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O ENSINO DO EMPREENDEDORISMO NO CURSO DE TURISMO E SEUS ASPECTOS PEDAGÓGICOS Airton Pinto de Moura1 & Adriana Kirchof de Brum2 Introdução Atualmente

o ambiente está em constante mudança, decorrente de profundas transformações em diversas áreas do conhecimento. As transformações e a incerteza, que hoje são inerentes ao ambiente, fazem com que alguns paradigmas sejam quebrados. Devido às mudanças organizacionais, tecnológicas, econômicas, sociais e culturais, o modo de pensar e aprender passa por profundas alterações. A economia do conhecimento ganhou destaque, e, desde então, conduz o sistema capitalista, sob a era da Nova Economia. Nesse contexto, a intervenção pedagógica assume fundamental participação no desenvolvimento de cidadãos empreendedores, capazes de ensina-los a conviver e sentir. Pois, o saber conviver implica a colaboração com o outro para que sejam enfrentadas e negociadas as adversidades, ampliando suas possibilidades de inserção e preservação profissional, bem como, social. Uma instituição de ensino superior, tem como principal desafio formar um ser social, com habilitações técnicas e científicas, consciente de seu papel civil, e capaz de contribuir para a melhoria da qualidade de vida do homem. Para tal, o aluno deve estar no centro do processo de ensino, e deve ser visto como cliente, e, como pessoa ao mesmo tempo. No primeiro caso trata-se de oferecer-lhe formação técnica de qualidade, valorizada pelo mercado de trabalho e, no segundo, deve-se estar atento para não descuidar da formação do cidadão que, quando formado, buscará retornos positivos à sociedade cada vez mais necessitada de vencer os desafios originados das acentuadas desigualdades sociais (Paim, 2001). O aluno deve ser visto como ponto de partida e de chegada. Então, tudo terá valido a pena, se o aluno aprender. Sob este enfoque, o presente trabalho, defende uma abordagem pedagógica com base na formação de turismólogos empreendedores, onde os professores, além de se preocuparem com a formação integral dos seus alunos, devem considerar as suas aptidões individuais, suas múltiplas inteligências, e assim, trabalhar no sentido de aprimorá-las e desenvolve-las. Empreendedorismo e Empreendedores O empreendedorismo vem sendo discutido por teóricos desde a revolução industrial. Ele pode ser visto por três linhas: a primeira vem da contribuição de economistas que falam do papel empreendedor no desenvolvimento econômico; a segunda fala das características e da personalidade do empreendedor (uma visão psicológica) e a terceira aborda sobre a questão da influência do ambiente social sob as características das pessoas (Deakins, 1996). Para Lezana (2000) empreendedor é toda pessoa que empreende um negócio e o faz crescer. Empreendedorismo é um conjunto de ações
Centro Universitário da Grande Dourados. Coordenador do Curso de Turismo da UNIGRAN Dourados – MS - Rua Balbina de Matos nº 2121 Cep: 79824-900 - Fone:(67) 426-4646 Fax:(67) 426 – 2267 - airtonrs@unigran.br 2 Universidade Federal de Santa Catarina - Florianópolis – SC. anekb@bol.com.br
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O ser humano não faz o que quer. e. não minimiza. captar a dinâmica educacional mais adequada e explorar mecanismos de ação que coloquem em ação a atividade pedagógica desejada. advém. confirma-se através do grande potencial desenvolvimentista explorável. representam hoje o grande desafio para a formação do empreendedor nos cursos de graduação em turismo. 