l a .

p ; f l U l i I C A H P









































2
o





























di recti one,n i ngeni i .




































































































































































































































































































*
a nci ennes











2 5
9 - I O
M E DI T A Ç OE S - M E DI T A Ç A O 1 9




































2 0 OB RA s DE DE SC A RT E S
1 0 - 1 1














































1 1 - 1 2
M E DI T A Ç Ö E S - P RI 1 vE I RA M E DI T A Ç À 0
2 1


































2 2 OB RA S DE DE SC A RT E S
1 2 - 1 3











































1 3 - 1 5 M E DI T A Ç OE 5 - P RT M E ] P A M E DI T A Ç A O 2 3



i zega r
i neu a ssenti mento a os
erros* * .
E i s p or q ue toma rei cui da do
p a ra mi o receber em mm/ za cren ç a
nenh zunza f a tci da de* * * .



*
souvera i ne
* *
de ref user mon a ssenti ment a ux erreurs
C ' est p ourq uoi j e p reni l ra i ga rde soi gneusement ( l e ne p out! recevoi r
en ni a croya nce a ucune f a usseté



está
dormi ndo* ,

a f i nt de q ue o l ogrem p or ni a i s temp o


no
conl i eci mento da
verda de* * * ,


*
q i t ' i l dort
* *
p our en ê tre p l us l onguement a busé
* * *
da ns l a conna i ssa nce de l a vé ri té


Q Q






































1 4 OB RA S DE DE SC A RT E S 3 - 4






















3 9





































se somentep ensei
a l go* .





ex a mi na r cui da dosa mente toda s a s coi sa s
eu, eu sou, eu, eu
ex i sto* * *



seul ement si j ' a i p ensé q uel q ue cl i ose
* *
et a voi r soi gneusement ex a mi né toutes ch oses

E go sum, ego ex i sto

eu



q ue l i ve
a nteri onnente* * .
*
ego
* *
cel l es q ue j ' a i eues a up a ra va nt

















































































































































































5 5






































3 0 OB RA S DE DE SC A RT E S 2 2 - 2 3




































3 2
OB RA S DE DE SC A RT E S 2 4 - 2 5
























































3 4 OB RA S DE DE SC A RT E S 2 6 - 2 8









































3 4 2 6 - 2 8


I I / Á gora , de ol h os f ech a dos, o ouvi do ta p a do, di stra í dos todos os meus
senti dos. a p a ga rei ta mbé m de meu p ensa mento a s i ma gens de toda s a s coi sa s
corp ora i s ou, como i sto é decerto a p ena s p ossi vel , p a ssa rei a té - l a s p or na da ,
como vä s e f a l sa s e, em sol i l Oq ui o
comi go mesmo, i nsp eci ona ndo- me ma i s
a f undo, csf orç a r- me- ei p or me torna r p a ul a ti na mente ma i s conh eci do de
mi m e ma i s f a mi l i a r a mi rn mesmo.
E u, eu sou coi sa p ensa nte, i sto é , coi sa q ue duvi da , q ue a f i rma , q ue
ncga , q ue entende p ouca s e i gnora
mui ta s coi sa s, q ue a ma , q ue
odei a * ,
q ue q uer, q ue nà o q uer, q ue i ma gi na
ta ni bé m e q ue sente. P oi s, como a ntes
L i z nota r, eni bora a s coi sa s q ue si nto e i ma gi no f ora de mi m ta l vez nà o sej a m
na da a l i , toda vi a , os modos de p ensa r q ue eh a mo sensa ç ô es e i ma gi na ç ô es,
6 9


















































































































































































8 1
4 0 DE SC A RT E S 3 4 - 3 5






























































































4 2 OB RA S DE DE SC A RT E S 3 6 - 3 7

























































































*
A T
i mp ri me p osset eni l uga r de p osse ( A I q , p . ¡ 9 8 )




















4 0 - 4 i M E DI T A Ç OE S - T E RC E RA M E DI T A Ç A O
4 5










































4 6
OB RA S DE DE SC A RT E S 4 1 - 4 2





















































































4 8 OB RA S DE DE SC A RT E S
4 3 - 4 5







se eu f osse i ndep endente de tudo o ,; za i c
*





*
si j ' é ta i s i ndé p enda nt de l oti t a utre





¡ Sto é , se eu f osse o a utor de i neu na sci mento e de mi n/ j a
ex í stê nci a * ,
p or
¡ sto é , os mul l os
conh eci mentos de q ue mm/ za na tureza está desp ro vi da " ,




seri a ca p a z de
e/ rega r a té
el a s* ,

*
c' est- à - di re si j ' é ta i s l ' a uteur de ¡ na na i ssa nce, et de ¡ non ex i stence
* *
à sa voi r; i / e bea ucoup de conna i ssa nces dont ¿ nu na ture est denué e
' "
et ne sera i t p a s ca p a bl e d' y a rri ver



























p ode ser
a ssi ,n* :































































































































































sensí vei s e
i ,na gi ná vei s* .


*
sensi bl es et i ma gi na bl es








ex i sto* ,







*
ex i sto







5 4 OB s DE DE SC A RT E S
5 1 - 5 2
































dof ul so* ,

d' a vec l ef l i ux




















































5 6 OB RA S DE DE SC A RT E S 5 3 - 5 4





































































j e
n' a ssure ni ne ni e a ucune c/ l ose, ni a i s
si va gue et si é tendue
























































































segundo a a cep ç ä o ei n q ue
se toma n: essa s p a l a vra s na E sca l a
* * * *
*
bi ci : l a i t: de concevoi r des senti ments si i nj ustes, q ue de w ' i ma gi ner
* *
i nj ustement
sa ns l a dé trui re
sel on l a si gni f i ca ti on q n ' on donne à ces mots da ns I ' É col e




de ni odo temerá
ri o*

*
té mé ra i rement





















i i np ri mi - l of orte,nente em mi nh a
,ne,nó ri a * ,






*
me ¡ ' i mp ri mer si f ortement en 1 ( 1 mé moi re

dentro
dos l i mi tes de i neu
conh eci mento* ,



rea l
e
p osi ti vo* * ,




*
da ns l es bornes de ni a conna i ssa nce
* *
de ré el et de p osi ti f












































































6 4 - 6 5 6 5























o










































6 7 - 6 8



































































M E DI T A Ç Ô E S - Q U W T A M E nrr. & ç A o























































p a ra
a bri ga r- me a p ô - I a s ei n
dú vi da * ?











*
p o ti r i n ' obl i ger à l es ré voq uer ci i do ti te
























1 6 OB m& s DE DE SC A RT E S 5 - 6








1 5 3













DE SC A RT E S 7 3 - 7 4































7 4 - 7 5 7 3






















7 4 DE DE SC A RT E S
7 5 - 7 6


E ,



















E








7 6 - 7 8 M E DI T A Ç OE S - SE X T A M E DI T A Ç A O 7 5

































7 6 Oa a s DE DE SC A RT E S 7 8 - 7 9







































































7 8 OB RA S 8 0 - 8 1














zuna substâ nci a cuj a essé nci a ou
na tureza i ntei ra ¡ i do
é sendop ensa r* ,







¡ sto é , i ni nh a a l ma , p el a q ua i sou o q ue sou

*
ou une substa nce dont toute / ' essence ou l a na ture n ' est q ue de p enser
* *
c' est- à - di re a non â me, p a r l a q uel l e j e sui s ce q uej e sui s





P oi s, na noç do q ue ternos dessa s f a cul da des ou ( p a ra servi r- me dos
termos da E sca l a )


a s f i gura s, os movi mentos e os ouÍ ros modos ou a ci dentes dos
ca rp os se di sti nguent dos p rOp ri os
ca rp os q ue os
sustenta i n* * .
*
da ns l a i zo/ i on q ue nous a vons de ces f a cul té s, ou ( p our ni e servi r des
terni es de l ' E col e)
* *
l es f i gures, l es mouvements et l es a utres modes ou a cci dents des corp s,
l e sont des corp s mê mes q ui l es souti ennent






8 1 - 8 2





































1 7 3
8 0 OB RA S DE DE SC A RT E S 8 2 - 8 4



































































OB I ts































8 6 - 8 7
















































































































































































































































































































































































































































































emp ri me/ ro ¡ l i ga r,


ei n segundo l uga r,




c,J i na l -
mente,






















































ou essê nci a
somente





































e p . 3 0 0 , escl a reci n' ento.

( 4 - 6 )
M E DI T h Ç Ó E S - P RE FA C I O




























o OB RA S DE DE SC A RT E S
( 6 - 7 )


















































































































































































2 2 5
2 - 3
M E DI T A ç OE S - SI NOP SE
1 3




























1 4
OB a cs DE DE SC A RT E S 3 - 4

















































2 2 7
2 2 9
4 - 5 M w1 - i - A ç ö E s - Si NorsE 1 5








0 0

















2 3 1
1 6 OB RA S DE DE SC A RT E S 5 - 6







SUMARJO

NoiA PREVIA
PRIMEILto. MEDITAÇÀO

9 19

SEGUNDA MEDITAÇÀO TERCEIRA MEDITAÇAO
QUARTA MWITAçÂ0

35

65
107
131 151

QUINTA

MEli F1'AÇÄO

SEXTAMEDITAÇAO APÉNDICE TEXTOS SUPLEMENTARES

Epístola Prefácio dirigido ao leitor Do editor para o leitor Sinopse das seis medita çôes que seguem

197

209 217 223

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NOTA PREVIA

Publicado em 1904 no sétimo volume da ediçâo Adam e Tannery das Obras de Descartes cujo curador foi Charles Adam , o original das Meditationes de Prima Philosophia apresenta-se sob urna como que dúplice condiçäo. Em primeiro lugar, é o texto de base das cdiçOes de algurn significado acadêmico que da obra posteriormente se fizeram. Mas, por outro lado, constitui ainda o caso talvez único de um original em ditas ediçOes.2 É fácil, pois, entender que indagaçäo pela meihor fonte se tenha incisivamente reproposto no decénio de 1980. A bern dizer, já em meados dos anos de 1970, Giovanni Crapulli cuja ediçäo crítica das Regulae (1966) influíra de tal modo no curso dos estudos cartesianos que nao é possível dissociá-la, por exemplo, das Règles
utiles et claires selon le lexique cartésien et Annotation conceptuelle, avec Notes

2

publiées par Charles Adam et Paul Tannery, 11, nouvelle présentation, en co-édition avec le Centre National de la Recherche Scientifique. Paris: Vrin, 19641974. Exemplo de referência: AT, VH, 1 Gsto é, ediçäo Adam-Tannery, vol. 7, cap. 1). o título da obra se modifica tambérn da primeira para a segunda ediçäo: l%íeditationes de Prima Philosophia, in qua Dei existen/ja et animae immortalitas demostratter (Paris, 1641) (Meditaçoes sobre Filosofia Prirneira na qual se demonstram a existéncia de Deus e a imortalidade da alma). Na segu nda ediçäo (Amesterdâo, 1642) a obra tern o seguinte título: Meditationes de Prima Philosophia, in quibus Dei existentia et animae humanae a co;pore dis:inctio demonstransur (Meditaçöes sobre Filosofia Primeira, nas quais se demonstrarn a existéncia de Deus e a distinço da alma humana do corpo).
OEuvres de Descartes,

9
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manifesto que Alquié considera insuficiente o registro das diferenças entre ambas as ediçöes feito em AT. I. Marrinus Nijhoff. dois aspectos. todavia. op. Oeuvres philosophiques. Bari: Latcrza. idem. estäo as muitas e minuciosas consideraçöes de crítica ao procedimento pelo quai AT René Descartes. p' 172. Cartesio. 1966. xii-xiii. 77-112. par J-Luc Marion. a Crapullï. 425-41. in Trasmissione dei testi a stampa nel período moderno. cf. Dele resultou um primeiro inventário das variantes entre ambas as versöes da obra:' Em 1983. 2. idem. Regulae ad directione. 'jusqu'ici". 1977. Sobre esses trabaihos de CrapulE. De uma parte. pp. pp. cur. 1976. 1985. E. Ferdinand Aiquié. in Etudes Philosophiques. pp. 171-76. nesse estudo. OCR. 37-90. La Haye. desde logo. CI. porém. "La prima edizione delle 'Meditariones de prima philosophia' di Descartes e il suo esemplare ideale".Fausto Casti/ho mathématiques de Pierre Costabel. 1979. idem. Giovanni Crapulli. e pretendia reunir "notas para uma nova ediçäo crítica" do original. Garin. in Studia Cartesiana. "La rédaction et les projets d'édition des Meditationes de prima philosophia de Descartes (Notes pour une nouvelle édition critique)". Na importante tarefa a que se propôem. et comparé tous les exemplaires des originales que nous avons pu découvrir. Alquié. nesse passo. Nada informa. idem. Marrinus Nijhoff." E. propöe um novo estabelecimento de texto. pp. a partir do cotejo sistemático das duas ediçoes. diz. Alquié nìio se refere.. editadas por Jean-Luc Marion3 iniciou um estudo comparativo do texto latino em suas duas ediçoes." Nous. "Nous avons donc repris la question. cit. 1983. texte critique établi par Giovanni Crapulli avec la version hollandaise du XVlèmc siècle. auxiliado por Gouhier na França e por Leslie Beck na Inglaterra. isto é. 4. 1994. Io PDF compression. Règles ¿ailes et claires pour la direction de l'esprit en la recherche (le la vérité. "aucune comparaison sérieuse des deux textes n'avait été faite. F. The Mage. a de 1641 (Paris) e a de 1642 (Amesterdao). web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .n ingenii. Paris: Garnier-Bordas. 11. é indispensável distinguir. Alquié. no estudo que precede o texto latino da obra. "La seconda edizione delle Meditationes de prima philosophia di Descartes (1642) nei suoi rapporti con la prima edizione (1641)". acerca da dimensäo da amostra utilizada por ele e seus colegas. pp. no tomo IT das Oeuvres philosophiques de Descartes por ele publicadas. VII. "Le texte latin des M éditations". Realizou-se esse estudo sobre um protocolo de 17 exemplares da primeira e 22 exemplares da segunda ediçäo. O/sere filosofiche. in Descartes. Roma: Ateneo.

605-12). as correçöes e adiçöes constantes da ediçäo de 1904. Para Alquié. residindo na Holanda.Nota prévia estabelece o seu texto. Elas decorrem. "imprecisas e mesmo inexatas". fundamentalmente. esse descobrimento inesperado de duas ciragens da ediçao de 41 é urn fato novo. ou mesmo novo. do exame comparativo da "Advertência" (AT. 172). daquela precedéncia. Alquié afirma que a primazia dada à segunda ediçâo deriva de certas suposiçoes. De outra parte. Por outro lado. no Apéndice. VII. a de que Descartes. tardio e de tal relevancia que seria capaz de. feira em Amsrerdä. acrescenta Alquié. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . no entanto. Na falta de urna séria comparação dos textos. É bem verdade que chama a atençäo. AT nao avisa o leitor dos pontos em que dela se afasta. Este desenvolve. apesar de privilegiar a ediçäo de 42. para os erros da primeira ediçao. Na cAd pressupostos que jusrificam a precedência que atribui ao texto da edição de 1642. 11 PDF compression. tais asserçOes de AT são. que teriam sido corrigidos "numa segunda tiragern". Mas Alquié afirma que as "correçòes e adiçöes" feicas no Apéndice constituem um desmentido. mas pode ter utilizado ainda um manuscrito retocado. embora nao mostre que esses mesmos erros estejam igualmente presentes na ediçäo de 42. a "nova apresentaçäo" de AT pelo consórcio CNRsVBJN (1964-1974) satisfaz-se corn reproduzir. v-xviii) e do Apéndice o curador do volume enuncia os (pp. no parecer de Alquié. sem averiguar-ihes o bem fundado. OCR. ao menos parcial. Os exemplares da primeira ediçao consultados por ele e seus colegas nao contêm os erros e omissöes apontados por AT. como. p. em conseqüência. a extensa argumentaçäo que passamos a resumir. Alérn de que o Apéndice descobre na ediçäo de 41 outros erros que. pp. por si s6. por exemplo. embora contenham outros nao assinalados por AT. nao pôde rever as provas da primeira ediçao. estes. Ora. estao as conseqiiências que dessa laboriosa colaçâo poderiam ser tiradas para o novo estabelecimento de texto. ao passo que nao é apenas verossímil que tenha revisto as provas da segunda. ali efetivamente se encontram. invalidar as teses postas na "Adverténcia" (cf.

) indicando. Para Alquié." Em relaçâo à primeira ediçâo. cit. porém. muitos. indicando a página e a linha onde buscá-los. são as provas de 42 que Descartes nao revé e essa ediçäo nao se fez corn base em novo manuscrito. Em reiaçäo à ediçäo de 42. entre os quais constam as omissöes e os erros que assinala a Huygens. É o que mostra. op. "Beck encontrou na Inglaterra nenhum foi encontrado na França dois exemplares trazendo os erros apontados por AT.Fausto ('asti/ho "Eis por que retomamos a questäo. um exemplar que tena pertencido Bywater. quer da segunda.. no entanto. todos os exemplares consultados pelos trés professores contêm erros que AT nao aponta. em cada caso. em cada caso. sendo substituidas ou acrescentadas no decorrer da brochagem. segundo afirma. escolbemos a versäo que nos pareceu a melhor [. comparando todos os exempiares das duas primeiras ediçöes que pudemos descobrir. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . 175. os quais foram todos corrigidos (cf p. ° 12 PDF compression. em que Descartes relaciona os defeitos por emendar. OCR. nem do texto de AT. Alquié descarta. mediante urna nota. mas a partir de urn exemplar corrigido da primeira. 'mas. a hipótese de urna segunda tiragem da primeira ediçäo e supöe que as páginas defeituosas se corrigiram quando da fabricaçäo do livro. provenientes. Hipótese que parece se confirmar na correspondéncia corn Mersenne (cartas de 23/6/1641. que nao foram encontrados. Alquié conclui suas consideraçoes críticas afirmando que o texto estabelecido por ele nao o foi nem exatamente a partir da primeira.. 22/7/1641 e 29/7/1641 a última era desconhecida de AT. na maioria dos exemplares de 41".6 a Mas que conseqüências resultam dessa laboriosa colação para a integridade do texto da nova apresentaçâo de AT por CNRSVIUN? Idem. quer da ediçäo de AT". nem da segunda. que nos afastamos quer da primeira. pois somente Roth a publicaria). onde coexistern páginas defeituosas e páginas corretas. da primeira ediçao. 604). p.

VII. na frase "nonnisi in judiciis posse reperiri paulo ante notaverirn" (Terceira Meditaçao. é certo. A presente ediçäo incorpora ambas as anotaçôes. grafadas em negrito e transcritas ao pé do parágrafo correspondente. Restam. do conjunto de sessenta e cinco (65) anotaçöes sobram apenas duas (2).Nota pré via Essas coriseqüências estäo reunidas no conjunto das anocaçôes de variantes entre as ediçöes. VII é submetido. vinte e cinco (25) devem ser desconsideradas a limine. acrescido. VII. Na ediçäo Alquié. o qual substitui o "Praefatio" nessa ediçäo de 1647. Deritre estas quarenta. pois. Segue-the a 13 PDF compression. apostas por Alquié ao texto por ele estabelecido. Estampa. antepöe ao texto propriamente dito das Meditaçoes. mediante um asterisco. omitem-se os trés textos suplementares em latim que Descartes. Nao obstante o conjunto das censuras a que AT. tanto em 41 como em 42. assinalando a troca em AT. pertinentes ao texto: a primeira. juntamente corn a traduçäo francesa de 1647. II. publicadas na versäo francesa de Clerselier. das modifìcaçöes já mencionadas. o informe "Du libraire au lecteur" (Alq. na frase "non igitur ab jis. corn a indicaçäo Alq. a "Epistola decano et doctoribus". Aliás o próprio Alquié adota por texto de referência AT. p. o "Praefatio ad lectorem". OCR. E o que sucede tarnbém corn as "Objectiones et responsiones". §8. nAo se pode dizer. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . todavia. a "Synopsis sex sequentium medicationum". trinta e oito (38) anotaçôes nada acrescentam ao texto. porque nâo dizem respeito ao texto que em tese deveriam anotar e referem-se apenas a disparidades entre o original latino e a traduçâo francesa de De Luynes e mesmo de Clerselier. e a segunda indicando a troca de posse por posset. dada a sua total coincidência corn variantes já registradas em AT. p. Resumindo: das sessenta e cinco (65) variantes apostas a seu texto. contudo. §21. São dados em francês. no lugar próprio. introduzidas. 43). que a ediçäo de Alquié seja "a ediçao crítica" almejada por Crapulli. 38 1-403). 28). quarenta (40) anotaçöes pertinentes ao original. Logo. pp. isto é. de irnaginatione por irnanatione. flagrantemente incompreensível. quae imaginatione effingo" (Segunda Meditaçäo.

1979. por este redigido ein forma contInua. rexte latin et traduction présentés par Geixeviève Rodis-Lewis. ao longo do decênio de 1990. 195-23 1). 196207). o texto traduzido em alguns pontos. Paris: PUF. finalmente. Em vista das duas tarefas que Descartes pretende atribuir à "Sinopse". - 14 PDF compression. texte latin et traduction présentés par Plorence Khodoss. O livro está organizado da seguinte maneira: a presente "Nota prévia" (pp. era anteposta ao texto das meditaçoes. na ediçäo AT. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . 1661) da traduçao francesa da obra e. 216-2 1). 1944. Méditations de philosophie première (Présenration et traduction de Michelle Beyssacle). 16-193). que precede a todas cias (cf. par Jean-Marie Beyssade et Michelle Beyssade. a "Sinopse das seis meditaçoes que seguem" (pp. a pontuaçâo. idem. pode o ieitor lé-la em dois momentos: distributivamente. 9-15). o "Prefácio" (pp. quer na ordem das razOes. 1956. o texto e a rraduçäo das Meditaçöes (pp. por ora desacompanhadas das "Objectiones et responsiones". para uso interno. a norma seguida pelas ediçöes feitas no século XX. mais recentemente. nas coleçöes Primeira Versao e Textos Didáticos do lFcIlUNICAMP. esperamos que para mellior. 208-15).FaUStO Casti/ho paginação. Paris: Vrin. de resto. 222-31) em latim e em português. Relidos agora. o texto em francés e em portugués do informe "Do editor para o leitor" (pp. no resumo relativo a cada meditaçäo. 1990. OCR. quer na ordem das matérias. Méditations métaphysiques. carta a Mersenne Descartes. bastando lembrar as bilIngües que se publicaram. no quai se reúnem a "Epístola" (pp. seguem as meditaçöes. idem. eliminados os erros de impressäo. reparadas as omissöes e modificado. a paragrafaçào que AT introduz no texto de Descartes. Esta é. Méditations mésaphysiqias. publicado na primeira e na segunda ediçöes (1647. a quai. Le Livre de Poche.7 A presente ediçAo enfeixa em um volume os seis fascículos da ediçäo bilIngüe das Meditationes de Prima Philosophia publicada. Paris: Flammarion. Meditations métaphysiques Objeciones et résponses SI/ivies de quatre lettres. idem. um Apéndice (pp. A'Jédi:ations métaphysiques. apenas na França. Meditanones de prima philosophia (texte latin et traduction du duc De Luynes).

OCR. conrudo. mas apenas de facilitar a leitura do texto os parágrafos são também numerados.Nota prévia de 18/3/164 1). O texto de referência continua sendo. o de AT. mas os parágrafos da presente ediçao nao raro são novamente subdivididos. - Fausto Casti/ho UNIcAMI. além de transcritos em francés ao pé do respectivo parágrafo. por cuja paginaçäo se orienta a do texto em portugués. portanto. interpolados no texto em portugués. no que nao se deve ver. Finalmente. algum propósito de os razäo por que reordenar. tal como é dada no Apéndice. VII. em negrito. facilitando assim a consulta e as remissöes. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . os acréscimos que Descartes fez ao texto por ocasiäo da leitura da traduçäo francesa de De Luynes são traduzidos e. 2004 15 PDF compression. A paragrafaçáo é basicarnente aquela introduzida por AT. e pela leirura continua e integral da 'Sinopse" no seu conjunto. ajustado ao recorte do texto latino.

