradual. na temperatura de 20oC. na temperatura de 0oC houve redução de 30%. enquanto que. correspondentes à coloração verde da superfície da epiderme >75%. Como o butiá ocorre na região Sul do Brasil. nas quais o armazenamento dos frutos a 8oC ocasiona injúria por frio (SANTELLI. caracterizados por verões com temperaturas amenas e invernos frios. Os valores de SST apresentaram pequena alteração em frutos armazenados a 0oC (Figura 2) e redução em frutos armazenados a 20oC (Figura 2). mantidos a 20oC. RITENOUR. As barras verticais representam o erro padrão da média. tendendo a um equilíbrio na temperatura de 30oC (Figura 3). indicando um aumento potencial na qualidade sensorial. Experimento 2 Na avaliação do efeito da temperatura sobre as taxas respiratórias de butiá. foi observado um comportamento sigmoidal. Frutos de butiá colhidos nos diferentes estádios de maturação e armazenados a 0oC não manifestaram injúria por frio durante todo o período de armazenamento (de até 25 dias). independentemente do estádio de maturação. mesmo depois de removidos do frio e deixados durante um dia à temperatura ambiente (20±2oC). em mesma magnitude. como observado na figura 3. 2005). sem manifestar injúria por frio. que não é acompanhada de um aumento. aos seis dias de armazenamento (Figura 2). 2008. 49 Figura 1 . de 25-75% e <25%. Frutos deste estádio de maturação.95nmol CO2kg-1 s-1.38. para 80kPa. aos 25 dias de armazenamento (Figura 2).1. a redução foi de 50%. aos 25 dias de armazenamento.25nmol CO2kg-1 s-1. Butiás mantidos a 20oC apresentaram as maiores taxas respiratórias e permaneceram em condições de comercialização para consumo in natura até o terceiro dia.Taxas respiratórias em butiás colhidos nos estádios de maturação verde. 2004a) e à do morango (101. respectivamente. os frutos apresentam uma boa conservação quando armazenados a 0oC. enquanto frutos armazenados a 0oC apresentaram as menores taxas respiratórias e o período de preservação da qualidade foi de até 25 dias. Conforme descrevem TAIZ & ZEIGER (2003).Qualidade pós-colheita de frutos de butiá em função do estádio de maturação na colheita e do manejo da temperatura.01nmol CO2 kg-1 sCiência Rural. PERKINSVEAZIE. representado por um rápido incremento nas temperaturas entre 0oC e 10oC. v. verdeamarelo e amarelo. O avanço do estádio de maturação de frutos na colheita resultou em ligeira redução da ATT e aumento nos valores de SST (Figura 2). na taxa de difusão de O2 (através dos espaços intercelulares e do meio líquido citoplasmático) para as mitocôndrias.

Ciência Rural. Figura 2 . . v. jan-fev.38. Diferenças mínimas significativas entre estádios de maturação estão indicadas no interior da figura e foram calculadas pelo teste LSD. respectivamente.50 Amarante & Megguer.Coloração da epiderme (cor verde e ho).1. teores de sólidos solúveis totais (SST) e acidez total titulável (ATT) em butiás colhidos nos estádios de maturação verde. firmeza de polpa. n. 2008. verde-amarelo e amarelo e armazenados nas temperaturas de 0±2ºC e 20±2ºC (e UR de 90±5%). por um período de 25 e 10 dias.

