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RAYMUNDO FAORO* Anna Caroline M. S. Guimarães** Elisângela da Conceição A. S.

Lima** Emília Luenna Palhano Galvão** Valquíria Bastos Da Silva**

RESUMO Esse artigo tem como objetivo falar sobre o historiador, jurista, cientista, político, sociólogo e professor Raymundo Faoro e seu livro Os Donos do Poder – Formação do patronato político brasileiro, mostrando, através de análises de estudiosos e outros autores, a influência de Marx Weber e seus conceitos nessa obra. Palavras-chave: Estamento, Burocrático, História, Estatuto ABSTRACT This article aims to discuss the historian, jurist, scientist, politician, sociologist and professor Raymundo Faoro, and his book The Owners of Power - Formation of Brazilian political patronage, showing, through analysis of scholars and other authors, the influence of Marx Weber and his concepts that work. Keywords: Estate, Bureaucratic, History, Status.

1 – INTRODUÇÃO O presente trabalho tem por finalidade trazer análises aprofundadas sobre Raymundo Faoro e sua obra Os donos do Poder – Formação do patronato político brasileiro, uma obra de inspiração weberiana que se constitui a partir do enfoque e quem privilegia o estamento burocrático responsável pela montagem e persistência das instituições anacrônicas, frustradoras e secessões que poderiam conduzir a emancipação política e cultural no Brasil. Fabio Konder Comparato, professor da USP, inicia sua análise fazendo uma comparação de que há dois tipos de historiadores, correspondentes às duas grandes maneiras de se tratar intelectualmente o material histórico: os pesquisadores e os explicadores. Os primeiros investigam os fatos ocorridos, buscando reproduzi-los de modo mais fiel possível. Os segundos buscam
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Artigo elaborado para obtenção da 3ª nota da disciplina Teoria Sociológica em Weber ministrada pelo Professor Mcs. Christian Burle ** Acadêmica do5º período do Curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Maranhão.

posto em evidência por Faoro. De acordo com esse último padrão de análise. Comparato. do tipo macroscópico. próprio e encarregado permanentemente de determinada função social. Raymundo Faoro poderia ter se inspirado em Hegel. no momento da publicação do seu livro (1958) era praticamente desconhecido no Brasil. mas na superestrutura. Porém o autor preferiu apoiar-se em Marx Weber. por ele denominado “poderio legal com quadro administrativo burocrático”. Para Raymundo Faoro. a nobreza e o povo. a sociedade brasileira foi tradicionalmente moldada por estamento patrimonialista. autor que. como a própria etimologia do verbo compreender nos indica: cum prehendere. primeiro. pelos altos funcionários da Coroa. o estamento funcional governante. Um conceito baseado na sociedade feudal européia e sua estrutura. Ora uma das modalidades do senhorio político tradicional. Weber deu à noção de situação estamental uma abrangência maior e descreveu-a com contornos menos precisos. fora do qual perdem significado. tomando-os como parte de um todo. onde cada qual possui um estatuto jurídico. No primeiro caso temos aquilo que os franceses denominam de caráter microscópio. A razão do impacto que a sua obra Os Donos do Poder – Formação do patronato político brasileiro causou no meio intelectual é que. isto é. contrariamente à visão marxista. Tal situação pode acontecer. Comparato diz que Raymundo Faoro inscreve-se na categoria dos pensadores que procuram interpretar a história sob o aspecto cultural. seguindo à sua linha de análise. uma visão mais abrangente. dominante à época na historiografia do tipo estrutural. e depois pelo grupo funcional que sempre cercou o Chefe de Estado. na classificação de Weber. no período republicano. em que o estamento dominante utiliza-se do poder político como se fora sua propriedade. segundo Weber.compreender o sucedido no tempo histórico. ele não procurou a explicação na infra-estrutura na sociedade civil.patrimonial. seria a estamental. tanto no tipo de senhorio político tradicional. formado. como no tipo moderno. . Foi de Weber que Faoro tomou emprestado o conceito-chave de estamento (Stand). tomar conjuntamente. baseada em três estamentos: o clero. no Estado. o grande patrono do pensamento históricofilosófico moderno. no segundo. Ao contrário do que se disse erroneamente em crítica a essa interpretação. afirma ainda que. os historiadores recolocam os fatos no seu contexto. apontando as causas e um determinado sentido.

em que o poder não é uma função pública. e cujos integrantes agem segundo padrões bem assentados de legalidade e racionalidade. A dependência weberiana do conceito é evidente. o expansionismo ultramarino português decorreu de um capitalismo politicamente orientado e. associados constituindo assim o grupo dominante – o estamento burocrático. Para o Faoro. Para o autor a colonização foi feita pela Coroa através de comerciantes e agentes de capital.77pdf.ihu.br/uploads/publicacoes/edicoes/1163186269.nunca correspondeu àquela burocracia moderna. organizada em carreira administrativa. Faoro enfatiza o econômico no processo colonial português e ele foi do tipo capitalista. pois.pdf . eles não foram para ele o mais importante.scielo. sendo a obra de Marx Weber – Economia e Sociedade – referência largamente citada a partir do termo original em alemão Wirtschaft um Geselischaft.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000200024 http://www. mas sim um objeto de apropriação privada.br/scielo. Se puderem ser observados traços do privatismo na organização interna.unisinos. uma das marcas registradas da obra. REFERÊNCIAS http://www. Sem esquecer que Weber foi o sociólogo que mais trabalhou com as categorias de estamento e burocracia. ao tipo tradicional de dominação política. daquele estamento de funcionários públicos encontrável na situação de “poderio legal com quadro administrativo burocrático” da classificação weberiana. A expressão “estamento burocrático” que passa por todo o texto e a sua utilização. é sem dúvida . foi transposta para o Brasil toda a máquina político-administrativa e o que vai ser exercício é o estamento burocrático. Não se trata. em função dele. mas de um grupo estamental correspondente.