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Em geral, o aconselhamento psicológico (counselling) é uma relação de ajuda que visa facilitar uma adaptação mais satisfatória do sujeito

à situação em que se encontra e optimizar os seus recursos pessoais em termos de auto-conhecimento, auto-ajuda e autonomia. A finalidade principal é promover o bem-estar psicológico e a autonomia pessoal no confronto com as dificuldades e os problemas. Aconselhar não é dar conselhos, fazer exortações nem encorajar disciplina ou prescrever condutas que deveriam ser seguidas. Pelo contrário, trata-se de ajudar o sujeito a compreender-se a si próprio e à situação em que se encontra e ajudá-lo a melhorar a sua capacidade de tomar decisões que lhe sejam benéficas (Rowland, 1992). O aconselhamento é um processo no qual um técnico utiliza competências específicas para ajudar o utente a lidar mais eficazmente com a sua vida. O aconselhamento psicológico é diferente de psicoterapia. As diferenças referem-se a aspectos específicos, tais como (Bond, 1995): carácter situacional; centrado na resolução de problemas do sujeito; focalização no presente; duração mais curta; mais orientado para a acção do que para a reflexão; predominantemente mais centrado na prevenção do que no tratamento; a tarefa essencial do técnico é facilitar a mudança de comportamento e ajudar a mantê-la. Como intervenção psicológica que é, a realização de aconselhamento psicológico em saúde está reservada a psicólogos, desejavelmente com formação e treino específicos. Contudo, é necessário que outros técnicos de saúde desenvolvam algumas competências de aconselhamento sem que, com isto, substituam os psicólogos. Um aspecto que merece atenção particular é a adaptação ao contexto do serviço de saúde. Neste aspecto é importante que o psicólogo (Trowbridge, 1999): auto-avalie se, do ponto de vista pessoal e profissional, é a pessoa indicada para trabalhar naquele contexto de saúde específico; identifique quais as necessidades de intervenção psicológica e delimite áreas proritárias de trabalho; conheça a cultura organizacional do serviço de saúde em causa e as características dos outros grupos profissionais; considere todas as questões práticas que se colocam ao desenvolvimento da consulta psicológica e do aconselhamento. O desenvolvimento do papel profissional inclui a intervenção com sujeitos e famílias, o trabalho cooperado em equipas multidisciplinares de saúde, a investigação e a formação de outros técnicos de saúde (Altmaier, Johnson & Paulsen, 1998). A grande finalidade é ajudar o sujeito a mudar comportamentos relacionados com a saúde e/ou

lo a lidar eficazmente com elas . práticas e eficientes. a nosso ver. o que quer dizer que a utilidade do aconselhamento está associado a duas grandes áreas da intervenção do psicólogo na saúde: a área da prevenção e a área da adaptação à doença.Orientar para outros apoios especializados. construtivistas e sistémicas. 1995): psicodinâmicas. PERSPECTIVAS TEÓRICAS Várias podem ser as diversas perspectivasteóricas do aconselhamento psicológico (East. e promover o bem-estar psicológico . a perspectiva cognitivocomportamental é a mais adequada aos contextos de saúde e doença porque é a que se adapta melhor ao contexto e ritmo próprio da prestação dos cuidados de saúde. no quadro das circunstâncias concretas de saúde/ doença em que se encontra . feministas.Promover o desenvolvimento de competências sociais . directivas.Escutar e acolher as preocupações e o sofrimento.Identificar as preocupações fundamentais que o sujeito tem em relação à saúde e ajudá. que promovam a efectiva mudança de comportamentos e a obtenção de ganhos de saúde individuais e de grupo.a lidar com as ameaças à sua saúde.Transmitir informação personalizada .Facilitar a mudança de comportamentos relacionados com a saúde . cognitivo-comportamentais. Os objectivos principais do aconselhamento psicológico em saúde são: .Detectar dificuldades comunicacionais e/ou relacionais com a família ou com os técnicos de saúde e ajudar o sujeito a desenvolver estratégias que permitam superar essas dificuldades . Além disto. humanistas. fenomenológico-existenciais. quer nos Centros de Saúde quer nos hospitais gerais e especializados. contribuindo para o desenvolvimento pessoal .Ajudar a tomar decisões informadas. em saúde requerem-se ntervenções de ajuda limitadas no tempo.Disponibilizar ajuda para dar resposta às necessidades psicológicas dos sujeitos saudáveis e doentes . 5. Contudo. .Aumentar o autoconhecimento e a autonomia.