MEDITAÇOES SOBRE FILOSOFIA PRIMEIRA NAS QUAIS SE DEMONSTRAM A EXISTENCIA DE DEUS E A DISTINÇÂO DA ALMA E DO CORPO PDF compression. OCR. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .

principalmente das materials. por aplainar um cam mho em que a mente facili?? ente se desprenda dos sentidos eporfazet. ein seguida.'nos duvidar das coisas que. enfim. se descubra?n verdadeiras. quejá näopossa.SIN0PsE PRIMEIRA MEDITAÇÄO Expòem-se na Pr/inc/ra Medita çâo as causas por que podemos duvidar de todas as coisas. E. PDF compression. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 19 . OCR. mesmo que a ut/i/dade de urna dúvida tamanha nao apare ça de irnediato. ao menos enquanto os fundamentos das ciéncias nao forem diversos dos que ternos até agora. é e/a no entanto in u/to grande por deixar-nos livres de todos os preconceitos.

web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . urna vez na vida. Era preciso. todas as opinMes em que até en/do conJîara*. como tal se me afigurasse urna vasta tarefa. Mas. Por isso. em boa hora que.PRIMEIRA MEDLTAÇAO SOBRE AS COISAS QUE PODEM SER POSTAS EM DO VIDA /1! Faz alguns anos já. esperava alcançar urna idade que fosse bastante madura. portanto. que. fossern postas abaixo todas as coisas. que nenhuma outra se Ihe seguisse mais apta a executá-la. se desejasse estabelecer em aigum momento algo firme e permanente nas ciências. OCR. hoje. seria culpado. se consumisse em deliberar o tempo que me resta para agir. recorneçando dos primeiros fundamentos. de agora em diante. * les opinions que j'avais reçues jusques alors en ma créance /2/ É. portanto. dei-me conta de que admitira desde a infância multas coisas falsas por verdadeiras e de quäo cluvidoso era o que depois sobre cias construí. adiel por tanto tempo que. a mente desligada de 21 PDF compression.

tarefa infindável. Por exemplo. de modo nao menos cuidadoso. quai a razào para que possa negar essas próprias maos e todo esse rneu corpo? A nAo ser talvez que me compare a nAo sei quais insanos. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . - * anciennes /3/ Corn efeito. se os fundamentos se afundarn. apesar de os sentidos nos enganarern äs vezes acerca de certas coisas miúdas e muito afastadas. Ora. sobre as quais nao se pode de modo algum duvidar. OCR. tenda este papel äs maos e coisas sernelhantes.18 OBltks DE DESCARTES 7-9 todas as preocupaçòes. nao obstante hauridas dos sentidos. para fazé-lo. atacarei de imediato os próprios princIpios em que se apoiava tudo aquilo em que outrora acrcditei. eu o recebi dos sentidos ou pelos sentidos. livre e genericamente minhas anügas* opiniöes. no sossego seguro deste retiro solitário. que agora estou aqui. desaba por si mesmo tudo o que foi edificado sobre eles. tudo o que admití até agora como o que há de mais verdadeiro. contudo. para isso nAo será necessário mostrar que todas cias são falsas oque talvez nunca pudesse conseguir. nos enganaram. E. nao será preciso também que as percorra urna por urna. notei que os sentidos às vezes enganam e é prudente nunca confiar completarnente nos que. vestindo esta roupa de inverno. Em verdade. ein cada urna. alguma razäo de duvidar para que as rejeite todas. dedicar-me-ej por tim a derrubar séria. mas porque. porque a razâo já me persuade de que é preciso coibir o assentirnento. seja urna vez. multas outras coisas haja. 23 PDF compression. /4/ Mas. sentado junto ao fogo. Ora. talvez. tanto äs coisas que nao são de todo certas e fora de düvida quanto âs que são manifestamente falsas. bastará que encontre. mas.

- - 25 PDF compression. corn que frcqüência o sono noturno nao me persuadiu dessas coisas usuais. ou que são inteiramente cabaças ou confeccionados em vidro. vestindo esta roupa. quando estava. OCR. e esta caheça que movimento nao está dormindo. na verdade. e que aquelas coisas particulares que abrimos os olhos. isto é. mexemos a cabeça. fleo estupefato e esse mesmo estupor quase ¡ne confirma na opiniäo de que estou dormindo.9-IO MEDITAÇOES . em outras ocasiòes! E. estando nus. quc estendo e sinto esta mAo. a nao ser pela similitude das coisas verdadeiras. mAos e o corpo todo nAo são coisas imaginärias. quando penso mais atentamente. /5/Ainda bem! Corno se eu nao fosse uni homem. eáde propósito. no entanto. se neles buscasse algo como exemplo para mim. Pois. Mas eles são dementes e nao pareceria menos demente do que eles. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . do que eles em sua vigIlia! Em verdade. e até menos verossimeis. pelo menos essas coisas gerais olhos. acostumado a dormir sentir nos sonos todas essas mesmas coisas. ciente disso. estou certamente de olhos despertos e vejo este papel. sendo paupérrimos. Mas.PRJrvliu MEDITAÇAO 19 cujo cérebro foi a tal ponto afetado pelo negro vapor da bIlis que constantemente asseveram ou que são reis. é preciso por certo confessar que as coisas vistas no sono são como certas imagens pintadas e nAo puderam ser essa ficçao. en y pensant soigneusement à nolte e /6/ Sonhemos. - Entretanto. sentado junto ao fogo. que estava aqui. De sorte que. mas. pensando nisto cuidadosamentet. vejo do modo mais manifesto que a vigilia nunca pode ser distinguida do sono por indicios cellos. deitado entre as coheN tas! Agora. como nao recordar quc fui iludido nos sonos por pensarnentos semelhantes. coisas que nao ocorreriam de modo tAo distinto a quem dormisse. nem este corpo todo. ou que se vestem de púrpura. portanto. ou que tém a cabeça feita de barro. porém. existem deveras. nu. estendemos a mao e coisas semelhantes* nAo são verdadeiras e talvez nao tenhamos também estas mAos. cabeça. os prOprios pintores.

E nAo parece possivel que verdades tAo manifestas incorram na suspeita de falsidade ou de incerteza*. Desse género pareceni ser a natureza corporal cornum e sua extensào. bern como a figura das coisas extensas. na verdade.) e excogitar talvez algo a tal ponto novo que nada do que antes se viu se lhe assemeihe de todo e seja. completamente ficticio e falso. * ou d'incertitude - - 27 PDF compression.) /7/ Por igual razâo. * et choses semblables avec le plus d'artifice leur imagination est assez extravagante pour (in venter. se sua imagina Øo é assaz extravagante para (inventar. Pois. cabeça. a Geometria e outras desse modo que nao tratam senào de coisas multo simples e muito gerais. * et existantes ** qui mesure leur durée e - - /8/ Razäo pela qual. todavia. esteja eu acordado ou dormindo. que são pelo menos necessariamente verdadeiras e extctentes* algumas outras coisas. é preciso confessar. embora essas coisas gerais olhos.20 OBRAs DE DESCARTES 10-11 quando se esforçam por figurar sereias e sátiros corn formas as mais inusitadas e da mancini mais artijiciosa**. poróm. quer falsas. a Astronomia. decerto que ao menos as cores de que se compoe devem ser. dois e trés juntos são cinco e o quadrado nAo tern mais que quatro lados. ao passo que a Aritmética. corno a partir dc cores verdadeiras. verdadeiras. pouco se preocupando corn que estejarn ou nAo na natureza das coisas contêrn algo certo e fora de dúvida. nAo seria talvez incorrcto concluir que a Física. a quantidade ou grandeza delas e seu número. nào ihes podern atribuir naturezas que sejarn novas cm todas as suas partes e misturam somente membros de animais diversos. a Mcdicina e todas as outras disciplinas que dependern da consideraçAo das coisas compostas são. ainda mais simples e universais. e coisas sernell2antes. quer verdadeiras. assim.. todas as imagens de coisas que cstäo em nosso pensarnento. Ou. a partir das quais são figuradas. o lugar onde cxistem e o tempo pelo qual duram e que mede sua duraçâo**. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . OCR. partindo disso. duvidosas. mAos sernelhantes possarn ser cias também irnaginárias.

no entanto. Que suponham tenha eu chegado a ser o que sou pelo fado. parece que a essa bondade deva também repugnar a permissào para que eu erre às vezes. Ora. por urna série contInua das coisas ou por qualquer outro modo. a ter de crer que todas as outras eoisas são incertas. contudo. de onde sei que ele nAo tenha feito que nAo baja de todo terra alguma. nao estaria eu mesmo de igual maneira errando. Nao os contraditemos e admitamos que tudo oque dissemos sobre Deus seja fictIcio. se criar-me para que sempre erre repugna à sua bondade. coisa extensa aiguma. Por isso. PDF compression. mas sou finalmente forçado a confessar que nada há de todas as eoisas que considerava outrora verdadeiras de que nAo rne seja permitido duvidar. Argumentos a que em verdade nAo tenho o que responder. nAo por nAo as considerar ou por leviandade. et que néanmoins j'aie les sentiments de toutes ces choses /10/ Talvez baja. fixa em minha mente. figura alguma. quanto menos poderoso for o autor que designem â minha origem tanto niais provável será que eu seja tAo irnperfeito para que sempre erre. afirmado. que pode todas as coisas e pelo quai fui criado tal quai existo. pois que enganar-se e errar pareeem ser urna certa imperfeiçâo. todas das nAo me pareçam existir diferentemente de como me aparecem agora? Mais: do mesmo modo que julgo que os outros às vezes erram acerca de coisas que presumem saber à perfeiçäo. mas o último nAo pode Ser. grandeza aigurna. talvez Deus nAo tenha querido que eu fosse enganado dessa maneira. Mas. tenho urna certa velha opiniäo de que ha um Deus. céu algurn. em verdade.11-12 MEDITAÇÖES . web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 29 . lugar algum e que nilo obstante eu siffla todas essas coisas* e que. também a elas nAo menos que as coisas manifestamente falsas. OCR.PRI1vEIRA MEDITAÇÀ0 21 /9/ Entretanto. aqueles que. pois dizem-o sumamente born. pelo acaso. cada vez que adiciono dois a trés ou conto os lados do quadrado ou faço outra coisa que se possa imaginar ainda mais fácil? Mas. mas por robustas e meditadas razöes. prefirarn negar um Deus tAo poderoso.

sci que nesse Interim nao sucederá perigo ou erro algum. nao mc proponho agir. de uni exato conhecimento das coisas**. dc algum modo por certo duvidosas. Pois. como há pouco foi mostrado e. que há näo um Deus ótimo. OCR. mas algunt génio maligno e. negar cuidadosamente o meu assentimento. se. devo cuidar de me lembrar delas. a saber. a ocupar minha credulidade. Com efeito. ao mesmo tempo. finalmente. se quero encontrar algo cero itas ciências*. Nunca vencerei o hábito de a cias assentir e nelas confiar. até que. muito prováveis. os pesos das duas ordens de preconceitos tendam. * datis les sciences Ill! Mas ainda nao é suficiente que tenha notado essas coisas.zaLcsance des choses /12/ Suporei. os sons e todas as coisas externas nada mais são do que ludibrios dos sonhos. por assim dizer. agora. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . pois as opiniôcs costumeiras reaparecem ininterruptamente. passe a rue enganar a mim mesmo e finja por a/gum tempo* que essas opiniòes são de todo falsas ou imaginárias. sendo muito mais consentânco corn a razäo neias acreditar do que negá-las. ciladas que ele estende à minha credulidade. a igualar-se ejá nenhum mau hábito desvie meujuizo da reta percepçào das coisas. Pensarci 31 PDF compression. Eis porque crcio nao esteja agindo mai. mas apenas conhecer. a terra. de agora em diante. * durait! que/que temps d'une exacte con. o ar. sumamente poderoso e manhoso.22 OBRAS DE DESCARTES 12-13 devo. fonte soberana* da verdade. a cias submetida quase contra minIm vontade por um demorado trato e um direito de familiaridade. enquanto as supuser tais quais são deveras. nAo posso ser mais indulgente do que devo com minha desconfiança. as cores. as figuras. entrando voluntariamente numa direçào dc todo contrária. que pöe toda a sua indústrïa em que me engane: pensarci que o céu. nao obstante. portanto.

Eis por que tomarei cuidado para mio receber em mm/za cren ça nenhzunzafatcidade***. nao sob alguma luz.13-15 MEDITAÇOE5 . * souveraine ** de refuser mon assentiment aux erreurs C' est pourquoi je prenilrai garde soigneusement (le ne pout! recevoir en nia croyance aucune fausseté /13/ Mas esse propósito é laborioso e urna certa desidia devolve-me à vida de costume. de olhas. se nAo estiver em meu poder conhecer algo verdadeiro. de maneira que. nada possa me impor. de sangue. teme despertar e. estará em mim pela menos izegar ineu assentimento aos erros**.PRTME]PA MEDITAÇAO 23 que sou eu mesmo desprovido de màos. äs coisas falsas. quando começa em seguida a desconfiar de que está dormindo*. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . E. desfrutando talvez em sonho de uma liberdade imaginária. passa a ser conivente corn as doces ilusôes. Manterme-ei obstinadamente firme nesta meditaçäo. mas em mejo às inextricáveis trevas das dificuldades que acabam de ser suscitadas. * qit 'il dort ** pour en être plus longuement abusé *** dans la connaissance de la vérité PDF compression. de sentido algum. a fim de que esse enganador. que venha a suceder o sossegado repouso. por mais poderoso e por mais astuto que ele seja. näo diferentemente do prisioneiro que. receio acordar de medo que a vigilia laboriosa. OCR. nias tenho a falsa opiniào de que possuo tudo ¡sso. de carne. afint de que o logrem por niais tempo assirn também eu volto a recair espontaneamentc em rninhas inveteradas opinioes. nào transcorra de agora em diante. no conliecimento da verdade***. por prudência.

no uso da própria liberdade. percebe que. O que é também de suma uti/idade. pois que. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . desse modo. porque alguns talvez esperenz encontrar nesse passo as razòes da imorta/idade da a/ma. é impossivel que e/a mesma nao exista. Mas. como natureza Entelectua/. QQ supor que nao existem todas as coisas sobre cuja existéncia possa duvidar o ¡nais minimamente.SIN0PSE SEGuI4IA MEDLTAÇÀO /1/ Na Segunda Meditaçâo. creEo deva chamar sua atençäo 35 PDF compression. entrementes. a mente. distingite facE/mente o que pertence a e/a. OCR. do que pertence ao corpo.

tanto porque o que disse é suficiente para mostrar que da corrupçJo do corpo nao se segue a morte da niente. por menor que seja. De inane/ra que suas naturezas são por nôs con/wc/das nao apenas corno diversas. OCR. eni contraposiçào a toda niente. a qual sé é entendida como indivisivel: pois. nào podemos conceber a inetade de nenhurna mente. como contrórias tambéin. do modo mesmo conio as entendernos: o que nao pôde ser provado antes da Quarta. É preciso que tenhamos também um conceito distinto da natureza corporaL o que se formou en? parte nesta mesina Segunda. ass/ni conio a niente e o coipo são concebidos. quanto també ni porque as preniissas das quais se possa concluir a imortalidade da mente dependeni da explica çáo da toda a Física. en) verdade. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . o que é uma conclusäo da Sexta. que saibarnos também que todas as coisas entendidas clara e disti?) (amente são verdadeiras. nias. deixando assiri aos mortais irma esperan ça de outra vida. ao passo que podemos fazé-lo coni qualquer coipo. antecipando todas as coisas de que depende a proposiçào buscada. E ¿sto é tainbé in ali confirmado porque sé entendemos todo coipo como divisível. aléni disso. dever-se¿a concluir que todas as co/sas que se concebeni clara e distintamente como substancias diversas. em parte tarn béni na Quinta e na Sexta: partindo disso. antes de concluir algo a respeito de/a. /3/ Nao nie cabia dizer neste escrito mais nada sobre essa inatéria. de certo modo. /2/ Ora.2-3 MEDITAÇOES . Requer-se.Smos 13 para o fato de que nie esforcei por nada escrever que nao dernonstrasse cuidadosamente. o primeiro e principal requisito que previamente se exige para o conhecirnento da imortalidade da alma é que dela nos formemos uni couecito. a saber. são deveras substâncias realmente distintas urna da outra. o niais clam possivel e que seja completamente distinto de todo conceito do corpo: o que se fez nesta Segunda. Eni prinleiro 37 PDF compression. De sorte que outra ordeni nao pude seguir senào a que enipregani os geómetras.

reduzindo-as ao nada. Disto se segue que tal corpo morre inulto facilmente.. as coisas que só existem porque criadas por Dens. é constituIdo por certa conflguraçao de ineinbros e de outras acidentes desse modo. * ou l'â. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . por isso. Ao passo que o corpo humano torna-se outro. nein por isso aprópria mente torna-se urna outra. também nunca perece. genericamente tornado.. que o corpo humano. ao passo que a niente humana nao é constituIda dessa inaneira. em virtude apenas de que se inodijique ajigura de qualguer unza de suas partes. sente outras etc. OCR. são incorruptíveis por sua natureza e nunca podem abandonar o Ser. ¡sto é.nine (ce queje ne distingue point -. Em segundo lugar para que se sa/ba que. Mas.14 OBRAS DE DESCARTES 3-4 lugar para que se saiba que todas as substâncias em gera!.ie Dens ele mesmo lhes negue o sen concurso. - 39 PDF compression. Pois. enquanto a mente ou a alma do hoinein (o que nüo distingo) * é imortal por sua natureza.e de l'/w. embora todos os seus acidentes se modìquein eta entende urnas coisas. nias é pura substancia. o corpo é scm dúvida urna substancia e. quer outras. na medida ein que dfere dos outros corpos. a menos qi. a partir de acidentes nenh lins.

OCR. nem vejo todavia o modo de as resolver. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .SEGUNDA MEDITAÇAO SOBRE A NATUREZA DA MENTE HUMANA: QUE ELA É MAtS CONHECIDA DO QUE O CORPO /1/ Em tantas dúvidas fui lançado pela meditaçäo de ontem que já näo sou capaz de as esquecer. como se 41 PDF compression. E.

nAo tenho nenhurn dos sentidos todos. para poder remover a terra inteira de seu lugar: são grandes também as minhas esperanças. que seja certo e inabalavel. entào. se vier a encontrar algo. OCR. qualquer que seja o nome corn que o chame. /2/Arquirnedes nAo pedia tuais que um ponto. /4/ Mas. que pelo menos reconheça como certo que nada ha que seja certo. que tenha posto em mim esses mesmos pensamentos? Por que. supô-lo. a saber. nem vir àtona. que fosse firme e imóvel. quando talvez eu mesmo possa ser o seu autor? NAo sou. verdadeiro? Talvez isto somente: nada é certo.24 OriltAs DE DESCARTES 15-16 de repente houvesse caído em um poço profundo. na falta de outra coisa. E prosseguirei até conhecer algo certo ou. figura. algo? Mas já me neguei a posse de todos os sentidos e de todo corpo. Que será. minha perturbaçâo é tal que nein posso firmar o pé no fundo. entretanto. corpo. de onde sei que nAo ha algo diverso de todas as coisas cujo censo acabo de fazer e a respeito de que nAo haveria a mais mínima ocasiâo de duvidar? Nao há algum Deus. falsas todas as eoisas que vejo: creio que nunca existiu nada do que a memória mendaz representa. como se o descobrisse de todo falso. na verdade. por anto. /3/ Suponho. Esforçar-me-ei. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 43 . eu pelo menos. fazendo a remoçào de tudo o que comporte a mais mínima dúvida. para retornar ao caminho onde ontem ingressei. movimento e lugar são quimeras. o tuais mínimo. poi-tanto. Hesito. PDF compression. contudo. extensäo.

E. tambéni. errando. que é um homem? Direi. Em seguida. Portanto. que este enunciado eu. De sorte que. decer o. Nao há dúvida. por menos que seja. sempre me engana. que resulta disso? Acaso estou atado assim ao corpo e aos sentidos que. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 45 . scm eles. meditarci de novo sobre aquilo que acreditava ser. outrora. portanto. nao me persuadi de que eu. de agora em diante. ego existo /5/ Na verdade. E o tempo de que disponho já nao é tanto que o queira malbaratar em sutilezas dessa ordem. de maneira que só remanesça. nenhuma mente e nenhum corpo. a partir disso. a partir de uma questâo. de que eu. eu resvalaria para niuitas e mais difíceis questoes. por indústria. nenhuma terra. Mas há um enganador. porém. ainda nào entendo satisfatoriamente quem sou. eu sou.16-] 7 MEDITAÇ OES . näo sei quem. Que acreditci ser. antes de chegar a esses pensamcntos.SEGUNDA MEDItAÇA0 25 pois. nunca poderá fazer. eu existo*** é necessariamente verdadeiro. que eu nada seja. assim. Mas. eu que * ego ** celles que j'ai eues auparavant /6/E por isso que. eliminarei tudo o que possa ter sido infirmado. acaso. porque seria preciso perguntar em seguida que é um animal e que é racional. eu certamente era. se me persuadi dc algo ou se somentepensei algo*. agora. depois de ponderar e examinar cuidadosamente todas as coisas é preciso estabelecer. até agora? Um homem. eu sou. portanto. também no conhecimento que pretendo seja o mais certo e o niais evidente de todos os que live anterionnente**. näo era? Ao contrário. por fim. pelas razöes alegadas. um animal racional? Nao. OCR. sumamente astucioso que. enquanto eu pensar que sou algo. precisamente. esse agora sou necessariamcnte. também. seme engana: que me engane o quanto possa. todas as vezes que é por mim proferido ou concebido na mente. finalmente. devo precaverme para nào tomar imprudentemente outra coisa em meu lugar. eu. sumamente poderoso. PDF compression. nenhum céu. o certo e inconcusso. nâo posso ser? Mas já me persuadi de que nAo há no mundo totalmente nada. de modo que. * ou seulement sij'ai pensé quelque cli ose ** et avoir soigneusement examiné toutes choses *** Ego sum.

aqui. É percebido pelo tato. dúvida alguma ejulgava conhecerihe a natureza distintamente. também. cada vez que considerava o que eu era. eu. Mas. que eu tinha um rosto. em me enganar em todas as coisas? Posso. * s/fe in arrêtais ** ou un éther à la vérité et dont il reçoive l'impression '' /7/ Ora. a exemplo do vento ou do fogo ou de um éter**. na verdade. pela vista. inftso em minhas partes mais espessas. näo em verdade*** por si mesmo. braços e toda essa máquina de membros. pelo gosto e pelo olfato e é. o quanto pode. ocorria-me. Ao contrário. pelo ouvido. acaso. explicava-o desta maneira: entendo por corpo tudo o que pode terminar por alguma figura. Sobre o corpo näo tinha. Além disso. prestarei atençào de preferència aos pensamentos que até agora me ocorriarn por si mesmos e naturalmente. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . de modo algum julgava pertencer à natureza do corpo. OCR. ocorria que me alimentava. o que essa alma era. em primeiro lugar. ficava antes admirado de encontrar tais faculdades em certos corpos. movido de muitos modos. andava. maligno. de sentir e de pensar. Corn efeito. mas por urn outro. imaginava um nào sei que de diminuto. estar circunscrito em algum lugar e preencher um espaço do qual exclui todo outro corpo. que se percebe tambérn em um cadáver e que eu designava pelo nome de corpo. que o toca e do quai recebe a impressäo****. sentia e pensava. Pois. afirmar que possuo minirnamente todas as coisas que há pouco disse pertencer à natureza do corpo? 47 PDF compression.26 DE DESCARTES 17-18 Mas. Se tentava talvez descrevé-la tal qua! minha mente a concebia. maos. quem sou?*. ter a força de mover-se a si mesmo. açöes que eu referia por certo a urna alma. ou näo o notava ou. que de propósito empenhouse. se me detinlza* em considerá-lo. se é permitido dizer. agora que suponho haver urn enganador poderosissirno e.

Conheci que existo e procuro quem sou eu. já nao são mais ein que ficçöes. Agora. eu sou. infuso nestes membros. eu existo. porém. se eu já nAo tivesse nenhum pensamento. me dei conta que nao sentii-a. isto tambërn nao ocorre sem corpo e muitas coisas pareceu-me sentir em sonho de que.18-19 MEDITAC OES . enquanto penso. nem a'go que eu possa formar em ficçâo. pois supus que tais coisas nada eram. penso. assim precisamente tomado. em seguida. porque me são desconhecidas. e somente ele nAo pode ser separado de mirn. Permanece. Na verdade.SEGUNDA MEDITAÇAO 27 Presto atençäo. no entanto. OCR. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . porém. Sentir? Ora. nAo difiram. vocábulos cuja significaçào eu antes ignorava. que mais? Usarei minha imaginaçäo para ver se nao sou algo mais***. o conhecimcnto de mim mesmo nAo depende das coisas cuja existéncia 49 PDF compression. isto é certo. algo. E. do eu que conheci? Nao sei. urna coisa verdadeira e verdadciramente existente. Mas. nAo discuto agora a respeito e só Posso juigar acerca das coisas que me são conhecidas. por quanto tempo? Ora. na verdade da coisa. a afirmaçào: eu mesmo sou. pois talvez pudesse ocorrer também que. precisamente. só coisa pensante. repenso e nada ocorre. porém. qui suis-je et voyons s'ily en a quelques-uns qui soient en mvi pour voir sije ne suis point encore quelque chose de plus /81 Em verdade. talvez essas mesmas coisas que suponho nAo ser. nAo sou um vento. portanto. * moi.n**: alimentar-me e andar? Como já nao tenho corpo. deixasse totalmente de ser. nAo sou também uni ar sutil. Sou. Pensar? Encontrei: há o pensamento. NAo sou a cornpaginaçào destes meinbros. E é certíssimo que. canso-me de repetir em vâo as mesmas coisas. Mas. Eu. isto é. quai coisa? li disse: coisa pensante. mente ou ânímo ou intelecto ou razäo. esse eu que conheci. nem um Logo. quais deJas eu atribuía à alma? Vejamos se a/gamas estilo mi. nem um sopro. chamada de corpo humano. nAo admito nada que nAo seja necessariamente verdadeiro: sou. eu. neni um vapor.

daquelas que figuro em minim imaginaçâo*. 11. 185). estaría deveras figurando urna ficçào. para que a mente possa perceber distintamente sua prOpria natureza. que entende. que afirmo que sO isso é verdadeiro e nego as outras coisas. neri. pode ser que todas essas imagens e. que desejo saber outras coisas. no entanto. Mas.28 OBRAS DE DESCARTES 9-2O ainda no conheço. por que nao pertenceriam? Nao sou eu mesmo que. E. a fim de que os sonhos mo representem de modo mais verdadeiro e mais evidente". em geral. Feitas essas adverténcias. se deveras imaginasse que sou algo. que nega. porque imaginar nâo é senâo contemplar a figura ou a imagem de urna coisa corporal. entendo algo. E. Nao é certamente pouco. nao pareço menos inepto ao dizer "usarei a imaginaçäo para conhecer mais distintamente o que Sou" do que dizendo "estou acordado e vejo algo verdadeiro. entào? Coisa pensante. ha pouco. que. mas. OCR. que nao quer. De sorte que reconheço que nada do que posso compreender corn a ajuda da imaginaçào pertence ao conhecimento que tenho de mini. tudo o que se refere à natureza do corpo. Que é isto? A saber. que sou. you dormir de propósito. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . pus em dúvida quase todas as coisas. p. como ainda nâo vejo com suficiente evidência. E. é preciso muito cuidado em mantê-la afastada da imaginaçào. portanto. se essas coisas em conjunto me pertencem. essa palavra figuro chama a atençao para o meu erro: pois. mas. que afirma. AT imprime por erro imanatione /9/ Mas. que imagino outras até involuntariamente e também que percebo outras como se cias proviessem dos sentidos? Qual dessas coisas nAo é tao verdadeira 51 PDF compression. * imaginatione (A!q. agora estou certo de que sou. ao mesmo tempo. coisa que duvida. que imagina também e que sente. que quer. que nao quero ser enganado. nao passem de um sonho.

tornado assim. ouço. nenhuma coisa imaginada seja verdadeira. do que eu mesmo. OCR. eu também sou o mesmo que imagina.) ** Qu'il soit ainsi *** toutejbis - - /10/ Entretanto. queni quer. em verdade. todavia. söofalsas*. * Mais l'on me dira que (ces apparences sont fausses. Embora seja seguramente de admirar que coisas que percebo. desconhecidas. corneço seni dúvida a conhecer um pouco meihor quem sou. cujas imagens se formam por meu pensamento e que os prOprios sentidos exploram.SEGUNDA MEDITAÇÂO 29 mesmo que eu esteja sempre dormindo e que quem me criou faça tudo o que está ein seu poder para me enganar quanto é verdadeiro que sou? Qual delas distingue-se de meu pensamento? Qual pode dizer-se separada de mini mesmo? Pois que sou eu quem duvida. sendo duvidosas.já que durmo. do que é conhecido. quem entende. vejo agora a luz. dir/io. são conhecidas por mim muito mais distintamente do que esse algo de mim que nAo cai sob a imaginaçäo. por intermédlo dos sentidos. Logo. Essas aparências. eu sou o mesmo que sente e percebe coisas corporals. a prOpria força de imaginar. segundo supus. ainda que. 53 PDF compression. Isto é o que em mim se chaina propriamente sentir. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . A partir do que. Parece-me todavia** que vejo. existe deveras e faz parte de meu pensamento. aqueço-me e isto nao pode ser falso. ouço o ruido. Que assini seja**. precisamente. é täo manifesto quejá nao é preciso nada mais para tomar a explicaçào mais evidente. afrouxernos um momento as rédeas. o que. nada mais é do que pensar. sejam por mim compreendidas mais distintamente do que o que é verdadeiro. pois. afinal. estranhas a mim. sinto o calor. por exemplo. Mas vejo o de que se trata: minha mente compraz-se em andar fora do caminho e ainda nAo se contém dentro dos limites da verdade. corno. ainda rne parece e nAo posso abster-me de crer que as coisas corporais. Mas. Finalmente.20-22 MEDITAÇOES .

