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LUCAS JORGE DANTAS RA 13.

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TRABALHO DE HISTÓRIA

MARINGÁ 2011

por essa ocasião. Era instalado um marco como símbolo da posse. por força da Declaração Luso-Chinesa sobre a Questão de Macau assinada entre Portugal e a China em 13 de Abril de 1987.Introdução Histórica 1. com diferente estatuto é o direito vigente em Macau como Região Administrativa Especial da República Popular da China. As terras descobertas por Portugal foram objecto de ocupação conforme o instituto romano correspondente e aceite pelo direito lusitano da época. O Direito Romano e sua influência O direito romano na altura dos descobrimentos do século XVI era aplicado em grande parte dos países da Europa. o direito desses Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs) é um direito essencialmente de base romanística. Ainda que. Toda a história dos territórios descobertos. A questão de Timor- . a posse das terras descobertas. pode ser analisada à luz do direito romano. Houve. Entre os quais Portugal. Daí que até ao presente nas antigas colónias que se tornaram independentes após o movimento de 25 de Abril de 1974. após 20 de Dezembro de 1999 e até 20 de Dezembro de 2049. nos primeiros séculos.

Leste onde o português é uma das línguas oficiais e membro da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP). e no sistema jurídico em geral. A continuidade do direito romano está presente para lá do nosso Código Civil em particular. As Ordenações serviram muitas das vezes como a ponte de ligação entre a época antiga e a época actual. O nosso Código Civil está para os portugueses e macaenses como o Corpus Júris Civillis estava para os romanos. .C. bem como países terceiros como o Senegal. e o Código Civil é o paradigma do nosso Código Civil. em 565 depois de Cristo (para alguns até 1453). desde a fundação da Cidade de Roma. Macau solicitou a sua adesão. Marrocos. Guiné Equatorial. têm as suas raízes no direito romano. onde os Códigos são cópias quase fiéis. ou seja. 2.. A expressão direito romano: SENTIDOS Direito que vigorou por 12 séculos:  Designa o conjunto de regras jurídicas que vigoraram no império romano durante cerca de 12 séculos. Afonsinas. até à morte do Imperador Justiniano. Manuelinas e Filipinas. Andorra e Filipinas. salientando a de Macau. As Ordenações do Reino. em 753 a. nas legislações desses países.

reduzidos a um corpo único. de Constantinopla. planeado e levado a efeito no século VI por ordem do Imperador Justiniano. mas formado de várias partes. sistemático. Divisão do direito romano em fases ou períodos para estudo . em Roma. a ponto de haver um romanista afirmando: Os romanos foram gigantes do direito privado e pigmeus do direito público. o mesmo grau de desenvolvimento e perfeição que aquele outro ramo.Direito privado romano:  Num segundo sentido. 3. isto é. direito romano é a expressão que designa apenas. que atravessou os séculos e chegou até aos nossos dias. monumento jurídico da maior importância. o direito privado romano. uma parte daquele direito. harmónico. Direito de Corpus Júris Civillis:  A expressão direito romano é empregue ainda para designar o Corpus Júris Civillis. com exclusão do direito público que não atingiu. conjunto ordenado das regras e princípios jurídicos.

o exegético. A classificação que se baseia na história das instituições políticas. divide o direito romano em períodos. 3. o dogmático. Métodos ou processos para o estudo do direito romano Diversos métodos ou processos foram empregues através dos séculos. outros o conteúdo das normas. o histórico e o moderno. . Realeza (753 -510) República (510 – 27) Alto Império (27 – 284) Baixo-império (284 – 565) Bizantino (565 a 1453) 4. 4. citando-se. preferindo cada autor uma determinada divisão. 5. mas para facilidade de estudo os romanistas costumam dividi-lo em períodos. contando-se as datas a partir da fundação da cidade de Roma: 1. entre os mais conhecidos. ou ainda. 2. para o estudo do direito romano. os institutos jurídicos em áreas. até aos dias de hoje. alguns utilizam de critérios políticos.O direito romano apresenta-se como um bloco maciço.

