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NAP – 1º A Análise da obra Poesia Pau- Brasil de Oswald de AndradePor que Pau-Brasil?

Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do Alto de um atelier da Place Clichy- umbigo do mundo, descobriu, deslumbrado a sua própria terra. A distância contribuiu para a consciência de brasilidade, dando lugar a poesia renovadora: a poesia pau-brasil. Pau-brasil era uma árvore colonial, que foi um dos nossos primeiros produtos de exportação, graças às suas propriedades corantes. Assim, Oswald cria aquilo que ele chamaria de “poesia de exportação”. Através desse projeto poético, Oswald ambiciona desligar-se dos modelos poéticos importados do século passado. Num primeiro momento, Oswald tem como proposta escrever sob forma poética , a história do Brasil. Nesse sentido, o poeta resgata fragmentos da escritura do passado e os reescreve, convertendo-os numa paródia. A poesia Pau-brasil – É uma crítica audaciosa contra a história a fim de resgatar a identidade nacional. Critica-se a cultura e com base nas manifestações pré-coloniais brasileiras. Busca-se uma renovação estética, chega-se à discussão do homem brasileiro, à discussão de brasilidade. Combate-se a cópia e sugere-se a síntese, o equilíbrio, o acabamento técnico e a invenção. Renovação do pensar artístico no Brasil. Por uma arte brasileira, pela valorização da pátria e seus elementos. No poema “As meninas da Gare”, Oswald dá um novo sentido ao texto extraído da Carta de Caminha, as índias se misturam às “meninas” na “gare” de uma sociedade moderna, industrial. Há paródia, uma desconstrução e a ironia presentes nesse poema. No poema Canto de Regresso à Pátria, Oswald de forma mais crítica do que saudosista, faz uma re-leitura do poema gonçalvino, parodiando e fazendo uma crítica histórica, social e racial. Canção do Exílio X Canto de Regresso à Pátria No poema de Oswald há deslocamentos de palmeiras para palmares (quilombo onde os negros liderados por Zumbi foram dizimados); há ironia e crítica. Oswald desarranja o sentido do texto original, há despreocupação com a métrica, ausência de pontuação, aproveitamento poético do cotidiano, assim, contrapõe a estética romântica à moderna. O poeta contrasta a alienação social à denuncia histórica e transforma o discurso do branco na afirmação do negro. Contrasta o velho e o novo. O poeta desconstrói para reconstruir e nesse processo resgata formas arcaicas, esquecidas e os converte em algo novo.

A LINGUAGEM COLOQUIAL O jogo com as palavras é típico de todo artista que busca se afirmar no exercício literário. É por meio do vocabulário que executa concepções revolucionárias, advoga causas metalingüísticas e reflete acerca do cotidiano. Em muitos poemas, Oswald procura demolir o discurso acadêmico, revelando uma preocupação evidente com a linguagem falada no Brasil. Nos poemas PRONOMINAIS e VICIO DA FALA, o poeta vai contra o purismo linguístico e a tirania gramatical, deixando claro a variedade que existe no Brasil e que se distancia daquela que consta nas páginas das gramáticas. Assim, O poeta visa reduzir a distancia entre fala e escrita. Nos poemas CASO e O CAPOEIRA, há uma influência de fatores etnológicos e sociais. Incorpora-se mitos e lendas da sociedade escravocrata e empresta ao negro, sustentáculo da sociedade colonial, a sua voz. Há uma valorização da cultura popular representada no negro. Oswald preencheu a obra com a influência de outras línguas, entre elas o INGLÊS E O FRANCÊS, no nosso vocabulário. É o caso do poema CÁ E LÁ. A linguagem oswaldiana contribuiu para fixar uma reação que se convencionou chamar passadismo, termo com o qual os modernistas faziam alusão a uma literatura e uma arte importadas com o ranço de uma civilização que eles sentiam cada vez mais superada no espaço e no tempo.

ASPECTOS QUE COMPÕEM A OBRA INTERTEXTUALIDADE - Além das marcas de intertextualidade, traz-se um sentimento de coletividade. As vozes evocadas pela intertextualidade criam um efeito coletivo. Há diálogos, cenas, trechos em prosa que adentram no espaço poético de Oswald. Na parte História do Brasil percebemos fragmentos da Carta de Caminha, de Gândavo e outros viajantes e historiadores coloniais, fazendo uma re-leitura do passado e do presente. Poema A descoberta - Transformação da prosa( a Carta) em verso, isso remete ao novo, a uma desconstrução, um deslocamento, uma transgressão. No poema Os Selvagens há uma intenção de mostrar a “superioridade” do colonizador que chega impondo sua cultura, seus valores, sua visão de mundo. No poema Festa da Raça há uma visão crítica; nele há a presença do português arcaico, quinhentista. Faz alusão à preguiça dos habitantes nativos, característica do povo nativo, que pouco a pouco foi sendo sufocado pelos colonizadores.