Talvez fosse aquilo em que estou pensando agora. esta cera. sua cor. mas nao por cello os cornos naquilo que tém de comum. figura. nem o som. pois tudo o que caía sob o gosto ou o olfato ou a vista ou o tato ou o ouvido já se modificou: e a cera remanesce. pode apenas ser tocada e. a cor muda. o aroma se dissipa. os corpos que tocamos. por certo. quando a concebo dessa inane/ra *? Prestemos 55 PDF compression. sob outros. desfaz-se a figura. um corpo em particular. é fácil tocá-la e. a doçura do mel. ninguém o nega. nem a figura. está neta presente tudo o que parece exigido para que o conhecimento de um corpo seja distinto. golpeada coin os dedos. por exemplo. Tomemos. o tamanho aumenta. ela mesma. nAo era. sim. nern a fragrância das flores. ninguém pensa de outra maneira. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Foi retirada faz pouco dos favos. flea quente. tamanho são manifestos. pois essas percepçòes genéricas costumam ser confusas e. do que eu atingia pelos sentidos. produz um certo som. que vemos. que a cera. portanto.30 OBRAS DE DESCARTES 2 2-23 seguida. fria. em /11/Consideremos. A mesma cera ainda remanesce? Deve-se confessar que rernanesce. ao puxá-las pouco a pouco e apropriadamente. já nao produz nenhum som. /12/ Mas eis que. E que é precisamente o que imagino. enquanto falo. OCR. isto é. retém um pouco do aroma das flores de onde a recoiheram. diversos dos primeiros. nem a alvura. seja mais fácil dirigi-la. as coisas cuja cornpreensäo se cré vulgarmente seja de todas a mais distinta. decerto. Que havia neja. a firn de que. se a golpeio. é dura. a saber. torna-se líquida. agora. ela é levada para perto do fogo: o que restava de sabor se desvanece. mas um corpo que há pouco seme deparava sob aque!es modos e. ainda nao perdeu todo o sabor do me!. pois. que era compreendido tAo distintamente? Nada.

corn efeito. é a mesma que vejo. toco. na cera que se liquefaz. e ainda nialor se o calor aumenta. se a cera ferve. pois. pois. isto é. Refiro-me a esta cera em particular. a mesma. que eu conceda nao poder sequer imaginar o que esta cera é: o que sO a mente percebe. admirado com a grande propensäo de minha mente para os erros. Mas. pois compreendo que ela é capaz dc intimeras modificaçoes dessa ordem. mas é urna inspeçâo só da mente. percorrer imaginando. em relaçao à cera. vejamos o que resta: nada além. major ainda. todavia. essa compreensáo nao pode ser alcançada pela faculdade de imaginar. Resta. do que algo extenso. cia fica major. mudävel? Nao será o que imagino. eu julgava que cia fosse. Logo. mudável. como antes era. segundo presto menos ou mais atcnçäo às coisas de que se compòe. * ou bien de ¡'action par laquelle on l'aperçoit /14/ Fico. como agora. Ora. esse algo flexivel. desta. em verdade. portanto. em triangular? De modo algum. de imaginar. embora antes o parecesse. e nunca o foi. Que é.SEGUNDA MEDITAÇAO 31 atençâo e. de tocar. embora eu faça esta consideraçào em siléncio. o que se deve notar é que sua percepçäo ou a ação pela quai épercebida* nao é um ato de ver. removendo todas as coisas que nao pertencem à cera. PDF compression. no que tem de comum. OCR. imagino. isto é ainda mais claro. que desde o inicio. segundo a extensâo. as quais nao posso. flexivel. que essa cera pode converter-se de figura redonda em figura quadrada e. que pode ser imperfeita e confusa. do que eu jamais abarcaria pela imaginaçâo. ou clara e distinta. em verdade. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 57 . E meujuizo do que a cera é nao seria reto se nao a pensasse suscetivel de admitir mais variedades.23-24 MEDITAÇÛFS . que o em verdade essa cera que só a mente pode perceber? Seguramente. * lorsque je la con çoLc en cette sorte /13/ Que é o extenso? Acaso sua prOpria extensäo näo nos é também desconhecida? Pois. enfim.

32 OBRAS DE DESCARTES 24-25 de mirn para cornigo. quando a percebi pela acreditando conhecê-la pelo prOprio sentido externo ou. pela faculdade imaginativa ou agora. no entanto. nAo o Posso perceber. É preciso ir adiante e indagar atentamente se eu percebia mais perfeitamentc e mais evidentemente o que a cera é. quando distingo a cera de suas formas exteriores. que o que acreditava ver pelos olhos só compreendo pela faculdade de julgar que está em minha mente. alérn de chapéus e de trajes. - -. que são hornens de verdade*. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 59 . * vrais /15/ Mas quem deseja ir alérn do conhecimento vulgar deve envergonhar-se de ir buscar razoes de dúvida nas formas de falar encontradas vulgarmente. portanto. OCR. tal como dcveras é. depois de ter investigado mais cuidadosamente. como que a despindo de suas roupas. É. nas palavras e sou como que enganado pelo prOprio uso da faja. E. Seria certamente urna inépcia duvidar disso. se acaso já nAo percebesse da janeia homens transitando na rua. assim. Pois dizenios ver a prOpria cera. considero-a nua. tropeço. conhecida pela visäo do olho e nAo por urna inspeçAo só da mente. isto é. ao primeira vez menos. tanto quanto para a cera. mas nao dizemos que a julgamos presente a partir da cor e da figura. pois que havia de distinto na primcira percepçâo que um animal quaiquer nAo pareça poder possuir? Na verdade. porérn. conquanto ainda possa ocorrer um erro em meu juízo. pelo sentido cornum. Segundo o uso. Mas que vejo. PDF compression. contudo. scm a mente humana. Donde eu iria ¡mediatamente concluir que a cera é. tanto o que ela é quanto o modo como é conhecida. sob os quais podern se esconder autôrnatos? Juigo. se cia está presente. como é chamado. digo que os vejo eles mesmos.

/17 / Mas. pergunto. mas.já que todas as razôes que podem auxiliar na percepçäo da cera ou de qualquer outro corpo provam também. o mesmo se dirá. que dizer dessa mente ela mesma. OCR.25-26 MEDITAÇOES . mas. Pois pode acontecer que o que vejo nao seja verdadeiramente cera. quando vejo ou (o que nilo distingo) penso ver. isto é. l'or semelbante razâo. de novo se dirá o mesmo. se julgo que a cera é porque a toco. por isso mesmo que a vejo. depois de a conhecer nao apenas pela vista ou pelo tato. a saber. naturalmente de volta aonde PDF compression. e melhor. de modo nao apenas muito mais verdadeiro. que eu também existo. exceto a mente. com quanto mais distinçào sou agora conhecido. a natureza de minha mente! Mas. que penso. afinal. são tantas as outras coisas que estäo na prOpria mente e que podem tornar o seu conhecimento mais distinto que as que cmanam do corpo e chegam até cIa parecein apenas dignas de inençao. continuemos: se a percepçâo da cera me pareceu mais distinta. se julgo que a cera existe porque a vejo. E isso mesmo que observa em relaçàa à cera pode ser aplicado a todas as outras coisas situadas fora de mim. é de todo impossivel que eu. também. que sou. de mim mesmo? Pois ainda nao admito que baja nada em mim. de maneira muito mais evidente. muito mais distinto e mais evidente? Pois. resulta certamente. pode aconteeer que eu sequer tenha albos cam que veja algo. nao seja algo. além disso. nias por muitas causas. /18/ Eis-me. muito mais certo. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 61 .SEouA MEDITAÇAO 33 /16 / Mas. eu que parcço perceber esta cera tAo distintamente? Acaso nao conheço a mim mesmo. Que dizer sobre mim. Se o julgo porque a imagino ou por outra causa qualquer.

mas. fixar mais fundo em minha memOria esse novo conhecimento. PDF compression. é conveniente que aqui me detenha para. mas unicamente porque entendidos. pelo intelecto somente. OCR. Mas. e nao são percebidos por sereni tocados ou vistos.34 OBRAS DE DESCARTES 26-28 quena. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 63 . através de urna meditaçâo duradoura. conheço de modo manifesto que nada pode ser por mim percebido mais facilmente e niais evidentemente do que minha niente. corno agora sei que os prOprios corpos são percebidos nao propriamente pelos sentidos ou pela faculdade de imaginar. porque o costume de urna opiniào inveterada nao pode ser de pronto abandonado. pois.

nao quis usar aqui compara çòes obtidas das coisas corporais. - perfèction PDF compression. E is/o é ilustrado pela comparaçäo com ¿ima máquina muitoperfeita. assim como o art ¿uício objetivo dessa idéia deve ter alguma causa ou a ciéncia de seu artífice ou de outrem. a fim de que os ánimos dos leitores se afastassem ao máximo dos sentidos. entre out ros. ao que me parece. Exeniplo. Por Esso. 1cm anta realidade objetiva. Entretanto. o modo cuino a idéla. cuja idéia está na niente dc algum artUlce. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 65 . nas respostas às objeçòes. de um ente sumamente perfeito. Pois. para pro var a existência de Dens. participa por representa çâo de tantos graus de ser e de perfeiçäo que da 56 pode ser por urna causa sumamente perfeita. expus sufIcientemente.SINOPSE TERCEIRA MEDITAÇAO Na Terceira Meditaçdo. talvez restern multas obscuridades que espero sejain por completo eliminadas ulteriormente. de quem a recebeu da mesma inaneira a * c'est-â-dire participe par représentation à tant de degrés d'être et de eneu principal argumento 1 -. OCR. que está em nOs. isla é.

OCR.SIN0PSE 15 idéia de Deus.4-5 MEDITAÇOES . que está em nós. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . nào pode nao ter Deus ele mesmo por sua causa. 67 PDF compression.

que nào quer. que afirma. que odeia*. que quer. Eu. o ouvido tapado. csforçar-me-ei por me tornar paulatinamente mais conhecido de mim e mais familiar a mirn mesmo. como väs e falsas e. Pois. eu sou coisa pensante. os modos de pensar que ehamo sensaçôes e imaginaçôes. todavia.34 26-28 TERCEIRA MEDITAÇÄO SOBRE DEUS: QUE ELE EXISTE II/Ágora. isto é. que entende poucas e ignora muitas coisas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . que ncga. que ama. enibora as coisas que sinto e imagino fora de mim talvez nào sejam nada ali. como antes Liz notar. OCR. como isto é decerto apenas possivel. de olhos fechados. inspecionando-me mais a fundo. distraídos todos os meus sentidos. apagarei também de meu pensamento as imagens de todas as coisas corporais ou. coisa que duvida. 69 PDF compression. que imagina tanibém e que sente. passarei a té-las por nada. em solilOquio comigo mesmo.

urna inspeçào ainda rnais cuidadosa para saber se acaso nao ha em mim outras coisas que. as coisas siderais e todas as outras que obtinha pelo uso dos sentidos.28-29 MEDI1AÇOES . Mas. * qui aime. nâo o fazia por força de minha percepçâo. e - - /4/ Ora. se jamais pudesse acontecer que algo por mim percebido. ainda nâo percebi. na verdade. E essas poucas coisas por mini recenseadas são todas as que verdadeirarnente sei. parece-me que já posso estabelecer como regra geral que: é verdadeiro ludo o que percebo muito clara e muito distintamente. por conseguinte. /3/ Entretanto. NAo saberei. procediam se julgava por certo verdadeiro. a terra. também. que percebia eu claramente em tais coisas? Percebia que as próprias idéias ou pensamentos de tais coisas deparavam-se â minha mente. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 71 . nesse primeiro conhecimento nada há scnäo urna perccpçäo clara e distinta do que afirmo. ou. nisto. E. assim clara e distintamente. Mas sequer agora nego que essas idéias estejam em mini. Estou certo de que sou coisa pensante.TERCEIRA MEDITAÇAO 35 na medida em que são somente certos modos de pensar. agora. Havia ainda outra coisa que eu afirmava e que. ou eu errava. Isw nao seria seguramente suficiente para me tomar certo da verdade da coisa. fosse falso. pelo menos. julgava nelas perceber claramente. OCR. quando. nAo percebia e era que havia coisas fora de mim das quais essas idéias e äs quais cram de todo semelhantes. quai o requisito para ficar certo de algurna coisa? Corn efeito. ou. qui liait /2/ Farei. tenho certeza de que eles estäo em mim. por efeito de um hábito de crer. portanto. dc que nie dei conta de saber até agora. acerca das coisas aritméticas e geomé- PDF compression. por ora. E. Quais cram elas. muitas coisas admiti anteriormente como de todo certas manifestas de que me dei conta depois que cram duvidosas. pois? Eram o céu. mas.

havendo. tao logo a ocasiào se apresente. pois. enquanto eu pensar que sou algo ou que alguma vez seja verdadeiro que eu nunca t'ui. ou coisas semeihantes. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . ao contrário. nao parece que eu possa jamais estar completamente certo de nenhuma outra coisa. para a eiirninar. na ignorância disso. metafísica. Agora. como nao tenho por certo nenhuma oeasiäo de juigar que há um Deus enganador. Mas. se depois julguei que elas podiam ser postas em dúvida. nao foi por outra causa senào por me vir à mente que algum Deus podia me haver dado urna natureza tal que eu fosse enganado também acerca das coisas que me pareciam as mais manifestas. que me volto para as coisas cias mesmas que julgo perceber muito claramente. Toda vez. por exemplo.\S DE DESCARTES 29-30 tricas. se acaso quisesse. eu considerava algo muito simples e fácil como. Mas. a razäo de duvidar que depende só dessa opiniào é muito ténue e. a ordern parece exigir 73 PDF compression. quando é verdadeiro que agora sou ou. fácil ihe seria fazer que eu errasse também nas coisas que creio ver por intuiçâo como as mais evidentes aos olhos da mente. se pode ser enganador. até agora nao sei sequer de modo suficiente se há aigum Deus. nas quais reconheço manifesta contradiçäo. espontaneamente. acaso eu näo as intuía. sou por cias persuadido de modo läo completo que. que dois juntos a trés fazem mais ou menos do que cinco. Pois. talvez mesmo. devo examinar se há um Deus e. OCR.36 OBR. toda vez que essa preconcebida opiniäo sobre a suprema poténcia de Dcus me ocorre. que dois e trés juntos fazem cinco e coisas semeihantes. no entanto. nào Posso deixar de confessar que. prorompo a dizer: engane-me quem puder. de modo suficientemente claro para afirmar que eram verdadeiras? E por certo que. por assim dizer. eia também. nunca poderá fazer no entanto que eu nada seja. elas ao menos. /5/ E.

adventícias. destes. PDF compression. entre essas idéias. embora eu possa almejar coisas más ou até coisas que nAo se encontram em parte algurna. /10/Mas. investigando em quais deles reside propriamente a verdade e a falsidade. como quando quero. nAo é por isso menos verdadeiro que as almejo. em verdade. se consideradas em si mesmas e nao referidas às coisas a que se reportam. no que se refere às idéias.no* em Deus. nego. Pois. pois. afirmo.nes. /9/ SO restam. outras. näo é menos verdadeiro que imagino tanto cima quanto a outra. tamböm. Outros.TEROEJRA MED1TAÇAO 37 - e a Jim de que possa 1er ocasido de examinar isso. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 75 . possuem. os juízos nos quais devo acautelar-me do erro. e neles apreendo sempre alguma coisa corno sujcito de meu pensarnento. além disso. elas apenas poderào ensejar-me alguma matéria de erro. alguns são chamados vontades ou afectos e outros. scm interromper a ordeni de meditar que me propus e que consiste em passa r gradualmente das noçôes que encontrar primeiro cui ¡ii/ii/ja ¡nenia às que possa encontrar depois* que eu cornece por prirneirarnente distribuir meus pensamentos ein certos géneros. Pois é seguro que. /8/E. e nAo as refiro a outra eoisa. E. por conseguinte. mas. OCR. * même /7/ Agora.30-31 MEDITAÇÔES . * Et afin queje puisse avoir occasion d'examiner cela sans interrompre / 'ordre de méditer queje nie suis proposé. quer imagine urna cabra ou urna quimera. se considero as próprias idéias como certos modos de meu pensamento somente. algumas me parecem matas. nAo há que temer falsidade alguma na prOpria vontade ou nos afectos. nao podem ser propriamente falsas. temo. qui est de passer par degrés des noi/o us que je trouverai les premières en ¡non esprit â celles quej 'y pourrai trouver par après - /6/Alguns desses pensamentos são como imagens das coisas e somente a eles convém propriamente o nome de idéia: como quando penso cm um homem ou numa quimera ou no céu ou em um anja ou . também. certas outras formas. Ora> o erro principal e mais frequente que neles se pode encontrar consiste em que eu julgue as idéias em mim semeihantes ou conformes a certas coisas postas fora de miro. juizos. abarco corn o pensamento algo além dessa similitude da coisa.

veja o sol. Alérn de que.38 OBRAS DE DESCARTES 31-33 outras. nao parece que eu o tenha obtido de aihures senäo de minha prOpria natureza. creio que aquela sensaçâo ou a idéia de calor ocorrarn em mirn provenientes de urna coisa diversa de mim. como sucede neste momento. e cabe-me investigar quai a razào que me leva a estimá-las semeihantes a essas coisas. a remeter para dentro de mirn sua similitude. Finalmente. /11/ Corn efeito. pois ainda nao percebi claramente sua verdadeira origem. e nao outra. -. experirnento que essas idéias nao dependem de minha vontade. Ou. Duas coisas entre si multo como que de duvidar discrepantes. Ao dizer aqui que fui nisso instruIdo pela natureza. mesmo a despeito de mim. verdade. eu tambérn as possa supor ou todas adventIcias ou todas matas ou todas inventadas. E nada mais obvio. do calor do fogo junto ao quai estou sentado. parece que fui nisso instruIdo pela natureza. que juigue ser essa coisa. inventadas por mim mesmo. nem. OCR. pensamento. Pois que eu entenda o que é coisa. Pois. Pois tudo o que a luz natural me mostra de modo algum pode ser duvidoso. /12/ Se essas razöes são bastante firmes e convincentes* é o que agora verei. Mas aqui se trata principalmente daquelas que considero como obtidas de coisas situadas fora de mim. por conseguinte. talvez. - 77 PDF compression. quer queira. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . de mim mesmo. por isso. elas se me apresentarn. sinto calor e. quando. Mas. quer nao. agora. hipogrifos e congêneres são de minha invençao. segue-se que sou. a saber. frequentemente. e coisas semeihantes porque nao pode haver nenhuma outra faeuldade em que confie tanto quanto nessa luz. entendo apenas que sou levado a nisso acreditar por urn certo impulso espontaneo e nao que alguma luz natural me mostre que seja verdadeiro. que ouça urn ruido. sinta o fogo. sereias. pois. julguei até agora que isso procedesse de certas coisas postas fora de mim.

elas se formam em mim scm nenhum auxilio de coisas externas. disto nAo se seguirla que devessem ser semeihantes äquelas coisas. quanto aos impulsos naturals. assim também pode ser que baja em niim alguma outra faculdade. Pois. mesmo que procedessem de coisas diversas de mim. É seguro que essas duas idéias nAo mostra podem ser uma e outra semelhantes ao mesmo sol existente fora de mim. obtida de noçôes que me são matas ou feita por mim de algum outro niodo pela qual o sol se várias vezes major do que a Terra. Mas. * sans l'aide d'aucunes choses extérieures /14/ E. quando se tratava de escoiher o que fosse born. por exeniplo. OCR. que seja a produtora dessas idéias e o faça sein o auxilio de nenhuina coisa exterior*. diversos de minha vontade. ein terceiro lugar. tirada em verdade das razöes da Astronomia isto é. quando durmo.TERCERA MEDITAÇÀO 39 possa ensinar-me que cias nao são verdadeiras. assim como os impulsos de que ha pouco falava. * et convaincantes e que /13/ Em segundo lugar. entre as que reputo adventicias pela qual o sol me parece muito pequeno. por ora ainda nAo suficientemente conhecida de mim. /15 / Tudo isso demonstra suficientemente que näo foi PDF compression.33-34 MEDITAÇOES . embora essas idéias nâo dependam de minha vontade. como a que mais o seja. como que haurida dos sentidos e que há de ser listada. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 79 . parecem ser. E a razAo me persuade de que a que mais diretamente parece dele emanar é a que menos se ihe assenielha. e nAo vejo porque mereceriani major confiança em nenhuma outra coisa. a outra. frequentemente me pareceu notar em muitas uma grande discrepância entre o objeto e sua idéia*. das duas idéias diversas do sol que encontro em mim: uma. da mesma maneira que sempre me pareceu até agora que. nem por isso se constata que procedem necessariamente de coisas postas fora de mirn. Ao contrário. È o caso. julguei frequentemente no passado que me empurrararn para o lado pior. nAo obstante estejam em mirn. * entre l'objet et son idée - -. contudo. -.

porém. onisciente. mas somente por algum impulso cego. por intermedio dos órgàos dos sentidos ou por um outro modo qualquer. Pois. OCR. se nao a possuisse também? e /18/De onde se segue. aquela pela quai entendo um certo Deus supremo. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Por sua vcz. porém. participan: por representa çäo de mais gratis de ser ou de perfeiçâo* do que as que só representam modos ou acidentes. nao ser possível que algo resulte do nada nem também que o mais perfeito. criador de todas as coisas que estäo fora dele. em que uma idéla representa urna coisa. na medida em que essas idélas são somente modos de pensar. existem fora de nhim. eterno. enviavam suas i déias ou imagens para dentro de mim e a/i impriiniam sitas similitudes * et y imprimaient leur ressemblance a /16/ Mas um outro caminho se me apresenta todavia para investigar se coisas. é em verdade manifesto à luz natural que na causa eficiente e total deve haver pelo menos tanto quanto há em seu efeito. * c'est-à-dire participent par représentation à plus de degrés d'être ou de perfection ** 1mm table /17/Ágora. pergunto. mais realidade objetiva. isto é. é patente que são muito diversas umas das outras. im utávei**. Pois. nao reconheço nenhunia desigualdade entre elas. is/o é. seguramente tern em si mais realidade objetiva do que as idéias pelas quais se mostram as substâncias finitas. que até agora acreditei na existencia de coisas diversas de mim. oque contém em si mais realidadc 81 PDF compression. nao há dúvida de que as que mostrarn substânc las são algo mais e contém. outra.já que todas parecem proceder de niim pelo mesmo modo.40 OBIs DE DESCARTES 34-3 5 partir de um juízo certo. Na medida. dc onde o efeito poderia receber sua realidade sendo da causa? E como esta poderia da-la. onipotente. cujas idéias estào em mim. Pois. por assim dizer. outra coisa. as quais. infinito.

