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AD1 – COLÉGIO E FACULDADE CURSO SUPERIOR EM PRODUTOS DA MODA

GILMAR PEREIRA VALADARES

A INFLUÊNCIA DA ERGONOMIA NO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Brasília-DF 2005

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AD1 – COLÉGIO E FACULDADE CURSO SUPERIOR EM PRODUTOS DA MODA

GILMAR PEREIRA VALADARES

A INFLUÊNCIA DA ERGONOMIA NO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado a Faculdade D1, como requisito para a obtenção do título de ................ no Curso de Produtos da Moda, solicitado pelo professor/orientador: ...........................

Brasília/DF 2005

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AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus familiares, pela compreensão e tolerância pelo tempo que estive ausente de casa, aos colegas pelo companheirismo e por ter me ajudado em meu aprendizado no decorrer deste curso, aos colegas de serviço pelo apoio e compreensão pelo incentivo para a realização de mais um de meus sonhos; quero agradecer também a todos aqueles que me acolheram em nosso estágio, a todos que de uma maneira ou de outra, ou seja, que direto ou indiretamente estiveram apoiando para a finalização de mais um curso. Agradeço especialmente aos professores: ........................................................ que tiveram a paciência e tolerância, compreensão, pois muito me ensinaram e com certeza levarei suas lembranças para sempre, lembrarei de todos vocês com carinho e muitas saudades.

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho especialmente ao meu bom Deus por ter me fortalecido na saúde e na inteligência e aos professores: ............................................. por não terem medido esforços para transmitir seus conhecimentos com tanta clareza.

Ela se constrói ou se destroem de acordo com o desempenho de todos que nela trabalham. e nem organização motivada sem pessoas motivadas. Através de pesquisas e estudos pode-se notar que tanto a produtividade quanto a satisfação do trabalhador de uma organização esta ligada diretamente com a Ergonomia. RESUMO Este trabalho tem como finalidade estudar as forma de aumentar a produtividade e a satisfação dos trabalhadores do setor de costura. . observando sempre que ela exerce de certa forma grande influência para o aumento da produtividade dentro de uma fábrica. será abordado neste TCC .5 I. Neste sentido. Foram aplicados três questionários dois para as costureiras e um para seu dono ou representante legal. Teremos como foco principal o setor da costura.Trabalho de Conclusão de Curso um pouco sobre Ergonomia. E quem sabe possa contribuir para os diversos locais onde realizou-se vários estágios supervisionados. Os resultados obtidos foram o suficiente para fechar um diagnóstico. porque até hoje não existe conhecimento de uma organização vencedora sem trabalhadores vencedores.

E who knows can contribute for the diverse places where it became fullfilled some supervised periods of training. ABSTRACT This work has as purpose to study the form to increase the productivity and the satisfaction of the workers of the sewing sector. The gotten results had been the sufficient to close a diagnosis. because until today knowledge of a winning organization without winning workers does not exist. observing always that it inside exerts of certain form great influence for the increase of the productivity of a plant. and nor organization motivated without motivated people. . It if constroe or if destroe in accordance with the performance of that in they work. In this direction. We will have as main focus the sector of the sewing.a little on Ergonomics.Three questionnaires two for the dressmakers and one for its owner or legal representative had been applied. Work of Conclusion of Course will be boarded in this TCC .6 II. Through research and studies as much can be noticed that the productivity how much the satisfaction of the worker of an organization this on one directly with the Ergonomics.

......................................12 5.................. CONTEXTO SÓCIO TÉCNICO........ RESUMO II. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA.......2.......8 3.............25 8.......39 12.............9 4......................2..1............1....11 4............................1........ BIOMECÂNICA OCUPACIONAL.......... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................................6 2........... OBJETIVOS.....9 3................ DESCRIÇÃO DO TRABALHO NO SETOR DA COSTURA.............................20 7......... CONCLUSÃO.......................... ERGONOMIA................................... INTRODUÇÃO................... Coleta de Dados....19 7........................... Aplicação Ergonômica no Posto de Trabalho.............31 9...............................................23 7........1 Histórico da Empresa.......................42 ......12 6............................................ Tipos de Pesquisa........11 5....... SUMÁRIO 1.......................11 4..... METODOLOGIA......................................................................4 Análise de Distribuição do Trabalho.......15 7......33 10...............................................3 Resumos das medidas antropométricas ............................... APLICAÇÃO DA ERGONOMIA.35 11.....29 9..2...........33 9...........28 9...................................................... DEFINIÇÃO............ Panorama da Empresa....................... Princípios Gerais Sobre os Assentos..........29 9......................................................1 Justificativa do Trabalho..................7 SUMÁRIO I.....3 Descrição do Trabalho na Fábrica................................................................................. Histórico da Ergonomia...........................................

Mas. apareceu junto com o homem primitivo. não podemos esquecer aqui das suas duas finalidades básicas: o melhoramento e a conservação da saúde dos trabalhadores. sem querer começou a aplicar os princípios de ergonomia.6 1. . e a concepção e o funcionamento satisfatório do sistema técnico do ponto de vista da produção e segurança. INTRODUÇÃO A ergonomia é bem mais antiga do que imaginamos. Com a necessidade de se proteger e sobreviver. Nas grandes guerras ela teve uma importância fundamental no desenvolvimento de armas e equipamentos bélicos. Hoje. o homem primitivo. mas procura colocá-los nas melhores condições de trabalho possíveis de forma a melhorar o rendimento e evitar o acidente ou fadiga excessiva. foi na revolução industrial que a ergonomia começou realmente a difundir. A ergonomia está preocupada com os aspectos humanos do trabalho em qualquer situação onde este é realizado. Desta maneira. ela tem sido fator de aumento de produtividade e da qualidade do produto bem como da qualidade de vida dos trabalhadores. na medida em que a mesma é aplicada também com a finalidade de melhorar as condições ambientais. a ergonomia busca não apenas evitar aos trabalhadores os postos de trabalhos fatigantes e/ou perigosos. e assim sendo. visando a interação com o ser humano. ao fazer seus utensílios de barro para tirar água de cacimbas e cozinhar alimentos.

. para que os funcionários passem pelas situações estressantes sem ter que dar entrada em um hospital. a qualidade de vida no trabalho respeitando os princípios da Ergonomia se torna um dos fatores principais.7 Assim.

