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Serviço Social da Indústria – SESI Departamento Regional de São Paulo Divisão de Esporte e Lazer

EDUCAÇÃO INTEGRAL EM TEMPO INTEGRAL

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS

VIVÊNCIAS ESPORTIVAS (ESPORTES)

2011

o horário expandido representa uma ampliação de novas oportunidades e situações que visam promover aprendizagens significativas e contextualizadas. procurando articular-se com as demais áreas do conhecimento. saudáveis. a construção de saberes e. a busca.1. necessita estar inserida na concepção defendida pela Rede SESI-SP. tendo como meta transformá-la. enfim. Essa ampliação deve permitir a melhoria na qualidade do processo ensinoaprendizagem. o que certamente propiciará a eles competências e habilidades necessárias para o exercício pleno da cidadania. objetiva que durante as aulas de “VIVÊNCIAS ESPORTIVAS”. considerando os princípios de participação. de seres humanos plenos. APRESENTAÇÃO A Educação Integral em Tempo Integral apresenta um aspecto novo e relevante para o processo educacional: a ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola. Nesse sentido. a Rede SESI-SP. de tal forma que possa proporcionar aos alunos conhecimentos teóricos aliados a experiências. 2. visando a construção de um mundo no qual todos possam realizar a sua humanidade. respeito à corporeidade e ludicidade. as vivências esportivas deverão enfocar os 04 campos dispostos a seguir: . A finalidade do processo de ensino e aprendizagem é o conhecimento da realidade. As Vivências Esportivas (Esportes). os alunos tenham a oportunidade de experenciar a diversidade de práticas corporais. contribuam para a formação de indivíduos que respondam integralmente às necessidades contemporâneas. Para tanto. da formação. de construção da liberdade. Assim. da autonomia. assim. CONCEPÇÃO DA ÁREA A concepção de educação defendida pela Rede SESI-SP é aquela que engloba ensino. de forma a contribuir significativamente para a formação de cidadãos ativos e críticos. da solidariedade. Essas devem ser entendidas como possibilidades de transformação de valores. mais do que a simples ampliação do tempo. enquanto parte da Educação Integral em Tempo Integral. conscientes e ativos. aprendizagem e pesquisa. a partir da parceria técnica entre a Divisão de Educação e a Divisão de Esporte e Lazer. que privilegiem a curiosidade. construindo uma grande bagagem cultural e tornando-se capazes de atuar sobre elas com autonomia.

meio ambiente. amplia o repertório motor da criança. 1. desenvolvendo as habilidades motoras de locomoção (caminhar. seja em momentos de lazer no seu cotidiano ou então para a participação em equipes de formação esportiva. Jogos e esportes. quicar. culturais e afetivas dos alunos. 4. galopar. Sendo assim. esquivar-se. problemáticas e situações atuais do seu próprio meio. etc). O referido livro baseia-se nas fases do desenvolvimento motor ao propor as atividades esportivas. chutar. rebater. correr. . Dança. balançar. girar. lateralidade. O trabalho com os 04 campos de vivências. indicamos o livro do PAF (2006) o qual visa o desenvolvimento pessoal e social de crianças e adolescentes por meio do esporte. trabalho e consumo. entre outros). pluralidade cultural. escalar etc). de manipulação (arremessar. Esportes 1 (crianças de 11 e 12 anos). Atletismo e lutas. apresentar em cada período de vida uma boa qualidade de movimento. que são de grande relevância no cenário nacional e universal. e de estabilidade (alongar-se. as aulas de vivências esportivas poderão contribuir significativamente para o desenvolvimento dos aspectos relacionados às questões motoras. realizar rolamentos. explore e analise as diversidades. ENCAMINHAMENTOS No intuito de subsidiar a prática do professor nas vivências esportivas. 2. Atividades aquáticas1 (Para as unidades que possuírem balneário). além de garantir a variedade de práticas corporais. 3. Para a realização das atividades de Vivências Aquáticas há a necessidade de exame dermatológico para os alunos. os Temas Transversais (ética. Temos ainda. contribuindo assim para que o aluno se defronte.1. As fases do desenvolvimento são divididas em: Multiesportiva (crianças de 6 a 8 anos). podendo usufruir deste repertório para a vida toda de acordo com suas necessidades. 2. cognitivas. Pré-Desportiva (crianças de 9 e 10 anos). Esportes 2 (adolescentes de 13 e 14 anos) e Esportes 3 (adolescentes de 15 a 17 anos). organização espacial e temporal. O que se espera é que as crianças possam da melhor maneira possível. orientação sexual e saúde) que devem ser abordados nas aulas de acordo com o planejamento do professor. além dos fatores psicomotores (equilíbrio. saltar. ginástica e expressão. rolar etc).

