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Higiene e Segurança

Informática para a Saúde


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Riscos eléctricos

EST, 2007/2008 Costa Martins, Eng.


Filipe Carreiro, Eng.
Correntes eléctricas e corpo humano
Electrofisiologia

ƒ O tecido animal é constituído por


células imersas no líquido intersticial
separado do citoplasma por uma fina
membrana
ƒ Quer o líquido intersticial quer o
citoplasma são electrólitos condutores
da corrente eléctrica
ƒ As células nervosas e musculares
entram em actividade quando sujeitas a
estímulos eléctricos

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Correntes eléctricas e corpo humano
Electrofisiologia

ƒ Os estímulos eléctricos
necessários à contracção do
músculo cardíaco são gerados
no módulo sinusal (SA)
ƒ O módulo aurioventricular
(AV) recebe e distribui os
impulsos gerados

ƒ O electrocardiograma representa o
impulso eléctrico do ciclo cardíaco
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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiopatológicos

ƒ Tetanização (não largar)


ƒ Paragem respiratória
ƒ Sob a acção de um estímulo eléctrico o músculo contrai-se para voltar
ƒ Fibrilação ventricular
ao estado de repouso
ƒ Se a corrente for alternada e a frequência ultrapassar um certo limite o
ƒ Queimaduras
músculo é levado à contracção completa
ƒ Se o fenómeno perdurar pode produizir asfixia e levar à inconsciência
ƒ O “limiar de não largar” é o valor mais elevado de corrente em que a
pessoa ainda larga um objecto (10mA entre 15 e 100Hz e de 300mA em
corrente contínua)

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiopatológicos

ƒ Tetanização
ƒ Paragem respiratória
ƒ Fibrilação ventricular
ƒ Mesmo corrente inferiores ao “limiar de não largar” produzem
ƒ Queimaduras
dificuldades respiratórias e sinais de asfixia, quer através da contracção
dos músculos adstritos à respiração, quer através da paralisia dos centros
nervosos
ƒ Em menos de 3- 4 minutos deve ser realizada a respiração artificial, sob
pena de asfixia ou de lesão irreversível do tecido cerebral.

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiopatológicos

ƒ Tetanização
ƒ Paragem respiratória
ƒ Fibrilação ventricular
ƒ Queimaduras
ƒ Se a corrente eléctrica de origem externa se sobrepuser à corrente
eléctrica fisiológica do músculo cardíaco, as fibras deste passam a contrair-
se de forma desordenada originando a fibrilação ventricular e a morte.
ƒ Com o uso do disfibrilador pode parar-se a fibrilação e recuperar a vítima

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiopatológicos

ƒ Tetanização
ƒ Paragem respiratória
ƒ Fibrilação ventricular
ƒ Queimaduras
ƒ A curva de Drinker representa a probabilidade (expressa em
percentagem) de reanimação em função do atraso na primeira
intervenção do socorrista a uma vítima de fibrilação ventricular

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiopatológicos
Factor de corrente do coração em função do trajecto da corrente
Trajecto da corrente Factor de corrente do coração

Mão esquerda Um ou os dois pés 1,0


Duas mãos Dois pés 1,0
Mão esquerda Mão direita 0,4
Mão direita Um ou os dois pés 0,8
Costas Mão direita 0,3
Costas Mão esquerda 0,7
Peito Mão direita 1,3
Peito Mão esquerda 1,5
Nádega Uma ou duas mãos 0,7

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiopatológicos

ƒ Tetanização ƒ Electrotérmicas
ƒ A passagem de corrente
ƒ Paragem respiratória provoca a libertação de calor
ƒ W= R.I2. t = V.I.t
W, quantidade de calor
ƒ Fibrilação ventricular R, resistência do corpo
I, intensidade da corrente
ƒ Queimaduras t, tempo
ƒ Por arco
ƒ chama de oriegem eléctrica
ƒ Mistas

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Correntes eléctricas e corpo humano
Risco de contacto com corrente eléctrica