Isto tem facilitado o crescente aumento do número de empresas e atraído cada vez mais pessoas despreparadas para esse segmento. procurando encontrar um método condizente de organização de trabalho bem como a estruturação do posto de trabalho para que proporcione uma maior produtividade. Mas. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Nos últimos anos. ou seja. pela diminuição do tempo de operação nas fases de criação. a princípio. entre erros e acertos e isto tem provocado vários problemas de qualidade. a máquina de costura de primeira e segunda geração que são facilmente encontradas no mercado a preços acessíveis. Assim. . comprometendo a imagem da empresa perante o mercado. E. nem todos conseguem acompanhar o mercado. na maioria das vezes. este trabalho será feito dentro de uma fábrica de confecção. além de aumentar a flexibilidade produtiva nessas fases. atrasos nos prazos de entrega. Estes programas são os responsáveis. nota-se que a organização do trabalho em várias fábricas é feita de forma empírica. Também. podemos observar que os avanços tecnológicos estão sendo apresentados às indústrias do vestuário. reduzindo o tempo de operação e do desperdício de matéria-prima. utilizam-se os equipamentos básicos para o desenvolvimento de suas atividades. em casos extremos. No entanto. corte. proporcionando até o fechamento da empresa. produtividade. A maior evolução aconteceu com a oferta de Sistemas Informatizados CAD (Computer Aided Design) e CAM (Computer Aided Manufacturing) específicos para o vestuário. mesmo sendo tão importante. modelagem. não se pode negar a existência de máquinas de costura mais sofisticadas (eletrônicas) que proporcionam à empresa maior produtividade.8 2.

sua importância não é diferente. proporcionando alta heterogeneidade de produtos ofertados que. No entanto. de forma a estabelecer alguns procedimentos que permitam às costureiras o acesso ao conhecimento e utilização de posturas correta. A razão é simples. a tecnologia utilizada nesse setor em termos de maquinário é muito parecida na grande maioria das empresas. estão ligados ao fenômeno efêmero. normalmente. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo propor um método de organização do posto de trabalho para o setor da costura. Quando se trata da indústria do vestuário que compreende a última etapa da cadeia têxtil produtiva. é fácil encontrar essas indústrias na maioria das cidades.1 Justificativa do Trabalho Não é de hoje. em benefício de sua saúde e conseqüentemente o aumento da produtividade. Hoje. Ela é também responsável por um enorme número de geração de empregos. No Brasil. 3. esse tipo de indústria se caracteriza pela grande variedade de matéria prima utilizada. que é a moda. principalmente a partir da abertura do comercio brasileiro ao mundo no governo Collor e com a globalização.9 3. . que a cadeia têxtil produtiva vem tendo uma grande importância na economia e no comércio mundial. tem se exigido dessas empresas um novo padrão de gestão. as exigências são bem maiores. sendo que o porte e a estrutura organizacional pode variar de acordo com a estratégia competitiva que se utiliza.

em seguida apresentaremos os resultados da observação geral juntamente com as análises das entrevistas realizadas na empresa e na última etapa. panorama da empresa e descrição do trabalho na fábrica. a conclusão. aqueles relacionados com a qualificação da mão de obra e a insuficiência de capital de giro. moda praia.10 A Indústria local do vestuário é constituída basicamente por micro e pequenas empresas. na segunda parte teremos o Contexto Sócio Técnico contendo histórico da empresa. camisas. Nessa linha de argumentação. é natural. Sendo mais visíveis. modinha. organizado em quatro partes: na primeira parte será discorrido sobre Ergonomia. camisetas e roupas em geral. O setor enfrenta obstáculos. roupa íntima. São aproximadamente trezentas fabricando uniformes. o TCC – Trabalho de Conclusão de Curso. . iniciamos então.

revistas especializadas. p. b) Pesquisa documental em formulários distribuídos aos funcionários do setor costura da fábrica. Por isso foi utilizados a pesquisa bibliográfica para levantamento. jornais.2 Coleta de Dados Os dados foram coletados por meio de: a) Pesquisa bibliográfica em livros.1 Tipos de Pesquisa Segundo Cervo e Bervian (1976. 69) qualquer tipo de pesquisa em qualquer área do conhecimento. supõe e exige pesquisa bibliográfica prévia. quer para a fundamentação teórica ou ainda para justificar os limites e contribuições da própria pesquisa. . e boletins. com o objetivo de ter contato direto com todo material já escrito sobre o mesmo. em livros. revistas especializadas. METODOLOGIA 4. jornais e dissertações com dados pertinentes ao assunto. 4.11 4. seleção e documentação de bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisado. quer para o levantamento da situação em questão.

O termo ergonomia foi adotado nos principais países europeus.12 5. dizem que o período de gestão da ergonomia. Porém. Passando a atuar de forma mais integrada nos . interessados em formalizar a existência desse novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência. ERGONOMIA 5. aumenta a produtividade. No dia 16 de fevereiro de 1950. melhorando o contato do homem com a máquina. Com a introdução do conceito de sistema homem-máquina. durante a segunda reunião deste grupo. Quando um grupo de cientistas e pesquisadores se reuniram. em 1961. onde se fundou a associação Internacional de Ergonomia. foi proposto o neologismo "ERGONOMIA". estudos mais sistematizados ocorrem a partir da Revolução Industrial devido às condições precárias de trabalho. Durante a década de 50. formado pelos termos gregos ergon (trabalho) e nomos (regras). leis naturais. A data oficial de nascimento da ergonomia é dia 12 de junho de 1949. o campo de atuação da ergonomia ampliou-se. nos anos 60. Ao chegar a Revolução Industrial automatiza o trabalho. que realizou o seu primeiro congresso em Estocolmo. ela foi aplicada de forma restrita.1 Histórico da Ergonomia Muitos autores. traz à tona as doenças causadas pelas más condições do trabalho e provoca os estudiosos à pesquisa da Ergonomia. provavelmente date ainda da Pré-História quando o homem preocupa-se em adaptar os objetivos e o ambiente as suas necessidade. basicamente ao estudo de botões (“knobs”).

