RESUMO DO LIVRO: ÉTICA PARA MEU FILHO

Fernando Savater

Advertência antipedagógica – Este livro foi pensado e escrito para os adolescentes, provavelmente ensinará pouco aos professores. O objetivo deste livro não é formar bons pensadores (nem maus pensadores), mas estimular o desenvolvimento de livres-pensadores. Prólogo – Não quero o que aconteça comigo (o escritor) o que aconteceu com meu amigo. O pirralho lhe disse em tom sonhador: “papai, gostaria que a mamãe, você e eu saíssemos num barquinho para passar pelo mar”. Meu sentimental amigo respondeu: “Claro, meu filho, vamos quando você quiser!”. “E quando estivermos bem longe”, continuou fantasiando, “vou jogar os dois na água para se afogarem. Você não sabe que vocês pais nos aborrecem muito?”. São aborrecedores os pais empenhados em serem os melhores amigos dos seus filhos. Entender-se razoavelmente bem, já é bastante; e isso inclui ter vontade de afoga-lo às vezes. Um pai ou um professor que se prezem precisam ser um pouco aborrecidos, ou não servirão para nada. De jovem basta você. Dez anos mais tarde, que finalmente resolvi lhe dar explicações sobre a ética. Você estava num campo muito escuro, parecia de noite, e soprava um vento terrível. Você se agarrava as arvores, as pedras, mas era implacavelmente arrastado pelo furacão, como a menina de O Mágico de Oz. Então você ouviu minha voz “Tenha confiança! Tenha confiança”. Sinto-me orgulhoso em saber que minha voz era capaz de encorajá-lo. Tenha sempre confiança em si próprio. Capítulo 1: O que é ética? – Certas coisas as pessoas podem aprender ou não, conforme sua vontade. No entanto, há outras coisas que é preciso saber por que são fundamentais para a nossa vida. Podemos viver de muitos modos, mas há modos que não nos deixam viver. Em resumo, em todos os saberes possíveis existe pelo menos um imprescindível: o de que certas coisas nos convêm e outras não se desejarmos continuar vivendo. O que é mau às vezes parece ser mais ou menos bom e o que é bom tem, em certas ocasiões, aparência de mau. A mentira, por exemplo. Nossa vida é pelo menos em parte, resultado daquilo que queremos. A primeira vista, a única coisa em que todos concordam é que não concordamos com todos; no meio natural, cada animal parece saber perfeitamente o que é bom e o que é mau para ele, sem dúvidas. Mas definir os seres humanos não é igual a definir outros animais. Cupins constroem cupinzeiros impressionantes, de vários metros de altura e duros feito pedras, para se defenderem dos ataques dos inimigos (formigas, por exemplo). Como não podem competir com elas nem em tamanho nem em armamentos, dependuram-se tentando frear sua marcha, e vão sendo despedaçados pelas mandíbulas das inimigas. Alguns cupins sacrificam sua vida pela segurança dos outros. Eles não merecem medalhas? Não são valentes?

