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A retórica de Lula decifrada

Fotos:Le Figaro Lula

» Siga o Vooz no Twitter » Add o Vooz no Facebook O jornal francês “Le Figaro” destacou matéria nesta quinta-feira, 27 de agosto, sobre o vocabulário de Luís Inácio Lula da Silva. As “pérolas” do Lula tão ao agrado do escárnio e da galhofa pelas elites pensantes e não pensantes do Brasil. Destaca também o sucesso breve e limitado desta acirrada crítica aos léxicos do ex-metalúrgico. Assim, como explicar a ignorância de um presidente que fascina as multidões quando fala e que apresenta o invejável índice de popularidade em torno de 80% após seis anos e meio de poder? Então, sabe ou não sabe falar Lula da Silva? Inclinando-se sobre esta aparente contradição o jornalista e sociólogo brasileiro Ali Kamel decidiu estudar a retórica do chefe de Estado que mais tem falado na história recente do Brasil. Eliminando as alocuções oficiais redigidas por conselheiros, concentrou o seu trabalho nos 1.554 discursos improvisados de Lula. Graças a um "software", extraiu 354 termos, mais recorrentes e mais significativos. O trabalho teve como efeito a produção do “Dicionário Lula - um presidente exposto pelas suas palavras”, já chegado às livrarias, com 700 páginas para agitar os meios políticos brasileiros. Em metáforas emprestadas do futebol e da vida diária, Lula quebrou os preconceitos paradigmáticos da ignorância que lhe fora atribuída, por muitas vezes, motivo de risos em diversos sites (internet). Grande orador, o presidente tem um vocabulário de cerca de 11.000 palavras, enquanto que a média de uma pessoa que tem estudado não excede 8.000 à 9.000. No bom uso “da fala popular” pronuncia discursos matizados e de fácil compreensão para as

diretor da central de jornalismo da Globo. o que fora conquistado a duras penas no governo Fernando Henrique. Contrariamente ao que ocorrera nas eleições anteriores. Onde a multiplicação. em que a população apresentava um descontentamento generalizado com o governo Collor.” Este acidente da história parece inspirar à Lula o sentimento predestinado de mudar o Brasil.554 textos analisados.com. com suas idéias radicais. ainda que amenizado por estratégias de marketing. apresenta-se neste trabalho numa postura mais neutra. neste pleito havia muitos eleitores temerosos de que Lula. Das 354 entradas do dicionário. com um discurso inequívoco de teor socialista. característica primeira da retórica. mas sua sombra . assim declara: “Venho de uma terra onde não morrer antes de um ano de idade é um milagre. o novo presidente não conquistara boa parte do eleitorado do país. no seu propósito. sem desmontar. pudesse subverter e relativa estabilidade vivida na nação como resultado da diplomacia governamental de seu antecessor. mesmo mantendo-se na tradicional oposição à Lula. Serra fora derrotado. toma a si como o eixo principal de sua retórica. Uma exigência atravessa no entanto todos os discursos do chefe de Estado: a que o governo deve trabalhar para os pobres.br Luiz Antônio Ferreira O CONTEXTO Ainda que eleito. com atitudes radicais. Em 2006. o discurso de posse era ansiosamente esperado. Temido por muitos por defender com veemência os interesses dos trabalhadores e por mostrar-se um radical sindicalista em toda sua trajetória. Numa atitude consciente de sua excepcional biografia e das adversidades vividas por ter sido uma criança do Nordeste miserável que se tornou chefe de Estado. sublinhando contudo as incoerências do presidente. e tornei-me presidente. Versão para português (Acilino Madeira) Veja Link do artigo em francês: O PODER DE PERSUASÃO DO DISCURSO DO PRESIDENTE LULA Mariangélica de Lima Rodrigues summerbrazil4@passosnet. A retórica presidencial precisaria atingir o auditório de modo a infundir tranqüilidade sobre a manutenção dos valores democráticos. demonstrar competência e determinação de propósitos e ressaltar a palavra eficácia. na frente da elite econômica mundial. Ali Kamel. Não morri.camadas menos escolarizadas. como uma prova indiscutível da capacidade de gerir os problemas do país. agora sob sua tutela presidencial. a mais importante palavra é “Lula”. de expressões como “nunca anteriormente na história deste país…” Reencontra-se nos 880 dos 1. em Davos.