o Prof. p. Ribeirão Preto. O maior impulso se deu na COPPE Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia. depois UERJ). O Prof. Também na USP. Nos anos 70 a ergonomia expandiu-se para fora da indústria conquistando outros ares. Alberto Mibielli de Carvalho apresentava Ergonomia aos estudantes de Medicina das duas faculdades mais importantes do Rio. Além dos . a Ergonomia do Manejo. nos anos 60 pelo Prof. com escala na ESDI/RJ – Escola Superior do Desenho Industrial ESDI/RJ. Itiro Lida para o Programa de Engenharia de Produção. Já no Brasil a ergonomia começou a ser evocada na USP. tornando-os mais apropriados às proporções do corpo humano e facilitando posturas mais equilibradas. Franco Seminário falava desta disciplina. segundo Rio e Pires (2001. no início dos anos 70. e • na utilização de adaptações que facilitam o melhor posicionamento do corpo humano em atividades que apresentam dificuldades excêntricas. com seu refinado estilo.13 estudos dos postos de trabalho e nas análises de posturas e ambientes de trabalho. Ao longo da história humana. 25). Nesta época. os princípios fundamentais da ergonomia foram aplicados: • • • na substituição ou transferência de trabalhos mais pesados para animais. com a vinda do Prof. Paul Stephaneek introduzia o tema na Psicologia. na invenção de artifícios que facilitam o trabalho. Sérgio Penna Khel. no Rio de Janeiro. aos estudantes de Psicologia da UFRJ. a Nacional (UFRJ) e a ciências Médicas (UEG. na adaptação de postos de trabalho. que encorajou Itiro Lida a desenvolver a primeira tese brasileira em Ergonomia.

a ergonomia difundiu-se em praticamente todos os países do mundo. com certeza reduziria o sofrimento de muitos trabalhadores melhorando assim a produtividade e condições de vida em geral.14 cursos de mestrado e graduação. É bom salientar que os produtos ergonômicos costumam ser mais caro que a média dos produtos convencionais. Existem muitas instituições de ensino e pesquisa atuando na área e anualmente se realizam muitos eventos para apresentação e discussão dos resultados das pesquisas. . Contudo. Itiro organizou com Collin Palmer um curso que deu origem ao primeiro livro editado em português. com o acervo e conhecimentos ora disponíveis se fossem aplicados. Hoje.

cores. englobando os equipamentos. mas também toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o homem e o seu trabalho. que são: o homem –características físicas. a começar pela própria definição de Ergonomia: o estudo da adaptação do trabalho ao homem. psicológicas e sociais do trabalhador (influência do sexo. ferramentas. luz. organização – é a conjugação dos elementos acima citados no sistema produtivo. conseqüências do trabalho – priorizando-se as questões de controle como . equipamento e ambiente. vibrações. como a temperatura.15 6. os aspectos organizacionais. máquina – entende-se por máquina todas as ajudas materiais que o homem utiliza no seu trabalho. p. ruídos. informação – refere-se às comunicações existentes entre os elementos de um sistema. Isso envolve o seu ambiente físico. turnos de trabalho e formação de equipes. idade. de como seu trabalho é programado e controlado para produzir os resultados desejados. treinamento e motivação). A Ergonomia estuda diversos aspectos do comportamento humano no trabalho e outros fatores importantes para o projeto de sistemas de trabalho. gases e outras. mas é em Lida (1990. a transmissão de informações. 01) que encontramos um referencial ergonômico amplo. fisiológicas. DEFINIÇÃO São várias as definições de Ergonomia. fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia. Esse trabalho abrange não apenas as máquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais. o processamento e a tomada de decisões. estudando aspectos como horários. O autor define Ergonomia como o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho. ambiente – estuda as características do ambiente físico que envolve o homem durante o trabalho. mobiliário e instalações.

A ergonomia possui métodos para descrever e avaliar as atividades realizadas pelos trabalhadores. fadiga e estresse. utilizandose de máquinas e equipamentos. há uma expansão crescente das atividades de ergonomia. que complementam o seu projeto físico. Esses objetivos constituem-se numa preocupação normal dos projetistas. com razoável certeza dos resultados satisfatórios. além dos estudos sobre gastos energéticos. pela acumulação de conhecimentos e metodologias para interferir no sistema produtivo. Ela contribui para garantir a integridade da saúde dos trabalhadores. tanto antes como após a produção. Então ele só consegue preencher bem essa função se for acompanhado de diversas outras atividades. Mesmo no âmbito interno de uma fábrica. A eficiência virá como resultado porque ela. . isto porque geralmente é um trabalho estruturado onde cada trabalhador tem uma função definida.16 tarefas de inspeções. estudos dos erros e acidentes. dos gerentes e administradores de empresas. engenheiros e desenhistas industriais. A ergonomia pode ser mais eficiente na indústria. poderia significar sacrifício e sofrimento aos trabalhadores. assim como para a segurança e a produtividade. a satisfação e o bem estar dos trabalhadores no seu relacionamento com o sistema produtivo. mas é na Ergonomia que será dado um tratamento científico a tais objetivos. Os objetivos práticos da Ergonomia são a segurança. O produto passou a ser um meio de satisfação de uma necessidade. isoladamente. de modo a gerar recomendações para a sua transformação.

Esse procedimento adotado no programa de redução de erros são semelhantes aos do Círculo de Controle de qualidade. Se partir de algumas premissas básicas. para que a empresa melhore o desempenho.17 Na indústria pode ser desenvolvidas uma atividade organizada e programada para melhorar as habilidades de uma pessoa. em caso de necessidade. . chamada de treinamento industrial. Isto pode ser iniciado em grupos de sessões com especialistas fazendo apresentações dos objetivos e aspectos operacionais. que consistia em reuniões do supervisor com os respectivos operários. o treinamento é considerado um meio de aumentar a confiabilidade humana no sistema homem-máquina. deve ficar bem claro que não será coibido os trabalhadores envolvidos em erros. que tem como função aumentar a velocidade e qualidade psicomotora dos movimentos necessários para realizar uma tarefa. mas que o relato dos mesmos seja passado de forma clara. Nessas sessões. que se juntavam voluntariamente. Dessas sessões os grupos escolhem seu coordenador que tomará as medidas necessárias para que esses relatos sejam encaminhados à comissão de especialistas para análise. sem uma formalização por parte da administração da empresa. Este mesmo coordenador supervisionará a implementação das medidas recomendadas e corrigi-las. Na elaboração do sistema de treinamento existem duas decisões fundamentais: a escolha das tarefas a serem treinadas e a duração do treinamento. uma empresa industrial consegue diminuir bastante os erros e acidentes através da introdução de um programa de treinamento. para discutir problemas de qualidade. fora do expediente. Mais especificamente.