as sumas summae. a lucerna júris. que consideravam o direito romano de Justiniano a própria razão escrita. nos tribunais. e iam glosando as passagens. para resolver os casos da época. na famosa Escola de Bolonha.Método exegético:  Foi seguido pelos glosadores que explicavam ou comentavam (glosae) o Corpus Júris Civilis. Método histórico:  Foi usado no Renascimento. inaugurado por Irnério. jurisconsulto italiano do século XIV. impôsse pelo rigor científico da interpretação e pelo apoio que lhe deu Anciato. o Corpus Júris. Método dogmático:  O método dogmático era utilizado por Bártolo. e pelos seus seguidores. os bartolistas. As explicações eram depois resumidas em sínteses. aplicando-o. . motivo por que o utilizavam como verdadeira fonte legislativa. Apoiando-se na história e na crítica dos textos.  Os glosadores tomavam como ponto de referência o texto legal. notável jurista da época.

 Os romanistas actuais examinam os textos de todas as épocas e não apenas os da compilação de Justiniano. restituem as falhas segundo os princípios da crítica verbal. dentro do espírito exacto do mundo jurídico romano da antiguidade. procuraram estes romanistas restituir aos textos o seu valor real. procuram chegar tão próximo quanto possível das linhas romanas de cada instituto. dentro da própria vida romana onde os institutos se desenvolveram. jurisconsulto francês.  O estudo comparativo e sociológico acaba por completar o exame integral das instituições romanas que nasceram e evoluíram sob a ordem jurídica romana. natural da cidade de Toulouse (1520-1590). adaptando-o aos novos tempos. sem procurar aplicá-lo. num sentido prático. Ao invés de interpretar o direito romano. surpreendendo-o em toda a sua inteireza. nascido na cidade de Milão (1492-1550) E Cujácio. interpretando-os de acordo com os rigorosos processos da moderna hermenêutica. considera o direito em si e por si (jus gratia júris). Método Moderno:  O método moderno estuda o direito romano como um sistema jurídico do passado.jurisconsulto italiano. restaurando-lhes a pureza originária. .

a principiar pelo jurisconsulto Gaio. ou às coisas ou às acções (Gaio. sem agrupamento humano não existe direito. gira todo o direito. sendo ainda hoje seguida em obras de grandes romanistas. sendo que a tríplice distinção de Gaio – pessoas. pessoas. relacionados com o sistema jurídico da época. . Um plano sistemático de estudo do direito romano segue a seguinte ordem: história. um plano de exposição foi apresentado: todo o direito romano ou diz respeito às pessoas. dando-se uma síntese geral dos principais acontecimentos. em torno da pessoa. I. Institutas. o estudo e a exposição sistemática do direito privado romano e. obrigações. estudam-se as pessoas.  Em segundo lugar. sucessões e o processo. Tal sistemática justifica-se considerando:  Pela história situa-se o direito romano.8). acções – atravessou os séculos. Exposição sistemática do direito privado romano Sempre foi objecto de preocupação.5. coisas. coisas. visto que. Onde há sociedade. há direito.

ou seja. deve-se tem em consideração algumas noções fundamentais: A palavra direito: .  Finalmente estuda-se a acção. objecto do processo civil romano (Celso. Noções básicas de Direito Romano No estudo do direito romano. 44. abre-se a sucessão. 6. de coisas que se encontram no mundo.51. Ao morrerem. obrigam-se por meio de relações jurídicas.  As pessoas nascem. As pessoas necessitam de bens para viver. a acção. vivem e morrem. sempre regidas pelo direito. transmitem-se os bens e as obrigações. surgem os herdeiros. Digesto. daí o estudo das obrigações.  Entrando em contacto duas ou mais pessoas.7. formam-se laços jurídicos entre elas. o direito de demandar perante o magistrado aquilo que nos é devido.

que é o sentido objectivo. porque o vocábulo congnato e etimológico deste – directus . O jus é o sagrado. No primeiro sentido. júris. O vocábulo jus. o vocábulo lo jus. O direito e a religião: . que é o sentido subjectivo. Não conheciam os antigos romanos a palavra direito. É a faculdade de inovar a lei. em latim. É a lei. pertence à mesma raiz do verbo jubere. direito é o conjunto de normas jurídicas criadas governo. direito é a possibilidade que tem uma pessoa de fazer o que essa norma não proíbe e de exigir que tal faculdade seja respeitada. o consagrado.  No segundo sentido. jurar. ordenar. ou prende-se à mesma raiz do verbo jurare. O direito:  O direito pode ser entendido como norma agendi e como facultas agendi.era um adjectivo que significava: que é conforme à linha recta.  O vocábulo que traduz o nosso actual direito é.

