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nação não é necessariamente uma guerra. Compromissos mili!

a~o res limitados, com foco bem definido, no exterior, não se trad~zem como um "temI>ode,guerra" dentro do território do ptóPf país. Há maneiras melhores de deter os inimigos dos Estados VI dos, maneiras ri1enosdestrutivas em relação aos direitos consÚ;,., tucionaise aos acordos internacionais que servem ao interessê. publico de todos, dó que continuar a invocar a idéia perigosa,! botorriizanté, de uma guerra interminável.

Fotografia: uma pequena suma ·

1. Fotografia é, antes de tudo, um modo de ver. Não é a visão em si mesma. 2. É a maneira inelutavelmente "moderna" de ver posta em favor de projetos de descoberta e inovação. 3. Essa maneira de ver, que agora tem uma longa história, molda aquilo que procuramos perceber e estamos habituados .:' distinguir nas fotografias. 4. A maneira moderna de ver é ver em fr~Lgn[1eIltos.'rer~-I;e}<i(\};;~'""i.j:i:,? a sensação de que a realidade é essencialmente ilimitada nhecimento não tem fim. Segue-seque todas as fronteiras"~?4tj$\i as idéias unificadoras têm de ser enganosas, demagé>~iças;;n~t); .. melhor hipótese, temporárias; a longo prazo, quase semPl'(ltl' " ' sas. Ver a realidade à luz de' certas idéias unificadoras predis-

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tagem inegável de dar forma e feição à nossaexp~rJê:n~i~t; também - assim nos instrui a maneira1TIod.~l:Jl~;idJ)§ , '
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Como somos modernos (e se temos o há.j. compreeni' demos que todas as identidades são construções. O que é liberaJ' dor. dé:1 destruição do passado. 11. mas sim um projeto..e empurra continuamente para. 10. 7. Para esse corpo de obra em anda. que so. E há também fotos que parecem reclamar . Olhamos. Conhecer é. fragmentos. 5. :138 V:.. Uma foto registra a aparência. que podem ser lembradas de modo instantâneo. a realidade é antes de tudo:" aparência . antes de tudo.a qual está sempre mudando. uma atrocidade. A câmera define para nós o qu~\ de irrefutável - e nossa melhor pista para a identidade aparência que as pessoas têm. uma pandemia. que temos de querer que se faça algo a fim de cessarem tais horrores. É a maneira de olhar que identificá~' mos como arte. Acumulamos relances. bito de olhar fotos. Todos nós estocamos mentalmente centenas de imagens fotográficas. A obra de alguns dos melhores fotógrafos socialn1él1ct". registramos.s Fotos conferem importância aos eventos e os tornam memorã-i veis. assim nos dizem. reconhecemos. inesquecíveis. Para uma guerra. Os fotógrafos são especialmente admirados se revelam verdades ocultas sobre si mesmos ou conflitos sociais que não foram plenamente cobertos pela imprensa. vivem os espectadores. mento. Na visão que nos define como modernos há um número infinito de detalhes. As fotos das terríveis crueldades e injustiças que afligem a maioria das pessoas do mundo parecem nos dizer . Essaéu*1. nós mesmos. é preciso que haja. 6. um tipo diferente de atenção. as imagens feitas por câmeras são o principal acesso a realidades das quais não temos experiência direta de espécie alguma. Todas as fotos aspiram à condição de ser memoráveis ou seja. Portanto. um a"':::"":'. imagens para que algo se torne "real': Fotos identificam eventos.~ sim chamado desastre natural tornar-se objeto de ampla preocupação. fotos se parecem com a vida: Ser moderno é viver extasiado pela autonomia selvagem do detalhe.\i . Fotos são detalhes. em sociedades ao mesmo tempo próximas e distantes de onde. caso se pareça Illuitt) çc:I'r1 arte. Uma foto é um fragmento um relance. E a fotografia entendida como arte pode inc()rrei':ptdj~'lr~{+) provação paralela a de que amortece a pre()cuIW9~9'il permitimos que seja "real" . A única real ida'. de notação. a rigor o nosso direito.. 9. Desse modo reprime' a nossa energia. 8.. Numa sociedade moderna. reconhecer. destinada a nos incitar a sentir e a agir. engajados é muitas vezes reprovada.i adiante as fronteiras do real.a nós. é preciso alcançar pessoas por meio de vários sistemas. Na maneira moderna de conhecer. O registro da fotografia é o registro da mudança.~ maneira mais fria de olhar. Na maneira moderna de ver. O reconhecimento é a forma do conhecimento que agora se identifica com a arte. somos modernos por definição). de refazer o que queremos refazer . E se espera que recebamos e regis-' tremas um número ilimitado de imagens daquilo que não experimentamos de forma direta. (desde a televisão e a internet até jornais e revistas) que difun-/ dem imagens fotográficas aos milhões. mos privilegiados e estamos relativamente seguros que temos' de ser despertados.a nossa sociedade.a infinita variedade e complexidade do real. a fotografia não é uma espécie de agitação moral cial. é perceber cada vez mais.