podese perceber a presença de um fenômeno com características próprias. o qual. As características desta conduta lúdica têm ramificações nas atividades físicas. obtendo funções importantes no estilo cognitivo. brinquedos. apresenta-se em todas as faixas etárias. pois. a criança aprimora sua capacidade de iniciativa. para autores como Lieberman (1977). que se inscreve na cultura para além da simples associação com a alegria. dos exercícios de repetição pelo prazer. ocasiões sociais de diversas ordens e. de desenvolver a linguagem. o pensamento e a concentração. analisando e estabelecendo relações importantes para sua existência. carregada de alegria e com um fim em si próprio. recreação. com menor evidencia. inclusive. representando. O lúdico também pode ser considerado um traço de personalidade. É obvio que estas características permeiam o que se toma como lúdico. assim como para Rosamilha (1979). de autoconfiança. a criança se desenvolve e é preparada para a vida. por meio de sua dinâmica. no âmbito escolar. bem como uma forma de expressão de sentimentos prazerosos. aguçando sua curiosidade e imaginação (PAF. tendo em vista que. as quais vão ao encontro da faixa etária que o mesmo atuará (06 a 10 anos). crianças de 06 a 08 anos. dos jogos do faz de conta e simbólicos e daqueles com regras mais sofisticadas. que acompanham o ser humano ao longo de toda a existência. o elemento lúdico tem uma influência vital no desenvolvimento infantil. uma forma primitiva de comunicação entre realidade e fantasia. O comportamento ou a conduta lúdica traz em si circunscrito à voluntariedade da ação. o prazer. 2006. sentem-se bastante estimuladas quando realizam atividades que requerem imaginação e incitam as características do . tornando-se parte da realidade cultural. p. quando se focaliza o componente lúdico. investigando.22). sendo diferenciado de um indivíduo para outro e considerado elemento natural constituinte da personalidade e da cultura. Pesquisadores como Piaget e Vygotsky também ressaltam a importância das atividades lúdicas e dos jogos no desenvolvimento da criança: Piaget salienta que. a espontaneidade ou com o divertimento. entretenimentos. brincadeiras. por meio da imitação. De maneira geral.Para atuação nas vivências esportivas o professor deverá se deter apenas nas fases Multiesportiva e Pré-Desportiva. jogos. porém não bastam para que se processe uma definição efetiva do termo. Outro aspecto que deve sempre permear a atuação do professor nas vivências esportivas são os aspectos lúdicos. Já para Vygotsky.

posturas estáticas e dinâmicas (apoios invertidos. Esta fase compreende o desenvolvimento das habilidades motoras por meio de atividades lúdicas. esquivar-se. elevar-se). girar. segue abaixo algumas orientações referentes a fase multiesportiva e pré-desportiva que poderão ajudar o professor. As crianças mergulham na história ou no momento e realizam todos os passos desejados (PAF. escalar). pular. Classificamos as habilidades motoras como sendo: Habilidades motoras de locomoção básica – um elemento (caminhar. ficando unido a este por meio do contato físico (PAF. alongar-se. rolamento corporal. equilibrar-se). são utilizadas brincadeiras e jogos para possibilitar a experimentação/vivência e desenvolvimento das habilidades motoras citadas abaixo (Gallahue & Ozmun. rolar). Como citado acima o professor deverá atuar nas vivências esportivas tendo como subsidio o livro do PAF (programa atleta do futuro). atingir. além dos elementos da motricidade. impelir. saltar obstáculos.faz-de-conta. saltar. Habilidades motoras de estabilidade axial (inclinar-se. Mas o que é habilidade motora? Magill (2000) descreve habilidade motora como sendo uma tarefa com finalidade específica. 2006). correr. deslizar. Habilidades motoras de manipulação propulsiva (arremessar. balançar). Algumas atividades como pega-pega corrente ou ajuda-ajuda são motivantes e podem se tornar cooperativas. . pois aquele que é pego pode passar a ajudar o pegador. driblar). chutar. 2001). combinada – dois ou mais elementos (galopar. quicar. Fase de desenvolvimento: Multiesportiva Abrange as crianças de 6 a 8 anos. rebater. virar. que exige movimentos voluntários do corpo e/ou membros para atingir o objetivo. dos materiais e dos espaços disponíveis. parar. sendo assim. 2006). levando em consideração a variabilidade de prática. absortiva (apanhar. Dessa forma.