assim. como bem observa Felipe Miguel. demonstra a imagem do caráter do orador. ressalta Tringali: Não basta. Mais do que uma representação do mundo e uma profissão de desempenho seguro. um na política. em movimento intencional e retórico. construíra sua imagem sob os alicerces da honestidade. mas entre a fama positiva (areté) de homem simples. o presidente precisava. sim e. outro nos negócios. porém. sobretudo.permanecia. naturalmente temeroso e dividido. 2006. Mendonça tinha plena convicção de que a imagem do novo presidente precisava ser construída por meio de uma abordagem mais pragmática. o ethos (conceito relativo à imagem que o orador mostra de si mesmo) é um dos elementos que constituem os meios de prova. p. já gastara cinco milhões de reais (que. A SITUAÇÃO RETÓRICA Para ter sucesso. Essa moderação forjada pelo discurso da campanha ainda causava um certo desconforto na população mais esclarecida e mais abastada. pois. Desse modo. angariara a fama de justiceiro nacionalista e. por sua vez. que sugerira José de Alencar para a vice-presidência. a situação exigia. que consiste em provocar no público uma paixão e torná-lo mais favorável a julgar a tese). denominado dos trabalhadores. (Felipe Miguel. assim. com a suavização de aspectos radicais do discurso empregado em eleições anteriores em que Lula saíra derrotado. ao longo dos anos. O ethos. Em retórica. Lula e Alencar. a despeito das alianças — oitenta e sete ao todo — feitas justamente para incutir no povo brasileiro a idéia de um partido dos trabalhadores mais moderno e menos radical. projetava uma imagem de si muito sólida. Os outros meios são o logos (relativo aos raciocínios empregados pelo orador) e o pathos (relativo à prova patética. honesto havia toda a tradição de um partido. e iniciava a conquista de um ethos diferenciado para Luiz Inácio Lula da Silva. meninos pobres que triunfaram por seus próprios méritos. persuadir boa parte da nação. . retidão de princípios. o mais expressivo “marqueteiro” do país. O PT. como se soube depois. um potente movimento argumentativo. partido do presidente. como para os gregos. além de representarem dois "vencedores”. Como. uma vez que o presidente. Centrar-se no ethos já constituído do presidente como um cidadão digno e honesto era uma vantagem significativa no plano retórico. juntos: Encarnariam a união entre capital e trabalho. ao orador cuidar da própria imagem durante o discurso. valer-se da palavra num ato que ultrapassasse os limites textuais do informar para. o dizer precisava corporificar-se como um elemento constitutivo do próprio retor e da história que o projetou. 36). os redatores do discurso presidencial precisariam compreender o discurso como um plano de ação voltado aos interesses do auditório. pode ter chegado a 15) para contar com os serviços de Duda Mendonça.

mostrar-se conhecedor profundo das desigualdades sociais do país e revelou que a atenção às essas diferenças constituiriam estratégias fundamentais no plano de governo.apresentar-se ora humilde. se fizeram presentes em muitos instantes. A imagem construída pretendia comover pelo uso da hipotipose. pois. como brasileiro. também. Sem uma vida honrada. p. o presidente disse enfaticamente: “enquanto houver um irmão brasileiro. A hipérbole contida nessa frase buscava revelar a força prioritária do governo que se iniciava. Os apelos emocionais. teremos motivo de sobra para nos cobrir de vergonha”. que. Procurou. funcionando como provas patéticas no discurso. Há uma ligação profunda entre a vida e o discurso que. ora austero. 1988. como apenas mais . o discurso não persuade. p. ora tranqüilo. por sua vez. Unindo retórica e oratória.. A hipotipose se configurou ainda mais plenamente quando o orador. “consiste em descrever um acontecimento de modo tão vivo que o auditório acredita tê-lo diante dos olhos”. como se nenhum governo anterior tivesse feito qualquer esforço para resolver um problema tão grave da nação brasileira. ora autoritário. mas a eloqüência oratória do presidente precisou ser levada em conta. o ethos projetado do novo presidente assomava como vantagem argumentativa. alguns efeitos retóricos foram imprescindíveis para causar efeito de sentido. ou uma irmã brasileira passando fome. o presidente teceu uma revisão dos preceitos sociais necessários para o estabelecimento das relações de uma dada sociedade brasileira. o presidente percebia o efeito imediato de suas palavras no auditório: as palmas interromperam o presidente por trinta e uma vezes durante o pronunciamento e ocorriam cada vez que o presidente dava um sinal mais eloqüente de realismo e solidez. inclui-se entre todos. 76) Nesse aspecto. teremos motivo de sobra para nos cobrir de vergonha”. revelou: “enquanto houver um irmão brasileiro e irmã brasileira passando fome. No discurso de posse. elaborado retoricamente.249). enfatizava as preocupações do homem-presidente: aquele que demonstra uma revolta com as desigualdades sociais. produto das marcas trazidas da infância proletária que vivenciara no passado. (Tringali. tomado de eloqüência. O discurso. É sensível o esforço para estabelecer comunhão com o auditório: todos os brasileiros são “irmãos” do presidente e o próprio presidente.. O exemplo a seguir é claro: com o intuito de mostrar-se indignado com as desigualdades sociais. nas palavras de Reboul (2004. O que realmente conta é a imagem do orador que deriva de toda sua vida moral. Reiterou mais adiante que aquele era o primeiro dia de combate à fome no Brasil. UM ATO RETÓRICO Optamos. aqui. reflete a vida do orador. por uma análise que privilegie o discurso escrito.