O museu da memória ocidentalé. hoje.a disseminação .. E isso.pelo' menos seisdécadas __ . digamos. 14..se de fato é um conhecimentosóbre. das fotos -. não no que elas retratam.. Não existe uma foto final. vros sofisticados.ilslhtos têm deixado as marcas de como os conflitos importantes sãojulgados e lembrados. houve.a forma suprema de viajar. (E tudo isso é "humano") Mas o que devemos fé zer com esse conhecimento . Olhar para a banalidade e também apreciá-Ia.:. 12. de turismo. As fotos têm um poder insuperável para determinar o que recordamos dos fatos.isto é verdade pará boa parte da melhor fotografia atual-nos convida a olhar pa. de tudo limitar um desastre de relações públicas . O governo Bush e seus defensores procuraram acima.. sobre a anormalidade. Como UI ramo da arte. " 140 .J~g~ podre que os Estados Unidos desencadearam de forma preventiva no Iraque no ano passado serão as fotos da tortura dos prisioneiros iraquianos praticada por americanos na mais infame de todas as prisões de Saddam Hussein. apoiados nos hábitos de ironia bastante desenvolvidos ratificaS.como se oerro ou o horror estivessenasÜJ1~4" gens. o deslocamento da realidade para as fotos em si. Pode nos mostrar algo realmente medonho e ser um teste do que nosso olhar consegue suportar e que'» temos o dever de aceitar. Antes de tudo. A fotografia . modo caracteristicamente dem ser completadas. o eu.' é o principal meio moderno de ampliar o mundo. em vez de enfrentar os complexos crimes de liderança e de estratégia revelados pelas fotos. situações e conflitos que temos de deplorar e nos peder que fiquemos distantes.: dos nas justaposições surreais de fotos típicas de exposições e li". Abu Ghraib. destinos ou relegados ao ostracismo? 13. sobretudo visual. moderno de experimentar qualq4e'l' coisa: a visão e a acumulação de fragmentos de visão nunca. Evitou-se também . Ou muitas vezes . e agora parece provável que a associação determinante das pessoas de todo o mundo com a guerra c1#p: d.' ra a banalidade. Chamemos de conhecimento ou chamemos de reconhé-' cimento de uma coisa podemos ter certeza a respeito sobre mundos Sobre a tortura dos outros Há um longo tempo . tra~~? gressivos. Uma foto pode estar nos dizendo: isso também exisib.nos fatos. o projeto da fotografia de ampliação do muncl~' tende a especializar-se em temas tidos por contestadores. A reação inicial do governo foi dizer que o presidente estava chocado e iridigna-( do com as fotos .. E isso.

Ull'Hl ocupação. e na baí de Guantánamo . mas se foi sistemática. ao seu objetivo hegemônicodele"ar " ' "a liberdade e a democracia" ao ignorante Oriente Médio. mesmo um estado de guerra ou u ameaça de guerra.1. Recusar-se a chamar o que ocorreu em Abu Ghraib e aconteceu em outros locais do Iraque e do Afeganistão. se trata de uma acusação dê maus-tratos. é provável que a palavra "tortura" continue banida. é tão e.i do por essas imagens deve parecer "injusto". Reconhecer que americanos torturam seus prisioneiros seria contradizer tudo o que esse governo pediu que o público acreditasse a respeito da virtude das intenções americanas e da universalidade dos valores americanos." . dez anos atrás. em defesa de seus interesses e segurança. Mesmo quando o presidente foi por fimcoagidpausará palavra "pesaroso". O que torna algumas ações representativas e outrasnão?A questão não é se a tortura foi praticada por individllo~(Qllsej(\. .. até de "humilhação" .·.e fim de reduzir os prejuízos da ampla divulgação da tortura depri-i·< sioneiros em Abu Ghraib e outros locais -:.s+ candaloso <}uanto a recusa de chamar o genocídio de Ruanda dê' genocldio. palavras subtraem. de 1984.ciais. te poucas semanas... exoneração desonrosa.él t..l.êri. Aqui está uma das definições de tortura contidas na. convençãoda qual os Estados Unidos são signatários: "Qualquer ato mediante o qual uma dor ou um sofrimento forte." de 1949 .('nã. "E. o .()foco({6pe~ sar ainda parecia ser o estrago causado à pretensãoaiuericanade uma superioridade moral.isso foi o máximo que se admitiu.. ' reputação dos Estados Unidos em todo o mundo. da Iordânia. palavras acrescentam. (A definição provém da Convenção cóij tra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis.' .. cortesmár. Autorizada~Sancionada. até agora. duranp. ao lado do rei Abdullah n. como deixar prisioneiros nus." A convenção de 1984 declara: "Nenhuma circunstância excepci nal.. que estava "pesaroso pela humilhação padecida pelos prisioneiros iraquianos e por seus familiares': Mas prosseguiu e disse que estava "igualmente pesarosoporque as pessoas que viram essas fotos não compreenderam averdadeira natureza e coração dos Estados Unidos': ' .