para garantir que eles fiquem dentro de certas especificações. que nada mais é do que o teste de produtos. Desde que haja uma definição precisa dos padrões exigidos. . quando a fronteira entre o que se considera um produto defeituoso ou aceitável é claramente definida.18 Dentro do controle de qualidade podemos destacar o trabalho de inspeção na indústria. O trabalho de inspeção exige melhor grau de julgamento e discriminação. componentes e materiais. ou seja.

tais como: • . apesar da ação ser muito eficaz e de baixo custo ela exige do ergonomista grande experiência para evitar criar ou não perceber um inconveniente grave. Enquadramento. p. . na Ergonomia de Concepção. segurança.) e cujo custo para serem modificadas geralmente é alto. APLICAÇÕES DA ERGONOMIA Segundo Rio e Pires (2001) já citado. 1995. carga mental. 18) é subdividida em Ergonomia de Produto (voltada para a concepção de produtos) ou de Produção (aplicada em processos produtivos podendo ser subdividida em Atividade na Agricultura. etc. Segundo Wisner (1987).. Remanejamento e Modernização. enquanto a Ergonomia de Correção responde diretamente a anomalias às vezes difíceis de trabalhar (sistemas complexos. p. • • Perspectiva: Ergonomia de Intervenção e de Concepção Finalidade: Ergonomia de Correção.. as aplicações da Ergonomia podem ser subdivididas com relação a: • Abordagem: que segundo Wisner (1987. Atividade Artesanal e Ergonomia Militar e Cosmonáutica). Redução de acidentes pela consideração das capacidades e limitações humanas durante o projeto do trabalho e do seu ambiente. Assim. “a ergonomia pode contribuir para solucionar um grande número de problemas sociais relacionados com a saúde. conforto e eficiência” (DUL e WEERDMEESTER.19 7. Atividade Industrial. 15).

7. do trabalho sobre o homem e para o estabelecimento de regras de proteção à saúde.20 • . ou seja. Tendo em vista o aumento da complexidade das situações de trabalho e o avanço da epidemiologia para acompanhá-las. no projeto das máquinas. Alguns dos conhecimentos difundidos pela Ergonomia encontramse convertidos em Normatizações Internacionais como a ISO (International Standardization Organization) e as Normas Européias do CEN (Comité Européen de Normalisation). as ciências do homem estavam preocupadas com a observação dos efeitos. em Normatizações Nacionais como a ANSI (EUA). continuam sendo fundamentais. a Ergonomia não preocupa-se apenas em evitar que os trabalhadores venham a trabalhar em postos de trabalho fatigantes e perigosos. do mobiliário e do posto de trabalho . e . principalmente os perigosos. até a Segunda Guerra Mundial. A elaboração de normas: Segundo Wisner (1987).1 Concepção Ergonômica Posto de Trabalho Nos dias atuais o que estamos percebendo é que a maioria dos problemas ergonômicos estão exatamente onde sempre estiveram. que culminam em legislações ou normatizações. • • . das ferramentas. Redução da ocorrência de erros e melhoria de desempenho. sistemas e tarefas e melhoria de projetos. mas também colocá-los nas melhores condições de trabalho possíveis. estas pesquisas. pois. conforme descreve Montmollin (1990). BSI (Inglaterra) e NR-17 (Brasil). Redução do absenteísmo e incapacitação ao trabalho pela adequação de equipamentos. dos equipamentos.

O Posto de Trabalho é definido como a menor unidade produtiva em um sistema de produção. Estes problemas podem ser minimizados com ações paliativas (ginástica laborativa. não se combate a causa. O projeto do posto de trabalho tem basicamente dois enfoques historicamente conhecidos. softwares. evidentemente. EPIs e o próprio sistema de produção.). o enfoque taylorista e o enfoque ergonômico tradicional. abrangendo: máquinas. sistemas de proteção e segurança. A seguir apresentamos a definição e a abrangência dos enfoques ergonômicos dos postos de trabalho: Enfoque Taylorista: é baseado no estudo dos movimentos corporais para realizar uma tarefa e no tempo gasto em cada um desses movimentos. até mesmo no planejamento da organização do trabalho. rotatividade de tarefas e etc. Por este motivo. das ferramentas. O enfoque taylorista não leva em consideração as características físicas e . Ele envolve o homem. jamais eliminados em sua totalidade. mas. agravados pelas inadequações relativas a organização do trabalho. seu local de trabalho. se não houver a adaptação ergonômica do projeto do posto de trabalho os problemas ergonômicos continuarão a existir. é que se deve aplicar os conhecimentos ergonômicos na concepção do projeto dos postos de trabalho. mobiliário. pois com estas ações. e sim o efeito. ferramentas. O melhor método de trabalho é escolhido pelo menor tempo consumido na realização das tarefas. Desta forma. das máquinas. redução da jornada de trabalho. e toda ajuda material que o indivíduo necessita para realizar suas tarefas.21 e. equipamentos. do mobiliário e. pausas durante a jornada de trabalho.

o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo e da mente humana. o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo humano. O enfoque ergonômico tradicional é aplicado na concepção e/ou adaptação de postos de trabalhos tradicionais. bem como. muito menos. estes devem atingir os seguintes objetivos: . pois trata além dos fatores físicos do posto de trabalho. No enfoque ergonômico tradicional. abrangendo ainda os aspectos psicológicos e cognitivos do indivíduo. os aspectos cognitivos (na interface homem x máquina e processo de produção). ou seja. qualquer que seja a abrangência e enfoque do projeto ergonômico do posto de trabalho. No enfoque ergonômico global. bem como. as características antropométricas dos usuários/operadores. Enfoque Ergonômico Global: segue os mesmos princípios do enfoque ergonômico tradicional. visto que este trata apenas dos fatores físicos do posto de trabalho. Enfoque Ergonômico Tradicional: é baseado no princípio da redução das exigências biomecânicas no intuito de minimizar a fadiga física. O enfoque ergonômico global é aplicado na concepção e / ou adaptação de postos de trabalho e/ou ambientes de trabalho informatizados e automatizados em ambientes industriais e administrativos. os sistemas de produção (incluindo os hardwares e softwares).22 psicológicas dos usuários / operadores. leva em consideração os limites e capacidades do indivíduo do ponto de vista da biomecânica ocupacional e. as relações pessoais e motivacionais no ambiente de trabalho. as necessidades individuais dos mesmos. Enfim.

