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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO VALE DO PARNAIBA DIREITO

David Émile Durkheim

EQUIPE: ANA PAULA DAYANE JACKSON LARISSA ADSON ESTER GLEYCIANE SALVIANO

PROFESSORA RENATA BRANDÃO SOCIOLOGIA GERAL E JURIDICA

TERESINA 2011

BIOGRAFIA • • Sociólogo francês, nasceu em Épinal a 15 de Abril de 1858 e faleceu em Paris a 15 de novembro de 1917. Mesmo sendo descendente de judeus franceses, ainda moço, decidiu não seguir o caminho dos familiares. Tal fato não o afastou, no entanto, da comunidade judaica. Muitos de seus colaboradores foram judeus e alguns, seus parentes. Frequentou a École Normale Supérieure em Paris, tendo-se doutorado em Filosofia. Durante estes estudos teve contatos com as obras de Augusto Comte e Herbert Spencer que o influenciaram significativamente na tentativa de buscar a cientificidade no estudo das humanidades. Recebeu influência da filosofia iluminista e de outras escolas, no rumo da busca e da criação de um sistema totalmente novo, permitindo-se o exercício da crítica e da contestação a certas tendências intelectuais dominantes em sua época.

Principais obras de Durkheim

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A divisão do Trabalho Social, 1893 As Regras do Método Sociológico, 1895 O Suicídio, 1897 As formas elementares da Vida Religiosa, 1912 Lições de Sociologia Educação e Sociologia Educação Moral

Marcos Sociais

Na adolescência, presenciou a uma série de acontecimentos que marcaram decisivamente todos os franceses em geral e a ele próprio em particular. Por outro lado, sua vida foi marcada pela disputa franco-alemã. No entretempo, Durkheim assistiu e participou de acontecimentos marcantes e que se refletem diretamente nas suas obras, ou pelo menos nas suas aulas. • Ao mesmo tempo que essas questões políticas e sociais balizavam o seu tempo, uma outra questão de natureza econômica e social não deixava de apresentar continuadas repercussões políticas e o que se denominava questão social, ou seja, as disputas e conflitos decorrentes da oposição entre o capital e o trabalho, vale dizer, entre patrão e empregado, entre burguesia e proletariado. • Para Durkheim, o que os sociólogos necessitavam: “é de ser regularmente informados das pesquisas que se fazem nas ciências especiais, história do direito, dos costumes, das religiões, estatística moral, ciências econômicas, etc., porque é aí que se encontram os materiais com os quais se deve construir a Sociologia” (cf. Journal Sociologique. P.31).

Epistemologia

Antes de criar propriamente o seu método sociológico, Durkheim tinha que defrontar-se com duas questões: 1. Como ele concebia a relação entre indivíduo e sociedade 2. Como ele entendia o papel do método científico na explicação dos fenômenos sociais A sociedade (objeto) é superior ao indivíduo (sujeito); As estruturas sociais funcionam de modo independente dos indivíduos, condicionando suas ações. O TODO condiciona as PARTES. O método científico: Intenção de fazer da sociologia uma ciência “madura”, como as ciências naturais; A realidade social é idêntica à realidade da natureza: equipara-se aos fenômenos por ela estudados; “a primeira regra [da sociologia] e a mais fundamental é considerar os fatos sociais como coisas” (1978, p. 94)

Metodologia Funcionalista 1. Qual o objeto de estudo da sociologia? 2. Como a sociologia deve proceder para explicar seu objeto de estudo? Objeto de estudo: O Fato Social “é um fato social toda maneira de agir, fixa ou não, capaz de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente de suas manifestações individuais.” Objeto de estudo da sociologia 1) Exterior Os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos, independentemente de sua vontade ou de sua adesão consciente. Exemplos: o sistema de sinais de que me sirvo para exprimir pensamentos; o sistema de moedas que emprego para pagar as dívidas, os instrumentos de crédito que utilizo nas relações comerciais, as práticas que sigo na minha profissão; os costumes e as leis >> FUNCIONAM INDEPENDENTEMENTE DO USO QUE DELES FAÇO 2) Coerção A força que os fatos exercem sobre os indivíduos, levando-os a conformaremse às regras da sociedade em que vivem, independentemente de suas vontades/escolhas; Exemplos: idioma e a moeda usados no meu país; o modo de se vestir no meu país e na minha classe social; as leis Sanções: podem ser legais ou espontâneas; Legais: são as sanções prescritas pela sociedade, sob a forma de LEIS, nas quais se identifica a infração e a penalidade subseqüente; Espontâneas: afloram como decorrência de uma conduta NÃO ADAPTADA à estrutura do grupo ou da sociedade à qual pertence o indivíduo. 3) Geral É geral todo fato que é geral, ou seja, que se repete em todos os indivíduos, ou, pelo menos, na maioria deles; Os fatos sociais manifestam sua natureza coletiva ou um estado comum ao grupo; Exemplos: formas de habitação; arquitetura das comunicação; os sentimentos e a moral coletiva. O Método Funcionalista: Como estudar os fatos sociais? Formulação da metodologia funcionalista; Os fatos sociais (ou as maneiras padronizadas como agimos na sociedade) não existem por acaso: existem porque cumprem uma função; casas; formas de