1. 2004). PERKINSVEAZIE. PERKINS-VEAZIE. MITCHAM. PERKINS-VEAZIE. MITCHAM. portanto.0. jan-fev. PERKINS-VEAZIE..2. 2004) e inferior à da amora-preta (726. .5) foi similar aos observados em mirtilo (Q10=2. firmeza e ATT. O valor de Q10 obtido em butiá quando a temperatura variou de 10 para 20oC (Q10 = 2. 1998). RITENOUR. 2004). CRISOSTO & SMILANICK. o valor de Q10 de butiá foi de 1. após uma semana de armazenamento refrigerado. Os teores de sólidos solúveis totais não foram afetados pelo tempo para o resfriamento (Tabela 1).10nmol CO2kg-1 s-1. Os resultados obtidos demonstram que frutos de butiá apresentam elevados valores de Q10.0. e.48. n. 2004a). 2005) e mirtilo (Q10=3. 2008. 1995).71nmol CO2kg-1 s-1) superior à da laranja (160. Portanto. apesar de apresentar taxas respiratórias bastante elevadas. durante todo o período de armazenamento (Tabela 1). Os frutos refrigerados 24 horas após a colheita apresentaram as maiores perdas nesses atributos de qualidade pós-colheita (Tabela 1). com efeitos lineares para todos os períodos de armazenamento (Tabela 1). com valores de Q10 = 4. 2004) e amora-preta (Q10=1. respectivamente (MADRID. MITCHAM. necessitam de imediata refrigeração pós-colheita. o butiá apresentou taxa respiratória (536. como é o caso da amora-preta e do morango. MITCHAM. v.0. 2004) e morango (Q10=4. o valor de Q10 de butiá foi superior àqueles reportados para goiabas (Q10=3. Ciência Rural. Para esta faixa de temperatura. . Na temperatura de 20oC.5. Quando a temperatura variou de 0 para 10oC. a preservação da qualidade pós-colheita foi de até 35 e 25 dias. as taxas respiratórias dos frutos de butiá quadruplicaram. 1 Experimento 3 Frutos de butiá colhidos em estádio de maturação verde-amarelo e imediatamente refrigerados após a colheita apresentaram maior retenção na coloração da epiderme. 51 Figura 3 . quantificada aos 7 e 14 dias de armazenamento (Tabela 1). BRON et al. e similares àqueles reportados para uva de mesa (Q10=4.Qualidade pós-colheita de frutos de butiá em função do estádio de maturação na colheita e do manejo da temperatura.010. SST. 2004a) e à do morango (1. as suas taxas são menores do que aquelas reportadas para outras espécies de pequenos frutos.Taxa respiratória em butiás colhidos no estádio de maturação verde-amarelo. Já quando a temperatura variou de 20 para 30oC..01nmol CO2kg-1 s-1.9. Resultados semelhantes foram obtidos com morango.3 (Figura 3). mais um dia sob temperatura de 20oC (NUNES et al.2. 2004b).98nmol CO 2 kg -1 s -1. quando o retardo de seis horas no resfriamento após a colheita ocasionou uma redução substancial nos teores de ácido ascórbico. quantificada 24 horas após o armazenamento em diferentes temperaturas. 2004). 2004b) e superior àqueles observados em morango (Q10=2. comprovado pelo valor do Q10 (quociente de temperatura) (WILLS et al. O aumento na temperatura promove um aumento na respiração. A redução nos valores de ho da cor da epiderme (refletindo a mudança de coloração de verde para alaranjada) foi diretamente proporcional ao incremento no tempo para o resfriamento.. Frutos imediatamente refrigerados após a colheita apresentaram maior retenção de firmeza de polpa. firmeza de polpa e ATT (Tabela 1). 1998).38. Os valores de ATT mantiveram-se mais elevados para os frutos resfriados imediatamente após a colheita. Em bananas refrigeradas (14oC) 12 e 24 horas após a colheita.

17 89. v.15 * ns 4.7 * ns 42. e acidez total titulável (ATT) = 1.18 Firmeza (kPa) 7 dias 127. Ciência Rural.50 9.26 * ns 3.458-463. n.3).44 90.61 86. 2005.81 * ns 3.0 44. os frutos apresentavam valores médios de: ângulo hue (hº) = 94. sólidos solúveis totais (SST) = 9.47.5 101.80 21 dias 0 4 8 16 24 Linear Quadrático CV (%) 89. N. tendendo a um equilíbrio entre 20oC e 30oC (com valor de Q10=1.2 * ns 48. jan-fev. firmeza = 167.4 63. à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e à Prefeitura Municipal de Barracão. Scientia Agricola. v. p.81 0.25 9.58 87. Tempo para resfriamento (horas) 0 4 8 16 24 Linear Quadrático CV (%) Cor (hº) 91. v.H.06 0.72 * * 15. n. et al.18 89.71 0. BRON. CONCLUSÕES Frutos de butiá apresentaram comportamento respiratório não-climatérico.7 91.63 ns ns 8.62 0. REFERÊNCIAS BANKS.1 65. * = significativo a 5% de probabilidade de erro). 14 e 21 dias. seguido de um aumento gradual entre 10oC e 20oC (com valor de Q10=2.82 0.2).Efeitos do tempo para o resfriamento (horas) após a colheita na preservação da qualidade pós-colheita de butiás.57 0.46 0.66 0. .33 ns ns 11.60 0. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).1.62.94 88.00 8.80 9. Temperature-related changes in respiration and Q10 coefficient of guava.16 87. armazenados sob refrigeração (0±2oC/90±5% UR) durante 7.84 ATT (% ácido cítrico) 1.91 14 dias 0 4 8 16 24 Linear Quadrático CV (%) 90. pelo apoio técnico ao projeto.96 0.B.71 0.46 * ns 16.8 50. caracterizado por um rápido incremento entre 0oC e 10oC (com valor de Q10=4. et al.3 54.71% de ácido cítrico.0 62. Na colheita.75 ns ns 10. As taxas respiratórias de butiá apresentaram um comportamento sigmoidal com a elevação da temperatura.38.01 SST (ºBrix) 8.06 0.13 8. p.64 90.52 Amarante & Megguer.64 0. bem como à EMATER-Barracão.56 * ns 13.6 * ns 35. Proposal for a rationalized system of units for postharvest research in gas exchange. RS.6. 2008. Frutos colhidos em estádio de maturação verde-amarelo e imediatamente armazenados a 0oC apresentam melhor conservação da qualidade pós-colheita.5. pelo apoio financeiro a este projeto.2 55.1129-1131.63 8.74 8.39 Dados analisados através de contrastes ortogonais polinomiais (ns = não significativo.36 kPa.95 89. I.0 96.00 7.88 7.87 91.5).25 7.50 ºBrix. HortScience.4 78.25 7.00 9.3 85.31 76.32 86.88 7.30.50 8. Tabela 1 .91 107.08 89. 1995. n.68 0.