Em comunhão. O poder de coagir do discurso se atribui à força que a paixão engendra. Por isso. Para mostrar-se honesto e competente. não um simples ato de vontade. confiável. 23/29) Percebe-se que o presidente ao enfatizar uma mudança de longo prazo. comovendo através de emoções e suscitam paixões nos ouvintes para conduzir-lhes a mente e arrastar-lhes a vontade. mudar tendo consciência de que a mudança é um processo gradativo e continuado. Segundo Tringali (1988b. Não bastava a simples apresentação das provas e das razões.um. É também aplicar com eficiência e transparência. mas faz”. se projetava pela demonstração de uma consciência ética universal. 2003. contava com a eloqüência natural do orador como um fator altamente persuasivo. O discurso trazia. o discurso presidencial. mas simples. seria preciso apelar aos sentimentos. Mudança por meio de diálogo e negociação. valeu-se de argumentos éticos e patéticos. os argumentos éticos despertam a imagem do orador nos ouvintes através de sentimentos fracos. O ethos. uma perspectiva de melhora e de crescimento do país. tácito. Os argumentos patéticos tentam persuadir. esperança. A idéia de mudança se introduz e incorpora no ouvinte. agora. como se nota. constrói um perfil de um homem consciente e responsável e conquista mais um elemento para a formação de seu ethos ao provocar um pathos de confiança. ao dizer “nos cobrir de vergonha”. O ethos. para que resultado seja consistente e duradouro. O discurso. não um arroubo voluntarista. p.77). A figura de . que gradativamente se consolidava no discurso foi ainda retoricamente emoldurado: o presidente mostrou-se indignado com a corrupção: “Ser honesto é mais do que não roubar e não deixar roubar. pois pretendia ultrapassar o auditório particular (composto pelos brasileiros) em busca da presunção de um auditório universal: Vamos mudar com coragem e cuidado. o rumo discursivo poderia ser modificado. sem desperdícios. p. usou e abusou de termos amplificadores que são as figuras de linguagem com intuito de reforçar o ethos institucional do presidente. de um caráter idôneo e de moral exemplar. O discurso do presidente dava cabais demonstrações de conhecimento de que para ter persuasão assegurada a um auditório universal. que corria na boca do povo brasileiro: “Fulano rouba. humildade e ousadia. referências intertextuais relativas ao comportamento de um célebre político brasileiro que conquistara várias eleições com um slogan informal. também. sem precipitações. vazado em linguagem culta. os recursos públicos focados em resultados sociais concretos”. valores desejáveis e preferíveis: tolerância e solidariedade. (Discurso Presidencial. partes essenciais de um ser humano íntegro.

