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O resgate da cidadania

No agreste Pernambucano há uma cidade muito conhecida por moradores de todo o Estado. O festival de Garanhuns sedia um dos principais pontos de encontro no mês mais esperado pelos garanhunheses. Festas, chocolates, artesanato são conhecimentos que temos sobre a região, mas pouco se sabe de quem reside neste pedaço de terra tão desenvolvida, porém tão interiorana. Cidadãos que convivem com uma realidade sócio- cultural similares as capitais. Mansões e casebres, carrões e carroças habitando o mesmo espaço. Donos de uma vida sem luxo grande parte da população vive apenas com o básico, isso quando esse básico não se torna luxo. Em Garanhuns há também pessoas que vivem de aparências , “Aqui as pessoas podem não ter o que comer, mas arrumam um jeitinho de ter um bom carro e uma boa casa”, falou Roberval, diretor do programa Empreender Comunidade. Programa este vem trazendo feitorias no processo de reciclagem. No momento estão com fabricação de vassouras, sabão, móveis e bicicletas tudo com feito material reciclado recolhido por trabalhadores que vivem do catado. Em uma visita à fábrica de vassouras encontramos a simpática Marlene que aos 66 anos não deixou de trabalhar. Dona de uma paciência e de um pensamento decidido impõe sua voz ao pedir material para a construção de “suas” vassouras. “Ela é quem manda aqui, eu não mando em nada”, falou, em tom jocoso, Roberval. Porém quando perguntamos o por quê dela fazer aquele trabalho manual todos os dias ela responde de forma direta, porém com uma suavidade característica da sua voz, “É um divertimento para mim, tenho quatro filhos e nunca trabalhei”. Trabalhadora e dedicada seu trabalho é tão conhecido na região que de vez ou outra acaba sendo entrevistas a quem passa pela cidade. Já no outro lado da cidade, mais especificamente na comunidade do Vale do Mundaú nos deparamos com outro projeto do programa, a fábrica de sabão do Vale. Nele, oito mulheres ocupam meio período para se dedicar ao ofícis do fazer sabão. Um processo demorado passado por várias etapas manuais, sem nenhum aparato tecnológico. Tudo a base do pano e da força humana. Poucas pessoas conhecem os ingredientes e o processo para a elaboração daquele que sempre utensílio obrigatório na hora do banho. Gordura (banha), óleo são as suas bases. Aquecendo em um forno feito de galão de tinta, Zélia, Maria do Socorro, Joseane , Alexsandra e Eliane tiram um pedacinho da sua renda. Mulheres que ao serem perguntadas sobre profissões e trabalhos diziam numa sinceridade absoluta que nunca tinham trabalhado fora de seus lares. Que

É muito mais além. Uma delas passou nove anos tentando e a outra dois”. . Diziam também que estavam adorando trabalhar na fábrica. Realização palavrinha que as estampavam. que o dinheiro não era muito. quando vai chegar Roberval?”. Eliane e tantos outros não possuem apenas um sorriso frouxo e uma simpatia em comum. mas o prazer em fazer algo era um bem maior. mas uma satisfação pessoal. Este programa Empreender Comunidade não só traz a reciclagem como benefício de ajudar ao meio ambiente. eles na medida que dão oportunidade a estas pessoas de fazerem algo. ocuparam suas mentes com outras coisas conseguiram relaxar e só assim realizar um sonho. Sabão fertilizante? Brincadeiras que faziam entre elas. questionou Zélia. No momento em que elas deixaram de pensar em querer engravidar e começaram a trabalhar. duas meninas estão grávidas. acabam por resgatar algo que a muito tempo adormecia. Maria. Mas que na verdade esta fertilização tem outro nome. Risadas não era deixada de lado naquele ambiente hostil e aconchegante ao mesmo tempo. Completando “você não sabe. não só em seus rostos alegres mas em suas palavras. realização pessoal. Joseane Alexsandra. ou seja.esse seria o primeiro emprego. a cidadania. Marlene. Zélia. como toda empresa há sempre aquela brincadeira com chefe “Está faltando material.