1987). Ser empreendedor significa ter capacidade de iniciativa. sem a instrumentação das objetivas. o fará tanto mais. tendo em vista que o processo decisório pode ser influenciado por diversos fatores. assertividade. como: fatores ambientais.” (Dolabela. autoconfiança. aptidões pessoais. motivação para pensar conceitualmente. quanto mais for dotado de competência humana para tal realização. o empreendedorismo é visto também como um campo intensamente relacionado com o processo de entendimento e construção da liberdade humana. do abrir espaço para a criatividade. flexibilidade para adaptá-las. liderança. O ensino do empreendedorismo no curso de Turismo A relevância na formação de empreendedores no ramo turístico. desde que percebidas em tempo suficiente. um dos .destinadas a entender e promover as atividades dos empreendedores. podem muitas vezes se tornar oportunidades. tão pouco exclui a importância pedagógica para o aprimoramento e desenvolvimento das características do espírito empreendedor. com base no aprender a aprender. basta que as pessoas em geral. É possível tornar-se um empreendedor por acaso. tal consideração. o empreendedor precisa ter uma visão clara de seu sucesso e decidir pelo caminho que o levará até lá. sociais. No entanto. o saber torna-se fundamental. detectar os melhores conteúdos programáticos. e. diferenciando-se dos demais através de decisões estratégicas. A educação e o conhecimento assumem papel estratégico no desenvolvimento de oportunidades. Para que isso aconteça. A respeito disso. mas sim. Para o autor. etc. em grande parte. certos fatores relacionados ao ambiente. imaginação fértil para conceber as idéias. ferramenta essencial para o desenvolvimento de aspectos como ousadia. Neste sentido uma postura empreendedora torna-se preponderante para o alcance do sucesso individual e organizacional. a idéia e a organização. pois. para a formação do perfil empreendedor. perceber a mudança como uma oportunidade (Ireland & Van. criatividade. prestem atenção no que as cerca. 1999:57) Neste sentido. Demo (1994). criatividade para transformá-las em uma oportunidade de negócio. Para Dornelas (2001). “O estudo do empreendedor é fonte de novas formas para as especificações e compreensão do ser humano em seu processo de criação de riquezas e de realização pessoal. a intervenção pedagógica. aquilo que é objetiva e subjetivamente possível. satisfação pessoal e outros. ainda pouco utilizado. e a capacidade para ver. buscar referenciais para apreender as competências. Sob este prisma. O desenvolvimento do perfil empreendedor. estabelece que a relação Educação e Conhecimento vai além de sua significância na aprendizagem. É o desafio de transformar idéias em produção. Suas bases são: o indivíduo empreendedor. Entretanto. não é possível o êxito de condições subjetivas. ou. mas. No entanto.

a responsabilidade na formação do turismólogo empreendedor vem sendo cada vez mais exigida pela sociedade na criação de novas perspectivas. a arte de empreender deixou de ser considerada um dom e hoje o empreendedorismo é uma disciplina que apresenta modelos. integrar as diversas culturas existentes. na importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico. cada vez mais. em como ocorre a inovação e o processo empreendedor. entre outras. o empreendedor. A tendência emergente exige novos métodos de ensino. Corroborando a este fato. Hoje a economia mundial opera com novos padrões de relações de trabalho. leva muito a sério a gestão de seu negócio. que estimulam a criação de um cenário de progresso e desenvolvimento econômico. Estar aberto e ter percepção sobre o que está acontecendo no mundo e no mercado de trabalho é essencial para possibilitar a participação ativa nos caminhos que levam ao conhecimento e às práticas educativas. Sem pessoas capazes de criar e de aproveitar oportunidades. Considerações finais Assim como Fayol mostrou ser possível ensinar os princípios da administração. As instituições de ensino não podem abster-se de seu compromisso em formar lideranças capazes de promover o desenvolvimento do turismo no país. diferentes papéis para o professor e formas alternativas de interação com os alunos que possibilitem o aprimoramento do aprendizado. a visão holística do conhecimento e a abertura daqueles que vão fazer acontecer . tendo como base a interdisciplinaridade. parece esgotado diante das profundas alterações nas relações de trabalho e produção que o mundo moderno tem presenciado. o modelo universitário voltado para a conquista de