n. 3. In: GROSS. Dissertação (Mestrado em Botânica) – Curso de Pós-graduação em Botânica. et al. et al. In: REITZ.A.) Becc. PERKINS-VEAZIE. REITZ. J. C. composição em ácidos (Scheelea phalerata Alimentos.C. p. 720p. vegetables. p. The commercial storage of fruits. Field guide to the palms of the Americas. ARS: Agricultural Handbook. In: GROSS. vegetables.13. vegetables. 130p. Ciência e Tecnologia de p. A. et al. C. (Number 66). MADRID.3. Flora ilustrada Catarinense. Postharvest Biology and Technology.G. R. E. vegetables. and florist and nursery stocks. vegetables and ornamentals. v. 1974. p. In: KADER.1/2.513-513. 72f. P. and florist and nursery stocks. New York: CAB International. n.L. K. SC: Herbário Barbosa Rodrigues. Postharvest biology and technology: an overview. Orange. vegetables.15. P. Medida de firmeza em hortaliças pela técnica de aplanação.6. M.227232. v. M. M. The commercial storage of fruits. Division of Agriculture and Natural Resources. (Publication 3311). p. (Number 66). American Journal of Clinical Nutrition. Grape (table). jan-fev.A.H.. Universidade de Brasília. . et al.2. USDA. 2003. p.S. v. Blueberry. 130p.206-209. Ciência Rural.R. Cooling delays and their impact on green life of bananas.C. P.23. Atividade antimicrobiana dos frutos de Syagrus oleracea e Mauritia vinifera. 1995. and florist and nursery stocks.14-18. A. v. 130p.464. The commercial storage of fruits.H. ARS: Agricultural Handbook. Composição química e estudo anatômico dos frutos de buriti do Município de Buritizal. Revista do Instituto Adolfo Lutz. et al.J. 1995. Horticultura Brasileira. 2004a. ZEIGER. Strawberry. 189p. 2004b. 2005.ed. MARIATH. 2004. SMILANICK. Acta Horticulturae. et al. L. 3. 1998. In: GROSS. v. 2002. Davis: University of California. CRISOSTO.15-20. ARS: Agricultural Handbook. USDA. 2005.A. 1998. 130p. et al. Palmeiras.849-853. R. 2004. p. M. Porto Alegre: Artmed.C. n. 262p. A. New Jersey: Princeton University.38. (Number 66). HENDERSON. J.A. n. v. Postharvest: an introduction to the physiology and handling of fruit. E. e Mauritia vinifera Mart. SILVEIRA.). 4. 130p. ARS: Agricultural Handbook. Carotenóides pró-vitamínicos A e graxos do fruto e da farinha do bacuri Mart. Physical and chemical quality characteristics of strawberries after storage are reduced by a short delay to cooling.2. TAVARES. A. MITCHAM.C. et al. 1989.A. Fisiologia pós-colheita de frutos das palmeiras Syagrus oleracea (Mart. NUNES. KADER. 1995. TAIZ. P.N. The commercial storage of fruits. n. Itajaí. 53 PERKINS-VEAZIE.17-28.143-148. In: GROSS.G. 2003. WILLS.ed. 2003.49. et al. USDA. Fisiologia vegetal. A. et al. K.. K. (Number 66). p.C. The commercial storage of fruits. et al. CALBO. n. R. Vitamin A activity of buriti (Mauritia vinifera Mart) and its effectiveness in the treatment and prevention of xerophthalmia. SANTELLI. NERY.1.1. HIANE.Qualidade pós-colheita de frutos de butiá em função do estádio de maturação na colheita e do manejo da temperatura. K. USDA. v. Revista Brasileira de Farmacognosia.C. and florist and nursery stocks. (Number 66). 351p. n. Postharvest technology of horticultural crops. ARS: Agricultural Handbook. Blackberry. Estado de São Paulo. RITENOUR. In: GROSS. USDA.. and florist and nursery stocks. et al. 2008.62. 2004. K.ed.

.O arquivo disponível sofreu correções conforme ERRATA publicada no Volume 38 Número 9 da revista.

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