Método Funcionalista: 1) Durkheim compara a sociedade a um “corpo vivo”; Cada órgão cumpre uma função = metodologia funcionalista. 2) O todo predomina sobre as partes; As partes (os fatos sociais) existem em função do todo (a sociedade); Função social: a ligação que existe entre as partes e o todo. Método Funcionalista: A sociedade é semelhante a um corpo vivo; A sociedade (assim como o corpo humano) é composta de várias partes; Cada parte cumpre uma função em relação ao todo. Cada instituição cumpre uma função para o bom funcionamento da sociedade. É na determinação da função social que as instituições cumprem que o método funcionalista procura explicar sua existência, bem como das nossas formas de agir.

Normal e Patológico

Finalidade da Sociologia: encontrar remédios para regularizar a vida social. A sociedade, como todo organismo, apresenta estados normais e patológicos, ou seja, saudáveis e doentios. Um fato social é normal quando: Se encontra generalizado pela sociedade; Desempenha alguma função importante para a adaptação ou evolução da sociedade. Exemplos: O crime é um fato social normal: É encontrado em qualquer sociedade, em qualquer época Representa a importância dos valores sociais que repudiam determinadas condutas como ilegais e as condenam a penalidades. A generalidade de um fato social, isto é, sua unanimidade, é garantia de normalidade na medida em que representa o consenso social, a vontade coletiva, ou o acordo do grupo a respeito de determinada questão. Quando um fato põe em risco a harmonia, o acordo, o consenso e, portanto, a adaptação e evolução da sociedade, estamos diante de um acontecimento de caráter mórbido e de uma sociedade doente.

Normal: aqueles fatos que não extrapolam os limites dos acontecimentos mais gerais da sociedade; Reflete os valores e as condutas aceitas pela maior parte da população. Patológico: Aqueles fatos que se encontram fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente; Os fatos patológicos, como as doenças, são considerados transitórios e excepcionais. Exemplo: o crime Não existe, pois, fenômeno que apresente de maneira mais irrecusável todos os sintomas de normalidade, uma vez que aparece estreitamente ligado às condições de toda a vida coletiva. Não há dúvida que o próprio crime pode apresentar formas anormais; é o que acontece quando, por exemplo, atinge taxas exageradas; O que é normal é simplesmente a existência da criminalidade, desde que, para cada tipo social, atinja e não ultrapasse determinado nível. O crime é um fator da saúde pública, é parte integrante de toda sociedade sã. Criminoso: agente regular da vida social normal. A saúde/Os Fenômenos Normais É reconhecível por intermédio da perfeita adaptação do organismo ao meio que é o seu; É o estado de um organismo em que as possibilidades de sobrevivência atingem o máximo Fenômenos encontrados em toda a extensão da espécie, na maioria dos indivíduos. A Doença/Os Fenômenos Patológicos Tudo o que tem por efeito diminuir as possibilidades da saúde; Provoca o enfraquecimento do organismo; É algo possível de evitar; Fenômenos excepcionais, encontradas numa minoria de vezes; Coesão, Solidariedade e a Consciência Coletiva Conceito de solidariedade social – responsável pela coesão entre os homens; Existência de uma solidariedade social que vem da divisão do trabalho; a solidariedade social é um fenômeno completamente moral; A solidariedade social varia de acordo com o tipo de organização social, dada a presença mais forte ou mais fraca da divisão do trabalho e de uma consciência mais ou menos similar entre os membros da sociedade.