calorosa. Isto implica (1) transmitir informação personalizada. encorajamento do sujeito a desenvolver papel activo. relaxação muscular. compreensão da realidade interna do sujeito e comunicação desta compreensão ao sujeito. (4) ajudar a resolver problemas. escuta activa e empatia. manejo do stress. focalizando na percepção de controlo pessoal e nas expectativas de auto-eficácia.Atribuição ao próprio da capacidade de mudança . treino da assertividade).A intervenção disponibiliza o treino das competências que o utente pode usar para aumentar a sua eficácia no dia-a-dia . como os comportamentos de adesão a tratamentos médicos são influenciados negativamente por situações de instabilidade. por exemplo. atitude profissional. 1994): construir com o sujeito um plano de acção com problemas-alvo e viável no tempo disponível. tendo em conta que a família é o grande contexto onde a doença ocorre e a saúde é mantida. focalizando no comportamento. transmitir informação de retorno em cada entrevista. 1996): . escolha da solução melhor. planeamento da sua implementação e revisão do progresso obtido e (5) facilitar um ambiente encorajador da mudança. criação de soluções alternativas possíveis.Elaboração de um plano de trabalho que inclua a compreensão do problema e a identificação das actividades que é necessário desenvolver para o superar . É sabido. Várias são as competências de aconselhamento que são importantes para que aqueles objectivos sejam atingidos (Dryden & Feltham. conflito ou isolamento familiar. implicando a identificação de problemas. (2) construir a capacidade de auto-ajuda.facilitação da autoexploração do sujeito e ajuda . focalizando nas competências sociais do sujeito podendo envolver técnicas diversas (competências de confronto.Utilização pelo sujeito das competências aprendidas fora do contexto clínico em que se processa a intervenção. utilizar produtivamente o tempo de entrevista. (3) acreditar nas capacidades do sujeito para lidar com as dificuldades.Os princípios gerais deste tipo de intervenções cognitivo-comportamentais incluem (Scott & Dryden. focalizando no suporte social. genuinamente preocupada.

portanto. uso de técnicas cognitivas e comportamentais apropriadas. diversidade na área de trabalho. Análise Psicológica (2000). tendo em conta que a experiência da doença relaciona-se com a intersecção entre os processos de doença. ajudando o sujeito a incorporar novas perspectivas e experimentar novos comportamentos. revisão dos progressos efectuados depois da última entrevista e delimitação das tarefas a realizar antes da próxima. Corney.oces. 1999. bem como na natureza do papel do psicólogo no aconselhamento. emoções e comportamentos que são mais relevantes para o problema. o que tem a vantagem de permitir uma maior agilização na adaptação a problemas diversos (Launer. dentro dum contexto sociocultural. o ciclo de vida e o desenvolvimento.scielo. mas pode ter a desvantagem de ser confuso para os outros técnicos de saúde. há vantagem em integrá-lo numa abordagem holística da saúde que inclua a consideração simultânea do estado de saúde.pdf . focalização nas cognições.para que ele chegue às suas próprias conclusões. valores e práticas psicológicas (East. do bem-estar psicológico. CARVALHO TEIXEIRA (**) http://www. 1999) que promova a combinação da intervenção psicológica especializada sobre a experiência de saúde ou de doença com a intervenção médica. especialmente quando confrontados com um lequemuito diferente de modelos. Seja qual for o modelo teórico. Há. 1999). o que quer dizer que há oportunidade para utilização de vários modelos teóricos.pt/pdf/aps/v18n1/v18n1a01. desde que adaptados a essas necessidades do sujeito e às características do contexto do serviço de saúde. das competências sociais e da qualidade de vida. No sistema de saúde há uma grande diversidade de situações clínicas e de contextos nos quais o sujeito pode ter necessidade de aconselhamento psicológico. o aconselhamento deve enquadrar-se numa abordagem biopsicossocial (Davy. Isto é.mctes. 1995). expectativas. 1 (XVIII): 3-14 Aconselhamento psicológico em contextos de saúde e doença – Intervenção privilegiada em psicologia da saúde ISABEL TRINDADE (*) JOSÉ A.

89   58.42509H3.07 .74.8 :2039..4-9034/0.:/.80889F2. %7.884.425479.8 439:/4 .2:/.9.6:080.2039.389.800850./.439094 0792457O574/.8 10342034O./03/.2.  7039.20394/0./0706:0702 803907.8  102389.2039450884.507850.8 .54480850.80/07:54   ..074/0803.59.7. !7424.. 29.43897:9../.3829731472.439.890O7.8/4.9.83490254 /70.2039.4390948/08.3.8 ./06:07348 4859.348/08.425479.48.89.5476:0F.2.9./06:.34884./0 6:07348039748/0$.4/0803./48 F2/894 028.4 08903.:94.8001./48/08.8 :2.4O./403../0 .439..425479..4.4:9748.:94342.8/.8507850.8.4 . 026:08003.57089. F.4507843../00/403.4397...4 ./.4/48.4..4397-:3/45.203940..4 ../:.4/32...9..010.2039458./48   !#$!%'$% #$ 'E7. .807..03908 6:057424.078.2047./.75.430..854/02807.4..7.:/.8 57E9.0308/0.2039480.4380...

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