<. 143 . Qualquer que seja a ação que esse governo implern.Ôa lllá. \.. pelos seus vizinhos hútus.'0. Desumanbs ou Degradantes.< celas e corredores. o que é a suprema e triunfalista justificativa do direito americano a uma ação unilateral no mundo.e. o que creio ser tecnicamente diferente de tortura" disse o secretário de Defesa Donald Rumsfeld numa entrevista coletiva.. Definições semelhantes existiram di. em vista da ampliação e exacerbaçã6. é inevitavehnente uma imensa tapeçáriadençCics. pode ser invocada como justificativa da tortur~ E todos os acordos sobre tortura fazem referência ao tratamentR. a c6'~:j' rneçar pelo Artigo 3 . demissão de autoridades militares em altos cargos e de funcionários do governo. - tura". Foi a insistência em evitar a palavra "genocídio".o por todo mundo"). instabilidade política interna ou qualquer emêí gência pública.:: rante algum tempo em leis consuetudinárias e em tratados. Os prisioneiros foram talvez objetos de "maus-tratos': 0R. ' .e muitas convenções de direitos humanos recentes. Palavras alteram. qualquer que seja ela.V1paguerra.·.\. Sim. além de uma substancial compensação às vítimas -. portanto. enquanto cerca'f de 800 mil tútsis em Ruanda estavam sendo massacrados. quê"i11 •. indicou que o governo americano não tinha a menor intenção d~ fazer nada. físico ot mental. não vou usar a palavra 'tortura'.< O fato de o esforço americano no Iraqué ters~d()sil"ltetjZ(l':.·.. ' senhor Bush disse em Washington no dia 6 de maio. é causado intencionalmente a uma pessoa.comum às quatro Convenções de Genebra" .)/fL.· •." destinado a humilhar a vítima. tortura. '42 I.. com propósl tos como obter dela ou de uma terceira pessoa alguma informa ção ou uma confissão".pelo seu nome verdadeiro.processos. "Mh nha impressão é de que.. . paraaqllclésq ue viam alguma justificativa numa guerra que de fato4~l'ntb()UlUll dos tiranos monstruosos dos tempos modernos..

mas instantâneos em que os carrascossçê61(Jt:ii. E acrescentemos a isso as doutrinas abrangentes governo Bush. guardadas em álbuns.<ú~: e queimado de um homem ou de uma mulher negra. Acrescer temos a essa corrupção genérica o desconcertante e quase tót despreparo dos governantes americanos do Iraque para lidar cÓt as realidades complexas do país ap6s a sua "liberação" ou sej'~". mostradas.il. Há cada vez mais registros daquilo que as pessoas gistros obtidos por elas mesmas. nos quais as pessoas registram o seu ~::a.~ mes e as crueldades cometidas contra milhares de pessoas eI1ç ceradas sem julgamento e sem acesso a advogados em pri~1 dirigidas por americanos. o ideal de AndyWarhol de 0111 tempo reala vida não é editada.". Pelo menos ou i maioria ou a minoria dos americanos pratica tais atos.e~~~~g'!~fl~~iii!f. pendu.. praticaram tortura e hurr. masse natureza da política desenvolvida por esse governo e as hieraf guias aplicadas para implementá-la tornam tais atos prováveis..J <I. Os belgás no Congo.... enviam fotos por e-mail paraoml1nc10ih1téi .corn{).:..• ro. as fotos somos n6s. Ou seja.ra do numa árvore às suas costas. Os soldados alemães na Segunda Guerra'' nos Estados Unidos.(. :-...umal?~' tica formulada por Donald Rumsfeld já em janeiro de 2002') assim. refletem uma mudança no uso feito de fotos . são represen tativas da corrupção fundamental de qualquer ocupação estra. agora os próprios soldados são fotógrafos completos .. Assim são as fotos de Abu Ghraib. dial tiraram fotos das atrocidades que estavam cometel1dOJ1RI!<1: lônia e na Rússia. "tecnicamente sem nenhum direit~.' servações do que acham pitoresco. talvez sejam tos de vítimas negras de linchamento tiradas entre 1880 e que mostram americanos sorrindo embaixo do corpo mutilad()(.. as suasob .!':!2 cavam entre as suas vítimas são extremamente raros. As fotos de [inchamento eram da natureza das fotos como troféus tiradas por um fotógrafo.') ..t Convenção de Genebra': e temos uma receita perfeita para oSÊt. sobre(}§ cativos indefesos. mas L i li/ Xi!!! oqi fotos revelam que aconteceu com "suspeitos" sob custódia de~ ricanosi Não: o horror do que é mostrado nas fotos não P()4i separado do horror do fato de as fotos terem sido tiradas<j os perpetradores fazendo pose. é uma diferença criada pela crescente ubiqüidade de ações fotográficas. i·ii? venires de uma ação coletiva.. Se existe uma diferença.. Portanto.