ƒ Para que exista risco de contacto é necessário que:


ƒ Exista circuito eléctrico
ƒ O circuita esteja fechado ou possa fechar-se
ƒ Que no circuito exista uma diferença de potencial

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Correntes eléctricas e corpo humano
Risco de contacto com corrente eléctrica

ƒ Para que exista risco de contacto é necessário que:


ƒ O corpo humano seja condutor
ƒ O corpo humano faça parte do circuito
ƒ Que entre os pontos de entrada e de saída da corrente eléctrica do
corpo humano exista uma diferença de potencial

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Correntes eléctricas e corpo humano
Risco de contacto com corrente eléctrica

ƒ Terminologia dos acidentes eléctricos:


ƒ Electrização- contacto com corrente eléctrica sem danos mortais
ƒ Electrocussão- acidente eléctrico mortal
ƒ Partes / condutores activos- peças condutoras de electricidade
que estão em tensão em serviço normal
ƒ Contacto directo- contacto de pessoas com partes activas
ƒ Contacto indirecto- contacto de pessoas com elementos
condutores acidentalmente em tensão
ƒ Massa- elemento metálico normalmente isolado, susceptível de ser
tocado, mas podendo acidentalmente ser posto sob tensão
ƒ Elemento condutor- elemento metálico estranho à instalação
eléctrica suscepctível de propagar um potencial eléctrico

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Correntes eléctricas e corpo humano
Os cinco modos de electrização

1. Contacto com duas partes activas sob


tensão (frequente e particularmente
perigoso)
2. Contacto com uma parte activa sob tensão e
com uma massa colocada acidentalmente sob
tensão (raro)
3. Contacto com duas massas postas
acidentalmente sobre tensão (muito raro)
4. Contacto com uma parte activa sob tensão
e com a terra (muito frequente)
5. Contacto com uma massa posta
acidentalmente sob tensão e com a terra
(muito frequente)
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Correntes eléctricas e corpo humano
Parâmetros do risco eléctrico- intensidade

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente alterna

ƒ Habitualmente nenhuma reacção

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente alterna

ƒ Habitualmente nenhum efeito fisiológico perigoso

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente alterna

ƒ Habitualmente nenhum dano orgânico


ƒ Probabilidade de:
ƒ contracções musculares e dificuldades
respiratórias
ƒ perturbações cardíacas ou fibrilação
reversíveis
ƒ paragens temporárias do coração

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente alterna

ƒ Além dos efeitos da zona 3, probabilidade de:


ƒ fibrilação ventricular até 5% de c2, 50% de
c3 e mais de 50% para além da curva c3
ƒ paragem cardíaca
ƒ paragem respiratória
ƒ eventuais queimaduras graves em função da
intensidade e do tempo

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente contínua

ƒ Habitualmente nenhuma reacção

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente contínua

ƒ Habitualmente nenhum efeito fisiológico perigoso

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente contínua

ƒ Habitualmente nenhum dano orgânico


ƒ Perturbações reversíveis na formação e propagação de impulsos no
coração aumentando com a intensidade da corrente e do tempo

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Correntes eléctricas e corpo humano
Efeitos fisiológicos da corrente contínua

ƒ Fibrilação ventricular provável


ƒ Além dos efeitos da zona 3, são previsíveis queimaduras graves
aumentando com a intensidade e com o tempo

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Correntes eléctricas e corpo humano
Correntes de elevada frequência

ƒ A perigosidade das corrente diminui com o aumento da frequência,


porque a corrente não passa pelo interior do corpo

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Correntes eléctricas e corpo humano
Impedância eléctrica do corpo humano

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Correntes eléctricas e corpo humano
Variabilidade da impedância eléctrica

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Correntes eléctricas e corpo humano
Tensão de contacto e de segurança
ƒ Tensão de contacto- diferença de potencial entre o ponto de entrada o
de saída
ƒ Tensão de segurança- valor da tensão indefinidamente suportável pelo
organismo sem gerar efeitos fisiológicos perigosos