sem dar muitas voltas em torno do assunto. Ao contrário de outros seres. Tomou café com leite e comeu a habitual torrada com manteiga. Esse saber-viver. há coisas que dependem da minha vontade. . O filósofo pegou sua bengala e começou a golpear o amigo com toda a força. um filósofo romano discutia com uma migo que negava a liberdade humana. sem parar de espanca-lo. você escova os dentes todas as manhãs. tentando aproveitar os últimos minutos. Como nenhum homem é programado (os animais o são!). pois ele escolheu fazer isso e por isso admiramos seu valor. Ninguém duvida que Heitor seja um herói. Existem coisas que limitam nossa liberdade. chega não me bata mais!”. Como eu o obrigo. continuou argumentando: “Você não está dizendo eu não sou livre e que não posso evitar fazer o que faço? Pois então não gaste saliva pedindo-me para parar: sou automático”.Na Ilíada. em parte. doenças. é o que se chama de ética. Heitor faz isso para cumprir seu dever.” “Continuo com o outro motor. mas com os outros animais é. Heitor é denominado herói. dizia o outro. em vez de arrebentá-lo contra a parece. ou a arte de viver. Devemos reconhecer que realizamos a maioria dos nossos atos automaticamente. costumes e caprichos – Um barco está levando uma carga importante de um porto para o outro. mas nem tudo depende da minha vontade. nasceram para isso. E o filósofo. Todos somos livres. É certo que não podemos fazer tudo o que queremos. Homero conta a história de Heitor. ele faz porque quer fazer. mesmo sabendo que ele é mais forte e provavelmente irá mata-lo. até quem nega a liberdade. Não somos livres para escolher o que nos acontece. Para salvar o barco e a tripulação é necessário jogar o carregamento no mar. acontece uma tempestade e seu motor estraga. desligou o alarme. Dúvida: ele salva a tripulação ou a mercadoria? Seu professor de voo perguntou-lhe: “Você está num avião. que é defender a cidade e seus familiares do ataque. mas somos livres para responder ao que nos acontece de um ou outro modo. Com os homens nunca é possível ter certeza absoluta. O que você faz?” O aluno respondeu: “Continuo com o outro motor. como terremotos. mas também não somos obrigados a querer somente uma coisa. Heitor possui liberdade de escolha. o herói dos aqueus. tiranos etc. nossa forma de vida. Mas ele não faz o mesmo que os cupins? A diferença está em que os cupins lutam e morrem por que tem que fazê-lo. Tomou banho quase sem saber por que já faz parte da rotina. é livre para negá-la e se enganar. durante o trajeto é surpreendido por uma tempestade. Ficou um momento debaixo das cobertas. “Pare. Capítulo 2: Ordens.” “Esse também estragou. Ser livre para tentar algo não significa consegui-lo infalivelmente A liberdade não é o mesmo que a onipotência (conseguir sempre o que se quer). em oposição ao que nos parece inconveniente. Na Antiguidade. O despertador tocou cedo e você. nós podemos inventar e escolher. Podemos optar pelo que parece conveniente para nós. como queria. Achou que estava ficando tarde e dai se levantou com resignação.” “De onde você tirou tantos motores?” “Do mesmo lugar que você tirou tantas tempestades”. que espera por Aquiles.

os caprichos vem de dentro. Pode haver ordens. Faça-o porquê seu bem-estar o requer. costume ou capricho. é preciso inventar. Não há um regulamento único para ser um bom ser humano. Moral é o conjunto de comportamentos e normas que você. as opiniões variam muito. simplesmente a vontade de fazer. Por outro lado. Gargantua decide fundar uma ordem mais ou menos religiosa e instalá-la numa abadia. Capítulo 3: Faça o que quiser – Liberdade é decidir. Para saber se algo é de fato conveniente tenho que examinar o que eu faço mais a fundo. por respeito à lei. precisamos ver as intenções que movem cada um. mas não se esqueça de que é dar-nos conta de que estamos decidindo. por amor-próprio. Nunca uma ação é boa somente por ser uma ordem.”. mas em outros casos não há por que ser assim. o oficial nazista que matava judeus era bom e comportavase devidamente. Às vezes os homens querem coisas contraditórias. impondo-se sem pedir permissão. que resistia a sair do meio dos escombros e acabou confessando: “É que eu estou sem nada. a explicação mais aceitável de nossa conduta quando refletimos um pouco sobre ela. e outra diferente é fazer “a primeira coisa que der vontade”.Motivo é a razão que se tem. costumes e caprichos que sejam motivos adequados para agir. um amigo meu viu desmoronar diante de seus olhos um edifício muito alto. o que nos convém muda de pessoa para pessoa. raciocinando sozinho. Faça-o porquê é vontade de Deus. E todos os habitantes que frequentam fazem somente isso. Quando a situação é realmente séria. Ordem: ser mandado a fazer tal coisa. ou pelo menos que se acredita ter. mas a opinião dos judeus sobre ele deveria ser diferente. Capítulo 4: Dê a si mesmo uma vida boa – Minha liberdade acaba aonde a tua começa. Por que não sabemos para que os seres humanos são feitos. Costumes: o repetir quase sem pensar. Faça-o porquê o requer a sociedade da qual você faz parte. correu para prestar ajuda e tentou retirar uma das vítimas. Não é fácil determinar de fora quem é bom e quem é mau. Caprichos: ausência de motivo. brotam espontaneamente sem ninguém mandar e sem acreditarmos. eu e algumas das pessoas que nos cercam costumamos aceitar como válidos. em princípio. por amor à sociedade e por consideração a você. cuja porta está escrito o único preceito: “Faça o que quiser”. Quatro princípios da moral: faça o bem pelo próprio bem. Durante o grande terremoto do México de alguns anos atrás. e não seguir apenas a moda ou o hábito. Certamente para seus superiores. e por isso é importante estabelecer uma . o extremo oposto de deixar-nos levar. Nem sempre o que é bom pra mim é bom pra ti.. o que querem. poder dizer “sim” ou “não". As ordens e costumes tem algo em comum: vem de fora. ética é a reflexão sobre por que os consideramos válidos e a comparação com outras morais de pessoas diferentes. ou também ver que à sua volto todo o mundo habitualmente se comporta assim. por amor a Deus. estar imitando alguém. para fazer alguma coisa.. Uma coisa é você fazer o que quiser. Quando se trata de determinar se algum ser humano é bom ou ruim. e nem o homem não é instrumento para conseguir nada. Hábito/rotina.