. por conseguinte. ¡sto é. Mas. ô objetivamente ou por representa no intelecto.c'est-à-dire une manière oit façon de penser ou par représentation /19/ Mas nao devo suspeitar também de que. Por exemplo. E.. além disso.TERCEIRA MEDITAÇAO 41 resulte do menos perfeito. Pois. se supusermos que ha na idéia algo que näo havia em sua causa. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .. a idéia de calor ou de pedra só pode estar em mirn se foi posta por uma causa na qual há no mínimo tanta realidade quanto a que concebo haver no calor ou na pedra.3 5-36 MEDITAÇOES . no entanto. que conten ha em s/as mesmas co/sas ou outras mais excelentes do que as que estelo na pedra e nem o calor pode ser introduzido em um sujeito que antes nâo era quente. mas também para as idéias em que só se considera a realidade que denominam** objetiva. embora essa causa nao transmita à minim idéia nada de sua realidade atual ou formal. grau ou gênero**** de perfeiçâo ao menos igual à do calor..n* atual e formal. Mas. por ser essa realidade considerada em minhas idéias somente realidade objetiva. nao se deve crer que cia seja por isso menos real. por mais imperfeito que seja esse modo de ser pelo quai a coisa.. ciao tena obtido. que essa idéia contenha esta e nao aquela realidade objetiva. da quai é um modo. a natureza dessa idéia é ta que cia nao exige por si mesma nenhuma outra realidade formal além da que recebe de rneu pensamento ou de mm/ia mnente******. OCR.. que ele nao é totalmente um nada e nao pode. 83 PDF compression. deve-o cia seguramente a algurna causa da quai a recebeu e na quai M no rnínimo tanta realidade formal quanto essa idéia contém de realidade objetiva.. e assim por diante. urna maneira oufèitio depensar*******. do nada. como toda idéia é urna obra da mente*****.. E isto nâo é só claramente verdadeiro para os efeitos cuja realidade é aquela que os filósofos chama. * que les philosophes appelent ** qet 'ils nomment c'est-à-dire qui contienne en soi les mêmes choses. Mas.. é seguro. Pois. a nào ser por urna coisa de urna ordern. provir do nada. portanto. ou d'autres plus excellentes que celles qui sont dans la pierre **** d'un degré ou d'uit genre ** ** * toute idée étant un ouvrage de l'espriÍ ou de l'esprit * * . urna pedra que antes näo existia sO pode começar a existir se for produzida por algurna coisa em que esteja ou formal ou eminentemente tudo o que está posto na pedra. mediante idéia. kto é.

nAo pode haver aqui. cuja causa seja um como que arquétipo. em verdade. Se. progressus in infinitum e deve-se chegar por tim a urna primeira idéia. * et en effet oit petfection ou par représentation /201 E. nein formal. que devo concluir. nAo Posso ser eu mesmo sua causa. que facilmente podem tornar-se deficitárias da perfeiçào que está nas coisas de que forarn tiradas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . a respeito da quai nAo pode haver aqui nenhuma diticuldade. disto se seguirá necessariamente que nAo estou só no mundo. como se bastasse que eta estivesse ali também apenas objetivamente. pois considerei todos eles cuidadosamente e nenhum outro pude encontrar até agora. De sorte que pela luz natural percebo claramente que as idéias são em illim como que imagens. mas que alguma outra coisa. /21/ Ora. ao menos às puiineiras e principals. assim tambérn o modo de ser formai pertence por sua natureza As causas das idéias. mas nao podem conter algo major ou mais perfeito do que essas coisas. tanto mais clara e distintamente reconheço que são verdadeiras. entre minhas idéias. nAo encontro em mim nenhuma idéia de tal género. OCR. se a real idade objetiva de alguma de minhas idéias for tanta que eu tique certo de que eta nao está em mim. ja nao terei nenhum argumento que me dê a certeza da existência de urna coisa diversa de mim. E. no entanto. 85 PDF compression. da mesma maneira que esse modo de ser objetivo pertence As idélas pela natureza delas. Pois. Mas. além da queme mostra a mim mesmo. que é causa dessa idéia. também existe. quanto mais demorada e cuidadosamente examino todas essas coisas. no quai esteja contida formai e efetiiamente* toda a realidade ouperfeiçäo** que na idéia está contida apenas objetivamente ou por representaçdo***. afinal? Que. apesar de que talvez urna idéia possa acaso nascer de outra. nein eminentemente e de que.42 OBRAS DE DESCARTES 36-37 nao seja preciso que essa mesma realidade esteja formalmente nas causas dessas idéias. por conseguinte.

quando cias represcntam urna nào-coisa como se coisa fosse. o calor e o frio e outras qualidades táteis. os sabores. só são pensadas por mini niuito confisa c obscuramente. Pois. às idéias das coisas corporais. por exemplo. OCR. a situaçäo obtida das coisas diversamente figuradas. mesmo que näo existam no mundo nein homens. animais e. embora a falsidade propriamente dita ou falsidade formal nao possa' encontrar-se senäo nos juizos. outras representam coisas corporals e inanimadas.37-39 MEDITAÇOES TERCEIRA MEDITAçÄ0 43 urna outra representa Deus. é seguro que há. como a luz e as cores. que surge da terminaçào dessa extensäo. nem anjos. do mesmo modo que ontem examinei a idéia da cera. exceto eu. Quanto äs restantes. as idéias que tenho do calor e do frio são tAo pouco claras PDF compression. a ponto de eu ignorar se são verdadeiras ou falsas. porém. a duraçäo e o número. nada ocorre nelas que näo pareça poder provir de miin mesmo. Assim. porém. outras representam outros homens semeihantes a mim. Pois. E. ao que podem Ser acrescentados a substância. entendo facilmente que podem ser compostas a partir das que tenho de mim mesmo. contudo. finalmente. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 87 . anjos. nem animais. outras. se as idéias que delas tenho são idéias de coisas ou de naocoisas. das coisas corporais e de Deus. o movimento ou mudança dessa situaçào. quanto às idéias que representam outros homens ou animais ou anjos. outras. Quanto. nas idéias. isto é. se as inspeciono mais de peno e as examino em separado. conforme fiz notar anteriormente. uma cera outra falsidade material. noto que muito poucas são as coisas que nelas percebo clara e distintamente. os sons. a saber: a grandeza ou a extensào em comprimento. os cheiros. a figura. largura e profundidade.

e assirn por diante. de outras coisas do mesmo modo. a saber: substâneia. assim. quando penso que a pedra é urna substância ou uma coisa apta a existir por si e que sou também urna substâneia embora me coneeba como coisa pensante e nao extensa e a pedra. 89 PDF compression. concordantes no que se refere à substância. duraçào. porque nâo pode haver idéias que nao sejam idéias de coisas. se cias acaso são falsas e nào representam coisa algurna. corno eoisa extensa e nao pensante e. E nao é seguramente necessário que se Ihes atribua um autor que nao eu mesmo. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . ¡98) e /22/ Quanto. as quais possa transferir em seguida a quaisquer outras coisas. no entanto. a quai nao é totalmente perfeita. quando percebo que sou agora e me lembro de que fiñ por algurn tempo também anteriormente e quando me ocorrem vários pensamentos cujo número entendo. verdadeiras. como máxima a diversidadc entre os eonceitos de urna e de outra . Se säo. adquiro as idéias de duraçäo e de número. privaçào de fijo ou se ambos são qualidades reais ou se nenhurn deles o é. E. se for verdade que o fric nada mais é do que privaçAo de calor. Pois. pois. parece que eu poderia tomá-lo emprestado em parte da idéia de mini mesmo. porque me mostram. ao que é claro e distinto nas idéias eorporais. p. a idéia que o representa como algo real e positivo será merecidamente chamada falsa.44 OBRAS DE DESCARTES 39-40 distintas que delas nao posso aprender se o frio é apenas privaçäo de calor ou o calor. cm verdade. por conseguinte. que a causa pela quai estâo em mimé urna deficiéncia de algo em minfla natureza. nao vejo porque nào possam provir de mirn mesmo.parece que eias sâo. número e. isto é. Do mesmo modo. ao contrário. tao pouco de realidade que scquer Posso distinguir esse pouco de urna naocoisa. todavia. * AT imprime posset eni lugar de posse (AIq. sei pela luz natural que procedem do nada. OCR.

ao contrário. assim. elas nao estào contidas formalmente em mim.nents sous les quels la substance corporelle nons paraît /24/ E. pois qual a razào por que me daría conta de que duvido. Entendo pelo nome de Deus certa substância infinita. porém. como percebo o repouso e a escuridào pela negaçào do movimento e da luz. a idéia de substância inflnita.40-4 i MEDITAÇOES . pois. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . a menos que ela procedesse de alguma substância que fosse deveras infinita. a figura. immuable /25/ Pois.já que sou finito.thstância nos aparece* e eu. a idéia de Deus pennanece a única em que se deve considerar se há algo que nao poderia provir de mim. parece que eles podem estar comidos em mim eminentemente. * éternelle. por conseguinte. às restantes coisas que entram na formaçäo das idéias das coisas corporais. quc a percepçào do infinito é. isto é. em mim. anterior à percepçào do finito. nào seria. /26/ E nâo devo crer que nào percebo o infinito por uma verdadeira idéia. que a percepçäo de Deus é anterior à percepçào de mim mesmo. entendo de modo manifesto que M mais realidade na substância infinita do que na finita e. no entanto. quanto mais cuidadosamente Ihes presto atençào. tanto menos parece que das possam provir somente de mim. 91 PDF compression.TERCERA MEDITAÇAO 45 /23! Quanto. Por isso. do que foi dito deve-se concluir que Deus existe necessariamente. se existe alguma outra coisa. eterna. independente. a situaçâo e o movimento. porque são somente certos modos de substância e conto trajes corn que a s. OCR. * et comme les vête. Mas. mas somente por urna negaçào do finito. porque nada mais sou do que coisa pensante. por isso. ¡mata vel*. de certo modo. a extensào. eu sou contudo urna substância. embora baja em mim certa idéia de substância pelo fato mesmo de que sou substancia. sumamente inteligente e sumamente poderosa e pela qual eu mesmo fui criado e tudo o mais existente. Todas essas coisas são tais que. isto é.

46 OBRAS DE DESCARTES 41-42 desejo. se nao houvesse emmim nenhuma idéia de urn ente mais perfeito. ao máximo verdadeira e ao máximo clara e distinta. pois tudo o que percebo clara e distintamente e que é real e verdadeiro e contém alguma perfeiçào está todo contido nela. pude obtê-la do nada. * c'est-à-dire qn 'e//e petit être en moi pour ce que j'ai du defaut /28/ Essa idéia de urn ente sumamente perfeito e infinito é. /31/ Mas talvez eu seja algo mais do que percebo e todas as perfeiçöes que atribuo a Deus estejani de algum modo potencialmente em mini. verdadeira ao máximo. para que a idéia que dele tenho seja de todas as que estào em mim. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 93 . embora ainda nâo tenham PDF compression. que taivez ignore. que e/a pode estar em Sm por tuna dejiciênciu jninha'. que sou finito. OCR. ou que em Deus haja inúmeras outras coisas que näo Posso de modo algum nem compreender. pois. a exernplo do que hé pouco Liz notar acerca das idéias de cor e de frio e semeihantes. e talvez também inûmeras outras. /30/ E nâo importa que eu nao compreenda o infinito. enihora talvez se possa pensar ficticiamente que urn Ial ente talvez nao exista. ao contrário. isto é. nenhuma é por si mais verdadeira e em nenhuma se encontra menos suspeiçäo de falsidade. nào se pode porérn pensar por ficçào que sua idéia nâo me mostre nada real. /29/ Lia é também clara e distinta ao máximo. Pois. por comparaçâo corn o quai conheço meus defeitos? /27/ E nem se pode dizer que talvez essa idéia de Deus seja materialmente falsa e. ¡Sto é. por isso. bastando que eu entenda isso e julgue que estäo ein Deus formal ou eminentemente todas as coisas que percebo claramente e nas quais sei que existe alguma perfeiçäo. conforme eu disse ajiteriormente a respeito da idéia de frio. nein talvez até atingir pelo pensamento. Pois é da natureza do infinito que näo seja compreendido por mim. de que sou indigente de algo e de que nao sou totalmente perfeito. digo. sendo clara e distinta ao máximo e contendo mais realidade objetiva do que nenhuma outra.

feiçâes*. de maneira que nada poderia ser acrescentado à sua perfeiçäo. é infinito em ato. Pois já experimento agora que meu conheciniento aumenta paffiatinarnente e nao vejo o que poderia impedir que cresça mais e mais in infinitum. julgo eu. Mas. entendo que nunca será infinito em ato. nein também que. ernbora meu conhecimento aumente sempre mais e mais. nem vejo a razào por que a poténcia para essas perfeiçòes. nela. * de ces perfections ** eny regardant un pen deprès. potc. pois. finalmente. Percebo. ein primeiro lugar. que o ser objetivo dc urna idéia nao pode ser produzido por um ser que é sornente potencial. OCR. nao há seguramente em tudo isso nada que náo seja manifesto à luz natural. o qual. clii ando ¡irais de peno. ludo é alisal e efetivok**. cornudo nada disso pertence à idéia de Deus. näo possa eu adquirir corn sua ajuda todas as restantes perfeiçoes de Deus. o conhecimento assim aumentado.42-43 MEDITAÇOES . já nao me lembro corn facilidade da razâo por que a idéia de um ente mais perfeito do que eu deva proceder necessariamente de algum ente que seja deveras mais perfeito. 95 PDF compression. Mas quando presto menos atençäo e que as irnagens das coisas sensíveis cegam o olbar de rninha mente. falando propriamente. reco. Pelo contrário. que já se encontra em mim. na quai nada há coni efeito que seja de modo algum potencial. se é verdade que meu conhecimento aumenta paulatinamente e que há em mim muitas coisas em potência que ainda nao se atualizaram. nias unicamente por um ser atual ou format. nunca chegará a um ponto em que nAo seja capaz de um incremento maior do que o alcançado. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .je reconnais que ¡nais tout y est actuellement et en effèt en ¡tire connaissance /32/ Para quem The dedique uma cuidadosa atençAo. nada é. E o prOprio fato do aumento gradativo já nao é acaso urna prova certissima de imperfeiçäo em men conizecimentoc? Além disso. nao seja suficiente para produzir a idéia dessas pe.theço** que nada disso é possíveL Pois.TERCEIRA MEDITAÇÀO 47 aparecido e nao tenham se manifestado ein ato. Deus.

se as outras coisas que tenho eu as obtivesse de mim. i/e beaucoup de connaissances dont ¿nu nature est denuée et ne serait pas capable d'y arriver - - '" /36/ E nao me ifirto a força dessas razòes. nAo duvidaria. supondo que eu talvez tenha sido sempre como agora sou. E. coisa ou substância pensante. se existisse alguma que fosse mais dificil. * sij'étais indépendant de lotit autre /35! Nem devo crer que o que falta em mim seja acaso dc aquisiçäo mais difícil do que o que já se encontra em mim. * c'est-à-dire si j'étais l'auteur de ¡na naissance. OCR. nao desejaria e em rnim nada faltaria. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . de onde tenho o ser? Por certo de mini mesmo ou de meus pais ou de outras coisas. pois que todo o tempo da vida 97 PDF compression. os mullos conhecimentos de que mm/za natureza está despro vida". ¡Sto é. porque nenhurna bá.48 OBRAS DE DESCARTES 43-45 Por isso. que nie pareça mais difícil fazer e. emergir do nada do que adquirir os conhecimentos que são apenas acidentes dessa substância das muitas coisas que ignoro. darla todas as perfeiçoes de que há algunia idóia em mim e.zaic * e recebesse meu ser de mim. se eu fosse independente de tudo o . pois nao se pode pensar ou imaginar algo mais perfeito e nem mesmo de urna perfeiçäo igual. pois experirnentaria que meu poder rulo seria capaz de e/regar até elas*. se obtivesse de mim o mais. é manifesto que seria muito mais difícil para mirn.. et de ¡non existence ** à savoir. que tenho essa idéia. quaisquer que sejam. se urn tal ente nAo existisse. menos perfeitas do que Deus. de modo que disso decorreria que nao devesse procurar nenhum autor para minha existéncia. por certo que cia também me pareceria mais difícil. eu poderla ser. ¡sto é. gostaria de investigar em seguida se eu. seria eu mesmo Deus. /33/ Corn efeito. nelas terminando. pois me /34/ Ora. se eu fosse o autor de ineu nascimento e de min/ja exístência*. assim. corn efeito. E. mas também das outras coisas que perceho no eonteüdo da idéia de Deus. Ao contrário. por certo que nao me tena negado o que é mais fácil obter.

kçAo 49 pode ser dividido em inúmeras partes. nilo pode ser assi. ficaria patente. soit levado a reconheeer da maneira mais evidente que dependo de algum ente diverso de mim. cada urna das quais nao dependendo de rnodo algum das outras. OCR. é manifesto que deve haver na causa ao menos tanto quanto ha no efeito. Poder-se-ia perguntar novainente se ela seria por si ou seria por outra. Nào. eu que agora sou. a menos que algurna causa me crie. menos perfeitas que Deus. por assirn dizer. 99 PDF compression. conserve-me. E uma das coisas manifestas à luz natural é que a conservaçâo só difere da criação por razào. pelo que foi dito. e talvez eu tenlia sido produzido ou por meus pais ou por outras causas quaisquer. Se fosse por si. quaiquer que seja a causa que afinal se nie assïne. pelo menos. nao se segue que eu deva ser agora. razào por que. Eis porque devo agora interrogar-me para saber se tenho alguma força capaz de conseguir que eu.TRCEIR& MEDIî. como agora só se trata da minha parte que é precisamente coisa pensante. são necessârias totalmente a mesma força e a mesma açào que para criar de novo o que ainda nâo existe. porque.45-46 MEDITAÇÓES . eu ainda seja pouco depois. se houvesse em mim aquela força. e pelo fato de que fui há pouco. ao contrário. /38! lalvez esse ente nao seja em verdade Deus. como experimento que näo há nenhuma. que ela é Deus.n*: corno já disse anteriormente. já que. para este momento. devo reconhecer que cia deve ser tambérn coisa pensante e possuir a idéia de todas as perfeiçòes que atribuo a Deus. em cada momento de sua duraçào. Mas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . isto é. /37/ Pois é manifesto a quem esteja atento à natureza do tempo que para se conservar algo. nao sendo senüo coisa pensante ou. sem dúvida que eu dela estaria consciente. sendo eu coisa pensante e possuindo certa idéia de Deus.

scm nenhurna dúvida que também tena a força de possuir em ato todas as perfeiçöes cuja idéia ela possui em si mesma. 101 PDF compression. de novo se perguntania do mesmo modo se é por si ou por outra. OCR.nento*. pois cia nAo pôde fazer que eu as entendesse ao mesmo tempo. * et queje les connusse toutes en quelque façon /40/ Quanto ao que se ref'ere. porém. de outra. da que me conserva no tempo presente. Pois. todas as que concebo estarem em Deus. até chegar finalmente a urna última causa. como sempre acreditei que todas as coisas a seu respeito erarn verdadeiras. e apenas puseram centas disposiçòes naquela maténia em que eu. que me conservam. que seria Deus.s DE DESCARTES 46-47 tenclo a força de existir por si. juntas e inseparäveis. por outra coisa. nern também. a unidade. nAo são seguramente eles. finalmente.50 Osit. também e principalmente. mas nAo todas juntas. que atribuo a Deus. de modo algum. ao mesmo tempo. que seria Deus. em uma sO coisa. das quais parece que recebi ineu nasci. para minha produçào. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . já que agora somente cia aceito corno sendo eu mesmo. E é certo que a idéia dessa unidade de todas as suas perfeiçoes nAo pode ter sido posta em mim por nenhuma causa da quai eu nao recebesse também as idéias das outras perfeiçoes. urna mente. que me produziram na medida em que sou coisa pensante. a de outra perfeiçAo sua. de modo que todas essas perfeiçöes se encontrariam em algum lugar do universo. Se fosse. principalmente porque nAo se trata aqui da causa apenas que me produzïu outrora. * cela ne petit être ainsi /39/ NAo se poderla também imaginar que. talvez tenha havido o concurso de várias causas parciais e que de uma delas eu tenha necebido a idéia de uma perfeiçäo. isto é. senäo fazendo que eu conhecesse quais cias erarn e de ilgunz ¡nodo as conhecesse todas*. ao contránio. mas. a simplicidade ou inseparabilidade de todas as coisas que estâo em Deus é urna das principais perfeiçoes que emendo estarem em Deus. porérn. isto é. Pois é bastante manifesto que aqui nao pode haver progression in infinitum. a meus pais.

que.TERCEIRk MEDITAÇÀO 51 julguei encontrar-me. que me tenha feito de algum modo à sua imagem e semeihança e que eu percebesse essa semelhança. E toda a força do argumento consiste em que reconheço 103 PDF compression. nao pode haver aqui nenhuma dificuldade a respeito deles. Mas. é Deus. Mas deve-se concluir completamente que só pelo fato de que existo e de que há em mim certa idéia de um ente perfeitissimo. como se fosse a marca do artifice impressa em sua obra. que Deus também existe. que aquele de quem dependo tern em si todas essas coisas maiores a que aspiro e cujas idóias encoffiro ein num. ao me criar. nem nada acrescentar-Ihe. * desquels ¡I semble que je tire ma naissance /41/ Resta. pela mesma faculdade por queme apercebo a mim mesmo. ou parece que se apresentam. como costumam apresentar-se as idéias das coisas sensiveis. isto é. OCR. que examine a maneira como recebi de Deus essa idéia. pois nao a tenho dos sentidos e ela nunca se me apresentou inesperadamente.jeita*. aos órgäos dos sentidos externos. fica demonstrada. E nao é preciso que a marca seja algo diverso da prOpria obra. quando se apresentam. somente. isto é. Assim. entenda. assim. Mas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .47-48 MEDITAÇÓES . nao entenda apenas que sou uma coisa iinpe. pois de nenhuma maneira Posso subtrair-Ihe algo. Por conseguinte. Ela näo foi também inventada por mim. do mesmo modo que o é também a idéia que tenho de mim mesmo desde quando fui criado*. incompkta e dependente de outra coisa. ao voltar a ponta da mente para mim mesmo. nào de maneira indefinida e só em poténcia. Deus me tenha imposto essa idéia. e. porém. deve-se acreditar. sO por me haver criado. mas real e infinitamente. de maneira evidentíssima. na quai está contida a idéia de Deus. de Deus. resta somente que cia me seja mata. * dês lorsque j'ai été crée /42! E nao é seguramente surpreendente que. e muito. aspirando indefinidamente a coisas cada vez maiores e meihores. ao mesmo tempo.

pode nos dar o major prazer de que somos capazes nesta vida. * tout parfait ** tout à loisir ** * merveilleux * ** * incomparable /45/ Pois.naravilhosos*** atributos em mim. digo. vendo. adorando a incUmplirá vel**** beleza dessa imensa luz. investigar que outras verdades posso alcançar. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . antes de examiná-o mais cuidadosamente e. o detentor de todas aqu&as perfeiçôes que nào posso compreender. embora decerto menos perfeita. Deus. a menos que Deus Ele mesmo também exista. ¡sto é. isto é. posso atingir pelo pensamento. assim como cremos pela fé que a suprema felicidade da outra vida consiste somente na contemplaçào da majestade divina. 105 PDF compression. Aquele mesmo cuja idéia está em mim. de aigum modo. O qual nào está sujeito a nenhum defeito e nao tent nenliunia de todas as coisas que são a marca de alguina imperfeiçäo * * * imparfaite ** auxquels j'aspire et dont je trouve en moi les idées et qui n'a rien de toutes les c/roses qui marquent quelque imperfection /43/ Pelo que fica suficientemente manifesto que ele näo pode ser enganador: é manifesto à luz natural que toda fraude e todo engano dependem de algum defeito. neste passo. pesando /ivremente** seus . ao mesmo tempo. OCR. é bom que me demore aigum tempo. tanto quanto o pode o olbar obnubilado de minim intehgência. possuidora da idéia de Deus em mim.52 OBRAS DE DESCARTES 43-49 ser inipossível a existéncia de urna natureza tal quai sou. mas que. contemplando esse Deus perfeitíssimno* ele mesmo. /44/Mas. assim também experimentamos desde já que essa contemplaçào. admirando.

mostra-se aquilo ein que consiste a razäo dajálsidade. tanto para obter a confIrma çäo do que foi dito quanto para o entendimento do que em . depassagern. ao discernir o verdadeiro do falso. OCR. ao mesmo tempo. de modo algwn. que ali nao se trata. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . que se conhecem apenas por obra da luz natural.ceguida se dirá.) 107 PDF compression. nias sé as verdades especulativas. porém.SINOPSE QUARTA MEDITAÇAO Na Quarta Mediraçào prova-se a verdade de todas as coisas que percebetnos clara e distintamente e. (Note-se. do pecado oit erro cometido na busca do born e do mau. É necessário saber ambas as coisas. mas comente do erro que acorre no juizo. Nein se consideram também as co/sas pertinentes òfé ou à vida ativa.