>/'. de Ianina SttukSet1á(' algo comparável ao que essas fotos mostram. . a fim de ser colecionadas. cujos participantes se sentiam feitamente justificados naquilo que tinham feito.. se o presidente assim decidir.11" geira associada à política distintiva do governo Bush. criadas a partir dos ataques deJf setembro de 2001. os franceses na Argélia. porém. chamado "terrorismo") e que as pessoas presas nessa guerra.. segundo Rumsfeld. a questão real não são as fotos em si.•. "combatentes ilegais" .:~::::..c(\ .' difundir. As fotos de linchamento •.~I~I}i}SMj tcrnet." Onde antes a fotografia de guerra constituía um domínio de ....menos objetos . em especial a doutrina de que os Estados Unicl.. a sua diversão. Uma cãmera digital é um bem comum entre soldados.. por que seu veria ser? _ tornou-se uma norma para íncontãveis sJ~le. As tiradas por soldados americanos em Abu Ghraib.t~ lhações sexuais em desprezados nativos recalcitrantes. '.. entraram numa guerra sem fim (contra um inimigo polimóftõ't .registram a sua guerra.~~õ. A questão não é se... caras de contentes..s~~"X\' pode ver em Fotografando o Holocausto.../:1 : pórteres-fotográficos. as suas atrocidades i cam fotos entre si.' que se devem salvar do que mensagens que se devem disseminar.. conquista.. Vistas sob essa luz..:)p:' 'Jbd'1S as ações são praticadas por indivíduos.

De fato. Ao olhar para essas fotos. como algo para registrar. guardam em arquivos de computador e despachai os arquivos para toda parte.mesmo.. obviamente.'3 dum Hussein. bocejando. já canônic~1 foto de um homem obrigado a ficar de pé sobre uma caiiâ capuz e envolto em fios elétricos.\i: muns tentaram emular. ou sobretudo.imagens que pessÔasi'SA. são raras. em parte.. a dedicada e incessante produção de víd~. no gráficas disponível na internet . aquilo que pode ser captado em fotos digitais e em vídec talvez a tortura seja mais atraente. As pessoas registram todos os aspectc da sua vida. quando mília se acha nos estertores de uma crise ou numa grande infe af.. monólogos. algemados. quando era dirigidOl'()r~q~17< . levando os filhos à escola. '. ao longo de muitos anos.. a ser fotografados. Não dá para contestar que sejam to#i Basta olhar para o terror no rosto da vítima. Os fatos destinam-se. ou quando são levados a . Sem dúvida. depois de fazer uma pilha de homens nus. docume tário de Andrew [arecki sobre uma família de Long Island eriVe vida em processos de pedofilia. Americanos também agiram e agem~ssiJnqp~l!'1t/ recebem ordens. obrigados a se masturbarem ou simular sexo oralllris com os outros? E nos sentimos ingênuos ao perguntar.1?(')~1')':. Há a profunda satisfação de ser fotografado. fotos de prisioneiros mant em posições dolorosas.· . domésticos em que uns filmavam os outros. amarradas é apenas uma parte da história. A vida familiar caminha junto cdi o registro da vida familiar . soas. que as pessoas fazem isso umaSCOllljS' outras. Ficaria faltando alguma coisa se. espreguiçando. À medida que mais fot<') Abu Ghraib se oferecem ao público. qU do contém um componente sexual. tomando o café-da-manhã m mos em que medida as torturas sexuais infligida~.}i(:. escovando os dentes. O sorriso é um sorriso para a câmera.andando.N ~t' si.r. Estupro e dor causada nos órgãos genitais estãoientt~<lS.' de computador. enviando elas mesmas os seusarquiv()s. Contudo.. mas com alegria. ou obrigados a ficar de pé com os b . E nos perg '1'1.·a9s··1)ré~Õ~i~!f\'í Abu Ghraib se inspiraram no vasto repertório de imagells.. Uma exceção. ou fingindo não ter ciência.!i" • i hoje as pessoas estão mais inclinadas a reagir não com um olhar duro e direto (como acontecia antigamente).. a maioria das fotos de tortura tem um tema se:' como na que mostra a coerção de prisioneiros a praticarei simularem.>. constituiu o material nt.