“Tu colhes aquilo que plantas”. a primeira coisa que aparece e . A humanização é um processo recíproco. se coce!”. Ninguém pode ser livre por você. Capítulo 5: Vamos. ganhamos o respeito de uma pessoa: nós mesmos. Esaú e Jacó. Pediu que Jacó lhe oferecesse um prato. Ao dizer faça o que quiser. O que acredita que quer tudo. Depois se arrependeu. mas tentar compreendê-lo. como Kane fazia. mesmo que não gostem de nós. Ele tem de tudo. Capítulo 6: Surge o grilo falante – Imbecil é quem precisa de bengala para caminhar. A verdade é que as coisas que temos também nos têm: o que possuímos nos possui. “Agora. além do que nos dizem ou o que vemos que é bom nos anúncios de TV. eram irmãos gêmeos. um sábio budista dizia perguntou para seu discípulo “Do que você mais gosta nessa sala? Pegue e não solte. pegue-a também. E não solte.” O discípulo pegou uma taça de ouro e marfim. ele não é manco dos pés. Não havia jeito. Existem de vários modelos: o que acredita que não quer nada. as pessoas se referem as ordem e costumes que se tem o hábito de respeitar. Esaú decide viver como se já estivesse morto e tudo desse na mesma. necessitamos de “coisas” que as coisas não têm. Aquele trenó era o que na verdade Kane queria a vida boa que havia sacrificado para conseguir milhões de coisas que na realidade não serviam para nada. que tudo dá na mesma. tratar os outros como humanos para que te tratem assim também. encontra-se sozinho. é claro. Ou seja. nem respeito e muito menos amor. que devia custar uma nota. nunca conseguiremos nem amizade. devemos dar aos outros uma vida boa. no fundo quero que você se dê uma vida boa. A primeira e indispensável condição da ética é estar decidido a não viver de qualquer modo. E uma vida boa é uma vida humana. ainda que cedo ou tarde devamos morrer. de que nem tudo dá na mesma. Por medo de morrer antes de conseguir os bens que se herdam com a primogenitura. Ao falar de moral. “Não há outra coisa que você também goste? Pois bem. E para se dar uma vida boa. Jacó tinha feito lentilhas e o irmão ficou com água na boca. acorde! –Tanto Esaú como Kane estavam convencidos de que faziam o que queriam. mas nenhum deles parece ter conseguido dar-se uma vida boa.” “E agora?” perguntou o discípulo. mas do pensamento. Quando não transformamos os outros em coisas. Humanos não são coisas. O que é o básico para uma boa-vida. Esaú concedeu e comeu as lentilhas. Kane é um multimilionário que reuniu no seu palácio uma enorme coleção de todas as coisas bonitas e caras do mundo. sem dúvida e usa as pessoas que o cercam para seus fins. Quando tratamos os outros como coisas. a chave não é se submeter ao código ou em se opor a ele. Exatamente o que a ética tenta averiguar é o que existe no fundo.lista de prioridades e de impor certa hierarquia entre aquilo que quero imediatamente e o que quero em longo prazo. como simples instrumentos. Esaú tinha o direito de primogenitura. filhos de Isaac. E morre pronunciando o nome de um trenó com qual Kane brincava quando criança. na época em que ainda recebia carinho e afeto “Rosebud”. No fim da vida. Quando voltou de uma caça. o irmão concordou dizendo que em troca do prato queria o direito de primogenitura. Certo dia.