Desde nos tempos mais remotos. por exemplo. . era patente a distinção entre o direito e a religião entre os romanos:  O jus . no direito das coisas: res ¨humani¨ iuris e res ¨divini¨ iuris. a ciência do que é justo e do que é injusto (Institutas.aquilo que é permitido pela religião.  Os jurisconsultos clássicos não confundiam o jus divinum com o jus humanum e tal distinção aparece a cada passo. 1. religiosos. I.o que a Cidade permite que se faça – não se confunde com o jas . filosóficos e morais: Jurisprudência (ou Ciência do direito) é o conhecimento das coisas divinas e humanas.1). como. nos vários âmbitos do direito.a ciência do direito: Nas Institutas do Imperador Justiniano uma definição da ciência do direito Jurisprudentia -. Jurisprudência . em que se acham mesclados elementos humanos. O jus é do domínio dos homens. O jas é do domínio de Deus.

não prejudicar outrem. 1. I. a. I. ensina que nem tudo que é permitido (pelo direito) é honesto (Digesto. 1. 1.arte do equitativo).1). O jurisconsulto Paulo numa célebre passagem. A análise deste excerto mostra que se o direito permite coisas que a moral censura é porque o domínio de ambos é diferente. pr. mera parte da actividade do homem. o que explica a influência dos filósofos gregos. Era comum a filosofia grega ter a supremacia da moral. sobre o Direito. ciência geral das acções humanas. dar a cada um o que é seu (Digesto.1. 17. e o direito (.Os textos demonstram que as noções de ético e de jurídico não se encontravam claramente estabelecidas entre os jurisconsultos romanos. o que demonstra a identificação entre a moral (. I. Institutas. O direito definia-se como a arte do bem e do equitativo (Digesto. ro. . 144.arte do bem).3). e § 1º). Um texto de Ulpiano afirma que os preceitos do direito são viver honestamente.

mostrando. o interesse particular – o âmbito do jus privatum. I. É o fim (e não a origem e as sanções.4. 1. que o estudo deste compreende dois ramos principais: o público e o privado.2). e D. a. da família e às relações económicas dos homens. Definição de direito dentro do espírito do direito romano: Direito é o conjunto das regras de justiça ou de utilidade social relativas à organização dos poderes públicos. sendo o primeiro o que tem por finalidade a organização da república romana e o segundo o que diz respeito ao interesse dos particulares (Institutas de Justiniano. . O princípio romano da distinção entre os dois ramos do direito – público e privado – é o critério finalístico. a utilidade. na classificação dicotómica de Ulpiano reproduzida por Justiniano. regulado pelas formas do jus publicum.1.Classificação dicotómica do direito de Ulpiano Preocuparam-se também os romanos em dividir o direito. ou o objecto. como hoje fazemos) que serve de marco separador entre os dois campos: a organização da república romana – o campo do direito público.

aparecendo quando Roma estende as suas conquistas e entra em contacto com outros povos. aproximandose pela sua universalidade do jus naturale. I. 1).  A divisão bipartida em jus civile e jus gentium é bem romana: Jus civile ou jus Quiritium é o direito próprio e peculiar dos cidadãos romanos. Nas Institutas de Justiniano também faz referência a esta tripartição.do vastíssimo mundo romano .  O jus gentium é considerado por Gaio. direito das gentes e direito natural (Institutas de Gaio. tem um âmbito mais amplo. mais rígido.7. Jus gentium surge mais tarde.orbis romanus. É mais antigo. É um direito comum a todos os povos . Direito Privado Romano e as suas subdivisões: Os direitos latinos fazem referência a muitas divisões e subdivisões do direito privado:  Jurisconsulto Gaio: direito civil. Predominou nos primeiros tempos. Direito Natural . mais restrito.gentes . mais racional que o jus civile.