Disjuntor

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Correntes eléctricas e corpo humano
Distribuição da energia eléctrica

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Correntes eléctricas e corpo humano
Distribuição da energia eléctrica

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Correntes eléctricas e corpo humano
Contactos directos

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Correntes eléctricas e corpo humano
Medidas práticas de protecção (contactos directos)

ƒ Afastamento das partes activas

ƒ Tornar impossível o contacto


fortuito

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Correntes eléctricas e corpo humano
Medidas práticas de protecção (contactos directos)

ƒ Afastamento das partes activas


ƒ Interposição de obstáculos

ƒ Utilização de
vedações
para impedir
o contacto
acidental

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Correntes eléctricas e corpo humano
Medidas práticas de protecção (contactos directos)

ƒ Afastamento das partes activas


ƒ Interposição de obstáculos
ƒ Recobrimento das partes activas

ƒ Uso de isolamentos
plásticos, tintas,
vernizes e outros

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Correntes eléctricas e corpo humano
Medidas práticas de protecção (contactos directos)

ƒ Afastamento das partes activas


ƒ Interposição de obstáculos
ƒ Recobrimento das partes activas
ƒ Uso de tensão reduzida de segurança

ƒ Tendo em consideração as condições externas


do meio (seco, húmido, molhado) as tensões
poderão ser de 25, 12 ou 6 V

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Correntes eléctricas e corpo humano
Medidas práticas de protecção (contactos indirectos)

ƒ Uso de tensão reduzida de segurança


ƒ Separação de circuitos
ƒ Uso da classe II de isolamento (duplo isolamento)
ƒ Inacessibilidade simultânea de massas e elementos
condutores estranhos
ƒ Isolamento de condutores estranhos à instalação
ƒ Estabelecimento de liagações equipotenciais

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Correntes eléctricas e corpo humano
Corte automático da alimentação

Os disjuntores diferenciais actuam


quando existe uma corrente de
fuga ou residual
ƒ Baixa sensibilidade: > 1000 mA
ƒ Média sensibilidade: entre 30 e 1000 mA
ƒ Alta sensibilidade: entre 12 e 30 mA
ƒ Muito alta sensibilidade: < 12 mA

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Correntes eléctricas e corpo humano
Terra e resistência de terra

ƒ A corrente flui através do corpo humano e pode escoar-se


para o terrno que está assim relacionado com os sistemas
de protecção
ƒ A “Terra” é a massa condutora do terreno
ƒ O “Elétrodo de Terra” é o conjunto dos materiais
condutores enterrados (ferro revestido de cobre) e
destinados a assegurar uma boa ligação eléctrica com o
terreno:
ƒ Anel nas fundações do edifício
ƒ Varetas, tubos (piquets)
ƒ Chapas (quadradas ou rectangulares)

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Correntes eléctricas e corpo humano
Concepção das instalações eléctricas

ƒ Subdividir as instalações por forma a limitar perturbações


ƒ Dois circuitos distintos para iluminação
ƒ Circuito distinto para tomadas
ƒ Circuitos distintos para alimentação de aparelhos de elevada potências
ƒ Identificar instalações para evitar erros na pesquisa de defeitos
ƒ Proteger as instalações com aparelhos de actuação automática
ƒ Os aparelhos de protecção em locais de uso residencial,
profissional deverão ser do tipo disjuntor
ƒ As protecções das instalações deverão ser selectivas, isto é, um
defeito num dado circuito não deve reflectir-se noutro circuito
ƒ O material a utilizar deverá estar de acordo com as normas

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Correntes eléctricas e corpo humano
Incêndios de origem eléctrica

ƒ Causas
ƒ Elevação de temperatura devido a
sobreintensidade da corrente

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Correntes eléctricas e corpo humano
Incêndios de origem eléctrica

ƒ Causas
ƒ Elevação de temperatura devido a
sobreintensidade da corrente
ƒ Localização anormal de calor nos
isolantes

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Correntes eléctricas e corpo humano
Incêndios de origem eléctrica