Assem sendo. bem-estar e satisfação no trabalho.23 • Adequar o posto de trabalho aos limites e capacidades do indivíduo (física. produtividade e qualidade. um assento de automóvel pode ser confortável para dirigir. que determina a altura do assento. mas aquele mais adequado para cada tipo de tarefa. As dimensões do assento devem ser adequadas às dimensões antropométricas do usuário – No caso. • Proporcionar condições para desenvolvimento da criatividade e participatividade dos funcionários/colaboradores. 7. • Otimizar as condições de trabalho para conquistar eficácia. a dimensão antropométrica crítica é a altura poplítea (da parte inferior da coxa à sola do pé). e estabelecem os principais pontos a serem verificados no projeto e seleção de assentos: Existe um assento mais adequado para cada tipo de função – isso quer dizer que não existe um tipo ideal de assento para todas as ocasiões. Os assentos cujas alturas sejam superiores ou inferiores à altura . prevenir acidentes e doenças ocupacionais. psicológica e cognitivamente). Proporcionar conforto. eficiência. • • Evitar o erro humano. qualidade de vida. fisiológicos e clínicos dos movimentos de postura sentada.2 Princípios gerais sobre os assentos Os princípios gerais sobre os assentos são derivados de diversos estudos anatômicos. mas provavelmente seria desconfortável para uso em escritório. segurança. e vice-versa.

O assento deve permitir variações de postura – As freqüentes variações de postura servem para aliviar as pressões sobre os discos vertebrais e as tensões dos músculos dorsais de sustentação. permitindo poucos movimentos relativos. O perfil do encosto é importante. mas apenas de tempos em tempos. reduzindo-se a fadiga. que são anatômica e fisiologicamente inadequadas para suportar o peso do corpo. periodicamente. a pessoa não usa continuamente o encosto. para transmitir o peso do corpo sobre o assento. Um suporte situado entre as 2ª e 5ª vértebras lombares permite maior liberdade de movimento ao tronco. Podem também provocar pressões sobre as coxas. . para que a pessoa possa reclinar-se para trás. com duas ou três alturas diferentes. porque uma pessoa sentada apresenta uma protuberância para trás na altura das nádegas e a curvatura da coluna vertebral varia bastante de uma pessoa para outra. A largura do assento deve ser adequada à largura torácica do usuário e o comprimento deve ser tal que a borda do assento fique menos 2cm afastada da parte interna da perna. Outra possibilidade é fazer o encosto móvel. é recomendado colocar apoio para os pés. Portanto. para relaxar. Devido a isso. O encosto deve ajustar no relaxamento – Em muitos postos de trabalho. não são recomendados. podese deixar um espaço vazio de 15 a 20 cm entre o assento e o encosto. a fim de aliviar a fadiga.24 poplítea não permitem um assentamento firme das tuberosidades isquiáticas. para facilitar as mudanças de posturas. os assentos de formas "anatômicas" em que as nádegas se "encaixam" neles. Para os postos de trabalho operacional.

o projetista deve verificar qual é a tolerância aceitável para acomodar as diferentes dimensões encontradas na . 7. Trabalhadores de baixa classificação podem ser até 10cm mais baixos em relação aos de melhor renda. e essa diferença tende a ser maior no caso de projetos baseados em medidas antropométricas de mulheres. No uso de dados antropométricos. Há influências econômicas nas medidas antropométricas. o projetista deve verificar a definição exata das medidas (especialmente os pontos iniciais e terminais) e as características da população em que a amostra foi baseada. permitindo certa movimentação das mesmas. de modo que a superfície da mesa fique aproximadamente na altura do cotovelo da pessoa sentada. como pela mudança das pessoas que exercem certas funções na sociedade. tanto pela evolução da população. As dimensões antropométricas podem variar de acordo com as etnias e com a época.25 Assento e mesa formam um conjunto integrado – A altura do assento deve ser estudada também em função da altura da mesa.3 Resumo das medidas antropométricas Na escolha dos dados antropométricos. Projetos feitos no exterior nem sempre se adaptam aos brasileiros. Entre o assento e a mesa deve haver um espaço de pelo menos 20 cem para acomodar as coxas. Os braços da cadeira devem ficar aproximadamente à mesma altura ou um pouco abaixo da superfície de trabalho para dar apoio aos cotovelos.

Para a posição sentada. estabilidade do assento. a intensidade e as direções das forças a serem exercidas. componentes e atividades. Os objetos e espaços podem ser dimensionados para a média da população (50%) ou um de seus extremos (5% ou 95%). O dimensionamento do posto de trabalho está intimamente relacionado com a postura e nenhum deles pode ser considerado separadamente um do outro. e providenciar os ajustes estáticos. Dificuldades de movimentar-se contribuem para aumentar a fadiga. quando sentado. A acomodação dos extremos. Muitas vezes é possível .26 população de usuários. O assento confortável permite variações de postura. devem ser considerados: a localização dos controles. o espaço para acomodar as pernas. pode não ser economicamente justificável. a altura da mesa deve ser dimensionada de forma integrada com o assento. pequenos acolchoamentos do assento e do encosto. acima desse percentil. Na decisão sobre o trabalho sentado ou em pé. Os objetos e os espaços de trabalho devem permitir uma acomodação de pelo menos 90% da população de usuários. a freqüência do trabalho de pé ou sentado. e. dinâmicos e funcionais. facilidade de sentar-se e levantar-se. A altura da superfície de trabalho em pé depende do tipo de trabalho executado. O projeto do assento deve considerar: a relação entre a altura do assento e do trabalho.

. alternadamente.27 projetar o posto de trabalho para permitir o trabalho sentado e de pé.