que ficou famosa: Há uma lei verdadeira. 3. difundida entre todos os homens. constante e eterna (De República.direito que a natureza ensinou a todos os animais.33). racionais e irracionais. segundo a natureza. Foi das obras dos filósofos gregos que Cícero extraiu a sua definição do jus naturale. abrangendo escravos e bárbaros. . Sentido jurídico de direito natural – direito comum a todos os seres racionais.  Jurisconsultos romanos – dupla concepção do jus naturale: Direito natural . Aspectos comparativos entre: jus naturale – jus civile e jus gentium:  Considerando que o jus naturale é um direito comum a todos os seres racionais.22. mesmo fora do mundo romano. o número de pessoas cujas acções seriam reguladas pelo jus naturale é muito mais numeroso do que as que vivem sob o jus gentium.

Fontes do direito romano O direito forma-se a partir de determinadas fontes. senatosconsultos. 8. existindo desde épocas imemoriais. é imutável. encontrando-se entre todos os povos do mundo e. constituições imperiais. classificam-se as fontes em escritas (jus scriptum) e não escritas (jus non scriptum). No direito romano. contínuo e universal. éditos dos magistrados e respostas dos prudentes. Fontes que variam conforme os agrupamentos que lhe dãoorigem. · Jus non scriptum é o costume · Jus scriptum é constituído pela lei. Provém da razão inspirada por uma entidade divina. da doutrina dos jurisconsultos. o direito natural é oriundo da razão e da providência divina. em si. Difere ainda o jus naturale do jus civile e do jus gentium pelas suas fontes. porque se estes dois ramos do direito derivam do costume. o traço característico da continuidade. . reunindo. plebiscitos. das leis.

fazendo. então. mais antigo. ao contrário do jus civile. políticas ou económicas. acomodando-o às novas exigências sociais. um outro direito. governadores). neste caso papel análogo ao que fazem os nossos tribunais com a jurisprudência. edis curuis. adaptado às circunstâncias do momento: é o direito honorário. que deriva de fontes legislativas e da doutrina dos jurisconsultos. em antagonismo com os modelos velhos. mas às vezes surgem casos de oposição. porque emana dos magistrados investidos das funções públicas. mais conservador. mais novo. nem sempre está em conflito com este. estabelecendo. É também denominado de direito pretoriano ou do pretor. menos formalista. Este direito honorário ou pretoriano. novos modelos jurídicos. . o pretor no sentido de corrigir o direito civil.9 Direito civil e direito pretoriano Ao lado do direito civil. que são abandonados. Ao ser chamado a intervir o pretor geralmente confirma ou completa o direito civil. aos poucos. por inadequados. vai-se constituindo. estrito e formalista. lutando. honores (pretores. criado pelos magistrados.

.4 203481472.-00.48  02 .  .03/4  34..8 0 /.39.9.89.848/045484 :9./48  ./4 5048 2..424/..3/4 4 8 34.43824 . ./4708  A9.  1.8 ./4 /4 /7094 .59./47  089794 0 1472.43172. :7857:/H3.073.897.. /48 :78.8 434708 57094708 0/8.3/4 0394 4570947348039/4 /0 ..48 :24:974/7094 2.:7:8 4.88.. /0 143908 08.897..42509.81:3085-. 80.42 48 24/048 .42 .:3893.438:948  302802570089E02.7 4 570947 07.7..4777 4 /7094 ..  .8 /4 2420394 F 4 /7094 4347E74  5476:0 02. 4 /7094 .8  089.8 4: 0.394  2.3E44 ..8  54J9.03/4  30890 ./483.43O2.7. /4:973.344:/4570947   890 /7094 4347E74 4: 570947./06:... /48 2.4 6:0 1.84 5.3/43.4397E74 /4 :8 .50 .0/7094570947.48 24/048 :7J/./4 .8 ..43899:3/4 .3.2-F2/03423././48 5473.  2..4 .048 6:084.   7094...2./4/0/7094570947..8 84. 2.8 0H3.4854:.8 ./4 8 ./48   .420890   4 807 .02 48 348848 97-:3.0088:702..20390 .-.089/48/. 4: .43807.43194.0  6:0 /07. 3907.89..34  ..834.34  4 .