chamada randômica. chamada em blocos. Corroborando com este autor. é mais eficiente para a aprendizagem do que a prática por partes. Darido (2003) cita que o jogo na abordagem contrutivista-interacionaista é considerado o principal modo de ensinar. Fase de desenvolvimento: Pré-desportiva O jogo. a fim de atingir uma resposta precisa para a tarefa. guiada por meio da visão. posições e atitudes. o jogo busca sua integração e estruturação. envolvendo o conhecimento da ordem e a duração dos acontecimentos. Organização temporal: refere-se à percepção do tempo. é um dos principais meios que a Educação Física possui para alcançar objetivos e realizar certas atividades. sendo que o . Na área de aprendizagem motora é comprovada que a prática de forma global. Motricidade global: refere-se aos movimentos corporais dinâmicos. Podemos transferir este conceito para um aprendizado por meio dos jogos (randômico) e por meio de fundamentos fechados (blocos). olho. é um instrumento pedagógico. um meio de ensino. segundo Hurtado (apud Aguiar. compensando e anulando todas as forças que agem sobre o corpo. Motricidade fina: refere-se à atividade manual. Identificamos abaixo a classificação proposta pelo autor: Lateralidade: refere-se à preferência na utilização de uma das partes simétricas do corpo (mão.No campo dos elementos da motricidade. Rosa Neto (2002) expressa a importância das experiências concretas para a construção das noções básicas do seu desenvolvimento intelectual. Esquema corporal: refere-se à capacidade de discriminar com exatidão as partes corporais e a habilidade de organizar as partes do corpo na execução de uma tarefa. Equilíbrio: é a capacidade do organismo de manter posturas. Organização espacial: envolve tanto a noção do espaço do corpo como o espaço que o rodeia. com emprego de força mínima. Além de englobar o desenvolvimento bio-psicofisiológico e social da criança. 1996). ou seja. perna). envolvendo um conjunto de movimentos coordenados de grandes grupos musculares. coordenação visuomanual. referindo-se à habilidade de avaliar de forma precisa a relação entre o indivíduo e o ambiente. ouvido.

e) Fazer o registro do plano de trabalho e encaminhar uma cópia para o Coordenador Pedagógico do CE e uma cópia para o Orientador de Esportes e Lazer do CLE. na oportunidade de oferecer ambiente de aula alegre. que atende crianças de 9 e 10 anos. g) Os 04 campos de vivências esportivas propostos deverão ser organizadas de modo que a cada mês sejam trabalhados no mínimo dois desses campos. Importante ressaltar que nestas duas primeiras fases. d) Selecionar as atividades mais adequadas.primeiro método possibilita efeitos mais benéficos na retenção da aprendizagem do que o segundo. quando for o caso. a responsabilidade dos profissionais aumenta no que diz respeito ao cumprimento da metodologia. b) Definir os campos de vivências a serem contemplados no mês. e com as devidas orientações. Por esses motivos apresentados e muitos outros não citados. Deverá preocupar-se em dar continuidade ao desenvolvimento da fase anterior ampliando os conhecimentos básicos. prazeroso e não excludente. considerando as características e saberes dos alunos. as Adaptações Curriculares. ELABORAÇÃO DO PLANO DOCENTE O plano de trabalho docente da área de vivências esportivas (esportes) deve respeitar a periodicidade estabelecida pela unidade escolar. considerando a singularidade desses alunos. h) Prever. Schmidt (1992). compreende a vivência e desenvolvimento das modalidades esportivas. 3. utilizando jogos adaptados e pré-desportivos. considerando-se a otimização das instalações dos CLES – Centros de Lazer e Esporte. São procedimentos de ação para a sua elaboração: a) Considerar as necessidades de aprendizagem dos alunos nas faixas etárias em que se encontram. c) Utilizar a metodologia do PAF no desenvolvimento das aulas. Para esta fase é incentivada a participação em festivais esportivos. a segunda fase do programa denominada “iniciação pré-desportiva”. . Não deve haver pressa no aprendizado dos esportes e sim um comprometimento na ampliação do acervo motor dos alunos. f) Compartilhar os objetivos de aprendizagem e as atividades entre os agentes envolvidos.

