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Juárez, a cidade do silêncio.

“Graças ao Tratado de livre comércio, empresas do mundo todo montaram fabricas no México ao longo da fronteira com os EUA. Com a mão-de-obra barata e isenção de impostos, produtos de baixo custo são vendidos nos EUA. Nas mais de mil fabricas de Juárez, um televisor é fabricado a cada três segundos e um computador a cada sete segundos. As fabricas contratam jovens mulheres que aceitam salários menores, e reclamam menos dos longos expedientes e condições ruins de trabalho. Muitas fabricas operam 24 horas por dia. Muitas mulheres são atacadas a caminho do trabalho ou de casa, tarde da noite ou pela manhã. As empresas não garantem a segurança dos funcionários.” (Filme – A cidade do Silêncio.)

Ciudad Juárez fica no norte do México, colada à fronteira dos EUA. Tem 2.6 milhões de habitantes, contando com a cidade vizinha de El Pazo. É uma cidade onde a economia gira em torno de indústrias montadoras de equipamentos eletrônicos destinados à exportação. Mulheres pobres de todo o país acorrem ali para trabalhar nessas fabricas e são pagas com baixos salários, e não tem nenhuma segurança. O crescimento dessas indústrias fez a população aumentar em 50% entre os anos de 1990 e 2000. Nesse mesmo período a taxa de mortalidade feminina disparou. Não é à toa que Ciudad Juárez é a cidade mais perigosa do México e é tristemente conhecida como capital do feminicídio, desde 1993. Em 2004 o governo do México divulgou o relatório da Comissão Especial sobre Direitos Relativos aos Homicídios de Mulheres em Ciudad Juarez, que afirmou que 379 mulheres haviam sido mortas, que não há padrão de assassinatos em série e que em apenas 78 casos, os corpos das vítimas tem marcas de ataques sexuais. Porém o relatório não levou em conta vários dados e argumentos de uma infinidade de mulheres e das comissões dos direitos humanos para esclarecer o caso. “O relatório é indigno, vergonhoso e humilhante, porque falsifica e minimiza os fatos” diz Esther Chávez, presidente da Casa Amiga, uma associação que apóia os familiares das vítimas. O que mais deixou Esther e os familiares indignados foi que o relatório também afirmou que a maioria das mortes fora provocada por algum membro da família ou amigo próximo. “Então, se o problema era tão pequeno como eles dizem, por que gastaram tanto tempo e tanto dinheiro pra investigá-lo?”, questiona Esther. A verdade é que o número de assassinadas já chega perto de cinco mil e que quase quatro mil mulheres estão desaparecidas. E que em 70% dos casos, as vítimas foram violentadas sexualmente, estranguladas e mutiladas. Algumas estranguladas por cadarços de sapatos. Pior. Os corpos ficam desaparecidos dias, semanas, e, segundo exames, quase todas as mortes aconteceu dias depois do desaparecimento. Durante muitos anos, uma jornalista chamada Diana Valdez, cobriu os assassinatos das mulheres em Juárez. Ela descobriu dados suficientes pra colocar muita gente na cadeia, mas nada foi feito. Diana publicou um livro em 2005, que fala sobre esses assassinatos. Chama-se “Colheita de Mulheres. Safari no Deserto do Mexico.” Abaixo segue um trecho do seu livro. “[...] Em setembro de 1995, o cadáver de outra estudante, Sílvia Rivera Morales, de 17 anos, foi localizado em um terreno ao sul do Aeroporto Internacional de Ciudad Juárez. Seu seio direito havia sido cortado e o esquerdo mordido por dentadura humana. Isso foi feito com outras vítimas nesse mesmo ano, em um dos terrenos em disputa, propriedade de famílias poderosas.” “Sagrario González, de 17 anos, que trabalhava como operária em uma maquiladora desapareceu em abril de 1998 ao sair do trabalho. Depois de vários dias, seu corpo foi encontrado em um terreno baldio a leste da fábrica onde trabalhava. As autoridades disseram que a jovem foi estuprada, estrangulada e

rnw. Antes mesmo das gravações começarem. O filme tenta mostrar ao máximo o que acontece em Juárez.) Fontes:http://www. Hoje. Há uns três anos. o diretor de cinema Gregory Nava. mas não conseguiram mostrar o qual real esse problema é.com/2009/09/ciudad-juarez-cidade-do-silencio_04. que no meio de tudo isso estão os donos das fabricas. que gozam “da influências nas mais altas esferas do governo mexicano”.br/autor_materia. ainda não se sabe quem. nem o porquê de tudo isso. o filme já incomodava. Em 1996. O diretor enfrentou muitas barreiras para gravar o filme. perto de El Paso. 16 anos depois.asp?id=4773&ida=4. Nada foi esclarecido e Juárez continua em silêncio. que conhecia os casos de Juárez. A questão é. mas isso não fez os assassinatos pararem. deve a idéia de fazer um filme com a intenção de mostrar esse problema para o mundo. http://static. http://www.nl/migratie/www. Abafar os crimes é mais barato do que proteger as mulheres. “Os gritos das mulheres de Juárez se calam porque ninguém quer ouvir. E as mortes continuam. devido a varias ameaças. nem o governo do México e dos Estados Unidos que se beneficiam com o Tratado de Comércio Livre. conhecida como Lomas de Poleo. Ninguém quer ouvir.org. . Filme: A Cidade do Silencio e o Livro: A colheita de Mulheres. Pessoas que tem poder suficiente para serem acobertadas pela policia e pelo governo. Texas. pessoas ricas e com poder.nl/direitoshumanos/at051206feminicidio_Mexico-redirected.parceria.curiosonet. outras oito mulheres foram localizadas em uma região deserta de Juárez.pstu. Muitos equipamentos foram destruídos e o eles não puderam gravar o filme em Juárez. Mas o filme está ai para denunciar essa crueldade e obsessão por dinheiro que está tomando conta do governo e da justiça do México e de uma boa parte do mundo.” E esse tipo de coisa continua acontecendo até hoje. Júlia Teixeira Vargas.” (Filme – A cidade do Silencio. O dinheiro fala mais alto. As provas indicam que a vários assassinos. Nem as empresas que lucram com o trabalho delas.html. Uma onda de crimes que piora a cada dia à medida que se tenta abafar o caso. Apenas uma pessoa foi presa.apunhalada.