Q UARTA MEDITAÇÀO SOBRE O VERDADEIRO E O FALSO a afastar a mente dos sentidos e tanto cuidado pus em notar que é muito pouco /1/ Nestes dias. OCR. acosturnei-me de tal maneira 109 PDF compression. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .

a e dependente. de Deus. porém. nao pode ocorrer em Deus. E. Parece-me ver. eu que possuo essa idéia. concluo. largura e profundidade e. um caminho que leva dessa contemplaçao do verdadeiro Deus. a exemplo de tudo o mais em mim. E nao creio que a inteligéncia humana possa conhecer nada mais evidente e mais certo.já que em toda falácia ou engano há algo imperfeito. desprovida de tudo o que o corpo possui --urna idéia muito mais distinta do que a dc nenhuma coisa corporal.49-51 MEDITAÇOES . PDF compression. ou porque eu. todos os momentos de minha inteira existéncia dele dependem. é indubitável. existo*. E. onde afinal se eneerram todos os tesauros das ciências e da sabedoria. a saber. * sensibles et imaginables na medida em que é coisa pensante e nao extensa em comprimento. que Deus tambérn existe e que. muito mais sobre a mente humana e mais ainda sobre Deus. que sou coisa incomplei. experimento que ha em mim urna certa faculdade de julgar que. ou unicamente porque tal idéia esteja cm mim. apresenta-se-me clara e distinta a idéia de um ente indcpcndente e completo. isto é. em primeiro lugar.Qu&rn& MEDLmÇÀO 53 oque verdadeiramente se percebe sobre as coisas corporals. /4/ Em seguida. agora. conquanto o poder enganar pareça mostrar agudeza e poderio. OCR. que agora já nao encontro dificuldade alguma em apartar o pensamento das coisas sensíveis e i. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .nagináveis*. como tal. um por um. dirigindo-o äs que são somente inteligiveis e separadas de toda matéria. reconheço ser impossivel que ele jamais me engane. ao conheeimento de todas as outras coisas. * existo /2/ Tenho seguramente da mente humana - /3/ Pois. do modo mais manifesto. por conseguinte. que querer enganar atesta fraqueza e malicia e. Quando percebo atentamente que duvido.

toda perfeiçâo. na medida em que fui criado pelo ente supremo. /5/ Entendo. real e positivo. na medida em que é erro. Mas. enquanto continuo pensando somente em Deus. se tudo o que há em mim eu o devo a Deus. totalmente voltado para ele. percebo que há em mim nAo apenas a idéia real e positiva de Deus. em sumo grau. seguramente näo me deu essa faculdade para que. experimento que sou sujeito a inûmeros erros. eu sou algo meäo entre Deus e o nada. se a uso retamente. de tal modo constituido que. que dele recehi para discernir o verdadeiro dofulso*. nada há em mim que me faca errar ou me induza a erro. Para errai. Eu.54 OBs DE DESCARTES 51-52 recehi de Deus. E. Ao investigar-Ihes a causa. faltam-me muitas coisas e. logo que me volto para mim. isso ainda de todo satisfatório. nao fosse a aparência de que ¡sto importa no fato de que eu nunca poderia errar. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . nAo é d'avec lefliux nAo é /6/ Entretanto. por isso. também participo do nada ou do näoente. entre o ente supremo e o näo-ente. nAo é de admirar que eu erre. E. que o erro. jamais venha a errar. nAo é preciso que Deus me tenha dotado de alguma faculdade para esse fïm. Mas. isto é. OCR. como nao me den uma faculdade de errar nao parece que eu possa jamais errar. nào descubro nenhuma causa de erro ou de falsidade. do nada. isto é. dc um ente sumamente perfeito. por assim dizer. mas também a idéia. pois o erro nAo é 113 PDF compression. certamente. Mas o en-o ocorre do fato de que essa faculdade de julgar o verdadeiro. a idéia daquilo em que está ausente. dc algum modo. A tal respeito näo restaría nenhuma dúvida. assim. na medida em que. nAo é em mim infinita. na medida em que nAo sou eu mesmo o ente supremo. como ele nao quer me enganar. algo real dependente de Deus. Ora. isto é. mas somente um defeito.

contudo. por experimentar talvez certas coisas que näo compreendo nern por que as fez. que. desprovida de uma perfeiçäo que ¡he seja devida. portanto. ¡sto é. infinita. OCR. ¡sto é. mas todo o conjunto das coisas. que eu erre do que nào erre? * c'est-à-dire. pareceria talvez merecidamente 115 PDF compression. nilo é um simples defeito ou falta de alguma perfeiçdo que nao me é dcviii« nias a privaçào ou a carência de certo conhecimento. pois nilo creio poder investigar scm temeridade os fins inzpenetráveis* de Deus. que ele pode inúmeras coisas cujas causas ignoro. em primeiro lugar. n 'est pas le simple défaut ou man quetnent de quelque peifection qui ne w 'est point due /7/ Continuando mcii exame ainda mais atentamente. suficientemente.QUARTA MEDITAÇÀO 55 pura negaçâo. nao parece possível que tenha ele posto em mim alguma faculdade que nao seja perfeita em seu gênero. neni como as fez. e nem é para que duvide de sua existência. como já sei que minha natureza é muito débil e limitada e a de Deus. que pode ter feito o sumo fundador de todas as coisas que nilo seja absoluto em todas as suas partes? Nao há dúvida de que Deus poderia me criar para que nunca criasse e nao há dúvida também de que ele sempre quer o ótirno. nilo se deve considerar urna só criatura. deveria estar em mim. Pois. mas privaçäo. * impénétrables /8/ Ocorre-me também que. se a perfeiçäo das obras do artífice é tanto major quanto major sua pericia. percebo. para investigar o quanto de perfeiçäo ha nas obras de Deus. se fosse só. de algum modo. incompreensivel. que nao devo ficar admirado de que Deus faça algumas coisas cujas razòes nao emendo.52-53 MEDITAÇOES . se considero a natureza de Deus. Pois. E só esta única razäo leva-me a julgar que aquele género de causas que costuma apelar para a finalidade de modo algum deve ser utilizado nas coisas da Física. pois o que. É meihor. sei também. imensa. só por isso. E. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . em separado.

supor devesse ele pôr. nem por isso devo dizer que estou propriamente delas privado e sim. ao menos. OCR. nein posso queixar-me também de que nAo baja recebido de Deus urna vontade ou liberdade de arbitrio suficientemente ampia e perfeita. E. que delas sou apenas desprovido. nAo posso negar. de sorte que eu mesmo tenha urna razâo de parte no conjunto das coisas. negativamente. porém. investigando quais são os meus erros somente eles denunciarn urna imperfeiçäo em mini percebo que dependem do concurso simultânco de duas causas. mas * apenas percebo as idéias a respeito das quais posso fazer um juizo. ocorre no intelecto. contudo. da vontade.56 OBRAS DE DESCARTES 53-54 muito imperfeito será perfeitissimo se tiver no mundo sua razào de parte. isto é. poderiani ter sido feitas por ele. da facuidade de conhecer que está em mim e da faculdade de escoiher ou liberdade do arbItrio. Porque nAo Posso de fato aduzir nenhuma razäo para provar que Deus devesse dotar-me de uma faculdade de conhecer maior do que a que me deu. desde que tornei a resoluçao de pôr todas as coisas em dúvida. Pois. a saber. desde que conheci a irnensa potencia de Deus. /9/ Por fini. E o entendê-Io corno um artífice de muita pericia nao me autoriza. até agora. aproximando-me ainda tuais de mini mesmo e. pois a experimento em verdade Wo indeterminada e Ido extensa** que nAo há limites a circunscrevê-la. e nenhum erro. em cada obra sua. - 117 PDF compression. Em verdade. ao mesmo tempo. Pois. considerado assim precisamente. E o que me parece muito notável -. que muitas outras coisas forain feitas ou. nein nego co/sa a!gwna. pelo intelecto sozinho nao afirmo. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . do intelecto e. só tenha obtido o conhecimento certo de minha existéncia e da existéncia de Deus. apesar de que. propriamente dito. embora muitas coisas talvez existam das quais nAo tenho nenhuma idéia em mim. todas as perfeiçoes que pode pôr em algumas delas.

cia nao parece ser major. nao apreendo a idéia de outra major. de - -. antes. formal e muito mais coisas precisamente. - 119 PDF compression. Pela mesma razäo. ao mesmo tempo que formo. de sorte que é cia principalmente a razào para que entenda haver em mim uma imagem ou semeihança de Deus. em si mesma. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . nao sintamos que somos a isso determinados por nenhuma força exterior. percebo que cia pertence à natureza de Deus. logo reconheço que cia é muito pequena e muito finita em mirn. nenbuma é tao perfeita e ampia que eu nao entenda possa ser mais perfeita ou major do que é. por consistir apenas em podermos fazer ou näo fazer algo (isto é. Somente da vontade ou da liberdade de arbftrio. ao contrário. se examino a faculdade de recordar ou de imaginar ou quaisquer outras. quer em razäo do objeto. que experimento muito ampia em mim. E sò por que Posso formar sua idéia. considerada. a idéia de outra multo majore até máxima e infinita. nao encontro totalmente nenhuma outra que nao entenda fraea e circunscrita em mim e imensa em Deus. OCR. pois estende-se a sejuntam. nào é preciso que eu possa indiferentemente me inclinar para uma ou para a outra parte. Se tao considero.54-56 MEDITAÇOES . afirmar ou negar. buscar ou fugir) ou. porém. seja por que nela quanto mais propendo para urna delas é que. mas. Para ser livre. por exemplo. ao contrário. a facuidade de entender. por consistir apenas em que. buscar o que o intelecto nos propôe ou dele fugir. Pois.QUARTA MEDITAÇÀO 57 todas as outras coisas que estào em mim. embora seja em Deus incomparaveimente major quer em razào do conhecimento e da potência que a cia do que em mim fazendo-a tuais firme. para afirmar ou negar.

De onde. mas somente urna deficiéncia do conhecirnento ou alguma negaçâo. entendo sem dûvida retamente. como a vontade manifesta-se mais ampia do que o intelecto. a força de querer que recebi de Deus nao é a causa de meus erros. indiferente. si vague et si étendue /10/ Pelo exposto. nunca deliberaria sobre o que se deve julgar e o que se deve escolher e. OCR. o que quer que entenda. pois.já que esse entendimento eu o tenho de Deus e nao é possivel que nisso eu erre. se eu visse sempre claramente o que é verdadeiro e o que é bom. a vontade desvia-se facilmente do verdadeiro e do hom. embora completamente livre. seja porque Deus assim dispôs tanto mais livremente a escoiho. é o ínfimo grau da liberdade e nâo atesta nenhuma perfeiçäo sua. o íntimo de meu pensamento Na verdade. E a força de entender nao o é também. E. quando nenhuma razào me leva mais para um lado do que para o outro. seguia-se evidentemente que eu existia. /11/Por exempio: corno examinasse nesses dias se existia algo no mundo notasse que. em seu gênero. nascem meus erros? Unicamente de que. percebo que. je n'assure ni ne nie aucune c/lose. contudo. pelo fato de o examinar. nao a contenho dentro dos mesmos limites e a estendo também a coisas que nao entendo. por ser indiferente a essas coisas. assim. a graça divina e o conhecimento natural nunca diminuem a liberdade. Pois.58 OaRks DE DEscARTEs 56-57 entendo evidentemente o verdadeiro e o born. perfeita. entäo. e é assim que erro e peco. pois é amplissima e. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Mas a indiferença que experimento. considerada em si. nao pude nao julgar que o que entendia tao claramente fosse verdadeiro. niais -. Nao que a isso e 121 PDF compression. mas antes a aumentam e corroboram. eu nunca poderia ser.

porém. Agora. a todas as coisas que nao são por ele conhecidas de modo suficientemente claro. É. genericamente. ou meihor. ou se ambas são urna mesma coisa. supus de todo falsas coisas que antes tinha por verdadeiras ao máximo. por isso mesmo. só o conhecimento de que se trata apenas de conjeturas e nào dc razòes certas e indubitávcis é suficiente para levar meu assentimento para a parte contrária. decerto. nAo uso retarnentc a liherdade de arbitrio. o que me faz duvidar sobre se a natureza pensante que está em mim. mas. essa indiferença nao se estende apenas a coisas de que o intelecto nao sabe totalmente nada. que sou indiferente a afirmar ou a negar um ou o outro. é diversa dessa natureza corporal. nisso acreditci tanto niais espontánea e livrernente quanto menos the flu indiferente.QUARTA MEDITAÇAO 59 fosse coagido por urna força externa. no momento mesmo em que a vontade delibera a respeito dclas.57-58 MEDItkçOEs . só porque me dei conta de que as podia de algurn modo pôr em dúvida. depara-se-me também a idéia de certa natureza corporal. quando. sejulgo. nao somente sei que existo. disso. é claro que ajo retamente e nao me engano. quando nao percebo o verdadeiro corn suficiente clareza e distinço. Pois. na medida ein que sou certa coisa pensante. eu mesmo sou. mas. /12/ Ao contrário. assim. ao passo que. E. embora conjeturas proväveis possam trazer-me para urna das partes. suponlio que nenhurna razâo se apresentou a meu intelecto até agora que me persuadisse mais de urna coisa quede outra. afirmando ou negando. que eu. 123 PDF compression. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . OCR. mas. alón. ou mesmo a abster-me de julgar acerca de urna coisa ou de outra. Foi o que experimentei suficientemente nestes dias. /13/ Ora. seme abstenho dejulgar. porque urna grande luz no intelecto tern corno consequente urna grande propensäo na vontade.

digo. em que consiste a única razào a - - - 125 PDF compression. pois. Nao tenho nenhurna causa de queixa por Deus nao me haver dado urna força de entender ou luz natural major do que me deu. agradecer-Ihe. longe de conceber sentimentos Mo injustos como imaginar* que ele me tenha privado ¡nfiî am . consistindo a vontade numa só e conio que indivisivel coisa.60 OBRAS DE DESCARTES 5 8-60 E. E também nào tcnho porque me queixar dc que me tenha dado urna vontade manifestamente mais ampla que o intelecto. ao contrário. se abraço. maior perfeiçào em poder produzir esses atos do que em nao poder. É nesse uso näo-reto do livrearbitrio que reside aquela privaçâo que constituí a forma do erro. na medida em que dependem de Deus. náo devo tambôm queixar-me pelo fato de que Deus cooperc comigo na eonsecuçào dos atos dc vontadc ou dos juízos em que erro. Mas a privaçào. OCR. Há. e do principio do intelecto criado que seja finito. nern por isso fico isento de culpa. de certo modo. pois tais atos sào verdadeiros e bons. nern também na operaçäo na medida em que cia dele depende. em mim. a ele que nunca nada me deveu. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . nào parece que se possa dela retirar algo sens que seja destruida *** E é certo que quanto mais ampia seja a vontade tanto major hA de ser a gratidào a meu doador. se nie volto para a parte falsa. porque é manifesto à luz natural que a percepçào do intelecto deve preceder sempre a determinaçâo da vontade. em verdade. Pois é do principio do intelecto finito que nao entenda muitas coisas. pelo que me deu corn largueza. Enfim. Devo. que se encontra na própria operaçäo na medida em que cia procede de mim e nâo na faculdade que de Deus recebi. Privaçäo. erro totalmente.te** das coisas que nào me deu ou que tena retirado de rnim... outra parte e por acaso cajo sobre a verdade. be.

ha sem dûvida urna imperfeiçao ein mim. vejo que a Deus tena sido fácil fazer que. que de w 'imaginer * * injustement sans la détruire selon la signification qn 'on donne à ces mots dans I 'École /14/ Pois. porque nào é urna coisa e. de um lado. por nao fazer born uso dessa liberdade. na medida em que sou considerado um todo. - PDF compression. se for referida a Deus corno sua causa. nao deve chamar-se privaçào. ao julgar de niodo temerá rio* sobre coisas que näo entendo retarnente. E nao tenho direito algum de me queixar por que Deus nao tenha querido que eu tivesse no mundo o principal e o mais perfeito de todos os papéïs.60-6 1 MEDITACÖES . E entendo facilmente que. do que se todas fossem inteiramente semelhantes. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 127 . rnesrno que nào possa abster-me do eno pelo primeiro modo o qual depende da percepçâo evidente de todas as coisas sobre as quais me cabe deliberar posso todavia apelar para o segundo modo o qual depende apenas de que - -. há maior perfciçäo no conjunto de todas as coisas. eu nunca errasse. de certo modo. que nao posso julgar nada que nao perceba clara e distintamente. pudesse ter sido feito por Deus niais perfeito do que agora sou. OCR. Mas nein por isso posso negar que. mas. ela nào necessita de nenhum concurso de Deus. bastando para isso ou que meu intelecto fosse dotado dc urna percepçâo clara e distinta de todas as coisas sobre as quais tivesse de deliberar. segundo a acepçäo ein que se toman: essas palavras na Escala **** * bici: lait: de concevoir des sentiments si injustes. mas somente negaçâo. nao há por certo nenhuma imperfeiçäo ein Deus por me haver dado a liberdade de assentir ou nao assentir a coisas cuja percepçâo clara e distinta nao pôs em meu intelecto. * témérairement /15/ Entretanto.QUARTA MEDITAÇÀO 61 formal da falsidade e da culpa. embora permanecendo livre e dispondo de um conhecimento apenas finito. Alérn disso. para que nunca fosse esquecido. quando algumas sào irnunes ao erro e outras nào. de outro lado. ou que imprimisse firmemente em minha memória.

PDF compression. verdadeira. Pois. para que dele me recorde. ao contrário. adquirindo. ao mesmo tempo. devendo. aquele que é sumamente perfeito e a quem repugna ser enganador.nória*. percebo. seguramente. eu contiver minha vontade dentro dos limites de ineu conhecimento*. Pois. Eis por que essa percepçäo é. de agora em diante. * dans les bornes de nia connaissance ** de réel et de positif /17/ Hoje. E o que tratarei de fazer. ter Deus necessariamente como seu autor. também. se somente prestar suficiente atençâo a todas as coisas que entendo perfeitamente. se toda vez que julgar. nao somente aprendi aquilo contra o que devo me prevenir e que devo evitar.nente em minha . mas. porque toda percepçäo clara e distinta é scm dúvida algo real e positivo**. a fim de nunca errar. scm dúvida. por conseguinte. ao investigar a causa do erro e da falsidade. * me ¡ 'imprimer si fortement en 1(1 mémoire /16! E. pois seguramente a alcançarei. embora experimente em mim urna debilidade para me fixar sempre em um Unico e mesmo conhecirnento. provir do nada. cada vez que o uso o exija. näo podendo. OCR. que só apreendo de modo confuso e obscuro. que posso iinprimi-loforte. nao estimo de pouca importância o lucro que obtive na meditaçâo de hoje. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 129 . assim. como nisto consiste a major e principal perfeiç&o do homem. cuidadosamente. contudo.62 OBRAS DE DEscAams 61-62 me lembre do dever de abster-me de julgar toda vez que a verdade da coisa nao esteja clara. um certo hábito de nâo erraL E. digo. é de todo impossível que eu venha a errar. de modo que eta só se estenda âs coisas que o intelecto mostre clara e distintamente. nào pode haver nenhuma outra causa de erro senäo a que expus. através de urna meditaçào atenta e muitas vezes repetida.ne. o que devo fazer para alcançar a verdade. discemindo-as das restantes. Deus.

no que talvez ainda ocorram dfìculdades que se resolveräo. 131 PDF compression. genericamente tomada. most"a-se o modo por que é verdadeiro que a certeza das próprias dernonstraçòes geométricas depende do conhecimento de Deus. porérn. na resposta às ob/eçoes. além de se explicar a natureza corporal. demonstra-se tatnbém a existéncia de Deus por urna nova prova. OCR. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Finalmente. mais adiante.SINOPSE QUINTA MEDITAÇAO Na Quinta Ivfeditaçäo.

que eu talvez retome depois de me dar conta em outra ocasiäo. sobre o número. largura e profundidade dessa quantidade ou da coisa por cia quantificada. cuja verdade é tAo manifesta 133 PDF compression. 13/ Corn efeito. figuras. SOBRE DEUS: QUE ELE EXISTE /1/ Restam-me por investigar muitas coisas sobre os atributos de Deus e muitas sobre mim mesmo e a natureza de minha mente. a extensäo em comprimento. para ver quais delas são distintas e quais. nada parece tuais urgente de que nie do que devo evitar e do que devo fazer para chegar à verdade caí nos últimos días e veja se pode esforce por safar-me das dúvidas em que haver algo certo no que se refere às coisas materiais. mas. pondo mais atençào. OCR. a estes movimentos. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . /41 E essas coisas me são completamente conhecidas e patentes nAo só quando as considero assim. imagino distintamente a quantidade que os filósofos chamam de ordinário continua ou. devo considerar as suas idéias. antes de indagar se tais coisas existem fora de mim. Agora. - - /2/ Na verdade. situaçôes e movimentos locais e. DE NOVO. todas e quaisquer duraçoes. sobre o movimento e coisas serneihantes. Nela conto várias partes. ainda percebo também inúmeras outras particularidades sobre as figuras.QUINTA MEDITAÇÂO SOBRE A ESSENCIA DAS COISAS MATERIAlS E. atribuindo-Ihes todas as grandezas. genericamente. antes. confusas. na medida em que estas estäo em meu pensamento.

de modo algum tenha pensado nelas. quer queira. Por conseguinte. que nao sejarn nada. porém. nAo obstante 135 PDF compression. ou me apercebendo de coisas que estavam na verdade de há muito em mim. de certo modo. sern que minha mente nelas reparasse. Isso fica patente no fato de que várias propriedades desse triângulo podem ser demonstradas. ainda que. nAo me parece estar tanto aprendendo algo novo quanto me lembrando do que antes já sabia. quando imagino uni triângulo. /6/ Passarla ao largo da questâo. anteriormente. que agora eonheço claramente. nao são contudo uma ficçao minha. a saber. /5/E creio seja ornais considerável aqui que encontre em mim inûmeras idéias de coisas que. que nao foi inventada por miln e nem depende de minha mente. se dissesse que essa idéia do triángulo talvez provenha das coisas externas pelos órgäos dos sentidos. OCR. nao se pode dizer. Ora. Por exemplo. ao deseobri-las pela primeira vez. quando imaginei um triángulo. pois tém suas naturezas verdadeiras e imutáveis. porque äs vezes vi corpos de figura triangular. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Embora elas sejam pensadas por mim.64 OBRAS DE DESCARTES 63-64 e tao consentânea corn minha natureza que. imutável e eterna. mesmo que tal figura nAo exista talvez e nunca tenha existido em parte alguma do inundo fora de rneu pensamento. posso pensar em inùrneras outras figuras a respeito das quais nAo pode haver nenhurna suspeita deque as obtive jamais pelos sentidos. mesmo se nào existirem em parte alguma fora de mim. que seus trés ángulos são iguais a dois retos. quer nAo. é seguro que há urna sua natureza. nao foram inventadas por mim. segundo meu arbitrio. que ao ángulo maior opöe-se o lado major e coisas semelhantes. essência ou forma determinada.

E entendo nào menos clara e distintamente que à sua natureza pertence a existência atual*. tal que nao posso senào dar-Ihe meu assentimento. se só porque posso extrair de meu pensamento a idéia de alguma coisa segue-se que todas as coisas que percebo pertencerem clara e distintamente a essa coisa deveras Ihe pertencem.QUThZTA MEDITAÇAO 65 várias de suas propriedades. â Matemática pura e abstrata. Por conseguinte. tanto quanto as do triângulo. o existir sempre. no entanto. E. nAo menos do que em juim encontro a idéia de qua!quer figura ou de qualquer nUmero. mesmo que nào o tivesse demonstrado. já que conhecidas por mim claramente. tanto quanto entendo que à natureza de uma figura ou de um número pertence o que demonstro pertencer-Ihes. a idéia de um ente sumamente perfeito. a exist&ìcia de es deer\a estar em mim com pelo menos o mesmo grau de certeza PDF compression. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 137 . ao menos enquanto o perceba claramente. OCR. /7/ Ora. a natureza de minha mente é. em verdade.64-65 MEDITAÇOES . isto é. Pois é patente que tudo o que é verdadeiro é algo. possam ser demonstradas. e já demonstrei ampiamente que tudo o que conheço claramente é verdadeiro. em geral. são algo e nao um mero nada. sempre considerei as verdades mais certas de todas as que conhecia evidentemente sobre as figuras. Elas so todas verdadeiras. mesmo que nao fosse \'e1ade\ro tudo o que meôitei nos ü\t\mos dias. os números e outras coisas pertencentes à Aritmética ou à Geometria ou. nao se pode acaso tirar dai um argumento que também prove a existência de Deus? É certo que encontro em mim a sua idéia. Estou lembrado de que sempre. ainda no tempo em que me achava niuito apegado aos objetos dos sentidos.

aqui. Da mesma maneira. Pois. Embora. assim como também nAo Posso pensar o monte scm o vale. Pois meu pensamento nAo impòe nenhuma necessidade äs coisas. * actuelle qui ne regardent que les nombres et les figures /8/ Entretanto. facilmente me persuado de que posso separar também em Deus a existéncia da esséncia e.66 OBRAS DE DESCARTES 65-67 corn que estiveram até agora as verdades matemáticas relativas apenas a números efiguras**. assim. o ente sumamente perfeito) falto da existência (isto é. apesar de nAo existir Deus algum. à primeira vista. PDF compression. sob a aparência de urna objeçäo*. Pois. ao qual falta uma perfeiçAo) do que pensai uni monte ao quai falta o vale. do mesmo modo que me é permitido imaginar um cavalo alado. mas apenas que. como me habituei a distinguir ein todas as outras coisas a existéncia da esséncia. E. porém. embora eu nao possa decerto pensar Deus a nAo ser existente. talvez eu também possa pensar por ficçào a existência de Deus. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 139 . de que nAo posso pensar um monte scm vale nAo se segue que monte e vale existam em algum lugar. por ter de pensar Deus como existente nAo parece seguir-se que um Deus exista. ao contrário. alguma aparéncia de sofisma. A utna atençâo mais cuidadosa. E nao é menos contraditório pensar Deus (isto é. fica manifesto que a existéncia de Deus näo pode ser separada de sua essência. contudo. isto nAo seja de todo manifesto e tenha. por ter de pensar o monte coni o vale nAo se segue que haja algum monte no mundo. apesar de cavalo algum possuir asas. pensar Deus como nAo-existente. OCR. tanto quanto nAo pode ser separado da essência do triángulo que a grandeza de seus trés ângulos é igual à de dois retos. ao contrário. ou da idéia de monte a idéia de vale. esconde-se um sofisma. Nao.