. Será amigo ou inimigo? Enquanto está sozinho. Devemos enfrentar as consequências das nossas escolhas. O que faz a vida ser humana é o fato de transcorrer em companhia de seres humanos. Quando encontra a pegada de Sexta-Feira. A criança quando quebra o pote de geleia. de montar armadilhas ou de me enganar de mil maneiras. sente-se isolado por sua malformação e acredita que o afeto possa ser imposto aos outros. A questão é salvar a vida em um meio hostil. Ninguém recebe de presente a boa vida humana e ninguém consegue o que lhe convém sem coragem e sem esforço. ou ao menos. incluindo crianças. Ao escolher o que quero fazer. mecânicas. é a especialidade de a ética tratar disso. Apesar de terem costumes. Ricardo III. mas enganou-se sobre o que é a realidade. O remorso vem de nossa liberdade. não poderíamos nos sentir culpados e evitaríamos os remorsos. Estar dispostos a atentar para se o que estamos fazendo corresponde ao que queremos ou não. Além de não ganhar nenhum amigo. Devemos levar a liberdade a sério. de maneira responsável. mas se jogá-la longe. nem se daria ao trabalho de falar ou simplesmente iria rir. já não poderei ordenar que ela volte para continuar tendo-a na mão. logo diz “Não fui eu!”. Encontra uma pegada humana. sentindo horror e ódio por si mesmo. seria ruim. ele quer ser amado. perdeu o único amor que julgava seguro. vou me transformando pouco a pouco. pois o melhor para si mesmo é se dar uma vida boa e Kane não se permitiu ter uma vida boa. de modo que haja certas coisas que nos repugne a fazer. se desorienta e acaba confundido a vida boa com aquilo que o excita. O que quer com força e ferocidade. Caso fossem inimigos. Se tenho uma pedra na mão. sermos tratados humanamente. ele matou todos os parentes varões. caprichos. Saber que nem tudo dá na mesma. culturas. higiênicas etc. ele enfrenta questões técnicas. Ao me comportar como inimigo para com os meus semelhantes. O egoísta é quem quer o melhor para si mesmo. No fundo. mas quer frouxamente. de nossa consciência. Ele era deformado. começam seus problemas éticos. O que não sabe o que quer e não se dá o trabalho de averiguar. O contrário de ser moralmente imbecil.. sabendo que ela tem efeitos indubitáveis. é ter consciência. pois sabe que foi ela. o que representa um sofrimento para seu amor-próprio. se não soubesse. Ninguém nunca viveu em tempos favoráveis. pois queremos realmente viver humanamente bem. temos que lutar por ter uma vida boa. então Kane não é egoísta. Se não fôssemos livres.também o seu contrário. Pois não há pior inimigo do que o inimigo inteligente. À força. Para sermos felizes devemos ser amados e respeitados por nossos companheiros humanos. O grilo falante. Para tornar-se rei. capaz de fazer planos minuciosos. mas o trono o recompensará. sou livre para segurá-la ou jogá-la. O que sabe que quer e sabe o que quer e mais ou menos sabe o porquê o quer. o que importa é que podiam chegar a discutir e compreender o que estavam discutindo. seguirem os outros. por meio do poder! Ele fracassa e perde até o amor-próprio. com medo ou pouca força. Desenvolver o bom gosto moral. Capítulo 7: Ponha-se no lugar do outro – Robinson Crusoé passeia por uma das praias da ilha em que ficou naufragado. Todas as pessoas tem necessidade de se apoiarem em coisas alheias. diferentes. O remorso não é nada mais do que a insatisfação que sentimos com nós mesmos ao empregarmos mal a liberdade. línguas etc. de Shakespeare. sem dúvida estarei aumentando as . que depois de produzidos não podem ser apagados conforme as conveniências.