Segundo (GERTZ. As forças externas são aquelas exercidas na superfície do corpo. caracteriza-se por uma alternância entre a contração e a distensão dos músculos.Conduz mais rapidamente ao estado de fadiga. As forças internas são geradas pelos músculos e tendões e são reações às externas. Em biomecânica. BIOMECÂNICA OCUPACIONAL A biomecânica ocupacional estuda as interações entre o trabalho e o homem sob o ponto de vista dos movimentos músculo-esqueléticos envolvidos no trabalho (Lida. 1998) em biomecânica as forças aplicadas ao corpo podem ser divididas em dois tipos. Analisa basicamente a questão das posturas no trabalho e a aplicação das forças. Se o corpo está parado. as leis físicas da mecânica são aplicadas ao corpo humano. É possível estimar o stress nos músculos e articulações quando numa dada postura ou movimento. como o de atuar uma manivela. . as forças externas e as forças internas. 1990).28 8. O esforço muscular deve assim ser combinado entre estático e dinâmico.Este trabalho.1 Trabalhos Estático e Dinâmico O trabalho estático . 8. O trabalho dinâmico . o somatório das forças internas e externas deve ser zero.

29 9. No entanto. Nesse mesmo momento. em 1989. a farmácia já não estava tão bem como antes e os lucros haviam diminuído de forma assustadora. filha do casal empreendedor. que também era costureira. costumava viajar. comprar roupas infantis e femininas para depois vendê-las à sua clientela que. recém formada no curso de Educação Física. também costurava roupas em seu ateliê que fora improvisado em sua própria casa. trabalhou durante anos em um escritório de contabilidade de uma grande empresa de tintas. Dona Adélia já havia conseguido pagar um carro que comprara num consórcio. a marca Crisdélia.1 Histórico da Empresa Dona Adélia sempre trabalhou como autônoma. cujo nome era Drogão 202. CONTEXTO SÓCIO TÉCNICO A pesquisa foi realizada em uma fábrica de confecção situada no Setor de Abastecimento Norte – SAAN. Além disso. em 1980. . Em meados de 1986. Com o grande apoio de sua família e da amiga América. Em contrapartida. ao invés de usufruir seu carro novo. de forma corajosa e empreendedora. ela preferiu vendê-lo para comprar algumas máquinas de costura e contratar costureiras para ajudá-la. abandonou sua carreira e passou a integrar a Confecção Crisdélia. veio a inaugurar. Cristiane. 9. seu marido. aos poucos. seu próprio negócio. Para o bom andamento e entendimento do trabalho segue o histórico da empresa antes do panorama geral. mas. iniciou-se. as vendas das roupas fabricadas por sua esposa estavam crescendo dia-a-dia. ia crescendo mais e mais. confecção especializada em malhas (moletom e malha fria). Senhor Geraldo. uma farmácia.

com a queda da rentabilidade da farmácia do Senhor Geraldo. conseguiu adquirir o terreno para a construção da fábrica e a loja no Shopping. também. que na época cursava o 2º grau. Logo em seguida. Nesse mesmo momento. Cristiane ficava no balcão da loja para vender as roupas. . a compra de um lote no SAAN para a construção da fábrica. já bastante experiente. o filho de Dona Adélia e do Senhor Geraldo. a pequena fábrica transferida para o subsolo da 202 e o térreo usado para a venda dos produtos. no subsolo da loja. foi escolhido o nome 2 TEMPOS. Em 1992. na CLN 406. Com surpresa. Carlos Henrique. a segunda loja 2 TEMPOS.30 Em um passeio de carro. O Senhor Geraldo.. Novas máquinas foram adquiridas e novas costureiras foram contratadas. supervisionava a produção. Enquanto Dona Adélia. vendeu tudo o que tinha. passou a integrar a equipe e. surgiu também a possibilidade de se adquirir uma loja no Shopping Conjunto Nacional. Mas não havia tanto capital para tais investimentos. a confecção. no momento. cogitou-se de que era necessário um novo nome para a confecção. passou a morar de aluguel e. Então. Carlos Augusto. assim. ou seja. Em 1994 surgiu uma grande oportunidade. o corajoso casal decidiu investir no que. então. criado por Cristiane que. passou a cuidar da administração do novo empreendimento. no qual toda a família RODRIGUES MOURA estava presente. a farmácia foi desmontada. era bastante ligada ao esporte. também filho do casal. Após várias sugestões. novamente a família se mobilizou. houve a agregação de mais um membro da família. na época. estava dando mais certo. No mesmo ano (1989). foi inaugurada. a vender roupas femininas juntamente com sua irmã.

passando a investir no aperfeiçoamento humano e operacional de sua equipe. no Shopping Pátio Brasil. agora. corte. sendo que desses tem aproximadamente 300 m² de área construída. Carlos Augusto entrou na faculdade de Administração com o intuito de aperfeiçoar a administração da loja e. Além disso. ainda. Em 1996 Carlos Henrique sai da empresa e monta seu próprio negócio. Empresa de pequeno porte emprega 16 pessoas distribuídas por setores de escritório. a terceira loja 2 TEMPOS. modelagem. produz exclusivamente roupa feminina. desenho. aliar seu estudo a grande experiência adquirida por seu pai. A empresa ressurgiu com um novo conceito e com mais maturidade. Carlos Augusto e o Senhor Geraldo passaram a ser responsável pela administração e informatização da loja Senhor Geraldo fez cursos de informática.31 Em 1995. 9. . grandes novidades e experiência para lidar com o mercado competitivo da moda. foi inaugurada. assim.2 Panorama da Empresa A fábrica ocupa uma área de 500 m². Dona Adélia fez cursos para aperfeiçoar a costura e conhecer as novas tecnologias na área de produção. fechou-se a loja da CLS 406. pois o investimento não estava trazendo o lucro esperado e a loja do Conjunto Nacional necessitava de maior atenção. Em 1997. são responsáveis pela parte de moda da loja. costura passadoria. Cristiane e Dona Adélia. Cristiane viajou para a Europa e fez vários cursos de moda trazendo. são oferecidos cursos para as vendedoras e para as costureiras.