~ fotos de tortura aparecem intercaladas com imagens pornogn cas em que soldados americanos se mostram fazendo sexo Viver é ser fotografado. das atenções incessantes da câmera. íormas de tortura mais comuns. continuar a viver inconsciente. Mas viver é também posar.. pois posta é. para um número cada vez maior deI. tanto. cidade. atos sexuais entre si. à qual' . Não só nos camposdec~liêeI1" I ração nazistas e em Abu Ghraib. a quem informaram qUt:!~ eletrocutado se caísse. impressionante em Capturing the Priedmans (2003). Agir é participar da comunidade de ações registradas como imagens. Mas a maiorii fotos parece parte de uma confluência mais vasta de tort •• pornografia: uma jovem conduzindo um homem nu por coleira é uma imagem clássica da dominadora. em conversas 0\1/:. Aqui estou eu . A expressão de satisfação com os atos de tortura infligidos a vítimas nuas. ter um registro da sua vida e.l'elllily show particular. abertos.e da humilhação de outro humano? Atiçar cães de guardacontra os órgãos genitais pernas de prisioneiros nus agachados? Prisioneiros encapuzàdos.M Uma vida erótica é. '". . nos perguntamos: como alguém pode sorrir diante do sofrimento . não se pudesse tirar uma foto deles. revela-se com certeza qli.(1 .. indefesas.

aorriundo choque e terrível estupefação: um padrão de comportâmen1:ocri~ tninoso em franco desacato às convenções humanitárias interna149 .como no úl inassistível filme de Pier Paolo Pasolini.ç~\ .~i~ dêmica nos ritos grupais de jovens. essas pessoas estão sob o fogo inimigo todos os dias.ê". E Limbaugh prossegue: "Sabe. uma diversão. perderam todos os seus direitos ~a reconhecer a loucura. Bush anda dizendo para o mundoi'. O comentário . Salõ (1975). exclamou ele.aO sexual serem vistas .. como brincadeirasd (. e vamos então de fato rnarretá-los porque eles estão se divertindo?" "Eles" são os soldados americanos. e também os muitos>" demos nos perguntar: será que essa pessoa de fato viu as fotogranas? Não importa.sobre as quais têm um poder absoluto merecem ser humilhadas. não há de estar muito longe o lançamento do video~~d . disse por telefonelÚ milhões de americanos que ouvem o seu programa de rádio.tlfhá brincadeira de fraternidade universitária. E esNilS fotos que os americanos distribuíram anunciam. O crime violento está em baixa.. ços para o nosso esforço militar.ou será uma fantasia? ---' acertou em cheio. cada vez mais'i'ho contrário do que o sr. e vamos criarernbara.poucaopósição a essa tendência. atormentadas. "É exatamente isso o que penso. era Mussolini -. infelizmente. que' orgias de tortura no reduto fascista ao norte da Itália nofi~~~I~. Não é nem um pouco diferente praticados. Desde os tormentos dolp infligidos a estudantes calouros em muitas faculdades aftté. O que antes era segregado como pornografia. enquanto()sE:stci. E essa idéia de diversão.····.e a humilhe> tos e confusos (1993) -. contudo o prazer fácil deriy~'d()' da violência parece ter aumentado. Agem assim quando são levados a crer que asp~sC soas que estão torturando pertencem a uma raça ou religiãq' fedor. na Universidade de Yale.. Eu estou falando de pessoas que se divertem.i(. belicosa América. Quanto ao fato de a tortura. É provável que um número bem grande de amerieanos pre- db~il. parte da "verdadeira natureza e coração dos Estados Unid6si\ difícil medir a crescente aceitação da brutalidade na vidaá. sica e humilhação sexual em fraternidades das faculdad~s equipes esportivas. a incompetência e o engodo daaventul'a umericana no Iraque.f lha pensar que não há nenhum problema em torturar e humilhar outros seres humanos que. mas sua evidência está em toda parte.dosUllidosconti.: niado e pela necessidade de máxima vigilância doméstica.parecé' hav~r.retratados no filme de Richard Linklater.iJú~)l'na tornar-se um Estado militarizado. bom entretenimento.. Interrogando os terroristas- e vai até a violência que sê tornR. os torturadores.OS supostos ou suspeitos. nas do subúrbio . imperial. "Empilhar homens nus" é semelhantêa. agora está sendo normalizado pelos apç danava. com um ímpeto exuber~i.. . até os rituais de trote de brutalicidª. Pois o sentido dessas fotos não é só que tais atos 10 ou descontração. O que talvez ainda seja capaz de chocar alguns americanos é a reação de Limbaugh: "Exatamente!". Já ouviram falar em alívio emocional?". onde:os'patdot<lssb definem corno aqueles que têm um respeitoincondiCional'pel(jp6déràt. h rqr ouvinte no programa de Rush Limbaugh.comodiversão. a começar peIqh deogames de matança que são o principal entretenimento ninos - do que acontece na recepção de calouros na sociedade secreta de estudantes Crânio e Caveira.:)" E mais estarrecedor ainda.~./A'·lí' . . mas que os seus perpetradores parecem não terahtê~'nor idéia de que haja algo errado no que as fotos mostram. cana. os Estados Unidos tornaram-se ump que as fantasias e as práticas da violência são vistas corri. na condição de nossos inimiI'.e vamos arruinar a vida das pessoas por causa disso... comoc cicio de desejos sadomasoquistas radicais . uma vez que as fotos des!f varn-se a ser difundidas e vistas por muita gente: tudo era-di são.)'f. é o caso delas.