O discurso não se esquiva de tocar em pontos éticos e. à maneira que FHC conduzira o país. reiterada. p. O apelo retórico é muito eficaz: deixa o ethos em segundo plano para provocar o pathos. desemprego e fome.). por sua vez. novamente. os feitos do antecessor. ou seja. O efeito retórico pretendido. Busca. Em ritmo pausado e tom comedido. da indiferença perante ao próximo. competente. pois. que pretende provocar paixões.. os Estados Unidos.126). produziu estagnação. recitava-se. portanto. um ataque à pessoa de um adversário com o fim evidente de desqualificá-lo (Perelman. agora mais objetivamente. as próprias qualidades do orador. Valeuse. a sociedade brasileira escolheu mudar. do egoísmo. 2003. ressaltou seu próprio ethos: o de um ser sábio. o trecho quer demonstrar a coragem que se espera do presidente para defender a nação em pontos delicados da política externa. A actio entrara em ação e demonstrava imediatamente. a ponderação . o presidente deixou clara sua rejeição tanto do plano institucional quanto no econômico. No cenário que se configurou no momento da elocução. o público mostrou-se favorável à idéia e aplaudiu o presidente. Lula afirmou que o Brasil estava ingressado em um novo período histórico: “Hoje é dia do reencontro do Brasil consigo mesmo”. estava consolidado. ressaltava o ethos corajoso do retor. A hipérbole. O lugar comum da sinceridade é retoricamente construído para provocar pathos: confiança no auditório. Ao lado da coragem. a seguir. da desintegração das famílias e das comunidades(. um reforço do ethos: o presidente é um cidadão que tem amor ao seu povo. universais ao criar apelos persuasivos ligados à solidariedade. 1996. no plano argumentativo. justamente a maioria do auditório particular a que se dirige. O acordo se dá pela utilização do argumento pelo sacrifício ao ressaltar-se como um guerreiro. de bom efeito retórico para angariar aliados no plano argumentativo: ao sinalizar um enfretamento com a nação mais poderosa do planeta. (Discurso Presidencial. que conhece o país e suas necessidades. um pathos positivo que. então. amplo efeito persuasivo nos cidadãos menos favorecidos. o discurso. Consolidado o ato de enfatizar o ethos. ademais. então. p. constitui-se em uma hipérbole com evidente intento de ampliar positivamente. Provocou. (defensor dos interesses dos mais pobres). de um argumento ad personan.. diante do fracasso de uma cultura do individualismo. presidente. Valeuse. Evidentemente. condensa argumento de direção: o país tem agora. 23/29) Ao desmerecer. numa crítica ao modelo de Fernando Henrique: Diante do esgotamento de um modelo que. Desse modo. a seu modo.presença “sem precipitação”. Referindo-se à guerra do oriente médio sintetizou: “O presidente encampou uma solução pacífica e negociada para a guerra iminente no Oriente Médio”. um herói. em vez de gerar crescimento. um rumo a ser seguido.

o ethos se torna altivo e determinado: Eu não sou o resultado de uma eleição. 23/29) Com essa fala. (Discurso Presidencial. esperança. Ao julgar o ethos perfeitamente delineado e assegurado pelas provas retóricas. vejo e sei com toda clareza e com toda convicção. Instaura o ethos de homem simples. O medo é veementemente rechaçado pela força do ethos corajoso. a reforma tributária. Com a faixa cruzando o peito.ao mostrar desejo de uma solução pacífica e negociada para a guerra. a reforma política e da legislação trabalhista. o discurso envereda para a realização de tarefas quase impossíveis. Baluarte da esperança e produto da história. batalhador e corajoso e busca. Percebe-se que o intuito do presidente é provocar as paixões e as emoções no auditório pelo uso do argumento de prestígio. mostrar-se autêntico: Quando olho a minha própria vida de retirante nordestino. Esse era um pronunciamento esperado. (Discurso Presidencial. 23/29) Pretendia. Salientou. mas. 2003. Eu sou o resultado de uma . decisivo para viabilizar as reformas que a sociedade brasileira reclama e que eu me comprometi a fazer: a reforma da previdência. seu apoio à política agrária ao revelar “o nosso vigoroso apoio à pecuária e à agricultura empresarial. na construção discursiva. que se tornou torneiro mecânico e líder sindical. igualmente. provoca pathos ligado à segurança. numa frase. ao fundir-se no corpo do homem brasileiro. p. ponderado e confiante do novo presidente. verossímeis pela constituição do discurso que se pronunciou até aqui: “O pacto social será. que nós podemos muito mais. para qual a estabilidade e a gestão responsável das finanças públicas são valores essenciais. ao integrar-se aos sonhos há tanto esperados. à agroindústria e ao agronegócio”. ainda. 2003. a cumplicidade e a confiança da massa brasileira. gritou em resposta à frase extremamente bem construída. que agora assume o posto de supremo mandatário da nação. p. que um dia fundou o Partido dos Trabalhadores e acreditou no que estava fazendo. conclamou as paixões do auditório. a esperança quase mítica da qual ele era o depositário. Uma vibrante manifestação popular o saudou. demonstrar a forma que iria conduzir seu mandato: baseado em princípios básicos de política econômica. de menino que vendia amendoim e laranja no cais de Santos. desenvolvimento e crescimento do país. Sintetizou. Lula sentiu o peso do cargo ao rechaçar as vias econômicas aventureiras e se expôs seu discurso assim: Trabalharemos para superar nossas vulnerabilidades atuais e criar condições macroeconômicas favoráveis à retomada do crescimento sustentado. depois. pelo exemplo. além da própria reforma agrária”. Buscava adeptos. cantou. Com isso.