Os equipamentos apresentam bom estado de conservação. ventilação natural proveniente das janelas. overloque. Dentre os equipamentos de segurança foram identificados dois extintores de incêndio nas paredes e um sistema interno de vigilância que monitora toda a fábrica. o piso em cerâmica. As máquinas de costuras estão dispostas em células em grupo de 04 máquinas uma de frente para outra Tudo funciona no térreo. O acesso ao interior da fábrica se da por duas portas nas laterais uma de aproximadamente 90 cm e uma mais ao fundo com aproximadamente 1.32 O ambiente interno é iluminado artificialmente. . mesas de modelagem e de cortes.3 Descrição do Trabalho na Fábrica O trabalho é manual. exceto o escritório. interloque.50 mt. a projetista faz o desenho. A comunicação é verbal e sem nenhum processo documentado. tábua e ferro a vapor de passar industrial. as paredes são pintadas na cor branca. O ambiente é limpo. outro empregado risca o molde. 9. A passadoria está instalada logo na entrada da fábrica. existe também uma porta maior de enrolar medindo aproximadamente 2. e servido por dois banheiros. As cadeiras são ergonômicas. o que é considerada boa para as pessoas que atualmente as usam. Dentre os equipamentos de produção foram identificados máquinas de costura reta. com lâmpadas frias fluorescentes. corta e com o auxilio de um outro operário distribuí para as células de produção. Os postos de trabalho das costureiras são projetados para a postura sentada. as mesas de corte e modelagem tem altura aproximada de 90 cm.20 mt.

Análise do quadro de distribuição do trabalho: requer um senso crítico e acurado do analista para perceber. Passadas são divididas embaladas e encaminhas para os pontos de venda. uma tarefa é um conjunto seqüencial de passos realizados por uma pessoa e uma atividade é o grupamento de tarefas homogêneas que define a missão do órgão. e a atividade é o que o órgão faz. Das 08 às 08:15 da manhã antes de começar o trabalho os empregados fazem 15 minutos de ginástica. onde um passo é uma parcela de trabalho executada por uma pessoa. O intervalo para o almoço é de 01 hora e às 16 horas há um intervalo de 30 minutos para o lanche. Prontas.4 Análise da Distribuição do Trabalho Muitas vezes um funcionário tem mal desempenho por não ser distribuído eqüitativamente o trabalho. costura. Analisando a distribuição do trabalho. etiquetas e acabamentos. outros desqualificados e improdutivos. outros que não estão capacitados para sua função. executando tarefas inferiores ou superiores à sua capacidade profissional. O horário de entrada é às 08 horas e a saídas ocorre às 17:45 horas. diagnosticar e corrigir as falhas existentes na unidade em estudo. As peças são revisadas por seqüência de linha. temos que o passo e a tarefa são o que a pessoa faz.33 A equipe de costura é composta por doze profissionais divididos em células. tendo que fazer horas extras. verificando se para cada tarefa é compatíveis o tempo com sua importância para atingir os . 9. A organização do trabalho na empresa segue semana de 05 dias com carga horária de 08 horas e 45 minutos/dia perfazendo 44 horas semanais. ficando sobrecarregados. questionando o tempo das atividades e tarefas. as peças seguem dispostas em araras para a passadoria.

ainda. . funcionários que cumprem horários e outros que não cumprem ou faz horas extras desnecessárias. quais tarefas estão consumindo mais tempo para se realizarem e.34 objetivos.

uma distribuidora e uma encarregada (pessoa responsável pelo setor). formando um grupo de quatro máquinas. Observa-se que poucas são as costureiras que mudam de máquina e de operação. O layout é de certa forma celular. Percebe-se que a ênfase é dada para a produção individual. DESCRIÇÃO DO TRABALHO NO SETOR DA COSTURA O setor da costura é composto por doze costureiras. a costureira recebe da distribuição uma peça completa funciona da seguinte forma: No caso de um vestido ou uma blusa a peça é divida entre pequeno médio e grande. A encarregada recebe ordens da diretora de produção. ou seja. Esse layout é único.35 10. uma de frente para outra. . Nota-se que há uma grande variedade de produtos em processo. e é utilizado para se fabricar todos os produtos que a empresa produz. cabendo a cada costureira entregar a peça completa não tendo divisão no processo produtivo como: primeira célula costura lateral. A comunicação é verbal e sem nenhum processo documentado. segunda mangas. Cada costureira possui uma máquina sob sua responsabilidade e desenvolve somente as operações relativas a essa máquina. As máquinas utilizadas são de primeira e possuem em média três anos de uso. terceira fechamento etc. lembrando a linha de montagem do modelo taylorista. sendo as máquinas posicionadas em grupos de quatro. As células costuram uma peça toda. na super especialização da operação. não obedecendo o critério em forma de U.

sem levar em consideração o grau de complexidade dessa operação. Desde que bem adequados para a execução das atividades.36 Nota-se. reduzir as exigências biomecânicas. o esforço físico e posterior concentração de tensões e outras perturbações que venham a acarretar dores. devido a cabeça. Outro fator observado é que as costureiras não se preocupam com manutenção de posturas corretas. sem que haja problemas quanto a postura. em muitas situações de trabalho é necessário inclinar a cabeça para frente para se ter melhor visão. Essas necessidades geralmente ocorrem quando: o assento é muito alto. . eficiência e segurança. que a encarregada define a melhor costureira para os trabalhos que exige maior demanda. a cadeira está longe do trabalho que deve ser fixado visualmente ou há necessidade específica. sem muitas paradas. como nos casos de inspeção de peças com pequenos defeitos ou o ato de costurar que envolve uma certa carga muscular. Segundo Lida (1990). os ambientes de trabalho não trazem grandes prejuízos aos trabalhadores. possivelmente ausências no trabalho. como no caso do microscópio. que tem um peso relativamente elevado variando em média entre 4 e 5 Kg. Nota-se que as costas não chegam a tocar o encosto da cadeira trabalham praticamente com uma certa curvatura para frente e às vezes utilizando-se de uma espécie de travesseiro para se sentar. para que o primeiro execute suas tarefas com conforto.148): O posto de trabalho deve adaptar o trabalhador corretamente ao seu local de trabalho. a mesa é muito baixa. O enfoque ergonômico dos postos de trabalho é importante. Essa postura provoca fadiga rápida nos músculos do pescoço e do ombro. e que apresenta o maior número de peças produzidas de uma operação. conforme cita Lida (2000 p. porque tendem como resultado final. aquela que trabalha de forma constante.