O que quer que o preso saiba. agora as pessoas clamam para ser cd: vidadas a um programa de tevê a fim de justamente revelar tl segredos.cionais. deixá-los debilitados . acusação de algum tipo e uma sentença de um número especf co de anos. Essa interminável "guerra global contra o terrorismo" na qual tanto a bastante justificável. O que aconteceu no novo impériocá] cerário internacional dirigido pelas Forças Armadas dos Estadé Unidos ultrapassa os famigerados procedimentos da Ilha do Di bo francesa ou do sistema do Gulag da União Soviética. constitui um insulto ao nosso senso histórico e moral. ligiosa. recolhidos em alguma leva de "suspeitos" -. sobre os quais os arnericanos não sabem quase nada. sancionada pelas Forças Armadas americanas e pelos governantes civis a fim de saber mais a respeito de um nebuloso império de malfeitores. dos pelas leis internacionais e pelas leis de todos os países civilizados.nenhuma informação (não importa em que consista essa informação) será considerado um fracasso. em países sobre os quais eles são especialmente ignorantes: em princípio. Deveríamos ficar totalmente surpresos? Em nossa ciedade. a principal justificativa para mantê-los presos é Um "interrogatório': Interrogatório sobre o quê? Sobre qualquer coisa. te as atrocidades que cometem.invasãodo Afeganistão e a invencível insensatez do Iraqueforam do Pentágono -leva . segredos da vida privada. Trava-se uma guerra sem fim para justificar encar ramentos sem fim. primeiro. Lembremos: não estamos falando daquele caso raríssimo. Se o interrogatório é o motivo para deter prisioneiros por um tempo indefinido. a postura internacional dos Estados Unidos et. formular muitas instituições e prerrogativas domésticas. então a coerção física.incluídaspor um decreto inevitavelmente à demonização e à desu- manização de qualquer pessoa que o governo Bushdeclare ser um possível terrorista: uma definição que não é objeto dedebate e. na verdade. toda e qualquer informação pode ser útil. a situação "bomba-relógio': que é às vezes usada como caso-limite que justifica a tortura de presos que possuem um conhecimento de um ataque iminente. e no caso do império prisional russo. As pessoas presas no império penal extrale americano são "detidas". e muc radicalmente. Um interrogatório que não. Como não existem acusações contra a maioria das pessoas detidas nas prisões no Iraque e no Afeganistão -'. Por isso é mais justificável ainda que se preparem os prisioneiros 'para falar. e enviam as fotos para seus panheiros. "prisioneiras': palavra que acaba de tÜl'mu' obsoleta. excetosimplesmente estar no lugar errado na hora errada. com process sentenças judiciais. com o polegar para cima. Soldados agora posam. Amolecer os prisioneiros. que caso da ilha penal francesa contavam. Trata-se de uma coleta de informações inespecífica ou genérica. a humilhação e a tortura tornam-se inevitáveis.a Cruz Vermelha informa que entre 70% e 90% dos presos parecem não ter cometido nenhum crime. É uma conseqüência di ta da doutrina "ou está conosco ou está contra nós" de confli mundial. de guerra interminável- Og verno Bush envolveu o país numa doutrina de guerra pseudo-i pois a "guerra contra o terro nada mais é do que isso. poderia sugerir que elas têm os direitos confê . na qual antigamente se fazia de tudo para esconder.são eufemismos para as práticas bestiais 151 A idéia de que desculpas ou profissões de "pesar" feitas p presidente e pela secretária de Defesa são uma reação sufície . com u. é em geral feita em segredo. com a qual o governo Bush procurou mudar.produz. A tort de prisioneiros não é uma aberração. O que essas fotos ilustram é tanto a cultura da falta vergonha como a reinante admiração da brutalidade que nãop] de desculpas.