ƒ Causas
ƒ Elevação de temperatura devido a
sobreintensidade da corrente
ƒ Localização anormal de calor nos
isolantes
ƒ Concentração de calor nos contactos
defeituosos

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Correntes eléctricas e corpo humano
Incêndios de origem eléctrica

ƒ Causas
ƒ Elevação de temperatura devido a
sobreintensidade da corrente
ƒ Localização anormal de calor nos
isolantes
ƒ Concentração de calor nos contactos
defeituosos
ƒ Correntes de defeito entre condutores
e circuitos de terra

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Correntes eléctricas e corpo humano
Incêndios de origem eléctrica

ƒ Causas
ƒ Elevação de temperatura devido a
sobreintensidade da corrente
ƒ Localização anormal de calor nos
isolantes
ƒ Concentração de calor nos contactos
defeituosos
ƒ Correntes de defeito entre condutores
e circuitos de terra
ƒ Arcos e faíscas nos aparelhos

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Correntes eléctricas e corpo humano
Incêndios de origem eléctrica

ƒ Causas
ƒ Elevação de temperatura devido a
sobreintensidade da corrente
ƒ Localização anormal de calor nos
isolantes
ƒ Concentração de calor nos contactos
defeituosos
ƒ Correntes de defeito entre condutores
e circuitos de terra
ƒ Arcos e faíscas nos aparelhos
ƒ Defeitos nos aparelhos devido a
localização anormal de calor ou falta
de dissipação do calor produzido

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Correntes eléctricas e corpo humano
Electricidade estática e raio
ƒ Resulta do contacto entre dois corpos, por:
ƒ compressão,
ƒ expansão,
ƒ aquecimento,
ƒ arrefecimento,
ƒ fragmentação
ƒ indução,
ƒ O corpo neutro vai electrizar-se
por influência do corpo carregado
ƒ O raio é, durante os temporais,
uma manifestção violenta da
electricidade estática

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Correntes eléctricas e corpo humano
Electricidade estática e raio

ƒ Entre dois corpos carregados de sinal contrário, a


partir de uma dada diferença de potencial (tensão
disruptiva) saltará uma faísca que atravessará o
isolante que os separe

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Correntes eléctricas e corpo humano
Electricidade estática e raio: riscos

ƒ A faísca originada pela electricidade


estática é perigosa para pessoas e bens
ƒ O atrito entre as roupas e o corpo
quando se calçam sapatos isolantes pode
originar tensões de 5000 V (utentes das
salas de operações dos hospitais, onde
podem exitsir atmosferas inflamáveis
devido aos anestésicos)
ƒ As correias de transmissão podem gerar
cargas electrostáticas

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Correntes eléctricas e corpo humano
Electricidade estática e raio: prevenção

ƒ A prevenção da formação e acumulação de cargas


electróstáticas pode ser realizada através da:
ƒ Humidificação da atmosfera
ƒ Aumento da condutibilidade dos isolantes
ƒ Ligação à terra
ƒ Neutralização das cargas
ƒ Redução dos atritos

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Correntes eléctricas e corpo humano
Primeiros socorros-
paragem respiratória e circulatória
1. Proteger- corte de corrente omnipolar, afastar a vítima da
fonte de energia
2. Alertar- os serviços médicos
3. Socorrer: respiração boca a boca

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Correntes eléctricas e corpo humano
Primeiros socorros- queimaduras

1. Proteger- corte de corrente


omnipolar, afastar a vítima da fonte
de energia
2. Alertar- os serviços médicos
3. Socorrer
ƒ Respiração boca a boca
ƒ Queimaduras
ƒ Não utilizar desinfectantes, pós,
óleos ou outros produtos
ƒ Não retirar a roupa ao acidentado
ƒ Fazer uma avaliação da importância
das queimaduras (regra dos 9)
ƒ Transportar o acidentado ao hospital

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Bibliografia

ƒ Manual de Higiene e Segurança no


Trabalho, Alberto Sérgio Miguel, Porto
Editora, 2006

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