é necessário que Ihe atribua todas as perfeiçoes. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . embora a primeira afirmaçao nAo fosse necessária. * sous ¡'apparence d'une objection /9/ E também näo se deve dizer aqui que tenho de afumar necessariamente um Deus existente. OCR.67-68 MEDITAÇOES . monte e vale nAo podem dissociar-se um do outro. ehegue à reta conclusäo de que o ente primeiro e supremo existe. isto é. ao contrário. toda vez. Nao que mou pensarnento tenha ta efeito ou imponha alguma necessidade a coisa algurna. digo. se o suponho. visto que a existéneia é uma delas. um ente sumamente perfeito scm a suprema perfeiçâo). é necessário que Ihe atribua todas as coisas a partir das quais 141 PDF compression. manifestamente falso. por eu nao poder pensar Deus senäo existente segue-se que a existéncia é inseparável de Deus e que. nào a de pensar um Deus scm existéncia (isto é. toda vez que queira considerar urna figura retilinea de somente trés ângulos.QUINTA MEDITAÇÀO 67 quer existam. é a necessidade da prOpria coisa. contudo. que me agrade pensar um ente primeiro e supremo e apanhe sua idéia no como que tesouro de minha mente. mesmo que. na ocasiào. pois é urna figura de guairo ludos. Do mesmo modo que nao é neeessário que eu imagine nunca uni triángulo. embora nAo seja necessário que eu nunca venha a me deparar com nenhum pensamento sobre Deus. no entamo. Nao se deve. alegar isso. nào as enumere todas e nao repare em cada urna delas. quer nao. ele existe verdadeiramente. a existéncia de Deus que determina ineu pensamento: tenho a liberdade de imaginar um cavalo corn asas ou sem asas. será necessário confessar que um losango inscreve-se no círculo. por conseguinte. Ao passo que. mas. porém. E essa necessidade é inteiramente suficiente para que. depois que o afirmei possuidor de iodas as perfeiçoes. pois. e tambérn seria constrangido a confessar* o que é. mas. ao notar em seguida que a existência é urna perfeiçào. Do mesmo modo que nAo é necessário supor também que todas as figuras quadriláteras inscrevem-se no círculo.

et aussi je serais contraint d'avouer On ne doit point. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 143 . Segundo. nAo é de modo algum necessario que todas as quadriláteras sejam desse número. alléguer cela /10/ Pois são muitos. estas últimas. porque percebo em Deus muitas outras coisas. qualquer que seja afinal a razào de prova que empregue. a primeira e a principal das quais é a idéia de Deus. Primeiro. Assïm. Em verdade. OCR. quando examino quais as figuras suscetiveis de inscriçâo no círculo. volto sempre a que só me persuadem por completo as coisas que percebo clara e distintamente. ' /11/ Mas. finalmente. Terceiro e. mas a irnagem de urna natureza verdadeira e imutável. depois de descobertas. por conseguinte. enquanto nAo quiser admitir nada que nAo entenda clara e distintamente. tAo certas quanto as primeiras. exceto somente Deus. embora em urn triAngulo retángulo nAo apareça tAo facilmente PDF compression. no entanto. porque nAo Posso entender dois ou mais deuses do mesmo modo e porque. dis-je. os modos pelos quais entendo que essa idéia nAo é uma ficçäo dependente do rneu pensamento. cuja existência pertença a sua essência. * puisque c'est une figure de quatre cotés. Há. mesmo que algumas sejam óbvias a qualquer um e outras sO se descubram a quem as inspecione de perto e as investigue diligentemente.68 OBRAS DE DESCARTES 68-69 se infere retamente que seus trés ângulos nao são majores do que dois retos. Sem dúvida. em verdade. porque nao Posso pensar em nenhuma outra coisa. entre as que assim percebo. vejo de modo manifesto que é necessário que tenha existido antes eternamente e perinaneça eternamente no futuro. urna grande diferença entre as falsas afirmaçöes desse modo e as idéias verdadeiras que me são congénitas. mesmo que nao o note na ocasiâo. Ao contrário. seguramente. são consideradas. nenhuma das quais pode ser dele subtraída ou nele modificada. nAo posso sequer imaginá-lo. posto que existe um presentemente.

frequentemente. se eu ignorasse que ha um Deus. agora. pode ocorrer que. existe? * etpaijait /12/ E. * pendant ce temps-là /14/Assim.69-70 MEDITAÇÔES .feito* ou Deus. assim. enquanto percebo algo muito clara e distintamente. se para o perceber foi preciso que me empenhasse numa atenta consideraçâo.QUWTA MEnrr. OCR. nâo darnos menos crédito à segunda verdade do que damos à primeira. é certo que. de modo que. outras razôes se apresentem ao mesmo tempo" que. imbuido dos principios da Geometria. eu nada conheceria primeiro e mais facilmente do que ele. a cuja esséncia somente pertence a existência. dou-me conta também de que a certeza de todas as outras coisas depende desse conhecimento. E. scm ele. nada pode ser jamais perfeitamente conhecido. por ser também de urna natureza tal que nAo Posso ter a ponta da mente sempre fixa ein urna mesma coisa para a perceber claramente e. porém. considero a natureza do triángulo. se nAo fossem os preconceitos que cobrem meu pensamento e as imagens das coisas sensiveis que de toda palle o cercam. quando já nAo tenho presentes as razöes por que assim o julguei.&çAo 69 que o quadrado da base é igual ao quadrado dos dois outros lados. /13/ Pois. depois de percebida. quando. por exemplo. facilmente seria dissuadido de minha opiniäo. porém. nAo posso nAo crer que seja verdadeiro. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . mas. Pois que é por si mesmo mais patente do que isto: que o ente supremo e pe. embora eu seja de uma natureza tal que. No que se refere a Deus. é a lembrança de um juizo feito anteriormente que ressurge. entretanto. mas apenas vagas e mudáveis opiniöes. além disso. enquanto 145 PDF compression. eu nunca tena sobre nada uma ciéncia verdadeira e certa. nAo so estou tAo certo disso quanto de tudo o que nie parece mais certo. quanto é patente que a base opöe-se ao ângulo major. parece-me muito evidente e nAo posso nAo crer que seja verdadeiro que seus trés ángulos são iguais a dois retos.

E nao apenas disso. logo que dela desvio a ponta da mente. aduzidas outras razòes. julguei falsas. Deus. ainda? Acaso (o que há pouco a mirn mesmo me objetava) que estou sonhando e que todas as coisas em que agora penso näo são mais verdadeiras do que as que ocorrem a quem dorme? Ao contrário.70 OBRAS DE DEscTEs 70-72 presto atençäo em sua demonstraçäo. se algo é evidente a meu intelecto. mesmo que já nâo atenda às razòes por que assim asjulguei. e disto haver concluido que todas as coisas que percebo clara e distintamente são necessariamente verdadeiras. pois. e ao mesmo tempo depois de haver entendido que todas as outras coisas dependem disso e que ele nao é enganador. isto é totalmente verdadeiro. porém. e. posteriormente. - PDF compression. que eu s'enlia a duvidar de sua verdade. também isto nada muda. Que tomei outrora por verdacleiras e certas rnuitas coisas que em seguida reconheci serem falsas? Mas nenliuina delas eu percehera clara e distintamente. Pois. acreditei talvez por outras causas que depois descobri serem menos firmes. se ignoro que há um Deus. certamente. por mais que entdo me lembre de a ter percebido de modo clarissirno. em verdadc. embora sonhe. contanto que me lembre de as haver clara e distintamente percebido ncnhuma razäo contrária pode se me opor que me leve a duvidar. ignorante da regra da verdade. mas tenho disso urna ciência verdadeira e certa. depois de haver pereebido que há. Mas. Que dirào. OCR. para abrigar-me apô-Ias ein dúvida*? Que fui feito para errar frequentemente? Agora. mas dc todas as outras coisas que me lembra haver urna vez dcmonstrado. principalmente quando me lembro deque corn freqüência tomei por verdadeiras e certas muitas coisas que. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 147 . corno as coisas da Geometria e semclhantes. pode suceder facilmente. Pois posso me persuadir de que fui feito tal pela natureza que erro äs vezes no que creio perceber de modo evidentissimo. queme oporäo agora. * po tir in 'obliger à les révoquer cii do tite ¡ 5/ Mas. sei que nao Posso errar nas coisas que entendo claramente.

antes de O conhecer. näo pude saber perfeitamente nada sobre nenhurna outra coisa. assim. de tal maneira que.QUINTA MEDITAÇAO 7! /16 / E. - - 149 PDF compression.72-73 MEDITAÇOES . OCR. inúmeras coisas quer sobre Deus ele mesmo e outras coisas intciectuais. em verdade. mas também sobre toda essa naturepodem ser por mim compleza corporal que é objeto da Matemática pura tamente conhecidas e certas. vejo plenamente que a certeza e a verdade de toda ciência dependem unicamente do conhecimento do verdadeiro Deus. Agora. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .

Aduzem-se. Prova-se que a niente se distingue rea/niente do corpo. OCR. que eta está corn ele tao estreitamente conjugada que é como se compusessern urna 56 coisa. mostrando. por /ìm. porém. Nao que as repute mitito üteis a provai' o que provam. 151 PDF compression. distingue-se a intelecçäo da ¡maginaçâo e se descrevein os sinais distintivos de urna e de outra. iodas as razòes das quais se pode concluir a existência das coisas inateriais. Faz-se o censo de todos os erros que costun1arn originar-se dos sentidos e se indicain os modos de evitá-tos. na Sexta Meditaçâo.SIN0PSE SEXTA MEDITAÇAO Finalmente. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .

nem tao man festas quanto as que empregamos para C/legal. näo as reconheci neni tao firmes. ao consideró-las. das quais ningué. OCR. mas. que hó deveras um inundo. as mais cenas e as niais evidentes de quant as a inteligéncia humana pode saber: E é tudo o que inc pi-opus pro var nessas medita çòes e a razäo.16 OBm&s DE DESCARTES 5-6 a saber. também. que os ¡ioniens possueni corpas e coisas semeihantes. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 153 .n CO)?? niente sà /wnais duvidou seriamente. de aqui nao referir várias outras questòes de que netas ocasionalmente tratci.ao conheciniento de flOSSQ mente e de Deus. PDF compression. porque.

SEXI'A MEDLTAÇÂO SOBRE A EXISTENCIA DAS COISAS MATERIALS E SOBRE A DISTINÇÄO REAL DA MENTE E DO CORPO Iii Resta-me examinar se as coisas materials existem. Em verdade. Mas. da faculdade de imaginar. sou capaz de perceber dessa maneira. podem cias existir. parece decorrer que estas existem. PDF compression. na medida em que são ao menos objeto da Matemática pura. quando as percebo clara e distintamente. nâo há dûvida de que Deus é capaz de fazer todas as coisas que eu. Além disso. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 155 . cujo uso experimento quando nie volto para essas coisas materials. numa mais atenta consideração do que seja a imaginaçäo. OCR. Pois. quanto a mim. E nunca julguel que algo nao pudesse ser feito por ele senäo porque encontrava contradiçäo em percebé-lo distintamente.

mas é patente que nâo se trata de um quiliógono. de um pentágono. näo consigo. entendo na verdade que se trata de urna figura constante de mil lados tanto quanto entendo que o triángulo consta de trés. vejo também essas linhas como estando presentes ao olhar da mente. um miriógono ou uma outra figura qualqucr de um número muito grande de lados. em verdade. ao mesmo tempo. pensar em um quiliógono. isto é. E. aplicar a ponta da mente a seus cinco lados e. por conseguinte. toda vez que penso numa coisa corporal. nâo so entendo que se trata de urna figura compreendida por trés linhas. que estejam como que presernes. * avec les yeux de mon esprit /3/ Se se trata. isto é. ô existente. mas posso também imagina-la. Corn efeito. posso scm dúvida entender sua figura. porque nao é em nada diversa da que me representarla também. Mas nao imagino esses mil lados do mesmo modo. se eu pensasse. agora.nente*. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . examino primeiramente a diferença entre iinaginaçào e intelecçào pura. apesar de mcii costume dc imaginar algo. E ela em nada me ajuda a reconhecer as propriedades pela quais um quiliógono distingue-se de outros polígonos. nâo os vejo como que presentes corn os o//tos de min/Fa . necessito de urna certa peculiar contençâo de ânimo. e é ¡sto o que chamo imaginar. mas. ao mesmo tempo. E. scm a ajuda da irnaginaçäo. 157 PDF compression. /2/ Para que fique manifesto. talvez na ocasiäo me represente confusamente algurna figura. quando imagino um triángulo. â área que eles contêm. para imaginar. Se quero. manifestamente dou-me conta deque.72 OBRAs DE DESCARTES 73-74 esta nào se mostra senào como uma certa aplicaçào da faculdade cognoscitiva a um corpo que Ihe está intimamente presente e. por exemplo. como a figura do quiliógono. OCR. por assim dizer. aqui.

74-75 MEDITAçOE5 . porque nAo me ocorre nenhurn outro modo tâo apropriado quanto este para explicá-la. ao imaginar. pode ser que eu imagine por isso mesmo as coisas corporais. claramente. ainda nAo vejo. a ele se apiique como que a inspecioná-lo. /4! Acrescento que essa força de imaginar que está em mim. E. Digo ser fácil entender que a imaginaçào possa atuar dessa maneira. isto é. ao entender. porém. näo é algo requerido por mim mesmo. De sorte que este modo de pensar só difere da intelccçào pura porque a mente. pois. na medida em que difere da força de entender. ao passo que. volta-se dc certo modo para si mesma e repara em alguma das idéias que nela se encontram. a diferença entre a imaginaçào e a intelecçäo pura. conjeturo por isso que o corpo provavelmente existe. E facilmente entendo que. desde que exista um corpo.SEXTA MEDITAÇAO 73 que nAo uso para entender: contençào de ánimo que mostra. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Mas apenas provaveirnente. mesmo que estivesse ausente de mim. De onde parece seguir-se que cia depende de alguma coisa diversa de mim. pela esséncia de minha mente. 159 PDF compression. se existe algum corpo a que a mente esteja conjugada de maneira que. eu scm dúvida permaneceria o mesmo que agora sou. que a partir da idéia distinta da natureza corporal que cneontro em minha imaginaçäo nenhum argumento possa eu tirar concluindo necessariamente que algum corpo existe. OCR. apesar de investigar cuidadosamente todas as coisas. a seu arbítrio. Pois. volta-se para o corpo e nele vé algo conforme a urna idéia que ou é entendida por cia ou é percebida pelo sentido.

por té-las percebido pelo sentido e as causas por que assim pensei. de igual modo. Além da dor e do prazer. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . porém. talvez até. considerareï o que devo crer presentemente a respeito delas. Por fim. exporei também as causas por que depois as pus em dúvida. parece que foi por ele e por obra da memOria que chegararn â imaginaçäo. a tristeza. dor e coisas semelbantes. /7/ Em primeiro lugar. tâo distintamente quanto eta. pés e os outros membros de que se compöe esse corpo que olhava como parte minha ou. por uma sensaçäo de dor. bein como certas inclinaçoes corporais para a alegria. como cores. sabores. sons. a partir das coisas percebidas por esse modo de pensar que chamo sentir. para dispensar-Ihes um tratamento mais apropriado. além dessa natureza corporal que é objeto da Matemática pura. decerto que evocarei aqui as coisas que anteriormente reputei verdadeiras. /6/ Em primeiro lugar. dando-the comodidade ou causando-Ihe incomodo. examinando se. E. portanto. E senti que esse corpo situava-se entre muitos outros que podiam afeta-lo de várias maneiras. sentia também em mim Lome. alem da extensäo. nenhuma. senti que tinha cabeça. maos. das figuras e 161 PDF compression. sede e. como eu inteiro.74 Osas DE DESCARTES 75-76 /5/ É verdade que costumo imaginar muitas outras coisas. outros apetites. De modo que. Posso obter algum argumento certo em favor da existéncia das coisas corporais. medida a primeira por uma sensaçào de prazer e o segundo. é conveniente cuidar igualmente do que seja sentir. porque as percebo melhor pelo sentido. OCR. Em seguida. a ira e outros afectos semethantes. Fora de mim.

quando estivesse presente. sem razào que diante das idéias de todas essas qualidades propostas a meu pensamento. - - /9/ E. pois. dos quais essas idélas proviriam. mediante cuja variedade distinguia uns dos outros o céu. por um direito especial. por certo. como destas últimas nao tinha nenhurna outra noticia além dessas mesmas idéias. que chegassem até mim a partir de outras coisas. omar e todos os outros corpos. as únicas que eu própria e imediatamente sentia. OCR. os sabores e os sons. mais do que todas as outras coisas. as cores. de maneira que. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 163 . os cheiros. a seu modo. julgasse eu sentir coisas completamente diversas de meu pensamento. além disso. /8! Nao era. e /10/E. E. como também me lembrasse de que usei dos sentidos antes de usar a razäo e visse que as idéias formadas por niim nao cram tao expressas quanto as percebidas pelo sentido. parecia impossivel que procedessem de mim mesmo. sO podia me vir à mente que tais coisas fossem semeihantes a tais idéias. como as idéias percebidas pelo sentido fossem muito mais vívidas expressas e. Restava. a terra. eu podia formar por mim mesmo. e no mais das vezes eram compostas de partes dessas últimas. facilmente me persuadia deque nao tinha nenhunia no intelecto que nao tivesse tido antes no sentido. calor e outras qualidades táteis e. mais distintas também do que qualquer urna das que. ou das que me apercebia estarem impressas em minha memOria. a saber. meditando prudente e conscientemente.76-78 MEDITAÇOES - SEXTA MEDITAÇAO 75 dos movimentos dos corpos. aquele corpo que. corpos. a luz. por mais que o quisesse. näo podia sentir objeto algum que nào se apresentasse a um órgäo dos meus sentidos e nào podia nao senti-lo. /11/E nao era também scm razào que julgasse pertencer-me. chamava me u: PDF compression. neles sentia também dureza. Pois experimentava que elas se me apresentavam sem nenhum consentimento de minha pare.

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Oaas DE

DESCARTES

78-79

pois, ao contrário dos outros, nâo podia dele nie separar; sentia nele e por ele todos os apetites e afectos e, finalmente, era em suas partes, e nao nas partes dos outros corpos situados fora dele, que sentia a dor e a cócega do prazer.
Porque, em verdade, a partir de nao sei quai sensaçao de dor seguese urna certa tristeza de ánimo e a partir de certas cócegas de prazer nos sentidos sucede uma certa alegria; porque urna espécie de beliscào no estómago, a que charno forne, avisa-me que tenho de comer e urna secura na garganta, que tenho de beber e, assim por diante, nao via eu razao algurna, senäo que assirn fui ensinado pela natureza. Pois nâo há por certo totalmente nenhurna afinidade, pelo menos que eu entenda, entre aquele beliscäo e a vontade de tomar comida, ou entre a sensaçäo da coisa que traz a dor e o pensarnento de tristeza surgido dessa sensaçào. E, todos os outros juizos que fazia sobre os objetos dos sentidos, parecia-me que os tinha aprendido da natureza, pois me persuadi de que essas coisas assirn erarn, antes de examinar nenhuma das razòes que o pudessem provar.
É verdade que, depois, muitas experiéncias foram abalando

paulatinamente toda a confiança que tinha nos sentidos. As vezes, torres que, vistas de longe, pareciarn redondas, de perto mostravam-se quadradas; estátuas niuito grandes, postas no alto dessas torres, vistas do chao nao pareeiarn grandes e, assirn, em inúmeros outros desses casos, depreendia eu que os juizos sobre as coisas dos sentidos externos eram erróneos. Nao apenas dos externos, mas dos internos tambérn,

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MEDITAÇOES

- SEXTA MEDITAÇAO

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pois, que pode haver de mais íntimo que urna dor? E, näo obstante, já ouvi cera vez de pessoas que tiveram seus braços ou pernas amputados que ainda ihes parecia sentir dor na parte do corpo que ihes faltava. De modo que nao parecía que eu também pudesse estar inteiramente certo de que urn membro de meu corpo dola, embora me doesse.

/14/A essas causas de dúvida, acrescentei há pouco ainda duas outras, muito gerais: a primeira é que nunca acreditei nada sentir acordado que nao pudesse tambérn acreditar sentir, alguma vez, dormindo. E, como näo creio que as coisas que me parece sentir dormindo provenharn de coisas postas fora de rnim, nào via razao para que devesse acreditar nisso, relativamente às coisas que me parece sentir acordado. A segunda causa reside em que, por ignorar até agora ou pelo menos fingir que ignoro* o autor de rninha origem, nada via que pudesse obstar a que a natureza me tivesse feito de modo que me enganasse, mesmo nas coisas que me parecessem as mais verdadeiras. * ve! salleni ignorare ¡ne JìngeremT
/15/ E, quanto às razoes que anteriormente me persuadiram da verdade das coisas sensíveis, nAo era difícil responder: pois, como a natureza me levasse para mullas coisas das quais a razào me dissuadia, nAo julgava que os ensinarnentos da natureza rnerecessern muito a minha confiança. E, apesar de as percepçòes dos sentidos nAo dependerein de ininha vontade, nao juigava devesse por isso concluir que elas procediarn de coisas diversas de mim, pois talvez pudesse haver em mim, a causá-las, urna faculdade ainda nAo conhecida.

/16/ Agora, porém, que eomeço a eonhecer meihor a mim mesmo e ao autor de minim origern, nao creio deva, sern dúvida. admitir temerariamente

Esse acréscimo foi feito por Descartes a pedido de Arnauld. Por isso, recornendou a Mersenne que o irnprimisse entre coichetes, a indicarjustamente o acréscimo. Cf. AT, Vil, Apéndice, p. 607, P. 15, n. a. (N. do T.)

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OBRAS DE DESCARrES

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todas as coisas que parecem provir dos sentidos, mas também nAo julgo que as deva pôr todas em dúvida.
/17! Em primeïro lugar, como sei que todas as coisas que entendo clara e distintamente podern ser feitas por Deus, tal como as entendo, basta que possa entender clara e distintamente urna coisa scm outra, para ficar certo de que urna é diversa da outra, podendo ser postas, ao menos por Deus, separadamente. E nao importa a poténcia exigida para que tal ocorra e sej am consideradas diversas. Por conseguinte, a partir disso mesmo que eu saiba que existo e, ao mesmo tempo, nAo note que totalmente nada pertence à minha natureza ou essência senäo que sou coisa pensante ou zuna substância cuja esséncia ou natureza inteira ¡ido ésendopensar*, concluo retamente que minha essência consiste em que sou sornente coisa pensante. E, enibora talvez (ou meihor, certamente, como logo direi) eu tenha urn corpo a que estou ligado de modo rnuito estreito, tenho. porém, de urna parte, a idéia clara e distinta de mim mesmo como coisa pensante inextensa e, de outra parte, tenho a idéia distinta do corpo, como coisa apenas extensa nAopensante, sendo certo que eu, ¡sto é, ininha alma, pela quai sou o que sou eu sou deveras distinto do corpo e posso existir scm ele. * ou une substance dont toute / 'essence ou la nature n 'est que de penser ** c'est-à-dire anon âme, par laquelle je suis ce queje suis

/18/ Além disso, encontro em miin faculdades como as de imaginar e de sentir, cujos modos de pensar são especiais, e posso entender-me, scm das, clara e distintamente em rneu todo, nAo, porérn, ao inverso, entender essas faculdades scm mirn, isto é, scm a substAncia inteligente em que cias residern.
Pois, na noçdo que ternos dessas faculdades ou (para servir-me dos termos da Escala) no seu conceito formal, está incluida alguma intelecçäo.

De onde percebo que cias se distinguern de mim como os modos se distinguem da coisa, ou as figuras, os movimentos e os ouÍros modos ou acidentes dos carpos se distinguent dos prOprios carpos que os sustentain**. * dans la izo/ion que nous avons de ces facultés, ou (pour nie servir des
ternies de l'Ecole) * * les figures, les mouvements et les autres modes ou accidents des corps, le sont des corps mêmes qui les soutiennent

/19/ Reconheço também algurnas outras facuidades, como as demudar de lugar, de assumir posturas várias e semelhantes que, tanto quanto as precedentes, nAo podern entender-se a menos que residam em alguma substância, scm a qual

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urna natureza corporal na quai está contido formal e efetivamente** tudo o que cstá contido nas idéias objetivamente e por representa çäo ou é por cero Dcus ou alguma criatura mais nobre que o corpo na qual cstá contido emincnternente. totalmente inútil. se nao existisse também. na quai deve estar contida formal ou eminentemente (como já fiz notar) toda a reaiidade que está contida objetivamente nas idéias produzidas por essa facu!dade. porque em seu conceito claro e distinto está contida aiguina extensào e nenhuma intelecçào. há na verdade em mim urna certa faculdade passiva de sentir ou de receber e conhecer idéias das coisas sensiveis. de outro lado. Resta. nejas. que esteja numa substancia diversa de mim. ao contrário. essas idéias ein mim. como ele nAo me deu nenhuma facu!dadc para o reconhecer e. urna certa outra faculdade ativa. nein mediante alguma criatura que contivesse nAo forma!mente. em mirn ou em outra coisa. de urn lado. nao pressupöe nenhurna intelecçäo e. * en tant queje ne suis qu'une chose qui pense ** et en ef/èt ' et par représentation - - -. Mas é seguro que essa faculdade ativa näo pode estar em mim. mas só eminentemente. OCR. Pois. mas nào inteligente. se for verdade que existern. é de todo manifesto que Deus nAo por si. no entanto. Agora. pois.SEXTA MEDITAÇÄO 79 nao podern existir. Mas é manifesto que. é objetiva. Essa substância ou é um corpo. imediatamcntc. /201 Mas. que produza ou cause essas idéías. essas idéias produzem-se scm a minha cooperação e.8 1-82 MFDITAÇOES . Porque. como nao é enganador. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . elas têrn de estar em urna substância corporal ou extensa. até contrariando minha vontade. pOe 171 PDF compression. corn freqüéncia. enquanto nilo sou senão tuna coisa pensante*. a qua! me seria. a realidade que.

