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E eis que chegamos ao fim do Reabilidades.

Durante estes 2 dias tentámos abordar a Reabilitação como um processo que abrange vários actores profissionais, onde cada um deles dá seu contributo, contributo esse que pode ser mais ou menos específico ou mais ou menos sobreponível. E foi precisamente neste ponto que tentámos realçar neste Congresso: se queremos um óptimo processo de Reabilitação, temos que ter a perfeita noção do nosso lugar dentro da equipa que reabilita e que se quer transdisciplinar.

Começamos assim com a questão delicada das competências dos Enfermeiros de Reabilitação e o seu Enquadramento (ou desenquadramento) legal. Ficou ainda um conceito-chave: não podemos estar à espera da legislação para contribuir com tudo o que podemos contribuir para o processo de reabilitação de determinada pessoa. E isso levou-nos à apresentação de que a transdisciplinaridade entre 2 grupos profissionais com uma área de actuação com clara sobreposição de algumas competências (enfermeiro de reab e FT) é possível e mais!: resulta e optimiza o processo de reabilitação. Contudo, ficou claro algo fundamental: um funcionamento transdisciplinar de uma equipa de saúde não se faz de um dia para o outro e só se atinge se houver um esforço efectivo por parte dos actores que dela fazem parte. Deixámos depois a noção de que os cuidados que actualmente se prestam à família estão ainda muito longe de atingir o seu real potencial . E não deixa de ser incrível que por vezes o simples dizer a uma criança que se pode sentar na perna plégica do avô pode ser uma intervenção que faz

. E isto é fundamental. e concomitantemente à avaliação dessas mesmas barreiras. Fundamental até pelo facto de ser impossível identificar as barreiras arquitectónicas que existem no domicílio da pessoa reabilitada sem ir lá ver quais são! Por outro lado. E é para este nível de cuidados que queremos evoluir. onde os profissionais batalharam até conseguirem evidenciar a extrema importância da visita domiciliária para a qualidade dos cuidados prestados. Continuando na área da reflexão sobre a família e os estereótipos de cuidados de saúde e de cuidados de enfermagem falaámos da intervenção do Enfermeiro de Reabilitação nos Cuidados de Saúde Primários. Foi deixado este o testemunho. profissionais de saúde. Também em ambiente de cuidados hospitalares a avaliação das condições habitacionais e sociais da pessoa reabilitada é um dever dos profissionais de saúde.face a uma enorme complexidade diagnóstica de identificação do problema. ficou o exemplo de uma unidade de internamento. Não o conseguiram da noite para o dia. Foi também aqui dito e muito bem dito que a intervenção domiciliária integrada no processo de reabilitação não é competência exclusiva dos profissionais ligados aos denominados Cuidados de Saúde Primários. mas não baixaram os braços face às dificuldades que tiveram de enfrentar. E ficou o exemplo e a lição de que um verdadeiro processo de reabilitação adequado à pessoa reabilitada passa pela inserção e contextualização do primeiro no ambiente familiar e domiciliar do segundo. sabemos o que a pessoa reabilitada quer ou que ela nos deve obediência por sermos profissionais de saúde. E para quem está neste momento a pensar “No meu hospital não deixam fazer isso”. há que ter sempre o cuidado de não ter a prepotência de pensar que nós.

No entanto. como fazem e porque fazem os enfermeiros de reabilitação. conseguiremos sem dúvida ver nelas um recurso poderoso na consecução de um processo de reabilitação eficiente. presenciámos a ligação entre as denominadas terapias alternativas e o processo de Reabilitação. Já hoje de manhã. foi nessas pessoas que uma profissional de saúde que supostamente dominava a patologia neoplásica mamária procurou informação acerca de como lidar com a sua nova condição de saúde. ouvimos o testemunho de alguém que vivenciou uma alteração corporal cuja magnitude só pode ser compreendida por quem a experiência. E tal como foi dito no testemunho. . beleza ser evidenciada num estudo com 50 alunos onde se esboçou algo há muito desejado: tentar identificar o que fazem. porque não. Fica a mensagem de que não é apenas o conhecimento que abilita para o cuidar e este facto merece sem dúvida que a investigação lhe dê total atenção. utilidade e. E por falar em criticar sem conhecer. que fique a noção clara que este tipo de ousadia teve por base um profundo conhecimento da lei constestada e esta é mais uma lição que fica: para criticar algo é preciso primeiro conhecer bem o que estamos a criticar. assistimos à firmeza e sabedoria de colocar o processo de reabilitação à frente de imperativos legais por vezes descabidos e auto-limitativos.E por falar em dificuldades. de onde evidencio uma noção que deve ficar muito clara: é preciso saber para inovar e é preciso ter a humildade de reconhecer quando não temos capacidade para resolver algo. Investigação essa que viu a sua pertinência. Se encararmos desta forma as terapias alternativas.

É isto que. Digo em potencial porque as coisas ainda não funcionam bem e sabemos disso… mas é também nossa função fazer com que melhorem. Assistimos ainda à abordagem de uma actividade de vida que é muito falada pelos enfermeiros mas por vezes pouco cuidada: a eliminação. é a rede e cuidados continuados. . ou seja. mais especificamente a eliminação vesical. Outro perfeito exemplo de que o processo de reabilitação não se evidencia apenas pela recuperação das plegias ou pelos ensinos de transferências. em potencial. E para produzir ganhos em saúde há que adequar as estruturas prestadoras de cuidados às necessidades específicas da pessoa que é cuidada.E será através deste conhecimento trazido pela investigação que conseguiremos adequar os actuais sistemas de informação que invadem os nossos espaços profissionais ao que necessitamos para conseguir evidenciar os ganhos em saúde que são directamente produzidos pelos cuidados de enfermagem / cuidados de reabilitação transdisciplinares. porque somos nós que cuidamos das pessoas. E esta não é uma tarefa dos chamados teóricos da enfermagem mas sim de todos nós. somos nós que produzimos esses ganhos em saúde. mesmo que seja em aspectos que por vezes nos pareçam secundários – pelo menos é isso que por vezes os cuidados de saúde deixam transparecer. Ficou bem patente que é possível optimizar a autonomia da pessoa com disfunção vesical. numa clara afirmação de que a reabilitação vale a pena. ou seja. foi a evidência clínica de que as alterações que induzem perturbações a nível sexual podem ser tratadas.

de forma a que a pessoa recupere o máximo do seu potencial. é possível avaliar e contornar as deficiências cardíacas. 213 inscritos e 6 workshops.também neste aspecto a pessoa pode ser reabilitada – aliás. Até breve. afirmámos que uma perturbação cardíaca mais ou menos grave não implica a redução da actividade funcional para um nível quase basal… Através de reabilitação específica. E assim termina este evento que contou com 35 palestrantes. Espero ver-vos a todos no Reabilidades 2009. . E na continuação da quebra de estereótipos. já ontem tínhamos tido testemunho disso.

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