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Como transformar informação em um negócio lucrativo Entrevistados - Elisabeth Gomes e Fabiane Braga Em: 05/09/03 Elisabeth Gomes é professora de pós-graduação

latu-senso em Inteligência Empresarial da COPPE/UFRJ, da Escola Superior de Propaganda e Marketing e colaboradora do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (CRIE/UFRJ). Mestre em engenharia nuclear e doutoranda em engenharia de produção pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ, Elisabeth também é co-autora do livro Gestão de Empresas na Sociedade do Conhecimento, também pela Editora Campus. Fabiane Braga é mestre em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia da UFRJ (IBICT/UFRJ) e formada em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). É professora do MBA de Gestão Estratégica da Tecnologia da Informação da Fundação Getúlio Vargas. Qual o suporte que o sistema de IC oferece para empresas que enfrentam o desafio de permanecer no mercado? O sistema de IC é um processo sistemático e ético de identificação, coleta e análise de informação. Mas não devemos coletar e tratar toda e qualquer informação. A empresa deve se focar naquela informação que é estratégica para o seu negócio, que será tratada e transformada em produtos de inteligência. Esses produtos apoiarão a tomada de decisão da empresa, ajudando-as a ter informações mais precisas sobre seu ambiente competitivo, isto é, seus concorrentes, seus fornecedores, legislação e todos aqueles outros atores que influenciam seu negócio. Este é o suporte: uma informação precisa no momento certo para a pessoa certa. Como monitorar o fluxo de informações que permeiam uma empresa? Conforme já dissemos a informação que deve ser monitorada é aquela estratégica para o negócio da empresa, independente da natureza e tamanho da empresa. Após a identificação dessas informações realizamos uma auditoria informacional, onde são verificadas quais dessas informações já se encontram dentro da empresa, mas especificamente nos processos de negócios, de forma a permitir um tratamento sistemático que as transforme em produtos de apóio a tomada de decisão.

o que significa conhecer o negócio em profundidade. essas informações devem ser coletadas e analisadas de forma a serem transformadas em produtos de inteligência que serão enviados aos tomadores de decisão. dando ênfase à transferência do "como fazer". transformando-as em inteligência? Novamente voltamos a enfatizar que temos de identificar quais são as informações que possam apoiar o processo de tomada de decisão. Pode um profissional externo à empresa realizar as atividades do Sistema de IC? Em princípio sim. diminuindo o risco. A maioria da informação que você precisará é de domínio público e sua obtenção pode ser feita de forma ética e legal. os limites éticos podem tornar-se perigosamente confusos. Como você explicaria a ligação da IC e a Ética? Ao nosso ver é muito importante que as pessoas envolvidas na área de Inteligência Competitiva estejam conscientes de que todo o processo de IC deve ser feito da forma mais ética e transparente possível. O processo de transformação da informação em produtos de inteligência depende na sua quase totalidade do fator humano. isto é. Conforme já dissemos anteriormente. é importante e recomendamos fortemente que o . ou seja. Mas como muitos advogados irão lhe dizer. A ética pessoal varia enormemente e freqüentemente envolve muito mais a decisão do indivíduo do que a do grupo.Todas essas medidas são imprescindíveis para que a atividade de inteligência competitiva não seja vista como uma espionagem formalizada. Contudo. As leis variam de estado para estado e de país para país. Lidar com informação pode ser algo bastante "escorregadio". Como fazer para selecionar a analisar a profusão de informações. são necessários especialistas ou rede de especialistas que entendam de metodologias de análise de informação e também do negócio ou do setor onde a empresa atua ou irá atuar. sob a forma de consultoria de implantação de um sistema de IC. de forma a permitir que a empresa ganhe vantagem competitiva no mercado.Possuir uma grande quantidade de informações não é suficiente. implantar um sistema de IC começa pela identificação das necessidades de informação da empresa. Devemos nos preocupar com a ética pois a reputação da empresa pode ser afetada caso sejam comprovadas falhas éticas e ao definirmos previamente padrões éticos de comportamento estaremos preparados para respondermos a críticas futuras. É fácil discutir e definir limites legais sobre o tipo de informação que deve ser conseguida e como coletar esta informação. o que é legal nem sempre é ético. não usar dados ou informações obtidos de maneira "suspeita". Logo. Nada impede que um profissional externo a empresa execute esse trabalho. Em seguida. mas elas existem e seus limites são claros.

as organizações podem se comunicar de qualquer lugar ou país e ter acesso a várias culturas e ambientes. o que fazer para garantir uma vantagem competitiva diante dos concorrentes em função das constantes mudanças no ambiente de negócios? Antecipar-se às mudanças. E como . disseminação e avaliação) é um processo custoso e que demora um certo tempo para ser efetivo. Esse atributo decorre da capacidade dela gerar valor para o cliente através de seus produtos e serviços. Por que ? Porque a implantação de um sistema de IC. ao contratar serviços de terceiros tenha em mente que estes irão entrar na sua empresa e ter acesso a informações estratégicas por isso tenha certeza da idoneidade da consultoria no mercado. Logo a implantação por grupos de empresas permitirá um compartilhamento de recursos. As tendências mais recentes apontam no sentido de uma permanente avaliação por parte das organizações. Neste contexto. O mundo está passando por uma era de grandes transformações econômicas. No caso de pequenas e médias empresas recomendamos que a implantação de um sistema de IC seja feita por conjuntos de empresa. composto de 5 fases (identificação das necessidades de informação. a turbulência e a instabilidade desse mundo em transformação. através de uma postura estratégica.trabalho seja feito por uma equipe mista composta de profissionais da própria empresa. Salientamos que. É o que chamamos de observatório de inteligência competitiva. e de profissionais externos que entendem do processo de IC. no que diz respeito ao ambiente competitivo e as informações advindas dele. O desafio é lidar com a incerteza. que possibilitará uma ótima relação custo-benefício. aumentando sua capacidade de se colocar no mercado. tanto tecnológicos quanto humanos. em arranjos produtivos locais ou empresas do mesmo setor. Concluímos que para uma organização reter sua competitividade necessita ser vista pelo mercado como tendo uma vantagem competitiva. bem como aos recursos de que dispõem para. com a globalização. aproveitarem as oportunidades que lhes são colocadas e contornarem as ameaças identificadas. políticas e tecnológicas que influenciam todos os níveis sociais. análise das informações. ou seja. a Internet e a evolução das telecomunicações. enxergar as oportunidades. Hoje. coleta e tratamento das informações. observar com olhos críticos o panorama sócio-econômico. Neste novo século as organizações têm buscado formas alternativas para sobreviver no mundo dos negócios. A Inteligência Competitiva é uma área em crescimento no Brasil? Com certeza. aqueles que sabem muito do negócio.

A questão é colocá-los todos juntos para apoiar a tomada de decisão.fazer isso? Monitorando permanentemente o fluxo de informações crítico a empresa através da implantação de um Sistema de IC. Veja o caso do setor de bancário no Brasil. . Mais do que pensar nos custos e no tempo de implantação de um sistema de IC deve-se considerar fortemente a necessidade de uma mudança cultural na empresa perante a forma de como lidar com as informações ou com a inteligência. Os bits e os dados que você precisa provavelmente já existem. onde diversas empresas estão estruturando áreas de IC de forma a monitorar sistematicamente o mercado de forma a melhorar seus produtos e serviços ou até mesmo lançar novos produtos e serviços antes dos concorrentes.