dançar. responsável pelo acompanhamento das aulas de Vivências Esportivas e o professor. a Divisão de Esporte e Lazer ressalta a importância de um trabalho articulado entre o Orientador de Esporte e Lazer. produções dos alunos. o professor pode sugerir uma apresentação. relatos de experiência. mas sim como um profissional que lhe oferecerá suporte para um melhor desenvolvimento das tarefas pertinentes à sua função. permite identificar o ponto de partida do grupo e redefinir procedimentos e estratégias. A avaliação diagnóstica. Desta maneira. reportagens. podem constituir-se em importante documentação para a confecção de portfólios ou como instrumento que permita identificar modificações nos saberes dos alunos.. é fundamental que o professor utilize diferentes formas de registro ao longo do processo. uma coreografia. não como um fiscalizador de sua prática docente. um relatório. 5. episódios que chamaram a atenção. entrevistas. que ocorrerá no momento em que o professor investigar os conhecimentos prévios dos alunos acerca da manifestação corporal estudada. a identificar avanços e possíveis pontos a melhorar. um portfólio. PAPEL DO ORIENTADOR DE ESPORTE E LAZER Com foco na constante melhoria do processo de ensino e aprendizagem. REGISTRO E AVALIAÇÃO Para obtenção de dados e informações que ajudem a nortear a prática pedagógica. Para consolidar o processo de avaliação e analisar os saberes que os alunos alcançaram. A avaliação precisa ser contemplada durante todo o processo. Vídeos. Essa relação de parceria precisa ser consolidada de forma que o professor de Educação Física vislumbre a figura do Orientador. Durante as aulas. fotografias. cabe ao Orientador de Esporte e Lazer: . construção de regras. modificações nas formas de brincar. etc. anotações. entre produções culturais condizentes com o conteúdo desenvolvido nas aulas. as produções dos alunos podem fornecer elementos que ajudem o professor.4. a criação de um jogo.

New York: Academic Press. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LIBERMAN. 2001. Referenciais curriculares da rede escolar SESI-SP. periódicos relacionados ao campo educacional. livros. artigos. Programa SESI Atleta do Futuro: perspectivas da inclusão e diversidade na aprendizagem esportiva. SESI-SP. atividades esportivas. 2011 (2º ed. lembrando que tais encontros ocorrem sempre às quartas-feiras no período da tarde. Playfulness: Its relationship to imagination and creativity. São Paulo: SESI. 2006. SESI-SP. Programa SESI Atleta do Futuro: perspectivas da inclusão e diversidade na aprendizagem esportiva. diagnosticar eventuais problemas e propor encaminhamentos visando à garantia da qualidade das aulas de Vivências Esportivas (Esportes). São Paulo: SESI. N. oferecendo apoio técnico ao professor de Educação Física. SESI-SP. Psicologia do jogo e aprendizagem infantile. 2003.• Visitar as unidades de sua jurisdição. N. . São Paulo: Cortez. no prelo). São Paulo: SESI. SESI-SP. ROSAMILHA. Educação Integral em Tempo Integral: sistematização de ações educativas. 1977. • Acompanhar o desenvolvimento do plano de trabalho. • Participar dos DPC’s (Discussão Pedagógica Coletiva) sempre no 1º e 4º encontro do mês. notícias. São Paulo: SESI. 2010. por meio de sugestões de textos.