a peça é mandada para as passadeiras. servirão de base para a organização do setor ou mesmo para medir a eficiência da costureira. . Com certeza. • cada músculo deve ter suficiente relaxamento para executar suas funções com facilidade. este procedimento de organizar o setor está comprometendo em muito a produtividade e a saúde das costureiras. Em questionário aplicado às costureiras. setenta e cinco por cento reclamaram de algum tipo de dor. As peças são na sua maioria retiradas pela encarregada ou até mesmo por qualquer pessoa que estiver passando no local. não é suficiente e dificilmente. • • a percepção sinestésica deve ser bem desenvolvida. uma boa postura deve ser buscada continuamente durante todo o dia. por exemplo: ginástica antes de começar o trabalho. Após o trabalho da costura. dizendo que quando não houver o cumprimento de cinco condições básicas: a incidência de perturbações ao corpo humano desencadeadas pela realização de atividades no trabalho pode ser mais significativa nas diversas profissões: • cada grupo muscular deve ter suficiente nível de força para executar suas funções diárias. se pode constatar que a organização do trabalho é empírica e mesmo com todo apoio como.37 Nahas (2001) complementa. Assim. • as partes corporais devem apresentar uma flexibilidade que possibilitem amplos movimentos.

p. e por treinamento e repetição pode tornarse um hábito subconsciente. não se trata de gente apenas com conhecimentos rudimentares como a maioria do existe hoje no mercado! Sem uma formação sólida em Ergonomia trata-se de charlatanismo. mas não necessariamente. Mas especialização em Ergonomia representa um a dois anos de atividade em pós-graduação. Neste sentido um fisioterapeuta com especialização em Ergonomia pode ajudar. Antes de buscar um profissional que possa aplicar exercícios físicos adequados. ginástica é remédio para tudo. 1988. mas no caso da prevenção das Dort/LER. pausas e equipamentos. (Calliet. é preciso estudar a situação e organizar trabalho. . A repetição de uma ação imperfeita pode resultar em uma função cinética imperfeita. eles produzem um bom resultado. Quando os exercícios se verificam pertinentes. Os especialistas deixam claro que o conceito é o da existência de pausas compensatórias planejadas num processo de atividade. manifestada não apenas na postura estática. e padrões posturais imperfeitos e repetidos podem tornar-se arraigados. 87) Para o público leigo.38 A postura é em alto grau um hábito. Na verdade muito do sucesso da chamada ginástica laboral deve-se mais ao efeito de dinâmica de grupo do que a validade técnica de atividades musculares compensatórias. há controvérsias. mas muito também nos padrões cinéticos. para então analisar a pertinência de algumas atividades compensatórias. Nessas pausas pode-se até realizar exercícios. eu posso testemunhar a favor disso.

duas afirmaram que “é ficar em casa”. sendo que um pratica 1 hora por dia. apenas uma respondeu que não é permitido pausas durante o trabalho. Das 12 costureiras entrevistadas. Nove costureiras informaram que não possuem jornada dupla de trabalho. Onze costureira informaram não realizar esportes. numa freqüência de 2 vezes por semana. RESULTADO DOS QUESTIONÁRIOS Quanto à percepção das costureiras em relação ao que é conforto.39 11. verificouse que uma afirmou ”ter um ambiente bom com boas condições de trabalho”. . nove fizeram referencia ”a um bom salário”.

O cuidado com o uso adequado do posto através de posturas autocorretivas somado aos exercícios compensatórios realizados durante a jornada. dormência e dores localizadas. a prevalência de desconforto para as diferentes partes do corpo apontou a coluna vertebral como a de maior percentual. O desconforto é um dos principais indicadores de alterações físicas do corpo relacionadas ao trabalho. bons hábitos posturais conduzem à boa aparência. pode-se concluir que o perfil da costureira tem suas particularidades. CONCLUSÃO Através da análise dos resultados obtidos na pesquisa e conforme os objetivos proposto pelo estudo. utilizando técnicas e orientações básicas para serem aplicadas diariamente de forma prática. . pois tendem a ser de natureza cumulativa e são precedidos freqüentemente por constrangimentos posturais. Desta forma. formigamento. sendo a coluna lombar a mais comprometida seguida dos membros inferiores e membros superiores. eficiência mecânica nos movimentos e menor risco de lesões. facilitam as costureiras suportar sua intensa atividade de trabalho a qual exige permanência prolongada na posição sentada. Alguns estudos demonstram que existe muita dificuldade em se mudar hábitos de trabalho já instalados. necessitando para isso treinamento específico à função realizada. Porém. a maioria apresenta flexibilidade abaixo do considerado ideal.40 12. principalmente nos intervalos. As queixas mais relatadas foram cãibras. praticam pouca atividade física isso acaba transformando-se em um dos desencadeadores de constrangimentos e desconfortos.

denunciar falhas do ambiente que poderão colocar em risco sua saúde e a dos outros. O melhor sistema de segurança que existe é as seguranças preventivas. limpo. mas existem meios eficazes para amenizar os desconfortos gerados no trabalho.41 Analisando os valores obtidos quanto à localização do desconforto e sua intensidade. organizado e arrumado. com remuneração adequada segundo o grau de complexidade e responsabilidade. disciplinado. estabelecendo a melhor maneira de evitar acidentes. seguro. podemos perceber que a tarefa diária da costureira provoca diferentes níveis de constrangimentos músculos-esqueléticos. combatendo stress e fadiga. trabalhos e atividades bem distribuídas. O trabalhador deve usar os equipamentos de proteção individual e coletivo. Um ambiente de trabalho de qualidade é um local tranqüilo. com a realização de horas extras. talvez algumas não possam ser totalmente prevenidas ou resolvidas. Portanto orientações sobre posturas adequadas a serem adotadas no posto de trabalho são fundamentais. Todos devem se preocupar com o ambiente de trabalho porque além de outras coisas. a ponto de produzir desconfortos corporais significativos que influenciam a sua qualidade de vida no trabalho. agradável. . com chefias competentes que estimulem um feedback positivo. saudável. é o local onde o ser humano passa a maior parte de seu tempo em convívio direto com outras pessoas. Esta prevalência de constrangimento e desconforto tem forte relação com os anos de profissão.

de acordo com os danos que podem causar à saúde (químicos. biológicos.42 A empresa cabe oferecer meios e condições para a realização das atividades com absoluta segurança e o mínimo de risco possível. do Ministério do Trabalho. físicos. . ergonômicos e acidentes). Ao governo cabe elaborar e fiscalizar o cumprimento da legislação pertinente aos riscos ambientais de acordo com a Norma Regulamentadora (NR-9). a qual classifica em cinco grupos. além de equipamentos de proteção individual e coletiva.

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