mente. Quem vive bem deve ser capaz de uma justiça simpática ou de uma compaixão justa. No sexo não há nada mais imoral do que na alimentação ou nos passeis pelo campo. Devemos tratar como humanos. Algumas pessoas acham que a moral trata de se dedicar a falar sobre o que as pessoas fazem com seus genitais. Apesar de sermos diferentes. claro que as pessoas podem se comportar . os homens deveriam sempre começar do zero. O único interesse absoluto é ser humano entre os humanos. Para tratar as pessoas humanamente devemos nos colocar no lugar delas. se em princípio tivesse disposto a oferecê-la a mim. O primeiro dos diretos humanos é o direito de não sermos fotocópias de nossos vizinhos. compreende-las a partir de dentro. seres humanos. Os supostos maus que estão pelo mundo poderiam dizer que são infelizes se fossem sinceros. estou certo de que estou dentro de cada um dos meus semelhantes também. Comportam-se de maneira pouco recomendável. Mas a ignorância. ou seja. Em tudo o que chamamos de civilização. mas de todos. cultura. de alguns dos quais são cúmplices. Colocar-se no lugar do outro tem a ver com justiça.possibilidades de que eles se transformem em meus inimigos também. Se não fossemos tão copiadores. o que coloca você com contato com outras realidades. Sentir simpatia pelo outro.. mata ou abusa alguém de algum modo não deixa de ser humano. não deixa-lo sozinho. mas a cumplicidade e o afeto de mais seres livres.. A maior vantagem que podemos obter dos nossos semelhantes não é a posse de mais coisas. solidão ou carecem de coisas que os outros tem. tão “de verdade” quanto você mesmo. é a imitação. pois eles podem voltar a se transformar na pessoa mais conveniente para nós. O interesse não é somente seu. compaixão.. a habilidade e ao esforço que cada um de nós deve fazer.. etc.. a sermos mais ou menos excepcionais. Não significa que você seja sempre obrigado a dar-lhe razão. Toda lei escrita não é mais que uma abreviatura do que seu semelhante pode esperar concretamente de você. trai. na mais imprescindível. Perdei a ocasião de ganhar usa amizade ou de conservá-la. Não é lógico semear o que você quer colher. mesmo que possa haver discórdia e estragar sua colheita? Quem rouba. Se eles se comportam de maneira hostil ou impiedosa com seus semelhantes é porque sentem medo. mesmo que satisfaça. A maior parte de nosso comportamento e gostos é copiada dos outros. quem nasceu para leão pergunta o que vai fazer. de dar e receber o tratamento de humanidade sem o qual não se pode haver vida boa. O rato quer o brigar os outros a gostarem dele para assim ser capaz e gostar de si mesmo e o leão gosta de si mesmo e por isso é capaz de gostar dos outros. mas não deixam de ser humano. geralmente associam com sexo. de adotar por um momento seu próprio ponto de vista. há pessoas que são felizes somente quando não tomam conhecimento dos sofrimentos que abundam à sua volta. Reforçando a minha humanidade. também é uma forma de infelicidade. Quem nasceu para rato pergunta o que vai acontecer comigo. Capítulo 8: Muito prazer – Quando as pessoas falam em moral. No entanto. sobretudo em moralidade. há um pouco de invenção e muito de imitação. Uma característica de todos nós.