Coesão, Solidariedade e a Consciência Coletiva Consciência Coletiva: “conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade [que] forma um sistema determinado que tem vida própria”; Quanto maior é a consciência coletiva, mais a coesão entre os participantes da sociedade refere-se a uma “conformidade de todas as consciências particulares de tipo comum”, o que faz com que todos se assemelhem. Consciência Coletiva O Papel da Divisão do Trabalho: Aumenta simultaneamente a força produtiva e a habilidade do trabalhador; É a condição necessária do desenvolvimento intelectual e material das sociedades; É a fonte da civilização; Função de criar entre duas ou várias pessoas um sentimento de solidariedade. Estabelece uma ordem social e moral sui generis: indivíduos que, sem isso, seriam independentes, estão ligados uns aos outros/conjugam seus esforços/são solidários. Divisão do Trabalho: A diferenciação social faz com que a „unidade do organismo seja tanto maior quanto mais marcada a individualidade das partes‟; Uma solidariedade ainda mais forte funda-se agora na interdependência e na individuação dos membros que compõem a sociedade. Os dois tipos de solidariedade As sociedades passam por processos de evolução, caracterizados pela diferenciação social. Os dois tipos de solidariedade Solidariedade Mecânica Liga diretamente o indivíduo à sociedade, sem nenhum intermediário; A sociedade é um conjunto mais ou menos organizado de crenças e sentimentos comuns a todos os membros do grupo: É O TIPO COLETIVO; A consciência individual é uma simples dependência do tipo coletivo: o indivíduo não se pertence os direitos pessoais não se distinguem dos reais; Só pode ser forte na medida em que as idéias e as tendências comuns a todos os membros da sociedade ultrapassam as que pertencem pessoalmente a cada um deles. Solidariedade Mecânica Total predomínio do grupo sobre os indivíduos; Forte semelhança entre os indivíduos, há pouco espaço para a individualidade;

Os indivíduos vivem em sociedade pelo fato de que eles partilham de uma “cultura comum” que os obriga a viver em coletividade. Solidariedade Orgânica A sociedade é um sistema de funções diferentes e especiais que unem relações definidas. É produzida pela divisão do trabalho; Supõe que os indivíduos difiram entre si; Só é possível se cada um tem uma esfera própria de ação e, por conseguinte, uma personalidade; O indivíduo depende da sociedade porque depende das partes que a compõem; Cada um depende tanto mais da sociedade quanto mais dividido é o trabalho; A atividade de cada um é tanto mais pessoal quanto mais especializada; A unidade do organismo é tanto maior quanto mais marcada é a individuação das partes O suicídio Problemas de integração do indivíduo na sociedade moderna; O comportamento de suicidar-se também possui causas sociais; A sociedade é que explica o comportamento do indivíduo; “Todo caso de morte que resulte direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia dever produzir resultado.” Toda sociedade tem, em cada momento de sua história, uma aptidão definida para o suicídio. Suicídio egoísta: Quando os indivíduos não estão integrados às instituições ou a redes sociais que regulam suas ações e lhes imprimam a disciplina e a ordem (como a igreja, o trabalho, a família), acabam tendo desejos infinitos que não podem satisfazer; Os homens estão mais inclinados ao suicídio quando não estão integrados num grupo social, quando seus desejos não podem ser reduzidos à autoridade e à força impostos pelo grupo; Os indivíduos pensam essencialmente em si mesmos, sofrendo com depressão, melancolia e outros sentimentos. Suicídio altruísta: Se trata do suicídio pelo completo desaparecimento do indivíduo no grupo; O indivíduo se mata devido a imperativos sociais, sem sequer pensar em fazer valer seu direito à vida; O indivíduo se identifica tanto com a coletividade que é capaz de tirar sua vida por ela (mártires, kamikases, honra, etc)

Suicídio anômico: Se deve a um estado de desregramento social, em que as normas estão ausentes ou perderam o sentido; Quando os laços que prendem os indivíduos aos grupos se afrouxam, há uma crise social que provoca o aumento desse tipo de suicídio; Atinge os indivíduos em função das condições de vida nas sociedades modernas; Correlação entre a freqüência do suicídio e as fases do ciclo econômico.

A educação como elemento integrador Toda a educação consiste num esforço contínuo para impor às crianças maneiras de ver, de sentir e de agir às quais elas não chegariam espontaneamente; Desde os primeiros anos de vida as crianças são forçadas a beber, comer, dormir em horas regulares; são constrangidas a terem hábitos higiênicos, a serem obedientes; A educação tem justamente por objeto formar o ser social; A pressão que sofre a todos os instantes a criança é a própria pressão do meio social tendendo a moldá-la à sua imagem. .