. esses prisioneiros são assassinos. uma imagem diferente e... Rumsfeld. madas americanas. as conclusões dos relatórios compila42". . no caso de algumas das mais conhecidas ir gens.§ .. Como a proteção da "nossa liberdade" . em no~: era de auto-reprodução e auto disseminação digitais infinitas.ell~<· te e com toda a responsabilidade e profissionalismo defendendo a nossa liberdade em todo o mundo".:.. Cheney. são insurgentes.. Iarnes Inhofe..chegou ao ponto de exigir a presença de soIdad<>s americanos em todo o mundo é uma questão nunca discutida.. Esse prejuízo -. portanto.B. "Esses prisioneiros.é aquilo que o governo Bush deplora acima de tudo. Os Estados Unidos vêem a si mesmos como uma vítima do terror futuro ou potencial. foi preciso que as fotgsi' surgissem para que a atenção deles despertasse.~ ricanos çomo uma sugestão de que nãotemosódÚcítoi.. Rice ou pelo sr.. são terroristas.à nossa. pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha e outros relatos fi tos por jornalistas e protestos apresentados por organizações hu manitárias sobre os castigos atrozes infligidos aos "detidos~)'~ "suspeitos de terrorismo" nas prisões dirigidas pelas Forças . que são mais fáceis de encobrir. mais aterrador[)' seria "mau gosto" ou implicitamente político demais? Por "pá"" >ti. membro republicano-dó Comitê do Serviço Militar do Senado. De fato. Assim... confessou que tinha certeza de que ele não era o único membro do comitê "mais ultrajado pelo ultraje" das fotos do que pelo que as fotos mostravam.. . parece que elas eram necessár~á~ para levar os nossos líderes a reconhecer que tinham um problema nas mãos. muito mais fáceis de esquecer.• '. reputação." . ou se mostrájl sem cortes (o que... diante do qual o secretario Rumsfeld prestou testemunho. irão agora debater se devem mostrar mais fotos.éonf ">1 II1 éri#i{ As fotos não vão desaparecer.a liberdade de S%'4a humanidade .OsameriçallPS~Stã()Sel)do.•... "..~~.• contínua publicação das fotos está sendovistap()rJntijÜ)~álll(. de Oklahoma... Até~ri~ tão.. como a de um homem encapuzado sobre uma caixa. Muitos deles provavelmente têm sangue americano nas mãos. .-:'.· advertidos por se entregarem a umaol'giadejllII'OÇ()llÇl~tlâs:ã~').. Essa é a natureza do mum digital em que vivemos. Afinal. cÔJri:~!'" muitos americanos são forçados a sentir. foram as fotos que tôr. Porém o resto do mundo pensa diferente.. em certos exemplos./\ cam. Pois não pode haver nenhuma dúvida de que as fotos pi~judi..OsEstados Unidos estão apenas se defendendo.contra inimigos furtivos e implacáveis. A reação violenta jácomeçou. está provocando e vai continuar a provocar mais violência.. pelasi~:.. . nossa imagem.. eles (os terroristas) começaram~ElesÓsatna bin Laden? Saddam Hussein? Qual a diferença? -l1a'satacaral~l primeiro.. Será que os editot~s .. como atestou o sr. Será que as pessoasir~Ó' se acostumar com elas? Alguns americanos andam dizendo já viram demais.r'· :'. as fotos agora continuarão a nos "agredir" - i. pelo sr. . sabe': explicou o senador Inhofe.:..: celas l-A ou 1. Rumsfeld. Bush. Parece duvidoso que taisi.nas prisões americanas onde suspeitos de terrorismo estão deti~ dos.:-':>':::~-.:' latórios tenham sido lidos pelo sr. primeiro no Afeganistão e depois no Iraq~~ já circulavam havia mais de um ano. parece que são muitos aqueles que ficam de6f~ litados demais e morrem. "a reputação dos ho mulheres honrados das Forças Armadas que estão corajosalll.. nosso sucesso como única superpotência .. só havia palavras. pelos nossos governantes eleitos. "não estãolá por uma violação das regras de trânsito..:-..ço" entenda-se: "crítico" do projeto imperial do governo Bll.. Se eles estão no bloco de . forIBaj.A . e nós vamos ficar preocupados aqui com o mento recebido por esses elementos?" É culpa da "mídia'. quando ficou<:t~ ro que elas não poderiam ser apagadas. ..@l'lOS< defender: afinal."'· naram tudo isso "real" para o presidente e seus associados. Gu~ ra interminável: fluxo de fotos interminável. Infelizmente. Ao que parece.