empregos. no aprender a desaprender.caminhos a ser seguido pela universidade para desenvolver o espírito empreendedor. como o turismo no Brasil. A relevância da habilidade de empreender permite que o tema seja propagado e ensinado em outras áreas de formação profissional que exijam a capacidade de criação e de ajustes frente às mudanças aceleradas do ambiente. apesar de estar cumprindo a sua missão. em novos mercados. melhorar processos e inventar negócios. Isto induz a repensar a cultura das instituições de ensino superior que formam o profissional do turismo que enfrentará este . muitas vezes. onde a estabilidade profissional se posiciona longe da realidade encontrada no mercado. e deseja ser recompensado pelo mercado por meio de lucros. base teórica. Sendo assim. processos. Só consegue absorver novas idéias e pôlas em prática quem está receptivo. e. em um setor produtivo ainda pouco explorado. além de ter coragem para se arriscar. No processo de mudança e condução desse novo profissional. Indivíduos com visão. de pouco adiantaria estar inserido num contexto de grande liberdade econômica. Um pressuposto básico na implementação de qualquer projeto pedagógico é a capacitação dos educadores. na mudança do paradigma educacional. faz-se necessário a busca de novas estratégias metodológicas e a reestruturação curricular. estudos de caso e um alto nível de convergência interdisciplinar. dispostos a arriscar recursos físicos e humanos. pode ser através do enfoque dado na identificação e no entendimento das habilidades do empreendedor. nos empreendedores. contribuindo para o melhoramento do bem estar social e econômico. É preciso apostar. Pois.

os procedimentos burocráticos nas universidades estaduais e federais ainda prolongam a inserção de temas e disciplinas emergentes na grade curricular. M. Florianópolis 2001. Apostila. DEMO. Dissertação de Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Pesquisa e Construção do Conhecimento – Metodologia científica no caminho de Habermas. Spring 1987. 2001. Esta estrutura pedagógica facilita a inserção de uma base filosófica que a instituição de ensino queira impor no seu processo educacional. LEZANA. pode vir a ser um instrumental eficiente no processo de formação superior. a flexibilidade de mudança dos processos organizacionais é bem mais rápida do que nas universidades públicas. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Pode-se afirmar. DOLABELA. R. VAN A . Os desafios dizem respeito. no decorrer de sua formação. Rio de Janeiro. Mesmo possuindo os melhores alunos. 2000. v.in Coferência proferida no evento: “A Universidade Formando Empreendedores”. professores e centros de pesquisa do país. A. David. Londres: McGraw-Hill. 1994. . A interdisciplinaridade aqui. 27 de maio de 1999. Entrepreneurship and small business research: an historical typology and directions for future research. DORNELAS. Bibliografia DEAKINS. não só às mudanças de metodologia de ensino. no entanto. Rio de Janeiro: Campus. P. R. que a viabilidade de um projeto desta natureza é maior em instituições de ensino privado. Entrepreneurship and small firms. Lúcia Regina Corrêa. Brasília. Florianópolis: UFSC. Fernando. n. p. A Journal of Small Business. Tempo Brasileiro. enquanto técnica pedagógica de convergência de conhecimentos. No caso específico deste artigo a proposta educacional tem como pano de fundo a formação do aluno empreendedor. IRELANS. PAIM. José Carlos Assis. 9-20.mercado. O ensino de empreendedorismo: panorama brasileiro.4. Empreendedorismo. pesquisar temas ligados às disciplinas centrais de cada período e associar o conteúdo programático das demais disciplinas em um grande projeto científico semestral. uma vez que. G. Ela possibilita ao graduando. 1996. Estratégias Metodológicas na Formação de Empreendedores em Cursos de Graduação: Cultura Empreendedora. mas também à conscientização do corpo discente e docente que o melhor método de aprendizagem a ser adotado pressupõe o comprometimento e integração de todos. P.UFSC.11. Duane.