E. isto é. äs outras coisas que ou são apenas particulares ou são coisas por exemplo. se essas idéias forern emitidas de aihures que nAo das coisas corporais. por conseguinte. a dor e serneihantes que entendo menos claramente nAo obstante sejam muito duvidosas e incertas. /22/ Quanto. genericamente consideradas. que Deus ele mesmo. ou a coordenaçâo por ele instituIda de todas as coisas criadas. * ni plus sensiblement PDF compression. nAo há dúvida de que todas as coisas que a natureza me ensina térn algo de verdade. que passa mal quando sinto dor. talvez nAo existam inteiramente tais quais as compreendo pelo sentido. o som. seguramente. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 173 . nAo entendo senAo o complexo de todas as coisas que me forain atribuIdas por Deus. por que essa compreensäo dos sentidos é em muitos casos muito obscura e confusa. Por natureza. senào que tenho tim corpo. Por conseguinte. E. porérn. genericamente considerada. Mas há nela pelo menos todas aquelas coisas que entendo clara e distintamente. E.80 OBRAS DE DESCARTES 82-84 deu-me urna grande propensâo a crer que elas são emitidas das coisas corporais. por minha natureza. que estào compreendidas no objeto da Matemática pura. necessita de comida ou de bebida quando padeço forne ou sede. que o sol tern tal tamanho ou tal figura etc. por isso. se ele nAo me atribuiu tambéin alguma faculdade para a emendar. o prOprio fato de Deus nAo ser enganador e. * 1/fazit confesser /21/ Mas. todas as coisas. é preciso confessar* que as coisas corporais existem. falsidade alguma pode ser encontrada em minhas opiniòes. e coïsas sernelhantes. OCR. /23/ Mas nada esta natureza me ensina mais expressamente. tambérn no que diz respeito a elas. nâo vejo razâo por que nAo o possa entender enganador. em particular. nein de niodo ¡nais sensíve/*. - - - -. mostra-me que posso ter urna esperança certa de alcançar a verdade. nAo devo duvidar de que M nisso algo verdadeiro. nada mais entendo. neste momento. como a luz.

que nào sou rnais do que coisa pensante. eu. fico inteiramente certo de que rneu corpo.. ao redor do meu. resultantes da uniäo e como que mistura da mente corn o corpo. desagradáveis. E. E. vários outros corpos. OCR. cheiros. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 175 . dureza etc.84-85 MEDITAÇOES . rnuito diversos. eu como um todo. nâo sào mais do que modos de pensamento confusos. a natureza ensina-me tarnbém que eXistern. muitas outras coisas que a natureza parece haverme ensinado e que. forne. porque algumas dessas percepçöes sensiveis me sao agradáveis. por sentir cores.. nos corpos de onde procedern todas essas percepçôes dos sentidos. Pois essas sensaçòes de sede. sede etc. por essas sensaçoes de dor. nao sentina dor por causa disso. alguns dos quais devendo ser buscados. ou antes. do coritrário. dor etc. eu o entenderia eXpressamente e nao tenia as confusas sensaçöes de forne e de sede que tenho. Estou a ele ligado de modo rnuito estreito e corno que misturado corn ele. há algurnas variedades a cias correspondentes. outras. na realidade. outros. na medida ern que sou urn composto de corpo e mente. calor. sons. mas perceberia essa lesào pelo intelecto puro. quando rneu corpo necessitasse de cornida ou de bebida. E. evitados. Pois. /26/ Há. Posso ser afetado pelos corpos circunjacentes que me däo cornodidade ou me são incômodos. em verdade. quando o corpo é fendo.. retamente concluo que. nao recebi dela. a ponto de corn ele compor urna só coisa. embora nâo Ihes sej am talvez semelhantes. forne. mas de urn certo costume de PDF compression. que nao estou presente a meu corpo corno o marinheiro ao flavio.SEXTA MEDITAÇAO 81 /24/ A natureza tambérn me ensina. assim como o marinheiro percebe pela vista o que no barco se quebra. /25/ Além disso. decerto.

e assim por diante. De sorte que esta natureza ensina em verdade a fugir das coisas que produzem sensaçòes de dor e a buscar as que produzem o prazer dos sentidos e coisas semelhantes. como. nesse conjunto. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . no amargo ou no doce há o mesmo sabor. as torres e todos os outros corpos afastados tém a mesma figura e o mesmo tamanho que exibem aos meus sentidos. nos ensine a concluir. ou que no corpo quente há algo de todo semelhante â idéia de calor que está em mim. o que quer que seja sobre as coisas postas fora de nôs. para que neste assunto só se perceba o que é suficientemente distinto. que todo espaço onde nada há que afete meus sentidos é um vácuo. OCR. sem um prévio exame pelo intelecto. como.82 OBIts DE DESCARTES 85-86 julgar inconsideradamente. Nesse complexo cstào contidas muitas coisas que só pertencem à mente. Por exemplo.. e outras coisas do mesmo modo. muitas outras coisas pertencentes apenas ao corpo e que tainbém mio «sido aqui conridas sob o nome de natureza**. ao dizer que algo me foi ensinado pela natureza. devo definir corn niais cuidado o que entendo propriamente. por exemplo. trato somente das coisas que Deus me dcu como composto de mente e corpo. além disso. Mas nâo parece que cia. a partir dessas percepçôes dos sentidos. /27/ Mas. Estào. Tomo aqui "natureza" de modo mais restrito do que quando o torno coito o complexo de todas as coisas que Deus me deu. por exemplo. pereebo que "o que foi feito nào pode nao ter sido feito" e todas as coisas que se conhecem pela luz natural sein o auxilio do corpo*. que o corpo tende para baixo etc. Porque parece que conhecer a verdade 177 PDF compression. coisas de que também nào trato aqui. por igual. ocorre facilmente que elas sejam falsas. Por isso. em um corpo branco ou verde há algo semeihante ao branco ou ao verde que sinto. Aqui. ou que os astros.

apesar de. neste como em muitos outros casos. apenas.86-87 MEDITAÇÖES . contudo. OCR. meus juizos podem ser falsos. entretanto. desde a infância. a razâo por que. /30/ E já deixei clara. E. ao composto. nenhuma propensão real ou positiva que me leve a crer que ela nao seja major. nao obstante o brilho de urna estrela nao afete meu olbo mais que o briiho de urna chama diminuta. Mas uma nova dificuldade aqui se apresenta. Foi assim que. sim. sans l'aide du corps ** et ne sont point ici nonplus contenues sous le non: de nature /28/ Assim. ojulguei. nao. Por exemplo. nao obstante a suprema * bondade de Deus. e. nao M razäo alguma que me persuada de que M no fogo algo que se assemeiha a esse calor ou a essa dor e. emprego-as eu como se fossem regras certas para conduzir ao conhecimento irnediato da esséncia dos corpos postos fora de nôs. ao me aproximar do fogo. a respeito da qual nada significarn. até aqui. a respeito das sensaçöes internas em que me parece descobrir erros. a nao ser muito obscura e confusamente. sendo assim diretainente enganado por min/zu natureza**. /29/ E. também. essas percepçòes são suficientemente claras e distintas. iludido pelo sabor agradável de uma iguana. sentir calor e. uma de cujas partes é a mente. em um certo espaço. a respeito daquelas mesmas coisas que a natureza inc faz ver como devendo ser procuradas ou evitadas. Entretanto. sentir dor. disso nao se segue que nào ha nele corpo algum. de modo suficiente. algo que afete meus sentidos. quando. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 179 . que produz em nOs sensaçòes de calor e de dor. anteriormente. porém. A natureza deu-me as percepçòes dos sentidos para que propriamente fosse significado à mente o que é côrnodo ou incôrnodo ao composto. enfim. que no fogo M algo. E. alguém toma o veneno que nela se esconde. Vejo. o que quer que seja. nao há em mim. mesmo que nao haja. scm razào. próximo demais. que me acostumei a subverter a ordern da natureza. PDF compression. no entanto.SEXTA MEDITAÇÂO 83 a * respeito delas cabe à mente sozinha.

em prejuizo.84 OBRAS DE DESCARTES 87-89 É certo que. da mente. vcias. porém. o que nao admira. * souveraine en ceci la nature peut être excusée ** et ainsi queje suis directement trompé pur ¡na nature /31/ Nao é raro. se considero o corpo do hoinem como um mecanismo feito de ossos. pois. Tsto nao elimina. neste caso. ajustado e composto de tal maneira que. tena. tanto quando é mal fabricado e nao indica direito as horas quanto quando satisfaz de todo os votos de seu artífice. todos os movimentos que nele agora nao procedem nem do inipénlo da vontade nem. softer de secura na garganta que costuma significar à mente a sensaçào de sede. dele mesmo quanto é natura! que. desejain urna bebida ou urna comida que. nao menos cuidadosamente. hidrópico. que são levados ao erro porque sua natureza corrompeu-se. nao havendo nele tal vIcio. todas as leis da natureza. pois. Pode-se dizer. por exemp!o. portanto. a n atureza pode ser desculpada***. mesmo que nele nao existisse nenhuma mente. pois. a dificuldade. E nada pode ser aqui concluido senäo que essa natureza nao é onisciente. se fosse. como quando os doentes. ficando em conseqüêneia disso disposto a mover seus nervos e suas outras partes para tomar urna bebida que. pois leva-me a desejar apenas o que possui sabor agradável e nao o veneno. niflo. menos contraditório que tenha recebido dc Dens urna natureza enganosa. facilmente reconheço que Ihe seria tao natural. nüo menos do que o hornem sadio. que erremos também nas coisas a que somos levados pela natureza. que ela ignora totalmente. pois o doente. nervos. E. - - 181 PDF compression. mas somente da disposiçflo ¿os seus órgios*. pouco depois. assim também. talvez. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . em verdade. contudo. E nao parece. sendo o homeni coisa limitada. lhes são nocivas. é urna verdadeira criatura de Deus. sangue e peles. do mesmo modo que um relógio feito de rodas e pesos observa. por exemplo. aumentará seu mal. músculos. nao he toca senâo urna perfeiçäo limitada. OCR.

de rnodo suficiente. seja enganadora. porque sente sede quando a bebida Ihe é nociva. é sempre divisive!. nAo é seni verdade. E. considerando-se o uso que seu artífice the previra. se tern a garganta seca quando beber nAo prornove sua conservaçào. isto é. * mais sea/em en! par la disposition de ses organes /32/ E. e se trata de urna denominaçao meramente extrínseca. por conseguinte. pois este. porém. tomada desta maneira. OCR. embora nAo necessite beber. ao investigar. noto poréin. denominaçao extrínseca às coisas de que fata. ao passo que a mente é completamente 183 PDF compression. conquanto eu possa dizer do relógio que nao indica as horas direito que. em relaçäo à mente unida a tal corpo. por sua natureza. ele aberrou de sua natureza e. De sorte que resta por investigar aqui a maneira por que a hondade de Deus nAo impede que a natureza. prirneiramente.89-90 MEDITAÇÓES . que compara o hornem doente e o relógio defeituoso corn a idéia do homern são e do relógio sem defeito. em verdade. que é grande a diferença entre a mente e o corpo. algo que se encontra deveras nas coisas e.SEXTA MEDITAÇAO 85 seja levado pela secura da garganta a tomar urna bebida que ihe é útil. mas de um verdadeiro CITO da natureza. nAo se trata de mera denominaçAo. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . estime igualmente que aberra de sua natureza. /33/ E. certamente. noto corn efeito. que esta última acepçäo de natureza difere muito da outra. se a respeito do corpo hidrópico dizer que sua natureza está corrompida por ter a garganta seca. ao considerar a máquina do corpo humano corno apropriada aos movimentos que de costume nele ocorrem. a respeito do composto. Pois esta nAo é senáo urna denominaçào dependente de meu pensamento. ao passo que pela prirneira acepçäo entendo.

em seguida. Toda vez que esta se acha disposta do mcsmo modo. na medida em que sou somente coisa pensante. porque ela é urna só e é a mesma mente que quer. um pé. se dele se retira. por exemplo. /34/ Noto. OCR. conforme o provarn inúrneros experimentos que nao cabe recensear aqui. por isso mesmo. conquanto pareça que a niente toda está unida ao corpo todo.86 OBMs 0E DESCARTES 90-91 indivisivel. nenhurna coisa corporal ou extensa pode ser por mim pensada sem que eu possa facilmente dividi-la em partes pelo pensamento e scm que. sej am partes da mente. no mesmo momento. urn tanto afastada. scm que o possa ser também. que a natureza do corpo é tal que nenhurna parte sua pode ser posta em movimento por outra. embora a parte mais afastada permaneça inteiramente inativa. do mesmo modo. sei que nada é assim subtraído à mente. que a niente nào é afetada imediatamente por todas as partes do corpo. as outras partes do corpo possam estar dispostas de modos diversos. além disso. Isto sójá seria suficicnte para me ensinar que a mente é de todo diversa do corpo. de modo algurn Posso distinguir partes em mim e me entendo como coisa totalmente una e inteira. ernbora. que entende. sejá nâo o soubesse satisfatoriamente de outro lugar. a corda A. nao a entenda divisivel. de sentir. C. quando a considero ou me considero. Se 185 PDF compression. que sente. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . /35/ Noto. mostra â mente uma mesma coisa. no entanto. um braço ou qualquer outra parte do corpo. B. aqucla ondc dizeni estar o sentido conium. E. E nao se pode dizer também que as faculdades de querer. ou talvez até sornente por urna pequena pare deste. Em sentido contrário. por urna parte qualquer interposta entre ambas.. Pois. inteirwuenle esticada*. D. ¡sto é. mas só pelo cerebro. Tomese. de entender etc.

PDF compression. /37/ Assirn.SEXTA MEDITAÇÂO 87 sua última parte. os quais. pode acontecer mesmo se a parte desses nervos que está nopé nao for atingida. nas quais eles terminarn. for puxada. contudo. puxam também as partes interiores do cérebro. A experiéncia atesta.91-92 MEDITAÇÓES . E o mesrno se deve dizer a respeito de qualquer outra sensaçao. A. D. por conseguinte. nao é deslocada diferentemente do que seria se urna das partes intermediârias B ou C fosse deslocada. quando puxados no pé. OCR. quando sinto urna dor no pé. o que de melhor se pode esperar que ocorra a esse respetto é que todo movimento faça a mente sentir o que é o mais apropriado e ornais ordinariamente útil à conservaçào de urn homern sadio. * qui est toute tendue ** dans le pied que s7ly avait reçu une blessure - que /36/ Finalmente. será necessário que a mente sinta a rnesrna dor nopé que sentirla se ele tivesse sido ferldo***. que são dessa ordern todas as sensaçoes que a natureza nos impôs e que. costas e pescoço para ir do pé até o cérebro. à serneihança de cordas. por exeniplo. por conseguinte. como esses nervos devem passar pela perna. a primeira. rins. os quais se estendem dali até o cérebro. nelas nada se encontra que nào ateste a poténcia e a bondade de Deus. coxa. Mas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 187 . D permanecendo entäo irnóvel. mas so algurna dentre as partes intermediârias se produza no cérebro exatamente o mesmo movimento que se produz quando o pé é mal afetado e. Nern é outra a razào por que. conio cada um de todos os rnovimentos que ocorrem na parte do cérebro que afeta imediatamente a mente só Ihe causa uma única sensaçâo. neJas excitando um certo movimento que a natureza instituiu para afetar a mente corn urna dor sentida corno existente no pé. noto que. a Física me ensinou que essa sensaçäo se produz por obra dos nervos esparsos pelo pé.

ou ele mesmo. mas em qualquer das outras partes pelas quais os nervos se estendem do pé até o cérebro. sinta urna dor como existente no pé. nào no pé. de onde transmite um sinai à niente para que cIa sinta algo. Porque. enfim. Esse movimento causa na mente a sensaçào de sede. como composto de mente e corpo. /41 / Pois. PDF compression. a natureza do homem. /39/ Do mesmo modo. nada nos é mais útil do que saber que necessitamos de bebida para conservar a saúde etc. ou mesmo no prOprio cérebro. como um mesmo movimento no cérebro näo pode produzir a qual costuma surgir muito mais senào urna mesma sensaçào na mente frequentemente de urna causa que fere o pé do que de outra. /40! Do que fica inteiramente manifesto que. as partes internas do cérebro. na medida em que ocorre 110 cérebro. se há uma causa que excita inteiramente o mesmo movimento que costuma ser provocado pelo pé molestado. surge na garganta uma certa secura que move seus nervos e. esse movimento estende-se a partir deles. /38/ Em verdade. quando ternos necessidade de bebida. pela medula da espinha dorsal. OCR. nào obstante a imensa bondade de Deus. por eles. Mas nenhuma outra coisa conduziria à conservaçäo do corpo tanto quanto o que ele a faz sentir. a qual excita a mente a fazer quanto possa para remover essa causa nociva. a dor será sentida como ocorrendo no pé e a sensaçào será naturalmente enganosa. isto é. enganadora. existente em outro lugar é razoável - -. ou em algum dos lugares intermediários. nào pode nao ser. Deus poderia ter constituido a natureza do homem para que esse movimento no cérebro mostrasse à mente algo de todo diverso. alguma vez. até atingir as partes internas do cérebro. ou.88 OrntAs DE DESCARTES 92-93 quando os nervos do pé sofrem um movimento veemente e major do que o habitual. ou no pé. pois. em urna outra parte qualquer do corpo. isto é. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 189 . em tudo isso.

nao só para que me aperceba de todos os erros a que minha natureza está su] eita. PDF compression. Mas as dúvidas hiperbólicas dos últimos dias devem ser rejeitadas como dignas de riso. e como posso servir-me quase sempre de várias delas para examinar uma mesma coisa bem como da memOria que estabelece o nexo entre as coisas presentes e as precedentes e do intelecto que já reconheceu todas as causas do erro já nAo devo recear que as coisas que os sentidos me mostram quotidianamente sejam fa'sas. multo melbor que ela engane nessa circunstância do que se. noto que a diferença entre um e outra é multo grande: os sonhos nunca são conjugados pela memOria com todas as restantes açôes da vida. principalmente a maior delas. em verdade. quando o corpo está corn boa saúde etc. agora. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 191 . enganasse sempre. ao contrário. mas também para que os possa emendar e facilmente evitar. Pois. porém. que eu nAo distinguia da vigIlia. embora a secura na garganta nem sempre resulte. sobre o sono. de que a bebida leva à saúde do corpo e seja produzida por alguma causa contrária.93-95 MEDITAÇOES . isto é. eu nAo deixaria de ter razäo . como sucede com o que ocorre a quem está acordado. como ocorre no caso do hidrópico. Pois. nem para onde foi. como nos sonhos. /42/ E essa consideraçâo traz uma grande ajuda. como de hábito. E. sem que eu veja nem de onde veio. se estou acordado e alguém de repente aparece e logo desaparece. é. como já sei que todas as sensaçòes acerca das coisas que se referem ao que é cêmodo oit incômodo* para o corpo indicam muito mais frequentemente o verdadeiro do que o falso. Pois.-- -. OCR. -.SEXTA MEDITAÇÄO 89 que â mente sempre se mostre urna dor no pé e nAo em outra parte do corpo. em verdade.

web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . fico completamente certo de que ocorrem. Mas. onde e quando se me ocorrern e vejo um nexo mmterrupto dc sua percepçâo corn tudo o rnais da vida. se para o seu exame convoquci todos os meus sentidos. porque a necessidade das açñes da vida nos obriga freqüentemente a nos delenninar* e neni sempre concede urna moratOria para que se faça uina investigaçào tao cuidadosa quanto a presente. E nao devo ter a mais mínima dúvida acerca da verdade dessas coisas. mas acordado. do que um verdadeiro homern. * nous oblige souvent à nous déterminer 193 PDF compression. nao quando estou dormindo. OCR. é preciso confessar que a vida humana. et incommodités et semblable û ceux qui s'y Jbrment quand je dors /43/ Mas. a minha memória e o meu intelecto e nada me é mosu ado por nenhurn deles que se oponha ao que os outros mostram. fantasiado ein meu cérebro e semeihante aos que nele seformam quando durmo**. está frequentemente sujeita a erros e que se deve reconhecer a fraqueza de nossa nature za.90 OBRAs DE DESCARTES 95 se o julgasse antes um espectro ou fantasma. quando ciii verdade se me apresentam coisas em que noto distintamente de onde. no que se ref'ere as coisas particulares. Pois de que Deus näo é enganador segue-se que de modo algurn me engano nessas coisas.

OCR.APENDICE TEXTOS SUPLEMENTARES PDF compression. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .

Pois. a sobre Deus e a sobre a alma. Sempre estirnei que essas duas questòes. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . [I] [I] EI'ÍsToLA DE RENATO DES CARTES AOS MUlTO SABIOS E MULTO ILUSTRES SENL-IORES DECANO E DOUTORES DA SAGRADA FACULDADE PARISIENSE DE TEOLOGIA A causa que me leva a apresentar-vos este escrito é tao justa assim como confio será a vossa. são as mais importantes dentre as que devem ser demonstradas antes por obra da Filosofia que da Teologia.VlI. conquanto a nós. fléis. ao tomá-lo sob vossa proteçào.AT. OCR. depois de conhccerdes a razäo do que proponho que nada meihor Posso fazer aqui para o recomendar do que dizer em poucas palavras o que nele persegui. nos baste crer pela fé que a alma humana nào marre com o corpo. - - 197 PDF compression.

E. nao parece certamente que seja possível persuadir religiäo alguma e mesmo quase virtude moral alguma aos infléis. ao inverso. são ditos indesculpái'eis. parece que somos avisados de que ludo o que se pode saber sobre Deus pode ser mostrado por razôes que nao se obtém senào de nossa prOpria mente. no mesmo lugar. pois. a partir destas palavras do Livro da Sabedoria. primeiro capítulo. É oque fïca manifesto. E. de modo mais fácil e mais certo do que as eoisas do séeulo.n* um círculo. Ora. aquele mesmo que dé a graça para que acreditemos nas outras coisas também pode dá-la para que acreditemos em sua existéncia. é tAo fácil que os que nAo são culpados. aereditei que nao me fosse impróprio investigar a maneira e os caminhos por que Deus pode ser conhecido. 13 capítulo: e nao devem ser perdoados. devemos crer nas Sagradas Escrituras. na verdade. pois que as Sagradas Escrituras o ensinam e. conquanto seja de todo verdadeiro que devemos crer na existéncia de Deus.OBRAS DE DESCARTES (2-4) [li] e que Deus existe. também. E. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Por isso. ainda. isto porque. mas. embora muitos possam ter julgado que sua natureza * en ceci la faute que les logiciens nomment o tém 199 PDF compression. notei que vOs e todos os outres teólogos nao somente afirmam que a existência de Deus pode ser provada pela razào natural. corn estas palavras: o que se sabe de Deusfica neles manifesto. pois que as recebemos de Deus. que da Sagrada Escritura se infere ser o seu conhecirnento mais fácil do que muitos outros que ternos das coisas criadas e. se puderam saber tanto pura poder apreciar o inundo. poucos haveriam de preferir o reto ao útil. OCR. sendo a fé um dom de Deus. antes que se Ihes provem essas duas verdades pela razâo natural. pois julgariam ver nino a falta que os lógicos denomina. se nao temessem a Deus e nao esperassem por urna outra vida. corno nao acharan: ¡nais fácilmente o sea sen/wi? e Aos Romanos. nAo pode ser proposto aos inftéis. no entanto. como nesta vida é frequente que se proponhani majores prémios aos vicios do que às virtudes. Quanto à alma. o que.

nAo deceno novo.(4-5) MEDITAÇOES . no entanto. mais útil em Filosofia do que nos aplicarmos uma vez na busca das meihores. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . como soubesse que a maioria dos ímpios só se recusa a crer que Deus existe e que a mente humana se distingue do corpo por dizereni que. isso me fez acreditar fosse de meu dever tentar algo nesse assunto. sabedores alguns de que eu cultivara certo método para resolver quaisquer dificuldades nas cièncias. embora de modo algum assinta eu à sua opiniäo e creia. Além disso. cias constem junto a todos conio demonstraçoes. contudo. pois nada mais antigo que a verdade. quando suficientemente entendidas. - 201 PDF compression. condena-os e manda expressamente que os filósofos cristâos desfaçam seus argumentos e empenhem suas forças em provar a verdade. pediram-me e'es insistentemente que o fizesse. realizado sob LeAo X. OCR. expondo-as corn tanta precisào e clareza que. E. ninguém pôde demonstrar essas duas coisas e. até agora.EPISTOLA 3 [III] näo pode ser facilmente investigada e aiguns tenham até ousado dizer que há razòes humanas a nos persuadir de que cia morre ao mesmo tempo que o corpo e que a fé está sozinha. mas por me terem visto utilizá-lo frequentemente aihures nâo sem felicidade. finalmente. e esteja eu persuadido de que dificilmente pode haver outras que já nAo tenham sido descobertas por outros anteriormente estimo que nada se poderia fazer que fosse. já que o ConcIlio de Laträo. no futuro. na oitava seçâo. possuem força demonstrativa. ac contrário. ao afirmar o contrário. nao hesitei em tratar também do assunto. que quase todas as razòes aduzidas por grandes homens a respeito dessas questöes.

nâo há por certo niais gente apta aos estudos metafisicos do que aos geométricos. seja. obrigam-me a falar aqui de minhas razöes um pouco mais livremente do que é meu costume.nuito* certas. em certeza e evidéncia. de Apolônio. Nao que tenha me esforçado por coligir todas as diversas razôes que possam ser aduzidas para provar essas verdades. também. * très. Mas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . nAo seja de conhecimento muito fácil.. porque nAo contêm totalmente nada que. Mas tratei semente das primeiras e principais. porque requerern uma mente completamente livre de preconceitos e capaz de. do mesmo modo que em Geometria há muitas coisas nos escritos de Arquimedes. porém. as razôes geométricas. embora tidas por todos como niaito evidentes e . considerado à parte. très [TV] 203 PDF compression..4 OBRAS DE DESCARTES (5-8) Mas tudo o que pude conseguir está totalmente contido neste tratado. embora eu estime que as razôes de que me sirvo aqui igualem ou até superem. E. seja porque sao também um pouco longas e dependem urnas das outras. facilmente apartar-se de sua associaçâo com os sentidos. E. a que tudo isso remete. nem por isso estou persuadido de que se acomodern à capacidade de todos. Acrescentarel também que cias são tais que nAo creio se abra à inteligéncia humana algum carninho pelo quai jamais se descubram melhores: pois a necessidade da causa e a glória de Deus. nao obstante. Assim. pois nao parece que pague o esforço. nem nada cujos conseqüentes nAo sejam precisamente coerentes com os antecedentes. temo. no mundo. Mas. a nao ser quando nAo possuímos nenhuma suficientemente certa. OCR. sO são entendidas por muito poucos. de Papo e dc outros que. principalmente. de modo que ouso agora propô-las como demonstraçöes multo certas e muito evidentes. por serem um pouco longas e reclamarem um leitor multo atento. por si mesma. por mais certas e evidentes que as creia eu. nAo possam elas ser suficientemente entendidas por muitos.