disse estar "firmemente convencido" de que as novas fotos "não devem ser divulgadas. supostamente. Assim como muitos achavam que as imagens de soldados americanos mortos durante a invasão e li ocupação do Iraque que apareciam na televisão eram uma crítica implícita da guerra.. mas como reconhece OS] Rumsfeld é difícil censurar os soldados que estão em outros PélÚ ses. os soldados de hoje age 4 como turistas. Creio que isso poderia pôr em perigo os homens e as mulheres das Forças Armadas. mas por causa daquilo que as fotos mostram que está acori tecendo. Em vez disso. <:ar.\ tra o terrorismo" se tornem uma questão de guerra de . contra a lei.~. haverá outros milhares de instantâneos e de vídeos. No momento.identificar o "ultraje" das fotos com uma campanha para minar o poder militar americano e os propósitos a que ele atualmente serve.·": tre enquadrar o assunto de um ângulo favorável na imprensa. Mais americanos vão rer. Mas a verdadeira iniciativa de limitar o acesso às fotos virá do esforço contínuo de proteger o governo e encobrir os nossos desmandos no Iraque . para a mídia. da Virgínia. mostran.. cujo resultado pode ser prejudic~f iledasforem divulgadas. tas que podem ser abertas por censores militares que riscam trechos inaceitáveis. Mas a distinção entre foto e realidade . Rumsfeld em seu depoimento. na "guerra global cori~. como impatriótico. o que o governo Bush quer que aconteça.{. E a guerra 6 um inferno maior do que as pessoas que nos colocaram nessa guerra podre parecem ter planejado. feição legalista: as fotos são agora classificadas como provas pa#~i' futuros processos criminais. divulgar as novas fotos e macular mais ainda a imagem dos Estados Unidos será entendido. Guerra interminável. que não escrevem cartas para casa. não para aqueles que são as efetivas . uma estratégia política pode evaporar-se facilmente.:~:>. Iohn Warner. no dia 12 de maio. "saem por aí co~': câmeras digitais e tiram essas fotos inacreditáveis e depois ase9~ viam. estamos em guerra. obvià mente a situação irá piorar. Em nossa sala de espelhos digital.. de modo crescente.~ v controláveis.tra os americanos em todo o mundo..como eJ). a discussão está assumindo uma' .. acontecendo sob as ordens e com a cumplicidade4é' uma cadeia de comando que chega aos níveis mais altos do go~ vemo Bush." Piorar para o governo e seus projet tos. "Se forem liberadas para o público.:. autorização feita pelas forças militares america nas e pelas autoridades civis americanas. A mídia pode se autocensurar. pois estão em atividade e sob grande risco". Por causa dessas fotos. E mesmo que nossos líderes prefiram não olhar para elas. E é iS~9. do seguidas imagens de humilhação e violência sexual contra prisioneiros iraquianos. ço do governo para reter as fotos se dá em diversas frentes mesmo tempo.e p()2 tenciais -vítimas da tortura. O presidente republicano do Com . " Seria um grande erro deixar que tais revelações da autoriz~" do Serviço Militar do Senado.. conforme disse o sr. parece que uma foto vale mil palavras. In- ção da tortura.. como antigamente.'. Os americanos estão morrendo não por causa d~>' fotos. Sim.e contr~ . para a nossa surpresa': O esfó. admitiu o sr. .imagens. as fotos não vão desaparecer. "Existem muito mais fotos e vídeos'. Afinal. depois da apresentação das fotos em slides. Rumsfeld.