ARISTÓTELES. O povo no poder. a superioridade como verdade. 2003. a coragem como princípio. p. revestido de coragem. Inúmeras estratégias argumentativas contribuíram para a conquista da persuasão.história. Em seguida. solidário e atualizado. p. . o rumo do país. Diante do exposto percebe-se que o presidente recorreu a muitos artifícios persuasivos em seu discurso. do povo brasileiro que me colocou aqui”. dessa forma. A retórica das paixões. Convidativo e simples. na tentativa de transmitir tranqüilidade. paciência. pediu a ajuda de todos para governar: “A responsabilidade não é apenas minha. 28/32. muita humanidade. 23/29) O ethos do pai sincero e humilde prevalece no discurso. persistente. ainda na esteira da humildade. O tom do discurso do presidente procurou ressaltar o ethos de um estadista. (Discurso Presidencial. é nossa. No intuito de demonstrar-se competente e consciente. antes de mim. 23/29) Transmite. segurança e muita. p. tolerância no seu auditório. (Discurso Presidencial. de respeito e carinho. de cumplicidade com o auditório. Para pais tão virtuosos. Ramiro. Ao finalizar o discurso de posse. 8 jan. Arte retórica e arte poética. conservando o já construído. buscou perfeito “acordo” com seu auditório. que não posso fazer e que não há condições. pelo ato retórico. o presidente revelou-se compromissado e consciente de todos os problemas impingidos ao povo brasileiro em sua dura realidade social. 2003. 2003. Rio de Janeiro: Tecnoprint. In: Isto É. tentaram e não conseguiram. Tratarei vocês com o mesmo respeito com que trato os meus filhos e meus netos. um ser capaz de desvelar. íntegro. reforça a idéia de união. destaca a qualidade da franqueza e conclama valores seculares do homem brasileiro: respeito irrepreensível à família: Quando eu não puder fazer alguma coisa. São Paulo: Martins Fontes. não terei nenhuma dúvida de ser honesto e dizer que não sei fazer. BIBLIOGRAFIA ALVES. mas a tônica do discurso centrou-se em dois movimentos discursivos paralelos e estratégicos: a busca incansável do acordo com o auditório e a construção simultânea de um ethos de paladino quase mítico. a assertividade como meta. [s/d. Ao assegurar a idéia de sucesso administrativo.]. ARISTÓTELES. um laudo de superioridade com claro o intuito de reforçar a comunhão do orador com o auditório. o resultado é passional: amor profundo. 2000. Eu estou concretizando o sonho de gerações e gerações que. Além disso. Revelou-se um ser capaz de “mudar”. enfatizou seu ethos de homem corajoso.

v. LASTORIA. n. Ethos sem ética: a perspectiva crítica de T.). Nabuco. 76. Luís Inácio Lula da. Luiz. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Lisboa: ASA. Dante. Tratado de argumentação – A nova retórica. In: Educação e Sociedade. Introdução à retórica. PERELMAN. 2006. 1994. C. São Paulo: Martins Fontes. São Paulo: Duas Cidades.W. Manuel (org. Chaim e Olbrechts-Tyteca. ORLANDI. Patrick. 22. Campinas: Pontes. Trecho do discurso de posse de Lula no Congresso. 2003. TRINGALI. SILVA. 2001.CARRILHO. 1996. p. out. A. 23/29. CHARAUDEAU. Adorno e M. 1988. Retórica e comunicação. 1999. Horkheimer. . In: Veja. Discurso político. São Paulo: Contexto. Eni. 8 jan.

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