mas a polícia falou “minha senhora. mas que se deve buscar todos os prazeres de hoje. às vezes quando menos esperamos. respondeu: “é. afinal todas nossas escolhas tem.” e a mulher. indignada. o que vale é a vida. Quem se envergonha de sentir prazer é tão bobo quanto quem se envergonha de aprender a multiplicação. mas a mulher voltou a telefonar. não quero prazeres que me permitam fugir da vida e sim aqueles que a tornem mais intensamente grata. mas nada é mal só pelo fato de gostarmos de fazer. A policia afastou os rapazes. para renascermos logo depois. EPÍLOGO: Cabe a você pensar – Mesmo ao rejeitar a vida. O máximo que podemos obter de seja lá o que for é alegria. prazer demais nos causa mal. alegria é um sim espontâneo a vida que brota dentro de nós.imoralmente no sexo (abusando de outras). de ideais ou ilusões que aprendeu durante o ofício de viver. A expressão morrer de prazer significa que morremos com relação ao que somos habitualmente. Mais a mulher ligou novamente e a policia tornou a afastá-los. não quer dizer que você deva buscar hoje todos os prazeres. mais fortes e animados. as pessoas tem tanto medo que o prazer lhes seja irresistível que se tornam caluniadores profissionais do prazer.. o prazer às vezes nos distrai mais do que convém. A existência humana sempre foi um jogo perigoso. devemos usar o prazer para vivermos bem e gostarmos cada vez mais da vida. Um sim ao que somos. Trata-se de uma habilidade fundamental do homem. Lembre-se que o prazer se dá no fato de sabermos desfrutar o que está em nossa volta. afinal todos somos livres para tomarmos nossas próprias escolhas e arcarmos com as consequências. O que de fato é mal é as pessoas acharem que haja algo de mal em ter prazer. sob o pretexto de fazê-lo viver bem. mas também podem se comportar imoralmente em várias outras ocasiões. Se você se entregar com demasiada generosidade ele será capaz de deixa-lo sem nada.. Tu tens o direito de fazeres o que quiseres. A mulher voltou a reclamar. Quando o prazer nos aproxima da morte ou nos mata. inclusive para quem chega à conclusão de que não vale a pena viver. você o fará em nome de valores vitais. A ética consiste em apostar em que a vida vale a pena. nós os afastamos para mais de um quilometro e meio de distância. Às vezes. A arte de colocar o prazer em serviço da alegria se chama temperança. Uma mulher ligou para a policia reclamando que havia alguns rapazes nus tomando banho na frente de sua casa. ao que sentimos ser. mas hoje querem substituila pela abstinência racial ou pela proibição policialesca. Claro que o prazer tem consequências. Tudo pode chegar a ser inconveniente ou servir para fazer o mal. Um dos mais velhos temores sociais do homem é o medo do prazer.. onde ele se torna um refugio para escaparmos da vida e podermos caluniá-la melhor. ou melhor. Os puritanos garantem que o sinal de que alguma coisa é boa é o fato de não gostarmos e vice-versa. mas de binóculo ainda consigo enxerga-los”.. . e não abusarmos dele que consiste em gostar da vida somente por causa daquele prazer em particular. Carpe diem. é um castigo disfarçado de prazer. Portanto.

às vezes poucos minutos: o tempo fugaz da gargalhada ou do suspiro. nós. o estranho ou o estrangeiro. feroz e peludo. ou seja. entre as pessoas que mais se assemelham a nós. ao contrário. sobretudo quando alguém quer dar uma de sublime para ficar bem: afinal. costumam ocupar alguns dias. ainda mais quando são "esquisitos". Homer então o cumprimenta: "Oi!". Não há nada mais fácil do que amar a Humanidade em abstrato. Homer vai visitar uma espécie de manicômio e lhe mostram um sujeito esquisitíssimo. com seus prazeres e dores. Todos os médicos se aproximam admirados para estudar o prodígio. Afinal. que sejam noves. porque de certo modo equivale a respeitar a nós mesmos. zeros ou uns? A data não influi em nada no que acontece.Apêndice – As coisas que mais contam para nós. o que acontece é que faz se destacar a data que empregamos para situar historicamente o evento extraordinário. Respeitar o próximo que se parece conosco é bastante óbvio. uma vez que somos como ele. . ninguém nunca tropeça na dona Humanidade nem tem que lhe dar lugar no ônibus. quando vêm de longe. o que importam os números que aparecem no calendário. O difícil. de fato. os médicos lhe dizem que nunca ninguém ouviu aquele monstro dizer uma palavra humana. falam outra língua e têm outras crenças. A coisa começa a complicar quando temos que aceitar o diferente. E a fera também grunhe "oi". Além do mais. horas. o imigrante. seres humanos. como acontece em muitas de nossas cidades. somos animais gregários e por isso gostamos de viver em rebanho. é respeitar os outros seres humanos concretos. enquanto o suposto monstro reclama: "Estava na hora de alguém me cumprimentar!" A maioria das vezes o outro é incompreensível porque ninguém tem paciência para se dar ao trabalho de tentar se fazer compreender devidamente.

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