seja completado. de que sou ignorante e näo afirmo que nele nao haja erros. principalmente. por min1. o que falta. pela ousadia de atacar tudo o que há de mais sólido. nAo se reconhece em parte alguma mais perspicácia e solidez. ncm nìaior integridade e sabedoria para proferir urn julganiento. E tao grande é a opiniäo sobre a vossa faculdade que se encontra ern todas as mentes. se vos dignardes a considerar este escrito. nào somente nas coisas da fé. como dizern respeito à Filosofia. ou pede rnaior explicaçäo. Eis por que. frequentemente os que nào são peritos na matéria errarn.Jinalmente. corn tanto cuidado que. tao grande a autoridade do nome de Sorbonne que. jamais tanto crédito foi dado a nenhuma sociedade quanto à \'ossa.(8-IO) MEDITÀÇÓES . a menos que inc ajude o vosso patrocInio. ein segundo lugar. tambérn. seja ele por vôs comgido. delas nao espero algo de grande preço. pois. porém. esclarecido ou por vós mesmos ou. Na verdade. emprime/ro ¡ligar. mas. depois de advertido por vós. de que. OCR. depois que as razòes que ele contém provando a existéncia de Deus e que a mente é diversa do corpo tenharn sido levadas à clareza a que confio podemos levá-las. ao menos. quando se trata da Filosofia humana. quaisquer que possam ser rninhas razöes. do que refutando coisas verdadeiras. por quererern aparentar que as entenderam. há nisto urna diferença: como todos estäo persuadidos de que nada se costuma escrever ein Geometria de que nao se tenha urna demonstraçào certa. Nao duvido. que. aprovando coisas falsas. dcpois dos Sagrados Concilios. pois lembro-me nao sOde minha humanidade. de maneira que 205 PDF compression. c. ou nào está suficientemente acabado. o contrário ocorre em Filosofia. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . como se eré que nada há cujo oposto nao possa ser sustentado. vivem à caça da fama de inteligentes. poucos investigam a verdade e muitos niais há que. assirn. mas também e.EPISTOLA 5 [Vi alérn disso. aperfeiçoado.

de hábito mais mejo instruIdos do que inteligentes e sensatos. todos os eros que sempre houve sobre essas questòes nao se] am em breve apagados da mente dos homens. abandonem o ánimo dc contradizer e talvez venham. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . de medo de parecer que as nao entendem. se isto se fizer. de que. Pois a própria verdade fará que os Immens de engenho e doutos subscrevam facilmente o vosso juízo. por vossa singular sabedoria melhor do que todos podeis avahan Mas nào tem cabimento que ainda vos recomende. * si elle était une fois bien établie ** qui voyez les désordres que son doute produit 207 PDF compression. por um. vOs mesmos que vedes as desordens que sua dûvida produz**. todos os outros facilmente confiarào em tantos testemunhos que já nao haveré ninguém no mundo que ouse pOr em dúvida a existência de Deus e a distinçäo real da aima humana e do corpo. OCR. as pessoas dotadas dc inteligência.6 OsicAs DE DESCARTES [VI] venham a ser tidas efetivamente como demonstraçòes muito precisas e que vós queirais declará-lo e testemunhá-lo publicamente. por razöes que saberâo aceitas como demonstraçöes por todos. nào duvido. a propugnar. digo. urna vet que eta estivesse hem estabelecida*. Qual será a sua utilidade. E. também eles. a vós que sempre fostes o principal pilar da Igreja Católica. e a vossa autoridade fará que os ateus. a causa de Deus e da Religiao.

mas para delas oferecer urna prelibaçao e para aprender. o modo como tena dc cm seguida delas tratar. nao. para o fazer em termos precisos. convertida a si mesma. por receio de que tarnbém espíritos fracos pudessern crer que teriam de nele ingressar. cm 1637. Mas nada digno dc nota me foi objetado. a que responderei aqui em poucas palavras.já tratei anteriormente das questòes sobre Deus e sobre a mente humana. antes de dar-lhes urna explicaçâo mais precisa. E. Ora. editado em francés. 209 PDF compression. em um escrito em francês. para as explicar. senâo duas questOes. sigo uni caminho tao pouco praticado e tao distante do uso comum que nao estimei fosse útil ensiná-lo mais ampiamente. A primeira é que. pedi que todos os que encontrasseni cm meus escritos algo que merecesse repreensào se dignassem disso me advertir. do fato dea mente humana. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor .[VII] PREFACIO DIRIGIDO AO LETTOR De modo breve. a partir do juízo dos leitores. naquele lugar. OCR. eu. a bern dizer. Pois pareceram-me de urna importância tal que julguei necessário agenda-las mais de urna vez. dado indistintamente à Icitura de todos. no Discurso sobre o método para dirigir refamente a razäo e investigar a verdade nas ciências.

coisa que tern em si a faculdade de pensar. Objeçào a que respondo. É verdade que vi. em razäo de sua esséncia. isto é. Mostrarci. e multo menos que o que é representado por essa idéia exista. no entanto. pela operaçAo do intelecto. corn argumentos tirados dos lugares- PDF compression. A segunda é que. neste sentido. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 211 . De modo que o sentido era que eu nada conhecia completamente pertencer à minha esséncia. é ampiamente exposto em seguida. além disso. e essa coisa. o modo por que. pela coisa representada por essa operaçäo. mas que nAo impugnavam tanto minhas razòes sobre essas matérias quanto minhas conclusòes. do fato de eu nao conhecer que pertence â minha esséncia nenhuma outra coisa. mais perfeita do que eu. na ordern da própria verdade da coisa (de que. e. Respondo. nAo segue que a própria idéia seja mais perfeita do que eu. quer objetivamente.8 DE DESCARTES (2-4) [VIII] nao perceber que nAo é senào coisa pensante. é claro. mas unicamente na ordern de minha percepçäo. Mas o modo como. nAo se segue que nAo haja nada diverso que deveras ihe pertença. OCR. que está subjacente à palavra idéia um equívoco: pois pode ser tomada quer materialmente. só porque há ein mim a idéia de urna coisa mais perfeita do que eu segue-se que essa coisa existe deveras. porém. em verdade. dizendo que eu também näo quis naquele passo excluí-las. nAo segue que sua natureza ou essência consista em ser sornente coisa pensante. dois escritos bastante longos. porém. eu ali nao tratava). do fato de que tenho em mini a idéia de urna coisa mais perfeita do que eu. de sorte que a palavra somente excluísse todas as outras coisas que se poderla dizer que também pertcncein à natureza da alma. a nao ser que eu era coisa pensante. em seguida. pode ser. mesmo que eu nao a suponha existir fora do intelecto. nAo pode ser dita mais perfeita do que eu.

os quais. Agora. afectos humanos. como Cf. tomadas somente urna a uma.(4-6) MEDIThÇÓES . t. 300. depois de ter tido urna vez a experiéncia do juizo dos homens. Mais ainda. ou se arroga para nossas mentes a posse de tanta força e sabedoria que nos pomos a fazer força para determinar e cornpreender o que Deus pode e deve fazer. para nào ter de antes reportá-las.' E. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . näo qucro responder-Ihes aqui. afastar sua mente dos sentidos e. em geral. dos inicios de toda a Filosofia Primeira. esclarecin'ento. III. na verdade. 23 e p. bem o sei. por ficçäo. nao se preocupando em eornpreender a série e o nexo de minhas razòes. p. porérn. De sorte que. ao mesmo tempo. de todos os preconceitos. I. 296. tento tratar aqui de novo das mesmas questôes sobre Deus e a mente humana e. Direi somente. só se encontram em um pequenissimo número. como incompreensivel e infinito. a nao ser somente os que possam e queiram meditar seriamente comigo. nao insto ninguém a queme lela. se empenharâo ein tagarelar sobre suas cone lusoes. ao mesmo tempo.PREFACIO 9 [IX] comuns dos ateus. que tudo o que os ateus agitam comumente para impugnar a existência de Deus depende sempre de que ou são atribuidos a Deus. mas que só ouvem posteriormente. nenhuma dificuldade essas coisas nos apresentaräo. 213 PDF compression. por mais erróneas e estranhas à razào. como esse modo de argumentar nao pode ter força alguma junto aos que entendam minhas razöes e. Quanto àqueles que. como muitos tém o juízo tào falseado e tao frágil que as opiniòes aceitas da primeira vez. se nos lembrarmos soniente de que nossas mentes devem ser consideradas como finitas e Deus. nos persuadem mais do que a refutaçào verdadcira e sólida que delas se faça. OCR. Mas näo espero nenhum aplauso do vulgo e nenhuma freqüêneia de leitores.

OCR. E. responderei as objeçoes de alguns senhores excelentes por inteligéncia e doutrina. também näo prometo aos outros satisfazélos de pronto em tudo e nao me alTogo a presunçào de que possa prever tudo o que venha a parecer difícil a cada leitor. contudo. embora eles talvez encontrem ocasiäo de fazer consideraçoes cavilosas sobre muitos pontos. o que quer que seja.o OBRAS DE DESCARTES (6-7) [X] muitos costumam fazer. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . de alguma importância. aos quais estas Medita ça es forain enviadas para exame. näo será. nas Meditaçòes. antes de mandadas ao prelo. a t'im de experimentar se aquelas razöes por que fui persuadido podem também persuadir os demais. que ouso esperar nào seja fácil que. Mas. Eis por que rogo insistentemente aos leitores que nao formem umjuízo sobre as Meditaçòes antes de se dignarem 1er até o fîm todas essas objeçôes e suas soluçoes. ao menos. venha à niente de outros de que eles nao tenham tratado. Em seguida. em verclade. fácil que venham a objetar algo urgente ou digno de resposta. 215 PDF compression. nao colherâo muito fruto da leitura deste escrito. exporci certamente ein primeiro lugar. aqueles mesmos pensamentos mercé dos quais pareceme que cheguei ao conhecimento certo e evidente da verdade. como. Pois muitas e variadas coisas objetaram eles.

também o leitor. As objeçòes feitas a essas Meditaçòes são disso um testemunho suficiente e mostram bem que os sábios do século deram-se ao trabalho de examinar rigorosamente suas proposiçoes. resolveu torná-las conhecidas do público. A primeira refere-se ao designio do autor. Quando o autor. o fez tanto por medo de sufocar a voz da verdade quanto no propósito de as submeter à prova dos doutos. 1. quando publicou esta obra em latim. quis falar-Ihes em sua lingua e a seu modo. que são do meu conhecirnento particular e servirào ao seu.) 217 PDF compression. obriga-me a procurar contentar mais cuidadosamente. IX. decerto. A segunda. como e por que aparece hoje traduzida ein francès. NAo me cabc julgar o sucesso com que o fizeram. este informe encontrava-se logo depois da "Epístola ao decano e aos doutores da Faculdade Parisiense de Teologia". Pierre Le Petit. depois de ter concebido estas Medilaçòes em seu espirito. portanto. Foi substituido na terceira ediçio (1673) por urna nota. por receio de que todo o seu abandono nào venha a recair somente sobre mim. 3. no que se refere ao autor e aos tradutores. basta-me crer e assegurar aos outros que nAo poderia haver um choque entre tao grandes homens scm que se produzisse muita luz. "Ao leitor". feita por René Pédé. Para isso. inipressor ordinário do rei". de minha parte. de o satisfazer. (1) [li A Do ED[TOR PARA O LEITOR1 satisfaçào que posso prometer a todas as pessoas de espIrito pela Icitura deste livro. Quanto a mim. OCR. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . Como a primeira ediçâo foi publicada "em Paris.AT.2. pela viúva de Jean Camusat e Pierre Le Petit. apareceu em terceira posiçäo. Na segunda. Na primeira ediçào. I. Sua intençâo nAo foi frustrada e seu livro foi posto em questâo em todos os tribunais da Filosofia. encerrando todos os seus pensamentos no latim nos termos da Escoja. (N. no qual devo chamar a atençäo para três coisas. pois sou quem as apresenta aos outros para que julguem. Este informe (Avis) encontra-se em AT. pelo cuidado que ponho em toda esta impressâo e por mejo deste pequeno esciarecimento. IX. o novo editor. do T. pp. depois da mesma "Epístola" e do "Prefácio do autor dirigido ao jeito?'. quai a qualidade desta versäo. Trato. e foi impresso scm paginaçäo na primeira ediçâo da traduçäo da obra em francés (1647) e em sua segunda ediçào (1661). o "editor" que se dirige aqui "ao leitor" deve ser. E a terceira.

seja que nào tenha tido outro propósito senâo o de prestar urna honrarla ao autor. urna outra pessoa de mérito também nâo quis deixar imperfeita essa obra tAo perfeita e. para toda sorte de pessoas. encontrarào essa versào bastantejusta e tAo religiosa. seguindo as pegadas desse Senhor. porque notara que suas Medita çöes tinham sido acolhidas e recebidas corn alguma satisfaçao por um número rnaior des que nAo se aplicarn à Filosofia da Escola do que dos que a cia se dedicarn. Havendo sido informado da boa fortuna de urnas e outras. Ern toda parte. Assim. o francés nAo as tornarla essas Medilaçòes mais inteligiveis do que o latim. Entretanto. para os acomodar aos seus. à acoihida favorável de tantas pessoas que. Mas tenho ainda outra certeza mais autêntica.1 Depois de 1er as Meditaçòes ejulgá-las dignas de sua memória. e unicamente para esclarecer seus prOprios pensarnentos. por nunca se haver desviado do sentido do autor. 219 PDF compression. se nAo acompanhassern as objeçòes e suas respostas. ao ïnvés de a eles. Ele fez uso dele. OCR. que nAo se terdo enganado facilmente. corno fizera sua prin1eira impressâo latina pelo desejo de encontrar contraditores. da-se cia ao trahatho de as traduzir em francés: seja quc por esse mejo quis tornar mais suas e mais familiares essas noçöes bastante novas. degustando desde já seus novos pensamentos. Claude Clerselier. acreditou dever essa segunda. este livro passa das universidades aos palácios dos grandes e cai nas maos de urna pessoa de condiçâo muito eminente. Depois. pôs em nossa lingua as objeçôes que sucedem as Meditaçòes corn as respostas que as acompanharn. a francesa. Eu o poderia assegurar a partir sornente do conhecirnento que tenho do luminoso espIrito dos tradutores. quis Louis Charles d'Albert. ao encontrar alguns lugares onde ihe pareceu que nAo os havia tornado suficientemente claros em latim. através de uni tào born testernunho de sua estima. Quero dizer que. que sAo corno seus cornentários. duque de Luynes. no fato de que reservaram ao autor (como era justo) o direito de revisâo e de correçAo. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . mas para corrigir-se.2 OBRAS DE DESCARTES II. mas também desejou e solicitou a esses senhores que aceitassern a irnprcssäo de suas versòes. para muitas pessoas. o autor nAo sO consentiu. pareciam desejar que deles fossem eliminados a lingua e o gosto da Escola. III. por beni julgar que.

que este livro. Calo-me. primeirarnente. se mc fosse permitido. ele a achou tao boa que nunca quis niodificar-Ihe o estilo. antes. portanto. Mas antes sintome ainda obrigado a advertir os leitores a que tragarn muita eqüidade e docilidade à leitura deste livro. por rnútua deferência. no mesmo momento em que algurna sombra dela Ihes aparece. menos ousado e menos acostumado corn esses termos da Escola. permaneceram na obra. scm precipitaflo e no intuito de se instruir. parecem temerosas de a encontrar pois. oferecendo a seu autor. porque tena sido necessário alterar o sentido. pois. De outro lado. o quai é menos livre. fazendo prolissäo de buscar a verdade. que näo os conheça. sem a quai ninguém poderá entendé-lo bern. PDF compression. o que sempre se proiblu por sua modestia e pela estima em que tern seus tradutores.MEDITAÇÖES 3 esclarecé-los aqui. OCR. De sorte que. procuram cornbatê-ia e destruí-la. - -. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 221 . através de alguma pequena modificaçAo. nem possam abster-se do julgar antes de o haverern examinado suficientemente. É preciso lé-b sem prevençâo. Nao ousaram. Acrescentaria agora. ejá nAo afugento as pessoas. contendo meditaçoes rnuito livres e que podem até parecer extravagantes aos que nao estâo acostumados corn as especulaçoes da Metafisica. orniti-los. que logo se reconheceräo comparando o francés e o latirn. O que em toda esta obra deu mais trabalho aos tradutores foi encontrar muitas palavras de arte que. Mas temo queme censurem o haver exorbitado os limites do meu mister ou. contudo. para depois assurnir o espIrito de censor. ao opor um obstáculo tao grande à venda de meu hvro pela ampla exceçâo de tantas pessoas para as quais nao o julgo apropniado. multo mais o são em francês. nAo tirarào proveito deste livro. Este método é tao necessário à sua leitura que posso denorniná-lo a "chave do livro". quando esta versäo foi subrnetida ao autor. nao os eliminando ninguém. se a ele vierern corn esse mau humor e esse espIrito de contrariedade de tantas pessoas que só lêem para discutir e. um espirito de escolar. sendo rudes e bárbaras no próprio latim. o que Ihes proibia a qualidade de intérpretes por eles assurnida. nào será nern útil nein agradável aos leitores que nao possani aplicar corn muita atençâo seu espIrito ao que lêem. nem dele forrnarâo um juizo razoável.

é cía no entanto multo grande por deixar-nos livres de todos os preconceitos. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor . principalmente das materials. pois que. por ap/amar um cumin/Jo em que a mente facilmente se desprenda dos sentidos epor faze. O que é tambérn de siuna utilidade. Na Segunda Meditaçäo. OCR. se descubram verdadeiras. nao exista. ao supor que nao existent todas as coisas sobre cuja existência possa duvidar o tuais min itnantente. distingue facilmente o que pertence a cia. desse modo. enjini. creio deva chamar sua aten cao 223 PDF compression. entrementes.. percebe que é impossivel que e/a mesma. do que pertence ao corpo. em seguida. no uso da propria liberdade. encomrar nesse passo as razòes da itnortalidade da alma.SIN0PSE DAS SEIS MEDITAÇOES QUE SEGUEM Expòeni-se na Prirneira Meditaçao as causas por que podernos duvidar de (odas as coisas. a mente. porque alguns talvez esperen. E. Mas. mesmo que a utilidade de ¿tina düvida tamanha nao apare ça de ¡mediato. como natureza intelectual. ao menos en quanto os fundamentos das ciências mio forem diversos dos que ternos até agora. que JO nao possainos duvidar das coisas que.

2-3

MEDITAçOES

- SINOPSE

13

me esforcei por nada escrever que nao demonstrasse cuidadosamente. De sorte que outra ordern nao pude seguir senão a que empregam os geómetras, a saber, antecipando todas as coisas de que depende a proposiçäo buscada, antes de concluir algo a respeito dela. Ora, o primeiro e principal requisito que previamente se exige para o conhecimento da imortalidade da alma é que dela nos formemos um concetto, o mais claro possivel eque seja completamente distinto de todo conceito do corpo: o que se fez nesta Segunda. Requer-se, além disso, em verdade, que saibamos também que todas as coisas entendidas clara e distintamente são verdadeiras, do modo mesmo como as entendemos: o que nao póde ser provado antes da Quarta. É preciso que tenhamos também um conceito distinto da natureza corporal, o que se formou em parte nesta mesina Segunda, em parte também, na Quinta e na Sexta: partindo disso, dever-se-ia concluir que todas as coisas que se concebem clara e distintamente como substancias diversas, assim como a mente e o corpo são concebidos, são deveras substancias realmente distintas uma da outra, o que ê uma concI usd0 da Sexta. E isto é também ali confirmado, porque só entendemos todo corpo como divisível, em contraposiçdo a toda mente, que só é entendida como indivisível, pois nao podemos conceber a metade de nenhuma mente, ao passo que podemos faze -lo corn qualquer corpo, por menor que seja. De maneira que suas naturezas são por nós conhecidas nâo apenas como diversas mas, de certo modo, como contrárias também. Nao me cabia dizer neste escrito mais nada sobre essa matéria, tanto porque o que disse é suficiente para mostrar que da corrupçâo do corpo nao se segue a morte da mente, deixando assim aos mortais urna esperan ça de outra vida, quanto também porque as premissas das quais se possa concluir a imortalidade da mente dependem da explica çäo da toda a fisica. Em primeiro

para o fato de que

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14

OBacs DE DESCARTES

3-4

lugat; para que se saiba que todas as substâncias em geral, isto é, as coisas que só existen? porque criadas por Deus, são incorruptiveis por sua natureza e nunca podeni abandonar o sei; a menos que Deus Ele mesmo ¡hes negue o seu concurso, reduzindo-as ao nada. Em segundo lugar, para que se saiba que, genericamente tomado, o corpo é scm dúvida urna substáncia e, por isso, também nunca perece. Mas que o coipo humano, na medida ein que dfere dos outros coipos, é constituido por certa configura ção de membros e de outros acidentes desse modo, ao passo que a mente humana nao é constituida dessa maneira, a partir de aciden tes nenh uns, mas é pura substância. Pois, embora todos os seus acidentes se modifiqueni ela entende ¡tinas coisas, quer outras, sente outras etc. nem por isso aprópria mente torna-se uma outra. Ao passo que o corpo humano torna-se outro, em virtude apenas de que se modijique ajigura de qua/quei' u/na de suas partes. Disto se segue que tal corpo niorre muito facilmente, enquanto a mente ou a alma do homem (o que nao distingo) * é imortal por sua natureza. ou l'âme de l'homme (ce queje ne distingue point,)

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-

Na Terceira Meditaçâo, expus suficientemente, ao que me parece, meu principal argumento para pi-ovar o existéncia de Deus. Entretanto, a Jim de que os ánimos dos leitores se afastassem ao máximo dos sentidos, nao quis usar aqui compara çôes obtidas das coisas corporais. Por isso, talvez restem muitas obscuridades que espero sejam por completo eliminadas ulteriormnente, nas respostas às ohjeçòes. Exemplo, entre outros, o modo como a idéla, que está em nós, de um ente sumamente perfe ito, tem tanta realidade

objetiva. ¡sto é, participa por representaçöo de tantos gratis de ser e de per,feiçao*. que e/a só pode ser por urna causa sumamente perfeita. E isto é ilustrado pela comparaçdo con; ilma máquina muitoperfeita, cuja idéia está na mente de a/gum art ¿fice. Pois, assim conio o ai-t ¿fício objetivo dessa idéla deve ter alguma causa ou a ciência de seit ai-t ¿fice oit a ciéncia de outrem, do quai a recebeu da mesma maneira a * c 'est-à -dire participe par représentation à tant de degrés d'être et de perfection

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4-5

Mw1-i-AçöEs

- SiNorsE

15

¡dé/a de Deus, que está em nós. nao pode nao ter Deus Ele mesmo por sua ca lisa.
Na Quarta Medita çäo, prova-se a verdade de todas as co/sas que percebemos clara e distintamente e, ao mesmo tempo, mostra-se aquí/o em que consiste a razão dafalsidade. É necessário saber ambas as coisas, tanto para obter a confìrinaçào do que foi dito quanto para o entendimento do que em seguida se dirá. (Note-se, porém, de passagen). que ali näo se trata. de niodo a/gum, do pecado ou erro cometido na busca do bom e do mau, mas sornente do erro que ocorre no juizo, 00 discernir o verdadeiro do falso. Nem se considerwn também as coisas pertinentes òfé ou à vida ativa, mas só as verdades especulativas, que se conhecem apenas por obra da luz

natural.)
Na Quinta Medita çâo, além de se explicar a natureza corporal, genericamente tomada, demonstra-se tambérn a existéncia de Dens por urna nova prova, no que ¿'a/vez ainda ocorram dij'ìculdades que se resolverâo. porém. mais ad/ante, na resposta às ob/eçñes. Fina/mente, mostra-se o niodo por que é verdadeiro que a certeza das próprias demonstraçöes geométricas depende do conl2ecimento de Dens.

Finalmente, na Sexta Medita çäo. distingue-se a intelecçao da imagina çäo e se descrevem os sinais distintivos de urna e de outra. Prova-se que a niente distingue-se realmente do corpo, mostrando, porém, que e/a está corn ele tao estreitamente conjugada que é como se compusessem urna só coisa. Faz-se o censo de todos os erros que costumam originar-se dos sentidos e se indicam os modos de evitth-/os. Aduzem-se, poî fini todas as razñes das quais se pode concluir a existéncia das coisas inateriais. Nao que as repute niuito úteis a provar o que provani.

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mas. web optimization using a watermarked evaluation copy of CVISION PDFCompressor 23 1 . também. de aqui nao referir várias outras questöes de que nelas ocasionalmente tratei. porque. as mais certas e as niais evidentes de quantas a inteligéncia humana pode saber E é rudo o que nie propus provor nessas medita çöes e a razäo. nem tào man jfestas quanto as que ernpregamos para chegar ao conhecimento de nossa mente e de Detis. que os hotnens possuern corpos e coisas semeihantes. das quais ninguém corn mente sa jamais duvidou seriamente. ao consideró-las.16 OBRAS DE DESCARTES 5-6 a sabei: que há deveras um mundo. nâo as reconheci nem tâo firmes. PDF compression. OCR.

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